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Construindo o Congresso Internacional da Paz e o Congresso

Anarquista Sul Americano: cultura política e o trânsito de ideias e


experiências anarquistas e sindicalistas entre o Brasil e a Argentina
nas duas primeiras décadas do século XX

KAUAN WILLIAN DOS SANTOS*

Resumo: Este trabalho tenciona analisar as articulações políticas e sindicais,


bem como a trajetória de grupos e militantes que possibilitaram a construção do
Congresso Anarquista Sul-Americano e do Congresso Internacional da Paz
diante de seus condicionamentos, mas também de seus dilemas e debates, na
(re)elaboração de sua cultura política, tanto global mas também transnacional e
local. Nesse sentido, temos como objetivo analisar as características da
disseminação do anarquismo e da estratégia do sindicalismo de intenção
revolucionária entre o Brasil e a Argentina, dando enfoque também para a
circulação de ideias e experiências anarquistas e sindicalistas nesses países.
Palavras-chave: Anarquismo. Sindicalismo Revolucionário. Movimento
Operário –América do Sul.
Building the International Peace Congress and the South American
Anarchist Congress: political culture and the transit of anarchist and
syndicalist ideas and experiences between Brazil and Argentina in the first
two decades of the 20th century
Abstract: This work intends to analyze the political and union articulations, as
well as the trajectory of groups and militants that made possible the
construction of the Congresso Anarquista Sul-Americano and the Congresso
Internacional da Paz in face of their constraints, but also of their dilemmas and
debates, in the elaboration of its political culture, both global but also
transnational and local. In this sense, we aim to analyze the characteristics of
the dissemination of anarchism and the strategy of syndicalism of revolutionary
intention between Brazil and Argentina, also focusing on the circulation of
anarchist and syndicalist ideas and experiences in these countries.
Key words: Anarchism; Syndicalism; Labor moviment – South America.

*
KAUAN WILLIAN DOS SANTOS é doutorando em História Social pela Universidade de
São Paulo (USP).

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Congresso Internacional da Paz. Fonte: http://unespciencia.com.br/2018/08/24/historia-99/

Introdução
“Aos socialistas, sindicalistas, anarquistas e organizações operárias de todo o
mundo. A pressão exercida pelos governos das nações beligerantes sobre o governo
espanhol, obrigando a este a proibir a reunião, em Ferrol, do Congresso
Internacional da Paz, marcado para 30 de abril próximo passado, é uma prova de
que os governos da burguesia temem que os proletários do mundo inteiro
cheguemos a combinar esforços e, unidos todos, façamos cessar a horrorosa
matança [...]. Beligerantes e neutrais, sofremos as mesmas consequências do atual
estado de coisas, – uns dando a sua vida nos campos de batalha, em holocausto ao
deus do capital, os outros, por efeito da crise industrial e comercial, morrendo de
fome e de miséria, sem que uns e outros tenhamos um gesto de rebeldia para
sublevar-nos contra os causantes de tão monstruoso crime de lesa-humanidade”
(CONGRESSO INTERNACIONAL DA PAZ, 1915, p.1).

Com o avanço da Primeira Guerra impossibilitados de ocorrerem, seja


Mundial e o consequente enrijecimento pelas novas dificuldades de tráfego de
das fronteiras nacionais, órgãos e militantes e periódicos de um país para
intentonas anarquistas e sindicalistas de o outro ou pelo acirramento da
caráter transnacional e de postura repressão nesses países (OLIVEIRA,
internacionalista tiveram danos severos. 2009 e SANTOS, 2016).
Nesse sentido, tanto o Congresso É de se notar, portanto, que anarquistas
Internacional da Paz na Espanha e o no Brasil, chamando também socialistas
Congresso Anarquista de Londres, e sindicalistas, noticiassem essa notícia
marcados para 1914, foram através da Confederação Operária

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Brasileira com sede no Rio de Janeiro, esses não cessaram suas atividades, mas
não para cancelarem projetos e eventos sim, como veremos, reinterpretaram
entre o movimento operário de países da suas táticas e estratégias a partir das
América do Sul, como na Europa dificuldades encontradas.
ocidental, mas para confirmarem e
justificarem o Congresso Anarquista
Sul-Americano e o Congresso Este trabalho, portanto, tem como
Internacional da Paz, ambos ocorridos objetivo analisar as articulações
em 1915. Evidentemente, anarquistas políticas e sindicais, bem como a
sul-americanos tiveram menos danos trajetória de grupos e militantes que
em seus grupos políticos que no caso possibilitaram a construção do
europeu, onde os conflitos nacionais os Congresso Anarquista Sul-Americano e
afetaram diretamente. Não obstante, a do Congresso Internacional da Paz
inflação de produtos de necessidade diante de seus condicionamentos, mas
básica e a instabilidade do mercado de também de seus dilemas e debates, na
trabalho nesse período, desorganizaram (re)elaboração de sua cultura política,
a estrutura sindical estabelecida na tanto global mas também transnacional
década passada como na Argentina, e local. Nesse sentido, primeiramente
Uruguai e Brasil, o que nos faz pensar analisamos as características da
na dificuldade de uma rápida disseminação do anarquismo e da
reestruturação do movimento operário estratégia do sindicalismo de intenção
nesses lugares, ainda mais se revolucionária entre o Brasil e a
considerarmos uma associação simples Argentina – principais países
e mecanicista entre economia e participantes dos congressos analisados
estrutura sindical. – dando enfoque também para a
Para Van der Linden (2013), no entanto, circulação de ideias e experiências
as greves e reivindicações anarquistas e sindicalistas nesses países,
evidentemente dependem das condições que possivelmente deram substância
materiais para serem realizadas, mas para posteriores intentonas mais
também da motivação subjetiva dos sistemáticas. Após isso, mostraremos os
personagens que as compõem que vão principais debates anarquistas e
“recorrer a uma vasta gama de sindicalistas diante da Primeira Guerra
estratégias” (LINDEN, 2013, p.195). De Mundial e de novas articulações
fato, como apontado pelo historiador políticas e sindicais para a permanência
Maram (1979), no caso do Brasil, houve e continuidade de suas atuações entre a
uma queda da organização sindical classe trabalhadora. Por fim,
exatamente pela forma móvel dos adentraremos a trajetória de construção
trabalhadores, constantemente mudando e nas resoluções do Congresso
de locais de emprego e de ofício, Anarquista Sul-Americano e o
reduzindo também seu poder de Congresso Internacional da Paz. Devido
barganha pelo excedente de força ao tempo e ao espaço, focaremos
produtiva (MARAM, 1979). Não principalmente nestes dois países –
obstante, um tipo de insegurança Argentina e Brasil, como já citado, os
sempre existiu entre esses personagens maiores edificadores das entidades e
e, portanto, ligar a redução da atividade eventos compreendidos - porém não
sindical à suposta apatia do movimento excluindo a presença e a importância do
operário no quesito militante não é um Uruguai e do Chile, dois dos países
exercício totalmente certeiro, já que também presentes.

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A disseminação do anarquismo e da apresentando uma tiragem inicial de
estratégia do sindicalismo de intenção 1.000 exemplares e, a partir de seu n.º
revolucionária no Brasil e na 60, contava com a impressão de 4.000
Argentina exemplares, número surpreendente para
qualquer jornal do período, inclusive se
Longe de ser o primeiro a espalhar suas comparado com a grande imprensa.
ideias em sua visita à Argentina entre Esse sucesso também refletia e
1885 e 1889, o militante Errico influenciava o crescimento do
Malatesta – importante teórico movimento operário na cidade que, a
anarquista do século XX e uma das partir das duas últimas décadas do
principais referências nos periódicos século XIX, presenciou “fortes
libertários no mundo – deparou-se com movimentos de greves”, principalmente
outros militantes e grupos de sua família “entre os padeiros, os cigarreiros, os
política, que inclusive estavam se sapateiros, os pedreiros, os estucadores,
desenvolvendo há alguns anos no país. entre outros” (COLOMBO, 2009. p.78).
Esses personagens haviam se Nesse movimento, as autoridades,
estabelecido em recentes polos incluindo da Argentina e da Itália, já
industrias, agrícolas ou de comércio a perceberam a ação do periódico entre
partir das correntes migratórias em essas categorias e, por isso, acirraram a
massa ocasionada pela crise do repressão sob o grupo de redatores e
capitalismo industrial na Europa militantes em torno desse organismo.
ocidental entre 1873 e 1896
(COLOMBO, 2009, p.78). Anarquistas, Após uma intensa paralisação em 1890
majoritariamente italianos, mas também que terminou com a vitória da categoria
espanhóis, seja em razão de exílio de pedreiros, mas como uma intensa
político ou mesmo tentando uma vida repressão entre militantes e ativistas
melhor que lhes fôra prometido no participantes desse processo, o
chamado novo mundo, se estabeleceram movimento anarquista abriu um debate
no país e encontravam respaldo entre recorrente na sua família política na
diversos grupos de trabalhadores, Europa sobre as formas de organização
nativos e imigrantes, que também e construção do sindicalismo. Nesse
apresentavam sintomas de resistências sentido, havia os antiorganizacionistas
às péssimas condições de trabalho e que “pensavam [que] a constituição de
moradia. A capital do país, Buenos grupos estáveis, com relações sólidas e
Aires, nesse sentido, crescia em permanentes, alheios muitas vezes à
proporções avassaladoras e recebia um efemeridade de determinados objetivos,
contingente enorme de trabalhadores. era um desvio da essência mesmo do
Nesse contexto surgem, ainda em 1879, anarquismo.” De outro lado, estavam os
os primeiros periódicos socialistas da organizacionistas que “viam no
região como La Voz Del Obrero e La sindicato um excelente meio para unir
Vanguardia, e o primeiro jornal de trabalhadores e fazer a necessária
inclinação anarquista, o El propaganda, objetivando criar uma
Descamisado, que teve apenas alguns organização anarquista com base
meses de publicação (COLOMBO, operária sólida.” (SAMIS, 2009, p.95-
2009, p.78-79). 96). Os organizacionistas começaram a
ter mais visibilidade na cidade e tinham
Em maio de 1890 surgiu o El seu periódico chamado Questione
perseguido, periódico libertário de Sociale, inclusive com participação dos
bastante respaldo entre os trabalhadores, anarquistas italianos Errico Malatesta e

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Pietro Gori que haviam fundado anarquistas tentavam ultrapassar seus
também o Circulo de Estudios Sociales círculos étnicos, passando do simples
(ROVIRA, 1996, p.90-91). contato de militantes anarquistas entre
grupos de seus países natais, para
Mas é no início do século XX que contatos com outros países, inclusive
anarquistas em torno do periódico La vizinhos (GODOY, 2013, p.132-141).
Protesta Humana e de socialistas em Nesse sentido, o jornal L’avvenire de
seu recente partido se articularam para a São Paulo, logo em 1894, alega o
formação da Federação Operária recebimento de cartas da Argentina,
Argentina (FOA). Este organismo foi Portugal, Espanha, Estados Unidos e
altercado no salão da Sociedade Lígure, Inglaterra, noticiando também, no caso
situado no bairro de La Boca em deste primeiro, o contato e a criação do
Buenos Aires. A FOA foi caracterizada “grupo La Juventú Comunista-
por discussões sobre suas estratégias e anarquica de Buenos Aires”
consequentemente levava divergência (L’AVVENIRE, 14/07/1895, p.4).
destes entre socialistas e anarquistas,
situação que foi mudada a partir das Evidentemente, para entendermos a
intensas greves e manifestação entre expansão de seus contatos fora do
1901 e 1903. Nesse período, para continente europeu, precisamos adentrar
Eduardo Colombo (2009), foi ampliada a trajetória de um dos redatores desse
a participação dos anarquistas na periódico anarquista paulista, o
formação e participação de sindicatos militante Galileo Botti, nascido em
na capital do país, organismos que Livorno e que residiu em Buenos Aires
cresciam exponencialmente. Nesse até 1890. Devido a uma forte crise
contexto, operários portuários criam a financeira na Argentina e o crescimento
Sociedade de Resistência dos Operários. da repressão nesse país, o personagem
Esse grupo vai conseguindo se articular se estabeleceu em São Paulo no início
com outras categorias que estavam na última década do século XIX. Pelo
utilizando a ação direta típica dos que tudo indica, antes de publicar o
libertários e, no IV Congresso da FOA primeiro periódico de orientação
em 1904, conseguem a edificação da anarquista que se tem registro no Brasil,
Federação Operária Regional Argentina o Gli Schiavi Bianchi, o personagem já
(FORA) (COLOMBO, 2009. p.86- havia tido um contato com o
102.). No V Congresso da FORA em anarquismo nesses países, uma vez que
1905, é decidido um meio, discutido em se comunicava com os jornais Il
outros pontos do globo dentro da Perseguido e Lavoriamo de Buenos
família política anarquista, que versava Aires e o Il Farilla de Mantova
a melhor introdução da ação libertária (GODOY, 2013. p.85-102). Portanto,
no movimento operário. Entre as anarquistas não traziam simplesmente
estratégias discutidas, a escolha foi pelo suas ideias da Europa para o Brasil, mas
uso do anarcossindicalismo, que visava já estavam desenvolvendo suas práticas
o vínculo explícito entre anarquismo e e experiências num circuito
sindicalismo. transnacional entre diversos países em
que transitavam, especialmente de
Além da construção sindical, outro grande imigração na América do Sul,
debate anarquista que teve forte como Uruguai e Argentina.
propulsão no período foi sobre o caráter
internacionalista do movimento no No caso brasileiro, a população
sentido prático. Dessa maneira, imigrante, apesar de abarcar quase todo

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o território brasileiro com o passar dos rendeu resultados. Militantes libertários
anos, ocupou primeiramente as regiões estiveram na dianteira da construção da
de produção agrícola e, depois, foram Federação Operária Regional Brasileira,
atraídos paulatinamente para os polos mais tarde chamada de Federação
industriais. Estados como São Paulo, Operária do Rio de Janeiro (FORJ).
Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Esta foi, na realidade, um alongamento
Paraná e Santa Catarina foram mais da Federação das Associações de
fortemente atingidos, mas outros como Classe, criada no final de 1904 por
Pernambuco e Salvador também tinham portuários filiados à Federação Operária
uma presença notável de imigrantes e de Regional Argentina (FORA) que
aumento populacional (CLEVELÁRIO chegaram ao Rio de Janeiro com o
JÚNIOR, 1997). Essas intensas objetivo de firmar conexões sólidas com
transformações que assinalaram tanto a os trabalhadores de ambos os países,
esfera institucional quanto a própria revelando mais uma vez a importância
construção das cidades, também em do contato entre tais regiões para seus
seus âmbitos sociais, ocasionaram respectivos movimentos - anarquista e
profundas reformulações nos próprios sindicalista (SAMIS, 2009, p.110). Em
tipos e linguagens de resistência dos 1906, militantes do organismo carioca,
personagens menos favorecidos. envolvidos com a Federação Operária
de São Paulo (FOSP) e a Federação
Pensamentos e práticas que circulavam Operária Local de Santos (FOLS)
com esse grande fluxo se fortificavam decidem a criação da Confederação
com a imprensa operária e de bairro, Operária Brasileira (COB).
gradativamente em ascensão devido à
expansão da fabricação das máquinas O Primeiro Congresso Operário, evento
tipográficas e da consequente ampliação que concretizou tal intentona, foi
da imprensa, que já era usada por realizado no Centro Galego entre os
grupos sociais ou políticos para seus dias 15 e 22 de abril de 1906 no centro
interesses particulares. É nesse do Rio de Janeiro. As reuniões
contexto que nascem os primeiros receberam 43 delegados de 28
grupos anarquistas atrelados aos seus associações de variadas partes do país,
instrumentos de comunicação e incluindo a cidade em questão,
propaganda, como Gli Schiavi Bianchi e Salvador, Alagoas, Rio Grande do Sul e
L’asino Humano em São Paulo, O São Paulo e incluía, em seus primeiros
Despertar e A Greve no Rio de Janeiro, anos, 50 sindicatos federados por
A Luta no Rio Grande do Sul e A Nova organismos nacionais e de ofício.
Era em Minas Gerais. Anos depois, Diferente da argentina, onde o vínculo
aconteceu uma proliferação de explícito entre anarquismo e
periódicos operários e anarquistas em sindicalismo era usado, na COB a
diversos pontos do país, como o La escolha usada por seus militantes –
Battaglia, A Terra Livre, A Guerra incluindo aí os anarquistas – era o
Social, La Propaganda Libertaria, sindicalismo revolucionário, uma
Aurora Social, O Amigo do Povo, A estratégia que apesar de utilizar a ação
Lanterna e muitos outros (SANTOS, direta e a horizontalidade como meios,
2016, p.25). se desvinculava do anarquismo,
podendo ser construído e impulsionado
No início do século XX, a insistência do por socialistas, sindicalistas não
anarquismo pela construção sindical, declarados anarquistas e demais
como vimos também no caso argentino, correntes políticas desde que

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declarassem sua predisposição ao repressiva sob os militantes do
emprego dos métodos e inclinações movimento operário. Logo em 1910, a
libertárias (OLIVEIRA, 2009). polícia argentina, em sigilo, prendeu
membros do conselho da FORA, entre
Não obstante, o desejo de construir uma
eles também os redatores de La Protesta
força sindical nacional adiava a
e da La Batalla, empastelando os
construção de organismos entre países
periódicos e deixando o órgão sindical
diferentes, que se restringiam aos seus
sob clandestinidade (COLOMBO, 2009,
contatos por cartas ou na participação
p.105-106).
de militantes viajantes em grupos de
diferentes regiões. Mesmo assim, o Não obstante, é difícil pensar,
trânsito de ideias, experiências e analisando a própria memória dos
militantes anarquistas e sindicalistas foi militantes do movimento operário
transformado em intentonas mais posteriormente, que suas ações tivessem
concretas, fazendo simples contatos cessado nesse período como outras
serem utilizados e apropriados partir de interpretações sugerem. Nesse sentido,
novos contextos e debates dentro do não podemos apenas olhar para a
movimento anarquista entre tais países. FORA, tentando vê-la como a única
Anarquistas e sindicalistas diante da saída do movimento operário. Na
Primeira Guerra Mundial realidade, militantes de diversas
orientações estavam se organizando
Embora não afetados diretamente pelos territorialmente por bairros como
efeitos da Primeira Guerra Mundial, os Belgrano, Barracas e Villa Crespo, o
trabalhadores da Argentina estavam que descentralizava o movimento e
sofrendo consequências do evento desde podia possivelmente escapar da onda
de 1913. Neste período, a importação de repressiva. Nesse movimento, “o
combustíveis afetava a produção Sindicato de Marceneiros primeiro e a
industrial, que também sofria com a Federação Gráfica Bonaerense depois
queda substancial de exportação devido propuseram adotar a semana de 44
ao fechamento de fronteiras e a queda horas de trabalho” (SURIANO, 2017,
de compra dos países europeus. O p.100).
congelamento dos salários e o aumento
dos artigos de primeira necessidade – de Situação parecida estava acontecendo
50% entre 1914 e 1908 – causavam no movimento operário de São Paulo
danos severos à qualidade de vida dos que, entre os anos de 1911 até 1913,
trabalhadores, ocasionando também um presenciou algumas greves no setor de
excedente na força de trabalho. Além construções, acompanhadas de
disso, para Suriano (2017) “a iniciativas reivindicativas também em
paralisação das obras públicas, a queda outras regiões do estado, como em
do emprego no setor estatal, na Ribeirão Pires em abril e maio de 1913.
construção privada (especialmente na Em 1912, na capital, uma paralisação
ferrovia) e na falência das empresas parcial no setor de calçados conseguiu
causou um desemprego de cerca de ser ampliada para uma grande
20%” (SURIANO, 2017, p.99) no caso mobilização de dez mil trabalhadores
de Buenos Aires. Além dos danos onde os militantes tentavam adentrar
econômicos que o sindicalismo sofria, o sob a forma de notícias ou continuando
crescente aumento de greves na década seus esforços de coordenação (BIONDI,
passada e a presença de trabalhadores 2011, p.284-285). Para alguns autores,
organizados resultou numa onda esse comportamento mudou bastante

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nos quatro anos posteriores, antes das militantes Edgard Leuenroth e
intensas agitações de 1917. Sheldon Benjamin Mota. Por ser conhecido na
Maram defende que o movimento cidade e no país, inclusive por grupos
operário sofreu um declínio evidente, maçons, espíritas, socialistas
resultado da repressão contínua da anticlericais e livres-pensadores, é
polícia às manifestações e organizações difícil fazer uma associação da
somado ao constante desemprego que relevância que o grupo em torno desse
varria os centros industriais, causando periódico teve para a reintrodução do
instabilidade na vida da população e, anarquismo no movimento operário.
por consequência, a dificuldade de Isso se deu quando Edgard Leuenroth,
sindicalização pelas constantes membro da COB, passou para a direção
demissões e mobilidade dos do periódico em 1909 e anexou a coluna
trabalhadores (MARAM, 1979). De “Vida Operária” em 1911, transformada
fato, a mencionada repressão, por sua depois em “Mundo Operário.” As
vez, teve alguns amparos legais em colunas eram destinadas a discutir e
1907 criadas pelos governantes ao noticiar os problemas envolvendo
visualizarem o potencial perigo das trabalhadores bem como suas pautas em
agitações para o projeto republicano, greves e reivindicações (SANTOS,
sancionadas pelo então presidente 2016, p.73).
Rodrigues Alvez (LEAL, 1999. p. 52-
53). Tais medidas se somaram
posteriormente a uma grande crise Outro organismo relevante no período
econômica, decorrente dos efeitos das foi o periódico La Propaganda
guerras balcânicas seguidas da Primeira Libertaria que depois passou para o
Guerra Mundial, no período de 1913- nome La Guerra Sociale em 1915, e
1916, inflacionando os preços de que tinha como redatores Gigi Damiani
produtos de necessidade básica que e Angelo Bandoni. Esse jornal foi
afetou diversas partes do mundo responsável pela crítica contundente da
causando severos danos também no Primeira Guerra Mundial e seus efeitos
mercado de trabalho, ainda mais nos em âmbito global. Para os redatores,
pólos industriais brasileiros como Rio esse evento, além de ocasionar grandes
de Janeiro e São Paulo (SANTOS, danos às classes baixas, marcaria o
2016). poder dos estados nacionais ligados aos
Ainda assim, anarquistas continuaram detentores dos meios de produção já que
sua militância e ativismo em outros esses últimos seriam “acionistas das
espaços além dos sindicais, até que esse grandes fábricas de armas e munições,
se encontrasse reestruturado. Para isso, bem como fornecedores dos exércitos e
não podemos procurar somente a dinheiro (LA PROPAGANDA
atuação da COB e de seu periódico A LIBERTARIA, 12/07/1913. p.2).” A
Voz do Trabalhador – que parou de ser partir disso, anarquistas da cidade de
publicado de 1909 até o fim de 1912 -, São Paulo, Rio de Janeiro e do país
já que estes estavam na mira da começavam a tensionar posições
repressão, além de sofrerem com a nacionalistas que estavam crescendo
queda da sindicalização do país. Nesse nesse momento. Sobre outra campanha
período, anarquistas estavam visando “Os trabalhadores de todos os
condensando seus esforços no periódico países, austríacos ou turcos, franceses
anticlerical A Lanterna de São Paulo, ou russos, saxões ou ibéricos, negros ou
que contava com a presença dos brancos”, o jornal mostrava:

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“[...] nós vivemos sob uma parte da redatores dos organismos, este evento
terra a que chamamos de Brasil, seria uma “reunião internacional de
que possui um presidente, socialistas, sindicalistas e anarquistas
ministros, deputados, empregados e para tratar dos meios de combate à
soldados. Pois bem, é estreitar ou tremenda guerra europeia.” Eles
reforças laços com outros países,
destacavam ainda que “um acordo entre
principalmente vizinho dele um
outro país chamado Argentina, que as forças revolucionárias do
por sua vez também possui um proletariado internacional seria de uma
presidente, ministros, deputados, eficácia indiscutível para promover a
empregados e soldados, é vizinho terminação da carnificina desgraçada”,
deste um outro chamado Chile, justificando, portanto, suas investidas.
vizinho deste outro chamado Perú, Além disso, ainda usavam suas redes
etc., etc., que são partes militantes do mundo para mostrarem
componentes da América e do que “O Ateneu Sindicalista Del Ferrol,
mundo – em todos estes países Espanha, fizeram um chamamento ao
vivem homens formados proletariado avançado de todo o mundo
igualmente a nós, com um nariz,
para se reunir em congresso naquela
uma boca, olhos e orelhas, homens
que não nos conhecem e não nos cidade, em fins de abril desse ano” (NA
querem fazer mal, e aos quais, por BARRICADA, 02/10/1915, p.1).
nossa vez, não desejamos mal”
(GUERRA SOCIALE, 01/05/1916, Na chamada feita pela COB para o
p.1). Congresso Internacional da Paz,
percebemos que o evento também era
Com isso, A Lanterna e o Guerra percebido como resultado da proibição
Sociale, seguido pelo periódico Na de outro congresso que aconteceria na
Barricada noticiavam a busca por Espanha, fato que atesta o laço de
órgãos internacionalistas, congressos e continuidade transnacional contido
eventos referentes à aproximação de entre os militantes anarquistas
grupos latinos ou sul-americanos para a presentes, mas também do
luta antimilitarista (SANTOS, 2016. internacionalismo operário que era
p.82-102). É nesse prisma, e a partir fortalecido por meio desses. Do mesmo
dessa redefinição de táticas anarquistas modo, é possível notar a preocupação
e sindicalistas, que foi possível a em construir ações para impedir o
edificação do Congresso Anarquista enfraquecimento do movimento
Sul-Americano e o Congresso operário diante dos acontecimentos
Internacional da Paz, proposto por esses (SANTOS, 2016, p.75-76).
grupos e pela COB, que se mostrava
novamente ativa em 1913. O grupo em torno do jornal A Lanterna,
que tinha representantes na própria
O Congresso Internacional da Paz e o
COB, como é o caso de Edgard
Congresso Anarquista Sul-Americano
Leuenroth, não tardou em assinar sua
Em setembro de 1915, a Confederação adesão e ação prática em tais eventos.
Operária Brasileira (COB) através do As redes desse grupo anarquista e
periódico A Voz do Trabalhador e o anticlerical garantiram notícias e
periódico anarquista Na Barricada adesões de outros grupos libertários
noticiaram o Congresso Internacional da como o Centro de Estudos Sociais do
Paz, marcado para os dias 14, 15 e 16 Rio de Janeiro, o Centro Feminino
de outubro na Praça Tiradentes, n.º 71, Jovens Idealistas de São Paulo, o Grupo
no Rio de Janeiro. Para os militantes e Anarquista Renovação de Santos, os

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periódicos La Protesta e La Rebelion da assembleia, reunida, apesar de tudo, [...]
Argentina, a União Anarquista é bem uma prova evidente de que as
Comunista de Portugal, o Grupo aspirações e os sentimentos do
Educacion Anarquista da Espanha e proletariado revolucionário não se
outros nos quais estreitavam relações. acham mortos ou apagados
Mesmo nível de inserção garantiam (CONGRESSO INTERNACIONAL
também as adesões de entidades DA PAZ, 1915. p.3).” Como visto, o
sindicais do país, entre elas as Congresso Internacional da Paz também
federações operárias do Rio Grande do servia muito bem como um ato
Sul e de Alagoas, bem como de simbólico para inflamar novamente o
trabalhadores fora do espaço movimento operário.
especificamente fabril como a
Associação de Resistência dos Muito mais do que as próprias decisões
Cocheiros, Carroceiros e Classes e debates internos que não é possível
Anexas e a União dos Empregadores acompanhar nas resoluções do
Barbeiros e Cabeleireiros, que também congresso, fora a escolha pela contínua
garantiam seus próprios interesses pela utilização do sindicalismo de intenção
luta material progressiva. As adesões revolucionária e do incremento do
conseguiram ser estendidas de forma antimilitarismo nos órgãos sindicais dos
internacional entre diversas países participantes, o mais interessante
organizações de caráter econômico ou são as cartas que a COB trocou com a
político como a União de Classe FORA e com grupos libertários da
Operários Tecelões e a União das Argentina, entre eles a Agrupacion
Juventudes Sindicalistas de Portugal, o Anarquista, a Agrupacion Libertaria
Ateneo Sindicalista Ronda e o Grupo de Orientacion, o Comite Pro-Presos y
Educacion Anarquista da Espanha, a Deportados, os periódicos La Protesta e
Confederação de Sindicato Obrero de la La Rebelion, a Liga de Educacion
Republica Mexicana, a Unione Racionalista e outros. Parece que, a
Sindicalista Italiana e o Partido partir daí, houve um laço concreto entre
Socialista da Argentina, que também os organismos, que começavam a
faziam chamadas para comparecerem observar e acompanhar uns aos outro
ou fortalecerem o evento (SANTOS, com mais intimidade. É nesse viés que
2016, p.75-76). militantes das entidades citadas
propuseram então o Congresso
Fora da propaganda e da divulgação, na Anarquista Sul-Americano, noticiado
prática, a comissão organizadora do em periódicos libertários como no La
Congresso, entre eles o militante Protesta Humana e Na Barricada
Astrojildo Pereira da COB, mostra que (CASTRO, 2007. p.255).
os maiores presentes e representantes
estrangeiros no congresso foram dos Os dois congressos que se realizaram no
países da Argentina, Portugal, Espanha Rio de Janeiro faziam clara frente ao
e Itália, sendo evidente o número de avanço dos conflitos mundiais propondo
organismos desse primeiro. Além da garantir a força sindical para além das
discussão em si sobre estratégias a fronteiras nacionais. Não obstante,
serem seguidas para realçar o apresentavam diferenças nas suas
internacionalismo visando combater a intenções. Enquanto o primeiro tentava
guerra e consequentemente o avanço do garantir a junção com grupos
Estado nacional e do capitalismo, os ideológicos (socialistas, anarquistas) e
militantes ressaltavam que “esta sindicais (de ofício ou regionais) de

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várias partes do globo, visando a união A primeira pauta gravitou em torno da
das forças de origem proletária para data do primeiro de maio, que para os
tencionar especialmente as decisões dos militantes não significava um dia de
Estados nacionais no desenrolar da festa, mas “de protesto contra a
Primeira Guerra Mundial, o outro foi iniquidade capitalista e a opressão
proposto especificamente pelos governamental (NA BARRICADA,
militantes anarquistas no interior da 28/10/1915. p.2)” cabendo aos
confederação, tentando atingir outros anarquistas realçarem essa diferença nos
núcleos ou grupos de propaganda espaços operários em que atuavam.
libertária do continente sul-americano Após as discussões sobre a ineficácia da
visando um tipo de programa para a social-democracia, a pauta tema do
atuação de sua família política no evento se referia à posição anarquista
interior dos espaços operários em que diante da Primeira Guerra Mundial.
atuavam. Discordando de militantes anarquistas
Um dia após o Congresso Internacional influentes como Piotr Kropotkin que
da Paz, aproveitando os contatos com os declarou apoio aos Aliados
órgãos sindicais e anarquistas sul- (GIULIETTI, 2015), os anarquistas sul-
americanos, libertários, em torno do americanos declaravam suas posições
periódico Na Barricada - entre eles antimilitaristas e pacifistas, afirmando a
luta de classes como única saída para os
Astrojildo Pereira - efetivaram o
Congresso Anarquista Sul-Americano trabalhadores frente ao acontecimento já
entre os dias 17,18 e 19 de outubro na que “a guerra é uma das funções
sede do Centro de Estudos Sociaes, essenciais do Estado e uma
localizado na Rua do Rosário, n.º 170, consequência imediata da organização
social baseada no regime da
no Rio de Janeiro. A resolução do
evento foi publicada no dia 28 do propriedade monopolizada”. Para isso,
mesmo mês no periódico referido, no decidiram intensificar a propaganda
qual os militantes afirmavam a vitória contra a Grande Guerra nos periódicos
dessa intentona “apesar do pessimismo anarquistas para criarem o “intercâmbio
com que a princípio foi acolhida a ideia de relações entre as agrupações
de sua realização (NA BARRICADA, anarquistas dos diversos países da
28/10/1915. p.1).” Talvez essa América Latina, constituindo-se para
declaração tenha sido feita se referindo isso comitês nos respectivos países”
ao pouco acolhimento e presença de (NA BARRICADA, 29/10/1915, p.2).
organizações e militantes do Uruguai e Outro ponto de destaque foi o debate
do Chile, grupos de países citados como sobre o tipo de organização anarquista e
supostos participantes do congresso. sua estratégia frente ao sindicalismo que
Ainda assim, organizações e militantes essas organizações decidiram
de relevo da Argentina comparecerem encaminhar. Os militantes revelaram
em peso, como os redatores do que, nessa discussão, que se referiam às
periódico La Protesta, o Comité Pró- inclinações do sindicalismo de intenção
Presos y Deportados, a Agrupacion revolucionária, entre o
Anarchista a Prepararse e muitos outros anarcossindicalismo e o sindicalismo
militantes individualmente. Grupos e revolucionário, utilizados pelos
militantes de São Paulo e da região sul militantes da Argentina e Brasil
do Brasil também compareceram, respectivamente. Não obstante, o
estabelecendo contato com tais acordado foi uma terceira via que estava
organismos da Argentina. em debate desde a primeira década do

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século XX entre os anarquistas de sociedades aderentes, [...] em 1920,
diversas partes do globo, afirmando que apresentaram-se 220 associações
se aderentes e 56 autônomas”
(COLOMBO, 2009. p.111). Esse
“a organização sindical, se
contribui para resolver os
trabalho, juntamente com os grupos de
problemas sociais, no terreno da propaganda anarquista, construíram
revolução, em relação à propaganda fortes manifestações no país, incluindo
doutrinária dos nossos princípios, a conhecida “Semana Trágica” em
não pode substituir a atividade 1919.
cultural dos indivíduos e grupos de
afinidade, que são os únicos Já no Brasil, anarquistas e sindicalistas
interpretes dos fundamentos conseguiram usar exemplos de outros
teóricos, filosóficos e científicos do países para reforçarem sua atuação,
ideal anarquista” (NA BARRICADA, incluindo os congressos analisados, mas
29/10/1915. p.2). posteriormente a Revolução Russa.
Os anarquistas estavam se referindo à Com a decisão de continuarem
posição de Errico Malatesta no inflamando o sindicalismo
Congresso Anarquista de Amsterdã em revolucionário em todo o país, bem
1907, que defendeu a utilização do que como prosseguirem com grupos
podemos chamar, para o autor Felipe políticos ou de propaganda anarquista,
Corrêa, de dualismo organizacional, que conseguiram efetivar a Greve Geral de
“se apoia na ideia de que os anarquistas 1917, a Insurreição Anarquista de 1918
devem se organizar, paralelamente, em no Rio de Janeiro e outras grandes
dois níveis: um social, de massas, e greves, manifestações e boicotes até a
outro político-ideológico, anarquista” década de 1920. Nesse sentido, o
(CORRÊA, 2013, p.37). sindicalismo revolucionário era
acompanhado de grupos anarquistas
Longe de serem apenas resoluções e mais programáticos como a Aliança
acordos vazios, percebemos nos Anarquista e o Partido Comunista
próximos anos que as posições dos Anarquista (SANTOS, 2016, p.143-
congressos, e o uso de suas decisões e 159).
discursos foram levados em
consideração em vários periódicos Como podemos observar, anarquistas
libertários e sindicalistas. Na Argentina, brasileiros e argentinos usavam seus
em 1915, a FORA conseguiu uma condicionamentos e sua realidade para
intensa articulação com o movimento reformularem constantemente
operário, ao alterar seu programa, dessa estratégias e táticas no interior do
vez usando a estratégia do sindicalismo anarquismo global, não sendo uma
revolucionário, excluindo seu vínculo cópia das decisões de militantes
explícito com o anarquismo. Com esse anarquistas da Europa. Suas posições
método foi possível se unir novamente diante da Primeira Guerra Mundial,
com socialistas e sindicalistas nesse sentido, significaram inclinações
pragmáticos, ao mesmo tempo fazendo refinadas sobre o caráter dessa ideologia
com que a ação direta e a perante aos eventos de guerra, inclusive
horizontalidade fossem disseminadas influenciando outros pontos do mundo.
entre essas correntes políticas e o Fato que não levou a vitória e
operariado. Assim, “em 1918, a FORA hegemonia dessa ideologia entre a
sindicalistas havia reunido em classe trabalhadora diante do crescente
congresso as delegações de 127 nacionalismo, mas, outrossim, a

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sobrevivência dessa cultura política por de Pós-Graduação em Ciências Sociais,
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