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Os Heróis Lizardman

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Ilustrações por so-bin
Aviso Legal:
Obra foi traduzida e revisada de fã para fã. Não venda, ou ganhe dinheiro sobre o traba-
lho de outrem.
Se puderem contribuir com a obra do autor, o faça!

Sobre:
Assim como o anime, a obra tem muitos termos em inglês para diversas armas, itens e
etc...
Tentei deixar isso, mas as vezes tem que generalizar, já que é maçante saber o que era
realmente para ser em inglês, ou não ser.
EX:
-O Ainz se refere a ele como “Magic Caster” e não “Mahou...” alguma coisa.
Porém, algumas ressalvas:
-Alguns sistemas de magias e artes marciais são escritos japonês, alguns eu mantive ro-
majizados, outros ficaram em português.
-Armas e armaduras têm nomes misturados, uns são em inglês, outros em japonês. Por
ser bem difícil de verificar um por um, deixei tudo em inglês;
-Algumas equipes de aventureiros têm nomes em inglês, outras em japonês, neste caso
depende. Umas eu deixei em inglês (pois foram escritas com essa intenção) e outras em
português.

Tentei remover o máximo possível de erros de português e concordância. Mas sou ape-
nas um e com certeza falhas podem acontecer. E claro, não sou especialista na língua
portuguesa para tal nível de proficiência linguística.
Se encontrarem algum erro, sintam-se à vontade para entrarem em contato :)

Créditos e Agradecimentos:
Créditos:
ainzooalgown-br.blogspot.com
Base:
Inglês - skythewood.blogspot.com
Referência de nomes:
Wikia - overlordmaruyama.wikia.com

Atenção: Se baixou este arquivo de outro link que não o oficial do blog. Ou se tem muito
tempo que baixou e deixou guardado, que tal dar uma conferida no blog? Talvez esta seja
uma versão desatualizada :)

Revisão: 5.0 | Versão: 7.0


Sumário
Prólogo........................................................................................................................................................... 5
Capítulo 01: Partida.............................................................................................................................16
Parte 1 .................................................................................................................................................................................... 17
Parte 2 .................................................................................................................................................................................... 30
Parte 3 .................................................................................................................................................................................... 43
Capítulo 02: Reunindo os Lizardmen .........................................................................................51
Parte 1 .................................................................................................................................................................................... 52
Parte 2 .................................................................................................................................................................................... 78
Parte 3 .................................................................................................................................................................................... 82
Interlúdio ................................................................................................................................................. 108
Capítulo 03: O Exército da Morte............................................................................................ 115
Parte 1 ................................................................................................................................................................................. 116
Parte 2 ................................................................................................................................................................................. 131
Parte 3 ................................................................................................................................................................................. 139
Parte 4 ................................................................................................................................................................................. 156
Parte 5 ................................................................................................................................................................................. 162
Parte 6 ................................................................................................................................................................................. 191
Capítulo 04: O Alvorecer do Desespero ................................................................................ 200
Parte 1 ................................................................................................................................................................................. 201
Parte 2 ................................................................................................................................................................................. 222
Parte 3 ................................................................................................................................................................................. 229
Capítulo 05: O Deus Congelado ............................................................................................... 257
Parte 1 ................................................................................................................................................................................. 258
Parte 2 ................................................................................................................................................................................. 276
Parte 3 ................................................................................................................................................................................. 294
Epílogo ...................................................................................................................................................... 304
Posfácio .................................................................................................................................................... 310
Ilustrações ................................................................................................................................................ 313
Glossário .................................................................................................................................................. 330
-Volume 04-
Os Heróis Lizardman

Autor:

Maruyama Kugane
Ilustrador:

so-bin
Prólogo
em-vindo de volta, Ainz-sama.”

B Fazia duas semanas desde a última vez que ele retornara ao seu escritório,
mas as palavras que se seguiram enviaram um arrepio em seus ossos.

“O senhor gostaria de jantar? Um banho? Ou — prefere — a — mim💕?”

Por um momento, Ainz imaginou ter visto vários corações cor-de-rosa saindo de trás de
Albedo.

“...Qual é o significado disto?”

“Eu estou brincando de recém-casados, Ainz-sama. Eu ouvi pessoas dizerem que esta é
a melhor maneira de uma esposa receber seu marido depois que ele retorna de uma via-
gem de negócios com seu animal de estimação. O senhor gostou?”

Então era por isso que ela não o encontrou diretamente na superfície quando retornou.
Ele era um homem sem namorada, muito menos uma esposa, mas quando ele estava
prestes a responder friamente, “Quem se importa?” Ele engoliu essas palavras. Ele tinha
seu orgulho como homem a considerar e queria proteger sua imagem.

Além disso, que tipo de resposta ela esperava quando perguntou: “O senhor gostou?”

Apesar de sua falta de confiança, ele colocou uma atitude que parecia dizer, Tudo está
sob controle, e respondeu de uma forma que provavelmente não deveria causar muitos
problemas.

“Isso foi uma recepção encantadora, Albedo.”

Albedo sorriu e respondeu:

“Que bom ouvir isso, kufufufu~”

Quando Ainz a viu sorrir sedutoramente, ele abaixou sua postura como se preparando
para uma batalha.

Ele sentiu algo como uma cobra venenosa deslizando pela sua espinha.

Havia uma luxúria bestial escondida nos olhos de Albedo — provavelmente a fonte da-
quela sensação deslizante. Aqueles olhos estavam mortalmente sérios. Se ele tivesse res-
pondido: “Eu quero você, é claro”, mesmo em tom de brincadeira, não havia dúvida de
que a superpredadora diante dele se apegaria a isso e o atacaria com selvageria. As pala-
vras “estupro reverso” flutuaram brevemente em sua mente.

Embora ele tivesse poucos vestígios de desejo sexual, os remanescentes de sua perso-
nalidade humana pareciam estar reagindo as intenções de Albedo, que diziam a ele que
não faria mal algum experimentar. Sua curiosidade ainda não diminuía e isso só aumen-
tou esse sentimento.

Pare com isso, seu idiota.

Não era exatamente autocontrole, mas Ainz usou algo similar — algo que teria sido im-
[morto-vivo]
possível se ele não fosse undead — para se forçar a ignorar o subtexto das palavras de
Albedo.

Ainda assim, algo como nojo brotou de algum lugar dentro do coração de Ainz. Antes de
ter sido transportado para este Novo Mundo, ele havia alterado a narrativa de Albedo,
escrevendo que “ela o amava” em tom de brincadeira. Ele estaria tirando vantagem dessa
personalidade distorcida, sem antes ela realmente amá-lo de verdade.

Mas aquilo se foi... O que posso fazer sobre isso? Não é como se um relacionamento entre
um homem e uma mulher pudesse progredir somente através de conversas... É por isso que
tenho medo de dar o próximo passo?

Ainz — um virgem que nunca namorou uma garota antes — ponderou sobre esse pro-
blema.

Ao mesmo tempo, outro pensamento veio à mente. Os NPCs feitos por seus antigos ami-
gos podem ser considerados seus filhos. Como ele poderia manchar tais preciosos filhos
e deixá-los continuar com suas mentes distorcidas?

Idiota, agora não é hora de pensar sobre esse tipo de coisa.

“Ah!”

O grito repentino de Albedo fez os pontos de fogo nos olhos de Ainz brilharem.

“O que é Albedo? Aconteceu alguma coisa?”

“Estou envergonhada. Eu ouvi dizer que uma esposa recém-casada deveria dar as boas-
vindas ao marido em casa, enquanto vestida com seu traje definitivo de batalha (um
avental nu)...”

Com isso, Albedo olhou para o vestido e seu rosto ficou ruborizado. Então ela respon-
deu:

“Se assim desejar, eu devo imediatamente...”

Sua voz era baixa, mas ele podia ouvir muito claramente. Ela furtivamente espreitava
Ainz enquanto continuava:

“...Me trocar na sua frente, Ainz-sama...”


“Ah... sim... Ghrun! Na verdade... haaa. Ouça, Albedo, já fez bastante gracinhas. É hora da
reunião para troca de informações.”

“Sim, eu entendo.”

Com alguma relutância — embora ele não tivesse certeza de onde exatamente a relu-
tância se originava — Ainz se forçou a ignorar as tentações de Albedo e se sentou em sua
poltrona. Então, ele jogou três algibeiras sobre a mesa. A seguir, ditou instruções para
Albedo, que havia mudado de personalidade de uma recém-casada ansiosa para uma se-
cretária eficiente.

“Este é o dinheiro que ganhei em E-Rantel. Use-o em experimentos.”

As três algibeiras pareciam diferentes uma da outra. A maior delas parecia estar prestes
a explodir, e estava cheia de peças de prata e cobre que Ainz ganhara durante seu tempo
como aventureiro.

“Entendido. Vou ver se esses fundos podem ser usados para invocar monstros ou ativar
os sistemas de defesa de Nazarick.”

“Por favor, cuide disso. Além disso, veja se podemos utilizá-las para criar itens, como
pergaminhos e assim por diante.”

Os olhos de Ainz se afastaram de Albedo, cuja cabeça estava profundamente abaixada.


Então ele olhou de volta para as algibeiras com uma expressão devota em seus olhos.

As peças de ouro obtidas em YGGDRASIL poderiam ser usadas para comprar itens má-
gicos, mas também poderiam ser usadas para taxas de manutenção da base de guilda.
Por exemplo, elas poderiam ser usadas para invocar monstros acima do nível 30 — que
não reapareceram naturalmente, ou “pop” —, como catalisadoras para o uso de certas
magias, criação de itens mágicos, ressuscitando NPCs mortos e assim por diante.

Ele já havia verificado que as moedas de YGGDRASIL poderiam ser usadas neste mundo.
No entanto, ele não se certificou de que a moeda deste mundo também pudesse ser usada
dentro de Nazarick. Ele estava particularmente curioso se as moedas de prata e cobre
poderiam ser utilizadas, já que em YGGDRASIL só havia moedas de ouro.

Não seria exagero dizer que os resultados dessa experiência podem determinar o futuro
de Nazarick. Se o dinheiro desse mundo pudesse ser usado da mesma maneira que as
moedas de ouro de YGGDRASIL, isso poderia afetar muito seus planos futuros. Afinal, isso
mudaria dramaticamente a importância de ganhar dinheiro.

De fato, sob certas circunstâncias, uma situação poderia surgir onde o ganho de grandes
quantidades de moeda se tornasse essencial. Em contraste, se a moeda deste mundo não
pudesse ser usada, então a riqueza dentro da Tesouraria se tornaria um recurso insubs-
tituível, e despesas desnecessárias teriam que ser minimizadas.

“Além disso, sobre a Clementine—”

Quando Ainz falou o nome do cadáver desaparecido, suas sobrancelhas inexistentes se


enrugaram.

Seu erro de julgamento resultou no desaparecimento da dita mulher, que sabia algumas
coisas sobre ele. Não havia como saber se ela havia ressuscitado ou se contara o que sabia
aos outros. Um desconforto surgiu no coração de Ainz.

Havia muitos inimigos potenciais a serem cautelosos, mas ele não havia aprendido nada
sobre eles e até mesmo revelara informações sobre si mesmo por acidente.

Se esta notícia chegasse aos ouvidos de algum dos meus amigos caso estejam neste mundo...
mas eu não deveria contar com esse tipo de sorte. Eu preciso ter mais cuidado a partir de
agora. De qualquer forma, o mais importante agora é decidir o que devo fazer em relação
à minha identidade como Momon.

Se alguém estivesse o perseguindo, eles iriam atrás de Momon. No entanto, Momon era
um trampolim para ele no momento, e seria uma pena descartá-lo. Ainda não havia che-
gado a hora de revelar que Ainz era Momon.

Primeiro preciso observar mais o desenrolar da situação...

Não importava o quanto ele pensasse, suas contemplações só o levaram a um beco sem
saída. Portanto, ele decidiu deixar seus problemas de lado por enquanto e não pensar
mais nisso.

“Não é má idéia pedir ao Pandora’s Actor para colocar uma das lâminas daquela mulher
no triturador da Tesouraria e ver o que acontece.”

“Triturador?”

Foi só quando ouviu a voz de surpresa de Albedo que Ainz se lembrou do nome apro-
priado daquele item.

“É a Exchange Box. Alguém com habilidades do tipo comerciante pode obter melhores
preços ao usá-la. Peça ao Pandora’s Actor para se transformar em Nearata-san e usar a
habilidade dele.”

Depois de ver que Albedo assentiu em reconhecimento, Ainz desenrolou o pergaminho


que estava segurando em sua mesa.
“Além disso, foi preciso algum esforço para obter isso, este é um mapa do mundo que
adquiri em E-Rantel.”

“Isso é... entendo.”

Ainz entendeu por que as sobrancelhas de Albedo se franziram levemente, porque os


detalhes do mapa diante deles eram terrivelmente vagos.

“Eu entendo por que você está infeliz. Afinal, este mapa cobre apenas uma pequena
parte do mundo circundante. A escala foi escrita ao acaso e muitos pontos de referência
também não foram registrados. Além disso, este mapa concentra-se nos países humanos,
e há apenas uma nação demi-humana registrada. É um mapa grosseiro, sem dúvida... mas
é improvável que encontremos algo melhor.”

Por exemplo, ele ouvira falar das tribos Centauros nas planícies, dos assentamentos Pa-
bilsag do povo Scorpionmen no deserto, do país dos Dwarfs nas montanhas e assim por
diante. Mas ele havia aprendido tudo isso conversando com o Chefe da Guilda dos Magis-
tas de E-Rantel, já que não foram registrados no mapa. Em outras palavras, esse era um
mapa conveniente à humanos.

Um mapa vago como este dificilmente seria confiável, mas ele teria que gastar muito
dinheiro e tempo para obter um melhor.

Foi isso que Theo Rakheshir, o Chefe da Guilda dos Magistas, lhe dissera. O homem es-
tava sempre favoravelmente disposto a Ainz, de modo que tal informação poderia ser
considerada como certa.

Além disso, ele sentiu nas palavras do outro homem que mesmo um mapa como este já
era algo que exigia muito trabalho.

“Entendo. Então, ordenarei que o mapa seja duplicado e distribuído para cada Guardião.”

“Por favor, faça isso. Mas antes, explicarei brevemente o conteúdo do mapa.”

Ainz apontou para o centro do mapa. Era a região que tinha sido mais precisamente
detalhada.

“Aqui é E-Rantel, e esta região contém a Grande Tumba de Nazarick.”

Seu dedo se moveu para o nordeste, para os arredores de uma enorme floresta. Ele es-
tava bastante confiante em seu conhecimento da área ao redor de Nazarick.

“Esta é a Cordilheira Azerlisiana, que marca a fronteira entre o Reino Re-Estize e o Im-
pério Baharuth. A grande floresta ao redor da extremidade sul da cordilheira é a Grande
Floresta de Tob, e há um grande lago aqui.”
O lago em questão tinha a forma de uma cabaça invertida e ficava entre o sopé ao sul
das montanhas e a Grande Floresta de Tob. O dedo de Ainz apontou na ponta sul do lago.

“Há uma aldeia de Lizardmen aqui, nestas grandes terras úmidas.”

Depois de ver Albedo concordar com a cabeça, Ainz continuou:

“Agora vou lhe contar o que Theo Rakheshir me contou sobre os países vizinhos. Para o
noroeste do reino é uma região delimitada por montanhas. Esta região é o Conselho Es-
tadual de Argland, que é habitada por muitos demi-humanos. O que precisamos ter cau-
tela são com seus conselheiros, dizem que são Dragões. Aparentemente, há cinco deles,
mas alguns dizem que são sete. Para o sudoeste do Reino está a nação conhecida como o
Reino Sacro Roble. Aparentemente, é cercado por todos os lados por uma alta muralha,
indicado aproximadamente aqui no mapa, e é conhecido como “A Grande Muralha”. Este
país fica atento contra muitas tribos demi-humanas que lutam frequentemente no de-
serto das redondezas, embora não seja indicado no mapa.”

“Não é para onde o Demiurge foi?”

“Isso mesmo. No outro extremo do deserto está a Teocracia Slane, entidades das quais
devemos ficar atentos.”

“Esta é uma fronteira nacional?”

Albedo traçou uma linha ao redor da região circundante com seu dedo branco-lírio.

“Provavelmente. Mas sendo sincero, não adianta tentar estudar as fronteiras a partir
deste mapa, ele é muito vago. Então, veja agora o lado do Império. Há muitas cidades-
estados situadas a nordeste do Império, que formaram a Aliança Cidade-Estado. Parece
haver também uma cidade de demi-humanos. Para o sudeste do Império é uma região
com muitos pilares de quartzo gigantescos, bem como muitas cavernas. Aparentemente,
existem tribos humanoides que domam Wyverns.”

Quando Ainz ouviu a descrição do lugar, lembrou-o de Wulingyuan na província de


Zhangjiajie - Hunan, mas ainda não tinha todos os detalhes.

“Então, eles são Montadores de Wyvern?”

Em YGGDRASIL, jogadores com mais de 35 níveis em profissões equestres podiam con-


jurar as feras mágicas conhecidas como Wyverns, que lhes servira de montarias. No en-
tanto, não havia provas de que o mesmo fosse verdade também neste mundo.

“...Possivelmente. Indo por essa lógica, eles devem ser bastante fortes, mas mesmo as-
sim, eles não são exatamente oponentes temíveis para a Grande Tumba de Nazarick... No
entanto, a porção do mapa abaixo deles — a costa leste deste grande lago — não foi ma-
peada ainda.”
Ainz indicou uma das bordas externas do mapa.

“E eles dizem que aqui é chamado de Reino Dragonic.”

“Dragonic?”

“Sim. Um poderoso Dragão fundou essa nação no passado e, aparentemente, sua realeza
herdou a linhagem do sangue de Dragão... mas se esses rumores são confiáveis, ainda não
se sabe. De qualquer forma, isso é o que sei do mapa por enquanto.”

No mundo onde Ainz viveu como Suzuki Satoru, teria sido um rumor exagerado, mas
neste mundo, esse boato poderia ser verdade.

“Então, Ainz-sama, devemos ter cuidado com a Teocracia Slane e Conselho Estadual de
Argland, correto?”

Ainz cruzou os braços sobre o peito e disse: “Hmm...”. Pois ela tinha razão quando se
tratava dessas nações, então ela poderia ter chegado a essa conclusão porque eles não
sabiam o suficiente deles. No entanto, quando ela viu a reação de Ainz, Albedo curvou-se
lentamente em desculpas.

“Me perdoe. Dadas as nossas atuais circunstâncias, devemos estar em guarda contra to-
dos os outros países, estou certa?”

“...De fato, é assim. Mesmo que não sejam muito como nações, eles podem abrigar indi-
víduos surpreendentes.”

Por exemplo, a pessoa que usou aquele Item World-Class em Shalltear.

Albedo podia sentir esse significado subjacente nas palavras de Ainz sem que ele preci-
sasse declará-las explicitamente.

O dedo de Ainz continuou apontando os dedos para as bordas leste e sul do mapa.

“No entanto, há uma cidade que flutua nas ondas ao leste, e ainda uma cidade que foi
fundada pelos Oito Reis da Ganância ao sul. Esses dois lugares são provavelmente os que
precisamos ser mais cautelosos. Principalmente a cidade dos Oito Reis da Ganância... Já
que dizem ser uma cidade flutuante no meio do deserto.”

“Uma cidade flutuante?”

“De acordo com as notícias que ouvi, seria mais correto descrevê-la como uma cidade
construída sob uma fortaleza voadora. Eles dizem que a água flui interminavelmente da
fortaleza para a cidade, e que a cidade em si é completamente cercada por uma barreira
mágica e não se parece com nada nativo do deserto.”
Os olhos de Albedo ficaram frios e ela respondeu calmamente:

“Devemos despachar uma força tática de vassalos para realizar reconhecimento?”

“Não há necessidade de sair por aí pisando na cauda do tigre. Mesmo que o usuário do
item World-Class viesse de lá, deveríamos tentar nos relacionar cordialmente com eles
até termos certeza do quão fortes são... Falando nisso, como está a Shalltear?”

“Seu corpo parece bem depois de sua ressurreição, mas...”

“Vamos, diga logo. Até eu me sinto desconfortável com ela também.”

“Ah! Minhas mais profundas desculpas. Na verdade, o estado mental de Shalltear é um


tanto inquietante.”

“...Efeitos posteriores de seu controle mental? Será que nem a morte pode apagar com-
pletamente os efeitos de um item World-Class?”

“Não, não é isso... É mais como se ela ainda sentisse uma culpa intensa por levantar a
mão contra o Supremo, ela não pode perdoar a si mesma por ter feito isso, Ainz-sama.”

Por um momento, Ainz não entendeu muito bem, mas então, tudo ficou claro quase que
instantaneamente.

Tinha sido culpa de Ainz, não de Shalltear. Ele tinha dito a ela muitas vezes.

“Por favor, perdoe a minha insolência de se opor à sua decisão, Ainz-sama.”

Ainz acenou para Albedo, que tinha uma expressão séria no rosto.

“Eu sinto que seria melhor se ela fosse punida.”

O brilho vermelho nas orbitas de Ainz diminuiu ligeiramente. Ele queria falar, mas fe-
chou a boca sem emitir nenhum som. Isso porque a mulher à sua frente parecia ter algo
mais a dizer.

“...Recompensas e punições são lados da mesma moeda. Se o senhor atribuir uma puni-
ção a Shalltear, isso eliminará a culpa em seu coração. Já que em contraste, ela está atu-
almente se sentindo culpada, pois não foi punida por suas ações.”

Ainz sentiu que isso fazia muito sentido. De fato, era por causa das punições que as re-
compensas poderiam existir. No entanto, a questão de quão severa a repreensão que ele
deveria dar a ela e, quanto ele poderia perdoar, era algo que estava bem além de um mero
assalariado como Ainz. Em circunstâncias normais, ele deixaria o assunto de lado e facil-
mente perdoaria Shalltear.
Por outro lado, embora ele possa se sentir mal por punir Shalltear, pode ser uma boa
abordagem para a próxima vez.

“...Compreendo. Então, eu darei a Shalltear alguma punição.”

“Eu sinto que será melhor assim. Por favor, perdoe qualquer ofensa que eu tenha feito.”

“O que você está dizendo? Sempre aprecio tais sugestões. Eu sempre esperei que alguém
fosse capaz de entregar uma opinião quando eu estiver em dúvidas. Albedo, o que você
fez é muito apropriado para a sua posição como a Supervisora Guardiã da Grande Tumba
de Nazarick.”

“Muito obrigada!”

A beleza estonteante se curvou diante dele, suas bochechas coradas e seus olhos úmidos.
Sentindo-se um pouco desconfortável com a clara reação de Albedo, Ainz acenou calma-
mente e respondeu:

“Agora, há algumas coisas que preciso lidar. Cuide bem de Nazarick.”

“Entendido! Por favor, deixe comigo! Eu cuidarei dos assuntos enquanto o senhor não
estiver por perto, Ainz-sama!”

Ele pensou ter ouvido algo como “dentro das minhas capacidades de sua esposa”, em
algum lugar em meio de suas palavras, mas ele decidiu fingir que não tinha ouvido nada,
porque ela ainda tinha mais a dizer.

“Ainda assim, tenha cuidado, Ainz-sama. A pessoa que controlou a Shalltear pode não
estar apenas mirando em nós.”

“Hmph!”

Essa foi a primeira vez que Ainz bufou em desgosto desde que ele voltou para esta sala.

“Se o inimigo atacar... eles podem não ser fáceis de lidar. Mas relaxe, Albedo. Como não
tenho idéia do tipo de inimigo que estamos enfrentando, pretendo priorizar a retirada
quando o encontrarmos, e também tenho vários escudos de carne preparados para tal
circunstância.”

Ainz lentamente levantou a cabeça para olhar para o teto e começou a visualizar os ini-
migos contra os quais ele precisaria se preparar.

Havia o misterioso detentor daquele Item World-Class que provavelmente era seu ini-
migo e outros jogadores, cuja existência ainda não estava clara. Além disso, havia os ves-
tígios de jogadores que deveriam ter existido no passado. É claro que pode ser muito
imprudente crer que todos são inimigos, mas isso garantiria que ele não os negligenci-
asse por acidente. Ele teve que assumir o pior cenário ao fazer seu planejamento.

“Antes de aprendermos mais detalhes sobre o inimigo, seria sensato agir o mais discreto
possível. No entanto, talvez precisemos espalhar uma isca para tentar o inimigo... como
está o progresso daquele plano no fronte?”

Albedo abaixou os olhos e só por essa reação Ainz pôde adivinhar quais eram os resul-
tados.

“Cocytus ainda não fez nenhum relatório, mas a Entoma indica que o plano ainda não
excedeu nosso escopo de previsões. Eles já devem ter montado acampamento perto do
objetivo e estão se preparando para fazer contato.”

“Entendo... Bem, não foi o que eu esperava, mas o importante é o que podemos ganhar
com isso.”

“Seus dizeres me enchem de alívio.”

“Tudo bem. Originalmente, eu tinha planejado observar os desenvolvimentos daqui,


mas infelizmente, eu tenho várias tarefas para completar no meu papel de aventureiro e,
portanto, tenho algo a resolver pessoalmente. Ainda assim, gostaria de ver como foi a
batalha. Ajude-me gravando a batalha entre os Lizardmen e as forças da Grande Tumba
de Nazarick.”
Capítulo 01: Partida
Parte 1

Cordilheira Azerlisiana situasse entre o Império Baharuth e o Reino Re-Es-

A tize. Seus sopés ao sul estavam cercados por uma extensa floresta — a
Grande Floresta de Tob — e havia um enorme lago em sua extremidade
norte.

Este lago tinha mais de 20km² e lembrava uma cabaça invertida. Estava dividido em
Lago Superior e Lago Inferior. O Lago Superior era muito profundo e abrigava criaturas
maiores, enquanto o Lago Inferior era a moradia para as criaturas menores.

O extremo sul do Lago Inferior era cercado por zonas úmidas e inúmeras estruturas
haviam sido erguidas nessa região grande e pantanosa. Cada uma dessas casas foi cons-
truída no pântano e sustentada por cerca de dez palafitas cada uma.

Entre as muitas palafitas, uma delas tinha suas portas abertas, seu proprietário deu as
caras sob os raios dourados do sol.
[H o mem -L ag ar t o ]
Ele era um membro da raça demi-humana conhecida como Lizardman.

♦♦♦

Lizardman se assemelhava a um cruzamento entre humanos e répteis. Para ser preciso,


os Lizardmen tinham mãos e pés semelhantes a humanos e eram essencialmente lagar-
tos bípedes, embora a cabeça não tivesse nenhuma semelhança com as dos seres huma-
nos.

Assim como demi-humanos — juntamente com raças como Goblins e Ogros — eles eram
facilmente classificados como selvagens, devido à falta de tecnologia e consequente-
mente seu modo de vida. No entanto, eles ainda tinham uma civilização própria, embora
não fosse muito avançada.

Um Lizardman macho adulto tinha em média 193 centímetros e pesava mais de 100kg.
Sua massa corporal não era composta de gordura, mas de músculos volumosos, que con-
tribuíam para um físico impressionante e imponente.

Caudas reptilianas brotavam de suas lombares, que usavam para manter o equilíbrio.

Seus pés eram grandes com dedos palmados, otimizados para o movimento na água e
nos pântanos. Portanto, eles não eram tão adeptos de movimentar-se em terra, mas isso
não constituía um problema para eles, dado o seu ambiente de vida.

Seus corpos estavam cobertos de escamas, cujas as cores variavam de um verde de as-
pecto sujo a cinza e preto. Em vez da pele semelhante a lagartos, eles tinham peles duras
que se assemelhavam às dos crocodilos, seus tórax e pescoços foram encobertos por essa
pele de cor geralmente branco-perolado. Essa pele os protege melhor que uma armadura
humana de baixa qualidade.

Eles tinham mãos com cinco dedos, como as dos humanos, e cada dedo era curvado com
uma garra curta.

As armas que eles usavam eram bastante primitivas, porque nunca tiveram a chance de
minerar e refinar minérios para armamentos. Assim, suas armas mais comumente usa-
das eram lanças feitas com presas e garras de monstros, bem como clavas com pontas de
pedra.

♦♦♦

O sol ofuscante estava a pico no céu azul, com apenas algumas nuvens efêmeras para
interromper a infinita extensão azul. O tempo estava muito bom, e podia-se ver clara-
mente os cumes montanhosos ao longe.

Este Lizardman tinha um amplo campo de visão, e ele podia ver o sol escaldante acima
de si mesmo sem mover a cabeça. Ele — Zaryusu Shasha — olhou brevemente para baixo
e depois desceu as escadas a um ritmo constante.

Zaryusu apertou a marca em seu peito de escamas brancas.

Essa marca representava sua posição na tribo.

Tribos dos Lizardmen eram uma sociedade estritamente ordenada, e a autoridade má-
xima entre eles era o Chefe da Tribo. A posição não era hereditária; era concedida à pes-
soa mais forte da tribo. Todos os anos, eles realizam uma cerimônia para selecionar um
novo chefe tribal.

Além disso, havia um conselho de anciãos que aconselharia o chefe, composto pelos
membros mais velhos da comunidade. Abaixo deles estavam os guerreiros Lizardmen,
os Lizardmen comuns, as Lizardmen fêmeas e os Lizardmen juvenis. Juntos eles compu-
nham a sociedade Lizardman.

Claro, havia alguns Lizardmen que estavam fora dessa hierarquia.

Primeiro, havia os sacerdotes — mais druidas, na verdade — que previam perigo imi-
nente prevendo o tempo ou ajudando a tribo com magia curativa.

Então, havia os rangers, que formavam grupos de caça. Sua tarefa principal era pegar
peixes, mas os Lizardmen comuns também ajudariam nessa tarefa. Assim, seu trabalho
mais importante era suas atividades florestais.

Os Lizardmen eram onívoros, mas sua dieta principal era uma espécie de peixe com
cerca de 80 centímetros de comprimento, portanto não apreciavam verduras e frutas.
Mesmo assim, os caçadores ainda tinham que entrar na floresta para fins de registrar os
arredores. A terra não era segura para os Lizardmen; assim, especialistas eram necessá-
rios quando precisavam derrubar árvores.

Embora pudessem se mover como bem entendessem e tomar suas próprias decisões,
eles estavam sujeitos à autoridade do chefe tribal. A sociedade Lizardman era patrilinear,
com regras e responsabilidades claramente definidas para cada grupo.

Mas, no entanto, havia alguns que estavam fora da autoridade do chefe tribal.

Estes seriam os viajantes.

Pode-se pensar em estrangeiros quando a palavra “viajantes” é ouvida ou lida. No en-


tanto, isso era impossível. A sociedade Lizardman era fundamentalmente fechada, e não
admitia ninguém de fora da tribo.

Sendo esse o caso, quais eram esses viajantes?

Eles eram Lizardmen que queriam explorar o mundo.

Basicamente, Lizardmen não deixariam seus locais de nascimento a menos que fosse
uma questão de vida ou morte — por exemplo, quando o alimento tivesse acabado — ou
uma emergência igualmente grave. Ainda assim, havia alguns poucos Lizardmen que an-
siavam pela chance de ver o mundo lá fora.

Quando um viajante decidisse deixar sua tribo, ele receberia uma marca especial em seu
peito. Representando sua partida da tribo — e sua autoridade.

Muitas vezes, aqueles que saíam para viajar pelo mundo exterior não retornavam. Às
vezes morriam longe de suas casas, às vezes encontravam um lugar para ficar no vasto
mundo novo que haviam descoberto, e assim por diante. No entanto, raros viajantes vol-
taram para casa depois de se sentirem satisfeitos com o mundo.

Os viajantes que voltaram para suas cidades de origem foram altamente aclamados pelo
conhecimento do mundo exterior que trouxeram consigo. Eles poderiam ter sido pessoas
de fora que haviam evitado a autoridade do chefe, mas em um instante eles poderiam se
tornar celebridades locais.

Na verdade, havia alguns aldeões que mantinham uma distância respeitosa de Zaryusu,
mas na maioria dos casos os outros o viam com os olhos assombrados. No entanto, não
foi só porque ele era um viajante. Havia outra razão para seus olhares de admiração—

Quando ele pisou no pântano depois do degrau final da escada, sua arma favorita cha-
coalhou em sua cintura enquanto batia em suas escamas.
Tal arma tinha um fio pálido e afiado e emitia um brilho opaco. Tinha uma forma bizarra,
parecida com um sai cuja lâmina e punho se misturavam como um, mas a lâmina ficava
mais fina quanto mais se afastava do cabo, até o ponto que a ponta ficasse fina como papel.

Não havia Lizardman que não conhecesse esta arma. Era um dos itens mágicos conside-
[ D o r Gé l i d a ]
rados como os Quatro Grandes Tesouros das tribos Lizardmen — Frost Pain.

O fato dele possuir essa arma era uma das principais fontes da fama de Zaryusu.

Zaryusu continuou seguindo em frente.

Ele tinha dois destinos em mente. Em suas costas estava um presente que ele levaria
para um desses lugares.

O dito presente era quatro peixes, cada um com um metro de comprimento. Ele os car-
regou nas costas enquanto avançava, e o odor deles não causava repulsa, mas sim tor-
mento.

Como eu gostaria de comer esses peixes.

—Zaryusu teve que deixar esse desejo de lado enquanto suspirava várias vezes, as go-
tículas de água espalhavam em seus pés devidos as pegadas na lâmina rasa de água em
direção a aldeia Green Claw.

As crianças, cujas escamas verdes ainda eram luminosas e brilhantes, riram e gargalha-
vam enquanto corriam ao redor de Zaryusu, mas pararam quando viram o peixe grande
em suas costas. Ele podia ver crianças com apetites vorazes e olhos focados em Zaryusu
através das fendas entre as casas — ou melhor, focados no peixe que ele carregava. Quase
todos eles tinham suas bocas levemente abertas, provavelmente babando de antecipação.
Mesmo quando ele se afastou deles, seus olhos ainda estavam fixos a ele. Aqueles eram
os olhos das crianças implorando por lanches.

Zaryusu sorriu amargamente e fingiu não ter notado. Em vez disso, ele continuou. Ele já
havia decidido quem receberia este presente e, infelizmente, não seriam essas crianças.

O fato de que o brilho nos olhos das crianças não era inteiramente devido à fome agra-
dou Zaryusu, porque era uma visão que seria inimaginável anos atrás—

Depois de deixar os olhares para trás, Zaryusu passou por várias casas ao longo do ca-
minho antes de encontrar a residência que era seu destino.

Ele estava agora nos arredores da aldeia, e se continuasse, não estaria mais no pântano,
mas em uma parte bastante profunda do lago. As casas construídas nesta linha divisória
sutil pareciam bastante resistentes e eram maiores do que as de Zaryusu.
O estranho era que a casa estava ligeiramente inclinada, então metade dela estava sub-
mersa na água. No entanto, isso foi por design e não por alguma força externa.

Zaryusu se aproximou da casa, seus passos eram mais profundos agora, enquanto se
aproximava, gotículas ainda maiores de água banhavam seus pés a cada passo dado.

Quando ele chegou perto, um grito brincalhão veio de dentro. Talvez o seu ocupante
tivesse sentido o cheiro de alguma coisa.

Uma cabeça de serpente surgiu do que era equivalente a uma janela. Era uma cobra com
escamas marrons e olhos cor de âmbar. Quando avistou Zaryusu, esticou o pescoço para
fora e se enrolou em um tom de brincadeira ao redor dele.

“Bom garoto.”

Zaryusu acariciou o corpo da cobra de maneira amigável. A cobra pareceu achar muito
confortável e fechou os olhos — tanto as pálpebras quanto as membranas nictitantes.
Zaryusu também gostava da sensação das escamas sob os dedos.

Esta criatura era Rororo, o animal de estimação de Zaryusu.

Ele criara Rororo desde muito jovem, então parecia que ele estava realmente condu-
zindo uma conversa com seu dono.

“Rororo, eu trouxe sua comida. Coma devagar e não brigue por isso.”

Zaryusu jogou o peixe para dentro da casa através da janela, e batidas suaves vieram de
dentro.

“Eu queria brincar com você, mas eu tenho que verificar o criatório de peixes agora,
então talvez mais tarde.”

Talvez a cobra tenha entendido o que seu dono estava dizendo, mas relutantemente
aninhou-se contra o corpo de Zaryusu várias vezes antes de voltar para a casa. Logo, o
som de carne rasgando e vigorosa mastigação foi ouvido.

A maneira como Rororo rasgou sua comida sugeriu que ele estava em boa forma, e com
isso, Zaryusu ficou aliviado quando deixou a pequena casa atrás dele.

♦♦♦

Depois disso, o destino de Zaryusu era o lago à alguma distância da aldeia.

Seus pés pisaram contra o chão enquanto ele entrava na floresta. Ir nadando teria sido
mais rápido, mas Zaryusu tinha o hábito de checar os arredores para ver se alguma coisa
estava fora do lugar enquanto caminhava. No entanto, dado que a visibilidade era muito
limitada na floresta, ficar alerta era inevitável e causava “danos” mentais mesmo em al-
guém como Zaryusu.

Em pouco tempo, ele viu seu destino através das árvores. O fato de nada ter acontecido
encheu Zaryusu de uma sensação de alívio. Zaryusu acelerou o passo pela floresta, agora
que estava perto.

Depois de desviar de um ramo após o outro, Zaryusu saiu da floresta. Foi então que seus
olhos se arregalaram. Isso foi porque ele viu alguém surpreendente diante dele.

Esse alguém era um Lizardman negro que parecia muito com Zaryusu.

“Ani-ja—”

“—Então é você.”

O Lizardman negro virou-se para olhar Zaryusu com um olhar afiado. Este Lizardman
era o chefe da tribo Green Claw, assim como o irmão mais velho de Zaryusu — Shasuryu
Shasha.

Ele defendeu seu título como chefe em duas ocasiões anteriores e, sem ninguém para
desafiá-lo desta vez, ele manteve a posição de chefe. Seu corpo musculoso era de propor-
ções desconcertantes. Se alguém os mantivesse lado a lado, Zaryusu e seu corpo com
proporções mais equilibradas pareceria menor em comparação.

Uma velha cicatriz branca marcava suas escamas negras, como um raio que arqueia
através das nuvens de tempestade.

A espada em suas costas era uma espada pesada, sem adornos, com quase dois metros
de comprimento e forjada em aço. Era o símbolo do chefe e tinha sido encantada com
magias para evitar ferrugem e melhorar o fio.

Zaryusu se aproximou do lago e ficou ao lado de seu irmão.

“Por que veio aqui?”

“...Eu deveria estar te perguntando isso, não é mesmo, Ani-ja? Você não precisa vir aqui
pessoalmente, já que é o Chefe da tribo, entende?”

“Muu.”

Incapaz de responder a isso, Shasuryu grunhiu e voltou a olhar para o lago diante dele.

Pilares resistentes estavam visíveis, perfurando a superfície do lago, envolvendo uma


área entre eles. Redes densamente tecidas haviam sido amarradas entre os pilares. Seu
objetivo era imediatamente óbvio.
Este era um criatório de peixes.

“Será que... você veio aqui para beliscar comida?”

A cauda de Shasuryu mexeu em resposta às palavras de Zaryusu, e bateu no chão várias


vezes.

“Muu... nada disso. Eu apenas vim para ver como foi a criação vai indo.”

“...”

“Sério, irmãozinho. Você acha que o seu Ani-ja é alguém assim?”

Depois dessa afirmação contundente, Shasuryu deu um passo à frente. Embora Zaryusu
fosse um veterano moldado através de muitas batalhas desde seu tempo como viajante,
essa sensação de pressão — como se pressionado na parede — fez até alguém como ele
querer recuar.

No entanto, Zaryusu agora tinha a maneira perfeita de responder a ele.

“Se você estiver aqui apenas para ver como eles estavam crescendo, isso significa que
você não quer nada. Que pena. Eu estava pensando em te dar alguns se eles tivessem
grandes.”

“Muu.”

O som das batidas no chão desapareceu, e a cauda de Shasuryu ficou tensa.

“Sabe, eles são realmente deliciosos. Tratei deles muito bem, com muita comida sabo-
rosa e cuidei para que ficassem saudáveis e gordos. Eles são mais saborosos dos que
quaisquer outros.”

“É mesmo é...”

“Sucos frescos e agradáveis fluem quando você os morde. Uma vez que você realmente
mastiga um pedaço, a carne praticamente derrete na língua.”

“Muuuu~”

O som de uma cauda batendo soou novamente, mais intenso do que antes.

Zaryusu olhou para a cauda de seu irmão mais velho e, em tom brincalhão, acrescentou:

“A cunhada sempre disse que sua cauda é muito honesta, Ani-ja.”


“O quê? Aquela fêmea, como se atreve a zombar de seu marido assim. E que história é
essa de cauda honesta?”

Zaryusu não tinha idéia de como responder ao seu irmão mais velho, que estava olhando
para a própria cauda imóvel. Eventualmente, ele murmurou algo ao longo das palavras
de: “Isso pode ser verdade...”

“Hmph, aquela maldita fêmea... se você já esteve com uma, entenderia como me sinto
agora.”

“Você sabe que não posso me casar.”

“Hmph, que bobagem é essa? Você diz isso por causa dessa marca? Quem se importa
com aqueles anciãos, afinal? Nem uma única fêmea nesta aldeia o rejeitaria se você qui-
sesse alguma... mesmo aquelas com a cauda mais torneada deste mundo.”

As caudas dos Lizardmen eram usadas para armazenar nutrientes. Assim, uma cauda
grossa era muito atraente para os membros do sexo oposto. Zaryusu teria preferido fê-
meas de cauda grossas em sua juventude, mas depois de crescer e ver o mundo, ele optou
por evitá-las o máximo possível.

“Dado o estado atual da aldeia, não tem nada lá que me interesse, já que não gosto tanto
assim de caudas grossas. Se eu tivesse que escolher apenas pela cauda, prefiro ter um
com uma cauda mais magra. Pessoalmente, acho que alguém como a Cunhada já seria de
bom tamanho.”

“Bem, é normal pensar dessa maneira, dada a sua personalidade... Mas, honestamente,
você não deveria se deitar com fêmeas iguais a ela. Você pode acabar se machucando.
Haa, você deveria sentir como o casamento é ruim. É injusto que eu sou o único que tem
que passar por tal sofrimento.”

“Ei ei ei, Ani-ja, se você não tiver cuidado a Cunhada vai descobrir sobre isso.”

“Muu... viu só? Isso é parte do porque o casamento é ruim. Pessoas como você podem
me ameaçar, alguém que é seu irmão mais velho e seu chefe.”

Uma gargalhada alegre ecoou sobre o lago tranquilo.

Depois que Shasuryu se acalmou de sua alegria, ele observou o criatório de peixes diante
dele mais uma vez. Enquanto uma mistura complexa de emoções passava pelo seu cora-
ção, ele murmurou admirado:

“Ainda assim, você realmente fez um excelente trabalho aqui, com esse...”

Sentindo a perda de palavras de seu irmão mais velho, o irmão mais novo deu-lhe uma
mão amiga.
“Criatório de peixes?”

“Sim, isso mesmo. Ninguém fez isso antes em nossa tribo e agora todos sabem que criar
peixes é um plano viável. Se isso continuar, muitas pessoas vão começar a nos imitar de
inveja.”

“Isso é tudo graças a você, Ani-ja. Eu sei que você está vendendo a idéia para todos.”

“Zaryusu, que bem faria dizer algo assim? Não seria nada mais que jogar conversa fora.
O que realmente fica memorável foi o quanto se esforçou na criação de todos aqueles
deliciosos peixes deste criatório.”

Claro, ele falhou muitas vezes quando começou a montar seu criatório de peixes. Afinal,
era apenas uma idéia que ele teve depois de ter sido inspirado pelo que tinha visto e
ouvido em suas viagens. Até mesmo a rede ao redor rebentara inúmeras vezes, e levara
um ano inteiro de tentativa e erro antes de poder construir um criatório de peixes funci-
onal.

E, no entanto, as coisas não paravam por aí.

Os peixes tinham que ser cuidados e precisavam ser alimentados.

Ele havia jogado todos os tipos de ração para ver qual seria a mais eficaz e, como resul-
tado, ele havia matado todos os peixes do criatório mais de uma vez. Houve até casos em
que monstros derrubaram a rede de contenção, mandando-o de volta à estaca zero.

Outros membros das tribos haviam fofocado e desaprovado sobre o modo que ele estava
usando peixes como brinquedos, e alguns até o chamavam de idiota. No entanto, seu tra-
balho com afinco agora deu frutos.

Peixes grandes nadavam placidamente sob a superfície do lago. Eles eram maiores que
peixes capturados na natureza. Nenhum Lizardman acreditaria que eles tinham sido cri-
ados desde pequenos. Bem, ninguém, exceto o irmão mais velho de Zaryusu e sua cu-
nhada.

“...Bom trabalho, Zaryusu.”

Shasuryu murmurou seu elogio ao olhar o mesmo cenário de seu irmão mais novo. Sua
voz continha tons de várias emoções se misturando.

“É tudo graças a você, Ani-ja.”

A resposta de seu irmão mais novo foi cheia de tons de complexidade semelhante.

“Muu, o que eu fiz?”


De fato, seu irmão — Shasuryu — não tinha feito nada para ajudar. No entanto, isso foi
apenas em referente a fazer algo diretamente.

Sempre que algo acontecia com os peixes, um sacerdote aparecia imediatamente. Muitas
pessoas vieram ajudá-lo a coletar materiais para tecer as redes. E quando os machos da
tribo trouxeram peixes de volta para compartilhar, eles lhe dariam o peixe mais saudável.
Enquanto isso, os caçadores entregaram frutas para usar como alimento.

Todos esses ajudantes recusaram-se inflexivelmente a revelar a identidade da pessoa


que os enviara, mas não importava o quão estúpido Zaryusu fosse, ele tinha uma boa
noção de quem os enviara, bem como o fato de que essa pessoa não desejava ter sua
identidade conhecida.

Isso porque um chefe tribal ajudando alguém que se separou da tribo seria muito ina-
dequado.

“Ani-ja, quando os peixes ficarem maiores, vou ter certeza de que você é o primeiro na
fila para conseguir um.”

“Oh, estou ansioso por isso.”

Shasuryu se virou para ir embora e depois disse baixinho:

“Eu sinto muito.”

“Como assim, Ani-ja? ...Afinal, você não fez nada de errado.”

Ele não sabia se Shasuryu ouvira essas palavras. Tudo o que Zaryusu pôde fazer foi ob-
servar em silêncio enquanto seu irmão mais velho saía, caminhando ao longo da margem
do lago.

Depois de inspecionar as condições no criatório de peixes, Zaryusu voltou para a aldeia.


Então, uma sensação estranha o fez repentinamente olhar para o céu.

Não havia nada de anormal lá. A única coisa que ele podia ver no céu azul claro eram os
picos montanhosos cobertos de nuvens ao norte.

Em outras palavras, o cenário era perfeitamente normal.

Não havia nada de anormal lá. Assim que se perguntou se ele poderia estar imaginando
coisas, ele notou uma nuvem estranha no céu.

Ao mesmo tempo, nuvens espessas que apagavam o sol de repente apareceram no cen-
tro da aldeia. Elas eram tão densas e espessas que mergulharam a aldeia inteira na escu-
ridão.
Chocado, todos olharam para o céu.

Os sacerdotes disseram que hoje seria sol. Suas previsões meteorológicas eram bastante
precisas, sendo que eram baseadas em magia e conhecimento adquirido ao longo de mui-
tos anos de experiência. Assim, seria uma surpresa caso a previsão do tempo estivesse
errada.

No entanto, o estranho era que não havia nuvens no céu, exceto no céu diretamente
acima da aldeia. Era como se alguém tivesse conjurado aquelas nuvens para lá.

Essa estranha cena continuou a se manifestar.

As nuvens começaram a girar em torno da aldeia e, quando o fizeram, espalharam-se


para cobrir uma área maior. Era como se o céu estivesse sendo rapidamente devorado
por essas nuvens misteriosas.

Isso era altamente incomum.

Os guerreiros Lizardmen apressadamente se prepararam para a batalha. As crianças se


esconderam nas casas. Zaryusu baixou a postura e olhou ao redor, uma das mãos se fe-
chando ao redor do punho da Frost Pain.

As nuvens escuras agora enchiam o céu acima, mas ao longe ainda se via o céu azul. As
nuvens cobriam apenas a aldeia. Foi nesse momento que ele ouviu um som feito pelos
Lizardmen, que veio do centro da aldeia. Era um sibilar estridente carregado pelo vento.

Era um aviso. Alertava sobre um inimigo poderoso e a necessidade de fugirem imedia-


tamente.

Ao ouvir o aviso, Zaryusu imediatamente começou a acelerar os passos pelos pântanos,


e logo em seguida se tornou algo como um Lizardmen correndo.

Ele correu e correu e, correu mais um pouco.

Embora fosse difícil correr nas zonas úmidas, Zaryusu manteve o equilíbrio ao usar a
cauda como contrapeso. Com uma velocidade que nenhum ser humano poderia atingir
— claro, considerando que os Lizardmen eram mais adequados para este terreno — ele
chegou ao local de onde veio o aviso.

Zaryusu e os guerreiros formaram um círculo no centro da aldeia e olhavam para os


arredores. Seus olhos seguiram os deles, e logo ele estava olhando também.

Suas muitas linhas de visão convergiam em um só lugar — um monstro que parecia uma
nuvem de névoa negra.
Inúmeros rostos terríveis e em constante mudança emergiram de dentro da névoa. Os
rostos pertenciam a muitas raças e espécies, mas a única coisa que todos tinham em co-
mum era o fato de todos terem expressões agonizantes.

O vento carregava os sons de choro, gritos de agonia, ranger de dentes e os últimos sus-
piros de um moribundo. A maré interminável de barulho arrepiante fez Zaryusu estre-
mecer de medo.

...Isso é ruim... Devemos deixar os outros fugirem para que o Ani-ja e eu possamos cuidar
disso. Mas se fizermos isso...

Zaryusu facilmente esteva entre um dos principais combatentes das tribos dispersas, e
mesmo assim ele tinha medo do poderoso undead diante dele.

Neste momento, os únicos que poderiam se defender contra esse tipo de oponente eram
provavelmente ele e seu irmão mais velho. O mais importante era que Zaryusu ainda não
sabia quais habilidades especiais essa criatura undead possuía.

Olhando ao redor, ele notou que todos os guerreiros Lizardmen ao redor dele estavam
ofegantes e nervosos, como crianças assustadas.

O monstro que havia se apoderado do centro da aldeia ainda não havia feito nenhum
movimento.

Ele não sabia quanto tempo havia passado. Nesta atmosfera tensa, o menor movimento,
mesmo o vento soprando contra a grama, pode sinalizar o início de uma batalha cataclís-
mica. A melhor prova disso eram os guerreiros, que estavam lentamente se aproximando
de seus inimigos. Eles encolhiam seus ombros com o imenso estresse que vinha sobre
eles, então se moveram.

Zaryusu de canto do olho viu Shasuryu sacar sua espada. Com uma velocidade para igua-
lar a dele, Zaryusu também levantou a arma. Se houvesse luta, o plano deles era assumir
a liderança e atacar o inimigo antes de qualquer outro.

Isso não deve ser considerado imprudência se conseguirmos revelar as habilidades especi-
ais do inimigo para todos...

A tensão no ar ficou mais espessa — e então os gritos repentinamente cessaram.

O monstro falou com as vozes de muitos, misturados como um. Ao contrário das lamen-
tações vagas e indefinidas de antes, essa voz tinha um propósito claro.

“—Escutem bem. Eu sou um servo do Supremo, venho para transmitir uma men-
sagem para vocês.”
Uma onda de comoção se espalhou pela multidão. Todos se entreolharam. Apenas
Zaryusu e Shasuryu permaneceram focados no monstro.

“Eu proclamo formalmente que seus dias estão contados, pois o Supremo enviou
suas tropas para eliminá-lo. No entanto, em sua misericórdia, o Supremo conce-
derá a vocês a liberdade de lutar — por mais fútil que seja — por suas vidas. Em
oito dias a partir de agora, sua tribo se tornará o segundo sacrifício entre as tribos
de Lizardman deste lago.”

O rosto de Zaryusu se encheu de ferocidade. Ele mostrou os dentes e fez um rosnado


ameaçador.

“Lutem com todas as suas forças. O Supremo se deleitará em zombar de seus es-
forços.”

O monstro polimorfo do tipo névoa flutuava no céu.

“Não se esqueçam — daqui a oito dias...”

O monstro flutuou no céu azul claro, em direção à floresta. Enquanto os outros Lizard-
men observavam, Zaryusu e Shasuryu apenas olhavam para o distante céu.

Parte 2

A maior cabana da aldeia — a que normalmente servia como ponto de encontro — não
tinha muita utilidade em circunstâncias normais. Afinal, o chefe detinha autoridade ab-
soluta dentro da aldeia, de modo que dificilmente havia necessidade de realizar reuniões.
Assim, era um ponto de encontro apenas no nome. No entanto, uma energia bizarra inun-
dou a cabana hoje.

Atualmente estava cheio de muitos Lizardmen, e o interior originalmente espaçoso era


agora muito apertado. Além dos guerreiros Lizardmen, os sacerdotes, caçadores, anciãos
e o viajante Zaryusu estavam presentes. Todos sentaram-se de pernas cruzadas no chão,
olhando para Shasuryu.

Como chefe da tribo, Shasuryu anunciou o início da reunião e, em seguida, o chefe dos
sacerdotes foi o primeiro a falar.

Ela era uma Lizardman fêmea já de idade avançada, seu corpo estava pintado com mar-
cas brancas de aparência sinistra. Aparentemente, tinham algum tipo de significado, mas
Zaryusu não sabia qual era.
“Todos se lembram das nuvens que cobriram o céu? Aquilo foi magia. Eu sei de duas
magias que podem controlar o tempo. A primeira é 「Control Weather」, uma magia do
sexto nível. No entanto, isso não pode ser o caso aqui, porque um magic caster que pode-
ria usar tal magia seria uma figura lendária. A outra é uma magia do quarto nível,
「Control Clouds」. Apenas um poderoso magic caster poderia fazer essa magia, e ape-
nas um tolo se oporia a tal pessoa.”

Os sacerdotes pintados de forma semelhante assentiram em aprovação de onde esta-


vam alinhados atrás da Sumo Sacerdotisa.

Zaryusu compreendeu o quão poderoso era, mas muitos outros não conseguiam enten-
der o quão poderoso a magia era, mesmo depois de ser dito que era magia de 4º nível. A
sala logo se encheu de murmúrios intrigados.

A Sumo Sacerdotisa parecia desconcertada, sem saber como explicar a situação para
eles. Então, ela apontou para um dos Lizardmen. Tal Lizardman tinha uma expressão
perplexa no rosto também, e apontou para si mesmo.

“Sim, você. Você acha que poderia me vencer em uma briga?”

O Lizardman indicado apressadamente negou com a cabeça.

Ele poderia ser capaz de vencer se a luta fosse limitada a armas, mas se o uso de magia
também fosse permitido, então suas chances de vitória eram pequenas. Não — pequenas
não faziam jus; Um mero guerreiro como ele não teria chance alguma.

“Mesmo assim, alguém como eu só pode usar a magia do segundo nível na melhor das
hipóteses.”

“Em outras palavras, essa pessoa é duas vezes mais forte que você, Sumo Sacerdotisa?”

A Sumo Sacerdotisa não sabia quem havia feito essa pergunta, mas ela suspirou e balan-
çou a cabeça ao ouvi-la.

“Não é apenas ser duas vezes mais forte. Qualquer um que possa usar magias de quarto
nível pode matar nosso chefe facilmente.”

Ela ficou em silêncio, depois completou sua declaração com:

“Bem, não é um fato, mas é muito provável.”

Agora que eles sabiam como eram poderosas as magias de 4º nível, o interior da sala de
reuniões ficou em silêncio. Então, Shasuryu falou novamente:

“Então, o que está tentando dizer, Sumo Sacerdotisa, é que—”


“Acho que seria melhor fugir. Não temos chance, não importa o quanto lutemos.”

“Que bobagem é essa que está dizendo?”

Um imponente Lizardman ficou de pé com um grunhido baixo. Ele era facilmente do


tamanho de Shasuryu, e ele era o guerreiro principal da tribo.

“Você está nos dizendo para correr sem lutar!? Como poderíamos fugir de meras amea-
ças?”

“—Você é retardado? Eu estou dizendo que no momento em que lutarmos, será tarde
demais para nós!”

A Sumo Sacerdotisa também se levantou, seus olhos raivosos se encontraram com os do


Chefe Guerreiro. Ambos começaram a rosnar em tons baixos cheios de perigo. Assim que
as palavras “perigo iminente” passaram pela mente de todos, uma voz calma falou:

“...Vocês dois, se controlem.”

O Chefe Guerreiro e a Sumo Sacerdotisa piscaram, como se tivessem sido atingidos por
um raio de tristeza. Então, eles se viraram para olhar para Shasuryu. Eles se desculparam
e sentaram-se.

“Chefe dos Caçadores, me diga o que pensa.”

“...Eu entendo as opiniões do Chefe Guerreiro e da Sumo Sacerdotisa e concordo com o


que eles têm a dizer.”

A pergunta de Shasuryu foi respondida por um Lizardman magro. Dito isto, chamá-lo de
magro fazia-lhe um desserviço; sua construção era mais para um corpo definido do que
musculoso.

“Portanto, como ainda há algum tempo, não deveríamos observar atentamente as mu-
danças que nos rodeiam? A oposição diz que eles enviarão um exército, então faz sentido
que eles acampem. Isso requer muito trabalho de preparação, então por que não decidi-
mos depois de ver o que o inimigo faz?”

Não faz sentido discutir enquanto não sabemos nada — murmúrios para esse efeito pude-
ram ser ouvidos ao fundo.

“—Anciões.”

“Eu não posso tomar uma decisão aqui. Todo o parecer declarado tem seus méritos. O
resto depende de você, Chefe.”

“Huu...”
Os olhos de Shasuryu moveram e encontraram Zaryusu. Seu olhar parecia transmitir
um aceno de aprovação. Assim, com a sensação de ter sido gentilmente empurrado no
meio de algo — e talvez algo perigoso —, Zaryusu ergueu a mão para compartilhar sua
opinião.

“Chefe, eu gostaria de dizer alguma coisa.”

A atenção de todos os Lizardmen convergiu para Zaryusu. Todos pareciam ansiosos com
ele. Claro, alguns desses olhos estavam cheios de raiva.

Do lado de um dos anciãos veio a repreensão:

“Como ousa se dirigir a nós, viajante! Você deveria estar contente por termos deixado
você entrar aqui!”

“Agora sente-se e—”

Houve um baque alto de uma cauda que bateu com força no chão. Isso cortou as palavras
do ancião ao meio como uma lâmina afiada.

“Cale-se.”

Havia um tom assustador na voz de Shasuryu. Foi atada ao rosnar grave que qualquer
Lizardman fazia quando estava com raiva. Ninguém ousaria interrompê-lo quando ele
estava assim, e a tensão na cabana se elevou como a maré. O calor presente no ar conge-
lou como algo sólido.

Nesse momento, um dos anciãos falou. No entanto, ele não havia percebido que havia
muitos olhares reprovadores dirigidos a ele, incitando-o a não causar mais problemas.

“Mas Chefe, você não pode dar um tratamento especial a ele mesmo que ele seja seu
irmão. Os viajantes são—”

“Eu não disse a você para calar a boca?”

“Uuu...”

“Todos nesta reunião foram convidados porque têm algumas idéias relevantes sobre o
assunto. É estranho perguntar a um viajante sua opinião?”

“Mas os viajantes são—”

“Seu chefe declarou que não tem problema. Ou você está dizendo que pretende desafiar
minhas ordens?”
Shasuryu dirigiu seu olhar do ancião — agora em silêncio — para os outros líderes tri-
bais.

“Sumo Sacerdotisa, Chefe Guerreiro, Chefe dos Caçadores, vocês também acham que não
faz sentido ouvi-lo?”

“Há valor nas palavras de Zaryusu.”

O Chefe Guerreiro respondeu antes de qualquer outra pessoa e continuou:

“Nenhum guerreiro rejeitaria a opinião de quem brande a Frost Pain.”

“Eu também acho. Vale a pena ouvi-lo.”

O Chefe dos Caçadores disse em um tom casual. Por último a Sumo Sacerdotisa, que
simplesmente encolheu os ombros e respondeu:

“Claro que devemos ouvi-lo. Apenas um idiota escolheria ignorar o conselho de um in-
divíduo experiente.”

O conselho de anciãos franziu a testa sob essa barragem de escárnio. Shasuryu acenou
com a cabeça para as respostas dos três líderes e depois ergueu o queixo para indicar
que Zaryusu deveria falar. Enquanto ainda estava sentado, Zaryusu disse:

“Se eu tivesse que escolher entre fugir ou lutar, escolheria o último.”

“Oh... e por que isso?”

“Porque é a única opção real que temos.”

Em uma situação normal ele teria que explicar suas razões para dizer isso se o chefe
pedisse, mas Zaryusu não deu mais detalhes. Sua atitude parecia dizer: isso é tudo o que
existe.

Shasuryu segurou seu queixo com a mão, e ele parecia estar mergulhado em pensamen-
tos.

...Não me diga que você também percebeu... Ani-ja.

Enquanto Zaryusu lutava para evitar que seus pensamentos aparecessem em seu rosto,
a Sumo Sacerdotisa falou, com uma expressão desconcertada no rosto.

“...Ainda assim, podemos vencer?”

“Claro!”
O Chefe Guerreiro gritou com uma intensidade que poderia evaporar o desconforto no
ar, mas a Sumo Sacerdotisa simplesmente estreitou os olhos.

“...Não, acho que, dada a nossa situação atual, nossas chances de vitória são muito bai-
xas.”

Zaryusu respondeu em seu nome, negando as palavras do Chefe Guerreiro.

“...E o que você quer dizer com isso?”

“Chefe Guerreiro, o inimigo deve estar plenamente ciente sobre nós — sobre a nossa
força de luta. Caso contrário, eles não zombariam tão abertamente de nós assim. Sendo
esse o caso, se lutarmos com a nossa força atual, não poderemos vencer.”

Então o que devemos fazer? Quando esse pensamento passou pela mente de todos,
Zaryusu ocultou suas verdadeiras intenções e tomou a iniciativa:

“Isso significa que teremos que desafiar suas expectativas... todos ainda se lembram da-
quela guerra do passado?”

“É claro que sim!”, alguém respondeu.

Ninguém aqui era estúpido o suficiente para ter esquecido o incidente que acontecera
vários anos atrás. Ou melhor, eles teriam se lembrado da luta, não importando o quão
estúpidos eles fossem.

Sete tribos haviam ocupado esse pântano no passado. Foram as tribos Green Claw, Small
Fang, Razor Tail, Dragon Tusk, Yellow Speckle, Sharp Edge e Red Eye.

No entanto, apenas cinco dessas tribos existiam hoje em dia.

Isso porque houve uma guerra que tirou muitas vidas e destruiu duas tribos.

A causa dessa guerra foi a incapacidade de capturar peixes suficientes para alimentar
seu povo. Eventualmente, os caçadores foram forçados a deixar seu território e pescar
fora. Todas as tribos haviam feito isso.

Em pouco tempo, os caçadores de cada tribo se encontraram em pontos de pesca um do


outro. Uma vez que esse assunto dizia respeito ao suprimento de comida de suas respec-
tivas tribos, eles não podiam recuar.

Em pouco tempo, os argumentos se transformaram em violência, e essa violência ceifou


vidas.

Depois disso, os guerreiros de cada tribo começaram a viajar com seus caçadores para
apoiá-los, e assim as batalhas sobre a comida estouraram.
A guerra se arrastou em cinco das sete tribos, com as tribos Green Claw, Little Fang e
Razor Tail de um lado contra as tribos Yellow Speckle e Sharp Edge. Tornou-se um estado
de guerra total que não envolvia apenas seus guerreiros, mas até mesmo os machos co-
muns e as fêmeas Lizardman.

Depois de repetidas batalhas, a aliança contendo o Green Claw foi vitoriosa, enquanto
as outras duas tribos estavam tão desgastadas que não puderam mais funcionar como
tribos e se separaram. No entanto, os Lizardmen sem tribos foram absorvidos pela Dra-
gon Tusk, que não havia participado da luta.

A ironia era que a falta de comida que levara à guerra foi resolvida pela diminuição da
população de Lizardmen no pântano, porque todos que sobreviveram agora tinham pei-
xes suficientes para viver.

“O que essa guerra tem a ver com o que está acontecendo agora?”

“Pense no que o nosso inimigo disse. Ele mencionou que esta aldeia era “a segunda”. Isso
não implica que eles enviaram mensageiros para outras aldeias?”

“Oh...”

Murmúrios de compreensão se levantaram da multidão quando perceberam o que


Zaryusu queria dizer.

“Em outras palavras, você quer reformar a aliança, então!”

“...Nem pensar.”

“Ele tem razão. Devemos renovar nossa aliança.”

“Assim como na guerra do passado...”

“Isso significa que poderíamos ganhar?”

Os sussurros dos Lizardmen reunidos ficaram cada vez mais altos. Todos dentro da ca-
bana falaram sobre a plausibilidade da sugestão de Zaryusu, mas Shasuryu permaneceu
em silêncio. Ele não parecia que ia falar. Zaryusu não se atreveu a olhar seu irmão — pois
aquele olhar parecia ver através de seus pensamentos — nos olhos.

Depois de passar o tempo suficiente para todos discutirem o assunto, Zaryusu falou no-
vamente.

“Espero que não tenham a idéia errada. O que quero dizer é que façamos uma aliança
com todas as tribos.”
“Como assim!?”

O Chefe dos Caçadores — que era a segunda pessoa presente a perceber onde ele queria
chegar — exclamou em surpresa. Zaryusu olhou intensamente para Shasuryu, e todos os
Lizardmen abriram caminho para eles.

“Eu sugeriria formar uma aliança com as tribos Dragon Tusk e Red Eye também, Chefe.”

Essa bomba perturbou todos os presentes.

Eles não tinham tido relações anteriores com as tribos Dragon Tusk e Red Eye, já que
eles se abstiveram de lutar durante a guerra tribal. Além disso, a Dragon Tusk tinha re-
cebido os sobreviventes das tribos Yellow Speckle e Sharp Edge, por isso fazia sentido
considerá-los uma tribo potencialmente problemática no futuro.

Ainda assim, se eles pudessem se aliar àquelas duas tribos, isso formaria uma aliança de
cinco tribos.

Se funcionasse, eles podem ter uma chance de sobreviver. Assim que todos ousaram ter
esperanças com isso, Shasuryu perguntou sucintamente:

“Quem será o nosso enviado?”

“Me deixe ir.”

A resposta imediata de Zaryusu não assustou Shasuryu. Ele conhecia bem Zaryusu e,
com toda a probabilidade, já havia antecipado uma resposta como essa. Os Lizardmen
em volta deles murmuraram sobre como não havia melhor candidato para isso, mas uma
pessoa expressou sua insatisfação.

“—Enviar um viajante?”

Foi Shasuryu. Seu olhar frio e gelado perfurou Zaryusu.

“Isso mesmo, chefe. Isso é uma emergência, e se o outro lado não me ouvir, porque eu
sou um viajante, então não vale a pena se aliar.”

Zaryusu retornou o olhar frio. Depois de olhar um para o outro por um tempo, Shasuryu
sorriu tristemente. Talvez ele tivesse desistido de seu irmão, ou de persuadi-lo de seu
curso, ou já tivesse reconhecido que era o melhor para o trabalho, mas era um sorriso
genuíno e sem segundas intenções.

“—Leve o selo do chefe com você.”

O selo simbolizava que o portador agia com a autoridade do chefe, e não era algo que
um viajante pudesse ter permissão para possuir. Vários membros do conselho ancião
falaram, mas eles murcharam sob o olhar penetrante de Shasuryu e engoliram suas pa-
lavras.

“Muito obrigado.”

Zaryusu fez uma profunda reverência em agradecimento. Depois disso, Shasuryu conti-
nuou:

“...Nomearei nossos enviados para as outras tribos. Primeiro—”

♦♦♦

A noite caiu, e com isso veio uma brisa fresca. A umidade e o calor faziam os pântanos
parecerem opressivamente quentes, mas, uma vez que a noite chegasse, essa sensação
lentamente passaria. Certamente, uma vez que os ventos da noite soprassem, até o antes
abafado pântano ficaria um pouco frio. Claro, essas mudanças no clima não significavam
nada para os Lizardmen com suas peles grossas.

Zaryusu caminhou ao longo do pântano, indo para a casa de seu animal de estimação,
Rororo.

Embora ainda houvesse algum tempo para eles, uma emergência poderia surgir. Além
disso, não havia garantia de que o inimigo manteria a palavra, e eles poderiam fazer algo
para impedir Zaryusu. Depois de considerar esses fatores, Zaryusu chegou à conclusão
de que montar em Rororo era o melhor curso de ação.

O som dos passos de Zaryusu diminuiu e até que finalmente parou. Ele carregava um
pacote cheio de todos os tipos de itens, que chacoalharam quando ele parou. A razão pela
qual ele parou foi porque viu um Lizardman de aparência familiar emergir de trás da
cabana de Rororo, sob o luar.

Eles trocaram olhares, e então o Lizardman de escamas negras inclinou a cabeça como
se em confusão. Então diminuiu a distância entre eles.

“—Eu sempre senti que você deveria ter sido chefe.”

Essa foi a primeira coisa que o irmão mais velho de Zaryusu, Shasuryu, disse desde que
ele se aproximou dele.

“...O que está dizendo, Ani-ja?”

“Você se lembra da guerra?”

“Sim, por quê?”


Zaryusu foi quem o unificou à tribo — como ele não se lembraria? Então, ele percebeu
que Shasuryu provavelmente estava pensando a mesma coisa também.

“...Você sabe o quanto eu me arrependo de te marcar quando você se tornou um viajante


depois da guerra? Pensei que deveria ter tentado impedi-lo, mesmo que tivesse que fazê-
lo à força.”

Zaryusu balançou a cabeça. O rosto de seu irmão daquela época ainda estava preso no
fundo do coração.

“...Mas o porquê você me deu permissão para ser um viajante, foi porque eu poderia
voltar depois de aprender a cultivar peixes.”

“Você provavelmente teria descoberto uma maneira de fazer isso ficando nesta aldeia.
Um Lizardmen inteligente como você deveria estar nos liderando.”

“Ani-ja...”

Não se pode mudar os acontecimentos do passado. Portanto, falar sobre “e se” não tinha
sentido agora. Ainda assim, eles estavam discutindo esses assuntos porque eles na ver-
dade eram inseguros por dentro?

Não, não era por isso.

“...Estou lhe dizendo isso, não como chefe da tribo, mas como seu irmão. Não vou per-
guntar: “Você vai ficar bem sozinho?”, mas você precisa voltar em segurança. Não se es-
force muito.”

Zaryusu sorriu para essas palavras.

“Claro. Eu voltarei depois de completar minha missão. Deve ser fácil.”

Shasuryu respondeu com um “Muuu” e então sorriu amargamente.

“Então, se você falhar, eu vou me agraciar com o peixe mais gordo do seu criatório, é
isso?”

“Ani-ja, esse tipo de coisa não me incomoda. Na verdade, dizer coisas como essa não faz
você parecer forte.”

“...Muuu.”

E então, os dois sorriram.

Eventualmente, eles se olharam novamente, com expressões sérias em seus rostos.


“Então, suas intenções são apenas garantir uma aliança?”

“...Como assim? O que está tentando dizer?”

Os olhos de Zaryusu se estreitaram e então ele pensou:

Merda.

Dada a perspicaz percepção de seu irmão, a reação dele naquele momento era muito
ruim para ele.

“...Você parecia estar escondendo algo durante a reunião. Era quase como se você esti-
vesse tentando guiar os pensamentos de todos.”

Zaryusu ficou estupefato, mas Shasuryu continuou falando:

“...Eu acredito que uma das razões para essa guerra foi porque as pequenas disputas
entre cada tribo terminaram e o número de Lizardmen aumentou novamente.”

“Ani-ja, por favor, não diga mais nada.”

O tom firme de Zaryusu só pareciam dar credibilidade às palavras de Shasuryu.

“Então... foi isso.”

“...É a única maneira de impedir que uma guerra como essa aconteça novamente.”

Zaryusu falou aquelas palavras com um toque de resignação em sua voz. Ele achava que
seu esquema era perverso e desprezível. Se possível, ele gostaria de ter escondido de seu
irmão.

“...Então, o que você pretende fazer se as outras tribos recusarem uma aliança? Não há
como competir com eles se o nosso povo tiver sido exaurido pela batalha e pela guerra.”

“Se isso acontecer... nós vamos ter que eliminá-los primeiro.”

“Então, vamos começar matando nosso próprio povo?”

“Ani-ja...”

Ao ouvir a nota de súplica na voz de Zaryusu, Shasuryu riu, como se não pensasse nisso.

“Compreendo. Não há nada de errado com o seu modo de pensar. Na verdade, também
concordo com isso. O líder de uma tribo deve se preocupar com a sobrevivência de sua
tribo, então não se preocupe, irmão.”
“Obrigado. Então, eu devo trazer as outras tribos para a nossa aldeia?”

“Não. Se aquele monstro estava dizendo a verdade, nossa aldeia será a segunda. Então,
com toda a probabilidade, os combates mais violentos ocorrerão na primeira aldeia a ser
atacada. Em circunstâncias normais, seria melhor se reunir em um dos alvos posteriores
ou em uma aldeia mais defensável. No entanto, se nossas aldeias forem dizimadas, a vida
após a guerra será muito difícil para nós. Portanto, seria melhor fazer com que nosso
montante na primeira aldeia fosse atacada. Quanto às comunicações... pedirei à Sumo
Sacerdotisa que mantenha contato com você usando magia, então você poderia guiar os
outros líderes diretamente para o ponto de encontro?”

“Compreendo.”

Seria difícil enviar muita informação usando a magia que seu irmão tinha em mente, e
não funcionaria se a distância entre eles fosse grande demais. Era um método de comu-
nicação precário. No entanto, Zaryusu sentiu que seria suficiente, dadas as circunstâncias.

“E além disso, vou usar os peixes do seu criatório como ração.”

“Naturalmente. No entanto, espero que você deixe os alevinos e os peixes jovens. O cri-
atório só começou a funcionar recentemente e, mesmo que tenhamos que abandonar a
aldeia, poupar os pequeninos ajudará o criatório no futuro.”

“Eu prometo isso a você. Então, quantos dos nossos esses peixes podem alimentar?”

“...Se você incluir os sem gordura, deve haver o suficiente para cerca de mil.”

“Entendo... então o nosso problema alimentar será resolvido por enquanto.”

“Mm, eu vou deixar isso para você. Então, estou indo, Ani-ja. Rororo?”

Uma cabeça de serpente apareceu da janela em resposta ao chamado de Zaryusu. Suas


escamas brilhavam úmidas sob a pálida luz do luar. Elas brilharam fracamente enquanto
seu ângulo que a luz era refletida mudava, produzindo uma cena de beleza fantasmagó-
rica.

“Vamos sair. Você pode vir até mim?”

Rororo olhou para Zaryusu e Shasuryu e depois moveu a cabeça para trás. Isso foi se-
guido por um borbulhar e o som de algo pesado em movimento.

“Então, Ani-ja, gostaria de perguntar uma coisa. Quantas pessoas você planeja evacuar?
Dependendo das circunstâncias, talvez precise usar esse número como uma ferramenta
de negociação.”

Shasuryu apenas hesitou por um momento antes de responder:


“...Doze guerreiros, vinte caçadores, três sacerdotes, setenta machos, cem fêmeas... e al-
gumas crianças.”

“...Certo. Entendi.”

Zaryusu ficou em silêncio depois de ver o sorriso cansado de Shasuryu. Então, o som de
salpicos de água ecoou pela atmosfera opressiva. Os dois olharam para a fonte do som e
sorriram nostalgicamente.

“Muu... cresceu muito bem. Fiquei bastante chocado quando entrei em sua cabana.”

“Mmm. O mesmo vale para mim, Ani-ja. Eu não achei que ficaria tão grande. Afinal, era
muito pequeno quando eu encontrei.”

“Acho difícil de acreditar. Afinal, já era muito grande quando você o trouxe para a aldeia.”

Enquanto os dois relembravam o modo como Rororo se parecia quando jovem, quatro
cabeças serpentinas saíram da água perto da cabana. Eles se aproximaram de Zaryusu e
Shasuryu.

Só então, as cabeças da serpente subiram de repente, revelando uma forma massiva es-
condida dentro da água. Suas quatro cabeças reptilianas eram unidas ao seu corpo por
longos pescoços, e o dito corpo tinha quatro pernas.

Era uma fera mágica — uma Hydra.

Esse era o nome da espécie de Rororo.

Não era uma simples cobra, ainda mais dado o fato de que fazia ruídos de mastigação
quando Zaryusu arremessou os peixes.

Rororo tinha cinco metros de comprimento, mas era bem ágil e logo chegou ao lado de
Zaryusu.

Como um macaco subindo em uma árvore, Zaryusu graciosamente subiu no corpo de


Rororo.

“Você deve voltar em segurança. Além disso, não se preocupe muito com as coisas. Ficar
agitado e barulhento dizendo “Eu não vou deixar ninguém morrer hoje” é mais o seu estilo.”

“...Parece que eu estou mais crescido agora.”

Shasuryu bufou ao ouvir isso.


“Olha só, o pirralho se tornou um adulto que pode ficar por conta própria... Esqueça isso.
De qualquer forma, cuide-se. Se você não voltar, saberemos quem atacar primeiro.”

“Eu voltarei com segurança. Espere por mim, Ani-ja.”

Depois disso, os dois se entreolharam — os olhos cheios de emoção — e então cada um


partiu para seu caminho.

Parte 3

Havia muitos cômodos no 9º Andar da Grande Tumba de Nazarick. Apesar dos quartos
privados dos membros da guilda e dos NPCs, havia também uma grande banheira, uma
sala de jantar, um salão de beleza, uma loja de roupas, uma loja de conveniência, um cen-
tro de cuidados com a pele, uma sala de manicure e muitas outras coisas. Uma impressi-
onante variedade de instalações estava disponível aqui, abrangendo quase todas as for-
mas de serviço ou idéias imagináveis.

Essas instalações eram em grande parte sem sentido no jogo. E provavelmente haviam
sido criados porque seus criadores eram defensores dos detalhes e queriam que a
Grande Tumba de Nazarick se encaixasse na imagem de uma Arcologia. Em contraste,
pode ter sido uma resposta psicológica às condições miseráveis de vida que eles enfren-
taram no mundo real.

E então, havia o interior de um desses cômodos.

Era liderado pelo Sous-Chef da Grande Tumba de Nazarick. Ele normalmente mostrava
suas habilidades na sala de jantar, em certos horários e datas ele vinha a este lugar para
preparar comida para todos desfrutarem.

Esta sala tinha como tema um pequeno bar de coquetéis com poucos clientes habituais,
e o interior foi suavemente iluminado com lâmpadas escuras.

Continha uma prateleira de bebidas, um balcão com oito banquetas. Embora o cômodo
estivesse mobiliado com simplicidade, Sous-Chef pensava nele como “um lugar onde as
pessoas pudessem beber tranquilamente em paz”. Esse lugar que ele recebera era como
sua fortaleza pessoal, e isso o enchia de satisfação.

No entanto, alguns minutos depois de receber esse cliente pela primeira vez, ele perce-
beu que a atmosfera estava diretamente relacionada à natureza de sua clientela.

♦♦♦

*Glub glub glub, fuwaaah~*


A julgar pelo som, a cliente em questão acabara de tomar uma bebida de um só gole.

Enquanto limpava uma taça de vinho, Sous-Chef pensou vagamente:

Se você quer beber assim, há lugares melhores para isso.

E de fato, havia um bar social e um clube no 9º Andar, então não havia necessidade de
ela vir aqui e beber assim.

Com um baque abafado, o copo — provavelmente um do tipo highball, a julgar pelo ta-
manho — bateu no balcão. Sous-Chef lutou contra a raiva que ameaçava contorcer seu
rosto.

“Me dê outro!”

Sous-Chef foi obrigado a encher o copo mais uma vez. Depois de despejar vodka desti-
lada nele, ele adicionou um pouco de corante alimentar Azul No. 1.

Então, ele gentilmente misturou antes de entregar.

“Essa bebida é chamada de Lágrimas da Donzela.”

Ele havia inventado o nome agora enquanto a garota diante dele o encarava com um
olhar duvidoso. Aparentemente, ela nunca tinha visto uma bebida sendo misturada antes,
porque sua expressão imediatamente se transformou em gratidão.

“Oh, então a cor azul espalhada representa lágrimas?”

“Sim, está certa.”

Ele falou essa mentira sem qualquer hesitação.

Ela ergueu o copo e engoliu em um gole, como se estivesse bebendo café com leite após
um banho quente.

Então, como antes, ela bateu o copo no balcão com toda a força.

“Hoo, eu acho que está começando a fazer efeito.”

“Bem, a senhorita tem bebido muito depressa. Que tal parar e descansar esta noite?”

“...Não. Eu não quero.”

“Entendo...”
Sous-Chef pegou o copo e começou a limpar novamente. Sua irritação cresceu quando a
garota olhou para ele.

Se quer falar algo, então apenas vá e fale. É por isso que as mulheres são tão problemáticas.
Meus clientes devem ser senhores elegantes, não mulheres irritantes. Posso banir as mulhe-
res deste lugar... não, acho que não. Isso desrespeitaria os Seres Supremos. Ainda assim, isso
foi um erro da minha parte.

Esta mulher tinha sido convidada aqui por ninguém além de si mesmo. Quando ele a
encontrou no 9º Andar, ele a viu por trás e temia que ela estivesse deprimida. Assim ele
havia conversado com ela, algo que ele agora lamentava. Ainda assim, desde que ele a
convidou aqui como convidada, deveria tratá-la como dono de um bar faria.

Eu preciso ser hospitaleiro, mesmo que seja servir bebidas a ela, mas eu posso unir o útil
ao agradável!

Depois de se preparar psicologicamente, ele fez uma pergunta.

“Há algo errado, Shalltear-sama?”

Naquele momento, a garota — Shalltear — abriu a boca. Parece que ela estava espe-
rando por essa pergunta há muito tempo.

E também parecia que o palpite dele estava errado.

“Desculpe, eu não quero falar sobre isso.”

Está de sacanagem com minha cara!?

—E então seu rosto enrugou em uma carranca. No entanto, Shalltear não conseguia in-
terpretar as expressões faciais de Myconids, e por isso ela não comentou sobre isso. Em
vez disso, ela usou o dedo para brincar com o copo diante dela.

“Eu acho que estou um pouco bêbada”.

“...Não me diga.”

...Até parece.

Shalltear poderia ter sentido que estava bêbada, mas Sous-Chef estava totalmente con-
vencido de que não era o caso.

Embriaguez era semelhante a ser envenenado. Assim, era impossível que alguém imune
ao veneno se intoxicasse. Como um dos undeads, Shalltear era imune ao veneno, então
ela não poderia estar bêbada. O fato era que as pessoas que vinham para cá retiravam os
itens que os tornavam imunes ao veneno ou vinham aproveitar a atmosfera, já que sa-
biam que não se embebedariam.

Ainda assim, Shalltear acreditava que estava bêbada. Isso provavelmente era verdade
para ela — estava intoxicada pelo ambiente.

Enquanto Sous-Chef estava se perguntando o que deveria fazer em seguida, ele ouviu
um som maravilhoso. Ele se virou para a direção do som.

“Bem-vindo.”

“Olá, Peckii.”

Ele ganhou esse apelido porque parecia bastante similar a um certo cogumelo. A pessoa
que havia se dirigido a ele por esse apelido era um de seus clientes habituais — Mordomo
Assistente, Eclair. Ele estava acompanhado pelo criado que carregava Eclair pela cintura.

Eclair foi colocado em uma das banquetas, como era habitual. Isso porque Eclair tinha
apenas 100 centímetros de altura e tinha dificuldade para subir nas banquetas sozinho.

Ele ficou perplexo com a razão de dois de seus clientes — que estavam sentados lado a
lado — não se cumprimentarem. Então, ele olhou para Shalltear e descobriu que sua ca-
beça estava baixa e ela parecia estar murmurando para si mesma. Ele podia esboçar algo
que soava como um pedido de desculpas ao Supremo (Ainz Ooal Gown).

Com um movimento um pouco exagerado, Eclair sinalizou para uma bebida.

“Eu vou querer aquela.”

“Como desejar.”

Havia apenas uma bebida que veio à mente quando ele disse “aquela”.

Este seria um coquetel de dez cores feito com dez licores diferentes — Nazarick.

Não só o coquetel era visualmente atraente, mas seu sabor era agradável ao paladar.
Seus frequentes clientes aprovaram poderosamente e sentiram que era digno do nome
“Nazarick”, mas isso não era algo que ele recomendaria aos outros.

Sous-Chef havia experimentado repetidamente para ajustar o sabor, mas ele não sabia
quando estaria perfeito.

Com movimentos praticados a perfeição, ele derramou o coquetel de dez cores no copo
tipo Flute e o colocou na frente de Eclair.

“Isto é para você, senhorita.”


E então, um som de ~whoosh e um acidente aconteceu.

Talvez Eclair estivesse tentando entregar o copo para ela o fazendo deslizar sobre o bal-
cão, mas apenas um personagem de mangá ou uma pessoa muito habilidosa poderia fazê-
lo. Um pinguim não era nenhum dos dois.

Ele pegou o copo caído e deu um suspiro de alívio depois de ver que não estava danifi-
cado. Ele limpou o licor derramado e depois olhou para Eclair com um olhar infeliz:

“Eu poderia incomodá-lo para não fazer isso com suas nadadeiras? Se você insistir em
fazer isso, terei que conduzi-lo para fora dentro de um balde.”

“...Minhas mais sinceras desculpas.”

Shalltear levantou a cabeça. Parece que ela percebeu a presença de Eclair graças a seu
ato.

“Ara, se não é Eclair? A quanto tempo.”

“Já faz algum... Bem, parece que eu continuo vindo em sua direção sempre que a senho-
rita chega ao Nono Andar.”

“Mesmo?”

“Sim. Ainda assim... eu não esperava encontrá-la aqui. Eu sempre pensei que apenas o
Demiurge viesse aqui, entre os Guardiões. Acredito que uma vez ele veio aqui para beber
com Cocytus.”

“Oh, sério?”

Os olhos de Shalltear se arregalaram ao ouvir sobre seus colegas.

“Ainda assim, o que aconteceu para que começasse a gostar disso?”

“Eu acabei fazendo um grande... não, um erro terrível. Então eu vim aqui como uma
Guardiã depressiva para afogar minhas mágoas na bebida.”

Um olhar perplexo apareceu no rosto de Eclair, e ele perguntou ao Sous-Chef com os


olhos: O que há com essa garota? No entanto, ele também não sabia, então tudo o que ele
podia fazer era balançar a cabeça em resposta.

No entanto, ele ainda esperava que todos pudessem ser felizes enquanto bebiam. Com
isso em mente, Peckii sugeriu algo que surpreendeu os dois.

“Que tal tentar algo para melhorar seu humor? Um copo de suco de maçã, talvez?”
Os dois congelaram quando ouviram isso.

“Feito com maçãs colhidas no Sexto Andar.”

Essas palavras pareciam interessá-los, e eles assentiram em uníssono. Ele ficou satis-
feito em ver suas respostas sinceras.

Não tardando, ele trouxe dois simples copos de suco de maçã no balcão. Sous-Chef olhou
para o criado, imaginando se ele também queria, mas a oferta foi recusada silenciosa-
mente como de costume.

Naturalmente, ele tinha um canudo para Eclair, que era uma ave.

“O gosto é delicioso.”

“É muito bom, mas não sinto nada... talvez não seja doce o suficiente?”

Esse foi o comentário que os dois fizeram depois de beber suas bebidas de uma vez.

“Bem, não posso fazer nada quanto a isso. Eu já comi essas maçãs antes, elas não são tão
doces quanto as que estão guardadas em Nazarick.”

“Existe uma macieira no Sexto Andar? Eu não me lembro de nenhuma.”

Aparentemente, Shalltear tinha ouvido falar disso antes, pois ela respondeu em seu lu-
gar.

“Essas seriam as maçãs que o Ainz-sama trouxe? Eu ouvi da Albedo sobre um plano para
reabastecer nossos consumíveis, onde cultivaríamos sementes do lado de fora em Naza-
rick para ver se elas produziriam frutos.”

Peckii também tinha ouvido falar disso.

Ele também recebeu ordens de usar todo tipo de comida do lado de fora para fazer pra-
tos, a fim de ver se eles poderiam aumentar as estatísticas de quem se alimentasse com
elas.

“Sim, eu também ouvi isso. Se der certo, também haverá um pomar. No entanto, apenas
não são doces o suficiente.”

“Não, não que sejam intragáveis. Talvez este suco de fruta seja perfeito se você quiser
limpar seu paladar.”

“... Ainda assim, quem as está plantando? Aura e Mare estão ambos do lado de fora... As
feras mágicas estão encarregadas disso?”
“Não, não, isso seria a Dryad que o Ainz-sama trouxe do lado de fora.”

O rosto de Eclair parecia estar dizendo: “Quem?” Em contraste, Shalltear parecia estar
dizendo “Ah!”.

“...Entendo, então este é um caso da pessoa certa para o trabalho. Poderia ser que o Ainz-
sama estava pensando em algo assim desde o começo?”

“Qual é o problema? É alguém novo em Nazarick?”

Shalltear respondeu à pergunta de Eclair. Ele já tinha visto a Dryad de antes, mas não
conhecia os detalhes. Assim, ele levantou as orelhas e ouviu.

A Dryad havia sido trazida após a batalha para avaliar a capacidade de lutar em grupo
dos Guardiões. Aparentemente, houve algum tipo de acordo com a Dryad que resultou
no fato da Dryad ser levada a Nazarick para criar um pomar de maçãs.

“Isso significa que Nazarick está constantemente melhorando e crescendo, não é


mesmo?”

Os dois assentiram para as palavras de Eclair.

Quanto ao Sous-Chef, até então ele não tinha certeza sobre os detalhes deste assunto e
os planos futuros para a Grande Tumba de Nazarick. No entanto, ele agora entendia que
o último Ser Supremo que permaneceu aqui, Ainz Ooal Gown, estava tentando manter
sua força neste mundo e planejando aumentar ainda mais seu poder.

“Entendo. Isso significa que, no futuro, Nazarick pode ter muito mais recém-chegados
como a Dryad... estou correto?”

Shalltear inchou suas bochechas em desgosto depois de ouvir as palavras de Eclair.

“...Eu certamente espero que não. Como podemos deixar esses lixos andarem livremente
sobre os lugares que os Seres Supremos construíram?”

Ele também sentia o mesmo. Ele não pôde deixar de franzir a testa enquanto pensava
sobre as moradas dos Seres Supremos sendo manchadas por pessoas de fora. No entanto,
houve uma coisa que ofuscou esses sentimentos.

“Ainda assim, temos que suportar isso, porque essa é a vontade de Ainz-sama.”

A palavra do Ser Supremo, Ainz Ooal Gown, era absoluta. Se ele dissesse que algo branco
era preto, então certamente ficaria preto.

“Eu não pretendo desafiar a decisão de Ainz-sama!”


Os outros dois assentiram para o bramido de Shalltear.

“Então, precisaremos ser mais leais ao Ainz-sama, precisamos ser exemplos para as
massas. Claro, eu sinto que ninguém mais além da senhorita trairá o Ainz-sama.”

“Exatamente. Ah, sim, Shalltear, o que pensa disso? Neste momento, posso garantir-lhe
uma posição majestosa—”

Eclair começou seu discurso de recrutamento usual — e nunca bem-sucedido —, mas


foi abafado por um grito bizarro.

“Nãããããooo~”

Shalltear agarrou a própria cabeça enquanto gritava diante deles.

Seus gemidos eram preenchidos com promessas de lealdade.

“...O que aconteceu? Seu tom parece diferente do habitual.”

Em resposta à pergunta de Eclair, Sous-Chef apenas balançou a cabeça e encolheu os


ombros:

“Sei lá...?”
Capítulo 02: Reunindo os Lizardmen
Parte 1

sol estava alto no céu depois de meio dia de passeio em Rororo. Zaryusu

O
chegou ao seu destino sem encontrar nenhum dos inimigos que ele estava
preocupado.

Havia várias casas aqui que se assemelhavam às da tribo Green Claw, cer-
cadas por barricadas de estacas afiadas apontando para todos os lados. O espaçamento
entre as estacas era bastante grande, mas eram suficientes para afastar monstros como
Rororo. Havia menos estruturas aqui do que na tribo Green Claw, mas cada uma delas
era maior em escala.

Portanto, ele não podia determinar qual tribo tinha mais pessoas.

Cada edificação continha uma bandeira que esvoaçante ao vento. A dita bandeira estava
estampada com o símbolo Lizardman dos “Red Eye”.

Certamente, esse foi o primeiro destino que Zaryusu escolheu — a região da tribo Red
Eye. Depois de olhar ao redor, Zaryusu deu um suspiro de alívio.

Felizmente, eles ainda viviam no lugar que a informação passada lhe dissera. Ele temia
que eles tivessem migrado após a guerra anterior, se fosse o caso, ele teria que começar
encontrando a tribo.

Olhando de volta para a direção de onde ele veio, Zaryusu viu sua própria aldeia nos
limites de sua visão. Eles certamente devem estar preparando uma ampla recepção para
os convidados. Dado como ele se sentia desconfortável quando ele deixou sua aldeia, ele
estava bastante certo agora que não seriam atacados.

A melhor prova disso foi a chegada segura de Zaryusu aqui.

No entanto, ele não tinha certeza se isso era observado pelo ser chamado de Supremo
ou se esse desenvolvimento estava dentro do escopo de eventos previsto, pareceria que
o inimigo não pretendia voltar atrás em sua palavra, e nem pretendiam impedir os Lizar-
dmen de se prepararem.

É claro que, mesmo que as forças daquele Supremo “alguma coisa” — ou seja lá o que
fosse —, Zaryusu não teria escolha a não ser continuar com todas as suas forças.

Zaryusu desmontou de Rororo e espreguiçou-se preguiçosamente.

Embora cavalgar Rororo por longos períodos de tempo fizesse seus músculos enrijece-
rem, simplesmente esticar-se daquele jeito já o enchia de conforto.
Depois disso, Zaryusu indicou que Rororo deveria ficar onde estava e esperar. Então,
tirou um pouco de peixe seco de seus alforjes e os deu a Rororo, para que comesse um
café da manhã reforçado.

Originalmente, ele pretendia que seu pessoal trouxesse suas próprias provisões para cá,
mas não podia dar essa ordem porque o transporte poderia danificar os terrenos de caça
dos Red Eye.

Depois de afagar todas as cabeças de Rororo, Zaryusu partiu sozinho.

Se ele tivesse mantido Rororo ao seu lado, a presença da Hydra poderia deixar o outro
lado cauteloso demais para sair e falar. Como Zaryusu tinha vindo propor uma aliança,
ele não queria pressioná-los indevidamente.

A água espirrou em torno de seus pés quando ele avançou.

Do canto do olho, Zaryusu notou vários guerreiros da tribo Red Eye seguindo seus mo-
vimentos de dentro da barricada. Muito parecido com os guerreiros da tribo Green Claw,
eles não usavam armadura e carregavam longas lanças, cada uma das quais era essenci-
almente um bastão longo com ponta afiada de osso. Outros carregavam fundas, mas o
fato de que nenhum deles havia lançado projéteis nele sugeria que eles não tinham in-
tenção de atacar imediatamente.

Zaryusu também não queria agitá-los, então ele lentamente se aproximou até chegar ao
portão principal. Então, ele se virou para os Lizardmen observando-o com cautela, e gri-
tou em tom alto:

“Eu sou Zaryusu Shasha da tribo Green Claw! Procuro uma audiência com seu chefe!”

Depois de algum tempo, um Lizardman velho segurando um cajado nodoso chegou. Ele
era seguido por cinco membros da sua tribo. O corpo do velho Lizardman era pintado
com desenhos brancos.

Ele é o Sumo Sacerdote?

Zaryusu se fez parecer uma figura impressionante, mesmo ficando apenas parado e es-
perando.

Neste momento, eles eram iguais. Assim, ele não pôde mostrar nenhum sinal de fra-
queza. Zaryusu permaneceu imóvel enquanto o sacerdote inspecionava a marca em seu
peito.

“Eu sou Zaryusu Shasha da Green Claw. Há algo que devo discutir com você.”

“...Embora eu não queira recebê-lo, mas quem lidera nossa tribo decidiu conceder-lhe
uma audiência. Venha comigo.”
Esta resposta indireta deixou Zaryusu um pouco confuso.

O que o deixou perplexo foi por que ele não chamou tal Lizardman de “chefe”. Além disso,
eles não lhe pediram nenhuma prova de sua identidade. Dito isto, seria problemático se
ele falasse demais e os perturbasse. Com uma vaga sensação de que algo estava errado,
Zaryusu seguiu atrás do grupo de Lizardmen.

♦♦♦

Ele foi levado para uma casinha bem trabalhada. Era facilmente maior que a casa do
irmão de Zaryusu, em sua aldeia.

As paredes eram decoradas com desenhos pintados com tintas raras, implicando o alto
status de seu ocupante.

Curiosamente, esta casa não tinha janelas, embora tivesse orifícios de ventilação espa-
lhados por suas paredes. Como qualquer outro Lizardman, Zaryusu podia ver muito bem
no escuro.

No entanto, isso não significa que eles gostavam de viver na escuridão.

Sendo esse o caso, por que esse líder morava em uma cabana escura como essa?

Perguntas como essa apareceram na mente de Zaryusu, mas ninguém as respondia por
ele.

Olhando para trás, ele viu que o sacerdote e os guerreiros que o levaram para cá não
estavam mais nos arredores.

Ao ouvir as ordens dos que o guiava para que se retirassem, ele pensou que estavam
sendo muito descuidados e quase perguntara por que haviam feito aquilo.

No entanto, uma vez que Zaryusu soube que o pedido vinha do líder da aldeia — chefe
interino deles —, o seu respeito pela pessoa dentro da cabana só cresceu.

Zaryusu havia prometido a seu irmão mais velho que retornaria em segurança, mas isso
não significava que voltaria ileso. Cercá-lo com guerreiros armados para aplicar pressão
não adiantaria nada. Mas caso os Red Eye tivessem feito isso, ele teria ficado desapontado
com a falta de consideração.

No entanto, se a oposição já havia previsto isso, e preparasse uma grande demonstração


para ele...

Isso significa que eu vou lidar com um negociador experiente...


Zaryusu ignorou propositadamente as pessoas que o observavam de longe. Ele marchou
até a porta e se anunciou em alto tom:

“Eu sou Zaryusu Shasha da tribo Green Claw! Disseram-me que o líder dessa tribo estava
aqui! Posso solicitar uma audiência?”

Uma voz fraca respondeu, concedendo-lhe entrada. Era uma voz feminina.

Zaryusu entrou sem hesitar.

Como esperado, o interior era escuro como breu.

Mesmo possuindo visão no escuro, a mudança dramática nos níveis de luz fez Zaryusu
piscar.

Um odor acre pairava no ar, possivelmente de algum tipo de mistura de ervas. Zaryusu
esperava uma fêmea velha, mas a voz facilmente destruiu tal preconceito.

“Eu ofereço-lhe boas-vindas.”

A voz veio através de uma porta no interior do ambiente escuro, de modo que ele supu-
sera que devia pertencer a alguém idoso. Mas agora, ele percebeu que sua voz era jovem
e cheia de vigor.

Quando os olhos de Zaryusu finalmente se ajustaram à luz ambiente, a forma de uma


Lizardman revelou-se dentro de seu campo de visão.

Branca como a Neve.

Essa foi a primeira coisa que Zaryusu pensou quando a viu.

Suas escamas eram brancas como a neve e brilhantes como o dia, limpas e livres de im-
perfeições.

Seus olhos redondos e brilhantes eram carmesins, brilhando como rubis. Seu corpo es-
guio não era masculino, mas feminino.

Seu corpo estava coberto de desenhos tribais vermelhos e negros indicando que ela era
uma adulta, e que conhecia muitas magias — E que ela era solteira.

Zaryusu já foi perfurado por lanças antes.

Mas isso era uma dor lancinante que o fez sentir que algo quente tinha sido pressionado
vigorosamente contra o seu corpo, uma agonia que pulsava através de seu corpo no ritmo
das batidas do seu coração. Zaryusu experimentou algo assim.
Só que não doeu, mas—

Zaryusu permaneceu em silêncio sem se mover.

A reação de sua contraparte ao seu silêncio era ilegível. Com um sorriso escárnio, ela
perguntou:

“Parece que até mesmo o portador da Frost Pain — um dos Quatro Tesouros — me con-
sidera uma aberração também.”

Na natureza, o albinismo era uma condição muito rara. Isso porque os albinos eram
muito destacáveis no ambiente e tinham dificuldade em sobreviver aos rigores da vida.

O mesmo se aplica aos Lizardmen, que possuíam algum grau de civilização. Isso porque
eles não tinham tecnologia para permitir que peles sensíveis ao sol ou tivessem visão
sensível sobrevivessem. Como resultado, Lizardmen albinos adultos seriam ainda mais
raros, alguns até foram mortos assim que nasceram.

Entre os Lizardmen, ser considerado um mero incômodo não era a pior das coisas. Na
pior das hipóteses, alguns até eram considerados monstros. Esse era o significado do es-
cárnio em seu sorriso.

No entanto, nada disso se aplicava a Zaryusu.

“—O que há de errado com você?”

A fêmea surpresa perguntou a Zaryusu, que estava paralisado na porta. A resposta de


Zaryusu foi um grito que aumentou de tom antes de acabar, com alguns ruídos no meio.

Os olhos da Lizardman fêmea se arregalaram e seu queixo caiu levemente. Abrangia sua
surpresa, confusão e constrangimento.

Esse som era conhecido como um chamado de acasalamento.

Depois de perceber o ato tolo que ele havia inconscientemente executado, a cauda da
Lizardman fêmea balançou para frente e para trás; para um lizardman é o equivalente ao
corar de bochechas em humanos. Ela se debateu com tanta violência que parecia que a
casa seria derrubada.

“Er, ah, não. Não, não é isso. Eu não quis dizer isso, eu—”

A reação de pânico de Zaryusu pareceu acalmar a fêmea. Seus dentes se apertaram um


contra o outro em uma risada rangente, e então ela tentou consolá-lo em um tom exas-
perado.

“Por favor acalme-se. Será muito problemático para mim se você perder o controle aqui.”
“Ah! Desculpa.”

Depois de se desculpar, Zaryusu entrou na cabana. A essa altura, a cauda da Lizardman


fêmea já repousava no chão. Parece que ela finalmente conseguiu recuperar a compos-
tura. Ainda assim, a ponta ainda se contraia e estremecia, o que sugeriu que ela não se
acalmou completamente ainda.

“Por aqui, por favor.”

“—Obrigado.”

A fêmea conduziu Zaryusu para o que parecia ser um assento no chão que parecia ter
sido tecido de fibras vegetais. Eles ficaram frente a frente quando se sentaram.

“Prazer em conhecê-la. Sou um viajante da tribo Green Claw, Zaryusu Shasha.”

“Obrigado pela sua apresentação formal. Eu sou a Chefe Interina da tribo Red Eye,
Crusch Lulu.”

Depois de se apresentarem, os dois estudaram um ao outro, como se estivessem fazendo


uma avaliação de sua contraparte.

O breve silêncio encheu a cabana, mas não duraria. Zaryusu era um convidado, por isso
cabia a Crusch — como anfitriã — falar primeiro.

“Então, estimado convidado, não vamos nos limitar na cerimônia. Eu gostaria que pu-
déssemos falar livremente, então tudo bem se relaxar.”

Zaryusu assentiu em resposta ao pedido de relaxamento.

“Eu sou grata por isso. O fato é que não estou acostumada a conversar formalmente.”

♦♦♦

“Então, por que você veio aqui?”

Crusch já tinha uma idéia, apesar de sua pergunta.

O misterioso undead apareceu no centro de sua aldeia, o que implicava que outra pessoa
usou magia de controle de nuvens do 4º nível — 「Control Clouds」. Além disso, o visi-
tante era um herói Lizardman de outra tribo.

Assim, só poderia haver uma resposta. Assim que Crusch queria saber como reagir a
Zaryusu, ela ouviu uma resposta que superou completamente suas expectativas.
“—Por favor, case-se comigo.”

“...”

—?

—!

“Ah—?”

Por um momento, Crusch se perguntou se seus ouvidos estavam funcionando correta-


mente.

“Não é por isso que eu vim. Além disso, sei muito bem que esse tipo de coisa deve vir
depois que terminarmos de discutir negócios. No entanto, não posso negar o que sinto
no meu coração. Eu suponho que você possa zombar de mim, por eu ser um macho tolo.”

“Uu, er, mm. Oh...”

Depois de ouvir essas palavras que ela nunca ouvira antes desde o nascimento, e que
ela acreditava que nunca seriam direcionadas a ela, uma tempestade de caos dilacerou o
coração de Crusch e ela ficou completamente incapaz de se concentrar.

Zaryusu sorriu amargamente ao ver Crusch naquele estado e continuou:

“Eu sinto muito, mas é o que eu sinto. Eu não deveria estar fazendo algo assim em um
momento como este. Eu não me importo se você me disser sua resposta depois...”

Por muito tempo, Crusch finalmente conseguiu reunir seus pensamentos mais uma vez,
ou pelo menos conseguiu começar a pensar novamente. De qualquer forma, ela final-
mente se acalmou, mas quando as palavras de Zaryusu apareciam em sua mente, ela sen-
tia como se sua cabeça fosse queimar a qualquer momento.

Ela estudou o rosto do macho em frente a ela, tomando cuidado para não deixar ele per-
ceber enquanto ela avaliava sua expressão estoica.

Eu não posso acreditar que ele pode ser tão calmo depois de dizer esse tipo de coisa para
mim... ele faz propostas assim frequentemente? Ou ele está acostumado a ter pessoas o cor-
tejando... É verdade que ele é muito bonito... Ah! O que eu estou pensando!? Este deve ser o
esquema dele... sim, isso mesmo. Claramente, ele está apenas tentando me animar. Além
disso, não é como se alguém fosse propor a alguém como eu...!

Por nunca tendo sido cortejada antes, ela caiu em um turbilhão ao passar por essa ex-
periência. Ela não percebeu a maneira como a ponta da cauda de Zaryusu se contraia
levemente. O macho diante dela também estava lutando para controlar suas emoções e
impedi-las de irromperem.
“Er, hum... hm.”

Assim, o silêncio caiu entre eles por um tempo. Levaria um tempo até que os dois con-
seguissem esfriar a cabeça, aquecidos por pensamentos febris.

Depois de passar o tempo suficiente para que eles recuperassem a compostura, Crusch
percebeu que eles deviam retornar ao tópico original por enquanto.

Enquanto Crusch pensou em perguntar a Zaryusu sobre suas razões para vir a essa al-
deia, ela lembrou o que ele acabara de dizer.

Como eu poderia perguntar algo assim?

A cauda de Crusch bateu no chão com um *thwap*. O macho diante dela estremeceu,
como se tivesse sido atingido fisicamente.

Crusch entrou em pânico, percebendo que isso era um comportamento muito rude.

Mesmo que ele fosse um viajante, ele ainda era um representante de uma tribo. E ainda
não eram um Lizardman comum, mas um herói que portava a Frost Pain. Essa não era a
atitude que ela deveria estar tomando com alguém assim.

Mas é tudo culpa sua! Apenas se apresse e diga algo já!

Zaryusu havia escolhido o silêncio porque estava envergonhado com o que fizera, mas
Crusch não havia percebido isso enquanto tentava selar o vulcão em seu coração.

O silêncio continuou. Percebendo que isso não poderia continuar, Crusch se decidiu e
tentou mudar de assunto.

“Dado que você não tem medo da minha aparência, imagino que você deve ser muito
corajoso, estou errada?”

Ao ouvir a resposta autodepreciativa de Crusch, Zaryusu respondeu com uma expressão


que parecia dizer: Que absurdo você está falando?

O que diabos ele está pensando, afinal?

Crusch pensou.

“Eu disse, você não tem medo deste meu corpo branco?”

“...É como a neve que cobre as montanhas.”

“...Eh?”
“—É uma cor bonita.”

E, claro, ele teria que dizer a única coisa que ninguém nunca havia falado com ela antes.

O que esse Lizardman está dizendo!?

Incapaz de suportar a tensão interior, o selo das emoções de Crusch explodiu para tão
longe que nunca mais foi visto.

Ao ver Crusch com uma perda total para o que fazer a seguir, Zaryusu casualmente es-
tendeu a mão e tocou as escamas de Crusch. Sua mão roçou aquelas escamas lustrosas,
bonitas e aparentemente polidas — que eram um tanto frias ao toque.

“Shaa!”

Crusch engasgou em que soou como o susto.

Aquele som pareceu esfriar um pouco as cabeças deles.

Ambos sabiam que algo estava acontecendo com eles, mas não conseguiram se conter.
Pânico os preencheu de cima a baixo. Por que ele foi incapaz de se controlar e tocá-la? E
por que ela o deixou fazer isso? Essas questões tornaram-se ansiedade, o que, por sua
vez, tornou-se confusão.

No final, suas caudas bateram repetidamente no chão, com tanta força que toda a cabana
pareceu tremer.

Em pouco tempo, seus olhos se encontraram e perceberam o estado da cauda um do


outro. Então, suas caudas congelaram no meio do movimento, como se o tempo tivesse
parado para eles.

“...”

“...”

Pode-se descrever o clima no ar como pesado. A palavra “tensão” também seria bastante
aplicável. O silêncio desceu sobre eles mais uma vez, e eles estudaram uns aos outros o
mais furtivamente que conseguiram. Depois disso, Crusch finalmente conseguiu se re-
compor. Com um olhar em seus olhos que dizia que ela não deixaria nenhuma mentira
passar por ela, ela perguntou:

“...P-Por que... você fez isso de repente?”

Embora Crusch não tivesse expressado adequadamente o que queria dizer, Zaryusu pa-
recia ter percebido o significado e deu uma resposta direta e honesta.
“Eu acredito que é o que eles chamam de amor à primeira vista. Além disso, podemos
morrer nessa batalha, então eu não queria deixar nenhum arrependimento para trás.”

Crusch ficou perplexa em como responder à fervorosa confissão de Zaryusu. No entanto,


havia algo dentro daquelas palavras que ela não podia aceitar.

“...Então, até mesmo o portador da Frost Pain sente que pode morrer?”

“Nós não sabemos sobre o inimigo, então não podemos ficar pessimistas... Você viu o
monstro que eles usaram para transmitir sua mensagem? O que veio para a nossa aldeia
parecia assim...”

Zaryusu entregou a Crusch um esboço do monstro em questão. Ela olhou e assentiu.

“Mm, é o mesmo.”

“Você sabe que tipo de monstro é?”

“Não. Ninguém mais na minha tribo sabe.”

“Entendo... Bem, eu já vi um monstro assim antes...”

A voz de Zaryusu sumiu e ele estudou a reação de Crusch e disse:

“Eu fugi dele”.

“—Eh?”

“Eu não venci. Ou melhor, quase me matou.”

Depois de perceber o quão forte esse monstro era, Crusch deu um suspiro de alívio. Pa-
recia que acalmar os ânimos dos guerreiros tinha sido a coisa certa a fazer.

“Essa coisa pode confundir a mente com seus lamentos e é uma criatura incorpórea.
Armas não-encantadas são inúteis contra aquilo, então eu não poderia vencer apenas
com números.”

“Nós druidas temos magias que podem temporariamente encantar armas...”

“...Então, você pode se defender contra ataques mentais?”

“Podemos melhorar a resistência a esses ataques, mas proteger a mente de todos está
além de minhas capacidades.”

“Entendo... todos os sacerdotes podem lançar magias assim?”


“Quase quaisquer sacerdotes podem reforçar as resistências, mas eu sou a única na mi-
nha tribo que pode evitar a sensação de confusão.”

Crusch percebeu que a respiração de Zaryusu estava um pouco irregular. Parece que ele
percebeu que a posição de Crusch não era para se mostrar.

De fato, Crusch Lulu era uma druida veterana, e seus poderes eram provavelmente su-
periores a qualquer outro Sumo Sacerdote entre os Lizardmen.

“...Quando a tribo Red Eye será atacada?”

“Eles disseram que seriamos os quartos.”

“Entendo... então, o que pretende fazer?”

Algum tempo havia se passado.

Crusch debateu os méritos e deméritos de contar a ele. A tribo Green Claw certamente
escolheria lutar, e Zaryusu provavelmente estava aqui para garantir uma aliança para
lutar em conjunto. Como ela poderia transformar isso em vantagem para a tribo Red Eye?

Os Red Eyes nunca pretenderam formar uma aliança. Eles tinham a intenção de fugir.
Afinal, lutar contra qualquer um que pudesse usar magia de 4º nível era insensato ao
extremo. Não havia outra conclusão que pudessem pensar, uma vez que a oposição deles
também poderia conjurar undeads.

No entanto, seria realmente sensato dizer-lhes isso?

Enquanto seus pensamentos giravam dentro de sua cabeça, Zaryusu estreitou os olhos,
como se fosse revelar sua alma a ela.

“Deixe-me afirmar minha opinião sincera.”

Crusch não sabia o que Zaryusu diria a seguir e manteve os olhos afiados fixados nele.

“O que me preocupa é o que vai acontecer depois que evacuarmos nossos povos.”

Crusch não tinha idéia do que Zaryusu estava falando. Zaryusu calmamente se explicou:

“Você acha que pode continuar vivendo como se nada tivesse acontecido depois de
abandonar um lugar familiar?”

“Eu não penso assim... não, seria quase impossível, não é?”
Se eles deixassem este lugar e construíssem uma nova vida em outro lugar, isso impli-
caria a entrada em um novo ambiente. Eles teriam que apostar suas vidas em uma luta
pela vida e pela morte — pela sobrevivência — e vencer. E, em sua essência, os Lizard-
men não eram os governantes nativos desse lago. Eles lutaram durante anos para con-
quistar seu nicho nessas terras úmidas. Uma raça como a deles não poderia facilmente
se desenraizar e prosperar em território desconhecido.

“Isso quer dizer que pode ser difícil encontrar comida e abrigo, é isso?”

“De fato...”

Crusch respondeu em um tom um tanto estridente que transmitiu suas dúvidas.

“Então, o que aconteceria se todas as cinco tribos tentassem evacuar imediatamente?”

“Isso—!”

Crusch ficou sem palavras, porque ela já havia adivinhado as verdadeiras intenções de
Zaryusu.

A área ao redor do lago era espaçosa, mas em qualquer lugar que uma determinada tribo
fugisse também seria um território muito disputado para as outras tribos. Em outras pa-
lavras, apenas se mudar para um novo lugar provocaria uma batalha pela sobrevivência.
Além disso, todos estariam brigando por causa do peixe que era seu alimento básico. O
que aconteceria se os eventos se desenrolassem dessa maneira? Por tudo que eles sa-
biam, algo terrível poderia ocorrer, como aquela guerra do passado.

“Então você está me dizendo... a razão pela qual você quer lutar apesar da nossa falta de
confiança é—”

“—Sim. Não é apenas uma questão da minha própria tribo, mas também considerei
como diluir as perdas das outras tribos.”

“Que tipo de lógica é essa!?”

Foi por isso que ele queria que eles unissem e lutassem. Mesmo se perdessem, o número
de Lizardmen seria diminuído.

A idéia era radical — a idéia de que todos eram descartáveis, além dos guerreiros, caça-
dores e sacerdotes. No entanto, ela conseguiu entender a lógica por trás disso. Ou melhor,
quando se tem uma visão de longo prazo das coisas, sacrificar todos os outros é a escolha
mais sábia.

Se houvessem menos Lizardmen, eles não precisariam de muita comida. Dessa forma,
as várias tribos podem coexistir em harmonia.
Crusch procurou alguma maneira de negar essa idéia.

“—Você está me dizendo que quer reduzir nossos números e criar um lar em outro lugar
sem nem mesmo saber o quanto esse novo lar seria perigoso?”

“Então deixe-me perguntar-lhe isto — o que acontecerá caso vencermos facilmente a


batalha pela nossa sobrevivência? Quando o suprimento de peixe ficar baixo, as cinco
tribos se massacrarão novamente?”

“Até onde sabemos, pode ser mais fácil pegar peixes no futuro!”

“E se não for?”

Crusch não sabia como responder a resposta fria de Zaryusu.

Zaryusu parecia estar assumindo o pior cenário durante o planejamento, o que parecia
uma posição extrema para Crusch. Se eles fizessem o que ela estava pensando, então uma
tragédia aconteceria quando as coisas ficassem difíceis. No entanto, se eles fizessem
como Zaryusu sugeria, então a tragédia poderia ser evitada.

Além disso, mesmo que os Lizardmen adultos morressem em batalha, não seria algo
triste segundo eles, pois seria uma morte gloriosa.

“...Se alguém recusar a nossa proposta, então teremos que enfrentá-los primeiro.”

Seu tom frio fizera Crusch estremecer.

O que ele queria dizer era que ele não permitiria que a tribo Red Eye migrasse para
outro lugar com seus números inalterados.

Era uma conclusão sensata e muito apropriada.

Quando as tribos depreciadas corressem para a tribo Red Eye — cuja força não diminuía
— elas correriam risco de aniquilação. Para evitar isso, a única escolha que tiveram seria
atacar quaisquer tribos que não optassem por aderir à aliança. Uma decisão perfeita-
mente racional de fazer a partir da perspectiva de um líder cujo povo estava em perigo,
e se ela estivesse no lugar dele, ela poderia muito bem ter tomado essa decisão também.

“Eu sinto que, se formarmos uma aliança, mesmo se perdermos, haverá uma chance mí-
nima de conflitos quando nossas tribos se mudarem para novas terras.”

Crusch não entendeu o significado daquelas palavras, e a dúvida apareceu em seu rosto.
Foi então que Zaryusu decidiu se explicar em termos mais simples.
“Sinto que a aliança fomentará um espírito de cooperação mútua e mudará nossas pers-
pectivas. Todos serão companheiros que derramaram sangue juntos, e não pessoas de
tribos diferentes.”

“Então é isso.”

Crusch murmurou quando a iluminação a atingiu.

Em outras palavras, as tribos que lutaram umas contra as outras não necessariamente
recorreriam à violência quando a comida ficasse escassa. No entanto, dada a opinião de
Crusch e suas experiências passadas, ela se perguntou se eles poderiam alcançar tal es-
tado.

Assim que Crusch abaixou a cabeça e começou sua contemplação, Zaryusu perguntou:

“Falando nisso, como sua tribo sobreviveu aquele período, afinal?”

Crusch levantou a cabeça, como se tivesse sido espetada por uma agulha. Ela olhou rigi-
damente para Zaryusu, que tinha uma expressão de surpresa no rosto.

Então ele realmente não tem idéia sobre o motivo e decidiu perguntar.

Embora eles não se conhecessem há muito tempo, Crusch tinha uma compreensão gros-
seira da personalidade de Zaryusu, e seus instintos lhe disseram que sua pergunta não
representava ameaça para sua tribo.

Crusch estreitou os olhos e olhou para Zaryusu, como se tentasse penetrá-lo com seu
olhar afiado. Ela sabia que Zaryusu ficaria confuso sobre o porquê alguém estava olhando
para ele daquele jeito, mas mesmo assim, ela ainda tinha que fazer isso.

“—Devo lhe dizer?”

♦♦♦

Seu tom estava cheio de desdém e ressentimento. Tão grande foi a mudança que
Zaryusu se perguntou se estava falando com outra pessoa.

No entanto, Zaryusu não recuaria já que chegou até aqui, pois isso era potencialmente
uma salvação que poderia atingir a todos.

“Eu gostaria de ouvir. Foi pelo poder dos sacerdotes? Ou havia outro jeito? Talvez possa
haver uma maneira de economizar—”

Zaryusu cortou suas palavras no meio do caminho.


Se houvesse realmente uma maneira de salvar a todos, o olhar no rosto de Crusch não
teria sido tão amargo.

Talvez Crusch sentisse o que Zaryusu estava pensando, mas ela riu, como se zombasse
de si mesma.

“Você está certo. Não há como salvar a todos.”

Ela disse isso e sorriu sem forças.

“Nós recorremos ao canibalismo — comendo nossos companheiros mortos”.

O impacto desses dizeres deixou Zaryusu sem palavras. Matar os fracos — reduzindo
seus números — não era proibido, mas comer um dos outros era uma prática impura,
um tabu entre os tabus.

Por que ela está me dizendo isso? Por que ela está me dizendo algo que deveria ter mantido
em segredo toda a sua vida, para alguém de fora da tribo — para um visitante? Será que
ela não pretende deixar-me sair vivo... não, não parece ser o caso.

♦♦♦

Até mesmo Crusch ficou surpresa com o porquê de estar contando a Zaryusu tudo isso.

Ela sabia muito bem que sua tribo seria vilificada por isso. Mas por quê—

E então ela continuou falando, como se sua boca não estivesse mais sob seu controle.

“Naquela época — durante a guerra tribal — nossa tribo estava em apuros devido à falta
de comida. No entanto, nós não participamos da luta porque nossa tribo tinha mais sa-
cerdotes e desproporcionalmente menos guerreiros. Os sacerdotes podiam criar comida
com magia.”

Como se estivesse sob o controle da vontade de outrem, Crusch prosseguiu.

“No entanto, a comida que os sacerdotes criavam com magia era pouco mais do que uma
medida paliativa, e nossa tribo estava lenta e seguramente indo em direção à destruição.
No entanto, um certo dia o chefe trouxe de volta um pouco de comida; carne vermelha
fresca.”

—Talvez eu queira confessar... meus pecados para ele.

O som de Crusch rangendo os dentes encheu o ar.

O macho diante dela ouviu silenciosamente. Ela poderia ser repelida por ele, mas ele
não mostrou absolutamente nenhum sinal.
Crusch agradeceu por isso.

“Todos tinham uma idéia de qual tipo de carne era. Havia leis estritas estabelecidas e as
famílias que as violassem eram exiladas. O chefe só trazia a carne depois que os exilados
fossem embora. Mas todos ignoraram essa coincidência e comeram a carne para sobre-
viver. Claro, as coisas não poderiam continuar assim para sempre. Os sentimentos repri-
midos de todos subiram a cabeça até que explodiram.”

Crusch fechou os olhos e recordou o rosto do chefe anterior.

“Nós, que comemos essa carne... mesmo quando sabíamos o que era... nós éramos cul-
pados do mesmo crime que o chefe. Quando penso nisso agora, quase parece risível.”

Depois que ela terminou seu monólogo, Crusch olhou Zaryusu nos olhos. Como ela não
viu nenhum sinal de repulsa em seus olhos, uma emoção sutil de prazer correu através
dela, seguido de surpresa por sua alegria.

Por que ela estava tão feliz com isso?

Crusch começou a perceber a resposta para essa pergunta.

“...Por favor, preste atenção. Às vezes, pessoas como eu nascem na tribo Red Eye.
Quando crescem, desenvolvem alguma forma de habilidade especial — no meu caso, eu
era talentosa na magia sacerdotal. Portanto, eu estava entre as candidatas para ser a pró-
xima chefe tribal... e então levantei minha bandeira em revolta contra o chefe. Essa bata-
lha dividiu a tribo em dois, mas vencemos porque éramos mais fortes.”

“E então seus estoques de comida agora eram adequados porque seus números haviam
diminuído?”

“Sim... e no final, nossa tribo sobreviveu. Quando nos rebelamos, o chefe resistiu até o
amargo fim e morreu depois de ser coberto por inúmeras feridas. Antes de receber o
golpe fatal, ele olhou para mim e sorriu.”

As palavras escorregaram dolorosamente de Crusch.

Essa era a culpa que estava inflamada em seu coração desde que ela matou o chefe an-
terior.

Ela não podia confessar esses seus pecados para as pessoas que tinham ficado ao lado
dela, cúmplices de sua traição. Mas agora, ela podia desabafar para Zaryusu. Foi por isso
que ela estava falando sobre o passado.

“Foi um sorriso que eu não esperava receber, ainda mais para a pessoa responsável por
sua morte. Não havia ódio, ressentimento, hostilidade ou malícia ali — era um sorriso
lindo! Eu estava pensando... será que o chefe fez o que fez por levar tudo em considera-
ção? Em contraste, estávamos apenas agindo com hostilidade e idealismo. O chefe era o
certo! E depois que o chefe morreu — isto é, depois que o bode expiatório por todos os
nossos pecados foi morto — nossa tribo se uniu mais uma vez. Além disso, ele nos deixou
o presente de despedida para resolver nossa escassez de alimentos!”

A essa altura, Crusch já havia chegado a seu ponto de ruptura.

Ela lutou por muito tempo com sua culpa e o fardo de se tornar a Chefe Interina. Assim,
quando ela desabafou, ela o fez com uma força tremenda. No entanto, Crusch engoliu o
dilúvio iminente dentro dela, porque ela sabia que se permitisse que seus pensamentos
caíssem no caos, ela poderia até não ser capaz de falar.

Um soluço quieto encheu o ar. Biologicamente falando, era uma quantidade insignifi-
cante de lágrimas, mas o fato era que, em um nível psicológico, ela havia sido quebrada
ao ponto de chorar.

♦♦♦

Que corpo pequeno e frágil ela tinha.

No mundo natural, a fraqueza era intolerável. Enquanto as crianças ainda eram um


grupo protegido, o mesmo não poderia ser dito sobre os adultos, havia pouca diferença
entre lizardmen machos e fêmeas; todos eles valorizavam a força. Deste ponto de vista,
ele deveria estar desprezando a fêmea diante dele. Afinal, como poderia o líder de uma
tribo mostrar fraqueza diante de um membro de outra tribo — diante de um estranho?

No entanto, Zaryusu pensava diferente.

Talvez ele achasse que ela era uma fêmea bonita, mas mais do que isso, parecia-lhe uma
guerreira. Ela era uma guerreira ferida, ofegante e desesperada, mas continuava avan-
çando. Zaryusu sentiu que isso estava apenas revelando seu lado vulnerável.

Se ela ainda estava disposta a se levantar e avançar, então ela não poderia ser conside-
rada fraca.

Zaryusu se aproximou e gentilmente envolveu os braços ao redor de Crusch.

“—Não somos oniscientes e cada um de nós pode tomar uma decisão diferente em uma
situação diferente. Se eu tivesse no seu lugar, eu poderia ter feito a mesma coisa. Mas eu
não quero tentar consolá-la nem nada, porque não existe uma resposta certa neste
mundo. Tudo o que podemos fazer é escolher seguir em frente, e sinto que, mesmo de-
pois de todo o arrependimento, miséria e feridas que cobrem as solas dos seus pés con-
tinuarem te atormentando, tudo o que você pode fazer é escolher avançar.”
O calor de seus corpos fluía um para o outro e o pequeno tremor de seus batimentos
cardíacos eram compartilhados. Por um momento, parecia que seus corações estavam
lentamente se sincronizando.

Que sensação estranha.

Este era um calor que Zaryusu nunca sentiu antes em sua vida. Não foi porque ele estava
abraçando um Lizardman.

Será que é porque estou abraçando essa fêmea — Crusch Lulu — em meus braços?

Em pouco tempo, Crusch se livrou do peito de Zaryusu.

Zaryusu lamentou por um momento a partida de seu calor, mas ficou em silêncio porque
não sabia expressar esse sentimento.

“Parece que eu me envergonhei na sua frente... você pensa menos de mim agora?”

“O que você quer dizer, se envergonhar? Eu pareço o tipo de macho que riria de alguém
que continuava seguindo em frente? Mesmo com suas feridas e preocupações sobre o
futuro? ...Eu acho que você é muito bonita.”

“—!”

“—!”

A cauda branca se enrolou e bateu repetidamente no chão.

“...Oh céus.”

Zaryusu não perguntou sobre o que Crusch quis dizer com essas palavras. Em vez disso,
ele fez outra pergunta.

“Certo, a tribo Red Eye cria peixes?”

“Cria?”

“Sim, como na criação e nutrição de peixes para serem comidos.”

“Nós não fazemos isso, porque os peixes são uma bênção da natureza.”

Pelo o que Zaryusu sabia, nenhuma tribo de Lizardman jamais havia praticado a criação
de peixes. Isso porque eles achavam que cultivar sua própria comida era uma forma de
blasfêmia.
“Isso parece ser o que os sacerdotes— o que os druidas pensam. Você poderia tentar
mudar suas mentes e persuadi-los a criar peixes para encher suas barrigas? Os sacerdo-
tes da nossa tribo parecem ter aceitado isso.”

Crusch assentiu.

“Então, vou ensiná-lo a criar peixes. O importante é o alimento deles; você precisa ali-
mentá-los com os frutos conjurados por magias druídicas. Os peixes ficam grandes e gor-
dos quando se alimentam deles.”

“É realmente certo você me contar os segredos da criação de peixes?”

“Claro. Não faz sentido esconder isso. É mais importante que eu ajude tantas tribos
quanto possível.”

Crusch curvou-se profundamente para Zaryusu e levantou a cauda em agradecimento.

“Você tem a minha maior gratidão.”

“Você... Bem, você não precisa me agradecer, mas, em troca, gostaria de perguntar uma
coisa novamente.”

A emoção desapareceu do rosto de Crusch, e essa mudança de atitude acalmou o coração


de Zaryusu.

Essa era uma questão que ele não podia evitar. Zaryusu respirou fundo e Crusch tam-
bém.

E então, Zaryusu perguntou:

“O que a tribo Red Eye pretende fazer sobre a próxima batalha?”

“...Depois do que discutimos ontem, estamos atualmente a favor de fugir.”

“Então, Chefe Interina Crusch Lulu, deixe-me perguntar mais uma vez — você ainda se
sente da mesma maneira?”

Crusch não pôde responder.

Era natural hesitar, dado que isso se referia ao destino da tribo Red Eye.

No entanto, Zaryusu não pôde fazer nada a respeito dessa resposta, mas forçou um sor-
riso a seu rosto.

“...Você tem que tomar essa decisão. Eu acredito que a razão pela qual o chefe anterior
sorriu para você foi porque ele estava confiando a você o futuro da tribo. Sendo esse o
caso, agora é a hora de viver de acordo com essa confiança em você. Isso é tudo o que
tenho a dizer. O resto é com você.”

Os olhos redondos de Crusch percorreram o ambiente. Não implicava que ela queria
fugir ou procurar ajuda, mas que ela estava procurando a resposta certa dentro de seu
coração.

Independentemente do resultado, tudo que Zaryusu tinha que fazer era aceitar a res-
posta.

“Como Chefe Interina, posso perguntar quantas pessoas você pretende evacuar?”

“Por enquanto, estamos planejando evacuar doze guerreiros, vinte caçadores, três sa-
cerdotes, setenta machos, cem fêmeas e algumas crianças.”

“...Quanto aos outros?”

“—Dependendo das circunstâncias, podemos ter que deixar todos morrerem.”

Crusch olhou para o vazio e murmurou:

“—E agora.”

“Então, por favor me dê sua resposta, Chefe Interina Crusch Lulu, da tribo Red Eye.”

♦♦♦

Crusch considerou suas opções.

Ela poderia matar Zaryusu. Pessoalmente falando, ela não queria fazer isso, mas era um
assunto diferente se fosse sua responsabilidade como Chefe Interina.

Que tal matá-lo e fugir com o resto da aldeia?

Crusch abandonou essa linha de pensamento, porque era uma aposta extremamente
perigosa e dizia respeito ao futuro deles. Além disso, não havia garantia de que ele real-
mente tivesse vindo sozinho.

Então, que tal concordar com ele e depois fugir com todos?

Isso provavelmente seria problemático também. Se eles tentassem ser espertos e con-
fusos, isso poderia levar a uma guerra com a tribo Red Eye — uma que levaria ao exter-
mínio de seu povo. Afinal, a intenção deles era reduzir a população, e não importava
quem morresse para que isso acontecesse.
Por fim, se ele não recebesse uma resposta concordando com uma aliança, ele provavel-
mente levaria um exército para a tribo Red Eye para destruí-los.

No entanto, ela não sabia se Zaryusu havia percebido que havia uma falha nesse plano.
O problema da escassez de alimentos ainda permanecia.

Então, a iluminação surgiu em Crusch e ela sorriu. Nunca houve uma saída para começar.
A partir do momento em que Zaryusu propôs a aliança; desde o momento em que ele
sugeriu que trabalhassem com a tribo Green Claw—

O único caminho para a tribo Red Eye sobreviver era aliar-se a eles e juntar-se à batalha.
Zaryusu deveria ter percebido isso também.

Mesmo assim, ele queria que Crusch lhe desse a resposta. Ele provavelmente queria ver
se Crusch — a líder da tribo — era digna de ficar ao lado dele como companheira.

Depois disso, tudo o que restou foi falar sua decisão.

No entanto, se ela dissesse a ele, muitas pessoas certamente morreriam. Ainda assim—

“Deixe-me esclarecer uma coisa. Nós não estamos lutando para morrer, estamos lutando
para vencer. Eu posso ter dito muitas coisas que te deixaram desconfortável, mas se der-
rotarmos o inimigo, podemos rir de tudo isso no fim. Espero que você entenda isso.”

Crusch assentiu para mostrar que entendia.

Ele era um Lizardmen compassivo. Com isso, Crusch respondeu com sua decisão:

“...Nós, a tribo Red Eye, nos uniremos a vocês, para garantir que o sorriso do chefe ante-
rior não tenha sido em vão, e também porque eu quero dar à tribo Red Eye sua melhor
chance de sobrevivência.”

Crusch se curvou profundamente e levantou a cauda.

“—Muito obrigada.”

Zaryusu assentiu com a cabeça, e sua cauda firmemente ereta falou mais de suas emo-
ções do que suas palavras jamais conseguiram.

♦♦♦

Era manhã.

Zaryusu olhou para o portão principal da tribo Red Eye, estava do lado de fora de frente
a Rororo.
Sua boca se abriu e um bocejo saiu. Ele ainda estava se sentindo um pouco cansado,
porque ele estava sentado na reunião tribal da Red Eye até tarde da noite passada. No
entanto, o tempo era essencial e ele precisava visitar outra tribo ainda hoje.

Zaryusu lutou furiosamente contra o espectro do sono, mas perdeu a luta e bocejou de
novo, mais alto do que antes.

Mesmo Rororo dificilmente oferecendo um passeio estável, por algum motivo ele sentiu
que ainda poderia adormecer em cima dele.

Zaryusu olhou para o sol, que parecia amarelo brilhante, apesar de ter acabado de raiar,
e então olhou de volta para o portão principal. Uma sensação de confusão tomou conta
dele, porque algo estranho saíra de lá.

Era um amarrado de grama.

Era um conjunto de roupas que tinham sido feitas com longas tiras de pano e cheias de
ervas longas. Se deitasse no pântano, pareceria uma pilha de ervas daninhas à distância.

Ah, onde eu vi um monstro assim antes—

Enquanto Zaryusu recordava as paisagens que tinha visto como um aventureiro, Rororo
rosnou ameaçadoramente atrás dele.

Claro, Zaryusu sabia quem era aquela pilha de ervas daninhas. Não havia nenhuma dú-
vida sobre isso. Afinal de contas, uma cauda branca ainda era visível.

Enquanto olhava aturdido para a cauda oscilante e distraidamente esfregava Rororo


para acalmá-lo, a pilha de ervas já havia chegado a Zaryusu.

“—Bom dia.”

“Mm, bom dia... parece que reuniu a tribo.”

Ele olhou para os moradores da tribo Red Eye. Estava cheio de uma energia frenética,
com muitos Lizardmen correndo de um lado para o outro. Crusch ficou de lado para as-
sistir e então respondeu:

“Não houve problemas com isso. Nossos enviados devem ser capazes de alcançar a al-
deia Razor Tail até hoje, e nós já escolhemos as pessoas que vamos evacuar.”

De acordo com a troca de informação dos sacerdotes, a tribo Razor Tail seria a primeira
a ser atacada. O fato de que a primeira tribo a ser atacada não era a tribo Dragon Tusk
era uma dádiva enviada dos céus quando consideravam o tempo que tinham.

“Então, por que você vem comigo, Crusch?”


“A resposta é simples, Zaryusu. Mas antes que eu responda, me diga — o que você pre-
tende fazer agora?”

Depois da longa reunião que durou desde o anoitecer até o meio da noite, nenhum dos
dois se sentia desconfortável em falar uns com os outros pelo primeiro nome. Até mesmo
o modo como falavam havia mudado, provavelmente porque tinham se familiarizado um
com o outro.

“Bem, pretendo visitar outra tribo — a Dragon Tusk.”

“Eles são a tribo que valoriza a força sobre todas as coisas, certo? Eu ouvi dizer que eles
têm o maior poder de luta de todas as tribos.”

“Mm, isso mesmo. Como não tivemos muito contato com eles, é melhor nos prepararmos
para qualquer imprevisto.”

Tudo sobre eles estava envolto em mistério, portanto, mesmo procedendo ao seu domí-
nio era um assunto muito arriscado. Além disso, eles haviam absorvido os sobreviventes
das duas tribos que tinham sido desmantelados durante a guerra anterior, de modo que
tornava as coisas ainda mais perigosas.

Zaryusu havia se destacado durante aquela guerra, então ele seria um inimigo odiado
pelos sobreviventes dessas duas tribos.

Mesmo assim, eles eram a tribo cuja força eles mais precisavam durante o conflito que
se aproximava.

“Então é assim... Seria melhor se eu o acompanha-se.”

“—Por quê?”

“É estranho?”

A pilha de ervas daninhas sussurrou suavemente. Zaryusu mal conseguia discernir


aquelas palavras porque ele não conseguia ver o rosto dela.

“Não é estranho... mas é que isso é muito perigoso.”

“Por acaso existe lugar seguro em tempos como estes?”

Zaryusu não pôde responder a isso. Quando ele pensava calmamente na situação, havia
muitas vantagens em viajar com Crusch. No entanto, como macho, ele não queria trazer
a fêmea que amava para um lugar onde sabia que grande perigo estava esperando.

“—Creio que estou sendo irracional.”


Ele não podia ver o rosto de Crusch dentro da pilha de ervas daninhas, mas ela parecia
estar sorrindo.

“...Então eu vou fazer outra pergunta. Por que você está vestida assim?”

“É feio?”

Não era tão feio, mas sim bizarro. No entanto, seria melhor elogiá-la por isso? Zaryusu
não sabia como responder, mas depois de pensar, calculou a expressão que não conse-
guia ver e respondeu:

“...Bem, eu deveria dizer que está bonito... não é?”

“Até parece...”

Crusch o calou com uma negação simples. Era provavelmente por isso que Zaryusu se
sentia sem forças para retrucar.

“É simplesmente porque eu não lido bem com a luz do sol. Assim, preciso me vestir as-
sim sempre que saio durante o dia.”

“Entendo...”

“Ah, você ainda não me deu sua resposta. Você vai me deixar ir com você?”

Não importa o que ele dissesse a ela, tudo seria inútil. Tê-la por perto seria vantajoso
para seu objetivo de forjar uma aliança. Ela deve ter sugerido isso porque se sentia da
mesma maneira. Assim, não havia razão para ele recusar.

“...Compreendo. Então, por favor, me dê uma mão, Crusch.”

Com uma sensação de alegria que parecia vir do fundo do coração, Crusch respondeu:

“—Eu entendo. Deixe comigo, Zaryusu.”

“Está pronta para sair?”

“Claro. Minha mochila está cheia de tudo que preciso.”

Depois de ouvir isso, Zaryusu olhou para ela e encontrou uma protuberância. O cheiro
forte de grama fresca e outras ervas veio dela. Já que ela era uma druida, deveria ter
habilidades relativas a ervas e afins, então deve estar preenchida com esses materiais.

“Zaryusu, você parece cansado.”


“Uh, sim, eu me sinto um pouco cansado. Os últimos dois dias foram bem corridos, então
eu não tive tempo para dormir.”

Só então, uma mão de escamas brancas surgiu sob a massa de ervas daninhas.

“Aqui. É um fruto de Rikiriko. Coma com casca e tudo.”

A mão lhe ofereceu uma fruta marrom. Zaryusu colocou-o na boca e mordeu sem hesitar.

Um gosto amargo encheu sua boca, afugentando sua fadiga. Embora mal passável em
termos de sabor, depois de mastigá-lo várias vezes, uma explosão de sabor floresceu em
sua língua. Além disso, até mesmo as respirações que ele exalava tinham o mesmo gosto
nelas.

“Muu! O que é essa sensação legal que está enchendo minha cabeça?”

Zaryusu havia inconscientemente adotado o tique verbal de seu irmão mais velho.
Crusch não pôde deixar de rir quando ouviu.

“O sono passou, viu? Mas o fato é que ele não está realmente acabado, então não se acos-
tume com isso. Seria melhor encontrar um lugar para descansar.”

Cada respiração de Zaryusu o enchia de felicidade, assim como a sensação de frescor do


corpo inteiro, ele respondeu:

“Então, vou tirar uma soneca enquanto estou no Rororo.”

Dizendo isso, Zaryusu imediatamente montou em Rororo. Ele foi seguido por Crusch.
Rororo olhava para Zaryusu devido a sensação estranha de uma pilha de grama mon-
tando-o, mas Zaryusu finalmente conseguiu acalmá-lo.

“Então vamos. O assento não é muito estável, então é melhor você se agarrar a mim.”

“Tudo bem.”

Os braços de Crusch rodeavam a cintura de Zaryusu. Os espinhos de sua roupa de ervas


fizeram Zaryusu sentir coceira.

“...”

Zaryusu franziu a testa. Não era isso que ele imaginara.

“—Algo está errado?”

“Não é nada. Vamos. Rororo, eu conto com você.”


O que exatamente a estava fazendo tão feliz? A alegre risada de Crusch veio de trás dele
e, quando Rororo se moveu, Zaryusu também era todo sorrisos.

Parte 2

A Grande Floresta de Tob ficou em silêncio sob a opressão de seus novos governantes.
Isso porque todos os seres vivos aqui tinham se escondido, com medo do olhar daqueles
que detinham poder sobre eles.

No entanto, esse não foi o caso de uma área específica da floresta.

O som de corte de árvores e troncos sendo movidos inundava o ar naquele lugar.

Havia um Golem que se assemelhava a um maquinário pesado — um Golem de Ferro —


que transportava toras para uma estrutura de madeira maciça que ainda estava em cons-
trução.

Parecia que demoraria muito tempo até que o edifício estivesse completo. Mesmo ocu-
pando uma grande área, as partes que haviam sido construídas eram surpreendente-
mente pequenas.

Um grupo de undeads e Golems trabalhava lá.


[Liches Anciões]
Entre esses undeads estavam os Elder Liches, que usava vestes vermelhas vistosas.

De vez em quando, eles eram abordados por demônios que tinham cerca de 30 centíme-
tros de altura — pequenos monstros com asas de morcego e pele vermelha-acobreada,
chamados de Diabretes. Os Diabretes mantinham caudas delgadas — cuja a extremidade
pontiaguda como ferrões gotejava veneno — fora do caminho para que não atrapalhas-
sem o trabalho dos Elder Liches.

Um dos Elder Liches desenrolou a cópia heliográfica que estava segurando e deu ordens
a um dos Golems subordinados a ele.

O Golem obedientemente parou o que estava fazendo e comparou o local de trabalho


ante a cópia heliográfica, ele parou para cogitar. Pouco depois, falou ao Diabrete no seu
ombro.

Depois de ouvir, o Diabrete indicou que entendeu, e voou.

Voando com movimentos desgraciosos, o Diabrete abriu os olhos e observou a área cir-
cundante. Em pouco tempo, encontrou seu alvo e desceu.
O dito alvo era a Guardiã do Sexto Andar da Grande Tumba de Nazarick — Aura Bella
Fiora. Em outras palavras, ela era uma das pessoas que agora governavam essa floresta.

♦♦♦

A Elfa Negra enrolou o pergaminho formando um megafone para que a voz dela fosse
ouvida a longa distância. O Diabrete pousou diante dela e curvou-se profundamente, ao
que ela perguntou em tom familiar:

“Tudo bem~ e de qual grupo você é?”

“Aura-sama, eu venho do Grupo U3.”

“Grupo U, huh? Tudo bem, entendi. Algo mais?”

As equipes de trabalho foram divididas em nomes com as vogais de “A” à “U”, e foram
designadas para trabalhar em diferentes áreas. Pelo que Aura podia lembrar, o Grupo U
foi designado para o armazém. O progresso foi o segundo mais rápido entre todas as ou-
tras áreas.

“Há uma discrepância na espessura das madeiras usadas na construção, então podería-
mos, por favor, ter mais tempo—”

O Diabrete de repente calou a boca, porque um bracelete de aço ao redor do pulso de


Aura de repente fez um som.

“Hora do almoço~!”

O rosto de Aura mudou quando ela ouviu aquela voz preguiçosa, mas alegre. Suas ore-
lhas caíram e ela parecia estranhamente vulnerável e envergonhada.

“Entendi, Bukubukuchagama-sama!”

Ela respondeu a pulseira.

“Então, é hora de comer, terminamos o trabalho da manhã.”

Dificilmente algum dos monstros aqui precisaria comer. Na verdade, Aura também
[Anel do S u s t e n t o ]
usava o Ring of Sustenance, que eliminava a necessidade de comida ou sono. No entanto,
seu mestre insistiu que “todos devem fazer intervalos de vez em quando”, então ela teve
que obedecê-lo apesar de seus desejos.

“Ah, desculpe pela inconveniência, mas precisamos descansar, então volte em uma hora.”

“Entendido. Então eu vou na frente.”


O Diabrete inclinou-se e voou em meio a uma tempestade de sons ruidosos.

Enquanto ela observava o Diabrete voar em direção ao armazém, Aura rodeou seus om-
bros e, em seguida, olhou para o bracelete em torno de seu pulso.

O rosto dela era bem sorridente.

Essa foi uma recompensa que seu mestre lhe dera por seu árduo trabalho. É claro que
os Guardiões foram criados para servir o seu criador e os Seres Supremos, então dar tudo
de si no trabalho era um fato fundamental da vida deles. Assim, eles não deveriam ter
aceitado uma recompensa, pois seu trabalho era apenas uma questão de dever.

No entanto, ela não podia recusar o bracelete que seu mestre lhe dera.

“Kukuku~, eu quero ouvir mais da voz da Bukubukuchagama.”

Aura carinhosamente acariciou o bracelete em seu pulso. Esse gesto era mais amoroso
e gentil do que como ela acariciava seus próprios animais.

Todas as vozes registradas neste item vieram do Ser Supremo que fez Aura.

As vozes encheram Aura de prazer, mesmo que tudo o que fizessem fosse dizer a hora.

Ela tinha ficado com ciúmes quando soube que seu irmão (Mare) tinha recebido o Anel
de Ainz Ooal Gown, mas com toda a honestidade de seu coração, ela sentia que este item
era melhor.

“Ehehehehe~”

As orelhas de Aura se inclinaram e ela acariciou o bracelete com um olhar envergonhado


no rosto. Então ela assentiu em satisfação ao reluzente bracelete sob a luz do sol. Mas
logo depois disso, ela inclinou a cabeça, perplexa.

“Por que o Ainz-sama disse que eu não poderia configurar o despertador em certos ho-
rários?”

Ainz ordenou que o relógio não fosse configurado para indicar os horários de 07:21 ou
19:19, entre outros.

“Hm...eu poderia muito bem perguntar a ele. Ah, droga!”

Depois de perceber o tempo que flutuava acima do relógio, ela correu apressadamente.

Havia uma empregada a esperando em seu destino.


As 41 empregadas que serviam a Grande Tumba de Nazarick eram criaturas heteromór-
ficas chamadas Homúnculos. Todas se pareciam com mulheres bonitas. No entanto, não
ela.

Ela tinha a cabeça de um cão que estava dividido ao meio por uma linha — parecia uma
cicatriz, que cicatrizara com as marcas de costura. Parecia que o rosto dela foi partido ao
meio e depois foi costurado novamente.

Seu nome, Pestonya S. Wanko.

Ela era a chefe da Grande Tumba de Nazarick e uma clériga de alto nível.

“Eu trouxe o hambúrguer como pediu, Aura-sama. Os acompanhamentos são dois picles
e batatas fritas com casca, enquanto a bebida é refrigerante de cola...eh.. ~wan.”

O atraso antes do “~wan” fez Aura pensar que ela tinha esquecido de adicionar seu tique
verbal no final de suas palavras, mas Aura não comentou sobre isso. Sua atenção estava
concentrada no cheiro que atormentava sua barriga e a fazia babar em antecipação.
Mesmo que o anel que ela usava significava que não precisava comer, isso não a tornava
incapaz de fazê-lo. Além disso, comer era uma atividade prazerosa, especialmente
quando se tratava de uma culinária tão deliciosa.

“Os efeitos combinados desta comida e bebida são—”

“Ah, não há necessidade disso. Eu não pedi para você fazer isso só para aumentar mi-
nhas estatísticas.”

“Entendido ~wan.”

Aura se aproximou de Pestonya e do carrinho de jantar que ela estava empurrando, o


aroma que emanava era delicioso.

“Hora de comer, hora de comer~!”

Pestonya removeu a tampa de prata da bandeja quando Aura entoou sua rima.

“Ohhhhh~”

Os olhos de Aura estavam colados à comida a cada segundo que a tampa se levantava, e
ao mesmo tempo ela disse algo que veio à mente.

“Carne moída A-Sete é boa, mas eu prefiro carne moída mista. Espero que você possa
fazer uma empada tripla com essa carne.”

“Então, informarei ao Head Chef seus desejos ~wan.”


“Mm, obrigada!”

Aura pegou a bandeja inteira e deu uma risadinha enquanto se afastava.

Parte 3

Enquanto Zaryusu examinava a aldeia da tribo Dragon Tusk que estava diante de seus
olhos, uma pilha de vegetação se empurrou para frente de sua cabeça. Escusado será di-
zer que essa massa de folhas era Crusch. Ela estendeu a mão para afastar a vegetação que
cobria seu rosto, o que Zaryusu achou muito fofo.

“Você realmente vai avançar com tudo? Você quer comprar brigar com eles?”

“Não, é exatamente o oposto, na verdade. A tribo Dragon Tusk dá grande valor à força.
Se deixasse o Rororo para trás e fosse a pé, poderia acabar sendo desafiado por todo tipo
de gente antes mesmo de chegar ao chefe. Entrar montando em Rororo evitará esse tipo
de problema.”

Depois de avançar com Rororo por alguma distância, deu a entender que eles foram vis-
tos, porque vários guerreiros emergiram da aldeia, cada um empunhando uma arma e
observando Zaryusu e companhia.

Rororo sentiu a hostilidade e soltou um grunhido baixo. Ao ouvir o grunhido de adver-


tência de Rororo, ele insistiu para que ele fosse adiante.

Continuar assim poderia desencadear um confronto. Zaryusu continuou até o conflito


ser quase inevitável, ele parou Rororo e pulou de suas costas. Crusch pulou também.

Um grande número de guerreiros apontava punhais para os dois. Seus olhares pareciam
infligir uma pressão palpável; isso não era mais mera hostilidade, mas algo no nível de
intenção assassina.

Crusch pareceu abalada por seus olhares e congelou. Isso porque ela não era experiente
no campo de batalha, apesar de suas habilidades poderosas como druida.

Em contraste com ela, Zaryusu avançou. Ele protegeu Crusch com seu corpo e gritou:

“—Eu sou Zaryusu Shasha, um representante que veio lhes visitar. Eu procuro uma au-
diência com seu chefe!”

Sua voz poderosa soprou a sede de sangue no ar. A situação inverteu para os guerreiros
da Dragon Tusk, que se encolheram quando ouviram sua voz.

Então, Crusch levantou a voz e declarou seu nome.


“Eu sou Crusch Lulu, Chefe Interina da tribo Red Eye. Eu também procuro uma audiência
com seu chefe.”

Embora sua voz não fosse alta, estava cheia da segurança e confiança de quem carregava
o destino de sua tribo nos ombros. Impulsionada pela voz viril e orgulhosa do macho ao
seu lado, a fêmea tímida de antes não mais existia.

“Repito! Eu estou aqui para ver o chefe! Onde ele está!?”

Nesse momento — uma onda correu pelo ar. Era como se emoções brutas tivessem se
transformado em uma onda de choque. A onda de sentimentos banhou Zaryusu e seu
grupo.

As cabeças de Rororo se debateram selvagemente. Suas mandíbulas se abriram e deu


voz a um rugido ameaçador, olhando furiosamente em torno de si. Enquanto o rugido da
Hydra ecoava de todos os lados, o ar parecia se afastar, como se estivesse com medo.

“...Não há necessidade de me proteger de pequenas coisas como esta.”

“Eu não fiz isso para protegê-la, pois você escolheu vir aqui por vontade própria. Mas
acontece que quem destruiu a tribo deles fui eu, então eu deveria ser o único a suportar
seus olhares vingativos.”

Os guerreiros começaram a se reunir na entrada da aldeia. Todos eles eram musculosos


e imponentes Lizardmen. Seus corpos estavam cobertos de cicatrizes desbotadas, o que
implicava que eram veteranos calejados. No entanto, Zaryusu não viu seu chefe entre eles.

Todos esses Lizardmen eram meros guerreiros. Nenhum deles tinha a temível estatura
de seu irmão, e nenhum deles tinha nada parecido com a aparência incomum de Crusch
ou seu ar de autoridade.

Quando Rororo rugiu, os Lizardmen continuaram os cercando sem se aproximar. E en-


tão—

“Ngk!”

—Crusch engoliu em seco e grunhiu. No entanto, Zaryusu já havia percebido a chegada


de outro Lizardman e permaneceu indiferente. Isso porque ele já havia sentido a aproxi-
mação lenta de um ser poderoso antes mesmo de ter surgido.

Ainda assim, ele não pôde deixar de olhar para o Lizardman diante dele.

Em poucas palavras, esse Lizardman era um monstro.


Encarando-os, estava um gigantesco Lizardman macho, com mais de 230 centímetros
de altura. Só isso não o teria qualificado como monstruoso, mas essa não foi a única razão
pela qual foi descrito como tal.

Para começar, seu braço direito era extremamente grosso e de aparência bizarra, como
a enorme garra de um caranguejo uca. Não, seu braço esquerdo não era esbelto, sendo
quase igual ao de Zaryusu. Era apenas o braço direito que era anormalmente grosso, e
não se tornara assim por causa de uma mutação ou doença, mas simplesmente por causa
da massa muscular pura.

O dedo anelar e o dedo mindinho estavam faltando na mão esquerda.

Havia cicatriz que se estendia da borda da boca até os olhos, possivelmente causada por
algum tipo de confronto passado. Sua cauda era achatada, como se tivesse sido esmagada.
Parecia um jacaré mais do que um lagarto.

No entanto, fora de todas essas características visuais, a coisa que mais chamou a aten-
ção era a marca em seu peito. O desenho era diferente do que Zaryusu tinha em seu peito,
mas o significado era o mesmo — esse Lizardman também era um Viajante assim como
ele.

E enquanto avaliava Zaryusu e companhia—

—O farfalhar de gravetos secos saiu de sua boca, um som daquele monstruoso Lizard-
man rangendo os dentes. Era provavelmente sua risada.

“Bem-vindo, mestre da Frost Pain.”

A voz rica e monstruosa do monstruoso Lizardman combinava perfeitamente com sua


aparência. Ele provavelmente estava falando normalmente, mas mesmo isso exalava um
ar incrível de poder.

“Prazer em conhecê-lo. Eu sou da tribo Green Claw, Zaryu—”

O Lizardman monstro acenou limitando o resto de sua introdução.

“Diga seus nomes.”

“...Eu sou Zaryusu Shasha, e esta é Crusch Lulu.”

“Isso não seria uma...Monstro Planta? Não, já que você trouxe uma Hydra junto, é lógico
que você teria outra criatura dessas aí. Parece ser algo normal para você.”

“...Não é bem assim.”


O monstruoso Lizardman mais uma vez acenou para Crusch, que estava tirando a roupa
de folhas.

“Ei, foi só uma brincadeira. Não leve tudo o que digo tão a sério, é uma chatice.”

“—”

Depois de olhar para Crusch enquanto ela tirava a pilha de folhas, ele olhou de volta
para Zaryusu.

“Então, veio fazer o que aqui?”

“Antes disso, eu poderia saber o seu nome?”

“Oh, eu sou o chefe da tribo Dragon Tusk, Zenberu Gugu. Me chame de Zenberu.”

Zenberu riu em seu jeito de ranger os dentes. Enquanto isso era exatamente o que ele
esperava, mas a idéia de um viajante tornar-se chefe ainda era bastante surpreendente.

No entanto, era uma resposta que ele poderia aceitar. Um Lizardman como ele não era
um simples viajante. Na verdade, a hostilidade se dissipara no momento em que ele apa-
recesse. Claramente, ele era um Lizardman com grande autoridade, além de poder mar-
cial extraordinário e grande liderança.

“Sendo assim, me chame apenas de Zaryusu. Diga-me, Zenberu... algum monstro estra-
nho visitou sua aldeia recentemente?”

“Mm, aquele mensageiro do Supremo ou sei lá o que.”

“Bem, se eles vieram, então podemos discutir—”

Zenberu levantou a mão para interromper Zaryusu.

“Eu acho que sei o que você quer dizer. Mas aqui só ouvimos os fortes. Saque sua espada.”

O imponente Lizardman diante dele — Zenberu Gugu da tribo Dragon Tusk — mostrou
suas presas em um sorriso cheio de dentes.

“Quê!?”

Quando Crusch ofegou, ela viu olhares aprovadores nos rostos de Zaryusu e dos guer-
reiros nos arredores.

“...Bem, isso simplifica as coisas, chefe da Dragon Tusk. Isso certamente economiza
muito tempo.”
“Você é um mensageiro realmente excelente. Não, como mestre da Frost Pain, talvez eu
deva dizer que era de se esperar?”

♦♦♦

Escolher os fortes como seus líderes foi uma decisão muito racional para os Lizardmen.

No entanto, era realmente uma boa idéia quando envolvia a sobrevivência contínua de
suas tribos? Eles não deveriam discutir isso com os outros e considerar o assunto de vá-
rios ângulos antes de chegarem a uma conclusão?

Esses pensamentos passaram pela cabeça de Crusch — seguidos pela surpresa de que
ela realmente pensou algo dessa maneira.

O fato era que todos os guerreiros que os observavam aprovavam a decisão do chefe,
fossem machos ou fêmeas. Ela provavelmente teria se sentido da mesma maneira se ti-
vesse perguntado a mesma coisa mais cedo.

Então, por que estou questionando isso agora?

De onde essas dúvidas vieram?

Foi por causa de algum tipo de ataque mágico? Isso era impossível. Ela estava confiante
de que ninguém neste pântano era superior a ela em termos de magia. Essa confiança a
fez absolutamente certa de que ela não tinha sido vítima de algum tipo de encantamento.

Crusch se virou para olhar para os dois.

Zaryusu e Zenberu.

Se postos um ao lado do outro, pareceria uma criança ao lado de um adulto.

O físico não determinava tudo. Ela estava muito ciente disso já que era um tipo de magic
caster. No entanto, dada a enorme diferença entre os corpos dos dois, ela não podia dei-
xar de ter esperanças que talvez esse não fosse o caso.

Esperança? Eu estou esperando que eles — que ele não tenha que lutar?

Crusch queria saber por que ela estava se sentindo tão estranha. Por que ela não queria
isso? Por que ela não queria que eles lutassem?

Havia apenas uma resposta para isso, o que era óbvio.

Crusch sorriu amargamente, como se fosse zombar de si mesma.


Você pode muito bem admitir isso, Crusch. Você não quer que Zaryusu lute porque tem
medo de que ele se machuque... que ele morra.

Em poucas palavras era apenas isso que ela sentia.

Era raro que essas batalhas fossem travadas até a morte. No entanto, a palavra “raro”
implicava que a possibilidade ainda existia. Vidas poderiam facilmente ser perdidas se
lutassem até que não estivessem mais em posse de seus sentidos. Como fêmea, ela não
queria que seu companheiro morresse por participar dessa luta.

Então sim! Em seu coração, Crusch aceitou há muito tempo a proposta de Zaryusu.

Eu entreguei meu coração tão facilmente porque nenhum macho jamais— isso significa
que eu sou facilmente enganada? Eh, apenas sinto que... estou feliz e um pouco chateada...
ah, que ódio disso!

Tendo aceitado seus sentimentos mais íntimos, Crusch se aproximou de Zaryusu en-
quanto se preparava para a batalha e colocou a mão em seu ombro.

“Precisa de alguma coisa? Perdeu algo?”

“Não, eu estou bem.”

Crusch deu um tapinha no ombro dele.

Era um ombro forte.

Desde que amadurecera, Crusch percorrera o caminho de uma sacerdotisa. Ela havia
tocado os corpos de muitos machos enquanto orava, aplicava remédios e enquanto es-
tava conjurando magias sobre eles. Mas o contato dela com o corpo de Zaryusu foi mais
longo do que todos os outros tempos juntos.

Então assim que é o corpo de Zaryusu... huh.

Seus músculos firmes, cheios de sangue quente que estava ansioso para a batalha, uma
masculinidade palpável.

“...Tem algo errado?”

Zaryusu ficou perplexo com a mão de Crusch ficando longo tempo em seu ombro.

“—Eh? Ah, isso... foi uma oração. A oração de uma sacerdotisa.”

“Entendo, então seus espíritos ancestrais protegem aqueles de outras tribos?”

“Os espíritos da nossa tribo não são tão mesquinhos. Boa sorte.”
Crusch se desculpou internamente com seus antepassados enquanto tirou a mão dos
ombros de Zaryusu, pois ela havia mentido sobre rezar pela vitória do macho que ela
favorecia.

Zenberu também estava se preparando para a batalha. Ele carregava uma enorme arma
na mão direita — uma alabarda de aço com quase três metros de comprimento. Um Li-
zardman regular precisaria das duas mãos para empunhá-la.

E então — ele a manuseou preguiçosamente.

O movimento circular da alabarda gerou uma rajada de vento que atingiu Crusch, que
estava a alguma distância dele.

“Você pode... não, o certo é eu perguntar, você vai ficar bem?”

“Sobre isso... bem, preciso ver como as coisas prosseguirão.”

No começo, Crusch queria perguntar se ele poderia ganhar, mas no final, ela não conse-
guiu. Para Zaryusu lutar nessa situação, ele deveria saber que a vitória não era impossível.

Isso significaria que o macho diante dela não perderia. Eles só se conheciam há um dia
e viajavam juntos durante metade desse tempo, porém Crusch já tinha certeza disso.

Ela amava esse macho porque havia algo nele que merecia esse sentimento.

“Então, você está pronto, mestre da Frost... ah, Zaryusu.”

“Já me preparei. Estou pronto assim que estiver pronto.”

Com um floreio dramático, Zaryusu virou as costas para Crusch e entrou no círculo de
duelos.

Crusch suspirou. Isso foi por causa das costas que não podiam deixar de chamar sua
atenção.

♦♦♦

O calor da mão que apoiava prolongadamente no ombro de Zaryusu — não demorou


muito, na verdade — lentamente desapareceu.

A batalha que viria a seguir era essencialmente uma versão simplificada da batalha de
seleção de um chefe tribal. Como isso era para ser uma luta cara a cara, a assistência
mágica de terceiros era contra as regras.
No entanto, o calor no ombro de Zaryusu — o que o fez se sentir nervoso e agitado —, o
toque de Crusch o fez se perguntar se ela havia conjurado alguma magia nele. No entanto,
não havia como ela, Chefe Interina de tribo, não saber dessa regra.

Então, por que ele estava tão entusiasmado? Afinal, ela não o deu nenhum aperfeiçoa-
mento.

Seria porque ele queria fazer o seu melhor para ela, como um macho se exibindo para
sua fêmea? Seu irmão mais velho havia dito uma vez que ele era como uma “árvore res-
secada...”, mas isso não parecia essencialmente verdade.

Zaryusu entrou no círculo formado por Lizardmen e rapidamente sacou a Frost Pain de
sua cintura. A lâmina emanava uma névoa branca gelada, como se em resposta à vontade
de Zaryusu.

Uma turbulência atingiu os Lizardmen nos arredores.

Eles eram os sobreviventes da tribo Razor Edge — em outras palavras, eles conheceram
o antigo dono da Frost Pain, e eles entendiam bem seu temível poder.

Ao ver o poder da Frost Pain que apenas um verdadeiro proprietário poderia liberar, a
expressão selvagem de Zenberu se transformou em alegria. Ele mostrou os dentes e
rosnou como uma fera.

Em resposta ao espírito de luta de seu oponente, Zaryusu teve apenas uma resposta fria:

“Eu não quero te machucar muito.”

Sua provocação imediatamente incitou a ira de todos os guerreiros ao seu redor. No


entanto, eles imediatamente se acalmaram quando o som de um baque anormalmente
alto ecoou pelo ar.

Zenberu havia empurrado a ponta de sua alabarda para o chão mole.

“Oh... então me faça aceitar minha derrota! Escutem, todos vocês! Se eu morrer nessa
luta, ele será seu novo chefe! Não haverá objeções a isso!”

Os guerreiros não concordaram imediatamente, mas também não protestaram. Se


Zaryusu realmente matasse Zenberu, eles o obedeceriam, mesmo por má vontade.

“Ótimo. Agora venha para mim preparado para morrer. Eu devo ser o mais forte inimigo
que você já enfrentou.”

“De fato... eu entendo. Além disso, se eu morrer pela sua mão...”

Zaryusu olhou para Crusch.


“Tudo bem. Eu deixarei sua fêmea voltar em segurança.”

“...Ela não é minha ainda.”

“Kek, parece que você realmente gosta desse monstro planta. Ela é uma fêmea tão boa
assim?”

“Muito boa.”

Eles não prestaram atenção à dita fêmea, que estava abraçando a cabeça e agachada no
chão.

“Agora que eu quero ver como ela é. Talvez, se eu ganhar, eu dê uma espiada nas intimi-
dades dela, quero apreciar esse corpo antes dela partir.”

Até agora, Zaryusu tinha sido apenas preenchido com a intenção de lutar, mas agora
essa intenção havia desenvolvido outra nuance.

“...Parece que você me deu uma excelente razão para vencer. Eu não vou deixar alguém
como você apreciar do corpo nu de Crusch.”

“Então está mesmo caidinho por ela, não é?”

“Oh sim. Nada pode impedir um macho apaixonado.”

Várias outras Lizardmen fêmeas pareciam estar conversando com a fêmea de cócoras,
mas ela sacudiu a cabeça apressadamente. Os dois machos deixaram essa questão de lado
por enquanto.

“Ha!”

Zenberu gargalhou de alegria.

“Então me derrote! Se você morrer, nada disso importará mais.”

“Essa é a minha intenção.”

Zaryusu e Zenberu fixaram seus olhares um no outro. Parece que eles disseram tudo o
que tinha que ser dito.

“—Aqui vou eu.”

“—Vem com tudo.”

Os dois trocaram palavras concisas, mas sem golpes.


Assim que a antecipação dos Lizardmen espectadores chegou no pico, Zaryusu começou
a avançar. Não havia som, apesar de ser um pântano alagado.

Zenberu permaneceu imóvel, aguardando seu inimigo.

Em pouco tempo, quando Zaryusu chegou a uma certa distância, um som enorme soou
do ar de onde Zaryusu acabara de evadir. Era o som de Zenberu balançando sua alabarda.

Não houve destreza; foi apenas um balanço vigoroso.

No entanto, foi chocante, precisamente por causa de beleza e graciosidade.

Zenberu apoiou a alabarda, assumiu a postura e se preparou para a próxima incursão


de Zaryusu. Ele empunhou a alabarda maciça com apenas a mão direita. Imediatamente
após cada oscilação ciclônica, ele reiniciava imediatamente para uma posição de pronti-
dão.

Zaryusu sentiu que algo estava estranho.

Portanto, para verificar o significado desse movimento, ele avançou para o alcance de
ataque de seu oponente — e foi submetido a esse tipo de golpe furacão. Ele bloqueou o
cabo da arma com a Frost Pain, mas um raio de dor intensa atingiu a mão que segurava
a espada, e ele foi jogado para longe.

Poder-se-ia dizer que ele tinha uma força de braço extraordinária, já que pôde arremes-
sar um Lizardman com a força de um braço.

—O sangue deles estava fervendo.

Os guerreiros ao redor rugiram quando viram seu chefe mostrar sua força incomparável.

A cauda de Zaryusu balançou quando ele cambaleou para trás, ainda em pé.

Ele balançou a mão entorpecida e estreitou os olhos.

Isso... o que é isso?

A atenção de Zaryusu estava concentrada no corpo volumoso diante dele.

O que está acontecendo? Isso é... muito fraco.

De fato, o golpe era rápido, e se ele bloqueasse com sua espada ele seria arremessado
longe, mas isso era tudo. Não era nada aterrorizante.
Os movimentos de Zenberu eram como uma criança balançando uma vara. Não havia
técnica, apenas pura força bruta. A questão agora era se isso era realmente tudo o que
ele tinha. Alguém com um braço enorme como o dele deveria ser capaz de empunhar
uma arma com mais habilidade.

Será que ele não está usando toda a sua força para elevar meu excesso de confiança?

Zaryusu sentiu que não era o caso.

Ele começou a reconsiderar sua estratégia, atento ao sentimento incomum de não saber
a verdade. O Zenberu, até então parado, sorriu e perguntou:

“Qual é o problema? Não está usando o poder da Frost Pain?”

Ele estava claramente provocando-o com aquele sorriso, mas Zaryusu não mordeu a
isca de Zenberu.

“Eu já fui derrotado pelo portador da Frost Pain.”

Zaryusu lembrou. Ele conhecia a pessoa de quem Zenberu falava — o ex-chefe da tribo
Razor Edge, e também aquele cuja a vida Zaryusu havia ceifado.

Ele relaxou a intensa concentração que dirigia a Zenberu e ampliou seus horizontes.

Entre todos aqueles que eram hostis a ele, os que mais o odiavam deveriam ser os so-
breviventes da tribo Razor Edge.

“É daí que as feridas da minha mão esquerda vieram.”

Zenberu balançou a mão esquerda mostrando os dois dedos faltando para dar ênfase.

“Talvez se usar a habilidade que aquele cara usou para me vencer, você pode ter uma
chance comigo.”

“Não me diga?”

Zaryusu respondeu com uma voz fria e calma.

Com certeza, essa habilidade era muito poderosa. Só podia ser usado três vezes ao dia,
mas o daria uma boa chance de vitória se usasse. A razão pela qual Zaryusu havia derro-
tado o dono anterior da Frost Pain foi porque seu inimigo já havia gasto seus três usos
da habilidade. Se o seu inimigo tivesse sido capaz de usá-la corretamente naquela época,
Zaryusu poderia ser a contraparte a morrer.

No entanto, alguém que conhecesse o poder da Frost Pain não deliberadamente incitaria
o seu usuário a fazê-lo.
Zaryusu permaneceu em guarda.

Eu não tenho idéia do que ele pretende... ainda assim, não adianta nada ficar parado. Hora
de fazer meu movimento.

Tendo decidido o seu curso de ação, Zaryusu avançou, duas vezes mais rápido que antes.

Zenberu respondeu a Zaryusu com uma velocidade chocante.

Zaryusu não evitou, mas enfrentou o golpe de frente com Frost Pain. Todos que viram,
sentiram que Zaryusu seria espancado mais uma vez.

Zaryusu interceptou a alabarda com Frost Pain — e defletiu o ataque.

Não havia necessidade de artes marciais ou coisas do gênero. Os movimentos da ala-


barda de Zenberu eram brincadeiras de criança. Não importando o quão vigorosamente
ele balançasse, seus golpes poderiam ser facilmente dispersos.

Os olhos de Zenberu ficaram arregalados em choque — não, em respeito.

Ao mesmo tempo, Zaryusu correu para frente como um raio, mais rápido do que Zen-
beru poderia recuperar sua postura. Mesmo com músculos como os dele, redefinir sua
postura depois de um golpe de força total com sua alabarda levaria tempo. Esse tempo
era o suficiente para Zaryusu se aproximar.

No momento seguinte, a Frost Pain cortou o corpo de Zenberu—

♦♦♦

—E sangue espirrou.

Tormentos estrondosos irromperam de todos os lados, assim como um gemido de dor.

Não foi Zenberu quem tropeçou para trás, escorrendo sangue fresco. Era Zaryusu, com
duas feridas ensanguentadas no rosto.

Em contraste com o que ele tinha feito até agora, Zenberu avançou em direção a Zaryusu,
com a intenção de não o deixar escapar. Ele continuou avançando com a arma que feriu
Zaryusu.

Essa arma era — suas garras.

Elas colidiram com a Frost Pain, e o toque de metal soou. Mas a alabarda estava cravada
no chão.
“Guh!”

Zenberu exalou e, assim que avançou, seu braço maciço lançou em uma rajada de golpes.

Comparado ao seu amadorismo anterior, seus golpes de mãos nuas estavam no nível de
um mestre. Agora que a peça mais importante do quebra-cabeça havia sido revelada,
tudo ficou claro para Zaryusu.

Zenberu não era um guerreiro, mas sim um monge; aquele que usava o poder do ki para
transformar seu corpo em uma arma viva.

Zaryusu bloqueou as ondas de ataques com a Frost Pain.

As garras dos Lizardmen eram mais afiadas e mais duras do que as unhas humanas, mas
nem mesmo elas fariam sons metálicos como este. Na verdade, essa era uma habilidade
do monge chamada 「Natural Steel Weapon」, que endurecia as armas naturais, como
garras ou dentes.

Dizia-se que os punhos dos monges mais habilidosos poderiam até quebrar o adaman-
tite, o metal mais duro conhecido. No entanto, a julgar pela sensação que ecoava através
da Frost Pain, Então Zenberu ainda não havia atingido esse nível. Ele estava apenas a par
com o aço. Mesmo assim, suas garras endurecidas podiam ficar em pé de igualdade com
Frost Pain, um dos Quatro Tesouros, isso não era de se menosprezar.

Os dois trocaram golpes sem parar.

Zenberu bateu com as garras juntas como uma lança enquanto Zaryusu manuseava a
Frost Pain. Eles saltaram para evitar os ataques do outro, abrindo a distância entre eles.

“—Haha, então você ainda está vivo!”

Zenberu lambeu a carne e o sangue que manchava as pontas dos dedos.

Zaryusu também estendeu aquela língua que era mais comprida que um humano, e lam-
beu o líquido vermelho que fluía do lugar que correspondia à face de um ser humano.

Ele estava feliz por ter conseguido fugir do golpe daqueles punhos afiados que tinha
mirado seus olhos. Ele foi ferido, mas não profundamente, e ele poderia continuar lu-
tando. Ele agradeceu aos espíritos de sua tribo por protegê-lo e—

Talvez eu tenha evitado isso porque os ancestrais da tribo de Crusch me protegeram.

Zaryusu ficou agradecido, mas Zenberu estava resmungando.

“Mas pensando bem, se eu o derrotar sem fazer com que use aquela habilidade, vai pa-
recer que você está pegando leve comigo.”
Zenberu cerrou os punhos e bateu no peito várias vezes.

“Desculpe, mas eu não pretendo usar aquilo.”

“Oh? Quando perder, não venha choramingar na minha cabeça que não usou tudo que
tinha e por isso perdeu.”

“Você acha que eu sou alguém que diria isso depois de perder?”

“...Não, eu não sei. Perdão, falei sem pensar. Já que não vai mesmo usar aquilo, então
aqui vou eu!”

Com um *whoosh*, a perna de Zenberu cortou o ar em direção a Zaryusu.

Não houve hesitação nesse movimento.

Zaryusu cortou as escamas da perna de Zenberu com Frost Pain enquanto escapava do
chute, mas um barulho metálico soou e o golpe ricocheteou.

Os olhos de Zaryusu se arregalaram.

Quando uma espada encontrava carne, a carne deveria ter sido ferida. O mundo funcio-
nava assim. No entanto, o ki de um monge mudou esse preceito em sua cabeça.

Este foi o resultado do 「Steel Skin」. Essa habilidade poderia encobrir o corpo em ki
antes que qualquer ataque pudesse tocá-lo, tornando-o tão resistente quanto o aço. As-
sim como 「Natural Steel Weapon」, quanto mais habilidoso fosse o monge, mais duro
se tornaria.

O fato de que seu oponente havia repelido uma espada mágica apenas com carne nua
deixou claro sobre as habilidades de monge. No entanto, Zaryusu ainda sentia que ele
tinha uma chance de vitória.

Não era que houvesse uma diferença esmagadora entre suas habilidades de combate.
Foi só que as circunstâncias foram contra Zenberu desde o início.

♦♦♦

Ele veio com uma série desconcertante de golpes.

Voadora. Chicote de cauda. Soco direto. Mão da faca. Ele atacou com tudo isso e muito
mais.

Cada golpe que Zenberu atingia era rápido e pesado que o anterior. Tudo o que Zaryusu
poderia fazer contra um inimigo como esse era adotar uma defesa total.
Cada sequência de golpes era seguida por uma sequência de defesas.

Se ele não se defender dos ataques destrutivos de seu inimigo, a derrota de Zaryusu
seria uma questão de tempo. Confiantes na vitória de seu chefe, os Lizardmen vizinhos
aplaudiram enquanto Zenberu atacava com golpe após golpe.

As garras de Zenberu ocasionalmente roçavam Zaryusu, facilmente marcando seu corpo


escamoso e em seu rastro deixando feridas que choravam sangue. Essas lesões não po-
dem ser consideradas leves em nenhum sentido da palavra.

O corpo de Zaryusu estava coberto por essas feridas. Sua vida estava em risco, e não
seria estranho se ele se rendesse a qualquer momento. Os olhares alegres no rosto dos
espectadores Lizardmen só provaram isso enquanto se preparavam para celebrar a imi-
nente vitória do chefe.

No entanto — não era assim que Zenberu se sentia.

Toda vez que seus golpes eram bloqueados, Zenberu sentia a vitória se afastar cada vez
mais de seu alcance, e isso o deixava ansioso.

A Frost Pain estava impregnada com frio e infligia mais dano ao frio sempre que feria
um inimigo. Um efeito colateral disso era que causava dano frio a qualquer um que to-
casse na arma. Em outras palavras, apenas tocar na arma por algum tempo já era o sufi-
ciente para desgastar lentamente o corpo de Zenberu com seus danos pelo frio.

Suas mãos estavam congelando, suas pernas estavam dormentes e seus movimentos es-
tavam diminuindo.

Droga, eu perdi muito rápido na luta anterior... eu não sabia que ele tinha esse poder! Mas
não estou lutando sozinho! Esse é um dos Quatro Tesouros espero que goste!

Zaryusu adotou uma postura defensiva porque sabia que o item tinha um efeito como
esse. Ou melhor, ele fez isso porque sabia que era uma maneira garantida de causar dano.
Foi provavelmente por isso que ele não se esquivou dos ataques de Zenberu.

Ele havia escolhido um caminho certo para a vitória.

Esta falta de aberturas fez dele o maior inimigo de Zenberu.

Zenberu usaria seu trunfo em Zaryusu, que já estava sem tempo. Se ele conseguisse blo-
quear também, as chances de vitória de Zenberu seriam mínimas, na melhor das hipóte-
ses.

Ele sentiu como se estivesse carregando uma fortaleza inexpugnável sozinho.


Ahhh, caramba, não posso vencê-lo — Mas! Eu esperei muito por isso!

Sua batalha com o Lizardman do passado passou por sua mente. Ele era mais forte agora
do que era antes, e treinou sem parar para obter a vitória. Mesmo quando soube que a
pessoa que o havia derrotado havia sido morta ele não se arrependeu do tempo gasto, e
nunca parou de treinar.

Ele estava esperando por este dia.

Como chefe, ele não podia abandonar tudo para se entregar à batalha, por isso ficara
encantado ao saber que o portador da Frost Pain chegara à sua aldeia.

Ele não podia deixar essa tão esperada batalha terminar assim.

Zenberu começou a perder o tato em seus socos e chutes, e seu ki não conseguia mais
atingir seus membros. Ainda assim, ele continuou atacando.

Ele é forte, mais forte que aquele cara da última vez!

Assim como ele se aperfeiçoou incessantemente, o Lizardman ante dele deve ter se trei-
nado sem afrouxar também.

Embora ele pudesse ter dito que não podia diminuir a distância entre eles por causa da
Frost Pain, ele não tinha o menor desejo de se convencer disso.

Surpreendente! Ele é verdadeiramente o mestre da Frost Pain! O mais poderoso Lizard-


man de todos os tempos!

Zenberu não interrompeu seus ataques combinados, mesmo quando estava elogiando
Zaryusu, que bloqueava seus ataques com a Frost Pain.

♦♦♦

Feridas, sangue e mais feridas.

Crusch tinha dedicado toda à sua atenção a testemunhar esta intensa luta de idas e vin-
das, e com suas excelentes habilidades de druida, ela já tinha visto como a batalha termi-
naria.

Incrível... ele deve ter previsto tudo isso quando a batalha começou.

Crusch ficou impressionada com as excelentes habilidades guerreiras de Zaryusu.

As ovações continuaram de todos os lados.


Eles estavam torcendo por Zenberu, que estava atacando sem parar e parecia ter a van-
tagem. Nenhum deles percebeu que os membros de Zenberu estavam gradualmente fi-
cando lentos.

Zaryusu era muito forte. Crusch tinha certeza disso.

Quase todos os Lizardmen lutavam com seus corpos por força bruta, mas Zaryusu — e
Zenberu — lutavam com habilidade, e a Frost Pain auxiliou nessa habilidade de luta.

Portanto, a Frost Pain foi um fator importante no desenvolvimento da situação atual —


do abismo entre eles. No entanto, não foi a única razão para isso.

Se alguém desse a Frost Pain a um guerreiro comum, eles poderiam lutar com Zenberu
assim?

A resposta era simples, não. Zenberu não era um capanga de meia-tigela.

A arma era poderosa, mas o fato de que Zaryusu poderia explorá-la em todo o seu po-
tencial foi porque ele era um guerreiro de primeira linha.

Mas mais notável que isso era sua mente perceptiva e analítica.

Zaryusu evitou o golpe quando Zenberu derrubou sua alabarda porque estivera por
dentro da situação e a observava de perto. Ele sentiu a presença do trunfo de seu inimigo
e que a alabarda era uma mera distração.

Quando ele partiu naquela jornada como um viajante marcado, o que mais ele havia tra-
zido de volta além do conhecimento da criação de peixes e dessas técnicas de batalha?

Antes que ela percebesse, Crusch tinha certeza da vitória de Zaryusu. Agora, ela apenas
observou o perfil de seu rosto, seu coração agora batia no que já não era ansiedade.

“Ele é realmente um macho impressionante...”

♦♦♦

O tempo parecia passar para aqueles que assistiam a essa emocionante batalha, mas os
dois participantes sentiram o contrário. A fadiga em seus corpos e espíritos causado por
sua respiração ofegante era mais intenso do que a passagem do tempo.

Apesar de estar coberto de sangue, o espírito de luta de Zaryusu ainda era forte. Isso
por si só já era um bom motivo para os Lizardmen circundantes parabenizaram-no. Afi-
nal, ninguém mais havia durado tanto tempo contra o chefe deles antes.

E então, quando Zenberu parecia prestes a conquistar a vitória — ele abandonou sua
postura de luta.
O público esperou ansiosamente. Zenberu deveria declarar sua vitória em breve.

No entanto, o oposto aconteceu.

“Perdi!”

Mas o chefe deles deveria ter sido o vencedor.

Mesmo assim, por que ele anunciou sua derrota? Apenas Crusch previra isso. Ela correu
para o ringue de luta.

“Você está bem?”

Ao ouvir essas palavras, Zaryusu exalou e abaixou a espada em sua mão. Com uma voz
muito cansada, ele respondeu:

“Não é nada fatal... devo ser capaz de lutar na próxima batalha.”

“...Mm. Mesmo assim vou usar magia de cura em você.”

O traje de grama de Crusch farfalhou e ela colocou a cabeça para fora.

Zaryusu sentiu um calor confortável inundando suas feridas, diferente do calor escal-
dante que as causara. Enquanto se deleitava com a sensação de vitalidade fluindo de volta
para seu corpo, ele se virou para olhar para o gigantesco Lizardman com quem acabara
de lutar uma luta de vida ou morte.

Zenberu foi cercado por seus companheiros. Ele estava explicando a situação para eles
e a estratégia que Zaryusu estava usando.

“Isso deve bastar.”

Crusch declarou que seu tratamento estava completo depois de lançar duas magias nele,
e Zaryusu olhou para baixo em seu corpo.

Mesmo que o sangue coagulado ainda grudava em sua pele, os ferimentos abaixo haviam
se recuperado completamente. Havia certa tensão sobre as antigas feridas quando ele
mudava de posição, mas pelo menos não pareciam abrir-se.

“—Obrigado.”

“Não tem de quê.”

Crusch sorriu brilhantemente, e os dentes perolados ficaram a mostra, eram muito bo-
nitos.
“—Você é linda.”

“Quê—!?”

A cauda dela balançou e bateu na lâmina-d'água no chão.

Os dois olhavam silenciosamente um para o outro.

O silêncio de Crusch era porque ela não tinha idéia de por que esse macho mencionaria
casualmente algo assim. Ela não estava acostumada com tais elogios, então ouvir Zaryusu
dizendo coisas assim não eram boas para o coração dela.

Enquanto isso, Zaryusu não fazia idéia do motivo pelo qual Crusch estava quieta. Fiz
algo de errado? Pensamentos como esse passaram por sua mente. O fato era que ele tinha
pouca experiência com fêmeas, então ele não tinha idéia do que deveria fazer. Zaryusu
estava surpreendentemente tenso também.

Assim que o constrangimento entre eles atingiu o ápice, uma voz os salvou.

“Ei ei seu desgraçado, quer me deixar enciumado?”

Os dois olharam para a fonte da voz — para Zenberu.

Suas reações simultâneas e idênticas deixaram Zenberu momentaneamente sem pala-


vras.

“Hm! Ei, branquinha, que tal uma cura aqui?”

Zenberu parecia bastante indiferente ao albinismo de Crusch. No entanto, Crusch lem-


brou da marca no corpo de Zenberu e percebeu por que ele reagiu dessa maneira.

“Tudo bem, tudo bem... mas você não deveria deixar os sacerdotes da sua tribo curarem
você?”

“Ahhh, isso não importa. Chega de conversa, tá doendo aqui. Parece que até meus ossos
estão congelados. Dá pra andar rápido com isso?”

“Apenas lembre-se de dizer aos seus sacerdotes que você foi quem me pediu para fazer
isso.”

“Tá certo, eu falo que forcei você a me curar.”

Crusch suspirou e trabalhou sua magia de cura.


Zaryusu notou que os olhares hostis à sua volta haviam diminuído um pouco e que havia
alguns olhos amigáveis olhando para ele.

“Tudo bem, está feito.”

Crusch tinha lançado mais magias de cura em Zenberu do que em Zaryusu. Isso impli-
cava que seus ferimentos não eram externos, mas internos.

“Ohh, você é melhor que nossos sacerdotes.”

“Obrigada. Ainda assim, eu normalmente não curo membros de outras tri... não importa.
Obrigado pelas suas palavras gentis.”

“Então, já que estamos ambos curados, por que não falamos sobre o assunto principal?
Pode ser um pouco repentino, mas você não se importa, não é mesmo?”

“Oh! Então vamos ouvir — embora eu quisesse dizer isso...”

Zenberu parou no meio da frase e sorriu.

“Mas primeiro, vamos beber!”

Zaryusu e Crusch não tinham idéia do que aquelas palavras significavam e seus rostos
estavam igualmente confusos.

“Negócios problemáticos devem ser discutidos com vinho. Vocês sabem disso, não sa-
bem?”

Zaryusu entendeu o significado do duelo de vida e morte. Afinal, provava sua força, que
era útil na negociação. Era o modo de vida do Lizardman. As festas de bebedeira, por
outro lado, eram estranhas para ele, porque a tribo Green Claw não tinha essa prática.

As pessoas que bebiam logo depois de lutar por suas vidas pareciam terrivelmente tris-
tes do ponto de vista dele.

“Eu não entendo...”

A força drenada do corpo de Zaryusu e seu rosto foi de franca surpresa quando ele mur-
murou sua resposta. No entanto, foi imediatamente abafado por uma onda de arrepen-
dimento em seu coração, arrependido por se comportar de maneira infantil em frente a
um chefe com quem ele ainda nem se aliara. Na verdade, ele sentiu Crusch olhando para
ele com uma expressão estranha nos olhos.

Zaryusu não tinha experiência com amor, por isso não fazia idéia de que Crusch o esti-
vera estudando todo esse tempo. Ele estava vendo um novo lado de sua amada, e ele
achou curioso e adorável.
“Não, quero dizer, se bebermos muito, nossas cabeças não serão claras, o que seria pro-
blemático para nós.”

Zaryusu tentou apressadamente emendar suas palavras, mas Zenberu ignorou-o com
sua resposta:

“Ei ei ei, você é um viajante, não é? Eles não dizem que “se você quiser aprender alguma
coisa, vá para os Dwarfs”?”

“Não, eu não aprendi com os Dwarfs, mas com o povo da floresta.”

“Mesmo? Então tudo que você precisa saber é esta lição dos Dwarfs: Amigos que bebem
juntos tornam-se amigos unidos. Talvez nosso tempo juntos seja curto, mas é bom discutir
as coisas com sinceridade. Estou errado, Zaryusu Shasha?”

“Entendo... sim, tudo bem, Zenberu Gugu.”

“Ótimo! Venham todos! Hora de beber! Sem frescuras! Comecem os preparativos!”

♦♦♦

A pilha de troncos repousando no chão tinha quase dois metros de altura, e as chamas
vermelhas ardiam ferozmente, como se estivessem alcançando o céu. A enorme chama
vermelha afugentou a escuridão da noite.

Perto da pilha de toras havia um grande pote com mais de um metro de altura e cerca e
40 centímetros de raio. Um aroma fermentado emanava dele.

Várias dúzias de Lizardmen se revezaram retirando líquido do pote. No entanto, o vinho


dentro não parece esgotar.
[Grande Pote de
Este era um dos Quatro Tesouros assim como a Frost Pain de Zaryusu — o Great Wine
Vinho]
Pot.

Embora pudesse produzir um suprimento infinito de vinho, o sabor era aceitável na me-
lhor das hipóteses, e qualquer um que provasse seu vinho enrugaria o nariz. No entanto,
era um delicioso néctar para os Lizardmen.

E com isso dito, os convidados continuavam chegando.

Havia uma região tranquila a certa distância do pote de vinho. A razão pela qual este
lugar era quieto era bastante simples — porque estava cheio dos corpos de muitos Lizar-
dmen bêbados, que jaziam insensíveis aqui.
Todos os Lizardmen que tinham ficado tão bêbados ao ponto de desmaiar foram despe-
jados nas periferias da comemoração.

Tendo removido sua roupa frondosa, Crusch cuidadosamente — tomando cuidado para
não pisar nas caudas dos Lizardmen caídos — dirigiu-se a este lugar, prestando muita
atenção ao chão. Seus passos pareciam normais, então ela parecia ainda estar sóbria, mas
ainda assim era difícil dizer que ela não estava bêbada.

Sua cauda parecia ter vida própria, energicamente flexionando aqui e ali. Às vezes en-
rolava, às vezes ficava ereta e às vezes caía. Ela se comportava como uma criança excitada.

O fato era que Crusch sentia algo como um vento frio percorrendo sua alma. Parte disso
foi por causa do vinho, essa não foi a única razão. O sentimento liberado de seu corpo
também contribuiu para isso.

Esta foi a primeira vez que ela mostrou seu corpo albino para tantas pessoas. No entanto,
o fato do líder deles ser um monstro por si só apenas contribuiu para o fato de se assus-
tarem apenas a princípio, mas logo se acostumaram.

Com as duas mãos cheias de comida, Crusch cheia de êxtase continuou em frente.

Ela chegou ao lugar onde Zaryusu e Zenberu estavam sentados no chão e erguendo o
copo um para o outro.

Os ditos copos pareciam ter sido feitos usando cascas de coco, e o líquido dentro era
transparente, mas emanava um cheiro denso e fermentado.

Crusch pôs um par de peixe cru na frente dos dois — lanches para acompanhar as bebi-
das. Zenberu sorriu e cumprimentou Crusch.

“Yo, Monstro Planta.”

“...Você poderia não me chamar disso?”

Ela já tinha tirado a roupa, então por que ele insistiu em chamá-la assim? Parece que ele
planejava se divertir dessa maneira. Depois que ela percebeu, Crusch decidiu parar sua
resistência inútil.

“Vocês terminaram suas discussões?”

Zaryusu e Zenberu se entreolharam e assentiram.

“A maior parte.”

Os dois queriam falar em particular, então pediram a Crusch que os deixasse em paz. Já
que eles disseram isso, tudo o que ela pôde fazer foi sair e trazer um pouco de comida,
mas dentro de seu coração, ela esperava fazer parte da conversa. Afinal, se eles estives-
sem discutindo a próxima batalha, ela certamente estava envolvida nisso.

Ela esperava poder absorver o essencial, mesmo que não pudesse escutar as partes in-
convenientes—

“É uma conversa entre machos.”

—Mas Zenberu a impediu com aquelas palavras frias. Crusch expressou seu desconten-
tamento em seu rosto, mas não teve escolha senão mudar de assunto.

“Então, o que pretende fazer? Lutar ombro a ombro, como aliados?”

“Quê? Ah, nem precisava pedir. Claro que vamos lutar. Ou melhor, mesmo se não tives-
sem dado as caras aqui, nós lutaríamos de qualquer maneira.”

Um som como gravetos raspando um contra o outro vieram da boca de Zenberu.

“Você é realmente um maníaco de batalha.”

“Ah, não me elogie assim, agora tô todo envergonhado!”

Zenberu não prestou atenção a Crusch quando ela revirou os olhos, mas fez um pedido
a ela.

“Ah, certo... Ô Monstro Planta, me dê uma mão aqui e ajude a colocar bom senso nele.
Não importa o quanto eu peça, Zaryusu não quer aceitar a posição de ser chefe.”

Havia um olhar cansado e desanimo no rosto de Zaryusu. A julgar pelo cansaço, Crusch
percebera que essa conversa já se estendia a um bom tempo.

“Ele não pode aceitar essa posição. Afinal, vocês são de tribos diferentes e ele é um...”

Crusch estava prestes a dizer “ele é um viajante”, mas então ela considerou que Zenberu
também era um viajante e decidiu mudar de assunto.

“Então, por que você se tornou um viajante, afinal?”

“Hã? Ah tá, depois que perdi para o dono anterior da Frost Pain, fiquei muito mal e que-
ria ficar mais forte. Aí eu pensei, por que não deixar este lugar e ir pra outro?, por isso que
me tornei um viajante.”

Ao lado dele, Zaryusu mexia os ombros em impotência. Foi então que Crusch se lembrou
do que Zaryusu lhe dissera sobre suas próprias viagens.
No passado, quando ele partiu em sua jornada, a única coisa que o mantinha em movi-
mento foi sua força de vontade, sua determinação e senso de dever para com sua tribo.
Zenberu — como um companheiro de viagem — deveria ter se sentido da mesma ma-
neira... mas agora, ele não podia sentir nada disso dele.

Crusch colocou uma mão gentilmente no ombro de Zaryusu, como se dissesse: Ele é ele
e você é você.

Nesse momento, quem os observasse provavelmente concluiria que eles eram amantes.
Quando ela percebeu isso, a cauda de Crusch se enrolou, enquanto a cauda de Zaryusu
balançava para frente e para trás.

Os dois se entreolharam e sorriram timidamente. Zenberu, que fingiu não ter visto nada
disso, continuou:

“Eu pensei que deveria haver alguém muito forte dentro daquela montanha, já que é
bem grande. Então, durante minhas viagens, eu conheci os Dwarfs e aprendi muitas coi-
sas com eles. Aquela alabarda, foram eles que fizeram. No começo eu não queria, mas eles
me pediram para ficar com ela como uma lembrança da nossa reunião, aí eu tive que
aceitar.”

“...Então isso que aconteceu. Isso é bom.”

A resposta de Crusch pareceu um pouco descuidada, ou melhor, um pouco fria.

“Oh, obrigado.”

—O sarcasmo também não funcionou nele.

Agora que o bom humor no ar havia sido arruinado, Crusch pegou seu vinho e bebeu de
um só gole. Ela sentiu queimar enquanto descia pela garganta, e o calor parecia irradiar
de seu estômago por todo o corpo. Zaryusu terminou seu vinho de uma só vez também.

Só então, uma pergunta calma atravessou o ar. Parecia completamente diferente da voz
agora e, por um momento, fez com que se perguntassem quem havia perguntado.

“Diga, acha que podemos ganhar?”

Zaryusu respondeu calmamente:

“...Eu não faço idéia.”

“Mm, mesmo aqui. Afinal, não existe uma batalha em que a vitória seja assegurada. Se
alguém realmente ficasse se achando venceria, mesmo não sabendo a força do inimigo,
eu o derrotaria só pra calar a boca dele.”
Crusch não teve resposta a Zenberu que dava risadas.

“Ainda assim... nosso inimigo foi um pouco descuidado. As mudanças aqui devem afetar
nossas chances de vitória.”

Ao invés de Zaryusu, Crusch olhou para Zenberu com uma expressão confusa no rosto.

“Você poderia se lembrar do que o monstro disse?”

“Desculpe, eu tava tirando um cochilo.”

“...Certamente você deve ter ouvido falar de outra pessoa?”

“Hmph, não faço questão de lembrar essas coisas, então eu esqueci. Mesmo assim, o im-
portante é que, se eles vierem querendo brigar, nós vamos dar a eles uma briga e tanto.”

Não há esperança para esse cara—

Crusch decidiu abandonar suas tentativas de explicação com isso. Zaryusu sorriu ironi-
camente e respondeu.

“...Ele nos disse para lutar com todas as nossas forças.”

Uma expressão perigosa apareceu no rosto de Zenberu e suas feições se contorceram


violentamente.

“Bem, isso só me irrita. Pensar que eles estão zombando da nossa cara desde o começo.”

Zenberu rugiu com uma raiva assustadora.

O grito trouxe consigo ira e desprazer.

“Isso mesmo, pra eles não somos nada. Já que são tão arrogantes... provavelmente su-
gere que eles são poderosos o suficiente para quebrar nossa resistência facilmente. Mas
vamos esmagar essa autoconfiança. Vamos reunir as cinco tribos e mostrar nosso poder
total. Eu quero rebater o ataque deles e mostrar a eles que somos uma força a ser reco-
nhecida.”

“Hmph, bem colocado. Eu posso entender isso. Gostei.”

Assim que os dois machos estavam ansiosamente discutindo seus planos de batalha,
Crusch acabou com seus deleites.

“Eu duvido que haja muito mérito em ferir o orgulho deles. Tudo o que precisamos fazer
é provar o nosso valor para eles, não? Talvez, se souberem disso, eles não nos extermi-
nem.
“Ei ei ei, você está me dizendo para me curvar com pessoas chatas assim?”

“Zaryusu... Eu sei que fugir é perigoso, mas eu acho que é melhor viver, mesmo em cati-
veiro...”

Disse Crusch em voz baixa.

Os outros dois não negaram nem a provocaram por sua mentalidade de escrava. Não
era que eles quisessem ser governados, mas ser escravos tinha mais futuro do que ser
cadáveres. Enquanto houvesse um futuro, haveria infinitas possibilidades.

Por exemplo, eles poderiam ensinar o método de criação de peixes a todos, e isso pode-
ria permitir que eles abandonassem suas casas e fugissem para outros lugares. Qualquer
líder que abandonasse essa possibilidade e ordenasse que todos morressem não era
digno de sua posição.

“Agora, ouçam atentamente, todos vocês.”

Quando ouviram a voz calma de Zaryusu, os três puseram as orelhas e ouviram os sons
de alegria que vinham da festa.

“Depois de sermos governados, talvez não possamos rir e nos alegrar assim.”

“Essa pode ser a palavra-chave, não?”

“Mesmo? Acho que não. Eu não acho que alguém que teria prazer em nos ver morrer
seria tão compassivo. Afinal, se houvesse alguma piedade em seus corações, eles não pla-
nejariam nos exterminar para diversão.”

Crusch assentiu. Mas mesmo assim—

“Ainda assim, o que eu quero dizer é... por favor, não morra.”

“—Eu não vou. Não antes de ouvir sua resposta.”

“—!”

Crusch e Zaryusu trocaram olhares apaixonados sob o céu noturno.

E então, eles fizeram seu voto.

—Não prestando atenção a Zenberu, que estava entediado da melosidade.


Interlúdio
les provavelmente estavam discutindo outra coisa na sala de reuniões atrás

E dele.

No entanto, seus deveres naquela sala acabaram. Por isso ele foi embora.

Dito isso, ele ainda tinha trabalho a fazer. Naquela época, ele estava apenas dando um
relatório, mas agora tinha que cumprir suas responsabilidades como o Primeiro Assento
da Escritura Preta — em outras palavras, como seu líder. Isso incluía ressuscitar seus
companheiros mortos, escolher substitutos temporários para suas posições, bem como
treinamento, condução de experimentos, e assim por diante.

Afinal, as Seis Escrituras eram uma organização secreta, então levavam vidas duplas,
infiltrando-se mesmo na Teocracia.

Falando de sua vida pessoal, ele teve que se casar — e com várias parceiras. Atualmente,
[Parentes de Deus]
havia apenas três Godkins dentro da Teocracia Slane, e assim os superiores sugeriram
que ele tinha que fazer seu dever patriótico e se reproduzir.

Todas essas exigências sobre ele se acumularam e o deixaram praticamente sem tempo
livre.

“Ainda assim, eu estava esperando poder relaxar hoje.”

Depois de ser libertado da reunião dos Cardeais — uma reunião dos mais importantes
detentores de nomeações na Teocracia Slane — ele rodeou os ombros, e então sua aten-
ção foi atraída por um som *claque-claque-claque*.

Ele sabia quem havia feito aquele som antes de vê-la. Havia poucos na Teocracia Slane
que tinham permissão para entrar neste lugar, e quando ele pensou sobre as pessoas que
não estavam presentes na sala de reunião, a resposta ficou clara.

Como ele esperava, havia uma garota encostada na parede.

Ela tinha um penteado único, com o lado esquerdo sendo uma cor diferente do direito.
Um era uma prata cintilante, enquanto o outro era um preto que parecia consumir a luz.
A cor dos olhos dela era similarmente díspar.

Ao lado dela, encostada na parede, havia uma gadanha de guerra que lembrava uma
lança em forma de cruz.

Embora parecesse jovem, alguém que mal aparentasse 15 anos, sua idade não corres-
pondia à sua aparência. Desde que ele se tornou o capitão dos Escritura Preta — o Pri-
meiro Assento — a aparência da garota não mudou.

Ele virou os olhos para os ouvidos sob os cabelos dela — e então se controlou.
Isso porque ele sabia que a garota odiava as pessoas que olhavam para as aquelas ore-
lhas.

Os lábios sedutores da garota formaram uma curva, como se ela estivesse lendo sua
mente.

Ela era uma criança mestiça, nascida de probabilidades quase impossíveis, o Assento
Extra da Escritura Preta, — conhecida pela alcunha de “Morte Certa”. Ela era uma guardiã,
responsável por defender o Sanctum Sanctorum da Teocracia Slane, o lugar onde as relí-
quias de cinco deuses eram mantidas.

O som que ele ouvira vinha do brinquedo em suas mãos. Na Teocracia Slane, se chamava
“Cubo de Rubik”, e aparentemente era uma herança dos Seis Grandes Deuses. A voz da
garota misturou-se com o claque-claque-claque de seus movimentos.

“Montar um lado é bastante simples, mas é difícil conseguir dois.”

Não era difícil para ele, mas ele não tinha idéia se deveria dizer isso a ela. No final, ele
escolheu sorrir amargamente por meio de resposta. A menina não parecia se importar
com sua resposta e continuou indiferente:

“O que aconteceu? Até os Cardeais apareceram.”

“Se me lembro bem, você recebeu uma cópia do relatório.”

“Não li.”

A menina respondeu sem hesitar e continuo:

“Além disso, perguntar a alguém que sabe é mais rápido. A Astróloga das Mil Ligas co-
[Soberano Dragão d a C a t á s t r o f e ]
meteu um erro? Você foi enviado para lidar com o Catastrophe Dragonlord... aconteceu
alguma coisa?”

Ao longo de toda essa conversa, os dois ainda não havia se entreolhado. A atenção da
garota estava focada no brinquedo em sua mão.

“...Nós nos envolvemos com uma criatura undead misteriosa que se assemelhava a um
Vampiro. Houve dois mortos e um gravemente ferido, por isso recuamos.”

“Quem morreu?”

Não havia nenhum traço de tristeza por seus camaradas caídos em sua voz. Ela parecia
estar perguntando sobre algo completamente alheio a ela. Ainda assim, ele não se impor-
tava. Era simplesmente o jeito dela.
“Cedran, que estava protegendo a Kaire-sama e o Beaumarchais, que tentou capturar a
Vampira que foi imobilizada.”

“O Grande Escudo e o Correntes Divinas, huh. A Princesa Miko da Terra morreu recen-
temente em uma explosão estranha, e agora a Escritura Preta perdeu dois dos seus me-
lhores... nada é tão ruim que não possa piorar, eu acho. Quem foi ferido?”

“Kaire-sama. Parecia haver algum tipo de maldição impedindo que as magias curativas
a curassem, então recuamos.”

“E a tal Vampira?”

“Nós deixamos lá. A Vampira entrou em uma postura de ataque toda vez que tentamos
capturá-la ou nos aproximamos. Decidimos que seria mais sensato deixar aquilo em paz.”

“Mas isso não resolve nada, não é?”

“...Eles decidiram deixar as coisas como estavam durante a reunião de agora.”

Essa foi a decisão que eles tinham alcançado na sala de reuniões mais cedo.

Foi julgado melhor deixá-la sozinha e reunir suas forças ao invés de atacar precipitada-
mente e sofrer baixas severas. Além disso, nenhum outro país deveria ser capaz de der-
rotar a criatura undead. De fato, se alguém assim aparecesse, isso os tornaria um ser po-
deroso que requeria atenção, e implicaria que eles deveriam sustentar suas defesas na-
cionais primeiro. No final, todos concordaram com esse curso de ação. Eles decidiram
deixar para trás apenas os funcionários essenciais da inteligência e fazer com que todos
se retirassem.

Ele concordou com o julgamento deles.

Afinal de contas, as únicas pessoas que poderiam derrotar aquela Vampira eram, pro-
vavelmente, Godkin ou Dragonlord. Portanto, eles deixariam as sentinelas a postos e se
encontrassem alguém que pudesse derrotar aquela Vampira, então eles estariam em
guarda alta contra tal ser.

“Hmm. Então o monstro não era apenas um Vampiro?”

Ele concordou. Foi por isso que ele chamou de um ser misterioso undead.
[Soberano Dragão V a m p í r i c o ] [Soberano Dragão do F é r e t r o A n c i ã o ]
“Poderia ser um Dragonlord? O Vampiric Dragonlord ou o Elder Coffin Dragonlord?”

A curva de seus lábios se alargou, um nítido sorriso. Isto é, se alguém considerasse a


mancha em seu rosto, ansiando por sangue, como um sorriso.

“...Esses dois Dragões já não estão mortos?”


Ele se sentiu um pouco desajeitado quando perguntou isso, mas ela imediatamente res-
pondeu:

“Eles são os dois Dragonlords undeads, então não sabemos se eles foram realmente des-
truídos.”

A garota finalmente levantou a cabeça para olhar diretamente para ele. Seus olhos de-
sencontrados pareciam brilhar com o que parecia curiosidade, prazer e luxúria de bata-
lha.

“Quem você acha que é mais forte, eu ou essa tal Vampira?”

Ele esperava essa pergunta e a encontrou com uma resposta preparada.

“Você, com certeza.”

“Mesmo...”

A garota olhou para o brinquedo, como se tivesse perdido o interesse pelo assunto.

Dentro de seu coração, ele deu um suspiro de alívio.

“Que pena. Eu estava pensando que eu poderia provar a derrota.”

Ao ouvi-la murmurar para si mesma, ele se perguntou:

Quem venceria se elas lutassem?

Ele havia trocado golpes tanto com a garota quanto com a Vampira, e ele sentiu que o
Vampira era superior. No entanto, essa Vampira não seria capaz de derrotar a “Morte
Certa”.

Isso por causa da diferença em suas panóplias.

A Vampira parecia estar completamente despreparada, o que era uma fraqueza em


monstros poderosos. Eles tinham grande orgulho em sua força, o que significava que não
faziam uso de itens mágicos poderosos.

Em contraste, ela estava vestida nas relíquias dos Seis Deuses, então ele pôde concluir
que ela era mais poderosa.

No entanto, e se ambos os lados fossem equipados com itens semelhante?

Impossível.
Ele imediatamente rejeitou a questão que surgiu em sua mente. Afinal, era impossível
encontrar equipamento que rivalizasse com a panóplia dela, que havia sido herdada dos
deuses.

Mas e se fosse possível?

Se isso acontecesse... a Assento Extra da Teocracia Slane, a mais poderosa e nunca der-
rotada, poderia ser derrotada. Em outras palavras, esse momento seria o fim de toda es-
perança, quando os defensores da humanidade seriam finalmente derrubados.

Não, por que ele estava assumindo que ela lutaria sozinha?

Embora ele não pudesse se comparar a ela, ele ainda era um Godkin despertado que
também possuía muitos itens mágicos. A Vampira poderia ser poderosa, mas estava so-
zinha, e se ele pudesse fazer uso de sua panóplia, eles deveriam ser capazes de lidar com
isso.

Não havia como existir mais seres tão poderosos quanto o ser undead com quem trocara
golpes.

Quando ele mergulhou no pensamento, ele ouviu o som de risos. Então, ele franziu a
testa e olhou para a sua fonte e perguntou:

“Vamos falar sobre outra coisa. Quando vai se casar?”

Esse foi um dos tópicos que surgiram durante a reunião de agora. Em resumo, pergun-
tava quando encontraria uma parceira adequada. Deixando claro, eles estavam falando
sobre uma noiva, mas mais grosseiramente, tal noiva seria uma máquina de fazer bebês.

“Eu ainda não encontrei ninguém.”

“Hmm, porque você ainda é jovem, huh?”

Quando a Escritura Preta se movia, seus membros usavam máscaras mágicas para es-
conder suas identidades.

De acordo com as leis estabelecidas pelos deuses, a idade da maioria na Teocracia Slane
era 20 anos, mas depois de remover sua máscara, sua verdadeira idade era muito menor
do que essa figura.

“É claro, depois de se casar, sua parceira será sequestrada em um local secreto dentro
da Teocracia... mas ela ainda será capaz de criar seu filho.”

“Sim. Eu sou um membro dos Escritura Preta, é claro que eu sei disso.”
“Oh sim. Ah, ainda assim, você provavelmente deveria dizer à sua futura esposa... que
você vai ter outras esposas. A lei diz que está tudo bem, mas todos foram educados desde
cedo para não gostar de ter vários cônjuges.”

A Teocracia Slane permitia a prática da poligamia enquanto a nação a sancionasse. Esta


era uma prática que tinha sido adotada desde a época em que as linhagens de sangue
tinham que ser mantidas puras devido à falta de entidades poderosas. No entanto, em
circunstâncias normais, a prática padrão era de um homem para uma mulher, e havia
apenas alguns casos em que a sanção nacional havia sido concedida. Mesmo quando con-
cedido, um homem só poderia ter duas esposas.

“Obrigado pelo seu lembrete, mas quanto a você... você não quer se casar?”

Ele fez essa pergunta porque ela parecia jovem, mas a aparência dela não correspondia
à idade real.

“Hmm, bem, eu poderia casar com um homem que pudesse me derrotar. Eu não me im-
porto se ele for feio ou tiver uma personalidade ruim... ou até mesmo se ele não for hu-
mano. Afinal, ele é o homem que me derrotou. Quão fortes seriam nossos filhos?”

A garota estava toda sorridente quando colocou a mão em sua própria barriga. Ele es-
tava bastante confiante de que a resposta significava que ela nunca se casaria.

No entanto, as coisas mudariam se alguém aparecesse que pudesse derrotar aquela


Vampira?

Uma onda de desconforto assolou seu coração.


Capítulo 03: O Exército da Morte
Parte 1

h, já tô vendo.”

O Zenberu — sentado perto da parte de trás de Rororo — riu enquanto


olhava para frente.

Algumas centenas de metros à frente, eles puderam ver a primeira tribo marcada para
extinção — a aldeia da tribo Razor Tail. Embora fosse mais ou menos do mesmo tamanho
que a aldeia Green Claw, havia mais Lizardmen aqui, provavelmente porque os Lizard-
men de outras tribos tinham se reunido a ela.

Agora que estavam se preparando para a guerra, todos estavam muito ocupados.

“É difícil me conter com esse clima no ar.”

Havia uma massa visível de ar no nariz de Zenberu enquanto ele inalava o cheiro do
ambiente. Era um odor que fervia o sangue. No entanto, Crusch nunca tinha sentido o
cheiro antes, e ela disse algo diferente dos outros dois.

“É seguro continuar cavalgando em Rororo?”

Tendo sentido a atmosfera tensa à distância, Crusch, o Monstro Planta, estava come-
çando a ficar nervosa. Ela estava preocupada que os Lizardmen prontos para a batalha
ficariam instigados se Rororo chegasse perto.

Eles poderiam conhecer Zaryusu, mas não Crusch ou Zenberu, e não significava que to-
dos na tribo Razor Tail conhecessem Zaryusu também.

“Não, é o oposto. Estamos mais seguros montados em Rororo.”

Um olhar confuso apareceu no rosto de Crusch (obscurecido pelas folhas). Sentindo sua
confusão, Zaryusu elaborou:

“Meu irmão deve ter vindo mais cedo, e deve ter dito a eles que eu estaria montando
Rororo. Então as notícias sobre nós nas costas de Rororo já devem ter chegado até ele,
tudo o que temos a fazer é avançar lentamente.”

Na verdade, quando Rororo estava chapinhando no pântano, um Lizardman preto emer-


giu da aldeia. Zaryusu acenou para a figura familiar.

“Aquele é meu irmão.”

“Entendo.”
“Oh...”

Os dois falaram como um. Crusch era genuinamente curiosa, enquanto Zenberu era
como uma fera que tinha avistado uma entidade poderosa.

Quando Rororo avançou, a distância entre os dois — entre Zaryusu e Shasuryu — dimi-
nuía. Logo, eles estavam perto o suficiente para ver o rosto um do outro, e os irmãos se
entreolharam.

Eles só estavam separados há dois dias. No entanto, eles se prepararam para a eventu-
alidade de nunca mais se verem novamente, então a reunião foi particularmente tocante.

“Estou feliz que esteja de volta, Zaryusu!”

“Mm, e tenho boas notícias, Shasuryu!”

O olhar de Shasuryu caiu sobre as duas pessoas sentadas atrás de Zaryusu. Zaryusu sen-
tiu os braços de Crusch se apertarem um pouco ao redor da cintura, devido à tensão.

Uma vez que eles estavam na frente de Shasuryu, Rororo parou na frente do rosto fami-
liar e encostou nele com suas quatro cabeças.

“Desculpe, eu não trouxe comida comigo.”

No instante em que Rororo ouviu essas palavras, suas cabeças imediatamente recuaram
de Shasuryu, como uma criança fazendo birra. A Hydra pode não ser capaz de entender
os Lizardmen, mas deve ter percebido telepaticamente o significado daquelas palavras.
Ou isso, ou não sentia nenhum cheiro de comida nele.

“Então, vamos descer.”

Depois de acenar para os outros dois, ele pulou das costas de Rororo e pegou a mão de
Crusch quando ela pulou. Shasuryu olhou para Crusch com uma expressão de perplexi-
dade no rosto.

“E o que é esse Monstro Planta?”

O fato de que todos reagissem da mesma forma deixava Crusch um pouco desmorali-
zada, mas ela não queria contestá-lo. Isso foi provavelmente devido ao constante abuso
verbal de Zenberu. Mas as palavras que se seguiram foram uma bomba que fez Crusch
enrijecer.

“Ela é a fêmea que eu amo.”

“—Ohh.”
Shasuryu murmurou admirado. Então, ele voltou sua atenção para a ainda paralisada
Crusch, que segurava a mão de seu irmãozinho.

“Muu... Me diga uma coisa, a fêmea dentro disso é bonita?”

“Mm, e estamos considerando casamen—!”

A dor repentina em sua mão o calou, porque a pessoa que a segurava tinha espetado
suas garras na mão de Zaryusu, e muito vigorosamente. Shasuryu olhou para eles com
algum desagrado.

“Entendo... Quem diria, alguém como você, que falava sobre as aparências e dizia... o que
era mesmo, ah... “Você sabe que eu não posso me casar?”. Então você estava apenas ten-
tando bancar o cara legal. Você simplesmente não tinha ninguém para se apaixonar... en-
fim, de volta aos negócios. Eu sou Shasuryu Shasha, chefe da tribo Green Claw. Obrigado
a vocês por se juntarem a nós.”

A maneira como Shasuryu falou não buscou a confirmação de sua aliança, mas irradiava
a certeza de que eles ajudariam. No entanto, Crusch e Zenberu não eram do tipo que se-
riam abalados por pequenas coisas como essa.

“Nós que deveríamos agradecer. Eu sou a Chefe Interina da tribo Red Eye, Crusch Lulu.”

Todos esperavam que Zenberu se apresentasse depois que Crusch estivesse cumpri-
mentando Shasuryu, mas eles não ouviram nada do tipo. Em vez disso, Zenberu olhou
para Shasuryu da cabeça aos pés.

Depois que ele ficou satisfeito com o que viu, ele assentiu e falou com uma expressão
bestial no rosto:

“Oh, então você é aquele — o guerreiro que usa habilidades sacerdotais em batalha. Eu
já ouvi falar de seus feitos.”

“Estou surpreso que até mesmo a tribo Dragon Tusk saiba de mim.”

A resposta de Shasuryu foi como dois animais selvagens circulando um ao outro.

“Até que seu irmão aceite assumir a posição de direito, eu sou o chefe da tribo Dragon
Tusk, Zenberu Gugu.”

“Obrigado por ter vindo. Você certamente parece adequado para ser o chefe da tribo
que valoriza a força.”

“Que tal aquecimento, então? Precisamos mostrar um ao outro a nossa força, não é?”

“...Isso não é uma má idéia.”


Zaryusu não sentiu vontade de detê-los. Era verdade que, uma vez que descobrissem
quem era mais forte, muitas coisas se tornariam muito mais simples no futuro.

No entanto, Shasuryu levantou a mão antes que eles pudessem começar, e apagou as
chamas da ânsia de Zenberu pela batalha.

“—Pessoalmente, acho que é uma boa idéia, mas agora não parece ser a hora certa.”

“Por quê?”

Shasuryu sorriu quando Zenberu franziu a testa.

“...Os batedores que enviamos devem retornar em breve, para que possamos aprender
sobre o inimigo. Talvez mais tarde podemos continuar, depois de ouvirmos o relatório
dos batedores, não?”

♦♦♦

Havia uma pequena cabana que estava sendo usada como sala de reuniões dos vários
chefes.

Todos os chefes e Zaryusu estavam aqui, para um total de seis Lizardmen.

O nome de Zaryusu — portador da Frost Pain e matador do antigo chefe da tribo Razor
Edge — era famoso entre as tribos. Além disso, ele foi o herói que persuadiu a tribo Red
Eye e Dragon Tusk a se unirem à aliança, então nenhum dos chefes aqui se opôs à sua
presença.

Os seis sentaram-se em círculo dentro do interior apertado. Os três chefes tinham sido
duramente pressionados para esconder sua surpresa quando Crusch revelou sua pele
branca como a neve, mas agora eles já acostumaram nem que seja um pouco.

Depois que as saudações terminaram, o primeiro a falar foi o chefe da tribo Small Fang.

Ele tinha uma constituição física pequena para um Lizardman, mas ele tinha definido
seus membros até que eles ficaram tão duros quanto o aço. Ele tinha sido originalmente
um caçador, então ele era provavelmente o melhor atacante a distância de todos os Li-
zardmen das redondezas. Na verdade, ele eliminou todos os seus oponentes durante os
principais testes de seleção mirando e acertando com uma única pedra.

Depois de mobilizar todos os caçadores para explorar, ele agora entendia a disposição
do inimigo.

“Os números dos inimigos são cerca de cinco mil.”


Esse número excedia em muito a força das tropas dos Lizardmen, mas ainda estava den-
tro do alcance esperado. Alguém até suspirou de alívio ao ouvir.

“...Então, quem é o líder inimigo?”

“Não temos certeza. Os batedores avistaram enormes monstros que pareciam gigantes-
cos pedaços de carne vermelha, mas era difícil chegar perto deles.”

“E qual a aparência do exército?”

“É um exército de undeads, com Skeletons e Zombies.”

“Eles usaram cadáveres de Lizardmen?”

“Não, os cadáveres não vieram de Lizardmen. Eu não conheço criaturas terrestres muito
bem, então não estou confiante em identificá-las, mas elas provavelmente eram huma-
noides de algum tipo, eu não vi nenhuma cauda.”

Depois de ouvir sobre essas características, Zaryusu tinha certeza de que eles eram de
uma tribo das planícies — humanos.

“Não podemos tomar a iniciativa e lançar um ataque preventivo?”

“Isso seria difícil. O inimigo está usando uma clareira na floresta como uma área de
acampamento, mas quanto tempo demoraram para limpá-la? Eu não vi nenhum sinal dos
troncos cortados que deveriam ter sobrado— ah, eu sai do assunto. De qualquer forma,
eles estão na floresta. É questionável se poderíamos nos posicionar sozinhos. Seria muito
difícil se tivéssemos que levar os guerreiros também.”

“Então, que tal mandar os caçadores para emboscá-los?”

“Sem essa, Crusch-kun. Há apenas vinte e cinco caçadores. Como poderíamos derrotar
cinco mil undeads? Tudo o que conseguiríamos é morrer.”

“Hm... então que tal mobilizar os sacerdotes?”

Várias pessoas concordaram com a sugestão de Shasuryu e olharam para Crusch. No


entanto, Zaryusu respondeu à pergunta.

“Eu acho que seria melhor se não o fizéssemos.”

“Ah? Por quê?”

“A oposição honrou o acordo até agora, mas eu não acho que permitirão que lancemos
um ataque furtivo.”
“De fato. Parece que seria melhor não dar o primeiro passo sem antes que todas as tribos
se juntem.”

“Então vamos nos preparar para um cerco?”

“Defender difícil é.”

Aquela voz inarticulada veio de um dos Lizardmen, o chefe da tribo Razor Tail.

Ele estava vestido com uma armadura branca, que brilhava com um brilho não perten-
cente ao metal.
[Osso do
A armadura irradiava uma aura mágica fraca. Um dos Quatro Tesouros — o White
D r a g ã o Branco]
Dragon Bone.
[Dragões G é l i d o s ]
Esta armadura foi feita a partir dos ossos de Frost Dragons infundidos a frio, ao serem
enterrados na Cordilheira Azerlisiana. É claro que armaduras feitas de meros ossos —
até mesmo os ossos de seres poderosos como Dragões — não continham nenhuma magia.
No entanto, em algum lugar ao longo desse processo, essa armadura tinha adquirido pro-
priedades mágicas.

O problema agora era que essas propriedades mágicas poderiam ser o resultado de uma
maldição.

Isso porque a White Dragon Bone convertia o intelecto em força defensiva. Se uma pes-
soa inteligente a coloca, ela se tornará mais dura do que o aço — pode até ser capaz de
rivalizar com a força do mythril, ou o lendário metal adamantite.

No entanto, a inteligência perdida não retornaria, mesmo que a armadura fosse remo-
vida. Foi por isso que as lendas que cercam o item diziam ser um item amaldiçoado.

O portador da armadura já esteve originalmente no auge do intelecto dos Lizardmen, e


depois que ele colocou a armadura, tornou-se resistente o suficiente para desviar todas
e quaisquer armas que os Lizardmen possuíssem — até mesmo a Frost Pain. Sua dureza
pode estar no mesmo nível que adamantite.

Além disso, usuários da armadura normalmente perdiam seus poderes da razão e se


tornavam deficientes mentalmente, então, já que o atual detentor ainda era capaz de pen-
sar, isso era uma prova de seu intelecto original. Como resultado, a tribo Razor Tail não
decidiu mais a sucessão da chefia através do combate depois que ele nasceu.

“Aqui está o pântano. Fundação rasas. Paredes... facilmente quebradas.”

“Entendo. Então, devemos montar uma barricada?”


“Hm, por que não? É melhor tomar a ofensiva do que defender. Eu acho que cada um de
nós tem que enfrentar três, não quatro inimigos? Bastante fácil; tudo o que temos a fazer
é derrubar eles.”

Quando ouviram as palavras de Zenberu, os outros se entreolharam. Eventualmente,


Crusch mudou de assunto.

“A questão agora é se o inimigo tem reforços... eles ainda podem estar organizando suas
forças.”

“Hmmm... isso é difícil de dizer. Dado o tamanho dessa clareira, não deveria haver mais
espaço para caber mais undeads... Ainda assim, tudo o que eles teriam que fazer é posi-
cioná-los por toda a floresta.”

Os undeads não precisavam comer, beber ou descansar, e não precisavam de grandes


acampamentos. Portanto, era muito difícil dizer seus números baseado no tamanho de
seus acampamentos.

“Parece que é melhor considerarmos um cenário de defesa pelo bem da segurança.”

“Nesse caso, nós da tribo Red Eye fortaleceremos nossas muralhas para vos guiar atra-
vés do cerco. Espero que todos nos ajudem com isso.”

Os outros chefes concordaram com a cabeça, inclusive o decepcionado Zenberu.

“De qualquer forma, vamos começar a preparar nossas defesas. Também precisamos
estabelecer uma cadeia de comando.”

“Para começar, vamos atribuir o comando dos sacerdotes para a Crusch-san. Ela tam-
bém terá autoridade sobre eles em combate.”

Todos concordaram, exceto um.

“Todos os chefes devem formar um esquadrão separado.”

Todos os olhos foram para Zaryusu.

“Entendo... Então é isso, irmãozinho.”

“Ou seja, você quer que nós formemos uma unidade de elite, então?”

“Correto. O inimigo é numeroso e, se não eliminarmos o comandante, poderemos perder


essa batalha. Além disso, se implantarem monstros como os que eles enviaram para cada
aldeia como mensageiros, não conseguiremos sobrecarregá-los com números. Precisa-
mos destruí-los usando pequenas equipes de elite.”
“Ainda assim, deixando nossas tropas sem líderes, não resultará em confusão?”

“Apenas... escolha, escolha... substituto do Chefe Guerreiro.”

“Então, mesmo que não haja comandantes, tudo o que eles têm que fazer é atacar o ini-
migo diante deles com todas as suas forças, huh...”

“...Que tal ter o esquadrão de elite dando ordens por trás e só sair quando eles encon-
trarem o comandante inimigo ou se a situação ficar ruim?”

“Isso seria muito bom, não? Então, vamos formar um esquadrão de seis com todos aqui,
incluindo Zaryusu.”

“Não, vamos dividir mais, em equipes de três.”

Dividir-se em duas equipes significava que eles poderiam lutar em dois lugares, mas
também significava que sua força seria dividida e enfraquecida.

“Uma equipe será uma unidade de busca e destruição para lidar com os comandantes
inimigos, enquanto os outros serão responsáveis por gerenciar as tropas inimigas.”

“Nesse caso, acho que ter três chefes formando uma equipe deve funcionar. Zaryusu-
san pode agrupar-se com os chefes que ele trouxe. Vamos adaptar os objetivos da equipe
para atender às circunstâncias.”

“Hm, parece bom. Tudo bem, Zaryusu?

“Sim, eu entendi. Crusch, Zenberu, vocês se opõem?”

“Eu? Não me importo.”

“Nem eu. É uma pena que não dê pra a gente se exibir um pouco, mas vou obedecer ao
vencedor.”

“Então, ainda há quatro dias para o ataque inimigo?”

“Sim.”

“Então, há algo que precisa ser preparado antes do tempo?”

“Precisamos estocar pedras para atirar e fortalecer nossas paredes. Além disso, preci-
samos deixar que as várias tribos se misturem e estabeleçam relações de trabalho para
que possam funcionar em harmonia.”

“Nós da tribo Small Fang gostaríamos que o Shasuryu lidasse com isso, assim como an-
tes.”
“Nós também... achamos que deve ser assim... e vocês dois?”

Crusch e Zenberu concordaram com a cabeça.

“Eu assumirei o comando, então. Depois disso, decidiremos nossas tarefas nos próximos
três dias.”

♦♦♦

Depois que o trabalho do dia terminou, Zaryusu caminhou silenciosamente pela aldeia
movimentada. Vários Lizardmen viram a marca em seu peito e a Frost Pain em sua cin-
tura, e cumprimentaram-no respeitosamente.

Parecia um pouco problemático, mas ele teve que responder a eles para aumentar o
moral. Portanto, ele colocou um olhar confiante e digno em seu rosto e respondeu com
uma voz vigorosa e destemida.

Desta forma, Zaryusu chegou ao local das paredes ao redor da aldeia. Muitos Lizardmen
estavam lá, toda a sua atenção focada em erguer as paredes o mais rápido possível.

Primeiro, eles usaram a vegetação para servir de base para pilares de madeira e preen-
cher os espaços entre eles. Depois cobriram-nos com um pouco de lama mais seca. Os
sacerdotes então os encantavam e as paredes estavam completas. Havia rachaduras na
superfície, provavelmente porque o conteúdo de água havia evaporado completamente.
Então, eles repetiram o mesmo processo do outro lado.

“Ah, Zaryusu. Algo de errado?”

“Nada errado, eu só queria ver o que você estava fazendo.”

Água espirrou suavemente sobre o chão molhado enquanto Zaryusu caminhava até
Crusch, que ainda estava em seu traje de Monstro Planta. Então, ele apontou para a ati-
vidade incessante diante dele.

“O que é isso?”

“Isso é uma parede de terra. Nós não sabemos que tipo de inimigos vamos enfrentar,
então eu queria dificultar que eles nos atacassem... mas ainda não terminamos nem a
metade disso, já que não temos tempo suficiente.”

“Entendo... Ainda assim, não vai quebrar facilmente, sendo feita toda de terra?”

“Vai ficar bem. Enquanto uma fina camada de terra é facilmente quebrada, esse não é o
caso de uma parede espessa de terra. É claro, nós não pudemos reunir material suficiente
para isto devido à construção apressada e, será enfraquecida se chover, mas não vai des-
moronar tão facilmente.”

Quando ele pensava sobre isso, praticamente qualquer coisa seria difícil de destruir se
fosse suficientemente grossa.

Dezenas de Lizardmen estavam trabalhando tão rápido quanto podiam ante de Zaryusu
enquanto ele concordava com essa conclusão, mas eles estavam seguindo no ritmo de
uma tartaruga. Mesmo se eles a engrossassem por três dias seguidos, a parede ainda não
seria forte o bastante, mas era melhor que nada.

“Atualmente, estamos mudando a estrutura das cercas em lugares que não podemos dar
cobertura, assim evitará que sejam derrubadas.”

Na direção em que Crusch estava apontando—

Eles haviam arrancado os pilares de madeira e os erguidos em uma forma triangular. O


espaço entre eles era atado com cordas frouxas que haviam sido tecidas a partir de fibras
vegetais. Zaryusu sentiu que eram semelhantes à cerca que cercava a aldeia dos Red Eye.

“E o que é isso?”

“Vamos colocar objetos pesados nessas aberturas triangulares para garantir que a cerca
não caia se for empurrada ou puxada. Essas cordas são destinadas a obstruir os movi-
mentos do inimigo. Se caírem nas provocações, podem ser facilmente cortados com es-
padas ou outras armas brancas, e é por isso que deixamos uma folga nelas de propósito.”

Crusch respondeu ansiosamente à pergunta de Zaryusu.

Ela tinha apenas recebido sabedoria de Zaryusu durante suas viagens nos últimos dias,
então ela ficou muito contente em ser capaz de distribuir sabedoria pela primeira vez.
Além disso, havia outra emoção por trás disso.

“Entendo... Dessa forma, não pode ser facilmente destruído.”

Aquelas palavras de elogio respeitoso encheram Crusch de orgulho.

Zaryusu assentiu vigorosamente.

Eles estavam acelerando o plano de converter essa aldeia em uma fortaleza o máximo
que pudessem. Não poderia ser comparável as defesas de humanos ou Dwarfs, era o me-
lhor que podiam fazer nessas terras úmidas, onde o movimento era difícil.

“Estava pensando em algo, Zaryusu... você disse aos guerreiros...”


Assim como Crusch disse isso, o vento carregou o clamor dos guerreiros para eles. Suas
vozes estavam cheias de excitação e pareciam bastante sangue-quente.

“O que está acontecendo? Esse aplauso soa familiar... isso é! Eles estão torcendo por uma
briga. Será que seu irmão está duelando com o Zenberu agora?”

Zaryusu assentiu. Então ele percebeu que Crusch havia revelado seu rosto e parecia bas-
tante preocupado.

“...Seu irmão é o supremo comandante. As coisas não serão problemáticas se ele for der-
rotado?”

“Eu não sei. Ainda assim, meu irmão é forte também. Uma vez que ele tenha uma aber-
tura para usar suas magias de sacerdote, ele ficará ainda mais forte. Pelo que sei, eu posso
perder para ele também.”

A força de Shasuryu era extraordinária depois de conjurar várias magias em si mesmo.


Além disso, embora ele provavelmente não usasse magias ofensivas durante uma batalha
simulada, se o fizesse, mesmo Zaryusu — antes de ser dono da Frost Pain — não seria
páreo para ele.

Afinal, quando Zaryusu derrotou o antigo dono da Frost Pain, a única razão pela qual o
dono não usava sua habilidade especial — limitada a três utilizações por dia — em
Zaryusu era porque todas as três ocorrências já haviam sido gastas em Shasuryu.

“Isso é bom...”

Enquanto Zaryusu pensava como ele deveria mostrar à preocupada Crusch a forma com
que seu irmão lutava, ele se lembrou de uma preocupação oculta que ele não havia le-
vantado até agora.

Ele não sabia se deveria mencionar, mas no final decidiu fazê-lo.

Era um pouco desprezível falar sobre algo que ele escolhera não falar antes, ainda mais
agora, que tudo estava resolvido em grande parte. No entanto, ele não conseguia segurar
os sentimentos puros e intensos que ele tinha, e ele não queria esconder nada dela.

“Há uma coisa que me preocupa—”

Crusch riu ao ouvir o desconforto na voz de Zaryusu. Ela parecia estar zombando dele.
O olhar em seu rosto não combinava com o humor no ar — ou com a personalidade dela
— e Zaryusu ficou sem palavras. Portanto, foi Crusch quem falou em seu lugar.

“—É o que você não mencionou antes? E se o inimigo já tivesse visto nossos planos e
antecipado que formaríamos uma aliança, estou correta?”
Zaryusu ficou em silêncio, pois ela acertou em cheio.

Em outras palavras, a possibilidade de que o inimigo tivesse dado a eles todo esse tempo
para se preparar, informou-os a ordem de ataque e permitiu que Zaryusu formasse sua
aliança, tudo com o propósito de reunir as tribos para que todos pudessem ser esmaga-
dos de uma vez.

“Bem, você ficaria preocupado, já que é muito propenso a introspecção. Ainda assim,
não importa o que aconteça, seria melhor combater o inimigo primeiro e se preocupar
com coisas desse tipo mais tarde.”

“Mesmo se vencermos, o inimigo provavelmente não desistirá. Não, com toda a hones-
tidade, há pouca chance de o inimigo desistir.”

“Isso pode ser verdade, mas você estava certo sobre o que disse naquela noite. E olhe—”

Não parecia haver nada na direção em que Crusch estava apontando. No entanto,
Zaryusu entendeu que ela estava se referindo a toda a aldeia.

“Você vê como todas as tribos Lizardmen estão lutando juntas pelo mesmo objetivo?”

De fato, os Lizardmen estavam todos trabalhando para o mesmo objetivo.

Zaryusu recordou a grande festa realizada para celebrar a aliança das Cinco Tribos. As
pessoas de cada tribo se misturaram sem preconceitos. É claro que seria errado dizer
que os sobreviventes das duas tribos destruídas não nutriam rancor, mas, no mínimo,
conseguiram engolir seu ressentimento.

“Que irônico...”

Zaryusu murmurou para si mesmo. Ele sempre pensou que eles se manteriam isolados
por um longo tempo, mas ele não esperava ver todos unidos, como uma só tribo, devido
a um inimigo externo.

“Devemos proteger as possibilidades que o futuro nos reserva, Zaryusu. As tribos se


unindo certamente nos estimularão a crescer.”

Zaryusu nunca tinha visto as técnicas de construir muros com lama. No entanto, agora
que todas as outras tribos também sabiam disso, as tribos dos Lizardmen certamente
construiriam tais fortificações no futuro. Essas paredes resistentes seriam capazes de
impedir incursões de monstros. Se isso acontecesse, o número de ataques a crianças di-
minuiria drasticamente e os números dos Lizardmen aumentariam.

E conforme o número de membros aumentasse, eles podiam usar os criatórios de peixes


de Zaryusu para alimentá-los.
Talvez num futuro próximo, esse pântano possa se tornar o lar de uma tribo de Lizard-
men grande e unida.

“Vamos ganhar, Zaryusu. Não podemos prever o que acontecerá no futuro e, por tudo
que sabemos, tudo isso pode ser esclarecido depois que vencermos essa batalha. Se isso
acontecer, poderemos expandir e isso poderá nos levar a um mundo em que não preci-
saremos nos preocupar em matar uns aos outros ou ter escassez de alimentos.”

Crusch sorriu. Zaryusu lutou contra a onda de emoção dentro dele, porque se ele dei-
xasse fluir livremente, as consequências poderiam ser irrecuperáveis. Ainda assim, havia
uma coisa que ele tinha a dizer, não importava o quê.

“Você realmente é uma excelente fêmea — depois desta batalha, por favor, me diga a
resposta para a pergunta que fiz quando nos conhecemos.”

O sorriso de Crusch ficou ainda mais brilhante.

“Sim, Zaryusu. Eu vou te dizer depois que tudo acabar—”

♦♦♦

Demiurge cantarolava alegremente enquanto trabalhava.

Ele pegou um osso polido e considerou onde melhor encaixá-lo. Em pouco tempo —
talvez ele já tivesse decidido — ele raspou parte de sua ponta e inseriu no objeto diante
dele, algo que ele estava construindo.

O osso raspado se encaixava perfeitamente em seu lugar, como se sempre tivesse per-
tencido ali.

Se a construção de uma casa sem pregos fosse chamada de “construção de estrutura de


madeira”, a técnica de Demiurge poderia ser chamada de “construção de estrutura óssea”.

“Eu tenho um bom pressentimento sobre isso.”

Demiurge sorriu enquanto passava os dedos pelos ossos. Ele sentiu que ele produziria
um excelente trabalho se continuasse assim.

“Ainda assim... preciso de um osso da coxa de um homem de cerca de cento e vinte cen-
tímetros de altura.”

Ele ainda poderia completar sem o osso, mas o produto acabado não ficaria tão bom.

Em circunstâncias normais, ele deixaria isso de lado, mas esse presente era destinado
ao amado mestre a quem ele devia sua lealdade, então ele tinha que completá-lo com o
melhor de sua capacidade.
“Se eu pudesse encontrar um osso adequado.”

Em alto astral, Demiurge seguiu em frente.

A verdade é que Demiurge gostava de fazer objetos como esses. Não era um amor por
artesanatos ósseos, mas um amor por artesanatos em geral. Ele estava muito interessado
nesse campo, abrangia itens que iam de objetos a mobília, e suas técnicas haviam supe-
rado as de um amador casual.

De fato, seu artigo atual provocaria a surpresa de praticamente qualquer um que o visse,
desde que desconsiderasse os materiais de que era feito.

Essa barraca também continha outros itens, como uma estátua de seu mestre feita de
lava solidificada, todos os tipos de cadeiras, braçadeiras variadas e assim por diante. To-
dos eram obra de Demiurge. Mesmo que algumas dessas peças foram construídas para
funcionalidade e com isso não foram ornamentadas, elas ainda eram excelentes exem-
plares de artesanato.

Demiurge pegou um pedaço de matéria-prima do canto da tenda e começou a avaliá-la.


Nesse momento, ele sentiu alguém na entrada da tenda.

Ele gentilmente colocou o osso de volta e apertou o item insubstituível que seu mestre
lhe emprestara, antes de focar sua atenção no movimento externo. Em circunstâncias
normais, a pessoa de fora deve ser apenas um de seus vassalos ou seus camaradas. Nin-
guém poderia violar essa defesa de três camadas sem o conhecimento de Demiurge.
Ainda assim, era verdade que ele tinha que ter cuidado com o inimigo que havia domi-
nado Shalltear.

Alguns segundos depois, alguém abriu a aba da barraca. Ele estava vestido de branco e
usava uma máscara preta de pássaro com um bico comprido.

Era Pulcinella.

Ele era um palhaço criado pelos Seres Supremos, assim como Demiurge. Ele tinha sido
designado para ajudar Demiurge nessa operação.

Depois de garantir que ele não estava sob controle mental, a tensão deixou os olhos de
Demiurge. Ao mesmo tempo, ele soltou o artefato em sua mão.

“Demiurge-sama, a esfola está completa.”

Demiurge sentiu uma pontada de pesar por essas palavras.

Originalmente, Demiurge teria feito esse trabalho pessoalmente para saboreá-lo, mas a
necessidade de ter cuidado com seu inimigo misterioso e poderoso significava que ele
não poderia deixar este lugar em circunstâncias normais. Assim, ele entregou a tarefa a
Pulcinella.

Tomando cuidado para manter suas emoções escondidas, Demiurge deu a Pulcinella no-
vas ordens.

“Bom trabalho. Então, comece o próximo passo imediatamente. Seria rude apresentar
diretamente algo nesse estado a Ainz-sama.”

Quando Pulcinella se curvou graciosamente, Demiurge perguntou-lhe:

“Então, quantos morreram?”

“Nenhum. Graças aos carrascos, eles só desmaiaram, então devemos ser capazes de es-
folá-los logo. No entanto, alguns deles não estavam dispostos a aceitar a magia de cura...
mas estava bem dentro dos parâmetros aceitáveis, por isso não é um problema.”

“Maravilhoso.”

Reunir as matérias-primas era uma tarefa árdua e eles precisavam realizar várias esfo-
lações para recuperar seu investimento. Mesmo assim, ele não usara anestesia nem mé-
todos indolores para remover as peles.

“Eu quero fazer todo mundo feliz.”

Essa súbita interjeição fez Demiurge pensar na personalidade de Pulcinella.

Pulcinella era famoso em Nazarick por sua bondade e misericórdia. Ele havia sido criado
para deixar todos felizes, e ainda assim foi destinado a cumprir esse propósito.

“Todos na Grande Tumba de Nazarick estão felizes em servir o grande Ainz-sama.”

Demiurge concordou com a cabeça.

“Entendo. Então, uma pergunta para você, Pulcinella: você quer dizer que os outros fi-
carão felizes em servir Nazarick?”

“Como poderiam? Não quis dizer isso. Servir ao Ainz-sama é verdadeiramente uma coisa
feliz, que me faz querer derramar lágrimas de alegria, mas não pode ser contada como
verdadeira felicidade se for forçada.”

“Oh, então o que deve ser feito?”

“Simples. Escolha uma pessoa e corte o braço dele. Então, os outros se comparam a essa
pessoa e se consideram afortunados. Será maravilhoso! E então, para fazer a pessoa cujo
braço foi cortado feliz, você simplesmente corta as pernas das outras pessoas! Oh, quão
felizes eu os fiz ser!”

Demiurge acenou para o palhaço, que estava rindo para o alto céu.

“Entendo. É uma ótima idéia.”

Parte 2

O tempo passaria devagar se tudo o que fizesse fosse esperar. No entanto, praticamente
voou quando se preparava para uma tarefa com um limite de tempo.

A hora marcada havia chegado.

Hoje, o sol escaldante arrastou-se lentamente para o céu, que era de um azul claro e sem
nuvens. Não havia som de vento, e o mundo estava envolto num silêncio tão profundo
que se podia ouvir o proverbial som de um alfinete caindo.

A tensão pré-batalha encheu o ar.

Alguém engoliu em seco e a respiração de alguém se acelerou.

Mesmo sem saber ao certo quanto tempo havia passado, eles decidiram ficar reunidos
em silencio—

Um buraco apareceu no céu e uma nuvem se elevou. Ela se expandiu tão rapidamente
quanto a de antes, até que envolveu todo o céu.

Não demorou muito até que as nuvens obscurecessem o céu, quando a luz do sol se foi
e só restou escuridão—

Os Lizardmen viram incontáveis undeads saírem da floresta e passarem pela fronteira


que compartilhavam com o pântano. As árvores os obscureceram e impediram que con-
seguissem uma contagem exata, então tudo o que podiam ver era uma maré interminável
que se arrastava para frente.

Os atacantes eram 2200 Zombies, 2200 Skeletons, 300 feras undeads, 150 arqueiros e
100 Cavaleiros Skeletons, uma tropa total de 4950, não incluindo o comandante e sua
comitiva.

Os defensores eram o exército das Cinco Tribos.

A tribo Green Claw tinha 103 guerreiros, 5 sacerdotes, 7 caçadores, 124 machos e 105
fêmeas.
A tribo Small Fang tinha 65 guerreiros, 1 sacerdote, 16 caçadores, 111 machos e 94 fê-
meas.

A tribo Razor Tail tinha 89 guerreiros blindados, 3 sacerdotes, 6 caçadores, 99 machos


e 81 fêmeas.

A tribo Dragon Tusk tinha 125 guerreiros, 2 sacerdotes, 10 caçadores, 98 machos e 32


fêmeas.

A tribo Red Eye tinha 47 guerreiros, 15 sacerdotes, 6 caçadores, 59 machos e 77 fêmeas.

Suas forças combativas combinadas eram de 429 guerreiros, 26 sacerdotes, 45 caçado-


res, 491 machos e 308 fêmeas, um total de 1.380 Lizardmen, sem incluir os chefes e
Zaryusu.

Uma batalha desequilibrada de mais de três para um estava prestes a começar.

♦♦♦

Era uma cabana de madeira.

Era de design simples e feito de madeira pura, com pouca ornamentação. No entanto,
era um total de cinco metros do chão ao teto, mais de vinte metros de comprimento e
largura.

Não havia quase nenhuma mobília aqui, apenas um imenso espelho pendurado na pa-
rede, uma enorme e robusta mesa e as cadeiras em volta.

Havia várias pessoas sentadas nessas cadeiras e, na mesa, havia muitos pergaminhos
enrolados — pergaminhos mágicos.

“E este é o último, um pergaminho de teletransporte.”

Quando a voz estridente — que lembrava a imagem de uma jovem garota — pronunciou
essas palavras, outro pergaminho foi colocado sobre a mesa.

A pessoa que fazia isso era uma garota humanoide com uma roupa de empregada.

Ela era adoravelmente fofa, com o cabelo preso em dois coques no lado da cabeça. No
entanto, ela estava cercada por um ar estranho e seus olhos eram bastante peculiares.

Os ditos olhos eram grandes e redondos, mas pareciam como bolinhas de gude, mas não
havia brilho algum. Além disso, tais olhos não piscavam.
Seu corpo esbelto estava totalmente envolto em um uniforme encantador de empregada,
e o colarinho alto obscurecia completamente seu pescoço. Além de seu rosto, nenhuma
parte de sua carne estava exposta.

Ela era uma das Empregadas de Batalha das Pleiades — Entoma Vasilissa Zeta.

“E depois há os pergaminhos 「Message」, mas a mesa está ficando bagunçada, então


alguém poderia por favor limpar a mesa?”

Entoma olhou para a pessoa mais alta sentada à mesa, que assentiu lentamente em res-
posta.

“Então, por favor, vá em frente.”

“Sim, Então. Por. Favor. Arrume. Tudo. Rapidamente.”

Depois de ouvir Cocytus concordar com as instruções de Entoma, as pessoas ao redor


da mesa começaram a trabalhar para limpar a mesa.

Cada um deles era um ser heteromórfico. Alguns pareciam louva-a-deus, alguns pare-
ciam formigas e um até parecia um cérebro gigantesco.

Cada um deles tinha uma aparência diferente, mas eles tinham duas coisas em comum.
A primeira, eles eram vassalos de Cocytus, e a segunda, todos serviam a Nazarick.

Por essa razão, eles obedeceram Entoma, apesar do fato dela ser mais fraca do que eles.

Dentro da cadeia de comando da Grande Tumba de Nazarick, o fator mais crucial não
era o poder puro, mas sim se eles haviam ou não sido criados por um dos Seres Supremos.
Desse ponto de vista, Entoma se classificava muito bem.

Depois de verificar que a mesa tinha sido limpa—

“Então, por favor, pegue estes, Cocytus-sama.”

—Entoma falou aquelas palavras sem mexer a boca, e então pegou a bolsa a seus pés e
providenciou vários pergaminhos enrolados.

“Estes são pergaminhos de 「Message」. De acordo com o Ainz-sama, eles foram feitos
com a pele que o Demiurge-sama trabalhou com afinco para obter. Ainz-sama também
disse que gostaria de ser informado se algum problema surgir com o uso deles.”

“Mesmo? Compreendo. Eu. Informarei. A. Ele. Se. Tal. Problema. Ocorrer.”

Cocytus pegou os pergaminhos de Entoma com uma de suas quatro mãos.


“Agora. Isso... Parece. Que. O. Demiurge. Está. Mais. Avançado. Do. Que. Eu.”

Ele sorriu amargamente para os servos em volta dele quando ele disse isso. Seus servos
responderam com sorrisos irônicos.

Quando ele pegou os pergaminhos, Cocytus mergulhou em contemplação.

Cocytus tinha ouvido uma vez que o suprimento de pergaminho de baixo nível de Naza-
rick estava acabando.

Encontrar um lugar para reabastecer e armazenar o básico para produzir vários itens
era um problema que precisava ser resolvido mais cedo ou mais tarde. As reservas ainda
eram suficientes para o momento, mas se continuassem a usá-las, acabariam se esgo-
tando um dia. Portanto, todos — incluindo seu mestre — começaram a trabalhar para
corrigir essa situação.

Parte da solução envolveu as macieiras no 6º Andar, das quais ele tinha ouvido falar.

No entanto, este foi um problema que Cocytus — que era responsável pela segurança
de Nazarick — não podia fazer nada. Afinal de contas, desde que ele foi designado para
tarefas de proteção, ele não podia ir procurar soluções do lado de fora.

Demiurge — que havia saído para o lado de fora, certamente resolveria esse problema
no final. Pode-se dizer que era de se esperar.

Seu amigo cumpriu sua missão.

Foi um feito admirável, e Cocytus ficou feliz por ele. No entanto, as chamas do ciúme
ardiam em seu âmago. O fato de que seu companheiro poderia ajudar um dos Seres Su-
premos — o mestre a quem ele adorava — o encheu de ciúmes.

Sua própria conduta era a defesa de Nazarick.

Essa difícil tarefa era sem dúvida mais importante do que qualquer ordem dada aos ou-
tros Guardiões. Se questionado, qualquer vassalo concordaria que era uma tarefa impor-
tante. Afinal de contas, eles não podiam deixar que a ralé comum colocasse os pés no
santuário dos Seres Supremos.

No entanto, Cocytus não poderia provar sua devoção e lealdade já que não tinha nenhum
intruso.

Foi por isso que Cocytus quis provar-se aqui obtendo bons resultados.

Para os Guardiões, ajudar seu mestre era uma fonte de grande prazer. Cocytus queria
experimentar essa alegria também.
Atualmente, uma chance para isso estava diante dele.

Cocytus se virou para olhar a imagem dentro do espelho e apertou o pergaminho com
força.

O espelho não refletia o interior da sala, mas mostrava parte do pântano. A cena dentro
[Espelho d a V i s ã o R e m o t a ]
do Mirror of Remote Viewing foi a razão pela qual Cocytus passou os últimos dois dias
na cabana de troncos que Aura construíra.

Esta batalha — não, quando se considerava o poder absoluto da Grande Tumba de Na-
zarick, era mais como um massacre — era pouco mais que uma maneira de recuperar
cadáveres. Quando ele recebeu essa tarefa sagrada, o mestre de Cocytus também estabe-
leceu várias regras.

A primeira regra foi que Cocytus estava proibido de pisar no campo de batalha. Natural-
mente, isso se estendia também aos seus servos. Ele deveria usar as forças alocadas a ele
para lidar com esse problema.

A segunda regra era que o Elder Lich, designado como comandante do exército, seria
guardado até o final.

A terceira regra era que ele tinha que tomar sozinho o máximo possível de decisões.

Havia outros detalhes além disso, mas essas eram as mais importantes das ordens que
ele recebera.

Sua tarefa era conseguir a vitória usando apenas as forças implantadas nas margens do
lago. No entanto, se obtivesse sucesso, ele poderia demonstrar sua lealdade ao seu
grande mestre.

“Muito. Obrigado, Por. Favor. Transmita. Meus. Agradecimentos. Para. O. Ainz-sama.”

Entoma assentiu desinteressadamente.

“Então... Você. Retornará?”

“Não. Recebi instruções para observar o resultado da batalha.”

Então ela deveria ser uma observadora.

O sangue de Cocytus ferveu quando ele percebeu a importância de sua tarefa.

Já era hora de começar.

Cocytus ativou 「Message」 e deu suas ordens ao comandante do exército undead.


“—Avancem.”

♦♦♦

Duas fogueiras brilhavam em ambos os lados da plataforma elevada, banhando os arre-


dores com uma luz bruxuleante.

Na plataforma estavam vários Lizardmen, incluindo chefes, líderes e outras figuras im-
portantes de cada tribo.

Diante da plataforma havia muitos Lizardmen prontos para a batalha. O clamor deles
subia e caía como uma onda. Isso se originava de seu desconforto, preocupação e medo
— eles lutaram para esconder todas essas emoções, mas não conseguiram esconder o
tremor em seus corações.

Estavam as vésperas da batalha. Seus amigos, companheiros e familiares poderiam se


tornar cadáveres em um instante, ou eles mesmos poderiam cair em combate. Logo iriam
para o lugar cruel que era o campo de batalha.

Shasuryu Shasha deu um passo à frente dos chefes reunidos e interrompeu sua comoção.

“Lizardmen aqui reunidos, sua atenção!”

Uma voz majestosa ecoou pelo ar. Silenciava o entorno imediato e fazia as palavras de
Shasuryu soarem excepcionalmente ressonantes.

“Confesso que nosso inimigo tem um grande número.”

Ninguém fez um som, mas todos podiam sentir os tremores no ar.

Após uma breve pausa, Shasuryu falou novamente.

“Mas não há necessidade de temer! Pela primeira vez em nossa história, as Cinco Tribos
se uniram como uma só! Através da nossa aliança, somos agora uma só tribo! Portanto,
os ancestrais das Cinco Tribos cuidarão de nós — até mesmo os espíritos de outras tribos
nos protegerão!”

“Sacerdotes!”

Com esse comando, Crusch deu um passo à frente, à frente dos sacerdotes das Cinco
tribos, e então ela tirou a roupa para revelar suas escamas brancas.

“Esta é Crusch Lulu, a líder dos Sumo Sacerdotes!”

Crusch deu outro passo à frente enquanto Shasuryu a chamava pelo nome.
“Conjure os antepassados sobre nós!”

“—Ouçam bem, filhos da Grande Tribo!”

Como essa tribo recém-formada lidaria com isso?

Com uma determinação tão dura quanto aço em sua voz, Crusch continuou. Às vezes sua
voz era aguda, às vezes era baixa, às vezes parecia que ela estava rosnando, e às vezes
parecia que ela estava cantando.

No início, quase todos foram repelidos por Crusch, a albina. No entanto, depois de ver
sua confiança inabalável, esse desgosto gradualmente desapareceu.

O corpo de Crusch balançava gentilmente enquanto ela falava. Suas escamas brancas
brilhavam à luz da fogueira — a luz refletida fazia parecer que os espíritos dos ancestrais
haviam caído sobre Crusch.

Havia olhares de adoração reverenciada no rosto de todos.

“Agora que as Cinco Tribos são uma, significa que os espíritos das Cinco Tribos prote-
gerão a todos! Eis senhoras e senhores! Testemunhe o advento dos inumeráveis antepas-
sados através das gerações, enquanto eles tomam presença ao vosso lado!”

Crusch abriu vigorosamente os braços e apontou para o céu. Todos olharam para cima,
mas tudo o que viram foi uma extensão do céu noturno comum. Não havia espíritos des-
cendo nem nada.

No entanto, alguém murmurou alguma coisa.

“Aquilo não é uma luz?”

A voz fraca ficou mais alta, e vários Lizardmen acrescentaram: “Eu estou vendo”. Alguém
disse que viu uma luz fraca, alguém gritou sobre um Lizardmen, alguém murmurou sobre
um peixe gigante, alguém exclamou que havia uma criança e alguém murmurou incré-
dulo sobre um ovo.

Havia apenas uma coisa dentro dos corações dos Lizardmen — que os espíritos de seus
ancestrais realmente estavam com eles.

“Os espíritos vieram para nos proteger!”

Deste modo, fazia sentido que alguém gritasse exatamente isso.

“Sintam! Sintam o poder deles entrando em seus corpos!”


A voz de Crusch parecia falar diretamente para suas almas. Soava como se estivesse
vindo de um lugar distante e muito próximo ao mesmo tempo.

Quando os Lizardmen ouviram sua voz, eles sentiram algum tipo de força preenchendo-
os.

“Sintam! Sintam a força que os ancestrais das Cinco Tribos lhe deram!”

Agora, todos os Lizardmen aqui definitivamente sentiam isso.

Eles podiam sentir o intenso poder dentro deles. Essa sensação de sangue quente elimi-
nou seu desconforto anterior; seus corpos brilhavam de dentro com o calor, como se ti-
vessem acabado de beber vinho.

Essa foi a prova certa de que os espíritos dos ancestrais haviam descido ao reino mortal.

Crusch desviou os olhos da multidão de Lizardmen de aparência embriagada e acenou


para Shasuryu.

“Ouçam-me todos, Lizardmen. Os ancestrais estão conosco agora. O inimigo nos supera,
mas vamos perder?”

“Não!”

O ar tremeu quando os Lizardmen — com olhares vagamente bêbados em seus rostos


— responderam a Shasuryu em uníssono.

“Exato! Agora que os espíritos dos ancestrais estão conosco, não há como perder! Vamos
derrotar o inimigo e oferecer esta vitória para eles!”

“Ohhhhh!”

O moral de todos estava no ápice. No lugar dos Lizardmen inquietos de antes, agora só
haviam guerreiros famintos por batalha.

Este não foi um efeito mágico como 「Charm」. Mesmo com tantos druidas, eles não
tiveram o luxo de conjurar magias em todos aqui antes do início da batalha.

Pelo contrário, esse foi o resultado da bebida especial que os Lizardmen haviam bebido
antes de começar a cerimônia.

A bebida era uma receita transmitida através das gerações, que dava coragem a quem a
bebesse. Foi feito com ervas que induzia um breve período de intoxicação, euforia e alu-
cinações naqueles que a consumissem.

O resultado líquido era um estado de consciência alterada.


O discurso de Crusch tinha a intenção de ganhar tempo para os efeitos entrarem em
ação.

Quando se conhecia a verdade, dificilmente parecia impressionante. No entanto, para


aqueles que testemunhavam esse espetáculo com seus próprios olhos — em outras pa-
lavras, os Lizardmen que viam a prova de que seus ancestrais estavam caminhando com
eles —, esse ritual inflamava a coragem dentro deles.

“Então, começaremos a aplicar as pinturas de guerra. Originalmente, toda tribo teria sua
própria cor, mas agora que os espíritos das Cinco tribos residem dentro de todos nós,
usaremos as cores de cada tribo para todos!”

Vários sacerdotes pegaram panelas de barro e andaram entre os Lizardmen.

Os Lizardmen se decoraram usando a tinta das panelas. Eles acreditavam que os espíri-
tos ancestrais dentro deles guiavam suas mãos, então deixavam as pontas dos dedos va-
garem livremente, traçando desenhos por todo o corpo.

Muitos deles pintaram seus corpos inteiros, possivelmente graças a esse “advento” es-
piritual. No entanto, quase nenhum dos Lizardmen da Green Claw aplicou tinta a si mes-
mos. Isso porque Zaryusu, Shasuryu e os membros de elite das tribos não o fizeram. Em
outras palavras, era uma forma de idolatria.

Depois de olhar em volta e se convencer de que todos estavam prontos, Zaryusu sacou
sua espada e apontou para o portão da aldeia.

“Marchem para frente!”

“Ohhhhhh!”

Inúmeros rugidos ecoaram pelo ar.

Parte 3

As tropas da Grande Tumba de Nazarick foram divididas em dois grupos então se esta-
cionaram no pântano.

A divisão Zombie estava no flanco esquerdo dos Lizardmen, enquanto a divisão Skeleton
estava à sua direita. Os Arqueiros e Cavaleiros Skeletons estavam posicionados atrás da
divisão Skeleton.

As Feras Zombies eram mantidas na retaguarda, como se fossem uma unidade de co-
mando.
Os Lizardmen que os enfrentavam também estavam divididos em duas forças, apesar
de seus números relativamente pequenos. Os caçadores e as fêmeas estavam do lado dos
Zombies, enquanto os machos e guerreiros estavam do lado dos Skeletons. Enquanto isso,
os sacerdotes permaneciam dentro da aldeia, protegidos pelas muralhas.

Os Lizardmen haviam saído da aldeia porque sabiam que não adiantava resistir a um
cerco. Não havia ajuda esperando por eles, e as paredes eram tudo menos resistentes.
Além disso, o inimigo era um exército dos mortos, que não necessitava de rações ou des-
canso.

Dadas estas circunstâncias profundamente desfavoráveis, um cerco seria uma péssima


idéia.

No entanto, uma vez que os Lizardmen se agruparam do lado de fora, eles compreende-
ram profundamente a tremenda disparidade entre suas forças e as do inimigo.

Uma situação em que um enfrentasse três ainda pode ser comparada com a de dez que
enfrentam trinta. Mas se mil tivessem que lutar contra três mil, a grande diferença em
suas respectivas forças tornou-se muito aparente. Mesmo que três mil undeads não fi-
zessem mais nada além de ficar em formação, ainda assim, eles eram uma visão muito
intimidante.

Apesar das circunstâncias, os Lizardmen não mostraram nenhum sinal de medo. Seus
ancestrais estavam com eles agora — números não significavam nada para eles.

Logo, as forças undeads começaram um avanço lento. Os Zombies e Skeletons começa-


ram a se mover, enquanto os Arqueiros e Cavaleiros Skeletons permaneciam onde esta-
vam. Talvez eles estivessem sendo mantidos em reserva.

Os Lizardmen também avançaram.

“OHHHHHH!”

As zonas úmidas ecoaram com um grito estridente, acompanhado pelo som de inúmeros
respingos. A água se transformou em espuma e a terra voou para todos os lados.

Os dois exércitos continuaram avançando, até que estivessem à beira de um confronto


feroz. No entanto, uma anormalidade surgiu no exército de Nazarick.

Os Zombies e os Skeletons tinham começado seu avanço juntos, mas à medida que avan-
çavam, gradualmente se separaram. Isso porque os Zombies eram lentos enquanto os
Skeletons eram rápidos. Além disso, as zonas úmidas eram muito difíceis de locomover.

Monstros lentos como Zombies estavam atolados na lama, seus movimentos ficavam
ainda mais lentos. No entanto, monstros ágeis como Skeletons não eram tão afetados.
Portanto, o primeiro combate foi entre os Skeletons os guerreiros Lizardmen.

Os Lizardmen não empregaram formações, simplesmente colidiram com os Skeletons.


Não havia arte em sua técnica; eles simplesmente brandiam suas armas sempre que viam
um inimigo.

Liderando o caminho estavam os cinco Chefes Guerreiros das várias tribos. Até certo
ponto, era tolice um comandante liderar de frente. No entanto, eles eram os guerreiros
mais bem classificados de suas respectivas tribos, o moral da tropa cairia se eles não lu-
tassem à frente de suas tropas. Mas claro, em vez disso, os Lizardmen estavam todos de
bom humor.

Eles eram apoiados por 89 guerreiros armadurados da tribo Razor Tail. Eles usavam
armaduras de couro e carregavam escudos de couro, e possuíam a mais alta força defen-
siva de qualquer grupo entre as tribos.

Eles levantaram seus escudos, atacando a horda de Skeletons como uma parede única e
unida.

Então eles entraram em confronto — as vanguardas dos Skeletons e dos Lizardmen co-
lidiram-se umas com as outras.

Naquele momento, incontáveis ossos voaram em todas as direções, e o esquadrão Lizar-


dman invadiu a horda Skeleton.

Os sons da carnificina sacudiram o céu e os sons de ossos esmagados pareciam intermi-


náveis. Houve gritos ocasionais de dor, mas esses foram abafados pelos sons de ossos
quebrando.

Os Lizardmen tinham uma vantagem incontestável nesse primeiro combate, e a maré


da batalha os favorecia.

Se os combatentes não fossem Lizardmen, mas humanos, o oposto provavelmente seria


o caso.

Skeletons eram feitos de ossos, então armas perfurantes eram quase completamente
ineficazes já que tinham grande resistência. Portanto, tropas humanas — que geralmente
usavam lâminas e espadas como armas primárias — teriam dificuldade em danificar es-
ses Skeletons.

A vantagem dos Lizardmen se devia ao fato de que eles usavam maças e clavas como
suas armas primárias, o que causava danos de impacto — a perdição de Skeletons.
Os Lizardmen facilmente esmagaram os corpos ósseos dos Skeletons a cada balanço de
suas armas. Mesmo se sobrevivessem a um ataque, o segundo os pulverizaria. Em con-
traste, as espadas compridas enferrujadas que os Skeletons usavam eram desviadas pe-
las escamas e peles duras dos Lizardmen. Mesmo alguns deles sendo feridos, ninguém
sofreu ferimentos fatais.

Esta foi a primeira investida.

Quase 500 Skeletons jaziam em fragmentos apenas daquele confronto.

♦♦♦

O queixo de Cocytus caiu quando ele olhou para a imagem dentro do espelho.

Esta foi a primeira vez que eles ficaram frente a frente, mas a força dos Lizardmen su-
perou suas expectativas. Sendo um guerreiro primoroso, Cocytus possuía um grau de
percepção da força de seu inimigo.

Era verdade que, como indivíduos, os Skeletons eram claramente mais fracos do que os
Lizardmen e não tinham esperança de vitória. No entanto, seus números deveriam ter
compensado essa fraqueza.

Mesmo assim, esse resultado aconteceu. Qual era o significado disso? Isso o fez se per-
guntar se eles tinham sido fortalecidos por algum outro poder.

Com toda a probabilidade, somente os Arqueiros e os Cavaleiros Skeletons poderiam


reivindicar a vitória sobre os Lizardmen neste estado atual.

Os Skeletons desmoronaram um após o outro enquanto observava a batalha. Os Skele-


tons e Zombies provavelmente serviriam apenas para enfraquecer a resistência de seus
oponentes.

Nesse. Ritmo, As. Únicas. Tropas. Efetivas. Que. Temos. São. As. Trezentas. Feras. Zombies.
Os. Cento. E. Cinquenta. Arqueiros. Skeletons. E. Os. Quinhentos. Cavaleiros. Skeletons, O.
Peso. Dos. Números. Está. Agora. Contra. Nós.

Cocytus calculou as chances em sua mente.

Os undeads eram fortes, especialmente em batalhas prolongadas; quase ninguém con-


seguia vencê-los. O undeads não sentiam nada — nem medo, nem dor, nem fadiga, nem
a necessidade de dormir.

As vantagens que aquelas características conferidas na guerra dificilmente precisavam


ser declaradas.
Por exemplo, se alguém girasse uma maça na cabeça de uma criatura viva, havia uma
grande chance de que a criatura morresse, se sobrevivesse, sangraria profusamente e
sofreria grande dor. A pessoa que recebe o ataque perderia naturalmente a vontade de
lutar. Claro, uma exceção tinha que ser feita para guerreiros que haviam sido treinados
para suportar grandes dores, mas a maioria das pessoas perderia a gana de lutar.

Essa era uma reação perfeitamente natural dos seres vivos.

Mas e quanto aos undeads?

Quebrar seus crânios? Eles continuariam atacando enquanto vazavam seus cérebros a
cada golpe.

Quebrar os braços? Eles continuariam atacando com seus membros despedaçados.

Cortar as pernas? Eles rastejariam para fazer o próximo ataque.

De fato, enquanto a energia negativa que servia como sua força vital não fosse esgotada,
os undeads continuariam lutando. Enquanto as condições para a morte instantânea não
fossem cumpridas — a decapitação era bastante comum para a maioria dos seres unde-
ads de baixo nível —, eles não perderiam a vontade de lutar como humanos. Em outras
palavras, os undeads eram soldados perfeitos.

Não se pode negar que os Lizardmen eram atualmente superiores, indo pela força indi-
vidual. No entanto, essa comunhão de coisas não pode virar o jogo.

A opinião de Cocytus sobre os Lizardmen subiu um pouco, e ele concluiu que eles não
eram um inimigo que poderia ser instantaneamente destruído. Sendo esse o caso, ele
teve que prolongar a batalha.

“Devemos. Recuar. E. Esperar. Para. Uma. Chance. Para. Lançar. Outro. Ataque?”

“Seu servo sente que seria o mais sábio movimento.”

“Seu servo é da opinião de que seria melhor mobilizar os arqueiros e a cavalaria.”

“Não, não, devemos continuar o ataque até que o inimigo esteja exausto.”

“Mas que bem faz para exaurir o inimigo? Se não pudermos esmagar o quartel general
deles, o inimigo acabará recuperando sua força.”

“De fato. O inimigo parece ter uma defesa forte, mas eles estão se escondendo atrás des-
sas paredes frágeis. Que tal pegar a aldeia e depois cercá-los?”

Depois de ouvir as respostas de seus servos, Cocytus pegou o pergaminho 「Message」


e olhou para Entoma, tentando ler sua expressão.
Entoma olhava desinteressadamente para o espelho. Ela tirou um biscoito verde de al-
gum lugar e levou-o até o queixo, e logo os sons de mastigação ecoaram pela sala. Essa
atitude parecia estar dizendo que ela não estava preocupada com os eventos que esta-
vam se desenrolando. Talvez fosse por isso que ela não tinha expressão no rosto.

—Não, esse rosto inexpressivo não era nada mais que uma decoração.

Cocytus pensou em sua verdadeira natureza e percebeu que tentar ler sua expressão
era um gesto tolo.

Ela era uma devoradora por natureza. Até mesmo o amigo de Cocytus, Kyouhukou um
dos Cinco Piores em Nazarick, afirmou sem rodeios que “ela é uma das coisas mais assus-
tadoras de Nazarick”. Essa era a sua verdadeira natureza.

Cocytus abandonou o plano de tentar adivinhar seus pensamentos lendo seu rosto e
desenrolou o pergaminho, enviando uma 「Message」 ao comandante do exército.

♦♦♦

“—Eles acham que somos o quê? Lixo?”

Zenberu murmurou. Ele falou isso em voz baixa, mas ainda foi alto o suficiente para que
todos que observavam os inimigos dentro das paredes ouvissem.

“Eles não estão mobilizando seus arqueiros ou cavalaria. Isso me faz pensar que estão
nos menosprezando.”

“Sim, eu pensei que eles viessem com tudo...”

“Luta de Zombies, indo bem.”

Havia apenas 45 caçadores combatendo os Zombies. Eles lançavam ataques arremes-


sando pedras, lentamente reduzindo os Zombies dos Skeletons. As fêmeas se moveram
lentamente para uma posição onde pudessem flanquear os Skeletons.

“Você não acha que os movimentos deles são muito suspeitos?”

“...Pois é.”

Os Zombies não foram apenas desviados como completamente distraídos pelos caçado-
res. Algum comandante permitiria tais movimentos? Não, não deveria ter sido possível,
mas os Zombies estavam se movendo como descrito. Sendo esse o caso, o que o inimigo
tem em mente? Ninguém presente tinha idéia do motivo.

“Eu não entendo muito bem o que eles estão fazendo.”


“Mm, concordo com o Shasuryu.”

Não importa o quanto pensassem sobre isso, eles não sentiam que houvesse algum sig-
nificado particular para os movimentos dos Zombies.

Depois de observar por mais algum tempo, Zaryusu compartilhou seus pensamentos
com os outros.

“Será que não há comandante?”

“Nenhum comandante...? Ah, você quer dizer que os undeads agiram sob as ordens que
receberam no começo da batalha?”

“Mm, sim.”

Os undeads de baixo nível como Zombies e Skeletons, não possuíam inteligência. Por-
tanto, dar-lhes ordens no momento apropriado era a melhor maneira de comandá-los.
No entanto, os Zombies e outros inimigos pareciam ter recebido ordens para matar qual-
quer Lizardmen próximo. Era nisso que eles estavam concluindo.

“Em outras palavras, o inimigo pensou que poderia nos vencer pelo peso dos números...
não, será que esta batalha é apenas para ver o quão bem eles podem lutar sem um co-
mandante?”

“É o que parece.”

“Desgraçados! Eles querem nos provocar?”

Era Shasuryu, não Zenberu, que estava xingando. Mesmo Shasuryu não podia tolerar
esse tipo de coisa. Afinal, os Lizardmen estavam apostando suas vidas nisso.

“Acalme-se, Shasuryu. Nós não sabemos ainda se esse é o caso.”

“Mm, desculpe... embora eu ache que é bom estarmos indo bem até agora.”

“Ani-ja, você está certo, mas precisamos reduzir os números dos inimigos o máximo
possível agora.”

Batalha era uma atividade muito fatigante, e um corpo-a-corpo estava sobrecarregando


inimaginavelmente a força mental. Num campo de batalha em que não se sabia se o ini-
migo viria da frente, da retaguarda, da esquerda ou da direita, bastava balançar a arma
algumas vezes e já se estaria mais exausto do que o normal.

No entanto, os undeads não sentiam fadiga e continuavam atacando sem descanso.


Essa era a diferença entre os vivos e os mortos e, com o passar do tempo, essa diferença
se tornava cada vez mais evidente.

Em outras palavras, o tempo era o inimigo dos Lizardmen.

“Cheh, seria bom se eu pudesse lutar...”

“Paciência, Zenberu.”

De fato, se um poderoso guerreiro como Zenberu entrasse em campo, eles provavel-


mente poderiam acabar com os Skeletons em instantes. No entanto, isso significaria re-
velar seu trunfo. O grupo de meia dúzia de pessoas de Zaryusu era sua arma secreta.
Mesmo que eles obviamente precisariam jogar seu trunfo em tempos de emergência, eles
não poderiam revelar seu verdadeiro poder enquanto a situação não fosse terrível e se o
maior inimigo deles não tivesse aparecido ainda.

“Ainda assim, se o inimigo não avançar, isso não vai deixá-los em nossas mãos?”

Disse Zaryusu aos outros, que responderam afirmativamente. Então, ele se virou para
Crusch e perguntou:

“Como vão as coisas aí, bem?”

“...Sim, e o ritual está indo bem também.”

Crusch respondeu à pergunta de Zaryusu enquanto ela olhava ao redor da aldeia. O ri-
tual que os sacerdotes estavam realizando na aldeia poderia muito bem ser outro trunfo
para os Lizardmen. Normalmente, levaria muito tempo, mas como todos os sacerdotes
de todas as tribos estavam reunidos, estava progredindo a um ritmo tremendamente rá-
pido o bastante para ser usado nessa batalha.

“Então esse é o poder da cooperação...”

“Mmm... sim. Com certeza, nós compartilhamos algumas idéias depois da guerra no pas-
sado... Ainda assim, há muitas coisas que eu quero fazer depois da guerra agora.”

Os outros chefes assentiram vigorosamente com a sugestão de Shasuryu. Eles compar-


tilharam muito conhecimento graças a essa batalha, e viram com seus próprios olhos a
importância de todos trabalharem juntos em direção a um objetivo comum. Os três che-
fes que se aliaram no passado, mas não trocaram informações, foram particularmente
vigorosos em seu acordo.

Zaryusu olhou para aquelas cinco pessoas e sorriu.

“O que é tão engraçado?”


“Não é nada. Eu me sinto muito feliz apesar das circunstâncias.”

Crusch imediatamente percebeu o que ele estava pensando.

“—Eu também, Zaryusu.”

Enquanto ele olhava para a sorridente Crusch, os olhos de Zaryusu se estreitaram como
se ela estivesse brilhando intensamente. Eles tinham olhares de admiração e bondade
em seus olhos.

Era natural que eles não estivessem se abraçando. Afinal, eles não podiam satisfazer
seus desejos enquanto os Lizardmen estavam morrendo diante deles. No entanto, as cau-
das de Zaryusu e Crusch pareciam criaturas independentes quando se mexiam, ocasio-
nalmente se tocando e separando.

“Muuu...”

“Você sabe o que esta situação é, já que é o irmão mais velho?”

“Nós fomos completamente excluídos.”

“Ah, eles realmente se amam.”

“Em suma... é bom ser jovem, o futuro é promissor.”

Os quatro Lizardmen mais velhos acenaram com a cabeça enquanto olhavam para seus
adoráveis juniores.

É claro que não havia como Crusch e Zaryusu saberem disso. Suas caudas se moviam e
se contorciam sem pausa, mas tinham expressões sérias e apropriadas em seus rostos.

“Ani-ja, o inimigo está se movendo.”

Shasuryu e os outros chefes não puderam deixar de sorrir amargamente com a mudança
repentina na atitude de Zaryusu. Ao mesmo tempo, eles lançaram seus olhos para a for-
mação do inimigo. Os Cavaleiros Skeletons estavam avançando em massa.

“Ei ei ei, não me diga que eles estão vindo pra nós?”

“A cavalaria? Eles estão planejando abalar nosso moral, atacando diretamente?”

“Não, eles deveriam estar planejando circular em torno dos guerreiros e dos machos e
depois flanquear eles, certo?”

Isso era ruim.


Todos chegaram à mesma conclusão sem dizer uma palavra. A mobilidade dos Cavalei-
ros Skeletons era difícil de lidar.

Se os Cavaleiros Skeletons tivessem se movido no início da batalha, eles teriam priori-


zado sua destruição. No entanto, os guerreiros e os Lizardmen machos estavam atual-
mente travados em combates corpo-a-corpo, os caçadores estavam cuidando dos Zom-
bies, e as fêmeas estavam flanqueando os Skeletons arremessando pedras, então havia
pouca força de trabalho para bloquear os Cavaleiros Skeletons.

“Parece que será melhor se dermos o primeiro passo.”

Shasuryu assentiu depois que o chefe da tribo Small Fang falou.

“A questão agora é quem devemos enviar... ou melhor, quem devemos permitir lutar
primeiro...”

♦♦♦

Cavaleiros Skeletons.

Eles eram Skeletons empunhando lanças e montados em Cavalos Skeletons. Eles não
tinham características especiais além de sua mobilidade aprimorada, mas como dito, a
mobilidade era excelente nesse terreno pantanoso. Seus corpos eram feitos de osso e não
afundavam muito na lama, o que significava que podiam avançar à velocidade de um ca-
valo comum.

Quase uma centena de Cavaleiros Skeletons estavam avançando, com a intenção de cir-
cular por trás dos Lizardmen para destruí-los por trás.

Eles viram três Lizardmen se aproximando de sua frente e esquerda — em outras pala-
vras, da aldeia — mas os Cavaleiros Skeletons não lhes deram atenção. Eles não haviam
recebido ordens para engajá-los, então eles os ignorariam, desde que não atacassem.
Undeads ininteligentes eram assim.

Assim que eles estavam prestes a chegar à retaguarda das forças dos Lizardmen, o
mundo do líder do Cavaleiros Skeletons foi subitamente virado de cabeça para baixo. O
cavaleiro voou para o ar e caiu pesadamente no pântano.

Um humano ficaria confuso e incapaz de agir. No entanto, os Cavaleiros Skeletons eram


seres undead não inteligentes, e imediatamente continuaram a se mover para cumprir
suas ordens.

Apesar de se reerguer rapidamente, havia sido ferido, e por isso se movia mancando
levemente.
Nesse momento, foi atingido por outro Cavaleiro Skeleton sem cavalo, e os ossos que-
brados dos dois Cavaleiro Skeleton estavam espalhados por todo o pântano.

Cenas como essa estavam acontecendo em todos os lugares.

Por que algo assim aconteceu nas terras úmidas abertas? A resposta foi simples — era
uma armadilha.

Havia caixas de madeira abertas enterradas no pântano e, quando os Cavaleiros Skele-


tons pisassem nelas, caíam.

Os Cavaleiros Skeletons caíram um após o outro. Se eles fossem humanos, eles teriam
diminuído o ritmo. No entanto, os Cavaleiros Skeletons não fariam isso. Embora tivessem
discernimento suficiente para evitar um buraco do qual estavam cientes, não tinham ca-
pacidade de desconfiar de armadilhas. Isso porque eles não tinham ordens para fazê-lo
e não tinham inteligência para permitir que se adaptassem à situação.

Sua corrida precipitada para as armadilhas parecia uma forma de suicídio em massa.

Ainda assim, mesmo as armadilhas sendo muito eficazes, elas eram apenas uma medida
de atraso. Elas poderiam causar algum dano, mas não poderiam eliminar os Cavaleiros
Skeletons por si mesmos. Os Cavaleiros Skeletons caídos se levantaram, cobertos de lama.

Só então, houve um whoosh e o som do ar se separando. Só assim, um dos Cavaleiros


Skeletons caiu com a cabeça arrancada.

Os Cavaleiros Skeletons julgaram que esta era uma ação inimiga e olharam nos arredo-
res.

Nesse momento, a cabeça de outro Cavaleiro Skeleton voou de seus ombros, quebrada
como uma bola de vidro.

Os Cavaleiros Skeletons avistaram três Lizardmen a cerca de 80 metros de distância de-


les. Eles também os viram lançando pedras com suas fundas, esmagando os crânios dos
Cavaleiros Skeletons—

Os Cavaleiros Skeletons começaram a se mover.

♦♦♦

Ao mesmo tempo, a situação da batalha com os Skeletons começou a mudar.

Depois que o som de incontáveis cordas de um arco foi esticado, o som de flechas encheu
o ar como a chuva caindo.
Os 150 Arqueiros Skeletons dispararam contra a luta corpo-a-corpo dos Skeletons e Li-
zardmen. Eles não apenas descarregaram uma flecha, mas duas, três...

Os Lizardmen não esperavam uma tempestade de flechas como aquela.

Muitos Lizardmen foram atingidos por flechas e colapsaram. Eles não podiam lutar con-
tra os Skeletons e bloquear os ataques de flechas ao mesmo tempo.

Claro, os Skeletons também foram atingidos pelas flechas, mas não foram feridos.

Usar os Skeletons — que tem imunidade quase absoluta a danos perfurantes — como
barricadas e, em seguida, fazer com que os Arqueiros Skeletons disparassem atrás deles
era uma estratégia quase perfeita. Eles teriam tempo suficiente para acabar com todos
os Lizardmen no tempo que levaria para liderar 2.000 Skeletons para cercá-los.

O problema era que eles haviam usado essa tática tarde demais. Se eles tivessem come-
çado com esse movimento, o destino dos Lizardmen teria sido selado. Eles teriam sido
afogados sob a maré esmagadora das forças inimigas e a vitória teria sido decidida. No
entanto, o resultado da batalha foi decidido em grande parte por este ponto.

Os Lizardmen ignoraram os Skeletons e atacaram os Arqueiros Skeletons na retaguarda.

Cerca de 150 flechas caíram como chuva, e vários Lizardmen atingiram o solo como re-
sultado. No entanto, isso era apenas uma pequena parte de suas forças.

Os Lizardmen tinham pele grossa e escamas fortes, então mesmo sem armadura, eles
tinham a mesma força defensiva que os humanos em armaduras de couro. Mesmo que
uma flecha perfurasse seus couros, sua espessa camada de músculos os mantinha vivos.

Além disso, os Arqueiros Skeletons não tiveram muita força por trás de suas saraivadas.
Essa foi outra razão pela qual eles não poderiam matar os Lizardmen.

Os Lizardmen rugiram destemidamente enquanto atacavam. Eles cruzaram os braços


sobre a cabeça quando a tempestade de flechas caía sobre eles, e mesmo se eles fossem
perfurados pelas flechas, eles independentemente continuariam.

Três flechas—

Este era o máximo que cada um dos Arqueiros Skeletons conseguia errar. Se eles tives-
sem alguma inteligência, teriam recuado. Teria sido melhor se eles recuassem imediata-
mente e se reagrupassem para atacar as tropas de undeads sobreviventes.

No entanto, as mentes dos Skeletons não podiam processar tais ordens complicadas, e
tais ordens não haviam sido dadas de qualquer maneira. Portanto, eles só poderiam fazer
o que lhes foi dito — continuar atirando nos Lizardmen, mesmo que eles se aproximem.
Houve um rugido poderoso — e então os Skeletons e os Arqueiros Skeletons afogaram-
se igualmente sob a crescente onda dos Lizardmen. Os Arqueiros Skeletons não podiam
mais atirar a essa distância. Seu dever agora era serem sacos de pancadas para os inimi-
gos e, assim, eles caíam firmemente, em pares e trios.

Atualmente, os Zombies ainda estavam vivos, mas os Skeletons tinham sido quase com-
pletamente derrotados.

Foi quando o inimigo enviou novos inimigos.

Aqueles eram as Feras Zombies.

Esses monstros — feitos de cadáveres de lobos, cobras pítons e outras criaturas — com-
binavam a força dos Zombies e a agilidade dos animais selvagens.

As Feras Zombies correram para os Lizardmen. Os rápidos avançaram à frente, en-


quanto os lentos ficaram para trás; Era uma investida irregular sem nenhuma formação.

Os ataques vindos de baixo foram inesperadamente difíceis de evitar. As Feras Zombies


iriam rasgar as pernas de seus inimigos e acabar com eles assim que fossem imobilizados.
Era uma técnica de combate verdadeiramente selvagem.

Os Lizardmen, cada vez mais fatigados, tiveram dificuldade em evitar esses ataques. Vá-
rios Lizardmen foram muito lentos para evitar que suas gargantas fossem arrancadas
pelas Feras Zombies. Depois de ver seus companheiros caírem, até mesmo os que se pre-
pararam para o combate ou acreditavam na proteção ancestral não podiam esconder os
olhares de medo em seus rostos.

Os Chefes Guerreiros levaram seus machos para uma luta sangrenta, mas agora eles es-
tavam gradualmente sendo forçados a recuar. Enquanto pensavam que a linha de batalha
acabaria quebrando, o chão diante deles inchou.

Diante deles apareciam dois pedaços de barro, sem braços e sem pernas, com cerca de
170 centímetros de altura.

Os dois pedaços de lama começaram a se mover.

Eles não tinham pernas, mas eles se moviam habilmente e suavemente sobre as zonas
úmidas, em direção as Feras Zombies. Depois de encurtar a distância, dos aglomerados
de lama brotaram chicotes que eram mais longos do que qualquer proporcionalidade de
seus corpos.
[Elemental d o P â n t a n o ]
Este era um dos trunfos dos Lizardmen, se chamavam Swamp Elemental e foram conju-
rados pelos esforços combinados de todos os sacerdotes.
Os Swamp Elementals atacaram as Feras Zombies, usando braços como um tentáculo-
chicote, subjugando o inimigo. Naturalmente, as Feras Zombies destemidamente contra-
atacaram, cortando com garras e rasgando com presas.

Esta era uma batalha entre seres que não conheciam o medo. No entanto, a maré virou
em favor dos Swamp Elementals, puramente por causa da diferença entre suas forças de
combate.

O poder dos sacerdotes derrotou aqueles que já não mais viviam. Esse fato reacendeu a
coragem dos Lizardmen e eles se mobilizaram para outra investida.

Uma brutal batalha se seguiu.

Ao contrário da luta anterior com os Skeletons, os Lizardmen começaram a sofrer baixas.


No entanto, a vitória estava à mão dos Lizardmen, que agora tinham a vantagem dos nú-
meros.

♦♦♦

Vamos. Perder.

Cocytus entendeu o que o aguardava.

Não havia undeads inteligentes entre as forças que ele havia sido designado. Essa foi a
principal causa de sua derrota, e algo que o preocupou desde o início, mas ele não espe-
rava que eles fossem tão fracos.

A cabeça de Cocytus começou a doer por sua ingenuidade. Embora houvesse uma ma-
neira de virar a mesa em uma situação como esta, ele não a favoreceu muito, porque fazer
esse movimento era o mesmo que admitir a derrota.

Ainda assim, como ele poderia relatar o fracasso ao seu mestre? Cocytus pegou o perga-
minho 「Message」. Quem ele veria contatar...

“...Demiurge?”

『Olá, velho amigo. Qual o motivo de seu contato? Aconteceu alguma coisa?』

Uma voz calma e uniforme falou na mente de Cocytus. A inteligência de Demiurge estava
nos pináculos de Nazarick. Com certeza ele teria uma idéia para uma situação como essa.

Em certo nível, Demiurge também poderia ser considerado um rival, Cocytus não estava
muito feliz em pedir-lhe ajuda. Ainda assim, o mais importante era evitar a derrota. Como
os exércitos da Grande Tumba de Nazarick poderiam ser massacradas em batalha? Ele
estava disposto a deixar de lado seu orgulho e se curvar diante dos outros em busca de
ajuda para evitar esse resultado.
“Na. Verdade—”

Depois de ouvir a explicação sobre a situação atual, Demiurge — que estava ouvindo em
silêncio — suspirou exasperado.

『Então, o que quer que eu faça?』

“Eu. Espero. Que. Você. Possa. Me. Ajudar. A. Pensar. Em. Algo, Se. Isso. Acontecer. Sere-
mos. Derrotados... Posso. Aceitar. Uma. Derrota. Pessoal, Mas. Não. Posso. Permitir. Que.
A. Grande. Tumba. De. Nazarick — Os Seres Supremos — Sejam. Desonrado. De. Tal. Ma-
neira.”

『...Você acha que o Ainz-sama deseja verdadeiramente a vitória?』

“O. Que. Quer. Dizer?”

『Eu estou dizendo, por que você acha que o Ainz-sama escolheu uma formação tão
fraca para um exército?』

Cocytus nutria suas dúvidas sobre esse ponto. Ele não tinha idéia de qual razão poderia
justificar a retirada das forças de Nazarick em um exército.

“...Ainz-sama. Deve. Ter. Motivações. Pessoais. Mas. Quais. Seriam?”

『...Existem várias possibilidades que vêm à mente.』

Esse. Demiurge. É. Um—

Cocytus não disse isso, apesar de seu respeito pelo demônio crescer silenciosamente.

『Deixe-me perguntar uma coisa, Cocytus. Você já está aí há vários dias. Não acha que
deveria ter reunido informações sobre os Lizardmen?』

Ele estava certo. No entanto—

“Não— Ainz-sama. Ordenou. Que. Eu. Derrotasse. O. inimigo. Com. Essa. Força. Em. Um.
Confronto. Direto.”

『Esse é realmente o caso, mas espero que você pense com cuidado, Cocytus. O impor-
tante é que tipo de resultados você mostrará ao Ainz-sama, estou errado? Se exterminar
a aldeia fosse o objetivo, então você deveria ter considerado os métodos ideais para o
extermínio, não acha?』

Cocytus não tinha nada a dizer, afinal, Demiurge tinha acertado em cheio.
『Ainz-sama deve ter atribuído esses servos a você porque ele tinha isso em mente.』

“...Quer. Dizer. Que. O. Ainz-sama. Deliberadamente. Atribuiu. Tropas. Inadequadas. À.


Mim?”

『A possibilidade é muito alta. Se você tivesse pesquisado a aldeia de antemão, talvez


você soubesse que suas forças seriam insuficientes para conquistar a aldeia. Nesse caso,
você teria dito ao Ainz-sama que “Exterminar a aldeia será difícil com essas forças, eu de-
sejo pedir reforços.” Esse era provavelmente o objetivo de Ainz-sama.』

Em outras palavras, Demiurge estava tentando dizer que Cocytus tinha que adivinhar a
intenção do seu mestre e adaptar seus métodos à situação, não seguir as ordens cega-
mente.

『Este parece ser um dos planos de Ainz-sama para melhorar a maneira como aborda-
mos as questões, mas ele parece ter outros objetivos em mente também...』

“Outros. Objetivos?”

Cocytus apressadamente perguntou a Demiurge. Ele já havia errado uma vez e não que-
ria aumentar seus erros.

『Ainz-sama enviou mensageiros para a aldeia, mas ele não declarou o nome de Naza-
rick. Além disso, ele ordenou que você não entrasse em campo. Sendo esse o caso—』

Cocytus engoliu em seco enquanto esperava por Demiurge continuar falando. No en-
tanto, Demiurge não o fez.

『Cocytus! Perdoe-me, algo urgente surgiu. Peço desculpas, mas vamos deixar nossa
conversa aqui. Boa sorte.』

As palavras de Demiurge foram cortadas e o 「Message」 terminou.

Enquanto Cocytus se perguntava o que assustaria uma pessoa calma como ele, seu olhar
mudou para outra pessoa sentada em uma mesa dentro da sala. Ele viu Entoma descas-
cando um talismã esfarrapado da testa.

Se ela, uma Talismante, estava usando um talismã, isso significava—

Já era tarde demais.

Sendo esse o caso, agora era a hora de implantar o ser undead final, seu trunfo. No en-
tanto, isso realmente atenderia aos objetivos de seu mestre?
Esta pode ser a primeira vez que Cocytus contemplou os verdadeiros motivos subjacen-
tes de seu mestre. No entanto, havia apenas uma conclusão que ele poderia alcançar.

Cocytus conjurou outra magia 「Message」.

“—Prestem. Atenção, Comandante. Elder. Lich. Ataque. E. mostre. Aos. Lizardmen. Seu.
Poder.”

♦♦♦

O corpo ósseo — vestido com um luxuoso conjunto de mantos, mas desgastado pelo
tempo — apertou um bastão retorcido em uma de suas mãos. Sua pele era uma fina ca-
mada estendida sobre o crânio e começava a apodrecer, e apresentava uma inteligência
malévola dentro de seus olhos. Seu corpo irradiava energia negativa como névoa.

O magic caster era o Elder Lich em questão.

Depois de receber suas ordens, a criatura undead olhou para o pântano. Então, virou-se
[ B r u t o s de Carne Sang u e]
para os Blood Meat Hulk — criaturas undeads que eram massas de pele e músculos ver-
melhos — que estavam atrás. Para essas criações gêmeas do Ser Supremo, ele deu uma
ordem:

“Matem aqueles três Lizardmen.”

Após o recebimento dessas ordens, os dois Blood Meat Hulk avançaram em direção aos
três Lizardmen que estavam devastando os Cavaleiros Skeletons.

Mesmo os Blood Meat Hulk sendo undeads de baixo nível que só podiam atacar com
força bruta, eles possuíam o poder de regeneração. Como resultado, levaria muito tempo
para derrubá-los com ataques físicos.

O Elder Lich sentiu que os Blood Meat Hulk podiam comprar tempo suficiente para ele.

Isso pode ser considerado uma estratégia tola. O Elder Lich era um magic caster e não
estava acostumado a combates corpo-a-corpo, então, em circunstâncias normais, teria
sido melhor manter os Blood Meat Hulk ao seu lado.

No entanto, ele não podia fazer isso agora.

Suas ordens eram “Mostre aos Lizardmen seu poder”. Portanto, ele tinha que prosseguir
sozinho e destruir o quartel-general dos Lizardmen com seu poder esmagador.

O Elder Lich avançou. Seu rosto se contorcia em uma forma assustadora enquanto ria.

Ele sentiu que isso era como roubar doces de crianças.


Ele tinha sido pessoalmente feito por Ainz Ooal Gown, o Ser Supremo, e ele era muito
superior aos Elder Liches de Nazarick. E agora, sua tarefa era demonstrar sua força aos
Lizardmen.

Ele jurou obter a vitória pelo nome que seu mestre lhe dera.

“Eu, Iguva, dedico este triunfo ao meu soberano.”

Parte 4

Depois de acabar com as Feras Zombies, os Lizardmen massagearam os ombros em fa-


diga e respiraram suspiros de alívio. Havia angústia em seus rostos, mas ao mesmo
tempo havia sorrisos leves.

Era verdade que eles haviam sofrido muitas baixas, mas tiveram sorte apenas de ter
aguentando até aqui. Se os Swamp Elementals não tivessem se juntado à luta... não, se
eles tivessem chegado um pouco mais tarde, a formação deles teria desmoronado e isso
teria se transformado em uma derrota.

“Estamos saindo!”

Gritavam os Chefes Guerreiros. Era um anúncio de que eles estavam saindo da batalha.

Seus corpos estavam fracos devido à fadiga, e apenas erguer suas armas exigia um
grande esforço, não era certo dizer que não estavam realmente empenhados. Eles esta-
vam cansados, mas a batalha ainda não havia terminado.

Eles tinham que tomar cuidado com os reforços do inimigo, mesmo quando eliminavam
os Zombies distantes.

“Tudo bem, leve os gravemente feridos de volta para a aldeia, o resto de vocês se agru-
pem acima—”

O som de fogo rugindo o interrompeu.

Calor escaldante engolfou o ambiente e os Swamp Elementals no centro da labareda


tremeram.

Quando as chamas desapareceram como se nunca tivessem existido, os dois elementais


estavam em péssimo estado. Um único ataque de fogo os destruiu pela metade.

Antes que os Lizardmen pudessem gritar de surpresa, incêndios se alastraram mais uma
vez. Os Swamp Elementals não puderam suportar os ataques e se desintegraram no ru-
gido infernal.
Assim que os Swamp Elementals — que demonstraram incrível poder contra as Feras
Zombies — desapareceram sem deixar rastros, os rostos dos Lizardmen ficaram pálidos,
incapazes de acompanhar o que estava acontecendo ante deles.

O que aconteceu?

Eles sabiam que os Swamp Elementals haviam sido destruídos, mas estavam tentando
desesperadamente negar essa realidade. Isso porque, se os Swamp Elementals tivessem
sido realmente destruídos, isso significava que havia um monstro mais poderoso vindo
em sua direção.

Os Lizardmen olharam nos arredores, estavam confusos, tentaram esconder o medo.


Assim que avistaram um undead ao longe, uma bola de fogo mais uma vez voou de sua
mão.

A bola de fogo do tamanho de uma cabeça voou pelo ar em linha reta e voou para o
pelotão líder das tropas Lizardman.

Em circunstâncias normais, as chamas desapareciam ao entrar em contato com a água.


No entanto, esta bola de fogo era um fenômeno mágico e desafiava a lógica. Quando a
bola de fogo tocou a água, foi como se tivesse atingido uma superfície dura. Um furioso
ciclone de fogo floresceu a partir do ponto de impacto.

A explosão de fogo consumiu vários Lizardmen — e depois desapareceu.

Isso é uma ilusão?

—Esse pensamento desapareceu em um instante. O cheiro de carne carbonizada flutu-


ando no ar e os corpos de Lizardmen caídos no chão eram reais o suficiente.

A criatura undead avançava com passos sem pressa, tão elegantes que alguém poderia
considerar como arrogância. Esse era o caminhar de um ser poderoso, totalmente confi-
ante em seu poder.

Enquanto os Lizardmen hesitavam sobre se deveriam atacá-lo com um ataque total, da


mesma forma como haviam destruído os Arqueiros Skeletons, outra bola de fogo voou
para eles.

A bola de fogo explodiu violentamente, reivindicando as vidas de todos os Lizardmen


no entorno em um instante.

Este era um poder esmagador. Isso fez as pessoas pensarem que tudo o que aconteceu
naquele momento era pouco mais que uma brincadeira.

“Uooooohh!”
Os Lizardmen gritaram para limpar o medo de seus corações. Assim que vários Lizard-
men avançaram imprudentemente à frente, uma voz fria e clara falava do que parecia ser
uma distância inconcebivelmente grande:

“—Uma grande tolice.”

Isso foi tudo o que seu inimigo disse. Os Lizardmen foram incinerados por uma bola de
fogo antes que eles pudessem gritar.

O undead deu um passo à frente, e mais de 100 Lizardmen imediatamente deram um


passo para trás. A disparidade entre seus poderes era como um muro alto que forçava os
Lizardmen a recuar.

“Fujam!”

Um grito estridente e eletrizante encheu o ar. A voz pertencia a um dos principais guer-
reiros.

“Aquele é diferente dos de antes! Nós não podemos derrotá-lo!”

Isso era verdade. A visão majestosa do Elder Lich avançando lentamente por si só era
impressionante. Isso fez os Lizardmen se sentirem como se um vento forte estivesse so-
prando em sua pele.

“Vá informar os chefes e Zaryusu sobre isso.”

“Vamos tentar ganhar tempo!”

Outra bola de fogo explodiu e vários outros lizardmen caíram no chão.

“Se apresse! Vá dizer a eles!”

Os cinco Chefes Guerreiros ordenaram aos Lizardmen que fugissem e, ao mesmo tempo,
calcularam a distância entre eles. Eles estavam se afastando, então, mesmo quando uma
bola de fogo explodisse, pelo menos um deles seria capaz de fechar a brecha para o ini-
migo. Era uma tática suicida projetada para atingir esse objetivo.

Depois de se espalharem, os cinco olharam um para o outro e depois correram.

O inimigo estava a cerca de 100 metros de distância. Eles se desesperaram com a dis-
tância que os separava, mas, mesmo assim, corriam com toda a força. Isso porque, mesmo
que eles perecessem no meio do caminho, suas mortes ainda dariam informações úteis
aos chefes e a Zaryusu.

♦♦♦
Os Lizardmen que haviam segurado o inimigo sem esforço antes, agora voltavam cor-
rendo como uma revoada de pássaros assustados.

Zaryusu calmamente observou essa visão. Não, desde que aquele poderoso inimigo apa-
receu, ele estava examinando cada movimento. Sua atenção estava concentrada na cria-
tura undead que poderia conjurar fogo assassino.

Seus movimentos eram completamente diferentes dos inimigos irracionais de antes.


Com toda a probabilidade, esse era o comandante inimigo.

Quando a criatura undead chegou a menos de 100 metros dos cinco Chefes Guerreiros,
ela começou a usar sua magia 「Fireball」 para executar ataques de efeito de área. Isso
forçou-os a se dispersar, e parecia querer queimar os Chefes Guerreiros até a morte en-
quanto corriam.

“Parece que é a nossa hora de entrar em campo.”

Zaryusu acenou com a cabeça às palavras de Zenberu. Crusch também sinalizou em con-
cordância. Ela estava ciente de que esta poderia ser uma batalha onde todos poderiam
encontrar um final glorioso.

“Sim, é hora de irmos. Seu poder é aterrorizante. Nosso inimigo pode muito bem ser o
subordinado pessoal daquele Supremo lá, ou o comandante deste exército... Mesmo que
não seja, certamente deve ser um trunfo de algum tipo.”

“De fato. Ninguém pode controlar vários undeads nesta escala. Mas como faremos nosso
movimento? Parece um pouco longe demais para nós.”

A pergunta de Crusch trouxe dor de cabeça para Zaryusu.

Eles não estavam lutando para morrer, então eles tinham que planejar contornar isso.

Zaryusu e Zenberu não podiam atacar a distância, então eles teriam que se aproximar
para um combate corpo-a-corpo. O problema agora estava nos 100 metros entre eles e o
inimigo.

Zaryusu e os outros provavelmente poderiam aguentar uma ou duas 「Fireball」 com


facilidade, mas provavelmente receberiam mais do que apenas uma ou duas antes de
chegar ao seu oponente, e a verdadeira luta só começaria quando chegassem lá. Não era
difícil ver como o inimigo iria repeli-los se tentassem um ataque frontal recebendo ata-
ques de fogo.

“Essa distância é muito assustadora.”


“Sim... você entendeu corretamente. Pensar que cem metros poderiam parecer tão dis-
tante...”

Zaryusu e seus amigos se perguntavam como poderiam alcançar o inimigo com nenhum
ou o mínimo possível de danos.

“Que tal ir rente ao chão?”

“Se usássemos poderes sacerdotais... ainda seria difícil. Se pudéssemos usar


「Invisibility」...”

Eles provavelmente poderiam fechar a lacuna instantaneamente ficando invisíveis e


usando a magia 「Fly」. No entanto, os druidas não puderam conjurar essas magias.

“Então, que tal fazer um escudo e avançar atrás dele?”

“Fazer um escudo levaria muito tempo.”

“Que tal arrancar uma das casas e usar como escudo?”

Zenberu sorriu amargamente ao perceber a futilidade das palavras que acabara de falar.
O inimigo atacava com bolas de fogo explosivas. Mesmo se bloqueassem, as temperaturas
escaldantes ainda os queimariam. Não havia tempo agora para fazer um escudo de corpo
inteiro que pudesse suportar altas temperaturas.

“Ah, sim... ainda podemos fazer isso.”

“Como assim, Zaryusu?”

Perguntou Crusch nervosamente, sentindo um pouco de medo.

Meu rosto está tão assustador assim?

Pensou Zaryusu. Ainda assim, não poderia evitar. Afinal, ele estava tão estressado que
queria gritar.

“Um escudo... acho que acabei de encontrar um...”

♦♦♦

Iguva assentiu, ficou satisfeito consigo mesmo e com a situação atual.

As coisas estavam indo muito bem. Os Blood Meat Hulk ainda estavam lutando, mas ele
tinha avançado com sucesso para a aldeia.
Vários Lizardmen estúpidos tentaram atacá-lo, mas depois de ver o poder do seu
「Fireball」, eles perceberam que a resistência era fútil. Os atacantes que obtiveram
mais sucesso, foram os cinco que se separaram para atrasá-lo, mas mesmo eles só con-
seguiram chegar a 50 metros.

Iguva seguiu em silêncio, como se estivesse passeando por um deserto vazio. Mesmo
sentindo pena dos Lizardmen fracos — embora de maneira zombeteira — ele não seria
descuidado.

Ele estava perto da aldeia, seu objetivo. Uma vez lá, ele pretendia lançar continuamente
「Fireball」 para destruir os Lizardmen juntamente com sua aldeia.

No entanto, os Lizardmen provavelmente tentariam impedi-lo de chegar ao seu destino.


Isso significaria que já era hora do próximo contra-ataque.

Iguva olhou para a aldeia e suas suspeitas foram confirmadas.

“...Ah, entendo.”

Iguva viu uma Hydra vindo para ele.

Se esse era seu trunfo, os Lizardmen perderiam a vontade de lutar, uma vez que ele
esmagasse com força esmagadora. Se isso acontecesse, ele seria capaz de destruir a al-
deia mais facilmente.

Por segurança, Iguva olhou em volta, depois checou o céu e parou apenas depois de ve-
rificar que não havia vestígios do inimigo. Ele esperou vagarosamente que a Hidra en-
trasse no alcance de seu ataque.

Quando a Hydra chegou ao limite do referido alcance, começou a correr ainda mais.
Como esperado, o mostro estava indo direto para Iguva.

“Que tolice. Achou que poderia engatinhar até mim com essa lentidão? Bem, feras sendo
feras.”

Com um sorriso zombeteiro no rosto, Iguva conjurou uma 「Fireball」 de sua mão e
arremessou na Hydra.

A bola flamejante voou em linha reta e atingiu a Hydra em cheio. Chamas ardentes emer-
giram e consumiram a Hydra.

No entanto, a Hydra continuou em frente, embora um pouco instável em seus pés. Con-
tinuou correndo, embora estivesse envolto em chamas... não, as chamas se apagaram em
um instante, então Iguva deveria estar vendo coisas. Dito isto, a visão diante dele mos-
trou a extraordinária força de vontade da Hydra.
Iguva franziu a testa em desgosto. O fato de poder resistir a um de seus ataques mágicos
foi um golpe em seu orgulho.

Embora fosse verdade que a Hydra parecia estar protegida com alguma magia defensiva
para reduzir o dano, a magia defensiva não era de nível alto, então não pôde anular com-
pletamente sua magia.

...Se bem me lembro, as Hydras têm a capacidade de cura rápida... mas não deveriam re-
sistir a ataques de fogo. Em qualquer caso, é uma fera, por isso deve estar cheia de vitali-
dade. Nesse caso, faz sentido que possa ser atingida.

Esse raciocínio confortou um pouco Iguva, mas não foi o bastante para apagar as chamas
do rancor em seu coração. Iguva era um monstro especial que havia sido criado pessoal-
mente pelo Ser Supremo Ainz Ooal Gown — o fato de que essa criatura não tivesse mor-
rido em um golpe era um insulto ao seu mestre.

Com os olhos frios que eram o oposto da raiva ardente dentro dele, Iguva estudou a
Hydra que se aproximava.

“...Que desagradável. Morra!”

Ele lançou outra bola de fogo na Hydra, e as chamas ruidosas engolfaram seu corpo. Por
um momento, ele até achou que podia sentir o cheiro de sua carne queimando à distância.
Mesmo que seu inimigo não tivesse sofrido uma ferida fatal, certamente hesitaria em
continuar ou não.

No entanto—

“—Por que não está parando? Por que essa coisa persiste?”

Parte 5

Rororo continuou sua marcha firme e decidida para frente. Seu corpo era grande, mas
estava correndo no pântano, então sua velocidade era quase a mesma que a de um Lizar-
dman. A água espirrava em todas as direções e uma cacofonia líquida ecoava por toda
parte.

Seus olhos âmbares tinham ficado turvos pelo calor intenso e duas de suas quatro cabe-
ças pendiam impotentes.

Mesmo assim, continuou correndo para frente.

Outra 「Fireball」 veio, atingindo o corpo de Rororo. A energia térmica contida na


「Fireball」 explodiu e se espalhou por toda parte. A dor era como ser espancada por
todo o corpo; seus olhos pareciam mais secos do que nunca, e o ar superaquecido quei-
mava seus pulmões.

Todo o seu corpo estava queimado, e a agonia que estava acabando com Rororo agora
dizia que, se continuasse, sua própria vida seria perdida.

Mesmo assim — continuou correndo.

Correu sem hesitação.

As altas temperaturas arrancaram as escamas de sua pele e fizeram com que bolhas de
sangue jorrassem sobre ela, mas mesmo assim continuou em frente.

Um animal não inteligente teria naturalmente se voltado e fugido, mas Rororo não o fez.

Rororo era uma fera mágica chamada Hydra.

Havia muitos tipos de feras mágicas. Alguns possuíam maior inteligência do que um ser
humano e alguns eram pouco mais sábios que um animal comum. Francamente falando,
Rororo pertencia à última categoria.

O fato de que Rororo — que possuía a inteligência pouco maior que de um animal co-
mum — continuaria avançando, à beira da morte, em direção a Iguva, a fonte de sua dor
era inteiramente inesperada, quase impossível de entender.

De fato, mesmo seu oponente Iguva achou difícil entender. Ele se perguntou se Rororo
estava sob a influência de algum controle mágico.

Entretanto, não era o caso.

De fato, essa não era a resposta.

Iguva não seria capaz de entender.

Rororo corria com toda a força pela sua família.

Rororo nunca tinha visto seus pais, mas as Hydras não eram o tipo de criaturas que
abandonavam seus descendentes. Feras desse tipo viveriam com um dos pais até uma
certa idade, aprendendo a sobreviver na natureza. Mas então, por que isso não se aplica
a Rororo?

Isso foi porque Rororo era um mutante. As Hydras normais tinham oito cabeças quando
nasciam e, à medida que cresciam, germinavam mais cabeças, até um máximo de doze.

No entanto, Rororo só teve quatro cabeças no nascimento, então seus pais a abandona-
ram, levando seus irmãos com eles.
Sem a proteção de seus pais, até mesmo uma jovem Hydra — que algum dia poderia se
transformar em uma criatura poderosa — certamente pereceria no ambiente hostil da
natureza.

Isto é, se um certo Lizardman não tivesse passado e o tivesse apanhado.

—E assim, Rororo ganhou família — pai, mãe e amigo íntimo, tudo em um só.

Como a mente de Rororo estava prestes a quebrar sob a agonia, lembrou-se de uma
pergunta que sempre ponderou no passado.

Por que este corpo tão grande? Por que tantas cabeças?

Ocasionalmente pensava isso ao olhar para o querido pai que a criara. Como resultado,
Rororo também pensou em outra coisa.

Talvez um dia algumas de suas cabeças possam cair, e membros lentamente pudessem
brotar, assim como a grama, e assim ele se pareceria com seu pai.

E se isso realmente acontecesse — o que mais a Hydra desejaria?

Sim. Eles não tinham dormido juntos há muito tempo, então talvez pedissem que se en-
rolassem e cochilassem juntos. Sempre se sentiu solitário porque se tornou grande de-
mais e consequentemente eles tiveram que dormir separados.

As chamas pareciam queimar os pensamentos de Rororo. Elas preencheram sua visão e


a agonia atravessou seu corpo mais uma vez. Ele gemeu de dor quando a angústia tomou
conta dele. Mas sentia um calor reconfortante por trás, esse calor nada tinha em comum
com as chamas que consumiam Rororo.

Rororo sentia como se estivesse sendo esmagado por incontáveis martelos de ferro.

Doía tanto que não podia mais pensar.

As pernas de Rororo se fraquejaram, sinalizando para o resto da criatura que ela deveria
parar de avançar.

No entanto—

No entanto — Isso era realmente suficiente para fazer Rororo parar?

—Não. Ele não parou.

Rororo continuou avançando. Seu ritmo diminuiu. Seus músculos estavam queimados e
rígidos, e não podia continuar correndo no ritmo habitual.
Sofria com cada passo que dava.

Estava difícil respirar. Apenas respirar exigia grande esforço. Talvez seus pulmões ti-
vessem sido queimados.

Mesmo assim, não parou.

Agora, apenas uma de suas cabeças ainda podia se mover. As outras cabeças imóveis
eram pouco mais que peso morto. A visão da criatura undead conjurando outra bola de
fogo em sua mão era uma cena borrada na visão nublada de Rororo.

Seus instintos animais permitiram que percebessem algo.

Se levasse outro golpe, ele morreria. No entanto, Rororo não estava com medo. Sem pa-
rar, sem cessar, forjou bravamente à frente—

Este foi um pedido de seu pai, mãe e amigo. Portanto, nunca iria parar.

Assim que Rororo se arrastou desesperado — e cansado — para a frente, uma bola de
fogo vermelha voou mais uma vez de uma mão undead. Ela voou pelo ar direto para Ro-
roro. Não havia dúvida de que este último ataque consumiria Rororo em chamas. Foi um
fato inegável.

Ele morreria.

Seria o fim de tudo.

No entanto—

Na verdade — seria caso apenas se o Lizardman mencionado acima não interferisse.

Como ele podia assistir Rororo morrer diante dele? Como ele poderia permitir que tal
injustiça acontecesse?

Isso era impossível.

“—「Icy Burst」!”

Zaryusu gritou quando saltou de trás de Rororo, balançando a Frost Pain enquanto cor-
ria ao lado dela.

O ar diante deles congelou em um instante, formando uma parede de névoa branca. Essa
era uma névoa de ar super-resfriado; o vento gelado da Frost Pain.

Essa foi uma das habilidades da Frost Pain.


Esse foi uma técnica especial que só poderia ser ativada três vezes ao dia — 「Icy
Burst」. A técnica congelava tudo em uma área a frente e causava danos massivos.

A parede de névoa congelada era sólida e bloqueava a 「Fireball」 que se aproximava.


O orbe de chama ardente encontrou a parede de névoa fria — pelas leis da magia, permi-
tir que colidissem era a escolha mais sábia.

Acertou—

As chamas abrasadoras explodiram, guerreando com a névoa congelada de marfim.

Parecia que duas serpentes, uma branca e outra vermelha, estavam tentando se consu-
mir. Depois de um momento de resistência, ambos os poderes desapareceram.

Em choque, a surpresa apareceu no rosto da criatura undead. Essa foi uma reação natu-
ral ao ver a dissipação da magia que havia conjurado.

Ainda havia alguma distância entre as duas partes. No entanto, eles já podiam ver os
rostos — e movimentos dos outros. O esforço e a determinação de Rororo haviam cru-
zado a distância aparentemente intransponível entre eles e trazido os três ilesos para
este lugar.

“Rororo...”
Zaryusu engasgou. No final, Zaryusu escolheu as palavras mais apropriadas que conse-
guia pensar em seu vocabulário — uma frase simples e de fácil compreensão.

“Obrigado!”

Ao deixar aqueles gritos de agradecimento com Rororo, Zaryusu avançou sem olhar
para trás, seguido por Zenberu e Crusch.

Um coaxar quase inaudível respondeu-lhe. Foi o som de encorajamento para sua família.

♦♦♦

Iguva ficou olhando em silêncio. Sua 「Fireball」 havia sido anulada, e ele não pôde
deixar de expressar sua descrença em palavras.

“Não pode ser!”

Iguva preparou-se para lançar outra magia. Naturalmente, ainda era uma 「Fireball」.
Ele não estava preparado para reconhecer que os Lizardmen que atacavam ele realmente
neutralizara sua magia.

A 「Fireball」 lançada cruzou os três Lizardmen.

O líder Lizardman balançou sua espada e bloqueou a 「Fireball」 com uma parede de
névoa congelante, e ambos sumiram juntos. Sim, a mesma coisa que acabara de acontecer
novamente—

“Pode vir! Vou anular tudo o que você joga em mim!”

O grito furioso do Lizardman entrou em seus ouvidos.

Iguva respondeu com um “cheh” em desgosto.

Pensar que um mero Lizardman poderia desviar um de meus ataques, justo eu, uma cria-
ção do Ser Supremo, Ainz-sama!

Iguva se esforçou para reprimir sua raiva fervente.

Era bem provável que ele não pudesse mais usar sua 「Fireball」. No entanto, o fato de
sua oposição ter se abrigado atrás da Hydra e se aproximado, significava que provavel-
mente existia um limite para o número de vezes que tal habilidade pudesse ser usada.
Ainda assim, ele não sabia se poderia ser usado dez vezes, ou se todo uso só esgotaria a
estamina — o que significa que com a recuperação apropriada, ele poderia ser usado sem
limite.
Como devo lidar com isso? Eu gostaria de verificar isso ao ouvir as palavras deles, se pos-
sível...

Iguva ainda podia disparar 「Fireball」, mas ele não sabia dizer o quanto das palavras
do Lizardman eram verdade ou bravata.

Menos de 40 metros separavam Iguva dos Lizardmen.

Além disso, o Lizardman que o atacava parecia um guerreiro. Como um magic caster
undead, Iguva não queria ser arrastado para um corpo-a-corpo.

Portanto, sua magia 「Fireball」 não poderiam mais ser usadas. Ele não foi estúpido o
suficiente para realmente testar quantas vezes seu oponente poderia bloquear suas téc-
nicas sob as circunstâncias atuais. Se eles não tivessem se escondido atrás daquela Hydra
— isto é, se eles ainda não tivessem fechado a lacuna — ele poderia ter tentado verificar
suas alegações. No entanto, aquela maldita Hydra arruinou essa chance.

“Droga... uma mera Hydra.”

Iguva amaldiçoou e decidiu seu próximo passo.

“—Então, que tal isso?”

Por coincidência, seus inimigos haviam se alinhado em linha reta. Iguva estendeu um
dedo e apontou para os três Lizardmen que estavam o pressionando. A eletricidade cre-
pitava em torno daquele dedo.

“Prove meu 「Lightning」!”

Um fluxo de eletricidade branca avançou e então—

♦♦♦

Zaryusu ainda estava a alguma distância, mas ele podia ver a luz branca coruscando ao
redor do dedo de Iguva — 「Lightning」.

O 「Icy Burst」 da Frost Pain poderia defender-se contra ataques de fogo e frio, mas
Zaryusu nunca o usou contra raios, e ele não sabia se funcionaria.

Então, seria mais sensato correr o risco ou se dispersar para dispersar os alvos do ini-
migo e minimizar o dano causado?

Zaryusu agarrou a Frost Pain com força.

Ele podia sentir o surto elétrico no ar, a prova de que o raio estava apontado para ele.
“Deixa comigo—!”

Zenberu agiu mais rápido do que Zaryusu e saltou para frente com um grande grito. Ao
mesmo tempo, a magia voou em direção deles.

“—「Lightning」!”

“Uooooh — 「Resistance Massive」!”

Exatamente quando parecia que o raio estava prestes a perfurar Zenberu, seu corpo
instantaneamente fortaleceu. No final, a descarga elétrica que deveria ter perfurado ele
e as duas pessoas atrás dele foi espalhada e desviada.

「Resistance Massive」,esta era uma habilidade de monge, que descarregava ki de todo


o corpo para reduzir os danos mágicos.

Foi uma técnica que Zenberu aprendeu durante suas viagens, depois de perder para o
「Icy Burst」 da Frost Pain no passado. A técnica poderia ser usada para defender-se
contra qualquer magia que causasse dano, mesmo se o fizesse o dano em área.

Ambos os lados ofegaram de surpresa, mas Zaryusu e Crusch — que acreditavam em


seu camarada — não ficaram muito chocados com isso. Assim, enquanto o magic caster
undead cambaleava de surpresa, os Lizardmen se aproximavam cada vez mais.

Quando saíram correndo, Zaryusu de repente percebeu algo.

Se ele tivesse usado 「Icy Burst」 durante seu duelo com Zenberu, esse movimento de
agora a pouco teria o anulado, e Zenberu teria usado a abertura para derrotá-lo. Talvez
fosse por isso que ele estava tentando fazer Zaryusu usar esse movimento nele.

“Haha! Fácil como mastigar caranguejos!”

Zaryusu sorriu para a voz confiante de Zenberu, mas seu rosto se apertou quase imedi-
atamente depois. Isso foi porque Zaryusu podia ouvir uma corrente de dor em sua voz.

Se até mesmo um Lizardman como Zenberu não conseguia conter sua dor, isso impli-
cava que suas feridas não eram leves. Além disso, se essa técnica não tivesse pontos fra-
cos, ele não concordaria com o plano de se esconder atrás de Rororo.

Zaryusu olhou para frente. Menos de 20 metros os separavam do inimigo. A grande dis-
tância entre eles havia diminuído muito.

♦♦♦

À medida que se aproximavam, Iguva percebeu que os seres à sua frente eram oponen-
tes poderosos, ele não deveria pegar leve. O fato de poderem combater sua magia era
digno de elogios. Claro, ele tinha outras maneiras de atacar, mas agora ele tinha que dar
alguma consideração à defesa.

“Vocês são excelentes sacrifícios; perfeitamente qualificados para experimentarem meu


poder.”

Iguva sorriu friamente enquanto conjurava sua magia.

“「Summon 4th Tier Undead」.”

Em meio a um borrifo de bolhas, quatro esqueletos emergiram do pântano para defen-


der Iguva, cada um segurando escudos redondos e espadas curvas. Esses undeads eram
chamados de Guerreiros Skeletons, e eles estavam em uma classificação completamente
diferente dos Skeletons comuns.

Mesmo podendo conjurar outros undeads, ele escolheu os Guerreiros Skeletons para
resistir aos ataques frios. Iguva e outras criaturas esqueléticas como ele eram imunes a
danos causados pelo frio.

Protegido por seu esquadrão de guarda-costas, Iguva olhou para o inimigo que se apro-
ximava. Era a atitude de um campeão soberano à espera de um desafiante.

As contrapartes finalmente se aproximaram.

Apenas 10 metros os separavam agora.

Sim, apenas isso os separava. Depois de se certificar de que os undeads não lançariam
imediatamente um ataque, ele olhou para trás.

Ele olhou para a distância que havia percorrido. Estavam muito perto, mais alguns pas-
sos e chegariam ao seu objetivo, estavam quase no fim daqueles 100 metros de um campo
de matança à céu aberto. Sem Rororo, Frost Pain, Zenberu ou Crusch, ele nunca teria che-
gado tão longe. Pode-se dizer que foi tão difícil quanto tentar ascender aos céus. No en-
tanto, ele havia cruzado essa distância, e ele estava ao alcance de seu inimigo.

Eles superaram essa distância juntos.

Quando Zaryusu viu os Lizardmen levarem Rororo de volta à aldeia, ele soltou um sus-
piro momentâneo de alívio. Então ele se repreendeu por seu momento de frouxidão e
olhou para os undeads diante dele.

Zaryusu admitia francamente que eram inimigos temíveis.

Se os encontrasse em circunstâncias diferentes, ele teria imediatamente decidido fugir


ao avistá-los de longe. Apenas por estar diante deles, seus instintos estavam gritando
para ele fugir, e até mesmo sua cauda estava ouriçada. Com o canto do olho, Zaryusu
notou que as caudas de Zenberu e Crusch exibiam reações similares à esquerda e à direita.

Os dois devem estar pensando a mesma coisa que Zaryusu. De fato — eles estavam lu-
tando contra o desejo de fugir enquanto enfrentavam os undeads diante deles.

Zaryusu moveu sua cauda, encostando nos dois pelas costas.

Os dois olharam para Zaryusu com expressão de surpresa em seus rostos.

“Podemos vencê-los se nós três trabalharmos juntos.”

Disse Zaryusu simplesmente.

“Belas palavras, Zaryusu. Nós podemos ganhar.”

Crusch usou a cauda para acariciar o local nas costas, onde Zaryusu encostou.

“Ha, agora dá pra fazer algo, não?”

Zenberu riu, um olhar de orgulho no rosto.

E assim, os três viajaram o trecho final para o inimigo.

—A distância entre os dois lados era de 8 metros.

De um lado estavam Zaryusu e sua gangue, que haviam corrido até aqui e estavam ofe-
gantes. Enfrentando-os estavam os undeads, que não respiravam. Seus olhos se encon-
traram e o inimigo falou primeiro.

“Eu sou Iguva, um Elder Lich sob a bandeira do Supremo. Curvem-se diante de mim e eu
lhes concederei uma morte rápida e indolor.”

Zaryusu não pôde deixar de sorrir, porque esse undead sendo chamado de Iguva não
sabia de nada.

Não importa o quanto ele pensasse, só havia uma resposta.

Zaryusu sorria, mas Iguva não estava descontente. Em vez disso, ele esperou silenciosa-
mente a resposta. Iguva conhecia sua força e estava confiante de que poderia eliminar
Zaryusu e seus companheiros. Foi por isso que sua atitude foi de superioridade e até de
gratidão — afinal, eles tinham vindo até aqui para se sacrificarem.

“Digam-me vossas respostas.”

“Kuku, bem, se você realmente quer saber...”


Zaryusu levantou a Frost Pain e segurou-a com força. Zenberu ergueu os punhos, assu-
mindo uma postura especial de combate. Crusch não fez movimentos especiais, mas ela
tocou a fonte de mana dentro dela, preparada para lançar uma magia a qualquer mo-
mento.

“Então, aqui está a minha resposta — só em seus sonhos!”

Os Guerreiros Skeletons consideraram que a resposta era hostil, e levantaram suas es-
padas enquanto se cobriam com seus escudos.

“Então prepare-se para morrer em agonia incomparável, sabendo que rejeitaram minha
misericórdia final!”

“Eu estava prestes a dizer, os mortos deveriam levar suas bundas de volta ao submundo,
Iguva!”

Nesse momento, a cortina se elevou no clímax da batalha que determinaria o resultado


desse conflito.

♦♦♦

“Pegue ele, Zaryusu!”

Zenberu atacou primeiro, mas direcionou seus ataques a um Guerreiro Skeleton.

Ele não se importava que o Guerreiro Skeleton bloqueasse seu golpe com seu escudo;
ele simplesmente acelerou seu punho com força bruta. O escudo se dobrou para dentro
e o Guerreiro Skeleton, que se contorcia, colidiu com os outros Guerreiros Skeletons e
perderam o equilíbrio. Ele também tentou acertar outro Guerreiro Skeleton com a cauda,
mas não conseguiu emendar o ataque.

A formação dos Guerreiros Skeletons se curvou sob o ataque de Zenberu, e Zaryusu ime-
diatamente preencheu a lacuna que eles haviam desocupado.

“Parem ele!”

Dois Guerreiro Skeletons foram em direção a Zaryusu com suas lâminas curvas quando
ouviram o comando de Iguva.

Ele poderia tê-los evitado se quisesse. Se ele quisesse levar os golpes de frente, ele po-
deria tê-los bloqueado com a Frost Pain. No entanto, Zaryusu não fez nenhum dos dois.
A evasão significava que ele desaceleraria, e ele não queria fazer um movimento tão inútil
na frente de Iguva.

Além disso, alguém já havia feito um movimento—


“「Earth Bind」!”

A lama açoitava como chicotes, emaranhando os dois Guerreiros Skeletons. Os chicotes


de lama pareciam correntes de ferro; os Guerreiros Skeletons ficaram imobilizados en-
quanto Zaryusu aproveitava a abertura.

Sim — Crusch também estava lá.

Zaryusu não estava lutando sozinho. Ele poderia confiar-se aos seus camaradas.

Até mesmo a magia de Crusch não conseguiu selar completamente os movimentos de


seus inimigos. As lâminas dos guerreiros Skeletons arranharam Zaryusu. No entanto, es-
sas lesões não significavam nada para ele; o sangue fervendo dentro de sua alma descon-
siderava o conceito de dor.

Zaryusu aumentou o tamanho de seus passos.

Ele correu para Iguva, que mirava nele. Mesmo se ele fosse atingido por uma magia de
ataque, ele estava determinado a encarar o golpe e continuar correndo.

“Seu idiota! Conheça o medo! 「Scare」!”

A visão de Zaryusu estremeceu. Ele começou a se perguntar onde estava quando um


terror sem nome floresceu dentro dele, e ele sentiu como se algo estivesse o rodeando
de todos os lados.

Ele parou seus passos. A magia 「Scare」 sacudiu seu coração e impediu que suas per-
nas o obedecessem. Sua mente dizia a suas pernas para se moverem, mas seu coração
não permitiria que seu corpo desse um passo.

“Zaryusu! 「Lion’s Heart」!”

Quando Crusch gritou essas palavras, o terror se dissolveu num instante e, em seu lugar,
reacendeu-se o espírito de luta. A magia que conferia coragem havia exorcizado o medo
de seu coração.

Iguva olhou infeliz para Crusch e apontou um dedo para ela.

“Intrometida, pare de interferir! 「Lightning」!”

Houve um clarão branco—

“Gyaaah!”

—E Crusch lamuriou.
O coração de Zaryusu oscilou; foi quase consumido por um ódio intenso, mas ele conse-
guiu se controlar no final. O ódio era uma arma útil às vezes, mas contra um inimigo po-
deroso, poderia acabar trabalhando contra ele. Quando confrontado com um poderoso
inimigo, era necessário paixão ardente e lógica gelada.

Zaryusu não olhou para trás.

Já que Iguva atacou Crusch, isso significava que Zaryusu tinha uma abertura para se
aproximar. Um olhar de consternação apareceu no rosto de Iguva e ele sabia que havia
cometido um erro. Isso, por sua vez, trouxe um sorriso zombeteiro a Zaryusu, cuja amada
havia sido ferida.

“Cheh! 「Light—”

“Muito lento!”

A Frost Pain golpeou lateralmente, desviando o dedo que Iguva estava planejando es-
tender.

“Gah!”

“Você deixou um guerreiro chegar perto de você, magic caster! Não pense mais em con-
jurar magias!”

Sem contar os spellcasters, a maioria dos magic caster que permitiam que um inimigo
se aproximasse poderia ter suas magias interrompidas durante a conjuração.

Mesmo um monstro poderoso como Iguva não era exceção.

Zaryusu estreitou os olhos, confuso com a sensação subindo por seu braço. Cortá-lo pa-
recia estranho; Iguva deve ter tido algum tipo de resistência a sua arma.

Ainda assim, ele não estava ileso. Sim, se ele pudesse resistir a danos, então tudo o que
ele tinha que fazer era infligir mais danos.

Sendo esse o caso, tudo o que ele tinha que fazer era continuar atacando-o.

É claro que era mais fácil falar do que fazer, e Zaryusu também sabia disso. No entanto,
isso era tudo que um guerreiro como Zaryusu podia fazer.

“Não me menospreze, Lizardman!”

Três flechas de luz apareceram diante de Iguva e dispararam contra Zaryusu. Ele as res-
valou reflexivamente com sua arma, mas as flechas mágicas atravessaram sua arma e
perfuraram seu corpo, enviando uma onda de dor latejante através dele.
Esta foi uma 「Silent Magic: Magic Arrow」. Não havia preparação necessária para as
magias silenciosas, portanto elas não poderiam ser interrompidas. Além disso, as
「Magic Arrow」 eram magias somente bloqueáveis por magia; nem mesmo alguém
como Zaryusu poderia bloquear.

Zaryusu cerrou os dentes e golpeou Iguva com a Frost Pain.

“Kuh! Desgraçado! Você é apenas um mero Lizardman!”

「Magic Arrow」 poderiam sim ser indefensáveis por meios comuns, mas, inversa-
mente, causavam danos precários. Alguém como Zaryusu, com um corpo afiado ao longo
de centenas, se não milhares de batalhas, não era fraco o suficiente para ser incapaz de
lutar por tal magia.

Os projeteis mágicos atingiram Zaryusu novamente, causando dor até os ossos. Zaryusu
segurou a dor e contra-atacou com um giro de sua espada.

Depois de várias idas e vindas, os movimentos de Zaryusu começaram a diminuir. O la-


tejar severo dificultava seus movimentos ágeis, ilustrando claramente a diferença entre
ele e os undeads, que não conheciam a dor.

Iguva e Zaryusu perceberam isso, e suas expressões eram dramaticamente diferentes


como resultado.

Os fortes viveriam e os fracos morreriam. Essa era uma verdade inalterável. Isso foi cla-
ramente ilustrado na luta corpo-a-corpo de Zaryusu e Iguva. No entanto, também era
verdade que os fracos poderiam competir com os fortes se eles se unissem.

“「Middle Cure Wound」!”

A dor de Zaryusu desapareceu com essas palavras e sua vitalidade retornou a ele.

Aquela cura mágica da retaguarda virou a situação contra Iguva, até então distante, e
ele amaldiçoou em voz alta:

“Malditos Lizardmen!”

Zaryusu estava lutando com seus companheiros de confiança; Crusch, Zenberu e—

“Rororo... eu não vou perder!”

“Devaneios idiotas... como se eu, uma criação do Supremo, fosse derrotado por seres
como você! Quão idiota és!”
Iguva olhou malevolamente para os três Lizardmen. Ele não tinha usado magia de con-
juração porque os undeads que ele havia conjurado ainda estavam por perto. Ele não
poderia conjurar mais enquanto os antigos ainda estivessem por perto. Portanto, a bata-
lha deles era monótona com idas e vindas com 「Silent Magic: Magic Arrow」, enquanto
Zaryusu atacava Iguva.

Parecia que nunca terminaria.

Sendo esse o caso, o impasse teria que ser quebrado pelas retaguardas. Se reforços apa-
recessem de ambos os lados, a batalha logo seria decidida a seu favor.

Zaryusu e Iguva sabiam disso.

♦♦♦

O golpe de relâmpago fez Crusch ficar toda dolorida, mas ela engoliu sua dor e conjurou
「3rd Tier Summon Beast」.

Um enorme — cerca de 150 centímetros — caranguejo com uma enorme pinça direita
surgiu da superfície da água, como se sempre tivesse dormido ali e acabado de acordar.
Escusado será dizer que foi conjurado pela magia 「3rd Tier Summon Beast」.

O caranguejo gigante andou ao lado de Zenberu e pinçou os Guerreiros Skeletons com


sua enorme garra.

Zenberu sorriu para esse inesperado aliado. Considerando que ele tinha que defender
Crusch e afastar os ataques de todas as direções, a ajuda chegou bem a tempo, e foi um
grande alívio para ele.

“Tudo bem, caranguejo estranho e gigante! Eu vou deixar esses dois para você!”
[ A g a r r o Es t al a do ]
O caranguejo gigante — chamado Snap Grasp — balançou sua pinça menor como que
em reconhecimento e virou-se para os Guerreiros Skeletons.

A situação é terrível agora... mas não posso deixar de pensar que eles são muito parecidos.

Crusch sorriu, apesar das circunstâncias. No entanto, ela imediatamente limpou o rosto
e se concentrou na batalha. Ao mesmo tempo, ela respirava forçadamente, para deixar
sua respiração sob controle.

Ela havia conjurado magias de proteção em Rororo e o curado antes de vir para cá, e ela
também estava conjurando magias de suporte em Zenberu. Ela estava dando tudo de si.

Além disso, ela havia conjurado uma magia de invocação em cima disso tudo. Seu corpo
estava em um estado exausto e ela estava tendo problemas para ficar em pé.
Ela ainda não tinha forças para se curar. Além disso, Crusch também havia decidido cal-
mamente que a mana seria desperdiçada ao fazê-lo, já que ela estava perdendo lenta-
mente a capacidade de lutar.

No entanto, se ela desmaiasse aqui, isso desmoralizaria Zenberu e Zaryusu, que estavam
lutando nas linhas de frente. O sangue fluía do canto da boca de Crusch, ela mordeu o
interior de sua bochecha para se manter consciente.

“「Middle Cure Wound」!”

Ela lançou magia de cura em Zaryusu, que estava envolvido na luta com Iguva.

Suas pernas pareciam impotentes e sua visão estava trêmula. Ela sentiu uma sensação
líquida em todo o corpo.

Por um momento, Crusch não tinha idéia de por que ela acabara assim. Quando ela caiu
na lama?

No entanto, ela imediatamente percebeu o motivo. Ela não tomou feridas adicionais, en-
tão ela deve ter desmaiado por um momento e entrou em colapso.

Crusch deu um suspiro de alívio, não porque ainda estivesse viva, mas porque ainda
podia lutar.

Ela não planejou se forçar a ficar de pé. Mas mesmo que tentasse, ela não tinha forças
para resistir e sentia que seria um desperdício de energia fazê-lo.

Ela viu as formas de Zaryusu e Zenberu lutando duramente em sua visão turva; as for-
mas dos companheiros com quem viajara por um breve período. Zenberu estava enfren-
tado quatro Guerreiros Skeletons de uma só vez, e Zaryusu havia suportado os ataques
mágicos de Iguva. Ambos estavam cobertos de feridas.

Crusch conseguiu controlar sua respiração e lançou uma magia.

“「Middle Cure Wound」!”

E além de curar as feridas de Zenberu...

“「Middle Cure Wound」!”

Ela curou os ferimentos de Zaryusu.

“Huu...”

Crusch estava ofegante.


Sua respiração parecia estranha. Ela estava sem fôlego, não importava o quanto tentasse
respirar.

Isso deve ser um sintoma do uso excessivo de magia. Sua cabeça doía como se tivesse
sido golpeada. Mesmo assim, Crusch tentou o máximo para forçar os olhos a se abrirem.

Tantas pessoas morreram até agora — como ela poderia ser a primeira a sair do campo
de batalha?

Quando ela abriu vigorosamente os olhos com as pálpebras pesadas, continuou:

“「Middle Cure Wound」!”

♦♦♦

O punho cerrado de Zenberu bateu em cheio no crânio do Guerreiro Skeleton. Ele sentiu
o osso dobrar, depois quebrou-se sob a pressão de seu punho, e assim outro Guerreiro
Skeleton foi jogado no chão, seu punho só parou quando o crânio foi afundado na lama.

“E com isso são dois — gahahahahh—”

Ele exalou como se estivesse respirando toda a sua fadiga e, em seguida, olhou para os
Guerreiros Skeletons restantes. O caranguejo gigante que Crusch havia conjurado não
era visto em parte alguma, mas graças a sua ajuda em lidar com dois dos Guerreiros
Skeletons, Zenberu pôde acabar com os outros dois.

A situação se desenvolveu dessa maneira graças ao apoio de Crusch.

Mais dois. Depois disso, Iguva seria o próximo.

Ele flexionou seu grosso e poderoso braço direito — ainda se movia bem.

Seu braço esquerdo estava coberto de feridas e quase inútil. Zenberu foi um pouco exa-
gerado ao usá-lo como escudo. Ele olhou brevemente para o membro flácido.

“Esqueça, foi um sacrifício digno.”

Zenberu olhou para a coisa irritante e tentou movê-la. Uma dor intensa encheu seu
corpo — dificilmente parecia que poderia vir de mover seus dedos.

Ainda assim, isso é grande coisa? Agora mesmo, um dos meus novos camaradas não desis-
tiu, mesmo depois que suas cabeças se tornaram inúteis. Como eu, Zenberu, poderia fazer
menos?
Zenberu pôde apreciar o quão forte os Guerreiros Skeletons estavam depois de lutar
contra eles por tanto tempo. Eles eram fortes o suficiente para que apenas dois já fossem
suficientes para dar conta dele.

Portanto, lidar com quatro de uma só vez significava que suas chances de vitória eram
muito pequenas.

Depois dessa, vou até parar de comer caranguejos por um tempo em sinal de respeito.

Com aquele gesto silencioso de apreciação por sua comida favorita, ele olhou mortal-
mente para os dois Guerreiros Skeletons que estavam se aproximando.

Ele cerrou o punho.

Ele ainda podia se mover. Ele ainda podia lutar.

Francamente falando, ele ficou surpreso com o fato de poder continuar lutando.

“Hah! Não faz sentido pensar em coisas tão idiotas!”

Havia apenas uma razão para isso, não é mesmo?

Zenberu riu de si mesmo.

Ele observou a forma de Zaryusu que estava logo atrás dos Guerreiros Skeletons, mesmo
sendo alto, aqueles inimigos superavam seu poder com folga.

“Parece muito heroico, não...”

De fato—

Ele poderia continuar lutando porque estava lutando junto com Zaryusu, Crusch e Ro-
roro.

“Ei ei ei, Zaryusu, levou uma surra, huh? Tá pior do que quando trocamos aqueles golpes.”

Com um feroz golpe de baixo para cima, ele esmagou um dos Guerreiros Skeletons. No
entanto, ele não podia bloquear a lâmina curva da oposição com o braço esquerdo, e ele
ganhou outro corte perto da ferida que Crusch acabara de fechar com magia.

“...Crusch está passando por dificuldades, mas ainda está nos ajudando. Espero que es-
teja bem.”

A magia de Crusch curou mais uma vez os ferimentos de Zenberu. Ele não podia se virar
para verificar, mas parecia que a voz dela estava vindo de algum lugar muito perto da
superfície da água. Ele podia imaginar a postura dela ao conjurar tais magias — mas
mesmo assim, ela ainda os estava conjurando.

“...É uma fêmea muito boa mesmo.”

Se ele tivesse que tomar uma esposa, ele escolheria alguém como ela.

Zenberu estava ligeiramente com inveja de Zaryusu agora.

“Eu não vou cair primeiro, não vou deixar você ver uma coisa vergonhosa assim!”

Desviou seu braço maciço e depois bateu com a cauda. Então ele riu friamente, comen-
tando que ele era mais velho que qualquer um deles.

Os dois Guerreiros Skeletons se aproximaram lentamente, com os escudos erguidos. A


maneira como eles bloquearam sua visão de Zaryusu irritou Zenberu.

“Saiam daí, estão atrapalhando eu ver as costas dele!”

Com um rugido, Zenberu avançou—

♦♦♦

As idas e vindas uniformemente equilibradas de Iguva e Zaryusu continuou. Os olhos de


Zaryusu estavam focados na batalha, e ele notou Iguva olhando para outro lugar. O rosto
de undead do Elder Lich se contorceu em um sorriso selvagem, e o coração de Zaryusu
pareceu congelar ao ouvir o que viria a seguir.

Ele ouviu o som de água respingando quando alguém desabou na água.

“Veja! Seu amigo caiu!”

Ele não podia olhar para trás. Talvez um dos seus camaradas tivesse desmoronado, ou
talvez não. O coração de Zaryusu doía como se estivesse escamando suas escamas, mas
ele estava enfrentando um oponente esmagadoramente poderoso, e ele não teve o luxo
de desviar o olhar. Sua derrota seria selada no momento em que ele se virasse para olhar.
Zaryusu não veio aqui para perder de uma maneira tão tola.

Ele veio aqui para ganhar.

No entanto, se Iguva falasse a verdade, então seria possível que os reforços inimigos
tivessem vindo de trás deles. Ele tinha que pensar em uma maneira de lidar com eles, ou
as coisas poderiam ficar feias.
Enquanto Zaryusu estava se preparando para suportar uma magia de ataque, ele ouviu
o som de alguém pisando em água enquanto se levantava, assim como o som de vários
ossos estalando.

“Zaryusu! Nós terminamos aqui! O resto é com você!”

“...「Middle Cure Wound」.”

Um barulho de água espalhando foi ouvido junto com o grito de dor vindo de Zenberu.

O encantamento de Crusch parecia mais um gemido, mas os ferimentos de Zaryusu len-


tamente se recompuseram.

“Muuu—~”

Iguva estava claramente infeliz com isso. Mesmo sem olhar, ele poderia dizer que os
outros dois haviam feito a sua parte. Isso significaria que depois disso—

“Minha vez!”

Iguva bloqueou o corte da Frost Pain.

“Kukuku... eu, Iguva, sou um Elder Lich, mas não me despreze porque não sou um luta-
dor corpo-a-corpo!”

♦♦♦

Apesar de sua conversa de durão, Iguva já supunha que suas chances de vitória eram
pequenas.

Dada a diferença em sua força, ele pode ser capaz de vencer em uma batalha corpo-a-
corpo. No entanto, a Lizardman branca tinha curado suas feridas durante todo esse
tempo, então Zaryusu tinha a vantagem da vitalidade.

Além disso, ele só podia bloquear um de cada três golpes feitos contra ele. Isso signifi-
cava que os outros dois o acertariam. Mesmo Iguva sendo resistente ao corte de armas
assim como Skeletons, e ele não estava preocupado com o dano de gelo adicional que
Frost Pain infligia, mas sua situação ainda era bastante terrível.

Ele entrou em pânico.

Ele foi uma criação do Ser Supremo Ainz Ooal Gown e o comandante deste exército. Ele
não podia se dar ao luxo de perder aqui.
Iguva queria conjurar mais alguns soldados undeads, mas ele precisava de tempo para
a conjuração. Portanto, era difícil fazer tal magia enquanto seu inimigo estava bem na
frente dele.

Se isto continuasse, a vitória iria para seu inimigo.

Com isso em mente, Iguva voltou ao seu último recurso. Não era um método ideal —
poderia até ser o pior curso de ação se as coisas corressem mal —, mas era a única carta
que restara para jogar.

Zaryusu ficou confuso com Iguva se virando para correr, mas ele prosseguiu de qualquer
maneira. Iguva recebeu um golpe de poder total do Zaryusu nas costas e vacilou, mas não
caiu. Zaryusu estalou a língua com a vitalidade inesgotável de Iguva e imediatamente se-
guiu atrás de Iguva em fuga.

Iguva se virou, seu rosto distorcido com uma raiva que parecia imprópria para um ser
undead, mas sua expressão tinha a tonalidade de prazer.

Na sua mão, crepitava uma luz carmesim — uma 「Fireball」.

A confusão encheu a mente de Zaryusu quando ele se aproximou.

Ele planeja usar uma magia de efeito de área tão próxima? Ele está preparado para se
sacrificar — não!

Uma emoção de medo percorreu o coração de Zaryusu quando ele percebeu que Iguva
não estava olhando para ele. Os olhos de Iguva estavam voltados para trás de Zaryusu —
em Crusch e Zenberu, caídos na lama.

—O que devo fazer?

Zaryusu sacudiu a cabeça.

Iguva estava se deixando com grande abertura. Se ele ignorasse os dois, ele poderia aca-
bar com Iguva de vez. Mas se ele quisesse salvá-los, era difícil prever como a batalha ter-
minaria. Os dois ficaram gravemente feridos e um único passo em falso pode ser fatal.

Não tinham eles chegado tão longe para esse objetivo — vencer Iguva? Muitas pessoas
morreram por essa causa também.

Nesse caso, ele deveria abandoná-los. Eles provavelmente sorririam e o perdoariam.


Zaryusu provavelmente faria o mesmo em sua posição.

—No entanto.

Zaryusu não escolheria deixar companheiros com quem ele lutou e sangrou para morrer.
Nesse caso, ele os ajudaria e depois destruiria Iguva.

Depois de decidir, as coisas ficaram muito simples.

“「Icy Burst」!”

Zaryusu ergueu uma parede de névoa congelante que emergiu a partir de seus pés.

“Gwaaaargh—!”

O vórtice congelado congelou Zaryusu por um momento; a dor enchendo seu corpo in-
teiro, estava além das palavras.

Zaryusu fixou os olhos atentamente em Iguva para evitar perder a consciência, lutava a
todo instante contra a dor.

Quando ele rangeu os dentes e gemeu de dor, a névoa gelada os envolveu e flutuou em
todas as direções.

Quando Iguva viu a névoa branca se espalhando, ele sorriu, sua expressão aparente-
mente dizia: “Assim como planejado.” Seu inimigo poderia ter vencido se tivesse abando-
nado seus amigos, mas mesmo assim ele preferiu seus amigos.

Iguva era imune ao frio e dano elétrico, motivo pelo qual ele podia ficar em pé em meio
à corrente de ar congelante. Ele esmagou a 「Fireball」 em sua mão e recuperou a mana,
porque permitir que essa chama tocasse a parede branca de ar frio que agora o rodeava
era um gesto autodestrutivo.

Uma vez que esta névoa branca começasse a dissipar, ele poderia acabar com os outros
dois Lizardmen. Primeiro, ele teria que eliminar o que ainda estava de pé. Iguva olhou
em volta e rosnou. Isso porque ele tinha perdido alguma coisa.

“...Tudo bem, para onde ele foi agora?”

Sua visão estava bloqueada por paredes de névoa branca.

Iguva possuía visão no escuro, mas ele não conseguia enxergar através de condições
ambientais que impediam a visibilidade. Portanto, ele perdeu a localização do inimigo.

Ainda assim, não havia necessidade de se preocupar muito. A julgar pelo grito de dor de
agora, seu oponente deveria ter sido gravemente ferido. Parando para pensar sobre isso,
dado que o frio era poderoso o suficiente para repelir uma bola de fogo que ele tinha
projetado, ele deveria ter tomado dano por frio comparável a ser atingido pela própria
「Fireball」.
Tomar um golpe assim enquanto já estava tão gravemente ferido pode ser fatal. Sendo
esse o caso, ele poderia gastar seu tempo e atormentá-lo lentamente depois.

Seu objetivo agora era sair dessa câmara de neblina.

Quando a idéia surgiu, Iguva imediatamente descartou.

—Neste momento, mover-se exporia sua posição.

Em vez de recuar, ele deveria conjurar mais undeads. Enquanto ele tivesse escudos de
carne, a vitória seria dele, mesmo que o Lizardman ainda não estivesse morto.

Quando Iguva estava prestes a lançar sua magia, ele ouviu um súbito chapinhar de água.

♦♦♦

Frost Pain.

Um dos Quatro Tesouros dos Lizardmen, transmitido através das gerações.

Segundo a lenda, a Frost Pain foi feita do gelo quando o lago congelou pela única vez em
sua história, e possuía três poderes mágicos.

Primeira, uma aura fria que envolvia a lâmina, causava dano por frio a cada golpe bem-
sucedido.

Segundo, seu trunfo, o 「Icy Burst」, utilizável apenas três vezes ao dia.

E o terceiro era—

♦♦♦

O som de algo cortando o ar chegou aos ouvidos dele.

Antes que ele percebesse o que estava acontecendo, viu a ponta de uma lâmina diante
dos olhos.

Um grande impacto abalou o crânio de Iguva.

A lâmina que perfurou seu olho esquerdo sacudiu a cabeça. Iguva uivou de surpresa
quando finalmente percebeu o que estava acontecendo.

“Guwaaargh—! Por que você não está morto?”

Quando Frost Pain afundou-se em sua órbita esquerda, sentiu sua vitalidade se esvaindo
em torrentes—
O nevoeiro se dispersava constantemente, revelando Zaryusu, cujo corpo estava co-
berto de uma leve camada de gelo. Ele ficou diante de Iguva, que estava instável em seus
pés, já que tinha uma espada cravada de sua cabeça.

Iguva não conseguia entender como Zaryusu ainda estava de pé depois de um ataque
tão poderoso baseado no frio.

♦♦♦

Isso foi devido ao terceiro poder oculto da Frost Pain.

Uma habilidade defensiva que conferia resistência a ataques baseados em frio.

♦♦♦

É claro que nem o Frost Pain conseguiu anular completamente o poder do 「Icy Burst」.
Já era difícil o suficiente para Zaryusu ficar de pé depois de receber aquele dano frio. Sua
respiração era irregular, seus movimentos eram lentos e sua cauda estava murcha no
chão. Ele mal era capaz de lutar. Na verdade, esse último golpe ele mal conseguira mirar.
Ele simplesmente agiu por instinto, alimentando o golpe com os últimos restos de sua
força.

Pode-se dizer que foi um golpe de sorte.

Zaryusu lutou para manter os olhos abertos.

O golpe que ele havia lançado com os restos de sua força parecia ter sido suficiente para
acabar com Iguva.

Não mais capaz de lutar, Zaryusu olhou para Iguva, um olhar de expectativa no rosto.

Iguva tremia e se debatia.

Talvez Iguva não pudesse mais sustentar sua integridade corporal, a pele de seu rosto
rasgou e seus ossos se fragmentaram, enquanto suas roupas caíam em farrapos. Era só
uma questão de tempo antes que ele fosse destruído. Assim que Zaryusu pensou que ele
havia ganho em uma vitória milagrosa—

—Uma mão ossuda agarrou-o pela garganta.

“Eu... eu sou um vassalo criado pelo Ser Supremo... como posso morrer... assim?”

O estrangulamento de Iguva não era forte, e ele poderia se soltar. No entanto—

“—Guwaargh—!”
—Agonia subiu pelo corpo de Zaryusu e ele gritou de dor.

Isso porque ele estava sendo infundido com energia negativa, que corroía sua força vital.
Zaryusu foi treinado para suportar a dor, mas não suportou a terrível angústia que trans-
formava suas veias em gelo.

“Morra.... Seu Lizardman maldito!”

O rosto de Iguva começou a desmoronar e os fragmentos se desintegravam no ar.

A vida de Iguva estava desaparecendo, mas sua lealdade ao mestre o manteve agarrado
a esse mundo da linha entre a vida e a morte.

Zaryusu tentou resistir, mas o medo o encheu quando percebeu que seu corpo não res-
pondia mais aos comandos.

Ele também estava à beira da morte. A infusão de energia negativa de Iguva estava ex-
tinguindo o restante de sua força vital.

A visão de Zaryusu vacilou e ficou turva.

Parecia que o mundo estava lentamente se enchendo de névoa branca.

Iguva também tentava desesperadamente permanecer consciente, mas sorriu em vitó-


ria ao ver a resistência de Zaryusu.

Ele teria que matar este Lizardman e os outros dois Lizardmen que se juntaram ao ata-
que. Eles deveriam ser os mais fortes entre suas raças.

Sendo esse o caso, matá-los seria um presente ao seu grande mestre — o melhor pre-
sente possível que ele poderia dar ao seu criador.

A expressão de Iguva falava mais do que suas palavras, mas aquele olhar em seus olhos
fez Zaryusu perceber que ele também sentia o mesmo.

“Vá para o inferno!”

Seu corpo já não respondia a ele, e ele podia sentir o calor do corpo caindo lentamente,
como um lento veneno corroendo o sangue. Até respirar era difícil. Apenas sua mente
permanecia afiada sob essas circunstâncias.

Ele não podia morrer ainda.

Rororo, que correu com toda a sua força.


Zenberu, que fizera a si mesmo um escudo vivo.

Crusch, que havia esgotado sua mana.

E então, havia todos os Lizardmen que haviam morrido lutando nessa guerra.

Enquanto Zaryusu pensava em como lutar, ele ouviu alguma coisa.

—Tons suaves de Crusch.

—A Voz alegre de Zenberu.

—Os gritos brincalhões de Rororo.

Ele não poderia realmente ouvi-los.

Crusch estava inconsciente. Zenberu estava em coma. Rororo estava longe.

Sua mente tinha imaginado essas vozes porque sua mente estava embaçada? Teria in-
ventado as vozes de amigos que ele nem conhecia há uma semana inteira? Até mesmo os
gritos de seus familiares?

Não.

De fato, isso não estava correto.

Isso foi porque todos estavam aqui—

“—Oh... oh—!”

“—!? Você ainda tem toda essa força!?”

O semiconsciente Zaryusu uivou, Iguva soltou um grito de surpresa.

Os olhos de Zaryusu moveram e se fixaram em Iguva. Seus olhos estavam nublados, mas
seria difícil acreditar que ele não estivesse visto com o próprio olho sua intensidade la-
tente. A visão fez Iguva congelar.

“Crusch! Zenberu! Rororo!”

“—! O que você está tentando fazer—!? Apenas morra—!”

De onde ele tirou essa vitalidade? A onda maciça de energia negativa que fluía para ele
deveria estar se dissolvendo e consumindo a força vital de Zaryusu. E, de fato, os mem-
bros de Zaryusu estavam pesados, e seu corpo parecia congelado.
Mesmo assim, toda vez que ele gritava seus nomes, Zaryusu sentia um lampejo de calor
dentro dele. Esse calor não veio de sua força vital.

Em vez disso, surgiu de um lugar dentro do peito — o coração.

Ele podia ouvir o som de músculos tensos. Esse som veio da mão direita de Zaryusu, do
seu punho cerrado. Ele estava infundindo toda a sua força naquele punho.

♦♦♦

“Impossível—! Como você ainda está se movendo? Seu monstro—!”

Ele era realmente capaz de se mover. Essa era uma visão verdadeiramente inacreditável.

As emoções se alastraram no coração de Iguva, mas ele se esforçou para reprimi-las.

Ele era Iguva, o comandante geral das forças da Grande Tumba de Nazarick durante esta
expedição, e mais importante, ele foi a criação do Supremo Governante da Morte — Ainz
Ooal Gown.

Um ser poderoso como ele não poderia ser derrotado assim—

“Morra—!”

“Este é seu fim, monstro!”

Ele foi mais rápido.

Sim, a velocidade total desse golpe foi mais rápida do que a taxa em que Iguva estava
infundindo energia negativa—

O punho firmemente fechado atingiu o cabo da Frost Pain—

—As juntas de Zaryusu sangraram. Atingida por um golpe tão pesado, a lâmina perfurou
o crânio de Iguva.

“Ohhhhh!”

Como um undead, Iguva não sentia dor, mas ainda podia entender que a energia nega-
tiva que provia sua vida havia desaparecido.

“Isso... isso... como isso poderia... Ain...z... sama...”

O completo entendimento de seu fracasso banhou os olhos de Iguva. Quando Zaryusu


desabou como uma marionete cujas cordas foram cortadas, houve um grande baque.
“...Por favor... por favor... me... perdoe...”

—Finalmente o corpo de Iguva caiu, acompanhado do pedido de desculpas ao seu mes-


tre.

♦♦♦

O interior da sala estava em silêncio. Ninguém podia acreditar no que eles tinham aca-
bado de ver, e assim ninguém falou. A única exceção era a empregada — Entoma.

“Cocytus-sama, parece que o Ainz-sama está te procurando.”

“—Entendido.”

Com a cabeça baixa, Cocytus se virou para Entoma.

Ele reprimiu sua vergonha enquanto seus vassalos olhavam para ele com desconforto.

Mas por outro lado, ele queria oferecer elogios.

Afinal, essa tinha sido uma batalha emocionante.

E pensar que o inimigo realmente transformou o impossível no possível. É verdade que


o Elder Lich havia cometido alguns erros de julgamento, mas, em circunstâncias normais,
o Elder Lich ainda deveria ter vencido, apesar de seus erros.

“...Surpreendente. Verdadeiramente. Surpreendente.”

Cocytus repetiu essas palavras para expressar sua opinião sincera.

Eles haviam desafiado esse incrível obstáculo.

“...Que. Pena.”

Cocytus respirou enquanto observava os Lizardmen dançando e cantando em triunfo


através do espelho.

Os guerreiros mostrados no espelho eram extremamente fracos, mas eles tinham acen-
dido o espírito de luta de Cocytus.

“Ah... Realmente. Uma. Pena.”

Cocytus hesitou. Ele escolheu o cenário mais assustador dos muitos em sua mente, pen-
sou nele e tomou uma decisão.

“—Vamos.”
Parte 6

Zaryusu sentia como se estivesse sendo levado para fora de um mundo de trevas. Estava
bem.

Depois que ele abriu os olhos, a cena borrada diante dele o fez querer se perguntar al-
gumas coisas.

Onde era esse lugar? Por que ele estava dormindo aqui?

Inúmeras perguntas surgiram em seu coração, e então ele percebeu que havia um peso
sobre ele.

—Branco.

Zaryusu olhou para a bola branca. Tendo acabado de acordar, a palavra “branco” foi a
primeira coisa que me veio à mente. Enquanto lentamente recupera os sentidos, ele per-
cebeu o que era.

Era Crusch. Ela havia adormecido em cima dele.

“Ah...”

Eu ainda estou vivo.

Zaryusu ficou tão aliviado que quase pronunciou essas palavras em voz alta. No entanto,
ele as engoliu. Não suportava acordar Crusch e resistiu ao impulso de tocá-la. Suas esca-
mas podiam ser bonitas, mas ele ainda não podia tocar uma fêmea adormecida apenas
por capricho.

Zaryusu lutou para não tocar Crusch e começou a pensar em outras coisas.

Havia muitas coisas para ponderar.

Para começar, o que ele estava fazendo aqui?

Ele procurou em suas memórias, pensando no que havia acontecido no passado. A úl-
tima coisa que conseguiu lembrar foi a visão da derrota de Iguva, tudo depois disso era
obscuro. No entanto, o fato de que ele não havia sido capturado, mas estava dormindo
aqui, significava que as tribos haviam vencido.

Zaryusu soltou um suspiro de alívio lentamente, evitando acordar Crusch. Parecia que
o fardo dos últimos dias finalmente havia se dissipado, mas, na verdade, ainda havia al-
guns problemas importantes.
No entanto, ele queria deixar seu coração descansar por enquanto. Zaryusu saboreou o
calor de Crusch e suspirou baixinho.

Depois disso, Zaryusu tocou experimentalmente seu próprio corpo. Ele estava total-
mente móvel e não havia problemas notáveis. Ele tinha pensado que ele poderia ter sido
aleijado de alguma forma, mas parece que ele teve muita sorte.

Só então, ele pensou no outro amigo que lutou ao seu lado. Não havia mais ninguém na
sala além de Crusch. Sendo esse o caso, o que aconteceu com Zenberu? Ele se sentiu bas-
tante desconfortável, mas ao mesmo tempo, um macho poderoso como Zenberu deveria
estar bem.

Crusch parecia ter sido acordado pelos movimentos de Zaryusu e seu corpo moveu. Pa-
recia que seu corpo macio e flexível havia sido infundido com uma alma. Ela deve estar
prestes a acordar.

“Mmmn...”

Crusch fez um barulho adorável e depois olhou em volta com os olhos embaçados de
sono. Logo percebeu que Zaryusu estava embaixo dela e sorriu de prazer.

“Muu—”

Depois que Crusch, de cabeça adormecida, abraçou Zaryusu, ela começou a se esfregar
nele. Era como se ela fosse um animal tentando marcá-lo com seu cheiro.

Zaryusu ficou rígido e deixou Crusch fazer o que quisesse. Na verdade, havia até uma
voz malvada dentro dele que dizia: “Não é como se eu não quisesse isso.”.

Suas escamas esbranquiçadas eram frescas e geladas. Além de serem muito confortáveis,
elas também emitiam um aroma sedutor de ervas.

Ele também poderia abraçá-la, certo?

Assim que ele estava prestes a perder o controle, Crusch caiu em si e ela olhou nos olhos
de Zaryusu embaixo dela.

—O tempo congelou.

Zaryusu começou a pensar no que dizer a Crusch, que estava em silêncio. Finalmente,
ele decidiu sobre algo que deveria deixar tudo bem:

“—Posso te abraçar também?”

Bem, suas emoções crescentes sentiam que tudo deveria estar bem.
Crusch gritou de surpresa, e sua cauda bateu no chão. Então, ela praticamente saiu de
perto de Zaryusu, até que atingiu uma parede.

Ele podia ouvir um suave gemido de Crusch enquanto ela se enrolava no chão, dizendo:
“estúpida, estúpida, eu sou tão estúpida”, ou algo nesse sentido.

“...Ainda assim, estou muito feliz que esteja bem, Crusch.”

Essas palavras pareciam restaurar alguma aparência de normalidade em Crusch (exceto


sua cauda), e ela olhou para cima e sorriu para Zaryusu.

“Você também, eu estou feliz que você esteja seguro.”

Um pensamento impróprio apareceu na mente de Zaryusu enquanto ele olhava para o


rosto gentil de Crusch, mas ele lutou para resistir e fez uma pergunta mais apropriada.

“Você sabe o que aconteceu depois que eu desmaiei?”

“Sim, um pouco. O inimigo recuou depois que Iguva foi derrotado, e parece que seu ir-
mão derrotou os monstros com sucesso, e então nós três fomos salvos... aconteceu on-
tem.”

“Então, Zenberu... ele não está aqui...”

“Sim, ele está bem. Ele provavelmente se recuperou mais rápido que você; Ele recupe-
rou a consciência depois de ser curado com magia, então agora ele está cuidando da lim-
peza pós-batalha. Eu pareço ter me sobrecarregado, então desmaiei depois de ouvir tudo
isso...”

Crusch levantou-se e sentou-se ao lado de Zaryusu. Ele também queria se levantar, mas
Crusch gentilmente o deteve.

“Não se force a se levantar. Você foi o mais ferido de nós, afinal de contas.”

Talvez ela estivesse se lembrando das circunstâncias, mas a voz de Crusch ficou quieta.

“Estou feliz que você tenha voltado inteiro...”

Zaryusu gentilmente acariciou Crusch — cujos olhos estavam abatidos — para confortá-
la.

“Eu não vou morrer antes de ouvir sua resposta. Eu também estava preocupado com
você.”

A resposta. Essa palavra os fez congelar.


Ambos não disseram nada. O silêncio no ar era tão denso que quase se podia ouvir seus
corações batendo.

A cauda de Crusch moveu-se lentamente para envolver Zaryusu. A maneira como as


duas caudas — preta e branca — se entrelaçavam parecia um par de cobras acasaladas.

Zaryusu olhou para Crusch e Crusch olhou para Zaryusu. Eles podiam se ver nos olhos
um do outro.

Zaryusu falou em voz baixa — não, isso não era discurso, mas um chamado. Era a mesma
ligação que ele fizera na primeira vez em que vira Crusch.

—Uma chamada de acasalamento.

Zaryusu não fez nada além de fazer esse chamado. Não, seria melhor dizer que ele não
podia fazer nada. A única coisa que se movia era seu coração, batendo violentamente
dentro de seu peito.

Logo, um som similar veio da boca de Crusch — um chamado. Era um grito igualmente
agudo, gorjeando perto do fim — o som de um grito de acasalamento que fôra aceito.

Havia um olhar indescritivelmente fascinante no rosto de Crusch, e Zaryusu não conse-


guia mais tirar os olhos dela. Crusch deitou-se em Zaryusu, da mesma maneira que ela
estava quando adormeceu mais cedo.

Não havia nada entre os dois agora. Sua respiração e seu calor se misturavam. Seus ba-
timentos cardíacos se sincronizaram através de seus peitos tocantes. Assim, os dois se
tornaram um—

♦♦♦

“Oho! Já estão fazendo isso?”

—E então Zenberu abriu a porta e entrou.

Crusch e Zaryusu congelaram como um par de estátuas de gelo.

Zenberu olhou para eles — em Crusch, sentada sobre Zaryusu — com uma expressão
de perplexidade no rosto e inclinou a cabeça:

“O que, ainda não começaram?”

Quando perceberam o que Zenberu estava falando, os dois se separaram um do outro,


então se levantaram lentamente e se aproximaram sem uma palavra.
Zenberu parecia completamente confuso quando se inclinou para olhar por cima dos
dois.

“—Guwaaargh!”

Os dois punhos em suas entranhas lhe tiraram o ar, e o corpo maciço de Zenberu caiu
sobre o chão.

“Uuu... esses foram bons socos... especialmente o de Crusch... ugggh... isso realmente
doeu...”

Zaryusu à parte, até mesmo o punho de fúria da fêmea era suficiente para derrotar Zen-
beru. Mas socá-lo uma vez não era suficiente para acalmar sua raiva, porém o clima no
ar havia desaparecido sem deixar vestígios e não voltaria, mesmo se ela continuasse a
atingi-lo.

A maneira como eles deram as mãos — como um antidoto para não bater ainda mais
em Zenberu — também foi bastante intrigante, mas Zaryusu decidiu esclarecer as preo-
cupações em seu coração fazendo uma pergunta a Zenberu.

“Vamos deixar isso de lado por enquanto. Eu tenho muitas coisas para te perguntar. Eu
perguntei a Crusch agora, mas você pode me dizer em que tipo de situação estamos?”

Zenberu ignorou a maneira como eles estavam de mãos dadas e respondeu:

“Você não sabe? Todas as tribos estão celebrando.”

“E meu irmão está liderando-os, eu presumo?”

“Sim. De qualquer forma, os caçadores foram verificar, mas não encontraram nenhum
sinal do inimigo ou qualquer traço de reforços deixados em uma emboscada. Afinal, mo-
bilizar muitas pessoas chamaria muita atenção. Portanto, decidimos ficar alertas, mas
seu irmão já declarou vitória. Na verdade, estou aqui sob suas ordens.”

“Ordens de Ani-ja?”

“Pode crer, seu irmão me disse — Gahahaha, deixe-os descansar um pouco. Até onde
sabemos, agora eles provavelmente estão trepando como coelhos. Gahaha, eu me sinto
um pouco mal por interromper, mas eu estava meio curioso, gahahaha”

“Besteira! E o que é essa risada “gahaha”, afinal?”

“Oh... oh, mas quando eu penso nisso, eu não acho que ele realmente riu com um
gahahaha...”

“Como se o Ani-ja realmente risse desse jeito, até parece...”


“Não, foi apenas uma figura de expressão...”

“—Nojento.”

As palavras da boca de Crusch eram frígidas o suficiente para rivalizar com as tempera-
turas abaixo de zero do 「Icy Burst」. Até mesmo Zaryusu ficou assustado com aquele
barulho aterrorizante. Naturalmente, Zenberu — como o alvo dessas palavras — conge-
lou em um instante.

“Então, porque você está aqui?”

“Oh, eu vim para...”

“Se você veio para bisbilhotar, eu vou deixar você provar o gosto ruim da minha magia.”

Crusch não estava brincando. Zaryusu e Zenberu estavam bem cientes disso.

“Er... como direi isto... eu vim convidar vocês dois. Nós fomos as figuras-chave na vitória,
não fomos? Não podem ficar de fora. Além disso, precisamos planejar o futuro juntos...”

“Entendo...”

Crusch sorriu amargamente depois de ouvir a explicação de Zenberu e entender o que


isso significava. Resumindo: eles tinham que planejar outra batalha no futuro e agora era
o melhor momento para mostrar sua força.

“Entendido. Você também pode ir, Crusch?”

Crusch inflou suas bochechas em desgosto, e ela parecia um sapo mutante do tipo que
vivia no pântano. Porém ela é muito mais bonita que um deles, no entanto, Zaryusu pen-
sou alto.

“Então, vamos?”

Zenberu perguntou ao seu par — que estavam olhando um para o outro — em um tom
casual.

“Ah... mm. Sim, vamos.”

Depois que eles concordaram, os três saíram. Assim que desciam os degraus até a ca-
bana e pisavam no pântano, Zaryusu desapareceu da linha de visão de Zenberu e Crusch.
Isso porque algo enorme o atingira.

*dongorogoropashpash*
Isso foi provavelmente como soou.

O que envolveu Zaryusu foi o corpo de Rororo. Suas quatro cabeças se contorciam ener-
gicamente, e farejou Zaryusu, que havia caído no pântano.

“Rororo! Você está bem!”

O Zaryusu, manchado de lama, levantou-se e gentilmente acariciou o corpo de Rororo


ao examiná-lo. Ele aparentemente recebeu cura mágica, porque as queimaduras anteri-
ores foram completamente curadas, como se nunca tivesse sido ferido antes.

Rororo gritou e envolveu suas cabeças brincando em torno de Zaryusu. As cabeças


amarravam seu corpo inteiro, e elas pareciam estar apertando com força.

“Ei ei ei, Rororo, pare, por favor”

Zaryusu, brincando, implorou a Rororo que parasse, mas Rororo simplesmente gritou
de alegria e se recusou a soltar.

*Pasha, pasha, pasha*

Zaryusu de repente ouviu o som rítmico de salpicos. Ele ficou perplexo quando percebeu
sua fonte.

Aqueles salpicos vieram de Crusch, ela estava sorrindo gentilmente enquanto olhava
para Zaryusu e Rororo, mas sua cauda atingia o pântano como um metrônomo.

Zenberu — que originalmente estava de pé ao lado de Crusch — estava agora se distan-


ciando dela, com um olhar de inflexível no rosto.

Rororo parou de brincar. Provavelmente sentira algo estranho.

“O que é?”

“Não, nada...”

Zaryusu olhou para Crusch, que estava bastante confusa. Ele não entendeu. Não impor-
tava como parecesse, Crusch parecia estar sorrindo para o reencontro de Rororo e
Zaryusu, mas por algum motivo isso provocou um arrepio na espinha.

“Que estranho—”

Crusch sorriu novamente.


Rororo deixou Zaryusu, assim que se libertava, Zenberu olhou nervosamente. Talvez ele
fosse incapaz de suportar tal atmosfera assustadora, então Zenberu decidiu apressada-
mente mudar de assunto:

“Certo, Rororo, venha comigo.”

Rororo não conseguia entender o que os Lizardmen estavam dizendo, mas neste caso
parecia que sim. Depois que Zenberu o montou, saiu imediatamente com velocidade sur-
preendente.

Depois que os dois saíram, o mesmo ar sinistro pairou entre Zaryusu e Crusch.

Ela pegou a própria cabeça e chacoalhou.

“Ahhh, o que estou fazendo, parece que meu coração não pertence mais a mim. Eu sei
que é uma coisa pequena, mas não consigo me controlar. É uma maldição.”

Zaryusu podia entender como ela se sentia. De fato, ele se sentiu da mesma maneira
quando a conheceu.

“Para ser sincero, Crusch — eu estou muito feliz.”

“—O quê?”

*Pasha!* Um barulho que foi mais alto do que o habitual soou. Então, Zaryusu foi para o
lado de Crusch.

“Ouça, você pode ouvir?”

“Eh?”

“As coisas que protegemos e as coisas que temos que proteger no futuro.”

O vento carregava um ruído alegre sobre ele. Estava havendo uma festa de vinho. Seria
uma festa para se despedir e agradecer aos espíritos ancestrais, celebrar suas vitórias e
dar aos mortos o que lhes é devido.

Em circunstâncias normais, o vinho era uma mercadoria muito valiosa. O fato de pode-
rem hospedar tantos banquetes nesses poucos dias foi porque Zenberu e sua tribo trou-
xeram um dos Quatro Tesouros, motivo pelo qual podiam desfrutar de bebidas alcoólicas
ilimitadas. Além disso, o clima festivo quase inacreditável agora era porque todos das
tribos estavam reunidos aqui.

Zaryusu riu para Crusch quando ouviu as festividades:


“Talvez ainda não tenha acabado. Talvez aquele tal Supremo nos atacará novamente.
Mesmo assim... vamos relaxar um pouco hoje.”

Com isso, Zaryusu passou o braço pela cintura de Crusch.

Crusch permitiu que a força de Zaryusu a segurasse, e então ela encostou a cabeça no
ombro de Zaryusu.

“Devemos?”

“Mm...”

Depois de dizer isso, Crusch hesitou brevemente antes de acrescentar:

“...Querido.”

Inclinando-se um contra o outro, os dois Lizardmen desapareceram na comoção da


festa—
Capítulo 04: O Alvorecer do Desespero
Parte 1

s passos de Cocytus estavam pesados enquanto ele caminhava em direção

O
ao Salão do Trono. Parecia ser contagioso, porque os passos de seus vassa-
los atrás dele eram lentos e pesados também.

A razão para isso foi porque perdeu contra os Lizardmen. Eles haviam li-
derado as forças de Nazarick na batalha e terminaram derrotados.

Pessoalmente, Cocytus tinha uma boa impressão dos Lizardmen. Tendo sido criado
como um guerreiro, Cocytus tinha um profundo respeito por excelentes guerreiros.

No entanto, a situação agora era completamente diferente.

Nazarick não poderia sofrer uma derrota. Além disso, esta não foi uma batalha defensiva,
mas sua primeira missão no mundo exterior. Qualquer um ficaria chateado por uma glo-
riosa primeira batalha ter terminado em derrota ignominiosa.

De fato, ele não tinha o exército adequado. Isso o fez lembrar das palavras de Demiurge.
No entanto, isso seria apenas uma desculpa. Mesmo que seu mestre tenha considerado a
possibilidade de fracasso, ainda seria melhor vencer.

Logo, ele viu a sala diante do Salão do Trono — a Chave Menor de Salomão (Lemegeton).
Seus passos ficaram mais pesados, a ponto de os espectadores pensarem que ele havia
sido atingido por algum tipo de magia.

Cocytus não se importava se seu mestre o repreendesse. Ele já havia se preparado para
ser morto ou condenado a cometer suicídio para apagar a mancha de sua desonra.

O que Cocytus temia era desapontar seu mestre.

O que ele deveria fazer se fossem abandonados pelo único Ser Supremo remanescente?

Cocytus considerava-se uma espada. Ele era uma espada que era empunhada por seu
mestre, que cortava obedientemente quando ordenada. Portanto, a coisa mais assusta-
dora que ele poderia imaginar era ser considerado inútil e imprestável.

Pior ainda, como ele poderia compensar os outros Guardiões se eles também fossem
abandonados?

Eles. Nunca. Me. Perdoariam. Se. As. Coisas. Piorarem, Nem. Mesmo. Minha. Vida. Será. Su-
ficiente. Para. Expiar. Meus. Erros.

E também—
Se. O. Mestre. Estiver. Decepcionado. E. Nos. Abandonar. Assim. Como. Os. Outros. Seres.
Supremos, O. Que. Devo. Fazer...

Cocytus tremeu. Ele era imune ao frio, então o tremor não era devido a uma fonte ex-
terna, mas de uma causa interna. Se Cocytus fosse um ser humano, ele teria começado a
vomitar sob a tremenda pressão mental que o preenchia.

Isso. Não. Pode. Acontecer... Ainz-sama. Nunca... Nos. Abandonaria.

Ele era o único Ser Supremo remanescente na Grande Tumba, depois de todos os outros
terem partido.

Ele era seu Ser Supremo e seu governante absoluto.

Como. Poderia. Um. Mestre. Tão. Misericordioso. Nos. Abandonar?

Ele tentou se consolar com esse pensamento, mas no fundo do seu coração, uma voz
calma de negação disse que tal coisa não era impossível.

Ele alcançou o Lemegeton.

Em circunstâncias normais, não haveria ninguém aqui além dos Golems circundantes e
dos monstros de cristal. No entanto, havia muitos seres presentes. Especificamente, De-
miurge, Aura, Mare e Shalltear, juntamente com seus vassalos de alto nível escolhidos a
dedo.

Seus olhos estavam direcionados em Cocytus, e sua culpa causou um rápido pânico em
seu rosto.

Isso porque ele sentia que todos o castigavam por seu fracasso. Ou não — Cocytus sentiu
que eles poderiam estar se culpando. O pensamento a partir de agora cruzou sua mente
mais uma vez. Quem poderia dizer que eles podem não se sentir da mesma maneira?

Após uma inspeção mais próxima, ele descobriu que não havia sinal de repreensão em
seus olhos.

“Perdoe. Meu. Atraso, Até. Demiurge. Que. Estava. Mais. Distante, Chegou. Aqui. Antes.
De. Mim”

“Não tem problema. Não há necessidade de se desculpar por esses assuntos triviais.”

Demiurge falou pelos outros.


Seu tom era calmo como sempre, sem qualquer sugestão de emoções negativas. No en-
tanto, Demiurge era um Guardião que era perito em planejamento, habilidade em mani-
pular emoções e esconder seus verdadeiros sentimentos, então Cocytus não sabia dizer
se estava realmente descontente ou não.

Deste ponto de vista, pode-se dizer que o estado de Demiurge enquanto assistia à bata-
lha entre Ainz e Shalltear era uma coisa rara para ele. Certamente, isso era uma demons-
tração das profundezas de sua devoção.

“Eu já informei os outros Guardiões, mas vou tomar o lugar de Albedo como Supervisor
desta vez. Há alguma objeção?”

“Não. Tudo ficará bem se você estiver no comando.”

Albedo não estava por perto pois ela estava acompanhando seu mestre no lugar de Se-
bas.

“Ótimo. Então, quando todos estiverem aqui, nós iremos para o Salão do Trono juntos.
No entanto, como a Albedo não está aqui, gostaria de ratificar a ordem em que mostra-
mos nossos respeitos. Embora esse tipo de coisa deva ser ensaiado de antemão, não há
tempo para isso agora. Assim, darei uma explicação verbal para acelerar as coisas, então,
por favor, prestem atenção.”

Os Guardiões e seus servos indicaram sua compreensão, mas apesar disso, Cocytus ti-
nha uma pergunta. Todos os Guardiões estavam aqui, então quem exatamente eles esta-
vam esperando?

No entanto, suas perguntas foram respondidas assim que a pessoa apareceu. Cocytus
sentiu a presença de um ser vivo se movendo em direção a este lugar.

Quando ele olhou naquela direção, ele viu uma criatura heteromórfica flutuando no ar,
em direção ao Lemegeton. Parecia uma criança — não, talvez um feto seria mais preciso.
Tinha um pequeno e enrugado rabo e seu corpo era rosa brilhante. Tinha uma auréola
angelical em volta da cabeça e um par de asas murchas sem penas nas costas. Tinha cerca
de um metro de comprimento e voava lentamente por esse caminho.

“Quem é esse?”

Demiurge respondeu à pergunta de Aura:

“Ele é Victim, Guardião do Oitavo Andar.”

“Então esse é o Victim...”


Victim alcançou o Lemegeton e depois virou um círculo completo. Cocytus teve a sensa-
ção de que ele estava olhando ao redor.

Já que Victim não tinha pescoço, ele teve que virar o corpo inteiro para olhar ao redor.

“Mitciv uos ue, otisóporp A .miur é OAS.[Como vai, pessoal? Eu sou Victim.]”

Demiurge parecia completamente indiferente à maneira peculiar de falar de Victim e


respondeu em nome de todos:

“Bem-vindo, Victim. Eu sou Demiurge e estou no lugar de Albedo para esta reunião.”

“Etnemaiverp uomrofni em amas-znia. [Ainz-sama me informou previamente.]”

Depois de dizer isso, Victim fez com que todo o seu corpo virasse, olhando para todos
mais uma vez.

“Seoçatneserpa sa somesnepsid euq ridep ue es madnetne euq orepse oatne ,sodot a


oçehnoc ue. [Eu conheço a todos, então espero que entendam se eu pedir que dispense-
mos as apresentações.]”

“Mesmo? Entendo. Então, já que estamos todos aqui, vou explicar o que eu estava fa-
lando.”

Todos prestaram muita atenção à explicação de Demiurge, porque logo encontrariam


seu mestre supremo, Ainz-sama, no coração da Grande Tumba de Nazarick. O menor erro
pode muito bem ser punido com a morte.

Depois que ele terminou de falar, Demiurge deu a todos algum tempo para digerir o que
tinham ouvido antes de levar os Guardiões e seus vassalos para o Salão do Trono.

O coração de Cocytus palpitou quando ele entrou no Salão, ele tinha entrado poucas ve-
zes antes.

Com sua construção notável, as bandeiras que representavam os Seres Supremos assim
como o Item World-Class em suas profundezas, esta sala realmente merecia seu nome
como o coração de Nazarick. A exibição espetacular diante dele permitiu-lhe esquecer
brevemente o tormento dentro de sua alma.

Ao longo do caminho, os Guardiões deixaram seus vassalos para trás e formaram uma
linha nos degraus diante do trono. Então, eles saudaram o emblema da guilda de Ainz
Ooal Gown, que pendia sobre as paredes como sinal de respeito e lealdade.

Depois disso, eles se ajoelharam com as cabeças abaixadas, aguardando a chegada de


seu mestre.
Logo, o som das pesadas portas se abrindo veio de trás, e um par de passos entrou no
corredor. Escusado será dizer que não era o som do seu mestre, porque o dono da Grande
Tumba de Nazarick nunca se moveria desacompanhado.

“Uma recepção calorosa para Ainz Ooal Gown-sama, Governante Supremo da Grande
Tumba de Nazarick, bem como Albedo-sama, a Supervisora Guardiã.”

Essa voz pertencia a Yuri Alpha, das Pleiades.

Eles podiam ouvir as portas se abrindo mais uma vez, e desta vez houve o som nítido de
botas e um cajado batendo no chão. Foi seguido por sapatos de salto alto pisando no chão.

Normalmente, quando o mestre entrava, eles deveriam ter se curvado para demonstrar
respeito por ele. No entanto, ninguém presente fez isso. Isso porque eles já haviam de-
monstrado seu maior respeito.

No entanto, esse não foi o caso do Cocytus.

O desconforto que encheu sua alma se manifestou em seu corpo como um movimento
físico. Foi uma coisa pequena, mas influenciou muito o humor no ar.

Através do uso de uma habilidade, Cocytus podia sentir os outros Guardiões mudando
sua atenção para ele. Albedo, andando atrás de seu mestre, também estava irradiando
uma raiva que ela estava tentando em vão reprimir. No entanto, ninguém se atreveu a
falar nessas circunstâncias.

Os passos passavam lentamente pelos Guardiões todos alinhados, subiam os degraus e


então alcançavam o trono, terminando no som de alguém sentado. A voz de Albedo então
ecoou em voz alta e clara pelo Salão do Trono.

“Levantem vossas cabeças para contemplar a glória de Ainz Ooal Gown-sama.”

Os Guardiões reunidos olharam para cima — os sons de seus movimentos estavam per-
feitamente coordenados — para seu mestre que estava sentado no trono.

Cocytus também levantou a cabeça imediatamente.

Lá, ele viu o governante supremo da Grande Tumba de Nazarick, o Ser Supremo cuja
equipe de funcionários estava envolta em uma terrível aura, iluminada por um misteri-
oso esplendor negro — Ainz Ooal Gown.

Diante dele estava Albedo, que olhava de cima para os Guardiões, incluindo Cocytus.
Satisfeita com o que viu, ela assentiu e então se virou para Ainz.
“Ainz-sama, os Guardiões de Nazarick estão reunidos diante de ti. Por favor, conceda
suas ordens para nós.”

Ainz fez “Uhun” em tons régios e profundos, antes de bater seu cajado no chão. O gesto
atraiu a atenção de todos e, em seguida, Ainz falou lentamente:

“Bem-vindos, Guardiões que estão reunidos diante de mim. A seguir, primeiramente


devo transmitir meus agradecimentos. Demiurge!”

“Sim!”

“Eu chamo você toda vez que algo surge. Bom trabalho. Obrigado pelo seu serviço leal.”

“Oh, seu elogio é muito generoso, Ainz-sama. Eu sou apenas seu humilde servo; É natu-
ral que eu apareça diante do senhor sempre que me convocar. Isso não requer nenhum
agradecimento.”

Demiurge fez uma reverência profunda. Ele parecia estar tremendo de prazer.

“Mesmo? Ah, isso mesmo. Alguém suspeito apareceu na área que está?”

“Não. Porém, tenho sido muito cuidadoso e deve ser fácil detectar alguém que se apro-
xime...”

“...Isso é bom. No entanto, não se permita relaxar. Afinal, nossos inimigos podem chegar
de uma maneira inesperada. Além disso, há a questão da pele que você me trouxe... de
acordo com o Bibliotecário Chefe, ele pode ser usado para fazer pergaminhos de baixo
nível. Você pode garantir um fornecimento estável?”

“Sim! Não haverá problemas a respeito disso. Já capturamos uma quantidade adequada.”

“Ah, sim... Então, qual o nome das feras mesmo?”

“Feras...? Ah! As feras de que o senhor diz, Ainz-sama...”

Demiurge fez uma breve pausa para pensar e continuou:

“São ovelhas de duas patas do Reino Sacro. O que acha do nome Abelion Sheep?”

O tom alegre de Demiurge intrigou Cocytus. Demiurge era fundamentalmente uma pes-
soa de bom temperamento, possivelmente até compassiva. No entanto, isso apenas com
as criações dos Seres Supremos. Ele era extremamente cruel com todos os outros.

Poder-se-ia vislumbrar sombras daquela crueldade sob sua fachada bem-humorada.


Mesmo sua malícia profundamente enraizada sendo dirigida para as feras mencionadas
acima, ele realmente se referiria a criaturas não inteligentes com tal atitude?
Dada a personalidade de Demiurge, algo parecia errado. No entanto, agora não era a
hora de perguntar mais.

“Entendo... ovelhas.”

Seu mestre parecia satisfeito, o que por sua vez colocou um sorriso nos rostos de Demi-
urge e Albedo.

“Embora eu ache que bodes seriam melhores... esse nome servirá. Então, a pele dessas
ovelhas deve servir... Será que a captura excessiva afetará o ecossistema local?”

“Eu duvido. Além disso, o uso da magia de cura nos permite esfolar novamente. Portanto,
não precisaremos capturar grupos grandes se não nos envolvermos em produção em
grande escala. Isso também é graças aos monstros chamados Torturers.”

“Hm? As partes do corpo separadas não desaparecem quando a magia de cura é apli-
cada?”

“Sobre isso... aprendemos alguma coisa durante nossos experimentos com a magia de
cura. Uma vez que alguma grande mudança tenha ocorrido nas partes do corpo decepa-
das — moídas, por exemplo — essas partes permanecerão. Em outras palavras, uma vez
que a pele esfolada tenha sido processada, a magia de cura não mais a reconhece como
parte do corpo e não desaparecerá mesmo quando a fonte for curada. É também por isso
que eles não morrem quando são alimentados com a carne vinda da própria carne. Além
disso, isso não é exatamente relacionado, mas quando o curador ou o curado rejeitar a
magia, não será capaz de funcionar adequadamente e deixará uma cicatriz. Com isso, ma-
gias de nível inferior são mais propensas a deixar cicatrizes com o passar do tempo.”

“Entendo... a magia é bastante impressionante. Muito bem, continue.”

“Entendido. Eu devo começar a colhê-las de acordo com a idade e o sexo. Uma vez feito
isso, poderia me dizer qual idade de pele é mais adequada?”

“Vou deixar o Bibliotecário Chefe lidar com isso. A seguir, Victim.”

“Amas-znia. Mis. [Sim, Ainz-sama.]”

“Eu convoquei você aqui por apenas um motivo. Se algo inesperado acontecer, eu posso
precisar de você para nos proteger e aos outros Guardiões com sua habilidade... Peço
desculpas por isso, e prometo que vou ressuscitá-lo imediatamente. Espero que entenda.”

“Sohnimac sod ronem on omsem ,somerpuS sereS so raduja euq od mim arap airgela
roiam ah oan oatne ,etrom a e adiv ahnim ad ovitejbo o ,ossid melA .ovres ues uos meb-
mat ue ,lanifA .amas-zniA ,epucoerp es oan ,rovaf roP .ossi erbos uotnoc em aj egruimed.
[Demiurge já me contou sobre isso. Por favor, não se preocupe, Ainz-sama. Afinal, eu
também sou seu servo. Além disso, o objetivo da minha vida é a morte, então não há
maior alegria para mim do que ajudar os Seres Supremos, mesmo no menor dos cami-
nhos.]”

“Entendo... ainda assim, me perdoe.”

Victim engasgou de surpresa ao ver seu mestre se curvar a ele. Houve um olhar de per-
plexidade e choque em seu rosto.

“!Aireverta em oãn ue. [Eu não me atreveria!]”

“Se circunstâncias especiais surgirem, poderemos precisar matá-lo para evitar que o
inimigo escape. Mesmo nesse caso, espero que aceite que não te mataremos por maldade.
Você é um dos meus filhos amados e eu não desejo machucá-lo, mas todos nós podemos
sofrer se deixarmos um inimigo desconhecido fugir.”

“Seõçnetni saus ed etneic etnemanelp uotse .Amas-znia, racilpxe ed edadissecen áh oãn.


[Não há necessidade de explicar, Ainz-sama. Estou plenamente ciente de suas intenções.]”

“Há uma frase usada em um dos mecanismos de Nazarick. Diz o seguinte: “Ninguém tem
maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. Essa frase descreve você
com perfeição. Sou grato pelo seu amor.”

O olhar de Ainz moveu do Guardião que havia prometido sua lealdade à morte, e mudou
para outro Guardião.

“Próxima, Shalltear.”

Os ombros de Shalltear tremeram. Ela não esperava que fosse ser chamada, e sua res-
posta pareceu anormalmente alta.

“S-Sim!”

“...Vinde a mim.”

Ao contrário dos outros Guardiões, Shalltear era a única que tinha sido convocado para
o lado de seu mestre. Ela ficou de pé, surpresa e em pânico. Seu desconforto era clara-
mente aparente nas costas, e ela parecia um criminoso condenado sendo mandado para
quebrar pedras. Ainda assim, ela levantou a cabeça e empinou o peito, como se estivesse
caminhando para a glória.

Depois de subir os degraus, Shalltear imediatamente se ajoelhou a uma curta distância


diante do trono.

“Shalltear, gostaria de falar sobre o assunto que atormenta seu coração como um chicote
de espinhos.”
Enquanto seu mestre falava essas palavras, Shalltear imediatamente soube do que ele
estava falando, e seu rosto se encheu de vergonha e culpa.

“Ahhh! Ainz-sama! Por favor, por favor, me dê sua punição! Eu sou uma Guardiã, mas
ainda assim cometi um erro tolo! Por favor, me dê a punição mais severa possível!”

O gemido angustiado de Shalltear ecoou pelo Salão do Trono, e Cocytus se viu simpati-
zado com ela. Não, qualquer Guardião — na verdade, qualquer um que fosse feito pelos
Seres Supremos — seria capaz de entender como ela se sentia.

Mesmo que tivesse sido controlada pela mente, ela não poderia perdoar a si mesma por
ter apontado sua lança para um dos Seres Supremos.

“Entendo... então, Shalltear, venha até aqui.”

Quando ela ouviu seu mestre chamá-la, Shalltear lentamente rastejou em direção ao
Trono.

Ainz estendeu uma mão ossuda para Shalltear, cuja cabeça estava curvada diante do
trono, e gentilmente acariciou sua cabeça.

“Ai-Ainz-sama...”

Shalltear correu o risco quando nervosamente levantou a cabeça, quase morrendo de


medo.

“...Esse fracasso foi devido a um erro de cálculo da minha parte. Além disso, você estava
lidando com um Item World-Class, o que significa que estava em grande desvantagem.
Shalltear — Eu amo todos vocês que servem lealmente a Nazarick, vocês que foram cri-
ados do zero. Isso inclui você também. Você quer me forçar a te punir, alguém que não
tem pecado algum e a quem eu amo?”

O mestre desviou o olhar, como se estivesse desconfortável com a situação. Cocytus não
tinha idéia de onde seu mestre estava olhando, mas parecia ter falado baixinho. O rosto
de seu mestre era esquelético, de modo que não havia lábios que ele pudesse ler, mas
provavelmente dissera o nome de alguém.

“Oh, Ainz-sama! O-o senhor realmente disse que me ama!”

A voz comovida de Shalltear ecoou pelo corredor.

Cocytus estava atrás de Shalltear, então ele não podia ver seu rosto. No entanto, sua
atitude dizia tudo. Sua voz soou engasgada, enquanto seus ombros se contraíam.
Ele podia ver a outra mão de seu mestre gentilmente acariciando o rosto de Shalltear.
Estava segurando um lenço branco.

“Se acalme, se acalme, Shalltear. Não chore. Isso estragará sua beleza.”

Shalltear não respondeu. Ela simplesmente pressionou seu rosto — provavelmente seus
lábios — nas costas da mão acariciando seus cabelos.

Mare e Aura já estavam derramando lágrimas.

Demiurge também tocou no canto de seus olhos. Cocytus tinha um pouco de inveja da-
quelas que podiam chorar, e ele olhou ansiosamente para as costas de seus colegas total-
mente leais.

O que Shalltear mais temia era ser considerada inútil, encrenqueira e desleal, e além de
ser abandonada pelo Ser Supremo misericordioso que permaneceu com eles até o fim.

No entanto, seu mestre obliterou completamente esse desconforto.

Ele fez isso com a palavra “amor”.

Quão feliz Shalltear deve estar agora? Como alguém na mesma situação que ela — não,
sua própria situação era pior — Cocytus só podia vê-la em silêncio, com inveja desenfre-
ada em seus olhos.

“Então, Shalltear, você pode volt—”

“—Ainz-sama.”

Uma voz fria interrompeu as palavras do seu mestre. Cocytus olhou com raiva para Al-
bedo por seu desrespeito. E então, um arrepio de medo percorreu-o quando um punhado
de inquietação se curvou em seu coração.

“A entrega de castigos e recompensas apropriadas é um dos pilares do mundo. Eu sinto


que ela ainda deve ser punida.”

“...Albedo, você questiona minha decis...”

As palavras de seu mestre sumiram. Ele deve ter ficado incapacitado de falar por algum
motivo sobre o qual Cocytus não sabia nada. No final, foram as palavras de Shalltear que
influenciaram sua decisão final.

“Ainz-sama, eu concordo com o que a Albedo disse. Por favor, me castigue como achar
melhor. A chance de expressar plenamente minha lealdade também me encantaria.”
“...Compreendo. Eu o farei depois de decidir sobre a forma apropriada de punição. Você
pode voltar para o seu lugar.”

“Sim, Ainz-sama.”

Shalltear desceu as escadas, seus olhos já vermelhos estavam ainda mais vermelhos. Ela
retornou à sua posição original e curvou-se com uma devoção incomparável ao seu mes-
tre.

E então—

“Cocytus, Ainz-sama tem algo para lhe dizer. Preste muita atenção.”

O ar se encheu de tensão.

Era a vez dele agora.

A cabeça de Cocytus se curvou bem baixo. Aquela postura, que só lhe permitia ver o chão,
era uma clara demonstração de respeito, Cocytus o fez porque não tinha coragem de
olhar diretamente para o seu mestre.

“Eu vi a sua batalha com os Lizardmen, Cocytus.”

“Sim!”

“Acabou em derrota.”

“Sim! A. Culpa. Para. Esta. Falha. É. Toda. Minha, Por. Favor. Aceite. Minhas. Mais. Since-
ras. Desculpas. E. Eu. Rezo. Que. Permitira. Eu—”

O som do cajado atingindo o chão interrompeu o pedido de desculpas de Cocytus. Então,


a voz fria de Albedo fez seus órgãos auditivos tremerem.

“...Você está sendo muito rude com o Ainz-sama, Cocytus. Se você quiser se desculpar,
faça isso com a cabeça erguida.”

“Me. Perdoe!”

Ele levantou a cabeça e olhou para seu mestre, que estava sentado no topo da escada.

“...Cocytus, o que você tem a dizer como o general de um exército derrotado? Como você
se sente, já que não entrou em campo e simplesmente agiu como comandante?”

“Eu. Estou. Profundamente. Arrependido. De. Minha. Incapacidade. Para. Alcançar. A. Vi-
tória, Mesmo. Depois. De. Ordenar. As. Minhas. Próprias. Tropas. E. Com. A. Perda. Do.
Comandante. Elder. Lich. Que. O. Senhor. Pessoalmente. Criou, Ainz-sama.”
“Hm? Ah, posso conseguir undeads assim de qualquer lugar, então não é uma vergonha.
Não há necessidade de se preocupar com isso, Cocytus. O que eu quero perguntar é como
você se sentiu ao comandar uma batalha. Deixe-me tirar isso do caminho primeiro — eu
não pretendo culpá-lo por essa derrota.”

Os Guardiões e os vassalos atrás deles ficaram confusos com essas palavras, com exce-
ção de Albedo e Demiurge.

Então. O. Demiurge. Estava. Certo... Oh!

Cocytus percebeu que seu mestre estava prestes a continuar falando e se concentrou
apressadamente nele.

“Afinal, qualquer um pode falhar. Até eu.”

O ar no Salão do Trono ficou inquieto. Como na terra poderia o Ser Supremo, Ainz Ooal
Gown falhar? Na verdade, ele não havia cometido um erro até agora.

Em outras palavras, ele estava apenas dizendo isso para confortar Cocytus.

“No entanto, a questão é o que você aprendeu com essa batalha. Colocado de uma ma-
neira diferente, o que você acha que deveria ter feito para vencer, Cocytus?”

Cocytus começou a pensar em silêncio. Ele agora sabia o que tinha que fazer para vencer,
e assim falou livremente de suas próprias deficiências.

“Eu. Subestimei. Os. Lizardmen, Eu. Deveria. Ter. Sido. Mais. Cuidadoso.”

“Uhun. Com isso, não importa o quão fraco seja seu oponente, você não pode menos-
prezá-lo... Eu deveria ter deixado a Narberal ver essa batalha também. Mais alguma
coisa?”

“Sim, Eu. Não. Tinha. Informação. Suficiente. E. A. Partir. Desta. Batalha. Eu. Aprendi. Que.
Minhas. Chances. De. Vitória. Seriam. Certas. Se. Eu. Conhecer. A. Força. E. O. Terreno.
Inimigo.”

“Muito bom. Algo mais?!”

“O. Comandante. Era. Inadequado, As. Tropas. Dentro. Do. Campo. Eram. Undeads. De.
Baixo. Nível, Eu. Deveria. Estar. Acompanhando-os. Com. Comandantes. Que. Poderiam.
Adaptar. Para. As. Circunstâncias. E. Questões. Oportunas... Seria. Preciso. Ordens. Adici-
onais. Depois. De. Considerar. O. Armamento. Dos. Lizardmen. E. Atacado. Com. Zombies.
Para. Cansá-los. E. Manter. Os. Inimigos. Juntos... Então. Atacar. Todos. De. Uma. Vez.”

“Isso é tudo!?”
“...Minhas. Mais. Profundas. Desculpas, Mas. Isso. É. Tudo. Que. Eu. Posso. Pensar. Agora.”

“Não há necessidade de se desculpar. Você não disse nada de errado, e essa foi uma ex-
celente análise. Claro, há espaço para melhorias, mas parece que você aprendeu bastante.
Na verdade, eu esperava que você não precisasse consultar os outros e descobrir essas
falhas sozinho... mas isso ainda é aceitável. Então, por que você não fez todas essas coisas
antes?”

“...Eu. Não. Pensei. Isso. Antes, Senti. Que. Eu. Poderia. Sobrepujá-los. Com. Números.”

“Entendo. No entanto, você pensou isso depois que os undeads foram destruídos, não?
Muito bom! Contanto que você possa melhorar a si mesmo e evitar erros futuros, então
há sentido para essa derrota.”

Cocytus sentiu que seu mestre estava sorrindo.

“Existem muitos tipos de fracasso, mas o seu não é do tipo letal. Todos os undeads, ex-
ceto o Elder Lich, foram feitos automaticamente por Nazarick. Sua destruição não afeta
Nazarick de forma alguma. Em vez disso, se eles permitirem que um Guardião aprenda
algo e evite erros futuros, então essa falha é, na verdade, uma grande barganha.”

“Muito. Obrigado, Ainz-sama!”

“No entanto, o fato é que você foi derrotado. Assim, você deve ser punido como a Shall-
tear...”

Neste momento, seu mestre ficou em silêncio. Essa breve interrupção deixou Cocytus
desconfortável esperando o julgamento de seu mestre. Dito isso, ele ficou muito aliviado
agora que sabia que não decepcionara seu mestre. No entanto, o que ele ouviu em seguida
fez Cocytus congelar.

“Eu planejei originalmente que você se retirasse e agisse na retaguarda, mas acho que
será melhor assim. Cocytus, você irá pessoalmente apagar a mancha da sua vergonha...
em outras palavras, você vai exterminar os Lizardmen. Desta vez, você não tem permis-
são para pedir ajuda a mais ninguém.”

Se eles aniquilassem os Lizardmen e mantivessem a palavra de deixá-los em paz, então


isso não contaria como uma derrota para Nazarick.

Todos que viviam fora de Nazarick eram vistos como formas de vida inferiores, portanto
isso seria algo visto como uma honra a qualquer um dentro da Grande Tumba, enxu-
gando a vergonha de Nazarick com o abate. De fato, se este tivesse sido o Cocytus anterior,
ele teria aceitado essa ordem sem hesitação. Contudo—

Cocytus estremeceu.
Isso porque ele sabia o que essa ordem significava.

Ele inspirou e expirou várias vezes.

Assim que todos começaram a se perguntar por que Cocytus não havia respondido ao
comando de seu mestre, ele finalmente falou.

“Eu. Tenho. Um. Pedido. —Ainz-sama!”

O mundo parecia parar enquanto a atenção de todos repousava em Cocytus.

Cocytus era um Guardião, um dos seres mais poderosos e mais bem classificados de Na-
zarick. Havia poucas pessoas que estavam tão bem classificados como ele, mas mesmo
alguém como ele sentiu um calafrio percorrer seu corpo inteiro.

O arrependimento atravessava seu coração como uma avalanche, mas já era tarde de-
mais.

Já que ele disse isso, não havia como voltar atrás.

Cocytus tinha olhos compostos e, portanto, um campo de visão muito amplo, mas de sua
postura curvada, ele não conseguia ver o rosto de seu mestre. Esse era o único consolo
que ele tinha. Se seu mestre exibisse qualquer raiva ou desagrado, Cocytus estaria tre-
mendo tanto que não seria capaz de fazer nada.

“Por. Favor. Ouça. Meu. Clamor, Ainz-sama!”

Antes que seu mestre pudesse responder, alguém interrompeu Cocytus.

“Como você ousa!”

Era Albedo. Seu grito ensurdecedor rugiu como um trovão, cheio da gravidade que con-
vinha a Supervisora Guardiã. Cocytus estremeceu, como uma criança sendo repreendida
por sua mãe.

“Que direito você tem de pedir algo ao Ainz-sama depois de manchar a glória de Naza-
rick com a derrota? Que audácia!”

Cocytus permaneceu em silêncio. Ele estava determinado a não levantar a cabeça até
que seu mestre o reconhecesse. Ele permaneceria como estava mesmo se Albedo o mar-
telasse com toda a força de sua ira.

“Apresse-se e—”
No entanto, uma voz masculina calma dispersou o rugido de Albedo como névoa na luz
do sol.

“—Tudo bem, Albedo.”

Seu mestre se repetiu, para acalmar a chocada Albedo.

“Levante sua cabeça, Cocytus. Você poderia me dizer o seu pedido?”

Não havia raiva naquela voz, o que só tornava mais assustador. O medo que Cocytus
sentia era como ver o fundo de um lago límpido e saber que estava prestes a ser sugado.

O equipamento de Cocytus concedeu-lhe resistência ao medo e efeitos que afetam a


mente, provenientes de fontes externas. Portanto, o medo que o assaltava agora brotava
de dentro de seu próprio coração.

Depois de engolir — para ser preciso, seria como engolir veneno — Cocytus levantou
lentamente a cabeça e olhou para seu mestre e governante.

Pontos de fogo vermelho brilhante dançaram dentro das órbitas vazias de seu mestre.

“Novamente, você pode me dizer o seu pedido?”

Ele não podia falar. Ele tentou várias vezes, mas as palavras ficaram presas na garganta
e nada saiu de sua boca.

“Algum problema? Cocytus?”

Um pesado silêncio encheu o ar.

“...Eu não estou com raiva de você. Eu apenas desejo saber o que você está pensando e o
que você está pedindo.”

O tom era gentil, como se tentasse aplacar uma criança quieta. Diante disso, Cocytus
finalmente conseguiu falar.

“Eu. Me. Oponho. Ao. Extermínio. Dos. Lizardmen. E. imploro. Para. Que. Mostre. A. Eles.
Sua. Misericórdia, Ainz-sama.”

Depois dessa afirmação simples e direta, Cocytus pensou que o ar estava tremendo. Não,
na verdade estava tremendo.

A maior fonte disso veio de frente para ele — da intenção assassina de Albedo, seguida
pelo titubear dos corações dos outros Guardiões. Em contraste, Demiurge e seu mestre
pareciam tão calmos quanto a água parada.
“...Cocytus, você tem noção do que está dizendo?”

O tom gélido e assassino de Albedo fez Cocytus estremecer, apesar de sua imunidade ao
frio.

“Ainz-sama ordenou que você exterminasse os Lizardmen para expiar seus pecados,
mas você negaria a sua vontade, como o culpado... Cocytus, Guardião do Quinto Andar,
você está com medo dos Lizardmen?”

Ela parecia que estava zombando dele, mas Cocytus não podia responder com nada.

A atitude de Albedo era apenas de se esperar. Se ele estivesse no lugar dela, Cocytus
estaria muito bravo também.

“Por que você não fala—”

O que silenciava Albedo não era o som da fala, mas o som de uma colisão. Foi o impacto
agudo do cajado contra o chão.

“Fique quieta, Albedo. Estou fazendo uma pergunta a Cocytus. Contenha-se.”

“Minhas mais profundas desculpas! Eu imploro seu perdão!”

Albedo fez uma reverência e retornou a sua posição de origem.

O mestre de Cocytus virou para transfixar ele com um olhar aguçado. Não houve leitura
de sua expressão. Parecia que ele estava cheio de raiva, mas ao mesmo tempo ele parecia
bastante confuso.

“Então, Cocytus, esse pedido tem algum benefício para a Grande Tumba de Nazarick?
Conte-me.”

“Sim! No. Futuro. Eles. Poderiam. Procriar. Poderosos. Guerreiros... Sendo. Assim, Seria.
Uma. Pena. Destruí-los, Isso. É. Tudo. Que. Posso. Submeter... Eles. Parecem. Ter. Forte.
Instinto. De. Lealdade. E. Meu. Instinto. Diz. Que. Podem. Nascer. Lizardmen. Fortes. Entre.
Eles, Quando. Aparecerem. Podemos. Usa-los. Como. Asseclas.”

“... Essa é uma boa idéia. Há pouca diferença nos níveis dos undeads feitos dos cadáveres
de Lizardmen comparados àqueles feitos com cadáveres humanos. Não há necessidade
de se preocupar com os cadáveres dos Lizardmen se conseguirmos recuperar eficiente-
mente os corpos enterrados em E-Rantel.”

Assim que Cocytus estava prestes a continuar, ele sentiu que seu mestre ainda não havia
terminado. O desconforto dentro de seu coração tomou forma material.
“No entanto, os undeads que eu faço com cadáveres de Lizardmen serão mais econômi-
cos. Já que assim podemos ter certeza de sua lealdade, além de não termos que nos pre-
ocuparmos com sua proteção e alimentação. A única vantagem que posso ver nos Lizar-
dmen, é que eles vão aumentar a população naturalmente e esse aumento levará muito
tempo para ser visto... Diga-me se estou esquecendo alguma coisa. Há alguma vantagem
suficientemente convincente que eles possuam?”

Se Cocytus pudesse persuadir seu misericordioso mestre, seu desejo poderia se tornar
realidade. No entanto, Cocytus não conseguia pensar em nada.

Ele sempre pensou em si mesmo como uma arma para ser usada por seu mestre. Como
resultado, ele nunca havia pensado por conta própria antes, e por isso não conseguia
convencer seu mestre. Ele não havia considerado o que fazer para beneficiar o grupo.

Além disso, seu mestre desejava ganhos para a Grande Tumba de Nazarick. Cocytus não
queria exterminar os Lizardmen porque tinham seres extraordinariamente brilhantes
entre eles. Em outras palavras, ele queria poupar os Lizardmen porque queria poupar
aqueles talentosos. Essa foi uma consideração pessoal, sem prestar atenção ao quadro
maior.

O coração de Cocytus queimava de ansiedade.

Se ele desagradasse ou enfurecesse seu silencioso mestre, essa chance miraculosa de


fazer uma sugestão seria em vão, deixando-o com a ordem de exterminar os Lizardmen.

Ele atormentou seu cérebro o mais forte que pôde, mas não conseguiu encontrar uma
resposta.

“O que aconteceu, Cocytus? Não consegue pensar em nada? Então será a exterminação,
correto?”

Foi a mesma pergunta de antes.

A mente de Cocytus estava completamente vazia. Sua boca parecia que pesava uma to-
nelada, e seus pensamentos simplesmente giravam em círculos.

Um silencioso murmúrio filtrou-se pelo silencioso Salão do Trono:

“...Certo... Que pena.”

Assim que aquelas palavras de arrependimento sussurrado ameaçavam esmagar a res-


piração de Cocytus, ele foi ajudado por uma voz calma.

“Ainz-sama, por favor, permita-me interpor.”

“...O que é Demiurge? Algum problema?”


“Sim. Diz respeito à decisão que o senhor tomou agora, Ainz-sama. Se te agrada, posso
ter permissão para fornecer minha humilde opinião?”

“...Claro, prossiga.”

“Sim! Ainz-sama, tenho certeza de que entende a importância dos experimentos. Por-
tanto, não deveríamos também usar os Lizardmen para experimentos?”

“Oh, interessante, especifique.”

Cocytus imaginou que quando seu mestre se inclinou para frente de seu trono, seus
olhos vermelhos encontraram os seus por uma fração de segundo.

“Sim. Para começar, independentemente de como acabe Nazarick, no final, precisare-


mos reunir várias forças ou exercer controle sobre várias espécies. Seu humilde servo
alega que, quando chegar a hora, haverá uma grande diferença nos resultados, depen-
dendo de termos realizado ou não experimentos em governabilidade.”

Demiurge endireitou-se ainda mais, olhando seu mestre — que estava sentado em seu
trono — diretamente nos olhos, e fez seu resumo.

“Eu sinto que devemos assumir o controle da aldeia Lizardman e realizar experimentos
em governar sem o uso do medo.”

O toque estridente do cajado batendo no chão ecoou por toda parte.

“...Uma excelente sugestão, Demiurge.”

“Estou profundamente grato.”

“Então, vou fazer uso da sugestão de Demiurge sobre os Lizardmen. Eles não devem ser
exterminados, mas subjugados. Existem objeções? Levantem suas mãos se houver.”

Os olhos vermelhos olharam todos os Guardiões.

“...Parece que não há nenhum. Então está decidido.”

Todos se curvaram em reconhecimento.

“Dito isto, sua sugestão foi bastante notável, Demiurge. Muito impressionante.”

Demiurge sorriu.

“Eu não ousaria, Ainz-sama. Eu imagino que o senhor já tinha isso em mente, mas estava
apenas esperando que o Cocytus dissesse.”
Seu mestre não respondeu, apenas sorriu amargamente. No entanto, a atitude de seu
mestre dizia tudo.

Cocytus sentiu que seu corpo tinha ficado frouxo de repente.

Ele sofrera uma derrota ignominiosa enquanto comandava os gloriosos exércitos de Na-
zarick. Ele se opôs aos desejos do seu mestre sem preparar quaisquer outras alternativas
à sua vontade. Como ele poderia descrever seu desempenho? Ele tinha sido tão—

Incompetente.... Afinal. Quão. Incompetente. Eu. Sou?

“...Não, não há nada do tipo, Demiurge. Você me elogia muito. Eu estava apenas espe-
rando que vocês expressassem suas opiniões, independentemente do que sejam”

O olhar de seu mestre mudou novamente, focando em Cocytus por mais tempo. Ele en-
tendeu o que seu mestre estava sugerindo, mas não conseguiu baixar a cabeça.

“O mais importante é entender o verdadeiro significado de minhas ordens. Depois de


fazer isso, devem executar a ação mais apropriada. Ouçam bem, Guardiões. Não sigam
cegamente as ordens. Vocês devem pensar antes de agir e considerar como Nazarick
pode prosperar com suas ações. Se vocês acharem que suas ordens estão erradas, ou se
você tem uma alternativa melhor, então vocês devem dizer a mim ou a quem propor as
idéias. Então — Cocytus, acredito que disse que ia punir você, não é verdade?”

“Sim... Me. Ordenou. Exterminar. Os. Lizardmen.”

“De fato. Agora, porém, não os destruiremos, mas os colocaremos sob nosso domínio.
Como resultado, alterarei sua punição. Você governará os Lizardmen, e você incutirá uma
lealdade profundamente enraizada a Nazarick dentro deles. Você está proibido de go-
verná-los com medo. Em vez disso, você transformará os Lizardmen em um modelo de
governança sem uso do medo.”

Cocytus nunca tinha assumido uma responsabilidade tão pesada antes — não, entre os
Guardiões, apenas Demiurge teve esse tipo de experiência.

Vai. Ser. Difícil. Concluir. Essa. Missão. Sozinho.

Esse pensamento apareceu brevemente na mente de Cocytus, mas como ele poderia ad-
mitir tal fraqueza agora? Ele não podia dizer tais coisas para o governante compassivo a
quem ele devia a sua fidelidade, ou para o colega que lhe emprestara uma mão amiga.

“Entendido. Eu. Tenho. Minhas. Preocupações. Assim. Eu. Precisarei. Pedir. Conselhos.
De. Outros.”
“Claro. Além disso, esse assunto exigirá recursos consideráveis, rações e mão de obra.
Nazarick fornecerá isso.”

“Muito. Obrigado! Eu, Cocytus, Garanto. Que. Vou. Mostrar. Bons. Resultados. E. A. Mise-
ricórdia. Que. Demonstrou. Não. Será. Em. Vão, Ainz-sama!”

Cocytus finalizou emocionado.

“Muito bem. Então, ordeno que todos os Guardiões saiam. Uma equipe servirá como dis-
trações, enquanto outra demonstrará nosso poder e mostrará aos Lizardmen que nossa
força não está limitada ao que eles viram. Claro, se você acha que isso pode afetar sua
regência futura, eu posso rescindir essa ordem, Cocytus.”

Cocytus pensou cuidadosamente sobre o assunto e depois respondeu:

“Eu. Sinto. Que. Isto. Não. Causará. Qualquer. Problemas.”

“Entendo. Então, todos os Guardiões, preparem-se para sair.”

Em uníssono, os Guardiões aqui reunidos indicaram seu assentimento.

“Albedo, irei junto. Prepare nossas forças.”

“Entendido. Depois de considerar que podemos ter inimigos que gostam de nos espio-
nar, posso presumir que isso tem a intenção de enganá-los sobre nossas verdadeiras in-
tenções?”

“Basicamente. No entanto, não se esqueça de que devemos impor medo nos corações de
quem se opuser.”
[Guardas V e l h o s ]
“Então, talvez possamos enviar os O l d Guarders de Nazarick como o corpo principal de
nossas forças, para que elas pareçam mais impressionantes.”

Cocytus concordou com a resposta de Albedo.

Havia um tipo de guarda undead chamada de Old Guarder.

Os Old Guarder de Nazarick eram sentinelas undeads de alto nível que só eram encon-
tradas dentro da Grande Tumba de Nazarick. Eles empunhavam armas com todos os ti-
pos de efeitos mágicos e eram equipados com armaduras e escudos encantados. Além
disso, eles possuíam muitas habilidades refinadas de combate, tornando-os excelentes
sentinelas undeads.

“Deve ficar legal. Quantos deles estão lá?”

“Eles são em três mil.”


“Parece que precisamos de mais. Vai ser difícil transmitir o efeito de choque desejado
com esses números... Nosso objetivo é ganhar uma vitória completa e assustar aqueles
que subestimam Nazarick. Se colocarmos menos tropas do que antes, isso não significará
nada, então eu gostaria de implantar pelo menos o dobro das forças do engajamento an-
terior. Que outras forças podemos usar?”
[Gu ar das A n c i õ e s ] [Guardas M e s t r e s ]
“Então, que tal mobilizar os Elder Guarders e os Master Guarders? Assim teremos seis
mil.”

Como esperado da Supervisora Guardiã, Albedo respondeu de maneira suave e imediata.


A resposta de Ainz foi simples e clara.

“Excelente! Então, houve algum problema na ativação do Gargantua?”

“Não, Ainz-sama. Não houve problemas em sua ativação.”

“Então, use 「Gate」 para enviar nossas forças.”

“No entanto, minha mana pode acabar se eu tiver que fazer isso sozinha.”

“Peça a Pestonya para ajudar. Peça-lhe que transfira mana para você. Se isso não for
suficiente, peça ajuda a Lupusregina.”

“Entendido.”

“Depois disso, transfira a grade de aviso para Nigredo e Pandora’s Actor em meu lugar.
Isso vai enfraquecer nossa vigilância sobre o Sebas... mas isso significa apenas que preci-
samos nos concentrar na observação física. Muito bem! Então, continue, todos. Amanhã,
mostraremos aos Lizardmen o poder da Grande Tumba de Nazarick.”

Parte 2

“Obrigado. Demiurge.”

Depois que seu mestre saiu, a primeira coisa que Cocytus fez foi expressar sua gratidão
a Demiurge. Demiurge respondeu ao Cocytus profundamente curvado com o mesmo sor-
riso sereno de sempre.

“Não, não há necessidade de agradecimento.”

“Como. Não? Sem. Sua. Ajuda. Os. Lizardmen. Seriam. Exterminados.”


“...Cocytus, eu acredito que a razão pela qual o Ainz-sama aprovou sua sugestão foi por-
que o Ainz-sama havia previsto tal desenvolvimento.”

Enquanto Demiurge entregava seu somatório com um dedo levantado, um suspiro as-
sustado ecoou pelo ar. O som parecia ter vindo de si mesmo, ou dos Guardiões ao seu
redor.

“Em outras palavras, eu acredito que o Ainz-sama antecipou que você diria tal coisa. Foi
por isso que ele te mandou para a aldeia Lizardman. Eu senti que era o caso porque o
Ainz-sama parecia mais feliz em ouvir você se opor à destruição da aldeia dos Lizardmen.
Em contraste, ele parecia muito desapontado quando você não conseguia abrir uma so-
lução alternativa.”

“Você. Quer. Dizer. Que. O. Ainz-sama. Estava. Decepcionado. Porque. Não. Consegui. Ela-
borar. Minha. Sugestão?”

“Precisamente. Em outras palavras, até a conversa que estamos tendo agora poderia ter
sido prevista pelo Ainz-sama.”

“Como. Esperado. De. Ainz-sama, Ele. Tem. Planejado. Tudo. Com. Meticulosa. Perfeição.”

“M-mas, a-ah...”

“...Desembucha.”

Aura num tom severo de voz pediu ao irmão mais novo, Mare, para falar.

“Ah, s-sim. Ah, eu estava me perguntando por que ele havia enviado undeads tão fracos
no começo. Ah, ah... ta-talvez... Ainz-sama tenha planejado que o ataque falhasse desde o
começo...”

“Bem, ao invés de dizer que ele planejou ser derrotado, não é mais como se nosso mestre
tivesse antecipado que Cocytus teria investigado a força dos Lizardmen e então mencio-
nado que a vitória poderia estar incerta?”

Um profundo sentimento de vergonha caiu sobre Cocytus quando ele se lembrou de sua
troca de mensagens com Demiurge naquela época. Afinal, ele havia estragado todo o
plano.

“Ele não poderia ter inventado algo assim se não compreendesse Cocytus tão bem. Bem,
assim que o Ainz-sama é...”

“Embora já tenhamos visto a extraordinária destreza em ser um guerreiro durante a


batalha com Shalltear, e ainda pensar que ele também possuía um talento extraordinário
como um estrategista. Eu não posso deixar de me prostrar diante dele em reverência.
Mesmo o Ainz-sama dizendo o contrário, sinto que nada pode dar errado se simples-
mente obedecermos às ordens de Ainz-sama...”

“Ele é realmente incrível ~arinsu. Ele realmente faz jus ao nome daquele que uniu todos
os Seres Supremos.”

Shalltear animadamente acrescentou seu próprio elogio depois do Demiurge. Os outros


Guardiões concordaram com a cabeça.

♦♦♦

Depois de voltar ao seu quarto, Ainz pulou em sua cama. Ele pairou brevemente no ar
antes que seu corpo afundasse na cama — e então ele começou a rolar.

Ele rolou para a direita e depois rolou para a esquerda.

A cama era grande o suficiente para ele fazer isso.

Seu manto luxuoso estava amassado depois disso, mas Ainz não prestou atenção, rindo
baixinho enquanto ele rolava. A razão pela qual Ainz estava fazendo uma coisa tão infan-
til era porque não havia ninguém nesta sala além dele.

Logo, Ainz satisfez seu desejo infantil pelos lençóis macios. Ele então deitou e olhou para
o teto.

“Ahhh, estou tão cansado... ah, quero relaxar e ficar bêbado... embora não possa fazer
isso agora.”

Depois de reclamar para o nada, ele suspirou profundamente — embora Ainz não pu-
desse respirar, então ele estava apenas passando pelos movimentos.

Ainz era undead, então o esgotamento físico e mental era um conceito estranho para ele.
No entanto, em termos humanos, ele passou todos os dias trabalhando duro no último
mês. Se ele tivesse estômago, estaria em ruínas agora.

Ainz estava atualmente cheio de estresse.

O guerreiro Momon havia derrotado a Vampira de cabelos prateados — Shalltear. Tal-


vez alguém que não estivesse em plena posse dos fatos pudesse pensar que era simples-
mente impressionante, mas para a pessoa misteriosa que usara um Item World-Class em
Shalltear, isso significaria outra coisa. A oposição pode estar de olho em Ainz, ou eles
podem tentar fazer contato com ele.

Portanto, Ainz passou seus dias em estado de alerta, com muitos itens em espécie pron-
tos para que ele pudesse fugir a qualquer momento. Durante seu tempo livre, ele se en-
tregou a um pouco aos devaneios — ou exercitar imaginação se assim preferir — e estu-
dou se ele seria capaz de escapar se o inimigo viesse buscá-lo, enquanto ao mesmo tempo
reunisse informações sobre seu inimigo.

Essa vida cotidiana pouco afetaria Ainz Ooal Gown, mas cansou os remanescentes de
sua humanidade — da personalidade de Suzuki Satoru. A razão pela qual ele se entregava
ao comportamento imaturo quando estava sozinho e tinha tempo livre era provavel-
mente um sinal de que Suzuki Satoru estava sob muito estresse, escondido sob a fachada
de Ainz.

“Não me lembro de trabalhar sem descanso ou dormir igual agora... imagine quantas
horas extras receberia este mês?”

Talvez essa reclamação tivesse vindo da personalidade de Suzuki Satoru sobrepujando


a de Ainz.

“A Grande Tumba de Nazarick... não, Ainz Ooal Gown... não é uma corporação comum.
Como um empreendimento conjunto, devemos ser uma empresa ética, por isso devemos
pagar a todos os funcionários as horas extras que lhes são devidas...”

Depois de choramingar para si mesmo assim, Ainz franziu as sobrancelhas inexistentes.

“Hm? ...Será que não tenho direito a horas extras porque já tenho subsidio de moradia?
Uwah...”

Ainz rolou de novo e congelou depois de meia dúzia de iterações.

“Tudo bem... já pensei muita inutilidade por um dia... Enfim, estou realmente impressi-
onado que o Cocytus realmente disse algo assim.”

Foi uma grande surpresa. Pensar que Cocytus realmente sentia simpatia pelos Lizard-
men.

Na verdade, as ações de Cocytus foram uma grande dor de cabeça para Ainz.

Suzuki Satoru era o tipo de pessoa que pesquisaria exaustivamente suas fontes e regur-
gitá-las-ia por rotina quando convocado a fazer um briefing. Portanto, ele não estava
acostumado a lidar com coisas inesperadas. No entanto, contanto que fosse anotado em
suas anotações, ele poderia usá-las para lidar com isso. Em outras palavras, o sucesso
dos briefings de Suzuki Satoru baseou-se em quanta pesquisa ele fez e em como poderia
usá-lo para responder às circunstâncias. Ele era extremamente inepto ao lidar com situ-
ações que exigiam adaptabilidade; na verdade, ele as odiava.

Ele não pôde trazer suas anotações para o Salão do Trono e dizer: “Ah, por favor, vamos
a próxima página”. Portanto, Ainz ensaiara mentalmente os eventos no Salão do Trono
dez vezes antes. Ao fazê-lo, ele rezou para que ninguém fizesse nada de surpreendente.
E então, Cocytus quebrou aquele pequeno desejo dele.

Ele estava extremamente preocupado com o que Cocytus diria, mas ele também estava
muito feliz.

Essa era a alegria que um pai poderia ter — como se uma criança até então dócil e obe-
diente tivesse expressado sua própria opinião pela primeira vez. O importante era que o
crescimento de Cocytus havia excedido em muito as expectativas de Ainz.

Quando Ainz voltou a Nazarick mais cedo, ele pediu a uma das empregadas para cozi-
nhar algo — um bife. Talvez ela precisasse praticar se isso se tratasse do cozimento e
outros pontos importantes da refeição, ainda assim, Ainz não tinha expectativas tão altas
quanto ao bife. Também não queria comida que oferecesse bônus, como as comidas em
YGGDRASIL. Tudo o que ele queria era algo comestível.

No entanto, o resultado só poderia ser descrito como um pedaço de carvão.

Não importa quantas vezes a empregada praticasse, ela só podia fazer pedaços de carne
queimada.

Ainz aceitou esse resultado quando aceitou as sinceras desculpas da empregada. Afinal,
era o mesmo que ele tentando equipar uma greatsword usando seu manto.

Em YGGDRASIL, era necessário ter habilidades especializadas para fazer comida. Era de
se esperar, já que comida e bebida poderiam conceder bônus especiais quando consumi-
das. No entanto, essa empregada não possuía essas habilidades.

Em outras palavras, se alguém não tivesse as habilidades adequadas para realizar uma
tarefa, isso terminaria em fracasso.

A questão de Cocytus também foi uma espécie de experimento. Ainz queria ver se os
personagens finalizados como ele e os NPCs poderiam aprender algo novo. Este experi-
mento foi projetado para ver se eles poderiam crescer forçadamente aprendendo táticas
e estratégias.

Ele havia dado o comando de Cocytus sobre os undeads fracos porque ele achava que
seria capaz de aprender mais com a derrota deles.

No final, Ainz ficou satisfeito com os resultados. Cocytus mostrou a Ainz que ele tinha a
possibilidade de crescimento.

Claro, havia uma enorme diferença entre teoria e prática.


O próximo objetivo de Ainz era dominar completamente os detalhes do funcionamento
da magia neste mundo — se algo assim realmente existisse. Atualmente, Ainz ainda não
tinha certeza se a magia era uma habilidade ou conhecimento.

No entanto, esse experimento mostrou que o conhecimento de alguém ainda pode cres-
cer.

Cocytus havia provado a possibilidade desse desenvolvimento. Ele tinha feito muito
bem.

Ainz pensou.

A falta de crescimento era equivalente à estagnação. Mesmo se ele fosse poderoso agora,
ele poderia ser superado um dia.

Mesmo que ele tivesse uma vantagem de 100 anos em tecnologia militar, ele ainda per-
deria sua vantagem se não continuasse melhorando. Poderia haver uma nação forte por
perto, mas eles seriam tolos se assumissem que sempre seriam uma nação forte sem bus-
car por melhorias.

“Bem, eu acho isso... mas enquanto estou feliz que as crianças cresceram, também estou
preocupada se sou um governante que é digno da lealdade deles...”

Ainz olhou para o véu da cama enquanto ele murmurava isso.

“Ahhh, é tão assustador, estou com tanto medo...”

Os remanescentes da personalidade de Suzuki Satoru lamentaram o medo do desconhe-


cido.

O crescimento era mudança. Então, quem poderia garantir que sua lealdade absoluta
não mudaria? Mesmo que isso não acontecesse, ele ainda temia que um dia eles o consi-
derassem indigno de ser o governante da gloriosa Nazarick. Ele temia ser forçado a sair
de sua posição como Chefe de Guilda.

“...Eu tenho que me tornar um líder que os Guardiões vão querer seguir... Por que não
há alguém para me ensine os passos de um governante...”

Provavelmente não havia ninguém em Nazarick que fosse designado para tal propósito.

Quando Ainz caiu em contemplação, ele pensou em duas pessoas, dos Cinco Piores de
Nazarick. Um deles era Kyouhukou, que possuía o título de Duque, e o outro era Gashoku-
kochuuou, que tinha o título de Rei. Ainz se perguntou se poderia pedir que eles o ensi-
nassem, mas chegou a uma resposta simples e sucinta.

“...Nem pensar.”
Ele não queria aprender com eles a menos que não tivesse outra escolha.

“Esqueça... desde que eu não faça nada de muito errado, não precisarei me aposentar.
Mas ainda assim... sim, sobre aquelas ovelhas de duas pernas...”

Ainz já tinha imaginado a verdadeira identidade das ovelhas de duas pernas, razão pela
qual ele não havia perguntado sobre sua aparência. Eles eram monstros que ele tinha
visto em YGGDRASIL antes.

“Eles têm as cabeças de um leão e uma cabra e uma cauda de serpente. Suas patas são
de leões e seus pés são de cabras. Eles são Chimeras...”

Em YGGDRASIL, Chimeras andavam sobre duas patas, atacando com patas de leão, que
serviam de armas. Cada um deles tinha duas cabeças, uma de leão e outra de cabra. Isso
porque esses monstros eram baseados nos dados visuais de monstros conhecidos como
Baphomets.

Então, por que Demiurge não disse simplesmente que eles eram Chimeras? Ainz teve
suas dúvidas, mas ele também teve uma resposta.

“Em outras palavras, eles são Chimeras mutantes. Não é, Demiurge?”

Ainz riu, e então acrescentou uma nota mental à sua opinião sobre Demiurge: Ele tem
um terrível senso de nomeação.

“Bem, as Chimeras em YGGDRASIL pareciam meio... não, Chimeras que se parecessem


com peixes seriam meio nojentas. Então essas ovelhas de duas pernas são uma nova raça
de Chimeras... que as torna Chimeras do Reino Sacro... pode ser bom trazer uma delas
para Nazarick. E o Victim... hm.”

Victim parecia exatamente como Ainz se lembrava, mas uma coisa se destacava em sua
mente.

“A linguagem que ele está usando... é o enoquiano, a linguagem dos anjos? Parece que
ele está dizendo algo completamente diferente...”

Era traduzido automaticamente, então Ainz não sabia que tipo de linguagem ele estava
usando, mas parecia estranho para ele. Claro, isso pode ser porque Ainz não conhecia
enoquiano.

“Esquece, não vou me preocupar com isso. Tudo bem, já é hora de começar...”

Ainz rolou de novo. Ele parou quando estava de barriga para baixo, para verificar algo
que o incomodava desde então.
Ele pressionou o rosto na cama e fungou.

Ainz não tinha pulmões, então ele estava apenas passando pelos movimentos. Estranha-
mente, ele podia sentir o cheiro de algo.

“Este é o cheiro de flores... alguém borrifou perfume na cama? As camas dos ricos são
assim? Isso é bastante surpreendente... talvez eu devesse ter isso em mente quando eu
fingir ser rico, então? Uhun...”

Parte 3

Havia uma habilidade conhecida como 「Danger Perception」.

Entre aventureiros, aqueles com níveis em Ladino e aqueles com habilidades sensoriais
valorizavam essa habilidade. Como o nome indicava, permitia que o usuário percebesse
o perigo.

Havia duas variações principais dessa habilidade. Um tipo desconsiderava a lógica e a


análise, tomando decisões precipitadas com base nas percepções de uma pessoa. A outra
era o produto do raciocínio e dedução experimentados. O proverbial sexto sentido e in-
tuição pertenciam à primeira categoria, enquanto aqueles que captavam traços sensori-
ais minúsculos e observavam mudanças no ambiente caíam na última categoria.

A pessoa naturalmente aprenderia o segundo tipo quando estivesse no campo de bata-


lha ou viajando sozinha, mesmo sem dedicar tempo para aprimorá-la. Era uma forma de
experiência adquirida por estar em ambientes perigosos.

Os Lizardmen eram superiores aos humanos nesse aspecto. Isso porque suas habilida-
des biológicas — seus sentidos — eram mais afiados porque viviam em condições mais
hostis. Um ser humano normalmente vivia em um lugar seguro que estava longe de
monstros, mas os Lizardmen geralmente tinham monstros como vizinhos.

No caso de Zaryusu, ele era um viajante e, portanto, costumava fazer viagens longas e
solitárias. Assim, ele poderia avaliar com precisão as mudanças no ar e no estado de es-
pirito de algo.

Seus olhos se abriram quando ele sentiu uma tensão se filtrando pelo ar.

A visão familiar da sala — embora ele só tivesse vivido lá por alguns dias — cumpri-
mentou-o. Por mais próximo que um humano olhasse, eles não seriam capazes de enxer-
gar dentro do interior sem luz, mas isso não era um problema para os Lizardmen.

Não havia nada incomum sobre a sala.


Zaryusu olhou ao redor e soltou um suspiro de alívio depois de se certificar de que não
havia nada incomum ao redor. Ao mesmo tempo, ele se sentou.

Como um excelente guerreiro, Zaryusu podia passar do estado de sono para completa-
mente acordado em um instante. Seus olhos não seriam sobrecarregados pelo sono —
ele poderia acordar pronto para o combate.

Isso também foi relacionado ao hábito de sono leve deste Lizardman.

No entanto, Crusch não mostrou sinais de mexer-se de onde ela estava dormindo ao lado
dele.

Tudo o que ela fez foi gemer baixinho quando ela foi privada do calor de Zaryusu.

Em circunstâncias normais, Crusch deveria ter percebido a mudança no ar e acordado


de seu sono. No entanto, ela não parece ter feito isso.

Um sentimento de arrependimento encheu Zaryusu — ele havia colocado muito peso


em Crusch?

Quando ele recordou a noite de ontem, ele sentiu que talvez o fardo de Crusch fosse
maior do que o seu. Parece que a fêmea Crusch estava sob mais pressão do que o macho
Zaryusu durante o processo de derrotar o Elder Lich.

Ele gostaria que ela continuasse dormindo, mas, ouvindo atentamente, ouviu os sons de
muitos Lizardmen correndo ao redor. Em uma emergência como essa, seria mais peri-
goso deixá-la dormir do que acordá-la.

“Crusch, Crusch.”

Zaryusu sacudiu Crusch várias vezes, usando alguma força.

“—Hm? Mmm...”

Depois de contrair a cauda, ela abriu os olhos vermelhos.

“—Hm? Uuuu...?”

“Parece que algo aconteceu.”

Aquelas palavras tiraram um Crusch do estado de meio adormecido para à plena vigília.
A Frost Pain jazia ao lado, depois de segurá-la, levantou-se, seguido por Crusch.

Os dois foram para fora e imediatamente perceberam a origem da perturbação.

O céu acima da aldeia estava coberto por uma espessa camada de nuvens escuras.
Quando olharam ao longe, perceberam que essas nuvens eram diferentes das nuvens
comuns, porque o céu à distância era limpo e nítido.

Em outras palavras, isso significava que—

“Eles estão vindo de novo?”

Um sinal de outro ataque inimigo.

“Parece que sim.”

Crusch concordou com sua avaliação. Debate eclodiu entre os Lizardmen das Cinco Tri-
bos, enquanto olhavam para o céu nublado. No entanto, não havia medo em seus rostos.

Isso porque eles alcançaram a vitória mesmo nessas terríveis circunstâncias, e isso os
tornou mais fortes.

Os dois correram para o portão principal da aldeia, acompanhados pelo som de salpicos
de água e lama. Eles passaram por vários Lizardmen se preparando para a batalha, e che-
garam ao seu destino em pouco tempo.

Havia muitos Lizardmen guerreiros reunidos no portão principal, e todos estavam


olhando para fora. Havia alguns rostos familiares entre eles, incluindo Zenberu, que ha-
via lutado e sangrado com eles, e o chefe da Small Fang estava também ao seu lado.

Zenberu acenou para os dois enquanto avançavam para frente, e então sacudiu o queixo
para indicar que deviam olhar para fora do portão.

Zaryusu e Crusch ficaram ao lado de Zenberu e olharam nessa direção.

Diante deles, do outro lado da fronteira entre o pântano e a floresta, havia fileiras de
Skeletons.

“Então eles vieram de novo.”

“Hm...”

Zaryusu estalou a língua depois de responder a Zenberu.

Eles esperavam algo assim, mas isso foi muito rápido. Eles pensaram que as pesadas
perdas que infligiram a oposição levariam algum tempo para serem repostas.

Como mostrado aqui, eles estavam completamente errados. O inimigo deles realmente
mobilizou um exército grande em pouquíssimo tempo.
“...Só que, eles devem ser mais fracos do que os Skeletons que o Elder Lich conjurou.”

Havia um significado oculto para essas palavras. Zenberu estava sugerindo que os Skele-
tons diante deles eram mais fortes que os numerosos Skeletons de antes.

Zaryusu manteve os olhos treinados no exército diante deles. Isso era para entender a
força de seus oponentes e preparar as defesas apropriadas.

De fato, todos eles eram criaturas esqueléticas, mas eram dramaticamente diferentes
dos que haviam combatido anteriormente.

Pela aparência, a maior diferença estava em seus equipamentos. Os Skeletons anteriores


estavam armados apenas com espadas enferrujadas, mas esses tinham conjuntos com-
pletos de equipamento. Além disso, eles pareciam mais apresentáveis do que antes. Pa-
recia haver três grandes classes de equipamentos pessoais nos Skeletons presentes.

A maioria dos Skeletons estava equipada com couraças, com um escudo de triângulo
invertido — um escudo heater — em uma mão, e todo tipo de armas na outra mão. Eles
até tinham aljavas e arcos nas costas. Estes Skeletons armados estavam totalmente equi-
pados para ataque e defesa e para lutar a curta ou longa distância.

Então, havia Skeletons que eram similarmente equipados com couraças, mas osten-
tando capas e capacetes vermelhos esfarrapados, empunhando espadas bastardas e es-
cudos redondos.

O último grupo incluía os Skeletons menos numerosos, mas bem mais equipados. Eles
usavam conjuntos de armadura douradas e seguravam piques brilhantes. Nem uma
única mancha de sujeira marcava suas brilhantes capas vermelhas.

Quando Zaryusu os inspecionou, ele percebeu algo. Ele esfregou os olhos várias vezes,
imaginando se estavam enganados. No entanto, a realidade diante dele permaneceu
como era.

“Eh...? Não pode ser...”

“Como, como algo assim...”

Crusch percebeu que Zaryusu estava murmurando com uma voz dolorida enquanto ela
engasgava em choque. Só então, Zenberu falou:

“...Oh, parece que você notou também.”

A voz de Zenberu soou similarmente dolorida.

“Mm...”
Zaryusu parou por aí. Ele não queria continuar, porque teria medo se continuasse, mas
tinha que dizer:

“...Aquelas armas parecem ser mágicas.”

Crusch assentiu com firmeza ao lado dele.

Todas as armas empunhadas pelo exército esquelético eram de natureza mágica. Alguns
tinham espadas flamejantes, enquanto outros tinham martelos crepitando com eletrici-
dade. Alguns tinham lanças cujas pontas estavam embainhadas em luz verde, enquanto
outras tinham foices que pingavam um fluido roxo viscoso.

“E tem mais. Dê uma olhada naquelas armaduras e escudos. Estão todas... encantadas.”

Zaryusu deu uma olhada mais de perto quando ouviu Zenberu falar.

E então, ele gemeu em desânimo. Isso foi porque Zaryusu percebeu que aquelas arma-
duras brilhantes não refletiam a luz do sol, mas pareciam brilhar de dentro para fora.

Que tipo de governante poderia equipar um exército desse tamanho com itens mágicos?
Se fosse apenas uma questão de simples encantamentos para melhorar o fio seria enten-
dível, Zaryusu ouvira que certas grandes nações podiam acumular quantidades assim
depois de longo planejamento. No entanto, imbuir muitas armas mágicas com proprie-
dades elementais — e com variedade — era outra questão inteiramente oposta.

Zaryusu lembrou-se dos Dwarfs que Zenberu havia falado há vários dias.

Os Dwarfs eram uma espécie montanhês, que possuíam uma habilidade excepcional em
relação ao metal. Durante uma festa de bebedeira, os Dwarfs tinham compartilhado uma
lenda heroica — a do Imperador que fundou o Império dos Dwarfs, um herói que usava
uma armadura adamantite, um homem que derrotou Dragões sozinho, e o “Artesão Má-
gico” dos Treze Heróis. Mesmo naquelas lendas não tinham falado de um exército — mais
de 5.000 — desse tamanho, equipado com equipamentos mágicos como este.

Então, o que Zaryusu estava observando agora era o quê?

“...Isso é um exército das lendas?”

Se eles não vieram de um mito humano, então deve ter vindo de algum tipo de lenda
divina.

Zaryusu estremeceu. Ele percebeu que havia desafiado um inimigo que não só estava
além de suas expectativas, mas que nunca deveria ter sido provocado.
No entanto, ele reuniu todos aqui com a intenção de morrer. Como alguém que poderia
ter criado um plano tão ridículo teria medo agora? Ele já sabia que esse inimigo estava
além dos limites de sua imaginação. A solução era como eles lidariam com isso.

“Não pode ser. Isso deve ser uma ilusão ou algo assim.”

Quando todos ouviram essas palavras, um olhar cruzou o rosto deles, que parecia dizer:
“Que besteira você está falando?” O inimigo deles não estava se movendo, mas pareciam
reais o suficiente. Emanavam uma presença assustadora e não podiam ser meras ilusões.

Ainda assim, essas palavras cheias de dúvidas foram ditas pelo chefe da tribo Small Fang.
Mas ele não dissera porque estava com raiva.

“Que base você tem para isso?”

Em resposta à pergunta de Zaryusu, o chefe do Small Fang respondeu com confiança:

“Enviamos patrulhas rotativas para o reconhecimento, mas ninguém relatou ter visto
undeads assim. Não há como não ter visto eles se estivessem em tais números. Claro,
todos os batedores que enviamos retornaram com segurança.”

“Entendo... Ainda assim, eu não acho que eles são ilusões.”

“...Mas... não, talvez eles não sejam. Se eles não são ilusões, talvez eles saíram da terra
ou usaram meios similares de movimento. Um túnel explicaria porque eles não foram
vistos antes.”

“Não importa se eles cavaram pelo chão ou voaram pelo céu, o que faremos sobre eles?
Não parece que eles vão lutar, mas não parecem querer negociar também.”

“Esse parece ser o caso... embora, dadas as circunstâncias atuais, eu sinto que o inimigo
vai tentar algo...”

Zaryusu olhou para o exército esquelético.

Ele estava procurando por seu comandante — e então, uma rajada de vento congelante
soprou sobre eles. Não foi apenas uma rajada — o vento frio soprava repetidamente.

Este vento sobrenaturalmente frígido não era um fenômeno natural. Não havia dúvida
de que era o resultado da magia.

“Vento? Eh... não pode ser! Esta não é o mesmo tipo de magia... como isso é possível...”

Crusch tremia enquanto se abraçava. Ela não parecia estar fazendo isso por causa do
frio, então Zaryusu perguntou:
“Crusch, o que há com esse vento frio...”

“...Você pode não acreditar em mim se eu disser isso, mas por favor me ouça. Eu pensava
que as mudanças do tempo de antes eram resultado da magia de quarto nível 「Control
Clouds」, mas eu estava errada. 「Control Clouds」 pode controlar nuvens, mas não
pode gerar ventos frios como este. Portanto... isso não é apenas controlar as nuvens, mas
alterar o clima. Em outras palavras, acho que o inimigo usou algo do sexto nível...
「Control Weather」.”

Crusch baixou a voz para que ninguém pudesse ouvir e continuou:

“No entanto, essa magia está além da minha capacidade de uso, então não tenho muita
certeza se esse é o caso.”

Zaryusu sabia como as magias do sexto nível eram incríveis. Magia como essa estava
além de Iguva, o oponente mais forte que Zaryusu havia lutado, e era considerada a forma
mais poderosa de magia do mundo.

“Isto é... o poder do Supremo? Compreendo... isso explicaria aquilo.”

Se ele pudesse usar magia do 6º nível, então o título de “Supremo” seria bem merecido.

“Ei ei ei, prestem atenção, não parece nada bom.”

Os murmúrios de Zenberu destacaram o clima no ar.

Esses ventos frios não podiam soprar neste clima — em outras palavras, essa era uma
mudança sobrenatural no ambiente que estava além de sua capacidade de compreensão.
O moral dos Lizardmen despencou para o fundo do poço.

Anteriormente, apenas nuvens haviam aparecido. Os sacerdotes ainda podiam contro-


lar as nuvens se se reunissem, construíssem uma enorme fogueira e conduzissem um
ritual. No entanto, quando os Lizardmen sentiram o beijo frio desse vento de outono,
perceberam como o inimigo era poderoso para manipular fenômenos naturais normal-
mente incontroláveis.

Mesmo sem as palavras de Crusch, o vento que soprava constantemente mostrava cla-
ramente quão poderoso era o seu próximo adversário.

“Cheh, eles estão se movimentando.”

Zaryusu cerrou os dentes e suprimiu a vontade de balançar a cauda com pura força de
vontade.

Então eles começarão a se mover?


Ele pensou.

Os Lizardmen guerreiros entraram em pânico enquanto o exército esquelético avançava


com passos tão regulares que pareciam ter sido medidos com um metrônomo. Alguns
deles até rosnaram em advertência. No entanto, Zaryusu ficou perplexo ao observar o
movimento do exército esquelético.

Isso não era um prelúdio para a batalha.

Assim que Zaryusu e Zenberu estavam prestes a pedir aos Lizardmen em pânico para
se acalmarem—

“Se acalmem!”

Um grito que engolia a terra e despedaçava o céu.

Todos olharam na direção da voz. Seus olhos se fixaram em Shasuryu.

“Repetindo, se acalmem.”

A única coisa que podia ser ouvida naquele espaço silencioso era sua voz confiante e
digna, ecoando em seus ouvidos.

“Além disso, não tenham medo, guerreiros. Não desapontem os antepassados que nos
observam.”

Shasuryu passou pelos tranquilos e agora calmos Lizardmen e chegou ao lado de


Zaryusu.

“Irmão, o que o inimigo fez agora?”

“Mm, Ani-ja. Eles começaram a se mover... mas eles não parecem estar se preparando
para um confronto.”

“Muu.”

Os 500 Skeletons se moveram e formaram dez fileiras.

“O que eles estão fazendo?”

Como se esperasse por essa pergunta, o exército esquelético se moveu novamente.

Com coordenação perfeita, eles se separaram em dois do centro, deixando uma lacuna
entre eles, caberiam aproximadamente vinte Skeletons nesta lacuna. Dentro desse es-
paço havia uma figura.
Não era muito grande. Mesmo a uma distância de 250 metros, era claramente menor
que Zaryusu.

Usava um manto negro e irradiava uma terrível aura de maldade. Parecia semelhante
ao Elder Lich que tinham lutado ontem, então era provavelmente um magic caster.

No entanto, a principal diferença entre os dois era o poder.

Um calafrio percorreu a espinha de Zaryusu ao vê-lo. Seus instintos lhe disseram que a
diferença entre o ser diante dele e o Elder Lich de ontem era como a diferença entre um
guerreiro e uma criança.

Mesmo nesse intervalo, ele podia sentir a presença gelada e malévola que emanava.
Além disso, seu equipamento por si só estava em um nível totalmente diferente.

Era como um avatar irresistível da morte — um governante absoluto.

“Um governante da morte... este é?”

As palavras que caíram espontaneamente da boca de Zaryusu descreveram perfeita-


mente o monstro diante dele.

Na verdade, esse ser era um Rei que governava a morte.

“...Oh!”

O que esse governante da morte tinha em mente?

Os Lizardmen entraram em pânico como um assim que olharam para aquele senhor da
extinção. Só então, uma magia de aproximadamente dez metros de largura expandiu-se
em torno daquele magic caster, como um hemisfério de energia.

No hemisfério havia sigilos translúcidos que se assemelhavam a letras e símbolos, bri-


lhando com uma luz branco-azulada. Esses sigilos mudaram com uma velocidade des-
concertante, cada um era diferente do outro.

A luz azul clara mudava de forma continuamente, iluminando o ambiente em um brilho


fantasmagórico. Se este não fosse o trabalho de um inimigo, talvez eles pudessem ter
ficado encantados com isso, mas agora eles não estavam com disposição para tais coisas.

Zaryusu, incapaz de entender o que estava acontecendo, sentiu-se confuso.

A maioria dos magic casters não projetaria matrizes de magia como esses no ar ao con-
jurar suas magias. As ações do inimigo foram muito além do conhecimento de Zaryusu.
Portanto, Zaryusu perguntou à fêmea que sabia mais sobre magia:
“O que é isso?”

“Eu não sei. Não tenho idéia do que seja—”

A resposta de Crusch soou um pouco assustada. Parece que seu conhecimento de magia
a deixava ainda mais assustada com esse fenômeno desconhecido.

Assim que Zaryusu estava prestes a consolá-la com um afago—

Talvez a magia já estivesse completa, o círculo mágico se fragmentou e se transformou


em incontáveis partículas de luz, que voaram para o céu. E então, eles se espalharam do
ar, como uma explosão—

—E o lago congelou.

Ninguém tinha idéia do que estava acontecendo.

Havia o chefe extraordinário Shasuryu, a incrivelmente talentosa sacerdotisa Crusch e


o viajante veterano Zaryusu. Mesmo esses indivíduos, que eram extraordinariamente ta-
lentosos em seus respectivos campos, não conseguiam compreender imediatamente o
que estava acontecendo no momento.

Eles não sabiam por que seus pés estavam presos no gelo.

Logo depois que seus cérebros conseguiram analisar o que estava acontecendo, os gri-
tos de desespero soaram.

De fato, cada Lizardman estava chorando.

Até mesmo Zaryusu. Crusch, Shasuryu e até mesmo Zenberu, o mais ousado de todos,
não foi exceção. O terror que brotou das profundezas de suas almas os levou a gritar de
medo.

A cena diante de seus olhos era horrível demais para suportar. O lago que congelou ape-
nas uma vez em eras longínquas, que nunca congelaria sob quaisquer circunstâncias nor-
mais, era agora uma sólida camada de gelo.

Os lizardmen levantaram apressadamente os pés. Felizmente, o gelo não estava muito


grosso e quebrou imediatamente, mas as partes quebradas imediatamente congelaram
de volta. O frio que congelava até os ossos provou que isso não era uma miragem.

Em pânico, Zaryusu apressadamente escalou uma parede de terra e olhou ao redor, e


então ficou boquiaberto com a visão ridícula à sua volta.

Tudo, até onde seus olhos podiam ver, estava congelado.


Era impossível imaginar que um lago tão grande pudesse congelar, mas o gelo cintilante
diante de seus olhos era realidade.

Zaryusu temia pelos criatórios de peixes, mas agora não era hora de se preocupar com
essas coisas.

“Não pode ser...”

Crusch, que havia escalado com Zaryusu para olhar em volta, estava tão estupefata
quanto ele. Uma voz desanimada veio de sua boca aberta.

Muito parecido com Zaryusu, ela não podia acreditar no que estava vendo.

“Monstro!”

Ele amaldiçoou em voz alta. Ao mesmo tempo, ele esperava que a maldição melhorasse
um pouco o terror em seu coração.

“Saiam daí, rápido!”

Gritou Shasuryu.

Vários Lizardmen já haviam colapsado. Os Lizardmen guerreiros que ainda podiam se


mover trabalharam juntos para soltar seus amigos caídos do pântano congelado.

Os Lizardmen que haviam colapsado estavam medrosamente pálidos e tremiam incon-


trolavelmente. Talvez o frio tenha roubado sua vitalidade.

“Ani-ja, vou dar uma olhada!”

Com o Frost Pain na mão, Zaryusu não seria afetado pelos efeitos do frio desse nível.

“Não... não vá!”

“Por que, Ani-ja !?”

“O inimigo deve fazer o seu movimento em breve! Eu te proíbo de deixar este lugar!
Segure a situação e não deixe nenhuma informação passar por você! Você viajou pelo
mundo e acumulou todo tipo de conhecimento; você é o único que pode lidar com essa
tarefa!”

Os olhos de Shasuryu deixaram Zaryusu e ele falou com os guerreiros ao seu redor.

“Vou agora lançar uma magia que irá defender contra o frio, 「Protection Energy: Ice」.
Diga a todos na aldeia para não tocar no gelo.”
“Eu vou ajudar com minha magia.”

“Obrigado! Crusch, cuide de alguns por mim. Cure os que estiverem em estado crítico!”

Crusch e Shasuryu começaram a lançar magias nos Lizardmen agora seguros.

Zaryusu permaneceu em cima da parede de terra, seu olhar atento concentrou-se na


formação inimiga e em cada movimento que o inimigo fazia. Ele teve que executar a mis-
são que seu irmão mais velho lhe havia confiado.

“Aqui vamos nós.”

Zenberu, que havia escalado ao lado dele, observou vagarosamente as forças inimigas.

“Vamos, relaxe um pouco. Seu irmão está contando com o seu conhecimento, né? Ele
não o repreenderia por algo idiota. O importante é que você não fique muito focado e
esqueça de observar os detalhes.”

O tom relaxado de Zenberu ajudou a refrescar a cabeça de Zaryusu.

Muito parecido com o que haviam feito na batalha com o Elder Lich, eles podiam dividir
a carga entre si e trabalhar juntos, enquanto ele supervisionava tudo.

Zaryusu olhou em volta e descobriu que os guerreiros estavam subindo na parede de


terra para observar o inimigo. De fato, ele não estava lutando sozinho, mas com todos.

Parece que ele tinha sido sacudido por aquela força avassaladora — por aquela magia.

Zaryusu exalou, como se quisesse expulsar o ar impuro acumulado dentro de si.

“Desculpa.”

“Nada pra se desculpar.”

“...Certo. Afinal, você também está aqui, Zenberu.”

“Haah, não me menospreze quando se trata de trabalho intelectual.”

Seus olhos se encontraram e eles riram. Então eles voltaram sua atenção para o inimigo.

“Veja aquilo, tem um inferno de monstros.”

“Sim, aquilo está em um nível completamente diferente.”


O Rei da Morte contemplava Zaryusu e a aldeia Lizardman com um olhar majestoso en-
quanto ele se levantava, como o governante deste mundo e de além-mundos. O que pa-
recia ser um objeto minúsculo à distância parecia ter se expandido para dezenas de vezes
seu tamanho real.

“...Ele deve ser aquele Supremo de quem eles estavam falando.”

“Provavelmente. Espero que ele seja o único que possa congelar um lago com magia as-
sim.”

“Sim, eu também. Nós, os Lizardmen, devemos parecer pequenas formigas para alguém
que consegue algo assim. Droga, mas que droga! Nós não somos nada além de vermes
para ele. Olha... eles estão se movendo.”

O magic caster que havia congelado o lago levantou a mão que não segurava um cajado
e acenou para a aldeia. Ele deve estar dando uma ordem, os instintos de Zaryusu foram
ativados e, no momento seguinte seus instintos foram validados de uma forma horrível.

“Ohhhhh!”

As vozes vieram de todos os lugares da aldeia.

“O quê... o que é isso? O que diabos está acontecendo!?”

Zaryusu pensara que não podia mais se surpreender, mas depois de ver o que estava
diante dele, não pôde deixar de lamentar em resposta.

Diante de seus olhos havia uma enorme estátua de pedra, com um par de braços e per-
nas.

Seu tórax robusto e semelhante a uma laje pulsava com luz vermelha, como um bati-
mento cardíaco. Seus membros eram largos e grossos, e parecia quase adorável... bem,
teria sido, se não tivesse mais de 30 metros de altura.

Esta enorme estátua de pedra apareceu de repente da floresta. Chamar de ilusão seria
uma mentira para aceitar a dura realidade.

A estátua moveu-se lentamente e produziu um cubo gigantesco de rocha do nada.

E então, jogou a pedra.

Zaryusu, reflexivamente, protegeu os olhos. A morte instantânea aguardava qualquer


um que fosse atingido por aquela imensa rocha.

A terra estremeceu e um estrondo tremendo assaltou Zaryusu naquele mundo de escu-


ridão. A parede de terra tremeu violentamente.
Depois disso, ouviu-se o som da chuva pesada — da areia e detritos que haviam sido
lançados acima caíram de volta à terra. Foi acompanhado por gritos de surpresa da aldeia.

Eles estavam preparados para morrer, mas não estavam preparados para esse terror
inimaginável. A chocante lição de agora fez até mesmo os veteranos da batalha de ontem
gritarem como crianças.

Zaryusu deu um suspiro de alívio quando percebeu que ainda estava vivo. Quando ele
nervosamente abriu os olhos, viu o exército dos undeads em movimento e percebeu que
a gigantesca estátua não estava em lugar nenhum.

A enorme rocha agora estava entre as contrapartes. As tropas undeads se aproximaram


da rocha, e então se ajoelharam depois de levantarem seus escudos como se quisessem
bloquear o céu. Os outros Skeletons pularam naqueles escudos e, depois de manterem o
equilíbrio com agilidade, ergueram os escudos também.

No momento em que Zaryusu percebeu o que o inimigo estava fazendo, ele tremeu todo,
como se tivesse sido atingido por um raio.

“Não me diga que... degraus? Eles estão usando um exército lendário como degraus!?”

Os Skeletons se aproximaram da rocha gigante com velocidade surpreendente, e então


a escadaria formada pelo exército de undeads finalmente tomou forma.

Então, os outros soldados undeads fizeram o seu movimento. Eles pareciam mais refi-
nados do que os Skeletons de antes, e havia cerca de 100 deles. Eles seguravam lanças
com faixas anexadas, do tipo que lanceiros podiam carregar.

O tecido vermelho brilhante — suas bandeiras — era bordado com o mesmo brasão.

Suas capas ondulavam ao vento, esses undeads marcharam sobre o pântano com uma
coordenação imaculada. Eles esmagavam o gelo sob seus pés enquanto avançavam em
silêncio. Então, outro grupo de Skeletons marchou sobre o pântano com os mesmos mo-
vimentos fluidos, tendo o cuidado de manter o espaçamento adequado do primeiro
grupo. Então cruzaram as lanças com as dos guerreiros do lado oposto.

As lanças cruzadas formavam uma passagem que levava à enorme rocha.

“...Aquilo é a escolta da realeza?”

Zenberu estava certo.

O magic caster da morte percorreu o caminho feito pelos undeads. As silhuetas de várias
pessoas eram visíveis por trás dele. Ninguém notou a chegada deles.
Apenas o mover da cabeça do magic caster já mostrava um poder insondável.

Ele estava vestido com um manto negro que parecia ser feito da própria escuridão, e um
brilho de ébano emanava do cajado que ele carregava. Esse brilho se moldava em faces
atormentadas dos seres humanos, que se dissolviam desaparecendo em nada. Sob o ca-
puz de seu manto havia um rosto esquelético e, dentro de suas órbitas vazias, dançavam
pontos de luz vermelhas e bruxuleantes.

Ele estava adornado com inúmeros itens de joias mágicas, os quais estavam além da
compreensão de Zaryusu. Ele andava a passos largos com o ar de um monarca.

Uma mulher de pele clara seguia atrás do Rei da Morte. Ela se parecia com uma humana,
mas ela diferia em um aspecto fundamental — asas em sua cintura.

“Ela poderia ser um... demônio?”

♦♦♦

Demônios.

Haviam diabos que destruíram com força bruta e espíritos malignos que corrompiam
com o intelecto. Esses estranhos eram conhecidos coletivamente como demônios. Diziam
que eram monstros de crueldade e malícia lendárias, que existiam para destruir todos os
seres inteligentes de boa índole. Seus nomes eram um sinônimo de mal.

Zaryusu tinha ouvido falar de demônios durante suas viagens.

Ele tinha ouvido falar de sua natureza assustadora. Aparentemente, 200 anos atrás,
existiu um monstro que era um rei dos demônios —, ficou conhecido como “Deus Demô-
nio”, que reuniu demônios sob sua bandeira e quase destruiu o mundo.

O Deus Demônio foi finalmente derrotado pelos Treze Heróis, e os vestígios dessa bata-
lha ainda podem ser vistos até hoje.

Se os undeads fossem os monstros que odiavam os vivos, então os demônios eram


monstros que queriam fazer os vivos sofrerem.

Por trás do demônio havia um par de gêmeos Elfos Negro e depois uma garota de cabe-
los prateados. Além disso, havia um monstro de aparência sinistra que flutuava no ar e,
finalmente, um ser de cauda que se assemelhava a um homem humano.

O monstro assustador por si só não parecia muito forte, mas a ponta da cauda dos Li-
zardmen começou a se contrair apenas olhando para cada um deles. Seus instintos pri-
mitivos gritavam para fugirem com todas as suas forças.
O grupo avançou em silêncio, passando por baixo das lanças e bandeiras, subindo as
escadas que conduziam à imensa rocha. Eles pisaram os soldados undeads sem qualquer
hesitação, parecendo reis e rainhas no topo da enorme rocha. O Rei da Morte acenou com
a mão.

Em um instante, um trono alto e luxuoso que brilhava com uma luz negra apareceu, e o
Rei Undead sentou-se prontamente sobre ele.

Atrás deles, as pessoas que pareciam ser seus confidentes formaram uma fila, olhando
para a aldeia como se estivessem à espera de alguma coisa. No entanto, eles não fizeram
nada além disso.

O que estava acontecendo?

Vários Lizardmen olharam desconfortáveis um para o outro, e no final eles finalmente


decidiram deixar os mais sábios de seus membros falarem.

“...Ah, você poderia nos dizer o que devemos fazer, Zaryusu-san? Devemos nos preparar
para correr?”

Aquela voz estava totalmente desprovida de espírito de luta. A cauda caída falou as pa-
lavras que estava em seu coração.

“Não, não há necessidade disso. Considere o Elder Lich de antes. Nós agora enfrentamos
um magic caster que excede muito o Elder Lich, então deve ser brincadeira de criança
para ele lançar um ataque a esta distância. Com toda a probabilidade... ele quer nos dizer
alguma coisa.”

Aparência de compreensão surgiu nos rostos dos Lizardmen.

Depois disso, os olhos de Zaryusu estavam firmemente fixos no grupo diante deles. Ele
era como um camponês olhando para seu Rei, enquanto examinava incessantemente os
monstros no topo daquela enorme rocha.

Ele fez isso para não perder nada sobre eles.

Agora que eles estavam tão perto, ele poderia examiná-los em grande detalhe, e eles
poderiam até mesmo encontrar os olhos um do outro.

Aquele era o Rei da Morte observando os Lizardmen de seu lugar no topo de seu trono?
Os Elfos Negros não pareciam particularmente hostis. A garota de cabelos prateados ti-
nha um sorriso de escarnio no rosto. A expressão gentil da demônia era paradoxalmente
arrepiante. A expressão do monstro assustador era ilegível. Os olhos do homem de cauda
estavam desprovidos de qualquer emoção.
Depois que eles estudaram um ao outro por um tempo, o Rei Undead mais uma vez le-
vantou a mão livre para o peito. Vários Lizardmen viram isso, e suas caudas se agitaram
violentamente.

“—Não tenham medo. Não nos envergonhe diante de nossos oponentes.”

As críticas afiadas de Zaryusu levaram todos os Lizardmen a se endireitarem e empina-


rem seus peitos.

Numerosas nuvens de névoa negra apareceram diante do Rei da Morte — 20 delas no


total. Eles giravam incessantemente, crescendo cada vez mais, até formarem uma única
nuvem de névoa negra com cerca de 150 centímetros de tamanho. Logo, inúmeros rostos
assustadores apareceram na névoa.

“Isso é...”

Zaryusu recordou os monstros que vieram para as aldeias como mensageiros e as cria-
turas undeads que ele tinha visto durante suas viagens.

Crusch já havia explicado isso anteriormente, mas era muito difícil ferir monstros incor-
póreos sem a ajuda de armas encantadas, armas feitas de metais especiais, magia ou artes
marciais específicas.

Mesmo se alguém juntar todas as tribos Lizardmen unidas, elas teriam apenas algumas
armas mágicas. Em outras palavras. Apenas derrotar essa coisa já seria muito desafiador.

Pensar que seu inimigo poderia conjurar casualmente 20 desses monstros com um ace-
nar de sua mão.

“...Então é isso que eles querem dizer quando dizem que se pode controlar a morte.”

Nosso inimigo é um monstro incrivelmente poderoso, alguém a quem o poderoso Elder


Lich jurou lealdade.

Zaryusu pensou desanimado.

O Rei da Morte murmurava algo, e então estendeu a mão, como se estivesse ordenando
um ataque. Os monstros voaram para cercar a aldeia e começaram a recitar em uníssono:

“Nós, por meio deste, retransmitimos a vontade do Supremo.”

“O Supremo solicita um diálogo. Despache seus representantes imediatamente.”

“Qualquer atraso só irá incorrer na ira do Supremo.”

Depois do monólogo, os undeads incorpóreos retornaram ao lado de seu mestre.


“Quê? ...Não me diga... foi só para isso?”

Zaryusu perguntou, com um olhar estúpido no rosto.

Ele enviou undeads tão poderosos apenas para passar uma mensagem?

No entanto, a coisa mais inacreditável foi o que veio a seguir. Depois de receber instru-
ções do governante da morte, a garota de cabelos prateados atrás dele bateu palmas com
força.

Com aquele aplauso — todos aqueles undeads foram aniquilados.

“QUÊ!?”

Zaryusu não conseguiu conter seu grito de choque.

Aqueles monstros convocados não foram chamados, mas destruídos.

Os clérigos poderiam destruir undeads. Porém, apenas bani-los era difícil o suficiente,
com uma disparidade suficiente nos níveis de poder, um clérigo não só podia subjugar
undeads, mas destruí-los. No entanto, em muitos undeads de uma só vez era uma tarefa
árdua.

Em outras palavras, a moça de cabelos prateados era uma seguidora que era tão pode-
rosa quanto o Rei da Morte. Sendo esse o caso, as pessoas ao lado dela poderiam ser
igualmente pujantes.

“Hahahaha—”

Zaryusu não pôde deixar de rir.

Isso era apenas esperado. O que mais ele poderia fazer senão rir? Eles eram muito mais
poderosos.

“Irmão!”

“—Ah, Ani-ja!”

Zaryusu olhou para baixo em resposta à chamada e viu que Shasuryu e Crusch estavam
ao sopé da parede. Os dois subiram na parede de terra e juntos olharam para o magic
caster.

Crusch se forçou no espaço entre Zaryusu e Zenberu, quase fazendo Zenberu cair. No
entanto, isso ainda deveria ser perdoável.
“Aquele é o general inimigo? Ele parece tão poderoso que eu estou sentindo arrepios na
espinha só de olhar. Mesmo ele se parecendo com o Elder Lich que você derrotou... não
há como comparar a força deles, eles estão...”

“...Ani-ja, acabaram o que estava fazendo?”

“Muu. Acabou na maior parte. Crusch e eu esgotamos nossa mana. E depois de ouvir
esses mensageiros... sentimos que seria melhor resolver esse assunto primeiro. Quanto
ao que aqueles mensageiros disseram... Zaryusu, você estaria disposto a vir comigo?”

Zaryusu olhou em silêncio para Shasuryu e depois assentiu profundamente. Shasuryu


pareceu brevemente desconfortável, mas retomou sua expressão habitual imediata-
mente, tão rapidamente que ninguém percebeu que ele já havia olhado daquele jeito.

“Eu sinto Muito.”

“Não se preocupe, Ani-ja.”

Shasuryu saltou da parede de terra com esse pedido de desculpas, aterrissando na lama
congelada da margem.

“Então, eu vou.”

“Seja cuidadoso.”

Zaryusu abraçou Crusch com força, e então ele pulou no pântano.

Zaryusu e Shasuryu pisaram o gelo fino na superfície do lago. Depois de deixar o portão
principal, Zaryusu pôde sentir a comitiva do Rei Undead, encarando-os, como se seus
olhares estivessem exercendo uma pressão física real. Ele também podia sentir os olha-
res inquietos atrás dele, e o mais preocupado deles provavelmente pertencia a Crusch.

Zaryusu lutou contra o desejo de ficar com ela.

Só então, Shasuryu falou.

“...Eu sinto muito.”

“...Por que, Ani-ja?”

“...Se as negociações falharem, eles podem nos matar como um exemplo para os outros.”

Zaryusu estava preparado para isso. Foi por isso que ele abraçou Crusch com força antes
de ir.
“...Dado ao número deles, eu não poderia deixar você ir sozinho, Ani-ja. Se apenas uma
pessoa fosse, provavelmente pensariam que estávamos esnobando-os.”

Zaryusu era um indivíduo famoso entre os Lizardmen e ele era ideal para negociações.
No entanto, ele era um viajante e sua morte não prejudicaria a unidade dos Lizardmen.
Deste ponto de vista, não haveria arrependimentos se ele morresse.

Mesmo se um herói morresse, a tribo ainda poderia continuar lutando enquanto hou-
vesse outros chefes por perto. A vergonha seria a perda da Frost Pain que ele carregava;
sem isso, eles seriam incapazes de resistir ao frio do lago.

Os dois caminharam em silêncio, cada passo os levava para mais perto da morte.

Eles alcançaram a escadaria de undeads que conduzia ao trono, e elevaram suas vozes.
Se o trono tivesse sido colocado mais para trás, talvez eles pudessem subir, mas dado
que estava situado na borda da rocha, provavelmente significava que eles não queriam
deixar os lizardmen subirem.

Afinal de contas, os reis tinham que ter uma vantagem de comando.

Não havia tal regra entre os Lizardmen, mas muitas espécies tinham a prática comum
de seres superiores negligenciando os inferiores. É claro que isso seria muito rude se eles
tivessem vindo para conduzir um diálogo.

Em outras palavras, “diálogo” era apenas um nome bonito. Não havia intenção de falar
com eles em pé de igualdade.

Em vez disso, na verdade, esperar tratamento igual era um sinal de sua ignorância.
Zaryusu e os outros poderiam ter vencido a batalha anterior, mas depois de ver o con-
junto de seres acima, sobre a imensa rocha, até mesmo eles seriam forçados a concluir
que sua vitória anterior não tinha qualquer significado. Não passou de brincadeira de
criança.

“Nós chegamos! Eu sou Shasuryu Shasha, representante dos Lizardmen, e este é o maior
herói dos Lizardmen!”

“Eu sou Zaryusu Shasha!”

Mesmo assim, não havia lisonja em suas vozes estridentes. Eles sabiam que era um gesto
tolo, mas eram as últimas gotas de dignidade que eles possuíam. A batalha anterior po-
deria ter sido uma demonstração secundária aos olhos de seus oponentes, mas eles não
podiam abandonar o orgulho dos guerreiros que haviam caído naquele campo de batalha.

Não houve resposta. O Rei da Morte simplesmente moveu a cabeça para olhá-los do alto
do trono, olhando-os sem nenhuma reserva. Não havia sinal de que ele faria qualquer
coisa.
A pessoa que respondeu a eles foi a demônia de asas negras.

“Nosso mestre sente que não adotaram uma postura de escuta suficientemente respei-
tosa.”

“...O quê?”

Depois de ouvir suas vozes cheias de dúvidas, ela falou para o ser de cauda que parecia
um homem humano.

“—Demiurge.”

“『Ajoelhem-se』.”

Zaryusu e Shasuryu de repente caíram de joelhos, suas cabeças afundaram no pântano.


Parecia um movimento perfeitamente natural para os espectadores.

A lama fria endurecia seus corpos, e o gelo quebrado imediatamente congelou mais uma
vez.

Eles não aguentaram. Não importava o quanto tentassem, seus corpos não se moviam
nem um centímetro. Era como se um par de mãos enormes e invisíveis estivesse pressi-
onando-os e tirando a liberdade de seus corpos.

“『Não resistam』.”

No instante em que a voz penetrava de novo em seus ouvidos, Zaryusu e Shasuryu sen-
tiam como se seus corpos tivessem crescido subitamente um cérebro adicional — um
órgão que recebia ordens de outros e que seus corpos obedeciam sem hesitar.

Depois de ver seus corpos impotentes ajoelhados pateticamente na lama, a demônia pa-
receu bastante satisfeita e relatou a seu mestre:

“Ainz-sama, eles estão prontos para ouvi-lo.”

“Obrigado — levantem a cabeça.”

“『Vocês têm permissão para levantar a cabeça』.”

Zaryusu e Shasuryu levantaram as cabeças, a única parte de seus corpos que podiam se
mover, e ergueram os olhos como se estivessem desesperados para ver seu rei.

“Eu sou... Ainz Ooal Gown, mestre da Grande Tumba de Nazarick. Em primeiro lugar,
gostaria de lhe agradecer por me ajudar a concluir meu experimento.”
Um experimento? Você matou muitos de nós e ousa dizer que é um experimento!

Seu ressentimento abanou as chamas da raiva em seu coração, mas ele resistiu. Afinal,
agora não era hora de fazer uma cena.

“Bem, então direto ao ponto... se submetam ao meu reinado.”

O magic caster Ainz levantou a mão, silenciando Shasuryu, que estava prestes a falar.

Shasuryu sabia que tentar falar agora não seria sábio, então ele só podia ficar de boca
fechada.

“—No entanto, você acaba de nos derrotar e não estão dispostos a ser governado por
mim. Portanto, atacaremos novamente em quatro horas. Se puderem ganhar, eu não vou
mais agir contra vocês. De fato, garanto que pagarei o ressarcimento de tudo.”

“...Posso fazer uma pergunta?”

“Está bem. Pergunte à vontade.”

“O senhor será o líder do ataque... Gown-dono?”

A garota de cabelo prateado atrás dele franziu a testa, enquanto o sorriso da demônia
só aumentou. Talvez eles estivessem descontentes com a adição desse honorífico. No en-
tanto, eles não fizeram nada fora do comum, possivelmente porque o seu mestre também
não mencionou o assunto.

Ainz os ignorou e continuou falando.

“Dificilmente. Eu não vou fazer nada. O atacante será um dos meus homens de confi-
ança... e apenas ele. Se chama Cocytus.”

Quando Zaryusu ouviu isso, um profundo sentimento de desespero o preencheu, como


se fosse o fim do mundo.

Se Ainz atacasse com um exército, os Lizardmen poderiam ter uma chance de vitória.
Em outras palavras, ele estaria esperando prolongar aquela guerra desagradável que ele
chamou de experimento. Nesse caso, eles podem ter uma chance escassa e fugaz de vitó-
ria.

No entanto, ele não estava despachando um exército.

Apenas uma pessoa atacaria.

Um exército foi montando aqui só para uma grande demonstração, ainda assim eles es-
tavam enviando apenas uma pessoa para atacar. A menos que isso fosse uma punição,
então as palavras de Ainz significavam que ele estava absolutamente confiante naquela
pessoa.

Uma pessoa que tinha a confiança daquele inacreditavelmente poderoso Rei da Morte...
Então, a única resposta foi que a pessoa em questão também era incrivelmente poderosa,
a ponto de os Lizardmen não terem esperança de vitória.

“Nós escolhemos nos render—”

“Seria chato demais se render sem lutar. Coloque alguma resistência simbólica. Gostarí-
amos de aproveitar nossa vitória.”

Ainz interrompeu Shasuryu, impedindo-o de falar.

Vai nos fazer de exemplo, seu desgraçado!?

Zaryusu amaldiçoou em seu coração.

A realidade era que o forte usaria a morte para lavar a mancha da derrota.

Em outras palavras, eles realizariam um sacrifício vivo. Isso seria uma demonstração de
domínio absoluto, projetado para eliminar qualquer traço de rebelião dentro dos Lizar-
dmen.

“É tudo que tenho a dizer. Então, esperarei ansiosamente pelos eventos de quatro horas.”

“Um momento, por favor — este gelo derreterá?”

Se eles ganhassem ou perdessem, seria muito difícil para os Lizardmen sobreviverem


se o lago estivesse congelado.

“...Ah, eu quase me esqueci...”

Ainz respondeu casualmente e continuou:

“Eu apenas queria evitar manchar minhas vestes no pântano. Vou dissipar a magia mais
tarde.”

O quê!?

Zaryusu e Shasuryu ficaram tão chocados que não conseguiram falar. Na verdade, eles
se perguntaram se tinham entendido direito.

Ele congelou o lago só porque ele não queria se sujar?


Isso não era mais simplesmente inacreditável. Eles estavam indo contra alguém com um
poder tão chocante, que poderia facilmente dobrar o mundo aos seus caprichos, e por
um motivo tão insignificante.

Então esse era o tipo de ser poderoso que era seu oponente. Zaryusu e Shasuryu senti-
ram um terror que experimentaram quando estavam sozinhos quando crianças.

“Então, até mais, Lizardmen — 「Gate」.”

Tendo dito suas palavras, Ainz acenou com a mão e um portal de escuridão apareceu na
frente do trono. Ele então entrou na escuridão.

“Adeus, Lizardmen.”

“Até mais, Lizardmen-sans.”

“Tchau, Lizardmen ~arinsu.”

As duas mulheres e um dos Elfo Negro se despediram dos Lizardmen em um tom desin-
teressado antes de entrar na escuridão atrás de Ainz.

“Er, erm, então, ah, tchau-tchau, se cuidem.”

“Saxitragal, oçepsed em mébmat ue. [Eu também me despeço.]”

O monstro assustador desapareceu na escuridão após a garota Elfa Negra.

“『Estão livres agora』. Então, divirtam-se, Lizardmen.”

Finalmente, o homem de cauda entrou na escuridão. Houve um som suave, e a força que
prendia os dois desapareceu com ele.

Zaryusu e Shasuryu permaneceram ajoelhados na lama onde haviam sido abandonados,


sem a força para se levantar.

Eles nem prestavam atenção à dor contínua que vinha do frio congelante que entrava
neles. Isso porque o choque que acabaram de sentir excedia em muito qualquer dor física.

“Desgraçados...”

Esse amaldiçoamento incaracterístico de Shasuryu foi preenchido com uma mistura


complexa de emoções.

♦♦♦
Eles foram recebidos pelos vários chefes, que haviam subido nas paredes de terra para
evitar o frio. Não havia outros lizardmen por perto.

Eles provavelmente o fizeram porque estavam ansiosos para discutir assuntos em par-
ticular. Sentindo isso, Shasuryu decidiu não medir as palavras e disse-lhes os eventos do
diálogo que não eram um diálogo.

Não houve grande reação à sombria narrativa de Shasuryu, apenas uma leve surpresa.
Provavelmente foi porque esperavam uma conclusão assim.

“Entendo... mas o gelo derreterá? Se isso não acontecer, nem seremos capazes de lutar.”

“Vai ficar bem. Ele disse que derreteria o gelo.”

“Você negociou para isto?”

Shasuryu não respondeu à pergunta do chefe da Tribo Small Fang, apenas sorriu em
resposta. O chefe sabia o que isso significava e balançou a cabeça em resignação.

“Enquanto você estava nas negociações, nós demos uma olhada nos arredores... e en-
contramos traços do inimigo no lago. Provavelmente tropas undeads. Com toda a proba-
bilidade, eles estavam nos cercando e aguardando ordens.”

“Não pense que... inimigo... vai nos deixar ir.”

“Eles falaram com bastante seriedade, o que significa...”

“É provavelmente como você está supondo.”

Os quatro chefes que não participaram suspiraram profundamente. Eles provavelmente


chegaram à conclusão de que o que os esperava era um sacrifício vivo.

“Então, o que devemos fazer?”

“...Mobilize todos os guerreiros Lizardmen, e... aqueles aqui presentes...”

“Ani-ja... você pode permitir que apenas cinco pessoas participem?”

Zaryusu olhou para a desnorteada Crusch pelo canto do olho, ele implorou a todos os
machos presentes.

“Se o objetivo do inimigo é demonstrar seu poder, eles provavelmente não exterminarão
os Lizardmen. Sendo esse o caso, devemos ter alguém que possa liderar os Lizardmen
sobreviventes. Se todos nós aqui morrermos, será um grande golpe para o futuro dos
Lizardmen.”
“...Ele tem razão, não é, Shasuryu?”

“Mm, Zaryusu... você está certo.”

Os dois chefes olharam para Zaryusu e Crusch e assentiram.

“—Parece bom. Eu aprovo isso.”

Depois de receber a aprovação de Zenberu, o último chefe, Shasuryu não conseguiu mais
encontrar qualquer razão para negar o pedido de seu irmão mais novo.

“Então está decidido. Eu também pensei que alguém teria que permanecer vivo para
liderar as tribos unidas — Crusch deve se dar bem com esse dever. Talvez o albinismo
dela possa afetar seus deveres, mas seus poderes sacerdotais são insubstituíveis.”

“Por favor, espere, eu quero lutar também!”

Crusch gritou enquanto protestava contra sua exclusão neste momento:

“Além disso, se um de nós tiver que ficar para trás, não seria melhor se fosse o Shasuryu?
Ele é o chefe que todos mais confiam!”

“É precisamente por esse motivo que não podemos poupá-lo. O inimigo quer nos encher
de desespero e nos tornar dóceis com uma demonstração de força esmagadora. No en-
tanto, você acha que eles poupariam um Lizardman que pudesse inspirar esperança
como ele? Creio que não... certo?”

“E também... Crusch é menos popular entre os chefes devido ao seu albinismo.”

Crusch ficou muda. Era um fato indiscutível que outros pensavam mal dela por causa de
sua condição.

Crusch sabia que ela não poderia convencer os outros e, em vez disso, virou-se para
Zaryusu.

“Eu quero ir também. Quando você me chamou aqui, eu já havia me preparado. Por que
você ainda está dizendo algo assim?”

“...Naquela época, eu pensei que todos nós poderíamos morrer, mas agora há uma
chance de que um de nós possa viver.”

“Você só pode estar de brincadeira!!”

O ar tremeu, como se em resposta à raiva de Crusch. O som de tapas ressoou na parede


de terra, enquanto a cauda de Crusch se debatia violentamente nas garras de suas emo-
ções.
“—Zaryusu, vá convencê-la. Vejo você em quatro horas.”

Shasuryu se afastou depois de deixar essas palavras para trás. Então, houve o som de
gelo rachando e salpicos de água. Os outros três chefes saltaram da parede de terra, se-
guindo atrás de Shasuryu. Zenberu acenou para os dois que permaneceram enquanto
saia. Depois de vê-los partir, Zaryusu virou-se para Crusch.

“Crusch, por favor, entenda.”

“O que há para entender!? Além disso, você não pode perder! Se eu contribuísse com
meus poderes sacerdotais, poderíamos vencer!”

Quão vazias essas palavras soaram. Até mesmo Crusch, que as havia falado, não conse-
guiu acreditar no que acabara de dizer.

“Eu não quero que a fêmea que eu amo morra. Por favor, conceda o último desejo deste
macho tolo.”

Crusch abraçou Zaryusu, com uma expressão de pesar no rosto.

“Você é muito egoísta!”

“Eu sinto Muito...”

“Você provavelmente vai morrer...”

“Mm...”

De fato, as chances de sobrevivência eram muito pequenas. Não, ela poderia concluir
que eram inexistentes.

“Em apenas uma semana você ganhou meu coração, e agora quer que eu veja você mor-
rer?”

“Mm...”

“Conhecer você foi a minha fortuna e também a minha desgraça.”

Crusch abraçou Zaryusu com força, como se ela nunca quisesse deixá-lo ir.

Zaryusu não podia falar. O que ele deveria dizer? O que ele poderia dizer?

Sua mente girava em torno da mesma pergunta. Depois de algum tempo, Crusch levan-
tou a cabeça, o rosto cheio de determinação.
Uma onda de inquietação tomou conta de Zaryusu. Ele tinha a sensação de que Crusch
insistiria em segui-lo. Então, Crusch lançou um ultimato simples e vigoroso para Zaryusu.

“—Me engravide.”

“—O quê?”

“Agora!”
Capítulo 05: O Deus Congelado
Parte 1

quartel de Ainz era o mesmo que o lugar que Cocytus usou ontem — a for-

O
taleza que Aura estava construindo. Se alguém ouvisse atentamente, pode-
ria escutar sons fracos de trabalho vindo de longe.

Assim que entraram na sala, Victim até então em silêncio falou de repente
com Ainz:

“Amas-znia ,oçepsed em, oãtne. [Então, me despeço, Ainz-sama.]”

“Obrigado pelo seu árduo trabalho. Por favor, cuide do primeiro andar de Nazarick en-
quanto não retornamos.”

“odidnetnE. [Entendido.]”

“「Gate」.”

Victim passou pelo portal de escuridão que Ainz havia conjurado. Levaria diretamente
ao 1º Andar da Grande Tumba de Nazarick.

Depois de observar que o Guardião — cuja morte ativaria uma poderosa habilidade de
restrição de movimentos — sair pelo 「Gate」, Ainz olhou para o resto da sala. Ao
mesmo tempo, sentiu Aura atrás dele, com a cabeça baixa.

Parece que ela fez o melhor que pôde para dar um belo espaço e receber Ainz. Foi muito
emocionante ver os sinais de seu trabalho e dedicação, isso podia ser visto em todos os
cantos da sala. No entanto, esta sala era muito mais simples do que Nazarick. Talvez Aura
se sentisse envergonhada disso.

Não é assim tão ruim...

Ainz — Suzuki Satoru — tinha sido originalmente uma pessoa simples, então ele real-
mente não se importava. Embora seu quarto como mestre de Nazarick fosse luxuoso, às
vezes o luxo excessivo fazia com que ele se sentisse desconfortável. Ele podia relaxar um
pouco nesse lugar, então era muito bom.

Eu quero uma sala de oito tatames. Talvez eu deveria secretamente definir uma em algum
lugar. Ah, eu preciso recompensar meus subordinados. Preciso dizer a Aura que estou satis-
feito com o trabalho dela.

As pessoas precisam agradecer e confiar nos outros por seu trabalho se quiserem ter
sucesso.
Ainz lembrou-se de quando ele estava fazendo uma tarefa em certa empresa e ouvira
algo da sala do diretor. Ele não sabia quem havia dito isso, mas era uma frase realmente
maravilhosa. Isso o fez pensar que era como um superior ideal deveria ser.

Você precisa expressar a gratidão em seu coração. Se você não elogiar o seu pessoal, eles
não vão trabalhar... algo assim?

“Perdoe-me por manter você aqui, Aura. Eu não estou nem um pouco insatisfeito. Estou
muito satisfeito com o seu trabalho, e é bem parecido com Nazarick porque você o deco-
rou para mim.”

“...Sim.”

Os olhos de Aura se arregalaram levemente. Ainz não sabia se isso contava como con-
solá-la, mas ele estava sem idéias. Tudo o que ele podia fazer era tentar blefar, olhando
em volta.

A sala ainda cheirava a madeira.

Em circunstâncias normais, teria sido melhor voltar a Nazarick do que ficar neste lugar
quase indefensável. Isso porque, sem a aplicação de magias defensivas, esse local era
pouco mais que uma casa de papel machê. Por outro lado, esse era um ótimo lugar para
se usar como isca para atrair um peixe grande.

Estava bem longe do lago, então qualquer um que pudesse persegui-los aqui — se hou-
vesse algum — provavelmente seria um jogador de YGGDRASIL ou pessoas de poder
comparável a eles.

Em outras palavras, este lugar foi construído para levar o ataque de um oponente pode-
roso.

Era perigoso, claro. Mas Ainz sentiu que não conseguiria pegar os filhotes de tigre sem
entrar em seu covil.

Então eles ainda não vieram. Ou será que... esta operação também falhou? Enfim... o que é
aquilo?

“...Aura, uma pergunta para você. O que é aquilo ali?”

O olhar de Ainz fixou em uma cadeira branca dentro da sala. Tinha um encosto alto e
parecia muito sólido. Devido à requintada perícia que havia entrado em sua construção,
ela facilmente se qualificava como uma obra de arte. Bem, contanto que alguém não con-
siderasse uma única coisa.

“É um pouco simples, mas é um trono que foi feito especialmente para o senhor.”
Um dos subordinados por trás dele — Demiurge — respondeu com confiança em nome
de Aura. Tendo antecipado isso, Ainz continuou perguntando:

“...E esses ossos que serviram para construí-la?”

“Eles vieram de todos os tipos de animais. Eu selecionei ossos escolhidos de Griffons e


Wyverns.”

“...Entendo... então é isso...”

Este trono de ossos não era mobília de Nazarick, então era provavelmente algo que De-
miurge fizera do lado de fora antes de trazê-lo para cá. Além disso, a construção do trono
parecia usar muitos ossos humanos ou semi-humanos. Mesmo sem manchas de sangue
ou carne e sendo completamente feito de ossos brancos puros, ele ainda imaginava que
podia sentir o cheiro do sangue.

Ligeiramente enojado, Ainz hesitou em sentar-se ou não. No entanto, seria difícil sim-
plesmente ignorar uma cadeira que tinha sido feita especialmente para ele. Dito isto, se
ele tivesse uma boa razão, seria um assunto diferente.

Ainz pensou sobre o assunto, e então ele de repente juntou as mãos.

“...Shalltear, lembro-me de dizer que puniria você em outra ocasião, não foi? Decidirei
isso agora. Sim... eu vou te humilhar.”

“Sim!”

Shalltear parecia surpresa por ter sido mencionada.

“Ajoelhe-se e abaixe a cabeça. Se apoie em suas mãos e joelhos no chão.”

“Sim!”

Confusa, Shalltear foi até o local indicado por Ainz — o centro da sala — antes de entrar
em uma posição suplicatória.

Depois de se mover para o lado de Shalltear, Ainz imediatamente sentou em suas costas
esbeltas.

“—Ai-Ainz-sama!”

O grito de surpresa da Shalltear soou como algo como “Heinzsh-sama”. Ela parecia em
pânico, mas permaneceu imóvel, porque Ainz estava sentado de costas.

“Você está aqui para ser minha cadeira, entendeu?”


“Sim!”

Ainz se virou da anormalmente feliz Shalltear e olhou para Demiurge.

“—Perdoe-me, Demiurge. Me sentarei aqui hoje.”

“Entendo! Quão notável! Pensar que se sentaria em cima de uma Guardiã! De fato, essa
é uma cadeira que ninguém pode fazer — em outras palavras, um assento apropriado
para um Ser Supremo. Ainz-sama, o senhor superou minhas expectativas mais uma vez.
Como esperado de um Supremo!”

“Cer... Certo...”

Demiurge estava radiante enquanto bradava sua lealdade ao seu mestre. Ainz não tinha
idéia de por que ele estava sorrindo tão brilhantemente e se afastou desconfortavel-
mente. Então, uma linda mulher que era toda sorridente se dirigiu a Ainz.

“Perdoe-me, Ainz-sama, posso me ausentar por um momento? Eu voltarei em breve.”

“Qual o problema, Albedo? Não importa, tudo bem. Pode ir.”

Depois de agradecer Ainz, Albedo saiu da sala. Depois disso, ouviu-se uma voz feminina
gritando “DORYAAAAA!” de fora da sala, seguida por um tremendo impacto contra a pa-
rede, que fez a casa tremer violentamente.

Cerca de um minuto depois, Albedo voltou para a sala em silêncio, com seu habitual
sorriso gentil no rosto.

“Estou de volta, Ainz-sama. Ah sim, Aura, eu acidentalmente esbarrei na parede quando


saí, parece que danificou um pouco. Você poderia consertar mais tarde? Me desculpe por
isso.”

“Ah, er, tudo bem... ok~ eu consertarei.”

Ainz suspirou, engolindo muitas das coisas que ele queria dizer. Ele recordou seu olhar
que quase se afastou e olhou para o cajado que irradiava uma aura maligna.

Obviamente, ele não traria o verdadeiro Cajado de Ainz Ooal Gown para um lugar tão
perigoso. Este foi um tipo experimental, que foi construído em imitação da Arma da Gui-
lda. Depois de ajustá-lo com itens mágicos usados para testes de efeitos especiais na Te-
souraria, parecia quase como a coisa real, e era um bom chamariz.

A guilda se dispersaria se a Arma da Guilda fosse destruída. Portanto, ele não poderia
carregá-la casualmente com ele. Estava atualmente sob os cuidados da Guardiã do San-
tuário das Flores de Cerejeira no 8º Andar.
Eu considerei contramedidas contra o Anel sendo roubado também, mas eu simplesmente
não consigo encontrar um lugar onde eu possa conduzir o experimento...

Enquanto Ainz pensava sobre isso, o corpo de Shalltear de repente se contraiu. Esse
movimento parecia um ajuste para que Ainz pudesse sentar-se mais confortavelmente.
Uma sensação bizarra de desconforto levou Ainz a olhar para a nuca de Shalltear.

Ela estava ofegante.

Ele provavelmente era muito pesado para ela. As costas de Shalltear que ele sentava
eram quase tão finas quanto as de uma garota de 14 anos e era bastante esbelta. Pensar
que um adulto estaria sentado em um encosto tão esbelto era bem inusitado. Ainz estava
profundamente convencido de que ele era um pervertido vergonhosamente cruel e que
tinha ido longe demais.

Shalltear, um NPC feito por um de seus amigos do passado, Peroroncino. Com toda a
certeza, ele não esperava que Shalltear acabasse sendo atormentada assim. Isso delibe-
radamente era uma ação que envergonhava seus antigos companheiros, Ainz acreditava
que isso também era uma forma de punição para si mesmo. No entanto, ele agora perce-
beu que ele era tolo por ter pensado assim.

Pensar que estou realmente torturando a Shalltear assim... eu não tenho mais salvação.

“Shalltear, está desconfortável?”

Se for, então eu vou parar— assim que Ainz estava prestes a dizer isso, Shalltear olhou
para trás, olhando para Ainz. Seu rosto estava vermelho e seus olhos ardiam intensa-
mente.

“NEM PENSAR! Na verdade, sinto que isso é praticamente uma recompensa!!”

Cada palavra que ela falava carregava o calor dentro de seu corpo, e seus olhos vidrados
refletiam o rosto de Ainz. Sua língua vermelha brilhante lambia seus lábios, deixando um
brilho sedutor. A forma como o corpo dela se contorcia ligeiramente lembrava uma cobra.

Não havia como confundir isso com nada além de desejo carnal.

“...Uwah...”

Isso o fez querer fugir.

Ainz quase se levantou.

Eu não posso, como eu poderia fazer isso?


Isso era uma punição para Shalltear, e o erro de Shalltear foi por causa do erro de cálculo
de Ainz. Portanto, resistir ao impulso de se levantar também era uma maneira de se punir.

Ainz esmagou a crescente onda de emoções complexas dentro dele.

Ele tentou ao máximo suportar a cadeira ofegante que se agitava abaixo dele. Mesmo
assim, ele não pôde deixar de imaginar:

Afinal, o quão pervertida você a fez, Peroroncino!?

“...Então, vamos falar de negócios. Os Lizardmen estão tão assustados quanto o espe-
rado?”

“Certamente, Ainz-sama.”

“Isso mesmo, basta olhar para os rostos dos Lizardmen.”

Ainz riu ao ouvir as respostas dos Guardiões. Na verdade, ele mal podia dizer como as
expressões dos Lizardmen haviam mudado. Mesmo os Lizardmen se parecendo mais
com humanos do que com répteis, suas expressões faciais eram completamente diferen-
tes das humanas.

“Então, podemos considerar a primeira parte da impressão que Cocytus fará com su-
cesso.”

Ainz suspirou de alívio.

Ele esperava nada menos que uma magia de Super-Aba, que só podiam ser usadas qua-
tro vezes ao dia. Ainz tinha contrariado seu modo de pensar e usou — 「Creation」 —,
se isso não os impressionasse, então tudo o que ele poderia dizer era que fracassou.

“Então, Demiurge, quando terminará de contabilizar as informações sobre até que


ponto o lago foi congelado?”

“Ainda estamos reunindo os dados relevantes, mas o raio de congelamento foi maior
que o esperado, o que apresenta algumas dificuldades. Se possível, espero que nos seja
dado um pouco mais de tempo.”

Ainz estendeu a mão para impedir Demiurge de genuflectir e, em seguida, segurou o


queixo com a mão esquelética antes de cair em contemplação. Parece que o raio efetivo
da magia era maior do que ele imaginava, mas como um experimento mágico, foi um
grande sucesso.

「Creation」 uma magia de Super-Aba que poderia mudar os efeitos especiais do ter-
reno. Em YGGDRASIL, alguém poderia usá-la para afastar o calor em regiões quentes ou
para suprimir o frio congelante de áreas congeladas.
Na verdade, ele poderia ter os intimidados até a submissão sem usar magia de Super-
Aba.

No entanto, ele havia usado de qualquer maneira porque queria realizar um experi-
mento sobre o tamanho do raio da magia. Em YGGDRASIL, 「Creation」 poderia afetar
uma área bastante grande, e quando eles testaram isto em Nazarick, conseguiu cobrir o
todo do 8º Andar. No entanto, eles não sabiam como se sairia ao ar livre.

Em YGGDRASIL, poderia cobrir uma área, mas ele queria saber o tamanho dessa zona
neste mundo. Seria demais se ele colocasse em uma planície e cobrisse toda a planície.

De certo modo, parecia forte demais se cobria todo o lago. Parece que deveria ter muito
cuidado ao usar magia Super-Aba.

“Então, Aura, e a nossa rede de segurança?”

“Sim! Despachamos os undeads que pegamos emprestado de você para patrulhar den-
tro de um raio de dois quilômetros, mas não tivemos nenhuma invasão excepcional. Além
disso, enviei algumas das minhas feras mágicas que são adeptas do reconhecimento para
patrulhar um raio de quatro quilômetros ao nosso redor, mas ainda não há relatos de
algo suspeito.”

“Mesmo... Nosso inimigo pode fazer sua abordagem por alguns meios perfeitamente in-
detectáveis. Você já se preparou contra isso?”

“Vai ficar bem. Shalltear estava me ajudando, então também implantamos undeads que
são bons em vigilância.”

“Muito bom.”

Aura era toda sorrisos depois do elogio de Ainz. Sua depressão anterior estava longe de
ser vista.

“Ainda assim, a pessoa que usou o item World-Class em Shalltear ainda não fez um mo-
vimento, mesmo depois de nos expormos assim?”

Todos os olhos estavam em Ainz quando ele fez essa pergunta novamente, mas ele não
estava direcionando isso para ninguém em particular.

“Por que a oposição não está espionando este lugar e Nazarick?”

“Será que o inimigo está de olho em nós com um Item World-Class que o torna imune à
vigilância comum?”

Ainz inclinou a cabeça em confusão depois que Demiurge respondeu com sua pergunta.
“...Eu usei o Momon porque achei que eles poderiam usar esses meios... se o inimigo usa
Itens World-Class para nos espionar, eles não poderão observar Momon, já que ele tam-
bém possui um Item World-Class. Portanto, venho operando no pressuposto de que eles
estarão usando observação fisicamente ou diretamente... bem, pode ser magia também,
mas em resumo, eu tenho presumido que eles usarão métodos mais convencionais para
manter os olhos em nós...”

Ainz sentiu que os Guardiões ao seu redor pareciam intrigados, e ele percebeu que sua
explicação não estava suficientemente clara.

“Bem... como eu vou colocar isso... no passado, nós já possuímos uma mina que produzia
um metal raro. O preço era bem alto porque o monopolizamos, então um grupo de pes-
soas planejou roubá-lo de nós. Naquela época, nossa oposição usava Ouroboros. Esse é
um dos itens World-Class conhecidos como Os Vinte.”

Ainz estreitou os olhos.

Ele ficara furioso quando a mina fora roubada, mas, pensando nisso agora, era uma boa
lembrança. Era verdade, mesmo quando ele se lembrava de como tinham sido caçados e
perdido alguns poucos equipamentos raros.

“O quê!? Alguém realmente ousou tomar o território que havia sido reivindicado pelos
Seres Supremos? Imperdoável! Por favor, nos ordene para caça-los imediatamente!”

Ainz apressou-se a desviar o olhar quando ouviu Albedo desabafar sua raiva.

Ele viu todos os Guardiões fervendo de hostilidade e intenção assassina. Mesmo o De-
miurge sempre sereno tinha uma expressão selvagem no rosto. Isso não foi tudo; Ainz
podia vislumbrar a determinação roubando o rosto tímido e reservado de Mare.

Aliás, Ainz não podia ver a expressão de Shalltear por conta de ela ser uma cadeira, mas
ele podia sentir o corpo dela tenso, enviando-lhe a vontade de ferro em seu traseiro.

“Acalmem-se! Isso está no passado.”

Ainz levantou a mão para ordenar que os Guardiões esfriassem suas cabeças. Embora
parecesse que tinham recuperado um pouco a compostura, ainda pareciam instáveis,
como magma fluindo sob a superfície. Ainz decidiu pegar o tópico anterior para mudar
de assunto.

“Nosso inimigo usou o Ouroboros e tornou impossível para nós entrarmos no mundo
onde a mina estava. Eles provavelmente usaram esse tempo para procurar e encontrar a
mina. Quando o selo foi quebrado e pudemos entrar no mundo, descobrimos que a mina
já havia sido levada.”
Eles haviam lutado de forma imprudente para retomar a mina e uma grande quantidade
de membros da guilda havia morrido pelo menos uma vez, mas Ainz resistiu à vontade
de falar sobre isso.

“Então, isso que eu queria usar como comparativo. Mesmo eu dizendo que o mundo es-
tava selado, pessoas com itens World-Class ainda poderiam entrar naquele mundo. Por-
tanto, deve ser impossível que eles nos identifiquem mesmo que usem Itens de World-
Class para vigilância.”

Enquanto Ainz escutava os suspiros de iluminação de seus subordinados, ele se pergun-


tou se era realmente o caso.

Era muito provável, mas não havia provas de que não pudessem ser encontrados.

Quando o Five Elements Overcoming — um dos Os Vinte, assim como Ouroboros — foi
usado, a empresa enviaria uma mensagem para todos os titulares de itens World-Class.
Além de um pedido de desculpas, eles também incluíram um item como compensação. O
pedido de desculpas foi: “Caros donos de itens World-Class, você não deveria ter sido
afetado por mudanças no mundo, mas aprendemos que manter seus dados inalterados
será uma tarefa muito difícil para o sistema. Portanto, estamos fazendo uma exceção es-
pecial e também alterando seus dados.”

Portanto, ele não poderia concluir que era uma defesa perfeita. Ainda assim, esse inci-
dente foi um caso especial.

Um dos Itens World-Class da Ainz Ooal Gown estava defendendo Nazarick e, tinha o
efeito de proteger contra magias de adivinhação. Se tal item não pudesse bloquear a vi-
gilância dos Itens World-Class, então seria sem sentido sua existência.

“Portanto, sinto que o inimigo tentará se aproximar de Momon... mas até então, só vie-
ram até ele mães que seguravam filhos recém-nascidos ou aventureiros.”

Os que se aproximavam imploravam que ele tocasse a cabeça de seus filhos na espe-
rança de que eles crescessem fortes, ou pediram para cumprimentá-los na esperança de
se tornarem mais fortes. Nenhum deles pediu para falar com ele em particular.

Portanto, Ainz havia criado muitas aberturas como essa de propósito, esperando que o
inimigo fizesse um movimento.

Não dar a Cocytus um item World-Class fazia parte desse plano. Ainz pretendia usá-lo
como isca para atrair a oposição. Seu inimigo era temível precisamente porque ele não
conhecia sua identidade. Sendo esse o caso, aprender sobre seu oponente provavelmente
os ajudaria a encontrar uma maneira de lidar com eles.

“Posso compartilhar minha humilde opinião sobre este assunto?”


“O quer seria, Albedo?”

“Ainz-sama, como o senhor disse agora, seu objetivo é adivinhar a identidade do inimigo
e aprender mais sobre eles. Nesse caso, não é possível que o inimigo não esteja disposto
a se aproximar porque ainda não foi exposto?”

Ah...

“Está tudo bem, Albedo. Eu considerei esse ponto também.”

Até parece. Ainz já havia assumido que seu inimigo era como ele e gostaria de aprender
sobre sua oposição.

...Que gafe. E se eu estiver fazendo tudo errado desde o começo?

“Me perdoe. Além disso...”

Albedo, por favor, pare—

Ainz não podia se obrigar a implorar isso dela. Ele sentiu como se tivesse terminado um
exame de múltipla escolha, e então, quando verificou o gabarito, descobriu que todas as
suas respostas foram incorretamente deslocadas abaixo das corretas.

“Há a questão de anunciar que a Shalltear foi derrotada por um item mágico...”

“Sim. Eu relatei o mesmo para a Guilda. Isso foi para evitar que as pessoas temessem a
força de Momon. Cristais com magias seladas por si só, são itens extremamente raros,
então quebrar um para um experimento deve ser difícil. Portanto, dizer que o Cristal Se-
lado saiu de controle — que o monstro foi derrotado através do uso de um item mágico
— é mais convincente e significa que menos pessoas ficarão de guarda contra o Momon.”

“De fato, é como você diz. Funcionaria bem contra pessoas que pensam que cristais de
selagens de magias são itens raros.”

A sutilidade nas palavras de Albedo em sua declaração fez com que Ainz se sentisse
muito desconfortável.

“...No entanto, e se o nosso inimigo tivesse vários desses cristais como o senhor, Ainz-
sama?”

“...Hm? Ah, então é isso que você quer dizer.”

Ainz fez um show de percepção repentina, mas ele não tinha idéia do que ela queria
dizer.
Então, e se a oposição tivesse muitos desses cristais? O fato era que eles de fato são itens
muito valiosos neste mundo. Albedo estava preocupada com o fato de alguém quebrar
um cristal como uma experiência?

Ainda assim, não se sentia assim.

Uma sensação de mau presságio encheu o coração de Ainz. Ele queria que Albedo se
explicasse, mas ele se ressentia de ter a pretensão de conhecimento que havia colocado
agora.

Pensando a fundo, é realmente certo se eu agir como um governante e decidir a direção de


Nazarick? E se eu acabar nos levando para um iceberg?

Ele queria fugir de tudo isso e acabar com esses medos.

Incapaz de suportar a tensão da liderança — que só foi amplificada quando ele estragou
tudo com seu medo de ser julgado —, ele chorou dentro de sua alma.

No entanto, ele não poderia simplesmente fugir. Já que se chamava Ainz Ooal Gown, ele
não podia abandonar as coisas — os NPCs e os tesouros de Nazarick — que seus amigos
haviam feito. O mais importante era que ele não queria se tornar um pai inútil.

Às vezes me preocupo se você vai trair, abandonar ou desistir de mim. No entanto, isso
significa apenas que eu tenho que ser o Ainz Ooal Gown que você acredita e espera que eu
seja.

Portanto, Ainz colocou uma máscara de confiança, a pose de um governante com grande
confiança em si mesmo, algo que ele havia praticado no espelho.

“Não se preocupe. No entanto, entendo seu desconforto.”

Então, Ainz olhou em volta.

“Albedo... compartilhe suas preocupações com os outros Guardiões.”

“Ah sim! Se a oposição possuir múltiplos cristais como o senhor, Ainz-sama... qualquer
um que conheça suas habilidades provavelmente verá essa notícia imediatamente. Em
outras palavras, eles acreditarão que a Shalltear não foi derrotada pelo cristal. Embora o
inimigo não soubesse se a Shalltear lutava com todas as suas forças, qualquer um com
um Item World-Class provavelmente pensaria que Shalltear e Momon eram de força
equivalente. Portanto, eles provavelmente considerariam o Momon — um misterioso
guerreiro que apareceu de repente em E-Rantel — uma ameaça, não? Além disso, a opo-
sição também pode suspeitar de algo sobre a ligação entre Shalltear e Momon...”

“...Albedo e Guardiões. O que vocês acham que o inimigo fará a seguir?”


“Permita-me responder, então. Eu sinto que se o nosso inimigo pretende se opor ao se-
nhor, Ainz-sama, eles irão responder espalhando rumores de que Momon e a Vampira
estão juntos — mesmo que não haja base para eles — e atacarão Momon. Nossa oposição
certamente não desejará que Momon se torne mais e mais famoso.”

Uwah...

Ainz gemeu internamente.

Seu objetivo original de ir a E-Rantel era coletar informações, mas seu objetivo principal
era tornar a persona de Momon famoso — e também para fugir um pouco de ser gover-
nante. O plano original era transformar Momon em um grande herói e depois revelar sua
verdadeira identidade, com o que a fama e a glória que ele acumulara seriam transferidas
para Ainz Ooal Gown, e ressoariam no mundo inteiro.

Além disso, serviria também para mostrar que a antiga guilda de PK havia mudado sua
imagem, lutando contra a injustiça através do nome de Momon. Mas agora, esses planos
eram pouco mais que bolhas de sabão desaparecendo ao vento.

“Oh? Demiurge, eu tenho uma pergunta. Não seria mais prejudicial espalhar os rumores
de trabalhar com a Vampira depois que ele se tornasse famoso?”

“Aura, fazendo isso na época, seria um movimento ruim. Uma vez que o Ainz-sama seja
suficientemente famoso, as pessoas considerariam esses rumores como fofoca maliciosa.
Mas essa reputação deve ser eliminada antes que cresça e se torne difundida.”

“Uma observação muito astuta, Demiurge.”

Ainz assentiu magnanimamente em resposta a curvatura de Demiurge, como se ele es-


tivesse pensando a mesma coisa também.

“Então, eu tenho outra pergunta. Se esse é o caso, por que o inimigo não espalhou esses
rumores ainda?”

Demiurge levantou um dedo depois de ouvir a pergunta de Ainz.

“Em primeiro lugar, o inimigo não concluiu sua investigação sobre Momon-sama. Se
descobrirem que Momon-sama derrotou Shalltear em combate aberto, eles desejariam
evitar incorrer em sua ira, ou talvez eles gostariam de recrutá-lo para o lado deles. Em
segundo lugar—”

Ele levantou outro dedo.

“E se a oposição só encontrasse Shalltear por acaso? Ou se eles a encontraram a caminho


de outro objetivo, talvez até grupos terceirizados?”
“Isso não é possível, não é mesmo, Demiurge. Quão improvável seria isso...”

Ainz disse isso, mas em seu coração, ele percebeu que não era impossível.

Ele estava decidido que este era um ataque contra a Shalltear — ou pessoalmente a
Grande Tumba de Nazarick. No entanto, Shalltear foi atacada pouco depois de todos te-
rem sido trazidos para este novo mundo. Nessas circunstâncias, seria necessária uma
precisão sobrenatural para atacar justamente a Shalltear.

Estaria ele sendo excessivamente paranoico na existência de um mentor de todas essas


coincidências?

Ainz estreitou os olhos — os pontos de luz vermelha nas órbitas dos olhos.

Em última análise, a falta de informação ainda era um problema. Ele não tinha mão de
obra suficiente e precisava de mais força.

De qualquer forma, o maior problema atualmente é a falta de uma rede de coleta de


informações.

Atualmente, ele ordenou que Sebas lidasse com esse tipo de trabalho. No entanto, havia
um limite para a quantidade de inteligência que um número limitado de pessoal de inte-
ligência poderia reunir. No início, ele só queria aprender os fatos básicos deste mundo,
mas eles estavam agora em um estágio em que tais informações não eram mais suficien-
tes.

Eles não conseguiam aprender o suficiente se passando por aventureiros e comercian-


tes. Era a mesma diferença entre um cidadão comum e um funcionário de alto escalão do
governo tinham acesso a informações de importância diferente.

Além disso, ele não tinha idéia de que tipo de pessoa poderia analisar os dados coletados
e determinar se alguma informação em particular era ou não importante.

“Espero que não. De qualquer forma, nosso principal desafio agora é a falta de informa-
ção. Nossas mãos estão amarradas porque temos que ter cuidado com um inimigo invi-
sível...”

Demiurge lançou um sorriso conspiratório para Ainz quando o ouviu resmungar.

“Nesse caso, por que não procurar uma nação para apoiá-lo?”

Depois de um breve silêncio, Albedo disse “Oh” para indicar que ela entendia. Logo, Ainz
fez o mesmo barulho.

“Entendo, Demiurge. Então foi isso que você quis dizer.”


No entanto, os outros três Guardiões ainda pareciam bastante confusos. Depois disso,
Aura perguntou primeiro:

“Ainz-sama, o que seria isso tudo?”

Assim que Aura fez essa pergunta, Ainz agradeceu que ele não tinha nenhuma expressão
facial.

“Honestamente... Mare, Shalltear, vocês não entendem o que o Demiurge estava ten-
tando dizer?”

Os dois balançaram a cabeça em negação ao mesmo tempo.

“Entendo. Então não há nada que podemos fazer. Diga a eles, Demiurge.”

“Sim, entendido. Pessoal. Ainz-sama está preocupado com a existência de um inimigo


oculto e poderoso. Eu sinto que se encontrarmos o inimigo e eles forem hostis a nós,
precisamos ter algum tipo de alavancagem que possamos usar durante as negociações.”

Sensei, eu não entendi — esse olhar apareceu nos rostos de três estudantes e um adulto.
Demiurge-sensei pareceu perceber que sua explicação era muito complicada e decidiu
continuar explicando depois de se emburrar para se igualar aos estudantes.

“O que você faria se o Ainz-sama fosse dominado por algum item World-Class?”

“Eu mataria o desgraçado que fez isso.”

“...Não, não é isso que quero dizer, Aura. O que estou tentando dizer é, você não acha que
o fato de ser controlado pela mente contaria como um álibi? O fato é que há pessoas por
aí que realmente podem dominar sua oposição com Itens World-Class, então podemos
dizer de maneira convincente que o Ainz-sama foi controlado por um Item World-Class.”

A Assistente Albedo completou a palestra do Sensei Demiurge:

“Em outras palavras, fingindo apoiar outro país, temos uma desculpa para qualquer
ação que Nazarick faça. Ao dizer que fomos ordenados a fazê-lo por aquele país e não
tivemos escolha a não ser obedecer, poderíamos usar isso para desviar a culpa de nós
mesmos, assumindo que existe um inimigo que possa rivalizar conosco. Além disso, se a
outra parte não quiser um conflito aberto, eles não terão outra escolha senão aceitar isso.”

“Entendo ~arinsu... então, mesmo que alguém estivesse infeliz com o que nós fizemos,
contanto que tivéssemos uma boa razão, nós poderíamos arrastar um terceirizado para
se tornar nossos aliados... então é isso, como esperado de Ainz-sama...”

Ainz estendeu a mão e acariciou a cabeça de Shalltear a cadeira. Era como um chefe da
máfia acariciando um gato siamês.
“Demiurge veio com essa idéia, não eu, então o seu agradecimento deve ir para ele.”

“Não, não é verdade. Parece que já tinha chegado à mesma resposta, Ainz-sama.”

“Ah, er... hum. Parece que estou assumindo o crédito por todo o seu trabalho. Me des-
culpe por isso. Além disso, acredito que será mais fácil obter informações se apoiarmos
outro país.”

Um país provavelmente teria a rede de coleta de informações que eles estavam traba-
lhando para construir. Sendo esse o caso, infiltrar-se com as pessoas de Nazarick deve
ser muito melhor para coletar informações úteis.

Demiurge sorriu ao pensar que sua sugestão tinha sido útil em algo que incomodara
Ainz, e nas palavras de Ainz, que pareciam confirmar suas opiniões e de Albedo.

“De fato.”

Ainz estava ciente do subtexto: “Parece que já tinha chegado a mesma resposta.”

“Ah, de fato. Como esperado de Ainz-sama — e pensar que teria idéias tão excepcionais...
nesse caso, até formas de vida inferiores, como seres humanos, poderiam ser surpreen-
dentemente úteis.”

Depois que Albedo falou, os outros Guardiões — incluindo Shalltear a cadeira — olha-
ram para Ainz com olhos brilhantes cheios de pura lealdade.

Ainz se sentiu muito desconfortável, mas se consolou com o fato de que os dois pinácu-
los de inteligência haviam aprovado.

“Então... vamos encontrar um país para nos infiltrarmos. Qual país será?”

“Se escolhermos dos países vizinhos, teremos o Reino, o Império e a Teocracia.”

“Que, que tal um país que está mais longe? Quer o dizer, o Conselho Estadual ou o Reino
Sacro...”

“Eu preferiria não selecionar um país distante, e preferiria não fazer contato com a Te-
ocracia antes de aprendermos o suficiente sobre eles. Isso deixa o Reino e o Império... a
julgar pelo relatório de Sebas, o Reino não é particularmente interessante. No entanto...
este assunto requer um estudo mais aprofundado. De todo modo—”

Ainz interrompeu a conversa, estendendo a mão para o espelho.

“Nós demos os Lizardmen algum tempo. Vamos ver se eles fizeram algo inesperado.”
Uma vista aérea da aldeia dos Lizardmen apareceu no Mirror of Remote Viewing.

Ainz estendeu a mão para o espelho e com uma sutil mudança de sua mão, ele mudou o
cenário que mostrava.

Naturalmente, ele começou ampliando a imagem.

Desta forma, eles podiam ver todos os detalhes dos preparativos dos Lizardmen para a
batalha.

“Que esforço fútil...”

Demiurge murmurou gentilmente olhando para os Lizardmen.

Vamos ver onde estão eles? É difícil distinguir um Lizardman de outro.

Ainz franziu a testa enquanto procurava pelos seis Lizardmen que ele havia visto antes.

“Oh — tem aquele de armadura. Esse é o sujeito que atira pedras? E então, aquele com
a espada grande está aqui. As diferenças estão distintas. Talvez cores, equipamentos ou
variações físicas óbvias sejam boas maneiras de diferenciá-las... ah, há uma aquela dis-
tinta.”

Depois disso, Ainz mudou a imagem do espelho em confusão.

“...Eu não vejo aquela Lizardman branca e aquele com uma arma mágica.”

“Hm... aquele que se chama Zaryusu?”

“Ah, isso mesmo, esse é o nome dele.”

Depois que Aura o lembrou, Ainz lembrou-se do nome do Lizardman que se adiantou
para negociar com ele.

“Ele poderia estar em sua casa?”

“Possivelmente.”

O Mirror of Remote Viewing não pôde espiar dentro de estruturas. No entanto, isso ape-
nas em circunstâncias normais.

“Demiurge, me traga a mochila do infinito.”

“Entendido.”
Se curvando, Demiurge pegou tal mochila que estava na mesa que tinha sido deslocada
para o canto da sala antes da entrada de Ainz. Ainz retirou um pergaminho dela.

Depois disso, ele ativou a magia inscrita dentro dele.

A magia produzia um sensor invisível e incorpóreo. Não podia penetrar barreiras mági-
cas, mas podia passar por paredes convencionais, independentemente da sua espessura.
Se não pudesse passar através das paredes, isso implicaria que havia um poderoso ini-
migo presente, e eles tinham que ser cautelosos.

Ele fundiu o sensor ao Mirror of Remote Viewing, para que os Guardiões pudessem ver
o que Ainz podia ver. Então ele moveu o sensor flutuante, parecido com um olho.

“Vamos ver o que há dentro desta casa.”

Ainz selecionou uma das casas mais próximas — sua cobertura estava um tanto degra-
dada — e enviou o sensor para dentro. Apesar da escuridão do interior, parecia tão bri-
lhante quanto o dia através dos olhos do sensor.

A Lizardman branca estava pressionada contra o chão da casa. Sua cauda estava levan-
tada e havia um Lizardman preto montado nela.

Ainz estava totalmente confuso.

Por um momento, ele não tinha idéia do que estava acontecendo. No momento seguinte,
ele não tinha idéia de por que eles estariam fazendo algo assim em um momento como
este.

Depois disso, Ainz rapidamente conduziu o sensor para fora.

“...”

Ainz agarrou sua cabeça em um momento de fraqueza infinita. Os Guardiões ao seu re-
dor não tinham idéia do que dizer e olhavam para o chão com expressões intrigadas em
seus rostos.

“—Isso foi muito desagradável. Cocytus vai atacar a qualquer momento e eles ainda es-
tão se entregando!”

“Exatamente!”

“Er, ah, um s-sobre isso...”

“Demiurge está certo! Precisamos fazer os dois sofrerem ~arinsu!!”

“Eu estou com inveja...”


Ainz acenou com a mão para silenciar os Guardiões.

“...Esqueça, todos eles estarão mortos em breve. Uma vez vi um filme que dizia que situ-
ações como essas estimulam o desejo de propagar a espécie.”

Ainz assentiu, certo de sua opinião.

“De fato, é assim!”

“Bem, se isso é tudo, provavelmente devemos perdoá-los.”

“Exatamente!”

“Er, ah, um s-sobre isso ...”

“Eu concordo com o Demiurge-sama...”

“...Silêncio, todos vocês.”

Depois que os Guardiões ficaram em silêncio, Ainz suspirou.

“...Bem, creio que perdi minha motivação. Não importa, provavelmente não há ninguém
com quem se preocupar na aldeia Lizardman. Ainda assim, não podemos ser descuidados,
porque alguém pode estar se dirigindo para nós agora. Aura...”

Ainz congelou e olhou para os gêmeos.

DROGA! O que eu faço agora!? Esses dois ainda não receberam educação sexual... não, é
cedo demais para isso!

Ainz de repente entendeu como era para um pai ver uma cena indecente na televisão
durante uma reunião de família.

Droga, como um pai ou uma mãe responderia se eles perguntassem de onde os bebês vie-
ram? Nada bom! Eu não posso acreditar que eu deixei os filhos de Bukubukuchagama ve-
rem isso — no entanto, ainda não é tarde demais. Ignorando Albedo, Demiurge... bem, ele
provavelmente os ensinaria de uma perspectiva clínica. Shalltear... não, ela nem pensar.
Lidarei com isso outro dia.

Depois de empurrar a pergunta para o fundo de sua mente, Ainz tossiu e perguntou:

“Se a rede de segurança pegar qualquer coisa, todos os Guardiões — inclusive eu — sa-
irão juntos.”
Se houvesse outros jogadores por perto, ele não concordaria em poupar os Lizardmen.
Se eles não se tornassem aliados, teriam que ser exterminados para evitar vazamentos
de informações. Se chegasse a esse ponto, eles destruiriam a aldeia, mesmo se tivessem
que recorrer a todas as forças do 8º Andar para fazer isso.

Ainz pôs de lado a culpa que sentia por violar sua promessa a Cocytus. Uma mentirinha
boa seria melhor aceita por uma boa causa.

“...Agora, o show está prestes a começar... vamos assistir o Cocytus em ação.”

Parte 2

As quatro horas passaram num piscar de olhos.

O pântano congelado havia muito tempo derretido e os guerreiros estavam reunidos ali
— no portão principal da aldeia. Após a intensa batalha de antes, havia poucos e precio-
sos guerreiros que sobreviveram para lutar mais essa batalha.

Havia 316 deles no total.

Ninguém, a não ser os guerreiros participariam dessa batalha, porque Shasuryu havia
dito: “Serão poucos inimigos, então muitas pessoas simplesmente atrapalhariam”.

Isso parecia uma explicação bastante lógica, mas isso não foi tudo.

Zaryusu ficou um pouco à frente dos Lizardmen e olhou para os guerreiros.

Todos foram pintados com marcas que mostravam que os ancestrais haviam descido
sobre eles. A vontade de ferro era evidente em seus rostos e eles pareciam confiantes na
vitória.

Os Lizardmen circundantes estavam aplaudindo seus guerreiros. Ainda assim, ele podia
ver algumas pessoas preocupadas no meio da multidão.

Zaryusu se esforçou para manter uma expressão indiferente, a fim de evitar que sua
inquietação aparecesse em seu rosto. Ele não queria que os outros Lizardmen soubessem
que esta batalha era essencialmente um sacrifício vivo ao Rei da Morte.

De fato, essa seria uma batalha que pretendia demonstrar o poder do Rei Undead aos
Lizardmen. Sua finalidade era erradicar completamente a própria possibilidade de rebe-
lião entre os Lizardmen. Eles não tinham chance de sobreviver, o que significava que o
subtexto por trás das palavras de Shasuryu era que “para que pudéssemos reduzir as bai-
xas ao mínimo”.
Zaryusu desviou o olhar dos Lizardmen e voltou seu olhar atento para a formação ini-
miga.

O exército esquelético permaneceu onde estava. Não havia sinal do monstro chamado
Cocytus entre eles. Zaryusu duvidou que fosse um esqueleto. Como um subordinado con-
fiável daquele Rei da Morte, como ele poderia ser um capanga no meio deles? Ele deve
ser algum ser cuja força era aparente em um relance.

Um forte barulho veio de trás do preocupado Zaryusu—

“—Hey, Zaryusu.”

—Zenberu o cumprimentou como de costume. Ele era a mesma pessoa, mesmo quando
se dirigia para a morte certa.

“O moral está no auge.”

“Bem, seria bom se pudesse ficar assim quando enfrentássemos o tal do Cocytus...”

“Sim. Oh, chegou a hora?”

Shasuryu estava no portão principal, e todos os olhos dos Lizardmen estavam nos dois
Swamp Elementals ao seu lado.

Crusch não estava aqui, pois gastou toda a sua mana na conjuração dos elementais. Es-
tava com grande exaustão física após conjurar uma infinidade de magias defensivas de
longa duração em Zaryusu, isso a deixara quase imóvel. De fato, quando eles saíram de
casa, Crusch já havia dito que desmaiaria após usar muita mana, e eles nunca mais se
veriam novamente.

Sozinho agora, Zaryusu olhou para o lugar onde Crusch estava. O jeito que ela parecia
quando se separaram fez Zaryusu se sentir como se tivesse sido esfaqueado no coração.

“Guerreiros, vamos!”

Com um grito empolgante, Shasuryu alimentou as chamas do espírito de luta dos Lizar-
dmen, e o ar estava cheio de tensão.

Ele teve que pensar como um guerreiro novamente. Zaryusu refreou seus pensamentos
alucinantes.

Os Lizardmen avançaram lentamente, liderados por Shasuryu e os dois Swamp Elemen-


tals.

Eles estavam deixando a aldeia para que não sofresse danos na luta.
Zaryusu e Zenberu seguiram atrás deles.

Nesse momento, Zaryusu de repente olhou de novo para a aldeia. Havia as paredes de
terra quebradas, os Lizardmen preocupados os observando, e—

Zaryusu suspirou baixinho e afastou todas as suas preocupações enquanto avançava.


Ele não falou o nome da fêmea que estava em seus lábios.

♦♦♦

Os Lizardmen invadiram o pântano e entraram em formação na região entre o exército


esquelético e a aldeia.

Dito isto, eles não tinham formação notória. Eles simplesmente se esparramavam para
esperar a luta. À sua frente estavam os vários chefes tribais e os dois Swamp Elementals.

O exército esquelético provavelmente estava esperando pela chegada deles. Eles bate-
ram em seus escudos e pisotearam.

Os muitos pequenos atrasos entre as passadas normalmente fariam a marcha de um


exército soar como uma chuva de excrementos de pássaros. No entanto, este exército de
undeads marchou com perfeita coordenação, produzindo um som harmonioso. Se as cir-
cunstâncias fossem diferentes, seria digno de aplausos.

Assim que os Lizardmen foram atraídos pelo som de seus movimentos, várias árvores
caíram — atrás do exército esquelético.

Havia apenas uma razão pela qual aquelas árvores gigantescas cairiam — porque al-
guém as havia derrubado.

Isso provocou uma comoção entre os Lizardmen.

Como ninguém era visível ainda, era razoável supor que várias pessoas haviam traba-
lhado juntas para derrubar aquelas árvores. No entanto, se fosse esse o caso, as árvores
estavam caindo com demasiada uniformidade. É claro, depois de ver a sincronia do exér-
cito undead, um observador poderia pensar que eles poderiam derrubar árvores com tal
precisão, mas nenhum dos Lizardmen se sentia assim.

Um pensamento bizarro passou por suas mentes — que tudo isso tinha sido feito por
um ser.

Isso porque não havia som de lâminas batendo em madeira antes que as árvores caís-
sem. Em outras palavras, pode ser possível (por mais surpreendente que seja) que al-
guma pessoa incrivelmente forte tenha derrubado as árvores com um único golpe.
Quão forte é um braço e quão poderosa seria uma arma para cortar uma árvore enorme
ao meio com um único golpe?

Os terríveis tremores das árvores que caíam misturaram-se com o som do exército es-
quelético batendo em seus escudos, e ambos se aproximaram dos Lizardmen.

A ansiedade começou a fermentar. Isso era de se esperar — quem poderia permanecer


calmo em tais circunstâncias? Mesmo Zenberu — que estava preparado para morrer —
ficou abalado, apesar de tentar esconder.

Logo, a criatura que havia aberto um caminho pela floresta finalmente apareceu. Ao
mesmo tempo, as batidas nos escudos pararam de repente.

No silêncio sobrenatural, a primeira coisa que viram foi uma massa de luz azul brilhante.
O quão mais brilhante seria se o céu não estivesse nublado?

Parecia um inseto bípede, com o corpo maciço de uns 250 centímetros de altura. Algo
entre uma formiga ou um Louva-a-deus, parecia um híbrido feito por um demônio total-
mente depravado.

Seu exoesqueleto duro estava envolto em um frio congelante e brilhava como pó de di-
amante.

Tinha uma cauda selvagem que era tão longa quanto seu corpo e cravejada de incontá-
veis pontas. Suas poderosas mandíbulas pareciam que poderiam facilmente cortar as
mãos de um homem.

Tinha quatro braços, e em suas extremidades haviam garras afiadas como navalhas,
cada uma das quais estava embainhada em uma manopla brilhante. Usava um amuleto
em formato de disco em um colar de ouro e anéis de platina ao redor dos tornozelos.

Foi assim que o ser de inigualável poder, seguidor do Rei da Morte, fez sua entrada.

♦♦♦

Esse é o Cocytus?

O coração de Zaryusu bateu forte. Inconscientemente, sua respiração ficou mais rápida.

Nenhum dos Lizardmen falou. A atenção de todos foi atraída para o monstro que se
mostrara, e eles estavam tão assustados que não conseguiam desviar o olhar.

Eles começaram a recuar lentamente sem perceber. Sejam eles guerreiros Lizardmen
que vieram com o moral alto, ou Zaryusu e os outros que vieram aqui preparados para
morrer, todos eles ficaram profundamente chocados pelo aparecimento desta entidade
inimaginavelmente poderosa.
Eu sei que o Rei da Morte não usou toda a sua força em nós, mas mesmo assim, eu não
esperava que o guerreiro que ele enviaria para lutar seriamente seria tão assustador.

Mesmo com uma magia que removeu seu medo, o impulso de fugir ainda surgiu dentro
do coração de Zaryusu. Foi um milagre que os guerreiros, que não eram protegidos por
essa magia, não estivessem atropelando uns aos outros enquanto fugiam.

Cocytus lentamente se aproximou.

Entrou orgulhosamente no pântano, passando pelo exército esquelético...

—E então Cocytus parou a cerca de 30 metros dos Lizardmen. Depois disso, seu rosto
de insectóide girou sobre o pescoço esguio, como se estivesse procurando alguém.

Zaryusu teve a sensação de que os olhos de Cocytus estavam nele.

“—Certo, Já. Que. O. Ainz-sama. Está. Assistindo, Eu. Devo. Garantir. A. Vocês. Uma.
Chance. Para. Brilhar... Contudo, Antes. Disso. 「Ice Pillar」.”

Quando a magia foi ativada, dois pilares de gelo irromperam da água entre os Lizardmen
e Cocytus, a cerca de 20 metros de distância.

“Isto. Pode. Parecer. Grosseria. Para. Os. Guerreiros. Que. Estão. Prontos. Para. Morrer,
Mas. Eu. Devo. Informar. Todos. Que. Passarem. Destes. Pilares. Encontrarão. Seus. Tú-
mulos... Quem. Cruzar. Esta. Linha. Vai. Morrer.”

Cocytus cruzou os braços, como se quisesse dizer: A escolha é sua.

“Ei ei ei, pode não parecer, mas ele é um cara decente, não é?”

Zaryusu assentiu profundamente com as palavras de Zenberu.

Então ele deu um passo à frente. Zenberu e os outros dois chefes o seguiram.

Shasuryu olhou para trás, para os guerreiros que estavam prestes a segui-lo.

“Vocês deveriam ficar aqui... não, voltem para a aldeia. Caso contrário... morrerão com a
gente.”

“O quê!? Nós queremos lutar também! É assustador, mas... mesmo que seja assustador,
ainda queremos lutar!”

“Recuar não é covardia. É preciso verdadeira coragem para viver.”

“Então—”
“Há alguns de nós que não podem cair também. Além disso, como chefes, não podemos
aceitar outras pessoas nos governando sem lutar, não?”

“Nós ainda queremos lutar, Chefe.”

“Espere um segundo! Saiam daqui jovens! Este é um trabalho para nós, os velhos!”

Um grupo de Lizardmen avançou lentamente como velhos, mas nenhum deles tinha
idade suficiente para ser considerado idoso. Havia 57 deles, e nenhum dos outros podia
dizer qualquer coisa depois de ver seus rostos.

Talvez se mostrassem que estavam prontos para morrer ou tivessem desistido de si


mesmos, talvez restassem dúvidas. No entanto, suas expressões eram um apelo para os
Lizardmen mais jovens viverem e celebrarem o milagre da vida.

Com nada mais para dizer, o resto dos guerreiros recuou.

Shasuryu se virou para encarar Cocytus mais uma vez.

“...Desculpe pela espera, Cocytus.”

Cocytus estendeu a mão para os Lizardmen e fez um movimento os chamando: o gesto


parecia dizer “Podem vir.”. Em resposta a essa provocação, Shasuryu gritou:

“AVANÇAR—!”

“Ohhhhh!”

Totalmente preparados para morrer, os Lizardmen deram voz a um grito das profunde-
zas de suas almas, um rugido que parecia dividir o próprio céu, e avançaram contra
Cocytus.

Cocytus considerou calmamente os guerreiros que o atacavam.

“...Desculpem. Meu. Desrespeito, Mas. Eu. Devo. Abater. Seus. Números.”

Cocytus tinha certeza de que ele não seria derrotado, mesmo que todos os guerreiros o
alcançassem, mas ainda assim, ele tinha que eliminar seus oponentes.

Pessoalmente falando, Cocytus teria gostado de permitir que seus inimigos chegassem
perto para que pudessem lutar. No entanto, ele havia recebido muito mais generosidade
do que merecia, e permitir que esse bando desleixado de desajustados batalhe contra um
Guardião da Grande Tumba de Nazarick seria desrespeitoso com Ainz.

Assim, ele desencadeou sua aura.


Uma habilidade derivada da profissão Cavaleiro de Niflheim — 「Frost Aura」. Esta
habilidade especial danificava e retardava o inimigo através do uso de temperaturas ex-
tremamente frias. Em plena potência, poderia até mesmo engolir os Lizardmen que es-
tavam apenas assistindo ao longe.

Então ele teve que reprimir seu poder. Ele teve que estreitar seu raio e reduzir seu dano.

Uma onda de frio congelante expandiu-se a partir de Cocytus, preenchendo instantane-


amente um raio de 25 metros de diâmetro.

A temperatura despencou após a exposição ao frio intenso, e o ar parecia grunhir.

“...Hm. Isso. Deve. Bastar...”

Ele recuou sua aura.

A exposição momentânea significava que a nevasca selvagem desaparecera como nunca


tivesse existido. No entanto, não era ilusão ou truque dos sentidos. A melhor prova disso
eram os 57 cadáveres de Lizardmen que cobriam o pântano.

Apenas mais cinco ainda permaneciam. No entanto, eles eram os cinco Lizardmen mais
fortes. Sem se incomodar com o poder de Cocytus ou com a morte de seus companheiros,
eles se moveram como um.

Uma pedra voou pelo ar. O Lizardman blindado liderou a investida, seguido por mais
dois atrás dele. Além disso, os dois Swamp Elementals tinham rachaduras por todo o lado
depois do ataque congelante, e ficaram atrás dos Lizardmen porque eram mais lentos.
Aquele na retaguarda incitou magias uma após a outra.

♦♦♦

O primeiro ataque foi uma pedra, destinada à garganta de Cocytus. No entanto, foi com-
pletamente sem sentido, porque—

“—Nós, Guardiões, Estamos. Equipados. Com. Itens. Que. Garantem. Resistência. Contra.
Ataques. À. Distancia.”

Uma barreira invisível que parecia cobrir seu corpo desviou a pedra.

A seguir continuou a investida com um Lizardman. A armadura que ele usava era uma
herança ancestral, um dos Quatro Tesouros — a White Dragon Bone. Era forte o sufici-
ente para desviar a Frost Pain, um dos Quatro Tesouros, e foi aclamada como a armadura
mais resistente entre os lizardmen.

Em contrapartida, havia uma espada que Cocytus equipou do nada, como se tivesse sido
sacada no ar.

A espada de Cocytus desembainhada era um odachi — sua lâmina de mais de 180 cen-
tímetros de comprimento, chamada God Slaying Emperor Blade. A mais afiada entre as
21 armas que Cocytus possuía.

Em seguida, ele a moveu mirando no Lizardman.

Um corte fluido ressoou calmamente passando pelo ar. Se não fosse pela situação atual,
teria sido um som que as pessoas gostariam de ouvir.

Depois desse som, o corpo do chefe e sua armadura se dividiram em duas metades da
cabeça à cauda, que caíram para a esquerda e para a direita, no pântano.

A God Slaying Emperor Blade estava intacta, apesar de ter quebrado a mais forte arma-
dura dos Lizardmen.

Os outros dois Lizardmen não pareciam afetados pela morte de seu companheiro. Eles
levantaram suas armas e executaram um ataque de pinça.
“Yeeart!”

À direita, Zenberu enviou um golpe no rosto de Cocytus, reforçando-o com 「Natural


Steel Weapon」 e 「Steel Skin」.

“Guooooh!”

À esquerda estava Frost Pain, apunhalando a barriga.

Este ataque foi calculado para explorar o fato de que armas longas eram pesadas em
combates corpo-a-corpo.

Claro, isso só se aplica a pessoas comuns.

Cocytus moveu-se ligeiramente e interceptou o braço de Zenberu com a lâmina God Sla-
ying Emperor Blade. Seus movimentos sobrenaturais faziam parecer que a arma em sua
mão era uma extensão de seus membros.

A pele de Zenberu poderia rivalizar com a dureza do aço sob os efeitos da 「Steel Skin」,
mas a armadura de agora já havia provado o quão afiado era a God Slaying Emperor
Blade.

A lâmina que entrou no braço de Zenberu cortando como se estivesse passando pela
água.

“Guwaaargh—!”

Quando o braço direito cortado de Zenberu pulverizou sangue arterial fresco, a outra
mão de Cocytus agarrou casualmente a Frost Pain, que se dirigia para sua barriga.

“Oh. Entendo, Esta. É. Uma. Boa. Espada.”

“Waaah!”

Zaryusu desistiu, e soltou a Frost Pain até então imóvel, e imediatamente atacou o joelho
de Cocytus com um chute. Cocytus não o evitou; ele simplesmente recebeu o golpe. No
final, quando o pé de Zaryusu encostou no joelho de Cocytus, foi Zaryusu quem sentiu a
dor.

Parecia apenas chutar uma parede de ferro com todas as suas forças.

“「Over Magic: Mass Cure Light Wounds」.”


Através do uso de quantidades prodigiosas de mana, pode-se aumentar a eficiência que
normalmente não deveria ser usável. Ajudado por esse aprimoramento de metamagia,
Shasuryu conjurou a magia que curava as feridas de todos.

“Oh...”

Cocytus olhou para Shasuryu com interesse, já que este usava uma técnica de metama-
gia da qual nunca ouvira falar antes. No entanto, os dois Swamp Elementals bloquearam
sua linha de visão. Enquanto o braço de Zenberu gradualmente retomava sua forma ori-
ginal, os dois Swamp Elementals atacaram Cocytus usando seus tentáculos. No entanto,
Cocytus foi mais rápido e já havia cortado os corpos dos Swamp Elementals.

Assim que os Swamp Elementals se dissolveram em pedaços de lama, Zaryusu deu um


soco nos olhos compostos de Cocytus, na barriga e no peito. Naturalmente, Zaryusu quem
foi ferido com esses ataques. A pele dos punhos se partiu e sangue fresco jorravam como
lágrimas.

“Que. Incômodo.”

Cocytus golpeou o peito de Zaryusu com a cauda espetada.

♦♦♦

“Guaargh!”

Zaryusu voou para longe como se tivesse sido atingido por um tacape em altíssima ve-
locidade. No final, ele bateu no pântano, rolando várias vezes antes de parar. No entanto,
a agonia em seu peito e o sangue vermelho brilhante a cada vez que ele tossia, tornaram
difícil para Zaryusu respirar.

As costelas quebradas provavelmente perfuraram seus pulmões, não importava o


quanto tentasse, ele ainda sentia se afogando. Parecia que ele estava na água. O fluído
quente derramando em sua garganta o fez querer vomitar. Ele olhou para o peito e a
ferida — que parecia que alguém o havia esfaqueado com uma lâmina afiada — estava
jorrando sangue.

—Apenas um ataque reduziu Zaryusu a esse estado lastimável.

Zaryusu olhou para Cocytus, o espírito de luta ainda queimava em seus olhos enquanto
lutava para continuar respirando.

“Você. Ainda. Deseja. Lutar... Então. Isso. Deve. Retornar. Para. Você.”

Depois de jogar a Frost Pain de volta a Zaryusu, Cocytus o ignorou e se virou para os
Lizardmen restantes.
Shasuryu lançou uma magia de cura em Zenberu, que havia regenerado o braço, mas
cuja saúde estava muito esgotada.

Assim que Cocytus estava prestes a alcançá-los, outra pedra voou para ele, tentando
desviar sua atenção — no entanto, o ataque foi inútil, e foi facilmente desviado.

“Que. Irritante.”

—Cocytus resmungou e depois estendeu a mão para o chefe da Small Fang.

“「Piercing Icicle」.”

Várias dezenas de lanças de gelo afiados como navalha, cada uma do tamanho de um
braço, banhavam uma grande área.

Um dos Lizardmen estava dentro do raio de ataque e as lanças de gelo o perfuraram


instantaneamente.

Elas acertaram uma no peito, duas na barriga e uma na coxa direita — cada uma delas
facilmente penetrou em seu corpo.

O chefe da Small Fang — o melhor ranger entre os Lizardmen, caiu no pântano como
uma marionete cujas cordas foram cortadas, a lama espirrou com o baque.

“Uoooooh!”

“「Over Magic: Mass Cure Light Wounds」!”

Zenberu avançou enquanto Shasuryu conjurou sua magia de cura novamente. Zenberu
estava tentando ganhar tempo para as feridas de Zaryusu se recuperarem.

Ele sabia que este era um curso imprudente de ação, e que ele não era nada ante o poder
de Cocytus. Mesmo assim, Zenberu correu na frente sem hesitar um momento.

Cocytus virou-se levemente para Zenberu, que havia entrado em seu alcance de ataque.

Um flash de luz foi mais rápido do que Zenberu podia ver—

Sua velocidade estava além da destreza de Zenberu—

A lâmina cortou facilmente através da carne de Zenberu—

O cadáver decapitado de Zenberu jorrou sangue como um gêiser, desmoronando gentil-


mente nos pântanos. Logo depois disso, sua cabeça juntou-se ao gramado.
“...Agora. Restam. Somente. Vocês. Dois... Ouvi. Falar. Da. Sua. Força. A. Partir. De. Ainz-
sama. E. No. Fim. Somente. Vocês. Dois. Permaneceram.”

Cocytus — que não se moveu nem um centímetro desde que a batalha começou — es-
tudou os dois, e sacudiu sua espada. Não havia nenhum traço de sangue ou gordura na
lâmina branca reluzente. Esse movimento bonito parecia que poderia varrer tudo em um
único golpe.

De frente, estava Zaryusu, que se recuperara a ponto de mal poder ficar de pé, e Sha-
suryu, que sacara sua greatsword. Os dois flanqueavam a frente e a traseira de Cocytus.
Zaryusu sujou os dedos no sangue que escorria de seu peito e espalhou-o no rosto.

A maneira como ele aplicava o sangue a si mesmo fazia parecer que ele estava convo-
cando os espíritos ancestrais sobre si mesmo.

“—Zaryusu, como estão suas feridas?”

“Nada bom. Ainda está doendo. Ainda assim, posso dar alguns golpes.”

“Estamos ferrados... mas isso não deveria ser o suficiente? Francamente falando, eu es-
tou quase sem mana. Se não tiver cuidado, posso desmaiar.”

Os dentes de Shasuryu se rangiam um no outro. Talvez ele estivesse rindo. Quando


Zaryusu ouviu isso, sua expressão também mudou.

“...Oh, sério? Ani-ja, você está se esforçando muito também.”

Zaryusu sorriu e suspirou, relaxando os ombros. Seu braço da espada relaxou.

Uma torrente de dor irrompeu perto de seu peito, mas Zaryusu lutou para ignorá-la.

Ele não desistiria até o último momento — Zaryusu pretendia lutar até o fim.

Desde o começo, ele sabia muito bem que a vitória era impossível.

A derrota era inevitável, mas eles não puderam aceitá-la.

Isso porque seria como mentir para inúmeras pessoas, dizendo-lhes que poderiam ga-
nhar. Já que os outros realmente acreditaram neles, não puderam aceitar o fato de que
seriam derrotados.

Eles tiveram que dar tudo o que tinham até o momento final—

“Então trate de usar a espada que você está empunhando!!”

O grito de Zaryusu ecoou por toda a área circundante.


O som de estalidos veio das mandíbulas de Cocytus.

“Belo. Grito. De. Guerra.”

Cocytus provavelmente estava rindo. Mas este não foi o riso do forte zombando dos fra-
cos, mas sim um guerreiro rindo com um companheiro de luta.

“Muito bem, Zaryusu. É isso aí. Eu vou lutar ao seu lado até nosso amargo fim.”

Shasuryu sorriu também.

“Então... Desculpe mantê-lo esperando, Cocytus-dono.”

Cocytus encolheu os ombros quando Shasuryu disse isso.

“Tudo. Bem... Não. Sou. Tão. Grosseiro. Ao. Ponto. De. Interromper. Uma. Despedida. En-
tre. Irmãos... Agora. Preparem. Para. Seu. Destino... Não, Peço. Perdão... Vocês. Já. Estavam.
Prontos. Desde. O. Começo.”

Quando Zaryusu e Shasuryu começaram a se mover, Cocytus preparou a God Slaying


Emperor Blade e perguntou:

“Digam. Seus. Nomes.”

“Shasuryu Shasha.”

“Zaryusu Shasha.”

“...Eu. Vou. Me. Lembrar. De. Vocês, Guerreiros... Eu. Também. Peço. Desculpas. Por. Não.
Usar. Armas. Nas. Minhas. Mãos. Restantes... Não. É. Que. Eu desejo. Desprezar. Vocês...
Mas. Simplesmente. Não. São. Fortes. O. Suficiente. Para. Isso.”

“Que pena.”

“De fato — aqui vou eu!”

♦♦♦

Os dois atacaram Cocytus, a lama respingou no pântano.

O timing descoordenado de seus ataques desconcertou Cocytus.

Os dois não entraram em seu alcance ao mesmo tempo. Shasuryu foi o primeiro a fazer
isso. Sentindo um esquema, Cocytus aguardou o próximo movimento.
Já que Shasuryu foi o primeiro a entrar em sua zona de ataque, Cocytus estudou cuida-
dosamente o próximo movimento de Shasuryu.

Shasuryu parou logo antes de Cocytus alcançá-lo e—

“「Earth Bind」!”

—E lançou uma magia.

Correntes incontáveis formadas de lama saltaram em Cocytus, Zaryusu correu selvage-


mente. Ele havia até escondido a Frost Pain nas costas para que seu oponente não pu-
desse avaliar seu alcance de ataque.

A declaração de Shasuryu de que “estou quase sem mana” era apenas um artifício para
enganar Cocytus. Se ele tivesse mordido a isca, talvez ele pudesse ter sido preso pelas
correntes místicas e sido atingido pela investida de Zaryusu por trás.

Por mais duro que fosse o exoesqueleto de seu oponente, ele ainda poderia ser capaz de
penetrar se a investida fosse com toda a sua força. Com isso em mente, Zaryusu abando-
nou a defesa para se concentrar no ataque, e o ataque resultante deveria ter sido bastante
forte.

Ele parece bastante confiante em sua espada.

Cocytus podia entender como ele se sentia, afinal guerreiros tendem a ser parecidos.
Cocytus se sentia confiante sobre as armas que possuía. Em particular, a espada que ele
agora empunhava — que já havia sido usada por seu criador — era especialmente im-
portante para ele. Portanto, apesar de quão desequilibrado seria a batalha, Cocytus in-
sistiu em fazer uma batalha com a God Slaying Emperor Blade na mão, como um sinal de
seu respeito supremo.

No entanto, eles tinham cometido um erro de cálculo; seu oponente era Cocytus, Guar-
dião do 5º Andar da Grande Tumba de Nazarick.

“...Minhas. Defesas. Não. Podem. Ser. Violadas. Por. Alguém. De. Nível. Menor. Que. O.
Meu.”

As correntes de lama deixaram Cocytus um instante antes de alcançá-lo, voltando à terra


comum e afundando de novo na lama. Magias de baixo nível não podiam perfurar as de-
fesas mágicas de Cocytus.

“—「Icy Burst」!”

Quando o grito ecoou, um vórtice de névoa de marfim girou e cercou Cocytus.

Um esforço fútil.
Cocytus era imune a danos causados pelo frio, então, enquanto a suave brisa do nevo-
eiro congelado soprava ao seu redor, ele esperava pacientemente que Zaryusu e Sha-
suryu entrassem em seu alcance de ataque.

Logo o momento em que ele estava esperando chegou. No entanto, Cocytus hesitou bre-
vemente; ele pensou:

Meu. Inimigo. Pode. Ser. Parado. Apenas. Tendo. A. Cabeça. Decapitada?

Diante do ataque completo de Zaryusu, Cocytus não achou que a mera decapitação im-
pediria seu avanço. A imagem mental de um corpo sem cabeça correndo apareceu em
sua mente.

Nesse caso, ele deveria cortar as mãos primeiro e depois a cabeça.

Não, Isso. Não. Seria. Justo... Melhor. Acabar. Com. Ele. De. Uma. Só. Vez.

Zaryusu fez a investida com todas as suas forças, dedicando cada fibra de seu ser ao
ataque, mas ainda era lento demais para Cocytus.

Uma sombra negra apareceu em meio à névoa branca — Zaryusu enfiou a espada, e
Cocytus a pegou levemente entre os dedos, como antes.

Cocytus não sentiu nenhum resfriado na ponta dos dedos. Talvez Zaryusu soubesse que
Cocytus era imune ao frio e não usava a habilidade.

A investida foi rápida, mas ele a bloqueou facilmente. Isso confundiu Cocytus. No en-
tanto, essas dúvidas desapareceram em um instante. A vida de seu inimigo terminaria
com um golpe da God Slaying Emperor Blade, então não havia mais nada para se pensar.

E então só restaria um deles.

Então.... Foi. Apenas. Um. Avanço. Não. Planejado.

Assim que o decepcionado Cocytus estava prestes a atacar, ele mudou de idéia.

Entendo...

“Ohhhhh!”

Um poderoso rugido, a greatsword cortou a névoa congelante que pairava no ar. O mo-
vimento de Shasuryu trazia consigo um vendaval que dispersou o nevoeiro congelado.

O 「Earth Bind」, a investida de Zaryusu, 「Icy Burst」, todos eles eram chamarizes.
Por ter sido cauteloso com Zaryusu esfaqueando-o com a Frost Pain, o golpe de Sha-
suryu com a greatsword seria mais prejudicial, então essa deve ter sido a verdadeira in-
tenção dos irmãos. Contudo—

“Ataques. Surpresa. Devem. Ser. Realizados. Em. Silêncio.”

Já que ele não pôde apagar o som que fizeram enquanto corriam pelo pântano, não po-
deria ser qualificado como um ataque surpresa. Cocytus ficou perplexo — então valeria
mesmo a pena receber dano do frio? Ou essa foi apenas uma luta sem sentido.

Ainda assim, era verdade que seu inimigo havia entrado em sua zona de ataque.

Agora que a arma de Zaryusu estava ao seu alcance, não havia nada a temer dele. Apenas
a ordem em que morreram mudaria. Tendo decidido isso, Cocytus moveu a God Slaying
Emperor Blade.

O golpe acertou em cheio.

Shasuryu foi fendido ao meio junto com sua greatsword. Antes que o corpo pudesse
atingir o chão, Cocytus retirou sua lâmina, planejando atacar Zaryusu—

♦♦♦

—E então, os dedos segurando a Frost Pain escorregaram.

Surpreso, Cocytus olhou para os dedos para ver o que o fez deslizar para a frente.

Ele viu o vermelho brilhante de sangue em meio à névoa branca pairando no ar.

Em um instante, Cocytus percebeu por que seus dedos haviam escorregado.

—Sangue?

Ele estava confuso.

Ele se perguntou, e então, quando viu o rosto de Zaryusu através da névoa, de repente
se deu conta do que era.

O sangue manchado em seu rosto não era para pintar a si mesmo, mas para lustrar sua
espada.

Tampouco o 「Icy Burst」 teve a intenção de ferir Cocytus ou esconder a forma de Sha-
suryu. Seu objetivo era esconder o sangue que cobria a espada. Que por isso era escon-
dida nas costas.
Quando ele bloqueou o ataque de Zaryusu, Cocytus fez isso com os dedos. Zaryusu lem-
brou-se disso e apostou na pequena chance de fazer isso de novo. Assim, ele tinha feito
todos estes estratagemas para conseguir isso. Só então, um raio de luz surgiu no cérebro
de Cocytus.

Então. Foi. Por. Isso. Que. A. Seu. Avanço. Foi. Tão. Fraco! Não. É. De. Se. Admirar! O. Plano.
De. Lubrificar. A. Espada. Com. Sangue. Não. Era. Para. Me. Perfurar... E. Para. Criar. Essa.
Chance, Ele. Diminuiu. A. Velocidade. Para. Me. Fazer. Pensar. Que. Era. Fácil. De. Pegar!

A lâmina deslizou lentamente, avançando em direção ao corpo azul-claro de Cocytus.


Agora que Zaryusu tinha jogado toda a sua força e até peso corporal na investida, nem
mesmo Cocytus seria capaz de pará-lo — nem mesmo com dois dedos sujos de sangue.

Se ele tivesse agarrado mais longe dele, poderia haver algo mais a ser feito. Mas a esta
curta distância, ele estava sem opções.

Cocytus ficou tão comovido que estremeceu.

Embora tivesse confiado em um pouco de sorte, esse foi um ataque que exigiu várias
apostas, cada uma delas valendo a pena. O mais importante era que, sem Shasuryu, nada
disso seria possível.

Shasuryu não deveria ter entendido a aposta de Zaryusu, mas, como irmão mais velho,
depositara toda a sua confiança em seu irmão mais novo, a ponto de sacrificar sua pró-
pria vida. Aquele ataque surpresa sem sentido e gritos foram todos para desviar a aten-
ção de Cocytus de seu irmão por um momento.

Um único momento.

E por apenas um único momento — enquanto Zaryusu forçava Frost Pain para ele com
toda a sua força — as mandíbulas de Cocytus tremeram.

“Verdadeiramente. Maravilhoso—”

E assim a lâmina atingiu o corpo de Cocytus — ela desviou levemente. Seu corpo, que
brilhava em um azul fraco, não tinha sequer um arranhão.

Este era o resultado do abismo intransponível que separava os NPCs de Nazarick de


nível mais alto de mero Lizardman.

“—Me. Perdoe, Mas. Possuo. Uma. Habilidade. Que. Resumidamente. Nega. Ataques. De.
Arma. Fracamente. Encantadas, Uma. Vez. Ativado, Seu. Ataque. Se. Torna. Inútil.”
Esse golpe foi bem estruturado, Cocytus sentiu que deixar uma cicatriz desse golpe
como uma marca de respeito por esses guerreiros seria apropriado. No entanto, ele es-
tava sob os olhos de um Ser Supremo, e ele não poderia fazê-lo em sua posição como
Guardião.

Cocytus deliberadamente deu um passo para trás, espirrando na lama e manchando seu
corpo azul imaculado.

Foi apenas um único passo.

Não havia sentido para isso. Recuar não teria feito nenhuma diferença para ele. Zaryusu
ainda morreria e Cocytus ainda ganharia.

No entanto, esse passo para trás foi um sinal de louvor do forte — Cocytus — ao fraco
— Zaryusu.

Zaryusu sorriu, como alguém fazia quando sabia muito bem que tipo de destino o aguar-
dava, mas ainda assim, corria para o inevitável. Quando ele o fez, Cocytus moveu sua es-
pada para baixo—

Parte 3

“Essa foi uma batalha espetacular!”

Ainz disse em louvor a Cocytus, que estava ajoelhado diante dele.

“Muito. Obrigado.”

“No entanto, eu acredito que você entenda que, mesmo usando o bastão desta vez, você
deve utilizar a cenoura no futuro. Você não deve governá-los através do medo.”

“Eu. Compreendo.”

Depois que Ainz assentiu, ele olhou para os outros Guardiões na sala.

“Muito bom. Agora, ouçam bem, vocês, Guardiões. Como eu disse anteriormente no Sa-
lão do Trono, Cocytus administrará a aldeia Lizardman. Se ele precisar de ajuda, espero
que vocês deem a ele. Cocytus, espero que você promova uma lealdade profundamente
enraizada a Nazarick nos Lizardmen. Também espero que você cultive o crescimento de
[ P e n a
membros talentosos. Vou deixar essas tarefas para você. Se você precisar do Heaven's
Celestial] [ T r a j e
Feather ou outros itens especiais, me avise. Eu também vou te emprestar o Powered
Energizado]
S u i t por enquanto.”
Os jogadores podiam mudar as raças de personagem em YGGDRASIL, mas isso não sig-
nificava que alguém pudesse mudar livremente de raça. Alguns requisitos precisavam
ser atendidos para a mudança, e as mudanças eram irreversíveis.

Parte dos requisitos eram itens. Alguém que queria se tornar um Elder Lich precisaria
[ L i v r o dos Mortos]
de um Book of the Dead. Alguém que queria se tornar um Diabrete precisaria de uma
[Semente C a í d a ]
Fallen Seed. O item Heaven's Feather que Ainz mencionou era usado para se tornar um
Anjo.

Ainz mencionou isso porque achava que seria possível mudar as raças daquela maneira.

“Eu. Contarei. Com. Sua. Ajuda. Quando. Chegar. A. Hora — Ainz-sama. Poderia. Me. Di-
zer. O. Que. Deseja. Fazer. Com. Aqueles. Lizardmen?”

“Aqueles Lizardmen?”

“Sim. O. Chamado. Zaryusu E. O. Shasuryu.”

Os dois que lutaram até o fim. Seus cadáveres ainda deveriam estar no pântano. No en-
tanto, por que ele os citou?

“Hmm... Recupere seus cadáveres e use-os como matérias-primas, ou posso usá-los


como experimentos undeads com minhas habilidades.”

“—Isso. Seria. Um. Pequeno. Desperdício.”

“Oh? Por que isso? Eles são tão valiosos?”

Ainz assistiu a batalha através do Mirror of Remote Viewing e viu uma vitória esmaga-
dora. Ele não viu nada de mais se comparado a Cocytus.

“...Eles. Poderiam. Ser. Fracos... Contudo, Eu. Vi. Guerreiros. Destemidos. De. Espírito,
Usá-los. Como. Matéria-prima. É. Um. Pouco. De. Desperdício, Sinto. Que. Eles. Podem.
Tornar-se. Mais. Forte. Possivelmente. Até. Excedendo. Nossas. Expectativas, Ainz-sama...
Acredito. Que. Ainda. Não. Conduziu. Qualquer. Experimento. Prático. Ressuscitando.
Mortos, Poderia. Testar. Com. Eles?”

...Ele gosta desses Lizardmen?

Com toda a honestidade, Ainz não percebeu nada quando ouviu coisas como “Guerreiros
destemidos de espírito”. Ele tinha ouvido falar de termos como “intenção assassina” em
mangás e light novels, mas ele não pensava que seria isso. Seria equivalente a se Narberal
tivesse respondido com: “Ah, então é isso que é, oh~” ou algo do tipo, enquanto ele estava
ensinando algo a ela. Além disso, Ainz não tinha idéia do que era esse negócio de empatia
entre guerreiro.
Isso porque Ainz tinha sido originalmente um assalariado normal, apesar de seu estado
atual. Um cidadão comum que realmente conhecesse guerreiros destemidos de espírito ou
a intenção assassina provavelmente seria considerado perigoso. Então agora, ele poderia
entender apenas algo como o espírito de um burocrata.

“Entendo... Então seria um desperdício, não?”

No entanto, quando Ainz ouviu sobre a aprovação de Cocytus dos Lizardmen, seus ver-
dadeiros pensamentos eram:

Bem, você pode chamar isso de vergonha, mas eu não tenho idéia do que você quer dizer.

Ainda assim, quando ele pensou sobre isso, as palavras de Cocytus fizeram muito sen-
tido.

Ele queria encontrar um lugar para experimentar a ressurreição, e Ainz achava que usá-
los para esses experimentos seria muito benéfico. Além disso, diferentemente de como
Cocytus estivera debatendo no Salão do Trono, ele agora propusera uma solução útil para
eles. Se isso fosse um sinal de evolução, então ele havia conseguido com louvores.

Ele parou brevemente para pensar, e então Ainz pensou em seus outros subordinados
excepcionais.

Pensou neles ao se aproximarem dele, numa postura adequadamente subserviente —


silenciosa e imóvel.

“Albedo, qual é a sua opinião?”

“Seria a mesma que a sua, Ainz-sama.”

“...O que você acha, Demiurge?”

“Eu sinto o que o senhor decidir será o melhor, Ainz-sama.”

“...E você, Shalltear?”

“O mesmo que Demiurge, eu devo obedecer a sua decisão, Ainz-sama ~arinsu.”

“...Aura?”

“Isso aí, estou com todos os outros.”

“...Mare.”

“Ah, ah, ah... sim. Penso o m-mesmo que os outros.”


Se fosse para responder assim, era melhor não ter perguntado.

Ainz sentiu uma dor de cabeça.

Ainz pensou muito, e finalmente percebeu alguma coisa — talvez os Guardiões não
achassem que isso fosse grande coisa. Em outras palavras, não importa como ele deci-
disse, eles não sentiam que haveria grandes benefícios ou desvantagens.

Claro, ele teve que considerar suas respectivas situações. Às vezes, problemas podem
surgir devido às diferentes circunstâncias.

Simplificando, quando uma pessoa rica diz: “Oh, essa soma não é um problema”, alguém
de condição social mais baixa duvidaria imediatamente da verdade dessas palavras. Em
outras palavras, era o resultado de diferentes valores e prioridades.

Eu perdi meu tempo perguntando... ainda assim, isso significa que ressuscitar os Lizard-
men deve estar bem, né? Eu estava planejando pensar cuidadosamente sobre isso, porque
cometi muitos erros recentemente.

Sem saída, Ainz teve que ponderar os méritos e deméritos da situação sozinho.

“...Nós decidimos subordinar a aldeia Lizardman ao nosso governo, mas existe um can-
didato adequado para o líder? Eles têm um grupo que gerencia toda a aldeia?”

“Não, mas há uma pessoa que é adequada para ser representante da aldeia.”

“Oh? Quem seria?”

“Isto. A. Lizardman. Branca. Que. Não. Entrou. Em. Combate. Ela. Parece. Ter. Poderes.
Druídicos.”

“Ela! Hm, bem, isso é viável...”

Pode valer a pena usar ela. Nós também poderíamos usá-la para ficar de olho nos outros.

No entanto, tê-la executando o plano de Ainz pode minar o plano de Cocytus de admi-
nistrar a aldeia. Sendo esse o caso, o que ele deveria fazer?

Neste ponto, um lampejo de inspiração atingiu Ainz.

...Não seria mais rápido perguntar diretamente a ela? Afinal, não recebi respostas úteis
agora...

Ainz compartilhou seus planos com Cocytus, que respondeu afirmativamente.


Dada a reação de Cocytus, o fato de que ele poderia estar cedendo aos desejos de seu
mestre não poderia ser descartado. No entanto, depois de olhar para Demiurge e Albedo,
ele notou que nenhum deles parecia estar agindo fora do comum, o que assegurou a Ainz
que ele estava fazendo a coisa certa.

“Muito bem. Quanto tempo antes que ela possa ser trazida para cá?”

“Me. Perdoe. Se. Isso. Possa. Parecer. Desrespeito, Mas. Eu. Senti. Que. Desejaria. Isso. E.
a. trouxe. Antecipadamente... Ela. Está. Esperando. No. Outro. Cômodo.”

Ainz olhou para Demiurge, que acenou com a cabeça.

Bom trabalho. Ele resolveu o problema sem as instruções de ninguém e não parece que
alguém tenha lhe dado a idéia.

Ainz se perguntou se era assim que um superior se sentia quando via seu subordinado
crescer como pessoa. Ele era todo sorrisos — embora não fosse visível em sua expressão,
dado que ele era um esqueleto.

“Não, não, não, você fez bem, Cocytus. Perder tempo é tolice e seu julgamento estava
correto. Tudo bem, traga-a para dentro.”

“Ah, por favor espere!”

“Qual o problema, Aura?”

“Mesmo eles não conhecendo, encontrá-los em um lugar normal como este irá prejudi-
car sua reputação, Ainz-sama. Eu sinto que o senhor deveria recebê-la no Salão do Trono
de Nazarick.”

Os outros guardiões assentiram, com exceção de Mare.

“...Minhas. Desculpas, Eu. Não. Tinha. Considerado. Isso, Por. Favor. Me. Perdoe!”

“Hm...”

Eu não tinha pensado nisso.

Com isso em mente, Ainz se perguntou como deveria resolver esse problema. Naquele
momento, ele se lembrou das palavras de antes. Então, nesse caso—

“—Aura.”

“Sim!”
“Você não disse uma vez que construiu este lugar para parecer com Nazarick? Você es-
tava certa, este lugar é tão bom quanto. Cocytus, traga ela. Eu a encontrarei aqui.”

“Ai—Ainz-sama!”

“Aura, já basta.”

“Albedo!”

Não sabendo por que lhe dissera para acalmar, Aura olhou para Albedo, com o rosto
vermelho de protesto. No entanto, Albedo apenas olhou para ela e depois não lhe deu
atenção, olhando para a porta principal. Foi Demiurge quem respondeu à furiosa Aura.

“...Ainz-sama não cometeria um erro. Sendo esse o caso, se o Ainz-sama diz que este
lugar é tão bom quanto Nazarick, então—”

“—Não pode estar errado ~arinsu...”

Shalltear terminou.

Bem, eu não acho que estou totalmente correto, e espero que eles não pensem assim...
Ainda assim, isso acabou me ajudando.

“Aura, vou dizer de novo. Eu sinto que este lugar — construído por você, uma das mi-
nhas subordinadas mais confiáveis — é tão bom quanto Nazarick, mesmo que ainda seja
um trabalho em progresso... Você entende?”

“...Obrigada, Ainz-sama!”

Aura curvou-se em gratidão e os outros Guardiões também.

Não há necessidade de ficar tão comovida, eu acho... Estou começando a me sentir enver-
gonhado agora.

“Nesse caso, traga-a, Cocytus.”

“Imediatamente!”

♦♦♦

Cocytus imediatamente trouxe a Lizardman branca para a sala. Ela se ajoelhou com a
cabeça inclinada diante de Ainz.

“Qual é o seu nome?”


“Eu sou Crusch Lulu, representante dos Lizardmen, oh Supremo Governante da Morte,
Ainz Ooal Gown-sama.”

Bem, isso não parece nada natural.

Ainz se perguntou quem havia inventado esse título, mas no final ele decidiu adotar a
atitude calma e equilibrada de um Rei.

“...Mm, seja bem-vinda.”

“Obrigada, Gown-sama. Por favor, aceite a maior lealdade de nós, os Lizardmen.”

“Hm...”

Ainz observou Crusch com cuidado.

Essas escamas são lindas. Elas brilharam sob a luz da iluminação mágica. Como será a
sensação de tocá-las...?

Ainz se perguntou por curiosidade.

Quando Ainz se perdeu em seus pensamentos, ele percebeu que os ombros de Crusch
estavam tremendo. Cocytus deveria ter desabilitado suas habilidades de emanação de
frio, então provavelmente foi devido a algum outro motivo.

Enquanto pensava no assunto, Ainz percebeu que o estremecimento dela fazia todo o
sentido.

Se Ainz dissesse que ele estava descontente com os Lizardmen, cada um deles seria pri-
vado de seus pensamentos. Portanto, Crusch estava presa em cada palavra que Ainz dizia.
Dado que ela estava nervosa e ansiosa, o silêncio antinatural de Ainz a teria enchido de
terror.

Ainz não era o tipo de pessoa que se divertia atormentando os fracos. Ele poderia come-
ter atrocidades pela Grande Tumba de Nazarick, mas seu estado mental não se degradara
ao ponto de realizar tais atos como parte do cotidiano.

“Os Lizardmen viverão sob minha bandeira deste dia em diante. No entanto, Cocytus
governará vocês no meu lugar. Eu confio que não há problemas com isso, correto?”

“—Sim.”

“Ótimo. Você pode voltar.”

“Eh? Posso?!”
—Exclamou Crusch surpresa de onde ela estava se curvando. Ela tinha pensado que
Ainz exigiria os céus e lua, então essa traição total de suas expectativas trouxe essa rea-
ção inesperada.

“Você pode voltar por enquanto, Crusch Lulu. Os Lizardmen logo entrarão em um perí-
odo de prosperidade. Suas futuras gerações agradecerão de todo coração que tenham
permissão para se jurarem para mim.”

“O senhor é muito gentil. Nós já estamos profundamente gratos pela misericórdia que o
senhor nos mostrou apesar de nossa oposição a um Ser Supremo.”

Ainz se levantou lentamente de seu trono e se aproximou de Crusch. Ele se ajoelhou e


pôs a mão no ombro dela.

Surpresa, Crusch estremeceu e a vibração ressoou na mão de Ainz.

“Além disso, tenho um pedido especial para você.”

“O que seria? Se estiver dentro do meu poder, então eu devo me esforçar para cumprir
seus desejos como sua fiel serva, Gown-dono...”

“A idéia não foi originalmente minha — mas se você concordar, eu ressuscitarei Zaryusu
com algumas condições.”

Enquanto falava o nome que ouvira de Cocytus, Crusch de repente levantou a cabeça,
choque era claramente visível.

Ainz estudou presunçosamente o rosto de Crusch. Ela parecia estar tentando esconder
seus sentimentos, mas sua expressão mudou no momento. Lizardmen e humanos tinham
expressões faciais muito diferentes, então Ainz não podia ter certeza do que estava lá,
mas pelo menos ele podia notar alegria, raiva e tristeza.

“É mesmo possível...?”

“Eu possuo poder sobre a vida e a morte. A morte nada mais é do que um estado de ser
para mim.”

Depois de ouvir as palavras quase imperceptíveis de Crusch, Ainz continuou:

“É um antidoto para quem está doente ou envenenado, mas não posso prolongar o
tempo de vida.”

Talvez fosse impossível fazê-lo através de meios convencionais, mas poderia ser possí-
vel com 「Wish Upon a Star」... Mas agora não era a hora para tais coisas.

“...Então, o que deseja da sua leal escrava? ...Talvez meu corpo?”


Ainz ficou perplexo.

“Não, isso é um pouco demais...”

Até parece! Mesmo que eu desejasse esse tipo de coisa, não é como se eu fosse tão longe a
ponto de me reproduzir com um réptil...

Tendo quase dito isso, Ainz lutou para manter sua imagem majestosa.

Ele decidiu ignorar o som do ranger de dentes que vinham de perto.

“Grhun! Claro que não. É simples — quero que você observe os Lizardmen e veja se al-
gum deles vai me trair.”

“Nenhum Lizardman vai te trair.”

Depois de ouvir a resposta firme de Crusch, Ainz sorriu friamente para ela.

“Eu não sou tão estúpido o suficiente para acreditar nisso. De fato, eu não sou suficien-
temente poderoso para saber o que todos os Lizardmen pensam, mas se eles forem sufi-
cientemente humanos, a traição será bastante comum. Portanto, gostaria que alguém fi-
casse de olhos em seus movimentos, em silêncio.”

Crusch retomou sua expressão vazia, o que fez Ainz pensar que tinha falado algo errado.
Mesmo ele querendo ressuscitar Zaryusu, Ainz queria que ela pedisse e assim a acorren-
tasse a ele com as correntes do dever. O que ele deveria fazer se ela recusasse?

Se eu soubesse que ela ficaria assim, eu não deveria ter sido tão ganancioso... Bem, eu acho
que não adianta chorar sobre o leite derramado.

“...Um milagre está diante de você agora, mas não durará para sempre. Se você não apro-
veitar o momento, será perdido para sempre.”

O rosto de Crusch parecia estar se contraindo.

“Não é como se eu fosse realizar uma cerimônia horrível. A magia da ressurreição não
existe neste mundo? Eu simplesmente vou usar uma magia assim.”

“Isso é algo das lendas...”

Enquanto Crusch hesitava em falar ou não, Ainz falou com ela em tons ternos, mas com
uma atitude arrogante.

“Crusch, eu gostaria que você pensasse sobre o que é mais importante para você.”
Ainz observou os olhos de Crusch enquanto suas palavras lentamente chegavam até ela.
Parecia alguém que estava prestes a consumar uma venda.

Depois disso, Ainz precisaria mostrar a Crusch que o milagre que ele proporcionou não
seria de graça. Afinal, as pessoas suspeitariam de coisas de graça, mas suas suspeitas se-
riam facilitadas se houvesse uma taxa razoável em troca.

“Eu quero que você observe secretamente seus companheiros Lizardmen. Dependendo
de como as coisas saem, você pode se deparar com uma escolha perigosa. Além disso,
para me proteger de sua traição, vou lançar uma certa magia em Zaryusu quando eu res-
suscitá-lo. É uma magia que instantaneamente matará Zaryusu se eu julgar que você me
traiu. Pode ser trabalhoso para você, mas deve valer a pena se você conseguir Zaryusu
de volta, estou errado?”

Dito isso, não existia essa magia.

Ainz se levantou, como se dissesse que havia terminado sua atuação e depois abriu os
braços.

Crusch olhou para Ainz com uma expressão atormentada em seus olhos.

“Ah, sim, quando o Zaryusu for ressuscitado, direi a ele que ele foi chamado de volta à
vida porque ele será útil para mim. Eu posso garantir que seu nome não apareça. Bem,
Crusch Lulu, faça a sua escolha. Esta é a última chance que você tem para devolver o seu
amado Zaryusu ao seu lado. O que você vai fazer? Você aproveitará essa oportunidade
ou a abandonará? Decida.”

Ainz lentamente estendeu a mão para Crusch enquanto olhava para os Guardiões, e
disse:

“Se ela se recusar, nenhum de vocês tem minha permissão para repreendê-la. Então,
Crusch Lulu, qual é a sua resposta?”
Epílogo
ma sensação suave encheu seu corpo. Era como se uma mão estivesse ten-

U tando arrastá-lo através das águas profundas, mas Zaryusu a ignorou. Isso
porque ele sentiu algo repugnante daquela mão assustadora.

Depois de um instante em uma eternidade passar, ele sentiu a mão alcan-


çando-o novamente. Zaryusu queria afastá-la mais uma vez, mas ele parou. Isso porque
ele ouviu uma voz vindo do lado dele, a da fêmea que ele amava.

Ele hesitou.

Hesitou mais uma vez.

E continuou hesitando.

Nesse mundo em que o conceito de tempo era vago, Zaryusu ficou perplexo e, apesar de
relutante, estendeu a mão, para agarrá-la.

Depois disso, alguém o puxou com força, arrastando-o para um mundo brilhantemente
branco.

Ele se sentiu impotente.

Ele sentiu como se suas entranhas fossem um saco de lama.

Ele se sentia incrivelmente cansado. Mesmo atividade física intensa nunca o deixou tão
exausto antes.

Zaryusu lutou para abrir os olhos com as pálpebras pesadas.

A luz penetrou em seu campo de visão. Os olhos dos Lizardmen podiam se ajustar auto-
maticamente à iluminação do ambiente, mas não resistiam a clarões momentâneos de
luz. Zaryusu piscou—

“Zaryusu!”

Alguém o estava abraçando com força.

“Cr-Crusch?”

Logicamente falando, ele nunca mais deveria ouvir aquela voz novamente. Mas isso por-
que ele acreditava que nunca mais ouviria a voz daquela fêmea.

Quando seus olhos finalmente se ajustaram à luz, ele olhou para a fêmea que o abraçava.

Ela era a fêmea que ele amava — Crusch Lulu.


Por quê? O que estava acontecendo?

O coração de Zaryusu está cheio de dúvidas e desconforto. Sua memória final era — sua
cabeça caindo no pântano. Ele deveria ter sido morto por Cocytus.

No entanto, por que ele estava vivo? A menos que—

“—Crusch, bocê borreu também?”

“Eh?”

Zaryusu trabalhou sua boca, que parecia dormente e, portanto, difícil de controlar, e
então fez uma pergunta.

No entanto, a resposta que ele recebeu foi um olhar confuso no rosto de Crusch. Ao vê-
lo, Zaryusu deu um suspiro de alívio, porque sabia que Crusch não estava morta. Nesse
caso, por que ele ainda estava vivo?

A voz do lado dele forneceu uma sugestão.

“Hm... ele parece ter voltado à vida, mas seus pensamentos ainda parecem confusos, e
ele parece ter perdido níveis... Sendo esse o caso, deve ser mais ou menos o mesmo que
em YGGDRASIL.”

Depois de perceber quem havia dito aquelas palavras, Zaryusu olhou para a fonte, sur-
preso.

Ante dele estava o Rei da Morte, um magic caster de extraordinário poder.

Em sua mão havia uma varinha de 30 centímetros de comprimento, que irradiava um


ar sagrado que estava em desacordo com o monarca undead que a segurava. Era uma
linda varinha que parecia ter sido feita de marfim e adornada em ouro, e em sua alça
estava encravada com runas.

Zaryusu não sabia disso, mas essa varinha era a Resurrection Wand, um item mágico
que trouxera Zaryusu à vida. Em circunstâncias normais, aqueles que não pudessem usar
magia clerical não seriam capazes de usar itens mágicos imbuídos de magias clericais,
mas itens mágicos desse tipo eram uma exceção a essa regra.

O olhar de Zaryusu vagou, e ele percebeu que ele estava na aldeia Lizardman.

Eles estavam na praça central, e muitos Lizardmen estavam ajoelhados ao redor deles.
Sua postura imóvel mostrava seu tremendo respeito.

“Bas o que...?”
Era natural ajoelhar-se diante de um poder tão impressionante. No entanto, não era
apenas o respeito que ele sentiu dos Lizardmen, mas algo mais intenso do que isso. Os
Lizardmen não adoravam deuses, e estritamente falando, sua fé estava em seus ances-
trais.

Agora, ele sentia algo como a reverência por um deus dos Lizardmen circundantes.

“Mm, você pode sair, Lizardman. Alguém vai te dizer quando você pode entrar na aldeia
novamente.”

Ninguém falou contra essa ordem. Mais do que isso, eles obedeceram sem um único som
de protesto. Os Lizardmen deixaram a aldeia em silêncio, o único som sendo o de seus
corpos e os salpicos da lama no pântano.

Talvez suas próprias vontades tivessem sido destruídas depois de ver um tremendo po-
der. Claro, isso pode ter sido também devido à prática do Lizardman de obedecer aos
fortes.

Em outras palavras, tudo estava acontecendo como Ainz havia planejado.

“Aura, todos eles foram embora?”

“Sim, todos eles saíram.”

A pessoa que respondeu era uma garota Elfo Negro. Ela estava de pé atrás de Ainz todo
esse tempo, o que era em parte o motivo pelo qual Zaryusu não a havia notado, mas a
principal razão era por causa de quão incrivelmente quieta ela estava.

“Indo ao ponto. Então, Zaryusu Shasha, permita-me felicitá-lo pela sua ressurreição.”

Ressurreição.

Demorou um pouco para Zaryusu analisar o significado dessa palavra. Quando percebeu
isso, um impulso fluiu de seu coração que deixou todo o seu corpo tremendo.

Ressurreição — isso significa que ele me trouxe de volta à vida?

Ele não podia falar. Tudo o que ele podia fazer era fazer barulhos ofegantes.

“O que está errado? Eu duvido que os Lizardmen desprezem a ressurreição, não é? Ou


você esqueceu como falar?”

“Bes-bessurreicão... bocê... bocê pode drazer os mordos de bolta à bida...?”

“Exatamente. Você pensou que eu não poderia ressuscitar os mortos?”


“Boi... Boi uma brande cerimôbia de bessurreicão?”

“Grande cerimônia? O que é isso? Eu sou mais que suficiente para fazer essa tarefa.”

Zaryusu não tinha mais nada a dizer depois de ouvir isso. Magia de ressurreição era um
milagre que só podia ser realizado pelos Lizardmen lendários que possuíam a linhagem
dos Dragonlords.

E ele poderia fazer isso sozinho.

Ele era um monstro? Não, isso estava errado.

Ele era um magic caster de incrível poder? Não, isso também estava errado.

Zaryusu agora entendeu completamente.

Ele liderava um exército lendário e era acompanhado por demônios.

Em outras palavras — o ser diante dele era nada menos que um deus.

Zaryusu levantou-se trêmulo e se prostrou diante de Ainz. Crusch apressou-se a seguir


o exemplo.

“Oh, Subremo.”

Zaryusu sentiu algo como confusão no olhar do Ser Supremo que o olhava de baixo para
cima, mas supôs que ele estivesse enganado.

“Bor davor, aceide binha ederna lealdade.”

“Muito bem. Eu te prometo isso em nome de Ainz Ooal Gown.”

“Bor davor, bonceda brosperidade aos Bizardmen.”

“Isso é tudo? Claro que vou garantir a prosperidade de todos os que servem sob a minha
bandeira.”

“Bocê dem beus mais profundos adradebimentos.”

“Bem, você parece estar com bastante dificuldade para falar. Depois de algum descanso,
você deve voltar ao normal. Por enquanto, tire um tempo para se recuperar. Há muitas
coisas que precisam ser decididas, e a coisa mais importante é como cuidar dessa aldeia...
Você pode entrar em contato com o Cocytus sobre assuntos relacionados a isso.”

Depois de dizer isso, Ainz se preparou para sair. No entanto, Zaryusu ainda tinha algo a
perguntar, uma pergunta que precisava ser respondida agora.
“Esbere, por fabor! E Zenberu e beu irbão?”

“Seus cadáveres devem estar por perto.”

Ainz indicou o exterior da aldeia com um movimento do queixo, quando estava prestes
a partir com Aura.

“Bosso pedir-lhe para ressuscidár ebes?”

“...Hm ...Não parece haver nenhum benefício nisso.”

“Endão, bor que bocê me ressuscidou? Zenberu e beu irbão são fordes. Edes cerdamente
serão údeis.”

Ainz observou Zaryusu e depois encolheu os ombros.

“Eu vou pensar sobre isso... Primeiro, preservarei seus corpos, e então eu vou considerar
isso.”

O manto de Ainz balançou enquanto andava, indicando que a conversa terminara. A voz
de Aura sumia enquanto ela disse:

“Aquela Hydra é realmente fofa~”

Zaryusu finalmente se recuperou de sua prostração e deixou seu corpo frouxo.

“Eu escabei com bida... ou belhor eu boltei à bida.”

Ele não tinha idéia de como seriam governados no futuro. No entanto, se eles pudessem
mostrar o quão útil os Lizardmen poderiam ser, isso não deveria ser tão ruim.

“Crusch, Ani-ja—”

“Está bem. Vamos nos preocupar com isso mais tarde, tudo bem? Por enquanto, você
precisa descansar e se recuperar da fadiga. Vai ficar tudo bem. Eu ainda posso carregar
você.”

“Mm... Bor bavor.”

Zaryusu se deitou e fechou os olhos. O desejo de dormir o assaltou, como se estivesse


pronto para dormir depois de um longo dia de trabalho.

Enquanto saboreava a sensação gentil que o acariciava, a mente de Zaryusu afundou na


escuridão mais uma vez.
Posfácio
Eu acredito que ninguém aqui começou a ler deste volume. Portanto, já faz um tempo,
sou Maruyama Kugane. Então, como eu mencionei no posfácio do volume anterior, este
volume é bastante singular para uma light novel, sendo inteiramente sobre os Lizardmen.
Isso é muito raro entre as light novels, né?

Então, novamente, talvez eu seja apenas ignorante, mas tenho a sensação de que poucas
light novels escrevem sobre o personagem principal lançando um ataque unilateral a
uma aldeia pacífica. Então pessoal, o que acharam desse volume?

Suponho que as opiniões tenderão a dois extremos. No entanto, em volumes futuros, é


muito provável que surjam cenas dos fortes pisoteando os fracos. O personagem princi-
pal de Overlord não é alguém que lida apenas com problemas e situações que ele vê. Ele
é o tipo de pessoa que age para atingir seus próprios objetivos e colher benefícios para
si mesmo. Em outras palavras, ele não é o tipo que só vai resgatar uma donzela quando
ele ouve que ela está em apuros, mas ele é do tipo carnívoro que sai e encontra a donzela
em apuros e... espera, isso soa meio errado.

Portanto, como você que joga jogos de estratégia pode saber, a maneira mais fácil de
alcançar o objetivo de Ainz de acumular poder militar não é desafiar os fortes, mas sub-
jugar os fracos para aumentar as forças de uma pessoa.

Portanto, eu queria escrever essa história da perspectiva menos comum do invasor, em


oposição ao ponto de vista mais comum da parte invadida.

Dito isto, o jogo de idas e vindas dificilmente conta como uma invasão.

A seguir, expressarei meus agradecimentos. So-bin-sama, seu desenho de Crusch foi


adorável e me deixou muito animado. O Chord Design Studio, o design da capa, da lom-
bada e do pôster foi muito legal. Ohaku-sama, você é sempre meticuloso na sua revisão.
E inda há a minha editora F-Da-sama, que me ajudou de muitas maneiras.

Obrigado a todos. Honey, obrigado pelas edições e sou grato por todas as rachaduras
que você fez. Limpar é realmente problemático.

Além disso, meus mais profundos e sinceros agradecimentos vão para todos os leitores
que compraram este livro. Muito obrigado! Então, espero que possamos nos encontrar
no próximo volume. Até logo.

Como um aparte, eu estive procurando uma maneira de colocar “morte” em um título


de capítulo em cada livro, mas estou começando a ficar sem idéias, então provavelmente
pararei de fazer isso a partir do próximo volume.

Foi apenas diversão da minha parte, então perder isso não causará nenhum problema...
no entanto, as coisas serão difíceis se não houver nomes de bom gosto nesta parte! Triste.

- Maruyama Kugane
Ilustrações
Glossário
Glossário
-Magias, Habilidades & Passivas- Heaven's Feather: ........................................... Pena Celestial.
Tradução livre de seus nomes Mirror of Remote Viewing: ..... Espelho da Visão Remota.
Ouroboros: Ou oroboro (ou ainda uróboro) é um con-
3rd Tier Summon Beast: .......Inovação 3º Nível de Besta. ceito representado pelo símbolo de uma serpente, ou um
Charm: ............................................................................ Charme. dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego
Control Clouds: ......................................... Controlar Nuvens. antigo: οὐρά (oura) significa “cauda” e βόρος (boros), que
Control Weather: ......................................... Controlar Clima. significa “devora”. Assim, a palavra designa “aquele que
Creation: ........................................................................ Criação. devora a própria cauda”.
Danger Perception: ............................ Percepção de Perigo. Powered Suit: ............................................. Traje Energizado.
Earth Bind: ................................................... Vinculo de Terra. Resurrection Wand: ..................... Varinha de Ressureição.
Fireball: ................................................................ Bola de Fogo. Ring of Sustenance: .................................. Anel do Sustento.
Frost Aura: .............................................................Aura Gélida. White Dragon Bone: ..................... Osso do Dragão Branco.
Gate: ................................................................................... Portal.
Ice Pillar: .............................................................. Pilar de Gelo.
Icy Burst:.......................................................... Estouro Gelado. -Termos & Terminologias-
Invisibility:......................................................... Invisibilidade.
Lightning ................................................................ Relâmpago. Alevinos:Alevino (ou alevim) é a designação dada aos
Lion’s Heart: ................................................. Coração de Leão. peixes recém-saídos do ovo e que já reabsorveram o saco
Magic Arrow: .................................................... Flecha Mágica. vitelino.
Mass Cure Light Wounds:Cura em Massa de Feridas Le- Briefing:É um conjunto de informações ou uma coleta de
ves. dados passados em uma reunião para o desenvolvimento
Message: .................................................................. Mensagem. de um trabalho ou documento.
Middle Cure Wound: ......................Cura Média de Feridas. Cubo De Rubik:Também conhecido como cubo mágico, é
Natural Steel Weapon: ..................... Arma de Aço Natural. um quebra-cabeça tridimensional, inventado pelo hún-
Piercing Icicle: ......................................... Sincelo Perfurante. garo Ernő Rubik em 1974. Originalmente foi chamado o
Protection Energy: Ice: ........... Energia de Proteção: Gelo. “cubo Mágico” pelo seu inventor, mas o nome foi alterado
Resistance Massive: .............................. Resistência Maciça. pela Ideal Toys para “Cubo de Rubik”.
Scare:............................................................................. Assustar. Dragon Tusk: ............................................... Presa de Dragão.
Steel Skin: ............................................................... Pele de Aço. Escudo Heater:Acredita-se que é uma versão atualizada
Summon 4th Tier Undead:Invocar Morto-Vivo de 4º Ní- do escudo kite e esteve em uso do século XII ao XVIII. As-
vel. sim como o escudo de gota, o Heater fica menor perto da
Wish Upon a Star: .............................. Desejo a Uma Estrela. base, mas se comparado na altura o heater é muito menor.
Sua altura é medida do ombro até a cintura. Foi muito
usado por cavaleiros a cavalo.
-Metamagia- Flute:Flute é um tipo de taça com cabo alto e bojo com-
prido e estreito, especialmente desenvolvida para o ser-
viço de champagne e espumantes em geral. Sua principal
Over Magic: Exceder Magia - Em troca de grandes
finalidade é preservar o gás carbônico presente nestas be-
quantidades de mana, permite que o usuário ative uma
bidas o máximo de tempo possível, garantindo a persis-
magia de um nível maior do que normalmente é capaz tência do perlage (ação espumante da bebida).
de usar. Funda:Ou fundíbulo é uma arma de arremesso constitu-
Silent Magic:Magia Silenciosa - permite que o usuário ída por uma correia ou corda dobrada, em cujo centro é
ative uma magia sem a necessidade de recitá-la, elimi- colocado o objeto que se deseja lançar. Também chamada
nando o perigo de um terceiro ou pessoa interromper de atiradeira, catapulta ou estilingue, embora alguns des-
a ativação. ses nomes possam remeter a tipos de armas de arremesso
específicos.
Gadanha:Ou gadanho (também podendo ser denomi-
-Itens- nado alfange) é uma ferramenta utilizada na agricultura
Tradução livre & Curiosidades para ceifar cereais ou para o corte de erva. Também é o
tipo de arma associada ao ceifador da morte.
Book of the Dead: ..................................... Livro dos Mortos. Godkin: .......................................................... Parente de Deus.
Exchange Box: ..............................................Caixa de Cambio. Green Claw: .......................................................... Garra Verde.
Fallen Seed:...................................................... Semente Caída. Highball:É um copo alto que pode conter 240 a 350 ml. É
Five Elements Overcoming:Subjugação dos Cinco Ele- usado para servir coquetéis e outras bebidas mistas.
mentos – no taoísmo significa superar as relações entre os Ki:気 - é um elemento da cultura tradicional chinesa que
cinco elementos. se manifestaria como uma força cósmica que criou e per-
Frost Pain: ................................................................Dor Gélida. meia todo o universo.
God Slaying Slash Emperor:Matança de Deus do Impe- Little Fang: ....................................................... Presa Pequena.
rador Cortante.
Great Wine Pot: ................................. Grande Pote de Vinho.
Odachi:Um ōdachi (大太刀) ou nodachi (野太刀) era um Wulingyuan:É uma região de interesse paisagístico e his-
tipo de espada japonesa tradicionalmente usada pela tórico na província de Hunan, China. O local é conhecido
classe samurai do Japão feudal. pelos mais de 3.000 pilares de arenito, gargantas e cumes,
Pique: Também conhecido por chuço ou lança longa, é muitos com mais de 200 metros de altura cercados por
uma arma de haste medieval, usada pelos piqueiros, que florestas.
por sua vez constituíam a base da infantaria medieval. O
pique consistia de uma lança de aproximadamente 3 a 5
metros. -Raças & Monstros-
PK: ............................... Player Killer - Quem mata jogadores.
POP:É abreviação de “Repopulation”, Monstros que nas- Abelion Sheep ................................................Ovelha Abelion.
cem automaticamente em dungeons. Baphomet:Bafomete ou ainda Bafomé (pronúncia em in-
Razor Tail: ........................................................Cauda Navalha. glês: [ˈbæfoʊmɛt]; do latim medieval Baphometh, baffo-
Red Eye:............................................................ Olho Vermelho. meti, ocitano Bafomé). É uma criatura simbólica que apa-
Sai:(釵) é uma arma tradicional usada em Okinawa. A receu como um ídolo pagão em transcrições do julga-
forma básica da arma é a de um bastão de metal embotado mento da inquisição dos Cavaleiros Templários no início
e em forma cônica, com dois “dentes” curvos (yoku) pro- do século XIV.
jetando-se do cabo (tsuka). Existem muitos tipos diferen- Blood Meat Hulk:.......................... Brutos de Carne Sangue.
tes de sai com vários pinos para trapping e bloqueio. Chimera:Quimera (em grego: Χίμαιρα, transl.: Chímaira)
Sharp Edge: ......................................................... Crista Afiada. é uma figura mística caracterizada por uma aparência hí-
Sincelo:É um fenómeno meteorológico que acontece em brida de dois ou mais animais
situações de nevoeiro aliado a uma temperatura de -2 °C Diabrete:Um imp ou diabrete é um ser mitológico seme-
a -8 °C. lhante a uma fada ou um demônio.
Talismante:Uso das habilidades do magista no uso de ta- Dryad:Na mitologia grega, as dríades (em grego: Δρυάδες,
lismãs para lançar magias. Dryádes, de δρῦς, drýs, “carvalho”) eram ninfas associa-
Tatame: 畳- um material de revestimento tradicional no das aos carvalhos. De acordo com uma antiga lenda, cada
Japão, utilizado desde o Período Muromachi. É feito de pa- dríade nascia junto com uma determinada árvore, da qual
lha de arroz prensada revestida com esteira de junco e ela exalava. A dríade vivia na árvore ou próxima a ela.
faixa lateral. Este tipo de revestimento está presente em Quando a sua árvore era cortada ou morta, a divindade
quartos tradicionais japoneses conhecidos como wa- também morria.
shitsu (和室). Por padrão um tatame tem 95cmx182cm. Dwarf:.................................................................................. Anão.
Torturers:........................................................... Torturadores. Elder Guarder: ................................................Guarda Ancião.
Wan:わん- É o equivalente japonês à “au”, onomatopeia Elder Lich: .............................................................. Lich Ancião.
latido de cachorros. Frost Dragon:................................................... Dragão Gélido.
Yellow Speckle: ........................................... Pintas Amarelas. Goblin:Raça demi-humana - Eles são feios, geralmente
mal-intencionados e, às vezes, humanoides maliciosos
que moram nas florestas.
-Nomes- Golem:No folclore judaico, o golem (‫ )גולם‬é um ser ani-
mado que é feito de material inanimado, muitas vezes
visto como um gigante de pedra.
Catastrophe Dragonlord:Soberano Dragão da Catás-
Griffon:Em grego: γρύφων, grýphōn ou γρύπων, grýpōn,
trofe. Os kanjis abaixo do Furigana de “Catástrofe” são de
forma primitiva γρύψ, grýps; latim: grifo. É uma criatura
破滅(Hametsu), significa: ruína, destruição. Pode também lendária alada com cabeça e asas de águia e corpo de leão.
ser interpretado como “cair em ruína”. Hydra:Hidra – em grego antigo: Ὕδρα, na mitologia grega,
Elder Coffin Dragonlord:Soberano Dragão do Féretro era um monstro, filho de Tifão e Equidna.
Ancião. Os kanjis de seu nome são de 朽棺, significa “Cai- Lizardman: ................................................... Homem-Lagarto.
xão velho” ou mesmo “Caixão podre”. Master Guarder: ............................................ Guarda Mestre.
Gashokukochuuou:餓食狐蟲王 Seu nome significa algo Myconid: ................. Ou Miconídio, é um fungo humanoide.
como “Rei Proliferum Faminto”. Seu nome “餓食狐蟲” soa Ogro:A palavra ogro é de origem francesa, originalmente
semelhante a “芽殖孤虫”, um nome japonês para Sparga- derivada do deus etrusco Orcus, que se alimentava de
num (parasita). carne humana.
Peckii:Seu apelido vem do fungo conhecido por “Fungo Old Guarder: ...................................................... Guarda Velha.
Dente Sangrento”, nome cientifico Hydnellum Peckii. Skeleton: ................................................................... Esqueleto.
Pulcinella:Ou Polichinelo é uma antiga personagem-tipo Snap Grasp: ................................................... Agarro Estalado.
e burlesca da commedia dell'arte, cujas raízes remontam Swamp Elemental: ........................... Elemental do Pântano.
ao teatro da Roma Antiga. Se caracteriza pelo nariz longo, Undead: ...................................................................Morto-Vivo.
cifose, grande barriga, barrete, roupa multicolorida e fala Wyvern:Ou em português “Serpe”, é todo réptil alado se-
tremida e esganiçada. melhante a um dragão — conhecida como “dragonetes” —
Sous-Chef:Ou chef de cuisine, é o assistente direto do chef de dimensões distintas, muito encontrado na heráldica
executivo, o segundo no comando. medieval.
Vampiric Dragonlord: Soberano Dragão Vampírico. Os
kanjis abaixo do Furigana de “Vampírico” são de 吸 血
(Kyūketsu), significa: Hematófago, e talvez até mesmo -Honoríficos & Tratamentos-
Vampiro 吸血鬼 (Kyūketsuki).
Ani-ja:兄者 vem de 兄者人 – é um modo de referir-se ao
irmão mais velho, mas é uma palavra antiga que não mais
é usada.
Dono:殿 | どの - O sufixo “dono” vem da palavra “tono”,
que significa “senhor”. Seria semelhante a “meu senhor”.
Na época dos samurais, costuma-se denotar um grande
respeito ao interlocutor
Kun:君 - O sufixo “Kun” é bastante utilizado na relação
“superior falando com um inferior”, mas apenas se houver
um certo grau de intimidade e amizade entre ambos.
Sama:様 | さま- O sufixo “Sama” é uma versão mais res-
peitosa e formal de “san”. A traduções mais próxima do
termo “sama” para o português seria “Vossa Senhoria”.
Não é conhecido como Japão, não é importante referir-se
a pessoas importantes ou a alguém que não admira e é
muito importante, não império antigo era muito usado
para se referir como rainhas.
San:さん - O sufixo “San” é um honorífico que pode ser
usado em praticamente todas as situações, independente
do sexo da pessoa. Normalmente é usado para pessoas
que temos pouca ou nenhuma intimidade. Também usado
quando a pessoa considera o interlocutor como um de
igual hierarquia.
Notas de Tradução:
A frase da Albedo. “O senhor gostaria de jantar? Um banho? Ou — prefere — a —
mim💕?” essa frase da Albedo é uma referência ao 新婚三択 (shinkonsantaku, literal-
mente: “três questões [escolhas] para o recém-casado”).
É uma frase frequentemente usada na cultura pop / otaku japonesa pela esposa que
convida o marido para a cama. Na verdade, basta fazer uma pesquisa por “新婚三択” para
levar você a vários exemplos.

Os golpes de Zenberu. Aparentemente ele usa golpes de Karate, e “mão da faca” seria
o Shuto (手刀), ou Tegatana (手刀).

A Dryad. Essa aventura onde aparece a Dryad vem do CD Áudio Drama 01 - A Árvore
Maligna Selada.

Os horários proibidos no relógio da Aura. Em japonês o som ao falar 7:21 (Sete Dois
Um) é similar a Onanī ou seja, Onanismo (masturbação). Já 19:19 (Um Nove Um Nove) é
similar a “Iku! Iku!”, que significa algo como “Estou gozando! Estou gozando!” em Eroges.

Demiurge, o artesão. A técnica de construção que ele usa é equivalente a construções


sem pregos ou cola, são compostas por mais de 300 Netsugi|根継ぎ. Basicamente, essas
mais de 300 variações de cortes e formas diferentes de conectar madeiras sem a neces-
sidade de prego ou cola.

Cavaleiro Skeleton. O “Cavaleiro” deles vem de Rider, não de Knight.

Bíblia. A frase “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus ami-
gos” vem de João 15:13.

Dwarf. Dei preferência a usar “Dwarfs” ao invés de Anões/Anãos. Ao meu ver “Dwarfs”
dá uma conotação de uma raça com determinadas características. Já “Anões” simples-
mente é mais abrangente e pode ser a raça, mais também qualquer pessoa com nanismo.
Mesmo que “Anões/Anãos” seja a tradução de Dwarfs usada em pt-br.
O implacável exército da morte se aproxima da pacífica aldeia dos Lizardmen.

Para proteger sua tribo e sobreviver com seus entes queridos, os Lizardmen resistirão.

Enquanto isso, o grande exército de undeads lutará a favor dos “experimentos” de


Ainz. Seu comandante é o Guardião do 5º Andar, Cocytus, regente da geleira congelada.

Testemunhe o mundo governado pela severa lei da selva

ISBN: 978-4047289543