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Os Dois Líderes

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Ilustrações por so-bin
Aviso Legal:
Obra foi traduzida e revisada de fã para fã. Não venda, ou ganhe dinheiro sobre o traba-
lho de outrem.
Se puderem contribuir com a obra do autor, o faça!

Sobre:
Assim como o anime, a obra tem muitos termos em inglês para diversas armas, itens e
etc...
Tentei deixar isso, mas as vezes tem que generalizar, já que é maçante saber o que era
realmente para ser em inglês, ou não ser.
EX:
-O Ainz se refere a ele como “Magic Caster” e não “Mahou...” alguma coisa.
Porém, algumas ressalvas:
-Alguns sistemas de magias e artes marciais são escritos japonês, alguns eu mantive ro-
majizados, outros ficaram em português.
-Armas e armaduras têm nomes misturados, uns são em inglês, outros em japonês. Por
ser bem difícil de verificar um por um, deixei tudo em inglês;
-Algumas equipes de aventureiros têm nomes em inglês, outras em japonês, neste caso
depende. Umas eu deixei em inglês (pois foram escritas com essa intenção) e outras em
português.

Tentei remover o máximo possível de erros de português e concordância. Mas sou ape-
nas um e com certeza falhas podem acontecer. E claro, não sou especialista na língua
portuguesa para tal nível de proficiência linguística.
Se encontrarem algum erro, sintam-se à vontade para entrarem em contato :)

Créditos e Agradecimentos:
Créditos:
ainzooalgown-br.blogspot.com
Base:
Inglês - skythewood.blogspot.com
Referência de nomes:
Wikia - overlordmaruyama.wikia.com

Atenção: Se baixou este arquivo de outro link que não o oficial do blog. Ou se tem muito
tempo que baixou e deixou guardado, que tal dar uma conferida no blog? Talvez esta seja
uma versão desatualizada :)

Revisão: 3.6 | Versão: 4.5


Sumário
História Paralela: 01 - Os Dias Revoltos e Agitados de Enri......................................... 5
Parte 1 ........................................................................................................................................................................................................................ 6
Parte 2 ......................................................................................................................................................................................................................35
Parte 3 ......................................................................................................................................................................................................................84
Parte 4 ................................................................................................................................................................................................................... 124

Epílogo ...................................................................................................................................................... 153


História Paralela: 02 - Um dia de Nazarick ....................................................................... 168
Parte 1 ................................................................................................................................................................................................................... 169
Parte 2 ................................................................................................................................................................................................................... 204
Parte 3 ................................................................................................................................................................................................................... 227
Parte 4 ................................................................................................................................................................................................................... 282

Posfácio .................................................................................................................................................... 303


Ilustrações ................................................................................................................................................ 306
Glossário .................................................................................................................................................. 327
-Volume 08-
Os Dois Líderes

Autor:

Maruyama Kugane
Ilustrador:

so-bin
História Paralela: 01 - Os Dias Revoltos e Agitados de Enri
Parte 1

nri Emmot levantou-se antes do sol nascer para fazer o café da manhã. Ela

E não era tão boa cozinheira quanto sua falecida mãe, no entanto, havia muita
comida para preparar.

Contando Nemu, a própria Enri e os 19 Goblins leais a ela, ela deveria fazer
o café da manhã para 21 bocas. Cozinhar para mais dois em cima desses faria 23 no total.
Preparar muita comida era muito trabalho e poderia ser considerado uma batalha por si
só. Enri estremeceu enquanto olhava para a vasta quantidade de comida à sua frente e
percebeu que tudo ia acabar em uma refeição.

“Isso é quase seis vezes mais do que antes...”

Depois de respirar fundo, ela arregaçou as mangas, empinou o peito e começou a traba-
lhar.

Ela silenciosamente cortou os legumes e depois a carne. O processo estava gravado na


mente de Enri.

Embora Enri não fosse especialmente talentosa na culinária, o fato de ter aprendido a
lidar com uma tarefa tão enorme em tão pouco tempo era um exemplo de como os dia-
mantes eram feitos sob pressão.

Sua irmãzinha acordou do som de Enri fazendo café da manhã e esfregou o sono de seus
olhos.

“Bom dia, onee-chan. Me deixe ajudar também!”

“Bom dia, Nemu. Não precisa ajudar com isso, mas ainda tem aquela coisa que eu te pedi
para me ajudar a cuidar ontem...”

A infelicidade passou sobre o rosto de Nemu por um momento, mas no final, ela não
reclamou, embora tenha baixado a cabeça obedecendo Enri e respondido “...Tá bom”.

As mãos de Enri pararam.

Seu coração doeu.

Nemu tinha 10 anos agora, e ela era uma garota engraçada e animada antes. Depois
desse incidente, a outrora ingênua e despreocupada Nemu era agora servilmente obedi-
ente a sua irmã, sem nenhuma brincadeira ou birra de crianças de sua idade. Ela era uma
boa menina agora — tão gentil que doía.
Os rostos sorridentes de seus pais apareceram na mente de Enri. Embora vários meses
se passaram, as feridas daquele incidente ainda não haviam sarado.

Se eles tivessem morrido por causa da doença, ela poderia ter se preparado para isso.
Se eles tivessem morrido de um acidente ou de um desastre natural, ela não teria odiado
mais ninguém por isso, e talvez isso não cicatrizasse seu coração. Mas seus pais foram
assassinados diante de seus olhos e seu coração agora estava cheio de ressentimento.
Não havia como ela pensar ou sentir o contrário.

Enri fechou os olhos com força. Se houvesse alguém por perto, ela poderia se esforçar
para que não notasse sua fraqueza. Mas quando ela estava sozinha, a solidão reabria as
feridas em seu coração.

“—Isso é realmente certo?”

Ela ainda via os sorrisos bondosos de seus pais flutuando na escuridão atrás de seus
olhos. Mesmo quando ela os abriu, suas formas não desapareceram de sua visão. Ela re-
petiu os momentos de ternura do passado em sua mente, uma e outra vez.

Depois disso veio o turbilhão de emoções negras em seu coração — seu ódio pelas pes-
soas que assassinaram seus pais. Guiada por isso, Enri bateu seu cutelo na carne com
toda a força, dividindo-a ao meio.

No entanto, já que ela usou muita força, ela também picou um naco da taboa de corte, o
que a fez franzir a testa em frustração.

Se a lâmina ficar com endentações, vai ser difícil consertar... desculpe, okaa-san.

Enri encobriu o naco enquanto se desculpava por danificar o cutelo que era seu único
elo com sua falecida mãe.

Ela gentilmente correu um dedo ao longo da borda para se certificar de que estava tudo
bem, e naquele momento, a porta ao lado dela, que levava à sala de estar, se abriu.

A pessoa que entrou não era humana, mas alguém menor — um dos demi-humanos co-
mumente conhecidos como Goblins.

“Bom dia, Ane-san. Hoje é a minha vez de... aconteceu alguma coisa?”

O Goblin parou no meio de uma saudação arqueada perfeita para virar os olhos preocu-
pados para as mãos de Enri.

Enri era uma mera garota de um vilarejo, mas os Goblins a serviram sem hesitação por-
que ela era a convocadora deles.
Depois daquele incidente, quando os aldeões se perguntaram se precisavam passar por
turnos montando guarda, Enri se lembrou da trombeta que recebera e usou para chamar
os Goblins.

Os aldeões ficaram inicialmente surpresos e com medo dos Goblins já que apareceram
de repente do nada, mas se acalmaram quando Enri lhes disse que havia convocado os
Goblins com um item de seu salvador, Ainz Ooal Gown. Escusado será dizer que isso foi
devido à gratidão e confiança que sentiam em relação a Ainz. Depois disso, o trabalho
que os Goblins fizeram foi suficiente para os aldeões deixarem de lado suas suspeitas e
recebê-los das profundezas de seus corações.

“Bom dia, Kaijali-san, eu usei um pouco de força demais com o cutelo...”

Kaijali era um dos Goblins convocados de Enri. Ele franziu as sobrancelhas — parecendo
um urso comedor de homens acordado de sua hibernação de inverno — e colocou uma
expressão preocupada em seu rosto antes de olhar para Enri.

“Isso não é bom, você precisa cuidar desse cutelo. O Vilarejo não tem ferreiro, então
também não podemos consertar o nosso equipamento.”

“É como diz...”

“Bem, está tudo bem. Vamos pensar em uma solução quando chegar a hora.”

Kaijali falou com uma voz sincera e alegre enquanto ajudava a preparar o café da manhã.
Ele puxou um pavio fumegante do pote que estava segurando e, com uma manobra prá-
tica, acendeu o fogão. A facilidade com que ele transformou uma brasa fraca em um fo-
gareiro era prova de sua habilidade.

Mas eles não podem cozinhar... Por que isso?

Os Goblins não podiam preparar nem as refeições mais simples. Como eles comiam
carne crua e legumes sem reclamar, ela achava que eles poderiam gostar mais de comida
crua, mas ficou claro que eles preferiam refeições cozidas — embora ainda pudessem
comer alimentos crus sem problemas.

É porque os seres convocados não sabem cozinhar?

Uma mera garota do vilarejo, como ela, não tinha resposta para essa pergunta e, com
isso, se focou em seu trabalho mais uma vez. Felizmente, o fio do cutelo ainda estava
intacto.

Eventualmente, o café da manhã ficava pronto.

Havia uma variedade maior de pratos na mesa em comparação com os dias em que a
mãe cozinhava.
Por exemplo, havia carne. Embora os rangers locais frequentemente compartilhassem
suas mortes no passado, a quantia que eles poderiam trazer de volta não era nada com-
parado a agora. A razão pela qual eles tinham muito mais carne agora era porque os al-
deões expandiram sua área de atividade.

A Grande Floresta de Tob oferecia sua recompensa sob a forma de lenha, comida na
forma de frutas e vegetais silvestres, animais para carne e pele e até mesmo ervas medi-
cinais.

Embora a floresta fosse legitimamente considerada um tesouro, também abrigava ani-


mais selvagens e monstros, que poderiam atacar o vilarejo. Como resultado, a floresta
não era um lugar onde os aldeões pudessem entrar casualmente. Mesmo os especialistas
como caçadores profissionais foram forçados a se esconder como ladrões que buscavam
tesouros nas bordas do território do Sábio Rei da Floresta. No entanto, com o desapare-
cimento do Rei da Floresta e a aparição dos Goblins, a situação mudou radicalmente.

A maior mudança foi que os aldeões agora podiam entrar facilmente na floresta e colher
seus recursos. O trabalho dos Goblins, que eram seres fortes, foi um fator chave para isso;
a carne, que antes era difícil de obter, agora podia ser facilmente adquirida, e suas mesas
eram enfeitadas com frutas e vegetais frescos. Como resultado, a situação alimentar do
vilarejo melhorou drasticamente.

Além disso, já que os Goblins eram subordinados de Enri, eles agiam como uma alcateia
de leões, onde as fêmeas — Goblins — entregavam parte de sua caçada para o leão —
Enri.

Além disso, uma das mais recentes adições ao vilarejo foi uma ranger que fez contribui-
ções para as provisões.

Ela era uma mulher que costumava ser uma aventureira em E-Rantel. Por várias razões,
ela mudou-se para este vilarejo e estava aprendendo os caminhos da caçada de um ran-
ger que vivia em um vilarejo. Como ela tinha sido uma guerreira durante seus dias de
aventuras, suas habilidades com o arco eram excelentes, e ela podia derrubar até mesmo
a maior das presas com algumas flechas. Foi em parte por causa de seus esforços que a
distribuição de carne no vilarejo melhorou.

O melhor padrão de vida trouxe mudanças, que se refletiram nos corpos dos moradores.

Enri definiu seu bíceps, flexionando seus músculos.

Seus ganhos foram bastante impressionantes.

Mm, eu me sinto tão musculosa~ eles estão ficando ainda maiores...


Os Goblins elogiaram Enri em todas as oportunidades com frases como “Ane-san está
totalmente trincada!”, “Sim, puxa mais uma vez!”, “Ela vai ficar bem definida!”, “Mantenha
o foco, vai ficar com barriga de tanquinho!”, “Observe como ela é fofa fazendo isso!”. Eles
provavelmente queriam dizer bem, mas enquanto menina, era difícil aceitar tais elogios.

Se eu ficar como os Goblins querem, não seria bom...

Enri varreu da mente sua forma final idealizada pelos Goblin e começou a servir o café
da manhã.

Isso também era uma tarefa tediosa. Enquanto os Goblins não se importariam com uma
pequena diferença no tamanho das porções, a quantidade de carne em sua sopa era um
grande problema. Enri garantiu que todos os pratos e tigelas tivessem uma quantidade
semelhante de carne antes de passar para a próxima tarefa.

Por fim, o desjejum estava pronto e o suor escorria de sua testa.

“Então, vamos chamar todos os Goblins e Nfirea também~”

“Hm, sim~”

“Eu irei! Me deixe chamar eles! Eu quero fazer isso~”

Quando Enri se virou, viu Nemu de pé atrás dela com os olhos brilhantes.

“Você fez suas tarefas?”

Sua irmã assentiu em resposta, e Enri continuou:

“Mesmo? Então vá buscar o Nfi—”

“—Não! Eu quero chamar os Goblins!”

Enri não tinha idéia de como responder à súbita explosão de sua irmãzinha. Kaijali ace-
nou com a cabeça gentilmente para Nemu, presumivelmente indicando que ele confiaria
a ela essa tarefa.

“Eu vou deixar isso para você, então. Eu vou buscar o Nfirea.”

“É assim que se fala! Uma idéia excelente! Ane-san, me deixe ir contigo.”

Embora isso deixasse a casa vazia, não era algo que incomodava Enri. Afinal, nunca
houve nenhum problema com ladrões invadindo antes.

Juntamente com Kaijali, Enri saiu de casa logo depois de Nemu.


O vento soprava no rosto de Enri, carregando o cheiro de grama juntamente com o calor
suave pela luz do sol da manhã. Enri respirou fundo, e quando se virou para olhar para
Kaijali, ele estava respirando o cheiro também. Enri não pôde deixar de sorrir ao ver e
Kaijali fez uma careta ao perceber, porém tentou recuperar a dignidade perdida com uma
expressão feroz. Talvez a Enri do passado estivesse com medo, mas Enri estava acostu-
mada a viver com os Goblins agora, e ela sabia que era assim que ele sorria.

Neste dia calmo, fresco e claro, Enri seguiu para a casa ao lado dela.

Fora deixado sem dono da tragédia que se abatera sobre o vilarejo recentemente e se
tornara o lar dos alquimistas de E-Rantel, os Bareares.

A casa foi ocupada por duas pessoas. Uma delas era uma velha, a experiente herborista
Lizzie Bareare. O outro era seu neto e amigo de Enri, Nfirea Bareare. Os dois passaram
os dias confinados na casa, processando ervas para fazer poções e outros remédios.

Não trabalhar de perto com outros aldeões era uma boa razão para ficar isolado e, na
pior das hipóteses, o resultado seria a expulsão do vilarejo. Mas foi diferente para esses
dois.

Em todos os vilarejos, um Apotecário — alguém que pudesse preparar remédios em


caso de doença ou lesão — era indispensável. Pode-se dizer que eles são importantes o
suficiente para que os aldeões implorem: “vocês não precisam fazer nada, apenas criem
remédios para nós”.

Isso valia o dobro para um lugar como o Vilarejo Carne, que não tinha acesso a sacerdo-
tes que poderiam usar magia de cura.

Aliás, os sacerdotes dobrariam como o farmacêutico de aldeias ou vilarejo maiores.

Os sacerdotes cobravam uma taxa equivalente por sua magia de cura. Ou melhor, talvez
seja melhor dizer que precisariam cobrar a taxa. Se os aldeões não pudessem pagar, eles
ofereceriam seu trabalho em vez disso. Para aqueles que não tinham a capacidade de
fazer isso, os sacerdotes usavam remédios compostos de ervas, uma vez que as curas
com ervas eram mais baratas que a cura mágica.

Um dos Goblins do vilarejo era um clérigo, e ele podia curar ferimentos leves com faci-
lidade, mas os aldeões haviam se reunido com a opinião de que ele deveria economizar
seu poder para uma emergência, a menos que alguém estivesse muito ferido. Sem men-
cionar que as magias de cura do clérigo eram muito limitadas e não tinham a capacidade
de curar doenças ou neutralizar venenos.

Portanto, todos ficaram agradecidos aos Bareares pelo trabalho que fizeram.

Mesmo assim, os aldeões não ousaram abordá-los apesar do trabalho vital que realiza-
ram.
A razão para isso era muito clara quando alguém se aproximava da residência dos Ba-
reares.

Enri franziu o nariz, assim como Kaijali — embora a expressão parecesse mais maligna
em seu rosto.

Um cheiro acre enchia a casa que eles estavam se aproximando. O odor não era real-
mente tão horrível, embora ainda os fizesse sentir-se mal. O cheiro liberado pelo esma-
gamento de ervas pode ser desconcertante, mas no final das contas era apenas o cheiro
das plantas, e não era perigoso por si só.

Respirando pela boca, Enri bateu na porta.

Ela bateu algumas vezes, mas ninguém atendeu a porta. Quando ela achou que ninguém
estava em casa, o som de alguém se aproximando veio do outro lado. Ela ouviu alguém
apressadamente fumegante com a fechadura do outro lado, e então a porta se abriu.

—?!

Ela não queria reagir com sua expressão ou palavras, mas o cheiro vindo de dentro da
casa era realmente insuportável.

Foi doloroso.

Uma dor aguda e pungente queimava seus olhos, nariz e boca. Pior ainda, o mau cheiro
de dentro da casa sugeria que o miasma ao redor da casa não era nada mais do que o que
havia vazado de dentro.

“Bom dia, Enri!”

Os olhos de Nfirea, visíveis entre as aberturas de seus cabelos compridos, estavam bem
abertos e avermelhados. Como de costume, ele deve ter ficado acordado a noite toda fa-
zendo experimentos alquímicos.

Ela não queria abrir a boca para falar já que estava envolvida pelo odor de dar água aos
olhos, mas seria rude não devolver uma saudação.

“B-Bom dia, Enfi.”

Ela sentiu a garganta secar quando disse isso.

“Bom dia, Ani-san.”


“Ah, bom dia Kai... Kaijali-san... Huh, já é manhã? Eu estava trabalhando tanto que não
percebi. Ver o sol me faz perceber como o tempo passou... ahhh, eu tenho feito muitos
experimentos recentemente, eu preciso sair de casa.”

Nfirea se esticou como um gato e bocejou.

“Parece que você está virando a noite constantemente, huh—”

Enri estava prestes a acrescentar “o café da manhã pronto, venha com obaa-sama”, mas
Nfirea interrompeu. Ou melhor, em vez de dizer que ele a interrompeu, seria melhor di-
zer que ela estava sobrecarregada pelo entusiasmo do menino.

“É incrível, Enri!”

Nfirea correu até ela. Suas roupas de trabalho cheiravam ao mesmo odor pungente que
enchia o resto da casa. Embora Enri quisesse muito se afastar dele, ela se forçou a su-
portá-lo, porque Nfirea era seu amigo de infância.

“O que aconteceu, Enfi?”

“Você tem que ouvir isso! Nós finalmente conseguimos aperfeiçoar o procedimento para
preparar um novo tipo de poção. Isso vai mudar o mundo! Mesmo que tudo o que fizemos
foi misturar as ervas que juntamos na solução, conseguimos produzir uma poção roxa!”

A única resposta que ele recebeu foi um “Huh?”

Enri não tinha idéia de como isso era incrível. A poção era roxa porque infundiram re-
polho roxo nela?

“E isso pode curar feridas! A velocidade de cura está a par com poções alquimicamente
refinadas!”

Enri ergueu as mãos, mostrando os braços delicados e esguios que não estavam feridos.
Enri pensou:

Eu tenho bíceps maiores do que ele.

Mas Nfirea não parou por aí.

“O que quer dizer...!”

“Sim, sim, isso é maravilhoso, fale sobre isso depois.”

Kaijali falou ao dar um passo à frente.


“Ani-san do meu ver, parece que ele está dormindo pouco e festejando muito. Talvez ele
esteja chapado ou algo assim? Ane-san, deixe-me cuidar disso. Por que você não volta
primeiro?”

“Vai ficar tudo bem?”

“Claro que vai. Eu vou jogar um pouco de água fria no rosto dele e quando ele se acalmar,
eu o levo. Se você demorar muito, os outros ficarão preocupados. Diga, e quanto a Baa-
san?”

“Obaa-chan ainda está com a cabeça enterrada em sua pesquisa... Eu não acho que ela
virá para o café da manhã. Me desculpe, você passou por todo esse trabalho para prepa-
rar o café da manhã para nós...”

“Ah, não se preocupe com isso. Eu estava pensando que a Lizzie-sama provavelmente
estaria fazendo isso.”

Situações como essas já apareceram algumas vezes, então não foi uma surpresa.

“Então, Ane-san, você deveria voltar primeiro.”

Com isso dito, não havia nada a fazer senão sair.

“Então, eu vou deixar isso para você.”

♦♦♦

Enquanto observava Enri sair, Kaijali virou um olhar frio para Nfirea.

“Qual bagunça você estava fazendo lá atrás? O único motivo para uma garota escutar
um homem falando sobre o que ele gosta, é se essa garota estiver apaixonada. Se ela não
gostar dessa pessoa, então essa tagarelice toda só vai servir para deixá-la entediada!”

“...Me desculpe, eu só pensei que já que fizemos aquela descoberta incrível... mas foi re-
almente incrível! Me arrisco dizer que é revolucionária—!”

Kaijali interrompeu o discurso da tagarelice motorizada de Nfirea com um movimento


de corte com a mão. Claramente, Nfirea não recebera a mensagem que ele estava ten-
tando transmitir.

“Olhe, Ani-san. Você está bem em deixar ela assim? Você está apaixonado pela Ane-san,
não é?”

Nfirea respondeu com um “Mm” e acenou com a cabeça vigorosamente.


“Então você tem que fazer dela a pessoa mais importante em seu coração. Mais impor-
tante que suas poções.”

“...Tudo bem, vou tentar.”

“Não. Não tente. Faça... ou não faça. Não existe tentativa. Você precisa conquistar o co-
ração dela. Eu e o resto dos rapazes faremos o nosso melhor para apoiá-lo. Além disso,
não somos apenas nós, até mesmo a imouto-san concordou em ajudá-lo. Espero que você
me ajude a te ajudar e faça sua parte, Ani-san.”

“Mmm...”

“Se você está apenas esperando que ela diga primeiro “eu gosto de você”, então é mais
provável que alguém chegue antes e pegue, sabe? Você tem que ter coragem para dizer a
ela como realmente se sente.”

Essa frase perfurou o coração de Nfirea como um punhal entre as costelas.

“Ainda assim, apesar de tudo o que eu disse, parece que você está se saindo muito bem
por hora, Ani-san. Costumava ser que você não podia nem dizer uma palavra na frente
dela. Agora você pode continuar uma conversa normal, certo?”

“Isso foi porque eu não tive muita chance de conversar com Enri a menos que eu viesse
para colher ervas... Agora que eu mudei para o vilarejo, estou muito mais perto dela.”

“Assim que eu gosto de ver, esse é o espírito. Tudo o que resta é reunir sua coragem e
tomar a iniciativa. Talvez você deva mostrar sua força primeiro. Segundo os aldeões, ho-
mens fortes ainda são os mais atraentes. Bem, isso para as quarentonas daqui, enfim.”

“Eu não estou muito confiante na força do meu braço. Talvez eu deva fazer mais trabalho
agrícola ou algo assim?”

“Nem, o que você deveria estar usando é isso, Enfi-niisan—”

Kaijali falou enquanto gentilmente batia sua cabeça.

“Compense as coisas com isso. E então aprimore sua magia. Se eu ou um dos rapazes
achamos que você tem a chance de marcar pontos com ela, vamos posar desse jeito. Essa
é sua dica para dizer algo ou agir corretamente para fazê-la se apaixonar por você.”

Kaijali flexionou os braços fazendo os músculos dos bíceps tencionarem. Eles se arrega-
lavam poderosamente sob sua pele.

“Algo assim. E se você precisar de uma demonstração mais impressionante...”


Em seguida, Kaijali flexionou os peitorais. Embora ele fosse bastante baixo, seu corpo
musculoso e atlético atestava o fato de que ele era um guerreiro nato.

Nfirea se perguntou:

Por que essas poses?

No entanto, ele podia sentir a boa vontade de Kaijali, então ele não fez essa pergunta.
Ainda assim, havia uma pergunta que ele queria fazer.

“Eu... eu estou curioso, por que vocês estão fazendo isso? Quer dizer, eu sei que vocês
são subordinados de Enri e você é leal a ela, mas eu não entendo porque você está me
ajudando.”

“Bem, isso é simples...”

Kaijali respondeu com uma expressão inescrutável no rosto. Em um tom mais adequado
para persuadir as crianças a se comportarem, ele respondeu:

“É porque todos nós queremos que a Ane-san seja feliz. E até onde sabemos, você se
encaixa perfeitamente para tal. Então, quanto mais rápido vocês se casarem, melhor.”

“N-não há necessidade de tanta pressa! N-Nós dois podemos lentamente reduzir a dis-
tância entre nós, então...?”

“...Isso seria muito lento. Quero dizer, os humanos não demoram muito entre engravidar
e ter filhos?”

Os olhos de Nfirea se arregalaram e seu rosto ficou rosado quando a conversa de repente
saltou para a gravidez, a forma final das relações homem-mulher.

“Is-isso seria cerca de nove meses?”

“Hm, então levaria muito tempo para cerca de dez filhotes — quero dizer, dez crianças,
é isso?”

“Dez?! Não acha que isso é muito?!”

A média de famílias em vilarejos agrícola eram de 5 crianças. Em tempos difíceis,


quando era difícil sobreviver até a idade adulta, esse número aumentaria. Na cidade, esse
número costumava ser menor, com a ajuda de sacerdotes para curar doenças ou o uso
de contraceptivos.

Então, uma mulher que desse à luz 10 filhos não seria apenas um pouco, mas muito além
da média.
“O que você está falando? É bem normal para nós, Goblins.”

“Nós não somos Goblins!”

“Tudo bem, dito isso, nossas raças têm diferenças... mas ainda assim, você tem que ter
muitas crianças para fazer a Ane-san feliz.”

“...Tudo bem, eu não posso negar que ela pode estar feliz com uma casa cheia de crian-
ças... mas ainda parece meio errado...”

“Mesmo?”

Nfirea estava sem palavras quando viu Kaijali olhando para ele com a cabeça inclinada
em um ângulo. Mas, no geral, ele ainda estava grato por sua ajuda.

“Então, vamos sair, Ani-san. Eu espero que você faça sua jogada em breve. Embora
mantê-la esperando por muito tempo possa causar problemas... bem, acho que um
avanço tático constante no objetivo principal é uma estratégia que vale a pena perseguir.”

“Onde você aprendeu tudo isso?”

Nfirea sacudiu a cabeça, e gritou para o interior da casa:

“Ei, Obaa-chan, eu vou na casa da Enri para o café da manhã, e você?”

A resposta que veio da casa foi uma recusa à pergunta de Nfirea.

Muito provavelmente, ela estava no meio de repetir um experimento e não tinha tempo
para se preocupar com coisas triviais como comer.

Nfirea sabia como era este sentimento.

As ferramentas alquímicas e outras parafernálias da casa eram de uma qualidade extre-


mamente alta e não sabiam como usar a maioria delas. A empregada a serviço do grande
magic caster Ainz Ooal Gown as havia trazido. Os dois tinham sido ordenados a usar esses
materiais para produzir novas poções e itens alquímicos. Ah, e a empregada até trouxe
algum tipo de erva lendária para curar todas as doenças.

Quando ele perguntou a ela sobre os solventes e o uso adequado dos instrumentos, tudo
o que ele recebeu em troca foi um “descubra sozinho ~su”, o que não ajudou as coisas.

Então, os dois haviam abandonado a comida e dormido em sua busca incessante para
aprender a usar esses dispositivos para experimentos. Foi um processo lento, mas eles
finalmente fizeram algum progresso. Claro, eles também cometeram erros.
Os últimos dois meses tinham sido muito ocupados para Lizzie, é claro, mas Nfirea tam-
bém não era exceção.

Os frutos de seu trabalho estavam sobre a mesa, aquela garrafa de poção roxa, que Lizzie
examinou interminavelmente e encheu Nfirea de alegria excitada.

“Eu vou trazer de volta um pouco de comida, então.”

Nfirea falou quando ele fechou a porta atrás dele. Então, ele se virou para Kaijali:

“Vamos.”

♦♦♦

Embora todos devessem comer juntos, a casa de Enri estava longe de ser grande o sufi-
ciente para acomodar todos eles. Como tal, eles costumavam comer fora quando o tempo
estava bom.

Porque eles estavam ao ar livre, uma certa quantidade de desordem era esperada e to-
lerada. Se eles estivessem lá dentro, poderia ter sido insuportável, mas mesmo nas atuais
circunstâncias, a situação rapidamente se tornara agravante.

“É por isso que eu estou dizendo, Enri Ane-san vai ser a minha esposa!”

“Ei, esquentadinho, você está esquecendo o acordo que todos nós fizemos para não to-
car na Ane-san?!”

“É isso mesmo, se você tentar passar a perna em nós, eu também vou me mexer!”

“Você fazer o que parceiro? Eu fui o primeiro!”

Vários Goblins chutaram as cadeiras quando subitamente se levantaram e alguns até


pularam na mesa. Enri engoliu a raiva e falou gentilmente com eles.

“Todos vocês, por favor, se acalmem.”

No entanto, a raiva nos olhos dos Goblins não diminuíra nem um pouco.

“Apenas desistam, rapazes. O vencedor já foi decidido. Agora, contemplem um pedaço


de carne maravilhosa e radiante!”

Um dos Goblins, Kuunel, levantou a colher para provar seu argumento, exibindo um pe-
daço de carne que os espectadores poderiam ter confundido com uma ervilha. Não era
nada mais do que um pouquinho a mais que Enri sentira ao dividir a comida com todo
mundo.
“Eu comi os pedações de carne da minha sopa, mas para minha surpresa, havia mais um
fundo da tigela! Você tem algo assim? Estou certo que não! Isso não é nada menos que
uma prova de amor!”

“Você só pode estar de palhaçada comigo! Isso não é nada mais que um pedaço de carne
que a Ane-san confundiu com um pedaço de vegetais!”

“Talvez isso seja apenas um desejo de sua parte? Talvez a “carne” que você comeu fosse
apenas batata ou algo assim, e mesmo se não fosse, a carne que você comeu era quase
um fiapo. É melhor você tomar cuidado, pode ser a prova de que a Ane-san não gosta de
você. Além disso, meu deus claramente me disse: “Você deve deixar Enri feliz”.”

“Mas o deus que você acredita não é em um deus maligno, Cona?!”

Metade dos Goblins estava de pé e a outra metade estava sentada e brigando, abanando
as chamas do conflito. Mesmo Nemu de alguma forma se juntou aos agitadores. Apenas
algumas pessoas não estavam participando desta batalha. Aquelas pessoas tinham a ca-
beça abaixada na mesa e a mais proeminente delas era Nfirea.

“...Rubi em pó... penas arcanas... pilão de madeira... made... madeira... de... lei?”

Nfirea estava murmurando para si mesmo enquanto colocava a comida na boca, mas a
comida na colher caia toda novamente na tigela antes de chegar a boca. Seus olhos esta-
vam escondidos por seus longos cabelos, mas com toda a probabilidade ele estava an-
dando na linha fina entre os sonhos e a realidade.

“Enfi, você está bem?”

Os Goblins ainda estavam discutindo, e embora provavelmente não fosse seguro deixá-
los sozinhos por muito tempo, para que o conflito não ficasse fora de controle, Nfirea
estava realmente de fora disso, e ela não podia ignorá-lo. Provavelmente estava sofrendo
de privação de sono, a julgar pelo modo como começara a cambalear no momento em
que se sentou, como se estivesse prestes a cair a seu lado a qualquer momento. Quando
ele realmente começou a tomar café da manhã, ele parecia um undead, completamente
desprovido de vida ou inteligência.

“Ah... não... se... preocupe... comigo... Enri... hu...”

“Ei, Enfi, se recomponha!”

“Além disso, não foi você quem disse que “Nemu é minha esposa” e coisas assim mais
cedo?”

“Isso foi antes, mas agora é diferente. Eu só percebi isso recentemente. Eu costumava
pensar que já que a Nemu-san tem dez anos e tem quase a mesma altura que nós, era
uma idade de casar. Mas os humanos... eles só os consideram adultos aos quinze anos!”
“Eh? Isso é verdade...? Ane-san não é uma espécie de hob-humano??”

Os Goblins saltaram de tópico para tópico com velocidade incomparável. Enri queria
perguntar-lhes o que era um “hob-humano”, mas antes que ela pudesse abrir a boca, os
Goblins já haviam se cansado da discussão e começado todo um novo argumento para
que todos participassem.

“Ah! Você roubou meu pão!”

“Meu lobo ainda está com fome, não seja tão estúpido!”

“Todos vocês!”

Enri estava gritando neste momento, mas a voz dela ainda não podia limpar a algazarra
que os Goblins estavam gerando. Colheres e pratos voavam, enquanto gritos e rugidos de
irá subiam e desciam como ondas em uma baía agitada pela tempestade. Claro, tudo que
estava sendo jogado estava vazio, porque nenhum dos Goblins sequer sonhava em des-
perdiçar a comida que Enri fazia para eles. Ainda assim, era totalmente indesculpável.

Ajoelhando-se, Enri franziu as sobrancelhas e respirou fundo.

“Os lobos não comem carne? Só porque você é mais alto que eu, não pense que eu não
posso te enfrentar, punho a punho!”

“Punho a punho? Desde que você está com tanta fome, que tal um sanduíche de socos?”

E assim que Enri se levantou, todos imediatamente voltaram para seus lugares e calma-
mente retomaram a refeição como se nada estivesse errado.

“BASTA, TODOS VOCÊS! ACALMEM-SE!”

O furioso grito de Enri ecoou pelo ar silencioso acima da mesa do café da manhã.

“Ah...”

Surpresa, Enri olhou ao redor, mas a única coisa que ela podia ver eram os Goblins
olhando para ela com expressões em seus rostos que diziam: “Estávamos todos tomando
café da manhã tranquilamente, isso é um problema”, ou “Ser calado de repente por razão
alguma é realmente irritante”. Depois de ficar em silêncio por um tempo, ela se sentou de
volta em seu assento, com o rosto vermelho.

“Pfhahahahaha!”
A primeira a quebrar o silêncio foi Nemu. Então, incapaz de se conter, Enri seguiu o
exemplo, segurando seu estômago enquanto ela ria e então os Goblins também se junta-
ram.

Esse clima subsequente não poderia ter ocorrido sem uma discussão e preparação cui-
dadosa. Foi incrível como eles se prepararam seriamente para uma brincadeira como
essa.

“Ah, isso foi estranho. Vocês estavam planejando zombar de mim desde o começo?”

Mesmo que ela estivesse lacrimejando porque estava rindo muito, Enri fez uma demons-
tração de raiva quando ela lhes perguntou.

“Claro, Ane-san. Nós não discutiríamos sobre coisas como essa de verdade.”

“Isso mesmo, Ane-san.”

“Isso, isso!”

Os Goblins se gabavam sem o menor indício de vergonha, desviando as perguntas de


Enri com expressões joviais em seus rostos. Em resposta, Enri olhou para Kaijali, o enca-
rando com um olhar feroz. Sob o olhar severo, Kaijali murchava, desviando os olhos en-
quanto respondia em voz baixa que abdicava de toda a responsabilidade.

“Veja bem, como eu digo isso... nós pensamos que você parecia um pouco para baixo,
Ane-san.”

Vários Goblins próximos se afastaram, as cabeças abaixadas enquanto olhavam ao redor


desconfortavelmente sem dizer uma palavra.

“Vocês—”

“Isso é porque... somos todos seus guarda-costas, Ane-san.”

“Isso mesmo!”

“Isso sim! Guarda-costas!”

“Nós colocamos um monte de pensamento sobre nossa insinceridade de guarda-costas


também.”

“Isso mesmo, isso mesmo. Agora, Ane-san e Nemu-san, estão aqui no meio, assim...”

“Eh? Eu também?”
“É claro, vocês duas, levantam os dois braços assim, isso mesmo, de uma forma total-
mente legal e incrível... sim, assim mesmo!”

Mesmo que ela lhes desse o benefício da dúvida, essa postura fazia com que parecessem
sapos esticando os braços para o céu.

“Assim, eu entendo suas boas intenções, e para começar, você não precisa ser meu
guarda-costas... certo, Enfi?”

Enri virou a cabeça para seu amigo de infância sentado ao seu lado em busca de ajuda,
mas descobriu que não havia ninguém lá.

Ela tinha um mau pressentimento sobre isso, mas ainda mudou sua linha de visão um
pouquinho para baixo... e descobriu que a cabeça de Nfirea estava descansando de bruços
em sua tigela de sopa.

“Enfi!”

Enri imediatamente balançou Nfirea debruçado sobre a mesa, lagrimas apareceram e


seu rosto ficou pálido. Cona rapidamente correu e abriu os olhos de Nfirea com os dedos.

“...Ele está apenas dormindo. Se você o deixar assim até o meio-dia, ele deve ficar bem.”

“Enfi... o que eu vou fazer com você?”

Enri estava pensando que deveria devolver Nfirea a sua própria cama. Então ela o colo-
cou de costas, e começou a levá-lo, deixando para trás pérolas de conversação como “Eles
não estão em posição contrária?”, “Nemu-san, você não pode dizer essas coisas...”, “Ani-san,
você...”.

Depois que o trigo fosse colhido, os coletores de impostos viriam para o vilarejo.

Enri estava obviamente preocupada sobre como ela explicaria a presença dos Goblins
no vilarejo.

Ela deveria dizer que eles eram feras conjuradas, ou que eles eram seus capangas, ou
talvez ela deveria dizer...

Enri tinha a sensação de que eles estavam sempre preocupados com ela.

Eles não se preocupavam apenas em proteger sua vida, eles também pensavam sobre
seus sentimentos. O que ela poderia fazer por esses Goblins?

O que ela poderia fazer por esses novos membros da sua família...

♦♦♦
Enri juntou as ervas daninhas que acabara de cortar e usou as costas ainda limpas da
mão para enxugar o suor escorrendo pelo pescoço. A grande pilha de matéria vegetal
desfiada exalava o cheiro de grama recém-cortada.

O corpo dela estava cansado de trabalhar longas horas no campo e a maneira como suas
roupas suadas de suor se agarravam ao seu corpo deixavam Enri desconfortável.

Para levantar seu humor, Enri se espreguiçou.

Quando ela o fez, seus olhos percorreram os vastos campos.

O trigo que haviam plantado crescera lenta, mas firmemente, e à medida que a época da
colheita se aproximava, o trigo lentamente se tornava dourado. Embora um campo de
trigo pintado de ouro fosse uma bela vista, o trabalho de capinar antes disso era essencial
e irritante. Se não fosse feito, a cor dourada seria pouco distribuída.

Seu trabalho agora era inteiramente por causa da colheita vindoura.

Ela endireitou o corpo para soltar os músculos rígidos e deixar o corpo ferido relaxar. O
vento parecia refrescantemente fresco em sua pele que havia sido superaquecida por
longas horas de trabalho de campo.

O vento também trouxe o som de uma comoção do vilarejo para seus ouvidos.

Parecia algo batendo em alguma coisa, e grita por fazer com que as pessoas combinem
suas forças como uma só. Estes eram sons que nunca tinham sido ouvidos antes no vila-
rejo. Neste momento, o vilarejo estava trabalhando para transformar todos os tipos de
planos e idéias em realidade.

Destes planos, os que tinham maior prioridade eram o muro que cercava o vilarejo e a
construção das torres de vigia. Não é preciso dizer que todos esses projetos tinham a
intenção de transformar o vilarejo em uma fortaleza.

♦♦♦

O Vilarejo Carne ficava na beira da Grande Floresta de Tob, e a floresta era o lar de mui-
tas feras selvagens; em outras palavras, era território perigoso. Seria impossível viver
em paz lá sem a proteção de muros resistentes.

No entanto, o Vilarejo Carne era constituído de casas ramificando da praça central em


todas as direções. Sem nada parecido com um muro, qualquer um poderia entrar facil-
mente no vilarejo. Até recentemente, o vilarejo tinha sido pacífico e os monstros não ha-
viam entrado, mesmo que fosse ao lado da floresta.
Isso porque a poderosa criatura conhecida como o Sábio Rei da Floresta expandiu con-
tinuamente seu território e, como tal, nenhum animal se atreveu a se movimentar na flo-
resta perto do vilarejo. Assim, as defesas do vilarejo eram praticamente inexpugnáveis.

E então, tudo isso mudou devido à intervenção humana.

Os cavaleiros do Império atacaram e mataram seus pais. Como resultado, ninguém no


vilarejo manteve a esperança de que as coisas voltariam a ser como costumavam ser.

Para esse fim, o líder da Tropa Goblins — Jugem — propusera a fortificação do vilarejo
como uma contramedida para tal cenário. Uma vez que ele mencionou que os Goblins
seriam incapazes de proteger o vilarejo, caso se fosse atacado novamente devido à falta
de números, a moção imediatamente recebeu a aprovação unânime de todas as partes
envolvidas. Isso porque, mesmo agora, muitos dos aldeões ainda não conseguiam esque-
cer o pesadelo que ocorrera.

O primeiro passo foi desmantelar as casas desocupadas e usá-las para construir um


muro. Naturalmente, esses materiais eram insuficientes, então eles teriam que entrar na
floresta para derrubar árvores para madeira. Já que entrar nas profundezas da floresta
pode significar invadir o território do Sábio Rei da Floresta, eles tiveram que percorrer
um longo caminho, nos arredores da floresta.

Naturalmente, os Goblins eram os que forneciam segurança para os aldeões cortarem


madeira.

Como resultado da tarefa, a cautela dos moradores em relação aos Goblins desapareceu
quase completamente. Parte disso foi porque os cavaleiros que os atacaram eram huma-
nos, assim como eles. Eles tentaram matar os aldeões, apesar de serem membros da
mesma espécie. Em contraste, os Goblins poderiam ser de espécie diferente, mas eles
trabalharam com afinco para o vilarejo de Enri. A decisão de qual lado confiar não era
mais aquela que poderia ser facilmente resolvida ao se decidir linhas raciais.

E a razão mais importante era que os Goblins eram mais fortes que qualquer outro.
Como guerreiros, eles poderiam conduzir patrulhas, e quando as pessoas fossem feridas,
o Goblin clérigo — Cona — poderia curá-los.

Era difícil desprezar Goblins como estes.

Dessa forma, os Goblins conseguiram se estabelecer no vilarejo em poucos dias e rapi-


damente se tornaram uma parte indispensável da vida dos aldeões. Isto podia ser visto
da casa em que os Goblins viviam; nenhuma consideração fora feita do fato de que eles
eram de outra raça, e uma grande casa tinha sido construída perto da casa de Enri no
meio do vilarejo.
Embora os aldeões e os Goblins tivessem trabalhado juntos no plano de defesa, simples-
mente não havia mãos suficientes para fazer o trabalho avançar rapidamente. Como tal,
no começo eles tinham construído apenas cercas simples.

Como o destino quis, o Sábio Rei da Floresta, que mantivera os monstros afastados da
vila, tornou-se um seguidor de um guerreiro de armadura preta incrivelmente hábil e
abandonou seu território. Embora tivessem conseguido completar as cercas com grande
esforço, os aldeões não conseguiam se alegrar com sua realização, mas suspiravam sobre
sua má sorte.

No entanto, um muro robusto agora defendia o vilarejo.

Tudo isso graças aos Golem — Golem de Pedra — que a bela empregada que servia ao
salvador do vilarejo — Ainz Ooal Gown — trouxera consigo.

Golems eram construtos inesgotáveis; quando recebiam uma ordem, executavam-na si-
lenciosamente, e sua força superava em muito a de um ser humano. Apesar de sua falta
de destreza significasse que eles não poderiam executar certas tarefas que exigiam pre-
cisão, sua participação no trabalho permitira que ele procedesse com uma velocidade
inacreditável. Com o esforço dos Golem de Pedra não sonolento e incansáveis, a constru-
ção do muro ficou pronta praticamente em um instante.

Eles poderiam realizar as tarefas que os aldeões e os Goblins não podiam, como derru-
bar árvores e transportá-las em grandes quantidades, cavar buracos ou colocar as fun-
dações dos muros. O que deveria levar anos para ser concluído em teoria, em vez disso,
terminara em questão de dias, e o muro construído era ainda maior e mais resistente do
que o esperado.

Eles não apenas ajudaram a construir os muros; até mesmo a construção das torres de
vigilância foi acelerada. Sua tarefa atual era completar as torres de vigia nos flancos leste
e oeste do vilarejo.

“Ane-san, eu terminei aqui.”

Os pensamentos de Enri foram interrompidos pelo Goblin ajudando-a na capina, um


Goblin chamado Paipo.

“Ah, obrigada.”

“Não, não, não é nada que você deva me agradecer, Ane-san.”

Embora Paipo acenasse a sujeira e as mãos manchadas de grama para afastar o agrade-
cimento de Enri, Enri ainda sentia que devia aos Goblins uma dívida que nunca poderia
ser paga.
Depois de perder seus pais, Enri estava em uma situação terrível, onde cuidar sozinha
do amonte de sua própria família seria impossível. Ela queria pedir ajuda aos outros al-
deões, mas dada a falta geral de mão-de-obra no vilarejo, já era difícil o suficiente para
cada família cuidar de suas próprias plantações. Com a ajuda dos Goblins, esse problema
foi facilmente resolvido. Além disso, ela não era a única que os Goblins tinham ajudado.

Virando-se para a direção de onde seu nome era chamado, Enri viu uma mulher gorda
de pé ao lado de um campo. Ao lado dela estava um Goblin.

“Muito obrigada, Enri-chan. Por causa da ajuda do Goblin-san, o trabalho de campo está
quase pronto.”

“Mesmo? Isso é maravilhoso. Foi idéia deles ajudar nas tarefas, então se você quiser
agradecer a alguém, você deve agradecê-los diretamente.”

“Ah, já agradeci ao Goblin-san. Ele disse que ele era apenas seu subordinado, então ele
esperava que eu agradecesse a Ane-san também.”

Ouvir a palavra “Ane-san” fez Enri franzir as sobrancelhas, que ela rapidamente cobriu
com um sorriso amargo.

Os próprios Goblins haviam sugerido que eles deveriam ajudar as famílias que perde-
ram os trabalhadores rurais no ataque, e a mulher diante dela era uma dessas pessoas.

Não havia como os aldeões evitarem as contribuições dos Goblins. A moral dos Goblins
no Vilarejo Carne aumentou tanto, que era muito comum ouvir as pessoas dizerem que
Goblins eram melhores vizinhos do que humanos.

“Falando nisso, estão os outros Goblin-sans por aí? Eu queria levar a todos para uma
refeição em agradecimento.”

“Os outros deveriam estar patrulhando ou ajudando as pessoas que acabaram de se mu-
dar. Mas vou passar a mensagem para eles, obaa-san.”

“Conto com você para isso, Enri-chan. Quando chegar a hora, vou garantir que todos
possam desfrutar de um banquete feito com todas as minhas habilidades. Até lá, acho
que vou fazer o almoço para este Goblin-san primeiro.”

“Mesmo? Então, desde que fui convidado, seria rude recusar. Ane-san, desculpe, eu não
posso me juntar a você, mas eu vou almoçar na casa da Morga-san.”

Enri assentiu e a mulher voltou para o vilarejo com o Goblin.

“Seria bom se as pessoas recém-chegadas percebessem que vocês não são ruins.”
“Bem, muitos deles não pareciam felizes em nos ver. Afinal, em seus corações devemos
ser o inimigo.”

“A maioria dos vilarejos, além da nossa, trataria Goblins como o inimigo, isso é certo...”

“É por isso que enviamos muitas pessoas para ajudar os aldeões com o trabalho deles.
Não é fácil.”

“Mas, mas nós esclarecemos algumas suspeitas deles. Acabei de ver como eles podem
cumprimentá-lo normalmente.”

“Bem, algumas dessas pessoas lembram como seus familiares foram atacados e mortos.
Ou não, as memórias que eles carregam podem ser ainda mais pesadas do que isso.”

Apesar do Vilarejo Carne ter sido devastado pelo ataque, cerca de metade dos aldeões
conseguiram sobreviver. Por outro lado, os outros vilarejos que haviam sido atacadas
por cavaleiros haviam perdido a maior parte de seu povo.

Quando o Vilarejo Carne começou a receber imigrantes, muitos dos que vieram eram
sobreviventes desses vilarejos.

Os dois ficaram em silêncio.

Enri esticou as costas uma vez mais e olhou para o céu. Embora a campainha do almoço
ainda não tivesse tocado, parecia que já estava na hora. Eles haviam trabalhado o sufici-
ente do campo para fazer uma pausa também.

“Então, vamos almoçar?”

Apesar do rosto de aparência esmagada, Paipo fez o que era instantaneamente reconhe-
cível como um sorriso.

“Isso seria ótimo, suas refeições são sempre deliciosas, Ane-san.”

“Oh, elas não são tão boas assim.”

Respondeu Enri, um pouco envergonhada.

“Não, não, estou falando sério! Ajudar você nos campos é uma das posições mais dispu-
tadas entre nós. Isso é porque nós podemos comer seus deliciosos almoços, Ane-san.”

“Ahaha, então eu deveria fazer o almoço para todos? Assim como lidamos com o café da
manhã?”

Havia algumas razões pelas quais seria difícil fazê-lo. Por exemplo, havia uma diferença
entre o almoço para 3 e o almoço para 20. Apenas cortar os legumes seria uma tarefa
árdua. Além disso, ela tinha que garantir que todos tivessem porções suficientes, o que
seria uma tarefa cansativa. Dito isso, em comparação com a quantidade de trabalho que
os Goblins tinham investido no vilarejo e os elogios que receberam em troca, não eram
nada que pagasse seu árduo esforço.

“Oh, não, nós não poderíamos impor algo assim a você. Além disso, desfrutar do seu
almoço feito à mão é algo como um bônus para quem ganha o direito de ajudá-la, Ane-
san.”

Enri só pôde devolver um sorriso perturbado ao rosto radiante do diminuto demi-hu-


mano. Embora ela soubesse que os Goblins decidiram quem aceitaria o trabalho através
de pedra, papel & tesoura, Enri não sabia se estava cozinhando algo que realmente mere-
cia todo aquele elogio.

“Então, vamos voltar e comer?”

“Perfeito para—”

As palavras de Paipo foram cortadas na metade enquanto ele olhava para a distância
com seus olhos aguçados. Com uma respiração profunda, o ex-relaxado e alegre pequeno
demi-humano se tornou um guerreiro veterano em um instante. Enri seguiu a visão de
Paipo ao longe.

Eles viram um Goblin montando um lobo negro. Eles pareciam deslizar pela planície
enquanto se aproximavam do vilarejo em alta velocidade.

“É o Kyumei-san...”

Entre a Tropa Goblin que Enri havia convocado, havia 12 Goblins de nível 8, dois Goblins
Arqueiros de nível 10, uma Goblin Maga de nível 10, um Goblin Clérigo nível 10, dois
Goblins Cavaleiros de Lobo de nível 10 e um Goblin Líder de nível 12, um total de 19
Goblins.

Kaijali desta manhã e Paipo que ajudaram com as tarefas eram de nível 8, enquanto
Kyumei, que estava montado em um lobo preto, vestindo uma armadura de couro e car-
regando uma lança, era um Goblin Cavaleiro de Lobo nível 10.

O trabalho dos Goblins Cavaleiros de Lobos era patrulhar as planícies e atuar como ba-
tedores. Os cavaleiros que retornavam periodicamente ao vilarejo para entregar relató-
rios eram uma visão comum.

“...Parece que.”

No entanto, o tom de Paipo era muito sombrio. Isso a fez pensar que algo ruim havia
acontecido.
“O que está errado?”

“...Ele está de volta um pouco cedo. Ele deveria estar rondando a floresta hoje... aconte-
ceu alguma coisa?”

Depois de ouvir a explicação de Paipo, uma onda de desconforto aumentou no coração


de Enri, e ela temia que algum desastre sangrento os aguardasse.

Enquanto os dois esperavam em silêncio, o grande Lobo e seu cavaleiro chegaram na


frente de Enri. De sua respiração rápida, ela podia adivinhar o quanto de pressa ele tinha
estado para voltar aqui.

“Algum problema?”

Ouvindo a pergunta de Paipo, Kyumei se curvou para Enri de cima de seu lobo enquanto
respondia:

“Algo aconteceu na floresta.”

“...O quê?”

“Não tenho muita certeza, mas acho que é como antes. Um monte de caras desconheci-
dos estão se movendo em direção ao norte.”

“São cavaleiros?”

Enri inconscientemente interrompeu os dois. Mesmo que ela fosse impotente para mu-
dar alguma coisa, ela ainda não podia ignorar a conversa. Ela ainda não conseguia esque-
cer o medo quando o vilarejo foi atacado.

O “Um monte de caras desconhecidos indo para o norte”, referiram-se aos rastros que
encontraram de milhares de pessoas marchando para o norte. Embora as pegadas fos-
sem similares em tamanho às dos humanos, elas eram feitas de pés descalços, então no
final concluíram que aquelas pessoas não eram seres humanos.

“Eu não tenho nenhuma prova, mas acho que é diferente daquela vez. Sinto que algo
está acontecendo no fundo da floresta.”

“Certo.”

Ouvindo isso, Enri não pôde evitar suspirar de alívio.

“...Então, é melhor eu me apresentar ao Líder.”

“Tudo bem. Bom trabalho.”


“Obrigado pelo seu árduo trabalho.”

Depois de acenar para os dois, Kyumei esporeou o lobo e partiu. Enri e Paipo observa-
ram-no entrar pelas portas do vilarejo que se abriram lentamente.

“Então, vamos voltar também?”

“Sim, vamos.”

♦♦♦

Depois de lavar as mãos ao lado do poço, Enri e Paipo tinham acabado de chegar em
casa quando ouviram a voz de uma jovem garota.

“Bem-vinda de volta, Onee-chan.”

A voz foi acompanhada pelo som de pedra roçando em pedra. Seguindo o som até sua
fonte, Enri viu Nemu girando um pequeno moinho de pedra atrás da casa.

Um cheiro pungente veio do moinho. Embora fosse semelhante ao cheiro que se agar-
rava às mãos de Enri logo antes, era várias vezes mais intenso, o suficiente para que se
pudesse sentir o cheiro a certa distância.

Nemu estava acostumada com o cheiro, ela estava bem, mas os olhos de Enri quase se
encheram de lágrimas quando o odor a surpreendeu. Paipo, parado atrás dela, parecia
não ser afetado em comparação. Não ficou claro se isso acontecia porque o cheiro só afe-
tava certas espécies, ou porque seria terrivelmente rude fazer uma careta assim para a
irmã mais nova de sua mestra.

“Estou em casa. Como estão as coisas? Você já fez tudo isso?”

“Mm, eu fiz. Dê uma olhada.”

Enri olhou a linha de visão de Nemu e viu que as ervas que ela empilhou antes de sair
da casa haviam sido reduzidas a um pequeno punhado.

“Eu fiz muito bem, né? Não há muito mais sobrando.”

Antes de sair de casa, Enri pediu a Nemu para ajudá-la a moer as ervas em uma pasta.
Isso porque algumas ervas tinham que ser secas para serem preservadas, mas outras
precisavam ser trituradas para serem preservadas.

“Uwah, você se esforçou muito no seu trabalhou, Nemu!”


Enri abriu os braços para elogiar sua irmã e um olhar de orgulho floresceu no rosto de
Nemu. Talvez ela tivesse sido influenciada por Nfirea, ou talvez ela quisesse ajudar sua
irmã de alguma forma, mas Nemu diligentemente e rapidamente realizou suas tarefas.

As ervas eram a maior parte da fonte de renta do Vilarejo Carne. Pode-se dizer que é a
exportação de uma especialidade que não exige muita mão de obra para um vilarejo de
fronteira produzir.

Dado que era um método crucial para que eles obtivessem uma moeda valiosa, todos os
moradores do Vilarejo Carne conheciam pelo menos um pouco sobre ervas e onde elas
cresciam.

Enri silenciosamente considerou a situação. As ervas do Vilarejo Carne eram incrivel-


mente lucrativas. No entanto, elas só poderiam ser reunidas dentro de uma janela de
tempo extremamente curta antes que as flores florescessem, e só poderiam ser conside-
radas como uma renda temporária na melhor das hipóteses. No entanto, todos os lugares
que eles conheciam tinham sido totalmente colhidos, então eles precisariam se aprofun-
dar na floresta para encontrar ervas que ainda não haviam sido colhidas.

Claro, aquelas florestas eram onde os monstros espreitavam, e dificilmente eram um


lugar onde pessoas como Enri pudessem passear em um piquenique. No entanto, agora
eles tinham os Goblins e o experiente herborista Nfirea. Se ela pudesse conseguir a ajuda
deles, eles seriam capazes de ganhar muito dinheiro.

Depois de alguma hesitação, Enri falou de seu plano para Paipo.

“Eu quero ir para um novo local para colher ervas, você poderia vir comigo?”

Logicamente falando, não havia necessidade de Enri ir sozinha. Tudo o que ela precisava
fazer era pedir aos Goblins, que poderiam se cuidar, entrar na perigosa Grande Floresta
de Top sob suas ordens. No entanto, os Goblins que ela convocara tinham uma fraqueza
estranha.

Isso quer dizer que eles não tinham aptidão alguma para a colheita de ervas ou agirem
como açougueiros, esses tipos de trabalho.

Sua falta de destreza na comida se refletia em erva, eles não seriam capazes de combiná-
la com erva idêntica na frente deles. O mais surpreendente foi que era como se tivessem
nascido incapazes de fazer esse tipo de coisa, ou mesmo de aprender, como se alguém
tivesse removido a capacidade de fazê-lo.

Portanto, se eles fossem designados para colher ervas, os Goblins precisavam ter um
não-Goblin com eles.

“Tudo vai ficar bem, mas pode ser um pouco difícil para você vir conosco, Ane-san.”
“Hm? Por que isso?”

“Bem, como Kyumei disse, há algum tipo de mudança nas profundezas da floresta. Se for
esse o caso, o interior da floresta estará uma bagunça agora.”

Vendo a expressão de surpresa no rosto de Enri, Paipo explicou-se pacientemente.

“Mesmo os cautelosos vão querer expandir seu território. Se esse é o caso, então por um
tempo, o território deles vai se sobrepor aos outros, e isso vai causar todo tipo de confu-
são. Simplificando, as chances de encontrar um monstro vão aumentar e o perigo tam-
bém. E se você tiver azar, pode até encontrar algo fora da floresta. Sabemos que você é
corajosa e legal, mas não precisa entrar em perigo, Ane-san.”

“Certo...”

Eu não tenho muita certeza sobre a parte corajosa e legal, mas isso é provavelmente ape-
nas os Goblins sendo educados...

Enri pensou.

“Houve também uma grande movimentação lá anteriormente. O que aconteceu?”

“Eu não sei. Originalmente, deveríamos ter enviado alguém familiarizado com as condi-
ções da Grande Floresta para investigar... Mas se formos, as defesas do vilarejo serão en-
fraquecidas... ah, isso pode dar certo! Por que não contratar aventureiros para verificar
isso?”

“Isso pode ser difícil...”

Disse Enri, entortando as sobrancelhas e completou:

“Segundo o Enfi, o custo de contratar um grupo de aventureiros é muito alto. Embora as


Ladys de E-Rantel subsidiem alguns desses custos, será muito difícil para um vilarejo
como o nosso pagar para os aventureiros do nosso próprio bolso.”

“Entendo...”

“Se o resultado for a coletar muitas ervas, vendê-las depois deve ajudar com uma parte
desse problema... caso contrário, tudo o que podemos fazer é vender os itens que rece-
bemos de Gown-sama.”

Ela recebeu duas trombetas das mãos de Ainz Ooal Gown. Embora uma delas tivesse
desaparecido depois que ela o usasse, a outra estava escondido em segurança na casa de
Enri.

“Esqueça isso, Ane-san. Preferimos que você apenas sopre a trombeta em vez disso.”
“Claro, não tem como eu vender aquele presente.”

Enri não queria se tornar o tipo de pessoa desprezível que iria vender um presente dado
por boa vontade. Também existia a possibilidade de que talvez nem fosse possível vendê-
lo, então ela decidiu não o fazer. Mesmo agora, ainda estavam se beneficiando da gene-
rosidade da empregada que trouxera os Golems para o vilarejo. Ela nunca iria cometer
um ato tão ingrato.

“Mas isso vai ser problemático. As ervas só podem ser colhidas nesta temporada, então
embora seja um pouco perigoso, eu ainda tenho que...”

Enri sorriu para Nemu, que tinha uma expressão preocupada no rosto. Ela não queria
entristecer a última sobrevivente de sua família, nem queria deixar passar essa chance
de ganhar muito dinheiro. Embora, quando ela considerou suas prioridades, isso seria
claramente um erro. Em vez disso, ela deveria apostar sua vida pelo bem de todo o vila-
rejo e reembolsar os Goblins com um amonte justo, mesmo que eles a consideravam
como uma mestra.

Eu preciso ganhar mais dinheiro e ver que tipo de equipamento eu posso comprar para os
Goblins. Armaduras completas parece que poderia proteger muito bem. Falando em arma-
dura completa, há aquele cavalheiro na armadura de cor preta... qual era o nome dele
mesmo?

Embora não soubesse quanto custava a armadura e as armas, tinha quase certeza de
que não era uma quantia pequena. Nesse momento, Paipo estendeu a mão na frente de
Enri, indicando que ela deveria esperar um pouco.

“Erm... embora esta seja apenas minha opinião pessoal, que tal discutir o assunto com o
Líder? Você não precisa tomar a decisão tão cedo, Ane-san. Não quero ser repreendido
pelo chefe porque abri a boca sem pensar. Além disso, acho que o Ani-san também gos-
taria de colocar as mãos em todos os tipos de ervas.”

Assim que os problemas de Enri estavam enchendo sua cabeça, um som adorável gor-
golejante veio do lado dela. Virando-se para olhar, ela viu Nemu olhando para ela com
uma carranca no rosto.

“Onee-chan, estou com fome. Podemos comer?”

“Mm, desculpe. Lave as mãos depois de juntar as ervas. Eu vou deixar as coisas prontas.”

“Tá bom~”

A resposta de Nemu foi cheia de energia. Depois de desmontar o moinho, ela raspou a
pasta verde acumulada em um pequeno pote. Enri voltou para casa, imaginando o que
deveria fazer para o almoço.
Parte 2

Enri estava diante da Grande Floresta de Tob. Claro, ela não estava sozinha. Ao lado dela
estavam os membros leais da Tropa Goblin.

Os Goblins estavam equipados com cotas de malha, escudos redondos e facões resisten-
tes, que pendiam de seus cintos. Eles usavam túnicas de cor marrom sob sua armadura e
botas de couro peludas em seus pés. Em seus cintos haviam sacos para pequenos itens.
Não se pode dizer que eles estavam amadoramente armados.

Os Goblins totalmente armados fizeram suas verificações finais de seus equipamentos


pessoais. Eles encheram os odres de água e certificaram-se de que seus facões estavam
afiados.

Todos estavam bem preparados, mas carregavam pouca bagagem. Isso porque o plano
era concluir rapidamente seu trabalho e não montar uma longa expedição na floresta.

Nem todos na tropa foram designados para a proteção de Enri. Seu objetivo era vascu-
lhar a área ao redor e verificar as informações que os Goblins Cavaleiros de Lobos haviam
coletado. Ou seja, eles deveriam observar atentamente a situação atual dentro da Grande
Floresta. Para continuar a proteger o vilarejo, os Goblins decidiram explorar os arredores
e o interior.

Apenas três Goblins acompanhariam Enri.

Havia também mais uma pessoa: Nfirea. Também fizera os preparativos, vestindo rou-
pas adequadas para coletar ervas em uma floresta. Com Nfirea por perto, a viagem de
colheita de ervas seria definitivamente um sucesso.

Talvez ele tenha sentido Enri olhando para ele, e se virou, perguntando:

“Qual é o problema?”

Embora Enri tivesse acenado com as mãos como se dissesse “nada, nada”, um dos
Goblins ao redor percebeu e se aproximou do lado de Enri.

Ele era um Goblins cujo corpo era tão musculoso e atlético que seria difícil para os es-
pectadores pensarem que ele ainda era um Goblins. Seu torso era protegido por uma
couraça bruta, mas prática, e a espada que ele usava estava embainhada em suas costas.

Este era Jugem, o líder dos Goblins, o nome foi dado por Enri, pois ele lembrava a lenda
de um herói Goblin chamado “Jugem Juugem”. Como um aparte, havia outros cavaleiros
nomeados que lutaram ao lado do herói Goblin, e ela usou seus nomes para os outros
Goblins.
“Não parece que não há... qual é o problema?”

“Nada, é sério, tudo bem! Eu estava apenas olhando para ele.”

“Isso é ótimo, acho, mas uma vez que você está na floresta, você pode perder sua vida
até mesmo com um pequeno deslize. Se alguma coisa acontecer, me avise.”

“Isso mesmo, Ane-san. Assim como nós concordamos antes, todos nós estamos explo-
rando a floresta, então se alguma coisa acontecer e nós não pudermos chegar lá a tempo...
tudo vai ficar bem, não é?”

O rosto brutal de Jugem se contorceu com o que parecia uma expressão de preocupação,
e ele olhou para o rosto de Enri. Vendo isso, Enri sorriu e respondeu a ele.

“Vai ficar bem. Nós não vamos muito fundo, e eles vão me proteger.”

“Isso é bom ouvir...”

Jugem seguiu a linha de visão de Enri para os três Goblins à frente dele. Então ele gritou:

“Ei! Seus rebeldes! É melhor vocês não deixarem a Ane-san receber um único arranhão,
entendido?!”

“Alto e claro!”

Os três Goblins, Gokou, Kaijali e Unlai, responderam com um grito sincero.

“E Ani-san, você cuidará da Ane-san também, entendeu?”

Enri de repente notou que Kaijali, sem nenhuma razão aparente, estava flexionando os
músculos em uma pose frontal mostrando os dois bíceps.

“Fazer isso agora?... Coff! Claro! Você pode contar comigo para proteger Enri!”

Por um momento, Enri imaginou Nfirea mostrando seus dentes brilhantes enquanto ir-
radiava autoconfiança através de seu sorriso. Sua atitude agora era muito diferente do
habitual e, sendo sincero, parecia meio vulgar. No entanto, isso foi provavelmente apenas
a sua excitação sobre a caminhada na floresta.

Assim como um garotinho.

Enri sorriu, sentindo-se como sua irmã mais velha.

“Obrigada, Enfi. Eu estarei sob seus cuidados.”

Estranho, ele está fazendo uma pose lateral agora...? O isso significa?
“Ahhh, isso... ah, sobre isso, eu preparei um monte de itens alquímicos que fiz para mim
mesmo, então deixe comigo!”

Depois de ver o segundo sorriso brilhante de Nfirea, o sorriso sem graça no rosto de
Enri ficou ainda mais evidente.

“Uh... mm. Você vai dar conta.”

“Ah, bem, isso foi resolvido... embora. Honestamente falando, mesmo que não estivésse-
mos fazendo esse trabalho perigoso, isso...”

Jugem virou-se para olhar para Enri, com uma expressão amarga no rosto. Enri estava
começando a ficar um pouco irritada depois de ouvir essa pergunta novamente depois
de responder tantas vezes no vilarejo, mas ele estava apenas perguntando para apazi-
guar a preocupação por ela, então ela não podia simplesmente ignorar.

“Isso pode ser verdade, mas o fato é que sem as ervas, não podemos trazer dinheiro...”

“E sobre as peles de animais? Nós podemos conseguir algumas.”

“Isso não é uma má idéia, mas as ervas são as mais valiosas.”

Peles de animais e ervas medicinais estavam em categorias de preços completamente


diferentes. A diferença era comparável entre os céus e a terra. Claro, alguns animais es-
pecialmente raros tinham peles que valiam uma fortuna, mas tais animais era poucos e
distantes entre si.

“Se o Ani-san pudesse compartilhar sua...”

“Não tocaremos no dinheiro dos Bareare. Precisamos ajudar uns aos outros e dividir os
benefícios. Nós não podemos apenas tirar vantagem deles.”

Ajudar uns aos outros em situações difíceis era o alicerce da vida no vilarejo — portanto,
uma família não poderia sobreviver se fosse isolada dos outros. No entanto, isso não era
uma desculpa para tirar vantagem dos outros, porque isso implicaria que uma pessoa
não poderia se sustentar, e o vilarejo não poderia cuidar das pessoas até esse ponto. A
autossuficiência era um requisito estrito.

Os dois começaram a desviar o olhar de Nfirea, que estava dizendo baixinho:

“Kaijali-san, por favor, entenda o clima aqui e pare de fazer essas poses estranhas...”

“Se esse é o caso, então definitivamente... e tem isso também... bem, se você vivesse com
o Ani-san, certamente poderia reunir a riqueza... mas... parece que nada impediria isso...”
As palavras espaçadas de Jugem gradualmente perderam sua força. Ele sabia que não
poderia impedir Enri de entrar na Grande Floresta.

Embora Enri não quisesse dificultar as coisas para Jugem e os outros que cuidavam dela,
ela não se deixaria influenciar por seu pulso firme.

Afinal, ela havia decidido se aventurar na floresta apesar de saber seus perigos, porque
ela tinha ouvido Jugem dizer: “Nós não podemos consertar o nosso equipamento”.

Um cutelo de cozinha era uma coisa, mas os Goblins precisavam dos serviços de um
ferreiro profissional para preservar suas armas e armaduras. O que significava que um
perigo sutil pairava sobre todos os Goblins. Se o equipamento deles se deteriorasse, isso
significaria que suas vidas estariam em perigo. A manutenção de seus equipamentos de
batalha era essencial.

O que ela poderia fazer por eles — que haviam prometido suas vidas para protegê-la?
Como ela poderia se esconder em segurança e aproveitar os frutos do trabalho deles? Já
que eles deram tudo de si, ela também teve que fazer tudo o que podia por eles. Essa foi
a conclusão de Enri.

Os Goblins não eram apenas os guarda-costas de Enri, eles também eram os protetores
do vilarejo. Se ela decidisse insistir em sua motivação, provavelmente poderia arranjar o
dinheiro necessário para equipar de Goblins a aldeões. No entanto, Enri decidiu desistir
dessa idéia.

Não importa o que tivesse que fazer, Enri estava simplesmente tentando pagar o serviço
dos Goblins através de seu próprio esforço. Esta expedição era a prova disso.

“Normalmente, a coisa mais segura a fazer seria confirmar que a área estava livre de
perigo antes de você entrar...”

Interrompendo por trás estava a Goblin Maga, Dyno.

Dyno era uma magic caster arcana que usava um crânio cajado.

Ela carregava um cajado retorcido que parecia surrado, mas era ainda mais alto do que
ela. Ela estava adornada com estranhos ornamentos tribais por todo o corpo, e seu busto
era ligeiramente volumoso. Seu rosto parecia mais suave do que os dos Goblins machos.
Enri podia reconhecer isso porque ela era a mestra, mas as pessoas normais provavel-
mente não seriam capazes de entender esses detalhes.

“No entanto, você não pode confirmar que é seguro, não é?”

“Mm, isso mesmo. Infelizmente, não podemos fazer isso. O máximo que podemos fazer
é confirmar que a floresta parece ser pacífica, mas mesmo isso gastaria algum tempo. E
se quisermos descobrir quando as tensões vão aumentar novamente, isso levaria ainda
mais tempo.”

Se fizessem isso, perderiam a oportunidade de reunir as ervas desejadas. Depois de ou-


vir as palavras de Dyno, uma firme convicção reuniu-se em seus olhos e ela fez sua res-
posta.

“Vai ficar tudo bem, não vamos entrar muito fundo na floresta.”

Depois de ouvi-la repetir a resposta várias vezes, Jugem finalmente percebeu que ele
não podia mudar a mente de Enri. Em vez disso, ele olhou para os três Goblins que viaja-
riam com ela. O que ele disse foi basicamente o mesmo que havia dito antes.

“Não poderemos proteger a Ane-san, então vocês terão que fazer isso por nós. É melhor
você guardá-la com suas vidas! E Ani-san também!”

“Entendido!”

“Seria mais seguro se todos ficássemos juntos como de costume. Dividir a nossa força
de luta é apenas pedir problemas...”

Dyno murmurou baixinho.

“Se fizéssemos isso, então seríamos forçados a reagir ao inimigo, não é isso?”

“Está certo. Se algum dos monstros que vierem para o vilarejo e decidir se estabelecer
na floresta próxima, então livrar-se deles para sempre seria extremamente problemático.
Uma vez que eles construam um ninho, eles nunca irão embora. Mesmo se nós os expul-
sássemos, eles voltariam depois de um tempo.”

Como o equilíbrio de poder na floresta havia mudado, fazer o reconhecimento da


Grande Floresta — especialmente a área ao redor do vilarejo — era crítico.

Este seria o primeiro passo. Por ser o primeiro, implicava diretamente que o perigo era
o maior. Como tal, eles só poderiam mandar três escoltas para proteger Enri.

“Ótimo. Bem, então vamos lá! Terminaremos rápido e nos encontraremos com a Ane-
san!”

Em resposta ao chamado de Jugem, a tropa dos Goblins trovejou seu consentimento.

♦♦♦

Esse era o interior da Grande Floresta.


Embora eles tivessem viajado apenas cerca de 150 metros, a temperatura já havia caído
vários graus. Isso foi simplesmente porque a luz do sol não brilhava aqui. Dito isto, o
interior não estava completamente escuro como breu, e Enri ainda podia ver o que estava
acontecendo ao seu redor. Enri e os outros quatro membros de seu grupo avançaram
para a floresta, cercados de ar frio.

No momento, a floresta era dominada pelo silêncio. Além dos sons suaves dos galhos
das árvores balançando e dos gritos ocasionais de pássaros ou animais, não havia mais
nada. Os passos de Enri e seus companheiros ecoaram alto. A outra equipe liderada por
Jugem já havia se aprofundado, e eles não podiam mais ser ouvidos.

Enri e companhia fizeram uma formação aproximadamente triangular enquanto avan-


çavam para a floresta. No centro da formação estavam Enri e Nfirea.

Era muito difícil manter uma formação ampla na floresta. Normalmente, eles teriam ido
em fila indiana, mas para proteger os dois, os Goblins insistiram em fazer as coisas dessa
maneira. Eles perderam velocidade como resultado, mas isso não poderia ser evitado.

Enquanto se moviam mais para dentro, Nfirea começou a olhar para o norte.

Ele procurava o tesouro que repousava na densa floresta — ervas medicinais.

Enri não era novata em coleta de ervas. Uma menina da idade dela saberia tudo sobre
quais ervas poderiam ser tomadas por via oral ou emplastro em uma área afetada, ou as
ervas comuns usadas como ingredientes para poções. No entanto, neste campo, ela era
completamente superada por Nfirea. Não só ele estava completamente familiarizado
com ervas medicinais, ele até sabia quais eram úteis como bases para compostos alquí-
micos.

“Encontrou alguma erva rara?”

De todas as perguntas que Enri havia feito, parecia que esta era a que ele estava espe-
rando. Os Goblins circundantes começaram a posar simultaneamente.

Flexionando os bíceps novamente... é uma moda entre eles ou outra coisa?

Enri estava de cabeça inclinada e não notou a leve expressão de aborrecimento no rosto
do resmungante Nfirea.

“Poderia ter dito a eles para pararem de posar... é uma droga não ter coragem. Bem, vê
aquele musgo marrom ali?”

Enquanto girava o corpo, um musgo marrom foi visto crescendo onde Nfirea estava
apontando.
“Isso é Bebeyamokugoke. Misture alguns com uma poção de cura e isso vai melhorar
um pouco seus efeitos.”

“Sério? Eu pensei que era apenas um simples pedaço de musgo e nem tinha notado. Sem
o Enfi, eu provavelmente teria ignorado isso completamente. Isso é uma boa prova de
quanto você é bom, Enfi.”

“Uwah, você é incrível, Ani-san. Isso vale quanto?”

“Vale um pouco de dinheiro... ah, espere. Não pegue isso agora. O que Enri e eu preten-
demos vale ainda mais. Se não conseguirmos encontrá-lo, vamos pegar isso no caminho
de volta.”

“Entendo. Sim, nós entendemos. Falando nisso, para o Ani-san, esta floresta deve ser
como um tesouro, já que é tão fácil fazer riqueza dela. Ah~ eu me sinto muito mais à
vontade com você por perto, Ani-san.”

“Coisas assim são—”

As poses dos Goblins ao redor mudaram.

“—Sim, hm, bem, pode ser que seja assim. Uma coisa é certa, as pessoas que viajam co-
migo não terão dificuldade. Estou muito confiante disso.”

“Mmm. Tenho certeza de que você pode fazer isso, Enfi.”

Um clima estranho encheu a floresta silenciosa.

“Então, Ane-san, isso é tudo?”

“Hm? Kaijali-san, o que você quer dizer?”

“Hm? Não, na verdade eu, nada... ah... pensando nisso, há uma pergunta que esqueci de
perguntar. Que tipo de ervas você está procurando?”

“Nós não contamos a você? É uma erva chamada Enkaishi. Depois, vamos deixar a Nemu
fazer a moagem.”

“Entendo, entendo. Saquei. Embora, mesmo que você descreva para nós, não poderemos
dizer a diferença. Então, vamos seguir em frente.”

Passo a passo, eles se aventuraram mais na floresta. Enquanto eles continuavam, seus
narizes começaram a coçar do aroma denso da fragrância da floresta.

Não havia sinal de atividade humana aqui. Imerso neste lugar, Nfirea sentiu que este era
um mundo onde os humanos eram fracos e minúsculos. Então, ele abriu a boca para falar.
“Vamos começar a olhar por aqui. Estamos procurando lugares com muita sombra e
umidade... há alguma fonte de água por perto? Essa erva cresce perto delas. Não há sinais
de atividade de monstros por aqui, acho que demos sorte.”

“Entendo, Ani-san.”

Com sua vasta experiência como herborista, era improvável que Nfirea cometesse um
erro. Os Goblins e Enri responderam em aprovação.

O grupo colocou suas coisas no chão, o que aliviou sua carga.

“Ahhh... Ane-san, você poderia dar uma mão ao Ani-san?”

“Ah, sim, isso mesmo. Enfi deve ficar de mãos cheias se ficar sozinho.”

Enri foi até onde Nfirea largara a bagagem e o ajudara em seus trabalhos.

“Obrigado, Enri.”

“Sem problemas, Enfi. Nossa, agora que eu penso nisso, todo esse equipamento especi-
alizado é incrível. Você precisa de muitas coisas...”

Com o canto dos olhos, Enri pôde ver os Goblins balançando a cabeça como se quisessem
dizer “muito bom, muito bom”. Embora ela estivesse surpresa do porquê eles estavam
tão felizes, ela finalmente decidiu que sua primeira prioridade era fazer o trabalho.

“Então, vamos começar nossa procura!”

Com um “Oh!” moderado para manter o barulho baixo, eles começaram. Os Goblins ob-
servaram o perímetro, enquanto Enri e Nfirea começaram a procurar.

Embora Enri estivesse preparada para o trabalho ser difícil, eles tiveram sorte e logo
encontraram um crescimento denso de ervas das rachaduras dos troncos das árvores.

“Está ali. Nós encontramos onde elas crescem imediatamente. Como eu pensei, é muito
melhor quando estou com o Enfi.”

“Não, não é nada disso. Temos sorte em encontrá-las em uma área deserta. Se houves-
sem pegadas de monstros, seria muito desagradável.”

Para os dois humanos, a grande quantidade de ervas, embora não fosse exatamente um
tesouro, era semelhante a uma montanha de moedas. Enri lutou desesperadamente con-
tra o desejo que ardia em seu coração, ela queria recompensar os Goblins, mas não po-
deria arriscar a segurança de todos. Este lugar era perigoso; Era melhor que ela deixasse
sua ganância de lado e trabalhasse para concluir o trabalho.
No entanto, Enri ajoelhou-se e começou a arrancar, prestando atenção nas raízes das
ervas.

O valor medicinal de Enkaishi residia em suas raízes. Mas eles não podiam simples-
mente arrancar as raízes desse jeito. Gramíneas como essas eram incrivelmente resis-
tentes, e elas cresciam novamente enquanto as raízes permanecessem. Parecia vergo-
nhoso se conter diante de uma erva, mas esgotar essa moita (que antes era um grande
desafio encontrar), colhendo demais seria como matar a galinha dos ovos de ouro.

Um odor forte queimava seu nariz quando ela fez a colheita, mas ela estava acostumada
com esse tipo de coisa, então o cheiro não impedia seu trabalho. Comparado com a casa
de Nfirea, esse cheiro era como cheirar o paraíso.

Ela arrancou o pé de ervas por um talo, segurando-o com cuidado para evitar esmagá-
lo por acidente, e então cuidadosamente colocou-o na bolsa sob as axilas. Se os Goblins
viessem ajudar, eles provavelmente poderiam ter terminado mais rápido, mas eles esta-
vam ocupados demais observando os arredores. Enri não era estúpida o suficiente para
tirá-los do seu dever de sentinela para ajudá-la a escolher ervas.

Em comparação, os métodos de colheita de Nfirea eram como poesia em forma de mo-


vimento. Ele rapidamente os tirou do chão sem parar, de uma forma que não prejudicava
sua potência como remédio. Apenas um profissional como ele era capaz de tal façanha.

Enri observou silenciosamente Nfirea, que estava olhando para as ervas com uma ex-
pressão diligente no rosto. O rosto que se tornou tão familiar parecia que outra pessoa
estava diante dela.

...Ele é um homem agora.

“...O que está errado?”

Nfirea de repente olhou para cima. Ele deve ter percebido que Enri havia parado de tra-
balhar.

Enri não fizera nada de errado, mas ela ainda assim reagiu de forma embaraçada.

“Ah, bem, eu estava pensando o quanto você é incrível, Enfi...”

“Mesmo? Eu não acho isso fantástico. Eu sou apenas um diletante quando se trata de
herborismo. Meu nível é bem básico do esperado.”

“...É mesmo.”

“Eu acho que sim.”


A conversa terminou e as bolsas encheram-se lentamente de ervas. Depois disso os
Goblins de repente se abaixaram e se agacharam ao lado dos dois, como se estivessem
procurando um lugar para se esconder.

Kaijali gesticulou para Enri para ficar quieta. Esta era uma emergência. Enri, que enten-
deu, levantou as orelhas. Ao longe, ela podia ouvir o som das plantas sendo pisoteadas.

“Isto é...”

“Algo está vindo. Está vindo para nós... ou melhor, está avançando e provavelmente aca-
bará aqui, então precisamos tomar uma distância daqui.”

“...Então, não precisaremos dos chamarizes de fazer barulho?”

“Isso mesmo, Ani-san. É melhor que não tenhamos que usá-los, as coisas podem acabar
mal se fizermos. Venha, vamos nos mexer.”

Os cinco começaram a se afastar da direção do som, escondendo-se à sombra de uma


árvore próxima. Eles não foram mais longe porque não queriam fazer barulho na vege-
tação circundante. Se a outra parte estivesse apenas avançando, não havia necessidade
de arriscar ser descoberto.

A árvore não era muito grande, não podia esconder todos eles. O máximo que eles po-
diam fazer, eram se agachar em suas raízes e esperar que não ficassem muito perceptí-
veis.

Dessa forma, os cinco silenciaram a respiração e rezaram para que a fonte do som se
voltasse em outra direção. Mas, infelizmente, isso não aconteceu, e a figura que fez o ba-
rulho finalmente entrou no campo de visão de Enri.

“Eh?!”

Um pequeno suspiro de surpresa escapou da boca de Enri.

Era um pequeno Goblin de aparência irregular.

Seu corpo estava coberto de pequenas feridas que sangraram profusamente. Sua respi-
ração era rápida e irregular, e o cheiro de sangue e suor se espalhou pela área.

Mesmo que os Goblins já fossem menores que os humanos, esse Goblin era pequeno
mesmo para um Goblin. Enri e os Goblins concordaram que este Goblin era uma “criança”.

A criança Goblin olhou com medo para a retaguarda, na direção de onde ele tinha vindo.
Não havia necessidade de ouvir o som de pisotear a vida vegetal que vinha de trás dele.
Pela aparência das coisas, ele estava em um jogo de caça e presa.
Ele freneticamente moveu seus pés espasmódicos, tomando cobertura em um pedaço
de sombra diferente do de Enri.

“Aquilo—”

“—Por favor fique quieta.”

Gokou nem mesmo olhou para Enri para silenciá-la. Aqueles olhos implacáveis estavam
fixos na direção de onde a criança tinha vindo.

Pouco mais de dez segundos depois, o perseguidor se revelou.

Era uma enorme fera mágica que se assemelhava a um lobo negro. A razão pela qual
eles poderiam dizer imediatamente que não era um lobo comum era por causa da cor-
rente enrolada em torno de seu corpo. A corrente serpentina não impedia seus movi-
mentos, se comportavam como se fosse apenas uma ilusão e dois chifres saltavam de sua
cabeça.

Nfirea murmurou o nome da besta para si mesmo.

“Barghest...”

Embora não tivesse a audição aguçada, o Barghest farejava como um cachorro, e então
seu rosto se contorceu. Foi um sorriso maligno que nenhuma mera fera poderia fazer.
Ele lentamente olhou em volta e seus olhos se fixaram na árvore onde a criança Goblin
havia se escondido.

Como uma fera caçadora, o Barghest tinha uma grande destreza em rastrear cheiros de
sangue. Não havia como não conseguir farejar a criança Goblin que havia sangrado tanto
no caminho até aqui.

Pelo que parece, a razão pela qual o Goblin conseguira chegar até aqui não era porque
ele conseguira fugir do Barghest. Pelo contrário, foi porque o Barghest era uma criatura
sádica; ou talvez fosse porque estava caçando por esporte.

De repente, o Barghest parou de se mexer, com uma surpresa no rosto e olhou para o
lugar onde haviam juntado as ervas.

Ah—

Enri puxou o rosto para trás. Os outros rapidamente seguiram o exemplo.

Atrás do tronco da árvore, Enri abriu as mãos. Sua pele era verde e salpicada de pedaços
soltos de matéria vegetal. Ao lado dela, Nfirea fez a mesma coisa.

A seiva e os sucos das ervas que escolhemos...


Este era o mesmo tipo de coisa em que Nemu estava encharcada quando ela moía as
ervas. Apesar de não afetar os narizes entorpecidos (como os deles), o poderoso fedor
ainda pairava no ar. Ela achou a batida repentina de seu coração ruidosa.

“Começou a se mover... Está se afastando? Será que ele não nos cheirou?”

Unlai estava de ouvido em uma árvore e um ponto de interrogação apareceu acima de


sua cabeça.

“...Talvez não seja possível identificar de onde vem o aroma?”

“O que você quer dizer, Ani-san? Os monstros não têm narizes muito sensíveis...?

“Essa é por isso que...”

—Nfirea calmamente explicou.

O ponto principal era que, por ter um senso de olfato extremamente sensível, o fedor
que flutuava nessa área era particularmente eficaz contra ele. O Barghest confundiu o
aroma das mãos e da bolsa de Enri com o das áreas já colhidas. Melhor ainda, o aroma
encobria seu aroma original.

Também era possível que o Barghest fosse arrancar ervas para separar os aromas de
ervas e da criança Goblins.

Embora o fedor poderoso estivesse em toda parte, se fugissem às pressas, o ar deslocado


de onde estavam fugindo poderia chamar a atenção do Barghest.

“Então, vamos usar o garoto como um sacrifício e acabar com isso. Não sabemos o quão
forte é esse Barghest e envolvê-lo sem conhecimento prévio seria muito arriscado.”

Essa resposta de sangue frio fez Enri olhar para o rosto de Gokou.

No entanto, essas palavras eram lógicas. Os Goblins colocam a segurança pessoal de Enri
como sua principal prioridade. Com isso em mente, evitar o combate com essa fera má-
gica era de se esperar. Eles até sacrificariam um de seus semelhantes por isso sem pensar
duas vezes.

Ele provavelmente estava correto, dada a convicção com a qual ele havia falado aquelas
palavras.

No entanto, Enri não gostava disso. Mesmo que fossem de espécies diferentes, não aju-
dar alguém que você poderia ajudar seria uma desgraça para si mesma como ser humano.
Vai saber, se ela não fosse uma garota ingênua do vilarejo que nunca conheceu um ata-
que dos Goblins e não tivesse uma sensação de perigo, ela poderia não ter pensado assim.

Enri olhou em volta para os outros. Os Goblins conheciam o desejo de Enri. Eles sim-
plesmente não queriam falar isso. Depois disso, Enri olhou para Nfirea.

“Enfi...”

“Haa... eu vou ajudar. Quem sabe, essa criança Goblin pode se tornar uma valiosa fonte
de informação. Se não descobrirmos o porquê ele fugiu para cá, isso pode acabar cau-
sando perigo ao vilarejo.”

Os Goblins franziram as sobrancelhas.

“Existe uma chance de você perder?”

“Certamente. Mas se isso é um Barghest, estamos com sorte. Líderes mais arrogantes
são bem fortes. Mas pelo olhar das correntes desse cara e pelo tamanho de seus chifres,
não acho que ele seja desse tipo. Se é apenas um Barghest comum, então temos boas
chances.”

“Espere um minuto. Ane-san está aqui também. Devemos evitar o perigo.”

Enri engoliu em seco. Ela sabia que o que ela estava preste a dizer era apenas para sa-
tisfazer seu ego, e suas palavras tolas colocariam em perigo não apenas a si mesma, mas
os outros ao seu redor. Mas mesmo assim, Enri ainda abriu a boca para falar.

“...Se abandonarmos alguém que poderíamos ter ajudado, seria tão ruim quanto ator-
mentá-lo. Eu não quero ser como aquelas pessoas que prejudicam os fracos. Por favor!”

Kaijali, que estava observando a expressão séria de Enri, suspirou em derrota. Ao


mesmo tempo, o estranho latido do monstro soou. Eles podiam ouvir claramente o som
da risada zombeteira naquele latido. Em resposta veio o lamentável lamento da criança
Goblin.

Não havia mais tempo para confusão ou debate.

“Não podemos evitar. Peguem ele, rapazes!”

Os Goblins assumiram a liderança ao sair de trás da arvore, seguido por Nfirea.

Enri sentiu uma dor terrível e dolorosa em seu coração enquanto observava os guerrei-
ros que iam para a batalha cumprir seus desejos.

Tudo o que ela podia fazer era observá-los por trás.


Então, Enri pensou, no mínimo eu deveria ficar aqui e observá-los seriamente, sem pis-
car sequer uma vez.

♦♦♦

Os quatro que saltaram para fora viram o Barghest pressionando a criança Goblin no
chão. A criança Goblin exibia novas feridas, mas ainda não estava morto, porque o Bar-
ghest tinha o péssimo hábito de brincar com sua presa.

Os movimentos do Barghest pararam, e ele olhou para o grupo de pessoas que haviam
saltado e depois para a criança Goblin. Talvez tenha medo de que sua presa a tenha le-
vado a uma armadilha.

“Ei, ei, vem garoto!”

Disse Unlai, apontando para si mesmo com o polegar:

“Quero brincar? Eu vou brincar com você. Cai dentro.”

O Barghest resmungou, era cheio de ameaças.

Em um movimento natural e fluído, Kaijali puxou o facão em sua cintura. Os outros


Goblins seguiram o exemplo.

“Não precisa pensar muito. Eu vou ensinar um cachorro velho como você novos truques.
Que tal começarmos com “fingir de morto”?”

“Agyaaaa!”

Em resposta às provocações dos Goblins, o Barghest apertou a criança Goblin que estava
pisando, como resultado, a criança chorou de dor.

Embora não pudesse falar, suas ações deixaram claras suas intenções. Faça um movi-
mento e eu mato o pirralho. Contudo—

♦♦♦

“Muito bom! Vá em frente e mate-o!”

Os três Goblins ignoraram a provocação do Barghest e atacaram com gritos.

Essa resposta inesperada trouxe confusão aos olhos do Barghest.

O Barghest não poderia saber que os Goblins não tinham aparecido com a intenção de
salvar a criança Goblins. Eles só estavam aqui por causa do desejo de Enri, e a atitude
deles era de “contanto que tentemos salvá-lo, já é bom o suficiente”.
Desde que eles se mostraram para um confronto, sua preciosa Enri poderia se machucar
se eles não derrotassem o Barghest. Como resultado, eles tiveram que se certificar de que
mataram o Barghest. Então, se a criança Goblin fosse assassinada, isso desperdiçaria a
primeira ação do oponente e permitisse que eles tomassem a iniciativa, então os Goblins
deixariam alegremente o garoto morrer.

Vendo-se refletido nas lâminas de três facões, o Barghest entendeu que não podia usar
seu refém contra eles e parou de se mover. Ficou confuso se deveria ou não acabar com
o garoto que estava pisando.

Tirar a vida dele seria fácil. Bastaria uma mordida. No entanto, se fizesse isso, não havia
dúvida de que seria cortado em pedaços pelas armas de seus inimigos.

A ameaça à sua vida levou o Barghest à sua decisão.

Ignorando a criança Goblin, o Barghest saltou para a tropa Goblin para enfrentar seu
ataque.

Um Barghest era mais pesado que um Goblin. O Barghest esperava imobilizar seus ini-
migos e acabar com eles arrancando suas gargantas utilizando suas presas.

No entanto, esta foi uma má escolha.

O Goblin alvo facilmente se desvencilhou do caminho da tentativa de ataque e, ao


mesmo tempo, os outros dois Goblins à esquerda e à direita golpearam o Barghest com
seus facões.

Uma lâmina foi desviada pelas correntes do Barghest, mas a outra rasgou seu corpo,
enviando sangue para todos os lados.

Ao mesmo tempo, um pequeno frasco arremessado quebrou depois de atingir a ponta


do nariz do Barghest.

“Gyaaaaah!”

O vil miasma que agora entupiu seus olhos e nariz provocou um uivo agonizante do Bar-
ghest.

E naquele momento, mais três sacolejos de dor percorreram seu corpo.

Podia sentir que estava em apuros apenas pelo fluxo de sangue. O Barghest soltou um
grito de lamento, sua visão tremeu e se confundiu, partiu para seu próximo movimento.
Seu alvo era aquele que jogara o frasco — um humano.
No entanto, o Barghest tinha dado apenas alguns passos quando seus pés grudavam em
algo abaixo e não podiam se mexer.

Olhando para baixo, viu que o chão estava coberto de um lodo estranhamente colorido.
O líquido bizarro não foi absorvido pela terra.

“A cola não resistirá por muito tempo à força de uma fera mágica! Derrube ele de uma
só vez!”

Em resposta à voz do humano, os Goblins gritaram seus gritos de guerra e atacaram.


Além disso, o humano lançou uma poderosa magia em direção a ele.

“SHAAAAAAAA!!!”

O Barghest usou toda a sua força para arrancar os pés do chão. Embora seus movimen-
tos fossem retardados porque seus pés ainda estavam cobertos de adesivo e sujeira,
ainda era capaz de lutar.

Observando os Goblins se aproximarem para matá-lo novamente, o Barghest usou seu


intelecto superior (comparado a uma fera normal) e reconheceu o fato de que “esses
Goblins eram poderosos inimigos”.

Ele reconheceu que estes eram diferentes dos Goblins regulares de uma forma crucial
— eles eram inimigos que poderiam matá-lo.

Este Barghest conhecia três métodos de ataque. Poderia perfurar, faria uma investida
no inimigo com seus chifres. Pode morder. Poderia derrubar seu oponente e rasgar com
suas garras. Ao contrário dos Barghests mais fortes, esse certamente não teria nenhuma
habilidade especial. Mas na verdade, tinha um trunfo.

Essa tática abandonava completamente a defesa e, se o Barghest falhasse, ele estaria


condenado. Mas agora não era hora de se preocupar em se conter. Teve que fazer pleno
uso do que poderia ser os últimos segundos de sua vida.

O Barghest uivou descontroladamente, verificando o avanço dos Goblins que o circun-


davam.

“「Reinforce Armor」!”

A magia da retaguarda, lançado pelo humano, fez a armadura dos Goblins brilhar inten-
samente. O Barghest entrou em pânico, prevendo que era algum tipo de magia de apri-
moramento, mas os Goblins à sua frente simplesmente sorriram.

Talvez isso os tenha feito imprudentes, mas com suas armaduras reforçadas, os Goblins
avançaram como um. Talvez possa ser chamado de movimento tolo, mas também se pode
dizer que foi um passo corajoso para acabar rapidamente com o que poderia ser uma
longa batalha.

De fato, seria este o caso — se o Barghest não esperasse que eles fizessem isso.

Se um Barghest pudesse mudar suas características faciais tão facilmente quanto um


humano, ele teria sorrido para si mesmo.

As correntes em seu corpo sacudiam como uma cobra. Então, as correntes que ligavam
o Barghest de repente vieram à vida.

As grossas correntes começaram a balançar com força tremenda.

A habilidade especial da fera era conhecida como 「Chain Cyclone」 iria ferir severa-
mente os Goblins, isso se não os matar imediatamente.

O Barghest estava fazendo isso com toda sua força. Este foi um grande movimento que
só poderia ser usado uma vez por dia, e depois que as correntes fossem usadas, seria
incapaz de usá-las como armadura por pelo menos dez segundos. O risco era alto.

O ataque inesperado atrapalhou a esquiva dos Goblins por um segundo. Este foi um erro
fatal. Contudo—
“Abaixem-se!”

—Uma ordem estrondosa cortou o ar antes que as correntes pudessem fazer.

O Barghest que apostou tudo nesse ataque encarou o outro humano que gritara e arre-
galava os olhos.

Os Goblins, que deveriam estar muito encima do golpe para evitá-lo, caíam agilmente
no chão, como se a voz tivesse injetado uma nova dose de vitalidade.

O Barghest olhou para a comandante que estava por trás do magic caster.

E então, as patas dianteiras do Barghest e uma perna traseira foram arrancadas de seu
corpo, quando levou golpes de facão. Ele uivou de dor. Ele tentou recuperar suas corren-
tes, mostrar suas presas, ameaçá-los, mas os Goblins não estavam tendo nada disso.

“Ani-san, não há necessidade do suporte mágico. Por segurança, apenas coloque um


alarme nos arredores.”

O Barghest, que sabia que já havia perdido, estava desesperadamente tentando fugir.

Seu corpo normalmente flexível agora era pesado e lento. Isso era natural, considerando
que três de suas quatro pernas eram como meros troncos mortos. Mesmo assim, o Bar-
ghest queria fugir com toda a força.

Mas os Goblins não permitiriam isso.

♦♦♦

Sangue pegajoso cobria a grama ao redor e o fedor de ferro sobrepujava o odor das
plantas.

O Barghest estava morto, as vísceras saindo do cadáver ainda quentes do calor do corpo.
Os Goblins se afastaram do Barghest, com seus facões manchados de sangue na mão, e se
viraram para olhar para o garoto Goblin.

O garoto havia sido ferido gravemente e perdera a força para fugir, mas ele ainda for-
çava o corpo a se erguer contra uma árvore.

“Ei, quem são vocês? De qual tribo vocês são?”

Os Goblins se entreolharam, perguntando-se como responder às perguntas de uma cri-


ança meio assustada e meio desconfiada.
Nos olhos um do outro, eles discutiram sem palavras a estratégia para que tipo de ati-
tude renderia o maior número de benefícios e que tipo de informação eles deveriam re-
velar, mas Enri sentiu que havia assuntos mais urgentes do que isso.

“Precisamos cuidar de suas feridas primeiro. O que podemos fazer, Enfi?”

O garoto ficou muito machucado e já havia perdido muito sangue. Deixado sozinho, ele
definitivamente iria morrer. Embora Enri não tivesse idéia de como ajudá-lo, ela espe-
rava que seu amigo de infância soubesse o que fazer.

“As ervas mais normais podem servir, mas só em parar o sangramento, não vai ajudar
contra a perda de sangue. Contudo...”

Nfirea começou a vasculhar sua bolsa.

“Há a poção de cura recém-criada. Eu queria entregá-la para o Gown-sama, mas... Você
poderia me mostrar suas feridas?”

Nfirea avançou, retirando o frasco da poção de seu manto.

“E-espera, o que é esse líquido de aparência perigosa? É veneno?”

Hostilidade passou pelo rosto assustado da criança quando viu a poção roxa. Do ponto
de vista de Enri — talvez até o ponto de vista de Nfirea — essa foi uma reação natural. A
poção parecia muito veneno para ele não estar em guarda. No entanto, os Goblins ficaram
muito chateados com as palavras da criança, e eles imediatamente se aproximaram dele.

“—Ei, rebeldezinho. A Ane-san é quem decidiu salvá-lo, junto com o Ani-san. É melhor
você tomar cuidado com suas palavras, eles salvaram sua vida... Isso é para o seu bem
também, entendeu?”

O garoto se virou para olhar as lâminas brandidas diante dele. Embora ele fosse apenas
uma criança, ele ainda sabia que os Goblins diante dele estavam muito zangados. Com
isso, ele se encolheu diante de seus olhos.

Enri achava que seria melhor se eles não tivessem que intimidar a criança, mas ela sabia
que os Goblins tinham suas próprias regras e comportamentos. Não seria uma boa idéia
para ela se intrometer com sua sensibilidade humana.

“E-Eu sinto muito.”

“Ah, tudo bem. Não se preocupe.”

Enquanto ele respondia, Nfirea serviu a poção no corpo da criança. As feridas estavam
visivelmente fechando.
“Uuuoooh! O que é isso? A cor é tão asquerosa, mas é tão incrível!”

O garoto sentiu os olhares dos Goblins ao redor e tremeu.

“Ah... não, eu, ah, muito-to ob-obrigado...”

“Oh, parece que o rebeldezinho tem algumas maneiras, afinal.”

“Muito bom. Desta forma, posso dizer ao Gown-san que o experimento foi concluído sem
problemas.”

Nfirea olhou em volta, buscando aprovação. Enri e os Goblins, que entenderam o que ele
queria dizer, acenaram para ele.

A poção criada por Nfirea foi feita a partir dos materiais fornecidos pelo grande magic
caster Ainz Ooal Gown, que era o salvador do Vilarejo Carne. Não apenas não havia ne-
cessidade de gastar dinheiro em taxas de pesquisa, mas ele até fornecia todos os ingre-
dientes necessários. Com isso em mente, o significado e o valor da poção que ele criara
era claramente óbvio.

O fato de Nfirea ter decidido usá-lo por conta própria era um grande problema, mas
talvez ele pudesse considerá-lo uma avaliação prática dos efeitos da poção.

Se ele explicar isso ao Gown-san depois do fato, ele provavelmente vai permitir... os herbo-
ristas também têm suas próprias regras, eu acho.

“Você, você me usou como cobaia!”

Incapaz de ler nas entrelinhas, o garoto engasgou em choque, enquanto Enri e Nfirea
sorriam amargamente em resposta. Uma reação como essa era natural de alguém que
não conhecia todos os detalhes da situação.

Embora os dois tivessem pelo menos conseguido sorrir diante da reação, havia outros
presentes que não possuíam sua tolerância. Os Goblins estavam claramente furiosos; eles
estalavam suas línguas e alguém ainda disse, “Esse desgraçadinho!”.

Enri estendeu as mãos para tentar acalmá-los. Ele não sabia de nada, então era de se
esperar que ele reagisse dessa maneira. Além disso, ele era apenas uma criança, então
não havia necessidade de pensar muito sobre isso.

“Bem, se você diz, Ane-san... de qualquer forma, devemos nos mexer. Quem sabe que
outros monstros serão atraídos pelo cheiro de sangue, não?”

“E, apesar de termos vencido... Ane-san. Por favor, não faça esse tipo de coisa novamente,
ok? Nosso trabalho é proteger você.”
“Exatamente. Ainda assim, ouvir a Enri gritar daquele jeito realmente me assustou.”

“...Bem, é por causa dessa voz que estamos bem — ei, pirralho, é melhor você não fugir.
Temos muitas perguntas para fazer e se você não quiser ir para casa em pedaços, é me-
lhor responder de verdade.”

“Unlai-san...”

“—Ane-san, isso é pelo bem do vilarejo também... venha aqui, garoto.”

O garoto levantou-se devagar e meticulosamente. Suas feridas foram curadas, então elas
não deveriam ter dificultado sua mobilidade, mas sua resistência teimosa fazia seus mo-
vimentos serem lentos.

Gokou, cujo o facão estava tingido de vermelho, cuspiu no chão.

Enri olhou para Nfirea em busca de ajuda. No entanto, ele silenciosamente balançou a
cabeça. Quando ela se virou para olhar para os Goblins, viu que havia aço em seus olhos
e, com isso, a aprovação silenciosa das ações de seus colegas.

“...Ane-san, não se preocupe, eu não vou matá-lo. Eu só quero fazer algumas perguntas
sobre o que está acontecendo. Além disso, você não acha que ele vai morrer se o deixar-
mos aqui?”

Parecia que a pergunta era mais direcionada a criança Goblin do que a própria Enri. Ele
pareceu entender, e a resistência em seus olhos desapareceu.

“Eu entendi... eu não vou fugir...”

“Isso é bom. Então, quanto mais cedo nos movermos, melhor. Você pode dar a certeza
de que há apenas um desses Barghests, garoto?”

“...Eu não posso. Além deles, há vários Ogros também. Não sei se algum deles me perse-
guiu. E eu não sou criança, sou Agu, o quarto filho de Ah, o chefe da tribo Gigu.”

“Agu-kun, hm.”

“Eu acho que chamar de criança já é o bastante para ele...”

“Nós vamos falar sobre isso mais tarde. Não é importante o suficiente discutir sobre isso
agora. Já que Agu quer que usemos seu nome, talvez devêssemos, para construir confi-
ança entre nós?”

“Ani-san, você é realmente maduro. Então vamos recolher nossas coisas e ir embora.”
De acordo com as palavras de Kaijali, o grupo partiu em silêncio enquanto observava o
ambiente com cautela. A atmosfera pesada que pairava ao redor deles era quase visível
a olho nu.

Embora Enri quisesse aliviar o clima com a conversa, a floresta não era um lugar para a
humanidade. Ela não podia agir levianamente aqui, especialmente considerando que po-
deria haver mais perseguidores depois deles.

♦♦♦

Eles deixaram a floresta fria e sombria, e depois de tomar banho à luz do sol, a tensão
que enchia seus corpos se dissipou, substituída pela flexibilidade e relaxamento que ha-
via retornado a eles. Naquele momento, eles sentiram como se tivessem voltado ao
mundo da humanidade mais uma vez.

Nfirea estava caminhando ao lado de Enri, e um alto “fuwaah~” escapou dele, soando
como um suspiro e um bocejo.

Os movimentos dos Goblins perderam a tensão, mas a expressão de Agu ainda parecia
rígida. Ele parecia angustiado com a luz do sol e os espaços largos, e isso aparecia em seu
rosto. Isso foi provavelmente porque ele cresceu na floresta sombreada.

“Lá, o vilarejo está lá.”

O rosto de Agu encolheu quando ele seguiu o dedo de Enri à distância.

“O quê? Aquele muro? Parece... parece que é o Monumento da Ruína.”

“Monumento da Ruína?”

“Está certo. É um novo lugar assustador na Grande Floresta. Qualquer um que chegar
perto de lá perecerá. Eles dizem que há undeads também.”

“Você parece saber muito desde lugar, isso é estranho, já que todos que chegam perto
morrem.”

“...Enquanto o Monumento da Ruína ainda estava em construção, os bravos de nossa


tribo foram até lá e viram monstros de ossos construindo o lugar.”

“Você sabia sobre isso?”

“Não, me desculpe, mas isso é novo para nós também, Ani-san. Se formos muito fundo
na floresta, poderemos encontrar inimigos que nem o nosso chefe pode derrotar. Por isso,
tentamos não ir longe demais.”
“...Ei, de qual tribo vocês são três? Vocês são mais fortes do que quaisquer Goblins que
eu já vi antes, então onde—”

Agu deu uma olhada em Enri e depois murmurou algo parecido com “Normalmente os
humanos são apenas...” para si mesmo.

“Vocês servem os humanos?”

“Isso é estranho? Não é normal trabalhar para alguém que é forte?”

“Mas pessoas fortes... não, quer dizer, eu ouvi que os humanos como uma raça têm mem-
bros fortes e membros fracos... mas você é uma mulher, né? E aquele com o cabelo co-
brindo o rosto é um homem?”

Os olhos de Enri se arregalaram. Se ela não fosse mulher, então o que ela era? Não, era
só que ele não sabia se Nfirea era do sexo masculino. Será que os Goblins não poderiam
dizer o sexo dos humanos?

“Enri, eu acho que esse garoto não viu humanos antes. No máximo, ele sabe o que seus
colegas Goblins lhe disseram. E também... é realmente tão difícil para os Goblins diferen-
ciarem humanos?”

“Bem, nossas roupas... são diferentes...”

“Como eu disse, ele não sabe coisas assim. Todos os Goblins não usam a mesma coisa,
independentemente de serem masculinos ou femininos? É claro que às vezes há Goblins
civilizados com um país próprio, mas ele não é um deles.”

Entendo...

Enri de repente percebeu, e então ela percebeu que não tinha respondido à pergunta de
Agu ainda.

“É isso mesmo, eu sou uma garota.”

“Então você é uma magic caster?”

“Não, tem alguma coisa errada?”

Uma expressão profundamente perturbada apareceu no rosto de Agu.

“Eu sou o magic caster. Um magic caster arcano.”

“...Vocês dois são marido e mulher, é isso?”

“Ehhhh?!”
Os dois exclamaram em perfeita harmonia.

“Não, quero dizer, para algumas raças, as esposas podem usar o poder e a autoridade do
marido... não é assim?”

“Não, não, não é nada disso!”

Os Goblins ao redor pareciam querer dizer algo em resposta à inflexível recusa de Enri,
mas tudo o que qualquer um viu fazendo foi afundar os ombros em silêncio.

“Então... o que está acontecendo? Como é que essa mulher é a número um?”

“Nós chamamos você de criança porque você não entende o porquê. A força de Ane-san
não é algo que possa ser visto com os olhos.”

Enri queria negar isso, mas os olhos sinceros de Agu, que a olhavam, exerceram uma
pressão que a deixou incapaz de falar. Enquanto Enri estava confusa, Kaijali fez uma per-
gunta.

“Então, outra pergunta para você. Por que você estava sendo perseguido por esses ca-
ras? O que aconteceu?”

“Isso é—”

“...Pessoal, isso pode esperar até voltarmos para o vilarejo?”

E quem respondeu a sugestão de Enri foi—

“É isso mesmo ~su. Seria melhor assim ~su.”

—Uma mulher que não estava com ele antes.

Todos exclamavam de surpresa e olhavam para a fonte do som.

O que eles viram foi uma beleza estonteante. Ela era uma mulher com tranças gêmeas e
pele morena. Ela estava vestida com o que ela chamava de roupa de empregada, e carre-
gava uma arma estranha nas costas.

Ela era uma pessoa de aparência suspeita e, ao mesmo tempo, familiar.

Lupusregina Beta.

Ela era uma empregada servindo sob Ainz Ooal Gown, o salvador do Vilarejo Carne, e
ela tinha sido responsável por entregar os itens alquímicos e aparelhos para os Bareares,
bem como comandar os Golem de Pedra. Sua atitude alegre e despreocupada a tornou
muito popular entre os aldeões.

No entanto, ela tinha o hábito de aparecer do nada, assim como ela tinha feito agora. Os
aldeões acreditavam que era natural que uma empregada a serviço de um grande magic
caster conhecesse alguma magia que permitisse isso, e Enri também compartilhara essa
opinião. Mesmo assim, aparecer assim de repente ainda era assustador.

“Lupu-san, o-onde você...?”

“Se preocupando com isso agora, En-chan? Eu tenho seguido atrás de vocês desde o co-
meço ~su. Hã? Não me diga que vocês não me notaram ~su? Eu pensei que todos esta-
vam me ignorando porque eu não tinha presença ~su.”

“Eh? Ehhhh?”

Embora ela soasse como se estivesse brincando, seu tom era muito sério. Enri procurou
por ajuda dos outros.

“Então — Lupu-neesan, você poderia parar de brincar?”

“Uwah~ as pessoas pensam que eu sou apenas uma brincalhona ~su. Eu gostaria que
vocês se lembrassem de mim ~su... Não, eu estava apenas brincando ~su. Apenas uma
piada ~su...”

O silêncio recomeçou, até que alguém suspirou cansado com um “Haaaa~”.

“Bem, não há algo errado com isso. Então, quem é esse pequeno Goblin? ...Poderia —
poderia ser!”

Enri sentiu os Goblins entre ela e Lupusregina trocando olhares aborrecidos.

“Fufu — Enfi-chan, você foi trocado por um Goblin? Fufufu~”

Enquanto todos reviravam os olhos, Lupusregina ainda estava rindo.

“O que é tudo isso então ~su. Um amor puro e inocente de um menino, pisoteado assim.
Ah, que revoltante! Fugya! ...Tudo bem, chega de brincadeira, o que realmente aconteceu?”

O corpo de Agu tremia ferozmente, como se tivesse visto algum tipo de monstro.

Embora, Enri pudesse entender o porquê. A expressão alegre de Lupusregina mudou


incessantemente, como uma pessoa sobrecarregada e estressada. A maneira como ela
poderia ir de rir a sério, de repente, era assustadora à sua própria maneira.
“Aw, não se preocupe, eu não vou te comer ~su. Tudo bem-su. Vamos lá, conte para a
onee-chan sobre is~su.”

“Lupu-neesan. Devemos falar sobre isso depois. Você não concordou com isso?”

“Oya? Hm, eu definitivamente me lembro de dizer algo assim ~su”

“...”

“...Ah! Espero que você possa entregar esta poção para o Gown-sama, Beta-san. Ela foi
desenvolvida recentemente, mas seus efeitos foram testados e comprovados.”

“...Oh? Enfi-chan, você finalmente conseguiu ~su?”

“Está certo. Infelizmente, não é completamente vermelho, mas acho que fizemos um
progresso significativo.”

“—Bem, isso é ótimo. Tenho certeza que Ainz-sama ficará muito feliz em ouvir ~su.”

Com isso, a atitude de Lupusregina parecia ter se tornado a de uma pessoa normal, e
não a garota descontraída brincalhona de antes. No entanto, essa expressão durou ape-
nas um momento. No seguinte, ela estava de volta ao seu antigo eu.

“Ahhhh, que excitante... Realmente, eu escolhi um ótimo dia para visitar ~su. Além disso,
não precisa me chamar de Beta. Lupusregina já está bom. Exceção especial só para você
~su.”

Com o (aparentemente) alto astral de Lupusregina pairando no ar, eles entraram nos
portões do vilarejo.

Os aldeões não disseram nada quando viram a desconhecida criança Goblin. Pode-se
dizer que eles não estavam nervosos, mas também pode-se dizer que confiaram muito
em Enri. Talvez eles tivessem assumido que a criança Goblin era parente de um dos ou-
tros Goblins.

Eles atravessaram o vilarejo e passaram pela casa de Enri. Seu destino era a casa dos
Goblins.

“Me dêem licença por um instante. Vou chamar a Britta-san, ela será útil para ouvir o
que o Agu tem a dizer.”

“Parece um bom plano, Ani-san. Ela está treinando para ser uma ranger, já que ela en-
trará na floresta mais vezes, significa que seria bom compartilhar essas informações com
ela... Então, o que devemos fazer, Ane-san?”

“Eh? Eu?”
Enri entrou em pânico por um momento, sem esperar que o nome dela aparecesse du-
rante a conversa. Sem nenhum motivo especial para se opor, ela simplesmente assentiu
com a cabeça.

“Mm. Bem, não é como se eu me opusesse a isso ou algo assim. Pelo contrário, espero
que ela ouça o que o Agu tem a dizer. Eu estou contando com você, Enfi.”

Com um “Entendido”, Nfirea deixou o grupo para trás.

“Não quero ficar assim sem fazer nada... talvez eu deva fazer bebidas.”

“Ótima idéia ~su! Estou com sede ~su”

“...Lupu-neesan, você não é uma empregada? Isso significa que você sabe fazer deliciosas
bebidas, certo?”

“Beeem~ eu sou a empregada de Ainz-sama, e os outros Seres Supremos, entããão... Eu


não quero trabalhar para mais ninguém ~su. Eu só quero relaxar. Não estou interessada
em trabalhar assim não ~su.”

“Então é isso... bem, que pena.”

Embora a conversa de Unlai e Lupusregina parecesse normal, Enri ainda sentia um ca-
lafrio.

Enquanto caminhavam e conversavam, chegaram à casa dos Goblins.

Este era um edifício enorme, com um amplo pátio onde se podia levantar e deixar os
lobos correrem, capazes de abrigar quase vinte pessoas. Havia amplo espaço para treinar
e preparar suas armas.

Os Goblins abriram a porta e abriram caminho para Enri, Agu e Lupusregina.

“Fueeee~ Eu não sabia que havia um lugar como este ~su”

“Hmmm? Lupusregina-san, você não vai entrar?”

“Sim, sim ~su. Não se pode simplesmente entrar sem um convite ~su. Bem, é apenas
uma questão de etiqueta, não é como se eu realmente não pudesse entrar. Eu acho que a
única com uma lenda tão estranha em torno de si é a Sempeito-san ~su”

“ Sempeito-san...?”

“Isso mesmo, En-chan ~su. É o nome de uma beleza trágica ~su. Bem, não era como se
essa pessoa não pudesse realmente entrar em ação. São todas lendas, mitos e folclore.
Beeeeemm, não vamos mais falar sobre isso. Estamos aqui para ouvir o que o Goblin tem
a dizer, certo ~su?”

“Ah sim. Então, bebida... ehm, que tal água de ervas e água de fruta? Há chá de capim
preto e água com infusão de Hyueri...”

Agu e Lupusregina pareciam completamente desconcertados com a pergunta de Unlai,


então Enri ajudou a explicar por eles.

“Hyueri são frutas cítricas, você as abre e as infunde na água e tem um gosto suave e
bom. O chá de capim preto é um pouco amargo.”

“Eu gostaria de água Hyueri.”

“O mesmo para mim ~su”

“Anotado. O que me diz, Ane-san?”

“Eu acho que vou querer a água Hyueri também. E... que tal lavar as mãos? Mesmo que
nossos narizes estejam acostumados com isso...”

“Ah, isso deveria estar bem. Ei, garoto... quero dizer, Agu, venha também. Tem que se
limpar. E mano, desculpe por isso, mas você se importa de cuidar das nossas armas sujas?”

“Posso mesmo?”

“Claro que sim. Não como ele pode fazer qualquer coisa. Nossas regras aqui são muito
simples.”

“Se esse é o caso... vamos lá.”

Kaijali saiu da sala com três conjuntos de armas.

“Agu, venha aqui rapidamente.”

“Por que eu tenho que lavar? Estou limpo, não estou?”

Enri viu que as mãos de Agu estavam muito sujas; a palavra limpeza não poderia ser
colocada em nenhum lugar aqui.

“Sua opinião é irrelevante. Este é o dono da casa dizendo para você se lavar. Ou você
está dizendo que vai desafiar o dono da casa?”

Agu estufou as bochechas e caminhou lentamente até o lado de Enri.


Enri despejou a água do tanque grande nos baldes. Depois de preparar quatro conjuntos,
enfiou as mãos na água inesperadamente fria e começou a lavar-se. O verde preso nas
aberturas de suas unhas se dissolveu. Depois que ela teve certeza de que tudo havia aca-
bado, ela levou as mãos à frente do rosto. O fedor se foi.

Satisfeita, ela então olhou em volta. Gokou e Unlai também estavam lavando as mãos e
a água estava tingida de vermelho pelo sangue do Barghest.

Em seguida, ela olhou para Agu, mas o que viu a deixou perplexa.

Até uma criança humana saberia maneira melhor de se lavar. Ele enfiava os braços na
água, balançava-os um pouco e só. Ele nem mesmo se secou.

Foi só depois de Enri ter lavado o cheiro das plantas em suas mãos que ficou evidente,
Agu ainda cheirava a folhas. Para os Goblins que viviam na floresta, um cheiro como esse
era uma forma de autodefesa contra feras mágicas que tinham sentidos aguçados de ol-
fato. Como tal, eles podem nunca ter desenvolvido o hábito de tomar banho.

Mesmo assim—

“Você faz assim.”

Agu fez uma careta aborrecida quando Enri tentou ensiná-lo. No entanto, ele pensou em
sua própria posição e no que os outros Goblins tinham dito antes e sobre a má vontade,
ele começou a se limpar completamente.

“Isso mesmo, você está fazendo muito bem...”

“Ei, depois disso, use isso para limpar seu corpo. Certifique-se de tirar todo o sangue.”

Agu parecia infeliz, mas ele ainda pegou a toalha com as mãos úmidas e a usou para se
limpar.

“Então nós apenas jogamos fora a água suja?”

“Sim, só fazer isso. Ane-san, sente-se. Nós vamos cuidar do resto.”

Enri aproveitou essas palavras e dirigiu-se à mesa próxima. Estava cercado por cadeiras,
já que tantos Goblins moravam aqui. Quando ela escolheu um lugar para se sentar, de
repente percebeu como estava cansada. Seus braços e pernas eram como troncos e sua
cabeça estava pesada.

Embora parte da razão fosse na coleta de ervas, o que realmente a esgotara era a batalha
contra o Barghest.
Tudo que eu fiz foi assistir... Enfi e os Goblins estavam brigando, mas eles ainda estão se
movendo depois de tudo isso... parece que eu nunca vou ser uma guerreira... ainda assim,
Enfi ficou mais forte...

Mesmo sabendo que seu amigo de infância poderia usar magia, ela não esperava que a
magia fosse tão poderosa.

Ele é incrível...

Enquanto pensava em seu amigo de infância, de repente diferente, o coração de Enri se


encheu de emoção que ela não conseguia expressar em palavras. Era um sentimento mis-
terioso que parecia ser surpresa, mas de novo parecia algo completamente diferente.

Um som nítido trouxe Enri de volta aos seus sentidos, e seus olhos caíram sobre as xí-
caras de cerâmica na mesa. Elas foram preenchidas com um fluido transparente que emi-
tia um cheiro de frutas cítricas, e Enri decidiu se servir de uma xícara.

O sabor refrescante, doce e amargo lavou todo o seu corpo, e ela sentiu como se esti-
vesse cheia de energia. Agu sentou-se ao lado dela em algum momento, e ele engoliu em
um gole e imediatamente pediu outro.

Lupusregina não tocou na xícara ainda.

Pensando bem, eu não acho que eu já vi a Lupusregina-san comer ou beber.

“...Hm? Algum problema? Você tem me espreitado recentemente. Você está apaixonada
por mim? Ahhhhh~ que preocupante, estou chocada e pensar que a En-chan é lésbica.
Parece que eu preciso contar a todos ~su.”

“O que— não! Não! Não é isso!”

“Wahahahaha~ Apenas brincando. Eu sei que a En-chan gosta de homens ~su.”

Enri não sabia como responder e sua boca se estreitou em linha reta.

“Ainda assim, eles estão demorando... hm? Parece que eles chegaram ~su.”

Enri se virou para a porta, mas ela não conseguia sentir ninguém do lado de fora.

“Mesmo? Mas eu não ouço nada.”

Agu segurou a orelha com a mão.

“Ei, os humanos são uma raça com boa audição?”


“Isso, isso, eu não sei sobre isso, mas eu não acho que a Lupusregina-san mentiria sobre
esse tipo de coisa... embora ela gosta de... brincar um pouco com as pessoas.”

Então ela estava mentindo?

Os olhos de Agu de repente se arregalaram quando ele olhou para Lupusregina.

“Não, realmente, eu os ouvi. Eles estão vindo com certeza. Você é incrível.”

“Hm? Nem um pouco ~su. Comparado com a Enri-san, eu não sou nada de mais ~su.”

Agu pareceu engolir a seco e olhou para Enri com uma expressão surpresa.

Não, não é assim. Esse sorriso no rosto de Lupusregina-san é muito falso!

Enri se perguntou como ela deveria contar a verdade a Agu, mas antes disso, uma batida
veio da porta.

Pouco depois, Nfirea e uma mulher com armadura de couro entraram na sala.

Britta, a antiga aventureira, mudou-se para o vilarejo depois que Nfirea fez o mesmo.
Originalmente, ela tinha sido uma aventureira em E-Rantel, mas se aposentou depois de
certos eventos. Mesmo assim, ela ainda precisava ganhar a vida, e então ela respondeu
às solicitações do vilarejo e se mudou para cá.

Ela estava estudando para ser uma ranger e tinha potencial. Mesmo sendo mais fraca
que Jugem, ainda era uma das pessoas mais fortes do vilarejo e líder da força de autode-
fesa, embora dificilmente pudesse ser chamada assim.

Eles a trouxeram aqui porque ela liderava a força de defesa, e porque ela entrava na
floresta para praticar sobrevivencialismo característicos de rangers.

“Ah — é realmente um novo Goblin... não, hm, eu continuo pensando do ponto de vista
de um aventureiro... eu não deveria tratá-lo como um inimigo.”

Britta sorriu amargamente. Não era como se Enri não entendesse de onde ela veio. Nas
histórias, os Goblins eram os inimigos da humanidade. Matá-los à vista era a coisa certa
a fazer. Contudo, este vilarejo era diferente. Francamente falando, os aldeões sentiram
que os humanos pareciam ser os verdadeiros inimigos neste caso.

“Então, já que todos estão aqui, vamos ouvir o que ele tem a dizer. Agu, você pode nos
dizer o porquê estava correndo coberto de todas aquelas feridas?”

“Bem, eu estava fugindo de um ataque.”

“Isso é muito simples... que tipo de monstro atacou você?”


“Os servos do Gigante do Leste.”

“O Gigante do Leste? Quem é?”

“...Como vocês o chamam?”

“Não, não é uma questão de como o chamamos, nem sabíamos que ele existia até agora.
Britta-san, você sabe alguma coisa sobre isso?”

A pessoa mais estudada neste local era Nfirea, mas quando chegou à floresta, Britta
ainda sabia mais do que ele. Mesmo assim, tudo o que ela podia fazer era sacudir a cabeça.

“Eu sinto Muito. Eu não ouvi nada sobre este Gigante do Leste. E eu não acho que o Mes-
tre Latimon também saiba. Nós nunca nos aventuramos nas profundezas da Floresta e
por isso não sabemos muito sobre seus moradores.”

“Então, Agu, conte-nos o básico sobre ele.”

“Quando você diz o básico, você quer dizer...”

Enri entendeu a confusão de Agu. Em situações como essas, era melhor fazer perguntas
discretas uma a uma, então seria mais fácil para ele responder.

“Então, você pode nos contar sobre os poderosos monstros da Floresta?”

“Bem, para mim os Barghests e os Ogros são todos fortes... mas se você quiser falar sobre
coisas no nível do Gigante do Leste, então na floresta, existem os poderosos chamados os
Três Monstros. A primeira é a besta do sul. Eles dizem que é incrivelmente forte e mata
todos que entram em seu domínio. No entanto, nós não ouvimos nada sobre isso recen-
temente e, aparentemente, eles não o viram mesmo quando entraram em seu território,
então eu não sei o que aconteceu com ele. Então há o Gigante do Leste. Ele construiu um
exército além da floresta murcha. E no fim, a Serpente Demônio do Oeste. Eu ouvi dizer
que é uma cobra repugnante que pode usar magia.”

“Estranho... e o norte?”

“Parece haver um lago no norte com todos os tipos de raças. Quanto a quem as governa...
não sei. Mas parece haver bruxas gêmeas no pântano. E quando a Fera do Sul desapare-
ceu, a floresta ficou estranha. Eu não tenho certeza do que exatamente aconteceu, apa-
rentemente, um cara realmente assustador apareceu, e então o equilíbrio de poder mu-
dou...”

“Isso seria o Monumento da Ruína?”


“Sim. Eu também ouvi dizer que o mestre do Monumento da Ruína pode comandar os
undeads, pequenas sombras negras que podem se mover através da escuridão. Isso é o
que os sobreviventes nos disseram.”

Todos — com exceção de Lupusregina — pareciam desconfortáveis um com o outro.

A primeira coisa seria a Festa do Sul. Como seu território deveria estar próximo, então,
quando se pensava sobre isso, a criatura certamente deveria ser a fera mágica domesti-
cada pelos aventureiros que haviam escoltado Nfirea aqui — ou, mais especificamente,
aquele que usava uma armadura preta. Certamente tinha a aparência de poder e força
sobre isso, e então a descrição se encaixava perfeitamente.

“A Fera... o Sábio Rei da Floresta, Hamsuke-san.”

“É isso mesmo! Ah, sim, isso certamente se qualifica como uma fera...”

Britta disse ao ouvir Nfirea. Ela não estava no vilarejo naquela época.

Aparentemente, ela tinha o visto em E-Rantel, mas de longe.

E havia mais duas criaturas monstruosas por aí que poderiam se igualar. Ninguém con-
seguia sentir o choque e o medo com essa percepção.

“Então, como você escapou?”

“Até recentemente, os três se mantinham em cheque. A Fera do Sul não saia do seu ter-
ritório, mas ninguém poderia garantir que esse seria sempre o caso. Se o Leste e o Oeste
lutassem, não importava quem vencesse, sempre haveria a chance de que, em seu mo-
mento de vitória, eles fossem liquidados pela Besta em seu estado enfraquecido. Como
tal, nenhum dos três poderes realmente se envolvia em batalha.”

“Tudo bem, eu posso aceitar isso. No entanto, se o Leste e o Oeste cooperaram e... não, a
Besta do Sul não deixaria seu domínio, então não há necessidade de aliar-se a derrotá-lo.
Não há necessidade de provocar isso...”

“Eu não sei o que esses caras estão pensando. Eles apenas reivindicaram seu próprio
território e o transformaram em seus próprios reinos. No entanto, o dono do Monumento
da Ruína bagunçou a distribuição de poderes. Por causa disso, o Leste e o Oeste decidi-
ram guerrear contra o Rei da Destruição e eles passaram a reunir tropas descartáveis
para suas forças.”

Agu apenas continuou falando e falando, sem uma pausa.

“Eles nos forçaram a nos aliar a eles. Ainda assim, nós dificilmente seriamos aliados. É
mais como nós, os Goblins, não valêssemos nada para eles. Eles nos usaram e nos jogaram
fora, e se atrapalhamos eles, eles nos fazem sofrer. Por causa disso, nós fugimos. Con-
tudo...”

“Não funcionou, acertei?”

“Sim, isso mesmo. Os Barghests e Ogros vieram atrás de nós. Nós não poderíamos lutar
contra eles, então nos separamos. Eu fugi nesta direção com mais alguns outros para o
território da Fera do Sul, mas nós não esperávamos que eles viessem atrás de nós sem
hesitação.”

Ele disse que havia algumas pessoas, mas não havia sinal de ninguém além de Agu.

Uma expressão de dor atravessou o rosto de Enri e Gokou falou.

“...Temos pessoas explorando a floresta, se alguém ainda estiver vivo, podemos trazê-
las de volta aqui, desde que elas não resistam.”

“Sim, tem isso. Os olfatos dos lobos são muito sensíveis. Então... a questão é, além do
Barghest, o que mais está lá fora? Eles tinham amigos que vieram também? Se der errado,
os perseguidores podem acabar vindo até aqui. Ei, Agu, que outros monstros estão lá?”

“Há Barghests, Ogros, Boggarts, Bugbears e algo que parece um tipo de lobo...”

“Eles são monstros bastante comuns. Eu gostaria de ouvir mais sobre o Gigante do Leste
e a Serpente Demônio do Oeste, especificamente, sua aparência, suas habilidades, esse
tipo de coisa. Você sabe algo?”

Agu sacudiu a cabeça.

“Eu não sei os detalhes. Eu sei que o Gigante do Leste carrega uma grande espada, e que
a Serpente Demônio do Oeste tem uma cabeça como a sua, mas que tipo de magia ele usa,
eu não sei.”

A atenção de todos foi para Nfirea, que balançou a cabeça. Havia simplesmente pouca
informação para trabalhar.

“A questão agora é o que vamos fazer? Se algo que pode lutar uniformemente com a Fera
aparecer, francamente falando, estamos acabados. O máximo que a força de autodefesa
pode fazer é escoltar as mulheres e crianças para a segurança.”

“De fato. Se tudo o que precisávamos for de uma defesa firme, então tudo bem, ou talvez
devêssemos pensar em alguns outros métodos. Se a perturbação na floresta acabasse por
conta própria, seria ótimo.”

Todos começaram a pensar.


Para eles, como pessoas que viviam fora da floresta, seria melhor se as questões dentro
da floresta se resolvessem. No entanto, isso significaria que eles seriam incapazes de en-
trar na floresta, o que seria problemático. Ainda assim, eles podem não ter escolha a não
ser fazê-lo se o pior acontecer.

“...No entanto, se o inimigo pode facilmente tirar uma tribo da floresta, isso significa que
eles devem ter reunido muito poder de luta.”

“Errado! ...Originalmente, nossa tribo era muito mais forte. No entanto, quando fomos
em busca de novos lugares para morar, nossa tribo despachou equipes mistas de Ogros
e Goblins adultos. Se eles ainda estão vivos, ainda podemos lutar!”

“Então esses Goblins adultos ainda não voltaram?”

Enquanto Britta falava, Nfirea inclinou a cabeça, como se estivesse pensando em alguma
coisa.

“Sobre isso... embora este seja um tópico completamente diferente, posso perguntar so-
bre algo que está me incomodando? Você fala da mesma maneira que outros Goblins fa-
zem?”

“O que você quer dizer?”

“Ah, isso pode ser um pouco difícil de entender. No passado, eu mesmo conheci Goblins,
e não tomei o caminho errado, mas eles falavam como idiotas. No vilarejo, porém, Jugem-
san e os outros falam normalmente. O mesmo vale para você — você fala fluentemente.
Por causa disso, fiquei me perguntando se os que vi pertenciam a tribos selvagens de
Goblin ou algo assim.”

“Não, é só que eu sou particularmente inteligente para um Goblin. A maioria dos Goblins
fala em sílabas únicas. Isso tornou a conversa na tribo realmente problemática, posso te
dizer isso. Eu estava seriamente me perguntando se eu era de outra tribo. Agora, só por
dúvida, deixe-me perguntar isso, eu nasci em uma tribo por aqui? Você já ouviu alguma
coisa sobre mim?”

“Não, nós não sabemos... Você... Poderia ser... Ane-san, Ani-san, você poderia vir aqui um
pouco?”

Nfirea e Enri seguiram Kaijali para o canto da sala.

“Será que o Agu não é um Goblin, mas sim um Hobgoblin?”

Hobgoblins eram ramificações da raça Goblin, e eles eram superiores aos Goblins de
várias maneiras. Os Goblins eram tão grandes quanto as crianças humanas quando eram
adultos, mas os Hobgoblins podiam atingir a altura de um ser humano adulto.
Eles eram semelhantes aos humanos não apenas em habilidades físicas, mas em atribu-
tos mentais. Como eles podiam se reproduzir com Goblins, eles normalmente formavam
comunidades mistas com eles. No entanto, os Hobgoblins não eram tão férteis quanto os
Goblins, e assim eles tendiam a ser líderes ou guardas de elite dentro de uma tribo.

“Mas se meu pai ou minha mãe fossem Hobgoblin, eles não saberiam disso?”

“Ambos os pais dele eram Goblins e ele nasceu um Hobgoblin?”

“Eh? Não é esse tipo de coisa algo de lendas?!”

“...Esta é a primeira vez que vejo Enri fazendo uma cara assim... mas infelizmente, não
acho que seja a resposta. Assim como os humanos adotam crianças, acho que os Goblins
poderiam ter feito algo semelhante.”

“Isso é certamente possível. Bem, nesse caso, não precisamos nos preocupar muito com
isso.”

Os três voltaram para a mesa e, quando o fizeram, a até então silenciosa Lupusregina,
abriu a boca para falar.

“Beeem, tomou uma decisão ~su? Se alguma coisa acontecer, você sempre pode pedir
ajuda ao Ainz-sama. Peça a ele para ajudar a resolver o problema e tudo o mais ~su.”

Isso seria tudo o que eles desejavam.

Se o herói que salvou o vilarejo decidisse fazer um movimento, nem mesmo os Três
Monstros poderiam ficar contra ele. Contudo—

“Nós estaríamos abusando da generosidade dele.”

Enri murmurou para si mesma, e os Goblins concordaram. Apenas Britta e Agu, que não
conheciam Ainz, ficaram perplexos. Nfirea tinha uma expressão complexa no rosto.

“Este vilarejo é o nosso vilarejo. Isso significa que devemos fazer o máximo que puder-
mos por nós mesmos. Embora algumas pessoas possam pensar que eu não deveria me
considerar digna de tomar essa decisão, já que eu não sou a líder e nem lutei por nós,
ainda assim eu...”

“Não, eu concordo com a opinião da Ane-san. Este vilarejo é da Ane-san...”

Kaijali fez “Hm?” e depois inclinou a cabeça enquanto se corrigia.

“Ane-san e nossa... não, isso não é certo também.”

“Você está tentando dizer que este vilarejo pertence a todos que vivem aqui?”
“Isso mesmo, Ani-san. Você entendeu, como eu esperava! Bem, mesmo assim, acho que
tomar emprestado o poder desse Magic Caster-sama deve esperar até que estejamos
completamente sem opções.”

“Mas se fizermos isso, todo mundo pode morrer ~su... Ficar dilacerado dói, você sabe
~su”

“Ha! Lupusregina-san, não vamos deixar isso acontecer. Vamos nos sacrificar para que
todos tenham tempo de fugir.”

Lupusregina parecia desapontada.

“É mesmo ~su? É melhor você dar seu melhor, então ~su.”

“E eu também quero entrar em contato com a Guilda dos Aventureiros em E-Rantel —


ou talvez reportar a eles seria uma palavra melhor para usar. A Guilda enviará alguém
para cuidar e aceitar o nosso pedido. Seria problemático se nós fizéssemos um pedido
depois que se tornasse uma emergência.”

Britta seguiu após a sugestão de Nfirea.

“Isso é verdade. A Guilda dos Aventureiros não quer perder seu povo para monstros
inesperados. É claro que os Trabalhadores e outros loucos vão zombar e dizer que a Gui-
lda protege muito os aventureiros, mas eles são apenas porcos gananciosos que querem
brigar. É natural que uma organização queira proteger seus próprios membros.”

“Britta-san, embora eu não queira falar mal dos aventureiros, mas durante as emergên-
cias, o custo de contratação vai para as alturas, eles podem até rejeitá-lo. Por que fazem
isso?”

“Os aventureiros não querem morrer, e a Guilda não quer que eles morram também.
Portanto, a Guilda eleva os preços para atrair aventureiros de alto ranque para lidar com
um problema, mesmo que a situação, no final, não os justifique. É basicamente isso.”

Como uma garota simples do vilarejo, Enri achou as palavras dessa ex-aventureira fáceis
de engolir. Mas era muito difícil ter que aceitar isso quando eles estivessem sendo coagi-
dos. No entanto, quando ela olhou para ele do ponto de vista dos aventureiros, isso infe-
lizmente fazia sentido.

“Bem, mesmo que a Guilda verifique, as pessoas ainda podem, esse tipo de coisa acon-
tece muito...”

Britta mordeu o lábio inferior.


“—Quando eu penso naquele ataque daquela Vampira, eu não posso deixar de tremer...
antigamente eu não conseguia nem dormir sem tomar remédio para isso...”

“Vampira? Onde?”

Agu perguntou sem qualquer reserva, e Britta sorriu amargamente.

“É um segredo. Ou melhor, não me faça pensar sobre isso. Não quero me urinar de medo.”

“Mas eu era o único que está curios—”

“Você não está em posição de fazer perguntas, pirralho.”

“Então, o plano, por enquanto, é denunciá-lo à Guilda e, se a situação permitir, faremos


uma solicitação. Provavelmente será assustadoramente caro, mas devemos pelo menos
obter uma cotação da Guilda. Além disso, teremos que contar ao Jugem-san e ao chefe
sobre isso depois. Você pode fazer isso, Enri?”

“Eu vou cuidar da força de autodefesa. Francamente falando, eu teria feito a mesma
coisa também.”

Nfirea assentiu enquanto Britta falava.

“Então, eu acho que vou andar um pouco antes de voltar ~su. Você realmente não vai
pedir ajuda ao Ainz-sama ~su?”

“Sim. Gostaríamos de fazer o máximo possível por nós mesmos. Se possível, gostaríamos
que você dissesse isso ao Gown-sama.”

“Entendi ~su”

Quando Agu olhou para Enri e Nfirea, que estavam se afastando, um sentimento difícil
de descrever brotou dentro dele.

“O que há de tão bom nessa mulher?”

“Hah?!”

O tom ameaçador na voz do Goblin adulto fez o corpo de Agu tremer.

Agu sentiu que os Goblins adultos eram mais fortes do que qualquer outro em sua aldeia.
Era natural que ele se arrepiasse quando ameaçado por eles.

No entanto, isso ainda não conseguiu superar sua curiosidade infantil.

“As mulheres dessa tribo Carne são tão boas assim?”


Do ponto de vista de Agu, Enri não parecia particularmente forte. Embora ela tivesse
alguns músculos em seus braços e pernas, não estava nem perto do suficiente. Ela não
precisava ser tão musculosa quanto um Ogro, mas como líder, ela ainda precisava muito
mais do que o que tinha agora.

Se ela fosse uma magic caster, ele ainda poderia entender. As mulheres que se tornaram
líderes nas tribos dos Goblins usavam esse poder misterioso. No entanto, essa mulher
não se parecia com uma magic caster.

Francamente falando, Agu não entendia o porquê Enri era superior aos Goblins.

“Não é desse jeito.”

“...Aquela mulher caçadora que veio depois era mais forte que ela, certo?”

“Bem, Britta não é ruim do jeito dela. Mas nós estamos melhores.”

A opinião de Agu sobre o Goblin adulto na frente dele subiu outro entalhe. Ele era mais
baixo que aquela mulher, mas ele falou com uma convicção inflexível. Certamente existia
uma razão para sua autoconfiança.

“E então, aquela mulher que apareceu atrás de você àquela hora, ela também não é tão
forte ou é? Embora a maneira como ela apareceu do nada me assustou, pensei que mor-
reria.”

O Goblin adulto subitamente se aproximou e olhou para Agu.

Sentindo uma pressão estranha em cima dele, Agu perguntou nervosamente:

“O-o quê? O que há com essa mulher?”

“Aquela mulher que apareceu de repente... o nome dela é Lupusregina, e ela... ela é muito
perigosa. Já que você vai ficar conosco por um tempo, nunca vá perto dela ou fale com
ela. É para o seu próprio bem.”

“Ah. Ahhhh. Entendi.”

“E eu tenho que dizer isso logo. Embora deva ser incrivelmente óbvio, se você fizer al-
guma coisa para as pessoas daqui... sejamos honestos aqui, você não vai se safar, é melhor
você estar preparado para morrer.”

“Eu-eu entendi. Então eu sou basicamente como alguém de uma tribo derrotada, certo?
Eu prometo que não vou prejudicar ninguém da Tribo Carne.”

“Tudo bem, isso é bom... fique longe de Lupusregina, entendeu?”


Agu entendeu o misto de cautela e pavor no coração do Goblin adulto, e gravou o aviso
em seu coração. Com isso feito, ele percebeu que sua primeira pergunta não havia sido
respondida, e então ele perguntou novamente.

“Por que a Enri-san é tão boa?”

Até Agu poderia aprender. Ou melhor, era fácil para ele aprender, já que ele era o mais
esperto da tribo e não podia falar muito com outros Goblins, então ele entendia coisas
assim rapidamente.

“Ha... Enri... a verdade é que... ela é muito forte.”

“Eh?!”

“É porque você é muito fraco e não consegue perceber. Se a Ane-san ficar séria, ela pode
esmagar um Barghest ou qualquer coisa até a morte com apenas uma mão e espremer o
sangue em uma xícara para beber, sacou?”

“Mesmo?!”

“Oh sim, sim, claro que é verdade.”

Agu pensou em Enri. Quando ele pensou sobre isso com calma, era verdade que ela tinha
sido capaz de dar ordens poderosas que abalaram a alma. Talvez aquilo fosse apenas a
ponta do iceberg?

“Ane-san finge ser fraca. Se você perguntar demais e enlouquecê-la, ela irá esmagá-lo
até a morte com uma mão. Depois disso, limpar o local será complicado. Haverá sangue
por toda parte.”

“Certo... então por que, por que ela tem que fingir ser fraca? Se ela fosse forte, não have-
ria menos problemas?”

“Se você mostrar sua força, vai levar pessoas de todo o mundo para desafiá-lo. Isso é
muito problemático também, sacou?”

Agu pensara que a força era a solução para todos os problemas, mas esse não era o caso.

Trancado em um labirinto de autorreflexão, ele não percebeu que o Goblin adulto à sua
frente tinha uma expressão de brincadeira no rosto.

♦♦♦
No meio da noite, Enri de repente acordou de seu sono. Embora não parecesse haver
nada estranho por perto, Enri permaneceu imóvel enquanto ela movia os olhos para ve-
rificar em torno dela. O mundo à sua frente era escuro como breu, iluminado apenas por
um fino raio de luz da lua entre as persianas das janelas. Ela não conseguia ver nada de
estranho nessa luz fraca.

Mas os ouvidos de Enri podiam ouvir bem.

Não havia sons de cavalos relinchando, cavaleiros armados fazendo barulho, ou pessoas
gritando. Ela não podia ouvir nada disso. Era apenas uma noite normal.

Enri suspirou baixinho e fechou os olhos. Ela estava dormindo profundamente até agora,
então ela ainda estava grogue e não conseguia se levantar imediatamente.

Muita coisa aconteceu hoje. Depois da conversa com Agu, ela foi explicar as coisas ao
chefe do vilarejo e a Jugem, que retornara de seu escotismo.

Tudo vai ficar bem, certo?

Para confirmar a nova informação, Jugem decidiu entrar na floresta novamente e eles
partiram à noite. Mover-se à noite na floresta era perigoso demais. Os Goblins eram dife-
rentes dos humanos; eles podiam ver com pequenas quantidades de luz, para que pudes-
sem se mover livremente. No entanto, havia muitas feras mágicas noturnas e monstros,
e eles se tornariam ativos após o pôr do sol.

Era muito mais perigoso do que no dia.

Se não houvesse necessidade de confirmar urgentemente que não havia mais monstros
perseguindo Agu, Jugem nunca teria saído.

Era verdade que os Goblins eram fortes, mas isso era apenas em comparação com Enri.
Havia muitas criaturas na floresta que eram mais fortes que os Goblins, por exemplo; os
Três Monstros.

Uma sensação de medo e perda caiu sobre Enri, a fazendo se contorcer, e por causa disso,
sua irmã gemeu em seu sono, se aproximando do corpo de Enri.

Enri entreabriu os olhos e espiou sua irmãzinha.

Parece que não a acordou. Ela podia até ouvir seu ronco suave.

Hehe...

Assim que Enri riu em sua garganta, o som de batidas suaves ressoou na porta. Isso de-
finitivamente não era um truque do vento.
Enri franziu a testa. O que poderia haver tão tarde da noite? Porém, precisamente por-
que era tão tarde da noite já significava que tinha que ser importante.

Ela cautelosamente se separou de Nemu e do cobertor e lentamente saiu da cama, mo-


vendo-se com cuidado para não acordar sua irmãzinha.

As tábuas rangeram quando ela saiu da cama, fazendo o coração de Enri bater mais rá-
pido, ela se preocupava em acordar Nemu.

Depois daquele incidente, Nemu teve que dormir com Enri à noite. Ela sofrera um
trauma psicológico muito grave.

Enri não tinha intenção de repreendê-la por isso. Isso porque, porque Enri se sentia
mais segura quando dormia com a irmã.

Mas ela sabia, mesmo quando as duas estavam juntas, Nemu às vezes era acordada por
seus pesadelos. Por causa disso, Enri insistiu em estar com Nemu mesmo quando ela es-
tava dormindo.

Silenciosamente e, portanto, lentamente, ela avançou em direção ao limiar, mas a batida


não parou.

Enri espiou nervosamente pela janela, e o luar iluminou a silhueta de Jugem. Ela suspi-
rou de alívio.

Para não acordar Nemu, Enri falou em voz baixa do lado de fora da janela.

“Jugem-san, você está bem, isso é ótimo.”

“Sim, Ane-san. No final, tudo correu bem. Desculpe acordá-la, mas acho que você deveria
saber disso o mais rápido possível.”

Enri abriu a porta ligeiramente e se espremeu na fina abertura. Ela estava preocupada
que a luz da lua acendesse Nemu. Entendendo por seus movimentos, Jugem baixou a voz
e falou.

“Há algo que precisamos de você, Ane-san.”

“Justo agora?”

Enri sorriu divertidamente e continuou:

“Claro, eu não me importo.”

“Eu realmente sinto muito sobre isso.”


Enri seguiu os passos de Jugem enquanto lhe dizia para não se desculpar. Poderia ser
melhor para Nemu estar acordada para isso, e ela considerou isso, mas Jugem tinha vindo
para ela sabendo que todos estavam dormindo. Tinha que haver uma razão para isso.

“Eu vou explicar enquanto andamos.”

Ele geralmente falava mais levemente, mas quando se tratava de trabalho — ou o que
Jugem julgava ser trabalho — seu tom era mais rígido.

Embora Enri achasse que não havia problema em ser mais casual com uma simples al-
deã como ela, porém Jugem se recusara a mudar essa parte dele, por isso Enri desistiu da
idéia.

“Em primeiro lugar, encontramos alguns membros da tribo de Agu.”

“Isso é maravilhoso!”

“...Mas eles estão emocionalmente frágeis, e eu acho que eles precisam descansar por
alguns dias. Tivemos que emprestar a força do Ani-san para isso.”

Sentindo a expressão surpresa de Enri, Jugem seguiu com uma explicação.

“Quando encontramos os sobreviventes da tribo de Agu, eles estavam sendo mantidos


como prisioneiros por um Ogro do Gigante do Leste e usados como comida. Embora a
Cona tenha curado suas feridas físicas, suas mentes ainda estão cicatrizadas. Ani-san tem
algum remédio para acalmá-los e queremos que ele ajude a tratá-los. Depois disso, há um
assunto um pouco mais problemático.”

Jugem observou a expressão de Enri antes de continuar.

“Quando os resgatamos, capturamos cinco Ogros. Embora só tenhamos feito isso para
questioná-los... parece que os Ogros normalmente coexistem com Goblins, e enquanto os
Ogros lutam, os Goblins fornecem alimento, abrigo e assim por diante, em um relaciona-
mento mutuamente benéfico. Por causa disso, eles disseram que estão dispostos a lutar
pela nossa tribo. De acordo com Agu, isso não é incomum... então, o que devemos fazer?”

“Podemos confiar neles?”

“Agu diz que podemos. Os Ogros têm um estranho hábito; eles não vão lutar por nin-
guém além dos Goblins de sua tribo, e eles traíram o Gigante do Leste porque ele não era
da tribo deles. É algo assim.”

“Mm. Mas os Ogros devoradores de homens soam meio assustadores...”


“Uma vez que eles aceitam as pessoas do vilarejo como parte de sua tribo, tudo que você
precisa fazer é alimentá-los e tudo ficará bem. Você também pode dar a eles qualquer
tipo de comida. Felizmente, eles são onívoros.”

Honestamente falando, esta decisão foi muito difícil para uma simples aldeã fazer.

“Que tal matá-los?”

Isto foi entregue em um tom casual.

“Francamente falando, não tenho problemas em matá-los de imediato. Isso nos salvaria
uma grande pilha de problemas. Em primeiro lugar, seres como eles que traem os outros
podem se voltar contra nós se as coisas começarem a dar errado. Agu diz que eles não
vão, mas acreditar cegamente em tudo que uma criança diz é um pouco...”

“E o que você acha, Jugem-san?”

“Se eles pudessem lutar por nós, seria ótimo. Não sabemos quantos perseguidores po-
dem vir da floresta, então alguns escudos de carne extras ajudariam muito.”

“Então, mais uma pergunta, eles vão comer pessoas?”

“...Ane-san. Embora os Ogros tenham uma reputação de comer humanos, eles são ape-
nas monstros que comem carne. Acontece que é mais fácil pegar humanos para comer
do que animais selvagens.”

Para os Ogros, era melhor pegar humanos do que dizer coelhos. Era natural quando se
considerava que os humanos eram mais fáceis de capturar e davam mais carne também.

“Bem, se você lhes der algo para comer, eles não atacarão os aldeões. Em primeiro lugar,
eles só atacam as pessoas para encher seus estômagos. Você tem a minha palavra que
vamos caçar animais suficientes para encher suas barrigas. Claro, eles ainda precisam
ser supervisionados e teremos que ver como as coisas correm. Eu prometo que não va-
mos deixar ninguém aqui se machucar.”

“...Nesse caso, seria bom se pudéssemos confiar neles o suficiente para torná-los subor-
dinados. Não apenas por agora, mas também pelo futuro.”

“Que bom que você entende. A única coisa é que há uma pequena contradição com o que
eu disse agora. Se o que vier depois disso tudo sair do controle, teremos que matar todos
eles. Na verdade, estou pensando em como impressionar aqueles Ogros, pois você será a
chefe deles, Ane-san.”

“Eh?!”
Enri soltou um ruído que soou como se ela tivesse sido virada de cabeça para baixo. Este
era um grande salto para ela. Por que uma simples garota de um vilarejo, como ela, teria
que se tornar a líder de um bando de Ogros? Não bastaria apenas Jugem ser o chefe?

“Estamos planejando para o futuro. Será problemático se os Ogros pensarem em você


como apenas mais um ser humano, Ane-san. Embora nós a obedecemos, uma situação
em que tais ordens precisarem serem transmitidas através de nós para eles pode surgir.
Goblins são potencialmente muito perigosos. Como comandante da linha de frente, qual-
quer coisa pode acontecer comigo a qualquer momento, por isso sinto que precisamos
de alguém seguro na retaguarda que possa comandar os Ogros.”

Enri considerou o problema com as sensibilidades da garota de um vilarejo.

“O que significa que você precisa de duas pessoas que podem comandá-los?”

Jugem assentiu.

“Nesse caso, Enfi poderia—”

“Ani-san pode acabar na linha da frente também.”

“Entendo...”

Enri de repente entendeu e assentiu. Alguém em um lugar seguro como ela deve ser útil
também. Isso também era o que Enri queria. Contudo—

“Mas eu posso realmente controlar os Ogros?”

“É isso que estamos prestes a descobrir, Ane-san. Você é boa em atuar?”

♦♦♦

Os portões frontais e traseiros do vilarejo levavam para fora e Jugem levou-a até o por-
tão dos fundos. Além dela, cinco Ogros estavam ajoelhados no chão. Eles também eram a
fonte do mau cheiro que pairava no ar.

Ao redor deles estava a Tropa Goblins, todos presentes e ilesos.

De um lado da porta havia uma plataforma de observação, que normalmente seria ocu-
pada por aldeões ou Goblins, mas não agora. Os Goblins tinham deixado temporaria-
mente.

Nfirea também estava lá, junto com Agu, que estava a alguma distância.

“E aí Enri. Noite bonita, não?”


“Sim, Enfi. A lua é realmente bonita.”

“De fato. É tão grande e brilhante.”

“Desculpe interromper sua conversa, mas vamos levar o espetáculo para a estrada.”

Jugem sussurrou para Enri antes de gritar:

“Ei! Vocês aí! A nossa Ane-san está aqui! Ela segura suas vidas nas mãos!”

Quando os cinco Ogros ouviram isso, levantaram a cabeça para olhar para Enri. Parecia
que havia uma pressão palpável esmagando-a, mas Enri se forçou a não dar um passo
para trás. Se ela cedesse, o plano falharia e os Goblins eliminariam problemas potenciais
pela raiz matando os Ogros no local.

Enri já podia ver as mãos dos Goblins indo para suas armas. Enfi estava calmamente
pegando uma garrafa de poção.

Uma eternidade pareceu passar por baixo da pressão.

Enri suportou os olhares dos Ogros e os devolveu com um dos seus. Seu olhar era firme
e inflexível.

Em seus olhos, a imagem dos Ogros se sobrepunha com a imagem dos cavaleiros que os
atacam no passado.

Enri fechou os punhos, lembrando-se de como se sentira naquela época, quando ela so-
cou o elmo de um cavaleiro.

Não me subestimem. Todos estão se esforçando para proteger o vilarejo, então eu tenho
que protegê-lo também!

Depois de um segundo tenso — um segundo que parecia se estender para sempre na


percepção de Enri — os Ogros hesitaram.

Eles espiaram um ao outro e depois a Jugem.

“Eu avisei a vocês, certo. Nossa chefe, nossa Ane-san, é a mais forte.”

“Olhe para baixo, todos vocês!”

Enri gritou assim que Jugem terminou.

A força da voz de Enri surpreendeu até a si mesma, e Agu na borda de sua visão se con-
torceu violentamente, mas tudo bem. O importante era que os Ogros haviam baixado a
cabeça para ela.
Por enquanto, os Ogros reconheceram a superioridade de Enri.

“Bem, então, o que vocês têm a dizer a nossa chefe, a chefe do Vilarejo Carne, nossa Ane-
san?”

Com as cabeças ainda abaixadas, o que emergiu dos Ogros foi uma torrente de vozes
confusas.

“Tão, tão assustadora, pequena chefe. Perdoar.”

“Desculpar, nós atacar sua tribo. Por favor, perdoar.”

Por “sua tribo”, os Ogros provavelmente significavam a tribo de Agu. Embora a realidade
fosse um pouco diferente, foi mais fácil para eles entenderem a situação, já que para eles,
Agu faziam parte da “Tribo Carne”. Era um bom resumo, a fim de evitar sobrecarregar os
cérebros dos Ogros.

“Nós trabalhar para você.”

“Está certo! Trabalhem para mim e minha tribo!”

Essa última declaração foi feita com a essência de seu espírito que ela poderia reunir.
Ela só dissera duas ou três frases, Enri já estava muito cansada. Foi tão ruim quanto o
encontro com o Barghest.

Assim que Enri estava prestes a abandonar seu Modo Chefe devido ao cansaço, Jugem
interveio na hora certa.

“Maravilhoso! Parece que a Ane-san salvou suas vidas!”

A força diminuíra visivelmente dos corpos dos Ogros. Dado que eles poderiam ser mor-
tos a qualquer momento, isso era uma reação natural.

Um Ogro olhou para Enri e falou.

“Chefe, nós, fazer o quê?”

Ela não havia considerado isso ainda. Ainda assim, se ela não soubesse, poderia confiar
a outra pessoa.

“Jugem-san, eu vou deixar você cuidar deles. Use-os como achar melhor.”

“Entendo, Ane-san.”

O líder dos Goblins curvou-se para Enri, depois voltou-se para os ogros.
“Bem então. Primeiro de tudo, vamos montar barracas fora do vilarejo. Você aí, morarão
logo ali. E você também, ajude-os com as tendas.”

Os Ogros saíram acompanhados dos Goblins.

“Montar barracas fora do vilarejo pode causar todos os tipos de problemas futuros; nós
precisamos fazer um lugar para eles morarem no vilarejo. Mesmo assim, precisamos
treiná-los para não atacar os aldeões primeiro.”

“Preciso sair para conversar com muitas pessoas para fazê-las aceitar.”

“Sim. Embora, eu acho que vai ficar bem se você fizer isso, Enri. E amanhã...”

De acordo com o plano, Enri e Nfirea partiriam para E-Rantel, com vários Goblins como
guardas.

“Eu sinto muito. Eu ainda preciso ajudar a tratar os sobreviventes da tribo de Agu, então
eu não posso ir.”

Afinal, eles viveriam no mesmo vilarejo que Ogros que queriam comê-los. O trauma
mental tinha que ser tratado junto com suas feridas físicas, e a personalidade de Lizzie
só os assustaria, causando o efeito oposto. No final, não havia ninguém melhor para isso
do que Nfirea.

“Ehhh? Eu me sinto um pouco desconfortável com isso...”

Enri não tinha nenhuma experiência em visitar uma cidade grande como E-Rantel, então,
do seu ponto de vista, o fardo parecia bastante pesado.

“Então, que tal conseguir que o chefe do vilarejo vá com você?”

“Eu acho que isso poderia ser difícil...”

O chefe do vilarejo precisa manter a ordem aqui, fazer reparos e ficar de olho nos novos
moradores. Seria muito difícil para ele viajar muito longe.

“...Que tal a esposa do chefe?”

“Mm. Bem, francamente falando, não há mão de obra o suficiente aqui. Costumava ser
assim antes e agora é ainda pior.”

O Vilarejo Carne tinha uma população muito pequena. Como resultado, quando seus nú-
meros diminuíram, sua capacidade de fazer qualquer coisa diminuiu também. Foi por
isso que os aldeões haviam reprimido sua oposição e aceitaram convidar mais morado-
res para ficar com eles.
“Quando eu for a E-Rantel, precisarei ir aos templos e ver se há alguém que queira se
mudar para cá... Realmente, isso é demais para uma garota do vilarejo fazer...”

“Vai fazer seu melhor, chefe.”

Enri fez beicinho ao ouvir as palavras de Jugem. Parte dela estava pensando: “Você sabe
me irritar”. Afinal, eles eram uma das razões pelas quais Enri estava tão ocupada.

“Eu realmente queria ir junto...”

Nfirea resmungou em tom deprimido e depois cobriu-o com uma onda de desesperada
agitação.

“Va-vai ficar bem, eu vou cuidar da Nemu-chan. Então você pode ir sem preocupações.”

“...Tudo bem, eu entendo, eu sou a única no mundo que tem que passar por isso? Um
momento as pessoas me santificam, no outro eu tenho que ir a algum lugar que eu nunca
estive antes e fazer coisas que eu nunca fiz antes...”

“Não seja tão pessimista, Enri. Tem que haver alguém por aí que possa acompanhar
você.”

Jugem e Nfirea riram baixinho quando viram seus ombros caírem em fadiga. Agu assis-
tiu a distância, murmurando para si mesmo.

“Então ela realmente assumiu o controle dos Goblins à força... a Chefe do Vilarejo Carne,
Enri-anesan...”

Parte 3

Como o nome indicava, a fortaleza de E-Rantel era cercada por três anéis concêntricos
de muralhas fortificadas. Dos portões colocados naquelas muralhas, aqueles nas mura-
lhas mais externas eram os mais espessos e sólidos, irradiavam um ar de força e peso.

Era uma visão comum ver viajantes na rua olhando boquiabertos para os portões da
cidade que se dizia que seria capaz de repelir qualquer invasão feita pelo Império. E as
pessoas nas ruas certamente haviam feito expressões semelhantes no passado.

Além disso, esses portões eram postos de inspeção alfandegária, chefiados por vários
soldados que estavam relaxando na sombra.

Embora algumas pessoas pudessem ter perguntado se estava tudo bem para os solda-
dos de uma cidade próxima à linha de frente estarem tão relaxados, a verdade era que as
tropas nos postos de inspeção estavam lá para avaliar os viajantes. O trabalho deles era
descobrir contrabando e espiões de outros países, então eles não tinham nada para fazer
quando não detectavam ninguém estranho entrando na cidade.

Como resultado, os soldados atualmente inativos — embora mantivessem a disciplina


em vez de passar o tempo jogando cartas — não conseguiram resistir à vontade de bo-
cejar.

Embora parecessem frouxos no momento, quando estavam ocupados, eles realmente


ficavam muito ocupados. Em particular, a enorme quantidade de trabalho que tinham
que fazer de manhã, logo após a abertura dos portões, praticamente desafiava a capaci-
dade de descrição detalhada.

Com o sol no ponto mais alto do céu, os viajantes começaram a aparecer nas ruas em
pequenos grupos, dispersos esparsamente entre os outros pedestres. Era natural que as
pessoas viajassem em números, dado que este era um mundo habitado por monstros.

Quando eles aparecem, eles aparecem em força; vamos estar ocupados em breve...

Pensou o guarda que estava contemplando ociosamente as ruas de sua janela. Seus
olhos descansaram em uma carroça prestes a entrar na rua, esperando que alguns pe-
destres passassem.

Uma mulher sentava-se no banco do condutor. Não viu mais ninguém na carroça desco-
berta. Ela estava viajando sozinha.

Ela estava desarmada e sem armadura. A partir disso, o guarda concluiu que—

Ela é apenas uma garota de algum vilarejo.

—Enquanto pensava nisso, o soldado inclinou a cabeça, enquanto pensava em alguma


outra possibilidade em segundo plano.

As pessoas dos vilarejos vizinhos dificilmente eram uma visão rara aqui. No entanto,
uma mulher viajando sozinha era completamente diferente. Mesmo a área ao redor de
E-Rantel não estava completamente livre de bandidos e monstros. Graças aos esforços
da lendária equipe de aventureiros “Escuridão”, a maioria dos monstros e bandidos pe-
rigosos foram eliminados. Mas “a maioria” não significava “todos”, e ainda havia feras
mundanas como lobos e coisas do tipo que se deve procurar.

Essa situação não era exclusiva de E-Rantel; Aplicava-se a todas as outras cidades tam-
bém. E pensando nisso, as meninas poderiam viajar sozinhas?

Talvez ela tivesse fugido de um encontro de bandidos, mas ele não sentia qualquer ten-
são ou nervosismo dela. Ela parecia estar à vontade, como se soubesse que sua jornada
seria segura.
Que tipo de garota ela é?

O soldado desviou seu olhar agora desconfiado para seu cavalo, e foi quando sua confu-
são se aprofundou.

O cavalo era excepcional, não algo que uma mera garota de algum vilarejo teria. Sua
saúde e casco lembraram um cavalo de batalha.

Cavalos de guerra eram extremamente valiosos. Mesmo se alguém pudesse realmente


juntar dinheiro para comprar um, uma pessoa normal não seria capaz de adquirir um
facilmente. Deixando de lado montarias monstruosas como Wyverns e Grifos, cavalos de
guerra eram o pináculo dos corcéis.

Uma pessoa normal precisaria de dinheiro e conexões para obter tal cavalo de guerra, e
uma simples aldeã não teria nada disso.

Também era possível que ela tivesse roubado o cavalo de seu dono original, mas qual-
quer um que roubasse um item tão valioso seria perseguido e alvo de punição. Foi por
isso que bandidos não ousariam atacar pessoas montadas em cavalos de guerra.

Em suma, depois de considerar todas as evidências visíveis, as chances de que ela real-
mente fosse uma simples aldeã se tornaram muito baixas. Então, quem era essa pessoa
posando como uma garota simples de alguém vilarejo?

O fato de que ela estava viajando sozinha insinuou sua verdadeira identidade. Em outras
palavras, ela estava muito confiante em suas habilidades, e essas habilidades não foram
limitadas pelo fato de que ela escolheu se vestir como uma menina simples — por seu
equipamento, ou a falta dele. Com isso em mente, era provável que ela fosse uma magic
caster, já que seu equipamento e poder raramente correspondiam à sua aparência.

Essa foi uma resposta que ele poderia aceitar. Se pressionado pela razão, era porque os
magic casters, ou os aventureiros em geral, eram ricos e conectados, então a obtenção de
um cavalo de guerra seria fácil.

“Ela é uma magic caster?”

Seu parceiro ao lado dele passara pelo mesmo processo de pensamento.

“Pode ser...”

O soldado franziu a testa respondendo.

Magic caster eram pessoas muito irritantes para inspecionar.


Para começar, sua arma primária, magia, era uma coisa interna que era invisível a olho
nu. Em outras palavras, os guardas não podiam dizer em quais armas que um magic cas-
ter estava escondendo.

Em segundo lugar, eles poderiam contrabandear itens perigosos com sua magia e des-
cobrir isso é difícil.

Em terceiro lugar, eles geralmente tinham muita bagagem com itens estranhos, então
checá-los um por um era problemático.

Honestamente falando, ele odiava lidar com eles. Por causa disso, eles tinham um ho-
mem emprestado da Guilda dos Magistas — depois de pagar uma taxa adequada, é claro
— para ajudá-los. Contudo...

“Nós temos mesmo que revistar essa menina? Eu não quero.”

“Não podemos evitar. Se nós não a checarmos e qualquer coisa acontecer, será proble-
mático.”

“Seria bom se ela tivesse vestida como uma magic caster.”

“Carregando um cajado estranho, vestindo um manto estranho?”

“Sim. Pelo menos você saberia que alguém era um magic caster. Ou isso, ou forçamos
todos na Guilda dos Magistas a levarem uma prova de indicando que ela faz parte, como
aventureiros...”

Os dois soldados se levantaram como um, rindo um para o outro. Isso era para receber
a garota que poderia ser uma magic caster.

Sob o olhar atento dos soldados, a carroça foi guiada até a porta e parou.

A moça desembarcou. Sua testa estava escorregadia de suor, mas parecia acostumada a
viajar sob o sol. Suas mangas e calças eram longas para afastar as queimaduras solares.
Suas roupas não pareciam caras ou bem costuradas. Não importa como você olhasse para
ela, ela era uma simples garota de algum vilarejo.

No entanto, não se pode julgar um livro pela capa. Ela poderia estar escondendo alguma
coisa. O trabalho deles era descobrir o que era.

Os soldados se aproximaram cuidadosamente da garota.

“Gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas. Você poderia vir conosco para o posto de
inspeção?”
Eles falaram com expressões e tons suaves. Eles estavam tentando enviar a mensagem
de que não estavam preocupados com ela, então ela poderia baixar sua guarda.

“Claro, eu não me importo.”

Os soldados escoltaram a garota até o posto de controle.

A fim de proteger contra o uso de magias e outras formas de manipulação mental, mais
dois soldados seguiram a uma distância de vários metros. Os outros a observavam com
cuidado, desconfiados de quaisquer movimentos suspeitos.

A garota inclinou a cabeça várias vezes, como se sentisse a tensão no ar.

“...O que está errado?”

“Eh? Ah, não, nada está errado.”

Alguém que pudesse notar as pequenas mudanças no ar não poderia ser uma pessoa
comum. Os guardas a trouxeram para posto de inspeção com isso em mente.

“Então, você poderia se sentar lá?”

“Sim.”

A moça estava sentada em uma das cadeiras da pequena fortaleza.

“Vamos começar com seu nome e local de nascimento.”

“Sim. Meu nome é Enri Emmot. Eu venho do Vilarejo Carne, perto da Grande Floresta de
Tob.”

Os soldados trocaram olhares e um deles saiu da fortificação. Ele ia verificar o registro


para quaisquer registros correspondentes.

Para administrar seus moradores, o Reino mantinha gravações deles na forma de regis-
tros. Dito isto, os registros eram assuntos grosseiros, e os detalhes relevantes de nasci-
mento e morte eram atualizados muito lentamente, isso quando eram. Alguém havia es-
timado uma vez que havia dezenas de milhares de erros neles. Como resultado, confiar
demais nos registros seria uma má idéia, mas mesmo assim, eles tinham seus usos.

Esse registro estava confuso, mas tinha muitas entradas, então a pesquisa demoraria
muito tempo. Os soldados entenderam isso e decidiram tentar cuidar de outra coisa en-
quanto isso.

“Então, no lugar do pedágio, eu poderia ver sua permissão?”


Normalmente, todos que entravam em uma cidade tinham que pagar um pedágio —
algo como um imposto ambulante. No entanto, cobrar dos residentes esse dinheiro cau-
saria a paralisação do comércio e, como resultado, todos os vilarejos recebiam licenças
de viagem com as quais podiam entrar na cidade gratuitamente. Naturalmente, como ha-
via nobres diferentes em cada região, também havia regras diferentes para cada região.

“Hmmm, deixe-me ver... aqui está.”

O soldado impediu Enri colocar a mão através de sua bolsa.

“Ah, faremos isso. Você poderia nos dar sua bolsa por um momento?”

Enri entregou sem protestar. Os soldados procuraram cuidadosamente o interior e en-


contraram um pergaminho.

Eles desenrolaram na mesa para que todos pudessem ver. Embora a taxa de alfabetiza-
ção entre os cidadãos do Reino fosse muito baixa, era um dado que todos os soldados
estacionados em um posto de controle pudessem ler e escrever. Ou melhor, eles estavam
aqui precisamente porque eram alfabetizados.

“Entendo. Bem, parece tudo bem. Esta é definitivamente a permissão emitida para o Vi-
larejo Carne. Confirmado.”

O soldado enrolou o pergaminho de volta e o devolveu ao saco.

“A seguir, diga a razão pela qual você veio para E-Rantel.”

“Sim. Em primeiro lugar, estou aqui para vender as ervas medicinais que colhemos.”

Os soldados olhavam para o lado de fora da carroça, cujas urnas estavam sendo revista-
das no momento.

“Você poderia nos dizer os nomes e as quantidades de ervas que você está vendendo?”

“Quatro urnas de Nyukuri, quatro urnas de Ajina e seis urnas de Enkaishi.”

“Seis urnas de Enkaishi?”

“Está certo.”

Um olhar de orgulho se espalhou pelo rosto de Enri. O soldado entendeu o porquê.

Afinal de contas, ao ocupar um posto de controle, um deles acabou adquirindo um co-


nhecimento prático de ervas medicinais.
Enkaishi era uma erva que só podia ser colhida durante um curto período de tempo,
mas era um ingrediente importante nas poções de cura. A demanda era muito alta e, por-
tanto, o preço era bom. Se ela tivesse seis urnas como ela disse, isso significava que ela
teria muito dinheiro quando as vendesse.

“Então, onde você planeja vendê-los?”

“Eu estava planejando vendê-los na antiga residência de Madame Bareare.”

“Bareare? Você quer dizer a herborista, Lizzie Bareare?”

Embora ela não morasse mais lá, Lizzie tinha sido a pessoa mais importante nos negó-
cios farmacêuticos de E-Rantel até recentemente. Se ela tinha um relacionamento comer-
cial com os Bareares, isso significava que Lizzie confiava muito nela.

Então, não há necessidade de se aprofundar, os soldados pensaram.

A verdade é que, embora o trabalho deles fosse impedir que coisas perigosas entrassem
na cidade, investigar essas coisas assim que entraram na cidade não era mais problema
deles.

O soldado assentiu com um grunhido, depois olharam para o rosto de Enri.

Ela falara normalmente até agora, e eles não sentiam que ela estava mentindo.

Uma vez que a inspeção de carga estivesse completa, seu trabalho terminaria.

Nesse momento, o soldado que acabara de voltar assentiu com a cabeça.

Isso quer dizer que uma garota chamada Enri foi gravada no registro.

No entanto, esse registro simplesmente dizia que havia uma garota chamada Enri nas-
cida no Vilarejo Carne. Sem qualquer garantia de que a pessoa à sua frente fosse a verda-
deira Enri, e também não havia provas do tipo de vida que Enri levara. Talvez durante
suas viagens, ela tivesse adquirido alguma magia poderosa, ou ela tivesse morrido em
sua jornada e alguma criminosa estivesse usando seu nome.

Por causa disso, eles precisaram realizar uma verificação final.

“Entendido. Então, chame ele aqui.”

O soldado assentiu e saiu da fortificação.

“Por fim, vamos examinar seu corpo. Tudo bem?”

“Eh?”
Uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Enri. O soldado se apressou para emba-
sar suas palavras.

“Oh, não é porque houve outros problemas. Me desculpe, mas estas são as regras. E nós
não faremos nada de estranho para você, então não se preocupe.”

“...Se é assim, então eu entendo.”

Vendo que Enri estava bem com isso, o soldado suspirou de alívio. Ele não queria ser o
único a irritar uma possível magic caster.

O soldado que saiu retornou mais uma vez, desta vez com um homem atrás dele.

Este homem era um magic caster.

Seu nariz se projetava como o bico de uma águia, enquanto seu rosto magro era amare-
lado e pálido. Seu corpo estava envolto em um manto negro que parecia muito quente.
Seu suor escorria livremente e suas mãos parecidas com garras apertavam com força seu
cajado retorcido.

Pessoalmente, o soldado sentiu que deveria ter tirado o manto se estivesse tão quente,
mas o magic caster gostava desse estilo, e teimosamente se recusou a trocar de roupa.
Talvez fosse por isso que a temperatura da sala parecia subir alguns graus quando o ma-
gic caster entrou.

“Então, é essa garota?”

O magic caster falou com calma para o soldado que escoltava, como o de costume.

Embora parecesse ser um homem na casa dos 20 anos, sua voz extremamente rouca
tornava impossível determinar quantos anos ele tinha apenas pelo som. Será que sua
aparência era anormalmente jovem ou sua voz que estava anormalmente rouca?

“Ah...”

Enri virou um olhar surpreso para o magic caster que havia substituído o soldado. Em
seu coração, o soldado pensou que sua surpresa não poderia ser evitada. Afinal, ele tam-
bém ficara assustado na primeira vez que viu o homem.

“Este é um magic caster da Guilda dos Magistas. Ele vai fazer uma simples verificação,
então, por favor, espere.”

O soldado gesticulou para que Enri permanecesse sentada e depois acenou para o magic
caster.
“Pode dar conta disso?”

“Claro.”

O magic caster deu um passo em direção a Enri e então lançou sua magia.

“「Detect Magic」.”

Depois disso, o magic caster apertou os olhos. Ele parecia uma fera avaliando sua presa.
No entanto, Enri permaneceu calma apesar de estar sujeita a um olhar que chacoalhava
até mesmo os soldados, que estavam acostumados a esse tipo de coisa.

Como eles passaram por isso antes, todos os soldados poderiam pensar que não era de
admirar.

Alguém que pudesse permanecer calma sob um olhar tão poderoso não poderia ser uma
simples garota de algum vilarejo. No mínimo, ela deve ter tido experiência em lutas de
vida ou morte contra monstros ou pessoas que queriam tirar sua vida. A visão diante
deles só cimentou a impressão no coração dos soldados.

“Você não pode enganar meus olhos. Você está escondendo um item mágico. Está na sua
cintura.”

Enri ouviu e olhou para a cintura, surpresa.

Os soldados imediatamente entraram em alerta. Eles entendiam armas como espadas,


mas seu conhecimento não cobria itens mágicos.

“Você quis dizer isso?”

Enri retirou uma pequena trombeta debaixo de suas roupas, pequena o suficiente para
caber nas duas mãos. Os soldados podem não ter entendido o seu significado, mesmo que
tivessem visto.

“...Isso é um item mágico?”

“Está certo. Você foi enganado por sua aparência. Essa coisa é imbuída de magia pode-
rosa.”

Os soldados ficaram sem palavras. Se este era um item que o magic caster considerava
poderoso, então quão poderoso era?

Quando começaram a pensar que a garota estava completamente vestida por um motivo,
sentiram como se uma lâmina estivesse pungindo seus peitos.

“Ah, isso é—”


“Não precisa falar. Minha magia vai ver através disso.”

Para calar Enri, ele lançou outra magia.

“「Appraisal Magic Item」— uoooooooh!”

O rosto do magic caster passou por várias expressões em poucos segundos. Inicialmente
foi choque, depois medo, depois terror e depois — confusão.

“O que, o que é isso? Mesmo a palavra poderosa não faz justiça... Impossível! Mas que
coisa é esta?!”

O rosto do magic caster estava vermelho, e manchas de saliva voaram dos lados de sua
boca.

“Quem diabos é você! Não tente me enganar!”

A súbita mudança de atitude do magic caster pegou os soldados de surpresa, e Enri não
foi exceção quando seus olhos se arregalaram.

“Ninguém, eu sou apenas uma pessoa normal! Uma simples garota do Vilarejo Carne! É
sério!”

“Uma garota do vilarejo? Você, por que, você está mentindo? Então, como você poderia
ter obtido um item mágico como este? Se você realmente é uma simples garota do vila-
rejo, como você poderia ter conseguido algo assim?!”

“Eh? Isto, isto é um presente daquele que salvou a meu vilarejo, Ainz Ooal Gown-sama—”

“Mais mentiras! Um sacerdote da Teocracia deve ter dado a você!”

“Eh? Por que isso é ligado à Teocracia?”

“Todos! Entre aqui! Há algo muito errado sobre essa garota!”

Embora os soldados não entendessem o que estava acontecendo, até hoje, eles nunca
tinham visto o magic caster reagir assim antes. Então, se isso fosse uma emergência, eles
deveriam largar o que quer que estivessem fazendo e responder à convocação.

“Entrem! Rápido!”

Em resposta aos gritos do soldado, vários de seus camaradas interromperam as inspe-


ções de carga e entraram na sala.
“Você disse que alguém te deu esse item? Absurdo! Como você conseguiu isso? Você não
pode ser uma mera garota de algum vilarejo!”

“É a verdade, foi o Gown-sama que me deu! Por favor, você tem que acreditar em mim!!”

Os soldados olharam entre os dois. O magic caster era um colega deles, eles o haviam
contratado, e queriam acreditar nele. No entanto, dada a reação nervosa de Enri à repen-
tina mudança na situação, eles não puderam deixar de pensar que ela era uma garota
normal.

“Por, por que essa reação? Me diga por que você acha que ela é suspeita?!”

“Hnh! Para começar, esta trombeta pode convocar um grupo de Goblins — embora eu
não tenha certeza de quantos ela possa chamar, mas esse item pode fazer uma coisa des-
sas.”

Os soldados franziram a testa. Seria problemático se algo assim fosse usado nas ruas.
No entanto, isso era realmente um problema? Certas pessoas, como aventureiros, possu-
íam uma infinidade de itens mágicos. Não seria estranho que eles possuíssem um item
como esse entre suas panóplias.

“E o chamado testemunho dessa garota está repleto de inconsistências. Esse item vale
dezenas de milhares de moedas de ouro; por que alguém apenas daria a uma mera aldeã?”

“Dezenas de milhares?!”

“Dezenas de milhares?!”

Essa soma inacreditável atraiu gritos de descrença dos soldados e da própria Enri.

Dezenas de milhares de moedas de ouro eram uma soma que nenhuma pessoa normal
poderia ganhar em toda a sua vida. Era difícil acreditar que uma trombeta tão simples
pudesse valer tanto.

“Está certo. Ninguém entregaria tal item sem uma boa razão, muito menos para uma
garota mundana! Eu poderia até acreditar se ela fosse uma aventureira de primeira
classe ou uma magic caster. Mas ela diz que é apenas uma garota do vilarejo! É muito
suspeito!”

Isso os soldados entenderam. Pessoas excepcionais tenderiam a reunir itens excepcio-


nais para si mesmos. No passado, ambos os grandes homens de boas e más convicções
eram conhecidos pela aquisição de equipamentos poderosos. Era o destino deles e isso
era inevitável.

“Mas é sério, sou apenas uma simples garota do vilarejo...”


“Além disso, eu nunca ouvi falar de nenhum Ainz Ooal Gown. Pelo menos, ele não faz
parte da nossa Guilda, nem eu nunca ouvi falar de um aventureiro com esse nome.”

“O Capitão Guerreiro conhece o Gown-sama!”

“O Capitão Guerreiro do Reino, Gazef Stronoff-dono? ...Você deve estar dizendo boba-
gens. Como uma simples aldeã saberia dessas coisas?”

“Porque ele foi ao resgate do nosso vilarejo também! É verdade! Vá perguntar a ele e
você saberá!”

Seria impossível se comunicar com o Capitão Guerreiro, que residia na Capital Real, de
E-Rantel. Mais ao ponto, se ela realmente fosse uma simples garota do vilarejo, era im-
provável que ela permanecesse na memória do Capitão Guerreiro, então provar sua iden-
tidade seria difícil.

“Então, o que vamos fazer?”

“Detenha-a por enquanto, então investigue-a mais. Como ela não escondeu a trombeta
e estava planejando levá-lo à cidade abertamente, ela pode não ser uma espiã ou uma
terrorista, mas isso não é garantia.”

Enri olhou nos arredores em pânico.

Ela parecia uma garota normal de algum vilarejo vizinho. Se isso foi uma atuação, então
com certeza ela era uma atriz muito boa.

De repente, um dos soldados que observava o perímetro exclamou surpreso. No mesmo


momento, uma voz familiar soou.

“Queremos entrar na cidade, mas... o que está acontecendo?”

Quando se viraram para a voz, viram um homem vestindo uma armadura completa de
chapas pretas.

“Uooooh!”

Os soldados e o magic caster exclamaram em surpresa. Todos em E-Rantel conheciam o


homem que usava aquela armadura. A placa de adamantite, que balançava sobre o peito,
era a prova conclusiva de sua identidade. Ele era uma lenda viva, um homem que tornou
o impossível possível, o guerreiro supremo.

Ele era Momon, O Negro.

“O senhor é! Momon-sama! Minhas sinceras desculpas!”


“Tudo bem, o que está acontecendo aqui... hm? Aquela garota é...”

“Sim! Nós estávamos investigando uma garota suspeita, que levou algum tempo. Nós
sinceramente pedimos desculpas por incomodá-lo, Momon-sama—”

“—Enri, é isso? Enri Emmot?”

O ar na sala pareceu congelar. Por que um aventureiro lendário saberia o nome de uma
garota mundana?

“Er, ah, você é... er, não, eu sou. Ah, o senhor foi quem veio com o Nfirea naquele dia, né?
Não me lembro de falar com o senhor...”

Momon colocou a mão no queixo, como se estivesse pensando. Depois, ele gesticulou
para o magic caster e eles saíram da fortificação. Embora os soldados quisessem seguir,
eles não poderiam deixar Enri sozinha.

Eventualmente, o magic caster voltou sozinho para a sala, tendo se acalmado.

“Deixe-a ir. Aquele grande homem, Momon, O Negro, atesta-a com seu status de aventu-
reiro adamantite. Nesse caso, pense que não faz sentido mantê-la aqui. O que você acha?”

“Essa é uma decisão óbvia... mas, realmente está tudo bem?”

“É realmente certo duvidar dele, de todas as pessoas?”

“Cl-claro que não! Entendi. Nós vamos conceder a passagem a ela. Enri Emmot do Vila-
rejo Carne, você está autorizada a entrar na cidade. Você pode ir.”

“Ah sim. Muito obrigada.”

Depois de se curvar rapidamente para eles, Enri saiu da fortificação. Quando as costas
dela recuaram para a distância, o soldado virou-se para o magic caster.

“E quanto ao Momon-sama?”

“Ele foi o primeiro a sair.”

“Então... que conexão teria esse herói com aquela garota?”

“Como se eu soubesse... Momon-dono contou-me o que eu lhe disse, ele atestou e pediu
que a deixássemos ir.”

“Então, outra pergunta. Aquela garota, Emmot. Você realmente acha que ela é apenas
uma garota do vilarejo?”
“Certamente não. Não há como ela ser uma simples garota de algum vilarejo, caso con-
trário, por que um grande herói como ele a ajudaria? E não foi uma coincidência que ela
estava carregando esse item... Poderia ter algo a ver com a Teocracia?”

“Aquele Ainz Algumacoisa. Se ele é da Teocracia, não devemos deixar um aviso?”

“Francamente falando, eu não sei. Afinal, Momon-dono já garantiu a autenticidade ela.


Se deixarmos as pessoas no topo saberem que alguém que ele atestou é perigoso... bem,
você estaria apenas fazendo seu trabalho, mas você realmente quer perturbar o Momon-
dono?”

O rosto do soldado se torceu.

As façanhas heroicas de Momon nos cemitérios de E-Rantel eram um tema de conversa


comum quando os soldados se reuniram.

A saga de como ele abriu caminho através de uma horda de dezenas de milhares de
undeads, colocou os corações de todos que o ouviram em chamas. Além disso, pode-se
ver claramente a sua postura heroica e ações até a distância. Ele havia subjugado uma
poderosa criatura mágica com seu incrível poder, e seu majestoso estilo de cavalgar dei-
xava os soldados loucos por ele.

Assim como as mulheres eram atraídas por homens fortes, muitos guerreiros admira-
vam Momon, o Herói Negro, e podia-se dizer que a maioria das forças armadas de E-
Rantel eram seus fãs.

Este soldado era um deles.

Como um fã de Momon, apenas ser acariciado no ombro por seu ídolo foi o suficiente
para ele se vangloriar sobre isso para todos que ele conheceu. Como tal, ele não tinha
intenção de perturbar o homem que ele adorava.

“É uma possibilidade. Bem, já que o Momon-sama atestou ela, eu acho que vai ficar tudo
bem.”

“Eu também acho. Se tratarmos mal um amigo de Momon-dono, não acho que vai dar
certo. Eu acho que tudo o que podemos fazer é evitar cutucar onça com vara curta. De
qualquer forma, me avise se mais alguma coisa acontecer.”

“Certo. Então, vou voltar para o meu trabalho.”

♦♦♦

Enri conduziu a carroça de ré para o portão dos portões da cidade de E-Rantel, pergun-
tando-se o que acabara de acontecer. Parece que o homem da armadura de azeviche —
ela lembrou que ele era um dos aventureiros que vieram para o Vilarejo Carne com Nfirea
para colher ervas — a ajudou a sair de uma situação cabeluda.

Por direito, ela deveria ter ido imediatamente agradecer-lhe, mas infelizmente ela o per-
deu de vista assim que entrou na cidade.

Se eu lhe agradecer na próxima vez que nos encontrarmos... ele vai me perdoar?

Embora estivesse pensando que deveria imediatamente começar a procurá-lo quando


tivesse tempo, havia razões pelas quais não podia. Essas razões atualmente a incomoda-
vam. A única coisa que deixava seu coração à vontade era sentir algo através da barreira
de suas roupas.
[Trombeta d o General G o b l i n ]
—O Horns of the Goblin General.

Isto... vale dezenas de milhares de moedas de ouro? Nem pensar. Por favor, me diga que
não é verdade...

De repente, ela começou a suar frio. Ela não esperava que as trombetas que recebera
tão casualmente fossem tão valiosos. Não, Nfirea tinha dito que era um item mágico de
alta qualidade... mas a quantia estava além de sua imaginação.

Está tudo eu usar um item assim? Vai ficar tudo bem?

Se lhe pedissem para devolver o outro que já usara, o que deveria fazer?

Eu precisaria de milhares de urnas de ervas... talvez eu não consiga pagar por isso em uma
vida inteira escolhendo ervas...

Além disso, ela tinha outro item no valor de milhares de moedas de ouro.

É o Gown-sama um homem que pode distribuir tais itens tão facilmente?! Ou talvez, ele
não soubesse o seu valor... não é possível, não tem como alguém como ele não saber... mas,
se ele não soubesse...

O estômago de Enri resmungou e doeu.

Ela olhou ao redor com suspeita. Não havia muitas pessoas por perto, mas ainda era
várias vezes mais do que no Vilarejo Carne. Pensamentos desagradáveis como se alguém
planejasse roubar essa trombeta surgiram em sua mente.

Se eu não tivesse trazido isso. Há muito crime aqui, né? E se essa trombeta for roubada...
Espere... se a trombeta for soprada e os Goblins aparecessem para causar problemas, isso
não me tornaria uma criminosa?
Assim que o suor frio se acumulava ao redor de Enri, uma pessoa desceu sobre o assento
ao lado do dela. A maneira como ela pousou como uma pluma, desafiando a gravidade
deve ter sido mágica.

Quem—

Quando a surpresa de ver a recém-chegada se desvanecer, uma surpresa ainda maior a


aguardava.

Ela era uma beldade de cabelos negros cujo rosto poderia lançar mil navios ao mar. Foi
ela quem veio com o aventureiro de armadura negra até o seu vilarejo. Seus olhos gelados
pareciam ônix quando encararam para Enri.

“Criatura inferior *Mosca-de-cavalo*. Momon-san queria que eu fizesse algumas per-


guntas...”

“Tão linda...”

“Bajulação não vai adia—”

“Tão bonita quanto a Lupusregina...”

Ao ver a consternação nos olhos que a olhavam, Enri imediatamente se arrependeu das
coisas estúpidas que havia dito. Ela provavelmente nem sabia sobre Lupusregina. No en-
tanto, não havia mais ninguém que pudesse se aproximar da bela aventureira diante de
seus olhos.

O que devo fazer, eu a aborreci... bem, isso está claro, mas...

“A-ah, Lupusregina é uma pessoa muito bonita que vive no meu vilarejo—”

“—Obrigada.”

“Eh?!”

Seus olhos eram firmes, e também sua voz, e até suas sobrancelhas estavam tensas. Mas
os agradecimentos que ela deu eram genuínos.

“...Haaaah. Momon-sa—n tem algumas coisas para lhe perguntar, e é por isso que vim.
Me responda. Por que você está aqui?”

Enri não tinha obrigação de responder. No entanto, esta era a parceira de alguém que a
ajudou. Se ele queria saber, ela deveria responder.

“Ah, bem, antes disso, posso pedir um favor seu? Momon-san me ajudou mais cedo e sou
muito, muito grata. Por favor, diga a ele isso.”
“Eu o farei. Então, por que você está aqui?”

“Ah, sim, eu estou aqui, porque há muitas coisas que precisam ser feitas, por exemplo,
vender as ervas.”

A mulher gesticulou com o queixo, indicando que Enri deveria continuar falando.

“Então, vou ao templo para ver se há alguém que queira se mudar para nosso vilarejo e
viver lá. E então eu preciso ir para a Guilda dos Aventureiros para falar sobre algumas
coisas. E eu preciso comprar algumas coisas que não podemos conseguir no vilarejo,
como armas. Algo parecido...”

“Certo. Eu entendi o que você disse. Eu vou retransmitir para o Momon-san.”

Com movimentos etéreos e graciosos que pareciam independentes da gravidade, a mu-


lher desceu da carroça e saiu sem olhar para trás.

A impressão de Enri sobre ela foi a de um furacão congelado que destruía as pessoas.

“Ela é uma mulher incrível... ela parece dezenas de vezes mais poderosa que a Britta-
san...”

Não havia meninas no vilarejo como ela. Teria ela se tornado uma aventureira porque
sua personalidade era assim, ou se ser uma aventureira tornava sua personalidade as-
sim? De repente, ela não se sentiu muito interessada em visitar a Guilda dos Aventureiros.

“Ahhhh, oh não!”

Nabe era uma aventureira poderosa, mas Enri só notou depois que ela desapareceu.
Além disso, ela era a parceira do homem que subjugou o Sábio Rei da Floresta. Ela pode-
ria ter contado a Enri sobre o que estava acontecendo na floresta.

“O Gigante do Leste e a Serpente Demônio do Oeste, e qual é a do Monumento da Ruína...


se eu tivesse perguntado a ela sobre isso. Ah, sou tão idiota, por que não pensei nisso
antes?”

Enri conduziu sua carroça por um portão enquanto repreendia a si mesma por seu des-
cuido.

♦♦♦

E-Rantel poderia ser dividido em três zonas, separadas pelos muros da cidade. A zona
intermediária era onde as pessoas viviam.

Também era onde a Guilda dos Aventureiros poderia ser encontrada.


Idealmente, teria sido mais seguro vender as ervas na Guilda dos Farmacêuticos. No en-
tanto, isso teria envolvido muita papelada problemática, então ela escolheu ir para a Gui-
lda dos Aventureiros em vez de usá-los como intermediários. Ela considerou utilizar a
ajuda de Lizzie para isso, mas Enri decidiu que usar o nome da avó de seu melhor amigo
seria muito desavergonhado, e reconsiderou.

Depois de levar em consideração os desejos de Enri, Nfirea sugeriu ir à Guilda dos Aven-
tureiros.

Se Nfirea tivesse vindo pessoalmente, eles não precisariam usar a Guilda, ele teria ven-
dido tudo diretamente. No entanto, Enri não estava confiante em lidar com os negocia-
dores da Guilda dos Farmacêuticos, então ela decidiu não ficar com raiva da taxa de ser-
viço e usar a Guilda dos Aventureiros como um intermediário.

Enri seguiu pela estrada que Nfirea e Britta haviam lhe contado.

Embora ela estivesse viajando com os Goblins no caminho para a cidade, eles decidiram
esperar do lado de fora da cidade para Enri terminar seu negócio sem maiores problemas.
Ela percebeu que era a primeira vez que estava sozinha desde que saíra do vilarejo, e
suas mãos agarraram as rédeas ainda mais fortemente.

A tensão endureceu os ombros de Enri. Finalmente, incapaz de aguentar mais, ela olhou
em volta em todas as direções e seu destino estava na frente dela.

“Eu consegui!”

Enri guincha de alegria. Agora que ela tinha chegado até aqui, provavelmente não se
perderia.

Ela entregou as rédeas de sua carroça para a sentinela parada na porta da Guilda dos
Aventureiros e abriu a porta.

No interior, guerreiros com armadura completa, caçadores com arcos nas costas e magic
casters arcanos e divinos, andavam por ali. Alguns estavam entusiasticamente trocando
informações sobre os monstros próximos, outros estavam olhando atentamente para os
pergaminhos no quadro de avisos próximo, e alguns estavam tendo uma noção do equi-
pamento recém-comprado.

O lugar estava cheio de calor e atividade que deixou Enri instável em seus pés, um
mundo de escrutínio e tensão implacáveis. Este era o mundo dos aventureiros.

A boca de Enri se abriu quando ela viu uma visão que nunca veria em seu vilarejo, então
apressadamente fechou de volta.
Era verdade que ela vinha de uma terra esquecida, e não era vergonhoso que ela se as-
sustasse com o clima da cidade grande. Ainda assim, uma garota de sua idade olhando
estupidamente com a boca aberta seria apenas algo embaraçoso.

Enri entrou, suas costas estavam eretas, verificando conscientemente seus movimentos,
de modo que não movesse os braços e as pernas na ordem errada ou qualquer coisa que
provocasse risos. No entanto, Enri começou a ter suas dúvidas sobre se estava tudo bem
para uma garota do vilarejo, obviamente fora do lugar, estar passeando com ousadia en-
tre esses aventureiros musculosos.

No balcão, ela foi recebida pelo sorriso da recepcionista.

“Bem-vinda.”

“S-Sim, eu me sinto bem-vinda.”

Enri trocou olhares com a recepcionista. Depois disso, as duas sorriram amargamente.
Enri sentiu os ombros relaxarem, pelo que poderia ter sido a primeira vez desde que
chegou a E-Rantel.

“Então, posso perguntar qual negócio você tem com a Guilda dos Aventureiros?”

“Mm. Ah, em primeiro lugar, gostaria de pedir ajuda com a venda de ervas.”

“Entendido. Onde estão as ervas agora?”

Enri disse-lhe que estavam na carroça do lado de fora e a recepcionista se virou para
falar com uma mulher ao lado dela.

“A avaliadora vai verificar agora, por favor, espere dentro da Guilda até que ele esteja
pronto.”

“Entendido. Então, outra coisa... embora não vamos oficializar um pedido imediata-
mente, poderemos fazê-lo no futuro.”

Enri explicou a situação para a recepcionista sorridente. O sorriso da outra mulher per-
deu a graciosidade quando ela ouviu a história de Enri.

“Então é isso... Sou apenas uma recepcionista, e não decido a dificuldade dos pedidos,
mas se envolver o Sábio Rei da Floresta, pode ser uma tarefa que apenas o Momon-san,
que é adamantite, possa lidar. Nesse caso, as taxas seriam muito caras.”

Parecia ter havido uma mudança no humor da recepcionista. Ela parecia completa-
mente desmotivada, como se tivesse decidido “Foi inútil, mesmo depois de ter passado por
tudo isso, que saco...”.
Já que morava com Goblins, Enri se tornara adepta da leitura das emoções dos outros,
mesmo as sutis. Goblins eram feios e pareciam muito diferentes dos humanos, mas ela
tinha trabalhado arduamente para reconhecer e deduzir as mudanças em seus sentimen-
tos. Desta forma, Enri evoluíra seus sentidos.

Ela deve estar pensando que o vilarejo não tem tanto dinheiro, huh... bem, dada a minha
roupa, é uma conclusão razoável para fazer... afinal, ela está bem vestida.

Enri brevemente comparou suas roupas com as da recepcionista, e concluiu que, em


termos de moda, ela foi completamente superada.

Mas roupas como essas são um desperdício para os trabalhos que existem no vilarejo, e
dificultam a movimentação.

Assim, de acordo com Enri, esta batalha já havia sido designada.

“Ah, eu ouvi que a cidade forneceria um subsídio...”

“Está correto. No entanto, o subsídio é apenas uma parte da taxa e você terá que pagar
o restante por conta própria. Os aventureiros do nível adamantite são muito caros e,
mesmo após o subsídio, ainda custam muito dinheiro para contratar. Claro, você poderia
oferecer menos dinheiro para uma solicitação, mas a Guilda dos Aventureiros pode não
permitir. Se você oferecer menos dinheiro do que o valor estipulado, sua solicitação será
de baixa prioridade, portanto, talvez não haja compradores. Por favor, leve isso em con-
sideração.”

Ela deve ter memorizado os regulamentos, dada a maneira como ela pronunciou tudo
aquilo sem pestanejar. Parece que a recepcionista estava tratando Enri como um cliente
que não estava comprando nada.

Isso é natural. Um cliente que não gasta dinheiro não é um cliente.

Tudo o que a recepcionista dissera estava se transformando como Nfirea previu, de


modo que ela não se sentiu muito chateada. Era a realidade do mundo, ninguém ajudaria
os fracos.

É por isso que o Ainz Ooal Gown-sama é nosso salvador. Ele até deu a uma simples garota
do vilarejo como eu um tesouro tão valioso como aquele.

Ela se perguntou como a recepcionista reagiria se ela usasse a trombeta como paga-
mento. Seria ótimo ver o olhar no rosto dela, mas Enri sabia que não podia fazer uma
coisa dessas. Este item foi dado a ela por aquele grande magic caster com a instrução de
“use-o para se proteger”. Ela não podia vendê-lo, nem pelo bem do vilarejo. Ela não podia
ser tão ingrata.

E então, Enri assentiu.


“Compreendo. Então, por favor, diga-me quanto serão as taxas. Dessa forma, posso vol-
tar para meu vilarejo para discutir as coisas.”

“Entendo... então que tal isto? Por favor, volte após a inspeção e assim poderemos reali-
zar a compra. Deveremos ter terminado de calcular as taxas de sua solicitação até lá.”

Depois de agradecer à recepcionista, Enri saiu do balcão e sentou-se em um sofá na sala,


olhando para o teto para passar o tempo enquanto a inspeção se arrastava.

Isso é tão cansativo...

Cada momento desde que ela entrou nos portões da cidade tinha sido uma grande aven-
tura. Ou melhor, quando ela pensava sobre isso, desde o dia em que seus pais morreram,
todos os dias tinham sido turbulentos.

Tudo o que eu queria era levar uma vida simples e imutável no vilarejo...

Enquanto pensava nas coisas que havia perdido, Enri suspirou.

Ela pensou sobre o que aconteceu depois disso — os Goblins, seu amigo de infância, e
então ela balançou a cabeça.

Eles não podem ir mais rápido...?

Se ela tivesse algo para fazer, não teria tempo livre para pensar em coisas tão deprimen-
tes. Ela preferia esvaziar sua mente e se concentrar no trabalho do que pensar em coisas
que a deixavam triste.

“Emmot-san, a avaliação está completa.”

Enri levantou-se e dirigiu-se ao som da voz do comerciante.

“Obrigada, muito obrigada!”

“A taxa é—”

Neste momento, Enri ouviu o som de alguém caminhando, praticamente correndo para
ela. Quando ela se virou, viu a recepcionista de antes na frente dela.

“Haaa— haaa— Enri-san do Vilarejo Carne. Não, quero dizer, Enri-sama. Eu poderia ter
um minutinho dos eu tempo para discutir um assunto?”

Esta era a mesma recepcionista de agora, mas a atitude dela era completamente dife-
rente. Até os olhos dela estavam vermelhos.
“Ah, me desculpe, mas eu estava prestes a contar a ela sobre os resultados da avalia-
ção—”

“Você cala a boca, eu estou falando aqui.”

A resposta da recepcionista fez o rosto do comerciante se contorcer.

“Se estiver tudo bem com a senhorita, gostaria de discutir isso sobre uma bebida na sala
de recepção?”

Ela estava sorrindo, mas o sorriso não se refletia nos olhos, era um sorriso social. Havia
um olhar estranho e desesperado neles.

Talvez ela tivesse sentido algo da confusa Enri. Os olhos da recepcionista estavam úmi-
dos e as mãos dela estavam entrelaçadas como se estivessem rezando.

“Por favor, eu estou te implorando, a senhorita tem que me deixar ouvi-la! Senão, eu
estarei ferrada!”

Depois de ouvir aquele apelo desesperado, quase patético, Enri não tinha idéia do que
estava acontecendo, mas não dar a ela uma chance seria cruel demais. Ela olhou de volta
para o comerciante, que parecia entender suas intenções, porque assentiu levemente
para ela.

“Certo, entendi. Então, você poderia me mostrar o caminho?”

Nesse momento, o corpo da recepcionista relaxou visivelmente.

“Muito obrigada! Realmente muito obrigada! Venha, deixe-me mostrar-lhe o caminho.”

Enri a seguiu, banhada pelos olhares curiosos de todos ao redor. A recepcionista segu-
rava com força a mão direita, como se não quisesse que Enri escapasse.

Eu também fui precipitada?

Ela entrou na sala de espera, traços de desconforto habitavam seu coração.

Enri olhou em silêncio pelo interior da sala. Não havia ninguém lá além dela, e estava
primorosamente decorada, a ponto de ter dúvidas sobre estar sentada no sofá.

“Venha, por favor, sente-se.”

No momento em que se sentou, uma voz do canto de sua mente se perguntou se seria
presa ou encontraria outro destino semelhante.
No entanto, nada aconteceu quando ela se sentou no sofá. Tudo o que ela sentiu foi a
mobília confortável, aconchegando seu peso corporal.

“Gostaria de algo para beber? Nós temos um excelente licor! Que tal algum aperitivo?
Ou é muito cedo para isso? Sim, tipo de... que tal frutas... não, doces e sobremesas, talvez?”

“Ah, não há necessidade disso...”

A mudança dramática na atitude da recepcionista estava começando a assustar Enri. Em


primeiro lugar, ela não considerou o tratamento da recepcionista como sendo particu-
larmente fria. Foi uma reação bastante razoável, e não realmente negativa. No mínimo,
parecia muito mais normal do que a de antes.

Mas por que ela mudou da água para o vinho? Foi por causa da trombeta de novo?

“Não, não, o que você está dizendo? Tudo é possível para você. Podemos fornecer licor,
conhaque e lanches para acompanhar se assim desejar.”

“Não, realmente não há necessidade... e, além disso, estou ficando sem tempo. Podemos
começar a discutir o assunto?”

“Certamente! A senhorita está absolutamente correta! Então por favor, perdoe a de-
mora!”

A recepcionista tirou uma folha de papel branco fino. Todo o papel que ela tinha visto
antes tinha sido muito mais grosso e tinha outras cores misturadas. Isso deve ser alguma
coisa de alta classe aqui. Estava tudo bem em usá-lo?

Enri começou a falar. Ela só tinha dado um breve resumo agora, então ela teve que ex-
plicar pacientemente os detalhes desta vez.

Eventualmente, assim que a garganta de Enri estava começando a secar, a conversa fi-
nalmente chegou ao fim.

“Obrigado pela ajuda! Há algumas bebidas aqui, por favor, beba antes de sair! Não há
problema em deixar as xícaras aqui, mas obrigado por vir até nós hoje!”

De repente, a recepcionista levantou-se e saiu da sala privativa, como se tivesse sido


expulsa.

“Mas... O que aconteceu?”

Claro, não havia ninguém aqui para responder a sua pergunta murmurada.

♦♦♦
No final, Enri não passou a noite em E-Rantel, mas voltou para o Vilarejo Carne.

Ela dormiria nas planícies, mas não se sentia desconfortável. Pelo contrário, ela teve
uma boa noite de sono. Isso porque, ao contrário de sua jornada para a cidade, ela tinha
um grupo de passageiros andando com ela desta vez.

“Ahh~ finalmente posso ver.”

Diante dela estava o muro do Vilarejo Carne. Embora os troncos cuidadosamente arran-
jados parecessem impressionantes, Enri não pôde deixar de pensar que pareciam puídos
em comparação com as fortificações de E-Rantel.

“Está certo. Preciso relatar tudo isso ao chefe rapidamente.”

Enri estava respondendo a um dos Goblins deitados na carroça. Cinco Goblins tinham
escoltado Enri para E-Rantel, incluindo o Goblin Clérigo (Cona), e havia um Goblin Cava-
leiro de Lobo (Chosuke) mantendo uma vigília a alguma distância de sua carroça.

“Bem, metade dos problemas foram resolvidos, mas aparentemente o pedido do chefe
não foi muito bem, não foi, Ane-san?”

“Sim, sobre isso... de acordo com o sacerdote-san, quase ninguém quer se mudar para
um vilarejo.”

“Isso é estranho. Quer dizer, já existem outros imigrantes de vilarejos próximos aqui.
Por que não há mais pessoas? O sacerdote estava mentindo?”

“Não, um sacerdote nunca mentiria.”

Enri sorriu amargamente e completou:

“Para ser honesta, vilarejos fronteiriços são muito perigosos, então eles estão mantendo
distância. Nós estávamos esperando que os terceiros filhos viessem aqui para a promessa
de terras... mas muitas pessoas não virão aqui se não forem ordenadas. E as pessoas que
se mudaram para cá no começo tinham vivido em vilarejos fronteiriços como nós. Suas
situações são diferentes.”

“Certo...”

“As coisas são assim. Mas, na verdade, isso me alivia.”

Provavelmente seria muito difícil para pessoas normais formar um bom relacionamento
com Goblins e ainda mais conviver sob o mesmo vilarejo. Qualquer imigrante da cidade
provavelmente empalideceria com a visão e faria o possível para ficar longe.
E francamente falando, se Enri fosse forçada a escolher entre os moradores da cidade e
os Goblins, ela escolheria os Goblins sem hesitação.

Nesse momento, a carroça tremeu e o som de algo metálico batendo na carroça bateu
atrás dela.

“Ah, desculpe. Você está bem?”

Enri virou a cabeça para olhar para trás.

Embora os Goblins estivessem sentados na mesa da carroça, havia alguns sacos ali, um
dos quais fazia barulho metálico quando a carroça tremeu.

“Ah, estamos bem, Ane-san. Não precisa se preocupar. Falando nisso, com tantas flechas,
poderemos caçar o que nossos corações desejarem.”

Os Goblins pareciam tão felizes quando olhavam para a bolsa que Enri se esqueceu de
responder, simplesmente sorrindo em vez disso.

Atravessaram os campos de trigo e entraram em um portão semiaberto.

Depois de cumprimentar a todos, Enri levou a carroça ao ponto de encontro original,


para descarregar a carga.

Quando ela parou a carroça no ponto de encontro, os Goblins, depois de ouvir a carroça,
saíram para cumprimentá-la.

“Oh! Bem-vinda de volta, Ane-san. Estou feliz que nada tenha acontecido.”

Enri sorriu. As boas-vindas foram o que fez Enri sentir que ela realmente havia retor-
nado, porque para ela, os Goblins eram parte de sua família.

“Estou em casa!”

“Isso é um monte de coisas. Vai trazer tudo isso?”

“Isso mesmo. Faça-me um favor e me dê uma mão.”

“Já vou!”

Os Goblins se moviam como um só, descarregando habilmente a carga. Não importa


como Enri os dirigisse, eles organizavam tudo sem cometer um erro até que tudo esti-
vesse bem organizado. Esta foi a prova de quanto os Goblins haviam se integrado na vida
no vilarejo.
“Ah, Ane-san, deixe-nos cuidar do resto. Por que você não vai ver sua irmã e o Ani-san?
Embora eu não saiba se o Ani-san ainda está ajudando o pessoal de Agu.”

“Obrigada, mas ainda preciso relatar ao chefe primeiro.”

“Mesmo? Entendi. Então, só por segurança, eu vou com você. Afinal, ainda há a questão
dos Ogros.”

Gokou falou com alguns de seus camaradas depois de sair do local da reunião, e então
ele pulou na carroça ao lado de Enri, que estava dirigindo. Os outros Goblins que estavam
guardando Enri na estrada para E-Rantel olhavam para ele com ciúme em seus olhos,
mas nenhum deles expressou qualquer oposição. Foi provavelmente porque eles concor-
daram que ele estava fazendo a coisa certa.

“Então, Ane-san, vamos!”

Enri sorriu fracamente e disse:

“Estou contando com vocês! E muito obrigada!”

Depois de agradecer aos Goblins, ela esporeou o cavalo em movimento.

“Então, o que aconteceu aqui desde que saí?”

“Nada especial. A grande coisa foi que construímos um lugar onde os Ogros poderiam
viver aqui dentro do vilarejo. Claro, os Golems de Pedra fizeram a maior parte do traba-
lho, e foi feito de madeira grosseiramente, mas no final, acabou sendo um lugar bem legal.
No entanto, não podemos fazer nada sobre o cheiro deles. Até as toalhas que lhes damos
acabam fedendo.”

“Entendo... Ainda assim, foi muito rápido!”

“Como eu disse, os Golems de Pedra fizeram a maior parte do trabalho. Se você quiser
agradecer a alguém, agradeça ao magic caster que deu eles para nós.”

“E a Lupusregina-san?”

“...Não vamos falar sobre essa Lupusregina por enquanto. Eu não quero agradecer a ela
nem nada. Algo nela apenas me irrita.”

Enri achou difícil acreditar nos ouvidos dela. Esta foi a primeira vez que Gokou falou mal
de alguém.

“Como eu devo colocar isso... ela é muito assustadora, como um monstro nos obser-
vando... Eu não acho que a Ane-san percebeu isso ainda...”
“Mas ela é a empregada de quem salvou nosso vilarejo, Ainz Ooal Gown, então ela não
pode ser tão ruim assim.”

“...Ah, que dor de cabeça ~su.”

Os ombros de Enri e Gokou se contorceram. Essa era a voz da mulher que eles tinham
acabado de discutir.

Enri olhou para trás freneticamente, e assim como no dia anterior, a empregada estava
sentada na mesa de carroça como se ela sempre estivesse ali.

“Realmente, você é uma dor de cabeça, En-chan.”

“Ah, o que você quer dizer?”

“Talvez, talvez antes disso, você deveria nos dizer como você aparece do nada.”

“Mm? É simples ~su. Eu caí do céu ~su.”

“Nunca te vimos voar. Há algumas vezes que você veio de cima agora, mas não conse-
guimos sentir você.”

“Eu posso me tornar invisível ~su.... estou tentando ser sutil ~su. Veja como legal eu
sou~”

Gokou virou o rosto para a frente mais uma vez. Irritação escrita por toda parte de seu
corpo.

“Mas, ah, sim. É meio raro que a gente veja você dois dias seguidos, Lupusregina-san.
Aconteceu alguma coisa?”

Lupusregina olhou para Enri. Enri não pode deixar de pensar, o quão bonita e fofa ela
era, mesmo quando ela faz uma cara assim.

“Bem, tipo isso. Maaaaas de todo modo, eu estava me perguntando o que estava aconte-
cendo ~su. Falando nisso, o que aconteceu com aquele seu Goblin em miniatura?”

“...Ele está bem. Acho que ele deve estar na casa do chefe.”

“Por que a casa do chefe?”

“Ah, porque nós resgatamos mais alguns Goblins de sua tribo, oras? Eles vão ficar lá
enquanto construímos um lugar para os Goblins ficarem aqui no vilarejo.”
“Ah— sim, faz sentido, Agu é filho do chefe de sua tribo. Ele deve sentir que tem o dever
de protegê-los ou algo assim ~su. Realmente, ele é apenas uma criança, mas ele é tão
maduro~”

Embora Lupusregina estivesse apenas sorrindo levemente, qualquer um que visse sua
aparência seria cativado pelo encanto que irradiava dela. Até mesmo Enri se viu olhando
para ela com admiração apesar do fato de que ambas eram mulheres.

“Oops, você não deveria estar vigiando a vanguarda?”

“Isso, isso mesmo!”

Enri rapidamente olhou para a frente mais uma vez, as pontas das orelhas vermelhas.

Depois de parar em frente à casa do chefe, Enri e Gokou saíram da carroça.

“Então, eu vou levar o cavalo de volta para os estábulos ~su. Não sinto vontade de inco-
modar vocês. Deixe-me saber o que vocês conversaram depois~”

“Compreendo. Então, me desculpe por impor, mas vou deixar isso para você.”

Enri inclinou-se para Lupusregina, que respondeu com um “hoi hoi” e um sorriso antes
de levar a carroça.

Enri bateu na porta, anunciou em voz alta o suficiente para todos dentro ouvirem e abriu
a porta.

O Chefe e Agu estavam de frente um para o outro do outro lado da mesa.

“Oh, bem-vinda de volta. Por favor sente-se. Como estavam as coisas na cidade?”

Enquanto o chefe falava, Enri sentou-se ao lado de Agu. Por um momento, o corpo de
Agu pareceu ficar duro, mas ela deve ter imaginado coisas.

“Ah, então, é isso para mim. Nesse caso, Chefe, por favor, cuide de nós.”

Enri não tinha idéia de para quem essas palavras eram destinadas. Como os únicos ou-
tros presentes eram Enri, Gokou e o Chefe, parecia óbvio que eles tinham sido destinados
ao chefe do vilarejo.

No entanto, Agu estava olhando para ela, com as costas rígidas e os lábios franzidos. Enri
olhou nos olhos de Agu, e em seu olhar firme, sem piscar, ela percebeu que ele não estava
brincando ou zoando.

“Eh... eh?!”
Por que tem que ser ela?

Em meio à confusão de Enri, Agu se desculpou e saiu da casa do chefe.

“Ei! Espere—”

“Então, Enri, você pode me contar sobre isso?”

“Eh? Não, isso... isso... ah, sim. Entendi.”

Isso pesava em sua mente, mas ela poderia esclarecer suas dúvidas mais tarde. O rela-
tório era mais importante por enquanto.

Depois de decidir isso, Enri relacionou nítida e concisamente os eventos que ocorreram
na cidade. A parte mais importante era que ninguém queria se mudar para o Vilarejo
Carne. No entanto, o chefe parecia ter antecipado isso, porque não havia arrependimento
em seu rosto, apenas uma aceitação calma.

“Então é assim que é. Bem, isso não podemos fazer nada quanto a isso. Somos um vila-
rejo fronteiriço e monstros aparecem frequentemente por estas bandas, por isso faz sen-
tido que quase ninguém queira vir aqui.”

O chefe do vilarejo disse o que Enri estava pensando. Podia ter sido o que todos neste
vilarejo já haviam aceitado.

“Você fez muito por nós. Obrigado.”

O chefe abaixou a cabeça e Enri disse:

“Não por isso.”

Em resposta. Tinha sido confuso às vezes, mas também tinha sido uma boa experiência.

“Então—”

A linha de visão do chefe cintilou para Gokou por um segundo antes de continuar:

“Há uma coisa que eu gostaria de confiar a você, Enri Emmot.”

“Ah sim. O que é isso? Você parece muito sério, Chefe...”

“...Eu espero que você assuma minha posição como chefe deste vilarejo.”

A enorme variedade de expressões que brilhavam no rosto de Enri era como uma peça
de arte performática.
“Haaaaaaaa?! O que é isso? Ei! Não me diga que o Agu estava dizendo aquilo para... eh-
hhh?!”

“Você ficar nervosa não vai adiantar...”

“Não me interrompa quando estou nervosa! Chefe, você é retardado!? Por que você está
dizendo isso?!”

“...Talvez retardado seja um pouco demais. Eu entendo que você está animada e nervosa
sobre isso — eu sei muito disso, mas espero que você possa se acalmar e me ouvir.”

“Me acalmar?! Como posso me acalmar? Eu sou apenas uma garota qualquer deste vila-
rejo, por que eu tenho que lidar com essa porcaria toda de ser chefe?!”

“Controle-se!”

A voz estava cheia de poder, mas para Enri foi apenas um som um pouco alto. Mesmo
assim, ajudou-a a recuperar um pouco de sua compostura. Não, se ela não escutasse o
chefe, ela não retornaria a si, ou pelo menos era o que parte dela estava pensando.

“Eu entendo que você está muito confusa. No entanto, espero que você possa sentar e
considerar as coisas com calma. Para começar, quem é o coração deste vilarejo?”

“Não é você, Chefe-san?”

“Isso seria incorreto. Eu sinto que você é o coração do nosso vilarejo. Os Goblins e os
Ogros recém-chegados reconhecem você como líder, certo?”

“Está correto. Tudo o que fazemos gira em torno da Ane-san.”

“Então, há os Goblins que você ajudou. Pelo que o Agu me disse, eles também te vêem
como o chefe.”

A boca de Enri se transformou na forma de um “へ”. Pode ser verdade que os Goblins
eram assim, mas o que os aldeões pensariam? Eles nunca aceitariam isso.

“Eu posso adivinhar o que você está pensando. Os aldeões vão se opor, é isso? Já falei
com todos e consegui a aprovação deles. Ontem à noite, tivemos uma reunião e obtive-
mos suas opiniões. E foi unânime — todos eles desejam que você seja a nova chefe.”

“O quê? Por quê?!”

“...Aquele ataque foi um grande choque para todos nós, Enri. Todos anseiam por um líder
forte.”

“Onde está essa força em mim? Eu sou apenas uma garota qualquer de um vilarejo!”
Embora houvesse algum músculo em seus braços, ela ainda era uma garota que mal po-
dia usar uma arma. Se eles queriam força, certamente deveriam ter escolhido entre os
membros da força de segurança, não?

“A força não é medida apenas pela coragem de uma pessoa. Você não acha que ser capaz
de ordenar os Goblins também é uma forma de força? Os Bareares também acham que
você é adequada como chefe.”

“Enfi!”

Enri soou como uma galinha sendo estrangulada até a morte.

“Isso, e eu estou neste posto por muito tempo e já estou velho. Eu preciso encontrar um
sucessor em breve.”

“O que você quer dizer com “Velho”? Você não está nem perto de ser velho, Chefe. É por
isso que você está falando como um homem velho?”

O chefe estava na casa dos 40 anos, por isso ainda era um pouco cedo para chamá-lo de
velho. Afinal, ele ainda estava em uma idade em que poderia trabalhar.

“Deixando de lado a questão de falar como um homem velho, você deveria ter notado
agora, mas a floresta está passando por uma série de mudanças. Desde que o Sábio Rei
da Floresta se foi, há uma chance maior de monstros saírem da floresta para atacar. Tudo
o que posso fazer é usar minhas experiências de quando ainda vivíamos em segurança
para nos liderar, mas minha visão não é mais útil para nós.”

“Chefe, isso pode ser rude, mas eu preciso perguntar. Você está apenas tentando fugir
disso, não é?”

“...Deixe-me ser franco. Eu não posso dizer que você está errada...”

O que Enri viu foram os olhos de um homem que honestamente falava de sua mente.

“Ainda me lembro daquele dia mesmo agora. Aquele dia horrível quando meus amigos
foram mortos. Eu conhecia bem os Emmots. Se não tivéssemos acostumado com a tran-
quilidade, se tivéssemos construído um muro, se estivéssemos em guarda, talvez não ti-
véssemos sofrido tanto... talvez pudéssemos resistir até que o Gown-sama viesse nos aju-
dar.”

Isso seria difícil.

Pensou Enri. Este vilarejo também tinha muitos imigrantes que eram sobreviventes dos
outros vilarejos destruídos. Seus vilarejos tinham muros resistentes — embora não tão
fortes quanto as do Vilarejo Carne —, mas ainda haviam sido atacadas e abatidas. Mas
esses muros poderiam ter atrasado os atacantes apenas um pouquinho e permitido que
mais pessoas fossem salvas. Enri concordou com essa parte.

“A maneira antiga de pensar que eu tinha não vai mais funcionar. Precisamos reorgani-
zar e proteger, reforçando a segurança com nossas próprias mãos. Os únicos que podem
fazer isso são os flexíveis e os jovens. E essas pessoas precisam de força também.”

O chefe disse seus pensamentos. Ele olhou calmamente para Enri.

Enri ouviu as palavras do chefe e considerou-as seriamente. No começo, ela queria re-
cusar porque o peso era um fardo muito pesado. Se eles fossem atacados daquela ma-
neira, ela não tinha certeza se poderia assumir a responsabilidade pelas vidas de seus
colegas. No entanto, como ela havia dito ao chefe agora, não era só fugir do problema?

“Eu não sei se posso lidar com essa grande responsabilidade.”

“Essa é uma reação natural. Eu posso ajudar com a administração, e os Goblins vão te
apoiar nas questões de segurança. Mesmo assim, eu sei que tomar a decisão final ainda é
assustador.”

“Que tal um conselho formado a partir dos aldeões?”

“Para ser franco, eu pensei nisso mesmo. No entanto, quanto maior o problema, mais
provavelmente surgirá algo que dividirá o grupo e os deixará paralisados pela indecisão.
No final, sem uma pessoa dando as cartas, não poderemos resolver problemas de ma-
neira eficaz.”

“E se tivéssemos dois sistemas, um para lidar com as coisas em situações normais e ou-
tro para emergências?”

“Isso não vai funcionar. Não vai alimentar nossos líderes. As pessoas seguirão seus líde-
res em emergências e trabalharão juntas porque sabem que esses líderes também são
capazes em tempos de paz.”

A vontade do chefe era firme e ele explicou suas razões. Com uma expressão amarga,
Enri fez sua última pergunta.

“...Quando você precisa da minha resposta?”

“Eu não vou te apressar por isso. Tome seu tempo e considere isso.”

“Compreendo.”

Depois que Enri disse isso, ela se levantou e saiu.

♦♦♦
Quando ela saiu da casa do chefe, Gokou seguiu atrás de Enri.

“Então, quero pensar sobre isso. Você poderia me deixar ficar sozinha por um tempo?”

“Entendi, Ane-san. Então, fique o tempo que precisar e pense sobre isso. O resto de nós
apoiará você, Ane-san. Se você precisar de alguma coisa, é só nos avisar.”

“Sim. Então, contarei com você.”

Depois de assistir Gokou sair, Enri voltou para sua própria casa.

Eu posso ser uma boa chefe?

Enri pensava que não.

Quem sabe, quando chegar a hora, ela pode ter que dar uma ordem que não gosta —
sacrificar os poucos para o bem maior.

Eu não posso fazer isso...

Todos aqui pensam muito bem de mim. Para começar, há os Goblins que todos dizem que
são a minha força. Eles nem são aliados que eu fiz com meu próprio carisma e conexões. No
final, eles foram meramente convocados da trombeta que me foi dado pelo grande magic
caster Ainz Ooal Gown.

Esse item foi a primeira boa sorte que o vilarejo recebeu—

Estranho, fui a primeira pessoa que ele ajudou? Eu me lembro de Gown-sama em uma
máscara... Hm? Ele estava usando uma máscara?

De repente, a sequência de eventos parecia confusa para ela, mas isso era de se esperar,
dado o caos da situação.

Enri balançou a cabeça para esclarecer suas dúvidas.

De todo modo...

Se a trombeta tivesse sido dada a qualquer outra pessoa, essa pessoa teria sido o pró-
ximo chefe, não ela mesma. O que significava que o problema não era uma questão da
competência de Enri, mas simplesmente que o destino decidira deixar cair esse fardo no
colo dela.

Eu deveria falar com alguém sobre isso...


A primeira pessoa que veio à mente de Enri foi Nfirea. Ele havia morado na cidade
grande antes, visto muitas pessoas, e Enri achava que ele saberia se ela poderia ser o
próximo chefe. E ele é amplamente letrado, então ele definitivamente seria capaz de lhe
dar uma resposta.

No entanto, o chefe havia dito que Nfirea — ou melhor, os Bareares — haviam aprovado
sua sucessão. Isso significava que mesmo que ela falasse com Nfirea, era muito provável
que ele recomendasse que ela tomasse a posição.

Ele não vai servir... e nenhum dos aldeões também. Isso me deixa Agu e os Ogros, mas o
Agu já pensa em mim como a chefe, e os Ogros são simplesmente burros.

Neste momento, alguém chamou a Enri carrancuda com uma voz alegre.

“Yo~ Parece que você acabou de falar... Oyan~? O que há de errado, você tem um olhar
estranho no seu rosto, não? Qual o problema, Enri ~su?”

Essa voz fez Enri se mexer, como se eletricidade estivesse passando por sua pele. Isso
mesmo. Ela era uma pessoa de fora, uma terceira parte neutra que podia avaliar calma e
logicamente a situação.

Enri correu em direção a Lupusregina com todas as suas forças.

“Lupusregina-san!”

Ela apertou firmemente os ombros da empregada surpresa.

“O que o que é isso? Oh não~ Meu coração está batendo tão rápido. Mas por favor não
confesse para mim ~su. Eu não sou lésbica, gosto do sexo oposto. Nããããooo~ Deixe-me
ir~ eu vou ser estuprada ~su”

“Esperar! Por favor, espere um pouco!”

As mãos de Enri deixaram os ombros dela, porque ela estava planejando cobrir a boca
de Lupusregina. Mas Lupusregina saiu da mão de Enri e sorriu para ela.

“Ahhhh, desculpe, desculpe, mas você parecia tão animada, eu achei que precisava es-
friar você um pouco. Foi apenas uma piada ~su”

“Foi uma piada muito ruim...”

Enri abaixou os ombros. No entanto, ela imediatamente se recuperou novamente. Lu-


pusregina era uma pessoa que entrava e saía como bem entendesse e, se não aprovei-
tasse essa oportunidade, ela desapareceria de novo.

“Por favor, me ouça. Eu preciso de uma idéia sobre o que fazer!”


“Eu não sei do que você está falando, mas podemos conversar enquanto andamos, não
é ~su? Eu não quero que os aldeões me olhem estranhamente ~su”

O rosto de Enri ficou vermelho vivo. Lupusregina até tinha razão. Contudo—

“Então não grite sobre ser estuprada ou qualquer coisa do tipo...”

“Tehe~”

Lupusregina mostrou a língua para Enri de uma maneira adorável.

“Você — Sabe me envergonhar, Lupusregina-san!”

“Venha, vamos, vamos, vamos ~su.”

Sem esperar por uma resposta, Lupusregina partiu e Enri seguiu.

“Bem, venha deixe seus problemas para a Lupusregina-oneesan aqui — eu posso te en-
sinar todo tipo de coisa, desde coisas pervertidas a sedução de homens ~su.”

“Ah, isso é certo? Lupusregina-san, você deve estar bem madura...”

Para Enri, que não sabia nada sobre esses assuntos, ela certamente parecia adulta o su-
ficiente. Não houve mudança óbvia, mas por algum motivo Lupusregina parecia mais ma-
dura agora.

“Hehe, isso é porque eu sou um mimidoshima, afinal de contas.”

“...Hã?”

O que significa “mimidoshima”?

Enquanto Enri ponderava sobre o estranho termo, Lupusregina a chamou com um gesto
de “venha cá”, indicando que ela deveria fazer suas perguntas. Enri começou a contar a
ela sobre o que havia acontecido na casa do chefe.

“Então, o que eu deveria fazer?”

“Hm? Não sei.”

Isso foi tudo.

“Ei — você não disse que eu poderia deixar meus problemas em você?”
“Eu nunca disse que eu os responderia, disse... hm, bem, tanto faz. Para começar, se você
está sendo empurrada para essa posição e sabe que vai se arrepender, é melhor não acei-
tar. Primeiro pense em que tipo de coisas você pode e não pode lidar.”

A garota despreocupada habitual tinha ido embora, e em seu lugar havia uma beleza
assombrosa e fascinante. Os olhos antes abertos estavam estreitados, e seu sorriso fino
enviou um arrepio por sua espinha.

“Esta é apenas a minha opinião de qualquer maneira, eu não estou dizendo a você o que
fazer ou qualquer coisa. Você deve se sentar e pensar cuidadosamente sobre isso. Deixe-
me ser franca, não importa se você ou outra pessoa é o chefe, quem assume essa respon-
sabilidade vai errar mais cedo ou mais tarde. Há apenas 41 seres que nunca cometerão
um erro. Então, não faz sentido se preocupar com o que acontece quando você falha. Mas
quando se pensa sobre isso com calma, ninguém é mais adequado para o trabalho do que
você.”

“O que você quer dizer?”

“Pergunte aos Goblins~. Quando a vila é atacada por monstros assustadores e eles sa-
bem que não podem ganhar, o que acontece? Imagine a situação consigo mesmo como o
chefe e você mesmo não sendo o chefe.”

A expressão de Lupusregina mudou novamente, e ela estava de volta ao seu eu alegre.

“Ahhhh, isso é chato. Haaa, isso não combina comigo ~su. Ah, seria mais divertido se
você não se tornasse a chefe e uma grande tragédia acontecesse com este vilarejo, En-
chan~”

“—Eh?”

“Hehe~”

Lupusregina sorriu e acariciou o ombro de Enri.

“Mas pessoalmente, acho que você seria uma grande chefe, En-chan~ Além disso... por
que você não pergunta para aquele garoto lá ~su?”

Depois de tirar a mão do ombro de Enri, Lupusregina girou no lugar. Foi um movimento
que parecia distante de qualquer conceito da palavra “fricção”.

“Vejo você por aí ~su.”

Lupusregina se afastou, as mãos tremulando pelo ar. Na frente dela estava Nfirea segu-
rando a mão de Nemu. Lupusregina deu um tapinha no ombro de Nfirea e, como se ti-
vesse acionado um interruptor, os dois voltaram à vida.
“Você está em casa, onee-chan!”

Nemu deve ter ficado muito preocupada, porque ela abriu um grande abração enquanto
corria a toda velocidade para Enri. Por um momento, Enri achou que ela poderia cair,
mas seus robustos músculos das pernas absorveram o impacto.

“Bem-vinda, Enri. Você voltou mais cedo do que o esperado. Não quis dormir lá?”

“Estou de volta, para vocês dois. Não, eu acampei ontem à noite.”

“Então é por isso... fico feliz que você não tenha sido atacada por monstros. Ainda assim,
não posso aprovar esse tipo de coisa. Os Goblins são fortes, mas ainda há monstros que
são mais fortes que eles. Claro, eu não vi nenhum daqueles perto das planícies...”

“Nee-san, não faça coisas perigosas!”

Nemu disse isso enquanto se agarrava firmemente às roupas de Enri. Enri era o único
membro da família sobrevivente que sua irmãzinha tinha. Sua vida não era mais apenas
dela. Parece que ela esqueceu esse pequeno detalhe.

“Vocês estão certos. Eu sinto muito.”

Enri sorriu e gentilmente bagunçou o cabelo de Nemu.

“Mm! Eu perdoo você!”

Nemu olhou para cima e sorriu.

“Obrigada. Falando nisso, você tem sido uma boa menina, Nemu? Você não deu proble-
mas ao Enfi, não é?”

“Já sou grande~ oneechan! Eu não sou mais uma garotinha! Não é, Enfi-kun?”

“Ahaha... bem, eu tenho tratado as tribos de Agu, então eu não a olhei muito de perto,
mas eu confio que a Nemu se comportou.”

“Você também, Enfi-kun? Ei, nee-chan, você sabia? Enfi-kun fede!”

“Nemu-chan! Esse é o cheiro de ervas! Quando você as amassa, você não disse que suas
mãos fediam também?”

“Esse material colorido é de ervas?”

“...Não, é diferente. Isso é de fazer itens alquímicos, então não é como se eu fedesse ou
qualquer coisa assim.”
“Mas você fede, não é, Enfi-kun?”

O rosto de Nfirea congelou.

“Mm, está em todas as suas roupas de trabalho do Enfi. Então talvez você devesse tirá-
los quando não estiver trabalhando, não é?”

Enri tentou freneticamente explicar o significado real de sua irmãzinha, e o rosto de


Nfirea se suavizou ao ouvi-lo.

“Eu não tenho nenhuma outra roupa, embora... em E-Rantel eu usasse isso o tempo todo.”

“Então, e se eu fizesse um conjunto para você depois?”

“Eh? Você pode fazer isso?”

“Enfi, quem você pensa que eu sou? Ainda posso fazer roupas simples sozinha.”

“Mesmo? Eu comprei todas as minhas roupas, então poder fazer suas próprias é incrível.”

“Bem, obrigada por isso. Mas todos aqui no vilarejo podem... Nemu, é melhor você co-
meçar a aprender também.”

“Tá~”

“Então, Nemu, você se importa de voltar primeiro? Eu preciso discutir algo com o Enfi.”

Nemu cobriu a boca com as mãos, mas o sorriso já estava fazendo seus olhos brilharem.

“Mm! Entendi! Então, eu vou primeiro. Faça o seu melhor, Enfi-kun!”

Nemu acenou para eles, então voltou para casa saltitando.

Enri a observou quando ela saiu, murmurando para si mesma.

“Por que ela é tão obediente? Você está escondendo alguma coisa de mim?”

“Não, acho que não... há coisas mais importantes do que isso! Você ia me dizer alguma
coisa? Embora eu possa adivinhar, já que eu estava na reunião de ontem.”

Sendo esse o caso, eles poderiam pular muita conversa inútil. Enri disse a Nfirea o que
ela e o chefe haviam discutido.

Isso não foi tudo. Ela também contou a ele tudo sobre sua inquietação e sua discussão
com Lupusregina. Depois que ela terminou, Nfirea olhou Enri diretamente nos olhos e
falou:
“Eu acho que você deveria fazer o que acha certo, Enri. Não importa qual seja a sua res-
posta, eu sempre irei apoiá-la... ugh, essa frase é tão extravagante. Mas espero que você
se torne a nova chefe.”

“Por quê? Eu sou apenas—”

“Não. Você não é apenas uma simples garota do vilarejo. Você é a líder dos Goblins, Enri
Emmot. Você provavelmente quer dizer que os Goblins não são sua força, certo? Mas no
final, os Goblins são realmente sua força. Lupusregina pediu para você perguntar aos
Goblins, mas vou explicar. Se você não é a chefe, e se o vilarejo está em perigo, os Goblins
vão evacuar você e somente você se eles ainda tiverem forças para lutar.”

“De jeito nenhum! Eles nunca fariam uma coisa dessas!”

“...Eles podem não dizer isso em tempos de paz. No entanto, durante uma crise, eles fa-
rão exatamente isso. Eu também ouvi isso deles.”

“Nem pensar...”

Enri olhou incrédula para Nfirea. Ela sentiu que ele deveria estar mentindo. No entanto,
ela não podia sentir qualquer falsidade ao redor dele.

“O mais importante para eles não é o vilarejo, é você. Mas se você se tornar a chefe, então
o vilarejo se tornará sua propriedade, e os Goblins ficarão e lutarão pelo vilarejo até o
amargo fim. Pode não parecer uma grande diferença, mas na verdade é. Como um aparte,
eles me disseram que se uma emergência como essa acontece, eles esperam que eu pegue
a Nemu e fuja atrás de você. Enri... se você quiser verificar com eles, tudo bem. Mas espero
que, se o fizer, mantenha o fato de que eu lhe contei um segredo.”

“Eu não vou perguntar a eles.”

Nfirea levantou o cabelo quando ouviu a resposta curta e direta, revelando seus grandes
olhos.

“Tem certeza? Eu posso estar ment—”

“—Impossível. Você nunca mentiria para mim, Nfirea. Eu confio em você. Ainda assim,
eles realmente colocam muita importância em quem for mestre deles.”

“Bem, não é porque você é a mestra deles, Enri? Você comprou armas para os Goblins,
certo? Você não acha que eles farão de você a principal prioridade por causa disso? ...Isso
pode parecer ruim, mas os Goblins nunca receberam nada dos aldeões, que os tratam
como nada mais do que os monstros que você conjurou. Um lado não os trata como indi-
víduos, enquanto o outro lado o faz. Não faz sentido para eles favorecerem o último?”
É claro que nenhum dos aldeões diria esse tipo de coisa em voz alta. No entanto, era
verdade que ela não conseguia se lembrar de nenhum dos moradores agradecendo de
maneira concreta.

“...Mas, os aldeões ocasionalmente fazem o almoço para os Goblins.”

“Isso é um sinal de gratidão por você. É como dizer que eles pagam os custos da comida
ou poupam o trabalho de preparar uma refeição. Você já viu alguém aqui chamar algum
deles pelo nome?”

Ninguém tinha. No começo, ela pensou que era simplesmente porque eles não podiam
distingui-los, mas talvez eles nunca tivessem a intenção de distingui-los desde o começo.

O pensamento disso encheu o coração de Enri com uma solidão indescritível.

“Tem razão.”

No entanto, em sua voz não era simplesmente desânimo, mas seus olhos brilhavam com
a luz da determinação.

“Então... É por isso que, pessoalmente, sinto que você será uma boa chefe. No mais sim-
ples dos casos, quando você for a chefe, as coisas vão mudar para os Goblins também.”

“...Todos vão me ajudar, certo?”

“Claro. Você pode também dizer que ninguém vai te ajudar.”

“Compreendo. Então, eu vou aceitar ser a chefe. É melhor eu fazer isso antes que eu
mude de idéia!”

Nfirea sorriu ao ouvir a declaração de Enri.

Seu sorriso era gentil, mas severo. Era como se ele entendesse que ela estava esperando
por um último empurrão nas costas.

“Tudo bem! Boa sorte, Enri!”

Ela assentiu em resposta, e depois sem olhar para trás, pôs o pé no caminho para se
tornar a nova chefe do Vilarejo Carne.

♦♦♦

Do céu, Lupusregina pôde ver que quase todos no vilarejo estavam reunidos na praça.
Enri caminhava até eles, quando chegou se virou para todos. Lupusregina não podia ou-
vir o que Enri estava dizendo.
Enri parecia ter terminado e os aldeões aplaudiram.

“Ha... então acabou assim afinal ~su. Ahhhh, isso é divertido, uhihihi~”

“—O que é tão divertido?”

A voz de trás fez com que Lupusregina se virasse para encarar.

“Oya~ se não é a Yuri-nee. Você está voando por causa de um item mágico?”

“Correto. Ainz-sama concedeu isso a mim pessoalmente. Este seria... o Vilarejo Carne, é
isso? Por isso você foi repreendida pelo Ainz-sama.”

“É isso mesmo ~su. Ahhh, agora a verdadeira diversão está prestes a começar~”

“O que você quer dizer?”

“Uma nova líder acaba de surgir dentro do vilarejo. Para os aldeões, eles estão prestes a
recorrer a uma nova página em sua história, para um novo mundo de possibilidades. No
entanto, eu me pergunto o que aconteceria se, neste momento glorioso, o vilarejo fosse
atacado e tudo estivesse perdido em um grande incêndio. Eu me pergunto, que tipo de
rostos os aldeões fariam?”

Seu rosto alegre e bonito se abriu, e algo fluiu de dentro que só poderia ser descrito
como maligno.

“E eu pensei que você se desse bem com essas pessoas. Então é isso que você sente em
seu coração?”

“Isso mesmo, Yuri-nee~ cada uma dessas palavras. Eu me emociono toda vez que penso
nas pessoas com quem me deparo sendo brutalmente pisoteadas como insetos.”

“Você é uma sádica completa. Você é tão má quanto a Solution. Por que minhas irmãs
mais novas gostam disso? Minha única salvação é a Shizu, francamente... embora eu su-
ponha que a Entoma não seja uma menina má.”

Lupusregina riu quando sua irmã mais velha resmungava e franzia as sobrancelhas.

“Ah~ será que o vilarejo será destruído depois de tudo que fizemos?”

Parte 4

“Ah, estou tão cansada.”


Enri largou a pequena lousa que ela estava segurando na mesa e desabou, sem energia.
Ela ouviu uma risada silenciosa e, quando se virou para olhar para a fonte, viu o professor
(Nfirea) lá com um sorriso no rosto.

“Você trabalhou bastante, Enri.”

“É muuuito difíííííícil~ eu não sou bom em usar minha cabeça...”

“Você precisa aprender a ler e escrever, você sabe disso.”

A resposta de Enri foi um lamento triste.

Ela precisava de um nível básico de educação já que assumira a responsabilidade de


chefe, e era por isso que Nfirea a instruía pessoalmente, mas a cabeça de Enri parecia
estar se abrindo.

“Essas letras estúpidas, eles foram inventados apenas para me dar problemas...”

“Não diga isso. Você já aprendeu a escrever seu próprio nome, não é? E a Nemu-chan
também.”

“Mm... bem, isso é uma coisa boa... não consigo me virar apenas com isso?”

“Nem pensar! Estas são apenas o básico. Olhe para isto desta maneira, você só começou
a aprender por cinco dias, nós ainda não alcançamos as partes importantes ainda.”

Um olhar que dizia “você só pode estar brincando comigo” apareceu no rosto de Enri.

“Ahhh, não faça uma cara assim. Depois de aprender o básico, tudo o que resta é aplicar
na pratica. É por isso que eles são tão importantes.”

“...Uuu~”

“Você parece muito cansada. Então, vamos parar por aqui hoje.”

Enri se levantou da cadeira como se esperasse que ele dissesse exatamente isso.

“Isso é maravilhoso! Vamos terminar cedo amanhã também! Obrigada, Enfi!”

Nfirea sorriu fracamente antes de limpar as letras semelhantes a arranhões de galinha


da lousa.

“Então é melhor você descansar um pouco. Amanhã começaremos de novo no mesmo


horário.”
“Estou muito feliz por você estar usando o tempo que usa em seus experimentos para
me ensinar tudo isso. Mas eu não me sinto grata de jeito nenhum...”

“Mm. Bem, é preciso. Dizem que é melhor para um professor ser odiado por seus alunos
do que ser apreciado por eles.”

“Isso é uma mentira! Uma mentira das grandes!”

“Ahahaha. Ah, estou sem tempo. Boa noite, Enri.”

“Mm. Boa noite. Não trabalhe muito quando voltar e durma mais cedo.”

Nfirea sorriu para mostrar que entendia e saiu pela porta da frente. Depois de observar
a partícula flutuante de sua luz mágica recuar na distância, Enri voltou para sua casa. Na
escuridão, parecia especialmente solitário.

“Ah — estou tão cansada...”

Enri preguiçosamente tirou a roupa e se enfiou embaixo das cobertas. Ela tinha sido tão
barulhenta quando aprendia agora, mas agora tudo que ela podia ouvir eram os sons
fofos de sua irmãzinha dormindo. Enri fechou os olhos em silêncio.

Tendo trabalhado tanto em seu cérebro, Enri tinha certeza de que ela cairia no sono
imediatamente. Assim como ela esperava, ela desmaiou em segundos depois de fechar
os olhos.

Ela não sabia quanto tempo tinha dormido, mas um som distante a despertou de seu
sono.

Três batidas. Uma pausa e depois mais três batidas.

Enri percebeu o que aquele ritmo significava e então forçou os olhos a se abrirem na
escuridão. Sua mente acordou com velocidade anormal e percebeu que ainda estava em
casa, e então ela praticamente pulou da cama. No mesmo momento, sua irmã também
acordou.

“Você está bem?”

“Mm.”

Sua voz tinha um tom de medo, mas parecia que ela ainda podia se mover.

“Prepare-se agora!”

“Mm!”
Acender uma lâmpada perderia muito tempo, então Enri se preparou para fugir no es-
curo.

Quando o som dos sinos passou pelo vento, Enri e Nemu se prepararam rapidamente. A
rapidez foi uma velocidade nascida não apenas de repetidos exercícios de evacuação,
mas do velho terror que restava de quando o vilarejo havia sido atacado no passado. E
depois de ouvir as palavras de Agu, ela teve uma idéia do que estava por vir.

“Nemu! Vá ao ponto de encontro! Eu cuido de mim!”

Sem esperar pela resposta da irmã, Enri pegou a mão de Nemu e saiu correndo pela
porta.

O sino ainda tocava alto, o que significava que havia uma situação de emergência. Além
disso, sinalizou que eles estavam definitivamente sob ataque.

Um canto de seu coração ainda esperava que fosse apenas um dos muitos exercícios de
treinamento, mas o frio no ar negava isso. Foi o mesmo frio que ela sentiu quando os
soldados atacaram antigamente.

Quando se aproximaram do ponto de encontro, Enri empurrou Nemu para a frente.

“Tudo bem, vá!”

Nemu acenou com a cabeça muito ligeiramente em resposta e, em seguida, correu em


direção ao local da reunião sem olhar para trás.

Depois de fazer isso, Enri foi brevemente preenchida com o impulso de segui-la, para
ter certeza de que ela pelo menos entrou no abrigo antes de sair.

No entanto, como uma chefe agora — mesmo fazendo poucos dias —, Enri teve que con-
siderar como ela iria evacuar todo o vilarejo.

Se eu não tivesse sido nomeada, ou se eu tivesse sido nomeada a mais tempo...

Esses sentimentos agora fluíam incontrolavelmente de seu coração.

“É como se algum deus maligno quisesse nos ver sofrer.”

Sem pensar, Enri deixou as palavras escaparem de sua boca. Este era o pior momento
possível para algo assim acontecer.

“Ane-san!”

Um Goblin correu até Enri.


“O que aconteceu? O que está acontecendo!?”

“Encontramos monstros na floresta. Alta chance deles nos atacarem.”

“Entendido, agora vamos!”

Com o Goblin liderando o caminho, Enri logo chegou ao portão principal. Ela viu que as
barricadas noturnas estavam armadas e os Goblins estavam reunidos aqui. Eles pareciam
veteranos experientes nas armas e armaduras que Enri havia comprado para eles.

Quando se aproximou, sentiu um fedor no ar, o que deixou Enri indiferente ao fato de
que havia Ogros presentes. Os Ogros agarravam seus novos tacapes, que pareciam rústi-
cos e ameaçadores.

Enri e o Goblin alcançaram o portão principal ao mesmo tempo que Nfirea ofegante e os
membros da força de autodefesa liderada por Britta. Além disso, Agu e alguns de seus
companheiros Goblins, aqueles cujas mentes se recuperaram o suficiente do trauma e
estavam prontos para lutar, eles se juntaram com eles também.

“Esse é o pessoal que temos? E a Lizzie-san? Alguma coisa a deteve?”

A avó de Nfirea, Lizzie, era uma magic caster habilidosa por si só. Por direito, ela deveria
ter participado na defesa do portão principal.

“Não, Obaa-chan não está vindo para cá. Ela está no ponto de encontro. Defender lá é
importante também.”

Os aldeões assentiram enquanto ouviam as palavras de Nfirea. Como os membros de


sua família haviam fugido para o ponto de encontro, também precisavam mantê-los em
segurança.

“Nós enviamos nossos caras que não são bons com arcos por ali. Já que vocês são fortes,
você pode despachar alguém para ir até lá e manter os ânimos elevados?”

“Não podemos fazer isso.”

Jugem recusou terminantemente o pedido de Britta.

Jugem e os outros não haviam feito isso por malícia em relação aos aldeões com quem
ele havia vivido e trabalhado. Como a tensão crescente fez Enri engolir, Jugem explicou
sua posição.

“Há muitos monstros. E há muitas outras espécies, além de Ogros. Dividir-se seria muito
perigoso.”

“Você tem uma imagem clara dos números?”


“Britta-san, o inimigo estava à espreita na floresta. Não há como julgar com precisão
seus números. No entanto, conseguimos obter uma estimativa... sete Ogros, várias Cobras
Gigantes, vários Wargs, várias formas parecendo Barghest e algo enorme seguindo atrás
deles.”

“Wargs viajando com Cobras Gigantes e Ogros? Existe um druida por trás deles?”

Wargs são feras mágicas que pareciam lobos, mas maiores. Eles eram mais espertos que
lobos, uma má notícia se você os encontrar na floresta.

“É muito provável. As coisas vão ser muito ruins se eles tiverem um magic caster do lado
deles. Provavelmente, podemos supor que eles também atacaram à distância. Então seria
melhor organizar todo o nosso poder de luta aqui, não? Devo chamar Obaa-chan?”

“Isso... é difícil dizer, Ani-san. O ponto de encontro é um dos edifícios mais sólidos aqui.
Se alguma coisa acontecer, será a linha defensiva final ou, em outras palavras, a torre.
Não podemos deixar ninguém que protege aquele lugar sair de lá.”

“...Então, nós recuaremos enquanto lutamos? Onde eu deveria lutar?”

“Britta-san, você liderará a força de defesa. Espero que você possa transmitir clara-
mente minhas ordens para eles e fazer o que a situação exigir.”

“Então, vamos usar a estratégia anti-invasão dois? Depois de enchê-los de flechas, usa-
remos barricadas para mantê-los afastadas enquanto os apunhalamos pelas brechas com
lanças. Eles não precisarão mirar nas pessoas, apenas continue perfurando.”

“Isso mesmo, eu vou deixar isso para você, então. No entanto, Wargs e Barghests são
muito ágeis. Se permitidos vagar livremente, eles causarão muitos danos. Segmente-os
primeiro. Além disso, quando o druida aparecer, você se importaria de voltar?”

“Eu não sou contra isso, mas você terá pessoas suficientes na frente se a força de defesa
recuar?”

“...Se tivermos sorte, vamos ser o suficiente.”

“Entendo... como eu pensei, é melhor eu dizer a todos aqui para estarem prontos para
morrer. Pelo menos, se estivermos nos fundos, não seremos atacados, para que possa-
mos concentrar o ataque à distância no druida. Você sabe, eu já fui uma aventureira, mas
esta é a primeira vez que eu vi aldeões tão corajosos... muito mais se comparado quando
eu os vi treinando com arcos.”

“Isso é porque o vilarejo foi atacado no passado... e odiamos o quão impotentes nós éra-
mos.”
Enri, que estava em silêncio até agora, concordava com os sentimentos de todos os
membros das forças de defesa.

A verdade era que, apesar de seus rostos pálidos, ninguém aqui queria fugir. Eles tinham
que ficar e lutar, tinham que proteger seu vilarejo, suas famílias. Afinal, seus amigos e
entes queridos estavam por trás deles.

“Falando nisso, uma força tão grande deve ter sido reunida por um ser poderoso. Isso
significa que eles foram enviados pelo Gigante do Leste ou pela Serpente Demônio do
Oeste?”

“Isso não é impossível.”

Jugem confirmou suavemente as suspeitas de Britta.

Se fosse esse o caso, significaria que Agu tinha atraído os monstros aqui. Foi por isso
que Jugem baixou a voz, para que a força de defesa não percebesse e direcionasse sua
agressividade para Agu.

Eles já tinham contado aos aldeões sobre o Gigante do Leste e a Serpente Demônio do
Oeste, bem como o fato de que seu poder rivalizava com o do Sábio Rei da Floresta.

Embora a Fera tivesse sido domada pelo Herói Negro, a forma e a presença do poderoso
monstro haviam sido gravadas indelevelmente nos corações dos aldeões. O medo era a
resposta apropriada ao pensamento de lutar contra algo no mesmo nível que isso, inimi-
gos que eles não tinham chance de derrubar.

“Então a Serpente Demônio do Oeste usa magia estranha? Porra, que saco.”

Nfirea acenou para Britta, resmungando.

“Geralmente, os monstros com magias raciais não têm mais de dez, mas se eles são do
tipo que pode praticar e aprender magia, eles terão acesso a muitos mais, o que os torna
problemáticos. Se eles souberem magia que lhes permitisse atravessar paredes...”

“Fico feliz que o Enfi e os Goblins possam usá-lo, mas deixar o inimigo usar magia será
muita trapaça.”

Enri disse isso em um tom infeliz, que atraiu sorrisos sombrios dos aldeões.

“...Mas não digam ao Gown-sama que eu disse isso, tá bom?”

O termino da frase fez os aldeões sorrirem.


Isso deve aliviar um pouco as coisas, pensou Enri. Embora fosse ruim se eles estivessem
muito relaxados, ficar muito tenso também os impediria de lutar efetivamente. O clima
agora parecia certo.

Jugem olhou agradecido para Enri. Parece que ele entendeu esse ponto também.

“Força de defesa, não se preocupem. Apenas fique longe e atire. Nós vamos lidar com a
vanguarda.”

Os Goblins haviam treinado a força de defesa precisamente para momentos assim, então
essa era a melhor maneira de implantá-los.

Reunir espadas e armaduras suficientes para equipar todos na força de defesa era muito
difícil em um pequeno vilarejo, que nem ferreiro tinha. E no final, eles ainda eram aldeões.
Eles podem ter braços fortes de usar enxadas e pás, mas isso não se traduz em habilida-
des de espada. Apenas um gênio poderia treinar-se em um guerreiro de um nível que
poderia derrotar monstros em seu tempo livre entre as tarefas.

Com esses pontos em mente, os Goblins perceberam que não poderiam treinar a força
de defesa a um nível em que pudessem lidar com o dever da vanguarda. Em vez disso,
eles decidiram ensiná-los a usar arco e flecha para deixá-los lutar na linha de trás.

Embora sua técnica tenha melhorado e pudessem atingir seus alvos, eles não conse-
guiam puxar os arcos fortes que tinham bom poder de penetração, tornando difícil infli-
gir dano a monstros de pele grossa. No entanto, se eles tivessem sorte e disparassem em
uníssono, havia uma chance de que eles pudessem atingir um ponto vulnerável.

“Tudo bem, assim como nós treinamos, alinhamos e miramos no outro lado da porta!
Agu, você agirá só depois que a porta principal é quebrada. Fique em pé com a força de
defesa e apunhale o inimigo com lanças. Trate os comandos da Britta-san como se eles
viessem da Ane-san e obedeça!”

“Ohhh! Deixe comigo!”

“Esse é o espírito. Agora, ouça. Eu te proíbo de fugir. Lute com sua ira, até morrer.”

“Claro! Eu definitivamente vou retribuir a gentileza que você demonstrou ao me salvar!


Na verdade, por que não me colocar na linha de frente com os Ogros?”

“Seu garoto idiota! Se eu deixasse você fazer isso, acabaria morrendo em poucos segun-
dos. Se um dia ficar forte, eu te coloco lá!”

Depois de ser repreendido pelo líder, o rosto de Agu encheu-se de arrependimento e


alguns membros da força de defesa foram consolá-lo.
Enri suspirou aliviada ao ver isso. Por um lado, isso significava que os aldeões não o
viam como a razão para trazer os monstros para dentro. Por outro, era a prova de que
Agu foi aceito pelos aldeões.

Eles foram os últimos forasteiros a chegarem no vilarejo. Embora não tivessem sido evi-
tados ou maltratados, ainda havia uma distância entre eles. No entanto, do ponto de vista
das coisas, essa lacuna desapareceria se eles ganhassem hoje. Era irônico que o campo
de batalha fosse o melhor lugar para construir os laços de camaradagem.

E foi porque ele sentiu aquela divisão que Agu lutou tão ferozmente. Seu objetivo era
contribuir e elevar a posição de si mesmo e de seu povo. Era o mesmo na sociedade hu-
mana, que respeitava aqueles que derramaram sangue por eles. Considerando que o sta-
tus de seu pessoal dependia muito de como Agu e seus dois amigos se apresentavam, era
natural que ele estivesse tão apaixonado por isso.

“Enfi, tem algo que quero pedir a você.”

Enri ficou ao lado de Nfirea e sussurrou em seu ouvido.

“Oh, não, mas é um pouco — ah. Mm. entendi. Então — Agu, eu tenho algo para confiar
a você e seus amigos, está tudo bem? Eu vou te dar meus itens alquímicos, então eu es-
pero que você os use com sabedoria.”

Nfirea abriu sua mochila. Dentro havia muitas garrafas e saquinhos de papel.

“Use estes e jogue-os no inimigo. Você errará se estiver muito longe, então tente usá-las
em alcance médio... você está pronto para isso?”

“Deixe comigo! Eu vou realizar essa tarefa perfeitamente!”

Agu aceitou a bolsa e, enquanto esperavam, um dos Goblins gritou para eles.

“Eles estão em movimento! Sem dúvida, eles virão por lá!”

Se alguém ouvisse, eles poderiam ouvir os sons de muitos monstros na noite.

“Tudo bem, força de defesa para suas posições! Ane-san, cuidado! Ani-san, você tam-
bém!”

“Sim! Entendi! Não morram, isso vale para todos vocês, por favor!”

“Deixe isso para nós! Então, vamos lá, Enri!”

Nfirea correu até Enri como sua escolta. O trabalho deles era inspecionar cada casa para
ver se alguém não havia notado a emergência.
♦♦♦

Enquanto observavam Enri sair, os Goblins foram para as estações de batalha.

“Força de autodefesa, para seus lugares. Esperem o inimigo entrar na área alvo.”

Não havia linha direta de fogo para os monstros do lado de fora do muro. Eles precisa-
riam atirar em um arco para fazê-lo, mas os amadores não podiam fazer isso e não tinham
tempo para treiná-los nesse nível. Portanto, os Goblins responsáveis pelo treinamento
da força de defesa decidiram especializá-los em uma única tarefa.

Eles treinaram a força de defesa para acertar flechas no outro lado do muro. Isso signi-
fica aprender o quanto de força usar, e praticar o ângulo certo para atirar, a fim de acertar
com precisão uma área específica. Era um treinamento que seria completamente inútil
fora de circunstâncias muito específicas. No entanto, uma vez que o objetivo do inimigo
era derrubar o portão e eles estavam concentrados na frente dele para atacar o portão, o
treinamento se provaria muito eficaz.

Os gritos dos monstros se aproximaram, e o portão principal estremeceu sob uma série
de impactos que podiam ser sentidos nos muros próximos também.

“Muito bom! Inimigos estão na área alvo! Fogo supressão — começar!”

“Aqui vamos nós!”

Em resposta ao grito de Jugem, os Goblins Arqueiros nas torres de vigia — Shuringan e


Gurindai — começaram a atirar. Enquanto o alvo estivesse dentro de sua linha de fogo,
os Goblins não poderiam errar. Gritos de agonia surgiram do outro lado da porta.

O barulho horrível do campo de batalha encheu o ar, fazendo os membros da força de


defesa tremerem de medo e nervosismo. Em meio a tudo isso, Jugem gritou mais uma
vez.

“Força de defesa — aguardem! Não levante seus arcos até que seja ordenado!”

Eles foram orientados a não atirar enquanto o inimigo não tivesse chegado ao local em
que haviam passado incontáveis horas aprendendo a atirar. No entanto, no instante se-
guinte, todos que olharam para as torres entenderam a razão disso.

Rochas foram arremessadas do outro lado do muro. Cada uma tinha o tamanho de uma
cabeça humana.

Embora muitas tenham errado, até mesmo um golpe de sorte nas torres de observação
os fez tremer visivelmente.
“Lançadores de pedras confirmados! Lançadores de pedras inimigos têm várias rochas
restantes!”

“Cada um tem cerca de três pedras e cerca de vinte e uma pedras no total — whoa!”

Outra rocha lançada atingiu uma torre de vigia e a madeira se estilhaçou.

Se eles começaram a atirar, a força de defesa se tornaria alvos também.

Era verdade que a força de defesa estava fora de vista do inimigo e sua precisão seria
baixa. No entanto, se eles fossem azarados, um único golpe poderia matar pessoas.
Mesmo uma rocha mal atirada poderia ferir gravemente alguém.

Pode-se dizer que Jugem ordenou que eles não atacassem por segurança. Também mos-
trou que Jugem não queria que ninguém morresse antes que a batalha prolongada pu-
desse começar.

“Não vão achando que não podemos bater em você só porque você está jogando pedras
em nós!”

Gurindai gritou com raiva, e começou a atirar novamente enquanto tecia através da sa-
raivada de pedras arremessadas. A força de defesa não conseguia tirar os olhos dele, ob-
servando o modo como ele destemidamente devolvia o fogo, sabendo que ele seria seri-
amente ferido se fosse atingido. No entanto, Jugem não estava olhando para ele. Ele rapi-
damente examinou o campo de batalha e encontrou novos inimigos em um instante.

“Kyumei! Cobras escalando no flanco esquerdo! Você consegue lidar com isso sozinho?

“Sem problemas, Líder! Deixe para mim!”

Kyumei, que estava parado na retaguarda, estimulou seu lobo para frente. À sua frente
estavam as Cobras Gigantes subindo o muro.

“Quinze, dezesseis! Vocês dois aguentam um pouco mais!”

Não havia necessidade de palavras de Jugem. Nenhum indício de medo podia ser visto
nas posições de tiro dos dois arqueiros no topo da torre de vigia. Embora a torre desa-
basse sob eles mesmo sem mais ataques, eles continuaram mirando nos monstros e pro-
vocando ataques de pedra. No flanco esquerdo, Kyumei parecia estar bem contra as co-
bras.

Finalmente, a torre de vigia inclinou-se e quebrou sob a barragem de pedras atiradas.


Shuringan e Gurindai saltaram para o chão, rolando várias vezes para dispersar o im-
pacto de sua queda.

“Arqueiros da força de defesa prontos!”


Em resposta ao chamado, os arqueiros prepararam seus arcos.

“Respire fundo! Puxa — Solta! Puxa — Solta!”

Essa voz era como o treinamento deles e, por um momento, os arqueiros da força de
defesa esqueceram que estavam no campo de batalha. Eles ignoraram o som das madei-
ras rangendo e executaram os mesmos movimentos que aprenderam durante a prática.

“Disparar!”

Quatorze flechas traçaram belos arcos pelo céu e desapareceram atrás da muralha,
atraindo mais gritos de dor dos monstros.

“Incrível.”

Murmurou para si mesmo, mas Jugem não teve tempo para se preocupar com ele.

“Segunda onda preparar! — Não entre em pânico! — Respire fundo! Puxa — Solta! Puxa
— Solta!”

A esta altura, Shuringan e Gurindai foram curados e tomaram seus lugares pela força de
defesa.

“Disparar!”

Mais uma vez, quatorze flechas voaram para a frente, seguidas um pouco depois por
outras duas. A porta rangeu mais alto quando os gritos do inimigo se intensificaram. As
flechas devem ter os deixados com raiva — e os fizeram bater mais forte.

“Dêem apoio! Troquem de armas!”

A força de defesa moveu-se em grupo atrás das barricadas posicionadas atrás do portão
principal. Qualquer um que estivesse entrando ficaria preso nas barras e pontas do obs-
táculo. O arranjo estava em forma de “L”, levando os atacantes até onde Jugem e os Ogros
estavam esperando por eles. Para os intrusos, romper o portão seria como saltar da fri-
gideira para o fogo.

“Se você ver qualquer magic caster, saiam de sua linha de fogo!”

“Líder!”

“Qual é o problema, Agu?”

“Ani-san me deu alguns itens alquímicos tem cola aqui no meio, onde você quer?”
“Será absorvido pela lama?”

“Sim, mas ele disse que só diminuiria sua duração efetiva.”

“Se sim, espere por uma boa oportunidade e jogue na entrada.”

Depois de mostrar que eles entenderam, Agu e seus companheiros de tribo se afastaram
como um só. Kyumei retornou após derrotar as Cobras Gigantes e se dirigiu imediata-
mente ao Goblin Clérigo para receber a cura.

Ouviu-se o som de madeira se despedaçando e um dos lados do portão principal estava


abaixado. Inimigos Ogros surgiram através da brecha.

“Kuku, um bando de tolos sem cérebro.”

Jugem zombou dos novos inimigos. Eles haviam cometido um erro fatal.

Os monstros só tinham quebrado um lado das portas. Uma vez que o lado estava para
baixo, eles desistiram de quebrar o outro lado e forçaram sua entrada, especialmente
porque tinham medo de ser atingidos por flechas se permanecessem do lado de fora. No
entanto, com apenas um lado da porta para baixo, eles só poderiam vir um de cada vez,
o que significava que muitos inimigos estavam presos na entrada. Além disso, eles foram
pegos no ângulo de uma emboscada em forma de L, onde todos os defensores poderiam
concentrar seus ataques em um pequeno número de atacantes de cada vez.

“Bem-vindo à zona de morte. Hora de morrer.”

Os Ogros armados do vilarejo tinham uma vantagem em uma luta contra seus colegas
selvagens, e a força de defesa tinha lanças para ajudar. Qualquer Ogros que tentasse der-
rubar as barricadas seria derrubado pelos Arqueiros Goblins, a Goblin Maga e os itens
alquímicos de Agu. Os Goblins lidariam com qualquer fera que atravessasse o caos.

A situação era esmagadoramente favorável a eles e ainda havia os Goblins Cavaleiros de


Lobos de prontidão. Se o inimigo não tivesse magic caster, sua vitória seria assegurada.
Contudo—

“—O que é isso?!”

Pânico entrou na voz de Jugem:

“Aquela coisa é um Troll?”

Parecia diferente de um Ogro, mas era do mesmo tamanho. Ele se inclinou para os de-
fensores, emitindo uma presença opressiva quando se aproximava. Em sua mão, segu-
rava uma grande espada com uma aura sobrenatural emanando dela.
Uma substância úmida fluía do meio da lâmina até as bordas. Isso deve ser alguma forma
de magia.

“O chefe entrou em campo? ...Poderia ser... o Gigante do Leste?”

Certamente parecia assim. Seu corpo forte parecia ter sido treinado até que fosse tão
duro quanto aço e era completamente diferente de qualquer dos Trolls que Jugem co-
nhecia. De relance, ele podia ver como poderia estar a par com a Fera do Sul.

Apenas um Troll já exigiria que todos os Goblins unissem suas forças. Era um inimigo
mais difícil do que qualquer outro que já enfrentaram.

“Se for esse o caso...”

Jugem pensou sobre o que fazer.

Parecia sem esperança. A melhor maneira seria cobrir a fuga de Enri. Se ela não quisesse,
então mesmo que eles tivessem que forçá-la—

“...Não, não é o melhor caminho. Esse é o pior caminho e nosso último recurso.”

Tendo desistido dessa ação, Jugem falou com suas tropas.

“...Ei, vocês aí. Hoje jantaremos no inferno. Nem pensem em coisas infantis como voltar
atrás. Marquem suas presenças heroicas nos olhos de todos!”

Os Goblins responderam com um rugido cheio de espírito de luta. Em um instante, ini-


migos e aliados pareciam congelar.

“Aqui vamos nós rapazes! Vamos mostrar a eles o poder dos garotos da Ane-san!”

♦♦♦

Depois de um circuito do vilarejo e confirmando que ninguém havia sido deixado para
trás, Enri soltou um suspiro de alívio. Só então, o som de algo quebrando veio da frente.
Ele foi seguido por gritos de batalha de ambos os lados, e os sons graves estrondosos
agitaram suas entranhas.

Esse foi provavelmente o som do portão quebrando e os Goblins se juntando à batalha.


Ela engoliu a queimação que subia pela garganta devido ao estresse. O gosto amargo per-
maneceu em sua boca, mas ela ignorou para olhar para Nfirea.

“Enfi. Nós deveríamos estar indo para o portão.”

“Entendido. Mas você precisa ir ao ponto de encontro e tranquilizar a todos, é isso?”


As palavras de Enfi tinham o subtexto de não entrar no caminho de todos os outros.

Enri também tinha sido treinada no uso de um arco, mas agora que o portão havia sido
quebrado, a batalha teria se movido para perto com uma lança. Para ser honesta, mesmo
que Enri fosse lá agora, havia pouco que ela pudesse fazer.

“Eu não posso fazer isso. Escolhi liderar os Goblins e os aldeões e, enquanto puder, pre-
ciso fazer isso. Embora recuar seja a coisa certa a fazer, não posso fazer isso.”

Ela tinha que ficar na linha de frente e ver como a batalha seria travada. Depois de ver a
convicção nos olhos de Enri, Nfirea afastou o cabelo para revelar suas feições endureci-
das.

“Isso é verdade. Compreendo. Eu protegerei você.”

A expressão séria no rosto normalmente calmo de seu amigo de infância fez o coração
de Enri bater de formas estranhas e maravilhosas.

“Mm? O que há de errado, Enri? Eu sei, eu não sou tão legal quanto o Gown-san, mas eu
não vou deixar você morrer.”

“...Não diga essa palavra.”

“Ah, me desculpe. Isso... Isso...”

Ao ver seu amigo de infância lutando pelas palavras para usar, como ele sempre fazia,
Enri sorriu.

“Vamos, Enfi!”

“Ah sim! É isso mesmo, não temos tempo a perder conversando!”

Os dois correram para o portão da frente. Como eles tinham começado a correr pelo
portão traseiro, que ficava mais distante, levariam algum tempo para chegar lá, mesmo
que corressem em alta velocidade. E se eles chegassem lá sem fôlego, eles só entrariam
no caminho se a luta estivesse acontecendo. Para não deixar a pressa desperdiçar, eles
prosseguiram a uma velocidade moderada.

No entanto, eles só correram por alguns segundos. Os dois ouviram um som de estô-
mago revirando e pararam de repente.

Olhando para trás, eles viram algo se revelando atrás do muro.

Era enorme e bizarro. Era muito maior que seu equivalente humano e, por um momento,
não conseguiram descobrir o que era. Na verdade, parecia um dedo. Algo segurava o topo
do portão dos fundos, que tinha 4 metros de altura, com a mão.
“—Isso, o que é isso? Um gigante?”

“Eu não sei! Ah—”

As palavras de Nfirea foram cortadas pela metade e sua boca ficou aberta. Enri se virou
freneticamente para olhar o que o surpreendeu e acabou fazendo a mesma expressão.

Algo estava subindo lentamente no muro. Algo que não poderia ser um ser humano.

“Seria isso um Troll?”

Quando ela ouviu Nfirea respirar essas palavras, Enri olhou para o monstro emergente.

“O que é isso?”

“Embora seja a primeira vez que eu vejo um, é exatamente como eu ouvi que seria. Se
isso é realmente um Troll, estamos com graves problemas... Trolls são oponentes que até
mesmo os aventureiros classificados como ouro teriam dificuldade em vencer. Honesta-
mente falando, até Jugem e os outros provavelmente teriam dificuldades.”

Enri sentiu o sangue escorrer enquanto ouvia falar de algo mais forte do que o ser mais
poderoso do vilarejo. O Troll que estava revelando sua silhueta maciça bufou, e lenta-
mente olhou em volta, nos arredores.

Nfirea agarrou Enri pela mão arrastou-a para as sombras de uma casa próxima. Ele co-
briu a boca e sussurrou em seu ouvido.
“Enri, os Trolls têm olfatos muito sensíveis. Tudo bem por agora, já que estamos a favor
do vento, mas é cedo demais para ficar tranquila. Você precisa sair daqui... depois se en-
contrar com os Goblins.”

Enri se aproximou de Nfirea e sussurrou de volta em seu ouvido.

“Eu não posso, Enfi. Se deixarmos esse cara ir ao portão principal, todos morrerão no
ataque de pinça.”

“Esse pode ser o caso, mas agora, não podemos—”

“—Nós somos os únicos aqui. Isso significa que é nossa obrigação pará-lo.”

Entre a lacuna no cabelo, os olhos de Nfirea olharam para Enri como se ela tivesse en-
louquecido. Com certeza, Enri percebeu que acabara de pedir que os dois fizessem o im-
possível, mas não havia outro jeito.

“Não precisamos vencer ou derrotar. Nós só precisamos atrasar. Enfi, por favor, me em-
preste sua força.”

“Como vamos atrasar isso? Atrair esse cara para longe daqui? Eu suponho que eu pode-
ria lutar diretamente... mas duvido que algum ataque meu cause algo.”

As palavras calmas de Nfirea revelaram uma determinação calma dentro dele. Em res-
posta, Enri apresentou seu plano.

“Eu tenho um plano. Para começar, vamos precisar de alguns Ogros.”

♦♦♦

O Troll olhou brevemente para uma casa de madeira feita pelo homem e começou a se
mexer.

Todas as casas cheiravam a seres humanos macios e deliciosos, mas sabia que era ape-
nas um resquício de aroma. Depois de verificar que não havia outros aromas na área,
começou a caminhar na direção de onde vinha o som da batalha. O som de humanos lu-
tando contra seus irmãos fez babar, e imaginou os humanos que estariam lá.

Um banquete suave de carne humana.

Como gourmet entre os Trolls, ele amava os membros carnudos e não gostava das en-
tranhas amargas. Portanto, era raro que pudesse se satisfazer, mas agora parecia que
teria a chance de fazer exatamente isso.

Seus passos cresceram mais enquanto babava em antecipação.


No entanto, o Troll parou e olhou cuidadosamente nos arredores. Ou melhor, olhava nas
sombras de uma casa próxima.

Havia Ogros.

O cheiro de Ogros estava flutuando de lá.

Ele franziu a testa. Embora os Ogros fossem seus aliados, havia uma ligeira diferença no
cheiro que estava captando. Foi um dos que ele não tinha memória anterior. E agora vi-
nha de trás da casa, cercando-o.

É claro que não chegara a essa conclusão porque seu olfato era tão sensível quanto o de
um cão de caça, mas porque lembrava o odor único de seus aliados Ogro. Como tal, não
sabia quantos Ogros havia.

E isso trouxe uma questão. Havia um cheiro misterioso aqui também, como o cheiro de
grama esmagada, mas muito mais forte.

Será que aqueles Ogros se lambuzaram com os sucos de grama amassada?

Ele ponderou sobre essa questão e ficou confuso. O forte odor de ervas picou seu nariz
e suas lágrimas estavam prestes a fluir. Se os Ogros podem suportar esse mau cheiro,
deve ter sido porque tinham um olfato ruim.

Isso poderia levá-los cara a cara. Por ser um Troll, era muito mais forte que qualquer
Ogro. No entanto, isso não significava que poderia escapar ileso, e levaria tempo para
lidar com eles.

Já que os Trolls tinham a capacidade racial de regeneração, suas feridas se recuperavam


com o tempo. No entanto, regenerar seus ferimentos ainda demoraria um pouco, o que
era problemático. Quem sabe, seus companheiros Ogros poderiam ter comido todos os
humanos, isso ele saberia quando chegasse lá.

Desde que a oposição se dispersou, eles devem estar planejando atacar todos de uma
vez quando se moverem para atacar.

Sentiu um vislumbre de orgulho ao ver o plano de seus oponentes e lentamente come-


çou a se mover novamente, pretendendo circular pela casa.

Seu objetivo era destruir todos eles rapidamente. Assim, o fato de seus oponentes terem
se separado foi uma oportunidade de ouro. Tudo o que precisava fazer era matar os
Ogros um por um, começando com o que estava à beira do grupo.

Moveu-se devagar, tomando cuidado para não fazer barulho, mas, de repente, uma pe-
quena sombra surgiu de uma casa próxima.
Não era um Goblin, mas uma de suas presas prediletas, os humanos.

Em contraste com o Troll que havia sido surpreendido pela inação, o humano de capa
espirrou algo sobre ele.

“Uguooooaaaahhh!”

O Troll gritou do fedor avassalador. O material verde emitia um poderoso fedor que pe-
netrava em seu nariz. Esse cheiro era várias vezes mais forte que o dos Ogros manchados
de grama.

Mesmo que pudesse se regenerar, isso não era uma ferida que poderia curar. Simples-
mente não aguentava o cheiro. Seus olhos lacrimejaram e deu um passo em direção ao
humano, mas já havia corrido para dentro da casa.

A razão pela qual o humano conseguiu chegar tão perto, apesar do senso de olfato do
Troll, era porque o cheiro do humano tinha sido mascarado pelo cheiro da grama esma-
gada.

Irritado com a perda de seu alvo, o Troll retornou ao seu alvo anterior — os Ogros. Pri-
meiro, mataria os Ogros e então descobriria aquela comida tentadora (humanos), pensou
o Troll.

O Troll circulou a casa com raiva, mas não encontrou nenhum sinal dos Ogros. Era como
se tivessem desaparecido no ar.

“Guuuuu, onde?”

Olhou em volta. Os Ogros eram grandes, apesar de serem menores que um Troll, mas
mesmo assim não conseguiu encontrar nenhum Ogro. Uma vez que eles movessem seus
corpos maciços, o Troll deveria eventualmente tê-los visto. Poderia aqueles Ogros insig-
nificantes ficarem invisíveis, como seu mestre? O Troll estava confuso com outra situação
que não conseguia descobrir e bufou.

No entanto, o forte cheiro de ervas que subiam de seu próprio corpo interferia em seu
olfato e não podia seguir a trilha do cheiro dos Ogros.

“Guuuuuuuuuu...”

O Troll gemendo raspou experimentalmente o fluido em seu corpo. Desta vez, seus de-
dos fediam. Olhando em volta, o Troll encontrou um pedaço de pano caído no chão.

O Troll considerou que seria bom se limpar com o pano e o pegou com uma expressão
curiosa no rosto. Levou o pano ao nariz e cheirou. Seu olfato pode ter sido desativado,
mas ainda podia sentir um pouco de cheiro.
O Troll sentiu cheiro de Ogro no pano e, de repente, entendeu.

Ele tinha confundido este pano que fedia a Ogro como sendo um Ogro.

Isto não foi uma coincidência.

“Huu-manos!”

Rugindo com raiva, o Troll começou a olhar em volta dos arredores. Sem humanos. En-
tão eles ainda devem estar em suas casas.

O punho do Troll bateu furiosamente em uma casa próxima e, depois de martelá-lo vá-
rias vezes, estendeu a mão para arrancar o teto, com a intenção de destruir o interior.

Um humano saiu correndo em pânico enquanto demolia a casa. Ansioso para o humano
se separar dos outros, ele perseguiu.

♦♦♦

O alvo (o Troll) estava perseguindo-a. Isso significava que o plano estava funcionando.
Embora ela fosse grata por isso, seu coração estava à beira de apoderar-se e ela queria
chorar. Um monstro gigantesco e devorador de homens a pressionava a correr, e esse
jogo de pega-pega — se ela perdesse, ela desapareceria na garganta daquele monstro —
era algo que levaria uma garota comum a lágrimas.

O fato de ela não saber quanto tempo teria para jogar esse jogo a fez querer chorar muito
mais.

Se ela soubesse quando terminaria, ela poderia ter sido capaz de continuar fugindo até
o final. No entanto, ela não sabia quando a batalha no portão terminaria ou se alguém
havia notado esse jogo mortal de gato e rato, e sempre que ela pensava sobre essas coisas
desconfortáveis, sentia sua força se esvaindo.

Enri lamentou não enviar alguém para o portão principal para fazer um relatório, mas
os preparativos demorariam demais.

Ela correu com todas as suas forças, correndo para a casa onde Nfirea estava esperando.
Por sua vez, Nfirea saiu correndo pela porta dos fundos, usando a mesma capa de antes.
Enri prendeu a respiração, engolindo em seco e esperando que o inimigo não tivesse
visto o esquema deles. O Troll continuou perseguindo Nfirea, não tendo notado o chama-
riz.

Enri acalmou sua respiração irregular e apertou as mãos em deleite.

Trolls eram muito superiores aos humanos em resistência, comprimento de passo e ca-
pacidade física, portanto, uma única pessoa fugindo definitivamente seria capturada. A
fim de recuperar a resistência e se mover por longos períodos, eles decidiram mudar um
com o outro sem deixar o inimigo perceber. Isso foi planejado para comprar tempo e
evitar que ele chegasse ao ponto de encontro onde as pessoas estavam.

A questão, então, era como enganá-lo.

Como os Trolls podiam distinguir os humanos? Talvez, se eles vivessem juntos o tempo
suficiente, teriam algumas maneiras, mas isso não era tempo suficiente. Praticamente
falando, seria pela aparência, especialmente roupas. Como tal, Nfirea e Enri tinham usado
as mesmas capas de chuva e ponchos.

Em seguida, eles tiveram que evitar que se diferenciasse entre os dois através de seu
olfato, e o suco de ervas era para cuidar de seu nariz afiado.

Enri havia preparado duas armadilhas baseadas no cheiro — uma era usar o fedor de
Ogros para detê-lo em suas trilhas, e a outra estava usando o fedor das ervas para deso-
rientá-lo.

Depois que ela conseguiu manter sua respiração sob controle. Enri começou a se mover
furtivamente para a próxima casa.

Ela entrou no interior escuro da casa, espiando a situação do lado de fora. Com um som
de *dong*, Nfirea correu para dentro na velocidade máxima. Nesse momento, Enri saiu
correndo pela porta dos fundos por onde entrara.

Mas então Enri percebeu que o Troll não a estava seguindo, embora ela tivesse fugido
da casa.

O Troll bufou, depois olhou entre Enri e a casa. Sua cara feia se contorceu ainda mais.
Ela adivinhou que o olhar em seu rosto poderia ser surpresa.

Suor frio escorria na garganta de Enri. Ela se tocou inconscientemente, quando sua mão
retornou, estava fria e molhada.

“...Seu nariz já se acostumou com isso?”

O Troll se acostumara com o cheiro das ervas, e agora suspeitava do cheiro do suor.
Parecia ter percebido que havia dois humanos.

O Troll levantou a mão e a moveu para a casa. Nfirea correu novamente. No entanto,
seus passos pararam, e ele não parecia que ia fugir.

“Enri! Fuja! Eu vou te comprar algum tempo!”

“—Idiota! Corra comigo!”


“Ele definitivamente nos alcançará! Mesmo se usarmos as casas como escudos!”

Os olhos de Enri se arregalaram e Nfirea sorriu para ela.

“Eu sou mais forte, então há uma chance maior de eu sobreviver se você me usar como
uma distração!”

Nfirea conjurou uma magia e seu próprio corpo foi envolvido por uma bolha de luz su-
ave e gentil.

O que ele disse fez muito sentido, e ela não pôde refutá-lo. Vendo isso, Nfirea sorriu
novamente.

“E além disso — eu quero proteger a mulher que amo.”

Nfirea se virou para o monstro feroz, erguendo o punho e apontando o polegar para si
mesmo.

“Vamos lá, cara grande, eu vou brincar com você! Venha, se você for forte o bastante!
「Acid Arrow」!”

Quando Nfirea insultou o Troll de maneira decididamente fora de sua personalidade, ele
disparou uma flecha verde de ácido contra ele. Quando acertou, o vapor subiu com o som
de assobios e bolhas, fazendo o grito do Troll em agonia, duas vezes mais alto que ele.

O Troll fixou seus olhos enlouquecidos pela raiva em Nfirea. Não prestou mais atenção
a Enri.

“Vá! Vá e peça ajuda!”

Seria tolice perder tempo aqui.

“—Não morra, é uma ordem!”

Dizendo isso, Enri fugiu.

O Troll não parecia querer segui-la.

♦♦♦

Francamente falando, suas chances de sobrevivência eram zero. Havia uma diferença
esmagadora em suas respectivas capacidades físicas. E não havia como triunfar sobre um
inimigo que precisava de aventureiros classificados como ouro, para só assim derrotar.

Era uma batalha tão desesperadora que ser capaz de aguentar um minuto sequer era
digno de elogios.
“É, eu vou morrer.”

Nfirea sorriu amargamente enquanto observava o Troll, que se aproximava com cautela.

Não pode regenerar danos causados por ácido e fogo. Por causa disso, o Troll foi espe-
cialmente cuidadoso em torno de Nfirea, que poderia derrotar sua maior habilidade. Po-
deria ter vencido imediatamente se tivesse feito uma investida, ainda mais dadas as cir-
cunstâncias, Nfirea não pôde deixar de rir.

“Bem, isso funciona para mim. 「Hypnotism」!”

A hostilidade do Troll parecia inalterada. Parecia ter resistido a magia.

Percebendo que havia sido alvo de uma magia, o Troll atacou.

O corpo gigantesco se aproximando dele era como uma cena de um pesadelo.

“Se funcionasse, eu poderia ter aguentado um pouco mais... não tive essa sorte. Ahh, que
pena.”

Nfirea parecia ter desistido. Isso porque era uma batalha completamente invencível,
que havia cruzado a linha de bravura a imprudência. Mas mesmo assim—

—Ele precisava ganhar tempo para Enri.

Esse pensamento foi o que levou Nfirea a se mover.

Tomando nota do braço esquerdo erguido do Troll, ele correu para a frente e para a
esquerda. Buscando a vida na morte, ele mergulhou de cabeça no perigo para alcançar a
segurança além dela. O punho do Troll o seguiu, e o vento de sua passagem bagunçou seu
cabelo. E na frente de Nfirea, um poderoso pé o chutou como uma parede em movimento.

A visão de Nfirea girou descontroladamente enquanto ele voava pelo ar, seu corpo fa-
zendo sons estridentes como galhos quebrados de árvores.

Ele bateu no chão com força e rolou várias vezes, como um pedaço de lixo descartado.

A dor percorreu o corpo de Nfirea, que ainda estava rolando pelo chão. Essa foi a maior
dor que ele experimentou em sua vida.

“Eu, eu de alguma forma consegui sobreviver. Isso é incrível. Eu sou incrível...”

Ele se agarrou à vida foi por causa dos efeitos de sua magia defensiva e do fato de que o
pé do Troll estava desprotegido quando o chutou. Ignorando a dor que o atravessava a
cada respiração, Nfirea se levantou e lançou outra magia.
“「Acid Arrow」!”

O Troll perseguidor parou em seu caminho, desconfiado da poça de ácido abrasador a


seus pés.

Mmm, como planejado.

O objetivo de Nfirea era ganhar tempo. Se o inimigo parasse de atacar e estivesse em


guarda, ele esperava que continuasse assim.

“...Droga, isso dói. Eu não quero morrer...”

Nfirea deu voz ao seu desespero.

No final, tudo o que a vida dele tinha conseguido—

Houve momentos em que não queria encarar os fatos, mas a situação obrigava a pessoa
a fazê-lo. Essa era uma situação dessas.

—Era que ele morreria aqui. Não havia dúvida de que ele morreria.

Ele queria correr. Talvez se ele corresse com todas as suas forças, ele poderia escapar.
Mas se isso acontecesse, que tipo de tragédia ocorreria?

Nfirea pensou em Enri.

Ele foi capaz de lutar porque Enri estava lá.

“Bem, eu me confessei a Enri... eu não. Eu não quero morrer antes de ouvir resposta.”

O Troll sempre se aproximando não conseguia entender o coração de um jovem apaixo-


nado.

Ele não podia mais demorar.

Ele não sabia como ele tinha feito isso, mas Nfirea conseguiu ler os pensamentos de seu
oponente através de sua cara feia. Estava determinado a matá-lo, mesmo que se machu-
casse. Se esse fosse o caso...

“—「Acid Arrow」!”

Tudo o que Nfirea podia fazer era ferir o Troll, a fim de facilitar as coisas para seus alia-
dos que enfrentariam o Troll depois dele.
O Troll ergueu o punho, o rosto torcido pela dor de ser queimado pelo ácido. Nfirea —
que estava com dor, mesmo permanecer em pé já consumia toda sua força — não tinha
como resistir ao próximo ataque.

♦♦♦

Por favor, se apressem!”

Liderados por Enri, os três Goblins correram para salvar Nfirea.

A razão pela qual eles se encontraram não foi porque Enri havia chegado ao portão prin-
cipal, mas porque Enri e Nfirea não haviam retornado, e os uivos que vinham da reta-
guarda preocuparam Jugem o bastante para mandar três Goblins para investigar.

Se eles pudessem ter percebido antes, os Goblins teriam salvado ela e Nfirea. Como Enri
pensou, seu coração estava retalhado pela culpa.

Isso foi realmente um golpe de azar.

Se as coisas não tivesse sido assim—

“Lá!”

Enri apontou para Nfirea, na frente deles. E elevando-se sobre ele, o Troll levantava o
punho.

Eles não podiam alcançá-lo para ajudar. A distância era longe demais.

A mão do Troll caiu como um raio. Poderia destruir uma casa em um único golpe. Nfirea
seria morto além de qualquer dúvida razoável.

Enri fechou os olhos e, na escuridão, ouviu os Goblins engolir em surpresa.

Sua resposta fora do lugar levou Enri a abrir os olhos com medo.

“Uau~ seu HP está no vermelho~ Você está bem ~su?”

—E ela viu uma linda mulher segurando uma arma gigantesca.

Lupusregina carregava uma enorme arma que parecia uma espécie de símbolo religioso
exagerado, segurando-a ao comprido e usando-a como um escudo para bloquear o punho
do Troll. O tamanho da arma e o braço esguio da empregada pareciam completamente
incompatíveis ao ponto da surrealidade, mas isso não era um sonho ou uma ilusão.
“Então, eu vou cuidar desse cara... Oh, espere ~su. Você está ferido, Enfi-chan. 「Heal」.”

O Troll recuou da cena incompreensível diante dele. O golpe no qual ele havia colocado
toda sua força fora bloqueado por um humano, de modo que sua reação era apenas es-
perada. Não, talvez achasse que havia algum tipo de magia trabalhando aqui.

Nfirea tinha um olhar atordoado no rosto quando virou as costas para o Troll e saiu
mancando. Era uma postura completamente desprotegida, mas o Troll não pressionou o
ataque. Não, não podia simplesmente ignorar a recém-chegada que havia assumido o lu-
gar de Nfirea antes dele.

“Enfi!”

Enri abraçou Nfirea com força.

“Ah, é você, Enri.”

Sua resposta fraca, como se estivesse sonhando, disse à Enri que ele estava no limite.
Embora ele estivesse fora de perigo, ele ainda sofreu grandes danos mentais.

“Estou feliz que você esteja bem.”

“—V-você também.”

Enri sentiu o calor voltar ao seu coração, substituindo o frio que a preenchera no mo-
mento em que pensava que Nfirea havia morrido.

“Estou muito feliz por você estar bem!”

Enri abraçou Nfirea com toda a força.

“Eu também.”

Nfirea estendeu os braços para abraçar Enri em retorno. Embora eles estivessem abra-
çando um ao outro com força, parecia muito confortável.

As lágrimas de Enri brotaram e se espalharam pelo rosto dela.

“O que está errado?”

“...Idiota.”

“Ahhhh~ Desculpe por interromper os dois pombinhos ~su.”

“Lupusregina-san!”
Enri deixou a força fluir de seus braços e, ao mesmo tempo, Nfirea afrouxou o aperto.
Sentindo-se um pouco desapontados, ambos se voltaram para Lupusregina.

“O Troll—”

Mudando sua linha de visão, Enri viu algo que era difícil de descrever.

“Ah, is~su? Parece um hambúrguer cru, não é? Tudo o que precisa é de um bom chur-
rasco.”

Uma bola de carne salpicada de sangue se mexeu e se contorceu sob a cabeça ensan-
guentada do Crosier de Lupus. Não havia nada sobre a pilha de carne quebrada que su-
geria que outrora fora um Troll. No entanto, o que tornou repugnante foi o fato de que
ele estava se regenerando lentamente e ainda respirando.

“Ahhh bem~ é bom que vocês dois estejam bem ~su. Então eu acho que posso limpar
as coisas por aqui ~su.”

Enri ouviu as vozes dos Goblins se aproximando. Parecia que a batalha pelo portão prin-
cipal havia sido vencida.

“E aí vem~”

Parecia que fogo havia descido do céu quando um pilar de chamas vermelhas engolfou
o Troll, produzindo o fedor de carne cozida.

“Isso cuida do Troll. Já que meu trabalho terminou, eu vou decolar. Ah, Enfi-chan, Ainz-
sama quer recompensá-lo por desenvolver a poção roxa, então ele convidou você para a
casa dele. Espero que seus assuntos estejam em ordem. Ou devo dizer alguma última
palavra?”

Depois de dizer isso, Lupusregina foi em direção ao portão dos fundos.

“Muito obrigada!”

Lupusregina não parou nem retrocedeu em resposta à gratidão gritada de Enri, apenas
acenou com a mão.

“...Ane-san, Ani-san, nós assumiremos a tarefa de guiar os outros. Vocês dois devem ir
descansar um pouco ali.”

Os Goblins foram embora sem esperar por uma resposta.

Não deveriam ter deixado alguém conosco...?


Pensou Enri, mas sua preocupação com Nfirea anulou isso, por isso ela lhe emprestou o
ombro para se apoiar.

Depois de deixar o cadáver do Troll para trás, os dois sentaram-se.

“Haaaa.”

Os dois suspiraram juntos. Então, os dois olharam quase simultaneamente para o céu
noturno.

“Você foi salvo.”

“Mmm.”

“Foi apenas boa sorte.”

“Mmm.”

“Não faça isso de novo.”

“Mmm.”

O silêncio fluiu entre os dois. Enri de repente falou as palavras em seu coração.

“Eu não sei se isso é amor ou não, mas eu não quero que você vá para longe de mim,
Enfi.”

“...Mmm...Mmm.”

“Isso é amor?”

“...Eu não sei. Mas se for, ficarei muito feliz.”

Enri e Nfirea não disseram mais nada, apoiando-se ombro a ombro e observando as es-
trelas até os Goblins chegarem—
Epílogo
ne-san, parece que você está pronta.”

A Comentou Jugem sobre a aparência de Enri quando ele entrou em sua casa.

“Sim, é como diz... é estranho?”

Quando ela perguntou a Jugem sua pergunta, Enri olhou para o vestido que estava
usando — um dos melhores que ela tinha, que ela normalmente reservava para o festival
da colheita.

“Não, o que você acha, Ani-san?”

“Mm. Você está muito bonita, Enri.”

“Mesmo!”

Com um rosto vermelho, Enri olhou para Jugem e Nemu enquanto sorriam. Ou melhor,
o sorriso de Nemu não era apenas travesso, era totalmente malvado.

Desde que o relacionamento de Enri e Nfirea deu um passo à frente, eles vinham obser-
vando-os com cada vez mais frequência. No entanto, ela percebeu que dizer qualquer
coisa sobre isso só iria envergonhá-la ainda mais, então ela sabiamente escolheu manter
a boca fechada.

No entanto, deixá-lo sozinho também era perigoso. Especialmente para Nemu.


Às vezes, sua irmãzinha fazia perguntas que ela não conseguia responder.

Parece que ela está subitamente madura mentalmente nos últimos dias... talvez eu devesse
pedir ajuda ao Enfi sobre isso...

Vendo o pedido nos olhos de Enri, seu amado — Nfirea — falou.

“Umm, ghrun! Falando nisso, Jugem-san, pode usar bem essa espada mágica? Eu ouvi
dizer que não é como espadas normais, e usá-la é cansativo.”

A grande espada que Jugem estava segurando foi obtida no ataque de vários dias.

“Eu me acostumei com o peso da espada e o centro de gravidade, para que eu possa usá-
la assim como a minha antiga espada. Seu fio e assim por diante são muito melhores que
a outra, como esperado de uma arma mágica. No entanto... o veneno aqui, enfraquece as
pessoas que corta, mesmo assim, é um pouco estranho...”

“Isto é? É um efeito poderoso?”

“Bem, não é um veneno particularmente forte. Alguém no meu nível pode resistir facil-
mente. No entanto, contra adversários mais fracos...”
O rosto de Jugem assumiu uma expressão sombria.

“O que está errado?”

“Ah—”

Jugem disse enquanto olhava para o teto, falando com uma voz irritada:

“Eu estava pensando no Troll de quem eu peguei essa espada. Havia algo estranho nisso.”

“O cadáver não parece diferente de um Troll normal. Talvez fosse um Troll mutante?”

“Não, não, eu não quis dizer isso, Ani-san. De seus movimentos, sua falta de regeneração,
o modo como eu senti quando eu cortei isso... parecia estranho... isso é certo, parecia com
um corpo que já estava morto. Algo bizarro e agourento assim.”

“Um cadáver em movimento? Como um Zombie?”

“Eu não sei. Pode haver uma espécie de Troll assim—”

“—Obrigada por esperar!” A porta se abriu no tempo com aquela proclamação jovial e
brilhante.

Com o sol às suas costas, Lupusregina entrou corajosamente na casa de Enri. Enquanto
Enri e os outros observavam em silêncio atordoado, um som agudo veio do topo da ca-
beça de Lupusregina.

“Owie~”

“Sua idiota. Como você pode ser tão rude? Todos, peço desculpas por ela.”

Depois de puxar Lupusregina de volta, a mulher atrás de Lupusregina curvou-se para


eles.

“Sou—. Eu sou a empregada de Ainz-sama, Yuri Alpha. Estou aqui para receber Nfirea-
sama, Enri-sama e Nemu-sama. Peço desculpas pela intrusão.”

“Ah sim. Por favor entre, Lupusregina também.”

A mulher que entrara com Lupusregina tinha uma beleza sobrenatural, assim como a
Lupusregina.

“Então, quando você estiver pronto, podemos começar o teletransporte imediatamente.”

“Te-teletransporte? Você pode se teletransportar?!”


Nfirea estava praticamente gritando. Embora Enri não soubesse o porquê Nfirea estava
tão surpreso, ela podia adivinhar que era algo grandioso.

Teletransportar o Chefe Guerreiro e os outros é grande coisa?

“Ah não. Este não é o meu poder, mas o de um item mágico que o Ainz-sama me deu.”

“...A trombeta, as poções também. Ele é incrível. Ele é tão incrível que não tenho idéia do
que está acontecendo.”

Os ombros de Nfirea caíram. Percebendo uma oportunidade, Enri decidiu fazer uma per-
gunta.

“Então, está tudo bem eu ir junto? E minha irmãzinha também!”

Hoje foi o dia em que o salvador do vilarejo, Ainz Ooal Gown, convidou Nfirea para sua
casa. No entanto, ela se sentiu desconfortável quando soube que até uma mera garota do
vilarejo, como ela, poderia acompanhá-lo. Seu anfitrião era um poderoso magic caster, e
eles eram pessoas que viviam em mundos completamente diferentes. A idéia de que ela
pudesse acidentalmente fazer algo rude fazia seu estômago doer.

“Está tudo bem ~su. Como estamos celebrando a nova invenção de Enfi-chan, sua na-
morada En-chan pode vir, sem problemas. O Ainz-sama também disse isso, ele sabe das
coisas. Não se preocupe tanto com formalidades.”

“...Lupus, cuide do seu tom.”

“Yuri-nee, o que há de errado com isso ~su? Somos amigas, certo? En-chan~”

“Eh? Ah sim. Sim. Está certo. Mm.”

Yuri suspirou com um “Haaa...”, então caminhou até a frente de uma parede próxima. De
repente, um gigantesco armário de madeira apareceu, como se fosse do nada. Era grande
o suficiente para as pessoas passarem com facilidade, e seu exterior era intrinsecamente
esculpido, então parecia um armário decorativo.

“...Isso é uma dimensão de bolso? Não, isso é muito grande, deveria ser uma magia de
maior nível.”

“Agora, por favor, entre. Lupus, posso confiar na segurança deste lugar para você?”

“Entendido ~su”

O armário de madeira deveria ter sido apoiado contra uma parede, mas quando se
olhava para dentro, seu interior parecia se estender para outro mundo.
Yuri deu o primeiro passo e foi até o outro lado do armário.

Ela foi seguida por Nfirea, e um pouco mais tarde, por Enri, segurando firmemente a
mão de Nemu.

Não houve resistência quando passaram pela parede à frente deles, e se encontraram
dentro de um vasto e grandioso caminho, ladeado por estátuas dos dois lados que pare-
ciam tão reais que poderiam até se mover.

“Uwah~”

Nemu exclamou suavemente enquanto olhava para o teto, a boca tão larga quanto os
olhos. Enri a segurou para evitar que ela caísse, e ela olhou para cima também.

“Surpreendente...”

Era uma passagem de aparência digna, cujo piso era feito de rocha polida, sobre a qual
havia sido colocado um tapete colorido para mostrar o caminho a seguir. Enri ficou muda
de admiração; ela imaginou que isso deveria ser como os palácios pareciam.

“Por favor, venham por aqui.”

A voz de Yuri tirou-a do seu torpor e pensou em correr um pouco para alcançar as duas
pessoas à sua frente. Mas como isso seria inteiramente inadequado para um lugar como
este, Enri apenas acelerou os passos para avançar rapidamente.

Depois de caminhar por uma curta distância, uma parede apareceu com uma porta de
armário sobre ela, semelhante à que eles tinham usado para entrar. No entanto, havia
duas diferenças principais. A primeira foi que essa porta era várias vezes maior que a
primeira, grande o suficiente para várias pessoas entrarem ao mesmo tempo. A segunda
foi porque eles não conseguiam ver o que havia dentro, apenas uma película colorida,
fina e cintilante.

“Então, por favor, entre como vocês fizeram anteriormente.”

Enri e Nfirea se entreolharam.

“Nesse caso, nós vamos juntos.”

Enri e Nfirea seguraram as mãos. Da esquerda para a direita estavam Nemu, Enri e
Nfirea, e juntos eles entraram pela porta.

Em um instante, em meio a uma chuva de pétalas cor-de-rosa, havia uma visão de uma
mulher com roupas vermelhas em cima e brancas em baixo—
“Bem-vindo~”

Um coro harmonioso de vozes os cumprimentou.

Olhando ao redor, eles chegaram em um corredor ainda mais luxuoso, com duas fileiras
de empregadas surpreendentemente bonitas flanqueando-as em ambos os lados. No fi-
nal de uma passagem estava um homem com um manto preto que parecia sugar toda a
luz ao redor dele, usando uma máscara bizarra. Ele era o salvador do vilarejo, Ainz Ooal
Gown.

Enri congelou no lugar, a boca aberta.

Os lustres no teto brilhavam e o chão de mármore branco estava impecável.

Uma passagem magnífica e empregadas bonitas todas em duas fileiras. Era como entrar
em um mundo de fantasia.

Perdida nesse mundo efêmero e sonhador, Enri acidentalmente perdeu o controle da


mão de Nemu. A parte de sua mente que não estava completamente sobrecarregada pelo
seu redor reconheceu isso, e no momento seguinte, Enri voltou à realidade.

Nemu correu à frente.

“Que lindo! É tão incrível!”

Nemu gritou ao topo de sua voz enquanto corria. Ela correu pelas duas linhas de empre-
gadas e em direção a Ainz.

Diante de um mundo que sobrecarregava sua capacidade emocional, ela não conseguia
mais se controlar e se deixar correr solta.

“É muito, muito incrível!”

“Nemu! Volte!”

Enri começou a correr uma fração de segundo depois. Ela começou a suar com o com-
portamento vergonhoso de Nemu.

No entanto, este era um reino divino, onde ela era ladeada por belas empregadas. O som
de seus passos como uma garota do vilarejo correndo a fez hesitar. Os passos autocon-
traditórios de Enri revelavam como ela se sentia e, no final, ela mancava como um sapo
moribundo.

Enquanto Enri ainda estava mancando, Nemu já havia alcançado o lado do salvador do
vilarejo.
“É realmente tão impressionante?”

“Sim! É incrível!”

“Mesmo? Incrível... não, talvez seja verdade.”

Ainz estendeu a mão e acariciou calmamente a cabeça de Nemu.

“O lugar onde eu moro é tão maravilhoso assim?”

“Sim, é muito maravilhoso! O senhor fez isso, Gown-sama?”

“Hahahaha, sim, isso mesmo. Meus amigos e eu fizemos.”

“Isso é incrível! Os amigos do Gown-sama são todos incríveis!”

“Hah! Hahahaha!” Uma risada clara e brilhante reverberou pelo corredor.

A essa altura, Nfirea e Enri haviam chegado nervosamente aos dois. Enri apertou firme-
mente a mão de Nemu, determinada a nunca soltar.

“Agradecemos pelo seu gentil convite do fundo dos nossos corações!”

“Não há necessidade de tal formalidade. Estamos aqui para celebrar a produção de sua
nova poção. Fiquem à vontade.”

“Gown-sama, eu realmente sinto muito. Minha irmã, Nemu, foi rude com o senhor.”

“Não se preocupe, não leve isso para seu coração. Ela ficou comovida com a visão da
minha residência, não foi? Então isso não é um insulto para mim.”

Ainz respondeu de bom humor e completou:

“Então... eu pretendia falar com o Nfirea-kun, mas depois disso... Nemu, o que me diz?
Você quer ver a casa que eu, não, nós criamos juntos?”

“Sim! Eu quero ver! Eu quero ver a casa incrível que o Gown-sama e seus amigos fize-
ram!”

Nemu falou antes que Enri pudesse recusar.

“Hahaha. Muito bem, muito bem! Existem muitos lugares belos para mostrar a você.”

Enri não pôde falar quando viu o bom humor em que Ainz estava.

♦♦♦
Ela se sentou em uma poltrona reclinável, lembrando que lhe pediram para esperar na
sala de recepção, enquanto Nemu conhecia os arredores.

Em vez de dizer que ela foi convidada para cá, seria mais correto dizer que ela era como
um pequeno animal que havia sido retirado de seu ninho. Ela sentou-se desconfortavel-
mente e olhou em volta. Ao lado dela — apesar do tamanho desse lugar, os dois se enca-
raram — seu amado Nfirea também não conseguiu se manter imóvel, como um pequeno
animal.

Enri podia entender que o salvador, o magic caster conhecido como Ainz Ooal Gown, era
um ser poderoso, mas o que ela tinha visto hoje foi além de suas mais loucas imaginações.
Era como se ela tivesse entrado em uma paisagem brilhante, ou uma história onde prin-
cesas e outras grandes figuras ocupassem o centro do palco.

A lareira estava decorada com pássaros de vidro que haviam sido esculpidos para a per-
feição real. Se ela quebrasse um, ela poderia trabalhar toda a sua vida e ainda ser incapaz
de pagar por isso.

O sofá em que ela estava sentada era excelente, e Enri se perguntou se ela estava o su-
jando com suas roupas.

O candelabro, o primeiro que ela vira em sua curta vida, não era iluminado por tochas,
lanternas ou velas, mas por mágica. Ela tinha visto luzes mágicas antes na Guilda dos
Aventureiros de E-Rantel, mas elas não podiam se comparar em brilho ou estilo.

A mobília era de bom gosto e emanava luxo. De particular interesse era a robustez da
mesa de ébano diante dela. Mesmo que Enri não tivesse idéia de como esse tipo de coisa
era valiosa, ela ainda era capaz de dizer que essa era uma peça muito valiosa.

Um retrato realista de uma mulher bonita pendurado na parede, pintado em detalhes


intricados.

Até o carpete no chão fez Enri hesitar em pisar nele com os sapatos. Era tão suave que,
quando se sentou no sofá, imaginou se deveria levantar os pés para que não tocassem o
chão.

Enri estava tão nervosa que estava prestes a desmaiar.

“Eu sabia que deveríamos ter ido com ela.”

Embora ela não pudesse recusar Ainz, a idéia de Nemu ir sozinha fez seu estômago fer-
ver de ansiedade.

“Eu só espero que ela não incomode o Gown-sama...”


“Vai ficar tudo bem, não se preocupe. O Gown-sama é muito generoso. Acho que ele ig-
norará qualquer pequena grosseria de uma jovem garota.”

“Mm, mas, você sabe como as coisas são, se você irritar um nobre, você será executado...”

“Eu também ouvi isso, mas, para ser sincero, nunca vi isso antes. E-Rantel e seu territó-
rio circundante são administrados pelo próprio Rei, então eu não acho que os nobres se
atrevam a fazer barulho... será o Gown-sama um nobre?”

“Ele não é? Qualquer um com uma mansão tão luxuosa e tantas empregadas bonitas
teria que ser um nobre poderoso, não? Não há como reunir todas essas coisas de outra
forma.”

“Mmm? Será mesmo? Para ser sincero, não acho que até mesmo um nobre possa reunir
belas empregadas como estas.”

As sobrancelhas de Enri se ergueram em um ângulo perigoso.

Ela foi a primeira a dizer que as empregadas eram bonitas, mas quando Nfirea disse isso
a fez se sentir com ciúmes. Assim como ela estava pronta para encarar Nfirea — houve
uma batida na porta.

“Aiiiee!”

Os ombros de Enri se contorciam violentamente e, como os dois estavam pressionados


um contra o outro, o tique nervoso foi transmitido para Nfirea, que estremeceu também.

As batidas vieram novamente. Enri pensou freneticamente no que as batidas significa-


vam e, enquanto isso, Nfirea abriu a boca.

“Ah, er, por favor entre.”

“Me desculpe.”

O modo como Nfirea dera a resposta correta com Enri, tão confusa e misteriosa, e o que
entrou foi uma empregada empurrando um carrinho de prata. Ela era uma mulher bonita,
vestida com roupas limpas e imaculadas que até mesmo um amador podia reconhecer
como uma roupa de empregada de alta classe. Um sorriso gentil e caloroso adornava seu
rosto. No entanto, Enri estava preocupada que a qualquer momento isso iria se transfor-
mar em uma expressão de raiva quando ela exclamasse: “O que vocês estão fazendo?!”.

“As bebidas estão prontas.”

“N-não, obrigada!”
O rosto da empregada exibiu uma confusão atordoada por um momento enquanto ela
analisava a resposta rápida de Enri. Então ela virou o olhar para Nfirea e depois de volta
para Enri.

“...Ah, tem certeza?”

“Ah sim.”

Talvez ela sentisse como Enri estava tão tensa que seu corpo tinha congelado, ou o ner-
vosismo inato de Nfirea, mas a empregada sorriu, doce e gentilmente. Ela disse um sim-
ples “Peço desculpas”, e sentou-se ao lado de Enri. Então ela gentilmente colocou a mão
no ombro petrificado de Enri.

“Emmot-sama, por favor, não fique tão tensa. Tanto Emmot-sama como Bareare-sama
são hóspedes aqui, então tudo que você precisa fazer é ficar à vontade e relaxar.”

“Mas, mas... e s-se quebrarmos alguma coisa aqui...”

“Por favor, fique à vontade. Ainz-sama não se incomodará, mesmo que os objetos aqui
estejam danificados.”

“Mas, mas como? Todas as coisas aqui são...”

Até mesmo pensar sobre o custo das coisas que ela podia ver em um rápido olhar ao
redor da sala fez sua cabeça doer. Como ela pararia de pensaria que tais itens não eram
grande coisa?

“Sim, Ainz-sama é extremamente rico.”

“Iss-isso eu sei.”

Afinal, ele era o tipo de homem que podia distribuir itens valiosos e potentes, como
aquelas trombetas.

“É por isso que eu gostaria que você ficasse à vontade. Danos deliberados à parte, Ainz-
sama irá sorrir e perdoá-lo por quaisquer acidentes. E mesmo que algo esteja danificado,
pode ser consertado com magia.”

“Mesmo se você disser isso, isso...”

“Compreendo. Então, por favor, tome uma bebida. Dessa forma, você poderá relaxar.”

“Mas...”

Enri olhou para o serviço de chá no carrinho de mão prateado. Eles eram primorosa-
mente feitos de porcelana, com bordas de ouro, e o verso era um azul profundo vibrante,
com desenhos intrincados. Eles pareciam delicados o suficiente para Enri se preocupar
que eles quebrassem no momento em que ela tocasse.

“Enri, tome uma bebida. Seria rude recusar mais.”

“Ah, então, ah, obrigada.”

“Entendido... hm, entendo. A fragrância e o sabor do chá de ervas são um sabor que ga-
nha preferência com o tempo. Você preferiria chá preto tradicional?”

“Sim, obrigada.”

A empregada sorridente preparou o chá para eles com movimentos fluídos e elegantes.
Depois de enxaguar as xícaras com água quente, ela serviu o chá. Além disso, ela colocou
mais dois pequenos contêineres diante deles.

“Por favor, adicione as quantidades desejadas de leite e açúcar a seu gosto.”

Enri abriu o pote de açúcar. O que ela viu foram sólidos brancos que pareciam nada mais
do que neve em pó. A garota do vilarejo colocou vários cubos de açúcar no copo, seus
movimentos pareciam com um autômato feito por uma criança, mexendo-os até se dis-
solverem. Depois disso, ela acrescentou leite. Então, Enri tomou um gole e sentiu que seu
rosto ia derreter.

“Do-doce!”

“Mm. Acho que adicionar o açúcar faria isso. Não é sempre que você consegue provar
coisas doces no vilarejo e também não criamos abelhas... se não estiver errado, você só
tem algo parecido com xarope, correto? Eu lembro que havia magia de fazer especiarias,
mas isso é algo completamente diferente...”

Enri esqueceu onde estava e exclamou em voz alta.

“Tente o seu melhor para lembrar.”

Depois de ouvi-lo dizer “Ah, hum, sim” e fazer outros ruídos, Enri tomou outro gole do
chá vermelho, e o doce sabor deixou seu coração se acalmar.

“Realmente, é doce e delicioso.”

Só então, várias batidas vieram da porta. A empregada se moveu silenciosamente e a


abriu.

“Ainz-sama e sua irmã mais nova retornaram.”


Quando a porta se abriu, Nemu entrou correndo, seu rosto estava radiante de felicidade.
Ainz seguiu atrás dela.

“Nee-san! É incrível! É brilhante e bonito e realmente incrível!”

Enquanto Nemu abraçava sua irmã pela cintura, Enri se levantou para se curvar a Ainz,
o tempo todo tomando cuidado para não deixar os pés de sua irmãzinha sujarem o sofá.

“Gown-sama! Peço desculpas por qualquer grosseria que minha irmã mais nova tenha
lhe mostrado!”

“Certamente não foi o caso. Em vez disso, devo me desculpar por ficar com ela por tanto
tempo.”

“Não existe tal coisa. Somos muito gratos.”

Ainz acenou com a mão para indicar que não era um problema.

“Então, antes de discutir assuntos com o Nfirea-kun, vamos comer.”

“Eh? Estaríamos te incomodando muito—”

Encarando Nfirea em pânico, Ainz respondeu com um gesto calmante.

“Isso é para garantir que meu acordo com o Nfirea-kun mais tarde seja favorável para
mim.”

“O que você quer dizer com acordo?”

“...Eu vou explicar antes de comermos.”

Ainz sentou no outro lado do sofá.

“Para começar, não tenho intenção de vender abertamente a poção que você fez. Ou me-
lhor, sem os ingredientes que eu forneço, você não pode fabricar a poção roxa. Você con-
corda?”

“Está certo. Tem sido difícil chegar até aqui, mesmo quando estamos usando o material
fornecido pelo Gown-sama. Ainda há muitos fatores desconhecidos, como o potencial e
os outros efeitos.”

“Portanto, oferecê-lo publicamente só causaria problemas. Apesar de simplesmente


perguntar sobre os ingredientes deve ser bom... não podemos ter certeza de que as pes-
soas não vão tentar levá-lo pela força, não? ...E pelo que a Lupusregina me disse, seu vi-
larejo sofreu um ataque monstruoso. Existe a possibilidade de que esses monstros, bus-
cando a proteção de muros fortes, atacassem o vilarejo em busca de segurança. Você sabe
por que eles fizeram isso? Você fez prisioneiros?”

Não havia nenhum.

Enri respondeu em seu coração. Quando eles ouviram o rugido monstruoso vindo de
trás — feito pelos Trolls a Enri e Nfirea — os Goblins simplesmente não tinham tempo
nem a habilidade de aprisionar ninguém, e apenas terminar a luta já exigiu muito deles,
não havia inimigos sobreviventes.

E aquele cara com a espada mágica era muito forte...

“Certo. Bem, isso é uma pena... Eu considerei as razões pelas quais seu vilarejo ter sido
atacado, e foi o que eu acabei de dizer. À medida que as defesas do vilarejo se tornarem
mais fortes, isso criará mais problemas. Quando um objeto é mais valioso, será desejado
por mais pessoas, não? Da mesma forma, se as notícias da poção vazassem...”

“...Nós devemos manter isso em segredo.”

“Fico feliz que você entenda, Nfirea-kun. Se pudéssemos fazer a poção vermelha usando
apenas os ingredientes do vilarejo, não haveria razão para manter isso em segredo... isto
é, tudo o que discutirmos depois do jantar terá de ser mantido estritamente confidencial.
Diz respeito ao dever de guardar um segredo. Então, os preparativos para a refeição de-
vem ser finalizados em breve. Devemos?”

“Ah, não, não há necessidade de comida, como poderíamos participar de algo tão incrí-
vel...”

Enri apressou-se a sacudir a cabeça.

“...Bem, embora eu não force você... você sabe que nós preparamos o filé de d’dragão
para um prato principal, não é?”

“Dragão?”

Dragões. Em todas as histórias que Enri ouvira, eles eram inimigos da humanidade, mas
alguns deles eram amigos da justiça. No entanto, não importa em que histórias eles apa-
recessem, eles sempre foram seres poderosos. Poderiam tais seres se tornar comida?

Impossível. Ele deve ter apenas brincado. Se Ainz não tivesse sido o único a dizer isso,
ela teria pensado assim.

No entanto, uma vez que era um grande magic caster na frente dela dizendo isso, isso
significava que havia uma grande chance de ser verdade.
“Também temos sobremesas. Você já tomou sorvete? Apesar de E-Rantel ter alguns...
não acho que os de lá sejam como os nossos. Eles são gelados e doces... e eles derretem
na sua boca. Algo como gelo doce ou neve.”

Enri e Nemu não podiam deixar de engolir.

“Isso é um luxo da alta classe. Apenas um deles custaria mais do que um dia de comida.”

“Parece que você já experimentou algo assim antes, Nfirea-kun. Então eu vou produzir
mais deliciosos sorvetes para você do que você pode imaginar. Depois disso— onde está
o menu?”

Em resposta, a empregada recitou uma longa série de palavras.

“Para o menu de almoço de hoje, serviremos dois canapés. O primeiro será um prato de
Lagosta Perfurante, que é uma forma de frutos do mar Noatun, em um molho velouté. O
segundo será um prato de foie gras de Poiret de Víðópnir. A sopa será um creme de batata
doce e sopa de castanha ao estilo de Alfheim. Nós selecionamos carne para o prato prin-
cipal, que seria o bife marmoreado feito dos antigos Frost Dragon de Jotunheim mencio-
nado anteriormente pelo Ainz-sama. Depois vem a sobremesa, que seria a compota de
Maçã Dourada, servida em vinho branco e coberta com iogurte. Além disso, temos sor-
vete de chá preto com cobertura de folha de ouro. Para as bebidas após as refeições, con-
sideramos que o café pode não agradar ao gosto de todos, por isso também temos suco
de pêssego fresco. Isso é tudo. Se qualquer parte do menu exigir alteração, informe-nos
e faremos isso imediatamente.”

Isso é um encantamento mágico?! Enri, que não tinha idéia do que ela acabara de recitar,
isso era certo.

“Todos gostam de foie gras? Eu acho que as crianças gostarão. Por favor, adicione-o ao
menu para mim. Que tal algo leve?”

“Sim. Então, vamos adicionar salada de vieiras e ameixas secas como aperitivos.”

“Hmm, tem isso... esse menu é melhor que o anterior?”

“Eh?! Você está perguntando para mim?!”

Enri, que havia sido subitamente colocada no local, respondeu freneticamente. Seria
muito ruim se ela tivesse que continuar falando sobre essas coisas que ela não sabia nada.

“Ah, er. Não. Uh. Eu vou deixar para você.”

Levou todo o seu esforço para obter uma única frase. Ainz instruiu a empregada a pre-
parar a refeição, como sugerido.
Nemu olhou para Ainz com olhos de adoração, murmurando “tão incrível” para si mesma.
Enri sentia o mesmo. Isso estava muito longe do mundo em que ela normalmente morava.

Pessoas ricas podiam gastar dinheiro em luxos. E ser capaz de comer, não apenas para
encher o estômago, mas para nada mais do que prazer, era parte disso. Riqueza, conhe-
cimento e poder. Um magic caster que tinha tudo isso.

Ele era um ser que Enri, uma simples fazendeira, não tinha esperança de alcançar, uma
pessoa melhor referida como um rei que estava acima do topo das nuvens.

Este magic caster mascarado era um indivíduo muito formidável.

“Então vamos. Embora, eu não pretendo me juntar a você. Os três de vocês — isso
mesmo, essa sua família deve aproveitar a refeição sem reservas. Depois disso, discuti-
remos negócios. Ah, eu preciso dizer a Lupusregina que estou adicionando mais uma pes-
soa à lista.”

“Eh? Que lista, Gown-sama?”

“Não, não é nada, Nemu.”

Ainz se levantou e a radiante Nemu se levantou também.

O rosto de Enri tinha ficado um pouco quente por Ainz ter se referido a eles como uma
família, mas ela notou algo estranho sobre Nfirea, que estava se levantando lentamente.

Sua boca era achatada em uma linha reta, sem intenção de abri-la. No entanto, Enri sabia
o segredo para relaxá-lo. Isso era para olhar para ele. Através da brecha no cabelo, os
olhos de Nfirea cintilaram de um lado para o outro, até que, finalmente, como se desis-
tindo, ele suspirou.

“Eu estava pensando que não posso vencê-lo. Não, eu sei que não posso vencê-lo. Ele é
muito melhor que eu como homem.”

“Mas você sabe que eu gosto de você do jeito que você é agora, não é, Enfi?”

A diferença em seus níveis como homens era uma coisa tão importante?

Como mulher, ela não conseguia entender o quanto isso era significativo. O rosto de
Nfirea ficou vermelho e ele segurou a mão de Enri.

Ele respondeu “Vamos” e não havia mais escuridão naquelas palavras.

Embora ela não soubesse porque os sentimentos de seu amado haviam mudado, ani-
mar-se deveria significar que ele estava feliz. De mãos dadas, Enri e Nfirea seguiram Ainz
e Nemu.
História Paralela: 02 - Um dia de Nazarick
Parte 1

05:14 - Hora de Nazarick

ma gotinha de água se acumulou no final da torneira de ouro, e ela lenta-

U
mente aumentou, até que finalmente foi puxada pela gravidade e espirrou
no chão do banheiro.

Havia várias instalações para banho dentro da Grande Tumba de Nazarick,


e essa era uma delas.

Alguém encharcou uma banheira de pedra que era grande o suficiente para acomodar
várias pessoas ao mesmo tempo.

A água azul pingava de um corpo branco e escorregadio. Essa cor azul não era uma alu-
são literária, mas uma cor azul real, como se tivesse sido produzida por meio de uma
aplicação deliberada de corante.

Um líquido de cor azul lambia o corpo branco como porcelana, começando pelos pés.
Seu corpo escorregadio desafiava a força da gravidade e se arrastava para cima, ao con-
trário da água que fluía em todas as direções.

“...Fuaahhhh...”

O banheiro era muito propenso ao eco, e as palavras assim que inconscientemente es-
caparam eram inesperadamente altas dentro de seus confins.

Talvez se envergonhasse de sua própria voz, mas de repente uma mão esbelta emergiu
do líquido azul. O som esperado de gotículas de água e ondulações na superfície da água
não foi encontrado em lugar nenhum. Isso porque esse líquido era anormalmente viscoso.

A mão erguida acariciou um rosto que muitos elogiaram por sua beleza.

“Haa~”

A pessoa em questão suspirou baixinho, depois se deixou cair no líquido. No entanto, o


corpo dessa pessoa não afundava na água. Em vez disso, o líquido azul lentamente captou
a estrutura esbelta daquela pessoa. A suavidade se assemelhava a um colchão d'água.

O líquido era claramente sapiente.

Esse ponto foi prontamente provado no momento seguinte.

O líquido azul começou a se contorcer, extrudando vários tentáculos com a espessura


de um ou dois dedos cada. Esses tentáculos começaram a se mover, como se quisessem
abraçar aquela pessoa. Naturalmente, a mesma coisa estava acontecendo dentro do lí-
quido azul também.

Tocava o rosto, o peito, a barriga, os braços, as pernas — bem como os lombos.

Depois de agarrar sua presa, o líquido começou a se contorcer, como se estivesse satis-
[ S l i m e Sáfira]
feito. Na verdade, era um Sapphire Slime, uma variante de Slimes de alto nível.

O Slime Safira começou a mover os longos e finos tentáculos que envolviam o corpo.

Os tentáculos se infiltraram nas minúsculas fendas da virilha.

“—Ahhhhhh...”

O grito soou mais uma vez. Embora fosse mais alto do que antes, aquela pessoa não
pensou em abaixar a voz dessa vez, simplesmente focada nas sensações do Slime que
trabalhava ao redor e se contorcia dentro de seu corpo.

O som de alguém falando consigo mesmo ecoou pelo banheiro.

“—Ah, isso é ótimo. É bom demais para palavras.”

♦♦♦

A pessoa dentro da banheira — Ainz — murmurou para si mesmo enquanto tomava um


banho de Slime.

Ele pegou um punhado de Slime e despejou sobre a cabeça. O Slime que estava traba-
lhando sem parar limpando as fendas de sua pélvis parecia sentir onde seu mestre queria
que limpasse em seguida. Ainz sentiu o Slime rastejando em sua cabeça.

“Huu, isso é o paraíso.”

O corpo de undead de Ainz era composto inteiramente de ossos.

Ele não tinha metabolismo, de modo que seu corpo não fedia nem se sujava de resíduos
corporais. No entanto, isso não significava que ele não precisasse tomar banho. Afinal de
contas, pó e fuligem ainda se acumulavam nele, e às vezes ele era salpicado pelo sangue
de seus inimigos. No final, ele ainda ficava sujo.

Além disso, como japonês, ele se sentia muito desconfortável por não tomar banho.

“Eu só podia tomar banho de vapor lá (no mundo anterior). Então, quando soube que
poderia tomar banho aqui, queria mergulhar todo o meu corpo na banheira... talvez o
banho seja uma prática profundamente enraizada para o povo japonês.”
Ele passou pelos movimentos de exalar enquanto afundava ainda mais no Slime. A sen-
sação escorregadia recebeu e aceitou seu corpo.

Não seria estranho se ele a tratasse como um líquido viscoso.

O banho normal é muito problemático.

Ainz abaixou a cabeça para olhar a parte mais problemática de seu corpo.

As fileiras de suas costelas apareceram.

Limpar cada costela uma por uma era muito problemático. Ainz lembrou sua luta de
quando ele tinha feito isso antes, e suspirou — apesar do fato de que ele não precisava
respirar.

Essa não foi a única coisa problemática.

Sua coluna era do mesmo jeito. As protuberâncias roubaram sua toalha, e ele não podia
limpá-las facilmente em um único movimento rápido. Ele teve que limpar lentamente
cada vértebra individual.

No começo, Ainz tomara muito cuidado ao se banhar. No entanto, Ainz logo começou a
achar isso cansativo, apesar de sua suposta resiliência mental. Demorava pelo menos
meia hora para se banhar, e ele não pôde deixar de pensar: “É algum tipo de piada?”.

Depois disso, ele decidiu mergulhar em água com sabão e ficar girando dentro dela como
uma máquina de lavar roupa. Essa foi uma boa idéia. O problema era que ele não se sentia
limpo. Se ele não se esfregava, não se sentiria como se tivesse tirado toda a sujeira.

Depois disso, ele usou uma escova longa para se esfregar. Isso foi bastante eficaz.

Claro, o sabão e a espuma foram em todos os lugares, mas não era como se Ainz fosse o
único que pudesse se limpar. A limpeza era o trabalho das empregadas, e elas ficaram
encantadas com a chance de mostrar suas habilidades. Era verdadeiramente uma situa-
ção de matar dois coelhos com uma cajadada só.

No entanto, mesmo essa boa idéia possuía falhas.

Essa falha não era saber se ele realmente havia se limpado.

Era como pegar uma cavidade apesar de escovar cuidadosamente os dentes; embora
achasse que tinha se esfregado da cabeça aos pés, ainda estava preocupado por não ter
esfregado parte de si mesmo.

No final, Ainz bateu nesta alternativa, que era deixar um Slime envolvê-lo.
“Esta técnica... como eu pensava, é verdadeiramente revolucionária e única, uma técnica
perfeita que não pode ser criticada.”

Ele murmurou para si mesmo, enquanto olhava para o Slime azul que rastejava sobre si
mesmo.

Ainz assentiu feliz, satisfeito com o método que ele inventou para um banho fácil. Por
tudo o que ele sabia, isso poderia ter sido a melhor coisa que ele imaginou desde que veio
a este mundo.

“Parabéns para mim!”

Enquanto Ainz se elogiava mais uma vez, ele olhou para o Slime que, diligentemente,
escorria em cima dele.

Que fofo...

Monstros como estes eram extremamente cruéis; eles podiam dissolver seus inimigos
com ácido e eles eram fortes o suficiente para dobrar barras de ferro com facilidade. No
entanto, para Ainz, eles eram seus assistentes na casa de banho, que ajudaram a limpá-
lo. Até certo ponto, eles se sentiam como animais de estimação.

Ainda assim, mesmo que banhos de Slimes sejam bons... eu gostaria de tomar um banho
normal em algum momento.

Havia todo tipo de instalações no 9º Andar de Nazarick. Uma delas era um grande banho.
Era um complexo de várias sub-instalações de banho com temáticas, uma delas era um
spa resort.

“Talvez eu vá tomar banho lá e ver como é...”

Dito isto, tomar banho sozinho era muito chato. Sendo esse o caso—

“Bem! Vou chamar os Guardiões para irem comigo. Seria bom se houvesse um tempo
em que todos estivessem livres.”

Ainz sorriu para sua boa idéia.

07:14 - Hora de Nazarick

Havia dois tipos de empregadas domésticas em Nazarick.

Um grupo era as Empregadas de Batalha, representadas por Yuri Alpha, e o outro era as
empregadas regulares que não tinham habilidades de combate. As últimas eram homún-
culos, com um nível racial e profissional combinado de 1, e eram responsáveis por vários
trabalhos no 10º e 9º Andar de Nazarick. Em particular, limpar os vários aposentos dos
Seres Supremos era uma tarefa da maior importância para elas.

Uma dessas empregadas regulares, conhecida como Cixous, movia-se rapidamente pelo
corredor, pois estava com pressa. Esta era uma técnica simples — não uma habilidade
especial ou qualquer coisa do tipo — e no fim, terminou no refeitório.

Havia apenas uma razão para ir ao refeitório neste momento.

Quando ela chegou, quase todas as suas colegas já haviam se reunido para o café da
manhã e começaram a comer.

O refeitório era predominantemente branco, com decoração esparsa. O eco da tagarelice


alegre das garotas ecoava pelas paredes como ondulações na água. Não teria sido um
grande problema se houvesse apenas uma pessoa, mas como havia muitas pessoas fa-
lando, suas vozes se misturavam em um ruído incompreensível. Além disso, o som de
talheres tilintando foi adicionado ao ruído.

As empregadas no refeitório poderiam ser separadas em quatro grupos principais.

Os primeiros três grupos eram classificados de acordo com seus criadores. Havia 41
empregadas regulares no total, mas não era porque cada Ser Supremo havia criado sua
própria empregada. Em vez disso, as empregadas regulares foram criadas por Whitebrim,
HeroHero e Coup De Grâce.

Estritamente falando, o último grupo não era um grupo adequado por si só. Era com-
posto pelas empregadas que haviam se separado dos três primeiros grupos para comer
em silêncio, para comer enquanto liam ou conversavam sobre as outras empregadas cri-
adas por outros Seres Supremos.

Cixous, que chegou atrasada no refeitório, pertencia ao último grupo.

Ela acenou para as empregadas feitas pelo mesmo Ser Supremo como ela — de certo
modo, elas eram suas irmãs— e então se dirigiu ao seu lugar habitual.

“Bom dia... você já comeu?”

“Bom Dia. E sim, nós já comemos. O café da manhã estava tão bom~ tão cremoso e fofo
e saboroso~”

A pessoa que entregou aquela resposta inexpressiva chamava-se Foire. Ela era péssima
mentirosa, mas mentia mesmo assim. Ela tinha cabelo curto e sua saia de empregada era
similarmente encurtada para combinar com sua aparência enérgica.

Contrastando ela era Lumière, que tinha uma aura de pureza sobre sua aparência. Havia
um brilho misterioso em seu cabelo loiro, que brilhava como se houvessem estrelas.
“Bom Dia — Foire, já que você já comeu, pode esperar aqui por nós. Ainda não tomei
café da manhã, então vou pegar um pouco. Venha, Cixous, vamos lá.”

Lumière se levantou, seguida de perto por Foire, que estava freneticamente dizendo:

“Eu estava apenas brincando, é sério~”

Depois de concluir o diálogo habitual, as três foram até o balcão do bufê de self-service.
Naturalmente, elas tinham a empregada chamada Increment, que estava lendo em silên-
cio um livro ao lado delas, vigiando seus assentos.

A primeira coisa que a Cixous fez no bufê foi uma porção de bacon crocante. Como um
membro da facção que acreditava que “bacon mole é o diabo”, ela sempre fazia isso em
primeiro lugar. Em seguida, ela se serviu de sopa. Dos três sabores de hoje — sopa do dia,
milho e cebola — ela escolheu o último. Depois disso foram salsichas, batatas fritas e
danishes. Seu outro prato estava cheio de salada de cebola, quase a ponto de derramar.
Finalmente, Cixous fez uma ordem para um criado mascarado.

“Hum, eu quero um queijo triplo com cebolas duplas e cogumelos extras.”

O criado assentiu e começou a fazer a omelete.

Cixous voltou para seu lugar, organizou os pratos na mesa e depois serviu-se de um copo
de leite antes de voltar para onde o criado estava esperando com sua omelete recém-
preparado.

“Muito obrigada.”

A omelete impecável estava perfeitamente preparada, sem uma única queimadura, e ela
retornou ao seu lugar exatamente como seus amigos.

“Então, vamos comer!”

“Vamos comer~”

“Vamos comer.”

As três tomaram o café da manhã em silêncio. Lenta, mas firmemente, elas transferiram
as montanhas de comida — muito além do que uma garota normal consumiria — de seus
pratos para suas barrigas. Isso era uma característica racial que elas possuíam, um ape-
tite acima do normal, melhor dizendo, uma penalidade racial.

Porém, mesmo estando entre amigos, nunca conversaram enquanto comiam.


Foire mastigava enquanto suas bochechas ainda estavam cheias de comida, Lumière co-
mia elegantemente, mas seu garfo se moveu a uma velocidade feroz, e Cixous comia a
uma taxa entre as duas.

Logo, seus pratos esvaziaram com rapidez surpreendente, e as três beberam de seus
copos depois disso.

“Huuu...”

As três exalaram, o cheiro de leite poderia ser sentido e depois se entreolharam.

“Vamos repetir?”

“Parece bom, mas vamos fazer uma pausa primeiro.”

“Eu aprovo~ Me sinto meio inchada agora, enfim. Diga, Cixous, não é a sua vez de servir
Ainz-sama hoje? Você parece mais determinada do que o habitual hoje.”

Foire sorriu maliciosamente, assim como Cixous.

“Sorte sua, quanto tempo será até a minha vez?”

Lumière contava os dias em seus dedos.

♦♦♦

Os quartos dos governantes supremos de Nazarick eram enormes em escala, tanto que
uma pessoa precisaria de meio dia ou mais para limpar um deles com cuidado. Enquanto
as empregadas tinham os números brutos para limpá-los todos em uma base diária,
mesmo com o quarto de reposição de Albedo levado em conta, isso exigiria que muitas
pessoas trabalhassem o dia todo sem qualquer descanso.

No entanto, isso não era um problema para as empregadas. Elas haviam sido criadas
pelos governantes da Grande Tumba de Nazarick, a guilda Ainz Ooal Gown; Era justo que
elas trabalhassem com afinco da pele até os ossos, porque era um ato de venerar seus
deuses, seus criadores.

E então, essas trabalhadoras fanáticas foram instruídas a descansar, graças ao ser divino,
Ainz Ooal Gown.

Ainz conhecia as dificuldades de trabalhar em empresas antiéticas, e ele não suportava


deixar que essas meninas, que eram como as filhas de seus amigos, sofressem assim.

Ele lhes dissera: “Não limpe os aposentos não utilizados com tanta frequência”, e depois
“Vocês vão trabalhar e descansar em turnos”.
Assim, as empregadas regulares de Nazarick foram organizadas em dois turnos; o turno
do dia e o turno da noite. O primeiro tinha 30 pessoas e o segundo, 10, enquanto o res-
tante da pessoa tirava o dia de folga. Depois de calcular os dias úteis para as empregadas,
o anúncio de que elas teriam uma pausa a cada 41 dias foi recebido com reclamações.

Não era que houvesse poucos dias de folga, mas o contrário. Eles pediram que o dia de
folga fosse cancelado.

Em última análise, trabalhar para os Seres Supremos foi o motivo de sua existência. Di-
zer a elas que eles não tinham que trabalhar prejudicava seu senso de autovalor e as fazia
sentir que não eram mais necessárias.

Como tal, as empregadas decidiram discutir o assunto com Ainz. Elas disseram: “Por
favor, não tire nossos empregos”, “Queremos fazer isso dia e noite”, e assim por diante.

Ainz ignorou a sugestão. O conceito de fadiga existia em YGGDRASIL e, embora pudesse


ser facilmente remediado com magia, não havia garantia de que a fadiga seria curada tão
facilmente neste mundo. Mesmo com a magia, ele estava preocupado com a possibilidade
de degradar sua capacidade funcional, como uma roda dentada perdendo seus dentes.

No entanto, as empregadas se recusaram a recuar. Diante de suas lágrimas, Ainz cedeu


e propôs um novo tipo de trabalho para elas.

Elas teriam que servir pessoalmente a Ainz.

Essa tarefa implicava ficar ao lado de Ainz para atender a todas as suas necessidades e
caprichos, e as empregadas se revezavam para preencher esse papel.

Essa oferta era tão tentadora quanto açúcar aspergido com mel para as empregadas,
cuja maior alegria na vida era servir os Seres Supremos. Elas aceitaram a sugestão sem
pensar duas vezes, junto com a ordem de que “Vocês precisam cuidar de si mesmas e des-
cansar bem no dia anterior, para que possa servir com todas as suas forças quando for a
sua vez.”.

♦♦♦

“Precisamos dos nossos nutrientes para podermos trabalhar com tudo que tivermos,
você sabe. Além disso, dependendo das circunstâncias, você pode precisar pular uma re-
feição também.”

“Claro, quando você serve o Ainz-sama, seu cérebro precisa de todos os nutrientes que
pode obter.”

“Eu quero algo doce~”


As três meninas assentiram em uníssono. A propósito, todas as empregadas carregavam
várias refeições com doces e outras guloseimas. Elas lanchariam eles sempre que tives-
sem tempo livre enquanto serviam Ainz. No entanto, afortunadamente ou não, elas sim-
plesmente não poderiam encontrar esse tempo livre. Como tal, a refeição da manhã era
muito importante.

“Você já ouviu? Dizem que vão cozinhar usando ingredientes do mundo exterior e fazer
uma degustação de comida.”

As outras duas engasgaram com a declaração de Cixous.

Espero por isso ansiosamente.

Pensou Cixous.

Poucas das empregadas pensavam bem no mundo exterior — o mundo que ficava além
de Nazarick. Algumas delas sentiam que o mundo exterior era inferior a Nazarick, mas a
maioria delas temia, porque o chão logo acima de sua casa, o 8º Andar, já fôra invadido
por pessoas de fora.

“Todas as empregadas estarão presentes na degustação? Ou apenas algumas de nós po-


derão ir?”

Assim que Cixous estava prestes a responder à pergunta de Foire, a atmosfera no refei-
tório mudou. O ar em si parecia aquecer.

Quando a recém-chegada apareceu à vista das empregadas, elas gritaram de prazer.

“Shizu-chan!”

“É a Shizu-chan!”

A pessoa que acabara de entrar no refeitório era uma das Pleiades, CZ2128 Delta.

As Empregadas de Batalha eram como Idols para as empregadas regulares, e CZ era a


mais popular de todas. Havia lutas frequentes para se sentar ao lado dela.

“Ah, o pinguim está aqui também.”

CZ segurava um pinguim debaixo do braço e um criado preocupado estava atrás dela.


Era o Mordomo Assistente, Eclair. Ele bateu as asas com todas as suas forças, mas não
havia como escapar com a força de um Birdman de nível 1. Suas lutas desesperadas ra-
pidamente perderam o vigor quando as empregadas observaram.

No final, o pinguim ficou sem força e ficou mole, como um verdadeiro boneco de pelúcia.
“Shizu-chan! Por aqui, aqui! Venha comer com a gente!”

“Não, venha aqui! Shizu-chaaaan~”

“Apenas jogue esse mordomo fora! Jogue ali que vai ficar tudo bem!”

“Mande aquele pássaro inútil para o chefe de cozinha, pelo menos ele vai contribuir para
Nazarick dessa maneira!”

Houve uma diferença marcante na recepção que o Mordomo Assistente e CZ receberam


das empregadas, mas isso não pôde ser evitado. Não gostavam dele porque proclamava
em voz alta que queria assumir Nazarick, apesar de ser um mero mordomo assistente.
Mesmo se ele tivesse sido criado dessa maneira pelos Seres Supremos, seus frequentes
anúncios daquelas palavras selvagens o tornavam insuportável.

CZ olhou através da comoção ao seu redor, como se estivesse procurando alguém. A


maneira adorável em que ela fez isso, como se ela fosse uma criança que não sabia onde
sentar, fez com que muitos dos corações das empregadas batessem mais rápido.

“Até aquele pássaro parece fofo quando a Shizu-chan o segura, que estranho.”

“Eu quero um dakimakura da Shizu-chan. Albedo-sama parece saber como fazer isso,
será que ela me ensinaria?”

“Albedo-sama é muito gentil, tenho certeza que ela vai concordar. Por que você não per-
gunta a ela da próxima vez?”

O som de um livro se fechando com um baque oco veio da mesa ao lado, e quando Cixous
se virou para olhar, seus olhos encontraram os de Increment.

“Este lugar está ficando barulhento, então vou voltar. Já que você está servindo a Ainz-
sama hoje, provavelmente deveria terminar o café da manhã rapidamente e ir até ele.
Qualquer erro que você cometer refletirá em todas nós.”

Tendo dito a peça, Increment se virou e saiu sem esperar por uma resposta. Enquanto
ela observava sua companheira empregada sair, Cixous pegou seu relógio de bolso. Fe-
lizmente, ela ainda tinha algum tempo. Depois de se acalmar, ela deveria estar pronta na
hora certa.

“Tudo bem, eu vou pegar mais algumas coisas para comer enquanto todas estão focadas
na Shizu-chan!”

Foire e Lumière assentiram com a idéia da Cixous.

“Oh~ isso é uma boa idéia ~su”


A repentina resposta do lado fez as três empregadas ofegarem.

“Lu-Lupusregina-san!”

Com as mãos cruzadas sobre o coração, Cixous se virou para a fonte da voz. Não havia
ninguém lá há pouco, mas Lupusregina apareceu do nada enquanto todas estavam dis-
traídas por Shizu ou olhando outro lugar. Ela se sentou de lado em uma cadeira com as
pernas em cima da mesa e até compartilhou uma parte de sua própria comida.

“Por favor, não nos assustem assim~”

Foire ainda estava agarrada firmemente a Lumière, com as sobrancelhas pressionadas


em forma de .

“Meu coração quase pulou da minha boca~”

Lumière mal prestou atenção a Foire, que se agarrava a ela. Ela falou baixinho, como se
estivesse com medo de sua inteligência.

As três dirigiam vozes de reprovação à Lupusregina, mas na verdade a infelicidade des-


sas palavras era muito diminuta. Isso porque Lupusregina era a única das empregadas
de batalha que as tratava como amigas, embora suas ações fossem difíceis de prever. Ela
passou seu tempo se movendo entre os diferentes grupos de empregadas, então ser abor-
dada por ela era um sinal de boa sorte. A melhor prova foi como algumas dos outros
grupos estavam olhando para Cixous e seu grupo com olhos invejosos.

“Nishishi~ parece que minhas experiências no vilarejo não foram desperdiçadas, vocês
três me deram algumas reações muito divertidas~”

A maneira como Lupusregina apoiou seu rosto com o braço sobre a mesa, ao mesmo
tempo em que exibia um sorriso maligno no rosto, fazia com que ela se parecesse um
pouco com um gato saindo de um livro de fantasia. Embora seu sorriso não fosse nada
além de travesso, ainda era surpreendentemente encantador. Cixous viu a Empregada de
Batalha sorrir por um tempo, e ficou totalmente fascinada por ela.

As outras duas pareciam se sentir da mesma maneira, mas a primeira a se recuperar dos
sentidos fôra Foire.

“Vilarejo?”

Foire inclinou a cabeça, o que fez seu cabelo curto roçar no rosto de Lumière.

Lumière resistiu ao desejo de espirrar e empurrou Foire para longe, e então ela se reor-
ganizou para que ela estivesse olhando diretamente para Lupusregina no rosto.

“Lupusregina-san, você trabalha fora, certo?”


“Sim, no vilarejo humano ~su.”

“Humanos, huh... deve ser difícil.”

Lumière olhou para Lupusregina com olhos simpáticos.

“Não, não é nada disso! Como o Ainz-sama ordenou, vale a pena fazer! ...Embora eu tenha
que dizer, é meio chato. Como devo colocar isso... seria muito mais divertido esmagá-los
sob meus pés.”

Cixous não tinha opinião particular sobre essa afirmação. Humanos e seus vilarejos e
tudo o mais não eram importantes para ela. Se eles prosperaram ou fossem destruídos,
a única coisa que importava era se eles seriam úteis para Nazarick.

“Pensar sobre isso, Ainz-sama disse que o vilarejo é muito valioso, mas eu não vejo isso
~su”

“Dada a personalidade de Ainz-sama, ele deve ter dito isso pois teve pena dos miseráveis
humanos que moram lá.”

“Não, não, Ainz-sama é como um furacão de morte. Tenho certeza que ele está apenas
esperando o momento certo para matar todos, não?”

“O que você está dizendo? Você não sabe que o Ainz-sama é um gênio? Tudo isso deve
fazer parte do seu plano.”

“Ara~ eu não posso fingir que não ouvi isso. O poder de Ainz-sama não é a melhor parte
dele ~su?”

As quatro lindas garotas se encararam, nenhuma delas disposta a recuar.

“Ainz-sama é uma pessoa bonita e compassiva.”

“Ainz-sama é a morte, que veio para este mundo.”

“Ainz-sama é um herói incomparável.”

“Oh, parece que todo mundo tem uma impressão diferente de Ainz-sama. Então, vamos
ter uma competição. Veremos quem pode escolher o título mais adequado para o Ainz-
sama.”

Em um instante, todas ficaram em silêncio. Lupusregina estava usando seu sorriso ha-
bitual, mas tinha certa compreensão das qualidades de seu soberano e não estava dis-
posta a admitir a derrota. No entanto, Cixous e suas duas amigas sentiram o mesmo.
As empregadas regulares eram seres fracos, mas seu respeito e adoração de seu mestre
não era menor que o de qualquer outra pessoa.

“Então, vocês três podem começar ~su.”

“Nesse caso...”

Lumière foi a primeira a falar.

“Então, como eu disse antes, gostaria de elogiar a beleza de Ainz-sama. Então, que tal
“Mais perfeito que a mais bela das porcelanas, brilhante e sem falhas, o gentil Senhor da
Misericórdia”.”

Em seguida foi Foire.

“Bem, se vamos elogiar o Ainz-sama, então devemos elogiar seu incrível poder, certo!
Como governante da morte, o que poderia ser mais adequado do que “Memento Mori”?

A terceira foi Cixous.

“Ainz-sama foi quem coordenou os Seres Supremos, então suas habilidades de gerenci-
amento seriam excelentes. Então ele é um “Rei Sábio”.”

Embora todos os nomes se ajustassem bem ao seu mestre, no final todas pensaram que
as suas próprias escolhas eram as melhores.

Lupusregina tossiu gentilmente quando Cixous, Foire e Lumière olharam para ela. Com
um olhar orgulhoso no rosto, ela disse:

“No final, nós o chamamos de absolutamente mais forte e mais—”

“...Aí está você.”

A fonte da voz calma era CZ. O mordomo assistente Eclair que ela estava segurando de-
baixo do braço tinha desaparecido para partes desconhecidas.

“...Pare de usar invisibilidade o tempo todo.”

“Soz~ é um hábito ~su”

“...E você começou a comer.”

Uma raiva quente como o sol ardia sob o rosto sem emoção de CZ. Cixous tinha a sensa-
ção de que ela não deveria estar mais aqui.

“...Ah, eu tenho que ir para o Ainz-sama!”


“Então, eu também vou.”

“Eu vou acompanhar vocês~”

Cixous e as outras silenciosamente deixaram seus assentos, embora se sentissem um


pouco mal, ignorando os olhares suplicantes de Lupusregina para elas.

No final, elas não conseguiram repetir o café da manhã. Foi uma pena, mas ela teve que
se recompor agora.

Cixous não prestou atenção ao perigo no ar atrás delas. Em vez disso, ela bateu leve-
mente as bochechas para se concentrar. Seu rosto tinha a expressão severa e corajosa de
um soldado indo para uma guerra, mas seus passos eram leves e rápidos.

09:20 - Hora de Nazarick

Este é o 6º Andar da Grande Tumba de Nazarick.

Os undeads que vagavam pela tumba não estavam à vista, mas animais mágicos — como
o controlado por Aura — defendiam esse local no lugar de monstros POP. Esta área —
conhecida como a mais expansiva na Grande Tumba de Nazarick — era em grande parte
coberta por uma densa floresta, a ponto de poder ser descrita como um mar de árvores.

Dito isto, os antigos membros da guilda Ainz Ooal Gown foram muito meticulosos
quanto aos detalhes. Eles certamente não pintariam essa área de verde e apenas isso.

Havia um Coliseu aqui, uma árvore gigante, vestígios de uma aldeia que havia sido en-
golida pela selva, um lago, uma caverna venenosa, um bosque retorcido, um manguezal
e um pântano sem fundo, tudo isso acrescentando variedade ao mar das árvores. Recen-
temente, eles construíram uma pequena aldeia para receber novos residentes.

No centro desse mar de árvores havia um grande lago — dito, ainda era menor que a
área do Lago Subterrâneo no 4º Andar — que não era cercado por floresta, mas por pas-
tagens. Porém, a pastagem e o lago eram relativamente pequenos quando comparados
com a totalidade do 6º Andar, que era grande o suficiente para seus propósitos.

Seus residentes — o primeiro deles era Aura, Guardiã de Andar. Ela montou facilmente
em cima de um lobo gigante com pêlo negro, e apenas um olhar foi o suficiente para dizer
que ela tinha muita experiência em fazer isso.

No entanto, isso era apenas esperado. Afinal, quando ela patrulhava essa grande área,
ela preferia fazê-lo enquanto cavalgava as feras mágicas sob seu domínio, embora correr
por conta própria fosse bastante fácil, dadas suas habilidades físicas sobrenaturais.

Havia duas outras mulheres.


Uma delas era a Supervisora Guardiã, Albedo. Ela não estava usando o habitual vestido
branco de sempre, mas a armadura de placas preta que vestia para o combate. No entanto,
ela não estava carregando sua arma ou escudo.

A outra era Shalltear. Ela parecia a mesma de sempre, e seus olhos tinham um olhar
estranho que flutuava entre desinteresse e prazer.

♦♦♦

“Então, vamos começar — venha, minha montaria.”

A habilidade que Albedo usou se chamava 「Summon Bicorn」.

Uma fera mágica emergiu do nada, tão negra quanto a armadura que ela usava.

Esta fera tinha uma juba e cauda brancas e parecia um cavalo. Ele estava vestido com
uma armadura de placas, e estava equipado com rédeas e uma sela.

Era um pouco menor que um cavalo. No entanto, sua presença era muito mais opressiva
do que a de um cavalo comum. A diferença mais definidora poderia ser encontrada em
sua cabeça. Lá, encontrariam dois chifres que se projetavam para fora.

A primeira resposta à fera mágica que apareceu de repente veio de Aura, que sabia mais
sobre tais criaturas.

“Oh! Não é como um Bicorn comum! Seus chifres são grossos e parecem muito fortes
também.”

“Fufu~”

Albedo riu e completou:

“Está certa. Este Bicorn foi reforçado pelas minhas habilidades em War-Bicornlord...
bem, na verdade é Bicorn de nível cem.”

“Isso pode voar?”

“Não, não pode. É fundamentalmente o mesmo que um Bicorn normal; Ele não tem ne-
nhuma habilidade especial, apenas melhora a resistência, força e destreza.”

“Parece que não pode realmente fortalecer sua montaria sem as habilidades de equita-
ção — nesse caso, já que suas habilidades especiais são muito fracas, pode atrapalhar se
ele participar de nossas batalhas de nível cem.”
“De fato. No entanto, posso compensar isso usando minhas habilidades para proteger
esse garoto, para que ele possa lutar por períodos mais longos.”

“Mas isso não significa que você desperdiçará seus recursos nisso? Vai ser um grande
incômodo em combate, não é? Por que não aprimorar seu equipamento? Eu ouvi que
monstros do tipo montaria podem ser equipados com bardaria e ferraduras e assim por
diante.”

“De fato. Você pode alterar o equipamento de montarias conjuradas através de habili-
dades. Está relacionado com a pergunta agora mesmo, Aura; por exemplo, eu poderia
equipá-lo com ferraduras que garantam o vôo e ele seria capaz de voar. No entanto, eu já
dei itens mágicos para aumentar sua velocidade... é realmente uma decisão difícil.”

Albedo deu um leve toque no flanco da fera mágica. Talvez ela tivesse usado muita força,
mas o Bicorn estremeceu.

Não havia como uma fera mágica que ela invocasse fosse desequilibrada por tanto. As-
sim como Albedo franziu a testa enquanto se perguntava se estava fazendo de bobo, Aura
fez uma pergunta.

“Ei, ele tem um nome?”

“É um Bicorn...? Você não acabou de dizer você mesmo?”

“Não, eu não quero dizer o nome da espécie, quero dizer seu nome como um indivíduo.”

“Precisa de um?”

Ela olhou para Shalltear por sua reação. A Vampira não disse nada, simplesmente enco-
lheu os ombros.

“Certamente precisa de um, certo? Não é seu animal de estimação, Albedo?”

“Bem, não é realmente um animal de estimação... além disso, eu realmente invoco o


mesmo de cada vez?”

Ao ouvir a pergunta de Albedo, Shalltear teve uma ótima idéia, que decidiu compartilhar.

“Que tal perguntar ao Kyouhukou? Ele se destaca em conjurar seus companheiros, então
ele deve saber muito sobre esse tipo de coisa ~arinsu.”

“...Me dá um tempo. Ele é um membro de Nazarick, e eu não deveria odiá-lo, mas...”

“Ah — de fato. Eles não fazem por maldade, mas eles rastejam em suas roupas do mesmo
jeito. No entanto, Entoma parece visitá-lo de vez em quando.”
“Isso é asqueroso! Pare de falar sobre coisas que me fazem sentir comichão... aquele
lugar é realmente uma casa de horrores. Eu posso estar no comando daquele Andar, mas
sinceramente não quero entrar lá ~arinsu.”

“...Shalltear, você sabia? Entoma chama aquele lugar de lanchonete.”

“Ugeeeh—! Sério? Sério mesmo? Uwah — Eu não quero mais chegar perto de Entoma.”

Albedo sentia o mesmo. Ela não queria abordar ninguém que pudesse chamar aquilo de
um lanche. Assim que o clima começou a ficar estranho, Aura decidiu levantar a voz e
limpar o ar:

“De qualquer forma, por que você não dá um nome a ele?”

“De fato. Se você acha que nomear é melhor, então eu o farei.”

Albedo murmurou para si mesma quando ela caiu em contemplação. Já que ela nomea-
ria sua montaria, então, obviamente, ela tinha que dar um nome que não iria constrangê-
la. Ela pensou em várias palavras e frases, e então um flash de inspiração a atingiu como
uma música tocada em sua cabeça.

“O que você está murmurando?”

“Ah, perdão.”

Disse Albedo, como se tivesse acabado de acordar de um sonho e completou:

“Bem. Se permitir, Ainz-sama, eu gostaria de dar um nome que represente como me


sinto; Top of the World.”

“Hmm — esse é um bom nome ~arinsu. Significa No Topo do Mundo? Você quer dizer
que o Ainz-sama, é isso?”

Albedo sorriu, mas não respondeu.

As sobrancelhas de Shalltear se ergueram em um ângulo perigosamente inclinado.

Quando a tensão cresceu no ar, foi Aura quem teve que quebrá-las, como de costume.

“Bem, não é como se nada acontecesse. De qualquer forma, já que você nomeou o seu
Bicorn, vamos realizar o próximo experimento!”

“Mm, entendido.”

Tendo sido tratada como uma criança fazendo birra, Shalltear estreitou os olhos e olhou
para Albedo quando ela se virou para o Bicorn e colocou um pé nos estribos. Albedo
montou nele com uma graça que não parecia ter vindo de alguém vestindo uma arma-
dura. No momento em que tocou a sela, pôde sentir o corpo do Bicorn tremendo quando
se tocaram.

“O que está errado?!”

Albedo não pôde deixar de exclamar. Ela não conseguia pensar em nenhuma razão para
que este Bicorn de nível 100 fosse instável em seus pés. De repente, ela se lembrou do
que aconteceu quando deu um tapinha no Bicorn. Algum problema ocorreu então? Se
fosse esse o caso, então qual era a causa?

“Aura! Shalltear! Algo estranho está acontecendo com o meu Bicorn. Você poderia me
ajudar a saber o porquê?”

Nesse momento, o Bicorn começou a tremer. Parecia que não podia mais ficar de pé. As
duas observaram e perceberam que havia algo de anormal acontecendo aqui.

“Em... em qualquer caso, você deve sair primeiro, Albedo!”

“Tud... tudo bem.”

Depois de ouvir Aura dizer isso, Albedo finalmente respondeu saltando da criatura.

O Bicorn oscilante rapidamente desmoronou. Estava ofegante e as partes visíveis de seu


pêlo brilhantes devido ao suor.

“...Albedo, você engordou ~arinsu?”

Shalltear não estava dizendo isso para tirar sarro dela. Qualquer observador teria pen-
sado a mesma coisa.

“Que grosseria! Estou sempre controlando meu peso porque tenho mais músculos do
que a maioria!”

“Então, pode ser que os músculos dele tenham sido desperdiçados porque você não ca-
valga regularmente? A propósito, eu levo todos os meus filhos em liberdade, e costumo
levá-los a patrulhar pelo Sexto Andar.”

“Eh? Como isso poderia ser... falando nisso, 「Summon Bicorn」 — não é como qualquer
fera conjurada? Não há como ficar mais fraco.”

“Você gostaria que eu montasse?”

“Sinto muito, mas não vai funcionar. Esta é a minha montaria e ninguém mais pode
montá-la. Se alguém tentar, ele irá automaticamente se desconjurar.”
“Então, que tal perguntar a montaria em si? Ei, Bicorn-san, o que há de errado?”

Aura fez uma pergunta. Não era que Aura pudesse falar com cavalos, mas feras mágicas
como os Bicorn deveriam ter uma inteligência muito alta, então Aura esperava que en-
tendesse a fala humana. Naturalmente, o Bicorn não podia falar, então tudo que podia
fazer era relinchar como um cavalo.

“Não pode falar... não me diga que não pode escrever também?”

O Bicorn relinchou afirmativamente.

As três se entreolharam.

“Aura, você pode usar suas habilidades para fazer algo incrível?”

“Eu não posso. Além disso, o que você quer dizer com incrível? Você não me perguntou
quais habilidades eu tive quando tivemos nosso bate-papo pessoal há muito tempo? Não
me diga que você esqueceu isso também, Supervisora Guardiã-dono!”

“Ara... como você costuma se comunicar com o Fenrir, então?”

“Eu só digo a ele para fazer isso e aquilo e pronto.”

“Então você fala com ele, certo? Então, se você tentar, você deve ser capaz de se comu-
nicar com este Bicorn, estou certa?”

“Só porque eu posso me comunicar com as feras que eu controlo não significa que eu
possa falar com todas. E além disso, eu já tentei. Os Lizardmen têm um animal de estima-
ção chamado Rororo se não me engano. Eu não sei o porquê, mas eu simplesmente não
consigo falar com ele.”

As três se entreolharam mais uma vez.

“...Se estamos sem saída, o único para o qual podemos contar é com o Demiurge, afinal.”

“Infelizmente, ele está trabalhando no exterior sob as ordens de Ainz-sama. Ele não pas-
sou muito tempo em Nazarick recentemente. Eu posso entrar em contato com ele, mas
francamente falando, eu realmente não quero consultá-lo se não estiver relacionado ao
trabalho.”

Um olhar de ciúme apareceu nos olhos de Shalltear e Aura. Demiurge — que trabalhava
arduamente para seu mestre — era o objeto da inveja dos Guardiões.

“Ah~ eu realmente invejo ele. Eu sei que a defesa de Nazarick é um trabalho importante,
mas se ninguém invadir, então não teremos a chance de mostrar do que somos capazes,
e isso me faz pensar se sou realmente útil. Eu quero sair e realizar algo para que eu possa
trabalhar arduamente para o Ainz-sama.”

“Tudo o que fiz recentemente é cometer erros... ~a..rin...su”

“Não se preocupe, Shalltear. Acho que você terá a chance de trabalhar para Ainz-sama
em breve — não, tenho certeza que você terá a chance de fazer isso. Mas você precisa ser
um pouco mais esperta, caso contrário, isso pode ser um pouco complicado.”

“Você não acha que isso é... um pouco severo?”

“Ahhh, o fato é que você trouxe muitos problemas. Você precisa produzir resultados
dignos de uma Guardiã.”

Shalltear cerrava os dentes e, de repente, seu rosto se iluminou, como se uma lâmpada
tivesse se acendido acima da cabeça.

“Ku, ku, ku~ por que vocês estão falando mal de mim ~arinsu? O que eu queria dizer
era que já que o Demiurge não está por perto e nós não pudéssemos perguntar a ele,
então eu lhe emprestaria uma ajuda. Bem, já que não tenho escolha, procurarei por você!”

Shalltear tirou um livro. Parecia grosso e pesado, como se tivesse mil páginas no mínimo.
No entanto, para Shalltear — que parecia uma garota por fora, mas que o mesmo não se
refletia por dentro — seu peso não era quase nada.

“Ohhh—! Não me diga, não me diga que é...!”

“Hnnng, um tesouro conferido a você por Ainz-sama!”

Não foi apenas Aura; até mesmo Albedo olhou para Shalltear com ciúme em seus olhos.

“De fato! Enciclopédia by Peroroncino-sama! É minha recompensa por completar as or-


dens de Ainz-sama ~arin-su!”

Mesmo isso sendo mais um prêmio de consolação e reconhecimento, mas para Shalltear
era a melhor forma de elogio e ela sorria de satisfação. Não, isso foi apenas natural. Um
item de seu criador era mais valioso do que qualquer forma de incentivo.

♦♦♦

Este livro fôra chamado a Enciclopédia. Era um item que todo jogador recebia depois de
iniciar o jogo, e não poderia ser roubado ou perdido, a menos que seu dono decidisse
descartá-lo. Além disso, era único.
YGGDRASIL era um jogo de apreciar o desconhecido, e esse item poderia ser conside-
rado uma expressão física do desejo dos desenvolvedores de transformar o desconhe-
cido em conhecido.

Isso porque a Enciclopédia registrava os dados visuais de todos os monstros que um


jogador já havia encontrado. No entanto, não exibia estatísticas — as pontuações de ha-
bilidade dos monstros — mas apenas sua aparência e nome típicos. Se fosse um monstro
da mitologia, também exibiria os conteúdos relevantes do mito em questão e outras in-
formações relevantes.

A fim de fazer uso efetivo deste item em formato de livro, seria necessário inserir pes-
soalmente a informação que alguém havia reunido no livro. Tais informações incluíam
as habilidades especiais de um monstro ou suas fraquezas e assim por diante.

A Enciclopédia que Shalltear possuía pertenceu ao homem chamado Peroroncino, e foi


ele quem digitou os dados dentro daquele livro. Ainz lembrou que ele havia deixado este
item na Tesouraria quando ele desistiu do jogo, e assim, Ainz o entregou para Shalltear.

No entanto, muito do conteúdo que o Peroroncino adicionou foi apagado. Era como se
Peroroncino tivesse medo de deixá-lo para trás, portanto apagou.

Como resultado, o item não foi muito útil, mas Shalltear não se importava com isso. Este
foi um item que seu criador já usou. Isso era o importante.

♦♦♦
“B—, Bi—, Bic.”

Shalltear murmurava enquanto folheava as páginas.

Aura e Albedo se inclinaram para dar uma olhada, mas Shalltear usou seu corpo para
encobrir o livro e depois recuou, antes de fixar as duas no lugar com um olhar penetrante.

“Hmph — tudo bem. Eu também tenho um bracelete que Ainz-sama me deu de presente.”

Aura gentilmente acariciou seu bracelete de prata. Da mesma forma, Albedo acariciou o
anel em seu dedo indicador esquerdo. No entanto, ela não foi a única a receber esse anel.

Eu quero uma recompensa especial para mim, algo que seja só meu. Eu quero um item
especial de Ainz-sama—

Assim que Albedo começou a acariciar seu abdômen, Shalltear exclamou. Parece que ela
encontrou a página que estava procurando.

“Bicorn! Achei, me deixe ver—”

Shalltear de repente congelou e olhou em choque, em seguida, olhou para Albedo.


“O que é? Algo está errado?”

Albedo questionou nervosamente Shalltear quando ela olhou para o livro novamente e
leu a entrada.

“—Uma espécie mutante de Unicorn ~arinsu. Assim como os Unicorns devem estar as-
sociados à pureza, os Bicorns estão associados à impureza. Os Unicorns só permitirão as
donzelas puras montá-los, mas, inversamente, os Bicorns nunca permitirão donzelas pu-
ras montá-los... haaah?!”

Enquanto Shalltear lia essa parte, os olhos de Aura ficaram tão arregalados que pare-
ciam cair das órbitas.

“Impossível... não me diga que a Albedo é...?”

“O que você quer dizer com “impossível”? O que você acha que eu sou?”

“Eh, mas você não é uma Succubus, Albedo?”

“S—Su—Succ—Succubus...”

Shalltear parecia estar confusa e ela começou a procurar por Succubus na Enciclopédia.

“Isso mesmo, eu sou uma Succubus! Mas eu não tenho experiência com homens, des-
culpe por isso! Mas o que posso fazer sobre isso? Eu sou a Supervisora Guardiã, então
estou sempre presa no Salão do Trono! Eu quase nunca me encontro com mais ninguém!
Além disso, Ainz-sama nunca me chamou para a cama dele... e eu não quero fazer nada
assim com um homem que não seja o Ainz-sama...”

Albedo baixou a cabeça e então de repente ela levantou novamente.

“Já que você coloca dessa maneira então você...”

Albedo olhou para Aura e depois negou com a cabeça. Se Aura não fosse assim, haveria
um problema enorme.

“E você, Shalltear?”

“...Eu não tenho experiência com homens ~arinsu. Mas não posso dizer o mesmo sobre
mulheres...”

Aura não entendeu por um momento e inclinou a cabeça. Então, ela pareceu entender,
porque franziu a testa e disse “Uwah~” enquanto seu rosto se contorcia e dizia sem pa-
lavras “não, obrigada”.
“Ahhh! É porque não há bons homens por perto ~arin!-su! Eu gosto dos mortos, mas
cadáveres em decomposição não podem ficar... entenderam? Certo?”

“Não me procure procurando aprovação, Shalltear. Seus fetiches são muito estranhos e
eu não consigo e nem quero entendê-los.”

As três se entreolharam e então simultaneamente desviaram os olhos. Elas concorda-


ram silenciosamente em terminar este assunto aqui.

“...Tudo bem, pelo menos sabemos o porque eu não posso montar um Bicorn agora... não
posso acreditar que era esse o motivo.”

O rosto de Albedo se torceu em infelicidade. O Bicorn pensou que tinha sido repreen-
dido e se encolheu.

“Hm — isso é como isolar parte da força de Albedo.”

“Ainda assim, não é como se você fosse realmente boa em combate em montarias
~arinsu. É apenas uma habilidade que você não pode usar, não? Se você não pode montar
seu Bicorn, então que tal uma das feras de Aura ~arinsu? Talvez um Unicorn sirva.”

“Hm — Eu não tenho um Unicorn. Embora eu queira um.”

“Não tem outra alternativa? Tudo bem se Ainz-sama me ajudar a montar o Bicorn, certo?”

O sorriso de Albedo parecia dizer às outras duas que não havia melhor maneira do que
essa.

“Isso é golpe baixo ~arin-su!”

“Hmph!”

Albedo hmphou em Shalltear e continuo:

“Que rude, Shalltear. Isto é necessário para que eu faça pleno uso de meus poderes como
Supervisora Guardiã de Nazarick para Ainz-sama.”

“Fufufu. Hmph! Então você não pode obter o amor de Ainz-sama sem usar suas obriga-
ções oficiais como uma desculpa... Isso é muito triste para uma mulher ~arinsu. Isso sig-
nifica que você não pode ganhar de mim apenas com seu “charme”.”

“Haaaah?”

Ambas se encararam. Aura não aguentando mais, disse:


“Vocês duas parecem ter se desviado para um assunto estranho novamente; vocês se
importariam de deixar isso de lado? Parem de falar sobre essas coisas sem sentido. Além
disso, não é como se isso fosse causar um problema imediatamente. Você não pode con-
jurar outras montarias?”

“Eu tenho um item mágico que pode conjurar um corcel.”

“Então não é suficiente? Não há problema algum.”

“Usar um item mágico para conjurar uma montaria requer que eu mude meu equipa-
mento ou tire o item, então é mais esforço do que conjurar uma montaria com uma habi-
lidade. E este Bicorn tem um poder de luta muito melhor...”

“Então faça o Bicorn tomar os ataques do inimigo e use a abertura para invocar uma
montaria! Essa é uma tática básica para um domador de feras.”

“Parece que é a única maneira que pode ser usada.”

“Isso significaria que você se tornou mais fraca, Albedo ~arinsu.”

“Você poderia falar as coisas evitando parecer que está rindo do infortúnio dos outros?”

“Você não se delicia com o meu sofrimento também, Albedo ~arinsu?”

“Eu não—!”

“—Você sim!”

Ambos os lados iam para trás e para frente.

“Francamente, eu já tive o bastante com vocês duas... eh, parem de olhar uma para a
outra já. Que tal ir a outro lugar? Ainz-sama nos concedeu uma folga, afinal de contas.”

“Isso mesmo.”

Albedo finalizou dizendo isso, e Shalltear — que estava discutindo com ela — também
assentiu. No entanto—

“...Ele nos pediu para tirar uma folga, mas o que devemos fazer? Fomos feitos para pro-
teger a Grande Tumba de Nazarick e trabalhar para os vários Seres Supremos. Trabalhar
é a nossa vida...”

“Mesmo assim, quando Ainz-sama quer que descansemos, temos que descansar.”
As três se reuniram aqui porque seu mestre lhes disse: “Todas vocês trabalham ardua-
mente todos os dias. Como o tempo livre como esse é difícil de ser conseguido, vocês, Guar-
diãs, devem se organizar para saírem e se divertirem juntas.”.

“Nós nos divertimos, então isso significa que não temos mais nada para fazer? Isso real-
mente conta como diversão?”

“Eu tenho minhas dúvidas sobre isso. Claro, nos divertimos um pouco, mas ainda tenho
minhas dúvidas. É isso mesmo, o que você costuma fazer?”

“Eu patrulho entre o Primeiro e o Terceiro Andar. Então eu recebo feedback dos Guar-
diões de Área, ou eu verifico a prontidão do Andar inteiro ~arinsu. Se eu tiver tempo,
tomo um banho ou faço um tratamento facial...?”

“Estou surpresa que você seja tão trabalhadora.”

“O que você quer dizer com surpresa ~arinsu?”

“Banhando... e você, Aura?”

“Hm~ Quando o Mare está no Coliseu, eu patrulho a floresta. Um grupo de recém-che-


gados foi movido para lá recentemente, afinal. Então eu vou para casa e durmo... isso é
tudo, eu acho.”

“É isso!”

Os rostos de Aura e Shalltear estavam cheios de surpresa.

“É isso, é isso. Os recém-chegados que você mencionou deveriam ser os moradores da


aldeia que foi construída neste Andar, certo? Eu ainda não estive lá. Vamos juntas.”

“Eh? Mesmo? Shalltear, você já esteve lá antes, não?”

“Sim ~arinsu.”

“Sério?”

Quando ela viu o olhar perplexo no rosto de Albedo, Aura explicou:

“Na verdade, os outros Guardiões também estiveram aqui. O primeiro foi o Cocytus, veio
para ver os Lizardmen. Demiurge veio também para verificar a situação. Os outros tam-
bém aparecem de tempos em tempos. Hm — então vamos dar uma olhada. Além disso,
não é tão longe assim.”

09:38 - Hora de Nazarick


A aldeia construída no 6º Andar de Nazarick era pouco mais do que uma fileira de dez
casas de toras. Ela mal se qualificava como um assentamento. Havia um campo de cultivo
no lado direito da aldeia, e do lado esquerdo havia um pomar que era várias vezes maior
que o campo de cultivo.

Naturalmente, era cercada por florestas e, quando se olhava de baixo para cima, podia
parecer um buraco na floresta; o chamado Buraco Verde. As árvores aqui haviam sido
derrubadas e depois escavadas pelas raízes, de modo que, à direita, o solo deveria ter
sido irregular. No entanto, o terreno da aldeia estava artificialmente nivelado. Esse foi o
efeito da magia de Mare.

Muitos seres podem ser vistos trabalhando no pomar.

A primeira pessoa que viram foi uma fêmea de aparência humana, cuja pele era tão lus-
trosa quanto uma casca de árvores. Ao lado dela havia uma criatura que só poderia ser
descrita como uma árvore ambulante.

A primeira era uma Dryad, enquanto o segundo era um monstro conhecido como Treant.

O Treant colocou a Dryad em suas mãos semelhantes a galhos e a levantou até chegar a
copa de uma árvore frutífera.

“Há também dez ou mais Lizardmen morando aqui. Às vezes eles vão para o norte —
para o lago onde acabamos de visitar — para se divertir. Não é como se eles vivessem na
água ou algo assim. Que estranho.”

“A aldeia é maior do que a última vez que vim. Parece haver mais residentes também
~arinsu.”

“Isso mesmo. Isso porque encontramos algumas espécies que foram autorizadas a en-
trar em Nazarick depois que conquistamos a Grande Floresta de Tob.”

“Espécies que foram autorizadas a entrar em Nazarick... eu lembro que as condições


eram: elas têm que ser heteromórficas, elas não precisam de comida, e elas têm que ser
bem-humoradas, certo ~arinsu?”

“Mm, isso é o que o Ainz-sama nos disse. Embora a condição “não precise de comida” seja
mais “deve ser autossuficiente”... as Dryad e os Treants absorvem nutrientes da terra, por
isso não precisam comer em particular. Porém, será ruim se os nutrientes da Terra aca-
barem ou se não chover.”

“Ohh — Mare faz chuva com magia? Ou é um item ~arinsu?”

“Isso é basicamente o trabalho de Mare. Mesmo com a restauração dos nutrientes da


terra. Algumas magias permitem grandes colheitas, e eu ouvi que essas magias podem
restaurar completamente os nutrientes da terra. As Dryads e os Treants dizem que é tão
delicioso que eles acabariam engordando se comessem muito... mas eu não sei sobre o
gosto.”

Enquanto Shalltear conversava com Aura, Albedo examinou lentamente a aldeia com
um olhar frio e clínico reservado para examinar os experimentos. Então, uma sugestão
de emoção penetrou em seus olhos pela primeira vez.

“Ara? Aquele é o Sous-Chef nos campos? O que ele está fazendo?”

Elas olharam ao longo de sua linha de visão, e lá, dentro de um trecho de terra cercado
— aparentemente se escondendo atrás de um grande talo com frutos vermelhos cres-
cendo por toda parte — havia um monstro parecido com um cogumelo se contorcendo
ao redor. Olhando mais de perto, ele estava vestindo roupas que ele não se importava de
ficar sujo enquanto pegava frutas vermelhas.

“É ele mesmo. Eles às vezes vêm aqui para coletar ingredientes e ele cultiva suas pró-
prias plantas. Vamos dar uma olhada.”

Albedo e Shalltear se entreolharam. Depois de verificar que nenhuma das duas estava
contra isso, e que estaria tudo bem, desde que não interferissem no trabalho dos colegas,
elas foram dar uma olhada.

“Olá~ Trabalhando até suar como sempre, entendo!”

Quando ele ouviu a voz alegre de Aura, Sous-Chef levantou a cabeça para olhar para as
três.

“Bem, meu corpo não transpira.”

Sous-Chef grunhiu como um homem velho quando se levantou e endireitou as costas.


Embora ele estivesse debruçado sobre a postura de trabalhar nos campos, o fato de não
ter cintura — seu corpo tinha a mesma espessura de cima a baixo, então não havia uma
parte dele que fosse rapidamente identificável como uma cintura — significava que elas
não sabiam se suas costas doíam ou se ele tinha mudado de disposição.

Depois disso, Sous-Chef girou o pescoço, como alguém com dores no ombro. Sua cabeça
era como um chapéu de cogumelo, revestido com algum tipo de líquido vermelho-arro-
xeado que parecia poder pingar a qualquer momento, mas o fato era que era muito sólido
e misteriosamente elástico, parecia cola seca, então não havia como escorrer ou espirrar
ao redor.

“Me diga, isso são tomates?”

Albedo parecia interessada no que Sous-Chef estava segurando, e então ela perguntou
a ele. Ele trouxe as frutas diante de seus olhos e balançou a cabeça, confuso.
“De fato, são tomates. Eles são tomates como todos os conhecem. Eles não são do tipo
que explodem depois de absorver a luz do sol, nem atacam pessoas ou irradiam luz dou-
rada quando você os abre; eles são tomates comuns.”

“Em outras palavras, eles são tomates comestíveis, amplamente disponíveis e comuns?”

“De fato. Eu não tenho as habilidades especiais necessárias para cultivar vegetais que
podem produzir efeitos especiais. Dado o seu interesse por estes tomates, isso significa
que você está interessada em pratos com tomate? Infelizmente, só posso fazer bebidas.”

“Não, eu estava simplesmente perguntando por curiosidade. Acredito que a Shalltear é


quem quer comer pratos com tomate.”

“...Por que todos acham que Vampiros gostam de suco de tomate ~arinsu? Mesmo que
os undeads comam alguma coisa, eles não receberão nenhum bônus.”

“Muitas pessoas em Nazarick não precisam comer.”

Graças a certos itens, a maioria dos NPC’s não precisavam comer ou beber.

“Não há nada a ser feito sobre isso. Comida e bebida só aumentam as despesas de sus-
tentar Nazarick. Teríamos que gastar muito dinheiro se todos comessem tanto quanto
suas feras mágicas.”

“Ah, não seria melhor eu sair para ganhar dinheiro?”

“Não há necessidade disso. Isso é porque o Ainz-sama e outros Seres Supremos fizeram
cálculos cuidadosos ao construir esta Tumba para equilibrar renda e gastos.”

“Oh, então é por isso que ele decretou que apenas espécies autossuficientes poderiam
entrar aqui. Dessa forma, independentemente de quantos entrassem, o saldo de renda
permaneceria intacto ~arinsu.”

“De fato... eh, você não sabia disso?”

Albedo olhou para cada um dos aqui presentes.

“Que irritante. Não entender o lugar que você estava protegendo é um problema muito
grande. Tirarei algum tempo no futuro e explicarei tudo para você em detalhes.”

Albedo suspirou, então casualmente observou os campos. Foi então que ela percebeu
que havia visto as folhas de uma fileira de certas plantas antes.

“Essas são cenouras... não, são cenouras mágicas?”

“Não, eles não são. Você não ouviu falar deles antes, Supervisora-dono?
“O que você quer dizer?”

Os olhos de Sous-Chef se voltaram para Aura.

“Ah, ela não... entendo, ela não falou sobre eles. Então, o que faremos, Aura-sama? Você
vai chamá-los, Aura-sama? Certamente você deve tê-los treinado agora?”

“Eu já apresentei um relatório sobre isso.”

Aura sorriu maliciosamente. Então, ela respirou fundo, depois gritou:

“—Vida longa a Ainz Ooal Gown!”

De repente, a fila de folhas reagiu às palavras dela e começou a se mover. Eles balança-
ram vigorosamente de um lado para o outro, depois se retiraram da terra e suas raízes
parecidas com cenouras apareceram na superfície.

Eles se pareciam com os ginseng asiáticos, mas eram nitidamente diferentes deles. Eles
tinham quatro membros distintos e moviam-se deliberadamente e não por reflexo. As
partes mais altas das raízes — perto do caule — tinham cavidades e sombras que pare-
ciam olhos e bocas.

Os olhos de Shalltear se arregalaram e ela falou o nome desses monstros.

“Esses seriam Mandrágoras ~arinsu? Nós não deveríamos ter algo assim em Nazarick...”

“Ah! É isso aí! Eu vi o relatório, mas esta é a primeira vez que eu pessoalmente vi um.”

As Mandrágoras cantavam “Vida Longa a Ainz Ooal Gown”, “Vida Longa a Ainz Ooal Gown”
ao se formarem em fileiras.

“Eles não são muito inteligentes na verdade. Seus parentes, como os Galgenmännlein,
Alrunas e Alraunes, deveriam ser mais espertos... mas eu não encontrei nenhum deles
quando fiz uma busca rápida na floresta. No entanto, a floresta é grande, então talvez eu
ainda não as tenha encontrado. Além disso, há uma enorme caverna subterrânea que leva
às montanhas. Parece haver um assentamento de Myconid lá, mas eu ainda não fiz nada.”

“Ainda assim, ensiná-los a falar assim deve ter sido difícil. Estou muito impressionado.”

Sous-Chef explicou enquanto pegava uma das Mandrágoras que estavam alinhadas.

A Mandrágora lutou; aparentemente ter seu caule agarrado era doloroso.

“Vida Longa a Ainz Ooal Gown!”


“Vida Longa a Ainz Ooal Gown!”

As Mandrágoras romperam suas fileiras para cercar Sous-Chef, como se para protestar
contra os maus-tratos de seu amigo. Durante esse tempo, eles diziam a mesma coisa de
antes.

“Perdoe minha grosseria. Aura-sama, você pode pedir para eles voltarem?”

“Tá~ certo! Voltem!”

Sous-Chef gentilmente colocou a Mandrágora de volta no chão, e os outros a seguiram


enquanto se arrastavam de volta para os buracos que haviam ocupado antes. Em apenas
alguns segundos, as Mandrágoras voltaram à clandestinidade, como se estivessem hiber-
nando durante o inverno.

“Entendo, é como um chamado animal.”

“Pode se dizer que sim. Eles simplesmente gritam como um papagaio imitando a fala;
eles realmente não sabem o que estão dizendo. Aparentemente, há um nível mínimo de
inteligência, abaixo do qual você não entende a fala. No entanto, isso ainda está sob in-
vestigação.”

“Embora tudo isso seja a conclusão de Demiurge-sama; Estou simplesmente repetindo


o que ouvi.”

Disse Sous-Chef.

“Hm — é verdade, Albedo, posso fazer uma pergunta ~arinsu? Como Guardiã, não é
ruim que você não saiba sobre os recém-chegados? E se um espião aparecesse com eles
~arinsu?”

Antes que Albedo pudesse responder, alguém fez uma objeção.

“Ahahaha, isso é engraçado, Shalltear. É verdade que o Sexto Andar, é muito grande, por
isso é natural que você pense que a captura e abate de intrusos seria difícil. Certamente,
seria problemático se eles conseguissem escapar do Coliseu e corressem ao redor como
pequenas aranhas.”

Seu sorriso era vazio, e seus olhos eram tão frios como o gelo.

“Mas você não acha que está me desprezando? Este lugar é o meu terreno de caça.
Mesmo se eles se dispersaram, eu poderia rapidamente caçar e matar cada um, até o úl-
timo deles. Honestamente, mesmo que essas pessoas de alguma forma consigam escapar
do Sexto Andar e tentar prejudicar o Ainz-sama, eles teriam que passar pelo mundo de
chamas do Sétimo Andar, e ainda há o Oitavo Andar que é intransponível. Mesmo se qui-
sessem escapar, eles teriam que passar pelo inferno gelado do Quinto Andar, as águas
escuras do Quarto Andar, e, em seguida, restaria os Andares que é responsável... você
acha que isso é possível?”

Shalltear sacudiu a cabeça.

“De modo nenhum ~arinsu.”

“É como eu disse. Portanto, não há necessidade de se preocupar, não importa quantos


recém-chegados venham para este Andar.”

“Aura tirou as palavras da minha boca. Mm, em qualquer caso, há um plano acontecendo
agora para reunir todos os tipos de criaturas aqui.”

“Hã? Não são apenas monstros do tipo planta?”

Quando ela ouviu a pergunta surpresa de Aura, Albedo sorriu e respondeu:

“Esse era o plano no começo, mas depois de alguma observação, descobrimos que pro-
blemas foram percebidos graças a Aura e ao árduo trabalho de Mare, de modo que o
plano foi alterado e expandido. Dito isto, esta é apenas a fase do projeto, e não há ne-
nhuma garantia de que ele vai ser colocado em prática. Portanto, mesmo uma Guardiã de
Andar como você ainda não foi informada.”

Albedo disse-lhes para manter em segredo, e, em seguida, ela descreveu o plano:

“O nome do plano é Projeto Utopia. É um projeto de grande escala começando com a


base secreta que a Aura construiu, e seu estágio final é reunir monstros que podem con-
viver com a humanidade trazê-los para morar aqui.”

“Em especial, por que ficar junto com a humanidade é uma condição?”

Albedo sorriu, como se dissesse “Eu sabia que você perguntaria”. Aquele sorriso parecia
terrivelmente mal.

“Essa é a chave para todo o plano, o foco do Projeto Utopia.”

“Permita-me ser franca, mas acho que é difícil de entender. Nazarick é um refúgio para
os Seres Supremos, o fruto do trabalho deles. Por que foi chamado dessa maneira
~arinsu?”

“É a fim de deixar o mundo exterior acreditar que pode coexistir com outras raças.”

“Entendo... de modo que era o objetivo ~arinsu.”

“Impossível, a Shalltear realmente entendeu...”


O rosto de Shalltear estava preenchido com uma expressão que poderia quebrar um
amor de milhões de anos de idade, ela olhou com raiva para Aura.

“Você realmente pensa que sou uma retardada ~ari-n-su?!”

“...Espera... espera aí, Shalltear. Posso incomodá-la a refletir sobre o que você costuma
dizer e fazer antes de me perguntar isso? Por favor, pense sobre isso por um pouco.”

E, de fato, por apenas um momento, Shalltear pensou em tudo o que ela tinha dito e feito
até agora, e suas pupilas se alargaram como a de uma criatura morta. Depois disso, seus
olhos percorreram todos os lados, como se estivessem a ser atiradas em ondas de tem-
pestade.

Depois de ver seu estado absolutamente patético, Albedo graciosamente conduziu a


conversa de volta aos trilhos.

“Er, em qualquer caso, Ainz-sama sugeriu este plano. Quando discutimos sobre o Sexto
Andar, Ainz-sama uma vez mencionou que ele gostaria de coletar vários monstros. Cer-
tamente alguém com uma compreensão limitada do mundo nunca teria sido capaz de
chegar com uma idéia assim. No passado, eu discuti a sabedoria de Ainz-sama com o De-
miurge, e a conclusão a que chegamos foi que Ainz-sama é um verdadeiro gênio.”

“Qualquer um saberia que o Ainz-sama é um gênio, embora eu ouvi que grandes homens
tendem a falar pouco.”

“Demiurge disse isso? Honestamente... Ainz-sama afirma não simplesmente seus pensa-
mentos, e às vezes ele faz coisas misteriosas. Ainda assim, como diz o ditado, “a verda-
deira coragem parece covardia, enquanto grande sabedoria parece tola”. Esse é o tipo de
pessoa que o Ainz-sama é.”

Os olhos de Albedo estavam úmidos e ela balançou a cabeça.

“Eu nem esperava que Ainz-sama criasse a persona do aventureiro Momon. Realmente,
ele é um homem incrível... Eu não esperava que tudo o que aconteceu até agora estivesse
na palma da mão de Ainz-sama...”

“Momon é o Ainz-sama posando como um aventureiro, não? Para que serve isto?”

“Logo você entenderá... a persona de Momon se tornará a base para o governo de Ainz-
sama. Ainz-sama é incrível demais... talvez fosse a sua mão oculta no trabalho por trás da
sugestão de Demiurge—”

“Por que você está murmurando aí ~arinsu? É meio assustador.”

A voz de Shalltear chamou Albedo de volta aos seus sentidos, e depois de tossir leve-
mente, ela olhou fixamente nos rostos dos aqui presentes.
“Er, onde eu estava? Certo certo certo! Tudo o que Ainz-sama diz e faz contém um
grande significado. Portanto, mesmo que você não consiga alcançar o nível dele, você
precisa tentar o melhor para ver as verdadeiras intenções de Ainz-sama com base nas
palavras dele.”

“Isso vai ser difícil. Ainz-sama é muito inteligente — ah, são os Spear Needles.”

Duas bolas de penugem branca, cada uma com mais de dois metros de altura, aparece-
ram de dentro da aldeia e lentamente foram para o lado de Aura. Eles eram animais má-
gicos que pareciam coelhos angorá.

“Eles são fofos ~arinsu.”

Shalltear acariciou uma das bolas de pêlo ao lado de Aura.

“Eles são tão macios, eu quero criar um ~arinsu.”

“É uma sensação confortável, não é? No entanto, quando eles encontram inimigos, eles
ficam tão afiados quanto as agulhas, sabia?”

Spear Needles eram monstros de nível 67.

Uma vez que entrassem no modo de combate, eles se tornariam uma bola de espinhos
extremamente densos. Se os Spear Needles fossem mortos nesse estado, suas peles não
retornariam ao seu estado original e suave. Portanto, ao caçá-los, seria preciso pegá-los
de surpresa e matá-los instantaneamente. Foi por isso que os jogadores que os caçavam
eram frequentemente de níveis muito mais altos do que eles próprios.

“Ehh? Mesmo ~arinsu? Isso é assustador...”

Shalltear poderia ter dito isso, mas ela ainda estava acariciando-os sem parar.

“No entanto, se eu não der o pedido, eles não entrarão em um estado de combate. Agora,
se houvesse inimigos por perto, seria uma questão diferente, mas nenhum invasor hostil
seria capaz de fazer todo o caminho até aqui. No mínimo, os outros Andares enviariam
um relatório antes.”

“Isso é verdade. É apenas para ser esperado. Os três últimos Andares estão cheios de
vassalos que possuem excelentes habilidades de detecção. Seria muito difícil alguém en-
trar aqui sem ser notado por eles.”

Nesse exato momento, Aura congelou e se virou para o Coliseu.

“O que há de errado, Aura-san?”


“O portão de teleporte para o Sétimo Andar acabou de ser ativado.”

“De baixo? Demiurge deveria estar fora agora, então... poderia ser um de seus subordi-
nados? Está tudo bem para não dar uma olhada?”

“Hm — Mare está por perto, então não precisa se preocupar. Se alguma coisa acontecer,
ele entrará em contato comigo.”

Aura bateu no colar em volta do pescoço.

“Além disso, dificilmente é uma coisa rara. Você precisa ter portões de teleporte em lo-
cais específicos e subir nível por nível se quiser ir de um piso inferior para um Andar
superior. Ah, sim, e pessoas que usam magia de teleporte, porque se correrem certas coi-
sas caem—”

“Ghrum! Nazarick é uma fortaleza inexpugnável ~arinsu.”

“De fato. Nem mesmo aquela magia de Super-Aba 「Sword of Damocles」 ou meu Item
World-Class poderiam destruir um Andar inteiro de uma só vez. É por isso que não de-
vemos deixar o Anel que permite que o teletransporte seja roubado.”

Todos os olhos foram para o anel no dedo anelar esquerdo de Albedo.

“Mare aparentemente entrega o anel para outra pessoa quando ele sai, uma questão de
segurança. A partir disso, você pode dizer o quão importante são os anéis — ah, Mare me
contatou.”

Aura afastou-se e agarrou o colar, e então ela começou uma conversa com Mare. Os três
olharam para Aura, cujo rosto estava ficando sério e, quando terminaram de falar, ela
parecia muito infeliz.

“Eu sinto muito. O Mare aparentemente precisa ir em busca de algo, então, por precau-
ção, eu voltarei.”

“Entendo. Então... por que não voltamos a nós mesmas, Shalltear?”

“Eu não me importo ~arinsu.”

“Eu gostaria de fazer algo nos campos antes de ir. Além disso, gostaria de conversar com
a Dryad e os Treants.”

“Então cada uma de nós seguirá nossos próprios caminhos. Agradeço a todas por virem.
Graças a vocês, sei como gastar meu tempo livre. Se ficarmos livres algum outro dia... sim,
da próxima vez, todas devemos nos banhar juntas.”
Parte 2

09:28 - Hora de Nazarick

Mare ergueu os olhos do livro que estava lendo, lentamente deslocando os olhos para
espiar o portão de teleporte que levava ao 7º Andar.

Sentindo uma leve onda de poder, ele colocou seu marcador entre as páginas abertas e
silenciosamente colocou o livro na cadeira ao lado dele. Ele então pegou o cajado ao lado
que repousava em sua lateral, o item divine-class conhecido como “Shadow of Yggdrasil”.

Mare pegou com sua mão vazia e levou em direção ao peito, mas depois parou no meio
do caminho.

Não havia necessidade de contatar sua irmã. Ele não recebeu nenhum relato de invasão,
então a pessoa que veio deve ter sido amigável.

Ele moveu as pernas e correu para o portão de teleporte logo abaixo dele.

Sua irmã mais velha gostava de saltar diretamente dos assentos do espectador, mas
Mare não gostava de fazer isso. Ele achava que, uma vez que havia escadas instaladas na
arena, ele deveria pegá-las na descida. Foi assim que alguém mostrava sua fidelidade aos
Seres Supremos. As escadas deveriam ser usadas, afinal de contas.

Mas eu não ouso dizer isso para a Onee-chan... ela vai olhar para mim de uma maneira
assustadora...

Mare decidiu que, no mínimo, ele não desperdiçaria os esforços dos Seres Supremos, e
então desceu correndo os degraus, e então passou correndo pela área de descanso. Foi
então que ele viu alguém parado diante de um enorme espelho redondo que brilhava
com todas as cores do arco-íris.

“Me... me perdoe por manter você esperando.”

“Oh! Se não é o Guardião de Andar, Mare-sama! Obrigado por ter vindo até aqui. Estou
absolutamente encantado.”

O palhaço à sua frente estava vestido de branco puro e usava uma máscara que lembrava
o bico de um corvo. Ele se curvou e Mare assentiu em resposta.

“Olá, Pulcinella. O que aconteceu hoje?”

“Oh sim, como você sabe, Mare-sama, eu estou trabalhando atualmente com o Demi-
urge-sama, e hoje eu vim como um enviado de Demiurge-sama. Por favor, pegue isso.”
O palhaço rapidamente entregou a pasta que ele estava carregando.

“Se o Demiurge-san quer que eu tenha isso, isso significa que é um manifesto?”

“Precisamente. Ah, estou tão feliz que foi você quem veio, Mare-sama. Que sorte. Se
Aura-sama tivesse vindo, eu teria que pedir a ela para chamar você.”

“Por quê? Por... por que isso?”

O sistema de manifestos fôra inventado pelo governante da Grande Tumba de Nazarick,


Ainz Ooal Gown. Embora fosse pouco mais do que anotar notícias não urgentes e outros
assuntos diversos em um pedaço de papel e deixar os vários Guardiões de Andar circu-
larem e lerem entre si, algo como isto nunca tinha sido posto em prática.

Portanto, Mare olhou perplexo para a pasta que acabara de receber, murmurando “En-
tão, é isso...” para si mesmo.

“H-huh? P-Por que você não pode entregar a Onee-chan?”

Aura e Mare eram ambos Guardiões de Andar, então não havia razão para não dar a ela.
Além disso, ela era bastante cuidadosa com essas coisas, e não iria simplesmente jogar
fora um manifesto.

“Eu não tenho certeza disso. Tudo o que sei é que o Demiurge-sama me instruiu a en-
tregá-lo diretamente a você, Mare-sama, e não a Aura-sama.”

“Certo... ah... então, e Demiurge-san?”

Era uma pergunta um pouco vaga, mas Pulcinella parecia entender o que ele estava per-
guntando.

“...Bem, eu não entendo muito bem suas intenções. Mas sinto que a resposta ou razão
pode estar dentro dessa pasta.”

“Entendo... er, então, sim, isso mesmo, Demiurge-san, o que... o que ele está fazendo
agora?”

“Realização de experimentos de reprodução. Os humanoides podem se reproduzir entre


si, mas os demi-humanos não podem se reproduzir com humanoides; que trágico estado
de coisas. Um casal apaixonado é impedido da chance de suportar a fruição de seu amor
apenas por causa das diferenças em sua raça. Demiurge-sama está trabalhando ardua-
mente para salvar essas pobres almas. Ele criará possibilidades entre humanoides e
demi-humanos!”

O palhaço praticamente cantou sua resposta, abrindo os braços e olhando para o céu. A
repentina mudança de humor de Pulcinella fez Mare revirar os olhos.
“Ah, que rude da minha parte. Eu não pude deixar de ficar animado com a gentileza de
Demiurge-sama enquanto ele trabalha para fazer as pessoas sorrirem. Por favor me per-
doe.”

“Er, certo, eu não me importo.”

“Demiurge-sama chegou a dizer que ele permitiria que ele e os outros — os demônios
— fossem sacrifícios para não fazer os outros odiarem a si mesmos. Que espírito nobre
de auto-sacrifício! Eu, Pulcinella, sou levado às lágrimas por isso.”

Pulcinella esfregou os olhos pela máscara. Claro, ele não estava chorando. Até a voz dele
soava igual a sempre. Ele não parecia triste ou nada do tipo.

“...Por que as pessoas o odeiam?”

“Eu também não entendo. Por que o gentil Demiurge-sama incorrera ódio nos outros?
Mas o Demiurge-sama disse isso mesmo. Sim, sim, por favor ouça isso, de como o Demi-
urge-sama é realmente gentil. Da última vez, Demiurge-sama disse que seria uma pena
deixar os animais morrerem de fome, e então ele assou os filhos de ambos os lados e
serviu-os um ao outro. Certamente uma pessoa cruel e impiedosa não os teria se preocu-
pado em alternar os lados, mas sim os serviria diretamente, não?”

“M-mesmo?”

“Mas é claro. E para permitir que os pais de ambos os lados se despedissem de seus
filhos, Demiurge-sama os convidou para a mesa de jantar... Demiurge-sama permitiu que
eles dissessem adeus com um sorriso... Eu tenho certeza de que ninguém além dos Seres
Supremos poderia ser tão compassivo como ele é.”

Enquanto observava Pulcinella tagarelar, Mare disse “oh” em um tom desinteressado.

Essas pessoas que não eram entidades de Nazarick, então não importava o que aconte-
cesse com elas. Seus sentimentos sobre a pecuária de Demiurge desapareceram de seu
coração depois de alguns segundos.

“E quando alguém está com fome, o intestino pode ser incapaz de digerir comida mesmo
quando o cérebro o deseja. Demiurge-sama até considerou esse ponto como ele os ad-
vertiu para comer bem. Sua bondade é verdadeiramente incomparável~”

Mare sentiu que isso duraria para sempre, e então ele rapidamente cortou:

“—Ah, então, e o... e o Guren-san? Eu pensei que ele seria o único enviando isso, mas o
que ele está fazendo agora?”
“...É ele, ou talvez ela? Eu acredito que Guren-sama não tem sexo, mas quando eu o vi há
alguns dias, ele estava esperando em uma emboscada perto do portão de teleporte do
Sétimo Andar enquanto o Demiurge-sama estava fora.”

“Eu... eu entendo.”

Mare pensou na aparência de Guren.

Guren — um Guardião de Área que escondia seu corpo massivo dentro da lava fluente
e arrastou inimigos descuidados para um campo de batalha onde ele teria a vantagem,
assim lutava contra eles. Embora ele estivesse apenas no nível 90, ele estava otimizado
para o combate, e por pura bravura de luta sozinho, ele estava entre os primeiros com-
batentes de Nazarick, e podia até mesmo se defender contra alguns dos Guardiões de
Andar. Assim, não havia melhor Guardião para o 7º Andar na ausência de Demiurge.

“Ah, parece que falei demais. Agora que entreguei o manifesto para suas mãos, Mare-
sama, agora devo espalhar mais sorrisos para os outros.

“Obrigado... muito obrigado.”

Mare curvou-se e Pulcinella gentilmente respondeu:

“Não há necessidade de agradecimento. Estou satisfeito por poder ver seu sorriso, Mare-
sama.”

O palhaço encolheu os ombros de maneira brincalhona e finalizou:

“Bem, então, até nos encontrarmos novamente.”

Ele acenou, e depois desapareceu no portão de teleporte que levava ao 7º Andar.

Depois de Mare assisti-lo sair, ele abriu o manifesto. O fato de que isso era para os olhos
dele e não para os de sua irmã o encheu de uma mistura de emoções — superioridade e
culpa — e depois que ele rapidamente examinou o conteúdo, ele piscou algumas vezes.

“Isso... não é um mero manifesto, é como uma mensagem que o Ainz-sama queria enviar
para os Guardiões.”

Dizia: “A todos os Guardiões homens” e continha apreço e elogios por seu trabalho diário.
Em resumo, este era um convite para “tomar banho juntos e aliviar a fadiga”.

Havia uma lista de participantes, lia-se Ainz, Demiurge, Mare e Cocytus de cima para
baixo, cada um com uma opção de Vou/Não Vou ao lado. As duas primeiras entradas já
tinham circulado “Vou”. O nome de Sebas deveria estar lá também, mas ele estava sob
ordens de coletar informações com Solution em uma cidade humana.
Er, a data é...

A circular afirmava que a data não era fixa e que seria realizado quando fosse mais con-
veniente para os participantes, razão pela qual ele poderia circular “Vou” sem qualquer
hesitação. Mesmo o manifesto declarando que ele poderia recusar, não havia como Mare
recusar o convite de seu generoso e compassivo mestre. Não, ninguém em Nazarick faria
isso.

Ele pegou o lápis na pasta e circulou o “Vou” ao lado de seu nome.

“...Ehehehe~”

Ele riu enquanto olhava para o “Vou” circulado. No entanto, em pouco tempo, as nuvens
envolveram seu coração.

“Ah, mas... como vou levar isso para o Cocytus?”

O manifesto repetidamente enfatizou não informar as Guardiãs sobre isso, então ficou
claro que seu mestre queria manter isso em segredo entre os homens. Nesse caso, a me-
lhor maneira era entregar pessoalmente.

Não é bom esconder as coisas da Onee-chan... certo? Porque enquanto eu estou recebendo
o seu... er, devo chamá-lo de carinho, eu vou precisar da Onee-chan para guardar o Andar
sozinha.

Uma coisa era sair quando sob ordens, mas quando eles tinham que visitar os outros
Guardiões para se divertir ou fazer outras coisas, Mare e Aura sempre diziam onde esta-
vam indo. Isso porque Aura e Mare foram designados para guardar este Andar por ordem
dos Seres Supremos, então fazer isso era apenas para ser esperado.

Mare pegou o item mágico pendurado no pescoço.

“O-onee-chan? Você pode me ouvir?”

Ele recebeu uma resposta imediata.

『Eu posso ouvir você. O que houve, Mare?』

“Ah, isso é ótimo. Er, hum, é que. Ah, preciso visitar o Cocytus por um tempo. Volto em
breve.”

『Visitar o Cocytus?』

“Mm, eu preciso chegar lá, é urgente.”

『O que aconteceu?』
Os ombros de Mare estremeceram de medo. Ele quase guinchou em vez de falar, e ele
mal conseguiu espremer uma voz normal.

“N-nada? Não é nada, só... eu sinto que tenho que ir lá rápido.”

『Oh—...』

Aura parecia claramente suspeita, e as mãos de Mare ficaram úmidas de suor ao ouvir
sua irmã.

Mas, hum, não posso fazer nada quanto a isso. Ainz-sama ordenou.

Além das palavras do criador de Aura e Mare, Bukubukuchagama, as palavras de Ainz


eram as de mais importância dentre os Seres Supremos. Era natural colocar o que ele
dizia como sua prioridade mais alta.

『Bem, acho que está bem. Vá então. No entanto, o Quinto Andar é muito frio, então não
se esqueça de se proteger contra o frio... oh sim, você deve estar bem lá, Mare.』

“Humm. Hum, eu posso lidar com isso com magia. Não se preocupe. Eu vou lá e volto
logo.”

Se ele continuasse falando, ele poderia acabar dizendo algo estranho. Portanto, Mare
apressadamente liberou o item mágico. Parece que sua irmã queria dizer outra coisa no
final, mas se fosse um bom ou mal conselho, ele não a ouviu.

“Tudo... tudo bem! Eu preciso ir para lá rapidamente!”

Mare ativou o poder do Anel que seu mestre lhe dera.

♦♦♦

Depois do teletransporte, pedaços de uma substância branca voaram diretamente para


Mare e ficaram presos em seu rosto. Era neve, carregada pelo vento.

A nuvem de hálito branco que Mare exalava instantaneamente fluiu atrás dele. Isso foi
por causa do cisalhamento do vento super-resfriado.

A neve impulsionada pela nevasca percorreu todas as direções, obscurecendo toda a


visão e encobrindo as pegadas. Isso era para atacar qualquer intruso, mas em circuns-
tâncias normais o clima no 5º Andar não era tão ruim. As nuvens que cobriam o céu ape-
nas distribuíam flocos de neve dispersos e, Mesmo o clima sendo sombrio, a visibilidade
era excelente.

“...Hm.”
Mare olhou em volta. Já que ele se teletransportou através do Anel de Ainz Ooal Gown,
ele deve estar perto de seu destino.

Assim que encontrou o lugar para onde precisava ir, Mare avançou com passos leves.
Ele não deixou pegadas na neve onde havia pisado. Seus pés não afundavam na neve,
como se ele estivesse andando em terra firme.

Neste mundo solitário de branco, o som da neve caindo parecia levar diretamente aos
ouvidos de Mare. É claro que a magia de percepção extra-sensorial sempre presente de
Mare o fez saber que esse lugar não estava realmente deserto. Os emboscadores sabiam
que ele era o Guardião do 6º Andar, e assim eles não se mostraram.

Mare chegou ao seu destino em silêncio.

Diante dele havia uma grande esfera branca, que parecia um ninho de vespas invertido.

Seis cristais gigantescos rodeavam a esfera branca, suas pontas afiadas apontando para
o céu. Os cristais eram transparentes e havia pessoas visíveis por dentro.

Mare deu um passo, e um som desagradável que o deixou desconfortável saiu de debaixo
de seus pés. Olhando para baixo, ele viu que o chão abaixo era diferente do monte de
neve agora; Era uma camada brilhante de gelo. Parecia grosso o suficiente, mas não havia
nada além de escuridão negra sob a camada de gelo. Era claramente um grande buraco.

Mare pisou no gelo. Ele andou sem hesitar, como se tivesse certeza de que o gelo abaixo
dele não racharia. Ele pisou no gelo, que fez um ruído trêmulo e rangente, e chegou aos
arredores da esfera branca.

“Ah... hum, Cocytus-san está aí?”

Mare não estava se dirigindo à enorme esfera branca, mas aos cristais ao redor.

Monstros que se pareciam com mulheres emergiram dos cristais em resposta à sua voz.
Havia tantos monstros quanto cristais, e elas estavam vestidas de branco. Sua pele era
pálida e seus longos cabelos eram negros.
[ V i r g e ns G é l i d a s ]
Eles eram Frost Virgins — monstros do tipo gelo de nível 82, responsáveis pela defesa
da Terra Bola de Neve, que era o lar de Cocytus. Elas eram algo como um time de guarda-
costas.

“Bem-vindo, Mare-sama. Estamos felizes por você ter vindo pessoalmente visitá-lo.”

“Ah... hum, onde está o Cocytus-san?”


“Cocytus-sama está atualmente fora da Grande Tumba de Nazarick. Ele está visitando a
aldeia Lizardman.”

“É me... mesmo?”

A Frost Virgin inclinou a cabeça como uma afirmação.

“Posso entregar uma mensagem por você?”

Mare hesitou.

Desde que ele tinha vindo até aqui, ele provavelmente poderia deixar o manifesto nos
aposentos de Cocytus e então deixar as Frost Virgins o informarem. No entanto, depois
de pensar sobre o conteúdo do manifesto, entregar diretamente a ele pode ser a melhor
maneira de realizar as intenções de seu mestre.

Mas como ele poderia sair para encontrar Cocytus?

Não havia regra que os impedisse de deixar Nazarick. No entanto, havia uma exigência
que precisava ser satisfeita para sair. Isso porque seu mestre proibiu estritamente que
alguém perambular sozinho fora de Nazarick.

Depois de analisar os dados que haviam coletado até agora, o nível 100 dos Guardiões
de Nazarick o deixavam inimaginavelmente poderosos em comparação com o mundo ex-
terior, comparável a desastres ambulantes. Assim, como um daqueles desastres ambu-
lantes, Mare não estaria em perigo quando se deslocasse sozinho para fora. Por outro
lado, era o mundo que deveria ter medo dele. No entanto, qualquer pessoa com uma men-
talidade tão imprudente certamente deve ter esquecido alguma coisa.

Esse era o fato de Shalltear ter sofrido uma lavagem cerebral por um inimigo que — com
toda a probabilidade — possuía um Item World-Class. E também havia vestígios da exis-
tência dos jogadores no passado.

Eles não sabiam o quão poderoso e amplo o alcance dessas pessoas eram, então preci-
savam ser mais cuidadosos.

“Er... hm — o que devo fazer...”

Qualquer um que fosse para fora tinha que ser escoltado por cinco vassalos de nível 75
ou maiores, isso como requisito mínimo. Mare tinha dois Dragões que lhe foram desig-
nados diretamente como vassalos, mas trazê-los consigo seria muito óbvio. O caminho
mais rápido seria perguntar a sua irmã, mas quando ele pensou sobre o que tinha acon-
tecido quando veio para cá, não conseguiu reunir coragem para fazê-lo.

Só então, uma revelação passou por sua mente. Seus números e níveis estavam certos.
“Ah, eu poderia pedir-lhe para vir e procurá-lo comigo?”

“Eu... sinto muito. Cocytus-sama ordenou que defendêssemos este lugar. A menos que o
próprio Ainz-sama ordene, nós não podemos desobedecer às ordens de Cocytus-sama...
nós imploramos seu perdão!”

“Ah, não, não tem problema. Está bem.”

Não poderiam fazer nada; ou melhor, ele teria percebido se tivesse pensado nisso. De-
pois disso, ele teve uma segunda boa idéia, que foi emprestar os Evil Lords do 7º Andar.
No entanto, se ele simplesmente os perguntasse normalmente, seu pedido provavel-
mente seria negado assim. Ainda assim, ele só poderia contar com Demiurge para ajuda.

Isso porque ele queria fazer o melhor possível para evitar perguntar aos Guardiões cu-
jos nomes não estavam escritos no manifesto. Além disso, a maioria dos vassalos que
estavam acima do nível 80 eram os subordinados diretos de um Guardião, e poucos eram
independentes.

Devido a essas duas razões, ele precisaria entrar em contato com Demiurge para pegar
emprestado seus Evil Lords.

Mas como vou entrar em contato com ele?

Para contatar Demiurge, que estava do lado de fora, ele precisaria despachar um vassalo
ou usar magia.

Então, há—

Mare pensou no livro que acabara de ler.

Ele tem subordinados do nível setenta e cinco e acima também, certo? Mas ele não é um
Guardião... hm — bem, ele é do sexo masculino, então deveria estar tudo bem. Vou ter que
fazê-lo jurar e manter isso em segredo...

“Ah... ah, obrigado a todos. Er, acho que vou descobrir algum meio por conta própria.”

“Mesmo? Entendido.”

Mare ativou o poder do anel. Seu destino era a enorme biblioteca no 10º Andar de Na-
zarick — Ashurbanipal.

09:54 - Hora de Nazarick

Após o teletransporte, o cenário ante dos olhos de Mare mudou de um campo de neve
para uma sala ampla. A cor básica dos móveis da sala era ébano-amarronzada e parecia
bastante digna, pois estava iluminada por uma iluminação cálida. O teto era uma cúpula
suave e havia um par de portas duplas em frente a ele.

Essas portas maciças eram grandes o suficiente para rivalizar com as que se abriam para
o Salão do Trono, e eram flanqueadas por um par de Golems, cada um com quase três
metros de altura. Ambos os Golems pareciam guerreiros e tinham sido construídos a par-
tir de metais raros por um Ser Supremo, então eles eram mais poderosos que os Golems
comuns.

“Ah, por favor me ajude a abrir a porta.”

Em resposta às palavras de Mare, o Golem de cada lado colocou as mãos na porta e len-
tamente a abriu. Ouviu-se um som pesado quando as portas se abriram para o ponto em
que várias pessoas poderiam caminhar lado a lado, e assim, Mare entrou.

A cena que se desenrolava diante dele não parecia mais uma biblioteca do que uma vista
de um instituto ou algo semelhante — sim, parecia uma galeria de arte. O chão e as es-
tantes estavam elaboradamente decorados, e as fileiras de livros nelas também pareciam
ornamentos.

O chão brilhante e imaculado era um mosaico de parquet com padrões intrincados.

Acima havia um teto alto e havia uma sacada no mezanino no segundo andar. Além disso,
havia uma sala cercada por inúmeras estantes de livros. Cada centímetro do teto hemis-
férico estava coberto de afrescos magníficos.

Havia vitrines de vidro espalhadas pela sala, cada uma exibindo vários livros.

Embora houvesse inúmeras fontes de luz, elas não produziam uma iluminação forte. Um
ser humano certamente franziria a indignação à penumbra da sala.

Não se podia ver todo o ambiente com um único olhar. As estantes de livros bloqueavam
a visão de uma pessoa.

As portas se fecharam lentamente atrás de Mare em meio a esse silêncio adequado à


biblioteca. Sem a luz do lado de fora, o interior da sala parecia ainda mais escuro. Isso,
combinado com o profundo silêncio, encheu a sala de uma atmosfera assustadora.

Claro, Mare podia ver no escuro como se fosse a luz do dia, e assim ele não se sentiu
assustado.

Mare entrou, acelerando um pouco o passo.


Ele estava atualmente no Salão da Lógica. Essa biblioteca foi dividida no Salão da Lógica,
no Salão da Sabedoria, no Salão da Magia e em várias outras salas menores, com propó-
sitos específicos — como as salas individuais de cada funcionário. Com isso em mente,
seu destino parecia bem distante.

Inúmeros livros enchiam as fileiras de estantes que se alinhavam na passagem de cada


lado.

♦♦♦

Havia aproximadamente cinco tipos de livros em YGGDRASIL.

O primeiro tipo era o de dados de monstros, que poderiam ser usados para invocar
monstros mercenários.

Havia três tipos de monstros em Nazarick: os primeiros eram os NPCs, que eram feitos
exatamente como os jogadores eram; os segundos eram os monstros que desovavam au-
tomaticamente com nível 30 ou menos, e os últimos eram os monstros invocados que
podiam servir como mercenários. Esses monstros mercenários tinham que ser convoca-
dos através de um ritual que usava um livro e depois gastava uma quantidade apropriada
de moeda de acordo com seu nível. Portanto, não se pode convocá-los sem um livro.

O segundo tipo eram itens mágicos.

Certos cristais de dados só poderiam ser incorporados em itens do tipo livro. Na maior
parte, os itens do tipo livro eram itens mágicos de uso único. A diferença entre eles e os
pergaminhos era que um deles precisava ser de uma profissão relacionada a Spellcasters
para usar um pergaminho, já itens do tipo livro poderiam ser usados por qualquer pessoa.

O terceiro tipo eram itens de evento. Não era incomum que os itens necessários para
mudar para uma profissão específica assumissem a forma de livros. Quando Ainz tinha
ido de um Mago Skeleton para um Elder Lich, ele precisara do item conhecido como o
Book of the Dead. Havia também coisas como a Monografia das Artes Marciais e os Con-
tos dos Quatro Grandes Elementais. Além desses itens de troca de trabalho, também ha-
via itens que permitiam que alguém aprendesse novas magias quando usado.

O quarto tipo eram dados visuais.

Em outras palavras, eles eram livros que continham dados visuais para espadas, escu-
dos, armaduras e similares. Qualquer pessoa com habilidades específicas de ferreiro po-
deria usar esses livros com as matérias-primas necessárias para produzir uma skin de
item.

O quinto tipo eram romances distribuídos em forma de livro. Os exemplos mais comu-
mente vistos foram peças de literatura clássica cujos direitos autorais haviam expirado,
seguidos por material de apoio da equipe de desenvolvimento e, em seguida, histórias
originais criadas por jogadores de YGGDRASIL. Havia também algumas criações secun-
dárias no universo de YGGDRASIL, ou orientações em estilo diário para o jogo.

Dentro da Grande Tumba de Nazarick, a grande maioria dos livros dentro de sua bibli-
oteca pertencia ao primeiro tipo — livros reunidos para invocar monstros mercenários.
Claro, não havia necessidade de coletar tantos livros.

Na verdade, mesmo que alguém despejasse os cofres da guilda na tarefa, não seria pos-
sível invocar nem um décimo dos monstros dos livros que preenchiam esse lugar. Então
por que eles tinham tantos livros? Isso porque os livros de invocação não eram particu-
larmente caros, então os membros da guilda decidiram mexer e fizeram uma enorme
pilha de cópias. Isso também serviu ao propósito de ocultar itens importantes.

♦♦♦

Mare olhava para os livros dos dois lados enquanto caminhava.

De repente, uma forma fantasmagórica apareceu entre as prateleiras, como se quisesse


bloquear seu caminho.

O fantasma usava uma túnica preta e parecia se fundir na escuridão da biblioteca. Havia
uma varinha de joias na cintura e várias joias amarradas ao cinto.

Havia um rosto ceroso, como um cadáver, sob o capuz do manto. Suas mãos eram pele
e ossos. Toda vez que se movia, a escuridão fraca que o rodeava se movia também.

Era um monstro especialmente famoso entre os magic casters undeads conhecidos


como Elder Liches.

Em YGGDRASIL, eles foram apelidados de Falsificadores Brancos. Monstros como estes


eram de nível 30 e ficaram em segundo lugar entre os membros da família Elder Lich.
Havia outros monstros com paletas invertidas como esses em YGGDRASIL, coloquial-
mente apelidados com Falsificadores Vermelhos e Falsificadores Pretos.

No entanto, ele diferia dos Elder Lich em geral, ele tinha uma braçadeira no braço es-
querdo.

A braçadeira dizia “Bibliotecário J”.

“Bem-vindo, Mare-sama.”

O Elder Lich falou em voz rouca e truncada, depois se curvou em deferência, lenta, mas
profundamente, com uma das mãos agarrada ao peito em um movimento firme e digno.

“Ah... ah, vim procurar o Bibliotecário-Chefe. Ele está aí?”


O Elder Lich fez uma pose de pensador e depois respondeu:

“O Bibliotecário-Chefe está atualmente fazendo pergaminhos, então ele está na sala de


trabalho.”

“Obrigado.”

“Permita-me mostrar-lhe o caminho. Por favor siga-me.”

“Como eu poderia impor você assim? Eu não posso te manter longe do seu trabalho.”

“Não se preocupe. Ajudar os usuários da biblioteca é meu dever.”

Como ele já havia dito isso, continuar recusando seria rude.

“Eu entendo, então eu vou te incomodar um pouquinho.”

Um sorriso apareceu no rosto medonho do Elder Lich e, em seguida, liderou o caminho


a seguir.

Enquanto Mare o seguia, ele olhou para os outros Elder Liches e undeads do tipo magic
caster enquanto se dirigiam a sua destinação.

“Oh sim, gostaria que eu levasse esse livro de volta para o senhor?”

“Ah, por favor, faça.”

O Elder Lich pegou o livro de Mare e olhou para o título.

“As Aventuras de Tom Sawyer, hm. O senhor gostou?”

“Mm, foi muito interessante! Estou pensando no que devo ler a seguir.”

“Então, permita-me recomendar-lhe um livro. Este é muito engraçado, diz respeito a um


assassinato — ah, chegamos.”

“Muito obrigado.”

Mare abriu a porta para onde o Elder Lich o guiara.

O que deveria ter sido uma sala espaçosa parecia opressivo e apertado, graças às gran-
des prateleiras de todos os lados.

As prateleiras estavam cheias de incontáveis reagentes — minérios, metais preciosos,


rochas imbuídas de elementos, vários pós, órgãos de vários animais — todos dispostos
em fileiras ordenadas. Havia também várias pilhas de pergaminho — algumas foram en-
roladas, enquanto outras simplesmente foram colocadas ali.

Todos esses eram os materiais necessários para fazer pergaminhos.

É claro que esses não eram todos os recursos que a Grande Tumba de Nazarick possuía.
Havia várias centenas de vezes esse valor armazenado na Tesouraria.

Apenas os suprimentos que seriam prontamente usados eram armazenados nesta sala.

Havia uma mesa extragrande no centro da sala, com um pedaço de pergaminho aberto
sobre ela.

Diante da mesa havia um corpo esquelético que parecia uma fusão de ossos humanos e
animais.

Não era muito alto. Tem cerca de 150 cm de altura.

Dois chifres de aparência demoníaca projetavam-se de sua cabeça e tinha as mãos de


quatro dedos. Abaixo de seus tornozelos havia os pés fendidos.

Esta criatura bizarra estava envolta em um himation açafrão. Além disso, um capuz de
material semelhante encobria sua cabeça sem ser perfurado pelos chifres, e havia outro
pedaço de pano em volta da cintura.

Além disso, ele usava uma pulseira de prata com uma joia multicolorida, também havia
um ankh dourado em volta do pescoço, e tinha vários anéis estranhos e com aparência
complexa em seus dedos ossudos, que pareciam estar enrolados ao redor dos dedos. Ha-
via joias anexadas ao himation que tomavam o lugar de uma faixa. Cada uma delas era
um item mágico bastante potente.

Usava vários pergaminhos no cinto, como se fossem espadas.

Embora tivesse uma roupa única, na verdade era um Mago Skeleton. Era uma das espé-
cies básicas de undeads e o estágio antes do Elder Lich.

No entanto, este Mago Skeleton era o principal bibliotecário desta enorme biblioteca —
Titus Annaeus Secundus.

Este ser não foi criado pelos Seres Supremos para se concentrar no poder de combate,
mas na capacidade de produção. De fato, seu nível total era maior do que o do Elder Lich
de antes.

“Veio na hora certa, Guardião Mare. Eu lhe dou as boas-vindas.”

“Ah, prazer em conhecê-lo, Titus-san. Eu vim pedir um favor de você.”


“Entendo. Então me diga qual negócio o traz aqui.”

“Ah sim. Hum. Eu gostaria de pedir emprestado seus vassalos que estão acima do nível
setenta e cinco.”

“Compreendo. O senhor pretende ir em uma excursão, correto?”

“Eh? S-Sim, isso mesmo. Como você sabia?”

“...Eu nunca esqueci as palavras do meu governante, Ainz-sama. Depois disso, considerei
sua situação e adivinhei imediatamente — muito bem.”

Ele passou apenas um momento em contemplação.

“Eu lhe empresto os Soberanos desta biblioteca: Cocceius, Ulpius, Aelius, Fulvius e Au-
relius.”

“Eh? Sério?!”

“Mas é claro. Com toda honestidade, seu potencial de batalha é um tanto excessivo para
a biblioteca. Em vez de fazê-los polvilhar durante todo o dia, é muito melhor que eles
sejam seus acompanhantes. Tenho certeza que isso os deixaria muito felizes.”

“Ah... ah, er, muito obrigado!”

“Dito isto, alguma recompensa é devida. Eu gostaria que o senhor me ajudasse com uma
tarefa, a criação de pergaminhos.”

“Ah, certamente! O que devo fazer?”

“Não se preocupe. Assim que eu disser “Agora”, gentilmente conjure a magia de quarto
nível neste pergaminho. Isso é tudo.”

“Que... que tipo de magia eu deveria lançar?”

“A escolha é sua.”

Mare pareceu intrigado. Ser dito para decidir por si mesmo era muito difícil. Ele não
sabia se deveria usar apenas uma magia comum.

Havia uma pequena mesa ao lado da mesa de desenho com o pergaminho. Titus esten-
deu a mão ossuda para a mesa e tocou uma pilha de ouro brilhante —moedas de ouro de
YGGDRASIL.
De repente, as moedas de ouro de YGGDRASIL derreteram abaixo de sua palma ossuda,
e elas fluíram ao longo do pergaminho como se fossem sencientes.

A serpente dourada rastejou pelo pergaminho e depois se dispersou, como se já tivesse


decidido aonde ir.

No intervalo entre as respirações, um círculo mágico de ouro cobria o pergaminho. O


rendilhado místico era ao mesmo tempo complexo e delicado.

“Agora.”

Mare — que aguardava nervosamente sua sugestão — lançou sua magia como se tivesse
sido surpreendido.

Mare sentiu sua magia sendo sugada pelo círculo mágico.

Normalmente, isso teria completado o pergaminho. Isso foi o que Mare pensou.

Até esse momento—

♦♦♦

Houve uma chama vermelha brilhante.

Algo impossível aconteceu na mesa de desenho.

Mare olhou em estado de choque quando o pergaminho queimou como se tivesse sido
embebido em álcool, mas dentro de alguns momentos, o fogo tinha se apagado.

♦♦♦

Os eventos agora pareciam uma ilusão. Não havia vestígios de fogo dentro da sala. Nem
mesmo o cheiro de queimado permaneceu.

No entanto, havia evidências na mesa que provavam que o que acabara de acontecer
não era uma ilusão.

Esses eram os restos do pergaminho — suas cinzas.

Titus parecia ter antecipado isso, e ele calmamente pegou as cinzas para examiná-las.

“Então não pode impregná-los com magias de quarto nível. Parece que confirmei que
não tem nada a ver com o poder de quem conjura.”

Tito murmurou algo como: “Amostra de dez anos de idade foi um fracasso” e fez anota-
ções.
“Er, o que... o que aconteceu? O que eu fiz errado?”

“Não se preocupe. Eu tentei usar os materiais deste mundo para fazer pergaminhos, a
fim de economizar em custos de pergaminho, mas sua qualidade é simplesmente atroz.”

♦♦♦

O nível de uma magia limitava os materiais que poderiam ser usados para fazer um per-
gaminho que a contivesse.

Por exemplo, pergaminhos feitos de rolo de nível médio podem conter uma magia de 2º
nível no máximo, mas não de um nível mais alto. Se alguém usasse o grau mais alto de
pergaminho —feito de couro de Dragão — poderia escrever uma magia de 10º nível nele.

Naturalmente, o couro de Dragão era um material especial, que exigia matar um Dragão.

Por essa razão, os membros da guilda Ainz Ooal Gown se uniram para fazer um criatório
de Dragões, mas isso foi dos dias de YGGDRASIL. Até que pudessem verificar que este
mundo continha Dragões — bem como outras feras — Ainz havia imposto sensivelmente
uma restrição ao uso de couro de Dragão.

Ele não podia fazer algo tolo como gastar um recurso não renovável. Afinal, não havia
como dizer quando ele poderia precisar usá-lo.

♦♦♦

“Você não pode usar meus dragões!”

“Mas é claro. Eu não farei tal coisa. Começando com seus Dragões, todos esses seres es-
pecialmente invocados são a vontade dos Seres Supremos manifestada. Prejudicá-los é
estritamente proibido.”

Mare soltou um suspiro de alívio. Titus olhou para ele com interesse em seus olhos, de-
pois varreu as cinzas em uma lixeira.

“Er, então, isso significa que o pergaminho deste mundo não é adequado para fazer per-
gaminhos?”

Os olhos de Mare olharam para os restos.

“Isso é bem possível. Não, eu não sei ainda. Pode ser que meus métodos de fabricação
não sejam ortodoxos neste mundo. Por exemplo, eles parecem produzir poções de uma
maneira marcadamente diferente.”
“Mas... é realmente o caso? Se é apenas um fracasso, não poderia ser culpa do pergami-
nho?”

“Se for apenas um, isso que quer dizer? Eu já usei o pergaminho do lado de fora para
vários experimentos, mas sempre que eu tento imbuir uma magia acima do terceiro nível,
recebo o mesmo resultado — destruição. É bem provável que o pergaminho se desinte-
gre porque o poder mágico não pode ser infundido nele.”

“...Mas os magic casters neste mundo todos usam esse tipo de pergaminho, não é?”

“Não, o que eu acabei de descartar provavelmente não é um pedaço típico de pergami-


nho usado pelos magic casters deste mundo. Claro, depois de considerar que existem vá-
rias nações neste mundo, não posso garantir que ninguém tenha usado um pergaminho
como este. Quando usei os pergaminhos das nações perto de Nazarick—”

Titus produziu uma pilha de pergaminhos que pareciam diferentes do de antes.

“—Os resultados experimentais foram ainda piores; eles estavam limitados a magias de
primeiro nível.”

“Então, isso significa que os humanos sabem fazer bom uso de materiais mais pobres?”

“Não. Eu acredito que pode ser uma diferença tecnológica. Mesmo que me doa admitir,
a técnica deles é, até certo ponto, mais refinada do que a nossa. Eu adoraria adquirir essa
nova tecnologia e melhorar minhas habilidades.”

“Isso é incrível!”

Mare não sentiu nada além de respeito pelo espírito de auto-aperfeiçoamento do Bibli-
otecário-Chefe.

“Tudo isso é para o bem do Supremo. Então, Guardião Mare, como nós concordamos, eu
lhe empresto os Soberanos. Venha comigo.”

10:28 - Hora de Nazarick

Ele entregou o anel a outra pessoa ao longo do caminho e depois chegou à superfície. Lá,
Mare e companhia realizaram um teleporte em massa e chegaram no meio de uma sala
dentro de uma estrutura de pedra na aldeia Lizardman.

Este edifício foi construído de uma pedra densa e resistente. Ele só poderia ser constru-
ído em um local com solo suficientemente firme, exigindo técnicas de construção que os
Lizardmens não possuíam. Escusado será dizer que as pessoas que construíram este lu-
gar foram um terceiro — um grupo da Grande Tumba de Nazarick.
A razão para ter pessoas vindo de Nazarick para construir essa estrutura estava atrás
das costas de Mare. O objeto que estava dentro das profundezas deste edifício explicava
tudo.

Mare inclinou-se profundamente para o objeto em questão. Os Soberanos que viajavam


com ele também se curvaram.

Uma estátua de pedra feita à imagem de Ainz Ooal Gown, governante da Grande Tumba
de Nazarick, erguia-se sobre uma plataforma elevada. Era tão natural que parecia que o
original havia sido transformado em pedra. O modo em que elevava seu bastão irradiava
a dignidade e a seriedade de um governante.

Todo tipo de oferendas adornava o altar diante da estátua. Naturalmente, essas oferen-
das eram inúteis aos olhos de Mare, escassas homenagens de flores, peixes e coisas do
gênero.

No entanto, Mare não estava descontente.

Isso porque os que fizeram essas oferendas estavam cheios de genuíno respeito e reve-
rência. Por exemplo, flores frescas não cresciam no pântano, mas nas florestas que eram
muito perigosas para os Lizardmen — eles devem ter arriscado a vida para colhê-las. Os
peixes eram a dieta básica dos Lizardmen, mas as oferendas eram muito maiores do que
o tamanho médio dos peixes. Mare entendeu que eles tinham escolhido apenas os espé-
cimes mais impressionantes para oferecer.

“Mm...”

Mare acenou em satisfação.

Vendo a gentalha expressar seu respeito por seu grande mestre o deixou muito feliz.

“Bom trabalho.”

Ele falou para tranquilizar os Lizardmen que estavam espiando com medo para ele.

Eles eram o pessoal responsável pela limpeza deste santuário. Eles possuíam habilida-
des druídicas, que eram raras entre os Lizardmen, e usavam crachás com o emblema da
guilda de Ainz Ooal Gown no pescoço.

Havia uma grande diferença entre seus postos e o de Mare, entre a dos conquistados e
seus conquistadores, de modo que não havia necessidade de agradecê-los pelo árduo tra-
balho. No entanto, pelas razões mencionadas anteriormente, Mare ficou tão satisfeito
com seus trabalhos que decidiu agradecer-lhes por isso.

Mare deixou os Lizardmen se curvarem sem parar atrás dele e afastou os cinco Sobera-
nos do santuário.
Diante dele havia um pedaço de pântano, o assentamento de Lizardman. Parecia mais
desenvolvido do que antes.

De fato, eles perderam muitas pessoas durante a guerra. No entanto, as cinco tribos
eram agora uma e, no final, formaram uma aldeia maior e mais forte.

A cerca de fronteira abrangia uma área ampla. Em algum momento, torres de vigia ha-
viam sido construídas no pântano enlameado, e em cima de cada uma delas havia um
Skeleton — provavelmente um Old Guarder de Nazarick — examinando os arredores
com uma flecha encaixada em seu arco. Vários Old Guarders de Nazarick podiam ser vis-
tos andando pelo pântano; presumivelmente, eles estavam realizando reconhecimento
em caso de ataque inimigo.

“Ah, onde está o Cocytus-san?”

Cocytus destacava-se de muitas maneiras. Se ele estivesse na aldeia, ele deveria ser ime-
diatamente visível daqui; se ele estivesse dentro de uma construção, deveria haver vas-
salos como os que Mare trouxe esperando lá fora. Com isso em mente, ele olhou ao redor
de toda a aldeia, mas não conseguiu encontrá-lo.

“Poderia um de vocês, por favor, perguntar onde o Cocytus-san está?”

“Certamente. Um momento por favor.”

Um dos Soberanos — Aurelius — voltou para o santuário.

Mare olhou para o pântano — na pacata aldeia dos Lizardmen. Ninguém aqui era caute-
loso com os Old Guarder de Nazarick. Até as crianças Lizardmen eram do mesmo jeito.
Ambos os lados pareciam estar coexistindo como se fosse a coisa natural a fazer.

Embora eles tenham sido atacados e conquistados pelos undeads, eles não parecem supor-
tar nenhum ressentimento por eles. Foi por causa da política de amizade de Cocytus-san?
Ou esta é a natureza dos Lizardmen?

Enquanto ele ociosamente ponderou sobre o assunto, Aurelius logo retornou.

“Perdoe o atraso, Mare-sama. As pessoas no santuário não sabem o paradeiro de


Cocytus-sama. No entanto, eles dizem que Shasuryu Shasha — o líder da aliança tribal —
pode saber.”

“Ah, então, hum, vamos visitá-lo e dar uma olhada.”

A comitiva de Mare prosseguiu sob a liderança de Aurelius. Eles não atravessaram o


pântano para ir até a aldeia Lizardman, mas seguiram a borda do lago, caminhando a
pouca distância pela floresta. As formas dos Old Guarder de Nazarick podiam ser vistas
à distância.

Uma vez que o grupo saiu da floresta, eles viram um projeto de construção em grande
escala em andamento no outro lado do pântano.

O fluxo de água aqui havia sido represado e cerca de dez Golems de Pedra estavam es-
cavando o solo. A areia e a lama que desenterraram foram levadas por Lizardmen com
carrinhos de mão na margem.

Enquanto Mare observava o que eles estavam fazendo, um Lizardman robusto correu
com pressa.

Este Lizardman estava coberto de feridas antigas. Seu físico era imponente e ele era dis-
tintamente diferente de um Lizardman comum. A medalha em volta do pescoço balan-
çava descontroladamente devido à sua pressa.

A medalha era um símbolo de lealdade e também uma marca de proteção. Não era má-
gico em si, mas ao usá-lo, eles poderiam provar que eram propriedade de Ainz. Portanto,
ninguém da Grande Tumba de Nazarick que reverenciava os Seres Supremos como deu-
ses poderia prejudicar intencionalmente os Lizardmen. Claro, seria diferente se eles me-
recessem a morte, mas felizmente os Lizardmen não eram tão estúpidos. Eles conheciam
seu lugar e reconheciam os fortes como seus senhores.

“Eu te dou boas-vindas, Mare-sama. Meu nome é—”

“Você é Shasuryu Shasha-san, é isso?”

“Sim, sou eu. Estou honrado por saber meu nome.”

“Ah, eu... eu ouvi de Cocytus-san... ah, você sabe onde o Cocytus-san está agora?”

Shasuryu ficou pensativo um pouco.

“Eu me lembro que o Cocytus-sama trazer vários de seus subordinados e várias dezenas
de Lizardmen em sua expedição para subjugar os Toadmen.”

“Toadmen?”

“Eles são os demi-humanos que vivem nos confins do nordeste do lago. Eles se parecem
com sapos, e nós não nos damos muito bem com eles. Eles possuem a habilidade de con-
trolar grandes monstros e feras mágicas, então eles são oponentes muito complicados
para nós. Eu ouvi dizer que houve uma guerra uma vez durante o tempo do meu avô. Nós
fomos derrotados e uma das nossas tribos foi dissolvida como resultado.”

“Como... como esperado das espécies do norte, elas são bem fortes.”
Este lago tinha a forma de dois lagos menores unidos, ou uma cabaça invertida. O lago
menor no sul, onde os Lizardmen residiam, era meio pântano e meio lago, e devido às
águas rasas haviam poucos monstros grandes. Em comparação, a água no lago do norte
maior era mais profunda, muitos monstros grandes viviam lá e eram mais fortes que os
monstros do sul. Claro, essa diferença era irrelevante para Mare.

“Isso mesmo, quando você mencionou Toadmen, estava falando de uma espécie cha-
mada Tuvegs?”

Mare estava se referindo aos monstros que viviam no pântano venenoso ao redor de
Nazarick no passado. Ele sabia que sua irmã tinha vários desses monstros como serven-
tes.

“Bem, eu não tenho muita certeza disso. Talvez possa perguntar ao Cocytus-sama depois
que ele voltar? Ele provavelmente voltará em breve.”

“Compreendo. Então, eu vou perguntar sobre outra coisa, sobre... sobre isso. Você pa-
rece estar construindo algo grande aqui, mas o que é isso? É bem distante da aldeia, mas
não parece uma cerca ou algo defensivo...”

“Sim. Na verdade, estamos construindo nosso quarto criatório de peixe aqui.”

Ao ouvir as palavras de Shasuryu, a iluminação chegou a Mare.

Era bom que as tribos Lizardman pudessem se unir. Mas uma vez que sua população
crescesse, a escassez de alimentos naturalmente apareceria. E já que muitas pessoas
morreram durante a guerra, elas não podiam caçar ou capturar o suficiente para alimen-
tar seu povo. Claro, eles poderiam resolver esse problema voltando para suas antigas
aldeias para pescar, mas Cocytus, o novo governante dos Lizardmen, não concordou.

Uma coisa era toda a aldeia se mudar como uma para outra parte do pântano, mas se
apenas algumas pessoas se mudassem sozinhas, havia uma grande chance de serem ata-
cadas por monstros. Os números do Lizardmen já estavam grandemente diminuídos.
Cocytus não queria perder mais deles.

A fim de garantir a prosperidade dos Lizardmen, Cocytus tomou medidas para resolver
este problema — o problema da comida.

Primeiro, ele importou rações de Nazarick — com a permissão de Ainz, naturalmente


— e distribuiu para os Lizardmen. Depois disso, ele começou a estudar métodos para
garantir um suprimento sustentável de alimentos. Não é preciso dizer que a solução que
ele descobriu foi a piscicultura construída por Zaryusu. Depois disso, ele discutiu o as-
sunto com Demiurge e começou a construir criatórios de peixes mais requintados.
Eles tinham trabalhado em um campo febril e construíram três gigantescos criatórios
de peixes, e este foi o quarto.

“Mas os alevinos ainda não foram criados, estou certo?”

“Sim. O que nós... não, o que meu irmão aprendeu não foi criá-los desde alevinos, mas
criar peixes já crescidos. No entanto, graças à orientação de Demiurge-sama, fizemos pre-
parativos para cultivar alevinos também. Se tudo correr conforme o planejado, podere-
mos apoiar duas vezes a população atual de Lizardmen através da produção dos criató-
rios de peixes.”

“Eu... eu entendo. Dentro de alguns anos, você não precisará pegar peixes de Nazarick.
Ah, claro, se surgir uma emergência, imagino que você seja sempre bem-vindo para pes-
car lá.”

“Cada membro da nossa tribo é profundamente grato à bondade misericordiosa de


Ainz-sama em nos dar tantos peixes... embora, o peixe que o Ainz-sama nos deu não tenha
órgãos internos, então como eles vivem? Eles são como certos monstros que não preci-
sam comer? Não, eles nem sequer têm ossos; Que tipo de formas de vida são elas?”

“Eles são a comida que foi feita pelo poder de Ainz-sama e os outros Seres Supremos.”

A comida que Cocytus lhes dera era feita com um item mágico chamado Cauldron of the
Daghdha.

“O quê!? Ainz-sama poderia realmente fazer peixe suficiente para alimentar a todos!?”

Shasuryu sacudiu a cabeça.

“Quando Zaryusu e os outros visitaram a fortaleza dos Supremos e voltaram com histó-
rias do que viram, parecia que estavam sonhando. Eles disseram que a Grande Tumba de
Nazarick continha muitos mundos menores por dentro, uma verdadeira terra dos deuses.
Ainz Ooal Gown-sama é realmente um deus...?”

“Mas é claro.”

Por que esse Lizardman declarava o óbvio? Mare não pôde entendê-lo e inclinou a ca-
beça em confusão.

Ainz Ooal Gown era o maior dos deuses. Ele era o criador.

“Entendo. Então tudo isso nos foi concedido por Ainz-sama. Meus agradecimentos a
Ainz-sama.”

“Mm. Ainz-sama será informado de seus agradecimentos.”


Parte 3

10:30 - Hora de Nazarick

“Vocês estão fazendo muito barulho. Silêncio.”

Ainz fez um gesto com a mão esquerda e manteve uma postura imponente.

Ele deu um passo para trás e retornou à sua posição original.

“Vocês estão fazendo muito barulho. Silêncio.”

Mais uma vez, ele gesticulou com a mão esquerda e congelou no meio da pose. Ele veri-
ficou o reflexo de si mesmo no espelho e ajustou ligeiramente a posição da mão esquerda.

“...Ótimo? ...É este ângulo? Não... Seria mais legal se eu estendesse a mão um pouco mais
para a esquerda?”

Ele retornou à sua posição inicial.

“Vocês estão fazendo muito barulho. Silêncio.”

Finalmente satisfeito com a pose, Ainz pegou o bloco de anotações na mesa ao lado dele.

“Já que eu terminei a pose... eu deveria praticar as falas enquanto eu tenho tempo extra.”

Ele circulou a frase que ele estava praticando anteriormente com uma caneta e, em se-
guida, virou uma página.

A maioria das frases escritas lá eram variações na frase “Eu considerarei isto.” As frases
que eram muito maçantes ou muito exageradas e, portanto, muito vergonha alheia, foram
todas riscadas.

Para Ainz, que costumava ser uma pessoa comum, agir como um líder era difícil. Assim,
ele repetidamente praticou esse papel apenas no caso de uma situação exigida. É claro
que todo o bloco de notas estava cheio de frases que Ainz havia pensado.

Mesmo tendo passado uma hora desde que Ainz começou a praticar, ele não precisava
de descanso.

Ainz era o soberano supremo, mas na realidade, ele mal fazia nada. A menos que hou-
vesse decisões importantes ou situações de emergência que exigissem sua liderança, não
havia nada a fazer. Albedo cuidava de todos os detalhes e tudo o que Ainz tinha que fazer
era folhear os relatórios.
Como nunca havia nada nos relatórios que exigissem sua atenção, ele realmente passava
direto por todos eles. Era um pouco perigoso para um governante, mas enquanto Albedo
estivesse por perto e não houvesse emergência, não haveria problema.

Todas as organizações corretas devem ser assim mesmo. Não é bom para alguém que está
acima dos outros para trabalhar nas linhas de frente.

Era uma jogada tola para o comandante supremo de um exército participar dos comba-
tes nas linhas de frente, a menos que ele estivesse lá para levantar o moral. Se ele fizesse,
seria muito perigoso.

Eu deveria desistir desse negócio de aventureiros e reunir conhecimento para lidar com
situações de emergência — sei que tenho que treinar minha mente também, mas o que devo
fazer? Quem vai me ensinar...? Não posso arruinar a imagem do Ainz Ooal Gown em que
todos acreditam...

Todos dentro de Nazarick respeitavam Ainz como um governante absoluto e se ajoelha-


vam diante dele. Isso era um fato. Ainz recebia respeito de seus subordinados, que seus
antigos companheiros criaram, que eram, de certa forma, seus filhos. Assim como um pai
não podia respeitar as birras dos filhos, ele também não podia traí-los. Foi por isso que
ele praticou atuar, na esperança de que pelo menos ele pudesse desempenhar o papel de
alguém digno.

Claro, Ainz estava plenamente consciente de que era embaraçoso.


[Assassino d o s
Caso contrário, por que ele iria trancar a porta e proibir as empregadas e os Eight-Edge
Oito-Gumes]
Assassin que o protegiam de entrar? Às vezes, ele até plantava o rosto no travesseiro e
gritava “Arrrghghh—!” Quando não aguentava mais.

“Algo que se ajusta ao soberano supremo de Nazarick... Uma forma digna de respeito...”

Ainz sentiu como se fosse expelir sangue enquanto folheava as páginas. Ainda havia
muitas outras frases que ele havia inventado em seu tempo livre, e a linha de chegada
parecia nada à vista.

Ainz Ooal Gown era undead e as emoções acima de um certo limite seriam suprimidas.
Mas—

“Eu preciso relaxar minha mente...”

O remanescente de Suzuki Satoru estava cansado da fadiga mental, e chorava em um


grito de “Estou farto disso!” estava prestes a sair.

No entanto — Ainz silenciou aquele grito com um rangido de dentes.

“O que eu estou fazendo? Eu preciso trabalhar mais afinco.”


Depois de se repreender por tentar fugir, os olhos de Ainz se encheram de força e ele se
olhou no espelho novamente.

De repente, um ruído digital *pi-pi-pi-pi-pi* soou.

O som vindo da pulseira no braço esquerdo era como música para os ouvidos de Ainz.
Ele desligou o sinal súbito e suspirou profundamente.

“Se o tempo acabou, então já não há nada mais que posso fazer. Sim, o tempo acabou.”

Ainz devolveu o bloco de notas para uma caixa. Quando ele fechou a tampa, ele podia
ouvir o som de várias travas sendo ativadas. Se alguém tentasse abrir a caixa com força,
isso acionaria uma extensa série de magias de ataque, todas centralizadas na caixa para
destruí-la. As defesas na caixa eram formidáveis o suficiente para que ninguém, a não ser
um personagem Ladino de nível 90, ou um personagem extremamente especializado
com profissão Ladino de nível 80 pudesse violá-las.

Depois de travar o item com segurança, ele retornou à sua dimensão de bolso. Havia
muitos outros itens raros lá também. Ainda assim, um ladrão de alto nível poderia roubar
itens de um lugar como esse também. Dito isto, um ladrão não poderia apenas imobilizar
seus oponentes e roubá-los sem ninguém ver. Eles estavam limitados a um ou dois itens
no máximo. Ainda assim, a perspectiva de ser assaltado apenas uma ou duas vezes fazia
com que Ainz — que não deveria ter medo algum, já que é um undeads — estremecesse
de terror.

Além disso, poderes desconhecidos como Talentos existiam também. Foi por isso que
ele colocou a caixa entre outros itens raros, para que os ladrões os roubassem em vez da
caixa.

Depois que ele guardou, ele verificou novamente para ter certeza.

Era como se ele fosse uma dona de casa verificando se a porta principal estava trancada
antes de ir em uma viagem. Depois que ele fez isso, ele finalmente deu um suspiro de
alívio.

Só depois de fazer tudo aquilo, Ainz finalmente saiu do quarto. O lugar para o qual ele
estava indo era uma sala que ele usava regularmente como estudo. Os que se curvaram
profundamente a ele foram uma empregada regular, Albedo e Mare.

As duas primeiras dificilmente eram uma visão rara, mas o menino não vinha aqui com
frequência e surpreendeu Ainz. Ele atravessou a sala, circulou em torno de sua mesa de
ébano e sentou-se, de uma maneira que ele havia praticado mais de 30 vezes antes.

Sentar-se assim significava não pisar no manto ou fazer barulho ao empurrar a cadeira.
Depois disso, ele teve que ser cuidadoso sobre como ele se recostava na cadeira. Não
ficaria bom se seus movimentos fossem muito apressados ou se ele colocasse muito peso
no encosto da cadeira. Os reis tinham um ar de realeza — talvez — ao se sentar.

Mas eu não sei como os reis se sentam... eu deveria observar como um rei se senta...

Era recomendado para os homens da empresa sentar-se levemente no meio da cadeira


sem se apoiar no encosto. Mas Ainz Ooal Gown não era mais um homem de companhia.

Portanto, tudo o que Ainz poderia fazer era montar a imagem de um rei ideal em sua
mente.

“Levantem a cabeça.”

Foi só que os três olharam para cima. Ainz estava aborrecido pelo fato de que eles não
levantariam a cabeça sem um comando explícito, e ele sentiu que era uma perda de
tempo. Ainda assim, ele não podia ignorar a lealdade que mostravam ao seu mestre. Por-
tanto, Ainz suportava isso toda vez e respondia da mesma maneira.

“Então vou começar com uma pergunta. Mare. O que deseja?”

“Ah, sim!”

Talvez Mare estivesse nervoso, sua voz falhava um pouco. Ainz sorriu. É claro que não
havia como seu rosto sem carne se torcer, mas ele ainda fazia o melhor que podia para
exalar um ar de bondade. Talvez Mare tivesse sentido isso, mas deu um suspiro de alívio.
Ele parecia menos travado agora.

“Ah... isso, isso, er, eu trouxe isso.”

Ainz não era um superior cruel que diria “O que você trouxe?”. Já que Mare tinha trazido,
Ainz deveria receber em mãos. Por tudo o que ele sabia, poderia ter sido uma ordem que
ele havia dado e esquecido.

“Justo agora — não, tudo bem.”

Ainz estendeu a mão para parar a empregada do dia, Já que ela tentava pegar o item do
Mare.

“Mare, entregue-me pessoalmente.”

“Sim!”

Mare segurou seu peito enquanto caminhava até Ainz e entregou a pasta que ele estava
segurando.
Ainz aceitou magnanimamente a pasta e a abriu.

Este é... o manifesto que enviei.

Todos os três Guardiões circularam “Vou” ao convite de Ainz.

“Por direito, Cocytus deveria ter enviado um lacaio para entregar isso para mim. Des-
culpa por causar te causar esse inconveniente, Mare.”

“N-não tem problema, não é nada, nada do tipo! Cocytus-san estava ocupado, então eu
insisti em ajudá-lo. E além disso—”

Mare carinhosamente acariciou o anel em seu dedo anelar esquerdo.

...Esse é o anel de Ainz Ooal Gown. Não, eu estou feliz que ele valoriza tanto, mas colocá-lo
naquele dedo significa... Mais precisamente, por que ele está olhando para mim com olhos
lacrimejantes...

Ainz estremeceu, e então ele olhou de lado para Albedo. Ela estava sorrindo gentilmente,
como sempre.

A linha de visão de Ainz mudou para o dedo anelar esquerdo de Albedo.

Como esperado, ela usava seu Anel ali, assim como Mare. Parecia que era o lugar certo
para usar o anel.

De onde veio essa prática? Foi da Grécia antiga?

Ele se lembrou do que Yamaiko lhe dissera sobre o significado de usar um anel em dedos
diferentes.

Aparentemente, os antigos gregos acreditavam que havia um vaso sanguíneo que vai do
dedo anelar esquerdo para o coração, e assim, se o dedo anelar esquerdo tocasse algo pre-
judicial ao corpo, ele enviaria um sinal para o coração, razão pela qual eles dispensavam
medicina com seus dedos anelares esquerdos... Sous-Chef faz a mesma coisa também? Ah,
isso é ruim... ele está olhando para mim de novo.

Ainz fechou os dedos na mesa.

“O que é, Mare? Você viu alguma coisa? Alguma coisa caiu no meu rosto?”

Ele escolheu suas palavras com cuidado, certificando-se de que sua resposta não soasse
como escárnio.

“Não... de.. de jeito nenhum. Eu simplesmente pensei que o senhor está muito bonito,
Ainz-sama.”
“Eu sou bonito?”

Ainz inconscientemente acariciou seu rosto ossudo.

“Fuhaha... Você é bajulador, Mare.”

“Não é bajulação!”

O volume daquela voz não soou como se tivesse vindo de Mare.

“Perdoe-me, Ainz-sama. Mas eu realmente penso que o senhor está bonito. Mesmo
agora, a maneira como o senhor se sentou parecia exatamente como o governante su-
premo de Nazarick deveria ser...”

Ainz olhou interrogativamente para a empregada. A homúnculo percebeu as intenções


de seu mestre e balançou a cabeça silenciosamente e vigorosamente, como se quisesse
dizer “Exatamente como ele diz”. Ainz não olhou para Albedo, mas ela também estava
balançando a cabeça vigorosamente, e houve um som de *patapata* enquanto suas asas
batiam.

“Justo agora. Isso é bom de ouvir.”

Depois daquela breve resposta, Ainz levantou-se de seu assento e caminhou até Mare,
em seguida gentilmente acariciou a cabeça do menino que tinha ficado tenso em anteci-
pação a uma bronca.

Foi um ato casual, mas cheio de bondade.

“Ai-Ainz-sama...”

“Obrigado, Mare. Suas palavras sempre me agradaram.”

Foi incrivelmente embaraçoso dizer isso, mas ele não demonstrou nenhuma dessas
emoções semelhantes a Suzuki Satoru.

“Eu sempre estive pensando nisso; Eu deveria agradecer aos meus amigos.”

“Você quer dizer os Seres Supremos?”

Ainz se ajoelhou, então seus olhos estavam no nível de Mare.

“Precisamente. Quero agradecer-lhes por terem feito a Grande Tumba de Nazarick e por
terem feito você e todos os outros. Você — e com isso quero dizer a Albedo e Cixous
também—”
As asas de Albedo estavam totalmente eretas.

A empregada que acabara de ser abordada de repente estava em pânico. Ela era tipica-
mente calma, então depois de ver esse raro lado dela, Ainz riu alegremente.

“Todos vocês são os meus tesouros.”

Ainz pegou Mare.

“Eu mal posso suportar imaginar a Bukubukuchagama-san tirar você de mim.”

“Obrigado, Ainz-sama.”

Lágrimas de alegria correram pelas bochechas de Cixous enquanto ela respondia em


nome de Mare.

“Quando todos os Seres Supremos deixaram este lugar, só o senhor permaneceu aqui
até o fim, e todos em Nazarick estão agradecidos por isso. Talvez tenhamos deixado de
satisfazer suas expectativas e talvez tenhamos o aborrecido. Eu entendo que falar dessa
maneira ao nosso criador é profundamente rude, mas eu rezo para que o senhor permita
— que o senhor nos permitirá prometer nossa lealdade eterna.”

“Eu permito isso. Eu me lembro que, no passado, Albedo e Demiurge disseram algo se-
melhante a mim, então ouça isso — eu sou o mestre de Nazarick; Eu sou seu mestre, Ainz
Ooal Gown.”

Ainz nunca havia ensaiado essas frases antes, então ele ficou surpreso com a facilidade
com que conseguia recitá-las. No entanto, quando ele pensou sobre isso, isso era de se
esperar. Desde que ele estava falando do coração, fazia sentido que ele pudesse fazê-lo
de uma maneira tão natural.

Mare abraçou Ainz e enterrou o rosto no ombro de Ainz.

Ainda bem que eu não estou usando o meu equipamento habitual.

A parte calma da mente de Ainz disse.

Ele sentiu uma sensação úmida se espalhando pelo ombro de seu manto, mas Ainz dei-
xou Mare onde ele estava. Quando o som do choro e soluços de Mare gradualmente di-
minuiu. Ainz gentilmente acariciou a cabeça dele.

Ainz tirou um lenço do bolso.

Ele nunca tinha limpado o rosto de outra pessoa antes, então talvez seus movimentos
fossem um pouco rudes, mas Mare permitiu que Ainz o limpasse.
“Venha, Mare. Vá lavar seu rosto.”

“Ah... e o senhor, Ainz-sama?”

“Ah, eu vou para E-Rantel depois. Eu preciso encontrar o Chefe de Guilda. Eu adiei por-
que é chato, mas não posso mais demorar. Então—”

Ainz olhou para Albedo, que permanecia em silêncio por todo esse tempo. Seus longos
cabelos cobriam o rosto e ele não conseguia ver sua expressão. No entanto, o tremor sem
parar de seu corpo foi o suficiente para golpear o terror no coração de Ainz. A imagem
de um vulcão fervendo de raiva, à beira da erupção, passou por sua mente.

“O que há de errado, Albedo?”

E naquele momento—

“—Gu-guwaargh!”

—O campo de visão de Ainz mudou quando ele sentiu um impacto nas costas.

Naturalmente, não doeu. O corpo de Ainz só poderia ser prejudicado por meios mágicos.
Ele não sentiu dor pelos impactos leves que resultaram do choque nas coisas. No entanto,
os remanescentes de sua humanidade o fizeram fechar os olhos em reflexo.

Este desenvolvimento repentino deixou-o incapaz de pensar. A composição mental dos


undeads significava que eles não entraram em pânico ou coisas do tipo, então essa con-
fusão deve ter sido a de Suzuki Satoru.

“Nh, ngghhh...”

Ele abriu os olhos e viu os Eight-Edge Assassins no teto. Em outras palavras, ele estava
de costas no chão. Quando ele percebeu isso, Ainz imediatamente tentou se levantar, mas
um objeto estranhamente macio prendia seu corpo inteiro e, graças a isso, foi difícil se
mexer.

Impossível. Meus itens me concedem imunidade a impedimentos de mobilidade, como ficar


preso. Eu deveria ter me libertado no momento em que eu estava completamente imobili-
zado... em outras palavras, alguém está usando uma técnica de travamento muito poderosa
em mim!

Ainz checou para ver qual era a forma de vida suave que o prendia, e como esperado —
era Albedo.

“Ainz-samaaa!”
Albedo estava montada em Ainz que estava preso no chão e o empurrou para baixo com
a pélvis enquanto ele tentava se levantar.

“O que... o que é isto? O que está acontecendo?”

“Eu—Eu não aguento mais!”

Albedo de repente abriu os olhos. Suas pupilas douradas chamejantes enviaram um ar-
repio na espinha de Ainz.

“Você... o que você está dizendo?!”

Albedo ignorou a pergunta em pânico de Ainz e levou as mãos para a frente do vestido.
Com uma mulher de sites de câmeras ao vivo +18, ela tentou retirá-las, mas não conse-
guiu movê-las.

“Roupas mágicas são tão irritantes. Precisa de uma habilidade para destruí-la ou tirá-la
normalmente.”

“Acalme-se, Albedo! Saia de cima mim!”

Ainz pensou em empurrá-la com força bruta, mas Albedo era uma guerreira de nível
100. Além disso, sempre que Ainz tentava afastá-la, suas mãos faziam contato com algo
macio e mole, então ele não podia usar sua força total. As mãos de Albedo se moveram,
procurando remover o manto de Ainz.

“Não tire minhas roupas! Pare de mexer seus quadris! Espe—”

“Ah, awawawawa...”

“A culpa é sua, Ainz-sama! Eu tenho suportado isso por tanto tempo, mas o senhor disse
aquilo e eu não posso mais me segurar! É tudo culpa sua, Ainz-sama! Eu só preciso de um
pouquinho! Só um pouco! Só um pouco! Um pouco do seu amor! Basta ver os Eight-Edge
Assassins no teto e isso acabará antes que cheguem!”

Se Albedo tivesse escolhido esse momento para repreender Ainz por mudar sua narra-
tiva, talvez ele tivesse perdido a vontade de resistir a isso. No entanto, Albedo parecia
que ela ia comê-lo por inteiro, e assim ele não sentia culpa, mas sim o terror de alguém
que estava prestes a ser devorado. Isso o fez lutar ainda mais desesperadamente.

Foi só então que seus subordinados, que ficaram aturdidos com o desenvolvimento re-
pentino, finalmente entraram em ação.
“Albedo-sama enlouqueceu!”

“Albedo-sama enlouqueceu!”

Os Eight-Edge Assassins desceram como um do teto.

“Tirem ela de cima de Ainz-sama! Não, não tente imobilizá-la, ela vai escorregar imedi-
atamente! Apenas a afaste com força bruta!”

“Nada é bom! Que força absurda! Eu não esperaria nada menos da Supervisora Guardiã!
Mare-sama, nos ajude!”

“—Awawa! Ce-certo!”

♦♦♦

No final, Ainz foi finalmente libertado, e depois de suavizar suas vestes amarrotadas, ele
olhou para Albedo, que foi agarrada pelas mãos e pés pelos Eight-Edge Assassins, e disse:

“Albedo deve ser confinada por três dias.”

Os Eight-Edge Assassins arrastaram Albedo da sala.

“Ah... Ainz-sama... o senhor está bem?”

“Eu estou perfeitamente bem... Albedo sempre foi tão estranha assim? Ela comeu algo
estranho? ...Com certeza, demônios não precisam comer nem beber, mas não é como se
não pudessem.”

Quando Ainz fez essa pergunta, Mare desviou os olhos.

“Entendo... não, bem, hm. Muita coisa deve estar acontecendo com ela. Pelo que sei, pode
ser um estresse reprimido do trabalho.”

Ainz levantou-se e chamou a empregada. Ele recuperou sua dignidade — que antes es-
tava espalhada pelos ventos — e falou em tom de comando.

“...Convoque Narberal e Hamsuke. É hora de partir para E-Rantel.”

13:35 - Hora de Nazarick

Ainz puxou as rédeas de onde ele estava montado nas costas de Hamsuke, fazendo Ham-
suke parar. Ele silenciosamente ponderou os portões da cidade de E-Rantel.
Ainz gostava bastante desses portões grossos e robustos, que pareciam poder repelir
um exército. Embora houvesse muitos portões em YGGDRASIL que eram maiores e mais
legais (na aparência) do que este, pois este portão não era uma massa de dados, mas feito
pelas mãos da humanidade — mesmo eles podendo ter assistência mágica.

Enquanto ele estava diante desses gigantescos portões de aço, um sentimento indescri-
tível tomou conta dele.

Havia guildas em YGGDRASIL que conquistaram cidades também. No passado, achei pro-
blemático usar um local que fosse tão difícil de defender como uma base de guilda, mas...
acho que posso entender as guildas agora. Governar uma cidade grande pode ser uma am-
bição masculina.

Em YGGDRASIL, houve batalhas frequentes entre as guildas. Muitos membros da Ainz


Ooal Gown simplesmente assistiram friamente ao longe, incapazes de compreendê-los,
mas houve aqueles que disseram que queriam participar.

Eles eram maníacos por batalha...

No passado, Ainz não gostava muito dessas palavras, mas quando ele pensava sobre isso
agora, eram boas lembranças.

“É algo importante, Milorde?”

“Não, não se preocupe com isso.”

Hamsuke ficou curioso e fez sua pergunta porque seu mestre havia dito que parasse e,
no entanto, não fizera nada. A resposta curta de Ainz havia encerrado o assunto. Sentiu-
se envergonhado por deixar que Hamsuke soubesse que ele estava relembrando o pas-
sado.

“Agora, para a Guilda dos Aventureiros, onde mostraremos nossos rostos para a reunião
e, em seguida, assumiremos imediatamente uma missão de extermínio de monstros.”

Ele poderia ter ficado em uma pousada E-Rantel, mas ele não tinha o luxo de fazer tais
gastos desnecessários. A razão pela qual Ainz — que não comia ou bebia — tinha que
reservar um quarto nas estalagens mais sofisticadas era puramente destacar seu status
como um dos poucos aventureiros adamantite. Depois disso, era uma questão de fazer
conexões. No entanto, ele já havia conhecido todas as pessoas influentes nesta cidade, e
ele estava certo de que elas o receberiam calorosamente se ele as procurasse. Portanto,
Ainz não tinha necessidade de reservar um quarto em uma pousada.

Além disso, sempre que Ainz se registrava em uma pousada, ele imediatamente se tele-
transportava de volta para Nazarick, onde ele produzia undeads e trabalhava em outras
coisas. Sendo esse o caso, seria mais sensato ter uma missão de extermínio de monstros
e deixar a cidade o mais rápido possível.
Francamente falando, ele não sentia que havia mais mérito em ficar perto de E-Rantel.

“Mesmo? Na verdade, Milorde gosta de batalhas.”

“Não é como se eu gostasse ou algo assim. Além disso, quando eu destruo monstros, eu
os mato imediatamente e passo a maior parte do tempo em Nazarick.”

Ainz bateu levemente a cabeça grande de Hamsuke.

“Eu pretendo dar-lhe todos os tipos de treinamento para que você possa usar armas e
armaduras.”

“Este aqui sempre dá tudo de si! Este aqui pediu aos Lizardmen que ensinassem este
aqui tipo de truques, e logo este aqui certamente será capaz de aprender um super golpe!”

“Ho~ Bem, seria perfeito se você pudesse aprender artes marciais. Além disso, e quanto
ao seu discípulo? Você acha que ele vai poder usar artes marciais?”

“O senhor quer dizer ele? Ele nunca fala, então este aqui não sabe. No entanto, este aqui
sente que ele não pode ser útil ainda.”

De fato.

Ainz pensou. Não havia como alguém gostar de falar com aquilo, e Ainz sentiu que as
chances de aprender artes marciais eram pequenas. Foi pouco mais que uma experiência.
Dito isto, se aquilo — um Death Knight criado por Ainz — pudesse realmente aprender
técnicas de guerreiro, seus planos futuros teriam que ser muito alterados. Isso porque,
se ele pudesse fortalecer os monstros treinando-os, então provavelmente se tornaria
uma prioridade máxima.

“Os undeads não precisam dormir e nem se cansam. Eles podem realizar o treinamento
de combate para sempre. Então, em teoria, ele deveria ter aprendido artes marciais antes
de Hamsuke. O fato de que ele provavelmente não aprendeu, indica que isso não é possí-
vel.”

“Um momento por favor! Ele se esforça a seu modo! Mesmo depois disso, ele volta para
a morada deste aqui, ele continua treinando sem uma única palavra de queixa... Este aqui
pede que poupe a vida dele!”

“...Não, eu não pretendia matá-lo, sabia disso? Por que exatamente você pensou isso?”

“De fato, não há ninguém mais misericordioso em todo este mundo do que o Ainz-sama.
Ainz-sama até teve pena de uma criaturinha patética como você e poupou sua vida.”
Aquelas palavras frias vieram de Narberal, que estava andando atrás deles, e fizeram
Hamsuke estremecer.

“—Nabe, estamos chegando em E-Rantel. Endereça-me como Momon a partir de agora.”

“Entendido.”

“Além disso, Hamsuke é um ser com uma parte importante a desempenhar no plano
para fortalecer Nazarick... você deve tomar a atitude apropriada com aqueles que traba-
lham com amor por Nazarick. Não estou me referindo apenas a Hamsuke, então tenha
isso em mente.”

“Sim! Minhas mais profundas desculpas.”

Além disso. Pare de chamar humanos de carrapatos, piolhos ou qualquer inseto que seja!

Ainz queria dizer, mas não importa como ele ordenasse isso, Narberal não gostaria de
ouvir, então recentemente ele decidiu não se incomodar. Isso porque se Narberal Gamma
tivesse sido projetada para se referir inconscientemente aos seres humanos de tal ma-
neira, forçá-la a se corrigir seria essencialmente atropelar os desejos de seu amigo que a
projetou dessa maneira.

“Tudo bem, vamos.”

“Sim, Milorde.”

Ainz partiu em Hamsuke.

Ele podia ver várias pessoas alinhadas em frente ao portão. Era de se esperar que a imi-
gração fosse mais rigorosamente controlada do que a emigração, e todos os itens que
transportassem seriam cuidadosamente inspecionados. Portanto, se comerciantes ou
vendedores itinerantes quisessem entrar na E-Rantel, eles poderiam ter que passar
muito tempo na fila para uma inspeção.

“Espero que não demore muito...”

“O senhor não deveria ter prioridade, Momon-sa—n?”

Narberal perguntou enquanto eles estavam alinhados atrás de vários viajantes — inclu-
indo um grupo de aventureiro trajados.

Ela estava certa. Quando Ainz chegou pela primeira vez aqui, ele também tinha sido sub-
metido a testes extremamente problemáticos, mas como seu recorde de aventuras cres-
ceu, o processo de inspeção ficou mais simples, e agora ele praticamente tinha um passe
livre para passar por eles. Além disso, às vezes ele recebia permissão para entrar prefe-
rencialmente na cidade.
Esse privilégio não era exclusivo da Escuridão; quase todos os aventureiros mythril e
acima receberam um tratamento mais especial. Talvez fosse porque a cidade não queria
desagradar seus trunfos.

Nesse caso, por que não acabar com o pedágio de entrada também?

Os pedágios eram baratos em comparação com os pagamentos que os aventureiros re-


cebiam, mas Ainz era um dos principais que trazia sustento para Nazarick e tinha que
dar bom exemplo. Dito isto, ele também não podia ignorar as paredes com magia de vôo.

Momon era um herói. Portanto—

“Não podemos furar fila... a menos que haja uma emergência, ou temos que entrar na
cidade com a devida prontidão.”

Ele viu Narberal curvar-se do canto do olho e Ainz olhou à sua frente, de onde estava
montado nas costas de Hamsuke.

“Ainda assim, eles não estão se movendo...”

A fila era como uma estrada bloqueada por um engarrafamento; ninguém estava se mo-
vendo.

“O que é isso...? Parece que eles estão inspecionando uma carroça... e fazendo um ótimo
trabalho também. Não, eles estão apenas cercando. Eles encontraram algum contra-
bando? Com licença.”

Ainz chamou um homem de aparência não sofisticada na frente dele.

“Ah sim. O que deseja?”

“Não se preocupe, só notei que a fila não estava se movendo, então eu estava me per-
guntando, você sabe o que está acontecendo?”

“Eu não tenho muita certeza sobre o que está acontecendo, apenas que eles levaram
uma garota do vilarejo para verificação. E então—”

Depois de ouvir o homem, Ainz ainda não tinha idéia do que estava acontecendo. Ele
esticou o pescoço para o posto de serviço. Ele inclinou a cabeça para ouvir e ouviu o som
de uma discussão.

De repente, algo despertou a curiosidade de Ainz.

Quando ele chegou a essa cidade pela primeira vez, eles lhe fizeram uma pilha de per-
guntas no portão principal, mas ele não esperava deixar passar tão facilmente. Ele ficara
surpreso na época e achava que esse mundo era surpreendentemente gentil com pessoas
sem raízes fixas, como mercenários, aventureiros ou viajantes, mas a verdade não era o
que ele esperava. Nesse caso, o que eles estavam perguntando a essa garota do vilarejo?

Atualmente, o status de Ainz como um aventureiro adamantite significava que pouquís-


simas cidades recusariam sua entrada.

Era por isso que Ainz queria saber exatamente que tipo de perguntas estava sendo feitas.
No futuro, ele pode ter que se infiltrar em uma cidade sem do disfarce de Momon, o aven-
tureiro adamantite. Ele tinha que aprender mais para que não houvesse dificuldades
quando chegasse a hora.

“Vocês dois esperam aqui por um tempo. Eu vou ver o que está acontecendo.”

“Por favor, permita-me acompanhá-lo.”

“Não há necessidade disso. Vou apenas dar uma olhada.”

Ele desceu das costas de Hamsuke e caminhou em direção ao posto de verificação.

Todos os soldados exclamaram surpresos ao ver Ainz. Não havia ninguém aqui em E-
Rantel que não conhecesse o aventureiro Momon.

Ainz teve o cuidado de parecer o mais legal possível enquanto se aproximava do posto
de serviço. Ele viu um magic caster de aparência excitada, um soldado e uma garota do
vilarejo sentada.

“Queremos entrar na cidade, mas... o que está acontecendo?”

“Uooooh!”

Os dois homens exclamaram com a mesma surpresa que os soldados do lado de fora. A
garota do vilarejo ficou atordoada quando viu.

“O senhor é! Momon-sama! Minhas sinceras desculpas!”

“Tudo bem, o que está acontecendo aqui... hm? Aquela garota é...”

Ela parecia familiar. Ainz sentiu que ele a conhecia, e ele procurou em seu hipocampo
— embora ele não possuísse tal órgão — por informações confirmando suas suspeitas.

“Sim! Nós estávamos investigando uma garota suspeita, que levou algum tempo. Nós
sinceramente pedimos desculpas por incomodá-lo, Momon-sama—”

Ainz estava começando a achar a conversa do homem intolerável. Então, a inspiração


aconteceu e ele se lembrou do nome da garota do vilarejo.
“—Enri, é isso? Enri Emmot?”

“Er, ah, você é... er, não, eu sou. Ah, o senhor foi quem veio com o Nfirea naquele dia, né?
Não me lembro de falar com o senhor...”

Naquele momento, Ainz instintivamente pressionou a mão sobre a boca.

Ele conheceu Enri quando ele era o magic caster Ainz Ooal Gown. Agora, ele era o aven-
tureiro adamantite de armadura preta, Momon.

Merda! Eu falei na minha voz normal! Isso é terrível. Eu preciso sair daqui imediatamente.
Mas ainda assim, o que essa garota está fazendo aqui? Não será problemático se ela me
encontrar — não, ela acha que Ainz Ooal Gown está aqui? Preciso esclarecer os detalhes
com ela.

Ela não parecia ter adivinhado sua verdadeira identidade da conversa agora, mas ele
não podia descartar a possibilidade de que ele tivesse sido exposto. Com certeza, ele não
achava que ela teria igualado sua voz de vários meses atrás a algumas palavras ditas
através de uma camada de armadura, mas era melhor ser prudente.

Ainz acenou para o magic caster. Ele sentiu que o homem deveria saber mais do que os
soldados.

Ele conduziu o magic caster para fora do posto de trabalho, e eles se afastaram um pouco
para evitar serem ouvidos pelas sentinelas.

“É assim... essa garota é amiga de um amigo. Você pode me dizer o que aconteceu com
ela?”

Ele não estava mentindo, já que Nfirea era de fato um amigo de Ainz/Momon.

Os olhos do magic caster se arregalaram. Ele parecia estar chocado, mas esse não era o
caso. Era mais como conectar pontos de dados para formar uma linha perfeita. Era como
se um mistério em seu coração tivesse sido resolvido.

“Entendo... como eu pensei...”

Você poderia por favor apressar o processo de aceitar os fatos?

Ainz queria muito dizer isso, mas ele aguentou e esperou que o homem falasse.

“Ela disse que era apenas uma garota do vilarejo, mas carrega um poderoso item mágico
em forma de uma trombeta de chifre. Eu não sabia o porquê ela tinha um item tão pode-
roso, e eu tinha outras dúvidas, então queria esclarecer as coisas.”
“Que tipo de trombeta é? Que efeitos tem?”

“Seus efeitos são—”

Depois de ouvir toda a explicação, Ainz não pôde deixar de olhar para o céu.

Isso porque ele estava tentando fugir do conhecimento de que era um item que ele havia
lhe dado.

Naquela época, Ainz não sabia que tal item estava além da compreensão deste mundo.
Ele lhe dera a trombeta simplesmente para ela se proteger. Quem poderia imaginar que
isso teria criado tantos problemas para ela? Ainz provavelmente poderia ter uma des-
culpa ao longo das palavras de “Eu não fiz nada de errado”, mas ignorar a situação agora
não seria bom.

Eu vou ajudá-la um pouco. Eu não fiz nada de errado, mas eu dei a ela o item, afinal, a
responsabilidade é minha... se eu a abandonar e cair nas mãos de outra pessoa, vai acabar
sendo mais problemático para mim. Além disso, se ela for presa—

Nfirea sabia que Momon e Ainz Ooal Gown eram uma e a mesma coisa. Dadas estas cir-
cunstâncias, se Enri lhe falasse sobre isso, ele certamente pensaria que Ainz a deixara a
bel prazer do destino.

Definitivamente deixará um sabor amargo entre nós... Eu não me importo em causar difi-
culdades para seres humanos sem valor, mas ele é um ser muito valioso. Como diz o ditado,
eu deveria transformar esse perigo em uma oportunidade. Se eu lhe der uma mão, Nfirea
deveria ser grato a mim. Se eu fizer isso, posso amarrar seu coração mais perto de mim com
mais obrigações.

Ainz falou, em um tom que ele acreditava que passaria calma e dignidade ao mesmo
tempo:

“Não há necessidade de você se preocupar. Eu estou muito familiarizado com ela. Ela
não vai sair por aí causando problemas, então eu poderia impor a você para deixá-la pas-
sar? — Faria essa gentileza?”

“Mas é claro. Se ela é uma amiga de Momon da Escuridão, e o senhor está garantindo a
ela, então nós permitiríamos que ela entre, não importando o quão cruel ela fosse.”

“Jura... Minhas desculpas, então. Nesse caso, deixarei isso para você. Além disso, peço
desculpas por isso, mas você poderia permitir que nós — da Escuridão — entrássemos
na cidade primeiro?”

Depois de receber permissão, Ainz voltou para Narberal e Hamsuke.

“Fomos autorizados a entrar. Vamos entrar na cidade.”


Ele montou nas costas de Hamsuke e contornou a fila de pessoas. Todas as pessoas da
fila olhavam para ele, mas, uma vez que viram sua armadura negra, suas espadas, Ham-
suke e Narberal, todos desviram os olhos. Eles entenderam que o status de Ainz era muito
maior do que o deles.

As sentinelas do portão curvaram-se profundamente para eles quando passaram, e en-


tão entraram em E-Rantel.

“Agora, Nabe. Eu tenho algo para pedir de você.”

“Entendido. Por favor, me comande como achar melhor.”

Já que ambos eram aventureiros, não parecia bom que ela demonstrasse tanta lealdade
nas ruas. No entanto, Ainz tinha gradualmente percebido que era inútil instruí-la, e assim
ele continuou falando:

“A garota que dirige a carroça de agora a pouco — Enri — entrará na cidade em breve.
Vá perguntar o porquê ela veio para E-Rantel.”

Depois disso, Ainz encontrou um lugar para se esconder. Isso porque ele queria evitar
conversas longas com Enri.

Ele inspecionou o ambiente e viu uma pilha de engradados de madeira altas que ele
provavelmente poderia esconder atrás, e então ele ordenou a Hamsuke que se apres-
sasse em direção a ela. Os soldados que lá trabalhavam entraram em pânico quando vi-
ram Ainz e Hamsuke se aproximando deles.

“Senhores, estão livres? Eu gostaria de perguntar sobre esses engradados.”

Assim que teve certeza de que não seria visto nos portões da cidade, Ainz se dirigiu a
um dos soldados. Claro, ele não estava interessado nos engradados. Ele simplesmente
inventou um pretexto para estar lá porque estava preocupado que outros pudessem
afastá-lo por interferir em seu trabalho.

“Ah... tudo bem. Estamos muito felizes que o senhor tenha interesse em nosso trabalho,
Momon-sama. Os engradados estão cheios de vegetais da província de Grandel, são co-
nhecidos como Kinshu. Estes vegetais—”

Enquanto Ainz escutava a explicação sincera do soldado, ele resmungava respostas


como “Entendo” e “Então é isso”. O soldado não pareceu se importar com as respostas
indiferentes e continuou sua palestra. Depois de aprender a cozinhar os vegetais chama-
dos Kinshu com detalhes precisos, ele sentiu Narberal se aproximando por trás dele.

“Perdoe-me por interromper sua explicação. Eu aprendi muito, obrigado. No entanto,


minha companheira voltou, temos assuntos a resolver.”
Depois de sua despedida unilateral do soldado, Ainz ordenou a Hamsuke a frente.

“Como foi?”

“Primeiramente, ela queria que eu te agradecesse, Momon-san. Depois disso, ela disse
que tinha três objetivos: vender as ervas que havia coletado, verificar os templos para
pessoas que poderiam querer se mudar para vilarejo e, finalmente, ir até a Guilda dos
Aventureiros.”

“A Guilda dos Aventureiros? Que tipo de pedido ela pretende?”

“Perdoe-me, mas não perguntei sobre isso. Devo capturá-la e forçá-la a falar?”

“Não há necessidade disso. Além disso, nós também vamos para a Guilda dos Aventurei-
ros, então podemos apenas perguntar à Guilda quando chegarmos lá.”

Certamente ela não pretendia agradecer diretamente a Ainz Ooal Gown. Se fosse por
esse objetivo, ela poderia simplesmente deixar uma mensagem com Lupusregina, que ele
ocasionalmente enviava para o vilarejo.

“Oh sim, Nabe. Você recebeu algum relatório especial da Lupusregina?”

Narberal sacudiu a cabeça e Ainz franziu a testa — naturalmente, eram inexistentes —


sobrancelhas.

Ele tinha planejado originalmente colocar um Shadow Demon no vilarejo, mas em vez
disso enviou Lupusregina para forjar relações amigáveis. Ele ordenou que Lupusregina
relatasse imediatamente qualquer coisa que acontecesse. No entanto, nenhuma informa-
ção chegou até Ainz até este ponto.

Portanto, ele acreditava que o Vilarejo Carne estava bem. Não era esse o caso?

Embora não houvesse necessidade de contar a ele sobre trivialidades como “Enri foi
sozinha a E-Rantel”, a inquietação ainda envolvia o coração de Ainz como uma nuvem.

“Eu sempre achei que a Lupusregina era uma trabalhadora. Nabe, o que você acha?”

“É como diz, Ainz-sama. O tom dela a faz parecer muito casual, isso é apenas uma atua-
ção. Ela é cruel e astuta; uma excelente empregada.”

Não havia como crueldade e astúcia serem tomadas como elogios. Ainz olhou para o
rosto de Narberal, imaginando se pensava negativamente sobre Lupusregina, mas sua
expressão fria só continha seu respeito por uma colega.
“Então Milorde, devemos proceder atualmente para a Guilda dos Aventureiros, como o
senhor disse anteriormente?”

“Sim, você sabe sua localização? Narberal, você sente atrás de mim. Como você já guar-
dou a Statue of Animal: War Horse, não precisa se dar ao trabalho de tirá-la novamente.”

Ainz agarrou a mão de Narberal e a sentou atrás dele. Hamsuke parecia ansioso para
sair e acelerar o passo. Ele não estava mais envergonhado de montar Hamsuke pelas ruas.
Além disso, Hamsuke conseguia entender a linguagem e receber ordens, o que lhe agra-
dava. Parecia apenas andar de cabriolé.

Logo, a Guilda dos Aventureiros apareceu diante de seus olhos. Ao mesmo tempo, ele
viu a carroça mais cedo, e Enri voltou quando ela entrou na Guilda.

“...Não há mais nada a ser feito. Hamsuke, nós entraremos pela porta dos fundos. Circule
por trás.”

“Entendido, Milorde!”

Normalmente, os aventureiros não podiam entrar na Guilda pela porta dos fundos. No
entanto, tudo era possível para os aventureiros adamantite. Aliás, também foi a primeira
vez que Ainz fez isso. Ele pode ser de uma classe privilegiada, mas abusar de seus privi-
légios prejudicaria sua reputação.

Depois de entrar na Guilda pela porta dos fundos, ele perguntou ao primeiro funcionário
da Guilda que ele o levasse para a sala do Chefe de Guilda. Felizmente, o Chefe de Guilda
estava lá.

“Oh, se não é Momon-kun! Bem-vindo!”

O Chefe de Guilda — Ainzach — abriu os braços para receber Ainz e depois abraçou Ainz.
Mesmo não sentindo nada, já que estava usando sua armadura e um elmo, havia muitas
razões que teriam escolhido para evitar aquele abraço ardente se estivesse em uma fina
camada de roupa. Ainzach acariciou intimamente Ainz nas costas antes de lentamente
soltá-lo.

“Eu tenho me sentido tão solitário porque você não veio ultimamente. Venha, sente-se.
Vamos conversar um pouco antes dos outros aparecerem.”

O Chefe de Guilda parecia estar recebendo um amigo que não via há muito tempo, en-
quanto indicava alegremente o sofá.

“Obrigado.”

Depois que Ainz se sentou, o Chefe de Guilda sentou-se ao lado dele.


Os dois estavam muito próximos. Seus joelhos estavam se tocando e estava sufocante.

“Momon-kun, nos conhecemos há tanto tempo; Certamente podemos falar mais livre-
mente uns com os outros, hm?”

“Não, deve haver educação mesmo que haja familiaridade. Isto é muito importante; é o
que meus idosos me ensinaram.”

Claro, se ele fosse um assalariado, ele teria falado com mais proximidade — às vezes, ele
até falou com os clientes em um tom normal. No entanto, ele não queria chegar tão perto
do Chefe de Guilda. Ele achava que manter uma atitude comercial era o caminho certo a
seguir.

Chegar muito perto do grupo só se tornará um fardo. Eu não quero estar muito ligado a
Guilda dos Aventureiros de uma única cidade. Devo partir para pastos mais verdes em
breve? Além disso—

Ainz olhou para o Chefe de Guilda através dos olhos de seu elmo.

Além disso, por que diabos ele está sentado tão perto de mim? Normalmente, você deixaria
a Narberal se sentar ao meu lado e se sentaria à minha frente...?

Sua proximidade fazia com que ele se sentisse desconfortável; Não era de admirar que
Ainz começasse a suspeitar que o Chefe de Guilda fosse gay.

Eu ouvi o Chefe de Guilda da Guilda dos Magistas dizer que ele tinha uma esposa... ou a sua
esposa é apenas uma fachada? Eu pensei que ele estava apenas tentando me colocar do
lado dele... mas está tendo o efeito oposto. Ou ele acha que sou gay?

Essa imagem mental final fez Ainz estremecer.

Ainz era heterossexual. Não, para ser preciso, ele costumava ser até onde sabia. Aliás,
Suzuki Satoru preferia peitos maiores. Esse ponto (provavelmente) não mudou, mesmo
depois de ganhar este corpo. Isso porque ele preferia as curvas de Albedo em compara-
ção a... digamos, a Cocytus.

Ainz ajustou sua posição sentado, movendo-se levemente para longe do Chefe de Guilda,
e então ele se virou para encará-lo.

“Perdoe minha grosseria, mas cheguei aqui com uma pergunta. Eu gostaria de — uma
de minhas amigas deve estar vindo para a Guilda dos Aventureiros neste momento, e eu
gostaria de saber que tipo de solicitação ela vai apresentar.”

“Bem, as regras tornam um pouco difícil falar sobre isso.”


“Claro, mas busco compreensão sobre o assunto. Eu entendo que estou impondo e en-
tendo a necessidade de obedecer às regras da Guilda. No entanto, espero que você me
empreste sua ajuda nisso.”

Ainz inclinou a cabeça, ao que o Chefe de Guilda respondeu, cruzando os braços e


olhando para o teto, com um olhar severo no rosto. No entanto, ele só manteve essa pos-
tura por um tempo curto.

“Eu entendo.”

Ele sorriu para Ainz e completou:

“Como você está pedindo, Momon-kun, eu não posso exatamente rejeitar. Então, você
poderia me dizer o nome dessa pessoa?”

“Ela é Enri, do Vilarejo Carne, melhor, Enri Emmot.”

“Enri, é isso? Então, você poderia me dar um tempo para preparar isso?”

♦♦♦

Em pouco tempo, o Chefe de Guilda retornou. Ele foi seguido por uma das recepcionistas
que Ainz tinha visto antes. Ela andava rigidamente quando entrou no quarto.

“Momon-sama! Me desculpe!”

Esta foi a primeira vez que Ainz viu alguém andar enquanto movia ambos os braços e
pernas do mesmo lado do corpo ao mesmo tempo. Ele pensou:

Não é grande coisa, não há necessidade de ficar tão tensa.

Mas no final, ele ainda balançava a cabeça com arrogância. Parte do desafio de ser um
aventureiro adamantite, era que ele não poderia parecer muito relaxado.

“Esta recepcionista atendeu Enri Emmot do Vilarejo Carne. Seria melhor você perguntar
diretamente a ela. Pergunte a ela o que você quiser saber.”

“É esse o caso? Então — não, antes disso, talvez ela devesse se sentar, Chefe de Guilda.
Mas estamos na sua sala, então não cabe a mim decidir.”

“Não! Não há necessidade de incomodá-lo! Eu estou bem em pé!”

Talvez Suzuki Satoru pudesse ter sentido que era muito errado estar sentado enquanto
a outra parte estava em pé. No entanto, no processo de ser Ainz Ooal Gown — de ser o
líder da Grande Tumba de Nazarick — ele gradualmente perdeu tais sentimentos. Ele
estava lentamente se acostumando com a diferença entre um líder e um seguidor. Talvez
isso fosse uma indicação de que suas ações como mestre (Suas interpretações) não eram
um desperdício de esforço, mas ele realmente havia acumulado pontos de experiência.

Quanto mais até eu subir de nível... Oops.

“Entendo. Então, vamos aos negócios. Eu gostaria que você me contasse sobre o pedido
dela, com o máximo de detalhes e possíveis. Este é um assunto muito importante, então
você pode me contar tudo sobre isso?”

“S-Sim!”

A testa da recepcionista estava coberta de suor frio.

“O que foi? Existe algum problema?”

“Não, quero dizer...”

Os olhos da recepcionista estavam piscando de um lado para o outro.

“Estou fazendo as perguntas erradas? ...Talvez, então vamos tentar isso. Ela estava pro-
curando alguém em particular para ajudar com seu pedido?”

“Não... não é, não é o caso.”

“Ah, entendo... então, que tipo de pedido foi? Ou não foi sequer um pedido?”

“...Na verdade, ela não fez um pedido imediatamente, apenas disse que poderia fazer um
no futuro. E então ela mencionou algo sobre monstros chamados o Gigante do Leste e
Serpente Demônio do Oeste, que são comparáveis ao Sábio Rei da Floresta que o senhor
domou, Momon-sama. Isso, er, isso é tudo.”

Ainz ficou bastante surpreso ao ver como ela estava com a língua amarrada, mas ele
continuou perguntando:

“Então, é um pedido futuro?”

“Não, não é! Eu... eu não sabia que ela era uma amiga sua, Momon-sama! Se eu soubesse,
teria perguntado com mais cuidado! Eu juro!”

Ainz ficou bastante perturbado com a recepcionista, que gritava à beira das lágrimas.
Alguém tão emotivo como este realmente poderia ser um contador?

“—Chefe de Guilda.”

“...Me desculpe. Nós não supervisionamos isso adequadamente.”


“Por que isso? Não é assim que as regras da guilda funcionam?!”

Depois de ouvir a conversa, Ainz percebeu como eles tinham interpretado mal suas in-
tenções.

A recepcionista e o Chefe de Guilda acreditavam que Ainz e Enri eram amigos e, embora
ele tivesse pretendido aceitar o trabalho de graça, ele decidiu dar à Guilda dos Aventu-
reiros a sua devida deferência e assim eles providenciaram para que ele aceitasse seu
pedido através da Guilda.

No entanto, a recepcionista tinha friamente afugentado Enri usando as taxas como des-
culpa. Portanto, os dois estavam discutindo sobre quem deveria estar assumindo a res-
ponsabilidade de afugentar a amiga de um aventureiro adamantite.

Não, se isso fosse a regra de uma organização, ela não estaria certa em obedecer?

Ainz olhou para o Chefe de Guilda enquanto repreendia a recepcionista, e sua opinião
sobre o homem deu um forte mergulho em seus olhos.

Se um subordinado cometer um erro, seu superior deve assumir. Ou isso é algum tipo de
técnica de alto nível em que ele a repreende com selvageria na frente de um cliente para
ganhar a simpatia do cliente e, assim, seu perdão? Quero dizer, olhe como ele está se im-
pondo perante ela.

Ainz sentiu que a recepcionista havia lidado com isso corretamente, e o Chefe de Guilda
deveria saber disso também. No entanto, assim como ele entrou pela porta dos fundos e
se inclinou para o Chefe de Guilda em busca de um favor, os aventureiros adamantite
poderiam facilmente dobrar as regras. Isso porque eles eram valiosos o suficiente para
que a Guilda quisesse mantê-los por perto, mesmo se eles desrespeitassem as regras. Isso
provavelmente era porque os dois estavam discutindo agora.

“Eu não sabia!”

Ainz gentilmente falou para consolar a recepcionista chorosa.

“A culpa não é sua.”

Os olhos da recepcionista se arregalaram e as lágrimas escorreram deles e rolaram por


suas bochechas.

“Obedecer às regras é muito importante, mesmo que elas devam ser negligenciadas de
tempos em tempos. Eu não vou guardar magoas deste incidente contra você.”

“Obrigada! Muito obrigada!”


“Então, espero poder incomodá-la para obter os detalhes dela. Por favor, não diga que
eu vou aceitar, só que eu quero estar pronto para agir a qualquer momento.”

“Compreendo! Eu! Eu vou perguntar agora! Eu sinto muito!”

A recepcionista se virou e saiu correndo como a passagem de um tufão.

“...Embora eu saiba que você queria ganhar minha simpatia, eu preferiria que você não
culpasse falsamente alguém que fosse inocente. Isso me desagrada.”

“Como eu pensei... eu não engano os olhos de Momon-kun.”

Aquelas palavras soaram como se tivessem sido espremidas das profundezas de sua
alma, e Ainz sabia que seu palpite estava correto.

Então as técnicas do trabalhador japonês são universalmente aplicáveis. No entanto, o


problema é—

A forma de Lupusregina veio à mente de Ainz.

Por que a Lupusregina não tinha informações sobre monstros que até mesmo uma garota
do vilarejo como a Enri estava ciente? Isso é um fracasso na construção da rede de inteli-
gência? Eu preciso ter certeza.

Enquanto Ainz esperava que a recepcionista se reportasse a ele, ele pensou que preci-
saria retornar a Nazarick e resolver isso.

16:41 - Hora de Nazarick

Uma Lupusregina apreensiva entrou no escritório de Ainz. O pânico e desconforto de


ser subitamente convocada estava escrito em todo o rosto. Dentro do escritório estavam
Lupusregina, a empregada regular Cixous, a Empregada de Batalha Narberal, Aura, que
era a pessoa mais familiar com a floresta, os Eight-Edge Assassins no teto, e o dono do
escritório, Ainz. Aliás, Albedo ainda estava em confinamento.

Lupusregina estava prestes a se prostrar diante de Ainz quando ele a interrompeu.

“Lupusregina, há algo que você tem escondido de mim?”

Depois de ver o olhar confuso em seu rosto, ele se perguntou se ela não sabia sobre isso
afinal. Ainz decidiu repetir o que ouviu sobre o Gigante do Leste e a Serpente Demônio
do Oeste da Guilda dos Aventureiros.

No entanto, como ele viu que Lupusregina parecia saber disso muito antes, o humor de
Ainz se deteriorou rapidamente. Ele exalou em alto tom.
“Então você estava ciente disso?”

“Sim. Sobre isso—”

“Sua idiota!”

Governado pela raiva, o grito cheio de ira de Ainz ecoou pela sala.

Enquanto os outros recuavam como se tivessem sido atingidos por um raio, Ainz sentiu
algo reprimir suas emoções, mas mesmo depois que o pico de raiva foi cortado, sua raiva
aumentou novamente, e não havia como ele controlar totalmente sua ira.

“Por que você não relatou isso para mim? Você estava tentando esconder isso?”

“N-não! Não nada assim!”

“Então por quê!? Por que nada disso chegou aos meus ouvidos! Qual foi a razão para
isso?”

“P-porque eu pen-pensei que não era uma grande coisa, então eu não relatei...”

Por alguma razão, a visão da Empregada de Batalha assustada que o espreitava apenas
o incitou ainda mais.

“Lupusregina Beta! Estou completamente desapontado com você!!”

Lupusregina não foi a única que se encolheu de medo com isso. Nabe e Cixous também
estavam tremendo, e os Eight-Edge Assassins no teto pareciam ter congelado também.

“Eu lhe dei arbítrio ao lidar com o vilarejo, mas isso não significa que você pode fazer o
que quiser! Disseram-lhe para relatar qualquer coisa que acontecesse lá, qualquer coisa.
Então qual é o significado disso!?”

“Isso é...”

O rosto de Ainz se contorceu quando ele olhou para baixo, para uma Lupusregina que
não conseguia responder.

Este era um pecado imperdoável para um trabalhador; não, para qualquer um.

Essas regras eram óbvias para qualquer um que fizesse negócios, ou melhor, para qual-
quer pessoa que trabalhasse na sociedade: “Reportar, Comunicar, Discutir”. Era uma
abreviação de relatar o que aprendeu, comunicar-se claramente com os outros e discutir
os problemas à medida que surgiam. Eram muito importantes; a força vital dos gigantes
que trabalhavam na sociedade.
Se ela não pode fazer isso, eu não acho que posso perdoá-la da perspectiva de um líder...
não...

Enquanto ele olhava para uma Lupusregina aterrorizada, Ainz não podia deixar de pen-
sar que ele era pelo menos parcialmente culpado. Esses erros só resultariam se um su-
perior não fosse confiável e não pudesse direcionar adequadamente seus subordinados.

Uma falha nas comunicações do grupo é minha culpa. Eu não pude tomar o controle ade-
quado disso... talvez eu deva dar um passo atrás e deixar o Demiurge ou a Albedo lidarem
com esse tipo de coisa.

“...Lupusregina, você está ciente do valor do Vilarejo Carne para Nazarick?”

“Hah? Não... sim. Er, ouvi dizer que é muito valioso, Ainz-sama...”

“Não, não, quero dizer, o que você, pessoalmente, acha valioso sobre o vilarejo?”

“B-bem, há muitos brinquedos lá, e...”

“Ah, é assim que é. Bem, então... me desculpe. Foi erro meu. Eu não sabia que você pen-
sava assim...”

Ainz riu cansado. Ele percebeu que tinha sido culpa dele afinal:

“Eu retiro o que eu disse sobre você ser uma decepção. Eu fui longe demais. Por favor
me perdoe.”

“O-o que o senhor está dizendo? Foi um erro de minha tolice!”

“Nesse caso, seja mais cuidadosa da próxima vez. Agora, explicarei novamente, então
preste muita atenção. Esse vilarejo é muito valioso para nós. Especialmente aquele me-
nino, Nfirea, e sua avó Lizzie. Eles são de grande importância para Nazarick.”

“Eeh? É-é verdade?”

“De fato. Eu entreguei a tarefa de criar novas poções para aqueles dois.”

“Ah, isso-isso mesmo! Eu tenho algo para mostrar ao senhor, Ainz-sama!”

Lupusregina gritou de repente aquela última parte quando seu rosto ficou pálido. Ela
pegou um frasco de poção roxa e Narberal, que estava mais próximo dela, pegou e entre-
gou a Ainz.

“Isto é...”

Ainz olhou para a poção através da luz.


“S-Sim! Esta é a nova poção de cura de Nfirea!”

A raiva de Ainz explodiu novamente, e ele tentou o seu melhor para anulá-la.

“Com essa poção, a importância da família Bareare aumentou novamente.”

Ainz riu baixinho ao ver o rosto sem noção alguma de Lupusregina.

Esta poção roxa que Nfirea fez foi inventada usando vários itens fornecidos por Nazarick.
O mais importante era que, sem possuir as habilidades de criação de poções de YGGDRA-
SIL, eles conseguiram usar ingredientes de YGGDRASIL para criar algo diferente das po-
ções “azuis” deste mundo ou das poções “vermelhas” de YGGDRASIL.

“Para começar, as poções de cura deste mundo são azuis. Mas as poções de cura que eu
conheço são vermelhas. Curioso, você não acha?”

Ainz divagou.

O conhecimento e os poderes de YGGDRASIL podem ser usados neste mundo. Dos anjos
que ele encontrou pela primeira vez, para a aparente existência de itens World-Class,
havia uma chance muito grande de que os jogadores estiveram aqui no passado. Nesse
caso, por que as poções não eram vermelhas como no YGGDRASIL?

Havia três possibilidades.

Primeiro, a queda de um país pode ter resultado na perda dessas técnicas de fabricação
de poções. Essas técnicas deveriam ter sido bastante difundidas, se não fossem, a des-
truição de um país inteiro seria capaz de acabar com elas.

A segunda razão pode ter sido que Nfirea simplesmente não conhecia essas técnicas,
uma vez que elas não se espalhavam para os países vizinhos. Talvez países distantes pos-
sam estar usando poções vermelhas. Afinal, no Japão, a mesma sopa de macarrão parecia
completamente diferente quando preparada em diferentes partes do país.

A terceira razão foi a otimização: fazer poções de YGGDRASIL exigiria materiais de


YGGDRASIL. Talvez esses materiais fossem difíceis de encontrar aqui, ou eles não esti-
vessem disponíveis, e foi por isso que apenas as poções azuis existiam, eram o melhor
que poderiam fazer com os materiais deste mundo.

“Isso quer dizer, exceto pela segunda possibilidade, essa poção que Nfirea fez...”

Disse Ainz fazendo o liquido roxo circular em seu frasco antes de completar:
“Isso pode ser uma revolução tecnológica única no século, isso até onde sei. Bem, se é a
terceira possibilidade, isso pode acabar sendo um produto falho, afinal. Porém, seu tra-
balho com afinco no futuro me dará a resposta.”

O que Ainz queria de Nfirea era, ele fazer poções de YGGDRASIL sem usar materiais de
YGGDRASIL. Ou ele pode até mesmo inventar outra coisa e acabar fazendo uma terceira
poção completamente diferente.

“Nesse caso, não seria mais eficaz deixar mais pessoas pesquisarem o assunto?”

A pergunta de Narberal fez Ainz franzir a testa — metaforicamente.

“Essa é uma pergunta tola. Narberal. De fato, o trabalho seria mais rápido, mas seria
muito perigoso. Conhecimento é poder e, distribuí-lo livremente é uma ação tola.”

Em tempos de YGGDRASIL essa lei regia os jogadores e não era diferente neste mundo,
então Ainz poderia dizer isso com confiança.

“Por exemplo, existe a possibilidade de criar uma poção e refiná-la ao ponto de me ma-
tar com um único ataque. Então, seria mais seguro monopolizar esse conhecimento do
que disseminá-lo... É melhor que os escravos sejam um pouco ignorantes, mas é preciso
estarem sempre a par dos avanços tecnológicos. Isto vale para Nfirea e suas poções.
Mesmo eu desejando prendê-lo em Nazarick e fazê-lo se concentrar apenas em pesquisa
e desenvolvimento...”

Isso evitaria a disseminação da técnica e o uso da poção.

“Então, então por que não fez isso?”

Os olhos de Narberal pareciam dizer que ela faria isso imediatamente, se ordenada, e
por isso Ainz apressadamente deu uma resposta.

“Ao invés de aprisioná-lo e forçá-lo a trabalhar, eu construirei sua confiança em nós,


como um negócio a longo prazo que trará melhores benefícios para Nazarick. Demiurge
analisou a situação e concluiu que era melhor prendê-lo a nós com uma dívida de obri-
gação — Hm? O que há de errado, Lupusregina?”

“Há uma coisa que eu não entendo, o senhor poderia explicar isso para uma tola como
eu? Por que o senhor deu a poção para alguém como a Britta, Ainz-sama?”

Ainz não tinha idéia de quem era essa Britta apenas por ouvir o nome. Enquanto tentava
manter um olhar que dizia “tudo está na palma da minha mão” — o que significava uma
expressão cuidadosamente vazia —, ele lutou freneticamente para pensar em uma solu-
ção.

Ela está falando daquela poção?


Ainz recordou a primeira noite que passou em E-Rantel.

Quando se lembrou do que dissera na época, Ainz ficou grato por seu corpo não conse-
guir mais transpirar.

—O que devo fazer? O que devo dizer?

Ele não podia ficar calado para sempre.

Demiurge! Albedo! Por que vocês não estão aqui? Não, Demiurge está atualmente no exte-
rior executando suas tarefas, e Albedo está em confinamento! É tarde demais para chamar
ela!

“—Isso? Você realmente não entende?”

“Sim. Peço desculpas pela falta de conhecimento. Por favor me esclareça.”

Para de perguntar!

Ainz queria gritar. No entanto, ele não tinha outras opções, então tudo que ele podia
fazer era jogar os dados e esperar pelo melhor. Coragem encheu-o quando ele decidiu
em seu curso.

“Fufu... hahahaha. De fato, essa foi uma jogada perigosa da sua parte, Lupusregina, tem
o direito de ser curiosa. Isso poderia ter resultado em um desenvolvimento que não po-
deríamos controlar. No entanto, havia um motivo para assumir tais riscos.”

“U-Um motivo? Não foi apenas para compensá-la pela perda de sua poção?”

A interrupção de Narberal fez Ainz engolir as palavras que ele estava prestes a dizer.
Seu cérebro girou em alta velocidade, e ele lutou para recordar esse encontro em E-Ran-
tel.

Ela está certa! Naquela época, eu fiz aquilo, então eu não teria uma fama ruim! Droga!

Ainz manteve seu comportamento calmo. Ele teria que mentir para encobrir outra men-
tira. Ele lutou para reunir os vestígios de sua coragem rapidamente desaparecendo.

“...Isso é tudo o que você pensou que eu estava fazendo, Narberal?”

“Sinto muito!”

“...Não, isso não é algo pelo qual você deveria se desculpar. Na época, eu não estava con-
fiante de que meu plano funcionaria, então escolhi uma explicação mais simples.”
“Então... qual foi o seu verdadeiro objetivo?”

Diante das perguntas de Narberal, o queixo de Ainz ficou aberto por um momento por
uma perda de palavras. Mas naquele momento, uma inspiração aconteceu. Com isso
como base para sua confiança, Ainz se preparou para falar.

“...Foi o Nfirea...”

Quando Ainz lentamente abriu a boca, ele ganhou ainda mais atenção dos subordinados
em torno dele. Se Demiurge ou Albedo estivessem presentes, eles provavelmente iriam
interromper e dizer: “Ah, então é isso. Como esperado de Ainz-sama”.

Narberal, por outro lado, só podia furiosamente franzir as sobrancelhas.

“...Nfirea...?”

Ainz segurou seu queixo com um silencioso “Uhum”. O medo começou a rastejar sobre
os rostos de Narberal e os outros, porque eles pensavam que a pose de Ainz significava:
“Você ainda não entende, mesmo depois de eu ter dito isso?” Na verdade, Ainz fez aquele
gesto inconscientemente, sem saber o que fazer com as mãos.

Em um curto período de tempo, Ainz foi submetido a uma tensão extrema e à supressão
de emoções que o acalmava. Entre essas duas forças conflitantes, uma epifania foi de en-
contro com Ainz. Sem saber onde ele iria acabar, Ainz agarrou-se a essa última gota e deu
um passo na escuridão.

“...Mm. Consegui chamar a atenção do herborista conhecido como Nfirea; Isso é sufici-
ente de uma resposta...? É isso mesmo... Normalmente, o que você faria se pusesse as
mãos em uma poção completamente diferente de qualquer outra poção que você já ti-
vesse encontrado?”

“...Discutir com alguém?”

“Exatamente! Lupusregina, é exatamente como você disse. Como eu previa, Britta levou
a poção para o herborista em quem ela mais confiava. Foi assim que entrei em contato
com o Nfirea.”

Ele lembrou que Nfirea aparentemente havia dito algo parecido quando se conheceram
no Vilarejo Carne.

“Ah! Então é isso! Esse foi o objetivo o tempo todo!”

“Você parece entender. Aquilo foi a isca para o meu anzol para pegar um mestre alqui-
mista. Embora houvesse uma chance de ter acabado em um lugar estranho e causado
problemas, ainda assim valeu a pena tentar.”
Um senso de compreensão encheu o ar, e havia olhares de admiração em seus rostos.

Eu consegui juntar as histórias...

Assim que Ainz estava prestes a suspirar mentalmente em alívio, uma pergunta repen-
tina e inesperada veio.

“Então... eu entendo que estou sendo muito rude, mas eu poderia fazer mais uma per-
gunta...”

Não, pare. Por favor, não faça mais perguntas.

Ainz estava gritando por dentro, mas seu rosto permaneceu impassível.

“Qual o problema, Lupusregina? Se você tem algo que precisa discutir, fique à vontade
para me dizer.”

“Sim.”

Lupusregina engoliu, e com uma expressão séria no rosto, ela perguntou:

“O senhor sempre pensa dois ou três passos à frente quando faz planos, Ainz-sama?”

Na maioria das vezes, Ainz inventava as coisas na hora. Claro, às vezes ele tentava pla-
nejar seu próximo passo, mas na maioria das vezes, os resultados eram completamente
diferentes do que ele pretendia. Claro, ele não podia dizer nada disso.

Ainz riu baixinho. Foi uma risada praticada.

“Claro. Eu sou o governante da Grande Tumba de Nazarick, Ainz Ooal Gown, não sou?”

Silenciosas exclamações de “Ohhhh!” Levantaram-se de todos os lados, e os olhos de


Lupusregina se arregalaram.

“O que há de errado, Lupusregina?”

“Um Rei sábio...”

As palavras ofegadas de Lupusregina fizeram Aura franzir a testa e ela deu um passo à
frente. No entanto, Ainz a parou.

“Não precisa disso. Isso é tudo que você precisa perguntar?”

“Então, er, eu tenho outra. Não seria melhor se deixássemos os monstros atacarem o
vilarejo, e então Ainz-sama os salvasse, isso não seria melhor? Quero dizer, Nfirea e sua
avó não se sentiriam muito gratos a Ainz-sama por tirá-las do fogo cruzado? Isso os tor-
naria mais úteis... certo?”

“Bem, esse é um plano muito bom, e vale a pena considerar, no entanto, se isso aconte-
cesse, Nfirea poderia acabar odiando os monstros demais e então ele não estaria mais
disposto a cooperar conosco... agora, seria um assunto diferente se foram os humanos
que fizeram isso. Nesse caso, talvez fosse mais eficaz se salvássemos Enri Emmot tam-
bém, para melhor acorrentar seu coração ainda mais.”

No entanto, o Vilarejo Carne já havia sido salvo pelo magic caster Ainz Ooal Gown. Lá
tinha utilidade, então deixar que fosse destruída seria bem questionável.

“Aliás, a lista das pessoas mais importantes do vilarejo — em ordem decrescente —


Nfirea, sua amada Enri Emmot e finalmente sua avó, Lizzie. Você deve proteger essas três
pessoas, não importa o que faça. Todo o resto é dispensável. Se necessário, sacrifique sua
vida para proteger Nfirea. Bom, é isso. Isso é tudo que tinha a perguntar, Lupusregina?”

“Sim! Muito obrigada!”

“Agora, Lupusregina, eu vou te perdoar por esse lapso. Agora que você conhece meus
objetivos, você não será perdoada da próxima vez. Você entende?”

“Claro!”

“Muito bom. Então vá. Complete as tarefas que foram atribuídas a você.”

Lupusregina fez uma reverência e saiu do escritório, seguido de perto por Narberal, que
parecia mais uma policial que escoltava um criminoso. Depois que as duas desaparece-
ram pela porta, Ainz se virou para a Guardiã ao lado dele.

“Agora, Aura. Você sabe alguma coisa sobre o Gigante do Leste e a Serpente Demônio do
Oeste—”

De repente, um grito veio de fora do escritório.

“Sério, Ainz-sama é incrível ~su! Não acredito que ele tenha pensado tão à frente e com
tantos detalhes! Ele deve ser algum tipo de monstro ~su!”

A voz que veio pela porta grossa não foi muito alta, mas foi o suficiente para interromper
a conversa. Dado que eles podiam ouvir suas palavras tão claramente, quão alto ela es-
tava gritando no corredor, do lado de fora?

“...Devemos dizer a ela a espessura da porta?”

“Eu acho que ela está muito animada, deixe-me ir lá ensinar uma lição—”
Houve um som esmagador do lado de fora da porta e, em seguida, o som de algo pesado
sendo arrastado para a distância.

“...Aura, eu não acho que você precise ir mais. Voltando ao tópico anterior; deixe-me
saber o que você encontrou.”

“Sim. Er, sinto muito, mas eu não ouvi nada sobre o Gigante do Leste e a Serpente De-
mônio do Oeste. Depois que lutamos contra aquele monstro chamado Zy'tl Q’ae, eu fiz
uma rápida varredura da floresta, além das cavernas subterrâneas, que eu não investi-
guei. Eu não encontrei inimigos fortes...”

“Bem, se eles são tão fortes quanto Hamsuke, eu entendo o porquê você não teria notado
eles.”

Mesmo um jardineiro não poderia saber quantas formigas estavam rastejando em seu
domínio. Porém, perder as coisas devido à diferença de força era um problema.

“Eu realmente sinto muito. Então, Ainz-sama, vamos fazer limpeza lá?”

“Parece uma boa idéia. Vamos dar uns tapas nessas moscas irritantes e colocar a floresta
sob o controle completo de Nazarick.”

“Pode deixar! Então, enviarei alguns dos meus animais de estimação juntos!”

“Hum. Parece um pouco chato assim. Eu gostaria de ver que tipo de monstros esse Gi-
gante do Leste e a Serpente Demônio do Oeste são, que podem rivalizar com a Hamsuke.”

“Então, devo arrastá-los aqui em correntes?”

“Não, acho que vou visitá-los pessoalmente. Graças a Hamsuke, encontrei outra maneira
de apreciar o valor das antiguidades também.”

Ainz riu da expressão confusa no rosto de Aura.

“Bem, claro que isso não é tudo. Eu também quero ver se posso organizar um teste para
a Lupusregina...”

19:16 - Hora de Nazarick

Fenrir rastejava vagarosamente pela floresta noturna. Nem os galhos que se estendiam
ou as vinhas enroladas dificultavam os movimentos de Fenrir ou as duas pessoas em suas
costas. De fato, eles pareciam se mover como fantasmas incorpóreos, sem sequer encos-
tar em um galho.

Este foi o efeito de uma das habilidades de Fenrir, conhecida como 「Landwalker」.
“De acordo com os relatórios dos meus vassalos, o covil do Gigante do Leste parece estar
à frente.”

Não havia tensão na voz de Aura, mesmo neste mundo de escuridão, separado da luz
das estrelas pelas árvores densamente compactadas. Ainz e os outros não eram como os
humanos, que não tinham outros meios para ver no escuro. Eles observaram a floresta
escura ao redor deles como se fosse dia claro.

“Certo. Teríamos muita sorte se o Gigante do Leste e a Serpente Demônio do Oeste se


reunissem no mesmo lugar. No entanto, isso provavelmente é ganancioso. Se a Serpente
Demônio do Oeste não estiver aqui, eu deixarei a disposição para você, Aura.”

“Sim! Eu farei o meu melhor! Mas como vou lidar com esses tolos que ousam fazer mo-
vimentos hostis contra você, Ainz-sama?”

“Vamos tentar a comunicação primeiro.”

Aura olhou atrás de si — em Ainz — com um olhar confuso no rosto.

“Eh? Não vamos fazê-los implorar a nós?”

“Isso porque o Gigante do Leste e a Serpente Demônio do Oeste são monstros desconhe-
cidos. Começar com uma tentativa de comunicação racional deveria ser melhor de prati-
camente todos os ângulos. Se eles são monstros que não existem no YGGDRASIL, então
eu gostaria de mantê-los.”

“Você é muito gentil, Ainz-sama.”

Não havia zombaria dentro do tom de Aura.

“É... é mesmo? Eu sinto que apenas os dignos merecem minha gentileza — seguidos por
aqueles que pertencem a Nazarick... Eu estou fazendo isso porque eles podem ter algum
valor se estiverem no nível de Hamsuke. Eu suponho que você poderia chamar isso de
aproveitar uma oportunidade, o que me diz?”

“Você mencionou a Hamsuke, mas é realmente tão valioso?”

“Oh, sim. É muito útil como cobaia.”

Hamsuke estava atualmente treinando para ser um guerreiro sob Zaryusu dos Lizard-
men. Aliás, um dos Death Knights feitos por Ainz também estava treinando com ele.

Treinar os dois — um hamster e um monstro — tinha a intenção de ver se eles poderiam


adquirir níveis de profissões Guerreiras. Isto especialmente para o Death Knight. Se ele
pudesse ganhar níveis de guerreiro, isso aumentaria muito o poder de combate de Naza-
rick.
Embora ele sentisse que era provavelmente impossível, ele ainda tinha que conduzir o
experimento para ter certeza.

“Você está fazendo o ferreiro fazer armaduras para a Hamsuke porque ela é muito im-
portante?”

“Você está bem informada. Essa também é uma das razões. Se eu tiver que colocá-lo no
campo de batalha no futuro, aumentar sua defesa pode ser crucial.”

Hamsuke não deve ter problema em usar a armadura completa quando tiver níveis na
profissão de Guerreiro. Atualmente, colocá-lo em armaduras diminuiu muito suas taxas
de evasão e mobilidade devido ao seu peso. Ainz sentiu que precisava de treinamento
por esse motivo. No entanto—

A armadura dificulta seus movimentos, já que não tem níveis de guerreiro, isso é o mesmo
que o jogo... não, eu não posso nem usar armadura de metal devido às restrições do jogo.
Desse ponto de vista, suas restrições são muito mais frouxas... se houvesse um segundo Ham-
suke, então eu poderia estudar as diferenças entre os dois...

Essas restrições que se pareciam com as do jogo ainda eram um mistério até agora. Se
ele deixasse Demiurge e os outros realizarem investigações em profundidade, eles pode-
riam encontrar a resposta certa, mas por algum motivo, Ainz não queria fazer isso.

Este é um mundo mágico, e a física pode funcionar muito diferente do esperado. Talvez
tudo que eu possa fazer seja me forçar a aceitar que este é apenas um dos princípios que
regem este mundo. Apenas supondo que tudo poderia acontecer...

“Ainz-sama, o que há de errado?”

“Hm? Não, não é nada, o que deseja?”

“Não, é que parecia que você estava pensando, e eu queria perguntar se havia algo que
deseja.”

“Oh, de fato. Eu estava apenas pensando em algumas coisas, não é nada de mais.”

“Entendo.”

Aura parecia aliviada e olhou para frente mais uma vez. Ainz olhou para a parte de trás
de sua cabeça — que estava coberta de cabelos dourados e sedosos — e seus olhos des-
ceram. Seus olhos passaram por suas costas esbeltas, e então se concentraram em suas
mãos — que estavam em volta de sua cintura esbelta.

Ela é tão magra; as cinturas das crianças são tão finas?


Como nunca tivera filhos, Ainz estava curioso e não resistiu à vontade de lhe acariciar a
cintura, como se a inspecionasse. Então, Ainz levantou a mão para dar um tapinha nas
costas dela. No entanto, ele não usou muita força porque estava montado em Fenrir.

No entanto, Aura deu um pulo e de repente se virou.

“Uwaaaah! O que... o que é, Ainz-sama?!”

Seu rosto estava muito vermelho.

Na verdade, era tão vermelho que até alguém sem visão no escuro poderia ver como era
vermelho.

“Ah, não é nada, só achei sua cintura muito fina. Você está comendo bem? Você está
equipada com itens que negam a necessidade de comer e beber, mas você ainda pode
comer, não pode?”

“Eu... eu consigo. Eu não ganho nenhum aprimoramento mágico ao fazer isso, mas ainda
posso comer.”

Em jogos como o YGGDRASIL, os humanoides e os demi-humanos designavam o tempo


de vida e, por sua vez, podiam crescer; inversamente, os heteromorfos não tinham tempo
de vida máximo e, portanto, parariam de envelhecer após um certo período. Se esse as-
pecto de caráter tivesse passado para este mundo, então Aura e Mare lentamente enve-
lheceriam. Ainz não queria que seu crescimento fosse afetado porque eles não receberam
nutrição adequada quando crianças.

Enquanto seus companheiros não estavam por perto, o crescimento dessas crianças era
responsabilidade de Ainz.

“Você precisa comer bem, certo.”

“Sim! Eu vou comer bem e fazer a Shalltear se arrepender!”

Ainz não tinha idéia do motivo pelo qual Shalltear foi inserida de repente, mas ele não
perguntou sobre isso.

“...Itens que eliminam a necessidade de comer e beber podem afetar o crescimento, por-
tanto, dependendo da situação, talvez você deva trocá-los por outros itens. Crescer... tal-
vez um dia, vocês dois terão até mesmo alguém para amar...”

Aura e Mare eram crianças muito fofas e, quando crescessem, certamente seriam muito
bonitas(os). Ainz imaginou homens e mulheres de todos os tipos confessando seu amor
por eles — embora Ainz nunca tivesse tido experiências como essas, então o que ele ima-
ginava vinham de programas de TV.
Talvez ele tivesse sido influenciado pelo tópico anterior, mas por algum motivo ele ima-
ginou uma enorme pilha de Hamsukes.

“—Hm?”

Ele visualizou uma jovem Aura e Mare sendo cercada por vastas quantidades de Ham-
sukes. Parecia bastante agradável, mas era completamente diferente do plano que Ainz
tinha em mente.

Hamsuke está relacionada com roedores, então a Hamsuke deveria ser capaz de se repro-
duzir em grandes quantidades. É melhor esterilizá-la? Embora eu gostaria de deixar isso se
reproduzir um pouco mais... Será que existem machos de sua espécie?

“Eh? Ainda é cedo para isso, Ainz-sama. Eu tenho pouco mais de setenta anos.”

“Eu... eu entendo, você está certa. Ainda és jovem. Bem, de qualquer forma, Aura, quem
você mais gosta em Nazarick? Qual é o seu tipo?”

Já que Ainz não tinha experiência no amor, ele ainda ficava com um pouco de inveja
sempre que via rapazes e garotas bonitas sendo todos amorosos na beira da estrada. No
entanto, Ainz tinha certeza de que ele poderia genuinamente desejar o bem dos NPCs.

“Eu gosto mais de você, Ainz-sama.”

“Haha, bom, é bom ouvir isso.”

Ainz ficou muito feliz ao ouvir lisonja de uma criança como Aura. Ele amava muito os
filhos (NPCs), e como não poderia ficar contente em saber que eles também gostavam
dele?

“Então, quem você mais gosta, Ainz-sama? De quem você mais gosta entre a Albedo e a
Shalltear?”

“Haha. Bem, agora eu tenho que dizer que gosto muito de você, Aura.”

“—Eh?”

Ainz acariciou a cabeça de Aura por trás. Os fios macios da mão dela passaram entre os
dedos dele.

“—Eh?!”

Devo começar a considerar o problema da educação sexual? Se existem escolas para Elfo
Negros, devo enviar a Aura e o Mare para estudar para que possam se transformar em bons
adultos? O que a Bukubukuchagama-san pensaria se ela estivesse aqui? Mas ainda assim,
escolas... Comédias românticas escolares... Peroroncino-san adorava este tipo de coisa, e ele
disse que queria fazer uma Nazarick Gakuen com o Suratan-san. Para onde foram os dados
para isso?

“—Eh—!”

“O que é? Você está gritando muito alto, Aura.”

“Ah! Eu sinto muito. O covil do Gigante do Leste deveria estar perto, mas...”

“Tudo bem, não há necessidade de se desculpar. Deixando isso de lado, sobre o futuro—”

“O... o futuro?”

“Sim. Algum problema? Você parece confusa... aconteceu alguma coisa?”

“Não... de maneira alguma, não é nada. Sim. Hum. Você estava falando sobre o futuro?”

“Oh, sim. Eu estava pensando que, se houvesse um reino de Elfos Negros, talvez valesse
a pena visitá-los e, se isso acontecer, você também deveria comparecer.”

“Eh? ...Ah, sim... claro! Então foi isso que você quis dizer com o futuro. Entendi! Por favor,
permita-me acompanhá-lo até lá. Ah — estamos quase lá, Ainz-sama.”

Na escuridão à sua frente, eles puderam ver uma fonte de luz decididamente antinatural
através das lacunas na floresta.

“Entendo. Aura, me perdoe, mas você poderia estacionar todos os animais mágicos que
você trouxe ao redor desta região? Vou fazer alguns preparativos também.”

Ainz usou uma de suas habilidades e convocou criaturas poderosas undeads.

Um cavaleiro de aparência sinistra apareceu, montado em um cavalo branco pálido. E


mais apareceram toda vez que Ainz usava sua habilidade.

“Tudo bem, quatro devem bastar. Agora, Pale Riders. Voem para o céu e aguardem, se
alguém tentar fugir, capture-os.”
[Cavaleiros P á l i d o s ]
Os P a l e Riders indicaram o seu entendimento sem dizer uma palavra e, com um puxão
nas rédeas, os cavalos pálidos saltaram e galoparam para o céu. Os Pale Riders se desin-
tegraram, passaram pelos galhos das árvores e voaram.

“Tudo bem, nós criamos um cerco. Agora tudo o que temos a fazer é avaliá-los.”

“Sim! Ah, não precisamos testar sua durabilidade?”


“Vamos guardar isso como um último recurso. Meu objetivo é resolver isso sem qual-
quer combate. Primeiro, vou tentar discutir tópicos que mutuamente serão benéficos.”

Essa era a verdade. Ainz não estava procurando por uma briga. Já que ele estava perfei-
tamente disposto a ser implacável se houvesse benefícios, isso não significava que ele era
uma pessoa cruel. Ainz não iria pisar nas formigas rastejando em seu caminho. Um diá-
logo racional seria o melhor.

Fenrir se aproximou da brecha na floresta. O lugar foi chamado uma lacuna na floresta,
mas a verdade era que era simplesmente um lugar dentro da floresta onde as árvores
não cresciam.

Esta área estava coberta de árvores murchas, assim como a região montanhosa ao redor
da Árvore Maligna. Havia algumas áreas que acabaram se tornando florestas murchas
por razões especiais. Havia muitas razões para isso e, neste caso, foi provavelmente por
causa de monstros.

As árvores haviam sido derrubadas e espalhadas por toda parte. Parece que alguém ten-
tou construir uma estrutura grande e falhou, e depois jogou os troncos em um acesso de
raiva.

“Que risível. Aura, eles provavelmente estavam tentando construir uma estrutura como
a sua. O trabalho dos tolos é realmente desagradável. Eles vivem em cavernas e não sa-
bem o quão atrasados eles estão, então resulta nesse tipo de coisa.”

“De fato. Ainz-sama, o covil deles está lá.”

Havia uma fissura no chão cheio de cicatrizes, que havia sido queimado a esterilidade.

“...Ninguém está de vigia. Que descuidado. Tudo bem, não podemos evitar. Nós vamos
bater na próxima vez.”

Com Aura ao seu lado, Ainz caminhou em direção à entrada da caverna subterrânea. Ele
olhou para dentro, e parecia um declive suave, e o interior parecia bastante espaçoso. O
teto era alto e parecia que até grandes criaturas poderiam viver dentro sem problemas.

...Isso me lembra as dungeons de YGGDRASIL. Naquela época, costumávamos ficar curiosos


e excitados toda vez que descobríamos cavernas nas montanhas e coisas do tipo.

Se isso fosse no passado, eles teriam deixado Tigris Euphrates e pessoas como ele lide-
rarem o caminho, enquanto Ainz — Momonga — seguiria atrás deles. Então, eles invoca-
vam monstros e, no caso de Ainz, ele faria com que os undeads andassem à frente deles,
permitindo que eles acionassem as armadilhas enquanto avançavam cuidadosamente.
Isso era conhecido como o desarmamento de um guerreiro ou um desarmamento de in-
vocação.
Bons tempos...

As lembranças do passado iluminaram os passos de Ainz, mas em poucos segundos seu


humor alegre desapareceu.

O fedor de baixo o fez enrugar as sobrancelhas inexistentes. Não era gás venenoso, mas
sim um odor de gordura e decadência que anuviava o ar.

Isso é uma armadilha de nuvem de gás fedorento? Eu não acho que esses moradores das
cavernas pudessem montar uma armadilha tão elaborada... talvez se formou naturalmente.

Por ser undead, Ainz não precisava respirar. Ele estava completamente imune aos ata-
ques de gás. Aura também era protegida por itens mágicos, então se esse fedor fosse al-
gum tipo de ataque, deveria ser ineficaz. Sendo esse o caso, este era provavelmente ape-
nas um fedor comum.

“Parece que o Gigante do Leste não é uma pessoa particularmente limpa. Espero que ele
seja pelo menos um pouco inteligente e possa falar comigo.”

“Sim. Embora isso possa ser um pouco difícil. Indo pelas pegadas, esta caverna parece
abrigar várias formas de vida do mesmo tipo, mas elas estão todas descalças. As pegadas
são grandes e, dependendo do tamanho, parecem ter mais de dois metros de altura.”

“Entendo... então ele deve ser de um deles.”

Ainz e Aura não pararam de andar e, ao descerem a encosta, viram dois monstros na
base do declive.

“Ainz-sama, esses são... Ogros.”

Os dois Ogros estavam rasgando alguma coisa e empurrando-a em suas bocas. Um novo
cheiro subiu para Ainz e Aura.

Ainz lentamente estendeu o dedo e sorriu amargamente. Se fosse um simples ataque de


dungeon, ele teria matado os Ogros em silêncio, e então avançaria sem fazer barulho para
eliminar todos os outros inimigos; no entanto, seu objetivo desta vez era diferente.

“...Eu não estou aqui para massacrar todos, então eu preciso me comunicar de uma ma-
neira amigável — Ei, Ogros, desculpe interromper a sua refeição.”

Os dois Ogros se viraram simultaneamente para olhar para Ainz, e então eles rugiram.

Os ecos dentro da caverna eram intensos, e não havia como julgar com precisão a posi-
ção, mas pareceria um uivo similar vindo das profundezas da caverna.

“Bem, isso é uma campainha bem rude e barulhenta, recue, Aura.”


Ele olhava enquanto um dos Ogros corriam em sua direção.

“Que saco...”

Ainz suspirou. Isso porque ele percebeu que eles não desejavam se comunicar com ele.

“Skelton! Skelton! Enuh-meu!”

O Ogro gritou roucamente quando chegou a Ainz, e então balançou seu tacape em Ainz
sem esperar.

“Eu tenho—”

O tacape do Ogro assobiava no ar.

“—Que me desculpar por invadir—”

Acertou Ainz com um baque, mas um mero tacape sem magia alguma não poderia ma-
chucá-lo.

“—Sua casa—”

O Ogro levantou seu tacape novamente e o martelou em Ainz.

O campo de visão de Ainz tremeu um pouco quando o tacape bateu em sua cabeça. Não
doía, mas era muito irritante. Dito isto, se alguém pisasse em Nazarick, Ainz certamente
estaria com raiva o suficiente para querer matá-los. Com isso em mente, era natural que
eles quisessem atacá-lo, então Ainz provavelmente deveria suportar os golpes.

Uma vez que nenhum sinal de paz surgisse na arma, não haveria nada a dizer.

O outro Ogro se aproximou um pouco mais tarde. Não balançava um tacape, mas esten-
deu a mão para Ainz. Provavelmente tinha visto como os ataques do outro Ogro tinham
se mostrado ineficazes, e queria agarrá-lo em vez disso.

Ainz arqueou as sobrancelhas. Claro, não havia nada em um rosto esquelético que pu-
desse se mover.

Ainz estava originalmente disposto a deixar o Ogro agarrá-lo. No entanto, seus olhos
capazes de visão no escuro viram o sangue na mão do Ogro.

“Que nojo.”

Ainz imediatamente produziu um cajado do ar e balançou-o. Embora esse cajado não


possuísse nenhum poder mágico especial, estava focado em infligir dano de concussão, e
com um único golpe, a cabeça do Ogro que estava estendendo a mão para Ainz explodiu
como uma uva podre. Uma mistura de sangue fresco e matéria cerebral bombeava do
Ogro, ao lado dele o outro derrubou seu tacape e deu um passo para trás.

“Você... você, não, skelton...”

“É muito irritante para você me comprar com outros Skeletons. Estou aqui para ver seu
chefe, o Gigante do Leste. Você poderia ir buscá-lo? Embora eu tenha certeza de que ele
virá mesmo se você não chamar.”

Ainz acenou para pedir que o Ogro desse o fora, e ele prontamente se virou e fugiu para
a caverna.

“...Que saco. Se eles tivessem visto a discrepância em nossos respectivos pontos fortes
desde o início, não teríamos que perder esse tempo.”

Ainz sentiu a área onde o tacape o atingiu e terminou de descer o declive.

Havia vários Goblins — corpos mastigados, na verdade — onde os Ogros estavam agora.
Enquanto seus restos eram pouco mais do que pedaços de carne e era impossível dizer
quantos havia, mas deve haver mais do que apenas um ou dois.

Ainz e Aura contornaram essa área enquanto continuavam avançando.

“Que gafe. Eu estava aborrecido e usei muita força. Eu originalmente planejei evitar o
assassinato antes que as negociações fossem interrompidas, para prosseguir da maneira
mais amigável possível...”

“Não havia nada a se fazer! É culpa dos Ogros imundos que tentaram te tocar, Ainz-
sama!”

“Ouvir você dizer isso me agrada. Punitto Moe-san disse uma vez, “Socá-los na cara é
uma boa maneira de fazer a outra parte se comportar” ...ou foi o Takemikazuchi-san quem
disse isso?”

“Desde que os Seres Supremos disseram isso, então deve estar correto!”

Ainz não conseguia lembrar qual desses dois polos opostos havia dito isso. Só então,
uma horda de monstros emergiu das profundezas da caverna. Todos eles eram muito
mais altos que um ser humano.

“Bem, se não é uma horda de Trolls. Embora chamá-los de gigantes é uma publicidade
falsa ao meu ver, mas também não é como se fosse totalmente mentira.”
Trolls eram gigantes com orelhas e narizes longos. Eles tinham rostos muito feios e seus
corpos musculosos eram tão revoltantes quanto os de qualquer heteromorfo. Eles usa-
vam o que pareciam ser roupas de pele de tigre que suas cabeças emergiam de seus om-
bros.

Eles tinham quase 3 metros de altura, eram mais fortes que os Ogros e possuíam pode-
rosas habilidades regenerativas. Dizia-se que, a menos que fossem mortos com fogo ou
ácido, eles poderiam voltar dos mortos mesmo depois de serem reduzidos a pedaços de
carne. Havia 6 Trolls aqui, além de 10 Ogros.

Aquele que chamou a atenção de Ainz foi o Troll em cima dos outros.

Era mais musculoso que os outros Trolls, e seu rosto feio exalava confiança.

Era melhor equipado do que os outros Trolls também.

Ele usava uma armadura de couro que parecia ter sido costurada de várias peles de ani-
mais. Seus braços poderosos tinham uma espada larga que era maior do que os que Ainz
usava em seu disfarce de Momon. A grande espada parecia mágica, e o líquido central
escorria um líquido escorregadio em direção ao fio.

“Ele está no nível de Hamsuke?”

“Parece assim.”

Sendo esse o caso, este Troll deveria ser o Gigante do Leste. Sendo esse o caso, que tipo
de Troll ele era? Ainz estudou o Gigante do Leste com cuidado.

Trolls eram monstros altamente adaptáveis. Eles variavam muito de acordo com o am-
biente.

Por exemplo, havia Trolls Vulcânicos que viviam em vulcões e eram resistentes ao fogo.
Havia Trolls Aquáticos que eram adeptos de nadar no oceano e respirar debaixo d'água.
Havia Trolls Montanhosos, que viviam nas montanhas e eram especialmente fortes. Ha-
via também Trolls Pedintes, Trolls raros que viviam sob pontes. Havia uma variedade
interminável de espécies e sub-raças mutantes como essas.

Nesse caso, qual era a posição do Troll ante de Ainz se especializara?

Trolls adaptados para a vida na caverna eram chamados Trolls Cavernosos. Mas eles
pareciam diferentes disso.

Esta era uma nova espécie de Troll que ele encontrou pela primeira vez neste mundo —
este monstro desconhecido despertou o espírito de colecionador de Ainz.

♦♦♦
O Troll conhecido como o Gigante do Leste havia alcançado uma forma muito rara de
evolução.

Ele era um Troll que nasceu em meio a inúmeras batalhas, adaptado a eles e especiali-
zado em habilidades de luta. Se alguém tivesse que nomeá-lo, sua espécie seria Trolls de
Guerra, um exemplo particularmente notável entre as muitas sub-raças de Trolls.

Pode-se dizer que sua destreza no combate era incomparável entre outros da mesma
idade que ele.

Claro, o corpo dele era menor que aquele de um Troll Montanhoso. No entanto, os mús-
culos de seu corpo — suas habilidades físicas — superaram em muito os da segunda es-
pécie. Além disso, ele não usava um tacape primitivo que podia ser facilmente manuse-
ado com força bruta, mas usava suas habilidades inatas para empunhar habilmente uma
espada — uma arma que era inferior mesmo a um tacape se não soubesse como usá-la.
Pode-se dizer que ele era um Troll que despertou suas habilidades de guerreiro.

♦♦♦

“Você é o Gigante do Leste, correto?”

Depois de não ouvir negações, Ainz apontou ligeiramente para a direita do gigante.

“Então, acredito que aquele sujeito ali é a Serpente Demônio do Oeste. Estou correto?”

Alguém com visão comum certamente pensaria que ele estava apontando para o ar va-
zio. No entanto, Ainz podia ver claramente o heteromorfo escondido ali, como se esti-
vesse iluminado pela luz do sol.

“Talvez você pense que se escondeu com invisibilidade, mas meus olhos podem ver atra-
vés disso. Pare de desperdiçar seu esforço e me responda.”

Um monstro surgiu do que originalmente era o ar rarefeito. Provavelmente dissipou sua


invisibilidade.

De fato, era uma cobra. Não, para ser preciso, tinha o corpo de uma cobra. Tinha o torso
de um homem velho do peito para cima, mas tinha uma forma serpentina abaixo dele.
Era um monstro heteromórfico.

Ao contrário do Gigante do Leste, Ainz tinha visto monstros como este em YGGDRASIL
antes, e assim ele poderia imediatamente declarar o nome de sua raça.

“Um Naga, então. Embora não seja errado chamá-lo de Serpente, você não tem um nome
melhor para você? Não, já existe o caso do Sábio Rei da Floresta, então isso era de se
esperar, não é?”
“Se você pode ver através da minha invisibilidade, então você certamente não é co-
mum—”

“—O que faz aqui, Skeleton?!”

O Naga estava apenas na metade de suas palavras quando uma voz estrondosa encheu
a caverna e o afogou. O Gigante do Leste deu um passo à frente.

Ainz se virou para encarar sua contraparte.

“Primeiro de tudo, deixe-me ver se entendi; Eu não sou um Skeleton. Desejo corrigir esse
erro.”

“O que é então, se não um Skeleton? O Rei das terras do leste, Gu, permite que você diga
seu nome!”

“—Gu?”

Ainz não tinha idéia do que ele estava falando por um momento. Ele achava que era
algum tipo de título, como um Rei ou um Chefe, e foi só depois de um tempo que percebeu
que era o nome do Troll.

“Entendo, então seu nome é Gu. Perdoe minha introdução atrasada; meu nome é Ainz
Ooal Gown.”

Naquele momento, o riso encheu a caverna.

“Fuafuafuafua! Nome de covarde! Nome macio e fraco, meu nome é forte e poderoso!”

Os outros Trolls riram com desgosto em resposta a essas palavras.

“Um covar—”

Ainz parou Aura antes que ela pudesse dar um passo adiante.

“Está bem. Não fique chateada com um assunto insignificante como este. Fique calma.
Estamos aqui para conversar, somos embaixadores da paz. Ah, sim, apenas para referên-
cia, por que você acha que eu sou um covarde?”

“Ah, a laia deles considera nomes longos para ser um sinal de timidez, ó undead miste-
rioso.”

O rosto velho do Naga se enrugou com um sorriso zombeteiro enquanto falava.


“Então ele não é uma antiguidade, apenas lixo. Então, você acha que meu nome também
é de covarde?”

“Este velho aqui certamente não pensaria assim, porque este velho aqui também tem
um nome longo. De fato, este velho aqui é a Serpente Demônio do Oeste da qual você fala
— Ryraryus Spenia Ai Indarun, óh invasor Ainz Ooal Gown. Este velho aqui sempre es-
perou que a mente dele fosse tão desenvolvida quanto seu corpo, mas se fosse esse o
caso, ele teria dominado esta floresta há muito tempo; verdadeiramente um dilema.”

“...Você acabou de salvar sua própria vida.”

Um olhar de suspeita cruzou o rosto de Ryraryus enquanto Ainz deixava seus pensa-
mentos mais íntimos escaparem. Infelizmente, assim como ele queria esclarecer, Gu e os
Trolls pararam de rir.

“Então, seus fracotes, estão fazendo o que aqui?! Vieram ser comida? Ossos deliciosos e
crocantes! Vou comer você, começar pelo seu crânio!”

“Fui eu quem ordenou que os undeads e os Golems construíssem a fortaleza na floresta.


Você já ouviu falar de lá, não é?”

O clima mudou em um instante. Gu e seu bando irradiavam hostilidade, já Ryraryus es-


tava cheio de cautela.

“Eu sei! Sua peste! Se não fosse essa maldita cobra fazendo barulho, teria matado você
há muito tempo! Isso economiza tempo! Um covarde, um nanico de preto!”

“Ah, então podemos conversar. Na verdade, vim negociar com você.”

Ainz gesticulou para Gu se ajoelhar diante dele.

“Jure-se a mim se você quiser viver.”

“É retardado?! Como eu serviria um covarde! Vou te comer aqui e agora! Depois vou
comer esse atrás de você!”

“Gu. Ele governa aquela estrutura assustadora. Você o subestima por sua conta e risco!
E o Elfo Negro atrás dele; esta floresta lhes pertencia antes que a Árvore Maligna os afu-
gentasse. Eles podem muito bem ser inimigos poderosos — ele não está escutando.”

Ainz não pôde deixar de rir alegremente.

“Hahahaha! Você é melhor em latir do que um cachorro, sua bola de carne. Que tal isso.
Eu, a quem você chama de covarde, desafia você, que tem um nome poderoso, para uma
luta em um a um. Eu confio em você não vai fugir de medo? Se você tem medo, então
fique de quatro e implore por misericórdia, e eu poderia encontrar algum lugar para criá-
lo como um escravo.”

“Muito bom! Posso lidar com o capanga que você é sozinho! Vou te cortar em pedacinhos
e comer tudo depois!”

“Muito bem. Já que você fez sua escolha, as negociações foram interrompidas. Aura,
afaste-se. Eu quero brincar com ele sozinho.”

Assim que ele terminou de dizer isso, a espada já erguida cortou Ainz. Este foi o golpe
que Gu atingiu com a gigantesca espada que ele segurava, com mais de 3 metros de com-
primento.

Ainz não se moveu, simplesmente recebeu o golpe em seu corpo.

“—Huh?”

“O que está errado? O que é tão surpreendente?”

Ainz estava intocado. O rosto feio de Gu torceu-se de surpresa e, desta vez, ele escolheu
um golpe arrebatador. No entanto, o resultado foi o mesmo de antes; Ainz recebeu o
golpe de frente.

“Muuu?”

Gu afastou vários passos. Ele olhou para a espada e depois para Ainz. Ele orgulhosa-
mente virou as costas para Ainz, em seguida, caminhou até um de seus asseclas.

No momento seguinte, a gigantesca espada girou e cortou um dos lacaios Trolls. A es-
pada se cravou no pescoço e no ombro do Troll, separando sem esforço sua carne, e um
gêiser de sangue fresco foi expelido.

O Troll gritou estupidamente, com o máximo de sua voz.

Gu assistiu em satisfação quando seu lacaio girava e caiu no chão, e ele assentiu. Isso
provavelmente para verificar se a arma dele estava funcionando.

“Entendo... Essa é a regeneração Troll? Uma visão impressionante quando se testemu-


nha isso com os próprios olhos.”

A superfície da ferida se curou rapidamente. Não era como retroceder o tempo, mas um
processo de cura acelerado.

Gu saberia que o Troll se regeneraria antes de testar sua lâmina nele; mas o olhar ma-
ligno em seu rosto quando ele olhou desprezando seu lacaio caído sugeriu que ele teria
cortado a criatura de qualquer maneira, mesmo que ela não pudesse se regenerar.
“É privilégio dos fortes matar ou poupar os fracos. No entanto, isso me desagrada pro-
fundamente.”

Ainz se adiantou. Ele não estava mais com vontade de brincar.

Gu segurou sua espada com força, esperando Ainz se aproximar dele, passo a passo.

“Gu! Esse Ainz Ooal Gown não é um indivíduo qualquer! Vamos unir—”

“Calado! Você senta e assiste, covarde! — Ugooooooh!”

Uma série explosiva de cortes choveu em Ainz. O ataque combinado foi feito usando
força física que superava em muito a capacidade do corpo humano, e estava entre os ata-
ques mais destrutivos que Ainz já havia enfrentado dos habitantes deste mundo.

No entanto, seus ataques não conseguiam derrubar a muralha de um castelo, e tam-


pouco poderia assolar a terra. Como isso poderia prejudicar Ainz?

O fio da espada enorme cortou o vento, e Ainz a segurou em seu corpo.

“Que chatice. Você poderia não amassar minhas roupas?”

Ainz parecia achar tudo desinteressante, e ele se virou depois de puxar suas vestes e
endireitá-las. Então, um pensamento aparentemente veio à mente.

“Ah, você já está satisfeito?”

“Goooooooh!”

Gu decidiu que os ataques cortantes eram ineficazes, então ele tirou uma das mãos da
espada grande e deu um soco. Este golpe atingiu como uma enorme marreta. Se atingisse
um ser humano, eles certamente teriam sido afetados por seu poder.

No entanto, Ainz recebeu este golpe — que certamente era fatal para um ser humano —
diretamente no rosto. Depois disso, ele calmamente tirou o pó do lugar onde Gu o atingiu,
como se tivesse sido tocado por mãos sujas.

Gu cessou seu ataque. Seu rosto feio se contorceu em uma forma ainda mais feia, e ele
olhou para o impassível Ainz.

“Então, é assim que termina o ataque que você está tão orgulhoso, ser do nome corajoso?”

“É só sua defesa — guwaaaargh!”


Ainz se adiantou para encurtar a distância entre eles e balançou o cajado, que destruiu
metade de uma das pernas de Gu. Incapaz de ficar em pé, Gu desabou pesadamente no
chão.

“Mesmo com o seu cérebro do tamanho de uma noz, você deveria estar começando a
perceber que covardes não são necessariamente fracos, não?”

Os Trolls e Ogros assistindo a luta gritaram em choque ao verem o estado vergonhoso


de seu líder.

“Haaaah~”

Ainz estava começando a se cansar disso, e suspirou. O fato de eles não entenderem a
situação, até mesmo neste momento, provou que esses monstros eram inúteis. É claro
que seria diferente se eles fossem espertos o suficiente para tentar fugir.

“Aura, agarre-o. Ele é o único que não pode fugir.”

Aura imediatamente entendeu a ordem concisa de Ainz e entrou em ação. Em um piscar


de olhos, ela alcançou Naga, que estavam tentando se esgueirar invisivelmente.

“Peguei ele, Ainz-sama. O que devo fazer com ele?”

Ainz não prestou atenção a Gu e olhou para Aura, que tinha Naga pelo pescoço. A ma-
neira como ele tratou Gu deixou uma coisa clara para todos os presentes.

—Em outras palavras: ele não se incomodava em lidar com o tal do Gu diante dele.

Gu rosnou entre os dentes diante dessa humilhação absoluta, mas Ainz não se importou.

“Maldito seja você, pirralho!”

O corpo serpentino de Naga começou a se contrair, e envolveu Aura:

“Eu vou te esmagar até — aiiiieeeee!”

Uma voz fria e calma veio de Naga ao tentar se enrolar em Aura.

“Você sabe, eu não posso assistir Ainz-sama assim. Se você continuar lutando, vou usar
mais força e esmagar sua garganta. Não se preocupe, você não vai morrer com isso.”

Seus pequenos punhos eram suficientes para fazer Naga perceber a diferença em suas
respectivas forças, e Naga lentamente a soltou com um gemido estrangulado.

“Aura, tempo é dinheiro, o desperdício também é tolice. Por favor, se afaste um pouco
mais para que ele não acabe sendo morto por acidente.”
“Entendido!”

Aura vagarosamente arrastou Naga — que pesaram várias vezes mais do que ela — en-
quanto recuava. Ainz mudou seu olhar de volta para Gu, que mal tinha conseguido ficar
em pé novamente depois que sua regeneração fez sua perna quebrada se espasmar po-
derosamente enquanto consertava sua carne arruinada.

Ainz não era tão alto quanto seu oponente, mas ele se elevou sobre Gu.

“Oh, então você está curado. Então vamos continuar.”

Ainz bateu em seus ombros com o cajado, então calmamente assumiu uma postura de
luta. Sua atitude dizia que ele não tinha intenção de se defender.

“Você... você, o que... o que você fez? O que você está fazendo? Magia?”

Gu lentamente recuou enquanto segurava sua espada, enquanto Ainz se adiantou como
se estivesse perseguindo. Os passos de Gu estavam mais curtos que o de Ainz. A distância
entre eles era maior do que quando a batalha começou.

Ainz bufou.

“—Hm? Bem, isso não é estranho? Eu, aquele com o nome covarde, estou avançando,
enquanto o corajoso chamado Gu-sama está recuando. Eu me pergunto, por que isso está
acontecendo?”

Alguém respondeu de trás em uma voz inexpressiva:

“Isso é porque o nome de Ainz-sama é corajoso, e esse cara chamado Gu pertence a um


covarde! Não é verdade, cobra?”

“S-imhm! Ainz Ooal Gown-shama é o maior!”

Depois de ouvir a voz doce da menininha e outra voz que estava à beira das lágrimas,
Ainz assentiu várias vezes.

“Entendo, eu entendo agora. Nomes curtos são a marca de um covarde — o nome de


Ainz Ooal Gown pertence a uma pessoa corajosa e maravilhosa, estou correto?”

“—Por que você!”

“Calado, covarde.”
A raiva de Gu superava seu medo, e ele balançou a lâmina em Ainz como se quisesse
cortá-lo em dois. Ainz não se desviou nem se esquivou; simplesmente manuseou seu ca-
jado. O golpe de Ainz não permitia que Gu bloqueasse sua espada ou fugisse.

O cajado quebrou parte do corpo de Gu.

“Abbbahhhhhhhhh!”

O lamentável gemido de Gu provocou medo nos corações de seus subordinados que as-
sistiam à batalha.

“Bem, como esperado de um Troll; com sua regeneração, eles podem até voltar à vida
depois de serem reduzidos a carne picada. Ainda assim, dor ainda é dor. Esse foi o ataque
mais fraco até agora. Tudo o que você estava pensando era se proteger. Você tem medo
de ser atingido por mim. Foi a esgrima de um covarde.”

Ante de Ainz estava Gu, cuja cabeça era metade da espessura normal. Uma criatura nor-
mal teria morrido há muito tempo, mas sua cabeça estava retornando lentamente à sua
forma normal.

O rosto restaurado de Gu estava torcido em uma forma especialmente repugnante. Es-


tava esculpida em terror. Ele estava com mais medo do que antes; a reação de alguém
que havia sido psicologicamente quebrado pelo medo.

“Você... o que, o que você é? Por que nem arranhei você?”

Ainz inclinou a cabeça e, em seguida, abriu os braços lentamente.

“...Eu sou Morte. Eu sou quem traz a morte para você.”

“Vocês... vocês aí! Matem ele!”

“Que ridículo... eu não esperava nada menos que um covarde, renegar os termos do
nosso duelo... ainda assim, se adequa ao seu nome. Então eu vou te perdoar.”

Ainz parecia muito feliz quando disse isso.

Os lacaios de Gu estavam assustados com esse misterioso monstro, e assim permanece-


ram imóveis. Isso porque, apesar de sua estupidez, eles podiam sentir o enorme poder
de Ainz, e certamente haviam testemunhado o suficiente. Eles provavelmente estavam
lutando consigo mesmos, incapazes de decidir quem era mais temível. Ninguém se atre-
veu a se mover; eles simplesmente olhavam de um lado para o outro entre Ainz e Gu.

“Rápido!”

Mas eles ainda não se mexeram. Eles não podiam se mover.


O mesmo se aplica a Ainz. Havia um delicado equilíbrio aqui, um que enraizou todos no
lugar. Se Ainz fizesse um movimento, esse equilíbrio entraria em colapso e todos eles
fugiriam para salvar suas vidas.

Seria problemático se eles escapassem—

Apenas o pensamento de caçar e matar todos e cada um deles já cansava Ainz.

“Nesse caso, vamos fazer assim. Hora de brincar acabou.”

Ainz ativou uma de suas habilidades, que ele não teve a chance de usar, era muito pode-
rosa para esse mundo.

「Despair Aura V」. Uma magia que causava morte instantânea.

Uma aura crescente saiu de Ainz.

Os Trolls, Ogros e Gu ficaram flácidos e desmoronaram como uma marionete cujas as


cordas foram cortadas, caindo um a um no chão.

Os monstros caídos não se mexeram. Ficou claro que, embora seus corpos ainda esti-
vessem quentes, as chamas de sua vida tinham sido totalmente extintas.

A voz de um velho soou pela caverna silenciosa.

“O que... o que você fez?”

Naga estava encolhido como um bebê, fazendo o seu melhor para ficar longe de Ainz.
Ainz se virou e respondeu:

“Eu simplesmente usei uma habilidade. Trolls podem se regenerar, mas isso não os imu-
niza para ataques instantâneos de morte... honestamente, vocês são inúteis. Eu estava
simplesmente pensando que, em vez de matá-lo completamente, eu deveria ver o que
usariam, mas, como eles se recusaram a se ajoelhar, decidi matar todos.”

“Este velho aqui, de bom grado, consente em ser seu subordinado! É natural que os fra-
cos obedeçam aos fortes! De agora em diante, este velho aqui cometerá toda a sua força
para ti!”

Ainz calmamente olhou para baixo sobre Naga que se prostrava no chão, e depois sacu-
diu ombros fracamente.

“...Eh, tanto faz, tudo bem. Além disso, vim aqui para conversar afinal.”
“Quão... quão horripilante. Você não considera nada deste velho aqui. Tu consideras este
velho aqui, que há muito governou a floresta do oeste, tão pouco mais do que um seixo
em forma de animal à beira da estrada.”

“Não, estou um pouco mais interessado em você do que você pensa. Você mencionou
algo sobre os Elfos Negros, não foi? Conte-me tudo.”

“Mas é claro... claro que este velho aqui contará. Este velho aqui de bom grado te contará
tudo o que este velho aqui sabe! Embora, ah...”

Ainz acenou para pedir que Naga continuasse, e ele disse:

“Poupará a vida deste velho aqui depois que este velho aqui contar a sua história?”

“Isso eu prometo a você. Se você é leal a mim, se você me servir com sinceridade, eu o
recompensarei apropriadamente... mas primeiro, uma pergunta. Onde estão seus la-
caios? Ou você é como a Hamsuke... a fera que governava a floresta do sul sozinha?”

“Não, este velho aqui tem subordinados. No entanto, este velho aqui veio por causa de
negociações, então este velho aqui não os trouxe. Isso porque os subordinados deste ve-
lho aqui não podem se tornar invisíveis, então, uma vez que as negociações tenham sido
quebradas, eles não teriam como fugir.”

“Entendo. Agora, para a minha próxima pergunta: você tem algum lacaio Troll?”

“Apenas um.”

“Excelente. Nesse caso, posso fazê-lo tomar o lugar do Gigante do Leste? Não, isso é...
isso pode ser um pouco problemático. Muito bem. Em poucos dias, trarei meus subordi-
nados para — não, você irá para a estrutura que ela construiu. Aura, solte-o.”

“Isso está realmente bem?”

“Está bem. Ele já jurou sua lealdade a mim. Se ele me trair, vou pensar em outra maneira
de usá-lo.”

As mãos magras de Aura soltaram o pescoço do Naga, deixando hematomas em forma


de mão em sua carne.

Naga ainda estava nervoso, mas ele estava muito mais aliviado agora. Ainz não lhe deu
atenção, mas caminhou até o cadáver de Gu.

“Eu me pergunto que tipo de dados um Troll Zombie contém.”

Ainz poderia criar seres undeads de cadáveres usando sua habilidade. Mesmos eles
sendo um pouco mais que Zombies ou Skeletons, ele poderia fazer Zombies mais fortes
se o cadáver da criatura base fosse poderoso o suficiente. Um exemplo mais famoso des-
ses seria os Zombie Dragons.

Ainz pegou a espada que caíra no chão. Era muito mais longa do que Ainz em altura, mas
graças ao princípio básico de armas e armaduras mágicas, ela diminuiu para um tamanho
que melhor se encaixava em Ainz.

Se Ainz tentasse balançar uma espada que ele não poderia equipar, ele seria desarmado
à força, mas apenas pegá-la não tinha problema.

“Eu deveria fortalecer o poder de luta daquele vilarejo? Nesse caso, talvez essa arma
mágica seja a melhor escolha. Além disso, não há valor em trazer de volta a Nazarick.”

“Ainz Ooal Gown-sama!”

Ainda não terminou?

Ainz se virou cansadamente para olhar o Naga.

“Este... este velho aqui nunca te trairá. Apenas os tolos que nunca viram o seu olhar ge-
lado que considera todos diante dele como meras formigas se atreveriam a traí-lo.”

“Eu não achava que meus olhos fossem tão expressivos assim... ou isso é uma habilidade
sua também? Mesmo o Demiurge, aquele mestre do escrutínio, não sabe dizer o que eu
estou realmente pensando.”

“Dificilmente se qualifica como uma habilidade, mas este velho aqui ainda pode sentir
se alguém está interessado neste velho aqui.”

Ainz pensou, talvez seja uma habilidade racial do Naga.

“Jura... muito bem, eu entendo. Pare de perder tempo e junte seus lacaios. Está é minha
primeira ordem.”

“Sim!”

Parte 4

21:07 - Hora de Nazarick

A forma elegante do Demiurge apareceu no escritório de Ainz. Primeiro, inclinou-se pro-


fundamente para o Ainz sentado e depois assentiu em deferência a Mare e Cocytus, que
esperavam lá dentro. Ele poupou a empregada designada para esta sala um olhar de re-
conhecimento.
Ainz respondeu com um olhar e depois falou com Entoma via 「Message」.

“Tudo bem, Entoma, diga a Lupusregina que ela tem permissão para partir. Esses três
devem ser protegidos, não importando o que ela tenha que fazer.”

『Entendido. Vou transmitir suas ordens para a Lupusregina.』

Demiurge caminhou até o centro do escritório, livre de preocupações. Seu passo ele-
gante deixou Ainz com inveja.

Como devo descrevê-lo, cada movimento que ele faz transborda com confiança. É porque
as costas dele são muito retas?

Demiurge parou, trazendo Ainz de volta aos seus sentidos.

“É bom que você tenha vindo, Demiurge.”

“Sim! Eu agradeço por me chamar diante de ti, Ainz-sama. Terminou de falar com a En-
toma?”

“Tudo está bem. Ela estava relatando uns assuntos. Ela passou neste teste.”

“Maravilhoso. Além disso, agradeço por ter tempo para mim, Ainz-sama.”

“Não se apegue a isso, Demiurge. É justo que eu me corresponda ao homem que trabalha
arduamente para Nazarick. Além disso, você não está atrasado, então não se preocupe...
agora, me diga o que você pensa.”

Ainz entregou o pedaço de papel que ele estava segurando para Demiurge. Demiurge
recebeu, e Ainz o viu rapidamente escaneá-lo de cima para baixo antes de perguntar:

“Como pode ver, este é um menu, mas o que você acha dele? A refeição é para um casal
humano, e possivelmente uma criança.”

“...Eu acho que qualquer ser humano deve consumir tudo o que dignar a fornecer para
eles sem reclamar, Ainz-sama. No entanto, eu sinto que não é a resposta que o senhor
procura, portanto — se houver uma criança, eles podem não gostar de foie gras. Além
disso... hm, pratos mais leves podem ser mais ideais.”

“Entendo. Isso certamente leva em consideração. Eu lhe agradeço.”

“O senhor me honra com o seu louvor... Ainz-sama, o senhor pretende convidar as pes-
soas para a Grande Tumba de Nazarick — no santuário dos Seres Supremos — como seus
convidados?”
“De fato. Eu pretendo ser hospitaleiro.”

Ou melhor, não era tanto hospitalidade ao ponto de entretê-los. Essa era uma forma de
coerção apoiada pela riqueza, destinada a criar elos amigáveis.

“Isso é sábio?”

“Isso importa? Existe algum problema?”

“Não, absolutamente nada. Afinal, tudo o que o senhor fala está correto, Ainz-sama.”

No passado, quando tudo isso acontecia no mundo do jogo, a Grande Tumba de Nazarick
já havia sido palco de poucas pessoas além dos membros da guilda. No máximo, eles con-
vidaram a irmã mais nova do membro da guilda Yamaiko — cujo nome de jogador era
Akemi-chan — algumas vezes. No entanto, a guilda não proibia convidar amigos. Era sim-
plesmente que ninguém havia pensado em fazê-lo.

É por isso que meus amigos não devem ter problemas comigo, convidando o Nfirea e os
outros. Invasores são diferentes dos convidados.

Ainz então se virou para Demiurge — que estava ponderando algo — e os outros dois
Guardiões que estavam esperando na sala antes dele perguntar:

“Guardiões; estão prontos para entrar nos banhos?”

“Me perdoe; Mare e eu estávamos planejando tomar emprestado equipamentos para


banho ao longo do caminho.”

“Entendo. Então, Cocytus — oh, você trouxe o seu junto. Então nos encontraremos nos
banhos. Increment, se alguém vier, peça que esperem por mim aqui.”

“Entendido.”

Depois de ouvir a resposta da empregada, Ainz se levantou e saiu do escritório. Depois


de ordenar aos vassalos que normalmente o seguiam para permanecer onde estavam, ele
liderou o caminho para os banhos, que também estavam no 9º Andar.

Ainz queria muito conversar com Cocytus enquanto caminhavam lado a lado, mas
Cocytus era uma pessoa muito séria e nunca faria uma coisa dessas. Isso fez Ainz se sentir
um pouco solitário. Cocytus provavelmente não tinha lido seu coração, mas ele se apro-
ximou de Ainz e perguntou:

“Ainz-sama. Parecia. Haver. Menos. Eight-Edge Assassins. No. Teto. O. Senhor. Os. En-
viou. Para. Algum. Lugar?”
Ainz ficou um pouco desapontado quando descobriu que era relacionado ao trabalho,
mas também se consolou pensando que isso era o que Cocytus considerava uma conversa
casual, e então ele respondeu a Cocytus. Ele quase deixou a emoção rastejar em sua voz,
mas no final decidiu que seria melhor manter isso em segredo.

“Eles estão na pousada de E-Rantel. Narberal está esperando lá, caso tenhamos um visi-
tante inesperado. Eles estão observando a situação de longe.”

“Isto. Não. É. Perigoso? Deixar. Narberal. Sozinha.”

“Bastante. Se alguém planeja atacar, deveriam fazer agora.”

“Entendo. Ela. É. A. Isca. Então?”

“De fato. Se a pessoa que fez lavagem cerebral em Shalltear estiver observando cada
movimento nosso, essa isca certamente os deixará babando.”

Depois que Momon derrotou a poderosa Vampira Shalltear — Claro, ela era conhecida
por um nome diferente — ninguém tentou se aproximar dele. Sendo esse o caso, se Mo-
mon não estiver por perto, deixar uma magic caster sozinha seria...

“Eles. Morderão. A. Isca?”

“Eu não sei. Mas se eles fizerem isso, mas se eu estiver certo, então certamente serei um
mestre da pescaria.”

Ainz imitou a ação de puxar uma vara de pescar.

“Nós. Mobilizaremos. Nossas. Forças?”

“Creio que não. Eu não farei isso. Primeiro, vamos sentir o nosso adversário. Se eles são
tão fortes quanto nós, ou mais fortes, então precisaremos ser mais humildes.”

Cocytus gemeu. Ele entendeu o raciocínio por trás dessa decisão, então ele não teve es-
colha senão suportar isso.

“Meu. Lado. Lógico. Entende. Que. É. Algo. Temporário. Mas. Meu. Lado. Emocional. É.
Difícil. De. Se. Manter. Calmo.”

“Aguente até verificarmos completamente e descobrir as fraquezas da nossa oposição.


Uma vez que isso aconteça, eu vou fazer com que provem a mais pura dor. Eu não vou
perdoá-los por ousar fazer lavagem cerebral em Shalltear, por me forçarem a derrotá-la.”

Mesmo se fossem jogadores, Ainz não sentia o menor grau de empatia por eles. As úni-
cas pessoas com quem Ainz se importava eram os NPCs ou seus velhos amigos. Se alguém
despertasse sua ira, ele os sujeitaria a um destino pior do que a morte, a fim de mostrar-
lhes a tolice de suas ações.

“Pague o bem com bondade e o mal com maldade. Isso não é esperado?”

Ainz sorriu friamente, quando uma onda de excitação cresceu dentro dele. Se a oposição
realmente fossem jogadores, ele poderia conduzir experimentos muito melhores. O pri-
meiro deles provavelmente seria o que ele não ousaria testar em si mesmo — a morte.

“Olho. Por. Olho. E. Dente. Por. Dente?”

“Correto. No entanto, você sabia? Essa frase foi originalmente destinada a alertar contra
a retribuição excessiva, então eu não a usei. É porque pretendo pagar de volta com juros.”

Punitto-san disse isso.

Acrescentou Ainz em seu coração.

“Oh! Eu. Não. Esperava. Nada. Menos. De. Ainz-sama. Não. Apenas. Um. Grande. Guer-
reiro. Mas. Também. Possui. Um. Intelecto. Além. Da. Comparação. Eu. Estou. Verdadei-
ramente. Aterrorizado.”

Ainz não precisou olhar para trás para sentir a onda de respeito pressionando-o por trás.

“Então. Planeja. Ficar. O. Dia. Inteiro. Dentro. De. Nazarick. Ainz-sama?”

“Não, depois que eu tomar banho com vocês, eu vou cuidar de algum trabalho aqui antes
de retornar, porque há muitas coisas que precisam ser resolvidas lá também. E você?”

“Eu. Planejo. Temporariamente. Retornar. Para. Minha. Posição. Como. Guardião. De. Na-
zarick. Já. Que. Minhas. Obrigações. No. Lago. Foram. Concluídas.”

“Quando você voltar, os únicos que trabalharão fora serão Demiurge, que tem muitas
tarefas para completar, Sebas e Solution, que estão reunindo informações na Capital Real,
Aura, que está construindo uma base na floresta, e por fim, Narberal e eu.”

“É. Difícil. Para. Eu. Aceitar. O. fato. De. Um. Ser. Supremo. Ir. Lidar. Pessoalmente. Com.
Trabalhos. Que. Seriam. Nossa. Obrigaç—”

“Haha, me perdoe, Cocytus.”

“Não. Há. Necessidade. Ainz-sama... O. Senhor. Governa. Este. Lugar. Cada. Uma. De. Suas.
Palavras. São. As. Leis. De. Nazarick— Eu. Estava. Apenas. Dizendo. Tolices. Além. Diss—”

O clima no ar parecia ter mudado, e Ainz achou estranho. Olhando para trás, ele viu
Cocytus parecendo um pouco sombrio — embora ele não pudesse dizer pelo seu rosto.
“Se. Nós. Fossemos. Competentes. Como. Demiurge... O. Senhor. Não. Precisaria. Se. Dar.
Ao. Trabalho. Mas. No. Fim. Precisa. Por. Nossa. Falta. De. Habilid—”

“Isso não é verdade. Quando todos fizeram você, eles procuraram criar a pessoa certa
para cada tipo de trabalho. Sendo esse o caso, a coisa mais importante para você é termi-
nar suas tarefas designadas. Francamente falando, não importa se você não pode fazer
ainda mais por mim. Porém, de fato, Demiurge é um pouco mais inteligente e mais bem
informado, com isso ele pode lidar com uma gama maior de problemas.”

Cocytus não parecia ser capaz de aceitar isso, então Ainz continuou:

“Nesse caso, você deve se concentrar em aprender lentamente a lidar com mais coisas.
Por exemplo, você está agora no comando da aldeia Lizardman, então você deve ter
aprendido muito com isso. Governar aquela aldeia certamente o ajudará no futuro. Con-
tanto que você avance lentamente, passo a passo, um dia você chegará a par com o De-
miurge.”

“Eu. Posso. Realmente. Fazer. isso?”

“Eu sinto que você não pode dizer que é impossível.”

Ainz respondeu de uma maneira indireta.

“Ninguém pode superar o intelecto de Demiurge. Para igualar a ele, você deve andar por
um caminho turbulento e difícil. Mas acredito que seus esforços não serão desperdiça-
dos.”

Os dois continuaram em silêncio ao longo do corredor. Logo, Cocytus disse calmamente:

“Obrigado. Ainz-sama.”

“Eu não acho que tenha dito nada que mereça o seu agradecimento. Cocytus, estamos
quase no banho. Anime-se antes que o Demiurge e Mare venham.”

“Sim!”

♦♦♦

O Spa Resort Nazarick estava localizado no 9º Andar de Nazarick. Era um local confor-
tável de lazer que ostentava 9 banheiras com temas externas e 17 banheiras com temas
internas para homens e mulheres. O mais impressionante deles era o Banho Cherenkov.
Sua água quente irradiava uma luz azul, permitindo que os banhistas desfrutassem de
uma atmosfera decadente.
Ainz, que havia chegado aos banhos na companhia de Cocytus, ficou chocado ao ver al-
guém inesperado.

“Ainz-sama ♥!”

Era Albedo, que parecia estar terminando suas frases com corações hoje. Não, não foi
apenas Albedo. Shalltear estava atrás dela, junto com Aura, que estava com o cansaço
estampado no rosto.

Em contraste, Demiurge e Mare estavam longe de serem vistos. Talvez estivessem espe-
rando por Ainz e Cocytus no vestiário.

“A-Albedo, o que você está fazendo aqui?”

“Hm? Eu simplesmente vim me banhar com os outros... você também, Ainz-sama?”

“Ah, erm — sim, eu também. Que coincidência, Albedo.”

“Que coincidência adorável, de fato! ...Eu ouvi que é melhor fazer algum exercício leve
antes de tomar banho para se exercitar. Devo suar com você, Ainz-sama?”

Um arrepio percorreu a espinha de Ainz.

“Bem, tênis de mesa não seria uma má idéia...”

“Ah, eu não quis dizer isso. Realmente, você deveria dar uma dica...”

Ela se aproximou de Ainz com a técnica de um guerreiro nível 100 — algo que Ainz, um
magic caster, não podia esperar fugir — e estendeu um dedo para o peito de Ainz, que
estava coberto apenas com uma robe, na esperança de traçar letras. No entanto, seu dedo,
macio e delicado como um peixinho, entrou no espaço entre as costelas de Ainz.

“Ah.”

“Ah.”

Ambos fizeram o mesmo som em uníssono.

Que cena idiota...

Ainz sorriu amargamente, pretendendo se dirigir a Albedo, e então seu rosto congelou.

“Eu coloquei meu dedo no precioso templo de Ainz-sama...”


O rosto de Albedo estava vermelho, seus olhos em orvalhos e uma fragrância esmaga-
dora saía de seu corpo. Esse cheiro era muito semelhante ao perfume que ele às vezes
cheirava em sua cama.

“—Ei, eu perguntei antes, mas ela sempre foi tão esquisita?”

Ainz tentou o seu melhor para falar em um tom normal para Aura, que estava tentando
segurar Shalltear que estava lutando para se libertar.

“...Perdoe-me, Ainz-sama, muitas coisas aconteceram. Por favor, trate isso como um es-
tresse que ela construiu depois de trabalhar arduamente para Nazarick todos os dias.
Sim, por favor pense dessa maneira.”

“Se... se é assim, então não podemos evitar. Er... Uhun. Albedo, obrigado pelo seu árduo
trabalho todos os dias.”

Ainz planejou se retirar rapidamente, mas alguém agarrou seu robe. Não, não havia ne-
cessidade de olhar; ele já sabia quem era.

“Albedo, o que você está fazendo? Alguma coisa te levou a abandonar todo o constran-
gimento?”

“O que você disse para mim agora... acendeu um fogo no meu coração, e isso fez minha
barriga se contorcer. Então, Ainz-sama...”

“Er, não, espere um minuto, acalme-se, Albedo! Co-Cocytus!”

“Entendido!”

Uma rajada de ar frio encheu a passagem. A súbita mudança de temperatura pareceu ter
trazido Albedo aos seus sentidos, e a luz da razão retornou a seus olhos.

“Eu. Não. Posso. Apenas. Me. Sentar. Enquanto. Alguém. Desrespeita. Ao. Ainz-sama—
Mesmo. Se. For. A. Supervisora. Guardiã. Em. Pessoa.”

Cocytos irrompeu entre Ainz e Albedo. Ele tinha sua alabarda de platina na mão, uma
ameaça sem palavras que ele teria prazer em usar se Albedo tentasse alguma coisa en-
graçada.

“—Eu peço desculpas, Ainz-sama. Parece que perdi o controle de mim mesma.”

“Eu aceito suas desculpas, Albedo.”

Depois de ouvir o julgamento de seu mestre, Cocytus se afastou. No entanto, ele não
guardou sua alabarda.
“Entendo que seus deveres são pesados e que há momentos em que você deseja deixar
tudo de lado e aliviar suas frustrações. De qualquer forma, vá tomar banho e liberte-se
do estresse. Obrigado, Cocytus.”

Dizendo isso, Ainz tentou correr para o banho masculino, mas os passos atrás dele o
fizeram parar.

“...Albedo, por que você está me seguindo? Talvez você não saiba, então eu vou te dizer,
mas este é o banho masculino. Você deveria ir ao banho feminino.”

“Eu estava esperando lavar suas costas, Ainz-sama?”

“...Negado. Além disso, não estou tomando banho sozinho. Os Guardiões estarão comigo.
Você deseja aparecer nua diante deles?”

Assim que Ainz pensou que ela diria:

Não tem problemas afinal sou uma Succubus.

Albedo prontamente respondeu:

“Nesse caso, há banhos familiares em outro lugar—”

“Os banhos familiares não devem ser usados dessa maneira!”

“Mas Ainz-sama, eu sinto que é injusto você apenas agraciar os homens.”

“Isso mesmo ~arinsu! É isso mesmo ~arinsu!”

Shalltear grunhia entre as mãos de Aura. No entanto, Aura — que foi arrastada à força
— tinha olhos vazios e sem graça que simplesmente se abriram. Atrás delas estava
Cocytus, que parecia bastante infeliz.

Estamos apenas tomando banho juntos, o que ela quer dizer com “agraciar”... a mesma
coisa aconteceu da última vez; algo está errado com a Albedo? Será que ela ficou um pouco
louca desde então?

“Albedo, permita-me dizer algo. Eu prefiro mulheres a homens. Eu sou puramente hete-
rossexual.”

Albedo parecia querer dizer alguma coisa, mas Ainz levantou a mão para interrompê-la.

“É certamente possível que tal relacionamento possa ocorrer algum dia. No entanto, eu
nem sequer descobri o nosso lugar neste mundo, e assim, como o líder desta organização,
é inadequado para mim buscar um relacionamento com vocês.”
“Uuuu...”

Albedo franziu as sobrancelhas.

“Além disso... vocês são como as filhas dos meus amigos — eu estou em conflito sobre
isso.”

“Eu estava me perguntando o que estava acontecendo na entrada. Parece que vocês es-
tão incomodando Ainz-sama.”

“O... onee-chan... ela... ela está morta.”

“Eu não estou morta...”

A voz fraca de uma garota respondeu.

“Eu tenho esperado muito tempo para vocês dois.”

“Perdoe nosso atraso. No entanto... a Supervisora Guardiã provavelmente deveria


aprender como refrear suas emoções.”

Os olhos tipicamente fechados de Demiurge se abriram um pouco, permitindo que a


hostilidade dentro deles fluísse. O ar ao redor dele se tornou perigoso, destacando o quão
assustador um homem tipicamente gentil poderia ser. Aparentemente afetado por isso,
Cocytus parecia pronto para lutar com Albedo.

O sorriso permanecia no rosto de Albedo. Não, tinha crescido mais.

“Seus Tolos!!!”

Ainz não conseguiu conter sua raiva e gritou para eles.

“Eu proíbo vocês de brigarem na minha frente! Seus idiotas!”

Todos os Guardiões tremeram e caíram de joelhos em uníssono.

“Por favor, perdoe-nos, Ainz-sama!”

“...Bem. Levante-se, todos vocês.”

Depois de ver que todos haviam se levantado, Ainz usou um tom gentil, como se esti-
vesse repreendendo crianças e depois mudado para adverti-las.

“Não briguem por questões tão mesquinhas. Isso só vai me decepcionar. Vocês enten-
dem?”
Ao ouvi-los simultaneamente responder que eles entendiam, Ainz deixou sua raiva de-
saparecer.

“Tudo bem, vamos tomar banho e limpar nossas mentes. Os homens virão comigo. Além
disso, Aura, ordeno que você fique de olho nas mulheres. Fique de olho nas duas atrás de
você e não as deixe fugir.”

“Entendido!”

Os olhos de Aura brilharam furiosamente. Ela provavelmente sentiu que esta era uma
chance para um contra-ataque. Tal era o calor escaldante que Albedo e Shalltear estavam
visivelmente abaladas.

Ainz entrou na porta com a cortina escrito “Homens” e deliberadamente ignorou o cla-
mor vindo de trás dele.

Ele tirou as roupas no vestiário. Se ele estivesse normalmente equipado, ele teria que
remover muitos itens e isso seria muito problemático, mas ele havia se preparado antes
de vir para cá, e então ele tirou as roupas rapidamente.

Depois de se despir rapidamente, ele entrou nos banhos.

Toda vez que removo minhas roupas, sempre me pergunto como exatamente posso me
mover...

Um corpo esquelético e sem músculos... De fato, como ele poderia se mover era real-
mente era um mistério para Suzuki Satoru. Dito isto, os undeads do tipo Skeleton eram
uma visão comum neste mundo, então tudo o que ele podia fazer era aceitar este fato.
Mesmo assim, ele tinha suas dúvidas de vez em quando.

“Eu vou entrar primeiro.”

“Por favor... por favor, espere por mim!”

Mare completamente nu correu atrás dele.

Ele poderia ser uma trap, mas olhando para ele assim, certamente era um menino.

Seu corpo era de criança, praticamente sem massa muscular. O fato de seu corpo, que
era tão suave, poder exercer tanta força, era provavelmente devido a alguma lei natural
desconhecida deste mundo, muito parecida com a que regia Ainz.

Enquanto ele olhava para o corpo nu de Mare e ponderava sobre essa questão, Ainz o
repreendeu:

“Não corra por aqui. O chão está molhado e é perigoso.”


Era impossível para um Guardião morrer de cair e bater a cabeça. No entanto, depois de
ver o corpo infantil de Mare, ele não pôde deixar de se preocupar por ele.

“Er, sim. Eu sinto muito.”

Você tem que se desculpar por isso?

Ainz pensou.

“Perdoe o atraso, Ainz-sama.”

Depois disso, Cocytus e Demiurge apareceram.

O corpo de Demiurge estava envolto em músculos firmes e definidos, e ele dava a im-
pressão de ser tonificado. Não é possível projetar o corpo sob as roupas ao criar um per-
sonagem, então talvez Ulbert tenha escrito seu físico em seu passado.

“Cocytus, você parece o mesmo de sempre.”

“Bem, ele está tipicamente nu.”

“Você. Por. Favor. Poderia. Não. Dizer. Esta. Frase? Me. Faz. Parecer. Um. Pervertido.”

“Me perdoe. Cocytus usa um exoesqueleto, então sua aparência habitual não pode mu-
dar.”

Exoesqueletos eram uma espécie de armamento natural, muito parecido com as unhas
e dentes de Shalltear. Tal equipamento ganhava em dureza e durabilidade à medida que
seus usuários melhoraram, assim como melhorar as capacidades físicas usando de cristal
de dados.

Seus méritos eram que eles não precisavam ser mudados com frequência e poderiam
ser usados por longos períodos. Mesmo se eles fossem destruídos por ataques ou racha-
dos por habilidades, eles poderiam ser restaurados junto com o HP de seus usuários atra-
vés do uso de magia curativa. Além disso, eles não seriam descartados após a morte, en-
tre muitas outras vantagens.

Por outro lado, eles eram inferiores à carapaça primária que a maioria dos jogadores de
um nível equivalente usava, seja em termos de dureza, durabilidade e capacidade de cris-
tal de dados. Mesmo no nível 100, quase nenhuma arma natural e armadura poderiam
corresponder a um item Divine-class. Talvez alguém pudesse ser capaz de fazê-lo se pos-
suísse profissões que fortalecessem esses armamentos corporais, mas até mesmo Ainz
não sabia se era possível.
Armas e armaduras naturais não eram muito vantajosas para os jogadores, mas eram
bastante úteis para os NPCs. Isso porque não era necessário reunir uma grande pilha de
armaduras e armas para eles — em outras palavras, o jogador que faz o NPC poderia se
poupar do trabalho de equipá-los.

“Obrigado. Ainz-sama.”

Cocytus se curvou em agradecimento, mas Ainz não falou em sua defesa. Ainda assim—

Será que todos usam isso para provocá-lo — para tirar sarro dele — ao ponto em que ele
tem que me agradecer por intervir? Devo tentar sutilmente dizer aos outros para manei-
rar?

Era uma situação típica para professores valentões em suas aulas? Ele não sabia como
Yamaiko tinha lidado com esse tipo de coisa no passado. Enquanto ponderava sobre o
assunto, ele falou aos Guardiões:

“Tudo bem, vamos entrar.”

O grupo entrou nos banhos, liderados por Ainz.

Havia 12 áreas nesta grande instalação balnear.

A primeira era a área de banho padrão, depois o banho na selva (que era o maior), as
antigas termas Romanas (que eram muito atmosféricas), os banhos de pomelo (onde po-
melos flutuavam na água), os banhos de enxofre, os banhos de jatos, os banhos elétricos
(que tinham uma leve corrente elétrica para entorpecer a pele), os banhos gelados (com
carvão flutuando neles), os banhos Cherenkov que brilhavam com uma misteriosa luz
azul, bem como o ar livre (claro, o exterior cenário era tudo falso) banhos mistos. Havia
também as áreas de sauna e banho de pedras e, finalmente, a área de descanso.

“Então, qual vocês gostariam de tentar? Compartilhe suas opiniões comigo.”

“Eu. Acho. Que. Os. Banhos. Gelados. São. Os. Melhores. Eu. Gostaria. Que. Ainz-sama.
Experimentasse. As. Virtudes. De. Um. Banho. Gelado.”

Ainz era resistente a danos causados pelo frio e até mesmo entrar nos frios banhos ge-
lados não seriam uma dificuldade para ele. No entanto, algo parecia errado em sugerir
que alguém tomasse um banho frio logo após entrar na área balnear.

“Cocytus-san... nós viemos nos banhar, então...”

Depois de ouvir Mare falar, Cocytus pareceu ter percebido que havia cometido um erro
em algum lugar. Só então, alguém procedeu continuando o ataque.
“Viemos aqui tomar banho, então talvez você devesse ter recomendado um banho
quente para promover a circulação... ah, é isso mesmo, eu deveria fazer uma pergunta.
Você pode se banhar em água quente? Você não vai acabar como uma lagosta cozida, não
é?”

“Está. Bem. Meu. Exoesqueleto. É. Resistente. A. Fogo. Algo. Impressionante. Para. Um.
Corpo. Nu.”

Cocytus disse orgulhosamente.

“Ah... ah, então eu acho que talvez devêssemos ir para um banho normal...”

“Banhos. Frios. São. Os. Melhores — Tomar. Banhos. Frios. Enquanto. Agarra. Um. Pe-
daço. De. Gelo. É. Muito. Confortável.”

“Eu não vou dizer que só você gostaria desse tipo de coisa, mas duvido que muitas pes-
soas compartilhem seus gostos...”

“Tudo... tudo bem, seria muito chato se fôssemos nos banhar sozinhos, então vamos nos
revezar usando todos eles. Vamos começar com o banho na selva — meus amigos se es-
forçaram muito para fazer isso.”

Depois que seus subordinados responderam, “estamos todos ansiosos por isso” — inclu-
indo um Cocytus um tanto desanimado — Ainz levou-os para o banho na selva.

Havia árvores falsas e grama falsa aqui, e era feito para parecer uma floresta. Mesmo
sabendo que era falso, era realista o suficiente para que todos esperassem que monstros
saíssem da floresta.

“Este banho foi modelado baseado no rio Amazonas que existia no passado. Seu criador
foi Bellriver-san, com a ajuda do Blue Planet-san.”

Ainz virou as costas para os Guardiões impressionados, então ele levou sua bacia e ban-
quinho de banho para a área de lavagem.

Por que todas as bacias deste spa são amarelas? Quando perguntei sobre isso no passado,
ele disse que era tradição... as bacias em todos os spas deveriam ser amarelas?

“Escusado será dizer que você precisa se limpar antes de entrar no banho. No entanto,
a maneira como eu tomo banho é bastante confusa, então você provavelmente deve ficar
longe de mim.”

Com essa mensagem concisa, Ainz jogou a bacia cheia de água quente em si mesmo. A
água passou direto por ele e caiu no chão. Devido às muitas lacunas em seu corpo, era
muito difícil para ele enxaguar todo o corpo em apenas uma rodada. Depois de repetir
isso várias vezes, certificando-se de que ele estava molhado, ele pegou uma escova.
Ainz colocou sabão líquido em uma escova e começou a se esfregar. Assim como antes,
as muitas lacunas em seu corpo significavam que esfregar a si mesmo era como esfregar
uma peneira, e assim espuma e bolhas espalhavam por toda parte.

Uhum... talvez eu devesse ter trazido meu adorável assistente de banho, Miyoshi-kun.

Ainz sentiu que seria desagradável deixar seus subordinados vê-lo todo coberto pelo
Slime, então ele não o havia trazido. No entanto, ele não se banhava há algum tempo, e
foi bastante problemático.

Enquanto Ainz se esfregava freneticamente, Mare aproximou-se dele com um banqui-


nho amarelo na mão. Ele estava claramente nervoso, mas ele sorriu para Ainz, seu rosto
estava vermelho pelo calor dos banhos.

“A-Ainz-sama! Por favor... por favor, deixe-me ajudá-lo a lavar as costas!”

“Hm? Ah, Entendo. Então você quer me ajudar a tomar banho? Embora, eu tenha que
dizer que meu corpo é muito tedioso para lavar, então você deve usar essa escova. Lim-
par com uma toalha é muito cansativo.”

Ainz virou as costas para Mare, e Mare começou a esfregar lentamente as costas com a
escova que recebera.

“Você está fazendo um bom trabalho.”

“Muito obrigado!”

Honestamente falando, Ainz não poderia dizer se era um trabalho bom ou ruim. No en-
tanto, ele dissera isso a Mare porque estava grato.

Ainz olhou para os outros dois. Eles pareciam estar dizendo: “Então, eu vou ajudá-lo a
lavar as costas” e “Obrigado. Pela. Sua. Gentileza”. Ainz não pôde manter o sorriso de seu
rosto, embora os rostos esqueléticos não tivessem expressões faciais.

—A Grande Tumba de Nazarick é realmente o melhor lugar.

Atrás dele, a voz de um menino dizia:

“Acho que lavei este lugar antes, não?”

E isso só ampliou o sorriso de Ainz.


“Obrigado, Mare. Agora é minha vez de ajudá-lo. Não seja tímido.”

Ainz agarrou os ombros do garoto e virou-o, depois aplicou espuma de banho na toalha
de Mare e começou a ensaboá-lo.

Ele gentilmente esfregou o corpo de Mare, tomando cuidado para não o machucar. Pen-
sou na força que usava para se lavar e tentou usar menos força do que isso.

“Isso dói?”

“Não... de jeito nenhum!”

Depois de ajudar Mare — que tinha ficado todo duro por algum motivo — lavar as costas,
Ainz lhe devolveu sua toalha.

“Você pode fazer a frente você mesmo, certo?”

“Claro... Claro que sim!”

Ainz pegou a escova e esfregou as costelas. Mare estava se esfregando ao lado dele, en-
tão Ainz teve o cuidado de não o borrifar com sua espuma.

“Então, eu irei primeiro.”

Depois que Demiurge terminou de se enxaguar, foi até a banheira, balançando o rabo
atrás de si. Ele foi seguido por Cocytus, que provavelmente teve dificuldades banhando-
se como Ainz, mas que poderia efetivamente usar todos os seus quatro braços para eco-
nomizar tempo. Naturalmente, Mare foi o próximo. Ainz finalmente terminou de lavar
vários minutos depois que todos terminaram.

A banheira era bastante larga, e uma estátua de leão habilmente esculpida despejava
água quente de sua boca na banheira fumegante. Ainz caminhou através do vapor de água
e notou que Cocytus estava especialmente distante dos outros. Os outros dois estavam
apreciando a água quente, a uma distância dele.

“Ah~ a água quente é boa.”

Ainz pensou que, como uma criança, Mare nadaria na banheira, mas em vez disso, ele
simplesmente dobrou a toalha e colocou-a na cabeça, um olhar relaxado no rosto. Essa
atitude era menos adequada para uma criança e mais adequada para um adulto sobre-
carregado. Quando Ainz o viu, ele se sentiu surpreso, e então se perguntou:

O trabalho de um Guardião de Nazarick é mesmo cansativo?

“Oh, sim. Eu sinto a fadiga fluindo para fora do meu corpo.”


Demiurge havia removido os óculos. Ele jogou um pouco de água quente em seu rosto e
disse “Ah~”, parecendo um tio de meia-idade.

“Bem. Quente.”

“Isso... isso é estranho, er, você não disse que era resistente a isso?”

“Eu. Sou. Mas. Geralmente. Não. Me. Banho. Em. Águas. Quentes. Por. Isso. Não. Estou.
Acostumado”

“...Ainda assim, isso não é motivo para usar sua 「Frost Aura」. Espero que você man-
tenha sua distância; Eu prefiro minha água quente um pouco escaldante.”

Agora ele sabia o porquê Cocytus estava tão longe. A água ao redor dele provavelmente
só estava quente antes.

“Você. É. Resistente. Ao. Fogo. Por. Isso. Está. Bem. Por. Que. Não. Experimenta. Os. Ba-
nhos. Gelados?”

“Isso não me interessa. Além disso, não me envolvi com minha resistência; Estou sim-
plesmente aproveitando a água quente. Cocytus, você acha isso insuportável?”

“Tais. Provocações. Superficiais. Vindo. De. Você. É. Bem. Raro. Está. Bastante. Empol-
gado.”

“Pare com isso. Banhos devem ser agradáveis. Se você quiser testar sua resistência, faça
isso na sauna. Você não precisa se forçar a tomar banho aqui.”

“Huwahh~”

Mare exalou calorosamente, com a testa coberta de suor.

“Olhem, vocês precisam aproveitar o banho como o Mare está fazendo. Mare, não se
force também. Se você se sentir bem, precisa sair.”

“É... tudo bem, Ainz-sama! Se alguma coisa acontecer, eu posso usar magia!”

Usar magia também não está nada bem.

Pensou Ainz. No entanto, ele não disse nada e simplesmente olhou para Cocytus.

“...É correto usar as resistências quando se está tomando banho?”

“Eu acho que algumas pessoas se banham dessa maneira, Ainz-sama. Por exemplo, como
um dos undeads, o senhor não ficará atordoado, não importa quanto tempo absorva água.
Não é um tipo de resistência?”
“...De fato.”

Ele podia sentir o calor lentamente infiltrar-se em seu corpo, mas não pareceria tão bom
se ainda fosse humano.

Um corpo undead tem seus méritos e falhas...

Enquanto Ainz estava de luto por suas alegrias perdidas—

“Hm?”

—Ele levantou a cabeça do vapor subindo da água e olhou em volta.

“É algo importante?”

“Eu acho que alguém estava chamando meu nome...”

“Será. Que. Está. Vindo. Do. Outro. lado?”

Cocytus apontou para a parede atrás dele.

“Isso — ah, entendo. O banho das mulheres.”

“Entendo. Não, mas... as paredes não deveriam ser mais grossas?”

“Talvez os ecos tenham feito suas vozes mais altas.”

Ainz não pôde resistir ao desejo de levantar as orelhas e ouvir. Não havia má intenção
naquilo que ele fez; Ele estava simplesmente curioso sobre o que um grupo de mulheres
falaria quando não havia homens por perto. Portanto, ele não colocou seu ouvido na pa-
rede; fazer isso prejudicaria sua dignidade como governante da Grande Tumba de Naza-
rick. Ele até se afastou da parede e virou a cabeça para o outro lado.

“—Albedo, você é tão peluda aí em embaixo.”

Ainz franziu a testa enquanto se concentrava e ouvia a conversa do outro lado.

“—Aura, não descreva desse modo. Ah~ Ainz-sama deve estar por trás dessa parede.
Será que tem um buraco ou algo assim?”

Ainz estudou cuidadosamente a parede inteira, porque estava preocupado que alguém
pudesse ter instalado algum tipo de mecanismo estranho nela. Houve um tempo em que
alguns membros da guilda ficaram obcecados em fazer estranhos dispositivos e truques.
As relíquias daqueles tempos poderiam ter permanecido até agora.
“—Normalmente, ele nos espiaria, não?”

“—Eu duvido que seja o caso ~arinsu. Não há necessidade de nos espiar; se Ainz-sama
ordenar, vamos deixá-lo nos espiar o quanto quiser ~arinsu.”

“—Oh, é raro ouvir você dizendo algo que faça sentido, Shalltear.”

“—O que você quer dizer com “raro”, que rude. Enfim, isso é uma escova de dentes? Você
poderia, por favor, não escovar... Quero dizer, escove os dentes no banheiro, não
~arinsu?”

“—Eu não posso evitar. Limpá-los é realmente cansativo, então tenho que fazê-lo em um
lugar espaçoso. Caso contrário, será muito problemático.”

A voz de Albedo veio de uma posição um pouco mais alta, seguida pelo som de uma
sonoridade alta.

“—Hm... isso parece bastante cansativo. Oh, bem, já que não pode evitar, então vou dei-
xar passar.”

“—Obrigada.”

“—Uah, não balance a cabeça e olhe para mim, é muito nojento. Shalltear, não vai esco-
var?”

“—Eu escovo sozinha no meu quarto, então não preciso ~arinsu. Ainda assim, vamos
realmente ter cáries e assim por diante ~arinsu?”

“—Mesmo que não seja o caso, o mau hálito ao beijar pode apagar as chamas até mesmo
um amor antigo.”

O som de escovar repentinamente parou, substituído pelo som de passos arrastados.

“—Eh? Espere, não me diga que você vai pular assim? Pelo menos faça algo sobre o seu
corpo...”

Primeiro, houve um ruído alto, seguido pelo som de salpicos de água. Ela deve ter pulado
com força na banheira.

“—Waaah! Koffkoff, Koff, se eu fosse uma Vampira das lendas, eu já teria me afogado
~arin-su!”

“—Você não é mais uma criança, não pule só!”

“—Fufufu. Ahh~ isso é ótimo. Eu virei aqui para tomar banho a partir de agora.”
“—Você deveria aprender alguma etiqueta de banho... huh?”

“—O que aconteceu? Isso é estranho, esse leão está se movendo?”

“—Os mal-educados são proibidos no banho! Exterminar!”

Uma voz masculina de repente falou, o que fez Ainz e os outros homens se olharem.

“Er, ah, isso soou como a voz de um homem.”

“Eu. Não. Ouvi. Essa. Voz. Antes. Seria. Um. Guardião. Das. Áreas. De. Banhos. Mas. Por.
Que. Teria. Um. Homem. No. Lado. Das. Mulheres?”

“Não, eu já ouvi essa voz antes... é Luci★Fer-san.”

Ao ouvir a voz daquele homem problemático, Ainz lembrou-se de vários casos em que
aquele homem lhe causara problemas. Honestamente falando, Ainz não gostava muito
dele.

“Esta. É. A. Voz. De. Um. Ser. Supremo?”

“—É tão duro! Este não é um Golem de Ferro comum!”

“—Morra, seu Golem desgraçado!”

Houve um estrondo e, em seguida, o som de algo atingindo a parede em alta velocidade.


Aquilo bateu até sacudiu as paredes dos banhos dos homens.

“...Apenas no caso, prepare suas armas e prepare-se para atacar o banheiro feminino se
alguma coisa acontecer.”

Ordenou Ainz os Guardiões claramente desmoralizados.

Se o fogo amigo não estivesse ativo, talvez terminasse em risadas, mas, dadas as circuns-
tâncias atuais, alguém poderia realmente ser morto. O poder de luta delas estava redu-
zido sem o seu equipamento, e dependendo das circunstâncias, elas realmente precisam
ser resgatadas.

“...Eu gostaria de poder me banhar em paz da próxima vez.”

Ainz saiu da banheira espalhando um pouco de água e foi para o vestiário. Ao ouvi-lo
falar, os outros Guardiões assentiram em uníssono.
Posfácio
Eu tenho estado muito ocupado recentemente. Como resultado, minha barriga e meu
queixo ficaram gordos. Este é o autor que evoluiu para o Leitão-san, Maruyama Kugane.
Para aqueles que compraram este livro ou o têm em mãos, muito obrigado!

Na maioria das vezes, tenho estado ocupado por causa do projeto de animação, trabalho
e outras coisas.

Neste momento a animação está indo bem, apenas alguns avisos de “Como o Ainz vai
sorrir?” “Faça de alguma forma!” “Por favor, faça alguma coisa, Diretor-san!”

Além do anime, o mangá Overlord (desenhado por Miyama Fugin-san) também come-
çou a serialização na Comp Ace.

Quando todos tiverem este livro nas mãos, o capítulo 2 deveria ter saído. Seu trabalho
faz você sentir que “Ainz é um personagem muito legal!” Por favor, dê uma olhada, eu
ficaria muito grato!

Agora, há uma capa reversível com uma ilustração no interior incluída na primeira edi-
ção limitada deste livro.

Esta obra de arte é facilmente equivalente a ilustrações coloridas de qualquer outra light
novel, o produto do desejo imprudente de So-bin-sama de desenhar algo (a cena de ba-
nho das personagens femininas), isso me abalou profundamente.

Embora eu tenha a impressão de que este é um caso único para este volume, espero que
os leitores que gostam desse tipo de coisa me enviem seus desejos em cartões postais.

Então, depois disso, é a hora dos créditos.

Muito obrigado a So-bin-san, que resolveu muitos problemas, mesmo quando o trabalho
aumentou cada vez mais.

Obrigado aos designers do Chord Design Studio, ao revisor Ohaku-sama, a editora F-ta
san e a todos que me ajudaram a fazer o Overlord.

Além disso, muito obrigado a Honey, que detectou um grande erro.

E finalmente, obrigado a todos os leitores por aí. Espero falar com vocês novamente no
futuro.

Maruyama Kugane
Ilustrações
Glossário
Glossário
-Magias, Habilidades & Passivas- a diminuir o estresse e o cansaço, melhorando a qualidade
Tradução livre de seus nomes de vida e proporcionando a longevidade.
Hierofante:Uma vertente tanto de clérigos quanto de sa-
Acid Arrow: .......................................................... Flecha Ácida. cerdotes voltados para o lado militar. No nosso mundo, é
Appraisal Magic Item: ........................ Avaliar Item Mágico. o termo usado para designar os sacerdotes da alta hierar-
Chain Cyclone: ..................................... Ciclone de Correntes. quia dos mistérios da Grécia e do Egito.
Despair Aura V: .................................. Aura do Desespero V. Himation:É uma antiga roupa grega usada por cima do
Detect Magic: .................................................. Detectar Magia. ombro.
Frost Aura: .............................................................Aura Gélida. Idol:É o nome dado para um grupo musical geralmente de
Heal: .................................................................................... Curar. meninas.
Hypnotism: ........................................................... Hipnotismo. Memento Mori:É é uma expressão latina que significa
Landwalker: ........................................ Caminhante da Terra. algo como “lembre-se de que você é mortal”, “lembre-se
Message: .................................................................. Mensagem. de que você vai morrer” ou traduzido ao pé-da-letra, “lem-
Reinforce Armor: .................................. Reforçar Armadura. bre-se da morte”.
Summon Bicorn: ........................................ Invocar Bicórnio. Mimidoshima:みみどしま - Mulher jovem com muito co-
Sword of Damocles: ........................... Espada de Dâmocles. nhecimento superficial sobre sexo e afins.
Nazarick Gakuen:学園 – Substantivo para Universidade,
campus, academia. Seria como “Universidade Nazarick”.
-Itens- Pomelo:Também chamada laranja-natal, cimboa, é uma
Tradução livre & Curiosidades fruta cítrica, fruto de uma árvore da família Rutaceae com
5 a 8 m de altura que vegeta e produz satisfatoriamente
Book of the Dead: ..................................... Livro dos Mortos. em regiões das mais variadas condições ecológicas.
Cauldron of the Daghdha: ............. Caldeirão de Daghdha. Radiação de Cherenkov:Também chamada de Efeito
Horn of the Goblin General:Trombeta do General Tcherenkov. É o brilho azul tipicamente associado a reato-
Goblin. res nucleares subaquáticos Link para Vídeo.
Shadow of Yggdrasil: ......................... Sombra de Yggdrasil. Ranger:Em RPG’s, é uma classe de personagens com pe-
Statue of Animal: .. Estátua de Animal: Cavalo de Guerra. rícia a coisas relacionadas a floresta, rastreamento e caça,
além de proficiências com arcos, geralmente é traduzido
como Patrulheiro, Guarda Florestal.
-Termos & Terminologias- Skin:Geralmente é um visual alternativo dado a um pro-
grama computacional.
TRPG:Acrônimo para Table Role Play Game. O famoso
Ankh:Conhecida também como cruz ansata, era na escrita
RPG de mesa.
hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também
Velouté:É um molho da cozinha francesa. O preparo do
como símbolo da vida eterna. Os egípcios usavam-na para
velouté consiste em um caldo claro, onde os ossos são usa-
indicar a vida após a morte.
dos sem serem torrados, podendo-se optar por carcaça de
Bardaria:............. Armadura que vai no peitoral do cavalo.
frango - mais versátil - vitela ou peixe, engrossados com
Cabriolé:Carruagem pequena, leve e rápida, de duas ro-
roux. Esse molho é bastante semelhante ao béchamel, mas
das, capota móvel, e movida por apenas um cavalo.
não é diluído em leite.
Crosier: Traduzido como Bastão Episcopal ou Báculo, é
Víðópnir:Na mitologia nórdica, Víðópnir é um galo. De
um tipo de cajado usado pelos pastores para se apoiarem
acordo com Fjölsvinnsmál, Víðópnir ou Víðófnir é um galo
ao andar e para conduzirem o gado.
que fica no topo de Mímameiðr, uma árvore frequente-
Dakimakura:(抱き枕) “travesseiro para abraçar” tam-
mente considerada idêntica à Árvore do Mundo Yggdrasil.
bém chamado de love pillow no ocidente é um tipo de tra-
vesseiro do Japão, considerado um brinquedo sexual por
alguns, geralmente possui a foto de algum personagem.
Danishes: ........................................ São um tipo de pão doce. -Nomes-
Dungeons:O termo é usado em jogos de RPG para desig-
nar cavernas ou labirintos repletos de monstros, armadi- Aelius, Aurelius, Cocceius, Fulvius, Ulpius:São os se-
lhas e tesouros. Uma Dungeon normalmente é composta gundos nomes de vários imperadores romanos.
por salas e corredores que as conectam, podendo haver Ashurbanipal:Em português Assurbanípal (ca. 690 a.C.
também passagens secretas. Com etimologia na palavra — 627 a.C.) foi o último grande rei da Assíria. No seu rei-
francesa donjon. Substantivo significando calabouço ou nado (por volta de 668 - 627 a.C.). Assurbanípal criou a
masmorra. grande Biblioteca de Nínive, com uma coletânea com
Foie gras:Ou fuagrá em português – termo em francês obras em escrita cuneiforme, hoje responsável pela maior
significa “fígado gordo” – é o fígado de ganso ou pato que parte do que se sabe dos povos da Mesopotâmia. Esta bi-
foi forçosamente alimentado à exaustão, o que levou à hi- blioteca continha milhares de textos (crônicas, cartas re-
pertrofia lipídica do órgão. ais, decretos, religião, mitos, e muitos outros) escritos em
Gap Moe: ... Discrepância ente aparência e personalidade. tabuinhas de barro cozido.
Ginseng:Uma raiz medicinal muito utilizada na medicina Coup De Grâce: Significa o “sopro de misericórdia” em
chinesa devido às suas incríveis propriedades que ajudam francês, um golpe mortal final para acabar com o sofri-
mento de uma pessoa gravemente ferida ou animal. A
frase também pode se referir ao evento final que causa Hobgoblin: .......................... Variedade superior de Goblins.
uma morte figurativa. Lobisomem:Ou licantropo (do grego λυκάνθρωπος:
Damocles:Dâmocles é protagonista de uma anedota mo- λύκος, lykos, “lobo” e άνθρωπος, anthrōpos, “homem”), é
ral que figurou originalmente na história perdida da Sicí- um ser lendário, com origem na mitologia grega,
lia por Timeu de Tauromênio (c. 356 - 260 a.C.). Ao ver a Myconid: ................. Ou Miconídio, é um fungo humanoide.
espada afiada suspensa diretamente sobre sua cabeça, Naga:Do sânscrito: नाग, nāga, é uma palavra em sânscrito
Dâmocles perdeu o interesse pela excelente comida e pe- e páli que designa um grupo de divindades da mitologia
las belas garotas e abdicou de seu posto, dizendo que não hindu e budista. Normalmente têm a forma de uma
queria mais ser tão afortunado. enorme cobra-real, com uma ou várias cabeças.
Daghdha:é um deus importante na mitologia irlandesa. Old Guarder: ...................................................... Guarda Velha.
Um dos Tuatha Dé Danann, o Dagda é retratado como uma Pale Rider: .....................................................Cavaleiro Pálido.
figura paterna, chefe e druida. Seu caldeirão mágico era Sapphire Slime: .................................................... Slime Safira.
conhecido como coire ansic (“o caldeirão não seco”) e era Shadow Demon: ........................................ Demônio Sombra.
considerado sem fundo, do qual nenhum homem ficava Skeleton: ................................................................... Esqueleto.
insatisfeito. Spear Needle:............................................... Agulha de Lança.
Foire: ..Uma palavra francesa para uma feira de diversões. Toadmen: ............................................................Homem-Sapo.
Guren:É japonês para 'lótus vermelho'. Guren-jigoku, um Undead: ...................................................................Morto-Vivo.
dos oito infernos frios nos ensinamentos budistas, faz Unicorn: ..................................................................... Unicórnio.
com que a carne de alguém se separe da temperatura e War-Bicornlord: .................. Soberano Bicórnio de Guerra.
forme a semelhança de um lótus vermelho. Warg:Na língua norueguesa antiga, vargr é um termo
Lumière:............................... Uma palavra francesa para luz. para “lobo”. Na mitologia nórdica, os wargs se tratam par-
Pulcinella:Ou Polichinelo é uma antiga personagem-tipo ticularmente dos lobos demoníacos.
e burlesca da commedia dell'arte, cujas raízes remontam Zy'tl Q’ae:Seu nome originou-se de uma raça antiga de
ao teatro da Roma Antiga. Se caracteriza pelo nariz longo, monstros vegetais da mitologia de Cthulhu.
cifose, grande barriga, barrete, roupa multicolorida e fala
tremida e esganiçada.
Suratan:Seu apelido refere-se a Suān Làtāng, nome de -Honoríficos & Tratamentos-
uma sopa chinesa.
Tigris Euphrates:O apelido vem dos dois rios da Ásia
Ane-san:No contexto utilizado pelo Goblins significa algo
Ocidental, rio Tigre e rio Eufrates.
como se Enri fosse uma Yakuza e eles seus capangas.
Ani-san:No contexto utilizado pelos Goblins significa algo
como se Nfirea estivesse em posição semelhante a Enri.
-Raças & Monstros- Chan:ち ゃ ん - O sufixo “chan” é um termo carinhoso
usado geralmente para crianças ou pessoas que temos
Alraune: .....................................O alemão para Mandrágora. muita intimidade. O “chan” é usado após o nome inteiro
Alruna: .......................................... O sueco para Mandrágora. ou abreviado.
Barghest:Na mitologia, Bargtjest, Bo-guest, Bargheist, Dono:殿 | どの - O sufixo “dono” vem da palavra “tono”,
Bargeist, Barguist, Bargest ou Barguest é o nome empre- que significa “senhor”. Seria semelhante ao termo “meu
gado no Norte da Inglaterra (especialmente em Yorks- senhor”. Na época dos samurais, costuma-se denotar um
hire), para descrever um monstruoso e sobrenatural cão grande respeito ao interlocutor
negro com enormes dentes e garras. Imouto:Ao se referir à própria família ou a alguém que
Bicorn: .......................................................................... Bicórnio. não é diferente da família, como um amigo de infância ou
Birdman: ....................................................... Homem-Pássaro. de uma vida inteira, pode ser dito apenas como imoto. No
Boggart:É um dos numerosos termos relacionados usa- entanto, ao se referir a outra família, você deve sempre
dos no folclore inglês para um espírito doméstico. adicionar um sufixo no final, como imouto-san, a menos
Bugbear:É um dos numerosos termos relacionados usa- que haja consentimento em contrário.
dos no folclore inglês para um espírito doméstico. Kun:君 - O sufixo “Kun” é bastante utilizado na relação
Death Knight: .......................................... Cavaleiro da Morte.
“superior falando com um inferior”, mas apenas se houver
Dryad:Na mitologia grega, as dríades (em grego: Δρυάδες,
um certo grau de intimidade e amizade entre ambos.
Dryádes, de δρῦς, drýs, “carvalho”) eram ninfas associa-
Oba-chan: バアさん – Forma carinhosa de chamar uma
das aos carvalhos. De acordo com uma antiga lenda, cada
mulher idosa.
dríade nascia junto com uma determinada árvore, da qual
Onee:Uma maneira informal de falar irmã mais velha, e se
ela exalava. A dríade vivia na árvore ou próxima a ela.
junto com o sufixo “chan”, denota uma forma carinhosa.
Quando a sua árvore era cortada ou morta, a divindade
Onii:Uma maneira informal de falar irmão mais velho, e
também morria.
se junto com o sufixo “chan”, denota uma forma carinhosa.
Eight-Edge Assassin:............... Assassino dos Oito-Gumes.
Elder Lich: .............................................................. Lich Ancião. Sama:様 | さま- O sufixo “Sama” é uma versão mais res-
Fenrir:É um lobo monstruoso. Fenrir é atestada na Edda peitosa e formal de “san”. A traduções mais próxima do
em verso, compilada no século XIII a partir de fontes tra- termo “sama” para o português seria “Vossa Senhoria”.
dicionais anteriores, e a Edda em prosa e na Heimskringla, Não é conhecido como Japão, não é importante referir-se
escritas no século XIII por Snorri Sturluson. a pessoas importantes ou a alguém que não admira e é
Frost Dragon: ................................................... Dragão Gélido. muito importante, não império antigo era muito usado
Frost Virgin: ..................................................... Virgem Gélida. para se referir como rainhas.
Galgenmännlein:É o alemão para “Homenzinho”, mas no San:さん - O sufixo “San” é um honorífico que pode ser
sentido da lore é uma Mandragora com flor na cabeça. usado em praticamente todas as situações, independente
do sexo da pessoa. Normalmente é usado para pessoas
que temos pouca ou nenhuma intimidade. Também usado
quando a pessoa considera o interlocutor como um de
igual hierarquia.
Enri Emmot, que já foi salva por Ainz Ooal Gown e o Herborista Nfirea, está morando
no Vilarejo Carne, guardado pelos Goblins, até hoje não houvera nenhum incidente, mas
havia uma nova ameaça se aproximando devido ao desequilíbrio na floresta pela ausên-
cia do Sábio Rei de a Floresta—

“Os Dias Revoltos e Agitados de Enri”.

De empregadas normais aos Guardiões, Ainz lidera os servos com absoluta fidelidade.
Ele sugere certas coisas para alguns Guardiões, incluindo Mare Bello Fiore. Os dias difí-
ceis para o governante de Nazarick—

“Um dia de Nazarick”.

ISBN 978-4047300842