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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

ESTUDAR A DISTÂNCIA:
UMA AVENTURA ACADÊMICA

1 - SER ESTUDANTE
“A DISTÂNCIA”

ORESTE PRETI
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

Fernando Haddad
Ministro da Educação

Carlos Eduardo Bielschowsky


Secretário SEED/MEC

Celso Costa
Diretor da UAB

Paulo Speller
Reitor UFMT

Elias Alves de Andrade


Vice-Reitor

Adriana Rigon Weska


Pró-Reitora Administrativa e Planejamento

Tereza Cristina Cardoso de Souza Higa


Pró-Reitora de Planejamento

Marilda Calhao E. Matsubara


Pró-Reitora de Vivência Acadêmica e Social

Matilde Araki Crudo


Pró-Reitora de Ensino e Graduação

Marinez Isaac Marques


Pró-Reitora de Pós-Graduação

Paulo Teixeira de Sousa Jr.


Pró-Reitor de Pesquisa

Carlos Rinaldi
Estudar a Distância Coordenador UAB/UFMT
Uma Aventura Acadêmica
2
ORESTE PRETI

ESTUDAR A DISTÂNCIA:

UMA AVENTURA ACADÊMICA

1 - SER ESTUDANTE “A DISTÂNCIA”

2. ed. revista

EdUFMT
Cuiabá, 2008
ISBN - 8532701663

lIustrações internas: Cândida Bitencourt Haesbaert


Projeto Gráfico: NEAD/UFMT
Revisão: Germano Aleixo Filho

Ficha Catalográfica

P942e PRETI, Oreste.


Estudar a distância: uma aventura acadêmica. 1 Ser Estudante “a distância”.
2 ed. Oreste Preti. Cuiabá: EdUFMT, 2008.
121 p. il.
CDU - 37.018.43

1. Método de estudo 2. Educação a Distância 3. Metacognição

Dedico esse texto didático a meus pais camponeses


Preti Bortolo e Pari Cristina (in memoriam)

que apoiaram minha decisão de trocar a enxada pela caneta,


a planície padana italiana pela imensidão da região mato-grossense,
acompanhando (a distância), com afeto e incentivo,
minha aventura docente, aqui no Brasil.
APRESENTANDO A AVENTURA

Amigo e Amiga estudante:

Pensando em você, ocupado e preocupado com suas atividades profissionais e


domésticas e, agora, universitário, escrevi este Guia Metodológico.

Pensando em você, amadurecido e qualificado pela escola da vida, mas


vivendo num contexto econômico e educacional que, talvez, não lhe tenha
Na
possibilitado acesso habitual a livros e revistas, ou não a incentivasse ao gosto sociedade
pela leitura de textos, venho lhe propor que construa sua própria maneira de brasileira,
ser como estudante e leitor. Espero que se torne pessoa crítica e ativa na ao lado de
uma indústria da
descoberta do mundo, no seu processo de construção do conhecimento, de “fome de
sua “autonomia intelectual”, de intervenção no seu campo profissional e de alimentos”, existe
uma indústria da
participação na transformação da sociedade. “fome de ler”.
(Ezequiel T. da
Você está estudando num curso “a distância”, sem a presença física e cotidiana Silva).

de professores, porém não deverá sentir-se sozinho, pois poderá dialogar com
orientadores e colegas de curso. Esse Guia propõe estimulá-lo a descobrir
outras maneiras de você “estar” no mundo como estudante, de “estar junto” de
orientadores e colegas, de tornar o curso a distância um espaço de “encontro”.
Academia -
Essa obra que trata da sua aventura de ser estudante não foi pensada como região
obra teórica sobre as bases e os fundamentos da atividade acadêmica, ou obra ajardinada,
perto de
que pretende desvelar os “caminhos tortuosos e complicados” da atividade Atenas,
científica. Em contrário, busca possibilitar-lhe abertura ao mundo da academia e consagrada
a novos campos do saber, descortinando horizontes, alargando o diálogo entre ao herói
grego
estudantes e professores do mundo inteiro (por isso é universidade!), com suas Akademos,
exigências, suas normas, com seu ritual e ritmo de trabalho. onde Platão
dava suas
lições de
Existe vasta literatura consagrada à Metodologia do Trabalho Intelectual, cuja filosofia.
indicação se encontra ao final deste Fascículo e que poderá ser consultada na Sinônimo
de escola
biblioteca da sua universidade ou, certamente, no Pólo de Apoio Presencial do superior.
seu curso ou na biblioteca pública de seu município.

Sei, por outro lado, das dificuldades de acesso a essas obras. Por isso, escrevi
este Guia Metodológico que não tem outra pretensão a não ser ajudá-lo a ter
sucesso no estudo, na sua aventura de ser estudante, fornecendo orientações,
sugerindo estratégias, instrumentos, e propiciando-lhe o exercício de algumas
técnicas para que você possa realizar sua caminhada no curso com
produtividade e satisfação. Foi produzido com a intenção de lhe servir de apoio
ao longo do curso, como uma espécie de Vade-Mécum (Vai comigo), um livro Estudar a Distância
de consulta, e não como material para ser “estudado”. Uma Aventura Acadêmica
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Dividi, então, este Guia Metodológico em quatro volumes formando um todo.
Você poderá, porém, consultar os fascículos e os capítulos separadamente, no
decorrer do seu percurso acadêmico, a depender de suas indagações.

No primeiro volume, SER ESTUDANTE “A DISTÂNCIA”, em sua abertura, reflito


um pouco sobre o que significa estudar num curso a distância, e como você
poderá estudar. Você é convidado a se conhecer como estudante, descobrindo
seus hábitos, seu jeito de estudar. Receberá algumas orientações práticas para
melhor aproveitamento de seus estudos, para planejamento de seu tempo, o
cultivo do hábito de estudo em pequenos grupos, o registro e o preparo para as
avaliações.

No segundo volume, LEITURA DE TEXTOS ACADÊMICOS, discuto sobre


diferentes “jeitos” de ler, sobre o seu “jeito”, e lhe proponho uma abordagem
interativa da leitura. Apresento algumas estratégias e técnicas de leitura para que
você possa compreendê-las, exercitá-las e se constituir, assim, em leitor
autônomo.

No terceiro volume, A CONSTRUÇÃO DA PESQUISA - I, você ingressará no


campo da produção acadêmica. Percorrerá os caminhos da investigação
científica para que se dê conta da importância da pesquisa em sua atividade
profissional e na sua formação acadêmica.

No quarto volume, A CONSTRUÇÃO DA PESQUISA - II, encontrará textos


complementares ao terceiro volume.

Esses Fascículos se apresentam como guia de (auto)formação, para apóia-lo


em seu processo de estudar-aprender e de construção de autonomia intelectual.
As condições de aprendizagem requerem atitude de abertura, de envolvimento e
de compromisso: interrogue-se sobre seus hábitos como estudante, como
profissional para identificar aspectos positivos e negativos e, sobretudo, coloque
em prática as decisões tomadas, diante das descobertas, diante de novo e de
seus conflitos. A aprendizagem se dá não pela “aquisição” de conhecimentos,
mas pelo desenvolvimento de habilidades intelectuais e pessoais, por vivenciar
novas experiências, por construir novos caminhos ou, como diria Paulo Freire:

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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“Aprender é construir, reconstruir, constatar para mudar; o que não se faz
sem abertura ao risco e à aventura do espírito”.

“Ser estudante” é uma aventura, é novo desafio que se põe e impõe em sua vida
pessoal, familiar e profissional. E que, certamente, exigirá mudanças, novas atitudes
em sua vida.
Ser estudante é
Espero que este Guia o ajude nessa sua aventura! “um ofício que se constrói,
que se aprende”
(CARITA et al., 2001, p. 121).
Portanto, mãos à obra!

Cuiabá, MT - 1º de julho de 2006.

A aventura não ultrapassa


somente o conhecer, mas evidencia
um exercício paciente e impaciente de
quem não pretende tudo simultaneamente, que
percebe e é consciente de que o processo
é uma sucessão de angústias e de alegrias, de lágrimas e sorrisos,
de incertezas e segurança, como também de introspecção tímida ao
arriscado vôo da liberdade.

(Paulo Freire. Professora sim, tia não)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Pedindo licença para me apresentar

O primeiro desafio que tive pela frente, ao escrever esses Fascículos, e o seu,
ao iniciar sua leitura, é o fato de não nos conhecermos, ainda.
Por isso, proponho que o conhecimento sobre “quem somos” seja o ponto de partida
neste encontro mediado pelo texto. Você poderá fazê-lo enviando-me mensagem, com texto
e foto, se quiser, para meu endereço eletrônico: oreste@nead.ufmt.br. Eu o farei, agora,
fazendo uso da palavra escrita.

Sou Oreste Preti, oriundo da Itália e naturalizado brasileiro. Vim para Mato
Grosso há mais de 30 anos e passei a maioria destes anos aqui em Cuiabá, como professor
da Universidade Federal de Mato Grosso, atuando no departamento de Teorias e
Fundamentos da Educação. Sempre trabalhei com a formação de professores, sobretudo
em áreas de fronteira agrícola, ao norte do Estado, a mais de 600km da Capital. Em 1992,
fiz parte da equipe que, no interior da universidade, se propôs buscar outras saídas para
dar conta do contingente de professores não titulados em nível superior, que atuavam na
rede pública em Mato Grosso (na época eram mais de 5.000). Para superar as distâncias
geográficas e os escassos recursos financeiros e humanos, a alternativa que foi se
desenhando como mais viável foi a modalidade de Educação a Distância.
Tivemos de superar preconceitos e resistências quanto à modalidade, no interior
do próprio Instituto de Educação e nas instâncias por onde a proposta teve de passar para
receber sua aprovação. Fazer educação a distância, naquele momento, era um ato de
coragem e de temeridade, pois essa modalidade era avaliada negativamente pela maioria
dos educadores e gestores da Educação, era considerada uma “educação de 3ª categoria”!

Em fevereiro de 1995, iniciávamos a primeira experiência, no País, de um curso


de graduação a distância. Hoje, este curso está disseminado por todo o Estado, atingindo
mais de 5.500 professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e, também,
expandiu-se para outros Estados, onde as universidades públicas locais assumiram a
coordenação e execução do curso de Licenciatura.
Atualmente, existem mais de cem instituições de ensino superior credenciadas
oferecendo cursos de graduação a distância, no País, abarcando mais de trezentos mil
alunos matriculados. Isso vem contribuindo para que essa modalidade se consolide e
passe a fazer parte das práticas educativas cotidianas e regulares.
O que estou propondo, na caminhada deste guia, é o resultado de reflexões
particulares e coletivas construídas durante mais de 20 anos, como pesquisador e como
professor de Metodologia da Pesquisa, em cursos de graduação e pós-graduação. Confesso,
porém, que a re-elaboração deste material foi assumida por mim como novo desafio, não
somente pelo curto prazo e pelas inúmeras atividades que me roubam o tempo da leitura e
da reflexão, como pela expectativa que tenho em relação à sua formação e aos seus saberes
e às suas competências e experiências.

Reconheço que todo texto é provisório e limitante. Por isso,


as críticas que você fizer a esses Fascículos serão bem-vindas.
Ficarei agradecido.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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SUMÁRIO

PREPARANDO-ME PARA A AVENTURA 11


CAPÍTULO UM – MEU JEITO DE ESTUDAR 33
CAPÍTULO DOIS – ESTUDANDO E APRENDENDO 51
CAPÍTULO TRÊS – PLANEJANDO MEU ESTUDO 65
CAPÍTULO QUATRO – ESTUDANDO EM GRUPO 77
CAPÍTULO CINCO – FAZENDO ANOTAÇÕES 83
CAPÍTULO SEIS – AVALIANDO MINHA CAMINHADA 99
CONSIDERAÇÕES 111
117
BIBLIOGRAFIA

GLOSSÁRIO 121

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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PREPARANDO-ME
PARA A AVENTURA

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
11
Neste primeiro volume, você encontrará algumas informações que poderão ajudá-
lo a ser tão eficiente e produtivo em seus estudos como você é em suas
atividades do dia-a-dia. Aqui você poderá se reconhecer como estudante,
conhecerá o processo de “como aprender” e identificará estratégias e caminhos
de “como estudar” que, certamente, proporcionarão que sua caminhada no curso
seja mais proveitosa e prazerosa.

Por isso, esses primeiros meses serão uma espécie de “preparação”, de


“iniciação” à aventura de ser estudante num curso a distância. Que isso implica
em sua vida pessoal e profissional? Que sentidos dar a essa aventura? Que
significa estudar a distância? Como melhor usufruir dessa travessia no curso?

É sobre isso que lhe proponho uma conversa neste início do curso.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Como você está, hoje, ao iniciar o curso? Quais são suas expectativas?
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Essas poucas linhas, traçadas aqui como em outras páginas do Guia, foram colocadas com o intuito de
provocá-lo a escrever. Não pretendo limitar suas possibilidades de expressão escrita. Por isso, se quiser,
faça o registro de suas reflexões, suas dúvidas, seus questionamentos, que irão surgindo ao longo da
leitura desse Fascículo, como dos demais no andar do curso, em seu diário pessoal, uma espécie de
“Memórias” da sua aventura de Ser Estudante!

Você acha que Ser Estudante é uma aventura? Que sentidos você dá ao título deste
guia metodológico?
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Convido você, amigo leitor, que busque em suas memórias, ou em suas


fantasias e sonhos, uma situação em que uma aventura se tenha
configurado, desenhado, para ir estabelecendo comparações, identificando
divergências, diferenças com o que irei expor, e ir tecendo a trama de sua
aventura.

Feche seus olhos e se deixe levar nessa aventura, como barco em alto mar,
acompanhando o balanço das ondas e a direção dos ventos, ou como pássaro
voando para atingir os picos da montanha, em vôos ousados e desafiadores.
Mas tenha sempre à mão a bússola para se orientar na aventura, e o olhar fixo
nos objetivos e nos sonhos a alcançar.

1 A AVENTURA

A palavra “aventura”, etimologicamente, significa “o que vem pela frente”


(ad-venire). Implica situações novas e atitudes a serem desencadeadas
diante dessas situações que você precisará identificar e analisar para
poder tomar decisões que a levem para onde quer ir. Pode ser
associada a situações lúdicas, gostosas e também pode remeter
a momentos de perplexidade, de surpresas. Veja algumas possibilidades
de sentidos.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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1- “Aventura”, inicialmente, pode comportar situações não
previsíveis, que não podem ser antecipadas. Você poderá estar se
perguntando: o que me espera pela frente? Como será o curso? Será que
vou dar conta?

Determinação A não-previsibilidade traz sentimentos de incerteza, de estar diante do


passa a idéia
de algo já
“incógnito”, do não-saber, do inesperado, do que escapa ao programado, do
demarcado, definido. Existem situações e condições objetivas (muito mais do que
que não
pode ser “determinações”), (im)postas pelas políticas econômicas e sociais, pelo sistema
modificado. educacional, pelas instituições em que você atua ou com as quais se relaciona.
Existem as condições/situações subjetivas, sua vida particular e familiar, sua
formação, seus valores e crenças. São condições/situações que não podem ser
antecipadas. Vão acontecendo, se configurando, se constituindo, nos atingindo e
nos transformando, num processo contínuo e incessante de auto-organização,
(auto)formação.

Mas, o não previsível pode apontar, por outro lado, o novo, a


descoberta, a conquista. Você poderá se aventurar por “mares nunca
dantes navegados”, para atingir novas fronteiras, superando os limites
postos e impostos, em busca de novos mundos, de novas terras, à
conquista de novos territórios. Sentir-se-á bandeirante, explorador, herói,
aventureiro em suma.

É o momento em que ingressa em “novos” territórios, espaços, valores, concepções,


em que encontra, defronta e afronta situações novas e sujeitos diferentes.
Aventura, então, é travessia, é abandonar a margem segura em que está apoiado e seguir
rumo à outra margem. No meio, tudo pode acontecer!

Eu atravesso as coisas e no meio da travessia


não vejo! Só estava entretido na idéia dos lugares de saída e
de chegada [...] a gente quer passar um rio a nado, e passa;
mas vai dar na outra banda e num ponto muito mais em
baixo, bem diverso do que em primeiro se pensou.
Viver não é muito perigoso? (G. Rosa. Grande Sertão:
Veredas).
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Talvez, já tenha vivenciado situações parecidas com essa que Guimarães Rosa descreve.
Você deixa a margem segura da situação em que se encontra em busca da outra
margem, sem ter certeza em que tudo isso vai dar, mas se aventura pelo desejo de realizar
projetos, pela insatisfação perante a situação atual, por situações inesperadas. Não
importa o motivo, é impulsionado pela busca de sua realização pessoal e profissional.

Essa não-previsibilidade pode provocar, também, emoção, desejo, prazer, As raízes


de uma árvore
pois a perspectiva dos desafios, dos sonhos a alcançar, dos desejos a realizar a podem ser
impulsiona para a ação e, mesmo que o êxito não emirja de imediato, pela ação amargas,
é possível lançar perspectivas para o êxito. mas o que
importa é
que seus
Como lidar com esses sentimentos, aparentemente opostos, de incerteza, que frutos sejam
doces,
assustam, e do desejo da descoberta que a incitam e motivam para continuar na abundantes
aventura? e saborosos.
(Provérbio oriental)

Primeiramente, estando em atitude de “abertura” ao aprender, ao


encontro, à descoberta, à esperança, ao prazer; em atitude de querer aprender
com o novo, com o inesperado, com os acontecimentos, com os outros e buscar
meios para que isso se realize.

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante


do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
(Raul Seixas)

Estivemos, ao longo de nossa formação, presos às mãos de Atenas (deusa da


razão). Queremos sempre ter a certeza de que estamos pisando em solo
seguro e, como “estudantes”, queremos respostas às nossas dúvidas, aos
nossos questionamentos.
Por que não sentir a sensação prazerosa de tocar nas mãos de Vênus (deusa
do prazer), para que tenhamos a possibilidade de “sentir” muito mais do que
“compreender”, de sentir o prazer em aprender, em viver, em estarmos juntos, Para educar,
entre tantas
compartilhando experiências e saberes? outras
competências,
Diz o dito popular que a vida é uma escola, “a escola da vida”. Aprendemos com o que importa,
a vida, mas isso exige de nós humildade e sabedoria para aceitar isso e para principalmente,
é abrir a
que a aprendizagem se processe. voz que vem
do coração.
Isso demanda a atitude de escuta, uma atitude de entrega, de liberdade. (Alceu Vidotti)
Mais do que ouvir, sentir a fala do outro como possibilidade, ao invés de
verdade, ou de ofensa. Aproveitar as oportunidades das falas dos outros para
revisitar nosso eu, sem condenações ou recusas e, se possível, reinventar
conceitos. Na nossa cotidianidade somos mais de proferir palavras, não
importa o que, do quê, escutar, de saber diferenciar e identificar vozes e
sentir as falas dos outros. Estudar a Distância
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Também as palavras são uma espécie de conchas as quais
temos de encostar o ouvido com humilde atenção, se
quisermos aprender a voz que dentro deles soa.
(Antonino Paglioro)

“Escuta que eu falo” deve ceder lugar à atitude bíblica do “Fala que eu escuto”.
Isso possibilitará que, em nossa vida, haja encantamento, surpresas, e não a
monotonia, a rotina do fazer cotidiano, ou a “tirania dos fatos”, como nos adverte
o sociólogo Pedro Demo em suas obras.

Atitude de envolvimento e comprometimento, de mergulhar com o


coração, de apaixonar-se por aquilo que se está realizando. Estar envolvido com
o que fazemos é perspectiva de aprendizagem, de construção, tornando a
aventura algo inesquecível, entusiasmante, como se uma força divina habitasse
dentro de nós. Envolver significa sentir a sensação de aconchego, de calor, de
agradabilidade. Estar envolvido é deixar-se seduzir. A passagem pelo curso deve
ser “sentida” por você, vivida, usufruída em suas dimensões cognitiva e afetiva.

É fazer diferente do mítico herói grego Ulisses que queria sentir o canto das
sereias mas que, por medo de ser seduzido por ele, se fez amarrar ao
mastro da embarcação por seus companheiros de aventura. É fazer diferente
de seus marinheiros que, ao passarem pela ilha, remavam com os ouvidos
tapados para não ouvir e serem aprisionados pelo encanto do canto.

Muitas vezes, agimos como o astuto Ulisses que quer fruir da beleza do
canto sem a ele sucumbir, ou como marinheiros que recusam enfrentar o
perigo do encanto e conduzem o barco sem usufruir desse prazer sedutor.

Podemos agir diferentemente: abrir os ouvidos e os braços, experimentar, se


aventurar e não renunciar, não ficar só no desejo, com medo de ser
apanhado por ele. É ousar como fizeram Adão e Eva, Prometeu, Pandora
que romperam com normas e privilégios divinos, ou até como Ícaro que
desafiou a própria natureza, recorrendo a uma técnica para imitá-la e
subvertê-la.

2 - Aventura não é um “aventureirismo”, um jogo, uma brincadeira, um


faz- de-conta: “Vou entrar para ver o que vai dar; se não gostar, caio
fora”. Não é um caminhar “sem lenço nem documentos”. Seria uma atitude
de irresponsabilidade entrar no curso com esse espírito. É um projeto a
ser realizado, materializado, um projeto que é seu, mas não somente
seu.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Inicialmente, é uma proposta institucional, produzida no bojo de políticas
educacionais. É o projeto de uma instituição, de parceria com outras instituições,
de uma equipe de educadores que tem objetivos, uma direção, uma
intencionalidade, um sonho a realizar: a formação de profissionais, a ser
construída sobre novos paradigmas que possibilitem o desencadear de práticas
inovadoras.

Por isso, ao aceitar entrar nessa aventura, ao ingressar no curso, você firma um
pacto político-pedagógico com a instituição, uma espécie de “aliança”. Nisso,
estão implicados a instituição, a equipe pedagógica, professores especialistas,
orientadores, colegas de curso.

Em segundo lugar, se a proposta dessa aventura é institucional, a decisão


de participar dela, de estar nela, é sua. Trata-se de seu projeto de vida.

Quando digo que esse envolvimento é pessoal, não significa que é


somente seu, mas que envolve a família, as pessoas que fazem parte do
seu cotidiano, que estão ao seu redor, das pessoas que você ama. Elas,
direta ou indiretamente, participarão dessa sua aventura, algumas para
Duas características
dar apoio, assumindo tarefas que antes eram suas, oferecendo o ombro marcantes do ser humano:
amigo nos momentos de desânimo, incentivando; enquanto outras poderão temos um pé na aventura
e o outro na segurança
colocar obstáculos, não aceitando os momentos de afastamento do lar, o (Karl Jaspers - filósofo)
tempo ocupado no estudo, suas mudanças na maneira de olhar para a
vida, seus ensaios para novas práticas.

Você está neste curso porque você compactua sua proposta curricular e aposta
na modalidade a distância. Por isso, trata-se de compromisso que não é
somente da instituição implicada, mas, sobretudo, seu.

Por que está neste curso? Quais os motivos que o levaram ao curso?

É importante salientar que você não está numa aventura qualquer.


É SUA AVENTURA!

As decisões serão pessoais. Você irá definindo o roteiro, tornando-se


protagonista da aventura. Isso demanda responsabilidade, disciplina,
reorganização da vida pessoal e familiar também, desenvolvimento de método
de estudo, autogestão, controle do estresse, auto-estima positiva.

Estar nessa aventura, então, é caminhar com sentido, sabendo para onde você
está se dirigindo. Não há vento favorável, nos ensinam os sábios, se o argonauta
não sabe a que porto conduzir com segurança seu navio e atracar.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Educação
Aberta e a
Distância No seu município, talvez, como na maioria dos municípios do País, algum curso
(EAD); a distância está sendo oferecido.
Educação a
Distância (EaD)
Você sabe quando começou ser desenvolvida essa modalidade de ensino
e o que vem a ser?

Há autores que apontam as origens dessa modalidade de ensino, na


Antiguidade, nas Cartas que os Apóstolos escreviam para as comunidades
cristãs longínquas. Para outros, o início da EaD foi marcado quando a “Gazeta
de Boston”, em 20 de março de 1728, publicou o anúncio da oferta de um
curso de taquigrafia por correspondência.

No entanto, o desenvolvimento de ações institucionalizadas de EaD vamos


encontrá-lo a partir de meados do século XIX, com a criação das primeiras
escolas por correspondência destinadas, por exemplo, ao ensino de línguas, a
cursos de contabilidade ou de extensão universitária em países como a
Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Suécia.

Com o aperfeiçoamento dos serviços de correio, a agilização dos meios de


transporte e com os surgimento do rádio e, posteriormente, da televisão
Tele - do grego - iniciou-se uma fase de expansão pelo mundo da EaD, ou, como alguns
distância.
autores preferem, da Teleducação.

Porém, é a partir da década de 1970 que a modalidade a distância passou a


fazer parte das políticas de Estado para dar conta de uma nova conjuntura
econômica e política: crescente demanda de qualificação da mão-de-obra nas
indústrias, graves problemas enfrentados pelo sistema formal de educação,
processo de democratização da sociedade, desenvolvimento das Novas
Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs).
Mega –
porque São criadas, assim, as mega-universidades de Educação Aberta e a Distância
atendem a
mais de
(EAD) em diversos países, como Grã-Bretanha, Espanha, Índia, Tailândia,
cem mil Turquia, Sud-África, que atendem a cem, duzentos e a mais de quinhentos mil
estudantes!
alunos, como a China TV University System.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Hoje, na maioria dos países do mundo, o ensino a distância vem sendo
empregado em todos os níveis educativos, desde a Educação Básica até a pós-
graduação, assim como também na educação permanente, atendendo a
milhões de estudantes que fazem seus cursos sem sair de casa ou do local de
trabalho.

No Brasil, a EaD também tem uma trajetória que se inicia nas décadas de
1930-40, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (1923), mas
somente na década de 1970, durante a ditadura militar, é que ela tomará vulto
e expressão com a criação, pelo Governo Federal, do Programa Nacional de
Teleducação (PRONTEL) e com a implementação de diversos programas
nacionais para atender a demandas emergenciais, como o Projeto Minerva, o
MOBRAL, o Programa LOGOS. Mais recentemente, o governo Federal
desenvolveu os Programas Um Salto para o Futuro (1991) e o Telecurso
2000 (1995).

Paralelamente ao caminho percorrido pelo governo federal, encontramos


instituições privadas ou públicas ousando projetos educativos próprios,
utilizando-se da modalidade de Educação a Distância, como o Instituo
Universal Brasileiro (1941), o Centro Educacional de Niterói (CEN), a
Fundação Educacional Padre Landall de Moura, a Fundação Padre Anchieta
(1967), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC, 1976), a
Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (1971), o Centro de
Educação a Distância (CEAD, 1980) da Universidade de Brasília.

Na trajetória atual da EaD, alguns fatos importantes:


- 1986: criação de uma comissão de especialistas do MEC e
Conselho Federal de Educação, para a viabilização de propostas em
torno da Universidade Aberta que, somente em 2006 se concretizou;
- 1992: criação da Coordenadoria Nacional de Educação a Distância
na estrutura do MEC que apresenta o documento “Proposta de
Diretrizes de Política para a Educação a Distância”;
- 1995: criação da Secretaria de Educação a Distância (SEED) com a
finalidade de desenvolver uma política específica para a EAD;
- 1996: com a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases,
incentiva-se a criação de sistemas cuja base seja o ensino
individualizado, como a EAD (Art. 80);
- 1995-2000: algumas universidades públicas começam ensaiar suas
primeiras experiências em EaD, com a oferta de cursos de
Licenciatura, como a Universidade Federal de Mato Grosso (1995),
a Universidade Federal do Paraná (1998), a Universidade Estadual o
Ceará (1999), a Universidade Estadual de Santa Catarina (1999); Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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- 2006: pelo Decreto n. 5.800 (8/06/2006) fica instituído o Sistema
Universidade Aberta do Brasil (UAB), com a finalidade de expandir e
interiorizar a oferta pública de cursos e programas de educação superior
no País.

Você sabia que...


A Universidade Federal de Mato Grosso, por meio do seu Núcleo de
Educação Aberta e a Distância (NEAD) ofereceu o primeiro curso de
graduação a distância no País, em 1995, visando a formação dos
professores da rede pública que atuam nas primeiras quatro séries do
Ensino Fundamental. Foi, também, o primeiro curso de graduação a
distância a ser reconhecido pelo MEC (Portaria 3220, 22/11/2002).
Ao longo desses anos têm atendido a mais de 5 mil professores da rede
pública de ensino do Estado de Mato Grosso, em parceria com a
UNEMAT.

É importante ressaltar que essa experiência tem se expandido para


outros Estados, atendendo a mais de 16 mil professores da rede pública,
em parceria com universidades públicas locais, consolidando-se e
tornando-se referência nacional no campo da formação de professores e
na modalidade a Distância.

Em 2006, mais de 200 instituições credenciadas pelo MEC ofereceram seus cursos
a mais de 1.2 milhão de alunos. Se pensarmos que em 2000 eram apenas algumas
centenas os alunos matriculados nas primeiras 5 instituições credenciadas,
podemos ter uma idéia da expansão dessa modalidade aqui no Brasil.

Assim, o Brasil vem construindo sua história na EaD, ampliando a oferta de cursos,
envolvendo um número cada vez maior de instituições públicas, rompendo com
as barreiras do sistema convencional de ensino e buscando formas alternativas
para garantir que a educação inicial e continuada seja direito de todos.

Há, neste sentido, um rompimento do conceito de distância. A


educação está mais próxima para uma parcela cada vez maior da
sociedade (não está mais “a distância”, distante) e as tecnologias da
comunicação possibilitam o diálogo e a interação entre pessoas, em
tempo real, tornando sem sentido falar em “distância” no campo da
Estudar a Distância comunicação.
Uma Aventura Acadêmica
20
Mas, o que vem a ser Educação a Distância?
Na década de 1970, falava-se da Educação a Distância como uma metodologia,
como uma nova Didática, capaz de organizar uma estrutura voltada para a
“auto-aprendizagem”, para a “Independência Intelectual”. Acreditava-se estar
realizando o sonho do pedagogo Johannes Amos Comênio (1592-1670) de
“ensinar tudo a todos”.

Hoje, prefere-se falar em modalidade, ou em prática educativa, em proposta


alternativa.

Pessoalmente, a considero uma

prática social situada, mediada e mediatizada, uma maneira de fazer


educação, de democratizar o conhecimento, de disponibilizar mais uma
opção aos sujeitos da ação educativa, fazendo recurso às tecnologias
que lhes são acessíveis (PRETI, 1996, p. 27), e que lhes possibilita a
ressignificação de suas práticas profissionais e sociais, de sua vida, de
sua relação consigo mesmo, com os outros, com o meio.

Para o Ministério da Educação,

Mas como funciona um curso a distância?

No projeto político-pedagógico do curso, que você já leu e discutiu com colegas


e orientadores, encontrou explicações detalhadas e particulares sobre o
funcionamento e a organização de um curso dentro da dinâmica do sistema da
modalidade a distância. Se algumas dúvidas ainda permanecem, leia
novamente, com maior atenção o tópico que trata desse tema. Nada melhor,
porém, que a vivência nesse curso para entender essa dinâmica, não é
verdade? Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
21
Quer saber mais sobre Educação a Distância?

Navegue pela Internet e procure textos, artigos, cursos, etc. nos servidores de
busca (como Google, Cadê) e nos seguintes sítios:
www -
world
wide MEC/SEED (Secretaria de Educação a Distância) www.mec.gov.br/seed
web Guias: www.guiaead.com.br www.anuarioead.com.br
- teia de
alcance
mundial.
REDES

UAB (Universidade Aberta do Brasil) http:\\uab.mec.gov.br


UNIREDE (Universidade Virtual Pública Brasileira) www.unirede.br
Universidade Virtual Brasileira www.univir.br
CEDERJ (Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro)
www.cederj.edu.br
On-Line UVB (Rede Brasileira de EaD – Univ. Virtual Bras) – www.uvb.br
RICESU (Rede Católica Ensino Superior) www.ricesu.com.br
Associação e-learning Brasil www.elearningbrasil.com.br
Rede Senai de EaD www.senai.br/ead
Associação Brasileira de EaD www.abed.org.br

Revistas – artigos
www.nead.ufmt.br (em: Produção Científica)
www.icoletiva.com.br
www.nied.unicamp.com.br/oea
www.proinfo.gov.br
www.teleduc.nied.unicamp.br
www.aquifolium.com.br/educacional/artigos
www.saladeaulainterativa.pro.br

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
22
3 SER ESTUDANTE “A DISTÂNCIA”

Fiz opção pela terminologia “estudante” por ser a mais usual nos diferentes níveis
de ensino, além de apresentar diferentes sentidos em sua raiz etimológica.

Estudar, do latim studére - , significa:


examinar, analisar, trabalhar em,
dedicar-se a, ter afeição a, desejar,
comprazer-se em, interessar-se por.

À luz da etimologia, abarca as dimensões da reflexão e da emoção, da razão e


da paixão, da ponderação e do envolvimento, integrando palavra, ação,
sentimento, compreendendo o ser em sua unidade e totalidade. No estudar há
envolvimento reflexivo e prazer, o lado sisudo, duro, a exigir sacrifício, disciplina,
renúncia, e o lado prazeroso do conhecimento novo que faz descortinar
horizontes mais amplos e paisagens com novas cores.

É uma atitude e uma prática que não são passageiras, mas contínuas,
permanentes, ao longo da vida. Daí por que falamos em “ser estudante” e não
em “estar estudante”.

O verbo infinitivo “ser” implica estado, não no sentido de algo fixo, rígido, mas
como atitude permanente, como condição da existência humana e não
transitória (estar). “Ser estudante”, o aprender continuamente, faz parte da
condição humana. Trata-se, porém, de estado não inato, dado (pronto,
acabado), mas “enato”1 (em-ação), em construção. Temos que reforçar o verbo
ser muito mais do que o substantivo/adjetivo estudante, pois somos ação mais
que objeto, somos movimento, transformação, mudança, mais do que um
estado, algo definido e acabado.

Por isso, “ser estudante” é condição a ser construída ao longo do curso. O


“estar numa universidade” tem implicações pessoais, profissionais, sociais e
políticas, com repercussões durante o curso, ao longo de toda vida. Contudo,
dependerá de você se colocar nesse curso, nessa instituição em atitude de “ser
estudante”, não como alguém que busca simplesmente um título, esperando
impacientemente pelo rito de passagem para uma titulação superior. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
23
1
O psicólogo norte-americano Jerome S. Bruner (1915-), que pesquisou o desenvolvimento da linguagem e do
conhecimento pelas crianças, utiliza esse termo para caracterizar o primeiro nível de desenvolvimento cognitivo
da criança, quando ela representa o mundo pela ação.
O ser estudante é uma atitude “a ser construída por você”, com o apoio da sua
instituição.

É também atitude a ser construída ao longo da profissão. Esse curso foi


proposto para que você pudesse fazer uma avaliação da sua maneira de
atuar como profissional, da sua pedagogia, dos conhecimentos teóricos e
metodológicos, da visão de mundo que nutre seu cotidiano. Estar no curso
é um momento único e privilegiado que você está tendo, que poderá
agarrar e aproveitar como passar por ele e sair dele, tendo contribuído
muito pouco na modificação de sua prática profissional e de sua vida.

Trata-se também de atitude a ser construída ao longo da vida. Sobretudo


porque o ato de estudar, de aprender, implica em atividade não somente
cognitiva, mas também afetiva e corporal, durante toda vida, desenvolvendo no
ser humano qualidades como autoconhecimento, autonomia, auto-organização.

Leia a obra bem-


Finalmente, não podemos tomar “estudante” como substantivo genérico
humorada de (ser “um” estudante), ou idealizado (ser “o” estudante), com capacidade
Allan e
Bárbara Pease de abarcar a totalidade, esquecendo as diferenças de gênero. O
(Por que os estudante e a estudante têm aspectos que se aproximam e outros que os
homens fazem
sexo e as diferenciam. Quanto mais as ciências que estudam o cérebro humano
mulheres fazem
amor?)
(como as biociências, as neurociências, as ciências cognitivas) avançam,
e a de J. Gray mais se explicitam as diferenças entre os sexos, configurando-as como
(Homens são
de Marte,
sendo históricas, sociais, culturais, próprias da constituição humana ao
Mulheres são longo de milhões de anos de sua história, fruto de suas ações, intervenções
de Vênus).
e transformações.

Precisamos aprender a lidar com as


diferenças e não pretender
E cada instante é diferente, que sejamos idênticos,
e cada homem é diferente iguais na maneira de
e somos todos iguais estudar, de pensar, de perceber,
(Carlos D. de Andradade)
de sentir, de manifestar,
de agir, de intervir….

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
24
A universidade necessita tornar-se “univer-sidade”, ter atitude “universal”,
atendendo, ao mesmo tempo, à “diversidade”. Daí, a “plasticidade” de um curso a
distância que se propõe dar conta de ritmos e formas diferenciados de aprender e
que tem como objetivo possibilitar mudanças, transformações do profissional, do
cidadão, participante ativo dessa aventura.

Mas, o que significa ser estudante num curso a distância? É possível “estudar a
distância”, sem a presença física do professor e/ou da instituição? Você pode
“aprender a distância”?

Você notou como, na educação, adoramos


utilizar adjetivos para qualificar nossa ação?
Falamos em “educação ambiental, educação Os
para a vida, educação sexual, educação para o Adjetivos
passam os
trânsito, educação crítica, educação tradicional”, substantivos
etc. ficam.
(Machado
E agora, “educação a distância”. de Assis).
O perigo é centrarmos a atenção nos adjetivos e
esquecermos o fundamental, os substantivos:
“educação”.

Mas por que “a distância”?

Essa expressão é usada com o intuito de fazer, geralmente, o contraponto com o


“presencial”. Acho que isso está sendo superado. É uma discussão inócua, que
não leva a nada. Mais que tudo porque as bases teóricas e metodológicas são as
mesmas. O que fazemos, fundamentalmente, nesse ou naquele “formato”, é
EDUCAÇÃO!

Hoje, as novas tecnologias nos aproximam cada vez mais e melhor, permitem sincrônico:
ao mesmo tempo.
momentos de diálogo sincrônico, de encontro, de vivência, de trocas.

Cleci Maraschin (2000), em seu texto “A sociedade do conhecimento e a


Educação a Distância”, expõe claramente que a educação é um ato de encontro,
de convivência, em que há suspensão temporal e espacial da distância. Pois
esse encontro não significa simplesmente encontro de corpos, mas pode
significar encontro de olhares, de sentimentos, de pensamentos. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
25
Assista os filmes:
Nunca Te vi, A letra da música “Pela luz dos olhos teus”, de Vinicius de Moraes, é fantástica:
sempre Te amei;
Mensagem para você.

Quando a luz dos olhos meus


e a luz dos olhos teus
resolvem se encontrar...
Ai que bom que isso é!

O encontro de olhares permite o conhecimento do outro e o conhecimento de si


mesmo, pelo olhar do outro.

Você deve ter experimentado a sensação gostosa de pensar na pessoa amada e


senti-la a seu lado, não é? Como nos diz José Armando Valente, professor da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trata-se de um “estar junto
virtual”. Por isso, na EaD fazemos

EDUCAÇÃO SEM DISTÂNCIAS!!

Mas como se dá esse “estar juntos”? Como dar conta dessa aventura pessoal/
coletiva, particular/institucional? Como você será orientado e apoiado?

O projeto político-pedagógico do curso e a modalidade a distância organizaram


um sistema de apoio para lhe possibilitar sucesso nessa aventura. Vejamos alguns
dos “Instrumentos de apoio” à aventura de ser estudante.

O primeiro “instrumento” indispensável e que deverá acompanhar todo o


percurso da aventura é o Projeto Pedagógico do curso. Não pode ser encarado
como livro sagrado, no qual encontrará respostas para tudo e a ser seguido ao pé
da letra; nem como guia rodoviário: “Siga-me e chegará a porto seguro!”
Hermenêutico:
relativo à Você pode tratar o projeto político-pedagógico como texto hermenêutico a ser “descoberto e
interpretação
de leis, de interpretado”, isto é, estudado, destrinçado, situado, compreendido, ressignificado na
textos. cotidianeidade das práticas do curso, refletindo sobre elas. Pode entendê-lo também como
mapa, em que estão delineados os pontos de referência e de orientação (morro, lago, rio, sol,
Estudar a Distância
estrelas) para que você possa chegar ao objetivo de sua caminhada: encontrar o tesouro
Uma Aventura Acadêmica
26
(descobrirá, talvez, ao final da aventura, que esse tesouro é você mesmo, mas renovado,
revigorado, transformado). Caberá a você, com o apoio institucional, decidir se quer subir o
morro ou dar a volta; se atravessar a nado o rio ou fazer uma parada, construir uma canoa e
fazer a travessia; se guiar-se pela luz do Sol, como sendo única referência, ou pela luz de
outros sóis, das estrelas, que se tornam visíveis na escuridão da noite, nos momentos de
incerteza e dúvida, como o personagem Mika, vindo de outro planeta, lembra ao amigo terrestre
Joakim (Ei! Tem alguém aí? – Vale a pena você ler esse livro de Jostein Gaarder, autor do livro
O mundo de Sofia!).

O projeto não pode ser como a vidraça de uma janela: embora nos ajude
a ver, através dela, consegue nos separar da verdade.É o que nos
adverte o escritor e poeta libanêsGibran, em suas Parábolas (p. 46).

Os materiais didáticos são outros “instrumentos” disponibilizados.


Eles foram pensados e vêm sendo produzidos especificamente para você.
Porém, as reações e atitudes de cada um, ao ler os conteúdos propositivos,
serão diferenciadas. Alguns serão levados ao questionamento
reconstrutivo, à ressignificação de práticas, por alguma das áreas do Núcleo de
“Estudos de Formação Básica, ou do Núcleo de “Estudos de Formação
Profissional”, ou do Núcleo de “Estudos de Formação Complementar”. Não
importa. Acreditamos que isso ocorrerá em algum momento, talvez no início do
curso, quando não ao final, ou depois do curso.

Pois, não existe um campo do saber que melhor nos “forma”, ou uma seqüência de
disciplinas que venham garantir uma compreensão dos fatos, superando o senso comum.
Dar-se-á conta que qualquer área do conhecimento pode ser o ponto de partida para uma
nova visão de mundo, de sociedade, de universidade e que os conhecimentos estão
interligados, uma área necessitando de outras para uma leitura contextualizada, situada.

Por isso, os materiais didáticos não podem ser tomados como pedaços de um todo, de um
conhecimento a ser simplesmente apropriado e reproduzido, ou como fragmentos de uma
verdade, e sim como parte de uma proposta formativa que, mesmo com suas opões
teóricas e metodológicas, tem unidade, sentido e direção. Trata-se de uma direção, mas
não a única; de um discurso, mas não fechado em si mesmo; de uma verdade, mas que
não pode ser tomada como sendo a Verdade!]

Temos que entender também que o material didático do curso apresenta suas limitações. É
um recorte no campo do saber que necessita ser expandido com leitura de outros materiais
bibliográficos e com a pesquisa. Limitar sua formação à leitura dos Fascículos é
empobrecer sua formação! Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
27
Um terceiro “instrumento” é a equipe pedagógica do curso (professores
especialistas, coordenadores, orientadores). Estão a seu dispor para dar apoio
no campo cognitivo, metacognitivo, pedagógico, motivacional, emocional.
Apontam direções e oferecem opções, disponibilizam informações, dialogam
com base nos textos lidos, nas atividades realizadas, nas dúvidas levantadas,
mas sem precisar dar respostas nem soluções, apóiam e orientam pesquisas,
provocam inquietação buscando levá-lo ao “questionamento reconstrutivo”, como
propõe o sociólogo Pedro Demo.

O projeto aposta numa pedagogia da pergunta, da incerteza,


do diálogo, e não na pedagogia da resposta, da certeza e do
monólogo. Pois, para o educador Rubem Alves, “as respostas nos
permitem andar sobre terra firme. Mas somente as perguntas
nos permitem entrar pelo mar desconhecido”.

Outro instrumento é a “organização institucional”. É uma instituição que


está a seu dispor, e não simplesmente este ou aquele professor ou orientador.
Aqui está a diferença, a meu ver, de muitos cursos “presenciais”, em que o
professor é o regente, o virador, o malabarista (aplaudido nas salas superlotadas
de cursinhos vestibulares), o “artista”. Na modalidade a distância é o coletivo que
pensa, discute, toma as decisões, as executa, as avalia e redimensiona. Trata-se
de “sistema ensinante” (como afirma a educadora Maria Luíza Belloni), ou
melhor, de “comunidade aprendente” (como o antropólogo Carlos R. Brandão
gosta de chamar a instituição escolar). Pois, nesta aventura, todos estão em
processo ativo de aprender, todos estão envolvidos e participando.

A “organização estudantil” é outra possibilidade de apoio em sua


formação profissional e política. A instituição, enquanto tal, tem suas
Normas, o curso tem seu Regulamento, que você deverá se preocupar em
Discente:
conhecer para saber de seus deveres e direitos. Por outro lado, há
quem instâncias de representação discente, como o colegiado de curso, em que
aprende,
estudante. você, na qualidade de estudante, tem seu assento garantido (por meio do
Docente: processo de representação estudantil), podendo participar das discussões e
quem
ensina.
decisões que afetam sua vida no curso e na instituição. E mais ainda. Você faz
Professor parte de uma grande comunidade: os estudantes universitários de sua

Estudar a Distância
instituição, que se organizam em Centros Acadêmicos (por curso) e
Uma Aventura Acadêmica Diretório Central de Estudantes (DCE – que abarca todos os alunos da
28
instituição). Finalmente, você participa também do mundo universitário brasileiro
que se organiza mediante a União Nacional de Estudantes (UNE).

Os colegas de curso são também “instrumento” precioso nessa


caminhada. É verdade que ninguém aprende por nós, que a aprendizagem é
um processo pessoal e particular, mas é, igualmente, social, coletivo. Portanto, o
encontro com os colegas pode se tornar ponto de apoio necessário, mas não
exclusivo, para a aprendizagem, e fator de estímulo para que não desanime da
aventura, dela desistindo. O estudo em grupo, a participação em atividades de
equipe podem se tornar espaços ricos de troca de experiências e saberes, sem
esquecer que o estudo pessoal sempre o antecede.

Um time não vai a campo sem o treino e a preparação


individual dos atletas; uma orquestra não se apresenta
sem o disciplinado e minucioso ensaio individual dos
músicos. Há os momentos de acompanhar e apoiar
os demais, assim como há o momento do solo.

Sua aventura, portanto, não é solitária.


Você conta com o apoio e a presença da
equipe pedagógica, da instituição, dos colegas. Pode haver muito mais solidariedade
do que solidão, mais presencialidade do que ausência, ou distância!

Um último instrumento, mas que não o é em ordem de importância e de


numeração, é a bagagem de suas experiências e saberes que você traz para
essa aventura. Na sua mochila, está a riqueza do seu passado e do seu
presente como pessoa, estudante e profissional, carregando seus alimentos e
suas ferramentas para essa aventura.

Por isso, o projeto do curso propõe como um dos princípios epistemológicos e


pedagógicos a experiência profissional, o seu trabalho a ser constantemente
observado, analisado, compreendido e reconstruído durante todo o percurso.

São “instrumentos” que possibilitam mudanças, transformações. Pois o objetivo do


curso não é simplesmente melhor qualificar o profissional, tornando-o mais
competente, mais eficiente. O curso intenta formar o cidadão, isto é, um sujeito
humanizado, sensível, globalmente capacitado para atuar como pessoa crítica e
criativa. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
29
Em busca de sentidos e valores

Entre tantas outras coisas que poderiam ser ditas nessa sua preparação para a
aventura, há uma que, em meu ver, deveria ter sido dita desde o início, mas
que, propositadamente, deixei agora para o final.

Tudo o que escrevi até aqui e a partir daqui são sentidos e valores dados por
mim, como autor. Você, ao ler esse texto, foi emprestando seus sentidos, foi
conferindo seus valores, como leitor.
Todo discurso é
ideolõgico e político.
É espaço de disputa Portanto, há os sentidos e valores do autor, bem assim os sentidos e valores do
e arena de luta. leitor que, não necessariamente, devem coincidir. Pois, eu falo de um lugar não
somente territorial, mas sobretudo social, cultural e temporal que me fez como
tal; o mesmo se dando com você, leitor, que se constitui em outro lugar, em
outro contexto, em outra cultura, em determinado tempo.

Em alguns pontos e lugares do caminho nos encontramos, em outros nos


afastamos. Experiências, vivências, visões de mundo nos fazem “parecidos”
em alguns aspectos, pois fazemos parte da mesma história política, do
mesmo contexto sócioeconômico; mas “diferentes” em muitos outros, pois
cada um tem sua história particular.

Há sentidos (im)postos pela cultura, pelo coletivo e sentidos que afloram do


próprio sujeito, da sua maneira de ser e se posicionar no mundo, de suas
trajetórias, suas decisões e opções ao longo de sua história de vida, pois os
sentidos revelam concepções, visões de mundo, crenças, valores, expectativas,
sonhos, desejos.

São sentidos aflorados, provocados pelas palavras e pelas emoções. Nós


somos palavras e emoções; no mais das vezes, mais palavras que
emoções. Há momentos em que as palavras são indizíveis, não exprimindo
todos os sentidos que queremos a elas atribuir, limitando-nos, embora
possam nos transportar para o mundo do outro.

Há outros momentos em que as palavras são mágicas, envolventes, produzindo


impactos, transformando realidades, criando em nós outras conexões ou
fantasias, não porque elas têm essa força dentro delas, mas porque quem as
Estudar a Distância profere e/ou quem as “sente” é mágico, envolvente, sonhador.
Uma Aventura Acadêmica
30
Foucault
Por outro lado, as palavras constroem um discurso que pode se instituir como (1926-
verdade, como nos chama a atenção Michel Foucault, um discurso 1984)
filósofo
unidirecional, a-dialógico, fechado em si mesmo, não revelativo, não francês,
hermenêutico, não aceitando outros sentidos, outras direções, outras verdades. abriu novos
horizontes à
Assim, as palavras estariam apagando sensibilidades, imaginações, conexões, história e à
provocações e revelações. epistemologia.

Por isso, a “ditadura” da palavra e do discurso “monológico” pode ser rompida


pelas emoções, oferecendo novos sentidos e rumos. Pois a realidade é polifonia,
é o encontro de diversos “eus”, em nós mesmos e na relação com os outros, de
diferenças de subjetividades, de multiplicidade de identidades.

Sendo assim, espero que meu texto não tenha o caráter de imbuir
verdades, de pretender produzir harmonia sonora e agradável, mas que
ele, com acordes e notas dissonantes, possa contribuir na (des)construção
de conceitos e de práticas, que, talvez, ao longo desse curso, desejará
ressignificar.

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o


leitor entende uma terceira coisa...
e, enquanto se passa tudo isso,
a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não
foi propriamente dita.

(Mario Quintana, A Coisa)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
31
CAPÍTULO UM

MEU JEITO
DE ESTUDAR

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
33
Ao final do estudo deste capítulo, você terá condição de:

- descrever sua trajetória como estudante;


- identificar seus hábitos de estudo;
- descrever sua postura diante de uma atividade de estudo.

Que é nosso
passado,
senão
uma série de
sonhos? Que
diferença pode
haver entre
recordar sonhos
e recordar o
passado?
(Jorge L.
Borges, Cinco,
visões pessoais)

Ao iniciar esta nova aventura, a de ser estudante, quero lhe propor que
abra o baú das suas lembranças, onde você vem guardando, não de hoje,
seus primeiros cadernos de escola, boletins, fotos, diários... Lembranças de
sua trajetória escolar, de seus professores, colegas, suas aprendizagens,
experiências, seus medos, sucessos, sonhos.....

É no jogo das
tramas, de
que a vida faz Lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar,
parte, com imagens e idéias de hoje, as experiências do passado.
que ela
– a vida – (Ecléa Bosi, 1979, p. 17)
ganha sentido
(Paulo Freire)

... e comece a escrever suas MEMÓRIAS DE ESTUDANTE, do jeito que você


quiser, por escrito, com desenhos, em forma de poesia, de peça teatral, em
vídeo.... no seu estilo, na sua maneira de ser, de pensar, de se manifestar, sem
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica preocupação com regras, com limites, com censuras.
34
Essas memórias são sua história, sua biografia. É um voltar-se sobre você
para se compreender. É o registro de sua vivência pessoal, como estudante,
sem esquecer que você faz parte de uma História maior, de um contexto
político, econômico, social e cultural.!

Conto o passado [...] não propriamente em função do


ponto de chegada (não “cheguei” ainda, bem o sei),
mas em função do ponto em que agora estou.
(SOARES, 2001, p. 41)

Só consegui
Podemos acenar a algumas pistas que poderão servir ou não na construção de recompor o
passado com
suas Memórias de Estudante: um pé na
erudição e
outro na
- Como foi sua trajetória escolar? magia.
- Que lembranças ficaram, que foram marcantes sobre a escola, colegas e (Marguerite
Yourcenar,
professores? escritora
- O que lhe agradou e desagradou? O que foi bom, o que foi ruim? belga)
- Que disciplinas e que tipo de professores lhe agradavam ou desagradavam?
- Como você era como estudante?
- Qual era a “pedagogia” da sua escola? Que valores, concepções e práticas eram
“aprovados”?
- Em que contexto político e educacional você vivenciou essa experiência?
- Que expectativas em relação a esse curso a distãncia?
- Como pretende se organizar para poder fazer bem sua caminhada no curso?

O tempo
passado e o
Sim, não nego que, ao avistar a cidade natal, tive uma sensação nova.
tempo futuro, o
Não era efeito da minha pátria política; era-o do lugar da infância, a que poderia ter
rua, a torre, o chafariz da esquina, a mulher de mantilha, o preto do sido e o que
ganho, as coisas e cenas da meninice, buriladas na memória. Nada mesmo foi, convergem
para um só fim,
que uma renascença. (Machado de Assis, Memórias
que é sempre
póstumas de Brás Cubas) presente. (T. S.
Eliot, poeta)

Certamente, será interessante conversar com pais, avós, tios e tias, irmãos,
colegas (e quem sabe, professoras) ...... para que ajudem a buscar, no fundo do
baú, memórias de fatos passados, vividos.

Neste início do curso vá escrevendo essas memórias do EU ESTUDANTE.


Você pode dar outro título, como outros fizeram: Um reencontro com minhas
Estudar a Distância
memórias; Pedaços de tempo.... pedaços de vida; Lembranças de estudante, Uma Aventura Acadêmica
etc. 35
Nunca nasci,
nunca vivi;
Sugerimos que essa produção seja socializada num encontro com os demais
mas eu me colegas do município, ou do Pólo, ou do curso.
lembro e a
lembrança é
em carne E que você continue escrevendo essas Memórias, fazendo o registro de sua
viva. (Clarice
Lispector, travessia nesse curso!
romancista e
novelista
brasileira, A (re)construção do [...] passado é seletiva; faço-o a partir
1925-77) do presente, pois é este que me aponta o que é importante e
o que não é; não descrevo, pois; interpreto. (SOARES,
2001, p. 40).

1 – CONHECER-SE

Você deve ter ouvido e lido muitas vezes


a célebre frase do filósofo grego Sócrates:
“Conhece-te a ti mesmo”.
Sobre ela, muito se tem escrito,
com diferentes compreensões e interpretações.

O que você pensa a esse respeito? É uma frase feita? É repetida sem se pensar muito no
que ela quer dizer, ou ela revela sentidos profundos? Como você a interpreta?
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

A melhor
maneira de Somos resultado do passado. Nosso pensamento se funda no dia de
alcançar o
autoconhecimento
ontem e em muitos milhares de dias passados. Somos resultado do
não é pela tempo, e nossas reações, nossas atitudes atuais, são efeitos acumulados
contemplação, de muitos milhares de momentos, incidentes e experiências.
mas pela ação. (Krishnamurti, A primeira e última liberdade).
(Goethe, poeta e
dramaturgo
alemão)

Não há dúvida de que o conhecimento de si mesmo é o ponto de partida para


estar bem consigo e para o conhecimento do outro. E você que atua ou vai atuar
num campo profissional em que o conhecimento de si e do outro é fundamental,
Estudar a Distância é importante que você se conheça, antes de tudo, como pessoa, como mulher/
Uma Aventura Acadêmica homem, como cidadão/cidadã e também como estudante.
36
Esse processo de autoconhecimento certamente contribuirá positivamente para
que sua caminhada no curso seja efetiva e prazerosa.

O que propomos é que você, mediante a leitura das páginas que seguem e de
outros textos, inicie e/ou dê continuidade ao processo de autoconhecimento.

Vejamos, então, alguns aspectos do seu modo de ser e que, ao serem


identificados e compreendidos, podem ajudá-lo a se conhecer e a melhor
definir suas estratégias de estudo.

Segundo o
As alternativas que encontrará não são excludentes e nem as únicas. Você Conselho
poderá se identificar com uma ou duas, ou com nenhuma delas. Federal de
O importante aqui não é buscar se colocar dentro de uma “classificação” Psicologia, todo
e qualquer
(ser isto ou ser aquilo), mas que as questões postas levem você a parar um instrumento de
pouco, olhar para si, descobrir como você é, diante de uma atividade de técnica e
estudo, e quais as estratégias que você utiliza para aprender. avaliação
psicológica é
de uso exclusivo
Qual é seu ciclo psicofisiológico? do psicólogo.

Trata-se do ciclo ligado a processos biológicos e ao meio físico, objeto de estudo


da Cronobiologia, ciência surgida na década de 1960, que estuda a
organização temporal dos seres vivos, ou seja, os ritmos de vida.

Ela tem verificado que os ritmos biológicos do corpo humano são diferenciados.
A temperatura do corpo sofre variações ao longo do dia; o ponto mais alto é
mais propício para desenvolvimento de atividades. E isso varia de pessoa para
pessoa.

Em que momento do dia você tem mais disposição, torna-se mais irritado ou
mais calmo? Durante a semana, quais os dias que você rende mais?

Em relação ao tempo, você é muito mais parecido com a coruja (que vara a Qualquer
noite estudando) ou a cotovia (que madruga para dar conta das tarefas)? semelhança
com algum
Em relação ao ritmo, você se parece com a tartaruga (sem pressa, bem desses
devagar), o coelho (sempre apressadinho), ou o sapo (dando pulos, de uma animais
é mera
atividade para outra)? Ou você se identifica melhor com outro “animal”? coincidência!

Qual é o seu ritmo de vida?


________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
37
De que maneira você capta a informação do meio?

Sua recepção é mais

( ) visual: sua memória é fotográfica, você tem que estar com o texto na sua frente, lendo
para acompanhar as idéias do autor, do palestrante. Você capta as informações
quando consegue “visualizá-las”, isto é, você imagina aquela cena, aquele
personagem, aquela época. Você localiza a informação no texto, lembra do lugar em
que está, da página, do formato. As imagens do texto lido vão passando à sua frente
como numa tela de cinema e você vai falando ou escrevendo sobre elas.

( ) auditiva: você interioriza as informações, consegue acompanhar a leitura ou uma fala


simplesmente ouvindo e consegue repetir logo em seguida o que ouviu. Sua
memória é mais de sons do que de imagens. Sua percepção é mais abstrata do que
concreta.

( ) cinestética: você precisa de movimento para que a informação fique retida, isto é, precisa
fazer, envolver seu corpo com movimentos. Não basta ler ou ouvir uma informação.
Tem que encontrar uma maneira de “traduzi-la”, mediante desenhos, gráficos,
exercícios, representações, gestos, etc.

Ou você é nada disso ou um pouco de tudo isso? Como você costuma mais facilmente
guardar uma informação?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Para melhor entender isso, realize a atividade seguinte:

Leia, em voz alta e cadenciada, o seguinte texto:

O homem hesitou por um minuto, depois se decidiu bruscamente a


1 correr para uma viatura, parada perto da calçada. Diante da viatura
esperava uma mulher de capa preta. A chuva, que caia há três dias
copiosamente, tinha transformado o caminho em um atoleiro opaco.
O homem atacou, na viatura, dois homens que sorriam.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
38
Agora leia, silenciosamente, o texto “Ser Estudante a Distância”, na página 23.
Em seguida, retorne a esta página.

Retornou? Tente, agora, dizer o que você se lembra do texto lido em voz alta, há
pouco (“O homem hesitou...”).

Você conseguiu lembrar?

( ) Sim você tem boa memória auditiva.

( ) Não Não desanime e nem se preocupe. Talvez você


não estivesse suficientemente concentrado ou “ligado” na
leitura. Então, repita o exercício uma ou duas vezes. Ou sua
memória é mais visual.

E como está sua memória visual?


Sugiro que realize o “Teste de percepção visual-1”, disponibilizado na página 120
deste Fascículo, seguindo as orientações prescritas.
Em seguida, volte a esta página.

Agora, escreva, à frente de cada número, o nome do objeto observado, sem


voltar à última página para tirar dúvidas!

N. Nome N. Nome
1 11
2 12
3 13
4 14
2 5 15
6 16
7 17
8 18
9 19
10 20

Agora, pode voltar à última página e conferir o numero de acertos!

Como você se saiu? Quantos acertos?


( ) entre 15-20 ( ) 10-14 ( ) 5-9 ( ) até 4 Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
39
Não fique triste se alcançou uma baixa pontuação (até 9). Isso não significa que
não tenha boa percepção visual. Terá que se exercitar mais, fazendo exercícios
desse tipo, para treinar e reforçar sua memória.
Se você conseguiu acertar mais da metade, parabéns!

Descreva, agora, o mecanismo, a estratégia utilizada por você na tentativa de memorizar os


objetos:
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Vamos a mais um teste?

Observe a figura de uma paisagem na página 120 deste Fascículo. Em seguida, retorne a
3 essa página e tente descrever, logo abaixo, o que você viu:
_________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Agora, e somente agora, compare o que acabou de escrever com a figura da


última página. Veja se na sua descrição esqueceu elementos centrais ou
detalhes da paisagem.

O que na verdade ocorre é que, para percebermos algo, temos que ordenar,
sistematizar, relacionar e reconstruir nosso objeto de percepção. Pois, dessa
forma, chegaremos a entendê-lo, porque conseguimos senti-lo de forma
organizada, estabelecendo relações entre os objetos. Isso é fundamental na
atividade de estudo e de aprendizagem!

Você é dependente ou independente de seu campo de percepção?

Ao realizar suas atividades de estudo ou de trabalho, como você costuma se


comportar? Você é

( ) dependente: sua motivação é extrínseca, vem de fora. Você desenvolve as atividades


propostas impulsionado por motivos, por forças externas (estímulo das pessoas, por
“obrigação”). Por isso, prefere trabalhar em grupo, num ambiente adequado, pois aí
Estudar a Distância você consegue estudar, realizar as tarefas.
Uma Aventura Acadêmica
40
( ) independente : a motivação é interna, intrínseca. Você é levado por motivações muito
pessoais, não precisa que o orientador, os colegas de estudo, os familiares motivem
você para o estudo. Por isso, geralmente, prefere trabalhar sozinho e se sente bem
com tarefas que exigem de você análise e pesquisa na solução de problemas.

Ao realizar trabalho em equipe

Você é do tipo

( ) chupim: que põe os ovos nos ninhos alheios para que as outras aves incubem e
cuidem de seus filhotes?
( ) joão-de-barro: que faz seu próprio ninho e cuida dos filhotes?
( ) prestativo: oferecendo-se para realizar as atividades?
( ) “fujão”, esquivando-se de assumir tarefas, empurrando-as sempre para os
outros, arrumando mil desculpas?
( ) “estou-nem-aí”: dá a entender que vai realizar alguma tarefa, mas
não faz e arruma desculpas esfarrapadas para justificar.
( ) galinha-d´angola: aquele que, enfraquecido, sempre se diminui na feitura de um
trabalho, ficando na dependência do outro, num eterno gritar: estou-fraco, estou-
fraco

Como você se percebe?


_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Qual é o seu temperamento?


Você é do tipo
( ) Emotivo: você facilmente manifesta suas emoções e motivações. Vibra com o que
está fazendo. Inicia logo, e com entusiasmo, as atividades, mas é dispersivo, pouco
disciplinado (pula de uma atividade para outra), temperamental (suscetível a
mudanças).
( ) Passivo: você é mais calmo e manifesta suas emoções aos poucos, com reserva. Em
relação ao estudo, tem dificuldade para iniciar o trabalho e para se concentrar, mas
depois que “pega”, vai.
( ) Primário: tem presença de espírito, manifesta espontaneidade, mas é inconstante.
( ) Secundário: é reservado, reflexivo, consciencioso, mas com um pouco de rigidez
no pensar, não aceita facilmente as idéias do outro. Demora para tomar decisões,
mas é persistente depois de tomá-las.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
41
Como você se vê?
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Qual seu “estilo” de aprendizado?

( ) Ativo: aprende melhor com atividades, quando está envolvido nelas;


( ) Pragmático: aprende melhor quando há uma ligação direta do assunto com
situações da vida real. Dá preferência às atividades práticas.
( ) Reflexivo: aprende com atividades que oferecem oportunidade de revisar, com
tempo para rever, reler com calma;
( ) Teórico: aproveita bem atividades quando oferecidas como parte de um conceito
ou teoria. Gosta de textos que discutem questões teóricas.

Que tipo de atividade e/ou leitura você prefere para sua aprendizagem?
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Que tipo de abordagem você utiliza para resolver um


problema?

Heureca - 1a ( ) Procedimento “às apalpadelas” (ensaio e erro). Vai fazendo e refazendo até
pessoa do acertar. Lê e relê insistentemente, na esperança de chegar ao entendimento
perfeito do
indicativo ativo de maneira natural.
do verbo grego ( ) Heureca (“descobri”). A solução do problema é fruto do esforço, de pensar sobre o
heurísko, problema e buscar soluções.
achar, descobrir
- atribuída a ( ) “Insight”, “há-há ”. Você tem um palpite súbito. De repente, quando menos espera,
Arquimedes ao encontra a solução do problema de maneira simples, como se um clarão iluminasse
descobrir o sua mente.
princípio da
gravidade
( ) Procedimento sistemático, organizado, metódico.
específica.

Descreva como você costuma proceder:


___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
Estudar a Distância ______________________________________________________________________________
Uma Aventura Acadêmica
42
Lembra aquela espécie de enigma do canoeiro que deve atravessar o rio com um
lobo, um carneiro e um pé de couve? Ele pode atravessar somente um objeto por
vez, tendo o cuidado para que o lobo não fique sozinho com o carneiro (que
banquete!) e nem o carneiro com a couve (hum, que fome!).
4
Que sugestão você daria ao canoeiro?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

Descreva a estratégia que você utilizou para resolver a situação.


_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

A emoção e a razão se constituem mutuamente. Aquilo que A porta


faz parte do nosso intelecto e o que diz respeito à nossa da razão é
emoção não são coisas separadas. o coração
(P. Freire)

Quanto à organização do tempo

Como você lida com o tempo? Você é do tipo:

( ) malabarista: pula de uma tarefa para outra, quer dar conta de diferentes atividades ao mesmo
tempo.
( ) perfeccionista: quer fazer tudo “certinho” e acaba não terminando nos prazos estabelecidos.
( ) alérgico a detalhes: começa logo a executar uma tarefa, sem planejá-la devidamente, e com isso
acaba se perdendo;
( ) zé-do-muro: nunca toma decisões, vai levando o estudo ao acaso, do jeito que vier, como e quando
der;
( ) protelador : seu lema é “Não faça hoje o que puder deixar para amanhã!”; deixa tudo para a última
hora, na véspera de exames ou de entregar trabalhos. Deixa tudo para outra ocasião, que se
apresente mais propícia, numa constante indefinição, nunca enfrentando o problema.

Como você é?
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
43
Quanto à organização do espaço
Você é do tipo:
( ) tudo-para-fora: total desorganização, tudo esparramado, fora de lugar alegando
que logo irá precisar do material e, portanto, por que guardar livros, apostilas,
canetas, etc.?
( ) nada-para-fora: detesta desordem e bagunça. Não inicia o estudo sem que tenha
tudo guardado nas gavetas e prateleiras; nada em cima da mesa.
( ) arrumador: confunde organização com arrumação. Para toda hora o estudo para
colocar livros, papéis, canetas no lugar.
( ) guardador: é compulsivamente levado a guardar tudo (rascunhos, anotações,
fotocópias, trabalhos, etc.), pois acredita que um dia irá precisar.
( ) desajeitado: desleixado, acredita ter coisas mais importantes do que estar arrumando
sua mesa, seu material de estudo.
( ) ou então
_____________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

Você encontrará, ao final do Fascículo, a indicação de obras que tratam de


Esses “testes”
maneira mais exaustiva dessas diferentes maneiras de ser estudante. Hoje,
não são também na Internet, há páginas da web que disponibilizam “testes” de Quociente
confiáveis, não
têm validade Intelectual (QI), de personalidade, de autoconhecimento, de auto-ajuda. Não os
como tome como tendo em si o poder de desvelar como você é, mas como
instrumentos
de avaliação indicativos, apontando tendências, aspectos de seu modo de ser. Nada melhor
pessoal!
do que a atitude do observador e do narrador. Observe como você é e registre
suas percepções e análises. Isso a ajudará ao processo de autoconhecimento,
Web - auto-estima e reflexão.
rede
O conhecimento de si deve levá-lo a gostar de si, à auto-estima positiva, a se
sentir realizado na profissão que exerce, ao
equilíbrio, ao bem-estar, ao “sucesso” no estudo. Tudo isso, aspectos
fundamentais para viver bem e para aprender.

Vamos, agora, direcionar seu autoconhecimento para um aspecto mais


específico: o ato de estudar.

COMO ESTUDAMOS?

No andar de sua trajetória escolar, certamente vivenciou situações, tais como:


colegas com dificuldades de aprendizagem, ou abandonando os estudos; uns
poucos conseguindo ótimos resultados nas avaliações, enquanto a maioria
Estudar a Distância apresentando desempenho tido por “regular”, alguns sendo reprovados.
Uma Aventura Acadêmica
44
Como você avalia seu passado escolar? Como foi seu “desempenho”? A que motivos ou
fatores atribui esse seu desempenho nos estudos?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________

Os motivos, os fatores, ou as dimensões envolvidos no “desempenho” podem


ser os mais diferentes, relacionados com seu modo de ser, com o ambiente
Se nunca
escolar e familiar, além, é claro, com as condições econômicas, culturais. abandonas o
que é importante
para ti, se te
Hoje, existe uma vasta literatura sobre “Como obter sucesso”, “Como passar no importas tanto a
ponto de estares
Vestibular”, “Vestibular sem estresse”, “Seja ótimo aluno” ,”Como tirar lições do disposto a lutar
fracasso”. Cursos são oferecidos com intuito de levar o interessado a “aprender a para obtê-lo,
asseguro-te que
aprender”, a “adquirir segurança a poupar tempo, a eliminar tensões e tua vida estará
ansiedades”, a propiciar “velocidade e qualidade na recepção e elaboração das plena de êxito.
Será uma vida
informações”. Todos oferecendo receitas ou pílulas. É só tomar e pronto: o dura [...] mas
milagre está feito! valerá a pena.
(Richard Bach –
escritor norte-
O sucesso depende de três fatores: o talento, americano).
o trabalho e a chance.
(Voltaire, filósofo francês)

O sucesso é fruto de 1% de talento,


1% de sorte e 98% de trabalho
(Ryoki Inoue – escritor brasileiro com o maior
número de livros publicados no mundo - mais de
1.030 livros –segundo o Guinness)

Você concorda com essas afirmações? Por quê?


___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa, na década de 1970-80,


sobre a “eficácia nos estudos”, têm comprovado que a maioria dos estudantes
universitários apresenta dificuldades de aprendizagem. Mais ainda:
são influenciadas por problemas de leitura e de compreensão;
sua superação depende da adoção de estratégias metacognitivas
(aprender a aprender) e de orientações motivacionais. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
45
Em outras palavras, a maioria dos estudantes não tem “método de estudo”
eficaz.

Por que Essa situação tem provocado o aparecimento de considerável literatura sobre
eles foram
os primeiros. “Como estudar”, tem levado instituições educacionais a desenvolver cursos de
(Veja, 27/2/02, “Metodologia Intelectual”, de “Metodologia Científica”, ou “Projeto de Orientação
p. 86-91).
A receita de estudo” para que os estudantes aprendam a estudar. Até uma nova profissão
dos bons alunos. está surgindo: o “professor delivery”, que vai às residências de estudantes, não
(Veja, 26/5,04,
p. 106-8). para dar “aula de reforço”, mas para ensinar como estudar.

Como você estuda? Quais são seus “hábitos” de estudante?


Qual o método que você utiliza para estudar?
Está sendo “eficiente”? Poderia ser mais “eficiente”?
O maior
inimigo do
progresso é Feche um pouco este Fascículo e dê um tempo para refletir sobre essas questões.
o hábito.
(José Martí, Em seguida, retome a leitura. Mas, veja bem, não vá deixar a gente de
poeta cubano) lado. Volte, para continuarmos nossa conversa. OK?

Sucesso é poder viver do seu jeito.


(Christopher Marley – escritor norte-
americano)

Que bom que você voltou! Isso mostra seu interesse. Vamos prosseguir, então.

Para você se conhecer como estudante, é importante que identifique seus


hábitos de estudo e avalie se eles ajudam ou atrapalham sua
aprendizagem.

Estudar a Distância Gostaria, então, que você respondesse ao questionário abaixo para
Uma Aventura Acadêmica identificar alguns de seus hábitos de estudo, o seu jeito de estudar.
46
Procure ler, examinar e marcar o que você de fato faz, evitando deixar-se influenciar
pelo que gostaria de fazer ou por aquilo que os outros fazem.

Diante de cada item, você encontrará três colunas:


1- raramente/nunca 2- de vez em quando 3- geralmente/sempre
Para cada ítem do questionário, coloque um sinal (x) na coluna correspondente à sua resposta.

1 2 3

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica

Fonte:G.Severo e C.G.Wrenn (adaptação)


47
Some os X em cada coluna, dos itens 1 a 18 (resultado a-) e dos itens 19 a 28
(resultado b-), separadamente.

Um resultado “negativo” significa que a resposta marcada por você coincide com a de
Escore: estudantes com menos rendimento. Este valor negativo é mais significativo quanto maior o
resultado
expresso
número de respostas correspondentes à coluna 3 (no resultado a ) e à coluna 1
em números; (resultado b-).
contagem.
Um resultado “positivo” (coluna 1 no resultado a; e coluna 3 no resultado b) indica que tais
hábitos são mais comuns entre estudantes que apresentam ótimo rendimento em seus
estudos.

Talvez, os hábitos que receberam conotação negativa possam ser o motivo de


suas dificuldades em conseguir melhor rendimento em seus estudos.

A todo hábito que pode causar rendimento baixo, é possível


opor um hábito que corrija o rendimento, tornando-o mais
satisfatório. Depende de interesse, exercício e esforço.

Realize,agora, esta outra atividade:


Leia, agora, o texto a seguir, antes de fazer qualquer coisa, mas trabalhe o mais rapidamente que
puder. Você tem somente 40 segundos para responder.

Nome: ________________________________
Profissão: _________________________________ Data: __/___/____

1. Ponha seu nome no local indicado, à esquerda; o sobrenome primeiro.


2. Faça um círculo na palavra nome, no item 1.
3. Sublinhe a expressão “local indicado”, no item 1.
4. Faça um círculo ao redor da palavra “sublinhe”, no item 3.
5. Escreva o nome da cidade onde mora: ___________________________________
6. Escreva a data de hoje, no local indicado.
6 7 Qual seu estado civil? ______________________________________________-_
8. Qual seu passatempo preferido_________________________________________
9. Trace um círculo ao redor da palavra “cidade”, no item 5.
10. Escreva sua profissão no local indicado.
11. Agora que você leu todas as instruções, faça apenas aquilo que o item 1 pede para fazer.

Obrigado!

O que você fez? Leu todas as questões antes de escrever somente seu nome,
ou foi lendo e fazendo o que cada item estava solicitando?
Gostou dessa “pegadinha”? Pois bem, este teste que você acabou de realizar
Estudar a Distância tinha como finalidade verificar sua atenção na leitura, se você presta atenção às
Uma Aventura Acadêmica instruções!
48
Você já parou para avaliar sua habilidade na compreensão de um texto?

Ao estudarmos, concentramo-nos e empregamos todos os nossos recursos


pessoais na apreensão, compreensão e fixação de determinadas informações
que nos levam ao domínio de um conteúdo específico ou de uma área do
conhecimento.

Sugiro, então, que realize o teste seguinte, a fim de verificar como está, nesse
momento, sua capacidade de compreensão de um texto.

Leia silenciosamente e atentamente. Busque o sentido de cada palavra. Não


importa o tempo necessário; esqueça o relógio.

O termo TONO é utilizado em fisiologia. Possui um sentido preciso, mas restrito.


Caracteriza essencialmente o estado de um músculo. No caso de seres multicelulares,
certas células adquirem a propriedade de se diminuir e se alongar. As extremidades
dessas fibras podem ser unidas, seja diretamente, seja por intermédio de formações
fibrosas (tendões), ou de alavancas rígidas (ossos). 7
Existem dois tipos de fibras musculares: as estriadas, e as lisas.
Ambas possuem propriedades fundamentais:
a- excitabilidade: é a capacidade de responder a um estímulo;
b- condutibilidade: capacidade de transmitir o estado de excitação;
c- elasticidade: capacidade de recuperar sua forma após uma deformação.

Agora que você concluiu a leitura do texto, responda ao questionário, assinalando


as questões que estão certas e erradas. Preste bastante atenção e não recorra ao
texto para tirar dúvidas.

Questão Certo Errado

1. O termo TONO é usado em fisiologia


2. O termo TONO tem um sentido amplo
3. O termo TONO caracteriza o estado de um músculo
4. No caso dos seres multicelulares, as células não adquirem a
propriedade de diminuir uma de suas dimensões.
5. Os tendões são formações fibrosas
6. Os ossos são alavancas flexíveis
7. Existem dois tipos de fibras musculares.

Fonte: Albert Morsel. Como ativar o poder da mente. 1971, p. 19-20.


Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
49
Agora confira suas respostas, voltando ao texto lido. Se você conseguiu, pelo
menos, quatro respostas corretas, muito bem! Se não conseguiu, não desanime.
Colocamos, propositadamente, esse trecho retirado de um texto de Biologia.
Muitas vezes, as dificuldades na leitura e na compreensão de um texto se
devem ao fato de ser de uma área com a qual temos pouca ou nenhuma
familiaridade. Sobre isso voltaremos a conversar mais demoradamente no
Fascículo 2. Se quiser dar uma olhadela, vá em frente. Depois volte aqui, que
estou esperando por você.

Ao realizar esses “testes”, deve ter percebido que a utilização das vias sensoriais,
como audição, visão, verbalização, motricidade, é muito importante para
conseguir compreensão do objeto de estudo. Quando desenvolvemos quaisquer
atividades, estamos com todos os sentidos “ligados”, mesmo que não
percebamos isso. Ao estudarmos, precisamos ativar todos os sentidos, a fim de
estabelecermos conexões com nosso objeto de estudo, favorecendo a
apreensão dos dados mais relevantes.

Mas não se esqueça: sua motivação é a base, e a definição do por que aquela
atividade está sendo realizada é fundamental!

Você deve ter lido ou ouvido que nós retemos

10% do que lemos


20% do que lemos e ouvimos
30% do que ouvimos
50% do que escutamos e vimos
70% do que discutimos
90% do que realizamos.

Você concorda com isso? Como tem sido sua experiência em relação a isso?
________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Diga-me, que eu esqueço.


Ensina-me, e eu lembro.
Envolva-me, e eu aprendo.
(Confúcio - filósofo chinês,
fundador da religião “Confucionismo”)
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
50
CAPÍTULO DOIS

ESTUDANDO E
APRENDENDO

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
51
Ao final do estudo deste capítulo, você terá condição de:

- Compreender como se dá o processo de aprender;


- Definir quais os procedimentos a adotar para tornar seu estudo
eficiente;
- planejar sua caminhada nesta aventura.

Para aprender é preciso estudar?


Pode-se aprender sem estudar e estudar sem aprender?

O que você acha?


___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Estudar a Distância _________________________________________________________________
Uma Aventura Acadêmica
52
COMO APRENDEMOS

O cotidiano nos fornece momentos diversos e ricos de aprendizagem. Quando


visitamos a horta ou a lavoura de alguém da comunidade, um viveiro ou uma Mais
fazenda experimental, um local onde ocorreu algum fato importante para a importante
que
comunidade local; quando participamos de reuniões de um conselho ou de aprender é
assembléias de uma associação ou sindicato, quando assistimos a um nunca
perder a
programa de rádio ou de televisão, quando conversamos com alguém, etc., a capacidade
aprendizagem estará ocorrendo de maneira espontânea. de aprender,
(Leonardo
Boff –
teólogo
brasileiro)
Observe que, quando estamos reunidos com alguém ou com um grupo de
pessoas, conversando informalmente (um bate-papo), discutimos inúmeros
assuntos. Falamos de nossas atividades profissionais, de nossa família,
conversamos sobre a mudança de nossa moeda, comentamos a respeito de
nossos salários, os preços nos mercados e feiras, de doenças, de ervas
curativas, alimentação, etc. Nesse “bate-papo”, enfocamos assuntos dos mais
diversos: educação, política, economia, medicina e outros. Trocamos idéias e
aprendemos por intermédio das experiências e dos conhecimentos de outras
pessoas. Esses conhecimentos adquiridos, você acabará utilizando em outros
encontros informais, enriquecendo as discussões no grupo.

Um “bate-papo”
nem sempre é uma
conversa fiada!!!

Você já teve a oportunidade de assistir


a um filme que tenha despertado
sua atenção, deve ter participado
de algum passeio ou excursão,
já participou de alguma palestra,
realizou viagens a serviço ou de férias. Note que, com todas essas atividades,
você ampliou seu horizonte de conhecimentos, e isso se deu de forma
assistemática.

Outra forma de aprendizado assistemático é quando um ofício é passado de pai


para filho. Um bom exemplo disso é o que ocorre no campo, com as famílias de
agricultores. Os filhos aprendem o trabalho agrícola no dia-a-dia, com os pais.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
53
Você deve saber de outros casos de ofício que foi passado de geração a
geração, como: família de pescadores, as rendeiras (lá no Nordeste do
país), as bordadeiras, as doceiras, os marceneiros, etc.

Aqui se verifica não só o aprendizado de uma profissão, como também a


transmissão dos valores e da cultura de um povo.

Quando você aprende algo, e isso se torna parte do seu cotidiano, parece-
lhe ser um tanto natural, inconsciente, automático, que acontece sem você
se dar conta. Você está aprendendo sem estudar.
Aprender, do
latim
Porém, você pode estudar, e não aprender. Isto pode ocorrer, por
apprehendere: exemplo, no momento em que as condições ambientais (barulho,
agarrar,
apoderar-se, iluminação, acomodação, etc.), ou as condições subjetivas (cansaço, mal-
chegar ao estar, preocupações, etc.), ou o seu método de estudo não favoreçam o
conhecimento,
compreender, aprendizado.
alcançar o
desejado,
abarcar.... Pois, toda aprendizagem é “consciente”, deliberada, pensada, resultado
de esforços, de superação do não-saber.

Pode-se estudar e não aprender (esforço ineficiente).


Pode-se aprender sem estudar (esforço desnecessário).
Pode-se estudar e não aprender (esforço ineficiente).
Pode-se aprender sem estudar (esforço desnecessário).
Estudar e aprender não são sinônimos, mas estão relacionados,
caminham juntos.
Estudar e aprender não são sinônimos, mas estão relacionados,
caminham juntos.

Você poderá, então, se perguntar:

há fatores (internos e/ ou externos) que podem ser “controláveis”, que podem


facilitar o processo de aprender? Existem ferramentas cognitivas que promovem a
aprendizagem? Pode-se aprender “a distância” ou somente presencialmente?
Como aprende um adulto?

Questões muito complexas que você irá discutir no decorrer do curso.


Há diferentes concepções de aprendizagem e, portanto, diferentes respostas a
Estudar a Distância essas questões.
Uma Aventura Acadêmica
54
Na concepção do grande educador
Paulo Freire, não há como separar
o processo de ensinar do processo
de aprender: quem ensina aprende,
e quem aprende ensina! No entanto,
iremos qui colocar o foco, enfatizar
mais o processo de aprender.

Após mais de um século de estudos


e pesquisas, o que se pode afirmar
neste momento é o seguinte:

Você aprende

1- Se estabelece associação e dá sentido ao que está estudando

Ler uma palavra, um parágrafo, ou um texto sem entender e continuar lendo é


irracional. Você aprende o que tem alguma relação com o que conhece, com
fatos, lugares e situações vividas, e o que tem sentido para você.
Metáforas,
parábolas,
Como é diferente estar falando sobre administração, trabalho, empresas, contos.... são
estratégias
mercadorias, “empregabilidade” com alguém que atua no campo da milenares
administração. O que você estará lendo no material didático do curso terá para ajudar
na
sentido todo especial, pois você fará logo referência à sua experiência, a fatos e compreensão
situações vividas. Aquilo que está escrito é filtrado pela “leitura” do seu vivido, do e retenção
de fatos,
seu conhecido. conceitos,
valores

Quer um exemplo? Leia o parágrafo seguinte:

“A influência do benzopireno como fator etiológico de manifestação do carcinoma


broncogênico epidermóide”.

O que entendeu?__________________________________________________________

Simplesmente, quer dizer: “a influência da substância contida no cigarro como fator de


origem de manifestação do câncer no pulmão”.

Se teve dificuldades em compreender é porque, certamente, são termos,


palavras, que não fazem parte do seu cotidiano, da sua formação, do seu
trabalho. Isso significa que você não possa entender o parágrafo? Não, mas sua
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
55
compreensão vai exigir de você tempo para realizar leituras específicas sobre o
assunto, conversar com especialistas da área, trocar idéias com colegas. Enfim,
vai exigir estudo.
Segundo você, é mais fácil compreender e lembrar que 1 hectare = 10.000m2
ou a imagem de que 1 ha = quase o tamanho de dois campos de futebol?

Portanto, quanto mais emitirmos conexões variadas de um novo dado com outro
já conhecido, mais facilmente criaremos pontes sólidas sobre esse novo
conhecimento e dificilmente esqueceremos.

No mundo psíquico não há possibilidade de “ilhas”; nossa


consciência está integrada por um contínuo fluir de imagens,
sensações, sentimentos, que se sucedem e entrelaçam, constituindo
sempre um conjunto tão unido, contínuo, como o curso de um rio.
(MYRA Y LOPEZ, 1968, p.33)

2 – Se descobre o que deve aprender

Antes de iniciar a leitura de um texto, ou o desenvolvimento de uma atividade


acadêmica, identifique os objetivos de aprendizagem propostos pelo curso, por
aquela área do conhecimento, pelo autor do texto, pelo orientador.

Ler ou estudar, apenas por ler ou por estudar, não vai levá-lo ao
entendimento do texto. Perderá seu tempo e acabará se distanciando cada
vez mais do significado e do conteúdo da leitura e do estudo. Temos, muitas
vezes, o hábito negativo de iniciar as leituras sem a clareza dos objetivos,
É
impossível do que estamos fazendo, do porquê daquela leitura. Não é verdade?
um homem
aprender
aquilo que Ao ler um texto, um fascículo do curso, é importante que você perceba o que se
ele pensa pretende com aquela leitura, quais os conhecimentos e as competências a serem
já saber.
(Epíteto) adquiridas. Isso estimula e propicia um ambiente de leitura mais produtivo.

Quem aprende pela descoberta tem


sete vezes mais capacidade de quem
aprende por ouvir falar.
(A. Guiterman)
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
56
3 – Se admite que não sabe

Estude sem preconceitos, sem cobrar demais de si mesmo, sentindo-se bem em


relação ao não-saber. Não disfarce seu “não-saber” com a síndrome do “hã, hã”,
como se estivesse entendendo o que outro está dizendo ou o que você está lendo.
Não deve ficar com vergonha de dizer “não sei”, “não entendi”. Reconheça suas
limitações e se coloque na atitude de que não saber é um estado libertador, pois
abre caminho à curiosidade e à aprendizagem.
A
aprendizagem
provém de
perguntas e
Por que me impões o que sabes se eu quero aprender o não de
desconhecido e ser fonte em minha própria descoberta? respostas!
Não quero a verdade. Dá-me o desconhecido.
Como estar no novo sem abandonar o presente? [...]
Deixe que o novo seja o novo, e que o trânsito seja a negação do presente;
Deixa que o conhecido seja minha libertação, não minha escravidão.
(Humberto Maturana, biólogo chileno. El sentido de lo humano. 1996)

4 – Se sente “entusiasmo” no que está fazendo

Quando você está entusiasmado e ansioso por aprender algo que lhe interessa Entusiasmo
vem do
muito, você diz a si mesmo que está motivado pelo assunto. Os motivos da grego,
significa “ter
aprendizagem nada mais são do que forças que nos impulsionam em direção um deus
ao que queremos aprender e nos mantêm “ligados” a essa tarefa de aprender. dentro de si”.
Para os
gregos,
somente as
É bom lembrar que, ao contrário do que muitos de nós pensamos, o pessoas
excesso de interesse por um estudo pode ser tão prejudicial à “entusiasmadas”
eram capazes
aprendizagem quanto à ausência dele. A ansiedade excessiva leva o leitor de vencer os
a pular etapas, páginas e, até mesmo, capítulos de um livro, para ir direto desafios do
cotidiano.
ao final sem entender sua essência.

Responda honestamente a você mesmo: quando você está diante de um livro e


superansioso para conhecer o desenlace da trama, que postura você toma?

( ) Vou direto ao final do livro e leio o último capítulo, para saber como ele
termina.
( ) Controlo minha ansiedade e leio o livro inteirinho até o final, sem pular
nenhum de seus capítulos. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
57
Por outro lado, a ausência de interesse também nos leva à mesma atitude,
ainda que com outra finalidade: terminar o mais rápido possível a leitura, para
nos vermos livres daquele material. Lemos somente porque somos “obrigados”,
para cumprir determinada necessidade, seja por causa de uma prova, de um
trabalho escolar, seja por qualquer outra atividade pela qual seremos “cobrados”.
O estudo sem motivação se torna cansativo, pois despendemos um tremendo
esforço e não aproveitamos quase nada.

O impulso, ou a vontade de aprender, constitui um saldo positivo entre as


motivações atrativas e as motivações repulsivas.

As motivações atrativas são todas aquelas necessidades que nos levam a


querer buscar sempre mais para aprender, tais como: curiosidade, descoberta,
desejo de perfeição, necessidade de nos sairmos bem em determinado assunto.

As motivações repulsivas, antagonicamente às motivações atrativas, são


tendências que nos levam a fugir e a nos afastarmos de determinados temas,
em conseqüência de situações, a exemplo destas: antipatia pessoal para com o
professor ou orientador, vontade de dedicar-se a outros estudos, medo do
fracasso, cansaço.

Busque, então, motivação no que está fazendo, nas leituras e nas atividades do
curso. Descubra o sentido deste curso em sua vida pessoal e profissional. Está
nele por algum motivo, em busca da realização de algo. Revigore e renove
constantemente suas motivações, sobretudo nos momentos de desânimo,
quando a vontade é parar e deixar o curso.

Aprender implica alimentar interesses.

Somente quando o assunto é percebido como relevante,


para os próprios fins da pessoa, ocorre um volume
significativo de aprendizado.
(Carl Rogers, psicopedagogo
norte-americano - 1902-1987)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
58
5 – Se descobre como você é, como você aprende e desenvolve um
método de estudo

Cada um tem uma maneira de ser e de estudar. Por isso é importante, durante
a leitura deste material, que você se avalie como estudante, identificando quais
os hábitos “positivos”, e quais atrapalham sua aprendizagem. Em seguida,
organize e planeje sua vida profissional, familiar e acadêmica. Esteja certo: a
eficiência de seus estudos vai depender muito de sua capacidade de
autogestão e de desenvolvimento de um método de estudo.

A atitude passiva, esperando que alguém lhe diga o que fazer e como ... é
semelhante a fazer turismo em grupo. Os outros planejam tudo para você!

Grave bem esta frase do crítico literário Bertold Brecht:

A motivação é
uma atitude
“Aquilo que você não aprende por si, você não sabe”. interna mais do
que algo que
vem de fora!

No atual
Você, certamente, já experimentou estado das
uma situação em que tentava pesquisas,
ninguém sabe
aprender determinado assunto e ainda
exatamente o
por mais esforços que empreendesse que acontece
na tentativa de entendê-lo, num sistema
complexo como
acabava encalhado, achando-se incapaz o cérebro
humano quando
de solucionar o problema ocorre a
ou de avançar no tema. aprendizagem.
(J. A. Scott
Kelso, apud
ASSMANN,
1998)
Por que será que isso aconteceu?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Quando estudamos, a aprendizagem não ocorre de forma seqüencial e


contínua. Em determinados momentos, deparamos com dificuldades de
compreensão que não nos permitem avançar no estudo. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
59
Em tais momentos, surgem algumas indagações à semelhança destas: que
isso significa? Qual a relação entres esses elementos?

Nesses casos, devemos persistir e continuar, devemos realizar nova leitura,


buscando respostas a essas inquietações.

Podemos dizer que encontramos as respostas apropriadas quando


estabelecemos o encontro dessas com os questionamentos levantados, numa
integração significativa, levando à compreensão e à organização das
informações, numa unidade de sentido e de coerência, aliada a nosso
entendimento pessoal.

Já não lhe aconteceu,


após uma sessão de
estudo em que você
não conseguia entender
o que estava lendo,
deu um tempo, foi fazer
outra atividade e,
ao retornar ao mesmo texto,
suas idéias ficaram mais
claras?

Por que será?


_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

O conhecimento é uma “construção humana de


significados que procura fazer sentido do seu mundo”.
(JONASSEN, 1996)

O conhecimento não é transmitido ou adquirido, como se fosse um objeto ou


uma mercadoria. Ele é construído, porque a realidade é o sentido que fazemos
do mundo e do seu fenômeno. Portanto, tem que ser significativo para o sujeito,
para você. Mas este “sentido”, que é pessoal, não significa que seja individual.
Você o compartilha com outros na sociedade, é resultado de interações, de
diálogos com você mesmo e com os outros. Mas, quem realiza a
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica aprendizagem é o próprio sujeito, é você estudante.
60
O conhecer, portanto, é processo de construção que se dá na relação do sujeito (que
conhece) com o entorno físico e social (que é conhecido) e que deve ser significativo
para o sujeito. A aprendizagem, dai se deduz, vai depender de suas condições
(bagagem hereditária, motivação, interesse) como das condições do meio. Depende
de você, do professor, do orientador, da instituição, das condições sociais,
econômicas, culturais em que todos esses sujeitos se encontram. É processo
sistêmico, envolvendo o sujeito com seu entorno, com o outro. Não é, portanto,
reprodução nem indigestão de informações.

Aprender não se resume em aprender coisas [...] trata-se de uma rede ou teia de
interações neuronais extremamente complexas e dinâmicas, que vão criando estados
gerais qualitativamente novos no cérebro humano.
(HASSMANN, 1998, p. 40)

Na Educação a Distância, como em qualquer ação educativa, a instituição


deveria preocupar-se com processos, com aprendizagem, e não,
exclusivamente, com produtos e resultados ou, simplesmente, armazenando um
volume cada vez maior de informações. O “papel” do professor e/ou do
orientador, então, toma outra direção e sentido, não se limitando ao de
“transmitir” ou “reproduzir” informações, disponibilizando um volume de textos
(impressos e/ou veiculados pela Internet), ou a dar respostas às dúvidas dos
estudantes.

Pois, a aprendizagem não é processo que ocorre “a distância”, afastado da


relação com o outro, sem a interação e a convivência e, em consequência,
“solitária”. Segundo Maraschin (2000), apoiando-se em Maturana (1993), sem o
encontro, sem a possibilidade da convivência não há aprendizagem, dado que
esta ocorre não quando há mudanças de comportamento, mas quando há
mudança estrutural da convivência. É processo individual/coletivo, solitário/
solidário, em que não há pólos opostos, que se negam, mas que se completam,
se influenciam e se transformam.

A aprendizagem pode “transpor a distância temporal ou espacial” fazendo


recursos às tecnologias “unidirecionais” (um-a-um, um-em-muitos), como o livro,
o telefone ou à tecnologia digital que é “multidirecional” (todos-todos), eliminando
a distância ou construindo interações diferentes daquelas presenciais.

Mas, muito mais do que recorre à mediatização tecnológica, é a relação


humana, o encontro com o(s) outro(s) que possibilita ambiência de
aprendizagem. Aprendizagem e educação são processos “presenciais”, exigem
Estudar a Distância
o encontro, a troca, a “co-operação”, que podem ocorrer mesmo quando os Uma Aventura Acadêmica
sujeitos estão “a distância”.
61
Fique feliz. Esse curso “a distância” , na realidade, tem mais
“presencialidade” do que muitos cursos presenciais, em que o
aluno “assiste” às aulas, está fisicamente presente, mas
intelectual e afetivamente bem distante daquele espaço!

O estudo, em
geral, a busca
COMO VOCÊ “PODERIA” ESTUDAR
da verdade e da
beleza são
domínios em que Lembra o que eu dizia no começo deste Fascículo?
nos é consentido Somos diferentes como estudantes, como aprendizes. Você tem interesses,
ficar crianças
toda a vida. conhecimentos, necessidades, habilidades, hábitos diferentes de mim, de seus
(Albert Einstein – colegas, do grupo com quem estuda, do orientador.
físico alemão)

Por isso, é importante, como já o fizemos ver , que você se reconheça como
“estudante” e reveja hábitos organizacionais de estudo. Você terá que encontrar
seu “caminho das pedras”, definir o rumo da sua aventura de ser estudante.

Não tente imitar ou copiar o que os outros fazem porque deu certo para eles.
Tem que encontrar seu caminho, seu modo de estudar e reconstruir um
método de estudo que com você se identifica.

Um método de estudo não se reduz à aplicação de certas


técnicas, a “receitas”, a macetes, a algo padronizado.
É construção, é processo ... muito particular, muito seu,
e que vai exigir motivação, interesse, intencionalidade,
envolvimento, organização, disciplina, suor, trocas com
os outros que compartilham essa aventura de ser
estudante num curso a distância.

Você me perguntará: que fazer, então? Por onde começar?


Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica Mario Quintana, num dos seus escritos, nos dá uma pista:
62
Essa mania de ler sobre autores fez com que, no último centenário de
Shakespeare, se travasse entre uma professorinha do interior e este
escriva o seguinte diálogo:
- Que devo ler para conhecer Shakespeare?
- Shakespeare!

Parafraseando: o que você deve fazer para estudar e obter sucesso? Estudar!!

Porém, nossa formação escolar foi muito calcada na cópia, na reprodução e na


transmissão. Por isso, encontramos dificuldades nos estudos,
independentemente de contarmos ou não com a presença do professor.

A construção de seu método de estudo, de sua “autonomia” como estudante, é


projeto seu, pessoal, de vida e de trabalho, contando, é claro, com o apoio da
instituição, com a mediação do orientador. Mais que tudo, a aprendizagem é
processo particular, muito próprio de cada um. Também é processo social,
coletivo, de interação com o outro (colega, professor, orientador, instituição
educativa).

E para você construir seu método de estudo, é importante exercitar e


desenvolver algumas habilidades pessoais e intelectuais, considerar condições
psicológicas e ambientais, tais como:
motivação, projeto de vida, auto-estima, autogestão, planejamento do estudo,
concentração, controle das emoções e da ansiedade, planejamento da
aprendizagem, escuta, memorização, leitura, produção escrita, trabalho em
equipe....

Nos próximos capítulos, iremos tratar de algumas delas e, ao final do fascículo,


encontrará indicações de bibliografia para você se aprofundar nessa temática.

E lembre-se da exortação do poeta espanhol Antônio Machado, na obra


Provérbios y Cantares (Poemário, Madrid. 1930):

Lindos versos
Caminhante, não existe caminho. musicados
Faz-se o caminho ao caminhar [...] por Juan N.
Serrat
Caminhante, são tuas estradas
O caminho e nada mais.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
63
CAPÍTULO TRÊS

PLANEJANDO
MEU ESTUDO

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
65
Ao concluir a leitura deste capítulo, você será capaz de:

1) identificar as condições e as situações que favorecem o estudo;


2) re-organizar seu caminho como estudante, de forma que torne
seus estudos mais produtivos e eficientes.

Escreva, no quadro a seguir, as atividades que você costuma desenvolver


durante a semana: domésticas, profissionais, de lazer, etc.

Manhã Tarde Noite


2ª feira

3ª feira

4ª feira

5ª feira

6ª feira

Sábado

Domingo

Nesse quadro de atividades, você incluiu horários para se dedicar à leitura, ao


estudo? Quantas horas semanais?

Estudar a Distância Se você não incluiu um horário para atividades de estudo, a partir de agora terá que
Uma Aventura Acadêmica prever momentos específicos dedicados ao curso e se comprometer a cumprir
66
os horários estabelecidos para atividades de estudo. Por isso, é importante que
você planeje bem as outras atividades para que não acabe sacrificando ou
colocando em segundo, terceiro ou, no último lugar, o estudo.

Parece que o homem moderno não tem tempo para refletir sobre sua
experiência de vida, tal a quantidade de estímulos, de atividades, de Para ter sucesso
na aplicação do
necessidades e de informação que invadem diariamente sua vida, seu pensar, esforço pela
seu agir. alegria, é preciso
ter a capacidade
de concentrar a
No meio de sua vida “tumultuada”, você deve aprender a conduzi-la segundo os atenção em
objetivos que deseja alcançar, os sonhos a realizar. Diante disso, é importante o acontecimentos,
atos e objetivos.
estabelecimento de prioridades na gestão do tempo, da vida profissional e (Dalai-Lama)
pessoal.

Você sabe quais são seus objetivos de vida? Que você almeja alcançar em
longo, médio e curto prazos?

Identifique e escreva abaixo os que você considera mais importantes, neste momento

Objetivos em longo prazo:


1.________________________________________________________________________________
2.____________________________________________________________________
3.____________________________________________________________________

Objetivos em médio prazo:


1.____________________________________________________________________
2.___________________________________________________________________________
3.____________________________________________________________________

Objetivos em curto prazo:


1._____________________________________________________________________________
2.___________________________________________________________________________
3._____________________________________________________________________________

Qual é, neste momento, o objetivo n. 1? Qual aoser alcançado no espaço de uma semana, de quinze dias,
um mês, até o final do ano...?
Ou, então, faça uma lista das coisas ou atividades mais importantes de sua vida e uma outra lista com o que
você gasta seu tempo no dia-a-dia. Compare, em seguida, as duas listas!

Agora, você está matriculada num curso que vai fazer parte de sua vida ao longo
de quatro anos ou mais. Busque definir quais são seus objetivos, seus motivos,
suas expectativas em relação ao curso. O mesmo fará ao iniciar um módulo,
uma disciplina, uma temática, a leitura de um capítulo ou de um texto. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
67
Antes de iniciar qualquer atividade de estudo, defina os objetivos dela, o sentido
para sua formação, para sua vida .

Assim, o seu tempo, que muitas vezes parece pouco para tantas coisas a fazer,
será empregado melhor.

Planejar o estudo não é meramente estabelecer um horário para


estudar [...é ] estabelecer um horário fixo dedicado exclusivamente
a atividades concretas e bem programadas que respondam a
objetivos precisos. (FERNÁNDEZ-RODRIGUES, 2000, p. 18)

Vamos analisar alguns aspectos importantes a serem considerados no seu


planejamento do estudo.

1. Condições “ambientais”

Observe as situações abaixo.

Você se identificou com alguma dessas situações? Escreva um pouco sobre ela.
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Estudar a Distância ____________________________________________________________________________
Uma Aventura Acadêmica ____________________________________________________________________________
68
Eu, também, durante minha formação universitária, passei por algumas dessas
situações, inúmeras vezes. Ocasiões houve em que “varava a noite” estudando. Os cientistas
Quando me dava conta, o dia já tinha clareado e eu estava todo quebrado de se dedicam a
estudar as
cansaço. Ou, então, ficava olhando o texto, e minha mente longe daí, imagens áreas do
se passando e retornando insistentemente, tentava colocar ordem na “bagunça” cérebro que
produzem a
de um desentendimento amoroso. sensação de
As horas passavam, e o rendimento? que as horas
voam
quando nos
divertimos.
Imagine que você esteja se preparando para um concurso, para um exame. Ou de que
Está sentado, com o livro nas mãos lendo, mas sua cabeça a todo o instante se os ponteiros
se arrastam
desliga, porque um problema afetivo, de relacionamento pessoal ou de trabalho, pesadamente
perturba você. durante uma
palestra
Ou, então, minuto após minuto você é interrompida pelo(a) esposo/esposa, por desinteressante.
filhos, telefone... (Isto é, 1850,
30/3/05)
Ou, talvez, você foi convidado para uma festa, mas não foi porque “tinha” que
estudar. Bem que gostaria de ter ido, de estar lá, curtindo os amigos, a música,
os petiscos, a bebida.... e sua imaginação criando lindos cenários! Quando
desperta desse “sono”, você se assusta. O tempo passou e nem lembra o que
estava lendo.

Certamente, você passou por situações parecidas. Como você lidou com isso?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

E, nessas condições, como foi seu rendimento no estudo?


__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

O estado emocional também deve estar propício à realização de suas tarefas.


Se estiver ansioso, preocupado, infeliz, não conseguirá alcançar a compreensão
de determinado tema, dificultando, e até bloqueando completamente, o processo
de aprendizagem.

Analise, ainda, as situações descritas a seguir e assinale quais delas você já Mente sã,
corpo são.
vivenciou e que dificultaram o bom desempenho de suas atividades de estudo: (Juvenal)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
69
( ) ansiedade diante de avaliações
( ) timidez ou medo de expor o trabalho em público
Estudos revelam ( ) medo de errar
que a principal ( ) fadiga ou cansaço
fonte de distração ( ) nervosismo
são os “ruidos” ( ) perda de alguém muito querido
internos, e não os
estímulos externos ( ) desavenças amorosas
( ) __________________
( ) __________________

Essas situações estão relacionadas com diversos e diferentes fatores, como a


insegurança pessoal, a dificuldade que temos em gerir nossa vida pessoal. Isso
acaba dificultando o desempenho nos estudos. Porém, você não deve fazer
disso um pretexto para fugir de suas obrigações acadêmicas. Às vezes, quando
se está com determinado problema pessoal, é até bom ocupar-se com leituras,
atividades do curso, porque você estará se dando um tempo para resolver
depois o problema. Quem sabe, durante a leitura, naqueles momentos de
“distração”, você não tenha um “insight” (uma inspiração, uma luz) e solucione o
problema. Não é mesmo?

2. Quando estudar

Em que momentos do dia você costuma estudar?

( ) pela manhã
( ) à noite
( ) noite adentro, até altas horas da madrugada
( ) em fins de semana
( ) logo após as refeições
( ) nos intervalos do trabalho
( ) após um período de descanso
( ) ________________________

Você deve ter vivenciado como algumas dessas situações favoreceram seu
desempenho no estudo. Por isso, é bom você escolher um horário que atenda a
Estudar a Distância seu estado psicofisiológico e que ajude na sua concentração.
Uma Aventura Acadêmica
70
Além do estado emocional, você deve estar atento para o momento adequado de
dedicação às leituras, às atividades de aprendizagem, conciliando-as com outras
tarefas diárias.

Nessa esteira, quero frisar novamente a importância de você planejar suas


atividades de estudo. Para ajudá-lo nisso, selecionamos alguns “conselhos”,
algumas orientações que poderão ser úteis:

Estudar pela manhã, após o banho matutino, pode ser mais


produtivo porque você apresentará estado de relaxamento,
descanso e bem-estar. (Se tiver dormido bem!)
Se suas atividades profissionais ou domésticas a impedem de estudar
pela manhã, faça em outro horário, mas tome sempre um banho antes de
iniciar a sessão de estudo. Isso ajudará você a ficar bem disposta.

O
R
I
Estudar noite adentro (invadindo a madrugada) não é
recomendável, podendo causar insônia, falta de concentração E
e perda de capacidade de compreensão e retenção. N
T
A
Ç
Não é aconselhável estudar logo após as principais Õ
refeições. É melhor aguardar um período de aproximadamente E
uma hora antes de iniciar sua sessão de estudo. É nesse período
que se processa a digestão e, em função desse metabolismo, ficamos propícios a um estado S
de sonolência. Acho que isso você já deve ter percebido, sobretudo quando assiste a uma
aula, a uma palestra ou participa de reunião depois do almoço!

Se você trabalha o dia todo, reserve pelo menos uma hora nas suas noites,
ou de manhã cedo, durante a semana, para dar uma lida no material didático
do curso. Nos fins de semana, prolongue seu estudo por mais tempo
para compensar . Assim, você estará criando um hábito de
estudo que a ajudará a ter sucesso em seu curso.
Desenvolva um método de estudo, sem se preocupar
com a quantidade de matéria a ser estudada, mas com a
compreensão do que é mais importante ser estudado e retido.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
71
2. Onde estudar

Imagine-se num lugar quente e abafado, com barulho ao seu redor, péssimas
condições de claridade, sujo, e você sentado num banco ou algo semelhante,
desconfortavelmente, tentando estudar.

Agora, em outra situação, você está num lugar tranqüilo, silencioso, limpo, e
você sentado numa posição confortável, com o auxílio de uma mesa e de todo
material necessário para a realização do seu estudo.

Em qual dessas duas situações, você acredita ter melhor rendimento?

Certamente, você optou pela segunda situação. Não é preciso ser um “expert” no
assunto para saber que, na primeira situação, é muito difícil você se concentrar,
estudar e sentir prazer no que está fazendo.

A segunda é uma situação ideal, desejada. As condições reais de estudo em


casa nem sempre são as melhores. Mas você deve fazer um esforço para criar
seu “cantinho” de estudo, com uma mesa e uma pequena estante (feita de
tábuas e tijolos, por que não?) para guardar seu material, com espaço,
ventilação e iluminação. Criar seu espaço, seu canto de estudo! E é bom que os
familiares saibam que, quando você estiver lá, não deverão interromper ou
atrapalhar seu estudo. Deverão aprender a respeitar esse seu momento de
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica reflexão!
72
3. “Quanto” estudar

É importante que você aprenda a identificar seus problemas, examinar as


soluções, tomar decisões e planejar sua vida, senão você viverá constantes
situações de estresse em seus estudos. Você está e não está aí sentado,
estudando.... O corpo sentado na cadeira, mas a mente bem longe!

E o tempo vai passando, as atividades de estudo se acumulando... E você


pensando: “Depois vou recuperar o tempo”. O tempo não se recupera, pois não
existe uma máquina do tempo que possa fazer isso. Aumentar, depois, o tempo O tempo é a
minha matéria, o
de estudo não constitui a solução. Pois, não há relação direta entre tempo de tempo presente,
estudo e aprendizagem! os homens
presentes, a
vida presente.
(Carlos
A partir de Einstein e de sua teoria da relatividade, o tempo passou a ser Drummond de
considerado relativo, cada um teria sua própria medida do tempo. No campo da Andrade, Mãos
Dadas)
Educação a Distância, os cursos são pensados e implementados com vista a
atender ao “tempo” de cada um, aos ritmos de aprendizagem diferenciados. Por
isso eles deveriam se caracterizar por sua “flexibilidade”, “plasticidade”. Dizer,
então, “Não tive tempo”, “Tenho mil coisas para dar conta”, não faz sentido. É falta
de planejamento, é desorganização em sua vida.

Claro que você deve ter seu tempo do ócio para relaxamento, para lazer, e o
tempo da ação, do estudo. O “fazer nada” não existe! O que existe é desperdício
O tempo livre não
de tempo, “enrolação”, o “faz-de-conta” que estuda. é livre, é sem
sentido (Olgária
Matos – filósofa)
Em qual das situações abaixo, você acredita obter melhor rendimento na
aprendizagem?

( ) uma sessão de estudo que tenha a duração de quatro


horas ininterruptas;
( ) uma sessão de estudo com duas horas de duração e
pequenas pausas.
Por quê?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________
_____________________________________________________

Cada pessoa apresenta ritmo próprio, e a dosagem de estudo dependerá de


suas condições individuais. As pessoas que apresentam dificuldades de
Estudar a Distância
aprendizagem devem se empenhar mais em leituras. Uma Aventura Acadêmica
73
Porém, algumas orientações podem ser seguidas:

1. Estude em período breves, com intervalos de distração e mobilidade física. Nosso O


Crie o hábito de,
organismo apresenta sintomas de cansaço que não podemos ignorar, pois poderão r
logo pela manhã,
traçar, por escrito, comprometer o rendimento intelectual. i
um plano para o 2. Uma sessão de estudo não deve se prolongar por mais de duas horas, introduzindo-se e
emprego do
pausas de três a cinco minutos a cada meia hora. Nunca permaneça horas e horas seguidas n
tempo. E não
estudando, forçando seu organismo e suas faculdades mentais. t
desvie do traçado.
(Victor Civitta – 3. Quando se trata de um estudo que requer manuseio constante de material bibliográfico, a
empresário com pausas durante as quais poderá se distrair, a sessão de estudo poderá prolongar-se ç
brasileiro)
até quatro horas. õ
4. Mantenha uma freqüência diária de leitura para criar um hábito de estudo, assim você e
s
manterá em dia suas atividades, evitando acúmulos.

Para aproveitamento maior de seu tempo de estudo, você deve


se preocupar em fazer o planejamento da aprendizagem, das
atividades de estudo.

Um estudante Para tanto, é fundamental que você identifique a “qualidade” e a “quantidade” da


“intelectualmente
ativo” é aquele que
informação, os objetivos de aprendizagem definidos pelo curso, pelo módulo,
compara, exclui, pelo autor do material, os conceitos fundamentais daquela área do
ordena categorias,
reformula, compara, conhecimento a serem construídos.
formula hipóteses,
reorganiza, avalia,
etc. (TORRES Saber que “domínio de conhecimento” está sendo esperado de você, sobre
SANTOMÉ, 1998, p.
144) aquela atividade específica, que tipo de aprendizagem terá que construir e
produzir:

- conhecimento (reconhecer e/ou lembrar determinado conceito, fato);


- compreensão (saber o sentido da comunicação);
- análise (identificar as partes constituintes de uma mensagem e as relações
entre as partes);
- síntese (faz apelo a atividades cognitivas de organização e à
transformação da informação);
- aplicação (utilizar a informação em situação nova que nos remete
diretamente ao que foi estudado);
- avaliação (fazer um julgamento de valor sobre idéias, teorias, métodos).

Estudar a Distância Sobre isso voltaremos a conversar no Fascículo 2, ao tratarmos da leitura de textos
Uma Aventura Acadêmica acadêmicos.
74
Além da motivação para o estudo e auto-estima
positiva por estar fazendo um curso superior, é
importante que você planeje suas atividades
cotidianas e de estudo.

Estabeleça um horário que atenda a seus objetivos, ajustando-o ao seu


“estilo” de aprendizagem, evitando sobrecarga de trabalho, prevendo
tempo para o lazer, para o descanso, para a família.
E siga-o disciplinadamente! Não mude o horário de estudo a “bel-prazer”.
Se seu planejamento inicial não está adequado, então reveja o plano.
Para a construção de método de estudo, precisa reforçar hábitos.

Volte, então, ao quadro que você preencheu no início deste capítulo e faça
um novo quadro, com horários para estudo bem definidos, e coloque esse
quadro na frente de sua mesa de estudo, ou em outro local, para que
chame sempre sua atenção, lembrando-lhe os compromissos assumidos.

Espero que esse cronograma seja o “pontapé” inicial para a programação de


suas atividades cotidianas, não se esquecendo de que suas atividades de estudo
aumentaram, uma vez que você agora faz parte da “elite intelectual” da
sociedade, cursando o nível superior. Você está numa universidade! Milhões de
jovens e adultos queriam ter essa possibilidade, esse “privilégio”, sim, pois você
está entre os 10,0% da sociedade brasileira que freqüentam cursos
universitários!

Gerir seu tempo de estudo


é aprender a gerir sua vida!

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
75
Algumas orientações para planejamento de estudo, para uma gestão eficaz
do tempo:

1. Fixe objetivos precisos e prazos realizáveis. Exemplo: “Ler o capítulo 2 e


fazer um resumo – 1 hora de estudo”.

2. Evite a temporalização. Não deixe para amanhã o que você pode fazer agora! Sobretudo
quando está diante de atividades mais complexas ou menos agradáveis. A tentação é fugir
delas. Busque, então, estímulos “provocadores”, como deixar os livros abertos sobre a
mesa, fazer aposta com você mesmo que dará conta da tarefa, ou alguma motivação O
interna (exemplo, poder mostrar o trabalho a uma pessoa especial, aos colegas de grupo
de estudo).
R
I
3. Aprenda a gerir o tempo por etapas progressivas. Não desanime diante dos E
primeiros insucessos, das primeiras dificuldades na leitura de textos ou de temas
mais complexos. Avalie o que está acontecendo, que problema está causando N
aquela dificuldade. Comece, então, com atividades menos complexas, informe- T
se melhor sobre o assunto, dedique ao tema “difícil” menos tempo, mas todos
os dias. Quem sabe se tornará, aos poucos, menos complexo. A
Ç
4. Identifique os “Chupa-Tempo”, os comedores de seu tempo, tais como: mudar
de uma atividade para outra (“enrolando”), ou querer fazer duas atividades ao
Õ
mesmo tempo (ler e assistir a TV), atender a telefonemas, interrupções para E
bate-papos, desviar a atenção para programa de televisão a que alguém está S
assistindo ou para a música que está tocando, visitas, mesa de estudo
desorganizada, fazer tarefas de outras pessoas, não saber dizer “não” a convites,
não saber delegar certas tarefas. Proteja seu tempo pessoal!

5. Crie as condições materiais e ambientais favoráveis ao estudo: ter um espaço


reservado e um horário a ser respeitado pelos demais membros da família, um
lugar com o menor número de estímulos externos (os internos vão depender de
você!), ambiente bem-iluminado e ventilado.

Faça com prazer as atividades de estudo! Sinta entusiasmo e


motivação no que está fazendo, senão esse curso vai se transformar
no seu “inferno”!

Dizer que não se tem tempo é desculpa. Minha leitura


sempre foi a soma de pequenos períodos.
Nada faço sem alegria.

(José Mindlin, empresário e bibliófilo brasileiro)


Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
76
CAPÍTULO QUATRO

ESTUDANDO
EM GRUPO

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
77
Ao término do estudo deste capítulo, você deverá ser capaz de:

reconhecer a importância de um grupo de estudo para seu


crescimento intelectual e pessoal;
identificar os fatores que influenciam o aproveitamento do estudo
em grupo;
perceber as diferenças individuais de cada participante do grupo
em que se encontra e os elementos que favorecem a interação;
planejar uma sessão de estudo em grupo.

Você se lembra quando lhe disse, em outra situação, que a aprendizagem é


processo individual e coletivo ao mesmo tempo?
Até aqui dei ênfase ao aspecto singular do ato de estudar, e você se debruçou
sobre o texto para tentar se conhecer como estudante, analisar sua trajetória de
estudante e planejar sua caminhada nessa aventura de ser estudante.

Agora, vou conversar um pouco sobre uma das estratégias a que você pode
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica recorrer na aprendizagem: o estudo em grupo.
78
Na Educação a Distância, há instituições que planejam essa atividade, como na
proposta pedagógica do ProFormação. Você já ouviu falar, talvez, dessa
experiência que titula, em nível médio (Magistério), o professor dos anos iniciais
do ensino fundamental.
Outras incentivam, estimulam essa prática, mas deixam por conta da iniciativa
dos próprios estudantes.

No seu local de trabalho você deve ter vivenciado atividades realizadas em


grupo, em equipe.

Como costumava ocorrer uma sessão de trabalho em grupo?


______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

E como se dava sua participação nessa atividade? Olhe para a ilustração abaixo.

Descreva como você se percebe numa sessão de estudo em grupo.


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________ Estudar a Distância
_________________________________________________________________________ Uma Aventura Acadêmica
79
Pare, agora, uns minutos e reflita: por que estudar em grupo? Aprende-se
estudando em grupo? Como foi sua experiência nesse tipo de atividade?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________________

A aprendizagem é processo de construção pessoal, resultante de interações, de


diálogo, de comunicação com o outro (autor, orientador, especialista da área,
colegas). Portanto, o estudar em grupo pode ser uma estratégia que venha
favorecer esse processo. Preste bem atenção: eu disse que pode. Por quê?

Que costuma ocorrer nas atividades de grupo? Antes de tudo, nem sempre são
planejadas e preparadas. As pessoas, muitas vezes, chegam ao grupo sem ter
lido o texto, sem ter feito o resumo, sem ter anotadas as questões ou as
dúvidas. Vão ao grupo na esperança de entender o conteúdo daquele texto e
estarem, assim, preparadas para as avaliações. Pegam as anotações dos
colegas, copiam ou então fotocopiam (abençoada invenção da máquina
fotocopiadora!). Aguardam que o colega “mais sabichão” (geralmente aquele
tido como cê-dê-efe) explane o texto e tire as dúvidas. Não é isso que
geralmente sucede?

Para que o estudo em grupo seja produtivo,


é imprescindível o estudo individual.
Ninguém aprende por você!

O estudo em grupo tem como objetivo reforçar, estimular, incitar atitudes


favoráveis ao entendimento de determinado assunto, permitindo que todos
possam tirar dúvidas, suscitar questões, oferecer explicações que venham
enriquecer o conteúdo apreendido pelos participantes.

Em outras palavras, o estudo em grupo permite que o sujeito compare e


confronte seus conhecimentos com os dos outros, e que isso provoque conflitos
sociocognitivos.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
80
A discussão das diferenças colocadas por cada integrante
de uma equipe de trabalho é uma das maneiras de
passar de um conhecimento subjetivo, pessoal, para
outro mais objetivo e inter-subjetivo.
( TORRES SANTOMÉ, 1998, p. 244)

Segundo a abordagem interacionista, o conflito sociocognitivo é a base, é


o motor do conhecimento de novas aprendizagens, além de corroborar a
idéia de que o conhecimento é transitório e em construção constante.

Daí a importância do debate, da crítica, da dúvida, do erro, de não se


fechar em verdades absolutas, de aprender com o outro.

Está agora entendendo a importância do estudo em grupo, e por que essa


atividade tem que ser bem-planejada e, ainda mais, por que os membros do
grupo precisam se preparar antecipadamente, participando ativamente?

Nós não fomos educados ao diálogo, à discussão, ao trabalho em grupo. Nos


grupos, geralmente, predomina a prática do autoritarismo de uns e do mutismo
de outros.

Como aprender a debater, a estudar em grupo?


Não há receitas do tipo “Siga os passos”. Aprende-se a debater,
debatendo. Aprende-se a estudar em grupo, estudando em grupo.

Para tanto, você terá que se esforçar para exercitar essa habilidade do
estudo em grupo. Como? Fazendo, antes, o registro de suas opiniões e
compreensões sobre determinado texto, para expressá-las e compará-las
com as dos demais colegas, no momento do encontro, escutando-os em
atitude de abertura, quando estão expondo, em atitude de querer
aprender com o outro no que diverge de sua compreensão, de saber rever
sua opinião.

O estudo em grupo somente faz sentido se provocar tudo isso, se atua no


campo intelectual e afetivo, se propicia momentos prazerosos de estar
junto, se provoca trabalho produtivo e colaborativo.

No entanto, existem alguns fatores que influenciam, de maneira positiva ou


Estudar a Distância
negativa, o estudo em grupo. Por isso, considere os seguintes aspectos: Uma Aventura Acadêmica
81
a) se há necessidade de desenvolver juntos aquela atividade proposta.
b) se está num grupo de colegas com que você esteja “afinado”, pois quando nos é
proposto um trabalho em grupo, temos o impulso de nos unir a pessoas que já
conhecemos, e com quem nos relacionamos melhor. Isto é bastante positivo, pois
teremos liberdade de expressar nossas idéias, colaborando com o crescimento do
grupo.
c) a sua participação ativa no grupo é fundamental. Cada componente precisa ir
preparado para o estudo em grupo, com as atividades propostas realizadas. Nada de
“parasitas” no grupo!
d) a diversidade nas idéias, nas experiências, no “jeito” de ser, é fator importantíssimo a
ser considerado no grupo. Não somos iguais. Temos nossas idéias e opiniões que
nos caracterizam como únicos. Isso enriquece o grupo. O respeito mútuo é
indispensável.
e) o grupo, antes de iniciar o trabalho, deve ter claro o objetivo comum, para um
direcionamento do trabalho, tornando-o produtivo.
f) é importante que se estruture o método de trabalho que será desenvolvido pelo grupo
e que se definam competências, responsabilidades e tarefas.
g) para o bom desenvolvimento das atividades em grupo, é fundamental que se escolha
um local adequado, que permita a concentração dos participantes. Você se lembra
de quando abordamos o item “onde estudar”?

Para que o estudo em grupo seja produtivo, é básico que se estabeleçam


algumas regras que devem ser seguidas pelos participantes, como o
cumprimento de horário, o comprometimento com os outros membros do grupo
e com os demais participantes.

A metodologia de trabalho também deve ser definida pelos participantes, por


meio da sistematização do estudo, para o bom aproveitamento do tempo
disponível. Definidas as regras e a metodologia, as atividades devem ser
desempenhadas com objetividade, sem mais dispersão.

O estudo em grupo possibilita e favorece:


• Interação imediata na troca de experiências e de informações;
• A retirada de dúvidas que surgem no estudo individual;
• O desenvolvimento de esquemas cognitivos;
• Favorece a tomada de consciência acerca das decisões a tomar;
• A negociação de informações e estratégias para elaboração
coletiva de textos;
• A formação de hábitos e atitudes de convívio social;
• Desenvolvimento de valores como a cooperação e a
solidariedade;
• A avaliação do desempenho individual e coletivo.

Estudar a Distância Pense nisso, quando desenvolver qualquer atividade em grupo!


Uma Aventura Acadêmica
82
CAPÍTULO CINCO

FAZENDO
ANOTAÇÕES

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
83
Espero que este capítulo lhe permita:

Identificar seu “jeito” de fazer anotações;


Compreender a importância das anotações na vida acadêmica e
profissional;
Iniciar a desenvolver a técnica pessoal de anotar;
Aproveitar melhor, ao longo do curso, os momentos de atividades
coletivas em que se realizarão debates e/ou palestras.

Estudar a Distância
Quando você está assistindo a uma palestra, a um debate, ou freqüentando aulas
Uma Aventura Acadêmica de um curso, que coisa você costuma fazer?
84
Atitudes Sim Não

1.
Sento-me nas cadeiras do fundo. ( ) ( )
2.
Fico cochichando com o vizinho. ( ) ( )
3.
Aproveito para ler algum livro, revista, etc. ( ) ( )
4.
Faço desenhos ou rabiscos numa folha de papel. ( ) ( )
5.
Anoto algumas poucas frases. ( ) ( )
6.
Geralmente não anoto, para ouvir atentamente. ( ) ( )
7.
Se o assunto não me agrada, aproveito para devanear. ( ) ( )
8.
Alguns palestrantes falam tão rápido que me é impossível fazer ( ) ( )
qualquer tipo de anotação.
9. Eu não sei o que anotar. ( ) ( )
10. Se o palestrante usar termos eruditos, ou novos para mim, ou ( ) ( )
fizer referência a fatos desconhecidos, paro de acompanhar a
fala e peço explicação a colegas.
11. Após a palestra ou aula, releio minhas anotações. ( ) ( )
12. Após uns dias, ao relê-las, as anotações me parecem pouco claras. ( ) ( )
13. Costumo rever as anotações com colegas, ou fazer trocas. ( ) ( )

Se você respondeu “Sim” à maioria das situações, você deve se questionar


sobre sua postura durante uma palestra e a maneira como utiliza a técnica de
“fazer anotações”.

Quando você anota o que está sendo exposto durante uma palestra, como você faz esse
registro?
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________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

No volume dois desse guia metodológico, trataremos do “fichamento” como


técnica de registro dos textos lidos. Dizem que “ler, e não fichar, é sinônimo de
esquecer”. Parafraseando: “assistir a uma palestra, e não anotar, é sinônimo de
esquecer”.

Você concorda com essa afirmativa? Qual sua experiência?


__________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
Estudar a Distância
_____________________________________________________________________________ Uma Aventura Acadêmica
85
Lembra quando, num dos capítulos anteriores, conversávamos sobre “como
aprendemos”? A atividade de somente estar ouvindo pode ser insuficiente
para a melhor retenção de informações. Ouvir e anotar na hora pode se
tornar muito mais produtivo na construção do conhecimento do que
simplesmente ficar ouvindo.

Não sei qual é sua opinião sobre o que eu disse até aqui, mas num ponto,
acredito que concordaremos: fazer anotações escutando é diferente de
fazer anotações lendo.

Sabia que ia concordar comigo! Por isso, neste capítulo, estou lhe propondo
trocarmos algumas idéias e experiências sobre o significado e a utilidade da
técnica de anotar, quando está ouvindo alguém expondo algum tema.

Por que fazer anotações?

Muitos estudantes acreditam lembrar com facilidade o que ouvem. Porém,


pesquisas realizadas com estudantes universitários revelaram que, após 24
horas, os alunos já haviam esquecido 50% da matéria estudada. Após
umas duas semanas, o nível de esquecimento atingia 80% do conteúdo.

Outros anotam tudo o que ouvem, palavra por palavra, mas têm
dificuldades para expor o que escrevem: preocupados em anotar, não
conseguem acompanhar o rumo da fala e seu sentido.

Fazer anotações não é uma simples ação de registrar, em uma folha, as


palavras que estão sendo proferidas, uma pura e simples transcrição da
fala para a escrita, do discurso para o texto. Exige-se um “trabalho mental
efetivo” (DARTOIS, 1965, p. 48), destinado a prender a atenção de
maneira mais ativa, assegurando a conservação de informações que
facilmente se esvairiam, dissipar-se-iam como fumaça.

Fazer anotações é reter, o mais rapidamente possível,


os pontos essenciais de uma exposição oral,
com a preocupação de poder, com base
nessas anotações, reconstruir a exposição.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
86
Portanto, as anotações não têm um fim em si mesmas. São:

- um meio de se concentrar durante uma exposição;


- um meio de recolher informações;
- um meio de refletir e aprofundar um tema.

Em outras palavras, é um meio de organizar seu processo de aprendizagem,


sua caminhada nos estudos. Pois, ao anotar, você fica atento e concentrado no
que está sendo exposto: isso ajuda a compreensão das idéias fundamentais,
bem como sua memorização e o registro delas. Sempre que quiser, estarão aí
disponíveis!

Trata-se, no entanto, de processo pessoal, cuja importância será sentida nos


momentos avaliativos, na preparação de encontros e debates, para produção de
trabalhos acadêmicos, para proferir palestras, etc.

As anotações são fonte de informações de


primeira linha.

Não há dúvida de que é uma atividade complexa. Ao mesmo tempo em que


você presta atenção ao que está sendo dito, terá que rapidamente identificar o
que é significativo, reelaborar isso em seu pensamento, fazendo logo em
seguida seu registro.

Para tanto, é necessário:

- ter uma atitude de escuta, isto é, saber ouvir o outro, aquele que está
querendo comunicar algo para você;
Anotar
- compreender o que está sendo comunicado, pois é praticamente impossível significa
anotar o que não é compreendido; prestar
atenção.
- fazer o registro seletivamente;
- logo que puder, rever as anotações, para completá-las, corrigi-las, relembrá-
las e memorizá-las.

Anotar significa prestar atenção a uma informação,


selecionar os aspectos mais importantes, organizá-los e
registrá-los. Tomar notas não é fazer um ditado.
(FERNÁNDEZ RODRIGUEZ, 2000, p. 50)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
87
A orientação fundamental para bons apontamentos, então, é escutar, selecionar,
organizar e escrever! Vamos, então, discorrer um pouco sobre cada uma
dessas atitudes.

1. A atitude de escuta

Saber ouvir a outrem é uma habilidade essencial para ser bem-sucedido em


seus estudos universitários. Aparentemente parece ser fácil, mas não é bem
assim. Acreditamos ser “bons ouvintes”, mas geralmente não somos.

Experimente, durante uma conversa calorosa à queima-roupa, pedir ao seu


colega que repita o que você acabou de lhe dizer. Será surpreendido ao
perceber que ele não estava ligado no que você estava dizendo. Estava
preocupado em buscar argumentos para reafirmar suas posições e suas
convicções. Assim, o aparente diálogo era o monólogo de duas pessoas, cada
uma preocupada com o que iria dizer na tentativa de convencer ou superar o
colega.

Não é assim que costuma ocorrer? Preste atenção quando houver uma reunião,
um debate. Parece um amontoado confuso de monólogos!

Quantas vezes, num seminário ou durante uma aula, o palestrante ou o


professor acaba de responder a uma indagação e, logo em seguida, outra
pessoa retorna com a mesma questão. Com o braço levantado, submerso na
formulação de sua dúvida, não acompanhara o debate, não se apercebera de
que a resposta havia sido dada!

Escutar é diferente de ouvir uma seqüência de sons e


palavras. É prestar atenção! Exige esforço constante e
consciente para compreender o conteúdo da mensagem
que está sendo veiculada pelo emissor. Sua atitude,
pois, não é passiva. Trata-se de processo contínuo de
retroalimentação, de assimilação, de “tradução” e
participação no que está sendo dito.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
88
A esse respeito você poderá ler obras modernas que tratam da comunicação,
fugindo ao esquema clássico da relação linear:
Canal

Emissor Ouvinte

Mensagem

Aqui, o receptor exerce papel passivo. É o emissor que conduz e determina o


ritmo e o teor da mensagem.

Outra visão considera a comunicação atividade eminentemente interativa entre


os participantes da comunicação. Tanto o “emissor” (palestrante/autor) quanto o
“receptor” (ouvinte/leitor) interagem, são “interlocutores”, influenciam-se,
comunicam-se, ativamente.

Canal
Interlocutor Interlocutor

Autor Mensagem Leitor

Portanto, o palestrante provoca em você respostas, atitudes, e você, por sua vez,
interfere e se intromete na sua fala, pela sua maneira de participar, de estar
diante dele, de reagir à sua mensagem.

A atitude de escuta exige:

- afastar os elementos que podem provocar distrações, ruídos, perturbações na


comunicação (conversas paralelas, ficar em local de difícil audição, observar
quem entra e sai, etc.), pois dificultam a atenção e a concentração;
- afastar preconceitos, pré-julgamentos, esquemas de referência negativa, reações
emotivas em relação ao comunicador e em relação ao assunto que será exposto. A
atitude de empatia é fundamental para ser capaz de compreender o que o outro
tem a dizer, seu ponto de vista, seu universo. Eliminar, pois, os ruídos “psicológicos”;
- preparar-se mentalmente, posicionar-se na mesma “freqüência de onda” do
emissor, colocando-se receptivo, aberto, predisposto às mensagens do outro;
- preparar-se fisicamente, pois bem escutar é escutar com os joelhos, com as
costas, com os músculos... com todo o corpo. Já experimentou assistir a uma aula
ou a uma palestra após uma refeição bem apetitosa e farta, ou após ter varado a
madrugada numa festa ou num baile?
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
89
- desempenhar o papel de um bom interlocutor, com atitudes que estimulem o
palestrante, manifestando interesse e atenção no que está dizendo, fazendo perguntas,
pedindo que repita um tópico que não ficou claro. O contato visual também favorece a
comunicação. O palestrante se sente motivado e melhor consegue se comunicar
diante de pessoas atentas e interessadas. Imagine-se estar falando a um público
desatento, uns conversando ou rindo, outros bocejando, uns terceiros lendo jornais ou
livros, gente entrando e saindo sem parar...!

Queria fazer uma rápida consideração, sem querer ofender a ninguém.


Tenho participado de muitos eventos científicos e dos Seminários Temáticos
em cursos de graduação a distância. Quantas vezes me senti
envergonhado por estar o palestrante expondo seu tema e, entre os
“ouvintes”, um cochicho generalizado, ruidoso, um tal de entra-e-sai de
pessoas, nas laterais e no fundo pessoas em pé conversando
animadamente, rindo....

Temos que nos formar na atitude da escuta, na cultura dos eventos acadêmicos,
no respeito ao outro, em dar o direito da palavra ao outro! Se você não está
gostando do tema, ou da maneira como o palestrante está se comunicando e
não consegue ficar sossegado, o que você pode fazer é se retirar, deixando que
os demais escutem a palestra!

2. Compreensão da Comunicação

Como anotar, registrar o que está sendo dito, se não está sendo compreendido?

A atitude de escuta favorece o clima de compreensão, mas não é suficiente. É


importante que você se prepare para o diálogo da palestra . Como? Informando-
se sobre o conteúdo que vai ser proferido, sobre quem vai falar, seu
pensamento, suas obras, etc.

Imagine-se assistindo a uma palestra sobre este tema: A influência do


benzopireno como fator etiológico de manifestação do carcinoma broncogênico
epidermóide”, Lembra? Teria certamente dificuldades para entender o assunto.
Seria praticamente impossível fazer anotações. Anotar o quê? O que é
importante e novo?

Voltaremos a este assunto no próximo volume. Ao tratarmos da leitura interativa,


iremos enfatizar a importância da fase de preparação para a leitura (leitura
Estudar a Distância exploratória).
Uma Aventura Acadêmica
90
Portanto, vá à palestra sabendo do que vai ser exposto para aproveitar ao
máximo o que o palestrante tem a lhe oferecer.

3. Seleção da informação

Quantas informações numa palestra, numa fala de trinta, sessenta minutos. Será
que tudo o que está sendo dito é importante? Ou há tópicos que mais lhe
despertam a atenção e outros menos?
Enquanto o palestrante vai expondo suas idéias, seguindo uma lógica, um tipo
de raciocínio, você vai filtrando tudo embasada em seus conhecimentos e
interesses naquele momento.

Esta é a parte mais importante e a mais difícil. As dúvidas começam a aparecer:


é preciso anotar tudo, ou concentrar-se somente nos itens mais importantes?
Registrar a estrutura da fala, ou anotar algumas frases significativas, os
exemplos, alguns conceitos? Que critérios adotar para não cair nos extremos:
anotar tudo (dificultando uma posterior reflexão), ou quase nada
(impossibilitando a reconstrução e compreensão da fala)? Dos dois males, o
menor: melhor anotar demais que registrar anotações insuficientes.

Fazer anotações é um trabalho mental e efetivo. Busca-se


compreender a lógica da exposição do palestrante,
o que é essencial. Somente é possível reter e
apreender aquilo que for compreendido.

Aqui está o nó da questão, e que nenhuma mágica vai solucionar. É o resultado


do trabalho lento, árduo e “empenhativo” do acadêmico que, aos poucos, vai
dominando os campos do saber e praticando a arte da exposição (escrita oral)
do que lê e ouve.

É necessário, pois, registrar a trama da exposição, sua estrutura, seu roteiro. No


plano do discurso, anotar todas as idéias mais importantes, detalhes, fatos,
metáforas e exemplos que venham clarificá-las, torná-las mais compreensíveis.
No plano da estrutura, estabelecer as ligações entre os itens e subitens,
permitindo captar o sentido geral da exposição, uma vez que um discurso
coerente contém uma idéia diretriz que organiza ao seu redor os outros pontos
do discurso. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
91
Segundo F. Charbonneau, em sua obra “Instrumentos para o pensar”, para
fazer anotações exige-se certa habilidade, elemento que é necessário.

Identificar com rigor e precisão o que um discurso contém de explícito [...]


inicialmente as idéias, em seguida a ordem dentro da qual se apresentam.
(apud AVARD, 1984, p. 165).
O que deve ser anotado, então?

- a articulação geral da exposição: as grandes linhas do plano (que geralmente o


expositor anuncia no começo ou escreve no quadro-negro) e as idéias principais;
O - algumas articulações particulares, isto é, as idéias secundárias que ajudem a
r melhor esclarecer as principais;
i - os pontos fortes, aqueles em que o emissor insiste (“este é muito importante”), que
e enfatiza, mudando até o tom de voz; as idéias que para você são novas, os
n fatos mais relevantes;
t - o que vem contradizer suas opiniões;
a - os exemplos que esclarecem a teoria exposta;
ç - as definições que ajudam precisar os significados;
õ - as referências que venham completar as noções;
e - nomes próprios, estatísticas, datas importantes;
s
- sugestões de leituras complementares.

Depende fundamentalmente de você, de sua maneira de


compreender o tema em exposição, de seus conhecimentos
anteriores, de suas concepções, suas reflexões atuais, de sua
capacidade de síntese, do domínio de terminologias e
vocabulário apropriado àquela área do conhecimento, etc.

4. O registro

Depois de ter reelaborado, em seu pensamento, a fala do palestrante,


reorganizando as idéias ou resumindo as que considera mais importantes, terá
agora que fazer o registro.
Onde fazer as anotações?
Você poderá utilizar folhas soltas, perfurando-as depois, para compor um
material ordenado e classificado, racionalmente, por áreas do conhecimento, de
acordo com seus interesses de pesquisa de trabalho.

O - deixar uma margem de uns 5cm à esquerda de cada folha, utilizando somente o lado
r direito para o conteúdo da palestra ou da aula. O lado esquerdo poderá ser usado
i para registrar questões relacionadas com que está sendo anotado;
e - reservar um espaço embaixo, para comentários pessoais, observações, etc.;
n
t - numerar cada página, pois, no caírem ou no se misturarem, facilmente você poderá
a recompor a seqüência; ao pé da página, escrever sempre o título da palestra ou da aula;
ç - utilizar a frente da folha para anotar a seqüência lógica da fala, a estrutura do assunto
õ que vai sendo exposto. Eventualmente, o verso para anotar explicações secundárias,
Estudar a Distância e
Uma Aventura Acadêmica s definições, termos, esclarecimentos, exemplos, bem assim para fazer esquemas, etc.
92
Isso vai facilitar a posterior reconstrução da palestra ou da aula, permitindo
uma visão rápida do que foi anotado, facilitando o trabalho manual de
recortar e colar as anotações para dar outra composição ou seqüência.

Escutar, selecionar e escrever. Essa é a regra fundamental


para elaborar bons apontamentos.
(CARITA et al. 1998, p. 97)

A título de exemplificação, veja dois tipos de registro que fiz de uma palestra.

Tema: Colonização e Escolarização em Mato Grosso: 1980-90


Palestrante: prof. Dr. João Carlos Barrozo
Data: 10/3/1995

Tópicos Abordados Conceitos / Categorias Questões


1 – Geografia social

Modelo Quais as causas do êxodo rural?


- Políticas mod. Agri./ Brasil 1970
monocultura exportação Agroexportador”

- Situação peq. Prod. Rurais/ sul processo Pequenos Produtores


rurais Por que mais Colonização
de expropriação mov. “Sem Terra”
Posseiros/ Grileiros privada em MT?
- proj. colonização e processo migratório p/
MT Colonos
colonização privada: 48 proj. – 7.000.000 Camponeses
ha (1968-76)

- Expansão da fronteira – inchamento urbano

2 – Geografia educacional

- Expansão aparente do sis. Edu. Produtividade –


1980 - 250 mil alunos déficit 35% fórmula para o
cálculo: Quais os motivos do crescimento
1985 - 350 mil alunos déficit 20,5%
Evadidos + Reprov. da escola particular?
1990 - 405 mil alunos déficit 12%
Matrícula – Transf.
- baixa “produtividade” do sis. (estatística –
Condinf-SEE)

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
(No anverso: acrescentar informações complementares, comentários pessoais, etc.) 93
Você pode, em lugar desse tipo de anotações lineares, fazer o registro por meio de
Criada pelo “ mapa conceitual”. Trata-se de técnica gráfica muito simples que busca captar as
psicólogo inglês idéias mais importantes sobre determinado tema da palestra (ou de um texto),
Tony Buzan,
na década fazendo uso de palavras chaves, ramificações de idéias, com cores, desenhos, etc.
de 1970 mapeando o assunto.
Veja, por exemplo, como poderia fazer o registro sobre o assunto da mesma
palestra.

Como anotar

Anotar não é fazer um ditado.


As notas devem parecer mais um esquema, um plano, uma tabela sinótica1 do
que um texto discursivo. Devem ser dispostas de tal maneira que facilitem uma

1
Tabela sinótica: (do grego synopsis: vista de conjunto) análoga a resumo, organizada em forma de tabela, de
Estudar a Distância colunas, que permite ver concisamente as diversas partes do conjunto do tema, do assunto que está sendo tratado,
Uma Aventura Acadêmica buscando evidenciar semelhanças, dissemelhanças, relações, opiniões, movimento, etc..

94
leitura rápida, o estudo e o trabalho acadêmico. Você deverá, aos poucos, ir
descobrindo e construindo seu próprio método. Algumas orientações técnicas
poderão, inicialmente, servir-lhe de parâmetro:

- hierarquizar as notas, numerando as idéias principais, os títulos, as articulações


O entre os itens e subitens;
r - deixar espaços (pelo menos duas linhas) entre as idéias principais e as secundárias,
i entre cada uma das articulações. Posteriormente, você poderá vir a acrescentar idéias
ou complementar a informação;
e
- deixar de lado a preocupação com o estilo, com verbos de ligação ou desnecessários
n (ex. ser, estar, parecer, continuar, encontrar-se, etc.), ou expressões do tipo “sabe-se”,
t “note bem”, “já vimos que”, etc., bem como artigos e palavras de subordinação;
a - resumir numa ou duas palavras o que já é conhecido, detendo-se mais no que é
ç novidade ou pouco conhecido;
- escolher uma fórmula para remeter ao que já foi escrito em outro lugar, como “vj”
õ
(veja), “cf” (confere), etc.;
e - utilizar setas para indicar o desenvolvimento de um raciocínio;
s - utilizar símbolos e abreviações correntes ou que você poderá pessoalmente criar.

Colocamos aqui algumas abreviações e alguns símbolos, a título de ilustração.


Aproveite para preencher os espaços vazios com as suas.

Algumas abreviações usuais Alguns símbolos mais comuns


cap. capítulo + mais
cf. confronto/ confere - menos
vj. veja ± mais ou menos
abcdef/ palavra com final “mente” = igual
ref. referente # diferente
ex. exemplo direção, leva o
pb. problema oposição, contrário
pq. porque aumenta, diminui
q. que
qq. qualquer
~ criança
cr

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
95
Algumas dificuldades

E se você perder o fio da exposição?

Não pare de anotar, para evitar distrações ou cochilos e, se perder o fio,


recomece a anotar. Não se preocupe com o que perdeu. Poderá recuperá-lo
depois, pedindo emprestadas as anotações de colegas. Mas não fique
descansado e confiando neles demais!

Não deu para registrar a frase toda? Escaparam-lhe umas palavras?

Faça um traço horizontal e continue anotando. Mais tarde você poderá


recuperar a informação perguntando a um colega, ao próprio palestrante ou
orientador, ou ao rever as anotações se lembrará, dentro do contexto, das
palavras que estão faltando.

Não entendeu o sentido de algumas palavras?


Anote no verso da folha anterior. Mais tarde irá perguntar ao orientador ou ao
palestrante o seu significado, ou recorrerá a um dicionário, a uma enciclopédia
e anotará no verso daquela página.

Não consegue acompanhar o ritmo da exposição?

Peça ao expositor que “desacelere” o ritmo de sua fala!

5 – Revisão e utilização das anotações

Geralmente, o estudante revê suas anotações quando deve se apresentar a


um exame, ou precisa fazer algum trabalho. O ideal seria revisar as anotações
quanto antes, naquele mesmo dia. Caso o tempo seja escasso, não deixe
passar mais do que dois dias. Muitas informações ou dúvidas poderão ficar
perdidas, pois se corre o risco de esquecer rapidamente as informações.

Mas, por que fazer a revisão?

- porque o assunto lhe interessa, e você vai querer aprofundá-lo. Não fosse assim, que você
estava fazendo lá, empatando seu precioso tempo?
- talvez você tenha outras anotações relacionadas com a mesma temática e quer fazer uma
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica síntese;

96
- porque, ao fazer as anotações, poderão ter surgido numerosas questões às quais quer dar uma
resposta;
- porque você não deve estar satisfeito com o conteúdo apresentado e vai querer reafirmar seus
pontos de vista, naquilo em que você professa seu credo;
- porque você tem uma tarefa a cumprir (um trabalho, um exame, uma entrevista, etc.) e quer
estudar e assimilar melhor o conteúdo da palestra.

As anotações só fazem sentido se estiverem claras,


completas e bem-articuladas!!

Como fazer a revisão?

Revisão não é sinônimo de transcrever ou passar a limpo o que foi anotado.


Acreditar que transcrever as anotações é uma maneira excelente de estudar, de
memorizar, é um ledo engano. É uma perda de tempo!

Seria interessante realizá-la em grupo, com a participação de dois ou três


colegas que estejam preocupados em fazer, das palestras a que vocês
assistiram, uma ocasião de aprendizagem, de enriquecimento intelectual. Assim,
cada um possibilita ao outro completar as informações, tirar as dúvidas,
compreender melhor a exposição do item. Para isso, seguem aqui algumas
sugestões, simples que sejam:

- utilize canetas com diversas cores, sublinhando com as mesmas cores os títulos O
de mesma importância; r
- enquadre as passagens mais importantes e faça círculo nas palavras-chave, i
destacando-as, se for o caso, às margens;
- copie as passagens ainda obscuras na parte inferior da página, ou coloque uma
e
interrogação à margem; n
- escreva à margem esquerda todas as perguntas que lhe vêm à mente e que t
poderiam ser feitas com base no tema. Formulações possíveis: “o que é?” a
(definição), “descreva” (descrição), “por quê?” (causas), “como” (descrição de ç
um processo), “compare” (vantagens/ desvantagens, aspectos positivos/ negativos),
“situe dentro do contexto” (data, época, ideologia), “explique” (razões), etc. É
õ
um procedimento que favorece a aprendizagem ativa. (Se estiver fazendo esta e
revisão em grupo, uma procura formular questões para que outra responda); s
- tente fazer um quadro sinótico.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
97
Anote

À guisa de conclusão deste capítulo, e para sua reflexão, vou deixar dois
pensamentos:
Minha atenção se cansa rapidamente quando uma
secreta simpatia não me permite seguir apaixonadamente
o pensamento do meu interlocutor.
(Bernanos)

O que será que Bernanos quis dizer?

A paixão do ouvinte pelo que está sendo dito tem que ver com a “simpatia”
sentida por quem está falando, provocada pelos motivos mais variados
(aparência física, voz, renome, etc.)?
O que você entendeu?

O que deve conduzir sua atenção, seu pensamento, e seduzi-lo não é a pessoa
do palestrante, mas sua mensagem, o que está sendo dito. Senão, logo o
cansaço tomará conta de você e se intrometerá nessa relação que deve ser
“apaixonante”, mas, ao mesmo tempo, dialogal e crítica.

E esse outro pensamento:

De uma aula magistral, sobra quase nada após oito horas e,


após quinze dias, sobra praticamente nada.
(Alan)

O que ele sugere? Você concorda com Alan?

O registro dos temas de seu interesse profissional é um dos aspectos que não
pode ser negligenciado em seu percurso acadêmico, em sua formação. Adote
esta prática simples que, muitas vezes, lhe parecerá uma perda de tempo (você
confia muito em sua memória, em sua capacidade de reter as informações, no
que ouviu ou leu). Logo, logo descobrirá, no seu dia-a-dia, os efeitos positivos e
Estudar a Distância práticos de tal hábito!
Uma Aventura Acadêmica
98
CAPÍTULO SEIS

AVALIANDO
MINHA
CAMINHADA

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
99
Ao final da leitura deste capítulo, espero que você consiga:

Identificar suas atitudes diante do processo de avaliação;


Entender a avaliação como momento pedagógico de
aprendizagem;
Identificar hábitos positivos para seu desempenho nos
momentos de avaliação de sua caminhada.

Os dados da nossa
pesquisa apontam
para uma ...

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
100
Você vivenciou, há pouco tempo, a experiência do Exame Vestibular, ou do
Processo Seletivo Especial, para ingressar neste curso a distância. Como foi sua
sensação, ao entrar naquela sala, sentar-se ao lado de colegas, caneta, lápis e
borracha na mão, os fiscais observando, e você tendo que responder às
questões em determinado tempo?

Como foi sua reação física e emocional?


_________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

Certamente, essa sua experiência é parecida com a que você viveu no decorrer
de sua trajetória escolar, como a experiência que a maioria das crianças, ainda
hoje, vivencia nas escolas nos dias de provas, quando há testes a realizar. Um
clima de ansiedade, medo, insegurança.

Por que será? Por que a prova é considerada “o bicho-papão”? Por que a
maioria dos alunos, ao iniciar um curso, uma disciplina, a primeira preocupação
que manifesta é saber “como será a prova”?

No começo tudo não passa de uma brincadeira, sem maiores complicações: é uma gracinha
ver aqueles toquinhos de gente já fazendo provas como os mais velhos... Muitas vezes as
crianças fazem as provas e nem têm noção, não sabem que estão sendo avaliadas. Com
o tempo, os pais, apreensivos em função das experiências anteriores, passam a questionar
a escola a respeito das datas das provas. Para evitar faltas nos dias de provas, passa-se
a avisar a família, que se sente orgulhosa de ver seu filho já passando por esses rituais; a
própria criança quer fazer prova para se igualar ao irmão ou colega mais adiantado,
sentindo-se toda importante. Os aluninhos, por curiosidade, passam a perguntar aos colegas
quanto tiraram. E assim vai...tudo começa tão inocentemente que, mais tarde, os professores
perplexos não conseguem entender o que foi que houve, pois, dessa pequena brincadeira,
chega-se à grande distorção do ensino: estudar para tirar nota, e não para aprender!
(VASCONCELOS, Celso dos S. Avaliação Escolar: Perversão dos Direitos Humanos. 1989,
p. 58).

Você deve ter notado que até aqui não usei a palavra avaliação, e sim prova,
exame, teste. Por que será? É simples questão de terminologia, de gostar mais
de uma do que de outra? Será que há diferenças importantes de significados e
de práticas? Que você acha?

Dê uma olhadela no dicionário e vê se percebe alguma diferença nessas


terminologias. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
101
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________

Vasconcelos, ao descrever de maneira humorística a cena, toca em algo muito


importante. As provas, os testes, os exames são situações que passaram a
marcar a vida escolar de maneira negativa: não se estuda para aprender, e sim
para passar um ano para o outro, para não ser reprovado e sofrer as sanções
da escola, da família e dos colegas.

O que podia ser uma atividade informal, cotidiana, em que toda ação, atitude, é
objeto de observação, avaliada como parte do processo de formação daquele
sujeito, passou a ser formalizada, medida, quantificada, com dia e hora
marcados.

Ao falarmos em “avaliação”, reportamo-nos a um processo mais complexo que


à simples aplicação de uma prova, de um teste. Falamos de um termo que vem
assumindo vários significados. Na literatura pedagógica, diversas são as
concepções de avaliação, podendo ser agrupadas, não de maneira excludente,
em as que permitem a inclusão e as que favorecem a exclusão.

Você conhece a proposta avaliativa do curso? Como está pensada?


___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
______________________________________________________________________

O termo ’avaliação´ deveria ser adstrito a uma concepção


específica de verificação do desempenho humano, mais
preocupada com a política de inclusão, enquanto o vocábulo
’exame´seria mais apropriado às verificações voltadas para
a identificação e a exclusão dos ’menos capazes´.
(José Eustáquio Romão, 2002, p. 45)

O processo de avaliação de aprendizagem em cursos a distância se sustenta


em princípios análogos aos da educação presencial. Lembra quando dizíamos,
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica no começo, que fazer Educação a distância é essencialmente fazer Educação?
102
Pois, um dos objetivos fundamentais da educação e, conseqüentemente, da
Educação a distância, é possibilitar o desenvolvimento de sua capacidade não
só de reproduzir idéias ou informações, mas, sobretudo, a capacidade de
produzir e re-construir conhecimentos, de analisar e posicionar-se criticamente
diante das situações concretas que se lhe apresentem.

Perante uma atividade de aprendizagem,


você pode se colocar na atitude de:

- compreender a informação apresentada (captar as idéias


centrais e os conceitos);
- situar essa informação (no interior de um tema, de uma área do
conhecimento, de uma teoria, de um contexto histórico, de
determinada prática);
- elaborar novas questões, dando novos significados ao que está
estudando.

Como no contexto da EaD, você não conta, comumente, com a presença física
do professor, insistimos, ainda, sobre a necessidade de você desenvolver
métodos de estudo individual e em grupo, para que você possa:

- buscar interação permanente com colegas, especialistas e com orientadores


acadêmicos todas as vezes que sentir necessidade;
- obter confiança e auto-estima diante do trabalho realizado;
- desenvolver a capacidade de análise e elaboração de juízos próprios.

Estudar com método faz com que você evite o que costuma acontecer com
acadêmicos que se preocupam somente em decorar, em repetir
mecanicamente as informações contidas nos Fascículos: respostas
desorganizadas, omissões de aspectos importantes ou um “branco”, de repente,
parece que tudo sumiu da cabeça!

Neste curso a distância, a avaliação é diagnóstica, formativa e processual,


materializando-se em diversos momentos e utilizando diferentes estratégias, tais
como:

- encontro (presencial e/ou virtual) com orientadores;


- verificações escritas de aprendizagem, apresentando sínteses dos conteúdos
estudados, realizadas individualmente, com ou sem consulta;
- oficinas para realizar e/ou apresentar atividades;
- Seminários Temáticos, em que se apresentam os resultados de pesquisas realizadas Estudar a Distância
em equipe. Uma Aventura Acadêmica
103
Você percebe de que modo, num processo avaliativo
como este, você poderá desenvolver habilidades em sua
expressão oral, em sua produção escrita individual e coletiva!

A avaliação, então, não é o resultado da somatória de seu desempenho em


cada um desses momentos. Esses não estão separados, fazem parte do
mesmo processo avaliativo, um implicando o outro, acontecendo ao mesmo
tempo.

Lembra quando afirmávamos de que a aprendizagem é processo de


construção individual e coletivo? Então, a avaliação é esse acompanhar de seu
desenvolvimento, da construção de seus conhecimentos, em momentos
individuais e coletivos. Esses momentos não podem ser vistos e analisados
separadamente. Fazem parte de uma proposta de avaliação. Essa tem que ser
bem-entendida, para evitar equívocos e desgastes de “bate-boca” entre você, o
orientador e a equipe pedagógica.

Ao longo desses anos de experiência em cursos a distância, percebemos certas


resistências, por parte de alguns acadêmicos, aos momentos de avaliação,
como aos encontros de orientação e às verificações de aprendizagem. Esses
momentos não devem ser encarados como simples cumprimento de uma
obrigatoriedade do curso, de uma imposição da legislação educacional, mas
sim como uma das atividades fundamentais na regulação do processo
educativo, na motivação e autocontrole escolar.

Ao realizar a avaliação, o orientador poderá identificar suas dificuldades de


aprendizagem e lhe oferecer apoio para superação delas. Você, por outro lado,
se dará conta do que sabe e do que não conseguiu ainda compreender e será
levado, ainda, a refletir sobre seu método de estudo.

A avaliação não é o momento da “pegadinha”, de pegar você de


surpresa, de solicitar que você fale sobre aspectos pouco abordados
no material didático ou de pouca relevância. Ela tem tudo que ver com
o que você está estudando, discutindo com orientador e colegas.
Portanto, se você realizou o percurso da leitura de maneira
compreensiva, dialógica e com método de estudo, os momentos
avaliativos deixarão de ser situações de medo ou “de branco”!

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
104
O que interessa, portanto, no processo de avaliação de aprendizagem, é
analisar sua capacidade de reflexão crítica perante suas experiências, a fim de
que possa atuar, dentro de seus limites, sobre o que lhe impede de agir para
transformar aquilo que julga limitado no campo em que você atua
profissionalmente, como em relação ao projeto político-pedagógico do curso.

Recorrer à prática de “decorar”, de “chutar” ou, o que é pior, de “colar”


para se “sair bem” em alguns dos momentos avaliativos, é recusar a
possibilidade de sua formação profissional,
a atitude ética do cidadão,
a capacidade de construção de sua autonomia.

Nesse processo, ganha sentido o trabalho do orientador como mediador de


aprendizagem, no processo de construção do conhecimento. É o sujeito com
quem você irá interagir para expor sua compreensão do texto lido, a relação de
conceitos e teorias com sua experiência profissional e seu cotidiano. A função
desse profissional não será dar respostas às suas dúvidas, elaborar resumos da
matéria para facilitar sua memorização, ou realizar “aula de tira-dúvidas” às
vésperas do dia da avaliação. Ele é o seu interlocutor, a pessoa com quem você
dialoga sobre o texto lido, a pessoa que questionará suas certezas e que apoiará
e orientará você na construção de respostas às suas dúvidas.

Os “sistemas” de avaliação e de orientação, na EaD,


acabam se encontrando permanentemente, se
cruzando, se fundindo num único processo: o da
sua formação e aprendizagem!

Resumindo, a avaliação deve ser compreendida e vivenciada por você como:

- parte do processo de construção do conhecimento e


- processo eminentemente pedagógico de interação contínua entre
acadêmico-orientador-especialista-colegas. Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
105
Com uma concepção educacional “bancária”,
desenvolvemos uma avaliação “bancária”, [...]fazemos um
depósito de “conhecimentos” e os exigimos de volta, sem juros
Gnoseológico: e sem correção monetária, uma vez que o aluno não pode a ele
referente ao
conhecimento. acrescentar nada de sua própria elaboração aqui, gnoseológica,
apenas repetindo o que lhe foi transmitido [...] Ao contrário, na escola
cidadã, na qual se desenvolve uma educação libertadora, o
conhecimento [...] é um processo de descoberta coletiva,
mediatizada pelo diálogo entre educador e educando.
(ROMÃO, 2001)

Agora que ficou mais claro, acredito, o sentido do “sistema de avaliação” no


curso, vamos dirigir nossa atenção para algumas situações e questões práticas.

Quanto à ansiedade de que falávamos no início do capítulo. Isso deve ser visto
como algo natural? Que fazer?

Quando não sabemos enfrentar uma situação com segurança, “trememos nas
bases”. Tudo o que é desconhecido, uma incógnita, nos assusta e intimida. Daí a
importância de você, antes de tudo, conhecer bem a proposta pedagógica do
curso, fazendo leitura cuidadosa do projeto, conversando com colegas e
orientadores, para compreender como o sistema de avaliação de aprendizagem
é concebido e organizado no curso.

Em segundo lugar, ao estudar, você precisa ter clareza dos objetivos da


atividade que está realizando, dos conteúdos propostos pelo autor, das idéias
centrais contidas no texto, dos conceitos fundamentais a serem construídos
naquele campo do saber. Isso deixará você mais tranqüilo e seguro quanto ao
que aprender e ao processo avaliativo.

Isso não significa que você não venha sentir certa “ansiedade” antes da avaliação,
certa “excitação”. Isso é normal e positivo. Pesquisas apontam que há uma relação
entre o rendimento escolar e o nível de motivação. Isto é:

- certo sentimento de ansiedade é benéfico para o desempenho positivo numa


atividade. Pois ela motivará você a estudar, a se preparar para se sair com
sucesso;
- muito relaxamento pode levar uma pessoa a não “se sair bem”, porque,
geralmente, o estudante “relaxado” é relaxado mesmo, não se preocupa com
Estudar a Distância o estudo!
Uma Aventura Acadêmica
106
Você se recorda de times que, convictos de que ganhariam o jogo em que se
decidiria um título, foram, em contrário disso, surpreendidos pelo adversário? A
atitude de “já- ganhou” havia levado os jogadores ao relaxamento, a não se
empenharem, a não estarem atentos e motivados no jogo. Aí, veio a “derrota
inexplicável”.
Lembra-se do jogo do Brasil contra a França nessa última Copa?

Por isso, é importante a preparação, tanto intelectual como emocional, para que
as avaliações deixem de ser situações de medo ou de reprovação, tornando-se
parte de seu cotidiano acadêmico, momentos educativos e de aprendizagem.

As avaliações geralmente acabam tendo papel punitivo, em


vez de servirem para diagnosticar em que nível cognitivo
nos encontramos, quais os conhecimentos construídos, quais
as dificuldades de aprendizagem, e para considerar os “erros”
como pistas tendentes a compreender o trajeto por nós percorrido.

Como você se prepara quando há uma avaliação de aprendizagem ou um processo


seletivo ou um concurso? Como você avalia sua preparação?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
______________________________________________________________________

Assinale (e acrescente) as “estratégias” que você habitualmente utiliza para


preparação de avaliações:

( ) Estudo com antecedência


( ) Identifico os temas importantes da matéria que será objeto de avaliação
( ) Estudo, utilizando diferentes técnicas aprendidas por sua eficiência
( ) Leio os resumos elaborados cuidadosamente
( ) Elaboro lista de questões sobre o tema estudado e tento responder depois
( ) Anoto as dúvidas para revisar depois os tópicos que não foram compreendidos
( ) Procuro o orientador para discutir o assunto, levando resumos, questões e dúvidas
( ) Exponho o tema a colega(s) e discuto com ele(s) minhas dúvidas
( ) Não faço revisões exaustivas horas antes da avaliação
( ) Evito atividades físicas pesadas
( ) Não fico comentando com colegas sobre “o que será que vai cair na prova”?

O que nós listamos acima são “estratégias” que podem auxiliá-la positivamente
em seu desempenho acadêmico. Quero, ainda, chamar sua atenção para Estudar a Distância
alguns aspectos que podem ajudá-lo a superar esse clima de medo em relação Uma Aventura Acadêmica
à avaliação: 107
- Ao ler os materiais didáticos do curso (Fascículos) ou as obras indicadas para
leituras complementares, faça sempre anotações, resumos, esquemas. Isso
ajudará muito no processo de compreensão e de memorização, servindo como
material de revisão para uma última estudada antes dos momentos avaliativos.
- As atividades indicadas nos materiais didáticos servem de auto-avaliação,
permitindo que você mesmo identifique o que foi compreendido e o que não foi.
Assim, você dedicará mais tempo de estudo para os aspectos não assimilados.
- Você deve seguir sua programação de estudo, planificada no início do curso,
lembra? Isso ajudará você a não acumular conteúdos e evitará ansiedade e
estresse às vésperas dos momentos avaliativos.
- Aprenda a pensar positivamente, focando sua atenção, sua preocupação, não no
“resultado”, mas no que você realizou: “Estudei, o que poderia fazer já fiz. Sinto-
me preparado”.

Outra situação que costumo observar, em situações de avaliação da aprendizagem,


é o não-cuidado ou a não-compreensão do que está sendo solicitado. Por isso,
é importante que, antes de começar a escrever ou a expor o que está sendo
solicitado (pelo autor do texto, pelos especialistas ou pelo orientador), tenha clareza
quanto ao enunciado, quanto ao que foi perguntado.

Por exemplo, se uma questão propõe que você “analise”, ou “avalie”, ou


“explique”, você saberia diferenciar os enunciados?

Vejamos, então, alguns desses enunciados. Sugiro que você complete as


definições com a ajuda de um bom dicionário e as discuta com colegas do curso e
orientador.

- Analisar: dizer as idéias principais, explicando-as e relacionando-as.


- Averiguar: investigar, examinar com cuidado
- Avaliar: atribuir valor a determinado assunto, referindo sua importância,
utilidade, vantagens e desvantagens.
- Comparar: dizer quais as semelhanças e diferenças.
- Definir: dizer o significado correto e preciso de um dado conceito, evidenciando
suas principais características.
- Descrever: fornecer uma relação detalhada das características mais importantes.
- Enumerar: ordenar de forma sucessiva, segundo a importância ou de acordo
com uma ordem determinada (alfabética, numérica, de seqüência).
- Estabelecer: apresentar os resultados mais importantes de um tema ou questão.
- Explicar: expor de forma clara todos os conhecimentos que tem sobre
determinado tema.
- Identificar: apontar os aspectos que tornam algo diferente dos demais, dando-
lhe identidade.
- Interpretar: explicar e tornar mais claro um significado que está oculto, mediante
exemplos e comentários.
- Justificar: apresentar provas e razões que suportem uma decisão tomada ou
sustentem uma afirmação
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica (adaptado de JIMÉNEZ, B. Como estudiar con êxito. Barcelona: Plaza Joven, 1992)
108
Durante a realização de um momento avaliativo, como a verificação escrita
de aprendizagem, de que modo você se comporta? Como organiza seu tempo
e a exposição do tema?

Aqui algumas dicas, alguns procedimentos que você poderá ter em conta:

- Leia com atenção o que está sendo solicitado, antes de começar a


escrever.
- Organize o tempo que terá à disposição, sobretudo quando há mais
de uma questão a ser respondida. O
- Decida a ordem pela qual irá responder, se começar por aquela r
pergunta que lhe parece mais simples, mais fácil, ou se pela mais i
complexa, por aquela que irá exigir mais tempo e maior esforço de e
sua parte. A sugestão é que comece respondendo à questão que melhor n
sabe. Isso lhe dará confiança e ajudará a diminuir sua tensão! t
- Seja objetivo na sua resposta, não dando voltas ou tomando rumos que a
levam a não responder o que foi solicitado. Por isso, prefira escrever ç
frases curtas! õ
- Seja claro na exposição de suas idéias, seguindo uma lógica no seu e
raciocínio, indo das idéias mais importantes para as secundárias; s
- Escreva com letra legível, pois isso cria certa disposição positiva a
quem vai ler seu texto.
- Ao final, releia o que escreveu para verificar se atendeu ao enunciado,
se não deixou fora algum aspecto importante.
- Finalmente, faça uma revisão do português (gramática, ortografia).

O processo avaliativo não se conclui com a entrega das atividades solicitadas e/


ou com a realização da verificação escrita de aprendizagem. Pronto....agora é
só aguardar a divulgação do resultado! Momento importante é fazer avaliação
desse percurso por você (auto-avaliação) e com o seu orientador. Juntos
analisarão seu percurso naquela área do conhecimento, em aspectos como:
sua compreensão dos conceitos fundamentais, seus avanços, suas dificuldades,
a construção do texto escrito, as estratégias de estudo utilizadas, como aprender
com os “erros”, o que poderá ser realizado para dar continuidade ao processo
de construção de conhecimentos, etc.

No curso em que você está matriculado, a avaliação é concebida


processualmente, e os diferentes momentos de “verificação” de sua
aprendizagem têm a função de diagnosticar sua compreensão dos conteúdos
estudados, de mapear possíveis dúvidas quanto a eles e de possibilitar sua
Estudar a Distância
formação profissional. Uma Aventura Acadêmica
109
Por isso, você tem à sua disposição o sistema de Orientação Acadêmica (tutoria)
para apoiá-lo em seu processo de estudo e compreensão dos temas propostos.
É importante que suas dúvidas, seus questionamentos, sejam imediatamente
trabalhados para possibilitar sua construção do conhecimento e sua progressão
no curso.

Construir conhecimento implica enfrentar a tensão


do não-saber, do medo, do sofrimento, do escuro,
do branco das idéias ... para depois conquistar
o relaxamento, o repouso temporário da construção
de um conhecimento, uma resposta transformadora.
(P. Freire)

A compreensão da avaliação como processo, do estudar como percurso em


que se avalia o estudo individual e a troca de conhecimentos com o outro
(orientador, colegas, especialista), o exercício da síntese desse percurso (nas
atividades de verificação de aprendizagem), as oficinas e a exposição dos
resultados das pesquisas (Seminários Temáticos) são momentos de um todo, de
um “sistema” avaliativo, são instâncias auto-avaliativas de um processo
formativo.

Como você pode perceber, o curso propõe uma avaliação como processo que
implique reflexão crítica, para evidenciar seus avanços, resistências e
dificuldades, além de favorecer uma atitude de decisão em romper com os
obstáculos que a impedem de avançar.

A avaliação é o calcanhar-de-aquiles de toda e qualquer


ação pedagógica e educativa. Avaliar ou ser avaliado
não pode implicar uma situação de domínio/submissão
ou de poder/medo, mas sim de estabelecer relações
de um sujeito com outro, de trocas,
significados e compreensões.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
110
CONSIDERAÇÕES

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
111
Estudar é um tipo de atividade humana, é um trabalho, apesar de muitas
pessoas acharem que se trata de perda de tempo, algo para “filho de dotô”, para
quem não tem mãos calejadas, para quem nasceu para isso. É visto, portanto,
como ócio permitido a quem tem tempo a perder, que não precisa trabalhar
para sobreviver.

A vida, hoje em dia, vem provando que não é bem assim. Numa sociedade
“letrada” como a nossa, é fundamental o estudo para a sobrevivência da pessoa,
para ser “gente”, para ser “cidadão”, em condições de dar conta de seus deveres
e de exigir seus direitos.

Você está iniciando um curso de graduação que tem a duração mínima de


quatro anos. Não se trata de curso de fins de semana, a ser realizado nas férias,
que você acompanhará a seu “bel-prazer”. Haverá cronogramas, datas a serem
cumpridas. São quatro anos que exigirão de você dedicação, sacrifício, renúncia,
constância e muita paixão.

Saber é um processo difícil, realmente, [...] o ato de


estudar é exigente, mas é gostoso desde o começo.
(Paulo Freire)

Paixão pelo estudo!

Haverá momentos em que você, ou alguém da sua família, será tentado a fazer
cálculos para verificar se compensa estudar durante quatro anos para continuar
ganhando uma “mixaria” de salário, quando o vendedor de picolé ou de
refresco, na rua, ganha muito mais que você, sem ter nenhum diploma!

Começará a fazer comparações... e certo desânimo invadirá seu ser.

Não desanime!

É claro que o salário é parte de sua realização pessoal e profissional. As lutas


pela melhoria de salário terão que ocorrer pela importância do seu trabalho na
sociedade, pela sua qualificação profissional e por sua participação nos
encaminhamentos políticos.

Investir na sua qualificação profissional não o leva simplesmente a desenvolver


melhor o trabalho, mas a incorporação de novos conhecimentos pode provocar
Estudar a Distância em você transformação, desenvolvendo atitudes e práticas que lhe permitam
Uma Aventura Acadêmica interagir no meio social.
112
Antes de se deixar desanimar, reflita na importância do curso para você, na
conquista que estará fazendo, ultrapassando seus próprios limites, permitindo-se
crescer como PESSOA, profissional e cidadã.

Vá em frente!
E isso não se faz sem mudanças, sem mudanças dentro de você (nas
concepções, na visão de mundo) e na relação com os outros (nas ações
cotidianas e nas práticas profissionais).

Na saída de um programa ou projeto,


mais importante do que deixar relatórios
escritos é deixar pessoas transformadas.
(Patton).

Desejamos mudar, muitas vezes, sem sofrimento. Gostamos da idéia de que as


coisas poderiam acontecer como no filme “Chocolate”, de Lasse Hallström (2000),
ou em “Festa de Babete”, de Gabriel Axel (1987). Buscamos soluções mágicas,
receitas que tem o fetiche de encantar e mudar as pessoas, seus sentimentos e Se você não mudar a
suas vidas, ao som de uma “flauta mágica”. Hoje, há uma vasta literatura que faz direção, terminará
exatamente onde partiu.
apelo à busca do prazer na vida, da auto-realização, do estar bem consigo
(Provérbio chinêse)
mesmo, de que aprender é prazeroso. Isso pode criar em nós a fantasia de que
as dificuldades serão superadas porque assim desejamos, com um simples toque
mágico. Irá descobrir, ao longo da aventura, que o estudo exige disciplina, re-
organização da vida, e que mudar é processo, também doloroso, uma vez que
prazer e dor são duas faces da mesma moeda

Mude, mas comece mudar devagar


Porque a direção é mais
importante que a velocidade.
Você certamente conhecerá coisas
melhores E coisas piores do que as
já conhecidas. Mas não é isso que importa.
O mais importante é a mudança,
O movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!
(Clarice Lispector) Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
113
Por outro lado, não podemos pensar que tudo depende só de você, de seu
esforço, de sua garra. É o discurso que hoje é muito veiculado em
programas televisivos. Lembra da novela Senhora do Destino ou do slogan “Eu
sou brasileiro, eu não desisto nunca”?.

A Instituição, mediante seu apoio organizacional, os especialistas, a equipe


pedagógica e de orientadores, tem sua responsabilidade nessa aventura, no
sucesso de sua aventura!
Terá meses e meses pela frente para concluir o curso. Muitas coisas poderão
acontecer: desentendimentos com colegas e familiares, confrontos com
orientadores e equipe pedagógica, crises, cansaço, desânimo e abandonos pelo
caminho íngreme a percorrer, pelos momentos de neblina, vento frio, alegrias
pelo ar fresco, pela água cristalina que corre nos ruidosos riachos, saltitante
entre as pedras, e que sacia a sede, pelas paisagens que se descortinam à
medida que galga a montanha e que o encanta quando faz breves pausas para
observá-las, pela vibração por ter alcançado o topo, pelas brincadeiras ao ar
livre, pelo lanche saboroso compartilhado, pelo retorno alegre e ruidoso,
acompanhado pelo pôr do Sol que nos surpreende e nos provoca com
repentinas mudanças e misturas de cores, pelo cansaço sadio ao regressar,
pelos abraços dos que esperaram no vale o seu retorno, que acreditaram em
sua capacidade de vencer e superar os obstáculos e as dificuldades …

Ao longo da caminhada deve se perguntar:

o curso está sendo significativo para mim? Em que está me


modificando? Está possibilitando desconstruir/reconstruir
conceitos, valores, visão de mundo, reconfigurar minha vida,
minha prática profissional?

À medida que galgar a montanha terá a possibilidade de ampliar a visão,


enxergar mais longe, com maior profundidade o entorno, o vale que se
descortina lá em baixo, mas ao qual está ligado e pertencente. Afastou-se dele
para melhor olhá-lo e, ao regressar, melhor explicar o que observou, poderá
fazer as mudanças que o afastamento lhe permitiu perceber como necessárias,
terá novo olhar e nova prática sobre a vida no vale que retomará sua
cotidianeidade ressignificada, reconstruida.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
114
Chegará ao final da jornada. É o momento de avaliar o percurso, de manifestar
como se sente, o que provocou em você, quanto você se modificou, que
decisões a tomar. Há os comentários dos colegas, da equipe que
compartilharam essa aventura, dos que de longe acompanharam sua trajetória.
Então se perguntará: o que restou dessa aventura?

De tudo ficaram três coisas:


a certeza de que estou sempre começando,
a certeza de que era preciso continuar e
a certeza de que será interrompido antes de terminar.
Fazer da interrupção um caminho novo,
fazer da queda, um passo de dança;
do medo, um escada; do sonho, uma ponte;
da procura, um encontro.
(Fernando Sabino)

Chegará ao final dessa caminhada, mas não da aventura. Pois, você está nessa
aventura como sujeito ativo, participativo, que aprende e ensina ao mesmo
tempo, que se coloca com postura crítica diante do que lhe é apresentado para
tomar suas decisões, como quem participa de ação coletiva, não seguindo
simplesmente os outros pela trilha, olhando para o chão para não pisar no
calcanhar de quem está à frente, obedecendo à direção e às ordens de quem
está comandando a fila.

Sobre essa aventura muito se falará. Suas recordações ficarão impressas em


sua vida.

Quero exortá-lo a que não tenha, ao longo desse curso, a atitude da coruja que
levanta o vôo ao entardecer, quando o dia já se foi, muito pouco podendo ser
feito para recuperá-lo e nele intervir; ou da galinha que passa a vida ciscando
nos limites seguros e fechados do galinheiro, ou de uma granja, sendo bem-
alimentada para somente botar ovos, ou virar frango congelado.

Quero que tenha ou que venha a construir a atitude da águia que abre suas asas
para sair do chão e levantar vôo em direção ao sol, ousando alcançar altitudes
cada vez mais altas, de onde poder descortinar belas paisagens, numa visão
cada vez mais ampla, mas tendo o olhar profundo e focado sobre a presa, sobre
seus objetivos, suas metas, capaz de intervir, de tomar decisões, soltar seu grito
de liberdade, de realizar sacrifícios, para poder continuar ser águia1.
Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
Dizem que a águia, próxima dos quarenta anos de vida, com a perda da força em seu bico, instrumento primordial para
115
1

caçar a presa, tem que tomar uma decisão: ou morrer, ou renovar-se, isto é, romper o velho e inútil bico e aguardar o
nascimento de um novo.
Você poderá tornar-se águia.

Aliás, dentro de você existe essa águia, pois, como nos exorta Leonardo
Boff, ser águia é parte da condição humana e, parafraseando-o, eu diria,

Ser águia faz parte da


sua aventura de
ser estudante!

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
116
BIBLIOGRAFIA

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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TORRES SANTOMÉ, Jurgio. Globalização e Interdisciplinidade. Porto Alegre: Artes Estudar a Distância
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119
Teste de Percepção Visual
Observe os 20 objetos abaixo, assim como os números correspondentes,
durante cinco minutos. Depois preencha o quadro.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
120
GLOSSÁRIO
(a ser construído por você ao longo da leitura do Fascículo)

@ Você sabia que o símbolo @ existe desde o Império Romano?


O símbolo @ retrata a preposição latina ad (sinônima de em), no sentido de
lugar. Se você prestar bem atenção, o próprio sinal tenta mostrar um “a” dentro de
um “d”, um círculo aberto. Os copistas, na Idade Média, para economizar tinta e
papel (caros naquela época), passaram a utilizar esse símbolo para substituir a
preposição ad, que tinha, entre outros, o sentido de “na casa de”.
Com a vinda da imprensa, o símbolo continuou sendo usado nos livros de
contabilidade, no sentido de “arroba” – a quarta parte da medida “quintar” (quintal) de
origem árabe – cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo.
Os teclados das máquinas de escrever, que começaram ser comercializadas em
1874, tinham o símbolo @, que sobreviveu nos teclados dos computadores.
Assim, em 1972, Ray Tomlinson – engenheiro norte-americano, ao desenvolver o
primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), aproveitou o sentido do símbolo
disponível no teclado para identificar um usuário de determinada máquina. À
esquerda do @, está o elemento que detém o e-mail – é o “quem”. Vindo ao
encontro do que devemos entender pelo @, isto é, conferindo-lhe o sentido de em,
temos à direita o elemento onde: josé@ufmt assim se traduz: José está na UFMT.
Em síntese, é o endereço do internauta. Por outras palavras, indica o local em que o
usuário do e-mail está.
Fonte: HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001; PIMENTA, Reinaldo. A casa da Mãe
Joana. Rio de Janeiro: Campus, 2002

A distância - Educação a Distância se escreve com um “a” sem crase (à), como se
costuma ver muito por aí, pois a distância é “indeterminada”. Diferente de: “Estava à
distância de 15 metros”, em que a distância está determinada.
A essa explicação gramatical, acrescentamos outra justificativa. No nosso entender
porque significa Educação sem Distâncias e não “na” distância ou “para a” distância.

Estudar a Distância
Uma Aventura Acadêmica
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Aprendente - Neologismo introduzido por Hèlén Trocmé-Fabre, no Congresso
Internacional de Locarno, Suiça, em maio de 1997, para expressar o estado de estar
em-processo-de-aprender. Passou a ser usado cada vez mais nos documentos
oficiais da União Européia. Sobre ele, ver em: ASSMANN, Hugo. Reencantar a
educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998. Porém, segundo
Iria Brzezinski (2002), este termo foi utilizado bem antes por Shulman em seu artigo
“Those who understand: knowledge growth in teaching” (Educational Research, v. 15,
n.2, 1986, p. 4-14) para designar aquele ser que aprende como autor de sua própria
aprendizagem, em um trabalho coletivo e participado.

Envolvimento - Comprometimento – para entender a diferença entre essas duas


palavras vamos recorrer à metáfora do ovo e do bacon. A galinha está envolvida na
produção do ovo, o porco está comprometido na produção do bacon. Simples, não
é?

EAD – Educação Aberta e a Distância – Aberta porque não existem requisitos para
inscrição.

EaD – Educação a Distância. O “a” é preposição. Nas siglas o que se abrevia com a
letra inicial (maiúscula) são nomes, adjetivos e não preposições. Por isso, há
autores que simplesmente abreviam escrevendo ED.

Mediação

A mediação no processo de ensino e aprendizagem é entendida como a relação


que permite ao mais expert (orientador/especialista) identificar nas operações
realizadas pelo estudante, mediante um objeto de conhecimento, o nível de
desenvolvimento cognitivo. Nesse sentido, propor-lhe ações ou atividades que lhe
permitam passar de um nível de desenvolvimento cognitivo a um nível superior. Ela
ocorre por meio da “interação” entre o sujeito mais expert e o sujeito do
conhecimento. Podemos considerar, portanto, que a interação é estabelecida pela
relação pessoal, sujeito-sujeito, na qual a mensagem tem caráter socioafetivo. Quem
faz a mediação no processo de ensino e aprendizagem é o professor (tutor,
especialista, orientador), enquanto a interação ocorre nos dois sentidos, do
orientador/especialista para o estudante e deste para aquele.
Estudar a Distância
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Paradigma - O filósofo e historiador da ciência Thomas S. Khun, em sua obra A
Estrutura das Revoluções Científicas (1962), emprega “paradigma” (do grego,
modelo, padrão) no sentido de “as realizações científicas universalmente reconhecidas
que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma
comunidade de praticantes de uma ciência”, isto é, uma construção conceitual sobre a
compreensão de como opera o mundo ou uma parte dele. A ciência normal
geralmente aponta os paradigmas existentes enquanto a ciência extraordinária abre
o caminho e os examina, provocando mudanças radicais (revoluções). Edgar Morin
vai além disso; o paradigma significaria um tipo de relação muito forte, uma relação
dominadora “que determinaria o curso de todas as teorias, de todos os discursos
controlados pelo paradigma. Seria uma noção nuclear ao mesmo tempo lingüística,
lógica e ideológica” (apud MORAES, Maria Cândida. Paradigma Educacional
Emergente. Campinas: Papirus, 1997. p. 31).
Assim, o mundo exterior entra em nós pelo filtro do paradigma. Porém, não pode
ser tomado como “verdade absoluta”, algo que aprisiona, que não permite mudança.

Ulisses (em grego Odisseu) – personagem da mitologia grega, nasceu na ilha de


Ítaca (Grécia). Sua vida é relatada nas duas epopéias homéricas, a Ilíada e a
Odisséia. Participou da luta contra Tróia. A ele deveu-se, segundo relatos
posteriores à Ilíada, o ardil do cavalo de madeira que permitiu aos gregos penetrar
em Tróia e obter a vitória. Terminado o conflito, Ulisses iniciou o regresso a Ítaca,
mas um temporal afastou-o com suas naves da frota. Começaram assim anos de
aventuras pelo Mediterrâneo (que constitui o argumento da Odisséia), naufragando e
acabando por ficar desprovido de todos os seus companheiros, freqüentemente
com a vida por um fio, até que no vigésimo ano chegou às praias de sua ilha natal.
A figura de Ulisses transcendeu o âmbito da mitologia grega e se converteu em
símbolo da capacidade do homem para superar as adversidades.

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