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CRISTO PANTOCRATOR

Os Símbolos Litúrgicos

Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da História, sabemos que a


percepção humana é dependente de imagens e símbolos. O Homem percebe as coisas
pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do
mistério.

Nas realidades espirituais, não é diferente, nós buscamos a comunhão no mistério, que se
dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos. De fato, os símbolos nos mostram, em
sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do
mistério, apontando para além deles próprios.

A própria Liturgia é descrita como uma ação simbólica, no seu sentido mais pleno. E isso
se revela na beleza de todo o ato celebrativo que emana da alegria pascal.

Com isso percebemos o quanto é importante a linguagem misteriosa dos símbolos na


Liturgia. E um símbolo por si só fala, não é preciso dar explicações. Até porque o mistério
não é para ser compreendido e sim, vivido.

Vejamos então o significado de um grande símbolo religioso presente em nosso Santuário,


que é o Pantocrator "Cristo Luz do Mundo"

A palavra Pantocrator é de origem grega e significa "Todo-Poderoso" ou "Onipotente", mas


a melhor tradução seria "Oniregente" ou "Aquele que rege todas as potências terrestres e
celestes".
Existem cânones pictóricos, ou seja, regras para a pintura do painel.

O Pantocrator quando é representado de corpo inteiro e neste caso está sentado no trono e
rodeado pelas hierarquias celestes que sublinham sua majestade divina. No nosso caso,
temos a representação da Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo (percebam que Ela
segura o escapulário), e Santo Elias, profeta - por ser o precursor da Ordem do Carmelo.
Ainda estão representados ao lado de Cristo os Evangelistas.
O Pantocrator caracteriza-se pela auréola crucífera;

 
pela mão direita que abençoa «à maneira
grega»; e pela esquerda que segura um
livro aberto ou fechado, ou mesmo um rolo.
Quando o livro está aberto, o versículo
evangélico que nele aparece é, as mais das
vezes: «Eu sou a luz do mundo». Mas
podem também aparecer outros versículos
previstos nos manuais de pintura.

A estatura do corpo é a tradicional, já fixada


no séc. VI, no tempo de Justiniano.

O rosto, para a tradição oriental, é o do


Mandilion, considerado impresso pelo próprio
Cristo na toalha enquanto ainda vivia (Santo
Sudário).

Neste ícone, a cor vermelha da roupa 


representa que Ele é todo Deus, e o 
Os traços podem ser resumidos assim: rosto manto azul que Ele é todo Homem e
alongado, sobrancelhas arqueadas, olhos assim nos assumiu por inteiro;

grandes e abertos voltados para o espectador, A faixa dourada, é quase uma estola,
nariz longo e delicado, a barba bastante longa o Sacerdote da Nova Aliança

terminando em ponta arredondada, bigode


caído, cabelos ondulados que formam como uma cúpula sobre o alto da cabeça e são
depois recolhidos à altura das orelhas e descem sobre os ombros (essa cabeleira é
chamada, segundo Capizzi, «tipo capacete»). No alto da fronte - larga e alta - destacam-se
muitas vezes, da cabeleira, dois, três ou mais cachos.

 
As roupas que cobrem o corpo de Cristo são
constituídas de quatro peças, sendo três as
mesmas usadas na Palestina no tempo de
Cristo: a túnica vestida diretamente sobre o
corpo, o manto, as sandálias, presas ao
tornozelo por tiras de couro e a faixa que
representa Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.

O corpo de Cristo se destaca pela cor


douradade sua roupa, chamado na
iconografia grega "céu" e no fundo em azul na
forma de círculo para indicar que Cristo está
na glória do Céu.

A forma circular do rosto lembra que Cristo é o


Logus, ou seja, o Verbo Divino.

O círculo é símbolo do Universo, do todo,


do infinito. Junto ao círculo está entrelaçado o
quadrado, que simboliza o princípio material do
Universo, é o símbolo da Terra.

O ícone transmite, assim, o dogma


cristológico das duas naturezas humana e
divina - unidas na única Pessoa do Verbo:
Filho de Deus e Deus ele próprio,
consubstancial ao Pai.

A auréola, chamada "coroa" e também "glória",


desenhada com traço fino sobre o mesmo
fundo dourado, é sinal da santidade de Jesus.
Em todas as imagens de Cristo, na auréola
estão desenhados três braços de uma cruz;
esta, que se tornou comum no decurso do séc.
VI desde o tempo de Justiniano, é uma clara
alusão à dimensão salvífica do Senhor. Sobre o ícone estão presentes inscrições, cuja
finalidade é chamar a atenção para a identidade divina e ao mesmo tempo humana do
personagem representado.

O sagrado trigrama do nome de Deus revelado a Moisés no Sinai: Ο ΩΝ, "Eu sou o
Existente" - Ex 3, 14 - e inserido nos três braços visíveis da cruz introduzida na auréola.
Essas inscrições são sempre em grego.

A mão que abençoa


Na Igreja Oriental, sobretudo na bizantina, a bênção em grego ('euloghia') é reservada ao
bispo ou ao sacerdote que a pronuncia para abençoar uma ou mais pessoas, ou um objeto,
fazendo um sinal da cruz e pronunciando ao mesmo tempo uma breve fórmula de bênção.
A fórmula de bênção mais simples reza assim: «Bendito o nosso Deus, em todo tempo,
agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»

Uma das mais solenes é a que o sacerdote dá no fim da liturgia eucarística: «A bênção e a
misericórdia do Senhor desçam sobre vós com a sua graça e a sua benignidade em todo
tempo, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»
Como se vê por esta e por outras fórmulas semelhantes, a fórmula não é indicativa: ou
seja, o sacerdote não dá a bênção em nome próprio, mas transmite a bênção dada pelo
próprio Cristo. Isto fica evidente no ícone de Cristo com a mão direita que abençoa.

A bênção é chamada «à maneira grega», na qual os dedos aparecem em posições bem


precisas com significado simbólico, sobre o qual se detêm os manuais de pintura. O de
Dionísio de Furná assim descreve a posição dos dedos da mão direita que abençoa e o
sentido simbólico:

«Quando fazes uma mão que abençoa, não unas os


três dedos juntos, mas une o polegar com o anular
apenas; o dedo chamado indicador e o médio formam o
nome IC: com efeito, o indicador forma o I; o dedo
médio curvado forma o C; o polegar e o anular que se
unem obliquamente e o mínimo que está ao lado,
formam o nome XC; de fato a obliqüidade do mínimo,
estando ao lado do anular, forma a letra X; o mesmo
mínimo, que tem forma curva, indica justamente por
isso o C; por meio dos dedos, portanto, se forma o
nome XC e por esse motivo, pela divina providência do
Criador de todas as coisas, os dedos da mão humana
foram modelados assim e não foram demais ou de
menos, mas em quantidade suficiente para formar este
nome.»

O clero bizantino abençoa ainda segundo o modo


acima descrito OS DEDOS LONGOS ACIMA LEMBRAM 
QUE JESUS É HUMANO E DIVINO

  OS OUTROS DEDOS JUNTOS LEMBRAM


A SANTÍSSIMA TRIANDADE, JUNTA.
 
  OS DOIS DEDOS LONGOS TAMBÉM
   FAZEM REFERÊNCIA A PARTICIPAÇÃO
Nesta imagem, do Monastério  DE  CRISTO COMO SEGUNDA PESSOA
de Santa Catarina, perceba DA TRINDADE.
que um dos olhos nos
transmitem ternura e no outro a ira de Deus, próprio da Idade Média, mas
em geral o olhar de Cristo é exigente, porque pede de nós postura, e com
esse olhar Ele nos pergunta: afinal quem você é diante de Mim? Me diga,
para depois descobrir que eu sou!
 
 
 

Nada é por acaso, tudo tem é simbólico!


 
Se olharmos os ícones acima, percebemos que o
pescoço está muito a amostra, não há golas nem
mantos que cubram o pescoço!

Isso é um sinal muito antigo: na antiguidade acreditava-se


que o Espiríto Santo morava na garganta. Que o Espiríto
Santo é o "ar de Deus que na nossa laringe nos ajuda a ter folêgo e articula em nós
palavras de vida".

Por isso Jesus tem o pescoço muito a amostra, para dizer: "Aqui dentro eu carrego o
Espírito Santo, eu respiro o respiro de Deus, meu folêgo é um folêgo divino".

Significado do Pantocrator segundo Dom Roberval Monteiro


O Painel "Cristo Luz do Mundo", do Santuário Nossa Senhora do Carmo é de autoria de
Dom Roberval Monteiro, religioso de Ponta Grossa - PR, que no ano 2000 venho
especialmente para entregar o painel no dia da festa da padroeira.

Dom Roberval pratica a arte de pintar desde que entrou no mosteiro, em 1984, e é
considerado um pintor especialista em arte bizantina.

"o sacerdote é um homem que comunica Deus para as pessoas e a pintura


também faz isso de maneira mais durável, mais profunda que palavras ou
ações, porque as minhas palavras ou ações vão passar, mas a pintura vao

permanecer e vai sobreviver há muitas gerações "


Junto de Cristo, temos representados os elementos vitais - terra, ar, água e fogo -
simbolizados por quatro animais que são uma representação extremamente antiga herdada
do período antes de Cristo.

Os quatro animais simbolizam as quatro dimensões do ser humano:

" nós estamos acostumados com o ser humano em duas dimensões: corpo
e alma."

Dom Roberval explicou que o homem é touro enquanto vive uma vida vegetativa: trabalha,
bebe, dorme e produz. É a força, a vida. O leão representa a vida afetiva, é o homem
capaz de sentimentos, de emoções, de paixões, de amor, mas tembém de coragem, de
luta, de combate: o leão é nobre de espírito, de caráter, e a lealdade a diferencia do touro.
O terceiro animal é a águia, que representa a vida intelictiva, a busca pela razão das
coisas, o animal das alturas, que voa alto, que se questiona e nunca se cansa, mas
também justamente por isso, vê longe, vê profundamente as coisas: a águia tem olhos
agudos e precisos. E, finalmente, o quarto animal, o anjo, que representa o homem na sua
relação com a divindade e que sente saudades do céu, saudades de Deus, independente
da religião. Então o touro fornece as energias e a base; o leão ama e tem ímpeto; a águia
busca as razões; e o anjo realiza a comunhão com Deus.

Para Dom Roberval, a pintura tem a função de ser um mapa de nosso interiror:

"É a tentativa de retomar esse tipo de pintura, mesmo com traços modernos,
com técnicas modernas e tudo mais, é justamente de fornecer um mapa do
nosso mundo inteiror, porque ainda que a gente não entenda e não use o
mapa de uma cidade , só o gosto de saber que existe dá uma sensação de

que, pelo menos me perder eu não vou. Esse é o mapa do nosso ser ."
Pax Vobis!
(A paz esteja convosco!)