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O Governante das

10 Conspirações
Ilustrações por so-bin
Aviso Legal:
Obra foi traduzida e revisada de fã para fã. Não venda, ou ganhe dinheiro sobre o traba-
lho de outrem.
Se puderem contribuir com a obra do autor, o faça!

Sobre:
Assim como o anime, a obra tem muitos termos em inglês para diversas armas, itens e
etc...
Tentei deixar isso, mas as vezes tem que generalizar, já que é maçante saber o que era
realmente para ser em inglês, ou não ser.
EX:
-O Ainz se refere a ele como “Magic Caster” e não “Mahou...” alguma coisa.
Porém, algumas ressalvas:
-Alguns sistemas de magias e artes marciais são escritos japonês, alguns eu mantive ro-
majizados, outros ficaram em português.
-Armas e armaduras têm nomes misturados, uns são em inglês, outros em japonês. Por
ser bem difícil de verificar um por um, deixei tudo em inglês;
-Algumas equipes de aventureiros têm nomes em inglês, outras em japonês, neste caso
depende. Umas eu deixei em inglês (pois foram escritas com essa intenção) e outras em
português.

Tentei remover o máximo possível de erros de português e concordância. Mas sou ape-
nas um e com certeza falhas podem acontecer. E claro, não sou especialista na língua
portuguesa para tal nível de proficiência linguística.
Se encontrarem algum erro, sintam-se à vontade para entrarem em contato :)

Créditos e Agradecimentos:
Créditos:
ainzooalgown-br.blogspot.com
Base:
Inglês - overlordvolume10.blogspot.com
Referência de nomes:
Wikia - overlordmaruyama.wikia.com

Atenção: Se baixou este arquivo de outro link que não o oficial do blog. Ou se tem muito
tempo que baixou e deixou guardado, que tal dar uma conferida no blog? Talvez esta seja
uma versão desatualizada :)

Revisão: 4.6 | Versão: 4.8


Sumário
Prólogo........................................................................................................................................................... 5
Capítulo 01: O Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown ....................................................... 9
Parte 1 .................................................................................................................................................................................... 10
Parte 2 .................................................................................................................................................................................... 50
Parte 3 .................................................................................................................................................................................... 69
Parte 4 .................................................................................................................................................................................... 84
Capítulo 02: O Reino Re-Estize ................................................................................................. 103
Parte 1 ................................................................................................................................................................................. 104
Parte 2 ................................................................................................................................................................................. 124
Parte 3 ................................................................................................................................................................................. 134
Parte 4 ................................................................................................................................................................................. 149
Interlúdio ................................................................................................................................................. 173
Capítulo 03: O Império Baharuth ............................................................................................. 192
Parte 1 ................................................................................................................................................................................. 193
Parte 2 ................................................................................................................................................................................. 198
Parte 3 ................................................................................................................................................................................. 240
Parte 4 ................................................................................................................................................................................. 290
Epílogo ...................................................................................................................................................... 330
Posfácio .................................................................................................................................................... 338
Ilustrações ................................................................................................................................................ 341
Glossário .................................................................................................................................................. 367
-Volume 10-
O Governante das Conspirações

Autor:

Maruyama Kugane
Ilustrador:

so-bin
Prólogo
lbedo entrou na sala e encheu os pulmões de ar.

A Infelizmente, não havia nada no ar para estimular o nariz dela, mas isso
era de se esperar. Afinal de contas, não apenas seu amado mestre não pos-
suía um metabolismo, ele nem mesmo respirava, de modo que não havia
cheiro que ele pudesse deixar para trás.

Ainda assim — ela podia sentir isso em seu coração.

Depois de respirar no ar onde seu mestre estava, ela sentiu a paz fluindo através de sua
alma.

Era isso que significava ser uma garota apaixonada.

“Ku~ fufu.”

Quando a risada suave escapou de seus lábios, Albedo pressionou a mão sobre a boca.

Não era que alguém estivesse lá, ou que seus dentes estivessem aparecendo. No entanto,
não era algo que uma dama de respeito faria.

Albedo sentou-se primorosamente na cama e depois deitou-se.

Ela cheirou novamente e, como esperado, não havia nada no ar. Ainda assim, o fato de
que ela poderia fazer isso enquanto estava deitada na cama de seu amado mestre a en-
cheu de alegria mais profunda.

Este foi um curso de ação perfeitamente razoável para uma garota apaixonada. Se hou-
vesse uma mulher que pudesse deitar na cama do homem que amava, fizesse as mesmas
coisas que Albedo fazia e ainda assim não sentisse nada ao se atrever a chamar a si
mesma de “uma garota apaixonada”, então ela certamente consideraria aquela mulher
uma que não entendia o amor verdadeiro e rapidamente eliminaria uma pessoa tão de-
sagradável sem demora.

“Haaa~”

Albedo removeu as mãos que passeavam abaixo de seu ventre. Agora não era a hora
para tais coisas.

Parece que isso está se tornando um hábito.

Albedo pensou enquanto se erguia.

De qualquer forma, ela tinha que terminar as tarefas do dia.


Depois de fundar o Reino Feiticeiro e colocar E-Rantel sob seu domínio, a carga de tra-
balho de Albedo aumentou dramaticamente. Grande parte da razão para isso foi porque
os oficiais que deveriam administrar E-Rantel tinham fugido para o Reino, levando a uma
escassez de pessoal administrativo.

O plano era usar os undeads criados pelo seu mestre para lidar com essa tarefa. No en-
tanto, como ainda estavam em fase de treinamento, o resultado foi que ela consumiu seu
tempo e aumentou sua carga de trabalho. Além disso, havia muitas outras coisas que ela
tinha que fazer. Embora sua agenda provavelmente ficaria livre no futuro próximo, por
enquanto ela ainda estaria muito ocupada.

Obviamente, para Albedo, esses trabalhos não eram onerosos. Ou melhor, não havia um
único habitante de Nazarick que dissesse que o serviço ao seu senhor era uma dificuldade.
É nisso que Albedo acredita. Pode-se até chegar a dizer que, quanto mais pesado o fardo
dela, maior é a alegria dela.

“Está na hora de verificar os resultados de seu treinamento...”

Esse treinamento havia se estendido de alguns dias a algumas semanas. Mesmo depois
de um mês, eles ainda estavam apenas meio prontos, mas ela teria que entregar as rédeas
da administração a eles e ver como as coisas aconteceram.

Recentemente, ela estava considerando uma visita ao Reino, para se encontrar com o
Rei. Na verdade, sua presença não era necessária, contanto que seu mestre — que trans-
bordava de sabedoria — estivesse por perto. No entanto, essas tarefas eram pouco mais
do que pequenos recados, o que não se adequava ao seu papel de governante absoluto.

Os reis tinham coisas que apenas reis precisavam fazer.

“Embora, penso nisso... de onde o Ainz-sama planeja liderar o Reino Feiticeiro?”

Uma nação tinha políticas que poderia implementar.

Uma vez decidido, eles poderiam determinar as leis da terra e a direção futura de todo
o país. Por exemplo, eles podem decidir transformar humanos em escravos e fazer com
que todo o país sirva a Nazarick. Se eles escolhessem esse caminho, então precisariam
aprovar as leis apropriadas para governar os humanos como escravos. Então, com isso
como uma premeditação, eles precisariam considerar vários problemas, como lidar com
os países humanos próximos, como tratar os humanos de outros países e outros proble-
mas relacionados.

No entanto, seu mestre não foi capaz de lhe dar uma resposta clara, mesmo agora.
Em outras palavras, o Reino Feiticeiro estava se construindo sobre os alicerces da antiga
casa, antes chamada de Re-Estize, e estava perdendo sua liderança central ao fazê-lo.
Será que esse era o tipo ideal de país para seu amado mestre? Ou ele estava esperando
por algo? Se fosse o último, ela só poderia se sentir envergonhada por não poder ler os
pensamentos de seu mestre.

Essa foi uma das poucas vezes em que ela se incomodou com o intelecto brilhante de
seu mestre.

Havia muitos significados para cada movimento que seu mestre fazia, como um ser de
profundo discernimento e considerações distantes. Ela sentiu o arrependimento mais
amargo porque não pôde compreender imediatamente o significado das ações de seu
mestre.

Até mesmo Demiurge — cujo intelecto rivalizava, ou talvez até superasse o dela — havia
dito no passado: “Minha sabedoria não pode nem mesmo chegar aos pés de meu mestre; é
verdadeiramente insuportável”. Ainda assim—

“Tudo que eu preciso fazer é obedecer às decisões de Ainz-sama, não importa que tipo
de país ele queira criar.”

De todas as maneiras, Albedo seguia fielmente seu amado marido.

“Ainda assim, o que aconteceu com ele?”

Mas, claro, não houve resposta ao som do murmúrio de Albedo.


Capítulo 01: O Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown
Parte 1

Rei Feiticeiro. O governante absoluto da Grande Tumba de Nazarick e o

O Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown. Um ser que governou os 41 Seres Su-
premos e o último deles que permaneceu em Nazarick. Naquele momento,
aquela entidade que deveria estar desfrutando das atenções de seus subor-
dinados estava encolhida em uma cama macia, lendo um livro.

A dita cama fôra transferida da Grande Tumba de Nazarick para este lugar — para as
câmaras privadas do antigo governante de E-Rantel, o Prefeito Panasolei, que fôra parci-
almente reformado e convertido nos aposentos de Ainz. Desde que foi transferido para
cá, ele não pôde mais detectar a fragrância que costumava emanar dessa mobília que
outrora estava em Nazarick.

Talvez seja porque a cama aqui não tem perfume pulverizado sobre ela.

Ainz pensou quando ele inclinou seu peso sobre a cama em questão.

É claro que dormir era completamente desnecessário para um undead como Ainz.

De fato, eram apenas os remanescentes de sua humanidade dizendo à sua mente que
ele deveria estar cansado. Era por isso que Ainz ocasionalmente fazia esse tipo de coisa,
deitando em uma cama para acalmar sua cabeça e coração superaquecidos. No entanto,
isso foi apenas uma solução temporária. Então, ficar deitado assim por muito tempo,
como um ser humano faria, era na verdade bem sem sentido.

Claro, sempre havia algumas exceções à regra.

Por exemplo — ah, sim. Enquanto ele estava lendo. Em particular, quando ele estava
consciente da maneira como os outros estavam olhando para ele enquanto lia.

Vai amanhecer logo... oh!

Um fraco raio de luz solar filtrou através da abertura nas cortinas, dando a Ainz uma
idéia aproximada do tempo. Com isso, ele enfiou o livro que estava lendo até agora de-
baixo do travesseiro.

Então, ele inclinou o crânio para olhar para um canto da sala.

Ele viu uma empregada lá.

Ela era uma das empregadas regulares de Nazarick, e ela estava responsável por Ainz
hoje — para ser mais preciso, ela atendia o desde ontem. Atualmente, ela estava elegan-
temente sentada em uma cadeira com as costas retas. No entanto, essa postura não mu-
dou desde a noite passada. Pelo que Ainz sabia, nenhuma das empregadas falhou em
manter essa posição.

Sua linha de visão estava constantemente fixa em Ainz, barrando várias distrações mo-
mentâneas.

Um fardo verdadeiramente indescritível.

Claro, ela certamente não pretendia exercer essa pressão em Ainz. Foi simplesmente
porque prestar muita atenção a ele permitiria que ela respondesse imediatamente a
qualquer situação que pudesse surgir. No entanto, isso fez um homem comum como Su-
zuki Satoru querer chorar e implorar “me poupe, por favor”.

Ninguém se sentiria confortável se eles fossem constantemente encarados assim, espe-


cialmente se fosse um membro do sexo oposto fazendo isso. Mesmo que nada aconte-
cesse, fazia com que ele sentisse que havia deixado algo bagunçado em algum lugar.

A coisa mais importante foi a maneira como ela silenciosamente respondia a Ainz se ele
fizesse algum movimento.

Simplificando — uma experiência verdadeiramente miserável.

Claro, Ainz era um governante absoluto. Se ele a proibisse de fazê-lo, ela pararia. No
entanto, quando ele pensou no olhar que a empregada faria se ele dissesse isso, ele não
conseguiu falar as palavras que estavam prestes a sair.

Depois de vir a este mundo, Ainz rapidamente entrou em ação sob o disfarce de Momon.
Essa foi a primeira vez que as empregadas o cercaram assim. Mesmo agora, elas continu-
aram a prestar seu serviço a ele com lealdade inspiradora. Era justamente por Ainz saber
disso que ele não conseguia fazer com que elas o obedecessem pela força.

“Além disso, elas vão se cansar disso depois de um tempo.”

Fazia um mês desde que ele pensara isso.

A idéia de que esse estado de coisas poderia continuar para sempre enchia Ainz de certo
desconforto. Como as empregadas levaram 41 dias para concluir uma única rotação de
turno, ele decidiu deixar esse assunto para o futuro, mas essa linha de pensamento tinha
apenas empurrar o assunto com a barriga.

É isso que eles chamam de responsabilidade da liderança... administrar Nazarick, planejar


o futuro do grupo, responder aos desejos dos meus subordinados... as pessoas que estão no
topo são realmente ótimas. Não admira que eles tenham salários tão altos...
As pessoas no topo fazem tão pouco e ainda ganham mais. Agora que ele entendia o que
eles estavam passando, Ainz riu de sua loucura passada. Então, ele lentamente se levan-
tou da cama.

Neste momento, a empregada levantou-se silenciosamente de seu assento também. Isso


o fez sentir como se houvesse uma corda conectando-os.

Como os movimentos dela podiam ser tão graciosos depois de ficar acordada durante a
noite?

“—Estou de pé.”

“Sim. Então, sua serva deve sair. Depois disso, a empregada de hoje virá me substituir.”

Ainz não disse nada ao longo das palavras de “eu conto com você”, mas simplesmente
grunhiu “Uhun” e acenou com a mão para indicar que ela deveria continuar.

Talvez eu esteja sendo muito arrogante.

Pensou Ainz.

Ainda assim, pode ser melhor assim.

Ele havia enviado Hamsuke para perguntar, e a primeira resposta das empregadas pa-
recia ser: “Parece que estamos sendo dominadas, Ainz-sama é o melhor” ou algo assim.
Parece que todos eram masoquistas e, embora tenha incomodado Ainz quando ele ouviu
pela primeira vez, depois de considerar calmamente o assunto, ele percebeu que um go-
vernante precisava agir e vestir e atuar assim. Era o que seus súditos desejariam.

Usando uma empresa como exemplo, um chefe tinha que parecer e agir como um chefe.

Quando ele pensou sobre isso dessa forma, Ainz sentiu que o que ele tinha feito era o
que o Rei Feiticeiro deveria ter feito. O fato era, quando ele estava espionando o gover-
nante do Império, Jircniv Rune Farlord El-Nix, em seu tempo livre, ele notou que o ho-
mem se comportava praticamente de maneira igual.

Ainda assim, Suzuki Satoru tinha sido um homem trabalhador, e ele se sentiu um pouco
desconfortável por não dizer algo como “Obrigado por trabalhar arduamente”.

“...Então, você deveria ir descansar um pouco.”

“Ah! — Por favor, permita que sua serva lhe ofereça o mais profundo agradecimento por
sua generosidade, Ainz-sama!”

A empregada curvou-se profundamente quando expressou sua gratidão.


“No entanto, é graças a este item que o senhor tão gentilmente me emprestou que sua
serva pôde ficar ao seu lado para atendê-lo sem ter que descansar, Ainz-sama.”

Não, não foi isso que eu quis dizer.

Ainz murmurou em seu coração.


[Anel do S u s t e n t o ]
Era verdade que, uma vez que se colocasse o Ring of Sustenance, podia-se passar o dia
e a noite sem dormir. Ainda assim, sentar em uma cadeira e observar Ainz a noite toda
deveria ter sido nada menos que infernal. Embora ele estivesse muito satisfeito com sua
dedicação, não havia necessidade de ir tão longe.

Pelo menos elas deveriam cancelar o turno da noite... a parte em que elas me observam
dormir, é pedir demais?

Sendo empregadas, era natural que elas servissem fielmente seu mestre com seus cora-
ções e almas.

Ele não sabia exatamente qual das empregadas tinha dito isso, mas ele se lembrava de
ouvir de uma delas.

Servir fielmente seu mestre, huh. O que você diria se eu quisesse viver como um igual a
você?

Ao contrário de como ele se sentiu quando veio pela primeira vez a este novo mundo,
Ainz estava agora confiante de que todos os seus subordinados eram absolutamente leais
a ele. Enquanto Ainz prestasse atenção às suas ações e não fizesse nada que os desapon-
tasse, não havia chance de sua traição — exceto interferência externa. Nesse caso, talvez
ele deva mudar o relacionamento entre eles e se colocar em pé de igualdade com os NPCs.
Isso pode ser uma boa escolha para fazer, em algum momento.

Se isso acontecesse, Ainz estaria livre desta vida de ser um governante, de ter que que-
brar seus miolos o dia todo. Além do que, além do mais—

“Seria como antes, de fato, exatamente como nos dias de ouro da Guilda. Eu me pergunto
se eu poderia voltar a esse tipo de vida novamente.”

Sempre que ele falava com os NPCs, ele ficava imaginando seus antigos amigos sobre-
postos a eles. Por causa disso, Ainz esperava que ele não tivesse que se relacionar com
eles na condição de mestre para servo, mas sim, do jeito que era no passado com—

―Não.

Ainz pensou enquanto mentalmente balançou a cabeça.


Enquanto ele não soubesse o que poderia plantar as sementes de decepção em seus sú-
ditos, uma mudança tão dramática nas circunstâncias não poderia ser uma decisão sábia.
Além disso, já que ele sabe que eles desejavam um relacionamento de servo com ele, era
sua responsabilidade como seu mestre continuar nessa função. Ao mesmo tempo, como
a última pessoa que permaneceu aqui, ele teve que fazer tudo o que pudesse para os NPCs
(as crianças).

A empregada pediu licença a Ainz e saiu do quarto.

Naquele momento, Ainz entrou em ação. Primeiro, ele substituiu o livro embaixo do tra-
vesseiro com outro livro. O livro que ele substituiu tinha um título muito complexo —
apenas olhar para ele faria com que alguém perdesse a vontade de continuar lendo. En-
tão, o livro que ele estava lendo na noite passada entrou em sua dimensão de bolso pes-
soal — seu inventário.

Depois de colocar o livro onde não seria facilmente roubado, Ainz soltou um suspiro de
alívio.

Isso também fazia parte de suas responsabilidades como mestre.

Ele certamente não queria ler aqueles livros difíceis que faziam sua cabeça doer a noite
toda. Se possível, ele queria ler alguns livros populares. No entanto, ser visto lendo esses
livros prejudicaria a dignidade de Ainz como governante. Portanto, Ainz foi forçado a
tomar tais medidas incômodas.

Aliás, ele já havia levado em consideração o fato de que as empregadas moveriam o livro
sob o travesseiro para outro local.

Agora que ele havia terminado tudo o que podia fazer na cama, Ainz afastou o fino dossel
de gaze que envolvia a cama e se levantou.

Só então, várias batidas vieram da porta. Logo depois disso, a empregada que deveria
assumir o turno seguinte abriu a porta e entrou.

Quando ela viu Ainz saindo da cama, ela sorriu e se aproximou dele. Parecia que ela era
a empregada designada para acompanhar Ainz hoje.

“Bom dia, Fifth.”

Um sorriso incrivelmente radiante surgiu no rosto da empregada.

“Bom dia, Ainz-sama! Eu estarei sob seus cuidados hoje!”

Se Fifth tivesse uma cauda, ela provavelmente estaria abanando com toda a força. De
repente, ele pensou no passado, em Pestonya abanando o rabo.
Seu uniforme de empregada era o mesmo que o usado pela empregada anterior, Foss.
Ao contrário das Empregadas de Batalha, as empregadas regulares usavam o mesmo uni-
forme. No entanto, sua aparência exata variava entre cada empregada —provavelmente
porque cada empregada que usava era diferente.

Ainz relembrou algo que um de seus amigos disse tantas vezes que parecia ter ficado
em seus ouvidos: “Roupas simples de empregada já são boas, mas roupas decoradas de
empregada são ainda melhores”. Houve também uma continuação para isso: “Em outras
palavras, os uniformes de empregada são os melhores, não importa como pareçam. Unifor-
mes de empregada doméstica são a maior invenção da história da humanidade. Viva aos
uniformes de empregada~”.

Embora Ainz não soubesse o que ele queria dizer com “viva”, provavelmente era algum
tipo de exclamação. Pode ter sido também um termo inventado por ele. Desta forma, Ainz
recordou as memórias de seus companheiros passados, pouco a pouco.

Ainz sorriu amargamente — embora sua expressão facial não mudasse, é claro — e si-
lenciosamente olhou para a empregada.

“Ai-Ainz-sama, existe alguma maneira de poder servi-lo?”

Fifth corou enquanto as mãos seguravam com força o avental do uniforme. Foi então
que Ainz percebeu seu descuido.

“Me perdoe. Parece que eu estava... sim, parece que fiquei um tanto fascinado por você.”

“—!”

“Então vamos.”

“—Hieh? Ah sim. Entendido!”

A empregada congelou por um momento, mas ainda conseguiu dar uma resposta enér-
gica enquanto descia a passos atrás dele e eles saíram da sala.

Ainz passou por várias outras salas. O que ele viu lá não poderia se comparar ao cenário
no 9º Andar de Nazarick. Assim, quando Ainz decidiu ficar aqui, os Guardiões expressa-
ram suas objeções um após o outro.

Aponta— Este lugar é carente de gosto como residência para um Ser Supremo.

Aponta— A capacidade defensiva deste lugar é insuficiente e tem proteção inadequada


contra espionagem.

Aponta. Aponta. Aponta—


No entanto, Ainz encolheu todas essas objeções e selecionou este lugar como sua casa.

Esta era sua responsabilidade como Rei — afinal, Jircniv também vivia no Palácio Impe-
rial da Capital Imperial. Ou pelo menos era o que ele queria que as pessoas pensassem.
O fato era que este lugar era luxuoso o suficiente para Ainz, não, para Suzuki Satoru. Sua
antiga casa era ainda menos digna de comparação. Além disso, seu quarto no 9º Andar
sempre foi muito chamativo e muito grande.

Ele não se importava quando ainda era um jogo. No entanto, agora que ele realmente
tinha que viver lá, ele estava ciente de que não havia lugar para ele dentro daquelas pa-
redes. Tudo o que Ainz queria era se esconder em algum canto.
[Assassino d o s Oito-Gumes]
Ainz levou Fifth e um Eight-Edge Assassin que caiu do teto para o camarim.

Várias empregadas regulares já estavam lá esperando por Ainz. Elas executaram respei-
tosos comprimentos a ele em uníssono. Fifth rapidamente se juntou a suas fileiras tam-
bém.

“Ainz-sama, o que o senhor gostaria de usar hoje?”

Fifth perguntou em uma voz que estava repleta de energia.

...Oh, há um brilho nos olhos da Fifth. Pensando nisso, serão todos que tiveram este traba-
lho têm o mesmo brilho em seus olhos também? Dizem que as mulheres gostam de roupas...
é assim que elas expressam isso? Ou elas apenas gostam de combinar roupas e acessórios?

Uma sensação constante de fadiga se apoderou dele, mas ele não conseguiu demonstrar.
Em vez disso, ele apenas disse “Uhun” de uma forma arrogante — ou pelo menos, foi
assim que se sentiu quando ele praticou de antemão.

Francamente falando, Ainz não precisava trocar de roupa.

Suas vestes mágicas não ficariam amassadas, mesmo que ele passasse a noite toda ro-
lando na cama. Seu corpo não excretava nenhum produto residual. A poeira flutuando no
ar poderia se acomodar nele, mas tudo o que ele tinha que fazer era ignorá-la. Além disso,
qualquer lugar onde Ainz fosse já teria sido completamente limpo pelas empregadas.
Além disso, ele não precisava comer ou beber, sendo assim, ele não se sujava com essas
atividades.

Usar o mesmo conjunto de roupas não seria um problema para ele.

No entanto, nenhum de seus subordinados poderia permitir isso. No entanto, era apenas
para ser esperado; ter seu governante absoluto usando a mesma coisa todo dia arruina-
ria sua imagem.

Dito isso, Ainz não estava confiante em sua capacidade de combinar sua roupa.
Agora, se ele estivesse preparando seu equipamento para a batalha, depois de conside-
rar as habilidades e perícias de seus oponentes e planejar suas táticas, ele estaria confi-
ante em sua capacidade de selecionar o equipamento adequado para melhor combater o
inimigo que estava enfrentando. Contudo—

Bem, até certo ponto, a experiência adquirida por Suzuki Satoru permitia que ele co-
mentasse se esta gravata funcionaria com esse terno. Isso não o deixava dizer nada sobre
se esse manto de púrpura com filigrana de prata combinava com um colar de prata com
quatro diamantes e assim por diante. Além disso, ele teve que selecionar roupas para
combinar com um corpo esquelético.

No entanto, se ele usasse uma roupa incompatível, as pessoas poderiam duvidar de seu
senso de estilo como líder. Isso seria como trair seus leais subordinados. Portanto, Ainz
teve que dar o seu melhor mesmo em se vestir.

Aí estava um problema fatal.

Algum de seus subordinados comentaria mesmo que Ainz usasse algo inadequado? Era
uma situação semelhante a uma peruca que escorregava da cabeça do CEO de uma
grande empresa; ninguém ousaria dizer nada.

Sendo esse o caso, havia apenas uma alternativa para ele.

“—Fifth, eu vou deixar isso para você. Prepare um conjunto de roupas que melhor se
adapte a mim.”

“Entendido! Deixe isso para mim, Ainz-sama! Sua serva terá o maior cuidado nas esco-
lhas!”

Você não precisa se preocupar tanto com isso—

Bem, Ainz pensou isso, mas ele nunca disse isso às empregadas antes.

“Eu — eu acho que o vermelho combina bem com o senhor, Ainz-sama! Portanto, eu
estava pensando em usar o vermelho como cor base para combinar seu traje. O que o
senhor acha?”

“...Acabei de dizer que deixaria esse assunto para você. Sendo esse o caso, não há neces-
sidade de confirmar suas escolhas comigo.”

“Sim! Entendido!”

Se ele não tinha confiança em si mesmo, então tudo que ele precisava fazer era entregar
a tarefa para outra pessoa — como ele permitira que a empregada escolhesse para ele.
Ainz estava muito preocupado com o manto carmesim que ela havia escolhido, no en-
tanto. A cor vermelha era tão brilhante que quase machucava seus olhos, e ainda foi ador-
nada por muitas pedras enormes como botões. Poderia ser aceitável se fossem todos da
mesma cor, mas as muitas gemas refletiam meia dúzia de cores diferentes de luz. Além
disso, a peça foi bordada com caracteres estranhos bordados com fio de ouro.

—Essa roupa é realmente normal? Pode ser considerado vestuário no sentido normal da
palavra?

Ele se sentiu como um homem-placa iluminado por luzes de néon. Ele nunca teria esco-
lhido essa roupa por conta própria. Ou melhor, Ainz começou a se perguntar o porquê
ele havia comprado isso em primeiro lugar. Como ele não tinha lembrança de seus mem-
bros da guilda que o forçaram a ele, por processo de eliminação, ele mesmo deve tê-lo
obtido isso em algum lugar.

Foi um presente? Eu ganhei na loteria ou em algum tipo de evento? ...Ainda assim, bem, só
resta aceitar, huh.

Mesmo tentando lembrar como ele havia conseguido, isso não faria o manto carmesim
diante dele desaparecer.

Embora seja fácil simplesmente recusar, isso transformaria o “deixarei para você” que
ele dissera à Fifth uma mentira. Mais ao ponto, Ainz pode ser o único que achava isso
embaraçoso enquanto todo os outros gostavam. Ou melhor, era bem provável que fosse
o caso.

E, para ser mais direto, já que Fifth selecionou este manto, ele poderia culpá-la se al-
guém comentasse sobre isso.

Eu realmente sou um chefe terrível.

Ainz sabia que isso não era algo de que ele pudesse se orgulhar, e ele se sentiu culpado
por isso.

Empurrar a culpa para outra pessoa não era uma conduta louvável para um chefe —
para um superior. Ainz sabia disso, mas mesmo assim, ele precisava de alguma maneira
para preservar sua dignidade.

Ele teve que se proteger sacrificando seus subordinados. Não havia nada que pudesse
fazer para evitar.

“—Me desculpe por isso.”

“Ah, minhas mais sinceras desculpas!”

“Tudo bem... eu estava falando comigo mesmo. Não dê atenção. Pensando bem...”
Ainz decidiu escolher suas palavras cuidadosamente enquanto fazia sua pergunta.

“Há algo que gostaria de perguntar. Você não acha que este manto é chamativo de mais
para mim?”

“Certamente não! Afinal, quase tudo parece bom no senhor, Ainz-sama! Embora eu ache
que preto como uma base com marrom escuro como uma cor secundária ficaria bom
também, usar essas cores o tempo todo não mostraria suas outras virtudes, Ainz-sama!
Tudo isso é imprimir sua imagem poderosa nos olhos de todos que—”

Ainz interrompeu o fluxo jorrado de elogios.

“—Está bem. Desde que seja adequado, tudo bem. Então, você poderia me vestir?”

“Entendido!”

Fifth e as outras empregadas começaram a trabalhar.

Quando Ainz permaneceu de pé, as empregadas removeram silenciosamente as roupas


de Ainz. O ato de ter suas roupas trocadas por mulheres, mesmo que seu corpo não fosse
nada mais que ossos, encheu-o de uma vergonha ardente.

Mas, claro, tal gesto era um ato natural para um governante absoluto.

Pelo menos era assim para o Jircniv. Ainz também leu a mesma coisa em um de seus
livros.

Ainz permaneceu imóvel e permitiu que as empregadas trabalhassem, enquanto ele si-
lenciosamente olhava para o espelho em seu camarim.

Logo, um Ainz de manto vermelho apareceu no espelho. Como esperado, era bem vis-
toso. Não era nada além de chamativo.

...Não. Este mundo tem um senso de estética bastante divergente. Pelo que sei... essas rou-
pas podem ser bem adequadas para um governante usar.

Ele lembrou Hamsuke como um exemplo e anulou sua inquietação.

“Então vamos.”

Esses pensamentos passaram por sua cabeça enquanto ele caminhava, acompanhado
por Fifth. Ele desejava ter um tempo para respirar.

♦♦♦
O manto rubro e vistoso avançou em direção ao seu escritório. Quando Ainz se aproxi-
mou da porta, Fifth rapidamente se adiantou e a abriu cortesmente para ele.

Às vezes, ele pensava em dizer: É só uma porta, eu posso abrir. No entanto, enquanto
observava o olhar nos rostos das empregadas que diziam: “Wow, olhe para mim, estou
trabalhando!”, Ainz não podia fazer nada além de aceitar isso como um meio automático
de abrir portas.

Ainz levou Fifth e um Eight-Edge Assassin para o escritório.

A escrivaninha no centro da sala era como a que Ainz tinha em seu próprio quarto e
irradiava um ar de gravitas.

Foi trazido aqui de Nazarick, junto com sua cama. Uma bandeira pendurada nas profun-
dezas da sala — a bandeira de Ainz Ooal Gown — do Reino Feiticeiro.

Ainz passou pelo quarto e se aproximou da sacada.

Havia uma caixa de vidro no balcão. Não era muito grande e continha um ambiente de
selva. Ainz inseriu seu dedo ossudo na caixa, que parecia desprovida de vida, e levantou
uma folha. Escondido embaixo havia uma criatura que se escondia na escuridão para evi-
tar a luz do sol.

Seu corpo de cores vivas estava coberto de secreções pegajosas e escorregadias, e a


parte da frente de seu corpo lembrava um par de lábios humanos.

Ainz estudou cuidadosamente o Inseto Boca.

“—Essa é uma boa cor. Você parece muito vívido.”

Ele se lembrou do que ela havia dito uma vez, sobre qual cor era importante. Ele também
lembrou de ter vários Insetos Bocas colocados na frente dele, e aprendeu a diferenciar
quando eles estavam mais enérgicos pela sua cor. E de fato; o Inseto Boca diante dele
parecia muito mais vívido que os outros naquela época.

Ainz pegou uma folha de repolho fresca de um prato próximo.

“Venha, Nurunuru-kun. É hora de comer~”

Ele trouxe a folha para perto do Inseto Boca, que atendeu pelo nome. Depois que ele
soltou a folha, o Inseto Boca freneticamente a comeu com grandes bocadas.

Ainz trouxe mais duas folhas, que o Inseto Boca prontamente devorou também.

Ele decidiu parar por aí, porque Entoma havia lhe dito que a superalimentação não era
bom.
Ainz gentilmente devolveu o insignificante e feliz Inseto Boca à sua casa sombreada na
caixa de vidro — para o lugar que mais amava.

“Parecia um pouco nojento no começo, mas depois de cuidar disso por um tempo, per-
cebi que é realmente muito fofo.”

Ele não estava falando com ninguém em particular, apenas falando para si mesmo. Ainz
tinha um sorriso alegre no rosto quando ele fechou a fina tampa da caixa. A caixa não era
muito resistente, e o Inseto Boca poderia escapar se realmente quisesse. A razão pela
qual Ainz usou foi para provar sua confiança em ser capaz de cuidar bem de seu ocupante.
Dito isto, era um monstro mercenário gerado com ouro, então a questão de saber se es-
caparia ou não ainda não tinha resposta.

Ainz gentilmente limpou a mão com um pano nas proximidades, e depois de terminar
todas as tarefas da manhã, ele se sentou em sua cadeira. Ele apoiou o peso nas costas e
deixou seu corpo afundar profundamente.

...Ah, trabalho. Não há horas oficiais de trabalho, mas meu coração ainda afunda nessa
época. Eu acho que velhos hábitos são difíceis de morrer.

A escrivaninha estava imaculada, não havia um grão de poeira, sem falar sobre a orga-
nização dos documentos.

Era completamente diferente da mesa de Suzuki Satoru.

Tudo isso porque ele não precisava trabalhar durante a noite. O trabalho de Ainz era
tomar as grandes decisões, sem se preocupar com os detalhes. Depois que ele decidia a
direção geral, então seus subordinados entrariam em ação.

...Ainda assim, é por isso que é tão difícil? Pela primeira vez, percebo que a dificuldade de
um trabalho é determinada por quanta responsabilidade ele coloca em si mesmo. É mais
mentalmente do que fisicamente cansativo... e certamente é mais estressante. Ah, é hora de
começar o trabalho?

Não houve necessidade de olhar para um relógio.

Naquele exato momento, uma batida veio da porta. Fifth — que estava em pé ao lado da
porta — verificou a identidade do interlocutor.

“Ainz-sama, é Albedo-sama e os Elder Liches.”

Havia respeito na voz de Fifth, porque esses Elder Liches eram criações pessoais de Ainz.

“Entendo. Eles podem entrar.”


Fifth afastou-se da porta para abrir caminho para os visitantes. Albedo entrou na sala à
frente de seis Elder Liches.

“Bom dia, Ainz-sama.”

Depois da saudação de Albedo, os Elder Liches inclinaram a cabeça profundamente.

“Uhum, bom dia Albedo. Parece que o tempo hoje está muito bom.”

“Realmente. Eu tenho relatos de que estará ensolarado o dia todo — é claro, se for seu
desejo como o governante supremo deste mundo, nós podemos produzir qualquer tipo
de clima que o senhor desejar. Vamos prosseguir, Ainz-sama?”

Isso estava apenas usando um tópico irrelevante para iniciar uma conversa, mas ele não
esperava que ela começasse com uma sugestão como essa.

“Isso não será necessário. Eu gosto de mudanças no clima. Os dias ensolarados são bons,
o rugido do trovão nos dias chuvosos deve ser saboreado, e a suave queda de neve é
bastante intrigante. Pode-se dizer que se pode tirar um dia de entretenimento apenas
observando as mudanças naturais do clima.”

Ainz não desgostava das mudanças climáticas deste mundo. Nesse mundo intocado, ele
descobriu que entendia as palavras do antigo camarada Blue Planet: “A chuva foi origi-
nalmente uma bênção da natureza”.

Era melhor deixar a natureza permanecer natural.

“Sim, entendi... Claro, eu senti que o senhor não tinha vontade de alterar o clima, mas eu
tinha que perguntar para ter certeza, Ainz-sama. Afinal, o senhor não é o tipo de líder que
nos ordena diretamente para satisfazer seus desejos.”

“...Mesmo? Não me parece assim...”

Ainz pensou sobre isso, mas ele não conseguia pensar em algo que ele particularmente
queria. Quando ele ainda era Suzuki Satoru, sua mente estava cheia de pensamentos de
YGGDRASIL. Depois que seu corpo se tornou assim, só piorou. Embora ele não tivesse
certeza se isso era um efeito colateral de se tornar uma criatura undead, a chance de
sempre ter sido assim era algo a se ponderar. Se ele tivesse que falar de um desejo por
qualquer coisa, seria um desejo de coletar itens raros. E também de—

Ainz sorriu em solidão e gentilmente balançou a cabeça.

“Não, pode ser exatamente como você diz. No entanto, isso é simplesmente porque não
há nada que eu realmente queira. Se eu desenvolver algum desejo, darei naturalmente as
ordens apropriadas quando chegar o momento.”
“Quando chegar a hora, espero que o senhor me permita, como Supervisora Guardiã,
selecionar as pessoas que responderão imediatamente aos seus desejos.”

Respondeu Albedo, baixando a cabeça. Quando voltou, seu rosto parecia um pouco co-
rado e completou:

“No entanto, suas roupas hoje são espetaculares. Elas são extraordinariamente radian-
tes. Não, elas brilham tão brilhantemente porque o senhor está usando, Ainz-sama.”

Albedo continuou dando seu elogio.

O brilho de que ela falou era provavelmente as gemas que pareciam substituir botões,
já que seu crânio não refletia a luz. Ainz assentiu enquanto pensava sobre isso.

“Se diz, então devo agradecer-lhe por isso, Albedo.”

“O senhor é muito gentil. Eu estava simplesmente afirmando o óbvio. Ainz-sama, és ver-


dadeiramente—”

Ainz levantou a mão para interromper Albedo enquanto ela animadamente se prepa-
rava para continuar. Ele tinha a sensação de que deixá-la continuar arrastaria a conversa
por um longo tempo.

“Vamos deixar esse assunto de lado por enquanto. Então, e quanto aos documentos que
você e os outros estavam lidando ontem, Albedo?”

“Sim.”

Albedo estufou as bochechas de maneira adorável, e os Elder Liches seguiram suas ins-
truções e colocaram seus documentos na mesa.

A pilha de documentos empilhados um em cima do outro chegou a uma espessura con-


siderável. Os documentos em si não continham muitas propostas, mas eles tinham mui-
tos documentos de apoio anexados a eles. Muito parecido com a forma como ele preci-
sava de dados de muitas áreas em seu antigo emprego, parece que tudo isso estava em
preparação para lidar com um problema complicado.

Ele havia preparado seu coração para isso. Ainz passou a manhã toda se preparando e
endurecendo sua determinação para este momento.

Suzuki Satoru era um mero funcionário, e ele não era do tipo que interagia com as ope-
rações da empresa. Se perguntado se alguém assim poderia gerenciar um país inteiro,
Ainz teria respondido com segurança “Não”. Ou melhor, até mesmo um gerente de ope-
rações acharia muito difícil administrar um país.
O que piorava tudo foi que Ainz era um governante absoluto. Mesmo que houvesse al-
gum erro nas palavras que ele falava, seus subordinados se uniriam para transformá-los
em realidade.

Havia algo mais assustador que isso? Uma única palavra de Ainz pode levar a um suicí-
dio em massa.

Sendo esse o caso, o que ele deveria fazer?

A resposta era muito simples. Muito parecido com suas roupas, ele tinha que entregar
essa responsabilidade para pessoas capazes.

Ser capaz de alocar habilmente seus subordinados de acordo com seus pontos fortes
também era uma qualidade essencial em um chefe.

Dito isto, também havia problemas em delegar completamente tudo para os outros. De
fato, ele poderia ficar tranquilo se tudo fosse deixado ao cuidado de Albedo. No entanto,
ele era um Rei, não uma mera figura de um chefe. Como alguém em posição elevada, ser
superior implicava ter as responsabilidades de um superior.

Claro, havia algumas tarefas que não podiam ser ignoradas dizendo “Não sei”.

Como tal, Ainz começou a ler cuidadosamente a pilha de documentos de cima para baixo,
colocando o selo real em cada um deles.

Depois de estampar ritmicamente vários documentos, Ainz fez uma pausa, tendo sele-
cionado um deles como o alvo do dia. Ele abriu para examinar seu conteúdo. E então—

...Eu não entendo, afinal. Isso tem algo a ver com recursos materiais? Isso é muito impor-
tante? Os Elder Liches realmente entendem? ...Bem, eles foram todos feitos por mim... como
essa diferença de habilidade pode ser explicada — embora, ler tudo isso é realmente can-
sativo, é como ler documentos legais...

Como havia referências cruzadas para outras páginas, havia muitas repetições dessas
poucas palavras que precisavam ser repetidamente alternadas entre as páginas. O último
ponto baseou-se na conclusão anterior para se chegar a um julgamento negativo. Além
disso, porque muitas declarações negativas apareceram no texto, interpretar o conteúdo
foi muito difícil.

“—Albedo.”

“Sim, Ainz-sama! Alguma coisa chamou sua atenção?”

“Não, não tem relação com isso, mas eu pensei em algo. Como vai a promulgação das
leis?”
Este país foi chamado de Reino Feiticeiro, mas não exerceu nenhuma legislação única,
continuando a usar as antigas leis do Reino Re-Estize.

“Sim. Isto é simplesmente um rascunho por enquanto. Se nós forçássemos as novas leis
de forma muito agressiva, isso poderia levar a um descontentamento generalizado. As-
sim, não temos certeza se devemos ou não fazê-lo.”

Essas palavras soaram estranhas quando vieram de Albedo, que não se importava com
a humanidade. Ainda assim, Ainz não pôde deixar de acariciar seu peito em alívio.

“Embora eu tenha discutido isso com o Demiurge antes... as leis do Reino simplesmente
não concedem poder suficiente a um governante absoluto como o senhor, Ainz-sama.
Atualmente, estamos considerando simplesmente manter o primeiro edital da lei do
Reino e, em seguida, aplicá-las pela força.”

“No momento estou mais confiante em outras áreas...”

Isso era uma mentira descarada — Ainz não tinha confiança em praticamente nada.

“Lamento dizer, mas não sou versado nos caminhos da lei. Faça como achar melhor.
Você tem minha total confiança.”

“Sim! Compreendo.”

Albedo tinha uma expressão de prazer no rosto dela. Se Ainz olhasse de perto, ele podia
ver as asas tremendo atrás dela. Ela — e Demiurge, por alguma razão desconhecida —
parecia considerar Ainz um gênio que estava sempre um passo à frente deles.

Assim, quando Ainz disse que não sabia ou algo nesse sentido, ele podia entender pro-
fundamente a alegria que eles — que foram feitos como seres altamente inteligentes —
sentiam em ser capazes de validar sua existência.

“Ainda assim, não há necessidade de mentir sobre não entender a lei...”

“Estou falando a verdade. Eu não sou perito em lidar com questões da lei.”

“Entendo... deve ser assim que o senhor vê, da perspectiva de um líder supremo que
nunca foi obrigado por nenhuma lei. Eu entendo o que quer dizer.”

Ainz sentiu que estava sendo mal interpretado, mas decidiu ignorar o assunto. Afinal,
ele não tinha idéia de como explicar isso para ela. Em vez disso, ele simplesmente sorriu.
Esse sentimento era apenas vagamente familiar, mas ele podia sentir como as crianças
se sentiam quando exibiam orgulhosamente seus talentos aos pais.

“Algo está errado?”


O olhar de surpresa de Albedo só deixou Ainz mais feliz. Ainda assim, seria rude se a
alegria fosse toda por conta dele.

“Perdoe-me, mas quando eu vi o quão feliz você estava, fiquei impressionado com o
quão bonita você ficou... como eu vou dizer isso... Hum, é um pouco difícil de explicar.”

Enquanto ele dizia isso, houve uma breve explosão de movimento dos Eight-Edge As-
sassins no telhado, mas eles ficaram parados.

“Ah~, isso é embaraçoso.”

Albedo pressionou as mãos nas bochechas. Assim que Ainz viu como ela corou, ele per-
cebeu o quão desconfortável ele deve tê-la feito sentir, e com uma leve tosse, ele decidiu
estudar os documentos diante dele.

Parece que sua maneira de tratar os NPCs como os filhos de seus amigos o fez dizer
coisas embaraçosas.

Ele se sentiu um pouco culpado por sua grosseria, mas no final, ele carimbou o docu-
mento final. Com isso, uma tarefa foi concluída.

Ele entregou os documentos para Albedo, que estava usando a mão para cobrir a boca.
Ela, por sua vez, os entregou aos Elder Liches.

“Então, vamos começar o habitual. Estas são as propostas que serão exibidas hoje.”

Ainz abriu o armário e tirou uma pilha de papéis. Estas eram sugestões e opiniões cole-
tadas de todos em Nazarick, a fim de ajudar no desenvolvimento do Reino Feiticeiro.

Depois de lê-los, Ainz copiava essas sugestões e as lia para que Albedo ouvisse esse ho-
rário todas as manhãs.

“Não há necessidade de desperdiçar seu precioso tempo com tarefas mesquinhas, como
escrevê-las, Ainz-sama.”

“Não, porque pode haver algumas sugestões que são direcionadas a mim. Além disso,
meu corpo não requer sono. Seria uma perda de tempo se eu não fizesse nada.”

Isso também era mentira. Ou melhor, era verdade que ele ficaria ocioso se não fizesse
nada. No entanto, ele poderia gastar esse tempo em coisas como ler, tomar banho, prati-
car suas habilidades de atuação e simular combates. Mesmo assim, ele ainda tinha que
fazer isso à mão porque Ainz estava se esgueirando em suas próprias sugestões entre os
outros.
Ainz tinha que fazer isso porque se ele fizesse essas sugestões diretamente, seus subor-
dinados se obrigariam a fazê-las acontecer, mesmo que fossem impraticáveis. Isso pode-
ria levar a consequências trágicas.

Portanto, ao submeter anonimamente suas sugestões, ele esperava que Albedo, como
uma terceira parte imparcial, julgasse-as apenas os méritos. Além disso, ao não divulgar
os nomes dos sugestores, as habilidades de Ainz não seriam questionadas, o que era
como matar dois coelhos com uma cajadada só.

Ainz começou a ler a sugestão em sua voz mais empostada.

“Muu... “Acredito que precisamos de serviços de educação infantil que possam descobrir
indivíduos talentosos e cultivá-los. Desta forma, poderemos ser capazes de fortalecer Naza-
rick. Mesmo que não funcione, ainda podemos usá-lo para desenvolver tecnologias para nós
mesmos, que também podem ser usadas como uma fundação para fortalecer Nazarick.” ou
algo assim.”

Ainz olhou para Albedo, que estava de pé com os olhos voltados para a frente.

“Os benefícios são claramente delineados e é uma excelente sugestão. Pode-se sentir a
excelência do sugestor através dela. Pode ser bom divulgar isso como um modelo para
os outros estudarem.”

Depois daquela rodada de elogios, Ainz retomou seu habitual rosto severo — embora, é
claro, seu rosto não se movesse:

“Analisando isso, quem você acha que escreveu isso?”

“Eu acredito que seja a Yuri Alpha.”

Foi uma resposta instantânea. Ainz sentia o mesmo também.

“Concordo. Deve ser a sugestão de Yuri. Então, Albedo, o que você acha dessa sugestão?”

“Uma grande tolice. Suínos devem viver como suínos e morrer depois de dar tudo o que
têm para seus criadores. Não há necessidade de viverem de outra maneira. Como não há
sentido em permitir que eles vivam de maneira diferente, não há sentido em permitir
que eles escolham de forma diferente.”

“Bem, isso foi uma maneira muito dura de olhar para eles, mas eu concordo, até certo
ponto. É preciso educação básica para servir como uma engrenagem para girar nas rodas
da sociedade. É assim que as pessoas devem viver, envelhecer e morrer. Permitir que a
tecnologia se espalhe só ameaçaria nosso poder — Hum?”

“Ainz-sama, o senhor está bem?”


“Eu me lembro de ter ouvido essas palavras antes. Alguém disse para outra pessoa, mas
quem? Narberal e... ah, Lupusregina. Quando ela estava perguntando sobre as poções de
cura... Eu acho que não há necessidade de contar a você já que você já sabe, Albedo. Oh,
que gafe a minha, por favor, não dê atenção.”

“Claro que não, acredito que preciso entender suas profundas percepções, Ainz-sama.
Por favor, compartilhe-as comigo.”

“É, é mesmo... Bem, embora isso me envergonhe um pouco, eu não posso ser o único
compartilhando meus pensamentos. Se você está descontente com qualquer coisa que
você ouve, por favor sinta-se à vontade para me corrigir.”

Não havia nada mais embaraçoso do que agir como um sabe-tudo na frente de alguém
que ele conhecia bem. Com a preocupação de ser tratado como um idiota em seu coração,
Ainz decidiu compartilhar seus pensamentos sobre o assunto.

Conhecimento, educação e informação eram as armas básicas da humanidade — que


também incluíam seres não-humanos neste mundo. À medida que o conhecimento de
uma nação aumentava, também aumentava seu poder, mas, por outro lado, ressenti-
mento por saber que não poderia ter tudo aumentaria.

Assim, um governante tinha que considerar se devia ou não armar as massas com a arma
chamada de conhecimento, porque aquela arma poderia algum dia ser apontada para o
próprio governante.

No jogo chamado YGGDRASIL, Ainz tinha aprendido a importância de possuir informa-


ções. Foi por isso que ele trouxe os dois herboristas da família Bareare para o Vilarejo
Carne, onde ele podia ficar de olho neles e mandar fazer poções. Isso foi para que ele
pudesse monopolizar os frutos de suas pesquisas e acumular qualquer conhecimento ob-
tido com isso.

Do ponto de vista de Ainz, aqueles que foram governados deveriam agir, viver e morrer
na ignorância. No entanto, é necessário desenvolver novas tecnologias à medida que o
poder de uma nação aumenta. No final, a questão era para quem as lanças do conheci-
mento seriam apontadas.

“Em suma, devemos apenas compartilhar nossas novas tecnologias com aqueles que são
absolutamente fiéis a Grande Tumba de Nazarick. Nós daremos ao pessoal comum uma
tecnologia ultrapassada que não representa uma ameaça para nós. O “Fruto do Conheci-
mento” só tem valor quando nós o possuímos sozinho.”

Depois que ele chegou a essa parte, ele deu uma olhada em Albedo, para ter certeza de
que ela não duvidava ou desconfiava dele.

“E agora, isso é o que eu estou realmente desejando. Albedo, em contraste com o que
acabei de dizer, acho que devemos aceitar essa sugestão.”
Os olhos de Albedo se arregalaram por um momento.

“Posso saber o que te levou a essa conclusão?”

“Sentimentalismo. Além disso, sinto que a Yuri tem razão.”

“Ainda assim, eu sinto que há muitos deméritos para essa sugestão... ou você está di-
zendo que pretende testá-lo nos arredores? Depois de fechar todos os vazamentos de
informação e depois começar a educação por meio de lavagem cerebral, os méritos co-
meçarão a aparecer.”

“Nós não faremos isso. Embora isso possa desviar um pouco da sugestão de Yuri, encon-
traremos um orfanato nesta cidade.”

Enquanto Ainz vivia aqui como Momon, ele ouvira falar dos orfanatos administrados
pelos templos. Ele imediatamente teve a idéia de fundar um orfanato em nome de Ainz
Ooal Gown.

“De qualquer forma, devemos considerar a possibilidade da tecnologia de Nazarick va-


zar para o mundo exterior. Deveria estar bem se administrássemos um orfanato regular
e limitássemos o conhecimento que ensinamos àqueles próximos a nós. Se encontrarmos
pessoas talentosas, poderemos considerar o que fazer com elas.”

“...Entendo. Esse arranjo não deve causar nenhum problema.”

“Então, pretendo usar viúvas para o pessoal do orfanato.”

“As mulheres que perderam seus maridos na batalha onde o senhor demonstrou uma
fração do seu poder magnifico. Isso servirá como ajuda financeira para aquelas mulheres
que estão lutando abaixo da linha da pobreza. E, de fato, tal ajuda apenas melhorará a
opinião popular sobre o senhor... como esperado Ainz-sama.”

“Uhum, entretanto, se nós apenas agirmos depois que o Momon nos contar sobre a situ-
ação das viúvas, então apenas sua reputação irá melhorar, e não a minha. Assim, devemos
agir rapidamente, antes que alguém possa pedir ajuda a ele. Para conseguir isso... ordeno
que Pestonya e Nigredo sejam libertadas do confinamento.”

Ainz sentiu um leve brilho nos olhos de Albedo.

“Perdoe a minha franqueza... mas se o senhor conceder anistia àquelas que foram julga-
das culpadas por desobedecer ao seu comando e perdoá-las, temo que isso possa atrapa-
lhar a ordem e a lei em Nazarick.”

“Nós não as colocamos em confinamento para isso?”


“Isso é uma punição muito leve. Sua vontade é tudo para nós, Ainz-sama. O crime de
desobedecer ao seu comando é totalmente imperdoável. Seus servos alegam que elas de-
vem ser aliviadas do peso de suas cabeças, isso servirá como um aviso para os outros.”

“Se fosse esse o caso—”

Ainz queria dizer que era uma questão mesquinha, mas as mulheres eram motivadas
por sua reverência a Ainz — um dos 41 Seres Supremos. Seria muito trágico negar essa
lealdade.

Ainda assim, foi por isso que ele teve que perdoar as duas. Suas personalidades foram
criadas pelos antigos amigos de Ainz. Assim, pode-se dizer que as ações de Pestonya e
Nigredo foram equivalente à de seus amigos.

Ainz sabia que se ele desse uma ordem a Albedo, ela obedeceria sem questionar. No
entanto, esse seria um último recurso para ele. Primeiro, ele teve que tentar persuadi-la
com palavras.

“—O fato é que permitir que essas ordens vazem para o mundo exterior seria proble-
mático. Qualquer um seria capaz de ligar os pontos e rastrear o incidente na Capital Real
de volta a Nazarick, escondendo-se nas sombras. Foi por isso que até as crianças peque-
nas tiveram que ser eliminadas. No entanto, as duas estavam apenas tentando defender
os bebês que não tinham lembranças do incidente, o que significava que não havia ne-
cessidade de eliminá-los. Pode-se dizer também que elas entenderam com precisão mi-
nhas intenções.”

“Elas estavam simplesmente distorcendo os fatos para sua própria conveniência. Suas
ações são imperdoáveis.”

“Albedo—”

Ele entendia os sentimentos de Albedo como a Supervisora Guardiã. Foi por isso que ele
teve que pensar o máximo que pôde para convencê-la.

Ainz sorriu; um sorriso amargo e perturbado. Claro, sua expressão não mudou.

“Ainz-sama, esse seu olhar é muito injusto...”

Albedo murmurou, com bochechas rosadas. Ainz acariciou seu rosto, como se para ve-
rificar.

“Oh, isso agora?”

“Mm, isso é...”


Albedo suspirou impotente e deixou a cabeça cair. Ela fez *Haa~* quando exalou pro-
fundamente.

Quando ela levantou a cabeça novamente, ela voltou ao normal.

“Compreendo. Nada é mais importante que seus desejos, Ainz-sama. Eles são tudo para
mim. Por favor, me conduza como achar melhor.”

“Eu não quero que você me obedeça por causa de seus sentimentos. Eu quero que você
me obedeça porque é a coisa sensata a fazer.”

“Isso não será um problema. Com toda probabilidade, ninguém em Nazarick se oporá a
libertar aquelas duas além do meu eu de antes.”

“Mesmo... então isso é bom. Coloque as duas como encarregadas de administrar o orfa-
nato.”

“Compreendo. Vou transmitir suas instruções para elas.”

“Eu vou deixar isso para você. Então — a próxima sugestão.”

Ainz murmurou para si mesmo. A sugestão seguinte foi uma que ele havia escrito.

“...Ghrun. Bem, esta não é uma sugestão muito boa... eh, faz parte.”

Ainz deu uma espiada na expressão de Albedo e continuou a falar.

“Façamos um uniforme para atividades atléticas — roupas de ginástica — para fortale-


cer a unicidade de Nazarick. O que acha?”

Assim que ele terminou de falar, Albedo franziu as sobrancelhas com raiva.

“...Se houvesse um limite inferior para a definição da palavra 'inferior', essa idéia certa-
mente conseguiu passar por ela. Quem fez essa sugestão, afinal?”

Ainz fez um esforço supremo para verificar o seu impulso de dizer, “me desculpe”, em
vez disso, assumiu uma expressão preocupada.

“Er, isso — eu não tenho certeza. Eu descartei a folha de papel original.”

“Eu não posso imaginar o quanto paciente teve que ser. Como alguém poderia desper-
diçar seu precioso tempo com uma sugestão totalmente idiota, Ainz-sama? Vamos ime-
diatamente iniciar uma investigação para erradicar essa pessoa e determinar a punição
apropriada.”
“...Não! Não há necessidade disso! Ouça, Albedo! Você não deve fazer isso, não importa
o que aconteça!”

Embora ele estivesse desesperado em seu coração, Ainz conseguiu estufar seu peito:

“Eu disse a todos em Nazarick que, para incentivar o feedback de muitos ângulos, não
vou censurá-los por nenhum tipo de sugestão feita a mim. Se você repreendê-los por isso,
isso transformaria minhas palavras em mentiras. Isso também significaria que tudo o
que digo no futuro também seria uma mentira. Além disso, é difícil para as pessoas ame-
drontadas darem as suas opiniões... portanto, espero que, uma vez que você saia desta
sala, esqueça essa sugestão.”

“Sim, como deseja. É exatamente como diz, Ainz-sama.”

“Ótimo, ótimo. Você deve fazer isso.”

Ainz estava profundamente grato pelo fato de que seu corpo não podia suar. Se esse não
fosse o caso, o plenário provavelmente estaria encharcado agora. No entanto, apesar da
maravilhosa constituição de seu corpo e mente, a palavra “inferior” ficou presa no fundo
do coração, deixando uma ferida que não se curaria por muito tempo.

“... Ainz-sama, tenho uma proposta. No futuro, permita-me selecionar as sugestões.


Dessa forma, o senhor não será incomodado por tais insensatas sugestões novamente.”

“Guh... não, não há necessidade de incomodá-la com isso. Além disso, se você selecionar
todas, então meu papel seria meramente assinar as suas escolhas. Nossas discussões aqui
se tornariam sem sentido.”

“Ah, sim, isso mesmo, Ainz-sama. Devemos trabalhar juntos.”

As asas de Albedo se agitaram e os Eight-Edge Assassins se contorceram mais uma vez.

“Tudo bem. Já que você entendeu, vamos passar para o próximo, Albedo.”

Pessoalmente, ele não achava que a sugestão fosse impraticável, mas o clima no ar não
era aquele que lhe permitiria evocar isso e, ele não se sentia confiante o suficiente para
mencionar outro tópico semelhante.

“Então o próximo—”

Assim que Ainz estava prestes a continuar lendo, um som de batida veio da porta.

Os dois olharam para Fifth. Ela se curvou um pouco e depois foi ver quem eram os visi-
tantes.
Uma voz animada de criança veio através da abertura na porta, junto com uma voz
quase inaudível que não tinha qualquer confiança.

...Não é a primeira vez que os dois vieram aqui a esta hora do dia? Aconteceu alguma coisa?
Se for esse o caso, provavelmente é bom que Albedo esteja aqui também.

Como Ainz já sabia quem eram os visitantes, ele poderia imediatamente ter permitido a
entrada deles. No entanto, Fifth parecia muito feliz em desempenhar suas funções, e con-
ceder-lhes permissão para entrar antes que ela pudesse anunciar seus nomes significaria
ter que interrompê-la.

Passar por cima do trabalho pode fazê-la perder a motivação para trabalhar. Era impor-
tante que as pessoas no topo entendessem e levassem esses assuntos em consideração.

Eu acho que o Jircniv faz isso também. Afinal, ele deixa muitas coisas para suas emprega-
das...

Pensou Ainz, enquanto comentava sobre o modelo como um rei que ele vinha estudando
constantemente.

Em algum momento, eu deveria ter uma conversa descontraída com ele sobre os fardos do
governo.

“Ainz-sama, são Aura-sama e Mare-sama.”

Agora que ela completou suas ordens, Ainz indicou que os dois tinham permissão para
entrar em seu escritório.

A porta se abriu e um par de pequenos Elfos Negros entrou. Seus sorrisos radiantes não
pareciam indicar que algo problemático havia acontecido, e Ainz ficou aliviado.

“Bo’dia! Ainz-sama!”

“B-b-bom dia, Ainz-sama.”

“Bom dia. Vocês dois parecem muito animados hoje.”

Os dois cumprimentaram Albedo também. Aura deu a volta na mesa e se posicionou ao


lado de Ainz.

Uma vez que ela estava muito perto dele, ela estendeu as duas mãos, fazendo dois sinais
“V” de vitória.

“Hm.”

Ela não disse nada ao frustrado Ainz, apenas levantou as mãos e fez os sinais.
Seus olhos brilhantes, tão cheios de antecipação, caíram sobre ele, e então ela começou
a pular de pé para pé.

Depois de perceber o que ela queria, Ainz puxou a cadeira para trás, agarrou Aura sob
as axilas e a pegou.

“O que está fazendo, Ainz-sama—”

Ainz não deu atenção ao grito estrangulado de surpresa de Albedo. Em vez disso, ele
virou Aura 180 graus, de costas para ele, e então ele a sentou em sua coxa direita.

Ao contrário de uma coxa normal, os ossos eram duros, então Ainz teve que colocá-la
paralela a ela, permitindo que as nádegas macias de Aura a protegesse do incomodo.

“Ehehe~”

Foi uma risada um tanto acanhada, mas completamente encantadora de Aura, e Ainz
retribuiu com um sorriso. Então, ele se virou e acenou para Mare de aparência inquieta.

Ele pegou Mare quando ele se aproximou e colocou-o em seu fêmur esquerdo.

“Ah, hum, Ai-Ainz-sama, e, e quanto a mim?”

Enquanto Ainz se perguntava se deveria conseguir algum tipo de almofada, foi a vez de
Albedo falar nervosamente. No entanto, era muito embaraçoso deixar uma mulher adulta
sentar em sua coxa — fêmur.

“Não, isso... eu não posso.”

“Mas, mas, esses dois...”

“...Albedo, são apenas crianças. Você é um adulta, não é?”

Por um momento, ele pensou ter visto algo por trás de Albedo — um flash de luz que
era a manifestação física do golpe que ela acabara de sofrer. Embora ele se sentisse um
pouco triste por ela, o constrangimento ainda era constrangedor. Além disso, se ele real-
mente continuasse com isso, poderia ser enquadrado como assédio sexual.

“Então. Vocês dois querem contar alguma coisa?”

A fortaleza na Grande Floresta de Tob — a falsa Nazarick, ou talvez um depósito de re-


cursos — havia sido completada por enquanto.

A próxima tarefa de Aura era esconder a fortaleza e fortalecer suas defesas.


O plano original era fugir para lá se os inimigos aparecessem e esconder versão verda-
deira de Nazarick, mas agora Jircniv conhecia a localização da Grande Tumba de Nazarick.

Sendo esse o caso, agora serviria como um bunker e um depósito de recursos.

Mare, por outro lado, foi encarregado de cavar uma tumba subterrânea nos arredores
de E-Rantel.

Não havia planos para utilizar essa instalação imediatamente. Foi simplesmente porque
ele tinha a mão de obra disponível, mas nenhum lugar para usá-la.

O uso de humanos para tal trabalho incorreria em custos trabalhistas, mas os Golems e
os undeads não tinham esse problema. Além disso, eles poderiam usar a magia de Mare
para produzir pedras simples.

A propósito, entre os outros Guardiões, Shalltear foi designada para os deveres de tele-
transporte relacionados com magias como 「Gate」 e também a segurança de Nazarick.
Cocytus estava no comando da aldeia Lizardman e seu lago nas proximidades. Demiurge,
por outro lado, estava em uma missão para o Reino Sacro.

Em outras palavras, todos os Guardiões de E-Rantel estavam agora nesta sala.

Como as tarefas já haviam sido atribuídas, o que os dois estavam fazendo aqui?

Aura alegremente respondeu à pergunta de Ainz:

“Nós viemos aqui para ver você, Ainz-sama!”

Suas palavras inocentes trouxeram um sorriso radiante para o rosto de Ainz.

“Entendo. Também estou muito feliz por ver vocês dois.”

Ainz fez um afago na cabeça de Aura. Aura pareceu achar muito confortável e se esfre-
gou na mão de Ainz. Era como brincar com um cachorrinho adorável.

“Então, então. Ainz-sama, o-o que o senhor está fazendo? Espero que não tenhamos cau-
sado problemas...”

“Sim—”

“Certamente não. Como você poderia causar algum problema para mim?”

Ainz gentilmente respondeu a Mare.

Ainz então se virou para Albedo.


“Perdoe-me, Albedo. Eu me distraí quando estávamos prestes a começar um novo tópico.
Ah, sim, sinto o mesmo quando encontro você.”

“S-Sim!”

Disse Albedo, seu rosto ficou vermelho como uma maçã, ela fez beicinho e tentou pare-
cer séria.

“Ainz-sama!”

O que é?

Ainz pensou enquanto seus olhos se arregalaram.

“Buwaa!”

Ainz se perguntou se ele havia ouvido algo errado.

O que foi que ela disse?

Como se quisesse informar a Ainz que sua audição estava bem, Albedo disse “Buwaa!!”
novamente, com uma voz terrivelmente tímida.

...Ela provavelmente está tentando agir como um bebê. Não, o mais assustador seria se ela
tentasse agir como qualquer outra coisa. Ainda assim, por que ela está fazendo isso? Ela
está cansada de trabalhar demais? Ah! Isso pode ter algo a ver com a Nigredo e liberá-la
do confinamento.

Confusão oprimia Ainz apesar de seu corpo undead e, ao mesmo tempo, Mare começou
a se mexer desconfortavelmente em seu assento improvisado.

“Isso, hum, tudo bem para mim, então, hum, eu deveria deixar a Albedo-sama...”

Essas palavras foram como uma revelação para ele.

Agora a pouco, eu disse que estava tudo bem porque eles são crianças, então, como adulta,
você deveria ser capaz de suportar isso. É por isso que ela está fingindo ser criança agora?
Ainda assim, por que um bebê? E além disso, deixar a Albedo sentar na minha coxa também
é...

Dito isto, ela tem proporções bem embaraçosas para ser posicionada.

Eu não posso simplesmente ignorar isso, tanto como um ser superior quanto como um ho-
mem. Além disso, Albedo é uma “criança”, não como a Aura e Mare, mas ainda assim uma
criança. Eu devo ser justo com ela.
“Perdoe-me, Mare.”

Disse Ainz. Tendo resolvido a si mesmo, deixou Mare sair de sua perna e chamou Albedo.

“Senta aqui, Albedo.”

“Sim!”

A timidez de Albedo de antes desapareceu como névoa no sol da manhã, substituída por
um olhar de antecipação que um filhote de cachorro poderia ter antes de dar um passeio.
Em um instante, Albedo se moveu para o lado de Ainz.

Albedo também fez os sinais em “V”.

Foi um tanto difícil para Ainz fazer enquanto estava sentado, mas mesmo assim ele co-
locou as mãos sob as axilas e a levantou.

“...Hum, desculpe por isso. Você se importaria de se sentar como ela?”

“Claro! Entendido!”

Albedo ocupou a posição de Mare na coxa esquerda de Ainz e se mexeu de maneira sen-
sual.

A primeira coisa que Ainz sentiu foi sua suavidade. Ao contrário das crianças, era a su-
avidade de um corpo adulto. Então, o calor fluiu para ele, o que o deu um pouco de comi-
chão.

Mesmo assim, ela é muito macia!

Ela poderia ser uma guerreira de nível 100, mas ele não tinha idéia de onde seus mús-
culos tinham ido. Alguém poderia dizer isso de uma maneira menos educada e se per-
guntar se ela era um molusco.

“Kufufufu~”

Ele ouviu o riso silencioso de Albedo.

Uma fragrância flutuou dos longos cabelos de Albedo. Isso fez cócegas no olfato de Ainz.

“—Mm?”

Neste momento, algo surgiu dentro do cérebro inexistente de Ainz.

Esse perfume é familiar; onde eu cheirei isso antes? Roupas da Albedo? Não, o perfume
dela?
Ainz tinha certeza de que ele havia se deparado com o cheiro que Albedo estava emi-
tindo no passado. No entanto, ele não tinha idéia de onde o sentira e não conseguia se
lembrar dos detalhes.

“Mmm... Albedo. Você está usando algum tipo de perfume?”

“Sim, eu uso perfume. Isso te desagrada?

“Não, claro que não, cheira bem.”

Albedo virou apressadamente o rosto para Ainz. Seus olhos esbugalhados assustaram
Ainz um pouco.

“Mesmo, Ainz-sama?! Se o senhor quiser, que tal me cheirar? Por uma hora, mesmo um
dia inteiro estaria bem também!”

“Não, além disso, uma hora seria até de...”

Ainda assim, não importa o que ele dissesse, era um fato que ele estava um tanto inte-
ressado. Além disso, se ele a cheirasse, poderia recordar mais detalhes sobre esse cheiro.

“Então, posso cheirar só um pouco?”

Ainz cuidadosamente aproximou seu crânio de Albedo e inalou seu aroma. Já que ele
estava mais perto dela do que antes, ele podia sentir aquele cheiro agradável mais clara-
mente. Como ele pensava, era familiar, mas ele ainda não conseguia localizar onde o ha-
via encontrado antes. Assim como Ainz estava quebrando sua mente para resolver o mis-
tério em sua cabeça, uma voz fria chegou aos seus ouvidos.

“...Ainz-sama.”

Embora ele não tivesse idéia de quem era por um momento, aquela voz claramente per-
tencia a Aura. Ainz nervosamente se virou para olhar para ela, e viu que Aura estava fa-
zendo beicinho com as bochechas infladas.

“Isso parece meio pervertido.”

“Ah, desculpe...”

Ela tinha uma certa razão...

Ainz se amaldiçoou por fazer algo assim na frente das crianças. Isso teria um efeito ne-
gativo em sua educação sexual. Era por isso que ela se dirigira a ele no mesmo tom que
sua velha amiga fazia quando estava com raiva de seu irmão mais novo.
“Então Albedo, Aura. Por favor, levante-se. Ah, Albedo, vamos continuar discutindo esse
assunto a partir de agora.”

No entanto, não houve movimento.

Ambas permaneceram imóveis. Elas estavam esperando o outro lado sair primeiro.

“Haja paciência...”

Ainz pegou Aura e a colocou no chão ao lado dele. Uma risada calma de “Kufufufu~” veio
do lado de Albedo.

“...Aura foi quem se sentou primeiro. Albedo, é melhor você descer também.”

“Mas, mas... Aura está sentada há três minutos e quarenta e um segundos. Eu só estou
sentada há cinquenta e sete segundos. Embora possa parecer insensato, acredito que de-
veria poder sentar-me por mais três minutos.”

“Você já não passou mais tempo perto de Ainz-sama?”

“Não era evitável, pois foram assuntos relacionados ao trabalho.”

“Oh, trabalho, é isso? Você só veio aqui para o trabalho? Eu vim até aqui só para ver o
Ainz-sama, e você sabe disso.”

“!!”
Albedo balançou as nádegas na coxa de Ainz, ajustando sua posição para encarar Aura
nos olhos.

Ainz pensou:

Eu posso adivinhar porque a Albedo queira se sentar na minha coxa, mas por que a Aura
quer fazer isso? Não é como se ela me amasse como a Albedo...

Ele não conseguia lembrar o que ele tinha feito para fazer uma garota como Aura amá-
lo. O sentimento chamado amor deveria ter sido um mistério para Aura. E então — Ainz
finalmente encontrou a resposta.

“Entendo. Então ela estava sendo possessiva.”

Além disso, ela pode desejar o amor de um pai. Aura e Mare foram concebidos como
crianças, e eles ainda estavam em uma idade em que seus pais cuidariam deles. Talvez
eles estivessem inconscientemente olhando para Ainz para preencher essa lacuna em
seus corações.

Se houvesse um país de Elfos Negros, ele considerara a possibilidade de enviá-los para


fazer amigos. No entanto, Suzuki Satoru não tinha experimentado o amor de um pai, en-
tão ele sentiu que poderia ser um pouco tarde para isso.

Eu me pergunto se há livros para educação sexual infantil na biblioteca?

Estava tudo bem quando eram apenas dados. No entanto, ele estava pensando até agora,
e notou que ainda havia algumas coisas faltando para o crescimento mental saudável de
Aura e Mare.

Como eu pensei, eles realmente precisam fazer amigos Elfos Negros! Vamos fazer disso
uma prioridade. Sendo esse o caso—

“Aura. Há algo que gostaria de perguntar; O que aconteceu com as três Elfas que deixei
com você e Mare?”

“Você quer dizer as Elfas que puseram os pés em Nazarick, mas que foram perdoadas
por sua misericórdia, Ainz-sama?”

Ainz assentiu.

Na ocasião da invasão planejada dos Trabalhadores, Ainz entregou as escravas elfas


para Aura e Mare. Normalmente, qualquer um que entrasse em Nazarick sem convite não
teria permissão para sair com suas vidas. No entanto, elas provavelmente não estavam
lá por vontade própria, e elas não tinham intenção de pegar os tesouros de Nazarick por
conta própria. Sendo esse o caso, era razoável mostrar-lhes alguma medida de bondade.
Além disso, se fossem Elfos da Floresta, provavelmente teriam um efeito benéfico no
desenvolvimento de Aura e Mare.

“Sim. No momento, colocamos todas no nosso Andar.”

“Onde elas estão?”

“Sim. Como direi isso... elas não têm nada para fazer, mas continuam tentando cuidar de
nós. É um pouco chato como elas ficam por perto.”

“Isso, isso mesmo. Como, nossas, nossas roupas e assim por diante. Eu, eu posso me
vestir, mas elas continuam vindo para me ajudar...”

“Você precisa se recompor. Elas continuam tentando te vestir porque você continua
agindo assim. Olhe para mim, eu não tenho esse problema, ou tenho?”

Entendo, então elas querem fazer alguma coisa. Assim como as empregadas em volta de
mim. Eu sinto sua dor, Mare. Ainda assim, isso significa que as três pessoas que resgatei não
são completamente inúteis, afinal. Seria ruim para as ex-escravas ensinar educação sexual?
Hm~

“Bem, nós salvamos suas vidas. Não as mate por impulso, mesmo que seja enervante. Se
você acha que elas são realmente problemáticas, diga-me e vou enviá-las para outro lu-
gar.”

“Saquei! Avisarei quando chegar a hora.”

Ainz olhou para Mare, que estava com a cabeça abaixada e murmurou “O que” para si
mesmo. Então, ele olhou de forma um pouco gelada para Albedo.

“Albedo, está na hora de sair. Já fazem mais de três minutos.”

Albedo pareceu desapontada por um momento, mas ela ainda obedientemente desmon-
tou da coxa de Ainz sem dizer nada.

“Pensando nisso, o que vocês dois estavam fazendo, Ainz-sama?”

“Hm? Ahhh. Eu reuni sugestões de pessoas em Nazarick sobre como melhorar este país.
Ah, isso mesmo. Vocês dois também. Se vocês tiverem boas idéias, por que não tentar?
Eu vou ouvir qualquer coisa, sabia?”

O rosto de Aura se iluminou.

“Se você diz, Ainz-sama! Então eu tenho uma grande idéia!”

“Hohoh — E o que seria isso, Aura? Vamos, me diga.”


“Sim! Eu acho que os meninos devem se vestir como garotas e as garotas devem se vestir
como garotos!”

Bukubukuchagama—!

Ainz gritou o nome de sua antiga camarada de guilda internamente.

Por um momento, Ainz chegou a ver a imagem fantasma de um Slime rosa dizendo “Des-
culpe~!” Em uma voz adorável que estava completamente em desacordo com sua apa-
rência.

“Entendo. Então essa foi a idéia de Bukubukuchagama-sama. É certamente uma exce-


lente proposta. Além disso, neste país, qualquer decisão dos Seres Supremos certamente
será a correta.”

Correta?

Ainz queria tirar sarro de Albedo, mas ele não podia fazer isso.

De qualquer forma, essa idéia não poderia acontecer. No entanto, havia um problema
com isso.

Os dois apenas se vestiram assim porque Bukubukuchagama os projetou dessa maneira.


Se Ainz negasse a idéia de Aura, ele teria que explicar o motivo exato para os outros.

Ainz não conseguia pensar imediatamente em tal explicação.

“Ainz-sama. Devemos implementar a sugestão de Aura imediatamente?”

Por que você está aceitando a decisão tão rápido?!

Ele estava sem tempo.

Se ele concordasse com essa sugestão, estaria declarando a todas as partes dentro e fora
do país que o Reino Feiticeiro de Nazarick era uma nação que valorizava o cross-dressing.
Isso seria incrivelmente ruim. Talvez apenas Bukubukuchagama estivesse interessada
nisso. Não, se Bukubukuchagama estivesse neste mundo, Ainz sentia que ela definitiva-
mente não iria querer fazer um país assim.

Se elas soubessem que os NPCs haviam desenvolvido seus próprios egos, algumas pessoas
ficariam intrigadas e desejariam conhecê-los, enquanto outros gostariam de evitá-los. Bu-
kubukuchagama provavelmente cairia no último grupo. Yamaiko e Ankoro Mochimochi
provavelmente gostariam de conhecê-los. Afinal, elas são bem diferentes, apesar de todas
serem meninas...
Enquanto ele relembrava sobre elas, Ainz levantou-se lentamente e olhou pela janela.
Claro, essa ação não tinha significado especial. Ele estava simplesmente tentando ganhar
tempo. Uma vez que ele teve uma idéia aproximada do que ele ia dizer, Ainz se virou para
olhar para os três.

“Eu não posso permitir essa idéia.”

“Por que, por que isso?”

Claro que perguntariam isso... Quero dizer, dar máscaras para solteiros no Natal ainda
seria uma lei melhor do que isso...

Ainz suspirou. Claro, essa ação não tinha significado especial. Ele estava simplesmente
tentando ganhar tempo.

“Há muitas razões complexas para isso, Albedo. Você precisa de mim para explicar todos
e cada uma delas?”

“S-Sim. P-por favor, se você não se importar.”

Ainz estava planejando dizer isso para Albedo, mas foi Mare quem pediu.

Ele normalmente é um menino tão honesto; Por que ele está sendo tão perverso agora?

Ainz pensou com tristeza. Se fosse Albedo, ela teria definitivamente dito: “Não há neces-
sidade disso. Permita-me explicar a vocês dois em nome de Ainz-sama”. Mas sob essas cir-
cunstâncias, Ainz tinha que fazer isso sozinho.

“...Mesmo. Então, eu vou iluminar você. Mas de onde devo começar para facilitar a com-
preensão...?”

Ainz disse “Uhum”, e apoiou o queixo com a mão. Escusado será dizer que também foi
para comprar-se tempo. Ainz se forçou desesperadamente a pensar, com tanta força que
achou que seu cérebro começaria a suar, e então uma idéia lhe ocorreu.

“—Primeiramente, ah sim, deveria ser isso. Vocês dois devem sentir que por estarem
vestidos dessa maneira, todo o país deve se vestir como vocês também, estou certo? Afi-
nal, você deve sentir que essa foi a vontade da Bukubukuchagama-san. No entanto, isso
seria incorreto. —Sim, vocês dois são especiais.”

“Somos especiais?!”

“De fato vocês são. Vocês dois são especiais para a Bukubukuchagama-san. É por isso
que você tem permissão para se vestir dessa maneira... então vocês pretendem conceder
essa honra para muitas pessoas que vocês não conhecem?”
“Como poderíamos?!”

A pessoa que retorquiu tão alto foi — surpreendentemente — Mare.

“Nunca! Eu nunca deixarei ninguém além da Nee-chan ter essa honra que Bukubuku-
chagama-sama nos deu!”

“Isso, isso mesmo. É assim que é. Você entende, Aura?”

“Sim! Eu fui tão estúpida que não pensei em como a Bukubukuchagama-sama se sentia!”

“Além disso...”

Aura e Mare já haviam aceitado esse raciocínio. Deve ser bom sair lentamente do tópico
agora. No entanto, havia mais uma coisa que preocupava Ainz.

Ainz murmurou alguma coisa sobre haver várias outras razões, e ele espiou Albedo en-
quanto murmurava.

Alguém tão extraordinária quanto ela provavelmente teria pensado mais à frente do que
Ainz. Ela acharia estranho se ele terminasse o assunto agora? Isso foi o que fez Ainz des-
confortável.

Quando seus olhos se encontraram, Albedo sorriu e depois inclinou o pescoço.

Não sabendo o que essa resposta significava, Ainz desviou os olhos. E então, se deparou
com um Elder Lich na frente dele. Ainz olhou distraidamente os documentos que ele es-
tava segurando.

“—Ahhh. Então o senhor estava pensando sobre isso também, Ainz-sama. Afinal, o se-
nhor estava olhando mais para esse documento. Deveria estar tudo bem em dizer a eles
também, não?”

Ainz se virou para Albedo novamente quando ela falou de repente.

“—Humm. Então você também pensou nisso, Albedo.”

“Sim. Eu queria saber se o senhor mencionaria essa idéia também, Ainz-sama. Eu acre-
dito que o que o senhor está pensando é se deve ou não explicar para os dois, estou certa?”

“Como esperado de você, Albedo. Você conhece meus pensamentos sem a necessidade
de explicação.”

“O senhor é muito gentil.”


Albedo sorriu e abaixou a cabeça. Por outro lado, Aura encheu as bochechas com irrita-
ção.

“Ainda assim, não posso acreditar que não tenha pensado na vontade de Bukubukucha-
gama, embora fosse a coisa mais importante a considerar. Como esperado do nosso cri-
ador, nosso soberano. Eu nunca serei capaz de igualar suas decisões sábias, feitas consi-
derando inúmeros pontos de vista.”

“Não, não diga isso, Albedo. Tenho certeza de que você mostrará os talentos que exce-
derão o meu algum dia.”

O fato é que já me supera com vantagem.

Ainz sentiu vergonha de si mesmo ao pensar nisso, mas Albedo simplesmente assentia
com a cabeça cheia de convicção.

“Sim! Eu devo!”

“Então, que outras razões existem?”

“Não entendeu, Aura? Albedo, explique para os dois. Torne mais fácil entender, assim
uma criança entenderá. Sim, deve ser fácil de entender.”

Depois que Ainz disse isso, ele ficou em silêncio e então olhou pela janela mais uma vez.
No entanto, todos os nervos de seu corpo estavam concentrados em ouvir, porque ele
não queria perder uma única palavra que Albedo dissesse.

“De fato. Na verdade, eu queria tratar isso com o Ainz-sama depois. O fato é que um
pequeno problema surgiu.”

“Ehhh? Alguém lhe causou problemas? Quer que a gente vá lá e acabe com ele?”

“Não, não é bem assim. A verdade é que descobrimos que nossos estoques de recursos
podem não ser suficientes para o futuro. Então, se ordenássemos que todos trocassem
de roupa agora, só poderíamos tomar medidas problemáticas, como trocar roupas velhas
e assim por diante.”

É sério isso!?

Claro, Ainz não podia dizer isso. Tudo o que ele podia fazer era desesperadamente ten-
tar lembrar o conteúdo dos documentos que acabara de ver.

De fato, continha algo sobre recursos, mas a quantidade parecia bastante adequada. No
entanto, se Albedo disse isso, então deve ser verdade.
Em outras palavras, esta é uma situação muito ruim, não? Ainda assim, se esse é o caso,
não podemos simplesmente comprar mais do Reino ou do Império? Uma cidade como esta
deveria ter capital suficiente para isso, certo?

Albedo teve uma resposta às dúvidas justificadas de Ainz:

“Esta cidade era um excelente depósito de recursos e funcionava como uma cidade co-
mercial. No entanto, desde que o Ainz-sama assumiu o controle, os comerciantes dos ou-
tros três países raramente visitam este lugar. Assim, estamos em uma situação em que
nossos recursos restantes estão diminuindo.”

“Se não os tivermos, então vamos pegá-los de outro lugar. Que tal do Império ou do
Reino?”

“Onee-chan, nós, nós não podemos fazer isso. Ah, A-Ainz-sama disse que éramos proibi-
dos de usar a força nesses três países, não?”

De fato. Embora ele não soubesse sobre o futuro, ele havia colocado uma proibição geral
do uso da força militar até que assumisse totalmente o controle da cidade. Claro, se o
outro lado atacasse primeiro, isso era um assunto completamente diferente.

“Então, o que devemos fazer?”

“Er, erm, não precisamos nos preocupar. Afinal, A-Ainz-sama vai resolver isso.”

Você vai despejar tudo isso em mim agora?

Ainz queria refutar Mare com isso, mas ele se forçou a não fazê-lo. Depois que Aura res-
pondeu a Mare com: “Entendo!”, ele não conseguiu trair a confiança que aquelas duas
crianças depositaram nele.

No entanto, um mero funcionário como Ainz não poderia pensar em uma política finan-
ceira adequada. Por causa disso, Ainz decidiu jogar um de seus dois trunfos.

Ainz se virou lentamente e disse com confiança:

“—Albedo. Você está cuidando disso, não é?”

Em outras palavras, ele iria despejar tudo em outra pessoa talentosa (Albedo) e acabar
com isso.

“Sim. Recentemente, as sementes que o Demiurge plantou devem estar prontas para
serem colhidas.”

“Então. Vocês dois não têm com o que se preocupar.”


Seus olhares brilhantes de respeito e adoração fizera Ainz sentir uma pontada de culpa.
Ao mesmo tempo, o medo de ver os olhares de decepção em seus olhos quando desco-
brissem que tudo isso era falso criou raízes em seu coração.

Ainda assim, aquele Demiurge. Eu não sei quais sementes ele plantou, mas ele é realmente
incrível.

Ainz queria perguntar sobre a colheita, mas ele não podia.

Isso porque Ainz Ooal Gown deveria se comportar como uma luz que sabia de tudo.

Eu sei que deveria ter estudado economia, mas eu só podia folhear aqueles livros compli-
cados... eles deveriam ter feito aqueles sobre economia keynesiana e assim por diante mais
fáceis de entender. Ou será que eu não consegui por causa da minha idade?

Ainz foi completamente versado na mecânica de jogo de YGGDRASIL. Este não era um
orgulho ocioso; ele aprendeu mais de 700 magias e memorizou os detalhes de cada uma
delas, uma façanha que chocou seus amigos. Mesmo as magias que ele não aprendeu,
ainda assim se tornaram armas para ele ao ler os pontos fortes de seus oponentes, uma
vez que ele soubesse quais. Foi por isso que Ainz fez o seu melhor para memorizar todas
as magias. Ele estava facilmente entre os cinco primeiros entre seus companheiros de
guilda quando se tratava de conhecimento mágico.

Ainda assim, mesmo ele podendo ter feito isso, ele era completamente ignorante sobre
os acadêmicos.

Eh? Será que não consigo me lembrar de mais coisas porque não tenho cérebro?

Ainz sabia que ele tinha aprendido muitas coisas desde que veio a este mundo, então ele
também sabia que isso era impossível. Ainda assim, ele tremeu um pouco com essa teoria
assustadora.

“E então, eu tenho uma questão que requer sua aprovação, Ainz-sama...”

“—O quê? Você disse aprovação?”

Ainz sentia que as sugestões que Albedo fizesse não requereriam sua aprovação. Afinal,
ela era uma garota inteligente e certamente faria escolhas melhores que as dele. No en-
tanto, se esse fosse o caso, a organização não seria capaz de funcionar corretamente. Afi-
nal, as pessoas no topo tinham que assumir responsabilidade pelas ações de seus subor-
dinados. Por causa disso, parece que os superiores tinham que conceder selos de apro-
vação dessa maneira.

“Alguém deve visitar a Capital Real para incitar esses humanos. O senhor permitiria que
sua serva fosse?”
“O quê?!”

Ainz foi pego completamente de surpresa, e exclamou mais alto que o normal.

Mandar Albedo sair enquanto Demiurge não estava por perto fez Ainz se sentir muito
desconfortável. Além disso, seu controle sobre essa cidade não era perfeito.

Mais do que qualquer outra coisa, a razão pela qual isso foi tão chocante foi porque essa
foi a primeira vez que Albedo falou sobre algo assim.

“...Se eu te mandar para fora... eu ficaria bastante perturbado...”

“Ara~”

Albedo sorriu de prazer antes de continuar:

“Vai ficar tudo bem, Ainz-sama. Vou resolver imediatamente as questões e voltar para o
seu lado.”

“Mesmo... bem, se é só por um curto tempo, tudo bem. Quem receberá o controle de
Nazarick e desta cidade?”

Aura e Mare pareciam bastante surpresos, então obviamente não eram eles.

Espero que não seja eu.

Ainz pensou esperançoso.

“Eu pretendo confiá-los ao Pandora’s Actor.”

Aura e Mare disseram algo do tipo: “Tudo bem se for ele”.

“...Ele.”

“Ele é um excelente indivíduo criado pelo senhor, Ainz-sama. Como dizem, tal pai, tal
filho — ah, peço desculpas. Pensar que nós, que fomos meramente criados, ousaríamos
dizer ser os filhos dos Seres Supremos. Eu rezo para que perdoe minha grosseria.”

O repentino pedido de desculpas de Albedo surpreendeu Ainz — até os pontos verme-


lhos de luz em seus olhos se desvaneceram.

“Não precisa se desculpar. Isto é, bem, meu filho... desculpe. Eu não desgosto dele, isso,
hm... uma criança tola... não, isso não é culpa dele também... Bem, como devo dizer. Ele é
como uma criança. Uhum.”
Antes que ele percebesse, todos ficaram quietos. Ainz sabia que a conversa iria acabar
se isso acontecesse, então ele se fortaleceu e perguntou:

“Se deixarmos o Pandora’s Actor gerenciar isso, o que acontecerá com Momon, quem irá
interpretá-lo? Eu deveria fazer isso?”

“Não, como poderíamos deixar o senhor fazer esse tipo de coisa, Ainz-sama? Eu estava
planejando que Momon aceitasse um pedido e fosse mandado para fora em alguma mis-
são de reconhecimento.”

Mm.

Ainz assentiu. Embora ele pensasse em relaxar assumindo o disfarce de Momon, as coi-
sas agora eram muito diferentes de quando ele estava fazendo o papel de um aventureiro.

Haveria muitas coisas problemáticas, ou coisas que tinham que ser cuidadosamente tra-
tadas. Sendo esse o caso, enviar Momon em uma missão de reconhecimento pode ser a
melhor escolha.

“Ah, s-sobre isso... se você enviar Mo-Momon-sama para fora, como as pessoas nesta
cidade vão se comportar?”

“Vai tudo ficar bem. Este único movimento de Ainz-sama teria um grande impacto aqui.
Porque nós não banalizamos os seres humanos — embora quase não houvesse qualquer
intenção de fazê-lo —, Momon se tornou profundamente confiável. Assim, tudo o que
precisamos fazer é mandar o Momon dizer aos líderes locais para nos obedecer antes
que ele saia e tudo ficará bem. Ainda assim, pensando nisso, eles não têm idéia de que
eles são bonecos sendo manipulados por nossos cordéis, regidos pelo Ainz-sama... Como
eu pensava, só ele poderia ter antecipado essa virada de eventos logo depois de ter sido
transportado para cá e feito os preparativos apropriados.”

“Mm — é meio estranho, como eles confiam no Momon-sama, mas não em Ainz-sama.”

“De fato. Ainda assim, esta é uma parte importante em controlar completamente esta
cidade em nome da paz. Tudo o que precisamos fazer é remover gradualmente o Momon
e instilar lealdade ao Ainz-sama em seu lugar. Isso pode levar vários anos, mas não po-
demos evitar.”

“Ótimo. Então, Albedo, deixe isso para o Pandora’s Actor. Depois de se preparar e entre-
gar suas tarefas, vá e colha a colheita. Há mais alguma coisa que você precisa?”

“Entendido. Então, planejo conduzir algumas negociações quando for ver o rei dos hu-
manos. O senhor poderia guardar um pouco do seu precioso tempo para revisar um ras-
cunho comigo?”

“Uhum. Traga para mim mais tarde.”


Além disso, tudo o que ele estaria fazendo era algo simples como colocar seu selo no
rascunho de Albedo.

“Além disso, embora me envergonhe perguntar, ficaria encantada se o senhor pudesse


me dar várias roupas. Eu estava simplesmente pensando que seria necessário trocar de
roupa lá.”

“Esse é o caso. Então eu lhe darei vários conjuntos de roupas da minha coleção. Venha
me procurar mais tarde. Falando nisso, Demiurge — não, não há necessidade. Está bem.
Então, vamos continuar... hm, já que você veio até aqui, eu gostaria de ouvir vocês dois
também.”

Parte 2

Depois que seus negócios foram concluídos, os três saíram da sala com os Elder Liches,
deixando Ainz e Fifth. E, claro, os Eight-Edge Assassins no teto.

Francamente falando, Ainz não tinha mais trabalho para fazer hoje. O resto do dia seria
basicamente tempo livre. E os assuntos que foram resolvidos mais cedo foram tecnica-
mente simples, assim que terminaram, ele se viu completamente livre. Enquanto ele re-
fletia sobre o que fazer com seu tempo, Ainz de repente pensou em algo e levantou-se.

“Eu visitarei o Pandora’s Actor.”

Com essa ordem, Ainz se adiantou. Fifth seguiu em silêncio. Naturalmente, o mesmo
aconteceu com os Eight-Edge Assassins.

Uma vez que ele deixou sua casa, ele descobriu que o ar livre ainda estava fresco, como
condizente com a estação. O vento tinha um toque de frio, mas Ainz estava completa-
mente imune ao frio. Depois de olhar para Fifth para ter certeza de que ela estava bem,
ele continuou andando.

Este distrito continha três tipos de edifícios: a residência de Ainz, todos os tipos de es-
truturas governamentais, bem como casas de hóspedes. Pandora’s Actor — não, Momon
morava em uma dessas casas de hóspedes.

Normalmente, ele teria convocado Momon diante dele como condizente com seu status
de governante, mas o que ele fez agora foi porque mudou de idéia.

“—Hum? O que é isso?”


Ainz murmurou enquanto se aproximava da casa de hóspedes. Ele estava olhando para
os estábulos que continham a casa de hóspedes em questão. A palavra “estábulo” impli-
cava que seria usado para guardar cavalos, mas agora o único ali era Hamsuke. Ou melhor,
era assim que deveria ter sido.

Um tanto confuso, Ainz se aproximou dos estábulos, e ouviu um silencioso *hyu~ hyu~*
de ronco. O sono era um privilégio de criaturas vivas, então Hamsuke deveria estar den-
tro.

O sol já estava bem alto no céu, mas Hamsuke ainda estava dormindo.

Hamsuke podia ver no escuro como um gato, mas, segundo Hamsuke, ela não era nem
diurna nem noturna. Ela comia e dormia novamente até acordar com fome. Esse era o
seu modo de vida.

Quando Ainz ouviu pela primeira vez sobre isso, ele se perguntou: “Que parte disso soa
como um “Sábio Rei da Floresta”“. Ele se sentiu um tolo por esperar que ela se compor-
tasse como um ser inteligente.

“Ela não nos notou, apesar de estarmos tão próximos. Ela perdeu seus instintos ferozes?
Realmente... é uma degenerada. Não, talvez tenha ela tenha trabalhado durante a noite.”

“Esse não é o caso. Hamsuke-sama esteve aqui também ontem.”

“...Entendo.”

Ainz queria falar com Hamsuke apesar das palavras impiedosas de Fifth, mas ele não
conseguia pensar em nada para dizer.

Bem, ela é apenas um animal de estimação de qualquer maneira. Eu não deveria ter espe-
rado nada dela. Não importa se ela se permitiu cair para esse nível... ainda assim, estou
ocupado com todos os tipos de coisas, mas ela está aqui solenemente. Isso realmente me
irrita... embora eu saiba que estou apenas descontando minha raiva em alguém.

Ele espiou a cabeça para dentro dos estábulos e o hamster gigante estava dormindo no
chão de maneira desprotegida. Tudo o que ela precisava agora era uma bolha gigante do
nariz e seria a própria imagem de uma dorminhoca.

No entanto, havia algo mais que chamava a atenção de Ainz, além da maneira como
Hamsuke estava dormindo como um tio de meia-idade (embora seu corpo não devesse
permitir isso).
[Cavaleiro d a M o r t e ]
Havia um Death Knight e a calda de Hamsuke estava enrolada em sua cintura. Essa cri-
atura undead deve ter sido o que atraiu a atenção de Ainz para este estábulo em primeiro
lugar.
Já que era uma criatura undead que ele havia feito, havia um vínculo entre eles e assim
ele poderia julgar sua localização aproximada. No entanto, agora havia muitos undead
em E-Rantel, de modo que esse senso específico se tornou confuso.

Com toda a honestidade, foi muito difícil para ele discernir minuciosamente a localiza-
ção dos undead que ele havia feito. Mesmo assim, Ainz não se lembrava de estacionar um
nos estábulos, daí a sua confusão em detectar uma reação undead aqui.

“Acorde, Hamsuke.”

“Muuu, sim....”

Seus olhos piscaram como os de um ser humano enquanto seu grande rosto se movia, e
então ela avistou Ainz.

“Ohhhh! Eu estava me perguntando quem era, mas, como se vê, é Milorde!”

“Não importa quem eu sou. Normalmente você deveria estar me chamando de Ainz-
sama, esqueceu? Afinal, você é o corcel de Momon, não meu.”

“Claro que sim, Milorde!”

“Isso é... bem, contanto que você entenda...”

Dito isso, a reação de Hamsuke fez Ainz pensar:

Você realmente entendeu?

Além disso, os animais mágicos não eram particularmente resistentes ao controle men-
tal. Por isso, Ainz emprestou um item a Hamsuke que a tornou impermeável ao controle
da mente, mas ele ainda estava desconfortável que alguém pudesse tentar manipulá-la
através de outros meios que não a magia.

“Bem, desde que você não cometeu nenhum erro até agora, eu confio em você. Então, no
tópico principal. O que há com esse Death Knight?”

“Ohhh! Ele é um amigo que treina com este aqui, Milorde!”

Foi então que Ainz se lembrou.

Ele havia conduzido uma experiência em ensinar artes marciais enquanto Hamsuke es-
tava recebendo treinamento de guerreiro. Em outras palavras, ele usou esse Death
Knight para ver se poderia continuar ganhando níveis como um guerreiro.
Ele havia equipado o Death Knight com artefatos que aumentaram o ganho do XP, mas
isso o enfraqueceria muito. No entanto, no final, o Death Knight não ganhou nenhum ní-
vel. Ainz havia antecipado esse resultado, mas ele não estava zangado. Ainda assim, por
algum motivo, Hamsuke vivia falando sobre o Death Knight, então, no final, ele pegou de
volta os artefatos e deixou o Death Knight com ela.

Então esse é o... Pensando nisso, os pontos em sua armadura parecem arredondados para
baixo... Eu não o emprestei para ser um dakimakura, mas porque eu queria que ele se tor-
nasse um guerreiro, ou talvez dominar alguma técnica... Bem, Não importa. Há Death
Knights de sobra para suprir qualquer demanda. Dar um não vai fazer falta.

Na verdade, havia Death Knights mais do que suficientes, tanto que Ainz não fazia mais
Death Knights quando criava seus undeads rotineiramente.

“É esse o caso. Compreendo. Ainda assim, não importa o que, você costumava ser uma
fera mágica selvagem. É muito problemático que você deixe alguém chegar tão perto sem
perceber. Nós não somos tão furtivos quanto a Aura, somos? Você não deveria estar le-
vando isso um pouco mais a sério?”

Hamsuke parecia deprimida e seus bigodes se abaixaram.

“Este aqui pede sinceras desculpas. Este aqui costumava ser a criatura mais forte na-
quela floresta. Este aqui nunca precisou estar em alerta porque este aqui nunca foi em-
boscado antes.”

“Você deveria ter tido um período... infância... ou algo assim, não? Mas antes disso, não
existia o Gigante do Leste e a Serpente Demônio do Oeste?”

“Quem são eles? Esses senhores... Leste? Oeste? De quem o senhor fala?”

Um ponto de interrogação apareceu na cabeça de Ainz.

“...Eles eram seres que reivindicaram a floresta, assim como você.”

“Hoho~ Este aqui nem sabia que essas pessoas existiam naquela floresta! Como espe-
rado do senhor, Milorde! Sua percepção é de fato aguçada. Este aqui sabia pouco fora do
território deste aqui.”

“Você... você se chama o Sábio Rei da Floresta e você ainda é...”

“No passado, um guerreiro humano que invadiu o território deste aqui se dirigiu a este
aqui de tal maneira. Falando nisso, este aqui poupou aquele guerreiro e aquele guerreiro
apenas, porque este aqui achou que o nome soava bastante impressionante. Ah, que nos-
talgia—”

Ainz sentiu que finalmente havia resolvido o mistério.


Depois que o guerreiro voltou vivo, ele deve ter exagerado muito as histórias de seu
inimigo, Hamsuke. Provavelmente foi uma maneira de justificar sua própria sobrevivên-
cia quando todos os seus companheiros morreram.

Isso também não foi difícil de entender. O fato era que Hamsuke de fato era muito forte
para os níveis deste mundo. De todos os guerreiros humanos que Ainz conhecera, talvez
apenas Clementine e Gazef pudessem ter vencido Hamsuke.

Ainz de repente se lembrou de Gazef.

“Ohh? É alguma coisa, Milorde?”

“Não é nada. Apenas... sim... é só que você não se qualifica como um Sábio Rei da Floresta,
apenas um Hamster da Floresta.”

“Hamsters... — de fato, o senhor falou dessas criaturas antes, Milorde! Então este aqui é
realmente um hamster?”

“Uhum. Você é um hamster gigante.”

“Ohhh! Então este aqui é na verdade um hamster gigante! Então, o senhor sabe onde
encontrar outros membros da espécie deste aqui, Milorde?”

“Isso eu não sei.”

Depois daquela resposta curta, Hamsuke caiu em desespero mais uma vez.

Eu fui muito severo?

Ainz pensou e tentou consolá-la dizendo:

“Eu garanto a todos que servem a Nazarick que eles serão recompensados apropriada-
mente pelo seu serviço. Enquanto você continuar trabalhando para Nazarick, algum dia
encontrarei companheiros de sua espécie para você.”

“Ohhhh!”

Os bigodes de Hamsuke saltaram quando ela se levantou.

“Embora este aqui já fosse leal a Milorde, este aqui servirá ainda mais lealmente a partir
deste dia!”

“Uhum, Uhum. Então, Hamsuke, sobre Momon — não, o Pandora’s Actor está dentro da
casa de hóspedes?”
“O dublê de Milorde? Este aqui não é muito confiante a esse respeito. Afinal de contas,
ele frequentemente monta carruagens e carroças que os humanos desta cidade prepa-
ram para ele, e nem sempre leva este aqui com ele.”

“Ah, parece que me lembro de que ele usa esse tipo de transporte para compartilhar
informações.”

Kuku~

Ainz riu maldosamente.

Tudo se desenvolveu como ele havia previsto. Sob o disfarce de compartilhar informa-
ções com ele, as pessoas diriam coisas para Momon que eles queriam manter em segredo
de Ainz, ou talvez eles pudessem planejar uma intriga entre Momon e Ainz. No entanto,
a verdade era que eles eram os que seriam envenenados pelos pensamentos de Pan-
dora’s Actor.

Ainz era um rei digno de confiança, um ser misericordioso que pensava no povo e assim
por diante.

“Compreendo. Porém... você parece poder usar armadura agora. Se você não tem nada
para fazer, que tal colocá-la e treinar?”

O protótipo da armadura deve estar completo.

“Esse aqui entende, Milorde! Então, este aqui também gostaria de ver aqueles Lizard-
men-donos, se possível.”

“Muito bem. Eu concederei seu desejo. Eu falarei com Cocytus depois e mandarei alguém
aqui.”

“O senhor tem meus agradecimentos imortais, Milorde. Venha, Death Knight-dono! Va-
mos trabalhar arduamente juntos!”

Ainz não prestou atenção à amizade ardente entre uma fera e um cadáver e seguiu em
frente.

Atrás de Ainz havia uma voz que dizia algo como “Realmente — que chato!”. Mas ele não
conseguia pensar no que o Death Knight poderia dizer. Embora Ainz estivesse vagamente
interessado no que Hamsuke estava fazendo, ele logo descartou o pensamento.

Falando nisso, há algum tempo, acho que dei algo a Hamsuke... parece que eu esqueci al-
guma coisa. Ah, bem, se eu não consigo pensar nisso, não deve ser algo tão importante, eu
acho.
A cabeça de Ainz estava cheia desses pensamentos, que ele não conseguia articular. A
sensação era semelhante ao esperar por um espirro que não viria. Ele chegou diante da
porta da casa de hóspedes, mas ele não faria nada como bater. Fifth, que seguia atrás de
Ainz, avançou imediatamente diante dele.

“Abra.”

“Entendido, Ainz-sama.”

Fifth parecia terrivelmente séria quando abria a porta, mas o canto de sua boca parecia
um pouco relaxado. Isto deve ter vindo da satisfação que ela sentia em poder ajudar Ainz
de alguma forma.

Parece que eu estava certo em observar o Jircniv. Eu realmente me tornei um governante


adequado. Certo, esse não é o jeito certo de tratá-la, mas vou continuar estudando-o a par-
tir de agora. Afinal, é para me ajudar a aprender como é ser um Rei.

Ainz não agradeceu a Fifth, mas olhou para a porta aberta.

“—Eight-Edge Assassins.”

“Sim! Prontos para suas ordens!”

Os Eight-Edge Assassins que estavam seguindo atrás de Ainz se formaram rapidamente


em uma linha.

“—Vão.”

“Sim!”

Suas mandíbulas se abriram e fecharam, e então os Eight-Edge Assassins alinhados, res-


ponderam com uma voz que parecia mais forte do que o normal antes de entrar na edifi-
cação. Apenas Pandora’s Actor deveria estar nesta casa de hóspedes. Na ocasião, Narbe-
ral estava aqui, mas na maior parte do tempo, ela estava na Grande Tumba de Nazarick,
cumprindo as ordens de Ainz.

Ele poderia ter deixado uma empregada regular aqui, mas poderia ser problemático se
as pessoas que viessem visitar Momon pensassem que estavam sendo observadas. Assim,
tudo chegara a isso. No entanto, se Pandora’s Actor estivesse aqui sozinho, havia a pos-
sibilidade de que as pessoas que fizeram a lavagem cerebral em Shalltear pudessem se
infiltrar. Assim, Ainz sentiu que era melhor estabelecer algumas contramedidas.

...Ainda assim, para que isso aconteça, alguém precisaria se infiltrar até aqui. Bem, apenas
os tolos não se preparam o suficiente... Mm — ainda assim, quanto tempo devo esperar
aqui? Ou devo seguir em frente? Pelo bom senso, devo esperar aqui. Afinal, os Eight-Edge
Assassins retornarão a mim. No entanto, um Rei realmente deveria esperar na porta?
Depois de hesitar um pouco, Ainz pensou:

Ah, que se dane.

E entrou na casa de hóspedes.

Ele avançou, usando o porte régio e apropriado que havia praticado dezenas de vezes,
de uma maneira que ele achava mais adequado a um governante.

No entanto, em menos de 20 passos, um dos Eight-Edge Assassins retornou e fez a ge-


nuflexão ante de Ainz.

“Ainz-sama, nós contatamos o Pandora’s Actor-sama. Ele se apresentará ao senhor em


breve.”

“Certo. Então vou esperar na sala de hóspedes.”

Ainz tinha estado nesta casa de hóspedes antes, então Ainz tinha uma idéia aproximada
dos cômodos. Depois que Fifth abriu a porta para ele, Ainz se moveu sem hesitação para
o assento principal na sala de hóspedes.

Isso violava muitas das maneiras que ele havia aprendido como assalariado e sentia-se
errado ao fazer isso. No entanto, esta foi uma tarefa fácil para Ainz, que passou muito
tempo praticando para ser um governante.

Pouco depois, uma batida veio da porta. Ainz acenou para a Fifth.

Tendo recebido permissão, Fifth abriu a porta e Pandora’s Actor entrou na sala. Ele não
estava usando magia para aparecer como Momon, mas estava em seu uniforme militar
de costume.

“Oh Supremo, meu criador Ainz-sama—”

“Não precisa me cumprimentar. Sente-se.”

“Sim!”

Ele bateu continência antes de continuar.

Seus movimentos eram tão suaves e enérgicos quanto os de um soldado, mas para Ainz
eram totalmente desnecessários. A melhor palavra para descrever isso foi “overacting”.

E assim, Pandora’s Actor avançou para o lugar ao lado de Ainz e sentou-se.

As pessoas geralmente não se sentam em frente uma da outra?


Todos possuíam uma área ao redor deles chamada seu espaço pessoal, mas Ainz não
pôde deixar de encarar o blitzkrieg impiedoso de Pandora’s Actor sobre ele.

...Bem, acho que está tudo bem. Ainda assim, ele está muito perto...

Ainz inspecionou de perto Pandora’s Actor quando ele se sentou. Ele não sentiu mais o
mesmo choque que teve quando o viu pela primeira vez na Tesouraria. Talvez a passa-
gem do tempo e o encontro várias vezes para dar ordens tenham suavizado o impacto ao
vê-lo.

“Posso perguntar—”

“Não, não é nada, não se preocupe com isso. Tudo bem, tenho algumas coisas para te
perguntar. Primeiro, gostaria de saber sobre a condição de Momon. Eu sei o que você já
relatou para a Albedo... então, há algum problema?”

“Parece que não há nada espec—”

“Certo. Ótimo. Então, eu gostaria de perguntar a você, como Pandora’s Actor, se há al-
gum problema do seu lado?”

O clima no ar mudou.

“Na verdade, Ainz-sama!”

Ainz recostou-se, como se a tremenda presença de Pandora’s Actor estivesse esma-


gando-o.

“Eu, eu sofri muito!”

Quem é aquele que está sofrendo aqui?!

No entanto, Ainz não teve tempo de retrucar antes que Pandora’s Actor continuasse a
falar.

“Durante esse tempo, não consegui tocar em itens mágicos. Eu fui incapaz de cuidar dos
vários itens mágicos criados pelos Seres Supremos. A classificação de cristais de dados
também foi interrompida. Por favor! Não importa o que eu tenha que fazer, Ainz-sama!
Suplico-lhe que me conceda algum tempo com esses itens!”

“...Eu, eu projetei você desse jeito?”

“Sobre isso não há dúvida! Esses sentimentos foram concedidos a mim pelo senhor, Mo-
monga-sama!”
“...Ahhhhh.”

Ainz tentou desesperadamente lembrar a maneira como ele projetou Pandora’s Actor.
Ele se lembrava de ter lhe dado uma narrativa que afirmava que ele gostava de gerenciar
itens mágicos e coisas do tipo. A intenção original de Ainz era projetá-lo de tal maneira
que ele não achasse estranho ficar sozinho na Tesouraria — de fato, alguém poderia con-
siderar estar cercado pelas coisas que amava para ser um trabalho celestial. Assim, pa-
rece que as configurações de personalidade de Ainz eram a fonte do problema. No en-
tanto, por algum motivo, parecia que tal coisa havia atingido o nível de um fetiche.

“Mas eu não permiti que você retornasse a Nazarick todos os dias?”

Metade dos undeads de Nazarick foram feitos por Ainz, a outra metade foi feita pelo
Pandora’s Actor. É verdade que os undeads feitos pelo Pandora’s Actor eram mais fracos
que os feitos pela Ainz, mas só até certo ponto. Ainda assim, isso estava dentro de parâ-
metros aceitáveis, e havia cadáveres adequados congelados no 5º Andar para esse pro-
pósito.

De fato, havia tantos deles que os dois trabalhando juntos não podiam usar todos.

“No entanto, eu não recebi permissão para retornar para a Tesouraria!”

O que ele poderia estar sentindo que o fez omitir sua habitual teatralidade?

“Compreendo. Então, devo informar a Shalltear e fazer com que ela lhe dê o Anel. Além
disso, concedo a você permissão para trabalhar no armamento e no equipamento de
meus companheiros. Não os danifique.”

“Dies sollte—”

“Pare com isso. Fale normalmente. Eu não te disse isso antes, hein, Pandora’s Actor?”

“Sim!”

“O relacionamento entre nós é um de Criador e Criatura. O fato é que estou muito feliz
com a maneira como você trabalhou arduamente para me mostrar o que eu pretendia
fazer. No entanto, às vezes me pergunto; as crianças não deveriam trabalhar para supe-
rar seus pais?”

“Ohhhh... Ainz-sama. E pensar que se referiria a mim como seu filho!”

“Uhum, certo. Você é, er, meu filho, ou algo assim. Isso, er, como devo colocar isso, pro-
vavelmente, er, deveria ser o caso. Portanto, não há necessidade de usar alemão ou sau-
dação ou ser tão dramático na minha frente. Já que eu te fiz, quero ver as partes de você
que não fiz, como uma prova de seu crescimento.”
Ainz olhou para trás ao ouvir alguém fungando, e viu que Fifth estava enxugando os
cantos dos olhos com um lenço.

O quê?

Ela não está chorando por isso?

Assim que Ainz estava se sentindo confuso, Pandora’s Actor abaixou a cabeça.

“Eu entendo — Pai!”

“...Oh.”

“Eu lhe mostrarei o que deseja ver, Pai!”

Ele estava errado. Ele tinha sido muito imprudente. Embora fosse impossível, Ainz sen-
tiu uma dor de cabeça o pegando de assalto.

“Pandora’s Actor. Você não deve contar a ninguém mais sobre o que aconteceu aqui.
Entendido? Se as pessoas souberem que você está recebendo tratamento especial, isso
poderá resultar em atrito com as outras pessoas. Além disso — na verdade, por causa
disso, colocarei você mais baixo em minhas prioridades. Se chegar a hora de escolher
entre ajudar você ou os Guardiões, eu abandonarei você.”

“Mas é claro! Por favor, me sacrifique como achar melhor!”

Enquanto Ainz observava-o esticar o peito enquanto falava, um sentimento de culpa


cresceu no coração de Ainz.

“Sinto muito. E... Fifth. Não fale sobre o que aconteceu aqui.”

Depois de ver Fifth acenando em reconhecimento, Ainz assentiu também.

“Então, vou trilhar meu caminho.”

“Ah, sobre isso, poderia esperar um pouco? Como nos encontramos raramente, há um
assunto que eu gostaria de discutir, Pai. Posso saber como o senhor pretende governar
este Reino Feiticeiro?”

“O quê?”

“Muitos humanos têm dúvidas sobre o caminho em que pretende tomar este país, Pai.
Por exemplo, se o senhor deseja adotar uma política de expansão, eles temem que eles
sejam enviados para o campo de batalha, e assim por diante.”

Ainz congelou no lugar.


Onde ele iria levar Ainz Ooal Gown?

Para começar, Ainz era apenas uma pessoa normal, mas ele havia declarado um objetivo
quase inacessível como conquistar o mundo. Ainz parou de pensar nisso. Ele achava que
seria melhor entregar esse assunto para pessoas inteligentes como Albedo ou Demiurge.

Dito isso, a questão de como administrar esse país era uma questão que ele não podia
evitar.

“Algo está errado, Pai?”

“...Eu pretendo deixar você saber, mas ainda estou esboçando isso em minha mente. Dis-
cutirei o assunto com os vários Guardiões de Nazarick e depois o informarei.”

“Sim!”

Ainz levantou-se silenciosamente.

“Então isso é tudo, Pandora’s Actor.”

Depois de ouvir Pandora’s Actor se despedir, Ainz saiu.

Antes de sair pela porta principal, ele enviou uma 「Message」 para Shalltear antes que
ele esquecesse, informando-a sobre o pedido de Pandora’s Actor. Se ele adiar, ele prova-
velmente esqueceria mais tarde.

Uma vez que ele alcançou a porta, Ainz se moveu mais rápido que Fifth e abriu a porta
antes que ela pudesse fazer isso por ele.

Então, ele olhou para o céu.

Era um céu azul claro.

“Eu irei voando.”

Disse Ainz secamente. Embora as pessoas atrás dele começaram a entrar em pânico,
Ainz preferiu não lhes dar atenção.

Ainz flutuou no céu graças a magia 「Fly」 e, em seguida, pousou no telhado da casa de
hóspedes.

Como E-Rantel era uma cidade protegida por três camadas de muralhas, desse ponto de
vista, metade de seu campo de visão estava bloqueado pelas muralhas da cidade.

“Eu não posso ver daqui, né? Parece que vou ter que dar um passeio.”
Ele poderia pensar em algo se andasse pelas ruas. Ficar aqui significava que não havia
como ele pensar em nada.

Só então, as formas dos Eight-Edge Assassins — que haviam escalado as paredes — apa-
receram diante de Ainz.

“Ainz-sama, por favor aguarde! É perigoso ir sozinho!”

Peroroncino, o arqueiro — que era o mais especializado em combate à distância dentro


da guilda Ainz Ooal Gown — provavelmente seria capaz de ferir Ainz de maneira severa.
Aquele homem poderia facilmente atacar mesmo a 2km de distância. Sua tática favorita
era se esconder e depois atacar seu oponente — embora com um arco. Dito isto, mesmo
que seu oponente fosse Peroroncino, Ainz não tinha intenção de se permitir ser um brin-
quedo nas mãos da morte.

Ainz estava confiante de que ele poderia usar vários meios para defender, escapar ou
contra-atacar. Ele havia aperfeiçoado suas habilidades através do PVP, e ele definitiva-
mente não morreria sem antes responder. No entanto, se ele tivesse que ser cauteloso
com os métodos de ataque que só existiam neste mundo, então sim, de certo modo os
Eight-Edge Assassins tinham razão.

Ainz não poderia morrer agora. No mínimo, antes de testar a ressureição, ele teve que
assumir que ele só tinha uma vida e preparou um escudo de carne para si mesmo.

Sua melhor e mais segura opção para esse trabalho era Albedo, cuja força defensiva era
a mais alta entre os Guardiões. No entanto, ele precisaria de pessoas para protegê-la tam-
bém, o que exigiria uma grande mobilização de forças. Ele não queria fazer isso a menos
que fosse com o propósito de atrair um ataque inimigo.

Se fosse esse o caso, a melhor escolha seria os vassalos descartáveis e de alto nível,
mas—

Eu não tenho monstros vassalos de alto nível. Mesmo se eu quisesse usar monstros merce-
nários, gastei muito dinheiro conjurando os subordinados para a Albedo, então eu não te-
nho dinheiro para invocar casualmente monstros.

Ele decidira fazer uma grande demonstração de gastos para provar sua generosidade, e
agora ele se arrependia vagamente de fazê-lo. Tudo o que ele podia fazer era se consolar
dizendo que precisava manter sua imagem como chefe.

Espere, vamos pensar nisso passo a passo.

Ainz listou várias possibilidades em sua mente.

Monstros mercenários. Ele não tinha dinheiro, então eles estavam fora da lista.
A habilidade 「Undead Lieutenant」 exigia XP, então ele decidiu ignorar.

Usando a convocação do cajado de Ainz Ooal Gown. O próprio fato de que ele tinha que
carregar a arma da guilda com ele significava que estava fora de questão.

A habilidade, 「Create Undead」. Mesmo que ele criasse undead de nível superior, eles
seriam apenas o nível 70, no qual ele nem mesmo confiaria para escoltar os Guardiões.

Não, eu ainda tenho um trunfo oculto.

Ele aprimorou suas habilidades de criação de undead através do uso de um ritual som-
brio.

Ele só podia criar undeads de nível superior quatro vezes ao dia. No entanto, se ele di-
vidir esses quatros usos em dois, ele poderia fazer undeads de nível 90.

Ainz acariciou seu queixo e se perguntou que tipo de undeads fazer.

Tipos ladinos como os Eternal Deaths, ou tipos sensoriais como os Eyeballs...

Com certeza, os Eternal Deaths eram excelentes undeads para usar, mas eles tinham
uma habilidade passiva chamada 「Aura of Death and Decay」 que estava constante-
mente em efeito. Foi uma habilidade potente que combinava os efeitos de Ainz 「Despair
Aura V (Morte Instantânea)」 e 「Despair Aura I (Medo)」, tornando-a uma criatura que
poderia infligir morte instantânea e aplicar penalidades ao inimigo. Em particular, a pe-
nalidade de status não era uma habilidade que afeta a mente. Isso permitia que a habili-
dade ignorasse a imunidade aos efeitos que afetam a mente, o que tornava muito difícil
lidar com ela.

Dito isto, se essa habilidade fosse usada quando fogo amigo fosse ativado, ela rapida-
mente pintaria um quadro infernal de sofrimento e miséria. Claro, ele pode ser capaz de
ordenar que eles suprimam a habilidade, mas trazer undeads assim para as ruas da ci-
dade seria uma completa insanidade.

Vários outros monstros assustadores apareceram em sua mente, mas ele atirou todas
essas idéias para o limbo.

...Como devo dizer isso... eles são muito capazes, mas todos parecem feios.

Nenhum deles era adequado como guardas que um rei teria consigo quando andasse
pelas ruas.

Assim que Ainz estava intrigado sobre o assunto, ele notou Fifth abaixo dele, tentando
desesperadamente escalar a parede.
Sem outra palavra, Ainz saltou, usando 「Fly」 no ar para desacelerar sua descida, e ele
aterrissou graciosamente no chão abaixo.

Fifth — que estava segurando uma moldura de janela e cujo rosto estava vermelho —
rapidamente assumiu sua posição atrás de Ainz.

“Fifth.”

“Sim!”

“Eu vou dar uma volta na cidade.”

“Entendido, vou preparar a carruagem imediatamente!”

“Não, não há necessidade disso. Eu pretendo observar as condições na cidade. Eu go-


verno essas ruas, então planejo ir a pé.”

“Eh?! Mas isso só mancharia seus preciosos pés! Por favor, ordene-nos a limpar as ruas
para o senhor! E devemos preparar os seguidores!”

Poucas estradas em E-Rantel foram pavimentadas, então depois da chuva, as restantes


se tornariam lamaçais.

“Não há necessidade disso. Eu vivi nesta cidade antes.”

Dito isto, depois de se registrar na pousada, ele imediatamente retornava a Nazarick


para fazer undeads.

“Além disso, pretendo conjurar seguidores com magia, então não há necessidade de
mandar pessoas de Nazarick.”

“...Se essa é a vontade do Supremo.”

Ainda assim, a questão sobre o que conjurar permanece. Se eu chamar demônios ou unde-
ads, isso levará a maus rumores e fofocas maldosas. Então, vou precisar invocar algo bonito
para levantar opiniões sobre mim. O que se adequaria nisso...

Enquanto pensava nisso, Ainz encontrou a resposta.

“Eu vou conjurar anjos assim que sair. Vamos.”

“Sim.”
Embora o valor do carma de Ainz fosse extremamente negativo, ele não teria problemas
em conjurar anjos, cujos valores de carma eram altamente positivos. Havia algumas pro-
fissões que tinham a penalidade de não serem capazes de invocar monstros cujos valores
de carma eram muito diferentes dos seus, mas Ainz não tinha essas profissões.

Aliás, os monstros invocados por essas profissões ficaram mais fortes quanto mais pró-
ximos os valores de carma dos monstros eram para seus mestres.

Em YGGDRASIL, quaisquer desvantagens também teriam vantagens correspondentes.

Ainz se dirigiu para o pátio.

Como esperado de um lugar usado para colocar os cavalos para pastar, treinar cães de
caça e outras atividades semelhantes, a extensão de grama aparada que compunha o pá-
tio era de fato vasta.

“Então, vamos começar. Isso pode demorar um pouco, então fale comigo nesse meio
tempo.”

“Q-Quem, eu?”

“Exatamente. Em outras palavras, quero saber tudo sobre o 9º Andar de Nazarick —


certo. Conte-me sobre seu trabalho. Há alguma coisa nos quartos que você está lim-
pando?”

Ainz não esperou a resposta de Fifth. Depois de trocar partes de seu equipamento, ele
lançou sua magia.

Essa magia era Super-Aba 「Pantheon」, que era semelhante a magia de 10º nível
「Armageddon - Good」 e à magia de Super-Aba 「Nibelung I」, e que era diametral-
mente oposta à magia de Super-Aba 「Pandemonium」.

Ele escutou as palavras de Fifth enquanto esperava a magia de Super-Aba tivesse efeito.
Se houvesse uma súbita necessidade de tomar medidas urgentes, ele usaria natural-
mente um item de cash, mas fazê-lo neste momento seria um desperdício.

Conversar com as empregadas não é ruim.

Pensou Ainz.

Além disso, esta foi a primeira vez que ele ouviu que o quarto de Albedo era proibido
para as empregadas.

“—Entendo. Bem, esta foi uma conversa bastante significativa. Mas pensando nisso,
volte para o meu quarto e traga o Nurunuru-kun. Seria problemático sem ele.”
“Entendido!”

Ainz assistiu a roupa de empregada de Fifth balançar descontroladamente enquanto ela


corria, ele permanecia no pátio.

Enquanto ele esperava, ele se lembrou das palavras de Fifth.

Aparentemente, Albedo havia dito às empregadas que ela cuidaria da limpeza de seu
próprio quarto como parte de seu treinamento de noiva, então ela não queria que nin-
guém entrasse em seu quarto.

Ainz murmurou para si mesmo:

“Ah~ essa é a cruz que tenho que carregar.”

“Albedo, não é que eu não entenda seus sentimentos, mas o fato é que você é uma pessoa
ocupada, então você deve deixar a limpeza para as empregadas. Eu não posso dizer isso,
mas parece que sou um governante melhor do que você, nesse sentido.”

Em pouco tempo, Fifth retornou, ofegando e apresentando Nurunuru-kun. Ainz sorriu


satisfeito por sua habilidade de comandar.

“Obrigado.”

Ainz aceitou o Inseto Boca de Fifth com uma breve palavra de apreciação. Então, ele
aplicou o Inseto Boca na base de sua garganta óssea.

“Ah, er, hum.”

Por alguma razão, houve uma mudança na voz de Ainz. Com certeza, essa era a habili-
dade especial da criatura, mas ele ainda não a entendia. Tudo o que ele podia fazer era
aceitar isso.

Ainz colocou suas dúvidas de lado e lançou a magia de Super-Aba. Seis colunas de luz
apareceram ao redor dele, e delas vieram seis anjos.

Esses anjos tinham cabeças de leão, com um par de asas estendido e outro par dobrado
ao redor deles, para um total de quatro asas. Cada um usava armadura brilhante e segu-
rava escudos com padrões de olho em uma mão e lanças de fogo na outra.

Esses anjos estavam em torno do nível 80 e eram chamados de Cherubim Gatekeeper.

Ainz não sabia muito sobre mitologia, então ele não sabia o porquê eles eram chamados
de gatekeeper (Porteiro/Guardiões do Portal), mas ele sabia sobre suas forças como
monstros.
Os Cherubim Gatekeepers eram bastante adequados para a tarefa de ser um tanque, e
suas consideráveis habilidades sensoriais também os tornavam sentinelas muito boas.

“Me proteja. Não mate meus inimigos, mas torne o inimigo impotente enquanto causa o
menor dano possível.”

“Entendido, oh invocador.”

Esta ordem não foi dada por compaixão. Embora Ainz não hesitasse em matar seus opo-
nentes, ele teve que considerar que as pessoas podem estar planejando nos bastidores.
Além disso, ele deveria deixar Momon executar as execuções, daí suas instruções para
capturar o inimigo vivo.

“Então, vamos.”

Depois que os anjos tomaram uma formação defensiva em torno de Ainz, ele imediata-
mente avançou.

Conjurar magias — incluindo esta magia de nível Super-Aba — terminaria depois de um


tempo. Assim, ele teve que evitar perder tempo.

“Anjos, Fifth me acompanhará. Defenda-a como se ela fosse meu corpo.”

“Entendido, oh invocador.”

“Ai-Ainz-sama, como meu corpo poderia ser comparado com a forma preciosa do Su-
premo?”

“...Fifth. Você pode ser uma empregada, mas ainda é uma criação de um dos meus amigos.
Assim, você é muito valiosa para mim. Lembre-se disso bem, porque acho complicado
ficar me repetindo. Então lembre-se de contar a todas as suas companheiras.”

“Obrigada, muito obrigada!”

Aliás, ele não disse a mesma coisa para os Eight-Edge Assassins, já que eram seres con-
vocados usando o ouro de YGGDRASIL. Ele poderia ter se sentido vagamente arrepen-
dido por ter que sacrificá-los, mas eles não tinham valor para ele além disso.

“Vamos.”

Com os seis anjos, Fifth e alguns Eight-Edge Assassins — os restantes foram deixados
como sentinelas — o seguindo, Ainz dirigiu-se para o portão.
[Senhor da C r i p t a ]
Lá surgiu a forma de um Crypt Lord, que comandou mais de 20 Death Knight.
Ele estava vestido com vestes roxas esfarrapadas que outrora eram magníficas, e usava
uma coroa que cintilante estranhamente brilhante. Era uma criatura vinda de Nazarick,
um undead de nível 70.

Suas habilidades da profissão Comandante poderiam fortalecer qualquer Death Knight


que ele controlasse, mas não poderia fazê-lo com esses, já que os Death Knights que eram
seus subordinados, estavam sob o controle de Ainz. Dito isto, Ainz colocou aqui porque
ele reconheceu suas excelentes habilidades de comando.

“Eu vou dar uma volta, deixe a Albedo saber.”

Depois de passar pelo Crypt Lord — que estava se curvando profundamente — Ainz
chegou às ruas.

Ele não tinha objetivo em mente.

Em vez de dar um passeio, era mais como se ele quisesse encontrar a resposta para a
pergunta de Pandora’s Actor. Havia coisas que ele não seria capaz de resolver normal-
mente, ainda mais se estivesse sendo incomodado de todos os lados.

Ainz alargou seu passo enquanto imaginava o futuro que o Reino Feiticeiro de Ainz Ooal
Gown teria sob ele.

Parte 3

Ainz e a companhia avançaram em linha reta ao longo da estrada principal.

Era difícil dizer que as ruas estavam cheias de vida. Isso ficou óbvio quando ele compa-
rou suas memórias de seu tempo como Momon para as cenas diante dele agora. As ex-
pressões dos pedestres eram sombrias e pareciam estar se movendo um pouco mais de-
pressa.

Em contraste, os Death Knights caminhavam orgulhosamente pelas ruas. Eles provavel-


mente estavam patrulhando no lugar da guarda habitual da cidade. Ainz só lhes deu or-
dens simples: apreender alguém envolvido em violência, proteger quem pedir ajuda.

Ainz voltou seu olhar para a muralha da cidade.

Uma parte dos Death Knights produzidos em massa foi designada para o serviço de sen-
tinela no topo das muralhas. Havia outros como eles que estavam vigiando os portões da
cidade ou patrulhando. No entanto, o modo mais bizarro que foram empregados foi re-
ceber ordens para construir novos vilarejos com os habitantes do distrito de favelas.
As pessoas que acabaram sendo moradores das favelas eram tipicamente o segundo ou
terceiro filho das famílias camponesas: aqueles que não tinham sua própria fazenda para
trabalhar. Eles sonhavam com uma vida melhor na cidade, mas no final, eles só conse-
guiam cavar uma miserável existência de um pobre em meio às cinzas de seus sonhos.
Assim, Ainz prometeu conceder-lhes um lote de terra e enviou-os para lá.

Eles foram enviados para as ruínas dos vilarejos que foram incendiados devido à tra-
moia da Teocracia Slane. Como haviam caído devido a razões externas, tudo o que preci-
savam fazer era limpar os escombros, procurar novos moradores e o vilarejo se recupe-
raria naturalmente.
[Comedores d e A l m a s ]
Por terem sido atacados no passado, Ainz permitiu que os Death Knights e S o u l Eaters
fossem com eles como guardas, e ele também ordenou que eles ajudassem os aldeões
com seu trabalho na fazenda.

É claro que nenhum deles era particularmente hábil em trabalhar nos campos. No en-
tanto, eles eram muito superiores aos seres humanos comuns quando se tratava de força
física bruta. Essencialmente, eles eram equipamentos agrícolas pesados que não neces-
sitavam de combustível e que podiam funcionar 24 horas por dia. Eles eram ideais para
a tarefa de arar o solo e uma sorte de trabalhos pesados, certamente fariam grandes con-
tribuições nas próximas colheitas.

O objetivo de Ainz era reconstruir os vilarejos em um ano, permitindo assim que elas
atingissem a autossuficiência básica. Eles então começariam uma colheita regular no se-
gundo ano.

No entanto, o objetivo de reconstruir os vilarejos era meramente coletar seus produtos


[ C a i x a de Câmbio]
como impostos e depositá-los na Exchange B o x , onde eles se tornariam moedas de
ouro de YGGDRASIL. Albedo e Demiurge elogiaram essa idéia até as alturas, por isso deve
ser algo bastante viável.

Ele havia emprestado os undeads para evitar gastar tempo na colonização das regiões
selvagens.

Ao mesmo tempo, como os undeads estavam em empréstimo, ele cobrava taxas adicio-
nais de aluguel, além dos impostos combinados previamente. Como não precisava cobrar
o aluguel dos moradores, ele teve a idéia depois de considerar que ele poderia acabar
emprestando os undeads a várias outras pessoas no futuro.

Embora esse plano priorizasse o envio de grande número de moradores das favelas —
com suas famílias — para fora da cidade, isso por si só não era o motivo para a falta de
pessoas nas ruas.

Isso provavelmente seria por causa de Ainz. Quando os pedestres o encontravam nas
ruas, eles olhavam com os olhos arregalados antes de voltar pelo caminho que vinham,
ou circulando ao redor dele.
Era como andar em um deserto abandonado.

Ainda assim, ser temido não era ruim. Foi uma dúzia de vezes melhor do que ser des-
respeitado.

Dito isso, é difícil acreditar que minha cidade seria um lugar sem vida...

Ele não se importava com o que acontecesse com os outros, contando que a Grande
Tumba de Nazarick e seus NPCs fossem felizes, tudo bem. No entanto, o que seus amigos
do passado pensariam se estivessem por perto?

Eles seriam como Ainz, que foi afetado por ser undead, eles acabariam sendo influenci-
ados por sua natureza racial? Eles acabariam tratando os humanos como pouco mais que
forragem? Ou eles continuariam mantendo suas fortes emoções do seu tempo como hu-
manos?

Mas para onde eu realmente quero levar este país?

Assim como Pandora’s Actor havia dito, Ainz precisava decidir como administrar esse
país e usar este objetivo para governar essa cidade.

Por exemplo, cultivando trigo e coisas semelhantes e jogando as colheitas na Exchange


Box da Tesouraria, ele poderia obter moedas que poderiam ser usadas para fortalecer a
Grande Tumba de Nazarick. O país então se tornaria aquele cujo único objetivo de pro-
duzir moeda.

Por exemplo, ele poderia criar e abater seres humanos, fazendo com que o país produ-
[Avareza e Generosidade]
zisse XP, que seria armazenado dentro da Avarice and Generosity.

Por exemplo, ele poderia entregar todas as tarefas de produção e trabalhar para os
undeads, tornando-se um país onde os vivos não precisavam trabalhar.

E por exemplo—

De uma terra repleta de amor para uma cheia de ressentimento, como seria o país que
levava o nome da guilda?

Ele não podia entregar essa decisão a seus subordinados. Este era seu dever, sua res-
ponsabilidade, como o governante de Nazarick e o Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown.

“Fifth, o que você acha desta cidade? Deste país?”

“Minhas mais profundas desculpas. Posso saber como você gostaria que eu respon-
desse?”
Ele tinha sido muito abstrato. Ainz decidiu perguntar novamente:

“Você sente que este é um país onde você pode viver em felicidade? Diga-me com toda
sua sinceridade e não esconda nada.”

“Sim. Estou muito feliz neste país porque você governa, Ainz-sama.”

Ainz olhou para o céu e suspirou. Bem, ele deveria ter esperado que um NPC lhe desse
uma resposta assim.

“Mas se—”

“Oh, qual é o problema? Me conte qualquer coisa que vier à sua mente.”

“Entendido. Por que é que apesar de você estar aqui, Ainz-sama, que ninguém sai para
homenagear o governante deste país, a sua forma poderosa? E a maneira como eles se
escondem nas edificações e espiam... é muito perturbador!”

Fifth bufou. De fato, muitas pessoas estavam espionando Ainz e sua comitiva enquanto
se escondiam nas lojas ao longo das estradas. De fato, alguns deles fraquejaram quando
viram os anjos.

“Fifth, você acha que os humanos são criaturas chatas?”

“Sim. É como você diz. Eles não foram criados pelos Seres Supremos, portanto, são for-
mas de vida lastimáveis.”

Mais da metade dos seres em Nazarick pensavam assim. Mesmo as empregadas de nível
1 não eram exceção.

“Fifth. Todos vocês ainda são os mais importantes para mim.”

“Muito obrigada!”

“No entanto, devo mostrar alguma medida de misericórdia às pessoas que domino. Afi-
nal, eles são cidadãos do Rei Feiticeiro.”

“É como você diz.”

“Então, por que não transformar este lugar em uma utopia? Um maravilhoso mundo de
sonhos que é tão doce quanto imergir em mel. Um mundo onde eles desejarão ser gover-
nados eternamente.”

“Eu sinto que este é um excelente plano.”


“Já que eu pretendo conquistar o mundo, meus cidadãos não serão apenas humanos.
Todas as raças do mundo devem se ajoelhar diante de mim.”

“Naturalmente.”

Projeto Utopia.

Este plano estava sendo realizado no 6º Andar, e foi iniciado com a intenção de atrair
qualquer jogador que eles encontrassem com a idéia de que Nazarick era uma boa guilda
que recebia todas as raças.

Usar este lugar para a experiência parece uma boa idéia.

Pensou Ainz.

“Eu devo proclamar ao mundo: Somente aqueles que servem ao Rei Feiticeiro terão
prosperidade eterna.”

“Não há dúvida de que é a verdade.”

Se ele pudesse fazer isso, então se ele encontrasse seus antigos amigos — seus antigos
companheiros de guilda — ele poderia orgulhosamente mostrar essa cidade para eles.

Parece que o país que Ainz desejava seria aquele em que ele governaria várias raças
coexistindo em harmonia.

Ele tomaria a visão de Ainz Ooal Gown dentro da Grande Tumba de Nazarick e a repro-
duziria em escala global.

Como seus amigos poderiam estar escondidos em algum canto do mundo, ele criaria um
mundo onde diferentes heteromorfos e raças poderiam sorrir e viver juntos.

A luz nos olhos de Ainz ficou mais brilhante.

O Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown deve ser um país onde todas as raças possam co-
existir. Isso era algo que apenas o Reino Feiticeiro poderia fazer.

Mesmo que o fundador de uma nação fosse um gênio, não havia garantia de que seus
herdeiros seriam também. E a geração após geração, seus filhos, netos e bisnetos — não
havia garantia de que eles seriam talentosos também. Se a segunda geração fosse incom-
petente, eles seriam eliminados pela sociedade na terceira geração. Ainz ouvira essa his-
tória com bastante frequência.

No entanto, se fossem governados por um gênio infatigável e eterno, esse tipo de coisa
não aconteceria. A forma ideal disso era ter uma ditadura governada por um punhado de
gênios.
Com pessoas como Demiurge e Albedo no Reino Feiticeiro — não, foi precisamente por-
que eles estavam lá que eles poderiam fazer um paraíso eterno ser possível.

Como o Ulbert-san havia dito uma vez: “Uma ditadura dirigida por uma mão de ferro seria
ótima”. Ou algo assim.

Ainz ponderou mais sobre o assunto.

Liderados por Demiurge e Albedo, os Guardiões estavam prosseguindo com seu objetivo
de dominação mundial. Ainz não podia negar completamente o ponto deles. Afinal, isso
poderia espalhar seu nome para seus companheiros.

No entanto, não seria melhor espalhar esse nome através de outros meios que não a
governança pela força? Permitindo que o Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown seja conhe-
cido como uma utopia, eles podem fazer com que muitas pessoas escolham dobrar o jo-
elho e submeter-se à sua governança por essa doce promessa de mel.

Seria como usar açúcar e um chicote.

Se Demiurge e Albedo fossem o chicote, então Ainz seria o açúcar.

Que ótima idéia...

Ainz havia decidido.

Ainz era diferente dos NPCs que só podiam desprezar aqueles que estavam fora de Na-
zarick. Essa forma de conquista do mundo era algo que só ele, com seus vestígios de hu-
manidade, poderia inventar. Ele dominaria através de um charme irresistível.

Então, o que ele deveria fazer para realizar este plano?

Quando Ainz começou novamente a andar, ele pensou desesperadamente sobre o as-
sunto.

Ele precisaria de métodos diferentes dos de Demiurge e Albedo — métodos que não
dependiam de força.

Ele não conseguia se imaginar conduzindo um país sozinho. Por causa disso, Ainz se
imaginaria empregado de uma pequena empresa.

Seria uma pequena empresa, do tipo que só tinha um único andar em um prédio, e o
único funcionário da empresa era Ainz.

O produto desta empresa seria “A Regência Excepcional do Reino Feiticeiro”. Ele estaria
promovendo as vendas deste produto.
Primeiro, ele teve que considerar seu mercado alvo. Só então ele poderia entregar este
produto para as mãos daqueles que precisassem dele. No entanto, ele não tinha informa-
ções sobre seus consumidores. Por que isso? Simples — porque ele não teve publicidade
suficiente.

Dito isto, não se tratava de correr para várias cidades e distribuir panfletos na entrada.
Isso seria apenas uma perda de tempo. Ainz era o único empregado, então ele deveria
considerar outros métodos.

Não havia nada como a mídia de massa neste mundo. Embora os comerciantes e outros
profissionais desse tipo tivessem suas próprias redes de inteligência, dificilmente qual-
quer publicidade deles seria garantida. Antes de Ainz perceber, ele já estava na entrada
da Guilda dos Aventureiros.

Talvez fosse porque ele tinha vindo aqui muitas vezes como Momon, mas parecia ter se
tornado um hábito.

Isso é provavelmente um sintoma de vicio em trabalho...?

Ainz sorriu amargamente e abriu a porta.

O balcão dentro da edificação apareceu à vista. Havia uma recepcionista sentada ali. À
sua esquerda havia um grande conjunto de portas duplas, e à direita havia um quadro de
avisos, que tinha pedidos de pergaminho anexado a ele. E os aventureiros que deveriam
estar de pé diante dele — não estavam lá.

A guilda estava vazia. Não havia comparação com o que ele tinha visto durante seu
tempo como Momon.

Ainz ignorou a recepcionista de olhos arregalados que estava olhando para ele e cami-
nhou até o quadro de avisos.

Ele ainda não conseguia entender a escrita, mas ele havia memorizado algumas frases,
que incluíam o mês e o ano.

De relance, havia apenas pedidos antigos de um mês atrás. Em outras palavras, não
eram importantes, trabalhos repetitivos.

“...Recepcionista. Parece haver muito menos empregos agora. Ninguém fez novos pedi-
dos?”

“Oiiii... sim, sim, isso mesmo. Estes são todos o que temos, Vossa Majestade.”

Assim, o número de aventureiros diminuiu porque o número de pedidos também dimi-


nuiu.
A causa disso foi Ainz.

Ainz usou suas próprias forças militares — os Death Knights — para patrulhar as ruas
e manter a segurança interna do Reino Feiticeiro. No final, isso fez com que as pessoas
fugissem da ameaça daqueles monstros.

Ele considerou que, se mantivessem suas patrulhas, pessoas como aventureiros pode-
riam deixar completamente de existir.

Ele precisaria preparar pedidos para eles, a fim de mantê-los por perto — não, não havia
necessidade de manter os aventureiros por perto.

Qualquer coisa que os aventureiros pudessem fazer, os Death Knights poderiam fazer
melhor — embora eles possam ter dificuldades com certas tarefas, como pegar ervas.
Mas, nesse caso, tudo o que ele precisava fazer era alugar os Death Knights para os her-
boristas como guarda-costas.

Ainz ainda não conseguia pensar em nenhum uso para os aventureiros. E quando se
chegou a isso, o fato da questão era que aventureiros custavam dinheiro para contratar.
E-Rantel e sua baixa renda não tinham o luxo de tais coisas.

Além disso, eles dificilmente eram indispensáveis.

Com isso em mente, Ainz se virou para o lado de fora.

Que trabalho banal...

Ele se lembrou da primeira vez que ele e Narberal tinham ido à Guilda dos Aventureiros
nesta cidade.

Ele pensava que os aventureiros eram como o que ele tinha visto em YGGDRASIL, aque-
les que se aventuraram no desconhecido e viajaram para vários lugares ao redor do
mundo.

Se eles são apenas mercenários anti-monstro, então quando a necessidade deles acabar,
eles ficarão sem trabalho. É o mesmo em todo o mundo. Pensar que a imagem dos aventu-
reiros como eles eram representados em YGGDRASIL era, no final das contas, nada mais
que um sonho... Um sonho? De explorar o desconhecido e viajar pelo mundo? Poderia ser...

Inspiração passou pela mente de Ainz.

Se ele mudasse os aventureiros de mercenários caçadores de monstros para explorado-


res do desconhecido, como em YGGDRASIL, isso significaria que eles levariam o nome do
Reino Feiticeiro para terras inexploradas.
Ainz não queria apenas alcançar o mundo humano, mas todas as outras raças também.
Ele poderia facilmente se promover no mundo humano através das conexões dos comer-
ciantes. No entanto, como isso não bastava, os aventureiros eram a melhor escolha para
o trabalho.

“Hmhm...”

Ainz assentiu.

Embora a recepcionista olhasse para ele de um modo intrigado, ele não lhe deu atenção.
Ou melhor, se ele tivesse se importado com ela, aquele raro lampejo de inspiração teria
desaparecido.

Pensando como o chefe de uma pequena empresa, Ainz decidiu contemplar o resultado
deste plano.

No entanto, o número de aventureiros no Reino Feiticeiro está diminuindo lentamente. Se


isso continuar, a situação continuará a deteriorar-se. Eles podem até desaparecer comple-
tamente no futuro próximo. O que posso fazer para reverter essa tendência?

Era simples o suficiente para aumentar seus números. Tudo o que ele precisava fazer
era reverter as circunstâncias atuais — em outras palavras, o Reino Feiticeiro pagaria
pela eliminação dos monstros. No entanto, isso seria contra a meta de Ainz de ter aven-
tureiros exploradores do desconhecido. Embora ele também pudesse fazer pedidos para
que eles promovessem seu nome, mas Ainz não tinha dinheiro para isso.

Havia literalmente montanhas de ouro na Grande Tumba de Nazarick, mas esses não
eram fundos pessoais de Ainz. Claro, os NPCs concordariam que toda a riqueza em Naza-
rick pertencia a Ainz, mas ele não queria usar esse dinheiro em um projeto pessoal.

Assim que Ainz estava imerso em pensamentos, o som de uma porta se abrindo veio da
entrada.

Quando ele se virou, viu aventureiros — que ele parecia ter encontrado antes — em pé
na porta, congelados no lugar enquanto o observavam.

Hm? O nome desse cara é... deixe-me ver... Yokmok? Não, isso não está certo, mas é algo
assim.

Parecia que ele poderia alcançá-lo com as pontas dos dedos, mas ele não conseguia co-
locar as mãos nele. Essa frustração fez com que Ainz explorasse as profundezas de suas
memórias com toda a sua vontade.

“Moknach...?!”
Assim como ele encontrou a resposta, ele deixou escapar sem pensar. Tendo sido tra-
tado pelo nome, o aventureiro congelou no lugar.

Merda!

Era tarde demais quando ele percebeu. Ele podia sentir os olhos da recepcionista da
Guilda olhando na sua direção.

Era impossível que o novo governante de E-Rantel, o Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown, sou-
besse de um mero aventureiro de mythril. E se ele conheceu o homem, o que isso implica?
O cérebro de Ainz girou em alta velocidade enquanto ele cogitava, mas antes que ele che-
gasse com uma resposta, Moknach falou:

“Você ouviu isso do Momon-dono? Meu nome, é esse...”

“Uhum, sim. Está correto.”

Ainz decidiu se aproveitar dessa jogada de sorte. Um par de emoções dramaticamente


opostas apareceu no rosto de Moknach, expectativa e medo.

Tendo recuperado de sua perturbação anterior, Ainz começou uma análise mais pro-
funda da situação.

Ele lembrou que esse homem era o líder do grupo de aventureiros mythril “Arco-íris”.
A primeira vez que ele o viu foi durante o incidente vampírico. Eles haviam falado várias
vezes depois disso, mas como não haviam se encontrado recentemente, o homem havia
sumido de sua mente.

Muito parecido com outros aventureiros e soldados, ele parecia adorar Momon como
um herói. Então, como ele se sentiria sobre Momon se tornar um servo do Rei Feiticeiro?

Por que Momon o mencionaria ao Rei Feiticeiro? Jogando conversa fora? Ou Momon
promoveria o seu nome? Seu coração provavelmente estava cheio de dúvidas e suspeitas
como essa.

Ainz começou a procurar uma maneira de transformar esse perigo em uma oportuni-
dade.

“Quando perguntei sobre aventureiros capazes por aqui, ele me contou sobre o
Moknach, o líder do “Arco-íris”.”

Moknach, que originalmente baixou a cabeça, subitamente olhou de volta.

“Isso — isso é verdade?”

“Você dúvida das minhas palavras?”


“Não! Claro que não...”

Ao discutir negócios com um cliente, a primeira coisa que se deve fazer é elogiar a con-
traparte. Poucas pessoas reagiriam mal ao elogio. Uma vez que eles estavam em um es-
tado de espírito elevado, eles poderiam falar de negócios. Essa era uma habilidade básica
para um vendedor e também uma técnica absoluta.

Agora que ele havia abalado o outro lado e aproveitado completamente a iniciativa, Ainz
não perdeu a chance de disparar outra pergunta.

“Diga-me, por que você está em E-Rantel?”

Se ele quisesse aprender mais sobre aventureiros, a maneira mais rápida de conseguir
isso era questionar diretamente um aventureiro.

Moknach ficou perplexo com a pergunta de Ainz, mas em pouco tempo, ele parecia ter
reunido coragem suficiente para respondê-lo.

“Por causa dos undeads, Vossa Majestade. Este lugar é perto das Planícies Katze, e nós
podemos matar monstros por dinheiro sem medo de exaurir nossa fonte de renda.”

Embora Ainz não tenha entendido muito bem, parece que, mesmo com o suor escor-
rendo dele, Moknach tinha um sorriso rebelde no rosto que parecia dizer: “Isso aí! Falei
mesmo”.

Ainz tinha planos para trazer as Planícies Katze sob seu domínio no futuro próximo. De
particular interesse, os rumores de um navio que navegava ao longo da terra desperta-
ram o interesse de Ainz.

“Certo.”

“Eh?'

“Hm?”

“Ah, nada...”

Que homem frustrante.

Ainz recusou a vontade de suspirar e impulsivamente perguntou:

“Isso é tudo?”
“...Não, tem mais. Antes de Momon-dono vir aqui, nós éramos os únicos aventureiros
mythril entre os aventureiros mais experientes, então era mais fácil para nós conseguir-
mos empregos bem remunerados.”

Então era dinheiro afinal.

Talvez reservar parte do orçamento para remunerações de aventureiros possa ser o


melhor curso de ação.

“Também nasci nesta cidade, então conheço muitas pessoas aqui. E também, todos os
tipos de itens mágicos fluem por aqui.”

“Hoh, itens mágicos, você diz.”

“Sim. Afinal, itens mágicos salvaram minha vida no passado, então, como um aventu-
reiro, eu naturalmente gostaria de me basear em um lugar com bom acesso a eles.”

Em YGGDRASIL, também havia histórias de como um simples item mágico evitou mas-
sacres. Dito isso, ele também viu muitas pessoas que se pareciam com aventureiros nos
mercados da Capital Imperial. Em outras palavras, se ele pudesse montar um negócio de
itens mágicos em escala maior que a Capital Imperial, certamente atrairia aventureiros.

Ele provavelmente conseguiria excelentes resultados fazendo itens mágicos com cris-
tais de dados apropriados e depois leiloando-os. No entanto, isso seria fundamental-
mente explorar as reservas de Nazarick, e não havia garantia de que Ainz e os outros não
se deparariam com as tecnologias desenvolvidas usando estes itens como base para fun-
dar estacas que seriam apontadas para a garganta de Ainz.

Deve ficar bem se eu usá-lo como isca, certo? Não, prefiro evitar usar os recursos de Naza-
rick se puder. Então, que tal itens feitos usando a tecnologia mágica deste mundo? Dessa
forma, poderíamos entregá-los a outros países sem causar problemas... ah, isso é difícil. Dei-
xarei essa idéia para outra hora.

“Ah...”

A voz preocupada de Moknach sacudiu a mente de Ainz das profundezas da contempla-


ção.

“Vossa Majestade, posso saber por que você está me fazendo essas perguntas? Se você
permitir que eu seja franco...”

Moknach rangeu os dentes e continuou com uma voz profundamente dolorida.

“Somos como o cocô do cavalo do bandido quando comparado a um dos undeads que
Vossa Majestade comanda. Com undeads tão poderosos defendendo a área em torno
desta cidade, há pouco sentido para a existência de aventureiros no Reino Feiticeiro.”
O que ele deveria dizer agora? Que frase ele poderia usar para deixá-lo — a recepcio-
nista também estava olhando para ele, assim como um pequeno grupo da Guilda que
conseguira se agrupar ao redor deles sem ser visto — com uma boa impressão de si
mesmo?

Ou talvez, ele pudesse assumir um risco perigoso e diretamente calá-lo dizendo: “Não
há necessidade de explicar isso para você”. Isso pode ser mais seguro. No entanto, se ele
fez isso, pode torná-los ainda mais suspeitos. Deveria haver jeito melh—

Não, eu tenho que acreditar em mim mesmo. Eu sou um homem que superou muitos peri-
gos no passado. Eu devo ser capaz de pensar em algum caminho além desse problema!

Ainz permitiu que sua presença se irradiasse.

Pensando nisso, você já tem uma imagem tão clara das coisas em sua mente. Então, por
que você ainda está nessa cidade? Porque você nasceu aqui? Você tem namorada?

A resposta a essas perguntas determinaria a direção em que o Rei Feiticeiro tomaria


essa conversa.

“Antes de responder, gostaria que você respondesse minha primeira pergunta. Por que
você ainda está nesta cidade?”

“Isso, isso é porque...”

Moknach começou a tropeçar em suas palavras. Então, apesar de hesitar um pouco, ele
continuou:

“É por causa de Momon-dono. Momon-dono ficou nesta cidade para ser nosso escudo.
Sendo esse o caso, como poderia eu, um nativo desta cidade, fazer algo tão vergonhoso
quanto fugir?”

Naquele instante, Ainz sorriu.

Claro, por ele ser Momon no passado, ele tinha entendido este homem até certo ponto.
No entanto, ele não esperava que ele abrisse seu coração tão prontamente.

“É assim mesmo. Então, responderei a sua pergunta.”

Ainz fingiu ficar em silêncio por um tempo, e então, numa voz severa, anunciou:

“É por causa de Momon. Todos vocês, algum dia, poderiam se tornar pessoas como Mo-
mon, eu queria saber o que os aventureiros queriam e o que eles procuravam.”
Os olhos de Moknach se arregalaram. Os sons de *gulp* podiam ser ouvidos dos funcio-
nários da Guilda que estavam próximos.

“Momon é forte, mas mais importante, ele tem um espírito nobre.”

Parecia um pouco embaraçoso dizer esse tipo de coisa sobre si mesmo, mas era assim
que o personagem de Momon tinha sido planejado, então não poderia evitar.

“E então, eu vi algo como o brilho de Momon entre vocês, aventureiros.”

Será que minha prática de atuação compensou...?

Ainz se perguntou enquanto pronunciava essas palavras. Um raio pareceu brilhar atrás
de Moknach e dos outros.

“Mas, mas Momon-dono é um ser supremo, apenas um escolhido poderia aspirar a ser
como ele. Nós não poderíamos alcançar o seu—”

“Então você está dizendo que o Momon é cego para a sua própria grandeza?”

“O que! Será, será que o Momon-dono também disse isso?!”

“Não diretamente.”

Embora ele não achasse que era particularmente engraçado, ele mesmo se esforçou
para sugerir que achava divertido. Ainz assumiu o sorriso de um rei — o resultado de
muita prática — e mostrou a todos.

“Mesmo que você não possa fazer isso, que tal seus filhos? Seus netos? Você está dizendo
que ninguém ao seu redor poderia dar origem a alguém como o Momon? Eu sou um ser
imortal e o governante do Reino Feiticeiro. É natural que eu queira tomar medidas para
inspirar verdadeira lealdade para com o próximo Momon. Este é o significado que eu,
como governante, encontrei para a existência de aventureiros dentro do Reino Feiticeiro.
Bem, há outra razão, mas, como ainda não se formaram totalmente em minha mente,
deixarei isso por enquanto.”

O ar ao redor dele estava em silêncio.

Hm? Não funcionou? Este homem não é um fã zeloso de Momon?

Assim que o desconforto estava começando a descer sobre Ainz, Moknach se curvou
profundamente para Ainz.

“Vossa Majestade, eu sou grato por este encontro com você, e a oportunidade de apren-
der com seus pensamentos.”
Quando Moknach levantou o rosto, não havia sinal do mal-estar, medo ou dúvida que
estivera originalmente ali. Em contraste, ele tinha um sorriso alegre e despreocupado em
seu lugar.

“...Que homem incrível. Pensar que você possuía um carisma incrível, superando até sua
própria poderosa magia.”

“Também estou feliz por ter encontrado excelentes aventureiros. Algum dia, gostaria de
te levar sob minha asa.”

O rosto de Moknach relaxou, sentindo-se um pouco mais feliz agora.

“Ainda assim, Vossa Majestade. A Guilda dos Aventureiros permanece não afiliada ao
governo. Nem eu. Você pode realmente nos ter como subordinados?”

“Uhum. Eu vim precisamente para esse objetivo. Com certeza, isso é apenas um rascu-
nho e ainda não tomou forma... Recepcionista, diga ao Chefe de Guilda que o Rei Feiticeiro
gostaria de falar com ele.”

“S-Sim!”

A recepcionista — que estivera ouvindo atentamente a conversa — saiu correndo da


sala.

“Então, Vossa Majestade, nos despedimos de você.”

Isso era completamente diferente de como eles agiram quando apareceram pela pri-
meira vez. Moknach se curvou cheio de respeito antes de se virar e sair.

Agora... o que devo fazer a seguir?

O principal objetivo do plano incompleto de Ainz era usar aventureiros para exaltar as
virtudes do Reino Feiticeiro. Havia três pontos principais nesse plano:

• A expansão da Guilda dos Aventureiros. Não havia sentido em uma organização


que tinha apenas 10 membros ou menos.

• Nutri-los. Os fracos não poderiam ir longe, e se o evangelho de ser governado pelo


Reino Feiticeiro se propagasse devagar demais, não lhe renderia muitos benefí-
cios.

• Fazê-los querer genuinamente ajudá-lo. Não era que ele não pudesse usar Momon,
mas se Ainzach quisesse ajudá-lo por vontade própria, isso tornaria as coisas
muito mais fáceis no futuro.
Eu preciso resolver esses três problemas antes de negociar com o Ainzach. Ainda assim... é
muito difícil negociar sem qualquer informação. Ah, meu estômago dói.

Tudo o que ele podia fazer agora era rezar para que o Chefe de Guilda não estivesse.
Infelizmente, a primeira coisa que a recepcionista disse quando retornou foi:

“Por aqui, por favor.”

Ainz olhou para o teto e seguiu atrás da recepcionista.

Parte 4

Ele havia atravessado esse corredor algumas vezes como Momon, e ele passou pela sala
do Chefe de Guilda — embora ele não tenha entrado, foi levado para a sala ao lado da-
quela. Aquela sala era usada para entreter convidados.

Um homem de constituição forte saiu para encontrá-lo — o Chefe de Guilda Pluton Ain-
zach.

Ainz o conheceu como Momon várias vezes antes — ele inclusive arrastou Momon com
ele para estabelecimentos adultos no passado. No entanto, esta foi a primeira vez que ele
encontrou o homem como o Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown, então ele teve que estar pro-
fundamente consciente de suas palavras e ações.

“Oh, é Vossa Majestade, o Rei Feiticeiro. Como um cidadão deste país, nada poderia me
deliciar mais do que recebê-lo dentro de minha humilde morada. Por favor, entre e, em-
bora este seja um lugar sujo, ofereço-lhe um assento, se isso lhe agrada.”

Ainz sentou-se no local onde Ainzach havia indicado.

Fifth ficava atrás de Ainz, três dos anjos seguiam Ainz para dentro. O resto permaneceu
fora da sala, aguardando ordens.

“Por direito, eu deveria ter sido aquele a visita-lo, mas estou profundamente grato que
o senhor veio até aqui para me ver.”

Ainzach fez uma genuflexão e inclinou a cabeça profundamente.

Ainz sorriu amargamente ao ver Ainzach fazendo esse ato.

Era completamente diferente de como ele se comportava com Momon. Sua voz gentil
estava tingida de respeito, mas isso era apenas uma fachada. Ainz não pôde deixar de
sorrir depois de perceber que tudo isso era apenas técnica profissional no trabalho. Claro,
sua própria expressão não havia mudado em nada.
Ainz virou os olhos para a outra porta da sala, a que não era a entrada.

Aquela porta levava à sala do Chefe de Guilda. Ele provavelmente estaria falando lá se
estivesse na persona de Momon. O fato de o Chefe de Guilda o ter recebido aqui fez Ainz
ciente da distância entre os dois.

“É algo importante, Vossa Majestade?”

Ainzach levantou a cabeça para espiar Ainz, que parecia tê-lo ignorado em favor de olhar
para o quarto ao lado. Ainz não pôde deixar de sentir a sua tolice.

O rosto de Ainzach congelou. Talvez ele pensasse que o riso fosse direcionado a ele.

Ainz sentiu repugnância por sua grosseria, mas o Rei Feiticeiro não podia se desculpar.
Em vez disso, ele decidiu avançar com a conversa na tentativa de encobrir isso.

Ainda assim, que tipo de atitude ele deveria tomar em relação ao Chefe de Guilda?

Ainz ainda estava aprendendo a maneira correta de ser um rei, e não tinha nenhum co-
nhecimento nesse campo. A única coisa que o guiava era uma sensação vaga de “isso de-
veria estar certo”. Com isso, ele decidiu tentar alguma coisa.

“Eu acho que você deve ter ouvido falar sobre isso, Ainzach, mas eu tenho uma proposta
para você.”

“—Perdoe-me, Vossa Majestade, mas não tenho certeza do que fala. Se é possível, o se-
nhor poderia começar do começo?”

De suas interações anteriores com o homem, Ainz sabia que Ainzach era um homem
capaz que também era capaz de mentir com um sorriso no rosto. Havia uma grande
chance de ele já ter uma compreensão firme da situação. Foi provavelmente por isso que
ele não se alarmou com os anjos.

Sendo esse o caso, não havia necessidade de fazer arrodeios. Ainz decidiu falar direta-
mente.

“Eu pretendo incorporar esta Guilda dos Aventureiros no Reino Feiticeiro.”

“...Se é o caso. Eu não acho que ninguém vai se opor a isso.”

“Hoh. Ouvi dizer que a Guilda dos Aventureiros sempre se manteve na neutralidade.
Você está realmente bem com isso?”
“Todos devem proceder como o senhor deseja, Vossa Majestade. Esta nação é governada
pelas leis que estabeleceu. Se Vossa Majestade quiser subordinar a Guilda dos Aventu-
reiros à sua vontade, ninguém poderá negar essa decisão.”

Ainz bufou novamente. Aquela reação pareceu ter surgido de Ainzach. Ainz sentiu que
ele tinha chegado ao Chefe de Guilda, pelo olhar profundo em seus olhos.

“De fato, procederá como eu desejo. No entanto, você realmente pretende ir junto com
isso? Ou talvez você pretenda avisar os aventureiros e enviá-los ao Império e ao Reino
antes de entregar a concha vazia de uma Guilda para mim.”

Ainzach olhou atentamente para Ainz, e então ele rodeou os ombros, como se dissesse:
“Então, isso é o máximo que eu vou conseguir, huh”.

“Como esperado de Vossa Majestade. Pensar que o senhor não iria apenas reivindicar e
governar esta cidade, mas até mesmo ver através dos meus pensamentos mais íntimos...
o senhor leu minha mente com magia?”

“Não, eu não usei magia. Não foi nada mais que experiência.”

“Porque o senhor viveu muito tempo, eu aceito. Ora ora, que senhor temível que é. Então,
o que será de mim?”

“Nada vai acontecer com você.”

“...Eu não vou agradecer por isso, sabia?”

“Eu não preciso do seu agradecimento. Mais do que isso, quero suas opiniões. Eu ouvi
dizer que aventureiros existem para defender as pessoas. Assim, eles não desejam ser
usados em guerras entre humanos e têm mantido um grau de independência de qualquer
nação. Isso é verdade?”

“É como você diz, Vossa Majestade. Na verdade, quando Vossa Majestade reivindicou
esta cidade, não tínhamos a intenção de oferecer qualquer resistência.”

“E ainda assim o homem chamado Momon estava diante de mim...?”

Ainzach grunhiu:

“Oh.”

Bem, não adiantava se dar um tempo. Ainz decidiu continuar falando e, claro, ele teve
que ajudar a cobrir a identidade de Momon.
“Ah, eu não vou perseguir esse assunto. Afinal, estamos trabalhando juntos, em certo
sentido. De fato, essa cooperação é uma das razões pelas quais posso pacificamente go-
vernar esse lugar.”

Ainzach parecia estar prestes a dizer alguma coisa, mas Ainz o ignorou e continuou.

Esta seria a jogada certa.

Ele precisava trazer Ainzach para o seu lado, e fazê-lo querer ajudar o Reino Feiticeiro
por sua própria vontade.

Depois de recordar as várias queixas e reclamações que ouvira durante seu tempo como
Momon, Ainz disse:

“...Então, eu tenho uma pergunta depois de ouvir suas palavras. Você estava certo de que
“Os aventureiros existem para defender as pessoas”. No entanto, quem exatamente são as
“pessoas”?

“Posso saber o que o senhor quer dizer com isso?”

Havia um olhar perplexo no rosto de Ainzach.

“Em outras palavras, a palavra “Pessoas” abrange todos os humanoides, ou apenas seres
humanos? Os Elfos, e os mestiços de Elfos e outras espécies que vivem em harmonia com
a humanidade são cobertos por essa palavra?”

“Bem, sobre isso, sim, eles estão incluídos.”

“Que estranho, então. Eu me lembro de que Elfos são escravos do Império, não são?
Sendo esse o caso, você pode realmente dizer que você está protegendo-os? Eles não são
escravos porque entraram em conflito com as leis do Império?”

Ainzach abaixou a cabeça. Então, ele olhou para cima para encarar Ainz novamente.

“...Eu sou o mestre da Guilda dos Aventureiros do Reino. Assim, não sei o que a Guilda
do Império tem em mente.”

“Então você está apenas tentando fugir com o jogo de palavras, então...”

Os olhos de Ainzach se arregalaram e havia uma raiva nítida ali.

“Vossa Majestade, tal zombaria—”

“Zombaria? Isto não é a verdade? ...Eu vou perguntar de novo. Você não está tentando
se livrar de ser ambíguo?”
Ainzach baixou os olhos.

“...É como o senhor diz.”

“Você diz que vai defender Elfos e mestiços, mas não fez nada disso. Por que isso?”

Ainzach deu sua explicação, começando pela posição de que ele não estava claro sobre
as intenções da Guilda dos Aventureiros no Império.

“Apesar de sermos uma Guilda dos Aventureiros, não podemos escapar totalmente dos
laços dos países. Mesmo a Guilda dos Aventureiros declarando orgulhosamente estar
acima de suas regras, nós permanecemos obedientes às leis das nações. Somos uma or-
ganização armada. Seria muito perigoso se um grupo com a nossa força fosse transfor-
mar esse poder contra a nação. Eu acredito que a Guilda do Império pense na mesma
linha.”

“Isso é o que eu quis dizer. Como você está sujeito às leis de um país, não deve haver
problema em ser incorporado a esse país. Sendo esse o caso, por que você não gosta
disso?”

“Tanto o Império quanto o Reino cobiçam nossa força. Afinal, apenas aventureiros como
nós podem lutar em pé de igualdade com poderosos monstros. Por causa disso, ninguém
fez nenhum pedido difícil para nós até agora. No entanto, o ponto onde Vossa Majestade
está ponderando é discutível. Se nos tornarmos subordinados ao senhor, há uma chance
de que nossa força seja dirigida contra o povo.”

“E assim, você procura resistir à assimilação no país porque tem medo de usar a força
contra o homem comum, estou correto?”

“É como Vossa Majestade diz. Não queremos ser obrigados a reprimir pessoas ou a lutar
em guerras. Isso nos tornaria acessórios para muitas mortes.”

Ainz não pôde deixar de rir disso.

Bem, eu já sabia disso.

Mas é claro que ele não podia dizer isso.

“Então sente-se. Agora vou explicar o que pretendo para você no futuro.”

Ainz teve que dizer a ele para se sentar novamente antes que Ainzach finalmente con-
cordasse, sentando-se com medo. Então, Ainz começou sua explicação.

“Estou considerando a possibilidade de os aventureiros assumirem outros tipos de tra-


balho mais significativos. Eu quero que os aventureiros descubram o desconhecido e ex-
plorem este mundo.”
Ainz sentiu Ainzach olhando diretamente para ele pela primeira vez.

“Por exemplo, há um pedaço de deserto ao sul, entre a Teocracia e o Reino Sacro. Mas
você conhece os detalhes do terreno e que tipo de monstros vivem lá?”

“Não, porque existem muitos assentamentos demi-humanos lá. A Guilda dos Aventurei-
ros do Reino enviou pessoas para lá, mas nenhuma retornou. Portanto, sabemos quase
nada sobre lá.”

“Então, há uma cordilheira ao sudoeste que serve como uma barreira natural entre vo-
cês e a Teocracia. O que você sabe daquele lugar?”

“Nada, não temos informações detalhadas sobre essa região.”

“Você não se envergonha dessa ignorância? Não, talvez pareça inevitável do ponto de
vista de um aventureiro. Afinal, você faz parte de uma organização que protege as pes-
soas, portanto, não há necessidade de saber sobre lugares que não contêm pessoas. Em-
bora haja uma chance de que ervas que salvam vidas possam crescer nessas regiões.”

A boca de Ainzach se apertou em uma linha reta naquela provocação.

“Depois que eu pegar a Guilda dos Aventureiros sob minha bandeira, planejo preencher
todos os espaços em branco no mapa.”

“...Não seria melhor entregar essa tarefa para as pessoas próximas a Vossa Majestade?”

“Não seja tolo. Ouvi dizer que você costumava ser um aventureiro, Ainzach, então deixe-
me perguntar de novo: quando você pensa sobre a palavra “aventureiro”, o que realmente
pensa sobre isso, você acha que existem apenas para lutar contra monstros? Antes de
aprender mais sobre aventureiros, achei que eram seres que se aventuravam nos confins
do desconhecido.”

Ainzach mordeu o lábio com tanta força que parecia que ele estava tentando tirar san-
gue.

“—Devemos proteger as pessoas.”

“Não há necessidade disso. No Reino Feiticeiro, protegerei meu povo como um gover-
nante. Dada a queda acentuada nos pedidos, você deve ser capaz de entender a verdade
das minhas palavras, estou errado?”

Ainzach respondeu afirmativamente, com uma voz de dor que soava mais como um ge-
mido.
“Então o que você fará em seguida? Você vai se mudar para o Reino ou o Império para
proteger as pessoas? Isso parece muito com o que um mercenário especializado em caçar
monstros faria.”

Ainz fez uma pausa aqui. O próximo passo seria a persuasão. Ele precisava dedicar a
capacidade total de sua mente para o que ele disse em seguida.

“Anteriormente, você disse que meus subordinados deveriam fazer isso. De um certo
ponto de vista, isso seria uma boa solução. É verdade que meus subordinados são exce-
lentes em matar o inimigo. No entanto, muitos deles levantam sérias dúvidas em minha
mente sobre se podem ou não construir boas relações com os seres que encontram neste
mundo desconhecido. É uma grande marca de vergonha para mim. Portanto, desejo dei-
xar esta tarefa para vocês, aventureiros.”

Mesmo ele estando bastante interessado na reação do silencioso Ainzach, sua apresen-
tação ainda não estava terminada.

“Bem, já que eu planejo que eles façam um trabalho tão perigoso, eu naturalmente lhes
darei meu total apoio. Você não acha que é necessário que eu assimile a Guilda dos Aven-
tureiros para isso?”

“...Tudo o que o senhor precisa fazer é nos contratar.”

“Entendo. Então você está bastante confiante em sua força. Eu não desgosto dessa cora-
gem.”

“O que, o que quer dizer, Vossa Majestade?”

“Descobrir o desconhecido inclui a possibilidade de fazer encontros desafortunados


com outras civilizações. Se isso acontecesse, você acha que o Reino Feiticeiro iria negar,
certo? Além disso, a Guilda dos Aventureiros seria a única responsável por lidar com
quaisquer problemas que surgissem, estou errado? Já que você afirma ser uma organiza-
ção independente, você não acha que isso é esperado? Afinal, qualquer contrato que eu
faça com você não acarretará nenhuma perda para o Reino Feiticeiro.”

Ainzach ficou em silêncio.

“Isso é o que significa agir de forma independente, livre do controle de qualquer nação,
não é esse o caso? E se uma situação se elevar a um nível internacional, você teria que
lidar com isso sozinho... é por isso que o que diz é tão risível?”

“Certamente não, Vossa Majestade.”

Ainzach assentiu profundamente, para mostrar que ele entendia e completou:

“Tudo que falou está correto.”


“Já era hora. Mas se isso acontecer, aventureiros valiosos — profissionais que possuem
habilidades especiais — acabarão se esgotando. Como os seres humanos levam muito
tempo para amadurecer, a morte de qualquer indivíduo talentoso será uma grande perda.
Por causa disso, eu queria adquirir o grupo de aventureiros. E então, eles receberiam
meu total apoio como pagamento por ter que cumprir minhas ordens.”

“Essa é uma proposta muito atraente... No entanto, tenho uma dúvida que gostaria de
esclarecer. Uma vez que tenhamos entendido o desconhecido, isso significa que nos tor-
naremos forças invasoras para o Reino Feiticeiro?”

“Essa é uma questão muito complicada. Não posso descartar essa possibilidade por
completo. Afinal, se localizarmos que um inimigo que em terras desconhecidas planeja
lançar uma invasão, é bastante razoável usar essa informação para tomar a iniciativa e
dar o primeiro golpe. Os inimigos podem incluir demi-humanos como Ogros ou Orcs que
vivem no deserto. Ou talvez, talvez seja necessário lançar uma invasão para mostrar a
diferença entre a força deles e a nossa. Se houvesse um monstro feroz ao seu lado que
estivesse afiando suas presas, você não iria querer atacar primeiro?”

“Entendo, é como diz, mas—”

“...Hm.”

“É algo importante, Vossa Majestade?”

“Não é nada, me perdoe por te interromper. O que você estava prestes a dizer agora?”

“...Entendido. No entanto, o que me incomoda é se é certo ou não subjugar pela força


aquelas raças que estão vivendo em paz.”

“Em que raças você está pensando? Talvez em Elfos?”

“Bem, talvez.”

“...Os detalhes desse tipo de coisa são altamente sigilosos, pois estão ligados à política
nacional, então não posso discutir isso abertamente. Se a invasão e a conquista forem
vantajosas para o Reino Feiticeiro, poderíamos acabar por fazê-lo, ou, se gerassem ape-
nas desvantagens, evitaríamos tais atos. Isso é bastante comum entre os países, estou
correto? No entanto, se for apenas uma simples questão de invasões, posso afirmar cla-
ramente que tenho forças militares adequadas à minha disposição. Não espero que os
aventureiros coletem informações sobre nações inimigas, nem preciso que eles explorem
rotas secretas para mim. Como eu disse anteriormente, eu simplesmente desejo que ex-
plorem o desconhecido e descubram todos os tipos de coisas. Eu dou a minha palavra
sobre isso.”

No entanto, logo depois de dizer isso, Ainz perguntou a Ainzach:


“Ainda assim, parece que você trata as raças de forma diferente dependendo de quão
atraentes elas são. Por que você não disse essa frase sobre “se é certo ou não subjugar
pela força aquelas raças que estão vivendo em paz” quando surgiu o tópico de invadir Orcs
e Ogros?”

“Isso, porque são demi-humanos—!”

“Hahahaha. Entendo, entendo. Então é isso que você pensa. Eu entendo, eu entendo. En-
tão, qual é a sua resposta?”

Ainzach parecia querer dizer alguma coisa, mas imediatamente sacudiu a cabeça. Isso
provavelmente para mudar de idéia.

“Devo responder a essa pergunta imediatamente, Vossa Majestade?”

“Certamente, gostaria que você respondesse imediatamente. No entanto, esse assunto é


de grande importância, e você deve se preparar para isso discutindo-o com os outros. O
fato de levar tempo é inevitável. No entanto, gostaria de saber o que você pensa, Ainzach.”

Ainz se inclinou para frente, para que ele pudesse olhar diretamente nos olhos de Ain-
zach de perto.

“Eu estou muito bravo. Mas mais do que isso, estou entristecido pelo fato de vocês, aven-
tureiros, não são nada além de simples exterminadores de monstros. Como as pessoas se
atrevem a se chamar de aventureiros? Ainzach, o que você acha? Você está disposto a se
aventurar sob minhas leis? É minha esperança para todos vocês que—”

Aqui, Ainz parou por um momento. Então, deixou a força fluir em seus olhos e sua voz.

“—Que todos vocês serão capazes de se tornarem Aventureiros no verdadeiro sentido


da palavra.”

A tensão encheu a sala. Como se observasse um oponente que havia sido morto por seu
movimento final, Ainz prendeu a respiração — embora não pudesse respirar para come-
çar — e aguardou a resposta de Ainzach.

“...Eu sinto que esta é uma proposta muito atraente.”

As luzes dentro das órbitas vazias de Ainz esmaeceram. Parecia que ele encontraria al-
gum motivo para recusar.

“—Portanto, pretendo perguntar aos outros se eles podem aceitar essa proposta. É ver-
dade que usar aventureiros como nós para tal propósito é como um sonho que se torna
realidade. Tornar-se agentes do Reino Feiticeiro é algo com o qual podemos chegar a um
acordo em algum momento. Se eu pudesse falar como um ex-aventureiro... eu ficaria feliz
em ajudar.”

—Eh, isso significa que funcionou?

“Realmente...”

Ainz se recostou no sofá.

A alegria do sucesso de sua fala se espalhou firmemente através dele. Era como a sen-
sação de deixar um cliente depois de fechar um negócio, depois correr para um telefone
mais próximo para ligar para a própria firma e gritar “Eu consegui!” pelo telefone.

Ele não esperava que sua experiência como aventureiro acabasse sendo usada aqui. Não,
foi por causa dessa experiência que Ainz pôde propor essa proposta.

E então, Ainz pensou em algo que era muito importante que tinha que ser endereçado
imediatamente. Dizia respeito ao futuro do Reino Feiticeiro que ele imaginou.

“Ah, isso mesmo. Mais uma coisa.”

Ainz levantou um dedo ossudo.

“Quando você disse que queria proteger as pessoas, definiu como abrangendo todos os
humanoides. Assim, o objetivo dos aventureiros é proteger todas as pessoas dentro dessa
definição.”

“Sim. Isso é verdade, Vossa Majestade.”

“E então, quando o assunto foi para o tópico de invasão, você indicou que tudo ficaria
bem, desde que fossem demi-humanos. Isso está correto?”

Ainzach assentiu com a cabeça, sua expressão dizendo: “E daí?”

“O Reino Feiticeiro aceitará todas as raças. Isto é, não apenas humanoides, mas demi-
humanos e heteromorfos. Portanto, se a filosofia dos aventureiros é proteger o povo, en-
tão você deve defender também os demi-humanos e heteromorfos.”

Os olhos de Ainzach se arregalaram.

“O que está dizendo?!”

“...O que está errado? Eu não entendo porque você está tão agitado. No meu país, não há
diferença entre seres humanos, demi-humanos ou heteromórficos. Se eles me reconhe-
cerem como seu Rei, então eles serão meus súditos.”
“Isso, isso é muito ridículo. Isso é impossível, Vossa Majestade!”

“Tem certeza? Eu ouvi falar de um país ao norte do Reino chamado Conselho Estadual.
Não existem muitas raças que coexistem lá?”

“De fato, eu ouvi falar desse país... não! O senhor pretende que nós coexistamos com
aquelas raças que vêem os humanos como pouco mais que comida?”

“Entendo, é como você diz. O Reino Feiticeiro não permitirá que seus súditos comam
seus semelhantes. Eu vou fazer disso ser uma lei. Isso deveria ser o suficiente, correto?
No entanto, eu não vou impedi-los se eles procuram atacar aqueles que não são meus
súditos. Afinal, eu não sou do tipo que interfere com os hábitos culinários do meu povo...
não, ver os membros de sua própria raça sendo massacrados e vendidos por carne é pre-
judicial para a mente... talvez esse assunto exija mais debate.”

Segundo Lupusregina, os aldeões de Carne viviam em harmonia com Goblins e Ogros.


Assim, não havia razão para que isso fosse impossível para esta cidade. Dito isto, o grande
número de pessoas envolvidas complicaria o assunto.

“O que, o que exatamente o senhor pretende fazer?”

“Você certamente faz muitas perguntas surpreendentes. Por que não perguntar por que
todos vocês, como seres vivos, não podem se unir? Como um undead, acho esse ponto
bastante difícil de entender. Para mim, não há diferença entre humanos e Goblins. Todas
as raças serão iguais sob minha regência. Naturalmente, eu estarei acima de você como
seu governante absoluto, assim como os subordinados sob mim.”

A respiração de Ainzach parecia mudar através de uma variedade de velocidades, antes


de finalmente se acalmar.

“Então o senhor vai levar Goblins sob sua bandeira — transformá-los em seus cidadãos?”

“Você não ouviu o que eu disse antes? Eu disse que levaria Orcs e Ogros como meus
súditos também, não?”

“Perdoe, me perdoe. Eu ouvi isso, mas acreditei que eles seriam seus escravos.”

“Essa resposta certamente combina com uma raça que levaria Elfos como escravos.
Deixe-me repetir-me — todos os cidadãos sob o meu governo serão iguais.”

Quando ele olhou para o jeito que Ainzach estava ofegante, Ainz considerou se o homem
tinha percebido suas intenções.

Uma interpretação extrema dessas palavras seria que todo sujeito do Reino Feiticeiro
seria um escravo da Grande Tumba de Nazarick e seus membros. Claro, ele não diria isso.
Nem havia necessidade de dizer isso. Seria melhor se Ainzach não percebesse isso.
“Há muitos Goblins sob minha proteção. Em poucos dias, um grupo de Goblins visitará
E-Rantel. Tente se misturar com eles. Os preconceitos que você tem dos Goblins certa-
mente serão destruídos. Além disso, os Lizardmen não comem muita carne, sendo sua
dieta primária o peixe. Dryads e Treants amam a água limpa e a luz do sol, e eles só ata-
cam humanos em autodefesa.”

“O senhor já tomou tantos vassalos sob sua bandeira?”

“Não há dúvidas sobre isso. Há um grande número de demi-humanos e heteromorfos


que se tornaram meus súditos. Ah, parece que nos afastamos bastante do assunto. Então,
Ainzach, eu entendo que você aprova pessoalmente a Guilda dos Aventureiros se tor-
nando parte do Reino Feiticeiro?”

“—Enquanto Vossa Majestade se manter fiel à sua palavra.”

“Você se preocupa muito, não é? Não estou mentindo. Os aventureiros devem procurar
explorar o desconhecido.”

Se possível, ele esperava reunir todos os tipos de raças em grupos e enviá-las para fora.

“Então, deixarei a tarefa de explicar o assunto para os outros aventureiros em suas mãos.
Se algum aventureiro não aprovar a tarefa de se tornar funcionário público, não terei
nenhum escrúpulo em deixá-lo partir.”

“Realmente não terá problema?”

“A cooperação forçada não será eficaz. Dito isso, pode-se imaginar que grandes mudan-
ças na estrutura da organização e desvios repentinos das práticas atuais causarão muitos
problemas. Portanto, o status quo será mantido, até certo ponto. A mudança mais óbvia
será apenas o estabelecimento de um escritório de investigação para a Guilda assim
como o Chefe de Guilda.”

Tudo o que restou foi a parte mais importante; os incentivos que fariam com que mais
aventureiros quisessem se juntar à Guilda dos Aventureiros do Reino Feiticeiro.

“O apoio que o Reino Feiticeiro oferece incluirá principalmente o estabelecimento de


uma instalação de treinamento. Seria uma perda terrível abrir caminho para terras dis-
tantes, apenas para ser morto por monstros desconhecidos. Portanto, um método de trei-
namento mais prático do que o modelo atual — o de combate ao vivo contra monstros
— será necessário. Considerando que os aventureiros precisam se acostumar ao com-
bate em equipe, pode ser uma boa idéia construir um labirinto para eles se acostumarem.”

Parte dos monstros seria preenchida por undeads POP de Nazarick.


“Eu sinto que esta é uma boa idéia. Só que, com certeza, seria um empreendimento con-
siderável.”

Como a equipe seria composta de undeads, que não necessitavam de salário, os custos
operacionais não seriam muito altos. No entanto, não havia necessidade dessa informa-
ção ser compartilhada com eles. Deve-se vender favores sem hesitação quando surgir a
necessidade.

“De fato, isso exigiria um investimento inicial considerável. No entanto, isso está dentro
do limite permitido para despesas necessárias. Afinal de contas, os aventureiros são um
valioso recurso humano para o Reino Feiticeiro.”

“Eu sou profundamente grato, Vossa Majestade.”

“Não precisa ficar em cerimônia. Então, que tal isso? Você não acha que os aventureiros
seriam atraídos por isso?”

“De fato, o labirinto seria bastante atrativo para os aventureiros de baixo nível... mas e
se os aventureiros decidirem se transferir para o Reino ou para as guildas do Império
depois de completar seu treinamento?”

“Claro que isso não será permitido. Este é um órgão estatal; o uso indevido disso poderia
ser considerado traição.”

“Entendo... parece que vou precisar explicar cuidadosamente essa parte.”

“Então, como atrairemos aventureiros de alto nível?”

“Parece que a remuneração é a melhor resposta.”

“Bem, não é como se alguém pudesse comer sonhos.”

“É como diz. Além disso, sem melhores armas, armaduras e outros itens mágicos, será
impossível derrotar monstros poderosos. Esses itens são normalmente muito caros.”

“...Hm. Tem isso.”

A produção em massa poderia reduzir o preço de tal equipamento. No entanto, aventu-


reiros poderosos eram muito raros. Assim, seus equipamentos foram feitos sob enco-
menda, o que naturalmente elevou seus preços. Além disso, as pessoas que poderiam
fazer esses itens eram muito raras, o que só contribuía para o preço. Ele tinha que pensar
em uma maneira de lidar com os problemas que se seguiram também.

“Além disso, gostaria de deixar que mais aventureiros — os do Reino e do Império —


saibam deste lugar. Você tem alguma idéia?”
“A Guilda dos Aventureiros que Vossa Majestade pretende estabelecer, é uma coisa ini-
maginavelmente desejável, comparada às Guildas do Reino e do Império. Uma vez que as
notícias saírem, as Guildas das várias nações podem tentar alguns meios para interferir
com isso, a fim de evitar que seus aventureiros as abandonem. Afinal, cada país conta os
aventureiros como seus trunfos, e eles não ficariam satisfeitos em ver seus aventureiros
indo para outro país.”

“De fato, isso está correto. O que você acha que seria uma boa solução para isso?”

“É difícil para eu responder prontamente. Posso me dar um pouco de tempo?”

“Indo por este ponto, isso é verdade. Eu também tenho que traçar um rumo para o fu-
turo...”

O fato era que esse objetivo grandioso era demais para Ainz lidar sozinho. Ele teve que
se acalmar, pensar sobre as coisas e discuti-las com outra pessoa.

Ainz levantou-se.

“Então, nós vamos embora—”

Ainz rapidamente fechou a boca antes que ele pudesse dizer algo rude. Não era assim
que um rei deveria falar:

“Vamos deixar as coisas nisso por hoje. Nos veremos novamente.”

Ainzach se levantou apressadamente e baixou a cabeça.

“Entendido, Vossa Majestade.”

Sem olhar para trás, Ainz saiu da sala pela porta. Fifth a tinha aberto.

Embora ele quisesse suspirar, ele ainda estava na Guilda. Mas fazê-lo agora seria pre-
maturo.

Ainz levou os anjos para fora da Guilda dos Aventureiros. Depois de andar um pouco
mais adiante, ele se permitiu suspirar baixinho.

Ahhhh~ eu estou exausto...

Enquanto Ainz Ooal Gown não poderia dizer que estava cansado, Suzuki Satoru estava
praticamente gritando para seu cérebro superaquecido ter um descanso.

Antes de falar com a Albedo sobre absorver a Guilda dos Aventureiros, devo descansar um
pouco. Eu também preciso encontrar uma maneira de convencer a Albedo sobre os méritos
deste plano... há tantas coisas para fazer agora...
Ainz andou a passos largos em silêncio. Ele não usou magia de teletransporte, em vez
disso, ele rezou para que ele topasse em uma boa idéia antes de chegar em casa.

♦♦♦

A porta da sala adjacente — o escritório de Ainzach — foi aberta e um novo hóspede


entrou.

O homem com um corpo excessivamente magro — a ponto de alguns até considerá-lo


anoréxico — era o velho amigo de Ainzach, o chefe da Guilda dos Magistas de E-Rantel,
Theo Rakheshir.

“Pluton, isso foi uma grande surpresa. Eu não esperava que o Rei Feiticeiro viesse no
meio de nossas discussões. Ele notou alguma coisa?”

“Eu não tenho tanta certeza sobre isso.”

Naquela manhã, Ainzach passara a rotina diária de encontrar Rakheshir logo no cedo
para trocar informações.

Desde que a cidade caiu sob o domínio do Rei Feiticeiro, eles só se encontraram pela
manhã. A razão para isso foi porque eles acreditavam que a maioria dos undeads não
gostava do sol. Ainda assim, depois de ver o exército de undeads patrulhar as ruas, eles
sabiam que era pouco mais que uma maneira de tranquilizar suas mentes.

Suas reuniões foram essencialmente realizadas com o propósito de trocar notícias, sem
considerar os futuros movimentos da Guilda dos Aventureiros e da Guilda dos Magistas.
Ou melhor, desde a fundação do Reino Feiticeiro, todos que podiam fugir já haviam par-
tido para o Império e o Reino. A Guilda dos Magistas também transferiu todos os seus
itens mágicos para fora da cidade, com apenas alguns membros ficando para trás. Em
outras palavras, a Guilda dos Magistas dessa cidade estava efetivamente dissolvida.

No entanto, ainda havia muito que precisava ser discutido no campo da análise de in-
formações.

Embora os aventureiros não estivessem particularmente ligados a países, eles ainda po-
deriam continuar como antes, agindo de dentro do Reino Feiticeiro? O Reino Feiticeiro
enviaria saqueadores atrás dos antigos cidadãos desta terra que estavam ocupados fu-
gindo? Se conseguissem atravessar a fronteira com sucesso, o Reino Feiticeiro exigiria a
extradição dos refugiados a nível nacional? E o que seria dos magic casters?”

Como eles poderiam lidar com essa situação sem sacrificar Momon, que agora era resi-
dente aqui? Além disso, como a Guilda dos Aventureiros deve tratar Momon?
Os templos permaneciam em silêncio, sentindo que o Rei Feiticeiro também se afastava
deles. No entanto, isso continuaria no futuro? Eles liderariam um movimento de resis-
tência contra ele?

Cada uma dessas perguntas era desafiadora, o que sobrecarregava seus cérebros até o
limite, sem nada para mostrar pelo esforço. No entanto, seria problemático se eles não
fizessem nada e simplesmente deixassem as coisas acontecerem. Os templos eram parti-
cularmente problemáticos nesse aspecto.

Poderiam os templos realmente aceitar seu inimigo mortal, um undead, como seu rei?
Eles mantiveram a paz por enquanto, mas isso, por sua vez, amedrontava ainda mais as
pessoas.

Além disso, havia as facções religiosas dos países vizinhos. Se as coisas corressem mal,
eles poderiam decidir unilateralmente declarar uma guerra santa, com os templos den-
tro do Reino Feiticeiro servindo como uma quinta-coluna. Essa situação teve uma chance
de acontecer.

A razão pela qual não havia ninguém aqui para representar os templos foi porque a sua
posição sobre o assunto não estava clara. Embora fosse fácil chamá-los, seria ruim se eles
acabassem sendo atraídos para outra coisa.

Dito isto, nenhum dos dois achou que os templos seriam realmente capazes de derrotar
o Rei Feiticeiro. O que os incomodava seria o massacre que certamente se desdobraria
depois que eles tentassem. Ainda pior, eles temiam que isso resultasse em Momon, a Es-
pada do Rei Feiticeiro, massacrando todos eles. Além disso, como eles curariam as feridas
nos corações das pessoas do país depois que algo desse tipo acontecesse?

Assim que suas cabeças estavam doendo com essa confusão caótica de eventos, o Rei
Feiticeiro havia chegado.

“No entanto, Sua Majestade parece ter sentido a sua presença aqui.”

A melhor prova disso foi o riso do Rei Feiticeiro quando ele olhou para o quarto ao lado.

“Se dermos azar, tudo o que conversamos pode ter vazado.”

“O quê? Isso significa...?”

“Exatamente o que você pensa. Ele também queria que você ouvisse as palavras dele.”

A acústica desta sala estava sintonizada de tal forma que tudo o que se dizia aqui podia
ser ouvido na outra. Por causa disso, Rakheshir — que estava escondido no quarto ao
lado — deveria ter ouvido tudo o que os dois haviam dito.

“Você acha que ele poderia estar enganado?”


“Não, isso é impossível. Até certo ponto, ele deveria ter sentido que alguém estava lá. No
entanto, Sua Majestade pode ter pensado que era alguém dos templos.”

Agora a pouco, ele estava mais confuso do que chocado devido à rapidez da situação.
Quando ele pensou nisso, tudo o que ele sentiu foi arrependimento por suas ações. Como
ele queria rir de si mesmo, alguém que escondeu seu amigo fora do caminho.

Ele deveria ter convidado Rakheshir para fora, para que os três pudessem falar o que
pensavam.

Claro, o Rei Feiticeiro provavelmente não havia colocado todas as suas cartas na mesa
ainda. No entanto, ele havia declarado suas opiniões a um mero cidadão, com o porte real
de um governante. Como ele se apresentaria em contraste?

Enquanto observava Ainzach franzir as sobrancelhas, Rakheshir perguntou friamente:

“Então, o que você fará em seguida? Não, eu já sei. Afinal, você costumava chamá-lo de
o Rei Feiticeiro, mas agora você se refere a ele respeitosamente.”

“Você não acha que alguém pode estar escutando nossa conversa?”

“Você não acha que é a razão pela qual estou lhe dizendo isso agora?”

“Será que eu estava magicamente encantado?”

“Não estou confiante em descartar completamente, mas acho que não. O encanto mágico
é limitado no tempo, e mesmo que o Rei Feiticeiro quisesse sustentá-lo, ele provavel-
mente não seria capaz.”

“Então, novamente, pode ser possível para Sua Majestade.”

“Que isso, cara... dá um tempo. Isso seria uma verdadeira dor de cabeça se fosse verdade.
Afinal, essa seria magia do oitavo nível ou mais, um reino pertencente a deuses.”

Os dois riram brevemente, e então Ainzach retomou sua expressão séria.

“Acredito que ajudar Sua Majestade nesse assunto é uma boa idéia.”

“Mesmo que isso resulte em você e a todos cúmplices em invasões a outros países?”

“...Não é natural que as nações fortes subjuguem as mais fracas?”

“Então você sabe que isso vai resultar em tragédia e optou por permitir isso?”
“As coisas podem não necessariamente se desenvolver dessa maneira. Afinal, já que Sua
Majestade assumiu o controle deste país, quem entre nós está em pior situação?”

Rakheshir ficou em silêncio.

O surpreendente foi que ninguém neste país poderia dizer que eles estavam em uma
situação pior do que antes.

“Não há aventureiros que perderam seus empregos por causa disso?”

“Bem, você está certo, mas não é uma grande perda... vamos lá, eu mesmo já me demiti.”

“Isso é verdade. Eu falei sem pensar. Ainda assim, dado que esta era uma oportunidade
tão rara, por que você não perguntou ao Rei Feiticeiro o que ele achava sobre os templos?”

“Vou ter que explicar isso...? Bem, se Sua Majestade decidisse que eles eram um incô-
modo e decidisse destruí-los por causa de algo que eu dissesse, eu teria que viver o resto
da minha vida sabendo que causei um grande massacre. Como você acha que eu poderia
viver comigo mesmo se isso acontecesse?”

“Você acha que o Rei Feiticeiro é alguém que faria uma coisa dessas?”

“Não. Na verdade, eu diria que é o oposto. Sua Majestade é muito racional, ao ponto de
ser bastante chocante. A tal ponto que às vezes me pergunto se aquele rosto undead que
ele mantem é realmente foi feito por magia. Sim — me lembra quando eu falo com o Mo-
mon-dono.”

“Bem, isso seria uma desconsideração para o Momon-dono.”

Ainzach sorriu fracamente ao ver seu velho amigo com uma expressão descontente no
rosto.

“Bem, isso é verdade. É desrespeitoso comparar um herói da humanidade ao Rei Feiti-


ceiro undead. No entanto, quando você considera que ambos são seres de poder sobre-
humano, eles parecem bastante semelhantes. Se eu tivesse que descrevê-lo... sim, posso
sentir a mesma presença ao seu redor, uma que apenas essas entidades extraordinárias
poderiam irradiar.”

“Entendo. Isso faz sentido quando você coloca dessa maneira.”

Os dois lembraram a forma daquele grande herói — Momon.

Então, depois daquela breve pausa, Ainzach olhou diretamente para Rakheshir.

“—Rakheshir. Se você não deseja ajudar Sua Majestade, posso incomodá-lo por não vir
mais aqui?”
A razão para isso quase não precisava ser dita. Afinal, a sala de Ainzach pode muito bem
ser usado para armazenar dados relativos à administração nacional do Reino Feiticeiro.
Permitir que pessoas de fora entrassem e saíssem de tal sala definitivamente não era
apropriado. Além disso, as palavras do Rei Feiticeiro — que causaram um impacto tão
grande no coração de Ainzach — também foram ditas a seu velho amigo.

A nova visão dos aventureiros de que ele havia falado era brilhante e gloriosa. No pas-
sado, havia aventureiros que haviam pisado em terras desconhecidas. No entanto, a mai-
oria deles morria longe de suas casas, ou tinha desistido em face da realidade. Apenas
um punhado de pessoas poderia realmente fazer uma coisa tão perigosa. Mas agora, o
Rei Feiticeiro — um magic caster que exercia o poder absoluto — estava oferecendo seu
total apoio a eles. Isso abriu uma nova perspectiva de possibilidades para eles.

Contida dentro disso estava a possibilidade de se tornarem verdadeiros aventureiros.

Depois de uma breve pausa, Rakheshir finalmente falou.

“Eu digo, Ainzach. Você sabe que a Guilda dos Magistas nesta cidade está praticamente
dissolvida, certo?”

“Ahh, então é isso.”

“Então, por favor, permita-me apoiá-lo com todas as minhas forças, como seu antigo
companheiro. Depois de tudo isso, por que não vamos explorar o desconhecido também?”

“—Haha”

Ainzach riu:

“Pense na nossa idade, no entanto. Huhu — estaria realmente disposto?”

“Por que não? No entanto, você terá que falar com Sua Majestade e convencê-lo a não
colocar uma restrição de idade na Guilda dos Aventureiros.”

E assim os dois encheram a sala com uma risada alegre.


Capítulo 02: O Reino Re-Estize
Parte 1

item mágico no bolso dele vibrou e Climb o tirou.

O Era um relógio de bolso, grande o suficiente para caber na palma da mão,


com três ponteiros — hora, minuto e segundo — que traçava um halo de
doze números.

Grandes relógios mecânicos existiam, mas relógios pessoais só existiam dentro do Reino
como itens mágicos. Como relógios de bolso estavam intimamente ligados à vida cotidi-
ana, eles eram bastante baratos, na medida em que os itens mágicos se popularizavam.
Dito isto, eles ainda não eram algo que um plebeu poderia pagar.

Climb havia pegado emprestado o relógio de bolso que ele agora usava, e assim ele di-
feria dos itens mágicos regulares, pois possuía uma habilidade mágica. O nome do relógio
era Twelve Magical Power. Uma vez por dia, quando o relógio chegava a um horário de-
finido, ele desencadeava sua mágica.

No entanto, seria necessário ter o relógio de bolso por pelo menos um dia inteiro para
aproveitar essa habilidade, então o Climb — que acabara de obter esse relógio — não
poderia usar sua magia.

“Hm? Já é hora? Isso foi rápido...”

Disse a garota que parecia estar olhando sem rumo para o céu azul. Naturalmente, essas
palavras foram endereçadas a Climb.

“Parece que sim.”

Climb respondeu à menina — Tina, um membro do grupo de aventureiras “Rosa Azul”.

“Hm~ É difícil dizer quando estamos nos distanciando.”

Essa afirmação tinham um sentido vago, e poderia ter várias interpretações.

Para começar, Tina não estava se distanciando. Ela estava guardando a porta principal
da edificação atrás de Climb. Quando ela disse coisas como “Já é hora” e “Isso foi rápido”,
o fato era que ela tinha uma percepção muito apurada do tempo.

Havia algumas pessoas na comunidade de aventureiros cuja percepção do tempo era


sobrenatural. Em particular, muitas pessoas na profissão de Ladino treinaram essa habi-
lidade. Era muito importante para eles, uma vez que muitas vezes precisavam se mover
de forma independente em operações secretas.

“Hm? Você estava prestes a dizer alguma coisa?”


“Não, nada em particular.”

Tina respondeu com um “Certo.” quando ouviu a resposta de Climb e depois olhou para
o céu novamente.

Ela estava escondendo alguma coisa. No entanto, não havia como alguém como Climb
perguntar o porquê ela estava mentindo.

Em primeiro lugar, eles não tinham dinheiro para contratar Tina e os outros; eles sim-
plesmente estavam operando na mesma área por acaso. Dada a falta de mão de obra, ele
não podia fazer nada que pudesse aborrecê-la.

“Então, vou me reportar à Princesa.”

“Te vejo depois~”

Climb foi em direção a edificação que ele estava protegendo durante todo esse tempo.

Ele tinha visto durante a sua construção várias vezes, mas esta foi a primeira vez que
ele colocou os olhos nele depois que foi concluído. O tamanho da edificação — e a pre-
sença de sua amada dentro dele — encheram as profundezas do coração de Climb com
calor.

Depois de abrir a porta, o cheiro único de madeira que foi recentemente esculpida atin-
giu o nariz de Climb.

Ele continuou em frente e, depois de passar pelo corredor, abriu a porta de uma sala nas
profundezas da edificação.

Dentro daquela sala estava sua amada.

Ela era uma linda princesa, Renner.

Ao redor dela havia várias crianças.

A maneira como ela sorria ternamente para as crianças barulhentas e a postura que ela
tomou para ouvir suas palavras fez com que todos que a vissem pensassem em uma santa.

Ao contemplar essa cena pitoresca, Climb perdeu a capacidade de falar.

Ele temia arruinar essa visão sacrossanta diante dele. O mesmo se aplicava às mulheres
que ficavam perto da janela, nenhuma das quais ousava fazer qualquer coisa desneces-
sária.

No entanto, alguém dentro da sala não compartilhava seus sentimentos.


“Ei, é o rebeldezinho. Bem, já está na hora.”

Renner levantou a cabeça em resposta à voz fria que vinha de baixo da máscara e olhou
diretamente para Climb.

Climb podia se ver refletido naqueles olhos que o faziam lembrar safiras.

“...Minhas mais profundas desculpas, Renner-sama. É hora de voltar ao palácio.”

“Mas já~ Então, embora seja doloroso fazer isso, eu devo me despedir.”

As crianças em uníssono falaram “Ehhhhhh~”, em vozes cheias de saudade e relutância.


Eles não teriam feito tal som se ela não tivesse enlaçado completamente seus corações.

Em resposta às crianças, as outras mulheres rapidamente entraram em ação. Elas aca-


riciaram as crianças suavemente e afastaram as crianças que eram mais lentas em enten-
der Renner.

“Posso vir brincar com vocês de novo?”

As crianças responderam energicamente afirmativamente à pergunta de Renner.

“Então, vamos cozinhar da próxima vez. Climb, vamos, você também, Evileye-san.”

“Hm~ Bem, eu sou sua guarda-costas também, mesmo se você não disser isso — não é
bem um pedido, é mais como se estivéssemos viajando juntos. Não se preocupe, eu esta-
rei atrás de você.”

O grupo saiu da edificação exatamente quando uma carruagem puxada por cavalos pa-
rou nas proximidades.

Tina entrou na carruagem sem se apresentar. Embora parecesse que ela estava sendo
rude, ela estava simplesmente garantindo a segurança da carruagem. Logo depois disso,
Renner, Climb e finalmente Evileye entraram um após o outro, e então a carruagem par-
tiu.

Dentro da carruagem esburacada, Evileye não pôde deixar de murmurar:

“...Deve ter sido muito difícil construir um orfanato como esse.”

“Muito difícil?”

“Sim. Muitas pessoas estão dizendo isso também. Onde no mundo você conseguiu todo
esse dinheiro para gastar em um lugar como esse?”
Renner segurou seu queixo com uma mão, inclinando a cabeça ligeiramente.

“Eu não penso assim... Onii-sama ficou muito feliz em ouvir meu pedido. Além disso, é
porque o mundo é assim que precisamos cuidar bem das crianças, não?”

Evileye ergueu o queixo ligeiramente, como se permitindo que ela continuasse falando.

“Como todos sabemos, o governante do Reino Feiticeiro causou muitas mortes. Como
resultado, acredito que há muitos órfãos que perderam seus pais. Assim, este orfanato
foi construído para proteger esses órfãos. Além disso, aquelas mulheres que perderam
seus maridos também precisarão de um lugar para trabalhar, não acha?”

“O Rei Feiticeiro, huh... bem, vamos falar sobre isso mais tarde. O dinheiro não poderia
ser melhor gasto em outras coisas, ao invés de gastar com esses pirralhos? Se você me
perguntar, os fracos perdendo suas vidas é apenas a maneira como as coisas funcionam
neste mundo, não?”

“Isso não está certo.”

A declaração de Renner foi clara e sucinta. Ao contrário de seu tom de antes, essas pala-
vras estavam cheias de tremendo poder.

“Salvar os fracos é o que os fortes devem fazer. E...”

Climb sentiu os olhos de Renner se virando de repente para ele.

Possivelmente—

A imagem de si mesmo quando criança apareceu na mente de Climb.

Talvez a Princesa tivesse construído o orfanato porque se lembrava de seu estado da-
quela época. De certa forma, era para evitar que crianças como Climb voltassem a apare-
cer.

Uma onda de calor passou pelo seu peito.

Claro, ele não pôde verificar os pensamentos reais da Princesa. Mesmo assim, Climb não
duvidou que fosse assim.

“Bem, tenho certeza que algumas pessoas pensariam dessa forma, e parece errado for-
çar meus próprios pontos de vista sobre os outros. Ainda assim, você realmente tem que
fazer uma tempestade num copo d’água?”

“Sim. Afinal de contas, temos que considerar que vamos receber muitas crianças no fu-
turo, e haverá outras daquelas regiões diretamente administradas pela Coroa. Com isso
em mente, até mesmo um edifício desse tamanho pode não ser grande o suficiente. As
crianças são meu tesouro e precisamos cuidar delas para garantir que elas não sigam o
caminho errado.”

“Hmmm. Princesa-sama, parece que sua cabeça traz muito mais do que um rosto bonito.”

“O que você está tentando dizer, Tina?”

“Eu estava pensando em como as crianças sem seus pais viveriam, Evileye.”

“Isso é... eu entendo... já que não podemos poupar mão-de-obra preciosa para reabaste-
cer o número esgotado de tropas, você está usando meios alternativos para manter a
ordem pública... entendo.”

“Pode-se viver uma vida boa e justa sob supervisão. Mas as pessoas acabarão seguindo
seus desejos se não forem cuidadosas. E então, quando eles cometem esses crimes, eles
cairão ainda mais na maldade. Assim, pequenos pecados crescem, como uma bola de
neve colina abaixo, por isso não devemos deixar que tais chances apareçam. No entanto,
como é algo difícil, usamos esses métodos para reduzir essas chances.”

“Hm. Então você está dizendo: “—Nem todo mundo tem uma forte força de vontade”, en-
tão?”

“Bem, as pessoas já disseram isso sobre você antes, Evileye — será que isso está te in-
comodando?”

“Acho que ela já disse algo assim cerca de três vezes.”

Mesmo a segunda metade da conversa sendo algo que ninguém além de Evileye e Tina
podiam entender, a primeira metade foi simples o suficiente para que até Climb pudesse
entender.

As crianças que perderam os pais muitas vezes recorreram ao crime para sobreviver. Se
isso acontecesse, até mesmo a enfraquecida organização “Oito Dedos” logo retornaria à
força total, o que pioraria a segurança da Capital Real.

Em outras palavras, sua amada senhora fez isso para se preparar para o futuro.

No entanto — Renner perguntou a Evileye em um tom curioso:

“—O que isso significa?”

“Ei... nós aprofundamos muito nisso? Ou isso é apenas uma atuação?”

“Hm~ parece genuíno o suficiente à primeira vista.”

“Bem, se você diz, então deve ser verdade. Eu sinto que fiquei comovida por nada.”
“Bem, parece que você decidiu diminuir sua opinião sobre mim de repente... mas é ver-
dade. Eu penso em muitas coisas, sabe? Neste momento, este orfanato está dando a essas
crianças um certo grau de educação, e assim que começarmos a identificar indivíduos
talentosos, os outros nobres certamente começarão a nos copiar. Por causa disso, preci-
samos de uma certa quantidade de crianças... Embora isso não seja realmente algo para
se orgulhar.”

“Não, eu posso entender o desejo de reunir esses pirralhos por esse motivo, e é muito
admirável também. Se você puder realmente produzir resultados, seria digno de elogios.
É só que as pessoas vão suspeitar se você fizer algo sem esperar nada em troca.”

“O coração de Evileye está distorcido porque ela trabalha muito.”

“Ei! Você é do mesmo tipo que eu, não é?”

“Certamente não. Eu sou muito pura. É só você quem foi manchada.”

“Cheh!”

O som de um escárnio explosivo veio de baixo da máscara.

“Sim, sim. Brain-san me deu a idéia de construir o orfanato.”

“Brain Unglaus, huh. O que aconteceu com ele. Por que ele não está por perto hoje?”

“Brain-san está ocupado com outra coisa. Ele está andando pela Capital agora.”

“Hoh? Poderia haver algo mais importante do que proteger a Princesa?”

“Sim. Ele está fazendo algo para cumprir os desejos do falecido Capitão Guerreiro. E so-
bre o Capitão Guerreiro... bem, obrigado pela sua ajuda.”

Tina estreitou os olhos, como se escondesse seus sentimentos.

“Bem, estou muito chateada que o rosto bonito da nossa líder diabólica ficou ferido.”

“Sinto muito por isso. Por favor, permita-me pedir desculpas em nome de meu pai.”

“Eu sei que você já se desculpou com a chefe, e é por isso que eu te perdoo.”

“Muito obrigada.”

“...Parece que, às vezes, as palavras dos mortos são mais poderosas do que as dos vivos.”
Por um momento, Evileye olhou para fora da carruagem enquanto pensava profunda-
mente. Claro, isso foi só por um momento.

“Falando nisso, o que o Brain Unglaus está fazendo?”

“Bem, o Capitão Guerreiro disse a Brain que ele esperava que Brain o sucedesse como
Capitão Guerreiro, mas ele sentiu que não estava à altura da tarefa. Portanto, ele está
procurando por alguém adequado para se tornar o próximo Capitão Guerreiro e, em se-
guida, ele vai treiná-lo.”

“Então, ele está procurando alguém que não seja de uma família nobre... entendo — afi-
nal, tanto Gazef quanto Brain eram plebeus. Então ele estava pensando nessa direção. E
o que você tirou disso foi—”

“—É isso mesmo, construir o orfanato. Da próxima vez, irei visitar as crianças com o
Brain-san. Pelo que sabemos, pode haver uma criança talentosa entre eles.”

“Bem, eu não sou tão perspicaz...”

Disse Tina, e completou:

“E você, Evileye?”

“Você não consegue discernir talentos mágicos de relance. No mínimo, eles precisam
passar por um monte de treinamento mágico antes que eu possa entender mais ou me-
nos se eles podem ou não usar magia. Além disso, isso é apenas para magia arcana. Se
esses pirralhos forem talentosos no espiritualismo ou na magia divina, não poderei ver
nada.”

Renner murmurou “Hmmmm~” em um tom aborrecido, e então um sorriso floresceu


em seu rosto.

“Então, no futuro, acho que deveríamos convidar todo tipo de gente para o orfanato e
fazer com que eles olhem para as crianças em busca de talentos.”

Renner estava olhando para as duas, aparentemente tentando transmitir algo com o
olhar. Até certo ponto, seria mais persuasivo do que falar.

“...Isso é muito ingênuo. Mas se fosse ela, ah—”

“Eu sinto muito, Evileye, mas é nossa líder diabólica—”

“—Sim. Ainda assim, eu não vou concordar tão facilmente, mesmo que seja para ela,
não? Afinal de contas, precisamos de uma certa quantia de remuneração por isso — já
que fomos contratadas, precisaremos de um pagamento mínimo. Além disso, se não co-
letarmos nada, será ruim para os outros também. Isso também violará as regras dos
aventureiros. Além disso, um preço tem que ser pago por técnicas de ensino.”

“Bem, eu concordo com tudo o que você disse, mas sinto muito. A verdade é que eu não
tenho dinheiro...”

Renner abaixou a cabeça em desânimo quando disse isso.

A Terceira Princesa era uma sobressalente entre as peças de reposição, e ninguém tinha
qualquer expectativa de Renner além de sua capacidade de unir uma família nobre à li-
nhagem real por meio do casamento. Por causa disso, nenhum nobre a apoiava, e assim
ela não tinha dinheiro para gastar como desejava. Claro, isso não era muito difícil para
Renner, que vivia um estilo de vida simples para uma princesa. No entanto, não havia
como a Primeira ou Segunda Princesa poder tolerar esse tipo de coisa.

Por causa disso, Climb podia sentir suas intenções através da armadura que ele usava.

“Eu ouvi que todas as princesas usam vestidos bonitos e levam uma vida graciosa...”

“A realidade dificilmente é legal. Ainda assim, não podemos dizer que não há princesas
assim.”

Enquanto observava os olhos da Princesa Renner se iluminarem com admiração, uma


emoção que ele não conseguia expressar com palavras brotou no coração de Climb.

Como ele queria dar esse tipo de vida a ela que era a pessoa mais bonita do mundo e que
tinha a alma mais nobre do mundo.

Por outro lado, tudo isso foi por causa dela. Ele estava de pé aqui agora porque ela o
salvou. Só então, Renner virou o rosto, e seus olhos brilhantes encontraram os de Climb
ao lado.

“—Pensando em algo, Climb?”

“Ah, não, não é nada, Renner-sama.”

“Mesmo? Bem, se você pensa em alguma coisa, você deveria falar. Precisamos nos ajudar
mutuamente em tempos difíceis.”

“Ah, sim! Muito obrigado!”

“Ei. Desculpe interromper os pombinhos, mas eu realmente não gosto de passar minhas
habilidades de graça. Não importa o que ela diga, ainda vou pedir um pagamento ade-
quado.”
“Vou me esforçar para atender o seu preço.”

Renner abaixou a cabeça.

“Hmm~ mas o que quer saber é se eles têm talento ou não, certo, Princesa-sama? Se for
eu, posso observar os movimentos deles, mas e você, Evileye?”

“Ah, eu vou ao seu lado. Você não consegue entender as profundezas de uma pessoa
apenas vendo-as realizando alguns exercícios. A habilidade mágica é mais interna que
externa. Além disso, eu posso parecer uma gênia quando se trata de habilidade mágica,
mas isso é só. Eu não tenho as habilidades daquele magic caster do Império.”

“Então, identificando talentos—”

“Talentos, huh...”

Renner suspirou e continuou:

“Seria uma grande ajuda se pudéssemos identificá-los durante a infância. Também aju-
daria a suavizar a teimosia dos nobres em relação aos plebeus.”

“Então, que tal criar um sistema universal de identificação de talentos em crianças? Exis-
tem magias de terceiro nível que podem verificar a presença ou ausência de um talento.
No entanto, se você quiser ter uma idéia completa do que talento pode ser, você prova-
velmente precisará de uma magia de nível superior... bem, no final, é apenas uma conjec-
tura ociosa.”

“Mesmo? Você pode realmente identificar talentos?”

“Bem, eu não sei para que serve esse brilho em seus olhos, mas não tenha esperanças.
Eu ouvi dizer que há uma magia de terceiro nível do tipo espiritualista que o magic caster
pode usar na presença de alguém para verificar a existência de talentos. Dito isto, mesmo
se tal magia realmente existir, a parte problemática viria depois disso. Você precisa
aprender a desenvolver adequadamente esse talento. E também é bem provável que de-
pois de expressar esse talento, a habilidade desenvolvida a partir dele possa acabar se
tornando inútil.”

“De certo modo...”

A luz nos olhos de Renner diminuíram.

“Eu acho que seria melhor testá-los de várias maneiras. Peça-lhes que permaneçam em-
baixo de uma cachoeira, ou peça que tragam algumas drogas relativamente seguras para
dormir e entrar em transe. Aparentemente, isso faz você sentir seu próprio talento natu-
ral, misturado com outra coisa.”
“Mesmo? ...Hm, isso é realmente verdade?”

“Ara~, você tem um talento natural também, Evileye-san?”

Com isso, Evileye, até então tagarela, subitamente ficou em silêncio. Parece que alguém
levantou um tópico que ela não queria discutir.

No entanto, sua mestra era ignorante o suficiente para realmente fazer essa pergunta.

“Você poderia me dizer que tipo de talento é?”

Não que ela gostasse de um questionamento tão incisivo, mas o fato era que ela tendia
a ser assim. Pode-se dizer que ela não sabia ler o fluxo de uma conversa, ou talvez que
ela, sem querer, perguntasse sobre coisas que geralmente eram difíceis de abordar.

Não é porque não se importava com a outra parte; foi simplesmente porque ela cresceu
na família real.

“Por que você está ficando animada com uma pergunta assim?”

“Há poucas pessoas com tais talentos ao meu redor, então eu gostaria de saber que tipo
de habilidade você tem, Evileye-san.”

“Então é isso. Bem, já que chegou a isso, eu posso muito bem contar a você.”

Evileye inclinou seu corpo para frente e Renner — seu rosto uma imagem de excitação
— também se inclinou para frente.

Os talentos naturais às vezes podiam servir de trunfo, e isso era ainda mais importante
para os aventureiros. Embora ele não achasse que Renner iria divulgar esse segredo,
Climb sentiu que isso era algo que não deveria ser compartilhado levianamente.

“Isso não é algo que eu realmente quero que outras pessoas ouçam, então você poderia
aproximar sua orelha?”

“Tudo bem.”

Renner aproximou seu ouvido de Evileye.

E então—

“COMO SE EU FOSSE SUSSURRAR ALGO IMPORTANTE ASSIM!!!”

Sua voz irritada ecoou pela carruagem.

Tina, que parecia ter antecipado isso, havia tapado suas orelhas de antemão.
“Sua malvada! Meus ouvidos estão zumbindo!”

Renner se jogou no abraço de Climb. Um efeito sonoro adequado para isso seria *pomf*.

Ela ergueu os olhos do peito dele, os olhos cheios de lágrimas.

Climb imediatamente deixou de lado pensamentos como “Ela é fofa”, “Ela cheira bem” e
outras coisas sem sentido de sua mente. Era proibido ter tais fantasias sobre sua senhora.

“Evileye-sama, eu entendo como se sente, mas eu poderia pedir-lhe para perdoar—”

“―Ah? Rebeldezinho, ela se tornou assim porque você continua mimando ela, não?”

“Não é nada disso, não é como se eu mimasse a Princesa ou...”

Mesmo que ele quisesse mimá-la, não havia como ele conseguir fazê-lo.

“Sim, sinto que o Climb pode e deve me mimar mais. Eu aprovo o que você disse, Evileye-
san.”

“Não, não, isso não está certo, Princesa-sama. Parece meio errado...”

“Claro que não! Se você me mimar mais, eu posso levar as broncas com mais facilidade.
Portanto, você deve me mimar mais. Vamos começar cochilando juntos como costumá-
vamos quando crianças. Vamos, Evileye-san, por favor, continue!”

“Ugh, tudo bem. Eu sou tão idiota... De qualquer forma, eu não pretendo sair por aí di-
zendo aos outros o meu talento, criança. Entendeu bem?”

“É realmente tão perigoso?”

“Ah sim. É o meu trunfo. Se eu usá-lo... sim, seria como se a espada da nossa líder esti-
vesse saído do controle. Poderia facilmente aniquilar uma cidade inteira.”

Parecia haver um peso terrível na voz de Evileye quando ela disse isso.

Ainda assim, um frustrado “Hm?” Subiu do peito dele. Ele queria olhar para baixo, mas
se o fizesse, isso o tornaria muito consciente da realidade de que Renner estava muito
próximo dele. Não havia como ele fazer isso.

Ele pensou em afastar Renner, mas depois de levar em consideração seu corpo macio e
frágil, ele não sabia quanta força deveria usar.

Enquanto o coração de Climb continuava batendo, a conversa continuou sem ele.


“A espada que a Lakyus carrega?”

“Ah, de acordo com ela, uma vez que perder o controle, isso levará a graves consequên-
cias. Uma cidade, não, uma nação, certo? Aparentemente, será completamente eliminada.
Ela disse alguma coisa sobre ter que usar parte da força dela para suprimi-la.”

“Então é isso que estava acontecendo... eu não sabia disso...”

Climb não havia contado à sua amada sobre essa espada demoníaca ainda.

“É melhor não se importar. Nossa líder diabólica não mencionou a vocês dois porque ela
não queria se preocupassem. Eu ficaria feliz se continuassem fingindo que não sabem.”

“...Entendo. Compreendo. Então farei o que você diz.”

“Falando nisso, o que aconteceu com a Aindra-sama? Eu não a vi recentemente...”

“Hm? Eu não acho que alguém tenha mencionado isso, ou mencionou? Princesa, não
contou a ele?”

“...Eu esqueci. Parece que ela está treinando com a Gagaran-san e Tia-san.”

Evileye pegou o bastão verbal de Renner e continuou.

“As duas perderam a vida durante a batalha com Jaldabaoth, o Imperador Demônio que
atacou o Reino. Claro, elas foram ressuscitados depois disso, mas gastaram uma grande
quantidade de sua força vital. Assim, eles precisam se colocar em perigo, pisando a borda
da vida e da morte, a fim de recuperar sua força.”

“Na verdade, eu gostaria de ter ido com elas.”

“Ainda assim, se você fizesse isso, você começaria a depender desse método em algum
lugar do seu coração. O melhor caminho para ficar forte é através de uma pequena quan-
tidade de batalhas curtas.”

“Eu duvido disso.”

“Umu, parece ser um jeito efetivo de fazer um lair-bellup... Bem, se você não confiar
nesse método, você pode nem ser capaz de perder tempo quando aquele ser atacar a
Capital Real novamente.”

“Perder tempo? Ahh — tempo até que chegue aquela pessoa que recomendou, Evileye?”

“Claro! Até que o Herói-sama possa chegar!”

O humor de Evileye parecia ter mudado de repente.


Pode-se sentir claramente sua paixão e excitação através dessa máscara dela.

“Momon—sa-sama, é isso?”

“Isso mesmo! O grande herói, Momon-sama! O mais poderoso guerreiro de todos os


tempos, que balança suas duas greatswords como se fossem leves como gravetos! Não
há dúvida de que ele é o mais forte lutador da terra! Mesmo que Jaldabaoth venha de
novo, contanto que o Momon-sama esteja por perto, ele definitivamente o matará! Em-
bora, foi uma pena que ele conseguiu escapar da última vez. Ainda assim, aquele grande
homem já deve ter inventado alguma maneira de lidar com isso agora!”

Oprimido pelo ardor de suas palavras, tudo o que Climb pôde fazer foi responder fraca-
mente:

“Ah, sim.”

“Mas essa pessoa realmente virá? Ele não é um lacaio daquele Rei Feiticeiro?”

A expressão de Tina sugeriu que ela estava completamente exausta enquanto falava
com Evileye, que tinha os punhos cerrados.

“Ahhhh~ Momon-sama! Merda, aquele maldito Rei Feiticeiro! Pensar que ele realmente
ousaria assumir o controle daquele grande homem! Mesmo se o céu permitir, eu não vou!
Se eu pudesse derrotá-lo e libertar o Momon-sama! O que diabos ele estava pensando,
afinal? Talvez eu deva ir a E-Rantel e perguntar ao Momon-sama sobre seus pensamentos,
que tal?”

“...Isso vai ter que esperar até que as duas se recuperarem.”

“Vai ser rápido, e uma vez que eu me familiarize com o lugar, eu posso me teletranspor-
tar de volta. Além disso, se eu usar o 「Fly」 e viajar sozinha, não levará muito tempo!”

“Evileye, você realmente perde a compostura quando se trata do Momon... A nossa líder
diabólica já não disse que você não pode fazer esse tipo de coisa?”

“Então me ajude a manter isso em segredo!”

“Bem, meus lábios se abrem com faci~lidade, então eles vão revelar tudo em um ins-
tante.”

“Ei, isso seria impossível, dada a sua profissão anterior, certo?”

“Aiai, agora sou Tina da “Rosa Azul”, também conhecida como “Não posso manter um
segredo para salvar sua vida”.”
Foi então que os olhos de Tina assumiram um brilho sério.

“...Hm, esta é uma boa oportunidade. Eu quero te perguntar algo, Evileye — você pode
matar o Rei Feiticeiro?”

Evileye congelou. Sua excitação se esvaiu em um instante. Em seu lugar estava a magic
caster de nível mais alto entre os aventureiros.

“Se esses rumores são todos verdadeiros — então ele é mais poderoso que qualquer
outro magic caster. Fiz algumas investigações depois do incidente nas Planícies Katze,
procurei todos os meus contatos — até entrei em contato com a Vovó — e depois analisei
as informações que obtive. No entanto, é tão ridículo que até perde a graça. É absurdo a
ponto de eu estar seriamente suspeitando se o rebeldezinho ficou hipnotizado por uma
ilusão.”

“Aquilo definitivamente não era uma ilusão. E havia muitos mortos...”

O rosto de Renner se contorceu em agonia.

“Das duzentas e sessenta mil pessoas que participaram da guerra, cento e oitenta mil
delas perderam a vida. Eu também ouvi dizer que há sobreviventes com cicatrizes men-
tais e que não podem mais viver uma vida normal. Alguns órfãos tiveram pais que aca-
baram assim.”

“...Bem, depois de ouvir o rebeldezinho, posso ver como eles terminariam assim. Se eles
foram perseguidos por tais monstros...”

“...Sim. Aquilo foi um inferno. Felizmente, eu tinha o Brain-san... e o Capitão Guerreiro


comigo, e graças a esses dois homens fortes, eu não sofri nenhuma ferida mental. Mesmo
assim, às vezes eu reflexivamente me vejo querendo olhar por cima do meu ombro. Deve
ter sido pior para os camponeses, e não seria estranho que eles se tornassem doentes
mentais como resultado.”

“Você realmente precisa agradecer a sua sorte por isso.”

Climb só conseguiu assentir em resposta.

“Então, Tina. Deixe-me responder sua pergunta honestamente. Eu não posso derrotar o
Rei Feiticeiro.”

Essa foi a resposta que ela esperava.

“Como eu pensava...”
“Bem, sim. Eu poderia ser capaz de pensar em uma maneira de lidar com esses monstros
que ele invocou. Com certeza, é difícil dizer isso, já que eu não estava no local. Ainda as-
sim, o Rei Feiticeiro — que pode não apenas invocar vários monstros desse tipo e con-
trolá-los — é um ser que não deveria existir neste mundo. Alguém assim possui o poder
dos deuses.”

“É possível que eles poderiam ter sido convocados de um item, e não do poder do Rei
Feiticeiro?”

“A possibilidade existe, mas se fosse esse o caso, também seria muito perigoso. Dito isso,
não temos como verificar.”

“Se ao menos ele acabasse entrando em conflito com Jaldabaoth.”

“Esse é um desenvolvimento pelo qual todos estamos ansiosos. Depois disso, o melhor
cenário seria o Momon-sama matando o Rei Feiticeiro...”

“...”

“Quem você acha que é mais forte, Momon-sama ou o Rei Feiticeiro?”

A pessoa que fez essa pergunta foi Climb, mas pessoalmente, ele sentia que o Rei Feiti-
ceiro que tinha convocado esses poderosos monstros era muito superior. No entanto, a
expressão pensativa de Evileye o surpreendeu.

“Não tenho certeza. Pessoalmente, sinto que Momon-sama — que despachou Jaldabaoth
— é mais forte. Mas o Rei Feiticeiro também possui um poder inimaginável. Ambos os
lados são muito superiores a nós, a ponto de eu não conseguir imaginar o resultado.”

“Ainda assim, ter alguém como ele sob a bandeira do Rei Feiticeiro é praticamente o pior
cenário possível. Ninguém ousaria declarar guerra a ele.”

De fato.

A única pessoa que poderia enfrentar o Rei Feiticeiro em termos uniformes se tornaria
seu vassalo. Esse foi um desenvolvimento verdadeiramente preocupante. Qualquer um
que declarasse guerra ao Rei Feiticeiro estaria efetivamente declarando guerra aos dois.

Assim que o humor na carruagem se tornou sombrio, houve uma batida na janela que
separava o compartimento dos passageiros dos assento do condutor, e então ela se abriu.

“Chegaremos ao Palácio Real em breve.”

Ao ouvir as palavras do condutor, Renner levantou-se lentamente e encarou as duas


aventureiras sentadas diante dela.
“Hoje, recebi seus cuidados de várias maneiras. Quando a Lakyus voltar, agradeça-lhe
devidamente. Se me permitem, vocês têm algum tempo livre para jantar comigo?”

♦♦♦

Depois que o relatório do retorno de sua irmã mais nova chegou até ele, o Segundo Prín-
cipe — Zanac Valleon Igana Ryle Vaiself — partiu de seus aposentos para recebê-la em
casa.

A localização de seu irmão mais velho — Barbro Andrean Ield Ryle Vaiself — ainda era
desconhecida. Dado que um longo tempo tinha passado, suas chances de sobrevivência
eram consideradas extremamente pequenas. Sendo esse o caso, Zanac era efetivamente
o herdeiro do trono. Assim, o modo pelo qual ele foi receber sua irmã mais nova foi to-
talmente inadequado. Mesmo sendo irmãos, havia uma clara distinção em suas respecti-
vas posições.

A razão pela qual ele escolheu ir pessoalmente foi para saber se ela tinha uma proposta
que ele queria discutir. Zanac pode não estar totalmente disposto a fazer, mas ele perdeu
seu confidente mais próximo, ele não tinha mais ninguém a quem recorrer.

Logo, sua irmã mais nova apareceu diante dele.

Climb — vestido com sua armadura branca pura — estava por perto. Onde quer que
Renner fosse, Climb frequentemente a seguia. Isso também não era nada fora do comum.

A criança indigente que Renner tinha escolhido nas ruas — Climb.

No passado, ele achava que ela devia ter ficado obcecada e o pegou de um momento de
descuido. No entanto, depois que ele começou a entender a personalidade estranha de
Renner e seu incomparável intelecto, Zanac começou a pensar que ela poderia ter uma
razão para fazê-lo.

E então, depois que Jaldabaoth atacou a Capital Real, e o Rei Feiticeiro fez seu grande
massacre, ele lentamente começou a entender o significado por trás de suas ações.

Havia poucos guerreiros nesta cidade que eram mais fortes que o Climb. Mesmo entre
os homens do bando guerreiro escolhidos a dedo por Gazef, podia-se contar o número de
pessoas que eram mais fortes que o Climb em uma mão.

Além disso, havia o homem chamado Brain Unglaus, que tinha vindo com Climb, e ainda
havia a amizade íntima com Lakyus, a líder do grupo de aventureiras adamantite cha-
mada “Rosa Azul”. Não havia dúvida de que sua irmã mais nova agora possuía grande
parte do poder físico da Capital Real.

―Ela não estava conspirando para derrubá-lo com força militar?


Zanac estava certo em suspeitar dela.

Mesmo que Renner não fosse alguém que recorresse tão facilmente a essas medidas,
ainda assim era preciso tomar precauções. Portanto, Zanac começou a construir secreta-
mente laços com aventureiros orichalcum e mythril.

Zanac agradeceu em voz baixa ao irmão mais velho.

A razão pela qual ele poderia trabalhar tanto nesses assuntos era porque seu irmão ha-
via desaparecido e praticamente o presenteado com o trono. Outra grande razão era por-
que o salário de seu irmão agora ia para ele.

Dito isto, o fato de que o cadáver do príncipe herdeiro Barbro ainda não havia sido en-
contrado deixou uma sugestão de desconforto em seu coração. Seria muito problemático
se ele tivesse sido preso pelo Rei Feiticeiro ou estivesse escondido em algum vilarejo
enquanto se recuperava de suas feridas.

“Realmente... ele vai me dar problemas até o fim?”

Zanac murmurou, baixinho o suficiente para que os membros de sua comitiva não pu-
dessem ouvir.

Ele teve que evitar agitar os nobres antes de consolidar sua posição.

Atualmente, o apoio de Zanac ainda não é algo concreto.

O Marquês Raeven — que havia se juntado a ele para revitalizar o Reino — havia jogado
tudo nas mãos de Zanac e voltou para suas próprias terras. Era de se esperar, já que ele
havia perdido muitas pessoas de seu domínio, mas naquela época, havia um ar ao seu
redor que parecia dizer que ele nunca mais voltaria.

Parte da razão para isso deve ter sido a morte de sua antiga equipe de aventureiros,
orichalcum, e a de seu camponês que se tornou estrategista, um homem que Raeven con-
siderava um tesouro.

Zanac sentiu uma ligeira dor nas suas entranhas. Discutir assuntos com sua irmã mais
nova acalmaria essa dor?

Ele estava agonizando sobre um certo problema nas últimas semanas.

Isso seria — ele deveria oferecer uma homenagem ao Rei Feiticeiro? Se ele fizesse isso,
deveria enviá-los em nome de celebrar a fundação de sua nação? Ou deveria fazê-lo por
outro motivo?
A julgar pelas circunstâncias atuais, não enviar o presente seria a escolha certa. Por que
alguém enviaria um presente para alguém que tivesse tomado o próprio território e fun-
dado uma nação? Os países vizinhos certamente tomariam isso como uma marca de vas-
salagem. Dito isto, era crucial permanecer em termos de igualdade com o Reino Feiticeiro.

Embora a força de luta do Reino Feiticeiro permanecesse desconhecida, o fato de o Rei


Feiticeiro poder destruir uma nação sozinho já era de conhecimento geral.

Não importa o que tivesse que fazer, ele deve evitar a possibilidade de que os olhos da-
quele homem cobicem o Reino novamente.

Por causa disso, ele deve enviar um presente. Zanac achava que não poderia evitar isso,
mesmo que outras nações acreditassem que fosse um sinal de fidelidade. Não importava
o que tivesse que fazer, ele queria comprar o máximo de tempo possível.

No entanto, os nobres nunca aceitariam isso. Esta foi a parte problemática.

O poder do Rei Feiticeiro ficou amplamente conhecido. Dito isto, não havia como aceitar
uma atitude de submissão do futuro governante do Reino (Zanac), mesmo diante dessa
força.

Os nobres sofreram tremendas perdas, então procuravam bodes expiatórios para desa-
bafar sua frustração.

Devido à perda de seu confidente Gazef Stronoff, o atual Rei, Ranpossa III, foi tomado
pela dor e pelo desespero, e caiu em um estado de extrema angústia mental. Até certo
ponto, ver o Rei neste estado triste tinha aplacado a ira dos nobres, mas o ódio deles em
relação ao Rei quebrado — e talvez a toda a família real — não desapareceria tão facil-
mente.

Se esse sujeito estivesse por perto, ele provavelmente conseguiria algo bom.

Se possível, ele gostaria de ter chegado a uma conclusão. No entanto, o tempo estava
apertado e ele precisava de um plano de ação em breve.

Zanac permaneceu no lugar, enquanto batia as botas ruidosamente.

Renner reagiu ao som e se virou para olhá-lo. Então, ela mudou de direção e se dirigiu
para Zanac. Dessa forma, a dignidade de Zanac como uma das mais altas posições per-
maneceria intacta.

Logo, sua irmã mais nova estava diante dele, mas Zanac não falou primeiro. Momentos
como este eram muito delicados. Ele teve que deixar mais pessoas entenderem quem
exatamente estava no topo aqui.

“Eu voltei, Onii-sama.”


“Bem-vinda de volta, minha irmã.”

Diante da saudação respeitosa de Renner, Zanac respondeu com igual generosidade. Ele
viu Climb saudando pelo canto do olho, mas não havia necessidade de devolver a sauda-
ção de um mero soldado.

“Vamos caminhar juntos.”

“Seria um grande prazer, Onii-sama.”

Zanac e Renner foram juntos, lado a lado. Ele ergueu o queixo, indicando que seu séquito
deveria manter distância. Se ele tivesse olhado, ele teria visto Renner apontando para
Climb que ele tinha permissão para ficar mais longe também.

“Falando nisso, Onii-sama, parece que está bastante preocupado. O que aconteceu?”

Renner sorriu quando gentilmente fez sua pergunta.

“Será que o Reino Feiticeiro enviou um enviado?”

Zanac podia distintamente ouvir seu coração bater em seu peito. Ele tinha estado muito
focado em que ação tomar de sua parte, e tinha ignorado completamente o fato de que
eles poderiam tentar iniciar contato com ele.

Em outras palavras, Renner achava que já era hora de o outro lado agir.

Zanac fez uma anotação mental disso e balançou a cabeça.

“Não é bem assim.”

“Isso quer dizer que veio até aqui para me ver por algum outro motivo?”

“Ahh. Eu estava ponderando sobre o problema do tributo.”

“Eu acho que uma vez que o emissário deles chegar, seria melhor oferecer o dobro do
que está imaginando, Onii-sama. Metade disso é um sinal de agradecimento por terem
vindo até aqui, enquanto a outra metade — bem, não preciso dizer o óbvio, não é?”

Zanac não disse nada, mas revisou cuidadosamente a proposta da Renner.

De fato, seria uma jogada muito boa.

Certamente, nenhum dos nobres se oporia a apresentar um presente a um convidado


que tivesse chegado a sua casa, mesmo que houvesse segundas intenções para fazê-lo.
O fato de Renner ter resolvido instantaneamente um problema que o incomodava há
muito tempo, causou medo no coração de Zanac, como de costume. Além disso, contanto
que Renner possuísse seus poderosos subordinados, até mesmo o assassinato não seria
efetivo. Sendo esse o caso, sua única opção era tentar satisfazê-la.

“...Quando eu me tornar o rei, eu lhe concederei uma terra na fronteira. E você viverá lá.”

“Compreendo. Eu devo obedecer a todas as ordens que me der, Onii-sama.”

“Depois que eu te enviar para fora, eu não vou convocá-la para a Capital Real novamente.
Pode limitar um pouco a sua liberdade, mas vou escolher um domínio que garanta que
você não sofra com dificuldades. Você deveria passar o resto da sua vida lá.”

“Entendo. Meus mais profundos agradecimentos.”

Com toda a probabilidade, Renner já entendia o que ele estava querendo, mas ele tinha
que realmente vocalizá-lo, a fim de deixá-la entender a gentileza que ele estava mos-
trando a ela.

“Você pode pegar qualquer um dos órfãos para serem seus filhos. A esse respeito, você
pode fazer o que quiser.”

“Muito obrigada, Onii-sama.”

O fato de ela responder sem demora era prova de que Renner já sabia o que Zanac diria.

Zanac não conseguia entender o porquê Renner amava Climb, um plebeu. Sua aparência
era muito simples e ele não era particularmente especial. Ele não parecia combinar com
sua irmã mais nova.

Ah, pensando nisso, eu ouvi sobre o fetiche dela naquela época.

Uma vez que ele recordou aquela lembrança vergonhosa de sua irmãzinha, Zanac come-
çou a sentir um pouco de pena de Climb.

“Então, espero ansiosamente pelo dia em que se tornará Rei, Onii-sama. Depois de sua
coroação, ficaria feliz se pensasse em mim de vez em quando enquanto eu morar em uma
fazenda.”

“Oh, eu farei, minha querida irmã. No entanto, seria melhor se eu pudesse procurá-la
para uma discussão de vez em quando— muu?”

Zanac voltou seu olhar para o soldado que estava correndo para eles.

Esse homem era um dos membros sobreviventes do bando guerreiro de Gazef.


Ele havia lutado para proteger o Rei naquele campo de batalha. Agora que o Capitão
Guerreiro tinha ido embora, ele tinha uma boa posição e a confiança do Rei. Aliás, os dois
subordinados de Renner desfrutaram da mesma confiança.

A imagem mental da estrutura murcha do pai apareceu diante de seus olhos.

“Meu Príncipe, Sua Majestade deseja a sua presença.”

No instante em que terminou, virou-se para olhar Renner.

“Ele pede a sua presença também, Princesa.”

“O que aconteceu?”

“Acabamos de receber um relatório informando que o Rei Feiticeiro enviará um grupo


diplomático em breve.”

Zanac olhou para Renner, mas ainda conseguiu responder ao homem.

“Compreendo. Notifique-o de que chegaremos em breve. Minha irmã, eu prosseguirei


primeiro. Por favor, prossiga com toda a pressa quando estiver pronta.”

“Eu entendo, Onii-sama.”

Dado que ela esteve no orfanato até recentemente, as roupas que Renner estava usando
eram simples e desgastadas. Aparecer assim diante dos nobres só iria envergonhar-se.

Com isso, Zanac se afastou com uma expressão severa no rosto.

“Hmph. As coisas sendo como são, essa proposta não será mais atraente. Ah, é tarde
demais, afinal de contas.”

Parte 2

Calcula-se que os enviados do Reino Feiticeiro levariam cerca de uma semana para via-
jar de E-Rantel até a Capital Real.

O sétimo dia chegara. Se tudo corresse de acordo com o planejado, os enviados chega-
riam à Capital Real hoje.

Zanac, vestido com uma armadura que ele não estava acostumado, estava alinhado com
seus cavaleiros nos portões da Capital Real que levavam a E-Rantel.
O tempo nublado nos últimos dias tinha desaparecido, como se tudo tivesse sido uma
piada, e o céu era a própria imagem da primavera.

No entanto, pode-se ver uma cobertura pesada de nuvens à distância. Parece que o céu
azul estava limitado ao ar diretamente acima da Capital Real.

Esse tipo de cenário era bastante bizarro. Na verdade, o meteorologista da Capital Real
gritou: “Isso é impossível!”, enquanto coçava a cabeça.

Ele trabalhava no Palácio Real há muito tempo e podia prever o clima do dia seguinte
com mais de 90% de precisão. Assim, quando ele declarou que isso era impossível, isso
implicava que esses céus azuis eram tudo menos naturais.

Zanac suspirou profundamente sob o elmo.

Ele nunca tinha ouvido falar de magia que controlava o clima de seus professores. No
entanto, esse Rei Feiticeiro poderia usar essa magia com uma facilidade desdenhosa.

Os homens de Zanac não eram apenas não qualificados na área da magia, mas eles não
tinham conhecimento de outros fenômenos estranhos. Isso fez sua cabeça doer. Mais pre-
cisamente, era porque ele tinha confiado demais no Marquês Raeven.

Ele reuniu o conhecimento de seus aventureiros, compilou-o e chamou-o de Pergami-


nho do Tigre. Continha informações sobre vários tipos e aparências de itens mágicos, os
tipos e poderes de vários monstros, todos os tipos de magias e assim por diante.

Até agora, ele compartilhara livremente aquele pergaminho com Zanac, seu aliado. No
entanto, já que Raeven não estava mais na Capital Real, o Pergaminho do Tigre foi em-
bora naturalmente com ele.

Ele tentou encontrar nobres que haviam aprendido com aventureiros, como Raeven,
mas, infelizmente, não havia nenhum. Isso não foi porque esses nobres eram estúpidos,
mas porque viviam em um mundo completamente diferente daqueles aventureiros.
Mesmo que alguns nobres contratavam aventureiros, era apenas para usar sua força. Os
nobres não estavam interessados no mundo dos aventureiros ou nas notícias que os
aventureiros tinham.

Os nobres tinham sido assim ao longo dos 200 anos de história do Reino. Desse ponto
de vista, Raeven era bastante atípico.

Provavelmente é difícil encontrar aventureiros aposentados — especialmente os de


mythril e posições maiores.

Ele ouviu que os aventureiros odiavam coisas problemáticas como política. De fato, uma
vez que se entrasse no mundo da política, a pessoa perderia a liberdade. Aventureiros
assim gostariam de trabalhar para ele depois de se aposentar?
O coração de Zanac afundou quando ele pensou sobre isso.

“—Meu príncipe!”

O grito do cavaleiro ao lado dele trouxe Zanac de volta aos seus sentidos. Ele olhou para
o final da rua — e viu.

Ele poderia começar a distinguir os enviados do Reino Feiticeiro.

Eles haviam exercido pressões antecipadas ao fechar esta rua por hoje, impedindo qual-
quer tráfego. Como resultado, ninguém estaria pulando fora de portas atrás deles. Os
portões da cidade também foram bloqueados apenas por hoje.

“Tudo bem, vamos repassar o plano. Devemos tratá-los como dignitários estrangeiros.
Tentar qualquer coisa nos enviados do Reino Feiticeiro é uma ofensa grave. Será punido
pela execução sumária.”

“Sim, Senhor!”

A resposta dos cavaleiros foi bastante vigorosa, e as espadas em suas cinturas emitiram
um som claro, nítido e unificado.

“Tudo bem! Então, mostre-lhes o maior respeito e impressione a glória do Reino sobre
eles!”

“Sim, Senhor!”

O grupo permaneceu absolutamente imóvel até os enviados chegarem.

Em pouco tempo, a vanguarda dos enviados chegou até eles.


[Bicórnio]
Era um cavaleiro de armadura negra. Montava um Bicorn de olhos vermelhos que tinha
um corpo negro e ostentava dois chifres na cabeça. Pode-se imaginar que quem estava
em cima da fera não era humano. Emanava uma aura de perigo mortal, tão radiante
quanto o sol. Sua armadura completa pulsava como se estivesse viva.

Zanac podia sentir seu cavalo de guerra tremendo de medo.

Ele fechou sua manopla e bateu no peito.

“Desculpas! Nós somos os enviados do Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown!”

Pode-se comparar essa voz a música espremida de instrumentos apodrecidos. Isso fez
o cabelo de seus ouvintes ficar em pé apenas ouvindo-o. Zanac reuniu coragem para ba-
nir o medo e depois falou.
“Eu sou o Segundo Príncipe de Re-Estize, Zanac Valleon Igana Ryle Vaiself! Por ordem
de Sua Majestade, devo guiar seu grupo para o Palácio Real. Por favor, sigam atrás de
nós!”

“Reconhecido. Então, nos beneficiaremos de sua orientação. Este aqui — perdoe-me,


este aqui não tem nome, então por favor permita que este aqui se apresente pelo nome
[Cavalier d a M o r t e ]
de minha espécie. Este aqui é um Death Cavalier!”

Zanac ficou boquiaberto ao dar o nome de sua espécie, mas reagiu imediatamente para
não o ofender com o atraso.

“Então, posso me dirigir ao senhor como Cavalier-dono?”

“Este aqui seria honrado de ser abordado dessa maneira.”

“Entendo. Então, posso saudar o líder dos enviados? Como o Segundo Príncipe, eu tam-
bém sou responsável pelas ações do dito líder dentro do Reino. Se possível, gostaria de
explicar as circunstâncias ao seu líder.”

“Reconhecido. Este aqui deve transmitir sua mensagem a nossa Líder-dono.”

“Tens meus mais profundos agradecimentos.”

Com isso, o agressor recuou para entregar seu relatório.

Embora todo o processo parecesse risível às vezes, ele estava enfrentando o Reino Fei-
ticeiro, não poderia menosprezar isso. Era uma nação que podia controlar os undeads e
fazer uso de monstros, então seria melhor supor que as formas usuais de fazer as coisas
eram inaplicáveis aqui. Ele se sentiu estúpido por esperar que o líder dos enviados ti-
vesse uma forma vagamente humana.

“Agora, todos aqui, expressões neutras. Não podemos nos dar ao luxo de fazer qualquer
coisa que os ofenda.”

“Sim, Senhor!”

Quando ele ouviu a resposta dos cavaleiros, Zanac colocou força no abdômen.

Os enviados haviam passado por várias cidades no caminho até aqui, que era como Za-
nac já soubesse da composição do grupo.

Havia cinco carruagens.


Cada uma delas foi puxado por um monstro em forma de cavalo que irradiava um ar
pouco auspicioso. Então, havia numerosos Death Cavaliers, que tinham sido encarrega-
dos da segurança do perímetro. Havia também outros monstros ao lado deles.

Zanac não estava claro sobre os nomes desses monstros ou quão perigosos eles eram.
Ainda assim, quer ele soubesse ou não, seus deveres permaneciam inalterados. Já que
foram enviados pelo Rei Feiticeiro, ele não podia permitir que qualquer expressão nega-
tiva fosse mostrada.

Um Death Cavalier — provavelmente o mesmo de antes — aproximou-se dele do lado


dos enviados.

“Perdoe a longa espera. Nossa líder — a mão direita do Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown,
Albedo-sama, concordou em se encontrar com o senhor. Zanac-dono, por favor, venha
por aqui.”

Depois de sinalizar aos outros cavaleiros para manter sua posição, Zanac guiou seu ca-
valo atrás do Death Cavalier.

Com toda a honestidade, era bastante aterrorizante.

Afinal, Zanac estava se movendo entre monstros que nunca tinha visto antes.

Mesmo assim, ele ainda tinha seu orgulho como membro da família real. Zanac logo se-
ria o rei, e desde que ele teria que se encontrar com emissários do Rei Feiticeiro, ele ficou
proibido de se desgraçar. Em vez disso, ele teve que demonstrar sua habilidade neste
momento, e deixá-los levar para casa as notícias das pessoas talentosas no Reino Re-Es-
tize.

O cavalo de Zanac não conseguiu evitar um suor frio quando se aproximava da carrua-
gem. Zanac desmontou, ficou parado diante da carruagem.

“Então, aqui está a representante do Reino Feiticeiro, Albedo-sama.”

Que tipo de monstro vai aparecer a seguir?

Zanac desejou que sua expressão não mudasse.

A porta se abriu lentamente e uma figura humana emergiu lentamente.

O que ele viu lá — foi a mais pura expressão da beleza.


Não, Zanac não conseguia pensar em um adjetivo que pudesse descrevê-la melhor. A
única coisa que veio à mente foi “beleza de nível mundial”.

Ninguém neste mundo poderia ter aparência comparável à de Renner. Zanac acreditava
nisso até agora, mas depois percebeu que estava enganado. Se Renner era uma beleza
radiante e dourada, então Albedo era uma beleza sedutora tingida pela escuridão.

Albedo pisou nos degraus da carruagem. O som fraco de seus saltos altos sacudiu Zanac
de volta à realidade.

Zanac imediatamente genuflectiu diante dela e baixou a cabeça.

Pode-se pensar que era embaraçoso para um príncipe de uma família real se curvar di-
ante de qualquer um, mesmo se eles fossem os emissários de outra nação. No entanto,
depois de considerar a diferença de poder entre o Reino e o Reino Feiticeiro, esse foi o
curso correto de ação. O que o Reino precisava agora não era glória, mas benefícios con-
cretos.

“Você poderia por favor levantar a cabeça?”

A voz calma e encantadora ecoou por cima dele.

“Imediatamente.”

Quando ele olhou para cima, o rosto da donzela estava todo sorridente quando ela olhou
carinhosamente para ele.

Essa era uma atitude praticada que homens superiores adotariam — não, ela era mesmo
humana?

Zanac moveu seus olhos para medir seus contornos. Primeiro, havia as asas da cintura,
seriam itens mágicos ou alguma outra coisa? Da mesma forma, os chifres se projetavam
dos lados de sua cabeça?

Se fossem itens mágicos ou se realmente pertenciam a uma criatura heteromórfica não


o incomodou, não parecia particularmente bizarro uma vez que ele considerou que ela
veio do Reino Feiticeiro.

“Eu sou a enviada do Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown, Albedo. Embora seja apenas
por alguns dias, estaremos importunando vocês. Se levante, Príncipe-dono. O senhor cer-
tamente não pode continuar falando a partir desta posição.”

“Tens meus mais profundos agradecimentos.”

Zanac se endireitou, e então um problema se apresentou.


Embora ele tivesse aprendido que o nome dela era Albedo através da conversa, era ape-
nas isso?

No Reino — e no Império — os plebeus tinham dois nomes, nobres tinham três nomes
e pessoas tituladas tinham quatro nomes. Como membros da família real, eles tinham
quatro nomes — contando seus títulos, somavam um total de cinco nomes.

Foi por isso que Jircniv Rune Farlord El-Nix e seus quatro nomes foram ridicularizados
por não serem membros da realeza. No entanto, um nome como Albedo soava como um
pseudônimo ou um apelido. Então, não se poderia ser tão tolo quanto se dirigir a um
membro da nobreza por tal apelido.

Embora ele pudesse estar se preocupando desnecessariamente, ele não podia ter cer-
teza de que tal situação não ocorreria.

A razão pela qual ele disse isso foi porque muitos nobres morreram no campo de batalha
anterior. Não foram apenas os chefes de família que pereceram, mas até mesmo os her-
deiros primogênitos de algumas famílias. Atualmente, muitas famílias nobres eram lide-
radas pelas “peças de reposição”, o segundo ou terceiro filho.

Peças de reposição eram peças de reposição. Ninguém esperava muito desses nobres.
Não só eles não tinham aula, mas também não tinham conhecimento. Em suma, eles nem
mesmo tinham a educação apropriada.

Em circunstâncias normais, eles teriam sido devidamente educados pelos superiores


em sua facção, mas dada as perdas da guerra anterior significava que eles não tinham
mais a mão-de-obra para tais esforços. Como resultado, muitas pessoas incompetentes
foram forçadas ao centro do palco, e essas pessoas incompetentes se reuniram para for-
mar uma facção de incompetentes.

Atualmente, a classe da nobreza do Reino despencou, graças a essas pessoas. Neste mo-
mento crucial, eles poderiam tratar uma mulher como Albedo com etiqueta adequada?

“...Perdoe-me, mas posso saber como devo abordá-la corretamente, Albedo-sama?”

Esta foi uma pergunta um tanto desrespeitosa.

Normalmente, ele deveria ter perguntado. “Que título Vossa Excelência mantém entre o
pariato, Albedo-sama, ou talvez qual é a sua posição no Reino Feiticeiro?”

O problema era que ela poderia ter respondido: “Então nem sabe a posição de uma emis-
sária do país vizinho?”

Ainda assim, isso era culpa do Reino Feiticeiro.


Afinal, nenhuma informação sobre o Reino Feiticeiro havia fluído de suas fronteiras.
Embora tivesse declarado sua própria soberania por vários meses, eles haviam se res-
tringido em grande parte aos assuntos internos. Esta foi a primeira vez que eles se en-
volveram em relações diplomáticas por conta própria.

Tudo o que Zanac sabia sobre Albedo era que ela era a líder dos enviados e a mão do Rei
Feiticeiro.

O Império provavelmente saberia... mas eles não nos disseram nada... Bem, qualquer um
que tivesse pedido que aquele tipo de magia fosse usada em nós deve nos odiar até os ossos.

Como se sentisse suas preocupações, Albedo respondeu:

“Embora possa não parecer, fui designada como a supervisora que lidera todos os Guar-
diões de Andar e Guardiões de Área dentro do Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown.”

“Ohh, entendo.”

Ele disse isso, mas não fazia idéia do que significava ser a “Supervisora”. Além disso, ele
era completamente ignorante em relação ao “Andar” de que ela falava.

Albedo continuou falando, aparentemente visto através de sua confusão oculta:

“De fato. Eu e Ainz-sama somos cas— não, quero dizer, eu sou a segunda em comando
do Rei Feiticeiro, a Supervisora Guardiã. Talvez isso seja mais apropriado?”

“Ohhh, compreendo agora!”

“Ainz-sama”, parece que ela está perto o suficiente para se dirigir a ele dessa maneira.
Então ela é uma marquesa, não, uma duquesa, talvez? Eu preciso levar essa informação
de volta para os outros. Mas ainda assim, Supervisora... Guardiã?”

“Então, Albedo-sama, permita-me acompanhá-la ao Palácio Real. Há suítes na Capital


Real, onde rezo para que fique em casa por enquanto. Meu pai — o Rei Ranpossa III é de
idade avançada, então ele me atribuiu a tarefa de encontrá-la nos portões da Capital. Eu
rezo para que nos perdoe.”

“Tudo bem.”

Seu sorriso não mudou em nada.

Normalmente, ela deveria estar agradecendo ao Príncipe. No entanto, ele podia sentir
claramente quem demostrava a superioridade aqui.

Zanac estava suando frio nas costas. Isso porque ele entendeu que forjar boas relações
com eles provavelmente seria uma tarefa muito difícil.
“Além disso, nós normalmente tocaríamos os sinos em comemoração, mas o infeliz de-
sentendimento entre nossos países levou à tragédia, então, por favor, nos perdoe por não
fazê-lo. Além disso, o povo comum ainda não sabe da sua chegada, por isso, leve isso em
consideração.”

“Claro, isso não é um problema.”

Ele não tinha idéia do que o povo faria se soubessem que um emissário do Rei Feiticeiro
tinha vindo encontrá-los. Nesse aspecto, a resposta de Albedo foi um grande alívio.

É melhor pensar que eu devo um favor a ela?

Ele não estava preocupado com o fato dos enviados serem atacados por uma multidão
enfurecida. Aqueles Death Cavaliers — de fato, todos os presentes provavelmente eram
muito fortes, mesmo dentro do Reino Feiticeiro. Ele podia facilmente acreditar que cada
um deles era páreo para o finado Gazef Stronoff.

“Então, posso fazer algumas perguntas pessoais?”

“Claro! Eu responderei enquanto estiver dentro do meu alcance.”

“Bem, então, você poderia me contar sobre o itinerário depois que chegarmos ao Palácio
Real?”

“Sim! Primeiro, há um jantar marcado comigo e com o resto da família real hoje à noite.
Amanhã, visitaremos os teatros durante o dia para assistir às danças e realizar um jantar
à noite, onde todos os nobres do Reino serão convidados. No dia seguinte, haverá um
concerto da orquestra do palácio — depois disso que iniciaremos as negociações diplo-
máticas.”

“Então é assim que será... então, eu confio que não haverá problemas se decidirmos fazer
uma excursão pela capital?”

“Claro. Vamos selecionar cavaleiros excepcionais para servir como seus guardas.”

Embora a palavra em si significasse que os cavaleiros os defenderiam, isso também im-


plicava em observação e até mesmo para restringi-los de suas ações, se surgisse a neces-
sidade.

“Posso saber se algum lugar lhe interessa?”

Eles precisariam bloquear completamente a área quando fosse a hora, para impossibi-
litar que os plebeus se aproximassem daquele lugar.
“Não... não há lugares que me interessem particularmente. Como não sei quais locais
valem a pena visitar na capital, poderia me guiar em uma excursão?”

“Entendido. Farei os preparativos apropriados.”

Albedo sorriu e assentiu.

Parte 3

Nos últimos meses, Philip sentiu que era um dos homens mais sortudos do Reino.

Ele era sem dúvida o mais sortudo de tais homens, se ele mesmo dissesse isso. No en-
tanto, a modéstia era uma virtude. Além disso, pode haver outros nobres com mais sorte
do que ele, então seria melhor não falar em absoluto.

Nobres — huh.

Philip apertou o sorriso enquanto tirava os amassados das roupas.

Esta foi apenas a segunda vez que ele participou de uma festa nobre como essa. Ainda
assim, talvez ele devesse dizer que isso era esperado de um jantar organizado pela Famí-
lia Real — a pura decadência deste evento ofuscou o que ele havia anteriormente parti-
cipado.

O traje formal dos outros convidados parecia muito mais caro do que os da festa ante-
rior.

Quanto custaram suas roupas, afinal?

Philip olhou para as próprias roupas e começou a se sentir um pouco frustrado.

Como ele pensava, os nobres da classe alta tinham roupas realmente incríveis.

As nobres em seus vestidos extravagantes tinham sorrisos em seus rostos, mas aqueles
sorrisos zombavam dele por causa de seu traje simples? Philip não pôde deixar de pensar
assim, mesmo sem qualquer base para tais suposições. Quando ele olhou em volta, ima-
ginou todos os nobres rindo dele.

É tudo porque não tenho dinheiro.

Se seu domínio fosse mais rico, ele teria condições de comprar roupas melhores. No en-
tanto, o domínio de Philip nunca foi próspero. Até suas roupas agora tinham sido ajusta-
das apressadamente do traje formal de seu irmão mais velho. Como resultado, ele ainda
sentia um pouco apertado ao redor dos ombros.
Bem, o dinheiro é escasso porque os chefes da família até agora foram inúteis. Então,
quando eu me tornar o próximo chefe, tornarei meu domínio mais rico.

Philip foi o terceiro filho a nascer de uma família nobre.

Semelhante aos plebeus, os terceiros filhos não eram indivíduos particularmente bem-
vindos em famílias nobres. Não importa quão rica fosse uma família, dividir seus ativos
de várias maneiras acabaria enfraquecendo-a. Portanto, tudo foi herdado pelo filho mais
velho. A esse respeito, os nobres seguiram o mesmo princípio básico dos plebeus.

Talvez uma família mais rica pudesse ter dado algum apoio financeiro a um terceiro
filho. Talvez pudessem contar com conexões com outras famílias nobres e adotá-lo. No
entanto, este não foi o caso da família de Philip.

Uma vez que o filho mais velho atingisse a maioridade — em outras palavras, quando
as chances dele morrer de doença diminuíam muito — o terceiro filho, Philip, não era
mais necessário para sua família.

Ele receberia um pouco de dinheiro e depois seria expulso da casa da família? Ou talvez
ele fosse enviado para morar com uma família pobre e trabalhasse como um camponês.
Ele só podia ver a tragédia esperando em ambas as opções. No entanto, as coisas não se
desdobraram dessa maneira. Em vez disso, ele estava fazendo sua estreia em um grande
baile da sociedade.

Foi por isso que Philip sentiu que teve sorte.

O primeiro lance de sorte foi o irmão mais velho, o segundo filho, morrendo de doença
antes de atingir a maioridade.

Como seu irmão mais velho — o primeiro filho — já era um homem, não havia mais
valor para seu outro irmão mais velho, o segundo filho. Além disso, o domínio deles não
era um feudo rico, só podiam usar ervas em vez de sacerdotes para tratá-lo. No final, a
condição piorou, e ele se afundou na espiral da morte.

Neste ponto, Philip estava agora elevado à posição de um sobressalente. Seu valor subiu
de um agricultor para o de um mordomo.

Coisas como estas não eram incomuns.

No entanto, o que catapultou Philip para a crosta superior foi o resultado do próximo
golpe de sorte de Philip.

Vários anos depois de atingir a idade adulta, era hora do irmão mais velho de Philip
assumir a propriedade da família. Então, aquela guerra com o Império estourou. Se fosse
como nos anos anteriores, deveria ter terminado depois de alguns inchaços e arranhões.
Portanto, era um modo seguro para seu irmão mais velho obter um registro de batalha,
e sua família podia se orgulhar do fato de terem empenhado homens na batalha.

No entanto, seu irmão mais velho não voltou.

Ele havia sido consumido pela magia do Rei Feiticeiro e pereceu com os vinte campone-
ses que foram com ele.

Philip não pôde esquecer o instante de alegria que sentiu quando ouviu essa notícia. Foi
a alegria que ele carregou dentro dele desde que se tornou um sobressalente.

O corpo de seu irmão mais velho estava desaparecido, assim como a armadura de placas
foi passado de seus ancestrais. Ainda assim, isso não foi um grande problema. Uma vez
que seu domínio enriquecesse, ele faria uma armadura melhor para si mesmo. O mais
importante era que o título de herdeiro da propriedade passara de inatingível para pra-
ticamente na palma de suas mãos.

O timing para isso foi perfeito.

Se seu irmão tivesse morrido depois de herdar a propriedade da família, Philip teria que
gastar seu tempo esperando que seu sobrinho se transformasse em um homem. No en-
tanto, já que seu irmão morreu sem reivindicar sua herança, sua herança já estava prati-
camente como um negócio fechado.

Era como se o Rei Feiticeiro tivesse se esforçado para organizar tudo isso para Philip.

Por causa disso, Philip até sentiu algo como um sentimento bom para com o Rei Feiti-
ceiro, do qual ele nunca havia visto. Se ao menos ele pudesse transmitir sua gratidão di-
retamente ao emissário do Rei Feiticeiro.

Além disso—

Isso mesmo. Eu vou andar no meu caminho de sorte. Como posso deixar uma boa chance
escapar diante dos meus olhos?

O coração de Philip brilhou como uma fogueira.

Ele só conseguia pensar em seu pai e irmão mais velho como idiotas depois de ver o que
eles estavam fazendo todo esse tempo. Por que vocês não fizeram isso? Isso não lhes traria
mais benefícios? Claro, ele nunca lhes disse isso em seus rostos.

Isso foi porque nenhum dos ganhos obtidos iria chegar até ele. Nem o prestígio para isso
seria dele. Portanto, durante muito tempo, Philip havia inventado idéias sobre como ad-
ministrar adequadamente seu feudo e armazenou tudo em seu coração.
Vou deixar os lordes próximos saberem que sou eu quem merece esse título. Vou deixar que
papai saiba quão pobre seu gosto estava em escolher meu irmão. Vender o trigo e legumes
de boa qualidade para os comerciantes — não, o que devo fazer? Isso chamaria muita aten-
ção, e se a minha proposta revolucionária fosse roubada por outros? Ainda assim, não há
dinheiro sem comércio. Preciso encontrar mercadores de boca fechada e confiáveis — em
outras palavras, não pode ser aquele cara.

O rosto de Philip se torceu quando ele se lembrou do rosto daquele comerciante.

A lembrança desagradável daquele homem superou sua alegria por ficar neste salão lu-
xuoso.

Como ele ousa me menosprezar! Embora eu tenha que suportar por enquanto, uma vez
que eu encontre um comerciante melhor na Capital Real, eu vou chutar ele dos meus negó-
cios! Eu já tenho conexões próprias!

Philip já havia encontrado suas próprias conexões secretas durante suas poucas sema-
nas na Capital Real. Seu orgulho nisso afugentou a infelicidade em seu coração.

Como esperado de mim, já tenho meu caminho mapeado. Vou tornar meu domínio rico e
obter uma enorme fortuna. Aqueles idiotas que me menosprezaram vão ver quem é o ver-
dadeiro idiota da história.

Enquanto Philip visualizava seu glorioso futuro dourado, uma voz masculina ecoou pelo
corredor.

“Senhoras e senhores! Eu apresento-lhes a líder dos emissários do Reino Feiticeiro, Al-


bedo-sama!”

Nesse momento, a orquestra do salão principal baixou os instrumentos e o clima de jo-


vialidade no ar diminuiu.

A julgar pelos ruídos, parece que o mestre de cerimônias acabara de anunciar a estrela
do jantar que a Família Real estava realizando.

“Albedo-sama serve como a mão direita da Sua Majestade o Rei Feiticeiro no Reino Fei-
ticeiro, e comanda uma posição equivalente à de um primeiro ministro, sua posição é de
Supervisora Guardiã. Albedo-sama vai nos agraciar sozinha esta noite.”

Uma voz suave de mulher disse: “Huh, sozinha?” Um nobre de aparência rica a castigou
com um “Silêncio!”. Philip ficou um pouco surpreso com isso.

Vindo por si mesma está tudo bem. Mas pensar que alguém assim serviria como uma emis-
sária! O Reino Feiticeiro realmente tem grandes esperanças pelo Reino?
Enquanto Philip se perguntava que tipo de pessoa esta emissária seria, ele olhou para
as portas pelas quais o mestre de cerimônias estava de pé.

“Então, vamos receber a líder dos emissários, Albedo-sama!”

Quando as grandes portas se abriram, todo o salão ficou em silêncio.

Uma deusa estava ali. Suas feições perfeitas eram mais belas do que as de qualquer cam-
ponesa, mais bonita que qualquer prostituta dos bordéis do Reino, mais bonita do que
qualquer mulher que Philip já vira em sua vida. Claro, a Princesa era bonita, mas Philip
preferia o que estava vendo agora.

Suas roupas eram lindas também. Seu vestido de platina era acentuado com enfeites de
cabelo dourados, enquanto a metade inferior de seu vestido estava coberta pelo que pa-
reciam asas de penas negras. Seu reflexo nas luzes mágicas acima fez parecer que ela
estava brilhando.

Philip olhou para a mulher que falara antes. Ela estava de pé no lugar com um olhar
retardado em seu rosto.

O que é isso, o que é isso? É este o tipo de rosto que a acompanhante de algum nobre de
renome deveria ter? Você parece uma camponesa à beira da estrada.

A alegria que ele sentiu no triunfo do Reino Feiticeiro — para o qual ele estava inclinado
favoravelmente — fez a alegria da vitória surgir em seu coração.

“Felicitamo-nos com a sua presença, Albedo-dono.”

Ranpossa III levantou-se para dar boas-vindas a Albedo.

“Vossa Majestade, eu sou grata por esta recepção.”

Philip só podia ver um lado do rosto de Albedo, mas quando ele viu o sorriso terno de
Albedo, ele estava bem ciente de uma coisa.

Ela é linda além das palavras...

“Espero que me perdoe por ter que me sentar novamente, é devido à minha idade. Então,
nobres do Reino. Nossa principal convidada chegou. Esta noite, por favor, divirtam-se à
vontade. Então, Albedo-dono, espero que se divirta também.”

“Meus agradecimentos, Vossa Majestade.”

Um sorriso doce floresceu no rosto de Albedo.


Ele deu uma espiada naquela nobre de antes, e viu que ela estava murmurando algo
sobre “Ela não se curvou” ou algo nesse sentido. Philip deixou de lado aquela mulher tola
e suas palavras tolas e, em vez disso, banqueteava os olhos com aquela beleza Classe
Mundial.

Ele gravou a imagem dela falando de perto com a Princesa Renner em seus olhos.

Se eu pudesse fazer essa mulher minha...

Ele entendeu que seria uma tarefa muito difícil. No entanto, quando se pensava sobre
isso, não era completamente impossível.

Uma vez que meu feudo se torne rico, os outros nobres começarão a apresentar suas filhas
para mim. Quanto mais rico eu for, melhores serão as meninas. Mesmo a Princesa ou essa
emissária não estão fora de questão!

Philip sentiu uma onda de calor subir de sua parte inferior do corpo.

Bem, os Grandes Nobres geralmente têm uma concubina ou três... o melhor caso seria se
eu pudesse apreciar essas duas belezas ao mesmo tempo.

Philip olhava de um lado para o outro, entre Renner e Albedo.

Philip apressadamente pegou uma bebida de perto antes que suas fantasias crescessem
fora de controle. Seria muito ruim se ele ficasse excitado aqui. A sensação fria da bebida
deslizando pela garganta ajudou-o a recuperar um pouco de calma.

Pensar sobre isso, como eles fizeram esse gelo? Pode ser magia...

As únicas pessoas na propriedade de Philip que poderiam usar magia eram os sacerdo-
tes. Eles poderiam ajudar a curar doenças e exigiriam dinheiro para isso. Logo, eles pe-
diam um pagamento adequado se tivessem que fazer gelo.

Já que eles estão no meu domínio, eles vão me curar de graça da próxima vez. Um mero
residente que ousa cobrar dinheiro do seu senhorio, quão ridículo é isso!

Philip fez uma anotação mental dessa nova maneira de lidar com os sacerdotes no fu-
turo.

Ele estava ansioso para começar a trabalhar em seu domínio quando retornasse. Ele
podia imaginar todas as suas idéias brilhantes sendo colocadas em ação, iluminando sua
vida com brilho dourado.

—Oya?

Quando ele olhou de volta para Albedo, ele a viu em pé sozinha.


Havia muitos nobres por perto, mas ninguém sabia como se aproximar dela.

O Reino Feiticeiro, hein... O que será do Reino depois disso?

Philip não se importava particularmente com o que aconteceu com o Reino, mas seria
problemático se isso afetasse sua propriedade.

Sendo esse o caso—

Philip estremeceu com a idéia que acabara de ter.

—Ei, ei, não pense em coisas tão perigosas. É apenas... bem, não é exatamente uma jogada
ruim, certo? Como eu devo dizer isso... Eu não posso acreditar que eu realmente pensei em
uma idéia como essa...

Ele olhou para o lado do rosto solitário de Albedo.

Não adianta ficar em terceiro. Não há sentido em ser o segundo. O mais importante é ser
o primeiro.

A emissária do Reino Feiticeiro parecia que havia sido excomungada, pois ninguém es-
tava falando com ela. Philip lera sobre como as mulheres eram bastante vulneráveis a
esse tipo de coisa.

Você consegue. Você tem que fazer uma aposta para obter um retorno. A chance de subir
chegou porque tudo mudou. Eu sou um homem de sorte, então eu deveria fazer bom uso da
minha sorte.

A família de Philip sempre foi ligada a uma facção, mas eles estavam tipicamente no final
daquela facção. Havia apenas um limite de benefícios que ele poderia obter se continu-
asse ligado a essa facção.

Então, ele se lembrou de algumas palavras que ouvira recentemente. Uma certa senho-
rita muito magra dissera: “Por que não fazer uma nova facção?”

Depois de se decidir, Philip bebeu o copo de vinho que estivera segurando durante todo
esse tempo.

Era diferente do vinho aguado que ele bebera em casa. Parecia que sua garganta e bar-
riga estavam queimando. Como se impulsionado pelo calor que subia de sua barriga, Phi-
lip avançou.

“Albedo-sama, importa se eu me intrometer?”

Graças a sua voz, Albedo virou seu sorriso para ele.


Ele não estava apenas corando por causa do vinho.

“Ara~ como vai—”

As delicadas sobrancelhas se enrugaram por um momento, como se estivessem mergu-


lhadas em pensamentos. Philip imediatamente percebeu o que ela estava pensando.

“Eu sou Philip.”

“Oh? Ah, Lorde Philip— não, Philip-sama. É uma honra conhecê-lo.”

“O prazer é todo meu, Albedo-sama. Nada poderia me encantar mais do que conhecê-la.”

Philip estava bem ciente de que o ar ao seu redor parecia ter mudado.

Uma rápida olhada à parte revelou que os nobres de alto escalão tinham olhares de es-
panto em seus rostos.

Ele não podia conter a alegria dentro dele quando percebeu que todos os olhos no jantar
patrocinado pela Família Real estavam sobre ele.

Eu sou o centro das atenções!

Pensar que ele — que só havia comido refeições frias no passado — era agora o foco
dessas pessoas que se encontravam no pináculo do Reino. Enquanto pensava nisso, uma
excitação inesperada assumiu o controle de Philip.

Isso aí! Eu sou Philip! Me observem! Observem o homem que será a figura central do Reino!

Philip sacudiu a cabeça e depois fez a maior aposta de sua vida.

Isso era como dizer que ele convidou Albedo para um baile que aconteceria em alguns
dias.

♦♦♦

“Seu idiota!”

Essa repreensão extinguiu a excitação de Philip. No entanto, ao mesmo tempo, acendeu


uma chama dentro de seu coração. Era um fogo que parecia consumir todo o combustível
que Philip havia escondido dentro de seu coração a vida inteira.

Philip olhou desdenhosamente para o homem de cabelos brancos diante dele.

“Eu não te enviei para esse tipo de coisa! Você é um imbecil!”


Philip suspirou quando o pai lhe perguntou sobre o jantar no Palácio Real.

“Em primeiro lugar, aquele convite para o jantar organizado pela Família Real nunca
teria chegado a nossa casa. Trabalhei meus dedos até o osso para garanti-lo, para que
pudesse expressar sua gratidão ao Conde e aos outros nobres, para que você fosse reco-
nhecido por eles!”

O jantar da Família Real reuniu pessoas de ambas as facções. Quando isso acontecesse,
o fato do chefe de uma família ter mudado provavelmente não apareceria. Assim, nin-
guém prestaria muita atenção a esse fato e ele seria prontamente aceito pelos outros.
Depois disso, uma vez que o reconhecessem tacitamente, seria muito difícil para eles pro-
testarem contra esse fato.

Em outras palavras, o pai de Philip não tinha fé nas próprias habilidades. Ele sentiu que
se ele tivesse tentado se apresentar aos outros membros de sua facção da maneira nor-
mal, ele iria estragar algo.

Quando Philip percebeu isso, esforçou-se para reprimir o aborrecimento dentro dele e
colocou um sorriso falso.

“Não, não, Pai. Não fique tão nervoso. Eu estava fazendo isso pela nossa casa—”

“—O que você quer dizer com “nossa casa”? O que você fez é um completo absurdo!”

O que ele quis dizer com “absurdo”?!

Philip gritou em seu coração. Todo mundo foi um covarde sem a coragem de fazer um
movimento, então por que ele não deveria dar o primeiro passo?

Ele deveria fingir ser educado com todos esses covardes incompetentes e permanecer
nesse lugar patético pelo resto de sua vida?

“Pai! Pense um pouco! Embora a estrada que una o Reino Feiticeiro e o Reino seja bas-
tante longa, nosso domínio está no meio dela! Se o Reino Feiticeiro fizer guerra ao Reino,
definitivamente seremos arrastados para a bagunça. Portanto, devemos forjar boas rela-
ções com o Reino Feiticeiro, não?”

“Seu, seu idiota!”

O rosto de seu pai estava ainda mais vermelho do que antes.

“Aqueles desgraçados do Reino Feiticeiro mataram seu irmão! E você quer trabalhar
com eles! Você não vê? Isso é traição com o Reino!”

E daí?
Philip pensou.

Já que o Reino Feiticeiro era mais forte, o que havia de errado em trair o Reino? Tudo o
que ele precisava fazer era prometer sua lealdade ao Reino Feiticeiro. O que havia de
errado com os fracos seguindo os fortes? Quem tinha o direito de censurá-lo por isso?

“Mas que maluquice você está pensando?!”

Philip não pôde deixar de se sentir frustrado com a tolice do pai.

O fato de que ele realmente tinha que explicar essas coisas óbvias lhe pareceu terrivel-
mente estúpido. Ainda assim, ele teve que dizer.

“É simples, Pai. Isso é para m—”

Ele engoliu a palavra “meu domínio” no momento em que ele pensou em falar. Mais cedo
ou mais tarde seria verdade, mas, por enquanto, não era inteiramente dele.

“Nosso domínio. É para proteger nossos servos. O Reino Feiticeiro é esmagadoramente


poderoso. Muitas vezes mais do que o Reino. Sendo esse o caso, dificilmente seria estra-
nho se eles atacassem o Reino. Esta é uma saída para quando chegar a hora.”

“Cheh! O que você quer dizer com saída? O que você acha que os lordes vizinhos vão
pensar quando ouvirem o que você fez?!”

“Eles não vão nos atacar, não neste dia, não nesta idade.”

Muitas pessoas dentro do domínio de Philip morreram por causa dessa batalha. O
mesmo se aplicava às propriedades vizinhas. Portanto, eles não teriam o excesso de força
necessária para atacar o domínio de Philip.

“Você considerou alguma outra coisa?”

“Hah?”

Philip respondeu. Ele não tinha idéia do que seu pai estava tentando dizer.

“É por isso que eu digo que seu pensamento é superficial. Você está agindo como se seus
devaneios já fossem realidade. Isto é—”

“—Acho que você deveria parar por agora.”

Interrompeu o homem que estivera atrás do pai todo esse tempo.


Ele era o mordomo que havia atendido seu pai todo esse tempo. Philip não gostava da-
quele homem, que era do tipo que nunca deixava ninguém ver seus sentimentos. Ele era
uma das pessoas que Philip pretendia expulsar depois que ele solidificasse sua posição
como herdeiro da família.

Seu pai trabalhou para controlar sua respiração assim que ouviu as palavras do mor-
domo. O vermelho em seu rosto recuou, deixando um rosto pálido e anêmico.

“...Haaah. Hah Philip. Eu tenho uma pergunta para você. Você não tem medo de fazer
inimigos entre nossos vizinhos, os nobres?”

“Eles não são nada para se ter medo, não?”

Seu pai contornou os ombros em decepção. Essa resposta provocou frustração e des-
conforto dentro de Philip.

Ele tinha dito algo errado? Ainda assim, ele não conseguia pensar no que poderia ser.

“Muitos jovens morreram na batalha das Planícies Katze. Isso levará a todos os tipos de
problemas nos próximos anos. Portanto, nossos vizinhos precisarão trabalhar juntos em
um relacionamento cooperativo. Este domínio produzirá alimentos, esse domínio irá te-
cer roupas. Ninguém é grande o suficiente para ser autossuficiente, nem temos muito
dinheiro sobrando. Nestas circunstâncias, quem ajudará uma família que cortejará ativa-
mente o favor do Reino Feiticeiro?”

Suor frio escorreu nas costas de Philip. Seu pai tinha um ponto.

“Você também sabe disso, não é mesmo? Nosso regime não produz nada que seja exclu-
sivo — não temos exportações exclusivas. Portanto, eles não terão nenhum problema em
nos expulsar de sua cooperativa.”

Philip atormentou seu cérebro. Ele era astuto. Ele deveria ser capaz de refutar qualquer
número de afirmações provenientes de seu estúpido pai.

“É por isso que temos que confiar no Reino Feiticeiro, Pai.”

Seu pai pediu-lhe para continuar.

“Uma vez que construímos laços com o Reino Feiticeiro, nós apenas os apoiaremos.”

“...Então deixe-me perguntar uma coisa. Se você fosse alguém do Reino Feiticeiro — não,
se você fosse o rei de um certo país, e um vilarejo de um país com quem você estava em
guerra pedisse comida, você daria a eles?”

“Claro. Se fosse eu, eu definitivamente faria isso.”


“—Por quê?”

“Isso não é óbvio? Ao fazer isso, mostrarei a todos que sou um governante misericordi-
oso.”

“...Além disso?”

“...Nada mais.”

O queixo de seu pai caiu. Ele deve ter ficado impressionado. Ainda assim, esse tipo de
reação foi bem estranha. Afinal de contas, o Rei Feiticeiro certamente desejaria ser co-
nhecido como um governante gentil, particularmente desde que o Reino Feiticeiro foi
fundado em E-Rantel e na área em torno daquela cidade. Ele certamente faria algumas
concessões para acalmá-los.

“Então é isso... então é isso que você estava pensando. Bem, se fosse eu, eu certamente
enviaria ajuda também, a fim de criar um casus belli para invadir o outro país. Depois
disso, eu declararia guerra ao Reino, sob o pretexto de libertar tal vilarejo que o Reino
estava oprimindo.”

“Impossível. É um pensamento fantasioso. Além disso, esse tipo de causa não vai funci-
onar.”

“Haja paciência... e por que você acha que é impossível?”

“Vamos voltar um pouco aqui. Vamos supor que é realmente como você diz Pai. Não é
mais um motivo para aprofundar nosso relacionamento com o Reino Feiticeiro?”

“Seu—”

Seu pai estava sem palavras.

“Você não tem orgulho algum como um nobre do Reino?”

“Claro que eu tenho. No entanto, seria melhor não o ter do que ser destruído, não?”

“Esse é o rei demônio que matou seu irmão e inúmeras pessoas do Reino com magia
assustadora, não? Este é o rei que você vai apoiar.”

“Isso foi na guerra, Pai. Que diferença faz se eles morrem por espadas ou magia?”

“...Por que é que você confia tanto no rei do Reino Feiticeiro?”

Isso não era confiança, embora houvesse alguns bons sentimentos ali. Mais importante,
todos eles eram apenas peões para que Philip fizesse sua jogada para melhorar sua sorte
na vida.
Um peão! Isso mesmo! Para mim, até mesmo o Rei Feiticeiro do Reino Feiticeiro, que é
temido por todo o povo do Reino, é pouco mais que um peão na minha mão!

Philip ficou excitado quando se imaginou jogando um enorme — na escala das nações
— jogo de xadrez.

Ainda assim, é natural que o Pai esteja preocupado. Dito isso, se eu puder refutá-lo com
tanta facilidade, isso significa apenas que isso é tudo que ele pode pensar... Embora seja
melhor discutir o assunto com a Albedo-sama na próxima vez que nos encontrarmos.

“Eu me cansei disso... Você agradeceu ao Conde pelo jantar? Eu estou perguntando se
ele reconheceu você como o novo chefe de família.”

Essa era a única coisa que Philip não podia aceitar.

Mesmo que ele fosse o chefe da facção, por que ele deveria abaixar a cabeça para um
conde que não era nada além de um estranho?

Era a prerrogativa do chefe da família decidir quem seria o próximo líder da família. Não
tinha nada a ver com esse Conde. Mas, se o conde o tivesse apoiado quando seu irmão
estava por perto e ele ainda fosse um terceiro filho, levando-o a se tornar o herdeiro, ele
poderia ter sido grato por isso. Entretanto, não foi o caso. Philip alcançara sua posição
atual inteiramente por sua própria sorte.

Em outras palavras, não havia motivo para se curvar e bajular.

Portanto, Philip não tinha ido diante do Conde para se curvar e agradecer. No entanto,
se ele dissesse isso, seu pai provavelmente ficaria agitado novamente. Isso era uma men-
tira em prol da saúde de seu pai.

“Claro.”

“Entendo. Isso é ótimo. Já que você fez isso, deve haver um meio para nós. Quando che-
gar a hora, tudo o que você precisa fazer é pedir ajuda ao Conde.”

Com isso dito, assim que Philip começou a se sentir à vontade, o mordomo interrompeu
novamente por trás.

“—Há mais um problema. O assunto que Philip-sama mencionou no começo ainda não
foi resolvido. Philip-sama disse que estava convidando a emissária do Reino Feiticeiro
para um baile organizado por essa família... O que faremos sobre isso?”

“Isso mesmo, Philip! O que você estava pensando? Nossa família não tem lugar para re-
alizar um baile!”
Todos os senhorios tinham uma propriedade na Capital Real.

Havia pequenas mansões reservadas para as visitas à Capital.

Claro, não eram tão pequenos quanto os lares dos plebeus. Só podem ser usados um
punhado de vezes por ano, mas também eram um sinal do poder da nobreza. Portanto,
esses lugares tinham que ser grandes o suficiente para acomodar a comitiva que os lor-
des traziam consigo. No entanto, não eram muito maiores do que isso, e o interior não
era grande o suficiente para um baile.

Ainda assim, esse problema já havia sido resolvido.

“Está bem. É verdade que nossa propriedade não pode receber esse evento, mas eu já
consegui alugar outro lugar.”

“Oh, poderia ser o Conde?”

Philip balançou a cabeça com o leve desabrochar de alegria no rosto do pai.

“Não, é um lugar pertencente a alguém que conheço na Capital Real. A proprietária disse
que poderia emprestar para mim. O fato era que eu falei com ela antes de voltar, e ela me
garantiu que tudo ficaria bem.”

“E o que teremos que pagar por isso?”

Philip suspirou internamente à pergunta do mordomo.

Então essa é a primeira coisa que ele pergunta, huh.

“Será gratuito.”

“Gratuito? ...É mesmo possível?”

“Sim.”

As palavras da proprietária vieram à cabeça de Philip: “Tenho grandes esperanças para


o seu futuro, então vou investir em você. No entanto, espero que você retorne minha genti-
leza no futuro.”

“Eu não acredito que essa boa sorte cairia sobre você assim... Você poderia ter sido en-
ganado?”

Raiva brilhou dentro de Philip, mas ele sabia que seu pai confiava no mordomo implici-
tamente, então ele não poderia repreendê-lo ainda.

“Eu recebi um favor, mas já que prometi retribuir esse favor, tudo ficará bem.”
“...Então esse é o local escolhido, mas e os convites? Devemos mandar o Conde distribuí-
los?”

O que ele está dizendo?

Pensou Philip. Este evento estava sendo administrado por sua família para aumentar
sua reputação. Por que, depois de colocar todo esse trabalho e preparação, ele teve que
entregar a parte mais benéfica disso para os outros?

Então essa é a mentalidade de escravo dele falando. Que triste... eu não quero acabar como
ele.

“Vai ficar bem. Eu pedi à proprietária que me emprestou o local para me ajudar com o
trabalho de preparação. Claro, vou decidir a lista de convidados.”

“... Ainda assim, seria muito rude não deixar o Conde avaliá-los. Não é tarde demais para
pedir ajuda ao Conde. Além disso, você realmente sabe quais famílias convidar que não
causam ofensa?”

“Eu sei, até certo ponto e pretendo convidar algumas pessoas especiais desta vez. A pro-
prietária já me deu seus nomes.”

“Você...”

A dúvida apareceu nos olhos de seu pai.

“...Você foi manipulado pelas palavras dessa senhoria?”

“Pai! Como você pode dizer isso? Eu criei isso e fiz acontecer! É verdade que tive que
pedir ajuda para isso. Mas a proprietária concordou que meu plano tinha méritos depois
que ela ouviu — o que significa que ela viu que meu plano poderia ter sucesso, e ela sen-
tiu que eu poderia pagar o preço apropriado! O que você tem pensado todo esse tempo?
Em circunstâncias normais, você deveria me dar todo o seu apoio como o próximo chefe
da família!”

Isso era verdade. A dona da casa disse: “Terei prazer em ajudá-lo se você permitir que
vários nobres próximos a mim participem”. Foi porque ambos tiveram um relacionamento
mutuamente benéfico que ele pediu ajuda a ela. Ele definitivamente não estava sendo
manipulado.

Ela era completamente diferente do Conde que controlava seu pai, roubava todos os
ganhos e o deixava sem nada.

Você é quem está sendo controlado...


Philip queria dizer.

“...Me perdoe. Mas você pode me dizer o nome dessa proprietária?”

Philip reprimiu sua raiva. Afinal, ele estava conversando com alguém que ainda não ha-
via desagarrado de sua natureza como escravo. Ele teve que abrir seu coração e levar
tudo isso em paz.

“O nome dela é Hilma Cygnaeus. Você já ouviu esse nome antes?”

“Não, eu nunca ouvi falar dela antes. E quanto a você?”

O mordomo negou com a cabeça. Philip se orgulhava de ter conseguido se familiarizar


com alguém que nem mesmo seu pai, que há muito mergulhara em uma sociedade nobre,
não sabia.

“Receberei a opinião da senhoria sobre o assunto do Conde. Pode ser problemático con-
torná-la e pedir ajuda ao Conde. Há mais alguma coisa, Pai?”

Seu pai exausto não teve resposta a isso.

Embora ainda estivesse um pouco insatisfeito, Philip começou a pôr em prática seu
plano. O próximo passo seria enviar um convite a emissária do Reino Feiticeiro, Srta. Al-
bedo, e depois pensar em como consolidar sua posição a partir daí.

Parte 4

Um grande salão enchia os olhos de Philip, facilmente igual àquele salão de baile do Pa-
lácio Real — não, era ainda melhor do que isso.

Ele não pôde deixar de pensar em como mostrar isso para os outros. Claro, Hilma tinha
organizado os preparativos para este local. No entanto, ela havia lhe perguntado de an-
temão: “Devo organizar um evento regular próprio de um salão de baile ou um espetá-
culo incomparável? Este último exigirá um favor maior em troca.” E Philip escolhera o
último sem qualquer hesitação.

Em outras palavras, este baile foi organizado pelo favor que Philip pagou — em outras
palavras, este foi um evento que correspondeu ao esforço que ele havia colocado. E então,
havia muitos nobres que se reuniram aqui por causa dele.

Estava tudo perfeito. No entanto, foi por causa disso que Philip se sentiu muito infeliz
com um certo detalhe.
Ele decidira a localização do convite — embora tivesse que confiar na sabedoria dos
outros, a decisão final ainda era sua — e o lacre de cera nas cartas pertencia a sua família.
Mais importante, todos estavam aqui para encontrar a emissária do Reino Feiticeiro. E
foi Philip quem convidou a emissária para cá.

Em outras palavras, ele era o anfitrião e aquele que tinha trabalhado para que isso acon-
tecesse, então ele era quem deveria estar recebendo palavras de elogio e sinais de grati-
dão. Eles deveriam ter agradecido a Philip por convidá-los para tal evento. Eles também
deveriam estar elogiando sua coragem em convidar a emissária do Reino Feiticeiro,
aquela que ninguém mais ousou abordar.

Em vez disso, o que estava acontecendo agora?

A primeira pessoa a quem todos falaram quando chegaram aqui foi Hilma. Só depois
disso eles vieram cumprimentá-lo. Além disso, só o fizeram com relutância e isso depois
que Hilma mencionou o nome de Philip. O que eles teriam feito se ela não tivesse menci-
onado isso?

Como ele devia um favor a Hilma, tinha que suportar o fato dela ser mais perceptível do
que ele. No entanto, tudo o que ele sentia em relação a esses nobres era aborrecimento.
Indo pelo básico da sociedade nobre, deveria ter sido óbvio quem eles deveriam ter se
dirigido primeiro.

É por isso que vocês são inúteis. Cheh, parece aceitar que a sugestão de Hilma foi uma má
idéia.

Ele convidou os nobres aqui usando as informações de Hilma.

Os nobres que ele escolhera eram chefes recém-elevados de suas famílias graças à
guerra com o Reino Feiticeiro, ou àqueles que logo se tornariam chefes de suas famílias.
Em outras palavras, essas pessoas estavam em situações semelhantes a Philip.

A razão pela qual ele aceitou as sugestões de Hilma foi porque não havia muitas pessoas
que pensassem como Philip. Portanto, se não houvesse mudança na liderança familiar,
era muito provável que todos pensassem mal do Reino Feiticeiro.

Contudo—

Tem alguém aqui que não seja incompetente?

Ele olhou para os convidados que acabaram de chegar e então caminhou em direção a
Hilma.

Que ridículo...

Pensou Philip.
Aqueles idiotas enterrados em suas árvores genealógicas eram realmente idiotas. Foi
por isso que eles ignoraram a pessoa com quem deveriam ter conversado pela primeira
vez. Ou melhor, esse seria o único motivo plausível para esse ultraje.

...Ainda assim, isso não é uma coisa boa? Eles não poderão assumir a liderança porque são
idiotas, não? Se houvesse um nobre aqui com um cérebro melhor do que o meu, eu não seria
capaz de assumir o comando da nova facção que pretendo fundar e além disso, lamenta-
velmente minha família não é poderosa o bastante.

Isso pode ser uma chance para ele. Como esse era o erro por parte dos convidados, Phi-
lip considerava que os convidados estariam em dívida por não falar com ele primeiro e
então cobraria isso deles no futuro.

Enquanto ele estava conspirando ansiosamente, Hilma apareceu diante dele.

Uma mulher que era pouco mais que um saco de pele e ossos.

Sua magreza doentia a fazia parecer com uma doença grave. Ela provavelmente teria
sido bonita se tivesse mais carne em seus ossos, mas isso já era coisa do passado.

“Philip-sama, parece que todos os convidados chegaram.”

“Mesmo?”

Em outras palavras, todos o viam como o segundo em comando aqui, pensou Philip. Ele
tentou esconder seus sentimentos de inferioridade, mas Hilma parecia ter visto através
dele.

Ela gargalhou.

“Parece que está insatisfeito.”

“Não, certamente não.”

Philip sorriu. Ele era um nobre — ele podia lidar com tais intrigas.

“Não há necessidade de mentir. Eu sou sua defensora nisto porque eu tenho a ganhar
com isso, Philip-sama. Não podemos ter nenhum segredo entre nós.”

Suas palavras estavam tingidas de lisonja.

Então é isso.

O coração de Philip estremeceu.


Essa era a atitude apropriada que um plebeu deveria ter em relação a um nobre.

Ele estava finalmente experimentando a situação pela qual estava ansioso há muito
tempo, e a infelicidade em seu coração desapareceu como se tudo tivesse sido uma men-
tira.

“É algo importante, Philip-sama?”

“Não... bem, pensando nisso, eu não estou chateado, mas estou inquieto.”

“O que te incomoda? Alguma coisa está faltando? Se é assim, devo preparar antes que a
emissária-dono chegue?”

“Não é nada disso...”

Disse Philip, com um pigarro antes de continuar:

“Eu simplesmente não esperava que as pessoas aqui fossem tão... medíocres. Mesmo se
eu reunisse todas essas pessoas em uma facção, eu me pergunto se elas poderiam com-
petir com as outras facções. É isso que me incomoda.”

“Entendo, então é isso.”

Hilma sorriu.

Ela era magra demais para inspirar a luxúria. Mesmo assim, seu charme era tal que o fez
engolir em seco.

“Mas então, não é porque são assim que eles precisarão de sua liderança cuidadosa, Phi-
lip-sama? Desejo chamar a atenção deles para o seu domínio — os camponeses são muito
inteligentes?”

“Não—”

“É por isso que eles precisam de um líder sábio, não?”

“Sim, de fato, isso é verdade.”

“Se realmente és, então Philip-sama, eu tenho certeza que será capaz de orientar bem
essa facção. Eu também vou fornecer tanta ajuda quanto eu puder.”

“Porque você tem a ganhar com isso, estou certo?”

“Mas é claro. Eu estou te ajudando, porque tenho certeza de que vou colher benefícios
disso.”
Hilma sorriu.

A raiva no coração de Philip desapareceu completamente.

Tudo o que Hilma disse estava correto.

Philip agradeceu a sua sorte por poder conhecer uma mulher como Hilma.

Ela tinha amplos contatos, grande riqueza e tinha acesso a muitas coisas que Philip não
conseguiu obter na Capital Real. Sua explicação para o porquê alguém como ela gostaria
de agradar a ele também era bastante razoável. Além disso, seus termos de pagamento
também eram muito simples, motivo pelo qual se sentia à vontade para fazer uso dela.

“Se você me ajudar, eu vou fazer você mais rica do que qualquer outra mulher.”

Os olhos de Hilma se arregalaram um pouco, e então ela sorriu feliz.

“Isso me agradaria muito. Eu ficaria feliz em poder usar um colar com grandes pedras
preciosas como as nobres. Então, por favor, trabalhe arduamente, Philip-sama.”

“Ah, deixe isso para mim... Então, posso fazer outra pergunta a minha patrocinadora?”

“Sim, fique à vontade.”

“...Posso saber por que é tão magra? Alguma coisa no seu corpo te incomoda?”

Seria problemático se ela não pudesse mais apoiá-lo. Se até mesmo os sacerdotes não
pudessem curá-la, então ele teria que encontrar alguém para substituí-la, ou permitir
que ela recomendasse uma sucessora.

“Oh, não é um problema que vale a pena mencionar.”

“Eu ouvi que algumas herdeiras fazem dieta para perder peso, não é por isso?”

Hilma sorriu. Esta foi a primeira vez que Philip viu um sorriso que transmitiu tal des-
conforto sem palavras.

“Não é por isso. O fato é que eu não posso mais comer comida sólida, então eu só posso
consumir líquidos, não consigo absorver bem nutrientes... sim. Por favor, não se preo-
cupe. Se alguma doença surgir tenho alguém que pode usar magia de cura ao meu dispor.”

Seu humor voltou ao normal, como se nada tivesse acontecido:

“Definitivamente não vou morrer antes de me beneficiar do nosso trato, Philip-sama.”


“Oh, ohhh, mesmo, então isso é bom. No entanto... por que você não pode comer comida
sólida?”

Isso não tinha sido mais do que uma declaração descartável, mas teve um impacto re-
velador. Parecia que todas as emoções haviam fugido do rosto de Hilma.

A mudança foi maior do que antes e deixou Philip ansioso.

“Eu, eu — eu perguntei algo errado?”

“Ah, ahhh, minhas desculpas. Eu simplesmente me lembrei de algumas coisas.”

Hilma cobriu a boca quando disse isso e ficou muito pálida.

“Ah— minhas desculpas por te lembrar de algo desagradável.”

O que ela tinha passado para torná-la incapaz de comer alimentos sólidos? Embora
agora ela desfrutasse de amplas conexões sociais e riqueza suficiente para viver em bo-
nança, deve ter havido uma época em que ela não poderia se alimentar adequadamente.
Ele queria investigar mais, mas provavelmente seria uma péssima idéia fazê-lo.

“Philip-sama, acredito que é hora de convocar a emissária. Eu acredito que se for a es-
colta dela, todos o olhariam com olhos diferentes. Isso provaria que és o organizador
mais do que qualquer número de palavras que eu possa dizer — isso mostraria a eles
quem é a pessoa mais poderosa aqui.”

“Ohh! De fato, isso está certo.”

Como ela aparecera sozinha no jantar da Família Real, Philip pensara que esse tipo de
coisa era normal. Isso o envergonhou de saber que não era o caso, e ele fez uma atuação
de ter esquecido, mas que se acabara de lembrar.

“Todos certamente ficarão surpresos. Os muitos que não vieram cumprimentá-lo, cer-
tamente se sentirão ansiosos e inquietos, Philip-sama.”

Uma alegria sádica despertou no coração de Philip. Alguns dos nobres eram mais colo-
cados do que ele e tinham domínios maiores do que ele. Que tipo de expressões eles mos-
trariam a ele, aquele que uma vez foi considerado o fardo de sua família—

“Isso mesmo, seria ruim mantê-la esperando. Irei acompanhá-la.”

“Então, ordenarei a um dos meus servos para lhe mostrar o caminho.”

Liderado por um dos servos de Hilma, Philip partiu em direção ao quarto da emissária
do Reino Feiticeiro, Albedo.
Ele bateu na porta e depois abriu.

O que ele viu atrás daquela porta era uma mulher cuja beleza não conhecia igual.

Ela usava um vestido preto, diferente do encontro no Palácio Real. Seus ombros nus bri-
lhavam como alabastro, e enquanto seu colar consistia em grandes gemas ligadas juntas,
não parecia brega, mas em vez disso acentuava sua beleza.

Que bela...

Philip corou apesar de tudo.

“—Então, vamos?”

“Sim. Por favor, permita-me ser sua acompanhante.”

Philip pegou a mão que estava embainhada em uma luva de renda preta e ajudou Albedo
a se levantar.

Uma fragrância veio em sua direção.

Que tipo de perfume é esse, faz meu coração parecer tão leve.

Embora ele subconscientemente quisesse farejar, isso teria sido terrivelmente rude.

Enquanto os dois já estavam andando lado a lado em direção ao salão de baile, prosse-
guindo em silêncio fez o ar parecer pesado. Philip lutou para pensar em um tópico apro-
priado para abordar, mas quando chegou a hora de pensar em algo, já estavam perto de
seu destino.

“Há muitos nobres no salão. Todos eles se reuniram para vê-la, Albedo-sama.”

Parecia um pouco imprudente, mas mesmo assim recebeu uma resposta imediata.

“Isso é realmente verdade? Obrigado pela sua ajuda, Philip-sama.”

Albedo sorriu carinhosamente para ele e o coração de Philip bateu forte.

Mesmo isso provavelmente não sendo o caso, poderia ser que ela estava começando a
gostar dele?

Ele era um homem que logo ficaria no topo de uma grande facção. Em contraste, o Reino
Feiticeiro exercia um poder militar esmagador, mas por enquanto, era pouco mais do que
uma cidade-estado.

Quando se pensava dessa maneira, ele era a pessoa certa para tal empreitada.
Sem mencionar que ele também era solteiro.

“Pensando nisso, por acaso és casada, Albedo-sama?”

Albedo congelou. Ele já tinha visto seu sorriso gentil várias vezes, mas essa era a pri-
meira vez que ele via aquela expressão nela.

Philip sentiu a vergonha passar por ele quando percebeu que havia feito uma pergunta
inapropriada.

“Que coisa estranha de perguntar, Philip-sama. Lamentavelmente, ainda não tenho um


parceiro nessa capacidade e estou tristemente solteira.”

“Mesmo? Dada a sua beleza, eu esperaria que os pretendentes fossem rudes e apressa-
dos, Albedo-sama.”

“Fufu — é uma surpresa que nenhum desses pretendentes tenham vindo para mim.
Ainda assim, essas ofertas seriam bastante problemáticas para mim, então dificilmente
é uma coisa ruim, na minha opinião.”

“Então é isso...”

Antes de chegar à porta, Philip colocou a mão no ombro perfumado de Albedo e lenta-
mente a atraiu para ele.

Houve um estranho som *gichiri*. Philip olhou para a direita para ver de onde vinha.

“Aconteceu alguma coisa?”

Suas pequenas dúvidas desapareceram quando Albedo lhe respondeu com um sorriso
no rosto.

“Não é nada. Então, por favor, vamos.”

♦♦♦

O que exatamente seus olhos viram?

Como essa cena apareceu para esses nobres fantasiados?

Hilma estava interessada nas respostas a essas perguntas.

Culinária de primeira classe, servos de primeira classe, utensílios de primeira classe,


música de primeira classe, tudo isso sobre esses nobres de baixo escalão.
As pessoas reunidas aqui eram em grande parte inúteis desperdícios de comida, tercei-
ros filhos ou ainda pior, haviam os que eram peças de reposição de peças de reposição.
Eles tinham sido forçados a curvar suas cabeças para o mundo por várias razões e esta-
vam cheios de ressentimento.

Os olhares nos rostos deles disseram tudo.

Muitos deles expressaram a alegria despreocupada da libertação. Muitos outros foram


consumidos pelas chamas do desejo. Para essas pessoas, esse lugar era onde eles podiam
satisfazer sua vaidade.

Então, novamente, este lugar foi destinado a ser um campo de alimentação desde o prin-
cípio.

A sociedade nobre no Reino estava agora em estado de caos.

Já se passaram vários meses desde a guerra com o Reino Feiticeiro, mas as cicatrizes
que deixaram para trás foram muito grandes e não puderam se curar completamente.
Várias facções se dissolveram por causa disso e novas se levantaram para tomar seu lu-
gar. As casas nobres da classe alta haviam sido desalojadas pelas famílias que antes eram
de baixa patente. A roda do poder estava sendo girada.

O atual caos no Reino era uma chance incrivelmente boa para todas aquelas pessoas que
estavam desalinhadas com qualquer uma das facções. Não, pode ser sua última chance.
Se as facções se estabelecessem novamente, elas poderiam ser banidas para o lado de
fora mais uma vez.

Por causa disso, esse encontro foi um gigantesco campo de alimentação para eles.

Seria um daqueles que os peixes famintos levariam seus alevinos para suas próprias
barrigas.

Em contraste, os alevinos seriam comidos sem que eles percebessem? Ou eles percebe-
riam algo e habilmente fugiriam? Ou talvez — haveria nobres cheios de desejo que mu-
dariam de lado e se tornariam devoradores?

Depois de estudar essa cena por quase uma hora, Hilma concluiu que não havia nobres
aqui que pudessem ser considerados de primeira linha, o tipo que ela queria enredar com
todas as suas forças.

Mesmo assim, ela não ficou desapontada com esse resultado. Na verdade, ela ficaria pre-
ocupada se houvesse nobres de primeira linha se exibindo em um lugar perigoso como
esse.

Ela tinha sido muito cuidadosa ao enviar seus convites, mas Hilma não achava que fosse
perfeita. Certamente haveria alguém de uma das facções aqui.
Ainda assim, isso seria interessante.

Ela pensou.

Quanto mais ela tivesse a dizer em seu relatório, mais seu próprio valor aumentaria.
Isso não era uma coisa ruim para ela.

Então, já está na hora, não?

Fazia uma hora e meia desde que o baile começou, então era a hora marcada.

O verdadeiro trabalho de Hilma estava apenas começando.

—Seria assustador.

Sua arrogância anterior desapareceu como se tivesse sido nada mais do que uma men-
tira.

Talvez um termo gentil como “assustador” não seria capaz de abranger o terror que
brotou de seu estômago. Ela pensou em fugir com todas as suas forças enquanto imagi-
nava o inferno que a esperava se os desagradasse.

Claro, se ela realmente fizesse isso, ela seguramente sofreria um destino que faria o in-
ferno parecer um paraíso feliz.

Como membro da Oito Dedos, ela havia dado muitas ordens de assassinato a seus su-
bordinados. Ela também ordenou que as pessoas fossem atormentadas antes de serem
mortas. Mas comparado com o que aqueles monstros tinham feito, suas ordens transbor-
daram com o leite da bondade humana.

“—Hilma.”

A voz de trás a assustou e seus ombros se contraíram.

Quando ela se virou, viu o homem mais estúpido neste salão.

“Hm? Algo está errado?”

“Não, Philip-sama, nada está errado.”

Hilma escondeu suas verdadeiras emoções dentro de um sorriso. Entre essas emoções
estava a raiva de ser surpreendida por um pedaço de lixo como ele.

“Albedo-sama queria descansar por cerca de dez minutos, então vim te encontrar.”
“Isso é bastante razoável, dado que ela estava falando com todos os convidados. Com-
preendo; então, eu acompanharei a Albedo-sama até a sala de descanso.”

“Mesmo? Então eu irei também.”

Você está maluco por acaso? Essa foi a resposta que Hilma quis dar. Não, pode ser que
ele tenha percebido alguma coisa.

Com cautela em seu coração, Hilma continuou com a atuação:

“Eu sinto que seria melhor não fazer isso.”

“Por quê? Eu estava do lado de Albedo-sama até agora. Não deveria ser estranho para
nós irmos juntos, certo?”

Agora, Hilma tinha certeza de que esse homem não suspeitara de nada.

Em outras palavras, ele era um idiota entre os idiotas, um inútil que não tem nem co-
nhecimento nem etiqueta para ser um nobre.

“Temo que, se uma senhorita for acompanhada até a área de descanso por um cava-
lheiro que não é seu marido, isso pode levar à disseminação de... rumores inadequados
para ambas as partes.”

“Ahhh. No entanto, meu plano é retornar imediatamente assim que chegar lá.”

“Mesmo assim, não é muito apropriado. Eu entendo sua preocupação por ela como an-
fitriã deste evento. No entanto, eu também sou a provedora do local, então, por favor,
permita-me assumir essa responsabilidade e escoltar a Albedo-sama com segurança para
a área de descanso.”

“Ahh...”

Parecia que ele ia dizer outra coisa, então Hilma esperou em silêncio que ele terminasse.

A verdade era que ela queria acabar com isso o mais rápido possível. Infelizmente, esse
imbecil também foi a força motriz por trás desse encontro. Ela não podia ser muito rude
com ele.

“O que você acha que eu deveria fazer para me unir a ela em matrimônio?”

“Haaaah?!”

Hilma havia esquecido completamente de permanecer no personagem por causa de


suas palavras.
“Eh? O que você disse?”

“Sobre ter uma maneira de ter a Albedo-sama como minha esposa.”

É sério isso?!

Hilma lutou desesperadamente contra o desejo de gritar essas palavras. Ela mal podia
acreditar que alguém pudesse ser tão estúpido. De acordo com a informação de Hilma, a
pessoa que ele estava cortejando era a mão direita do Rei Feiticeiro — em outras pala-
vras, alguém que ocupava uma posição equivalente à de um primeiro ministro. Era im-
pensável para um nobre de baixa classe de um país vizinho realmente proferir essas pa-
lavras para alguém como ela.

Talvez se ele tivesse pedido para se casar com a princesa Renner, Hilma poderia ter fi-
cado menos chocada.

“Ahhh, mas veja, eu sou um homem que conseguiu reunir muitos nobres também. Eu
não acho que estou muito atrás dela, o que você acha?”

Sem ela perceber, a garganta de Hilma havia contraído fortemente.

Mesmo sabendo que aquelas coisas não estariam escorregando em sua garganta, o des-
conforto e o terror do trauma que ela sofrera levaram-na a fazê-lo.

Não, isso não era algo que pudesse ser resumido com a palavra “trauma”.

E se aquela pessoa ouvisse tais palavras tolas, palavras que tinha apelo zero para aquela
mulher? O que aconteceria? Ficaria tudo bem se apenas Philip tivesse que suportar essas
consequências. Mas se ela fosse punida por isso também, aquele inferno negro poderia
estar esperando por ela.

“Em qualquer caso, dificilmente é viável. Ouvi dizer que ela ocupa uma posição equiva-
lente à de um primeiro ministro do Reino Feiticeiro. Quer dizer, ela seria uma duquesa
aqui no Reino.”

“Mas o Reino Feiticeiro não é um pequeno projeto de uma cidade-estado?”

“Não, não, o senhor não pode falar dessa maneira.”

Aquelas palavras, que pareciam zombar do Reino Feiticeiro, fizeram Hilma explodir em
arrepios.

Era verdade que, em termos de território, o Reino Feiticeiro não era grande, mesmo com
as Planícies Katze sendo consideradas. No entanto, seu poder militar não era esmagado-
ramente superior? Independentemente de quanto esforço se investisse em comércio, di-
plomacia e outros campos, as relações entre as nações ainda eram decididas por suas
forças militares comparativas. Não importava quão grande fosse o território de uma na-
ção, porque uma vez que a nação perdesse, tudo seria retirado de seu domínio.

Se ele nem sequer entendia esse fato, então como ela poderia explicá-lo de uma maneira
que esse idiota pudesse entender?

Hilma ponderou profundamente, mas não conseguiu encontrar uma resposta. Afinal, a
sabedoria e a estupidez eram dois lados da mesma moeda.

No final, ela teve que raciocinar por ele.

“Isso não pode ser feito. Não há chance dessa mulher se casar com o senhor, Philip-sama.”

“...Mas eu achei que temos uma boa química. Nós dois não ficamos bem juntos quando
fizemos nossa entrada?”

Então é isso que ele estava pensando...

Hilma pensou surpresa.

Será que ele estava tentando colocar as pessoas do lado dele agindo como se ele tivesse o
apoio do Reino Feiticeiro? Esse sujeito é o idiota supremo... sério, me poupe, estou te implo-
rando. Por favor, não faça aquela pessoa ficar com raiva.

Hilma sentiu algo azedo subir de seu estômago.

No entanto, ao mesmo tempo, ela queria deixar esse sujeito sentir o que era ter algo se
contorcendo em seu estômago.

“...Talvez eu tenha falado demais. Por favor, permita-me escoltar a Albedo-sama. O se-
nhor deveria ficar aqui e se divertir como o anfitrião, Philip-sama.”

“...Bem, já que é assim, não há nada que eu possa fazer. Deixarei a Albedo-sama aos seus
cuidados, então.”

Eu faria isso sem você ter que dizer.

Hilma abaixou a cabeça, mantendo essas palavras em seu coração. Então, para não ouvir
mais as babaquices deste imbecil, ela foi direto para o lado de Albedo.

Albedo estava falando com um nobre. Em circunstâncias normais, Hilma poderia ter as-
sistido ao clima e pedido seu tempo. No entanto, lidando com o pateta tinha esgotado ela,
então ela imediatamente se intrometeu na conversa e abordou Albedo:

“Perdoe-me, Albedo-sama, parece que está na hora de seu descanso.”


“Certamente... Minhas desculpas, farei uma pequena pausa.”

Tomando Albedo pela mão, Hilma a levou para fora do salão de baile.

“Fu~ ...Ah, que nojento.”

Hilma se virou quando ouviu a voz atrás dela. Se as coisas fossem ruins assim, o que ela
deveria fazer?

Quando ela se virou, viu Albedo enxugando o ombro com um lenço.

Os olhos de Albedo se encontraram com os de Hilma.

“Aquele homem repugnante me tocou. Só um homem neste mundo pode tocar meu
corpo de uma maneira luxuriosa... Merda. Aquele pedaço de merda sem cérebro...”

As palavras foram acompanhadas por um ranger de dentes. Pensar que o rosto dela, que
normalmente trazia um sorriso gentil, na verdade mostraria seu desprazer tão aberta-
mente. Isso era um indicador de quão infeliz ela realmente estava?

Hilma hesitou. Ela deveria falar com ela? Ou isso foi um prelúdio para sua punição?

“...O que devo fazer? Diga algo.”

“Ah, s-sim...”

Hilma respondeu com o coração cheio de um terror incomparável:

“Eu posso entender como se sente, Albedo-sama.”

“Ara~, se esse é o caso... você pode se livrar daquela criatura e depois colocar outro
humano em seu lugar?”

“Se for seu desejo, então eu imediatamente prepararei outro boneco para seus cordéis,
Albedo-sama.”

Albedo abriu a boca e fechou-a. Ela repetiu essa ação várias vezes.

Era uma sugestão muito atraente, que faria qualquer um hesitar.

Dito isto, não importava o que ela escolhesse. Apenas o inferno iria esperá-lo. Ainda as-
sim, o que quer que acontecesse com aquele idiota chamado Philip seria apenas conse-
quências de seus atos.
“Hu... não importa. Ele foi apenas um incômodo comum. A tolice daquela pessoa causou
uma grande impressão nos nobres do jantar real, então trocá-lo agora seria um desper-
dício... Hm, pode ser divertido acompanhar isso. Mas não, provavelmente não.”

Hilma recordou a conversa de antes, as fantasias selvagens e delirantes do louco abso-


luto que queria se casar com Albedo.

O que mudaria se ela dissesse isso?

Não, isso seria muito assustador. Ela não poderia dizer a Albedo. Afinal, ela pode se en-
volver nisso também.

“Ele não fez nada, mas acredita que ele é o único especial. Ele realmente alcançou o úl-
timo nível de incompetência.”

“De fato. Logo eu vou poder espalhá-lo por todo o chão. Ele deve ser punido pelo crime
de tocar meu corpo, que pertence ao Ainz-sama, com aquelas mãos imundas.”

Elas não falaram depois disso, nem encontraram mais ninguém. Hilma levou Albedo
para uma sala.

Uma vez que chegou a sala, Hilma quase desmoronou devido a suas pernas ficarem ma-
cias de alívio. Lidar com aquela mulher sozinha — uma confidente do rei demônio que
poderia até mesmo subjugar Jaldabaoth — havia drenado uma enorme quantidade de
sua energia. No entanto, não ser capaz de permanecer de pé era absolutamente proibido.

Hilma reuniu todas as forças. Em seu coração, ela resolveu dormir por um dia inteiro
depois que tudo isso acabasse.

“Por aqui, por favor.”

Depois que Hilma abriu a porta, homens sentaram-se nas cadeiras com delicadeza como
um só. Todos eles eram tão magros quanto Hilma. Eles eram colegas de Hilma; os cinco
líderes da Oito Dedos e seu presidente, totalizando seis pessoas.

Eles também eram as pessoas que ela mais confiava neste mundo. No passado, eles ti-
nham rivalizado com os lucros, mas agora não pensavam mais nisso. Depois de aprender
sobre a ligação entre Jaldabaoth e o Reino Feiticeiro, seus destinos estavam agora ligados.
Eles não tinham escolha a não ser trabalhar como escravos até que este país fosse con-
sumido e eles fossem libertados.

Esses amigos íntimos abaixaram a cabeça profundamente enquanto viam a própria en-
carnação do terror (Albedo). O medo que não conseguiam esconder tornou-se visível no
tremor dos ombros.
Hilma fechou a porta da sala e Albedo ocupou o assento mais alto da sala. Os homens e
Hilma se levantaram, permaneceram de pé enquanto esperavam suas ordens.

“Agora, um pedido para você. Você deve transferir recursos para o Reino Feiticeiro.”

“Entendido, estou ansioso para servir.”

O chefe da Divisão de Contrabando não perdeu um segundo para responder. Como ele
poderia atrasar? Uma vez que eles foram convocados assim, a única resposta possível a
qualquer ordem que lhes foi dada seria “Entendido”. Não havia mais nada que pudessem
fazer além disso.

O líder da Divisão de Contrabando tinha perdido muito poder na corporação de comer-


ciantes durante a perturbação de Jaldabaoth, muitos de seus recursos foram roubados.
Mesmo assim, havia vantagens em estar em sua posição. Isso porque suas relações com
os nobres que haviam participado da guerra contra o Reino Feiticeiro haviam sido con-
duzidas inteiramente com dinheiro. Ou talvez, seria mais correto dizer que seu poder
estava lentamente voltando agora que os mercadores — que haviam concedido emprés-
timos aos nobres — estavam agora angustiados com o pagamento.

“Eu não estou me referindo a isso. Tudo o que você precisa fazer é realizar transações a
um preço adequado. Depois disso, você usará o dinheiro ganho para importar alimentos
em preparação para a fome vindoura no Reino. Compre as rações que o Exército Real não
poderia mover a tempo — não, comece negociando para os grãos que ainda nascerão.
Afinal, Ainz-sama já iniciou a produção de alimentos em larga escala.”

O futuro de que ela falou certamente aconteceria, dada a queda maciça na força de tra-
balho do Reino.

“Entendido. Vou mobilizar os comerciantes imediatamente.”

“Estes são especialmente importantes. Certifique-se de que eles estejam na primeira re-
messa.”

O homem cuidadosamente e graciosamente aceitou o pedaço de papel que ela havia ofe-
recido.

“Sim!”

“Então, que novidades há sobre itens mágicos?”

Outro homem pareceu saltar no ar.

“Minhas mais profundas desculpas!”


Ele inclinou a cintura e curvou-se com tanta força que ele bateu a cabeça contra a mesa,
atingindo-a com uma quantidade surpreendente de força.

“Meus subordinados estão atualmente se infiltrando na Guilda dos Magistas para con-
duzir uma investigação profunda sobre eles. Se eu puder ter mais tempo — não, se esti-
ver disposta a aceitar um relatório em andamento, posso fazer um agora mesmo!”

“Não precisa. Apenas acelere suas ações. Além disso... sim. Você já decidiu sobre seus
novos colegas? Nesse caso, precisamos trazê-los de volta para o batismo.”

Os colegas em questão deveriam preencher os lugares vazios da Oito Dedos como os


novos chefes de divisão.

Assim que ela recordou exatamente o que aquele batismo implicava, Hilma sufocou a
vontade de vomitar. Expressões semelhantes às dela apareceram nos rostos de seus ami-
gos, que estavam desesperadamente tentando manter seus nervos faciais sob controle.

Um rito diabólico que quebrava a vontade e apagava completamente qualquer indício


de resistência dentro de seus súditos. Se qualquer uma das pessoas nesta sala fosse in-
formada de que teria que passar por isso novamente, não havia dúvida de que elas co-
meçariam a berrar como crianças.

“Sinto muito, mas ainda não decidimos.”

Disse o presidente.

Essa era a verdade e também era uma mentira.

A razão pela qual ele disse isso foi porque as divisões que os recém-chegados seguiriam
agora eram sem sentido. Os assentos vazios pertenciam aos chefes das divisões de segu-
rança e escravidão. Não havia praticamente nenhum comércio para último, então havia
pouco benefício em ter alguém que preenchesse essa posição. Quanto à primeira posição,
a própria necessidade de sua existência estava em dúvida. Além do mais—

“Os senhores que fomos autorizados a pedir emprestado tiveram um ótimo desempe-
nho. Pode não estar fora de questão tê-los como chefes de divisão.”

Os senhores em questão se referiam aos undeads que lhes haviam sido emprestados,
cada um dos quais possuía um poder inacreditável.

Uma vez que eles perceberam que os membros do Seis Braços estavam mortos, um
grupo de subordinados — os líderes dos quais haviam sido originalmente Trabalhadores
— começaram a tramar uma rebelião violenta. Como resultado, eles enviaram uma des-
sas criaturas undeads. No final, essa entidade eliminou quase 40 pessoas sem deixar es-
capar uma única.
Havia outro motivo para isso; um risível, na verdade. Isso porque ninguém aqui queria
que alguém mais passasse pela mesma coisa que aqueles idiotas passaram. Esses mestres
endurecidos pelo submundo, podiam calmamente ordenar a morte de um homem, mas
não queriam que ninguém mais experimentasse o mesmo desespero que sentiam.

Foi o modo que encontraram para os proteger.

“...Compreendo. Tudo ficará bem desde que a organização funcione normalmente. Então,
você tem algum pedido especial para mim?”

“Temo perguntar, mas descobrimos que os Skeletons produziram excelentes resultados


nas minas que adquiri. Se possível, gostaríamos de mantê-los por mais algum tempo.”

“Hmm, claro. Se você puder pagar a taxa apropriada, não haverá problema.”

“Meus mais profundos agradecimentos.”

A testa do orador começou a suar profusamente. Ele limpou com um lenço que estava
tão molhado que havia mudado de cor.

A coisa assustadora sobre o Reino Feiticeiro não era simplesmente o chicote que ele
empunhava, mas os doces que ele oferecia.

Eles não tiravam tudo como os fortes fariam com os fracos, mas conduziam negócios
como comerciantes qualificados e jogavam segundo as regras. Enquanto eles não mos-
trassem nenhum sinal de traição, eles poderiam até sentir a paz de espírito que viria de
serem protegidos por seres poderosos. Claro, se a chance se apresentasse, eles ainda es-
colheriam fugir aterrorizados.

“Então, não há muito mais para eu dizer. Acredito que já mencionei isso antes, mas tra-
balhem ao máximo para ajudar o Reino Feiticeiro a engolir o Reino no futuro. Em prepa-
ração para esse dia, vocês fariam bem em começar a fazer incursões para se tornarem
negociantes de sucesso.”

“Entendido!”

Todos eles nervosamente se inclinaram para ela.

Nenhum deles poderia se opor ao Reino Feiticeiro devorando o Reino. Já que esses
monstros haviam feito essa declaração, era apenas uma questão de tempo até que certa-
mente ocorresse.

No começo, eles pensaram em pedir a Rosa Azul, Gota Vermelha e a Escuridão por ajuda.
No entanto, depois de ouvir sobre o incrível poder do Rei Feiticeiro, que contava como
Jaldabaoth sendo um dos seus lacaios, eles perceberam que não havia esperança. Tudo o
que podiam fazer era baixar a cabeça e esperar o fim chegar.
“Oh certo, certo—”

Hilma e todos os outros membros estremeceram.

“Tem mais uma coisa que eu queria dizer. Há um item mágico que eu quero que você
use suas redes de inteligência para localizar para mim. Registre suas descobertas em um
pergaminho em intervalos regulares e envie-as para Albedo no Reino Feiticeiro. No en-
tanto, eu não sei nada sobre sua aparência externa, ou se o item existe.”

“...Que tipo de item mágico seria esse?”

“É um item mágico que pode controlar a mente de um alvo.”

“Controle mental... uma varinha de charme ou algo assim?”

“Não, deve ser algo mais poderoso que isso. Eu estou procurando por algo que não esteja
em circulação no mercado, um item lendário ou pelo menos notícias sobre ele. Você deve
me deixar saber tudo o que encontrar, por mais insignificante que seja. Você entende?”

O controle mental de que ela falou deveria ter um efeito aterrorizante.

Era óbvio o porquê ela desconfiaria de tal item, e então eles imediatamente mostraram
que entenderam.

♦♦♦

“Pri-Pri-Princesa-sama!”

A empregada abriu a porta e entrou, claramente em pânico.

Ela não havia batido, o que dificilmente era um ato que fosse digno de elogios, mas, ao
invés disso, implicava que algo havia acontecido que a deixara nervosa ao ponto de não
fazê-lo.

Renner imediatamente viu o que estava acontecendo. No entanto, na frente das empre-
gadas, Renner era uma princesa inocente. Por causa disso, ela imprimiu uma impressão
adequadamente sem noção e perguntou com uma voz igualmente ingênua:

“O que está acontecendo?”

O olho da empregada se contraiu.

Aquele tique provavelmente tinha vindo de sua raiva interior.

Por que essa princesa é tão estúpida que nem se preocupa?


Renner preguiçosamente colocou a xícara no pires.

O som de fazê-lo pareceu sacudir a empregada de volta à realidade e ela entrou rapida-
mente em ação.

“S-s-sobre isso—”

“Tudo bem, vai ficar tudo bem, acalme-se, respire fundo.”

A empregada fez o que Renner disse, tomando várias respirações profundas para regu-
lar sua respiração ofegante. Depois de recuperar um pouco de calma, Renner perguntou:

“O que aconteceu? São demônios de novo?”

“N-não, não é isso. A Emissária-sama do Reino Feiticeiro diz que quer conhecê-la, Ren-
ner-sama!”

“É uma dama?”

“Sim, uma dama muito bonita!”

A pergunta de Renner deveria ter sido estranha, porque havia apenas uma mulher entre
os enviados do Reino Feiticeiro. Se alguém insistisse, eles poderiam se perguntar sobre
o que ela estava falando. No entanto, a empregada estava confusa no momento, e respon-
deu seriamente.

Bem, tudo bem.

Pensou Renner. Quanto mais coisas bobas ela fazia, mais ela construía uma reputação
que podia usar. Foi tudo apenas uma máscara.

Climb estava de pé ao lado dela. Sua armadura bateu em resposta.

Ele não deveria ter sido capaz de saber o que estava acontecendo.

Suas ações adoráveis, como um filhote inocente, encheram o coração de Renner com
uma onda de ternura.

Provavelmente não havia como ele descobrir porque a emissária estava vindo aqui para
encontrar Renner. Ele já tinha visto ela trocar cumprimentos com Renner. Sendo esse o
caso, falar com a Terceira Princesa — que era pouco mais que um ornamento — não
traria nenhum benefício para o Reino Feiticeiro. Pelo menos, era isso que Climb deveria
estar pensando.

Renner sorriu calorosamente em seu coração.


O que eles diziam sobre crianças fofas, que quanto mais burras, mais fofas eram, certa-
mente era verdade. Ou melhor, alguém poderia dizer que os amava apesar de suas defi-
ciências. Bem, provavelmente seria correto, não importa como olhasse para essa alega-
ção.

Se alguém além de Climb tivesse feito isso, outras emoções teriam chegado à superfície.

Embora ela fosse impulsionada pelo impulso de olhar para os olhos brilhantes de Climb
para sempre, ela teve que se contentar com isso por agora. Pelo menos, até o momento
em que ela fosse envolvida por esse delicioso doce açucarado novamente.

“Por que exatamente a Albedo-sama quer me conhecer?”

Inclinar sua cabecinha delicada era muito importante. Fazer isso induziria uma reação
negativa na parte preocupada. Sua eficácia foi comprovada após vários experimentos.

E com certeza, chamas fracas piscaram nas pupilas da empregada.

Elas eram chamas de raiva. No mesmo momento, a armadura de Climb bateu suave-
mente.

Ele deve ter percebido os sentimentos da empregada e pensado em alguma coisa. Mas
o som logo parou e ele voltou para a posição vertical e travada.

Que adorável.

Ele era como um cachorrinho que estava confuso sobre se devia ou não dar um passo à
frente, a fim de proteger sua amada.

Isso porque seria melhor não se mexer se Renner não tivesse notado. A empregada era
a herdeira de uma boa família, e não importava o que Climb dissesse, uma palavra para
seus pais e Renner poderia estar em apuros. Climb provavelmente pensou nisso.

Ele provavelmente estava gritando por dentro, já que acreditava muito em Renner. Se
ele tivesse uma boa educação, esse tipo de coisa não aconteceria.

Renner resistiu ao desejo de se virar para olhar para Climb, que estava de pé atrás dela.
Isso porque a empregada intrometida abriu a boca para falar:

“Eu não sei o motivo, apenas sei que ela deseja conhecê-la.”

“Entendo... Albedo-sama é uma mulher também, então talvez seja conversa de meninas...
será sobre maquiagem?”
Ela fez essa pergunta de maneira inocente — ou talvez de até digna de alguém comple-
tamente desmiolada.

“Eu também não sei disso. Então, posso trazê-la?”

“Claro que você pode!”

Depois de sua resposta fingida de prazer, Renner se virou para olhar para Climb.

“Hmmm~ Climb, me desculpe, mas já que isso é uma questão entre as mulheres, você
poderia sair por um tempo?”

“Entendido.”

Era uma pena, mas ela não poderia evitar. Climb não precisava saber sobre coisas incô-
modas. Tudo o que ele precisava fazer era olhar para ela com aqueles lindos olhos de
cachorrinho.

♦♦♦

Quando Albedo entrou na sala, havia apenas uma pessoa lá dentro.

Albedo tinha quatro objetivos em vir para a Capital Real.

O primeiro foi o transporte de recursos. O segundo foi criar um casus belli. O terceiro foi
estabelecer as bases para seus objetivos pessoais. O quarto seria fazer negócios com a
dona desta sala.

Não, chamar isso de “negócios” não seria totalmente preciso. Isso seria mais como uma
recompensa.

Albedo atravessou a sala e sentou-se sem esperar que a dona da sala lhe desse permis-
são.

Então, ela olhou para a garota que estava genuflectindo diante dela com a cabeça abai-
xada e disse:

“Você pode levantar a cabeça.”

“—Sim.”

A garota chamada Renner levantou o rosto.

“Você tem feito um excelente trabalho.”

“Muito obrigada, Albedo-sama.”


“Ara~”

Albedo parecia bastante interessada na reação de Renner, que era completamente dife-
rente do que ela havia mostrado até então.

Esta era a Renner de quem Demiurge falara.

Ela havia traído sua família, sua linhagem e seu povo, mas não havia um pingo de pesar
em seu rosto. Ela era humana, mas ela era desumana. Talvez ela fosse um heteromorfo
espiritual. Sua mente compreendia o bem e o mal, mas isso era tudo. Ela era do tipo que
não estava presa às pequenas restrições da moralidade, mas que calmamente trabalhava
para avançar em sua própria agenda.

“...Como recompensa por seus esforços, eu lhe trouxe um presente de Ainz-sama.”

Albedo ergueu a mão e retirou o item que seu mestre lhe dera para manter em segu-
rança.

Era uma caixa que continha várias camadas de selos. Era impossível abrir sem preen-
cher condições específicas.

“Isto seria...”

Quando a moça aceitou com gratidão, Albedo a observou com um olhar frio, como se a
menina fosse pouco mais do que uma cobaia.

De fato, ela era uma cobaia. Mas por causa disso, os dois lados compartilhavam os mes-
mos objetivos.

“A senhora tem minha mais profunda gratidão. Por favor, transmita meus agradecimen-
tos a Sua Majestade, Ainz Ooal Gown-sama.”

“Isso eu prometo a você. Eu confio que não preciso desperdiçar palavras no outro item
que você quer?”

“Claro. Receberei essa benção quando tiver entregue a recompensa apropriada. Não há
nada mais delicioso do que isso.”

A garota sorriu.

Foi um sorriso muito amável.

Foi por isso que ela perguntou:

“...Embora abrir a caixa possa satisfazer seu desejo, você pode realmente abri-la?”
O que os outros em Nazarick pensariam se vissem Albedo demonstrando preocupação
com um ser humano? Dito isto, se o desejo dela realmente se tornar realidade, então isso
poderia ser considerado como um trabalho preparatório para sua elevação a um status
equivalente ao de um Guardião de Área. Nesse caso, era perfeitamente compreensível
demonstrar preocupação com um candidato à posição de subordinado.

“Sim, Albedo-sama. Os preparativos já começaram.”

“Compreendo. Depois, verifique se eles terminaram antes de invadirmos.”

“Entendido, mestra.”

Quando a garota abaixou a cabeça novamente, um par de olhos apareceu em sua sombra.

O Shadow Demon se esgueirando para dentro abaixou a cabeça junto com a garota.

Albedo considerou se devia ou não lhe emprestar reforços extras, mas no final ela deci-
diu não mencionar isso.

Se as ações da garota fossem expostas antes que o Reino Feiticeiro invadisse o Reino,
isso significaria que não havia valor em levá-la a Nazarick.

Em outras palavras, tudo isso foi um teste.

“Então, vamos dispensar as formalidades aqui.”

Parecia haver uma mudança no tom de Albedo, e havia uma expressão surpreendente
no rosto de Renner.

“Terminar a reunião neste momento seria muito apressado. Existe alguma coisa — va-
mos conversar, então. Tudo bem, sente-se. Você pode me contar sobre o seu cachorro?”

Albedo foi contemplada com um grande sorriso.

“Eu adoraria, Albedo-sama. Além disso, se puder, poderia me contar sobre a Sua Majes-
tade também?”
Interlúdio
os interiores mais profundos da Teocracia Slane.

N Pouquíssimas pessoas foram permitidas neste santuário inviolável.

O primeiro foi o membro mais graduado da Teocracia; o Pontifex Maximus.

Em seguida, estavam os Cardeais, os mais importantes detentores das seis seitas dedi-
cadas aos Seis Deuses. A propósito, cada um deles (além daquele pertencente à mesma
seita como o atual Pontifex Maximus) era um potencial candidato para ser o próximo
Pontifex Maximus.

A Cardeal do Fogo — Berenice Nagua Santini.

A única mulher entre eles. Ela tinha mais de 50 anos e um pouco gorda, possivelmente
devido à sua idade. Seu rosto bem alimentado tinha um sorriso maternal que trazia a
todos os que olhassem uma sensação de leveza.

O Cardeal da Água — Ginedine Delan Guelfi.

Um velho enrugado. Ele era tão velho que não se podia dizer sua idade exata, e sua pele
era marrom parda. Embora as pessoas se preocupassem com sua saúde, nenhuma pode-
ria exceder seu intelecto.

O Cardeal do Vento — Dominic Ihre Partouche.

Ele parecia um velho bondoso, mas ele era originalmente da Escritura da Luz Solar e
exterminou muitos seres heteromórficos durante seu tempo como um guerreiro sagrado.
Sua ira foi como um incêndio, enquanto sua intenção assassina era como uma geleira.

O Cardeal da Terra — Raymond Zarg Lauransan.

Um homem de olhos perspicazes e o mais novo de sua atual companhia. Dito isto, ele
ainda estava em seus 40 e poucos anos, embora sua energia tornasse esse fato difícil de
acreditar. Ele era um ex-membro da Escritura Preta que serviu por 15 anos — um herói
que havia defendido sua nação.

O Cardeal da Luz — Yvon Jasna Dracrova.

Seus olhos estreitos e o corpo magro o faziam parecer uma pessoa sinistra, mas defini-
tivamente não era esse o caso. Todos aqui sabiam o motivo. Como usuário de magia di-
vina, ele ficava no topo ou perto do topo de todas as pessoas aqui presentes.

O Cardeal da Escuridão — Maximilian Oreio Lagier.

Ele estava cercado por inúmeros livros que pairavam no ar, apoiados por versões apri-
moradas da magia 「Floating Board」. Ele usava óculos redondos e, originalmente, ele
foi um sacerdote do Judiciário. Por isso, muitos dos livros que levitavam ao lado dele
pertenciam à lei.

Além disso, havia os chefes do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e do Poder Execu-
tivo no governo da Teocracia. Havia o chefe do instituto de pesquisa que lidava com pes-
quisa mágica. Além disso, havia o Grão-Marechal, o mais alto detentor de nomeação nas
forças armadas.

Essas 12 pessoas compunham a mais alta autoridade executiva da Teocracia Slane.

Depois de entrar na sala, eles pegaram as ferramentas de limpeza e começaram a limpar


a sala. Alguns deles se livraram da poeira com espanadores de penas. Alguns deles lim-
param o local com panos secos, enquanto outros foram limpos com panos molhados. Al-
guém usou um item mágico para aspirar a poeira.

Não havia desperdício em seus movimentos, e eles limparam a sala com movimentos
bem praticados.

Nem uma única dessas pessoas — que estava no auge da Teocracia Slane — estava re-
laxando. O suor jorrava de suas testas, suas vestes bonitas e imaculadas estavam man-
chadas de poeira, e nenhuma delas parou em seus esforços até que a sala ficou impecável.

A sala estava completamente limpa antes de começarem a trabalhar nela. Agora, parecia
brilhar.

Nenhum deles pensou em limpar o suor. Em vez disso, eles se alinharam diante das seis
estátuas — que pareciam estar defendendo essa sala — e abaixaram a cabeça.

“Hoje, agradecemos aos deuses que seres humanos como nós ainda estão vivos.”

Depois que o Pontifex Maximus disse aquelas palavras, todos repetiram depois dele.

“Assim, oferecemos nossos agradecimentos.”

Levantaram as cabeças profundamente abaixadas e guardaram o equipamento de lim-


peza no canto da sala. Então, eles lançaram magias 「Clean」, limpando suas roupas e
equipamentos, e as toalhas que usavam para enxugar o suor emanavam um cheiro doce.

Era uma questão trivial limpar a sujeira e a poeira com uma magia de primeiro nível.
Alargar essa magia permitiria que toda a sala fosse limpa com facilidade. No entanto, não
havia ninguém entre eles que fosse herege o suficiente para fazê-lo nesta sala sagrada.

Depois de se limparem, sentaram-se à mesa redonda.

Isto incluiu o Pontifex Maximus da Teocracia Slane.


Nesta mesa, todos eram iguais. Não havia superiores ou inferiores aqui. Todos eram co-
laboradores e companheiros. De fato, tudo isso foi para a glória da humanidade.

“Então, vamos começar a reunião.”

O organizador deste encontro foi o Cardeal da Terra, Raymond Zarg Lauransan.

“Nosso primeiro tópico é a tomada da Fortaleza E-Rantel do Reino e sua área circun-
dante como o coração do Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown, duas semanas atrás.”

Não havia nada que pudesse ser mais importante do que o súbito advento desta nação
misteriosa.

No entanto, pouquíssimas pessoas conheciam os detalhes da situação. A maior parte do


que eles sabiam era pouco mais que boatos.

Para começar, eles sabiam que o Rei Feiticeiro era uma criatura undead, que ele era um
magic caster extremamente poderoso que havia destruído o Exército Real, que ele con-
trolava um exército de mortos, que havia um Death Knight entre os undeads, e assim por
diante.

Raymond, que comandou as Seis Escrituras, relatou esses detalhes em sua capacidade
de organizador da reunião.

Só então, alguém falou:

“Eu sabia que não devíamos deixar isso acontecer, devíamos ter intervindo naquela
guerra!”

“...O que está dizendo? A batalha aberta contra um magic caster que controla um Death
Knight é extremamente perigosa. Nós não concordamos com isso antes? Você pode ter
se oposto então, mas não tente derrubar nossa decisão anterior... Porém, eu não achava
que ele realmente estabeleceria uma nação.”

O grupo assentiu um após o outro.

“O que o Império planeja fazer? Eles são aliados do Reino Feiticeiro e eles endossaram
a fundação daquela nação, então isso significa que eles são oficialmente colaboradores
agora? Ou eles estão sendo controlados pela magia?”

“Eu duvido. Paradyne está lá.”

“Então, acho que cometemos um erro ao pensar que o Imperador poderia ser confiável.”
“... Bem, um problema mais importante é o fato de que ele é um dos poucos indivíduos
talentosos que não está sendo adequadamente utilizado. Devemos começar o plano para
atraí-lo para o nosso lado?”

“Então—”

Depois de um breve bater palmas, o debate que estava prestes a se aquecer rapidamente
arrefeceu.

“—A Astróloga das Mil Ligas observava a batalha entre o Império e o Reino. No entanto,
houve um pequeno problema, então o relatório foi atrasado. Eu imploro seu perdão.”

O problema em questão provavelmente se referia ao fato de que ela havia se trancado


em seu quarto e estava lá há algum tempo. Pelo menos, foi o que todos pensaram.

“Então, nós distribuiremos os registros do que ela viu. Estes não foram verificados por
outros; eles são apenas o relato dela sobre o que ela viu do exército do Rei Feiticeiro no
campo de batalha.”

Que problemático...

Todos pensaram, embora não tenham dito isso. Eles pegaram os registros e os estuda-
ram.

Eles pararam depois do último pedaço de papel. Eles passaram pela mesma parte repe-
tidas vezes. Eles tinham as mesmas expressões rígidas e seus rostos lentamente ficaram
pálidos.

Raymond sorriu ao ver as mudanças em suas expressões. Ele tinha passado pela mesma
coisa que estava acontecendo com eles agora, e estava feliz porque amável miséria estava
presente em todos.

E então, como se representasse a todos, Maximilian gritou. Sua boca se abriu tão larga
que seus óculos caíram, mas ele não pareceu se importar com isso.

“Impossível! Como é que algo assim poderia existir?!”

“Eu já te disse, não é? Esta é apenas uma descrição do que ela afirmou ter visto.”

Maximilian calou a cara da reação fria de Raymond.

Ele estava ofegando como se tivesse acabado de correr. Enquanto Maximilian lutava
para recuperar a respiração, Berenice decidiu fazer outra pergunta, para ver se alguém
compartilhava suas opiniões.

“Você pode dizer isso de novo? Isso é realmente real?”


“Se todos aqui ainda acreditam na palavra da “Mil Ligas”, então sim.”

Com olhares de dor em seus rostos, todos olharam para os papéis que estavam segu-
rando.

Eles todos pararam no mesmo lugar — a composição do exército do Rei Feiticeiro.

“Centenas de Death Knights (pelo menos duzentos), centenas de Soul Eaters (pelo me-
nos trezentos)... é isso? Se eles saírem do controle, não importa se é o Reino, o Império, a
Aliança Cidade-Estado ou o Reino Sacro — todos eles serão destruídos!”

“...Assim como nós. Se essas coisas nos atacassem, precisaríamos de séculos para nos
recuperar dos danos.”

Death Knights. Dificuldade estimada em 100 ou superior. Eles são capazes de criar
Squire Zombies, que poderiam fazer outros Zombies. Os próprios Zombies não tinham
muito poder de combate, mas poderiam levar à desova de undeads mais fortes.

Soul Eaters. Dificuldade estimada em 100 a 150. Undeads com habilidades de efeito de
área. Eles podiam consumir as almas dos falecidos para sustento e se tornavam mais for-
tes quanto mais almas comem. Eles irradiam uma aura de medo. Sem pelo menos um
magic caster de 3º nível, até mesmo olhar para eles seria impossível.

Todos ele eram undeads em um nível que poderia destruir uma cidade ou um pequeno
país.

“Ela não está enganada? Talvez o Rei Feiticeiro tenha percebido nossa vigilância e usado
ilusões para nos confundir.”

Yvon avançou essa possibilidade enquanto esticava seus braços secos e ramificados.

As pessoas ao redor murmuraram. Mas Raymond quebrou essa possibilidade.

“A Escritura Preta conhece muitos monstros. Embora seja verdade que ela pode não ter
a imagem completa das coisas, ela — Astróloga das Mil Ligas — estava encarregada de
fornecer suporte de inteligência para sua equipe. Não há como ela ter se enganado. Além
disso, verificamos avistamentos de Death Knights e Soul Eaters na capital do Reino Fei-
ticeiro — a antiga cidade de E-Rantel.”

Isso foi respondido por vários suspiros derrotados.

Tudo o que podiam fazer era reconhecer em vozes cheias de cansaço e depois continu-
aram a discutir o assunto.
“O que deveríamos fazer? Qual é o melhor curso de ação para nós, como os protetores
da humanidade? O que podemos fazer com cerca de quinhentos monstros, cada um dos
quais pode destruir uma nação por si mesmos?”

“Então, as forças deles equivalem a quinhentos países pequenos... isso é insano, não
acha? Quão mal poderia esse país perturbar o equilíbrio entre as nações?”

“A questão é: O que o Rei Feiticeiro pretende fazer com esse tipo de poder militar? Se
ele pretende que eles defendam seu território, não será um problema a curto prazo.”

“Como poderia ser? Isso é muito apenas para defesa. Além disso, o Rei Feiticeiro não é
um undead, eles não odeiam os vivos? Tenho certeza de que ele usará seu poder para
atacar os países vizinhos.”

“Não importa como o Rei Feiticeiro pretende usar sua força militar. O que importa é o
que podemos fazer sobre isso.”

Foi uma opinião válida, e a direção da reunião começou a mudar.

“Então... a Escritura Preta pode lidar com isso? Essa é a coisa mais importante.”

Eles seriam o ás final da Teocracia Slane, uma unidade de forças especiais composta de
heróis. Poder-se-ia pensar neles como aventureiros em posição de adamantite, mas havia
uma diferença crítica entre os dois, o de seus equipamentos.

Quando os deuses vieram a este mundo, eles haviam deixado equipamentos dignos de
uma divindade para trás, mas os aventureiros precisariam ir em missões épicas, daque-
las vistas em sagas heroicas, tudo apenas para obter uma única peça dessa panóplia.

Em contraste, cada membro da Escritura Preta possuía vários artigos de tal panóplia.

Se nem mesmo eles conseguissem lidar com uma ameaça como essa, então eles ainda
poderiam conduzir um grande ritual para conjurar o anjo mais poderoso para lidar com
o problema.

Certamente o mais exaltado dos anjos seria capaz de triunfar sobre os Death Knights e
Soul Eaters. No entanto, o grande número de inimigos os deixava muito desconfortáveis.

Todos os olhos foram para Raymond.

Ele riu. Algumas pessoas sorriram em resposta ao riso dele, mas aqueles sorrisos con-
gelaram em seus rostos quando ouviram o que ele disse em seguida:

“É impossível. Eu digo isso como antigo terceiro assento da Escritura Petra; qualquer
um que espere que enfrentemos quinhentos deles deve ser um louco absoluto. Já seria
ruim o suficiente mesmo se estivessem presentes apenas em números iguais a nós. Não,
se não fosse por isso, por que a Astróloga das Mil Ligas se trancaria em desespero? Con-
tudo...”

A natureza do sorriso dele mudou.

“É diferente para os Godkins.”

“Ohh!”

Foi o som de alegria.

“Os dois devem ser capazes de lidar com um exército de Death Knights e Soul Eaters.
Claro, apenas no caso, ainda precisamos dar a eles o melhor backup possível.”

“Então, vai ficar bem com aqueles dois.”

“Bem, isso é um alívio.”

Em meio a esse júbilo, apenas Ginedine fez “hmph”. Sentindo o ar pesado de fadiga ao
redor dele, todos se aquietaram.

“...Você não está nos contando tudo, está?”

“Ginedine, onde você quer chegar?”

“A lei não proíbe falso testemunhos e obscurecer a verdade neste lugar? Mas nós somos
colegas servindo sob a mesma bandeira e mentir é uma ofensa grave. Se você concordar
com isso, deixe-me perguntar mais uma vez: o que você está escondendo?”

“Ginedine. Como assim? Por que você está dizendo isso?”

“Dominic, eu tenho uma pergunta. Por que a Astróloga das Mil Ligas se trancou?”

Sabendo que ninguém poderia responder a essa pergunta, ele continuou a falar.

“Ela fez isso por desespero. Ou talvez ela deva ter sofrido algum tipo de choque. É ver-
dade que um exército de mortos é assustador. No entanto, ela é membro da Escritura
Preta. Você realmente acha que ela iria se esconder só por causa disso? ...É porque ela viu
algo que até mesmo os Godkins não conseguiram vencer. Este relatório não está com-
pleto, não é?”

Todos olharam para Raymond e Ginedine.

“...Onde você quer chegar escondendo isso? Eu confio em você. Eu sei que você não é o
tipo de homem que usaria as Escrituras para seu próprio benefício. Mas por que você não
está revelando isso?”
“Percebeu bem. Como esperado de você, Ginedine. Eu simplesmente queria explorar as
possibilidades... só então eu diria. Só agonizando sobre esse problema simplesmente me
daria uma úlcera, então eu ficaria feliz em compartilhar com todos os senhores aqui.”

Raymond olhou para a audiência aqui presente.

“O quanto você sabe da batalha entre o Reino e o Império — não, entre o Reino e o Reino
Feiticeiro?”

A pessoa que respondeu em seu nome foi o Pontifex Maximus.

“Ouvi dizer que o Rei Feiticeiro usou uma poderosa magia. Como resultado, o Exército
Real enfraqueceu e foi derrotado. Por causa disso, eles obedeceram aos pedidos feitos
antes da batalha e cederam E-Rantel ao Reino Feiticeiro para a fundação de uma nação.
Isso é tudo.”

“E o número de mortes?”

O Pontifex Maximus simplesmente balançou a cabeça para Raymond.

“Eu não sei. Essa notícia ainda não chegou até mim. Deveria ser o mesmo para o resto
de vocês, certo?”

“Sim. Sacerdotes e comerciantes não vão mais para E-Rantel agora que se tornou o co-
ração do Reino Feiticeiro, com um rei undead. Então, tudo que ouvimos são rumores de
proveniência desconhecida.”

“Então, precisamos das Escrituras — esse tipo de coisa é mais adequado para as Escri-
turas da Água Pura do que a Escritura da Flor do Vento?”

“Sim, e é por isso que somente o comandante das Seis Escrituras — você sabe quem —
conhece a verdade. Tudo o que aprendemos é o que pouco vazou.”

“...Entendo. Então, mostre a versão completa e integral do que a Astróloga das Mil Ligas
viu durante essa batalha.”

Depois de ler o resto do relatório, a sala se encheu do silêncio do desespero.

Sentindo que isso não poderia continuar, Yvon levantou uma questão:

“Entendo, Entendo... Você estava com medo de que nossos corações parassem se vísse-
mos isso de antemão?”

“Na verdade não. Seus corações são fortes o suficiente para germinar cabelos. Eu estava
simplesmente com medo de que, se eu abrisse com isso, nenhum de vocês acreditaria.”
Yvon assentiu, incapaz de refutar.

“É verdade que teríamos duvidado disso se tivéssemos visto isso primeiro. Nós não te-
ríamos acreditado em tudo. Mas depois de entender a realidade do exército do Rei Feiti-
ceiro, não temos escolha a não ser acreditar.”

“Ainda assim... eu não quero acreditar nisso. Com apenas uma magia, ele matou mais da
metade do Exército Real. Durante esta batalha, o Reino mobilizou duzentos e sessenta
mil homens. Metade disso seria pelo menos cento e trinta mil pessoas, certo? Eu ouvi que
o Exército Real foi derrotado, mas isso...”

“Só ela viu, então? Não é incomum que o número de mortos e a contagem de baixas
sejam exagerados...”

“Mesmo assim, a descrição de exterminar uma ala inteira do Exército Real com uma ma-
gia significa mais de oitenta mil mortes. E ainda há os monstros horríveis conjurados
através desses sacrifícios...”

“Eu não posso negar o que ela viu mais. Isso é magia dos deuses. O Décimo primeiro
nível de mágica, eu acredito? Deve ser isso.”

“O advento dos deuses.”

“O que está escrito aqui é semelhante à descrição desse deus... é possível que Ele tenha
descido dos céus mais uma vez?”

“Impossível. As tradições orais afirmam que o Deus da Morte, Surshana-sama, foi morto
pelos execráveis Oito Reis da Ganância. Isso deve ser outra coisa. E se Surshana-sama
tivesse realmente descido mais uma vez, aquela pessoa certamente teria nos dito. Afinal,
essa pessoa é a primeira seguidora de Surshana-sama.”

“Então, finalmente chegou?”

“Provavelmente sim. Depois de duzentos anos.”

“Deve estar correto, a julgar pelas tradições orais. Pode aparecer em algum lugar do
continente.”

“O poder nacional aumentou tão lentamente porque essas pilhas de lixo estragaram
tanto o plano.”

“Aqueles idiotas no Reino...”

Todos tinham olhares de ódio em seus olhos quando ouviram essas palavras.
O Reino era o país mais geograficamente seguro de todos. Por causa disso, a Teocracia
Slane os ajudou na esperança de que o Reino se tornaria a nação que salvaria a humani-
dade. Criando grandes quantidades de seres humanos em terras seguras e férteis, muitos
indivíduos talentosos também apareceriam, que poderiam ser criados como heróis que
poderiam resistir a invasões não-humanas. No entanto, paz e prosperidade fizeram com
que eles caíssem em degeneração, e o Reino apodreceu por dentro.

O que foi mais preocupante foi como eles produziram narcóticos e os exportaram para
o outro país promissor, o Império.

Assim, a Teocracia havia mudado seu plano.

Seu plano de apoio era permitir que o Império devorasse o Reino e então educasse os
talentosos indivíduos dentro do Império.

A razão pela qual a Teocracia não conquistou o Reino foi porque eles se tornariam vizi-
nhos do Conselho Estadual, o que poderia levar a um perigoso movimento interno para
destruir o Conselho Estadual.

O princípio básico da Teocracia era que a humanidade foi escolhida pelos deuses e todas
as outras raças tinham que ser exterminadas.

Assim, eles inculcaram uma atitude nas pessoas de que eles estavam cercados por ini-
migos e que eles não tinham escolha a não ser trabalhar juntos. Essa foi a única maneira
pela qual eles poderiam concentrar seu poder nacional e se tornar um país forte. No en-
tanto, se eles se tornassem vizinhos do Conselho Estadual, havia uma chance de que sua
filosofia pudesse levá-los a uma direção perigosa.

Todos aqui entendiam que só podiam planejar o futuro da Teocracia Slane conhecendo
a força de seu país, os dos países e que deveria tomar cuidado. No entanto, o povo comum
iria gritar por guerra com o Conselho Estadual, a fim de destruir os inimigos da humani-
dade.

Isso seria desastroso.

O Conselho Estadual ainda estava muito forte.


[Soberano Dragão d e P l a t i n a ]
Para ser preciso, o perigo estava com um dos conselheiros, o Platinum Dragonlord, filho
do Imperador Dragão. Se eles lutassem contra ele, o mais poderoso dos Dragonlords, eles
corriam o risco de seu país ser reduzido a cinzas. Mas e as pessoas que não sabiam disso?
O que pensariam? Eles iriam ver inimigos para destruir, mas tudo o que podiam fazer era
roer as unhas e esperar.

É claro que todos aqui poderiam facilmente eliminar esse ressentimento pela força, mas
isso produziria reações que enfraqueceriam seu poder nacional. Além disso, eles não po-
diam negar que uma guerra poderia acontecer no futuro.
Assim, a Teocracia não poderia compartilhar uma fronteira com o Conselho Estadual,
nem poderia controlar diretamente o Reino. Mesmo se eles quisessem governá-lo das
sombras, o Reino era muito grande.

“Vamos considerar o Rei Feiticeiro primeiro. Para começar, ele deveria ter sido aquele
que destruiu a Escritura da Luz Solar, algum tempo atrás.”

O ar parecia crepitar e congelar.

“Um magic caster com esse nome apareceu em um vilarejo próximo com esse nome
quase ao mesmo tempo. Eu não acho que estamos errados, estamos?”

“E a Vampira que a Escritura Preta encontrou? Uma lacaia do Rei Feiticeiro?”

“É bem possível, mas acho que é mais provável que seja alguém como o Rei Feiticeiro,
assim como aqueles seres. Caso contrário, não há como explicar esse poder.”

“De fato, já que estamos no tópico de aparições múltiplas, Jaldabaoth deve ser um desses
seres, então? Isso explicaria o poder que ele exercia no Reino, bem como a razão para um
monstro com esse tipo de poder aparecendo de repente.”

“Então, e o tal do Momon? Ele parece estar perseguindo um Vampiro, mas se essa pre-
visão estiver correta, esse Vampiro deve ser uma entidade semelhante ao Rei Feiticeiro.
Isso também explicaria o porquê ele era tão forte quanto Jaldabaoth. A questão é se ele é
ou não um aliado do Rei Feiticeiro...”

“Momon matou uma Vampira e ficou contra Jaldabaoth. Dado que eles podem ser da
mesma laia, mesmo assim se opondo um ao outro... será possível que eles ainda possam
ser inimigos? Quem sabe, ele pode ter negociado uma trégua com o Rei Feiticeiro e se
tornou um aliado.”

“Então há apenas a questão do porquê ele matou a Vampira e se opôs ao Rei Feiticeiro.
Talvez ele tenha matado porque foi controlada pelo Tesouro Supremo. Ainda assim, por
que ele se oporia a Jaldabaoth? ...Se o Momon fosse um amigo do Rei Feiticeiro, em que
tipo de cenário ele seria inimigo de Jaldabaoth?”

“...Talvez a Vampira e Jaldabaoth estivessem trabalhando juntos. Nesse tempo, o Rei Fei-
ticeiro e Momon se tornaram aliados. Ou pode ser que a Vampira, Jaldabaoth, o Rei Fei-
ticeiro e Momon são inimigos entre si. Existem também outras possibilidades. Mas há
muito pouca informação chegar a alguma conclusão.”

“O pior cenário é que todos os quatro estão do mesmo lado, mas a probabilidade disso
é muito baixa. Momon é muito humilde. Normalmente, alguém com tanta força seria
muito mais metido. Sim, assim como os Oito Reis da Ganância. Ou talvez, como nossos
deuses.”
“Entendo. Então a razão pela qual ele não fez isso foi porque ele estava à procura de
outros. Não, talvez ele estivesse atento aos outros no mesmo nível que ele.”

“Então, desde que o Rei Feiticeiro subiu ao palco e começou a construir sua nação, al-
guém estará tomando medidas para compensar a diferença no poder de luta. Se as pala-
vras de Momon são confiáveis, a Honyopenyoko tem um companheiro. Temos que tomar
cuidado, assim como Jaldabaoth.”

“Isso tudo é apenas conjectura no momento. Nós só precisamos pensar em fazer contato
com o Rei Feiticeiro ou o Momon.”

“É muito arriscado. É muito arriscado. Em vez disso, deveríamos ir ao Império e obter


informações das pessoas de lá, e depois fazer contato com o Imperador.”

“Isso seria bom, contanto que o Imperador não abanasse o rabo para o Rei Feiticeiro, é
claro.”

“É uma aposta e como tal, existem riscos. Se não fizermos nada além de nos esconder-
mos em um canto, acabaremos tendo que lidar com os outros.”

“Ainda assim, quando você diz uma aposta... O que seria apostado? Se errarmos, será um
casus belli para nos atacar, não? Devemos tentar entender a posição do Imperador sobre
o assunto antes de fazer contato.”

Quando todos concordaram com essa proposta, alguém fez uma pergunta razoável.

“...Ainda assim, não houve revoltas em E-Rantel, aquela cidade governada pelos unde-
ads? Todos eles foram mortos? Ou há um reinado perfeito de terror no lugar?”

Depois de ouvir essa pergunta, dificilmente alguém poderia acreditar na resposta de


Raymond.

“De acordo com nossos relatórios, parece ser um governo pacifico.”

“Hahh?!”

Este som não se encaixava nessas pessoas, mas não puderam evitar.

“Hmhm. Na minha idade, acabo ouvindo coisas que não estão inexistentes, mas parece
que minha condição piorou de repente. Raymond, você realmente disse pacifico?”

“Parece que o sol vai nascer do norte amanhã.”

“...Tudo bem, chega de piadas. Se Raymond está dizendo a verdade, isso seria uma visão
verdadeiramente inimaginável. Nosso informante é um louco ou um piadista?”
“O relatório afirma que os Death Knights são usados como guardas da cidade, Elder Li-
ches como funcionários públicos, enquanto os Soul Eaters são usados para puxar vagões
de carga.”

Todos os queixos caíram diante de Raymond.

“Nãonãonão, espere um minuto. O quê? Poderia repetir?”

Em face de Maximilian e seus óculos caídos, Raymond não mudou suas palavras en-
quanto se repetia.

“Haaah?!”

Mais uma vez, aquele mesmo som inadequado escapou deles.

Cada um deles era um tipo de undead de poder de cair o queixo. Mas agora, aquele ca-
valeiro do submundo mantinha a ordem pública como um bom soldadinho, aquele se-
nhor do labirinto sentado em uma mesa controlando o fluxo de mercadorias, e um mons-
tro que poderia dizimar uma cidade inteira fazia o trabalho de um cavalo.

E tal país existia do outro lado de suas fronteiras.

“Mas que droga é essa? De qual buraco do inferno isso veio?”

Undeads passeavam pelas ruas e administravam a cidade. Tudo o que eles podiam ima-
ginar era que todos os humanos estavam mortos.

“Não. Os antigos moradores de E-Rantel — os cidadãos atuais do Reino Feiticeiro estão


vivendo vidas comuns lá. Houve alguma confusão no começo, mas é pacífica agora.”

“...Parece que todos nós temos subestimado o Reino todo esse tempo.”

“Unhun... o quão fortes são os espíritos deles?”

Imaginar o ato de caminhar ao lado de uma criatura undead que odiava os vivos fez com
que todos os presentes tremessem de medo.

Isso seria como viver ao lado de um monstro faminto. Seria normal que uma pessoa
normal tivesse medo.

“Eles provavelmente estão aguentando isso porque confiam no grande guerreiro, o


aventureiro heroico, Momon - O Negro.”

Raymond disse o relato do que aconteceu no primeiro dia do reinado do Rei Feiticeiro
sobre E-Rantel.
Todos ouviram atentamente.

“Como eu pensava. É impossível que esse Momon ter sido amigo de antemão do Rei Fei-
ticeiro.”

“Ara~, não é mais uma prova de que esse tal de Momon e o Rei Feiticeiro estão em con-
luio? Eles apareceram praticamente na mesma hora, não foi?”

“Mmm...”

Todos seguraram suas cabeças em contemplação.

Eles sentiram que a chance disso não era insignificante, mas honestamente não havia
como saber.

“Existe uma maneira de colocar o Momon contra o Rei Feiticeiro? Talvez se usássemos
o povo de E-Rantel, poderíamos—”

“Isso é perigoso, perigoso demais. Se der errado, nós seremos inimigos de Momon e do
Rei Feiticeiro ao mesmo tempo.”

“Você está certo. Assim, nós sofreríamos perdas consideráveis. Embora os mortos te-
nham sido ressuscitados, a Escritura Preta ainda será curta em mão de obra, enquanto a
Escritura da Luz Solar está efetivamente dissolvida. A Coroa foi roubada, a Princesa Miko
e Kaire estão mortas. Levará pelo menos 10 anos para recuperar nossa força. Não pode-
mos sair por aí fazendo churrasco ao lado de um Dragão adormecido, ainda mais neste
estado.”

“Sim. Precisamos evitar abrir duas frentes ao mesmo tempo.”

Neste momento, a hostilidade na sala pareceu inchar.

“Aqueles traidores imundos.”

“Aqueles Elfos desgraçados.”

A Teocracia estava atualmente em guerra com os Elfos da Grande Floresta de Evasha.


Originalmente, a Teocracia e os Elfos tiveram um relacionamento cooperativo. Mas essa
relação havia sido quebrada, e a Teocracia estava agora lutando contra os Elfos com seu
próprio poder.

Eles haviam construído uma base avançada no Lago Crescente, sede da Capital Élfica.
De acordo com o plano, a Capital deveria ter sido destruída em poucos anos, mas esse
plano estava lentamente saindo do roteiro.
“Que tal um cessar-fogo com eles por enquanto?”

“Não seja tolo. Quanto sangue você acha que foi derramado no combate até agora? Em
primeiro lugar, como não podemos nos vingar por aquela pessoa?”

“Aquela criança—”

Depois de dizer isso, o velho sorriu amargamente.

Ele a tratou como uma criança por causa de sua aparência, mas o fato era que ela era
mais velha do que qualquer um nessa sala.

“—Como ela está?”

“Na mesma sala nas proximidades, como sempre.”

“Uhun, precisamos dar a ela uma chance de vingar a mãe dela.”

“Sim, caso contrário, seria muito lamentável. Seu coração provavelmente deve se acal-
mar depois de se vingar.”

Manchas de dor apareceram nos rostos de todos os presentes.

“...Francamente falando, ofendo-me com os sacerdotes da época. Eles criaram uma po-
bre menina com esse tipo de personalidade.”

“Bem, se você quer dizer isso, você pode culpar os bárbaros da floresta. Os Cardeais não
acharam bom tirá-la do lado da mãe.”

“...Que tema problemático.”

“Ainda assim, se implantarmos aquela garota, aquele Dragonlord pode responder da


mesma maneira.”

“O poder dos deuses, Keiseikeikoku, provavelmente não funcionará naquele sujeito que
[Soberano Dragão d a C a t á s t r o f e ]
pode usar magia selvagem, ao contrário do Catastrophe Dragonlord. Que tal usá-lo no
Rei Feiticeiro?”

O silêncio desceu sobre a sala de reuniões. Era uma proposta que eles estavam pensando,
mas não podiam falar.

“...Não é uma má idéia, mas o fato de não sabermos que tipo de poder os subordinados
do Rei Feiticeiro possuem me deixa desconfortável.”

“...Se ao menos pudesse encantar sem limite de usos, não haveria problemas.”
“Como você ousa! Os deuses deram suas vidas para nos proteger, a humanidade! E pen-
sar que você ficaria insatisfeito com os tesouros secretos que eles deixaram? Que audá-
cia!”

Depois da repreensão, o velho inclinou a cabeça profundamente.

“Eu me expressei mal.”

“Controle sua língua!”

“Então, voltemos ao assunto. Todos nós somos contra o uso do Keiseikeikoku no Rei
Feiticeiro?”

“Seria muito perigoso.”

“Se o Catastrophe Dragonlord aparecer, poderíamos controlá-lo e usá-lo como uma van-
guarda...”

Não havia sentido em esperar pelo que não estava lá.

“Não podemos evitar. Deveríamos enviar um mensageiro para conversar com aquele
Dragonlord sobre os Elfos?”

“Quem sabe o que eles vão pedir?”

“Vamos aceitar se a solicitação não for excessiva. Afinal, é pela paz da alma daquela ga-
rota.”

Não houve objeções. Todos aqui estavam mergulhados em introspecção.

“Fufu—”

Uma risada silenciosa soou e os olhos de todos foram para a pessoa que fez o som.

“Fufu. Agora que as pessoas que conheciam a situação naquela época estão todas mor-
tas... bem, posso dizer que vocês são bem compassivos.”

Essas palavras podem ter parecido insultantes, mas o tom era diferente.

“...Nosso objetivo é defender toda a humanidade das outras raças, e toda a humanidade
inclui aquela garota. Acho que podemos ser perdoados por um pequeno abuso de nossa
autoridade, se quisermos salvar uma camarada.”

“...Eu não tenho motivos para objetar se isso não resultar em nenhuma morte.”

Ao ouvir isso, o Grão-Marechal sorriu amargamente.


“Seria melhor distribuir diretamente esse conhecimento em vez de passar por transmis-
são oral, não? Tudo bem se estivermos indo contra alguém diferente, mas será perigoso
se outra pessoa cair. Espalhar esse conhecimento também facilitará a coleta de informa-
ções.”

Esta foi uma sugestão que foi feita com bastante frequência ao longo dos séculos. Natu-
ralmente, sempre foi rejeitada.

“Nosso mundo é tão frágil quanto um pequeno barco que foi jogado no oceano. Quanto
menos pessoas souberem disso, melhor. Afinal, pode haver um tufão a cada cem anos ou
mais. Você acha que as pessoas poderiam dormir facilmente se soubessem disso? O fato
é que os poderosos não podem se esconder nas sombras por muito tempo. Eles serão
muito óbvios, mesmo que tentem viver uma vida normal.”

“Se esse é o caso, o que você acha que o Ex-Cardeal-dono fará?”

Todos eles tinham expressões complicadas em seus rostos.

“Eu não tenho certeza, mas há uma chance muito alta de alguma jogada... Talvez haja
algum tipo de trunfo ainda não revelado.”

“Ou talvez a Ex-Nono Assento, Passos de Vento, possa saber de alguma coisa...”

“Quão preocupante. Ela está perto de nós por acaso? Nada é mais problemático que
isso...”

Houve vários suspiros no quarto.

“Que tal pedir aos membros aposentados da Escritura Preta por ajuda? Dessa forma,
podemos restaurar nossa força de combate, não, manter nossa vigilância. Podemos en-
viá-los para o Reino Dragonic como reforços. As chances deles morrerem são muito bai-
xas.”

A Escritura Preta era comumente atribuída a tarefas muito perigosas e, por isso, tinham
uma taxa de atrito muito alta. No entanto, enquanto os cadáveres permanecessem, eles
poderiam ser trazidos de volta à vida. O problema era que as ressurreições drenavam a
força vital de uma pessoa e precisaria treinar por um longo tempo para recuperar a força
que tinha antes da morte. Assim, algumas pessoas optaram por se aposentar.

Havia também outros que haviam se aposentado devido à sua idade, mas não importava
o motivo, os aposentados tinham prioridade em qualquer cargo que quisessem. En-
quanto havia aqueles que se contentavam em viver um estilo de vida degenerado e sem
trabalho, mas havia poucos deles. A maioria deles não seria capaz de suportar os olhares
de desprezo de suas esposas e perguntas como “Paaaai, por que você não encontrou um
bom emprego ainda—?” E por isso, eles voltariam ao trabalho.
Levaria um tempo para familiarizar essas pessoas com a sensação de combate real, e
havia aquelas mais velhas que não podiam mais agir como tinham feito no auge devido à
idade. Ainda assim, eles eram mais confiáveis do que a maioria dos outros.

“Apenas explique a situação para eles e faça nosso pedido. Não espere que todos tomem
armas, no entanto.”

“Claro. Precisaríamos de um desgraçado para pressionar as pessoas que completaram


missões nos lugares mais perigosos e depois se aposentaram.”

“Sim. Apenas pergunte a eles. Mas se alguém concordar, pague mais do que esperariam.”

“Se ao menos eles pagassem a todos, incluindo nós.”

Risadas autodepreciativas ecoaram pela sala. Queixar-se da falta de salários era uma
piada particular para eles.

Na Teocracia, os salários caíram depois que o indivíduo subia além de uma certa hierar-
quia. Essa era uma forma de autopurificação, a fim de garantir que as pessoas não fossem
motivadas a subir na vida por ganância. Assim, muitos dos que ocuparam altos cargos o
fizeram porque foram transferidos para servir sua nação.

Depois que o riso parou, o Pontifex Maximus falou novamente:

“Então, pessoal, vamos começar o próximo tópico. Raymond, prossiga.”


Capítulo 03: O Império Baharuth
Parte 1

lbedo partiria para o Reino num dia claro e ensolarado, e Ainz foi vê-la no

A
pátio de sua residência.

Havia cinco carruagens de luxo estacionadas lá. Uma delas era para Albedo
e outra para sua bagagem. Uma das carruagens restantes continha presen-
tes para o Rei, para impressionar-lhes com a diferença entre o poder do Reino Feiticeiro
e do Reino Re-Estize. Ao redor dessas carruagens havia 20 Death Cavaliers que Ainz ha-
via criado.

Teria sido simples o suficiente para se teletransportar para o Reino, mas eles haviam
escolhido não o fazer.

Albedo e seu grupo eram responsáveis por demonstrar o poder do Reino Feiticeiro.
Parte disso estava em usar monstros no lugar de cavalos para puxar as carruagens; pra-
ticamente uma ameaça implícita, por assim dizer.

“Então, Ainz-sama, por favor, cuide-se enquanto eu estiver fora.”

“Unhun, tenha cuidado. Ainda não encontramos as pessoas que fizeram lavagem cere-
bral em Shalltear. Assim, não podemos descartar a possibilidade de que eles possam ten-
tar controlá-la e, em seguida, usá-la como parte de uma grande aposta para infligir dano
massivo em Nazarick.”

“Claro. Eu terei cuidado e nunca deixarei isto ficar longe de mim.”

Albedo estava abraçando um item World-Class entre seus seios.

“Acredito que possuindo isso deve eliminar o risco de sofrer lavagem cerebral por um
Item World-Class. No entanto, a oposição pode não se limitar apenas a tal item. Além
disso, embora seja o item World-Class mais poderoso contra objetos físicos, não se es-
queça de que não é muito útil contra alvos individuais.”

“Mesmo? Minha arma principal é a versão transformada disso...”

“É mais fraco que um item divine-class especializado. Mesmo assim, ainda é muito forte,
pois nunca será destruído ou danificado. Tudo que eu quero dizer é: Não seja descuidada
por ter confiança na sua força. Claro, eu não acho que você cometerá um erro como esse...”

Pensando agora, Albedo nunca saiu para fora até hoje.

Ele a colocara em Nazarick e a servira como retaguarda. Por causa disso, Ainz se sentiu
preocupado, como se estivesse deixando uma criança sair de casa sozinha pela primeira
vez.
“Permaneça alerta e não seja descuidada. Se você sentir que há perigo, retire-se imedi-
atamente. Você tem algum item de teletransporte? Alguns deles precisam de tempo para
entrar em vigor, então o seu funciona imediatamente? Alguns inimigos também podem
impedir o teletransporte antes de atacar, você já pensou em uma maneira de lidar com
eles? Também pode haver inimigos que a distraiam com isca antes de te emboscar. Não
se deixe enganar pela força dos seus inimigos, certo? Embora eu tenha ouvido que você
passou por um treinamento de combate para melhorar sua flexibilidade, você ainda pre-
cisa estudar um pouco mais. Além do mais—”

Ele pensou:

Teria sido bom se eu tivesse ensinado a Shalltear assim.

Enquanto ele pensava sobre as táticas que ele usaria para o PKing. Enquanto isso, ele
pulverizava Albedo com um fluxo de palavras à velocidade de uma metralhadora.

Quanto tempo ele gastou em pensar em todos os tipos de ataques? Ainz só voltou ao
normal depois que percebeu que Albedo estava olhando para ele com uma expressão de
prazer no rosto.

Isso foi terrivelmente embaraçoso.

Ainz tossiu.

“Bem, é isso. Eu acredito que de dentre todas as pessoas, você, Albedo, não vai ignorar
os preparativos e contramedidas. Desculpe por atrasar você. Tome cuidado quando você
viajar.”

“Entendido, Ainz-sama.”

“Embora possa não ser apropriado perguntar logo antes de você ir, sobre o Demiurge—
não, não importa.”

“Ele deve estar bem, não?”

Se ele tivesse recebido alguma comunicação de Demiurge, ele não teria uma pilha
enorme de perguntas para perguntar a ele. Por exemplo, Albedo não se opusera à forma-
ção da Guilda dos Aventureiros, mas talvez fosse melhor perguntar pessoalmente
quando ele voltasse. Albedo pareceu surpresa, mas depois que ela percebeu que Ainz não
tinha a intenção de responder, ela retomou sua expressão gentil habitual.

“Então, Ainz-sama. Como Supervisora Guardiã, mostrarei resultados que não envergo-
nharão meu ofício.”

“Suas ações nunca insultaram sua posição.”


Claro, logo em seguida, ele se lembrou de Albedo o jogando no chão e cavalgando como
uma vaqueira, mas esse não era o tipo assunto que se poderia trazer nesse momento.

“Há mais uma coisa que tenho a dizer. Você é imune a doenças, mas neste mundo pode
ter doenças que podem contornar até mesmo essa imunidade, então tenha cuidado. Ouvi
dizer que é excepcionalmente fácil ficar doente na virada de estações.”

A transição entre as quatro estações não foi muito clara no mundo de Suzuki Satoru.

Um pensamento lhe ocorreu:

—O que o Blue Planet-san faria se estivesse aqui? Ele provavelmente teria a mesma ex-
pressão de olhos brilhantes, assim como os de Albedo... Claro, se ele pudesse realmente fazer
essa expressão com o rosto era um assunto completamente diferente.

Então, Albedo ofereceu uma sugestão, com uma expressão no rosto como uma flor re-
cém florescida:

“Ainz-sama! Eu sei de um remédio que funciona muito bem contra doenças!”

“Hoh...?”

Isso foi uma surpresa e tanto. Ele não esperava que ela soubesse de medicação que era
única neste mundo.

Nfirea o herborista não deveria ter entrado em contato com Albedo. Sendo esse o caso,
poderia ter vindo do conhecimento dentro de YGGDRASIL, ou talvez algo que Tabula
Smaragdina programou nela? Sua curiosidade agora despertou, Ainz ansiava pelo que ela
diria em seguida.

“Um beijo!”

“...Um beijo?”

“Sim, beijar alivia o estresse e ativa o sistema nervoso parassimpático. Uma vez que a
eficiência do sistema nervoso parassimpático aumenta, o desempenho do sistema imu-
nológico melhora com isso. Em outras palavras, se eu for beijada, não ficarei doente!”

“O que você disse parece meio familiar...”

Ele se lembrou de alguém mencionando algo sobre o sistema nervoso parassimpático


enquanto ele estava jogando YGGDRASIL. Deve ser isso. No entanto, ele não sentiu que
seria eficaz neste mundo também.

“Portanto, eu quero um beijo~”


Albedo fechou os olhos e franziu os lábios.

Tudo o que ele podia ver agora era um polvo.

Essa descrição poderia soar como se estivesse difamando uma grande beleza, mas a ver-
dade era que sua aparência não havia diminuído muito. Afinal, uma mulher bonita per-
manecia bonita, não importava a expressão que tivesse no rosto.

Esse pensamento prematuro passou pela mente de Ainz.

Ainz considerou fugir neste momento.

Ele queria dizer: “Certamente não”, mas era óbvio que ela estava esperando por um
beijo. Além disso, este era um desejo de alguém que estava prestes a executar uma mis-
são de trabalho, então até certo ponto, ele queria ajudar a cumpri-lo. Além disso, faria
seu coração doer ignorar os desejos da filha de Tabula Smaragdina.

Ainz pegou o queixo de Albedo em uma mão e deu um beijo em sua bochecha. Dito isso,
Ainz não tinha pele e, portanto, sem lábios, então o beijo que Ainz deu era pouco mais do
que pressionar os dentes da frente contra ela. Além disso, como ele não tinha saliva, tudo
o que ela deveria ter sido capaz de sentir seria apenas algo seco e duro encostando.

Embora isso fosse terrivelmente embaraçoso, ele teve que se impor a ela.

Estou feliz por ter escovado os dentes, apesar de não ter comido nada.

Depois que a mão deixou seu queixo, ele encontrou Albedo o encarando com olhos ar-
regalados.

“O que está errado? Além disso, teria sido demais beijá-la nos lábios, então a bochecha
deve servir. Não estava certo?!

“...Eu não achei que o senhor teria pensado nisso.”

Antes que Ainz pudesse perguntar sobre o que ela realmente queria dizer, lágrimas bro-
taram no canto dos olhos de Albedo.

“Fueeeen~”

Albedo chorou. Essas não eram lágrimas de crocodilo. Ela estava chorando de verdade.

Depois que o tão esperado choque de sua supressão emocional tomou conta dele, Ainz
apressou-se a fazer alguma coisa. Dito isto, ele não tinha idéia de como proceder.
No passado, quando fizera Albedo chorar na Tesouraria, ele pensara em algo reconfor-
tante para dizer. No entanto, nada veio à mente agora que Ainz a fez chorar depois de
beijá-la.

O que aquele Imperador garanhão faria em um momento como este?

Embora ele tenha pensado sobre esse assunto, parece que nenhuma das cenas que Ainz
testemunhou jamais cobriu uma situação como essa.

“Albedo, por favor, não chore.”

Ele queria desesperadamente olhar para a empregada do dia atrás de si, pedindo ajuda,
mas ele já havia se envergonhado bastante. Ele não poderia se desonrar ainda mais.

“Albedo, não chore.”

Ainz puxou Albedo em seu abraço e gentilmente acariciou suas costas.

Eles ficaram assim por um tempo, e então Albedo fungou. Parece que as lágrimas dela
pararam.

Ainz soltou as mãos de Albedo quando percebeu que ela estava mais aliviada.

“Você está bem, Albedo?”

“Sim, Ainz-sama. Sinto muito por deixar o senhor ver esse meu lado vergonhoso.”

Embora manchada de lágrimas, ainda mantinha um sorriso muito bonito.

Havia apenas uma razão para ela estar chorando.

Seu estômago inexistente começou a doer depois que ele percebeu o quão cruel ele tinha
sido. Naquela época, ele achou que estava tudo bem, porque o jogo terminaria em breve.
Se ele não tivesse pensado assim, ela não teria chorado assim.

“Entendo... Bem, já está na hora. Você deve se recompor já que está bem.”

“Entendido, Momonga-sama!”

♦♦♦

As cortinas das janelas da carruagem se abriram e, através delas, viu Albedo acenando
para ele. Em resposta, Ainz acenou de volta para ela.

Essa era uma cena de despedida tipicamente vista em filmes em cenas de despedida em
um trem.
A carruagem se mexeu lentamente e as sentinelas começaram a se mover também.

Ainz assistiu até que ele não podia mais ver a carruagem de Albedo, e enquanto ele
olhava para a distância, ele emitiu um comando grave e sombrio.

“Esqueça tudo o que aconteceu aqui.”

“Entendido.”

Ainz passou pela empregada, cuja cabeça estava baixa. Ainz não tinha como ver o tipo
de olhar que ela tinha em seu rosto.

Parte 2

O Imperador Sangrento, Jircniv Rune Farlord El-Nix segurava sua própria cabeça.

Isso não era uma mania nova. Ele já fazia isso há algum tempo.

No passado, ele havia expurgado todos os tipos de nobres, ouvido sobre a traição que
poderia abalar o Império, e aprendeu sobre a deterioração das relações com os países
vizinhos. Durante tudo isso, esse homem não entrou em pânico nem caiu em confusão.
No entanto, em face de um problema insolúvel, até mesmo este homem não podia fazer
nada além de amargamente segurar sua cabeça.

“Droga! Seu filho da puta! Morra! Morra e apodreça!”

A magia poderia amaldiçoar alguém até a morte, mas Jircniv não tinha esse tipo de po-
der. Portanto, ele estava simplesmente falando palavras ofensivas. Se ele pudesse real-
mente matar aquele homem odioso que tinha causado tal devastação em sua mente e em
sua úlcera nervosa nos últimos meses, ele alegremente procuraria tais técnicas.

“Não, espere. Seria melhor dizer a ele para “viver”, não? Ou talvez “ser destruído” seria
mais apropriado? Eu ouvi falar de alguns sacerdotes destruindo undeads com poder sa-
grado.”

Ele estava até pensando em coisas sem sentido.

O estômago de Jircniv doía e os fios do cabelo caído adornavam seu travesseiro todas as
manhãs. O culpado, o homem responsável por tudo isso era o Rei Feiticeiro, Ainz Ooal
Gown.

Não houve solução satisfatória para os problemas apresentados pelo Rei Feiticeiro.
O primeiro problema dizia respeito às baixas entre os Cavaleiros Imperiais na Batalha
das Planícies Katze.

Houve apenas 143 mortes; um número trivial, para um confronto direto com o inimigo.
No entanto, as perdas na Planície Katze foram inteiramente auto-infligidas.

Além disso, 3.788 pessoas manifestaram o desejo de deixar o Corpo de Cavaleiros


quando retornaram à Capital Imperial. Em outras palavras, mais de 6% dos 60.000 ho-
mens do Corpo de Cavaleiros Imperiais perderam a coragem.

E então, havia milhares de pessoas que se queixavam de desconforto e terrores notur-


nos. Segundo os relatórios, havia pelo menos 200 pessoas mentalmente instáveis tam-
bém.

Cavaleiros eram guerreiros profissionais, e treinar até mesmo um deles implicava gas-
tos consideráveis.

Nem era apenas uma questão de dinheiro. O tempo de treinamento também seria es-
sencial. Não se pode simplesmente pegar alguém nas ruas e dizer: “A partir de amanhã,
você será um cavaleiro”.

O Império precisaria gastar muito para preencher o déficit no número de cavaleiros.


Mas onde ele conseguiria os fundos para essas despesas?

Neste momento crítico, era muito arriscado eliminar os nobres e aproveitar seus ativos
para compensar a quantia necessária.

A razão para isso foi por causa do segundo problema — saber das petições que os pró-
prios Cavaleiros Imperiais haviam submetido a Jircniv.

O Corpo de Cavaleiros foi autorizado a fazer propostas ao Imperador Jircniv. Isso porque
havia algumas coisas que só os veteranos ensanguentados podiam entender, e também
reduzir os conflitos entre oficiais militares e oficiais burocráticos. Ao mesmo tempo, foi
também para dar a impressão de que Jircniv — que tinha interesse em bélica — gostava
especialmente do Corpo de Cavaleiros.

É claro que não se pode esperar que tais propostas sejam sempre positivas, mas as pe-
tições recentes foram realmente duras.

Essas petições, dos altos escalões da estrutura de comando do Corpo de Cavaleiros, ex-
pressavam seu desejo de evitar a guerra com o Reino Feiticeiro.

Jircniv poderia entender esse tipo de coisa, mesmo que eles não mencionassem.

Qualquer um que ousasse enfrentar esse Reino em combate aberto estaria muito além
de um mero tolo; seria considerado um louco absoluto. Afinal, foi uma nação que poderia
derrubar 200.000 soldados inimigos com uma única magia. Não havia como Jircniv con-
seguir uma briga com tal inimigo.

Mesmo assim, a razão pela qual o Corpo de Cavaleiros havia feito tal petição, foi porque
eles perderam a fé em Jircniv.

Antes da Batalha das Planícies Katze, Jircniv havia proposto ao Rei Feiticeiro: “Espero
que use sua magia mais forte”. Os altos escalões do Corpo de Cavaleiros sabiam disso e
culpavam Jircniv por aquela cena infernal.

Em outras palavras, eles o estavam usando como bode expiatório.

Quando Jircniv soube disso, ele ficou furioso e frustrado ao extremo.

Se ele soubesse que tal magia existia, ele nunca teria dito tal coisa.

Além disso, a razão pela qual Jircniv pediu que o maldito Rei Feiticeiro usasse a magia
mais forte, fôra para verificar quão poderosa era a extensão de sua magia.

Originalmente, deveria ter sido o contrário. “Obrigado por extrair parte do poder do Rei
Feiticeiro. Agora sabemos melhor do que agir de forma imprudente em torno dele”, de-
veriam ter dito, expressando sua gratidão. Afinal, se as coisas tivessem corrido mal, essa
magia poderia ter sido desencadeada em uma cidade.

No entanto, o Corpo de Cavaleiros não via as coisas assim. Foi porque eles sentiram que
Jircniv era um Imperador esplêndido que eles acreditavam que ele tinha pedido pelo uso
daquela magia, sabendo muito bem o que ela fazia. Assim, muitos olhares desconfiados
agora caíram sobre Jircniv.

Esta foi a primeira vez que Jircniv ficou extremamente aborrecido com sua própria re-
putação.

No entanto, chorar e reclamar não ajudaria as coisas. Se alguém pudesse fazer algo em
seu lugar, Jircniv alegremente choraria, gritaria e descansaria até que suas dores de es-
tômago fossem embora. Claro, ninguém poderia fazer o trabalho de Jircniv por ele, então
ele tinha que lidar com isso sozinho.

“Maldito seja o Rei Feiticeiro! É tudo culpa dele!”

Ele pressionou contra a dor que irradiava de seu estômago, não — Jircniv parou para
pensar em algo.

Isso não foi “Culpa do Rei Feiticeiro”. Esta foi “a conspiração do Rei Feiticeiro”.

Era muito possível que o estado do Império pudesse ter sido orquestrado por ele.
Quando ele se acalmou e considerou, a possibilidade disso era muito alta.
Jircniv pegou uma chave e abriu uma gaveta. Ele retirou uma garrafa de dentro.

Então, ele pressionou o anel de prata que ele usava na mão esquerda contra ele.
[ A n é l d o Unicórnio]
O Ring of Unicorn — um item que pode detectar venenos e que aumenta a resistência a
veneno e doenças, que também pode curar feridas uma vez por dia. Depois de confirmar
que o líquido estava imaculado, ele engoliu em seco.

Jircniv colocou a garrafa em sua mesa e franziu a testa.

Ele tomou um gole da água de uma garrafa sobre a mesa, para lavar o gosto agora fami-
liar e adstringente que se espalhava pela boca. Depois disso, Jircniv pressionou a área ao
redor de sua barriga novamente.

Foi apenas um efeito placebo ou sua ferida foi realmente curada? Embora não houvesse
como saber com certeza, pelo menos as dores no estômago haviam diminuído por en-
quanto.

“Haaah~”

Depois daquele suspiro anormalmente pesado, como se tarefas pesadas o esperassem,


ele continuou seu trabalho. Primeiro, ele teve que começar com aquela pilha acumulada
de documentos.

Uma batida silenciosa soou pela sala, como se estivesse esperando o momento certo.

O homem que entrou foi um escriba. Todos os escribas escolhidos a dedo por Jircniv
eram excelentes trabalhadores. No entanto, este homem era facilmente igual a Loune.

Aliás, não havia mulheres entre os escribas. A única mulher que Jircniv confiava para
lidar com esse tipo de trabalho era uma de suas concubinas.

“Vossa Majestade—”

Jircniv acenou para interromper uma saudação que demoraria muito tempo.

“—Não há necessidade disso, poupe-me das saudações. Não perca tempo, vá direto ao
assunto.”

“Sim Vossa Majestade. Os comerciantes daquela nação finalmente nos responderam.


Eles parecem ter um bom estoque com eles, e eles visitarão a Capital Imperial em breve.”

“Espero que não demore!”

Jircniv sorriu para isso, a melhor notícia que ouvira nas últimas semanas.
A nação em questão era a Teocracia Slane. Escusado será dizer que o comerciante em
questão era um emissário deles.

Mesmo esta sala sendo protegida contra a espionagem, depois de testemunhar o poder
do Rei Feiticeiro, ele passou a acreditar que todas essas contramedidas eram pouco mais
do que perda de tempo. Ultimamente ele chegara a sentir que alguém o estava espio-
nando.

Ainda assim, não importa quantas pessoas ele tenha enviado para investigar, eles não
encontraram observadores. A única conclusão que eles conseguiram foi que isso era uma
ilusão paranoica da parte de Jircniv. Claro, seus nervos tinham sido duramente acabados,
então realmente pode ser o caso. No entanto, ele não conseguia se livrar da sensação de
mau presságio que vinha de ser observado.

No passado, ele poderia ter deixado Fluder estabelecer medidas anti-espionagem, mas
ele não podia fazer isso agora. Por tudo o que sabia, Fluder já poderia tê-lo traído. Por-
tanto, Jircniv tinha que operar sob a suposição de que espiões já haviam se infiltrado na
Capital Imperial.

Portanto, todas as políticas referentes a assuntos importantes precisavam de suas pró-


prias palavras de código. Claro, houve alguns pequenos problemas que surgiram em um
resultado, mas ainda era melhor do que deixar a aliança contra Ainz Ooal Gown ser ex-
posta.

“Então, quando será?”

“Acredito que eles pretendem chegar nos próximos dias.”

Normalmente, ele os convidaria abertamente para a Capital Imperial, mas isso seria ób-
vio demais.

É melhor conhecê-los fingindo ser obra do acaso. No entanto, que tipo de localização evi-
taria suspeitas?

Ele estava sem opções, mas mesmo se fosse esse o caso, ele não poderia desistir como
alguém faria em um jogo trivial. Lançar aquela magia de extrema crueldade estava es-
sencialmente dizendo a Jircniv: “Eu sou undead, então matar os vivos é apenas natural”.
Ele não poderia ignorar um ser assim.

Era dever do Imperador do Império Baharuth melhorar as chances de vitória, mesmo


que fosse apenas um pouco.

Para alcançar esse objetivo, uma das medidas que ele tomou foi forjar uma aliança se-
creta com a Teocracia Slane. A Teocracia era um país com uma história mais longa que o
Império, e também contava a magia divina como um dos pilares de sua nação. Não havia
dúvida de que era a melhor nação que se poderia apelar para maneiras de lidar com os
undeads.

No entanto, seria muito ruim se o Reino Feiticeiro soubesse de seu contato com a Teo-
cracia.

O Império era agora um aliado do Reino Feiticeiro e um dos que ajudaram a garantir sua
soberania. A razão pela qual o Império fez isso foi para entender a força e organização do
Reino Feiticeiro, bem como tudo o mais dentro dele. Se fosse descoberto que eles esta-
vam trabalhando contra o Reino Feiticeiro, o Império seria, sem dúvida, o primeiro alvo
para o poder do Rei Feiticeiro.

“Permissão para falar, Vossa Majestade.”

Jircniv levantou o queixo, indicando que o homem deveria continuar.

“O ato de abrir margem para hostilidades com o Reino Feiticeiro não é um curso de ação
muito tolo?”

Jircniv olhou para o escriba. Você também, huh. Ele jogou uma caixa de pergaminho em
uma lata de lixo especialmente designada, enquanto o observava.

Não esmague meu coração, por favor... No entanto...

“Então, o que sugere que façamos?”

“Bem, sobre isso...”

Jircniv sorriu ao ver o escriba engolir em seco.

“Relaxe. Eu não vou censurar você por nada que disser. Vamos, fale o que pensa.”

“Sim, então, peço desculpas antecipadamente por qualquer ofensa que eu possa causar.”

Com uma tosse, o secretário compartilhou seus pensamentos:

“Acredito que devemos continuar fortalecendo nosso vínculo de aliança, e se o Reino


Feiticeiro tiver algum pedido... devemos ceder a eles.”

O rosto do escriba ainda estava pálido apesar do salvaguardado concedido por Jircniv.

Dentro de seu coração, aquela declaração traidora guerreou com o medo de que sua
própria vida pudesse se extinguir.

Jircniv mais uma vez sorriu amargamente.


“Você está certo.”

“—Hah?”

Por saber a personalidade deste homem, ele sentiu que sua reação havia sido bastante
cômica. Jircniv sorriu de um jeito diferente do que antes e continuou falando:

“Eu sinto que o que você está dizendo está correto. Na sua posição, poderia muito bem
fazer a mesma proposta. Não, seria estranho se alguém que eu nomeasse como escriba
não sugerisse tal coisa.”

Simplificando, o Reino Feiticeiro era poderoso demais.

Embora eles pudessem apenas julgar do ponto de vista militar, estava claro que o Reino
Feiticeiro estava em um nível que eles nem poderiam esperar lidar.

O poder pessoal do Rei Feiticeiro, Ainz Ooal Gown sozinho, já era muito arriscado de
enfrentar. Depois havia o exército dos mortos que ele havia trazido para o campo de ba-
talha, cada um dos quais havia rumores de ser capaz de rivalizar com uma nação por si
mesmos.

Eles estavam em dimensões completamente diferentes. Quando se pensava nisso, a pró-


pria idéia era risível.

“Embora eu ache que é a melhor escolha, isso significa que não devemos nos preparar
para tomar alguma outra ação? Por exemplo, se o Rei Feiticeiro pretende destruir o Reino,
você acha que dobrar o joelho para ele será suficiente para nos poupar?”

Ele ainda não ouvira falar de nenhum massacre em E-Rantel.

Será que os undeads não viviam lá? Depois de tentar reunir algumas informações, ele
descobriu que os undeads ocupavam abertamente a cidade, transformando E-Rantel em
uma cidade demoníaca.

Pode ser que ele pretendesse governar os moradores da área sem abatê-los, mas isso
seria tomar conclusões precipitadas. Afinal de contas, havia a notícia de como ele subju-
gou aquele aventureiro adamantite (Momon), então apenas a partir desse ponto, era pe-
rigoso pensar que as ternas misericórdias do Rei Feiticeiro se estenderiam ao Império.

“É como diz. Parece que eu estava tão intimidado pelo poder esmagador do Rei Feiti-
ceiro que eu não poderia nem mesmo tomar uma decisão tão racional. Minhas mais pro-
fundas desculpas.”

“Não precisa se desculpar. Afinal, o pensamento veio à mente baseado no passado... de


volta ao ponto, onde os comerciantes daquele país escolheram descansar?”
“Parece que eles estarão hospedados no maior do segundo dos quatro.”

O segundo dos quatro se referia a um santuário do Deus do Fogo. A palavra “maior” não
era código, então provavelmente se referia ao maior santuário do Reino — o Templo
Central.

Deste ponto em diante, Jircniv começou a conversar despreocupadamente sobre ques-


tões aleatórias, com algumas mentiras espalhadas em meio a conversa.

Às vezes, ele costumava falar de coisas inventadas. Mesmo que alguém ouvisse, investi-
gar a verdade dessas palavras seria um processo tedioso. Por enquanto, ele deveria con-
tinuar esse trabalho de esforço cerebral. Enquanto pensava sobre isso, ele percebeu que
eles estavam conversando por vários minutos.

Jircniv decidiu então chegar ao assunto principal.

“Como está sua família? Eles ainda estão bem?”

“Hah? Ah sim. Eles estão muito bem.”

“Mesmo? Isso é ótimo. Boa saúde é a coisa mais importante, afinal. Eu não vou mentir; a
verdade é que meu corpo tem estado muito mal ultimamente. A medicina só me alivia
por um tempo. Você acha que eu deveria trazer um sacerdote?”

“Parece que os templos não estão muito felizes com as ações recentes de Vossa Majes-
tade. A aplicação de muita pressão pode resultar em retrocesso. Por que não visitar pes-
soalmente, Vossa Majestade?”

“Que idéia maravilhosa.”

Os templos lutaram contra os undeads. Assim, para os sacerdotes, a fundação de um país


vizinho que era governado por um poderoso undead era algo sobre o qual eles estavam
muito cautelosos. Assim, eles enviaram muitos pedidos para se encontrarem com Jircniv.

No entanto, Jircniv se recusou a todos.

Jircniv estava agora em um estado onde ele aceitaria qualquer ajuda que pudesse obter,
mas ele tinha suas razões para não aceitar. Uma delas era porque ele não confiava na
capacidade deles em afastar espiões. A outra era porque Jircniv temia que, se lhes dis-
sesse as coisas que sabia, ele poderia perder o controle da situação.

Se ambos os lados chegassem a um acordo, e os sacerdotes decidissem declarar guerra


ao poderoso Rei Feiticeiro simplesmente “porque ele é um undead”, as consequências
dificilmente precisariam ser declaradas. Isso resultaria no Império se envolvendo em um
conflito suicida.
Em resumo, Jircniv temia que, uma vez que fizesse contato com os templos, o Rei Feiti-
ceiro assumiria que o Império era hostil a ele.

Jircniv suspirou profundamente.

Embora ele esperasse que esperassem pelo momento certo, pareceria que eles não en-
tendiam esse ponto. No entanto, o partido diplomático da Teocracia havia secretamente
alcançado a Capital Imperial. Talvez se ele esperasse que eles fizessem contato com os
templos e então poderia haver uma chance de virar o jogo ao seu favor.

“Então, eu terei um tempo livre nos próximos dias para visitar os templos e deixá-los
dar uma olhada no meu corpo.”

“Isso parece um curso sábio de ação. Então, vou fazer os arranjos para isso.”

“Obrigado. Então, o que faremos sobre a arena? Eu lembro que havia uma partida de
exibição marcada para breve; Vamos deixar isso continuar como planejado? Eu não vou
ser parado por palavras como “você disse que estava indo para um check-up, então você
não pode ir lá”, você sabe. Se algum de vocês quiser assistir a luta comigo, vocês podem
se juntar a mim na minha sala VIP.”

Os olhos do escrivão se arregalaram e seus olhos brilharam enquanto tentava adivinhar


o verdadeiro significado daquela afirmação.

Sim está certo. Você estaria certo em suspeitar de mim. Vamos, veja o que eu realmente
quero dizer.

Jircniv queria evitar encontrar os enviados da Teocracia nos templos.

Os templos continham conhecimento sobre cura e vários outros tipos de sabedoria. Se


eles fossem escolhidos como alvos para um ataque preventivo, muitas coisas seriam per-
didas, num momento em que esse conhecimento acumulado era mais importante do que
qualquer outra coisa.

“Entendido. Então deixe-me lidar com a arena. Eu acredito que você estava programado
para visitar os feridos de guerra no hospital neste dia também, correto?”

Jircniv não recebeu essa notícia, então isso provavelmente foi um blefe.

Em outras palavras, ele sugeriu a Jircniv que o hospital poderia ser um local melhor do
que a arena.

Jircniv escolhera a arena porque ouvira dizer que muitas vezes sacerdotes eram contra-
tados para curar os feridos. Com isso em mente, ele estava pensando em trazer os emis-
sários da Teocracia Slane sob o disfarce de tais sacerdotes.
“Atrase as visitas. Vamos seguir o cronograma que acordamos anteriormente.”

Com isso, toda a conversa sobre os mercadores desapareceu no meio da conversa. Se


houvesse algum bisbilhoteiro, o que eles pensariam disso? O que eles poderiam aprender
com a frase “segundo de quatro”?

Por mais diabólico que fosse o intelecto do Rei Feiticeiro, ele não poderia fazer planos
sem qualquer informação para trabalhar. Além disso, nem todos os subordinados do Rei
Feiticeiro poderiam ser tão inteligentes quanto ele. Além disso, quanto mais espiões hou-
vesse, maiores as chances de serem expostos. Como nenhuma informação sobre esses
espiões havia sido encontrada, provavelmente não havia muitos espiões. Ou melhor, ele
esperava que fosse o caso.

O espectro da magia absoluta e inegável do Rei Feiticeiro assombrava sua mente. Parte
dele constantemente pensava: “Como eles são os servos do Rei Feiticeiro, eles devem ser
excepcionais também”. Na verdade, ele tinha visto muitos seres incrivelmente poderosos
dispostos diante do trono, o que implicava que esses espiões poderiam ser do mesmo
calibre que eles.

Se esse é realmente o caso, então não temos nenhuma chance... se jurando vassalagem a
ele resolverá as coisas, então não seria o melhor curso de ação?

Ele tinha acabado de beber uma poção de cura, mas Jircniv sentiu uma pontada de dor
em seu estômago novamente.

♦♦♦

Duas semanas depois, uma carruagem com Jircniv a bordo partiu para a arena.

Na superfície, ele parecia estar indo para a Arena para assistir a uma luta, mas na ver-
dade, ele estava lá para entrar em acordo com os emissários da Teocracia Slane e os sa-
cerdotes de alto escalão do Império.

Ele não trouxera consigo nenhum dos seus guardas imperiais para evitar se destacar,
mas dois dos Quatro Cavaleiros Imperiais — “Relâmpago” e “Vendaval Feroz” — estavam
no veículo como guardas de Jircniv.

Se possível, ele teria gostado de usar todos esses excelentes guerreiros para protegê-lo.
No entanto, a “Explosão Pesada” não era confiável, então ele a deixou para trás sob o
pretexto de guardar a Capital Imperial. Não, dizer que ela não era confiável não era exa-
tamente correto. Para ser preciso, ele já poderia dizer dado a atitude dela que ela queria
se tornar vassala do Reino Feiticeiro. Assim, a fim de evitar vazar qualquer informação
que ela pudesse oferecer ao Reino Feiticeiro como um presente, Jircniv decidiu manter
uma distância dela.
Ela tinha originalmente dito: “Eu farei qualquer coisa para remover minha maldição, até
mesmo apontar esta espada para Vossa Majestade”. Jircniv entendia isso, mas ainda deci-
dira fazer uso dela. Portanto, ele não poderia repreendê-la, mesmo que ela decidisse trair
o Império. No entanto, ele ainda não podia permitir que ela transmitisse informações
críticas do Império.

Dito isto, se ela realmente tivesse conseguido escutar os segredos de estado do Império,
Jircniv precisaria que ela fosse presa. No entanto, ela era uma das pessoas mais fortes do
Império, então ele precisaria enviar pessoas no nível dela para eliminá-la. Em termos de
esgrima, apenas “Relâmpago” e “Vendaval Feroz” estavam à altura da tarefa. Enviar qual-
quer outra pessoa só resultaria em um massacre unilateral. Além disso, suprimi-la com
números significava que a Capital Imperial e os detalhes de segurança do Imperador se-
riam reduzidos.

Sendo esse o caso, ele teria que recorrer aos discípulos, Trabalhadores ou talvez assas-
sinos de Fluder, representados pelo grupo Ijaniya, os quais possuíam habilidades além
do combate corpo-a-corpo. No entanto, não importa qual opção ele escolhesse, ele teria
que estar preparado para pagar caro por isso.

Os discípulos seriam pagos anualmente — embora desde a traição de Fluder, ele confis-
casse as terras que antes eram de Fluder e as deixasse a disposição dos nobres — então
não haveria muitas despesas adicionais neste caso. No entanto, despachá-los exigiria que
eles parassem seu trabalho, o que incorreria em perdas invisíveis a olho nu. Porém, se
eles fossem realmente mortos, o dano causado seria maior do que o preço necessário
para contratar as duas outras opções.

Portanto, a melhor opção era negar a “Explosão Pesada” a chance de obter informações
valiosas e deixá-la ir de mãos vazias para o Reino Feiticeiro. Essa pode ser a solução mais
satisfatória para todos os envolvidos.

Mesmo com Jircniv insinuado muitas coisas sobre a “Explosão Pesada”.

A “Explosão Pesada” ainda estava na Capital Imperial. Ela apenas respondia coisas do
tipo: “Vou permanecer até eu poder retribuir a bondade que Vossa Majestade me mostrou”.

Ele queria entender isso, mas isso era impossível.

“Explosão Pesada” pode ser uma das integrantes dos Quatro Cavaleiros Imperiais, mas
o Reino Feiticeiro provavelmente classificaria o poder de luta dela como risível. Todos e
cada um dos muitos undeads diretamente leais ao Rei Feiticeiro eram mais fortes que ela.
Por causa disso, ela estava procurando uma maneira de aumentar seu pessoal.

O estômago de Jircniv começou a doer de novo quando ele pensou sobre a realidade sem
esperança, realidade onde o Rei Feiticeiro comandou milhares de undeads que eram in-
dividualmente mais fortes do que a “Explosão Pesada”, uma das mais poderosas guerrei-
ras do Império — e isso sem contar o poder do próprio Rei Feiticeiro.
O que devo fazer sobre isso?!

“Uma única pessoa forte não pode mudar o curso de uma batalha”, assim diziam. No
entanto, a realidade provou o contrário.

Gazef Stronoff do Reino era um homem que podia fazer exatamente isso. Também havia
o magic caster chefe do Império, Fluder Paradyne, um ser capaz de abalar uma nação
inteira.

Cada um deles era uma figura comparável a um exército ou a um país.

Em outras palavras, mesmo sem considerar o poder assustador do “Rei Undead”, o


Reino Feiticeiro já exercia o poder de mil exércitos.

Não há nada a ser feito, é isso? Se... bem, não dá para detê-lo mesmo com mil exércitos,
certo? ...Como eu pensei, desistir é melhor...

Claro, ele não podia dizer isso na frente de seus subordinados, mas a idéia já havia apa-
recido na mente de Jircniv várias vezes. Na verdade, esse foi seu primeiro pensamento
quando ouviu falar da infame “Batalha das Planícies Katze”.

“Então, Vossa Majestade. Depois de nos encontrarmos com o pessoal do Pássaro Fio-
Prateado, vamos sair. Isso vai ficar bem?”

Jircniv desviou o olhar para ver o homem sentado à sua frente.

Diante dele era um dos Quatro Cavaleiros, “Relâmpago” Baziwood Peshmel.

Jircniv assentiu em silêncio.

Eles haviam contratado uma equipe de aventureiros adamantite como segurança para
hoje. Eles estavam ostensivamente lá como um detalhe de segurança, seu principal obje-
tivo era procurar quaisquer espiões do Reino Feiticeiro. Lamentavelmente, ele não con-
seguiu se encontrar com o Ijaniya, que havia sido considerado como uma das alternativas.
Isso também fez Jircniv perceber que induzi-los ao Império seria muito difícil.

“Vossa Majestade, embora os aventureiros adamantite possuam a maior força de luta de


toda a humanidade, eles ainda não podem ultrapassar os limites da habilidade humana.
Por favor, não abaixe sua guarda.”

Jircniv estava dolorosamente ciente daquelas palavras que o “Vendaval Feroz” Nimble
Arc Dale Anoch estava tentando dizer a ele. De fato, tendo visto as fileiras de monstros
dentro daquela sala do trono, ele entendia essas palavras melhor que Nimble, que assis-
tira aquele grande massacre com seus próprios olhos.
“Claro. No entanto, eles podem muito bem ser capazes de aguentar. Considere o aven-
tureiro adamantite do Reino, Momon. Ele apontou a espada para o Rei Feiticeiro e defen-
deu o povo com sua força. Uma vez que os membros do Pássaro Fio-Prateado também
são aventureiros adamantite, será um problema se eles não puderem fazer o mesmo.”

Quando ele disse isso, Jircniv sorriu tristemente.

“E se nem mesmo eles... se nem eles conseguem, e então?”

A pergunta de Jircniv trouxe expressões dolorosas para os rostos de ambos os cavaleiros.


Esse olhar foi uma resposta melhor do que qualquer coisa que eles poderiam ter dito.
Inconscientemente, Jircniv começou a espelhar suas expressões.

“Vossa Majestade, por favor, não faça essa cara. Podemos não ser fortes, mas ainda va-
mos dedicar nossos corações e almas para completar nossa tarefa.”

“Isso mesmo, Vossa Majestade. Por favor, adote aquela atitude confiante e arrogante de
novo. Este estado frágil em que está agora não combina com sua presença.”

Essas palavras gentis perfuraram o coração de Jircniv, e ele não conseguiu dizer: “Isso
não se aplica a vocês também?” No entanto, ele decidiu aceitá-las sem reclamar. Aquelas
palavras poderiam ter tido tanto efeito quanto regar um deserto, mas de fato, essas pa-
lavras haviam mergulhado no deserto de seu coração.

“...Me perdoe. Obrigado pela sinceridade. Então... já que só vocês dois estão aqui, vocês
se importariam de ouvir meus pensamentos tolos por um tempo?”

Os dois cavaleiros assentiram sem palavras.

“O que você acha que eu deveria fazer? Por que um monstro assim apareceria ao lado
do Império? Por quê? Que pecado cometi contra o céu e a terra para justificar isso? O que
devo fazer para matar aquele monstro - ou não, selá-lo? Agora que o trunfo do Império
foi roubado pelo inimigo, existe realmente alguma maneira de mudar a situação?”

Ele não planejara dizer isso.

Se Jircniv se descontrolasse, seu povo não seria capaz de segui-lo. Aquele que se colo-
cava acima dos outros precisava adotar uma atitude apropriadamente superior. Isto foi
especialmente verdadeiro para o Imperador Sangrento, que havia expurgado muitos no-
bres.

O imperador não podia se dar ao luxo de demonstrar fraqueza. Essa foi uma lição que
seu respeitado pai lhe ensinara.

No entanto, todos os seres humanos tinham um limite para o que eles poderiam supor-
tar.
O lado humano de Jircniv era um que ele só mostraria para suas concubinas. Mas agora,
essa parte dele estava chorando.

“É verdade que pedi a ele para nos lançar uma magia. Mas não pude fazer nada quanto
a decidir qual! Não podemos planejar nenhuma contramedida se não tivermos idéia de
suas habilidades! Eu sou culpado por isso? Devo assumir a responsabilidade por tudo
que deu errado? Todos parecem pensar assim!”

Jircniv mordeu o lábio e agarrou o cabelo.

A verdade era que esta era apenas a ponta do iceberg. Se Jircniv tivesse se entregado
completamente aos sentimentos em seu coração, ele provavelmente estaria chorando,
gritando e rolando pelo chão. Mas ele estava simplesmente tentando proteger a imagem
do Imperador.

Ainda assim, ele tinha algum senso de autoconsciência sobre o curso de ação das coisas.

Parece que isso estava se tornando um hábito, então Jircniv voltou ao normal.

“Me perdoe. Parece que fiquei um pouco descontrolado. Eu estive sob muito estresse
recentemente.”

Ele olhou para baixo e viu fios de cabelo em seus dedos.

A julgar pelos retratos, nenhum de seus ancestrais tinha cabelos finos. Jircniv não pôde
deixar de pensar que ele poderia ser o primeiro imperador na história do Império a ficar
careca.

Ele acenou com a mão para impedir que seus subordinados notassem. Às vezes, a pena
é mais do que uma repreensão, e o mesmo se aplica à questão da queda de cabelo.

“Dito isso, pode não ser muito convincente depois que vocês viram este meu lado. No
entanto, vocês dois não precisam se preocupar. Eu vou cuidar disso, de alguma forma. Eu
não vou deixar ele fazer o que ele quiser com o Império.”

Aquele sorriso confiante pareceu suavizar os rostos de seus subordinados.

No entanto, nenhum deles estava realmente à vontade.

Eles também entenderam que as palavras de Jircniv eram apenas um alívio temporário.

Não importava como pensassem, eles não conseguiam encontrar uma maneira de lidar
com esse monstro.
Na verdade, Jircniv achava que seria impossível a menos que houvesse uma arma que
pudesse matar permanentemente os undeads, ou a menos que outro ser humano muito
poderoso aparecesse.

É por isso que precisamos confiar na Teocracia Slane. Eles têm uma história mais longa
que a nossa, então eles podem encontrar uma arma capaz de matar os undeads de uma só
vez. Não, apenas compartilhar informações com eles nos permitirá continuar lutando!

Tudo o que ele podia fazer agora era rezar para que isso acontecesse.

A carruagem continuou em frente, e com ela foram as últimas esperanças de Jircniv.

♦♦♦

A arena era de forma circular. Havia uma grande entrada em um dos lados através da
qual a carruagem entrava. Essa entrada levava às salas VIP e pouquíssimas pessoas fa-
ziam uso dessa entrada. As outras entradas eram usadas para a entrada e saída dos fre-
quentadores regulares ou para o transporte de carga. Estes foram os três principais tipos
de entradas para a arena.

Os primeiros a descer da carruagem foram, naturalmente, os dois cavaleiros servindo


como guarda-costas. Depois de verificar a segurança do local, Jircniv saiu.

Cinco homens esperaram por eles lá.

A vestimenta deles parecia totalmente fora de lugar para a entrada VIP.

Jircniv podia avaliar o valor de qualquer obra de arte em particular com um olhar, mas
ele não podia adivinhar tais informações de seus equipamentos ou armaduras. Isso foi
porque o que eles estavam vestindo era roupas cotidianas e ao mesmo tempo equipa-
mento de guerra. Não eram a roupa dos guardas da casa de um nobre, mas a panóplia de
veteranos endurecidos pelas batalhas.

Pelas regras normais de etiqueta, a parte inferior deveria ter se apresentado primeiro.
No entanto, alguns aventureiros não se importavam com status ou posição, e esses eram
aventureiros.

Ainda assim, ele era o governante do Império. Seria realmente apropriado que ele abai-
xasse a cabeça para os aventureiros?

Em meio a esse constrangimento, o homem em pé no centro do grupo de cinco falou:

“Vossa Majestade, o Imperador Jircniv Rune Farlord El-Nix. Eu acredito que esta é a pri-
meira vez que nos encontramos, me sinto honrado. Somos a equipe de aventureiros Pás-
saro Fio-Prateado, somos os adamantites que aceitaram o pedido de prestação de servi-
ços de segurança. Eu sou o líder da equipe, Freivalds. Prazer em conhecê-lo.”
Sua voz digna ecoou pelos arredores.

Ele tinha um alaúde nas costas e um florete na cintura. Ele usava uma cota de malha que
envolvia seu corpo em luzes estranhas.

Todo o seu equipamento não refletia apenas a luz, mas emitia um brilho mágico por
dentro. Cada pedaço de sua panóplia parecia um item mágico de primeira categoria, es-
pecialmente o alaúde, que também era conhecido como Star Symphony.

Ao observar a atitude completamente confiante do homem, Jircniv recordou-se de vá-


rios meses atrás, e não pôde deixar de sentir alguma inveja.

“...Eu ouvi sobre os feitos de vocês, o grupo de aventureiro de mais alto nível do meu
país. Essa saga heroica de como você matou um Radiant Crawler realmente fez meu san-
gue ferver. Portanto, eu sei sobre todos vocês até certo ponto. No entanto, como esta é
uma oportunidade rara, posso incomodá-lo pessoalmente para apresentar os heróis do
meu país para mim?”

“Então, permita-me, como o bardo—”

“—Vai falar essa coisa? Disculpa a sinceridade, mas meu ouvido num é pinico não, isso
me irrita. Espadas curtas brilhantes e essas firulas... de qualquer forma, só pula essa parte,
né não? É, ou num é, Seu Majestade. Disculpe, eu falo assim desde que nasci. Tudo bem,
né?”

O homem ao lado de Freivalds deu um passo à frente e inclinou a cabeça gentilmente.

Ele era um homem atarracado e baixo. Embora ele tivesse um sorriso no rosto, aqueles
olhos desproporcionalmente pequenos não tinham alegria neles.

Ele era Keila No Södersten, um Ladino, conhecido como o “Planejador”.

Não havia muita informação sobre o “Planejador”, então havia muito que permanecia
desconhecido sobre ele. Ele provavelmente estava mais perto do submundo e mais en-
volvido em emboscadas e assassinatos do que um ladino comum.

Jircniv indicou que não deveria se preocupar com isso, e então Baziwood riu.

“Haha. Sem problemas. Sua Majestade está acostumado a isso.”

“Ohh, então é... o tal do “Ralâmpego”-san, um dos Quatro Cavaleiros. Nasceu naquelas
bandas também, parceiro?”

“Hm? Ah, não, provavelmente em um lugar diferente. Eu saí em um pequeno beco sujo.
Você deve ter saído de um lugar mais profundo e escuro do que eu.”
“Ah certo. Seu cheiro é diferente... disculpa. Achei que era.”

“Está tudo bem, Nuvem Negra.”

“Eu num me chamo dessa coisa de “Nuvem Negra” não... ah, isso aí chefe, é invenção seu.”

Freivalds simplesmente arqueou os cantos da boca quando Keila olhou para ele.

“É melhor nos deixar nos apresentar em vez de usar apelidos estranhos. Minhas descul-
pas, Vossa Majestade. Primeiro foi o Keila, nossos olhos e ouvidos. Em seguida é o nosso
lutador. Você pode ficar um pouco surpreso quando o vir, mas posso garantir que é forte.”

“Não, claro que Sua Majestade não duvida dele. Afinal, sinto que ele pode ser mais forte
que eu.”

“Bem, fico feliz em ouvir isso de um homem forte. Este é o Fan Long.”

A pessoa que estava sendo apresentada era um macaco de pêlo vermelho, com cerca de
170 centímetros de altura. Ele estava vestindo uma armadura que parecia ser feita de
peles brancas, e ele tinha machados de batalha em ambos os lados da cintura.
[Homem-besta - S í m i o ]
Pertencia a uma subespécie dos Beastmen, um A p e -Bestman, bem como aquele que
canalizava o espírito dos macacos através do poder de sua profissão guerreira, Senhor
das Feras. Ele havia lido sobre isso em um relatório antes, mas realmente ver com seus
próprios olhos foi o choque.

E, de fato, apenas pelas aparências, ele parecia mais forte do que Baziwood, o mais po-
deroso dos subordinados de Jircniv.

Fan Long levantou a mão direita e acenou para Jircniv e os outros.

“Então, o próximo é aquele que cura nossas feridas.”

Freivalds começou apressadamente a próxima introdução. Isso porque ele estava preo-
cupado que Jircniv ficaria descontente.

Desta vez, o homem da esquerda de Freivalds deu um passo à frente.

“Perdoe-me.”

Disse ele enquanto o estranho cajado que ele segurava fazia um barulho. Essa arma era
aparentemente chamada de “Shakujou”.

“Este humilde monge atende pelo nome Unkei. Este monge é um seguidor de Buda. Pra-
zer em conhecê-lo.”
Embora ele estivesse vestido estranhamente, ele parecia um pouco mais civilizado do
que o “Senhor das Feras” de antes.

Depois que ele tirou o chapéu bizarro e grande — chamado de fukaamigasa — a cabeça
assim revelada não tinha pêlos sobre ela. Se ele não soubesse que o homem havia ras-
pado tudo sozinho, Jircniv poderia ter sentido pena dele. Afinal, ele era bem jovem.

Ele usava um estranho manto de batalha chamado kasa. Ele era um soryo, um magic
caster espiritual que sabia um pouco sobre magias de cura, mas que mostrava um poder
excepcional quando lutava contra os undeads.

O Buda que ele seguia veio do extremo sul e tinha poucos seguidores. Alguns o viam
como um dos seguidores dos Quatro Deuses. Pouco se sabia sobre ele e não havia inte-
resse em construir um templo para tal deus dentro da Capital Imperial. No entanto, Jirc-
niv sabia que a existência deste homem era considerada uma espécie de perturbação.

Basicamente, os templos definem o preço para o uso da magia de cura. No entanto,


quando um usuário solitário e não afiliado de magia de cura apareceu, como eles lidariam
com ele? O que eles fariam se aquele homem fosse também um aventureiro da mais alta
ordem — um aventureiro adamantite?

Não havia nenhum elo particular entre o governo do Império e a religião. O fato de Jirc-
niv não ter laços com eles poderia ser considerado boa sorte.

Ele não queria mais se envolver em questões problemáticas.

No entanto, ao verificar através do registro do homem, ele descobriu que ele apresentou
um desempenho excepcional contra os undeads, o que chamou imediatamente a atenção
de Jircniv. Se necessário, ele pode precisar aplicar a pressão necessária nos templos.
Claro, isso só acontecia se suas habilidades fossem realmente efetivas.

“Entendo. Então, o último deve ser Powapon.”

“É como diz, Vossa Majestade.”

O homem que Freivalds guardara para o final era mais estranho que os anteriores. Ele
era indiscutivelmente o mais bizarro dos cinco homens e abaixou a cabeça para Jircniv.

Sua parte superior do corpo estava bronzeada de preto com estranhos padrões brancos
pintados em cima dele. Isto foi provavelmente porque ele era um membro da profissão
estranha chamada Totem Xamãs.

“...Você não está com frio?”


“Eu já tenho um item mágico que protege contra mudanças na temperatura, então não
há nenhum problema.”

Jircniv não pôde deixar de se sentir surpreso com a resposta, que era mais normal do
que ele esperava. Ele havia recebido relatórios sobre sua aparência esquisita, bem como
a notícia de que ele era uma pessoa normal acima de tudo. Ainda assim, a absoluta disso-
nância o encheu de surpresa. Olhando mais de perto, ele parecia bastante bonito e bas-
tante jovem também.

Por que ele escolheu essa profissão?

Parte dele queria saber, mas ao mesmo tempo agora não era hora para isso.

Jircniv considerou os membros do Pássaro Fio-Prateado diante dele.

Esta era uma equipe estranha composta de membros estranhos. A única coisa que eles
tinham em comum era que eles carregavam uma pena de prata em algum lugar acima do
peitoral (no caso do Totem Shaman, estava na cintura).

Aquelas penas brilhavam com luz prateada, como se tivessem acabado de ser polidas.

“Entendido, senhores. Então, eu estarei sob seus cuidados hoje.”

“Deixe isso para nós, Vossa Majestade. Pense nisso como vindo a bordo do nosso navio.”

Jircniv não pôde deixar de sorrir ironicamente ao ouvir as palavras de Freivalds, e deci-
diu ir embora. Contudo—

“—Guenta aí, Seu Majestade.”

Disse Keila em uma voz maçante.

“Nóis aqui fomos contratados para proteger o Seu Majestade, então, faiz favor, cê tem
que ficar perto da’gente. Certo?”

“Não é uma questão de certo ou errado. Vocês foram contratados para me proteger, en-
tão farei o que julgar necessário. Além disso, se você acha que precisa usar sua força,
sinta-se à vontade para fazer pedidos. No entanto, gostaria de solicitar que fiquem perto
de mim o máximo possível.”

“Ah, tá. Então, a’gente pode ordenar Quatro Cavaleiros se for assim. É, acho que isso é
coisa de peixe grande agora. Então rapaziada, cês fica ao lado do Seu Majestade. Mas se
acontecer alguma coisa, corram quando a’gente disser. Isso deve servir. Então, solta esse
som, chefe.”
“Certo. Minhas desculpas pelo tom de Keila, Vossa Majestade. Não importa quantas ve-
zes eu diga a ele, ele sempre acaba fazendo isso...”

“Não precisa se preocupar. Dito isto, pode ser problemático se ele fizesse isso em uma
área pública...”

Talvez Freivalds tivesse entendido a mensagem, mas assentiu levemente. Isso implicava
que ele sabia a hora e o lugar certos para esse tipo de coisa.

E então, ele cantou. Não era bem uma música, mas um arranjo bizarro de sons. Isso por-
que havia algumas partes que ele podia ouvir, mas não entendia. Parou depois de alguns
segundos, embora a estranha música permanecesse em seus corações. Então, Keila fez
seu movimento.

Se alguém tivesse que anexado alguma forma de efeito sonoro a seus movimentos, tanto
“lento” quanto “viscoso” poderiam vir bem a calhar de modo a descrevê-los. De todo
modo, Jircniv não tinha capacidade de fazer tais movimentos.

“Então, faiz favor, fica uns dez metros atrás de mim e me siga.”

Eles fizeram como disse Keila, mantendo dez metros de distância antes de seguir em
frente. Jircniv aproveitou a oportunidade para perguntar Freivalds sobre a música de
agora a pouco.

“O que foi isso, afinal?”

“Vossa Majestade não sabe? Essa foi uma habilidade de bardo, uma magia. Ele difere de
usuário para usuário e pode ser executada com vários instrumentos, mas no meu caso,
eu evoco seus efeitos através da música.”

“Então é isso, huh.”

Freivalds não pôde deixar de sorrir ao ver Jircniv resmungar para si mesmo. Nesse exato
momento, Jircniv se lembrou de algo que queria aprender, mas não teve chance de acom-
panhar. Ele decidiu aproveitar esta oportunidade e perguntou:

“...Eu tenho algo para lhe perguntar. Esse cântico mágico pode controlar pessoas?”

“Cânticos mágicos podem transmitir um efeito de sugestão, assim como as magias po-
dem. Isso deveria ser possível. Além disso, eles devem ser capazes de encantar as pessoas,
mas até certo ponto.”

Jircniv olhou para Freivalds.

“Entendo... este é o caso...”


“Bem, basicamente é isso.”

Então aquele monstro tinha o poder de um bardo, a menos que—

“Então, o que você sabe de monstros que se parecem com sapos?”

—A menos que fosse uma habilidade inata como um monstro. Essa possibilidade não
pode ser completamente descartada. Era muito importante ter certeza disso.

“Sapos? Quer dizer daqueles gigantes?”

“Não, não desses. Algo mais inteligente. Estou falando de um monstro que anda sobre
duas pernas e pode ativar instantaneamente algo parecido com essa magia.”
[Homem-sapo]
“...Um Toadman? Um Toadman bardo se encaixaria na sua descrição... mas, se bem me
lembro, os Toadmen não são particularmente demi-humanos. Talvez se fosse um patri-
arca, algum com profissão focada em liderança... Eu ouvi que eles podem usar habilidades
especiais para confundir o inimigo.”

O que aconteceu lá não foi parecido com confusão.

Ele havia lido sobre os demi-humanos conhecidos como Toadmen, mas suas aparências
diferiam ligeiramente do monstro que se chamava Demiurge. Poderia ele ser um mutante
de um Toadman, ou talvez um Rei Toadman? Essas possibilidades não poderiam ser des-
cartadas, mas era mais provável que esse não fosse o caso.

“Parece não ser o caso, não é. Minhas mais profundas desculpas, Vossa Majestade. Há
simplesmente pouca informação. Talvez, se pudesse me contar mais sobre a criatura em
questão, eu poderia ser capaz de resolver este mistério para o senhor.”

Isso foi como um salva-vidas para um homem que se afogava.

“Perfeito. Então, vou falar sobre a aparência desse monstro. Se possível, você poderia
usar sua sabedoria para me ajudar? Além disso, você poderia me contar em detalhes so-
bre cânticos mágicos?”

No Império, provavelmente não havia ninguém que soubesse mais sobre monstros do
que aventureiros adamantites.

“Vossa Majestade, isso seria abusar de mais. Estes são os seus meios de subsistência de
que está falando.”

Freivalds riu em resposta às palavras de Baziwood.


“Bem, é verdade que não podemos falar muito sobre nossos trunfos. Ainda assim, res-
ponder a essa pergunta não trará problemas. Ainda assim... não seria melhor perguntar
àquele grande magic caster? Tenho certeza que ele saberia mais do que nós...”

Jircniv se esforçou para não mostrar nenhuma informação quando surgiu o tópico de
Fluder.

Ele já havia emitido uma ordem restrita sobre a traição de Fluder, então nenhuma in-
formação vazou. Por enquanto, Fluder ainda estava em sua posição de chefe, embora seus
privilégios e poderes estivessem sendo lentamente arrancados para que ele não perce-
besse. Ao mesmo tempo, ele estava procurando uma maneira de preencher a lacuna que
Fluder deixaria.

Percebendo tal lacuna de poder, Jircniv percebeu exatamente quanto de uma benção
Fluder fôra para o Império, mas agora era tarde demais.

“Não podemos continuar confiando no velho. Isto é como lição de casa para um aluno.
Se alguém simplesmente esperar por todas as respostas apenas por ter tido um bom pro-
fessor, ele acabará sendo repreendido por isso.”

As palavras de Jircniv foram recebidas com várias risadas.

“De fato, Vossa Majestade tem razão. Compreendo. Bem, as taxas para esse pedido esta-
vam bem acima da média, dada a tarefa que fomos contratados para realizar. Então, re-
sumirei a questão das magias para o senhor mais tarde.”

“Entendo. Conto com você, então.”

Havia várias salas VIP na arena. Uma foi reservada para os investidores da arena. Uma
foi reservada para nobres de alto escalão. Então, havia uma reservada para o Imperador,
um total de três. Eles estavam se dirigindo para a sala que havia sido reservada para os
imperadores através das gerações. Talvez Keila tivesse explorado a rota antes, mas ele
não perguntou o caminho embora estivesse liderando o grupo.

Finalmente chegaram, mas na esquina antes que pudessem ver a porta da sala, Keila
estendeu a mão para Jircniv, indicando que ele deveria parar.

“Não vi ninguém, mermo assim, vai que, né?! Cês pode guentar neste canto por um
tempo?”

Ele não esperou por uma resposta às suas palavras sussurradas, mas virou a esquina
como se estivesse indo dar uma volta. Com a curiosidade despertada por isso, Jircniv ti-
nha um olhar de curiosidade em seu rosto enquanto tentava espionar a situação.
Ele se aproximou da porta sem emitir nenhum som e, depois de fazer alguma coisa, abriu
a porta lentamente. Embora ele mal tivesse aberto, isso pareceu ser suficiente para ele
entrar, e seu corpo inteiro desapareceu na sala.

Depois de um tempo, a porta se abriu e eles puderam ver o rosto de Keila.

“Tudo tranquilo. Tá seguro.”

O grupo entrou na sala, que havia sido verificada como segura.

Jircniv olhou em volta.

Era um pouco pequena, mas a mobília requintada era toda de primeira classe. A sala
fôra imaculadamente limpa para o imperador, que dificilmente a visitava.

Uma grande janela tinha sido aberta no lado da sala que dava para a arena, permitindo
uma visão panorâmica das cenas abaixo. Se olhassem um para o outro, eles seriam capa-
zes de ver filas e mais filas de assentos totalmente ocupados, lotados de uma plateia que
estava empolgada e festejando loucamente.

A razão para a grande multidão era porque o Senhor Marcial estava subitamente mar-
cado para uma aparição.

O Rei do ringue — o Senhor Marcial — era esmagadoramente poderoso. Não havia nin-
guém que ele pudesse lutar a sério. Portanto, fazia muito tempo que não havia uma ba-
talha com o Senhor Marcial.

Foi por causa de uma batalha tão esperada com o Senhor Marcial que a multidão chegou,
atraída pela antecipação da figura heroica que iria combatê-lo.

Como esperado, uma grande razão para isso foi a admiração pela força. Já que o Império
tinha seus guerreiros profissionais chamados de cavaleiros, o campo de batalha era como
outro mundo para os moradores comuns da Cidade Imperial. Por isso esperavam ansio-
samente o espetáculo de uma batalha de vida ou morte.

Não, ele tinha ouvido falar que havia cavaleiros que gostavam da arena também.

Em outras palavras, eles esperavam um espetáculo e uma demonstração de brutalidade.

Assim que Jircniv ficou distante enquanto pensava nisso, os membros do Pássaro Fio-
Prateado completaram a varredura da sala.

“Havia algum sinal de magia de adivinhação sendo usada aqui?”

“Nós não descobrimos nenhum vestígio de tal magia, Vossa Majestade. Isso está certo?”
“É. Bem, ver se tais magias foram conjuradas é muito difícil para mim, então eu dei uma
olhada por aí, verifiquei qualquer item mágico, mas nada apareceu. Ainda assim, espero
que você não se esqueça que eu não tenho a percepção de um ladino. Por favor, não pense
que é absolutamente seguro... bem, nosso chefe aumentou nossa capacidade de detecção
com a música horrível dele, então deve estar tudo bem.”

“Com relação ao campo da magia, esse humilde monge usou uma adivinhação para in-
vestigar os arredores. No entanto, não havia vestígios de magias. De qualquer forma, eu
criei uma barreira mágica que deve impedir magias de adivinhação, então pode-se supor
que deve ficar tudo bem”

Unkei bateu seu shakujou no chão, e um toque agudo ecoou pela sala.

“Então, posso fazer outro pedido? Existe magia que detecta a presença de pessoas pró-
ximas? Seria melhor se fosse uma magia que pudesse detectar até mesmo uma pessoa
invisível.”

“Lamentavelmente, esse humilde monge não conta tais magias entre seu repertório. No
entanto, acredito que nosso líder tenha essa magia.”

Freivalds, cujo nome havia surgido, sinalizou que entendia e saía da sala.

“E agora? Que medidas tomará se o inimigo quiser nos espionar?”

Jircniv se esforçou para pensar no que poderia fazer contra Ainz Ooal Gown. No entanto,
era impossível imaginar o que estava além do imaginável. O fato era que o homem pare-
cia tão imenso em sua mente que tudo o que ele conseguia visualizar parecia insignifi-
cante contra ele.

“...Sendo sincero, sem neura, deve ficar tudo na boa. É o que penso. Então num dianta
me encarar assim, certo? Já até ganhamo os aprimoramento de magia, né não?”

“Basicamente é isso mesmo, Vossa Majestade. Este humilde monge já usou magia anti-
adivinhação e a configurou para que qualquer tentativa de investigação mágica me envi-
asse um alerta. Por favor, fique à vontade.”

Keila e Unkei falaram assim, um após o outro.

Eles achavam que ele estava obcecado? Ou eles acham que ele ficou um pouco louco
porque estava preocupado com o assassinato?

Ainda assim, o que esses dois pensariam se ele lhes dissesse que estavam indo contra o
Rei Feiticeiro? Agora isso era o que realmente interessava Jircniv. Eles diriam: “Não po-
demos nos preparar o suficiente contra ele?” Ou diriam: “Se soubéssemos disso, não tería-
mos aceitado por essa quantia desprezível”?
Naturalmente, o melhor cenário era não lhes contar nada sobre o Rei Feiticeiro e fazê-
los se preparar contra todas as ameaças da melhor forma que pudessem.

Ainda assim, não importava o quanto ele tentasse censurar as informações sobre o Rei
Feiticeiro, ele não conseguiu conter 60.000 bocas.

Notícias provavelmente haviam saído. Sendo esse o caso, uma vez que os aventureiros
tendiam a passar mais tempo coletando informações de alto nível, havia uma chance
muito grande de eles já terem aprendido sobre as habilidades do Rei Feiticeiro.

Não seria difícil para eles descobrirem o porquê eu realmente os chamei aqui, não?

Depois de pensar em várias possibilidades, Jircniv decidiu blefar com um sorriso calo-
roso.

Os dois perceberam que Jircniv não podia aceitar o que haviam dito. Nem eles tinham
mais nada a dizer além disso.

Um grande aplauso surgiu da arena.

De onde eles estavam, parece que uma das batalhas entre os gladiadores teve um ven-
cedor.

No passado, os derrotados foram condenados à morte, mas não mais. Ainda havia casos
de mortes em batalhas, mas não haveria mortes depois que o vencedor fosse determi-
nado.

Aparentemente, um gladiador havia sido poupado porque suas repetidas derrotas eram
divertidas. Isto permitiu-lhe despertar o seu verdadeiro poder e tornou-se campeão,
após isso, essa restrição particular foi abolida. Esta decisão foi tomada porque pode ha-
ver outra pessoa como ele algum dia.

Qual Senhor Marcial foi ele? Embora ele não seja comparável com o atual Senhor Marcial,
ele era aparentemente um cara poderoso. Mas essas pessoas não são fiéis a nenhum país.
Eu preciso pensar em como colocá-los do meu lado...

“Em todo caso, nós terminamos aqui, Vossa Majestade.”

Jircniv se virou quando ouviu a voz de Freivalds.

“Obrigado.”

Ele provavelmente deveria ter sido mais sincero em seus agradecimentos a esses aven-
tureiros adamantite. No entanto, ele simplesmente descartou a apreciação habitual.
“Não por isso. Ainda assim, fomos contratados para proteção, então devemos ficar aqui
nesta sala?”

Eles foram contratados como guarda-costas. Com isso em mente, foi uma sugestão ra-
zoável.

No entanto, seria realmente bom ter conversas secretas com eles na sala?

Claro, pode haver méritos em envolvê-los nisso. No entanto, uma vez que eles percebe-
ram o que Jircniv estava almejando, o risco de fazer inimigos desnecessários cresceria.

Ainda assim, eles não são nada comparados a aquilo — o que estou pensando? Estou com-
parando todos os desafios que encontro a aquele monstro, isso prova que estou começando
a enlouquecer, no mínimo. Além disso, seria estúpido continuar fazendo inimigos.

Jircniv sacudiu a cabeça.

“Sinto muito, mas haverá conversas importantes acontecendo depois disso. Seria muito
problemático ter vocês esperando aqui.”

“No entanto, será muito difícil protegê-lo dessa maneira, Vossa Majestade.”

“Há dois homens em quem confio nesta sala. Eles devem poder comprar tempo sufici-
ente até que vocês cheguem aqui.”

“Bem, isso é verdade...”

Disse o silencioso Fan Long, então completou:

“No entanto, se o inimigo for assassino no nível de Keila e se as coisas derem errado,
eles podem acabar fazendo uma bagunça.”

“Quando cê manda esse papo de assassino do meu nível, cê provavelmente fala daquela
menina lá dos Ijaniya. Ela é sinistra, pode usar ninjutsu pra atacar das sombras.”

“Bem, com esses dois guerreiros por perto, um inimigo empunhando a espada não deve
apresentar nenhuma dificuldade. No entanto, e quanto a magia? É precisamente esse
ponto que deixa este humilde monge inquieto. Além disso, sinto que estaremos mais in-
teressados no jogo do que qualquer conversa que Sua Majestade esteja realizando, não?”

Todos acabaram tentando persuadi-lo a deixá-lo ficar, mas como Jircniv estava deter-
minado a não deixar a informação vazar, não pôde aceitar suas sugestões.

“Suas dúvidas são bem fundamentadas, senhores. No entanto, não posso me compro-
meter neste ponto, seja como homem ou como Imperador deste Império.”
Os membros do Pássaro Fio-Prateado olharam para seu líder, que suspirou profunda-
mente.

“Se é assim que ser, assim será. Tenho certeza de que Vossa Majestade deve ter suas
razões particulares. Então, vamos ficar do lado fora. No entanto, pode nos dizer exata-
mente quem está vindo?”

“Uma pergunta razoável. No entanto, vocês precisam fingir que não viram nada. Vocês
podem?”

“Claro. Nós não revelaremos nada, não importa quem venha. Se a informação vazar, te-
remos prazer em arcar com as consequências.”

“Eu confio em você. Primeiro são os Sumos Sacerdotes do Deus do Fogo e o Deus do
Vento. Haverá quatro outros sacerdotes com eles.”

“Entendo. Então, ficaremos de guarda para alguém além dessas pessoas.”

“Ah, por favor faça. Esta sala VIP foi separada das outras salas VIP durante a construção.
Duvido que alguém se perca e vagueie aqui por acidente.”

“Entendido... Além disso, tudo bem se quebrarmos a fechadura das portas, Vossa Majes-
tade?”

“Você pode destruí-las se achar melhor.”

Fan se adiantou. Um som áspero veio de suas mãos, que apertavam os punhos de seus
machados de batalha com uma força que nenhum humano poderia igualar. Parecia um
pouco excessivo apenas quebrar uma fechadura, mas Jircniv não era guerreiro e não ti-
nha espaço para opinar.

No entanto, os dois membros dos Quatro Cavaleiros tinham olhares surpresos em seus
rostos enquanto falavam baixinho um com o outro. Isso chamou a atenção de Jircniv.

Fan lentamente levantou seus machados de batalha.

“—Ah, você não pode quebrar as portas.”

Fan parou no meio do caminho quando ouviu Freivalds falar. As sobrancelhas de Jircniv
se franziram.

“Por que não? Não estávamos indo com o plano de “Oh, nós estávamos planejando que-
brar a fechadura, mas estragamos a porta também, que pena, porque não aproveitamos e
ficamos aqui agora?” Ou algo assim?”

“Não faça isso dessa vez. Eu não quero me envolver nesse assunto político complexo.”
“De fato. Este humilde monge não deseja ser ainda mais odiado pelos templos.”

“Tudo bem. Então isso deve ser o suficiente.”

Fan gentilmente balançou o machado de batalha e quebrou sem esforço a fechadura.

Ele deveria ter ficado sem fala. Ou talvez ele devesse estar descontente. Talvez ele de-
vesse ter sentido muitas coisas, mas tudo o que Jircniv fez foi ficar impressionado. Isso o
fez pensar:

Como esperado de um aventureiro adamantite.

Ele não ficou impressionado com a facilidade com que quebrou a fechadura com um
machado de batalha, mas com a enorme audácia de dizer abertamente essas coisas diante
da mais alta autoridade deste país. Além disso, havia a arrogância necessária para decla-
rar que eles estavam dispostos a ignorar os desejos de seu cliente — que também era o
homem mais poderoso do país — para fazer o melhor trabalho possível.

Essas eram as coisas que Jircniv agora não tinha.

“...Eu poderia arrastar todos eles na lama da burocracia para que eles não possam esca-
par.”

Assim que Jircniv resmungou baixinho, os membros do Pássaro Fio-Prateado saíram


como coelhos assustados, como se tivessem arranjado isso desde o começo.

As únicas pessoas que restaram com Jircniv foram os dois cavaleiros, que se entreolha-
ram.

“Isso foi impressionante. Eles trabalharam juntos tão intimamente sem qualquer forma
de comunicação... Talvez isso seja apenas esperado? Por eles pertencerem a posição ada-
mantite que eles podem fazer isso.”

“...Bem, eu não sei o que dizer. Porém, pode não ser muito certo admirá-los... Vossa Ma-
jestade, devemos fazer bebidas?”

“Sim. Me desculpe por isso. Vocês podem me ajudar com os preparativos?”

“Entendido. Então, venha ajudar também, Baziwood-dono.”

Baziwood franziu a testa ante a sugestão.

“Eh? Eu também? Vossa Majestade, deveríamos ter trazido uma empregada, não? Nos-
sos convidados provavelmente achariam as bebidas mais saborosas se uma garota os
servisse. Quero dizer, eu sei é assim que funciona.”
“Sim, sim. Reclamando como sempre. Baziwood-dono, por favor, seja extremamente
cuidadoso.”

“Por favor, Baziwood. Não faz sentido desejar o que não podemos conseguir. Temos que
trabalhar com o que temos. Assim como o Império.”

“Essa analogia é bem trabalhosa, Vossa Majestade...”

Baziwood falou enquanto se ocupava com os preparativos.

Gritos de encorajamento soaram na arena abaixo, e houve uivos que soaram ligeira-
mente diferentes dos das feras selvagens.

O próximo jogo já havia começado.

Jircniv procurou suas memórias.

A partida antes dos Senhores Marciais foi aparentemente entre aventureiros e monstros.
Os jogos em que os aventureiros lutavam eram bastante populares entre os espectadores,
porque era mais provável que fossem eventos chamativos com explosões mágicas e coi-
sas do gênero.

Jircniv se sentiu muito emocionado quando olhou para a intensidade aquecida abaixo
dele, e ele disse:

“Que visão pacífica.”

“Tem certeza, Vossa Majestade?”

Enquanto se perguntava o porquê alguém estava respondendo aos seus murmúrios au-
todirigidos, Jircniv se virou para ver Baziwood parado diante dele. Nimble tinha uma ex-
pressão de aborrecimento no rosto enquanto cuidava da parte de Baziwood no trabalho
também.

“Não parece pacífico para mim. Apenas olhe.”

Um dos aventureiros foi atingido pela garra de um monstro bestial e o sangue voou pelo
ar. A plateia lamentou e gritou para encorajá-lo.

“Eu não quis dizer a luta, eu quis dizer o público.”

Jircniv olhou para a multidão que gritava alto.


“Esta não é uma visão pacífica, comparada com a situação em que o Império está? Se as
pessoas soubessem o tipo de monstros que espreitam sob aquela fina e frágil camada de
pele, você acha que eles poderiam se divertir assim?”

“Mas a paz não é boa? Não adianta deixar as pessoas andarem de barriga doendo, não
é?”

Baziwood estava certo.

Jircniv lamentou profundamente as palavras inúteis que ele havia falado.

“Você está certo, Baziwood. Então, está quase na hora. E quanto aos preparativos?”

“Sim, Vossa Majestade. Eu estava um pouco preocupado que nós não conseguiríamos a
tempo porque um certo alguém não ajudou direito, mas as bebidas e papeis estão pron-
tos. Assim como a tinta.”

A quantidade impressionante de tinta e papel era para o caso de alguém estar espio-
nando a sala VIP. Embora ele sentisse que os aplausos eram altos o suficiente e esta sala
fosse distante o suficiente das outras para que isso não fosse um problema, e espionar
por conta própria não traria muita coisa. Mas não fazia mal algum ser redundantemente
preparado.

Ele sabia que era muito problemático. Ele havia feito isso antes na Cidade Imperial, mas
isso foi realmente muito cansativo.

A razão pela qual foi tão difícil foi porque o poder do Reino Feiticeiro estava em uma
escala desconhecida.

Se ele soubesse o que poderia e não poderia fazer, suas ações poderiam ser diferentes.

Ele tinha planejado usar a guerra para montar uma investigação, mas terminou de uma
maneira verdadeiramente horrível, levando a uma terrível tragédia. Ainda assim, ele não
poderia desistir completamente de suas investigações. Ele pensou em outros métodos,
mas se eles não estivessem tão seguros quanto antes, então só restaria tremer diante da
sombra do inimigo. Mas mesmo se ele obtivesse algum resultado, mesmo se ele desco-
brisse quaisquer métodos acionáveis, ele poderia acabar sendo paralisado pela mesma
sombra a ponto de desistir.

Não, ele não podia esquecer o calor que passava por sua garganta.

“Ainz Ooal Gown — se eu soubesse os limites do poder do Rei Feiticeiro, eu não preci-
saria ir tão longe.”
Naquele momento, ele pedira a ele que o ajudasse como colaborador, mas agora que ele
era um Rei e um igual, pedir-lhe tal ajuda era quase impossível. Não, ele ainda podia per-
guntar, mas pensar no preço potencial de tal ajuda fez sua cabeça doer.

“Não é só o Rei Feiticeiro, Vossa Majestade. É ruim pois não sabemos o que seus vassalos
podem fazer, certo?”

“Está correto.”

“...E se esses subordinados são mais fortes que o próprio Rei Feiticeiro?”

“Como poderia ser? Isso é impossível, não?”

Jircniv começou a suar frio com essa resposta.

Quando refletiu sobre o fato de que os Quatro Cavaleiros eram mais fortes do que ele —
sendo estes seus subordinados —, ele não conseguiu dizer que era impossível. Aquele
que estava acima dos outros não precisava de força física pura, mas sim de outras coisas.

E se Ainz Ooal Gown fosse assim?

“—Não, não pode ser. Ouça, Nimble. Você entendeu tudo errado. Entendido?”

“Sim! Desculpe Vossa Majestade.”

Se isso fosse realmente o caso, então eles estavam acabados. Ele esperava que, no má-
ximo, esses subordinados fossem iguais ao Rei Feiticeiro — e Jircniv estava rezando de-
sesperadamente para os deuses que eles seriam mais fracos que ele.

Como ele pensava, eles não tinham informação suficiente.

Eu acho que devemos continuar esse plano de tentar aprender algo com aquela garota
Elfa Negra, com o conhecimento de que poderia ser perigoso. É verdade que não podemos
comprar muitos escravos da Teocracia, mas talvez esse método pudesse... Ou talvez tentar
aquela que parece um menino seria melhor. Será que ela gosta de mulheres? Não, ela pa-
rece muito jovem, então usar as mulheres nela provavelmente não funcionará. Além disso,
ela parece bastante decidida.

Assim que Jircniv se acomodou para uma longa contemplação, uma batida veio da porta.

Os três homens se entreolharam e Nimble foi abrir a porta.

Como esperado, Freivalds estava lá.

“Vossa Majestade, os convidados chegaram. Há seis pessoas no total e conheci os Sumos


Sacerdotes de antemão, então acredito que são eles.”
“Então, por favor, entre—”

Assim que ele disse isso, Keila apareceu.

“Opa, opa, guenta aí, cês na parte de trás. Os números se somam, mas algo num me cheira
bem, não é? Cês dois atrás sabem do que falo. Então, cês é do esquadrão de punição dos
templos — aqueles que mata sacerdotes renegado? Achei que cês deviam ser apenas bi-
cho-papão, não?”

“Este humilde monge também está bastante surpreso.”

“Quem são as pessoas?”

“Minha nossa, quão problemático. Teria sido bom se você tivesse nos deixado passar
sem incidentes... Primeiramente, você está enganado. Eu — não, nós temos uma boa ra-
zão para estar aqui. Ou seja, porque o imperador nos convidou. Ele ficará triste se você
mostrar hostilidade para nós, você sabe.”

“H—m. Ah tá. Seguinte, guenta aí um pouco? Vô confirmar pra ver se isso é verdade.”

Ele deixou Jircniv ver seus rostos. Havia o Sumo Sacerdote do Deus do Fogo, o Sumo
Sacerdote do Deus do Vento, assim como quatro outros que ele não havia visto antes.
Eles usavam capuzes de cor escura que o impediam de ver seus rostos por completo, e
essa era a parte mais suspeita.

Como esta foi a primeira vez que se encontraram, não havia garantia de que eles real-
mente eram emissários da Teocracia. No entanto, como os sumos sacerdotes também
estavam lá, as coisas não poderiam progredir se ele não acreditasse neles. O Rei Feiticeiro
seria o único que se beneficiaria de quaisquer disputas internas que resultassem.

“Eles são os convidados que eu estava esperando. Desculpe, mas você poderia deixá-los
entrar?”

Os membros do Pássaro Fio-Prateado tinham olhares chocados em seus rostos, mas eles
ainda deixam passar.

Mesmo depois de as portas estarem fechadas, não retiraram os capuzes.

Jircniv não disse nada sobre este comportamento indelicado. Eles provavelmente eram
tão cautelosos quanto Jircniv, e o objeto de sua cautela mútua era o Rei Feiticeiro.

“Parece que meus guardas te incomodaram. Peço desculpas.”

“Por favor, não dê atenção. A verdade é que aqueles aventureiros adamantite estavam
certos sobre as duas pessoas de trás.”
Os dois emissários sentaram-se, enquanto as outras duas pessoas estavam em posição
de atenção atrás deles.

Jircniv escreveu a palavra “Escritura” na folha de papel que ele tinha. Sua resposta foi
um leve sorriso, mas falou mais do que qualquer palavra. As forças especiais da Teocracia
eram conhecidas como as Escrituras, então eles devem ter vindo de uma das Seis Escri-
turas.

“Então, por que não assistimos a luta primeiro? O evento principal está prestes a come-
çar, não é?”

Jircniv acenou com a cabeça para essa pergunta.

O evento principal seria quando a empolgação da multidão atingia o ápice, e assim o


barulho intensificado. Isso tornaria a espionagem muito difícil, e foi por isso que ele es-
colheu esse lugar, neste evento.

O emissário produziu um documento e entregou-o a Jircniv.

Jircniv revelou cuidadosamente o documento, para não deixá-lo ser visto pelas costas
ou pelos lados, e viu várias perguntas por lá.

Simplificando, eles estavam perguntando o porquê ele pediu ao Feiticeiro Rei para usar
aquela magia.

Então, eles perguntaram sobre a opinião do imperador sobre o assunto.

Sobre o quanto eles sabiam sobre o Reino Feiticeiro.

Foi redigido nos termos mais diplomáticos, mas ainda era um questionário.

Eles poderiam ter simplesmente enviado para ele, mas a razão pela qual ele conseguiu
trazê-los até aqui foi porque eles temiam o alcance dos braços do Reino Feiticeiro. Ou
talvez fosse porque eles não confiavam no Império.

Insatisfação brotou no peito de Jircniv. No entanto, quando ele se lembrou de seu rela-
cionamento com o Reino Feiticeiro, era natural que eles não confiassem neles.

Jircniv preencheu suas respostas exatamente quando uma rodada de aplausos subiu.
Parece que o jogo estava prestes a começar.

“Antes desta grande luta, deixe-me chamar vossa atenção para o Imperador El-
Nix, que veio para assistir à batalha! Senhoras e senhores, por favor, olhem para a
sala VIP acima de vocês!”
Era a voz do locutor, amplificada por um item mágico.

“Com licença.”

Jircniv se levantou, para que o público abaixo dele pudesse ver seu rosto.

As pessoas aplaudiram como uma por Jircniv. Ele virou o rosto bonito para as pessoas e
sorriu silenciosamente para elas. As mulheres começaram a gritar por ele, e Jircniv sen-
tiu-se bastante satisfeito por sua popularidade ainda não ter diminuído.

“Muito obrigado! Então, a seguir, senhoras e senhores, a tão esperada batalha com
o Senhor Marcial! Os preparativos vão demorar um pouco, então, por favor, te-
nham paciência.”

“O Senhor Marcial, huh...”

Murmurou Jircniv.

Jircniv uma vez perguntou a Baziwood sobre deixar todos os Quatro Cavaleiros lutarem
contra o Senhor Marcial. Ele riu e disse que eles não tinham chance de ganhar. A resposta
o preocupou, então ele deixou Fluder reunir algumas informações sobre o Senhor Mar-
cial. Os resultados mostraram que o Senhor Marcial era um ser tão poderoso que era
injusto.

“Ainda assim, com quem o Senhor Marcial lutará, Vossa Majestade?”

A pergunta do emissário era óbvia. O fato era que Jircniv não tinha uma resposta para
ele.

“Eu não tenho certeza. Esta partida com o Senhor Marcial parece ter sido decidida apres-
sadamente e também não apareceu na programação, por causa do sigilo.”

“Entendo...”

O emissário respondeu.

“Bem, qualquer um que pudesse entrar em contato com o Senhor Marcial deve ser um
aventureiro adamantite. No entanto, o pessoal da Pássaro Fio-Prateado está aqui, então
deve ser alguém das Oito Ondas. Honestamente, eu realmente não posso aprovar as par-
tidas de exibição com a chance de matar um dos raros aventureiros adamantite.”

“Não posso refutar completamente isso, mas o fato é que a força é atraente. Este lugar é
provavelmente o mais adequado para permitir que as pessoas vejam um exemplo de po-
der avassalador e lhes dê um sonho de um dia conseguir o mesmo.”
O homem que interrompeu foi o Sumo Sacerdote do Deus do Fogo — em outras palavras,
o membro mais graduado da fé do Deus do Fogo.

“Dito isso, depois de considerar a condição atual do Império, é possível que ele acabe
reduzindo sua força militar. O Senhor Marcial é o ser mais poderoso do Império. Por que
não alistá-lo em suas forças?”

“...Pensar que alguém como você realmente diria algo assim.”

A Teocracia Slane era um país centrado na humanidade. Não, seria melhor dizer que
eles menosprezaram os países de outras raças.

Uma nação que ainda poderia existir em um mundo cheio de várias raças depois de
anunciar esse fato, provava sua força. Alguém tinha que entregar isso para eles. Ou me-
lhor, pode-se dizer que unir uma espécie era uma condição para construir uma nação
forte.

“Essa é apenas minha opinião pessoal. Não reflete no meu país. Bem, chega de bate-papo
por agora, Vossa Majestade. Posso ter sua resposta?”

“De fato. Então—”

“—A espera acabou, senhoras e senhores! Apresentaremos nosso desafiante!”

A mão de Jircniv parou quando ele estava prestes a escrever a resposta para a primeira
pergunta. Isso porque ele estava curioso sobre o desafiante, que era corajoso o suficiente
para lançar um desafio àquele Senhor Marcial. Ser reconhecido como um desafiante sig-
nificava que ele deveria ser capaz de lutar bastante. Alguém assim ainda existe no Impé-
rio?

Se ele fosse excepcional o suficiente e estivesse disposto a servir o Império, ele o em-
pregaria mesmo se ele perdesse. Dependendo de como as coisas acontecessem, ele po-
deria acabar dando a ele o lugar nos Quatro Cavaleiros que “O Intangível” deixara vazio
após sua morte.

“...O nome do desafiante pode ser conhecido por muitos na plateia. Esse grande
homem veio para nos agraciar hoje! Eu vos apresento, o Rei Feiticeiro do Reino
Feiticeiro, Sua Majestade! Ainz! Ooal! Gown!”

“—Haaaah!?”

Aquele som de total estupefação escapou de Jircniv.

Ele não entendeu as palavras do locutor que lentamente afundavam em seu cérebro.

Confusão encheu a arena, e a sala VIP estava mortalmente silenciosa.


Jircniv olhou em volta e ele tinha certeza de que todos tinham ouvido a mesma coisa.

“Ainz Ooal Gown?”

—Impossível.

Claro que era impossível. O líder de um país não poderia aparecer em um combate de
gladiadores em outro país. Isso era óbvio para qualquer um com bom senso. Não era
como se ele fosse um bárbaro.

Em primeiro lugar, eles estavam de olho nos movimentos do Reino Feiticeiro. Se o Rei
Feiticeiro tivesse entrado no Império, esse assunto teria alcançado os ouvidos de Jircniv
imediatamente. Teria sido um assunto de absoluta prioridade. Ele providenciara para
que as notícias lhe chegassem, mesmo se ele estivesse em seu harém ou em algum outro
lugar.

Se aquela notícia não lhe tivesse chegado apesar de todos esses esforços, isso signifi-
cava:

Ele entrou secretamente no país? Por que alguém faria aquilo? E ele veio para a arena?
Que merda ele está pensando — o quê? Poderia ser? É assim que vai ser? Isso... como isso é
possível?

O corpo de Jircniv estremeceu incontrolavelmente.

Então, ele mudou sua linha de visão para olhar para os emissários da Teocracia Slane.

Havia olhares penetrantes naqueles olhos sob seus capuzes, e o olhar naqueles olhos
dizia apenas uma coisa. Não, com toda a probabilidade, Jircniv teria chegado à mesma
conclusão se estivesse no lugar deles.

Eles estavam pensando: Jircniv convidou o Rei Feiticeiro aqui.

“Por favor, espere. Isso é uma armadilha!”

De fato.

Tudo isso foi uma conspiração de Ainz Ooal Gown. Se eles não entendessem isso — não,
se eles não pudessem aceitar isso, a situação se tornaria muito terrível.

“Uma armadilha colocada pelo Reino Feiticeiro? Ou por outra pessoa? Afinal, este é o
lugar que o senhor especificou, Vossa Majestade, e nós só soubemos disso algumas horas
atrás.”
Isso estava correto. Ele mantinha tudo oculto até o último momento para reduzir o risco
de vazamento de informações.

Jircniv tentou desesperadamente lembrar quem sabia sobre o assunto. O número era
muito pequeno e todos eles eram pessoas confiáveis. Ou foi realmente esse o caso?

Não—

“—É possível que a informação tenha sido extraída por meio da dominação mágica. Isso
definitivamente não faz parte do meu plano. Esta é a prova. Se eu tivesse colocado essa
armadilha, porque eu estaria em pânico com isso?”

“Você espera que acreditemos nisso? Você estava fazendo isso para nos atrair? Ou talvez
para nos denunciar?”

Eles não confiavam nele de forma alguma.

Não, isso era de se esperar. Jircniv faria o mesmo no lugar deles.

Ainda assim, onde foi o vazamento? Não, realmente vazou? Eu, eu apenas dancei na mão
dele como uma marionete? Ele soltou a isca e esperou que eu pegasse o anzol.

De repente, um vento frio soprou em suas costas.

Quantas de suas ações o Rei Feiticeiro já havia previsto?

Era muito possível que tudo o que acontecera até agora fizesse parte do plano.

O Rei Feiticeiro é este tipo de oponente.

Concluiu a brilhante mente de Jircniv.

Quão elaborado foi o esquema dele, afinal? Não, agora não é hora de ter medo de sua as-
túcia! Se eu não agir rapidamente—!

“Não é bom, temos que sair agora—”

No entanto, já era tarde demais.

A voz do intruso era como a de um caçador que viu sua presa cair em uma armadilha
cuidadosamente colocada.

“Jircniv Rune Farlord El-Nix-dono. A quanto tempo.”

Enquanto lutava para controlar sua respiração em pânico, ele viu a forma do Rei Feiti-
ceiro, que subia do centro da arena até a mesma altura da sala VIP.
Aquele rosto odioso dele estava em plena exibição. Deve ter sido para deixar que todos
soubessem que era o próprio homem.

“Oo, o— Mme. O mesmo para o senhor, Gown-dono. Não achei que te encontraria em
um lugar como este.”

Ele não tinha idéia do que dizer. Qualquer coisa que ele dissesse poderia ser contra ele.
No entanto, os lábios de Jircniv não se abriram, como se tivessem sido colados.

“O sentimento é mútuo. Que coincidência!”

Kuku~, o Rei Feiticeiro riu maldosamente. Ele obviamente não achou que fosse uma
coincidência.

E realmente não era.

Jircniv tinha certeza de que tudo isso fazia parte do esquema de Ainz Ooal Gown.

Assumindo o controle das negociações secretas com a Teocracia, ele simultaneamente


pressionaria tanto o Jircniv e a Teocracia quanto os impediria de se aliarem uns aos ou-
tros.

Isso foi obra de uma genialidade verdadeiramente distorcida.

Ele limpou as palmas das mãos suadas em suas roupas.

Muita informação deve ter vazado. A questão era quanto ele sabia?

Assim como Jircniv estava lutando para pensar, as luzes odiosas nas órbitas do Rei Fei-
ticeiro se voltaram para os emissários da Teocracia.

“Amigos seus, Vossa Majestade?”

Jircniv não tinha como responder à pergunta de Ainz.

Esta não foi uma questão simples.

Foi um teste de suas intenções.

Ele mentiria para proteger as pessoas da Teocracia ou as venderias, para fortalecer as


relações com Reino Feiticeiro?

Era um esquema tão malicioso que Jircniv começou a sentir náuseas.


Aquele crânio sem emoção parecia estar distorcido pelo mal. Provavelmente estava
zombando de Jircniv, que não podia falar.

“O que está errado? El-Nix — não, Jircniv-dono. Parece pálido. O senhor está bem?”

O fato foi que ele pareceu genuinamente preocupado, primeiro desgostoso, e depois
aterrorizado. Ele se sentiu como um pequeno animal, se contorcendo dentro de uma mão
amorosa. Como ser humano, era natural sentir o terror envolvido naquela alegria.

“Tudo bem, não é nada. Parece que fiquei um pouco tonto por levantar tão de repente.”

“Então é isso. Bem, eles dizem que seu corpo é seu melhor tesouro, é melhor cuidar
disso.”

A desculpa de Jircniv soava muito pouco natural, mas pelo menos ele estava fora do an-
zol por agora. Ele estava esperando o momento certo para acabar com sua presa, ou ele
estava sendo envolvido em um amado passatempo de sadismo? Ou talvez—

“Então, cavalheiros, gostariam de se apresentar? Eu sou o Rei Feiticeiro, Ainz Ooal


Gown.”

—Talvez isso fosse o que ele estava querendo.

Como ele, o líder de um país, já havia declarado seu nome, o outro lado não podia recuar
sem dizer uma palavra. Se eles dessem um nome falso e o Rei Feiticeiro soubesse seus
nomes verdadeiros, como ele reagiria?

Pare de brincar com a gente!!!

Sua expressão não havia mudado, ou melhor, porque era um crânio sem pele e sem
carne. Ele não só não tinha olhos, mas as órbitas vazias de seus olhos estavam ocupadas
apenas com chamas carmesins, das quais nenhuma emoção poderia ser lida. No entanto,
Jircniv podia sentir um sorriso maligno se ampliando.

“Muito obrigado e, na verdade, teríamos nos apresentado também. No entanto, uma


emergência extrema aguarda nossa atenção, por isso devemos sair imediatamente. Te-
nho certeza de que Sua Majestade ficará feliz em lhe contar sobre nós mais tarde.”

Os emissários se levantaram de seus assentos.

“É mesmo? Que pena. Espero que nos encontremos novamente. Por favor, vão em paz.
Então, ainda há a questão da partida, então, por favor, me desculpe.”

Com essas palavras de zombaria (provavelmente), o Rei Feiticeiro desceu.

Quando sua forma desapareceu abaixo, os emissários olharam para Jircniv.


“Como você ousa armar isso.”

“Não, eu não fiz!”

“Você não fez? Não importa como você olhe, ele sabia tudo sobre aqui. Tudo o que ele
fez é claramente zombar de um bando de tolos que estão se movendo exatamente como
ele previu... Quanto disso você contou a ele? Quantas pessoas você iria trair para salvar
seu próprio país? Você deve ter pedido a ele para usar aquela magia ilogicamente des-
trutiva também, não é?”

Jircniv olhou desesperadamente para os sacerdotes, procurando ajuda.

No entanto, ele não viu suspeita e dúvida em seus olhos, mas hostilidade e decepção.

O Rei Feiticeiro havia dado um golpe magnífico no momento mais oportuno. Do tipo que
aleijaria totalmente o Império. Ele disse ao Império que eles não tinham escolha a não
ser trair a humanidade.

“Por favor, acredite em mim, eu não vendi essa informação para ele—”

“...Mesmo se acreditássemos em você, não há como negar o fato de que toda a sua ope-
ração foi comprometida. Majestade, estou triste em dizer que não nos encontraremos
novamente.”

Depois de dizer isso, os emissários partiram, seguidos pelos sacerdotes.

“Espere! Eu te proíbo de deixar esta sala até que ouçam minhas opiniões!”

Nimble e Baziwood sacaram suas armas e se prepararam para fazer o movimento.

Quando Jircniv lutou para restaurar alguma vida ao seu coração despedaçado, ele olhou
para os dois Sumos Sacerdotes. Os emissários nem sequer olharam para trás quando sa-
íram.

“Você, diga o que os templos pensam? O que você acha do Rei Feiticeiro?”

“...O Rei Feiticeiro é um ser undead, e nós não vamos permitir que ele se chame Rei.”

Antes que Jircniv pudesse responder, o Sumo Sacerdote do Deus do Fogo continuou:

“No entanto, não podemos derrotá-lo em batalha, por isso devemos encontrar alguma
maneira de destruí-lo.”

“Sua traição foi prevista, oh Imperador, você que foi seduzido pelo poder do mal.”
Essa declaração, feita pelo Sumo Sacerdote do Deus do Vento, ilustrou claramente sua
hostilidade em relação a Jircniv.

Isso foi extremamente ruim.

Os templos não podiam influenciar o governo. No entanto, eles podem decidir excomun-
gar um Imperador que estava em aliança com o inimigo universal, os undeads.

Ele não podia expurgá-los, porque os templos estavam encarregados da cura, assim
como os salvadores das almas das pessoas.

Se ele fizesse isso, o Império se desmoronaria por dentro.

Para Jircniv, aquele único movimento de Ainz Ooal Gown parecia a varredura da foice
de um Ceifador. Mesmo se ele não fizesse nada, o Império entraria em colapso. Então, o
Reino Feiticeiro encontraria algum motivo para o contato.

Se fosse Jircniv fazendo isso, ele usaria uma desculpa ao longo das palavras de “O país
de nosso aliado está no caos, então estamos enviando tropas para ajudar a manter a ordem
pública”.

A julgar pela reação deles, a Teocracia Slane não criticaria o Reino Feiticeiro por fazer
tal coisa. O Reino não teria forças para fazer nada a respeito, enquanto o Conselho Esta-
dual levaria um tempo para fazer tal declaração.

Que tipo de incentivo ele poderia oferecer para remover as dúvidas de seus corações?
Ou melhor, manter seus compromissos, mesmo que tivessem dúvidas?

Jircniv sempre colocou esse assunto em primeiro lugar em seu coração quando ele falou
com outros em sua capacidade como Imperador. A maneira mais simples de levar as pes-
soas a agir era apelar para seus desejos. Jircniv crescera sabendo que esse era o jeito
certo de ver as coisas. Havia muitos humanos que eram governados pelo desejo por um
rosto bonito, isso não era surpreendente.

No entanto, neste momento, Jircniv não conseguiu encontrar uma resposta.

Agora que os outros pensavam que ele havia traído a humanidade para trabalhar com
os undeads, não havia nada que ele pudesse oferecer a eles.

Tudo o que ele pôde fazer foi ser honesto e sinceramente contar o seu lado da história.

“Por favor, permita-me dizer uma última coisa. A astúcia daquele sujeito supera a minha.
Esses desenvolvimentos podem muito bem ser feitos dele... Eu sei que eu não acreditaria
tão facilmente se eu estivesse em seu lugar... Eu realmente não os vendi. E, embora tam-
bém não acredite nisso, como ser humano, quero lhe dizer uma coisa. O reinado do Rei
Feiticeiro é muito misericordioso. O povo de E-Rantel ainda vive em paz.”
“Mas não temos idéia de quanto tempo isso vai durar, não é?”

“Possivelmente. Mas por enquanto, pelo menos, eles estão seguros. Se iniciarmos uma
guerra que não podemos vencer, o nosso país começará a percorrer o caminho da ani-
quilação. Então, espero que você pense com cuidado e não faça movimentos bruscos.”

Os dois Sumo Sacerdotes se entreolharam.

Então, sua hostilidade anterior em relação a Jircniv pareceu suavizar um pouco.

“...Parece que podemos ter sido muito emocionais. Se essa criatura undead realmente é
como dizem os rumores, não podemos descartar a possibilidade de que tudo isso possa
ter sido parte de seu plano. Então, podemos nos encontrar de novo em algum lugar, se
for o caso.”

“Obrigado. E antes disso, eu tenho um pedido. Não importa onde, por favor, observem a
luta na arena. Se vocês puderem ver uma maneira de derrotá-lo, por favor, me diga.”

Jircniv abaixou a cabeça.

Conspirações incluídas, não havia como derrotar Ainz em uma batalha de inteligência.
O coração humano era o único trunfo deixado para aqueles que desejavam combatê-lo
igualmente.

Aplausos vieram do andar de baixo, e Jircniv se virou para olhar.

“...Boa sorte, Senhor Marcial. Oh, céus!”

Jircniv orou seriamente pela vitória do Senhor Marcial.

Parte 3

A tão esperada Capital Imperial.

Enquanto olhava através da pequena abertura que ele abriu na janela da carruagem,
Ainz sentiu uma terrível sensação de derrota.

Vida e energia abundavam aqui.

Os rostos das pessoas eram brilhantes. Era uma cidade movimentada, completamente
diferente do sombrio Reino Feiticeiro.
E então, a sensação de derrota logo desapareceu. Afinal, sua cidade havia sido anexada
recentemente. Quando uma cidade fosse tomada por um novo governante, a vida muda-
ria. Era natural que as pessoas se sentissem desconfortáveis, levando a um estado tem-
porário depressivo.

Punitto Moe já havia ensinado Ainz sobre jogos de estratégia. Quando alguém conquis-
tasse um território durante uma guerra, o valor de felicidade das pessoas despencaria.
Além disso—

—O que ele disse sobre partisans aparecendo? Era isso? Por que uma grande quantidade
de armas apareceria de repente?

A primeira parte foi completamente sem relação com a segunda. Ele tinha a sensação de
que ele havia entendido algo errado quando ouviu a explicação de seu antigo camarada.

Como o jogo não tinha nada a ver com YGGDRASIL, ele perdera o interesse no meio do
caminho. No entanto, eles deveriam ter sido vagamente relacionados, pelo menos.

Ele provavelmente estava falando sobre algum tipo de traição. Ou talvez tenha sido al-
guma forma de gíria de jogador, huh... Partisans... parece ser uma espécie de arma de fogo.
Então, quando ele falou sobre armas sendo vendidas em grandes quantidades, ele estava
falando sobre um motivo para lutar? Recrutamento de cidadãos, talvez? Hm? Talvez eles
lutariam contra o novo governante, mas isso seria uma revolta, certo? Então deveria ter
sido chamado de rebelião desde o começo. Por que partisans? Bem, isso não importa...

A razão pela qual não houve rebelião em E-Rantel foi porque os Death Knights estavam
patrulhando para manter a ordem pública. Ou foi porque a persona de Momon teve um
efeito calmante sobre eles? Não, talvez a raiz tenha sido por causa de suas políticas soci-
ais benevolentes.

Nada é melhor que um reinado pacífico. Matar o ganso dos ovos de ouro é uma loucura
total. Eu acho que eu preciso fazer uma concessão ocasional como retornar itens dropados
para um oponente depois do PKing, quem sabe.

Enquanto recordava o conteúdo do “PKing para Bobos”, Ainz percebeu que ele tinha se
distraído, e apressadamente colocou seus pensamentos de volta aos trilhos.

Espere, acho que estava pensando sobre a vivacidade. Bem, não importa como eu compare,
eu domino apenas uma cidade, e esta é a capital do Império, que tem muitas cidades, então
a diferença em seus níveis de vivacidade é inevitável. Até mesmo as populações são diferen-
tes... Então, eu acho que quando o número de pessoas aumentar, o Reino Feiticeiro também
se tornará mais vívido... Eu acho que preciso me concentrar em políticas que encorajem o
aumento da população. Albedo pode colocá-las em pratica.

Depois que Ainz se consolou, ele decidiu tomar uma nova direção, em sua capacidade
de governante.
“Então, ah, Vossa Majestade...”

O homem que estava olhando pela janela também falou com ele, e trouxe Ainz de volta
de seus pensamentos.

“Eu, eu temo perguntar, Vossa Majestade, mas esta não é a Capital Imperial, Arwintar?”

O homem — que praticamente havia sido sequestrado — fez essa pergunta com voz
trêmula.

“Realmente é. Como esperado do Chefe de Guilda da Guilda dos Aventureiros, você re-
conheceu esse lugar rapidamente.”

“Obrigado, muito obrigado — não, espere! Não me lembro de passar por nenhum ponto
de verificação! Isso não seria imigração ilegal?”

Isso foi, na verdade, o que aconteceu. Já que eles usaram a magia 「Gate」 para transitar
diretamente para a Capital Imperial, eles não teriam passado por nenhum ponto de con-
trole.

“—Detalhes, detalhes.”

“Estes não são apenas detalhes! Um rei atravessando ilegalmente a fronteira para outro
país é um incidente internacional!”

Jircniv fez a mesma coisa quando veio a Nazarick...

Ainz não disse isso, é claro. O bom senso ditaria que o Chefe de Guilda estava certo e
Ainz estava errado.

Depois de pensar o máximo que pôde, ainda não conseguia pensar em uma explicação
que Ainzach aceitasse. Em vez disso, ele acabou suspirando com a surpreendente teimo-
sia do homem. Ele havia pensado que Ainzach seria o tipo de homem que se comportaria
assim: “Bem, contanto que você não seja pego, tudo bem”.

Sua opinião sobre o homem mudou um pouco.

“...Chefe de Guilda, eu tenho um relacionamento muito bom com o El-Nix-dono. Eu até


acedi aos seus pedidos no passado.”

Ainz lembrou o que aconteceu durante a guerra.

“Bem, sei que a ocasião agora é diferente, mas tenho certeza de que ele aprovaria com
prazer se eu apenas perguntasse a ele. Claro, seria depois de eu já ter feito isso... mas
estaria tudo bem se o próprio imperador permitisse isto, né?”
“Se, se colocar dessa maneira...”

“O mais importante é que nem você nem eu trouxemos nada de ilegal. Isso não significa
que está bem?”

“Muun...”

Ainzach meditou.

Ainz sorriu em seu coração, acreditando que ele havia convencido o homem.

Na verdade, havia duas razões para a travessia clandestina da fronteira.

Se Jircniv soubesse disso, provavelmente prepararia uma recepção para mim. Ele pode ser
cauteloso com Nazarick, mas desde que eu sou o rei de um país aliado, ele teria que me
receber na porta da frente. Isso seria muito ruim.

O Imperador certamente iria sediar algum tipo de cerimônia para receber o rei de um
país aliado. Isso era algo que Ainz, que não estava familiarizado com os costumes da so-
ciedade nobre, portanto, tinha que evitar a todo custo.

Se ele se tornasse motivo de riso por causa disso, ele não seria capaz de olhar nos olhos
dos Guardiões — que estavam trabalhando sem parar para o bem Reino Feiticeiro.

Havia também outro motivo.

Agora, preciso pensar em como envolver o Ainzach nisso. Talvez eu devesse pedir a ajuda
dele como fiz naquela história na guilda?

A outra razão foi porque ele queria pressionar o Chefe de Guilda Ainzach em seus es-
quemas.

O objetivo de Ainz ao vir aqui era recrutar aventureiros.

Ele já havia incorporado a Guilda dos Aventureiros como uma organização nacional. No
entanto, mesmo que a união estivesse pronta, o preenchimento demoraria muito tempo.
Isso foi muito ruim para o Reino Feiticeiro, já que controlava apenas uma cidade e o nú-
mero de aventureiros que eles podiam atrair era completamente insuficiente. Usando
aventureiros de outras raças — como Lizardmen, por exemplo — era uma questão para
mais tarde. Agora, ele deve aumentar o número de aventureiros humanos.

Foi por isso que ele teve que vir aqui para fazer uma averiguação de talentos. Se não
bastasse, ele também poderia recrutar dos países vizinhos.
No entanto, esse tipo de recrutamento não era fácil, especialmente porque Ainz iria es-
sencialmente fazer vendas de porta em porta — um dos tipos mais difíceis de trabalho
no negócio de vendas.

Segundo Ainzach, aventureiros eram supostamente freelancers, mas na verdade, eles


eram uma forma de defesa nacional contra monstros. Uma caçada agressiva levaria a
uma reação diametralmente igual de agressividade.

Claro, Ainz não achava que ele iria perder, mesmo que as Guildas de Aventureiros de
cada nação individual montassem uma campanha em larga escala contra ele. No entanto,
isso reduziria o moral de qualquer aventureiro que ele conseguisse recrutar. Era muito
fácil ver como eles perderiam sua motivação ao ver um conflito entre sua nova lealdade
e sua antiga casa.

Foi por isso que ele teve que envolver Ainzach — que entendia os objetivos e conceitos
de Ainz — em tudo isso. Certamente as coisas correriam bem se ele fosse o intermediário.
Ele considerou que Ainzach recusaria se dissesse a ele sobre isso em E-Rantel, então ele
o arrastou assim.

Além disso, ele também estava considerando o fato de que Ainzach teria algo em comum
com o outro lado.

Isso era um segredo entre vendedores. Os iguais tendem a gravitar em direção àqueles
que são semelhantes.

Ainz — não, Suzuki Satoru viu seus colegas aproveitarem o fato de terem nascido no
mesmo lugar ou que apoiaram a mesma equipe como possíveis clientes para fechar uma
venda.

Tendo sido Momon, Ainz conseguiu entender a vida do aventureiro, até certo ponto. No
entanto, ele subiu tão rapidamente entre todos que ele não poderia dizer que ele real-
mente conhecia as dificuldades de ser um aventureiro. Assim, ele teve que deixar Ainzach
— que era um aventureiro veterano e também o Chefe de Guilda — falar para ele como
melhorar a proximidade com os futuros aventureiros.

Em outras palavras, o sucesso de sua pequena expedição ao Império dependia da per-


formance de Ainzach.

Ainda assim, a questão é: como posso realmente motivar o Ainzach a ajudar?

Se fosse uma questão de dinheiro, ele certamente poderia pagar. No entanto, ele não
imaginou que tais meios fariam com que Ainzach desse tudo de si.

“Vamos.”
Depois de ordenar ao condutor, a carruagem começou a se mover em silêncio. O condu-
tor em questão era uma criatura que Ainz havia convocado com o pouco de ouro que
tinha sobrado, um monstro cujo nível era acima de 80, chamado Hanzo.

Hanzo era um monstro humanóide do tipo ninja que possui habilidades em combater
alvos especializados em furtividade. Havia outros de aproximadamente o mesmo nível,
como Kashin Koji, que era hábil em ilusão. O Fuuma, que era habilidoso no combate
corpo-a-corpo e técnicas especiais, Tobi Kato, que era habilidoso com armas, e assim por
diante.

O interior da carruagem batia ruidosamente enquanto viajava para frente.

Ainz considerou que usar uma carruagem altamente encantada seria muito suspeito.
Assim, ele havia escolhido uma diligência mais comum.

“...Então, Vossa Majestade. Já que chegamos à Capital Imperial, pode me dizer o que vie-
mos fazer aqui?”

Ainzach franziu as sobrancelhas.

“Nós recrutaremos aventureiros para o nosso país.”

Uma expressão amarga cruzou o rosto de Ainzach. Ficou claro que ele estava tendo pro-
blemas para aceitar isso.

“...Será que pretende convencer os aventureiros do Império a se juntarem ao senhor?”

“De fato. Caçaremos neste país.”

Apesar de ter sido feito durante uma época de guerra, o fato de Ainz ter matado muitos
soldados do Reino tornou muito difícil atrair os aventureiros do Reino. Além disso, Al-
bedo estava visitando o Reino, então ele não podia dificultar as coisas para ela. Sendo
esse o caso, seu país aliado, o Império, era a opção ideal.

De acordo com a inteligência de Fluder sobre os países, a Aliança Cidade-Estado estava


a alguma distância daqui. No entanto, depois de consultar Demiurge e Albedo, ele decidiu
que intervir lá não seria sábio.

“De que maneira pretende fazer isso? Eu—”

Ainzach respirou fundo.

“—Vossa Majestade, eu gravei suas opiniões sobre os aventureiros no fundo do meu


coração. Assim, desejo ajudar Vossa Majestade com todas as minhas forças. Dito isso, eu
ainda sou um homem ligado ao sistema, na maioria das vezes. Eu sinto que ter aventu-
reiros abandonando tudo que eles conheciam até agora seria muito difícil. Isto é particu-
larmente verdadeiro para os aventureiros do Império.”

Uma sensação de alegria nova e fresca brotou no peito de Ainz.

De fato, Ainz queria opiniões como essa.

Não que os Guardiões dessem boas opiniões, mas eles tomaram tudo o que Ainz disse
como um pronunciamento divino e correriam para fazer virar realidade. Assim, Ainz es-
tava frequentemente desconfortável sobre se ele havia ou não dado as ordens certas. Por
causa disso, ele desejava ouvir alguém se opor a uma de suas declarações. Dessa forma,
ele saberia onde estavam os problemas.

A opinião de Ainz sobre Ainzach subiu por um entalhe.

Ainda assim, ele não podia aceitar completamente seus pontos de vista.

Apenas o céu sabia o porquê, mas todos os seus subordinados pareciam pensar que o
Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown era um gênio. Assim, Ainz não poderia dizer ou fazer qual-
quer coisa para trair essa fé. Ele não pôde desapontá-los.

“...Quão desconcertante. Os benefícios devem compensar as desvantagens. Eu não en-


tendo. Parece que não sei o suficiente sobre aventureiros.”

Seu rosto — que não mostrava emoção — foi de grande ajuda, porque ninguém sabia
que ele estava mentindo. A cara de poker perfeita.

Neste ponto, Ainz parou por um momento e olhou Ainzach diretamente nos olhos. Ele
não podia sugerir que ele estava esperando pela resposta do homem.

“O que você faria se dependesse de você? Existe uma proposta que seria atraente o su-
ficiente para fazer com que os aventureiros que já escolheram uma base mudem de idéia?”

“...Vossa Majestade, devemos começar com isso agora?”

“Como assim?”

“Vamos começar a tentar atrair imediatamente os aventureiros da Capital Imperial?”

Ainz segurou o queixo com uma mão enquanto pensava.

Se possível, ele gostaria de fazê-lo o mais rápido possível. No entanto, se não fosse pos-
sível, ele não se importava de esperar. Afinal, o objetivo era espalhar os louvores do
Reino Feiticeiro.
Os seres heteromórficos não possuíam o conceito de expectativa de vida. Nesse sentido,
havia mais do que tempo suficiente.

“De fato, não é particularmente urgente.”

“Então, não deveríamos estabelecer uma base sólida primeiro? Devemos construir a or-
ganização desejada dentro do Reino Feiticeiro, e depois fazer várias outras preparações,
conforme necessário. Quando o exterior estiver sólido, podemos preencher o interior a
vontade, isso está errado?”

“Essa é uma excelente sugestão, cheguei a considerar anteriormente. No entanto, isso


representa um problema por si só. Se não estimarmos o conteúdo antes de começarmos
a construir, o conteúdo que preencherá pode acabar sendo muito grande ou muito pe-
queno... Você gostaria de tentar?”

“Na verdade, essa tarefa está além de mim. Afinal, não tenho certeza de como Vossa Ma-
jestade deseja nutrir os aventureiros, e não entendo a extensão de seus planos para o
Reino Feiticeiro.”

“De fato. Francamente falando, ainda estou vendo onde isso tudo irá. Em particular —
eu sei que você está interessado em minha proposta, mas eu não sei quantos corações
elas podem tocar. Para observar suas reações, eu vim ao Império para tentar um recru-
tamento de teste e ver o resultado.”

“Entendo... como esperado de Vossa Majestade, já planejou tão longe. Tenho vergonha
do meu pensamento superficial.”

“Certamente não. Você e eu somos seres diferentes. Por causa disso, posso cometer um
erro quando se trata das reações dos seres humanos. Pelo que sei, posso dizer algo que
incomoda os outros. Por favor, me diga se tal situação ocorrer. Nesse aspecto, precisarei
de um ajudante... Ainzach.”

“Sim!”

“Então, contarei com você no futuro.”

Ainzach parou para pensar por um segundo e depois inclinou a cabeça profundamente.

Parecia exatamente como os Guardiões de Nazarick faziam isso.

Ainz graciosamente assentiu enquanto refletia sobre suas palavras anteriores.

De qualquer forma, posso realmente deixar a tarefa de apelar aos aventureiros do Império
apenas para o Ainzach?

Este foi um ponto muito importante.


Ele poderia fazer a apresentação se fosse necessário, mas não porque gostasse particu-
larmente dela. Se alguém fosse mais adepto de uma tarefa e mais capaz, esse alguém de-
veria ser o responsável por tal tarefa. Contudo—

—Eu não posso deixar tudo para ele. Se surgir um problema, eu deveria lidar com isso, já
que sou seu superior.

Ele não queria ser um chefe deplorável. Ainz se apegou a essa determinação. Só então,
ele percebeu que Ainzach parecia ter caído em contemplação.

“Algo está errado?”

“...Vossa Majestade, será que o senhor não pretende se limitar à atual safra de aventu-
reiros, mas sim incorporar os aventureiros do futuro à sua organização e fazê-los explo-
rar o mundo desconhecido?”

“Essa é a minha intenção.”

“Com isso em mente, sinto que tentar persuadir o presente grupo de aventureiros será
muito difícil. No entanto, pode ser possível que as pessoas que desejam se tornar aven-
tureiros venham ao nosso Reino Feiticeiro. Ou seja, vamos coletar os filhotes e depois
criá-los.”

Aventureiros não conheciam fronteiras, mas as pessoas que se tornaram aventureiros


pertenciam a um determinado país. Ainz tinha pensado neste ponto também, mas já que
este homem — estava mais familiarizado com este mundo que Ainz — compartilhou sua
opinião, então isso certamente era um curso sábio.

“Entendo. Então, o que devemos fazer?”

“Os fortes sempre foram admirados. Assim, posso perguntar como Vossa Majestade se
sentiria mostrando seu poder como forma de propaganda?”

E isso realmente ajudaria?

Ainz pensou.

Dito isto, a publicidade foi muito importante. Afinal de contas, a razão pela qual ele es-
tava fundando sua própria Guilda dos Aventureiros foi para espalhar o nome do Reino
Feiticeiro de Ainz Ooal Gown.

“...Então eu tenho que mostrar meu poder e fazer o que os aventureiros fazem?”

Tudo o que tenho que fazer é ser um tipo de Momon para o Império, então...
Pensou Ainz. No entanto, Ainzach negou com a cabeça.

“É quase nessa linha de pensamento, Vossa Majestade. Esta é a Capital Imperial. Como
o senhor se sentiria em exibir seu poder na arena?”

“Hoh...? Isso parece interessante. Elabore.”

♦♦♦

A carruagem parou em um pátio espaçoso.

Momon e Nabe tinham andado pelas ruas da Capital Imperial no passado, mas Ainz
nunca tinha visto uma casa tão grande naquela época. Nem mesmo em E-Rantel ele havia
visto uma mansão mais impressionante do que essa.

“Esta é a casa do dono da arena? Este é um lugar bastante impressionante.”

A resposta de Ainzach à pergunta de Ainz foi ao longo das palavras de: “Isso é apenas o
começo”.

“A arena em si é propriedade estatal. As pessoas alugam para eventos, então chamá-los


de “promotores” pode ser mais preciso. A pessoa que mora aqui é uma das pessoas mais
poderosas.”

“Entendo... um amigo seu?”

“Seria bom se esse fosse o caso...”

Ainzach balançou a cabeça em lamentação e continuo:

“Há muitos eventos na arena e, às vezes, os aventureiros acabam lutando contra mons-
tros. Eu só conheci essa pessoa algumas vezes, quando capturei tais monstros e os enviei
para cá.”

“Compreendo. Ainda assim, acabou sendo bastante útil, então devo agradecê-lo pela sua
conexão. Dito isso, que tipo de monstros você capturou nos arredores de E-Rantel?”

Ainzach tinha uma expressão desconfortável no rosto.

“Nós capturamos os undeads das Planícies Katze. Os undeads não precisam de comida,
por isso não incorreriam despesas adicionais depois que os capturamos.”

“Hoh. Foi bem astuto. Você sabe fazer bem seu trabalho, afinal de contas.”

“Mesmo? Eu não me vejo como uma pessoa assim... ainda, Vossa Majestade. Temo
ofendê-lo, mas está tudo bem em falar em capturar os da sua espécie?”
Ainz olhou diretamente para Ainzach.

O que você está falando?

“Porque eles são undeads...”

“Ahh, claro — bem, existem muitos tipos de undeads. Eu não conto todos os undeads
como meus parentes.”

“Perdoe meu desrespeito... Então, posso perguntar qual é o tipo de undead que Vossa
Majestade seria? Se não te ofender, é claro”

“Eu sou um Overlord. Você já ouviu falar deles antes?”

“Minhas mais profundas desculpas, mas não. Nunca fui muito dedicado a meus estudos,
então não sei.”

Bem, isso é de se esperar...

Ainz pensou.

Em YGGDRASIL, havia vários tipos de monstros na família Overlord: o Overlord Wise-


man, que era habilidoso em magia, o Overlord Kronos Master, que podia usar habilidades
especiais relacionadas ao tempo, o Overlord General, que era perito em controlar os exér-
citos undeads, entre outros. Mesmo o mais fraco deles era pelo menos nível 80.

Ele tinha uma compreensão aproximada da força deste mundo e da quantidade de força
que alguém precisava para ser considerado poderoso neste mundo. Sendo esse o caso, a
aparição de um undead como um Overlord causaria uma enorme perturbação, particu-
larmente porque o undead não envelhece, então continuariam governando a terra por
toda a eternidade até que fosse derrotado.

Em outras palavras, o fato de nada disso ter acontecido implicava que não havia Over-
lords aqui.

“Certo. Bem, pretendo enviar aventureiros para os confins do mundo para coletar infor-
mações desse tipo. Seria muito problemático se outros da minha espécie estivessem por
perto, ainda mais se tiverem ódio pelos vivos. Você entende?”

Os olhos de Ainzach se arregalaram e ele assentiu.

“É como diz. Agora entendo completamente a verdadeira natureza dos aventureiros.”


“De fato. Considere-me um undead que é uma exceção às regras. Eu entendo o valor da
humanidade, então não vou me envolver em abates sem sentido. No entanto, outros
Overlords podem não pensar da mesma maneira, entende?”

“Esse é realmente o caso?”

“Isso continua a ser visto. Não sei se sou a exceção ou se minha espécie é uma exceção
em si mesma. No entanto, não devemos assumir o pior cenário e nos preparar adequa-
damente?”

“...É como a Vossa Majestade diz. Vou gravar isso em meu coração.”

Ainzach assentiu.

Se houvesse vestígios de alguém assim ter aparecido e ter sido derrotado — se for o caso,
será que tem algum envolvimento com quem fez lavagem cerebral em Shalltear? Não, não
se pode descartar um Overlord sendo dominado da mesma forma que a Shalltear tenha sido.

“Então, eu vou garantir uma consulta para a reunião.”

“Obrigado.”

Ainzach desceu da carruagem. Depois que Ainz o assistiu sair, ele tirou a máscara e co-
locou. Ele podia andar por E-Rantel sem usá-la, mas esta era a Capital Imperial — e ele
cruzara as fronteiras ilegalmente para estar aqui — então, no mínimo, era melhor escon-
der sua verdadeira face. Seu manto também era algo mais modesto.

Embora isso significasse que seu equipamento pessoal ficaria uma classe abaixo do nor-
mal, mas não poderia evitar. Afinal, Ainz só tinha um conjunto de vestes divine-class.
Mesmo ele ainda mantendo as coisas deixadas para trás por seus amigos, no final, a ar-
madura que seus amigos deixaram para trás era mais personalizada que suas armas. Por-
tanto, não que não pudesse equipá-los, mas que ele não poderia exercer todo o poder,
então ele não poderia fazer uso das grandes quantidades de dados que foram usados
para beneficiar habilidades individuais de cada uma. Sendo esse o caso, ainda era melhor
para Ainz usar os itens que haviam sido feitos para ele, mesmo que fossem um pouco
mais fracos.

Depois de trocar seu equipamento, uma batida veio da porta da carruagem, seguida pela
voz de Ainzach.

Parece que menos de cinco minutos se passaram.

“Minhas mais profundas desculpas, Vossa Majestade.”

“O que aconteceu?
“Lamento dizer que hoje não parece conveniente. A outra parte espera que possamos
voltar amanhã. No entanto, acredito que podemos forçar o caminho para transmitir as
palavras de Vossa Majestade aos ouvidos deles. O que devemos fazer?”

“Não há necessidade disso.”

Forçar uma reunião não solicitada durante um período movimentado não favoreceria
nada a ele. Pelo contrário, quando se olha para isso do ponto de vista de um negócio, o
próprio fato de terem vindo sem serem convidados e não terem sido expulsos, mas sim
conseguirem um tempo para visitar novamente já pode ser considerado uma grande con-
quista.

“Então, nós voltaremos amanhã. Ainda bem que tem havido muito tempo livre ultima-
mente — o que há de errado?”

Ainz percebeu que Ainzach estava arregalando os olhos para ele, e então ele perguntou
por quê.

“Não é nada. Eu só senti que Vossa Majestade é um ser verdadeiramente generoso... afi-
nal, existem nobres que desprezam os mercadores...”

“E você acreditou que eu insistiria em uma reunião?”

O fato foi que Ainz não respondeu imediatamente com, “Eu pensei que conseguiria” de
uma maneira arrogante demais para ser descrita.

Isso seria a coisa certa a fazer do ponto de vista de um governante...?

Ainz se perguntou. Embora parecesse um pouco tarde demais para pensar nisso agora,
Ainz Ooal Gown se tornou um rei. Se isso era o que um governante deveria fazer, então
ele precisava fazer isso, mesmo que parecesse estranho para Suzuki Satoru.

“Esta é minha primeira vez regendo humanos. Não devo fazer isso se for apropriado?”

Um olhar desconfortável apareceu no rosto de Ainzach novamente:

“Eu não tenho certeza, Vossa Majestade. Eu nunca conheci o Rei, então não posso dizer
se é verdade ou não. Embora, pessoalmente, prefira o ponto de vista de Vossa Majestade.
Dito isso, os nobres de alto escalão podem considerar tal comportamento como apropri-
ado.”

“A sociedade humana é muito complicada.”

Por alguma razão, Ainzach sorriu calorosamente para os murmúrios de Ainz.


“Pode muito bem ser como Vossa Majestade diz. Existem muitas coisas complicadas de
fato.”

Sua risada encheu a carruagem.

Ainz cerrou o punho direito, onde ninguém podia ver. Parece que Ainzach não estava
mais tão tenso. Ele estava certo disso.

“Então, você disse a eles que eu os visitaria amanhã também?”

“Não, eu não fiz isso. Eu queria ouvir sua opinião sobre isso, Vossa Majestade. Ou posso
usar o nome de Vossa Majestade?”

“...Tudo bem, desde que não sejam humanos fofoqueiros. Já que eles são amigos seus,
deixarei a seu critério.”

“Entendido. Então eu não revelarei isso por enquanto.”

Depois de discutir detalhes como o tempo e assim por diante, Ainzach desceu da carru-
agem novamente.

Ainz se sentiu um pouco culpado por usá-lo como menino de recados. Embora soubesse
que este não era um mundo onde a idade importasse, Suzuki Satoru foi um homem tra-
balhador, e incomodava-o ordenar uma pessoa mais velha.

Agora eu entendo porque as pessoas não gostam de ter subordinados velhos.

Ele não teria tido problemas em encomendar alguém de uma empresa completamente
diferente. Por exemplo, se Ainzach fosse do Império, ele poderia apontar e ditar sem ne-
nhum problema. A razão pela qual Ainz não pôde fazê-lo foi porque ele chegou a ver Ain-
zach como um de seus subordinados.

Eu preciso recompensá-lo adequadamente. As pessoas de Nazarick não pedem pagamento,


mas são uma exceção. Se eu esquecer isso, eles vão pensar que sou um governante terrível.
Eu não devo me tornar o chefe de coração negro.

Ainz jurou isso para a voz do Herohero em sua mente.

Embora, quando se trata da recompensa ao Ainzach... quanto devo pagar a ele? O mesmo
que um aventureiro mythril? Não, deveria haver um subsídio de dever também... então ou-
tros cinco porcento em cima disso? Existe alguém que eu possa perguntar sobre o quanto é
apropriado?

Ele poderia discutir isso com Demiurge ou Albedo, mas não ficou claro se os dois tinham
alguma idéia de que tipo de pagamento era apropriado. Ele tinha a sensação de que eles
responderiam com algo do tipo “Ele deveria estar feliz em servi-lo, Ainz-sama”.
Como esperado... eu preciso encontrar um humano sábio. Fluder disse que estava muito
confiante em seu conhecimento mágico, mas que não sabia quase nada sobre outros assun-
tos.

Nazarick era indiscutivelmente invencível, mas ele se sentia desconfortável com sua
falta de conhecimento sobre a sociedade humana.

...Então eu vou começar a usá-lo até que alguém melhor venha? Eu acho que concordar
com a proposta de Demiurge foi a escolha certa. Claro, eu não tinha intenção de negar
quando ele falou...

Quando Ainz se afastou em contemplação uma vez mais, alguém bateu na porta.

“Perdoe o atraso, Vossa Majestade.”

Não é como se eu estivesse contando os segundos...

No entanto, Ainz decidiu permitir que Ainzach continuasse, com uma atitude magnâ-
nima que melhor se adequava a um governante.

“Como o senhor desejou, a nomeação foi feita para se reunir às dez da manhã de amanhã,
Vossa Majestade.”

“Uhum. Então, há apenas a questão de esperar até amanhã... Em seguida, usarei magia
de teletransporte para mandar você para E-Rantel. Relaxe e aceite a magia. 「Greater
Teleportation」.”

O corpo de Ainzach desapareceu em um instante.

A magia 「Greater Teleportation」 o transportaria com segurança até a entrada de E-


Rantel. Mesmo se houvesse alguém no destino, a magia iria depositá-lo no local seguro
mais próximo, de modo que não havia necessidade de verificar o destino com alguma
outra magia.

“Então, eu devo contatar aquele cara com 「Message」.”

Ainz murmurou para si mesmo. Esta foi uma tarefa desagradável, então ele fez isso para
se recompor.

Ele estava enviando a 「Message」 para Fluder, que havia oferecido tudo para ele. A
razão pela qual ele estava arrastando os pés para dar ao homem o que ele havia prome-
tido era porque ele não se sentia confiante de que poderia realmente dar àquele velho o
que ele queria.

Fluder queria que Ainz lhe ensinasse tudo o que sabia sobre magia.
No entanto, o poder de Ainz não veio do estudo da magia.

Talvez se fosse em YGGDRASIL, ele poderia estar qualificado para falar sobre magia. In-
felizmente, o sistema mágico deste mundo funcionava um pouco diferente do de
YGGDRASIL.

Como eles aprenderam as mesmas magias de maneiras diferentes? Ele havia se feito essa
pergunta muitas vezes, mas não conseguiu encontrar uma resposta. Além disso, havia
uma verdadeira montanha de outras perguntas não respondidas. Na pior das hipóteses,
ele teve que considerar que ele não poderia usar seus poderes vindos dos tempos de
YGGDRASIL.

Talvez ele pudesse encontrar a resposta usando a opção de drenagem de nível da magia
de Super-Aba 「Wish Upon A Star」. Neste mundo, essa magia poderia alterar a própria
realidade e, ao drenar vários níveis, poderia realizar um grande desejo.

No entanto, essa seria uma aposta muito arriscada.

Não se sabia se ele encontraria a resposta, mesmo que a usasse. Era muito provável que
ele estivesse perdendo esforço. Mais importante, ele estava com medo de usar uma ma-
gia que se qualificasse como um trunfo. Naturalmente, seria uma questão diferente se ele
tivesse uma maneira de obter grande quantidade de experiência, mas, infelizmente, ele
não havia descoberto tal coisa até agora.

Embora ele não tivesse pulmões, Ainz fez “Haaah~” enquanto suspirava. Ele tinha a ati-
tude de um vendedor que estava preparado para se desculpar por não entregar as mer-
cadorias solicitadas a um cliente enquanto conjurava a magia 「Message」.

“Fluder Paradyne. Sou eu, Ainz Ooal Gown.”

Uma vez que ele chegou a ele, ele continuou falando as palavras pré-arranjadas.

“Você nasceu no Vilarejo Belmous. Seu primeiro contato com a magia foi através do spel-
lcaster de seu vilarejo.”

『Ohhhh! És tú, Professor! Por muito tempo eu esperei isso!』

Ele podia sentir a gratidão de Fluder.

Essas palavras pré-arranjadas eram uma forma de código, porque Fluder dissera que
não havia como saber se a pessoa do outro lado da 「Message」 era uma amiga ou uma
estranha. Assim, eles conseguiram verificar sua identidade mencionando o nome (com-
binado previamente) deste vilarejo e de uma história do passado.
Ainda assim, mesmo depois de fazer isso, as dúvidas de Fluder sobre a magia 「Message」
permaneceram.

Ele deve ter entendido tudo errado.

Dito isto, não havia muito que Ainz pudesse fazer sobre isso.

Ainz fez sua resposta, sentindo-se um pouco intimidado pela intensidade ardente do
entusiasmo de Fluder.

“Perdoe o pequeno atraso. Eu acredito que é hora de te ensinar magia, como nós con-
cordamos. Você está livre agora?”

『Claro! Eu farei com que o tempo seja necessário para seus desígnios, Professor!』

Ainz queria dizer: “Você não precisa se esforçar tanto”, mas o entusiasmo de Fluder com
a magia era a expressão mais verdadeira da personalidade dele. Diante desse louco de-
sesperado pela magia. Por ter sido uma pessoa normal, Ainz não pôde deixar de se sentir
um pouco tonto.

Enquanto considerava essa grande tarefa, que parecia ser uma reivindicação de um cli-
ente difícil, seu estômago começou a doer.

...Meu estômago deve doer mais do que qualquer um aqui na Capital Imperial.

Ainda assim, ele não poderia atrasar mais.

Antes de se teletransportar para os aposentos de Fluder, Ainz decidiu verificar seu des-
tino com uma magia de adivinhação.

“Tudo bem. Vou agora conjurar 「Greater Teleportation」 para chegar aos seus apo-
sentos.”

『Ohhh! Não é 「Teleportation」, mas 「Greater Teleportation」! Atrevo-me a pergun-


tar, mas a qual categoria de magia ela pertence?』

“...Vamos deixar isso para mais tarde. Afinal, 「Message」 não durará para sempre.
Nem tenho níveis em profissões do tipo Comandante... Ainda assim, gostaria de lhe per-
guntar uma coisa antes disso. Que tipo de contramedidas anti-adivinhação você tomou?
Que magias você lançou? Como você as lançou? Você fez alguma coisa contra o teletrans-
porte?”

『Nenhum, nada disso, eu não tomei tais medidas.』

As sobrancelhas inexistentes de Ainz se contorceram quando Fluder respondeu.


“Isso não é descuidado da sua parte...?”

Em outras palavras, tudo o que ele disse no quarto de Fluder poderia muito bem ser
vazado para um terceiro.

『Minhas sinceras desculpas. No entanto, eu não sou adepto nesse campo de magia.』

“Nesse caso, você deve usar itens mágicos para substituir isso, não? Eu vi muitos itens
mágicos na Capital Imperial, todos supostamente feitos por você.”

Ainz lembrou o que viu quando veio pela primeira vez à Capital Imperial. Ele ficara sur-
preso pelo fato de que eles tinham coisas como refrigeradores à venda.

『É como o senhor diz, mas como certamente deve saber, é preciso conhecer uma magia
relacionada para fazer um item mágico. Por exemplo, é preciso conhecer a magia
「Fireball」 para fazer uma arma flamejante. No entanto, apenas algumas pessoas estão
dispostas a aprender magias anti-adivinhação...』

“Entendo...”

Ainz murmurou.

Em YGGDRASIL, normalmente só se pode aprender três magias por nível. Um persona-


gem de nível 20 seria capaz de aprender no máximo 60 magias. Seria muito difícil incor-
porar magia anti-adivinhação numa seleção tão limitada de magias.

Talvez aqueles que não estavam no conhecimento pudessem pensar que 60 era uma
soma considerável, mas se Ainz estivesse limitado a 60 magias de 3º nível, ele provavel-
mente teria que passar o dia todo se preocupando com suas escolhas.

Isso porque ele tinha que considerar usos futuros, se ele mudaria ou não sua profissão
e assim por diante. Havia muitas coisas que precisavam ser planejadas e antecipadas.

Desse ponto de vista, sua repreensão a Fluder foi doce e triste.

“Na verdade, eu me expressei mal. É como você diz. Magia de adivinhação seria neces-
sariamente uma prioridade menor quando se estuda magias ofensivas e defensivas.”

No jogo, ele poderia dizer: “Eu aprenderei isso, então deixarei isso para você” e resolve-
ria facilmente as coisas. No entanto, a escolha de magias era uma decisão de mudança de
vida para as pessoas deste mundo. Seria preciso uma pessoa muito corajosa para apren-
der uma magia impopular.

Além disso, os estudos de adivinhação de magia eram bastante profundos. Era necessá-
rio antecipar os meios que o inimigo usaria para coletar informações.
Simplificando, tornar-se um especialista em adivinhação era algo em que alguém estaria
disposto a dedicar a vida inteira estudando.

“Bem. Então eu lhe darei o item anti-adivinhação que possuo. Use isso para se proteger
no futuro.”

『Sim!』

Mesmo sem ver, ele poderia dizer que a cabeça de Fluder estava profundamente abai-
xada. Por tudo que ele sabia, ele poderia até estar se ajoelhando.

『Eu certamente recebi suas palavras amorosas, Mestre!』

Ainz tinha originalmente planejado dar a ele um item decente, mas o pensamento disso
doía em seu coração.

“Ah, ahhh... Então eu vou observar o cômodo que está.”

Ainz conjurou sua magia nos aposentos de Fluder.

Ele olhou para baixo, para a genuflexão de Fluder.

Então, ele decidiu verificar auras mágicas, e como esperado de Fluder, havia muitas co-
res diferentes no ambiente. No entanto, nenhuma delas parecia uma cor perigosa que
impedisse o teletransporte. Depois de verificar isso, ele lançou 「Greater Teleporta-
tion」.

Seu campo de visão mudou, mostrando que ele havia se teleportado com sucesso para
os aposentos de Fluder. Embora não houvesse atrasos, e ele não sentisse que alguém o
espionasse, e ele estava certo de que não havia pulado na base do inimigo, ele ainda deu
uma rápida olhada em volta de si mesmo.

Na verdade, não havia necessidade de ficar tão preocupado. No entanto, o breve período
de vulnerabilidade após o teletransporte era o momento mais oportuno para ser atacado.
Essas ações de proteção — para se defender contra PKed — foram feitas há muito tempo,
ainda quando no corpo de Suzuki Satoru.

“Eu ofereço-lhe boas-vindas, meu Professor.”

“...Levante sua cabeça.”

Ainz ordenou a Fluder. Com toda a honestidade, não havia necessidade de ele ir tão
longe.

Esse tipo de lealdade — ou melhor, sede de conhecimento que levava ao desejo de obe-
decer — era anormal.
Foi muito semelhante ao modo como as pessoas de Nazarick agiram. Embora Ainz ti-
vesse finalmente começado a se acostumar com esse tipo de coisa, ver isso de alguém
que ele mal conhecia o fez querer se afastar.

“Sim!”

“Falar em pé não é bom. Eu vou me sentar.”

“Sim! Tudo o que tenho é seu, Professor. Por favor, sente-se em qualquer lugar que de-
sejar!”

Sentimentos complexos de se acostumar ou não a isso corriam pelo coração de Ainz


quando ele se sentou no sofá. No entanto, Fluder não se sentou em frente a ele. Em vez
disso, ele permaneceu como estava, no chão com a cabeça erguida.

“Está bem. Sente-se.”

“Está, está tudo bem? Isto é, para eu me sentar da mesma maneira que o senhor, Profes-
sor?”

“...Você deve ter discípulos também, ou estou enganado? Você os trata assim também?”

Esse tipo de atitude esportiva alarmou Ainz, o que provocou com essa pergunta. Em
resposta, Fluder sacudiu a cabeça.

“Não é assim, mas a diferença entre o senhor e eu é maior que o céu e a terra, Professor.
Temo até mesmo comparar meus meios com os seus—”

“—Está bem. Eu concedo a você permissão para se sentar. Venha. sente-se.”

“Sim!”

Depois que ele se certificou de que Fluder estava sentado, Ainz pensou:

Minha barriga realmente dói quando ele fala assim.

“Primeiro, como está a questão do meu pe—”

Ele mudou de idéia na metade da palavra “pedido”.

“—Que eu ordenei para você juntar? Quero dizer, fazer um registro escrito das informa-
ções confidenciais do Império sobre vários países.”

“Sim! A maioria das informações relativas aos países vizinhos já foi concluída. Con-
tudo—”
“O que aconteceu? Existe algum problema?”

“Sim! Ou melhor, devo dizer, como esperado do Imperador.”

Um olhar de orgulho cruzou seu rosto. Era a expressão que um professor pode ter em
relação a um excelente aluno.

“Ele parece ter notado minha traição.”

Era natural que os funcionários jurassem não revelar os segredos de sua antiga empresa
antes de pular para outra empresa. Com isso em mente, Ainz era um vilão por fazer Flu-
der alimentar-lhe informações confidenciais sobre o Império.

No entanto, Ainz sabia bem que ele não administrava uma empresa, mas sim um país.
Nada estava fora dos limites em prol da prosperidade de sua nação — para a felicidade
das pessoas que pertenciam à Grande Tumba de Nazarick.

Ainz não guardou rancor contra Jircniv. No entanto, isso não significava nada em com-
paração com o bem-estar de seu próprio país. Se a desgraça dele fizesse o Reino Feiticeiro
prosperar, ele simplesmente o faria sofrer.

Dito isso, Ainz ainda preferia a coexistência e a prosperidade mútua em relação ao con-
flito.

Punitto Moe disse uma vez algo sobre as condições de Sr. Nash e do prisioneiro e algo
nesse sentido, mas a essência era que, se as oportunidades fossem ilimitadas, a coopera-
ção colheria os maiores benefícios para todas as partes envolvidas.

Ainz sabia que as relações internacionais eram basicamente uma questão de cada parte
usando a outra, mas ele queria manter um bom relacionamento com Jircniv.

Eu mantive o número de vítimas Imperiais no mínimo em troca da servidão de Fluder,


então provavelmente estamos em empate. Eu sinto uma sensação de proximidade com ele
agora. Deve ser por causa de todas as vezes que eu espiei ele.

“...Precisa de algo, Professor?”

“Er, hum, nada. Apenas pensando em certos assuntos.”

“Mesmo? Minhas mais profundas desculpas por interromper seus pensamentos, Profes-
sor!”

“Não há necessidade de se desculpar. Estou aqui hoje por sua causa.”

“Ohhh! Muito obrigado Professor!”


Por que ele está me agradecendo tão vigorosamente?

Embora Ainz estivesse intrigado, ele finalmente conseguiu colocar o tópico de volta nos
trilhos.

“Ah — sim, o fato de você ter se transformado. Bem, tudo bem para você ser exposto,
mas há um problema. Isto é, sua segurança.”

“Ohh! E pensar que estaria realmente preocupado com a segurança de alguém como eu,
Professor!”

Por que esse velho precisa reagir a tudo? O dever básico de um chefe era cuidar do bem-
estar de qualquer pessoa que ele não pretendesse descartar desde o começo. Ou eles faziam
as coisas de maneira diferente no Império? Se for o último caso, isso seria assustador... Bem,
eu poderia matar pessoas que me atrapalham, mas matar alguém que já foi meu subordi-
nado ainda é...

“Fluder, é como diz. Mas não fique muito animado. Seria estranho se alguém ao seu re-
dor percebesse.”

“Isso não será um problema. Este andar é exclusivamente para o meu uso. Ninguém mais
está por perto.”

Ele veio aqui antes. Dito isto, esta torre era bastante grande, por isso não era de admirar
que o maior magic caster do Império tivesse recebido um andar inteiro para si mesmo.

“De volta à questão de sua segurança pessoal. Alguém tentou te matar depois que sua
traição veio à tona?”

“Nada do tipo. No entanto, minhas responsabilidades diminuíram constantemente e,


embora o Imperador tenha me consultado com frequência no passado, ele não me con-
vocou desde que voltou do glorioso domínio que governa, Professor.”

“Entendo... Então, Fluder. Você quer vir para o meu lado?”

“Ohhh! Com prazer!”

Ele respondeu sem nem pensar...

“Então, depois de considerar sua profissão — não, antes disso, há algo que devo fazer.
Isso diz respeito à sua recompensa.”

Depois de dizer isso, Ainz expirou e depois enfiou a mão na dimensão do bolso. Ele en-
saiara o fluxo da conversa que se seguiria muitas vezes, zombando das palavras en-
quanto as corrigia.
Embora ele não tivesse como ter certeza se Fluder reagiria como Ainz imaginou, ele já
havia treinado bastante.

“Conforme combinado, vou agora transmitir uma parte do meu conhecimento para você.
Tome e estude este livro.”

Ainz entregou um livro chamado “The Book of the Dead” para ele.

Era um volume bastante antigo, que emitia um cheiro de mofo. Surpreendentemente, o


livro em si era muito robusto, sem vestígios de ser comido por traças.

Fluder — com mãos trêmulas — aceitou o livro que Ainz ofereceu. Ainz estava feliz por
ser undead. Se ele ainda fosse humano, o livro poderia estar tremendo sem parar pelo
nervosismo.

O objetivo de Fluder era vasculhar o abismo da magia, mas Ainz não sabia qual era o
abismo da magia. Ele poderia ensiná-lo sobre YGGDRASIL, mas o abismo da magia ou
algo parecido já era outro assunto inteiramente diferente.

Dito isto, não dar a ele seria uma traição de sua lealdade. Era preciso retribuir o bem
para o bem e recompensar o serviço leal. Assim, Ainz havia lhe dado um livro de sua
coleção, que parecia ser o mais provável de conter os segredos do conhecimento mágico.
As partes que ele havia folheado pareciam conter algo sobre magia que ele não conseguia
entender.

“Então, por favor, me desculpe.”

Fluder estendeu a mão para o livro, e essa expressão encantada logo se transformou em
desespero depois de folhear algumas páginas.

“—Qual é o problema? Não é isso que você procurava?”

Ainz suprimiu seu desconforto quando fez essa pergunta. Tudo bem, mesmo que não
fosse o que ele queria. Ele já havia praticado para essa eventualidade.

“Não, não é nada disso. Eu simplesmente não consigo entender isso.”

“Ah, entendo.”

Ainz pegou o livro de Fluder, folheou e parou em uma determinada página.

“Este capítulo diz respeito à transformação dos mortos em almas; especificamente, a


seção sobre diferenciação.”
Estava escrito em japonês, então obviamente Fluder não conseguia entender. Con-
tudo—

Isso parece mais um livro de referência para um mundo de fantasia do que um romance
de fantasia. E que droga seria é essa coisa de diferenciação? E há algo sobre almas como
nuvens e assim por diante. Parece muito difícil e eu não consigo envolver meu cérebro com
isso. Parece que eu posso apenas arranhar a superfície... Será que eu não consigo entender
este livro, mesmo que eu possa ler?

Os livros eram como o ocultismo, ou melhor, este livro era praticamente um volume
sobre ocultismo. Para Suzuki Satoru, que não tinha conhecimento neste campo, tudo o
que viu foi uma coleção de rabiscos. Ainda assim, tudo isso parecia ter sido retirado de
algum tipo de mitologia. Se Tabula Smaragdina estivesse por perto, ele provavelmente
seria capaz de explicar isso a ele.

“Ohhh!”

O sentimento de culpa no coração de Ainz cresceu enquanto observava Fluder olhar


para ele com olhos alegres.

“De fato... Bem, eu não posso dar isso a você porque eu só tenho um conjunto, mas ex-
perimente isso.”

Ainz colocou um par de óculos sobre o livro e devolveu. Fluder colocou e rapidamente
folheou as páginas.

“Isto, isto é! Está dizendo que as almas são entidades como a espuma deixada pelas on-
das deste grande mundo e, portanto, sejam grandes ou pequenas, elas são fundamental-
mente as mesmas. Isso signifiiiiiiiica!!!”

Hieh~ ele ficou maluquinho.

Até mesmo Ainz ficou surpreso ao ponto de quase se encolher.

A maneira como os olhos de Fluder estavam bem abertos e vermelhos, e com uma res-
piração como a de uma fera selvagem, fazia parecer que ele estava prestes a atacar al-
guém.

“O, o que achou?”

Os olhos de Fluder giraram e olharam diretamente para Ainz.

“Isso, isso é incrível, Professor! Este é o conhecimento que eu buuuuuuuuscooooo!


Hyaaaaah!”
A surpresa que sentiu da mania do velho ultrapassou um limiar predeterminado, e Ainz
rapidamente se acalmou novamente.

“ —Mesmo. Então, me devolva os óculos.”

“Quê! Mas isso...”

“Considere a tradução desse livro para ser seu treinamento. Uma vez que você possa
entender e digeri-lo, você será capaz de colocar os pés em um domínio maior. Seria inútil
você usar esses óculos.”

“Como isso poderia ser... Então, posso ter a permissão para dar uma olhada superficial
no livro usando os óculos?”

“Uma página já foi o suficiente. Mas se você continuar depois disso, isso afetará negati-
vamente o seu crescimento.”

Fluder fechou o livro com um *patan* e fechou os olhos.

Depois de alguns segundos, ele abriu os olhos e falou. A voz voltou ao normal.

“Entendido. Eu vou respeitar seus ensinamentos, oh Professor. Posso buscar sua ajuda
se houver assuntos que eu não entenda?”

“Uhum. Desde que esteja ao meu alcance responder.”

“Sim!”

Fluder removeu os óculos e os devolveu para Ainz.

Excelente! Eu não vou ouvir nada de Fluder por um tempo agora. Ah, eu preciso instruí-lo
sobre isso primeiro. Isso... como direi isso...

Ainz lutou para abrir os cofres de sua memória. Então, em tons solenes e pesados — -
que faziam pensar na voz que um líder teria — Ainz falou:

“Fluder.”

“Sim!!”

“Eu confiei a você este livro arcano porque confio em você. Você nunca deve entregá-lo
a terceiros. O mesmo se aplica a todas as notas que você fizer para estudá-lo. Nada sobre
este livro pode se espalhar.”

“Sim!!!”
“Não há necessidade de lhe dizer a razão disso, mas este é o conhecimento que supera
o que os humanos podem compreender. Seria muito problemático se outros soubessem
disso... Embora alguém do seu talento possa não estar além da salvação. Eu não quero ter
que limpar sua sujeira daqui dez anos.”

“Mas é claro. Eu não vou vazar nenhum conhecimento que eu tenha obtido de você para
os outros. Eu juro.”

“—Eu confio em você, Fluder. Não me desaponte.”

“Sim!!!!”

Fluder se levantou da cadeira e se ajoelhou no chão.

Ainz queria dizer que não havia necessidade de chegar a esse ponto, mas isso também
era prova de quão eficaz foi seu comportamento majestoso. Ainz não pôde deixar de se
sentir orgulhoso por suas horas de atuação e vocalização terem sido bem aproveitadas.

“Já chega. Desde que você entende, eu não direi mais nada. Volte para o seu lugar. Ainda
assim, será muito difícil para você decifrar uma linguagem desconhecida sem qualquer
ajuda. Você tem alguma maneira de superar isso?”

“Sim! Eu posso usar uma magia de tradução, embora sua eficácia seja muito limitada.
Acredito que, com isso, posso decifrar o texto lentamente.”

“Surpreendente. Surpreendente! Maravilhoso.”

Essa resposta foi exatamente o que Ainz queria ouvir. Lentamente dando a ele a prática
apropriada, ele seria capaz de ganhar tempo para si mesmo. Além disso, um problema
como esse não seria suficiente para fazer Fluder desistir.

“Então eu vou entregar isso para você... não, isso é. Vou lhe emprestar uma caixa para
você guardá-lo. Não acho que você será descuidado, mas alguém pode querer roubá-la
de você.”

Ainz puxou uma caixa da dimensão de bolso. Era o mesmo tipo de item que ele usava
para armazenar seu caderno pessoal.

“Depois de armazenar o livro aqui, mesmo que essa caixa seja roubada, levará algum
tempo para abri-la. É claro que tudo será em vão se alguém ouvir a palavra chave... então
tenha cuidado.”

“Claro, Professor! Eu nunca farei nada assim!”

“Ótimo.”
Ainz desviou o olhar de Fluder — que estava acariciando o livro em deleite — para o
teto. Agora, do que ele falaria a seguir?

“Ah, isso mesmo. A questão de sua traição veio à tona, e assim você virá até mim. Quando
você pode sair?”

“Se assim deseja, Professor, posso sair a qualquer momento. Eu não tenho apegos a este
país.”

Ainz mentalmente franziu as sobrancelhas.

Ele não tinha idéia do que dizer para alguém que pudesse descartar casualmente sua
posição de confiança. Pois ele poderia fazer o mesmo com Ainz no futuro.

Ainz fez várias anotações de alerta sobre Fluder com uma caneta vermelha no livro do
seu coração.

“...Então, Fluder. Desejo que você participe da pesquisa mágica do Reino Feiticeiro. No
entanto, suas magias não serão colocadas em circulação. Elas só serão compartilhadas
comigo e aqueles em quem confio. Você pode suportar isso? Você pode abandonar seu
desejo pela fama?”

“Não haverá problema algum. A única coisa que desejo é vislumbrar os segredos da ma-
gia. Eu não desejo mais nada.”

Ainz observou Fluder a sério, um homem que poderia fazer tal afirmação.

Ainz não tinha capacidade de avaliar o caráter de uma pessoa. Como seres humanos, era
óbvio que Fluder — um sábio genial que havia vivido muito além do alcance de um ser
humano normal e que estava profundamente envolvido nas operações da vasta nação
chamada Império — era superior a ele. Não havia como ele ver através de qualquer ten-
tativa de Fluder de enganá-lo.

No entanto, sendo incapaz de ver através de tais coisas e não tentar ver através de tais
coisas eram dois assuntos diferentes. Com essa atitude em mente, Ainz olhou para Fluder
e, no final, ele simplesmente disse:

“Ótimo. Eu lhe confio todos os poderes e privilégios do seu escritório assim que chegar
ao Reino Feiticeiro. Eu também pretendo ajudá-lo com a pesquisa mágica, tanto quanto
possível. Então—”

Agora, haveria mais uma pessoa ajudando Nazarick, além dos Bareares. Se ele pudesse
obter a mulher que Demiurgo e Albedo haviam recomendado, Nazarick seria ainda mais
fortalecida.
Ele tinha que aumentar seu poder tanto quanto possível, já que não sabia a verdadeira
face do inimigo.

O inimigo possuía um Item World-Class, então ele precisava obter um poder além dos
de YGGDRASIL o mais rápido possível. Ele tinha que assumir que qualquer coisa que ele
pudesse fazer, o inimigo também poderia.

No entanto, havia mais um problema.

Isso seria, como ele protegeria o Império?

Demiurge sentia que o Império era um inimigo em potencial, mas Ainz não achava isso.

Embora o futuro não fosse claro, o uso da força sozinho na conquista mundial não seria
uma decisão sábia. Se o Reino Feiticeiro foi pintado como uma nação que aniquilasse to-
dos que se opusessem, países que poderiam ser amigos provavelmente acabariam sendo
inimigos.

Sendo esse o caso, por que não formar uma amizade profunda com seu colega ditador
Jircniv, e enviar essa mensagem para os subordinados?

Dessa forma, poderei minimizar a força que Demiurge e os outros usam na conquista do
mundo. Que plano brilhante. Mais do que a aliança de nações, ou a aliança de guildas...
amizade?

As formas de seus amigos heteromórficos apareceram na mente de Ainz.

Ainda assim, como devo fazer amizade com ele? Comprar as pessoas com objetos não é o
jeito certo de fazer amigos, certo... Então, proteger o Império é a coisa mais preciosa para
Jircniv, esse deve ser o melhor caminho. É bem provável que meus inimigos voltem suas
atenções para isso.

Ele se colocou no papel das pessoas que fizeram lavagem cerebral em Shalltear. Se eles
usassem os métodos usados por Ainz, então—

Na pior das hipóteses, eles podem usar o 「Iä Shub-Niggurath」 na Capital Imperial. Todo
mundo pensaria que sou o responsável, independentemente do verdadeiro culpado... Então,
eles espalhariam essa notícia em todo o mundo. Isso diminuiria muito a influência do Reino
Feiticeiro.

Ainz lembrou seus dias de YGGDRASIL.

Era tolice lutar diretamente contra uma guilda poderosa, então era bastante comum ins-
tigar guerras com outras guildas para enfraquecer a influência da poderosa guilda. Esses
métodos provavelmente seriam aplicáveis aqui. Ainz provavelmente faria isso se colo-
cado nessa situação, e assim era muito provável que seu inimigo fizesse a mesma coisa.
A fim de evitar que esse tipo de coisa acontecesse, Ainz considerou permitir que Fluder
espalhe rumores de que ele não poderia usar essa magia novamente (uma mentira, na-
turalmente). No entanto, Fluder não podia mais ser usado, então ele teve que considerar
algum outro método.

Isso é praticamente proibir o transporte de objetos perigosos do tamanho da palma da


mão... Como esperado, precisarei discutir o assunto com o Demiurge, talvez ordenar que ele
pense em uma maneira de lidar com isso. No entanto, ele não acharia estranho? Ah, que
problemático, não consigo achar uma saída.

Se ao menos ele pudesse entregar tudo para aqueles dois. No entanto, se ele fizesse isso,
prejudicaria sua imagem como um governante absoluto. Ele teve que pensar em uma
maneira de resolver seus problemas, mantendo sua posição.

“Professor, o que está errado?”

“...Fluder, pretendo proteger o Império por algum tempo. Você tem alguma idéia?”

“...Posso saber o porquê pergunta, meu senhor?”

“Conquistá-lo seria fácil, mas não tenho interesse em ficar no topo de uma pilha de es-
combros. Desejo manter o Império intacto e, por isso, gostaria de evitar a perda do poder
de luta que resultaria quando eles o perderem.”

As rugas de Fluder se aprofundaram.

“É difícil responder a essa pergunta imediatamente. Eu acredito que não haverá proble-
mas por um tempo, mesmo que eu não esteja por perto. Dito isto, também é verdade que
ninguém pode preencher o vazio que eu deixarei... Se estiver bem, então ficarei por en-
quanto.”

“Você está disposto a fazer isso? Então, entrarei em contato com você amanhã, depois
que as discussões estiverem concluídas.”

“Sim!”

“Certo, há mais duas coisas que quero te perguntar. Primeiro, gostaria de saber os deta-
lhes do Senhor Marcial. A segunda questão diz respeito aos Death Knights...”

♦♦♦

Quando o tempo marcado se aproximava, Ainz lançou uma magia de detecção. Normal-
mente, ele teria acumulado numerosas magias defensivas em si primeiro, mas seria
muito cansativo gastar muitos pergaminhos valiosos. Ao contrário de como as coisas es-
tavam no cemitério, quando ele tinha certeza de que havia hostis presentes, Ainz sim-
plesmente conjurara sua magia.

Dito isto, ele escolheu um lugar onde qualquer contra-ataque não atingiria os outros.

Uma cena diferente apareceu em seu campo de visão. Esse era o interior de uma carru-
agem. Ainz manipulou o ponto de vista flutuante e observou o exterior da carruagem.

Então, Ainz conjurou 「Greater Teleportation」.

O teleporte aconteceu sem incidentes, e Ainz abriu a porta. Ainzach, que estava sentado
lá dentro, teve uma expressão de choque no rosto. No entanto, Ainz despreocupada-
mente embarcou, fechou a porta e dissipou a magia de invisibilidade que ele havia lan-
çado sobre si mesmo.

“Como eu pensava, era Vossa Majestade. Embora eu entenda a necessidade de sigilo, o


senhor poderia por favor não usar magia de invisibilidade na próxima vez?”

“Se eu não usar invisibilidade, serei visto, não?”

“Deve ficar bem apenas usando a máscara de Vossa Majestade, estou errado?”

“Na verdade, esse pode ser o caso, mas eu usei uma magia de teletransporte. Eu gostaria
de evitar ser arrastado para assuntos problemáticos.”

“De fato...”

“Bem, já que você entende, vamos sair?”

“Tudo bem. Vamos partir.”

A carruagem passou pelo portão aberto e chegou ao local designado pelo porteiro. Esta
era uma área de estacionamento que poderia acomodar várias carruagens.

“Então, vamos prosseguir.”

Ainz saiu da carruagem após Ainzach.

Um velho de uniforme de mordomo esperava por eles lá. Ele estava acompanhado por
uma empregada.

Embora parecesse um mordomo, não se portava de forma tão firme quanto Sebas. Ele
parecia um homem muito comum, embora bem-educado. O mordomo era humano, em-
bora o mesmo não fosse verdade para a empregada.
Um par de orelhas adornava o topo da cabeça da empregada; não ouvidos humanos, mas
ouvidos de algum tipo de animal. Embora fosse difícil ter certeza, uma vez que estavam
obscurecidos por cabelos, não havia inchaço no local onde os humanos normais tinham
seus ouvidos. Ela tinha um rosto bonito, mas não o mesmo tipo de beleza de humanos —
mais como um animal bonitinho.

“Bem-vindo, Ainzach-sama e — Vossa Majestade o Rei Feiticeiro, eu acredito. O mestre


os espera. Por favor, permita-nos liderar o caminho. Posso pedir que siga atrás de nós?”

“Quê?!”

Depois que ele ouviu o discurso do mordomo, um grito estrangulado de surpresa esca-
pou da boca de Ainzach.

Ainzach havia dito na conversa de ontem que ele não traria a verdadeira identidade de
Ainz, então ele deve ter ficado chocado porque eles conseguiram adivinhar quem era
Ainz. Para Ainz, no entanto, isso não era nada para se alarmar. Sua máscara poderia ter
escondido seu rosto, mas ele não havia mudado de roupa. Qualquer pessoa com uma boa
rede de informações teria ouvido falar dele. Nestas circunstâncias, não responder seria
grosseiro.

“Obrigado. Então, por favor, mostre o caminho.”

“Sim.”

O mordomo abaixou a cabeça. Um segundo depois, o mesmo aconteceu com a empre-


gada.

Depois que os dois começaram a andar, Ainzach disse calmamente a Ainz:

“Muito obrigado, Vossa Majestade.”

O agradecimento foi porque Ainz havia respondido ao mordomo.

Não há necessidade disso.

Ainz queria dizer, mas no final ele aceitou o agradecimento em silêncio.

Para Suzuki Satoru, um superior deveria cobrir seus subordinados se este cometesse
um erro. O agradecimento de Ainzach foi uma reação natural. Foi um passo inevitável em
seu crescimento futuro como um dos subordinados de Ainz.

Mais uma vez, Ainz percebeu que ser um chefe não era nada relaxante.

De repente, Ainz percebeu que ele nunca havia dito “Obrigado”, enquanto no papel de
um governante.
Eu preciso encontrar um tempo para agradecer aos Guardiões e a todos os NPCs. Eu pre-
ciso mostrar meu apreço por todo o trabalho que fazem.

O objetivo de Ainz era administrar a Grande Tumba de Nazarick como uma companhia
benevolente. Mesmo quando ele ponderava ociosamente o assunto, ele não parou de se
mover, mas continuou caminhando em direção à onde ele estava sendo conduzido.

“Embora, foi bastante surpreendente encontrar uma Rabbitman, Vossa Majestade.”

Não seria melhor discutir esse tipo de coisa depois que a pessoa em questão fosse embora?

Ainz pensou isso, mas o tópico o interessou, então ele decidiu seguir com o fluxo.

“Mas “Man” é homem... tem certeza que ela é uma mulher?”

“É... bem... o nome da espécie dela é Rabbitman.”

“Ainzach, foi apenas uma piada. Levar isso tão a sério é um pouco preocupante.”

“...Eu me pergunto se ela veio mais para o leste do que a Aliança Cidade-Estado. Que
exótica.”

“Hm...”

Ainz não tinha idéia do quão longe ficava “a leste da Aliança Cidade-Estado”. Sua infor-
mação ainda não abrangia regiões tão distantes.
[Homem-Coelho]
Ainda assim, ele não tinha visto nenhum no Reino, e ela era a única Rabbitman que ele
encontrou na Capital Imperial.

Deve ser difícil viver em um lugar sem outros membros da mesma espécie, mesmo sem
considerar a discriminação de outras raças.

Ainz estava curioso e queria fazer-lhe algumas perguntas, mas ele não podia fazê-lo. Se-
ria problemático se ele pisasse em uma mina terrestre durante a conversa.

Em pouco tempo, eles chegaram a uma casa.

“O mestre os espera. Por favor.”

O interior da casa era decorado com muitos artigos de armas e armaduras bem cuidadas
com óleos para prevenir corrosão. Estavam limpos, livres de poeira e expostos em fileiras
organizadas.
Após uma inspeção mais detalhada, muitas das armas estavam arranhadas e amassadas
em seus fins comerciais. Ficou claro que essas armas haviam sido usadas em combate
real.

Em vez de exibir uma loja de armas, parecia que o dono da galeria exibia as armas de
seu glorioso passado.

Depois de um rápido olhar, o olhar de Ainz voltou para uma espada.

Era a mais bela de todas as armas na sala.

Não havia sinal de dano na espada. O dono da galeria deve ter gostado bastante dela, a
julgar pela forma como ela foi colocada para ser a primeira coisa que alguém veria
quando entrasse na sala.

“Isso te agrada?”

“Ah, realmente uma excelente coleção.”

Assim Ainz respondeu ao dono sentado no sofá — em outras palavras, o dono desta
galeria. O proprietário era corpulento e seu cabelo era cortado tão curto que se podia ver
o couro cabeludo.

Eles não se incomodaram com saudações, mas continuaram falando sobre armas.

“Então, qual a parte que o senhor mais gosta — ah, essa. Todos que entram nesta sala
dizem isso.”

Ainz entrou e parou diante da espada.

“Posso pegá-la?”

“Claro, faço questão.”

Ainz agradeceu e pegou a espada. É claro que cairia se ele realmente tentasse empunhá-
lo seriamente, mas segurá-la estava bem.

Ele olhou para a espada e então percebeu os caracteres gravados na lâmina. Essas letras
bizarras eram vagamente familiares para Ainz. Ele procurou suas memórias e finalmente
encontrou a resposta.

“Runas?”

“Ohhh! Como esperado de Vossa Majestade. O senhor conhece esses caracteres!”

O quê? Sério? ...As runas são comumente usadas neste mundo?


Runas eram um alfabeto que aparentemente tinha sido usado no passado do mundo de
Suzuki Satoru. O fato de que tais letras existiam neste mundo significava que era muito
provável que alguém do mesmo mundo como Suzuki Satoru os tivesse as espalhado aqui.
Assim, Ainz respondeu cuidadosamente:

“...Provavelmente, creio eu. Eu só conheço de relance. Não consigo criar itens gravados
em runas. Posso saber que ferreiro fez isso?”

“Ohhh, essa foi uma boa pergunta. Essa espada foi forjada por um ferreiro rúnico do
Reino Dos Dwarfs na Cordilheira Azerlisiana. Tem cerca de cento e cinquenta anos. A
lâmina pode acumular eletricidade e há uma marca do fabricante no cabo. O senhor viu?”

O dono da galeria estava ao lado de Ainz.

O cheiro irresistível de colônia assaltou seu nariz.

“Esta é uma peça feita por Stonenel, um famoso ferreiro.”

Um artesão Dwarf? ...Parece que vou ter que aprender mais sobre isso.

“Hoh. Isso soa como um famoso artesão. Há mais algum exemplo de seu trabalho aqui?”

Ainz olhou ao redor e o homem riu com vontade.

“Hahahaha. Não, não aqui. Eu os guardo em outro lugar. No entanto, esta é a única peça
que tem um encanto tão poderoso.”

“Hoh.”

Ainz escondeu sua decepção enquanto ele discretamente se emocionava.

Dito isso, ele ainda aprendeu algo sobre o artesão chamado Stonenel. Ele tinha que ver
se havia um jogador lá.

“Ouvi dizer que as armas feitas por ferreiros rúnicos Dwarfs raramente circulam no
mercado. E você realmente tem mais coisa deles no estoque?”

Ainz mentalmente deu a Ainzach um sinal de positivo por fazer essa pergunta.

“Sim, Ainzach.”

O homem sorriu e continuou:


“Eu os arrebato sempre que acho em leilões. Recentemente, houve um aventureiro re-
almente persistente tentando me superar. Acabei pagando três vezes o que planejei ori-
ginalmente.”

Ainzach balançou a cabeça incrédulo (algo do tipo), enquanto Ainz assentiu em aprova-
ção. As coisas funcionavam exatamente assim para um colecionador. Um estranho nunca
seria capaz de entender. Às vezes, até mesmo Ainz não entendia suas ações do passado.

Ainz queria continuar perguntando, mas no final ele decidiu devolver a espada ao seu
lugar original.

“Parece que fiquei encantado com a sua maravilhosa coleção sem cumprimentá-lo. Per-
doe minha falta de respeito.”

O homem era todo sorrisos.

“Vossa Majestade tem jeito com as palavras. Então, permita-me me reintroduzir. Eu sou
Osk, um comerciante insignificante.”

“Você certamente irritará os outros mercadores do Império se você se considerar insig-


nificante. Eu continuo sendo o Rei Feiticeiro, Ainz Ooal Gown.”

“Não passa um dia sem que eu ouça algo sobre seu poderoso nome. Por favor sente-se.
Farei com que os servos preparem bebidas.”

“...Embora seja uma oportunidade rara... não há necessidade de preparar minha parte.”

Os olhos de Osk não pareciam muito proporcionais à sua cabeça. Ele estudou Ainz com
aqueles olhos.

“Vossa Majestade, eu ouvi os rumores... mas eu poderia incomodá-lo para remover essa
máscara?”

“...Como este é um pedido do dono da casa, eu devo obedecer.”

Ainz tirou a máscara, revelando seu rosto nu.

Não houve surpresa no rosto de Osk. Seus olhos eram muito pequenos, então uma vez
que ele estreitou os olhos para sorrir, não havia como dizer se ainda estavam abertos.

“Ohhh... entendo, entendo...”

Osk assentiu várias vezes antes de falar novamente.


“Na verdade, eu estava preocupado que eu não seria capaz de preparar o chá que seria
capaz de satisfazer os gostos do renomado Rei Feiticeiro, mas parece que foi um esforço
desperdiçado da minha parte.”

Depois daquelas palavras alegres, a barriga de Osk tremeu de tanto rir.

“Diga, Osk. Por que você sabia que Sua Majestade viria comigo?”

“Ahhh, não é difícil dizer. Veja bem, E-Rantel está sob o controle de Sua Majestade.
Quando soube que o Chefe de Guilda da Guilda dos Aventureiros de E-Rantel estava visi-
tando, na companhia de alguém mais importante do que ele, apenas uma pessoa veio à
mente. É verdade que poderia ter sido algum outro confidente do Rei Feiticeiro, mas
meus instintos me disseram o contrário.”

“Então, é a minha vez de fazer perguntas agora? Você já usou as armas exibidas aqui?”

Osk riu da pergunta de Ainz.

“Como eu poderia? Vossa Majestade, considere meu corpo! Eu posso manejar um ábaco,
mas nunca uma vez eu balancei uma espada. Isso é apenas um hobby meu... Desde que
eu era criança, sempre admirei os fortes, além de espadas e outras armas.”

“Entendo...”

“Parece que o senhor entende. Agora eu tenho uma pergunta minha. Eu ouvi falar do
poder incontrolável de Vossa Majestade; foi que, devido ao longo tempo que viveu— bem,
suponhamos que conte como viver, certo?”

“Isso é correto. Claro, em comparação com a expectativa de vida de vocês, humanos.”

Assim que Ainz disse isso, ele pensou em algo. Que tipo de ser era o Rei Feiticeiro Ainz
Ooal Gown?

Obviamente, ele não poderia dizer: “Certamente que não, vocês dois são mais velhos que
eu”. Mesmo que ele dissesse isso, eles não acreditariam nele. Então ele deveria falar en-
quanto estava na persona de Rei Feiticeiro. No entanto, se ele não bloquear os detalhes
exatos de sua persona, como Rei Feiticeiro, as coisas podem acabar dando errado.

De qualquer forma, confirma-se que os undeads vivem muito tempo. Se alguém perguntar
o porquê não sei certas coisas apesar de minha longa vida, posso responder que estava fo-
cado em pesquisar magias. Usarei isso como um detalhe básico para o personagem do Rei
Feiticeiro.

“Sendo esse o caso, o senhor possui armas das antiguidades?”

A julgar por essa pergunta, Osk não pretendia esconder sua curiosidade.
“Claro que sim. No entanto, não posso simplesmente dar a você, não é mesmo?”

“Por um valor adequado — não, vou tentar pagar três vezes o valor de mercado.”

Ainz não podia rejeitá-lo no local. Isso porque ele se lembrava do estado precário de
suas finanças pessoais. No entanto, dificilmente seria digno para o governante de um país
dizer “Claro, vamos fechar negócio.”

“...O dinheiro não é exatamente atraente para mim.”

“Eu sinceramente peço desculpas. Dizer isso à Vossa Majestade — que é o governante
de um país — foi terrivelmente rude de minha parte... Então, o que posso oferecer para
estreitar os laços da troca?”

Então, ele quer dizer que recebeu uma recompensa pelo serviço meritório ao meu país, ou
algo assim? Hm? Bem, nesse caso...

Ainz pegou uma espada curta. Estava envolvida em um efeito de neblina ondulante. A
lâmina azul levemente translúcida era feita de metal cristalino de cor azul, e continha
pouca mana. Dito isto, a sua capacidade global classificou-a como um item High-class em
YGGDRASIL, e certamente seria mais poderoso do que o item mágico médio neste mundo.

“Isso, isso é!”

Duas vozes gritaram essas palavras.

Os olhos de Ainzach se arregalaram quando ele olhou para a espada curta.

“Uhum...”

Ainz murmurou, antes de colocá-lo na frente de Ainzach.

“Pegue.”

“Hah?!”

Mais uma vez, essas palavras foram ditas por duas vozes.

“Ainzach, isso é um presente pelo seu bom trabalho. Dito isto, isso não é um prêmio,
nem é para simbolizar sua posição, eu simplesmente senti que esse tipo de coisa é seme-
lhante à recompensa que gostaria de distribuir em minha nação ideal, então eu dou isto
a você. Se você precisar de dinheiro, não há problema em vendê-la.”
Esta espada curta não continha dados suficientes para prejudicar Ainz. Nem era uma
das armas feitas por seus antigos companheiros de guilda e, portanto, não trazia consigo
lembranças.

“Eu, como eu poderia ousar aceitar tal...”

O corpo de Ainzach estremeceu incontrolavelmente.

“Isso não é nada incrível. Bem, se você não quiser, eu posso mudar para outra coisa
quando chegar a hora. Uma poção de cura, talvez. Isso deveria estar bem. O que você
acha?”

Ainzach hesitou por um tempo, mas no final decidiu manter a espada curta.

“Eu aceito de bom grado. Muito obrigado, Vossa Majestade! Eu continuarei servindo a
Vossa Majestade com toda minha força, com esforço que não será ofuscado por esta es-
pada!”

“Parabéns, Ainzach. Se você tiver algum problema, lembre-se de pensar nesse seu amigo
aqui.”

Osk olhou para a espada curta quando disse isso. Ainzach tinha uma expressão no rosto
como uma mãe ursa protegendo seus filhotes.

“Isso não vai acontecer. Nunca.”

Ainz decidiu mudar de tom.

“Bem então. Vamos passar para o verdadeiro negócio.”

Osk relutantemente afastou os olhos do lenço que Ainzach usara para enrolar a espada
e respondeu:

“...Entendido. Posso perguntar por que você agraciou minha humilde propriedade com
a sua presença?”

“Uhum... eu não pretendo ficar com verborragias. Deixe-me chegar ao ponto... Eu gosta-
ria que você organizasse uma luta com o Senhor Marcial da arena.”

Osk arregalou os olhos, mas logo eles voltaram à sua forma normal.

“Ouvi dizer que o Senhor Marcial não faz parte do pessoal da arena, mas sim um gladia-
dor que você criou desde que era criança. Ainzach me disse que você pode rapidamente
colocar uma luta em andamento se você concordar em ter o Senhor Marcial lutando, e é
por isso que eu vim fazer esse pedido a você.”
“Fuhahahaha. Está falando sério, Vossa Majestade? O senhor sabe que o Senhor Marcial
é o homem mais poderoso da arena, com um corpo de monstro e excelentes habilidades
de luta? Ele pode ser o mais forte da história. Talvez Vossa Majestade também conte in-
divíduos fortes entre seus seguidores, mas derrotá-lo é...”

Osk sacudiu a cabeça com orgulho.

“...Ele é mais forte que Fluder?”

“Não, isso é da perspectiva de um guerreiro. Não é aplicável a um magic caster. Tudo o


que eles têm que fazer é voar e atacar repetidamente com magia e assim acabam com
tudo.”

Osk resmungou um pouco, talvez perturbando Ainz, e então Ainzach entrou na con-
versa:

“Uma vez, uma equipe de aventureiros subiu ao céu e venceu usando uma chuva de ma-
gias e flechas contra ele à distância. Essa foi uma luta muito decepcionante. Desde então,
a arena proibiu o teletransporte e a magia de vôos.”

Então, Osk olhou para Ainz. Ele parecia ter se recuperado.

“Ghrum! Bem, isso foi rude da minha parte, Vossa Majestade. Eu me lembrei de algumas
lembranças amargas... Então, voltando ao assunto, Vossa Majestade. Posso perguntar
quem pretende lutar contra o Senhor Marcial? Serão humanos?”

Ainz e Ainzach se entreolharam. Então, Ainz respondeu:

“Neste caso, seria eu mesmo.”

“...Eh?!”

“Eu, Ainz Ooal Gown, serei o oponente.”

Após um breve período de silêncio, Osk perguntou em pânico:

“Mas, mas, mas, mas o senhor não é o governante de um país, Vossa Majestade?”

“De fato, eu sou. E daí?”

“Eh? Não, isso é correto, mas... isso...”

“Ahh, eu entendo o que te preocupa. Você deve estar pensando, o que aconteceria se eu
me machucasse?”

“Seria ótimo se fosse apenas uma questão de se machucar...”


Osk murmurou baixinho. Ainz fingiu não notar.

“Fique à vontade. Não haverá problema, não importa o que aconteça comigo. Vou deixar
uma prova escrita disso.”

“Mas se esse tipo de coisa acontecer, não vou mais poder fazer negócios. Ouvi dizer que
o Império é um aliado do Reino Feiticeiro. Se eu permitir que o Rei de um país aliado seja
gravemente ferido, o estado terá olhos em mim.”

“Eu prometo a você — você não será incomodado por isso.”

“Mesmo se disser...”

Osk fez uma pausa para pensar, e então perguntou novamente:

“Essas palavras podem ser desagradáveis aos ouvidos, mas o senhor poderia oferecer
algo como garantia?”

“Uma garantia? Como o quê?”

“...Por favor, me dê algo parecido com o que deu a Ainzach mais cedo. Se alguma coisa
acontecer, tudo ficará bem, desde que eu possa manter tal item.”

“Se isso é o que é preciso para satisfazê-lo, então farei essa promessa. No entanto, não
posso dar a você imediatamente. Eu prometo que vai chegar até você amanhã.”

“Muito obrigado, Vossa Majestade... Há também outro assunto que gostaria de discutir,
mas eu tenho medo de ser inapropriado.”

Ainz acenou, indicando que Osk deveria continuar.

“Como promotor, eu coleciono muita informação. Muitas dessas informações pertencem


a seres poderosos que podem aparecer na arena ou monstros. Há também rumores sobre
Vossa Majestade — ouso perguntar se é verdade que Vossa Majestade matou dezenas de
milhares de pessoas do Reino com uma única magia?”

“GHRUM!”

Ainzach tossiu de maneira muito artificial. Ele estava olhando para Osk com olhos re-
provadores, mas isso não era nada que tivesse que ser escondido, nem era algo para se
envergonhar.

“De fato, isso é verdade. Eu os matei com minha magia. Pretende me censurar por isso?”
“Não, eu estava simplesmente pedindo para avaliar a extensão dos poderes místicos de
Vossa Majestade. Afinal, se usasse aquela magia dos rumores, seria... muito ruim. Pois a
arena está dentro da Capital Imperial.”

“Não, não, eu não vou lançar uma magia como aquela.”

Mesmo Ainz não tinha intenção de usar tal magia no meio de um país aliado. Que tipo
de terrorista faria esse tipo de coisa?

“Claro, sinto o mesmo também. Ao contrário da imagem comum dos undeads, Vossa Ma-
jestade é um homem nobre e racional. Eu não acredito que o senhor vai decretar um
grande massacre por algum ódio aos vivos. Dito isto, fazer suposições e deixar de confir-
mar essas coisas pode levar ao fracasso.”

Ainz concordou com esse ponto também. Esse foi um dos perigos que surgiram ao per-
mitir que uma nova pessoa participasse. Suzuki Satoru falhou já assim no passado, na
verdade.

“Suas preocupações são válidas. Permita-me ressaltar — não vou usar aquela magia.”

“Por que isso? É porque tem algo a ver com o alinhamento das estrelas?”

“Não está relacionado a—”

Uma lâmpada se acendeu na cabeça de Ainz.

“Bem, aquela magia é um dos meus trunfos mais poderosos. Como El-Nix-dono o dese-
java, eu fiz uma exceção, mas só posso usar uma vez a cada dez anos. Assim, devo con-
servar minha força.”

“Hoh!”

Um brilho estranho iluminou os olhos de Osk, e ele falou:

“Está tudo bem em me dizer isso? Afinal, isso pode ser considerado uma fraqueza de
Vossa Majestade...”

“Está bem. Eu posso não ser capaz de usar uma magia destrutiva como aquela, mas aba-
ter todos os tolos que se opõem a mim ainda é fácil. Afinal, isso não significa que eu não
possa usar outras magias.”

“Como esperado de Vossa Majestade. Em outras palavras, o Senhor Marcial também será
um adversário fácil; é isso que está implicando?”

Depois que Ainz assentiu com confiança, um sorriso iluminou o rosto de Osk. No entanto,
quando Ainz o estudou, ele não podia ter certeza se o sorriso era genuíno.
“Entendo. Por fim, permita-me mais uma pergunta. Por que o senhor quer lutar contra
o Senhor Marcial, Vossa Majestade?”

“Porque ouvi dizer que ele é um oponente poderoso... desejo saber quem é mais forte,
ele ou Gazef Stronoff. O finado Gazef, pertence ao Reino, então talvez a maior razão seja
porque eu quero saber quem é o equivalente dele no Império.”

Claro, não foi por isso que Ainz estava lutando. No entanto, essa era a razão pela qual
ele e Ainzach haviam concordado depois de discutir o assunto.

Teria sido bom afirmar o verdadeiro motivo, mas Osk não era uma pessoa confiável. Na
verdade, ele parecia o tipo que priorizava seus próprios ganhos. Ainz sentiu que ser ho-
nesto com ele seria problemático.

“Compreendo. Muito obrigado... Então, vou agendar a luta com o Senhor Marcial. Con-
tudo—”

Osk levantou a mão para interromper o agradecimento que brotava de Ainz.

“Espero que cumpra as regras da arena. Além disso, mesmo que Vossa Majestade possa
levar a sério a partida com o Senhor Marcial, tudo ainda é uma espécie de performance
para nós. Assim, uma luta excessivamente unilateral seria terrivelmente chata. Com isso
em mente, eu gostaria de pedir que Vossa Majestade não use magia, mas sim uma espada
— uma arma — para lutar contra o Senhor Marcial. Eu afirmo que essas condições devem
contribuir para uma boa luta.”

“O que você está dizendo?!”

Ainzach se levantou da cadeira. Seu rosto estava vermelho de raiva.

“É mesmo possível?! Vossa Majestade é um magic caster! Como você espera que ele ga-
nhe?!”

“Hoho. De fato, esse é o caso. Não haveria maneira de Vossa Majestade, o Rei Feiticeiro
ganhar uma vez que sua magia fosse selada. Ora ora, e pensar que eu realmente trouxe
uma questão tão sensata. Ainda assim, não esperava ouvir essas palavras da sua boca. Eu
teria esperado que você ficasse bem com Sua Majestade perdendo. Parece que minha
opinião sobre você mudou.”

“Seu—!”

“Ainzach, não se esforce tanto. Está bem.”

“...Vossa Majestade, como assim?”


Ainz riu, porque Osk e Ainzach estavam olhando para ele de uma maneira desopilante.
No entanto, seria ruim se essa risada fosse interpretada como zombaria, então Ainz ten-
tou mascará-la com um bufo.

No entanto, isso era impossível para alguém que tivesse apenas um buraco no lugar do
nariz.

Ainz decidiu não desperdiçar sua energia e decidiu tentar blefar com palavras.

“Você parece ter interpretado mal minhas palavras. Eu disse que está bem.”

Não houve mudança na expressão de Osk, mas sua mente estava trabalhando em alta
velocidade. Isso era óbvio.

“...Então, vai jurar em o nome do Rei Feiticeiro, Vossa Majestade?”

“Jura pelo meu nome? ...Compreendo. Eu, Ainz Ooal Gown, juro pelo meu próprio nome
que não usarei nenhuma forma de magia durante a batalha com o Senhor Marcial.”

“Espere! Vossa Majestade! Como pode fazer um juramento sem ver a força do Senhor
Marcial?”

As palavras de Ainzach eram muito sensatas. No entanto, se as informações de Ainz so-


bre o Senhor Marcial estiverem corretas, não haveria problemas em tal juramento.

“Bem, vai dar certo de alguma forma.”

“O senhor realmente acha que vai dar certo?!”

Ainz ficou vagamente comovido pela réplica de Ainzach. Ninguém declarara suas opini-
ões assim desde que começara seu reinado como governante de Nazarick. Isso tinha sur-
gido um pouco durante seu tempo como Momon, mas mesmo isso desapareceu depois
que ele subiu nas classificações.

“Assim espero! Se o rei de outro país morrer na arena do Império, haverá um verdadeiro
caos de pagamentos!”

Claro...

Ainz pensou enquanto ele encarava Osk.

“Bem, isso é apenas esperado. O que fará, Vossa Majestade? Não é tarde demais para
aceitar o conselho do seu leal servo e desistir agora.”
Ainz deu de ombros em resposta. Ele podia entender as preocupações de Ainzach. Afinal
de contas, esse plano foi originalmente idéia dele. Claro, ele estava operando sob a supo-
sição de que ele poderia usar magia quando ele surgiu com esse plano. No entanto, ele
realmente achava que Ainz sem magia era tão fraco assim?

“Vai tudo ficar bem. Mais importante, gritar assim é bastante vergonhoso, Ainzach. En-
tão, Osk. Eu não sei muito sobre este assunto, mas que bem faz a minha morte?”

Osk arregalou os olhos, surpreso. Uma reação como essa não era nem um pouco boniti-
nha em um homem de meia idade como ele.

“Parece que Vossa Majestade está enganado. Eu não ganharia nada com isso. Como o
Chefe de Guilda diz, seria um obstáculo muito maior para mim.”

Não parece haver nenhum motivo oculto por trás da proposição dessas condições des-
vantajosas para Ainz. Com toda probabilidade, nascera de seus pensamentos como pro-
motor.

“—Compreendo. Então, vamos proceder como planejado...”

“...Vossa Majestade, o senhor tem um jeito de derrotar o Senhor Marcial — que é mais
forte que o Gazef Stronoff — sem magia?”

“...Stronoff, huh. Verdadeiramente um homem de força invejável.”

Ainz notou o olhar de surpresa no rosto de Ainzach, mas Ainz não disse uma palavra
quando se lembrou do antigo Capitão Guerreiro.

“Se o Senhor Marcial for mais forte do que aquele homem, então obviamente, terei que
ficar em guarda. No entanto, a força de que falo se refere ao seu espírito e não à sua ca-
pacidade de lutar. Agora, se comparássemos a força dos braços da espada do Senhor Mar-
cial e do Stronoff, certamente o primeiro mataria o último em um instante.”

“Entendo. Por falar nisso, devo continuar respondendo à pergunta que fez antes, Vossa
Majestade.”

Osk levantou as duas mãos. Seus braços eram musculosos e desprovidos de flacidez.

“Eu amo o choque da espada contra a espada e o punho contra o punho. Lamentavel-
mente, não tenho talento para habilidades de luta, talvez nem todos os meus esforços
podem me garantir a vitória. Foi por isso que pensei em fazer um guerreiro que pudesse
me substituir e que ele alcançasse a vitória em meu lugar.”

Osk zombou. Esta não era a atitude do comerciante que ele vinha mostrando até agora,
mas seu rosto como ser humano.
Esta foi a primeira vez que Ainz encontrou uma pessoa tão estranha, embora soubesse
que os fetiches variavam de pessoa para pessoa. Em outras palavras, Osk tinha um fetiche
particularmente anormal. Ainz fez um compartimento mental chamado “Pervertidos” e
arquivou Osk nele.

“Portanto, seria muito bom que Sua Majestade perdesse para o Senhor Marcial que trei-
nei.”

“Então é isso.”

Osk e Ainzach olharam para Ainz, surpresa escrita em todos os rostos.

Ainz queria perguntar: O que você tem feito desde agora?

“Não me dê esse olhar idiota. Se você tem algo a dizer, diga.”

“Não, não, isso é tudo que tenho a dizer.”

“Eu não tenho idéia de que tipo de reação você quer de mim, Osk... Humanos são criatu-
ras realmente complicadas. Bem? Se isso é tudo, isso significa que você espera que eu
preencha a lacuna? ...Hm, que tal isso. Você está realmente feliz em me derrotar enquanto
eu não posso usar minha magia?”

Por alguma razão, Osk tropeçou em sua resposta.

“Eh, ah, isso... é só que eu não gosto muito de magia...”

“Entendo. Então, vamos deixar o assunto morrer nisso.”

Osk e Ainzach se entreolharam.

Vamos, fala logo!

Pensou Ainz. Ainda assim, era como no mundo corporativo. Se alguém que não tem per-
missão para falar desnudasse seu coração, esse alguém teria problemas.

“Nós tornamos nossas verdadeiras intenções conhecidas, portanto não vamos perder
tempo com pequenos enganos e continuar com as coisas. Como você vai organizar o cro-
nograma para a luta com o Senhor Marcial? Se possível, gostaria de fazer um grande
evento sobre isso.”

“Então, eu anunciarei oficialmente um desafiante ao Senhor Marcial depois dos eventos


de hoje. É melhor eu me envolver pessoalmente. No entanto, pretendo manter o fato de
que o desafiante, Vossa Majestade, seja um segredo até o início da partida.”
“Eu não entendo suas razões para isso. Isso não seria um desperdício, do ponto de vista
de um promotor?”

“A lógica dita que o rei de um país aliado aparecendo em uma partida de arena é... oya?
Pensando bem sobre isso, eu não ouvi falar de uma cerimônia de boas-vindas. Está pro-
gramado para mais tarde?”

Ainz não pôde deixar de desviar o olhar.

Isso era problema.

Ainz deu graças que ele não tinha coração, e então balançou com força seu crânio vazio
e undead. Então, ele deu de ombros impotente.

“Eu vim para o Império por conta própria. El-Nix-dono não sabe que estou aqui.”

A expressão de Osk desapareceu. Ele deve ter cheirado algo suspeito. Como comerciante,
fazia sentido que ele fosse muito sensível ao lucro potencial. Em outras palavras, se não
houvesse ganhos a serem feitos, não haveria sentido em participar.

“Compreendo.”

Eh?

“Anunciar publicamente o desafio de Vossa Majestade certamente atrairia comentários


de todos os lados. Naturalmente, a identidade do desafiante deve ser mantida em segredo.
Então, posso supor que você lidará com todos os problemas que resultarão disso, Vossa
Majestade?”

“Claro. Deixe essa parte das coisas para mim.”

“Compreendo. Então, posso tomar um pouco mais do seu tempo? Eu gostaria de finalizar
o cronograma para o dia da partida.”

♦♦♦

“Ele voltou?”

“Sim, Mestre.”

O mordomo havia retornado do envio do Rei Feiticeiro, e essa era a sua resposta à per-
gunta de Osk.

“Perfeito.”

Respondeu Osk, e então ele olhou para a empregada que estava atrás do mordomo.
“—Coelho Caçador de Cabeças.”

O quê?

O homem diante dele pensou enquanto inclinava sua pequena cabeça delicada.

Sim, “homem”. Ele era um homem, vestido com uma roupa que melhor se adaptava a
uma empregada.

Segundo ele, ele fez isso porque se vestir como uma mulher fez com que outros o subes-
timassem e se tornassem descuidados, e também porque as pessoas não vasculhariam a
virilha.

Parece que foi por essas duas razões, e não por preferência pessoal. No entanto, dado
que ele mostrou movimentos adoráveis como os de agora mesmo na vida cotidiana, ele
provavelmente gostava desse tipo de coisa até certo ponto.

O fato de que seus pensamentos tinham realmente vagado tão longe era um sinal de que
ele estava pensando muito sobre isso.

Não incomodou Osk de nenhuma maneira particular, então ele não se importou.

Então, houve a questão de seu pseudônimo, “Coelho Caçador de Cabeças”.

Não combinava com um homem de aparência fofa, mas, novamente, ele era um merce-
nário que veio de uma nação a leste, da Aliança Cidade-Estado, um famoso “guerreira”
assassino.

Osk assinou um contrato com ele e o contratou por um valor impressionante. Ele havia
contratado equipes de trabalhadores e gladiadores também como guarda-costas, mas
ninguém mais recebia salários tão altos quanto ele.

Sua força correspondia ao seu preço — acima de um aventureiro classificado orichal-


cum, no mínimo. O fato era que ele não se envolvera em nenhum assunto problemático
desde que o empregara.

“Diga-me o que você acha de Sua Majestade, o Rei Feiticeiro?”

Ele tinha outra habilidade, além de ser um lutador de primeira classe.

Essa foi a capacidade de analisar seus oponentes. Através da longa experiência em tra-
balhos envolvendo mortes e por ser um guerreiro e um assassino, ele alcançou a capaci-
dade de avaliar as pessoas — para ver se elas eram fortes.

“Extremamente ruim.”
Até o momento, havia apenas uma outra pessoa sobre quem ele havia declarado uma
opinião semelhante. Essa pessoa era o próprio Senhor Marcial. Em outras palavras, esta
foi a segunda pessoa que ele não pôde derrotar.

Por acaso, a classificação abaixo era “Ruim”, foi que ele havia dito quando viu os Quatro
Cavaleiros Imperiais.

“Sua Majestade é um guerreiro forte?”

“Não tenho certeza. Julgando pelo modo que anda, ele não é tão forte. Ele não anda como
alguém que foi treinado como guerreiro ou assassino. Em vez disso, até aquele tio ao lado
dele parece mais um guerreiro. Ainda assim, é ruim. Apenas ficar de pé atrás dele me fez
querer fugir.”

Depois que ele disse isso, ele estendeu os braços.

Os olhos de Osk estavam fascinados pelos seus punhos.

Eram punhos redondos.

Seus punhos tinham sido remodelados ao perfurar objetos duros as dezenas, talvez cen-
tenas de milhares de vezes, até que se tornaram em uma forma redonda e esférica.

Mãos feitas para a batalha.

Um calafrio percorreu Osk, seguido por uma excitação incontrolável.

“—Onde você está olhando, seu pervertido.”

“Eu só estava pensando que essas são boas mãos.”

Era verdade que gostava muito dessas mãos, mas, infelizmente, Coelho Caçador de Ca-
beças não lhe interessava.

O gênero do indivíduo não era um grande problema para ele. No entanto, a parceira
ideal de Osk era a guerreira da Rosa Azul do Reino (Gagaran). Claro, Coelho Caçador de
Cabeças seria um bom parceiro também, mas Osk sentia que ele era muito magro, com-
parado a ela. Em contraste, o Senhor Marcial já era musculoso demais.

“...Então você não quer que eu renove meu contrato com você no próximo ano?”

“Isso seria muito preocupante! Dificilmente alguém pode se igualar a você... Bem, a her-
deira do Ijaniya à parte. Opa, parece que saímos do assunto. Então—”
Os olhos de Osk deixaram os punhos redondos e subiram. Arrepios eclodiram na pele
do Coelho Caçador de Cabeças.

“Eu ainda não consegui me acalmar. É muito ruim.”

“Então ele não é algo comparável com um guerreiro, mas ele é um adversário extrema-
mente ruim...”

“Ele é como outro Senhor Marcial.”

Osk percebeu o que Coelho Caçador de Cabeças estava tentando dizer. Ele estava se re-
ferindo àquele Senhor Marcial.

Havia raças poderosas e fracas neste mundo.

Os humanos tipificaram as raças fracas, sendo pouco mais do que carne sem visão no
escuro, sem carapaças duras para proteger seus corpos, ou outras habilidades especiais.

Em contraste, havia as poderosas raças, como dragões, por exemplo. Seres protegidos
por escamas duras, eles eram graciosos e poderosos, eles eram equipados com garras e
dentes que poderiam facilmente cortar aço, possuíam uma respiração ardente ou gelada
e outras habilidades especiais, e eram equipados com asas que eles poderiam usar para
voar para o céu.

Uma raça que era forte, mesmo sem treinamento de guerreiro.

O que Coelho Caçador de Cabeças estava tentando dizer era que o Rei Feiticeiro perten-
cia a uma raça comparável a essa.

Um undead apresentava estatísticas físicas ruins. Isso era o que Osk sabia ser verdade.
No entanto, não parece ser o caso do Rei Feiticeiro.

“Osk-sama, por que você aceitou fazer a partida? Sua Majestade sabe sobre o Senhor
Marcial, mas não sabemos sobre suas habilidades. Eu sinto que será uma partida muito
desfavorável.”

“...Ara? Você não entende?”

Coelho Caçador de Cabeças respondeu com uma voz cansada:

“Eu não penso sobre essas coisas inúteis...”

O mordomo olhou para Osk de um jeito surpreso. Assim, Osk respondeu:

“Por acaso um campeão foge dos adversários?”


“E o que mais?”

“Isso é tudo. No entanto, também é por isso que é tão importante. Não há necessidade
de apenas matar um ao outro. Mas se esse for um desafio oficial, feito através de uma
carta enviada assinalada, isso não poderá ser evitado. O Senhor Marcial pensaria da
mesma maneira também.”

“Que idiota—”

“Possivelmente. Ainda assim, é assim que ele é. No entanto, sinto que Sua Majestade é o
tipo que revela a verdadeira força na batalha, e não durante uma partida competitiva.
Agora, considere uma luta regulamentada e uma luta até a morte, sem restrições. Em que
circunstâncias você preferiria enfrentar o Rei Feiticeiro?”

“Nenhuma. Dou meia volta e corro.”

Osk riu, porque essa era a escolha mais sábia.

“Então, em seguida. O que você acha do Rei Feiticeiro?”

Essa frase não foi dirigida ao seu mestre, mas ao mordomo que esperava na retaguarda,
que não mudou sua expressão.

No passado, ele poderia ter expressado seu descontentamento silenciosamente, para


indicar que essa não era a atitude apropriada que um homem deveria ter em relação ao
mestre contratante. Ainda assim, esse desgosto havia desaparecido em algum lugar ao
longo do caminho. Talvez tenha sido quando Coelho Caçador de Cabeças matou um pre-
tenso assassino.

“Ele tem uma personalidade muito charmosa.”

“Ho~n”

Coelho Caçador de Cabeças meditou de uma maneira estranhamente fofa.

Ainzach não parecia estar sob coação. Em outras palavras, o Rei Feiticeiro tinha algo que
lhe permitia garantir a cooperação dos residentes da cidade dentro de alguns meses após
conquistá-la.

“Você viu seu porte real? Seja em trazer apenas Ainzach, ou concordar em não usar ma-
gia em sua batalha, ele irradiava o orgulho dos poderosos. Além disso, ele é um homem
muito inteligente. Parece que ele está muito acostumado com esse tipo de negociação.”

Até ele sentiu que era surpreendente.


Osk era um comerciante, mas o Rei Feiticeiro o via como um igual. Em circunstâncias
normais, alguns nobres gostariam de estabelecer quem estava no topo, esperar que um
rei fosse mais arrogante seria sensato.

Isso foi o que o desconcertou.

Ele poderia entender se ele fosse um negociante no passado, mas isso era impossível.
Em outras palavras, Ainz simplesmente era adepto de negociações.

“Em termos de capacidade geral, ele é comparável aos nossos imperadores.”

Claro, ele não havia lido aquilo profundamente nele. Era simplesmente que o Rei Feiti-
ceiro o assustou muito.

“Não, eu deveria dizer que ele é equivalente ao Imperador Sangrento, no mínimo.”

Então, no mínimo, ele era igual ao maior imperador da história. Que pesadelo.

Osk sacudiu a cabeça. Ele ficaria paralisado pela contemplação se isso acontecesse. Claro,
ele não queria olhar para o abismo do Rei Feiticeiro. No entanto, havia uma coisa que ele
tinha que fazer agora.

“...Eu devo informar o Senhor Marcial disso, e mantê-lo em condição privilegiada a partir
de agora.”

“Ele vai concordar?”

“Ele é um guerreiro. Ele não vai fugir de um desafio.”

“Ho~n. Bem, seria bom se ele pudesse ganhar~”

Parte 4

No dia da partida com o Rei Feiticeiro, Osk fez a pergunta usual:

“Como estão as coisas?”

“Sem problemas. Ótima forma estou eu.”

Um monstro gigantesco respondeu-lhe.

Era um membro das espécies de monstros, um Troll, mas uma grande diferença o dife-
renciava deles.
Esse seria o ar de um guerreiro que o rodeava, um manto que ninguém, a não ser aqueles
que sobreviveram a incontáveis batalhas intensas, seriam capazes de assumir.

No entanto, isso era apenas esperado. Ele era um Troll que se adaptou à luta e se espe-
cializou em batalha. Ele era um indivíduo notável, mesmo entre as diversas espécies de
Trolls, e era conhecido como um Troll de Guerra.

Ele era o Senhor Marcial, o mais forte gladiador da arena.

Osk olhou com ternura para aquele corpo.

Era verdade que havia muitas pessoas que podiam vencer o Senhor Marcial em termos
de proezas marciais (força). A maioria dos aventureiros vanguardas classificados como
prata poderia fazer isso. No entanto, a razão pela qual o Senhor Marcial poderia facil-
mente derrotar essas pessoas era muito simples.

Isso porque os corpos dos Trolls de Guerra eram muito superiores aos dos humanos,
seja em termos de força ou resistência, ou no enorme raio de ataque que seus enormes
braços lhes concedem.

Além disso, havia as habilidades raciais que ele possuía que os humanos não possuíam.

O primeiro deles era a pele. Vestir uma armadura por cima daquele couro grosso era
suficiente para fazer com que a maioria dos ataques direcionados a ele simplesmente
resultasse em nada. Claro, pode-se visar as articulações móveis e de aparência macia,
mas sua regeneração apresentava outra barreira formidável para qualquer um que ten-
tasse incapacitá-lo por esse caminho.

Um ataque que certamente mataria um ser humano normal não mataria um Troll. Sua
capacidade regenerativa surpreendente fez com que as feridas fechassem e só poderia
ser interrompida por fogo ou ácido.

Com este imenso poder biológico do seu lado, o Senhor Marcial atual se classificava ver-
dadeiramente como o mais forte da história.

O guerreiro que Osk elogiou como o mais poderoso vestia uma armadura diante dos
olhos do homem.

Ele havia contratado aventureiros adamantite para reunir os componentes para aquela
armadura, e então como resultado surgiu uma obra-prima aprimorado com magia. Na-
quela época, ele havia investido cerca de 20% de seus ativos nesse projeto em particular.
A clava que ele carregava também era feita de uma liga mágica, e foi feita de maneira
semelhante.

O Senhor Marcial colocou seus anéis mágicos, amuletos e os outros componentes de sua
panóplia.
“—Estou pronto.”

Essas palavras pareciam muito mais inteligentes agora do que como ele havia falado
antes.

Toda vez que Osk via essa majestosa estrutura, um calor emanava de seu peito. Foi ele
quem o criou nesse estado.

“Então, Senhor Marcial, vamos.”

Eles caminharam juntos até a entrada da arena. Este foi um ritual que eles sempre rea-
lizaram.

O Senhor Marcial permaneceu em silêncio depois de sair de sua sala.

Seu silêncio foi porque ele já estava animado e ansioso para lutar contra seus inimigos.
Em algum lugar ao longo do caminho, isso se transformou em desapontamento nas habi-
lidades de seus oponentes. Como seria agora?

De repente, o Senhor Marcial parou no meio do caminho.

Osk não se lembrava de nada acontecendo assim antes.

Ele começou a entrar em pânico com essa ocorrência sem precedentes e olhou para cima
para perguntar o que estava acontecendo. O Senhor Marcial levantou lentamente a vi-
seira de seu elmo, revelando seu rosto.

“Obrigado...”

Parecia que ele estava forçando aquela voz.

Osk piscou.

Esta foi apenas a quarta vez que ele ouviu aquelas palavras de agradecimento. As três
vezes anteriores foram quando ele recebeu sua arma, sua armadura e, em seguida,
quando lutou contra seu melhor oponente, o anterior Senhor Marcial “Lobo Corrosivo”,
Krelvo Palantynen.

“O que está errado, Senhor Marcial?”

Seus olhos olhavam para o corredor diante dele.

“Fu, fu.”

O corpo do Senhor Marcial estremeceu quando ele riu.


Foi a emoção de um guerreiro.

Era nisso que Osk acreditava, mas não parecia ser o caso.

“Que tipo de... Que tipo de desafiante é esse? Não, eu sou o desafiante?”

“O-o quê?”

“Fu, fu... que assustador. Osk, estou tremendo de medo.”

Osk não pôde deixar de duvidar de seus ouvidos.

“Isso, isso deve ser o que os seres vivos chamam de instinto. Minhas pernas não se me-
xem... É como se me dissessem que, se eu for, eu morrerei, fu, fu.”

Isso não era uma risada. Ele estava simplesmente tentando acalmar sua respiração per-
turbada.

“Ouvi dizer que o meu adversário é o Rei Feiticeiro, e me perguntei que tipo de inimigo
ele seria... Parece que a minha arrogância até agora será totalmente paga.”

“O que você está dizendo, Senhor Marcial? O que quer dizer com “arrogância”?”

“Eu sou forte.”

Osk queria responder que não havia nada de errado com a declaração do Senhor Marcial,
mas o Senhor Marcial continuou antes que ele pudesse dizer isso.

“Não, minha força é uma mentira. Vem das minhas habilidades raciais e não é força real.
Ainda assim, existem pouquíssimas pessoas que podem lutar comigo. Em particular,
desde que aprendi a usar técnicas de guerreiro, nunca tentei entender as habilidades ou
o equipamento de meus desafiantes, a fim de criar uma situação desfavorável para mim.
Não há outro jeito de me treinar. Mas no final, eu encontrei um inimigo que meus instin-
tos estão gritando para eu fugir. Muito obrigado. Você cumpriu completamente o acordo
que fizemos quando me conheceu.”

“Senhor Marcial... Go Gin.”

Ele conheceu o Senhor Marcial há 10 anos.

Houve um boato nas ruas sobre um monstro nos arredores do Império. Tal monstro era
muito racional e não mataria um inimigo que abaixasse suas armas. Osk estava interes-
sado, e apressadamente partiu do Império para encontrar tal monstro bizarro. Isso por-
que ele ouviu que o maior poder do Império, Fluder Paradyne, estava a caminho de des-
pachar o monstro.
Ele estava com medo no começo. Isso foi apenas natural. Afinal de contas, os humanos
que o encontraram só sobreviveram por acaso.

No entanto, o Senhor Marcial deu uma olhada em Osk e bufou desinteressado, prepa-
rando-se para sair.

Foi por isso que ele esqueceu seu medo e perguntou: “Por que você está fazendo isso?”

A resposta que ele recebeu não foi tão articulada como era agora, mas foi ao longo das
palavras “Treinando estou, para mais forte eu ficar”.

Osk teve a sensação de ver um novo mundo se abrindo diante dos olhos.

Osk tinha um sonho. Esse sonho era fazer um lutador forte. Foi um sonho de levantar o
guerreiro supremo, a fim de substituir seu eu sem talento. No entanto, nesse ponto, ele
percebeu que não precisava se limitar aos seres humanos. Não, já que as espécies não-
humanas normalmente eram fortes desde a nascença, não seria esse o caminho para se
tornar um forte — o guerreiro supremo?

Nesse ponto, Osk não estava pensando em criar um monstro. Ele estava procurando al-
guém que bem poderia ser o guerreiro supremo, o tirano da arena, o futuro Senhor Mar-
cial.

Fazia quase 10 anos desde aquele fatídico encontro. E agora, pela primeira vez, ele tes-
temunhou o Senhor Marcial tremendo de medo.

“Senhor Marcial—”

Várias coisas surgiram na mente de Osk. A primeira foi: “Você quer desistir deste jogo?”
O risco de morte existia dentro desta luta, e Osk não podia suportar perdê-lo, o Senhor
Marcial que ele havia criado até agora.

No entanto, ele não conseguia falar essas palavras.

Para os fortes, ter alguém mostrando preocupação por eles era como um insulto. Por
tudo que ele sabia, essas palavras poderiam quebrar a amizade que ele construiu com o
Senhor Marcial.

Havia apenas uma coisa que ele poderia dizer aqui.

“—Não perca, Senhor Marcial.”

“Hmph. O que você está dizendo? Não tenho intenção de perder. Todos os meus adver-
sários sentiram o mesmo. Todos estavam diante de mim na esperança de alcançar a vi-
tória. Agora é simplesmente a minha vez.”
“É assim que se fala!”

Osk deu um tapa nas costas do Senhor Marcial.

“O Rei Feiticeiro é um magic caster, mas isso seria muito chato em uma competição.
Então, eu decidi que ambos os lados não podem usar magia. Você não vai perder para um
inimigo assim.”

“...Sem magia? O Rei Feiticeiro concordou em lutar comigo, mesmo nessas condições?”

“De fato, ele fez isso com uma atitude que nem sequer considerou a possibilidade de sua
derrota.”

“Hoh...”

O Senhor Marcial fechou o punho. Foi um punho que me fez lembrar a imagem de uma
mandíbula gigante.

“Os fortes são muitas vezes orgulhosos. Ensinar-lhe-ei a loucura de seus caminhos.”

“Esse é o espírito! No entanto, não fique convencido. O Rei Feiticeiro é o tipo de homem
que pode doar armas de cair o queixo por um capricho. Com toda a probabilidade, ele
possui itens mágicos de incrível poder.”

Restringir o uso de itens mágicos provavelmente aumentaria as chances de vitória do


Senhor Marcial. Mas isso seria muito desvantajoso.

“Vai ficar bem. Eu agora possuo a mentalidade de um desafiante. Eu não vou ser exces-
sivamente confiante. Não vou perder porque não usei minha força total.”

O Senhor Marcial deu um passo à frente com sua perna musculosa, e Osk se esforçou
para segui-lo.

“Diga, você poderia considerar seriamente o que falamos antes?”

O Senhor Marcial de repente parou, um olhar de desgosto tatuava seu rosto.

“Antes... você quer dizer aquilo?”

“Sim, a questão da sua esposa.”

“Por que agora... Huhaha.”

O Senhor Marcial riu e Osk franziu as sobrancelhas enquanto corava.


Se você entende, não aja assim!

“É sério, você não pode me animar de outra maneira? Quantas vezes devo dizer isto... Se
um dia eu quiser uma esposa eu volto para a minha aldeia. Você quer que minha parceira
seja humana, é isso? Muito obrigado, mas vou negar todos os seres humanos ou similares.
Eu não gosto de coisas pervertidas como essa, ou melhor, qualquer humano que real-
mente queira dormir comigo seria absolutamente repugnante. Que tipo de fetiche doen-
tio seria, afinal? Além disso, você quer treinar um herdeiro meu, não é? Eu não posso
fazer isso com humanos.”

Embora fosse possível para os humanoides se reproduzirem, ter filhos com demi-huma-
nos era o tipo de coisa que só existia nas histórias.

“Bem, isso é verdade... Sendo esse o caso, por que não trazer uma esposa de volta com
você? Se você precisar de alguma coisa para voltar em triunfo, me avise e eu vou pegar
para você.”

“...Deixe-me deixar isso claro. Nós, os Trolls, pensamos nos humanos como alimento. Se
eu tiver uma esposa, ela pode acabar calmamente comendo os humanos, pelo que sei.”

Para Osk, tudo bem se ela só comesse humanos desnecessários. No entanto, ele não
disse isso.

“Certo. Em seguida, me conceda seu filho de volta antes que ele conheça o sabor da carne
humana. Se o treinarmos mais intensamente, ele certamente será mais forte do que você
é agora.”

O Senhor Marcial enrugou o rosto com um sorriso.

“Bem, isso seria interessante. Tudo bem, vou considerar isso seriamente.”

♦♦♦

“Vossa Majestade, o senhor pode realmente ganhar isso?”

Ainz respondeu à pergunta de Ainzach com a resposta que ele deu inúmeras vezes:

“Vai ficar tudo bem.”

Uma pessoa que enfrentaria uma batalha sem esperança era um verdadeiro homem de
coragem ou um tolo. Este não foi um encontro aleatório; a batalha fôra decidida nas fases
de planejamento.

Ainz reviu o que ele tinha aprendido em sua mente.


Se o Senhor Marcial estivesse apenas no nível do Gigante do Leste, ele certamente seria
capaz de vencer. Dito isto, se ele tivesse a mesma força que um guerreiro como Gazef,
depois de somar seus níveis raciais e profissionais, ele seria um inimigo muito compli-
cado.

Contudo—

Bem, foi um método de luta muito desprezível para começar. Eu até pedi ajuda ao Fluder
depois daquilo.

Ainz tinha a capacidade de negar completamente os ataques fracos. Ele não achava que
o Senhor Marcial seria capaz de violar essa defesa. Portanto, Ainz havia desativado essa
habilidade particular.

A vitória não estava garantida para ele.

Naquele campo de batalha, Ainz havia matado mais de 100.000 pessoas com magia. Em
YGGDRASIL, a quantidade de pontos de experiência ganhos era reduzida de acordo com
a diferença de nível entre ambas as partes, para um mínimo de um ponto. Em outras
palavras, ele deveria ter ganhado mais de 100.000 pontos de experiência. Juntamente
com a experiência acumulada de antes de vir para este Novo Mundo, ele deveria ter con-
seguido o suficiente para subir de nível. No entanto, Ainz não sentiu que ele havia subido
de nível, nem presenciou algum fenômeno relacionado.

Em outras palavras, Ainz não poderia ficar mais forte, como ele esperava.

Ainda assim — ele não poderia se contentar com isso.

Se o nível 100 fosse o limite, então não restava mais nada a fazer. No entanto, ele foi
obrigado a utilizar plenamente o poder desses 100 níveis e aperfeiçoar suas habilidades.
Se ele acreditasse sendo o ser mais forte e relaxasse, alguém poderia um dia superá-lo.

Ainz sabia que tinha uma certa força por ser um magic caster. As habilidades e destrezas
que ele havia aperfeiçoado em YGGDRASIL também foram eficazes aqui. No entanto, ele
não tinha praticado suas habilidades como uma vanguarda dos tempos de YGGDRASIL.

Eu aprendi muito com a batalha com aquela mulher.

Ele não sentiu nada além de gratidão por aquela mulher, que lhe ensinara como ele era
incapacitado como lutador de linha de frente.

Aquela batalha provocou o desejo em Ainz de melhorar sua capacidade de combate pró-
ximo. Agora, Ainz estava confiante de que em estatísticas, habilidades e até táticas, ele
era o equivalente a um guerreiro de nível 33, se comparável aos níveis de YGGDRASIL.
Esta batalha com o Senhor Marcial seria a prova disso. Ainz esperava ansiosamente por
isso.

Ainz olhou para si mesmo.

Ele não tinha mais o luxo de usar isso. Durante o encontro com os Trabalhadores, ele
não sentiu que havia ganhado muita experiência ou aprendido alguma técnica. Honesta-
mente falando, pareceu um desperdício de esforço.

Enquanto pensava sobre isso, Ainz recordou um problema mais urgente.

Ah~ Jircniv está assistindo essa luta também? Por que ele está aqui? Ele não estava por
perto quando eu verifiquei. Parece que minha travessia ilegal da fronteira será exposta...
Bem, eu acho que posso apenas pedir desculpas por isso. Se ele fizer uma tempestade em
copo d’água, eu simplesmente o pergunto como ele conseguiu a permissão do Reino quando
foi a Nazarick, assim resolvo o problema... Eu provavelmente deveria subir e dizer um oi
para ele. Eu acho que não cumprimentá-lo vai arruinar a minha imagem em seus olhos.

“Vossa Majestade, está na hora de entrar.”

O homem da arena disse ao entrar na sala para avisar Ainz.

Eles se encontraram várias vezes, mas ele congelou toda vez que viu a verdadeira face
de Ainz.

Devo lutar usando máscara?

Ele considerou isso. Ainz ganhou permissão para fazer um discurso depois de derrotar
o Senhor Marcial. Até onde ele sabia, poderia haver pessoas na plateia que quisessem se
tornar aventureiros no Reino Feiticeiro. Com isso em mente, seria melhor deixar as coi-
sas claras.

Tudo o que ele podia fazer era confiar em suas próprias escolhas.

Ainz lentamente avançou.

Normalmente falando, a pessoa mais graduada deveria entrar mais tarde. No entanto,
Ainz estava como desafiante nesta arena, portanto, ele seria inferior. Assim, ele foi obri-
gado a entrar primeiro. Claro, Ainz viu isso com naturalidade e não questionou isso.

Ainz sorriu para o muito preocupado Ainzach.

Parecia estranho que ele estivesse mais preocupado do que aquele que estava prestes a
entrar na batalha.

“—Não me faça repetir, Ainzach. Eu não vou perder.”


♦♦♦

Depois de cumprimentar Jircniv, Ainz voltou para a arena.

Ele prometeu não usar magia durante a luta, mas a luta ainda não havia começado. Cer-
tamente seu oponente não iria discutir sobre algo assim.

Ele não parecia muito bravo, apesar do fato de eu ter cruzado a fronteira ilegalmente. Ele
vai reclamar depois? Ou ele achou que eu entrei normalmente? Se esse fosse o caso, eles
poderiam acabar fazendo algum tipo de boas-vindas para mim, ou talvez eu esteja sendo
muito autoconsciente... Ele ficará zangado porque eu me dirigi diretamente a ele como Jir-
cniv?

Ainz zombou de seus pensamentos e então voltou os olhos para a entrada que o enca-
rava.

O Senhor Marcial ainda não havia aparecido.

Então...

Ainz olhou ao redor para a plateia na arena.

Um silêncio sepulcral de espanto dominava a cena. Até mesmo o menor movimento era
claramente audível.

Bem, era de se esperar... Não, vocês aí, isso não é uma máscara.

Ainz pensou em seu rosto suave e brilhante. Agora ele entendeu. Qualquer um que pu-
desse olhar para esse rosto com indiferença deve ser bastante corajoso.

Por causa disso, minha popularidade aumentará quando eu tiver o público animado.

Embora seu objetivo não fosse aumentar sua popularidade, era melhor ter do que não
ter. Além disso, se acabasse levantando a opinião geral de todos os undeads, provavel-
mente melhoraria a opinião deles sobre o Reino Feiticeiro, que controlava muitos unde-
ads.

Ainz agarrou o cajado em sua mão.

Como puramente um magic caster, a seleção de armas de Ainz era muito limitada, em
grande parte por bastões, adagas e coisas do gênero. Desta vez, ele selecionou um cajado
usado para ataques físicos. Era uma arma que ele havia feito como protótipo em
YGGDRASIL, mas que acabou não sendo usada. Por ser algo que ele usara há muito tempo,
não era muito forte. Ainz de hoje em dia provavelmente poderia fazer uma arma melhor.
Mas dito isto, Ainz não havia feito tais preparações.

Depois de considerar a diferença de força entre ele e o Senhor Marcial, Ainz decidiu lutar
contra ele com sua arma atual, para ver como ele — e a luta — se comportaria.

Este seria um ato de extrema tolice para o jogador de YGGDRASIL Suzuki Satoru, um
lapso imperdoável de descuido. Se seus amigos estivessem por perto, eles poderiam re-
preendê-lo com um “Isso não vai servir~”

No entanto, ele já havia aprendido sobre todos os itens mágicos do Senhor Marcial atra-
vés de Fluder. Assim, ele teve que se sujeitar a essas circunstâncias desfavoráveis para
usar isso como treinamento.

Ele não queria fazer um massacre unilateral. O objetivo de Ainz era uma vitória esma-
gadora, porém na medida certa.

“Senhoras e senhores! Da entrada norte! O! Senhor! Marcial!”

Ao contrário de como eles o trataram antes, toda a arena explodiu em aplausos. Ainz
podia ouvir a voz de Jircniv da sala VIP onde ele mostrara seu rosto mais cedo. O homem
estava gritando como se fosse rasgar a garganta.

...Ele parece muito animado. Jircniv realmente gosta tanto assim do Senhor Marcial? O rei
do ringue parece ser um tipo de ídolo, então esta deveria ser uma reação normal, né? Em
YGGDRASIL era assim também — os lutadores mais fortes em jogos de PVP eram muito
populares entre os espectadores.

Quando ele relembrava seus dias em YGGDRASIL, Ainz começou a sentir um pouco de
pena de Jircniv.

Ele ficará chocado quando eu ganhar. Como um cliente cuja equipe esportiva perdesse...

Pesava em seu coração, mas ele não podia desistir desta partida.

Uma sombra enorme apareceu da entrada oposta.

Os aplausos que ele achava que não poderiam ficar mais altos aumentaram ainda mais,
e agora soava como uma explosão.

Com toda a honestidade, ele queria uma parte dessa torcida para si, mas ele simples-
mente teria que reivindicar através de sua própria força.

Em YGGDRASIL, as vozes dos apoiadores se voltariam lentamente para o desafiante se


eles se saíssem bem. Em outras palavras, se Ainz lutasse bem contra o Senhor Marcial,
mais e mais pessoas começariam a apoiar Ainz.
Então, parece que condições como estas, onde eu quase não tenho qualquer apoio, são
muito boas para me anunciar, não?

Ele poderia ver lentamente a forma do Senhor Marcial.

Ele usava uma armadura completa e carregava uma gigantesca clava.

Enquanto ele observava essa fortaleza ambulante diante dele, os olhos de Ainz — as
chamas vermelhas piscando dentro das órbitas vazias de seu crânio — se estreitaram em
pequenos pontos.

Hm... Ele parece o mesmo que a descrição. Sendo esse o caso — não, isso seria imprudente.
É melhor eu ter cuidado.

De acordo com as informações fornecidas por Fluder, ele não possuía nenhum equipa-
mento particularmente letal.

No entanto, em YGGDRASIL, algumas pessoas preparavam um conjunto de equipamen-


tos idênticos, equipados com cristais de dados completamente diferentes. Nos jogos de
PVP, pequenos truques como esse melhoraram as chances de vitória. Embora o equipa-
mento de backup fosse tipicamente mais fraco do que uma panóplia principal, ser capaz
de surpreender um inimigo tinha efeitos além dos meros valores de dados.

Ele não podia garantir que o Senhor Marcial não faria isso.

Ainz levou isso em consideração enquanto continuava a estudar o Senhor Marcial.

Ele tinha ouvido falar dele antes, mas vendo a coisa real o fez pensar, “não é de se admi-
rar”. Isso provavelmente o que eles quiseram dizer com o ditado “é ver para crer”. Pelo
que Fluder lhe dissera, a criatura sob aquela armadura parecia muito semelhante ao Troll
de Guerra que ele havia transformado em zumbi, mas o Senhor Marcial tinha um ar com-
pletamente diferente ao seu redor.

Pode-se dizer que foi a diferença entre um porco domesticado e um javali.

“Isso é... interessante... Interessante?”

Ainz franziu as sobrancelhas para sua própria excitação. Ele se sentiu da mesma ma-
neira em ocasiões passadas; que isso seria uma boa luta. Talvez ele estivesse se tornando
um maníaco de batalha, dada a forma como ele gostava de combate.

Isso não foi um bom sinal.

A distância entre eles diminuiu. Seu adversário foi o primeiro a falar.

“Eu sou o Troll de Guerra Go Gin, conhecido como Senhor Marcial.”


“Eu sou—”

Ainz estufou o peito:

“O Rei Feiticeiro, Ainz Ooal Gown, um undead da mais alta ordem, um Overlord.”

“Compreendo. Então vamos lutar com todas as nossas forças.”

“...Oya?”

Ainz ficou bastante surpreso.

Havia duas coisas sobre as quais ele estava curioso, e ele decidiu começar com o maior.

“Você não vai tirar sarro do meu nome?”

“Por quê?”

“Você está perguntando o porquê...?”

Ainz inclinou a cabeça para a pergunta. Ele trouxe algo do passado.

“Eu me lembro de que nomes longos são algo desprezível na cultura Troll não...?”

“Entendo. Parece que você entende bem minha espécie, Vossa Majestade. De fato, minha
espécie considera que aqueles com nomes curtos são fortes. No entanto, tenho vivido
neste país há muitos anos. Durante esse tempo, aprendi que os humanos usam nomes
longos. Assim, não vou tirar sarro de tais coisas. Além disso, sinto que você está muito
orgulhoso desse nome, Vossa Majestade. Insultar os nomes dos fortes é vergonhoso para
um guerreiro.”

“Então é isso... Parece que preciso rever minha opinião sobre Trolls de guerra agora.”

“Fuhahahaha. Não é preciso. Eu sou meramente um estranho. Além disso, diferentes es-
pécies têm membros com opiniões diferentes. Isso é tudo.”

“...Hahahaha! De fato. Eu gostei de você, Senhor Marcial... Se eu ganhar, que tal ficar com
você?”

Ainz estendeu a mão direita.

Embora tenha sido rejeitado na época, as circunstâncias atuais eram diferentes. O Se-
nhor Marcial considerou o assunto e respondeu:

“...Bem. Se eu perder, me tornarei seu subordinado. E se eu ganhar?”


“Bem, essa é uma pergunta complicada. O que você quer? Nomeie seu desejo.”

“...Então eu desejo ter Vossa Majestade.”

“...Hah?”

“Até hoje, não encontrei ninguém que valesse a pena matar por uma refeição. Mas se eu
puder comer você, que é mais forte que eu, eu obterei seus poderes, Vossa Majestade.”

Ainz se acalmou um pouco. Ele ouvira uma conversa de um colega de guilda sobre a
cultura dos canibais. Embora eles comessem pessoas, o motivo por trás disso era o
mesmo que o Senhor Marcial, para obter o poder da alma do inimigo. Havia também ou-
tras razões para isso, como fetiches e assim por diante.

Pelo menos não é sexual. Eu não perderia de todo modo, mas seria muito nojento se alguém
estivesse olhando para mim dessa forma durante uma briga.

“Bem. Afinal, o direito à vida e à morte está nas mãos do vencedor. Então, mesmo que
eu te mate, você não deve rejeitar a ressurreição.”

Ainz deu um passo à frente. O Senhor Marcial assumiu uma posição de luta por um mo-
mento, mas depois relaxou imediatamente.

Ainz avançou com a mão direita estendida. O Senhor Marcial devolveu o gesto, esten-
dendo sua mão direita maciça.

Isso foi apenas um aperto de mão, em que a mão do Senhor Marcial englobou a de Ainz.
Estrondosos aplausos surgiram da plateia.

“Então, eu tenho outra pergunta. Por que você se dirige a mim respeitosamente?”

A atitude do Senhor Marcial não era como um campeão reinante cumprimentando um


desafiante.

“Para mim, é sensato abordar os fortes com respeito.”

“Percebi... Tudo bem, eu entendo. Essas são todas as perguntas que tenho. Vamos come-
çar. Quão longe devemos estar? Como a distância de antes — cerca de dez metros ou
mais? Vou me esforçar para cumprir as regras desta arena.”

“Não há regras para a distância, mas isso não importa. Você logo estará dentro do al-
cance de meus golpes.”

“Isso é uma desvantagem, uma desvantagem.”


O Senhor Marcial não falou, mas acenou para mostrar que entendia.

Seu rosto não podia ser visto, mas sua respiração e ações estavam calmas.

Teria ele visto através da provocação, ou isso não era suficiente para perturbá-lo?

Ainz mentalmente estalou sua língua.

Que inimigo problemático. Se demostrasse emoções vulneráveis, ele poderia jogar com
isso, mas não se podia desprezar um inimigo atento, mesmo que fossem de um nível in-
ferior.

O Senhor Marcial virou as costas para Ainz e se afastou.

Ele se virou novamente depois de andar cerca de 10 metros.

“Então, vamos começar quando a campainha tocar, Vossa Majestade.”

“Certo... diga, Senhor Marcial, eu lutei com um do seu tipo antes, mas você já lutou contra
o meu tipo antes?”

“Overlords? Não, será a primeira vez. Eu nunca ouvi falar dessa espécie... de undead.”

“Então é isso... Bem, isso é verdade. Se você tivesse conhecido alguém da minha espécie,
você não estaria vivo para ficar aqui. Overlords são os undeads de mais alto escalão...
Então, você já lutou com algum outro undead?”

“Não, eu nunca lutei com os undeads. Afinal, os undeads que eles trazem aqui obvia-
mente não são páreos para mim.”

“Não duvido... Então eu não posso dizer “Não pense que eu sou como os outros undeads
que você lutou. Eu sou várias vezes mais poderoso que um Elder Lich”... Que pena.”

O Senhor Marcial riu.

Ainz encolheu os ombros e ergueu o cajado como uma grande espada. Ainzach deveria
estar olhando por trás, mas ele não havia mostrado sua postura de luta como Momon,
então deveria estar tudo bem.

O Senhor Marcial ergueu a gigantesca clava também.

O sino tocou.

Naquele instante, Ainz foi engolido por uma enorme sombra negra.

Cheh, ele é rápido!


Essa foi a sombra de uma clava sendo manuseada para baixo.

Bloquear o golpe com o cajado — Ainz queria fazer isso, mas imediatamente abandonou
a idéia. Ele não sabia o suficiente sobre o inimigo, a melhor coisa a fazer em face de um
grande movimento — que era altamente prejudicial — foi se esquivar.

Assim, não se importando se ele perdesse o equilíbrio, Ainz se jogou em evasão.

Ainz conseguiu se esquivar por um triz. A clava bateu no chão, liberando um impacto
estrondoso que até produziu um eco. A fumaça e a poeira resultante se expandiram como
uma explosão.

Preocupado com quaisquer golpes subsequentes, Ainz recuou vários passos.

Depois que a poeira baixou, a sombra do Senhor Marcial, com a clava na mão, apareceu.

Um grande grito subiu da arena.

Foi uma arte marcial? Ainda assim... isso é muito emocionante.

Ele podia claramente ouvir Jircniv gritando seu apoio em meio aos aplausos ensurdece-
dores. “Pegue ele! Ele está bem aí!” E outros gritos infantis.

Ainz não pôde deixar de rir quando ouviu esses gritos de Jircniv, que eram completa-
mente diferentes do habitual. Ele não poderia imaginá-lo agindo assim de todas as vezes
que o espionou na Cidade Imperial.

...Ele é um sujeito inesperadamente interessante...

A opinião de Ainz sobre Jircniv subiu rapidamente. No começo, ele acreditava que ele
era um homem perfeito com o ar de um Imperador. No entanto, agora que ele viu como
ele estava apaixonado sobre o jogo, ele sentiu que poderia se dar bem melhor com ele. O
coração de Ainz se encheu de uma sensação de proximidade.

Então, Ainz voltou sua atenção para o Senhor Marcial.

O Senhor Marcial apontava aquela gigantesca clava para ele, sugerindo que seria inter-
ceptado se chegasse perto e que seria perseguido se recuasse. Era uma postura bem ade-
quada para prender seus oponentes.

Era uma postura defensiva que fazia uso total do comprimento de sua arma, pratica-
mente transformando-a em um escudo.

Com toda honestidade, Ainz não tinha idéia de como quebrar essa postura.
Isso pode ser problemático. Parece que ser incapaz de usar magia contra um adversário
blindado é bastante difícil. Bem, eu sou um magic caster, afinal...

Sendo esse o caso, havia apenas uma coisa que ele poderia fazer.

“Bem? Você não vem? Ou você vai se esconder como uma tartaruga?”

“Vossa Majestade, eu não vou baixar minha guarda. Mesmo que as regras o impeçam de
usar magia, o fato de você ter desviado daquele golpe não pode ser ignorado.”

“Então, você quer que eu tome a ofensiva? Nesse caso, você se importaria em mudar
essa clava de lado? É meio que no caminho e torna difícil atacar.”

O Senhor Marcial não respondeu. Seu olhar aguçado permaneceu afixado em Ainz atra-
vés das fendas da viseira do seu elmo.

“Bem, então... Nesse caso, permita-me.”

Ainz bateu selvagemente o cajado na ponta da clava. A clava bateu com força no chão,
quando o Senhor Marcial grunhiu “Ggh!”.

O impacto deveria ter sido transmitido para as mãos do Senhor Marcial e as entorpecido.
Em contraste, Ainz não tinha funções biológicas para tais coisas.

Em um instante, Ainz fez sua investida dentro do alcance do Senhor Marcial.

Ainz enviou um comando mental para seu cajado, e chamas subiram. Dito isso, essas
“chamas ondulantes” significavam simplesmente uma camada de fogo que cercava o ca-
jado. As chamas não constituíam um ataque próprio. No entanto, Ainz sentiu a atenção
do Senhor Marcial indo em direção ao cajado.

Correto. Vocês, Trolls, têm poderes regenerativos. Assim, é perfeitamente racional ter em
mente as armas que negam sua regeneração, como aquelas que podem causar dano de fogo
ou ácido. No entanto, isso é um erro fatal.

Ainz tocou a armadura do Senhor Marcial com a mão esquerda vazia. Naquele momento,
o Senhor Marcial estremeceu como se tivesse sido eletrocutado, fazendo-o balançar a
clava sem pensar.

“Kuh!”

Ainz não conseguiu se esquivar, e os sons de rachaduras vieram de seu corpo quando
ele foi jogado longe. Já que ele havia desativado a Imunidade Física de Alto Nível e ele
ficou vulnerável a ataques de impacto, aquele ataque causou muitos danos. O corpo de
Ainz voou vários metros, não, mais de 10 metros pelo ar, como uma bola chutada por um
esportista.
Então, ele bateu no chão, quicando várias vezes.

Os aplausos estrondosos irromperam da multidão.

Ainz ouviu Jircniv gritando de prazer quando ele rolou pelo chão, e a onda de boa von-
tade que ele tinha em relação ao homem caiu rapidamente.

Droga, somos países aliados, não somos? Você não deveria estar mais preocupado com o
fato de um rei aliado estar no chão?

Embora ele tivesse sofrido danos, Ainz não sentia mais dor, e ele olhou para o Senhor
Marcial da posição onde havia caído.

Não houve ataque subsequente.

Os sons de aplausos diminuíram gradualmente, substituídos por uma sensação de in-


quietação que cobria toda a arena. Por que o Senhor Marcial não pressionou o ataque?
Não, por que o Senhor Marcial se curvou? O que estava desacelerando os movimentos do
Senhor Marcial.

Ainz graciosamente se levantou, limpando a poeira. Ele não parecia se incomodar em


ser enviado voando.

Em contraste, os movimentos do Senhor Marcial estavam extremamente lentos.

Ainz riu.

Esta foi a melhor maneira de fazer um grande espetáculo.

Ainz retornou à sua posição original, em meio a uma cacofonia de barulho. O Senhor
Marcial perguntou em dúvida:

“O que é isso? Veneno... não, o que é isso?”

“Eu não quebrei as regras. O contexto faz sentido. Dito isso, isso está muito além da pa-
lavra “veneno”. Meu toque pode infundir energia negativa no corpo de um oponente. No
entanto, a regeneração de um Troll deve ser capaz de curar isso.”

Ainz fez o mesmo gesto que ele usou ao tocar o Senhor Marcial, abrindo e fechando os
dedos.

“No entanto, tenho outra habilidade além disso. Eu posso infligir danos físicos por toque.
Com isso, sua força e destreza foram reduzidas. Eu não acho que você pode curar isso,
não é?”
Pelo que Ainz sabia, a regeneração Troll só podia curar danos, mas não o enfraqueci-
mento do corpo.

“Em outras palavras, Senhor Marcial, quanto mais eu te tocar, mais baixo será o seu sta-
tus, até você acabar como uma lagarta.”

Naturalmente, isso era mentira.

Ele podia infligir penalidades de habilidade a um inimigo, isso era verdade, mas mesmo
isso tinha um limite. Ele não conseguia reduzir as estatísticas para zero. Claro, seu opo-
nente não poderia saber disso.

No entanto, havia outros undeads com habilidades semelhantes, então ele não podia
concluir que seu oponente realmente não sabia. Ele poderia estar blefando sobre não
lutar contra os undeads, e ele poderia saber algo relacionado a eles.

Foi por isso que Ainz declarou abertamente o nome de sua espécie.

Os Overlords são uma espécie muito poderosa, e sobre a qual você não sabe nada. Uma vez
que ele deixasse essa impressão na mente do Senhor Marcial, ele sentiria que o poder de
Ainz seria misterioso e insondável. Ainz havia mencionado que ele era da mais alta or-
dem e com isso, reforçava ainda mais essa sensação de desconforto.

O mais importante era que ele havia dado uma explicação desnecessária ao Senhor Mar-
cial. Isso também era confundi-lo com informações falsas.

—Basicamente, toda guerra é baseada em decepção.

Ainz calmamente estudou o Senhor Marcial, que não parecia estar se recuperando das
penalidades de sua habilidade.

Isso era para ver se o Senhor Marcial estava tentando blefar com suas ações.

Ele pode ter a capacidade de se recuperar, mas optou por não usá-lo, a fim de criar uma
falha fatal na defesa de Ainz. Ele também pode ter um talento ou alguma outra habilidade
oculta sobre a qual Ainz não sabia.

Só se podia esmagar um inimigo em uma luta aberta quando havia uma enorme dife-
rença de força.

“...As penalidades de habilidade que eu infligir não se curarão com o tempo, você sabe.
Eu vou raspar suas estatísticas físicas pouco a pouco, até dar o golpe final com meu ca-
jado, entendeu? Bem, se entendeu, então vamos continuar.”

Ainz deu um passo à frente e o Senhor Marcial lentamente assumiu uma postura.
Ele não podia ver o rosto do Senhor Marcial por causa do elmo. Ele estava rindo para si
mesmo ou estava ficando ansioso?

Que seja ansiedade, assim espero...

Ainz moveu sua mão esquerda, a que não segurava o cajado. O Senhor Marcial mudou
em resposta. Parece que ele estava muito cauteloso com isso.

O Senhor Marcial deve estar pensando que tudo o que ele precisava fazer era se preo-
cupar com a mão esquerda.

Dito isso. Durante os experimentos de Ainz, ele descobriu que podia iniciar ataques de
toque com qualquer parte de seu corpo. Se ele quisesse, ele poderia até usar uma cabe-
çada para fazê-lo.

Quando Ainz se aproximou, o Senhor Marcial se afastou.

Ainz riu friamente.

De seus movimentos, ficou evidente para o público quem tinha a vantagem aqui.

Você sabe qual é a diferença entre nós, Senhor Marcial? De fato, você pode ser melhor que
eu como guerreiro. Mas há algo que decisivamente nos diferencia.

A maior diferença entre ele e o Senhor Marcial era o HP.

Ainz tinha a saúde de um personagem de nível 100. Mesmo que ambas as partes aban-
donassem a defesa e se envolvessem em uma disputa, Ainz sairia vitorioso.

No entanto, o problema estava nas artes marciais, aqueles ataques que Ainz não conhe-
cia.

“Eu estabeleci outra restrição sobre mim mesmo, além de não usar magia. Isso diria res-
peito a itens mágicos. Eu não usei itens mágicos durante essa luta com você — em outras
palavras, eu me dei uma restrição de equipamento. Ainda assim, isso é completamente
benéfico para mim.”

Ainz possuía numerosos itens mágicos de seu tempo em YGGDRASIL. Todos e cada um
deles era um tesouro inigualável neste mundo. Assim, se Ainz tivesse usado aqueles, ele
poderia facilmente ter vencido sua batalha com o Senhor Marcial. No entanto, Ainz não
achava que esse era o jeito certo de lutar.

Portanto, Ainz estava equipado com itens de baixo nível.

“Limitei-me a usar armas que alguém do seu nível pode usar. Por outro lado, sinto que
esta é uma excelente oportunidade para testar uma nova aquisição.”
Ainz mergulhou seu cajado no chão e retirou dois dos quatro stilettos embainhados em
sua cintura. Ele agarrou-os com força.

“Vamos testar essas armas que peguei emprestadas de Momon.”

O Senhor Marcial provavelmente não entendeu a tagarelice de Ainz. Ainz não tinha in-
tenção de esclarecê-lo. Ele estava simplesmente falando para si mesmo.

“Então — aqui vou eu.”

Ainz não podia imitar a postura bizarra daquela mulher — aquele estranho agacha-
mento para uma investida. No entanto, depois do treino, ele aprendeu a correr de ma-
neira semelhante. Ele disparou como uma flecha solta em direção ao Senhor Marcial.

A distância era muito curta. Ainda assim, mesmo na breve abertura antes do ataque de
seu oponente, a clava do Senhor Marcial varreu o ar na direção dele. O golpe foi mais
lento, pois sua força havia sido minada pelas penalidades da habilidade, mas era um
golpe que deveria ter efeito.

Ainz não podia executar uma esquiva magnífica como aquela mulher. No entanto, Ainz
poderia fazer algo que aquela mulher não conseguia.
Ele ativou a habilidade, e os movimentos do Senhor Marcial pararam por um momento.

Ainz encurtou a brecha entre eles e enfiou o stiletto, apontando para o ombro. Esse
golpe com força total, impulsionado pela aceleração durante a corrida, perfurou o Senhor
Marcial como uma flecha que perfurava madeira.

Quando aquela mulher acertou Ainz, ela conseguiu danificar a armadura que Ainz criara
magicamente, que era mais dura que adamantite. Este golpe estava no mesmo nível que
aquele, e o stiletto perfurou a armadura do Senhor Marcial e além, penetrando no corpo
do Senhor Marcial.

—No entanto, neste momento—

“《Reforço de Couraça》, 《Aumentar Reforço de Couraça》!”

O Senhor Marcial ativou suas artes marciais.

Era como se ele tivesse liberado algo de dentro de seu corpo, isso empurrou para trás a
ponta do stiletto.

O mais surpreendente foi que o impacto total que Ainz infligiu foi apenas uma pequena
quantia — o valor de um arranhão — de dano. Com a regeneração Troll, esse tipo de dano
seria curado em segundos.

O Senhor Marcial deve ter se sentido seguro com isso. A clava balançada em direção a
Ainz ainda foi muito rápida, e ele só tinha tomado um arranhão do ataque total de Ainz.
Pode-se dizer que a vitória estava à mão do Senhor Marcial.

No entanto, isso seria uma coisa muito tola de se dizer.

“—Ativar.”

“Goh! Gowaaaaaaaaah !!

Ainz liberou a magia, canalizando uma 「Fireball」 que Fluder tinha conjurado na arma,
a explosão de chamas se formou onde ele havia esfaqueado o Senhor Marcial, queimando
o corpo no interior da armadura. Ainz pensou em mergulhar o outro stiletto no ombro
oposto, mas ele não era forte o suficiente, e a armadura defletiu o ataque.

Enquanto Ainz pensava em mirar uma fenda em sua armadura, Ainz sentiu o movimento
do Senhor Marcial e avançou para o lado sem olhar.

Um vendaval soprou atrás dele. Deve ter sido a pressão do vento daquela clava.

Depois de afastar por cerca de 10 metros, Ainz se virou.


O Senhor Marcial estava agarrando o ombro com braço que segurava a clava. Seu outro
braço estava como um pêndulo, provavelmente imóvel. Parece que a magia de Fluder foi
um pouco forte demais. Talvez ele devesse ter pedido por um magic caster mais fraco
para infundir magia em seu stiletto.

Depois de perceber que o Senhor Marcial estava em apuros, a multidão gritou em soli-
dariedade.

Ainz olhou ao redor da arena.

Não importava onde ele olhasse, ele não podia ver ninguém torcendo por ele.

Que estranho... Em YGGDRASIL, não seria incomum alguém começar a torcer por mim
neste momento... Acho que as partidas aqui são difíceis.

“Bem, faz parte. Eu acho que vou ter que abandonar o plano de aproveitar o coração do
público. Então, Senhor Marcial... hora de morrer.”

Ainz embainhou o stiletto cuja magia foi gasta e sacou outro. Este novo estilete estava
imbuído de uma magia de ataque elemental ácida de 3º nível. Ele havia preparado isso
para o caso de o Senhor Marcial ter se tornado imune ao dano de fogo.

Claro, o Senhor Marcial parecia que ele tinha sido ferido por aquela magia elemental de
fogo, mas isso poderia ter sido uma atuação. Monstros em regeneração não podiam re-
sistir completamente a ataques que desligavam sua regeneração, mas isso era apenas
para YGGDRASIL.

Por tudo o que ele sabia, algo assim poderia ser possível neste mundo.

Se fosse esse o caso, seu plano era matá-lo ativando a habilidade quando o público —
quando todos — pudessem ver que a vitória já havia sido decidida.

“Se você admitir a derrota agora... vou terminar as coisas aqui.”

“Não... Vossa Majestade. Não... ainda não. Eu ainda sou o Senhor Marcial. Eu ainda sou o
Rei desta arena. Vou lutar até a morte.”

“Então, tire seu elmo e me deixe ver seu rosto.”

Foi um pedido surpreendente, mas o Senhor Marcial concordou e mostrou seu rosto.

Suor frisado em sua testa, e seu rosto estava retorcido pelo que provavelmente era uma
dor intensa. No entanto, havia muita força naqueles olhos.

“Esses são bons olhos. Eles me lembram de Gazef Stronoff.”


“Obrigado. Ser louvado por um ser poderoso como você mesmo me enche de alegria.”

“...Me diga. Você tem algum movimento que possa me vencer? Você tem algum movi-
mento que possa inverter a situação atual?”

“—Eu não posso. Mesmo assim, ainda desejo lutar.”

Foram palavras muito honestas.

Ainz sentiu vergonha de usar tantos blefes nessa luta. Além disso, havia todas as habili-
dades que ele tinha selado para fazer um bom jogo.

Como seu oponente estava lutando a sério, Ainz foi obrigado a responder com tudo o
que podia, dentro do alcance do que lhe era permitido fazer.

O Senhor Marcial, que viera direto para Ainz, parecia ter brilhos nos olhos.

“O que os Guardiões pensariam da luz naqueles olhos...”

Ainda assim, ele sabia que eles iriam desprezar qualquer ser que não fosse de Nazarick.
Se esse era o caso — inquietação e solidão enchiam Ainz.

Ainz deixou de lado essas emoções e lentamente ergueu seus stilettos.

O Senhor Marcial limpou o suor com o antebraço e colocou o elmo de volta.

“—Venha para mim, Senhor Marcial.”

“Gooohhhhhhh!”

Com um rugido, seu vasto corpo avançou em Ainz.

Ele foi mais rápido do que antes. Talvez ele tenha ativado uma arte marcial.

Aquela incrível velocidade juntamente com aquele corpo imenso — os dois se uniram
para produzir uma opressiva sensação de opressão que congelaria qualquer inimigo no
lugar. Não, isso se aplicaria a pessoas normais, mas os undeads eram imunes a tais efeitos
mentais.

Ainz calmamente estudou o Senhor Marcial.

Ele era rápido — mas isso era tudo.

Seu equilíbrio estava ruim, provavelmente porque o ombro perfurado pelo stiletto não
conseguia se mexer.
—Pior do que aquela vez.

Mais importante—

Você sabe a verdade por trás de como eu diminuí a sua velocidade? Se você não sabe, vai
acabar para você, não?

Ainz ativou a mesma habilidade a partir de antes.

「Despair Aura I」 Essa habilidade possui cinco efeitos.

• I - Medo.
• II - Pânico.
• III - Confusão.
• IV - Insanidade.
• V - Morte Instantânea.

O medo referia-se a um estado anormal de medo, que infligia uma penalidade a todas as
ações.

O Pânico era uma versão mais severa do Medo, causada pelo empilhamento de efeitos
adicionais de Medo uns sobre os outros. Qualquer pessoa afetada por esse status deseja-
ria fugir do usuário a todo custo — em outras palavras, não seria capaz de tomar ne-
nhuma ação relacionada ao combate contra essa pessoa.

Confusão era como o nome sugeria. Sem quaisquer medidas de recuperação, o alvo es-
taria num estado de confusão.

A Insanidade era um status ruim extremamente irritante, sendo uma versão perma-
nente do Confusão. Não pode ser removido sem magia de terceiros.

E óbvio, que a Morte Instantânea causaria morte.

Os efeitos mudavam conforme o nível aumentava.

Ainz usou o efeito Medo primeiro, e depois cancelou quase instantaneamente. Ao fazer
isso, haveria um momento em que as ações que se imaginavam não correspondiam às
ações reais tomadas e, assim, o corpo se sentiria paralisado.

No entanto, o Senhor Marcial previu que isso aconteceria se ele tentasse um ataque fron-
tal. Mesmo depois que sua mente e corpo ficaram fora de sincronia, ele ainda balançava
a clava.
Depois de levar em conta as penalidades combinadas, o toque de Ainz e o status de medo,
fugir do ataque do Senhor Marcial deveria ter sido uma brincadeira de criança. Con-
tudo—

“《Pancada Forte》, 《Centelha Singular Divina》!”

Ainz pensou ter visto um flash de luz.

Naquele instante, dor intensa — imediatamente suprimida a níveis toleráveis —- e uma


sensação de flutuação o encheu.

“《Fluxo Acelerado》!”

Um impacto topado veio de cima, seguido por uma explosão de dor no momento se-
guinte.

Embora ele estivesse brevemente confuso com a situação, Ainz rapidamente caiu em si.

Este foi provavelmente um combo duplo. A primeira parte lançou Ainz no ar, enquanto
o segundo o derrubou no chão.

Se ele fosse Suzuki Satoru, ele poderia não ter conseguido entender a situação e se con-
fundido. No entanto, Ainz Ooal Gown estava imune a esses status negativos.

Ainz sabia que estava no chão, e que a clava estava caindo sobre ele.

“Cheh!”

Ainz se afastou assim que a clava atacou. Talvez tenha sido por causa de uma arte mar-
cial, mas o impacto fluiu através do chão para o corpo de Ainz.

No entanto, isso não causou nenhum dano adicional.

Quando Ainz saltou, a clava que se enterrou no chão foi puxada de volta. Esse movi-
mento, como retirar algo das profundezas, parecia dizer “Eu vou acabar com você”.

Ainz tomou uma decisão em uma fração de segundo para bloquear o golpe com seu sti-
letto, e o corpo de Ainz navegou pelo ar mais uma vez. Os aplausos da plateia ecoaram
pela arena, mas o Senhor Marcial amaldiçoou amargamente:

“Droga!”

Ele estava esperando acabar com Ainz com aquele ataque combinado.

Depois de ser derrubado vários metros pelo ar, Ainz caiu algumas vezes no chão e então
rapidamente recuperou sua postura enquanto ele murmurava sobre si mesmo.
“Nada para inverter a situação, hein? Ele me enganou. Punitto Moe me repreenderia por
isso.”

Muito parecido com Ainz, o Senhor Marcial salvou seu trunfo — suas artes marciais —
até o momento final. Isso provou que ele era um guerreiro de primeira classe.

Ainz embainhou um dos seus stilettos, liberando uma mão.

A arrogância e pressa para conquistar a vitória lhe renderam um duro golpe — não, dois
deles na verdade. Era hora de descartar o pensamento ingênuo. Ele cortaria as estatísti-
cas do seu oponente antes de terminar as coisas.

Que barulhento...

Os aplausos do público estavam realmente irritantes. Eles tinham lamentado momento


atrás e agora estavam se regozijando. Especialmente—

―Jircniv, seu desgraçado! O que diabos você quer dizer com “Finaliza ele?!” Ah, fala sério...

Ainz se moveu devagar. Ele não tinha sido gravemente ferido, mas ele havia sido punido
por seu descuido, então ele não cometeria esse tipo de erro novamente.

Ainda assim, eu realmente não entendo artes marciais. Estas são habilidades que não exis-
tiam em YGGDRASIL... alguém as desenvolveu para combater os jogadores de YGGDRASIL?
Ou estou apenas tentando forçar uma teoria aqui...? Espera, aquela arte marcial deveria
ter sido algo que aumentasse a velocidade de ataque. Ele provavelmente tentará isso de
novo, então é melhor eu preparar meu corpo para isso, não?

Ainz entrou no alcance do Senhor Marcial e o Senhor Marcial desceu o braço atacando.
No entanto, Ainz não evitou.

Ele avançou, recebendo os ataques do Senhor Marcial.

A pressão e a dor o enchiam, mas ele podia fazer isso, dada a enorme diferença em seu
HP. Não havia problema. Além disso, seu corpo undead imediatamente suprimia sua dor,
para que ele pudesse suportar a agonia que os vivos não poderiam suportar.

Deste modo, Ainz tocou o corpo do Senhor Marcial. Tendo acabado de terminar um ata-
que — e estando sob a influência do status de medo da aura de Ainz — seria muito difícil
evitá-lo.

Então, ele manteve contato com o corpo do Senhor Marcial e circulou para suas costas.
Claro, ele estava continuamente infundindo a energia negativa através de sua armadura,
isso causava debilidades de habilidades físicas.
“Uooooooooh!”

Desta vez, foi o Senhor Marcial que se afastou dele, como se estivesse rolando pelo chão.

Ainz estava intrigado sobre se deveria ou não prosseguir, mas decidiu ficar parado, no
caso de algum movimento oculto.

O Senhor Marcial levantou a arma ponderadamente. Sua respiração estava irregular, e


seu comportamento imponente de quando eles se conheceram não mais existia.

Ainz agarrou seus stilettos com força.

As preparações estavam completas. Este seria o ataque final.

Talvez ele sentisse a mudança no ar, mas o Senhor Marcial removeu o elmo e o jogou de
lado.

Quando a surpresa começou a encher Ainz, o Senhor Marcial desatachou o resto de sua
armadura também. Por ele estar enfraquecido no momento, não parecia estar em um
nível em que ele era incapaz de se mover devido ao peso de sua armadura.

No entanto, depois de ver a determinação na face do Senhor Marcial, Ainz entendeu seu
plano.

Entendo. A armadura protege contra os estiletes, mas não faz nada contra as penalidades
de habilidade. Ele deve se sentir bastante ameaçado por isso, e é por isso que ele está apos-
tando que o HP de seu oponente está baixo e aliviando a carga em seu corpo, só assim ele
pode continuar atacando.

Este seria o ato final — e também uma aposta muito desvantajosa.

“Me diga... Eu sou fraco?”

“O quê?”

“Vossa Majestade, eu sei que não revelou uma fração do seu verdadeiro poder até agora.
Mesmo sem as asas poderosas de sua magia, isso claramente não te sobrecarregando. Eu
sou realmente tão fraco assim?”

Ainz fechou os olhos em pensamento, e então os abriu novamente.

“Sim, você é fraco.”

“...Então é isso.”

A arena ficou em silêncio.


A voz de Ainz não os alcançou. No entanto, a vitória já foi decidida.

“Durante esta batalha, me proibi o uso de muitos itens mágicos e uma sorte de habilida-
des que possuo.”

“Caso contrário, você teria terminado isso em um instante?”

Ainz assentiu em confirmação.

“Apenas isso. No entanto, eu sabia sobre você, então—”

Ainz balançou a cabeça. Isso não foi feito para confortá-lo:

“Bem, você acabou de ter um adversário ruim. Se você é o homem mais forte do Império...
eu posso muito bem ser o homem mais forte do mundo.”

“Posso perceber... Ainda assim... estou feliz. Saber que existe alguém que é melhor do
que eu, me leva a melhorar.”

“Eu entendo isso, até certo ponto.”

Havia alguns de seus amigos — por exemplo, Touch Me — que ele nunca havia vencido
em PVP. Mesmo assim, ele olhou para trás com carinho sobre como ele tinha ponderado
sobre as maneiras de vencer suas táticas e equipamentos.

Ainz sorriu para o Senhor Marcial e o Senhor Marcial sorriu para Ainz.

“...Então, faça o seu movimento.”

“Vossa Majestade, Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown. No final, por favor, mostre-me —
mesmo que seja apenas uma fração — do seu verdadeiro poder. Permita-me experimen-
tar o zênite do poder!”

O Senhor Marcial brandiu vigorosamente sua arma.

“Já que é assim... muito bem. Então revelarei o pináculo do poder para você.”

Ainz ativou sua habilidade e avançou.

Ele entrou no alcance de ataque do Senhor Marcial. O Senhor Marcial atacou.

Era completamente diferente da velocidade com que ele havia mostrado. Ele poderia ter
usado artes marciais para acelerá-lo. Ainda assim, não foi nada comparado à velocidade
antes de ter suas habilidades penalizadas. Estava muito mais lento.
A Clava balançou para o corpo de Ainz, mas Ainz não prestou atenção.

O ataque não pode mais prejudicar o corpo de Ainz.

Ainz passou por isso, como se acariciado por um vento suave.

Ele fez golpe após golpe, mas Ainz continuou avançando, olhando diretamente nos olhos
do Senhor Marcial.

O Senhor Marcial sorriu, como se desistisse. Ainz mergulhou o stiletto no peito do Se-
nhor Marcial sem nenhuma resistência, e então liberou a magia imbuída dentro dele.

♦♦♦

Ainz olhou para baixo no cadáver do Senhor Marcial.

Então, ele ativou um item mágico emprestado. Era um simples alto-falante.

“Ouçam-me! Povo do Império! Eu sou o Rei Feiticeiro, Ainz Ooal Gown!”

Sua voz pareceu ecoar com um eco agudo de dar satisfações em meio ao silêncio. Assim,
Ainz decidiu encerrar isso rapidamente.

“Eu pretendo estabelecer um programa para treinar e criar aventureiros no meu


país. Isso porque considero vantajoso para meu país cultivar e proteger aventurei-
ros e enviá-los para vários lugares do mundo. Muitos aventureiros precisam so-
breviver com seus próprios recursos. Mas quantos foram mortos antes de chega-
rem ao auge?”

Ainz relembrou a equipe de aventureiros com quem viajou por um curto período de
tempo.

“...Portanto, pretendo incorporar a Guilda dos Aventureiros à minha nação. Há


aqueles que temem perder sua liberdade e serem algemados uma vez que a Guilda
dos Aventureiros se torne uma organização nacional. Eu não posso descartar com-
pletamente isso. No entanto, como acabei de mostrar, minha força é mais que sufi-
ciente. Não pretendo usar vocês como ferramentas para a guerra. O Reino Feiti-
ceiro tem sede daqueles que realmente buscam aventura! Todos vocês que dese-
jam explorar o desconhecido, que desejam entender o mundo e assim sonham em
se tornar aventureiros, venham a mim! Eu vos ajudarei a andar com as próprias
pernas, os ajudarei com o poder que vocês não podem imaginar. Agora contemple
uma fração desse poder!”

Ainz caminhou até o Senhor Marcial.

“O Senhor Marcial está morto! Quem vai verificar sua morte?”


Não houve resposta.

“A morte é o fim de tudo. No entanto — como alguns aqui podem saber, a morte
pode ser combatida.”

Ainz retirou uma varinha e apontou para o peito do Senhor Marcial.

Seria terrivelmente embaraçoso se ele não voltasse à vida. Seu coração inexistente ba-
teu em seu peito.

“Testemunhem!”

A varinha foi ativada, e então o Senhor Marcial ofegou. Então, seu peito começou a se
mover.

“A magia da ressurreição é a província dos sacerdotes de alto nível. No entanto,


isso não é um desafio para mim! Dito isto, o pagamento apropriado em ouro ainda
deve ser feito! Eu, que venci a morte, vos apoiarei! Venham para a minha nação,
vocês que procuram se tornar aventureiros de verdade!”

Em meio às ondas de som, Ainz lançou uma magia 「Fly」.

Seu destino era a sala VIP de Jircniv.

Olhando ao redor, ele notou que apenas Jircniv e seus dois guarda-costas restavam. Os
outros pareciam ter saído cedo. Ainz ficou encantado por ter menos com o que se preo-
cupar, mas ele não disse nada.

“Bem, desculpe por isso, Jircniv-dono. Oya, seu rosto parece melhor agora. Que alivio.”

Sua tontura quando se levantava parecia genuína. No entanto — Já que ele estava tor-
cendo tão energicamente, deve ter sido apenas por um momento.

“Peço desculpas por te preocupar, Gown-dono.”

“Ahhh, não se importe. Qualquer um ficaria preocupado se visse alguém conhecido pas-
sando mal.”

“Obrigado por sua preocupação. Ainda assim, esse foi um jogo emocionante. Como es-
perado do senhor, Gown-dono. Pensar que você poderia triunfar tão facilmente sobre o
guerreiro mais forte do Império. Não há palavras para isso se não “magnífico”.”

“Certamente não. Esta foi uma boa luta. Mas o resultado ainda era incerto; Eu simples-
mente tive à sorte agindo do meu lado.”
Dada a maneira como Jircniv estava torcendo pelo Senhor Marcial, ele deve ter sido um
grande fã. Sendo esse o caso, ele não poderia errar ao louvar o Senhor Marcial.

Ou melhor—

—Seu desgraçado, você não torceu por mim. Eu ouvi aquilo!

Claro, ele não podia expressar esses pensamentos. Quando alguém pensava calmamente
sobre isso, em uma batalha entre os guerreiros de sua própria nação e a de outro país,
era natural alguém torcer pelos próprios compatriotas.

Bem, se ele realmente torcesse por Ainz, seu medidor de afeto — uma frase que Pero-
roncino frequentemente usava — provavelmente teria atravessado o telhado.

“Embora estranhos possam não saber, tenho certeza de que o senhor não é um homem
de incertezas, Gown-dono. Então, a seguir — me perdoe. O que estou dizendo neste mo-
mento?”

“De fato.”

Ainz concordou. Em outras palavras, ele não queria conversar com Jircniv por tanto
tempo em um lugar como este.

Ainz não queria que ele percebesse que Ainz Ooal Gown era apenas um homem mortal.

Embora Ainz pensasse que seria repreendido por promover o Reino Feiticeiro na arena
e por sua passagem ilegal na fronteira, Jircniv não parecia querer repreendê-lo. Sendo
esse o caso, era melhor para ele rapidamente fazer a sua saída.

“Bem, isso é—”

Ainz engoliu as palavras informais que ele estava prestes a falar. Isso seria como cavar
seu próprio túmulo.

“Vamos terminar as coisas aqui por enquanto. Eu o visitarei outro dia, Jircniv-dono.”

Pessoalmente, Ainz queria escapar com magia de teletransporte, mas ele precisava pe-
gar Ainzach primeiro. Então ele voltaria ao chão, e só então se teletransportaria — e en-
tão, enquanto ele estava ponderando sobre o assunto, Ainz percebeu que Jircniv estava
olhando para ele, com um olhar sério no rosto.

Ele definitivamente diria algo estranho.

Essa situação era familiar para qualquer assalariado. Ainz se virou para olhar para Jirc-
niv.
“Vossa Majestade. Eu tenho uma proposta. Posso te incomodar a ouvir isso?”

Não.

Quão maravilhoso seria o mundo se ele pudesse dizer isso?

Ainz decidiu não fugir da realidade. Ele sorriu — embora seu rosto não se movesse — e
respondeu com um “Prossiga”.

“Então, eu espero — não, o Império Baharuth gostaria de se tornar um estado vassalo


do Reino Feiticeiro de Ainz Ooal Gown.”

“...Hah?”

Ainz não pôde deixar de exclamar daquelas palavras completamente inesperadas.

Seu cérebro ainda não havia analisado o que acabara de ouvir.

“Vas— um estado vassalo?”

Seus guardas — ambos os quais ele tinha visto antes — também estavam olhando em
choque.

Por alguma razão, Ainz sentiu vontade de acariciar Jircniv na testa.

Por que ele de repente pediu para ser um vassalo? Pensando sobre isso, que tipo de
relacionamento os estados vassalos têm, afinal? Ainz conhecia o termo, mas o que exata-
mente significava? Então havia todo os termos políticos envolvidos nisso e assim por di-
ante.

Ainz não conseguia decidir algo importante como isso por si mesmo. Ele precisaria dis-
cutir esse assunto com Demiurge e Albedo antes de dar uma resposta.

“...Jircniv-dono, fazer sua nação como um estado vassalo...”

Então o plano de formar um laço de amizade entre reis é... eh?

O que ele deveria dizer sobre a questão do estado vassalo? Estaria tudo bem em dizer:
“Eu não tinha considerado isso”?

No entanto, Demiurge e os outros talvez pretendessem vassalizar o Império. Ele não


queria colocar a própria cabeça em um laço, e ainda assim seria problemático deixá-lo
sem solução.

Parece que a melhor opção seria blefar, ou algo assim.


Depois de decidir sobre a direção que suas palavras tomariam, Ainz fez sua resposta.

“É muito perigoso concordar verbalmente com esses assuntos. Não posso responder
imediatamente, mas acredito que tais questões devam ser propostas por escrito.”

“Então, isso significa que uma vez que eu entregar o documento, o senhor vai aprovar
isso?”

Eh? É sério que vai fazer isso?

Ainz pensou em perguntar isso, mas ele conseguiu engolir essas palavras. Provavel-
mente foi porque ele se acalmou um pouco. A verdade era que ele não estava mais per-
turbado como estivera antes. Apenas agradecer aos benefícios desse corpo não seria su-
ficiente.

Ainda assim, o problema ainda estava por resolver.

Não é isso que eu quis dizer, estou apenas ganhando tempo.

Como ele não podia falar essas palavras, ele tinha que pensar em algo que Jircniv pu-
desse aceitar. Não havia outra maneira.

“...Certamente. Envie uma cópia da petição para a vassalagem, bem como um rascunho
da condição futura e tratamento do Império para minha residência no Reino Feiticeiro,
Jircniv-dono. Depois disso, planejaremos detalhadamente.”

“Então eu farei isso. Vou me esforçar para finalizar rapidamente e entregá-lo às mãos
de Sua Majestade. —Então, por enquanto, permita-me falar com senhor como rei —
como igual. Eu estarei sob seus cuidados.”

Embora seu estado emocional tivesse se acalmado, Ainz ainda não tinha idéia do que
estava acontecendo e o porquê a situação acabara assim. Ele simplesmente assentiu em
resposta.

Então, tentando não aparecer muito em pânico, Ainz desceu para a arena.

“Como tudo acabou assim? Ou melhor, o que o Demiurge e a Albedo farão...?

Ainz rodeou seus ombros, como uma criança que tinha certeza de que ele seria repre-
endido por seus pais assim que chegasse em casa.

♦♦♦

O ar na sala VIP ficou em silêncio depois da partida do Rei Feiticeiro. Como se para que-
brar esse silêncio, Nimble gritou:
“Vossa Majestade!”

Jircniv franziu as sobrancelhas de maneira exagerada enquanto olhava para Nimble.

“Você está falando muito alto. Eu ainda estou por perto.”

“Perdoe-me. Mas, mas eu posso saber o que aconteceu?!”

“Você quer saber o porquê tomei uma decisão assim?”

Nimble assentiu em resposta. Jircniv olhou para Baziwood, que tinha uma atitude seme-
lhante.

“Entendo... Então, o que mais sugere que eu faça?”

Jircniv riu de si mesmo.

“Já que ele veio aqui, junto com o seu — ah! As negociações com a Teocracia Slane foram
quebradas. Os templos também não têm bons pensamentos em relação a mim. Quanto
tempo levaria para trazer de novo a questão dessas negociações? Isso é um problema
que pode ser resolvido com tempo suficiente?”

Jircniv pensou no que faria se fosse um dos superiores da Teocracia Slane. Se outro país
desse uma desculpa tão patética quanto “Isso era apenas Ainz Ooal Gown vendo através
do nosso esquema, nós não pretendíamos fazer nada”, eles certamente pensariam que não
havia valor em se aliar àquele país e o abandonaria. Não, eles podem acabar usando esse
país como combustível para algum tipo de trama no futuro.

Parece que uma aliança com a Teocracia Slane estava praticamente fora de questão.

“Então, ele estava dizendo: “Por favor, lute o máximo que puder sem a Teocracia como
aliados”. Hm? Ora ora, como esperado de Sua Majestade, o Rei Feiticeiro Ainz Ooal Gown.
Eu tenho que tirar meu chapéu para ele. Seu alcance é realmente mais longo do que eu
poderia imaginar. Primeiro, ele deixa seus inimigos se orgulharem e, em seguida, ele os
destrói usando um golpe assim que eles baixam a guarda.”

Embora Ainz fosse um inimigo, Jircniv não pôde deixar de elogiar esse esquema perfeito.

Foi tão perfeitamente calculado que ele não teve escolha senão admitir a derrota. Não
havia sinais de reforços para o Império, enquanto Ainz já tinha uma prova sólida das
ações do Império. Em outras palavras, Ainz conquistou o poder da vida e da morte sobre
o Império.

Baziwood sacudiu a cabeça. Parece que eles entenderam a situação em que estavam.
“Ahh, isso é realmente... como eu vou colocar isso. Ele realmente o deixou sem ação. Ele
acertou bem no seu ponto fraco. Algo parecido.”

“Exatamente. Não consigo pensar em qualquer maneira de lidar com ele. Eu acho que
estou quebrado em mente e corpo. Parece que tudo ficará bem se for assim.”

“Vossa Majestade...”

Nimble olhou para Jircniv, falando baixinho.

“Ele é bem menos undead e muito mais um demônio. Parece que ele sabe como quebrar
completamente a vontade de um homem.”

“Ainda assim, tornando-se um estado vassalo...”

Jircniv olhou gentilmente para Nimble, que ainda parecia incapaz de aceitá-lo.

Ele podia entender os sentimentos do homem.

No entanto, ele teria preferido uma solução racionalmente considerada para esse pro-
blema, ao invés de uma revelação infantil de seus sentimentos. Ainda assim, se nem
mesmo Jircniv poderia resolver esse problema, quem dirá Nimble.

“...Falarei claramente agora. Nós não podemos vencer. A única opção que temos é, como
eu disse anteriormente, nos subverter para subordinados. Não consigo imaginar outro
jeito de se opor a ele. Como você pode ter se sentido naquela guerra, está claro que ele é
mais poderoso como um magic caster.”

Os dois cavaleiros concordaram com a cabeça.

“Mas ele agindo como guerreiro? Algum de vocês pode matá-lo com uma espada?”

Jircniv encolheu os ombros.

“Você deveria saber, não? Mesmo como guerreiro, o Senhor Marcial não podia vencê-lo.
E o que foi aquilo? Ele recebia os ataques do Senhor Marcial e permaneceu ileso? Ele usou
magia?”

“Não tenho certeza, mas pode ser possível.”

“Enfim. Em outras palavras, ele pode tornar qualquer ataque ineficaz com magia, então?
Então o assassinato é impossível. Ele poderia ser imortal?”

“Bem, ele tem um corpo físico, então eu duvido que ele seja imortal.”

“Então por que ele estava ileso?”


Nimble ficou perplexo e voltou-se para Baziwood a seu lado, em busca de ajuda. No en-
tanto, Baziwood manteve os lábios apertados em uma linha reta.

“...Então, vamos fazer isso por agora. Reunir toda a informação possível sobre as armas
do Senhor Marcial e, em seguida, reuniremos todos os magic casters e aventureiros que
podemos encontrar para perguntar-lhes o porquê ele não foi ferido. Felizmente, esse
pronunciamento deveria colocá-lo contra a Guilda dos Aventureiros, com isso, ficarão
felizes em nos ajudar.”

“Então, não deveríamos ter oferecido vassalagem depois de tentar isso? Já que feliz-
mente, ele recusou no ato.”

Jircniv estava um pouco irritado com isso, mas ele reprimiu seu descontentamento e
não demonstrou. Em vez disso, ele olhou para Nimble com uma expressão preocupada
no rosto.

“Felizmente? Você realmente pensa assim? Eu acho que é o contrário. Não é melhor for-
çar a vassalização o mais rápido possível?”

—Perguntou Jircniv a Nimble, que tinha uma expressão perplexa no rosto.

“Por que você acha que ele recusara de imediato nossa oferta de vassalagem?”

“Isso, isso é... este seu servo não tem certeza...”

“Talvez se ele seja incompetente, inseguro de como lidar com a mudança de situação —
talvez ele pensou algo assim. No entanto, o nosso adversário é aquele homem, lembra? A
julgar pelo seu intelecto, ele já deve ter elaborado um plano para o futuro no breve perí-
odo após termos proposto a vassalagem. Se ele recusasse a oferta depois de analisá-la,
isso indicaria algo sobre esse curso de ação que não combinava com seus objetivos.”

“E o que seria?”

O rosto de Jircniv ficou amargo com a pergunta de Baziwood.

“Eu não sei. Ainda assim, provavelmente, não pode ser bom para nós. Caso contrário, ele
não ficaria tão perturbado com a oferta de vassalagem. Pelo que sabemos, os objetivos
que ele tem em mente são coisas que ele não pode realizar em seu próprio país. Nesse
caso—”

Jircniv deixara seu cérebro sobrecarregado de trabalho e logo emitiria fumaça aos mon-
tes.

Seu oponente era Ainz Ooal Gown. Ele certamente deve ter algum objetivo em mente.
Como o Rei do Reino Feiticeiro, o que ele desejaria? O que ele odiaria?

O suor escorria em sua testa e Jircniv se esforçava para pensar.

“—A Guilda dos Aventureiros? Será que ele quer fazer alguma coisa para a Guilda dos
Aventureiros, e é por isso que ele se opôs à vassalagem?”

“E aquela declaração? ...Permitir aquilo é uma boa idéia, Vossa Majestade? Daqui a al-
guns anos, muitos dos melhores e mais brilhantes do Império podem acabar saindo do
país.”

“...Eu não entendi seu ponto. Diga-me como você chegou a isso?”

“Fazer o que ele diz significa que a liberdade de alguém pode ser restrita, tendo o incri-
velmente poderoso Rei Feiticeiro como apoio é uma proposta muito atraente. Traba-
lhando como aventureiros, muito mais pessoas morrem do que conseguem fazer um
nome para si mesmas. No entanto, com alguém tão poderoso para dar suporte... bem,
pelo menos é o que as pessoas sem autoconfiança pensarão. Além disso, já que temos
cavaleiros, não há muitos empregos para aventureiros de baixa classificação.”

“Um fluxo de talentos... Embora eles possam não ter fé em si mesmos, isso não significa
que eles não sejam capazes.”

Havia pessoas que eram talentosas, mas careciam de autoconfiança. No entanto, seria
preciso uma pessoa muito confiante para explorar um novo mundo.

“Se esse é o caso, não são todas essas razões para se opor à vassalização? Ainda assim...
não seria mais conveniente para nós nos tornarmos um estado vassalo? Dessa forma, ele
pode engolir a Guilda dos Aventureiros diretamente... Ah! Ainz Ooal Gown! Por que seu
intelecto supera tanto o meu? Seus planos são tão diabólicos que nem posso começar a
compreendê-los!”

“É possível que ele não tenha planejando nada disso?”

Jircniv olhou com ódio ao comentário de Baziwood.

“Que bobagem é essa? Ele antecipou nossos movimentos a este nível... não, é impensável.
Também precisamos considerar os efeitos de seus sentimentos incognoscíveis que o le-
vam a odiar os vivos...”

Talvez supondo que pensar em Ainz como um dos undeads seria um erro.

Talvez Ainz já tivesse antecipado que ele iria agonizar e adivinhar sobre isso e fez esse
plano de antemão. Ele poderia estar esperando de braços abertos por um Jircniv em pâ-
nico para acelerar o processo de vassalização.
“O que devemos fazer agora?”

Perguntou Nimble. Ele estava se referindo às futuras ações do Império.

“...Pretendo divulgar as notícias para os países vizinhos. Primeiro, reunirei os escribas e


direi a eles, em termos gerais, que o Império escolhe a submissão e se tornará um estado
vassalo do Reino Feiticeiro, e que não temos mais nada a discutir. Anunciaremos as notí-
cias rapidamente para os países vizinhos e deixaremos que ela se espalhe, então o Reino
Feiticeiro não tem escolha senão reconhecer.”

“Vossa Majestade...”

Os dois abaixaram a cabeça. O fato de que mesmo Baziwood tivesse uma expressão
como essa em seu rosto fez com que Jircniv se perguntasse se era uma piada.

Ele apagou o sorriso amargo do rosto e falou de maneira amigável.

“Por que tão triste? Existem todos os tipos de estados vassalos. Se nos é permitido go-
vernar a nós mesmos na maior parte do tempo, então podemos continuar vivendo como
sempre fizemos. Não — se o Reino Feiticeiro nos defende com seu incrível poder, então
não estaríamos mais seguros do que antes?”

Como eles ouviram sobre um futuro um pouco mais brilhante (provavelmente), um


pouco de cor retornou aos seus rostos.

“Portanto, precisamos lidar com qualquer insatisfação interna. Se o Reino Feiticeiro não
nos permite governar a nós mesmos, o Império pode começar a se fragmentar. Pode ha-
ver facções que não estão satisfeitas com a vassalagem que também pode fazer o seu
movimento.”

Jircniv começou a pensar sobre a disposição das facções dentro do Império.

Os mais importantes seriam o Corpo de Cavaleiros. No entanto, eles não mudariam para
a facção anti-vassalagem. Mesmo se eles se opusessem, seria apenas conversa fiada. Eles
não agiriam a sério.

Em seguida haviam os nobres. Eles não podiam ser previstos. Embora houvesse poucas
pessoas que se queixassem da decisão de Jircniv, esses poucos poderiam estar apontando
para uma chance de depor o Imperador Sangrento. Estas eram pessoas que poderiam
tentar qualquer coisa para se tornarem os novos governantes do Império vassalizado.

Os plebeus poderiam ser enganados. Para eles, enquanto a vida continuasse normal-
mente, eles não se importariam em se tornar um estado vassalo.

“—Os sacerdotes serão um problema.”


Os templos nunca reconheceriam isso. E seria pior se os templos não apenas se opuses-
sem, mas proibissem toda a atividade de cura. Ele precisaria conversar com eles repeti-
damente e levá-los a pensar.

“...O senhor ficará bem, Vossa Majestade?”

“Quem sabe? Enquanto estiver por perto, teremos a melhor chance de sermos vassali-
zados e planejamos mostrar os resultados disso... mas talvez não seja bom dizer isso.”

Por que eu...?

Ele pensou.

Ele havia herdado essa tarefa de seu pai e o Império se tornara cada vez mais forte. Ele
não deveria ter errado em nenhum momento durante esse processo.

Mas então aquele monstro apareceu e tudo saiu do controle.

Provavelmente não havia nada de errado na maneira como ele negociava com aquele
monstro. Foi simplesmente porque Ainz Ooal Gown era um ser cujos processos de pen-
samento transcendiam os da humanidade.

Em apenas um mês, tudo mudou.

Jircniv suspirou profundamente.

“Eu devo ser o homem mais azarado do mundo...”

Embora isso fosse apenas tagarelice, as notícias sobre o Pássaro Fio-Prateado mudando
sua base natal do Império para a Aliança Cidade-Estado logo alcançaram o desmotivado
Jircniv. Nos próximos dias, Jircniv viria a lamentar isso como “As bênçãos não vêm em
pares, mas as calamidades não vêm sozinhas.”
Epílogo
emiurge andava alegremente pelo 9º Andar da Grande Tumba de Nazarick.

D A sensação de voltar depois de muito tempo era provavelmente uma ilusão


de algum tipo. Afinal de contas, ele voltava a este lugar de vez em quando, e
o maior período de tempo que ele estivera longe dali foi uma quinzena no
máximo. Assim, a razão para sua percepção equivocada foi claramente devida à alegria
que ele sentia ao caminhar por este lugar.

Seu humor se elevava quanto mais perto ele chegava de seu objetivo.

Demiurge não prestou atenção aos guardas que Cocytus havia colocado em ambos os
lados das portas enquanto ajustava sua gravata e inspecionava sua aparência. Natural-
mente, ele prestava atenção em sua aparência em todos os momentos, mas não queria
que seu mestre visse um lado dele que era menos que imaculado.

Depois de uma inspeção muito séria de sua aparência pessoal, Demiurge bateu na porta
da sala.

Uma das empregadas abriu a porta, colocando a cabeça para fora e verificando quem
estava chamando.

Demiurge queria tentar espiar um vislumbre de seu mestre através da brecha, mas ele
não podia fazer nada tão embaraçoso.

“Posso saber se o Ainz-sama está?”

“Minhas sinceras desculpas, Demiurge-sama. Ainz-sama não está.”

Seu humor despencou, mas ele não deixou transparecer em seu rosto.

“Entendo. Então, para onde o Ainz-sama foi?”

“Minhas mais sinceras desculpas, eu não sei... No entanto, Albedo-sama pode saber algo
sobre isso.”

Ela estava certa.

“Compreendo. Então, onde está a Albedo agora?”

“Ela está nesta sala.”

Demiurge sabia que Albedo tratava a sala de seu mestre como sala pessoal de trabalho.

Você não pode simplesmente usar a sala que lhe foi designada?
Ele sempre pensou, mas depois de considerar a personalidade de sua camarada, ele aca-
bou ficando quieto. O mais importante foi a aprovação do seu mestre. Com isso, não havia
mais nada para ele ponderar.

“Ela está trabalhando? ...Você poderia me ajudar a verificar se esta é uma hora conveni-
ente para visitar?”

“Entendido.”

A porta diante dele se fechou. Um momento depois, ela se abriu novamente.

“Por favor, venha, Demiurge-sama.”

Demiurge agradeceu à empregada e depois entrou. Ante seus olhos estava a Guardiã,
sentada em uma cadeira em frente à mesa de seu mestre.

A linha de visão dela antes abaixada se moveu até Demiurge.

“Já faz um tempo, Albedo.”

“Ah, Demiurge. Você trabalhou arduamente no exterior. O que deseja hoje?”

“Ah, isso diz respeito ao assunto no Reino Sacro. Eu estava planejando obter permissão
para os estágios finais do plano. Vou precisar de um Doppelgänger... onde está o Ainz-
sama?”

“Ele está um pouco longe. Duvido que ele seja capaz de retornar rapidamente...”

Em outras palavras, ele não está em E-Rantel. Caso contrário, ela não descreveria de ma-
neira tão estranha.

“Isso é um pouco inconveniente. Então, vou realizar o trabalho de preparação no 7º An-


dar até o retorno de Ainz-sama.”

“Se for urgente, você não poderia se comunicar usando 「Message」?”

Demiurge franziu a testa e observou a expressão de Albedo.

Ela tinha seu sorriso habitual, mas Demiurge perceptivo como sempre, detectou alguma
outra emoção dentro dela.

Se ela estivesse apenas brincando com ele, tudo bem.

Demiurge tentou estudá-la rapidamente, mas ele não pôde ler isso profundamente.

Doía para ele, mas novamente, isso não era uma disputa desde o princípio.
Entre todas as pessoas de Nazarick, as únicas duas pessoas que ele não sabia ler eram
seu mestre e Albedo. Ele deixava isso de lado como raras exceções para não abalar sua
paz interior.

Demiurge encolheu os ombros.

“Não é tão urgente. Se o Ainz-sama voltar amanhã, eu mesmo o informarei.”

“Ainz-sama não mencionou quanto tempo ele ficará fora. Pode demorar muito tempo.”

“Então, eu irei para o lado de Ainz-sama, Albedo. Não é uma questão que requer o uso
de 「Message」.”

“Ara~? Por que isso? Se é realmente importante, não seria mais leal informá-lo o quanto
antes?”

O contexto do sorriso de Albedo havia mudado. Mais cedo, era seu sorriso falso habitual,
mas agora era um sorriso perverso e ameaçador. Ela deve ter algum tipo de má intenção
em mente.

Parece que havia algo que ela queria dizer, não importando as circunstâncias.

Que cansativo...

Pensou Demiurge ao afirmar suas razões.

“Eu desejo mostrar minhas realizações para o Ainz-sama, então eu não desejo usar tais
métodos para contatá-lo. Embora eu possa receber seus elogios através de uma 「Mes-
sage」, no final, eu ainda preferiria ouvir sua voz pessoalmente. Isso é tudo... Esse não é
o sonho compartilhado de todos em Nazarick?”

“Mm, de fato, Demiurge. É como você diz. Qualquer um se sentiria assim.”

“Então, para onde o Ainz-sama foi?”

“Ele foi visitar o Reino Dos Dwarfs, sobre o qual poucos fizeram contato diplomático até
agora. Assim, não sabemos quanto tempo vai demorar.”

“Quem o acompanha?”

“Shalltear e Aura.”

Isso bastaria em termos de combate. No entanto, outros aspectos eram mais preocupan-
tes.
Aura estava bem. Tudo o que ela precisava fazer, era apenas não ser um inconveniente
para o Ainz-sama. No entanto—

O rosto da outra pessoa apareceu na mente de Demiurge.

“Ainda assim, levar a Shalltear junto... ele pretende destruir o Reino Dos Dwarfs?”

Mare teria sido uma escolha muito melhor para negociações verbais. Então a escolha
atual foi feita por outros motivos.

“—O que os outros Guardiões estão fazendo?”

“Cocytus está administrando o lago. Mare está construindo uma masmorra fora de E-
Rantel. Sebas está desempenhando suas funções em E-Rantel. Embora eu não saiba o que
o Ainz-sama pretende, o fato de ele não ter levado um exército, sugere uma visita pacífica,
não?”

“...Não há informação suficiente para isso. Por que Ainz-sama desejou ir para o Reino
Dos Dwarfs?”

“Demiurge. Não podemos prever os pensamentos de Ainz-sama.”

Foi como Albedo disse.

Seu mestre, Ainz Ooal Gown, o governante supremo de Nazarick, aquele que ocultava
inúmeras estratagemas dentro de um único movimento de uma peça de xadrez. Demi-
urge — que tinha sido criado com talentos notáveis — não poderia sequer esperar tocar
nas solas de seu brilhantismo com suas mãos estendidas. A tentativa de ler as motivações
de seu mestre era um erro tolo.

Dito isso, sentir os desejos de seu mestre e se preparar para isso era uma marca da ver-
dadeira lealdade.

Se eu não trabalhar arduamente...

Enquanto Demiurge reconstruía sua convicção mais uma vez, Albedo pegou um pedaço
de pergaminho da mesa.

“Isso veio do Império ontem. Eu abri depois de receber a permissão de Ainz-sama via
「Message」. Ele contém uma oferta de vassalagem do Império. Os detalhes exatos da
vassalização serão finalizados mais tarde.”

Demiurge ficou chocado. Isso foi muito mais cedo do que ele havia antecipado.

“O que é isso? De acordo com minhas previsões, o Império só deveria ter se oferecido
como vassalos depois que o Reino fosse destruído...”
“Esse é o resultado da visita de Ainz-sama ao Império.”

“Isto é... Como esperado de Ainz-sama...”

“Diga Demiurge. Você realmente achava que o Império só se tornaria um vassalo depois
do Reino?”

“Claro. Foi assim que havia planejado.”

“Independentemente de quais métodos você usou?”

“...O que você está tentando dizer?”

“Ainz-sama frequentemente mencionou seu nome. Surgiu no contexto de “Você ouviu


isso do Demiurge? Então deveria estar tudo bem.” Em outras palavras, havia algo em você
— sobre o seu plano que ele não podia aceitar.”

“O que você está dizendo... Albedo, por que você não me contou mais cedo? Se esse é o
caso—”

“Se for o caso?”

Demiurge não podia falar.

“...Deixe-me perguntar de novo. Não havia como tornar o Império um vassalo antes do
Reino?”

“...Havia. No entanto, teria exigido que o próprio Ainz-sama agisse. Seria um curso de
ação vergonhoso para um subordinado aconselhar. Além disso, senti que exigiria a exe-
cução de vários métodos — exigindo pelo menos um mês — para causar uma sublevação
violenta em uma grande cidade. Sendo esse o caso, eu acreditava que teria sido melhor
começar subjugando o Reino e então aplicando pressão em outras áreas... quanto tempo
ele levou?”

“Eu estava no Reino, então não tenho certeza, mas acho que foram três dias no máximo.”

Os olhos de Demiurge se arregalaram.

Isso foi muito rápido.

Como ele demonstrara sua subjugação? Como ele quebrou a vontade do imperador, que
procurou aliar-se com outras nações?

Embora Demiurge tivesse preparado um plano perfeito que tornaria o Imperador inca-
paz de agir, seu mestre parecia ter criado um esquema que superava até mesmo isso.
“Três dias? Como ele fez isso...”

“Aliás, quase não houve vítimas.”

Sua boca aberta parecia ter sido costurada. Tudo o que ele sentia era um fluxo incontro-
lável de admiração e respeito por esse governante absoluto. Ele era como a própria morte,
silenciosamente de pé atrás do Imperador e, em seguida, esmagando seu coração.

O tremor que ele sentia agora se espalhava do topo de sua cabeça para todo o seu corpo.
Deliciamento selvagem de admiração, medo e respeito misturados dentro dele, e essa
complexa mistura de emoções fez Demiurge estremecer sem parar.

“Como esperado de Ainz-sama. Alguém como eu não podia esperar sequer se aproximar
dele. Ele é verdadeiramente um mestre inigualável e perfeito. Ninguém mais poderia ter
liderado os Seres Supremos. Não posso deixar de invejar o Pandora’s Actor, mesmo que
seja um pouco.”

Albedo fez “kuku~”, seu sorriso estava cheio de superioridade.

Deve ter sido o sentimento de superioridade que uma mulher sentia quando recebia a
ordem de um homem tão maravilhoso, de seu amado.

“Além disso, Ainz-sama nos ordenou a decidir como lidar com a vassalagem do Reino.”

“Nos pediu? Por quê?”

“Isso não é óbvio? Muitos dos desenvolvimentos neste campo foram devidos ao uso do
seu plano, Demiurge. Mesmo assim, Ainz-sama não disse nada a você e impulsionou a
vassalização do Império com seu próprio plano. Por isso, seu coração doeu.”

Ele não conseguia entender isso. Talvez seu mestre estivesse descontente com a própria
incompetência de seu vassalo, se fosse o caso, ele poderia entender isso. Mas não era o
caso.

“...Por quê? Eu não entendo.”

“Hah~”

Albedo suspirou de cansaço.

“É porque ele confia em você. Em outras palavras... como devo colocar isso. Você deve
ser capaz de compreendê-lo usando sua mente, provavelmente é isso. Não seguir seu
plano equivale a duvidar de suas habilidades. Ainz-sama aguardava sua comunicação
porque ele não queria fazer isso. No entanto, Ainz-sama sentiu que você estava muito
preocupado com ele. Assim, ele agiu independente para lhe dizer “não se preocupe co-
migo”, eu acredito ser isso.”

Era uma resposta que ele poderia aceitar. Não, seria melhor dizer que não poderia haver
outra resposta a não ser essa.

“Isso realmente é...”

Demiurge baixou o rosto de vergonha. Ao mesmo tempo, ele ficou cheio de alegria de-
pois que ele percebeu como seu mestre tinha pensado nele.

“Demiurge. Temos que trabalhar para retribuir a gentileza de Ainz-sama.”

“Claro, Albedo.”

Demiurge estava animado.

“Para cumprir as expectativas de Ainz-sama, vamos concluir um plano de vassalagem


para o Reino para ele ver antes que ele volte!”

“De fato. Ainz-sama viajou pessoalmente, então deve haver muitos esquemas prontos.
Ele certamente estará ocupado quando voltar do Reino Dos Dwarfs.”

Demiurge sorriu.

“De fato, Albedo. De fato.”


Posfácio
“Um homem não deve dar desculpas”. Eu ouvi essas palavras uma vez, não vou dizer
nada. No entanto, permita-me dizer uma coisa — se a minha memória me serve correta-
mente, a data atual deve ser 17º mês de 2015, né?

Além disso, lembro-me de ouvir alguém dizer: “Os patamares não são fixos, portanto, não
são o mesmo resultado final”. Ah, que frase charmosa! Quão cheio de romance é!

...Eu sinto muito.

O volume 11 não será como este. Não há intenção de fazer você esperar, então espero
que todos possam encontrar em si mesmos um lugar para me perdoar. Além disso, o pró-
ximo volume é — bem, quem leu está história até aqui, não pode evitar ficar decepcio-
nado caso o que eu escreva seja...

Além disso, o volume 11 contará com uma edição especial muito aguardada. Qualquer
um que tenha visto o anime vai entender. É um novo episódio de 30 minutos Ple-Ple-
Pleiades, não é surpreendente?!

Então pessoal, como vocês se sentem depois de ler o Volume 10? Quão diferente é ad-
ministrar um país em comparação a administrar uma organização?

Ainz começou a partir de seus interesses, mas como vocês farão isso? Maruyama está
muito interessado na resposta. Se fosse eu, faria isso. Se fosse eu, faria aquilo. Eu ficaria
muito feliz em ouvir as opiniões de todos sobre esse assunto. E se acontecer de alguém
criar outro trabalho baseado nisso, ou até mesmo outra light novel original, eu ficaria
ainda mais feliz. Porque, na verdade, é assim que Maruyama é.

E então, você já sabe da popularidade do final do livro. Por favor, diga-me os persona-
gens que você mais gosta. Ao contrário das pesquisas de popularidade comuns, o pri-
meiro lugar já está decidido, é algo que nunca foi visto antes. Não darei aparições extras
a personagens inesperadamente populares. Isto é simplesmente para ver quais persona-
gens todos gostam mais.

Em seguida, as pessoas a quem quero agradecer: Desculpe por arruinar sua agenda, So-
bin-sama. Muito obrigado por isso. Meus sinceros agradecimentos a Ohaku-sama, o revi-
sor, aos designers, ao Chord Design Studio-sama e a editora, F-da-sama. Honey também,
meu amigo dos meus dias de estudante, obrigado como sempre.

Mais importante ainda, obrigado a todos vocês leitores. A história agora está completa-
mente divorciada da WN, então eu ficaria muito feliz se você gostou deste volume.

Maruyama Kugane
Ilustrações
Glossário
Glossário
-Magias, Habilidades & Passivas- Cavalier:Eram a cavalaria dos Realistas. Realista é o par-
Tradução livre de seus nomes tidário de um monarca ou casa real. Em D&D, são cavalei-
ros que se destacam em combate montado quanto na ora-
tória.
Armageddon - Good:............................. Armagedom - Bom. CEO:É a sigla inglesa de Chief Executive Officer, que signi-
Aura of Death and Decay: .. Aura de Morte e Decadência. fica Diretor Executivo.
Clean: ............................................................................... Limpar. Cross-dressing:Ou Transformismo, é um termo que se
Create Undead: ...........................................Criar Morto-Vivo. refere ao ato de alguém se vestir com roupa ou usar obje-
Despair Aura: .......................................... Aura do Desespero. tos associados ao sexo oposto.
Fireball: ................................................................ Bola de Fogo. Dakimakura:(抱き枕) “travesseiro para abraçar” tam-
Floating Board: ........................................ Prancha Flutuante. bém chamado de love pillow no ocidente é um tipo de tra-
Fly: ........................................................................................ Voar. vesseiro do Japão, considerado um brinquedo sexual por
Gate: ................................................................................... Portal. alguns, geralmente possui a foto de algum personagem.
Greater Teleportation: ................... Maior Teletransporte. Nibelungo:Nibelung (alemão) ou Niflung (nórdico an-
Message: .................................................................. Mensagem. tigo) é um nome pessoal ou de clã com vários usos con-
Nibelung I: .............................................................. Nibelungo I. correntes e contraditórios na lenda heroica germânica.
Pandemonium: ................................................... Pandemônio. Tem uma etimologia pouco clara, mas está frequente-
Pantheon: ..................................................................... Panteão. mente conectada a raiz nebel, que significa neblina. O
Teleportation: ............................................... Teletransporte. termo, em seus vários significados, dá nome ao épico he-
Undead Lieutenant: .............................Tenente Morto-Vivo roico da Média Alta Alemanha, o Nibelungenlied.
Wish Upon A Star: .............................. Desejo a Uma Estrela. Fukaamigasa:É um chapéu de palha associado aos mon-
ges.
Kasa: ................ São batinas associadas a monges budistas.
-Itens- Lair-bellup:É a versão distorcida da palavra “levelling up”
Tradução livre & Curiosidades e é usada no novo mundo.
Overacting:“Overacting” é quando um ator exagera de-
Avarice and Generosity: ............ Avareza e Generosidade. mais seu papel. Basicamente o Nicolas Cage atuando.
Exchange Box: ..............................................Caixa de Cambio. Panteão:Em grego clássico: πάν; transl.: pan, “todo”; e em
Keiseikeikoku:Do japonês “傾城傾国” é uma analogia a grego clássico: θεον; transl.: théos , “deus”) significa lite-
uma mulher tão bela que pode trazer ruína para um Rei e ralmente o conjunto de deuses de determinada religião.
seu País, em tradução livre seria “Queda do Castelo e seu Partisans:Pode ser referente aos partisans iugoslavos ou
País”. Algo como femme fatale do francês, mulher fatal em partisans jugoslavos. Um movimento de resistência cujo
português. principal objetivo era combater e desestabilizar as forças
Ring of Sustenance:................................... Anel do Sustento. do Eixo na Jugoslávia de 1941 até 1945. Mas também pode
Ring of Unicorn: .......................................Anel do Unicórnio. ser referente a uma arma parecida com uma alabarda.
Star Symphony: ...................................... Sinfonia da Estrela. Quinta-coluna:Quinta-coluna é uma expressão usada
The Book of the Dead: ............................. Livro dos Mortos. para se referir a grupos clandestinos que atuam, dentro
Twelve Magical Power: .......................Doze Poder Mágico. de um país ou região prestes a entrar em guerra.
Shakujou:Em português: Cajado de monge. É um cajado
budista com um anel, usado primariamente na reza ou
como uma arma. O número de anéis é determinado pelo
-Termos & Terminologias- status do usuário apesar de que a maioria dos shakujo
possuírem 6 anéis que representam os seis estados da
Armagedom:Em hebraico: ‫ ;הר מגידו‬transl.: har məgiddô; existência (humanos, animais, inferno, fantasmas famin-
“Monte Megido”, é identificado na Bíblia como a batalha tos, deuses e deuses ciumentos).
final de Deus contra a sociedade humana iníqua, em que Soryo: ............. É um termo japonês para monges Budistas.
numerosos exércitos de todas as nações da Terra encon-
trar-se-ão numa condição ou situação, em oposição a Deus
e seu Reino por Jesus Cristo no simbólico “Monte Megido”.
Segundo Jeremias (46,10) essa guerra será perto do rio
Eufrates.
-Nomes-
Blitzkrieg:Vem do alemão, basicamente é um ataque rá-
pido e surpresa. No Brasil, parte da palavra ainda é utili- Brightness Dragonlord:Soberano Dragão Brilhante. Os
zada, ex: “Blitz de trânsito”. kanjis de seu nome abaixo do furigana são de 七 彩
Casus Belli:Na terminologia bélica, casus belli é uma ex- (Nanasai), significa “sete cores”.
pressão latina para designar um fato considerado sufici- Catastrophe Dragonlord:Soberano Dragão da Catás-
entemente grave pelo Estado ofendido, para declarar trofe. Os kanjis abaixo do Furigana de “Catástrofe” são de
guerra ao Estado supostamente ofensor. 破滅(Hametsu), significa: ruína, destruição. Pode também
ser interpretado como “cair em ruína”.
Kronos:Ou Cronos, em grego: Κρόνος , transl.: Krónos. Na
mitologia grega, é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, o
céu estrelado, e Gaia, a terra. Alternativamente. Cronos que temos pouca ou nenhuma intimidade. Também usado
era o rei dos titãs, sobretudo quando é visto em seu as- quando a pessoa considera o interlocutor como um de
pecto destrutivo, o tempo inexpugnável que rege os desti- igual hierarquia.
nos e a tudo pode devorar.

-Raças & Monstros-


Ape-Beastman: .................................... Homem-Besta Símio.
Beastmen: ......................................................... Homem-Besta.
Bicorn: .......................................................................... Bicórnio.
Cherubim Gatekeeper:Querubim Porteiro - Querubim é
uma criatura sobrenatural, espiritual, mencionada várias
vezes no Tanakh, em livros apócrifos e em muitos escritos
judaicos.
Crypt Lord: ................................................... Senhor da Cripta.
Death Cavalier: ......................................... Cavalier da Morte.
Death Knight: .......................................... Cavaleiro da Morte.
Dryads:Na mitologia grega, as dríades (em grego:
Δρυάδες, Dryádes, de δρῦς, drýs, “carvalho”) eram ninfas
associadas aos carvalhos. De acordo com uma antiga
lenda, cada dríade nascia junto com uma determinada ár-
vore, da qual ela exalava. A dríade vivia na árvore ou pró-
xima a ela. Quando a sua árvore era cortada ou morta, a
divindade também morria.
Dwarf: .................................................................................. Anão.
Eight-Edge Assassin:............... Assassino dos Oito-Gumes.
Elder Lich: .............................................................. Lich Ancião.
Eternal Death: ....................................................Morte Eterna.
Eyeball: .................................................................. Globo ocular.
Godkin: ........................................................ Parente de Deus.
Overlord Kronos Master: ..... Overlord Mestre de Cronos.
Overlord Wiseman: ..................................... Overlord Sábio.
Rabbitman: .................................................... Homem-Coelho.
Radiant Crawler: ................................. Rastejador Radiante.
Shadow Demon: ........................................ Demônio Sombra.
Soul Eater: ............................................... Devorador de Alma.
Toadman: ........................................................... Homem-Sapo.

-Honoríficos & Tratamentos-


Chan:ち ゃ ん - O sufixo “chan” é um termo carinhoso
usado geralmente para crianças ou pessoas que temos
muita intimidade. O “chan” é usado após o nome inteiro
ou abreviado.
Dono:殿 | どの - O sufixo “dono” vem da palavra “tono”,
que significa “senhor”. Seria semelhante ao termo “meu
senhor”. Na época dos samurais, costuma-se denotar um
grande respeito ao interlocutor.
Kun:君 - O sufixo “Kun” é bastante utilizado na relação
“superior falando com um inferior”, mas apenas se houver
um certo grau de intimidade e amizade entre ambos.
Sama:様 | さま- O sufixo “Sama” é uma versão mais res-
peitosa e formal de “san”. A traduções mais próxima do
termo “sama” para o português seria “Vossa Senhoria”.
Não é conhecido como Japão, não é importante referir-se
a pessoas importantes ou a alguém que não admira e é
muito importante, não império antigo era muito usado
para se referir como rainhas.
San:さん - O sufixo “San” é um honorífico que pode ser
usado em praticamente todas as situações, independente
do sexo da pessoa. Normalmente é usado para pessoas
Notas de Tradução:
Nimble. A profissão de Cavalgador no caso dele vem de Rider.

A cena da Albedo chegando na festa. Como no japonês e inglês substantivos não tem
gênero, fica em suspense sobre qual o sexo da Albedo, mas como o português não é assim,
isso meio que se perde na tradução.

Keila. Quando o chamam de planejador, a palavra é usada da mesma forma que “Assas-
sino”.
Ainda nele, por ser tão severamente reprendido por seus companheiros sobre seu modo
de fala e dada a sua origem em um local miserável, tomei a liberdade de tentar passar
isso em seu modo de fala. Pois se eu traduzisse da versão do Nigel 1:1 sem adaptar isso
perderia totalmente o sentido.

Ainz, o eterno interpretador de frases erradas. ...Então eu vou começar a usá-lo até
que alguém melhor venha? Esta parte é bastante complexa; Ainz usa um ditado aqui que
se refere a dar o primeiro passo com algo em segundo plano. No entanto, Ainz errou uma
palavra, indo de 隗より始めよ para 貝より始めよ - By Nigel.
Na outra parte quando é mencionado o “Sr. Nash”. Novamente está confundido as pala-
vras de Punitto— veja O Equilíbrio de Nash e o Dilema do Prisioneiro.

17º mês de 2015. Nossos meses a partir de Setembro vem do latim, ou seja:
• Setembro >> Septem >> 7;
• Outubro >> Octo >> 8;
• Novembro >> Novem >> 9;
• Dezembro >> Decem >> 10.
Sim, antigamente o último mês do ano no calendário era o mês 10, mas um cara cha-
mado Pompílio mudou isso. Então, para quem não entendeu essa Dezembroseptem de
2015, foi uma tentativa de nomeação do 17º mês baseado no latim decem et septem. Ma-
ruyama fez um trocadilho com isso em japonês usando 十七月. Pois geralmente lança 2
volumes de OVERLORD por ano e como não conseguiu lançar dois no mesmo ano, ele
usou dessa artimanha para dizer que ainda é um mês de 2015. A data real de lançamento
foi 30 de Maio de 2016.
”O Soberano das Estratagemas”
“Abismo do Grande Rei Feiticeiro”

Depois de sua coroação, Ainz decidiu transformar seu reino em uma utopia,
um mundo de sempre prosperidade, com as várias raças que se submeteram
a ele.

Como primeiro passo, Ainz se volta para o Império com a intenção de forta-
lecer a Guilda dos Aventureiros e nutrir os aventureiros.

Enquanto isso, os governantes de cada país ficaram surpresos com o súbito


surgimento do Reino Feiticeiro e planejam suas próprias contramedidas.

Como que Ainz, o governante imortal do país, os influenciaria com suas


ações?

ISBN 978-4047340893