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MANUAL

UFCD 8989
Receção de Mercadorias

Formador(a):

Rosalina Ester Celeste Machado

AEP

Leça da Palmeira

2019

mod. 162.00
ÍNDICE

Introdução ........................................................................... 3
Âmbito do manual............................................................................................................................. 3

Carga horária .................................................................................................................................... 4

1.Análise e planeamento da receção de mercadorias .......... 5


1.1.Planeamento da receção............................................................................................................. 6

1.2.Identificação e entrada do veículo .............................................................................................. 7

1.3.Identificação do fornecedor ........................................................................................................ 9

2.Preparação operacional da receção ................................ 11


2.1.Recursos humanos .................................................................................................................... 12

2.2.Espaço para rececionar ............................................................................................................. 13

2.3.Equipamentos necessários ........................................................................................................ 15

3.Descarga e conferência .................................................. 20


3.1.Descarga da mercadoria............................................................................................................ 21

3.2.Produtos a conferir: mercadoria e acessórios de transporte ................................................... 23

3.3.Conferência e análise das não conformidades ......................................................................... 25

3.4.Devoluções ................................................................................................................................ 27

3.5.Tratamento administrativo ....................................................................................................... 29

3.6.Fecho da receção ...................................................................................................................... 30

Só a partir do processamento das guias de entrada definitivas, é que os materiais ficarão a


integrar o stock da empresa e estará atualizado. ........................................................................... 31

3.7.Registo da receção e saída do veículo....................................................................................... 32

4.Fecho da receção ............................................................ 34


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4.1.Resolução de processos pendentes .......................................................................................... 35

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4.2.Processos de AT......................................................................................................................... 37

5.Encomendas/aprovisionamento ..................................... 42
5.1.Análise de stock......................................................................................................................... 43

5.2.Definição de necessidades de encomenda ............................................................................... 45

5.3.Encomenda de mercadorias...................................................................................................... 51

5.4.Sistemas de apoio à encomenda............................................................................................... 54

Bibliografia ........................................................................ 56
Sites Consultados .............................................................. 56

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 8989 – Receção de mercadorias, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.´

Objetivos

 Efetuar a análise e planeamento da receção.


 Preparar e organizar fisicamente a receção.
 Efetuar a receção e conferir a mercadoria.
 Executar o tratamento administrativo.
 Efetuar a encomenda de mercadorias.

Conteúdos programáticos

 Análise e planeamento da receção de mercadorias


o Planeamento da receção
o Identificação e entrada do veículo
o Identificação do fornecedor
 - Fornecedor direto
 - Fornecedor centralizado
 Preparação operacional da receção
o Recursos humanos
o Espaço para rececionar
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o Equipamentos necessários

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 Descarga e conferência
o Descarga da mercadoria
o Produtos a conferir: mercadoria e acessórios de transporte
o Conferência e análise das não conformidades
o Devoluções
o Tratamento administrativo
o Fecho da receção
o Registo da receção e saída do veículo
 Fecho da receção
o Resolução de processos pendentes
o Processos de AT
 Encomendas/aprovisionamento
o Análise de stock
o Definição de necessidades de encomenda
o Encomenda de mercadorias
o Sistemas de apoio à encomenda

Carga horária

 25 horas

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1.Análise e planeamento da receção de mercadorias

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1.1.Planeamento da receção

À função receção dos materiais compete assegurar a conformidade das remessas de


materiais dos fornecedores com os requisitos expressos nas respetivas encomendas e com
a legislação e regulamentação aplicáveis.

Pode-se dizer que a receção é, regra geral, um processo aparentemente, muito simples na
maior parte das instalações, pois assume-se que a separação, preparação de pedidos e
expedição são atividades mais exigentes em mão de obra no armazém e, desta forma, irão
receber mais atenção do que a receção.

A ocorrência de um erro na receção, no entanto, pode causar tantos problemas como os


erros na satisfação de pedidos e expedição.

As atividades necessárias para a receção são:


 Contacto do condutor da transportadora com o armazém para marcação de uma
hora para a entrega do material e fornecimento de informação sobre o material
transportado;
 Verificação do funcionário encarregue das receções no armazém do aviso de
entrega e confirmação da informação recebida do condutor da transportadora;
 Atribuição um lugar especifico ao veículo para a descarga;
 Bloqueio as rodas do veículo para assegurar a sua imobilização;
 Verificação do selo do veículo e remoção do mesmo na presença de um
representante da transportadora;
 Inspeção da carga para aprovação ou rejeição;
 Descarregado material paletizado do veículo;
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 Descarregado material não-paletizado e solto do veículo;

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 O material recebido é disposto no chão e preparado para contagem e inspeção
final;
 Remoção dos artigos danificados;
 Armazenagem das mercadorias nas zonas indicadas.
 Os requisitos do armazém para a receção são:
 Área suficiente para manobrar e encontrar os veículos;
 Existência de niveladores de cais e ganchos para facilitar a descarrega;
 Área de preparação para paletizar ou contentorizar as mercadorias;
 Área suficiente para colocar as mercadorias antes de serem despachadas;
 Acesso a um sistema informático para o registo eletrónico das encomendas e
produção de relatórios;
 Escritório para guardar documentos e elaborar relatórios.

1.2.Identificação e entrada do veículo

É fundamental assegurar o controlo das viaturas que chegam às instalações, garantindo a


sua correta sequência de entrada. A sequência deverá ser decidida no agendamento das
entregas e respeitada o mais possível.

O controlo exato deverá ser feito em contacto direto com as chefias operacionais do
armazém.

Procedimento

 O motorista da viatura chegada deve dirigir-se à portaria para notificar a sua


chegada;
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 O segurança ou o colaborador da empresa presente na portaria deve fazer a
validação do agendamento no sentido de garantir que ele estava marcado. Na
prática corresponde a verificar que existe uma receção do fornecedor prevista para
data e hora em causa;
 Se existir o agendamento deve-se proceder ao registo de vários dados para
posterior recolha e tratamento estatístico ou mesmo negociação com o fornecedor.

Os dados a recolher são tipicamente:


 Matrícula da viatura;
 Nome do motorista
 Nome da empresa transportadora
 Registo da hora de chegada, esta tarefa deverá ser executada para que possam ser
medidos os avanços ou atrasos face ao que estava planeado para a chegada. De
notar que não é conveniente as viaturas chegarem adiantadas pois pode provocar
entraves à circulação de outras viaturas.

Por princípio, todas as tentativas para fazer entregas que não foram previamente
agendadas devem ser reprimidas, mantendo desta forma uma disciplina de
relacionamento.

O ponto de contacto, do ponto de vista operacional, entre os fornecedores e o armazém é


o gestor de inventário ou o gestor comercial. Qualquer um destes papéis pode ser
responsável pela emissão de encomendas e agendamento de entregas.

Para que os volumes possíveis de trabalho sejam respeitados é necessário que haja um
entendimento entre a equipa de gestão de inventário e a equipa operacional, quanto à
capacidade de receção do armazém. Este ponto é uma peça importante no agendamento,
sendo alvo de especial atenção no procedimento.
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O suporte desta atividade deverá existir no sistema informático, tornando a informação
recolhida muito mais fiável, disponível mais rapidamente com o aumento da produtividade
dos serviços da portaria, uma vez que não é necessário escrever em papéis para depois
transferir para um computador para tratamento estatístico.

Quando a viatura é solicitada para entrar, devem ser executadas certas tarefas, por forma a
garantir o fluxo normal do trabalho. A decisão de permissão para a viatura entrar, pode ser
tomada pela segurança ou colaborador que estejam a gerir a portaria.

Se assim for, eles terão de estar completamente entrosados com a equipa operacional –
encarregada de gerir a operação do armazém.

Vejamos em detalhe quais poderão ser elas:


 Registo da hora de entrada, para que possam ser feitas estatísticas comparando a
hora efetiva de entrada com a hora agendada. Esta estatística pode estar
contemplada num contrato logístico e haver penalizações para atrasos provocados
pelo fornecedor ou pelo armazém;
 Atribuição de um cais de descarga, o cais é decidido pela operação do armazém,
conforme as circunstâncias do momento e atendendo ao local onde a mercadoria
transportada pela viatura é guardada no armazém (quanto mais perto for o cais do
local melhor.

1.3.Identificação do fornecedor

A informação recolhida irá permitir medir o grau de adesão do agendamento pela


realidade da operação. Esta medição é feita por forma a poder-se identificar duas áreas de
responsabilidades: a dos fornecedores e a do armazém.
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A responsabilidade é dos fornecedores quando estes chegam atrasados ou demasiado
adiantados, no primeiro caso impedem a receção atempada das mercadorias – o que é
grave por dois motivos:
 As filosofias atuais de JIT exige uma sincronização crescente das várias partes da
cadeia de abastecimento, sob pena de ocorrência de ruturas;
 O atraso de um fornecedor pode provocar um atraso global na receção de
mercadorias, que perdurará pelo resto do dia.

No segundo caso, chegada demasiado adiantada, pode provocar um embaraço na


circulação de viaturas, especialmente se a área reservada para viaturas em espera não for
grande.

As responsabilidades do armazém situam-se quando a viatura chega dentro da janela


prevista – tipicamente esta janela é de mais ou menos trinta minutos face à hora agendada
– e a sua descarga é atrasada por qualquer razão.

Como é natural, a informação recolhida na portaria deve ser de grande importância, os


tempos de espera podem agravar fortemente os custos de transporte, especialmente se
forem longos.

Esta informação será relevante de utilizar na negociação do contrato logísticos com as


empresas ou organizações parceiras na cadeia de abastecimento. É muito vantajoso para
este procedimento quando este processo seja suportado pelo sistema informático da
empresa.
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2.Preparação operacional da receção

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2.1.Recursos humanos

A Receção pode apresentar diferentes modelos organizacionais:


 Pode ser um órgão centralizado, com espaço próprio e independente da
armazenagem;
 Pode ser um órgão repartido, se existirem diferentes armazéns, dispondo cada um
deles de uma área restrita reservada à receção, compensando os menores custos
logísticos com o maior esforço de coordenação exigido.
 Pode ser um órgão descentralizado com as respetivas funções atribuídas ao pessoal
dos armazéns ou outro, desde que possuam conhecimentos e competência para o
efeito, obtendo-se assim menores custos logísticos de movimentação dos materiais.

Em muitos casos, a empresa pode transferir o processo de receção qualitativa para outras
empresas especializadas e credenciadas ou entidades acreditadas, mediante contratos, o
que é uma forma de outsourcing, que pode contudo ser condicionada pelos prazos.

Em qualquer um dos casos, deverá dispor de recursos humanos habilitados para a


realização competente da sua atividade a ritmo compatível com os prazos dos programas
da produção.

Por norma são afetados os seguintes profissionais, com as respetivas funções/ tarefas:

Operador de distribuição/ logística


 Efetuar as operações de receção de mercadorias em armazém:
o Descarregar as mercadorias, em local previamente definido, tendo em
atenção o tipo de mercadoria, seu grau de rotatividade e aplicando as regras
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segurança no trabalho e segurança alimentar;

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o Verificar a guia de remessa, nota de encomenda ou outra documentação,
confirmando se as mercadorias que dão entrada em armazém se encontram
de acordo com o pedido efetuado;
o Verificar o estado dos produtos que dão entrada no armazém,
designadamente defeitos, conservação e prazos de validade;
o Efetuar a devolução dos produtos que não se encontrem em conformidade
com a documentação respetiva ou que o seu estado o justifique, após ter
comunicado superiormente as anomalias detetadas;
o Efetuar o registo e etiquetagem das mercadorias entradas em armazém.

Técnico de distribuição/logística
 Coordenar as operações de receção de mercadorias:
o Coordenar as encomendas/aprovisionamento;
o Coordenar e supervisionar as devoluções.

2.2.Espaço para rececionar

O planeamento de espaço para a receção e expedição requer um estudo prévio para definir
as operações que vão decorrer nessas áreas. Uma vez obtidas essas informações, pode-se
determinar as configurações do cais e o espaço necessário.

Os passos para determinar os requisitos de espaço para a receção e expedição são


 Determinar o que vai ser recebido e expedido;
 Determinar o número e tipo de cais;
 Determinar os requisitos de espaço para a área de receção e expedição no interior
da instalação.
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O primeiro passo quando se planeia a área do cais será a movimentação das mercadorias
pelas instalações. Alguns requisitos para as carrinhas transportadoras são:

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 Estradas de serviço bidirecionais deverão ter pelo menos 7.3152 metros de largura;
 Estradas de serviço unidirecionais deverão ter pelo menos 3.6576 metros de
largura;
 Caso exista uma via pedonal na estrada de serviço deverá ter pelo menos 1.2192
metros de largura e terá ser separada da estrada de serviço;
 Abertura de portões em caminhos bidirecionais deverá ter pelo menos 8.5344
metros de largura;
 Abertura de portões em caminhos unidirecionais deverá ter pelo menos 4.8768
metros de largura;
 Abertura de portões deverá ter pelo menos 1.8288 metros de largura se os peões
também usarem o portão;
 Se houver possibilidade, todo o tráfego de viaturas deverá ser no sentido contrário
ao dos ponteiros do relógio;
 As áreas de espera das transportadoras deverão ser atribuídas na extensão das
áreas de carregamento do cais e deverão ser suficientemente grandes para se
necessário carregarem o máximo número possível de transportadoras em qualquer
altura.

Determinação dos requisitos do espaço exterior das instalações para a movimentação das
transportadoras através dos seguintes passos:
 Determinar o número de cais necessários;
 Determinar o padrão de movimentações das transportadoras;
 Determinar se é possível usar cais a 90º, senão for possível então usar cais com
outros ângulos para o espaço disponível;
 Determinar a largura do cais e respetiva profundidade para acomodar as
transportadoras;
 Cálculo do espaço total exterior através do espaço determinado no passo anterior e
do número de cais determinado no primeiro passo.
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2.3.Equipamentos necessários

A receção de materiais em armazém tem início quando o fornecedor, aquando da sua


chegada, se dirige ao escritório em armazém e entrega a guia de remessa no cesto
dedicado a este fim.

De seguida, o colaborador responsável por introduzir os dados no sistema, executa a sua


função e consulta a base de dados dos materiais em corte com o intuito de verificar se
algum do material acabado de chegar fora registado como estando em falta no momento
do picking.

Imediatamente a seguir, faz a impressão das ordens de arrumação dos materiais


(documento onde consta os locais de stock dos materiais que acabaram de chegar) por
consulta da transação e imprime igualmente outro documento onde constam as
referências em corte.

O processo acaba quando o colaborador entrega estes documentos no cesto dedicado a


este fim (v. figura – Etapa A).

O colaborador na receção, após receber a ordem de arrumação e a lista de cortes, procede


à confirmação do material (se as quantidade estão corretas, se foi faturado e se está
conforme).

No caso de constatar alguma anomalia (as quantidades não estão corretas, por exemplo)
deve contactar a parte administrativa.

Após esta tarefa faz a separação do material colocando os que estão em corte no carro
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respetivo (para serem transportados diretamente à linha) e os restantes nos carros de


arrumação (para serem armazenados).

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Para os materiais que serão armazenados o colaborador escreve o local de stock no próprio
material (v. figura – Etapa B).

No processo de arrumação de materiais são utilizados dois carros. Enquanto os materiais


de um dos carros estão a ser armazenados o outro carro está na receção a receber
material.

Após concluir a arrumação correspondente a um carro, o colaborador responsável coloca o


carro vazio na posição definida na receção e pega num outro carro cheio de material (v.
figura – Etapa C).

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Etapa A

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Etapa B

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Etapa C

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3.Descarga e conferência

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3.1.Descarga da mercadoria

Procedimento

No modelo clássico a descarga, a conferência, a receção administrativa e a arrumação eram


passos separados e mais ou menos distantes no tempo.

No modelo JIT as operações aglutinam-se, chegando ao ponto de todas elas serem uma e a
esma operação. O que distingue estes dois modelos é o nível dos sistemas informáticos
envolvidos, nomeadamente a existência ou não de rádioterminais.

Comum aos dois

 Abertura da viatura, esta tarefa é tipicamente da responsabilidade do motorista do


motorista;

Modelo clássico

 Descarga da viatura, é o ato de retirar os artigos da viatura colocando-os dentro do


armazém, em áreas devidamente marcadas e sinalizadas para o efeito. Estas áreas
deverão possuir uma relação direta com o número do cais. Elas servirão de ponto
intermédio de estacionamento até à arrumação definitiva;
 Se os artigos forem recebidos a granel, tem que se avaliar a decisão de paletização.
Se a decisão for afirmativa, tem que se decidir se a operação deve ser feita dentro
da viatura ou dentro do armazém. Se a operação for feita dentro da viatura evita-se
o duplo manuseamento, mas o espaço poderá ser um problema. Será ainda
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necessário equipamento de movimentação para retirar do veículo a palete


construída;

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 Se os artigos são recebidos já paletizados ou em unidades de movimentação
apropriadas para o manuseamento mecânico, a decisão de descarga lateral ou
posterior tem de ser tomada, considerando fatores como o tipo de carga, a rapidez
da operação, o custo da operação e de investimento, o grau de utilização, a
flexibilidade, o espaço e a segurança.

Modelo JIT

 A descarga da viatura é o ato de retirar os artigos da viatura e compreende os


seguintes passos — neste contexto não faz sentido falar de receção de artigos a
granel:
o Leitura do código de barras da palete (ou da caixa e indicando o número de
caixas);
o O computador processa a informação lida e decide logo qual é o melhor
lugar para guardar a palete;
o Impressão da etiqueta a colar na palete (esta impressão poderá ser feita
numa impressora portátil colocada na máquina de movimentação);
o Indicação do local de arrumação da palete através do visor do terminal
portátil colocado na máquina de arrumação;
o Arrumação da mercadoria (descrita à frente).

A descarga da mercadoria da viatura para a zona do armazém, propriamente dita, costuma


ser responsabilidade do motorista. Isto acontece salvo quando a operação e aglutinada,
caso do JIT ou interessa fazer a movimentação da mercadoria com máquinas existentes no
armazém e manobradas por algum operador.

As áreas de desenvolvimento que têm impacto sobre o desenrolar deste procedimento são
as seguintes:
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 EDI: com a mensagem de aviso de expedição poderemos fazer trabalho prévio de
preparação antes da chegada da viatura – imprimir s etiquetas para colar nas
paletes e reservar logo o espaço necessário, por exemplo;
 Sistemas de informação: por integração de verdadeiros sistemas de Cross-docking e
Picking-by-line que permitam soluções elegantes e transparentes aos utilizadores.
 Tecnologia de rádio-terminais e leitura de código de barras: permite a absorção
rápida e exata de informação, permitindo um processamento e operação em tempo
real;
 Selos eletrónicos: permitem uma maior segurança na verificação de inviolabilidade
da carga.

3.2.Produtos a conferir: mercadoria e acessórios de transporte

A conferência da mercadoria tem por objetivo assegurar que a mercadoria entregue está
conforme o que consta no documento do fornecedor (guia de remessa ou fatura) quer em
quantidade quer em qualidade.

Há que considerar duas alternativas: a conferência cega (onde o conferente não tem
informação sobre a quantidade a receber ou indicada no documento do fornecedor) e a
conferência assistida. Cada um destes dois métodos tem vantagens e desvantagens.

O primeiro assegura um maior rigor mas aumenta o tempo de receção, o segundo é mais
propenso a erros mas é mais rápido.

Atualmente existe um método que resolve todo o problema de uma forma mais produtiva:
a utilização de terminais portáteis juntamente com leitores de códigos de barras.
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Estas duas técnicas juntas permitem eliminar os erros associados ao Homem quando
escreve ou lê e aumentar a produtividade, a velocidade de leitura é instantânea e a
disponibilização da informação no sistema informático é imediata.

Por último, se a receção seguir o modelo de JIT, a conferência da mercadoria – pelo menos
a quantitativa e logística – ficam feitas. Nesse caso, este procedimento seria embutido no
procedimento.

A conferência qualitativa deverá ocorrer concomitantemente com a conferência


quantitativa, se tal for possível. Se não for possível o operador deverá despoletar o
processo de conferência qualitativa;

A conferência qualitativa poderá versão sobre um ou vários dos seguintes tópicos:


a) Tempo de vida do artigo (data de validade);
b) Concordância da classe do artigo com a encomendada;
c) Composição do artigo;
d) Especificações técnicas.

A verificação pode realizar-se através de inspeções, testes e ensaios ou pela aceitação de


certificados de conformidade (de garantia da qualidade) emitidos por entidades
acreditadas para o efeito.

Podem seguir-se neste processo diversos procedimentos de verificação de conformidade:

1.Controlo da qualidade do material fornecido para verificar a conformidade com as


características exigidas e com os requisitos definidos na encomenda

Exemplos
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 Na receção e um equipamento deve verificar-se, através de ensaios, se estão


satisfeitas as exigências técnicas ou requisitos essenciais impostos pelas diretivas

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comunitárias e regulamentação aplicável, nomeadamente, os atributos relativos à
segurança e preservação ambiental, e se o equipamento cumpre as funções e
utilidades com o rigor especificado na respetiva encomenda;
 Na receção de um produto químico deve verificar-se, através de testes e ensaios
laboratoriais, se a composição respeita os requisitos da especificação técnica e a
legislação e regulamentação aplicáveis.

2.Verificação dos certificados e garantias técnicas dos fornecedores

Exemplos:
 Verificação dos certificados enviados pelo fornecedor a fim de concluir sobre a
validade da conformidade com os requisitos exigidos;
 Verificação das garantias a fim de concluir sobre os prazos de validade e/ou
condições de utilização.

A conferência qualitativa pode implicar uma quarenta de espera para os artigos, por forma
a garantir que a sua qualidade está conforme as normas ou leis aplicáveis. Este facto pode
levar ao armazenamento de artigos bloqueados para movimentação.

3.3.Conferência e análise das não conformidades

A conferência na receção é um processo mais ou menos demorado e custoso, dependendo


dos artigos e quantidades recebidas. Por isso existem métodos que pretendem diminuir
esta demora e custo, sem sacrificar de forma significativa o controle que é necessário.

Assim sendo, temos dois tipos de abordagem a este tema:


 Por completo, toda a mercadoria é verificada. Esta abordagem é pouco apropriada
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a grandes volumes de mercadoria;

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 Por amostragem, só parte da mercadoria é verificada. Esta amostragem é adequada
a grandes volumes, pode ser apoiada em contratos logísticos e complementada
com verificações à posteriori;

A conferência quantitativa compreende as atividades seguintes:


 Identificação dos materiais e análise visual do seu estado físico;
 Observação do acondicionamento nas embalagens e do estado de preservação
destas;
 Verificação da rotulagem das embalagens;
 Determinação da(s) quantidade(s) fornecida(s);
 Conferência da guia de remessa do fornecedor com a nota de encomenda;
 Verificação das datas limites dos materiais sujeitos a prazos de validade ou a
garantias.
 Verificação de eventuais constrangimentos aduaneiros.

É neste processo de receção que são determinadas as faltas, as trocas de artigos e os


excessos, os eventuais danos ocorridos no transporte, que devem ser comunicados (em
princípio via Compras) aos fornecedores e/ou transportadores a fim de se repor o que foi
encomendado. É, ainda, neste processo que deve verificar-se se os rótulos das embalagens
cumprem a legislação e regulamentos aplicáveis, para se poder aceitar o fornecimento.

Apresentamos de seguida e em detalhe os dois processos de conferência quantitativa –


cego e assistido:

Conferência assistida

 O operador de conferência recolhe o documento interno de receção;


 O operador de conferência conta o número total de paletes e o número total de
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unidades para cada artigo rececionado. Poderá fazer a contagem por palete
rececionada, ficando a informação de receção detalhada à palete;

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 As quantidades assim obtidas são registadas no documento de receção, tendo o
cuidado de comparar com a quantidade prevista. Se forem diferentes deverá contar
de novo para confirmar e manter o corrigir a quantidade anotada anteriormente;
 Durante o processo de conferência quantitativa todas as unidades danificadas
devem ser isoladas para devolução ao fornecedor descontadas nas unidades
recebidas;
 Todas as quantidades que forem encontradas a mais, face ao encomendado, devem
ser isoladas para devolução ao fornecedor e descontadas nas unidades recebidas;

Conferência cega

 O operador de conferência recolhe o documento interno de receção, que não tem


indicadas as quantidades;
 O operador de conferência conta o número total de paletes e o número total de
unidades para cada artigo rececionado. Poderá fazer a contagem por palete
rececionada, ficando a informação de receção detalhada à palete;
 As quantidades assim obtidas são registadas no documento de receção.

3.4.Devoluções

Basicamente existe dois tipos de devoluções:


 Devoluções em vendas diretas ao consumidor final e
 Devoluções por erro de expedição.

Devoluções em vendas diretas ao consumidor final


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É a devolução do produto vendido ao consumidor final. Na generalidade dos países existem
legislações que regulamentam o prazo máximo de devolução do produto à empresa que o
adquiriu, seja por meio físico, por catálogo, Internet, etc., caso o consumidor fique
insatisfeito.

Insatisfação essa que pode ser porque o produto chegou ao cliente em mau estado, por
não funcionamento de funcionalidades do equipamento, ou até a não satisfação das
expectativas do cliente.

O processo de devolução de um produto vendido pelo grossista é normalmente, o inverso


da venda, ou seja, o consumidor devolve ao distribuidor e este consequentemente ao
grossista.

Desta maneira, os produtos devolvidos seguirão o caminho contrário ao das entregas, mas
este processo torna-se mais difícil quanto maior for o número de distribuidores.

Devoluções por erro de expedição

É a devolução do produto vendido ao cliente (que neste caso pode ser uma empresa) por
erro de envio.

Esse tipo de devolução está muito relacionado com as transações entre as empresas e nas
vendas diretas ao cliente, este último pode acontecer quando a compra é efetuada por
catálogo ou por Internet.

Normalmente as empresas que recebem a mercadoria conseguem verificar logo o erro de


expedição e esta é devolvida de imediato ao fornecedor pelo mesmo transporte de entrega
ou por outro em prazo relativamente curto. Apesar do erro as empresas podem entrar em
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acordo e a empresa que recebeu o produto pode ficar com o mesmo.

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Quando as mercadorias recebidas não correspondem às especificações adotadas pela
empresa (qualidade, quantidade, preço, etc.).

Nestes casos o operador deverá proceder à respetiva devolução através da nota de


devolução e especificando o motivo da devolução.

3.5.Tratamento administrativo

Este procedimento tem como objetivo não só dar cumprimento a função administrativa
mas também, e dependendo do caso, indicar ao sistema informático a chegada do artigo
deixando que este decida o que será feito com ele.

Procedimento

Conferência assistida
 O operador administrativo introduz, a partir do documento de receção preenchido
pelo operador de conferência, as quantidades recebidas e rejeitadas de cada artigo;

Conferência cega
 O operador administrativo introduz, a partir do documento de receção preenchido
pelo operador de conferência, as quantidades recebidas e rejeitadas de cada artigo;
 O computador deverá comparar a quantidade introduzida com a prevista, gerando
uma mensagem de erro e pedindo de confirmação da quantidade, no caso delas
serem diferentes;
 O operador deverá solicitar a um operador de conferência uma nova contagem do
artigo, artigos ou paletes com quantidades diferentes. O resultado desta nova
contagem deverá ser introduzido no computador e recomeçado o processo, no caso
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da quantidade ainda ser diferente;

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 Será também gerada uma mensagem para retirar das paletes recebidas todos os
artigos que foram recebidos a mais, na quantidade em excesso.

Em comum:
 O computador calcula a posição onde colocar cada palete recebida e imprime uma
etiqueta para colocação na palete;
 Se for o caso da mercadoria não poder ficar disponível, o operador administrativo
deverá indicar que a palete está bloqueada, impedindo-a de ser servida. Isto pode
acontecer no caso de conferências qualitativas mais elaboradas, demoradas ou
dependentes de terceiros à operação do armazém;
 Após todas as confirmações e correções deverá ser impressa uma etiqueta por
palete recebida, que será colocada na palete e terá o local onde ela deverá ser
arrumada;
 Estas etiquetas deverão ser colocadas nas paletes pelos operadores de receção e
marcarão o início do processo de arrumação;
 Este processo de registo informático dará origem a uma nota de receção, que será
confrontada com a fatura do fornecedor;
 As diferenças verificadas da quantidade recebida contra a quantidade
encomendada serão alvo de um documento de devolução ao fornecedor.

3.6.Fecho da receção

A gestão das encomendas aos fornecedores decorre desde o envio da nota de encomenda
até ao pagamento ao fornecedor, de acordo com os seguintes passos:
 Envio da nota de encomenda
 Confirmação da receção da nota de encomenda
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 Anulação eventual da nota de encomenda

mod. 162.00
 Vigilância do prazo de entrega
 Entrada do artigo em armazém
 Receção e verificação da fatura
 Emissão da ordem de pagamento

A compra pressupõe sempre um suporte documental, isto é, um conjunto de documentos


que fornecem as informações necessárias à sua realização.
 O trabalho da compra começa com o pedido ao serviço de compras de um
determinado bem. Este pedido é formalizado por um documento interno. É o
documento o registo de necessidades.
 Escolhido o fornecedor, o serviço de compras emite um documento (nota de
encomenda, requisição, ...)
 Confirmada a encomenda, o fornecedor procede à entrega dos produtos, que dão
entrada na empresa acompanhados do respetivo documento (que pode ser uma
Guia de Remessa ou Guia de Transporte) e que deve ser conferida sempre com a
Nota de Encomenda.
 É com base nestas Guias que, de seguida, o fornecedor procede à liquidação dos
produtos vendidos, enviando a respetiva Fatura.
 Ao recebê-la, os serviços de contabilidade conferem com a Guia, procedem aos
registos necessários e emitem o pagamento.
 Sempre que se paga, é preciso exigir o respetivo Recibo.

Deve observar-se a regra: “nenhum material deve ser entregue ao Armazém ou ao circuito
produtivo, sem que tenha sido objeto de aceitação, sendo então acompanhado por guia de
entrada definitiva”.

Só a partir do processamento das guias de entrada definitivas, é que os materiais ficarão a


integrar o stock da empresa e estará atualizado.
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mod. 162.00
3.7.Registo da receção e saída do veículo

No final do registo informático podem acontecer uma de duas alternativas: a mercadoria


recebida satisfez na íntegra a encomenda colocada ou não satisfez na totalidade.

No primeiro caso a encomenda é fechada no final do registo, no segundo pode ser


encaradas duas alternativas: a encomenda é fechada no final – assumindo-se que o que
não foi entregue é declarado como rutura – ou a encomenda continua aberta – julgando-se
que o remanescente da mercadoria será entregue no totalidade ou parcialmente à
posteriori.

Este procedimento poderá ficar completamente esvaziado de conteúdo, sendo aglutinado


à descarga do veículo – procedimento quando é adotado o método JIT, com as tecnologias
associadas.

As áreas de desenvolvimento que têm impacto sobre o desenrolar deste procedimento são
as seguintes:
 Tecnologia de rádio-terminais e leitura de código de barras: com esta tecnologia,
esta função fica praticamente vazia de conteúdo.
 EDI: com a mensagem de aviso de expedição, o registo informático do documento
do fornecedor é automático, esvaziando também esta vertente desta função.

Por último, processa-se a saída do veículo:


 A viatura deve-se imobilizar junto à cancela da portaria.
 O motorista dirige-se ao segurança e identifica-se.
 O motorista, em conjunto com a segurança, procede à inspecção da viatura,
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nomeadamente se o número do selo corresponde ao indicado nos documentos de


expedição;

mod. 162.00
 Se não coincidir, o problema terá de ser exposto ao supervisor de serviço que
julgará melhor como fazer;
 Se o veículo estiver descarregado (veículo não selado), o segurança deve verificar
sempre, por abertura do compartimento de carga, os produtos ou equipamentos
transportados.
 Após as movimentações acima indicadas, o segurança preencherá na folha de
Movimento de Viaturas os dados recolhidos.

Este método é importante para manter os fluxos de viaturas dentro do armazém,


promovendo a produtividade e rapidez de circulação.

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mod. 162.00
4.Fecho da receção

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mod. 162.00
4.1.Resolução de processos pendentes

No capítulo da conferência aleatória é absolutamente importante que exista uma


classificação de fornecedores, por forma a apoiar a decisão de conferência caso a caso.

Deve ser notado que não faz sentido conferir a mercadoria de um fornecedor regular em
que a taxa de erros é nula. Mesmo considerando a hipótese de uma entrega ter erros, o
custo da conferência sistemática provavelmente não compensaria o risco de tal caso.

Por último resta referir a uniformidade de embalagens e unidades de movimentação –


paletes, por exemplo – como um fator importante para o aumento da produtividade da
operação de conferência.

A conferência dos dados logísticos dos artigos também deve ser feita. A não conformidade
com estes dados deverá ser alvo de uma devolução ou de uma notificação ao gestor de
inventário (ou gestor comercial).

Se o motorista ou acompanhante puder e quiser colocar as características logísticas das


paletes no que é esperado, então o problema resolve-se fica resolvido. O operador de
conferência deverá certificar-se que as paletes têm estabilidade suficiente para ser
arrumadas na estantaria.

Todos os artigos novos deverão ser pesados e medidos para que seja feita a sua
caracterização logística. Se for o caso de haverem números de lotes, é neste momento que
ela deve ser recolhido e registado no documento de receção.
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Quanto à documentação podem ocorrer duas alternativas:

mod. 162.00
 Neste momento existirá um documento em que consta a quantidade recebida por
artigo ou palete a palete. O documento assim obtido deverá ser introduzido no
sistema informático. Isto acontece no modelo clássico.
 Neste momento não existe documento em papel, mas a informação já reside
dentro do computador, foi lida e processada em simultâneo pela utilização de
rádio-terminais. Este modelo corresponde ao modelo JIT.

No caso da conferência quantitativa

Guia de entrada provisória


 Depois de concluídas com sucesso as atividades deste processo de receção
quantitativa, pode então ser elaborada a guia de entrada a título provisório, a qual
só terá validade definitiva após ser sancionada pela Receção Qualitativa.

Guia de devolução
 Se a receção quantitativa rejeitar o fornecimento, deve ser elaborada uma guia de
devolução e informada a seção de compras.

No caso da conferência qualitativa

Guia de entrada definitiva


 Se o resultado destas verificações for positivo pode sancionar-se a guia de entrada
provisória, a qual passará a definitiva, confirmando a entrada dos materiais na
empresa (aceitação).
 Caso contrário, os materiais serão rejeitados procedendo-se em seguida à respetiva
devolução ao fornecedor, justificada pela não conformidade com legislação ou
regulamentação aplicáveis e/ou com o que foi especificado na nota de encomenda.
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Guia de devolução

mod. 162.00
 Os materiais devolvidos aos fornecedores devem ser acompanhados das respetivas
guias de devolução.

4.2.Processos de AT

As empresas devem comunicar os documentos de faturação à Autoridade Tributária todos


os meses.

O ficheiro SAFT-PT (abreviatura para “Standard Audit File for Tax Purposes – Portuguese
Version”) é um ficheiro que, num formato normalizado xml, reúne toda a documentação
fiscalmente relevante de uma empresa relativa a um determinado período de tempo.

Tendo sido originalmente concebido para efeitos de auditoria fiscal, deve ser adicionado ao
dossier fiscal de cada negócio.

Este ficheiro contém:


· A identificação da empresa;
· A Identificação dos Clientes e Fornecedores;
· A Identificação de Produtos e Serviços vendidos;
· Os Documentos de Venda fiscalmente relevantes, mesmo que tenham sido
anulados: Factura, Factura Simplificada, Factura-recibo, Nota de Débito e
Nota de Crédito;
· Recibos emitidos a clientes;
· Documentos de transporte;
· Documentos de conferência: Consultas de mesa, por exemplo.

Embora existam outros meios para cumprir a obrigação de comunicar a facturação mensal
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de uma empresa à Autoridade Tributária, a utilização do SAFT para este efeito tem-se

mod. 162.00
vulgarizado. Isto porque o conteúdo e a generalização da sua disponibilidade nos softwares
de gestão e facturação veio dar ainda mais utilidade e importância a este ficheiro.

Na verdade, o conteúdo do SAFT vai muito para além daquilo que é exigido ao nível da
comunicação de facturas, mas a Autoridade Tributária garante que apenas retém os dados
que lhe são estritamente necessários.

Para o provar, esta aceita inclusivamente versões minimizadas do ficheiro SAFT, ou seja,
ficheiros que contêm apenas:
· A identificação da empresa;
· A Identificação dos Clientes que tenham efectuado transacções com a
empresa no período a reportar;
· Os Documentos de Venda fiscalmente relevantes emitidos no período de
facturação a reportar: Factura, Factura Simplificada, Factura-recibo, Nota de
Débito e Nota de Crédito.

As empresas podem exportar o ficheiro SAF-T para entrega no Portal das Finanças, ativar
a comunicação de documentos em tempo real ou ainda ativar o envio automático do SAF-
T.

O processo de ativação do envio automático é simples. Requer a criação de um novo


utilizador no Portal das Finanças com as permissões necessárias para o envio automático
do SAF-T.

Criar utilizador no site da AT – Portal das finanças

1. Aceder ao Portal das Finanças e fazer login com os dados de acesso;


2. Em seguida clicar em Empresas > Outros Serviços > Gestão de Utilizadores > Criar
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um Utilizador;

mod. 162.00
3. Devem ser definidos os dados para posteriormente configurar no sistema de
faturação;
4. Selecionar as operações autorizadas ao utilizador;
5. Clicar em Submeter.

Para tal, o sistema de faturação disponibiliza 3 opções:


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 Ativar a comunicação de documentos em tempo real;

mod. 162.00
 Ativar o envio mensal automático do SAF-T;
 Exportar o ficheiro SAF-T para entrega no Portal das Finanças.

Exportar o ficheiro SAF-T

No menu lateral do backoffice clicar em Autoridade Tributária > SAF-T > Exportar.

Basta selecionar o Ano, Mês e como se pretende descarregar o ficheiro, como indicado na
imagem abaixo.

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mod. 162.00
Enviar SAF-T à AT

O ficheiro deve ser submetido no Portal das Finanças até ao dia 20 do mês seguinte ao que
diz respeito (Ex: o ficheiro SAF-T de novembro até ao dia 20 de dezembro).

Para isso, seleccionar o e-fatura e clicar em Faturas > Comerciante > Enviar Ficheiro.

1. Clicar no botão Abrir e selecionar o ficheiro exportado;

2. Preencher correctamente o Ano de Emissão e Mês de Emissão;

3. Clicar em Validar para verificar que tudo está como pretendido;

4. Clicar em Submeter.

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mod. 162.00
5.Encomendas/aprovisionamento

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mod. 162.00
5.1.Análise de stock

A Gestão de Stocks assume nas empresas modernas um papel fundamental, sendo uma
das ferramentas mais importantes ao dispor da gestão para maximizar os seus resultados
líquidos.

A gestão de stocks e, dito de forma simplificada, o conjunto de ações que visa manter o
stock ao mais baixo nível em termos quantitativos e de custo, garantindo simultaneamente
o fornecimento regular da empresa e a melhor execução das tarefas de aprovisionamento
e armazenagem.

Os stocks desempenham o papel de amortecedores entre as compras e as vendas, entre as


compras e a produção, nas diferentes fases da produção, e também entre a produção e as
vendas.

O stock é útil porque nos defende da escassez, procurando providenciar as faltas que
poderão ocorrer nos diferentes ritmos de necessidade de compra e produção, nas fases de
produção, de consumo ou vendas.

A compra em grandes quantidades pode proporcionar reduções de preço compensadoras


do custo de armazém agora acrescido.

Para reduzir o stock é necessário reduzir o ciclo de produção, mas para isso é fundamental:
 Reduzir a dimensão dos lotes
 Fiabilizar o equipamento
 Eliminar as não conformidades
 Reduzir o tempo de mudança de série.
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mod. 162.00
Os efeitos mais importantes que resultam da existência de stock são:
 Os custos ligados à sua existência
 As ineficiências que não são evidenciadas devido à sua existência.

A organização de um bom arquivo informático na gestão de stocks permite, não só


inventariar, mas também contabilizar, controlar e gerir. Através dele, os serviços
requisitantes passam a automatizar e normalizar as requisições internas de bens de
consumo ao serviço de armazém.

Há uma melhoria drástica do desempenho do serviço de armazém, pois a requisição


interna em papel deixa de existir e a informação registada pelo serviço requisitante passa a
estar disponível, automaticamente, no sistema de gestão de stocks.

Toda a gestão económica e física dos stocks (artigos cuja previsão é serem consumidos
pelos serviços) é efetuada neste suporte.

Ao usar este suporte através de um software, o serviço de armazém gere as entradas,


saídas e existências dos artigos em armazém, tendo em conta:
• A receção das requisições internas de artigos dos serviços;
• A emissão das guias de entrega dos artigos aos serviços;
• O controlo das entregas, com imputação de custos aos serviços;
• A receção dos artigos através de nota de encomenda efetuada ao fornecedor;
• O controlo das encomendas aos fornecedores e o seu grau de satisfação;
• A conta corrente dos artigos;
• As existências dos artigos e sua valorização;
• A previsão dos consumos;
• A lista de compras a efetuar;
• O nível de stock, para evitar ruturas;
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• A referenciação física dos artigos no armazém;


• A classificação económica e patrimonial dos artigos de stock.

mod. 162.00
Assim, a gestão de stocks tem como objetivo definir quais os produtos a encomendar, qual
a altura em que devem ser encomendados e em que quantidade.

A complexidade desta missão e proporcional ao número de produtos comercializados pela


empresa e ao volume de vendas de cada um deles.

5.2.Definição de necessidades de encomenda

A gestão económica dos stocks (GES) tem dois objetivos fundamentais:


• Determinar quanto reaprovisionar;
• Estabelecer quando reaprovisionar, isto é, quando solicitar uma intervenção de
Compras ou quando solicitar uma entrega de material, no âmbito de um contrato
aberto com um fornecedor (Exemplo: contrato anual de fornecimento com entregas
parcelares).

Estes objetivos são concretizados para cada artigo do stock, que tem características
específicas.

Os sistemas de gestão económica dos stocks (GES) são de dois tipos:


• Sistemas de reposição do nível de stock
• Sistemas de planeamento de necessidades

Sistemas de Reposição do Nível de Stock

Define-se reposição do nível de stock como o conjunto de procedimentos (regras de


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decisão, métodos de actuação e rotinas de registo) que visa assegurar a disponibilidade


física contínua de artigos de stock, face a uma procura incerta.

mod. 162.00
Sistemas de Planeamento de Necessidades e Métodos de Aprovisionamento

Define-se planeamento de necessidades de materiais como o conjunto de procedimentos


que visa estabelecer uma calendarização de reaprovisionamentos.

A procura é o fator mais importante em todo o planeamento de um sistema de gestão de


stocks. O seu correto conhecimento e estudo podem facilitar sobremaneira todo o
processo, maximizando a eficácia desta função da empresa.

Um dos grandes problemas na gestão de stocks reside na determinação da altura em que


devera ser feita uma nova encomenda de um determinado produto. A incerteza associada
a esta decisão prende-se essencialmente com o carácter incerto da procura.

Para além disso, também a incerteza residente nos fornecedores assume-se como um
problema. Esta incerteza revela-se nos produtos defeituosos entregues pelo fornecedor e
pelo não cumprimento dos prazos de entrega acordados.

Desta forma, como modo de proteção contra a incerteza, constituem-se stocks de


segurança.

Para o cálculo do stock de segurança de um determinado produto, é necessário conhecer:


 Variação da procura de cada artigo em relação à média;
 Variação do prazo de aprovisionamento de cada artigo em relação à média;
 Variação da quantidade boa entregue por fornecedor, em relação à média;
 Nível de serviço que a empresa quer oferecer. Neste caso, deve-se estabelecer uma
probabilidade de rutura de stock para esse nível de serviço. Exemplo: nível de
serviço de 95%das encomendas = probabilidade de rutura de 5%.
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No entanto,

mod. 162.00
 A procura é aleatória, seguindo uma lei de distribuição de frequências predefinidas;
 O prazo de aprovisionamento é aleatório, seguindo uma lei de distribuição de
frequências predefinidas;
 A quantidade boa de artigos entregues é aleatória, seguindo uma lei de distribuição
de frequências predefinidas.

Modelos de Gestão de Stocks

Modelo de Revisão Contínua

Este modelo tem como base o sistema de periodicidade variável e quantidade fixa (modelo
Q).

O Ponto de Encomenda – Pe – é dado pela seguinte expressão:

Pe = Consumo Médio x Prazo Médio de Aprovisionamento (L) + Stock de


Segurança

Stock de segurança = quantidade para cobrir variações do consumo e do prazo de


aprovisionamento.

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mod. 162.00
Forma de cálculo do stock de segurança no modelo de revisão contínua:

Zx = Valor associado à probabilidade de rutura assumida pela empresa


Dp = Desvio-Padrão da Procura

Ex:
Dp =20 unid./sem.
L = 1 sem.
Rr = 5%
A partir da tabela da distribuição normal, Zx = 1,645
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mod. 162.00
Modelo de Revisão Periódica
Este modelo tem como base o sistema de periodicidade fixa e quantidade variável (modelo
P). Encomenda-se com uma periodicidade – P fixa uma quantidade variável, de forma a
repor o stock a um nível máximo – nível de stock objetivo.

Consequentemente, o valor das encomendas é variável, adaptando-se à procura existente.

Forma de cálculo do stock de segurança no modelo de revisão periódica:

Zx = Valor associado à probabilidade de rutura assumida pela empresa


Dp = Desvio-Padrão da Procura
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Ex:
Dp =20 unid./sem.

mod. 162.00
L = 1 sem.
P = 2 sem.
Rr = 5%
A partir da tabela da distribuição normal, Zx = 1,645

Conclusão:
O stock de segurança necessário constituir no modelo de revisão periódica é maior do que
o necessário no modelo de revisão contínua.

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mod. 162.00
5.3.Encomenda de mercadorias

O ciclo de encomenda é o intervalo de tempo desde o momento em que o cliente (final ou


não) coloca uma encomenda até que recebe o produto, em condições de aceitação e
colocado no seu stock.

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mod. 162.00
A receção da encomenda e o tratamento da informação associada foram dos componentes
da função logística que mais beneficiaram com os desenvolvimentos das tecnologias de
informação.

Como é que as encomendas entram na função “processamento de encomendas” da


empresa?
 O sistema informático do cliente está ligado, via linha telefónica dedicada, ao
sistema do fornecedor;
 Este modo de operação garante o máximo de rapidez e de precisão na troca de
informação - a informação fica desde logo digitalizada!
 O investimento inicial em equipamento e software é elevado, no entanto os custos
de operação são reduzidos;
 A redução dos custos de stock, de armazenamento, de transporte, e de
processamento devem ser comparados com o investimento inicial
 Por outro lado, quanto mais sofisticado for o sistema de comunicações maior
controlo este terá sobre o sistema logístico e consequentemente maior o perigo em
caso de falha;
 De igual modo, os stocks de segurança tendem a ser reduzidos – o cliente fica mais
exposto a uma variabilidade do ciclo de encomenda;
 O cliente também se habitua a mais informação - onde pára o produto
encomendado.

Atividades logísticas desencadeadas pelo SPE (Sistema de Processamento de Encomendas):


 Determinação do modo de transporte, transportador e sequência de carga;
 Alocação do stock, elaboração de lista de recolha e embalagem;
 Recolha no armazém e embalagem;
 Atualização do inventário do stock;
 Impressão automática de lista de reposição de stock;
Página52

 Preparação de documentos legais para o transito do produto;

mod. 162.00
 Despachar o produto para o cliente;
 Mas também, relatórios de produtividade, relatórios financeiros, etc.

As tecnologias de informação são utilizadas de forma a permitirem uma comunicação


rápida entre duas empresas. A troca eletrónica de dados, também conhecida por Electronic
Data Interchange (EDI), possibilita a troca de informação entre os computadores das duas
empresas.

As encomendas podem ser enviadas diretamente para o computador do fornecedor, o que


permite uma maior rapidez na resposta e evita a ocorrência de erros devidos a múltiplas
entradas de dados.

As empresas clientes enviam os seus programas de produção aos fornecedores para que
estes possam planear o seu próprio trabalho em sincronização com os clientes.

Em alguns casos, os contratos de longo prazo não definem as quantidades exatas de


fornecimento. As empresas clientes comprometem-se a adquirir parte da capacidade de
produção do fornecedor.

As quantidades e os planos de entregas são definidos posteriormente em função do plano


de produção do cliente. Página53

mod. 162.00
5.4.Sistemas de apoio à encomenda

Aprovisionamento

O sistema de informação logístico permite a construção total do caminho de uma


encomenda: desde o registo de material, passando pela geração de listas de mercadoria
previstas à chegada, até à criação de guias de recepção e listas de arrumação (put away
lists).

Para o correcto aprovisionamento de mercadorias, permite:


 Gerir todo um processo de entrada com acompanhamento entre a encomenda do
fornecedor, guia de recepção, factura, etc.;
 Conferir a qualquer momento as quantidades entre facturas, encomendas e guia;
 Conferir e registar não conformidades entre os vários documentos;
 Criar listas de arrumação no armazém (Put Away Lists), a partir da mercadoria
recepcionada e qual o alvéolo onde deve ser armazenada;
 Gerar números de série provisórios nas entradas de material. Por exemplo: Se os
números de série não se encontram na parte exterior das embalagens, durante a
entrada do material, o sistema gera automaticamente números de série provisórios.

Como funciona
Em cada momento e em cada documento, pode saber a quantidade encomendada, a
quantidade que o fornecedor informa que vai chegar e a quantidade efectivamente
recepcionada.

O módulo permite que toda a gestão (após o planeamento inicial dos circuitos base) não
seja dependente da ordem de chegada dos documentos.
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Como, por exemplo, a factura pode ser o primeiro ou o último documento a chegar.

mod. 162.00
Acelerar a satisfação de encomendas

Um armazém pode receber pedidos das mais variadas origens, desde encomendas de
Clientes, até pedidos de aprovisionamento de uma filial ou de outro armazém.

Para uma correcta optimização do tempo na satisfação de encomendas, o sistema de


informação logístico dá-lhe a possibilidade de:
 Gerir a satisfação de encomendas, cativando o material existente e gerando ordens
de expedição para o armazém, através de um monitor de simples utilização,
especialmente desenhado para o efeito;
 Criar guias de remessa e/ou outros documentos de expedição a partir de vários
documentos configurados, como Pedidos ao Armazém, Encomendas de Cliente,
Requisições Internas, Pedidos de Entrega, etc.;
 Visualizar diversos documentos e seleccionar aqueles que pretende expedir usando
os mais diferentes critérios (código postal do destino, por exemplo);
 Seleccionar o meio de transporte mais apropriado, e que pode ser próprio ou de
uma transportadora externa.
 Criar listas de aviamento (Picking Lists) com indicação de alvéolos de retirada de
mercadoria para satisfação de expedições;
 Verificar no Monitor de Picking Lists quais são as Picking Lists que se encontram em
lista de espera para expedição;
 Converter números de série provisórios em reais. Assim, o colaborador tem a
oportunidade de ler os números de série reais enquanto que está a aviar a
mercadoria.
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Bibliografia

AA VV. Gestão dos aprovisionamentos, Ed. IAPMEI,. Col. O Gestor/ Área da produção, 1994

Carvalho, J. et al., Logística e gestão da cadeia de abastecimento, Ed. Sílabo, 2010

Costa, J., Definição de Requisitos para a Implementação de um Sistema de Gestão de


Armazém, Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto, 2011

Ferreira, A., Documentação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

Figueira, M., Logística industrial: Guia do formando, Ed. ISQ/ IEFP, 1996

Marques. A; Vieira, P., Logística Operacional: Manual do formando, Ed. Companhia própria,
2004

Tompkins, J. et al., Facilities planning, Ed. John Wiley & Sons, 2003

Veludo, M., Aprovisionamento e gestão de Stocks: Guia do formando, Ed. ISG/ IEFP, 2004

Sites Consultados

Autoridade tributária e Aduaneira


http://www.portaldasfinancas.gov.pt/
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mod. 162.00