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Texto do Rev Marcos André Marques, muito bom.

QUARTA-FEIRA, 12 DE ABRIL DE 2017

PORQUE NÃO SOU NEOPURITANO

PORQUE NÃO SOU NEOPURITANO

A despeito de tanta coisa para fazer, a despeito de tanta leitura para realizar, a despeito de
tanta aula para preparar nas disciplinas que ensino no Seminário Presbiteriano do Norte, todas
na área de Teologia Sistemática, decidi parar tudo e escrever sobre esse tema que tem
inquietado o meu coração, ou seja, a acusação por partes de alguns, de que eu sou um
“neopuritano”. É claro que isso não me incomoda tanto, porque são acusações jogadas a esmo
por pessoas, que nem ao menos se dão ao trabalho de buscarem uma definição do que é
“neopuritanismo”. Também, e isso é igualmente interessante, já fui acusado por aqueles que
se julgam, verdadeiramente, reformados, de “pentecostal”, “evangelical”, neo-ortodoxo e até
de liberal, vejam só! Mas isso é assunto para outras postagens. Quero me prender nesta,
exclusivamente, a responder a incautos navegantes, que se aventuram, sem base alguma a
fazer tal afirmação sobre a minha pessoa e também, a outras pessoas amigas e colegas de
ministério. Para isso decidi elaborar um check-list do que caracteriza um “neopuritano”, ou
como dizem outros, um puritano da pós-modernidade.

Mas, para inicio de conversa, para ser honesto, preciso definir o que é puritanismo, ou o que é
ser um puritano. O puritanismo surgiu no século XVII, na Inglaterra, como uma designação
pejorativa aos calvinistas. Eles foram assim tratados, porque desejavam: um culto mais puro,
uma igreja mais pura, uma doutrina mais pura, e uma vida mais pura.

Foram os puritanos ingleses, assistidos pelos presbiterianos da Escócia, que fizeram seis
documentos, importantíssimos, para a igreja daquela época, que vivia num movimento
pendular, ora favorável ao catolicismo romano, ora favorável ao protestantismo, de
conformidade com o (a) monarca que ocupasse o trono da Inglaterra. Historiadores afirmam
que a igreja da Inglaterra ficara entre duas cidades: Roma, que simbolizava o catolicismo
romano, e Genebra, que simbolizava o protestantismo mais autêntico, proveniente da
sistematização teológica, auferida pelo reformador João Calvino. Esses documentos foram: 1)
O Diretório de Culto de Westminster (primeiro documento produzido pela Assembleia de
Westminster); 2) A Confissão de Fé de Westminster; 3) O Breve Catecismo de Westminster; 4)
O Catecismo Maior de Westminster; 5) Um Saltério e; 6) Um Sistema de Governo. Destes, a
Igreja Presbiteriana do Brasil tem por “símbolo de fé”, isto é, tem como correta interpretação
das Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos, A Confissão de Fé de Westminster, O
Breve Catecismo de Westminster, e o Catecismo Maior de Westminster.
Já o neopuritanismo, foi um movimento que teve inicio no final do século passado e inicio
deste, o qual tencionava trazer de volta às Escrituras Sagradas e aos padrões confessionais de
Westminster, pois a igreja estava sendo invadida por práticas heterodoxas, no que se concerne
a teologia, envolvendo distorções sobre a soberania de Deus, sobre soteriologia, com forte
apego a pensamentos arminianos, e principalmente com relação a pneumatologia, passando
pela eclesiologia e chegando por fim também, a escatologia, com grande ênfase ao pré-
milenismo dispensacionalista. As distorções desses ramos da teologia causaram sérios
problemas no culto e na prática da igreja. Pois bem, foi nesse contexto que surgiu o
movimento denominado de neopuritanismo, ou puritanos da pós-modernidade.

Bem isto posto, vamos ao check-list prometido acima, e que comprova que eu, nem muitos
amigos e colegas de ministério, não somos neopuritanos, como alguns nos acusam. Esta lista
destaca características de um verdadeiro neopuritano, e que para mim fica claro, que para ser
considerado um deles, é necessário que que preencha pelo menos 50% (cinquenta por cento)
da referida lista, esta pelo menos é a minha percepção. Vamos a ela:

þ É um individuo normalmente sisudo, que só tem amizade com que pensa igual a ele;

þ Não mantém relação com quem pensa diferente;

þ Gosta de rotular os que não pensam como ele de: pentecostal, evangelical, neo-ortodoxo,
liberal, pragmático, ou de não confessional;

þ Não gosta que o chamem de neopuritano;

þ Não assume que é neopuritano;

þ Se defende do rótulo de neopuritano, acusando os outros de rotularem a todo o mundo;

þ Utilizam o princípio regulador do culto cristão, de forma legalista e não para glorificar a Deus;

þ Via de regra, já pertenceram a grupos pentecostais, evangelicais, neo-ortodoxos, liberais ou


pragmáticos, mas não querem usar de misericórdia para com aqueles que são aquilo que ele já
foi outrora;
þ É adepto de salmodia exclusiva;[1]

þ Não comemora páscoa e natal, por considerar que são datas e festas pagãs, e desconsideram
quem as comemora;[2]

þ Não permite a existência de coral;

þ Não permite a existência de grupo de louvor;

þ Não permite que mulheres orem nos cultos;

þ Não permite que mulheres leiam a Bíblia no culto, por isso não realiza leitura alternada;

þ Advoga a ministração da Santa Ceia restrita;

þ Abomina, como se pecado fossem, as sociedades domésticas da igreja;

þ Abomina, como se pecado fosse, o culto infantil nos cultos públicos;

þ Mesmo afirmando, que somente a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, colocam os
nossos Símbolos de Fé em igualdade com ela (hiper-confessionalidade);

þ Geralmente, conquanto fale muito de piedade, é afeito a litígios;

þ Exclui qualquer manifestação cultural no culto (por exemplo: levantar mãos, fechar os olhos,
palmas rítmicas);

þ É contra instrumento musical no culto;

þ Em alguns casos, advogam o uso do véu para as mulheres;


Estas, entre outras, compõem as características de um neopuritano. Escrevo esse post, não
para denegrir ninguém, quer seja contra ou a favor do movimento. Escrevo para deixar claro,
de uma vez por todas, que nem eu, nem muitos dos meus irmãos e colegas de ministério, que
muitas vezes somos acusados de sermos neopuritanos, temos tal prática. E de que, uma vez
por todas, saibam diferenciar o que é ser confessional, seguindo os padrões de Westminster
que são abraçados pela nossa igreja, conforme está registrado no capítulo I, Artigo 1º, da
Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, que versa sobre Natureza, Governo e Fins da
Igreja.

Deus seja louvado, e que Ele nos abençoe!

Marcos André Marques