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Tema da Revista: Completei minha carreira

Autor: Edilson Marçal de Souza


Lição: 01
Título desta lição: O modelo da boa doutrina
Texto básico: II Tm 1.8-18

Leitura diária:
Dia Texto Bíblico Tema
Dom II Tm 1.8-18 Aqueles que não se envergonham de Jesus
Seg II Tm 2.1-3 Reproduzir o que recebemos de Jesus
Ter II Tm 2.11-13 O relacionamento do crente com Deus
Qua II Tm 2.20,21 Que tipo de crente você é?
Qui II Tm 3.1-17 Conduta do crente em um mundo perverso
Sex II Tm 4.1-3 Mantenha a sã doutrina
Sab II Tm 4.5-8 Como está sua fé em Deus?

Introdução

O texto da segunda carta de Paulo a Timóteo apresenta informações importantes sobre o tipo
de serviço que Deus requer de seus servos. Esse serviço tem como características a persistência, o
sofrimento e a vitória, que se apresentam em todas as partes da carta: no modelo deixado por Jesus,
na vida de Paulo, no exemplo de Onesíforo, nas recomendações de Paulo a Timóteo e na forma
como Timóteo deveria capacitar os demais líderes da Igreja.
Essa sequência de orientações é permeada por uma série de alertas emitidos por Paulo e
direcionados a Timóteo, mostrando que apesar das grandes dificuldades que o cristão encontra em
sua carreira de fé, Deus permanece fiel em seu propósito de nos ensinar, guiar, fortalecer e receber
nosso trabalho. Paulo informa que Deus é um juiz justo, que observa atentamente as ações dos
justos e dos ímpios e premia o trabalho daqueles que o servem com firmeza e dedicação.
A carta é muito apropriada à igreja contemporânea, pois mostra uma sociedade imersa em
todo tipo de corrupção, permeada por homens e mulheres que entregam-se completamente aos
interesses mundanos, afastando-se da fé. Mostra também um remanescente que permanece fiel a
Deus, observando os ensinos das Escrituras, aos quais Timóteo deveria tomar como modelo.

1 - O modelo deixado por Jesus

Logo depois de apresentar-se e cumprimentar Timóteo, Paulo apresenta-lhe as razões que


deveriam motivar sua firmeza e fidelidade: “Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza,
e de amor, e de moderação”. Essas características em contraste apontam que Timóteo não tem
razões para envergonhar-se nem das algemas de Paulo nem do Evangelho de Cristo. Em vez disso,
deveria participar dos sofrimentos que Jesus lhes havia ensinado.
Paulo substancia seu argumento mostrando como Jesus vocacionou a Igreja desde a
eternidade, oferecendo-se como modelo de sofrimento, perseverança e vitória:
a) Somos fruto do propósito de Deus manifesto em Cristo Jesus – Fomos escolhidos por
Deus desde a eternidade. Isso não tem relação com nossos méritos pessoais, mas sim com a decisão
de Deus em nos salvar. Sua ação foi completa: nos salvou, nos chamou e nos purificou no sacrifício
de Jesus. Por isso, não devemos nos envergonhar quando o evangelho sofrer oposições no tempo
presente, pois foi por meio de sofrimentos extremos que Jesus nos garantiu a salvação.
b) Em Jesus o propósito de Deus se revela a nós – Deus não muda seus planos conforme as
circunstâncias. Pelo contrário, desde a eternidade manteve o foco no propósito de nos conceder a
vida eterna. No entanto, esse propósito de Deus foi mantido sob o véu ao longo da antiguidade,
revelando-se aos homens na “aparição” de Jesus. Em sua morte, Jesus revelou-se à humanidade
pecadora, rasgando o véu que separava o homem de Deus.
c) Fomos escolhidos para proclamar o propósito de Deus em Cristo Jesus – Paulo mostra a
Timóteo que nossa vocação tem um duplo propósito: manter o “bom depósito” do Evangelho e
proclamar a vontade de Deus revelada em Jesus Cristo. Nisso somos auxiliados pelo Espírito Santo,
que age em nossos corações. Podemos observar nessas orientações de Paulo a Timóteo que Deus
está completamente empenhado em nos conduzir em meio ao sofrimento rumo à vitória: a Trindade
se apresenta para agindo nesse sentido. Portanto, cabe aos servos de Jesus preservar a sã doutrina e
apresentar essas boas novas a todo o mundo.

2 - Paulo apresenta-se como modelo de sofrimento, perseverança e vitória

O apóstolo orienta Timóteo a não se envergonhar mostrando seu próprio exemplo de


sofrimento: estava preso por causa do Evangelho, mas isso não representava uma derrota, e sim
uma vitória. Paulo alegrava-se em ser participante do sofrimento de Cristo e ressaltou que o próprio
Timóteo foi testemunha desse sofrimento, nas várias ocasiões em que foi perseguido, espancado e
nas prisões que sofreu anteriormente. A alegria de Paulo tem duas razões fundamentais:
a) Quem estava preso era ele, não o Evangelho – Paulo apresenta a Timóteo um Evangelho
que cresce cada vez mais enquanto os servos de Deus entregam-se completamente, sem temer as
consequências dessa entrega sobre o corpo físico. Muitas vezes tentaram impedi-lo de proclamar a
mensagem de Deus, mas nunca conseguiram deter a Palavra. Ele, Paulo, encontrava-se algemado,
mas o Evangelho seguia seu caminho livremente. Por isso, Timóteo deveria enfrentar todas as
barreiras sem temer a ação humana, pois jamais a palavra de Deus poderia ser detida.
b) Sabia que Deus era a garantia de sua vitória – Sua missão era segundo a vontade de Deus
(1.1), vivia sob “a promessa da vida que está em Cristo Jesus”. Desde seus antepassados serviu a
Deus, mesmo antes de Jesus revelar-se a ele. Foi constituído pregador, apóstolo e mestre aos gentios
pela vontade de Deus (1.11). “Sei em quem tenho crido”, dizia. Estava seguro de que o Senhor é
poderoso para guardar “seu depósito” até os dias finais (1.12). Tinha certeza da recompensa de
Deus (4.7,8).
A certeza de que servimos a Deus é um poderoso instrumento para nos manter no foco em
meio às dificuldades!

3 - Onesíforo: um exemplo de fidelidade e perseverança

Em seus momentos finais, Paulo encontrava-se abandonado pelos companheiros de


ministério. Alguns tiveram que afastar-se para dar continuidade à vocação individual. Outros se
afastaram para cuidar de negócios particulares. Ainda outros, abandonaram a fé, desiludidos pelo
grande volume de perseguições e pela prisão de Paulo, que se tornou demasiadamente longa, sem
nenhuma possibilidade de ser liberto. O próprio Paulo afirma que já sentia a proximidade de sua
morte. Em meio a tantas decepções, Paulo cita o exemplo de um companheiro fiel que muitas vezes
o visitou, oferecendo apoio e conforto: Onesíforo. O exemplo desse homem serve como modelo
para o tipo de serviço que Deus espera de seus servos:
a) Procurou por Paulo insistentemente até encontrá-lo – Onesíforo procurou cuidadosamente
por Paulo até encontrá-lo em uma prisão em Roma. Desde então, passou a visitar o apóstolo,
cuidando para que nada lhe faltasse, ao contrário de todos que habitavam a Ásia, entre eles, Figelo e
Hemógenes. Timóteo deveria seguir o exemplo de Onesíforo e igualmente empenhar-se em visitar
Paulo, testificar de Jesus Cristo e pregar o evangelho, tomando o cuidado de evitar o exemplo
daqueles que se afastaram da fé.
b) Ignorou o perigo ao fazer várias visitas a Paulo na prisão – Naqueles tempos, visitar um
prisioneiro em Roma envolvia grande risco. Onesíforo conhecia esses riscos e mesmo assim
considerou que deveria cumprir seu compromisso com Paulo e visitá-lo. Timóteo deveria seguir
esse exemplo de coragem diante dos desafios que iria enfrentar em sua missão, colocando a vontade
de Deus acima da segurança e comodidade pessoal. O servo de Deus nos dias atuais também precisa
dessa coragem para testificar de Jesus em um mundo cheio de todo tipo de maldade.
3 – Timóteo também deveria ser exemplo de fidelidade e perseverança

Os exemplos de conduta verificados em Jesus, em Paulo e em Onesíforo deveriam inspirar


Timóteo a viver de modo semelhante. Deveria fugir das contendas, das paixões carnais e
desenvolver uma vida de justiça, fé, amor, paz e pureza de coração. A perseverança que Paulo
espera de Timóteo é comparável a três personagens inspiradores:
a) O soldado, que não se embaraça com os negócios dessa vida, pois entende que é preciso
dedicar-se inteiramente aos interesses daquele que o alistou (2.3,4);
b) O atleta, que não será coroado se não lutar segundo as normas da competição (2.5 ARA);
c) O lavrador, que precisa dedicar-se inteiramente a sua atividade, para ser o primeiro a
experimentar os frutos da colheita (2.6).
Essas três metáforas são apresentadas a Timóteo com a recomendação de que deveria
ponderar cuidadosamente sobre elas. Fazendo isso, o Senhor lhe daria o entendimento necessário
(2.7). Que aplicação podemos fazer para nossa vida a partir das características do soldados, do atleta
e do lavrador?

4 – Timóteo deveria reproduzir em outros o modelo que havia recebido

Não basta que sejamos fiéis, perseverantes e vitoriosos. Precisamos transmitir essas
características a outros, para que sejam capazes de dar continuidade à missão que recebemos de
Deus. No plano universal de Deus somos apenas uma peça. Quando desempenhamos bem nosso
papel, devemos conduzir outros a esse mesmo ministério. Para isso, devemos:
a) Sofrer com Jesus – Ao contrário do que muitos pensam atualmente, viver em Cristo não
envolve apenas alegria e festa. Sofrer em defesa de nossa fé é uma bênção inestimável.
Infelizmente, muitos soldados de Jesus estão camuflados na segurança das trincheiras e só aparecem
na hora de buscar as bênçãos. Para esses, é bom que leiam II Tm 2.12.
b) Apresentar-se a Deus aprovados – Para ser aprovados por Deus, é necessário não ter de
que se envergonhar, manejar bem a palavra da verdade, evitar falatórios inúteis, trazer a verdade à
memória das outras pessoas com mansidão e bons exemplos.

Conclusão

Timóteo deveria incluir-se entre os vitoriosos, que não se afastaram do chamado de Deus,
antes permaneceram firmes apesar dos perigos, ameaças e sofrimentos. Deveria entender que os
sofrimentos de Cristo, de Paulo e os que ele mesmo enfrentaria seriam indicadores de que ele estava
no rumo certo. Por isso, além de perpetuar a missão que recebia de Paulo, também deveria capacitar
homens fiéis e idôneos para dar continuidade à pregação do Evangelho.

Aplicação

Que modelos estamos seguindo em nossa caminhada com Cristo? Que imagem temos do
Evangelho? Será que estamos em busca de festa e alegria ou regozijamos no sofrimento pelo nome
de Jesus? Estamos realmente comprometidos com Cristo ao ponto de transmitir esse compromisso a
outros? Que influência causamos sobre as outras pessoas? Com base em nosso exemplo, o que as
pessoas pensam de Jesus?