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AlfaCon Concursos Públicos

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
ÍNDICE
Administração Indireta em Espécie (Cont.)����������������������������������������������������������������������������������������������������2
Fundações Públicas�����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������2
Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista���������������������������������������������������������������������������������������������������3
Distinções entre Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista�����������������������������������������������������������������4
Diferenças����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������5

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com
fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização do AlfaCon Concursos Públicos.
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Administração Indireta em Espécie (Cont.)


Fundações Públicas
As fundações públicas, também chamadas de fundações governamentais, são entidades sem
fins lucrativos, cujo conceito legal encontra-se no Decreto-Lei 200/67, em seu art. 5º, IV, que diz:
entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de
autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou
entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respecti-
vos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.
Como exemplo de fundações públicas, podemos citar o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), cuja finalidade é compreender e apoiar o desenvolvimento do Brasil por
meio da coleta de informações estatísticas e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) visa o amparo
das populações indígenas.
1) PERSONALIDADE JURÍDICA
As fundações públicas são pessoas jurídicas de direito privado, contudo, também pode ser feita
sua criação com adoção de personalidade jurídica de direito público.
Atualmente a posição mais adotada pelas bancas examinadoras é de que as fundações públicas
são pessoas jurídicas de direito privado (essa é a regra geral). Entretanto, admite-se que sejam
instituídas com personalidade jurídica de direito público sendo, neste caso, espécies de autarquias
(autarquias fundacionais ou fundações autárquicas). Assim, caso sejam criadas com personalidade
jurídica de direito público (trata-se da exceção), seguirão as mesmas regras de autarquia.
2) CRIAÇÃO
A criação das fundações públicas é feita mediante autorização por lei específica. Contudo, a
aquisição de sua personalidade jurídica está condicionada ao registro de seus atos constitutivos na
serventia registral pertinente
Caso se trate de uma fundação pública de direito público, estaremos diante, na verdade, de uma
espécie de autarquia, seguindo esse ente, portanto, as mesmas regras direcionadas para as autarquias
(criação diretamente por lei).
Criação das fundações públicas:
→→ de direito privado: autorizadas por lei + registro
→→ de direito público: diretamente por lei (não precisa do registro)
3) FINALIDADES
A Constituição Federal estabelece que lei complementar irá definir o campo de atuação das funda-
ções públicas. Contudo, ante a inexistência de tal lei, prevalece que as fundações públicas são criadas para
exercerem principalmente atividades de caráter assistencial, cultural, educacional e de pesquisa. Impor-
tante destacar que as fundações públicas jamais poderão ser instituídas com finalidades lucrativas.
4) RESPONSABILIDADE CIVIL
Embora não seja pacífico, prevalece que as fundações públicas respondem pelos danos causados
por seus agentes, nessa qualidade, de forma objetiva.
5) REGIME DE PESSOAL
As fundações públicas, como regra geral, adotam o regime estatutário como aplicável na relação
desse ente com seus servidores. No caso das fundações públicas federais, aplica-se a tais relações a
Lei 8.112/90.
Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com
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6) PATRIMÔNIO
Os bens das fundações públicas são classificados como públicos. Assim, os bens desses entes
gozam das mesmas proteções especiais que destinadas aos bens dos entes da Administração Direta,
como a sua impenhorabilidade e imprescritibilidade, por exemplo.
7) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
As fundações públicas também possuem imunidade tributária relativa a impostos, conforme
expresso no art. 150 da CF:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§ 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essen-
ciais ou às delas decorrentes.
8) PRECATÓRIOS
Como os bens das fundações públicas são classificados como públicos, os mesmos são insusce-
tíveis de penhora, sendo o pagamento das dívidas oriundas de decisões judiciais desses entes feita
mediante a ordem cronológica de apresentação dos precatórios.
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais,
em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos
precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações
orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
Lei 9.469/97, Art. 6º – Os pagamentos devidos pela Fazenda Pública federal, estadual ou municipal e
pelas autarquias e fundações públicas, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão, exclusivamente, na
ordem cronológica da apresentação dos precatórios judiciários e à conta do respectivo crédito.
9) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS
Os privilégios processuais aplicáveis à Fazenda Pública não alcançam todas as fundações
públicas, mas somente as de direito público, como a regra do prazo em dobro. Assim, as fundações
públicas de direito privado (que representam a regra geral) não fazem jus a tais prerrogativas.
CPC – Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais,
cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.

Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista


1) PERSONALIDADE JURÍDICA
As empresas públicas e as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado.
Assim, embora se assemelhem em muitos aspectos a entidades privadas, as empresas estatais, inde-
pendente das finalidades que exerçam, devem observar determinadas regras direcionadas para a
Administração Pública, como a exigência de concurso público para contratação de seus emprega-
dos públicos, a vedação constitucional à acumulação remunerada de cargos, empregos e funções
públicas e também ao dever de licitar (como regra geral).
2) CRIAÇÃO
A criação das empresas é feita mediante autorização por lei específica. Contudo, a aquisição
personalidade jurídica das empresas públicas e das sociedades de economia mista está condicionada
ao registro de seus atos constitutivos na serventia registral pertinente.
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Assim, a lei meramente autoriza a criação de tais entes, sendo que o seu nascimento (aquisição da
personalidade jurídica) somente se efetiva com o seu registro em cartório.
3) FINALIDADES
Um ponto bastante importante e que merece destaque são as finalidades das empresas estatais, que
podem ser criadas como prestadoras de serviços públicos ou exploradoras de atividade econômica.
Caso a empresa estatal seja uma prestadora de serviço público, terá sua responsabilização civil
feita de forma objetiva.
Caso tal ente seja criado com a finalidade de explorar atividades econômicas, possuirá a mesma
responsabilidade civil aplicada às empresas privadas em geral, isto é, responderá de forma subjetiva.
4) REGIME DE PESSOAL
Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista adotam o regime celetista.
Assim, o vínculo existente entre as empresas estatais e seus empregados públicos é o trabalhista,
regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Contudo, cabe a ressalva de que os dirigentes dessas entidades são titulares de cargos comissio-
nados, escolhidos livremente pelo Chefe do Poder Executivo. Desse modo, por serem titulares de um
cargo em comissão, não serão regidos pela CLT, mas pelo estatuto do respectivo ente .
5) PATRIMÔNIO
Embora não seja pacífico, prevalece que os bens das empresas estatais prestadoras de serviços
públicos, que estejam afetos a tal prestação, isto é, que estejam sendo utilizados diretamente na
prestação de tais serviços, são equiparados a bens públicos, gozando das proteções especiais até
então estudadas.
Seguindo esse entendimento, a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal entende que
em tais casos, as dívidas judiciais serão quitadas mediante precatórios.
Os demais bens, não afetos à prestação de serviços públicos, não são considerados públicos, não
possuindo tal proteção, podendo ser penhorados e não havendo que se falar em regime de precatórios.
6) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Outro ponto não pacífico diz respeito à imunidade tributária de tais entes, sendo que iremos
adotar aqui o entendimento predominante. As empresas estatais prestadoras de serviços públicos
poderão gozar de isenções fiscais, ainda que não extensíveis à iniciativa privada.
Contudo, caso se trate de um ente que explora atividade econômica, não haverá tal prerrogativa, pois
tais entes somente poderão fazer jus aos mesmos benefícios fiscais extensíveis às empresas privadas.
7) INEXISTÊNCIA DE PRIVILÉGIOS PROCESSUAIS
As empresas públicas e as sociedades de economia mista respondem em juízo (como regra geral)
como as demais empresas privadas, não fazendo jus aos privilégios processuais até então estudados.
Distinções entre Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista
1) CAPITAL SOCIAL
O capital social utilizado na formação de uma empresa pública é oriundo integralmente de
recursos públicos de um ente da Administração Direta ou Indireta (não há participação de entida-
des privadas em seu capital social). Caso a empresa pública seja formada por capital social exclusi-
vamente de um ente (capital exclusivamente da União, por exemplo), teremos uma empresa pública
unipessoal. Caso essa entidade seja formada pela conjugação de capital social oriundo de mais um
ente (de 3 Estados-membros, por exemplo), tratar-se-á de uma empresa pública pluripessoal.

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As sociedades de economia mista, por sua vez, possuem capital social misto, formado pela con-
jugação de capital público e privado. Entretanto, cabe salientar que a maioria do capital com direito a
voto sempre estará em mãos do poder público, de modo a manter o controle acionário em mãos do
Estado, que comandará essa entidade.
2) FORMA SOCIETÁRIA
As empresas públicas possuem uma liberdade maior nesta parte, podendo ser constituída sob
qualquer modalidade societária admitida em direito. Assim, uma empresa pública pode ser criada
com a forma empresarial de uma sociedade anônima, sociedade limitada, comandita, etc.
As sociedades de economia mista, por outro lado, somente podem ser constituídas sob a forma
jurídica de sociedades anônimas.
3) COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM
As empresas públicas têm suas lides dirimidas judicialmente no âmbito da justiça comum de
acordo com o ente federado ao qual pertença. Assim, se tratar-se de uma empresa pública federal, a
competência será da Justiça Federal. Caso se trate de uma empresa pública estadual ou municipal, a
competência será da Justiça Estadual.
As sociedades de economia mista, por sua vez, têm suas lides apreciadas exclusivamente pela
Justiça Estadual, mesmo que se trate de uma sociedade de economia mista federal (salvo algumas
exceções em que há interesse da União envolvido, por exemplo, mas esse aprofundamento diz
respeito à matéria de Direito Processual Civil).
Diferenças
Empresa Pública
→→ Seu capital é 100% público.
→→ Podem adotar qualquer forma societária
→→ Exemplos: Caixa Econômica Federal e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
Sociedade de Economia Mista
→→ Capital misto, mas deve prevalecer o capital público (no mínimo 50% + 1 ação nas mãos do Poder
Público, ele deve manter o controle acionário).
→→ Constituídas apenas na forma de Sociedade Anônima.
→→ A competência para apreciar suas ações será sempre da Justiça Estadual nas ações sujeitas à Justiça
Comum (ainda que se trate de uma sociedade de economia mista federal).
→→ Exemplos: Banco do Brasil e Petrobras
Exercícios
01. Sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, instituídas pelo Poder
Público, sob qualquer forma jurídica, para exploração de atividades de natureza econômica ou
execução de serviços públicos.
Certo ( ) Errado ( )
02. Todas as pessoas jurídicas instituídas pelo Estado, sejam elas pessoas de direito público ou de
direito privado, são dotadas de capacidade de autoadministração e de patrimônio próprios.
Certo ( ) Errado ( )
03. Fundações públicas são entidades da administração indireta dotadas de personalidade jurídica
de direito público
Certo ( ) Errado ( )
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04. As autarquias e as Fundações Públicas, como entes de direito público que dispõem de persona-
lidade jurídica própria, integram a Administração Direta.
Certo ( ) Errado ( )
05. As fundações governamentais de direito público, embora não tenham de ser criadas por leis
específicas, devem ser instituídas, após autorização legal, por meio do registro de seus respec-
tivos atos constitutivos no registro civil de pessoas jurídicas.
Certo ( ) Errado ( )
06. A criação de pessoa jurídica de direito privado integrante da administração pública dá-se por
meio da inscrição de seus atos constitutivos no registro público competente, desde que haja
autorização legal.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito
01 - Errado
02 - Certo
03 - Errado
04 - Errado
05 - Errado
06 - Certo

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