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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
DISCIPLINA: ZOOLOGIA DE INVERTEBRADOS I

PROFESSOR: MAURÍCIO ARAÚJO MENDONÇA

FILO NEMATODA

ALUNA: ANA CAROLINA MACIEL DE FRANÇA

SÃO LUÍS-MA
2019
FILO NEMATODA

O principal filo dos vermes blasto celomados é Nematoda, que contém


alguns animais comuns, como as lombrigas. Na verdade, eles são tão comuns
que existem indivíduos nematódeos microscópicos sobre quase todas as
superfícies à nossa volta, incluindo nós mesmos. Talvez eles sejam os animais
mais abundantes do planeta, vivendo em quase todos os ambientes marinhos,
terrestres e de água doce. Os mais conhecidos são os parasitas, como a já citada
lombriga, que causam doenças comuns como amarelão, bicho geográfico,
elefantíase, oxiuríase, entre outras.

CARACTERÍSITCAS GERAIS

Os nematódeos são vermes cilíndricos principalmente por causa da


comparação com os platelmintos, pseudocelomados de simetria bilateral (divisão
imaginária que divide o corpo de um animal em duas metades iguais) e que
apresentam cefalização, pela presença de gânglio e órgãos sensoriais. Eles têm
boca e ânus, portanto, um tubo digestivo completo.
O tegumento é coberto completamente por uma cutícula com várias
camadas acima da primeira camada de células da epiderme. Essas camadas
apresentam fibras de colágeno e proteínas que ficam dispostas em diferentes
direções, o que dá a elas uma grande resistência. Isso permite que o animal
consiga sobreviver em ambientes hostis como a terra seca e o intestino de um
hospedeiro. Durante o seu crescimento, o animal troca de cutícula quatro vezes,
um processo que se chama muda. A cutícula é muito diversificada nas espécies
de Nematoda, desde lisa, como a da lombriga, até com ornamentos variados, de
setas compridas a sulcos e dobras.

A epiderme é formada pela ectoderme. Logo abaixo está a musculatura,


formada pela mesoderme, ou seja, triblásticos por possuírem os três tecidos, que
forma as paredes externas do blasto celoma. A parede de dentro é o tubo
digestivo que foi formado pela endoderme. Quando o embrião sofre a
gastrulação, que forma a endoderme e o tubo digestivo, ele é oco, apenas com
uma camada externa de células. Esta é a fase de blástula e a cavidade chama-
se blastocele. Após o embrião se desenvolver, esta cavidade persiste como o
blasto celoma. Ela é preenchida por um fluido com muitas substâncias diluídas
em água, como proteínas, sais, amônia e açúcares, por exemplo, onde estão
submersos órgãos como os sistemas reprodutor e o excretor.
Costuma-se dividir os nematoides em três grupos, quanto ao modo de
vida ou hábito alimentar: i) de vida livre: compreende as espécies que se
alimentam de fungos (= micófagas), de bactérias (bacteriófagas), de algas
(algívoras), de nematóides (= nematófagas) ou de outros invertebrados
microscópicos; aqui devem estar incluídas as formas ancestrais, mais primitivas,

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a partir das quais evoluíram as demais; ii) zooparasitos: adquiriram a habilidade
de associar-se a animais, invertebrados e principalmente vertebrados, que
utilizam como hospedeiros e dos quais espoliam os nutrientes necessários ao
desenvolvimento e à reprodução; iii) fitoparasitos: adaptaram-se também à vida
parasitária, mas sobre plantas, sendo encontrados mais comumente infestando
as raízes; como se verá adiante, podem causar elevadas perdas em grande
número de culturas agronômicas de interesse, no Brasil e no Exterior.
A maioria dos nematódeos é de vida livre, habitantes de solo úmido, areia,
de águas estagnadas e até mesmo do plâncton. Entre os parasitas, além
daqueles que têm o homem como seu hospedeiro, há espécies que infestam
outros animais ou plantas (raízes, frutos).

PECULIARIDADES ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS

Os Nematoda não têm estruturas respiratórias ou circulatórias, apesar do


blasto celoma cumprir em parte estas funções. As trocas gasosas ocorrem por
difusão pelas células do tegumento.

Existem as mais variadas formas de alimentação entre os Nematoda:


comedores de depósitos marinhos, detritívoros, predadores, entre outros, sendo
o parasitismo de animais e plantas muito comum. A boca tem estruturas variadas
relacionadas a forma de alimentação, como estiletes para predar, papilas,
cerdas, ganchos, mandíbulas, etc., dispostas radialmente em volta dela. A
faringe tem uma mobilidade razoável, podendo servir para protrair estruturas e
sugar líquidos.
Possuem um sistema excretor simples formado por duas a três células
muito grandes imersas no blasto celoma, as células renetes. Elas absorvem
amônia e principalmente excesso de água (função osmorregulatória) do blasto

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celoma e excreta para o meio externo por um poro próprio. Muita amônia também
sai por difusão do organismo.

PAREDE DO CORPO

As paredes do corpo podem ser divididas em três partes: cutícula, sub-cutícula


ou hipoderma e camada muscular.

A cutícula, constituída de camadas concêntricas, pode, como vimos,


apresentar saliências transversais ou longitudinais, espinhos, cordões e
expansões em forma de asa, ventosas, etc., e tem um papel importante na
respiração por permitir trocas de substâncias através de sua espessura. A sub-
cutícula ou hipoderma é constituída por uma camada de células poliédricas
situadas abaixo da cutícula. Este hipoderma, bem desenvolvido nas larvas,
muitas vezes se atrofia e desaparece, em parte, nos adultos. Forma ao nível das
linhas medianas e laterais, quatro saliências no interior, de modo a separar a
camada muscular em feixes longitudinais; estas saliências do hipoderma são
chamadas campos medianos e laterais.

Nos campos longitudinais, sobretudo nos laterais, é que correm os canais


do aparelho excretor e os nervos. Os campos medianos, dorsal e ventral, são
pouco desenvolvidos; no ventral encontram-se as aberturas do aparelho
excretor, a vulva, o ânus e a abertura anogenital dos machos.
Os campos laterais, onde se encontram os vasos excretores, podem ser
constituídos na face que fica em contato com a cutícula, por séries paralelas de

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células, geralmente pequenas ou, ao contrário, por série de grandes células
pouco numerosas, providas de núcleo volumoso.

Os campos longitudinais são, segundo MARTINI, primitivamente


constituídos por 3 séries de células que nos adultos podem ser mantidos ou
transformar-se. Em algumas espécies, no adulto, são eles constituídos por uma
só fileira de células e em outras se transformam em um sincício com células sem
limitação nítida.

A camada muscular é constituída de grandes células, cuja parte externa


é diferenciada em fibrilas contrateis e a interna, que contém o núcleo, faz
saliência na cavidade do corpo do parasito; vistas de fora para dentro estas
células são rômbicas ou fusiformes e, algumas vezes tri- e tetra polares; sua,
direção é longitudinal e em certos casos apresentam ramos transversalmente
oblíquos. Estas células musculares constituindo os chamados campos
musculares, podem estar dispostas em duas filas longitudinais entre cada campo
constituindo o tipo de musculatura meromiário, em mais de duas, para constituir
o tipo polimiário ou, ainda, distribuídas de modo irregular, muito unidas, sem
formar filas e imperfeitamente fusionadas, interrompendo-se ao nível dos
campos longitudinais, no tipo holomiário.
As paredes do corpo limitam uma cavidade virtual que, pelo menos em
grande parte, é ocupada por grandes células de protoplasma muito frouxo e
vacuolado (a algumas destas células se tem atribuído função fagocitária); é nesta
cavidade que se encontram os aparelhos digestivo e reprodutor.
Os Nematoda apresentam apenas musculatura longitudinal com células
dispostas homogeneamente na parede do blasto celoma. Por isso, eles apenas
fazem movimentos ondulatórios, como os de um chicote. Com a ajuda de cerdas,
espinhos e estrias e a força do esqueleto hidrostático do fluido do blasto celoma
(pense em um balão cheio de água), eles se locomovem sobre substrato sólido
e nadam.
Seus músculos são exclusivamente longitudinais, dispostos no sentido do
comprimento do corpo. Isso faz com que a sua capacidade de locomoção seja
mais limitada que a dos platelmintos. Os músculos são ativados pelas
cadeias nervosas, que se encontram ao longo de todo o corpo do animal, uma
na região ventral e outra na dorsal. Ao contrário de outros animais, em que os
nervos se ramificam para os músculos, nos nematódeos são os músculos que
se ramificam para atingirem os cordões nervosos. Estes cordões ligam-se a um
anel à volta da faringe e possuem vários gânglios adicionais perto da
extremidade anterior, mas sem formar um verdadeiro cérebro. Nessa região
encontram-se órgãos sensoriais reduzidos.

O sistema nervoso dos Nematoda é formado por um anel nervoso


circunfaringial e vários gânglios associados, que irão conectar nervos
longitudinais que passarão por dentro dos cordões epidérmicos. Seus órgãos

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dos sentidos constituem-se de papilas e cerdas tácteis, e dois órgãos
quimiorreceptores, os anfídios e os fasmídeos. Os fasmídeos são estruturas
glandulares simples, os anfídios são órgãos pareados localizados lateralmente
a área cefálica. Consistem de um poço ligado ao meio anterior por um poro, que
contém em seu interior uma glândula unicelular. A presença e a localização
destes órgãos também têm importância taxonômica.
.
ADAPTAÇÕES DOS NEMATODA PARA A VIDA PARASITÁRIA

Muitos nematódeos podem suspender os processos vitais quando as


condições ambientais se tornam desfavoráveis e encistar, numa forma que é
capaz de sobreviver a condições extremas de seca, calor ou frio e depois voltar
à “vida” quando as condições são favoráveis. Este processo é conhecido
como criptobiose e, entre os animais é encontrado apenas entre os nematoides,
os rotíferos e os tardígrados.
O tamanho e a forma que assumem são adaptações importantes para a
sobrevivência nos espaços intersticiais dos hospedeiros. Os nematoides que
possuem reprodução sexuada podem, sob condições de estresse, originar uma
geração mais resistente ou adaptada às novas condições submetidas.

NEMATODEOS PARASITAS HUMANOS NO BRASIL: MECANISMOS DE


TRANSMISSÃO E CICLOS BIOLÓGICOS

Nematoda tem uma grande diversidade de parasitismos em plantas e


animais. Por outro lado, têm ciclos de vida mais simples dos que vimos nos
Platyhelminthes, envolvendo menos hospedeiros.
Os nematoides parasitas de humanos mais conhecidos no Brasil são a
lombriga e o oxíuros e os causadores da elefantíase e amarelão, mas existem
muitas outras.

A lombriga, Ascaris lumbricoides, infesta uma grande população no Brasil,


sendo comum nas zonas rurais. São vermes grandes, podendo chegar a uns 20
centímetros, que infestam o intestino do hospedeiro. Elas produzem grande
quantidade de ovos que saem do corpo do hospedeiro nas fezes. Em locais de
pouco saneamento básico, sem sistema de esgoto, aumenta-se a chance
desses ovos serem engolidos por outras pessoas, principalmente quando
comem hortaliças ou com a falta de higiene nas refeições.

Dentro do corpo, a larva eclode e entra ativamente pela parede do


intestino humano, entrando na circulação sanguínea e vai se desenvolvendo a
medida que passa por fígado, coração, pulmões e brônquios. Ao chegar no
esôfago a larva é engolida novamente e quando chega ao intestino se torna
adulta. A fase adulta não passa de um ano de duração, mas os ovos podem

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durar anos no meio ambiente. O tempo da ingestão dos ovos até a fase
reprodutiva é de aproximadamente 3 meses. Algumas infestações são tão
populosas, podendo chegar a centenas de indivíduos, que pode causar maiores
problemas à pessoa infectada. Inclusive, pode criar cenas de horror, ao ter
indivíduos sendo expelidos pelo ânus, boca e até pelo nariz.
Ciclo de vida de Ascaris lumbricoides (Nematoda), a lombriga.

Fonte: http://www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Ascariasis.htm
O Enterobius vermicularis também é um parasita intestinal com infecção
através da ingestão de ovos. Ele é bem menor que a lombriga e causa a
oxiurose, doença caracterizada pela coceira no ânus. As fêmeas grávidas saem
pelo reto e ficam ativas no ânus, causando o prurido e liberando ovos para o
ambiente externo, podendo ficar em qualquer superfície como roupas ou
alimentos. É muito comum em crianças, pois após se coçar acabam levando a
mão à boca mais tarde. Este verme é muito comum em todo mundo e infestam,
surpreendentemente, populações de países ricos também.

O Ancilostoma duodenale também infesta o intestino humano e causa o


amarelão. Este parasita suga sangue das paredes do intestino, fazendo o
hospedeiro perder muito sangue. Os ovos são levados pelas fezes e, no meio
ambiente, se desenvolvem em larvas. Elas entram na pele das pessoas
ativamente, facilitando em populações com pessoas que andam descalças. Elas
caem na corrente sanguínea e passam pelo coração, pulmões e traquéias,
quando são engolidas novamente e se desenvolvem em adultas no intestino.
Uma espécie do mesmo gênero, Ancilostoma braziliense, infecta intestinos de
cães e gatos, mas as larvas podem penetrar a pele humana. Este é o bicho-

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geográfico, doença comum de contágio em praias, que causa coceiras na pele
pela locomoção da larva perdida em um hospedeiro errado. Nesse caso, o ciclo
não se completa.

O verme causador da elefantíase (ou filariose) apresenta um ciclo mais


complexo pela presença de um hospedeiro intermediário, que podem ser
muriçocas de várias espécies diferentes. Os adultos de Wuchereria bancrofti
infectam os vasos linfáticos, causando inchaços enormes nas pernas
principalmente (por isso o nome da doença), mas também no escroto ou nos
seios. Os adultos produzem juvenis que migram pelos vasos linfáticos e
sanguíneos, até serem sugadas pela muriçoca quando ela pica um humano. O
desenvolvimento da larva se dá no hospedeiro intermediário e finaliza ao inseto
picar novamente outra pessoa, onde ele se desenvolve no adulto.

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