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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO      JUIZADO ESPECIAL CÍVEL

ROBERT HENRIQUE DE BONA (roberthb@gmail.com), nacionalidade brasileira, Solteiro(a),


BANCÁRIO, CPF nº. 005.635.680-38 e Cédula de Identidade nº. 9073651706, com residência e
domicilio na AV REPUBLICA DO LIBANO, 540 AP 705 - BEACH CLASS EXCELSIOR - PINA -
RECIFE, PE - 51.110-160, vem perante este juízo propor a presente:
 

AÇÃO INDENIZATÓRIA - Compra Feita pela Internet Direito de Arrependimento


 

Em face de Saraiva e Siciliano S.A., inscrita no CNPJ nº. 61365284000104, com sede em Rua
Henrique Schaumann, 270/ - Cerqueira César, São Paulo / - CEP: 05413-909,  pelos fatos e
fundamentos jurídicos adiante aduzidos.
 

I – INICIALMENTE

 I.A – DO ACESSO À JUSTIÇA

A Lei n°. 9.099/95 estabelece que causas de menor complexidade com valor de até 40 salários
mínimos podem ser processadas e julgadas pelos Juizados Especiais Cíveis, passando a ser
facultativa a assistência de advogado  se a causa não ultrapassar o valor de 20 Salários mínimos.

Os Juizados Especiais Cíveis são um importante instrumento de acesso à justiça permitindo a todo
cidadão buscar a solução para os seus conflitos do cotidiano que, anteriormente, não costumavam
ser apreciados pela Justiça brasileira devido à dificuldade do cidadão comum em contratar
um advogado para postular em seu favor.

 Assim, pode-se dizer que o processo no Juizado Especial é gratuito perante o primeiro grau de
jurisdição, pois, não é preciso pagar as custas judiciais, qualquer pessoa maior de 18 anos e
civilmente capaz pode procurar o posto de primeiro atendimento do Juizado competente na área de
sua residência, apresentar ali mesmo as provas e protocolar o seu pedido.

I.B – DOS PRINCÍPIOS NORTEADORES DO JUIZADO

O artigo 2° da Lei 9.099/95 dispõe que os processos nos Juizados Especiais devem ser orientados
pelos critérios da oralidade, da simplicidade, da informalidade, da economia processual e da
celeridade, buscando sempre promover a conciliação.

O princípio da informalidade significa que, dentro da lei, pode haver dispensa de algum requisito
formal sempre que a ausência não prejudicar terceiros, nem comprometer o interesse público. Um
direito não pode ser negado em razão da inobservância de alguma formalidade instituída para
garanti-lo desde que o interesse público almejado tenha sido atendido.

I.C – A BUSCA PELO AMPLO E IRRESTRITO "ACESSO À JUSTIÇA", NO ESTADO


DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

Ao ingressar com uma ação, o Autor deve indicar de que fato se origina o conflito de interesses que
justifica a formação do processo, tratando-se de cidadão comum, o Autor não está obrigado a
indicar os artigos da Lei nos quais se funda seu pedido, conforme dispõe o brocardo: ‘dá-me os
fato que eu te darei o direito’.

Exposto o fato, o magistrado aplicará o direito, uma vez que os juizados especiais visam o
engajamento do judiciário com a cidadania na remoção dos obstáculos ao acesso à justiça.
Assim, os Juizados Especiais devem promover a acessibilidade geral ao Poder Judiciário para que
aquela parte da população que é carente de recursos passa a ter a possibilidade de litigar sem os
ônus processuais visando a equalização das partes, tornando o juiz mais ativo e informal no
decorrer do processo, com consciência ética e de justiça, permitindo a simplificação da produção de
provas.

 O artigo 6º, inciso VIII, da Lei nº 8.078/90 estabeleceu expressamente que constitui direito básico
do consumidor “a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova,
a seu favor, no processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando ele for
hipossuficiente’.
 

II – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
Diante da Lei 1.060/50, a parte autora faz jus a GRATUIDADE DE JUSTIÇA.
 

III – DOS FATOS

Em 06/09/2016 realizei um pedido no site da empresa SARAIVA (www.saraiva.com.br), sob o


número 232722845, no valor de R$110,09, cujo produto comprado foi 01 (uma) "Capa Protetora
Samsung Clear Galaxy S7 Borda Prata".
O produto foi recebido em 13/09/2016 e, dentro do prazo de sete dias previsto no Código de Defesa
do Consumidor, solicitei a devolução por arrependimento no dia 14/09/2016. Ainda em 14/09/2016
a empresa Saraiva confirmou a abertura de processo de devolução sob número 1577460, enviando
a etiqueta para ser colada na caixa que deveria ser entregue na Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos.
No dia 16/09/2016 o produto foi enviado via correios, contudo, somente em 24/10/2016 a Saraiva
confirmou o recebimento do produto, dando início ao processo de reembolso. No mesmo dia foram
informados os dados para o depósito do valor pago.
Sem receber o dinheiro de volta e sem receber retorno da empresa a respeito dos contatos que fiz
por telefone, abri uma reclamação no site www.reclameaqui.com.br em 08/12/2016. A reclamação
foi respondida pela empresa, informando que o processo de estorno havia sido finalizado em
26/10/2016 e que o comprovante seria providenciado. No mesmo dia respondi à empresa
informando que não havia recebido qualquer valor e, nova dias depois, sem ter recebido qualquer
comprovante, enviei nova mensagem à empresa, cuja resposta foi protocolar, sem qualquer
intenção de solução do problema.
No dia 08/01/2017 tentei contato direto com a atendente que havia respondido a reclamação
anteriormente, contudo, a mesma sequer retornou o e-mail.
Resta evidenciada a tentativa da empresa em dissuadir o consumidor em receber o que lhe é
devido.

 IV – DO DIREITO

 O Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 49 possibilita ao consumidor, nos casos em que
a contratação de fornecimento de produtos ou serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial,
o exercício do direito de arrependimento, desde que exercido no prazo de 07 (sete) dias a contar da
assinatura do contrato ou do ato de recebimento do produto ou serviço.

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou
do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de
produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a
domicílio. Tal direito se consubstancia na desistência, pelo consumidor, do contrato realizado,
retornando as partes ao status quo ante, importando, em decorrência lógica, na devolução do
produto ao fornecedor e dos valores eventualmente pagos ao consumidor.

O seu parágrafo único ainda dispõe que: “se o consumidor exercitar o direito de arrependimento
previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de
reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados”.

Assim, tem-se que, exercido o direito de arrependimento pelo consumidor, deverá a quantia por ele
eventualmente paga ser-lhe devolvida, após a sua devida atualização monetária. Ressalte-se que a
norma consumerista ainda determina a devolução “imediata” do montante pago.
 

V – DO DEFEITO NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO

Conforme dispõe o art. 14 do CDC "o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos".

 
VI – DOS DANOS MATERIAIS E MORAIS

 O direito à indenização por danos materiais e morais encontra-se expressamente consagrado em nossa Carta
Magna, como se vê pela leitura de seu artigo 5º, incisos V e X, os quais transcrevemos:

"É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem" (artigo 5º, inciso V, CF).

"São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à
indenização pelo dano material ou moral, decorrente de sua violação" (artigo 5º, inciso X, CF).

É correto que, antes mesmo do direito à indenização material e moral ter sido erigido à categoria de garantia
constitucional, já era previsto em nossa legislação infraconstitucional, bem como, reconhecido pela Justiça.

O comando constitucional do art. 5º, V e X, também é claro quanto ao direito da parte autora à indenização dos
danos morais sofridos. É um direito constitucional.

E se não bastasse o direito constitucional previsto no art. 5º, é a própria Lex Mater que em seu preâmbulo
alicerça solidamente como um dos princípios fundamentais de nossa nação e, via de consequência, da vida em
sociedade, a defesa da dignidade da pessoa humana. Dignidade que foi ultrajada, desprezada pela Ré.

A indenização dos danos morais e materiais que se pleiteia é direito constitucional a todos. E no ordenamento
jurídico infra constitucional, além do CDC, está o Código de Leis Substantivas Civis de 2002 a defender o
mesmo direito da parte autora. Com efeito o artigo 927 do Código Civil apressa-se em vaticinar a obrigação de
reparar que recai sobre aquele que causar dano a outrem por ato ilícito.

E o ato ilícito presente neste acidente de consumo é, conforme norma ínsita no artigo 186 do Códex Civil, a
ação ou omissão voluntária da ré que vieram a causar dano a parte autora.

É assente a doutrina no sentido da reparação do dano sofrido. Assim é que Sérgio Severo afirma:

“Dano patrimonial é aquele que repercute, direta ou indiretamente, sobre o patrimônio da vítima, reduzindo-o de
forma determinável, gerando uma menos-valia, que deve ser indenizada para que se reconduza o patrimônio ao
seu status quo ante, seja por uma reposição in natura ou por equivalente pecuniário.” (In Os Danos
Extrapatrimoniais. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 40).

“Dano moral é aquele que, direta ou indiretamente, a pessoa, física ou jurídica, bem assim a coletividade, sofre
no aspecto não econômico dos seus bens jurídicos”. (Op. Cit. p. 42).

Quanto ao valor ou critério de seu estabelecimento, já se firmou a jurisprudência:

“Na indenização a título de danos morais, como é impossível encontrar um critério objetivo e uniforme para a
avaliação dos interesses morais afetados, a medida da prestação do ressarcimento deve ser fixada a arbítrio do
juiz, levando-se em conta as circunstâncias do caso, a situação econômica das partes e a gravidade da ofensa,
de modo a produzir, no causador do mal, impacto bastante para dissuadi-lo de igual e novo atentado, sem,
contudo, significar um enriquecimento sem causa da vítima. (TJ-MG – Ac. da 2ª Câm. Cív. julg. em 22-5-2001 –
Ap. 000.197.132-4/00-Divinópolis – Rel. Dês. Abreu Leite; in ADCOAS 8204862).

Como escreve o ilustre magistrado titular da 50ª Vara Cível da Comarca da Capital, Dr. Marco Antônio Ibrahim:

“Infelizmente, a revelha cantilena do enriquecimento sem causa tem justificado de parte de alguns Tribunais
brasileiros, tendência em fixar tais indenizações em patamares irrisórios, verificando-se, em certos casos, até
uma certa uniformidade, como pode revelar a mais singela das amostragens. Com isso, resta fragilizado o
aspecto punitivo das indenizações e seu correlato caráter educativo e desestimulante da prática de novos
ilícitos.

Pois o Princípio da Razoabilidade das indenizações por danos morais é um prêmio aos maus prestadores de
serviços, públicos e privados. Não se trata, bem de ver, de privilegiar o exagero, o arbítrio absoluto, nem se
prega a ruína financeira dos condenados. O que se reclama é uma correção do desvio de perspectiva dos que,
à guisa de impedir o enriquecimento sem causa do lesado, sem perceber, admitem um enriquecimento indireto
do causador do dano. (...)

A verdade é que a timidez do juiz ao arbitrar essas indenizações em alguns poucos salários mínimos, resulta
em mal muito maior que o fantasma do enriquecimento sem causa do lesado, pois recrudesce o sentimento de
impunidade e investe contra a força transformadora do Direito. A efetividade do processo judicial implica,
fundamentalmente na utilidade e adequação de seus resultados”.

Assim, faz-se necessária a reparação dos danos morais sofridos pela parte autora, cumprindo a dupla natureza
da indenização, qual seja a de trazer satisfação ao interesse lesado e, paralelamente, inibir o comportamento
anti social do lesante.

Segundo Caio Mário da Silva Pereira (In Responsabilidade Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense,1992, p. 60), “o
problema de sua reparação deve ser posto em termos de que a reparação do dano moral, a par do caráter
punitivo imposto ao agente, tem de assumir sentido compensatório”.

Sendo assim, demonstrados o dano e a culpa da Requerida, se mostrando evidente o nexo causal, ficando
evidente o liame lógico entre o acontecimento e o resultado. Ficando desde já a parte Ré na obrigação de
reparar.

VII – PEDIDOS

 Ante o exposto requer:

A)   A citação da parte ré para comparecer à audiência de conciliação ou à audiência de instrução e


julgamento, sob pena de revelia (serem julgados verdadeiro todos os fatos descritos nesta petição);

B) Seja deferida a gratuidade de justiça;

C) Inversão do ônus da prova conforme o art. 6º, VIII, do CDC que constitui direito básico do
consumidor a facilitação da defesa dos seus direitos em juízo;

D) Seja reconhecido o Direito de Arrependimento do Autor, condenando a parte ré a devolver a


parte autora o valor pago pelo produto, desfazendo integralmente a compra;

E) Seja a parte ré condenada a pagar a parte Autora indenização por Danos Morais, em valor a ser
arbitrado pelo juízo, respeitando o limite de 20 (vinte) salários-mínimos, tendo em vista a má
prestação do serviço, a fim de responder não só a efetiva reparação do dano, mas também ao
caráter preventivo-pedagógico do instituto, no sentido de que no futuro o causador do dano tenha
mais cuidado e zelo com terceiros.
 

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Dá-se a causa o valor de R$17.600,00.

Pede deferimento.
 

___________________________, _____, de __________________, de 20___

Local e data
 

____________________________________

Assinatura
 

TERMO DE RESPONSABILIDADE
 

Ciente de que:

Todas as informações da petição inicial são de minha inteira responsabilidade, bem como a
responsabilidade de dar entrada na petição inicial e acompanhar todo o curso processual, sendo
certo que o resultado depende da comprovação dos fatos e do convencimento do juiz.

A comprovação dos fatos dependem exatamente da entrega das provas necessárias, inclusive,
testemunhas, pois, a audiência de conciliação poderá ser convertida em Instrução e Julgamento,
desde que não haja pedido de intimação de testemunhas.  

As informações contidas nessa petição inicial (documento de identificação com foto, CPF,
comprovante de residência, dados da pessoa que está sendo processada e da(s) testemunha(s), e
todas as cópias de documentos), foram livremente fornecidas por mim e a causa de pedir, objeto da
reclamação, é de minha opção pessoal e de livre espontaneidade.

O não comparecimento a(s) audiência(s) poderá acarretar na extinção do processo, bem como, na
condenação ao pagamento das custas judiciais, salvo se for acatada como falta por justo motivo a
apresentação de prova justificada da ausência.
 

ROL DE TESTEMUNHAS QUE DEVERÃO SER INTIMADAS


 

 1)    Nome: ______________________________________________________________

       Endereço: ___________________________________________________________

       Telefone: ____________________________________________________________

2)     Nome: ______________________________________________________________

       Endereço: ___________________________________________________________


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3)     Nome: ______________________________________________________________

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