Você está na página 1de 1

Beatriz Matos de Carvalho.

Graduanda em Design Gráfico


Universidade Federal de Sergipe
E-mail: beattriz.mattoss@gmail.com

BONSIEPE, Gui. Os ensaios “design e crise” e “entre resignação e esperança” em Design como
prática de projeto.

Dizer o designer como o profissional responsável por solucionar problemas parece e é um tanto
reducionista. Entretanto, o caráter reducionista dos termos utilizados poderia ser quebrado na percepção
de quão vagos são aqueles. De quais e de que tipos de problemas a frase faz referência? A quantidade
de possíveis respostas trás uma possível luz de interpretação que levaria a pluralidade do design.
Foi o que tal escritor fez no texto design em crise, no qual fala inicialmente sobre competências
do design que não são conhecidas pelos leigos, e algumas outras que eram ignoradas pelos profissionais
da área. É o exemplo do design social. Mas um bom ponto de relevância do texto em questão está na
explicação das relações do design do Centro (países desenvolvidos) e da Periferia (países
subdesenvolvidos/emergentes), sendo estes os mais frágeis e que mais precisam de uma área projetual
que reflita sobre seus mais variados problemas e dificuldades.
Os laços entre design e mercado são os mais óbvios dentre todos os outros existentes, logo
portanto, mesmo o leigo, pode concluir que essa área possui forte influência na economia. O que em
geral não se imagina é que a própria colonização determinou o quão a ideia de design estará estabelecida
na mente de seus cidadãos, e como é desenvolvido por seus profissionais. O que o autor explica é que
os países da América Latina, por exemplo, não exportam produtos acabados, e sim matéria prima
(commodities) que “são produtos sem componente dinâmico, sem design”, como afirma. E mesmo
diante da iminente crise de todo um sistema de produção, esses países raramente produzem planos de
desenvolvimento aliados ao design, e consequentemente, ficam limitados a um “êxito parcial”.
A consequência disso é um design pouco valorizado e muito ligado a ideia de autonomia dos
que procuram uma segunda fonte de renda ou se libertar das amarras do subalterno. O que significa
tratar o design como uma segunda opção, uma possibilidade, ou como alguns dizem, um adorno possível
aos que não tem outras necessidades a suprir.
Falta entender que “impõe-se urgente a necessidade de revisar o modelo vigente de
desenvolvimento, em virtude de consequências alarmantes do sistema de produção. Já não se trata de
imitar [...] o modelo de desenvolvimento de países centrais, mas desenvolver um modelo próprio e
menos intensivo do uso dos recursos [...].” e perceber que o design em sua qualidade de integrar
ciências, é um caminho de planejamento e de fixação dessas mudanças. Ou como foi dito pelo autor do
texto, “resignação não é uma característica do design”.