Você está na página 1de 8

MAXMES

EVOLUÇÃO DO
CONCEITO DE
MES

White Paper Maxmes # 01


07/2009

MAXMES www.maxmes.com.br
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

1.0 Introdução

O objetivo deste paper é acompanhar a evolução do conceito de MES


(Manufacturing Execution System) desde sua criação em 1990 até os dias
de hoje. O termo “MES” foi cunhado em 1990 pela AMR Research, uma
A AMR Research conceituou o empresa fundada em 1986 para prover serviços de orientação e pesquisas
MES em 1990 como um sistema de para diversas áreas da indústria. Este primeiro conceito caracterizou o MES
informação que residia entre a como uma classe de sistemas de informação que reside na camada de
automação e o ERP software que fica entre os sistemas de automação no chão de fábrica e os
sistemas corporativos da companhia (ERP).
Em 1997 a MESA International (Manufacturing Enterprise Solutions
Association), entidade mundial sem fins lucrativos que congrega uma
comunidade de indústrias e provedores de soluções de hardware e
software apresentou sua definição para MES, em sintonia com o conceito
da AMR.
Passados 7 anos, em 2004, a MESA apresentou uma extensão ao conceito
original do MES, em um modelo chamado de “Collaborative MES Model” ou
c-MES. Este modelo é definido por uma estratégia denominada de
“Collaborative Manufacturing” na qual todas as organizações e indivíduos
tanto internos quanto externos a uma corporação trabalham juntos.
A International Society of Automation (ISA) é uma organização global sem
fins lucrativos fundada em 1945 com o objetivo de emitir padrões para
automação. Dentre estes encontra-se a famosa norma ISA-95, composta por
várias partes com o objetivo de prover integração entre os ERPs e o
sistemas de controle. As partes 4 (ainda em draft) e 5 desta norma
estabelecem respectivamente fluxos de dados e protocolos de trocas de
informações, também no caminho da integração.
Finalmente a ARC Advisory Group, empresa fundada em 1986 para
pesquisa e orientação em manufatura, energia e soluções de supply chain,
propôs um modelo denominado de “Collaborative Manufacturing
Management (CMM)”, onde define uma visão holística da manufatura,
incluindo toda a sua complexidade de interações, suas aplicações e
processos.
Como se pode ver, as maiores entidades internacionais na divulgação de
conceitos, normas, modelos e idéias sobre MES convergem para um
mesmo ponto, que é a integração dos sistemas de execução da manufatura
com toda a cadeia de supply de chain de uma forma colaborativa.

2009 Maxmes 1
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

2.0 Conceito da MESA

O primeiro conceito de MES mais adotado pela comunidade foi proposto


pela MESA International em 1997 em um de seus primeiros white papers,
conforme explicado a seguir.
O conceito de MES que começou a
Manufacturing Execution Systems (MES) gerenciam informações que
ser mais utilizado foi proposto por
um white paper da MESA,
envolvem a otimização de atividades de produção desde o início de uma
juntamento com seu modelo ordem de produção até os produtos acabados.
funcional Usando dados atuais e confiáveis o MES guia, inicia, responde para e
reporta as atividades da planta da forma como elas ocorrem. O resultado é
uma resposta rápida para as mudanças de condições, combinada com um
foco na redução das atividades que não agregam valor, direcionando-o para
os processos e operações mais importantes da planta. MES potencializa o
retorno dos ativos operacionais como também o tempo de entrega,
rotatividade de inventário e melhores resultados de margem bruta e fluxo
de caixa. MES provê informação de missão-crítica sobre as atividades de
produção através da corporação e da cadeia de suprimento em uma via bi-
direcional.

Este white paper da MESA definiu um Modelo Funcional de


MES que possuia 11 funcionalidades, conforme mostrado
no desenho da figura 1. São elas: Alocação de Recursos,
Programação Detalhada, Distribuição de Unidades de
Produção, Controle de Documentação, Gerenciamento do
Trabalho, Gerenciamento de Qualidade, Gerenciamento do
Processo, Gerenciamento da Manutenção, Rastreabilidade
& Genealogia de Produtos e Análise de Desempenho. Para
cada funcionalidade foram listadas as funções que um
MES deveria ter. As funções do MES estão dentro do
hexágono em cinza, conectando-se com as funções
externas. Os Controles referem-se a automação do chão
de fábrica. Vendas, Planejamento de Recursos e
Engenharia de Produto/Processo são pertinentes a
camada do nível corporativo da indústria. Somente uma
conexão é atribuída à integração com o Gerenciamento de
Supply Chain.
O objetivo destes conceitos foi o de começar a organizar a
elaboração de soluções e produtos de MES que estavam
iniciando na época sua entrada no mercado. Neste período
era uma prática comum confrontar as funções de um MES
Fig 1 – Modelo Funcional de MES-1997 com esta definição para verificar se o sistema estava
desempenhando o papel para o qual foi criado.

2009 Maxmes 2
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

3.0 Conceito Revisitado da MESA

O conceito revisitado do MES pela MESA está ligado a Manufatura


Colaborativa, uma estratégia para permitir que indivíduos e organizações
trabalhem juntos para obterem vantagens mútuas. A Manufatura
Colaborativa permite que múltiplos grupos ajam de forma integrada,
definindo planos e políticas, aderindo à ações e executando operações.
Permite uma maior agilidade e é centrada no cliente. Mas esta estratégia
requer que os processos de negócio necessitem mais entradas e interações
que os processos tradicionais. Para suportar a Manufatura Colaborativa os
C-MES provê melhor controle sistemas de informação devem integrar e agregar informações através dos
sobre as operações como também negócios da manufatura e também dos seus fornecedores, parceiros
melhor visibilidade dos valores comerciais e clientes. Deverá ter meios para inteligentemente distribuir esta
dos processos de manufatura nas informação através das várias entidades de negócio.
empresas e na cadeia de
suprimentos O conceito revisitado de MES pela MESA é conhecido como c-MES ou
Collaborative Manufacturing Execution Systems. Estes sistemas combinam
as funcionalidades anteriores com a habilidade para se integrar com outros
sistemas e pessoas na empresa e com valores da cadeia de suprimentos.

Collaborative Execution Systems ou c-MES incluem oito


grupos de funções que interagem com outros sistemas e
pessoas tanto internamente na empresa quanto
externamente na cadeia de suprimetos. Isso é mostrado na
figura 2. As funções são:
1- Alocação de Recursos
2- Distribuição de Unidades de Produção
3- Coleta e Aquisição de Dados
4- Gerenciamento do trabalho
5- Gerenciamento da Qualidade
6- Gerenciamento do Processo
7- Rastreabilidade & Genealogia de Produtos
8- Análise de Desempenho
Estas funções alcançam a operação na planta e podem ser
coordenadas entre diversas plantas. O objetivo do c-MES é
prover melhores práticas de controle sobre as operações
como também melhor visibilidade dos valores do
processos da manufatura nas empresas e na cadeia de
Fig 2 – Novo Modelo Funcional de MES-2004 suprimentos.

2009 Maxmes 3
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

4.0 A Norma ISA-95

A Norma ISA-95 pode ser encarada como um método, ou uma maneira de


trabalhar e de se pensar. Este método é descrito em diversos documentos
ou partes, cada um com centenas de páginas. Contém modelos e
terminologia para auxiliar na análise de uma companhia manufatureira.
Cada um dos modelos focam em específicos aspectos de integração. A
parte 1 define modelos e terminologia através de um modelo funcional e um
A Norma ISA-95 não é um sistema modelo de equipamentos para a planta, ambos de estrutura hierárquica. A
de automação, mas um método, parte 2 propõe um modelo de objetos com todos os seus atributos para
uma maneira de trabalhar, pensar permitir a integração entre ERPs e Sistemas de Controle. A parte 3 contém
e se comunicar
as atividades do Modelo de Operações da Manufatura (MOM), mostrado na
fig 3. Contém todas as boas práticas que devem ser aplicadas ao controle
da manufatura nas categorias de Produção, Manutenção, Qualidade e
Inventário. A parte 4 propõe uma padronização de fluxos de dados entre
ERPs e Sistemas MES, incluindo sistemas de manutenção, de
armazenamento (WMS) e de laboratório (LIMS). Finalmente a parte 5
descreve uma espécie de protocolo para pemitir a troca de informações
definida na parte 4.

A Norma ISA-95 não traz explicitamente uma


definição de MES, mas pode-se dizer que ela é a
Detailed
scheduling
própria definição, pois apresenta modelos que
poderão ser usados para se construir Sistemas
MES. O Modelo de Operações da Manufatura da
parte 3 traz um modelo genérico de atividades
Resource que pode ser aplicado a qualquer tipo de
Tracking
management processo industrial. O modelo, mostrado na
figura 3, é o mesmo para as 4 categorias de
Produção, Manutenção, Qualidade e Inventário.
Para cada categoria e atividade há uma definição
Dispatching Analysis similar e uma lista diferente de tarefas que cada
uma deve cumprir. Mas as definições das
atividades e tarefas podem ser aplicadas a
qualquer processo, pois dizem respeito ao
Definition Data
controle e não ao processo em si.
management collection
A Norma ISA-95 possui um grande nível de
detalhe e permite seu uso para fazer-se uma
avaliação de maturidade do controle da
Execution
manufatura em uma indústria. São feitos
levantamentos na empresa para se determinar os
gaps que existem entre o que é praticado e o que
é proposto pela norma.
Fig 3 – Atividades do Modelo de Operações da Manufatura

2009 Maxmes 4
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

5.0 Gerenciamento da Manufatura Colaborativa

Uma visão holístia da manufatura, a Collaborative Manufacturing


Management (CMM) provê uma maneira de se pensar sobre as complexas
interações, aplicações e processos de uma manufatura. A ARC é a única
empresa a representar o CMM através de 3 eixos, que são o coração do
modelo. CMM alavanca novas tecnologias para construir relacionamentos
robustos com parceiros comerciais. Ele enfatiza o Business Process Model
CMM provê uma visão holística da (BPM) para prover desempenho operacional e competitivo. CMM junta
manufatura, representando em manufatura interna e processos de negócios e os conecta de forma
cada nó da mesma 3 eixos que o sincronizada com processos de negócios externos de clientes e parceiros
atravessam: empresa, cadeia de
estratégicos.
valor e ciclo de vida
Reconhecendo que hoje a indústria precisa operar com a informação em
tempo real, CMM provê um enfoque holístico para as operações e
processos. CMM reconhece que cada situação da manufatura é única e
depende de fatores como indústria, tamanho, técnica de manufatura,
degrau de verticalização, mix do cliente consumidor ou industrial,
competidores e outros. O conceito de Collaborative Manufacturing reflete
a necessidade da manufatura de ser mais
conectada internamente e mais flexível, ágil e de
rápida resposta. Uma rede de manufatura
colaborativa consiste de nós de manufatura
conectados por material, informação e fluxos de
processo. Cada nó engloba 3 eixos: Empresa,
Cadeia de Valor e Ciclo de Vida. Acima do plano
central estão as funções de negócio. Abaixo
estão as funções de produção, em geral
executadas através de um número de processos
manuais e sistemas legados. Estas serão
suportadas por componentes colaborativos
capazes de orquestrar as funções como em um
concerto, com os objetivos de negócio do nó e a
dinâmica competitiva das cadeias de valores, nas
quais o nó ou a empresa participam.
A ARC e o modelo CMM definem os
requerimentos para um sistema de informações
que possam endereçar os elementos chaves da
manufatura colaborativa. O modelo também
reconhece a necessidade para suportar a
Fig 4 – Collaborative Manufacturing Management execução interna e terceirizada de todas as
atividades da empresa através da definição de
soluções para diferentes unidades funcionais e
para uma cadeia de suprimentos estendida.

2009 Maxmes 5
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

6.0 Resumo e Conclusões

O primeiro conceito de Manufacturing Execution System (MES) foi criado


pela AMR Research em 1990, como uma camada de software entre a
automação e o ERP que representava uma espécie de terra de ninguém.
Passados 7 anos, a MESA International conceitou melhor o termo e listou
as 11 funcionalidades requeridas para o MES.
Todas as entidades responsáveis A partir de 1995 a ISA começou a emitir os drafts da sua norma ISA-95,
pela conceituação e padronização definindo os níveis das camadas de software (4-ERP; 3-MES; 2,1,0-
do MES concordam que seu novo Automação) e propondo vários modelos e terminologias para serem
conceito o coloca como parte da utilizados nos sistemas do tipo MES.
integração de toda a cadeia de
suprimentos A partir de 2004 a abrangência do MES, que antes estava restrita ao espaço
entre a automação e o ERP agora começa a ser estendida para uma
conectividade com fornecedores, parceiros e clientes, dentro do modelo da
Manufatura Colaborativa. A MESA revisitou seu conceito de MES e a ARC
introduziu 3 eixos dentro do modelo do CMM. A ISA-95 em suas partes 4 e 5
mostra que também se preocupou com a questão da integração de todas as
funções do MES.
Para finalizar a evolução dos conceitos de MES, resta uma pergunta: como
será possível tamanha integração de entidades diferentes, já que existe um
sem número de softwares, soluções e produtos e outro sem número de
plataformas, linguagens e sistemas operacionais?
A resposta a esta pergunta parece estar em uma arquitetura de
programação que vem tomando força no mercado e sendo perseguida
pelos fabricantes de software: o SOA (Service Oriented Architecture). Esta
arquitetura provê um conjunto de princípios de governança de conceitos e
mudanças para a integração de sistemas. De forma prática, o SOA irá
permitir que implementemos uma solução usando serviços de diferentes
produtos, orquestrados por uma linguagem tipo BPM (Business Process
Model). Isso quebra o paradigma da aplicação ou produto como um
monobloco e abre espaço para uma solução centrada no negócio e não na
aplicação.
Com a evolução dos produtos para MES e da arquitetura SOA é possível
que consigamos desenvolver soluções totalmente aderentes ao novos
conceitos do MES.

2009 Maxmes 6
Evolução do Conceito de MES White Paper 07/2009

7.0 Referências

Swanton, B. 1995. MES Five Years Later: Prelude To Phase III – AMR Research
Mesa. 1997. MES Explained: A High Level View . White Paper Number 6,
Manufacturing Enterprise Solutions Association, Pittsburgh.

Mesa. 2004. Collaborative Manufacturing Explained. White Paper Number 9,


Manufacturing Enterprise Solutions Association, Pittsburgh.

Mesa. 2004. MESA’s Next Generation Collaborative MES Model. White Paper Number 8,
Manufacturing Enterprise Solutions Association, Pittsburgh.

Isa. 2000. Ansi/isa-95.00.01-2000, enterprise control system integration, part 1: Models and
terminology.

Isa. 2005a. Ansi/isa-95.00.03-2005, enterprise control system integration, part 3: Activity models of
manufacturing operations management.

Isa. 2005b. Ansi/isa-95.00.04-2005, draft: Enterprise control system integration, part 4: Object models
and attributes for manufacturing operations management.

ARC Reference Sheet. Collaborative Manufacturing Management – Contemporary Manufacturing


Concepts, Terminology, and Architecture.

2009 Maxmes 7

Você também pode gostar