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RECURSO INOMINADO Nº 0006302-44.2017.8.19.

0002

RECORRENTE: ARCHIMEDES JOSÉ RIBEIRO

RECORRIDO: AMERICAN AIRLINES INC VOTO

Trata-se de recurso interposto pelo Autor, contra sentença que julgou


parcialmente procedente o pedido para condenar a Ré a pagar ao Demandante: a) A quantia de
R$ 2.956,29, a título de danos materiais, acrescidos de correção monetária com base nos índices
oficiais da CGJ desde o efetivo desembolso e juros legais a partir da citação; b) A quantia de R$
8.000,00, a título de indenização por danos morais, corrigida monetariamente desde a leitura
da presente e acrescida de juros legais, a partir da citação.

Alega o Autor, em sua inicial, que comprou passagens aéreas para ele, a esposa
e a neta passarem o ano novo em Nova York, com data de ida prevista para o dia 30/12/2016.
Narra que, após o embarque os passageiros foram informados de que, por questões técnicas, a
aeronave não poderia decolar, tendo os passageiros sido acomodados no hotel Guanabara.
Relata que embarcaram para Nova York no dia seguinte, às 14:45h, com previsão de chegada às
21:57h mas que, durante o voo, precisaram fazer um pouso em Manaus em virtude de uma
passageira estar passando mal, culminando por passarem o ano novo dentro do avião. Diz que
após muitas horas dentro do avião foram obrigados a desembarcar, tendo permanecido cerca
de cinco horas no saguão do aeroporto até que foram encaminhados a um hotel. Afirma que
permaneceu por dois dias em Manaus, com a roupa do corpo, até que conseguiram embarcar
em 02/01/2017, chegando ao destino às 17:17h. Relata que, no voo de volta (marcado para dia
07/01/2017, às 23:15h), após o embarque, os passageiros foram obrigados a desembarcar pois
o voo havia sido cancelado em virtude do mau tempo. Aduz que a empresa não ofereceu
hospedagem, mas apenas travesseiros e cobertores para que os passageiros passassem a noite
no próprio saguão, num frio de -7ºC, sem calefação. Alega que embarcaram às 17h do dia
seguinte e, mesmo assim, tiveram que trocar de aeronave em virtude de problemas técnicos e
aguardar por horas, até que decolaram às 00:47h do dia 09/01/2017. Requereu o ressarcimento
de R$ 2.956,29, por despesas tidas com hospedagem, alimentação, seguro viagem e material de
higiene; e a condenação da Ré ao pagamento de R$ 34.523,71 a título de danos morais.

O Autor colaciona passagens aéreas com data de ida em 30/12/2016 e volta em


04/01/2016; ticket de embarque demonstrando partida de Manaus em 02/01; comprovante de
atraso do voo de ida; diversas fotografias e reportagens noticiando o ocorrido com o voo de ida;
algumas notas fiscais de despesas; declarações da agência de viagens de que recebeu a quantia
de R$ 2.226,07 referente a hospedagem de 04 a 07/01/2017, R$ 604,00 referente a seguro
viagem de 04 a 08/01/2017; passagem aérea com data de 07/01; comprovante de atraso do voo
de volta; reportagens acerca do ocorrido com o voo de volta

Contesta a Ré alegando que o atraso do voo de ida se deu por necessidade de


realização de reparos na aeronave e que o atraso decorrente de uma passageira ter passado mal
durante o referido voo, motivo pelo qual tiveram que pousar em Manaus, foi algo totalmente
alheio à sua vontade, sendo que foi providenciado o embarque dos passageiros no primeiro voo
disponível para Nova York, no dia 02/01. Em relação ao voo de volta, relata que o atraso se deu
pelo mal tempo e por problemas mecânicos na aeronave e que precisou aguardar autorização
para decolagem e os devidos reparos, tendo comunicado o ocorrido aos passageiros. Sustenta
que não são cabíveis os danos morais e materiais, já que não praticou qualquer ilícito e que a
questão encontra-se sob julgamento no STF, face ao reconhecimento de repercussão geral, no
RE 636331 e ARE 766618. Faz ponderações acerca da Convenção de Montreal, defendendo a
sua aplicação. Aduz que deve ser excluída sua responsabilidade em virtude de fortuito e de
assistência prestada ao passageiro. Impugna os danos morais e materiais. Requereu a aplicação
da Convenção de Genebra e a improcedência dos pedidos autorais. Em caso de condenação,
requereu a fixação da indenização com base nos princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.

Com a peça de bloqueio a Ré juntou reportagem do ocorrido com o voo de ida,


alguns documentos em língua estrangeira; documento intitulado “Condições de Transporte” e
tradução, em tese, de um desses documentos.

Recorre o Autor ressaltando ser pessoa idosa com problemas de saúde e que o
principal objetivo da viagem foi frustrado – passar a virada do ano em Nova York, requerendo a
majoração da indenização por danos morais para R$ 34.523,71.

Petição da Ré às fls. 205/206 cumprindo voluntariamente o julgado, juntando


guia de depósito judicial.

Contrarrazões requerendo a manutenção da sentença por razões já expostas em


contestação.

É o relatório. Decido.

O recurso merece prosperar. Vejamos:

Primeiramente, saliente-se que restou incontroverso nos autos os diversos


infortúnios experimentados pelo Autor, que é idoso, contando com 86 anos de idade, diante dos
sucessivos atrasos dos voos, que configuram falha na prestação de serviço, atraindo o dever de
indenizar.

Registre-se que o Autor levou quase três dias para chegar ao destino de sua
viagem, havendo também atrasos no voo de volta em mais de 24 horas, sendo que neste último
trecho a Ré sequer providenciou hotel para acomodar os passageiros, apenas disponibilizando
travesseiros e cobertores, deixando-os no saguão do aeroporto por toda a madrugada, à mingua
de qualquer assistência, somente fornecendo alimentação pela manhã.

Apesar de a Ré alegar que os atrasos se deram por razões de manutenção da


aeronave, tal fato deve ser analisado sob a ótica do fortuito interno, configurando risco do
empreendimento, não impedindo a responsabilização da empresa aérea.

O dano moral existe in re ipsa, decorrente do próprio evento danoso, de modo


que, comprovado o fato ofensivo, provado está o dano extrapatrimonial. Por consequência, a
indenização por danos morais é devida, advindo para a Ré o dever de reparar o dano
experimentado pelo consumidor.

Considerando as peculiaridades do caso concreto, bem como que os infortúnios


experimentados se deram tanto na ida quanto na volta, o valor fixado a título de danos morais
merece ser majorado para R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), valor esse que não se revela
excessivo, sendo arbitrado em sintonia com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade,
considerando-se a extensão do dano e os parâmetros adotados pela jurisprudência.
Isto posto, recebo o recurso e, no mérito, voto no sentido de dar-lhe parcial
provimento para majorar a quantia fixada a título de danos morais para R$ 18.000,00, a ser
corrigida monetariamente pelos índices da Egrégia Corregedoria da Justiça do Estado do Rio de
Janeiro a partir da publicação deste voto e acrescida de juros legais desde a citação, mantendo-
se no mais a sentença. Sem ônus face ao êxito.

APELAÇÃO CÍVEL N.o 0280909-18.2015.8.19.0001

APELANTES: VRG LINHAS AÉREAS S.A. E CATARINA DE MELLO REZENDE RATTES

APELADOS: QATAR AIRWAYS E OS MESMOS RELATORA: DESEMBARGADORA GEÓRGIA DE


CARVALHO LIMA

Apelação Cível. Ação de Procedimento Comum Ordinário, por meio da qual objetivou a autora
o recebimento de indenização pelos danos material e moral, em razão do extravio de sua
bagagem e do atraso do seu voo internacional contratado junto às rés. Sentença de procedência
parcial do pedido. Inconformismo da demandante e da segunda demandada. Preliminar de
ilegitimidade passiva ad causam suscitada que se rejeita, eis que a segunda ré compõe a cadeia
de consumo, devendo responder pelos danos advindos do evento danoso de forma solidária
com a primeira ré. Matéria posta em debate, que foi objeto de recurso repetitivo, apreciada e
decidida, em 25 de maio de 2017, pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso
Extraordinário n.º 636.331/RJ. Tese no sentido de que, nos termos do art. 178 da Constituição
da República, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das
transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal,
têm prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor. Todavia, o aludido acórdão
ainda não foi publicado, sendo recomendável, por ora, a aplicação da Lei n.º 8.078, de 11 de
setembro de 1990. Na espécie, restou caracterizada a falha na prestação de serviço. Inteligência
que se extrai da Súmula 45 deste Tribunal de Justiça. Dano material que deve ser arbitrado de
acordo com os princípios gerais do direito e da experiência comum. Dano moral configurado,
que se fixa em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). Despesas com tradutor público
juramentado que são devidas, em razão da sucumbência na demanda. Verba honorária que se
arbitra em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, nos termos do artigo 85, § 2.º, do
Código de Processo Civil e que se majora em 5% (cinco por cento), na forma do artigo 85, § 11
do citado diploma processual. Desprovimento do recurso da segunda ré. Provimento parcial do
recurso da autora, para o fim de condenar as demandadas, de forma solidária, a pagar à autora
a quantia no valor de R$ 20.167,00 (vinte mil, cento e sessenta e sete reais), com correção
monetária, a partir do evento danoso e juros de mora, a contar da citação. a título de dano
material e a importância de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) à guisa de dano moral.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0116099-26.2015.8.19.0001


APELANTE: UNITED AIRLINES INC

APELADO: MANUELA MARTINS KLAUTAU DE ARAÚJO E CAIO MARTINS KLATAU DE ARAUJO


REP/P/S/GENITOR FERNANDO GRAÇA KLATAU DE ARAUJO

RELATOR: JDS. DES. MARCELO MARINHO

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO. UNITED AIRLINES.


Atraso do voo internacional por mais de duas horas que ocasionou a perda da conexão, fazendo
os autores terem que pernoitar em Houston às suas expensas. Autores menores que não época
contavam com 11 e 07 anos de idade. Problemas elétricos na aeronave. Fortuito interno, que
não possui o condão de eximir a ré de seu dever de indenizar os danos suportados pelo
consumidor. Responsabilidade objetiva da ré. Causas excludentes de sua responsabilidade não
comprovadas. Aplicação da teoria do risco do empreendimento. Sentença procedente. Dano
moral in re ipsa. Quantum indenizatório fixado em R$15.000,00 para cada autor. Irresignação
da parte ré que não merece prosperar. Verba indenizatória que foi adequadamente fixada,
assim atendendo aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. DESPROVIMENTO AO
RECURSO.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0033190-16.2014.8.19.0209

APELANTE: TAP - TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES S/A

APELADOS: WAGNER GLASENAPP BARROZO E OUTRO RELATORA:

DESEMBARGADORA LEILA ALBUQUERQUE SESSÃO DE JULGAMENTO: 16 DE AGOSTO DE 2017.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL.


Os Autores narraram atraso nos quatro trechos internacionais operados pela Ré, razão pela qual
buscaram o pagamento de indenização por danos materiais e morais. Contestação com
alegações de necessidade de readequação de malha aérea e problemas mecânicos em
aeronave, o que configura fortuito interno e não tem o condão de afastar a responsabilidade da
Ré. Atrasos também nos voos de retorno ao Brasil fatos que não foram impugnados, restando
incontroversos, nos termos do artigo 341 do Código de Processo Civil de 2015. Fatos que tiveram
o condão de provocar danos morais, eis que in re ipsa, mostrando-se adequado o valor fixado
na sentença para cada Demandante. DESPROVIMENTO DO RECURSO.