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Penhane BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES Director Executivo: Rui

Penhane

BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES

Director Executivo: Rui Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete* Bairro Chingodzi* Editado em Português e Inglês

Comunidades na Gestão Florestal podem “travar” nkula?

Só um estudo minucioso pode determinar se a participação das comunidades locais na co-gestão de recursos florestais, através dos Comités de Gestão de Recursos Naturais ou outra entidade afim, pode promover ou mesmo comprome- ter a exploração de madeira de espécie nkula, na província de Tete onde o fenómeno tornou-se desproporcional nas comunidades locais. Mais do que isso, o estudo, lidando-se com uma das fontes principais de sobrevivência das comu- nidades, a floresta, pode desenvolver uma compreensão para encontrar a resposta sobre a participação das comuni- dades na preservação desta espécie. Talvez seria trabalho do mesmo, o estabelecimento até, de meios alternativos para a vida das comunidades em troca da exploração deste recurso que alimenta, de forma predadora, o mercado es- trangeiro. E é maior a população que vive nas zonas rurais, sendo lá onde se localizam as florestas, uma das suas fontes principais de sobrevivência, desde a alimentação, habitação, energia ou combustível e até mobiliário. E por isso, o uso sustentável das florestas pode melhorar as condições de vida das comunidades locais, mas que o inverso pode ser fonte de empobrecimento e consequente pressão para com o Estado no sentido de ver garantida a sobrevivência das mesmas. É por isso que um estudo pode contribuir para a criação de políticas de gestão florestal mais eficientes e efi- cazes no sentido de descentralização e partilha mais efecti- va dos benefícios de exploração dos recursos florestais e naturais em geral. Auxiliada pela lei de floretas, a participa- ção das comunidades pode conferir um papel importante às

mesmas comunidades na gestão dos recursos. No entanto, a concepção de “comunidade” ignora as relações de poder entre os vários actores que a compõe apesar de sua capital importância, devendo constituir objecto de estudo, para que ela seja vista como entidade harmoniosa, mas também, como organismo dinâmico, constituída de actores em relações de mercado. A compreensão de práticas e instituições social- mente diferenciadas que ficam na interacção da co-gestão florestal, desde o Governo, comunidade se estiver represen- tada pelo CGRN, poder tradicional, empresas e associações de operadores florestais pode igualmente constituir uma base muito relevante para intervenções efectivas no campo de gestão florestal. Há que valorizar também a interacção assimétrica de poder entre o poder legal, tradicional, os co- mités ou instituições criadas pelos governos para a gestão de recursos florestais e ou ainda, como sustenta um trabalho intelectual a que o PENHANE teve acesso, o sector privado, este como aquele com menos influência na co-gestão de flo- restas comunitárias embora formalmente tido como parceiro. A inclusão ou participação das comunidades seja através dos CGRN não tanto como resultado da necessidade de partilha efectiva de poder para melhorar a gestão, fiscalização e parti- lha efectiva dos benefícios das florestas para o bem comum mas em cumprimento dos ditames legais até, é sobretudo imposto por agendas internacionais a que os países ratifica- ram. Pode ser por esta razão, que para as comunidades, a pergunta mais forte seria saber como é que esse poder ou direito de co-gestão teria de ser transferido para si, em ter- mos de processo.

Exploração de nkula é predadora

Em trabalho científico corroborado por Ribot e Larson (2005), lê-se que o Governo central admite a criação dos comités de gestão de recursos naturais ou outros mecanismos de co-gestão devido à insistência de doadores, mas que depois os manipula para servir os seus próprios interesses através da limitação de prestação de contas dessas instituições às instâncias comunitárias abaixo de si e até, impondo os somente à prestação down-top. É assim, que persiste o entendimento da AAAJC de que a exploração de nkula é pre- dadora, por não respeitar as regras de explo-

ração florestal no país e configura-se irresponsável para o desenvolvimento local por estar longe de desenvolver as comunidades. E mais, a exploração de nkula não efectua a programação no espaço e no tempo das actividades silviculturais que se desen- volvem numa floresta, para se alcançar, de modo óptimo, os bens e os benefícios que os proprietários da floresta e a comunidade necessitam.

Parceiros:

da floresta e a comunidade necessitam. Parceiros: Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica
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Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades (AAAJC), é uma organização da Sociedade Civil Moçambicana, não- governamental, sem fins lucrativos, de âmbito nacional, fundada em 2008 e com os seus estatutos legalmente publicados em 2010 no Boletim da República nº. 2, III serie, 4º suplemento de 19 de Janeiro. A sede é na cidade de Tete.

Edition nº110 Penhane OFICIAL NEWS LETTER OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO

Edition nº110

Penhane

OFICIAL NEWS LETTER OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO COMUNITIES

Director Executivo Rui Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete* Bairro Chingodzi* Editado em Português e

Communities in Forest Management can “stop” nkula?

Only a detailed study can determine whether the parti- cipation of local communities in the co-management of forest resources, through the Natural Resources Mana- gement Committees or another related entity, can pro- mote or even compromise the exploitation of Nkula wood in the province of Tete where the phenomenon has become disproportionate in local communities. More than this, the study, dealing with one of the main sources of community survival, the forest, can develop an understanding to find the answer on the participati- on of communities in the preservation of this species. Perhaps it would be the work of the same, even esta- blishment, of alternative means for the life of the communities in exchange for the exploitation of this resource that feeds, in a predatory way, the foreign market. And the population lives in rural areas, where forests are located, one of their main sources of survi- val, from food, housing, energy, fuel and even furnitu- re. Therefore, sustainable use of forests can improve the living conditions of local communities, but the re- verse can be a source of impoverishment and conse- quent pressure on the state to ensure the survival of these communities. That is why a study can contribute to the creation of more efficient and effective forest ma- nagement policies towards decentralization and more effective sharing of the benefits of exploiting forest and natural resources in general. Supported by the forest law, community participation can play an important role for the same communities in resource manage-

ment. However, the concept of "community" ignores the power relations between the various actors that make it up despite its capital importance and should be studied in order to be seen as a harmonious entity, but also as a dynamic organism constituted of actors in market relations. The understanding of socially diffe- rentiated practices and institutions that lie in the inte- raction of forest co-management, from the Gover- nment, community if it is represented by the NRMC, traditional power, companies and associations of fo- rest operators can also constitute a very relevant basis for effective interventions in the field management. The asymmetric interaction of power between the le- gal, traditional power, the committees or institutions created by the governments for the management of forest resources, or, as supported by an intellectual work which PENHANE has access, the private sector, this as one with less influence on co-management of community forests although formally partnered. The inclusion or participation of communities through NRMC is not so much as a result of the need for effec- tive sharing of power to improve the management, monitoring and effective sharing of the benefits of fo- rests for the common good, but in compliance with the legal requirements until, it is mainly imposed by agen- das that countries have ratified. It may be for this reas- on that for the communities, the strongest question would be how such a power or right of co- management would have to be transferred to them in terms of process.

Exploitation of nkula is predator

Ribot and Larson (2005) confirm that the cen- tral government admits the creation of natu- ral resources management committees or other co-management mechanisms due to the insistence of donors, but then manipulates them to serve the their own interests by limi- ting the accountability of these institutions to the community bodies below them and even imposing them only to the down-top provisi- on. Thus, the AAAJC continues to believe that the exploitation of nkula is predatory be-

cause it does not respect the rules of forest exploitation in the country and it is irrespon- sible for local development because it is far from developing communities. Moreover, nkula exploitation does not schedule in the space and time of silvicultural activities that take place in a forest, in order to achieve opti- mally the goods and benefits that forest ow- ners and the community need.

and benefits that forest ow- ners and the community need. Partners: Who Are We? The Association

Partners:

that forest ow- ners and the community need. Partners: Who Are We? The Association for Support
that forest ow- ners and the community need. Partners: Who Are We? The Association for Support

Who Are We? The Association for Support and Legal Assistance to Communities (AAAJC) is an mozambican

Civil Society Organization (CSO) based in Tete province, non-governmental and non proffit, created in 2008 by a group of Paralegals in natural resources and development law, formed by the Center for Legal and Judicial Training (CFJJ), now Ministry of Justice, who decided to organize themselves based on their knowledge to promote social and economic development and respect for human rights based on observance of the principles of social justice, equity and sustainability. Its scope of action was limited to the areas of economic development and poverty reduction in a participatory manner, legal support to communities and citizens, environmental education, conflict resolution, advocacy of public policies and human rights. In 2010, following the implementation of some initiatives and completing the process of its constitution, the organization was formally legalized with statutes published in