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CONCRETO PROTENDIDO NO BRASIL: BREVE HISTÓRICO E APLICAÇÃO NO

SETOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL.


Por mais que a chegada do concreto protendido ao Brasil tenha sido tardia, há uma
relação grande de obras e soluções em que o material foi adotado. Algumas vezes, a
escolha se deu por exigências técnicas, outras, por melhor competitividade executiva.
O concreto protendido é uma técnica de execução já bem difundida no País, torna a
estrutura mais limpa, com menos elementos, mais fácil de construir, mais rápida e
mais leve. Explora todo o potencial do concreto, maximizando a resistência do material
e minimizando os impactos de ações externas, que podem resultar, principalmente, em
fissuras.
A formação do concreto protendido começa a partir da aplicação de cabos de aço no
cimento ainda não curado. Estes cabos atravessam toda a estrutura (viga ou laje),
passando pela parte superior e inferior, que são escolhidas a partir da solicitação do
momento fletor, esforço ao qual tende a “curvar” uma viga, por exemplo.
Responsável por diversas vantagens, o concreto protendido teve início em Fortaleza.
Segundo o professor José Sérgio dos Santos, Coordenador do curso de Engenharia
Civil do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará), e autor
do livro Desconstruindo o projeto estrutural de edifícios, a nova tecnologia teve
penetração fortíssima no Nordeste, sendo atualmente usada na maioria das obras
feitas na região.
“Quem puxou e quem começou a disseminar foi uma empresa aqui de Fortaleza,
chamada Impacto Protensão. Com a empresa, a primeira obra no Brasil com essa
tecnologia foi feita aqui, então ela começou a se disseminar. A primeira obra foi um
edifício chamado Torre Santos Dumont, que fica na avenida Santos Dumont aqui em
Fortaleza”, conta o professor.
No entanto, a técnica ainda enfrenta desconfiança no mercado, revelada pela pouca
manipulação no estado de São Paulo.
“Ele é bem utilizado no Brasil. Rio de Janeiro está começando, mas é realmente forte
aqui no Nordeste, Curitiba e Minas. O pessoal em São Paulo ainda tem uma certa
resistência, eu acho que é o mercado, tanto que está tendo muitos cursos nessa área
e treinamento de engenheiros”, explica o professor José Sergio.
José Sérgio já participou de vários treinamentos, além de ter viajado o Brasil
ministrando cursos de 3 e 4 dias disseminando essa tecnologia, mas mesmo assim ele
garante que o processo não é algo instantâneo. A expectativa é de que, com o advento
da cordoalha engraxada, a qual se tornou economicamente viável para obras de
pequeno porte, de edifícios comerciais, residenciais e escolas, o concreto protendido
seja o preferido dos profissionais e estudiosos da construção civil.
De acordo com as palestras do 4º SELAP (Seminário Latino-americano de
Protensão), o ano de 2013 foi um marco para as obras em concreto protendido no
Brasil, foi quando se bateu o recorde em consumo de cordoalhas para protensão.
Houve a venda de mais de 100 mil toneladas (atualmente, esse volume encontra-se
na faixa de 45 mil toneladas/ano). A queda ocorre porque a maior demanda por
concreto protendido no país está nas obras de infraestrutura. Como elas se tornaram
raras desde 2016, o consumo caiu. Mas o segmento que atua nesta área começa a
explorar outro nicho que usa concreto protendido: o dos edifícios altos.
Os Estados Unidos têm tradição no uso do concreto protendido em construção de
prédios. O primeiro edifício norte-americano a usar a tecnologia foi erguido em 1950.
No Brasil, os primeiros arranha-céus com essas características foram entregues em
1998. Entre os países latino-americanos, quem mais constrói edifícios altos usando
concreto protendido é o Panamá. Pelas características geográficas do país, que é
atingido por fortes ventos vindos dos oceanos Atlântico e Pacífico, somente a
tecnologia que utiliza protensão consegue dar a estabilidade necessária aos prédios
panamenhos, explica o professor-doutor Ramirez (2018), da Universidade Tecnológica
do Panamá, que também palestrou no 4º SELAP.
No Brasil, a maior obra em concreto protendido é a ponte Jornalista Phelippe Daou,
que cruza o rio Negro, no Amazonas. Foram consumidos 138 mil m3 de concreto e
2.200 toneladas de aço para protensão. Já a primeira obra que utilizou protensão no
país foi a ponte do Galeão, no Rio de Janeiro-RJ, construída ao longo de 1948 e
inaugurada em 1949, em que toda a tecnologia foi importada da França. Em termos de
prédios altos, a principal obra que utiliza a protensão atualmente no Brasil está em
Balneário Camboriú-SC, é o edifício Yachthouse Residence Club, projetado para ser o
mais alto do país.
Segundo o grupo IDD, voltado ao ensino e à pesquisa nas áreas de engenharia civil e
arquitetura e urbanismo, a “protensão é a técnica empregada para aumentar a
resistência do concreto à tração e melhorar o seu comportamento. Significa
incrementar uma compressão a mais no concreto, por meio de cabos de aço, de forma
que o material tenha maior capacidade de resistir aos esforços de tração”. Para
explicar a função do concreto protendido, os engenheiros costumam usar o exemplo
dos livros dispostos em uma prateleira, para que se mantenham em pé, eles precisam
de uma força de compressão exercidas pelas laterais da prateleira ou por objetos
que possam comprimi-los. O conceito é semelhante quando se aplica o concreto
protendido em uma obra.
ESTUDOS DE CASO NO BRASIL

BIBLIOGRAFIA
A evolução e o uso do Concreto Protendido
<https://www.ofitexto.com.br/comunitexto/evolucao-e-o-uso-do-concreto-protendido/>
Acesso em: 18/10/2018
Edifícios aquecem mercado de Concreto Protendido
<http://www.cimentoitambe.com.br/edificios-aquecem-mercado-de-concreto-
protendido/> Acesso em: 18/10/2018

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