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COTRIM, Gilberto. Consciência crítica e Filosofia. In. __________.

Fundamentos da
Filosofia. 15. ed. História e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 41 – 55.
Gilberto Cotrim destaca que uma das características que melhor caracteriza o ser humano é a
consciência, e que ao desenvolver essa habilidade é possível obter algum conhecimento. Na
visão de Cotrim, existe uma dualidade nessa busca de conscientização do homem, podendo
ele investigar a si mesmo, ou seja, intimamente, ou externamente, voltando-se ao universo.
O autor pontua que a consciência de si se daria na interioridade, manifestando-se pelo processo
de falar, criar etc. Já a consciência do outro, na alteridade, que se manifesta pelo processo de
escutar, absorver etc. O historiador enfatiza que a harmonia dessas duas dimensões da
consciência seria fundamental para o despertar da consciência crítica. Cotrim salienta que
existe muitos modos da consciência, entre elas está a consciência religiosa que estaria ligada
a verdades reveladas pela fé religiosa, diferindo assim da filosofia e ciência, que se baseiam
na razão para chegar ao conhecimento. Sobre a consciência intuitiva, o autor expõe que está
ligada a um saber imediato, tendo dois tipos: a intuição sensível e a intuição intelectual. As
diferenças entre elas se dá porque uma está ligada ao contexto das experiências individuais e
a outra a algo universalmente válido, respectivamente. No que diz respeito a consciência
racional, Cotrim frisa que ela busca compreender a realidade através de princípios
estabelecidos pela razão, e desenvolve-se por meio da abstração e análise. Essa racionalidade
era comum a ciência e filosofia, porém se desligaram a partir do século XVII, e hoje possuem
características próprias. Ele realça que a ciência objetiva compreender as coisas, saber a
realidade, já a filosofia avalia e questiona essa realidade. O autor classifica o senso comum
como sendo um conjunto de concepções que são aceitas como verdadeiras em determinado
meio social, e que não possui uma fundamentação sistemática, sem base precisa. Ele critica
que sem essa razão crítica, o fenômeno ideológico poderá se desenvolver. Cotrim conceitua a
ideologia como uma consciência que transmite um realidade parcial e ilusória. Tendo com
função a preservação da dominação de classes. Gilberto discorre ainda acerca da busca da
filosofia pelo conhecimento, por meio da investigação racional. E finaliza dizendo na
antiguidade o saber filosófico abrangia diversos conhecimentos racionais, mas com o passar
do tempo foi dividida em especializações, ocasionando na separação da filosofia e da ciência.

Indicado para alunos de graduação e pós-graduação na área de ciências humanas.