Você está na página 1de 2

Universidade Estadual de Feira de Santana

Colegiado de Ciências Contábeis


Departamento de Ciências Sociais Aplicadas
Sistemas de Informações Contábeis
Prof. José Renato
Discente: Leonardo Souza de Almeida

SISTEMA DE INFORMAÇÃO: QUE CIÊNCIA É ESSA?

Filho, José Rodrigues. Ludmer, Gilson. Sistema de Informação: que ciência é essa? Revista de Gestão da
Tecnologia e Sistemas de Informação. Journal of Information Systems and Technology Management. Vol. 2, No. 2,
2005, pp. 151-166

O artigo Sistema de Informação: que ciência é essa?, dos autores José Rodrigues
Filho e Gilson Ludmer, procura levar ao leitor uma idéia a respeito do que é Sistema de
Informação diferente da que se vem difundindo pelos pesquisadores nas escolas de
administração e editoras de revistas.
A princípio, o autor se perde na tentativa de conceituar a Ciência da Informação,
focando-se tão somente em deixar claro que há uma séria divergência entre a essência desta
ciência e o que se é pregado pelas academias. Para ele, Sistema de Informação é um campo
de estudo que se preocupa com alguns componentes básicos da Tecnologia da Informação
(TI), a saber: tecnologia, desenvolvimento, uso e gerenciamento, razão pela qual existem
problemas em defini-lo exatamente. O próprio autor coloca em cheque a sua capacidade de
definir o objeto do estudo.
A partir daí, discorre sobre as características institucionais do Sistema de Informações
em diversos lugares do mundo, mas antes, retrata um pouco da historia e sobre os grandes
centros no mundo que contribuem na formação do pensamento em SI – Europa e América do
Norte. Pode-se ressaltar o uso de estrangeirismos que as vezes atrapalha o sentido da leitura.
Há, no campo do Sistema de Informação, uma tendência por parte dos estudiosos em
focalizar a parte realmente prática de áreas denominadas de “hard”. Soma-se a isso a
influencia de pesquisadores da ciência da computação e da engenharia, levando aos
resultados se voltarem mais para questões técnicas do que organizacionais e sociais. O autor
posiciona-se então contrário a esta visão, tachando-a como “incapazes de lidar com o mundo
organizacional cada vez mais complexo e turbulento, com perspectivas humanas conflitantes.”
Embora seja um campo que remete a várias possibilidade/enfoques, o texto apresenta
o que o autor considera como principais áreas temáticas de SI, a saber: tecnologia,
desenvolvimento, uso e gerenciamento.
A vertente que relaciona Sistema de Informações apenas a tecnologia é contrária a
opinião do autor. Segundo este, a tecnologia é uma invenção social que é maleável e
Universidade Estadual de Feira de Santana
Colegiado de Ciências Contábeis
Departamento de Ciências Sociais Aplicadas
Sistemas de Informações Contábeis
Prof. José Renato
Discente: Leonardo Souza de Almeida

modelada durante a sua utilização, mas que, também, fixa limite e abre possibilidades que
modelam seus usuários, ou seja, o papel do profissional/estudioso da área de SI, ultrapassa o
caráter tecnicista e deverá então preocupar-se com o usuário.
Uma crítica citada pelo autor, evidencia que “infelizmente, a maioria dos sistemas de
informação computadorizados são desenhados de tal forma que os usuários não entendem a
sua natureza construída.”
Devido ao forte investimento e a falhas em sistemas relacionados a SI/TI, a questão de
desenvolvimento vem sendo muito discutida por profissionais em todo o mundo. Desta
maneira, a todo momento os profissionais vêm buscando melhorias e isso inclui levar o usuário
final (pessoas) do final para o topo na lista de prioridades a ser ouvida/discutida quando do
desenvolvimento de sistema. O Desenvolvimento Participativo reconhece o papel central do
usuário no processo de desenho de sistemas e enfatiza as oportunidades para que o usuário
possa influenciar o desenvolvimento.
De acordo com o exposto no texto, a visão centrada no usuário e não no sistema, tem
como objetivo básico o de desenhar sistemas com as pessoas e não para as pessoas,
trazendo toda a experiência do usuário, de maneira que possa torná-lo mais eficaz
quanto ao uso.
Apesar de não ser voltado para um público-alvo específico, e de ter uma linguagem
técnica e uso de “estrangeirismos” por vezes exagerados, é um texto que requer um
conhecimento prévio nas áreas de administração ou de tecnologia da informação, pois traz
muitas informações técnicas afins. Contudo, faz o leitor e principalmente os desenvolvedores e
estudiosos da área de Ciência da Informação, refletir a respeito do real papel do SI, que é mais
do que prover aos seus usuários, tecnologias prontas, mas somar a este e construir juntos algo
que possa ser eficaz naquilo que se propõe.
Desta maneira, antes de projetar um sistema de informação, é essencial conceituar as
necessidades de informação do negócio central da empresa, o que inclui definir de que forma
tais necessidades serão supridas.