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UFCD TÉCNICAS DE NORMALIZAÇÃO

6225 DOCUMENTAL
Técnicas de normalização documental

Objetivos:
- Reconhecer e aplicar as normas documentais.

Conteúdos:
- Normalização
- Principais normas
- NP 5; NP 6; NP 7; NP 9; NP 13; NP 17; NP 950

- Tipo de letra
- Mancha de escrita
- Marginação
- Entrelinhamento e espaçamento
- Centragem vertical e horizontal

- Técnicas de elaboração de documentação


- Conceito e funções dos documentos
- Classificação dos documentos
- Tipos de documentos
- Textos e relatórios
- Cartas/Ofícios
- Sobrescrito
- Nota de serviço
- Memorando
- Comunicado/Comunicação/Nota informativa/Informação
- Outros documentos

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Técnicas de normalização documental

Índice

1.Normalização…………………………………………………………………………………………2
1.1.Principais normas……………………………………………………………………………………………..2
1.2.Tipo de letra……………………………………………………………………………………….……….…20
1.2.1. Mancha de escrita…………………………………………………………………………….20
1.2.2.Marginação…………………………………………………………………………………….…21
1.2.3.Entrelinhamento e espaçamento…………………………………………………………21
1.2.4.Centragem vertical e horizontal………………………………………………………….21

2.Técnicas de elaboração de documentação………………………………………………….24


2.1.Conceito e funções dos documentos…………………………………………….…………………24
2.2.Classificação dos documentos………………………………………………………………………..25
2.3.Tipos de documentos…………………………………………………………………………………….25
2.3.1.Textos e relatórios……………………………………………………………………………25
2.3.2.Cartas/Ofícios………………………………………………………………………………..…29
2.3.3.Sobrescrito……………………………………………………………………………………….43
2.3.4.Nota de serviço…………………………………………………………………………………43
2.3.5.Memorando……………………………………………………………………………………..46
2.3.6.Comunicado/Comunicação/Nota informativa/Informação……………………48
2.3.7.Outros documentos……………………………………………………………………….…50

Bibliografia…………………………………………………………………………………………….56

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Técnicas de normalização documental

1.Normalização

1.1.Principais normas: NP 5; NP 6; NP 7; NP 9; NP 13; NP 17; NP 950

Quando se estabelece uma regra a um universo. A normalização está em todo o lado e serve
para limitar a diversidade de critérios.

A normalização tem a sua origem na palavra norma. As normas são regras orientadoras,
adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida do homem em sociedade.

A existência, a observância e o cumprimento de normas contribui de forma decisiva para uma


melhor vivência facilitando a comunicação, orientando os comportamentos, etc.

Vantagens da Normalização

• Economia
• Facilidade de fabricação -> mais barato -> mais qualidade

As Normas podem ser:

• Internacionais
• Nacionais
• Particulares

Internacionais
Elaboradas por um organismo internacional. Estabelecem uniformização de normas, estipulando
formatos, dimensões e pesos.

Objectivo: Facilitar a cooperação técnica, industrial e económica entre os vários países e


assegurar a coordenação das normas nacionais.

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Técnicas de normalização documental

ISA (International Standardization Association) - 1ª Associação para a normalização, surgiu em


1930

Em 1947 criou-se a ISO (International Standardization Organization), desde 1949 que Portugal
é membro da ISO. A organização estabelece as normas para os seus países membros,
prevalecendo essas sobre as normas nacionais.

No âmbito do mercado comum, criou-se também, um organismo para a normalização (C.E.N.).

Nacionais

• Elaboradas dentro de cada país, o limite é a fronteira.


• Definem orientações com vista à uniformização de procedimentos e sempre eu possível
de acordo com as normas internacionais.
• A repartição da normalização, em Portugal, está integrada na Direcção Geral de
Qualidade do Ministério da Indústria e Energia.

Particulares

• Encontram-se dentro de cada organização, para funcionamento interno.

O IPQ e as Normas Portuguesas - NP


Ao IPQ – Instituto Português da Qualidade, como organismo normalizador compete-lhe
promover a elaboração das normas Portuguesas, actualizá-las e garantir o seu ajustamento às
normas da União Europeia. Assegura a representação de Portugal em entidades Europeias e
internacionais relevantes para a sua missão.

A competência da elaboração de normas pertence às Comissões Técnicas constituídas por


peritos de várias especialidades, sob a responsabilidade do Instituto Português da Qualidade.

As normas portuguesas são identificadas por um conjunto de letras e números:


• Se for uma norma portuguesa, designa-se por NP, seguida de um número;

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Técnicas de normalização documental

• Se for uma norma portuguesa que adoptou uma norma europeia, designa-se por NP EN,
seguida de um número;
• Se for uma norma portuguesa que resultou de uma norma europeia que, por sua vez,
resultou de uma norma internacional, designa-se por NP EN ISSO, também seguida por
um número.

Exemplo de Normas Portuguesas de documentação e informação:

NP1 – “Normas Portuguesas – Designação e Numeração”


NP4 – “Papel – Aplicação dos formatos da série A”
NP5 – “Ofício ou Carta – Formato A4 (Primeira Página)
NP6 – “Ofício ou Carta – Formato A4 (Página de Continuação)
NP7 – “Sobrescritos e Bolsas – Formatos”
NP8 – “Ofício ou carta – Formato A5”
NP9 – “Escrita dos Números”
NP10 – “Fichas e Ficheiros – Formatos”
NP17 – “Formatos dos Papéis”
NP20 – “Sobrescrito – Carta – Formato A4”
NP24 – Caixas, Pastas e Capas de Arquivo”
NP37 – “Arredondamento dos valores numéricos”
NP72 – “Unidade de medida”
NP79 – “Arredondamento de Números Ligados”
NP112 – “Fotocópias – Formatos”
NP113 – “Numeração Progressiva das Secções de um Documento”
NP139 – “publicações periódicas – Abreviaturas dos Títulos”
NP 154 – “Símbolos das grandezas e das Unidades de Medida”
NP303 – “Microcópias – Terminologia e Definições”
NP950 – “Tratamento da Informação – Escrita Numérica das datas”
NP951 – “Numeração das Semanas do Ano”

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NP 5
Ofício ou carta em formato A4 (210 x 297 mm) – impressão da primeira página

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Técnicas de normalização documental

Legenda:

A – Margem lateral esquerda


B – cabeçalho – Logo; NIPC; Matrícula na Conservatório do registo comercial
C – Espaço livre para despachos e notas
D – Endereço
E – Espaço em Branco
F – referências
G – Assunto
H – texto
I – Margem inferior – telefone; morada; etc.
J – Margem lateral direita

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Técnicas de normalização documental

NP 7
Sobrescritos e bolsas – formatos

No fabrico de sobrescritos atende-se aos formatos normalizados do papel que neles vais ser
inserido e também às exigências dos CTT, tendo em vista o tratamento mecanizado da
correspondência.

Os sobrescritos C6 e DL, sendo de utilização mais frequente, merecem que se lhes conceda o
devido destaque.

FORMATO C6 (tipo comercial)


Este formato tem as dimensões 11,4 cm x 16,2 cm e é vulgarmente usado para expedição da
correspondência comercial.

As empresas, ao optarem por este tipo de sobrescrito, têm, de acordo com as suas
conveniências, a possibilidade de escolher um entre os seguintes modelos:
• Com janela
• Sem janela

O primeiro modelo evita ter de se repetir, no sobrescrito, o endereço dos destinatários, desde o
momento que se cumpram determinadas regras ao dobrar a carta.

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Técnicas de normalização documental

Seguindo a orientação da figura, a carta inserida no sobrescrito com janela deixa ver, por fora,
o endereço do destinatário. Não é necessária a repetição da endereçagem no sobrescrito.

Este formato é utilizado para o envio de todo o tipo de correspondência, desde o momento que
não exceda determinado volume.

FORMATO DL (tipo ofício)


O formato DL tem as seguintes dimensões – 11 cm x 22 cm. É bastante utilizado pelas
empresas, mas a sua designação – tipo oficio – deriva essencialmente do seu uso estar
associado à correspondência oficial.

Existem também os modelos:


Com janela
Sem janela

O primeiro modelo, para se tirar partido da janela, requer que na dobragem da carta haja os
cuidados já acima referidos, dispensando-se, contudo, a dobragem à esquerda.

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O papel de carta e o papel de ofício, modelos normalizados, têm, normalmente, junto à


margem esquerda, traços que indicam os locais por onde deve ser feita a dobragem.

OUTROS FORMATOS
Embora os formatos anteriormente referidos sejam, sem dúvida, os vulgarmente utilizados, não
podemos deixar de mencionar outros a que, por vezes, temos necessidade de recorrer.

Os formatos B4, B5 e B6 são utilizados para conter remessas volumosas dos formatos A4, A5 e
A6, respectivamente.

Os formatos C4, C5 e C6 utilizam-se para conter remessas menos volumosas dos formatos A4,
A5, e A6, respectivamente.

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Técnicas de normalização documental

NP 9
Escrita dos números

Para facilitar a representação e a leitura dos números e simultaneamente afastar a possibilidade


de erros de interpretação, a Nona Conferência Geral de Pesos e Medidas votou uma série de
resoluções tendentes a atingir aquela finalidade.

A principal alteração a que essas resoluções conduziram foi a de se utilizarem sinais gráficos
unicamente para separar a parte inteira da parte decimal.

Esses sinais são o ponto e a vírgula, sendo o primeiro empregado nos países de língua inglesa,
e o segundo, nos restantes.

A supressão de qualquer sinal gráfico destinado a dividir um número, para facilidade de leitura,
em grupos de três algarismos, evita a confusão actualmente possível, quando se utilizam
simultaneamente, na escrita de um mesmo número, o ponto e a vírgula.

Os grupos de três algarismos serão separados por um espaço em branco, que será igual ao
ocupado por qualquer dos algarismos no caso da escrita dactilografada, e um pouco inferior, no
caso da impressão.

Assim, por exemplo:

21 000,34 e 21000,34

representam sempre vinte e uma mil unidades e trinta e quatro centésimos.

Com a aplicação desta norma, consegue-se, sem esforço, o hábito natural de escrever os
números de acordo com as prescrições que em seguida se apresentam.

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Técnicas de normalização documental

Como se está habituado a empregar um ponto na separação dos grupos de três algarismos, a
própria supressão desse ponto lembrará, no momento próprio, o espaço a prever para o
intervalo que se deve deixar entre os referidos grupos.

Princípios
• A vírgula é exclusivamente destinada a separar, nos números, a parte inteira da parte
decimal.
• Os números serão escritos em grupos de três algarismos a partir das unidades, quer
para a esquerda, quer para a direita (parte decimal).

Exemplos:

32 048 21 237,459 32

• Os grupos de três algarismos, tanto da parte inteira como da parte decimal, se ela
existir, devem ser separados por um espaço igual ao ocupado por qualquer dos
algarismos, no caso da escrita dactilográfica, e um pouco inferior, no caso da impressão.

Portanto, deve escrever-se:

1 437 385,327 61

e não 1.437.385,327.61

nem 1437385,327661

nem tão-pouco 1:437:385,327:61

etc.

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Técnicas de normalização documental

Excepções
• Os princípios atrás expostos não se aplicam à parte inteira ou à parte decimal no caso
de as mesmas serem formadas só por quatro algarismos, salvo quando os números são
escritos em coluna.

Exemplos:

a) 1437,327 61 e 14 373,2761

b) 5 321,003 4
1 465,005 35
3 679,002 1
10 465,010 85

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Técnicas de normalização documental

NP 13
Sobrescritos e bolsas – sua impressão e utilização

A mecanização introduzida pelos CTT no tratamento do correio reflecte-se numa prestação de


serviços com maior eficácia. O utente, para poder usufruir dos benefícios proporcionados, terá
de, no preenchimento dos sobrescritos, cumprir as normas definidas pelos CTT.

Sendo importante o correcto preenchimento dos sobrescritos, respeitando as zonas de


endereçagem e colocando devidamente os códigos postais, é indispensável ainda cumprir
normas sobre:
• Formatos, dimensões (comprimento, largura e espessura), cor e peso
• Estado de conservação (a correspondência não deve estar amarrotada, nem rasgada)

A utilização das zonas de endereçagem é clarificada pela observação da seguinte figura:

• A cor deverá ser branca ou bastante clara.

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Técnicas de normalização documental

• O peso nunca deve exceder os 20g.


• As dimensões deverão ter os seguintes valores máximos e mínimos.

No sentido de garantir a confidencialidade da correspondência a enviar, as folhas deverão ser


dobradas do seguinte modo:

Tipo de envelope Dobragem

DL Em harmónio, no sentido de se poderem ver os dados do destinatário


no caso do envelope de janela, mas impedindo que se consiga ler o
resto do texto pela transparência, se o sobrescrito não for totalmente
opaco.
C5 Dobrada sobre si mesma, isto é, sem deixar ver o texto.
C4 Quando a natureza da correspondência o ditar, terá de ser colocada
uma folha branca entre o envelope e a primeira página.

Há empresas que recorrem à utilização de máquinas com o intuito de dobrar, inserir e franquiar
a correspondência, de modo a acelerar o processo de expedição.

Hoje em dia, a utilização e a tecnologia informática proporcionam a realização de etiquetas em


série. Esta situação permite poupar muito tempo ao nível do envio da correspondência.

O microsoft word, juntamente com o microsoft excel e o microsoft acess são alguns destes
exemplos. Com recurso a estas ferramentas é possível, através da impressão em série, criar
cartas de formulário, etiquetas de endereço, envelopes, bem como efectuar a distribuição de
correio electrónico e de faxes em grande número, num curto espaço de tempo, desde que as
moradas estejam em suporte informático.

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Técnicas de normalização documental

A impressão em série permite criar cartas de formulário, etiquetas de endereço, envelopes, bem
como efectuar a distribuição do correio electrónico e de faxes em grande número.

As formas mais comuns de remeter documentos dizem respeito ao envio:

Via CTT
• Correio Normal
• Correio azul nacional – É entregue em 24 horas e aplica-se a correspondência até 2
Kg.
• Correio registado – Permite confirmar o envio ao destinatário.
• Com aviso de recepção – Permite confirmar a entrega ao destinatário, com recepção
do comprovativo respectivo.
• Correio azul internacional – É entregue até 3 dias úteis na Europa e 5 dias no resto
do Mundo e aplica-se a correspondência até 2 Kg.
• Correio verde nacional ou internacional – O envelope terá de ser pré-comprado,
mas dispensa pesagem ou selagem.

Pessoalmente
• P.M.P. (por mão própria) – Entregue ao destinatário por portador, quer este seja um
colaborador da organização ou um estafeta externo (neste caso, em regra é preenchido
um formulário onde depois é recolhida a assinatura do destinatário);
• Por protocolo – Entregue ao destinatário por portador, que este seja um colaborador
da organização ou um estafeta externo. Em ambas as situações, o destinatário terá que
assinar um livro, afirmando ter recebido a correspondência em causa.
• Via courrier – Serviço expresso porta a porta, nacional ou internacional – ex: SEM
(CTT), DHL, Seur, Fedex, etc. Existem diversas situações em termos de prazos de
entrega, volumes, pesos, modos de envio e, consequentemente, preços.
• Por encomenda – Correspondência entre 2 Kg e 20 Kg, no caso dos CTT.
• Por camionagem – Os envios também poderão ser despachados por este meio,
podendo o peso ser superior a 2 Kg por volume.

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Técnicas de normalização documental

NP 17
Formato dos papéis

As vantagens da normalização dos formatos de papel tornam-se evidentes ao apercebermo-nos


dos benefícios que proporcionam no fabrico padronizado de pastas de arquivo e de mobiliário
de escritório. O fabrico deste tipo de materiais passou a ser mais simplificado, tendo em
atenção a existência de formatos normalizados de papel.

Todas as empresas, de uma maneira geral, beneficiaram com os formatos normalizados de


papel, pois, para além das vantagens já assinaladas, tornou-se mais fácil, mais rápida e menos
onerosa a impressão de documentos. As tipografias possuem papel para impressão de acordo
com os formatos normalizados.

Partindo do sistema métrico, o formato-base é uma folha de papel medindo 1 m² de área (A0).
O grande trunfo é a proporção entre os lados do papel, a mesma em todos os tamanhos do
padrão, aproximadamente igual a (raiz quadrada de 2, igual a 1,4142…), que tem a
propriedade de se manter quando a folha é cortada pela metade ou dobrada.

Sucessivos cortes definem a série A de tamanhos A1, A2, A3, A4…, cujas medidas são
arredondadas na ordem dos milímetros. Manter a mesma proporção entre diferentes tamanhos,
propriedade inexistente nos formatos tradicionais de papel, facilita a ampliação e redução de
um tamanho para o outro e a confecção de folhetos e brochuras com duas páginas em cada
folha, na qual o tamanho do papel deve ser, na série, de uma ordem acima do tamanho da
página, p.ex., folhas A3 são dobradas para fazer brochuras A4.

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Técnicas de normalização documental

Medidas standard para cada formato (em mm):


Série A Série B Série C

A0 841 X 1189 B0 1000 x 1414 C0 917 x 1297

A1 594 x 841 B1 707 x 1000 C1 648 x 917

A2 420 x 594 B2 500 x 707 C2 458 x 648

A3 297 x 420 B3 353 x 500 C3 324 x 458

A4 210 x 297 B4 250 x 353 C4 229 x 324

A5 148 x 210 B5 176 x 250 C5 162 x 229

A6 105 x 148 B6 125 x 176 C6 114 x 162

A7 74 x 195 B7 88 x 125 C7 81 x 114

A8 52 x 74 B8 62 x 88 C8 57 x 81

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Técnicas de normalização documental

A9 37 x 52 B9 44 x 62 C9 40 x 57

A10 26 x 37 B10 31 x 44 C10 28 x 40

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Técnicas de normalização documental

NP 950
Tratamento da informação – escrita numérica das datas

As datas devem ser escritas colocando os elementos pela seguinte ordem.


ANO – MÊS - DIA

A representação de uma data sob forma inteiramente numérica será feita em algarismos.

20080930 2008 09 30

Os elementos na representação numérica de uma data devem separar-se por travessões, por
um espaço ou não serem separados. Exemplos:
1960-04-12
1986 10 15
19861015

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Técnicas de normalização documental

1.2.Tipo de letra

1.2.1.Mancha de escrita

As características essenciais da letra são: o seu tipo, o tamanho, a cor e alguns efeitos especiais
que lhe podem ser atribuídos.

Exemplos de tipos de letra:

Normas para o estilo e tamanho da letra:

• Utilizar fontes com fácil reconhecimento de caracteres. Ex.: Verdana, Arial, Helvética.
• Deve-se procurar evitar a confusão entre os algarismos: 3, 5, 8, 0.

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Técnicas de normalização documental

1.2.2.Marginação

Normas para a marginação das páginas:

• Todas as páginas devem respeitar a seguinte configuração: do lado da lombada, uma


margem de 3 cm; nos restantes lados (de topo, margem exterior e fundo de página),
entre 2 e 3 cm.
• A paginação deverá ser efectuada em todas as páginas, em numeração árabe, a partir
da página de rosto.
• As margens e espaçamento devem ser suficientes entre as manchas de texto.
• Evitar colunas de texto muito estreitas ou próximas entre si.

1.2.3.Entrelinhamento e espaçamento

Normas para o entrelinhamento e espaçamento:

• O processamento de texto deve ser efectuado, em corpo 12 ou, no máximo 13 (p. ex.
Times 12 ou 13, ou Arial 12), com um espaçamento ‘normal’ entre caracteres, utilizando
um entrelinhamento de espaço e meio.
• O Espaçamento de 1.5 ou duplo facilita a navegação ao longo do texto.
• Evitar linhas de texto demasiado extensas (acima de 70 caracteres).
• O espaçamento entre letras demasiadamente reduzido dificulta a leitura.
• Devem utilizar-se fontes proporcionalmente espaçadas, pois são mais legíveis que as
mono-espaçadas.

1.2.4.Centragem vertical e horizontal

É possível centrar o texto entre as margens laterais e entre as margens superior e inferior numa
página.

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Técnicas de normalização documental

Centrar o texto horizontal e verticalmente numa página é a função mais frequentemente


utilizada para criar uma folha de rosto para um documento.

No Microsoft Office Word, é possível escolher a partir de uma galeria de folhas de rosto pré-
desenhadas ou criar uma folha de rosto manualmente, centrando o texto na página. Se criar
uma folha de rosto manualmente, centra o texto entre as margens laterais e entre as margens
superior e inferior.

Exemplo de texto: Arial 12, espaçamento 1,5

A normalização tem a sua origem na palavra norma.


As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida
do homem em sociedade.

Exemplo de texto: Arial 12, espaçamento Duplo

A normalização tem a sua origem na palavra norma.

As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida

do homem em sociedade.

Exemplo de texto: Times New Roman 13, espaçamento 1,5

A normalização tem a sua origem na palavra norma.


As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida do
homem em sociedade.

Exemplo de texto: Times New Roman 13, espaçamento Duplo

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Técnicas de normalização documental

A normalização tem a sua origem na palavra norma.

As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida do

homem em sociedade.

Exemplo de texto: Arial 12, Espaçamento 1,5, Alinhamento à esquerda

A normalização tem a sua origem na palavra norma.


As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida
do homem em sociedade.

Exemplo de texto: Arial 12, Espaçamento Duplo, Justificado

A normalização tem a sua origem na palavra norma.

As normas são regras orientadoras, adaptadas às necessidades, que disciplinam a vida

do homem em sociedade.

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Técnicas de normalização documental

2.Técnicas de elaboração de documentação

2.1.Conceito e funções dos documentos

Os documentos são todos os papéis contendo informações que ajudem a tomar decisões,
comuniquem decisões tomadas, registarem assuntos de interesse da organização ou do
indivíduo. Qualquer informação escrita, objecto ou facto registado materialmente, susceptível
de ser utilizado para estudo, consulta ou prova.

A rapidez com que se processam as trocas comerciais, a sua internacionalização, e as


exigências das novas tecnologias informáticas têm conduzido a uma crescente normalização da
documentação comercial.

No caso dos documentos, fala-se em normalização a propósito do processo técnico de criação


de normas que definem condições de elaboração e preenchimento dos documentos.

Os principais objectivos da normalização dos documentos são:


• Harmonização de conteúdos;
• Prevenção do erro no preenchimento;
• Aumento da segurança na circulação.

Os documentos normalizados obedecem a uma idêntica estrutura, conteúdo e dimensão,


permitindo, por exemplo, a sua leitura óptica com as naturais vantagens daí resultantes em
matéria de processamento e arquivo.

A estrutura dos documentos está directamente dependente do seu conteúdo, pelo que não
existe uma estrutura tipo para os documentos em geral.

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Técnicas de normalização documental

2.2.Classificação dos documentos

Quanto à natureza:

• Unitários: Aqueles que se bastam a si próprios. Contêm um conjunto completo de


informação.
• Processo ou Dossier: Conjunto de doc. ordenados que dizem respeito ao mesmo assunto
e que podem ser objecto de várias utilizações. Ex: factura
• Não protegidos ou sem classificação: São de larga difusão
• Confidenciais: São objecto de medidas restritivas
• Comerciais: Destinam-se a fins comerciais.
• Científicos: Informação científica ou didáctica
• Oficiais: A sua organização tem como função auxiliar e assessorar a Administração
Pública. Ex: decretos

Quanto à Finalidade

• Posição: Objectivo de conservar ideias ou informações, o doc. funciona como fonte de


informação. Ex: registo de um hotel
• Circulação ou transmissão: Servem para fazer circular as ideias ou informações, o doc. é
veículo de transporte. Ex: factura, letra.

2.3.Tipos de documentos

2.3.1.Textos e relatórios

Um relatório é uma forma de comunicação organizada, fundamentada e comentada, sobre um


facto ou conjunto de factos ocorridos ou ainda a decorrer.

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Técnicas de normalização documental

Funciona como elemento de informação, consulta ou prova e tem grande valor na análise e
solução de problemas concretos, na transmissão e apresentação de resultados de acções de
pesquisa, de inspecção e gestão, bem como no apuramento de responsabilidades.

Tipos de relatório

• Formal / Informal
• Interno / Externo
• De rotina / acontecimento específico

Situações em que se podem apresentar relatórios

• Decorrer normal de um trabalho;


• Exercício de gestão;
• Estágios, estudos
• Infracções, acidentes;
• Vendas;
• Inspecções, revisões;
• Participações em congressos, conferências, seminários;
• Anomalias, avarias;
• Estudos de mercado;
• Peritagem;
• Relatório de contas.

Estrutura
Nos relatórios mais simples:

• Introdução, desenvolvimento do tema e conclusão.

Nos relatórios mais complexos:

• Capa ou página de título- título do relatório, nome do autor, nome dos destinatários,
data e referência (nalguns casos);

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Técnicas de normalização documental

• Índice - Deve conter todas as secções do relatório com referência às páginas, incluindo
capítulos e subcapítulos;
• Resumo - síntese geral para que o leitor tenha uma ideia geral do que trata o relatório;
• Introdução - Introduzir o leitor para dentro do relatório. Define-se o objectivo do
relatório (para que vai servir, o que deu origem). Explica-se a forma como vai ser
desenvolvido e explica-se a o ordenamento dos temas, a metodologia;
• Corpo de desenvolvimento - Narração dos factos, apresentação de toda a
fundamentação para as conclusões e recomendações;
• Conclusão - Resumo de todas as ideias apresentadas. Não podem aparecer dados
novos. Num relatório muito longo, no fim de cada capítulo deve-se apresentar uma
breve conclusão;
• Recomendações - Sugerir alternativas à matéria tratada. As recomendações devem estar
devidamente argumentadas e fundamentadas.
• Anexos / Apêndice - documentos que podem vir a completar a informação do relatório.
Os apêndices funcionam como dados suplementares (essenciais para completar os
factos narrados) e como forma de actualizar o relatório. Glossário - Pode ser de termos
técnicos, uma listagem de abreviaturas.
• Agradecimentos - No fim. Podem também vir no início a seguir ao índice.
• Referências - Lista de material não publicado aos quais fomos recolher informação.
• Bibliografia - Livros ou outras fontes de pesquisa. Apelido, nome do autor, nome do
livro, nº de edição; local, editora, ano.
• Glossário - Quando se trata de um relatório muito técnico deverá conter um glossário de
termos.

Linguagem
A linguagem do relatório depende dos objectivos e do destinatário.

• Deve ser precisa, exacta - verificar se está a usar a palavra certa no trabalho certo;
• Breve e concisa. Evitar construções complexas. Quanto mais simples, mais eficaz è a
comunicação e maior é o seu alcance;
• Clareza - não deve deixar lugar a ambiguidades e ideias erradas;

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Técnicas de normalização documental

• Evitar palavras compridas;


• Usar a voz activa, deve dar-se a informação pela positiva porque agarra mais a atenção
do leitor;
• Deve ser feito na 1ª pessoa do singular. Quando realizado por várias pessoas na 1ª
pessoa do plural
• Ser concreto - usar termos práticos, evitar termos indefinidos (um certo, alguns...)
• Evitar a gíria;
• Frases curtas. Parágrafos curtos e frequentes. Cada nova ideia um novo parágrafo;
• O relatório deve ser completo e não deixar espaço a dúvidas;
• Deve-se ter em conta a pontuação, bem como a ortografia;
• Quando é criado por um grupo restrito, utilizando palavras muito técnicas, no fim do
relatório deve-se criar um glossário.

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Técnicas de normalização documental

2.3.2.Cartas/Ofícios

A carta

Estrutura de uma carta


Há vários tipos de disposição, vários estilos. A empresa opta por um estilo próprio e deverá
seguir sempre o mesmo estilo.

Cabeçalho ou timbre
• É centrado ou à esquerda
• Deverá conter: nome da empresa, nº de contribuinte, nº de registo, capital social,
endereço, apartado postal, nº telefone. Fax, e-mail, URL...

Endereço do destinatário
• Colocado à esquerda
• Deve conter: nome da empresa; departamento, secção, a pessoa à atenção de quem vai
a carta e o endereço.

Referências
• Indicação impressa que permitirá identificar e localizar as cartas mais rapidamente.
• É o espaço onde vão ser indicadas:
o As iniciais do remetente, o nº da comunicação (N/ Refª)
o Os mesmos elementos referentes a uma comunicação anterior do n/ destinatário
(V/ Refª:)
Data
• Todas as cartas devem ser datadas.
• Pode colocar-se do lado direito, por baixo do destinatário;
• À esquerda a seguir ao cabeçalho e alinhado com o destinatário;
• Não se usam abreviaturas ou formas numéricas: deve ser, por ex: 5 de Agosto de 2000.
• Deve também colocar-se o local antes da data: Lisboa, 5 de Agosto de 2000

30
Técnicas de normalização documental

Assunto
• Trata-se de resumir o conteúdo da carta no menor nº de palavras, não deixando
contudo, escapar todos os factores relevantes para a posterior identificação da carta.

Vocativo
• É a forma de cortesia com a qual se inicia a carta.
o Ex.mos Senhores;
o V. Exª;
o Ex.ª;
o Senhor;
o Caro

Introdução
O primeiro parágrafo da carta deve identificar claramente:
• A recepção de qualquer comunicação anterior (com referência à data);
• Quem é o remetente;
• A razão porque escreve a carta.

Corpo da carta
• Constituído por factos, explicações, opiniões que desenvolvem o assunto ordenados de
forma lógica.

Parágrafo de encerramento
• É o modo de terminar a carta (fórmulas finais),

Assinatura
• Por cima do nome e cargo escritos por extenso.

P. S.

31
Técnicas de normalização documental

• Anotação na margem que podem dizer respeito a qualquer pormenor que, por lapso,
não foi incluído no corpo.

Anexos
• Espaço reservado para referir os documentos que acompanham a carta.

Iniciais identificativas
• De quem redige e de quem dactilografou.

Tipos de cartas comerciais

Carta de Encomenda
Podemos servir-nos de uma carta comercial para efectuar uma encomenda de produtos ou esta
pode servir para acompanhar a nota de encomenda/venda.

A nota de encomenda é emitida pela empresa compradora – em documento com o seu timbre,
especificando a quantidade, qualidade e condições de transporte, de entrega e de pagamento
dos artigos a encomendar.

A nota de venda é um documento emitido pela empresa vendedora – em documento com o seu
timbre -, especificando quantidade, qualidade e condições de transporte, de entrega e de
pagamento dos artigos a vender.

O objectivo é o mesmo: registar a encomenda de artigos – o que constitui o primeiro passo de


um contrato compra e venda.

32
Técnicas de normalização documental

Exemplo de carta de encomenda:

Lisboa, 26 de Março de 2009

RESINET, Lda.
Praceta Luís de Camões, Lote E, nº 103
1900-333 Lisboa

Exmo. Senhores,

Vimos por este meio proceder à encomenda dos seguintes produtos:

-refª xx 20 caixas Preço unitário:….€


-refª yy 10 caixas Preço unitário:….€

A presente encomenda está sujeita à aceitação das condições habituais de pagamento, ou seja,
30 dias a contar da data da factura.

Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos

MARTIFOR, S. A.

Alexandre Vieira
Alexandre Vieira

Departamento de aprovisionamento

33
Técnicas de normalização documental

Carta de Reserva
Habitualmente, uma carta de reserva é utilizada para confirmar uma reserva feita por telefone,
formalizando assim o contacto.

Elementos estruturais:

• Data de entrada e saída ou, em alternativa, a data de partida pretendida (reserva de


hotel).
• Dados de identificação de quem reserva e número de pessoas.
• Especificação do que se pretende reservar.
• Pedido de confirmação por escrito da reserva.
• A forma de pagamento – em especial se se tratar de pagamentos a serem facturados a
empresas, devendo, nesse caso, indicar-se o número de contribuinte da empresa que
vai efectuar o pagamento.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de carta de reserva:

Lisboa, 26 de Março de 2009

HOTEL CIDADE INVICTA


Rua do sol, nº 34-40
4300-999 Porto

Assunto: Formalização de reserva de alojamento

Exmo. Senhores,

Vimos por este meio formalizar a reserva previamente acordada por via telefone, especificando
as condições da mesma:

-Modalidade de alojamento: APA


-2 PAX
-2 quartos single
-Data de check-in: 21 de Julho de 2009
-Data de check-out: 23 de Julho de 2019

Solicitamos facturação à nossa empresa, de acordo com o estabelecido em anterior protocolo


de colaboração.

Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos

MARTIFOR, S. A.

Margarida Bessa
Margarida Bessa

Secretariado de Administração

35
Técnicas de normalização documental

A carta de envio, transporte e entrega de mercadorias

Estrutura:

• Especifique correctamente o assunto – refira a que nota de encomenda/venda diz


respeito ao envio;
• Forneça detalhes sobre o envio:
• Informação sobre documentação anexa ao envio: guia de remessa, factura,
conhecimento de embarque, senha…
• Confirmação das condições de venda/ pagamento acordadas;
• Encerramento.

Relativamente às mercadorias, a carta deve conter os seguintes elementos:

• A sua descrição;
• Quantidade e qualidade;
• Preço unitário acordado.

Quanto ao transporte, deve ter-se em conta:

• A designação do meio de transporte a utilizar:


• Condições e local de entrega – envolvendo as despesas de frete e o seguro de
transporte.

Quanto ao pagamento, a carta deve mencionar:

• Condições especiais de pagamento (ex. descontos);


• Forma de pagamento (ex. cheque, letra, transporte, transferência bancária);
• Prazo de pagamento (ex. 30, 60, 90 dias).

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de carta de envio de mercadorias:

Lisboa, 15 de Abril de 2009

AMBINAR, Lda.

Rua Fernão Mendes Pinto, nº 456 Lote B


Zona Industrial
1400-087 Porto

Assunto: Vossa encomenda Ref.ª 123/2009

Exmo. Senhores,

Agradecemos a v/ encomenda em epígrafe para os seguintes produtos:

-Máquina de impressão Refª xxx quantidade:10

Estes equipamentos serão enviados após a recepção do valor correspondente (…€), conforme
factura proforma em anexo.

Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos

MARTIFOR, S. A.

Nuno Henriques
Nuno Henriques

Departamento de Logística

37
Técnicas de normalização documental

A carta de Cobranças

• Aviso de rotina – nesta fase limite-se a lembrar ao seu cliente que o prazo acordado
para efectuar o pagamento já foi ultrapassado.
• Incumprimento do prazo de pagamento – se o cliente é habitualmente cumpridor, mas
não efectuou o pagamento no prazo acordado, pode estar a passar dificuldades, pelo
que, em nome do seu comportamento passado, há que delicadamente abordar a
situação, enviando uma carta onde se sugere ajuda e não se pressiona demasiado.
• Incumprimento do prazo de pagamento – o contencioso – quando o incumprimento do
prazo de pagamento já ultrapassou todas as fases e não se obtiveram quaisquer
resultados, há que enviar uma carta em tom mais duro, onde se pode chegar à ameaça
de cobrança por meios judiciais.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de carta de cobranças:

Lisboa, 5 de Janeiro de 2009

VSM, comércio e serviços, unipessoal


Calçada da Estrela, nº 125 5º
1200-112 Lisboa

Exmo. Senhores,

De forma a encerrar as contas relativas ao ano anterior, solicitamos por esta via a liquidação da
factura nº 34567/2008, relativa a transacção efectuada no ano anterior.

Junto anexamos cópia de solicitações anteriores relativas à liquidação da mesma, a qual


excedeu largamente o prazo de pagamento acordado (60 dias).

A não observação do presente aviso terá como consequência última a passagem do processo
para o nosso departamento jurídico, com as consequências legais inerentes, situação que
gostaríamos de evitar.

Certos da vossa compreensão, com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos

MARTIFOR, S. A.

Olga Peres
Olga Peres

Departamento Financeiro

39
Técnicas de normalização documental

Carta de Reclamação
Nesta situação específica da carta de reclamação, pretende-se reclamar, ou seja, apresentar
queixa contra uma situação incorrecta.

Estrutura:

• Identificação do remetente;
• Identificação do destinatário;
• Data;
• Resumo do assunto da carta (numa linha só e em poucas palavras);
• Corpo da carta:
o Descrição da situação que levou ao envio da carta;
o Exposição clara do que se pretende.
o Assinatura;
o Referência a documentos em anexo (se for necessário).

Cuidados a ter
Guarde cuidadosamente uma cópia (uma fotocópia da carta já assinada) e, se a entregar em
mão, peça que o destinatário a assine, com a menção “Recebi em ___/___/___”. Se se tratar
de uma empresa ou outra entidade, também deverá ser carimbada.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de carta de reclamação:

Lisboa, 7 de Fevereiro de 2009

FLEXIGATE, Lda.
Av. João XXI, 1340
1300-888 Lisboa

Exmo. Senhores,

Informamos a ocorrência de um erro no aprovisionamento do material requisitado na nota de


encomenda nº….

Com efeito, foram solicitadas x quantidades relativas à referência 345/ee, tendo sido remetidas
apenas y quantidades da mesma mercadoria.

Tal facto resultou numa falha de produção, impedindo-nos de cumprir os prazos estabelecidos
com os nossos clientes.

Junto anexamos cópia da nota de encomenda, solicitando a correcção do erro e posterior envio
das quantidades solicitadas, com a maior brevidade possível.

Certos da vossa compreensão para os possíveis efeitos do não cumprimento do solicitado,


aguardamos vossa comunicação no sentido de rectificar e justificar o incumprimento.

Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos

MARTIFOR, S. A.

João Azevedo
João Azevedo

Departamento comercial

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Técnicas de normalização documental

O Ofício

O ofício é uma forma de correspondência que se utiliza no serviço público.

É por meio de ofício que:

• Uma repartição se dirige a uma pessoa ou empresa;


• Uma repartição se dirige a outra repartição.

A redacção de um ofício obedece a determinadas normas. Além da correcção, deve-se


observar:

• Simplicidade: uso da linguagem simples, evitando-se frases rebuscadas ou muito


adjectivadas.
• Clareza: expressão clara e lógica do pensamento, de modo que a mensagem possa ser
entendida perfeitamente.
• Objectividade: abordagem directa do assunto, evitando-se palavras desnecessárias ou
expressões que nada acrescentam ao texto.
• Concisão: resumo do texto ao essencial, evitando-se alongar muito o assunto.

O ofício deve ser digitado, como toda comunicação que se faz entre repartições.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de ofício:

CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Nossa referência: Proc. OP 198/ 2007 Data: 2007-09-13

Ofício nº 45381

Assunto: DEMOLIÇÃO DE EDIFÍCIO E CONSTRUÇÃO DE NOVO


Rua Amália Rodrigues, 45, 1900-093 Lisboa

Relativamente ao assunto acima mencionado, e no uso da competência que me foi


subdelegada, informo V. Exa. De que nesta data foi oficiado à entidade abaixo mencionada, a
fim de emitir o respectivo parecer:

BRITOFER, Lda.
Rua Sophia Mello Breyner, nº 34
1300-093 Lisboa

Com os melhores cumprimentos

A Chefe de Secção

Maria da Luz Novais


Maria da Luz Novais

43
Técnicas de normalização documental

2.3.3.Sobrescrito

Depois de escrita a carta, esta deve ser dobrada com as dimensões do sobrescrito que a
transportará. Este deve ser preenchido de acordo com as normas correntes:

Margarida Silva

Rua de Angola, 216

1900-099 Lisboa

Ex.mo Sr.

Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

(……..)

Lg. dos Paços do Concelho

• Registar o nome e a morada do remetente


---- (é quem remete a carta) no canto superior
--- Lisboa

esquerdo.
• Registar (de acordo com o modelo acima) o nome e a morada do destinatário (é
aquele a quem é destinada a mensagem), não esquecendo o código postal, seguido do
nome da localidade.
• Colar o selo no canto superior direito.
• Ter cuidado de deixar em branco, a toda a volta do sobrescrito, uma margem com cerca
de um centímetro, não a ocupando com qualquer registo, nem com a colagem do selo.

2.3.4.Nota de serviço

Tem uma redacção mais formal e implica uma responsabilização do receptor. Parte de um
superior hierárquico para os subordinados. Muitas vezes é emitida em duplicado, devolve-se o

44
Técnicas de normalização documental

duplicado assinado pelo receptor com a indicação da hora e dia em que foi recebida. Obedece a
uma numeração.

Elementos:

• Nº
• Assunto;
• De e para;
• Data;
• Assinaturas.

45
Técnicas de normalização documental

Exemplo de ordem de serviço:

MARTIFOR, S.A.

ORDEM DE SERVIÇO

Nº 567/2009

De: Cristina Filipe Departamento de Recursos Humanos


Para: Luísa Taborda Secção de Recrutamento

Assunto:

Por ordem expressa da direcção-geral, solicita-se a obrigatoriedade de comunicação das datas


de realização das entrevistas profissionais de selecção com o mínimo de uma semana de
antecedência à direcção do departamento.

Esta norma entra em vigor a partir de hoje.

Lisboa, 5 de Abril de 2009

Cristina Filipe
Cristina Filipe

Departamento de Recursos Humanos

46
Técnicas de normalização documental

2.3.5.Memorando

Na linguagem comercial, significa a nota ou comunicação ligeira entre departamentos de uma


mesma empresa, ou entre matriz e suas filiais e vice - versa, ou entre as filiais. É conhecido
também como comunicado interno (CI).

O memorando pode ainda indicar um livro de apontamentos, ou notas, com a finalidade de


registar fatos ou lembretes.

Na terminologia jurídica, significa nota diplomática enviada por um país a outro, com a
exposição sucinta sobre determinada questão.

Dispensa o uso de formalidades exigidas em uma carta. É uma comunicação rápida e objectiva,
assemelhando-se a um bilhete.

O formato do memorando, em geral, é de 21 cm de largura por 15 cm de altura (ou 148 m.mx


210 m.m.). E ainda pode ser interno ou externo. No 1º caso é dirigido a funcionários de um
mesmo órgão ou departamento. No 2º é dirigido a pessoas alheias ao departamento.

Estrutura:
1) Timbre
2) Número
3) Remetente
4) Destinatário
5) Assunto
6) Local e Data
7) Texto
8) Fecho
9) Assinatura e Cargo

47
Técnicas de normalização documental

Exemplo de memorando:

MARTIFOR, S.A.

MEMORANDO

Nº 356/2010

De: Olga Peres Departamento Financeiro


Para: Cristina Filipe Departamento de Recursos Humanos

Assunto: Processamento de vencimentos

Relembramos a necessidade de instrução aos novos colaboradores da empresa quanto às datas


de processamento dos vencimentos, para que estes possam entregar em tempo útil os recibos
de prestação de serviços.

Ao dispor para qualquer esclarecimento

Lisboa, 23 de Junho de 2010

Olga Peres
Olga Peres

Departamento Financeiro

48
Técnicas de normalização documental

2.3.6.Comunicado/Comunicação/Nota informativa/Informação

As situações que dão origem a circulares informativas são:

• A abertura de uma sucursal;


• A renovação das instalações;
• A introdução de novos serviços ou acessibilidades;
• As mudanças de instalações;
• As alterações de horário;
• A divulgação da situação financeira da empresa;
• O recrutamento de alguém;
• O despedimento colectivo.

Estrutura:

• Enquadrar o acontecimento – se referir um melhoramento do serviço da empresa, deve


valorizar o facto e realçar as vantagens para os clientes e colaboradores;
• Informar pormenorizadamente em que consiste a mudança;
• Encerrar com uma nota de optimismo, se houver motivo para congratulações.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de uma nota informativa

MARTIFOR, S. A.

NOTA INFORMATIVA Nº 345/ 2009

Informam-se todos os funcionários que, devido ao atraso nas obras de remodelação na cantina
da empresa, esta encontrar-se-á indisponível até ao final do próximo mês de Outubro.

Solicitamos desde já a vossa compreensão.

Atentamente

Salvador Sousa
Departamento de Qualidade

50
Técnicas de normalização documental

2.3.7.Outros documentos

Circular
A Circular é o meio de comunicação escrita, utilizado por um órgão ou por uma empresa para
se dirigir a vários outros órgãos ou a várias pessoas, sobre o assunto de interesses geral.

A circular é uma correspondência multidireccional e, por isso, dela não consta o destinatário. O
endereçamento só aparece no envelope de encaminhamento. Quando um Ofício, uma Carta ou
um Memorando forem dirigidos a mais de uma entidade ou pessoa, serão denominados.

A circular apresenta a seguinte estrutura ou esquema gráfico

Timbre:
O timbre ou cabeçalho é a identificação do órgão ou de empresa expedidor (a) e já vem
impresso na folha de papel utilizada.

Numeração:
A numeração, seguida dos dois últimos algarismos do ano de exercício, separados por barra,
vem junto á margem esquerda, dois espaços duplos abaixo do timbre, após a palavra “circular”,
acompanhada do dia, mês e ano do exercício.

Procedência:
Em determinadas circulares costuma-se indicar a procedência (origem). Nesses casos, junto à
margem esquerda, dois espaços duplos da numeração, vem do nome completo do Sector, da
Secção ou do Órgão expedidor.

Assunto:
O resumo do conteúdo da circular, em todas as circulares, vem junto á margem esquerda, dois
espaços duplos abaixo da numeração ou da procedência.

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Técnicas de normalização documental

Contexto:
O contexto da circular é constituído pela “Introdução” que consta da titulação do signatário da
circular, seguida da expressão “no uso de suas atribuições, (ou expressões semelhantes) e pela
numeração dos itens da Circular, cuja numeração vem rente á margem esquerda, mas os itens
iniciam-se na posição do parágrafo, bem como a “introdução”.

Assinatura, nome e cargo:


A assinatura do remetente da Circular sobre o seu nome e cargo vem na posição do parágrafo,
dos espaços duplos abaixo do contexto ou da localidade e data, caso essa seja utilizada no final
da Circular.

Iniciais do signatário e do digitador:


As iniciais do remetente e do digitador vêm, separados por barra, ao pé da folha.

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Técnicas de normalização documental

Exemplo de uma circular:

MARTIFOR, S. A.

Lisboa, 21 de Maio de 2009

Exmos. Srs.

Devido à recente subida de preço das matérias-primas, informamos que formos obrigados a
rever os nossos preços em 2%, pelo que a partir do próximo dia 1 de Junho de 2009 entrarão
em vigor as novas listas de preços.

Assim, aproveitamos para vos remetermos as respectivas listas, que substituem todas as
anteriores.

Certos da vossa compreensão, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Atentamente

João Azevedo
Director Comercial

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Técnicas de normalização documental

Requerimento
Dá-se o nome de requerimento a uma petição geralmente escrita, segundo as normas legais,
dirigida a uma entidade oficial, da justiça ou da administração.

Intencionalidade comunicativa - Solicitar algo a que se tem direito ou se julga ter:

• Obter informações sobre determinado assunto;


• Solicitar providências;
• Convocar uma ou mais sessões;
• Obter determinado documento;

Obedece a uma estrutura formal e linguística, normalizada por formulários dos serviços
competentes. Deve:

• Ser preenchido com clareza e perfeição;


• Ser apresentado numa folha branca, ou formulário fornecido para o efeito;
• Separar os diferentes pontos do texto por um espaço em branco.

Frequentemente obedece a um texto designado por “minuta” (o modelo) e, depois de


preenchido, o original fica nos serviços competentes e a cópia é entregue ao requerente, após
autenticação com o selo do estabelecimento.

Estrutura

Abertura

• Vocativo ou destinatário/ entidade a quem se dirige (parte superior direita da folha);


• Indicação do seu cargo ou função, com a forma de tratamento adequada/ órgão a que
se dirige;

54
Técnicas de normalização documental

Encadeamento (ou texto principal)

• Identificação o mais completa possível do requerente: nome completo, nacionalidade,


profissão, endereço, nº de BI, nº de contribuinte;
• Assunto: pedido e sua justificação; pode ser fundamentado recorrendo a leis, decretos,
portarias e outros documentos legais;

Fecho - fórmula final, do lado direito da folha:

• Pedido de deferimento;
• Local;
• Data;
• Assinatura do requerente ou seu representante legal.

55
Técnicas de normalização documental

Exemplo de requerimento:

Exmo. Sr.
Chefe da Repartição de Finanças
Serviço de Finanças de Lisboa-4

Martifor, S. A., empresa com sede na Avenida da Liberdade, nº 666, 1300-366 Lisboa, NIPC
334554557, matriculada na 3ª secção da Conservatória de Registo Comercial de Lisboa sob o
nº 78 566, com o capital social de 50 000 €, requer que V. Exa. Se digne emitir certidão onde
conste que a referida não é devedora à Fazenda Nacional de quaisquer impostos.

Pede deferimento.

Lisboa, 14 de Novembro de 2008

Manuel Martins
Representante da Empresa/ Director Geral

56
Técnicas de normalização documental

Bibliografia

AA VV. Normas Portuguesas de Documentação e informação - CT, Biblioteca Nacional de


Portugal/ Instituo Português da Qualidade, 2010

Borges, Maria João, Secretariado: uma visão prática, Lidel, 2009

Estrela, Edite et. al, Saber escrever uma tese e outros textos, D. Quixote, 2006

Lousã, Aires et al., Técnicas administrativas, Porto Editora, 2006

Moreira, Isabel, Correspondência comercial, Lidel, 2010

Webgrafia

Instituto Português da Qualidade


http://www.ipq.pt

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