Você está na página 1de 61

MANUAL DO CADERNO

MEDICINA I

U
FRENTE

Única

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Caro(a) leitor(a),

Este manual é uma importante ferramenta para a utilização dos cadernos de sala
do Sistema de Ensino Poliedro, voltados para as turmas de 3ª série do Ensino Médio
e Pré-vestibular.
Nele, descrevemos a estrutura e as seções dos cadernos, fornecendo observa-
ções que auxiliam no trabalho a ser desenvolvido em cada disciplina. Apresenta-
mos, também, as resoluções das questões presentes na seção “Exercícios de sala”
e dos possíveis exercícios opcionais – os quais servem como uma oportunidade de
aprofundar e complementar o tempo despendido para as aulas.
Os cadernos possibilitam uma prática efetiva do aprendizado em sala e, quando
utilizados em consonância com a fundamentação teórica contida nos livros de teo-
ria, oferecem uma formação ainda mais ampla e completa.
Os temas de abertura dos capítulos e os textos da seção “Texto complementar”
dos livros podem ser usados como ponto de partida para discussões em aula e
como fonte de conhecimento e curiosidades acerca dos assuntos da teoria.
Indicamos, também, o acesso a diversos recursos disponíveis no portal do Siste-
ma Poliedro (<www.sistemapoliedro.com.br>), os quais complementam o caderno
e ampliam as possibilidades de aprendizado, tais como:
• Resoluções das questões dos livros;
• Informativo mensal Leia Agora;
• Balcão de Redação PV;
• Balcão de Redação Enem;
• Banco de Questões Enem (para professores);
• Videoaulas dos autores; e
• Aulas-dica do Zoom Poliedro.

Todas essas ferramentas buscam garantir a formação do aluno e o rigor acadê-


mico almejado pelas escolas parceiras. Vale ressaltar que o professor se mantém
como principal protagonista da prática pedagógica, tendo total autonomia na utili-
zação dos recursos oferecidos.
Esperamos que se explore todo o material disponibilizado e estamos à disposi-
ção para quaisquer esclarecimentos.

Sistema de Ensino Poliedro

2 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


SUMÁRIO

Estrutura geral dos cadernos ....................................................................... 4


Estrutura das aulas ....................................................................................... 6
Exercícios de sala ..........................................................................................7
Guia de estudo ..............................................................................................8
Orientações específicas ................................................................................9

Orientações: Aula 1
Resoluções .......................................................................................... 13
Orientações: Aula 2
Resoluções .......................................................................................... 18
Orientações: Aula 3
Resoluções .......................................................................................... 25
Orientações: Aula 4
Resoluções ........................................................................................ 31
Orientações: Aula 5
Resoluções .......................................................................................... 37
Orientações: Aula 6
Resoluções .......................................................................................... 43
Orientações: Aula 7
Resoluções .......................................................................................... 49
Orientações: Aula 8
Resoluções .......................................................................................... 56
Orientações: Aula 9
Resoluções .......................................................................................... 61

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 3


ESTRUTURA GERAL DOS CADERNOS

Os cadernos de sala, usados em conjunto com os livros de teoria, sintetizam e facilitam a compreensão dos
assuntos estudados. Todas as aulas apresentam os principais tópicos de cada tema abordado e oferecem exercí-
cios que permitem enriquecer a discussão em sala de aula e contribuir para a fixação do aprendizado.
Assim como nos livros, as disciplinas nos cadernos são divididas em frentes, que devem ser trabalhadas pa-
ralelamente. Essa divisão não só facilita a organização dos estudos, mas também permite uma visão ainda mais
sistêmica dos tópicos abordados em cada disciplina.

:49)
7 (08
10-201
/ 11-
AULO
TON.P
LLING
/ WE
AS : 432
/ PAGIN
PIRAL
/ ES
275
RA:
/ ALTU
A: 205
RGUR
1 / LA
DICINA
1 > ME
RNO
CADE
LA >
DE SA
RNOS
> CADE
ULAR
É-VESTIB
8 > PR
> 201
/ 11-10-2017 (08:49)
432 / WELLINGTON.PAULO
275 / ESPIRAL / PAGINAS:
1 / LARGURA: 205 / ALTURA:
> CADERNO 1 > MEDICINA
R > CADERNOS DE SALA
> 2018 > PRÉ-VESTIBULA

> 201
8 > PRÉ
-VESTI
BULAR
> CAD
ERNOS
> 20 DE SAL
18 A > CAD
> PR ERNO
É-VE 1 > ME
DICINA
ST 1 / LAR
IBU
LA GURA:
R> 205 /
CA ALTURA
DER : 275
/ ESP
NO IRAL
SD / PAG
E SA INAS:
432 /
LA WELLI
>C NGTON
AD .PAULO
ER / 11-1
NO 0-2017
1> (08:49)
MED
ICIN
A1
/ LA
RG
UR
A:
20
5/
ALT
UR
A:
27
5/
ES
PIR
AL
/ PA
GIN
AS:
43
2/
WEL
LIN
GTO
N.P
AU
LO
/ 11
-10-
20
17
(08:
49
)

4 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


O sumário conta com um controle no qual o aluno pode organizar sua rotina de aulas e estudos, tendo uma
visualização rápida de seu avanço pelos tópicos estudados.

ROTEIRO DO ALUNO MEDICINA

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

PORTUGUÊS INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1 Prof.: Aula Estudo 2 Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo


Controle para anotar
Aulas 1 e 2 ................ 8  
Aulas 3 e 4 .................. 11  
Aulas 1 e 2 ................ 46  
Aulas 3 e 4 .................. 49  
Aula 1 ....................... 72
Aula 2 ....................... 75



 as aulas já dadas e o
estudo já realizado
Aulas 5 e 6 ................ 16   Aula 5 ....................... 51   Aula 3 ....................... 78  
Frente Única

Aulas 7 e 8 .................. 21   Aulas 6 a 8 .................. 53   Aula 4 ....................... 83  


Frente 1

Frente 2

Aula 9 ....................... 25   Aulas 9 e 10................ 57   Aula 5 ....................... 87  


Aula 10 ....................... 28   Aulas 11 e 12.............. 59   Aula 6 ....................... 91  
Aulas 11 e 12.............. 31   Aulas 13 e 14.............. 62   Aula 7 ....................... 95  
Aulas 13 e 14 ............ 34   Aulas 15 e 16 ............ 65   Aula 8 ....................... 99  
Aula 15 ....................... 37   Aulas 17 e 18.............. 68   Aula 9 ....................... 104  
Aula 16 ..................... 40  
Aulas 17 e 18.............. 42  

Matemática e suas Tecnologias Ciências Humanas e suas Tecnologias

MATEMÁTICA HISTÓRIA GEOGRAFIA


Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 e 2 ................ 108   Aulas 1 e 2 ................ 136   Aulas 1 e 2 ................ 162   Aulas 1 e 2 ................ 186   Aulas 1 e 2 ................ 226   Aulas 1 e 2 ................ 272   Aulas 1 e 2 ................ 310  
Aulas 3 e 4 .................. 110   Aulas 3 e 4 .................. 138   Aulas 3 e 4 .................. 164   Aula 3 ....................... 189   Aula 3 ....................... 230   Aulas 3 e 4 .................. 277   Aulas 3 e 4 .................. 313  
Aulas 5 e 6 ................ 113   Aulas 5 e 6 ................ 140   Aulas 5 e 6 ................ 166   Aulas 4 e 5 ................ 191   Aula 4 ....................... 233   Aulas 5 e 6 ................ 281   Aulas 5 e 6 ................ 317  
Frente 3
Frente 2
Frente 1

Aulas 7 e 8 .................. 116   Aulas 7 e 8 .................. 143   Aulas 7 e 8 .................. 168   Aula 6 ....................... 197   Aula 5 ....................... 236   Aulas 7 e 8 .................. 286   Aulas 7 e 8 .................. 320  
Aulas 9 e 10 .............. 119   Aulas 9 e 10 .............. 146   Aulas 9 e 10 .............. 170   Aulas 7 e 8 .................. 199   Aula 6 ....................... 239   Aulas 9 e 10 .............. 290   Aulas 9 e 10 .............. 324  
Aulas 11 e 12 ............ 123   Aulas 11 e 12 ............ 149   Aulas 11 e 12 ............ 173   Aula 9 ....................... 202   Aula 7 ....................... 241   Aulas 11 e 12 ............ 294   Aulas 11 e 12 ............ 328  
Aulas 13 e 14.............. 126   Aulas 13 e 14.............. 152   Aulas 13 e 14.............. 176   Aula 10 ....................... 205   Aula 8 ....................... 244   Aulas 13 e 14.............. 299   Aulas 13 e 14.............. 331  
Frente 1

Frente 2

Frente 1

Frente 2
Aulas 15 e 16 ............ 130   Aulas 15 e 16 ............ 154   Aulas 15 e 16 ............ 179   Aula 11 ..................... 207   Aula 9 ....................... 247   Aulas 15 e 16 ............ 301   Aulas 15 e 16 ............ 335  
Aulas 17 e 18 ............ 133   Aulas 17 e 18 ............ 157   Aulas 17 e 18 ............ 182   Aula 12 ..................... 210   Aula 10 ..................... 250   Aulas 17 e 18 ............ 305   Aulas 17 e 18 ............ 340  
Aulas 13 e 14.............. 213   Aula 11 ..................... 253  
Aula 15 ..................... 217   Aula 12 ..................... 255  
Aula 16 ..................... 220   Aula 13 ..................... 257  
Aulas 17 e 18.............. 222   Aula 14 ..................... 259  
Aula 15 ..................... 261  
Aula 16 ..................... 264  
Aula 17 ..................... 266  
Aula 18 ..................... 268  

Ciências da Natureza e suas Tecnologias

BIOLOGIA

Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 4 ................ 344   Aula 1 ....................... 378   Aula 1 a 3 .................. 424   Aulas 1 e 2 ................ 458  
Aulas 5 e 6 .................. 352   Aula 2 ....................... 381   Aulas 4 a 6 .................. 428   Aulas 3 e 4 .................. 461  
PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / KLEBER / 10-01-2017 (08:50) Aulas 7 a 9 ................ 356   Aula 3 ....................... 385   Aula 7 e 8.................. 436   Aulas 5 e 6 ................ 465  
Frente 2

Frente 3

Frente 4
Frente 1

Aulas 10 e 11.............. 360   Aulas 4 a 6 .................. 389   Aula 9 ....................... 439   Aulas 7 a 9 ................ 469  
Aulas 12 a 15............. 364   Aulas 7 e 8 ................ 396   Aulas 10 e 11.............. 442  
Aulas 16 a 18............. 370   Aulas 9 e 10 .............. 400   Aulas 12 a 18............. 447  
Aulas 11 e 12.............. 405  
Aulas 13 e 14 ............ 409  
Aulas 15 e 16 ............ 413  
Aulas 17 e 18 ............ 418  

FÍSICA
Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 3 ................ 476   Aulas 1 a 4 ................ 496   Aulas 1 e 2 ................ 520   Aulas 1 a 5 ................ 544  
Aulas 4 a 6 .................. 478   Aulas 5 e 6 .................. 500   Aulas 3 e 4 .................. 522   Aulas 6 a 9 ................ 547  
Aulas 7 a 9 ................ 480 Aulas 7 e 8 ................ 504 Aulas 5 e 6 ................ 525
Frente 3

Frente 4
Frente 1

Frente 2

     
Aulas 10 a 12.............. 483   Aulas 9 a 12 .............. 507   Aulas 7 a 10 ................ 528  
Aulas 13 e 14 ............ 486   Aulas 13 e 14.............. 510   Aulas 11 e 12 ............ 531  
Aulas 15 e 16 ............ 489   Aulas 15 e 16 ............ 513   Aulas 13 e 14.............. 534  
Aulas 17 e 18.............. 492   Aulas 17 e 18 ............ 517   Aulas 15 e 16 ............ 537  
Aulas 17 e 18 ............ 539  

QUÍMICA
Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 3 ................ 552   Aulas 1 a 3 ................ 580   Aulas 1 a 4 ................ 600   Aulas 1 e 2 ................ 616  
Aulas 4 a 6 .................. 555   Aulas 4 a 6 ................ 583   Aulas 5 a 7 ................ 603   Aulas 3 a 5 ................ 618  
Frente 1

Frente 2

Frente 3

Frente 4

Aulas 7 e 8 .................. 559   Aulas 7 a 9 .................. 586   Aulas 8 a 10 .............. 606   Aulas 6 e 7 ................ 621  
Aulas 9 a 11 .............. 563   Aulas 10 e 11 ............ 589   Aulas 11 a 13............. 608   Aulas 8 e 9 ................ 623  
Aulas 12 a 14............. 566   Aulas 12 e 13.............. 592   Aulas 14 a 16............. 610  
Aulas 15 e 16 ............ 570   Aulas 14 a 16............. 594   Aulas 17 e 18 ............ 612  
Aulas 17 e 18 ............ 575   Aulas 17 e 18 ............ 597  

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 28-10-2016 (10:28)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 5


ESTRUTURA DAS AULAS
 RESUMO TEÓRICO

Respeitando o Planejamento de aulas disponibilizado no Portal Edros, todas as aulas apresentam um resumo
esquemático do tópico trabalhado no livro, sintetizando os principais conhecimentos estudados. A organização das
atividades foi elaborada para aumentar a eficiência do trabalho em sala.

Cada disciplina tem marcação em uma Nome da aula


posição para melhor manuseio do material

Frente 1

Aulas Frente e número


E�������� �
�������� �� �������� 7e8 de aula

Trata-se da segunda parte da morfologia. Estudo dos mor- Radical Frente 1


femas – elementos que constituem o vocábulo – e de um dos
processos de formação de palavras – a derivação (prefixal, su- Aulas
O radical é a base significativa da palavra; raiz é o morfe-
ma originário que contém o núcleo significativo comum a uma

1e2 I���������
fixal e parassintética). família linguística.
Para os exames modernos, o destaque é para o emprego
dos neologismos (palavras inventadas), sua formação e funcio-
nalidade para o texto. (Sua presença é marcante no Modernis-
Prefixo
Os prefixos de nossa língua são de origem latina ou grega.
� ������ ��� ���������
mo brasileiro.) Alguns apresentam alteração em contato com o radical. As-
sim, o prefixo an,, indicador de privação, transforma-se em a
 Morfemas diante de consoante. Ex.: amoral, anaeróbico.
Além das desinências, do radical, da vogal temática, te- Os prefixos possuem mais independência que os sufixos,
mos como morfemas os afixos (prefixo e sufixo); são eles que
 Conceitos básicos da teoria dos
pois se originam, em geral, de advérbios ou preposições, que
 Interseção e diferença entre
possibilitam a formação de novas palavras (morfemas deri- têm ou tiveram vida independente.
conjuntos conjuntos
Os entes primitivos da teoria dos conjuntos são: o ele- Indicada por A ∩ B, a interseção entre os conjun-
vacionais). Os afixos que se antepõem ao radical chamam-se
mento, o conjunto e a relação de pertinência. O diagrama tos A e B é o conjunto formado apenas pelos elementos
prefixos; os que se pospõem denominam-se sufixos; os afixos Sufixo
que pertencem simultaneamente aos dois conjuntos,
possuem uma significação maior que as desinências. Já a vogal Os sufixos podem ser nominais, averbais
seguir representa uma situação em que x1 é elemento do
ou adverbiais.
conjunto A, mas x2 não é. A e B.
de ligação e a consoante de ligação são morfemas insignifica- Formam, respectivamente, nomes (substantivos, adjetivos),
Indicamos por A – B o conjunto dos elementos de A
tivos, servem apenas para evitar dissonâncias (hiatos, encon- verbos e advérbios (a partir de adjetivos). Ex.: anarquismo,
A x2 que não pertencem ao conjunto B, e por B – A o conjunto
tros consonantais), sequências sonoras indesejáveis. Veja: malufar, rapidamente..
dos elementos de B que não pertencem ao conjunto A.
x1
Re fazer Cinz eiro  Derivação
• Derivação prefixal: cria-se uma palavra derivada a partir
Prefixo Radical Radical Sufixo de um prefixo. Ex.: disenteria.
A B
• Derivação sufixal: cria-se uma palavra derivada a partir de
Cant a r Cha l eira um sufixo. Ex.: doutorado.
x1 ∈A
U A–B A∩B B–A
• Derivação parassintética: cria-se uma palavra derivada x2 ∉A
Radical Vogal Desinência Radical Sufixo por meio do acréscimo simultâneo de um prefixo e um
O conjunto vazio é aquele que não possui elementos:
temática Consoante sufixo. Se retirarmos qualquer um dos afixos, não tere-
de ligação A = ∅ ⇔ n(A) = 0.
mos palavra. Ex.: adoçar.
O conjunto universo é aquele que possui todos os ele-
Quando um grupo de palavras possui o mesmo radical, • Derivação prefixal e sufixal: acréscimo não simultâneo de
mentos que podem estar relacionados a um determinado
diz-se que o grupo é formado de palavras cognatas (pedra/ prefixo e sufixo. Retirando-se um dos afixos (ou os dois), n(A – B) = n(A) – n(A ∩ B)
conjunto A, tanto aqueles que pertencem ao conjunto A
pedreiro/pedreira); quando as palavras irmanam-se pelo ainda teremos palavra. Ex.: deslealdade. Obs.: Alguns lin-
quanto aqueles que não pertencem a ele. Para diferenciar n(B – A) = n(B) – n(A ∩ B)
sentido, temos a série sinonímica, a família ideológica: guistas não consideram esse tipo de derivação.
o conjunto universo dos demais conjuntos em um diagra-
casa, moradia, lar, mansão, habitação etc.
ma, usamos a figura de um retângulo. Esse retângulo deve Observação: dois conjuntos A e B são chamados de
cercar completamente tanto o conjunto A quanto todos os disjuntos quando A ∩ B = ∅.
EXERCÍCIOS DE SALA demais conjuntos que possam ser estabelecidos em um
determinado problema. Feito isso, a região exterior ao con-  União de conjuntos
junto A passa a representar o conjunto complementar de A. Indicada por A ∪ B, a união dos conjuntos A e B é o
► Texto para a questão 1. possível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no
Há várias opções para a representação do complemen- conjunto formado por todos os elementos de A e todos os
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook? Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuá-
tar de um conjunto A em relação ao conjunto universo. elementos de B.
rios longe da rede social.
Todas elas designam o conjunto dos elementos que não
Uma organização não governamental holandesa está O projeto também é uma resposta aos experimentos
pertencem ao conjunto A.
propondo um desafio que muitos poderão considerar im- psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença ,
A = Ac = A = UA = {x ∈ U| x ∉ A} A B
PORTUGUÊS | MEDICINA I 21
U A∪B
A
PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / KLEBER / 10-10-2016 (17:44)
U A

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) – n(A ∩ B)


n(A) + n(A) = n(U)

108 MATEMÁTICA | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 21-10-2016 (10:52) PDF FINA

Disciplina e caderno

6 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 EXERCÍCIOS DE SALA

EXERCÍCIOS DE SALA

Além das questões do livro, é apresentada uma seção de exercícios específicos sobre o assunto das aulas, os
quais possibilitam a fixação dos conteúdos estudados e oferecem preparação adicional aos alunos.
Em cada aula, há a proposta de o professor resolver as questões com toda a classe ou pedir aos alunos que as
respondam individualmente. Nesse momento, aspectos relevantes da aula são retomados, dando oportunidade
ao professor e aos alunos de discutirem possíveis dificuldades. Todos os exercícios têm sua resolução apresentada
neste manual.

AL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 21-10-2016 (10:52)

As questões são de
importantes exames
vestibulares de todo o
Brasil ou autorais, em
momentos nos quais a
explicação exige.

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 7


 GUIA DE ESTUDO

Ao final de cada aula, o caderno de sala oferece um guia que orienta o aluno para os estudos que serão reali-
zados em casa. A seção “Guia de estudo” direciona a leitura, no livro de teoria, dos assuntos que foram tratados e
indica exercícios pertinentes a serem resolvidos, visando consolidar o conhecimento adquirido em sala.
Levando em conta que o tempo de estudo em casa deve ser cumprido de forma satisfatória, esse guia é pensa-
do com bastante cuidado. Ao especificar o número de exercícios a serem feitos, consideram-se o tempo destinado
à leitura da teoria e também o tempo que será despendido para a resolução das questões. Assim, o resultado é a
satisfação do aluno, que consegue cumprir suas metas diárias de estudo em um tempo possível.

GUIA DE ESTUDO
1 Química | Livro 1 | Frente 3 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 282 a 284. 2
3 II. Faça os exercícios 5 e 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 38, de 40 a 42 e de 44 a 46.

GUIA DE ESTUDO
Português | Livro 1 | Frente 1 | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 7 a 15.
II. Faça os exercícios de 1 a 3 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 4 a 9

GUIA DE ESTUDO
Geografia | Livro 1 | Frente 1 | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 12 a 18.
II. Faça os exercícios 10 e 11 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 48, 56, 70, 71, 78, 80, 81 e 83.

GUIA DE ESTUDO
História | Livro 1 | Frente 2 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 131 a 134.
II. Faça o exercício 2 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 10, 12, 14, 16 e 19.

GUIA DE ESTUDO
Biologia | Livro 1 | Frente 2 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 117 a 120.
II. Faça os exercícios 1 e de 3 a 5 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 5 a 10.

1 Indicação de disciplina, 2 Localização das 3 Seleção de


livro, frente e capítulo páginas do livro com exercícios.
correspondente à aula. a teoria estudada.

8 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS
Segundo a Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias proposta pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as competências de áreas 5, 6, 7 e 8 referem-se, respectivamente, a:
5. Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natu-
reza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
6. Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela
constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
7. Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
8. Compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do
mundo e da própria identidade.
A essas competências correspondem diversas habilidades, tais como reconhecer a existência de valores sociais na produção
literária nacional; identificar, em diversos gêneros e tipos de texto, elementos que contribuem para sua organização e progressão
temática; a partir da análise dos recursos argumentativos de um texto, identificar o objetivo de seu autor, bem como o público
ao qual o texto se destina; reconhecer variedades linguísticas sociais, regionais e de registro em marcas linguísticas presentes em
diferentes tipos de texto.
Tendo isso em vista, podemos perceber no ensino corrente da Língua Portuguesa uma maior preocupação em desenvolver,
em sala de aula, uma prática pedagógica que vá além do simples esforço – por vezes, desestimulante – em incutir nos alunos
regras gramaticais e características das escolas literárias. É cada vez mais importante voltar-se para a formação de alunos críticos,
capazes de interagir em situações comunicativas por meio de diferentes tipos de texto e que entendam que “ler” não implica
apenas decodificar, mas também uma série de outras ações, como identificar, relacionar, abstrair, deduzir, comparar, agrupar,
hierarquizar etc. Desse modo, criam-se condições para que eles possam relacionar e trabalhar as competências e habilidades
empregadas nas diferentes situações de uso da língua, seja em família, com os amigos, no trabalho, na escola etc.
Cabe ressaltar ainda que a capacidade de compreender textos é importante não somente na área de Linguagens, Códigos e
suas Tecnologias, mas em todas as demais áreas do conhecimento. A percepção da estrutura cronológica em vários textos dos
livros de História é fundamental para a correta assimilação das informações, assim como a interpretação exata dos dados forne-
cidos nos problemas de Matemática.
Nesse sentido, o livro de Interpretação de texto procura dar ao texto um espaço privilegiado, onde ele passa a ser analisado
cientificamente, desde sua estrutura profunda até a superfície de sua significação. Para tanto, ao longo dos capítulos, são con-
templados textos literários, jornalísticos, publicitários, visuais etc., dando ao aluno a possibilidade de se familiarizar com a análise
de textos das mais diversas fontes, verbais ou não verbais. Soma-se a isso a seleção cuidadosa de exercícios provenientes de
importantes exames vestibulares, possibilitando a professores e alunos um melhor aproveitamento e avaliação dos conteúdos
abordados no livro, seja durante a aula, seja durante o estudo em casa.
Boas aulas!

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 9


Frente Única

Aula
1 A������� �� ����� I

 A relação parte/todo metonímia), recurso expressivo muito presente na literatu-


A noção de parte/todo vale para qualquer tipo de texto, ra, na fotografia e no cotidiano; por exemplo: “no cair da
seja um poema de Gregório de Matos, seja um quadrinho; tarde, nas avenidas agitadas, pernas cansadas, rostos fati-
a diferença é que neste temos o emprego da linguagem gados, mãos sujas; é o trabalho deixando suas marcas”. Os
verbo-visual. Como todo texto, o quadrinho é composto substantivos “pernas”, “rostos” e “mãos” são parte de um
por partes que se articulam e que são colocadas em uma todo, o ser humano.
ordem que atende a um objetivo: criar humor por meio de
uma quebra de expectativa. O contexto
Veja o exemplo a seguir, extraído do vestibular da A palavra “contexto” significa situação. Na teoria da co-
Unicamp. municação, contexto é o referente, a situação de comuni-
cação (por exemplo, a sala de aula). A língua, por exemplo,
Unicamp 2004 varia de acordo com o contexto: emprega-se linguagem co-
loquial quando existir informalidade; culta, quando houver
formalidade (com algumas exceções).

— Campeão, solta uma gelada! (No botequim.)


— Por gentileza, uma cerveja. (Almoçando com o cliente
em um restaurante chique.)
Folha de S.Paulo, 8 out. 2003. p. F8.
Se empregamos diferentes maneiras de falar consoan-
Jogos de imagens e palavras são característicos da te o contexto, também as palavras podem mudar de signifi-
linguagem de história em quadrinhos. Alguns desses jogos cado de acordo com ele. Observe.
podem remeter a domínios específicos da linguagem a que
temos acesso em nosso cotidiano, tais como a linguagem a) Você gostou da peça? Os atores são ótimos!
dos médicos, a linguagem dos economistas, a linguagem b) Na agência, o diretor de arte não aprovou a peça.
dos locutores de futebol, a linguagem dos surfistas, dentre c) Quer bife ou a peça inteira?
outras. É o que ocorre na tira de Laerte, acima apresentada.
a) Transcreva as passagens da tira que remetem a domínios No primeiro caso, “peça” é o espetáculo teatral; a pa-
específicos e explicite que domínios são esses. lavra “atores” contextualiza “peça”. No segundo, a palavra
b) Levando em consideração as relações entre imagens e “agência” e a expressão “diretor de arte” possibilitam a
palavras, identifique um momento de humor na tira e expli- contextualização; trata-se de uma peça publicitária, isto é,
que como é produzido. um comercial, um anúncio, um outdoor etc. Já no terceiro,
o vocábulo “bife” deixa claro que “peça” remete a um pe-
Consideremos apenas o item b. Nota-se que a expec- daço da carne.
tativa foi quebrada no último quadrinho, momento do hu- O contexto pode ser entendido como um todo que de-
mor; isso significa que os quadrinhos anteriores precisam codifica o significado da parte; esse “todo” será represen-
ser relidos à luz da totalidade. Assim será com os demais tado por um texto, um parágrafo, uma frase ou até mesmo
textos verbais, visuais ou verbo-visuais; não se interpreta a uma palavra que ajuda na contextualização da outra, como
parte pela parte. nos exemplos citados anteriormente.
Inserir “a parte” no lugar “do todo”, no nível das fi-
guras de linguagem, é empregar uma sinédoque (tipo de

86 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

10 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 1

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Unifesp 2013 (Adapt.) Há cerca de dois meses, a jor- Considerando-se a finalidade comunicativa comum do gê-
nalista britânica Rowenna Davis, 25 anos, foi furtada. Só nero e o contexto específico do Sistema de Biblioteca da
que não levaram sua carteira ou seu carro, mas sua iden- UFG, esse cartaz tem função predominantemente:
tidade virtual. Um hacker invadiu e tomou conta de seu A socializadora, contribuindo para a popularização da arte.
e-mail e – além de bisbilhotar suas mensagens e ter aces- B sedutora, considerando a leitura como uma obra de arte.
so a seus dados bancários – passou a escrever aos mais de C estética, propiciando uma apreciação despretensiosa
5 mil contatos de Rowenna dizendo que ela teria sido assalta- da obra.
da em Madri e pedindo ajuda em dinheiro. D educativa, orientando o comportamento de usuários
Quando ela escreveu para seu endereço de e-mail pedin- de um serviço.
do ao hacker ao menos sua lista de contatos profissionais de E contemplativa, evidenciando a importância de artistas
volta, Rowenna teve como resposta a cobrança de R$ 1,4 mil. internacionais.
Ela se negou a pagar, a polícia não fez nada. A jornalista só
retomou o controle do e-mail porque um amigo conhecia um 3 Enem 2015
funcionário do provedor da conta, que desativou o processo de
verificação de senha criado pelo invasor.
Galileu, dez. 2011. (Adapt.).
As informações do segundo parágrafo permitem concluir
que o hacker tentou:
A extorquir a jornalista.
B pedir um donativo à jornalista.
C negociar legalmente com a jornalista.
D eximir-se da culpa pela invasão da conta do e-mail.
E reconhecer seu erro.

2 Enem 2012

Disponível em: <http>//farm5.static.flickr.com.br>.


Acesso em: 26 out. 2011. (Adapt).

Cartaz afixado nas bibliotecas centrais e setoriais da Universidade Federal


de Goiás (UFG), 2011.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 87

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 11


Aula 1

Nas peças publicitárias, vários recursos verbais e não ver- 5 Unicamp 2016
bais são usados com o objetivo de atingir o público-alvo,
influenciando seu comportamento. Considerando as infor-
mações verbais e não verbais trazidas no texto a respeito
da hepatite, verifica-se que
A o tom lúdico é empregado como recurso de consoli-
dação do pacto de confiança entre o médico e a po-
pulação.
B a figura do profissional da saúde é legitimada, evocando-
-se o discurso autorizado como estratégia argumentativa.
C o uso de construções coloquiais e específicas da ora-
lidade são recursos de argumentação que simulam o
discurso do médico.
D a empresa anunciada deixa de se autopromover ao
mostrar preocupação social e assumir a responsabili-
dade pelas informações.
E o discurso evidencia uma cena de ensinamento didá-
tico, projetado com subjetividade no trecho sobre as
maneiras de prevenção. A publicidade acima foi divulgada no site da agência
FAMIGLIA no dia 24 de janeiro de 2007, véspera do ani-
versário de São Paulo, no período em que foi proposta a
4 Enem 2012 campanha “Cidade Limpa”. Na base da foto, em letras bem
pequenas, está escrito: Tomara, mas tomara mesmo, que
nos próximos aniversários o paulistano comemore uma
cidade nova de verdade.
Considerando os sentidos produzidos por esse anúncio, é
correto afirmar:
A As duas perguntas e as duas respostas que configuram o
texto do outdoor na publicidade acima pressupõem que
os paulistanos estão discutindo o número de outdoors e
também o abandono de muitos dos moradores da cidade.
B O texto escrito em letras pequenas tem a função de
exortar os paulistanos a refletir sobre as próximas elei-
ções e sobre como fazer para que seja estabelecido um
Disponível em: <www.ivancabral.com>. Acesso em: 27 fev. 2012. conjunto de prioridades socialmente relevantes para
toda a sociedade.
O efeito de sentido da charge é provocado pela combina- C A publicidade pretende levar os leitores a perceber que
ção de informações visuais e recursos linguísticos. No con- as prioridades estabelecidas pela gestão municipal da
texto da ilustração, a frase proferida recorre à: cidade não permitem que os paulistanos enxerguem os
A polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expres- verdadeiros problemas que estão nas ruas de São Paulo.
são “rede social” para transmitir a ideia que pretende D A publicidade, composta de texto verbal e imagem,
veicular. tem como objetivo principal encampar o projeto “Cida-
B ironia, para conferir um novo significado ao termo “ou- de Limpa” elaborado pela gestão municipal e também
tra coisa”. propor a discussão de outras prioridades para a cidade.
C homonímia, para opor, a partir do advérbio de lugar, o es-
paço da população pobre e o espaço da população rica.
D personificação, para opor o mundo real pobre ao mun- GUIA DE ESTUDO
do virtual rico. Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 1
E antonímia, para comparar a rede mundial de computa- I. Leia as páginas 7 e 8.
dores com a rede caseira de descanso da família. II. Faça os exercícios 1 e 2 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 4 a 7.

88 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 09-11-2017 (17:50)

12 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Nessa aula, abordar a relação parte/todo e explicar a importância de se analisar e interpretar os textos em sua tota-
lidade para compreender seu real significado (utilizar o exemplo da tirinha). Explicar ainda o que é contexto, utilizando,
para isso, exemplos e mostrando como a contextualização ajuda na correta interpretação de partes de um texto.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: A.
O hacker tentou extorquir, fazer chantagem e exigir, de forma ilícita, uma quantia em dinheiro da jornalista. Essa alternativa
está contemplada em “Rowenna teve como resposta a cobrança de R$ 1,4 mil”.

2 Alternativa: D.
O uso das imagens de Dalí tem por objetivo orientar os usuários da biblioteca da UFG a cumprirem os prazos de devolução
dos empréstimos. Assim, o uso do relógio derretido surrealista tende a reforçar os transtornos acarretados pela demora,
funcionando como metonímia.

3 Alternativa: B.
Não se pode afirmar que o tom lúdico da mensagem tenha sido empregado com o propósito de firmar o pacto de confiança
entre médico e população. Na verdade, ele atribui um caráter de descontração à mensagem, o que invalida a alternativa A.
Tampouco se pode afirmar que a variante coloquial tenha sido empregada para simular o discurso do médico, uma vez que
sua intenção foi promover a aproximação com o interlocutor, o que invalida a alternativa C.
No anúncio, há um destaque para a função referencial, mas isso não invalida a função conativa. De fato, a empresa
anunciada continua a se promover ainda que o texto seja informativo, o que invalida a alternativa D.
Como a informação é veiculada de maneira objetiva, o que invalida a alternativa E é a afirmação de que o discurso é
projetado de maneira subjetiva.
A alternativa B, de fato, não é a mais ideal. Só é possível chegar a ela como resposta por exclusão. Desse modo, a Equipe
Pedagógica do Poliedro avalia a questão como mal elaborada.

4 Alternativa: A.
O substantivo “rede” pode fazer referência a um tecido de malha larga usado para o descanso de uma pessoa ou a
qualquer conjunto de objetos ou de pessoas que tenham uma relação entre si.
A expressão “rede social” está comumente relacionada ao conjunto de indivíduos com o qual uma pessoa tem relações
pessoais. No entanto, na charge, a imagem direciona o entendimento do substantivo “rede” para a designação do tecido,
sobre o qual se encontra uma família. Isso explica o porquê da proferição da frase: “Rede social aqui em casa é outra
coisa!”.
Dessa forma, na charge, são explorados os diferentes sentidos (isto é, a polissemia) da expressão “rede social”.

5 Alternativa: C.
A publicidade, por meio da linguagem oral, chama a atenção das pessoas para a questão da priorização de problemas. A
imagem, por sua vez, somada às frases no outdoor, revela a intenção completa da mensagem: tirar as pessoas das ruas é
a prioridade.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 13


ANOTAÇÕES

14 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
A������� �� ����� II 2
 Texto e conhecimento de mundo estar na superfície do texto, o implícito é mais difícil de ser
A compreensão de um texto pode exigir do leitor um percebido. No discurso literário, o implícito está presente
conhecimento de mundo, relacionado a uma ciência, a na relação que se estabelece entre a obra e o leitor. Ao ler
uma arte ou a uma vivência do cotidiano. A questão a se- uma poesia, um conto ou um romance, o leitor sempre vai
guir é um exemplo. à procura da mensagem que a obra quer passar e do tema
tratado, os quais costumam estar implícitos, por exemplo:
Enem 2012
— Você ainda está fumando?
Assine Nossa Revista e com mais — Sim...
R$ 58,10 — Só você fuma, José!

...leve também a versão digital O advérbio “ainda” pressupõe que José fumava; além
para tablet e PC por 1 ano e meio.
disso, passa a desaprovação do emissor em relação ao ato de
Disponível em: <www.assine.abril.com.br>. fumar. Verbos, advérbios e adjetivos, frequentemente, fun-
Acesso em: 29 fev. 2012 (Adapt.).
cionam como palavras-gatilho, isto é, disparam implícitos.

Com o advento da internet, as versões de revistas Progressão textual


e livros também se adaptaram às novas tecnologias. A progressão textual é o encadeamento de ideias de
A análise do texto publicitário apresentado revela que o sur- forma lógica e progressiva. Para que isso ocorra, é preciso
gimento das novas tecnologias: que haja coerência (compatibilidade de sentido entre as
A proporcionou mudanças no paradigma de consumo e partes) e coesão (ligação entre palavras e parágrafos). Veja
oferta de revistas e livros. o texto a seguir.
B incentivou a desvalorização das revistas e livros impressos.
C viabilizou a aquisição de novos equipamentos digitais. Crocante de maçã
D aqueceu o mercado de venda de computadores. Ingredientes:
E diminuiu os incentivos à compra de eletrônicos. • 4 maçãs reinetas
• 2 canecas de aveia
Para o entendimento da questão e da própria publici- • 2 canecas de açúcar
dade, é necessário que se conheça o significado de “tablet” • 250 g de margarina
e “PC”, pois as “mudanças no paradigma de consumo e • 1 colher (pequena) de canela
oferta de revistas e livros” (alternativa a) estão relacionadas
a essas tecnologias (“tablet” e “PC”). O conhecimento de Modo de preparo:
mundo é adquirido dentro e fora da sala de aula; a leitura 1. Finalmente, coloque a mistura por cima da maçã e leve
de jornais, revistas e livros, por exemplo, ajudam na cons- ao forno durante 20-30 minutos.
trução desse conhecimento. 2. Pode ser servido com natas ou com bola de sorvete.
3. Em uma taça, misture o açúcar, a margarina derretida,
Significados explícitos e implícitos a aveia e a canela.
Há significados que são extraídos da superfície do texto 4. Amasse tudo até ligar e despegar das mãos.
– significados explícitos – e há outros que são depreendidos 5. A seguir, coloque-as em um recipiente transparente de
de suas entrelinhas – significados implícitos. O termo “im- ir ao forno.
plícito” é sinônimo de pressuposto, subentendido. Por não 6. Inicialmente, descasque as maçãs e corte-as em fatias.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 89

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 15


Aula 2

A receita apresentada é impraticável, pois a ordem dos do texto, e marcadores temporais, que possuem a finalida-
parágrafos foi alterada, afetando a coesão e a coerência; na de de estabelecer a progressão temporal. Assim, o prono-
realidade a receita foi escrita assim: me oblíquo átono “as”, em 5, retoma o substantivo “fatias”
6. Inicialmente, descasque as maçãs e corte-as em fatias. citado em 6; o pronome indefinido “tudo”, em 4, recupera o
5. A seguir, coloque-as em um recipiente transparente de substantivo “mistura” (açúcar, margarina derretida, aveia e
ir ao forno. canela) referido em 3; o substantivo “mistura”, em 1, reto-
3. Em uma taça, misture o açúcar, a margarina derretida, ma o pronome indefinido “tudo”, presente em 4 e o sujeito
a aveia e a canela. elíptico da forma verbal “pode ser servido”, em 2, refere-se
4. Amasse tudo até ligar e despegar das mãos. ao substantivo “mistura” (depois de a mistura ser levada ao
1. Finalmente, coloque a mistura por cima da maçã e leve forno), citado em 1. A progressão temporal do texto é con-
ao forno durante 20-30 minutos. cretizada, fundamentalmente, por advérbios e locuções ad-
2. Pode ser servido com natas ou com bola de sorvete. verbiais, como “inicialmente”, “a seguir” e “finalmente”. Na
aula de narração, será estudada a progressão temporal no
Para compreensão da receita foram empregados ele- texto narrativo; e, na aula de dissertação, a progressão lógica
mentos coesivos, que possuem a função de ligar as partes no texto argumentativo.

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Enem 2015 2 Enem 2015 Primeiro surgiu o homem nu de cabeça bai-


xa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que
comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a rou-
pa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que
explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então
surgiram os números racionais e a História, organizando os
eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das
pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E
alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arran-
cando as cascas das feridas que alcança.
BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.).
Zero Hora, jun. 2008 (Adapt.). Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Dia do Músico, do Professor, da Secretária, do Veterinário...


Muitas são as datas comemoradas ao longo do ano e elas, A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi confi-
ao darem visibilidade a segmentos específicos da sociedade, gura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele,
oportunizam uma reflexão sobre a responsabilidade social a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma per-
desses segmentos. Nesse contexto, está inserida a propa- cepção que
ganda da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em que se A recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração
combinam elementos verbais e não verbais para se abordar a para a humanidade.
estreita relação entre imprensa, cidadania, informação e opi- B descontrói o discurso da filosofia a fim de questionar o
nião. Sobre essa relação, depreende-se do texto da ABI que, conceito de dever.
A para a imprensa exercer seu papel social, ela deve C resgata a metodologia da história para denunciar as
transformar opinião em informação. atitudes irracionais.
B para a imprensa democratizar a opinião, ela deve sele- D transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos
cionar a informação. da vida cotidiana.
C para o cidadão expressar sua opinião, ele deve demo- E satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o
cratizar a informação. saber científico.
D para a imprensa gerar informação, ela deve fundamen-
tar-se em opinião.
E para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso
à informação.

90 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (11:28)

16 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 2

3 Fuvest 2013 (Adapt.) O Surrealismo configurou-se como uma das vanguardas artís-
ticas europeias do início do século XX. René Magritte, pintor
Ata
belga, apresenta elementos dessa vanguarda em suas produ-
Acredito que o mau tempo haja concorrido para que os ções. Um traço do Surrealismo presente nessa pintura é o(a)
sabadoyleanos hoje não estivessem na casa de José Mindlin, em A justaposição de elementos díspares, observada na ima-
São Paulo, gozando das delícias do cuscuz paulista aqui amavel- gem do homem no espelho.
mente prometido. Depois do almoço, visita aos livros dialogan- B crítica ao passadismo, exposta na dupla imagem do ho-
tes, na expressão de Drummond, não sabemos se no rigoroso mem olhando sempre para frente.
sistema de vigilância de Plínio Doyle, mas de qualquer forma C construção de perspectiva, apresentada na sobreposi-
com as gentilezas das reuniões cariocas. Para o amigo de São ção de planos visuais.
Paulo as saudações afetuosas dos ausentes presentes, que neste D processo de automatismo, indicado na repetição da
instante todos nos voltamos para o seu palácio, aquele que se imagem do homem.
iria desvestir dos ares aristocráticos para receber camarades- E procedimento de colagem, identificado no reflexo do
camente os descamisados da Rua Barão de Jaguaribe. Guarde, livro do espelho.
amigo Mindlin, para breve o cuscuz da tradição bandeirante,
que hoje nos conformamos com os biscoitos à la Plínio Doyle. 5 Fuvest 2013 Examine o seguinte anúncio publicitário.
Rio, 20-11-1976.
Signatários: Carlos Drummond de Andrade, Gilberto de
Mendonça Teles, Plínio Doyle e outros.
Cartas da biblioteca Guita e José Mindlin. (Adapt.).

sabadoyleanos: frequentadores do sabadoyle, nome dado ao en-


contro de intelectuais, especialmente escritores, realizado habitual-
mente aos sábados, na casa do bibliófilo Plínio Doyle, situada no Rio
de Janeiro.

Da leitura do texto, depreende-se que:


A o anfitrião carioca, embora gentil, é cioso de sua bi-
blioteca.
B o anfitrião paulista recebeu com honrarias os amigos
cariocas, que visitaram a sua biblioteca. Revista Valor (Especial), jul. 2011. (Adapt.).
C os cariocas não se sentiram à vontade na casa do pau- a) Qual é a relação de sentido existente entre a imagem
lista, a qual, na verdade, era uma mansão. de uma folha de árvore e as expressões “Mapeamento
D os cariocas preferiram ficar no Rio de Janeiro, embora a logístico” e “caminho”, empregadas no texto que com-
recepção em São Paulo fosse convidativa. põe o anúncio acima reproduzido?
E o fracasso da visita dos cariocas a São Paulo abalou a
amizade dos bibliófilos.

4 Enem 2015

b) A que se refere o advérbio “aqui”, presente no texto do


anúncio?

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto| Livro Único | Frente Única | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 8 a 11.
II. Faça os exercícios 3 e 4 da seção “Revisando”.
MAGRITTE, R. A reprodução proibida. III. Faça os exercícios propostos de 8 a 11.
Óleo sobre tela. 81,3 x 65 m. Museum
Boijman Van Buninger, Holanda, 1937.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 91

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 09-11-2017 (17:52)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 17


 Orientações
Essa aula trata do papel do conhecimento de mundo na compreensão de um texto (leitura de livros, jornais, revistas,
sites etc.), da diferença entre significados explícitos e implícitos (no caso destes, ressaltar ainda o uso de verbos, advér-
bios e adjetivos como “palavras-gatilho”) e da importância da coesão e da coerência na obtenção da progressão textual.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: E.
O texto verbal relacionado ao imagético expõe a necessidade de o cidadão ter acesso à informação para que seu senso crítico
e sua opinião sejam incentivados e expostos.

2 Alternativa: D.
Fernando Bonassi, por meio de sua peculiar ironia, expõe as mudanças que o ser humano passa, gradativamente, até
alcançar o caos cotidiano.

3 Alternativa: A.
No trecho “[...] no rigoroso sistema de vigilância de Plínio Doyle [...]”, encontra-se uma expressão que adjetiva de forma
similar os termos “gentil” e “cioso”, que poderiam ser substituídos por “cuidadoso” ou mesmo por “rigoroso”.

4 Alternativa: A.
A imagem do homem no espelho mostra uma situação fora da realidade, o que evidencia a arte surrealista pela justaposição
dos elementos contraditórios.

5 a) No anúncio, retirado do site da Confederação Nacional da Indústria, a imagem da folha – vista de forma aproximada
– lembra, em função das divisões, tanto os caminhos a serem percorridos quanto um mapa; ela representa a Amazônia:
uma sinédoque (metonímia) que retrata a relação parte/todo. Afirma-se que é necessário conhecer muito bem a região
para que se respeitem os princípios ecológicos e para que a indústria possa explorar o “pulmão do mundo” de forma
inteligente, respeitando a natureza. O caminho para tornar a indústria mais competitiva é, portanto, fazer o mapeamento
logístico da região.
b) O advérbio “aqui” refere-se à folha, metonímia da natureza (o respeito à natureza) e ao mapeamento logístico (o estudo
da região com objetivo de a indústria se servir de forma inteligente).

ANOTAÇÕES

18 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 19


Frente Única

Aula
3 A������� �� ����� III

Esta aula trabalhará com o nível fundamental do texto, A transformação tímica ocorre quando se passa de um
no qual se encontram as oposições semânticas. Neste ní- estado (euforia ou disforia) para outro, como no exemplo
vel de análise, as oposições serão interpretadas de forma citado; a personagem passa da raiva para o carinho; essa
abstrata e serão associadas às categorias tímicas: a euforia transformação tímica auxilia na construção do sentido: a
(positividade) e a disforia (negatividade). personagem está dividida.

 Oposições semân�cas Tipos de oposição


A busca pelas oposições abstratas justifica-se, pois Todo texto traz uma oposição semântica implícita ou
o sentido nasce das oposições, interpretamos o mundo explícita, que pode aparecer de forma concreta ou abs-
por meio delas. Se reconhecemos o grande, o alto, o gor- trata. Se concreta, convém torná-la abstrata. Tome como
do, é porque temos a medida do pequeno, do baixo e do exemplo o excerto a seguir.
magro; se o texto discute a guerra, de forma implícita ele
também discute a paz, pois aquela é o cessar desta. Todo Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização
texto apresenta uma oposição de ordem abstrata, seja um Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão
conto, uma poesia, uma peça de teatro ou um quadro de Arnaldo Antunes. “Volte para o seu lar”. Um som, BMG, 1998.
pintura.
No texto de Arnaldo Antunes, observa-se a oposição
Categorias tímicas liberdade versus opressão; os termos “catequização” e
As categorias tímicas do texto são a euforia (estado de “sermão” são entendidos como uma restrição (opressão)
positividade) e a disforia (estado de negatividade). Um tex- à liberdade da “tribo”. Oposições como “vida/morte”, “apa-
to pode explorar a positividade, o bem-estar, a alegria, isto rência/essência”, “humano/divino”, “civilização/natureza”
é a euforia; mas também pode enfatizar estados de negati- são comuns em textos literários e científicos.
vidade, tristeza, pessimismo, melancolia, ou seja, a disforia.
É possível, ainda, haver os dois estados presentes. Conectivos da oposição
A conjunção é um conectivo da língua, pois faz a liga-
Transformação tímica ção entre palavras e orações; as conjunções coordenativas
Considere esse excerto de “Dom Casmurro”. sindéticas adversativas (mas, todavia, contudo, no entan-
to, entretanto...) e as conjunções subordinativas adverbiais
– Toma outra xícara, meia xícara só. concessivas (embora, ainda que, apesar de que, por mais
– E papai? que, conquanto...) estabelecem oposição semântica entre
– Eu mando vir mais; anda, bebe! palavras e orações. A conjunção coordenativa “mas” intro-
Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo duz o argumento mais forte; já a conjunção subordinativa
que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goe- “embora”, o argumento mais fraco, observe:
la abaixo, caso o sabor lhe repugnasse, ou a temperatura,
porque o café estava frio... Mas não sei que senti que me a) O Brasil jogou bem, mas não conseguiu marcar.
fez recuar. Pus a xícara em cima da mesa, e dei por mim a b) O Brasil não conseguiu marcar, mas jogou bem.
beijar doidamente a cabeça do menino.
– Papai! papai! exclamava Ezequiel. Na primeira oração, enfatiza-se o fato de o Brasil não
– Não, não, eu não sou teu pai! ter conseguido marcar; na segunda, destaca-se o fato de
[...] a seleção ter jogado bem. Veja agora as duas frases com
Machado de Assis. Dom Casmurro. 27 ed. conjunção concessiva.
São Paulo: Ática, 1994. p.173.

92 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

20 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 3

c) O Brasil jogou bem, embora não tenha marcado. É ferida que dói e não se sente
d) O Brasil não conseguiu marcar, embora tenha jogado É um contentamento descontente
bem. Luís Vaz de Camões.

Na primeira oração, o fato de não ter marcado é argu- O texto acima apresenta paradoxos, pois o doer é in-
mento mais fraco; na segunda, o fato de ter jogado bem compatível com não sentir, e o substantivo contentamento
cumpre esse papel. Em síntese, b e c equivalem-se seman- é incompatível com o adjetivo descontente; há, portanto,
ticamente, “jogar bem” é o argumento mais forte; a e d uma ideia contraditória, incoerente. Observe agora este
também apresentam equivalência, “não marcar” é o argu- outro exemplo.
mento mais forte.
De repente do riso fez-se o pranto
Figuras de linguagem da oposição Vinicius de Moraes. Soneto de Separação.
Entre as figuras de linguagem que trabalham com a
oposição, duas se destacam: o paradoxo e a antítese. A Nesse segundo exemplo, temos uma oposição de sen-
primeira estabelece uma contradição de ideias; a segunda tido entre “riso” e “pranto”. Entretanto, não há contradição
estabelece simplesmente uma oposição de sentido, sem de ideias, o poeta marca a passagem de uma coisa ao seu
contradição. No paradoxo literário, a contradição é desfeita oposto: “do riso ao pranto”. Se o poeta dissesse que era um
à luz do contexto, mas ao pé da letra, temos uma ideia riso cheio de pranto, teríamos um paradoxo.
contraditória, incoerente, veja:

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Unifesp 2013 (Adapt.) A Alguns fatos empolgavam o país até outro dia.
A volta do crescimento econômico, a descoberta do
Do chuchu ao xixi Pré-sal, o desvencilhamento dos credores.
B Levantamento feito por esta Folha em todos os estados
A concessionária Orla Rio subiu em 50%, de R$ 1 para do país mostrou que a Lei da Ficha Limpa barrou, até
R$ 1,50, o uso do banheiro público e de 60 para 65 anos o agora, 317 candidatos entre os 15.551 que disputam
privilégio da gratuidade. A idade foi elevada com base em as prefeituras brasileiras.
lei estadual de 2002, um ano antes de o Estatuto do Idoso C O dinheiro perdeu sua qualidade narrativa, tal como
(2003) favorecer pessoas “com idade igual ou superior a aconteceu com a pintura antes. O dinheiro agora fala
60 anos”. Se o mal está feito, os economistas devem agora sozinho.
se preocupar com o choque do preço do uso do banheiro D A evasão nas graduações em engenharia, assinalam os
público na meta da inflação. Em 1977, rimos quando a dita- professores, é alta demais. Só um quinto a um quarto
dura culpou o chuchu. Não seria o caso de rir, na democra- dos ingressantes termina por formar-se – segundo os
cia, do impacto do xixi no custo de vida? autores, porque lhes faltam noções básicas de mate-
Carta Capital, 27 jun. 2012. mática, que deveriam adquirir no ensino médio.
E “Até nas flores se encontra a diferença da sorte: umas
A relação de sentido entre “ditadura” e “democracia”, esta- enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.” Esse poema
belecida no último parágrafo do texto, também ocorre na se aprendia nas escolas do passado. Hoje, a diferença
seguinte passagem, extraída do jornal Folha de S.Paulo, de da sorte atinge até mesmo os partidos políticos, que
11 de setembro de 2012: podem ser resumidos em situação e oposição.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 93

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 21


Aula 3

2 Unifesp 2014 3 Enem 2014

A sensível Texto I

Foi então que ela atravessou uma crise que nada pare- João Guedes, um dos assíduos frequentadores do bo-
cia ter a ver com sua vida: uma crise de profunda piedade. liche do capitão, mudara-se da campanha havia três anos.
A cabeça tão limitada, tão bem penteada, mal podia su- Três anos de pobreza na cidade bastaram para o degradar.
portar perdoar tanto. Não podia olhar o rosto de um tenor Ao morrer, não tinha um vintém nos bolsos e fazia dois me-
enquanto este cantava alegre – virava para o lado o rosto ses que saíra da cadeia, onde estivera preso por roubo de
magoado, insuportável, por piedade, não suportando a gló- ovelha.
ria do cantor. Na rua de repente comprimia o peito com as A história de sua desgraça se confunde com a da maio-
mãos enluvadas – assaltada de perdão. Sofria sem recom- ria dos que povoam a aldeia de Boa Ventura, uma cidade-
pensa, sem mesmo a simpatia por si própria. zinha distante, triste e precocemente envelhecida, situada
Essa mesma senhora, que sofreu de sensibilidade como nos confins da fronteira do Brasil com o Uruguai.
de doença, escolheu um domingo em que o marido viaja- C. Martins. Porteira fechada. Porto Alegre:
Movimento, 2001 (fragmento).
va para procurar a bordadeira. Era mais um passeio que
uma necessidade. Isso ela sempre soubera: passear. Como
se ainda fosse a menina que passeia na calçada. Sobretudo Texto II
passeava muito quando “sentia” que o marido a engana-
va. Assim foi procurar a bordadeira, no domingo de manhã. Comecei a procurar emprego, já topando o que
Desceu uma rua cheia de lama, de galinhas e de crianças desse e viesse, menos complicação com os homens, mas
nuas – aonde fora se meter! A bordadeira, na casa cheia não tava fácil. Fui na feira, fui nos bancos de sangue, fui
de filhos com cara de fome, o marido tuberculoso – a bor- nesses lugares que sempre dão para descolar algum, fui de
dadeira recusou-se a bordar a toalha porque não gostava porta em porta me oferecendo de faxineiro, mas tava todo
de fazer ponto de cruz! Saiu afrontada e perplexa. “Sentia- mundo escabreado pedindo referências, e referências eu só
-se” tão suja pelo calor da manhã, e um de seus prazeres tinha do diretor do presídio.
era pensar que sempre, desde pequena, fora muito limpa. R. Fonseca. Feliz ano novo. São Paulo: Cia. das Letras,
1989 (fragmento).
Em casa almoçou sozinha, deitou-se no quarto meio escu-
recido, cheia de sentimentos maduros e sem amargura. Oh A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáti-
pelo menos uma vez não “sentia” nada. Senão talvez a per- cas tradicionais da literatura brasileira. Nos fragmentos dos
plexidade diante da liberdade da bordadeira pobre. Senão dois autores contemporâneos, esse embate incorpora um
talvez um sentimento de espera. A liberdade. elemento novo: a questão da violência e do desemprego.
LISPECTOR, C. Os melhores contos de Clarice Lispector, 1996. As narrativas apresentam confluência, pois nelas o(a)
A criminalidade é algo inerente ao ser humano, que su-
A narrativa delineia entre as personagens da senhora e da cumbe a suas manifestações.
bordadeira uma relação de B meio urbano, especialmente o das grandes cidades, es-
A animosidade, marcada pela recusa afrontosa da segun- timula uma vida mais violenta.
da em atender ao pedido emergencial da primeira. C falta de oportunidades na cidade dialoga com a pobre-
B cumplicidade, entendida como ajuda entre duas mu- za do campo rumo à criminalidade.
lheres cujas vidas mostram-se tão distintas. D êxodo rural e a falta de escolaridade são causas da vio-
C sujeição, fortalecida naturalmente pelas condições lência nas grandes cidades.
econômicas da primeira, superiores às da segunda. E complacência das leis e a inércia das personagens são
D incompreensão, decorrente do desejo da primeira de estímulos à prática criminosa.
que a segunda trabalhasse num dia de domingo.
E oposição, determinada pela superioridade social e eco-
nômica da primeira e a liberdade da segunda.

94 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

22 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 3

4 Unesp 2013 O texto a seguir toma por base um frag- MELITA: — Quase. É bom pentear teus cabelos: meus
mento de uma peça do teatrólogo Guilherme Figueiredo dedos adquirem o som e a luz que eles têm. Xantós beija
(1915-1997). os teus cabelos? (Muxoxo de Cleia.) Eu admiro teu marido.
CLEIA: — Por que não dizes logo que o amas? Gostarias
A raposa e as uvas bastante se ele me repudiasse, te tornasse livre e se casasse
contigo...
(Casa de Xantós, em Samos. Entradas à D., E., e F. Um MELITA: — Não digas isto... Além do mais, Xantós te
gongo. Uma mesa. Cadeiras. Um “clismos*”. Pelo pórtico, ama...
ao fundo, vê-se o jardim. Estão em cena Cleia, esposa de CLEIA: — À sua maneira. Faço parte dos bens dele,
Xantós, e Melita, escrava. Melita penteia os cabelos de como tu, as outras escravas, esta casa...
Cleia.) MELITA: — Sempre que viaja te traz presentes.
CLEIA: — Não é o amor que leva os homens a dar pre-
MELITA: — (Penteando os cabelos de Cleia.) Então sentes às esposas: é a vaidade; ou o remorso.
Rodópis contou que Crisipo reuniu os discípulos na praça, MELITA: — Xantós é um homem ilustre.
apontou para o teu marido e exclamou: “Tens o que não CLEIA: — É o filósofo da propriedade: “Os homens são
perdeste”. Xantós respondeu: “É certo”. Crisipo continuou: desiguais: a cada um toca uma dádiva ou um castigo”. É
“Não perdeste chifres”. Xantós concordou: “Sim”. Crisipo isto democracia grega... É o direito que o povo tem de esco-
finalizou: “Tens o que não perdeste; não perdeste chifres, lher o seu tirano: é o direito que o tirano tem de determinar:
logo os tens”. (Cleia ri.) Todos riram a valer. deixo-te pobre; faço-te rico; deixo-te livre; faço-te escravo. É
CLEIA: — É engenhoso. É o que eles chamam sofisma. o direito que todos têm de ouvir Xantós dizer que a injustiça
Meu marido vai à praça para ser insultado pelos outros fi- é justa, que o sofrimento é alegria, e que este mundo foi
lósofos? organizado de modo a que ele possa beber bom vinho, ter
MELITA: — Não; Xantós é extraordinariamente inteli- uma bela casa, amar uma bela mulher. Já terminaste?
gente... No meio do riso geral, disse a Crisipo: “Crisipo, tua MELITA: — Um pouco mais, e ainda estarás mais bela
mulher te engana, e no entanto não tens chifres: o que per- para o teu filósofo.
deste foi a vergonha!” E aí os discípulos de Crisipo e os de CLEIA: — O meu filósofo... Os filósofos são sempre cria-
Xantós atiraram-se uns contra os outros... turas cheias demais de palavras...
CLEIA: — Brigaram? (Assentimento de Melita.) Como é (*) Espécie de cama para recostar-se.
que Rodópis soube disto? Figueiredo, G. Um Deus dormiu lá em casa, 1964.
MELITA: — Ela estava na praça.
CLEIA: — Vocês, escravas, sabem mais do que se passa Entre as frases, extraídas do texto, aponte a que consiste
em Samos do que nós, mulheres livres... num raciocínio fundamentado na percepção de uma con-
MELITA: — As mulheres livres ficam em casa. De certo tradição:
modo são mais escravas do que nós. A Tenho conforto aqui, e todos me consideram.
CLEIA: — É verdade. Gostarias de ser livre? B As mulheres livres ficam em casa. De certo modo são
MELITA: — Não, Cleia. Tenho conforto aqui, e todos me mais escravas do que nós.
consideram. É bom ser escrava de um homem ilustre como C É bom pentear teus cabelos: meus dedos adquirem o
teu marido. Eu poderia ter sido comprada por algum mer- som e a luz que eles têm.
cador, ou algum soldado, e no entanto tive a sorte de vir a D Os filósofos são sempre criaturas cheias demais de pa-
pertencer a Xantós. lavras...
CLEIA: — Achas isto um consolo? E Xantós é extraordinariamente inteligente...
MELITA: — Uma honra. Um filósofo, Cleia!
CLEIA: — Eu preferia que ele fosse menos filósofo e mais
marido. Para mim os filósofos são pessoas que se encarre-
gam de aumentar o número dos substantivos abstratos.
MELITA: — Xantós inventa muitos?
CLEIA: — Nem ao menos isto. E aí é que está o trágico:
é um filósofo que não aumenta o vocabulário das contro-
vérsias. Já terminaste?

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 95

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 23


Aula 3

5 Unicamp 2012 O parágrafo reproduzido abaixo introduz 6 ITA 2016 O poema abaixo é de José Paulo Paes:
a crônica intitulada “Tragédia concretista”, de Luís Martins.
Bucólica
O poeta concretista acordou inspirado. Sonhara a noite
toda com a namorada. E pensou: lábio, lábia. O lábio em O camponês sem terra
que pensou era o da namorada, a lábia era a própria. Em Detém a charrua
todo o caso, na pior das hipóteses, já tinha um bom começo E pensa em colheitas
de poema. Todavia, cada vez mais obcecado pela lembran- Que nunca serão suas.
ça daqueles lábios, achou que podia aproveitar a sua lábia Um por todos – poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986.
e, provisoriamente desinteressado da poesia pura, resolveu
telefonar à criatura amada, na esperança de maiores inti- O texto apresenta
midades e vantagens. Até os poetas concretistas podem ser A uma oposição campo/cidade, de filiação árcade-ro-
homens práticos. mântica.
Luís Martins. “Tragédia concretista”. In: As cem melhores crônicas B um bucolismo típico da tradição árcade, indicado pelo
brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 132.
título.
C uma representação tipicamente romântica do homem
Explique por que a palavra “todavia” (linha 5) é usada para do campo.
introduzir um dos enunciados da crônica. D um contraste entre o arcadismo do título e o realismo
social dos versos.
E uma total ruptura com a representação realista do ho-
mem do campo.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 11 a 14.
II. Faça o exercício 5 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 16 a 20.

96 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 09-11-2017 (17:52)

24 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Nessa aula, explicar a importância das oposições semânticas na construção do significado, definindo as categorias
tímicas (euforia e disforia). Tratar ainda dos diferentes sentidos obtidos a partir do emprego dos conectivos (conjunções
adversativas e concessivas) e das figuras de linguagem (paradoxo e antítese) que trabalham com a oposição.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: E.
A relação de oposição entre “ditadura” e “democracia”, estabelecida no último parágrafo do texto, também ocorre na
seguinte passagem: “[…] umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.”.

2 Alternativa: E.
Existe uma relação de oposição entre a superioridade socioeconômica da senhora e a liberdade da bordadeira pobre.
A alternativa A está incorreta porque não houve animosidade (isto é, afronta ou provocação) por parte da bordadeira. Ela
simplesmente não gostava de fazer ponto cruz. Além disso, o pedido não era emergencial, era mais um pretexto para a
senhora sair de casa no domingo.
A alternativa B está incorreta porque a recusa da bordadeira indica que não houve cumplicidade entre as duas.
A alternativa C está incorreta porque a recusa da bordadeira mostra que não houve sujeição. A senhora não conseguiu
impor sua vontade à bordadeira.
A alternativa D está incorreta porque a bordadeira recusou-se a bordar a toalha devido ao fato de não gostar de fazer ponto
cruz, e não por ser domingo.

3 Alternativa: C.
Ambos os textos exploram a temática da criminalidade que ocorre tanto no meio urbano quanto no rural, chamando a
atenção para um problema recorrente no país.

4 Alternativa: B.
A contradição está exposta na utilização dos termos “livres” e “escravas”, que acabam por produzir um efeito de sentido
paradoxal no enunciado, ao afirmar que as mulheres livres são mais escravas: “As mulheres livres ficam em casa. De certo
modo são mais escravas do que nós”.

5 A palavra “todavia” pressupõe uma mudança de direcionalidade. O poeta, ao sonhar com a namorada, encontrou
inspiração para construir um poema, mas, ao se lembrar dos lábios dela, muda a ação da criação poética para a de
telefonar para a amada, com o intuito de encontrar-se com ela.

6 Alternativa: D.
O título do poema acusa uma característica árcade, uma vez que denuncia a presença, no poema, de uma ambientação rural,
com enaltecimento de elementos naturais. No entanto, ao ler os versos, percebemos a presença do teor social, uma vez que
o camponês produz, mas não usufrui da produção. A relação patrão versus empregado estende-se para explorador versus
explorado.
Essa poesia de tendência engajada foge da tradição romântica, ou, até mesmo, árcade, e se aproxima da tendência realista,
o que faz a alternativa E ser incorreta.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 25


ANOTAÇÕES

26 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
A ��������� 4
Para o reconhecimento do texto descrito, leve em con- b) Uso de verbos de ligação com o objetivo de introduzir
ta as seguintes características: características do ser.

 Caracterís�cas do texto descri�vo Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o
• É um retrato físico, social ou psicológico; amor da Pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum,
• Não há progressão temporal; palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorven-
• Não há mudança de estado; te. [...] o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento
• Os dados são simultâneos; inteiro de Brasil. [...] Não se sabia bem onde nascera, mas não
• Particulariza o ser. fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no
Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regiona-
Exemplo: lismo: Quaresma era antes de tudo brasileiro.
Estávamos sobre a pedra do Calvário. Em torno, a capela Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma.
que a abriga, resplandecia com um luxo sensual e pagão. No São Paulo: Scipione, 1997.
teto azul-ferrete brilhavam sóis de prata, signos do zodíaco,
estrelas, asas de anjos, flores de púrpura; e, dentre este fausto c) Uso considerável de adjetivos e formas adjetivas com
sideral, pendiam de correntes de pérolas os velhos símbolos intuito de caracterizar o ser.
da fecundidade, os ovos de avestruz, ovos sacros de Astarté
e Baco de ouro. [...] Globos espelhados, pousando sobre pea-
Em marcha para Canudos
nhas de ébano, refletiam as joias dos retábulos, a refulgência
das paredes revestidas de jaspe, de nácar e de ágata. E no
chão, no meio deste clarão, precioso de pedraria e luz, emer- Foi nestas condições desfavoráveis que partiram a 12
gindo dentre as lajes de mármore branco, destacava um boca- de janeiro de 1897.
do de rocha bruta e brava, com uma fenda alargada e polida Tomaram pela Estrada de Cambaio.
por longos séculos de beijos e afagos beatos. É a mais curta e a mais acidentada. Ilude a princípio,
Eça de Queiroz. A relíquia. perlongando o vale de Cariacá, numa cinta de terrenos fér-
O texto anterior faz uma descrição do espaço; o nar- teis sombreados de cerradões que prefiguram verdadeiras
rador dá informações sobre a capela. Os dados são simul- matas.
tâneos, não há progressão temporal e, por conseguinte, Transcorridos alguns quilômetros, porém, acidenta-se;
também não há mudança de estado, mas apenas uma ca- perturba-se em trilhas pedregosas e torna-se menos prati-
racterização do local de forma poética. cável à medida que se avizinha do sopé da serra do Acaru.
[...]
 Ferramentas grama�cais da descrição Euclides da Cunha. Os sertões. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 385.
Eis algumas ferramentas gramaticais usadas nas descrições:
a) Uso do pretérito imperfeito do indicativo (passado dura- d) Uso do presente do indicativo com o objetivo de se
tivo) com a finalidade de passar os hábitos e caracterís- descrever a realidade presente ou de se criar um efeito
ticas das personagens. de aproximação (ênfase ao passado, pois ele tem res-
sonância até os dias de hoje).
Ricordanza della mia gioventu

A minha ama-de-leite Guilhermina No adro da janela há pinga, café,


Furtava as moedas que o Doutor me dava. imagens, fenômenos, baralhos, cigarros
Sinhá-Mocinha, minha mãe, ralhava... e um sol imenso que lambuza de ouro
Via naquilo a minha própria ruína! o pó das feridas e o pó das muletas.
[...] Carlos Drummond de Andrade. “Romaria”. In: Poesia Completa.
Augusto dos Anjos. Lembrança da minha juventude. Disponível em: Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 38.
<www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn00054a.pdf>.
Ricordanza della mia gioventu: Lembrança da minha juventude.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 97

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 27


Aula 4
 Tipos de descrição formado por um grande laço branco muito teso e engoma-
A descrição pode ser física, psicológica ou sociológica. do; calçavam umas chinelas de salto alto e tão pequenas que
Na primeira, enfatiza-se os aspectos mais concretos, mais apenas continham os dedos dos pés, ficando de fora todo o
aparentes; na segunda, destacam-se as características calcanhar; e, além de tudo isto, envolviam-se graciosamente
mentais, os traços psicológicos e estados do ser; na ter- em uma capa de pano preto, deixando de fora os braços or-
ceira, faz-se referência à classe social e ao trabalho. Veja o nados de argolas de metal simulando pulseiras.
exemplo a seguir: Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de
Milícias. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/
DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1969>.
D. Quinquina (como a chamam suas amigas) conversa
sofrível e sentimentalmente: é meiga, terna, pudibunda, e A caracterização física das baianas ocorre em todo o
mostra ser muito modesta. Seu moral é belo e lânguido como trecho, pois faz-se a descrição da indumentária das perso-
seu rosto; um apurado observador, por mais que contra ela nagens. Veja agora um exemplo de descrição sociológica:
se dispusesse, não passaria de classificá-la entre as sonsas.
Joaquim Manuel de Macedo. Disponível em: Jeca Tatu passava os dias de cócoras, pitando enormes
<www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_
action=&co_autor=57>.
cigarrões de palha, sem ânimo de fazer coisa nenhuma. Ia
ao mato caçar, tirar palmitos, cortar cachos de brejaúva,
Na passagem acima predomina a descrição psicoló- mas não tinha ideia de plantar um pé de couve atrás da
gica. Termos como “meiga”, “terna”, “modesta”, “sonsas” casa. Perto um ribeirão, onde ele pescava de vez em quan-
referem-se a aspectos psicológicos do ser humano. Veja do uns lambaris e um ou outro bagre. E assim ia vivendo.
agora um exemplo de descrição física: Monteiro Lobato. Jeca Tatu.

As chamadas baianas não usavam vestidos; traziam so- No excerto acima, destaca-se a relação personagem-
mente umas poucas saias presas à cintura, e que chegavam -trabalho; faz-se uma abordagem sociológica.
pouco abaixo do meio da perna, todas elas ornadas de mag- A descrição pode, ainda, ser classificada como obje-
níficas rendas; da cintura para cima traziam uma finíssima tiva (descrição utilitária, por exemplo um manual de ins-
camisa, cuja gola e manga eram também ornadas de renda; trução) ou subjetiva (literária); dinâmica (com movimento)
ao pescoço punham um cordão de ouro, um colar de corais, ou estática (sem movimento); e cinematográfica (à base de
os mais pobres eram de miçangas; ornavam a cabeça com flashes).
uma espécie e turbante a que davam o nome de trunfas,

EXERCÍCIOS DE SALA

► Texto para as questões 1 e 2. João Romão fugira até ao canto mais escuro do arma-
zém, tapando o rosto com as mãos.
— É esta! disse aos soldados que, com um gesto, inti- Aluísio de Azevedo. O cortiço. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.
br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=2149>.
maram a desgraçada a segui-los. — Prendam-na! É escrava
minha!
A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, 1 Assinale a alternativa em que se nota uma descrição
com uma das mãos espalmada no chão e com a outra se- subjetiva, semelhante à utilizada em “rugindo e esfoci-
gurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem nhando moribunda numa lameira de sangue.”.
pestanejar. A “A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe,”
Os policiais, vendo que ela se não despachava, desem- B “então, erguendo-se com ímpeto de anta bravia,”
bainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo-se com C “aterrada para eles, sem pestanejar”
ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que al- D “já de um só golpe certeiro e fundo”
guém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro e E “recuou de um salto e, antes que alguém conseguisse”
fundo rasgara o ventre de lado a lado.
E depois embarcou para a frente, rugindo e esfocinhan-
do moribunda numa lameira de sangue.

98 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

28 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 4

2 Em “olhou aterrada para eles, sem pestanejar”, o autor faz 4 Unesp 2015 A questão 4 toma por base uma passagem
uso de descrição psicológica em concomitância com a ação da de um romance de Autran Dourado (1926-2012).
personagem. Assinale a alternativa em que isso também ocorre.
A gente Honório Cota
A “E depois embarcou para a frente [...]”
B “Bertoleza então, erguendo-se com ímpeto de anta Quando o coronel João Capistrano Honório Cota man-
bravia [...]” dou erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas
C “A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe [...]” já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava
D “[...] com uma das mãos espalmada no chão e com a muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de
outra segurando a faca de cozinha [...]” casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa
E “[...] rasgara o ventre de lado a lado [...]” corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de
todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões
3 Unesp 2013 O excerto a seguir pertence a Machado (batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo,
de Assis. Trata-se do capítulo CCXXIII do romance Dom por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito.
Casmurro, denominado “Olhos de ressaca”; leia-o. Dava gosto ver: O passo vagaroso de quem não tem pres-
sa — o mundo podia esperar por ele, o peito magro estufa-
As minhas [lágrimas] cessaram logo. Fiquei a ver as do, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da
dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a Igreja cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os
gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a ami- que por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas
ga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha tam- vezes só para vê-lo passar. Desde longe a gente adivinhava
bém. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram ele vindo: alto, magro, descarnado, como uma ave pernalta
o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser de-
desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, sajeitado: não era, dava sempre a impressão de uma gran-
como se quisesse tragar também o nadador da manhã. de e ponderada figura. Não jogava as pernas para os lados
Machado de Assis. Dom Casmurro. Disponível em: nem as trazia abertas, esticava-as feito medisse os passos,
<www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv00180a.pdf>.
quebrando os joelhos em reto. Quando montado, indo para a
sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado de
No todo, o trecho acima pode ser considerado narrativo, couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande, impo-
pois há progressão temporal, os fatos se sucedem; no en- nente figura, que enchia as vistas. Parecia um daqueles cava-
tanto, há passagens descritivas. Assinale a alternativa em leiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim,
que a descrição emprega linguagem figurada. quando iam para a guerra armados cavaleiros.
A “[...] como a vaga do mar lá fora [...]” Ópera dos mortos, 1970.
B “Fiquei a ver as dela [...]”
C “Redobrou de carícias para a amiga [...]” Em seu conjunto, a descrição do coronel sugere uma figura
D “[...] olhando a furto para a gente [...]” que
E “[...] sem o pranto nem palavras desta,” A exibe um temperamento tímido e fechado.
B manifesta desprezo por tudo à sua volta.
C demonstra humildade em tudo o que fazia.
D revela nos gestos e comportamento segurança e poder.
E inspira certo receio aos habitantes da cidade.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 99

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 09-11-2017 (17:54)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 29


Aula 4

5 Unifesp 2014 Casimiro de Abreu pertence à geração ► Texto para a questão 6.


dos poetas que morreram prematuramente, na casa dos
vinte anos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos Urubua
do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos
transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta Noite. Rua.
existência, centra-se em dois temas fundamentais: a sauda- Homem mastiga pão.
de e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade Solidão escura que caminha, mastiga, caem migalhas.
e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de Urubus cor-de-noite em busca de migalhas amarelas.
infantil. Carros cinzas passam.
MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos, 2004. (Adapt.). Migalhas de urubu.
Dia. Amarelo.
Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia Amanhece, urubus vermelhos no asfalto cinza. Cinzas de
de saudade, tal como descrita por Massaud Moisés, encon- urubu na rua. Urubua.
tram-se em: R. Onada.
A Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à
beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração 6 Em relação ao poema acima:
que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato! a) Identifique três versos em que se empregou a mesma
B Oh! Não me chames coração de gelo! / Bem vês: traí- estrutura sintática.
me no fatal segredo. / Se de ti fujo é que te adoro e
muito, / És bela – eu moço; tens amor, eu – medo!...
C Tu, ontem, / Na dança / Que cansa, / Voavas / Co’as fa-
ces / Em rosas / Formosas / De vivo, / Lascivo / Carmim;
/ Na valsa / Tão falsa, / Corrias, / Fugias, / Ardente, /
Contente, / Tranquila, / Serena, / Sem pena / De mim!
D Naqueles tempos ditosos / Ia colher as pitangas, / Tre- b) Dê dois aspectos do texto que justifique o emprego de
pava a tirar as mangas, / Brincava à beira do mar; / linguagem cinematográfica.
Rezava às Ave-Marias, / Achava o céu sempre lindo, /
Adormecia sorrindo / E despertava a cantar!
E Se eu soubesse que no mundo / Existia um coração, /
Que só por mim palpitasse / De amor em terna expan-
são; / Do peito calara as mágoas, / Bem feliz eu era
então!

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 2
I. Leia as páginas de 36 a 39.
II. Faça os exercícios 1 e 2 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 1 a 4.

100 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 09-11-2017 (17:54)

30 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Ao longo dessa aula, faz-se necessário apresentar ao aluno as principais características que lhe permitem reconhecer
um texto descritivo (sem progressão temporal, dados simultâneos etc.), bem como o uso de certas ferramentas gramati-
cais que auxiliam na elaboração desse tipo de texto (pretérito imperfeito do indicativo e verbos de ligação, por exemplo).
Por fim, abordar os tipos de descrição: física, psicológica e sociológica.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: B.
Em ambos os casos, há uma analogia com o reino animal.

2 Alternativa: B.
O adjetivo “bravia” aponta um estado psicológico da personagem.

3 Alternativa: A.
O autor faz uma analogia com o mar, empregando uma figura denominada comparação.

4 Alternativa: D.
Ainda referente ao mesmo texto e ainda com respeito ao personagem nele descrito, o candidato teria que achar a alternativa
que melhor “resumisse” o que se pode sugerir a partir das descrições feitas acerca do coronel. Sem maiores dificuldades, a
alternativa D teria sido a escolhida, visto que é plausível deduzir que a figura do coronel “revela nos gestos e comportamento
segurança e poder”. No texto, são muitas as passagens que confirmam essa sugestão e, portanto, que sustentam a correção
da alternativa D: “Dava gosto ver” ou, ainda, “Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava sempre
a impressão de uma grande e ponderada figura”, ou também “era a grande, imponente figura, que enchia as vistas”.

5 Alternativa: D.
O trecho citado na alternativa D está correto, pois se refere a um tempo passado de felicidade e inocência (“Naqueles
tempos ditosos”). Portanto, está relacionado ao sentimento de saudade.
A alternativa A está incorreta porque se refere ao sentimento de tristeza típico da geração byroniana.
A alternativa B está incorreta porque se refere ao medo de amar.
A alternativa C está incorreta porque descreve a lembrança recente de um baile.
A alternativa E está incorreta porque trata do desejo de que houvesse alguém que amasse o eu lírico.

6 a) Versos em forma de orações:


- Homem mastiga pão.
- Solidão escura que caminha, mastiga, caem migalhas.
- Carros cinzas passam.

Versos compostos de frases nominais:


- Noite. Rua.
- Urubus cor-de-noite em busca de migalhas amarelas.
- Migalhas de urubu.
- Dia. Amarelo.
- Amanhece, urubus vermelhos no asfalto cinza. Cinzas de urubu na rua. Urubua.

b) Falta de conexão sintática entre os versos, descrição à base de flashes.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 31


ANOTAÇÕES

32 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
N������� 5
Características Entra na Pensión Don Marcos. No fim da escada escura
A narração caracteriza-se, principalmente, pela pro- a sala de refeições. Quase dez horas, todos ao redor das
gressão temporal, pela mudança de estado e pela sucessão mesas beliscavam furtivamente o pão preto. O lugar de
de fatos. Em uma narração, sempre haverá um espaço, um Pedro ocupado pelo vizinho que tosse. A patroa, chegando
tempo, personagens e conflito; o narrador pode estar explí- com a primeira terrina, avisa que acolheu novos hóspedes.
cito ou não. O texto narrativo é considerado figurativo, pois Ele deve colocar-se à mesa com o outro. Tem fome e não
predominam elementos concretos. discute diante dos pensionistas, que o espreitam de suas
Eis as características do texto narrativo. cadeiras. A dona pisca o olho vermelho e indica, no lugar do
tossidor, um casal de amantes, dando-se as mãos sobre a
• Tempo verbal mesa sem toalha.
O texto narrativo costuma empregar determinados tem- Dalton Trevisan. “Noites de Amor em Granada”. In: Novelas nada
exemplares. 4 ed. rev. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
pos verbais, como o pretérito perfeito do indicativo, o preté- 1975. p.136.
rito imperfeito do indicativo e o presente do indicativo.
a) Uso do pretérito perfeito do indicativo para relatar as No exemplo acima, temos o narrador-observador, que
transformações. relata os fatos de forma neutra. Veja agora um exemplo de
narrador-personagem.
O crime do negro abriu uma clareira silenciosa no meio
do povo. Ficaram todos estarrecidos de espanto. Pois tinha sido que eu acabava de sarar duma doen-
Aníbal Machado. “A morte da porta-estandarte”. In: A morte da porta- ça, e minha mãe feito promessa para eu cumprir quando
-estandarte e outras histórias. Rio de Janeiro, 1965. p. 231.
ficasse bom: eu carecia de tirar esmola, até perfazer um
tanto – metade para se pagar uma missa, em alguma igre-
b) Uso do pretérito imperfeito do indicativo para a descri- ja, metade para se pôr dentro duma cabaça bem tapada e
ção que acompanha a narração. breada, que se jogava no São Francisco, a fim de ir, Bahia
abaixo, até esbarrar no Santuário do Santo Senhor Bom-
O preto ajoelhado bebia-lhe mudamente o último sor- -Jesus da Lapa, que na beira do rio tudo pode. Ora, lugar
riso, e inclinava a cabeça de um lado para outro como se de tirar esmola era no porto. Mãe me deu uma sacola. Eu
estivesse contemplando uma criança. [...] ia, todos os dias. E esperava por lá, naquele parado, raro
Aníbal Machado. “A morte da porta-estandarte”. In: A morte da porta- que alguém vinha. Mas eu gostava, queria novidade quieta
-estandarte e outras histórias. Rio de Janeiro, 1965. p. 231.
para meus olhos.
Guimarães Rosa. “Grande Sertão: Veredas”. In: Ficção Completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009. p. 67.
c) Uso do presente do indicativo para descrições e para
criar o efeito de vivacidade.
Nota-se a opinião do narrador nas seguintes passa-
Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico e gens: “Ora, lugar de tirar esmola era no porto [...] E espera-
o país desperta esturvinhado à crise de uma mudança de va por lá, naquele parado, raro que alguém vinha. Mas eu
dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se, de novo. gostava, queria novidade quieta para meus olhos.”.
Monteiro Lobato. Urupês. São Paulo: Globo, 2007. p. 169. O narrador pode estar a par do que se passa no pensa-
mento da personagem, bem como estar consciente do seu
• Narrador passado e das suas emoções; nesse caso, teremos um narra-
O narrador pode apresentar-se em primeira pessoa (nar- dor onisciente, como no texto a seguir.
rador-personagem, participa da história) ou em terceira pessoa
(narrador-observador, apenas relata); o primeiro tende a ser
mais parcial; o segundo, mais imparcial. Veja o exemplo a seguir.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 101

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:21)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 33


Aula 5

Junto da inocente menina adormecida na isenção • Tempo


de sua alma pura de virgem, velavam três sentimentos Trata-se do momento em que ocorrem as ações.
profundos, palpitavam três corações bem diferentes. Em O tempo pode ser concebido das seguintes maneiras:
Loredano, o aventureiro de baixa extração, esse sentimento a) tempo real.
era um desejo ardente, uma sede de gozo, uma febre que b) tempo psicológico (memória, lembrança).
lhe requeimava o sangue: o instinto brutal dessa natureza c) tempo cronológico.
vigorosa era ainda aumentado pela impossibilidade moral d) inversão temporal (para o passado ou para o futuro).
que a sua condição criava, pela barreira que se elevava
entre ele, pobre colono, e a filha de D. Antônio de Mariz, • Espaço
rico fidalgo de solar e brasão. [...] Em Álvaro, cavalheiro Trata-se do lugar em que ocorrem as ações. O espaço pode
delicado e cortês, o sentimento era uma afeição nobre e ser concebido das seguintes maneiras:
pura, cheia de graciosa timidez que perfuma as primeiras a) espaço real.
flores do coração, e do entusiasmo cavalheiresco que b) espaço psicológico (memória, lembrança).
tanta poesia dava aos amores daquele tempo de crença e
lealdade. [...] Em Peri, o sentimento era um culto, espécie de • Conflito
idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento O conflito é o obstáculo, o que provoca tensão. Pode
de egoísmo; amava. ser de natureza:
José de Alencar. O guarani. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/ a) física (acidente de carro).
download/texto/bv000135.pdf>.
b) psicológica (separação de um casal).
O narrador, em José de Alencar, revela os sentimentos c) sociológica (preconceito).
de cada pretendente, mostrando-se, assim, onisciente, ou d) soma de várias.
seja, tem conhecimento do que se passa na mente de cada
personagem. Quando há o fluxo de pensamento da perso-
nagem, em primeira pessoa, temos o monólogo interior.

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Enem

O jivaro
Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à América do Sul, conta a um jornal sua conversa com um índio jivaro,
desses que sabem reduzir a cabeça de um morto até ela ficar bem pequenina. Queria assistir a uma dessas operações, e o índio
lhe disse que exatamente ele tinha contas a acertar com um inimigo. O Sr. Matter: ― Não, não! Um homem, não. Faça isso com
a cabeça de um macaco. E o índio: ― Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal!
Rubem Braga

O assunto de uma crônica pode ser uma experiência pessoal do cronista, uma informação obtida por ele ou um caso ima-
ginário. O modo de apresentar o assunto também varia: pode ser uma descrição objetiva, uma exposição argumentativa
ou uma narrativa sugestiva. Quanto à finalidade pretendida, pode-se promover uma reflexão, definir um sentimento ou
tão-somente provocar o riso.
Na crônica O jivaro, escrita a partir da reportagem de um jornal, Rubem Braga se vale dos seguintes elementos:

Assunto Modo de apresentar Finalidade


A caso imaginário descrição objetiva provocar o riso
B informação colhida narrativa sugestiva promover reflexão
C informação colhida descrição objetiva definir um sentimento
D experiência pessoal narrativa sugestiva provocar o riso
E experiência pessoal exposição argumentativa promover reflexão

102 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

34 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 5

2 Assinale a alternativa que apresenta uma progressão narrati- tempo? Por que não demonstrou a sua inocência ao tribu-
va em O mulato, de Aluísio de Azevedo (Disponível em: <www. nal?”, a esses responderei: – A minha defesa era impossível.
dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000166.pdf>). Ninguém me acreditaria. E fora inútil fazer-me passar por um
A Raimundo tinha vinte e seis anos e seria um tipo acaba- embusteiro ou por um doido… Demais, devo confessar, após
do de brasileiro, se não foram os grandes olhos azuis, os acontecimentos em que me vira envolvido nessa época, fi-
que puxara do pai. cara tão despedaçado que a prisão se me afigurava uma coi-
B Cabelos muito pretos, lustrosos e crespos, tez morena sa sorridente. Era o esquecimento, a tranquilidade, o sono.
e amulatada, mas fina, dentes claros que reluziam sob Era um fim como qualquer outro – um termo para a minha
a negrura do bigode, estatura alta e elegante, pescoço vida devastada. Toda a minha ânsia foi, pois, de ver o proces-
largo, nariz direito e fronte espaçosa. so terminado e começar cumprindo a minha sentença.
C Tinha os gestos bem educados, sóbrios, despidos de De resto, o meu processo foi rápido. Oh! O caso pare-
pretensão, falava em voz baixa, distintamente, sem ar- cia bem claro… Eu nem negava nem confessava. Mas quem
mar ao efeito, vestia-se com seriedade e bom gosto; cala consente… E todas as simpatias estavam do meu lado.
amava os artes, as ciências, a literatura e, um pouco O crime era, como devem ter dito os jornais do tempo, um
menos, a política. “crime passional”. Cherchez la femme*. Depois, a vítima um
D O Dias tomara o seu chapéu no corredor e, ao embar- poeta – um artista. A mulher romantizara-se desaparecendo.
car no carro, que esperava pelos dois lá embaixo, Ana Eu era um herói, no fim de contas. E um herói com seus laivos
Rosa levantara-lhe carinhosamente a gola da casaca. de mistério, o que mais me aureolava. Por tudo isso, indepen-
dentemente do belo discurso de defesa, o júri concedeu-me
3 Leia o excerto a seguir, extraído do romance Senhora, de circunstâncias atenuantes. E a minha pena foi curta.
José de Alencar. Ah! Foi bem curta – sobretudo para mim… Esses dez
anos esvoaram-se-me como dez meses. É que, em realida-
Aurélia concentra-se de todo dentro de si; ninguém ao de, as horas não podem mais ter ação sobre aqueles que
ver essa gentil menina, na aparência tão calma e tranquila, viveram um instante que focou toda a sua vida. Atingido
acreditaria que nesse momento ela agita e resolve o proble- o sofrimento máximo, nada já nos faz sofrer. Vibradas as
ma de sua existência; e prepara-se para sacrificar irreme- sensações máximas, nada já nos fará oscilar. Simplesmen-
diavelmente todo o seu futuro. te, este momento culminante raras são as criaturas que o
José de Alencar. Senhora. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/ vivem. As que o viveram ou são, como eu, os mortos-vivos,
download/texto/bn000011.pdf>.
ou – apenas – os desencantados que, muita vez, acabam
no suicídio.
Na passagem em questão, observa-se a presença de: * Cherchez la femme: Procurem a mulher.

A narrador onisciente. SÁ-CARNEIRO, M. A confissão de Lúcio, 2011.

B narrador em primeira pessoa.


C narrador que dirige-se ao leitor. No primeiro parágrafo, afirma-se: “eu venho fazer enfim a mi-
D narrador-personagem. nha confissão”. Tal confissão se materializa textualmente em
E narrador implícito. A uma narrativa objetiva, com predomínio de verbos nos
tempos passado e presente, relacionados a situações
4 Unifesp 2015 Cumpridos dez anos de prisão por um cri- conhecidas do narrador.
me que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defen- B uma argumentação confusa, com oscilação dos tem-
di, morto para a vida e para os sonhos: nada podendo já pos verbais entre presente, passado e futuro, relacio-
esperar e coisa alguma desejando – eu venho fazer enfim nados a situações da vida do narrador.
a minha confissão: isto é, demonstrar a minha inocência. C uma narrativa subjetiva, com predomínio de verbos
Talvez não me acreditem. Decerto que não me acredi- no tempo passado, relacionados a situações das quais
tam. Mas pouco importa. O meu interesse hoje em gritar participara o narrador.
que não assassinei Ricardo de Loureiro é nulo. Não tenho D uma descrição pessoal, com predomínio de verbos no
família; não preciso que me reabilitem. Mesmo quem es- tempo presente, relacionados a situações que marca-
teve dez anos preso, nunca se reabilita. A verdade simples ram a existência do narrador.
é esta. E uma argumentação racional, com predomínio de ver-
E àqueles que, lendo o que fica exposto, me pergun- bos no tempo presente, relacionados a situações ana-
tarem: “Mas por que não fez a sua confissão quando era lisadas pelo narrador.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 103

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:22)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 35


Aula 5

5 Leia atentamente o texto abaixo e responda:

Amor é fogo que arde sem se ver,


é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;


é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;


é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor


nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
CAMÕES, Luís de; MATOS, Maria Vitalina Leal de (Sel.).
Lírica de Luís de Camões: antologia. Alfragide: Caminho, 2012. p. 129.

a) Cite duas características dissertativas do poema de


Camões.

b) Defina o amor de uma forma sintética, com seu voca-


bulário, de acordo com a visão do poeta.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 2
I. Leia as páginas de 39 a 41.
II. Faça os exercícios de 3 a 5 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 7 a 10.

104 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:25)

36 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Nessa aula, deve-se abordar os principais tempos verbais utilizados na narração (o presente e os pretéritos perfeito e
imperfeito do indicativo). Discutir ainda os tipos de narrador (personagem/observador, parcial/imparcial) e os elementos
da narração: o tempo, o espaço e o conflito.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: B.
Os elementos utilizados pelo autor sugerem uma informação colhida, já que o cronista inicia o texto indicando que o material
fora recolhido em um jornal. O assunto é apresentado na forma de uma narrativa sugestiva, visto que um narrador conta uma
história na qual se percebe claramente personagens, diálogo e uma progressão temporal com um desfecho surpreendente. Em
virtude do teor do diálogo, fica evidente a intenção de promover uma reflexão sobre as motivações da ação humana.

2 Alternativa: D.
É a única alternativa em que se nota a progressão temporal.

3 Alternativa: A.
O narrador possui conhecimento em relação ao que se passa no interior de Aurélia, provando a onisciência.

4 Alternativa: C.
Uma confissão é, justamente, uma narrativa subjetiva que relata eventos passados dos quais o narrador tomou parte.

5 a) No poema, observa-se a intenção de se definir o amor por meio de uma estrutura muito comum no discurso científico:
sujeito, verbo de ligação, predicativo (“A terra é redonda”). Há, pois, a estrutura sintática e o axioma (verdade científica)
em forma de poesia.
b) O amor é contraditório (ou sinônimos).

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 37


ANOTAÇÕES

38 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
N������� � ����������� 6
 Narração Veja o exemplo a seguir.
Tipos de discurso
Na narração, observam-se três tipos de discurso: o di- Perdi alguma coisa que me era essencial, e já não me é
reto, o indireto e o indireto-livre. Dependendo da narração, mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdi-
pode-se ter os três presentes. do uma terceira perna que até então me impossibilitava de
andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira
a) direto: quando se reproduz a voz da personagem. perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui [...]
— Você sabe o que é discurso direto? Clarice Lispector. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. pp. 11-2.
— Não sabia, mas agora sei!
 Dissertação
b) indireto: quando o narrador fala pela personagem em Características
terceira pessoa Se a narração caracteriza-se pela progressão temporal,
Ele disse que agora sabe o que é discurso indireto. a dissertação é identificada pela progressão lógica; se na
descrição particulariza-se o ser, na dissertação, generaliza-
c) indireto-livre: quando o pensamento da personagem -se. O texto dissertativo serve para debater um assunto ou
alterna-se na terceira pessoa com a voz do narrador, simplesmente expô-lo.
criando uma ambiguidade proposital. A terceira pessoa
substituindo a primeira, o emprego do futuro do preté- Dissertação argumentativa/expositiva
rito e do pretérito imperfeito do indicativo e o uso de A dissertação pode ser expositiva ou argumentativa,
exclamações e interrogações são marcas gramaticais isso depende das intenções de quem produz o texto.
do discurso indireto-livre. É exemplo de discurso indi-
reto-livre o seguinte excerto de Vidas Secas: a) Argumenta�va: o texto argumentativo procura provar
uma tese por meio de provas, denominadas argumen-
Sinhá Vitória desejava possuir uma cama igual à de tos (fatos propriamente ditos, situações, ilustrações,
seu Tomás da bolandeira. Doidice. Não dizia nada para dados estatísticos, conceitos, testemunhos).
não contrariá-la, mas sabia que era doidice. Cambembes
podiam ter luxo? E estavam ali de passagem. Qualquer dia b) Exposi�va: na dissertação expositiva, expõe-se o as-
o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, sem sunto sem que se tome abertamente uma posição. É o
rumo, nem teriam meio de conduzir os cacarecos. caso da maioria dos livros didáticos.
Graciliano Ramos. Vidas secas. 6 ed.
São Paulo: Livraria Martins Editora, s/d. p. 26.
Dissertação objetiva/subjetiva
No nível estilístico, a dissertação pode ser subjetiva ou
Monólogo interior objetiva; a primeira ocorre, sobretudo, na literatura. A se-
Trata-se também do pensamento da personagem, mas gunda está presenta na ciência.
com algumas características diferentes: a) Obje�va: na dissertação objetiva, emprega-se a denota-
a) fluxo de pensamento da personagem. ção, a terceira pessoa e a impessoalidade. O uso da partí-
b) uso de primeira pessoa. cula “se” é uma marca de impessoalidade (sabe-se que...).
c) ênfase ao tempo e espaço psicológicos.
d) sintaxe mimetizando o fluxo de pensamento. b) Subje�va: na dissertação subjetiva, estabelecem-se juí-
zos de valor, faz-se uso da conotação, empregam-se a
primeira e/ou a segunda pessoa.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 105

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 39


Aula 6

EXERCÍCIOS DE SALA
► Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o
do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934- grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.
-1996) para responder à questão 1. Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se
cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os
O tabuleiro de xadrez persa grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas mé-
tricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado
Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a histó- nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cer-
ria, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente.
ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se
tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha in- o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos
ventado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o
um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados ver- último experimentou as aflições de um novo jogo chamado
melhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segun- vizirmat, não temos o privilégio de saber.
da peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o * 1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse
número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam ne-
que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir.
cessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).
O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era SAGAN, C. Bilhões e bilhões, 2008. (Adapt.).
chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para
morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. 1 Unifesp 2016 O trecho “era um homem modesto, disse
Expressão que talvez transmita um remanescente sen- ao xá” (2o parágrafo) foi construído em discurso indireto.
timento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse Ao se adaptar tal trecho para o discurso direto, o verbo
nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). “era” assume a seguinte forma:
O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus A serei.
movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, B fui.
já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa C seria.
rainha, com poderes muito mais terríveis. D fosse.
A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo E sou.
chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história
que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir deter- ► Leia atentamente ao fragmento abaixo para responder
minar sua própria recompensa por ter criado uma invenção à questão 2:
tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da
língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava ape- O melro veio com efeito às três horas. Luísa estava na
nas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e sala, ao piano.
as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, – Está ali o sujeito do costume – foi dizer Juliana.
pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primei- Luísa voltou-se corada, escandalizada da expressão:
ro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro – Ah! Meu primo Basílio? Mande entrar.
dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada E chamando-a:
quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protes- – Ouça, se vier o Sr. Sebastião, ou alguém, que entre.
tou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para Era o primo! O sujeito, as suas visitas perderam de re-
uma invenção tão importante. Ofereceu joias, dançarinas, pente para ela todo o interesse picante. A sua malícia cheia,
palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente enfunada até aí, caiu, engelhou-se como uma vela a que
baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos falta o vento. Ora, adeus! Era o primo!
montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da hu- Subiu à cozinha, devagar, — lograda.
mildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu. – Temos grande novidade, Sr.ª Joana! O tal peralta é
No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou primo. Diz que é o primo Basílio.
a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desa- E com um risinho:
gradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, – É o Basílio! Ora o Basílio! Sai-nos primo à última hora!
8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega O diabo tem graça!
ao 64o quadrado, o número se torna colossal, esmagador. – Então que havia de o homem ser se não parente?

106 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

40 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 6

– Observou Joana. ► Texto para a questão 3.


Juliana não respondeu. Quis saber se estava o ferro
pronto, que tinha uma carga de roupa para passar! E sen- É fácil errar quando uma empresa ou seus dirigentes
tou-se à janela, esperando. O céu baixo e pardo pesava, não têm clareza sobre o que de fato significam as bonitas
carregado de eletricidade; às vezes uma aragem súbita e palavras que estão em suas missões e valores ou em seus
fina punha nas folhagens dos quintais um arrepio trêmulo. relatórios e peças de marketing. Infelizmente, não passa
– É o primo! – refletia ela. – E só vem então quando o um dia sem vermos claros sintomas de confusão. O que
marido se vai. Boa! E fica-se toda no ar quando ele sai; e é dizer de uma empresa que mal começou a praticar cole-
roupa-branca e mais roupa-branca, e roupão novo, e tipoia ta seletiva e já sai por aí se intitulando “sustentável”? Ou
para o passeio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo fica da que anuncia sua “responsabilidade social” divulgando
na família! em caros anúncios os trocados que doou a uma creche
Os olhos luziam-lhe. Já se não sentia tão lograda. Havia ou campanha de solidariedade? Na melhor das hipóte-
ali muito “para ver e para escutar”. E o ferro estava pronto? ses, elas não entenderam o significado desses conceitos.
Mas a campainha, embaixo, tocou. Ou, se formos um pouco mais críticos, diremos tratar-se
QUEIRÓS, E. O primo Basílio, 1993. de oportunismo irresponsável, que não só prejudica a ima-
gem da empresa mas – principalmente – mina a credibili-
2 Unifesp 2014 Observe as passagens do texto: dade de algo muito sério e importante. Banaliza conceitos
vitais para a humanidade, reduzindo-os a expressões efê-
– Ora, adeus! Era o primo! (7º parágrafo) meras, vazias.
– E o ferro estava pronto? (penúltimo parágrafo) Guia Exame – Sustentabilidade, out. 2008.

Nessas passagens, é correto afirmar que se expressa o pon- 3 Unifesp (Adapt.) O texto faz uma crítica ao:
to de vista A uso inexpressivo de expressões efêmeras e vazias, o que
A do narrador, em terceira pessoa, distanciado, portanto, coíbe a prática do oportunismo irresponsável.
do ponto de vista de Juliana. B trabalho social das empresas, que priorizam ações so-
B da personagem Luísa, em discurso indireto, indepen- ciais sem utilizarem um marketing adequado.
dente da voz do narrador. C discurso irresponsável das empresas que, na verdade, des-
C do narrador, em primeira pessoa, próximo, portanto, toa das práticas daqueles que o proferem.
do ponto de vista de Juliana. D excesso de discursos sobre sustentabilidade e respon-
D da personagem Juliana, sendo que sua voz se mescla à sabilidade em empresas engajadas em assuntos de na-
voz do narrador. tureza social.
E da personagem Juliana, em discurso direto, indepen- E uso indiscriminado do marketing na divulgação da res-
dente da voz do narrador. ponsabilidade social das empresas.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 107

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:26)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 41


Aula 6

4 Uerj Leia o texto a seguir e depois responda ao que se Na frase acima, o autor procura delimitar um sentido para
pede: a palavra História por meio dos trechos destacados. Esses
Há alguns meses fui convidado a visitar o Museu da Ci- trechos apresentam uma formulação do seguinte tipo:
ência de La Coruña, na Galícia. Ao final da visita, o curador A exemplificação
anunciou que tinha uma surpresa para mim e me conduziu B particularização
ao planetário. Um planetário sempre é um lugar sugestivo, C modalização
porque, quando se apagam as luzes, temos a impressão de D dedução
estar num deserto sob um céu estrelado. Mas naquela noite
algo especial me aguardava. De repente a sala ficou intei- 5 Leia o excerto a seguir, extraído da crônica O sonho do
ramente às escuras, e ouvi um lindo acalanto de Manuel de feijão:
Falla. Lentamente (embora um pouco mais depressa do que Dona Abigail sentou-se na cama, sobressaltada, acor-
na realidade, já que a apresentação durou ao todo quinze dou o marido e disse que havia sonhado que iria faltar fei-
minutos) o céu sobre minha cabeça se pôs a rodar. Era o jão. Não era a primeira vez que esta cena ocorria. Dona
céu que aparecera sobre minha cidade natal – Alessandria, Abigail, consciente de seus afazeres de dona-de-casa, vivia
na Itália – na noite de 5 para 6 de janeiro de 1932, quan- constantemente atormentada por pesadelos desse gênero.
do nasci. Quase hiper-realisticamente vivenciei a primeira E de outros gêneros, quase todos alimentícios. Ainda bêba-
noite de minha vida. Vivenciei-a pela primeira vez, pois não do de sono o marido esticou o braço e apanhou a carteira
tinha visto essa primeira noite. Provavelmente nem minha sobre a mesinha de cabeceira: “Quanto é que você quer?”
mãe a viu, exausta como estava depois de me dar à luz; NOVAES, C. O sonho do feijão. In: A travessia da via crucis. 4 ed. São
Paulo: Nórdica, 1975. p. 25.
mas talvez meu pai a tenha visto, ao sair para o terraço, um
pouco agitado com o fato maravilhoso (pelo menos para
ele) que testemunhara e ajudara a produzir. O planetário a) Identifique uma passagem em discurso direto e outra
usava um artifício mecânico que se pode encontrar em em discurso indireto.
muitos lugares. Outras pessoas talvez tenham passado por
uma experiência semelhante. Mas vocês hão de me perdoar
se durante aqueles quinze minutos tive a impressão de ser
o único homem desde o início dos tempos que havia tido o
privilégio de se encontrar com seu próprio começo. Eu es-
tava tão feliz que tive a sensação – quase o desejo – de que
podia, deveria morrer naquele exato momento e que qual-
quer outro momento teria sido inadequado. Teria morrido
alegremente, pois vivera a mais bela história que li em toda
a minha vida. Talvez eu tivesse encontrado a história que
todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos b) Transforme o discurso indireto escolhido em direto.
cinemas: uma história na qual as estrelas e eu éramos os
protagonistas. Era ficção porque a história fora reinventada
pelo curador; era História porque recontava o que aconte-
cera no cosmos num momento do passado; era vida real
porque eu era real e não uma personagem de romance.
ECO, U. Seis passeios pelos bosques da ficção. FEIST, H (Trad.).
São Paulo: Companhia das Letras, 1994. (Adapt.).

“Talvez eu tivesse encontrado a história que todos nós


procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas:
uma história na qual as estrelas e eu éramos os protago-
nistas.”

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 2
I. Leia as páginas de 41 a 45.
II. Faça os exercícios de 7 a 11 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 5, 6 e de 12 a 15.

108 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:26)

42 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Nessa aula, explicar os tipos de discurso usados na narração: direto, indireto e indireto livre. Reforçar com os alunos
as características que lhes permitem reconhecer o discurso indireto livre, valendo-se, para isso, de exemplos. Abordar
ainda o monólogo interior, ressaltando suas diferenças em relação ao discurso indireto livre.
Sobre a dissertação, deve-se apresentá-la como um texto que tem por finalidade debater um assunto ou simples-
mente expô-lo. Além disso, é importante mostrar as características dos tipos de dissertação existentes: argumentativa/
expositiva e objetiva/subjetiva.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: E.
No contexto, a forma verbal “era” no discurso indireto, quando transposta para o direto, deve assumir a conjugação “sou”, na
primeira pessoa do singular (por ser uma fala do xá sobre si mesmo) do presente do indicativo (por ser este o tempo e o modo
verbal correto no discurso direto, quando se tem um pretérito imperfeito no indireto).

2 Alternativa: D.
Os trechos citados são exemplos de discurso indireto livre, em que a fala da personagem Juliana se mistura à voz do narrador
em terceira pessoa.

3 Alternativa: C.
O texto critica o fato de as empresas praticarem um oportunismo irresponsável em relação a temas sociais, como a coleta
seletiva ou a doação a instituições sociais. Do ponto de vista do enunciador, a prática destoa da teoria.

4 Alternativa: B.
A passagem “uma história na qual as estrelas e eu éramos os protagonistas” particulariza a história.

5 a) Discurso direto: “Quanto é que você quer?”.


Discurso indireto: “que havia sonhado que iria faltar feijão”.
b) “Dona Abigail sentou-se na cama, sobressaltada, acordou o marido e disse-lhe: – Sonhei que vai faltar feijão.”
A forma “vai faltar” tem valor de futuro do presente, que se transforma em futuro do pretérito no discurso indireto, como na
narrativa em questão.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 43


ANOTAÇÕES

44 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
D���������� 7
 Dissertação Progressão lógica
Raciocínio indutivo/dedutivo Trata-se do encadeamento dos argumentos, a progres-
são das ideias no texto dissertativo. Segue um exemplo de
• Indução progressão lógica:
Na indução, parte-se do particular para o geral: do efei-
to chega-se à causa. a) Introdução:
Há três aspectos a serem considerados quando se pren-
• Dedução de um criminoso comum: ele é um ser humano, seu grau
Na dedução, parte-se do geral para o particular: da de consciência é limitado e não possui uma profissão certa.
causa chega-se ao efeito.
b) Recolha 1:
Silogismo Por se tratar de um ser humano, ele não se adapta-
O silogismo emprega uma premissa maior – PM – (ge- rá a cadeias, que mais parecem jaulas. A consequência
neralização), uma premissa menor – Pm – (um ser que é uma revolta, desejo de fugir.
pode estar contido no sujeito da premissa maior) e uma
conclusão – C – (o ser inserido na premissa menor mais o c) Recolha 2:
predicado da premissa maior): Por ter pouca escolaridade, o preso não é consciente ple-
PM: Todo homem é racional. namente do que vem a ser viver em sociedade. O fato de não
Pm: Pedro é homem. ter uma ocupação na cadeia não favorece uma transforma-
C: Pedro é racional. ção; pelo contrário, a cela passa a ser uma escola do crime.

• Silogismo falso (falácia) d) Recolha 3:


O silogismo é falso quando está construído de forma Finalmente, por não ter uma profissão certa, o preso
errada ou quando uma de suas premissas não é verdadeira: não possui um objetivo que possa fazer com que ele esque-
PM: Todo ginasta é ágil. ça a atividade criminosa: uma profissão representa para o
Pm: Meu irmão é ágil. homem uma realização, uma ocupação. Não havendo tra-
C: Meu irmão é um ginasta! balho, as chances de repetir o delito cometido são muito
Na premissa menor está o erro: o correto seria “meu grandes.
irmão é ginasta”. A conclusão, portanto, seria “meu irmão é
ágil”. Outro exemplo: e) Conclusão/proposta:
PM: Todo banco antigo é seguro. Em função dos três aspectos discutidos, faz-se neces-
Pm: O banco x é antigo. sária uma acomodação que seja condizente com um ser
C: O banco x é seguro. humano; uma escolarização do preso e uma profissionali-
A premissa maior é falsa, nem todo banco antigo é zação do detento. Com essas medidas, o preso seria menos
seguro. violento e mais consciente, além de se evitar a reincidência
do crime.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 109

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 45


Aula 7

Na disseminação e recolha, o autor lança na introdução c) Empirismo


elementos que serão recolhidos parágrafo a parágrafo, tra- O cientista (ou policial) vai ao laboratório e testa as
ta-se de uma opção de progressão textual. probabilidades. Se for ciências humanas, há outros méto-
dos, como a pesquisa.
Metodologia científica
A metodologia científica pressupõe quatro passos. d) Axioma (verdade científica)
A partir dos testes empíricos, extrai-se uma lei científica
a) Observação (ou axioma); se for investigação policial, há o veredito.
O cientista (ou policial) observa os fatos.

b) Hipótese
O cientista (ou policial) parte para as probabilidades a
partir da observação.

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Enem 2014 O texto objetiva convencer o leitor de que a configuração


da preferência musical dos brasileiros não é mais a mesma
0 Brasil é sertanejo da dos anos 1970. A estratégia de argumentação para
comprovar essa posição baseia-se no(a)
Que tipo de música simboliza o Brasil? Eis uma questão A apresentação dos resultados de uma pesquisa que re-
discutida há muito tempo, que desperta opiniões extrema- trata o quadro atual da preferência popular relativa à
das. Há fundamentalistas que desejam impor ao público um música brasileira.
tipo de som nascido das raízes socioculturais do país. O sam- B caracterização das opiniões relativas a determinados
ba. Outros, igualmente nacionalistas, desprezam tudo aquilo gêneros, considerados os mais representativos da bra-
que não tem estilo. Sonham com o império da MPB de Chico silidade, como meros estereótipos.
Buarque e Caetano Veloso. Um terceiro grupo, formado por C uso de estrangeirismos, como rock, funk e gospel, para
gente mais jovem, escuta e cultiva apenas a música inter- compor um estilo próximo ao leitor, em sintonia com o
nacional, em todas as vertentes. E mais ou menos ignora o ataque aos nacionalistas.
resto. D ironia com relação ao apego a opiniões superadas, toma-
A realidade dos hábitos musicais do brasileiro agora está das como expressão de conservadorismo e anacronismo,
claro, nada tem a ver com esses estereótipos. O gênero que com o uso das designações “império” e “baluarte”.
encanta mais da metade do pais é o sertanejo, seguido de E contraposição a impressões fundadas em elitismo e
Ionge pela MPB e pelo pagode. Outros gêneros em ascensão, preconceito, com a alusão a artistas de renome para
sobretudo entre as classes C, D e E, são o funk e o religioso, melhor demonstrar a consolidação da mudança do
em especial o gospel. Rock e música eletrônica são músicas gosto musical popular.
de minoria.
É o que demonstra uma pesquisa pioneira feita entre
agosto de 2012 e agosto de 2013 pelo Instituto Brasileiro de
Opinião Pública e Estatística (lbope). A pesquisa “Tribos musi-
cais – o comportamento dos ouvintes de rádio sob uma nova
ótica” faz um retrato do ouvinte brasileiro e traz algumas
novidades. Para quem pensava que a MPB e o samba ainda
resistiam como baluartes da nacionalidade, uma má notícia:
os dois gêneros foram superados em popularidade. O Brasil
moderno não tem mais o perfil sonoro dos anos 1970, que
muitos gostariam que se eternizasse. A cara musical do país
agora é outra.
L. A. Giron. Época, n. 805, out. 2013 (fragmento).

110 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

46 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 7

► Texto para as questões 2 e 3. 3 Unifesp (Adapt.) Quanto aos sentidos que encerra, a
frase “Apesar de iniciarem a vida sexual mais cedo, os jo-
Os jovens e os dilemas da sexualidade vens não têm informações e orientações suficientes.” equi-
vale a:
Atualmente, os jovens estão iniciando a vida sexual A Os jovens iniciam a vida sexual mais cedo, uma vez que
mais cedo. A sexualidade tem sido discutida de forma mais não têm informações e orientações suficientes.
“aberta”, nos discursos pessoais, nos meios de comunica- B Como os jovens iniciam a vida sexual mais cedo, não
ção, na literatura e nas artes. Entretanto, essa aparente têm informações e orientações suficientes.
“liberdade sexual” não torna as pessoas mais “livres”, C Os jovens iniciam a vida sexual mais cedo, mas não têm
pois ainda há bastante repressão e preconceito sobre o informações e orientações suficientes.
assunto. Além disso, as regras de como devemos nos com- D Tanto os jovens iniciam a vida sexual mais cedo, que
portar sexualmente prevalecem em todos os discursos, o não têm informações e orientações suficientes.
que se torna uma questão velada de repressão. E Os jovens iniciam a vida sexual mais cedo, portanto não
O jovem do século XXI é visto como livre, bem informa- têm informações e orientações suficientes.
do, “antenado” com os acontecimentos, mas as pesquisas
mostram que, quando o assunto é sexo, há muitas dúvidas 4 Fuvest 2012 Todas as variedades linguísticas são estru-
e conflitos. Desde dúvidas específicas sobre questões bio- turadas, e correspondem a sistemas e subsistemas adequa-
lógicas, como as doenças sexualmente transmissíveis, até dos às necessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a
conflitos sobre os valores e as atitudes que devem tomar língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas
em determinadas situações. de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta
Apesar de iniciarem a vida sexual mais cedo, os jovens das características das suas diversas modalidades regio-
não têm informações e orientações suficientes. A mídia, sal- nais, sociais e estilísticas. A língua padrão, por exemplo,
vo exceções, contribui para a desinformação sobre sexo e embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma,
a deturpação de valores. A superbanalização de assuntos é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo,
relacionados à sexualidade e das relações afetivas gera dú- como norma, como ideal linguístico de uma comunidade.
vidas e atitudes precipitadas. Isso pode levar muitos jovens Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre
a se relacionarem de forma conflituosa com os outros e as outras variedades, com o que se torna uma ponderável
também com a própria sexualidade. força contrária à variação.
Enfim, hoje existe uma aparente liberdade sexual. Ao CUNHA, C. Nova gramática do português contemporâneo. (Adapt.).
mesmo tempo em que as pessoas são, em comparação a
anos anteriores, mais livres para fazer escolhas no campo Considere as seguintes afirmações sobre os quatro perío-
afetivo e sexual, ainda há muita cobrança por parte da so- dos que compõem o texto:
ciedade, e essa cobrança acaba sendo internalizada; assim, I. Tendo em vista as relações de sentido constituídas no
as pessoas acabam assumindo comportamentos e valores texto, o primeiro período estabelece uma causa cuja
adotados pela maioria. consequência aparece no segundo período.
Baseado nos estudos de Ana Cláudia Bertolozzi Maia. Disponível em: II. O uso de orações subordinadas, tal como ocorre no ter-
<www.faac.unesp.br/pesquisa/nos/sexualidade>. (Adapt.).
ceiro período, é muito comum em textos dissertativos.
III. Por formarem um parágrafo tipicamente dissertativo, os
2 Unifesp (Adapt.) De acordo com o texto, é correto afir- quatro períodos se organizam em uma sequência cons-
mar que: tituída de introdução, desenvolvimento e conclusão.
A os jovens modernos trabalham muito melhor sua se- IV. O procedimento argumentativo do texto é dedutivo,
xualidade, pois têm iniciado sua vida sexual mais cedo. isto é, vai do geral para o particular.
B a mídia tem um papel efetivo na conscientização dos jo-
vens, pois frequentemente rechaça valores deturpados. Está correto apenas o que se afirma em
C a sexualidade dos jovens é analisada, sobretudo, pela A I e II. D I, II e IV.
ótica dos aspectos físicos e dos valores afetivos. B I e III. E II, III e IV.
D a liberdade do jovem do século XXI não o exime de vi- C III e IV.
vências problemáticas quanto à sua própria sexualidade.
E a relação entre sexo e afetividade faz com que ques-
tões ligadas à saúde fiquem em primeiro plano para os
jovens.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 111

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 47


Aula 7

5 Unicamp 2016 Em ensaio publicado em 2002, Nicolau b) Apresente o argumento que embasa a posição atribuí-
Sevcenko discorre sobre a repercussão da obra de Euclides da a Euclides da Cunha em relação ao lema da Bandeira
da Cunha no pensamento político nacional. Nacional.

Acima de tudo, Euclides exaltava o papel crucial do


agenciamento histórico da população brasileira. Sua maior
aposta para o futuro do país era a educação em massa das
camadas subalternas, qualificando as gentes para assumir
em suas próprias mãos seu destino e o do Brasil. Por isso se
viu em conflito direto com as autoridades republicanas, da
mesma forma como outrora lutara contra os tiranetes da
monarquia. Nunca haveria democracia digna desse nome
enquanto prevalecesse o ambiente mesquinho e corrupto
da “república dos medíocres”[...]. Gente incapaz e indispos-
ta a romper com as mazelas deixadas pelo latifúndio, pela
escravidão e pela exploração predatória da terra e do povo.
[...] Euclides expôs a mistificação republicana de uma
“ordem” excludente e um “progresso” comprometido com o
legado mais abominável do passado. Sua morte precoce foi
um alívio para os césares. A história, porém, orgulhosa de
quem a resgatou, não deixa que sua voz se cale.
SEVCENKO, N. O outono dos césares e a primavera da história.
Revista da USP. São Paulo, n. 54, p. 30-37, jun-ago 2002.

a) No último período do texto, há uma ocorrência do co-


nectivo, “porém”. Que argumentos do texto são articu-
lados por esse conectivo?

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 2
I. Leia as páginas de 45 a 47.
II. Faça os exercícios 12 e 13 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 16 a 20.

112 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:27)

48 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Ainda sobre dissertação, explicar os raciocínios indutivo e dedutivo, o silogismo, o falso silogismo (falácia) – mostrar
ao aluno a importância de atentar para as premissas na conclusão de uma ideia – e explorar o exemplo dado sobre pro-
gressão lógica dos argumentos em um texto dissertativo. Apresentar, por fim, os quatro passos da metodologia científica.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: A.
A alternativa A está contemplada no seguinte trecho: “É o que demonstra uma pesquisa pioneira [...]”. A pesquisa insere-se
no argumento prova-concreta, estratégia de argumentação empregada pelo autor para defender a tese de que o “Brasil é
sertanejo”.

2 Alternativa: D.
Essa alternativa está contemplada nos seguintes trechos:
“Ao mesmo tempo em que as pessoas são, em comparação a anos anteriores, mais livres para fazer escolhas no campo afetivo e
sexual, ainda há muita cobrança por parte da sociedade, e essa cobrança acaba sendo internalizada”.
“Apesar de iniciarem a vida sexual mais cedo, os jovens não têm informações e orientações suficientes.”

3 Alternativa: C.
O fato de os jovens iniciarem a vida sexual mais cedo não implica terem informações suficientes.

4 Alternativa: E.
Afirmativa I - Não há relação de causa e consequência entre os dois períodos; o conectivo “mas”, que inicia o segundo
período, não estabelece uma consequência, mas uma ressalva.
Afirmativa II - O emprego de subordinadas é característica do texto dissertativo, haja vista a presença de subordinada
adverbial concessiva em “...embora seja...”. As orações subordinadas são exemplos de uma estrutura linguística mais bem
elaborada e construída, aspecto valorizado no texto dissertativo.
Afirmativa III - A introdução ocorre no primeiro período; o desenvolvimento, no segundo período; a conclusão, no terceiro
período. Na introdução, faz-se referência a todas as variações; no desenvolvimento, chama-se a atenção para a norma-
-padrão como variante mais prestigiada; na conclusão, conclui-se a respeito da relação variante culta e demais variantes.
Afirmativa IV - A dedução é a linha de raciocínio que parte do geral (variedades linguísticas) para o particular (variante
culta).

5 a) Ao empregar a conjunção adversativa “porém”, o texto contrapõe a ideia de que a morte de Euclides da Cunha foi um
alívio para os incapazes em “romper com as mazelas deixadas pelo latifúndio, pela escravidão e pela exploração
predatória”. De acordo com o texto, apesar do falecimento precoce de Euclides, a história não permitiu que o “ambiente
mesquinho e corrupto da ‘república dos medíocres’” fosse apagado de seus registros, de forma que o legado de
desigualdade ainda pode ser estudado nos dias atuais.
b) Para Euclides da Cunha, a ordem e o progresso, mencionados na bandeira nacional, se relacionam, respectivamente, à
exclusão social e a um legado abominável do passado brasileiro. O autor defendia que o Brasil era dirigido por ideais
fiéis à desigualdade social, bem como à escravidão e à exploração “predatória da terra e do povo” – herança histórica
recebida pela República e que foi a ferramenta principal do governo republicano para a manutenção de privilégios de
classe oriundos da época da monarquia.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 49


ANOTAÇÕES

50 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Frente Única

Aula
N������������ 8
Leve em consideração o seguinte esquema: • Provocação
Na provocação, o manipulador questiona uma compe-
 Esquema narra�vo tência do manipulado: “Você não é suficientemente corajo-
so para tomar esta sopa!”
MANIPULAÇÃO COMPETÊNCIA PERFORMANCE SANÇÃO Da mesma forma que a intimidação, o manipulado pas-
querer - fazer saber - poder fazer castigo - recompensa
sa a ser sujeito de um dever. A provocação é, pois, o oposto
da sedução. Esta é positiva (instala-se um querer); aquela,
O esquema narrativo acima serve como instrumento de negativa (instala-se um dever, uma obrigação).
análise para textos narrativos, descritivos ou dissertativos.
b) Competência
a) Manipulação Leia o texto a seguir.
Partamos do primeiro elemento do percurso narrativo,
a manipulação. O manipulador pode ser uma pessoa, um As joias de Joana
grupo, um conjunto de valores morais ou uma circunstância.
O manipulador, inclusive, pode ser o próprio manipulado. A irmã a convenceu, afirmou que, se Joana roubasse a
Os valores morais de uma sociedade, por exemplo, levam patroa, poderia ter uma vida boa, com conforto, comprar
as pessoas a agirem de determinada forma, impondo-lhes uma casa, por exemplo, sair da favela; livraria a todos do
um padrão de comportamento. Em Vidas secas, o tempo peso do aluguel. Disse ainda que se Joana não fizesse algo
atua como elemento manipulador à medida que obriga as que mudasse a sua vida e de seu filho (Joana era mãe sol-
personagens a caminharem em procura de trabalho, comi- teira), estaria condenada à miséria e ao sofrimento, que es-
da (dever-fazer). O clima tenso de uma prisão pode ser o taria sendo idiota por não abraçar essa chance de ouro. De
responsável direto ou indireto de uma fuga, atuando como fato, havia muitas joias na casa da patroa, só que Joana não
manipulador dos fatos. Há quatro tipos de manipulação: a sabia onde estavam guardadas.
tentação, a sedução, a intimidação e a provocação. Estimulada pela irmã, Joana decidiu procurar uma ex-
-empregada da casa, uma senhora que tinha sido despe-
• Tentação dida por suspeita de furto. O endereço dessa senhora, a
O manipulador oferece ao manipulado um objeto de valor cozinheira da casa o possuía.
abstrato ou material: “Toma a sopa que eu te dou uma bola.” Joana contatou com a cozinheira e obteve o endereço.
Ao manipular por tentação, o manipulador instala no Joana, então, foi ao encontro da ex- empregada:
manipulado o querer, o querer-estar em conjunção com o – Eu digo, mas eu quero uma participação.
objeto de valor (a sopa). – Metade é seu!
– A chave está dentro do vaso grego e o peque-
• In�midação no baú com as joias está dentro do guarda-roupa da
O manipulador ameaça tirar do manipulado algo que ele patroa! Você é bastante esperta, conseguirá!
deseja: “Se você não tomar a sopa, não vai brincar lá embaixo!” Dois dias após o diálogo com a ex-empregada, Joana
O manipulador impõe ao manipulado um dever. furtou todas as joias da patroa e fugiu para o Rio de Ja-
neiro. Hospedou-se em um hotel bem modesto no Catete,
• Sedução com a intenção de permanecer um mês, queria deixar o
O manipulador elogia uma competência do manipula- caso esfriar um pouco. Mas havia um problema: tinha de
do: “Você é esperto Zezinho, tenho certeza de que você vender as joias rapidamente para repartir o dinheiro com a
tomará a sopa! Sopa faz bem.” ex-empregada, esta, aliás, era a única que sabia do seu pa-
Da mesma forma que a tentação, o manipulado passa radeiro. Precisaria de um comprador, alguém que desse um
à condição de sujeito do querer. bom dinheiro pelas joias. Lembrou-se de um conhecido em

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 113

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 51


Aula 8

São Paulo que trabalhava nas ruas do centro, fazendo pro- d) Sanção
paganda de compra e venda de ouro. Ele deveria saber! Jo- A sanção é a recompensa ou o castigo que a sociedade,
ana ligou para o homem e combinou o encontro. ou um ser, impõe ao sujeito da performance. Há narrativas
No dia seguinte, “em São Paulo”, os dois encontraram-se em que a história gira em torno da sanção, como é o caso
no local combinado. Era um daqueles cafés antigos da Rua Di- dos romances policiais em que a prisão do acusado é uma
reita. Conversaram cinco minutos, quando apareceram cinco questão de honra para os policiais. A sanção pode ser prag-
homens e deram voz de prisão para Joana. Ela não resistiu. mática (um bem material é oferecido) ou cognitiva (há um
Posteriormente, Joana ficou sabendo que a ex-patroa reconhecimento, apenas: “Parabéns, você tirou nota 10!”).
prometeu dar uma recompensa de cinquenta mil reais a
quem desse pistas sobre o seu paradeiro. O fato foi divul-  Programas narra�vos
gado pela TV. As joias estavam estimadas em cinco milhões, a) Programa de base
Joana não sabia que valiam tanto. O conhecido fez contato Trata-se do programa principal. No caso de uma receita
com a ex-patroa, e a cilada foi armada. O conhecido de Jo- de bolo, o programa de base é assá-lo, para que as pessoas
ana, após receber a recompensa, comprou uma casa e saiu entrem em conjunção com uma sensação gustativa eufórica.
da favela. Joana foi condenada a dez anos de prisão.
* b) Programa de competência
A competência supõe um poder e um saber necessários Trata-se de programas auxiliares que ajudam na rea-
para a realização da ação, a busca pelo objeto de valor, o fa- lização do programa de base. Buscar a chave foi um pro-
zer propriamente dito. No caso do roubo das joias, a ex-em- grama narrativo de competência para o programa de base
pregada é quem fornece a Joana o saber, o lugar onde está roubar as joias, assim como estudar em casa é programa
a chave. A chave, por sua vez, representa o poder; o poder, de competência para a performance principal, que é pas-
roubar as joias. Nos filmes de caça ao tesouro, por exemplo, sar de ano, entrar na faculdade, ir bem no vestibular. Para
o mapa simbolizará o saber e as armas, os navios, enfim, se fazer um bolo, por exemplo, são necessárias algumas
tudo aquilo que possibilita a busca pelo tesouro, o poder. performances, untar a fôrma é uma delas. Trata-se de um
Quanto aos conflitos, podemos ter uma situação em programa auxiliar, uma competência necessária para que
que o sujeito pode, mas não sabe, ou sabe, mas não pode. É o bolo tenha sucesso e possa ser servido. O programa de
o caso de alguém que conhece o assassino mas não o denun- competência leva o sujeito a estar em conjunção com um
cia, pois se o fizer, será morto (não pode). É possível, ainda, saber ou um poder necessários para a performance.
termos conflitos do tipo: quer, deve, pode, mas não sabe; ou
quer, deve, sabe, mas não pode, e outras combinações.

c) Performance
A performance é a ação do sujeito em busca do ob-
jeto de valor; é ela que possibilita a mudança de estado
do sujeito. A performance é o resultado das modalidades
anteriores, o sujeito não realiza a performance, por exem-
plo, se ele não for competente para isso. Quanto ao objeto
de valor, não precisa ser algo material, pode ser algo bem
abstrato como a cultura, o status, a sensualidade etc.

114 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

52 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 8

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Enem 2012 2 Enem 2014

Verbo ser

Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em


redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar
outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser
quando cresce? É terrível ser? Dói? É bom? É triste? Ser:
pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito:
ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado
a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não
quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
C. D. Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992.

A inquietação existencial do autor com a autoimagem cor-


poral e a sua corporeidade se desdobra em questões exis-
tenciais que têm origem: Disponível em: <www.portaldapropaganda.com.br>.
Acesso em: 29 out. 2013. (Adapt.).
A no conflito do padrão corporal imposto contra as con-
vicções de ser autêntico e singular. Os meios de comunicação podem contribuir para a reso-
B na aceitação das imposições da sociedade seguindo a lução de problemas sociais, entre os quais o da violência
influência de outros. sexual infantil. Nesse sentido, a propaganda usa a metátora
C na confiança no futuro, ofuscada pelas tradições e cul- do pesadelo para
turas familiares. A informar crianças vítimas de abuso sexual sobre os peri-
D no anseio de divulgar hábitos enraizados, negligencia- gos dessa prática, contribuindo para erradicá-la.
dos por seus antepassados. B denunciar ocorrências de abuso sexual contra meni-
E na certeza da exclusão, revelada pela indiferença de nas, com o objetivo de colocar criminosos na cadeia.
seus pares. C dar a devida dimensão do que é o abuso sexual para
uma criança, enfatizando a importância da denúncia.
D destacar que a violência sexual infantil predomina du-
rante a noite, o que requer maior cuidado dos respon-
sáveis nesse período.
E chamar a atenção para o fato de o abuso infantil ocor-
rer durante o sono, sendo confundido por algumas
crianças com um pesadelo.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 115

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 53


Aula 8

3 Enem 2013 4 Enem 2013 O jogo é uma atividade ou ocupação volun-


tária, exercida dentro de certos e determinados limites de
Adolescentes: mais altos, gordos e preguiçosos tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas,
A oferta de produtos industrializados e a falta de tempo têm mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si
sua parcela de responsabilidade no aumento da silhueta dos jo- mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de
vens. “Os nossos hábitos alimentares, de modo geral, mudaram alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida quo-
muito”, observa Vivian Ellinger, presidente da Sociedade Brasilei- tidiana”.
ra de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), no Rio de Janeiro. HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura.
São Paulo: Perspectiva, 2004.
Pesquisas mostram que, aqui no Brasil, estamos exagerando no
sal e no açúcar, além de tomar pouco leite e comer menos frutas
e feijão. Segundo o texto, o jogo comporta a possibilidade de frui-
Outro pecado, velho conhecido de quem exibe excesso ção. Do ponto de vista das práticas corporais, essa fruição
de gordura por causa da gula, surge como marca da nova se estabelece por meio do(a)
geração: a preguiça. “Cem por cento das meninas que par- A fixação de táticas, que define a padronização para
ticipam do Programa não praticavam nenhum esporte”, maior alcance popular.
revela a psicóloga Cristina Freire, que monitora o desenvol- B competitividade, que impulsiona o interesse pelo su-
vimento emocional das voluntárias. cesso.
Você provavelmente já sabe quais são as consequências C refinamento técnico, que gera resultados satisfatórios.
de uma rotina sedentária e cheia de gordura. “E não é no- D caráter lúdico, que permite experiências inusitadas.
vidade que os obesos têm uma sobrevida menor”, acredita E uso tecnológico, que amplia as opções de lazer.
Claudia Cozer, endocrinologista da Associação Brasileira para
o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Mas, se
há cinco anos os estudos projetavam um futuro sombrio para
os jovens, no cenário atual as doenças que viriam na velhice
já são parte da rotina deles. “Os adolescentes já estão sofren-
do com hipertensão e diabete”, exemplifica Claudia.
DESGUALDO, P. Revista Saúde. Disponível em: <http://saude.abril.com.br>.
Acesso em: 28 jul. 2012. (Adapt.).

Sobre a relação entre os hábitos da população adolescente


e as suas condições de saúde, as informações apresentadas
no texto indicam que
A a falta de atividade física, somada a uma alimentação
nutricionalmente desequilibrada, constituem fatores
relacionados ao aparecimento de doenças crônicas en-
tre os adolescentes.
B a diminuição do consumo de alimentos fontes de
carboidratos, combinada com um maior consumo de
alimentos ricos em proteínas, contribuíram para o au-
mento da obesidade entre os adolescentes.
C a maior participação dos alimentos industrializados e
gordurosos na dieta da população adolescente tem
tornado escasso o consumo de sais e açúcares, o que
prejudica o equilíbrio metabólico.
D a ocorrência de casos de hipertensão e diabetes entre
os adolescentes advém das condições de alimentação,
enquanto que na população adulta os fatores hereditá-
rios são preponderantes.
E a prática regular de atividade física é um importante fa-
tor de controle da diabetes entre a população adoles-
cente, por provocar um constante aumento da pressão
arterial sistólica.

116 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

54 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 8

► Texto para a questão 5. Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar so-
Lisbon Revisited zinho!
(l923) PESSOA, Fernando; AYALA, Walmir (Org.).
Antologia poética. 9 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

Não: Não quero nada.


Já disse que não quero nada. 5 Esclareça o conflito do eu-poemático por meio de duas
categorias modais: “dever” e “querer”.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!


Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfilei-
rem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.


Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?


Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer
coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?

Não me peguem no braço!


Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —


Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
GUIA DE ESTUDO
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 3
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. I. Leia as páginas de 64 a 67.
II. Faça os exercícios 4 e 5 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 6 a 11.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 117

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:30)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 55


 Orientações
Essa aula tem como temas principais os tipos de manipulação (tentação, intimidação, sedução e provocação), a
competência (relacionada ao poder e saber necessários para a realização de uma ação), a performance (o que permite a
mudança de estado do sujeito) e a sanção (a recompensa ou o castigo aplicados ao sujeito da performance). São aborda-
dos ainda os programas narrativos de base (principal) e de competência (auxiliar).

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: A.
O texto de Drummond constrói o conflito a partir da escrita em forma de perguntas, o eu lírico questiona o ser e finaliza afirmando
que crescerá a seu modo (assim mesmo), autêntico.

2 Alternativa: C.
A propaganda, ao empregar o termo “pesadelo”, objetiva mensurar o problema do abuso sexual pela perspectiva da criança e,
desse modo, enfatizar a importância da denúncia.

3 Alternativa: A.
A alternativa A é a que melhor contempla os fatores apresentados no texto, que estão relacionados ao aparecimento de doenças
crônicas entre os adolescentes.

4 Alternativa: D.
A fruição (o prazer) é estabelecida pelo lúdico. Segundo o texto, o jogo é acompanhado pela alegria, e as experiências
inusitadas se dão pelas diferenças da vida cotidiana.

5 O conflito estabelecido no poema pressupõe um dever-ser versus um querer-não-ser; a sociedade impõe um dever-ser
(“Queriam-me casado, fútil, quotidiano etributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?”), mas o eu-
poemático um querer-não-ser (“Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência!“).

ANOTAÇÕES

56 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 57


Frente Única

Aula F������ �� ���������


9 ������� ���
�������� ���������

 Figuras sonoras Onomatopeia


Temos quatro figuras sonoras: aliteração, assonância, Trata-se da imitação de ruídos produzidos por
onomatopeia e paronomásia. Essas figuras contribuem objetos, vozes de animais e fenômenos naturais.
para a melodia do texto, seja na poesia, seja na letra de
música. Quém! Quém! Quém! Quém!
Paulo Soledade. O pato.
Aliteração
Temos aliteração quando ocorre a reiteração de um fo- A onomatopeia pode ser decorrente de aliteração ou
nema consonantal (para alguns autores, da consoante inicial). assonância.

Finda por ferir com a mão. E rigendo e rangendo, a cana a triturar[...]


Caetano Veloso. Da Costa e Silva.

Assonância
Ocorre assonância quando há reiteração de um fone- Paronomásia
ma vocálico (para alguns autores, da vogal inicial). Trata-se do popular trocadilho, em que há semelhança
sonora quase total entre as palavras envolvidas.
A voz do Pato
Era mesmo um desacato. Berro pelo aterro pelo desterro.
Paulo Soledade. O pato. Caetano Veloso.

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Uerj 2014 Meu pai sofria de sonhos, saía pela noite de olhos tran-
O tempo em que o mundo tinha a nossa idade sabertos. Como dormia fora, nem dávamos conta. Minha
Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos mãe, manhã seguinte, é que nos convocava:
seus imprevistos improvisos. As estórias dele faziam o nosso — Venham: papá teve um sonho!
lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma E nos juntávamos, todos completos, para escutar as
narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do verdades que lhe tinham sido reveladas.
desfecho. Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. Taímo recebia notícia do futuro por via dos antepassa-
Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama dos. Dizia tantas previsões que nem havia tempo de provar
feita. Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre nenhuma. Eu me perguntava sobre a verdade daquelas vi-
a moleza de uma esteira. Leito dele era o puro chão, lugar sões do velho, estorinhador como ele era.
onde a chuva também gosta de deitar. Nós simplesmente lhe — Nem duvidem, avisava mamã, suspeitando-nos.
encostávamos na parede da casa. Ali ficava até de manhã. E assim seguia nossa criancice, tempos afora. Nesses
Lhe encontrávamos coberto de formigas. Parece que os anos ainda tudo tinha sentido: a razão deste mundo esta-
insectos gostavam do suor docicado do velho Taímo. Ele nem va num outro mundo inexplicável. Os mais velhos faziam a
sentia o corrupio do formigueiro em sua pele. ponte entre esses dois mundos. [...]
— Chiças: transpiro mais que palmeira! COUTO, Mia. Terra sonâmbula. São Paulo: Cia. das Letras, 2007.
Proferia tontices enquanto ia acordando. Nós lhe sa-
cudíamos os infatigáveis bichos. Taímo nos sacudia a nós,
incomodado por lhe dedicarmos cuidados.

118 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / MARCELO.ACQUILINO / 07-11-2017 (15:27)

58 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


Aula 9

A escrita literária de Mia Couto explora diversas camadas 3 Unifesp 2013


da linguagem: vocabulário, construções sintáticas, sonori-
dade.
O exemplo em que ocorre claramente exploração da
sonoridade das palavras é:
A “Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos
seus imprevistos improvisos”.
B “Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recu-
sara cama feita”.
C “Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua
pele”.
D “Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos”.

2 Fuvest Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o bur-


rinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também de
fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa!
Chu-áa... – ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhu-
ma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem
o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois
o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa. Aqui,
por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz Disponível em: <www.iturrusgarai.com.br>.
medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: O efeito de humor da tira advém, dentre outros fatores, da:
como os homens e os seus modos, costumeira confusão. É A ironia, verificada na fala da personagem como intenção
só fechar os olhos. Como sempre. Outra passada, na massa clara de afirmar o contrário daquilo que está dizendo.
fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem com B paronomásia, verificada pelo emprego de palavras pa-
o escuro, filho do fundo, poupando forças para o fim. Nada recidas na escrita e na pronúncia, à moda de um tro-
mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora. Assim. cadilho.
ROSA, João Guimarães. “O burrinho pedrês”. Sagarana. C metáfora, verificada pelo emprego de termos que po-
Como exemplos da expressividade sonora presente nesse ex- dem se cambiar como formas sinônimas no enunciado.
certo, podemos citar a onomatopeia, em “Chu-áa! Chu-áa...”, D metonímia, verificada pelo emprego de uma palavra
e a fusão de onomatopeia com aliteração, em: em lugar de outra por uma relação de contiguidade.
A “vestindo água”. E onomatopeia, verificada pelo recurso à sonoridade das
B “ruge o rio”. palavras, que atribui outros sentidos ao enunciado.
C “poço doido”.
D “filho do fundo”.
E “fora de hora”.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I 119

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:30)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 59


Aula 9

4 No texto a seguir, observa-se a aliteração dos fonemas 5 Leia o texto a seguir.


p, b, t e d.
Dia de luz festa de sol
Botaram o anjinho numa igaçaba esculpida com forma [...]
de jabuti e pros boitatás não comerem os olhos do morto o No macio azul do mar
enterraram mesmo no centro da taba com muitos cantos Roberto Menescal; Ronaldo Bôscoli. O barquinho.
Disponível em: <www.robertomenescal.com.br/wpress/?page_id=552>.
muita dança e muito pajuari.
Mário de Andrade. Macunaíma.
a) O nome da canção da qual faz parte o excerto acima
a) A aliteração dos fonemas p, b, t e d cria uma é O barquinho. Nela, o deslizar do barquinho é repro-
onomatopeia que está relacionada ao conteúdo do ex- duzido por meio de um recurso sonoro denominado
certo. Explique. aliteração. Cite as palavras que possibilitam esse efeito
e sublinhe a letra que contribui para a formação da ali-
teração.

b) Em “os olhos do morto o...”, a reiteração do fonema /o/


cria uma figura sonora. Que figura sonora é essa? De
que maneira, em linguagem escrita, a reiteração do “o” b) Pode-se afirmar que a aliteração atua em conjunto
visualiza o conteúdo? com outra figura. Explique.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Frente Única | Capítulo 4
I. Leia as páginas de 78 a 80.
II. Faça os exercícios de 1 a 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 1 a 3.

120 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / PATRICIA.MONTEIRO / 10-11-2017 (07:30)

60 MANUAL DO CADERNO MEDICINA I


 Orientações
Nessa aula, o professor deve explicar aos alunos os efeitos de sentido criados pelas figuras de linguagem ligadas ao
aspecto fonético (aliteração, assonância, onomatopeia e paronomásia); enfatizar sobretudo a onomatopeia decorrente
de aliterações e assonâncias.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: A.
Dentre os exemplos, destaca-se o que contém a expressão “imprevistos improvisos”, que explora a sonoridade por formar uma
aliteração com a repetição de sons iguais ou muito semelhantes.

2 Alternativa: B.
A aliteração da consoante /r/ cria um efeito onomatopaico, o qual mimetiza a sonoridade do rio.

3 Alternativa: B.
Na tirirnha, fica evidente o emprego do trocadilho entre a palavra “sovaco” (termo coloquial para “axila”) e a expressão “só vácuo”
(empregada para representar o vazio característico da produção artística designada nos tempos atuais como “pós-moderna”). O
emprego – com o sem intenção irônica – de vocábulos gráfica e foneticamente semelhantes é conhecido como paronomásia.

4 a) A onomatopeia está relacionada à dança, mimetizando o som produzido por esta.


b) Trata-se da assonância: a letra “o” é semelhante a um olho (olhos do morto).

5 a) Trata-se das palavras, luz, festa, sol, macio, azul.


b) A aliteração cria a onomatopeia, que mimetiza o barulho da água em contato com o barco, o deslizar do barco.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA I 61