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SERMÃO 002/2012

“NÃO VIM CHAMAR JUSTOS”

Lucas 5.32

Introdução
O texto que acabamos de ler se repete por mais duas vezes nos evangelhos, em Mateus (9.13) e
Marcos (2.17). Este texto é muito usado, e sintetiza o plano da salvação até certo ponto. Ele
responde por que Cristo veio a Terra. Ele veio fazer um chamado:
1. O texto diz que Ele veio chamar os “pecadores ao arrependimento”. Esta é a parte mais
lembrada e utilizada, contudo não é a ênfase do texto;
2. A ênfase está na primeira parte do texto. Jesus não quis apenas dizer que veio chamar os
pecadores, Ele reafirmou apenas que não veio chamar os justos:
a) Pode parecer estranho à primeira vista, mas a verdade é que Ele não quer os justos;
b) Todo aquele que se julga justo e que tem algum mérito diante de Deus é rejeitado por
Ele;

Parte 1
Jesus estava no inicio de Seu ministério. O time de discípulos ainda estava incompleto.
Ele estava em Cafarnaum, na época, um dos mais importantes portos pesqueiros do Mar da Galiléia.
Ali trabalhava Mateus. Um publicano.
1. O publicano:
a) Cobrador de impostos, profissão desprezada pelos judeus;
b) Ele trabalhava para o império romano, e cobrava impostos de seus compatriotas;
c) Era, portanto, considerado traidor de Israel;
d) Ele se empregava voluntariamente, e era agente de opressão;
e) Enriquecia geralmente rápido, pois cobrava para o império e para si;
f) Cobravam impostos de tudo: o que entrava e o que saia, cobrava pedágios em portos e
estradas, etc.
2. O publicano Mateus:
a) Já estava cansado daquela vida;
b) O Espírito Santo já estava trabalhando em seu coração, despertando-lhe a noção de
pecado;
c) Ele já havia ouvido os ensinos de Jesus e anelava por uma mudança (DTN, p. 272);
d) Ele foi surpreendido com a visita de Jesus, lhe chamando a segui-Lo: “ele se levantou
e, deixando tudo O seguiu.” (Lc 5.28);
3. O banquete:
a) Mateus desejava que outros rejeitados tivessem um encontro com Cristo da mesma
forma que ele o teve;
b) Ele preparou um banquete, onde seus convidados O conhecessem. Ellen White
escreveu que seu maior desejo era levá-los a Cristo (DTN, p. 273);
c) Ele não convidou apenas publicanos. Toda a escória da sociedade estava ali:
I. Prostitutas;
II. Ladrões;
III. Doentes;
IV. Todos os cerimonialmente considerados imundos;
d) Jesus não dava importância às meras tradições que poderiam impedir Seu contato com
o pecador a fim de salvá-lo;
e) Os fariseus ouviram a noticia de que Jesus estaria em tal banquete, e foram até as
proximidades da casa de Mateus;
f) Ao termino do banquete os discípulos são interrogados pelos fariseus, e até Jesus foi
questionado por eles;

Parte 2
No diálogo de Jesus com os fariseus encontra-se o texto que lemos a pouco tempo.
1. Os fariseus:
a) Julgavam-se santos, por isso perguntaram: “Por que comeis e bebeis com publicanos e
pecadores?”;
b) Não compreendiam que se achavam diante de Deus sob igual sentença: pecadores;
c) Eles possuíam um senso de justiça própria;
2. Jesus:
a) A resposta de Jesus foi objetiva: “os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes.”
(Lc 5.31);
b) Jesus não apenas respondeu a pergunta, mas declarou que não estaria com eles,
porque se julgavam sãos, e, portanto, não necessitavam de médico;
c) Jesus lhes mostrou que as obras humanas são de nenhum valor diante de Deus;

Parte 3
A salvação que Deus oferece ao ser humano não se baseia no que somos capazes de realizar:
1. Estamos cansados de saber que somos salvos pela fé, sempre somos levados a pensar que
de alguma forma o que fazemos pode ajudar:
a) Experimentamos a salvação, mas de alguma forma somos tentados a olharmos nossas
boas obras e julgar que elas melhoram nosso conceito diante de Deus;
b) Contudo, este é um ato condenado pela Palavra de Deus;
c) A razão é muito simples: obras humanas não podem expiar o pecado;
2. Ellen White declara: “Se juntássemos tudo o que é bom e santo, nobre e belo no homem, e
apresentássemos o resultado aos anjos de Deus, como se desempenhasse uma parte da
salvação da alma humana ou na obtenção de mérito, a proposta seria rejeitada como traição.”
(FO, p. 21);
a) Se assim não fora, o próprio Criador acabaria ficando “em obrigação para com a
criatura.” (FO, p. 17);
b) Escreveu o apostolo Paulo: “Ao que trabalha, o salário não é considerado como favor,
e, sim, como divida.” (Rm 4.4);
c) Jesus contou a historia do fariseu que ia ao templo e orava: “Ó Deus, graças Te dou
porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda
como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dizimo de tudo quanto
ganho.” (Lc 18.11,12). Só faltava Deus perguntar: “Tudo bem, quanto é que te devo?”;
Parte 4
Precisamos compreender que a salvação se dá unicamente pela graça de Deus, mediante a fé:
1. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”
(Rm 3.28);
2. “Pois por obras da lei ninguém será justificado.” (Gl 2.16);
3. Ellen White escreveu: “Fé é a condição pela qual Deus Se propõe a perdoar os pecadores.
(...) Quando o pecador crê que Cristo é seu Salvador pessoal, então, segundo Suas infalíveis
promessas, Deus perdoa o seu pecado, e o justifica gratuitamente.” (RH, 04/11/1890);
4. O grande problema é que o coração natural tem dificuldade para aceitar esta ideia:
a) Somos orgulhosos;
b) Queremos sentir que realizamos algo de bom, que somos merecedores;
c) É difícil admitir que a salvação é algo que não podemos conquistar;
d) Nossa justiça não passa de “trapos de imundícia” (Is 64.6);
5. “O que é justificação pela fé? É a obra de Deus de lançar por terra a glória do homem, e fazer
pelo homem aquilo que não está ao seu alcance fazer por si mesmo. Quando os homens
veem sua própria inutilidade, preparam-se para ser revestidos com a justiça de Cristo.” (RH,
16/09/1902);

Conclusão
1. Nossa oração deve ser semelhante ao do publicano na parábola: “Ó Deus, sê propicio a mim,
pecador.” (Lc 18.13);
2. White escreveu: “Não há evidencia de genuíno arrependimento a menos que se opere a
reforma.” (CC, p. 59); há dois riscos então que devemos evitar:
a) Pensar que nossas obras podem nos salvar;
b) Pensar que o perdão de Deus nos isente de vivermos uma vida moralmente
responsável diante dEle;
3. Concluímos com esta citação: “A vida em Cristo é uma vida de descanso.” (CC, p. 70).

Apelo
1. Não quer você descansar nos braços de Deus?
2. Permita que ele apague o seu pecar e te dê uma nova vida;
3. Deixe o orgulho de lado, reconheça o seu pecar, e peça a Deus que lhe conceda a salvação!
4. (Ilustração) Uma professora da classe infantil terminou a lição sobre o perdão e decidiu
recapitular com os alunos o que haviam aprendido. “Alguém pode me dizer o que deve fazer
antes de poder receber o perdão?”. Depois de um silêncio incomodo, uma das crianças
respondeu: “Precisamos pecar!”.
a) Se você já cometeu pecados, esta é a hora de suplicar o perdão!