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Estranhamento e desnaturalização

Objetivos: apresentar os conceitos de estranhamento e desnaturalização como parte


do trabalho do sociólogo.

Habilidades e competências: Compreender o que faz um sociólogo; desenvolver o


espírito crítico e a capacidade de observação da sociedade.

Procedimentos:
1. Escrever na lousa o texto abaixo sobre o estranhamento
Estranhamento é o ato de estranhar no sentido de admiração, de espanto diante de
algo que não se conhece ou que não se espera; por achar estranho, ao perceber
alguém ou algo diferente do que se conhece ou do que seria de se esperar que
acontecesse daquela forma; por surpreender-se, assombrar-se em função do
desconhecimento de algo que acontecia há muito tempo; por sentir-se incomodado
diante de um fato novo ou de uma nova realidade; por não se conformar com alguma
coisa ou com a situação em que se vive; não se acomodar, rejeitar.
Estranhar, portanto, é espantar-se, é não achar normal, não se conformar, ter uma
sensação de insatisfação perante fatos novos ou do desconhecimento de situações e
de explicações que não se conhecia. Estranhamento é espanto, relutância,
resistência. Estranhamento é uma sensação de incômodo, mas agradável incômodo,
vontade de saber mais e entender mais, sendo, pois, uma forma superior de duvidar.
Problematizar um fenômeno social é fazer perguntas com o objetivo de conhecê-lo: “-
Por que isso ocorre?” “- Sempre foi assim?” “- É algo que só existe agora?” Por
exemplo: quando hoje estamos frente à questão da violência, devemos perguntar: “-
Houve violência em todas as sociedades? Como era a violência na antiguidade? Em
outros países, há a violência que vemos em nosso cotidiano? Há um só tipo de
violência? Quais as razões para tais e quais tipos de violência?”
Estranhar situações conhecidas, inclusive aquelas que fazem parte da experiência de
vida do observador, é uma condição necessária às Ciências Sociais para ultrapassar,
ir além, das interpretações marcadas pelo senso comum.

2. Explicar e debater o conceito de estranhamento.


3. Passar o vídeo do E.T. como exemplo de estranhamento.
4. Passar o texto abaixo sobre desnaturalização:
Desnaturalização

É muito comum no nosso cotidiano ouvirmos a expressão: “- Isso é natural.” Esta


expressão nos remete à ideia de algo que sempre foi, é ou será da mesma forma,
imutável no tempo e no espaço. Em consequência, é por isso que também ouvimos
expressões como: “- É natural que exista a desigualdade social, pobres sempre
existirão.”
Assim, as pessoas manifestam o entendimento de que os fenômenos sociais são de
origem natural, nem lhes passando pela cabeça que tais fenômenos são, na verdade,
constituídos socialmente, isto é, historicamente produzidos, resultado das relações
sociais.
Para desfazer esse entendimento imediato, um papel central que o pensamento
sociológico realiza é a desnaturalização das explicações dos fenômenos sociais. Há
uma tendência sempre recorrente de se explicarem as relações sociais, as
instituições, os modos de vida, as ações humanas, coletivas ou individuais, a
estrutura social, a organização política com argumentos naturalizadores. Primeiro,
perde-se de vista a historicidade desses fenômenos, isto é, que nem sempre foram
assim; segundo, que certas mudanças ou continuidades históricas decorrem de
decisões, e essas, de interesses, ou seja, de razões objetivas e humanas, não sendo
fruto de tendências naturais.
Nesse sentido, a superação do senso comum para uma análise mais crítica e
criteriosa da sociedade é um dos objetivos da sociologia no ensino médio: propiciar
aos jovens o exame de situações que fazem parte do seu dia a dia de modo mais
investigativo. Superar a aparência imediata e despertar no aluno a sensibilidade
para perceber que o mundo a sua volta é resultado da atividade humana e, por isso
mesmo, passível de ser modificado.

4. Pedir para que seja representada uma cena do cotidiano por um grupo.
5. Pedir que outro grupo descreva de modo estranhado a cena do cotidiano.
6. Realizar uma avaliação coletiva de como foram os trabalhos.