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O que está faltando, na maioria dos lares cristãos, é espaço para a

família adorar a Deus. Essa adoração se dá através do culto doméstico.


Todavia, essa prática tem sido negligenciada. Na maioria dos lares cristãos,
não se faz o culto doméstico. Milhões de crentes deixam de ir ao culto
nas igrejas para ficar em casa, assistindo a uma programação que nada tem
de edificante para as vidas de servos de Deus (1 Co 6.12; 10.23).
A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico
para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há outra
forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca
da presença de Deus no lar. O culto doméstico propicia os momentos
diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da
Bíblia, “a espada do Espírito”, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele
se faz presente.
Sabemos que neste século XXI, quando o materialismo avassala as
mentes; quando crianças, nas escolas, são bombardeadas com os ensinos
que eliminam Deus da origem do universo e do homem; crianças e adolescentes
são estimuladas à prática do sexo precoce, e o homossexualismo
é impingido como prática normal e saudável; se os pais não despertarem
para a adoração a Deus, no lar, será impossível evitar a derrocada da família.
Inclusive da família cristã. Ocorrerá o que aconteceu na Europa, que um dia
foi berço de grandes avivamentos.
Hoje, com algumas exceções, há igrejas vazias, pelo afastamento de
crianças e jovens; lares destruídos pelo ateísmo e pelo demonismo, pela
ausência de Deus. O estrago por anos a fio de desprezo à educação cristã
nos lares não será reparado. Mas ainda há tempo para salvar alguns (1 Co
9.22). Se houver conscientização por parte dos pais cristãos, que considerem
os filhos como "... herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu
galardão” (SI 127.3), haverá motivação para restaurar ou implantar o culto
doméstico.
I - O SIGNIFICADO DO CULTO DOMÉSTICO
Como o nome sugere, o culto doméstico é uma reunião da família,
sob a liderança dos pais cristãos, com a finalidade de cultuar a Deus no
lar. Sua realização tem sólido fundamento bíblico, como será observado
neste estudo. O culto doméstico é tão importante que Satanás tem tido
especial cuidado para desestimular sua realização em mais de 90% dos
lares cristãos.
O resultado da ausência da adoração nos lares, diariamente, é causa
para a maioria dos problemas que os casais e as famílias cristãs enfrentam
nestes “tempos trabalhosos”, previstos na Palavra de Deus. Que o Senhor
Jesus desperte os pais cristãos para tomarem a decisão sábia e firme de desenvolver
esse trabalho, que é simples, mas de grande efeito sobre a formação
espiritual, moral e social da família cristã.
II - O CULTO DOMÉSTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. No primeiro lar, Deus estava presente

Talvez não se tenha dado muita importância ao que ocorreu no


Éden, no primeiro lar do ser humano, depois que ele foi criado por Deus.
Era um ambiente perfeito, sem doenças, sem violência, sem qualquer
coisa que abalasse a estabilidade e a segurança dos seus habitantes. Mas o

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que era mais importante, ali, era a presença de Deus junto ao casal.
No Éden, começou o culto doméstico. Não é força de expressão ou
apenas uma linguagem metafórica. Os seres criados podiam não apenas
crer, mas ver e ouvir ao próprio Criador. Em atitude de reverência e
adoração, ouviam a voz de Deus, que os visitava (Gn 3.8).
Ali, havia um maravilhoso culto doméstico, dirigido pelo próprio
Deus! E, se não fosse a desobediência, não só o Éden, mas toda a terra
seria um ambiente de adoração ao Criador. Enquanto Adão e Eva
permaneceram naquele estado santo, diante de Deus, só havia bênçãos.
Aquele culto doméstico foi prejudicado, quando desobedeceram à voz do
Senhor, e ouviram a voz do tentador. Deus não mais se fez presente ali.
O culto doméstico deixou de ser realizado no Jardim, Satanás prevaleceu.
Hoje, acontece a mesma coisa. Quando os pais de família, os líderes
e sacerdotes do lar, deixam de obedecer ao Senhor, todos são prejudicados.
A primeira coisa que acontece é a ausência de Deus no lar. E quando
Deus não está num lar, coisas terríveis acontecem. O Diabo, o adversário
da família, promove a desarmonia, a falta de paz, a falta de amor;
assim a desunião, a desconfiança, o ciúme e as contendas têm lugar.

2. A adoração na família era valorizada

O povo de Israel estava prestes a entrar na terra de Canaã, 40 anos


depois da saída do Egito. O líder Moisés precisava dar as orientações
indispensáveis sobre como se comportar no destino de sua grande jornada.
O deserto serviu de campo de experiências marcantes com Deus.
A passagem do mar Vermelho; a água tirada da rocha; o pão enviado
por Deus; os livramentos extraordinários, e as vitórias sobre os inimigos,
tudo isso só teria sentido se o povo continuasse a servir ao Senhor com
fidelidade.
A multidão que sobreviveu ao deserto estava às portas de Canaã.
Achavam-se acampados na terra de Moabe, na parte oriental ao Jordão
e ao mar Morto. Moisés reuniu-os e lhes fez saber a vontade de Deus,
através da sua Lei, dos seus estatutos e juízos (Lv 19.37). Sem isso, jamais
poderiam ser um povo abençoado.
Havia uma verdadeira preocupação em integrar a família na adoração
a Deus, em todas as gerações. Havia clima espiritual e emocional
para o culto doméstico. As palavras que receberam do Senhor deveriam
ser ensinadas às gerações da atualidade e também “aos filhos de teus
filhos”, às gerações futuras. Lamentavelmente, nos dias presentes, não se
vê essa determinação nas famílias atuais, mesmo no meio dos cristãos.
Falta uma cultura de adoração a Deus no lar. Parece que o comodismo
e o individualismo levaram as famílias a só irem às igrejas (aos templos)
aos domingos ou em eventos considerados importantes, como congressos
e festas anuais, de fim de Natal ou de Ano Novo. Depois, a rotina
toma conta das famílias, sem incluir, em sua programação, a realização
do culto doméstico.

3. A adoração e amor ao único Deus verdadeiro

Os ensinos transmitidos por Moisés aos israelitas tinham grande

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significado para a família.

a) A família precisa saber que Deus é o “único Senhor” (Dt 6.4). O

povo de Israel iria habitar numa terra, onde as nações, ao longo dos
séculos, eram politeístas. Adoravam imagens de escultura, adoravam “ao
pau e a pedra”, aos animais e às forças da natureza, em sua ignorância
espiritual. E os povo de Deus tinha que ter consciência de que só existe
um Deus, o único Deus, Criador dos céus, da terra, do homem e de
todas as coisas. E que esse Deus é o único Senhor, a quem deveriam
reverenciar e adorar.
No culto doméstico, hoje, os pais precisam enfatizar essa verdade. A
Nova Era, uma mistura de religião, filosofias, ocultismos e misticismos,
tem tido êxito em influenciar muitos jovens e adolescentes, com suas
invencionices, do tipo tarô, pirâmides, avatares, e uma gama enorme de
elementos esoteristas. A família cristã precisa ser “vacinada” contra essa
onda de espiritualismo herético.

b) A família precisa saber que Deus deve ser amado com todo o ser (Dt

6.5). Essa foi uma das maiores lições que Deus deu ao povo de Israel.
Ao longo da caminhada, gerações inteiras esqueciam-se de amar a Deus.
Dos que saíram do Egito, todos os homens de guerra pereceram, exceto
Josué e Calebe. Por que? A maioria pereceu por causa da murmuração
contra Deus e contra a liderança por ele estabelecida, como na rebelião
de Coré, Data e Abirã (Nm 16.33).
Não será o que falta, hoje, no meio de grande parte das famílias
cristãs? No Brasil, os evangélicos tiveram um crescimento extraordinário,
nos últimos anos, segundo o IBGE. Mas grande parte desse crescimento
não é acompanhado de crescimento qualitativo. E comum famílias
inteiras não realizarem qualquer tipo de atividade devocional em seu
lar. Amar a Deus de todo o coração requer devoção sincera, que parte
do íntimo do ser. Amar a Deus de toda a alma e de todo o poder exige
sentimentos santos de reverência e de práticas devocionais, no dia a dia
das pessoas. Não se pode dizer que uma família ama a Deus de todo o
coração, se seus integrantes, mesmo sem motivo que justifique, como
trabalho ou estudos, só vai à igreja local, para adorar a Deus, em fins de
semana, ou se sobrar tempo para isso.

4. A ordenança do culto doméstico

No Antigo Testamento, o povo de Israel estava passando por uma


experiência de aprendizado, no que concernia ao seu desenvolvimento
espiritual. Depois de tantos desvios e desacertos, a pedagogia de Deus
teve que ser muito rígida. O cativeiro egípcio ensinara ao povo que a
desobediência tem um alto preço a pagar. O Êxodo, através do deserto
abrasador, onde a sobrevivência de quase três milhões de pessoas era um
risco tremendo, deu ao povo oportunidade de conhecer o poder de Deus
em suas vidas. Mas, mesmo assim, com tantos sinais e maravilhas, jamais
imaginadas, na vida de um povo, os hebreus costumavam a esquecer-

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-se de Deus, quando as circunstâncias adversas eram superadas. Dessa
forma, Deus determinou que as famílias deveriam adorá-lo, não apenas
diante do Tabernáculo, mas o culto a Deus deveria começar nos lares.
De modo solene, a Bíblia registra a ordenança para a realização do culto
doméstico, no livro de Deuteronômio.
Os pais devem ter a Palavra no coração
A Bíblia destaca o valor da palavra arraigada e internalizada no coração
(Pv 4.20-23). Se os pais guardam a palavra podem ensiná-la a seus
filhos. Ela deve ser o centro de referência para os pais, que a guardam
“no meio do... coração”.
As palavras sagradas têm um efeito extraordinário na formação do
caráter dos filhos. O escritor diz que elas “são vida para os que as acham
e saúde para o seu corpo”. Ou seja, quando o crente guarda a palavra e a
pratica, ela é fonte de vida espiritual, e, em consequência, produz equilíbrio
emocional, que resulta em saúde para o corpo físico (Hb 4.12).
Esse versículo tem profundo sentido espiritual, com reflexos sobre
a saúde emocional e física. Demonstra o poder terapêutico da palavra de
Deus, penetrando no íntimo do ser humano, a ponto de produzir efeitos
até “nas juntas e medulas”. O coração é o centro dos pensamentos e das
intenções humanas. Jesus disse que “A boca fala do que o coração está
cheio (Lc 6.45). Por que os filhos de cristãos, em grande parte, só falam
em personagens de filmes, de jogos, de novelas e de realities shows? Porque
o coração de muitos está cheio dessas coisas inúteis e de nenhuma
edificação. Muitos têm o coração vazio da Palavra de Deus.
Os pais devem ensinar a Palavra em seu lar
Esse ensino deve ser ministrado de modo persuasivo, com muita
sabedoria. Os pais devem ser os sacerdotes no lar. E precisam ter autoridade
espiritual para dizerem aos filhos que a palavra de Deus é a Lei
do Senhor, e que a ela devemos submeter-nos. Se fizerem isso, apenas
quando os filhos forem adolescentes ou jovens, certamente terão muita
dificuldade para se fazerem ouvir. Mas, se o ensino da palavra de Deus
começar na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida
(Pv 22.6).
Os pais devem ter a Palavra de Deus nas mãos
“Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras
entre os teus olhos” (Dt 6.8). Os judeus usavam os filactérios (Tefilin) na
testa, entre os olhos, para lembrar sempre da Lei do Senhor.
Todavia, não precisamos agir assim; ter a palavra de Deus nas mãos
pode-se entender como sendo figura das ações dos pais, como exemplo
para seus filhos. Ê com as mãos que fazemos a maior parte das coisas.
É figura das ações, das atitudes e das práticas diárias dos pais. Os filhos
precisam olhar para as mãos dos seus pais, e saberem que são mãos “santas,
em ira nem contenda” (1 Tm 2.8). São mãos que glorificam a Deus,
que não se envolvem com coisas injustas ou desonrosas. As mãos devem
ser usadas de acordo com a Palavra de Deus todos os dias; o toque das
mãos pode conduzir bênçãos com a palavra. Jacó abençoou os netos,
tocando neles (Gn 48.8-10;13-16).
Os pais devem apresentar a Palavra de Deus no seu lar
“E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.9).
Literalmente, os pais deveriam transcrever trechos da Lei, nos umbrais

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das portas de suas casas, a fim de que seus filhos sempre tivessem em
mente os preceitos sagrados e o dever de cumpri-los para serem abençoados
em sua vida. Entre os 10 mandamentos, o de honrar pai e mãe
estava destacado: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem
os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex 20.12). Se os
pais não ensinassem aos filhos esse dever, facilmente esqueceriam de
preservá-lo.
O que acontece hoje? A maioria dos pais cristãos não ensina a palavra
de Deus no lar. Mas os filhos estão diariamente, durante os sete
dias da semanas, “plugados” na internet, ou diante da TV, assistindo à
programação secular. O que eles lembrarão mais? Os ensinos bíblicos,
que recebem uma vez por semana, na EBD (quando vão), ou os ensinos
dos personagens que aparecem nas novelas, nos desenhos animados e
nos programas humorísticos? A resposta é simples. O que mais enche
suas mentes são as imagens multicoloridas dos programas televisivos ou
dos sites da rede mundial de computadores.
No tempo de Moisés, no Antigo Testamento, palavra de Deus, ou a
sua Lei, tinha que ser ensinada aos filhos, a começar do lar, e não do Tabernáculo.
Depois, surgiram as sinagogas, que eram verdadeiras escolas
de ensino doutrinário, mas a educação no lar continuava a ser a principal
referência na vida e na conduta dos israelitas.
lll - O CULTO DOMÉSTICO NO NOVO TESTAMENTO
No Novo Testamento, não é menor a valorização do culto em
família. Talvez não apareçam tantas referências, no texto bíblico neotestamentário,
pelo fato de não relatar eventos de um sistema religioso
baseado na Teocracia, como no Antigo Testamento, em que tudo
na vida social e moral tinha como centro de referência o lugar de
adoração a Deus. Mas o sentido e a essência da adoração verdadeira,
no Novo Testamento, deixaram para trás as tradições e o ritualismo,
e se fundamentaram na adoração de natureza eminentemente espiritual.
Jesus resumiu o significado da adoração que ele ensinou: “Mas
a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o
Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim
o adorem” (Jo 4.34). Os pais de Jesus tiveram educação espiritual de
valor elevado.

1. A criação de Jesus revela um lar piedoso

Não resta a menor dúvida de que o casal José e Maria cultivava a


adoração a Deus em seu lar. José, pai adotivo de Jesus, e sua mãe, Maria,
tinham o extremo cuidado para com seu filho primogênito. Desde o seu
nascimento, nos primeiros dias de vida, já cumpriram a ordenança da lei
para a apresentação da criança no templo (Lc 2.21-24).
Em sua primeira infância, Jesus demonstrava que tinha uma excelente
formação espiritual, resultante do cuidado e zelo de seus pais: “E o
menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça
de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Em sua pré-adolescência, já sabia
de cor a Torah, ou Lei do Senhor, a ponto de confundir os doutores, no
templo (Lc 2.46,47). Sua origem era divina, mas sua educação foi humana,
criado num lar humilde, mas seus pais eram zelosos cumpridores

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da palavra de Deus.

2. A família de Timóteo

Timóteo era um jovem obreiro, discípulo do apóstolo Paulo, ganho


para Jesus através da pregação do apóstolo. Em sua segunda carta, Paulo
fala da lembrança pelo jovem, e diz que ora por ele, trazendo à memória
a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó
Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti.
Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em
ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1.5,6).
Nesse texto, vemos três gerações sucessivas, que tiveram a benéfica
e marcante influência do culto doméstico. Lóide, avó do discípulo soube
educar muito bem sua mãe, Eunice, nos caminhos do Senhor. Eunice,
por sua vez, não deixou que a educação do filho sofresse as influências
do materialismo e da filosofia que predominava em sua época. Mais
adiante, na epístola, Paulo reforça o valor da educação cristã de Timóteo,
desde a sua infância. Se Timóteo não tivesse participado do culto em seu
lar, certamente não teria ouvido do seu pastor referência tão expressiva
acerca de sua formação espiritual. Ao que tudo indica, o pai de Timóteo
não era cristão, “pois sua fé não é mencionada”. 1 Mas a avó e a mãe dele
eram mulheres sábias que souberam edificar a sua casa (Pv 14.1). Felizes
os lares que têm mulheres com essas características, verdadeiras líderes
espirituais, que têm capacidade para influenciar gerações.
Diz Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste
e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que,
desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio
para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Escritura divinamente
inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para
instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeita1
French L. ARRINGTON e Roger STRONSTAD. Comentário bíblico Pentecostal -
Novo Testamento, p. 1487.
mente instruído para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17 — grifo nosso). O
apóstolo ressalva que a Escritura tem efeito marcante na formação de
uma pessoa, para que “o homem de Deus”, que tem essa instrução, seja
“perfeitamente instruído para toda boa obra”. Era isso que Paulo desejava
ver em Timóteo.
Que Deus nos ajude a ver a educação cristã começar nos lares, no
culto em família, e seja fortalecida na igreja local, através do ensino, na
ED, nos cultos de doutrina; que a igreja seja a continuação do lar; e o lar
o reflexo da igreja; que os pais não esperem da igreja a total formação
espiritual de seus filhos. A semana tem 164 horas. Apenas umas 04 a
06 horas os filhos estão na igreja local (quando vão, a maioria só vai aos
domingos...). Só com a realização do culto doméstico é possível evitar a
terrível e avassaladora influência maligna da educação materialista que
predomina na escola; e formar uma barreira espiritual contra a deseducação
degradante e alienante, transmitida pelos meios de comunicação,
especialmente a TV e a Internet mal utilizadas.
IV - COMO REALIZAR O CULTO DOMÉSTICO

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1. Providências preliminares

Se a família já realiza o culto doméstico, não há necessidade de


considerar este item. Mas, se não tem o costume de fazê-lo, é importante
anotar alguns fatores a serem levados em conta. Não deve impor à
família a realização desse importante trabalho de ordem espiritual.
a) Conscientização. Antes de tudo, é necessário e desejável que os pais
conversem com os filhos, principalmente se já são adolescentes e jovens,
mostrando que a partir de determinado momento, os pais desejam que
todos se reúnam para o culto doméstico. Se os filhos são crianças, os pais
devem mostrar sua autoridade com amor, chamando-os para a reunião
em família. Neste caso, o programa do culto precisa ser ameno, agradável
e atraente para as crianças. Os pais devem chamar a atenção dos filhos
para os perigos que rondam seu lar, em todos os momentos. Diz a Bíblia:
“Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor,
bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Esse bramido
diabólico é mais forte e mais sorrateiro hoje do que nunca.
b) Superar os obstáculos ao culto doméstico. Os desencontros de horários
da família têm servido para dificultar a realização do culto doméstico.
A vida moderna tem levado a família a viver dispersa, mesmo
durante o dia. Pais trabalham em horários diferentes; filhos estudam
em horários diferentes, em escolas distantes, muitas vezes. Isso faz parte
da vida agitada dos últimos tempos. Os filhos à “roda da mesa”, como
diz o Salmo 128.3 torna-se cada vez mais difícil. Mas esse é apenas um
desafio que precisa ser encarado e vencido com sabedoria, determinação
e com a graça de Deus.
Se possível, é desejável que toda a família esteja reunida, em volta da
mesa, ou na sala de visitas, de maneira informal mas reverente. Porém,
se todos não puderem reunir-se, por motivo de trabalho ou de estudo,
os pais devem combinar a escolha de um horário em que pelo menos
a maior parte dos familiares esteja presente ao culto doméstico. Outro
obstáculo é o cansaço das atividades diárias. Mas tudo deve ser feito
para que o lar tenha o momento de adoração a Deus. O maior obstáculo,
no entanto, é a pouca importância que se dá ao culto doméstico. As
novelas, os filmes, os esportes e outros programas de TV têm mais valor
para muitos cristãos. Filhos passam horas a fio nas redes sociais, e não
falta tempo para isso. M as para a adoração a Deus há muitas desculpas.
Um dia, poderemos ser questionados por Deus.
Os obstáculos dificultam, mas não devem ser usados como desculpas
para a não realização do culto doméstico. Os obstáculos podem ser
vencidos com o Poder do Espírito Santo e o esforço de todos, principalmente
dos líderes do lar (Pai e mãe). Há tempo para todo propósito
(Ec 3.1); Podemos tudo naquele que nos fortalece (Fp 4.13). O inimigo
do lar pode agir com base nas desculpas. É necessário colocar o culto
doméstico como prioridade. Só traz benefícios e bênçãos para toda a
família.
c) Definir o horário do culto. A duração do culto não deve passar de
quinze a vinte minutos para não se tornar reunião cansativa, e não haver
desculpas de que o culto atrapalha os deveres escolares, as atividades dos
pais, etc. Essa é uma definição importante.

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d) Não impor o culto aos que não são crentes. Há casos em que parte da
família não é cristã. Ou há pessoas afastadas da igreja. Se só os pais são
cristãos, eles devem tomar a decisão de fazer o culto sozinhos, orando
pelos filhos para que eles se voltem para Deus. Se só um membro da
família é crente em Jesus, ainda assim pode ter seu momento devocional
a sós com Deus, no seu quarto, ou em ambiente em que não seja per-
turbado. Uma irmã idosa, serva de Deus, disse, num seminário: “Pastor,
ninguém lá em casa é crente. Mas eu não faço o culto sozinha”. Indagamos
como ela fazia. E respondeu: “Eu faço com mais três pessoas: O
Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Todos acharam interessante a colocação
descontraída mas sincera daquela querida irmã. Ela não se acomodou
com o fato de ter que adorar a Deus em seu lar, sem o apoio e a companhia
dos familiares. Um belo exemplo para quem quer dar desculpas
para não fazer o culto doméstico.
e) Preparo de materiais para o culto doméstico. Devem ser providenciadas
Harpas Cristãs, cadernos de corinhos, e, de modo indispensável,
Bíblias para todos os membros da família. Na hora do culto, é interessante
desligar os telefones, ou coloca-los em modo silencioso, de modo
que não haja interrupção daqueles preciosos momentos de adoração a
Deus no lar. Não se deixa o telefone ligado numa sala de aula, numa
reunião com autoridades. No culto doméstico, estamos diante do Rei
dos Reis e Senhor dos Senhores.

2. O roteiro do culto doméstico

Não há um roteiro único. O programa simples do culto doméstico


pode variar conforme a realidade da família. Sugerimos a seguir um roteiro
básico, que sempre foi usado em nossa família, e nos trouxe ótimos
resultados. Hoje, pela graça e misericórdia de Deus, podemos dizer: “eu
e minha casa servimos ao Senhor”.
a) Cânticos. Os pais devem providenciar um hinário, a Harpa Cristã,
ou um caderno de corinhos, que sejam bem apreciados pela família.
De preferência, cânticos que não sejam muito longos, tendo em vista o
pequeno período do culto. Podem ser entoados um ou mais cânticos,
com equilíbrio, para não ultrapassar o horário do culto.
b) Leitura bíblica. Este é um momento especial. O pai ou a mãe, se
for líder da família, escolhe um trecho da Bíblia que seja propício para a
edificação dos filhos. Um salmo, um trecho de Provérbios; uma parábola
de Jesus ou outro texto bíblico que não seja longo. A leitura deve ser realizada,
de preferência por todos os membros da família, cada um lendo
um versículo, alternadamente. Esse tipo de leitura dá oportunidade de
unir todos em torno da palavra de Deus. E ocasião propícia para os pais
incentivarem a leitura de toda a Bíblia, a partir deles e incentivarem os
filhos que sabem ler a fazê-lo. Os benefícios serão eternos.
c) Comentário bíblico. O pai ou a mãe, conforme o caso, poderá
fazer um comentário rápido e significativo, enfatizando aspectos do
texto, e aplicando-os à vida da família; pode, também, usar o método
mais informal do diálogo, fazendo uma ou mais perguntas sobre o que
chamou a atenção dos filhos no texto lido. Há surpresas interessantes,
nas respostas dadas. Nas ocasiões especiais, do programa da igreja local,

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enfatizar aspectos relevantes. Dia da Bíblia, Natal de Jesus, Ano Novo,
Santa Ceia, e outros dias considerados solenes.
d) Pedidos d e oração. Cada um pede por seus problemas e pelos outros;
em nossa experiência, criamos uma “caixinha de oração”, em que
cada filho escrevia, num cartão apropriado, o seu pedido de oração, registrando
a data do pedido, que era lido em todos os cultos; quando
a oração era respondida, era anotada a resposta, no cartão, e dita para
que todos tomassem conhecimento. Houve grande proveito nesse gesto.
Muitas orações foram respondidas, até mesmo de causas que pareciam
“impossíveis”. As orações não devem ultrapassar cinco a sete minutos.
e) Oração. Pode ser feita por um membro da família e os outros confirmam
com o “amém”, “assim seja”; ou pode ser feito um rodízio de oração,
um após outros, com a conclusão feita pelo líder da família. Quando
os filhos aprendem a orar, em casa, não têm dificuldade para orar na igreja.
“Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que
sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).
V - BÊNÇÃOS DECORRENTES DO CULTO
DOMÉSTICO
São inúmeras as bênçãos de Deus sobre a família que realiza o culto
doméstico. Com ele, o altar da adoração supera o “altar da televisão”.
Quando realizado desde que os filhos são pequenos, são indeléveis as
marcas impressas em suas mentes para toda a vida. Até aos sete anos, a
personalidade já está definida, segundo psicólogos. Crianças que participam
da reunião em família, louvando a Deus, lendo a Bíblia, ou mesmo
apenas ouvindo por causa da pouca idade, e veem seus pais orando com
elas, certamente terão menos probabilidade de se desviarem dos caminhos
do Senhor.
O culto doméstico não se destina apenas a crianças. Adolescentes e
jovens precisam muito desse momento especial, na sua formação espiritual.
É por falta de culto doméstico que grande parte dos filhos de cristãos
está no mundo, envolvida no sexo ilícito, nos vícios e na delinquência.
Muitos pais dormiram e se descuidaram de zelar pelos filhos que
são “herança do Senhor”. Os benefícios são evidentes para os lares onde,
diariamente, louva-se a Deus, lê-se a sua palavra e fazem-se orações.

1. Jesus se faz presente no lar

Falando a seus discípulos, o Senhor prometeu: “Porque onde estiverem


dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20).
Pode haver convidado mais importante do que Jesus, participando da reunião
em família? Naquele pequeno período de adoração, todo o futuro da
família pode estar definido. O salmista declarou: “Ainda que eu andasse pelo
vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam” (SI 23.4). A família deve aprender e
considerar que, com a presença do Senhor em sua vida, não há o que temer,
se todos procuram obedecer a voz de Deus. Só esse beneficio é suficiente
para justificar a realização do culto no lar cristão todos os dias.

2. Os laços espirituais são fortalecidos

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Nos momentos de louvor a Deus, pais e filhos são abençoados, e unidos
na presença do Senhor. Ele habita no meio dos louvores (SI 22.3).
Deus agrada-se de ver um lar que se transforma em ambiente de adoração.
Ao orarem, pais e filhos atraem as bênçãos, o poder e a proteção de Deus
para suas vidas. Cada um pede oração. Todos sentem as necessidades dos
outros. Todos oram uns pelos outros. A união da família fortalece a vida
espiritual e traz bênçãos extraordinárias. Diz o salmo: “Oh! Quão bom e
quão suave é que os irmãos vivam em união!” (SI 133.1). Na união espiritual
e fraternal, naquele lar, há lugar para a bênção de Deus: “ porque ali o
Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (SI 133.3).

3. O mal é mantido à distância

Em todos os tempos, o alvo principal do adversário tem sido a família.


E nos dias atuais, os ataques ao lar têm sido incrementados de
forma terrível. Pais aborrecendo filhos, filhos aborrecendo pais; esposos
que rejeitam as esposas e vice-versa. Separações, divórcio; drogas,
prostituição, fornicação, homossexualismo, e tantos outros males, são
demonstração de que a família está sendo atacada sem tréguas pelas
“hostes espirituais da maldade”. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque
o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando
a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).
Mas, se a família unir-se, em seu lar, em adoração a Deus, buscando
o seu poder, diz a palavra de Deus: “Então, temerão o nome do Senhor
desde o poente e a sua glória, desde o nascente do sol; vindo o inimigo
como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele
a sua bandeira” (Is 59.19). Os perigos que rondam o lar são muitos. E
podem estar dentro da própria casa. A TV secular e internet são ferramentas
que podem ser usadas pelo maligno para destruir a fé, a moral e
os bons costumes. Mas com Cristo no lar, a vitória é certa.

4. A Palavra de Deus é valorizada

Mesmo em pequenas doses de leitura diária, a cada dia, ela vai realizando
seu papel transformador nas mentes dos pais e dos filhos. Seu poder
é extraordinário. E mais forte e mais eficaz do que qualquer filosofia,
do que o materialismo destruidor da fé. Diz Hebreus: “Porque a palavra
de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de
dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e
medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”
(Hb 4.12). Os efeitos benéficos da palavra de Deus alcançam todo o ser,
alma e espírito, e até a parte física, “juntas e medulas”.
Por isso, Deus ordenou o cuidado com a ministração da palavra,
todos os dias, sistematicamente, ao povo de Israel: “Ponde, pois, estas
minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal
na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e
ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando
pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). No
culto doméstico, após a leitura da Bíblia, os pais devem aproveitar para
ensinar a palavra de Deus, “falando delas assentado em tua casa” e em

23
todas as ocasiões propícias.
“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa;
os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (SI 128.3).
Este versículo representa bem a cena da família reunida em volta da
mesa, para as refeições e para o culto no lar. No Novo Testamento, há
recomendação de igual modo solene: “E vós, pais, não provoqueis a
ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”
(Ef 6.4). Todo esse esforço é infinitamente melhor do que deixar os
filhos entregues àT V (“a babá eletrônica”), ou à internet (“a professora
virtual”). A leitura de toda a Bíblia é um aprendizado inestimável para
a vida espiritual da família.

5. A família louva a Deus

“Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do


Senhor faz proezas” (SI 118.15). E gratificante e profundamente saudável
a adoração em família. Pais e filhos, cantando alegremente, no
lar, provocam uma atmosfera espiritual de grande valor, perante Deus.
Podemos estar certos de que o Senhor se volta para ouvir o louvor que
sobe de corações reverentes, na reunião familiar. Que sejam desligados
os iPods, os smartphones, e outros dispositivos eletrônicos, que tocam
músicas profanas, que desonram o “templo do Espírito Santo”, que é
nosso corpo (1 Co 6.19,20). E se abram os lábios dos servos de Deus
em louvor e adoração ao Senhor. Os louvores sobem, e as bênçãos caem
sobre a casa dos honram e glorificam a Deus em seu lar.

6. Toda a família servindo ao Senhor

Josué, sucessor de Moisés, na condução do povo de Israel a Canaã,


reuniu-os e disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir
ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram
vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em
cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js
24.15). O povo estava desobedecendo a Deus, e Josué propôs-lhe uma
tomada de decisão. Se quisessem servir aos deuses estranhos, na verdade
demônios, que servissem. Mas ele e sua família haveriam de servir ao
Senhor, o Deus verdadeiro.
Nos dias presentes, essa tomada de posição faz-se mais necessária.
Os “deuses” da pós-modernidade estão nas escolas; o materialismo avassala
as mentes, na mídia, na educação, na cultura, na economia, no lazer,
em toda a parte. Se a família não se unir em torno do Senhor Jesus, não
haverá esperança. Mas se os pais com os filhos unirem-se no altar da
adoração a Deus em seu lar, toda a família servirá ao Senhor. “... serás
salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Vale a pena o esforço para a realização do
culto doméstico. Levanta barreiras espirituais contra as forças do mal, e
fortalece a vida espiritual de todos no lar.

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Read more: http://euvoupraebd.blogspot.com/2013/06/a-necessidade-e-urgencia-do-
culto.html#ixzz2VPOnQrHX
O que está faltando, na maioria dos lares cristãos, é espaço para a
família adorar a Deus. Essa adoração se dá através do culto doméstico.
Todavia, essa prática tem sido negligenciada. Na maioria dos lares cristãos,
não se faz o culto doméstico. Milhões de crentes deixam de ir ao culto
nas igrejas para ficar em casa, assistindo a uma programação que nada tem
de edificante para as vidas de servos de Deus (1 Co 6.12; 10.23).
A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico
para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há outra
forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca
da presença de Deus no lar. O culto doméstico propicia os momentos
diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da
Bíblia, “a espada do Espírito”, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele
se faz presente.
Sabemos que neste século XXI, quando o materialismo avassala as
mentes; quando crianças, nas escolas, são bombardeadas com os ensinos
que eliminam Deus da origem do universo e do homem; crianças e adolescentes
são estimuladas à prática do sexo precoce, e o homossexualismo
é impingido como prática normal e saudável; se os pais não despertarem
para a adoração a Deus, no lar, será impossível evitar a derrocada da família.
Inclusive da família cristã. Ocorrerá o que aconteceu na Europa, que um dia
foi berço de grandes avivamentos.
Hoje, com algumas exceções, há igrejas vazias, pelo afastamento de
crianças e jovens; lares destruídos pelo ateísmo e pelo demonismo, pela
ausência de Deus. O estrago por anos a fio de desprezo à educação cristã
nos lares não será reparado. Mas ainda há tempo para salvar alguns (1 Co
9.22). Se houver conscientização por parte dos pais cristãos, que considerem
os filhos como "... herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu
galardão” (SI 127.3), haverá motivação para restaurar ou implantar o culto
doméstico.
I - O SIGNIFICADO DO CULTO DOMÉSTICO
Como o nome sugere, o culto doméstico é uma reunião da família,
sob a liderança dos pais cristãos, com a finalidade de cultuar a Deus no
lar. Sua realização tem sólido fundamento bíblico, como será observado
neste estudo. O culto doméstico é tão importante que Satanás tem tido
especial cuidado para desestimular sua realização em mais de 90% dos
lares cristãos.
O resultado da ausência da adoração nos lares, diariamente, é causa
para a maioria dos problemas que os casais e as famílias cristãs enfrentam
nestes “tempos trabalhosos”, previstos na Palavra de Deus. Que o Senhor
Jesus desperte os pais cristãos para tomarem a decisão sábia e firme de desenvolver
esse trabalho, que é simples, mas de grande efeito sobre a formação
espiritual, moral e social da família cristã.
II - O CULTO DOMÉSTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. No primeiro lar, Deus estava presente

Talvez não se tenha dado muita importância ao que ocorreu no

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Éden, no primeiro lar do ser humano, depois que ele foi criado por Deus.
Era um ambiente perfeito, sem doenças, sem violência, sem qualquer
coisa que abalasse a estabilidade e a segurança dos seus habitantes. Mas o
que era mais importante, ali, era a presença de Deus junto ao casal.
No Éden, começou o culto doméstico. Não é força de expressão ou
apenas uma linguagem metafórica. Os seres criados podiam não apenas
crer, mas ver e ouvir ao próprio Criador. Em atitude de reverência e
adoração, ouviam a voz de Deus, que os visitava (Gn 3.8).
Ali, havia um maravilhoso culto doméstico, dirigido pelo próprio
Deus! E, se não fosse a desobediência, não só o Éden, mas toda a terra
seria um ambiente de adoração ao Criador. Enquanto Adão e Eva
permaneceram naquele estado santo, diante de Deus, só havia bênçãos.
Aquele culto doméstico foi prejudicado, quando desobedeceram à voz do
Senhor, e ouviram a voz do tentador. Deus não mais se fez presente ali.
O culto doméstico deixou de ser realizado no Jardim, Satanás prevaleceu.
Hoje, acontece a mesma coisa. Quando os pais de família, os líderes
e sacerdotes do lar, deixam de obedecer ao Senhor, todos são prejudicados.
A primeira coisa que acontece é a ausência de Deus no lar. E quando
Deus não está num lar, coisas terríveis acontecem. O Diabo, o adversário
da família, promove a desarmonia, a falta de paz, a falta de amor;
assim a desunião, a desconfiança, o ciúme e as contendas têm lugar.

2. A adoração na família era valorizada

O povo de Israel estava prestes a entrar na terra de Canaã, 40 anos


depois da saída do Egito. O líder Moisés precisava dar as orientações
indispensáveis sobre como se comportar no destino de sua grande jornada.
O deserto serviu de campo de experiências marcantes com Deus.
A passagem do mar Vermelho; a água tirada da rocha; o pão enviado
por Deus; os livramentos extraordinários, e as vitórias sobre os inimigos,
tudo isso só teria sentido se o povo continuasse a servir ao Senhor com
fidelidade.
A multidão que sobreviveu ao deserto estava às portas de Canaã.
Achavam-se acampados na terra de Moabe, na parte oriental ao Jordão
e ao mar Morto. Moisés reuniu-os e lhes fez saber a vontade de Deus,
através da sua Lei, dos seus estatutos e juízos (Lv 19.37). Sem isso, jamais
poderiam ser um povo abençoado.
Havia uma verdadeira preocupação em integrar a família na adoração
a Deus, em todas as gerações. Havia clima espiritual e emocional
para o culto doméstico. As palavras que receberam do Senhor deveriam
ser ensinadas às gerações da atualidade e também “aos filhos de teus
filhos”, às gerações futuras. Lamentavelmente, nos dias presentes, não se
vê essa determinação nas famílias atuais, mesmo no meio dos cristãos.
Falta uma cultura de adoração a Deus no lar. Parece que o comodismo
e o individualismo levaram as famílias a só irem às igrejas (aos templos)
aos domingos ou em eventos considerados importantes, como congressos
e festas anuais, de fim de Natal ou de Ano Novo. Depois, a rotina
toma conta das famílias, sem incluir, em sua programação, a realização
do culto doméstico.

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3. A adoração e amor ao único Deus verdadeiro

Os ensinos transmitidos por Moisés aos israelitas tinham grande


significado para a família.

a) A família precisa saber que Deus é o “único Senhor” (Dt 6.4). O

povo de Israel iria habitar numa terra, onde as nações, ao longo dos
séculos, eram politeístas. Adoravam imagens de escultura, adoravam “ao
pau e a pedra”, aos animais e às forças da natureza, em sua ignorância
espiritual. E os povo de Deus tinha que ter consciência de que só existe
um Deus, o único Deus, Criador dos céus, da terra, do homem e de
todas as coisas. E que esse Deus é o único Senhor, a quem deveriam
reverenciar e adorar.
No culto doméstico, hoje, os pais precisam enfatizar essa verdade. A
Nova Era, uma mistura de religião, filosofias, ocultismos e misticismos,
tem tido êxito em influenciar muitos jovens e adolescentes, com suas
invencionices, do tipo tarô, pirâmides, avatares, e uma gama enorme de
elementos esoteristas. A família cristã precisa ser “vacinada” contra essa
onda de espiritualismo herético.

b) A família precisa saber que Deus deve ser amado com todo o ser (Dt

6.5). Essa foi uma das maiores lições que Deus deu ao povo de Israel.
Ao longo da caminhada, gerações inteiras esqueciam-se de amar a Deus.
Dos que saíram do Egito, todos os homens de guerra pereceram, exceto
Josué e Calebe. Por que? A maioria pereceu por causa da murmuração
contra Deus e contra a liderança por ele estabelecida, como na rebelião
de Coré, Data e Abirã (Nm 16.33).
Não será o que falta, hoje, no meio de grande parte das famílias
cristãs? No Brasil, os evangélicos tiveram um crescimento extraordinário,
nos últimos anos, segundo o IBGE. Mas grande parte desse crescimento
não é acompanhado de crescimento qualitativo. E comum famílias
inteiras não realizarem qualquer tipo de atividade devocional em seu
lar. Amar a Deus de todo o coração requer devoção sincera, que parte
do íntimo do ser. Amar a Deus de toda a alma e de todo o poder exige
sentimentos santos de reverência e de práticas devocionais, no dia a dia
das pessoas. Não se pode dizer que uma família ama a Deus de todo o
coração, se seus integrantes, mesmo sem motivo que justifique, como
trabalho ou estudos, só vai à igreja local, para adorar a Deus, em fins de
semana, ou se sobrar tempo para isso.

4. A ordenança do culto doméstico

No Antigo Testamento, o povo de Israel estava passando por uma


experiência de aprendizado, no que concernia ao seu desenvolvimento
espiritual. Depois de tantos desvios e desacertos, a pedagogia de Deus
teve que ser muito rígida. O cativeiro egípcio ensinara ao povo que a
desobediência tem um alto preço a pagar. O Êxodo, através do deserto
abrasador, onde a sobrevivência de quase três milhões de pessoas era um

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risco tremendo, deu ao povo oportunidade de conhecer o poder de Deus
em suas vidas. Mas, mesmo assim, com tantos sinais e maravilhas, jamais
imaginadas, na vida de um povo, os hebreus costumavam a esquecer-
-se de Deus, quando as circunstâncias adversas eram superadas. Dessa
forma, Deus determinou que as famílias deveriam adorá-lo, não apenas
diante do Tabernáculo, mas o culto a Deus deveria começar nos lares.
De modo solene, a Bíblia registra a ordenança para a realização do culto
doméstico, no livro de Deuteronômio.
Os pais devem ter a Palavra no coração
A Bíblia destaca o valor da palavra arraigada e internalizada no coração
(Pv 4.20-23). Se os pais guardam a palavra podem ensiná-la a seus
filhos. Ela deve ser o centro de referência para os pais, que a guardam
“no meio do... coração”.
As palavras sagradas têm um efeito extraordinário na formação do
caráter dos filhos. O escritor diz que elas “são vida para os que as acham
e saúde para o seu corpo”. Ou seja, quando o crente guarda a palavra e a
pratica, ela é fonte de vida espiritual, e, em consequência, produz equilíbrio
emocional, que resulta em saúde para o corpo físico (Hb 4.12).
Esse versículo tem profundo sentido espiritual, com reflexos sobre
a saúde emocional e física. Demonstra o poder terapêutico da palavra de
Deus, penetrando no íntimo do ser humano, a ponto de produzir efeitos
até “nas juntas e medulas”. O coração é o centro dos pensamentos e das
intenções humanas. Jesus disse que “A boca fala do que o coração está
cheio (Lc 6.45). Por que os filhos de cristãos, em grande parte, só falam
em personagens de filmes, de jogos, de novelas e de realities shows? Porque
o coração de muitos está cheio dessas coisas inúteis e de nenhuma
edificação. Muitos têm o coração vazio da Palavra de Deus.
Os pais devem ensinar a Palavra em seu lar
Esse ensino deve ser ministrado de modo persuasivo, com muita
sabedoria. Os pais devem ser os sacerdotes no lar. E precisam ter autoridade
espiritual para dizerem aos filhos que a palavra de Deus é a Lei
do Senhor, e que a ela devemos submeter-nos. Se fizerem isso, apenas
quando os filhos forem adolescentes ou jovens, certamente terão muita
dificuldade para se fazerem ouvir. Mas, se o ensino da palavra de Deus
começar na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida
(Pv 22.6).
Os pais devem ter a Palavra de Deus nas mãos
“Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras
entre os teus olhos” (Dt 6.8). Os judeus usavam os filactérios (Tefilin) na
testa, entre os olhos, para lembrar sempre da Lei do Senhor.
Todavia, não precisamos agir assim; ter a palavra de Deus nas mãos
pode-se entender como sendo figura das ações dos pais, como exemplo
para seus filhos. Ê com as mãos que fazemos a maior parte das coisas.
É figura das ações, das atitudes e das práticas diárias dos pais. Os filhos
precisam olhar para as mãos dos seus pais, e saberem que são mãos “santas,
em ira nem contenda” (1 Tm 2.8). São mãos que glorificam a Deus,
que não se envolvem com coisas injustas ou desonrosas. As mãos devem
ser usadas de acordo com a Palavra de Deus todos os dias; o toque das
mãos pode conduzir bênçãos com a palavra. Jacó abençoou os netos,
tocando neles (Gn 48.8-10;13-16).

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Os pais devem apresentar a Palavra de Deus no seu lar
“E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.9).
Literalmente, os pais deveriam transcrever trechos da Lei, nos umbrais
das portas de suas casas, a fim de que seus filhos sempre tivessem em
mente os preceitos sagrados e o dever de cumpri-los para serem abençoados
em sua vida. Entre os 10 mandamentos, o de honrar pai e mãe
estava destacado: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem
os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex 20.12). Se os
pais não ensinassem aos filhos esse dever, facilmente esqueceriam de
preservá-lo.
O que acontece hoje? A maioria dos pais cristãos não ensina a palavra
de Deus no lar. Mas os filhos estão diariamente, durante os sete
dias da semanas, “plugados” na internet, ou diante da TV, assistindo à
programação secular. O que eles lembrarão mais? Os ensinos bíblicos,
que recebem uma vez por semana, na EBD (quando vão), ou os ensinos
dos personagens que aparecem nas novelas, nos desenhos animados e
nos programas humorísticos? A resposta é simples. O que mais enche
suas mentes são as imagens multicoloridas dos programas televisivos ou
dos sites da rede mundial de computadores.
No tempo de Moisés, no Antigo Testamento, palavra de Deus, ou a
sua Lei, tinha que ser ensinada aos filhos, a começar do lar, e não do Tabernáculo.
Depois, surgiram as sinagogas, que eram verdadeiras escolas
de ensino doutrinário, mas a educação no lar continuava a ser a principal
referência na vida e na conduta dos israelitas.
lll - O CULTO DOMÉSTICO NO NOVO TESTAMENTO
No Novo Testamento, não é menor a valorização do culto em
família. Talvez não apareçam tantas referências, no texto bíblico neotestamentário,
pelo fato de não relatar eventos de um sistema religioso
baseado na Teocracia, como no Antigo Testamento, em que tudo
na vida social e moral tinha como centro de referência o lugar de
adoração a Deus. Mas o sentido e a essência da adoração verdadeira,
no Novo Testamento, deixaram para trás as tradições e o ritualismo,
e se fundamentaram na adoração de natureza eminentemente espiritual.
Jesus resumiu o significado da adoração que ele ensinou: “Mas
a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o
Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim
o adorem” (Jo 4.34). Os pais de Jesus tiveram educação espiritual de
valor elevado.

1. A criação de Jesus revela um lar piedoso

Não resta a menor dúvida de que o casal José e Maria cultivava a


adoração a Deus em seu lar. José, pai adotivo de Jesus, e sua mãe, Maria,
tinham o extremo cuidado para com seu filho primogênito. Desde o seu
nascimento, nos primeiros dias de vida, já cumpriram a ordenança da lei
para a apresentação da criança no templo (Lc 2.21-24).
Em sua primeira infância, Jesus demonstrava que tinha uma excelente
formação espiritual, resultante do cuidado e zelo de seus pais: “E o
menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça
de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Em sua pré-adolescência, já sabia

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de cor a Torah, ou Lei do Senhor, a ponto de confundir os doutores, no
templo (Lc 2.46,47). Sua origem era divina, mas sua educação foi humana,
criado num lar humilde, mas seus pais eram zelosos cumpridores
da palavra de Deus.

2. A família de Timóteo

Timóteo era um jovem obreiro, discípulo do apóstolo Paulo, ganho


para Jesus através da pregação do apóstolo. Em sua segunda carta, Paulo
fala da lembrança pelo jovem, e diz que ora por ele, trazendo à memória
a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó
Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti.
Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em
ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1.5,6).
Nesse texto, vemos três gerações sucessivas, que tiveram a benéfica
e marcante influência do culto doméstico. Lóide, avó do discípulo soube
educar muito bem sua mãe, Eunice, nos caminhos do Senhor. Eunice,
por sua vez, não deixou que a educação do filho sofresse as influências
do materialismo e da filosofia que predominava em sua época. Mais
adiante, na epístola, Paulo reforça o valor da educação cristã de Timóteo,
desde a sua infância. Se Timóteo não tivesse participado do culto em seu
lar, certamente não teria ouvido do seu pastor referência tão expressiva
acerca de sua formação espiritual. Ao que tudo indica, o pai de Timóteo
não era cristão, “pois sua fé não é mencionada”. 1 Mas a avó e a mãe dele
eram mulheres sábias que souberam edificar a sua casa (Pv 14.1). Felizes
os lares que têm mulheres com essas características, verdadeiras líderes
espirituais, que têm capacidade para influenciar gerações.
Diz Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste
e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que,
desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio
para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Escritura divinamente
inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para
instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeita1
French L. ARRINGTON e Roger STRONSTAD. Comentário bíblico Pentecostal -
Novo Testamento, p. 1487.
mente instruído para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17 — grifo nosso). O
apóstolo ressalva que a Escritura tem efeito marcante na formação de
uma pessoa, para que “o homem de Deus”, que tem essa instrução, seja
“perfeitamente instruído para toda boa obra”. Era isso que Paulo desejava
ver em Timóteo.
Que Deus nos ajude a ver a educação cristã começar nos lares, no
culto em família, e seja fortalecida na igreja local, através do ensino, na
ED, nos cultos de doutrina; que a igreja seja a continuação do lar; e o lar
o reflexo da igreja; que os pais não esperem da igreja a total formação
espiritual de seus filhos. A semana tem 164 horas. Apenas umas 04 a
06 horas os filhos estão na igreja local (quando vão, a maioria só vai aos
domingos...). Só com a realização do culto doméstico é possível evitar a
terrível e avassaladora influência maligna da educação materialista que
predomina na escola; e formar uma barreira espiritual contra a deseducação
degradante e alienante, transmitida pelos meios de comunicação,

23
especialmente a TV e a Internet mal utilizadas.
IV - COMO REALIZAR O CULTO DOMÉSTICO

1. Providências preliminares

Se a família já realiza o culto doméstico, não há necessidade de


considerar este item. Mas, se não tem o costume de fazê-lo, é importante
anotar alguns fatores a serem levados em conta. Não deve impor à
família a realização desse importante trabalho de ordem espiritual.
a) Conscientização. Antes de tudo, é necessário e desejável que os pais
conversem com os filhos, principalmente se já são adolescentes e jovens,
mostrando que a partir de determinado momento, os pais desejam que
todos se reúnam para o culto doméstico. Se os filhos são crianças, os pais
devem mostrar sua autoridade com amor, chamando-os para a reunião
em família. Neste caso, o programa do culto precisa ser ameno, agradável
e atraente para as crianças. Os pais devem chamar a atenção dos filhos
para os perigos que rondam seu lar, em todos os momentos. Diz a Bíblia:
“Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor,
bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Esse bramido
diabólico é mais forte e mais sorrateiro hoje do que nunca.
b) Superar os obstáculos ao culto doméstico. Os desencontros de horários
da família têm servido para dificultar a realização do culto doméstico.
A vida moderna tem levado a família a viver dispersa, mesmo
durante o dia. Pais trabalham em horários diferentes; filhos estudam
em horários diferentes, em escolas distantes, muitas vezes. Isso faz parte
da vida agitada dos últimos tempos. Os filhos à “roda da mesa”, como
diz o Salmo 128.3 torna-se cada vez mais difícil. Mas esse é apenas um
desafio que precisa ser encarado e vencido com sabedoria, determinação
e com a graça de Deus.
Se possível, é desejável que toda a família esteja reunida, em volta da
mesa, ou na sala de visitas, de maneira informal mas reverente. Porém,
se todos não puderem reunir-se, por motivo de trabalho ou de estudo,
os pais devem combinar a escolha de um horário em que pelo menos
a maior parte dos familiares esteja presente ao culto doméstico. Outro
obstáculo é o cansaço das atividades diárias. Mas tudo deve ser feito
para que o lar tenha o momento de adoração a Deus. O maior obstáculo,
no entanto, é a pouca importância que se dá ao culto doméstico. As
novelas, os filmes, os esportes e outros programas de TV têm mais valor
para muitos cristãos. Filhos passam horas a fio nas redes sociais, e não
falta tempo para isso. M as para a adoração a Deus há muitas desculpas.
Um dia, poderemos ser questionados por Deus.
Os obstáculos dificultam, mas não devem ser usados como desculpas
para a não realização do culto doméstico. Os obstáculos podem ser
vencidos com o Poder do Espírito Santo e o esforço de todos, principalmente
dos líderes do lar (Pai e mãe). Há tempo para todo propósito
(Ec 3.1); Podemos tudo naquele que nos fortalece (Fp 4.13). O inimigo
do lar pode agir com base nas desculpas. É necessário colocar o culto
doméstico como prioridade. Só traz benefícios e bênçãos para toda a
família.
c) Definir o horário do culto. A duração do culto não deve passar de

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quinze a vinte minutos para não se tornar reunião cansativa, e não haver
desculpas de que o culto atrapalha os deveres escolares, as atividades dos
pais, etc. Essa é uma definição importante.
d) Não impor o culto aos que não são crentes. Há casos em que parte da
família não é cristã. Ou há pessoas afastadas da igreja. Se só os pais são
cristãos, eles devem tomar a decisão de fazer o culto sozinhos, orando
pelos filhos para que eles se voltem para Deus. Se só um membro da
família é crente em Jesus, ainda assim pode ter seu momento devocional
a sós com Deus, no seu quarto, ou em ambiente em que não seja per-
turbado. Uma irmã idosa, serva de Deus, disse, num seminário: “Pastor,
ninguém lá em casa é crente. Mas eu não faço o culto sozinha”. Indagamos
como ela fazia. E respondeu: “Eu faço com mais três pessoas: O
Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Todos acharam interessante a colocação
descontraída mas sincera daquela querida irmã. Ela não se acomodou
com o fato de ter que adorar a Deus em seu lar, sem o apoio e a companhia
dos familiares. Um belo exemplo para quem quer dar desculpas
para não fazer o culto doméstico.
e) Preparo de materiais para o culto doméstico. Devem ser providenciadas
Harpas Cristãs, cadernos de corinhos, e, de modo indispensável,
Bíblias para todos os membros da família. Na hora do culto, é interessante
desligar os telefones, ou coloca-los em modo silencioso, de modo
que não haja interrupção daqueles preciosos momentos de adoração a
Deus no lar. Não se deixa o telefone ligado numa sala de aula, numa
reunião com autoridades. No culto doméstico, estamos diante do Rei
dos Reis e Senhor dos Senhores.

2. O roteiro do culto doméstico

Não há um roteiro único. O programa simples do culto doméstico


pode variar conforme a realidade da família. Sugerimos a seguir um roteiro
básico, que sempre foi usado em nossa família, e nos trouxe ótimos
resultados. Hoje, pela graça e misericórdia de Deus, podemos dizer: “eu
e minha casa servimos ao Senhor”.
a) Cânticos. Os pais devem providenciar um hinário, a Harpa Cristã,
ou um caderno de corinhos, que sejam bem apreciados pela família.
De preferência, cânticos que não sejam muito longos, tendo em vista o
pequeno período do culto. Podem ser entoados um ou mais cânticos,
com equilíbrio, para não ultrapassar o horário do culto.
b) Leitura bíblica. Este é um momento especial. O pai ou a mãe, se
for líder da família, escolhe um trecho da Bíblia que seja propício para a
edificação dos filhos. Um salmo, um trecho de Provérbios; uma parábola
de Jesus ou outro texto bíblico que não seja longo. A leitura deve ser realizada,
de preferência por todos os membros da família, cada um lendo
um versículo, alternadamente. Esse tipo de leitura dá oportunidade de
unir todos em torno da palavra de Deus. E ocasião propícia para os pais
incentivarem a leitura de toda a Bíblia, a partir deles e incentivarem os
filhos que sabem ler a fazê-lo. Os benefícios serão eternos.
c) Comentário bíblico. O pai ou a mãe, conforme o caso, poderá
fazer um comentário rápido e significativo, enfatizando aspectos do
texto, e aplicando-os à vida da família; pode, também, usar o método

23
mais informal do diálogo, fazendo uma ou mais perguntas sobre o que
chamou a atenção dos filhos no texto lido. Há surpresas interessantes,
nas respostas dadas. Nas ocasiões especiais, do programa da igreja local,
enfatizar aspectos relevantes. Dia da Bíblia, Natal de Jesus, Ano Novo,
Santa Ceia, e outros dias considerados solenes.
d) Pedidos d e oração. Cada um pede por seus problemas e pelos outros;
em nossa experiência, criamos uma “caixinha de oração”, em que
cada filho escrevia, num cartão apropriado, o seu pedido de oração, registrando
a data do pedido, que era lido em todos os cultos; quando
a oração era respondida, era anotada a resposta, no cartão, e dita para
que todos tomassem conhecimento. Houve grande proveito nesse gesto.
Muitas orações foram respondidas, até mesmo de causas que pareciam
“impossíveis”. As orações não devem ultrapassar cinco a sete minutos.
e) Oração. Pode ser feita por um membro da família e os outros confirmam
com o “amém”, “assim seja”; ou pode ser feito um rodízio de oração,
um após outros, com a conclusão feita pelo líder da família. Quando
os filhos aprendem a orar, em casa, não têm dificuldade para orar na igreja.
“Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que
sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).
V - BÊNÇÃOS DECORRENTES DO CULTO
DOMÉSTICO
São inúmeras as bênçãos de Deus sobre a família que realiza o culto
doméstico. Com ele, o altar da adoração supera o “altar da televisão”.
Quando realizado desde que os filhos são pequenos, são indeléveis as
marcas impressas em suas mentes para toda a vida. Até aos sete anos, a
personalidade já está definida, segundo psicólogos. Crianças que participam
da reunião em família, louvando a Deus, lendo a Bíblia, ou mesmo
apenas ouvindo por causa da pouca idade, e veem seus pais orando com
elas, certamente terão menos probabilidade de se desviarem dos caminhos
do Senhor.
O culto doméstico não se destina apenas a crianças. Adolescentes e
jovens precisam muito desse momento especial, na sua formação espiritual.
É por falta de culto doméstico que grande parte dos filhos de cristãos
está no mundo, envolvida no sexo ilícito, nos vícios e na delinquência.
Muitos pais dormiram e se descuidaram de zelar pelos filhos que
são “herança do Senhor”. Os benefícios são evidentes para os lares onde,
diariamente, louva-se a Deus, lê-se a sua palavra e fazem-se orações.

1. Jesus se faz presente no lar

Falando a seus discípulos, o Senhor prometeu: “Porque onde estiverem


dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20).
Pode haver convidado mais importante do que Jesus, participando da reunião
em família? Naquele pequeno período de adoração, todo o futuro da
família pode estar definido. O salmista declarou: “Ainda que eu andasse pelo
vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam” (SI 23.4). A família deve aprender e
considerar que, com a presença do Senhor em sua vida, não há o que temer,
se todos procuram obedecer a voz de Deus. Só esse beneficio é suficiente
para justificar a realização do culto no lar cristão todos os dias.

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2. Os laços espirituais são fortalecidos

Nos momentos de louvor a Deus, pais e filhos são abençoados, e unidos


na presença do Senhor. Ele habita no meio dos louvores (SI 22.3).
Deus agrada-se de ver um lar que se transforma em ambiente de adoração.
Ao orarem, pais e filhos atraem as bênçãos, o poder e a proteção de Deus
para suas vidas. Cada um pede oração. Todos sentem as necessidades dos
outros. Todos oram uns pelos outros. A união da família fortalece a vida
espiritual e traz bênçãos extraordinárias. Diz o salmo: “Oh! Quão bom e
quão suave é que os irmãos vivam em união!” (SI 133.1). Na união espiritual
e fraternal, naquele lar, há lugar para a bênção de Deus: “ porque ali o
Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (SI 133.3).

3. O mal é mantido à distância

Em todos os tempos, o alvo principal do adversário tem sido a família.


E nos dias atuais, os ataques ao lar têm sido incrementados de
forma terrível. Pais aborrecendo filhos, filhos aborrecendo pais; esposos
que rejeitam as esposas e vice-versa. Separações, divórcio; drogas,
prostituição, fornicação, homossexualismo, e tantos outros males, são
demonstração de que a família está sendo atacada sem tréguas pelas
“hostes espirituais da maldade”. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque
o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando
a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).
Mas, se a família unir-se, em seu lar, em adoração a Deus, buscando
o seu poder, diz a palavra de Deus: “Então, temerão o nome do Senhor
desde o poente e a sua glória, desde o nascente do sol; vindo o inimigo
como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele
a sua bandeira” (Is 59.19). Os perigos que rondam o lar são muitos. E
podem estar dentro da própria casa. A TV secular e internet são ferramentas
que podem ser usadas pelo maligno para destruir a fé, a moral e
os bons costumes. Mas com Cristo no lar, a vitória é certa.

4. A Palavra de Deus é valorizada

Mesmo em pequenas doses de leitura diária, a cada dia, ela vai realizando
seu papel transformador nas mentes dos pais e dos filhos. Seu poder
é extraordinário. E mais forte e mais eficaz do que qualquer filosofia,
do que o materialismo destruidor da fé. Diz Hebreus: “Porque a palavra
de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de
dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e
medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”
(Hb 4.12). Os efeitos benéficos da palavra de Deus alcançam todo o ser,
alma e espírito, e até a parte física, “juntas e medulas”.
Por isso, Deus ordenou o cuidado com a ministração da palavra,
todos os dias, sistematicamente, ao povo de Israel: “Ponde, pois, estas
minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal
na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e
ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando
pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). No

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culto doméstico, após a leitura da Bíblia, os pais devem aproveitar para
ensinar a palavra de Deus, “falando delas assentado em tua casa” e em
todas as ocasiões propícias.
“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa;
os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (SI 128.3).
Este versículo representa bem a cena da família reunida em volta da
mesa, para as refeições e para o culto no lar. No Novo Testamento, há
recomendação de igual modo solene: “E vós, pais, não provoqueis a
ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”
(Ef 6.4). Todo esse esforço é infinitamente melhor do que deixar os
filhos entregues àT V (“a babá eletrônica”), ou à internet (“a professora
virtual”). A leitura de toda a Bíblia é um aprendizado inestimável para
a vida espiritual da família.

5. A família louva a Deus

“Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do


Senhor faz proezas” (SI 118.15). E gratificante e profundamente saudável
a adoração em família. Pais e filhos, cantando alegremente, no
lar, provocam uma atmosfera espiritual de grande valor, perante Deus.
Podemos estar certos de que o Senhor se volta para ouvir o louvor que
sobe de corações reverentes, na reunião familiar. Que sejam desligados
os iPods, os smartphones, e outros dispositivos eletrônicos, que tocam
músicas profanas, que desonram o “templo do Espírito Santo”, que é
nosso corpo (1 Co 6.19,20). E se abram os lábios dos servos de Deus
em louvor e adoração ao Senhor. Os louvores sobem, e as bênçãos caem
sobre a casa dos honram e glorificam a Deus em seu lar.

6. Toda a família servindo ao Senhor

Josué, sucessor de Moisés, na condução do povo de Israel a Canaã,


reuniu-os e disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir
ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram
vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em
cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js
24.15). O povo estava desobedecendo a Deus, e Josué propôs-lhe uma
tomada de decisão. Se quisessem servir aos deuses estranhos, na verdade
demônios, que servissem. Mas ele e sua família haveriam de servir ao
Senhor, o Deus verdadeiro.
Nos dias presentes, essa tomada de posição faz-se mais necessária.
Os “deuses” da pós-modernidade estão nas escolas; o materialismo avassala
as mentes, na mídia, na educação, na cultura, na economia, no lazer,
em toda a parte. Se a família não se unir em torno do Senhor Jesus, não
haverá esperança. Mas se os pais com os filhos unirem-se no altar da
adoração a Deus em seu lar, toda a família servirá ao Senhor. “... serás
salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Vale a pena o esforço para a realização do
culto doméstico. Levanta barreiras espirituais contra as forças do mal, e
fortalece a vida espiritual de todos no lar.

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culto.html#ixzz2VPOnQrHX

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