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RESUMO LINBD

01/07/19

LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO


1. INTRODUÇÃO
 LINDB preocupa-se com a própria norma jurídica.
 É um diploma legal multidisciplinar.
2. VIGÊNCIA DAS NORMAS: ART. 1º E 2º
 Vigência e existência são conceitos diversos.
 Existência da norma se dá no momento da sua promulgação.
 A lei só ganha vigência depois da vacatio legis (lapso temporal para que as pessoas
tenham conhecimento de sua existência).
 Neste período de vacatio legis a lei já existe, mas ainda não tem vigência.
 Art. 8º, LC 95/98 . a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a
contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada
a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena
repercussão.
 Toda norma legal deve ter um período de vacatio legis que deve ser expresso em
um número de dias. A fórmula que se conhecia, “esta lei entra em vigor na data de
sua publicação”, só poderá ser utilizada para as leis de pequena repercussão.
 Contagem do prazo de vacatio legis (art. 8º, §1º, LC 95/98): a contagem do prazo
da vacatio legis possui uma regra autônoma/própria, incluindo-se o primeiro e o
último dia, entrando a lei em vigor no dia subsequente a consumação integral do
prazo. Segundo a doutrina, não importa se o último dia for feriado ou final de
semana.

 ATENÇÃO: essas regras somente se aplicam às normas legais. As normas jurídicas


administrativas (portarias, decretos, regulamentos, resoluções) sempre entrarão em vigor na
data de sua publicação (Decreto nº 572/1890).
 QUESTÃO: Durante o prazo de vacatio, a lei, que já existe, mas não tem vigência,
pode ser modificada? a modificação de uma lei dentro do seu período de vacatio
legis só pode ocorrer através de uma nova lei. Porém, a correção de erros materiais
ou inexatidões pode ser feita através da simples republicação da lei com as devidas
correções.
 No caso de republicação da lei, o prazo de vacatio legis volta a correr do zero
somente para a parte que foi corrigida.
 Revogação: uma vez cumprida a vacatio legis e entrando em vigor, a lei continuará vigendo
até que venha outra e, expressa ou tacitamente, a revogue dado o princípio da continuidade.
A revogação é gênero da qual ab-rogação e derrogação são espécies.
 ab-rogação: é a revogação total da lei.
 derrogação: é a revogação parcial da lei.
 Repristinação: é o restabelecimento dos efeitos de uma lei que foi revogada pela revogação
da lei revogadora.
 A revogação da lei revogadora não restabelece os efeitos da lei revogada. Porém,
o próprio § 3º do art. 2º da LINDB abre uma exceção à repristinação ao dizer que
pode haver efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste
sentido na lei.
 O art. 27 da Lei 9.868/98 estabelece a possibilidade de efeitos repristinatórios no
controle concentrado de constitucionalidade. Isto, porque, a lei revogada será
tratada como se nunca tivesse existido nem nunca tivesse produzido efeitos.
 CUIDADO: isso é exclusivo do controle concentrado. No controle difuso não é
possível, pois este gera efeitos inter partes tão-somente. Mas nem toda
declaração de inconstitucionalidade implica efeitos repristinatórios.

3. OBRIGATORIEDADE DA NORMA: ART. 3º


 O art. 3º da LINDB traz presunção de que todas as pessoas conheçam a lei. Ou seja, toda lei
traz consigo uma presunção de conhecimento por todos.
 A respeito da obrigatoriedade de conhecimento da norma existem três correntes:
 Ficção: há ficção de que todos conhecem a lei.
 Presunção: legislador presume, de forma absoluta, que todos conhecem a lei.
 3ª corrente (prevalece) – Necessidade Social (Zeno Veloso, Maria Helena Diniz, Flávio
Tartuce): há uma necessidade social de que todos conheçam as leis.
 Princípio da Obrigatoriedade Relativa/Mitigada: a presunção de conhecimento da lei não é
absoluta, uma vez que existem situações excepcionais expressamente previstas em lei em que
se admite a alegação de erro de direito. A alegação de erro de direito só pode ser feita em
casos previstos em lei. Esses casos previstos em lei são muito mais numerosos no Direito
Penal. o Direito Civil há apenas DOIS casos em que se permite a alegação de erro de direito,
quais sejam:
a) Casamento putativo (art. 1.561, CC) no caso de casamento nulo ou anulável celebrado com
boa-fé, os efeitos do ato serão ser preservados em relação aos filhos. Exemplo: casamento de
A com B, sua irmã.
Erro de fato: A não sabia que B era sua irmã.
Erro de direito: A sabia que B era sua irmã, mas não sabia quer era proibido o casamento entre
irmãos.
b) Erro como vício de vontade no negócio jurídico (art. 139, III, CC): esse erro pode ser alegado
para o desfazimento do negócio jurídico.
 Obrigatoriedade “simultânea”: A lei entra em vigor em todos os locais do país ao mesmo
tempo.
4. INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º
 A integração da norma é a atividade pela qual o juiz complementa a norma.
 O ordenamento jurídico vedou o “non liquet”, que significa que o juiz não pode se eximir do
dever de julgar alegando lacuna ou desconhecimento da norma.
 Art. 4º, LINDB . quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de direito. Para lembrar: ordem alfabética . A,C,P.
 Esse dispositivo traz um rol TAXATIVO e preferencial de integração da norma.
 Havendo lacuna, o juiz está obrigado a promover a integração da norma; colmatará o vazio.
 Espécies de Lacunas, conforme Maria Helena Diniz: ATENÇÃO
a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto;
b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha
eficácia social;
c) Lacuna axiológica: presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja
insatisfatória ou injusta;
d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de
solução no caso concreto.
 Métodos de Colmatação: Na integração, da norma o juiz deverá se valer da analogia, dos
costumes e dos princípios gerais de direito, devendo utilizar esses métodos nesta ordem
porque o art. 4º da LINDB estabeleceu um rol taxativo e preferencial.
a) Analogia: é primeiro mecanismo de integração. É o preenchimento da lacuna
através da comparação. O seu fundamento é a igualdade jurídica. A analogia pode
ter duas formas:
I. analogia legis se concretiza pela comparação de um caso não previsto com
outro já previsto em lei.
II. analogia iuris: o juiz preenche a lacuna com a comparação do caso com
o sistema como um todo. Dessa forma, compara-se a situação não prevista
em lei com os valores do sistema e não com um dispositivo legal.
ATENÇÃO: ANALOGIA Rompe-se com os limites do que está previsto na
norma. (INTEGRAÇÃO). INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA: Apenas amplia-se o
sentido da norma, havendo subsunção. (CONHECIMENTO).
b) Costumes: são os usos cotidianos locais, ou seja, os usos reiterados de uma
comunidade.
I. costumes contra legem: materializam uma prática cotidiana atentatória à
lei. No Direito Brasileiro não se admitem os costumes contra legem.
II. costumes secundum legem: legem: são os costumes determinados na lei.
A sua utilização vem expressa na própria lei. OBS. vê-se que não são
hipóteses de lacunas no sistema, pois o próprio ordenamento é que remete
aos costumes. Nesses casos, portanto, não há integração, mas sim
subsunção. Exemplo: art. 445, § 2º, CC/02.
III. costumes praeter legem: são aqueles costumes que não foram previstos
em lei, sendo utilizados para preencher lacuna. É a única forma de
costumes que serve como forma de colmatação. Exemplo: eficácia do
cheque pós-datado (juiz se vale dos costumes para aceitar a indenização
por dano moral quando do depósito do cheque antes da data - STJ). Súmula
370 do STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque
pré-datado.
IV. Requisitos para aplicação dos costumes: (1) continuidade; (2)
uniformidade; (3) diuturnidade; (4) moralidade; (5) obrigatoriedade.
c) Princípios gerais de direito: são, na verdade, postulados universais.
I. Os princípios possuem um papel quaternário: só se decide com base neles
se o juiz não conseguiu decidir com base na lei, na analogia e nos
costumes.
II. Precisamos perceber é que existem dois diferentes tipos de princípios:
princípios fundamentais e princípios informativos (ou gerais). princípios
fundamentais ou institucionais: possuem força normativa, exatamente na
medida em que os princípios fundamentais obrigam. Os princípios
fundamentais são as opções valorativas de cada sistema. princípios
gerais/informativos: são meras recomendações, têm caráter propositivo,
e são universais. Não possuem força normativa porque só servem para
desempate. Enquanto os princípios fundamentais correspondem a uma
opção de um sistema, os princípios informativos são universais.
d) Equidade: excepcionalmente o ordenamento jurídico admite a utilização da
equidade como meio de integração. A equidade é a busca do bom/equilibrado/
justiça equitativa (nem tanto o mar, nem tanto a terra).
I. O direito brasileiro só admite a equidade quando houver previsão em lei.
II. Às vezes, é a própria lei que estabelece o critério de equidade (equidade
legal), mas poderá também o juiz estabelecer (equidade judicial). Ex: Art.
7°, CDC e NCPC Art. 85, §

5. INTERPRETAÇÃO DA NORMA: ART. 5º


 interpretação não se confunde com integração
 Integrar é preencher uma lacuna. Já interpretar é buscar o alcance e o sentido.
 Toda e qualquer interpretação da norma deve ser sociológica/teleológica, isto é, deve atender
aos fins sociais a que a norma se destina
 Ao realizar a interpretação da norma, podemos chegar a um resultado ampliativo, restritivo ou
declarativo.

6. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO: ART. 6º.


 Art. 6º, LINDB → a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito
adquirido e a coisa julgada.
 No Direito Brasileiro, portanto, consagrou-se a regra da irretroatividade das leis, de modo que
as leis novas não alcançam os fatos pretéritos. Exceção: admitem-se, excepcionalmente,
efeitos retroativos na lei quando presentes dois requisitos, quais sejam:
A) Expressa disposição neste sentido.
B) Que a retroação não prejudique o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito
adquirido.
 O STF disse que não há direito adquirido nem em face do Poder Constituinte Originário, nem
em face do Poder Constituinte Derivado.
 Ultratividade: é o fenômeno através do qual uma lei, já revogada, produz efeitos mesmo após
a sua revogação.
7. APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO: ART. 7º A 19
 Existem situações excepcionais em que a própria LINDB admite a aplicação da lei estrangeira
no território brasileiro. Dessa forma, o Brasil adotou a teoria da territorialidade
moderada/mitigada.
 Aplicação do Estatuto Pessoal: ei do domicílio do interessado: a LINDB prevê 07 hipóteses
de aplicação da lei estrangeira no território brasileiro:
a) nome.
b) personalidade.
c) capacidade.
d) direito de família.
e) bens móveis que o interessado traz consigo.
f) penhor.
g) capacidade sucessória.
 Existem três casos em que a LINDB admite a aplicação da lei estrangeira sem a aplicação do
estatuto pessoal:
a) Conflito sobre bens imóveis: aplica-se a lei do lugar em que está situado o imóvel.
b) Lei sucessória mais benéfica ao cônjuge ou aos filhos.
c) Lugar da obrigação no caso de contratos internacionais se aplica a lei de residência
do proponente.
 Para que o STJ homologue a decisão judicial estrangeira é preciso que estejam presentes três
requisitos:
A) Prova do trânsito em julgado.
B) Filtragem constitucional
C) Cumprimento das formalidades processuais do art. 963 do NCPC, dentre as quais se
encontra a necessidade de ouvida do MP.