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ET621 – Laboratório de Máquinas Elétricas

2 sem 2009
Máquina de indução – Parte 1

INTRODUÇÃO

Na máquina de indução, o circuito indutor localiza-se no estator, enquanto que no rotor


temos o circuito do induzido. O rotor pode ser constituído de barras de material condutor
curto-circuitadas nas extremidades (gaiola de esquilo) ou de enrolamentos curto-circuitados
externamente (rotor bobinado). Tanto no enrolamento do estator como no do rotor circulam
correntes elevadas, em função do carregamento da máquina. Nesta primeira parte dos
ensaios, a máquina de indução será acionada como motor (MI) e na parte seguinte como
gerador (GI).

MI-l - RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO E PARTIDA DO MI COM ROTOR BOBINADO

A máquina de indução do laboratório possui rotor bobinado, cujos terminais são acessíveis
no painel de ligações, através de três anéis coletores. Dessa forma, pode-se determinar a
relação de transformação entre tensões no estator (conexão ∆ ) e no rotor (conexão Y), bem
como observar a variação da magnitude e da freqüência da corrente induzida no rotor,
durante a partida da máquina de indução como motor.

PREPARAÇÃO

• Esboce um diagrama de ligações do MI e dos respectivos instrumentos de medidas para


obter a freqüência da tensão induzida no rotor e a relação de transformação das tensões
estator/rotor .

Considere a situação em que um reostato trifásico é conectado aos terminais do


enrolamento do rotor.

• Raciocinando como se o MI fosse um transformador, cujo secundário é o enrolamento do


rotor, que efeito o reostato poderá ter sobre a corrente de partida do motor? Justifique.
• Esboce um diagrama de ligações do MI e dos respectivos instrumentos de medidas para
observar a freqüência e a magnitude da corrente induzida no rotor.

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ENSAIO

Execute a montagem esquematizada durante a preparação, para:

a) obter a relação de transformação entre tensões estator/rotor;


b) medir a magnitude da corrente de partida sem e com um reostato trifásico conectado
ao rotor;
c) observar a variação da magnitude e da freqüência da corrente induzida no rotor,
quando conectado ao reostato trifásico;
d) medir a resistência máxima do reostato trifásico.

RELATÓRIO MI-l

1) Apresente os diagramas de ligações do MI e dos respectivos instrumentos de medidas


utilizados para realizar os ensaios propostos.
2) Apresente o cálculo da relação de transformação do MI do laboratório.
3) Justificando, comente o que ocorreu com a magnitude e a freqüência da corrente induzida
no rotor na partida do motor. Apresente valores medidos.
4) Justificando, comente o efeito do reostato conectado aos terminais da bobina do rotor
sobre a partida do motor de indução. Apresente valores medidos.

MI-2 - PARÂMETROS DO CIRCUITO EQUIVALENTE

Dado que o motor de indução pode ser considerado um transformador com um secundário
rotativo, cujo acoplamento magnético entre primário e secundário depende da relação de
espiras e da velocidade relativa do secundário em relação ao campo indutor girante, não é
por acaso que o circuito equivalente da máquina de indução é similar ao do transformador,
diferenciando pelo fato de a carga ser função do escorregamento ( s ) do rotor. Dada essa
similaridade, os parâmetros do circuito equivalente da máquina de indução podem ser
obtidos experimentalmente através de ensaios semelhantes aos realizados para um
transformador.

PREPARAÇÃO

• Com base no capítulo 5 da referência Principles of Electric Machines and Power


Electronics - P. C. SEN:
- qual é o circuito equivalente por fase para uma máquina de indução operando em
regime senoidal permanente?
- quais são os ensaios propostos para obter os parâmetros do circuito elétrico
equivalente por fase para uma máquina de indução operando em regime senoidal
permanente?
- descreva os respectivos procedimentos experimentais.

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• Qual a correspondência entre os ensaios para a obtenção dos parâmetros do
transformador e da máquina de indução?
• Esboce os diagramas de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de
medidas para obter os parâmetros da máquina de indução do laboratório.
• A resistência dos enrolamentos do estator pode ser medida diretamente através de um
ohmímetro. Entretanto, se estes enrolamentos estão conectados em ∆ , a medida da
resistência por fase não é direta porque o modelo por fase pressupõe a conexão Y.
Mostre que, independentemente da ligação (Y ou ∆ ) do enrolamento do estator, o valor
de R1 pode ser obtido através de R1 = Rmedido / 2 , sendo Rmedido a resistência medida entre
dois terminais de fase do estator.

ENSAIO

Execute as montagens esquematizadas durante a preparação, para realizar os ensaios que


permitirão obter os parâmetros do circuito equivalente.

RELATÓRIO MI-2

1) Apresente os diagramas de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas utilizados para a realização dos ensaios para a obtenção dos parâmetros do
circuito equivalente.
2) Descreva os respectivos procedimentos experimentais.
3) Apresente as medidas realizadas em cada ensaio.
4) Apresente os cálculos dos parâmetros do circuito equivalente da máquina de indução
(referência: exemplo 5.3 do livro texto).
5) Para verificar a precisão do circuito elétrico equivalente da máquina de indução, pode-se,
por exemplo, utilizá-lo para estimar a corrente de partida do MI:
a) Calcule a corrente de partida sem e com o reostato trifásico.
b) Compare com os valores medidos em MI-l.
6) Em um transformador de potência, a corrente de magnetização usualmente é menor que
5% da corrente nominal. Para a máquina de indução do laboratório:
a) Qual é essa porcentagem?
b) Explique porque essa porcentagem é bem maior do que a do transformador.

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MI-3 - CURVA CONJUGADO × VELOCIDADE

Por ser muito utilizado na indústria e por apresentar baixo custo de aquisição e exigir pouca
manutenção, é fundamental obter as características de desempenho de um motor de
indução. Uma dessas características corresponde à relação entre conjugado e velocidade,
que pode ser expressa por:

Pmec
Tmec =
ω
sendo ω a velocidade do rotor em rad/s e Pmec a potência mecânica de eixo que pode ser
obtida por:

Pmec = Pe − Prot − 3 ⋅ R1.I12 − 3 ⋅ R2' ⋅ (I 2' )2

onde Pe é a potência elétrica no estator e Prot representa as perdas rotacionais, conforme


sugerido no livro texto.

Por se tratar de um dispositivo com característica indutiva e considerando que uma indústria
pode estar utilizando dezenas de motores deste tipo, faz-se necessário avaliar como se
comporta o fator de potência de um motor de indução em operação, pois o fator de potência
global da indústria pode ser significativamente influenciado pelos mesmos e há uma
legislação a respeito do valor mínimo do fator de potência (atualmente 0,92) que uma
indústria deve observar para não ser multada. Pode-se mostrar que o fator de potência
resultante depende do carregamento do MI.

PREPARAÇÃO

• Esboce um diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas para se obter a curva [Conjugado × Velocidade].
• Descreva o respectivo procedimento experimental.
• Com base no circuito elétrico equivalente da máquina de indução, justifique o baixo fator
de potência para a condição de pouca carga mecânica no eixo.

ENSAIO

Execute a montagem esquematizada durante a preparação e meça as seguintes grandezas:


Pe , cos ϕ , I1 e n (rpm).

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RELATÓRIO MI-3

1) Apresente o diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas utilizados para obter a curva [Conjugado × Velocidade].
2) Descreva o respectivo procedimento experimental.
3) Apresente a tabela de medições e as curvas [Conjugado × Velocidade] e [ cos ϕ × Pe ].

4) Comente a curva [Conjugado × Velocidade] obtida.


5) Com base no circuito equivalente da máquina de indução, explique a variação do fator de
potência com a carga mecânica, observada experimentalmente.
6) Considere uma instalação industrial contendo muitos motores de indução. Quais as
recomendações básicas com relação à operação desses motores para garantir um
elevado fator de potência global da instalação?

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ET621 – Laboratório de Máquinas Elétricas
2 sem 2009
Máquina de indução – Parte 2

GI-l - CURVA DE MAGNETIZAÇÃO

A curva de magnetização representa a característica de um circuito magnético e é dada pela


relação entre o fluxo ( φ ) e a força magnetomotriz (f.m.m.). Nas máquinas de corrente
contínua e síncrona, a curva de magnetização é usualmente dada pela relação entre a força
eletromotriz (f.e.m.) induzida no enrolamento de armadura (proporcional a φ ) e a corrente de
excitação pelo enrolamento de campo (proporcional a f.m.m.) para uma certa velocidade, em
geral a velocidade nominal. Para essas máquinas, a corrente de excitação e a f.e.m.
induzida estão presentes em enrolamentos distintos.

No caso da máquina de indução, essa separação física não existe. As bobinas do estator
desempenham o papel tanto do enrolamento de armadura como do enrolamento de campo.
No entanto, pode-se obter a respectiva curva de magnetização, acionando a máquina de
forma que ao se aplicar tensão nas bobinas do estator somente a corrente de excitação
circule por elas.

PREPARAÇÃO

• Analisando o circuito elétrico equivalente, como é possível obter a curva de magnetização


do GI com rotor gaiola? Esboce um diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos
instrumentos de medidas para a realização deste ensaio e descreva o respectivo
procedimento experimental.

• Como é possível obter a curva de magnetização da GI com rotor bobinado? Esboce um


diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de medidas para a
realização deste ensaio e descreva o respectivo procedimento experimental.

ENSAIO

Execute a montagem esquematizada durante a preparação, de modo a obter a curva de


magnetização do GI do laboratório.

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RELATÓRIO GI-l

1) Apresente o diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas utilizados para obter a curva de magnetização.
2) Descreva o respectivo procedimento experimental.
3) Apresente a tabela de medidas efetuadas e a curva de magnetização obtida.

GI-2 - GERADOR DE INDUÇÃO AUTO-EXCITADO EM VAZIO

Uma máquina de indução pode gerar energia elétrica se for acionada a uma velocidade
maior que a do campo girante ( s < 0 ). Os reativos necessários à magnetização do GI podem
ser fornecidos pela rede à qual está conectado ou por capacitores ligados ao estator e neste
caso, é denominado gerador de indução auto-excitado (GIA).

Na Figura 1 apresenta-se o circuito equivalente por fase simplificado correspondente à


situação em que os reativos necessários são fornecidos por capacitores. A tensão final de
auto-excitação, com a máquina em vazio, é dada pela intersecção da curva de magnetização
com a característica tensão-corrente do capacitor.

XC1 > XC2 > XC3


Vf

Vf Iϕ
C jX m R´r/s

Figura 1 Figura 2

Observe que há uma reatância crítica ( X c1 ), acima da qual praticamente não se tem tensão
gerada. É importante assinalar que, acionado o gerador, a tensão surgirá nos terminais do
estator a uma velocidade na qual a condição de ressonância entre o capacitor e a indutância
de magnetização seja satisfeita ( X m = X c ).

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PREPARAÇÃO
• Quais as condições necessárias para se obter tensão nos terminais do GIA?
• Esboce um diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de
medidas para se ensaiar a máquina de indução como gerador auto-excitado em vazio,
sob velocidade constante.

ENSAIO

Execute a montagem esquematizada durante a preparação, para acionar o GIA em vazio


para medir a tensão terminal com os seguintes bancos de capacitores conectados em ∆ aos
terminais da máquina: (a) 20 µ F por fase; (b) 25 µ F por fase; e (c) 30 µ F por fase.

RELATÓRIO GI- 2

1) Apresente o diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas utilizados para ensaiar o GIA em vazio.
2) Descreva o respectivo procedimento experimental.
3) Estime os valores das tensões terminais do GIA para os capacitores utilizados e compare
com valores medidos.
4) Calcule o valor do capacitor que corresponde à reatância crítica.

GI-3 - CURVAS DE REGULAÇÃO DO GERADOR DE INDUÇÃO AUTO-EXCITADO

Pelo fato da máquina de indução operar com escorregamento ( s ) variável, é necessário


conhecer a variação da freqüência e da magnitude da tensão terminal com a variação da
carga conectada aos terminais do GIA.

PREPARAÇÃO

• Esboce um diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas para se observar a variação da magnitude e da freqüência da tensão terminal
no GIA sob carga, com velocidade constante.
• Descreva o procedimento experimental para a realização do ensaio.

ENSAIO

Execute a montagem esquematizada durante a preparação, para acionar o GIA sob carga.

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RELATÓRIO GI-3

1) Apresente o diagrama de ligações das máquinas e dos respectivos instrumentos de


medidas utilizados para ensaiar o GIA sob carga.
2) Descreva o procedimento experimental para a realização do ensaio.
3) Apresente a tabela de medições e a curva [tensão terminal × corrente na carga].
4) Apresente a curva da freqüência elétrica em função da corrente na carga.

BIBLIOGRAFIA ADICIONAL

• Bim, Edson; "Uma Contribuição ao Estudo do Gerador de Indução Auto-excitado"; Tese


de Mestrado, 15/81, UNICAMP,1981.

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