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Iniciação ao Violão

(Volume I)

George Pessoa
SUMÁRIO

Apresentação

Unidade I - Introdução

Capítulo 01 – Breve história do violão


Capítulo 02 – Funcionamento do instrumento
Capítulo 03 – Sistemas de notação

Unidade II – Leitura e Melodias

Capítulo 04 – Exercícios preliminares


Capítulo 05 – Leitura na primeira posição
Capítulo 06 – Descobrindo as notas alteradas e outras regiões do instrumento

Unidade III – Acordes e acompanhamentos

Capítulo 07 – Acordes
Capítulo 08 – Cifras e Levadas
Capítulo 09 – Primeiros acordes (cordas soltas)
Capítulo 10 – Pestana

Referências
APRESENTAÇÃO

O violão tem uma longa e controversa história de sua origem, sendo difícil apontar
qual o instrumento precursor deste que conhecemos atualmente. Dá-se a ele um ponto de
partida da guitarra renascentista, tendo assim uma evolução de apenas quatro séculos.
Este instrumento possui fortes características timbrísticas, assim como versatilidade
em sua execução, podendo ser tocado acordes para acompanhamentos, melodias ou uma
junção dos dois (melodia acompanhada).
Esta apostila é uma introdução destes vários pontos relevantes ao estudo do
instrumento. Sua abordagem é muito mais prática do que teórica, apesar de ser difícil (e não
aconselhável) a separação de ambas. Desta maneira ela pode ser usada tanto por professores
para material de apoio como um roteiro de ensino, assim como também para estudantes
iniciantes que buscam iniciar os primeiros passos no instrumento.
Na Unidade I será trabalhado uma pequena apresentação do instrumento, com fatos
históricos de sua evolução, apresentação das partes do violão e de seu funcionamento e as
diferentes e principais notações usadas.
Na unidade II serão trabalhados aspectos técnicos direcionados ao estudo de execução
e leitura de melodias e conhecimento das notas no instrumento.
Na unidade III serão trabalhados aspectos técnicos direcionados ao estudo de
execução e leitura de acordes e suas diferentes posições.
Importante que as unidades desta apostila não são trabalhadas de forma contínuas em
dependência umas das outras, podendo ser trabalhadas separadamente e isoladamente, mesmo
que no momento posterior os assuntos serão complementares. Por exemplo, a Unidade I por
ter um caráter mais introdutório e de apresentação do instrumento, pode ser abordado
continuamente no desenvolvimento das aulas sempre que for necessário a abordagem de tais
assuntos. As Unidades II e III são independentes entre si, mas podem ser trabalhadas de
maneira paralela, uma auxiliando a outra no desenvolvimento técnico do instrumento.
Contudo, cada unidade em si (com exceção da primeira) possui uma sequência lógica no
estudo do conteúdo técnico, sendo aconselhável seguir de forma rigorosa e contínua,
sobretudo a Unidade II. Importante é que o professor use este método buscando com
frequência fazer associações e interligações entre os diferentes assuntos apresentados.
Outro fator relevante, alguns aspectos teóricos mais avançados podem ser
apresentados em momentos iniciais no estudo do violão, por serem de aspectos técnicos
básicos no instrumento. Isto requer um bom conhecimento do professor para saber conduzir o
aluno na descoberta dos vários assuntos, sem a necessidade de exigir um conhecimento
teórico prévio, já que poderá diminuir a produtividade técnica no instrumento. Isso poderá ser
observado sobretudo no estudo da Unidade III sobre os acordes, em que alguns acordes com
sétima (tétrades) são apresentados em momentos iniciais por serem de fácil execução e
auxiliarem no desenvolvimento no estudo do instrumento.
O software utilizado para notação dos exemplos utilizados neste material foi o
MuseScore1. Todos os exercícios e exemplos foram compostos e editados pelo próprio autor2.

1
Software gratuito disponível em https://musescore.com.
2
O exemplo da música Lágrima que aparece na Unidade I é de Francisco Tárrega, e foi referenciada abaixo da
imagem. A edição foi feita pelo autor da apostia.
Unidade I
Introdução
Capítulo 01 - Breve história do violão

O violão tal qual conhecemos hoje é o resultado de uma longa e lenta evolução. Sua
origem é incerta e imprecisa, mas admiti-se como precursor mais antigo em sua história a
guitarra de 4 ordens3, por volta do século XVI.

Conhecida como guitarra Renascentista, tinha como características gerais, apesar de


várias versões, uma caixa de ressonância estreita com abertura central, bem trabalhada, oito
trastes e sete cravelhas (três cordas duplas e uma simples). Não possuia uma afinação padrão,
variando de acordo com cada região.

Por volta do século XVII, a guitarra de 5 ordens (ou guitarra Barroca) torna-se
bastante popular, apesar de referências apontarem sua existência desde meados do século
XVI. Suas características são semelhantes a anterior, com adição de uma quinta ordem.
Também ainda não apresenta uma afinação padrão, podendo ser utilizado com bordão ou com
afinação reentrante4.

Em meados do século XVIII, adiciona-se uma nova ordem ao instrumento, tornando-


se agora uma guitarra de 6 ordens ou guitarra Clássica. É também neste período que adotou-
se o uso de cordas simples, assim como também o uso de uma afinação padrão e o uso de
bordões, tal qual conhecida nos dias de hoje.

3
Ordem era a nomenclatura usada da corda do instrumento, por serem cordas duplas, com exceção da primeira.
4
Esse tipo de afinação não apresenta uma ordem entre sons graves e agudos.
No final do Século XIX, o luthier espanhol Antonio Torres Jurado define o
instrumento com as características atuais, tais como a construção de um novo tampo
harmônico, dimensão e formato como conhecemos hoje, assim como também o uso de
cravelha mecânica proporcionando uma melhor afinação do instrumento.

No século XX, talvez o último passo no desenvolvimento do violão moderno, Andréas


Segóvia introduz cordas feitas de nylon.
Vale ressaltar que o uso do nome violão para referir-se ao instrumento acontece
apenas no Brasil, sendo em todos os outros lugares do mundo adotado variações do termo
guitarra.
Capítulo 02 - Funcionamento do instrumento

Para entender o funcionamento do violão é importante conhecer quais as partes


compõem o instrumento:

O corpo do violão é também chamado de caixa acúsitca ou caixa de ressonância. Nele


está o cavalete onde as cordas ficam presas (também chamado de ponte) e a boca do violão.
Na mão do violão encontra-se as tarrachas, outra extremidade do instrumento onde as
cordas ficam presas e que também serve para ajustar a afinação.
No braço do violão encontra-se as casas, onde as notas musicais são localizadas. Entre
as casas existem pequenas barras metálicas que são chamadas de trastes.
Apesar de existir uma grande variedade de tipos de violão (cordas de aço, 12 cordas, 7
cordas, dentre outros), por padrão, adota-se o violão de 6 cordas, contadas da mais aguda (1a)
até a mais grave (6a). A quantidade de trastes pode variar, porém, o mais comum é possuir um
número de 12 trastes até a junção do braço do instrumento com o corpo.
Não existe uma melhor postura para a execução do violão, podendo ser tocado de pé
ou sentado, valendo a máxima de privilegiar o conforto do instrumentista. Contudo, é
importante notar que músicos da linha clássica, costumam se apresentar ao público apenas
sentado. Isso não quer dizer que você não possa tocar este tipo de repertório em pé, sendo
apenas uma convenção para este tipo de música. Importante é o instrumentista encontrar uma
maneira confortável e eficiente para a execução ao violão.
No braço do instrumento, geralmente executado pelos dedos da mão esquerda, toca-se
as notas do instrumento, podendo ser executado melodias (notas sucessivas) ou acordes
(notas simultâneas) para acompanhamento de melodias executadas por outros instrumentos
ou pelo canto. A figura abaixo é um exemplo da postura da mão esquerda para tocar
melodias.
A mão direita fará as cordas vibrarem de diferentes maneiras através dos dedos, com a
finalidade de emitir o som5. As diferentes maneiras de tocar são popularmente conhecidas
como dedilhados (tocar arpejos ou melodias) e levadas ou batidas (execução de diferentes
ritmos percutindo nas cordas). A figura abaixo mostra postura da mão direita para dedilhado.

Importante notar que a nomenclatura dos dedos das diferentes mãos serão diferentes.
Para mão esquerda, nomeia-se 1, 2, 3 e 4 para referir-se respectivamente aos dedos indicador,
médio, anelar e mindinho. O polegar da mão esquerda não é usado diretamente para tocar
uma nota, mas serve como apoio da mão no braço do violão.
Para mão direita nomeia-se os dedos com as iniciais dos seus nomes: P, I, M, A,
respectivamente polegar, indicador, médio e anelar. Neste caso, o dedo que não será utilizado
será o mindinho, podendo servir também como apoio para a mão direita6.

5
É comum o uso de palheta, ao invés dos dedos, para tocar as cordas do violão.
6
Na linha clássica moderna, não admite-se o uso do mindinho como dedo de apoio. Contudo, ele pode ser usado
sim e é comum sobretudo nos instrumentistas que usam palheta.
Capítulo 03 - Sistemas de notação

Diferentes notações podem ser usadas para o violão, sendo a partitura uma delas.
Pode ser apresentada apenas uma melodia que será executada no instrumento, assim como
partituras mais elaboradas, direcionadas especificamente ao instrumento. A leitura da
partitura em si não difere de outros instrumentos. Contudo, a partitura para violão apresenta
diferentes indicações particulares ao instrumento (muitas vezes sugestões do autor da
partitura) com a finalidade de auxiliar na leitura e execução. Veja o exemplo abaixo de um.

Trecho de Lágrima – Francisco Tárrega(Fonte: https://www.classical-guitar-school.com/en/Download/1054)

A escrita para violão se dá através da clave de Sol 7. Os números circulados indicam a


corda que a nota deverá ser executada. Os números avulsos indicam o dedo da mão esquerda
que a nota deverá ser executada. Os numerais romanos indicam que as notas naquela posição
poderão ser executadas com pestana.
Uma notação bastante comum e específica para instrumentos de cordas é a tablatura.
Ela consiste no uso de linhas que representam as cordas do instrumento. A linha superior
representa a corda mais aguda do instrumento (corda 1), enquanto que a linha inferior
consiste na corda mais grave do instrumento (corda 6).

Nas linhas usa-se números para representar a posição das notas que serão tocadas, ou
seja, qual a casa (número) e em que corda (linha onde o número está posicionado) a nota
deverá ser tocada.

No exemplo acima, a nota 12 da corda 1 e a nota 11 da corda 4 deverão ser tocadas ao


mesmo tempo. Em seguida toca-se a nota 9 na corda 3, e assim segue a leitura e execução.
Esse exemplo na tablatura é o mesmo trecho demonstrado anteriormente na partitura.

7
A clave de Sol é usada para notação do violão mesmo que não represente o som real do instrumento, estando
uma oitava abaixo da escrita. Esta convenção se dá para facilitar a leitura no instrumento. Fernando Sor,
importante violonista, tentou fazer uso da notação em duas claves (Fá e Sol) como no piano, afim de representar
o som real para leitura.
Curiosidade
A notação da tablatura era bastante utilizada antigamente. A partir da guitarra clássica
adotou-se o uso da partitura como notação para o violão. A tablatura tem a vantagem de
possuir uma visualização facilitada no posicionamento das notas do instrumento, não
necessitando o conhecimento delas em si. Contudo, é necessário o conhecimento prévio da
música que será executada, já que muitas tablaturas não utilizam notação rítmica8. Já a
partitura necessita o conhecimento das notas no braço do instrumento, e proporciona uma
leitura de qualquer música devido a notação possuir vários aspectos musicais (notas, ritmo,
posicionamento da mão, dentre outros).

É comum também, na iniciação ao estudo do instrumento, o uso da notação


numérica que representa a corda para o primeiro número, e casa para o segundo, podendo ser
separados por ponto ou não. Veja o exemplo abaixo:

Esta nomenclatura indica que a nota tocada


será na corda 3 e casa 2. (Algumas variações
3.2 para a mesma nota podem ocorrer. Por
exemplo: 302, ou simplesmente 32.

A cifra é outra nomenclatura bastante comum para o violão, já que muitas vezes ele é usado
como instrumento acompanhante. A cifra é usada para indicação de acordes, através do uso
de letras do alfabeto que representam as notas, indicações quanto a qualidade do acorde
(maior ou menor), alterações (sustenido ou bemol) ou notas acrescentadas (números)9.

C7M | Am7 | Dm7(9) | G7(13) ||


Importante notar que a cifra indica apenas o acorde, sendo de escolha do executante a
maneira como tocá-lo, já que esta notação não indica isto.
Quando há a necessidade de uma posição específica do acorde, ou mesmo quando
direcionado ao estudante iniciante do instrumento, é comum a demonstração da posição
juntamente com a cifra.

C7M Am7 Dm7(9) G7(13)

A representação do acorde é feita de maneira semelhante a tablatura quanto ao uso de


linhas representando as cordas. Contudo, as cordas serão representadas por linhas verticais.
As linhas horizontais representam os trastes do violão. As notas serão indicadas por bolinhas,
indicando a posição na corda e casa como demonstrado no exemplo abaixo.
8
Atualmente vários softwares de notação musical têm incorporado a notação rítmica na tablatura também. Nas
tablaturas antigas, o ritmo também era notado.
9
Detalhes sobre a nomenclatura da cifra serão apresentadas no decorrer da apostila.
e
Outras técnicas, como a pestana por exemplo, também são representadas, neste caso
com uma barra.

Quando as notas precisam ser posicionadas em alguma posição diferente da primeira


casa do violão, o número da casa inicial é demonstrado ao lado do diagrama do acorde.

Importante
Mais de uma notação pode ser usada para o violão, ficando a critério para escolha as
necessidades e possibilidades do uso. A partitura especifica quais notas devem ser tocadas e
com qual duração. Para auxiliar na identificação de um acorde, por exemplo, pode-se incluir
a cifra. Contudo isso não é comum, quando trata-se de uma partitura para violão.
Isto será comum quando notado apenas uma melodia com a indicação da cifra acima, para
auxiliar no acompanhamento da melodia.
A tablatura pode também ser utilizada como auxílio na indicação da posição das notas no
instrumento, juntamente com a partitura.

Nota
Nesta apostila, será utilizado preferencialmente a combinação de partitura/tablatura/cifra. A
escolha das músicas teve como critério preferencialmente aspectos técnicas do que
propriamente de leitura. Portanto, cabe ao aluno procurar entender a relação entre a partitura
e a tablatura afim de compreender melhor aspectos de notação do instrumento, assim como
também ao professor mostrar alguns aspectos relevantes para a otimização do aprendizado.
Unidade II
Leitura e melodias
Capítulo 04 – Exercícios preliminares

Alguns exercícios podem ser feitos diariamente afim de melhorar a execução no


instrumento. Abaixo serão apresentados algumas sugestões utilizando algumas notações já
demonstradas acima (preferencialmente a notação numérica ou tablatura).

Exercício 1
1) Posicionar cada dedo da mão esquerda (1-2-3-4), nas suas respectivas casas do
instrumento.
2) Tocar quatro vezes em cada dedo (quatro vezes com dedo 1, depois com dedo 2 e assim
sucessivamente, iniciando na corda 1, depois passando para corda 2 e assim sucessivamente
até chegar à corda 6 do instrumento.
3)Você pode avançar no exercício tocando 2 vezes em cada dedo, e depois tocando apenas
uma vez em cada dedo.

Dica
Para uso dos dedos da mão direita, é importante alternar os dedos indicador (i) e médio (m). Para uso da
palheta, alternar os movimentos para baixo e para cima. Desta maneira você terá mais agilidade para executar
passagens musicais que exigem velocidade.

Importante
É importante que a prática desse exercício seja regular, tonando-se um hábito na execução do instrumento, com
a finalidade de auxiliar aspectos técnicos básicos.

• MÚSICAS PARA PRATICAR

− Missão Impossível

4.2 4.2 3.0 3.2 | 4.2 4.2 4.0 4.1 ||

− Smoke on the Water

3.0 3.3 3.5 | 3.0 3.3 3.6 3.5 | 3.0 3.3 3.5 | 3.3 3.0 ||

− Tema do Batman10

‘ ‘ ‘
5.5 5.5 5.4 5.4
A A
5.3 5.3 5.4 5.4

‘ ‘
4.5 4.5 4.4 4.4
B B A
4.3 4.3 4.4 4.4


4.7 4.7 4.6 4.6
C C B A
4.5 4.5 4.6 4.6

10
Na tabela da esquerda, está escrita cada parte da música do Batman. Na tabela da direita, como as partes se
organizam.
Capítulo 05 - Leitura na primeira posição

• NOTAS MUSICAIS...

É importante conhecer o nome das notas musicais e como estão relacionadas com o
som, para a partir daí entender a disposição delas no instrumento. Note que a quantidade das
notas não se limita às apresentadas abaixo, sendo isto apenas uma referência. A quantidade
das notas dependerá da extensão de cada instrumento.

Si Si
Lá Lá
Sol Sol
Fá Fá
Mi Mi
Ré Ré
Dó Dó

• ...NO VIOLÃO

Perceba que mesmo tendo como convenção as notas musicais iniciando pela nota Dó,
isso dependerá da extensão do instrumento. Portanto, no violão, a nota mais grave é a nota Mi
(6a corda solta), prosseguindo a partir dela a sequência das notas como apresentado
anteriormente.

A disposição das notas no violão é um pouco complexa. Veja que cada corda possui
sua sequência de notas, e que as notas também aparecem em outras cordas. Desta forma, a
maneira mais indicada é mesclar o uso das notas caminhando pelas cordas com a mudança.
Isso facilitará a execução do instrumento, já que há limitação devido ao uso dos dedos da
mão esquerda para tocar as notas.
Sendo assim, é interessante estudar as notas do violão através de regiões, pois desta
maneira fica mais fácil a memorização de todas as notas, além de ampliar gradativamente o
repertório, tanto técnico quanto musical, no instrumento.11.
A seguir será trabalhado progressivamente as notas na primeira região.

11
A escolha destas notas se dará por diferentes necessidades de execução dos diferentes trechos musicais, seja
por sonoridade ou envolvendo questões técnicas.
• NOTAS NA CORDA 1

mi Fá Sol
• - ExercíciosNOTAS NA CORDA 2

Si Dó Ré

- Exercícios
• NOTAS NAS CORDAS 1 e 2

A partir desta etapa, além das notas apresentadas por corda, será também trabalhado a
leitura de todas elas juntas.
Outro ponto importante desta etapa é o início da leitura própria para o violão. Perceba,
que alguns exercícios terão notas com as hastes viradas para cima e outras para baixo. Isso
delimita diferentes vozes para o violão, que serão executadas ao mesmo tempo.
Geralmente, as notas com as hastes viradas para baixo são os baixos de
acompanhamento, executados pelo polegar (p). As notas com hastes viradas para cima são
executadas pelos outros dedos da mão direita, dependendo de cada contexto.

- Exercícios
• NOTAS NA CORDA 3

Sol Lá

- Exercícios
• NOTAS NAS CORDAS 1 à 3

- Exercício
• NOTAS NA CORDA 4

Ré Mi Fá

- Exercícios
• NOTAS NAS CORDAS 1 à 4

- Exercício
• NOTAS NA CORDA 5

Lá Si Dó

- Exercícios
• NOTAS NAS CORDAS 1 à 5

- Exercícios
• NOTAS NA CORDA 6

Mi Fá Sol

- Exercícios
• NOTAS NAS CORDAS 1 à 6

- Exercício
Capítulo 06 – Descobrindo as notas alteradas e outras regiões do instrumento

No capítulo anterior foi apresentado as notas na primeira posição do instrumento. A


partir delas, pode-se encontrar as notas alteradas (sustenido ou bemol)12 na primeira posição.
Além disto, pode-se também descobrir as notas em outras posições do braço13.

Você já deve ter percebido que algumas notas podem ser tocadas também em
diferentes cordas. A escolha de qual nota deverá ser tocada pode seguir critérios técnicos ou
sonoros, dependendo da peça.

Nesta etapa é importante que o aluno vá descobrindo e se acostumando com as notas


aos poucos, prestando atenção nas indicações da partitura que já foram apresentadas
anteriormente (caso esteja seguindo esta notação).

Nota
Várias partituras podem ser encontradas na internet. No site https://classical-guitar-
school.com tem disponível diferentes métodos e peças de vários níveis para violão. O
material auxiliará no estudo do instrumento para o desenvolvimento da leitura de partitura
ao violão, assim como também no desenvolvimento técnico do aluno.

12
Vale lembrar que o sustenido (#) altera a nota em um semitom acima, enquanto o bemol (b) altera a nota em
um semitom abaixo.
13
Foi apresentado no exemplo escrito em partitura apenas as notas alteradas com sustenido. Contudo, essas
mesmas notas podem aparecer notadas com bemol também, devendo o aluno se acostumar com a leitura das
duas nomenclaturas.
Unidade III
Acordes e Acompanhamento
Capítulo 07 - Acordes

Acordes são formados pela combinação de duas ou mais notas. São usados para fazer o
acompanhamento musical de melodias, sejam elas tocadas em instrumentos ou cantadas.
Importante observar que mesmo algumas cordas não estejam sendo pressionadas, tais notas
podem fazer parte do acorde, como observado na figura abaixo.
Os dedos da mão esquerda irão pressionar algumas cordas em determinadas casas, afim
desta combinacão de notas gerarem diferentes acordes.
A mão direita irá tocar as cordas, com movimentos alternados para baixo e para cima,
gerando assim diferentes levadas que caracterizam diversos ritmos musicais.
A mão direita poderá ser usada também para fazer arpejos (ou
popularmente chamado dedilhado) nos acordes, com o uso dos dedos
polegar (p), indicador (i), médio (m) e anelar (a). O dedilhado é um
outro tipo de acompanhamento musical aplicado para execução dos
acordes.

− EXERCÍCIOS PRELIMINARES

EXERCÍCIO 1

I III
e VI I
(casas do instrumento)

Sugestão de repertório:
Refrão de “Palpite” (Vanessa Rangel)
EXERCÍCIO 2

a /
EXERCÍCIO 3

e ı
Sugestão de repertório:
“Te Ver” (Skank)
"La Bella Luna" (Paralamas do Sucesso)
Capítulo 08 – Cifras e Levadas

− CIFRAS

Já vimos anteriormente que os acordes são formados por combinação de notas. Existe uma
teoria por trás da construção deles, contudo, antes de partirmos para tal conhecimento, vamos
iniciar estudando os acordes através da prática, memorizando as posições para os diferentes
acordes. Para isso, é importante conhecer como são nomeados e classificados os diferentes
tipos de acordes.
Os acordes são classificados em quatro tipos14,.Para esse primeiro momento, praticaremos
com mais frequência os acordes maiores e menores.
Para nomeá-los usamos as sete primeiras letras do alfabeto, cada uma correspondendo a
uma nota musical:

A B C D E F G

Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol

As cifras são símbolos usados para indicar o nome e o tipo dos acordes, além de notas
extras que são acrescentadas à eles15, como veremos mais adiante. Por exemplo, quando
queremos representar um acorde de Dó maior, usamos a cifra C, pois a característica do
acorde “maior” já está implícito na cifragem. Já para o acorde de Dó menor, usamos a cifra
Cm, em que a letra “m” indica que o acorde é do tipo menor.

EXEMPLOS:

c C
(Dó maior)

14
Maiores, menores, aumentados e diminutos.
15
Essas notas acrescentadas são representadas através de números, que significam diferentes intervalos
musicais.
− LEVADAS

As levadas são combinações de movimentos da mão direita com diferentes durações desses
movimentos, caracterizando assim diferentes ritmos ou gêneros musicais. Esses movimentos
são para baixo e para cima, e os ritmos surgem a partir da distância temporal entre esses
movimentos.
Na verdade, muito mais que apenas os movimentos da mão direita, o ritmo possui outras
características também, como deixar o acorde soando ou abafar as cordas, que pode ser tanto
com a mão direita quanto com a mão esquerda.
Para começo dos nossos estudos, focaremos apenas na combinação dos
movimentos, pois eles são essenciais para o estudo inicial dos ritmos.
Contudo, é importante que o estudante procure perceber outras
características dos ritmos, assim como algumas possíveis variações que
poderão surgir.

Por exemplo, um ritmo para músicas lentas, que neste método chamarei de “Balada”,
possui a seguinte combinação de movimentos:

g---g--f-fg-g---
Ao longo da experiência com outras músicas, você irá perceber que as levadas possuem
diferentes variações, com mais ou menos movimentos. Contudo, as ideias básicas que serão
aqui apresentadas se fazem presente.
Outra levada que será bastante comum para o repertório inicial, é a “Pop-Rock”. Veja
abaixo como é a combinação de movimentos para essa levada.

g-gf-fg-

Importante notar que as levadas podes ser aplicadas em vários tipos de música, sendo assim
chamadas apenas como uma forma de facilitar o aprendizado. A escolha desses nomes se
deu pelo fato de ser comum nestes tipos de músicas.
• Revisão de acordes

e aı/ E A B7
(Si maior
Bm
(Mi maior) (Lá maior) (Si menor)16
com 7)

16
A cifra real do acorde de Si menor é Bm7 pois o acorde possui a nota que corresponde ao 7. Contudo, por ter
a sétima no acorde, ele não deixa de ser um acorde menor, podendo essa posição ser usada onde a cifra seja
apenas Bm.
Capítulo 09 – Primeiros acordes (corda solta)

Esta primeira etapa no estudo dos acordes será através das posições que utilizam
cordas soltas. O conhecimento destas posições serão fundamentais para a descoberta de
outros acordes em momento posterior, além de serem tecnicamente mais fáceis.
A sequência dos acordes aqui apresentados segue uma lógica muito mais técnica-
rática do que teórica. Não é necessário um conhecimento prévio das notas que compõe o
acorde, assim como o conhecimento teórico de sua formação, sendo o método abordado a
partir da intuição visual da representação dos acordes. Contudo, será relevante e muito mais
completo se o professor estimular o aluno a perceber as notas que compõem os acordes, pois
isso agregará mais conhecimento prévio para estudos mais avançados ao instrumento.
Com o conhecimento destes primeiros acordes o aluno já estará apto a tocar um vasto
repertório.
Ao final do capítulo, há um espaço que o aluno juntamente com o professor poderá
sugerir um repertório complementar para o estudo dos acordes na diferentes etapas do
desenvolvimento. É interessante esta listagem para o aluno perceber a quantidade de músicas
que poderá ser aprendida com o uso destes acordes, assim como também possuir uma meta de
rendimento.
• D (Ré MAIOR)

− EXERCÍCIOS
d
1) A Bm D A

2) E D A E

3) A E D A

Sugestão de repertório:
"What's Up" (4 Non Blondes)
"Sou Dela" (Nando Reis)
Refrão de "O Sol" (Jota Quest)
• G (SOL MAIOR)

− EXERCÍCIOS
g
1) D ‘ G ‘

2) A E G D

Sugestão de repertório:
"Flores" (Titãs)
"O Sol" (Jota Quest)
• Am (LÁ MENOR) e C (DÓ MAIOR)

A Am
c C

− EXERCÍCIOS

Am C G ‘

G D C Am

Sugestão de repertório:
"Acima do Sol" (Skank)
"Pescador de Ilusões" (O Rappa)
"Linger" (The Cramberries)
"Knocking on the Heavens Door" (Bob Dylan)
"Sweet Child O' Mine" (Guns N' Roses)
"Lenha" (Zeca Baleiro)
"Riptide" (Vance Joy)
• Dm (RÉ MENOR)

− EXERCÍCIOS
D
A E D Dm

Dm C Am ‘

Sugestão de repertório:
Refrão de "Meu Erro" (Paralamas do Sucesso)
"Ainda é Cedo" (Legião Urbana)
• Em (MI MENOR)

− EXERCÍCIOS
E
Em ‘ A ‘

G Em Am D

G D Em C

Sugestão de repertório:
"Comida" (Titãs)
"Stand by Me" (Ben E. King)
"Last Kiss" (Pearl Jam)
"Garota Nacional" (Skank)
Capítulo 10 – Pestana

Nesta etapa os acordes apresentados serão baseados nos formatos anteriores (corda
solta) através do deslocamento ao longo do braço do violão. Este deslocamento exigirá o uso
da técnica de pestana como o dedo indicador17.
A pestana é um recurso técnico do violão que consiste no uso do dedo pressionando
mais de uma corda ao mesmo tempo, geralmente numa mesma casa. Isso permite que mais
notas sejam tocas com uso de apenas um dedo, já que o uso de apenas quatro dedos da mão
esquerda é uma limitação própria do instrumento.
Um aspecto interessante desta etapa é o exercício e a teorização de conceitos musicais
de tom e semitom, além das alterações musicais (sustenido e bemol), já que a pestana exigirá
o uso destes elementos.
Após a conclusão desta etapa o aluno ampliará consideravelmente o repertório
executável para acompanhamento do mais diversos tipos de música.

17
O uso do dedo indicador para fazer pestana é o mais comum. Contudo, outros dedos poderão ser utilizados
também para execução de passagens mais específicas e geralmente tecnicamente mais avançadas.
• Bm (SI MENOR)

− EXERCÍCIOS

Bm ‘ A ‘

A C#m D Dm

D#m ‘ C#m ‘

Sugestão de repertório:
"Quero ser feliz também" (Natiruts)
"Tempo Perdido" (Legião Urbana)
• F (FÁ MAIOR) e Fm (FÁ MENOR)

− EXERCÍCIOS

Bm ‘ F# ‘

Am G F G

D F# G Gm

A E F#m D

Sugestão de repertório:
"Hotel California" (The Eagles)
"Será" (Legião Urbana)
“Imagine” (John Lennon)
“Let It Be” (The Beatles)
“Sitting Waiting Wishing” (Jack Johnson)
“Upside Down” (Jack Johnson)
"Vamos Fugir" (Versão Skank)
"Vou deixar" (Skank)
“É Preciso Saber Viver” (Titãs)
• B (SI MAIOR)

− EXERCÍCIOS

B A E ‘

C G Bb F

Em D C B

Sugestão de repertório:
"So Far Away" (Dire Straits)
"Por Onde Andei" (Nando Reis)
“Hit The Road Jack” (Ray Charles)
“Feeling Good” (Nina Simone)
• D (RÉ MAIOR)
Esse formato de acorde é baseado no C (Dó maior). Este não é um formato
obrigatório para o acorde de D (Ré maior) ou outros possíveis, por exemplo. Contudo,
facilitará em algumas situações particulares, de progressões envolvendo acordes invertidos
(este assunto será abordado posteriormente).

− EXERCÍCIOS

D ‘ Bm ‘

D ‘ F# ‘

Sugestão de repertório:
“Better Together” (Jack Johnson)
“Under The Bridge” (Red Hot Chilli Peppers)

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A proposta desta apostila é ser uma introdução do estudo prático do violão. Ao final
desta primeira etapa, o aluno deverá ter desenvolvido o domínio das notas na primeira região
do braço do instrumento, assim como também os acordes básicos que contempla um vasto
repertório.
Para dar continuidade no estudo e aprofundamento do violão, o estudante deverá dar
continuidade com a descoberta das notas em outras regiões do instrumento, na parte de leitura
melódica, e nos acordes mais elaborados (levando-se em consideração a teoria da formação
dos acordes) além do uso das inversões.

BONS ESTUDOS!
REFERÊNCIAS

DUDEQUE, Norton Eloy. História do Violão. Curitiba: Ed. Da UFPR, 1994.

Grove’s Dictionary of Music and Musicians. London: MacMillian & COLTD. New York:
St. Martin’s Press. 1954.

The New Grove: Dictionary of Music and Musicians. Macmillan Publisher Limited, 1980,
2001e 2003.

SITES

DELCAMP, Jean-François. Free scores for classical guitar. Disponível em:


http://www.delcamp.net/jeanfrancoisdelcamp.html. Data de acesso: 13/01/2017

EYTHORSSON, Sveinn. The guitar school. Disponível em: https://classical-guitar-


school.com. Data de acesso: 04/01/2018.

SANCHEZ, Rocio. La Historia de la Guitarra. Disponível em:


http://lahistoriadelaguitarr.blogspot.com.br/2013/03/la-guitarra-renacentista.html. Data de
acesso: 13/01/2017