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ELETRICIDADE E

ELETRÔNICA
VEICULAR
SUMÁRIO

I – A ELETRICIDADE...............................................................................................................3
1.1 - Introdução....................................................................................................................3
1.1.1 - Matéria...................................................................................................................3
1.1.2 - Molécula................................................................................................................3
1.1.3 - Átomo....................................................................................................................3
1.2- GRANDEZAS ELÉTRICAS............................................................................................5
1.2.1 Tensão elétrica...........................................................................................................5
1.2.2 Corrente elétrica....................................................................................................6
1.2.3 Resistência Elétrica..............................................................................................8
1.3 LEI DE OHM.....................................................................................................................15
1.4 CIRCUITOS ELÉTRICOS...............................................................................................17
1.4.1 Configuração dos circuitos..................................................................................19
1.5 TRABALHO ELÉTRICO.................................................................................................29
1.6 POTÊNCIA ELÉTRICA...................................................................................................29
1.7 CAPACITOR.....................................................................................................................31
1.8 MAGNETISMO.................................................................................................................35
1.9 ELETROMAGNETISMO.................................................................................................36
1.10 RELÉ................................................................................................................................38
1.11 GERAÇÃO DE UMA TENSÃO ALTERNADA SENOIDAL.....................................40
1.12 TRANSFORMADOR.....................................................................................................42
II - MULTÍMETRO AUTOMOTIVO......................................................................................44
lll - SEMICONDUTORES......................................................................................................50
3.1 DIODOS SEMICONDUTORES..................................................................................54
3.2 TIPOS DE DIODOS.....................................................................................................55
3.3 RETIFICAÇÃO AC/DC................................................................................................58
3.4 O TRANSISTOR...........................................................................................................61
3.5 SIMBOLOGIA DE COMPONENTES DE CIRCUITOS..........................................66
IV -SINAIS ELÉTRICOS - ELETRÔNICOS.......................................................................69
4.1 SINAIS DIGITAIS.............................................................................................................69
4.2 SINAIS ANALÓGICOS...............................................................................................70
I – A ELETRICIDADE

1.1 - Introdução
Por se tratar de uma força invisível, o princípio básico de eletricidade é explicado na
Teoria atômica.
Torna-se difícil então visualizar a natureza da força elétrica, mas é facilmente notável
os seus efeitos.
A eletricidade produz resultados e efeitos perfeitamente previsíveis.
Para que possamos compreender melhor a eletricidade, observemos as seguintes
definições:

1.1.1 - Matéria
É toda a substância, sólida, líquida ou gasosa que ocupa lugar no espaço.

1.1.2 - Molécula
É a menor partícula, a qual pode dividir uma matéria, sem que esta perca suas
propriedades básicas.
Ex: Quando dividimos um pó de giz até o momento em que ele ainda conserve suas
propriedades de pó de giz, se tornado invisível a olho nu, mas visível com
microscópios, temos então uma molécula.

1.1.3 - Átomo.
São as partículas que constituem a molécula. Podemos assim afirmar que um
conjunto de átomos constitui uma molécula, que determina uma parte da matéria.
É no átomo que se dá o movimento eletrônico (corrente elétrica). O átomo é
composto por um núcleo e partículas que giram a seu redor, em órbitas concêntricas,
muito parecidas com a configuração dos planetas em torno do sol.

3
O núcleo é constituído de prótons e nêutrons, convencionando-se a prótons com
carga elétrica positiva (+) e nêutrons carga elétrica nula (0).
As partículas que giram ao redor do núcleo são denominadas elétrons, com carga
elétrica negativa (-).
As cargas negativas dos elétrons são atraídas pelo núcleo, que tem carga positiva
devido aos prótons. Essa atração compensa a força centrífuga que tende a afastar
os elétrons do núcleo. Dessa forma, os elétrons mantêm o seu movimento ao redor
do núcleo.
Normalmente, um átomo tem o mesmo número de prótons e elétrons e, portanto, é
elétrica-mente neutro.
Podemos admitir que num átomo, na condição de equilíbrio, o número de prótons é
igual ao número de elétrons. Se ele perde um elétron toma-se eletricamente positivo
(íon Positivo), se ele ganha um elétron torna-se negativo (íon Negativo). A este
desequilíbrio é que chamamos "carga elétrica". O conjunto dos fenômenos que
envolvem estas "cargas elétricas" é que foi definido como eletricidade. A eletricidade
se apresenta de duas maneiras.

1.1.4 - Eletricidade Estática - é o tipo de eletricidade que envolve cargas elétricas


paradas. É gerada por atrito, pela perda de elétrons durante o friccionamento. Por
exemplo, um bastão de vidro e lã de carneiro, choque ao descer de um veículo, etc.

1- Haste de vidro.
2- Falta de elétrons.
3- Pano de lã.
4- Excesso de elétrons.

Inicialmente, os átomos da haste de vidro e da haste de plástico são eletricamente


neutros. Isto significa que o número de cargas negativas e de cargas positivas no
núcleo do átomo é exatamente igual. Quando se esfrega a haste de vidro com o
pano de ã produz-se trabalho, através do quaI se afastam elétrons da superfície da
haste. Estes elétrons permanecem no pano.

1.1.5 - Eletricidade Dinâmica ou Corrente Elétrica - é o fluxo de cargas elétricas


que se desloca através de um condutor. Desta forma como a eletricidade se
apresenta é que nos interessa estudar. E para que este fenômeno ocorra é
necessário, no mínimo, uma fonte de energia, um consumidor e condutores fechando
o circuito.
FONTE

CONDUTORES

CONSUMIDOR

1.2- GRANDEZAS ELÉTRICAS

1.2.1 Tensão elétrica

Se uma haste de borracha for esfregada com o pano de lã, alguns elétrons do pano
de lã aderem à superfície da haste de borracha. A haste passa a ter mais carga
negativa do que positiva: fica carregada com carga negativa. "Carga negativa
significa excesso de elétrons" (figura abaixo). Entre cargas diferentes ocorre uma
força de atração. Para tentar separar cargas diferentes é necessário produzir
trabalho contra a força de atração. Este trabalho é armazenado nas cargas sob a
forma de energia. O resultado é uma força entre as cargas que recebe a designação
de "tensão".
"A tensão é o resultado da separação de cargas".

1- Haste de plástico.
2- Falta de elétrons.
3- Pano de lã.
4- Excesso de elétrons.
Tensão elétrica é a diferença de potencial existente entre dois pontos distintos no
circuito. Pode ser definida também como a força impulsora ou pressão, que força a
passagem da corrente elétrica nos condutores.
Quando afirmamos que uma bateria tem 12 volts, estamos dizendo que a diferença
de potencial existente entre um pólo e outro é de 12 volts. A tensão que a alimenta os
circuitos das residências pode ser normalmente de 127 V ou 220V.
A tensão pode ser representada pelas letras E, d.d.p.(diferença de potencial ou U e
sua unidade de medida é o volt (V).
Por definição, 1volt é a diferença de potencial necessária para impelir 1Ampere
através de 1ohm.
O instrumento de medição de tensão elétrica é o voltímetro simbolizado:

O voltímetro é ligado em paralelo com o circuito a ser medido.

Voltímetro

1.2.2 Corrente elétrica

Se unirmos dois corpos com potenciais diferentes, utilizando um condutor, eles


tendem a equilibrar-se eletricamente. Para isso, o corpo de maior potencial negativo
irá perder elétrons, enquanto que o corpo de menor potencial negativo irá receber
elétrons.
Os elétrons livres do condutor entrarão em movimento, passando de um átomo a
outro, em direção ao corpo com menos carga.
--------
++++++ --------
++++++ -------
++++++
Corrente elétrica+++é a quantidade de cargas elétricas que flui através de um condutor
num determinado intervalo de tempo, ou ainda, a tendência para restaurar o
equilíbrio elétrico num circuito onde exista diferença de potencial (d.d.p.).
++++++
+++
Como a quantidade de elétrons é sempre muito grande, criou-se a unidade de carga
elétrica, o Coulomb (C).
1 C =6,28x1018 elétrons. E 1C/s = 1 A .

A corrente elétrica num circuito é apresentada pela letra I e sua unidade de medida é
o Ampère (A).

Por definição, 1 Ampère é a corrente que flui através de um condutor com resistência
de 1 Ohm quando a diferença de potencial entre os seus terminais for igual a 1 Volt.

O instrumento de medição de corrente elétrica é o amperímetro simbolizado:

O amperímetro é ligado em série com o circuito a ser medido.

AMPERÍMETRO

A corrente elétrica assim como a tensão elétrica pode ser de dois tipos:
Contínua ou alternada.

TENSÃOALTERNADA TENSÃOCONTÍNUA
Tensão alternada - Varia periodicamente sua polaridade. Invertendo o sentido da
corrente elétrica ao longo do tempo. Exemplo: tensão residencial.

Tensão contínua - Não sofre variação de polaridade ao longo do tempo. Exemplo:


Pilha e bateria de automóvel.

1.2.3 Resistência Elétrica

A oposição que um condutor elétrico oferece à passagem da corrente elétrica é o que


denominamos resistência Elétrica.

O valor da resistência elétrica está diretamente ligado a combinação de quatro


fatores:

 Material que constitui o condutor (resistividade)


 Comprimento do condutor
 Área da seção transversal
 Temperatura de trabalho do condutor

O que determina a resistividade do material () a ser utilizado em condutores é a


quantidade de elétrons livres. Os metais são os melhores condutores de corrente
elétrica, destacando o cobre, o alumínio e a prata.

O comprimento de um condutor também


interfere diretamente no valor da resistência.
Quanto maior o comprimento do condutor,
maior a oposição à passagem de corrente
elétrica.

A área da seção transversal ou o diâmetro


do condutor também altera o valor da
resistência do condutor. Quanto maior o
diâmetro menor oposição à passagem de
corrente elétrica.

O aumento da temperatura causa um aumento da resistência do condutor. Um


exemplo prático seria o cabo que alimenta o motor de partida do veículo. Como
podemos observar ele oferece menor resistência a circulação de alta corrente
consumida pelo motor de partida, por possuir pequeno comprimento e maior bitola
(diâmetro ).
Matematicamente, a resistência pode ser expressa na seguinte fórmula:

R = ρ.L /A
Onde: R = resistência elétrica da matéria (Ω)
L = Comprimento do condutor ( m).
A =área da seção transversal (m²)
Ρ = resistividade específica (Ω.m)

A resistência elétrica é representada pela letra R e sua unidade de medida é o ohm


().

Um ( 1 ) ohm é a resistência que permite a passagem de uma corrente de 1 Ampère


sob tensão de 1 Volt.

O instrumento de medição de resistência elétrica é o homímetro simbolizado:

Para medir resistência elétrica usa-se o ohmímetro, ligado em paralelo ao


componente que se deseja medir, desde que este se encontre desenergisado.

1- Consumidor ou resistência
elétrica.
2- Interruptor e fios(resistência
elétrica).
3- Ohmímetro.

A tabela abaixo apresenta a resistividade de alguns materiais, a uma temperatura de


20º C. a unidade de resistividade é dada em ohm x metro ( Ωm).

Resistividade (a 20º C)

Cobre 1,77 x10-8 Ωm


Alumínio 2,83 x10-8Ωm
Bismuto 119 x10-8Ωm
Prata 1,63 x10-8Ωm
Níquel 7,77 x10-8Ωm
Nicrome 99,5 x10-8Ωm
RESISTORES

Os componentes que são utilizados nos circuitos com o objetivo de oferecerem uma
determinada resistência à passagem de corrente, são chamados de resistores.
Os resistores são fabricados de formas e características diferentes, dependendo da
aplicação a que se destinam. O seu valor pode ser indicado alfanumericamente, ou
por meio de anéis de cores diferentes gravados nas mesmas. Os outros valores de
identificação de um resistor são a sua tolerância (percentual) e a potência, indicada
em Watts.

1- Inscrição no corpo
2- Anéis com cores.

Resistência e temperatura

.A resistência de um material condutor varia com a temperatura. O carbono e a


maioria dos semicondutores são melhores condutores quando aquecidos. Por esse
motivo, são também denominados "condutores a quente". Existe, no entanto, um
pequeno número de materiais semicondutores como, por exemplo, o titanato de
bário, que são melhores condutores quando frios. A sua resistência eleva-se com o
aumento da temperatura, e são designados de "condutores a frio".

1 – Fio de cobre a 20ºC


2 - Ohmímetro
Valor da resistência R=27,8mΩ
TIPOS DE RESISTORES

Resistores fixos (cuja resistência não pode ser alterada).

Resistor de enrolamento de fio: enrolamento de fio


com uma resistência especial. Destinam-se a ser
utilizadas para elevadas potências ou como
resistores de precisão.

Resistores de película de carbono: possuem como


base um corpo cerâmico cilíndrico, revestido com
uma camada de carbono, que constitui a resistência
propriamente dita. Estes resistores servem para
praticamente todas as aplicações.

Resistores de óxidos metálicos: possuem como base


um elemento cilíndrico de cerâmica, revestido com
uma camada de óxido metálico que por sua vez é
revestido com uma camada de silicone. Esta
construção torna estes resistores praticamente
Indestrutíveis em termos mecânicos. Resistores de compensação
(ballast) de um injetor do sistema
de injeção.

Resistores de película metálica: possuem como base


um suporte, por exemplo, de vidro endurecido, no
qual é depositado uma camada de metal precioso.
Estes resistores distinguem-se pela sua elevada
precisão e confiabilidade.

Os resistores fixos têm, entre outras, as seguintes


utilizações nos veículos automóveis:

- resistores de compensação (baIlast) no injetor do


sistema de injeção.

- resistores de compensação (baIlast) para a


bobina de ignição.

- resistores das velas de ignição.


RESISTORES VARIÁVEIS

Os resistores variáveis (reguláveis) são normalmente chamados de potenciômetros.


Trata-se normalmente de resistores de carbono ou de fio.Um contato rotativo sobre o
resistor (ou sobre o enrolamento do fio) dotado de uma ligação elétrica permite
selecionar o valor de resistência desejada dentro da faixa total do resistor.
Desta forma, altera-se também a tensão através do contato rotativo. Assim, o
potenciômetro também pode ser utilizado como divisor de tensão.
Os potenciômetros possuem normalmente um eixo de ligação entre o contato rotativo
e o botão de acionamento. Desta forma pode-se facilmente efetuar regulagens
durante sua utilização.
Um exemplo da sua utilização é a bóia de nível de combustível, que variando o seu
cursor varia a resistência do potenciômetro.

Potenciômetro da bóia de combustível

Trimpot

Ajusta-se com uma chave de fenda para um


determinado valor que permanece constante ao
longo do seu funcionamento. No entanto, com o
decorrer do tempo o valor se altera e, a
regulagem pode ser novamente efetuada.

Os resistores variáveis têm as seguintes utilizações nos automóveis:

- resistor variável do sensor do tanque de combustível (nível combustível).


- resistor variável da iluminação do painel de instrumentos .
- resistor variável do intervalo de funcionamento do limpador de pára-brisas.
Resistores não lineares (não ôhmicos).

Trata-se de resistores variáveis, cuja variação não acontece, por meios mecânicos,
mas sim por meio de alteração da temperatura, da tensão aplicada ou da incidência
de luz.

TERMISTORES (NTC) compõem-se de uma


mistura de óxidos metálicos e cristais mistos oxida-
dos, comprimidos uns contra os outros por um
processo de sinterização e em seguida revestidos
com uma camada de vidro ou colocados num
alojamento. Quando estes resistores são aquecidos,
a sua resistência diminui. NTC (do Inglê "Negative
Temperature Coefficient": coeficiente de temperatura
tura negativo).
Sensor da temperatura do liquido de
Aplicação em automóveis : arrefecimento (ECT). É um tipo
comum de NTC.
Sensor da temperatura do líquido de arrefecimento
(ECT).
Sensor da temperatura do ar de admissão (IAT), etc.

Gráfico do sensor de temperatura do


liquido de arrefecimento.
(Exemplo : motor 2.0 DOHC).
X Temperatura do liquido de arrefecimento
em ºC.
Y Resistência em ohms.

Termistores (PTC)

Compõem-se de óxidos metálicos e titanato de bário, comprimidos em conjunto e


depois revestidos com uma camada de vidro e armazenados num alojamento.
Quando são aquecidos, as suas resistências aumentam. PTC (do Inglês "Positive
Temperature Coefficient": coeficiente de temperatura positiva).
Resistores dependentes da tensão (VDR)

São compostos de pó de carbonato de silício comprimido por meio de um processo


de sinterização e em seguida colocado num alojamento. Varistores ou VDR (do
Inglês "Voltage Dependent Resistor": resistor dependente da tensão). A partir de uma
determinada tensão (o valor depende do tipo de resistor), a resistência diminui.

Utilização nos automóveis:

Estabilização da tensão.
Proteção contra excessos de tensão.

Resistores sensíveis à luz (LDR)

São feitas de materiais semicondutores como o antimonieto de índio ou sulfureto de


chumbo. A luz que incide nos materiais semicondutores provoca o aumento do
número de elétrons livres, reduzindo consequentemente a sua resistência.
LDR (do Inglês "Light Dependent Resistor": resistência dependente da luz).

Utilização no veiculo:
Medição da intensidade da luz - como luxímetro, durante a regulagem dos faróis.
Sensor solar em sistemas de ar condicionado.

LDR (do Inglês "Light Dependent Resistor": resistência dependente da luz)


1.3 LEI DE OHM

A lei fundamental da eletricidade dinâmica é a lei de Ohm. Ela relaciona: Tensão (V),
Corrente (I) e Resistência (R); de maneira bastante simples. Várias de suas
aplicações são executadas por nós diariamente, até mesmo sem conhecê-la.
Observemos o circuito abaixo:

Se mantivermos constante o valor da resistência e aumentarmos o valor da tensão,


observamos um aumento do valor da corrente e vice-versa.

No entanto, vimos que a corrente é também determinada pela resistência, ela é uma
oposição ao fluxo de corrente. Imaginando que a tensão permanece constante,
verificamos que um aumento no valor da resistência causará uma diminuição no
valor da corrente. Então, resumindo podemos observar:

ou

ou

Se então conhecemos os valores de no mínimo duas grandezas, chegaremos ao


resultado da terceira.
Para exemplificar:
Qual seria a corrente consumida pela lâmpada no circuito abaixo?

Qual seria o valor da resistência equivalente do circuito abaixo?

Qual o valor da tensão da bateria no circuito abaixo?


Uma maneira fácil de lembrar os princípios da Lei de Ohm é a utilização do círculo
abaixo. Lembre-se que a letra “E” também simboliza a tensão elétrica.

- Cobrindo R, obtém-se E/I. Resulta daí a resistência em ohms.


- Cobrindo E, obtém-se I x R. Obtém-se a tensão em volts.
- Cobrindo I, obtém-se E/R, que é a corrente em amperes.

1.4 CIRCUITOS ELÉTRICOS

Podemos considerar o circuito elétrico como o caminho para a passagem de


eletricidade. Para obtermos um circuito completo deveremos ter, no mínimo: uma
fonte de energia (bateria), um consumidor (lâmpada) e condutores fechando o
circuito.
SENTIDO DA CORRENTE

Nos circuitos elétricos, a corrente elétrica circula do pólo negativo para o positivo.
Este é o chamado sentido real da corrente elétrica.
Entretanto, durante muitos anos se pensou que a corrente fluía do positivo para o
negativo. Este é o sentido convencional de corrente, que até hoje é utilizada nos
livros e trabalhos técnicos para representar o sentido da corrente nos circuitos
elétricos.
Nos veículos automotivos o negativo da bateria e consequentemente do alternador
fluem para os consumidores através do chassi e a carroceria que servem como
massa (terra) para os consumidores.

Os

Valores das grandezas elétricas são, muitas vezes, muito grandes ou muito
pequenos, dificultando os cálculos. Devido a isso, são muito utilizados os múltiplos e
submúltiplos das unidades de medida.
A tabela seguinte traz os mais usados:

FATOR MULTIPLICAR O
SÍMBOLO MULTIPLICADOR VALOR POR :
MÚLTIPLOS
TERA (T) X1012 1000000000000

GIGA (G) X109 1000000000

MEGA (M) X106 1000000

QUILO (K) X103 1000


SUBMÚLTIPLOS

mili (m) X10-3 0,001

micro (µ) X10-6 0,000001

nano ( n) X10-9 0,000000001

pico (p) X10-12 0,000000000001

Exemplos:

15kΩ = 15 x103Ω = 15000Ω


6GV = 6 x109 = 6000000000V
4mA = 4x10-3 = 0,0004A

1.4.1 Configuração dos circuitos

As diversas cargas dos circuitos elétricos podem estar associadas entre si de três
formas diferentes: série, em paralelo ou em mista (associação série-paralela).

Circuito série
Em um circuito série temos os componentes ligados de maneira a existir um único
caminho contínuo para a passagem da corrente elétrica.

It = I2=I3=I4=.....=In

Corrente em um circuito série - é a mesma em todos os pontos do circuito,


independente do valor de resistência dos componentes do circuito.
Então, se você interrompe o circuito em qualquer parte, toda a circulação de corrente
no circuito é interrompida.

Um exemplo prático seria a instalação de fusível de proteção no circuito. O fusível é


sempre inserido em série no circuito a ser protegido, pois um aumento no valor da
corrente acima de sua capacidade nominal faz com que ele interrompa toda a
circulação de corrente, desligando o circuito.

A tensão em um circuito série - A soma das quedas de tensão em cada componente


do circuito é igual à tensão da fonte (bateria).
Ut = U1+U2+U3+....+Un

Se fizermos uma ligação em série de duas lâmpadas de 12 volts em uma bateria de


12 volts, as lâmpadas acenderão fracamente. Se as lâmpadas forem idênticas cada
uma delas receberá 6 volts, não atingindo então a intensidade luminosa nominal.
A resistência equivalente em um circuito série - Para se calcular o valor da corrente
total consumida em um circuito é necessário se conhecer o valor da resistência total,
ou equivalente do circuito.
No caso do circuito série a resistência equivalente do circuito é a soma das
resistências de cada componente.

Req = R1+R2+R3+...+RN

Para efeito de cálculo podemos representar o circuito como:


Circuito Paralelo

O que caracteriza um circuito paralelo é a ligação de seus componentes de tal forma


que exista mais de um caminho para a passagem de corrente.

A corrente em um circuito paralelo - A corrente total fornecida pela fonte (bateria) é


igual à soma das correntes em cada ramo do circuito. Podemos explicar como: mais
vias de passagem possibilitam mais passagem de corrente.

It = I1+I2+I3+....+In

A tensão em um circuito paralelo - A diferença de potencial em cada componente do


circuito paralelo é a mesma da fonte (bateria). Isto quer dizer que se ligarmos duas
lâmpadas de 12 volts em paralelo, a tensão aplicada em cada lâmpada será idêntica
à da bateria, 12 volts.

Normalmente, as lâmpadas são ligadas em paralelo, a fim de que cada uma produza
sua luminosidade nominal e mesmo que uma delas queime as outras continuarão
acesas.
Ut = U1=U2=U3=....=Un
A resistência equivalente em um circuito paralelo - Para se calcular a resistência
equivalente que causaria o mesmo efeito de um conjunto de resistências ligadas em
paralelo devemos:
Req= R1.R2/R1+R2

Então o circuito resumido para cálculo, torna-se:


Isto quer dizer que o efeito provocado por uma lâmpada de 2 ohms, em termos de
consumo de corrente é o mesmo que o circuito de quatro lâmpadas
(6Ω//6Ω//10Ω//15Ω) em paralelo.
O cálculo direto da resistência equivalente em um circuito paralelo é:

No circuito paralelo, o valor da resistência equivalente será:

Circuito Misto

Chama-se circuito misto, o circuito formado pela combinação de componentes em


série e paralelo.
O comportamento da corrente e tensão em um circuito misto obedecem às regras do
circuito série e do circuito paralelo, quando analisado por partes.
Ex:

EXEMPLOS DE ANÁLISE DE CIRCUITOS

Exemplo – 1:
Qual o valor da corrente que circula no circuito abaixo? E a queda de tensão em
cada lâmpada.

Encontrar o valor da resistência equivalente(Req). Como se trata de um circuito série


a resistência equivalente é a soma das resistências.

Req = 2Ω + 4Ω = 6Ω

O circuito resumido para cálculo seria:

A queda de tensão na lâmpada L1 será:

V1 = R1 x I1
V1 =2Ωx2A
V1= 4V

A queda de tensão na lâmpada L2 será:


V2 = Ut – v1 =12V – 4V = 8V
Ou
V2 = R2 x I
V2 = 4Ω x 2 A = 8V

EXEMPLO - 2

No circuito abaixo, calcular a corrente que circula em cada lâmpada:


EXEMPLO - 3
Se inserirmos no circuito anterior uma resistência em série no valor de 2Ω, qual seria
o comportamento da corrente em cada componente do circuito?

Como já calculamos a resistência equivalente das teres lâmpadas req = 2Ω


Então a resistência equivalente do circuito vale:

Req = 2Ω +2Ω=4Ω

O circuito pode ser representado por :


O conhecimento do comportamento da corrente e tensão em partes do circuito
auxiliam bastante num diagnóstico preciso.
Quando torna difícil o acesso a pontos para medição com instrumentos, a maneira
mais fácil é utilizar os cálculos matemáticos.
1.5 TRABALHO ELÉTRICO

A energia é a capacidade de realizar trabalho.


De acordo com a física, todo corpo em movimento realiza trabalho.
Trabalho elétrico é o trabalho realizado pelos elétrons em movimento (corrente
elétrica) ao atravessar um corpo submetido a uma diferença de potencial.
Exemplo: aquecimento da resistência de um chuveiro, incandescência do filamento
de uma Iâmpada.

O trabalho elétrico é diretamente proporcional à quantidade de elétrons que


atravessa o corpo (Q) e à tensão aplicada (V). A unidade de trabalho no SI é o joule
(J).

T= Q x V
Se q = I x t

Então, a fórmula matemática para cálculo de trabalho elétrico é:

T = V x I x t Onde :
T = trabalho ( j ).
V = tensão ( V).
I = corrente (A).
T = tempo ( s ).

1.6 POTÊNCIA ELÉTRICA

A potência elétrica expressa a relação entre o trabalho realizado e o tempo gasto


para realizá-lo, ou ainda, é a rapidez com que se produz trabalho ou a rapidez com
que se gasta energia. sua unidade de medida no . SI é o watt (W) e seu símbolo (P)..
Cada componente de um circuito tem uma potência específica.
Quanto mais tempo permanecer ligado, maior será o consumo de energia elétrica.

Por exemplo, considere dois aquecedores de água. O aquecedor "A" aquece 1 litro
d'água em uma hora, enquanto que, no mesmo tempo de uma hora, o aquecedor "B”
aquece dois litros d'água.
O aquecedor "B" é mais potente, pois realiza mais trabalho que o outro, no mesmo
tempo.

Aquecedor “A” Aquecedor “B”


A potência é obtida através do produto da tensão pela corrente elétrica

P = U x I.

Existem outras maneiras de realizar o cálculo da potência, usando o parâmetro


resistência elétrica.

U2
P
P= R xI2 R

Utiliza-se a fórmula mais conveniente para cada tipo de circuito, de acordo com os
dados disponíveis.
Independente do tipo de associação dos resistores do circuito elétrico, a potência
total fornecida pela fonte será à soma das potências de cada resistor.

EXEMPLO -1:

Calcule a potência dissipada por uma carga de R= 100Ω ligada a uma fonte de
V=50v

V2 50 2
P  P P = 25W
R 100

EXEMPLO – 2:

Em uma associação em paralelo de 4 resistores cujas potências são,


respectivamente, 10W,25W,100W e 50W , qual será a potência total ?

Pt = P1 + P2 + P3 + P4 = 10W + 25W +100W + 50W Pt = 185W

EXEMPLO – 3:

Qual a potência dissipada por um resistor de R=120 Ω percorrido por uma corrente
de 2 A?

P= R xI2 = 120Ω x 22 P=480W

EXEMPLO 4:
Qual será a potência de um circuito alimentado por uma fonte de V= 12V
E corrente de 20mA?

P=VxI P = 12V x 0,02 A P = 0,24W


1.7 CAPACITOR

E um componente que armazena cargas elétricas em forma de campo elétrico'


Sua função é armazenar energia, e ele se compõe de duas placas condutoras
separadas por um dielétrico (isolante).

PROCESSO DE CARGA EM C.C.

Considerando o capacitor descarregado, ao fechar a chave, começa a circular


Instantaneamente uma corrente elétrica, em regime transitório, até que a tensão nos
terminais do capacitor chegue a um valor próximo da tensão da fonte. Neste
momento a corrente pára de fluir, e o capacitor está carregado com a mesma tensão
da fonte. Ele irá manter esta tensão (regime permanente) até que seja
descarregado.Em regime permanente não há corrente elétrica entre as placas.
Assim, o capacitor é considerado como uma alta resistência para circuitos de tensão
contínua.

O capacitor compõe-se essencialmente de dois condutores elétricos (por exemplo,


placas metálicas), separados por um material isolador (um dielétrico).
Quando o capacitor é ligado a uma tensão contínua, ocorre um fluxo de corrente de
carga por breves momentos, durante os quais a fonte de tensão absorve elétrons de
uma das placas e comprime-os para a outra placa.
Assim, uma placa fica com falta de elétrons e a outra com excesso, criando-se uma
tensão entre as placas que corresponde à tensão aplicada originalmente.
Se a origem da tensão aplicada for desligada, o capacitar permanece carregado por
um curto período de tempo. Isso significa que o capacitor possui capacidade de
armazenamento de carga elétrica.
Se, por exemplo, o capacitor for descarregado através de uma resistência, há um
fluxo de corrente que é chamada de corrente de descarga.
A capacidade de um capacitor (capacitância) será maior quanto maior for a constante
dielétrica, a área das placas, e quanto menor for à distância entre elas.

Construção básica de um capacitor

1 – Material isolador.
2 – Terminais.
3 – Placas metálicas.
Carregamento das placas metálicas.

1 – Fonte de tensão.
2 – Interruptor.
3 – Placas de metal.
4 – Placa isoladora.
IL – Corrente de carga
IE – Corrente de descarga.

CAPACITÂNCIA

É a capacidade que um capacitor possui de armazenar cargas elétricas. Sua unidade


no SI é o farad ( F ).No entanto, esta unidade é grande para os valores que ocorrem
nas utilizações práticas, e normalmente usam-se as seguintes unidades:

1 microfarad (μF) = 0,000001F


1 nanofarad (nF) = 0,000000001F
1 picofarad (pF) = 0,000000000001F

Fatores que interferem na capacitância.

C  A
d
Onde: ε = Permissividade do material ( Fm).
A = Área das placas (m2).
d = Distância entre as placas(m).
C = capacitância (F).

Símbolo gráfico do capacitor:


CARGA ARMAZENADA

A quantidade de cargas armazenadas por um capacitor é obtida através do produto


da capacitância pela diferença de potencial entre as placas.

Q=CXV Onde: Q = Carga elétrica (C).


C = Capacitância (F).
V = Diferença de potencial entre as placas (v).

TIPOS DE CAPACITORES

Os capacitores podem ser de 3 tipos :

Plásticos

Normalmente utilizam poliestireno ou poliéster como


dielétrico.
Podem ser construídos com duas folhas de alumínio
bobinadas com uma folha de material plástico, ou através da
vaporização do alumínio nas duas faces do dielétrico, num
processo conhecido como metalização.

Cerâmicos

O dielétrico é constituído de material cerâmico, o


que proporciona baixos valores de capacitância e
alta tensão de isolação.

Eletrolíticos

Ao contrário dos cerâmicos, têm altas


capacitâncias com baixa tensão de
isolação. O dielétrico normalmente se
constitui de óxido de alumínio ou óxido
de tântalo.
Exigem atenção na montagem, pois são
polarizados, e a montagem pode ser
axial ou radial.
Ao ligar capacitores eletrolíticos é indispensável observar a polaridade correta ("+” e
"-") a fim de evitar a sua destruição.
Os capacitores encontram utilizações diversas nos automóveis - no sensor MAP, por
exemplo, como elemento determinador da frequência, no temporizador da luz do
habitáculo, em filtros de interferências, módulos de controle, sistemas de ignição, etc.
Com o envelhecimento do eletrólito ou do dielétrico, os capacitores eletrolíticos
perdem a sua capacidade. Dependendo da sua aplicação, isto pode resultar na
deterioração da eficiência do filtro e na alteração da temporização indicada.
No sensor MAP, a alteração da capacidade pode resultar numa alteração da
frequência de saída, o que poderá originar um consumo mais elevado ou dificuldades
na partida do motor. Contudo, um sinal fora da faixa de funcionamento normal, ou
mesmo a falha total da unidade, são reconhecidos pelo módulo controle eletrônico do
motor.

ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES

Assim como os resistores os capacitores também podem ser ligados em série ou em


paralelo.

LIGAÇÃO DE CAPACITORES EM SÉRIE

As capacitâncias dos capacitores ligados em série são iguais, dado que a soma das
tensões dos capacitores é igual á tensão total aplicada.
Quando os capacitores estão ligados em série, a capacitância total é sempre menor
do que a menor capacidade individual.

1 1 1 1 1
    .... 
Cg C1 C 2 C 3 Cn

LIGAÇÃO DE CAPACITORES EM PARALELO

Quando os capacitores estão ligados em paralelo, a capacitância total é igual à soma


das capacitâncias individuais.
Cg = C1+C2+C3+...+Cn

1.8 MAGNETISMO

Chamamos de magnetismo a propriedade que certas substâncias possuem de atrair


corpos de ferro, níquel ou cobalto. A estas substâncias denominamos ímãs.

Os ímãs podem ser encontrados de forma permanente, que retêm a propriedade


magnética por tempo indeterminado, e também na forma de imã temporário, que têm
duração limitada.

Os imãs possuem sempre dois pólos magnéticos onde estão concentradas as forças
de atuação:

Por convenção, as linhas de força partem do pólo norte, por fora do Imã, e penetram
no pólo sul, mantendo um campo de atração chamado "campo magnético".

Então: "Campo magnético é a região do espaço onde se manifesta a força


magnética”.
Como as linhas de força partem sempre do pólo norte para o pólo sul, então pólos de
mesmo nome se repelem e pólos de nomes diferentes se atraem.

1.9 ELETROMAGNETISMO

Além dos ímãs, também a


corrente elétrica pode produzir um
campo magnético.
Em 1820, Hans Christian Oersted
descobriu que um condutor sendo,
percorrido por uma corrente
elétrica cria ao redor de si um
campo magnético capaz de alterar
a direção de uma agulha imantada.

Por isso nunca esqueça:

Todo condutor quando percorrido


por uma corrente elétrica, gera em
torno do mesmo um campo
eletromagnético.
As linhas de força do campo magnético
gerada pela corrente em um condutor
retilíneo têm a forma de círculos
concêntricos em torno do condutor.

Assim, se o condutor for enrolado na forma de uma bobina e receber uma pequena
corrente elétrica, obtém-se um forte campo magnético, devido à interação (soma)
das linhas de força.

Para se conseguir uma maior intensidade do campo magnético deve-se:

A) Aumentar o número de voltas do condutor (espiras);


B) Aumentar a corrente elétrica que circula;
C) Introduzir no interior da bobina um núcleo de ferro, que diminua a dispersão do
campo magnético.
Assim sempre que circular uma corrente elétrica por uma bobina é gerado um
"Campo Magnético". Este artifício é utilizado na construção de Relés, Interruptores
Magnéticos, etc...

A outra propriedade é:

Quando um campo magnético corta ou é cortado por um condutor é induzida uma


corrente elétrica neste condutor.

A intensidade da corrente induzida é diretamente proporcional a:

A) Comprimento do condutor (nº. de espiras da bobina);


B) Intensidade do campo magnético;
C) Velocidade do movimento condutor ou do campo magnético;

Este é o princípio básico de geração de energia elétrica através do movimento


(Queda d'água. Geradores a óleo combustível, alternadores, etc...).
Esta propriedade é utilizada também na construção de motores elétricos.

1.10 RELÉ

O relé constitui um exemplo prático da aplicação do efeito magnético.


Quando uma bobina é percorrida por corrente, forma-se nela e no seu núcleo de
ferro um campo magnético, que provoca a atração do braço de contato em direção à
bobina, fechando-se em consequência os contatos elétricos do circuito. Se a
alimentação de corrente à bobina for interrompida, desfaz-se o campo magnético.
Com a ajuda de uma mola de retomo, o braço de contato regressa à sua posição
inicial e o circuito é aberto.
Nos veículos, os relés são usados para inúmeras funções, essencialmente para a
transferência de altas correntes.
Além disso, a conversão de impulsos elétricos em movimento mecânico pode ser
utilizada, por exemplo, nas válvulas de solenóide.
Quando o campo magnético se desfaz, surge uma contra tensão muito elevada nos
componentes atuadores (válvula de solenóide, válvula do ar de pulsação). Esta
contra tensão (tensão de indução) tem de ser mantida baixa por meio de circuitos
adequados.
1 – Braço de contato com contato elétrico.
2 – Bobina com núcleo de ferro.
3 – Mola de retorno.
4 – Ligação à fonte de tensão.
IS – Circuito de controle (comando).
IL – Circuito de potência (carga).

Os relés podem ser:

NA – Normal Aberto: Alimenta a carga (fecha o contato) quando é energizado.


NF – Normal Fechado: Tira a alimentação da carga quando energizado.

85 e 86 – Circuito de Controle (comando).


30 e 87 – Circuito de Potência (carga).
1.11 GERAÇÃO DE UMA TENSÃO ALTERNADA SENOIDAL

Conforme vimos, quando um condutor é percorrido por uma corrente elétrica, surge
ao seu redor um campo magnético.
Michael Faraday descobriu que quando um condutor é colocado na presença de um
campo magnético variável, cria-se nos terminais deste condutor uma diferença de
potencial.

Heinrich lenz, estudando os fenômenos descritos por Faraday, formulou uma lei para
o, sentido da corrente induzida. Segundo a lei de lenz, "o sentido. da corrente
induzida é tal que o campo magnético por ela criado contrarie o campo que a gerou".

Se o ímã for movimentado, aproximando e afastando da espira condutora, a variação


do campo magnético irá gerar uma tensão induzida na espira. Esta tensão induzida
também é chamada de força eletromotriz (f.e.m.), e é dada em volts.

Os elétrons livres do condutor movem-se juntamente com este. Sobre qualquer


partícula carregada que se mova num campo magnético, é exercida uma força
designada por força de Lorenz (Lorenz:cientista holandês). Isso resulta em que os
elétrons livres do condutor são conduzidos para um dos'seus lados. Gera-se assim
excesso de elétrons de um lado do condutor e escassez do outro lado, onde cria-se
uma tensão entre as extremidades do condutor.

1 – Movimento.
2 – Enrolamento condutor de fio de cobre.
3 – Imã permanente.
4 – Campo magnético.
A direção da tensão induzida depende da
direção de movimentação do condutor e da
orientação do campo magnético.
A tensão alternada aumenta de 0V até ao
seu valor positivo máximo (amplitude) e cai
em seguida abaixo da linha dos 0V para o
seu valor negativo máximo, regressando
depois novamente aos 0V, e assim
consecutivamente.
Ao número de vezes por unidade de tempo
(segundos) que estas oscilações acontecem
dá-se o nome de frequência.
Alteração da tensão representada em onda senoidal
1 – Amplitude
A unidade da frequência é o Hertz (Hz) 2 – 1 oscilação total = 1ciclo =T
1 U – Tensão em volts
f 
T t – Tempo em segundos

PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO GERADOR

Tal como acontece com a geração de tensão alternada unifásica, a tensão alternada
trifásica é gerada em combinação com um movimento rotativo.

Existem três bobinas idênticas em círculo defasadas de


120°. Segundo a lei da indução, a rotação do rotor induz
tensões senoidais AC igual à disposição das bobinas, e
as tensões nelas induzidos são também defasadas de
120°.
1 Estator com enrolamentos
2 Rotor com enrolamentos de excitação

U Tensão em volts.
T Tempo em segundos.
1.12 TRANSFORMADOR

E um dispositivo utilizado para aumentar ou diminuir uma tensão alternada, sem


variar a potência.

Constitui-se de dois enrolamentos distintos, bobinados sobre um núcleo de aço


laminado. O enrolamento primário é aquele onde se aplica a tensão, e o secundário
é o enrolamento do qual se retira à tensão modificada.
Não há ligação elétrica entre os enrolamentos primário e secundário. Ao percorrer as
espiras do enrolamento primário, a corrente cria um campo magnético, cujas linhas
de força passam pelo núcleo e enlaçam o enrolamento secundário, induzindo neste
uma tensão.

Vp = Tensão do primário
Ip =Corrente do primário
Np = Número de espiras do primário.
Vs = Tensão no secundário.
Is = Corrente no secundário.
Ns = Número de espiras do secundário

Um mesmo transformador pode ser elevador ou abaixador de tensão, dependendo


do lado em que a tensão de alimentação é aplicada.
O lado de maior tensão tem menor corrente. Seu enrolamento, de resistência elétrica
alta, contém mais espiras e é feito com fio de diâmetro reduzido. O outro lado,
aquele, de tensão menor tem corrente maior. Sua bobina é de baixa resistência
elétrica e tem menos espiras, de fio de maior diâmetro.

O transformador quase não tem perdas, por não possuir peças móveis.
Um transformador ideal obedece às seguintes equações.
Vp Np Is Potência do primário = Potência do secundário ( Pp = Ps)
 
Vs Ns Ip
Vp. Ip = Vs.Is
Se o número de espiras do secundário for maior que o numero de espiras do
primário o transformador será elevador de tensão. Caso contrário, será abaixador de
tensão.

Exemplo:

Calcule a tensão de saída (secundário) de um transformador que possui as seguintes


especificações:

Tensão do primário igual a 110V.


Nº. de espiras do primário 400 espiras.
Nº. de espiras do secundário 800 espiras.

Solução:

Dados: Vp =110V
Vs = ?
Np = 400 espiras
Ns = 800 espiras

Vp Np 110 400
 
Vs Ns Vs 800

400Vs = 110.800

400Vs = 88000

88000
Vs =  220V
400

Tensão no secundário é 220V (Transformador elevador de tensão).


II - MULTÍMETRO AUTOMOTIVO

Agora que conhecemos os conceitos básicos de Corrente (A), Tensão(V) e


Resistência (Ω) vamos ver como devemos operar o nosso multímetro de forma a
obter as medidas desejadas.

O multímetro é uma ferramenta indispensável ao eletricista, que o permite


diagnosticar defeitos de maneira direta. Ele reúne basicamente: um Voltímetro, um
Amperímetro e um Ohmímetro.
Para medir, basta selecionar a função e a escala desejada, e utilizar o instrumento de
acordo com o que foi descrito anteriormente para medidas de corrente, tensão e
resistência, conforme o caso.

Existem multímetros convencionais (analógicos e digitais) e automotivos (digitais).


Os convencionais podem ser utilizados na área automotiva, porém precisam de uma
atenção especial nas medições de resistência elétrica para que o mesmo não venha
a queimar alguns componentes elétricos automotivos, como por exemplo, o módulo
de injeção eletrônica.
O Multímetro automotivo foi fabricado exclusivamente para ser utilizado na área
automotiva sem que o mesmo venha a danificar os componentes elétricos e
eletrônicos do veículo se usado corretamente.

MULTÍMETROS CONVENCIONAIS DIGITAIS E ANALÓGICOS

Analógico
Digital
Abaixo temos um multímetro digital AUTOMOTIVO com seus elementos e suas
funções principais:

Range – escolhe o
Hold (congela a número de casas Visor(Display)
medição executada)
decimais para
melhor precisão na
medição

Resistência
Milivolt
contínuo

Tensão
Contínua Diodo e
continuidade

Tensão Miliampère
alternada contínuo e
alternado

Corrente
Botão seletor contínua e
alternada.

Borne para medição de


corrente até 400mA ( 0,4A)
Borne para ponta de
prova vermelha.
Utilizado para
medição de tensão,
corrente, diodo e
Borne para medição de continuidade.
corrente até 10A. Borne para
conexão da ponta
de prova preta.
MULTÍMETRO AUTOMOTIVO DIGITAL
__
----
Medindo tensão continua ( DCV / V )

Selecione as funções do multímetro conforme desenho e coloque as pontas de prova


em paralelo com o componente a ser medido.

~
Medição de tensão alternada ( ACV/V )
~
Medindo corrente alternada (ACA/A)

Selecione o multímetro conforme desenho e coloque-o em série com o componente.

Atenção! A colocação do amperímetro em paralelo com o componente fará


com que o fusível do multímetro se abra instantaneamente.

__
----

Medindo corrente contínua __----


( DCA /A )

Selecione o multímetro conforme desenho e coloque-o em série com o componente.

Atenção! A colocação do amperímetro em paralelo com o componente fará


com que o fusível do multímetro se abra instantaneamente.
Medindo resistência elétrica

Selecione conforme desenho e coloque as pontas de prova em paralelo com o


componente.

Atenção! O circuito deve estar desligado da fonte de tensão.

Leitura da informação no display do multímetro

Tome cuidado com a leitura que está no display do aparelho de medição, ela pode
estar sendo em múltiplos e submúltiplos.

1KΩ = 1000Ω
1MΩ = 1000000
OL ou 1 Significa que a resistência é infinita.

1mV = 0,001V
Cuidados especiais com o multímetro:

Ao utilizarmos o multímetro temos que ter cuidados especiais para não danificar o
aparelho e nem sofrer acidentes.

Chave seletora de funções e pontas de prova.

Deve haver coerência entre a função selecionada e a instalação das pontas de


prova.

Obs.: A posição da ponta de prova Vermelha na medição de corrente é diferente da


medição das outras funções.

Cuidado com os fusíveis e valores máximos de medição:

O multímetro possui fusíveis internos para proteção durante a leitura de correntes


elétricas, jamais os substituam por fusíveis que não tenham as mesmas
características, estes fusíveis são de ação rápida para se abrirem antes dos
componentes eletrônicos internos do multímetro.

Tome cuidado também com a capacidade máxima


de isolação dos componentes do multímetro.
lll - SEMICONDUTORES

Os semicondutores são sólidos cujos átomos se


encontram dispostos em padrões regulares, ou
seja,que possuem uma estrutura cristalina. Próximos
do zero absoluto (-273 °C), os semicondutores puros
atuam como isoladores. No entanto, à temperatura
ambiente tomam-se condutores, ainda que em
pequena escala.

Em termos de condutividade, estes materiais' encon-


tram-se entre os metais e os isolantes, e são deno-.
minados semi-condutores.

Átomo de Silício
Para explicar a forma como os componentes do 1 Primeira órbita - 2 elétrons.
semicondutor funciona, utilizaremos o silício. 2 Segunda órbita - 8 elétrons
como exemplo, pois trata-se do material semi- 3 Terceira órbita - 4 elétrons(de
condutor mais amplamente usado. Os processos 18 possíveis)
atômicos são semelhantes ao do germânio e de 4 Núcleo
outros materiais semicondutores.

Na órbita mais externa do átomo de silício encon-


tram-se quatro elétrons aos quais se dá o nome de
elétrons de valência. Cada elétron de valência
pertence ao seu próprio átomo e ao átomo mais
próximo, o que liga os átomos entre si (ligação de
par eletrônico).

A temperaturas muito baixas, o elétron de valência


não pode sair da sua posição na rede cristalina, pois
nessas temperaturas, o cristal não conduz.

Si átomo de silício
1 Elétron de valência
2 Ligação de par eletrônico.
3 Representação simplificada
À temperatura ambiente, os átomos dos
semicondutores movimentam-se na rede
cristalina oscilam. Desse modo alguns
elétrons separam-se dos seus átomos e
movimentam-se livremente na rede
cristalina. Se for aplicada uma tensão à
rede cristalina, estes elétrons movem-se
do pólo negativo para o pólo positivo da
fonte de tensão.

Aos elétrons que se movimentam


livremente no cristal dá-se o nome de
elétrons condutores. Quando um elétron
da camada ou órbita de valência se afasta
da sua ligação par, cria um espaço
(vazio), que é denominado de lacuna (no
caso, lacuna positiva, pois falta elétron).
Estas lacunas contribuem também
para a movimentação de elétrons
(corrente elétrica).
Quando se aplica uma tensão a um cristal
Movimentação de elétrons num
semicondutor, os elétrons condutores
semicondutor
passam do pólo negativo para o positivo.
Si Átomo de silício
1 elétron
2 lacuna
A temperaturas elevadas, existem no
semicondutor mais elétrons condutores e consequentemente mais lacunas.
A condutividade dos semicondutores aumenta com o aumento da temperatura. Em
outras palavras, a resistência de um semicondutor diminui com o aumento da
temperatura.

Representação simplificada:

Imaginemos o cristal de silício como um


recipiente de vidro e observemos os
seus aspectos mais importantes: as
bolas (elétrons de valência), que se
perderam da rede cristalina,
movimentam-se Ilivremente no cristal.
Os círculos pontilhados representam as
lacunas deixadas pelas bolas.
Os números de bolas e de círculos
pontilhados dependem da temperatura.
1 Recipiente de vidro
Círculos lacunas
Bolas elétron de valência
Se aplicarmos uma tensão ao recipiente
de vidro (consideremos a placa de vidro
do lado esquerdo como o pólo negativo e
a placa de vidro do lado direito como o
positivo), as bolas transferem-se para
o pólo positivo através dos círculos
(lacunas).
O número de partículas livres portadoras
de carga no semicondutor pode ser
consideravelmente aumentado
adicionando-se ao cristal determinadas
Impurezas.

1 Recipiente de vidro
Círculos lacunas
Bolas elétron de valência

Se introduzirmos um átomo estranho com cinco


elétrons de valência na rede cristalina do silício
(quatro na órbita externa), apenas quatro dos
elétrons de valência podem ser combinados. O
quinto é utilizado para a condução de carga.

Dado que neste caso o transporte de carga se faz


através de transportadores de carga negativa
(elétrons), dá-se a estes semicondutores o nome
de condutores N.

Si Átomo de silício ( 4 elétrons de


valência)
Sb Antimônio (5 elétrons de valência)
1 elétrons Condutores
Os semicondutores tipo N possuem elétrons livres como transportadores de carga.
Quando se introduz um átomo com três elétrons de valência no cristal de silício, os
três elétrons são combinados, mas um encontra-se ausente da rede cristalina,
surgindo uma lacuna.

Pode acontecer que, um elétron


de valência de um átomo vizinho
salte para esta lacuna na rede
cristalina, criando outra lacuna.

Neste caso, o transporte da


corrente é feito por meio de
transportadores de carga
positiva; por esse motivo este
semicondutor é designado de
condutor P.

Si Átomo de silício( 4 elétrons de valência)


In Átomo de índio (3 elétrons de valência)
1 Elétron
2 Lacuna

Os semicondutores tipo P
utilizam-se de lacunas para o
transporte de carga.

Pode-se dizer também que:

Os semicondutores do tipo N são


redes cristalinas doadoras de
elétrons.
Os semicondutores do tipo P são
redes cristalinas receptoras de
elétrons.
Quando se aplica uma tensão a
um material condutor N, há uma
passagem de elétrons do pólo 1 Material condutor
negatIvo para o positivo. 2 Lacunas
Quando se aplica uma tensão a 3 Material condutor P
um material condutor P, há uma 4 Elétrons
passagem de lacunas do pólo I direção da corrente
positivo para o negativo. IE Corrente de elétrons
IL Corrente de lacunas
3.1 DIODOS SEMICONDUTORES

Se juntarmos um semicondutor P a um N,
cria-se a denominada junção PN. Esta
junção forma um componente eletrônico: o
diodo.
No limite entre os condutores P e N há
passagem de elétrons condutores do
condutor N para o P – as lacunas do
condutor P passam para o condutor N.
A este processo dá-se o nome de difusão.
Perto do limite P-N, qualquer elétron da
região N preenche uma lacuna na região P
e na região P as lacunas são preenchidas
por elétrons da região N. 1 Condutor N
Isto significa que a região de ambos os 2 Junção PN
lados da junção PN possui muito poucos 3 Condutor P
transportadores de carga e que, sem 4 Elétrons
tensão aplicada, atua como camada 5 Camada de Junção
isoladora. 6 Lacunas

A esta camada isoladora, dá-se o nome


de junção. É uma zona neutra, pois
oferece uma barreira de potencial. Será
necessário aplicar uma tensão mínima
para que elétrons e lacunas conduzam
cargas através desta barreira.

Se aplicarmos uma tensão na junção


PN, a situação pode alterar-se de
diversas formas, dependendo da
polaridade: se o condutor P for ligado
ao pólo positivo e o condutor N ao pólo
negativo, a tensão força a passagem
de elétrons condutores do condutor N e
de lacunas do condutor P para a
1 Condutor N
camada de junção.Esta é gradualmente
2 Junção PN
reduzida até desaparecer
3 Condutor P
completamente na chamada tensão
4 Elétrons
direta.
5 Símbolo do diodo
Se o pólo positivo for ligado ao
6 lacunas
condutor P e o negativo ao condutor N,
I Fluxo da corrente
a camada de junção desaparece e a
corrente flui através do diodo.
Se o pólo positivo for ligado ao
condutor N e o negativo ao condutor
P, a camada de junção aumenta e o
diodo bloqueia a corrente elétrica.
As ligações elétricas do diodo são
designadas de "ânodo" (+) e "cátodo"
(-), correspondendo o ânodo
à ligação do condutor P e o cátodo à
do condutor N.
Existem múltiplas utilizações para os
diodos nos automóveis; por exemplo:
retificadores, protetores de inversão
de polaridade, diodos de relés de
corte, válvulas de solenóide, válvulas 1 Condutor P
de controle do ar da marcha-lenta, 2 Junção P
diodos unidirecionais em circuitos 3 Condutor N
impressos, etc. 4 Elétrons
5 Símbolo do diodo.
6 Lacunas
7Camada da junção
3.2 TIPOS DE DIODOS

Diodos retificadores

Os diodos de silício são


essencialmente utilizados em
retificação.
No caso do exemplo ao lado,
as lâminas de silício,
compostas de condutor N e
condutor P, encontram-se
dentro de um alojamento.
Neste diodo de silício, a
corrente flui da cápsula para o
cabo.
A curva característica de um
diodo retificador de silício é
muito mais profunda na banda 1 Símbolo
passante do que aquela dos 2 Lâmina de sillício
diodos de germânio. Assim, 3 Alojamento.
sendo a tensão direta a 4 Vedação de vidro.
mesma, há uma passagem de 5 Cabo
corrente maior pelo diodo 6 Terminal
retificador de silício.
Na camada de junção, a corrente
reversa é muito pequena,
aumentando apenas um pouco
quando a tensão reversa aumenta.
Só quando se alcança a tensão de
ruptura do ânodo é que há um
aumento súbito da corrente reversa.
Na prática, o valor da tensão
reversa no diodo retificador de
silício não deve de modo algum
atingir a tensão de ruptura, pois isso
provocaria a sua destruição.

UR Tensão reversa
UF Tensão direta
IR Corrente reversa
IF Corrente direta
Us Tensão limiar
UD Tensão de ruptura
Si Curva característica do silício
Ge Curva característica do
germânio

Diodos Zener

Normalmente, os diodos Zener só


são usados na direção do bloqueio.
Se a tensão aplicada exceder a
tensão reversa admissível (tensão
Zener ou de Ruptura), o diodo
Zener conduz. Esta aplicação do
diodo como limitador de tensão dura
enquanto a tensão aplicada exceder
a quantidade admissível. Os diodos
Zener são usados para proteção
contra sobretensão (por exemplo,
em instrumentos de medição). Uma
outra aplicação importante é a
estabilização de tensão em
sistemas eletrônicos. Campos de
aplicação no automóvel: no módulo Região de bloqueio de um diodo delimitador
de controle eletrônico do motor, UR Tensão reversa
para estabilização da tensão de IR corrente reversa
alimentação de 5 V fornecida aos Uz tensão de ruptura ou zener
sensores. 1 Símbolo
EU Tensão de alimentação (por exemplo, 8-14V)
UV Tensão de alimentação estabilizada (por
exemplo, 5V)
1 Resistência.

Diodos emissores de luz

O diodo emissor de luz (LED:


Light Emitting Diode)
funciona no sentido de
passagem.Dependendo do tipo
utilizado, o diodo emite luz com
comprimentos de onda na
faixa de infra-vermelho e luz
visível. Os diodos emissores
de infravermelhos (IRED:
Infrared Emitting Diode) são,
por exemplo, usados em
barreiras luminosas. 1 Diodo LED
2 Símbolo
Os LED que emitem luz visível
apresentam-se nas seguintes
cores: verde, amarelo, laranja, vermelho e azul.
Em automóveis, os LED são usados como fontes de luz e como indicadores
luminosos. O LED necessita de uma resistência que atue como limitador de corrente.
Dependendo do tipo de diodo, a tensão limiar situa-se aproximadamente entre 1,35V
e 2,5 V, e a tensão de ruptura entre 3 e 6 V.
3.3 RETIFICAÇÃO AC/DC

Retificadores de meia-onda

Quando se aplica uma tensão


alternada (AC) a um diodo, a
tensão é retificada, sendo o
resultado a produção de uma
tensão denominada de contínua
pulsada (DC).
Se a meia-onda positiva da
tensão alternada for, aplicada ao U ~ Tensão alternada
ânodo, este conduz e permite à L1 Erolamento primário
passagem da meia onda, ou
seja, há a passagem de uma L2 Enrolamento secundário
corrente com a forma desta D1 Diodo
meia onda através do diodo. A R1 resistência de carga
subsequente meia onda (Consumidor)
negativa (negativa no ânodo) é
bloqueada pelo diodo. Durante a
meia onda negativa não há
passagem de corrente.

Consequentemente, a tensão
fornecida ao consumidor
consiste numa série de meias
ondas positivas, separadas por
períodos que correspondem à
duração da tensão negativa,
durante os quais a tensão baixa
para 0 volts.
EU Tensão de alimentação
t Tempo
1 Tensão de saída na resistência de Carga
R1
Retificadores de onda completa

O retificador de onda completa utiliza


um circuito em ponte com quatro
retificadores.
O circuito é montado de maneira que
a meia onda negativa não é
suprimida, mas sim totalmente
utilizada.

Quando a meia onda positiva da


tensão alternada se encontra em L2, o
pólo positivo é ligado à extremidade
superior e o pólo negativo à
extremidade inferior do enrolamento
secundário. U ~ Tensão alternada
Assim, a corrente passa através do L1 Enrolamento primário
diodo D2, do consumidor R1 e do L2 Enrolamento secundário
diodo D3, regressando à ligação D1-4 Diodo
negativa de L2. R1 resistência de carga (consumidor)
Os diodos D1 e D4 invertem.
A tensão que passa pelo consumidor
corresponde à meia onda positiva.

Se, a meia onda negativa da tensão


alternada estiver em L2, o pólo
negativo é ligado à extremidade
superior e o positivo à extremidade
inferior do enrolamento secundário.
Deste modo a corrente percorre o
diodo D4, o consumidor R1 e o
diodo D1,regressando à ligação
negativa de L2 Os diodos D2 e D3
invertem. A corrente gerada pela
meia onda negativa percorre o
consumidor na mesma direção que a
gerada anteriormente pela meia
onda positiva.
Assim, a tensão que percorre o EU Tensão de alimentação
consumidor R1 tem a mesma T Tempo
polaridade em ambos os casos. 1 Tensaõ de saída na resistência de
A tensão que percorre R1, é também carga R1
pulsada continuamente.
As tensões e correntes de saída fornecidas pelos circuitos retificadores contêm
componentes de tensão alternada e de corrente alternada. Entretanto, para muitas
aplicações são necessárias tensões e correntes contínuas puras. Com a ajuda de um
circuito de filtragem, estes componentes alternados (AC) podem ser filtrados ou
reduzidos ao ponto de os seus resíduos não mais serem prejudiciais. Não é possível
eliminar totalmente os componentes AC.

O circuito de filtragem compõe-se normalmente de uma resistência e um capacitor


(circuito de filtragem RC) ou de uma bobina e um capacitor
(circuito de filtragem LC).

U ~ Tensão alternada
L1 Enrolamento primário
L2 Enrolamento secundário
D1-4 Diodo
+
R1 resistência de carga ( Consumidor)
C C Capacitor

Circuito de filtragem com capacitor


U Tensão de alimentação na Resistência de
carga R1.
T Tempo.
3.4 O TRANSISTOR

O transistor é constituído por três camadas


semicondutoras. Nos transistores NPN, as
duas camadas exteriores são condutores N,
sendo a camada central um condutor P. O
transistor possui, assim, duas junções PN,
nas quais se formam camadas de junção.

À primeira destas camadas dá-se o nome de


emissor, dado que emite (envia) portadores
de carga. À camada central dá-se o nome de
base. 1 Representação do transistor NPN
Esta controla a emissão de portadores de 2 Símbolo do circuito do transistor
carga. À última camada dá-se o nome de NPN
E Emissor
coletor, pois reúne portadores de carga. B Base
C Coletor

Existem dois tipos de transistor: o PNP e o


NPN.
Nos transistor NPN, o emissor envia
"elétrons"; no transistor PNP, emite
"lacunas". O símbolo identificativo do
emissor é uma seta, a qual indica a direção
convencional da corrente do emissor.
Nos transistores NPN, as direções dos
diodos são opostas às dos transistores
PNP, o que significa que as polaridades da
fonte de tensão ligada também devem ser
invertidas.

Em seguida, é explicado o princípio de 1 Representação


funcionamento do transistor, tomando como 2 Símbolo do circuito do transistor PNP
exemplo o transistor NPN. E Emissor
B Base
C Coletor
Se ligarmos o pólo negativo de uma fonte
de tensão ao emissor e o pólo positivo ao
coletor, não se verifica passagem de
corrente.

Os elétrons do coletor deslocam-se em


direção ao pólo positivo, as lacunas da
base são repelidas pelo potencial positivo e
deslocam-se para a junção entre a base e o
emissor. Em consequência, a camada de
junção entre o coletor e a base aumenta.

Os elétrons do emissor são repelidos pelo


potencial negativo da fonte de tensão e
movem-se em direção à junção entre o E emissor
emissor e a base, tal como sucedeu com as B Base
lacunas da base. Assim, a junção entre o C Coletor
emissor e a base desaparece. RL resistência de carga.

Se aplicarmos adicionalmente uma


tensão positiva baixa à base, há um
fluxo de elétrons do emissor para a
base através da junção PN. O coletor,
que se encontra ligado ao potencial
positivo, atrai a maior parte dos
elétrons que se encontram na camada
da base e "suga-os" através da junção
PN entre a base e o coletor.
Consequentemente sai corrente do
coletor. Uma pequena parte da
corrente do emissor regressa à fonte
de tensão da base através desta
última, formando assim a corrente de
base (ou corrente de controle).
E Emissor
B Base
C Coletor
RL Resistência de carga.
RB Resistência de base
A relação entre a corrente do coletor e a corrente da base dá-se o nome de
amplificação de corrente contínua. Os esclarecimentos sobre o funcionamento
também se aplicam ao transistor PNP com exceção de que deve-se levar em conta
as diferenças de polaridade e de corrente.

Através da alteração da tensão na base (por meio de um potenciômetro, por


exemplo), a corrente do coletor pode ser aumentada ou diminuída e ainda ligada ou
desligada. Desta forma, o transistor pode ser usado não só como amplificador, mas
também como interruptor.

Se for utilizado um transistor como interruptor, cria-se no transistor uma tensão base
emissor no sentido de passagem. A tensão aplicada tem de ser maior do que a
tensão limiar, a fim de deixar passar a corrente do coletor. O consumidor é ligado ao
cabo do coletor. Se for utilizada, por exemplo, uma resistência dependente da luz na
alimentação de tensão da base-emissor, o transistor pode ser usado como interruptor
dependente da intensidade da luz.
Não se inclui nesta publicação uma explicação de outros tipos de transistor, pois isto
ultrapassa o âmbito deste curso básico.

Nos automóveis, o transistor é usado essencialmente como interruptor, pois não se


baseia na abertura e fechamento de contatos, constituindo um interruptor
extremamente rápido e isento de desgaste (ver, por exemplo, ignição
transistorizada).

ANALOGIA DO TRANSISTOR COM O RELÉ

Um transistor se parece muito como um relé numa forma eletrônica. Os relés são
utilizados sempre que uma corrente precisar ser transferida por uma fonte remota.
Um transistor pode executar esta função com maior velocidade e maior
confiabilidade. Para explicar melhor como um transistor funciona, iremos comparar
sua função àquela de um relé executando a mesma tarefa.
Operação

Imagine a parte interna de um transistor NPN como sendo uma combinação de relé e
diodo. O "relé" do transistor é ativado para completar um circuito entre o coletor e o
emissor sempre que a "bobina do relé" é energizado.
Veja como um "diodo" está ligado por fio dentro do transistor. A corrente só pode fluir
a partir da base ao emissor (devido ao diodo na extremidade do emissor). Quando o
transistor tiver a polaridade e o nível de tensão corretas fornecidos à sua trajetória
da base/emissor, ele é chamado de transistor polarizado diretamente. Esta condição
faz com que o transistor se ative e se ligue do coletor ao emissor. Isto completa o
circuito à carga.

Tanto a pequena corrente de controle (base/emissor) como a grande carga de


corrente (coletor/emissor) compartilham do mesmo terminal ao terra do emissor. Isto
significa que o transistor NPN pode ser utilizado como um interruptor do lado do terra
onde a tensão da bateria (B+) já foi fornecida ao dispositivo de saída. O dispositivo
necessita somente de um terra (fornecido pelo transistor) para funcionar.

Os transistores podem transferir uma carga muito mais rapidamente que um relé.
Eles são também mais confiáveis, pois não possuem peças móveis que possam
falhar ou desgastar-se. Nenhum técnico de motores de desempenho moderno pode
imaginar os atuais injetores de combustível eletrônicos sendo acionados por relés
individuais.
Só para aguçar a sua imaginação, você acredita que injetores de combustível
acionados por relés podem ser confiáveis, duráveis e com capacidade de execução
na velocidade de um motor automotivo?
Nota: Alguns transistores têm a capacidade de estarem parcialmente ligados. Eles
produzem sinais analógicos. Fototransistores,são um exemplo.

Polarizado diretamente - Tensão aplicada a um transistor de tal maneira que o


transistor permite um grande fluxo de corrente através do mesmo (passa a conduzir).
3.5 SIMBOLOGIA DE COMPONENTES DE CIRCUITOS
IV -SINAIS ELÉTRICOS - ELETRÔNICOS

Existem dois tipos de sinais elétricos utilizados nos sistemas controlados


eletronicamente:

DIGITAL e ANALÒGICO

As entradas e as saídas comunicam e funcionam utilizando ambos os tipos de sinais


elétricos.

4.1 SINAIS DIGITAIS

Um sinal digital está LIGADO ou DESLIGADO. Quando visto com um osciloscópio,


um sinal digital gera um padrão de onda quadrado quando ativado repetidamente.

Os sinais digitais são produzidos por:

- Interruptores LIGA/DESLIGA.
- Sensores de efeito hall.
- sensores óticos.

Nota: Estes dispositivos estão explicados em detalhes no curso de injeção eletrônica.


Por enquanto é necessário somente reconhecer que diferentes sinais elétricos são
utilizados em diferentes situações e que esses sinais são analógicos ou digitais.

DIGITAL-Um sinal elétrico com dois estados – LIGADOS ou DESLIGADOS


(ON/OFF).
4.2 SINAIS ANALÓGICOS

Um sinal analógico é variável. A tensão varia dentro de uma certa faixa com o tempo.
Quando visto com um osciloscópio, os sinais analógicos podem ser AC ou DC.

Analógico – Um sinal de tensão que pode fornecer informações numa faixa de


tensão.

DC – Corrente Contínua
AC – Corrente Alternada

Exemplos de “ondas” de sinais analógicos.


Exemplo de um sensor analógico – Sensor de posição da borboleta(TP)

Um dispositivo tal como o sensor de posição de da borboleta de aceleração(TP)


produz um sinal analógico.
Por exemplo, a saída do valor da tensão de um sensor de posição da borboleta em
marcha-lenta é tipicamente de 1V ou menos. A tensão gradualmente conforme a
borboleta abre-se.

Os sinais de tensão de fontes analógicas podem variar entre os valores máximo e


mínimo.
Os sinais digitais possuem somente dois possíveis valores-LIGADO ou DESLIGADO.