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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010 I Série

Número 24

BOLETIM OFICIAL
SUPLEMENTO
SUMÁRIO

CONSELHO DE MINISTROS:

Decreto-Legislativo nº 7/2010:

Aprova o Código do Processo Civil de Cabo Verde.

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CONSELHO DE MINISTROS a pretensão regularmente deduzida em juízo, de requerer,


sem entraves desrazoáveis ou injustificados uma provi-
–––––– dência provisória, quer conservatória, quer antecipatória
que se mostre mais adequada a acautelar ou a assegurar
Decreto-Legislativo nº 7/2010 o efeito útil da acção e de fazer executar a decisão judicial
de 1 de Julho proferida e não espontaneamente acatada.

Vigora entre nós o Código do Processo Civil, mandado O direito de acesso aos tribunais envolveu ainda o
aplicar a Cabo Verde pela Portaria n.º 19.035, de 30 de estabelecimento de um regime processual que propende
Julho de 1962, com as sucessivas alterações nela opera- pela eliminação de obstáculos injustificados à obtenção
das, até à presente data. de uma decisão de mérito.
Com a mesma preocupação de se privilegiar a pro-
A vetustez desse Código, a par da dispersão das suas
lação de decisões de mérito sobre as que se debruçam
inúmeras alterações, a mais das vezes não acessíveis aos
simplesmente sobre questões de forma, consagrou-se
utentes da justiça por inexistência de uma compilação
a regra segundo a qual a falta de pressupostos proces-
credível, tornam inseguro o conhecimento da globalida-
suais deve, tendencialmente, ser passível de sanação.
de dos mecanismos normativos que estão destinados à
Vem estabelecido mais, como um dos princípios gerais
composição dos interesses em disputa, o que constitui,
do processo, o da adequação, facultando-se ao juiz, sem-
razão suficiente para que se proceda a uma (re)codificação
pre que a tramitação processual prevista na lei não se
das formas e trâmites legais que servem de instrumento
adapte com perfeição às concretas exigências da acção
para a confirmação e efectivação dos direitos e interesses
proposta, a possibilidade de conformar o processado à
tutelados por lei.
especificidade da causa, através da prática dos actos que
A isso acresce que a proclamação da Independência melhor propiciem o apuramento da verdade e o acerto
Nacional, donde resultou, naturalmente, a atribuição da decisão, prescindindo-se dos que se revelem inidóneos
aos órgãos pátrios de soberania da exclusiva legitimidade para o fim do processo.
para regular os sistemas de resolução dos conflitos de Atribuiu-se o devido realce ao princípio do contraditório,
interesses, complementada com a subsequente assumpção envolvendo, no seu corolário, a proibição de decisões sur-
constitucional do direito de acesso à Justiça, vertida no presa, com o estabelecimento da regra segundo a qual
artigo 22º da Lei Fundamental de 1992, reforçam e são de nenhuma pretensão pode ser apreciada sem que à outra
resto a razão primacial a imporem uma ingente reforma parte seja facultada oportunidade de deduzir oposição.
processual civil.
Do mesmo passo reafirmou-se a necessidade da insta-
É neste contexto que o Programa do Governo para o lação da controvérsia perante um juiz, com a inequívoca
mandato 2006/2011 elegeu como uma das prioridades da assumpção do clássico princípio do dispositivo, assente
sua agenda legislativa a alteração das regras processuais na ideia de que o tribunal não pode resolver o conflito
civis ora vigentes, tornando-as “mais leves, desburocra- de interesses que a acção pressupõe realizar, sem que a
tizadas e de acessibilidade imediata”. resolução lhe seja pedida por uma das partes.
Tendo sido conferida ao Governo, através da Lei n.º Enfatizaram-se, como fundamentos, estruturantes, do
55/VII/2010, de 8 de Março, a necessária autorização processo civil nas suas diferentes fases, os princípios da
legislativa para intervir na matéria, o presente Decreto- igualdade de armas e da cooperação, esta numa vertente
Legislativo vem concretizar essa pretensão. tripartida, abarcando as duas partes e o tribunal.
Com a aprovação deste Código do Processo Civil pre- Na densificação do princípio de igualdade, o Ministério
tende-se a edificação de um regime de administração da Público, enquanto na veste constitucional de represen-
justiça cível, através de um mecanismo instrumental que tante do Estado, passou a estar reservado, no processo
busca a perseguição da verdade material, aposta numa das partes civis, a um papel absolutamente idêntico ao
leal e sã cooperação de todos os operadores judiciários e que é atribuído a qualquer outro sujeito de direito com
põe à disposição dos cidadãos e das empresas uma ferra- intervenção na acção.
menta que se espera adequada a se alcançar, de maneira
Na decorrência desta linha de orientação:
rápida e segura, a resolução dos conflitos que a dinâmica
do comércio jurídico inevitavelmente engendra. - Facultou-se a qualquer dos outros sujeitos
processuais a possibilidade de requerer e obter
Na consecução desse propósito deu-se a devida den- prorrogação do prazo para contestar, em termos
sificação normativa à garantia fundamental do direito paralelos e por período idêntico ao que se venha
de acção judicial, com o enunciado inequívoco de que a a possibilitar ao Ministério Público, enquanto
todos é assegurado, através dos tribunais, o direito a uma parte em representação do Estado.
protecção jurídica eficaz e temporalmente adequada.
- Procedeu-se à consagração de um igual regime
Tal garantia constitucional implicou, por outro lado, da operância da revelia e do seu consequente
a reconfirmação do direito de defesa, sem limitações ou efeito cominatório semi-pleno quando o réu,
entraves advenientes da condição social ou económica dos sendo uma pessoa colectiva deixe de contestar
utentes da justiça e o direito a obter, em prazo razoável, a acção, não importando que seja aquela de
uma decisão judicial que aprecie com força de caso julgado natureza privada ou pública.

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Na densificação do princípio da cooperação, como uma Estabeleceu-se a possibilidade de dilação do prazo


das pedras angulares do processo civil, reformulou-se o destinado a reagir à citação, atendendo a dispersão do
dever de boa fé processual, sancionando-se como litigan- território e bem assim da prorrogação do prazo para
te de má fé a parte que, não só nos casos em que tenha apresentação da contestação e dos articulados a ela
agido com dolo, mas também naqueles que patenteiam subsequentes.
negligência grave, deduza pretensão ou oposição mani-
festamente infundadas, altere, por acção ou omissão, a Mantiveram-se entretanto inalterados os prazos ora
verdade dos factos relevantes, pratique omissão indes- existentes para os actos dos juízes, expediente das secre-
culpável do dever de cooperação ou faça uso reprovável tarias e para as diligências externas a cargo dos oficiais
dos instrumentos adjectivos. de justiça, mas a sua expressa limitação no que se refere
às providências cautelares.
Permitiu-se o suprimento oficioso de qualquer excepção
dilatória quando o pressuposto processual em falta se des- No referente às vicissitudes da instância ficou substan-
tinar à tutela do interesse de uma das partes e nenhuma cialmente diminuído o prazo em que se opera a extinção
outra circunstância obstar a que se conheça do mérito da instância por deserção de parte e consagrou-se como
da causa e a decisão a proferir for favorável à parte em um modo mais de extinção da instância a conciliação
cujo interesse o pressuposto fora estabelecido. Outros- judicial das partes. Aproveitou-se a ocasião entretanto
sim, considerou-se passível do conhecimento oficioso a para regulamentar os momentos e trâmites da diligência
incompetência territorial, compaginando deste modo a judicial destinada a procurar a conciliação das partes,
prática forense, da remessa do processo para o tribunal determinando-se que não pode ser marcada audiência
considerado competente sempre que ocorra alteração na com esse exclusivo efeito, mais do que uma vez.
estrutura judiciária.
De realce ainda o estabelecimento de um regime que
No referente à prática de actos processuais, seja pelo permite às partes, acordar em qualquer estado da causa
tribunal, seja pelas partes e demais intervenientes pro- que a decisão de toda ou parte dela seja submetida a um
cessuais, permeabilizou-se o quotidiano da actividade ou mais árbitros da sua escolha nos termos da respectiva
judicial às modernas tecnologias que a sociedade da lei.
informação faculta, estabelecendo-se a permissibilidade
Procedeu-se à reestruturação do instituto processual
da utilização dos meios informáticos no tratamento e
da intervenção de terceiros, quer a nível sistemático,
execução de quaisquer actos ou peças processuais e con-
quer em termos substanciais, de modo a evitar a sobre-
sagrou-se a possibilidade de se efectuar a distribuição
posição dos campos de aplicação dos diferentes tipos
automática dos processos entrados nos tribunais por
de intervenção previstos na lei. Em particular, com a
meios informáticos desde que garantida a aleatoriedade
preocupação da articulação de tais incidentes em função
e a transparência do acto.
do interesse em intervir que os legitima, dos poderes e
Foram delineados em novos moldes as funções pro- do estatuto processual conferidos ao interveniente e da
cessuais das secretarias judiciais, de modo a que elas qualidade (terceiro ou parte primitiva) de quem suscita
fiquem incumbidas da realização oficiosa das diligências a intervenção (espontânea ou provocada) na lide.
necessárias a que o fim daqueles seja pronta e exausti-
Procedeu-se à revisão da regulamentação da justiça
vamente alcançado.
cautelar com a expressa consagração da garantia penal
Alargou-se o âmbito territorial da competência dos do cumprimento das providências cautelares decretadas,
oficiais de justiça, para além das respectivas comarcas, fazendo incorrer o agente faltoso em crime de desobedi-
de forma a abranger quaisquer outras circunscrições ência qualificada, sem prejuízo das medidas adequadas
judiciais situadas dentro da mesma ilha. de execução coerciva cível.

Reconfirmou-se o regime de dispensa da autenticação Preconizou-se uma acção cautelar geral para a tute-
notarial para a passagem de procuração a advogado e la provisória de quaisquer situações que demandem o
reformulou-se o regime da renúncia do mandato judicial, decretamento das providências conservatórias ou an-
procurando-se alcançar solução entre a eventual inexigi- tecipatórias adequadas a remover o periculum in mora
bilidade ao mandatário de prosseguir com o patrocínio do concretamente verificado e a assegurar a efectividade
seu cliente e o interesse do autor em não ver o possível do direito ameaçado; que tanto pode ser um direito já
conflito entre o réu e o seu advogado repercutir-se nega- efectivamente existente, como uma situação jurídica
tivamente na celeridade do andamento da causa. emergente de sentença constitutiva, porventura ainda
não proferida.
Deu-se consagração oficial à prática forense da uti-
lização indiferenciada de qualquer das duas línguas Compatibilizou-se a exigência na adopção da provi-
oficiais do País, a saber: a língua materna cabo-verdiana dência cautelar com a do correspondente procedimento
e a língua portuguesa em todos os actos processuais de perante a justiça, designadamente pelo estabelecimento
natureza oral. de prazos máximos para a sua decisão, tanto na primeira
instância, como no Tribunal de recurso.
Temperou-se o tradicional princípio da contagem con-
tínua dos prazos, pelo regime do seu curso mesmo nas Procedeu-se à reformulação das actuais providências
férias judiciais, mitigando-o com a sua suspensão aos não especificadas, designadamente com a eliminação da
sábados, domingos e dias feriados. proibição do arresto contra comerciantes; derrogação de

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limitações ao uso de meios probatórios ou imposição de Estabeleceu-se, porém, o regime da obrigatoriedade da


efeitos cominatórios plenos desproporcionados, maxime realização de uma audiência, intercalar, nesta ocasião,
no âmbito dos alimentos provisórios, limitação da prer- com o preciso objecto de se evitar a tomada de decisões
rogativa do Estado e autarquias locais no que se refere surpresa.
ao embargo de obras ilegalmente efectuadas por estas
entidades, apenas às que recaiam sobre terrenos do Do mesmo passo estabeleceu-se a obrigação da reali-
domínio público. zação, findos os articulados, de uma audiência destinada
ao julgamento antecipado, se o estado da causa assim
Instituiu-se a providência de arbitramento de reparação o permitir, em função das provas já produzidas ou se a
provisória para abranger os casos em que se trata de questão a apreciar for apenas de direito.
reparar provisoriamente o dano decorrente de morte ou
lesão corporal e também aqueles em que a pretensão Propugnando-se pelo máximo aproveitamento da
indemnizatória se funde em dano susceptível de pôr se- instância, estabeleceu-se, para os casos em que a causa
riamente em causa o sustento ou habitação do lesado. deva prosseguir, a continuação da audiência intercalar,
No tocante às formas e trâmites processuais, estabe- com a realização de um debate instrutório, destinado à
leceu-se: selecção, em contraditório, de quais os factos que devem
- A redução do processo comum de declaração a ser levados a julgamento para serem provados e quais os
uma única forma, estabelecendo-se contudo que desde então se têm por demonstrados; momento em
dentro desta forma única, para além da que as partes devem indicar as provas que pretendem
tradicionalmente decorrente da revelia produzir na audiência final.
absoluta do réu, a existência de uma variante
abreviada que faça transitar o processo, Conservaram-se os termos, meramente formais, da
directamente da fase dos articulados para a intitulada fase da instrução, uma vez que a indicação e
da audiência de discussão e julgamento, nos apresentação das provas passa a efectuar-se basicamen-
pedidos de condenação a prestação de coisa te, no decurso do debate instrutório e abraçou-se a linha
ou de facto de valor não superior à alçada do tradicional da regulamentação processual dessa fase de
tribunal de Comarca; instrução no que respeita à actividade preparatória da
- A atribuição ao juiz da causa da faculdade de produção de cada um dos meios de prova, nomeadamente
convocar as partes expressamente para a dos elencados na legislação substantiva.
procura da conciliação entre elas, logo que
instaurada a acção e antes da apresentação Prescreveu-se um regime de dispensa de confidenciali-
da defesa pelo réu, ou, não o tendo convocado dade, quando, oficiosamente ou a requerimento da parte
nessa ocasião, de proceder a tal esforço de interessada, o tribunal o considere essencial para o anda-
resolução amigável do litígio em qualquer mento do processo ou para a justa composição do litígio
outro momento processual, designadamente na concreta acção em juízo, com relação aos dados que se
na fase do saneador; encontrem na disponibilidade dos serviços administra-
- A diminuição dos articulados a apenas dois, salvo tivos, em suporte manual ou informático, respeitantes à
nos casos de reconvenção e de apresentação identificação, residência, profissão, entidade emprega-
de excepções à acção, situações casos em dora; e bem assim dos que permitam o apuramento da
que se admite a réplica e, eventualmente, a situação patrimonial de alguma das partes.
tréplica;
Proibiu-se, contudo, e de modo expresso, a possibilidade
- O alargamento da possibilidade de proferição do
despacho preliminar de aperfeiçoamento da de utilização dos dados obtidos nos moldes acabados de
contestação e da reconvenção; indicar para fins diferentes da acção em causa ou a sua
divulgação por quem quer que seja o interveniente no
- A mitigação das consequências pela não respectivo processo.
impugnação, ponto por ponto, de cada um
dos factos na contestação., considerando-se E estabeleceu-se a cominação penal pela violação desta
apenas admitidos por acordo aqueles que, regra proibitiva com a sua punição por crime de violação
omitidos, estiverem em manifesta contradição
de segredo de justiça.
com a defesa, no seu conjunto;
- A redução dos casos de inoperância da revelia, Como corolário do princípio da colaboração, estendeu-se
passando-se a considerar operante a falta de o dever de cooperação processual das partes a todos, se-
contestação por parte das pessoas colectivas jam ou não partes, na descoberta da verdade, colaborando
de qualquer natureza, incluindo o Estado. cada um no modo que lhe for solicitado; com a ressalva
Findos os articulados e depois de removidos os obstácu- do direito de recusa se a obediência importar violação
los ao regular funcionamento da instância, reconfirmou- da intimidade da vida familiar, dignidade humana,
se a passagem para a fase do saneador, com as seguintes sigilo profissional, segredo de Estado, ofensa à honra e
finalidades: dignidade da pessoa ou seus familiares, grave prejuízo
profissional ou patrimonial a alguma dessas pessoas.
- Conhecer das excepções que podem conduzir à
absolvição da instância; Cominou-se a recusa ilegítima de colaboração, com
- Decidir se procede alguma excepção dilatória ou multa, sem prejuízo da aplicação de outros meios san-
peremptória. cionatórios previstos noutras leis.

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Consagrou-se a obrigação de todos os depoimentos, quer No que concerne à prolação da sentença, manteve-se o
os prestados antecipadamente ou por carta, quer em audi- regime vigente da confinação da condenação aos termos
ência, serem registados por gravação áudio ou vídeo. do pedido, com as excepções relativas ao conhecimento
da situação realmente verificada nos pedidos de preven-
Salvaguardaram-se porém as situações em que se revelar ção, restituição ou de manutenção da posse, devido à
impossível a gravação, por não dispor o tribunal dos consagração da eliminação de uma acção especial com
meios necessários para o efeito e nenhuma das partes os esse propósito e nas acções, também especiais, de divór-
forneça, caso em que os depoimentos devem ser ditados cio no concernente à utilização da residência que à data
em acta pelo juiz. constitui casa de morada de família, havendo menores
ou incapazes dependentes do casal e de regulação do
Reconfirmou-se a possibilidade da tomada à distância
exercício do poder paternal dos filhos menores.
de quaisquer depoimentos em tempo real, com a utiliza-
ção de vídeo-conferência, nos termos regulados na Lei nº Procedeu-se a um sensível alargamento do poder juris-
54/VI/2005, de 10 de Janeiro. dicional do juiz da causa, permitindo-se-lhe, para além
das tradicionais situações relativas a obscuridades ou
Atribui-se ao tribunal um poder-dever de determinar, ambiguidades eventualmente contidas na sentença, a
oficiosamente, ou por sugestão das partes, a obtenção de possibilidade também da reforma desta, quando constem
documentos necessários à descoberta da verdade que se do processo documentos que só por si impliquem neces-
encontre em poder de terceiros. sariamente decisão diversa da que tiver sido proferida
Reformularam-se os preceitos respeitantes à prova pe- e que o juiz só por lapso manifesto não haja tomado em
ricial, pela adopção do regime regra de nomeação de um consideração.
único perito, salvo alguma complexidade da diligência, Na mesma linha, atribui-se à instância recorrida da
cabendo neste caso a escolha de um perito por cada parte faculdade de proceder à reparação das nulidades da sen-
e de um terceiro pelo tribunal. tença em recurso dela interposto, aplicando-se neste caso
o regime estabelecido na tramitação dos agravos.
Simplificou-se, na circunstância, o regime de impedi-
mentos, escusa e recusa. Quanto aos recursos procedeu-se ao encurtamento
dos seus trâmites e à introdução pela primeira vez no
Aperfeiçoou-se o regime de recolha da prova testemu- ordenamento jurídico nacional da espécie do recurso or-
nhal no que toca à capacidade, impedimentos e admissi- dinário de revista, naturalmente, a ser utilizado quando
bilidade de recusa legítima a depor, designadamente com estejam em funcionamento mais de dois graus de juris-
a eliminação da total inabilidade para depor por motivos dição comum com competência para a apreciação de uma
de ordem moral. mesma causa.
No que respeita à audiência final, destinada à discus- E no que concerne ao recurso para a 2ª instância,
são e ao julgamento da causa, optou-se, quanto ao modo manteve-se a dualidade do regime de impugnação, com
de composição do tribunal pelo sistema do julgamento, a preservação das duas modalidades de recurso ordinário
em primeira instância, com juiz singular, sem prejuízo - de apelação e de agravo - tendo sofrido, ambas, subs-
de cláusula reserva de julgamento em colectivo de juízes, tancias remodelações com a finalidade da simplificação
quando lei própria assim o estabelecer. dos respectivos trâmites.
Em coerência com a adopção do regime do alargamento Designadamente:
dos poderes do juiz e da preocupação com a prevalência na
obtenção de uma decisão de mérito prescreveu-se a pos- - Impondo-se um especial ónus a cargo do recorrente
sibilidade de o julgador proceder à ampliação da matéria de, nas suas conclusões, tomar posição clara
de facto a ser apreciada, em se tratando de factos instru- sobre as questões jurídicas que são objecto do
mentais ou mesmo de factos essenciais, não constantes recurso, sob pena da sua deserção;
do resultado do debate instrutório, mas que resultem da
- Possibilitando-se que a apelação interposta
discussão da causa no decurso da audiência final.
do julgamento antecipado que decide
Inovou-se mais nesta fase no sentido de dever o Juiz parcialmente do mérito da causa deixe
proferir o veredicto sobre a matéria de facto submetida de suspender o andamento desta, além
à sua apreciação na própria audiência de discussão e de que o prazo para contra-alegar começa
julgamento, ao invés de o relegar para a sentença, como expressamente com a notificação de que foi
até agora sucedia. apresentada a alegação do apelante;

Eliminou-se da tramitação processual do julgamento - Abreviando-se a resolução de questões que podem


a conclusão do processo ao Ministério Público com vista ser decididas sumariamente, acautelado pelo
à fiscalização do comportamento das partes e dos funcio- exercício pleno do contraditório;
nários da justiça que no regime ainda vigente antecede a -Eliminando-se o «visto» do Ministério Público nos
prolação da sentença, em homenagem à supradita regra recursos;
da igualdade das partes e da separação funcional das
competências institucionais, no âmbito da administração - Reformulando-se o sistema de vistos sucessivos
da justiça cível. aos juízes adjuntos da conferência ou secção,

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através da entrega simultânea de cópia E de uma outra perspectiva, da intervenção institucional,


das peças relevantes do processado para a preconizou-se a desjudicialização da acção executiva,
apreciação do recurso, acompanhada de um de molde a incumbir às secretarias judiciais o poder de
memorando do relator contendo o enunciado praticar todos os actos e diligências de execução que não
das questões a decidir e o seu projecto de sejam expressamente estabelecidos na lei como acto de
solução para o caso, com indicação sumária conteúdo jurisdicional.
dos respectivos fundamentos;
E para melhor clarificação ficou especialmente estabe-
- Restringindo-se os casos que, no recurso de agravo, lecida a ressalva que é da competência do juiz proferir o
devam ter subida imediata; despacho liminar da acção executiva, rejeitando, man-
dando aperfeiçoar, citar ou notificar o executado, mandar
- Dispensando-se o juiz recorrido do dever de reparar proceder à penhora dos bens deste; julgar a oposição à
o agravo, quando o respectivo recurso apenas execução e à penhora; decidir quaisquer questões de teor
tenha que subir a final e da obrigatoriedade de similar que lhe sejam directamente solicitadas pelo exe-
sustentação da sua decisão, quando entenda quente, executado e quaisquer outros intervenientes, bem
que o agravo não deve ser reparado. como as que lhe sejam apresentadas pela secretaria.

Procedeu-se à eliminação do recurso extraordinário de Alargou-se o elenco dos títulos executivos, em especial,
unificação de jurisprudência, por consabidas razões de conferindo-se força executiva aos documentos particula-
ordem constitucional e à remodelação das duas outras res, assinados pelo devedor, que importem constituição
espécies de recurso extraordinário até agora existentes, ou reconhecimento de obrigações pecuniárias, cujos
com a manutenção apenas do recurso de revisão, passan- montantes sejam determináveis em face do título, da
do esta a integrar, na sua tramitação, o actual recurso obrigação de entrega de quaisquer coisas móveis ou de
de oposição de terceiros que foi expurgado da condição prestação de facto determinado e ficaram previstas, como
de espécie recursal autónoma. circunstâncias novas em que os documentos autênticos
ou autenticados possam servir de títulos executivos, as
Não obstante, deu-se particular atenção ao reconheci- de neles se convencionarem obrigações futuras.
mento normativo da jurisprudência como fonte criadora
do direito, sem afastamento do princípio constitucional que Acautelando-se de uma eventual perversão da bondade
exclui do judiciário o poder normativo para a elaboração de de uma tal permissibilidade de dispensa da prévia pro-
regras gerais de imposição cogente à comunidade. ferição judicial da existência do crédito consubstanciado
em quirógrafo, atribui-se, entretanto, eficácia suspensiva
Por isso que, na busca de um critério minimamen- à acção executiva quando, fundando-se a execução em
te uniformizador, capaz de transmitir segurança aos escrito particular com assinatura não reconhecida, o
utentes da justiça, repristinou-se do direito processual embargante alegue a não autenticidade da assinatura.
anterior à Independência Nacional, a norma que permite
ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, por sua Prescreveu-se a possibilidade de cumulação de execu-
iniciativa, promoção dos demais juízes ou a requerimento ções ou de coligação de partes quando forem os mesmos,
de parte, a convolação da conferencia, numa reunião em o grupo credor ou o grupo devedor, com a determinação
pleno dos juízes que compõem o Supremo, por ocasião do que só deve constituir impedimento à cumulação a prete-
julgamento dos recursos de revista. Isso, sempre que no rição das regras de competência absoluta, não obstando
domínio da mesma legislação e sobre a mesma questão à cumulação objectiva ou subjectiva a derrogação das
de direito se apresente como possível a proferição de regras de competência relativa.
acórdão que esteja em contradição com outra, anterior, Reviu-se o regime da legitimidade passiva, em particu-
proferida pelo mesmo Tribunal. lar, quando o objecto da acção executiva seja uma dívida
provida de garantia real.
No concernente ao processo executivo, mantiveram-se
intactas, nas suas linhas gerais, a estrutura e a trami- Abreviou-se e simplificou-se a fase inicial da execução,
tação da acção executiva, tal como vem concebida na designadamente através do seguinte:
legislação vigente.
- Desnecessidade de citação inicial do executado,
Houve, por isso, uma expressa opção por um regime de com imediata realização da penhora e
acção executiva, tendencialmente singular, movida por um concentração, em momento ulterior a esta,
determinado credor contra o seu devedor e a consequente da reacção à admissibilidade, quer da própria
limitação dos casos em que será admissível a intervenção execução quer da penhora efectuada, quando
incidental de outros credores visando, na mesma acção a em presença de acção executiva fundada
excussão de todo o património do devedor. em sentença, salvo se a decisão judicial
condenatória carecer de ser liquidada;
Nessa medida, atenua-se a satisfação dos interesses
dos credores mesmo que possuidores de garantias espe- - Dispensa da citação prévia do executado, quando
ciais sobre o património do devedor, apenas se permitindo na execução fundada em título não judicial,
que sejam chamados a reclamar a partilha dos bens que o exequente requeira e comprove o receio de
hajam sido penhorados na execução apenas àqueles que extravio de bens ou o desconhecimento do
gozem de uma garantia real. paradeiro deles;

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- Possibilidade do indeferimento liminar do - Alargamento da impenhorabilidade absoluta


requerimento executivo, quando seja quanto aos bens de privados, designadamente,
manifesta a falta ou insuficiência do título, com relação aos géneros necessários ao
ocorram excepções dilatórias insupríveis que sustento do executado e sua família e aos
ao juiz cumpra oficiosamente conhecer ou, instrumentos indispensáveis aos deficientes
fundando-se a execução em título negocial, ou os objectos destinados a tratamento dos
seja manifesta a sua improcedência, em doentes;
consequência de, face aos elementos dos autos,
ser evidente a existência de factos impeditivos - Alargamento da impenhorabilidade relativa,
ou extintivos da obrigação exequenda que ao designadamente, aos objectos estritamente
juiz cumpra conhecer oficiosamente. indispensáveis ao exercício da função,
profissão ou formação profissional do
Do mesmo modo, admitiu-se a faculdade de proferição executado e de uma parcela das prestações
do despacho de aperfeiçoamento do requerimento execu- periódicas pagas a título de aposentação,
tivo, antes de ordenada a citação do executado. reforma, auxílio, doença, invalidez, seguro,
Consagrou-se a possibilidade de se rejeitar, oficiosa- indemnização por acidente ou renda vitalícia,
mente, a execução instaurada até ao momento da reali- e de outras pensões de natureza similar;
zação da venda ou das outras diligências destinadas ao
- Eliminação do privilégio da moratória forçada
pagamento, sempre que o juiz se aperceba da existência
da execução que incida sobre bens comuns
de questões que deveriam ter conduzido ao seu indefe-
dos cônjuges, por dívidas incomunicáveis do
rimento limiar.
cônjuge executado, implicando a revogação do
Procedeu-se à reformulação da fase da defesa do exe- regime que vigora no artigo 1652º do Código
cutado, designadamente através do seguinte: Civil;
- Eliminação da defesa por via do recurso de agravo - Clarificação, na penhora dos bens do executado
ao despacho de citação; que estejam em poder de terceiro, da não
- Eliminação do elenco taxativo das excepções preclusão dos direitos que a este seja lícito
dilatórias como meio de defesa, no caso de se opor ao exequente do direito substantivo;
tratar de execução de sentença; - Facilitação das diligências, referentes ao
registo da penhora, a cargo do exequente,
- Atribuição dos mesmos efeitos cominatórios da estabelecendo-se que a secretaria lhe
acção declarativa em caso de revelia ao embargo deverá remeter certidão do termo e não
do executado, mas com a particularidade de, obstando o registo meramente provisório ao
na falta de impugnação pelo exequente, se prosseguimento da execução;
não considerarem confessados os factos que
estejam em oposição com o expressamente - Estabelecimento de depósitos públicos e privados
alegado no requerimento executivo. para onde devem ser remetidos sob confiança
os bens móveis penhorados, atribuição dessa
Também a tramitação e o regime da penhora sofreram
função ao escrivão dos autos e incumbência
significativa reformulação, designadamente com a adop-
ao executado do encargo da antecipação do
ção das seguintes medidas:
pagamento de todas as despesas da diligência
- Prestação pelo tribunal do auxílio possível ao e sua conservação durante um ano. Ressalva
exequente quando este alegue e demonstre dos casos de judicial isenção do pagamento
existir dificuldades sérias na identificação ou de preparos ou de custas, cabendo nesse caso
localização de bens penhoráveis do executado. ao Cofre dos Tribunais a sua antecipação e
consequente sub-rogação do respectivo crédito
- Admissibilidade da penhora dos bens de terceiros,
na excussão do património do exequente, na
unicamente nos casos em que a execução
mesma acção;
tenha sido movida também contra eles;
- Limitação da apreensão de bens, no decurso da - Expressa consagração da possibilidade de
penhora, exclusivamente ao necessário para penhora de depósitos bancários, regulando,
a satisfação da quantia exequenda e das designadamente, a matéria da determinação
despesas previsíveis da execução. e disponibilidade do saldo a penhorar sempre
que a informação sobre a existência de conta
- Limitação da impenhorabilidade absoluta passível de satisfazer a quantia exequenda,
dos bens do Estado e das demais pessoas seja fornecida ao tribunal pelo Banco de
colectivas públicas aos bens pertencentes ao Cabo Verde, a solicitação do juiz da causa, no
domínio público e impenhorabilidade relativa âmbito dos deveres gerais de cooperação das
com relação aos demais bens pertencentes às entidades públicas com os tribunais;
referidas entidades, ficando preservados da
penhora apenas os que legal e especificamente - Estabelecimento do incidente de oposição à penhora
estejam afectados à realização de fins de por parte do executado, com fundamento na
utilidade pública; sua ilegalidade.

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8 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

Reformulou-se a fase da venda, no respeitante, desig- apreciação dos actos registais e notariais que
nadamente, aos seguintes aspectos: a lei autorize que sejam processados por meio
informático;
- Ampliação e flexibilização das situações em que é
possível proceder às diversas modalidades de - À clarificação do regime do processo especial
venda extrajudicial; de revisão de sentenças estrangeiras,
designadamente, atribuindo-se relevo especial
- Expressa admissibilidade do estabelecimento de
ao requisito da competência internacional
um acordo entre executado e exequente para o
pagamento a prestações da dívida exequenda do tribunal sentenciador, à necessidade de
e concomitante suspensão da instância, observância dos princípios do contraditório e
salvaguardados os direitos de terceiros, cujos da igualdade das partes e ao aperfeiçoamento
créditos hajam sido verificados e graduados da regra do afastamento da decisão de
na execução em curso; carácter ofensivo para com a ordem pública
internacional do Estado cabo-verdiano.
- Consagração, como forma de venda judicial, a
venda mediante propostas em carta fechada; A manutenção em vigor provisoriamente, das disposi-
ções do actual Código do Processo Civil de 1968 (artigos
- Eliminação da figura da venda por hasta pública;
1135º a 1325º), que regulam o processo de liquidação de
- Estabelecimento da possibilidade de o tribunal patrimónios em benefício dos credores (processo falimen-
determinar, quer a modalidade de venda quer tar), enquanto se não opera por via legislativa própria à
a avaliação do valor venal do bem objecto da regulação das vias de recuperação das empresas comer-
venda; ciais em situação de debilidade financeira. Por razões de
legística formal, tal regime transitório foi enunciado no
- Consagração da figura de um mediador oficial, diploma preambular de aprovação do novo Código;
em especial, para a modalidade da venda por
negociação particular. - À eliminação da obrigatoriedade de instauração
No que concerne aos processos especiais, actualmente de inventário orfanológico pelo Ministério
existentes, foram eliminadas algumas - designadamente Público em representação dos menores e
as acções possessórias, de arbitramento (à excepção da aligeiramento dos demais trâmites;
divisão de coisa comum e reparação de avaria marítimas)
e de venda do penhor - no pressuposto de que as contro- - À incorporação no Código do Processo Civil do
vérsias que tais acções têm por objecto serem susceptíveis leque de acções relacionadas com as reformas
de adequada solução pela via de acção declarativa comum processuais já operadas entre nós no âmbito
ou através da sua integração numa das fases desta. das relações da família; mais concretamente
nas relações conjugais, decorrentes da
Mantiveram-se, contudo, ainda que de modo implícito, suspensão da relação matrimonial, pela
as espécies processuais cujo regime conste de legislação separação dos cônjuges ou da dissolução do
avulsa. casamento, pelo divórcio e nas vicissitudes
Nos que se mantiveram vigentes e vinham plasmados decorrentes das relações de convivência
no Código agora revisto procedeu-se, entretanto: em união de facto, em particular pelo seu
rompimento;
- À alteração do processo especial de interdição
e inabilitação, atribuindo-se-lhe um âmbito - À consagração da faculdade de realização de
mais alargado para todas as situações de divórcio amigável perante notário, circunscrito
diminuição da capacidade jurídica das pessoas embora às situações em que não haja filhos
singulares, com a designação de acção sobre o menores ou equiparados na dependência do
estado psíquico, somático e comportamental casal.
dos indivíduos, e consequente reformulação
substancial da sua tramitação e à consagração Assim, ao abrigo da autorização legislativa concedida
do regime penal do segredo de justiça para pela Lei nº 55/VII/2010, de 8 de Março;
esta forma do processo e imputação de
responsabilidade civil e disciplinar em caso No uso da faculdade conferida pela alínea b) do nº 2 do
da sua violação; artigo 204º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
- À reformulação dos trâmites do processo de
Artigo 1.º
prestação de contas, designadamente através da
consagração, expressa, de poderes de indagação
Aprovação do Código do Processo Civil de Cabo Verde
oficiosa do tribunal e consequente reforço dos
poderes de direcção por parte do juiz;
É aprovado o Código do Processo Civil de Cabo Verde,
- À consagração de uma subespécie de processo anexo ao presente Decreto-Legislativo, que dele faz parte
especial de reforma dos títulos, destinada à integrante e baixa assinado pela Ministra da Justiça.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 9
Artigo 2.º Artigo 3.º

Processos pendentes Remissões a formas processuais extintas

Os processos pendentes nos tribunais à data da entra- 1. As remissões das leis em vigor às formas do processo
da em vigor do novo Código do Processo Civil mantêm a declarativo comum, sumário ou sumaríssimo, conside-
tramitação constante da lei processual vigente, com as ram-se feitas ao processo comum declarativo, na vertente
seguintes ressalvas: estabelecida no nº2 do artigo 425º do novo Código.

a) As acções declarativas sob a forma ordinária que 2. As remissões das leis em vigor às formas do processo
se encontrem ainda na fase dos articulados executivo sumário ou sumaríssimo, consideram-se feitas
seguem, finda esta fase, a tramitação ao processo comum executivo, na forma única, estabele-
estabelecida no novo Código do Processo cida no novo Código.
Civil;
3. As remissões das leis em vigor às formas de pro-
b) As acções declarativas sob a forma sumária que cessos especiais, agora extintas, consideram-se feitas à
ainda se encontrem na fase dos articulados forma do processo comum declarativo, estabelecida no
seguem, finda esta, a variante abreviada do novo Código.
processo declarativo ordinário estabelecido Artigo 4.º
no novo Código do Processo Civil;
Vigência provisória dos artigos 1135º a 1325º do actual CPC
c) Às deduções dos incidentes e dos procedimentos
cautelares que venham a ser introduzidas Enquanto não for aprovado, por via legislativa própria,
na pendência das causas referidas no corpo o novo regime processual falimentar e de recuperação das
do presente artigo é aplicável a tramitação empresas comerciais, mantém-se vigentes as disposições
estabelecida no novo Código do Processo que regulam o processo especial de liquidação de patri-
Civil; mónio em benefício dos credores, contidas nos artigos
1135º a 1325º, inclusive, do actual Código do Processo
d) Nas acções declarativas destinadas à defesa Civil, aprovado pelo Decreto-Lei nº 47.690, de 11 de Maio
da posse, se o réu apenas tiver invocado de 1967, entrado em vigor em Cabo Verde através da
a titularidade do direito de propriedade Portaria nº 23090, de 26 de Dezembro de 1967.
sem impugnar a posse do autor, e não
Artigo 5.º
puder apreciar-se logo a questão, findos
os articulados, o juiz ordena a imediata Incumprimento de obrigações tributárias
manutenção ou restituição da posse, sem
prejuízo do que venha a decidir-se a final Nas acções, incidentes ou procedimentos cautelares, a
quanto à questão da titularidade do direito; falta de demonstração pelo interessado do cumprimento
obrigações de natureza tributárias que lhe incumbam e a
e) As acções executivas, a que ainda não haja sido falta do cumprimento de qualquer obrigação fiscal desti-
realizada a penhora, que não tenham entrado nada à valoração de qualquer prova, deve ser comunicada
na fase do concurso e graduação de créditos ou pela secretaria, sem precedência de despacho, à adminis-
à fase do pagamento, seguem, conforme couber, tração fiscal localizada na mesma área territorial.
as correspondentes tramitações estabelecidas
Artigo 6.º
no novo Código do Processo Civil;
Julgamento da apelação e do agravo em pleno de juízes do
f) Os procedimentos de natureza declarativa Supremo Tribunal de Justiça
enxertados nas execuções pendentes a que
devam ser introduzidos na sequência dos Enquanto o Supremo Tribunal de Justiça funcionar
prazos iniciados após a vigência do novo Código como 2ª e última instância de recurso, nos julgamentos da
do Processo Civil seguem as disposições deste apelação e de agravo, são aplicáveis, complementarmente
diploma; ao que vem estabelecido nos artigos 622º e 660º do novo
Código do Processo Civil e com as devidas adaptações, as
g) As reclamações e os recursos dos despachos e disposições do artigo 640ºdo mesmo Código.
das sentenças proferidos na 1ª instância na
Artigo 7.º
pendência dos processos referidos no corpo
do presente artigo seguem as disposições da Alteração ao artigo 1652º do Código Civil
legislação vigente à data da sua prolação e as
posteriores à entrada em vigor do novo Código O artigo 1652º do Código Civil passa a ter a seguinte
seguem as disposições deste último; redacção:
“Artigo 1652º
h) As acções executivas sob a forma do processo
sumário ou sob a forma do processo Bens que respondem pelas dívidas da exclusiva responsabi-
lidade de um dos cônjuges
sumaríssimo e, bem assim as acções especiais
extintas com a entrada em vigor do novo Código Pelas dívidas da exclusiva responsabilidade de um
do Processo Civil seguem as disposições deste dos cônjuges respondem os bens próprios do cônjuge e,
Código para a forma única do Processo Civil. subsidiariamente, a sua meação nos bens comuns.

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10 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 8.º Artigo 3º

Regime do julgamento em tribunal arbitral necessário Necessidade do pedido e da contradição

Sempre que o julgamento por tribunal arbitral for 1. O tribunal não pode resolver o conflito de interesses
prescrito por lei especial aplica-se o que nesta estiver que a acção pressupõe sem que a resolução lhe seja pedida
determinado. Na sua falta ou em tudo o que nela não por uma das partes e a outra seja devidamente chamada
estiver regulado observam-se as disposições da Lei nº para deduzir oposição.
76/VI/2005, de 16 de Agosto.
2. Só nos casos excepcionais previstos na lei se podem
Artigo 9.º
tomar providências contra determinada pessoa sem que
Entrada em vigor esta seja previamente ouvida.

O presente Decreto-Legislativo, com o Código do 3. O juiz deve observar e fazer observar ao longo de
Processo Civil a ele anexo, entra em vigor no dia 1 de todo o processo o princípio do contraditório, não lhe sendo
Janeiro de 2011. lícito, salvo no caso de manifesta necessidade, decidir
questões de direito ou de facto, mesmo que de conheci-
Visto e aprovado em Conselho de Ministros. mento oficioso, sem que as partes tenham a possibilidade
José Maria Pereira Neves - Marisa Helena de Nasci- de sobre elas se pronunciarem.
mento Morais Artigo 4º

Promulgado em 30 de Junho de 2010. Espécies de acções consoante o seu fim

Publique-se. 1. As acções são declarativas ou executivas.


O Presidente da República, PEDRO VERONA RO- 2. As acções declarativas podem ser de simples apre-
DRIGUES PIRES ciação, de condenação ou constitutivas e têm por fim:
Referendado em 30 de Junho de 2010 a) As de simples apreciação, obter unicamente a
declaração da existência ou inexistência de
Publique-se.
um direito, de um facto ou de um interesse
O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves legalmente protegido;

CÓDIGO DO PROCESSO CIVL b) As de condenação, exigir a prestação de uma coisa


ou de um facto, pressupondo ou prevendo a
LIVRO I violação de um direito ou de um interesse
ACÇÃO legalmente protegido; e

TÍTULO I c) As constitutivas, obter com a decisão judicial a


constituição, modificação ou extinção de uma
ACÇÃO EM GERAL relação jurídica.

CAPÍTULO I 3. Dizem-se acções executivas, aquelas em que o autor


requer as providências adequadas à reparação efectiva
Disposições Fundamentais do direito violado.
Artigo 1º
Artigo 5º
Garantia do acesso à justiça e proibição da autodefesa
Princípio da igualdade das partes
1. A todos é garantido, nos termos estabelecidos no
O tribunal deve assegurar ao longo de todo o processo,
presente Código do Processo Civil, o direito de acesso à
um estatuto de igualdade substancial das partes, desig-
justiça para tutela dos seus direitos e interesses legal-
nadamente no exercício de faculdades, no uso de meios
mente protegidos.
de defesa e na aplicação de cominações ou de sanções
2. A ninguém é lícito o recurso à força com o fim de processuais.
realizar ou assegurar o próprio direito, salvo nos casos e
Artigo 6º
dentro dos limites declarados na lei.
Princípio do dispositivo
Artigo 2º

Correspondência entre o direito e a acção 1. Às partes cabe alegar os factos que integram a causa
de pedir e aqueles em que se baseiam as excepções.
A todo o direito ou interesse legalmente protegido,
excepto quando a lei determine o contrário, corresponde 2. O Juiz só pode fundar a decisão nos factos alegados
uma acção adequada, destinada a fazê-los reconhecer pelas partes, sem prejuízo do disposto nos números 2 e
em juízo e a realizá-lo coercivamente, em prazo razoável, 3 do artigo 472º e no nº 4 do artigo 8º e da consideração,
bem como as providências necessárias para acautelar o mesmo oficiosa, dos factos instrumentais que resultem
efeito útil da acção. da instrução e discussão da causa.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 11
Artigo 7º CAPÍTULO II
Poder de direcção do processo e de adequação formal Partes
1. Incumbe ao juiz promover o andamento do processo, Secção I
ordenando as diligências que se revelarem necessárias
Personalidade e capacidade judiciária
para o efeito, removendo os obstáculos que se oponham
ao andamento regular da causa, ou recusando o que for Artigo 9º
impertinente ou meramente dilatório. Conceito, medida e extensão da personalidade judiciária
2. O juiz não está sujeito às alegações das partes no 1. A personalidade judiciária consiste na susceptibili-
tocante à indagação, interpretação e aplicação das regras dade de ser parte.
de direito, cabendo-lhe realizar ou ordenar oficiosamente
as diligências que considere necessárias ao apuramento 2. Quem tiver personalidade jurídica têm igualmente
da verdade e à justa composição do litígio, quanto aos personalidade judiciária.
factos de que lhe é lícito conhecer e recusar tudo o que
3. A herança cujo titular ainda não esteja determinado
for impertinente ou meramente dilatório.
e os patrimónios autónomos semelhantes têm persona-
3. O juiz providencia, mesmo oficiosamente, pelo supri- lidade judiciária.
mento da falta de pressupostos processuais susceptíveis
4 Tem igualmente personalidade judiciária o con-
de sanação, determinando a realização dos actos neces-
domínio, na propriedade horizontal, relativamente às
sários à regularização da instância ou, quando estiver
acções que se inserem no âmbito dos poderes do admi-
em causa alguma modificação subjectiva da instância,
nistrador.
convidando as partes a praticá-la.
Artigo 10º
4. São ainda considerados na decisão os factos essen-
Personalidade judiciária das sucursais
ciais à procedência das pretensões formuladas ou das
excepções deduzidas que sejam complemento ou concre- 1. As sucursais, agências, filiais, delegações ou repre-
tização de outros que as partes hajam oportunamente sentações podem demandar ou ser demandadas quando
alegado e resultem da instrução e discussão da causa, a acção proceda de facto por elas praticado.
desde que a parte interessada manifeste vontade de delas
se aproveitar e à parte contrária tenha sido facultado o 2. Se a administração principal tiver a sede ou o domi-
exercício do contraditório. cílio em país estrangeiro, as sucursais, agências, filiais,
delegações ou representações estabelecidas em Cabo
5. Quando a tramitação processual prevista na lei não Verde podem demandar e ser demandadas, ainda que
se adequar às especificidades da causa deve o juiz, ofi- a acção derive de facto praticado por aquela, quando a
ciosamente, ouvidas as partes, determinar as diligências obrigação tenha sido contraída por cabo-verdiano ou com
que melhor se ajustam ao fim do processo, bem como as um estrangeiro domiciliado em Cabo Verde.
necessárias adaptações.
3. A falta de personalidade das sucursais, agências
Artigo 8º
filiais, delegações ou representações pode ser sanada
Princípio da cooperação e da boa fé processual mediante a intervenção da administração principal e a
ratificação ou repetição do processado.
1. Na condução e intervenção no processo devem os
magistrados, as partes e os mandatários judiciais coope- Artigo 11º
rar entre si, concorrendo para se obter, com celeridade e Conceito e medida da capacidade judiciária
eficácia a justa composição do litígio.
1. A capacidade judiciária consiste na susceptibilidade
2. O juiz pode, em qualquer altura do processo ouvir de estar, por si, em juízo.
pessoalmente as partes, e também os seus mandatários,
convidando-os a fornecer os esclarecimentos sobre a ma- 2. A capacidade judiciária tem por base e por medida
téria de facto ou de direito que se afigurem pertinentes, a capacidade do exercício de direitos.
dando-se conhecimento à outra parte do resultado da Artigo 12º
diligência e aplicando-se, com as devidas adaptações, as
Incapazes
cominações legais previstas neste Código pela recusa de
colaboração para a descoberta da verdade, solicitada pelo 1. Os incapazes só podem estar em juízo por intermédio
tribunal a outras pessoas. dos seus representantes, ou autorizados pelo seu curador,
3. As partes devem agir de boa-fé e usar de uma con- excepto quanto aos actos que possam exercer pessoal e
duta processual correcta, de modo a ser alcançada a justa livremente.
composição do litígio. 2. Os menores cujo poder paternal seja da competência
de ambos os pais são por estes representados em juízo,
4. Havendo indícios de que as partes, ou alguma de-
sendo necessário o acordo de ambos para a propositura
las, pretendem usar o processo para praticar um acto
de acções.
simulado ou para conseguir um fim proibido por lei,
incumbe ao juiz promover as diligências necessárias 3. Quando seja réu um menor sujeito ao poder paternal
para o impedir. dos pais, devem ambos ser citados para a acção.

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12 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 13º a posição de réus, sob pena de se verificar a nulidade
Nomeação de representante
correspondente à falta de citação, ainda que tenha sido
citado o curador.
1. Se o incapaz não tiver representante geral, deve re-
querer-se a nomeação dele ao tribunal competente, sem 2. A intervenção do inabilitado fica subordinada à orien-
prejuízo da imediata nomeação de um curador provisório tação do curador, que prevalece em caso de divergência.
pelo juiz da causa. Artigo 16º

2. Tanto no decurso do processo, como para execução da Representação das pessoas impossibilitadas de receber a
sentença, pode o curador provisório praticar os mesmos citação
actos que competiriam ao representante geral, cessando
as suas funções logo que o representante nomeado venha 1. As pessoas que, por anomalia psíquica ou outro mo-
ocupar a posição dele no processo. tivo grave, estejam impossibilitadas de receber a citação
para a causa são representadas nela por um curador
3. Quando o incapaz deva ser representado por curador especial.
especial, a nomeação dele incumbe igualmente ao juiz
da causa, aplicando-se o disposto na primeira parte do 2. A representação do curador cessa quando for julga-
número anterior. da desnecessária, ou quando se juntar documento que
mostre ter sido declarada a interdição ou a inabilitação
4. A nomeação incidental de curador deve ser reque- e nomeado representante ao incapaz.
rida pelo Ministério Público, podendo ser requerida
por qualquer parente sucessível, quando o incapaz seja 3. A desnecessidade da curadoria, quer seja originária,
autor, devendo sê-lo pelo autor, quando o incapaz figure quer superveniente, é apreciada sumariamente, a reque-
como réu. rimento do representado, que pode produzir quaisquer
provas.
5. O Ministério Público é ouvido sempre que não seja
o requerente da nomeação. 4. O representante nomeado na acção de interdição ou
Artigo 14º de inabilitação é citado para ocupar no processo o lugar
do curador.
Desacordo na representação do menor
Artigo 17º
1. Quando o menor seja representado por ambos os
pais, se houver desacordo destes acerca da conveniência Representação do ausente e do incapaz pelo Ministério
Público
de intentar a acção, pode qualquer deles requerer a re-
solução do conflito. 1. Incumbe ao Ministério Público, em representação de
2. Se o desacordo apenas surgir no decurso do processo, incapazes e ausentes, intentar em juízo quaisquer acções
acerca da orientação deste, pode qualquer dos pais, no que se mostrem necessárias à tutela dos seus direitos e
prazo de realização do primeiro acto processual afectado interesses.
pelo desacordo, requerer ao juiz da causa que providencie 2. Quando o ausente ou o incapaz, ou os seus repre-
sobre a forma de o incapaz ser nela representado, sus- sentantes, não deduzirem oposição, ou se o ausente não
pendendo-se entretanto a instância. comparecer a tempo de a deduzir, incumbe ao Ministério
3. Ouvido o outro progenitor, quando só um deles tenha Publico a defesa deles, para o que é citado, correndo no-
requerido, bem como o Ministério Público, o juiz decide vamente o prazo para a contestação.
de acordo com o interesse do menor, podendo atribuir a
3. Quando o Ministério Público represente o autor, é
representação a só um dos pais, designar curador espe-
nomeado um defensor oficioso.
cial ou conferir a representação só ao Ministério Públi-
co, cabendo recurso da decisão, com efeito meramente 4. Cessa a representação do Ministério Publico ou do
devolutivo. defensor oficioso, logo que o ausente ou o seu procura-
4. A contagem do prazo suspenso reinicia-se com a dor compareça, ou logo que seja constituído mandatário
notificação da decisão ao representante designado. judicial do ausente ou do incapaz.
Artigo 18º
5. Se houver necessidade de fazer intervir um menor
em causa pendente, não havendo acordo dos pais para Representação dos incertos
o efeito, pode qualquer deles requerer a suspensão da
instância até a resolução do desacordo pelo tribunal 1. Quando a acção seja proposta contra incertos, são
competente. estes representados pelo Ministério Público; se o Minis-
tério Público representar o autor, é nomeado defensor
Artigo 15º
oficioso.
Capacidade judiciária dos inabilitados
2. A representação do Ministério Público só cessa quan-
1. Seja qual for a forma de suprimento da sua incapa- do os citados como incertos se apresentem para intervir
cidade, os inabilitados podem intervir em todas as acções como réus e a sua legitimidade se encontre devidamente
em que forem parte, e devem ser citados quando tiverem reconhecida.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 13
Artigo 19º Artigo 23º

Representação do Estado Prazo para o suprimento ou regularização

1. O Estado é representado pelo Ministério Público, sem O juiz deve, oficiosamente ou a requerimento da parte,
prejuízo dos casos em que a lei especialmente permita fixar o prazo dentro do qual hão-de ser sanados os vícios
o patrocínio por mandatário judicial próprio, cessando a de que trata o artigo anterior; não o fazendo, o suprimento
intervenção principal do Ministério Público logo que este ou a correcção pode ter lugar a todo o tempo.
esteja constituído.
Artigo 24º
2. Se a causa tiver por objecto bens ou direitos do Es-
Falta de autorização, de deliberação ou de consentimento
tado, mas que estejam na administração ou fruição de
entidades autónomas, podem estas constituir advogado 1. Se a parte estiver devidamente representada, mas
que intervenha no processo juntamente com o Ministério faltar alguma autorização ou deliberação exigida por lei,
Público, para o que são citadas quando o Estado seja designa-se prazo dentro do qual o representante deve
réu; havendo divergência entre o Ministério Público e o obter a respectiva autorização ou deliberação, suspen-
advogado, prevalece a orientação daquele. dendo-se entretanto os termos da causa.
Artigo 20º
2. Não sendo a falta sanada dentro do prazo, o réu é ab-
Representação das outras pessoas colectivas
e das sociedades
solvido da instância, quando a autorização ou deliberação
devesse ser obtida pelo representante do autor. Se era
1. As demais pessoas colectivas e as sociedades são ao representante do réu que incumbia prover, o processo
representadas por quem a lei designar. segue como se o réu não deduzisse oposição.
2. Havendo conflito de interesses entre a pessoa colec- Secção II
tiva ou a sociedade e o seu representante, pode demandar
Legitimidade das partes
ou ser demandado em nome da pessoa colectiva ou da
sociedade o substituto por ela designada; não havendo Artigo 25º
representante ou substituto, o juiz da causa nomeia, de
Conceito de legitimidade
entre os membros da pessoa colectiva ou sociedade que
seja ré, um representante especial cujas funções cessam 1. O autor é parte legítima quando tem interesse di-
logo que a representação seja assumida por quem a pes- recto em demandar; o réu é parte legítima quando tem
soa colectiva ou a sociedade designar. interesse directo em contradizer.
3. Dá-se publicidade à nomeação pela afixação de um 2. Na falta de indicação da lei em contrário, são consi-
aviso na porta do tribunal e na porta da sede da adminis- derados titulares do interesse relevante para o efeito da
tração da pessoa colectiva ou da sociedade, quando seja legitimidade os sujeitos da relação material controverti-
conhecida, e pela inserção de anúncio em dois números da, tal como configurada pelo autor.
de um dos jornais mais lidos na localidade a que a sede
pertencer. Artigo 26º

Artigo 21º Acções destinadas à protecção de interesses difusos


Representação das entidades que carecem
1. Têm legitimidade para propor acções destinadas à
de personalidade jurídica
protecção de interesses difusos, respeitantes, nomeada-
Salvo disposição especial em contrário, os patrimónios mente, ao meio ambiente, à saúde pública, à qualidade
autónomos são representados pelos seus administradores de vida, ao património histórico ou cultural e do domínio
e as sociedades e associações que careçam de persona- público, bem como à protecção do consumo de bens ou
lidade jurídica, bem como as sucursais, agências, filiais serviços, ou para nelas intervir, para além das pessoas
ou delegações, e o condomínio, são representados pelas cuja legitimidade decorre do artigo anterior, o Ministério
pessoas que ajam como directores, gerentes ou adminis- Público, as autarquias locais e as entidades colectivas
tradores. cujo fim social se destina à protecção dos referidos in-
Artigo 22º teresses.
Suprimento da incapacidade judiciária e da representação 2. O caso julgado que se formar não é oponível às pes-
irregular soas que, embora tendo legitimidade, não intervieram na
1. A incapacidade judiciária e a irregularidade da re- acção, mas pode ser por elas invocado contra o demanda-
presentação podem ser sanadas mediante a intervenção do, desde que não se baseie em fundamento que respeite
ou a citação do representante legítimo. pessoalmente ao autor da acção.

2. Se estes ratificarem os actos anteriormente prati- Artigo 27º


cados, o processo segue como se o vício não existisse; no Litisconsórcio voluntário
caso contrário, fica sem efeito todo o processado posterior
ao momento em que a falta se deu ou a irregularidade 1. Se a relação material controvertida respeitar a
foi cometida, correndo novo prazo para a repetição do várias pessoas, a acção respectiva pode ser proposta por
primeiro acto anulado seguindo-se o processamento todos ou contra todos os interessados; mas, se a lei ou
normal da acção. o negócio for omisso, a acção pode também ser proposta

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14 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

por um só ou contra um só dos interessados, devendo tamente vários réus, por pedidos diferentes, quando a
o tribunal, nesse caso, conhecer apenas da respectiva causa de pedir seja a mesma e única ou quando os pedi-
quota-parte do interesse ou da responsabilidade, ainda dos estejam entre si numa relação de dependência ou de
que o pedido abranja a totalidade. prejudicialidade.
2. Se a lei ou o negócio permitir que o direito seja exer- 2. É igualmente lícita a coligação quando, sendo em-
cido por um só ou que a obrigação comum seja exigida de bora diferente a causa de pedir, a procedência dos pe-
um só dos interessados, basta que um deles intervenha didos principais dependa essencialmente da apreciação
para assegurar a legitimidade. dos mesmos factos ou da interpretação e aplicação das
Artigo 28º mesmas regras de direito ou de cláusulas de contratos
perfeitamente análogas.
Litisconsórcio necessário
3. É possível demandar simultaneamente vários réus
1. Se, porém, a lei ou o negócio exigir a intervenção dos
ainda que, quanto a uns, se invoque uma relação cartular
vários interessados na relação controvertida, a falta de
e, quanto a outros, a respectiva relação subjacente, desde
qualquer deles é motivo de ilegitimidade.
que não ocorra nenhum dos obstáculos que impedem a
2. É igualmente necessária a intervenção de todos os coligação.
interessados quando, pela própria natureza da relação
jurídica controvertida, ela seja necessária para que a 4. É igualmente permitida a coligação sempre que
decisão a obter produza o seu efeito útil normal. A decisão os requerentes de processos de falência justifiquem a
produz o seu efeito útil normal sempre que, não vinculan- existência de uma relação de domínio ou de grupo nos
do embora os interessados, possa regular definitivamente termos dos artigos 515º e 525º do Código das Empresas
a situação concreta das partes relativamente ao pedido Comerciais.
formulado. Artigo 33º
Artigo 29º
Coligação subsidiária
Legitimidade dos cônjuges
Se tiver fundadas dúvidas quanto à titularidade real
1. Devem ser propostas por ambos os cônjuges, ou por da relação material controvertida, pode o autor deduzir
um deles com o consentimento do outro, as acções de que pedidos subsidiários contra réus diversos dos que são
possa resultar a perda ou a oneração de bens que só por demandados para o pedido principal.
ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que
Artigo 34º
só por ambos possam ser exercidos.
Obstáculos à coligação e suprimento da coligação ilegal
2. Devem ser propostas contra ambos os cônjuges as ac-
ções emergentes de factos por ambos praticados, as acções 1. A coligação não é admissível quando aos diversos
emergentes de facto, praticado por um deles mas em que pedidos correspondam formas de processo diferentes,
pretenda obter-se decisão susceptível de ser executada ou quando a cumulação possa ofender regras de com-
sobre bens comuns ou sobre bens próprios do outro, e petência internacional ou em razão da matéria ou da
ainda as acções compreendidas no número anterior. hierarquia.
3. Na falta de acordo, o tribunal decide sobre o su-
2. Se não for admissível a coligação, o juiz notifica o
primento do consentimento, tendo em consideração o
autor ou os autores para, no prazo que lhes for fixado,
interesse da família aplicando-se com as necessárias
indicarem o pedido ou os pedidos que pretendem que se-
adaptações o disposto nos números anteriores.
jam julgados no processo, devendo o réu ou os réus serem
Artigo 30º absolvidos da instância quanto aos restantes.
Legitimidade passiva nas acções de preferência
3. Ocorrendo coligação sem que entre os pedidos haja
As acções de preferência devem ser propostas simulta- a conexão exigida pelo artigo 32º, o juiz notifica o autor,
neamente contra o alienante e o adquirente. ou os autores, para, no prazo indicado, indicarem qual
o pedido que pretendem ver apreciado no processo, sob
Artigo 31º
cominação de, não o fazendo, o réu ser absolvido da ins-
Litisconsórcio e acção tância quanto a todos eles.
No caso de litisconsórcio necessário, há uma única Secção III
acção com pluralidade de sujeitos; no litisconsórcio volun-
Patrocínio judiciário
tário, há uma simples acumulação de acções, conservando
cada litigante uma posição de independência em relação Artigo 35 º
aos seus compartes.
Constituição obrigatória de advogado
Artigo 32º

Coligação de autores e de réus


1. É obrigatória a constituição de advogado:

1. É permitida a coligação de autores contra um ou a) Nas causas da competência de tribunais com alçada
vários réus e é permitido a um autor demandar conjun- em que seja admissível recurso ordinário;

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 15

b) Nas causas em que seja sempre admissível cesso principal e respectivos incidentes, mesmo perante
recurso, independentemente do valor; e os tribunais de recurso, sem prejuízo das disposições
que exijam a outorga de poderes especiais por parte do
c) Nos recursos e nas causas propostas directamente mandante.
no Supremo Tribunal de Justiça.
2. Nos poderes que a lei presume conferidos ao manda-
2. Ainda que seja obrigatória a constituição de advoga- tário está incluído o de substabelecer o mandato.
do, os advogados estagiários, solicitadores e as próprias
partes podem fazer requerimentos em que se não levan- 3. O substabelecimento sem reserva implica a exclusão
tem questões de direito. do anterior mandatário.

3. Nos inventários, só é obrigatória a intervenção de 4. A eficácia do mandato depende de aceitação, que


advogado para se suscitarem ou discutirem questões de pode ser manifestada no próprio instrumento público ou
direito. em documento particular, ou resultar de comportamento
concludente do mandatário.
4. Quando não haja advogado na circunscrição judicial
onde corre o processo, o patrocínio pode ser exercido por Artigo 41º
solicitador, ou por advogado estagiário.
Poderes gerais e especiais dos mandatários judiciais
Artigo 36º
1. Quando a parte declare na procuração que dá pode-
Falta de constituição de advogado res forenses ou para ser representada em qualquer acção,
o mandato tem a extensão definida no artigo anterior.
Se a parte não constituir advogado, sendo obrigatória a
constituição, o tribunal, oficiosamente ou a requerimento 2. Os mandatários judiciais só podem confessar a acção,
da parte contrária, fá-la notificar para o constituir dentro transigir sobre o seu objecto e desistir do pedido ou da
de prazo certo, sob pena de o réu ser absolvido da ins- instância, quando estejam munidos de procuração que
tância, de não ter seguimento o recurso ou de ficar sem os autorize expressamente a praticar qualquer desses
efeito a defesa. actos.
Artigo 37º Artigo 42º

Representação nas causas em que não é obrigatória a Confissão de factos feita pelo mandatário
constituição de advogado
As afirmações e confissões expressas de factos, feitas
Nas causas em que não seja obrigatória a constituição pelo mandatário nos articulados, vinculam a parte, salvo
de advogado podem as próprias partes pleitear por si, se forem rectificadas ou retiradas enquanto a parte con-
ser representadas por solicitadores ou por advogados trária as não tiver aceitado especificadamente.
estagiários.
Artigo 43º
Artigo 38º
Revogação e renúncia do mandato
Como se confere o mandato judicial
1. A revogação e a renúncia do mandato devem ser
O mandato judicial pode ser conferido por documento requeridas no próprio processo e notificadas, tanto ao
escrito ou por declaração verbal da parte no auto de mandatário ou ao mandante, como à parte contrária.
qualquer diligência praticada no processo.
2. A revogação e a renúncia produzem os seus efeitos
Artigo 39º
a partir da notificação.
Dispensa de intervenção notarial
3. Em caso de renúncia do advogado, se for obrigatório
1. As procurações passadas a advogado ou solicitadores o patrocínio, deve o mandante ser expressamente adver-
judiciais para a prática de actos que envolvam o exercício tido, da necessidade de constituir novo advogado no prazo
do patrocínio judiciário, ainda que com poderes especiais, de vinte dias, sob pena de suspensão da instância, se a
não carecem de intervenção notarial devendo o mandatá- falta for do autor, ou de o processo seguir sem advogado,
rio certificar-se da existência, por parte do mandante ou se for do réu.
dos mandantes dos necessários poderes para o acto.
4. Se a falta for do autor e o réu tiver deduzido um pedido
2. As procurações com poderes especiais, passadas nos reconvencional que não seja dependente do pedido do
termos do número anterior, devem especificar o tipo de autor, a instância segue para a respectiva apreciação.
actos, qualquer que seja a sua natureza, para os quais
Artigo 44º
são conferidos os poderes.
Falta, insuficiência e irregularidade do mandato
Artigo 40º

Conteúdo e alcance do mandato 1. A falta de procuração e a sua insuficiência ou ir-


regularidade podem, em qualquer altura, ser arguidas
1. O mandato atribui poderes ao mandatário para pela parte contrária e suscitadas oficiosamente pelo
representar a parte em todos os actos e termos do pro- tribunal.

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16 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

2. O juiz marca o prazo dentro do qual deve ser suprida Artigo 48º
a falta ou corrigido o vício e ratificado o processado. Findo Nomeação efectuada pelo juiz
este prazo, sem que esteja regularizada a situação, fica
sem efeito tudo o que tiver sido praticado pelo mandatá- Cabe ao juiz a nomeação de mandatário nos casos de
rio, devendo este ser condenado nas custas respectivas urgência ou quando a entidade competente não a faça
e, em processo próprio, na indemnização dos prejuízos a dentro de cinco dias.
que tenha dado causa, culposamente.
TÍTULO II
3. Sempre que o vício resulte de excesso de mandato, o
tribunal participa a ocorrência à Ordem dos Advogados ACÇÃO EXECUTIVA
de Cabo Verde. CAPÍTULO I
Artigo 45º
Título executivo
Patrocínio a título de gestão de negócios Artigo 49º

1. Em casos de urgência, o patrocínio judiciário pode Função do título executivo


ser exercido como gestão de negócios.
1. Toda a execução tem por base um título, pelo qual se
2. Porém, se a parte não ratificar a gestão dentro do determinam o fim e os limites da acção executiva.
prazo assinado pelo juiz, o gestor é condenado nas custas
2. O fim da execução, para o efeito do processo apli-
que provocou e na indemnização do dano causado à parte
cável, pode consistir no pagamento de quantia certa, na
contrária ou à parte cuja gestão assumiu.
entrega de coisa certa ou na prestação dum facto, quer
3. O despacho que fixar prazo para a ratificação é positivo, quer negativo.
notificado pessoalmente à parte cujo patrocínio o gestor Artigo 50º
assumiu.
Espécies de títulos executivos
Artigo 46º
1.À execução apenas podem servir de base:
Assistência técnica aos advogados
a) As sentenças condenatórias;
1. Quando no processo se suscitem questões de na-
tureza técnica para as quais não tenha a necessária b) Os documentos exarados ou autenticados
preparação, pode o advogado fazer-se assistir, durante por notário que importem constituição ou
a produção da prova e a discussão da causa, de pessoa reconhecimento de qualquer obrigação;
dotada de competência especial para se ocupar das ques-
c) Os extractos de factura, as facturas conferidas
tões suscitadas.
e os documentos particulares assinados pelo
2. Até oito dias antes da audiência de discussão e devedor que importem o reconhecimento de
julgamento, o advogado indica no processo a pessoa que obrigações pecuniárias, cujo montante seja
escolheu e as questões para que reputa conveniente a sua determinado ou determinável por simples
assistência; dá-se logo conhecimento do facto ao advogado cálculo aritmético ou de obrigação de entrega
da parte contrária, que pode usar de igual direito. de coisa móvel; e

3. A intervenção pode ser recusada, quando se julgue d) Os documentos a que, por disposição especial,
desnecessária. seja atribuída força executiva.
2. Consideram-se abrangidos pelo título executivo os juros
4. Em relação às questões para que tenha sido desig-
de mora, à taxa legal, da obrigação dela constante.
nado, o técnico tem os mesmos direitos e deveres que o
advogado, mas deve prestar o seu concurso sob a direcção Artigo 51º
deste e não pode produzir alegações orais.
Requisitos da exequibilidade da sentença
Artigo 47º
1. A sentença só constitui título executivo depois do
Nomeação oficiosa de advogado trânsito em julgado, salvo se o recurso, contra ela inter-
posto, tiver efeito meramente devolutivo.
1. Se a parte não encontrar na comarca quem aceite
voluntariamente o seu patrocínio, pode dirigir-se à Or- 2. A execução iniciada na pendência de recurso extin-
dem de Advogados de Cabo Verde para que se lhe nomeie gue-se e modifica-se em conformidade com a decisão defi-
advogado. nitiva comprovada por certidão. As decisões intermédias
podem igualmente suspender ou modificar a execução,
2. A nomeação é feita sem demora e notificada ao consoante o efeito atribuído ao recurso que contra elas
nomeado, que pode alegar escusa dentro de quarenta e se interpuser.
oito horas. Na falta de escusa ou quando esta não seja
julgada legítima por quem fez a nomeação, deve o ad- 3. Enquanto a sentença estiver pendente de recurso
vogado exercer o patrocínio, sob pena de procedimento não pode o exequente ou qualquer credor ser pago sem
disciplinar. prestar caução.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 17

4. Quando se execute sentença contra a qual haja sido Artigo 56º


interposto recurso com efeito meramente devolutivo, pode Exequibilidade das certidões extraídas dos inventários
o executado obter a sua suspensão, prestando caução,
aplicando-se com as necessárias adaptações, a disposição 1. As certidões extraídas dos inventários valem como
deste Código respeitante aos efeitos do recebimento dos título executivo, desde que contenham:
embargos do executado.
a) A identificação do inventário pela designação do
Artigo 52º inventariado e do inventariante;
Exequibilidade dos despachos e das decisões arbitrais b) A indicação de que o respectivo interessado
tem no processo a posição de herdeiro ou
1. São equiparados às sentenças, sob o ponto de vista
legatário;
da força executiva, os despachos e quaisquer outras de-
cisões ou actos da autoridade judicial que condenem no c) O teor do mapa de partilha na parte que se refira
cumprimento duma obrigação. ao mesmo interessado, com a declaração de
que a partilha foi julgada por sentença; e
2. As decisões proferidas pelo tribunal arbitral são
exequíveis nos mesmos termos em que o são as decisões d) A descrição dos bens que forem apontados, de
dos tribunais comuns. entre os que tiverem cabido ao requerente.
Artigo 53º 2. Se a sentença de partilhas de primeira instância
Exequibilidade das sentenças e dos títulos exarados em país tiver sido modificada em recurso e a modificação afectar
estrangeiro a quota do interessado, a certidão reproduz a decisão
definitiva, na parte respeitante à mesma quota.
1. As sentenças proferidas por tribunais estrangeiros só
podem servir de base à execução depois de revistas e con- 3. Se a certidão for destinada a provar a existência
firmadas pelo tribunal cabo-verdiano competente, salvo o de um crédito, só conterá, além do requisito da alínea
que se achar estabelecido em tratados e convenções. a) do número 1, o que do processo constar a respeito da
aprovação ou reconhecimento do crédito e forma do seu
2. Não carecem, porém, de revisão, para serem exequí- pagamento.
veis, os títulos exarados em país estrangeiro.
Artigo 57º
3. As sentenças arbitrais estrangeiras têm força
Cumulação inicial de execuções
obrigatória e são executadas nos termos estabelecidos
pela lei que regula a resolução dos conflitos pela via da 1. Contra o mesmo devedor tem o credor a faculdade
arbitragem. de cumular várias execuções, ainda que fundadas em
Artigo 54º títulos diferentes e seja qual for o valor de cada uma
delas, excepto:
Exequibilidade dos documentos notariais
a) Se não for o mesmo o tribunal competente para
Os documentos exarados ou autenticados por notário todas as execuções;
em que se convencionem prestações futuras ou que se
prevejam a execução de prestações futuras podem servir b) Se as execuções tiverem fins diferentes; e
de base à execução, desde que se prove, por documento
c) Se a alguma das execuções corresponder processo
passado em conformidade com as cláusulas deles cons-
especial diferente do processo que deva ser
tantes ou, sendo aqueles omissos, revestido de força
empregado quanto às outras.
executiva própria, que alguma prestação foi realizada
para conclusão do negócio ou que alguma obrigação foi 2. Se todas as execuções forem fundadas em decisões
constituída na sequência da previsão das partes. judiciais, a acção executiva é promovida no processo de
Artigo 55º
maior valor, ao qual se apensam os processos restantes,
sendo possível.
Exequibilidade dos escritos particulares
3. Quando se cumulem execuções de decisão judicial
1. A assinatura do devedor nos escritos particulares de e de título, incorporam-se todos no processado daquela
montante superior à alçada do tribunal de comarca, com execução.
excepção dos extractos de factura, facturas conferidas,
letras, livranças e cheques, deve estar reconhecida por 4. Se as execuções se basearem todas em título ex-
notário. tra-judicial é aplicável à determinação da competência
territorial a disposição deste Código para a cumulação
2. O reconhecimento tem de ser presencial quando a de pedidos na acção declarativa.
execução tiver por fim o pagamento de quantia certa ou
Artigo 58º
a execução tiver por fim a entrega de coisa fungível.
Cumulação sucessiva
3. Se a assinatura for a rogo, o escrito só goza de força
executiva quando tiver termo de reconhecimento da assi- Enquanto uma execução não for julgada extinta, é lícito
natura do rogado e este contiver, em especial, a menção ao exequente requerer no mesmo processo a execução
de que o rogante sabia e podia ler o documento ou de que de outro título, contanto que não exista nenhuma das
este lhe foi lido e o achou conforme com a sua vontade. circunstâncias que impedem, no geral, a cumulação.

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18 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

CAPÍTULO II LIVRO II
Partes COMPETÊNCIA E GARANTIAS
Artigo 59º DA IMPARCIALIDADE
Legitimidade do exequente e do executado
CAPÍTULO I
1. A execução tem de ser promovida pela pessoa que
no título executivo figure como credor e deve ser instau- Disposições gerais sobre competência
rada contra a pessoa que no título tenha a posição de Artigo 64º
devedor.
Lei reguladora da competência
2. Se o título for ao portador, é a execução promovida
pelo portador do título. 1. A competência fixa-se no momento em que a acção
Artigo 60º se propõe, sendo irrelevantes as modificações de facto
Desvios à regra geral da determinação da legitimidade
que ocorram posteriormente.

1. Tendo havido sucessão no direito ou na obrigação, 2. São igualmente irrelevantes as modificações de di-
deve a execução correr entre os sucessores das pessoas reito, excepto se for suprimido o órgão judiciário a que a
que no título figuram como credor ou devedor da obriga- causa estava afecta ou se lhe for atribuída competência,
ção exequenda. No próprio requerimento para a execução de que inicialmente carecesse, para o conhecimento da
deduz o exequente os factos constitutivos da sucessão. causa.
2. A execução por dívida provida de garantia real pode Artigo 65º
seguir directamente contra o possuidor dos bens onerados
e, se estes não chegarem, pode a acção executiva prosse- Proibição do desaforamento
guir no mesmo processo contra o devedor, para completa
Nenhuma causa pode ser deslocada do tribunal com-
liquidação do crédito insatisfeito.
petente para outro, a não ser nos casos especialmente
3. Quando a execução tiver sido movida apenas contra o previstos na lei.
terceiro e se reconhecer a insuficiência dos bens onerados
com a garantia real, pode o exequente requerer, neste CAPÍTULO II
processo, o prosseguimento da acção executiva contra
o devedor, que é chamado para completa execução do Competência internacional
crédito exequendo. Artigo 66º
4. Pertencendo os bens onerados ao devedor, mas es- Competência internacional
tando eles na posse de terceiro, pode este ser desde logo
demandado juntamente com o devedor. 1. A competência internacional dos tribunais cabo-ver-
Artigo 61º dianos depende da verificação de alguma das seguintes
circunstâncias:
Exequibilidade da sentença contra terceiros

A execução fundada em sentença condenatória pode ser a) Ter o réu ou algum dos réus domicílio em território
prosseguida, não só contra o devedor, mas ainda contra cabo-verdiano, salvo tratando-se de acções
as pessoas em relação às quais a sentença tenha força relativas a direitos reais ou pessoais de gozo
de caso julgado. sobre imóveis situados em país estrangeiro;
Artigo 62º
b) Dever a acção ser proposta em Cabo Verde,
Coligação de exequentes segundo as regras de competência territorial,
1. Podem vários credores comuns coligar-se contra o estabelecidas pela lei cabo-verdiana;
mesmo devedor ou contra diversos devedores obrigados
c) Ter sido praticado em território cabo-verdiano,
no mesmo título, quando as execuções tenham por fim
ainda que parcialmente, o facto que serve de
o pagamento de quantia certa e não se verifiquem as
causa de pedir na acção; e
excepções previstas no número 1 do artigo 57º.
2. Não obsta à cumulação a circunstância de ser ilíqui- d) Não poder o direito invocado tornar-se efectivo
da alguma das quantias, desde que a liquidação dependa senão por meio de acção proposta em tribunal
unicamente de operações aritméticas. cabo-verdiano, ou não ser exigível ao autor
a sua propositura no estrangeiro, desde que
3. É aplicável à coligação de exequentes, o disposto entre o objecto do litígio e a ordem jurídica
nos números 2, 3 e 4 do artigo 57º para a cumulação de nacional haja algum elemento ponderoso de
execuções. conexão, pessoal ou real.
Artigo 63º
2. As pessoas colectivas estrangeiras consideram-se
Legitimidade do Ministério Público como exequente
domiciliadas em Cabo Verde desde que tenham aqui a sua
Compete ao Ministério Público promover a execução sede estatutária ou efectiva ou que aqui tenha sucursal,
por custas e multas impostas em qualquer processo. agência, filial ou delegação.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 19
Artigo 67º em circunscrições diferentes, é proposta no tribunal
Competência exclusiva dos tribunais cabo-verdianos
correspondente à situação dos imóveis de maior valor,
devendo atender-se para esse efeito aos valores da matriz
Os tribunais cabo-verdianos têm competência exclusiva: predial; se o prédio que é objecto da acção estiver situado
em mais de uma circunscrição territorial, pode ela ser
a) Para as acções relativas a direitos reais ou proposta em qualquer das circunscrições.
pessoais de gozo sobre imóveis situados em
território cabo-verdiano; Artigo 70º

Competência para o cumprimento da obrigação


b) Para a declaração de falência de pessoas
colectivas e sociedades cuja sede se encontre 1. A acção destinada a exigir o cumprimento de obri-
no território cabo-verdiano; gações, ou a indemnização pelo não cumprimento ou pelo
cumprimento defeituoso, ou em que se aprecie a resolução
c) Para as acções referentes à apreciação da validade
de um contrato por não cumprimento, pode ser proposta, à
do acto constitutivo ou ao decretamento da
escolha do credor, ou no tribunal do local onde a obrigação
dissolução de pessoas colectivas ou sociedades
deveria ser cumprida ou no do domicílio do réu.
que tenham a sua sede em território cabo-
verdiano, bem como as destinadas a apreciar 2. Se a acção se destinar a efectivar a responsabilida-
a validade das deliberações dos respectivos de civil baseada em facto ilícito ou fundada no risco, o
órgãos; tribunal competente é o correspondente ao lugar onde o
facto ocorreu.
d) Para as acções que tenham como objecto principal
a apreciação da validade da inscrição em Artigo 71º
registos públicos de quaisquer direitos
Divórcio e separação
sujeitos a registo em Cabo Verde;e
Para as acções de divórcio litigioso e de separação
e) Para a execução de bens imóveis existentes no litigiosa de pessoas e bens é competente o tribunal do
território cabo-verdiano. domicílio ou da residência do autor.
CAPÍTULO III Artigo 72º

Competência interna Acção de honorários

Secção I 1. Para a acção de honorários de mandatários judiciais


Competência em geral
ou técnicos e para a cobrança das quantias adiantadas ao
cliente, é competente o tribunal da causa na qual foi pres-
Artigo 68º tado o serviço, devendo aquela correr por apenso a esta.
Factores determinantes da competência na ordem interna
2. Se a causa tiver sido, porém, proposta no Supremo
Na ordem interna, e sem prejuízo do disposto em pre- Tribunal de Justiça, a acção de honorários corre no tri-
ceitos especiais, o poder jurisdicional distribui-se pelos bunal de primeira instância do domicílio do devedor.
diferentes tribunais segundo a matéria e a hierarquia Artigo 73º
judiciária, o território e o valor da causa, de acordo com
Inventário e habilitação
as leis de organização judiciária.
Secção II 1. O tribunal do lugar da abertura da sucessão é com-
petente para o inventário e para a habilitação de uma
Competência territorial pessoa como sucessora por morte de outra.
Artigo 69º
2. Aberta a sucessão fora do País, observa-se o seguinte:
Foro da situação dos bens
a) Tendo o falecido deixado bens em Cabo Verde
1. Devem ser propostas no tribunal da situação dos é competente para o inventário ou para a
bens as acções relativas a direitos reais ou pessoais de habilitação o tribunal do lugar da situação
gozo sobre imóveis, e bem assim as acções para arbitra- dos imóveis, ou da maior parte deles, ou, na
mento, as de despejo, as de preferência sobre imóveis, e de falta de imóveis, o do lugar onde estiver a
execução específica sobre imóveis, e ainda as de reforço, maior parte dos móveis;e
substituição, redução e expurgação de hipotecas.
b) Não tendo o falecido deixado bens em Cabo Verde,
2. As acções de reforço, substituição, redução e expur- é competente para a habilitação o tribunal do
gação de hipotecas sobre navios e aeronaves são, porém, domicílio do habilitando.
instauradas na circunscrição da respectiva matrícula; se
a hipoteca abranger móveis matriculados em circunscri- 3. O tribunal onde se tenha procedido a inventário por
ções diversas, o autor pode optar por qualquer delas. óbito de um dos cônjuges é o competente para o inventário
a que tiver de proceder-se por óbito do outro, excepto se o
3. Quando a acção tiver por objecto uma universalidade casamento foi contraído segundo o regime da separação;
de facto, ou bens móveis e imóveis, ou imóveis situados quando se tenha procedido a inventário por óbito de dois

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20 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

ou mais cônjuges do autor da herança, a competência é a acção respectiva, como no do lugar onde os
determinada pelo último desses inventários, desde que bens se encontrem ou, se houver bens em
o regime de bens não seja o da separação. várias comarcas, no de qualquer destas;

4. No caso de cumulação de inventários, quando haja b) Para o embargo de obra nova é competente o
uma relação de dependência entre as partilhas, é compe- tribunal do lugar da obra;
tente para todos eles, o tribunal em que deva realizar-se a c) Para os outros procedimentos cautelares é
partilha de que as outras dependem; nos restantes casos competente o tribunal em que deva ser
pode o requerente escolher qualquer dos tribunais que proposta a acção respectiva; e
seja competente.
d) As diligências antecipadas de produção de prova
Artigo 74º
são requeridas no tribunal do lugar em que
Regulação e repartição de avaria grossa hajam de efectuar-se.

O tribunal do porto onde for ou devesse ser entregue a 2. O processo dos actos e diligências a que se refere o
carga de um navio, que sofreu avaria grossa, é competente número anterior é apensado ao da acção respectiva, para
para regular e repartir esta avaria. o que deve ser remetido, quando se torne necessário, ao
tribunal em que esta for proposta.
Artigo 75 º
Artigo 80º
Perdas e danos por abalroação de navios
Notificações avulsas

A acção de perdas e danos por abalroação de navios As notificações avulsas são requeridas no tribunal em
pode ser proposta no tribunal do lugar do acidente, no cuja área reside a pessoa a notificar.
do domicílio do dono do navio abalroador, no do lugar
Artigo 81º
a que pertencer ou em que for encontrado esse navio
e no do lugar do primeiro porto em que entrar o navio Regra geral
abalroado.
1. Em todos os casos não previstos nos artigos ante-
Artigo 76º riores ou em disposições especiais é competente para a
acção o tribunal do domicílio do réu.
Salários por salvação ou assistência de navios
2. Se, porém, o réu não tiver residência habitual ou for
Os salários devidos por salvação ou assistência de incerto ou ausente, é demandado no tribunal do domi-
navios podem ser exigidos no tribunal do lugar em que o cílio do autor; mas a curadoria, provisória ou definitiva,
facto ocorrer, no do domicílio do dono dos objectos salvos dos bens do ausente é requerida no tribunal do último
e no do lugar a que pertencer ou onde for encontrado o domicílio que ele teve em Cabo Verde.
navio socorrido.
3. Se o réu tiver o domicílio e a residência em país
Artigo 77º estrangeiro, é demandado no tribunal do lugar em que
Extinção de privilégios sobre navios se encontrar; não se encontrando em território cabo-ver-
diano, é demandado no do domicílio do autor e, quando
A acção para ser julgado livre de privilégios um navio este domicílio for em país estrangeiro, é competente para
adquirido por título gratuito ou oneroso é proposta no a causa o tribunal da cidade da Praia.
tribunal do porto onde o navio se achasse surto no mo- Artigo 82 º
mento da aquisição.
Regra geral para as pessoas colectivas e sociedades
Artigo 78º
1. Se o réu for o Estado, ao tribunal do domicílio do réu
Processo de falência substitui-se o do domicílio do autor.
1. Sempre que não resulte expressamente de lei própria 2. Se o réu for outra pessoa colectiva ou uma sociedade, é
de regulação falimentar ou de recuperação de empresas, demandado no tribunal da sede da administração princi-
é competente para o processo de falência o tribunal da pal ou no da sede da sucursal, agência, filial, ou delegação
situação do principal estabelecimento ou na falta deste, ou representação, conforme a acção seja dirigida contra
o do domicílio ou da sede do arguido. aquela ou contra estas; mas a acção contra pessoas colec-
tivas ou sociedades estrangeiras, que tenham sucursal,
2. Tem-se como principal estabelecimento aquele em agência, filial, ou delegação ou representação em Cabo
que a empresa exerce maior actividade comercial. Verde pode ser proposta no tribunal da sede destas, ainda
Artigo 79º que seja pedida a citação da administração principal.
Artigo 83º
Procedimentos cautelares e diligências antecipadas
Pluralidade de réus e cumulação de pedidos
1. Quanto a procedimentos cautelares e diligências an-
teriores à proposição da acção, observa-se o seguinte: 1. Havendo mais de um réu na mesma causa, devem
ser todos demandados no tribunal do domicílio do maior
a) O arresto e o arrolamento tanto podem ser número; se for igual o número nos diferentes domicílios,
requeridos no tribunal onde deva ser proposta pode o autor escolher o de qualquer deles.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 21

2. Se o autor cumular pedidos para cuja apreciação Artigo 87º


sejam territorialmente competentes diversos tribunais,
Execução de sentenças proferidas nos tribunais superiores
pode escolher qualquer deles para a propositura da acção,
salvo se a competência para apreciar algum dos pedidos 1. Se a acção tiver sido proposta nos tribunais supe-
depender de algum dos elementos de conexão que permi- riores, a execução é promovida no Tribunal de primeira
tem o conhecimento oficioso da incompetência relativa; instância do domicílio do executado, salvo no caso especial
neste caso é proposta nesse tribunal. do artigo 85º.
3. Quando se cumulem, porém, pedidos entre os quais 2. A execução corre por apenso ao processo onde a deci-
haja uma relação de dependência ou subsidiariedade, são tiver sido proferida ou no traslado, que para o efeito
deve a acção ser proposta no tribunal competente para baixam ao tribunal de primeira instância.
apreciar o pedido principal.
Artigo 88º
Artigo 84º
Execução por custas, multas e indemnizações
Competência para o julgamento dos recursos
1. As execuções por custas, multas ou pelas indemni-
Os recursos devem ser interpostos para o tribunal a zações referidas na regra deste Código que regula a má
que está hierarquicamente subordinado àquele de que fé processual e na de preceitos análogos são instaurados
se recorre. por apenso ao processo no qual se haja feito a notificação
da respectiva conta ou liquidação.
Artigo 85º
2. Subindo em recurso qualquer dos processos, ajunta-se
Acções em que seja parte o juiz, seu cônjuge ou certos
parentes ao da execução uma certidão da conta ou liquidação que
lhe serve de base.
1. Para as acções em que seja parte um juiz de um tri- Artigo 89º
bunal de primeira instância, seu cônjuge ou equiparado
ou algum seu descendente ou ascendente ou quem com Execução por custas, multas e indemnizações derivadas
ele conviva em economia comum e que devessem ser pro- de condenação em tribunais superiores
postas na circunscrição em que o juiz exerce jurisdição,
é competente o tribunal da mesma categoria cuja sede 1. Quando a condenação em custas, multa ou indem-
esteja a menos distância da sede daquela. nização tiver sido proferida nos tribunais superiores, a
execução corre no tribunal de primeira instância em que
2. Se a acção for proposta na circunscrição em que serve o processo foi instaurado.
o juiz impedido de funcionar ou se este aí for colocado
estando já pendente a causa, é o processo remetido para o 2. Se o executado for, porém, funcionário nos tribunais
tribunal competente nos termos do número anterior, ob- superiores que nesta qualidade haja sido condenado,
servada a regra deste Código relativa ao dever processual a execução corre na comarca sede do tribunal a que o
do juiz impedido, podendo a remessa ser requerida ou funcionário pertencer.
ordenada em qualquer estado da causa, até à sentença. Artigo 90º

3. O juiz da causa pode ordenar e praticar na circuns- Regra geral de competência em matéria de execuções
crição do juiz impedido todos os actos necessários ao
andamento e instrução do processo, como se fosse juiz 1. Salvos os casos especiais prevenidos noutras dispo-
dessa circunscrição. sições, é competente para a execução o tribunal do lugar
onde a obrigação deva ser cumprida.
4. O disposto nos números anteriores não tem aplicação
nas circunscrições onde houver mais do que um juiz. 2. Porém, se a execução for para entrega de coisa certa
ou por dívida com garantia real são, respectivamente,
Secção III competentes, o tribunal do lugar onde a coisa se encontre
ou o da situação dos bens onerados.
Disposições especiais sobre execuções
3. Quando a execução haja de ser instaurada no tribu-
Artigo 86º
nal do domicílio do executado e este não tenha domicílio
Competência para a execução fundada em sentença em Cabo Verde, mas aqui tenha bens, é competente para
a execução o tribunal da situação desses bens.
1. Para a execução que se funda em decisão proferida
Artigo 91º
por tribunal cabo-verdiano, é competente o tribunal de
primeira instância em que a causa foi julgada. Execução fundada em sentença estrangeira

2. Se a decisão tiver sido proferida por árbitros em A execução fundada em sentença estrangeira corre por
arbitragem que tenha decorrido em território cabo-ver- apenso ao processo de revisão ou no respectivo traslado, que,
diano, é competente o tribunal de primeira instância do para esse efeito, a requerimento do exequente, baixam ao
lugar de arbitragem. tribunal de primeira instância que for competente.

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CAPÍTULO IV Artigo 96º

Competência convencional
Da extensão e modificações da competência
Artigo 92º 1. As regras de competência em razão da matéria e
da hierarquia não podem ser afastadas por vontade das
Competência do tribunal em relação às questões incidentais
partes; mas é permitido a estas afastar, por convenção
1. O tribunal competente para a acção é também expressa, a aplicação das regras de competência em razão
competente para conhecer dos incidentes que nela se do valor e do território, salvo nos casos abrangidos pela
levantem e das questões que o réu suscite como meio regra estabelecida neste Código relativa ao conhecimento
de defesa. oficioso da incompetência relativa.
2. A decisão das questões e incidentes suscitados não 2. O acordo há-de satisfazer aos requisitos de forma do
constitui, porém, caso julgado fora do processo respectivo, contrato, fonte da obrigação, contanto que seja escrito,
excepto se alguma das partes requerer o julgamento com e deve designar as questões a que se refere e o tribunal
essa amplitude e o tribunal for competente do ponto de vista que fica sendo competente.
internacional e em razão da matéria e da hierarquia.
3. A competência fundada na estipulação é tão obriga-
Artigo 93º
tória como a que deriva da lei.
Questões prejudiciais
4. A designação das questões abrangidas pelo acordo
1. Se o conhecimento do objecto da acção depender da pode fazer-se pela especificação do facto jurídico suscep-
decisão de uma questão para a qual o tribunal não seja tível de as originar.
competente em razão da matéria, pode o juiz sobrestar
na decisão até que o tribunal competente se pronuncie. CAPÍTULO V

2. A suspensão fica sem efeito se a respectiva acção não Garantias da competência


for exercida dentro de um mês ou se o respectivo processo Secção I
estiver parado, por negligência das partes, durante o mes-
Incompetência absoluta
mo prazo. Neste caso, o juiz da acção decidirá a questão
prejudicial, mas a sua decisão não produz efeitos fora do Artigo 97º
processo em que for proferida. Casos de incompetência absoluta
Artigo 94º
A infracção das regras de competência em razão da
Competência para as questões reconvencionais matéria e da hierarquia e das regras de competência
O tribunal da acção é competente para as questões internacional, salvo quando haja mera violação dum
deduzidas por via de reconvenção, desde que tenha pacto privativo de jurisdição, determina a incompetência
competência para elas em razão da nacionalidade, da absoluta do tribunal.
matéria e da hierarquia, embora a não tenha em razão Artigo 98º
do valor ou do território; se a não tiver, é o reconvindo
Regime da arguição; legitimidade e oportunidade
absolvido da instância.
Artigo 95º 1. A incompetência absoluta pode ser arguida pelas
partes e deve ser suscitada oficiosamente pelo tribunal em
Pactos privativos e atributivos de jurisdição
qualquer estado do processo, enquanto não houver sentença
1. As partes podem convencionar que um litígio deter- sobre o mérito da causa transitada em julgado.
minado, ou os litígios eventualmente decorrentes de certo
2. A violação das regras de competência em razão da
facto, sejam decididos pelos tribunais da nacionalidade
matéria que apenas respeitem aos tribunais judiciais só
de uma delas, tribunais estrangeiros ou por tribunais
pode ser arguida, ou oficiosamente conhecida, até ser pro-
internacionais.
ferido despacho saneador, ou, não havendo lugar a este,
2. A designação dos tribunais pode corresponder à até ao início da audiência de discussão e julgamento.
atribuição de competência exclusiva ou alternativa com a
Artigo 99º
de Cabo Verde, presumindo-se que é feita em alternativa
com a que decorre da lei. Em que momento deve conhecer-se da incompetência

3. A designação só é válida se forem observados, cumu- Se a incompetência for arguida antes de ser proferido o
lativamente, os seguintes requisitos: despacho saneador, pode conhecer-se dela imediatamente
ou reservar-se a apreciação para esse despacho; se for
a) Ser aceite pela lei do tribunal designado; arguida posteriormente ao despacho, deve conhecer-se
b) Corresponder a um interesse sério das partes, ou logo da arguição.
de uma delas; Artigo 100º
c) Não respeitar a questões relativas a direitos Efeito da incompetência absoluta
indisponíveis ou da competência exclusiva
dos tribunais de Cabo Verde; e 1. Se a incompetência absoluta do tribunal só for veri-
ficada depois do despacho liminar, o réu é absolvido da
d) Observar o disposto no nº 2 do artigo seguinte. instância.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 23

2. Se a incompetência só for decretada depois de findos juiz decide qual é o tribunal competente para a acção. A
os articulados, podem estes aproveitar-se desde que, decisão que transite em julgado resolve definitivamente
estando as partes de acordo sobre o aproveitamento, o a questão da competência.
autor requeira a remessa do processo ao tribunal em que
a acção deveria ter sido proposta. 2. Não é admissível prova por arbitramento, nem qual-
quer diligência a efectuar por carta.
Artigo 101º

Valor da decisão sobre a incompetência e fixação


3. Se a excepção for julgada procedente, o processo é
do tribunal competente remetido para o tribunal competente, salvo no caso de
violação de pacto privativo de jurisdição em que o réu é
1. A decisão sobre incompetência absoluta do tribunal, absolvido da instância.
embora transite em julgado, não tem valor algum fora
do processo em que foi proferida. 4. Da decisão que declare o tribunal incompetente cabe
agravo, que sobe imediatamente e nos próprios autos;
2. Se, porém, o Supremo Tribunal de Justiça decidir, o agravo interposto da decisão que declare o tribunal
em via de recurso, que o tribunal onde a acção foi pro- competente sobe imediatamente e em separado.
posta é incompetente em razão da matéria, cabe-lhe
fixar definitivamente qual é o tribunal competente, não Artigo 106º
podendo neste tribunal voltar a ser suscitada a questão Regime no caso de pluralidade de réus
da competência.
Secção II
Havendo mais de um réu, a sentença produz efeito em
relação a todos. Mas quando a excepção for deduzida só
Incompetência relativa por um, podem os outros contestar, para o que são noti-
Artigo 102º ficados nos mesmos termos que o autor.
Casos em que se verifica Artigo 107º

A infracção das regras de competência fundadas no Tentativa ilícita de desaforamento


valor da causa, na divisão judicial do território ou de-
correntes do estipulado nas convenções previstas nas A incompetência pode fundar-se no facto de se ter de-
disposições deste Código relativas a pactos privativos mandado um indivíduo estranho à causa para se desviar
de jurisdição e atributivos de competência determina a o verdadeiro réu do tribunal territorialmente competente;
incompetência relativa do tribunal. neste caso, a decisão que julgue incompetente o tribunal
condena o autor em multa e indemnização como litigante
Artigo 103º de má fé.
Regime da arguição
Artigo 108º
1. A incompetência relativa pode ser arguida pelo réu Regime da incompetência do tribunal de recurso
no prazo fixado para a contestação, oposição, resposta ou,
quando esta não tenha lugar, no de qualquer outro meio 1. O prazo para a arguição da incompetência do tribu-
de defesa de que disponha, oferecendo imediatamente a nal de recurso é de dez dias, a contar da primeira notifica-
prova para o efeito. ção que for feita ao recorrido ou da primeira intervenção
que ele tiver no processo.
2. Pode o autor responder no articulado seguinte ou em
articulado próprio, acompanhado da prova que pretenda 2. Ao julgamento da excepção aplicam-se as disposições
utilizar, dentro de dez dias após a notificação da entrega dos artigos anteriores, feitas as necessárias adaptações.
do articulado do réu.
Secção III
Artigo 104º
Conflito de jurisdição e competência
Conhecimento oficioso da arguição
Artigo 109º
1. A incompetência em razão do território ou do valor da
causa devem ser conhecidas oficiosamente pelo tribunal Conflito de jurisdição e conflito de competência
sempre que os autos forneçam os elementos necessários 1. Há conflito de jurisdição quando duas ou mais
para o efeito. autoridades, pertencentes a diversas actividades do Es-
2. O juiz deve suscitar e decidir a questão da incompe- tado, ou dois ou mais tribunais de ordens jurisdicionais
tência até ao despacho saneador, podendo a questão ser diferentes, se arrogam ou declinam o poder de conhecer
incluída nele sempre que o tribunal se julgue competente; da mesma questão: o conflito diz-se positivo no primeiro
não havendo lugar a saneador pode a questão ser susci- caso, e negativo no segundo.
tada até à prolação do primeiro despacho subsequente
2. Há conflito, positivo ou negativo, de competência
ao termo dos articulados.
quando dois ou mais tribunais da mesma ordem jurisdi-
Artigo 105º cional se consideram competentes ou incompetentes para
Instrução e julgamento da excepção conhecer da mesma questão.

1. Findo o prazo para a resposta do autor e produzidas, 3. Não há conflito enquanto forem susceptíveis de re-
no prazo de dez dias, as provas oferecidas pelas partes, o curso as decisões proferidas sobre a competência.

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24 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 110º arguida perante o outro ou outros nem a
Pedido de resolução do conflito
excepção de incompetência nem a excepção
de litispendência; e
l. A decisão do conflito pode ser solicitada por qual-
c) Ao caso de um dos tribunais se ter julgado
quer das partes ou pelo Ministério Público, mediante
incompetente e ter mandado remeter o
requerimento em que se especifiquem os factos que o
processo para tribunal diferente daquele
exprimem.
em que pende a mesma causa, não podendo
2. Ao requerimento que é dirigido ao presidente do tri- já ser arguida perante este nem a excepção
bunal competente para resolver o conflito e apresentado de incompetência nem a excepção de
na secretaria desse tribunal, juntam-se os documentos litispendência.
necessários e nele se indicam as testemunhas.
CAPÍTULO VI
Artigo 111º
Das garantias da imparcialidade
Indeferimento liminar ou notificação para a resposta
Secção I
1. Se o juiz ou relator entender que não há conflito, Impedimentos
indefere imediatamente o requerimento. No caso con-
trário, manda notificar as autoridades em conflito para Artigo 115º
que suspendam o andamento dos respectivos processos, Casos de impedimento do juiz
quando o conflito seja positivo, e para que respondam
dentro do prazo que for designado. 1. Nenhum juiz pode exercer as suas funções, em ju-
risdição contenciosa ou voluntária:
2. A notificação das autoridades é feita pelo correio, em
carta registada. O prazo para a resposta começa a contar- a) Quando seja parte na causa, por si ou como
se cinco dias depois de expedida a carta, ou finda a dilação representante de outra pessoa, ou quando
fixada pelo juiz ou relator quando a carta for expedida nela tenha um interesse que lhe permitisse
para fora da ilha em que se processa o conflito. ser parte principal;
Artigo 112º b) Quando seja parte na causa, por si ou como
Resposta representante de outra pessoa, o seu cônjuge
ou equiparado, ou algum seu parente ou afim,
1. As autoridades em conflito respondem em ofício, em linha recta ou no segundo grau da linha
confiado ao registo do correio, podendo juntar quaisquer colateral, pessoa com quem viva em economia
certidões do processo. comum, ou quando alguma destas pessoas
tenha na causa um interesse que lhe permita
2. Considera-se apresentada em tempo a resposta figurar nela como parte principal;
que for entregue na estação postal respectiva dentro do
prazo fixado. c) Quando tenha intervindo na causa como
mandatário ou quando haja que decidir
Artigo 113º
questão sobre que tenha dado parecer ou se
Produção de prova e termos posteriores tenha pronunciado, ainda que oralmente;

Recebida a resposta ou depois de se verificar que já d) Quando tenha intervindo na causa como
não pode ser aceita, segue-se a produção da prova tes- mandatário judicial alguma das pessoas
temunhal, se tiver sido oferecida, faculta-se o processo referidas na alínea b);
aos advogados constituídos, para alegarem por escrito e,
e) Quando se trate de recurso interposto em
por fim, decide-se.
processo no qual tenha tido intervenção
Artigo 114º como juiz de outro tribunal, quer proferindo
a decisão recorrida, quer tomando de outro
Aplicação do processo a outros casos
modo posição sobre questões suscitadas no
O que fica disposto nos anteriores artigos da presente recurso;
secção é aplicável a quaisquer outros conflitos que de-
f) Quando se trate de recurso de decisão proferida
vam ser resolvidos pelo Supremo Tribunal de Justiça e
por algum seu parente ou afim, em linha
também:
recta ou no segundo grau da linha colateral,
a) Ao caso de a mesma acção estar pendente em ou de decisão que se tenha pronunciado sobre
tribunais diferentes e ter passado o prazo para a proferida por algum seu parente ou afim
serem opostas a excepção de incompetência e nessas condições;
a excepção de litispendência; g) Quando seja parte na causa uma pessoa que contra
b) Ao caso de a mesma acção estar pendente ele propôs acção civil para indemnização de
em tribunais diferentes e um deles se ter danos, ou que contra ele deduziu acusação
julgado competente, não podendo já ser penal, em consequência de factos praticados

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 25

no exercício das suas funções ou por causa disser respeito somente aos adjuntos, intervirá o mais
delas, ou quando seja parte o cônjuge dessa antigo, salvo se algum deles for o juiz da causa, pois então
pessoa ou um parente dela ou afim, em linha é este que intervém.
recta ou no segundo grau da linha colateral,
desde que a acção ou a acusação já tenha sido 3. Nos tribunais superiores só deve intervir o juiz que
admitida; e deva votar em primeiro lugar.
Artigo 118º
h) Quando haja de depor ou tenha deposto como
testemunha, ou tenha intervindo como Impedimentos do Ministério Público e dos funcionários
perito. da secretaria

2. O impedimento da alínea d) do número anterior só 1. Aos representantes do Ministério Público é aplicável


se verifica quando o mandatário já tenha começado a o que fica disposto nas alíneas a), b) e g) do número 1 do
exercer o mandato na altura em que o juiz foi colocado no artigo 115º Estão também impedidos de funcionar quan-
respectivo tribunal ou circunscrição; na hipótese inversa, do tenham intervindo na causa como mandatários ou
é o mandatário que está inibido de exercer o patrocínio. peritos, constituídos ou designados pela parte contrária
àquela que teriam de representar ou a quem teriam de
3. Nas comarcas em que haja mais de um juiz ou pe- prestar assistência.
rante o Supremo Tribunal de Justiça não pode ser admi-
tido como mandatário judicial o cônjuge ou equiparado, 2. Aos funcionários da secretaria é aplicável o disposto
parente ou afim em linha recta ou no segundo grau da nas alíneas a) e b) do número 1 do artigo 115º; também
linha colateral do juiz que, por virtude da distribuição, não podem funcionar quando tenham intervindo na causa
haja de intervir no julgamento da causa; mas, se essa como mandatários ou peritos de qualquer das partes.
pessoa já tiver requerido ou alegado no processo na altura
da distribuição, é o juiz que fica impedido. 3. O representante do Ministério Público ou o funcioná-
rio da secretaria, que esteja abrangido por qualquer impe-
Artigo 116º dimento, deve declará-lo imediatamente no processo. Se
Dever do juiz impedido o não fizer, o juiz, enquanto a pessoa impedida houver de
intervir na causa, conhece do impedimento, oficiosamente
1. Quando se verifique alguma das causas de impedi- ou a requerimento de qualquer das partes, observando-
mento, deve logo o juiz, por despacho nos autos, decla- se a disposição deste Código para o processamento do
rar-se impedido. Se o não fizer, podem as partes, até à incidente de suspeição. A procedência do impedimento do
sentença, requerer a declaração do impedimento. Seja funcionário da secretaria, ainda que por este declarado,
qual for o valor da causa, é sempre admissível recurso da é sempre apreciada pelo juiz.
decisão de indeferimento para o tribunal imediatamente
Secção II
superior; o recurso sobe imediatamente e em separado,
seja qual for a forma do processo. Suspeições

2. Do despacho proferido sobre o impedimento de algum Artigo 119º


dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça pode recla-
Pedido de escusa por parte do juiz
mar-se para a conferência, que decide com intervenção
de todos os juízes excepto aquele a quem o impedimento 1. O juiz não pode declarar-se voluntariamente suspeito
respeitar. mas pode pedir que seja dispensado de intervir na causa
quando se verifique algum dos casos previstos no artigo
3. Declarado o impedimento, a causa é remetida ao tri-
seguinte e, além disso, quando, por outras circunstân-
bunal competente, caso se verifique a hipótese prevista no
cias ponderosas, entenda que pode suspeitar-se da sua
número 2 do artigo 85º; nos restantes casos, passa ao juiz
imparcialidade.
substituto. No Supremo Tribunal de Justiça observar-se-
á o regime previsto neste Código para o impedimento do 2. O pedido é apresentado antes de proferido o primeiro
juiz à distribuição de processos, ou passa a causa ao juiz despacho ou antes da primeira intervenção no processo,
imediato, conforme o impedimento respeite ao relator ou se esta for anterior a qualquer despacho. Quando forem
a qualquer dos adjuntos. supervenientes os factos que justificam o pedido ou o co-
Artigo 117º nhecimento deles pelo juiz, a escusa é solicitada antes do
primeiro despacho ou intervenção no processo, posterior
Casos de impedimento nos tribunais colectivos
a esse conhecimento.
1. Não podem intervir simultaneamente em qualquer 3. O pedido contém a indicação precisa dos factos que
julgamento de tribunal colectivo, juízes que sejam côn- o justificam e é dirigido ao presidente do tribunal compe-
juges ou equiparados, parentes ou afins na linha recta tente para conhecer dos recursos interpostos do tribunal
ou no segundo grau da linha colateral. em que corre a acção.
2. Tratando-se de tribunal colectivo de comarca, dos
4. O presidente pode colher quaisquer informações e
juízes ligados por casamento ou vínculo equiparado, pa-
quando o pedido tiver por fundamento algum dos factos
rentesco ou afinidade a que se refere o número anterior,
especificados no artigo seguinte, ouvirá, se o entender
intervirá unicamente o presidente; se o impedimento
conveniente, a parte que poderia opor a suspeição,

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mandando-lhe entregar cópia da exposição do juiz. Con- Artigo 121º


cluídas estas diligências ou não havendo lugar a elas, o Prazo para a dedução da suspeição
presidente decide sem recurso.
1. O prazo para a dedução da suspeição corre desde o
5. É aplicável a este caso, o que vai disposto neste Código dia em que, depois de o juiz ter despachado ou intervindo
sobre o regime da influência da arguição da suspeição na no processo, nos termos do número 2 do artigo 119º, a
marcha do processo. parte for citada ou notificada para qualquer termo ou
intervier em algum acto do processo. O réu citado para
Artigo 120º
a causa pode deduzir a suspeição no mesmo prazo que
Fundamento de suspeição lhe é concedido para a defesa.

1. As partes só podem opor suspeição ao juiz nos casos 2. A parte pode denunciar ao juiz o fundamento da
seguintes: suspeição, antes de ele intervir no processo. Nesse caso
o juiz, se não quiser fazer uso da faculdade concedida
a) Se existir parentesco ou afinidade, não pelo artigo 119º, declara-o logo em despacho no processo
compreendidos no artigo 115 º, em linha recta e suspendem-se os termos deste até decorrer o prazo para
ou até ao quarto grau da linha colateral, a dedução da suspeição, contado a partir da notificação
entre o juiz ou o seu cônjuge ou equiparado daquele despacho.
e alguma das partes ou pessoa que tenha, em 3. Se o fundamento da suspeição ou o seu conhecimento
relação ao objecto da causa, interesse que lhe for superveniente, a parte denuncia o facto ao juiz logo
permitisse ser nela parte principal; que tenha conhecimento dele, sob pena de não poder
mais tarde arguir a suspeição. Observa-se neste caso o
b) Se houver causa em que seja parte o juiz ou o
disposto no número anterior.
seu cônjuge ou equiparado, ou algum parente
ou afim de qualquer deles em linha recta e 4. Se o juiz tiver pedido dispensa de intervir na causa,
alguma das partes for juiz nessa causa; mas o seu pedido não houver sido atendido, a suspeição só
pode ser oposta por fundamento diferente do que ele tiver
c) Se houver, ou tiver havido nos três anos invocado e o prazo para a dedução corre desde a primeira
antecedentes, qualquer causa, não notificação ou intervenção da parte no processo, posterior
compreendida na alínea g) do número 1 do ao indeferimento do pedido de escusa do juiz.
artigo 115º, entre alguma das partes ou o
Artigo 122º
seu cônjuge ou equiparado e o juiz ou o seu
cônjuge ou equiparado ou algum parente ou Como se deduz e processa a suspeição
afim de qualquer deles em linha recta;
1. O recusante indica com precisão os fundamentos
d) Se o juiz ou o seu cônjuge ou equiparado, ou da suspeição e, autuado o requerimento por apenso, é
algum parente ou afim de qualquer deles em este concluso ao juiz recusado para responder. A falta de
linha recta, for credor ou devedor de alguma resposta importa confissão dos factos alegados.
das partes, ou tiver interesse jurídico em que 2. Não havendo diligências a efectuar, o juiz manda
a decisão do pleito seja favorável a uma das logo desapensar o processo do incidente e remetê-lo ao
partes; presidente do tribunal competente para conhecer dos
recursos interpostos do tribunal onde corre a causa; no
e) Se o juiz for protutor, herdeiro presumido, caso contrário, o processo é concluso ao juiz substituto,
donatário ou empregador de alguma que ordena a produção das provas oferecidas e, finda esta,
das partes, ou membro da direcção ou a remessa do processo.
administração de qualquer pessoa colectiva,
parte na causa; 3. É aplicável a este caso, o disposto neste Código sobre
os incidentes da instância.
f) Se o juiz tiver recebido dádivas antes ou depois
de instaurado o processo e por causa dele, ou 4. A parte contrária ao recusante pode intervir no
se tiver fornecido meios para as despesas do incidente como assistente.
processo; e Artigo 123º
Julgamento da suspeição
g) Se houver inimizade grave ou grande intimidade
entre o juiz e alguma das partes. 1. Recebido o processo, o presidente do tribunal refe-
rido no número 2 do artigo anterior pode requisitar das
2. O disposto na alínea c) do número anterior abrange partes ou do juiz recusado os esclarecimentos que julgue
as causas criminais quando as pessoas aí designadas necessários. A requisição é feita por ofício dirigido ao juiz
sejam ou tenham sido ofendidas, participantes ou quei- recusado, ou ao substituto quando os esclarecimentos
xosas, arguidas ou responsáveis civis. devam ser fornecidos pelas partes.
3. Nos casos das alíneas c) e d) do número 1 é julgada 2. Se os documentos destinados a fazer prova dos fun-
improcedente a suspeição quando as circunstâncias de damentos da suspeição ou da resposta não puderem ser
facto convençam de que a acção foi proposta ou o crédito logo oferecidos, o presidente admite-os posteriormente,
foi adquirido para se obter motivo de recusa do juiz. quando julgue justificada a demora.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 27

3. Concluídas as diligências que se mostrem neces- Artigo 129º


sárias, o presidente decide sem recurso. Quando julgar Processamento do incidente
improcedente a suspeição, aprecia se o recusante proce-
deu de má fé. O incidente é processado nos termos do artigo 122º,
com as modificações seguintes:
Artigo 124º

Suspeição oposta a juiz dos tribunais superiores a) Ao recusado é facultado o exame do processo
para responder, não tendo a parte contrária
A suspeição oposta a juiz dos tribunais superiores é ao recusante, intervenção no incidente;
julgada pelo presidente do respectivo tribunal, obser-
vando-se, na parte aplicável, o disposto nos artigos an- b) Enquanto não for julgada a suspeição, o
tecedentes. As testemunhas são inquiridas pelo próprio funcionário não pode intervir no processo; e
presidente. c) O juiz da causa dirige todos os termos e actos do
Artigo 125º incidente e decide, sem recurso, a suspeição.

Influência da arguição na marcha do processo LIVRO III

1. A causa principal segue os seus termos, intervindo DO PROCESSO


nela, o juiz substituto; mas nem o despacho saneador
TÍTULO I
nem a decisão final são proferidos enquanto não estiver
julgada a suspeição. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
2. No Supremo Tribunal de Justiça, quando a suspeição CAPÍTULO I
for oposta ao relator, serve de relator o primeiro adjunto
e o processo vai com vista ao juiz imediato ao último Dos actos processuais
adjunto; mas não se conhece do objecto do feito nem se
Secção I
profere decisão que possa prejudicar o conhecimento da
causa enquanto não for julgada a suspeição. Actos em geral

Artigo 126º Subsecção I

Procedência da escusa ou da suspeição Disposições comuns

Artigo 130º
1. Julgada procedente a escusa ou a suspeição, conti-
nua a intervir no processo o juiz que fora chamado em Princípio da limitação dos actos
substituição, nos termos do artigo anterior.
Não é lícito realizar no processo actos inúteis, incor-
2. Se a escusa ou suspeição for desatendida, intervém rendo em responsabilidade disciplinar os funcionários
na decisão da causa o juiz que se escusara ou que fora que os pratiquem.
averbado de suspeito, ainda que o processo tenha já os
Artigo 131º
vistos necessários para o julgamento.
Forma dos actos
Artigo 127º

Suspeição oposta aos funcionários da secretaria


1. Quando não esteja expressamente regulada na lei,
os actos processuais têm a forma que, em termos mais
Podem também as partes opor suspeições aos funcio- simples, melhor se ajuste ao fim que visam atingir.
nários da secretaria com os fundamentos indicados no
2. Os actos processuais podem obedecer a modelos
número 1 do artigo 120º, exceptuada a alínea b). Mas
aprovados pela entidade competente, só podendo, no en-
os factos designados nas alíneas c) e d) do mesmo artigo
tanto, ser considerados obrigatórios os modelos relativos
podem ser invocados como fundamento de suspeição
a actos da secretaria.
quando se verifiquem entre o funcionário, seu cônjuge
ou equiparado e qualquer das partes. 3. Os actos processuais que hajam de reduzir-se a es-
Artigo 128º crito devem ser compostos de forma a não deixar dúvida
acerca da sua autenticidade formal e redigidos de forma
Contagem do prazo para a dedução a tornar claro o seu conteúdo, possuindo as abreviaturas
usadas, significado inequívoco.
1. O prazo para o autor deduzir a suspeição conta-se do
recebimento da petição inicial na secretaria ou da distri- 4. As datas e os números podem ser escritos por alga-
buição, se desta depender a intervenção do funcionário. rismos excepto quando respeitem à definição de direitos
O réu pode deduzir a suspeição no mesmo prazo em que ou obrigações das partes ou de terceiros; nas ressalvas,
lhe é permitido apresentar a defesa. porém, os números que tenham sido rasurados ou emen-
dados devem ser sempre escritos por inteiro.
2. Sendo superveniente a causa da suspeição, o prazo
conta-se desde que o facto tenha chegado ao conhecimento 5. É permitido o uso de meios informáticos no tratamento
do interessado. e execução de quaisquer actos ou peças processuais nos

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28 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

termos estabelecidos nas leis que estabelecem o regime 3. Quando coincidir com um dos dias referidos no
jurídico da validade geral, eficácia jurídica e valor proba- número 1 o dia em que, por disposição legal, terminar o
tório dos documentos electrónicos e da assinatura digital prazo em que devam ser praticados, os actos processuais
e, bem assim, da protecção dos dados pessoais. realizam-se no primeiro dia útil subsequente.
Artigo 132º 4. Os actos das partes que impliquem a recepção pelas
Língua a empregar nos actos processuais secretarias judiciais de quaisquer articulados, requeri-
mentos ou documentos devem ser praticados durante
1. Nos actos processuais reduzidos a escrito usa-se a as horas de expediente dos serviços. Ressalva-se a sua
língua portuguesa; nos actos processuais orais usam-se, prática por meio de telecópia ou de correio electrónico, que
indiferentemente, a língua portuguesa ou a materna pode ser efectuada em qualquer dia e independentemente
cabo-verdiana. da hora da abertura e encerramento do tribunal.
2. Quando hajam de ser ouvidos os estrangeiros podem, 5. Quando a entrega do documento seja efectuada nos
no entanto, exprimir-se em língua diferente, se não conhe- termos da parte final do número anterior considera-se
cerem a portuguesa ou a materna cabo-verdiana, devendo válida a sua entrada na no tribunal, em se tratando do
nomear-se um intérprete, quando seja necessário para, último dia do prazo, desde que registada, por automa-
sob juramento de fidelidade, estabelecer a comunicação. ção, no correspondente aparelho receptor até as 24horas
A intervenção do intérprete deve ser limitada ao que for desse dia.
estritamente indispensável.
Artigo 137º
Artigo 133º
Designação e natureza do prazo
Tradução de documentos escritos em língua estrangeira
1. O prazo processual é estabelecido por lei ou fixado
1. Quando se apresentem documentos escritos em por despacho do juiz, e é contínuo.
língua estrangeira que careçam de tradução o juiz, ofi-
ciosamente ou a requerimento de alguma das partes, 2. O prazo processual começa a correr independen-
ordena que o apresentante a junte. temente de assinação ou outra formalidade e corre se-
guidamente, mesmo em férias, suspendendo-se apenas
2. Surgindo dúvidas fundadas sobre a idoneidade da nos sábados, domingos e dias feriados, salvo neste caso,
tradução, o juiz ordena que o apresentante junte tradução se, se tratar de actos a praticar em processos que a lei
legalizada por notário ou autenticada por funcionário considere urgentes.
diplomático ou consular do estado respectivo; na falta de
funcionário diplomático ou consular do estado respectivo 3. Quando o prazo para a prática de determinado acto
e na impossibilidade de obter a tradução notarial, deve termine em dia de integral tolerância de ponto, ou dentro
ser o documento traduzido por perito nomeado pelo do período das férias judiciais, transfere-se o seu termo
tribunal. para o primeiro dia útil seguinte.
Artigo 134º Artigo 138º

Meios de comunicação dos surdos e mudos Modalidades do prazo

Tendo de ser interrogado um surdo, um mudo ou um 1. O prazo é dilatório ou peremptório.


surdo-mudo, pode a palavra ser substituída pela escrita,
2. O prazo dilatório difere para certo momento a possi-
na medida em que for necessário e possível, ou recorrer-se
bilidade de realização de um acto ou o início da contagem
a intérprete idóneo para o efeito.
de um outro prazo.
Artigo 135º
3. O decurso do prazo peremptório extingue o direito de
Lei reguladora da forma dos actos praticar o acto, salvo o caso de justo impedimento.
1. A forma dos diversos actos processuais é regulada 4. Independentemente de justo impedimento, pode o
pela lei que vigore no momento em que são praticados. acto processual ser praticado no primeiro dia útil subse-
2. A forma de processo aplicável determina-se pela lei quente ao termo do prazo, ficando a sua validade porém
vigente à data em que a acção é proposta. dependente do pagamento imediato de uma multa de
montante igual a 25% (vinte e cinco por cento) da taxa
Artigo 136º de justiça que seria devida a final pelo processo ou parte
Dias em que se suspende a prática de actos do processo, mas nunca inferior a 2.500$00 (dois mil e
quinhentos escudos), nem superior a 50.000$00 (cinquen-
1. Os actos processuais não podem ser praticados nos ta mil escudos).
sábados, domingos, dias feriados, férias judiciais e em
Artigo 139º
geral nos dias em que, por disposição legal ou deter-
minação da entidade competente, os tribunais estejam Justo impedimento
encerrados.
1. Considera-se justo impedimento o evento não impu-
2. Exceptuam-se as citações, notificações e os actos que tável à parte nem aos seus representantes ou mandatá-
se destinem a evitar dano irreparável. rios, que obste à prática atempada do acto.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 29

2. Cabe à parte que alegar o justo impedimento oferecer outro meio telemático legalmente permitido, devem ser
logo a respectiva prova; o juiz, ouvida a parte contrária, confirmados junto do tribunal, no prazo de cinco dias,
admite o requerente a praticar o acto fora do prazo, se con- mediante cópia em suporte papel, devidamente assinada
siderar verificado o justo impedimento e reconhecer que a e autenticada.
parte se apresentou a requerer logo que ele cessou.
3. Nos casos referidos nas alíneas a) e b) do número 1
Artigo 140º devem as partes apresentar juntamente com o suporte
papel que contém a sua peça processual, uma cópia do
Improrrogabilidade dos prazos
mesmo em suporte digital, para maior rapidez e facilita-
O prazo processual marcado pela lei é improrrogável, ção dos trâmites internos do processo respectivo.
salvo os casos nela previstos. Artigo 144º
Artigo 141º Definição e modo de apresentação dos articulados

Contagem de prazos sucessivos 1. Os articulados são as peças em que as partes ex-


põem os fundamentos da acção e da defesa e formulam
Sempre que a um prazo dilatório se siga outro prazo,
os pedidos correspondentes.
da mesma ou de diferente natureza, os dois prazos con-
tam-se como se fossem um só. 2. Quer nas acções, quer nos seus incidentes, quer nos
Artigo 142º
procedimentos cautelares, é obrigatória a narração por
artigos dos factos alegados.
Lugar da prática dos actos
3. Os articulados, requerimentos, respostas e alega-
1. Quando nenhuma razão imponha outro lugar, os ções são apresentados em tantos duplicados quantos as
actos realizam-se no tribunal, mas podem realizar-se em pessoas a quem forem opostos e que vivam em economia
lugar diferente, por razões de eficácia, de deferência ou separada, salvo se estas estiverem representadas pelo
de justo impedimento. mesmo mandatário.

2. Os actos que determinem a deslocação ao tribunal 4. Além dos duplicados que se destinam à parte con-
apenas para juramento ou manifestação de vontade trária, deve a parte entregar mais um exemplar de cada
podem ser substituídos por declaração escrita assinada articulado para ser arquivado e servir de base à reforma
pelo respectivo autor, desde que entregue em juízo até do processo em caso de descaminho.
ao momento em que o acto deva ser praticado.
5. Se a parte não juntar os duplicados exigidos por lei,
Subsecção II manda-se extrair cópia do articulado, pagando, o res-
ponsável, as despesas a que a cópia der lugar, contada
Actos das partes
em triplo.
Artigo 143º
6. Os articulados oferecidos através de telecópia ou
Entrega ou remessa a juízo de peças processuais de correio electrónico dispensam a entrega das cópias
referidas nos números 3 e 4, as quais são extraídas pela
1. Os articulados, requerimentos, respostas e as peças secretaria e entram a final na conta de custas, como
referentes a quaisquer actos que devam ser praticados despesas de papel.
por escrito pelas partes no processo podem ser:
Artigo 145º
a) Entregues na secretaria, sendo exigida a prova da Regra geral sobre o prazo
identidade dos apresentantes não conhecidos
nos tribunais e, a solicitação destes, passado 1. É de cinco dias o prazo para as partes requererem
recibo de entrega; qualquer acto ou diligência, arguirem nulidades, dedu-
zirem incidentes ou exercerem qualquer outro poder
b) Remetidos pelo correio, sob registo, valendo neste processual, na falta de disposição especial.
caso como data da prática do acto processual
a da efectivação do respectivo registo postal; 2. O prazo para a parte responder ao que for alegado
e ou requerido pela parte contrária é também de cinco dias,
na falta de disposição em contrário.
c) Entrega através de telecópia ou de correio
Subsecção III
electrónico, sendo nestes casos necessária
a aposição da assinatura digital do seu Actos dos magistrados
signatário, valendo como data da prática do
Artigo 146º
acto processual o da sua expedição.
Preservação da ordem nos actos processuais
2. Sempre que não haja certificação da autoridade
legalmente competente com relação à correspondente 1. Cabe ao magistrado que presida aos actos processu-
comunicação electrónica ou em caso de dúvida sobre ais garantir que os mesmos decorram com normalidade e
a autenticidade desta, os actos processuais praticados com o respeito que merecem o tribunal e as instituições
através de telecópia, de correio electrónico ou de qualquer vigentes, podendo para o efeito advertir com urbanidade

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30 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

o infractor que, por escrito ou oralmente, tenha um critas e proceder às ressalvas consideradas necessárias;
comportamento incorrecto e, além disso, mandar riscar os acórdãos são também assinados pelos outros juízes
quaisquer expressões ofensivas ou retirar-lhe a palavra, que hajam intervindo, salvo se não estiverem presentes,
sem prejuízo do procedimento criminal ou disciplinar a do que se fará menção.
que, eventualmente, haja lugar.
2. Os despachos e sentenças proferidos oralmente no
2. Se o infractor não acatar a decisão, pode o presidente decurso do acto de que deva lavrar-se auto ou acta são aí
fazê-lo sair do local em que o acto se realiza. reproduzidos. A assinatura do auto ou da acta, por parte
do juiz, garante a fidelidade da reprodução.
3. Quando tenha sido retirada a palavra ao mandatário
judicial, é dado conhecimento circunstanciado do facto à 3. As sentenças e os acórdãos finais são registados em
Ordem dos Advogados de Cabo Verde. livro especial.

4. Das faltas cometidas pelos magistrados do Ministé- Artigo 151º


rio Público é dado conhecimento ao respectivo superior
Dever de fundamentar a decisão
hierárquico.
1. As decisões proferidas sobre qualquer pedido con-
5. Sendo o abuso cometido pelas próprias partes ou por
trovertido ou sobre alguma dúvida suscitada no processo
outras pessoas, pode o presidente aplicar-lhes as mesmas
são sempre fundamentadas.
sanções que aos mandatários judiciais e pode ainda con-
dená-las em multa, conforme a gravidade da falta. 2. A justificação não pode consistir na simples adesão
aos fundamentos alegados no requerimento ou na oposição,
6. Não se consideram ofensivas as expressões e impu-
salvo nos casos em que a lei o permita expressamente.
tações indispensáveis à defesa da causa.
Artigo 147º 3. Os juízes têm um dever acrescido de fundamentação
das suas decisões, sempre que estas sejam pronunciadas
Recorribilidade da decisão em sentido contrário ao de anteriores decisões transita-
das em julgado no próprio tribunal ou à jurisprudência
Das decisões que retirem a palavra, ordenem a ex- do Supremo Tribunal de Justiça, relativamente à mesma
pulsão do local ou condenem em multa cabe agravo questão fundamental de direito proferida no domínio da
com efeito suspensivo; interposto o recurso da decisão mesma legislação.
que retire a palavra ou ordene a saída do local em que
o acto se realize ao mandatário judicial, suspende-se o Artigo 152º
acto até que o agravo, a processar-se como urgente, seja
Prazo para os actos dos juízes e do Ministério Público
definitivamente julgado.
Artigo 148º Na falta de disposição especial, é de cinco dias o prazo
para a prática dos actos dos magistrados judiciais, sendo
Dever de administrar Justiça de dois dias o prazo para os despachos de mero expedien-
te, que não possam ser proferidos em acto seguido ao da
Os juízes têm o dever de administrar justiça, proferin-
conclusão do respectivo processo, e de três dias o prazo
do despacho ou sentença sobre as matérias pendentes e
para as promoções do Ministério Público.
cumprindo, nos termos da lei, as decisões dos Tribunais
Superiores. Artigo 153º

Artigo 149º Marcação e adiamento de diligências

Designação das decisões judiciais 1. A marcação do dia e hora da realização de diligências


deve, sempre que possível, ser realizada mediante prévio
1. Cabe a designação de sentença ao acto pelo qual
acordo com os mandatários judiciais.
o juiz decide a causa principal ou algum incidente que
apresente a estrutura de uma causa. 2. Logo que se verifiquem que a diligência, por motivo
imprevisto, não pode realizar-se no dia e hora designados,
2. As decisões dos tribunais colegiais têm a designação
o tribunal ou os mandatários judiciais devem dar imedia-
de acórdãos.
to conhecimento do facto, de modo que as pessoas convo-
3. Os despachos de mero expediente destinam-se a cadas sejam prontamente notificadas do adiamento.
assegurar o andamento do processo, não interferindo no Subsecção IV
litígio pendente; os despachos de poder discricionário são
os proferidos em assunto confiado ao prudente arbítrio Actos da secretaria
do julgador.
Artigo 154º
Artigo 150º
Função e deveres das secretarias judiciais
Requisitos externos da sentença e do despacho
1. As secretarias judiciais asseguram o expediente, autua-
1. As decisões são datadas e assinadas pelo juiz ou ção e regular tramitação dos processos pendentes, nos termos
relator, que devem rubricar ainda as folhas não manus- da lei e na dependência do magistrado competente.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 31

2. Incumbe à secretaria a execução dos despachos judi- Artigo 157º


ciais, cumprindo-lhe realizar oficiosamente as diligências Prazos para o expediente da secretaria e diligências externas
necessárias para que o fim de aqueles seja prontamente
alcançado. 1. Salvos os casos de urgência que requeiram execução
imediata, deve a secretaria fazer os processos conclusos,
3. Dos actos dos funcionários da secretaria judicial cabe continuá-los com vista ou facultá-los para exame, passar
sempre reclamação para o juiz. os mandados e praticar os outros actos de expediente
dentro do prazo de dois dias.
4. Os lapsos e omissões dos actos praticados pela secre-
taria judicial não podem prejudicar as partes, sendo sem- 2. No próprio dia, sendo possível, deve a secretaria
pre passíveis de correcção pelo magistrado competente. submeter a despacho, avulsamente, os requerimentos
que não respeitem ao andamento de processos pendentes,
Artigo 155º juntar a estes os requerimentos, respostas, articulados e
Forma e requisitos externos dos autos e termos alegações que lhes digam respeito ou, se forem apresen-
tados fora do prazo ou houver dúvidas sobre a legalidade
1. Os termos e autos do processo são escritos, dacti- da junção, submetê-los a despacho do juiz, para este a
lografados, ou redigidos mediante processamento infor- ordenar ou recusar.
mático de texto, pelo funcionário da secretaria a quem
3. O prazo para conclusão do processo a que se junte
o encargo couber.
qualquer requerimento conta-se da apresentação deste
2. Os espaços em branco dos termos, autos e certidões ou da ordem de junção.
judiciais devem ser inutilizados, não podendo ser feitas 4. Na falta de disposição diversa, o prazo para a reali-
entrelinhas, rasuras ou emendas, que não sejam ressal- zação das diligências externas a cargo dos funcionários
vadas; nem usar-se abreviaturas, excepto quando estas judiciais é de dois dias, no âmbito das providências cau-
tenham significado inequívoco. telares, e de cinco dias nos demais casos.
3. É lícito o uso de modelos impressos ou de carimbos, Artigo 158º
que o funcionário completa. Actos a realizar pelos oficiais de diligências. Uso de contra-fé

4. Os autos e termos são válidos desde que estejam 1. Os actos judiciais que incumbem aos oficiais de di-
assinados pelo funcionário que os lavrou e pelo juiz que ligências são praticados em face de mandado assinado
interveio no acto. em nome do juiz ou relator pelo funcionário da secretaria
encarregado do processo ou em face do despacho que os
5. Se no acto não intervier o juiz, basta a assinatura ordenar, se tiver sido lançado em papel avulso.
do funcionário, salvo se o acto exprimir a manifestação
2. O prazo de cumprimento dos mandados e despachos,
de vontade de alguma das partes ou acarretar para
a que se refere o número anterior, é de cinco dias, a con-
ela qualquer responsabilidade, porque nestes casos é
tar da entrega do mandado ou do papel com o despacho,
necessária também a assinatura da parte ou do seu
exceptuando-se os casos de urgência, em que esse prazo
representante.
não pode ultrapassar os dois dias.
6. Quando seja necessária a assinatura da parte e 3. Os oficiais de diligências e demais funcionários da
esta não possa, não queira ou não saiba assinar, o auto secretaria do Tribunal Superior podem praticar os actos
ou termo é assinado por duas testemunhas que a reco- judiciais que lhes incumbam em toda a área da comarca
nheçam. sede do respectivo tribunal.
7. Para garantir a autenticidade dos autos, o funcio- 4. Nos casos previstos nas leis de organização judici-
nário da secretaria encarregado do processo é obrigado ária, a competência para a prática dos actos pelos fun-
a rubricar as folhas em que não haja a sua assinatura; cionários da secretaria podem abranger a área de outras
os juízes rubricarão também as folhas relativas aos ac- circunscrições judiciais.
tos em que intervenham, exceptuadas aquelas em que
5. Pode o oficial de diligências, quando por motivo pon-
assinarem.
deroso assim for expressamente autorizado pelo secretá-
8. As partes e seus mandatários têm o direito de ru- rio judicial, emitir contra-fé ou fazer uso de qualquer meio
bricar quaisquer folhas do processo. de comunicação à distância para solicitar a comparência
das partes ou de outros intervenientes no processo, no
9. A autenticação e certificação dos autos, termos e do- Tribunal, com o fim de neste local lhe serem entregues
cumentos processuais redigidos mediante processamento quaisquer informações, notificações, ordens ou mandados
de texto, são efectuados nos termos da correspondente judiciais a eles destinados.
lei informática. Subsecção V
Artigo 156º Acesso ao processo

Composição dos autos e termos Artigo 159º


Exame de processos pendentes ou arquivados
Cada auto e termo deve dar a conhecer, só pelo seu teor,
o acto respectivo, sem que se torne necessário recorrer a 1. Os processos pendentes ou arquivados podem ser
outras peças do processo. examinados na secretaria pelas partes, pelo Ministério

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32 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

Público e pelas pessoas com direito ao exercício do mandato concedido para o exame. A nota tem de ser assinada pelo
judicial e por quem nisso tiver um interesse atendível, requerente ou por outra pessoa munida de autorização
neste caso mediante autorização do juiz. escrita para o efeito.
2. O acesso aos autos é limitado, salvo relativamente 8. Quando o processo for restituído, dar-se-á a res-
ao Ministério Público, no caso em que a divulgação do pectiva baixa, com menção da data, ao lado da nota de
seu conteúdo possa causar dano à dignidade das pesso- entrega.
as, à intimidade da vida privada ou familiar ou à moral
pública, ou pôr em causa a eficácia da decisão a proferir, 9. Não sendo o processo restituído à secretaria dentro
nomeadamente: do prazo fixado, é o mandatário oficiosamente notificado
para, no prazo de dois dias, efectuar a entrega dos autos
a) Nos processos de anulação de casamento, cessação que lhe foram confiados e justificar o seu procedimento.
de união de facto, divórcio e impugnação ou Caso o juiz não aceite a justificação apresentada, o man-
investigação de paternidade, que só podem datário judicial é condenado em multa.
ser facultados às partes e seus mandatários;
e 10. O disposto no presente artigo é aplicável ao Minis-
tério Público, com as devidas adaptações, ainda que não
b) Nos procedimentos cautelares pendentes, que só represente qualquer das partes no processo.
podem ser facultados aos requerentes e seus
Artigo 161º
mandatários, salvo se, sendo a parte contrária
ouvida antes de concluída a diligência, o juiz Certidões
autorizar que o processo lhe seja facultado ou
ao seu mandatário. 1. A secretaria deve, sem precedência de despacho, pas-
sar as certidões, narrativas ou de teor, de todos os actos
3. O Ministério Público é notificado, por termo nos e termos judiciais, que lhe sejam pedidas, oralmente ou
autos e sem dependência de qualquer despacho, de to- por escrito, pelas partes no processo ou, por quem possa
das as decisões judiciais que ponham termo à causa e exercer o mandato judicial ou por quem revele interesse
estejam compreendidas no âmbito das suas atribuições atendível em as obter.
constitucionais.
2. Tratando-se, porém, dos processos a que aludem as
Artigo 160º alíneas a) e b) do número 2 do artigo 159º que só podem
Confiança do processo
ser examinados pelas partes e seus mandatários, ne-
nhuma certidão pode ser passada sem prévio despacho
1. Os mandatários constituídos pelas partes podem sobre a justificação, em requerimento escrito, da sua
requerer que os processos pendentes lhes sejam confiados necessidade, devendo o despacho estabelecer os limites
para exame fora da secretaria, mediante pedido escrito da certidão, de forma a salvaguardar, quanto possível,
ou verbal apresentado para o efeito. a natureza reservada do processo.

2. Tratando-se de processos findos, a confiança pode 3. Dos procedimentos cautelares, enquanto estiverem
ser requerida por qualquer pessoa capaz de exercer o na fase de segredo, também só podem obter certidões as
mandato judicial, a quem seja lícito examiná-los na pessoas a quem é facultado o seu exame.
secretaria.
4. As certidões devem ser passadas no prazo de cinco
3. Na falta de disposição legal ou despacho que fixe dias, salvo o caso de urgência, em que devem ser passadas
prazo para o exame, é este determinado, sem prorrogação, imediatamente.
até cinco dias, pela secretaria.
5. Se a secretaria recusar certidão, que deva passar
4. Nos casos em que, por disposição da lei ou despacho independentemente de despacho, ou se exceder o prazo
do juiz, o mandatário judicial tenha prazo para exame do fixado para a sua passagem, deve o juiz, a requerimento
processo, a secretaria, a simples pedido verbal, confia-lhe do interessado e depois de ouvido o funcionário respon-
o processo pelo prazo marcado. sável, ordenar a passagem imediata da certidão ou fixar
prazo para a sua entrega, sem prejuízo das medidas
5. Os processos pendentes podem ser também con- disciplinares que a falta origine.
fiados, para exame fora da secretaria, nos termos dos
Subsecção VI
números anteriores, quer aos magistrados do Ministério
Público, quer àqueles que exerçam o patrocínio por no- Comunicação dos actos
meação oficiosa.
Artigo 162º
6. A recusa da confiança do processo pode ser objecto Formas de requisição e comunicação de actos processuais
de reclamação para o juiz, que decide depois de ouvida
a secretaria. Todos estes actos podem ser puramente 1. A prática de actos processuais pode ser ordenada ou
verbais. solicitada a outros tribunais ou autoridades por meio de
mandado, carta ou ofício.
7. A entrega dos autos, a que se referem os números
anteriores, é registada em livro especial, indicando-se 2. Se o acto processual for urgente, deve ser utilizado
o processo em causa, o dia e hora da entrega e o prazo o meio de comunicação mais rápido e seguro.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 33

3. Emprega-se o mandado quando o acto deva ser 4. Se for remetido o original, é a carta expedida e devol-
praticado dentro dos limites territoriais da jurisdição do vida oficialmente. Neste caso, pode qualquer das partes,
tribunal ou da autoridade que o ordena. antes da expedição, fazer fotografar o original, mas sem
que o processo haja de ser-lhe confiado para esse efeito.
4. Emprega-se a carta quando o acto deva ser praticado
fora desses limites. Artigo 165º

5. A carta é precatória quando o acto seja solicitado a um Limites temporais para o cumprimento das cartas
tribunal ou a um cônsul cabo-verdiano; é rogatória quando 1. As cartas devem ser cumpridas pelo tribunal de-
o acto seja solicitado a uma autoridade estrangeira. precado no prazo máximo de dois meses, a contar da
6. Quando se fizer uso do meio previsto no número 2 expedição, que é notificada às partes, quando tenha por
deve ser documentada por cota nos autos, com a menção objecto a produção de prova.
do conteúdo essencial da diligência.
2. Quando a diligência deva realizar-se no estrangeiro
7. O pedido de informações, de envio de documentos ou o prazo para o cumprimento da carta é de três meses.
de realização de actos que não envolvam a participação
3. O juiz deprecante pode, sempre que se mostre justi-
dos serviços de justiça pode ser directamente feita às
ficado, estabelecer prazo mais curto ou mais longo para
entidades cuja colaboração se requer, por ofício ou outro
o cumprimento das cartas.
meio de comunicação.
4. Quando, antes de findar o prazo designado, se mos-
8. Podem também ser solicitadas por simples ofício, mes-
tre, por certidão ou comunicação oficial, que a carta não
mo a autoridades estrangeiras as citações, notificações ou
pode ser cumprida dentro dele, concede-se prorrogação.
fixação de editais.
O termo do prazo não obsta a que a carta seja tomada
9. As citações e as notificações por via postal são envia- em consideração, se ainda não houver decisão sobre a
das directamente para o interessado a que se destinam, matéria de facto.
seja qual for a circunscrição em que se encontre.
5. Se, dentro do prazo estabelecido para o cumprimento,
Artigo 163º se fizer prova do extravio da carta, é emitida segunda via.
Destinatários das cartas
6. Não sendo a carta tempestivamente cumprida, pode
1. As cartas são dirigidas ao tribunal em cuja área ainda o juiz determinar a comparência na audiência final
jurisdicional houver de se praticar o acto. de quem devia prestar depoimento, quando o repute
essencial a descoberta da verdade e tal não represente
2. A carta para citação, notificação, exame ou depoi- sacrifício incomportável.
mento de juiz em exercício, de seu cônjuge ou equipa-
rado ou de algum seu ascendente ou descendente por Artigo 166º
consanguinidade é dirigida ao tribunal da comarca mais Expedição e entrega das cartas
próxima, ao qual são também dirigidas as cartas para
outras diligências quando emanem de processo em que 1. As cartas precatórias são expedidas pela secretaria,
seja parte alguma daquelas pessoas. podendo ser entregues à parte que as tiver solicitado,
quando esta o requerer e não estejam, por lei, sujeitas a
3. O disposto no número anterior não tem aplicação expedição oficial.
nas circunscrições onde houver mais de um juiz.
2. As cartas rogatórias, seja qual for o acto a que se
4. Reconhecendo-se que o acto deve ser praticado em destinem, são expedidas pela secretaria e endereçadas
lugar diverso do indicado na carta, deve esta ser cumprida directamente à autoridade ou tribunal estrangeiro, salvo
pelo tribunal desse lugar. Para tanto, deve o tribunal, ao tratado ou convenção em contrário. A expedição faz-se pela
qual a carta foi dirigida, remetê-la ao que haja de a cum- via diplomática ou consular, através do Ministério Público,
prir, comunicando o facto ao tribunal que a expediu. quando a rogatória se dirija a Estado que só por essa via
Artigo 164 º receba cartas; se o Estado respectivo não receber cartas por
via oficial, a rogatória é entregue ao interessado.
Conteúdo das cartas
3. A expedição oficial de carta para acto de produção
1. As cartas são assinadas pelo juiz ou relator e apenas
de prova é notificada a ambas as partes. A entrega de
contêm o que seja estritamente necessário para a reali-
rogatória para esse fim é notificada à parte contrária
zação da diligência.
àquela que a recebeu.
2. As cartas para afixação de editais são acompanha- Artigo 167º
das destes e da respectiva cópia para nela ser lançada a
certidão da afixação. Efeitos da expedição da carta sobre a marcha do processo

3. Existindo nos autos algum autógrafo, ou alguma A expedição da carta não obsta a que se prossiga nos
planta, desenho ou gráfico que deva ser examinado no mais termos que não dependam absolutamente da di-
acto da diligência pelas partes, peritos ou testemunhas, ligência requisitada; mas a discussão e julgamento da
remete-se com a carta esse papel ou uma reprodução causa só podem ter lugar depois de cumprida a carta ou
fotográfica dele. findo o prazo do seu cumprimento.

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34 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 168º 2. Quando a carta não seja para citação, notificação
ou afixação de editais, a sua junção ao processo de que
Recusa de cumprimento da carta precatória
dimanou é notificada às partes ou, se alguma delas
1. O tribunal deprecado pode recusar-se a cumprir a tiver sido a portadora, só à parte contrária. Os prazos
carta sempre que não tiver competência para o acto re- que dependam do cumprimento da carta contam-se da
quisitado, sem prejuízo do disposto no número 4 do artigo notificação efectuada ou, para a parte que foi portadora,
162º, e quando o acto seja absolutamente proibido. da data da junção.
Artigo 172º
2. Quando tenha dúvidas sobre a autenticidade da
carta, o tribunal deprecado pede ao juiz deprecante as Assinatura, conteúdo e dispensa dos mandados
informações necessárias, suspendendo o cumprimento
até as obter. 1. Os mandados são passados em nome do tribunal e
assinados por um dos funcionários da secretaria.
Artigo 169º

Recusa de cumprimento da carta rogatória 2. Além da ordem do juiz, o mandado só contém as


indicações que sejam indispensáveis para o seu cum-
O cumprimento das cartas rogatórias é recusado nos primento.
casos mencionados no número 1 do artigo anterior e
ainda nos seguintes: 3. O mandado não é passado quando o acto for ordenado
em carta ou outro papel que possa ser enviado ao tribunal
a) Se a carta não estiver devidamente legalizada, inferior, e ainda quando o acto possa ser praticado fora
não tendo sido recebida por via diplomática do tribunal sem necessidade de credencial.
e não existindo tratado, convenção ou acordo
que dispense a legalização; Secção II

Nulidade dos actos


b) Se o acto for contrário à ordem pública
internacional do Estado cabo-verdiano; Artigo 173º

c) Se a execução da carta for atentatória da Ineptidão de petição inicial


soberania ou da segurança do Estado; e
1. É nulo todo o processo quando for inepta a petição
d) Se o acto importar execução de decisão de inicial.
tribunal estrangeiro sujeita a revisão e que
se não mostre revista e confirmada. 2. Diz-se inepta a petição:
Artigo 170º a) Quando falte ou seja ininteligível a indicação do
Cumprimento das cartas pedido ou da causa de pedir;

1. As cartas rogatórias emanadas de autoridades b) Quando o pedido esteja em contradição com a


estrangeiras são recebidas por qualquer via, salvo tra- causa de pedir; e
tado, convenção ou acordo em contrário, competindo ao
Ministério Público promover os termos das que tenham c) Quando se cumulem pedidos substancialmente
sido recebidas por via diplomática. incompatíveis.

2. Recebida a carta rogatória, a secretaria dá vista 3. Se o réu contestar, apesar de arguir a ineptidão
ao Ministério Público, para deduzir eventual oposição à com fundamento na alínea a) do número anterior, não
sua execução, quando for caso disso, cabendo ao juiz, em se julga procedente a arguição quando, ouvido o autor,
qualquer caso, ordenar ou recusar o cumprimento. se verificar que o réu interpretou convenientemente a
petição inicial.
3. O Ministério Público pode interpor recurso, com
efeito suspensivo, do despacho de cumprimento, seja qual 4. No caso da alínea c) do número 2, a nulidade subsiste,
for o valor da causa, a que o acto respeita. ainda que um dos pedidos fique sem efeito por incompe-
tência do tribunal ou por erro na forma do processo.
4. Ao tribunal deprecado ou rogado compete regular,
Artigo 174º
de harmonia com a lei, o cumprimento da carta, sem
prejuízo da observância das formalidades especialmente Nulidade do processado posterior à petição
requeridas na carta rogatória, contanto que as mesmas
não violem a lei cabo-verdiana. É nulo tudo o que se processe depois da petição inicial,
salvando-se apenas esta:
Artigo 171º

Devolução ou entrega da carta, depois de cumprida a) Quando o réu não tenha sido citado; e

1. Depois de cumprida, a carta é entregue à parte que b) Quando não tenha sido citado, logo no início do
a apresentou ou devolvida ao juízo de proveniência, se processo, o Ministério Público, nos casos em
tiver sido oficialmente expedida. que deva intervir como parte principal.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 35
Artigo 175º Artigo 176º

Falta de citação Nulidade da citação

1. Há falta de citação:
1. É nula a citação quando, observadas as formalidades
a) Quando o acto tenha sido completamente essenciais, tenha havido preterição de outras formalida-
omitido; des prescritas na lei.

b) Quando tenha havido erro de identidade do citado; 2. O prazo para a arguição da nulidade conta-se desde
a citação; mas a arguição só é atendida se a falta ocorrida
c) Quando se tenha empregado indevidamente a
puder prejudicar a defesa do citado.
citação edital;
d) Quando a citação tenha sido feita com preterição 3. Se a irregularidade consistir em se ter indicado
de formalidades essenciais; e para a defesa prazo superior ao que a lei concede, deve
a defesa ser admitida dentro do prazo indicado, a não
e) Quando se mostre que foi efectuada depois do ser que o autor tenha feito citar novamente o réu em
falecimento do citando. termos regulares.
2. São formalidades essenciais da citação: Artigo 177º

a) Na citação feita na pessoa do réu, a entrega do Erro na forma de processo


duplicado e a assinatura do citado na certidão
ou a intervenção de duas testemunhas quando 1. O erro na forma de processo determina unicamente
citado não assine; a anulação dos actos que não possam ser aproveitados,
devendo praticar-se os que forem estritamente necessá-
b) No caso a que se refere a disposição deste
rios para que o processo se aproxime, quanto possível,
Código em que não haja vizinhos ou estes se
da forma estabelecida pela lei.
recusarem a aceitar e transmitir a citação ao
destinatário, a afixação da nota no lugar e com
2. Não devem, porém, aproveitar-se os actos já prati-
os requisitos que o texto exige e a expedição
cados, se do facto resultar uma diminuição de garantias
da carta registada;
do réu.
c) Na citação feita em pessoa diversa do réu: que
Artigo 178º
esta pessoa seja a designada pela lei; que
se verifique o caso em que a lei permite Falta de vista ou exame ao Ministério Público
a substituição; a entrega do duplicado; a como parte acessória
assinatura da mesma pessoa na certidão
ou a intervenção de duas testemunhas, e a 1. A falta de vista ou exame ao Ministério Público,
expedição da carta registada, com aviso de quando a lei exija a sua intervenção como parte acessó-
recepção, ao réu; ria, considera-se sanada desde que a pessoa a que devia
prestar assistência tenha feito valer os seus direitos no
d) Na citação postal, a assinatura do aviso de processo por intermédio do seu representante.
recepção e a entrega do duplicado; e
2. Se a causa tiver corrido à revelia da parte que devia
e) Na citação edital, a afixação de um edital nalgum
ser assistida pelo Ministério Público, o processo é anula-
dos lugares indicados por disposição legal para
do a partir do momento em que devia ser dada vista ou
o efeito e, se a lei exigir também, a publicação
facultado o exame.
de um anúncio no jornal próprio.
Artigo 179º
3. A nulidade por falta de citação considera-se sanada
se o réu ou o Ministério Público intervier no processo sem Fundamentos e extensão da nulidade
arguir logo o vício.
1. Fora dos casos previstos nos artigos anteriores
4. Havendo vários réus, a falta de citação de um deles
desta secção, a prática de um acto que a lei não admita,
tem as consequências seguintes:
a omissão de um acto ou de uma formalidade que ela
a) No caso de litisconsórcio necessário, anula-se prescreva, produzem nulidade processual sempre que a
tudo o que se tenha processado depois das lei o declare ou a irregularidade cometida possa influir
citações; e no exame ou na decisão da causa.

b) No caso de litisconsórcio voluntário, nada se 2. A nulidade de um acto implica a inutilização dos


anula. Mas se o processo ainda não estiver na termos subsequentes do processo que dele dependam
altura de ser designado dia para a discussão substancialmente. A nulidade de uma parte do acto não
e julgamento da causa, pode o autor requerer prejudica as partes que dela sejam independentes.
que o réu seja citado; neste caso, não se realiza
a discussão sem que o citado seja admitido a 3. Se o vício de que o acto sofre impedir a produção
exercer, no processo, a actividade de que foi de determinado efeito, não se têm como prejudicados os
privado pela falta de citação oportuna. efeitos para cuja produção o acto se mostre idóneo.

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36 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 180º 2. Proferido despacho saneador, só pode conhecer-se
das nulidades mencionadas no número anterior mediante
Nulidades de que o tribunal conhece oficiosamente
reclamação dos interessados, quando seja admissível.
Das nulidades mencionadas nos artigos 173º, 174º,
3. As demais nulidades devem ser apreciadas logo que
177ºe 178º pode o tribunal conhecer oficiosamente, a não
arguidas.
ser que devam considerar-se sanadas. Das restantes só
pode conhecer mediante reclamação dos interessados, Artigo 185º
salvos os casos em que a lei permite o conhecimento
Regras gerais sobre o julgamento
oficioso.
Artigo 181º
1. A arguição de qualquer nulidade pode ser imediata-
mente indeferida, mas não pode ser deferida sem prévia
Legitimidade para a arguição audiência da parte contrária, salvo caso de manifesta
desnecessidade.
1. Fora dos casos previstos no artigo anterior, a nulida-
de só pode ser invocada pelo interessado na observância 2. Nos Tribunais Superiores é aplicável o disposto no
da formalidade ou na realização, repetição ou eliminação número anterior, devendo o relator levar o processo à
do acto. conferência para se decidir por acórdão, depois de ouvida
a parte contrária, se tal for necessário. A conferência
2. Não pode arguir a nulidade a parte que lhe deu pode, porém, ordenar a audiência da parte contrária,
causa ou que, expressa ou tacitamente, renunciou à sua quando tenha sido dispensada pelo relator.
arguição.
Artigo 186º
Artigo 182º
Não renovação do acto nulo
Prazo para arguição de casos especiais
O acto nulo não pode ser renovado se já expirou o pra-
1. A ineptidão da petição inicial e o erro na forma de zo dentro do qual devia ser praticado, a não ser que a
processo podem ser arguidas pelo réu até à contestação renovação aproveite a quem não tenha responsabilidade
ou neste articulado. na nulidade.
Secção III
2. A falta de citação e a falta de vista ou exame ao
Ministério Público como parte acessória podem ser ar- Actos especiais
guidas em qualquer estado do processo, enquanto não
Subsecção I
estiverem sanadas.
Distribuição
Artigo 183º
Divisão I
Regra geral sobre o prazo de arguição
Disposições gerais
1. Se a parte estiver presente, por si ou por mandatário,
no momento em que for cometida a irregularidade, pode Artigo 187º
a nulidade ser arguida enquanto o acto não terminar; se Distribuição
não estiver, o prazo para a arguição conta-se do dia em
que, depois de ocorrida a irregularidade, a parte interveio 1. A distribuição é a operação pela qual se designa o
em algum acto praticado no processo ou foi notificada para juízo ou o cartório em que o processo há-de correr ou o juiz
qualquer termo dele, de forma a presumir-se que tomou que há-de exercer as funções de relator com a finalidade
ou a considerar-se que podia ter tomado conhecimento de se repartir com igualdade o serviço do tribunal e de
da irregularidade, agindo com a diligência devida. não discriminar o tratamento das partes.

2. Arguida ou notada a irregularidade durante a 2. A distribuição opera-se através dos mecanismos


prática de acto, deve o juiz, que a ele presida, tomar as previstos na presente secção ou pelo sistema de entrada
providências necessárias para que a lei seja cumprida. e numeração automáticas dos processos, advenientes de
comunicação electrónica ou de outros meios informáti-
3. Se o processo for expedido em recurso antes de findar cos de conexão entre as partes e o tribunal, desde que
o prazo de arguição, pode a nulidade ser invocada pe- nestes últimos casos esteja assegurada a aleatoriedade
rante o tribunal superior, contando-se o prazo desde a e a transparência do acto e assim tiver sido estabelecido
distribuição. por Decreto-Regulamentar.
Artigo 184º Artigo 188º

Momento do conhecimento das nulidades Falta ou irregularidade da distribuição

1. O juiz deve conhecer no despacho saneador, se antes 1. A falta ou irregularidade da distribuição não produz
o não tiver feito, das nulidades referidas nos artigos 173º, nulidade de nenhum acto do processo, mas pode ser recla-
174º, 177º e 178º, podendo conhecer delas até à sentença mada por qualquer interessado até ao início da audiência
final, se não houver tal despacho. final ou suprida oficiosamente até à decisão final.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 37

2. As divergências que se suscitem entre juízes da mesma Artigo 194º


comarca sobre a designação do juízo ou cartório em que Sorteio dos papéis
o processo há-de correr são resolvidas pelo presidente do
Supremo Tribunal de Justiça, observando-se processo 1. Classificados e numerados os papéis, procede-se
semelhante ao estabelecido no artigo 110º e seguintes. a sorteio mediante a extracção de uma esfera de uma
Artigo 189 º
urna em que tenham entrado esferas com os números
correspondentes aos papéis da espécie.
Admissão à distribuição
2. Apurado o número do papel, este é atribuído ao juízo
1. Não deve ser admitido à distribuição nenhum papel
que na espécie figure em primeiro lugar por preencher
sem as formalidades externas, legalmente exigidas, da
no livro escala de distribuição, atribuindo-se os restantes
declaração processual.
papéis por ordem de numeração dos juízos até à última
2. Se o distribuidor tiver dúvidas na admissão de al- e voltando-se ao primeiro juízo até se completar a distri-
gum papel, apresentá-lo-á com informação escrita ao juiz buição de papéis da espécie.
presidente da operação, que decide sobre a admissão ou
recusa do documento. 3. Feita a distribuição de uma espécie, o juiz tranca
no livro, escala os juízos a que tiverem sido atribuídos os
Divisão II
papéis, devendo, porém, rubricar o espaço reservado ao
Distribuição na primeira instância juízo a que tiver sido atribuído o último papel.
Artigo 190º
Artigo 195º
Papéis sujeitos a distribuição
Sorteio no caso de haver um único papel de alguma espécie
1. Estão sujeitos a distribuição na primeira instância:
1. Quando apareça um único papel de alguma espécie,
a) Os papéis que importem começo de causa, salvo procede-se a sorteio mediante a extracção de uma esfera
se esta for dependência de outra já distribuída; da urna, na qual tenham entrado esferas com os núme-
e ros dos juízos que estejam por preencher na respectiva
b) Os papéis que venham de outro tribunal, com espécie, devendo o juiz rubricar no livro escala o espaço
excepção das cartas precatórias, mandados, reservado ao juízo a que tiver sido atribuído esse papel.
telegramas ou outros meios de comunicação,
2. Nas distribuições subsequentes com mais de um
para simples citação, notificação ou afixação
papel observar-se-á o disposto no artigo anterior, mas não
de editais.
é atribuído qualquer papel ao juízo sorteado nos termos
2. As causas que por lei ou por despacho devam consi- do número antecedente.
derar-se dependentes de outras são apensadas àquelas
de que dependerem. 3. Quando apareça um único papel de alguma espécie
e haja apenas um juízo por preencher, é o papel averbado
Artigo 191º
por certeza a quem competir.
Actos que não dependem de distribuição
Artigo 196º
Não dependem de distribuição as notificações avulsas,
Assento do resultado
as arrecadações, os actos preparatórios, os procedimentos
cautelares e quaisquer diligências urgentes que devam ser Para atribuição dos papéis nos termos indicados nos nú-
feitas antes do começo da causa ou da citação do réu. meros 1 e 2 do artigo 194º o distribuidor escreve nos papéis,
Artigo 192 º sob a orientação do juiz, o número do juízo a que cada um
Horário da distribuição
tiver cabido, datando e rubricando a respectiva cota.
Artigo 197º
1. A distribuição é feita às segundas e quintas-feiras,
pelas 17 horas, sob a presidência do juiz presidente, ou Fixação e registo
de turno e abrange unicamente os papéis entrados até às
12 horas desses dias, sendo o distribuidor auxiliado pelos 1. Distribuídos os papéis de uma espécie, procede-se
funcionários da secretaria que o juiz designar. semelhantemente à distribuição dos papéis das espécies
seguintes.
2. Quando os dias destinados à distribuição sejam dias
feriados, a distribuição realiza-se no primeiro dia útil. 2. Terminada a distribuição em todas as espécies, pro-
Artigo 193º cede-se à publicação do seu resultado por meio de uma
pauta afixada na porta do tribunal, com especificação
Classificação e numeração dos papéis
dos juízos e das partes. Na mesma pauta é publicada a
1. O distribuidor começa por fazer a classificação dos recusa de qualquer papel, com indicação das partes a
papéis que houver a distribuir, escrevendo em cada um que respeite.
deles, por extenso, a espécie a que pertence e o número
de ordem que lhe corresponde, quando dentro da mesma 3. A distribuição é registada pelo distribuidor no livro
espécie haja mais do que um papel. respectivo, e os responsáveis do juízo assinam no próprio
livro o recibo da entrega dos papéis que lhes tiverem toca-
2. As dúvidas sobre a classificação dos papéis são logo re- do, sem o que subsiste a responsabilidade do distribuidor
solvidas verbalmente pelo juiz que preside à distribuição. por esses papéis.

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38 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 198º Artigo 203º

Erro na distribuição Erro na distribuição

O erro da distribuição é corrigido pela forma seguinte: 1. Quando tiver havido erro na distribuição, o processo é
a) Quando afecte a designação do juiz, nas comarcas distribuído novamente, aproveitando-se, porém, os vistos
em que haja mais do que um, faz-se nova que já tiver.
distribuição e dá-se baixa da anterior; e
2. Se o erro for consequência da classificação do processo,
b) Nos outros casos, o processo continua a correr é este carregado ao mesmo relator na espécie devida,
no mesmo juízo, carregando-se na espécie descarregando-se daquela em que estava indevidamente
competente e descarregando-se da espécie em classificado.
que estava.
Artigo 204º
Artigo 199º
Espécies
Rectificação da distribuição
Nos Tribunais Superiores há as seguintes espécies de
O disposto no artigo anterior é igualmente aplicável processos:
ao caso de sobrevirem circunstâncias que determinem
alteração da espécie do papel distribuído. a) Na 2ª instância:
Artigo 200º
i. Apelação;
Espécies na distribuição
ii. Agravo; e
Na distribuição há as seguintes espécies:
iii. Causas de que o tribunal conhece em primeira
a) Acções de processo declarativo;
instância.
b) Acções de processo executivo;
b) No Supremo Tribunal de Justiça:
c) Processos Especiais;
i. Revista;
d) Incidentes de instância;
ii. Revisão;
e) Procedimentos cautelares;
iii. Conflitos; e
f) Cartas precatórias ou rogatórias, recursos de
conservadores, notários e outros funcionários, iv. Causas de que o tribunal conhece em única
reclamações sobre a reforma de livros das instância.
conservatórias; e
Artigo 205º
g) Outros papéis.
Como se faz a distribuição
Divisão III

Distribuição nos tribunais superiores 1. Na distribuição atende-se à ordem de precedência dos


juízes. Numerados os papéis de cada espécie, entram numa
Artigo 201º
urna as esferas de números correspondentes aos daqueles
Quando e como se faz a distribuição que haja para distribuir na espécie mais baixa.

1. No Supremo Tribunal de Justiça os papéis são dis- 2. O presidente, tirando-as uma a uma, lê em voz alta
tribuídos na primeira sessão seguinte ao recebimento o número que sair; o secretário diz em voz alta o apelido
ou apresentação. do juiz a quem couber, segundo a sua ordem, e escreve
no rosto do processo o mesmo apelido, lavrando no livro
2. A distribuição é feita, com intervenção do presidente competente o respectivo assento. O mesmo se pratica
ou seu substituto e do secretário, na presença dos juízes sucessivamente nas espécies imediatas.
e dos funcionários da secretaria, conforme determinação
do presidente. 3. Havendo em qualquer espécie um só processo para
distribuir, entram na urna quatro esferas com os números
3. O presidente designa, por turno, em cada mês, o juiz
correspondentes aos quatro primeiros juízes a preencher
que intervém na distribuição.
nessa espécie, e o número que sair designa o juiz a quem
Artigo 202º o processo fica distribuído.
Classificação e numeração dos papéis
4. O juiz de turno toma nota dos números que forem
O secretário classifica e numera os papéis que houver saindo e revê o livro da distribuição, que o secretário lhe
a distribuir e, se tiver dúvidas sobre a classificação de apresenta, com os processos ou papéis, finda que seja a
algum, são as mesmas resolvidas verbalmente pelo pre- distribuição. Se achar que os assentos estão conformes,
sidente ou seu substituto. rubrica-os.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 39
Artigo 206º Artigo 210º

Segunda distribuição
Dias em que não se pode efectuar a citação ou a notificação
1. Se no acto da distribuição constar que está impedido o
juiz a quem o processo foi distribuído, é logo feita segunda 1. Ninguém pode ser citado ou notificado no dia do
distribuição na mesma escala. O mesmo se observa se casamento, no dia do falecimento do seu cônjuge ou equi-
mais tarde o relator ficar impedido ou deixar de pertencer parado, pai, mãe ou filho, nem nos oito dias seguintes.
ao tribunal.
2. Tendo falecido qualquer outro ascendente ou descen-
2. Se o impedimento for temporário e cessar antes do dente, um irmão, ou afim nos mesmos graus em que estão
julgamento, dá-se baixa da segunda distribuição, voltan- os parentes designados neste artigo, a proibição abrange
do a ser relator do processo o primeiro designado e ficando o dia do falecimento e os três dias seguintes.
o segundo para ser preenchido em primeira distribuição;
se o impedimento se tornar definitivo, subsiste a segunda Artigo 211º
distribuição.
Casos em que têm de intervir testemunhas
Subsecção II

Citação e notificações 1. Se a pessoa que deve assinar a certidão da citação


Divisão I ou da notificação não quiser, não souber ou não puder
assinar, ou se o oficial não conhecer a pessoa em quem fez
Disposições comuns a diligência e esta não exibir documento que a identifique,
Artigo 207º intervêm duas testemunhas, sempre que tal intervenção
seja possível.
Funções da citação e da notificação

1. A citação é o acto pelo qual se dá conhecimento ao 2. Se intervierem testemunhas, devem estas assinar
réu de que foi proposta contra ele determinada acção e se a certidão, sabendo e podendo fazê-lo.
chama ao processo para se defender. Emprega-se ainda
para chamar, pela primeira vez, ao processo alguma 3. O funcionário que efectuar a diligência indica, na
pessoa interessada na causa. respectiva certidão, as razões da impossibilidade da in-
tervenção de testemunhas ou da não aposição, por estas,
2. A notificação serve para, em quaisquer outros casos, das respectivas assinaturas.
chamar alguém a juízo ou dar conhecimento de um facto.
Artigo 212º
3. A citação e as notificações são sempre acompanhadas
de todos os elementos e de cópias legíveis dos documentos
Modalidades
e peças do processo necessários à plena compreensão do
seu objecto. 1. A citação pode ser pessoal ou edital.
Artigo 208º
2. A citação pessoal é feita pelo funcionário judicial ou
Necessidade de despacho prévio
pelo correio e deve ser efectuada na própria pessoa do
1. A citação e a notificação dependem de despacho citando; só se faz noutra pessoa quando a lei expressa-
judicial, salvo nos casos em que por disposição expressa mente o permita ou quando o citando tenha constituído
da lei resulte o contrário. mandatário com poderes especiais para a receber, me-
diante procuração passada há menos de três anos.
2. A notificação relativa a processo pendente deve
considerar-se consequência necessária do despacho que 3. A citação edital é feita não só quando o citando se
designa dia para qualquer acto em que devam compare- encontre em parte incerta, mas também quando sejam
cer determinadas pessoas ou a que as partes tenham o incertas as pessoas a citar.
direito de assistir; devem também ser notificados, sem
necessidade de ordem expressa, as sentenças e os des- 4. Incumbe ao juiz fixar, no despacho de citação, a
pachos que a lei mande notificar e todos os que possam modalidade da citação que melhor se adapte às circuns-
causar prejuízo às partes. tâncias de cada caso.
3. Cumpre ainda à secretaria notificar oficiosamente as
partes quando, por virtude de disposição legal expressa, 5. A citação pelo correio só pode ser feita quando o
possam responder a requerimentos, oferecer provas ou, de citando resida no estrangeiro, ou for pessoa colectiva ou
um modo geral, exercer algum direito processual que não sociedade.
dependa de prazo a fixar pelo juiz nem de prévia citação.
6. É ainda admitida a citação por mandatário judi-
Artigo 209º cial que na petição inicial declare o propósito de querer
Citação ou notificação dos agentes diplomáticos fazê-la por si, por outro mandatário judicial, por via de
solicitador ou de empregado habilitado para prestação
Com os agentes diplomáticos observa-se o que estiver de serviço forense, podendo requerer ainda a assunção
estipulado nos tratados e, na falta de estipulação, o prin- da diligência em momento ulterior sempre que qualquer
cípio da reciprocidade. outra forma de citação se tenha frustrado.

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40 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 213º Artigo 216º

Citação ou notificação de certas pessoas Citação no caso de o citando estar impossibilitado


de a receber
1. Os incapazes, os incertos, as pessoas colectivas, as so-
ciedades e os patrimónios autónomos e os condomínios são 1. Quando a citação se não faça por estar o citando
citados ou notificados na pessoa dos seus representantes. impossibilitado de a receber, em consequência de anomalia
psíquica ou outro motivo grave, o funcionário lavra cer-
2. Quando a representação pertença a mais de uma tidão em que declare a ocorrência.
pessoa, ainda que cumulativamente, basta que seja citada
ou notificada uma delas. 2. Da certidão é dado, independentemente de despacho, co-
nhecimento imediato ao autor, que promove a justificação
Divisão II
da impossibilidade ou insisti pela citação pessoal, confor-
Citação me tenha ou não por exacta a informação do funcionário.
Insistindo o autor pela citação pessoal, o juiz decide se
Artigo 214º
deve ou não efectuar-se a diligência, colhidas as informa-
Lugar da citação ções e produzidas as provas que julgue necessárias.
1. A citação pode efectuar-se em qualquer lugar em 3. Se a impossibilidade proceder de anomalia psíquica,
que se encontre o citando, mas com a discrição necessária pode considerar-se justificada à vista de atestado passado
para evitar vexames inúteis. pelo director do estabelecimento em que o citando esteja
internado; não estando internado, junta-se para o efeito,
2. Ninguém pode ser citado dentro dos templos ou en- atestados de dois médicos especializados em psiquiatria
quanto estiver ocupado por acto de serviço público que ou faz-se prova da notoriedade da anomalia por meio de
não deva ser interrompido. testemunhas de reconhecida probidade, até ao número
3. Os representantes das pessoas colectivas são citados de três.
na sede da pessoa colectiva, em sua própria pessoa, se aí 4. Se a impossibilidade provier de outra causa de ca-
se encontrarem, ou na pessoa de qualquer empregado; rácter permanente ou duradouro, como a surdas-mudas,
não se encontrando nenhum deles, o representante é paralisia ou cegueira, a justificação é feita igualmente
citado nos termos do número 1. pelo depoimento de testemunhas de reconhecida probi-
4. A citação feita na pessoa de um empregado nas con- dade, até ao número de três, ou pela junção de atestados
dições previstas no número anterior tem o mesmo valor de dois médicos; se a causa da impossibilidade for, pelo
que a citação feita na própria pessoa do representante. contrário, de carácter passageiro, a prova pode fazer-se
mediante atestado passado pelo médico assistente ou pelo
Artigo 215º
depoimento de testemunhas igualmente idóneas.
Citação pelo funcionário de justiça com hora certa
5. Reconhecida a impossibilidade, é nomeado curador
1. Se o funcionário, procurando o citando na sua resi- ao citando, preferindo-se a pessoa a quem, nos termos
dência, nela o não encontrar, deixa a indicação de hora da lei civil, competiria a tutela dele e sendo a nomeação
certa, para o primeiro dia útil seguinte, na pessoa ali restrita à causa; a citação é feita na pessoa do curador,
encontrada, preferindo os parentes, ou afixa o respectivo mas, uma vez efectuada, se a causa da impossibilidade
aviso na porta da residência do citando, se essas pessoas for passageira, os termos da acção suspendem-se até que
se recusarem a recebê-lo. a impossibilidade cesse, não podendo a suspensão ir além
de dois meses; se entretanto o réu falecer, a suspensão
2. No dia e hora designados, o funcionário faz a citação prolonga-se até à habilitação dos herdeiros.
na pessoa do citando, se o encontrar; não o encontrando,
o funcionário cita-o, seja qual for a causa ou a duração 6. Quando o curador não conteste, observa-se o disposto
da ausência, em qualquer pessoa maior que viva na no artigo 17º.
casa, preferindo os parentes do citando. Se nenhuma Artigo 217º
das pessoas ali se encontrar, ou, estando presentes, não
se prestarem a receber a citação, é esta efectuada na Indicação deficiente ou falsa da residência
pessoa do porteiro ou do vizinho mais próximo que for 1. Se o funcionário procurar o citando no lugar indicado
encontrado. Se não houver porteiro nem vizinhos que se como sendo a sua morada e for informado de que nunca
prestem a aceitar e transmitir a citação ao destinatário, aí residiu ou de que já aí não reside, recolhe as indicações
o funcionário afixa na porta do citando, na presença de que puder obter a respeito da residência do citando. De
duas testemunhas, uma nota da qual consta o objecto tudo lavra certidão, que é assinada pela pessoa de quem
da citação, o dia em que se realizou, o prazo dentro do tenha recebido a informação.
qual o citado deve apresentar a sua defesa e a cominação
aplicável na falta desta, declarando ainda que o duplicado 2. Se o funcionário encontrar a casa fechada e com
fica à disposição do citado na secretaria judicial, com a todos os sinais de estar desabitada, lavra igualmente
indicação do juízo, se já tiver havido distribuição. certidão em que o declare, devendo nela exarar qualquer
informação útil que possa obter.
3. A citação feita em pessoa diversa do citando, quando
realizada nos termos dos números anteriores, tem o mes- 3. Do mesmo modo procede o funcionário encarregado
mo valor que a citação feita na própria pessoa deste. da diligência quando, no lugar indicado como morada

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 41

do citando, for informado de que ele efectivamente ali 2. Quando o autor não tenha indicado o réu como
reside, mas que tem outra residência, em determinado residente em parte incerta, é-lhe dado conhecimento
local, onde nessa data se encontra. imediato da certidão, para que requeira o que tiver por
conveniente.
4. Em qualquer dos casos previstos nos números an-
teriores é dado independentemente do despacho, conhe- 3. Para efeito de o juiz ordenar a citação edital, a se-
cimento da certidão ao autor, para que requeira o que cretaria assegura-se previamente de que não é conhecida
tiver por conveniente. a residência do citando, podendo colher informações,
designadamente das autoridades policiais ou adminis-
5. A falsidade da informação sujeita o seu autor à san- trativas.
ção correspondente ao crime de falsidade de interveniente
em acto processual. Desta circunstância é expressamente 4. É aplicável ao autor da informação referida no nú-
advertido pelo funcionário encarregado da diligência no mero 1, o disposto no número 5 do artigo 217º.
acto em que este receber a informação.
Artigo 221º
Artigo 218º
Citação feita na pessoa do réu
Ausência do citando em parte certa
1. Quando a citação é feita na própria pessoa do réu,
1. Se o funcionário, a quem foi facultada a entrada na o funcionário entrega-lhe o duplicado da petição inicial
residência do citando, se certificar de que ele não está e faz-lhe saber que fica citado para a acção a que o du-
em casa e for aí informado de que se acha ausente da lo- plicado se refere, indicando-lhe o dia até ao qual pode
calidade, mas em parte certa, procura obter informações oferecer a sua defesa, a cominação em que incorre se a
precisas sobre o lugar em que se encontra e o tempo pro- não oferecer, a obrigatoriedade de constituir advogado,
vável da demora. De tudo lavra certidão, que é assinada nos casos em que tal obrigatoriedade se verifique, o dever
pela pessoa de quem tenha recebido as informações. de pagar o preparo inicial, as consequências do não pa-
gamento do preparo inicial e a possibilidade de requerer
2. A secretaria, sem necessidade de despacho, dá co-
o benefício da assistência judiciária nos termos da lei.
nhecimento imediato da certidão ao autor, que requer a
No duplicado lança uma nota em que declara o dia da
citação no lugar indicado, se não preferir esperar pelo
citação, o prazo marcado para a defesa, a cominação, o
regresso do réu.
juízo e cartório onde corre o processo, a obrigatoriedade de
3. Se o citando for procurado no lugar indicado e não constituir advogado, as consequências do não pagamento
for aí encontrado, observa-se o disposto no número 2 do do preparo inicial e a possibilidade de requerer o benefício
artigo 215º com as necessárias adaptações. de assistência judiciária. De tudo lavra a certidão que é
assinada pelo citado.
Artigo 219º
2. Se o citado se recusar a receber o duplicado, o oficial
Citação de pessoas colectivas e das sociedades
de justiça declara-lhe na presença de duas testemunhas,
1. A citação de pessoas colectivas e das sociedades que o papel fica à sua disposição na secretaria judicial.
pode fazer-se por meio de carta registada com aviso de Na certidão menciona-se esta ocorrência.
recepção, sem prejuízo do disposto nos números 3 e 4 do Artigo 222º
artigo 214º.
Citação feita em pessoa diversa do citando
2. Com a carta remeter-se-á o duplicado da petição e
nela deve declarar-se que a destinatária fica citada para 1. Quando a citação é feita em pessoa diversa do ci-
os termos da acção a que se refere o duplicado junto e tando, o funcionário entrega a essa pessoa o duplicado
indicar-se-á o juízo em que o processo corre, o prazo em com a nota mencionada no artigo anterior e incumbe-a
que pode ser oferecida a defesa e a cominação, quando a de o transmitir ao destinatário e de o fazer ciente de
houver, a que a destinatária fica sujeita, na falta desta. que está citado para os termos da acção a que se refere
o duplicado. A certidão é assinada pela pessoa em quem
3. Junto o aviso de recepção ao processo, a citação a citação foi efectuada.
considera-se feita no dia em que foi assinado, se o aviso
o mencionar; quando o não mencione, considera-se feita 2. No caso a que se refere o número anterior, assim
na data constante do carimbo da estação postal reexpe- como naqueles em que a citação se considera feita pela
didora ou, se a data não for legível, na data da entrada simples afixação de uma nota na casa de residência do
do aviso na secretaria judicial. citado, o funcionário envia ao réu uma carta registada,
com aviso de recepção, em que lhe dê notícia do dia da
Artigo 220º citação, do modo como foi efectuada, do dia até ao qual
Ausência do citando em parte incerta pode defender-se, da cominação em que incorre na falta
de defesa, da necessidade de constituição de advogado
1. Se o funcionário não encontrar o citando na sua nos casos em que tal seja obrigatório, do dever de pagar
última residência conhecida e for aí informado de que o preparo inicial e das consequências do não pagamento,
ele está ausente em parte incerta, lavra a certidão da da possibilidade de beneficiar de assistência judiciária e
ocorrência, que faz assinar pela pessoa de quem tenha do destino que teve o duplicado. Quando a citação tenha
recebido a informação. sido feita numa pessoa, deve identificá-la.

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42 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 223º Artigo 225º

Citação do réu residente em país estrangeiro Citação por intermédio do consulado

1. Quando o réu resida em país estrangeiro, observa-se o 1. A citação por intermédio do consulado é requisitada
que estiver estipulado nos tratados e convenções inter- pelo tribunal em simples ofício acompanhado do duplica-
nacionais. do. No ofício pede-se a entrega do duplicado ao citando
2. Na falta de estipulação, a citação é feita pelo correio, e vai escrita a fórmula da nota a exarar no duplicado no
por via aérea, em carta registada e com aviso de recepção, acto da citação.
remetendo-se com ela o duplicado respectivo. Na carta
2. As despesas a que a citação dê lugar e que forem
declara-se que fica o destinatário citado para os termos
indicadas pelo consulado entram em regra de custas.
da acção a que se refere o duplicado junto e indica-se o
juízo e cartório em que o processo corre, o termo do prazo 3. Se o consulado der a informação de que o citando é
até ao qual pode ser oferecida a defesa e que é marcado desconhecido ou está em parte incerta, procede-se logo
com a dilação fixada segundo a regra estabelecida neste à citação edital.
Código, a cominação a que fica sujeito na falta de defesa,
a necessidade de constituir advogado nos casos em que Artigo 226º
tal seja obrigatório, o dever de pagar o preparo inicial e Formalidades da citação edital por incerteza do lugar
as consequências do não pagamento e a possibilidade de
requerer o benefício da assistência judiciária. 1. A citação edital determinada pela incerteza do lugar
em que o citando se encontra é feita pela afixação de
3. O aviso é assinado pelo citado ou pelo funcionário editais e pela publicação de anúncios.
do correio, consoante as determinações do regulamento
local dos serviços postais. 2. Afixam-se três editais, um na porta do tribunal, outro
4. Junto o aviso de recepção ao processo, a citação na porta da casa da última residência que o citando teve
considera-se feita no dia em que foi assinado, se o aviso no país e outro na porta onde se situa a representação do
o mencionar; quando o não mencione, considera-se feita município na localidade.
na data constante do carimbo da estação postal reexpe- 3. Os anúncios são publicados em dois números seguidos
didora ou, se a data não for legível, na data da entrada de um dos jornais mais lidos da localidade em que esteja a
do aviso na secretaria judicial. casa da última residência do citando ou, se aí não houver
5. Observa-se o disposto neste artigo quando se conheça jornal, num dos jornais mais lidos nessa localidade.
a povoação em que o citando reside, embora seja ignorada
4. Não se publicam anúncios nos inventários obriga-
a rua e o número de polícia da sua morada.
tórios e em todos os casos de diminuta importância em
Artigo 224º que o juiz os considere dispensáveis.
Citação do réu dado como residente em país estrangeiro
Artigo 227º
quando a carta venha devolvida
Conteúdo dos editais e anúncios
1. Se a carta vier devolvida sem indicação alguma ou com
a indicação de que se não sabe do paradeiro do destinatário, 1. Nos editais individualiza-se a acção para que o au-
este é desconhecido ou se recusa a recebê-la, ou se o aviso sente é citado, indicando-se quem a propôs e qual é, em
não vier assinado, a secretaria dá logo conhecimento do substância, o pedido do autor; além disso, designa-se o
facto ao autor, independentemente de despacho. tribunal em que o processo corre, o juízo e cartório res-
2. Sendo o réu cabo-verdiano, pode o autor requerer a pectivos, a necessidade de constituir advogado quando
citação por intermédio do consulado cabo-verdiano mais tal seja obrigatório, o dever de pagar o preparo inicial e
próximo; sendo estrangeiro ou não havendo consulado as consequências do não pagamento, a possibilidade de
cabo-verdiano a distância não superior a cinquenta qui- requerer o benefício da assistência judiciária, a dilação,
lómetros ou mostrando-se que a citação por intermédio o prazo para a defesa e a cominação, explicando-se que
do consulado é inviável, pode requerer a citação por carta o prazo para a defesa só começa a correr depois de finda
rogatória. a dilação e que esta se conta da publicação do último
anúncio ou, não havendo lugar a anúncios, da data da
3. Em lugar da citação pelo consulado ou por carta ro- afixação dos editais, que destes consta então.
gatória, pode o autor requerer a citação edital, devendo
então declarar, salva a hipótese de o citando se haver 2. Os anúncios reproduzem o teor dos editais.
recusado a receber a carta, se ele já teve residência em
Artigo 228º
território cabo-verdiano e, em caso afirmativo, indicar
o lugar da última, incorrendo na sanção prescrita no Contagem do prazo para a defesa
número 5 do artigo 217º, se prestar falsas declarações.
Quando o autor indique a última residência do citando em 1. A citação considera-se feita no dia em que se publique
território cabo-verdiano, a citação edital é precedida das o último anúncio ou, não havendo anúncios, no dia em
diligências a que se refere o número 3 do artigo 220º. que sejam afixados os editais.

4. O disposto neste artigo é igualmente aplicável ao 2. A partir da data da citação conta-se o prazo da
caso de o aviso de recepção não ser devolvido dentro de dilação; finda esta, começa a correr o prazo para o ofere-
um período igual ao dobro da dilação fixada. cimento da defesa.

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Artigo 229º Divisão III

Formalidades da citação edital por incerteza das pessoas Notificações

A citação edital determinada pela incerteza das pessoas Artigo 232º


a citar é feita nos termos dos artigos 226º a 228º, com as
Notificação às partes em processos pendentes
seguintes modificações:
a) Afixa-se um só edital na porta do tribunal, salvo 1. As notificações às partes em processos pendentes
se os incertos forem citados como herdeiros são feitas na pessoa de mandatário com escritório na
ou representantes de pessoa falecida, porque sede da comarca ou que aí tenha escolhido domicílio para
neste caso também são afixados editais na receber notificações.
porta da casa da última residência do falecido
2. Quando a notificação se destine a chamar a parte
e na porta da sede da respectiva sede de
para a prática de acto pessoal, além de ser notificado o
representação do Município na localidade, se
mandatário, é também a própria parte notificada, indi-
forem conhecidas e no país;
cando-se-lhe a data, o local e o fim da comparência.
b) Os anúncios são publicados num dos jornais
mais lidos na sede da comarca. 3. Sempre que a parte esteja simultaneamente repre-
sentada por advogado ou advogado estagiário e por soli-
Artigo 230º
citador, as notificações que devam ser feitas na pessoa do
Junção, ao processo, do edital e anúncios mandatário judicial sê-lo-ão sempre na do solicitador.
Junta-se ao processo uma cópia do edital, na qual o Artigo 233º
oficial declara os dias e os lugares em que fez a afixação;
Formalidades
e colam-se numa folha, que também se junta, os anúncios
respectivos, extraídos dos jornais, indicando-se na folha 1. Os mandatários são notificados pelo oficial de di-
o título destes e as datas da publicação. ligências no seu escritório ou domicílio, podendo sê-lo
Artigo 231º também pelo escrivão quando se encontrem no edifício
do tribunal.
Dilação

1. Ao prazo de defesa do citando, acresce uma dilação, 2. Em caso de ausência do mandatário, a notificação
que não pode ser prorrogada, a não ser nos casos previstos deve ser feita na pessoa do empregado que haja sido indi-
no número 5 ou noutras disposições legais. cado por aquele como responsável pelo escritório, valendo-se
neste caso como se o fosse no próprio mandatário.
2. A dilação, que é a mínima, quando nada haja sido
determinada pelo juiz, é fixada, atenta a distância e a 3. A notificação pode fazer-se por carta registada com
facilidade das comunicações, da seguinte forma: aviso de recepção sempre que haja distribuição domi-
ciliária na localidade; neste caso, considera-se feita no
a) Oito dias, quando a citação tenha sido realizada
dia em que, no escritório ou no domicílio escolhido foi
em pessoa diversa do réu, nos termos do
assinado o aviso.
número 2 do artigo 215º e do número 3 do
artigo 218º; 4. A notificação não deixa de produzir efeito pelo facto
b) Dez dias, quando o réu tenha sido citado fora da de os papéis serem devolvidos ou de o aviso de recepção
área da comarca sede do tribunal onde corre não vir assinado ou datado, desde que a remessa tenha
o processo, mas na mesma ilha em que tenha sido feita para o escritório do mandatário ou para o do-
de efectuar-se a citação; micílio por ele escolhido; em qualquer desses casos, ou
no de a carta não ter sido entregue no escritório ou no
c) Entre dez a vinte dias, quando os dois locais domicílio por ausência do destinatário, junta-se ao proces-
sejam em ilhas diferentes; so o sobrescrito ou o aviso de recepção, considerando-se
d) Entre trinta e sessenta dias, quando o réu haja a notificação como efectuada no segundo dia posterior
sido citado para a causa por edital; àquele em que a carta foi registada.

e) Entre trinta a noventa dias, quando a citação 5. Pode ainda a notificação ser efectuada através de
tenha de efectuar-se em país estrangeiro. fax ou de correio electrónico quando o mandatário tenha
expressamente autorizado no respectivo processo a utili-
3. A dilação resultante do disposto na alínea a) do zação desses meios e oferecido o respectivo endereço.
número 2 acresce à que eventualmente resulte do esta-
belecido nas alíneas b), c) e e). Artigo 234º

4. Para a fixação do dia da comparência do citado, ob- Notificações às partes quando não tenham mandatário
servam-se as regras fixadas no número anterior.
1. Se a parte não tiver constituído mandatário nos
5. Quando, por motivo de força maior, se registe grave termos exigidos pelo artigo 232º, mas residir na locali-
perturbação nos meios de comunicação com o lugar onde dade onde está a sede do Tribunal ou aí tiver escolhido
deva ser efectuada a diligência, podem os limites fixados domicílio para receber as notificações, estas são-lhe
no número 2 ser ampliados ou prorrogados na medida do feitas nos termos estabelecidos para as notificações aos
que fundadamente se julgue necessário. mandatários.

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2. Se não constituir mandatário naquelas condições, o oficial de justiça declara o dia em que efectuou a diligência.
não residir na sede do Tribunal nem aí tiver escolhido Se o requerimento for acompanhado de documentos, o
domicílio, não se efectuam as notificações: as decisões oficial faculta ao notificando a sua leitura. De tudo passa
consideram-se publicadas logo que o processo dê entrada o oficial certidão, que é assinada pelo notificado.
na secretaria ou, quando se trate de despacho lançado em
requerimento avulso, logo que o processo aí dê entrada. 2. O requerimento e a certidão são entregues a quem
Nos casos a que se refere o número 3 do artigo 208º, a tiver requerido a diligência.
parte considera-se notificada na data em que se verifique
o facto que deveria determinar a notificação. 3. Os requerimentos para as notificações avulsas são
apresentados em duplicado; e tendo de ser notificada
3. Não é aplicável o disposto nos números anteriores mais de uma pessoa, apresentar-se-ão tantos duplicados,
quando a lei exija expressamente a notificação pessoal, quantas forem as que vivam em economia separada.
nem quando a notificação seja destinada a chamar a parte
Artigo 241º
ao Tribunal para a prática de acto pessoal, caso em que
a parte é também notificada pessoalmente. Inadmissibilidade de oposição às notificações avulsas
Artigo 235º
1. As notificações avulsas não admitem oposição alguma.
Notificação pessoal às partes Os direitos respectivos só podem fazer-se valer nas acções
competentes.
Se a parte tiver de ser notificada pessoalmente, apli-
cam-se as disposições relativas à citação pessoal. 2. Do despacho de indeferimento da notificação cabe
Artigo 236º recurso para o tribunal imediatamente superior.
Notificações avulsas e a intervenientes acidentais Artigo 242º

As notificações avulsas e as que tenham por fim cha- Notificação para revogação de mandato ou procuração
mar ao Tribunal testemunhas, peritos e outras pessoas
com intervenção acidental na causa são feitas na própria 1. Se a notificação tiver por fim a revogação de mandato
pessoa dos notificandos. Se o notificando se furtar a re- ou procuração, é feita ao mandatário ou procurador, e
ceber a notificação, observam-se as disposições relativas também à pessoa com quem ele devia contratar, caso
à citação com as necessárias adaptações. o mandato tenha sido conferido para tratar com certa
pessoa.
Artigo 237º

Notificação a funcionários públicos ou a empregados 2. Não se tratando de mandato ou procuração para ne-
de empresas concessionárias gociar com certa pessoa, a revogação deve ser anunciada
num jornal da localidade onde reside o mandatário ou o
A notificação destinada a chamar ao tribunal algum procurador; se aí não houver jornal, o anúncio é publicado
funcionário público ou empregado de empresa conces- num dos jornais mais lidos nessa localidade.
sionária de serviços públicos é feita com a necessária
antecedência. CAPÍTULO II
Artigo 238º
Instância
Notificação de decisões judiciais
Secção I
Quando se notifiquem despachos, sentenças ou acór-
dãos, deve enviar-se ou entregar-se ao notificado cópia Começo e desenvolvimento da Instância
ou fotocópia legível da decisão e dos fundamentos. Artigo 243º
Artigo 239º
Momento em que a acção se considera proposta
Notificação para comparecimento
1. A instância inicia-se pela proposição da acção e esta
1. Quando a notificação se destine a chamar ao tribunal considera-se proposta, intentada ou pendente logo que
a parte ou qualquer outra pessoa, o funcionário indica ao seja, regularmente recebida na secretaria a respectiva
notificando o dia, hora e local em que há-de comparecer petição inicial.
e o fim para que é ordenada a sua comparência e deixar-
lhe-á uma nota com as mesmas indicações. Do acto lavra 2. Porém, o acto da proposição não produz efeitos em
certidão, que é assinada pelo notificado. relação ao réu senão a partir do momento da citação,
salvo disposição legal em contrário.
2. Sendo a notificação feita por via postal, não se passa
nota nem certidão. Artigo 244º

Artigo 240º Princípio da estabilidade da instância


Notificação avulsa
Citado o réu, a instância deve manter-se a mesma
1. As notificações avulsas são feitas à vista do requeri- quanto às pessoas, ao pedido e à causa de pedir, salvas
mento, entregando-se ao notificado um duplicado, no qual as possibilidades de modificação consignadas na lei.

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Artigo 245º do processo reduzir o pedido e pode ampliá-lo até o
Modificação subjectiva pela intervenção de novas partes
encerramento da discussão em primeira instância se a
ampliação for o desenvolvimento ou a consequência do
1. Mesmo depois de transitado em julgado o despacho pedido primitivo.
saneador que julgue ilegítima alguma das partes por não
3. Se a modificação do pedido for feita na audiência de
estar em juízo determinada pessoa, pode o autor, dentro
discussão e julgamento fica a constar da acta respectiva.
de trinta dias a contar do trânsito do despacho, chamar
essa pessoa a intervir nos termos estabelecidos neste 4. É permitida a modificação simultânea do pedido e
Código para o incidente da intervenção provocada. da causa de pedir, desde que tal não implique convolação
para relação jurídica diversa da controvertida.
2. Admitido o chamamento, a instância, quando ex-
Artigo 250º
tinta, considera-se renovada, recaindo sobre o autor ou
reconvinte, o encargo do pagamento das custas em que Admissibilidade da reconvenção
tiver sido condenado. 1. O réu pode, em reconvenção, deduzir pedidos contra
Artigo 246º o autor.

Outras modificações subjectivas 2. A reconvenção é admissível nos seguintes casos:


a) Quando o pedido do réu emerge do facto jurídico
A instância pode modificar-se quanto às pessoas:
que serve de fundamento à acção ou à defesa;
a) Em consequência da substituição de alguma das b) Quando o réu se propõe obter a compensação
partes, quer por sucessão, quer por acto entre ou tornar efectivo o direito a benfeitorias ou
vivos, na relação substantiva em litígio; despesas cuja entrega lhe é pedida;
b) Em virtude dos incidentes de intervenção de c) Quando o pedido do réu tende a conseguir, em
terceiros. seu benefício, o mesmo efeito jurídico que o
Artigo 247º
autor se propõe obter.

Legitimidade do transmitente. Substituição


3. Salvo disposição legal em contrário, não é admissí-
deste pelo adquirente vel a reconvenção quando ao pedido do réu corresponda
uma forma de processo diferente da que corresponde ao
1. No caso de transmissão por acto entre vivos, da pedido do autor.
coisa ou direito litigioso, o transmitente continua a ter Artigo 251º
legitimidade para a causa, enquanto o adquirente não for
Apensação de acções
admitido, por meio de habilitação, a substitui-lo.
1. Se forem propostas separadamente acções que, por
2. A substituição é admitida quando a parte contrária
se verificarem os pressupostos de admissibilidade do
esteja de acordo. Na falta de acordo só deve recusar-se
litisconsórcio, da coligação, da oposição ou da reconven-
a substituição quando se entenda que a transmissão foi
ção, podem ser reunidas num único processo, é ordenada
efectuada para tornar mais difícil, no processo, a posição
a junção delas, a requerimento de qualquer das partes
da parte contrária.
com interesse atendível na junção, ainda que pendam em
3. A sentença produz efeitos em relação ao adquirente, tribunais diferentes, a não ser que o estado do processo ou
ainda que este não intervenha no processo, excepto no outra razão especial torne inconveniente a apensação.
caso de a acção estar sujeita a registo e o adquirente re- 2. Os processos são apensados ao que tiver sido instau-
gistar a transmissão antes de feito o registo da acção. rado em primeiro lugar, salvo se os pedidos forem depen-
Artigo 248º dentes uns dos outros, porque neste caso a apensação é
feita na ordem da dependência.
Alteração do pedido e da causa de pedir por acordo
3. A junção deve ser requerida ao tribunal perante
Havendo acordo das partes, o pedido e a causa de pedir o qual penda o processo a que os outros tenham de ser
podem ser alterados, ou ampliados, em qualquer altura apensados.
na primeira instância, salvo se a alteração ou a ampliação
4. Quando se trate de processos que pendam perante o
perturbar inconvenientemente a instrução, discussão e
mesmo juiz, pode este determinar, mesmo oficiosamente,
julgamento do pleito.
a apensação.
Artigo 249º Secção II
Alteração do pedido e da causa de pedir na falta de acordo Suspensão da instância
Artigo 252º
1. Na falta de acordo a causa de pedir só pode ser al-
terada ou ampliada na réplica, se o processo o admitir, a Casos de suspensão
não ser que a alteração ou ampliação seja consequência 1. A instância suspende-se nos casos seguintes:
de confissão feita pelo réu e aceita pelo autor.
a) Quando falecer ou se extinguir alguma das
2. O pedido pode também ser alterado ou ampliado partes, sem prejuízo do disposto no artigo
na réplica; pode além disso, o autor, em qualquer altura 247º do Código das Empresas Comerciais;

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b) Nos processos em que é obrigatória a constituição para crer que aquela foi intentada unicamente para se
de advogado, quando este falecer ou ficar obter a suspensão ou se a causa dependente estiver tão
absolutamente impossibilitado de exercer adiantada que os prejuízos da suspensão superem as
o mandato. Nos outros processos, quando vantagens.
falecer ou se impossibilitar o representante
legal do incapaz, salvo se houver mandatário 3. Quando a suspensão não tenha por fundamento a
judicial constituído; pendência de causa prejudicial, fixar-se-á no despacho o
prazo durante o qual está suspensa a instância.
c) Na acção executiva, quando na fase da venda Artigo 256º
dos bens penhorados houver acordo entre
executado e exequente para o pagamento a Regime da suspensão
prestações da divida exequenda:
1. Enquanto durar a suspensão só podem praticar-se
d) Quando o tribunal ordenar a suspensão; validamente os actos urgentes destinados a evitar dano
irreparável. A parte que esteja impedida de assistir a
e) Nos outros casos em que a lei o determinar estes actos é representada pelo Ministério Publico ou por
especialmente. advogado nomeado pelo juiz.

2. No caso de transformação ou fusão de pessoa co- 2. Os prazos judiciais não correm enquanto durar a
lectiva ou sociedade, parte na causa, a instância não suspensão. Nos casos das alíneas a) e b) do número 1 do
se suspende, apenas se efectuando, se for necessário, a artigo 252º a suspensão inutiliza a parte do prazo que
substituição dos representantes. tiver decorrido anteriormente.

3. A morte ou extinção de alguma das partes não dá 3. A simples suspensão não obsta a que a instância
lugar à suspensão, mas à extinção da instância, quando se extinga por desistência, confissão ou transacção, con-
tome impossível ou inútil a continuação da lide. tanto que estas não contrariem a razão justificativa da
suspensão.
Artigo 253º
Artigo 257º
Suspensão por falecimento da parte
Como e quando cessa a suspensão
1. Junto ao processo documento que prove o falecimento
ou a extinção de qualquer das partes, suspende-se ime- 1. A suspensão cessa:
diatamente a instância, salvo se já tiver começado a audi- a) No caso da alínea a) do número 1 do artigo 252º,
ência de discussão oral ou se o processo já estiver inscrito com a decisão que considere habilitado o
em tabela para julgamento. Neste caso a instância só se sucessor da pessoa falecida ou extinta;
suspende depois de proferida a sentença ou o acórdão.
b) No caso da alínea b) do número 1 do artigo 252º,
2. A parte deve tornar conhecido no processo a morte quando a parte contrária tiver conhecimento
ou a extinção do seu comparte ou da parte contrária judicial de que está constituído novo advogado,
logo que tenha notícia dele e lhe seja possível obter o ou de que a parte já tem outro representante,
documento comprovativo; se assim o não fizer, ficam sem ou de que cessou a impossibilidade que fizera
efeito os actos praticados posteriormente à data em que suspender a instância;
a ocorrência devia estar certificada.
c) No caso da alínea c) do número 1 do artigo
Artigo 254º 252º com a falta de pagamento de qualquer
Suspensão por falecimento ou impedimento do mandatário prestação ou a requerimento de qualquer
credor cujo crédito haja sido admitido em
No caso da alínea b) do número1 do artigo 252º, uma concurso de credores, na respectiva acção
vez feita no processo a prova do facto, suspender-se-á executiva;
imediatamente a instância, mas se o processo estiver
concluso para a sentença ou em condições de o ser, a d) No caso da alínea d) do número 1 do artigo 252º,
suspensão só se verifica depois da sentença. quando estiver definitivamente julgada a
causa prejudicial ou quando tiver decorrido o
Artigo 255º prazo fixado;
Suspensão por vontade do juiz e) No caso da alínea e) do número 1 do artigo
252º, quando findar o incidente ou cessar
1. O tribunal pode ordenar a suspensão, quando a
a circunstância a que a lei atribui o efeito
decisão da causa esteja dependente do julgamento de
suspensivo.
outra já proposta e quando entender que existe outro
motivo justificado; nos tribunais superiores a suspensão é 2. Se a decisão da causa prejudicial fizer desaparecer
ordenada por acórdão. O acordo das partes não justifica, o fundamento ou a razão de ser da causa que estiver
por si só, a suspensão. suspensa, é esta julgada improcedente.
2. Não obstante a pendência de causa prejudicial, não 3. Se a parte demorar na constituição de novo advogado,
deve ser ordenada a suspensão se houver fundadas razões pode qualquer outra parte requerer que seja notificada

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para o constituir dentro do prazo que for fixado. A falta d) Quando considere ilegítima alguma das partes;
de constituição dentro deste prazo tem os mesmos efeitos
que a falta de constituição inicial. e) Quando julgue procedente alguma outra excepção
dilatória.
4. Pode também qualquer das partes requerer que seja
2. Cessa o disposto no número anterior quando o pro-
notificado o Ministério Publico para promover, dentro do
cesso haja de ser remetido para outro tribunal e quando
prazo que for designado, a nomeação de novo represen-
a falta ou a irregularidade tenha sido sanada.
tante ao incapaz, quando tenha falecido o primitivo ou a
sua impossibilidade se prolongue por mais de trinta dias. 3. As excepções dilatórias só subsistem enquanto a res-
Se ainda não houver representante nomeado quando o pectiva falta ou irregularidade não for sanada, nos termos
prazo findar, cessa a suspensão, sendo o incapaz repre- do número 3 do artigo 7º; ainda que subsistam, não tem
sentado pelo Ministério Publico. lugar a absolvição da instância, quando destinando-se a
tutelar o interesse de uma das partes, nenhum motivo
Secção III
obsta a que se conheça do mérito da causa e a decisão
Interrupção da Instância deva ser favorável a essa parte.
Artigo 258º Artigo 262º

Alcance e efeitos da absolvição da instância


Factos que a determinam
1. A absolvição da instância não obsta a que se propo-
A instância interrompe-se quando o processo estiver
nha outra acção sobre o mesmo objecto.
parado durante mais de um ano por negligência das par-
tes em promover os seus termos ou os de algum incidente 2. Sem prejuízo do disposto na lei civil relativamente
do qual dependa o seu andamento. à prescrição e à caducidade dos direitos, os efeitos civis
derivados da proposição da primeira causa e da citação
Artigo 259º
do réu mantêm-se, quando seja possível, se a nova acção
Como cessa for intentada ou o réu for citado para ela dentro de trin-
ta dias, a contar do trânsito em julgado da sentença de
Cessa a interrupção, se o autor requerer algum acto absolvição da instância.
do processo ou do incidente de que dependa o andamento
dele, sem prejuízo do disposto na lei civil quanto à cadu- 3. Se o autor propuser a nova acção sem ter pago as
cidade dos direitos. custas em que tiver sido condenado na acção anterior,
pode o réu requerer, passado o prazo do pagamento
Secção IV voluntário que o autor seja notificado para provar que
Extinção da Instância o fez, sob pena de perder os benefícios a que se refere o
número 2.
Artigo 260º
4. Se o réu tiver sido absolvido por qualquer dos fundamen-
Causas de extinção da instância tos compreendidos na alínea e) do número 1 do artigo 260º, na
nova acção que corra entre as mesmas partes podem ser
A instância extingue-se com:
aproveitadas as provas produzidas no primeiro processo
a) O julgamento; e têm valor as decisões aí proferidas.
Artigo 263º
b) O compromisso arbitral e o de mediação;
Compromisso arbitral e de mediação
c) A deserção;
1. Em qualquer estado da causa podem as partes acordar
d) A desistência, confissão ou transacção; em que a decisão de toda ou parte dela seja cometida
a um ou mais árbitros da sua escolha, nos termos da
e) A impossibilidade ou inutilidade superveniente respectiva lei.
da lide;
2. Lavrado no processo o termo de compromisso ar-
Artigo 261º bitral ou junto o respectivo documento, examina-se se
Casos de absolvição da instância o compromisso é válido em atenção ao seu objecto e à
qualidade das pessoas; no caso afirmativo, a instância
1. O juiz deve abster-se de conhecer do pedido e absolver finda e as partes são remetidas para o tribunal arbitral,
o réu da instância: sendo, cada uma delas, condenada em metade das custas,
salvo acordo expresso em contrário.
a) Quando julgue procedente a excepção de
incompetência absoluta do tribunal; 3. No tribunal arbitral não podem as partes invocar
actos praticados no processo findo, a não ser aqueles de
b) Quando anule todo o processo; que tenham feito reserva expressa.
c) Quando entenda que alguma das partes é 4. Podem ainda as partes, com observância do disposto
destituída de personalidade judiciária ou nos números anteriores e devidas adaptações, estabelecer
que, sendo incapaz, não está devidamente compromisso de mediação para a resolução dos litígios
representada ou autorizada; que surgirem em razão de contratos que celebrarem.

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Artigo 264º Artigo 271º

Deserção da instância Confissão, desistência e transacção no caso de litisconsórcio

Considera-se deserta a instância, independentemente 1. No caso de litisconsórcio voluntário, é livre a con-


de qualquer decisão judicial, quando esteja interrompida fissão, desistência e transacção individual, limitada ao
durante três anos, sem prejuízo do que vai disposto no interesse de cada um na causa.
artigo seguinte.
2. No caso de litisconsórcio necessário, a confissão,
Artigo 265º
desistência ou transacção de algum dos litisconsortes só
Deserção dos recursos produz efeitos quanto a custas.

1. Os recursos são julgados desertos pela falta de Artigo 272º


preparo ou de pagamento de custas nos termos legais Limites objectivos da confissão, desistência e transacção
ou pela falta de alegação do recorrente. São também
julgados desertos quando, por inércia das partes, estejam 1. Não é permitida confissão, desistência ou transacção
parados durante mais de um ano, embora tenha sido feito que importe a afirmação da vontade das partes relativa-
o preparo inicial. mente a direitos indisponíveis.
2. Tendo surgido algum incidente com efeito suspen- 2. É livre, porém, a desistência nas acções de divórcio
sivo, o recurso é julgado deserto se decorrer mais de um e de separação de pessoas e bens.
ano sem que se promovam os termos do incidente.
Artigo 273º
3. A deserção é julgada no tribunal onde se verifique a
Como se realiza a confissão, desistência ou transacção.
falta, por simples despacho do juiz ou do relator. Possibilidade de mediação
Artigo 266º
1. A confissão, desistência ou transacção pode fazer-se
Liberdade de desistência, confissão e transacção por termo no processo ou por documento autêntico, ou
ainda por simples requerimento formulado por advoga-
1. O autor pode, em qualquer altura, desistir de todo o do com poderes especiais, contanto que neles estejam
pedido ou de parte dele, como o réu pode confessar todo especificados o tipo de actos a serem praticados e se cer-
ou parte do pedido. tifique o mandatário da efectiva existência dos poderes
2. É lícito também às partes, em qualquer estado da do mandante para a sua prática.
instância, transigir sobre o objecto da causa.
2. O termo é tomado pela secretaria a simples pedido
Artigo 267º verbal dos interessados.
Efeitos da confissão e da transacção 3. Lavrado o termo, junto o documento ou o requeri-
A confissão e a transacção modificam o pedido ou fazem mento, examina-se se pelo seu objecto e pela qualidade
cessar a causa nos precisos termos em que se efectuem. das pessoas que nela intervieram, a confissão, desistên-
cia ou transacção é válida e, no caso afirmativo, assim é
Artigo 268º declarado por sentença, condenando-se ou absolvendo-se
Efeito da desistência nos seus precisos termos.

A desistência do pedido extingue o direito que se pre- 4. A transacção pode também fazer-se em acta, quando
tendia fazer valer. A desistência da instância apenas faz resulte de conciliação obtida pelo juiz. Em tal caso, limita-
cessar o processo que se instaurara. se este a homologá-la por sentença ditada para a acta,
condenando nos respectivos termos.
Artigo 269º
5. O juiz pode, sempre que o entenda útil, em qualquer
Tutela dos direitos do réu
estado do processo e até à prolação da sentença, procurar
1. A desistência da instância depende da aceitação do a conciliação das partes segundo uma adequada solução
réu, desde que seja requerida depois do oferecimento da de equidade, mas elas não podem ser convocadas mais
contestação. do que uma vez exclusivamente para esse fim.

2. A desistência do pedido é livre, mas não prejudica a Artigo 274º


reconvenção, a não ser que o pedido reconvencional seja Nulidade e anulabilidade da confissão, desistência ou
dependente do formulado pelo autor. transacção

Artigo 270º
1. A confissão, a desistência e a transacção podem ser
Desistência, confissão ou transacção das pessoas colectivas, declaradas nulas ou anuladas como os outros actos da
sociedades, incapazes ou ausentes mesma natureza, nos termos da lei civil.
Os representantes das pessoas colectivas, sociedades, 2. O trânsito em julgado da sentença proferida sobre
incapazes ou ausentes só podem desistir, confessar ou a confissão, desistência ou transacção não obsta a que se
transigir nos precisos limites das suas atribuições ou intente a acção destinada à declaração de nulidade ou à
precedendo autorização especial. anulação de qualquer delas.

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3. Quando a nulidade provenha unicamente da falta de 2. Cumulando-se na mesma acção vários pedidos, o
poderes do mandatário judicial ou da irregularidade do valor é a quantia correspondente à soma dos valores de
mandato, a sentença homologatória é notificada pessoal- todos eles; mas quando, como acessório do pedido principal,
mente ao mandante com a cominação de, nada dizendo, se pedirem juros, rendas e rendimentos já vencidos e os
o acto ser havido por ratificado e a nulidade suprida; se que se vencerem durante a pendência da causa, na fixação
declarar que não ratifica o acto do mandatário, este não do valor atende-se somente aos interesses já vencidos.
produz quanto a si qualquer efeito.
3. No caso de pedidos alternativos, atende-se unica-
CAPÍTULO III mente ao pedido de maior valor e, no caso de pedidos
subsidiários, ao pedido principal.
Incidentes da instância
Artigo 280º
Secção I
Valor da acção determinado pelo valor do acto jurídico
Disposições gerais
1. Quando a acção tiver por objecto a apreciação da
Artigo 275º
existência, validade, cumprimento, modificação ou re-
Oferecimento imediato das provas solução de um acto jurídico, atende-se ao valor do acto,
determinado pelo preço, ou estipulado pelas partes.
Com o requerimento em que deduza qualquer dos inci-
dentes regulados neste capítulo, deve a parte oferecer logo 2. Se não houver preço, nem valor estipulado, o valor do
o rol de testemunhas e requerer os outros meios de prova. acto determina-se em harmonia com as regras gerais.
Artigo 276º 3. Se a acção tiver por objecto a declaração de nulidade de
Prazo para a oposição e indicação dos meios de prova contrato, fundada na simulação do preço, o valor da causa é
o maior dos dois valores em discussão entre as partes.
1. A oposição ao pedido, quando admissível, é deduzida
Artigo 281º
dentro do prazo de oito dias, observando-se, quanto aos
meios de prova o disposto no artigo anterior. Valor da acção determinado pelo valor da coisa

2. A falta de oposição no prazo legal determina, quanto 1. Se a acção tiver por fim fazer valer o direito de
à matéria do incidente, a produção do efeito cominatório propriedade sobre uma coisa, o valor desta determina o
que vigoram na causa em que o incidente se insere. valor da causa.
Artigo 277º 2. Tratando-se de outro direito real ou de capital de
Limite do número de testemunhas; registo dos depoimentos uma prestação, aplicam-se as regras sobre a avaliação.
Artigo 282º
1. A parte não pode produzir mais de três testemunhas
por cada facto, nem o número total de testemunhas por Valor da acção em outras situações
cada parte deve ser superior a oito.
1. O valor das acções sobre o estado das pessoas ou
2. Os depoimentos são escritos, não só quando prestados sobre interesses imateriais é o da alçada da primeira
antecipadamente ou por carta, mas também quando a deci- instância acrescido de 1$.
são do incidente seja susceptível de recurso ordinário.
2. O valor das acções que visem pôr termo ao contrato de
Secção II arrendamento é o do quíntuplo da renda anual, acrescido
Verificação do valor da causa das rendas em dívida e da indemnização requerida.

Artigo 278º 3. O valor das acções de alimentos definitivos e de con-


tribuição para as despesas domésticas é o do quíntuplo
Atribuição de valor à causa e sua influência
da anuidade correspondente ao pedido.
1. A toda a causa deve ser atribuído um valor certo,
4. O valor das acções de prestação de contas é o da receita
expresso em moeda legal, correspondente, em regra, à
bruta ou o da despesa apresentada, se lhe for superior.
utilidade económica imediata do pedido.
Artigo 283º
2. Para o efeito das custas e demais encargos legais, o
valor da causa é fixado segundo as regras estabelecidas Valor dos procedimentos cautelares
na legislação respectiva.
O valor dos procedimentos cautelares é determinado
Artigo 279º em regra, pelo prejuízo que se pretende evitar, com as
seguintes especificidades:
Valor da acção por quantia certa
a) Nos alimentos provisórios é determinado pela
1. Se pela acção se pretende obter qualquer quantia
mensalidade requerida, multiplicada por
certa em dinheiro, é esse o valor da causa, não sendo aten-
vinte e quatro;
dível impugnação nem acordo em contrário; se pela acção
se pretende obter um benefício diverso, o valor da causa b) Na restituição provisória da posse, pelo valor da
é a quantia em dinheiro equivalente a esse benefício. coisa esbulhada;

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c) No arrolamento pelo valor dos bens arrolados; Artigo 287º

Vontade das partes e intervenção do juiz na fixação do valor


d) Na suspensão das deliberações sociais pela
importância do dano; 1. O valor da causa é aquele em que as partes tiverem
acordado, expressa ou tacitamente, salvo se o juiz, findos
e) No embargo de obra nova e nas providências os articulados, entender que o acordo está em manifesta
cautelares não especificadas pelo prejuízo que oposição com a realidade, fixando neste caso à causa o
se quer evitar; valor que considere adequado.
2. Se o juiz não tiver usado deste poder, o valor con-
f) No arresto pelo montante do crédito que se sidera-se definitivamente fixado, na quantia acordada,
pretende garantir; logo que seja proferido despacho saneador.
g) No arrolamento, pelo valor dos bens arrolados. 3. Nos casos a que se refere o número 3 do artigo 285º
e naqueles em que não haja lugar a despacho saneador,
Artigo 284º o valor da causa considera-se definitivamente fixado logo
que seja proferida sentença.
Valor dos incidentes
Artigo 288º
O valor dos incidentes é o da causa a que respeitam, Fixação do valor dos incidentes. Especialidades
salvo se o incidente tiver realmente valor diverso do da
causa, porque neste caso o valor é determinado de acordo 1. Se a parte que deduzir um incidente não indicar o
respectivo valor, entende-se que aceita como valor do
com os critérios gerais.
incidente o valor dado à causa.
Artigo 285º 2. A parte contrária pode, porém, impugnar o valor indi-
cado ou presumido quando entenda, justificadamente, que
Momento atendível para a determinação do valor
é outro o valor do incidente, observando-se, com as neces-
sárias adaptações, o disposto nos artigos 287º e 289º.
1. Na determinação do valor da causa, deve atender-se
ao momento em que a acção é proposta. Artigo 289º

Insuficiência dos elementos do processo


2. Exceptua-se o caso de o réu deduzir reconvenção
ou de haver intervenção principal, em que o valor do 1. Se as partes não chegarem a acordo e o processo
pedido formulado pelo réu ou pelo interveniente, quando não fornecer os elementos necessários à determinação
distinto do deduzido pelo autor, se soma ao valor deste; do valor da causa, promovem-se as diligências indispen-
sáveis que sejam requeridas pelas partes ou ordenadas
mas este aumento de valor só produz efeito no que res-
pelo juiz.
peita aos actos e termos posteriores à reconvenção ou à
intervenção. 2. Em caso de arbitramento, este é efectuado por um
único perito nomeado pelo juiz, não havendo lugar a
3. Nos processos em que a utilidade económica do segundo arbitramento.
pedido só se define na sequência da acção, o valor ini- Artigo 290º
cialmente aceite é corrigido logo que o processo forneça
Efeitos do incidente
os elementos necessários.
1. Quando se verifique, pela fixação definitiva do valor
Artigo 286º da causa, que o tribunal é incompetente, os autos são
remetidos oficiosamente ao tribunal competente.
Poderes das partes
2. Quando da decisão do incidente resulte ser outra a
1. No articulado em que deduza a sua defesa, pode forma de processo correspondente à acção, observa-se a
o réu impugnar o valor da causa indicado na petição forma apropriada, sem se anular o processado anterior,
inicial, contanto que ofereça outro em substituição. corrigindo-se a distribuição.
Nos articulados seguintes podem as partes acordar em Secção IV
qualquer valor.
Intervenção de terceiros
2. Se o processo admitir unicamente dois articulados, Subsecção I
tem o autor a faculdade de vir declarar que aceita o valor
Intervenção principal
proposto pelo réu.
Divisão I
3. Quando a petição inicial não contenha a indicação
Disposições gerais
do valor e, apesar disso, haja sido recebida, deve o autor
ser convidado, sob pena de a instância se extinguir, a Artigo 291º
declarar o valor; neste caso, dá-se conhecimento ao réu Admissibilidade da intervenção principal
da declaração feita pelo autor, e, se já tiverem findado os
articulados, pode ainda o réu impugnar o valor declarado Estando pendente uma causa entre duas ou mais pes-
pelo autor. soas, pode intervir nela como parte principal:
a) Aquele que em relação ao objecto da causa tiver
4. A falta de impugnação por parte do réu significa que um interesse igual ao do autor ou do réu, nos
aceita o valor atribuído à causa pelo autor. termos dos artigos 27º, 28° e 29°;

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 51

b) Aquele que, nos termos do artigo 32º, pudesse partes primitivas para lhe responderem, podendo estas
coligar-se com o autor, sem prejuízo dos opor-se ao incidente, com fundamento na sua inadmis-
obstáculos formais à coligação; sibilidade legal.
c) Aquele que o autor chamar nos termos dos 2. A parte com a qual o interveniente pretende asso-
números 1 e 2 do artigo 297º. ciar-se deduz a oposição em simples requerimento; a
Artigo 292º parte contrária deve deduzi-la nos mesmos termos se o
interveniente não tiver apresentado articulado próprio,
Valor da sentença quanto ao interveniente podendo a oposição neste caso fundar-se também em que
1. A sentença constitui caso julgado em relação ao o estado do processo já não permite a essa parte fazer
interveniente ou ao chamado que intervier. valer defesa especial que tem contra o interveniente.

2. No caso de o chamado não intervir, a sentença só 3. Se o interveniente tiver apresentado articulado


produz efeitos de caso julgado em relação a ele quando: próprio, a parte contrária cumula a oposição ao incidente
com a que deduza contra a pretensão do interveniente,
a) Nos casos da alínea a) do artigo 291º, salvo observando-se o que a lei dispuser quanto aos articulados
tratando-se de chamamento dirigido pelo do autor e do réu.
autor a eventuais litisconsortes voluntários
activos; Divisão III

b) Nos casos do número 2 do artigo 297º. Intervenção provocada

Artigo 293º Artigo 297º

Posição do interveniente Âmbito

O interveniente principal faz valer um interesse pró- 1. Pode qualquer das partes chamar os interessados
prio, paralelo ao do Autor ou do Réu. a que se reconhece o direito de intervir, seja como seu
Divisão II associado, seja como associado da parte contrária.

Intervenção espontânea 2. Nos casos previstos no número 2 do artigo 32º pode


Artigo 294º
ainda o autor chamar a intervir como réu o terceiro contra
quem pretenda dirigir o pedido.
Até que momento se admite
3. O autor do chamamento alega a causa do chama-
1. A intervenção espontânea fundada na alínea a) do mento e justifica o interesse que através dele pretende
artigo 291º é admissível a todo o tempo, enquanto não acautelar.
estiver definitivamente julgada a causa; a que se baseia
na alínea b) só é admissível enquanto o interveniente Artigo 298º
possa deduzir a sua pretensão em articulado próprio.
Até que momento se pode provocar
2. O interveniente aceita a causa no estado em que se
encontrar, sendo considerado revel quanto aos actos e 1. O chamamento para intervenção só pode ser re-
termos anteriores, mas goza de todos os direitos de parte querido, salvo disposição em contrário, até ao momento
principal a partir do momento da sua intervenção. em que podia deduzir-se a intervenção espontânea em
articulado próprio.
Artigo 295º
2. Ouvida a parte contrária, decide-se se deve ser ad-
Dedução da intervenção espontânea
mitido o chamamento.
1. O interveniente pode deduzir a sua intervenção em
Artigo 299º
articulado próprio, quando a intervenção tenha lugar
antes de ser proferido despacho saneador, se o processo o Citação do interveniente. Como pode o citado intervir
comportar, ou antes de ser designado dia para discussão
e julgamento em primeira instância, ou antes de ser pro- 1. Os interessados são chamados por meio de citação.
ferida sentença em primeira instância, se o processo não
2. No acto de citação, recebem os interessados cópias
comportar saneador, ou antes de ser proferida sentença
dos articulados já oferecidos, que são apresentados pelo
em primeira instância se não houver lugar a saneador,
requerente do chamamento.
nem a audiência de discussão e julgamento.
2. Sendo a intervenção posterior, o interveniente dedu-la 3. O citado pode oferecer o seu articulado próprio ou de-
em simples requerimento, fazendo seus os articulados do clarar que faz seus os articulados do autor ou do réu dentro
autor ou do réu. de prazo igual ao previsto na lei para a contestação.

Artigo 296º 4. Caso o citado não intervenha ou não ofereça arti-


Oposição das partes
culado próprio no prazo previsto no número anterior,
pode ainda intervir posteriormente desde que aceite os
1. Requerida a intervenção, o juiz, se não houver motivo articulados da parte a que se associe e todos os actos e
para a rejeitar liminarmente, ordena a notificação das termos já processados.

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52 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 300º 3. A sentença proferida constitui caso julgado quanto
Oposição
ao chamado, nos termos previstos no artigo 310º, relati-
vamente às questões de que dependa o direito de regresso
Tendo o interveniente oferecido o seu articulado do autor do chamamento, por este invocável em ulterior
próprio, é notificada a parte contrária a que este se as- acção de indemnização.
socia para deduzir oposição à pretensão formulada pelo
Artigo 305º
interveniente, aplicando-se, com as necessárias adapta-
ções, as regras previstas para a oposição à intervenção Tutela dos direitos do autor
espontânea.
Passados três meses sobre a data em que foi inicialmente
Artigo 301º deduzido o incidente sem que se mostrem realizadas to-
Especialidade da intervenção provocada suscitada pelo réu das as citações a que este haja dado lugar, pode o autor
requerer o prosseguimento da causa principal, após o
1. O chamamento de co-devedores ou do principal termo do prazo de que os réus já citados beneficiarem
devedor, suscitado pelo réu que nisso mostre interesse para contestar.
atendível, é deduzido obrigatoriamente na contestação
Divisão II
ou, não pretendendo o réu contestar, no prazo em que
esta deveria ser apresentada. Intervenção acessória do Ministério Público

2. Tratando-se de obrigação solidária e sendo a obrigação Artigo 306º


exigida a um dos condevedores, pode o chamamento ter
Como se processa
ainda como fim a condenação na satisfação do direito de
regresso que lhe possa vir a assistir. 1. Sempre que, nos termos da lei, o Ministério Público
Subsecção II deva intervir acessoriamente, ser-lhe-á oficiosamente
notificada a pendência da acção, logo que a instância se
Intervenção acessória considere iniciada.
Divisão I
2. Compete ao Ministério Público, como interveniente
Intervenção provocada acessório, zelar pelos interesses que lhe estão confiados,
Artigo 302º
exercendo os poderes que a lei processual confere à parte
acessória e promovendo o que tiver por conveniente à
Âmbito de aplicação defesa da parte assistida.
1. O réu que tenha acção de regresso contra terceiro 3. O Ministério Público é notificado para todos os actos
para ser indemnizado do prejuízo que lhe cause a perda e diligências, bem como de todas as decisões proferidas
da demanda pode chamá-lo a intervir como auxiliar na no processo, nos mesmos termos em que o devam ser as
defesa, sempre que o terceiro careça de legitimidade para partes em causa, tendo legitimidade para recorrer quando
intervir nos termos das disposições anteriores. o considere necessário à defesa do interesse público ou
do interesse da parte assistida.
2. A intervenção do chamado circunscreve-se à discus-
são das questões que tenham repercussão na acção de Divisão III
regresso invocada como fundamento do chamamento.
Assistência
Artigo 303º
Artigo 307º
Dedução do chamamento
Conceito e legitimidade da assistência
1. O chamamento é deduzido pelo réu na contestação
ou, não pretendendo contestar, no prazo em que esta 1. Estando pendente uma causa entre duas ou mais
deveria ser apresentada. pessoas, pode intervir nela como assistente, para auxiliar
qualquer das partes, quem tiver interesse jurídico que a
2. O juiz, ouvida a parte contrária, defere o chama- decisão do pleito seja favorável a essa parte.
mento quando, face às razões alegadas, se convença da
viabilidade da acção de regresso e da sua conexão com 2. Para que haja interesse jurídico capaz de legitimar a
a causa principal. intervenção, basta que o interveniente seja titular de uma
relação jurídica cuja consistência prática ou económica
Artigo 304º dependa da pretensão do assistido.
Termos subsequentes
Artigo 308º
1. O chamado é citado, correndo novamente a seu Admissibilidade da intervenção
favor o prazo para contestar e passando a beneficiar do
estatuto de assistente, aplicando-se, com as necessárias 1. O assistente pode intervir a todo o tempo, mas tem
adaptações o disposto nos artigos 309º e seguintes. de aceitar o processo no estado em que se encontrar.

2. Não se procede à citação edital, devendo o juiz con- 2. O pedido de assistência pode ser deduzido em re-
siderar findo o incidente quando se convença da inviabi- querimento especial ou em articulado ou alegação que o
lidade da citação do chamado. assistido estivesse a tempo de oferecer.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 53

3. Não havendo motivo para indeferir liminarmente o 2. A intervenção do opoente só é admitida enquanto
pedido de intervenção, ordena-se a notificação da parte não estiver designado dia para a discussão e julgamento
contrária à que o assistente se propõe auxiliar; haja ou da causa em primeira instância ou, não havendo lugar a
não oposição do notificado, decide-se imediatamente, ou audiência de julgamento, enquanto não estiver proferida
logo que seja possível, se a intervenção é legítima. sentença.
Artigo 309º Artigo 312º
Poderes e deveres do interveniente e da parte principal
Dedução da oposição espontânea
1. Os assistentes têm no processo a posição de auxilia-
res de uma das partes principais. O opoente deduz a sua pretensão por meio de petição
à qual são aplicáveis, com as necessárias adaptações, as
2. Os assistentes gozam dos mesmos direitos e estão disposições relativas à petição inicial.
sujeitos aos mesmos deveres que a parte assistida, mas
a sua actividade está subordinada à da parte principal, Artigo 313º
não podendo praticar actos que esta tenha perdido o
direito de praticar, nem assumir atitude que esteja em Posição do opoente. Marcha do processo
oposição com a do assistido; havendo divergência insa-
nável entre a parte principal e o assistente, prevalece a Se a oposição não for liminarmente rejeitada, o opoente
vontade daquela. fica tendo na instância a posição da parte principal, com
os direitos e responsabilidades inerentes, e é ordenada
3. Pode requerer-se o depoimento do assistente como parte. a notificação das partes primitivas para que, dentro de
4. Se o assistido for revel, o assistente é considerado quinze dias, contestem o seu pedido.
como seu substituto processual, mas sem lhe ser permi- Artigo 314º
tida a realização de actos que aquele tenha perdido o
direito de praticar. Marcha do processo após os articulados da oposição

5. Os assistentes podem fazer uso de quaisquer meios de


Findos os articulados da oposição procede-se ao respec-
prova, mas quanto à prova testemunhal somente para com-
tivo saneamento, o qual tem lugar no despacho corres-
pletar o número de testemunhas facultado à parte principal.
pondente, ou dentro de dez dias, se tal despacho já tiver
6. A assistência não afecta os direitos das partes prin- sido proferido ou o processo não o comportar.
cipais, que podem livremente confessar, desistir ou tran-
Artigo 315º
sigir, findando em qualquer destes casos a intervenção.
Artigo 310º Atitude das partes quanto à oposição e seu reflexo na
estrutura do processo
Valor da sentença quanto ao interveniente

A sentença proferida na causa constitui caso julgado 1. Se alguma das partes da causa principal reconhecer
em relação ao assistente que é obrigado aceitar, em qual- o direito do opoente, estando verificada a legitimidade
quer causa posterior, os factos e o direito que a decisão deste, o processo fica a correr unicamente entre a outra
judicial tenha estabelecido, excepto: parte e o opoente, tomando este a posição de autor ou de
réu, conforme o seu adversário for o réu ou o autor da
a) Se alegar e provar, na causa posterior, que o estado causa principal.
do processo no momento da sua intervenção ou
a atitude da parte principal o impediram de 2. Se ambas as partes impugnarem o direito do opoente,
fazer uso de alegações ou meios de prova que a instância segue entre as três partes, havendo neste caso
poderiam influir na decisão final; duas causas conexas, uma entre as partes primitivas e a
b) Se mostrar que desconhecia a existência de outra entre o opoente e aquelas. O mesmo sucede quando
alegações ou meios de prova susceptíveis de o réu reconheça o direito do opoente e a apreciação da
influir na decisão final e que o assistido não legitimidade deste tenha ficado para sentença final.
se socorreu deles intencionalmente ou por
Divisão II
negligência grave.
Subsecção III Oposição provocada

Oposição Artigo 316º


Divisão I
Âmbito de aplicação
Oposição espontânea
Artigo 311º A oposição pode também ser provocada pelo réu da
Conceito de oposição
causa principal: quando esteja pronto a satisfazer a
prestação, mas tenha conhecimento de que um terceiro
1. Estando pendente uma causa entre duas ou mais se arroga ou pode arrogar-se direito incompatível com
pessoas, pode um terceiro intervir nela como opoente o do autor, pode o réu requerer, dentro do prazo fixado
para fazer valer um direito próprio, incompatível total ou para a contestação que o terceiro seja citado para vir ao
parcialmente com a pretensão do autor ou do réu. processo deduzir a sua pretensão.

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Artigo 317º Artigo 322º

Citação do opoente Dedução de embargos

Feito o requerimento para que venha ao processo deduzir 1. Os embargos são processados por apenso à causa
a sua pretensão, é o terceiro citado para a deduzir em prazo em que haja sido ordenado o acto ofensivo do direito do
igual ao concedido ao réu para a sua defesa, entregando-se- embargante.
lhe no acto da citação cópia da petição inicial.
Artigo 318º 2. O embargante deduz a sua pretensão, mediante
petição, nos trinta dias subsequentes àquele em que a
Consequência da inércia do citado
diligência foi efectuada, ou em que o embargante teve co-
1. Se o terceiro, tendo sido citado ou devendo conside- nhecimento da ofensa, mas nunca depois de os respectivos
rar-se citado na sua própria pessoa e não se verificando bens terem sido judicialmente vendidos ou adjudicados,
nenhuma das excepções ao efeito cominatório da revelia, oferecendo logo as provas.
não deduzir a sua pretensão, é logo proferida sentença
Artigo 323º
condenando o réu a satisfazer a prestação ao autor.
Esta sentença tem força de caso julgado relativamente Fase introdutória dos embargos
ao terceiro.
Sendo apresentado em tempo e não havendo outras
2. Se o terceiro não deduzir a sua pretensão, mas não razões para o indeferimento dos embargos, realizam-se
tiver sido nem dever considerar-se citado pessoalmente, as diligências probatórias necessárias, sendo os em-
ou se se verificarem as excepções ao efeito cominatório bargos recebidos ou rejeitados, conforme haja ou não
da revelia, a acção prossegue os seus temos para que se probabilidade séria da existência do direito invocado
decida sobre a titularidade do direito. pelo embargante.
3. A sentença proferida não obsta, porém, nem a que o
Artigo 324º
terceiro exija do autor o que este haja recebido indevida-
mente nem a que reclame do réu a prestação devida, se Efeitos da rejeição dos embargos
mostrar que este omitiu, intencionalmente ou com culpa
grave, factos essenciais à boa decisão da causa. A rejeição de embargos nos termos do disposto no
artigo anterior, não obsta a que o embargante proponha
Artigo 319º
acção em que peça a titularidade do direito que obsta à
Dedução do pedido por parte do opoente. Marcha ulterior realização ou ao âmbito da diligência, ou reivindique a
do processo
coisa apreendida.
1. Quando o terceiro deduza a sua pretensão, seguem-se Artigo 325º
os termos prescritos nos artigos 312º a 315º.
Efeitos do recebimento dos embargos
2. Sendo reconhecida a legitimidade do opoente, as-
sume este a posição de réu e o réu primitivo é excluído O despacho que receba os embargos determina a sus-
da instância, se depositar a coisa ou quantia em litígio; pensão dos termos do processo em que se inserem, quanto
não fazendo o depósito, só continua na instância para aos bens a que dizem respeito, bem como a restituição
a final ser condenado a satisfazer a prestação à parte provisória da posse, se o embargante a tiver requerido;
vencedora. Todavia o juiz pode condicioná-la à prestação de caução
Divisão III pelo requerente.
Oposição mediante embargos de terceiro Artigo 326º
Artigo 320º
Processamento subsequente ao recebimento dos embargos
Fundamentos de embargo de terceiro
1. Recebidos os embargos, são notificados para contestar
1. Se qualquer acto, judicialmente ordenado, de apreen- as partes primitivas, seguindo-se os demais termos do
são ou entrega de bens ofender a posse ou qualquer direito processo ordinário de declaração.
incompatível com a realização ou o âmbito da diligência
de que seja titular quem não é parte na causa, pode o 2. Quando os embargos se fundem apenas na invocação
lesado fazê-lo valer, deduzindo embargos de terceiro. da posse, pode qualquer das partes primitivas, na contes-
2. Não é admitida dedução de embargos de terceiro tação, pedir reconhecimento, quer do seu direito de pro-
relativamente à apreensão de bens realizada em processo priedade sobre os bens, quer de que tal direito pertence
especial de falência. à pessoa a quem a diligência foi promovida.
Artigo 321º Artigo 327º

Embargos de terceiros por parte dos cônjuges Caso julgado material

O cônjuge que tenha a posição de terceiro pode, sem A sentença de mérito nos embargos constitui, nos
autorização do outro, defender por meio de embargos termos gerais, caso julgado quanto à existência e titu-
os direitos relativamente aos bens próprios e aos bens laridade do direito invocado pelo embargante ou por
comuns que hajam sido indevidamente atingidos pela alguns dos embargados, nos termos do número 2 do
diligência prevista no artigo anterior. artigo anterior.

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Artigo 328º Artigo 331º

Embargos de terceiro com função preventiva Despacho sobre o seguimento do incidente

1. Os embargos de terceiro podem ser deduzidos, a título 1. Após a contestação da parte decide-se, se o incidente
preventivo, antes de realizada, mas depois de ordenada deve ter seguimento.
a diligência a que se refere o artigo 320º, observando-se 2. A decisão sobre o seguimento do incidente é proferida
o disposto nos artigos anteriores com as necessárias no despacho saneador da causa principal, sempre que o
adaptações. haja e a falsidade tenha sido arguida antes dele.
2. A diligência não é efectuada antes de proferida a Artigo 332º
decisão na fase introdutória dos embargos e sendo estes
Casos em que se nega seguimento ao incidente
recebidos, continua suspensa até a decisão final, podendo
o juiz determinar que o embargante preste caução. Nega-se seguimento ao incidente:
Secção IV a) Quando não tenha sido deduzida em tempo;
Falsidade b) Quando o documento não possa ter influência na
decisão da causa;
Subsecção I
c) Quando a simples inspecção dos autos mostre que
Falsidade de documentos
o arguente já reconheceu inequivocamente
Artigo 329º como verdadeiro o documento e a falsidade
invocada não seja superveniente.
Prazo e forma de arguição
d) Quando seja manifesto que o incidente tem fim
1. A falsidade de documentos deve ser arguida no prazo meramente dilatório.
de dez dias, contados da sua apresentação, se a parte a
Artigo 333º
ela estiver presente, ou da notificação da junção, no caso
contrário; se a falsidade respeitar, porém, a documento Instrução e julgamento do incidente
junto com articulado que não seja o último, deve a sua
arguição ser feita no articulado seguinte e quando se 1. Se o incidente houver de prosseguir, observa-se o
referir a documento junto com a alegação do recorrente seguinte:
é o incidente é deduzido dentro do prazo facultado para a) Os factos essenciais da causa principal
a alegação do recorrido. seleccionados pelo juiz correspondem à
matéria do incidente;
2. Se a parte só tiver conhecimento da falsidade depois
do prazo fixado para a arguição, pode deduzir o incidente b) A instrução do incidente é feita com a causa
dentro de dez dias, a contar da data em que do facto teve principal, sempre que seja possível e nela se
conhecimento. observam as regras aplicáveis a essa causa;

3. Tanto o requerimento de arguição da falsidade, como c) O incidente é julgado com a causa principal sempre
a respectiva oposição, não deduzida nos articulados, são que possível, cujos termos se suspendem pelo
oferecidos em duplicado. tempo indispensável à apreciação conjunta.

4. O incidente da falsidade é processado nos próprios 2. Se o incidente for levantado na acção executiva, ou
autos da causa principal, sempre que possa ser julgado em processo cuja tramitação inviabilize o julgamento con-
juntamente com ela. junto, ao despacho de admissão seguir-se-ão a instrução
e o julgamento feitos segundo as regras estabelecidas nos
5. O disposto nos números anteriores não prejudica artigos 275º a 277º.
o conhecimento oficioso da falsidade, quando esta for
3. O incidente não suspende o andamento da execução,
manifesta.
mas tanto o exequente, como qualquer outro credor só
Artigo 330º podem ser pagos antes de ele ser julgado, se prestarem
caução nos termos estabelecidos neste Código para o
Resposta à arguição pagamento do exequente ou de outros credores quando
prossigam os embargos do executado.
1. A parte contrária é notificada para contestar, salvo
se a falsidade houver sido arguida em articulado que não Artigo 334º
seja o último; neste caso contesta no articulado seguinte, Condenação em multa
independentemente da notificação.
1. Tanto a parte que arguir a falsidade, se decair no
2. Se a parte não contestar ou declarar que não quer incidente, desistir dele ou der causa a que seja declarado
fazer uso do documento julga-se findo o incidente e o sem efeito, como a que usar o documento falso, ficam
documento não pode ser atendido na causa para efeito sujeitos às sanções previstas neste Código por litigância
algum. de má fé, salvo os casos de manifesta boa-fé.

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2. O incidente é declarado sem efeito quando o respectivo Artigo 339º


processo estiver parado durante mais de trinta dias por Processamento do incidente
negligência do arguente em promover os seus termos.
Artigo 335º
1. Ao incidente de falsidade dos actos judiciais é apli-
cável o disposto na subsecção anterior.
Intervenção do Ministério Público
2. Quando, porém, a falsidade respeite à citação, a
1. Quando o incidente seguir, dá-se vista ao Ministério causa suspende-se logo que se mande seguir o incidente,
Público, que pode requerer tudo que entenda necessário até decisão definitiva deste, e a falsidade é instruída e
para instrução e julgamento da falsidade. julgada em separado, observando-se o disposto no número
2 do artigo 333º.
2. Quando no incidente se julgue provada a falsidade
ou esta for declarada oficiosamente, a secretaria entrega Secção V
ao Ministério Público certidão da sentença e do exame, Habilitação
se o tiver havido, para instauração do procedimento
criminal. Artigo 340º

3. Se for negado provimento ao incidente, ou este se Quando tem lugar a habilitação. Quem a pode promover
considerar findo, dá-se conhecimento da arguição ao
1. A habilitação dos sucessores da parte falecida na
Ministério Público para que este promova no Tribunal
pendência da causa ou da herança jacente, para com eles
criminal o que tiver por conveniente.
prosseguirem os termos da demanda, pode ser promovida
Artigo 336º tanto por qualquer das partes que sobreviverem como por
qualquer dos sucessores e deve ser promovida contra as
Incidente de falsidade perante tribunal superior
partes sobreviventes e contra os sucessores do falecido
1. O disposto nos artigos anteriores é aplicável ao inci- que não forem requerentes.
dente de falsidade deduzido perante o tribunal superior.
2. Se o funcionário incumbido da citação do réu certi-
Proferido porém, o despacho do relator que ordene o
ficar o falecimento deste, pode-se requerer a habilitação
seguimento, suspendem-se os termos do recurso e o pro-
dos seus sucessores em conformidade com o que nesta
cesso baixa à primeira instância, a fim de ser instruído e
secção se dispõe, ainda que o óbito seja anterior à pro-
julgado o incidente; os recursos interpostos no incidente
posição da acção.
para o tribunal que o mandou seguir são julgados com
aquele em que a falsidade for deduzida. 3. Se o autor falecer depois de ter conferido mandato
para a proposição da acção e antes de esta ter sido instau-
2. Considera-se deduzido perante o tribunal de recurso
rada, pode promover-se a habilitação dos seus sucessores
o incidente relativo a documento junto com alegação que
quando se verifique algum dos casos excepcionais em que
lhe seja dirigida.
o mandato é susceptível de ser exercido depois da morte
3. Nos casos a que se refere este artigo, o incidente é do constituinte.
processado por apenso. Artigo 341º
Artigo 337º Regras comuns do procedimento do incidente
Falsidade deduzida em recurso interposto na primeira
instância 1. Deduzido o incidente, ordena-se a citação dos
requeridos que ainda não tenham sido citados para a
1. O incidente de falsidade deduzido em recurso inter- causa e a notificação dos restantes, para contestarem a
posto na primeira instância é instruído e julgado no tri- habilitação.
bunal recorrido, ficando entretanto suspensos os termos
do recurso, sempre que no recurso em causa o juiz tenha 2. O incidente é autuado por apenso, sem prejuízo do
a faculdade de o reparar. disposto no número 1 do artigo 342º.

2. É aplicável ao caso previsto neste artigo o disposto 3. A improcedência da habilitação não obsta a que o
no número 3 do artigo anterior. requerente deduza outra com fundamento em factos di-
ferentes ou em provas diversas relativas ao mesmo facto.
Subsecção II A nova habilitação quando fundada nos mesmos factos,
Falsidade dos actos judiciais pode ser deduzida no processo da primeira, pelo simples
oferecimento de outras provas, mas as custas da primeira
Artigo 338º habilitação não são atendidas na acção respectiva.
Prazo para a arguição da falsidade Artigo 342º

1. A falsidade da citação deve ser arguida dentro de dez Processo a seguir no caso de a legitimidade já estar
dias, a contar da intervenção do réu no processo. reconhecida em documento ou noutro processo

2. A falsidade de qualquer outro acto judicial deve ser l. Se a qualidade de herdeiro ou aquela que legitimar
arguida no prazo de dez dias, a contar da data em que se o habilitando para substituir a parte falecida já estiver
deve entender que a parte teve conhecimento do acto. declarada noutro processo, por decisão transitada em

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julgado, ou reconhecida em habilitação notarial, a habili- Artigo 345º


tação tem por base certidão da sentença ou da escritura,
Habilitação do adquirente ou cessionário
sendo requerida e processada nos próprios autos da acção
principal. 1. A habilitação do adquirente ou cessionário da coisa
2. Os interessados para quem a decisão constitua ou direito em litígio, para com ele seguir a causa, faz-se
caso julgado ou que intervierem na escritura não podem nos termos seguintes:
impugnar a qualidade que lhes é atribuída no título de
a) Lavrado no processo o termo da cessão ou junto
habilitação, salvo se alegarem que o título não preenche
ao requerimento de habilitação, que é autuado
as condições exigidas por este artigo ou enferme de vício
por apenso, o título da aquisição ou da cessão,
que o invalida.
é notificada a parte contrária para contestar;
3. Na falta de contestação, verificar-se-á se o docu- na contestação pode o notificado impugnar a
mento prova a qualidade de que depende a habilitação, validade do acto ou alegar que a transmissão
decidindo-se em conformidade; se algum dos chamados foi feita para tornar mais difícil a sua posição
contestar, segue-se a produção da prova oferecida e de- no processo;
pois se decide.
b) Se houver contestação, o requerente pode
4. Havendo inventário, têm-se por habilitados como responder-lhe e em seguida, produzidas as
herdeiros os que tiverem sido indicados pelo cabeça-de- provas necessárias, se decide; na falta de
casal, se todos estiverem citados para o inventário e ne- contestação, verifica-se se o documento prova
nhum tiver impugnado a sua legitimidade ou a dos outros a aquisição ou a cessão e, no caso afirmativo,
dentro do prazo legais ou se, tendo havido impugnação, declara-se habilitado o adquirente ou
esta tiver sido julgada improcedente. Apresentada certi- cessionário.
dão do inventário, pela qual se provem os factos indicados,
observa-se o que fica disposto neste artigo. 2. A habilitação também pode ser promovida pelo
cedente ou transmitente ou ainda pela respectiva parte
Artigo 343º contrária.
Habilitação no caso de a legitimidade ainda não estar
Artigo 346º
reconhecida
Habilitação perante os tribunais superiores
1. Não se verificando qualquer dos casos previstos no
artigo anterior, o juiz decide o incidente logo que, findo 1. O disposto nesta secção é aplicável à habilitação de-
o prazo da contestação, se faça a produção de prova que duzida perante os tribunais superiores, mas o julgamento
no caso couber. do incidente só compete a esses tribunais quando não
2. Quando a qualidade de herdeiro esteja dependente haja lugar à produção da prova testemunhal; neste caso,
da decisão de alguma causa ou de questões que devam o relator leva o processo à conferência e a habilitação é
ser resolvidas noutro processo, a habilitação é requerida julgada por acórdão.
contra todos os que disputem a herança e todos são cita-
2. Se houver lugar a prova testemunhal, o processo
dos, mas o tribunal só julga habilitadas as pessoas que,
baixa com o apenso à primeira instância, para aí ser
no momento em que a habilitação seja decidida, devem
julgado o incidente. Se falecer ou se extinguir alguma
considerar-se como herdeiras; os outros interessados, a
das partes enquanto a habilitação estiver pendente na
quem a decisão é notificada, são admitidos a intervir na
primeira instância, aí é deduzida a nova habilitação.
causa como litisconsortes dos habilitados, observando-se
o disposto nos artigos 294º e seguintes. 3. Se o processo do incidente estiver parado na primeira
3. Se for parte na causa uma pessoa colectiva ou socie- instância por mais de três meses, por inércia do habili-
dade que se extinga, a habilitação dos sucessores faz-se tante, é devolvido ao tribunal superior para os efeitos
em conformidade com o disposto neste artigo, com as do artigo 265°.
necessárias adaptações e sem prejuízo do disposto no
4. Os recursos interpostos para o tribunal onde o in-
artigo 247º do Código das Empresas Comerciais.
cidente foi suscitado são julgados pelos juízes da causa
Artigo 344º principal.
Habilitação no caso de incerteza de pessoas Secção VI

1. Se forem incertos, são citados editalmente os suces- Liquidação


sores da parte falecida.
Artigo 347º
2. Findo o prazo dos éditos sem que os citados com-
Caracteres da obrigação exequenda
pareçam, a causa segue com o Ministério Público, nos
termos aplicáveis.
Antes de começar a discussão da causa, o autor deduz,
3. Os sucessores que comparecerem, quer durante, quer sendo possível, o incidente de liquidação para tornar
após o prazo dos éditos, deduzem a sua habilitação nos líquido o pedido genérico, quando este se refira a uma
termos dos artigos anteriores. universalidade, ou às consequências de um facto ilícito.

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Artigo 348º contar da data da entrada do respectivo processo no tri-
Como se deduz bunal de recurso, cabendo ao Presidente desta instância,
poderes para o encurtamento dos prazos processuais que
A liquidação é deduzida mediante requerimento ofe- se mostrarem necessários para tal efeito.
recido em duplicado, no qual o autor, conforme os casos,
Artigo 352º
relaciona os objectos compreendidos na universalidade,
com as indicações necessárias para se identificarem, ou Relação entre o procedimento cautelar e a acção principal
especifica os danos derivados do facto ilícito e conclui
pedindo quantia certa. 1. O procedimento cautelar encontra-se sempre na de-
Artigo 349º
pendência da causa que tenha por fundamento o direito
acautelado, podendo ser instaurado como preliminar ou
Termos posteriores à liquidação como incidente da acção.
1. A oposição à liquidação é formulada em duplicado.
2. Requerido antes de proposta a acção, deve o proce-
2. A matéria da liquidação é inserida ou aditada à base dimento ser apensado ao processo desta logo que seja
instrutória da causa. intentada e se ela for proposta noutro tribunal, para lá
é remetido, ficando o juiz da acção com a exclusiva com-
3. As provas são oferecidas e produzidas, sendo possível, petência para os termos subsequentes à remessa.
com as das restantes matérias da acção e da defesa.
3. Requerido no decurso da acção, é o procedimento
4. A liquidação é discutida e liquidada com a causa instaurado onde ela houver siso proposta e deduz-se por
principal. apenso, salvo se estiver pendente de recurso; neste caso a
CAPÍTULO IV apensação faz-se só quando o procedimento cautelar esteja
findo ou quando o processo baixe à primeira instância.
Procedimentos cautelares
4. Nem o julgamento da matéria de facto, nem a decisão
Secção I
final, proferida no procedimento cautelar, tem qualquer
Providências cautelares não especificadas influência no julgamento da acção principal.
Artigo 350º Artigo 353º
Âmbito
Processamento
1. Quando alguém mostre fundado receio de que
outrem, antes de a acção ser proposta ou na pendência 1. É aplicável às providências cautelares o disposto nos
dela, cause lesão grave e dificilmente reparável ao seu artigos 275º a 277º.
direito, pode requerer, a providência antecipatória ou
2. O tribunal ouve o requerido se a audiência não puser
conservatória para assegurar a efectividade do direito
em risco o fim ou a eficácia da providência.
ameaçado.
2. O interesse do requerente pode fundar-se num di- 3. Quando deva ser ouvido, o requerido é citado para
reito já existente ou em direito emergente de decisão a deduzir oposição, procedendo-se, depois, à produção das
proferir em acção constitutiva, já proposta ou a propor. provas indispensáveis.

3. Não são aplicáveis as providências referidas no 4. A citação é substituída por notificação quando o
número 1 quando se pretenda acautelar o risco de lesão requerido já tenha sido citado para a acção principal.
especialmente prevenido por alguma das providências
tipificadas neste Código. 5. Não tem lugar a citação edital, devendo o juiz dis-
pensar a audiência do requerido quando se certificar que
4. Não é admissível, na dependência da mesma causa, a citação pessoal dele não é viável.
a repetição da providência que haja sido julgada injus-
tificada ou caducada. 6. Se o requerido não tiver sido ouvido, o juiz pode,
ainda assim, ordenar todas as diligências de prova ne-
Artigo 351º
cessárias, sendo, em tal caso, notificada ao requerido a
Carácter urgente realização da providência.
1. Os procedimentos cautelares revestem sempre ca- Artigo 354º
rácter urgente, precedendo os respectivos actos qualquer
outro serviço judicial não urgente. Concessão da providência

2. Os procedimentos instaurados perante o tribunal 1. A providência é decretada desde que as provas pro-
competente, devem ser decididos em primeira instância, duzidas revelem uma probabilidade séria da existência
no prazo máximo de dois meses, ou se o requerido não do direito e mostrem ser fundado o receio da sua lesão.
tiver sido citado, de quinze dias.
2. A providência pode, não obstante, ser recusada pelo
3. Na instância de recurso, os procedimentos cautelares tribunal quando o prejuízo dela resultante para o reque-
devem ser decididos no prazo máximo de noventa dias a rido exceder o dano que com ela se pretende evitar.

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Artigo 355º responsável pelos danos causados ao requerido, quando
Substituição da providência não tenha agido com a prudência normal, não lhe sendo
permitido requerer outra providência como dependência
A providência decretada pode ser substituída por caução da mesma causa.
adequada, a pedido do requerido, sempre que a caução
oferecida, ouvido o requerente, se mostre suficiente para 2. Sempre que o entenda conveniente, pode o juiz, sem
prevenir a lesão ou repará-la integralmente. necessidade de audiência do requerido, tornar a conces-
são da providência dependente da prestação de caução
Artigo 356º
adequada a efectuar pelo requerente.
Impugnação da providência
Artigo 359º
1. O requerido pode recorrer, nos termos gerais, do Garantia penal
despacho que deferir a providência.
Constitui crime de desobediência qualificada o não aca-
2. Quando o requerido não tiver sido ouvido antes de tamento da providência cautelar decretada, sem prejuízo
decretada a providência, cabe-lhe igualmente opor em- das medidas adequadas à sua execução coerciva.
bargos ao deferimento desta, nos termos estabelecidos
neste Código para o embargo à execução. Artigo 360º

Aplicação subsidiária
3. Os embargos destinam-se especialmente a alegar factos
que afastem os fundamentos da providência requerida ou 1. As disposições constantes desta secção são aplicáveis
a pedir a redução dela aos seus justos limites. aos procedimentos cautelares específicos, regulados nas
Artigo 357º secções seguintes, em tudo quanto nelas não se encontre
especialmente previsto.
Caducidade da providência
2. O disposto no número 2 do artigo 358º é apenas
1. O procedimento cautelar extingue-se e, quando
aplicável a arresto e ao embargo de obra nova.
decretada, a providência caduca:
3. O tribunal não está adstrito à providência concre-
a) Se o requerente não propuser a acção da qual
tamente requerida.
a providência depende dentro de trinta
dias, contados da data em que lhe tiver sido Secção II
notificada a decisão que a tenha ordenado.
Alimentos provisórios
b) Se, proposta a acção, o processo estiver parado Artigo 361º
mais de trinta dias, por negligência do
requerente; Em que casos podem pedir-se alimentos provisórios

c) Se a acção vier a ser julgada improcedente, por 1. Como dependência da acção em que principal ou
decisão transitada em julgado; acessoriamente se peça a prestação de alimentos, pode
ser requerida a fixação de uma quantia mensal que o in-
d) Se o réu for absolvido da instância e o teressado deva receber a título de alimentos provisórios,
requerente não propuser nova acção em enquanto não houver sentença exequível na acção.
tempo de aproveitar os efeitos da proposição
da anterior; 2. A prestação alimentícia provisória é fixada em atenção
ao que for estritamente necessário para sustento, habitação
e) Se o direito que o requerente pretende acautelar e vestuário do requerente e também para despesas da acção,
se tiver extinguido. quando este não possa obter a assistência judiciária, deven-
2. Quando a providência cautelar tenha sido substitu- do a parte relativa ao custeio da demanda ser destrinçada
ída por caução, fica esta sem efeito nos mesmos termos da que se destina aos alimentos.
em que fica a providência substituída. Artigo 362º

3. A extinção do procedimento, ou o levantamento da Procedimento


providência, são determinados oficiosamente pelo juiz
1. Recebida a petição onde o requerente deduz os funda-
com prévia audiência do requerente ou a solicitação
mentos e o alcance da sua pretensão, é logo designado dia
deste, logo que fique demonstrado nos autos a ocorrência
para o julgamento, sendo as partes advertidas de que devem
do facto extintivo.
comparecer pessoalmente na audiência ou nela fazerem-se
4. Os prazos estabelecidos neste artigo, bem como os representar por procurador com poderes para transigir.
demais desta secção, para a prática de quaisquer actos
ou diligências, são considerados prazos processuais. 2. A contestação é apresentada na própria audiência,
procurando o juiz obter a fixação dos alimentos por acordo
Artigo 358º das partes, que logo homologa por sentença.
Responsabilidade do requerente e proibição de repetição
da providência 3. Se não for possível obter o acordo, o juiz ordena a
produção da prova e decide segundo a convicção que ti-
1. Se a providência for julgada injustificada ou vier ver formado sobre as declarações das partes e as provas
a caducar, por facto imputável ao requerente, este é produzidas.

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4. Se o juiz considerar que se torna necessário proceder 3. A liquidação provisória a imputar na liquidação
a algum arbitramento, é este feito por um só perito por definitiva do dano é fixada equitativamente pelo tribunal.
ele nomeado.
4. Se a decisão final proferida na acção de indemnização
5. A sentença é oral e os alimentos são devidos a partir não arbitrar qualquer reparação ou atribuir indemnização
do primeiro dia do mês subsequente à data da dedução inferior à provisoriamente estabelecida, condena o lesado
do respectivo pedido. a restituir o que for devido.

Artigo 363º 5. O disposto nos números anteriores é também apli-


cável nos casos em que a pretensão indemnizatória se
Falta à audiência
funde em dano susceptível de pôr seriamente em causa
o sustento ou habitação do lesado.
1. Se o requerente, sem justo impedimento faltar ao
julgamento ou não se fizer representar devidamente, é Secção III.
logo indeferido o pedido, que não pode ser renovado como
Restituição provisória de posse
dependência da mesma acção.
Artigo 367º
2. A falta de comparência ou de representação do
requerido tem como efeito ser logo proferida sentença Em que casos tem lugar
a fixar os alimentos na quantia pedida pelo requerente, No caso de esbulho violento, pode o possuidor pedir que
salvo se o requerido tiver sido citado por éditos. Neste seja restituído provisoriamente à sua posse, alegando e
caso a prestação alimentícia é fixada de harmonia com provando os factos que constituem a posse, o esbulho e
os elementos de prova que o juiz puder obter. a violência.
3. Faltando qualquer das partes por justo impedimento, Artigo 368º
é adiado o julgamento por um dos cinco dias subsequentes.
Termos em que a restituição é ordenada
A falta não justificada à segunda audiência tem o mesmo
efeito que a não comparência à primeira; se for justificada Provado o esbulho violento, o juiz ordena a restituição
não faz adiar a decisão, que o juiz profere de harmonia da posse sem prévia audiência do esbulhador.
com os elementos que puder obter.
Artigo 369º
4. A justificação da falta de qualquer das partes só pode Defesa provisória da posse em casos especiais
fazer-se na própria audiência ou até ao momento em que
esta podia realizar-se. 1. Aplicam-se as disposições do artigo 367º ao esbulho
sem violência de prédios rústico, nos termos estabelecidos
5. O disposto no número1 do presente artigo não se em lei própria.
aplica quando a acção tenha sido intentada pelo Minis-
tério Público. 2. Aos demais possuidores que sejam esbulhados ou per-
turbados na sua posse sem violência é facultado, nos termos
Artigo 364º gerais, o procedimento cautelar não especificado.
Regime especial de responsabilidade Secção IV

O requerente dos alimentos só responde pelos danos Suspensão de deliberações sociais


causados com a improcedência ou caducidade da provi- Artigo 370º
dência se tiver actuado de má fé.
Pressupostos e formalidades
Artigo 365º
1. Se alguma associação ou sociedade, seja qual for
Alteração da prestação a sua espécie, tomar deliberações contrárias à lei, aos
estatutos ou ao contrato, qualquer sócio pode requerer,
Se houver fundamento para alterar ou fazer cessar a no prazo de dez dias, a suspensão da eficácia dessas de-
prestação estabelecida, o pedido é deduzido no mesmo liberações, justificando a qualidade de sócio e mostrando
processo e observam-se os termos prescritos nos artigos que essa execução pode causar dano apreciável.
anteriores.
2. O sócio deve instruir o requerimento com cópia da acta
Artigo 366º
em que as deliberações foram tomadas e que a direcção
Alimentos por conta da indemnização deve fornecer ao requerente dentro de vinte e quatro
horas; quando a lei dispense reunião de assembleia, a
1. Como dependência da acção de indemnização fun- cópia da acta é substituída por documento comprovativo
dada na morte ou lesão corporal do ofendido, pode-se da deliberação.
requerer que, por conta da indemnização e nos termos
desta secção, sejam arbitrados alimentos provisórios. 3. O prazo fixado para o requerimento da suspensão
conta-se da data da assembleia em que as deliberações
2. Se a providência requerida vier a caducar, deve o foram tomadas ou, se o requerente não tiver sido regular-
requerente restituir tudo o que recebeu nos termos esta- mente convocado, da data em que ele teve conhecimento
belecidos para o enriquecimento sem causa. das deliberações.

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Artigo 371º Artigo 376º

Contestação e decisão Termos subsequentes

1. Se o requerente alegar que não lhe foi fornecida 1. Examinadas as provas produzidas o arresto é de-
cópia da acta, ou o documento correspondente dentro do cretado, sem audição da parte contrária, desde que se
prazo fixado no artigo anterior a citação da associação mostrem preenchidos os requisitos legais; porém se o
ou sociedade é feita com a cominação de que a contestação arresto houver sido requerido em mais bens do que os
não é recebida sem vir acompanhada da cópia ou do suficientes para segurança da obrigação, reduz-se a ga-
documento em falta. rantia aos justos limites.

2. Ainda que a deliberação seja contrária à lei, aos 2. O arrestado não pode ser privado dos rendimentos
estatutos ou ao contrato o juiz pode deixar de suspendê- estritamente indispensáveis aos seus alimentos e da sua
la, desde que o prejuízo resultante da suspensão seja família e custeio das despesas da demanda, que lhe são fi-
superior ao que pode resultar da execução. xados nos termos previstos para os alimentos provisórios.

3. A partir da execução e enquanto não for julgado 3. Tratando-se de arresto em navio ou sua carga, a
em primeira instância o pedido de suspensão, não é apreensão não se realiza se o devedor oferecer logo caução
lícito à associação ou sociedade executar a deliberação que o credor aceite ou que o juiz, dentro de vinte e quatro
impugnada. horas, julgue idónea, ficando sustada a saída do navio
até à prestação da caução.
Artigo 372º
Artigo 377º
Suspensão das deliberações da assembleia de condóminos
Caso especial de caducidade
1. O disposto nesta secção é aplicável, com as necessá-
O arresto fica sem efeito no caso de, obtida na acção
rias adaptações, à suspensão de deliberações anuláveis
de cumprimento sentença com trânsito em julgado, o
da assembleia de condóminos de prédio sujeito ao regime
credor insatisfeito não promover execução, dentro dos
de propriedade horizontal.
dois meses subsequentes, ou se, promovida a execução,
2. A citação para contestar é feita na pessoa a quem o processo ficar sem andamento durante mais de trinta
compete a representação judiciária dos condóminos na dias, por negligência do exequente.
acção de anulação. Artigo 378º
Secção V Arresto especial

Arresto 1. O Ministério Público deve requerer arresto contra


Artigo 373º os tesoureiros, recebedores ou outros empregados que
tenham a seu cargo dinheiro ou valores do Estado ou de
Em que consiste outras pessoas colectivas públicas, quando forem encon-
trados em alcance, sem necessidade de justificar o justo
O arresto consiste numa apreensão judicial de bens,
receio de perda da garantia patrimonial.
à qual são aplicáveis as disposições relativas à penhora,
em tudo quanto não contrariar o preceituado neste ca- 2. A existência de dívida tem-se por comprovada em
pítulo. face de certidão do auto de visita.
Artigo 374º Artigo 379º

Fundamento Regime especial

O credor que tenha fundado receio de perder a garantia Não é aplicável a este caso especial de arresto a ca-
patrimonial do seu crédito pode, como dependência da ducidade por falta de propositura da acção quando a
acção de cumprimento, requerer o arresto dos bens do liquidação da responsabilidade financeira do agente for
devedor. da competência do Tribunal de Contas.
Artigo 375º Secção VI

Processamento Embargo de obra nova

Artigo 380º
1. O requerente do arresto deduz os factos que tornam
provável a existência do crédito e justificam o receio Fundamento do embargo. Embargo extrajudicial
invocado, relacionando, se puder, os bens que devem
ser apreendidos, com todas as indicações necessárias à 1. Aquele que se julgue ofendido no seu direito de pro-
realização da diligência. priedade, singular ou comum, em qualquer outro direito
real ou pessoal de gozo ou na sua posse, em consequência
2. Sendo o arresto requerido contra o adquirente dos de obra, trabalho ou serviço novo que lhe cause ou ameace
bens do devedor, o requerente se não mostrar ter sido ju- causar prejuízo, pode requerer, dentro de trinta dias, a
dicialmente impugnada a aquisição, deduz ainda os factos contar do conhecimento do facto, que a obra, trabalho ou
que tornem provável a procedência da impugnação. serviço seja mandado suspender imediatamente.

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62 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

2. O interessado pode também fazer directamente o Artigo 386º


embargo por via extrajudicial, notificando verbalmente, Continuação abusiva da obra
perante duas testemunhas, o dono da obra, ou, na sua
falta, o encarregado ou quem o substituir, para não con- 1. Se o embargado continuar a obra, sem autorização,
tinuar a obra, trabalho ou serviço. depois de notificado do embargo e enquanto este subsistir,
pode o embargante requerer que seja destruída a parte
3. O embargo previsto no número anterior fica, porém, inovada.
sem efeito se, dentro de cinco dias, não for requerida a
ratificação judicial. 2. Averiguada a existência da inovação por meio de
peritagem ou por testemunhas quando aquele meio não
Artigo 381º
seja suficiente; é o embargado condenado a repor a obra
Embargo por parte do Estado e dos Municípios no estado anterior, sem prejuízo da responsabilidade
criminal do dono da obra.
l. Quando careçam de competência para decretar em-
bargo administrativo, o Estado e os Municípios podem, 3. Se o embargado não tiver procedido, à reposição da
nos termos desta secção, embargar as obras, construções obra no prazo para tal fixado, promove-se nos próprios
ou edificações que os particulares comecem em contra- autos a execução para a prestação de facto devida.
venção da lei ou dos regulamentos.
Secção VII
2. Este embargo não está sujeito ao prazo fixado no Arrolamento
artigo anterior.
Artigo 387º
Artigo 382º
Fundamento
Obras que não podem ser embargadas
Havendo justo receio de extravio, ocultação ou de dissi-
Não podem ser embargadas, nos termos desta subsec- pação de bens, móveis, em que se incluem os documentos,
ção, as obras do Estado, nem as obras das autarquias ou imóveis, pode requerer-se o arrolamento deles.
locais nos terrenos do domínio público estadual ou mu-
nicipal. Artigo 388º

Artigo 383º Legitimidade

Responsabilidade do requerente 1. O arrolamento pode ser requerido por qualquer pes-


soa que tenha interesse na conservação dos bens.
O Estado e as outras pessoas colectivas públicas só
respondem pelo prejuízo injustificado que cause a sus- 2. Aos credores só é permitido requerer arrolamento
pensão da obra. nos casos em que haja lugar à arrecadação da herança.

Artigo 384º Artigo 389º

Processamento Processamento

1. Se a providência for decretada, com ou sem prévia 1. Decretado o arrolamento, profere-se despacho de
audiência do requerido, é o embargo feito por meio de auto nomeação do avaliador e do depositário dos bens.
no qual se descreve o estado da obra e, se for possível e
2. O arrolamento consiste na descrição, avaliação e
conveniente, a sua medição e reprodução fotográfica ou
depósito dos bens.
cinematográfica.
3. É lavrado auto em que se descrevem os bens, em
2. Notifica-se o dono da obra ou, na sua falta, o en-
verbas numeradas, como em inventário, se declara o valor
carregado ou quem o substitua, para não continuar os
fixado pelo louvado e se certifique a entrega ao depositário
trabalhos.
ou o diverso destino que tiveram.
3. O auto é assinado pelo funcionário que o lavre e pelo
4. O auto menciona ainda todas as ocorrências com
dono da obra ou por quem a dirigir, se o dono não estiver
interesse e é assinado pelo funcionário que o lavre, pelo
presente. Quando o dono da obra não possa ou não queira
depositário e pelo possuidor dos bens, se assistir, devendo
assinar, intervêm duas testemunhas.
intervir duas testemunhas quando não for assinado por
Artigo 385º este último.
Autorização da continuação da obra 5. São aplicáveis ao arrolamento as disposições relativas à
penhora, em tudo quanto não contrarie o estabelecido nesta
Embargada a obra, pode ser autorizada a sua continu- secção ou a diversa natureza das providências.
ação, a requerimento do embargado, quando se reconheça
que a demolição restitui o embargante ao estado anterior Artigo 390º
à continuação ou quando se apure que o prejuízo resul- Casos de imposição de selos
tante da paralisação da obra é muito superior ao que pode
advir da sua continuação e em ambos os casos mediante 1. Quando haja urgência no arrolamento e não seja
caução previa às despesas de demolição total. possível efectuá-lo imediatamente ou quando se não possa

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 63

conclui-lo no dia em que foi iniciado, impõem-se selos 3. Na apreciação da idoneidade da caução por meio de
nas portas das casas ou nos móveis em que estejam os hipoteca, penhor ou depósito de títulos de crédito, pedras
objectos sujeitos a extravio, adoptando-se as providências ou metais preciosos, tem-se em conta a depreciação que
necessárias para a sua segurança e continuando-se a os bens podem sofrer em consequência da venda forçada,
diligência no dia que for designado. bem como as despesas a que a venda pode dar lugar.

2. Os objectos, papéis ou valores de que não seja ne- 4. Fixado o valor que deve ser caucionado e a espécie
cessário fazer uso e que não sofram deterioração por da caução, esta julga-se prestada depois de efectuado o
estarem fechados são, depois de arrolados, encerrados em depósito ou a entrega, ou de averbado como definitivo o
caixas lacradas com selo, que se depositam em qualquer registo da hipoteca ou consignação de rendimentos, ou
dependência bancária. depois de constituída a fiança.
Artigo 391º 5. É aplicável nos processos regulados neste capítulo
o disposto nos artigos 275º a 277º.
Nomeação do depositário
Artigo 394º
1. Quando haja de proceder-se a inventário, é nomeada
como depositário a pessoa a quem deva caber a função Como se requer a prestação
de cabeça-de-casal, sendo a relação de bens substituída 1. Aquele que pretenda exigir a prestação de caução
pelo auto de arrolamento. indica, além dos fundamentos da pretensão, o valor que
2. Nos outros casos, o depositário é o próprio possuidor deve ser caucionado.
ou detentor dos bens, salvo se houver manifesto incon- 2. O requerido é citado para, no prazo de cinco dias,
veniente em que lhe sejam entregues. contestar o pedido ou oferecer caução idónea.
3. O auto de arrolamento serve de descrição no inven- Artigo 395º
tário a que haja de prosseguir.
Processo na falta de oposição
Artigo 392º
1. Se o réu não contestar é logo condenado a caucionar
Arrolamentos especiais o valor indicado na petição e notificado para declarar por
que modo quer prestar a caução.
1. Como preliminar ou incidente da acção de separação
judicial de pessoas e bens, divórcio, de reconhecimento do 2. Feita a declaração o autor pode dizer o que se lhe
direito à meação por cessação de união de facto reconhe- oferecer sobre a idoneidade da caução e, efectuadas as
cível, declaração de nulidade ou anulação de casamento, diligências indispensáveis, decide-se.
qualquer dos cônjuges pode requerer o arrolamento de
bens comuns, ou de bens próprios que estejam sob a 3. Se o réu não fizer declaração nenhuma, o autor pode
administração do outro. pedir a aplicação da sanção estabelecida na lei civil para
a falta de prestação da caução ou, na falta de preceito
2. Se houver bens abandonados, por estar ausente o especial requerer registo de hipoteca sobre os bens do
seu titular, por estar jacente a herança, ou por outro responsável.
motivo, e tomando-se necessário acautelar a perda ou
deterioração, são arrecadados judicialmente, mediante 4. O arresto facultado pelo número anterior não está
arrolamento. sujeito ao disposto nas disposições deste Código para a
providência cautelar do mesmo nome. Porém se os bens
3. Os arrolamentos especiais não estão dependentes do que se pretende arrestar excederem o necessário para
fundamento do arrolamento estabelecido no artigo 387º. suficiente garantia da obrigação, o juiz pode, a requeri-
mento do réu, depois de ouvido o autor e realizadas as
CAPÍTULO V diligências indispensáveis, reduzir o arresto aos seus
justos limites.
Cauções
Artigo 396º
Secção I
Processo no caso de oposição
Prestação de caução
1. Se o réu contestar a obrigação, o autor pode responder
Artigo 393º
e a questão é logo decidida, precedendo as diligências
Princípios gerais necessárias.
1.A caução pode ser prestada por qualquer dos meios 2. Apurado que é obrigado a prestar caução, o réu é
previstos na lei civil, bem como mediante meio idóneo notificado para impugnar ou aceitar o valor e oferecer
aceite pelos usos. caução. O autor pode responder e o juiz fixa caução e o
prazo em que deve ser prestada, depois de mandar pro-
2. Oferecendo-se caução por meio de hipoteca ou con- ceder às diligências que forem indispensáveis.
signação de rendimentos, apresenta-se logo certidão do
respectivo registo provisório e dos encargos inscritos 3. Quando o réu não ofereça caução alguma ou não a
sobre os bens, e ainda a certidão do seu rendimento co- preste dentro do prazo fixado, é aplicável o disposto nos
lectável, se o houver. números 3 e 4 do artigo anterior.

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Artigo 397º Artigo 401º

Impugnação limitada ao valor Caução para obstar à dissolução da sociedade

1. Se o réu impugnar somente o valor, deve ao mesmo 1. O disposto no artigo anterior é aplicável à caução
tempo declarar por que modo quer prestar a caução, sob oferecida pela sociedade anónima ou por quotas, como
pena de não ser admitida a impugnação e de se observar garantia de pagamento aos seus credores, para obstar à
o disposto no artigo 394º. dissolução requerida por eles.
2. O autor pode responder, seguindo-se o disposto no
2. A acção de dissolução finda, logo que a sociedade
número 2 do artigo anterior.
preste a caução que for julgada idónea.
Artigo 398º
Secção II
Prestação espontânea de caução
Reforço e substituição da caução e de outras garantias
1. Sendo a caução oferecida por aquele que tem obri- especiais
gação de a prestar, deve o requerente indicar na petição
Artigo 402º
inicial, além do motivo do oferecimento, o valor a caucio-
nar e o modo por que quer prestar a caução. Reforço ou substituição de hipoteca, consignação
de rendimentos ou penhor
2. É citada a pessoa a favor de quem deve ser prestada
a caução, para, no prazo de cinco dias, deduzir oposição, 1. O credor que pretenda exigir reforço ou substituição
impugnando o valor ou a idoneidade da garantia. da hipoteca, da consignação de rendimentos ou do pe-
nhor justifica, na petição inicial, a pretensão formulada,
3. Se o citado não deduzir oposição, é logo julgada
indicando o montante da depreciação ou o perecimento
idónea a caução oferecida. Se for impugnado o valor
dos bens dados em garantia e a importância do reforço
ou a idoneidade da caução, ou somente alguma destas
ou da substituição.
indicações, pode o autor responder à matéria da impug-
nação e depois se decide, precedendo as diligências que 2. O devedor é citado para, no prazo de cinco dias,
se julguem necessárias. contestar o pedido ou impugnar o valor do reforço ou da
4. Quando a caução for oferecida em substituição de substituição e indicar os bens que oferece.
hipoteca legal, o devedor, além de indicar o valor dela e o
3. Quando a obrigação de reforçar ou substituir a ga-
modo de a prestar, fórmula e justifica na petição o pedido
rantia incumba a terceiro, é este citado para os efeitos
de substituição, e o credor é citado para impugnar tam-
referidos no número antecedente.
bém este pedido, observando-se, quanto à impugnação
dele, o disposto nos números anteriores. Artigo 403º

Artigo 399º Processo no caso de contestação ao pedido


Caução a favor de incapazes
1. Se o réu contestar o pedido, feito o exame, vistoria
O disposto nos artigos antecedentes é aplicável à ou avaliação dos bens ou outra diligência necessária de-
caução que deva ser prestada pelos representantes de cide-se se a garantia deve ser reforçada ou substituída,
incapazes ou ausentes, quanto aos bens arrolados ou podendo ordenar-se o simples reforço, quando pedida a
inventariados, com as seguintes modificações: substituição, se conclua não ter havido perecimento.

a) A caução é prestada por dependência do 2. Decidido que há lugar a reforço ou a substituição, o


arrolamento ou inventário; réu é citado para impugnar o valor indicado pelo autor
ou oferecer os bens com que pretende reforçar ou substi-
b) Se o representante do incapaz ou do ausente não
tuir a garantia; o autor pode responder e o juiz resolve,
indicar a caução que oferece, observar-se-á
precedendo a diligências necessárias.
o disposto para o caso de esse representante
não querer ou não poder prestar a caução; 3. Não é admitida a impugnação do valor quando o
c) As atribuições do juiz relativas à fixação do réu não ofereça logo os bens com que pretende reforçar
valor, à apreciação da idoneidade da caução e os substituir a garantia.
à designação das diligências necessárias são
4. Oferecidos bens para reforço ou substituição de ga-
exercidas pelo conselho de família, quando a
rantia sujeitos a registo, deve efectuar-se logo o registo
este pertença conhecer da caução.
provisório da nova garantia.
Artigo 400º
Artigo 404º
Caução como incidente
Impugnação limitada ao valor
O disposto nos artigos 393º a 397º é também aplicável
quando numa causa pendente haja fundamento para 1. Se impugnar apenas o valor do reforço ou da substi-
uma das partes prestar caução a favor da outra, mas a tuição, o réu deve indicar logo os bens com que pretende
requerida é notificada, em vez de ser citada, e o incidente reforçar ou substituir a garantia, sob pena de não ser
é processado por apenso. admitida a impugnação.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 65

2. O autor pode impugnar a idoneidade e a suficiência 3. Se a caução tiver sido constituída judicialmente, a
da garantia oferecida, devendo o juiz resolver, precedendo prestação de nova forma ou o reforço dela é requerido no
as diligências necessárias. mesmo processo, devendo observar-se, quanto ao próprio
reforço, o disposto nas alíneas b) e c) do artigo 399º.
3. Os termos do processo são os mesmos quando o réu
não contestar o pedido nem impugnar o valor, mas ofe- Artigo 410º
recer bens para o reforço ou substituição. Reforço da caução prestada como incidente
Artigo 405º
Quando a caução tenha sido prestada por uma das
Termos a seguir na falta de oposição partes a favor da outra, como incidente da causa, a subs-
tituição ou o reforço é requerido no processo de prestação,
1. Se o réu não deduzir nenhuma oposição, nem oferecer
observando-se, com as necessárias adaptações, os termos
bens para reforço ou substituição da garantia, cabe ao juiz
prescritos para a prestação da caução.
decidir com base nos factos considerados provados.
CAPÍTULO VI
2. A execução destinada a exigir o cumprimento ime-
diato da obrigação que a substituição ou reforço se des- Das custas, multas e indemnizações
tinavam a garantir, segue no mesmo processo.
Secção I
Artigo 406º
Custas
Reforço e substituição da fiança
Artigo 411º
O disposto nos artigos anteriores é aplicável ao reforço
Regra geral em matéria de custas
e substituição da fiança e de outras garantias pessoais,
mas o devedor é citado para oferecer novo fiador ou outra 1. A decisão que julgue a acção ou algum dos seus
garantia idónea. incidentes ou recursos condena em custas a parte que a
Artigo 407º elas houver dado causa ou, não havendo vencimento da
acção, quem do processo tirou proveito.
Substituição do penhor
2. Entende-se que dá causa às custas do processo a
1. Havendo justo receio de que a coisa empenhada
parte vencida, na proporção em que o for.
se perca, deteriore ou desvalorize consideravelmente,
tanto o credor pignoratício, como o autor da garantia, 3. Tendo ficado vencidos vários autores ou vários
podem requerer autorização judicial para que a coisa réus, respondem pelas custas em partes iguais, salvo se
seja imediatamente vendida e o penhor recaia sobre o houver diferença sensível quanto à participação de cada
produto da venda. um deles na acção, porque nesse caso as custas são dis-
tribuídas segundo a medida da sua participação; no caso
2. Salvo se a urgência da conversão impuser a venda
de condenação por obrigação solidária, a solidariedade
imediata, é citado para contestar, no prazo de dez dias,
estende-se às custas.
o credor ou o dono da coisa, conforme tenha sido este ou
aquele o requerente da substituição; o tribunal decide em Artigo 412º
seguida, precedendo as diligências necessárias.
Regras especiais
3. Sendo ordenado o depósito do preço, fica este de-
positado à ordem do tribunal, para poder ser levantado 1.Quando a instância se extinguir por impossibilidade
depois de vencida a obrigação. ou inutilidade da lide, as custas ficam a cargo do autor,
salvo se a impossibilidade ou inutilidade resultar de facto
Artigo 408º imputável ao réu, que nesse caso as paga.
Suspensão da venda
2. As custas dos embargos de terceiro, cujo prossegui-
Enquanto a venda não for efectuada, podem o devedor mento se torne inútil por ter sido declarado sem efeito no
ou o autor do penhor oferecer em substituição outra ga- processo de que dependam, bem como o acto ofensivo da
rantia real ou pessoal cuja idoneidade é logo apreciada, posse ou do despacho que o ordenou acrescem às custas
suspendendo-se entretanto a venda. desse processo.

Artigo 409º Artigo 413º

Reforço e substituição da caução Actos e diligências que não entram na regra geral das custas

1. O disposto no artigo 394º e seguintes é aplicável à 1. A responsabilidade do vencido no tocante às custas


exigência da prestação de uma nova forma de caução não abrange os actos e incidentes supérfluos, nem as
por se ter tornado imprópria ou insuficiente a que fora diligências e actos que houverem de repetir-se por culpa
anteriormente prestada. de algum funcionário judicial, nem as despesas a que der
causa o adiamento de acto judicial por falta não justifi-
2. Quando o credor pretenda apenas o reforço da cada de pessoa que devia comparecer.
caução, observa-se o processo estabelecido para o re-
forço da garantia, mediante a qual a caução tenha sido 2. Devem reputar-se supérfluos, os actos e incidentes
prestada. desnecessários para a declaração, ou defesa do direito. As

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custas destes actos ficam à conta de quem os requereu; Artigo 419º


as custas dos outros actos a que se refere o número 1 são
Garantia de pagamento das custas
pagas pelo funcionário ou pela pessoa respectiva.
3. O funcionário a quem for imputável a invalidade As custas da execução saem precípuas do produto dos
de actos do processo responde pelo prejuízo que resulte bens penhorados.
da anulação. Secção II
Artigo 414º
Multas e indemnizações
Repartição do encargo das custas
Artigo 420º
Se a oposição do réu era fundada no momento em que
foi deduzida e deixou de o ser por circunstâncias super- Responsabilidade no caso de má fé
venientes, cada uma das partes paga as custas relativas
aos actos praticados durante o período em que exerceu 1. As partes têm o dever de, conscientemente, não formu-
no processo uma actividade injustificada. lar pedidos ilegais, não articular factos contrários à verdade
Artigo 415º
nem requerer diligências meramente dilatórias.

Custas no caso de confissão, desistência ou transacção 2. Tendo litigado de má fé, a parte é condenada em
multa e numa indemnização à parte contrária, se esta
1. Quando a causa termine por desistência ou confissão,
a pedir.
as custas são pagas pela parte que desistir ou confessar;
e, se a desistência ou confissão for parcial, a responsa- 3. Diz-se litigante de má fé quem, com dolo, ou negli-
bilidade pelas custas é proporcional à parte de que se gência grave:
desistiu ou que se confessou.
2. No caso de transacção, as custas são pagas a meio, a) Tiver deduzido pretensão ou oposição, cuja falta
salvo acordo em contrário, mas quando a transacção se de fundamento não ignorava;
faça entre uma parte isenta ou dispensada do pagamen-
b) Tiver alterado a verdade dos factos ou omitido
to de custas e outra não isenta nem dispensada, o juiz,
factos essenciais para a decisão da causa;
ouvido o Ministério Público, determina a proporção em
que as custas devem ser pagas.
c) Tiver feito do processo ou dos meios processuais
Artigo 416º um uso manifestamente reprovável, com
Responsabilidade do interveniente acessório pelas custas o fim de conseguir um objectivo ilegal, de
entorpecer a acção da justiça ou de impedir a
Aquele que tiver intervindo na causa como interve- descoberta da verdade.
niente acessório é condenado, se o assistido decair, numa
quota-parte das custas a cargo deste, em proporção com 4. Independentemente do valor da causa e da sucum-
a actividade que tiver exercido no processo, mas nunca bência é sempre admitido recurso da decisão que condene
superior a um décimo. por litigância de má fé.
Artigo 417º Artigo 421º
Custas dos procedimentos cautelares, da habilitação e das
notificações Conteúdo da indemnização

1. As custas dos procedimentos cautelares e as do 1. A indemnização pode consistir:


incidente da habilitação são pagas pelo requerente,
quando não haja oposição, mas são atendidas na acção a) No reembolso das despesas a que a má fé do
respectiva; havendo oposição, observa-se o disposto nos litigante tenha obrigado a parte contrária,
artigos 411º e 412º. incluindo os honorários dos mandatários ou
técnicos;
2. As custas da produção de prova que tenha lugar
antes de proposta a acção são pagas pelo requerente e b) No reembolso dessas despesas e na satisfação
atendidas na acção que se propuser. dos restantes prejuízos sofridos pela parte
3. As custas das notificações avulsas são pagas pelo contrária como consequência directa ou
requerente. indirecta da má fé.

Artigo 418º 2. O juiz opta pela indemnização que julgue mais ade-
Pagamento dos honorários pelas custas quada à conduta do litigante de má fé, fixando-a sempre
em quantia certa.
Os técnicos da parte vencedora podem requerer que
o seu crédito por honorários, despesas e adiantamentos 3. Se não houver elementos para se fixar logo na senten-
seja, total ou parcialmente, satisfeito pelas custas que o ça a importância da indemnização, são ouvidas as partes
seu constituinte tem direito a receber da parte vencida. e fixa-se depois, com prudente arbítrio, o que parecer
Se assim o requererem, é ouvida a parte vencedora e em razoável, podendo reduzir-se aos justos limites as verbas
seguida se decide. de despesas e de honorários apresentados pela parte.

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Artigo 422º TÍTULO II
Responsabilidade de representante de incapazes,
pessoas colectivas ou sociedades PROCESSO DE DECLARAÇÃO

Quando a parte for um incapaz, uma pessoa colectiva CAPÍTULO I


ou uma sociedade, a responsabilidade das custas, da
multa e da indemnização recai sobre o seu representante Processo ordinário
que esteja de má fé na causa. Secção I
Artigo 423º
Articulados
Responsabilidade do mandatário
Subsecção I
Quando se reconheça que o mandatário da parte
teve responsabilidade pessoal nos actos pelos quais se Petição Inicial
revelou a má fé na causa, dá-se conhecimento do facto Artigo 428º
à Ordem dos Advogados, para os efeitos disciplinares
convenientes. Requisitos da petição inicial

CAPÍTULO VII Na petição com que propõe a acção deve o autor:


Formas do processo a) Designar o tribunal onde a acção é proposta e
Artigo 424º identificar as partes;
Formas do Processo
b) Formular o pedido;
1. O processo pode ser comum ou especial.
c) Expor os factos e as razões de direito que servem
2. O processo especial aplica-se aos casos expressamen- de fundamento à acção;
te designados na lei; o processo comum é aplicável a todos
os casos a que não corresponda processo especial. d) Declarar o valor da causa;
Artigo 425º
e) Indicar, por remissão aos artigos, os factos que
Forma do processo comum de declaração considera provados e aqueles que pretende
provar.
1. O processo comum de declaração segue a forma única
ordinária, nos termos do presente diploma. Artigo 429º

2. O processo ordinário é abreviado, passando imedia- Pedidos alternativos


tamente da fase dos articulados para a da audiência de
discussão e julgamento, sempre que a acção tenha por 1. É permitido formular pedidos alternativos com relação
fim a condenação para prestação de uma coisa ou de a direitos que por natureza ou origem sejam alternativos,
facto cujo valor não ultrapasse a alçada do Tribunal de ou que possam resolver-se em alternativa.
primeira instância.
2. Quando a escolha da prestação pertença ao devedor,
Artigo 426º a circunstância de não ser alternativo o pedido não obsta
Disposições reguladoras do processo de execução a que se profira uma condenação alternativa.
1. O processo comum de execução segue forma única, Artigo 430º
nos termos do presente diploma.
Pedidos subsidiários
2. O processo de execução rege-se pelas disposições que
lhe são próprias e, em tudo que nelas não esteja regulado, 1.Podem formular-se pedidos subsidiários. Diz-se
pelo processo ordinário de declaração. subsidiário o pedido que é apresentado no tribunal para
ser tomado em consideração no caso de não proceder um
3. À execução destinada à entrega de coisa acerta e a pedido anterior.
destinada à prestação de facto seguem a tramitação da
execução para pagamento de quantia certa na parte em 2. A oposição entre os pedidos não impede que sejam
que o puderem ser. deduzidos nos termos do número anterior; mas obstam
Artigo 427º
a isso as circunstâncias que impedem a coligação de
autores e réus.
Disposições reguladoras dos processos especiais
Artigo 431º
1.Os processos especiais regulam-se pelas disposições
especiais e pelas disposições gerais e comuns; em tudo Cumulação de pedidos
quanto não estiver prevenido numas e noutras observa-se
o que esteja regulado para o processo ordinário. Pode o autor deduzir, cumulativamente, contra o mes-
mo réu, num só processo pedidos que sejam compatíveis,
2. Quando haja lugar à verificação de créditos e à ven- se quanto à forma do processo e quanto à competência
da de bens observa-se o que a respeito vem disposto no do tribunal não existirem os obstáculos que impedem a
processo de execução. coligação.

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68 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 432º 3. Sendo revogado o despacho de indeferimento manda
o juiz da primeira instância, em cumprimento da decisão,
Pedidos genéricos
notificar o réu, começando a correr da notificação o prazo
1. É permitido formular pedidos genéricos nos seguintes para a contestação; se o recurso não obtiver provimento,
casos: a entrada do processo na secretaria é logo notificada ao
autor.
a) Quando o objecto da acção seja uma universa-
Artigo 436º
lidade, de facto ou de direito;
Benefício concedido ao autor em caso de indeferimento
b) Quando não seja possível ainda determinar de modo
definitivo as consequências do facto ilícito; 1. O autor pode apresentar nova petição dentro do
prazo de cinco dias, contados da notificação do despacho
c) Quando a fixação do quantitativo seja dependente de indeferimento, ou se tiver recorrido deste despacho,
de prestação de contas ou de outro acto que da notificação ordenada na parte final do número 3 do
deva ser praticado pelo réu. artigo anterior.
2. Nos casos das alíneas a) e b) do número anterior o 2. Em qualquer dos casos a acção considera-se proposta
pedido pode concretizar-se em prestação determinada na data em que a primeira petição tenha dado entrada
por meio de liquidação, quando para o efeito não caiba na secretaria e, se o réu já tiver sido citado, é notificado
o processo de inventário. Não sendo liquidada na acção para contestar.
declarativa, observa-se o disposto neste Código quando
Artigo 437º
não houver no processo elementos para fixar na sentença
a quantia exacta da condenação. Petição irregular ou deficiente

Artigo 433º 1. Quando não ocorra nenhum dos casos previstos


Pedido de prestações vincendas no artigo 434º, mas ainda assim a acção não possa ser
recebida por falta de requisitos legais ou por não vir
1.Tratando-se de prestações periódicas, se o devedor acompanhada de determinados documentos ou quando
deixar de pagar, podem compreender-se no pedido e na apresente irregularidades ou deficiências que sejam
condenação tantas as prestações vencidas como as que susceptíveis de comprometer o êxito da acção, pode ser
vencerem enquanto subsistir a obrigação. convidado o autor a corrigi-lo, marcando-se prazo para
a apresentação de nova petição.
2. Pode ainda pedir-se a condenação em prestações
futuras quando se pretenda obter o despejo de um prédio 2. Sendo a nova petição apresentada dentro do prazo
no momento em que findar o arrendamento e nos casos marcado aplica-se o disposto no número 2 do artigo an-
em que a falta de título executivo na data do seu venci- terior; igual regime é aplicável no caso de a petição ser
mento possa causar prejuízo ao credor, devendo o autor recusada pelo juiz que preside à distribuição, desde que
suportar as custas respectivas se o réu não contestar a o autor apresente outra que seja distribuída na primeira
existência da obrigação. distribuição seguinte.
Artigo 434º Artigo 438º

Indeferimento liminar Citação

A petição deve ser liminarmente indeferida quando: 1. O réu é citado para contestar no prazo legal.

a) Se reconheça que é inepta; 2. A citação precede a distribuição quando, não devendo


efectuar-se editalmente ou fora do país, o autor o requeira
b) Seja manifesta a incompetência absoluta do e o juiz considere justificada a precedência, atentos os
tribunal, haja falta de personalidade, ou motivos invocados. Neste caso a petição é logo apresenta-
de capacidade do autor ou do réu, ou a sua da a despacho e, se a citação prévia for ordenada, depois
ilegitimidade; dela se faz a distribuição.

c) A acção for proposta fora de tempo, sendo a 3. Quando o juiz entenda conveniente proceder a uma
caducidade do conhecimento oficioso, ou audiência prévia de conciliação, o réu é citado para o
quando por outro motivo a acção não possa efeito, procedendo-se seguidamente e nos próprios au-
prosseguir. tos à sua notificação para contestar, caso a acção deva
prosseguir.
Artigo 435º
4. Decorrido o prazo a que se refere o artigo 152º, sobre
Impugnação do despacho de indeferimento
a data da conclusão do processo ao juiz para a proferição
1. Do despacho de indeferimento cabe agravo, ainda do despacho preliminar, sem que haja recaído qualquer
que o valor da causa esteja na alçada do tribunal. decisão judicial sobre a petição do autor, a secretaria
solicita a cobrança dos autos e, seguidamente, procede à
2. O despacho que admita o recurso ordena a citação do réu, citação do réu, como se o correspondente despacho judicial
tanto para os termos do recurso como para os da causa. tivesse sido proferido.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 69
Artigo 439º 3. Se a resolução da causa revestir manifesta sim-
Advertência sobre as consequências da não contestação plicidade a sentença pode limitar-se à parte decisória,
precedida da necessária identificação das partes e da
O réu é advertido no acto da citação de que a falta fundamentação sumária do julgado.
de contestação importa confissão dos factos articulados
Artigo 445º
pelo autor.
Excepção
Artigo 440º

Irrecorribilidade do despacho de citação Não se aplica o disposto no artigo anterior, quando:

1. Não cabe recurso do despacho que manda citar o réu. a) Havendo vários réus, alguns deles contestar,
relativamente aos factos que o contestante
2. O despacho que ordena a citação não resolve defi- impugnar;
nitivamente as questões que podiam ser causa do inde-
ferimento liminar. b) O réu, ou alguns dos réus, for uma pessoa
incapaz e a causa estiver no âmbito da sua
Artigo 441º incapacidade;
Efeitos da citação
c) A vontade das partes for ineficaz para produzir
Além de outros, especialmente presentes na lei, a ci- o efeito jurídico que pela acção se pretende
tação produz os seguintes efeitos: obter;

a) Faz cessar a boa-fé do possuidor; d) Se trate de factos para cuja prova se exija
documento escrito e este não conste dos
b) Torna estáveis os elementos essenciais da causa, autos;
nos termos do artigo 244º;
e) Algum dos réus tenha sido citado editalmente e
c) Inibe o réu de propor, contra o autor, acção permaneça na situação de revelia absoluta.
destinada à apreciação da mesma questão
jurídica. Secção II

Artigo 442º Contestação

Regime no caso de anulação Subsecção I

Disposições gerais
Sem prejuízo do disposto no número 3 do artigo 323º do
Código Civil, os efeitos da citação anulada só subsistem Artigo 446º
se o réu for novamente citado em termos regulares dentro
Prazo para a contestação
de trinta dias a contar do trânsito em julgado do despa-
cho de citação. Em caso de demora da nova citação, não 1. O réu pode contestar no prazo de vinte dias.
imputável ao autor, tem-se a prescrição por interrompida
nos termos do número 2 do artigo 323º do Código Civil. 2. O prazo para a contestação começa a contar da data
em que ficou gorada a procura da conciliação em audiên-
Subsecção II
cia que haja sido marcada com esse exclusivo efeito ou,
Revelia do réu quando não tenha sido convocada aquela audiência, da
data da citação do réu.
Artigo 443º

Revelia absoluta do réu


3. O prazo começa a correr do termo da dilação se o réu
for citado por éditos ou por carta.
Se o réu, além de não deduzir oposição, não consti-
tuir mandatário, nem intervier de qualquer forma no 4. Quando termine em dias diferentes o prazo para a
processo, o tribunal verifica se a citação foi feita com as defesa de vários réus, a contestação de todos ou de cada
formalidades legais e manda-a repetir, quando encontre um deles pode ser oferecida até ao termo do prazo que
irregularidades. começar a correr em último lugar, mas se o autor desistir
da instância ou do pedido relativamente a algum dos
Artigo 444º réus não citado, são os réus que ainda não contestarem
Efeitos da revelia notificados da desistência, contando-se a partir da data
da notificação o prazo para a sua contestação.
1. Se o réu não contestar, tendo sido ou devendo con-
siderar-se citado, regularmente, na sua própria pessoa, 5. Pode ser concedido prazo mais longo para a contes-
ou tendo juntado procuração a mandatário judicial no tação, não podendo em caso algum ultrapassar trinta
prazo da contestação, consideram-se confessados os factos dias, quando o réu requeira, justifique e demonstre a
articulados pelo autor. necessidade de prorrogação com motivo ponderoso que
impeça ou dificulte a ele ou ao seu mandatário judicial,
2. São notificados, primeiro o autor e depois o réu para, a organização da defesa.
em dez dias, alegarem por escrito, facultando-se o exame
dos autos aos respectivos advogados, e proferindo-se em 6. No caso referido no artigo anterior o juiz deve decidir,
seguida a sentença. sem possibilidade de recurso, no prazo de dois dias.

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70 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 447º 2. Havendo lugar a várias contestações a notificação
Defesa por impugnação e defesa por excepção
só se faz depois de apresentada a última ou de haver
decorrido o prazo do seu oferecimento.
1. Na contestação cabe tanto a defesa por impugnação
Subsecção II
como a defesa por excepção.
Excepções
2. O réu defende-se por impugnação quando contra-
diz os factos articulados na petição ou quando afirma Artigo 452º
que esses factos não podem produzir o efeito jurídico Noção e efeitos
pretendido pelo autor; defende-se por excepção quando
alega factos que obstam à apreciação do mérito da acção 1. As excepções são dilatórias ou peremptórias.
pelo tribunal onde esta for proposta, ou que servindo de
causa impeditiva, modificativa ou extintiva do direito 2. As excepções dilatórias obstam a que o tribunal co-
invocado pelo autor, determinam a improcedência total nheça do mérito da causa e dão lugar à absolvição da ins-
ou parcial do pedido. tância ou à remessa do processo para outro tribunal.
Artigo 448º 3. As peremptórias importam a absolvição total ou
Requisitos da contestação
parcial do pedido e consistem na invocação de factos que
impedem, modificam ou extinguem o efeito jurídico dos
1. Na contestação deve o réu individualizar a acção e factos articulados pelo autor.
expor os factos, separadamente por artigos, as razões de
Artigo 453º
direito, e as conclusões da defesa.
Excepções dilatórias
2. Deve ainda o réu especificar separadamente as ex-
cepções que deduza e indicar, por remissão aos artigos, 1. São dilatórias, entre outras, as excepções seguintes:
os factos que considera provados e aqueles que pretende
provar. a) A nulidade de todo o processo;

Artigo 449º b) A falta de interesse em agir;


Oportunidade de dedução da defesa c) A ilegitimidade de qualquer das partes;
1. Toda a defesa deve ser deduzida na contestação, d) A falta de personalidade ou de capacidade
exceptuando os incidentes que a lei manda deduzir em judiciária de alguma das partes;
separado.
e) A falta de autorização ou deliberação que o autor
2. Depois da contestação só podem ser deduzidas as ex- devesse obter;
cepções, incidentes e meios de defesa que sejam superve-
nientes ou que a lei expressamente admita passado esse f) A falta de constituição de advogado por parte
momento, ou de que se deva conhecer oficiosamente. do autor, nas causas em que tal constituição
Artigo 450º
é obrigatória, e a falta, insuficiência ou
irregularidade de mandato judicial por parte
Ónus de impugnação do mandatário que propôs a acção;
1. O réu deve tomar posição definida perante os factos g) A incompetência, quer absoluta, quer relativa,
articulados na petição. do tribunal;
2. Consideram-se admitidos por acordo os factos que h) A litispendência ou o caso julgado;
não foram impugnados, salvo se estiverem em oposição
com a defesa considerada no seu conjunto, se não for i) A preterição do tribunal arbitral;
admissível confissão sobre eles, ou se só puderem ser
provados por documento escrito. j) A coligação de autores ou réus quando entre
os pedidos não exista a conexão exigida nos
3. Se o réu declarar que não sabe se determinado facto números 1 e 2 do artigo 32º.
é real, a declaração equivale a confissão quando se trate
de facto pessoal ou de que o réu deva ter conhecimento, 2. As circunstâncias que obstam ao conhecimento
e equivale a impugnação no caso contrário. do mérito da causa só tomam a natureza de excepções
quando a respectiva falta ou irregularidade não seja de-
4. O disposto nos números anteriores não é aplicável vidamente sanada, nos casos em que o pudesse ser.
ao advogado oficioso, nem ao Ministério Público, quando
Artigo 454º
este represente o Estado, os ausentes, os incapazes ou
os incertos. Conhecimento das excepções dilatórias

Artigo 451º
O tribunal deve conhecer oficiosamente de todas as
Notificação do oferecimento da contestação excepções dilatórias, salvo da incompetência relativa, nos
casos não abrangidos pelo disposto no artigo 104º e nos
1. A apresentação da contestação é notificada ao autor. da preterição do tribunal arbitral voluntário.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 71
Artigo 455º Artigo 459º

Conceitos de litispendência e caso julgado Conhecimento das excepções peremptórias

O tribunal conhece oficiosamente das excepções pe-


1. As excepções da litispendência e do caso julgado pres-
remptórias, cuja invocação a lei não torne dependente
supõem a repetição de uma causa; se a causa se repete
da vontade do interessado.
estando a anterior ainda em curso, há lugar à litispendên-
cia; se a repetição se verifica depois de a primeira causa Subsecção III
ter sido decidida por sentença que já não admite recurso Reconvenção
ordinário, há lugar à excepção do caso julgado.
Artigo 460º
2. Tanto a excepção da litispendência como a do caso Dedução da reconvenção
julgado têm por fim evitar que o tribunal seja colocado
na alternativa de contradizer ou de reproduzir uma 1. A reconvenção deve ser expressamente identificada
decisão anterior. e deduzida discriminadamente na contestação, obser-
vando-se, na parte aplicável, o disposto para a petição
3. É irrelevante a pendência da causa perante jurisdi- inicial.
ção estrangeira, salvo se outra for a solução estabelecida
2. Se o valor da reconvenção não for indicado, a re-
em convenções internacionais.
convenção não deixa de ser recebida, mas o reconvinte é
Artigo 456º convidado a indicar o valor, sob pena de a reconvenção
não ser atendida.
Requisitos da litispendência e do caso julgado
Subsecção IV

1. Repete-se a causa quando se propõe uma acção Aperfeiçoamento da contestação


idêntica a outra quanto aos sujeitos, ao pedido e à causa
Artigo 461º
de pedir.
Contestação irregular ou deficiente
2. Há identidade de sujeitos quando as partes são as
1. Quando a contestação ou a reconvenção não sejam
mesmas sob o ponto de vista da sua qualidade jurídica.
acompanhados de documentos legalmente exigíveis ou
3. Há identidade de pedido quando numa e noutra quando apresentem irregularidades ou deficiências que
causa se pretende obter o mesmo efeito jurídico. sejam susceptíveis de comprometer o êxito da defesa
ou do pedido reconvencional, pode ser convidado o réu
4. Há identidade de causa de pedir quando a pretensão a corrigi-lo, marcando-se prazo para a apresentação de
deduzida nas duas acções procede do mesmo facto jurí- nova contestação.
dico. Nas acções reais, a causa de pedir é o facto jurídico 2. O não cumprimento do convite formulado nos ter-
de que deriva o direito real; nas acções constitutivas e de mos do número anterior é apreciado livremente pelo
anulação é o facto concreto ou a nulidade específica que tribunal no primeiro despacho que se seguir à fase dos
se invoca para obter o efeito pretendido. articulados.
Artigo 457º 3. Para os efeitos do disposto no número 1, o processo
é concluso ao juiz no dia seguinte ao do recebimento da
Em que acção deve ser deduzida a litispendência
contestação na secretaria do tribunal e esta solicita a sua
cobrança decorrido o prazo previsto no artigo 152º, para
1. A litispendência deve ser deduzida na acção proposta
a prossecução dos seus termos, caso até então não tenha
em segundo lugar. Considera-se proposta em segundo lu-
sido proferido qualquer despacho.
gar a acção para a qual o réu foi citado posteriormente.
Subsecção V
2. Se em ambas as acções a citação tiver sido feita
Réplica e tréplica
no mesmo dia, a ordem das acções é determinada pela
ordem de entrada das respectivas petições iniciais na Artigo 462º
secretaria salvo se estas tiverem sido apresentadas em Réplica
tribunais diferentes, caso em que a litispendência pode
ser deduzida em qualquer deles. 1. À contestação pode o autor responder na réplica, se
o réu tiver deduzido qualquer excepção, formulado pedi-
Artigo 458º do reconvencional ou a acção for de simples apreciação
negativa.
Excepções peremptórias
2. A falta de resposta ao pedido reconvencional impli-
São peremptórias entre outras, as seguintes excepções: ca a confissão dos factos alegados como fundamento da
reconvenção.
a) A prescrição;
3. Na réplica deve o autor limitar-se a responder às
b) O cumprimento e restantes modos de extinção excepções deduzidas e ao pedido reconvencional, não
das obrigações. sendo admissível opor nova reconvenção.

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72 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

4. Nas acções de simples apreciação negativa, a réplica 4. Os factos articulados que interessem à decisão da
serve para o autor impugnar os factos constitutivos que causa são seleccionados pelo juiz nos mesmos termos que
o réu tenha alegado e para alegar os factos impeditivos os constantes dos restantes articulados, aplicando-se o
ou extintivos do direito invocado pelo réu. disposto no artigo 468º.

5. A réplica é apresentada dentro de oito dias, a contar Artigo 466º


daquele em que for ou se considerar notificada a apre-
Apresentação do novo articulado depois da marcação
sentação da contestação; o prazo é, porém de vinte dias da audiência de discussão e julgamento
se tiver havido reconvenção ou se acção for de simples
apreciação negativa. A apresentação do novo articulado depois de designa-
do dia para a audiência de discussão e julgamento não
6. Aos prazos referidos no número anterior aplica-se o suspende as diligências para ela nem determina o seu
disposto nos números 5 e 6 do artigo 446º, não podendo adiamento, ainda que o despacho respectivo tenha de
a prorrogação ultrapassar vinte dias no caso previsto na ser proferido ou a notificação da parte contrária haja de
segunda parte do número anterior. ser feita ou a resposta desta tenha de ser formulada no
Artigo 463º decurso da audiência. Se não houver tempo para notificar
as testemunhas oferecidas, ficam as partes obrigadas a
Oferecimento da tréplica apresentá-las.

1. Se houver réplica e nesta for modificado o pedido ou Secção III


a causa de pedir nos termos do artigo 249º ou se, no caso
Julgamento antecipado, saneador e debate instrutório
de reconvenção, o autor tiver deduzido alguma excepção,
pode o réu responder, por meio de tréplica, à matéria da Artigo 467º
modificação ou defender-se contra a excepção oposta à
reconvenção. Julgamento antecipado e saneador

2. A tréplica é apresentada dentro de oito dias a contar 1. Findos os articulados e removidos os obstáculos que
daquele em que for ou se considerar notificada a apre- ao tribunal incumbe diligenciar para a regularização da
sentação da réplica, aplicando-se ainda o disposto nos instância, o juiz, marca dentro de vinte dias, data para,
números 5 e 6 do artigo 446°, sendo de vinte dias o limite conforme couber, proceder à realização de audiência
máximo de prorrogação. destinada ao julgamento antecipado ou ao saneamento
do processo:
Artigo 464º
a) Se a questão de mérito a conhecer for
Falta de articulados
unicamente de direito ou, sendo de direito e de
A falta de alguns dos articulados de que trata a presen- facto, se lhe afigurar que não há necessidade
te subsecção tem o efeito previsto no artigo 450º. de produzir mais provas;

Subsecção VI b) Se tiver que apreciar qualquer excepção


dilatória, ou peremptória, susceptíveis de
Articulados supervenientes conduzir, respectivamente, à absolvição da
Artigo 465º instância ou do pedido.

Termos em que são admitidos 2. Na audiência a que se refere a alínea a) do número


anterior é aberto um debate oral entre as partes, durante
1. Os factos constitutivos, modificativos ou extintivos o qual é dada a palavra, para alegações, por período não
do direito que forem supervenientes podem ser deduzidos superior a quarenta minutos, primeiro ao advogado do
em articulado posterior ou em novo articulado, pela parte autor e depois ao advogado do réu, ou a este e depois
a quem aproveitem, até ao encerramento da discussão. àquele se, se tratar de apreciação de pedido reconven-
cional ou de simples apreciação negativa ou de discutir
2. Dizem-se supervenientes tanto os factos ocorridos excepções, podendo cada orador contra alegar, por período
posteriormente ao termo dos prazos marcados nos artigos não superior a dez minutos.
precedentes como os factos anteriores de que a parte só
tenha conhecimento depois de findarem esses prazos, de- 3. Seguidamente, o juiz profere a sua decisão, ditan-
vendo neste caso produzir-se prova da superveniência. do-a para a acta ou profere-a ou dentro do prazo de
dois se a complexidade das questões jurídicas assim o
3. O novo articulado é oferecido nos dez dias posteriores aconselhar.
à data em que os factos ocorreram ou em que a parte teve
conhecimento deles. O juiz rejeita-o se for apresentado 4. A falta injustificada de qualquer dos advogados não
fora do tempo ou quando for manifesto que os factos não constitui motivo do adiamento da audiência.
interessam à boa decisão da causa; se o não rejeitar, é
notificada a parte contrária para apresentar resposta 5. O despacho proferido relativamente ao conhecimento
em cinco dias, observando-se quanto a esta o disposto no das excepções dilatórias, logo que transitado, constitui
artigo anterior. As provas são oferecidas com o articulado caso julgado formal, quanto às questões concretamente
e com a resposta. apreciadas.

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6. Não cabe recurso das decisões judiciais que mandem artigo 153º, designa logo data para a realização da audi-
prosseguir a causa em resultado das audiências referidas ência de discussão e julgamento, ponderada a duração
no presente artigo nem dos despachos judiciais de mera provável desta e das diligências de instrução a realizar
regularização da instância. antes dela.
Artigo 468º Secção IV

Debate instrutório Instrução do processo

1. Se o processo houver de prosseguir, segue-se, sem Subsecção I


interrupção da audiência que tiver sido realizada nos Disposições gerais
termos do artigo anterior, um debate instrutório, des-
tinado a: Artigo 471º

a) Discussão e selecção dos factos que devem ser Objecto da prova e momento da sua apresentação
considerados provados e dos que devam ser
1. A instrução tem por objecto todos os factos relevantes
considerados controvertidos;
para o exame e decisão da causa que devam ser conside-
b) Indicação das provas que as partes pretendem rados controvertidos ou necessitados de prova.
produzir, com a indicação expressa das
2. As partes podem requerer provas ou alterar os
diligências que, justificadamente, devem ter
requerimentos probatórios que tenham efectuado ante-
lugar antes da audiência final;
riormente, até vinte dias antes da data marcada para o
c) Marcação da data da realização da audiência início da audiência final, por superveniência do facto a
final e do tempo provável da sua duração. comprovar ou por qualquer outro motivo ponderoso, de
livre apreciação do juiz, sendo notificada a parte contrária
2. Quando o processo revista de extrema simplicida- para em cinco dias usar de igual faculdade, querendo.
de no concernente à apreciação judicial da matéria de
facto, o juiz, ouvidas as partes, pode dispensar o debate 3. Sem prejuízo do disposto no número anterior, nas
instrutório e relegar para a audiência final a selecção acções que seguem a variante abreviada prevista no
da matéria de facto. Não havendo lugar à realização de número 2 do artigo 425º as provas são requeridas com
nenhuma audiência, o juiz, regularizada a instância, os respectivos articulados.
marca data para a realização da audiência final e manda Artigo 472º
notificar as partes para que indiquem, no prazo de dez
dias, as provas a produzir. Provas atendíveis

3. O debate instrutório tem ainda lugar e obedece ao 1. O tribunal deve tomar em consideração todas as
mesmo regime e trâmites estabelecidos no presente artigo provas produzidas, tenham ou não emanado da parte
se, depois de regularizada a instância, não houver lugar à que devia produzi-las, sem prejuízo das disposições que
realização das diligências referidas no artigo anterior. declarem irrelevante a alegação de um facto, quando não
seja feita por certo interessado.
Artigo 469º

Exposição dos fundamentos e fixação da matéria


2. Não carecem de prova, nem de alegação os factos
controvertida notórios, devendo considerar-se como tais os factos que
são do conhecimento geral.
1. O juiz dá início ao debate instrutório, convidando
os advogados das partes a exporem, sucintamente, por 3. Também não carece de alegação os factos de que
período não superior a trinta minutos por cada parte, a o tribunal tem conhecimento por virtude do exercício
pretensão do respectivo constituinte, os fundamentos que das suas funções; quando o tribunal se socorra destes
a sustentam, e ainda os factos provados e os a provar. factos, deve fazer juntar ao processo documento que os
comprove.
2. De seguida, o juiz fixa os factos que considera pro-
Artigo 473º
vados e os que considera controvertidos ou necessitados
de prova, podendo fazê-lo com remissão para os articu- Ónus da prova
lados e decide a admissão e preparação das diligências
probatórias. A dúvida sobre a realidade dum facto resolve-se contra
a parte que tiver o ónus da respectiva prova.
3. O juiz pronuncia-se imediatamente sobre as recla-
mações apresentadas pelas partes, podendo a solução ser Artigo 474º
impugnada apenas em recurso que venha a ser interposto Princípio da audição contraditória
da decisão final.
1. Salvo disposição em contrário as provas não são
Artigo 470 º
atendidas sem audiência contraditória à parte a quem
Marcação da audiência de discussão e julgamento hajam de ser opostas.

Terminadas as diligências referidas nos números 2. Quanto às provas constituendas, a parte é notificada
anteriores, o juiz, observando o disposto no número 1 do quando não for revel, para todos os actos de preparação

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74 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

e produção da prova, e é admitida a intervir nesses actos ao segredo do Estado e, bem assim, à exibição judicial,
nos termos da lei; relativamente às provas pré-consti- por inteiro, dos livros de escrituração comercial e dos
tuídas, deve facultar-se à parte a impugnação, tanto da documentos a ela relativos.
respectiva admissão, como da sua força probatória.
3. As informações obtidas nos termos do número 1 são es-
Artigo 475º tritamente utilizadas na medida indispensável à realização
Apresentação de coisas móveis ou imóveis dos fins que determinarem a sua requisição, não podendo
ser divulgadas por qualquer pessoa que tenha intervenção,
1. Quando a parte pretenda utilizar, como meio de ainda que incidentalmente no processo, nem constituir ob-
prova, uma coisa móvel que possa, sem inconveniente, jecto de ficheiro informático de informações nominativas,
ser posta à disposição do tribunal, faz a sua entrega na sob pena de responsabilidade penal dos seus infractores,
secretaria dentro do prazo fixado para a apresentação de pelo crime de violação de segredo de justiça.
documentos; a parte contrária pode examinar a coisa na
secretaria e colher a fotografia dela. Artigo 478º

Produção antecipada de prova


2. Se a parte pretender utilizar imóveis ou móveis que
não possam ser depositados na secretaria, faz notificar 1. Havendo justo receio de vir a tornar-se impossível
a parte contrária para exercer as faculdades a que se ou muito difícil o depoimento de certas pessoas ou a
refere o número anterior, devendo a notificação ser re- verificação de certos factos por meio de arbitramento
querida dentro do prazo em que pode ser oferecido o rol ou inspecção, pode o depoimento, o arbitramento ou a
de testemunhas. inspecção realizar-se antecipadamente e até antes de
3. A prova para apresentação das coisas não afecta ser proposta a acção.
a possibilidade de prova pericial ou por inspecção em
2. O requerente da prova antecipada justifica suma-
relação a elas.
riamente a necessidade da antecipação, menciona com
Artigo 476º precisão os factos sobre que recai, e identifica as pessoas
que devem ser ouvidas, quando se trate de depoimento
Dever de colaboração para a descoberta da verdade
de parte ou de testemunhas.
1. Todas as pessoas, sejam ou não partes na causa, têm
o dever de prestar a sua colaboração para a descoberta 3. Quando se requeira a diligência antes de a acção ser
da verdade, respondendo ao que lhes for perguntado, proposta, indicam-se sucintamente o pedido e os funda-
submetendo-se às inspecções necessárias, facultando mentos da demanda e identifica-se a pessoa contra quem
o que foi requisitado e praticando os actos que forem se pretende fazer uso da prova, a fim de ela ser notificada
determinados. pessoalmente para os efeitos do artigo 474º; se não puder
ser notificada, é notificado o Ministério Público, quando se
2. Aqueles que recusem a colaboração devida são con- trate de incertos ou ausentes, ou um advogado nomeado
denados em multa, sem prejuízo de outras sanções da lei; pelo juiz, quando se trate de ausentes em parte certa.
se o recusante for parte, o tribunal aprecia livremente o
Artigo 479º
valor da recusa para efeitos probatórios.
Valor extra processual das provas
3. A recusa é porém, legítima se a obediência importar
violação da intimidade da vida privada e familiar, da 1. Os depoimentos e arbitramentos produzidos num
dignidade humana, do sigilo profissional ou de segredo processo com audiência contraditória da parte podem ser
de Estado, se causar grave dano à honra e consideração invocados noutro que corra entre as mesmas partes.
da própria pessoa, de um seu ascendente, descendente,
irmão, cônjuge ou convivente de união de facto legalmente 2. O disposto no número anterior não tem aplicação
reconhecível. quando o primeiro processo tiver sido anulado, na parte
relativa à produção da prova que se pretende invocar.
Artigo 477º
Artigo 480º
Dispensa de confidencialidade
Registo dos depoimentos
1. A simples confidencialidade de dados que se encon-
trem na disponibilidade dos serviços administrativos das 1. Todos os depoimentos, quer os prestados antecipa-
entidades públicas em suporte manual ou informático e damente ou por carta, quer em audiência, são registados,
que se refiram à identificação, a residência, à profissão e de preferência por gravação.
entidade empregadora, ou que permitam o apuramento
da situação patrimonial de algumas das partes em cau- 2. A gravação é registada por meio de sistema sonoro,
sa pendente, não obsta a que o juiz, oficiosamente ou a sem prejuízo da utilização de meios audiovisuais ou de
requerimento de alguma das partes, determine a pres- outros processos técnicos semelhantes que o tribunal
tação de informações ao tribunal, quando as considere possa dispor.
essenciais ao regular andamento do processo ou à justa
composição do litígio. 3. Revelando-se impossível a gravação, porque nem o
tribunal dispõe dos meios necessários, nem nenhuma das
2. Ficam excluídos da faculdade referida no número an- partes os fornece, são reduzidos a escrito, com a redacção
terior quanto resulta das disposições legais respeitantes ditada pelo juiz.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 75

4. Sendo reduzidos a escrito os depoimentos, as partes Artigo 486º


podem reclamar, sendo as reclamações imediatamente
Documentos em poder da parte contrária
decididas.
5. O depoente deve assinar o respectivo depoimento, 1. Quando se pretenda fazer uso de documento em po-
se tiver sido reduzido a escrito, podendo solicitar as rec- der da parte contrária, o interessado requer que ela seja
tificações que entender necessárias. notificada para apresentar o documento dentro do prazo
que lhe for designado; no requerimento a parte identifica
Secção II quanto possível o documento e especifica os factos que
Prova por documentos com ele quer provar.
Artigo 481º 2. Se os factos que a parte quer provar forem relevantes
Momento da apresentação para a decisão da causa, é ordenada a notificação.

1. Os documentos destinados a fazer prova dos funda- 3. A não apresentação injustificada faz recair sobre o
mentos da acção ou da defesa devem ser apresentados recusante o ónus da prova dos factos que o requerente
com o articulado em que se aleguem os factos corres- pretende provar com o documento.
pondentes.
Artigo 487º
2. Se não forem apresentados com o articulado res-
pectivo, os documentos podem ser apresentados até ao Escusa do notificado
encerramento da discussão da matéria de facto, mas a
1. Se o notificado declarar que não possui o documento,
parte é condenada em multa, excepto se provar que os
o requerente é admitido a provar, por qualquer meio, que
não pode oferecer com o articulado.
a declaração não corresponde à verdade.
Artigo 482º

Apresentação em momento posterior


2. O notificado que haja possuído o documento não fica
inibido de provar que, sem culpa sua, ele desapareceu
1. Depois do encerramento da discussão só são admiti- ou foi destruído.
dos, no caso de recurso, os documentos cuja apresentação
Artigo 488º
não tenha sido possível até aquele momento.
Documento em poder de terceiro
2. Os documentos destinados a provar factos poste-
riores aos articulados, ou cuja apresentação se tenha
Se o documento estiver em poder de terceiro, a parte
tornado necessária por virtude de ocorrência posterior,
requer que o possuidor seja notificado para o entregar na
podem ser oferecidos em qualquer estado do processo.
secretaria, dentro do prazo que for fixado, sendo aplicável
Artigo 483º a este caso o disposto no artigo 461º.
Junção de pareceres Artigo 489º
Os pareceres de advogados, professores ou técnicos Sanções aplicáveis ao notificado
podem ser juntos, nos tribunais de primeira instância,
em qualquer estado do processo. O tribunal pode ordenar a apreensão do documento e
Artigo 484º condenar o notificado em multa, quando ele não efectuar
a entrega, nem fizer nenhuma declaração, ou quando de-
Notificação à parte contrária clarar que não possui o documento e o requerente provar
Quando o documento seja oferecido com o último ar- que a declaração é falsa.
ticulado ou depois dele, a sua apresentação é notificada Artigo 490º
à parte contrária, salvo se esta estiver presente ou o
documento for oferecido com alegações que admitam Recusa de entrega justificada
resposta, para se pronunciar quer sobre a respectiva
admissibilidade, quer sobre a sua força probatória. Se o possuidor, apesar de não se verificar nenhum dos
casos previstos no número 3 do artigo 476°, alegar justa
Artigo 485º
causa para não efectuar a entrega, é obrigado, sob pena
Exibição de reproduções cinematográficas e de registos de lhe serem aplicáveis as sanções prescritas no artigo
fonográficos anterior, a facultar o documento para o efeito de ser foto-
1. Incumbe à parte, que apresente como prova qual- grafado, examinado judicialmente, ou dele se extraírem
quer reprodução cinematográfica, registo fonográfico ou as cópias ou reproduções necessárias.
correspondentes suportes em áudio ou vídeo, facultar ao Artigo 491º
tribunal os meios técnicos que forem necessários para o
exibir na audiência final, sob pena de o documento não Ressalva da escrituração comercial
ser atendido.
O disposto nos artigos anteriores não é aplicável aos
2. Se o apresentante o requerer, o documento é exibido livros de escrituração comercial, nem aos documentos
na audiência prévia; nesse caso, é repetida a exibição na relativos a ela, que ficam sujeitos no ao regime de exibição
audiência final. estabelecido na respectiva lei.

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76 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 492º Artigo 499º

Requisição de documentos Junção de documentos e pareceres

1. O tribunal deve, por sua iniciativa ou mediante su- Independentemente de despacho, a secretaria junta ao
gestão de qualquer das partes, requisitar informações, processo todos os documentos e pareceres apresentados
pareceres técnicos, plantas, fotografias, desenhos, objec- para esse efeito, a não ser que eles sejam manifestamen-
tos ou outros documentos necessários ao esclarecimento te extemporâneos; nesse caso, a secretaria faz os autos
da verdade. conclusos, com a sua informação, e o juiz decide sobre a
junção.
2. A requisição pode ser feita aos organismos oficiais,
às partes ou a terceiros. Artigo 500º

Artigo 493º Documentos indevidamente recebidos ou tardiamente


apresentados
Dever dos organismos oficiais
1. Juntos os documentos e cumprido pela secretaria
Os organismos oficiais devem satisfazer a requisição, o disposto no artigo 484º, o juiz, logo que o processo lhe
a menos que ela respeite a matéria confidencial ou re- seja concluso, se não tiver ordenado a junção e verificado
servada ou a processo em segredo de justiça. que os documentos são impertinentes ou desnecessários,
manda retirá-los do processo e restitui-los ao apresentante,
Artigo 494º
condenando este nas custas a que deu causa.
Sanções aplicáveis às partes e a terceiros.
2. Na mesma oportunidade o juiz aplica as multas que de-
As partes e terceiros que não cumpram a requisição vam ser impostas nos termos do número 2 do artigo 481º.
incorrem em multa, salvo se justificarem o seu procedi-
Artigo 501º
mento, sem prejuízo dos meios coercitivos adequados ao
cumprimento da requisição. Impugnação da veracidade ou exactidão dos documentos

Artigo 495º 1. A impugnação da letra ou assinatura dos documentos


Despesas provocadas pela requisição particulares ou da exactidão das reproduções mecânicas,
bem como a declaração de que não se sabe se a letra ou
As despesas a que der lugar a requisição entram em a assinatura dos documentos é verdadeira, só podem ser
regra de custas, sendo logo abonadas aos organismos feitas dentro dos prazos estabelecidos para a arguição
oficiais e a terceiros pela parte que tiver sugerido a dili- da falsidade.
gência ou por aquela a quem a diligência aproveitar.
2. Impugnada a letra ou a assinatura de documento
Artigo 496º particular, ou feita a declaração a que se refere o número
Notificação às partes
anterior, a parte que o produziu pode convencer da sua
veracidade, por exame ou por outro meio de prova.
A obtenção dos documentos requisitados é notificada
Artigo 502°
às partes.
Confronto de certidões e cópias
Artigo 497º

Legalização dos documentos passados em país estrangeiro


O pedido de confrontação das certidões ou das cópias
com o original ou a certidão de que foram extraídas só
1. Os documentos autênticos passados em país estran- pode ser feito dentro do prazo estabelecido para arguição
geiro, na conformidade da lei desse país, consideram-se da falsidade.
legalizados desde que a assinatura da entidade docu-
Artigo 503º
mentadora esteja reconhecida por agente diplomático ou
consular cabo-verdiano no Estado respectivo e a assina- Incorporação dos documentos no processo
tura deste agente esteja autenticada com o selo branco
consular respectivo. Os documentos incorporam-se no processo, salvo se,
por sua natureza, não puderem ser incorporados ou
2. Se os documentos particulares lavrados fora do país houver inconveniente na incorporação; neste caso, ficam
estiverem legalizados no estrangeiro, a legalização carece depositados na secretaria, por forma a que as partes os
de valor enquanto se não obtiverem os reconhecimentos possam examinar.
exigidos no número anterior.
Artigo 504º
Artigo 498º
Restituição dos documentos
Cópia de documentos de leitura difícil
1. Os documentos não podem ser retirados senão depois
1. Se a letra do documento for de difícil leitura, a parte de passar em julgado a decisão que põe termo à causa.
é obrigada a apresentar uma cópia legível.
2. Transitada a decisão, os documentos são entregues
2. Se a parte não cumprir incorre em multa e indem- imediatamente, enquanto os pertencentes às partes só
nização e junta-se cópia à custa dela. são restituídos mediante requerimento.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 77

3. Tratando-se de certidões de documentos que exis- Artigo 510º


tam permanentemente em repartições públicas, fica
Depoimento do interveniente acessório
no processo indicação da repartição e do livro e lugar
respectivos; quando se trate de outras espécies, fica no Pode requerer-se o depoimento do interveniente aces-
processo indicação da espécie do documento e a menção sório como parte, sendo este apreciado livremente pelo
da pessoa a quem ele foi entregue. tribunal, que deve considerar as circunstâncias e a posi-
Artigo 505º ção na causa de quem o presta e de quem o requereu.

Restituição independente do requerimento Artigo 511º

Momento e lugar de depoimento


São restituídos, independentemente de requerimento
das partes, os documentos apresentados nos processos a
1. O depoimento deve ser prestado na audiência de
que se refere a alínea a) do número 2 do artigo 159º.
discussão e julgamento, salvo se for urgente ou o depoente
Artigo 506º residir noutra circunscrição judicial ou estiver impossi-
bilitado de comparecer no tribunal.
Restituição antecipada
2. O tribunal pode, porém, ordenar que deponha na
Os documentos de que possa ficar cópia no processo audiência de discussão e julgamento a parte residente
podem ser entregues antes de findar a causa, quando fora da circunscrição judicial em que a causa corre, se
o seu possuidor justifique a necessidade da restituição o julgar necessário e a comparência não representar
imediata; nesse caso fica no processo a cópia integral, sacrifício incomportável para a parte.
obrigando-se a pessoa a quem foram restituídos a exibir
o original, sempre que isso lhe seja exigido. Artigo 512º

Subsecção III Impossibilidade de comparência no tribunal

Prova por confissão das partes 1. Atestando-se que a parte está impossibilitada de
Artigo 507º comparecer no tribunal por motivo de doença, o juiz pode
fazer verificar por médico de sua confiança a veracidade
Requerimento do depoimento de parte da alegação e, em caso afirmativo, a possibilidade de a
parte depor.
Quando se requeira o depoimento de parte, devem ser
discriminadamente indicados os factos sobre que deve 2. Havendo impossibilidade de comparência, mas não
recair, sob pena de não ser admitido. de prestação de depoimento, este realiza-se no dia, hora
Artigo 508º e local que o juiz designar, ouvido o médico assistente,
se for necessário.
De quem pode ser exigido
Artigo 513º
1. O depoimento de parte pode ser exigido de pessoas
Ordem dos depoimentos
que tenham capacidade judiciária.

2. Pode requerer-se o depoimento de inabilitados, assim 1. Se ambas as partes tiverem de depor perante o tri-
como de representantes de incapazes, pessoas colectivas bunal da causa, depõe em primeiro lugar o réu e depois
ou sociedades; porém o depoimento só tem valor de confis- o autor.
são nos precisos termos em que aqueles possam obrigar-se
2. Se tiverem de depor mais de um autor ou de um réu,
e estes possam obrigar os seus representados.
não podem assistir ao depoimento de qualquer deles os
3. Cada uma das partes pode requerer não só o de- compartes que ainda não tenham deposto e, quando hou-
poimento da parte contrária, mas também a dos seus verem de depor no mesmo dia, são recolhidos a uma sala,
compartes. donde saem segundo a ordem por que devem depor.

Artigo 509º Artigo 514º

Factos sobre que pode recair Prestação do juramento

1. O depoimento só pode ter por objecto factos pessoais 1. Antes de começar o depoimento, o tribunal faz sentir
ou de que o depoente deva ter conhecimento. ao depoente a importância moral do juramento que vai
prestar e o dever de ser fiel à verdade, advertindo-o ainda
2. Sendo a parte uma entidade colectiva, consideram- das sanções aplicáveis às falsas declarações.
se pessoais os factos relativos à própria entidade, ainda
que relativos a períodos anteriores ao desempenho de 2. Em seguida, o tribunal exige que o depoente preste
funções pelos representantes que devam prestar os de- o seguinte juramento: “Juro pela minha honra que hei-de
poimentos. dizer toda a verdade e só a verdade”.

3. Não é admissível o depoimento sobre factos crimi- 3. A recusa a prestar o juramento equivale à recusa
nosos ou torpes de que a parte seja arguida. a depor.

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78 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 515º Artigo 519º

Registo do depoimento Prazo especial para o requerimento

Ainda que tenha sido gravado, o depoimento deve ser Se, posteriormente ao debate instrutório, ou à desig-
registado por escrito na medida em que contenha o reco- nação da data da audiência de discussão e julgamento
nhecimento de factos desfavoráveis ao declarante, ou de se aquela diligência não tiver lugar, forem juntos docu-
factos que, em virtude do princípio da indivisibilidade da mentos particulares e a parte contrária impugnar a sua
declaração confessória, se possam igualmente considerar letra ou assinatura ou declarar que as não aceita como
plenamente provados. verdadeiras, a perícia para convencer da sua veracidade
pode ser requerida nos dez dias seguintes a essa declara-
Artigo 516º ção ou ao conhecimento dela pela parte que apresentou
o documento.
Declaração de nulidade ou anulação da confissão
Artigo 520º
A acção de declaração de nulidade ou de anulação da
confissão não impede o prosseguimento da causa em que Desistência da diligência
a confissão se fez.
A parte que requereu a diligência não pode desistir
Artigo 517º dela sem a anuência da parte contrária.

Irretractabilidade da confissão Artigo 521º

Formulação de quesitos
1. A confissão é irretractável.
1. Com o requerimento da perícia, a parte apresenta
2. Porém, as confissões expressas de factos, feitas nos sob pena de indeferimento, os quesitos a que os peritos
articulados, podem ser retiradas, enquanto a parte con- hão-de responder.
trária as não tiver aceitado especificamente.
2. Se entender que a diligência não é impertinente ou
Subsecção IV
dilatória, o juiz manda notificar a parte contrária para
Prova pericial apresentar os seus quesitos.

Artigo 518º 3. Se a perícia for ordenada, os quesitos do juiz são


formulados no despacho que ordenar a diligência e as
Quem realiza a perícia partes são notificadas para apresentar os seus.

1. A perícia é realizada em estabelecimento ou serviço 4. O juiz pode formular os quesitos complementares


oficial apropriado ou, quando não seja possível, por peri- que julgue convenientes até ao acto da inspecção.
tos nomeados nos termos do número seguinte.
Artigo 522º
2. As partes podem acordar na escolha de um só ou de Factos sobre que podem recair os quesitos
três peritos, que são nomeados por consenso entre elas; na
falta de acordo a perícia é realizada por três peritos, um Cada parte pode formular quesitos não só sobre os
escolhido por cada parte e o terceiro nomeado pelo juiz. factos que articulou, mas também sobre os articulados
pela parte contrária.
3. Se a perícia revestir grande simplicidade e tiver
sido ordenada oficiosamente, é realizada por um único Artigo 523º
perito, nomeado pelo juiz, dentre pessoas constantes de Quesitos secretos
rol de louvados especificamente indicados por Portaria do
membro do Governo responsável pela área da Justiça. 1. Quando a parte tenha justo receio de que sejam
alterados os factos que os peritos hão-de averiguar, pode
4. Quando a perícia tenha de ser efectuada por carta, apresentar os quesitos em sobrescrito lacrado e requerer
pode ser deferida ao tribunal deprecado a nomeação do que se mantenham secretos até ao dia da inspecção.
perito que cabe ao juiz designar.
2. Se considerar fundado o receio, depois de examinar
5. Se a perícia se destinar apenas a obter a determina- os quesitos, o juiz fá-los lacrar novamente e, quando haja
ção do valor dos bens ou direitos e depender unicamente de ordenar a notificação da parte contrária, só indica, de
de operações aritméticas ou de cotações ou preços oficiais, um modo geral, o fim da diligência.
o valor é o que resultar da aplicação desses meios.
Artigo 524º
6. Nos outros casos a fixação pertence ao tribunal,
Desempenho da função de perito
que atende a todos os elementos constantes do processo
e colhe as informações necessárias, podendo proceder a 1. O perito é obrigado a desempenhar com diligência a
inspecção judicial; o tribunal fundamenta a sua conclu- função para que foi nomeado, podendo o juiz condená-lo
são, sempre que se afaste do resultado a que chegaram em multa quando infrinja injustificadamente o seu dever
os louvados. de colaboração com o tribunal.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 79

2. O perito é destituído pelo tribunal quando não de- Artigo 528º


sempenhe com diligência a tarefa que lhe foi cometida, Relatório pericial
designadamente, quando não apresente ou impossibilite,
pela sua inércia, a apresentação do relatório pericial 1. Os peritos devem elaborar um relatório com os resul-
dentro do prazo fixado. tados da sua inspecção, respondendo, sob compromisso
de honra, aos quesitos que lhes foram submetidos.
Artigo 525º

Obstáculos à nomeação dos peritos


2. Se o juiz assistir à inspecção e os peritos puderem dar
o seu laudo no próprio dia em que a perícia é iniciada, o
1. É aplicável, com as devidas adaptações, o regime de relatório pode ser logo ditado para o auto respectivo.
impedimentos e suspeições definido para os juízes.
3. As partes podem reclamar contra qualquer defici-
2. Estão dispensados do exercício da função de perito ência que entenderem, podendo acompanhar as suas
os membros dos órgãos de soberania, os magistrados do reclamações de observações de consultores técnicos.
Ministério Público em exercício efectivo, os agentes di- 4. Os peritos devem responder às reclamações, se for
plomáticos de países estrangeiros, os militares no activo caso disso, completando ou corrigindo o relatório, no prazo
e os altos dignitários de confissões religiosas. que lhes for fixado pelo juiz.
3. Podem pedir escusa todos aqueles de quem seja Artigo 529º
inexigível o desempenho da tarefa de perito, atentos os
Comparência dos peritos na audiência final
motivos pessoais invocados.
Quando alguma das partes o requeira ou o juiz o or-
4. As causas de impedimento, recusa e dispensa do
dene, os peritos devem comparecer na audiência final,
exercício das funções de perito podem ser alegadas pelas
a fim de prestarem os esclarecimentos que lhes forem
partes e pelo perito, consoante as circunstâncias, e po-
pedidos.
dem ser oficiosamente conhecidas até à realização da
diligência. Artigo 530º

Segunda perícia
5. As escusas são requeridas pelo perito.
1. Qualquer das partes pode requerer segunda perícia,
6. Não cabe recurso das decisões sobre impedimentos,
no prazo de dez dias após a notificação do resultado da
suspeições, dispensas ou escusas.
primeira, e o tribunal, em igual prazo, pode ordená-la
Artigo 526º oficiosamente.
Prazo para a realização da perícia 2. A segunda perícia, cujo resultado não invalida a pri-
meira e que é de igual forma livremente apreciada pelo
1. Ao ordenar a perícia, o juiz designa dia, hora e lugar tribunal, tem o mesmo objecto da primeira, e destina-se a
para o começo da diligência, e fixa o prazo para a sua corrigir uma eventual inexactidão dos resultados desta.
conclusão, se não puder ser terminada no dia em que
principiou. 3. Não pode intervir na segunda perícia qualquer perito
que tenha participado na primeira.
2. O prazo pode ser prorrogado pelo juiz, se for necessário.
Subsecção V
Artigo 527º
Inspecção judicial
Acto de inspecção
Artigo 531º

1. Recebidos os quesitos, o perito procede à inspecção e Fim da inspecção


averiguações necessárias para se habilitar a responder.
O tribunal, sempre que o julgue conveniente, pode,
2. Quando o entender conveniente, o juiz assiste à por sua iniciativa ou a requerimento das partes, e com
inspecção. ressalva da intimidade da vida privada e familiar e da
dignidade humana, inspeccionar coisas ou pessoas, a
3. As partes podem, por si, seus mandatários, ou fim de se esclarecer sobre qualquer facto que interesse à
consultores técnicos que hajam designado, fazer aos pe- decisão da causa, podendo deslocar-se ao local da questão
ritos as observações que entendam e devem prestar os ou mandar proceder à reconstituição dos factos, quando
esclarecimentos que os peritos lhes solicitarem; se o juiz a entender necessária.
assistir à inspecção, as partes podem ainda requerer o
que entenderem relativamente ao objecto da diligência. Artigo 532º

Intervenção das partes


3. Os peritos podem socorrer-se de todos os meios
necessários ao bom desempenho da sua tarefa, recolher As partes são notificadas do dia e hora da inspecção e
as informações de que careçam e exigir que lhes seja fa- podem, por si ou por seus advogados, prestar ao tribunal
cultado o processo ou parte dele; mas não podem, porém, os esclarecimentos de que ele carecer, assim como chamar
sem autorização do juiz, destruir ou inutilizar coisas a sua atenção para os factos que reputem de interesse
submetidas à sua inspecção. para a resolução da causa.

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Artigo 533º seja concluso ou lhe vá com vista, se tem conhecimento de
Intervenção de técnico
factos que possam influir na decisão; no caso afirmativo
declara-se impedido, não podendo a parte prescindir do seu
1. É permitido ao tribunal fazer-se acompanhar de depoimento; no caso negativo, a indicação fica sem efeito.
pessoa que tenha competência técnica para o elucidar Artigo 538º
sobre a averiguação e interpretação dos factos que se
propõe observar. Lugar e momento da inquirição

As testemunhas depõem na audiência final, presen-


2. O técnico é nomeado no despacho que ordenar a
cialmente ou através de vídeo-conferência, excepto nos
diligência e, sempre que solicitado, deve comparecer na
casos seguintes:
audiência final para prestar esclarecimentos complemen-
tares sobre a inspecção realizada. a) Inquirição antecipada, nos termos do artigo 478º;
Artigo 534º b) Inquirição por carta;
Auto de inspecção c) Inquirição na residência ou na sede dos serviços,
nos termos do artigo 542º;
Da diligência é lavrado um auto, no qual se registem
todos os elementos úteis para o exame e decisão da causa, d) Impossibilidade de comparência no tribunal.
podendo o juiz determinar que se tirem fotografias ou pro- Artigo 539º
vas de natureza semelhante para juntar ao processo.
Inquirição no local da questão
Subsecção VI
As testemunhas são inquiridas no local da questão,
Produção de prova testemunhal quando o tribunal por sua iniciativa, ou a requerimento
Artigo 535º de alguma das partes, o julgue conveniente.
Artigo 540º
Incapacidade para depor como testemunha
Inquirição por carta
1. Não podem depor como testemunha:
1. Quando as testemunhas residam fora da circunscri-
a) Os que no processo possam depor como partes; ção judicial onde corre a causa, a parte pode requerer no
rol que se expeça carta para a sua inquirição, contanto
b) Os interditos por anomalia psíquica;
que indique logo os pontos de facto sobre que deve recair
c) Os cegos e os surdos, naquilo cujo conhecimento o depoimento.
dependa dos sentidos de que carecem; 2. Não se requerendo a expedição da carta, ou sendo
d) Os menores de sete anos. esta recusada por falta de indicação do objecto do de-
poimento, recai sobre a parte o ónus de apresentar as
2. Podem recusar-se a depor como testemunha: testemunhas na audiência final.

a) Os ascendentes nas causas dos descendentes, os 3. O juiz recusa também a carta, se tiver motivos para
adoptantes nas causas dos adaptados, e vice- reputar conveniente que a respectiva testemunha venha
versa, e os afins na linha recta nas causas uns depor na audiência final, perante o tribunal; neste caso,
dos outros; pode a parte requerer que a testemunha seja notificada
por carta para comparecer, ficando a seu cargo o paga-
b) O marido, nas causas da mulher, e vice-versa e, mento antecipado das despesas que ela haja de fazer
bem assim os conviventes das uniões de facto com a deslocação.
reconhecíveis ou reconhecidas nas causas uns Artigo 541º
dos outros.
Inquirição por vídeo-conferência
Artigo 536º
1.A inquirição de testemunhas pode também ser efec-
Rol de testemunhas. Desistência de inquirição tuada por vídeo-conferência nos termos estabelecidos
1. As testemunhas são designadas no rol pelos seus em lei própria.
nomes, profissões e moradas e por outras circunstâncias 2. O disposto no número anterior á aplicável a qualquer
necessárias para as identificar. outro depoimento tomado à distância pelo tribunal.
2. A parte pode desistir a todo o tempo da inquirição Artigo 542º
de testemunhas que tenha oferecido, sem prejuízo da Prerrogativas de inquirição
possibilidade da sua inquirição oficiosa nos termos do
artigo 558º. 1. Gozam da prerrogativa de ser inquiridos na sua
residência ou na sede dos respectivos serviços:
Artigo 537º
a) O Presidente da República;
Designação do juiz como testemunha
b) Os agentes diplomáticos de países estrangeiros
O juiz da causa que seja indicado como testemunha que concedam idêntica regalia aos represen-
deve declarar sob juramento no processo, logo que este lhe tantes de Cabo Verde.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 81

2. Gozam da prerrogativa de depor primeiro por escrito, 2. Quando se ofereça como testemunha alguma das pes-
se preferirem, além das entidades previstas no número soas compreendidas no número 2 do artigo 542°, é-lhe dado,
anterior: pelo tribunal, conhecimento do oferecimento, bem como dos
factos sobre que deve recair o seu depoimento.
a) Os membros dos órgãos de soberania, com
excepção dos tribunais; 3. Se alguma dessas pessoas preferir depor por escrito,
remete ao tribunal da causa, no prazo de vinte dias a
b) Os juízes do Supremo Tribunal de Justiça; contar da data do conhecimento referido no número
anterior, declaração, sob compromisso de honra, rela-
c) O Procurador-Geral da República;
tando o que sabe quanto aos factos indicados; o tribunal
d) O Provedor de Justiça; e qualquer das partes podem, uma única vez, solicitar
esclarecimentos igualmente por escrito, que devem ser
e) Os membros dos Conselhos Superiores das prestados no prazo de dez dias.
Magistraturas Judicial e do Ministério
Público; 4. A parte que tiver indicado a testemunha pode so-
licitar a sua audiência em tribunal, justificando a sua
f) O Bastonário da Ordem dos Advogados; necessidade; o juiz decide, sem recurso.
g) O Chefe do Estado-Maior e o Vice-Chefe do 5. Não tendo a testemunha remetido a declaração re-
Estado-Maior das Forças Armadas; ferida no número 3, respeitados os prazos estabelecidos,
ou decidido o juiz que é necessária a sua comparência, a
h) Os altos dignitários de confissões religiosas, mesma é requisitada ou notificada para depor.
legalmente reconhecidas pelo Estado.
Artigo 545º
3. Ao indicar como testemunha uma das entidades de-
Pessoas impossibilitadas de comparecer por doença
signadas nos números anteriores, a parte deve especificar
os factos sobre que pretende o depoimento. Quando se mostre que a testemunha está impossibi-
Artigo 543º litada de comparecer no tribunal por motivo de doença,
observa-se o disposto no artigo 512º e o juiz presidente faz
Inquirição do Chefe de Estado o interrogatório, bem como as instâncias, podendo neste
caso admitir depoimento feito por escrito, observados os
1. Quando se ofereça como testemunha o Presidente da
trâmites dos números 3 e 4 do artigo anterior.
República, a parte indica logo os factos sobre que pretende
obter o depoimento; o juiz faz a respectiva comunicação Artigo 546º
ao Procurador Geral da República, que a transmite à
Designação das testemunhas para inquirição
Presidência da República.
l. O juiz designa, para cada dia de inquirição, o nú-
2. Se o Presidente da República declarar que não tem mero de testemunhas que provavelmente possam ser
conhecimento dos factos sobre que foi pedido o seu depoi- inquiridas.
mento ou que não quer depor, o depoimento não tem lu-
gar; se declarar que está pronto a depor, o juiz solicita do 2. Não são notificadas as testemunhas que as partes
Gabinete da Presidência da República a indicação do dia, devam apresentar.
hora e local em que deve ser prestado o depoimento.
Artigo 547º
3. O interrogatório é feito pelo juiz; as partes podem Consequências da não comparência da testemunha
assistir à inquirição com os seus advogados, mas não
podem fazer perguntas ou instâncias, devendo dirigir-se 1. Faltando alguma testemunha de que a parte não
ao juiz, quando julguem necessário algum esclarecimento prescinda, observa-se o seguinte:
ou aditamento.
a) Se a testemunha tiver falecido depois de
4. O depoimento é redigido pelo juiz, se o depoente o não apresentado o rol, a parte tem a faculdade de
quiser redigir, e escrito pelo secretário que o Procurador- a substituir;
Geral da República houver designado; só depois de prestado
b) Se estiver doente e não for possível a sua
o depoimento, se marca dia para a audiência final.
inquirição imediata, a parte pode substitui-
Artigo 544º la ou requerer o adiamento da inquirição
pelo prazo que pareça indispensável, nunca o
Inquirição de outras entidades
excedente a trinta dias;
1. Quando se ofereça como testemunha alguma das
c) Se tiver mudado de residência depois de oferecida,
pessoas compreendidas na alínea b) do número 1 do artigo
pode a parte substitui-la ou requerer carta
542º, observam-se as normas de direito internacional; na
para a sua inquirição, ou comprometer-se
falta destas, se a pessoa preferir depor por escrito, apli-
a apresentá-la no dia que for novamente
ca-se o regime dos números seguintes; se não, é fixado,
designado;
de acordo com essa pessoa, o dia, hora e local para a sua
inquirição, prescindindo-se da notificação e observando- d) Se não tiver sido notificada, devendo tê-lo
se quanto ao mais as disposições comuns. sido, ou se deixar de comparecer por outro

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82 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

impedimento legítimo, é adiada a inquirição, 2. O tribunal decide imediatamente se a testemunha


mas se, não for possível inquiri-la dentro de deve depor.
trinta dias, a parte pode substitui-la;
3. Os fundamentos da impugnação, as respostas da
e) Se faltar sem motivo justificado e não for testemunha e os depoimentos das que tiverem sido in-
encontrada para vir depor nos termos do quiridas sobre o incidente são registados, nos termos do
número seguinte, a parte pode substitui-la. artigo 480º.

2. O juiz pode ordenar que a testemunha que, sem Artigo 552º


justificação, tenha faltado, seja compelida a comparecer
Regime do depoimento
nos termos do disposto no número 2 artigo 148º do Código
do Processo Penal.
1. A testemunha é interrogada sobre os factos que
3. Sem prejuízo do disposto no número anterior, a tenham sido alegados ou impugnados pela parte que
testemunha que falte sem justificação incorre na multa a ofereceu, e depõe com precisão, indicando a razão de
de dois mil a trinta mil escudos a fixar em função da sua ciência e quaisquer circunstâncias que possam justificar
situação económica. o seu conhecimento dos factos; a razão de ciência é, tanto
quanto possível, especificada e fundamentada.
Artigo 548º
2. A inquirição é feita pelo advogado da parte que a ofe-
Ordem dos depoimentos
receu, podendo o advogado da outra parte fazer-lhe, quanto
1. Antes de começar a inquirição, as testemunhas são aos factos sobre que tiver deposto, as instâncias necessárias
recolhidas a uma sala, ou outra acomodação do tribunal para se completar ou esclarecer o depoimento.
com dignidade, donde saem para depor pela ordem em
que estiverem mencionadas no rol, primeiro as do autor e 3. O juiz deve evitar que os advogados tratem despri-
depois as do réu, salvo se o juiz determinar que a ordem morosamente a testemunha e lhe façam perguntas ou
seja alterada ou as partes acordarem na alteração. considerações inconvenientes, e pode perguntar-lhe o que
entender necessário para o apuramento da verdade.
2. Se, porém, figurar como testemunha algum funcio-
nário da secretaria, é ele o primeiro a depor, ainda que 4. O juiz avoca a si a inquirição, quando o entender
tenha sido oferecido pelo réu. indispensável para pôr termo a interrogatório ou instân-
cias inconvenientes.
Artigo 549º

Juramento e interrogatório preliminar


5. A testemunha não pode trazer o depoimento escrito,
mas, antes de responder às perguntas que lhe sejam
1. O juiz, depois de observar o disposto no artigo 514º feitas, pode consultar o processo e exigir que lhe sejam
procura identificar a testemunha e perguntar-lhe se é mostrados determinados documentos que nele existam,
parente, amigo ou inimigo de qualquer das partes, se ou apresentar documentos destinados a corroborar o
está para com elas nalguma relação de dependência e se seu depoimento; só são recebidos e juntos ao processo
tem interesse, directo ou indirecto, na causa. os documentos que a parte respectiva não pudesse ter
oferecido.
2. Quando verifique pelas respostas que o declarante
é inábil para ser testemunha ou que não é a pessoa que 6. Ressalva-se do número anterior os casos em que a
fora oferecida, o juiz não o admite a depor. testemunha já tiver deposto validamente por escrito.

3. Terminado o interrogatório preliminar a testemunha Artigo 553º


é convidada a sentar-se no lugar que lhe for indicado, a
Contradita
fim de prestar o seu depoimento.
Artigo 550º A parte contra a qual for produzida a testemunha pode
contraditá-la, alegando qualquer circunstância capaz de
Fundamentos da impugnação
abalar a credibilidade do depoimento, quer por afectar
A parte contra a qual for produzida a testemunha pode a razão de ciência invocada pela testemunha, quer por
impugnar a sua admissão com os mesmos fundamentos diminuir a fé que ela possa merecer.
por que o juiz deve obstar ao depoimento. Artigo 554º
Artigo 551º
Como se processa
Incidente da impugnação
1. A contradita é deduzida quando o depoimento termina.
1. A impugnação é deduzida quando terminar o inter-
rogatório preliminar; se for de admitir, a testemunha é 2. Se a contradita dever ser recebida, é ouvida a tes-
interrogada sobre a matéria de facto e, se a não confessar, temunha sobre a matéria alegada; quando esta não seja
pode o impugnante comprová-la por documentos ou teste- confessada, a parte pode comprová-la por documentos
munhas que apresente nesse acto, não podendo produzir ou testemunhas, não podendo produzir mais de três
mais de três testemunhas a cada facto. testemunhas a cada facto.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 83

3. As testemunhas sobre a matéria da contradita têm Secção V


de ser apresentadas e inquiridas imediatamente; os do- Discussão e julgamento da causa
cumentos podem ser oferecidos até ao momento em que
deva ser proferida a decisão sobre os factos da causa. Artigo 559º

4. É aplicável à contradita a disposto no número 3 do Competência do juiz


artigo 551º. Ao juiz da causa cabe proceder ao julgamento, quer
Artigo 555º de facto, quer de direito, devendo ter lugar perante ele
Acareação a respectiva discussão, ressalvados os caso em que por
disposição legal essa competência esteja atribuída a um
Se houver oposição directa, acerca de determinado fac- tribunal colectivo.
to, entre os depoimentos das testemunhas ou entre eles
e o depoimento da parte, pode ter lugar, oficiosamente Artigo 560º
ou a requerimento de qualquer das partes, a acareação Designação de dia para a audiência final
das pessoas em contradição.
Efectuadas as diligências de produção de prova que
Artigo 556°
não possam deixar de ser realizadas antes do início
Como se processa da discussão e julgamento da causa e expirado o prazo
1. Estando as pessoas presentes, a acareação faz-se marcado nas cartas, o juiz designa dia para a audiência
imediatamente; não estando, é designado dia para a final, com uma antecedência não inferior a trinta dias,
diligência, que deve realizar-se antes de começar a dis- caso não deva ou não tenha havido lugar, ao abrigo do
cussão da causa. artigo 470º à marcação dessa audiência.

2. Se as testemunhas a acarear tiverem deposto por Artigo 561º


carta precatória no mesmo tribunal deprecado, é a este Designação de técnico
que incumbe ordenar ou autorizar a acareação; quando a
oposição respeite a depoimentos prestados em tribunais 1. Quando a matéria de facto suscite dificuldades de
diferentes, o juiz pode ordenar a comparência das pessoas natureza técnica cuja solução dependa de conhecimentos
que devam ser acareadas. especiais que o tribunal não possua, o juiz designa pessoa
competente que assista à audiência final e aí preste os
3. Se os depoimentos deverem ser gravados ou regista- esclarecimentos necessários.
dos, é registado de igual modo o resultado da gravação.
Artigo 557º 2. Ao técnico são opostos os impedimentos e recusas
que é possível opor aos peritos. A designação é feita, em
Abono das despesas e indemnização
regra, no despacho que marcar o dia para a audiência.
1. A testemunha que haja sido notificada, quer resida Artigo 562º
fora da sede do tribunal, quer não, e tenha ou não presta-
do o depoimento, tem direito ao reembolso das despesas Poderes do juiz
da deslocação e a uma indemnização equitativa, fixada
1. O juiz goza de todos os poderes necessários para
pelo juiz, por cada dia em que haja comparecido, se o
tornar útil e breve a discussão e para assegurar a justa
pedir no acto do depoimento, ou no momento em que se
decisão da causa, competindo-lhe em especial:
lhe der conhecimento de que se prescindiu da sua inqui-
rição ou, quando esta comunicação não tenha lugar, até a) Dirigir os trabalhos;
à conclusão do processo para sentença.
b) Manter a ordem e fazer respeitar as instituições
2. As importâncias a que se refere o número antece- vigentes, as leis e o tribunal;
dente são entregues pela secretaria do tribunal em acto
seguido à diligência a expensas dos preparos cobrados ou c) Tomar as providências necessárias para que a
do Cofre dos Tribunais, havendo isenção daqueles. causa se discuta com elevação e serenidade;
3. No acto de notificação deve a testemunha ser infor- d) Exortar os advogados e o Ministério Público a que
mada dos direitos que lhe são conferidos pelo presente abreviem os seus requerimentos e alegações,
artigo e que pode requerer o pagamento antecipado das quando sejam manifestamente excessivos, e
despesas de deslocação quando dele careça. a que se cinjam à matéria da causa, e retirar-
Artigo 558º lhes a palavra quando não sejam atendidas
Inquirição por iniciativa do tribunal
as suas exortações;

1. Quando se reconheça, no decurso da acção, que e) Significar aos advogados e ao Ministério Público a
determinada pessoa, não oferecida como testemunha, necessidade de esclarecerem pontos obscuros
tem conhecimento de factos importantes para a decisão ou duvidosos;
da causa, deve o tribunal ordenar que seja notificada
f) Providenciar, até ao encerramento da discussão,
para depor.
pela ampliação da base instrutória nos termos
2. O depoimento só tem lugar, decorridos três dias, se estabelecidos no número 2 do artigo 6º e no
alguma das partes requerer a concessão desse prazo. número 4 do artigo 7º.

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84 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

2. É aplicável às reclamações deduzidas quanto à c) Exibição de reproduções cinematográficas ou de


ampliação da base instrutória, o disposto no número 2 registos fonográficos, podendo o juiz determinar
do artigo 469º. que ela se faça apenas com assistência das
partes, dos seus advogados e das pessoas cuja
3. Se for ampliada a base instrutória, podem as partes presença se mostre conveniente;
indicar as respectivas provas, respeitando os limites
estabelecidos para a prova testemunhal; as provas são d) Esclarecimentos verbais dos peritos que devam
requeridas imediatamente ou, não sendo possível a in- comparecer na audiência;
dicação imediata, no prazo de cinco dias.
e) Inquirição das testemunhas.
Artigo 563º

Causas de adiamento e de interrupção da audiência


2. Fixada a base instrutória nos termos da alínea a)
do número anterior a mesma fica sujeita ao regime de
1. Feita a chamada das pessoas que tenham sido con- reclamação estabelecido no número 3 do artigo 469º.
vocadas, é logo aberta a audiência. Mas esta é adiada:
3. Se houver de ser prestado algum depoimento fora do
a) Se faltar alguma pessoa que tenha sido convocada tribunal, a audiência é interrompida antes dos debates
e de que se não prescinda, ou se tiver sido e a alçada desloca-se para o tomar imediatamente ou no
oferecido documento que a parte contrária dia e hora que o juiz designar; prestado o depoimento, a
não possa examinar no próprio acto, mesmo audiência continua no tribunal.
com a interrupção dos trabalhos por algum
tempo e o tribunal entender que há grave 4. O tribunal pode em qualquer momento, antes dos
inconveniente em que a audiência prossiga debates, durante eles ou depois de findos, ouvir o técnico
sem a presença dessa pessoa; designado.

b) Se, por motivo ponderoso e inesperado, faltar Artigo 565º


algum dos advogados.
Discussão e julgamento da matéria de facto

2. Não é admissível o adiamento por acordo das par-


tes, nem pode, por falta de advogado ou de pessoas que 1. Realizadas as diligências de prova referidas no artigo
tenham sido convocadas adiar-se a audiência, mais do anterior são abertos os debates durante os quais é dada
que uma vez. a palavra, por uma só vez e por tempo não excedente
a cinquenta minutos, primeiro ao advogado do autor e
3. Quando a audiência prosseguir nos casos previstos depois ao advogado do réu, para fazerem as suas alega-
na alínea a) do número 1, é interrompida antes de inicia- ções, sobre a matéria de facto e sobre o aspecto jurídico
dos os debates, designando-se, logo, dia para continuar da causa; neste último caso se houver prévio acordo das
quando possa ser ouvida a pessoa que faltou, ou depois de partes nesse sentido.
decorrido o tempo necessário para exame do documento.
No primeiro caso a interrupção não pode ir além de trinta 2. Seguidamente ou, tendo em conta a complexidade
dias e no segundo não pode exceder oito. da causa, no prazo máximo de dois dias, o juiz profere o
veredicto sobre a prova produzida, ditando para a acta
4. A falta de qualquer pessoa que deva comparecer é jus- da audiência quais os factos que o tribunal considera
tificada na própria audiência ou nos oito dias imediatos. provados e quais os que julga não provados, analisando
criticamente e especificando os fundamentos que foram
5. Se a audiência prosseguir sem a presença do advo- decisivos para a sua convicção.
gado nos casos em que isso é permitido, pode o faltoso,
após a análise do registo das provas efectuadas na sua 3. Após a apreciação da prova efectuada nos termos
ausência requerer a renovação de alguma delas, se alegar do número anterior, as partes podem reclamar contra a
e provar que não compareceu à diligência respectiva por deficiência, obscuridade ou contradição na sua motivação,
motivo justificado nos termos da lei e que esteve impos- que o juiz decide na mesma audiência; o recurso desta
sibilitado de o comunicar ao tribunal. última decisão sobe com o que eventualmente venha a
ser interposto da sentença.
Artigo 564º

Produção da prova
4. Decididas as reclamações ou não havendo lugar a
elas, se as partes não tiverem acordado na discussão oral
1. Seguidamente, realizam-se os seguintes actos, se a do aspecto jurídico da causa, a secretaria, encerrada a
eles houver lugar: audiência, faculta o processo para exame ao advogado
do autor e depois ao advogado do réu, pelo prazo de oito
a) Selecção dos factos que o juiz considera provados e dias a cada um, a fim de alegarem quanto ao direito
dos que devam ser provados, nos casos em não aplicável.
deva ou não tenha havido lugar a essa selecção
nos termos do número 2 do artigo 469º; 5. Se entender que a simplicidade da causa o consente,
ouvidos os advogados das partes, pode o juiz relegar o
b) Prestação dos depoimentos de parte; julgamento da matéria de facto para a sentença.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 85
Artigo 566º Secção VI

Plenitude da participação do juiz Sentença

Subsecção I
1. Só pode proferir decisão final o juiz que tenha assistido
a todos os actos de instrução e discussão praticados na Elaboração da sentença
audiência final, salvo se tiver havido registo de provas.
Artigo 569º
2. Se durante a discussão e julgamento o juiz falecer Prazo da sentença
ou se impossibilitar permanentemente, repetem-se os
actos já praticados; sendo temporária a impossibilidade, Concluída a discussão do aspecto jurídico da causa, é o
interrompe-se a audiência pelo tempo indispensável, a processo concluso ao juiz que profere a sentença, no prazo
não ser que as circunstâncias aconselhem, de preferência, mais curto possível, mas nunca superior a trinta dias.
a repetição dos actos já praticados, o que será decidido Artigo 570º
sem recurso, mas em despacho fundamentado, pelo juiz
que deva presidir à continuação ou à nova audiência. Estrutura da sentença

1. A sentença começa por identificar as partes e o objecto


3. O juiz que for transferido, promovido ou aposentado,
do litígio, sintetizando as pretensões formuladas pelos
conclui o julgamento, excepto se a aposentação tiver por
litigantes e seus fundamentos e fixando as questões que
fundamento a incapacidade física, moral ou profissional
cumpre ao tribunal solucionar.
para o exercício do cargo ou se, em qualquer dos casos,
também for preferível a repetição dos actos já praticados, 2. Ao relatório seguem-se os fundamentos e a decisão.
observado o disposto no número anterior. O Juiz toma em consideração os factos admitidos por
acordo, provados por documentos ou por confissão re-
4. O juiz substituto continua a intervir, não obstante duzida a escrito e os apreciados na audiência final. Faz
o regresso ao serviço do juiz efectivo. o exame crítico das provas que lhe compete conhecer e
Artigo 567º estabelece os factos que considera provados, especificando
os fundamentos que foram decisivos para a formação da
Liberdade de julgamento sua convicção; depois interpreta e aplica a lei aos factos
concluindo pela decisão final.
1. O juiz aprecia livremente as provas e responde se-
gundo a prudente convicção que tenha formado acerca 3. Tendo sido oral a discussão do aspecto jurídico da
de cada facto seleccionado. causa, ou se esta pela sua simplicidade assim o consen-
tir, pode a sentença ser logo, na audiência, lavrada por
2. Mas quando a lei exija, para a existência ou prova escrito e lida ou ditada para a acta.
do facto jurídico, qualquer formalidade especial, não pode
esta ser dispensada. Artigo 571º

Questões a resolver. Ordem do julgamento


3. A apreciação da prova e a sua resposta, nos termos
consignados no número 1 são reservadas para a sentença. 1. Sem prejuízo disposto no número 3 do artigo 261º, a
sentença conhece, em primeiro lugar, das questões que
Artigo 568º
possam conduzir à absolvição da instância, segundo a
Publicidade e continuidade da audiência ordem imposta pela sua precedência lógica.

1. A audiência é pública, salvo quando o tribunal deci- 2. O juiz deve resolver todas as questões que as partes
dir o contrário em despacho fundamentado, para salva- tenham submetido à sua apreciação, exceptuadas aquelas
guarda da dignidade das pessoas e da moral pública, ou cuja decisão esteja prejudicada pela solução dada a ou-
para garantir o seu normal funcionamento. tras. Não pode ocupar-se senão das questões suscitadas
pelas partes, sem prejuízo do que se dispõe no número 2
2. A audiência é contínua, só podendo ser interrompida do artigo 6º e no número 4 do artigo 7º.
por motivo de força maior, por absoluta necessidade ou Artigo 572º
nos demais casos previstos na lei. Se não for possível
conclui-la num dia, o juiz marca a continuação para o dia Limites da condenação
imediato, se não for domingo, feriado, ou dia de tolerância 1. A sentença não pode condenar em quantidade supe-
de ponto, mas ainda que compreendido em férias, e assim rior ou em objecto diverso do que se pedir.
sucessivamente.
2. Se não houver elementos para fixar o objecto ou a
3. Os julgamentos já marcados para os dias em que a quantidade, o tribunal condena no que se liquidar em
audiência houver de continuar são transferidos, de modo execução de sentença, sem prejuízo de condenação ime-
a que o tribunal, salvo motivo ponderoso, não inicie outra diata na parte que já seja líquida.
sem terminar a audiência iniciada.
3. Se tiver sido requerida a manutenção em lugar
4. As pessoas que tenham sido ouvidas não podem da restituição da posse, ou esta em vez daquela, o juiz
ausentar-se sem autorização do juiz, que a não concede condena no pedido correspondente à situação realmente
quando haja oposição das partes. verificada.

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86 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 573º Artigo 576º

Julgamento no caso de inexigibilidade da obrigação Rectificação de erros materiais

1. Se a sentença omitir o nome das partes, for omissa


1. O facto de não ser exigível, no momento em que a quanto a custas, ou contiver erros de escrita ou de cálculo
acção foi proposta, não impede que se conheça da exis- ou quaisquer inexactidões devidas a outra omissão ou
tência da obrigação, desde que o réu a conteste, nem que lapso manifesto, pode ser corrigida por simples despacho,
este seja condenado a satisfazer a prestação no momento a requerimento de qualquer das partes ou por iniciativa
próprio. do juiz.
2. Se não houver litígio relativamente à existência da 2. Em caso de recurso, a rectificação só pode ter lugar
obrigação, observa-se o seguinte: antes de ele subir, podendo as partes alegar perante
o tribunal superior o que entendam de seu direito no
a) O réu é condenado a satisfazer a prestação ainda tocante à rectificação. Se nenhuma das partes recorrer,
que a obrigação se vença no decurso da causa a rectificação pode ter lugar a todo o tempo, cabendo
ou em data posterior à sentença, mas sem recurso do despacho que a fizer.
prejuízo do prazo neste último caso;
Artigo 577º

b) Quando a inexigibilidade derive da falta de Casos de nulidade da sentença


interpelação ou do facto da não ter sido pedido
1. É nula a sentença:
o pagamento no domicílio do devedor, a dívida
considera-se vencida desde a citação. a) Quando não contenha a assinatura do juiz;

3. Nos casos das alíneas a) e b) do número anterior, o b) Quando não especifique os fundamentos de facto
autor é condenado nas custas e a satisfazer os honorários e de direito que justificam a decisão;
do advogado do réu. c) Quando os fundamentos estejam em oposição
com a decisão;
Artigo 574º
d) Quando o juiz deixe de pronunciar-se sobre
Atendibilidade dos factos jurídicos supervenientes questões que devesse apreciar ou conheça
de questões de que não podia tomar
1. Sem prejuízo das restrições estabelecidas noutras conhecimento;
disposições legais, nomeadamente quanto às condições
em que pode ser alterada a causa de pedir, deve a sen- e) Quando condene em quantidade superior ou em
tença tomar em consideração os factos constitutivos, objecto diverso do pedido.
modificativos ou extintivos do direito que se produzam 2. A omissão prevista na alínea a) do número ante-
posteriormente à proposição da acção, de modo que a rior pode ser suprida oficiosamente ou a requerimento
decisão corresponda à situação existente no momento do de qualquer das partes, enquanto for possível colher a
encerramento da discussão da causa. assinatura do juiz que proferiu a sentença. Este declara
no processo a data em que apôs a assinatura.
2. Só são, porém, atendíveis os factos que, segundo o
direito substantivo aplicável, tenham influência sobre a 3. As nulidades mencionadas nas alíneas b) a e) do
existência ou conteúdo da relação controvertida. número 1 só podem ser arguidas perante o tribunal que
proferiu a sentença se esta não admitir recurso ordinário;
3. A circunstância de o facto jurídico relevante ter nas- no caso contrário, o recurso pode ter como fundamento
cido ou se haver extinguido no decurso do processo é le- qualquer dessas nulidades.
vada em conta para o efeito da condenação em custas.
4. Arguida qualquer das nulidades da sentença em
Subsecção II recurso dela interposto, é lícito ao juiz supri-la, aplicando,
neste caso, o regime de reparação do agravo.
Vícios e reforma da sentença
Artigo 578º
Artigo 575º Esclarecimento ou reforma da sentença

Extinção do poder jurisdicional e suas limitações Pode qualquer das partes requerer no tribunal que
proferiu a sentença:
1. Proferida a sentença, fica imediatamente esgotado o
poder jurisdicional do juiz quanto à matéria da causa. a) O esclarecimento de alguma obscuridade ou
ambiguidade que ela contenha;
2. É lícito, porém, ao juiz rectificar erros materiais, su- b) A sua reforma quanto a custas e multa;
prir nulidades, esclarecer dúvidas existentes na sentença
e reformá-la nos termos dos artigos 576º a 579º. c) A sua reforma por omissão, quando constem do
processo documentos que só por si impliquem
3. O disposto nos números anteriores, bem como nos decisão diversa da proferida e que o juiz,
artigos subsequentes, aplica-se, até onde seja possível, por lapso manifesto não tenha tomado em
aos próprios despachos. consideração.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 87
Artigo 579º Artigo 584º

Suprimento de omissão ou de nulidades Casos julgados contraditórios

1. Arguida alguma das nulidades previstas nas alíneas b) a 1. Havendo duas decisões contraditórias sobre a mesma
e) do número 1 artigo 577º ou pedida a aclaração da sen- pretensão, cumpre-se a que passou em julgado em pri-
tença ou a sua reforma, a secretaria, independentemente meiro lugar.
de despacho, notifica a parte contrária para responder
e depois se decide. 2. É aplicável o mesmo princípio à contradição existente
entre duas decisões que, dentro do processo, versem sobre
2. Do despacho que indeferir o requerimento de recti- a mesma questão concreta de relação processual.
ficação, esclarecimento ou reforma não cabe recurso. A
Secção VI
decisão que deferir considera-se complemento e parte
integrante da sentença. Recursos

3. Se alguma das partes tiver requerido a rectificação Subsecção I


ou aclaração da sentença, o prazo para arguir nulidades Disposições gerais
ou pedir a reforma só começa a correr depois de notificada
Artigo 585º
a decisão proferida sobre este requerimento.
Espécies de recursos
Subsecção III

Efeitos da sentença 1. As decisões judiciais podem ser impugnadas por


meio de recurso.
Artigo 580º
2. Os recursos são ordinários e extraordinários, sendo
Valor da sentença transitada em julgado
ordinários a apelação e o agravo e extraordinário o re-
1. Transitada em julgado a sentença, a decisão sobre curso de revisão.
a relação material controvertida fica tendo força obriga-
3. Sempre que a organização judiciária esteja integrada
tória dentro do processo e fora dele nos limites fixados
por mais de que dois graus de jurisdição comum, além
pelos artigos 455º e seguintes, sem prejuízo do que vai
das duas categorias de recurso ordinário mencionadas
disposto sobre o recurso de revisão. Têm o mesmo valor
no n.º 1, existe ainda o de revista das decisões proferidas
que esta decisão os despachos que recaiam sobre o mérito
em 2ª instância.
da causa.
Artigo 586º
2. Se o réu tiver sido condenado a prestar alimentos ou
a satisfazer outras prestações dependentes de circuns- Noção de trânsito em julgado
tâncias especiais quanto à sua medida ou à sua duração,
A decisão considera-se passada ou transitada em jul-
pode a sentença ser alterada desde que se modifiquem as
gado, logo que não seja susceptível de recurso ordinário,
circunstâncias que determinaram a condenação.
ou de reclamação nos termos previstos nos artigos 575º
Artigo 581º a 579º.
Caso julgado formal Artigo 587º

Os despachos, bem como as sentenças, que recaiam Decisões que admitem recurso
unicamente sobre a relação processual têm força obriga-
1. Só é admissível recurso ordinário nas causas de valor
tória dentro do processo, salvo se por sua natureza não
superior à alçada do tribunal de que se recorre desde que
admitirem recurso.
a decisão impugnada seja desfavorável para o recorrente
Artigo 582º em valor superior a metade da alçada desse tribunal.
Em caso, porém, de fundada dúvida acerca do valor da
Alcance do caso julgado
sucumbência, atende-se unicamente ao valor da causa.
A sentença constitui caso julgado nos precisos limites e
2. O recurso é sempre admissível, seja qual for o valor
termos em que julga; se a parte decaiu por não estar ve-
da causa, ou da sucumbência, se tiver por fundamento
rificada uma condição, por não ter decorrido um prazo ou
a violação das regras de competência internacional, em
por não ter sido praticado determinado facto, a sentença
razão da matéria ou da hierarquia ou a ofensa de caso
não obsta a que o pedido se renove quando a condição se
julgado.
verifique, o prazo se preencha ou o facto se pratique.
Artigo 583º
3. Também admitem sempre recurso as decisões res-
peitantes ao valor da causa, dos incidentes ou dos pro-
Efeito do caso julgado nas questões de estado cedimentos cautelares, com o fundamento de que o seu
valor excede a alçada do tribunal de que se recorre.
Nas questões relativas ao estado das pessoas o caso jul-
gado produz efeitos mesmo em relação a terceiros quando, 4. Em todas as acções em que se aprecie a subsistência
proposta a acção contra todos os interessados directos, de contratos de arrendamento para habitação ou para o
tenha havido oposição de algum deles, sem prejuízo do exercício do comércio, indústria ou profissão liberal é sem-
disposto, quanto a certas acções, na lei civil. pre admissível recurso, seja qual for o valor da causa.

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88 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 588º 5. Se o recurso independente for admissível, o recurso
Despachos que não admitem recurso
subordinado também o é, mesmo que a decisão impug-
nada seja desfavorável para o respectivo recorrente su-
Não admitem recurso os despachos de mero expediente nem bordinado em valor igual ou inferior a metade da alçada
os proferidos no uso legal de um poder discricionário. do tribunal de que se recorre.
Artigo 589º Artigo 592º

Legitimidade para recorrer Extensão subjectiva e adesão ao recurso

1. Os recursos só podem ser interpostos por quem, 1. O recurso interposto por uma das partes aproveita
sendo parte principal na causa, tenha ficado vencido. aos seus compartes no caso de litisconsórcio necessário.

2. Podem ainda recorrer da decisão todas as pessoas 2. Não havendo litisconsórcio necessário, o recurso
directa e efectivamente prejudicadas pela mesma, ainda interposto aproveita ainda aos não recorrentes:
que não sejam partes na causa, ou sejam apenas partes
acessórias. a) Se tiverem um interesse que dependa
essencialmente do interesse do recorrente;
3. O recurso previsto na alínea f) do artigo 665º pode
ser interposto por qualquer terceiro que tenha sido pre- b) Se tiverem sido condenados como devedores
judicado com a sentença, considerando-se como terceiro solidários, a não ser que o recurso, pelos seus
o incapaz que interveio no processo como parte, mas por fundamentos, respeite unicamente à pessoa
intermédio de representante legal. do recorrente;

Artigo 590º c) Se, na parte em que o interesse for comum, eles


derem a sua adesão ao recurso.
Renúncia e perda do direito de recorrer
3. A adesão ao recurso pode ocorrer, por meio de re-
1. As partes podem renunciar aos recursos.
querimento ou de subscrição das alegações do recorrente,
2. A renúncia antecipada só produz efeitos se provier até ao início dos vistos para o julgamento.
de ambas as partes.
4. Com o acto de adesão, o interessado faz sua a ac-
3. Não pode recorrer quem, expressa ou tacitamente, tividade já exercida pelo recorrente e a que este vier a
tiver aceitado a decisão depois de proferida, consideran- exercer. O aderente pode passar, em qualquer momento,
do-se aceitação tácita a ocorrência de qualquer facto ine- à posição de recorrente principal, mediante o exercício
quivocamente incompatível com a vontade de recorrer. de actividade própria; e, se o recorrente desistir, deve
ser notificado da desistência para que possa seguir com
4. O disposto no número anterior não é aplicável ao o recurso como recorrente principal.
Ministério Público.
5. O litisconsorte necessário, bem como o comparte
5. O recorrente pode, livremente, desistir do recurso que se encontre na situação das alíneas a) ou b) do n.º2,
interposto. podem assumir, a todo o tempo, a posição de recorrente
principal.
Artigo 591º
Artigo 593º
Recurso independente e recurso subordinado
Delimitação subjectiva e objectiva do recurso
1. Se ambas as partes ficarem vencidas, cada uma delas
tem de recorrer se quiser obter a reforma da decisão na 1. Sendo vários os vencedores, todos eles devem ser
parte que lhe seja desfavorável; mas o recurso por qual- notificados do despacho que admita o recurso; mas o
quer delas interposto pode, nesse caso, ser independente recorrente pode, salvo no caso de litisconsórcio necessá-
ou subordinado. rio, excluir do recurso, no requerimento de interposição,
algum ou alguns dos vencedores.
2. O recurso independente é interposto dentro do prazo
e nos termos normais; o recurso subordinado pode ser 2. Se a parte dispositiva da sentença contiver deci-
interposto dentro de dez dias, a contar da notificação do sões distintas, pode o recorrente restringir o recurso a
despacho que admite o recurso da parte contrária. qualquer delas, desde que especifique no requerimento a
decisão de que recorre. Na falta de especificação, o recurso
3. Se o primeiro recorrente desistir do recurso ou este abrange tudo o que na parte dispositiva da sentença for
ficar sem efeito ou o tribunal não tomar conhecimento desfavorável ao recorrente.
dele, caduca o recurso subordinado, sendo todas as custas
da responsabilidade do recorrente principal. 3. Nas conclusões da alegação, pode o recorrente
restringir, expressa ou tacitamente, o objecto inicial do
4. Salvo declaração expressa em contrário, a renúncia recurso.
ao direito de recorrer ou a aceitação, expressa ou tácita,
da decisão por parte de um dos litigantes não obsta à 4. Os efeitos do julgado, na parte não recorrida, não
interposição do recurso subordinado, desde que a parte podem ser prejudicados pela decisão do recurso, nem pela
contrária recorra da decisão. anulação do processo.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 89
Artigo 594º 579º, o prazo para interposição do recurso só começa a
Ampliação do âmbito normal do recurso
correr depois de notificada a decisão proferida sobre o
requerimento.
1. O tribunal de recurso só pode conhecer de questão
que não tenha sido apreciada pela decisão impugnada 2. Estando já interposto recurso da primitiva sentença
nos seguintes casos: ou despacho ao tempo em que, a requerimento da parte
contrária, é proferida nova decisão, rectificando, esclare-
a) Quando se trate de questão que deva ser cendo ou reformando a primeira, o recurso fica tendo por
oficiosamente conhecida pelo tribunal; objecto a nova decisão; mas pode o recorrente alargar ou
restringir o âmbito do recurso em conformidade com a
b) Quando a sua apreciação seja solicitada na alteração que a sentença ou despacho tiver sofrido.
alegação do recurso, ainda que a título
subsidiário, por quem a tiver suscitado em Artigo 597º
qualquer dos seus articulados. Interposição do recurso

2. No caso de pluralidade de fundamentos da acção ou 1. Os recursos interpõem-se por meio de requerimento,


da defesa, o tribunal de recurso conhece do fundamento entregue na secretaria do tribunal que proferiu a deci-
em que a parte vencedora decaiu, desde que esta o re- são recorrida e no qual se indique a espécie de recurso
queira na respectiva alegação, prevenindo a necessidade interposto.
da sua apreciação.
2. Tratando-se de despachos ou sentenças orais, o reque-
3. Pode ainda o recorrido, na respectiva alegação, im- rimento de interposição pode ser ditado para a acta.
pugnar subsidiariamente a decisão proferida sobre pontos
determinados da matéria de facto, não impugnados pelo 3. A data da interposição do recurso é a da entrada
recorrente, prevenindo a hipótese de procedência das do requerimento ou do dia em que o mesmo foi ditado
questões por este suscitadas. para a acta.
Artigo 598º
4. Se o recorrido requerer a ampliação do objecto do
recurso, o recorrente pode responder, no prazo de vinte Despacho sobre a admissão do recurso
dias, depois de notificado do requerimento, à matéria da
1. A interposição do recurso é indeferida quando a
ampliação.
decisão não seja passível de recurso, que este seja inter-
5. Na falta dos elementos de facto indispensáveis à posto fora de tempo, ou que o recorrente, para o efeito,
apreciação da questão suscitada, pode o tribunal de não tenha legitimidade ou interesse em agir.
recurso mandar baixar os autos, a fim de se proceder ao 2. Havendo erro na espécie de recurso ou tendo a
julgamento no tribunal onde a decisão foi proferida. mesma sido omissa, mandar-se-ão seguir os termos do
Artigo 595º recurso apropriado.
Prazo de interposição 3. Não constando do requerimento a menção do funda-
mento do recurso, nos casos a que se referem os números 2
1. O prazo para a interposição dos recursos é de dez e 3 do artigo 587º, o recorrente é convidado a completar o
dias, contados da notificação da decisão; se a parte for requerimento, sob pena de o recurso não ser admitido.
revel e não dever ser notificada nos termos do artigo 234º,
o prazo corre desde a publicação ai referida. 4. A decisão que admita o recurso, declare a sua espécie
ou determine o efeito que lhe compete não vincula o
2. Tratando-se de despachos ou sentenças orais, repro- tribunal superior, e as partes só a podem impugnar nas
duzidos no processo, o prazo corre do dia em que foram suas alegações.
proferidos, se a parte esteve presente ou foi notificada
para assistir ao acto; no caso contrário, o prazo corre nos Artigo 599º
termos do número 1. Reclamação contra o indeferimento ou retenção do recurso

3. Quando, fora dos casos previstos nos números ante- 1. Do despacho que não admita o recurso ou que o retenha,
riores, não tenha de fazer-se a notificação, o prazo corre pode o recorrente reclamar para o presidente do tribunal
desde o dia em que o interessado teve conhecimento da que seria competente para conhecer do recurso.
decisão.
2. Se, em vez de reclamar, a parte impugnar por meio
4. Se a revelia da parte cessar antes de decorridos os de recurso qualquer dos despachos referidos no número
dez dias posteriores à publicação, tem a sentença ou 1, manda-se seguir os termos próprios da reclamação.
despacho de ser notificado e começa o prazo a correr da
data da notificação. 3. A reclamação, dirigida ao presidente do tribunal su-
perior, é apresentada na secretaria do tribunal recorrido,
Artigo 596º dentro de dez dias, contados da notificação do despacho
Interposição do recurso quando haja rectificação, aclaração que não admita ou que retenha o recurso.
ou reforma da sentença
4. O reclamante expõe as razões que justificam a ad-
1. Se alguma das partes requerer a rectificação, aclaração missão ou a subida imediata do recurso e indica as peças
ou reforma da sentença, nos termos dos artigos 575º a que devem instruir a reclamação.

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5. A reclamação é autuada por apenso e imediatamente termos do número anterior, que o apelante preste caução,
notificada, independentemente de despacho, à parte se não estiver já garantido por hipoteca judicial; a caução
contrária, e ao Ministério Público quando deva intervir, pode também ser requerida no prazo de três dias, a contar
para se pronunciarem sobre a reclamação e juntarem da notificação do despacho que não atribuir à apelação
documentos. efeito meramente devolutivo.
Artigo 600º Artigo 604º

Julgamento da reclamação Termos a seguir na declaração do efeito devolutivo

Recebido o processo no tribunal superior, é imediata- 1. Requerida a declaração do efeito meramente devolutivo,
mente submetido à decisão do presidente, que, dentro de é ouvido o apelante no caso da alínea d) do artigo 602º.
cinco dias, resolve se o recurso deve ser admitido ou subir
imediatamente. Se o presidente não se julgar suficiente- 2. A decisão proferida só pode ser impugnada na res-
mente elucidado, pode requisitar, por ofício, os esclareci- pectiva alegação.
mentos ou as certidões que entenda necessários, contanto
que não protele a decisão por mais de cinco dias. 3. Sendo deferido o requerimento, marca-se prazo para
o traslado, que é pago pelo requerente.
Subsecção II
Artigo 605º
Recurso ordinário - Apelação
Apelação interposta de decisões parciais
Divisão I

Interposição e efeitos do recurso 1. A apelação interposta de decisões intercalares


parciais sobre o mérito da causa, que não puser termo
Artigo 601º
ao processo, apenas sobe a final.
De que decisões podem apelar-se
2. Na hipótese prevista no número anterior, a apela-
O recurso de apelação compete da sentença final e do ção sobe, porém, imediatamente e em separado quando,
despacho saneador que ponha termo à causa. sendo a decisão proferida cindível relativamente às ques-
Artigo 602º tões que subsistem para apreciação, algumas das partes
alegue, em qualquer estado do processo, que a retenção
Efeito da apelação do recurso lhe causa prejuízo considerável; neste caso, é
A apelação tem efeito suspensivo, a não ser nos se- aplicável à execução provisória da decisão o disposto nos
guintes casos: artigos anteriores com as necessárias adaptações.
Artigo 606º
a) Quando a sentença se funde em letra, livrança,
cheque, vale, factura conferida ou outro Fixação da caução
escrito assinado pelo réu;
Na fixação da caução deve atender-se aos seguintes
b) Quando a sentença ordene demolições, reparações elementos:
ou outras providências urgentes;
a) Ao montante da condenação, quando se trate de
c) Quando arbitre alimentos ou fixe a contribuição prestação em dinheiro ou em géneros;
do cônjuge para as despesas domésticas;
b) Ao valor dos bens, determinado pelo valor da
d) Quando a suspensão da execução seja susceptível
causa, quando se trate da entrega de bens
de causar à parte vencedora prejuízo
móveis;
considerável. A parte vencida pode, neste
caso, evitar a execução, desde que declare, c) Ao rendimento dos bens durante dois anos,
quando ouvida, que está pronta a prestar quando se trate da entrega de bens imóveis,
caução; computando-se o rendimento em cinco por
e) Nos casos previstos no número 4 do artigo 587º. cento do valor dos bens determinado pelo
valor da causa;
Artigo 603º
d) Ao custo provável da prestação, calculado pelo
Declaração do efeito devolutivo e exigência de caução
valor da causa quando se trate de prestação
1. O efeito meramente devolutivo não é declarado sem de facto positivo ou negativo.
requerimento do apelado, salvo nos casos previstos na
Artigo 607º
alínea e) do artigo 602º. O requerimento é feito dentro
dos três dias subsequentes à notificação do despacho que Arbitramento para fixação da caução
admita a apelação e nele se pede que se extraia traslado,
com indicação das peças que, além da sentença, este deva Se o apelante tiver sido condenado somente em parte
abranger. do pedido e houver dificuldade em fixar a caução corres-
pondente, determina-se, mediante avaliação feita por
2. Não querendo ou não podendo obter a execução pro- um perito nomeado pelo juiz, em que proporção está essa
visória da sentença, pode o apelado requerer, nos mesmos parte com a totalidade do pedido.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 91
Artigo 608º Divisão III

Traslado para se processar o incidente da caução Julgamento do recurso

1. Se a prestação da caução ou a falta dela der causa a Artigo 613º


demora excedente a dez dias, extrai-se traslado para se
Designação e função do relator
processar o incidente e a apelação segue os seus termos.
2. O traslado só compreende, além da sentença, as peças 1. O juiz a quem o processo for distribuído fica sendo o
que sejam indispensáveis, designadas por despacho. relator, competindo-lhe deferir todos os termos até final.
Divisão II 2. Na decisão do objecto do recurso e de todas as ques-
Alegações tões que se suscitarem intervêm, pela sua ordem, os juízes
seguintes ao relator. A designação de cada um destes
Artigo 609º juízes fixa-se no momento em que o processo lhe for com
Conta e designação de advogado oficioso vista e subsiste ainda que o relator seja substituído.

1. Deferido o requerimento de interposição do recurso Artigo 614º


e satisfeito o mais que fica disposto na subsecção anterior, Exame preliminar do relator
são contadas e pagas ou depositadas as custas que forem
devidas. 1. Feito o preparo que for devido, a secretaria procede
à revisão do processo, finda a qual os autos são conclusos
2. No despacho que defere o requerimento de admis-
ao relator para apreciar se o recurso é o próprio, se deve
são do recurso, o juiz solicita à Ordem dos Advogados
manter-se o efeito que lhe foi atribuído e se alguma cir-
de Cabo Verde a nomeação de advogado aos ausentes,
cunstância obsta ao conhecimento do seu objecto.
incapazes e incertos, se não puderem ser representados
pelo Ministério Público. 2. Quando as conclusões sejam deficientes ou obscuras,
Artigo 610º ou nelas se não especifique a norma jurídica violada o
relator deve convidar o apelante a suprir a lacuna, sob
Prazo para alegações
pena de não se conhecer do recurso.
1. No mesmo despacho referido no artigo anterior é
3. O convite feito ao recorrente é notificado à parte
fixado o prazo, entre dez e vinte dias, para as partes
contrária, que pode responder ao aditamento ou escla-
alegarem por escrito, contando-se o prazo do apelado a
recimento que ele apresentar.
partir da notificação da apresentação das alegações do
apelante. Artigo 615º

2. Se houver mais de um recorrente ou mais de um Erro na espécie de recurso


recorrido com advogados diferentes, tem cada um deles
para alegar um prazo distinto e sucessivo, segundo a 1. Se o relator entender que o recurso próprio é o agravo,
ordem que for determinada pelo juiz. leva o processo à conferência para esta decidir.

3. Durante o prazo fixado para a alegação, é facultada 2. Se for decidido que o recurso siga como agravo, o
à parte respectiva o exame do processo. acórdão é notificado às partes que ainda não tenham
alegado, para apresentarem a sua alegação dentro do
4. Se tiverem recorrido ambas as partes, o primeiro prazo fixado no artigo 610º.
recorrente tem ainda, depois da alegação do segundo,
direito a exame do processo, mas somente para impugnar 3. Tanto os juízes adjuntos como as próprias partes
os fundamentos do segundo recurso. podem suscitar as questões prévias de que tratam este
Artigo 611º
artigo e os dois seguintes, devendo observar-se, quando
o fizerem, o disposto nesses preceitos.
Ónus de alegar e formular conclusões
Artigo 616º
1. Na alegação de recurso, o apelante deve formular as
suas conclusões, expondo sinteticamente os fundamentos Erro quanto ao efeito do recurso
do recurso e, sendo caso disso, especificando a norma
1. Se o relator entender que deve alterar-se o efeito do
jurídica violada.
recurso, leva igualmente o processo à conferência.
2. Na falta de alegação ou de conclusão, seja de facto
seja de direito, o recurso é logo julgado deserto. 2. Se a questão for levantada por alguma das partes, o
relator manda ouvir, por quarenta e oito horas, a parte
Artigo 612º contrária, se ainda não tiver respondido, e só depois leva
Expedição do recurso o processo à conferência.

Juntas as alegações ou findo o prazo para a sua apre- 3. Decidindo-se que à apelação, recebida com efeito
sentação e devendo a causa prosseguir para a apreciação meramente devolutivo, deve atribuir-se efeito suspensivo,
da impugnação da sentença na instância superior o juiz expede ofício, se o apelante o requerer, para ser suspensa
determina a imediata expedição do recurso nos próprios a execução. O ofício contém unicamente a identificação
autos. da sentença cuja execução deve ser suspensa.

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4. Quando, ao invés, se julgue que a apelação, recebida verificar o caso previsto no nº4 do artigo 616º, o relator,
com os dois efeitos, devia sê-lo com efeito meramente de- no prazo de vinte dias, elabora o projecto do acórdão que
volutivo, o relator manda passar traslado, se o apelado o apensa aos autos.
requerer; o traslado, que baixa à primeira instância, con-
tém somente o acórdão e a sentença recorrida, salvo se o 2. Seguidamente o processo vai com vista, em cópia,
apelado requerer que abranja outras peças do processo. sempre que possível digitalizada, aos dois juízes adjuntos,
pelo prazo de vinte dias, findos os quais a secretaria fá-lo
Artigo 617º entrar imediatamente em tabela para julgamento.
Não conhecimento do objecto do recurso
e sua decisão sumária 3. Quando a natureza das questões a decidir ou a
necessidade de celeridade no julgamento do recurso
1. Se entender que não pode conhecer-se do recurso, o aconselhem, pode o relator com a concordância dos
o relator faz exposição escrita do seu parecer e manda adjuntos, dispensar os vistos e a sua substituição pela
ouvir, por dois dias, cada uma das partes, se estas ainda entrega a cada um dos juízes que devam intervir no jul-
não tiverem alegado. gamento de cópia das peças processuais relevantes para
apreciação do objecto da apelação, acompanhadas de um
2. Em seguida vai o processo com vista, por dois dias, memorando contendo o enunciado das questões a decidir
a cada um dos juízes imediatos, decidindo-se depois a e a solução para elas proposta, com indicação sumária
questão prévia na primeira sessão. dos respectivos fundamentos.
3. Quando a questão for suscitada pelo apelado na sua
4. Se, por qualquer motivo ponderoso, designadamente
alegação, é ouvido unicamente o advogado do apelante e
pela complexidade da causa ou elevado numero de pro-
seguem-se depois os mesmos termos.
cessos a ele distribuídos para relatar, o prazo a que se
4. Pode ainda o relator proceder de conformidade com refere o número 1 lhe parecer insuficiente, nos cinco dias
o disposto nos números 1 e 2, quando entender que a seguintes à conclusão que lhe tiver sido feita, o relator
questão a decidir é simples, designadamente, por já ter deve suscitar, em conferência, a dilação que lhe parecer
sido jurisdicionalmente apreciada e decidida de modo conveniente para a elaboração do seu projecto de acórdão,
uniforme e reiterado ou que o recurso é manifestamente mas nunca superior a sessenta dias.
infundado. Em qualquer destes casos, o acórdão da con-
5.No prazo a que se refere o número 1, a secretaria en-
ferência, que é sumário, consiste em simples remissão
trega uma cópia do projecto do acórdão ao Presidente do
para as precedentes decisões de que se junta cópia.
Supremo Tribunal, ao representante do Ministério Público
Artigo 618º e aos mandatários das partes; nestes últimos casos, apenas
na situação descrita no número 1 do artigo 640º.
Reclamação para a conferência
Artigo 621º
Quando a parte se considere prejudicada por qualquer
despacho do relator, que não seja de mero expediente, Diligências necessárias
pode requerer que sobre a matéria do despacho recaia um
acórdão. O relator deve submeter o caso à conferência, 1. Se o relator ou algum dos adjuntos reputar ne-
depois de ouvida a parte contrária, e manda o processo cessária alguma diligência é a questão resolvida em
a vistos por quarenta e oito horas, quando o julgue ne- conferência.
cessário.
2. Vencendo-se a necessidade da diligência, é ordenada
Artigo 619º por acórdão e, uma vez realizada, continua a vista para
o julgamento. Os juízes que já tiverem visto o processo
Junção de documentos
podem ter nova vista por cinco dias, a fim de examinarem
1. As partes podem juntar documentos às alegações, o resultado da diligência.
nos casos excepcionais a que se refere o artigo 482º ou no Artigo 622º
caso de a junção apenas se tornar necessária em virtude
do julgamento proferido na primeira instância. Julgamento

2. Os documentos supervenientes podem ser juntos 1. Os juízes, depois de examinarem o processo, põem
até se iniciarem os vistos aos juízes; até esse momento nele o seu visto, datando e assinando.
podem ser também juntos os pareceres de advogados,
professores ou técnicos. 2. Terminados os vistos, a secretaria faz entrar o pro-
cesso em tabela para julgamento.
3. É aplicável à junção de documentos e pareceres, com as
necessárias adaptações, o disposto nos artigos 499º e 500º, 3. A conferência destinada a discussão é dirigida pelo
cumprindo ao relator autorizar ou recusar a junção. Presidente. O relator lê o seu projecto de acórdão, a menos
que pela sua simplicidade requeira dispensa, e lhe seja
Artigo 620º concedida pelo presidente, ouvidos os adjuntos.
Projecto de acórdão e vista aos Juízes
4. A decisão é tomada por maioria e, no caso de ela não
1. Decididas as questões que devem ser apreciadas se obter, vai o processo com vista ao adjunto ou adjuntos
antes do julgamento do objecto do recurso, se não se seguintes até se formar a maioria.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 93

5. Caso não se alcance o número de votos necessários for já impossível de obter com o mesmo ou os mesmos
para fazer vencimento, o processo segue com vista aos de- juízes ou se for impossível a repetição dos meios de prova
mais juízes que compõem o tribunal até se formar maioria necessários, o juiz da causa limita-se a justificar a razão
na conferência, cabendo, em caso da persistência do em- da impossibilidade.
pate, voto de qualidade ou de desempate ao Presidente,
conforme couber do regimento interno do Tribunal. 4. O tribunal do recurso pode ainda determinar a reno-
vação dos meios de prova produzidos no tribunal recorrido
Artigo 623º que se mostrem indispensáveis ao apuramento da verda-
Julgamento dos agravos que sobem com a apelação de quanto à matéria de facto impugnada, aplicando-se às
diligências ordenadas, com as necessárias adaptações, o
1. A apelação e os agravos que com ela tenham su- preceituado quanto à instrução, discussão e julgamento
bido são julgados pela ordem da sua interposição; mas em 1ª instância, podendo o relator determinar a compa-
os agravos interpostos pelo apelado que interessem à rência pessoal do depoente, quando não seja possível a
decisão da causa só são apreciados se a sentença não for sua audição por vídeo-conferência.
confirmada. Artigo 626º
2. Os agravos só são providos quando a infracção Elaboração do acórdão
cometida tenha influído no exame ou decisão da causa
ou quando, independentemente da decisão do litígio, o 1. O acórdão definitivo é lavrado de harmonia com a
provimento tenha interesse para o agravante. orientação que tenha prevalecido, devendo o vencido,
quanto à decisão ou quanto aos simples fundamentos,
Artigo 624º assinar em último lugar, com a sucinta menção das razões
Falta ou impedimento dos juízes de discordância.

1. O relator é substituído pelo primeiro adjunto nas 2. O acórdão principia pelo relatório, expõe em seguida
faltas ou impedimentos que não justifiquem segunda os fundamentos e conclui pela decisão, observando-se
distribuição e enquanto esta se não efectuar. na parte aplicável o mais que fica disposto nos artigos
570º a 574º.
2. Se a falta ou impedimento respeitar a um dos juízes
adjuntos, a substituição cabe ao juiz seguinte ao último 3. Quando o relator fique vencido relativamente à deci-
deles. são ou a todos os fundamentos desta, é o acórdão lavrado
pelo primeiro adjunto vencedor, o qual defere ainda os
Artigo 625º termos que se seguirem para a rectificação, aclaração ou
Alteração, anulação e renovação das decisões de facto reforma do acórdão.

1. A decisão da 1ª instância sobre a matéria de facto 4. Se o relator for apenas vencido quanto a algum
pode ser alterada: dos fundamentos ou relativamente a qualquer questão
acessória, é o acórdão lavrado pelo juiz que o presidente
a) Se do processo constarem todos os elementos de designar.
prova que serviram de base à resposta; Artigo 627º
b) Se os elementos fornecidos pelo processo Publicação do resultado da votação
impuserem uma resposta diversa,
insusceptível de ser destruída por quaisquer 1. Se não for possível lavrar imediatamente o acórdão,
outras provas; é o resultado do que se decidir publicado, depois de regis-
tado num livro de lembranças, que os juízes assinam.
c) Se o recorrente apresentar documento novo
superveniente e que, por si só, seja suficiente 2. O juiz a quem competir a elaboração do acórdão fica
para destruir a prova em que a resposta com o processo e apresenta-o na primeira sessão.
assentou. 3. O acórdão tem a data da sessão em que for assinado.
2. Pode também a instância de recurso anular a decisão Artigo 628º
recorria, mesmo oficiosamente, quando repute deficien-
Conhecimento imediato do objecto da apelação
tes, obscuras ou contraditórias as respostas dadas aos
factos controvertidos ou quando considere indispensável 1. Ainda que o tribunal de recurso declare nula a de-
a formulação de outros quesitos nos termos da alínea f) cisão que põe temo ao processo, deve conhecer do objecto
do número 1 do artigo 562º. do processo sempre que deste constem todos os elementos
necessários.
3. Se alguma das respostas não contiver, como funda-
mentação, a menção pelo menos dos meios concretos de 2. Se o tribunal recorrido tiver deixado de conhecer
prova em que se haja fundado a convicção do julgador ou certas questões, designadamente por as considerar pre-
dos julgadores e a resposta for essencial para a decisão judicadas pela solução dada a outras, se entender que a
da causa, o tribunal do recurso pode, a requerimento do apelação procede e nada obsta ao conhecimento daque-
interessado, mandar que o tribunal recorrido fundamente las, conhece delas no mesmo acórdão em que revoga a
a resposta, repetindo, quando necessário, a produção dos decisão recorrida, sempre que disponha dos elementos
meios de prova que interessem à fundamentação; se esta necessários.

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94 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

3. Antes de se proferir a decisão a que se refere o Subsecção III


número anterior, o relator manda ouvir cada uma das
Recurso de revista
partes por dez dias.
Divisão I
Artigo 629º
Interposição e expedição do recurso
Vícios e reforma do acórdão
Artigo 634º
1. É aplicável ao tribunal do recurso o que se acha dis-
posto nos artigos 575º a 579º, mas o acórdão é ainda nulo Decisões que comportam revista
quando for lavrado contra o vencido ou sem o necessário
vencimento. 1. Cabe recurso de revista do acórdão da 2ª instância
que decida do mérito ou que ponha termo à causa, seus
2. A rectificação, aclaração ou reforma do acórdão, bem incidentes de instância ou procedimentos cautelares.
como a arguição de nulidade, são decididas em conferên-
2. O fundamento específico do recurso de revista é a
cia. Quando a questão for complexa ou de difícil decisão,
violação da lei substantiva, que pode consistir tanto no
pode esta ser precedida de vista por quarenta e oito horas,
erro de interpretação ou de aplicação, como no erro de
a cada um dos juízes adjuntos.
determinação da norma aplicável; acessoriamente, pode
Artigo 630º alegar-se, ainda, alguma das nulidades previstas nos
artigos 577º e 629º.
Acórdão lavrado contra o vencido
3. Para os efeitos deste artigo, consideram-se como lei
Considera-se lavrado contra o vencido o acórdão pro- substantiva as disposições genéricas, de carácter subs-
ferido em sentido diferente do que estiver registado no tantivo, emanadas dos órgãos de soberania, nacionais ou
livro de lembranças. estrangeiros, ou constantes de convenções ou tratados
Artigo 631º
internacionais.
Artigo 635º
Reforma do acórdão
Fundamentos da revista
1. Se o tribunal do recurso anular a decisão recorrida
e a mandar reformar, intervêm na reforma, sempre que 1. Sendo o recurso de revista o competente, pode o
possível, o mesmo juiz, ou os mesmos juízes que a haviam recorrente alegar, além da violação de lei substantiva,
proferido. a violação de lei de processo, de modo a interpor-se do
mesmo acórdão um único recurso, ainda quando, nos ter-
2. O acórdão é reformado nos precisos termos que o mos do artigo 623º, o acórdão tenha sido proferido sobre
Tribunal recorrido tiver fixado. agravos e sobre o objecto de recurso de apelação.
Artigo 632º
2. O erro na apreciação das provas e na fixação dos
Baixa do processo factos materiais da causa não pode ser objecto de re-
curso de revista, salvo havendo ofensa duma disposição
Transitado em julgado, a secretaria sem dependên- expressa de lei que exija certa espécie de prova para a
cia de qualquer despacho no prazo de dois dias, extrai existência do facto ou que fixe a força de determinado
traslado das peças necessárias à liquidação das custas meio de prova.
e restituição dos preparos a que houver lugar e baixa o
processo à 1ª instância. Artigo 636º

Artigo 633º Efeito do recurso

Defesa contra as demoras abusivas O recurso de revista só tem efeito suspensivo em ques-
tões sobre o estado de pessoas.
1. Se ao relator parecer manifesto que a parte pretende,
Artigo 637º
com determinado requerimento, obstar ao cumprimento
do julgado ou à baixa do processo ou à sua remessa para Despacho do relator
o tribunal competente, leva o requerimento à conferência,
podendo esta ordenar, sem prejuízo do disposto no 1. O relator profere despacho, admitindo ou rejeitando o
artigo 420º, que o respectivo incidente se processe em recurso, e declarando os seus efeitos, quando o admitir.
separado.
2. Se o recurso for admitido no efeito suspensivo, pode
2. O disposto no número anterior é também aplicável o recorrido exigir a prestação de caução, sendo neste caso
aos casos em que a parte procure obstar ao trânsito em aplicáveis as disposições dos artigos 603º e seguintes;
julgado da decisão, através da suscitação de incidentes, se o efeito for meramente devolutivo, pode o recorrido
a ela posteriores, manifestamente infundados; neste requerer, no prazo de três dias, que se extraia traslado.
caso, os autos prosseguem os seus termos no tribunal O relator fixa o prazo para o traslado, que compreende
recorrido, anulando-se o processado, se a decisão vier a unicamente o acórdão, salvo se o recorrido fizer, à sua
ser modificada. custa, inserir outras peças.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 95
Artigo 638º 2. A decisão da 2ª instância, quanto à matéria de facto,
Alegações e expedição do recurso não pode ser alterada, salvo o caso excepcional previsto
na parte final do número 2 do artigo 634º.
Às alegações e à expedição do recurso são aplicáveis o
que fica disposto nos artigos 609ºa 612º. 3. O processo só volta à 2ª instância quando o Supremo
entenda que a decisão de facto pode e deve ser ampliada
Divisão II
em ordem a constituir base suficiente para a decisão de
Julgamento do recurso direito.
Artigo 639º Artigo 642º

Aplicação do regime da apelação Novo julgamento na 2ª instância

São aplicáveis ao recurso de revista as disposições


1. No caso excepcional a que se refere o número 3 do
relativas ao julgamento da apelação interposta para o
artigo anterior, o Supremo, depois de definir o direito
tribunal de 2ª instância, com excepção do que se estabe-
aplicável, manda julgar novamente a causa, em harmonia
lece no artigo 625º e no número 1 do artigo 635º, do dever
com a decisão de direito, sempre que possível pelos mes-
de remessa do projecto de acórdão, no prazo de dois dias,
mos juízes que intervieram na 2ª instância.
às partes e ao Ministério Público, sem dependência de
qualquer despacho e, salvo ainda, o que vai prescrito nos 2. Se, por falta de elementos de facto, o Supremo não
artigos seguintes. puder fixar com precisão o regime jurídico a aplicar, a
Artigo 640º nova decisão da 2ª instância admite recurso de revista
nos mesmos termos que a primeira.
Julgamento em reunião plena
Artigo 643º
1. Pode o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,
por sua iniciativa, do relator ou dos adjuntos, e a reque- Reforma do acórdão no caso de nulidades
rimento das partes ou do Ministério Público, determinar
que o julgamento se faça em reunião plena de todos os 1. Quando for julgada procedente alguma das nulidades
juízes que compõem o Supremo, quando o considere ne- previstas nas alíneas c) e e) e na segunda parte da alínea
cessário para assegurar a uniformidade e a harmonização d) do artigo 577º ou quando o acórdão se mostre lavrado
da jurisprudência, se do projecto do acórdão distribuído contra o vencido, o Supremo supre a nulidade, declara
pelo relator ou no decorrer dos debates da Conferência, se em que sentido a decisão deve considerar-se modificada
puder inferir que o tribunal vai pronunciar-se em sentido e conhece dos outros fundamentos do recurso.
contrário a anterior decisão do Supremo, relativamente
2. Se proceder alguma das restantes nulidades do
à mesma questão fundamental de direito, proferida no
acórdão, manda-se baixar o processo, a fim de se fazer a
domínio da mesma legislação.
reforma da decisão anulada, pelos mesmos juízes quando
2. As partes e o Ministério Público apenas podem re- possível.
querer o julgamento ampliado antes de iniciada a Con-
ferência, devendo fazê-lo no prazo de três dias a contar 3. A nova decisão que vier a ser proferida, de harmonia
do recebimento do respectivo projecto de acórdão. com o disposto no número anterior, admite recurso de
revista nos mesmos termos que a primeira.
3. A decisão da realização do julgamento em reunião
Artigo 644º
plena, quando deva ser determinada com o recebimento
do projecto de acórdão, deve ter lugar até quinze dias Nulidades dos acórdãos
antes da data marcada para o início da Conferência.
É aplicável ao acórdão do Supremo o disposto no artigo 629º.
4. No caso da decisão do Presidente vir a ser tomada
já iniciados os debates em Conferência anula-se tudo Artigo 645º
quanto seja posterior à distribuição do projecto de acórdão
Publicação do acórdão e baixa do processo
elaborado pelo relator e que não possa ser aproveitado e
designa-se de imediato data para a reunião em pleno dos
1. Tirado o acórdão, é imediatamente publicado em
juízes, a ser realizada dentro de quinze dias.
edital do STJ o respectivo sumário, que pode igualmente
5. A decisão para o julgamento ampliado, nos termos ser publicitado pelos meios de processamento informático
do presente artigo, é notificada de imediato aos juízes, existentes.
por termo nos autos, sendo fornecido no acto, cópia do
projecto de acórdão àqueles a quem ainda o não tivesse 2. Depois de transitado em julgado e cumpridos os
sido feito. trâmites necessários, procede-se à baixa do processo,
independentemente de requerimento, promoção ou
Artigo 641º despacho.
Termos em que julga o tribunal de revista
3. Sempre que haja lugar a pagamento de custas ou
1. Aos factos materiais fixados pelo tribunal recorrido, à restituição de preparos, antes da baixa do processo,
o Supremo aplica definitivamente o regime jurídico que extrai-se traslado das peças necessárias para a devida
julgue adequado. liquidação.

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96 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Subsecção IV Artigo 651º

Agravo Subida dos agravos nos procedimentos cautelares

Divisão I 1. Quanto aos agravos interpostos de despachos


proferidos nos procedimentos cautelares observa-se o
Interposição e efeitos do recurso
seguinte:
Artigo 646º
a) O recurso interposto do despacho que indefira
De que decisões cabe o agravo liminarmente o respectivo requerimento
ou que não ordene a providência sobe
O agravo cabe das decisões, susceptíveis de recurso, imediatamente, nos próprios autos do
de que não pode apelar-se. procedimento cautelar;
Artigo 647º
b) O agravo do despacho que ordene a providência
Agravos que sobem imediatamente sobe imediatamente, em separado;

1. Sobem imediatamente os agravos interpostos: c) Os recursos interpostos de despachos anteriores


sobem juntamente com os agravos
a) Da decisão que ponha termo ao processo; mencionados nas alíneas anteriores; os
recursos de despachos posteriores só sobem
b) Do despacho pelo qual o juiz se declare impedido quando o procedimento cautelar esteja findo.
ou indefira o impedimento oposto por alguma
das partes; 2. O recurso interposto do despacho que ordene o
levantamento da providência sobe imediatamente, em
c) Do despacho que aprecie a competência absoluta separado.
do tribunal;
Artigo 652º
d) Do despacho que declare procedente a excepção Subida dos agravos nos incidentes
de incompetência relativa do tribunal;
1. Em relação aos incidentes, como tais designados na
e) Dos despachos proferidos depois da decisão final. lei, o regime é o seguinte:
2. Sobem também imediatamente os agravos cuja re- a) Se o despacho não admitir o incidente, o agravo
tenção os tornaria absolutamente inúteis. que dele se interpuser sobe imediatamente
e subirá nos próprios autos do incidente ou
Artigo 648º
em separado, consoante o incidente seja
Subida diferida processado por apenso ou juntamente com a
causa principal;
1. Os agravos não incluídos no artigo anterior sobem
com o primeiro recurso que, depois de eles serem inter- b) Admitido o incidente, se este for processado por
postos, haja de subir imediatamente. apenso, os agravos interpostos dos despachos
que se proferirem só sobem quando o processo
2. Se não houver recurso da decisão que ponha termo ao do incidente estiver findo. Se o incidente for
processo, os agravos que deviam subir com esse recurso processado juntamente com a causa principal
ficam sem efeito, salvo se tiverem interesse para o agra- os agravos de despachos proferidos no
vante independentemente daquela decisão. Neste caso, incidente sobem com os agravos interpostos
sobem depois de a decisão transitar em julgado, caso o de despachos proferidos na causa principal.
agravante o requeira no prazo de cinco dias.
2. Quando houver agravos que devam subir nos autos
Artigo 649º do incidente processado por apenso, são estes, para esse
Agravos que sobem nos próprios autos
efeito, desapensados da causa principal.
Artigo 653º
Sobem nos próprios autos os agravos interpostos das
decisões que ponham termo ao processo no tribunal re- Agravos com efeito suspensivos
corrido ou suspendam a instância e aqueles que apenas
subam com os recursos dessas decisões. 1. Têm efeito suspensivo os agravos que subam ime-
diatamente nos próprios autos.
Artigo 650º
2. Dos outros, só têm efeito suspensivo:
Agravos que sobem em separado
a) Os agravos interpostos de despachos que tenham
1. Sobem em separado dos autos principais os agravos aplicado multas;
não compreendidos no artigo anterior.
b) Os agravos de despachos que hajam ordenado
2. Forma-se um único processo com os agravos que su- entrega de dinheiro ou prisão, estando o
bam conjuntamente, em separado dos autos principais. tribunal seguro com depósito ou caução;

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 97

c) Os agravos de decisões que tenham ordenado o Artigo 657º


cancelamento de qualquer registo;
Sustentação do despacho ou reparação do agravo
d) Os agravos a que o juiz fixar esse efeito;
1. Findos os prazos, concedidos às partes para alegarem,
e) Todos os demais a que a lei atribuir expressamente a secretaria autuam as alegações do agravante e do
o mesmo efeito. agravado com as respectivas certidões e documentos e
faz tudo concluso ao juiz para sustentar o despacho ou
3. O juiz só pode atribuir efeito suspensivo ao agravo, reparar o agravo.
nos termos da alínea d) do número anterior, quando o
agravante o haja pedido no requerimento de interposição 2. Se sustentar o despacho, o juiz pode mandar juntar
do recurso e, depois de ouvir o agravado, reconhecer que a ao processo as certidões que entenda necessárias e o
execução imediata do despacho é susceptível de causar ao processo é remetido em seguida ao tribunal superior.
agravante prejuízo irreparável ou de difícil reparação.
3. Se o juiz, porém, reparar o agravo, pode o agravado
Artigo 654º
requerer, dentro de quarenta e oito horas, a contar da
Fixação da subida e do efeito do recurso notificação do despacho de reparação, que o processo de
agravo suba, tal como está, para se decidir a questão
No despacho que admita o recurso deve declarar-se se sobre que recaíram os dois despachos opostos. Quando o
sobe ou não imediatamente e, no primeiro caso, se sobe agravado use desta faculdade, fica tendo, a partir desse
nos próprios autos ou em separado; deve declarar-se momento, a posição de agravante.
ainda o efeito do recurso.
Divisão II
4. No caso de reparação, se o primitivo agravo não
suspender a execução do respectivo despacho, junta-se
Expedição do recurso ao processo principal certidão do novo despacho, para
Artigo 655º
ser cumprido.

Notificação do despacho; peças que hão-de instruir o recurso 5. Se o Juiz omitir o despacho previsto no número 1,
tem-se por sustentado o despacho recorrido, com os fun-
1. O despacho que admita o recurso é notificado às damentos que dele constem.
partes no prazo de vinte e quatro horas.
6. O disposto no presente artigo não tem aplicação
2. Se o agravo houver de subir imediatamente e em
nos casos da sua subida ficar deferida, para depois da
separado, as partes indicam, por meio de requerimento,
prolação da sentença pela instância recorrida.
nas quarenta e oito horas seguintes à notificação, as pe-
ças do processo de que pretendem certidão para instruir Artigo 658º
o recurso.
Termos a seguir quando o agravo suba imediatamente nos
3. São sempre transcritos, por conta do agravante, a próprios autos
decisão de que se recorre e o requerimento para a inter-
posição do agravo, e certifica-se narrativamente a data Se o agravo subir imediatamente nos próprios autos,
da apresentação do requerimento de interposição, a data seguem-se os termos prescritos nos artigos anteriores,
da notificação ou publicação do despacho ou sentença de com excepção do que se refere à passagem de certidões
que se recorre, a data da notificação do despacho que ad- e à autuação, em separado, das alegações e documentos,
mitiu o recurso e o valor da causa. Se faltar algum destes porque estas peças são incorporadas no processo.
elementos, o tribunal superior requisita-o directamente Artigo 659º
ao tribunal por simples ofício.
Alegação quando o agravo não suba imediatamente
Artigo 656º

Oferecimento das alegações 1. Se o agravo não subir imediatamente, o agravante


alega no momento em que deva subir, sendo para isso
1. Dentro de oito dias, a contar da notificação do des- notificado e para o fazer juntamente com aquele com
pacho que admita o recurso, o agravante apresenta a que deva subir, se couber. Na mesma ocasião deve ser
sua alegação. notificado o agravado para as contra alegações a serem
formuladas em igual modo.
2. O agravado pode responder dentro do prazo de oito
dias, a contar do termo do prazo fixado para a alegação 2. Se por qualquer motivo ficar sem efeito o recurso
do agravante. com o qual o agravo devia subir, observa-se o disposto
3. Com as suas alegações, podem um e outro juntar os nos números 2 e 3 do artigo 640º como se tal recurso não
documentos que lhes seja lícito oferecer. tivesse sido interposto.

4. Durante os prazos fixados, a secretaria facilita o 3. É de oito dias o prazo para as partes fazerem as suas
processo às partes, sem prejuízo do andamento regular alegações nos termos do número 1 e para o agravante
da causa quando o recurso o não suspenda, e passa as indicar, se a subida não tiver lugar nos autos principais,
certidões que tiverem sido pedidas. as peças do processo de que pretendem certidão.

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98 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Divisão III 4. À inobservância do prazo referido na parte final
Julgamento do recurso
do número 1 do presente artigo é aplicável a disposição
contida no número 5 do artigo 563º.
Artigo 660º
Artigo 664º
Aplicação do regime do julgamento da apelação
Conhecimento do mérito da causa em substituição
Ao julgamento do agravo são aplicáveis, na parte em do tribunal de primeira instância
que o puderem ser, as disposições que regulam o julga-
mento da apelação, salvo o que vai prescrito nos artigos 1. Sendo o agravo interposto de decisão final e tendo o
seguintes. juiz deixado, por qualquer motivo de conhecer do pedido,
o tribunal, se julgar que o motivo não procede e nenhum
Artigo 661º outro obsta a que se conheça o mérito da causa, conhece
Efeitos da deserção ou desistência do agravo
deste no mesmo acórdão em que revogue a decisão da
primeira instância.
A deserção ou desistência do agravo não prejudica o
conhecimento dos outros agravos que com ele tenham 2. Se o recurso a interpor da primeira instância fosse
subido, mas cuja apreciação seja independente da sub- de apelação, pode determinar-se, por acórdão, que se
sistência daquela. sigam os trâmites da apelação. Esta determinação tem
os seguintes efeitos:
Artigo 662º

Questões prévias a) O processo é transferido da espécie de agravos


para a de apelações;
1. Se entender que deve ser alterado o regime fixado do
recurso, deve o relator levar o processo imediatamente à b) Os autos, ou suas cópias, conforme couber, voltam
conferência para decidir. Sendo a questão levantada por com vista aos adjuntos e ao relator pelo tempo
alguma das partes, manda ouvir a parte contrária por necessário para se completar o prazo que
dois dias, se ainda não tiver respondido. teriam se o recurso fosse de apelação.

2. Se o recurso tiver subido em separado, quando de- Secção IV


vesse subir nos próprios autos, estes são requisitados,
Revisão
juntando-se-lhes em seguida o processo em que o agravo
tenha subido. Artigo 665º

3. Decidindo-se, inversamente, que o recurso que subiu Fundamentos


nos próprios autos deveria ter subido em separado, pode
o interessado requerer que se proceda em harmonia com A decisão transitada em julgado só pode ser objecto de
essa decisão. Deferido o requerimento são notificadas as revisão nos seguintes casos:
partes para indicarem as peças necessárias à instrução,
as quais são autuadas com as alegações; seguidamente a) Quando se mostre, por sentença transitada em
baixam os autos principais à primeira instância. julgado, que foi proferida em consequência de
violação intencional dos respectivos deveres
4. Se for alterado o efeito do recurso, pode o interessado funcionais, por parte do juiz ou de algum dos
requerer que baixe imediatamente ordem para ser cum- juízes que nela intervieram;
prida na primeira instância a alteração determinada.
Artigo 663º b) Quando se reconheça, por sentença transitada
em julgado, ter ocorrido falsidade em
Vista do processo e julgamento documento ou acto judicial, em declaração
da parte ou de perito, ou em depoimento de
1. Quando o Ministério Público deva intervir, são-lhe
testemunha, capaz de ter determinado a
continuados os autos por sete dias e em seguida vai o
decisão, a menos que a matéria da falsidade
processo com vista aos adjuntos, em cópia por suporte
tinha sido discutida no processo em que foi
papel ou informático, por sete dias e, em original, ao
proferida a decisão a rever;
relator para a elaboração do projecto de acórdão, por
catorze dias.
c) Quando se apresente documento de que a parte
2. Os agravos que tenham subido conjuntamente são não tivesse conhecimento, ou de que não
apreciados pela ordem da interposição, mas se tiverem tivesse podido fazer uso, no processo em que
subido com agravo que tenha posto ao processo, mas o foi proferida a decisão a rever e que, por si
tribunal só lhes dá provimento se a infracção cometida só, seja suficiente para modificar a decisão em
possa modificar essa decisão, ou quando, independen- sentido mais favorável à parte vencida;
temente desta, o provimento tenha interesse para o
respectivo agravo. d) Quando tenha sido declarada nula ou anulada,
por sentença já transitada, a confissão,
3. Ao acórdão que julgue o recurso são aplicáveis as desistência ou transacção em que a decisão se
disposições dos artigos 623º a 632º. fundasse;

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 99

e) Quando, tendo corrido à revelia a acção e a 2. Sem prejuízo do disposto nos números 1 e 2 do ar-
execução ou só a acção, por falta absoluta de tigo 598º, o tribunal a que for dirigido o requerimento
intervenção do réu, se mostre que faltou a sua indefere-o liminarmente, quando não vier deduzido ou
citação ou é nula a citação feita; instruído nos termos do artigo anterior e também quando
se reconheça logo que não há motivo para revisão.
f) Quando o litígio assente sobre acto simulado das
partes e o tribunal não tenha feito uso dos Artigo 669º
poderes que lhe confere o nº4 do artigo 8º, por
Processamento e efeito do recurso
não se ter apercebido da fraude.

Artigo 666º 1. Se o recurso for admitido, notifica-se pessoalmente


a parte contrária para, em vinte dias responder.
Prazo para a interposição
2. O recurso de revisão não tem efeito suspensivo.
1. O recurso é interposto no tribunal onde estiver o
processo em que foi proferida a decisão a rever, mas é Artigo 670º
dirigido ao tribunal que a proferiu.
Julgamento
2. Com ressalva dos direitos de carácter indisponível, o
recurso não pode ser interposto se tiverem decorrido mais 1. Logo após a resposta do recorrido ou ao termo do
de cinco anos sobre o trânsito em julgado da decisão e o prazo respectivo, o tribunal conhece do fundamento da
prazo para interposição é de sessenta dias, contados: revisão, precedendo as diligências que forem considera-
das necessárias.
a) Nos casos das alíneas a), b) e d) do artigo 665º,
desde o trânsito em julgado da sentença em 2. Se o recurso tiver sido dirigido a um tribunal supe-
que se funda a revisão; rior, pode este requisitar as diligências, que se mostrem
necessárias ao tribunal de primeira instância de onde o
b) Nos outros casos, desde que a parte obteve o processo subiu.
documento ou teve conhecimento do facto que
Artigo 671º
serve de base à revisão;
Procedência do recurso da revisão
c) No caso da alínea f) do artigo 665º, desde o
trânsito em julgado da decisão final da Se o fundamento da revisão for julgado procedente, é
acção. A acção de simulação é, por seu turno, revogada a decisão, observando-se o seguinte:
intentada dentro dos cinco anos subsequentes
ao trânsito em julgado da sentença recorrida; a) No caso da alínea f) do artigo 665º, anulam-se
e se estiver parada mais de três meses por os termos do processo posteriores à citação
culpa do autor continuará a contar-se o prazo do réu ou ao momento em que devia ter sido
já decorrido até à propositura da acção. feita e ordena-se que o réu seja citado para a
causa;
3. As decisões proferidas no processo de revisão ad-
mitem os recursos ordinários a que estariam originaria- b) Nos casos das alíneas a) e c) do mesmo artigo,
mente sujeitos no decurso da acção em que foi proferida profere-se nova decisão, procedendo-se às
a sentença a rever. diligências indispensáveis e dando-se a cada
uma das partes o prazo de dez dias para
Artigo 667º
alegar por escrito;
Instrução do requerimento
c) Nos casos das alíneas b), d), e e) do mesmo
1. No requerimento de interposição, que é autuado preceito, ordena-se que se sigam os termos
por apenso ao processo, especifica-se o fundamento do necessários para a causa ser novamente
recurso e, no caso da alínea f) do artigo 665º, o prejuízo instruída e julgada, aproveitando-se a parte
resultante da simulação processual. do processo que o fundamento da decisão não
tenha prejudicado.
2. Nos casos das alíneas a) a d) do artigo 665º, o re-
corrente com o requerimento de interposição do recurso Artigo 672º
apresenta certidão da sentença ou o documento em que Prestação de caução
se funda o pedido; nos demais casos, procura mostrar que
se verifica o fundamento invocado. 1.Se estiver pendente ou for promovida a execução
Artigo 668º
da sentença, não pode o exequente ou qualquer credor
ser pago em dinheiro ou em quaisquer bens sem prestar
Indeferimento imediato caução, nos termos dos embargos do executado.

1. O processo é enviado ao tribunal a que for dirigido o 2. Não se aplica o disposto no número anterior ao re-
recurso, se não fora aquele em que a revisão é interposta. curso a que alude a alínea f) do artigo 665º.

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100 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

TÍTULO III 2. Se a prova não puder ser feita por documento, o


credor ao requerer a execução oferece provas, que são
DO PROCESSO DE EXECUÇÃO logo produzidas, podendo ser ouvido o devedor, quan-
do se julgue necessário, sem prejuízo da faculdade de
CAPÍTULO I
oportunamente deduzir oposição, mediante embargos
Disposições gerais do executado.

Artigo 673º 3. Quando a exigibilidade dependa apenas de falta de


interpelação, ou do facto de não ser pedido o pagamento
Âmbito de aplicação, disposições subsidiárias e poderes do
no domicílio do devedor, a obrigação considera-se vencida
juiz e da secretaria na execução
com a citação do executado.
1. As disposições subsequentes aplicam-se a todas as
Artigo 677º
espécies de execução.
Liquidação pelo exequente
2. As disposições que regulam o processo comum de
declaração são aplicáveis, subsidiariamente e com as
1. Se for ilíquida a quantia que o executado é obrigado
necessárias adaptações, ao processo de execução.
a pagar, o exequente fixa o quantitativo no requerimento
3. Sempre que o título executivo seja uma decisão inicial, quando a execução dependa de simples cálculo
judicial, os processos de declaração e execução formam aritmético da quantia que o executado deve pagar.
um todo sequencial, sem prejuízo de o processo executivo
ter seguimento mediante requerimento da parte e corra 2. Quando a execução compreenda juros que continuam
por apenso àquele, sendo o executado notificado para a a vencer-se, a liquidação é feita a final pela secretaria em
execução depois de efectuada a penhora, a requerimento face do título e dos documentos que o exequente ofereça
do exequente. em conformidade com ele.

4. Sem prejuízo das demais competências estabelecidas 3. Não estando determinados o dia a partir do qual são
na lei, cabe exclusivamente ao juiz de execução, proferir contados os juros, é esse dia, a requerimento do credor,
o despacho liminar da acção executiva, rejeitando, man- fixado por despacho em harmonia com o título executivo,
dando aperfeiçoar, citar e notificar o executado, mandar depois de ouvidas as partes.
proceder à penhora dos bens deste; julgar a oposição à
Artigo 678º
execução e à penhora e decidir quaisquer questões que
lhe sejam directamente solicitadas pelo exequente, exe- Liquidação pelo tribunal
cutado, e quaisquer outros intervenientes, bem como as
que lhe sejam apresentadas pela Secretaria. 1. Quando a obrigação for ilíquida e não dependa de
simples cálculo aritmético, o exequente especifica no re-
5. Incumbe à Secretaria praticar todos os actos e querimento inicial da execução, os valores que considera
diligências de execução que não sejam expressamente compreendidos na prestação devida e concluirá por um
estabelecidos na lei, como acto jurisdicional. pedido líquido.
Artigo 674º
2. O executado é citado para contestar a liquidação
Requisitos da obrigação exequenda dentro do prazo fixado para a dedução dos embargos, com
a explícita advertência da cominação relativa à falta de
Não pode promover-se a execução, enquanto a obrigação
contestação e do ónus de cumular a oposição à liquidação
não se tornar certa, exigível e líquida à face do título.
com a dedução do embargo do executado.
Artigo 675º
Artigo 679º
Escolha da prestação na obrigação alternativa
Oposição à liquidação
1. Sendo a obrigação alternativa e pertencendo a
escolha da prestação ao devedor, este é notificado para 1. Não sendo contestada a liquidação, considera-se
declarar por qual das prestações opta, dentro do prazo fixada a obrigação nos termos requeridos pelo exequente,
fixado pelo tribunal. e ordena-se o seguimento da execução, sem prejuízo das
excepções ao efeito cominatório da revelia vigentes no
2. Na falta de declaração a execução pode recair sobre processo declarativo.
a prestação que o credor escolher.
2. Se a liquidação for contestada ou, não o sendo, a
Artigo 676º
revelia dever ser considerada inoperante, seguem-se os
Obrigação condicional ou dependente de prestação termos do processo declarativo.

1. Se a obrigação estiver dependente de condição 3. Quando a prova oferecida pelos litigantes for in-
suspensiva ou de uma prestação por parte do credor ou suficiente para fixar a quantia devida, incumbe ao juiz
de terceiro, incumbe ao credor provar que se verificou a completá-la mediante indagação oficiosa, ordenando,
condição ou que se efectuou a prestação. designadamente, a produção da prova pericial.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 101
Artigo 680º 3. A notificação também tem lugar se o executado já
Cumulação de oposição à liquidação e à execução tiver sido citado no âmbito das diligências a que aludem
os artigos 673º a 682º e, igualmente, quando citado o exe-
1. Quando o executado tenha fundamentos para se cutado para a execução de determinado título, se cumule
opor à execução mediante embargos, deve deduzir logo depois no mesmo processo a execução por outro título.
essa oposição e cumulá-la com a que pretender formular
contra a liquidação. 4. É dispensada ainda a citação prévia do executado,
quando na execução fundada em título não judicial o
2. Se os embargos forem recebidos, observam-se os exequente requeira e comprove o receio de extravio de
termos do respectivo processo, sendo o litígio acerca da bens ou o desconhecimento do paradeiro dele.
liquidação objecto de instrução, discussão e julgamento
conjuntamente com os dos embargos. 5. À execução com dispensa de prévia citação do execu-
tado é aplicável o disposto no artigo 709º; o que lhe pode
3. Se os embargos forem rejeitados, prossegue apenas o ser determinado pelo escrivão do processo, por termo
litígio relativo à liquidação, nos termos do artigo anterior. nos autos.
Artigo 681º Artigo 684º
Liquidação por árbitros Indeferimento liminar
1. A liquidação é feita por um ou mais árbitros, nos O juiz indefere liminarmente o requerimento do exe-
casos em que a lei especialmente o determinar ou as cutado, quando:
partes o convencionarem.
a) Seja manifesta a falta ou a insuficiência do
2. À nomeação dos árbitros e aplicável o disposto quanto
título;
à nomeação dos peritos. O terceiro árbitro só intervém na
falta de acordo entre os outros dois, mas não é obrigado b) Ocorrerem excepções dilatórias, não supríveis,
a conformar-se com o voto de qualquer deles. do conhecimento oficioso;
3. O juiz homologa o laudo dos árbitros e, no caso de c) Fundando-se a execução em título negocial, seja
divergência, o laudo do terceiro. manifesto, face aos elementos constantes dos
Artigo 682º autos, a insuficiência dos factos constitutivos
ou a existência de factos modificativos ou
Obrigação só parcialmente líquida ou exigível extintivos da obrigação exequenda que ao juiz
1. Se uma parte da obrigação for ilíquida e a outra seja lícito conhecer.
líquida, pode esta executar-se imediatamente. Artigo 685º

2. Requerendo-se a execução da parte líquida, a liqui- Aperfeiçoamento do requerimento do executado


dação da outra parte na pendência da execução é dedu-
zida por apenso e, se este subir em recurso, junta-se-lhe Fora dos casos referidos no artigo anterior, antes de or-
certidão do título executivo e também dos articulados, denar a penhora e a subsequente notificação do executado
quando a execução se funde em sentença. ou a sua citação para os termos da execução, conforme
couber, o juiz, convida o exequente a suprir as irregula-
3. O disposto nos artigos anteriores é aplicável, com ridades do requerimento executivo, aplicando-se com as
as necessárias adaptações, quando se execute obrigação necessárias adaptações o disposto no artigo 437º.
que só parcialmente seja exigível.
Artigo 686º
CAPÍTULO II Despacho de nomeação à penhora, seguida de notificação ou
de citação
Da execução para pagamento de quantia certa
Secção I Se não houver lugar ao indeferimento do requerimento
do exequente o juiz determina a penhora dos bens do
Requerimento, citação e oposição
executado e a sua subsequente notificação ou citação,
Artigo 683º conforme couber, para no prazo de dez dias, contestar
Requerimento para a penhora e notificação ou citação para a
a liquidação, deduzir oposição à execução, pagar ou im-
execução pugnar a penhora.

1. O exequente tratando-se de execução fundada em Artigo 687º


sentença requer a penhora dos bens do executado e a sua Oposição
posterior notificação depois da penhora, para no prazo
de dez dias contestar a liquidação, deduzir oposição à 1. O executado pode opor-se à execução, por meio de
execução, pagar ou impugnar a penhora. embargos, no prazo de dez dias a contar da notificação
ou da citação, sejam estas efectuadas antes ou depois
2. Tratando-se de execução fundada em outros títulos da penhora.
o exequente requer que o réu seja citado para no prazo
referido no número anterior, contestar a liquidação, 2. Com a oposição à execução cumula-se a oposição à
deduzir oposição à execução, pagar ou nomear bens à penhora que o executado dela não tenha sido citado e pre-
penhora. tenda deduzir, nos termos estabelecidos neste Código.

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3. Quando a matéria da oposição seja superveniente o Artigo 691º


prazo conta-se a partir do dia em que ocorra o respectivo
Prazo para a oposição
facto ou que dele tenha conhecimento o opoente.
4. Não é aplicável à oposição o disposto no número 4 1. Os embargos devem ser deduzidos no prazo de dez dias,
do artigo 446º. a contar da notificação ou da citação, conforme couber.
Artigo 688º
2. Se a matéria da oposição for superveniente, o prazo para a
Fundamentos de oposição à execução baseada em sentença defesa do executado conta-se do dia em que ocorrer o res-
pectivo facto ou dele tiver conhecimento o embargante.
Fundando-se a execução em sentença, a oposição só
pode ter algum dos fundamentos seguintes: Artigo 692º
a) Inexistência ou inexequibilidade do título;
Termos dos embargos
b) Falsidade do processo ou do traslado, quando
uma ou outra influa nos termos da execução; 1. Os embargos, que devem ser autuados por apenso,
são logo rejeitados:
c) Ilegitimidade do exequente ou do executado ou
da sua representação; a) Se forem intentados fora do prazo;
d) Cumulação indevida de execuções ou coligação
ilegal de exequentes; b) Por inadequação do fundamento invocado;

e) Falta ou nulidade da primeira citação para a c) Se for manifesta a improcedência da oposição do


acção, quando o réu não tenha intervindo no executado.
processo;
2. Se os embargos forem recebidos, é o exequente no-
f) Incerteza, iliquidez ou inexigibilidade da
tificado para os contestar dentro do prazo de dez dias,
obrigação exequenda;
seguindo-se depois, sem mais articulados, os termos do
g) Caso julgado anterior à sentença que se processo comum de declaração.
executa;
3. À falta de contestação dos embargos é aplicável o
h) Qualquer facto extintivo ou modificativo da disposto no número 1 do artigo 444º e no artigo 445º,
obrigação, desde que seja posterior ao não se considerando, porém, confessados os factos que
encerramento da discussão no processo de estiverem em oposição com os expressamente alegados
declaração e se prove por documento, podendo pelo exequente no requerimento executivo.
a prescrição do direito ou da obrigação ser
provada por qualquer meio. Artigo 693º
Artigo 689º
Efeito do recebimento dos embargos
Execução baseada em decisão arbitral
1. O recebimento dos embargos, havendo lugar à citação
1. São fundamentos de oposição à execução baseada em
prévia do executado, não suspende a execução, salvo se
sentença arbitral, não só os previstos no artigo anterior
o embargante prestar caução.
mas também aqueles em que pode basear-se a anulação
judicial da mesma decisão.
2. Pode o juiz suspender a execução, ouvido o em-
2. O tribunal indefere oficiosamente o pedido de exe- bargado, se o embargante alegar a não genuinidade da
cução quando reconhecer que o litígio não podia ser co- assinatura e juntar documento que constitua princípio
metido à decisão por árbitros, quer por estar submetido, de prova.
por lei especial, exclusivamente a tribunal judicial ou a
arbitragem necessária, quer por o direito litigioso não 3. Não havendo lugar à citação prévia, o recebimento da
ser disponível pelo seu titular. oposição suspende o processo de execução, sem prejuízo
do reforço ou da substituição da penhora.
Artigo 690º

Oposição à execução baseada noutro título 4. A suspensão da execução, decretada após a citação dos
1. Se a execução não se basear em sentença, além dos credores, não abrange o apenso destinado à verificação e
fundamentos de oposição próprios de títulos desta natu- graduação de créditos.
reza, podem alegar-se, na parte em que sejam aplicáveis,
5. Se os embargos não compreenderem toda a execução,
quaisquer outros que seja lícito deduzir como defesa no
esta prossegue na parte não embargada, ainda que o
processo de declaração.
embargante preste caução.
2. A homologação, por sentença judicial, da conciliação,
confissão ou transacção das partes, em que a execução se 6. A execução prossegue se, depois de prestada a
funda, não impede que na oposição se alegue qualquer das caução, o processo de embargos estiver parado durante
causas que determinam a nulidade ou a anulabilidade mais de trinta dias, por negligência do embargante em
desses actos. promover os seus termos.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 103
Artigo 694º o beneficio da assistência judiciária na modalidade de
Prestação de caução
isenção de custas ou de dispensa de preparos incumbe
ao Cofre dos Tribunais o adiantamento pecuniário para
1. Quando a execução embargada prossiga, nem o a efectuação da diligência,
exequente nem qualquer outro credor pode obter pa-
Artigo 698º
gamento, estando ainda pendentes os embargos, sem
prestar caução. Bens absoluta ou totalmente impenhoráveis

2. Se o exequente ou credor houver de receber bens 1. Além das coisas inalienáveis e dos bens isentos de pe-
imóveis, a importância da caução é fixada segundo o nhora por disposição especial, não podem ser penhorados:
arbítrio do julgador em atenção ao rendimento desses
bens e ao valor que lhe vai ser entregue. a) Os objectos cuja apreensão seja ofensiva da moral
pública e bem assim aqueles cuja apreensão
Artigo 695º careça de justificação económica;
Responsabilidade do exequente b) Os objectos especialmente afectados ao exercício
Procedendo a oposição à execução, sem que tenha tido do culto público;
lugar à citação prévia do executado, o exequente respon- c) Os túmulos;
de pelos danos causados àquele culposamente e incorre
em multa até 5% do valor da execução, sem prejuízo da d) Os utensílios e objectos imprescindíveis a qualquer
responsabilidade criminal que possa haver. economia doméstica que se encontrem na
residência permanente do executado, salvo se
Artigo 696º
se tratar de execução destinada ao pagamento
Rejeição oficiosa da execução do preço da respectiva aquisição ou do custo
da sua reparação;
1. Ainda que não haja oposição, pode o juiz até o des-
pacho que ordene a realização da venda ou das outras e) Os géneros necessários ao sustento do executado
diligências destinadas ao pagamento, conhecer das ques- e sua família, durante três meses;
tões a que alude o artigo 684º que não haja apreciado
liminarmente. f) Os instrumentos indispensáveis aos deficientes
ou os objectos destinados ao tratamento de
2. Rejeitada a execução ou não sendo o vício suprido ou doentes;
a falta corrigida, a execução extingue-se, ordenando-se
g) Os bens do domínio público do Estado e de outras
o levantamento da penhora, sem prejuízo de prosseguir
pessoas colectivas públicas.
quando a rejeição for parcial.
Artigo 699º
Subsecção I
Bens relativa ou parcialmente impenhoráveis
Penhora

Divisão I 1. Estão também isentos de penhora:

Bens que podem ser penhorados a) A casa de morada da família, salvo se a execução
para pagamento de dívida com garantia real
Artigo 697º
sobre esse bem;
Objecto da execução
b) Os bens do Estado assim como os das restantes
1. Estão sujeitos à execução todos os bens do devedor pessoas colectivas públicas ou de entidades
susceptíveis de penhora, que nos termos da lei substan- concessionárias de obras ou serviços públicos,
tiva, respondem pela dívida exequenda. quando se encontrem especialmente afectados
ou estejam aplicados a fins de utilidade de
2. Nos casos especialmente previstos na lei, podem ser pública, salvo se a execução for para entrega
penhorados bens de terceiro, desde que a execução seja de coisa certa ou de pagamento de dívida com
movida contra ele. garantia real;
3. A penhora limita-se aos bens necessários ao paga- c) Os títulos e certificados de dívida pública, excepto
mento da dívida exequenda e das despesas previsíveis da quando voluntariamente oferecidos;
execução, as quais se presumem, para o efeito da reali-
zação da penhora, e sem prejuízo de ulterior liquidação, d) Os livros, utensílios, ferramentas e quaisquer
no valor de 20% do valor da execução. objectos estritamente indispensáveis ao
exercício da função, profissão ou formação
4. Sem prejuízo do mais que resulta da lei em matéria profissional do executado, salvo se este
de preparos e da distribuição da responsabilidade pelas os indicar para a penhora, a execução se
custas do processo, o exequente deve disponibilizar ao tri- destinar ao pagamento do preço da sua
bunal, que os não possua, os meios e recursos necessários aquisição ou reparação, ou se os bens forem
para a remoção, transporte e depósito dos objectos que penhorados como elementos corpóreos de um
forem penhorados. Caso tenha sido concedido ao exequente estabelecimento comercial;

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104 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

e) Dois terços de retribuições dos funcionários 4. O disposto neste artigo é aplicável, com as ne-
públicos e trabalhadores e os depósitos cessárias adaptações, à penhora sobre bens comuns
bancários decorrentes delas; pertencentes a convivente de união de facto legalmente
reconhecível.
f) Dois terços das prestações periódicas pagam
a título de aposentação, reforma, auxílio, Artigo 703º
doença, invalidez, seguro, indemnização Bens a penhorar na execução contra a sociedade
por acidente ou renda vitalícia e de outras ou contra o sócio
pensões de natureza semelhante.
1. Na execução movida contra a sociedade e o sócio,
2. Consideram-se voluntariamente oferecidos os títulos como tal responsável, não podem penhorar-se bens par-
e certificados de dívida pública que sejam encontrados ticulares deste, senão depois de excutidos os bens sociais,
em poder do devedor ou ainda estejam averbados em se o sócio exigir a prévia excussão.
seu nome.
2. As quotas em sociedades de responsabilidade limita-
3. Os bens a que se refere o número anterior podem ser da são penhoradas independentemente do consentimento
apreendidos se forem nomeados pelo executado ou se a da sociedade, ainda que o pacto social faça depender desse
execução provier do preço por que foram comprados consentimento a cessão voluntária.
4. Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, a Artigo 704º
parte penhorável dos rendimentos referidos no número 1
Bens a penhorar na execução contra o herdeiro
é fixada pelo juiz, segundo o seu prudente arbítrio e tendo
em atenção as condições económicas do executado, dentre 1. Na execução movida contra o herdeiro só podem
um sexto a um terço, ou ser temporariamente suspensas, penhorar-se os bens que ele tenha recebido do autor da
por período não superior a um ano. herança.
Artigo 700º
2. Recaindo penhora sobre outros bens, compete ao
Impenhorabilidade de dinheiro e de depósito bancário executado provar que os bens indicados não pertencem
produtos de bens impenhoráveis à herança. O requerimento é deferido se ouvido o exe-
quente, este não fizer oposição.
São impenhoráveis a quantia em dinheiro ou o depósito
bancário resultante da satisfação do crédito impenhorável, 3. Opondo-se o exequente ao levantamento da penhora,
nos mesmos termos em que era o crédito originariamente o executado só pode obtê-lo, tendo a herança sido aceite
existente. por meio de embargo em que alegue e prove:
Artigo 701º
a) Que os bens penhorados não provieram da
Penhora de bens indivisos herança;
Pode penhorar-se o direito do executado relativo a b) Que não recebeu da herança mais bens do que
uma universalidade indivisa ou a outros bens indivisos, aqueles que indicou ou, se recebeu mais, que
mas não podem penhorar-se os próprios bens compre- os outros foram todos aplicados em solver
endidos na universalidade ou uma fracção de qualquer encargos dela.
deles, nem uma parte especificada dos bens indivisos, a
Artigo 705º
não ser que a execução seja instaurada contra todos os
comproprietários. Bens a penhorar na execução contra o fiador

Artigo 702º
1. Na execução movida contra o fiador, não podem
Penhora na meação em bens do casal penhorar-se os bens deste, enquanto não estiverem
excutidos todos os bens do devedor principal, desde que
1. Na execução movida contra um só dos cônjuges po- o fiador fundadamente invoque o benefício da excussão.
dem ser penhorados bens comuns com o consentimento
expresso e formal do outro cônjuge, para o qual deve ser 2. Instaurada a execução apenas contra o fiador e
citado. Se este não der o seu consentimento, quando cita- invocando este o benefício da excussão prévia, pode o
do para o efeito, fica vinculado a requerer a partilha dos exequente requerer, no mesmo processo, execução contra
bens, no prazo que lhe for assinado pelo juiz, mas nunca o devedor, promovendo a penhora dos bens deste.
inferior a dez dias, sob pena de a execução prosseguir
sobre o direito à meação do devedor nos bens comuns. 3. Se a execução tiver sido movida apenas contra o
devedor principal e os bens deste se revelarem insufi-
2. Apensada prova do requerimento em que se pede cientes, pode o exequente requerer, no mesmo processo,
a partilha ou a certidão, a execução fica suspensa até à execução contra o fiador.
partilha.
4. Quando os bens do devedor hajam de ser e tenham
3. Decretada a partilha, os bens daí resultantes passam sido excutidos em primeiro lugar, o fiador pode fazer
a ser considerados próprios de cada cônjuge, podendo o sustar a execução nos seus próprios bens, se indicar bens
executado nomear outros bens que lhe tenham cabido se do devedor que hajam sido posteriormente adquiridos ou
os bens entretanto penhorados não lhe couberem. que não fossem conhecidos.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 105
Artigo 706º Artigo 711º

Descarga, no caso de penhora, de mercadorias carregadas Devolução da nomeação ao exequente

1. Ainda que o navio já esteja despachado para viagem, 1. O direito de nomeação de bens à penhora devolve-
efectuada a penhora de mercadorias carregadas, pode se ao exequente, independentemente de despacho, nos
ser autorizada a sua descarga se o credor satisfizer por seguintes casos:
inteiro o frete em dívida, as despesas de carga, estiva,
desarrumação, sobredemora e descarga ou prestar caução a) Quando o executado não nomeie dentro do prazo
ao pagamento dessas despesas. legal;

2. Oferecida a caução, sobre a sua idoneidade é ouvido o b) Quando não forem encontrados alguns dos bens
capitão, que diz, dentro de dois dias, o que se lhe oferecer. nomeados.

3. Autorizada a descarga, faz-se o averbamento respec- 2. Efectuada a penhora, seja por nomeação do execu-
tivo no conhecimento ou pertence ao capitão e comunica- tado, seja por nomeação do exequente, este pode ainda
se o facto à capitania do porto. nomear outros bens nos seguintes casos:

Artigo 707º a) Quando seja ou se torne manifesta a insuficiência


dos bens penhorados;
Apreensão de bens em poder de terceiro
b) Quando os bens penhorados não sejam livres e
Os bens do executado são apreendidos ainda que, por desembaraçados e o executado tenha outros
qualquer título, se encontrem em poder de terceiro, sem que o sejam;
prejuízo, porém, dos direitos que a este sejam lícitos opor
ao exequente. c) Quando sejam recebidos embargos de terceiro
contra a penhora;
Artigo 708º
d) Quando o exequente desista da penhora.
Averiguação sobre a titularidade dos bens
3. Nos casos referidos nos números anteriores o exe-
1. Se, no acto da penhora, o executado, ou alguém em quente nomeia bens suficientes para pagamento do seu
seu nome, declarar que determinados bens pertencem crédito e das custas ou indica os necessários para suprir a
a terceiro, o funcionário procura averiguar a que títu- falta ou insuficiência de bens. Procede-se nesses casos, ao
los se acham os bens em poder do executado e exige a levantamento da penhora dos bens que não forem livres
apresentação dos documentos que houver em prova das e desembaraçados ou dos abrangidos pelos embargos ou
alegações produzidas. Em caso de dúvida, o tribunal pela desistência, e o exequente nomeia os necessários
resolve, ouvidos o exequente e o executado e feitas as para suprir a respectiva falta.
diligências necessárias.
Artigo 712º
2. Quando o funcionário deixe de efectuar a penhora
por sua iniciativa, é notificado do facto o exequente, para Como se faz a nomeação
requerer o que entenda do seu direito.
1. A nomeação deve identificar, tanto quanto possível,
Subdivisão II os bens a penhorar e, tratando-se de imóveis, sugerir
quem deve ser nomeado depositário.
Nomeação dos bens
2. O executado faz a nomeação por termo, que é lavra-
Artigo709º
do independentemente de despacho. O exequente fá-lo
Regra mediante requerimento.

O exequente está vinculado a proceder à indicação 3. Quanto aos prédios, o nomeante indica a sua denomi-
de bens sobre os quais a penhora há-de recair, devendo nação, situação e confrontações, e o número da descrição
fornecer todos os elementos que definam a situação ju- se estiverem descritos no registo predial.
rídica dos bens, identificando, designadamente, os ónus
4. Relativamente aos móveis, designa-se o lugar em
e encargos que sobre eles incidam.
que se encontram e faz-se a sua especificação, se for
Artigo 710º possível.

Bens que não carecem de nomeação 5. Na nomeação dos créditos, declara-se a identidade
do devedor, o montante, e, na medida do possível, a
Tratando-se de dívida com garantia real que onere natureza e origem da dívida, o título de que consta e a
bens pertencentes ao devedor, a penhora começa, in- data do vencimento.
dependentemente de nomeação, pelos bens a que se
refere a garantia e só pode recair sobre outros quando 6. Quanto ao direito a bens indivisos, indicam-se o ges-
se reconheça a insuficiência deles para se conseguir o tor e os comproprietários dos bens e ainda a quota-parte
fim da execução. que neles pertence ao executado.

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106 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 713º pessoa constante do rol dos indicados em Portaria do
membro do Governo que responde pela área de Justiça.
Averiguação oficiosa
Apenas pode constar do rol pessoa com capacidade eco-
Sempre que o exequente, justificadamente alegue sé- nómica e aptidão para gestão de patrimónios.
rias dificuldades na identificação ou localização dos bens
penhoráveis do executado, incumbe ao juiz determinar 2. Com a anuência expressa do exequente pode ser no-
as diligências adequadas. meado depositário, o executado, o seu cônjuge ou algum seu
parente ou afim, na linha recta ou no segundo grau da linha
Divisão III colateral, ficando nestes casos dispensados os requisitos
indicados no número anterior para tal designação.
Penhora de bens imóveis

Artigo 714º 3. Se os mesmos bens vierem a ser penhorados em


execução posterior, será depositário deles o nomeado na
Efectivação da penhora de imóveis primeira.
1. O despacho que ordena a penhora é notificado ao Artigo 717º
executado, com ressalva do disposto no número 1 do
artigo 675º ou se, a requerimento fundamentado do exe- Entrega efectiva
quente, o juiz entender que a sua imediata notificação
ao executado for susceptível de pôr em causa a eficácia 1. Se o depositário encontrar dificuldades em tomar
da diligência. conta dos bens ou tiver dúvidas sobre o objecto do depó-
sito, pode requerer que um oficial de justiça do tribunal
2. A penhora de imóveis é feita mediante termo no da causa se desloque ao local da situação dos prédios, a
processo, pelo qual os bens se consideram entregues ao fim de lhe fazer a entrega efectiva.
depositário. O termo é assinado pelo depositário ou por
duas testemunhas quando ele não possa assinar, e deve 2. Quando as portas estejam fechadas ou seja oposta
identificar o exequente e o executado, nos termos pre- alguma resistência, o oficial de justiça requisita o auxílio
vistos pelo Código do Registo Predial e indicar a quantia da força pública. As portas são arrombadas na presença
pela qual é movida a execução e bem assim os números da autoridade e de duas testemunhas, lavrando-se auto
da descrição que os bens tenham no registo predial, ou, da ocorrência.
quando sejam omissos, os elementos necessários para a
sua identificação. 3. Quando a diligência deva efectuar-se em casa habi-
tada ou numa das suas dependências, só pode realizar-se
3. Ao processo junta-se certidão do registo e certidão durante o dia e com as limitações estabelecidas neste Có-
dos ónus que incidam sobre os bens abrangidos pela digo para execução de coisa certa recaída sobre imóvel.
penhora.
Artigo 718º
4. A secretaria, oficiosamente, extrai certidão do ter-
Depositário especial
mo da penhora, que entrega ao exequente, com vista à
realização do registo da penhora.
1. Se os bens estiverem arrendados, o depositário deles
5. O registo meramente provisório da penhora não obs- é o arrendatário.
ta a que o juiz, ponderados os motivos da provisoriedade,
mande prosseguir a execução, não se fazendo porém a 2. Estando o mesmo prédio arrendado a mais de uma
adjudicação dos bens, a consignação judicial dos bens ou pessoa, de entre elas se escolhe o depositário, que cobra
venda do bem penhorado, sem que o registo entretanto as rendas dos outros arrendatários.
se ache convertido em definitivo.
3. As rendas em dinheiro são depositadas na medida em
Artigo 715º que se vençam ou se cobrem em estabelecimento bancário
onde se procedem aos depósitos judiciais.
Avaliação
Artigo 719º
1. O juiz pode, oficiosamente ou a requerimento de
qualquer dos interessados, mandar proceder à avaliação Extensão da penhora. Penhora de frutos
do bem, sempre que se considere que o valor indicado,
na sua nomeação à penhora, seja inferior ao valor venal 1. A penhora abrange o prédio com todas as suas partes
do imóvel. integrantes e os seus frutos, naturais ou civis, desde que
não sejam expressamente excluídos e nenhum privilégio
2. A avaliação segue os trâmites previstos neste Código exista sobre eles.
para os louvados em processo de inventário.
2. Os frutos pendentes podem ser penhorados em se-
Artigo 716º
parado, como coisas móveis contanto que não falte mais
Escolha do depositário de um mês para a época normal da colheita; se assim
suceder, a penhora do prédio não os abrange, mas po-
1. O depositário é nomeado, sob informação da secre- dem ser novamente penhorados em separado, conforme
taria, no despacho que ordena a penhora, devendo ser o depositário ache essa útil.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 107
Artigo 720º Artigo 725º

Divisão do direito penhorado Levantamento da penhora

1. Quando o imóvel penhorado for divisível e o seu 1. O executado pode requerer o levantamento da pe-
valor exceder manifestamente o da dívida exequenda, nhora e a condenação do exequente nas custas a que deu
pode o executado requerer autorização para proceder causa, se por negligência deste, a execução tiver estado
ao seu fraccionamento, sem prejuízo da prossecução da parada nos seis meses anteriores ao requerimento.
execução.
2. A execução não deixa de considerar-se parada pelo
2. A penhora mantém-se sobre todo o prédio, salvo se a facto de o processo ser remetido à conta ou de serem
requerimento do executado e ouvidos os demais interes- pagas custas contadas.
sados o juiz autorizar o levantamento da penhora sobre
alguns dos imóveis resultantes da divisão, com funda- Subdivisão IV
mento na manifesta suficiência do valor das restantes Penhora de bens móveis
para a satisfação do crédito do exequente e dos restantes
credores reclamantes. Artigo 726o

Artigo 721º Modo de efectuar a penhora

Administração dos bens depositados 1. A penhora de móveis é feita com efectiva apreensão
dos bens, que são removidos imediatamente para depó-
1. Além dos deveres gerais do depositário, incumbe sitos públicos ou privados constantes de rol estabelecidos
ao depositário judicial o dever de administrar os bens para o efeito, por Portaria do membro do Governo respon-
com a diligência e zelo de um bom pai de família e com sável pela área da Justiça, assumindo a administração
a obrigação de prestar contas. do depósito o papel de depositário.

2. Na falta de acordo entre o exequente e o executado 2. Incumbe ao exequente o fornecimento dos meios e
sobre o modo de explorar os bens penhorados, o juiz o pagamento prévio dos preparos para despesas neces-
decide, ouvido o depositário e feitas as diligências ne- sárias de custas da remoção e da conservação do bem
cessárias. durante um ano.

3. O depositário pode socorrer-se, na administração 3. Na falta de estabelecimento de depósito nos termos


dos bens, de colaboradores, que actuam sob a sua res- do número 1, incumbe ao escrivão dos autos a remoção
ponsabilidade. do bem para local apropriado e a função depositário, com
obrigatória designação do colaborador referido no número
Artigo 722º
3 do artigo 721º.
Retribuição ao depositário
4. O dinheiro, papéis de crédito, pedras e metais pre-
O depositário tem direito a uma retribuição arbitrada ciosos que sejam apreendidos são depositados, à ordem
pelo tribunal no próprio processo de execução ou no do tribunal, em estabelecimento bancário oficialmente
da respectiva prestação de contas do depósito, depois encarregado dos depósitos das custas judiciais, remune-
de ouvidos o executado e o exequente na proporção do rando-se o depósito nos termos da lei.
incómodo do depósito e de acordo com o estabelecido no Artigo 727º
Código Civil para o mandato oneroso.
Auto de penhora
Artigo 723º
1. Da penhora lavra-se auto, em que se regista a hora
Remoção do depositário
da diligência, se relacionam os bens por verbas numeradas
e se indica o valor de cada verba.
1. A requerimento de qualquer interessado, o depo-
sitário que deixe de cumprir os deveres do seu cargo é
2. O valor das verbas é fixado por um louvado, nomeado
removido, devendo ele ser ouvido antes do respectivo
no despacho que ordene a penhora e dispensado de ju-
despacho.
ramento.
2. O depositário pode pedir que seja removido do cargo, 3. Se a penhora não puder ser concluída em um só dia,
ocorrendo motivo atendível. faz-se a imposição de selos nas portas das casas em que se
Artigo 724º
encontrem os bens não relacionados e tomam-se as provi-
dências necessárias à sua guarda, em termos de a diligência
Conversão do arresto em penhora prosseguir regularmente no primeiro dia útil.

Se os bens estiverem arrestados, é por despacho con- 4. O auto de penhora é assinado pelo louvado e pelo
vertido o arresto em penhora e manda-se fazer no registo depositário ou, quando este não puder assinar, por duas
predial o respectivo averbamento. testemunhas.

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108 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Artigo 728º Artigo 732º

Ocorrências anormais na execução da penhora Penhora de aeronaves

1. Se o executado, ou quem o represente, se recusar a Aplica-se à penhora de aeronaves o que vem estabe-
abrir quaisquer portas ou móveis, ou se a casa estiver lecido neste Código para a penhora de navios, com as
deserta e as portas e móveis se encontrarem fechados, devidas adaptações, em tudo quanto não esteja regulado
observa-se o disposto no artigo 717º. em legislação própria.

2. Quando o funcionário, no acto da penhora, tenha a Artigo 733º


suspeita da sonegação deve instar pela apresentação das
Dever de apresentação dos bens
coisas ocultadas, advertindo a pessoa da responsabilidade
em que incorre com o facto da ocultação. 1. O depositário é obrigado a apresentar, quando lhe
Artigo 729º for ordenado, os bens que tenha recebido, salvo o disposto
nos artigos anteriores.
Venda antecipada de bens
2. Se os não apresentar dentro de dez dias e não justifi-
1. Pode autorizar-se a venda antecipada de bens, car a falta, é logo ordenado arresto em bens do depositário
quando estes não possam ou não devam conservar-se por suficientes para garantir o valor do depósito e das custas
estarem sujeitos a deterioração ou depreciação ou quando e despesas acrescidas, sem prejuízo de procedimento
haja alguma vantagem na antecipação da venda. criminal que couber; ao mesmo tempo é executado, no
próprio processo, para o pagamento daquele valor e
2. A autorização pode ser requerida, tanto pelo exe-
acréscimos.
quente ou executado, como pelo depositário; sobre o
requerimento são ouvidas ambas as partes ou aquela 3. O arresto é levantado logo que o pagamento esteja
que não for o requerente, excepto se a urgência da venda feito, ou os bens apresentados, acrescidos do depósito
impuser uma decisão imediata. da quantia de custas e despesas, que é imediatamente
calculada.
3. Salvo tratando-se de bens que devam ser vendidos
na bolsa de capitais ou que houverem por lei de ser en- Artigo 734º
tregues a determinadas entidades, a venda é efectuada
Aplicação das disposições relativas à penhora de imóveis
pelo depositário nos termos da venda por negociação
particular. É aplicável, subsidiariamente, à penhora de bens móveis,
Artigo 730º designadamente à penhora dos sujeitos a registo, o disposto
na divisão anterior, para a penhora dos imóveis.
Modo do depositário fazer navegar o navio penhorado
Subdivisão V
1. O depositário de navio penhorado pode fazê-lo na-
vegar se o executado e o exequente estiverem de acordo Penhora de direitos
e preceder autorização judicial. Artigo 735º

2. Requerida a autorização são notificados aqueles Penhora de créditos


interessados, se ainda não tiverem dado o seu assenti-
mento, para responderem em cinco dias. Se for concedida 1. A penhora de créditos consiste na notificação no
a autorização, avisa-se, por ofício, a capitania do porto. devedor de que o crédito fica à ordem do escrivão do
respectivo processo de execução.
Artigo 731º
2. Cumpre ao devedor declarar se o crédito existe, quais
Modo de qualquer credor fazer navegar o navio penhorado
as garantias que o acompanham, em que data se vence e
1. Independentemente de acordo entre o exequente e o quaisquer outras circunstâncias que possam interessar à
executado pode aquele ou qualquer credor com garantia execução. Não podendo ser feitas no acto da notificação,
sobre o navio penhorado, requerer que este continue a são as declarações prestadas posteriormente, por meio
navegar até que seja vendido, contanto que preste caução de termo ou de simples requerimento.
e faça o seguro usual contra riscos.
3. Na falta de declaração, entende-se que o devedor
2. A caução deve assegurar os outros créditos que reconhece a existência da obrigação nos termos estabe-
tenham garantia sobre o navio penhorado e as custas lecidos na nomeação do crédito à penhora.
do processo.
4. Se faltar conscientemente a verdade, o devedor in-
3. Sobre a idoneidade da caução e a suficiência do corre na responsabilidade do litigante de má-fé.
seguro são ouvidos o capitão do navio e os titulares dos
Artigo 736º
créditos que cumpre acautelar.
Penhora de títulos de crédito
4. Se o requerimento for deferido, é o navio entregue
ao requerente, que fica na posição de depositário, e dá-se 1. Quando se trate de título de crédito ou de dívida
conhecimento do facto à capitania do porto. constante de título, que seja conveniente apreender,

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 109

notifica-se o executado para que entregue o título e pro- importância em estabelecimento bancário oficialmente
cede-se às diligências necessárias para a sua apreensão, encarregado dos depósitos das custas judiciais, à ordem
se o notificado não cumprir. Pode ordenar-se outrossim a do tribunal, e a juntar ao processo o documento do de-
prática dos actos indispensáveis para a conservação do pósito, ou a entregar a coisa devida ao exequente, que
direito de crédito. funcionará como seu depositário.

2. Se o crédito estiver garantido por penhor, faz-se a 2. Se o crédito já estiver vendido ou adjudicado e a
apreensão deste, aplicando-se as disposições relativas aquisição tiver sido notificada ao devedor, é a prestação
à penhora de coisas móveis ou faz-se a transferência do entregue ao respectivo adquirente.
direito para a execução; se estiver garantido por hipoteca
registada, faz-se no registo o averbamento da penhora. 3. Não sendo cumprida a obrigação, pode o exequente
ou adquirente exigir a prestação, servindo de título exe-
3. Tratando-se de títulos ou de certificados da dívida cutivo o despacho que ordenou a penhora ou o título de
pública, a penhora consiste no seu averbamento a favor aquisição do crédito.
da execução. O tribunal requisita o averbamento à en-
Artigo 740º
tidade competente por meio de ofício, acompanhado dos
títulos ou do certificado. Penhora de abonos ou vencimentos ou de quantias
depositadas
Artigo 737º
1. Quando a penhora haja de recair em quaisquer
Termos a seguir quando o devedor negue a existência do
crédito abonos ou vencimentos, é a entidade encarregada de
processar as folhas notificada para que faça, no abono
1. Se o devedor contestar a existência do crédito, são ou vencimento, o desconto correspondente ao crédito
notificados o exequente, o executado e o devedor para penhorado e o depósito à ordem do tribunal, em estabele-
comparecerem no tribunal em dia designado, a fim de cimento bancário oficialmente encarregado dos depósitos
serem ouvidos. das custas judiciais.

2. Insistindo o devedor na contestação, deve o exequen- 2. A penhora de quantia depositada, à ordem de qual-
te declarar se mantém a penhora ou se desiste dela. quer autoridade, em estabelecimento bancário, é feita no
próprio conhecimento de depósito, lavrando-se o termo
3. Se o exequente mantiver a penhora o crédito pas- respectivo no processo em que ele estiver e perante a
sa a considerar-se litigioso e como tal é adjudicado ou autoridade que tiver jurisdição sobre o depósito.
transmitido.
Artigo 741º
Artigo 738º
Penhora de depósitos bancários
Termos a seguir quando o devedor alegue que a obrigação
está dependente de prestação do executado 1. Quando a penhora incida sobre depósito existente
em instituição legalmente autorizada a recebê-lo, apli-
1. Se o devedor declarar que a exigibilidade da obri-
cam-se as regras referentes à penhora de créditos, com
gação depende de prestação a efectuar pelo executado e
as especialidades constantes dos números seguintes.
este confirmar a declaração, é notificado o executado para
que, dentro de dez dias, satisfaça a prestação. 2. A instituição bancária do depósito penhorado deve
proceder à cativação da conta ou contas exclusivamente
2. Quando o executado não cumpra, pode o exequente
no valor objecto de penhora e comunicá-la ao tribunal
ou o devedor exigir o cumprimento, promovendo a res-
na data em que a mesma se considera efectuada, notifi-
pectiva execução. Pode também o exequente substituir-se
cando-se o executado de que as quantias nelas lançadas
ao executado na prestação, ficando neste caso sub-rogado
ficam cativas desde a data da penhora, sem prejuízo do
nos direitos do devedor.
disposto no número seguinte.
3. Se o executado impugnar a declaração do devedor e
3. O saldo penhorado pode ser afectado, quer em be-
não for possível fazer cessar a divergência, observa-se,
nefício, quer em prejuízo do exequente, em consequência
com as modificações necessárias, o disposto no artigo
de:
anterior.
a) Operações de crédito decorrentes do lançamento
4. Nos casos a que se refere o número 2, pode a pres-
de valores anteriormente entregues e ainda
tação ser exigida, por apenso, no mesmo processo, sem
não creditados na conta à data da penhora;
necessidade de citação do executado, servindo de título
executivo o despacho que haja ordenado o cumprimento b) Operações de débito decorrentes de apresentação
da prestação. a pagamento, em data anterior à penhora,
Artigo 739º
de cheques ou realização de pagamentos ou
levantamentos cujas importâncias hajam
Depósito da prestação devida sido efectivamente creditadas aos respectivos
fornecedores em data anterior à penhora.
1. Logo que a dívida se vença, o devedor, que a não
haja contestado, é obrigado a depositar a respectiva 4. A instituição fornece ao tribunal extracto da conta

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110 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

da parte referente à porção penhorada de onde constem 2. É lícito aos notificados fazer as declarações que
todas as operações que tenham afectado a mesma penhora entendam quanto ao direito do executado e ao modo ele
após a data da realização da penhora. o tornar efectivo.

5. Sendo vários os titulares do depósito, a penhora Artigo 744º


incide sobre a quota-parte do executado, presumindo-se
Disposições aplicáveis à penhora de direitos
que as quotas são iguais.

6. As informações que permitam a determinação e a É subsidiariamente aplicável à penhora de direitos o


disponibilidade do depósito bancário do executado, nas disposto nas subdivisões anteriores para a penhora das
situações em que a lei presume a sua existência, são so- coisas imóveis e das coisas móveis.
licitadas ao Banco de Cabo Verde, nos termos do artigo
Subdivisão VI
476º, pelo juiz da causa.
Oposição à penhora
Artigo 742º

Penhora de estabelecimento comercial Artigo 745º

1. A penhora de estabelecimento comercial faz-se por Fundamento da oposição


auto no qual, a requerimento do exequente, se relacionam
os bens que essencialmente o integram; se do estabeleci- 1. Sendo penhorados bens pertencentes ao executado,
mento fizerem parte créditos, aplica-se ainda o previsto pode este opor-se à penhora com algum dos seguintes
na presente subdivisão. fundamentos:

2. Quando o entenda conveniente o juiz determina a) Inadmissibilidade da penhora dos bens


a realização de avaliação por perito, tendo em vista o concretamente apreendidos ou da extensão
apuramento do valor do estabelecimento para efeitos de com que ela foi realizada;
trespasse.
b) Imediata penhora de bens que só subsidiariamente
3. A penhora de estabelecimento comercial não obsta respondem pela dívida exequenda;
a que possa prosseguir o seu funcionamento normal, sob
gestão do executado, nomeando-se sempre que necessário, c) Incidência da penhora sobre bens que, não
quem o fiscalize, ao qual se aplicam, com as necessárias respondendo nos termos do direito aplicável,
adaptações, os preceitos referentes ao depositário. pela dívida exequenda, não deviam ter sido
atingidos pela diligência.
4. Quando porém, o exequente fundamentadamente se
oponha a que o executado prossiga na gestão do estabe- 2. Quando a oposição se funde na existência de patri-
lecimento, designa-se administrador com poderes para mónios separados, deve o executado indicar logo os bens
proceder à respectiva gestão ordinária. integrados no património autónomo que responde pela
dívida exequenda que tenha em seu poder e que respon-
5. Se estiver paralisada ou dever ser suspensa a dam pela dívida exequenda.
actividade do estabelecimento penhorado, designa-se
depositário para a mera administração dos bens nele Artigo 746º
compreendidos.
Processamento da oposição
6. A penhora do direito ao estabelecimento comercial
não afecta a penhora anteriormente realizada sobre bens 1. A oposição é apresentada:
que o integram, mas impede a penhora posterior sobre
os bens nele compreendidos. a) No prazo de vinte dias a contar da notificação
ou citação para a acção quando estas sejam
7. Se estiverem compreendidos no estabelecimento efectuadas depois da penhora;
bens ou direitos sujeitos a registo, deve o exequente
promovê-lo nos termos gerais, quando pretenda impedir b) No prazo de dez dias a contar da notificação da
que sobre eles possa recair penhora posterior. penhora quando a notificação ou a citação as
antecedam.
Artigo 743º

Penhora de direito a bens indivisos 2. Quando não se cumule com a oposição à execução,
nos termos estabelecidos no número 2 do artigo 687º, a
1. Se a penhora tiver por objecto o direito a bens indi- oposição à penhora segue os termos dos artigos 275º e
visos, a diligência consiste unicamente na notificação do 277º, aplicando-se subsidiariamente, com as necessárias
facto ao gestor dos bens, se o houver, e aos contitulares, adaptações o disposto nos números 3 e 4 do artigo 693º.
com a expressa advertência de que o direito do executado
fica à ordem do tribunal ela execução. Na penhora de 3. A execução só é suspensa se o executado prestar
quota em sociedade, a notificação é feita à própria socie- caução e circunscreve-se aos bens a que a oposição res-
dade, servindo de depositário a pessoa que em nome da peita, podendo a execução prosseguir sobre outros bens
sociedade deva receber a notificação. que sejam penhorados.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 111
Subsecção III 4. A impugnação pode ter por fundamento qualquer
Convocação dos credores e verificação dos créditos
das causas que extinguem ou modificam a obrigação ou
que impedem a sua existência; mas se o crédito estiver
Artigo 747º reconhecido por sentença, a impugnação só pode basear-se
nalgum dos fundamentos de oposição à execução baseada
Citação dos credores e do cônjuge
em sentença judicial ou em sentença do tribunal arbitral,
1. Feita a penhora, e junta a certidão dos direitos, ónus na parte em que forem aplicáveis.
ou encargos inscritos, quando for necessária, são citados
Artigo 750º
para a execução:
Resposta do reclamante, sentença e graduação de créditos
a) O cônjuge do executado, quando a penhora tenha
recaído sobre bens imóveis que não possa O credor, cujo crédito tenha sido impugnado, pode res-
alienar livremente, ou quando o exequente ponder nos dez dias seguintes ao termo do prazo fixado
requeira a sua citação, nos termos do artigo para as impugnações, seguindo-se, sem mais articulados,
para salvaguardar os seus interesses nos os termos do processo ordinário de declaração, proferindo-
bens sujeitos a meação; se a final sentença, com a graduação de créditos a que
haja lugar.
b) Os credores com garantia real, relativamente
aos bens penhorados. Subsecção IV

2. Os credores com garantia real registada são citados Pagamento


no domicílio que conste do registo, salvo se tiverem outro
Divisão I
domicílio conhecido. Os demais com garantia real são
citados editalmente. Modos de pagamento

3. A falta das citações prescritas tem o mesmo efeito Artigo 751º


que a falta de citação do réu, mas não importa a anulação
das vendas, adjudicações, remissões ou pagamentos já Modos de efectuar
efectuados, das quais o exequente não haja sido exclusivo
1. O pagamento pode ser efectuado pela entrega de
beneficiário, ficando salvo à pessoa que devia ter sido
dinheiro, pela adjudicação dos bens penhorados, pela
citada o direito de ser indemnizada, pelo exequente, do
consignação judicial dos seus rendimentos ou pelo pro-
dano que haja sofrido.
duto da respectiva venda.
Artigo 748º
2. É admitido o pagamento a prestações da dívida
Reclamação dos créditos exequenda nos termos acordados entre executado e exe-
quente, ressalvados os direitos dos demais credores cujas
1. Só o credor que goze de garantia real sobre os bens
reclamações hajam sido admitidas.
penhorados pode reclamar, pelo produto destes, o paga-
mento dos respectivos créditos. Artigo 752º

2. A reclamação tem por base um título exequível e Termos em que pode ser efectuado
deduzida no prazo de dez dias, a contar da citação do
reclamante. O credor é admitido à execução, ainda que o 1. As diligências necessárias para a realização do paga-
crédito não esteja vencido; mas se a obrigação for incerta mento efectuam-se independentemente do prosseguimen-
ou ilíquida, torna-a certa ou líquida pelos meios de que to do apenso da verificação e graduação de créditos, mas
dispõe o exequente. só depois de proferido o despacho de aceitação ou rejeição
das reclamações; exceptua-se a consignação judicial de
3. As reclamações são autuadas num único apenso ao rendimentos, que pode ser requerida pelo exequente e
processo de execução. deferida logo em seguida à penhora.
Artigo 749º
2. O credor citado para o concurso só pode ser pago na
Impugnação dos créditos reclamados execução pelos bens sobre que tiver garantia e conforme
a graduação do seu crédito.
1. Findo o prazo para a dedução dos créditos, profe-
re-se despacho a admitir ou a rejeitar liminarmente as Divisão II
reclamações que hajam sido apresentadas.
Entrega de dinheiro
2. As reclamações podem ser impugnadas pelo exe- Artigo 753º
quente e pelo executado dentro de oito dias, a contar da
notificação do despacho que as haja admitido. Pagamento por entrega de dinheiro

3. Dentro do prazo concedido ao exequente, podem os Tendo a penhora recaído sobre moeda corrente ou sobre
restantes credores impugnar os créditos garantidos por crédito em dinheiro cuja importância foi depositada, o
bens sobre os quais tenham invocado também qualquer exequente ou qualquer credor que deva preferi-lo é pago
direito real de garantia. do seu crédito pelo dinheiro existente.

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112 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Divisão III quando se trate de imóveis ou de móveis sujeitos a registo,
Adjudicação que lhe sejam consignados os respectivos rendimentos,
em pagamento do seu crédito.
Artigo 754º
2. Sobre o pedido é ouvido o executado, sendo a consig-
Requerimento para adjudicação
nação deferida, não havendo oposição.
1. O exequente pode pedir que, dos bens penhorados
3. Se a consignação for requerida antes da convocação
que não devam ser vendidos nas bolsas de capitais ou
de credores, a citação destes é dispensada, salvo se o
houverem de ser entregues a determinadas pessoas lhe
pedido do requerente for indeferido.
sejam adjudicados os que forem suficientes para o seu
pagamento; idêntico pedido pode fazer qualquer credor Artigo 759º
reclamante, em relação aos bens sobre os quais haja Como se processa
sido proferida sentença de graduação de créditos no mo-
mento em que é apreciado o pedido; este só é atendido 1. A consignação de rendimentos de bens que estejam
quando o crédito do requerente haja sido reconhecido e locados faz-se mediante simples notificação aos locatários
graduado. do despacho que a ordenou.

2. O requerente deve indicar o preço que oferece, não 2. Não havendo ainda locação ou havendo de celebrar-
podendo a oferta ser inferior ao valor a anunciar para a se novo contrato, os bens serão locados com recurso à
venda em carta fechada, estabelecido neste Código. publicidade, salvo se o consignatário e o executado acor-
darem em locá-los mediante propostas ou por meio de
3. Se à data do requerimento já estiver anunciada a negociação particular; em ambos os casos se observam,
venda judicial, esta não se susta e o pedido é apenas com as modificações necessárias, as formalidades pres-
tomado em consideração quando não haja licitantes ou critas para a venda de bens penhorados.
concorrentes que ofereçam preço superior.
3. Pagas as custas da execução, as rendas são recebidas
Artigo 755º
pelo consignatário até que esteja embolsado da impor-
Publicidade do requerimento tância do seu crédito.
1. Requerida a adjudicação designa-se dia e hora para 4. O consignatário fica na posição de senhorio, mas não
a abertura das propostas de preço superior ao ofereci- pode resolver o contrato, nem tomar qualquer decisão
do pelo requerente, o qual é mencionado nos editais e relativa aos bens, sem anuência do executado; na falta
anúncios. de acordo, o juiz decide.
2. O despacho é notificado ao executado e àqueles que Artigo 760º
podiam requerer a adjudicação e bem assim aos titulares Efeitos
de qualquer direito de preferência na alienação dos bens.
1. Efectuada a consignação e pagas as custas da exe-
Artigo 756º cução, esta é julgada extinta, levantando-se as penhoras
Termos da adjudicação que incidam em outros bens.

1. Se não aparecer nenhuma proposta e ninguém se 2. A consignação é registada em face do despacho


apresentar a exercer o direito de preferência, aceita-se que a institua; o registo faz-se por averbamento ao da
o preço oferecido pelo requerente. penhora.

2. Havendo proposta de maior preço observa-se o dis- 3. Se os bens vierem a ser vendidos ou adjudicados,
posto neste Código sobre a abertura e a deliberação das livres do ónus da consignação, o consignatário é pago do
propostas em venda judicial. saldo do seu crédito pelo produto da venda ou adjudicação,
com a prioridade da penhora a cujo registo a consignação
3. Se o requerimento da adjudicação tiver sido feito foi averbada.
depois de anunciada a venda judicial e a esta não houver
concorrentes ou licitantes, logo se adjudicam os bens ao 4. O disposto nos números anteriores é aplicável, com
requerente. as necessárias adaptações, à consignação de rendimentos
de títulos de crédito nominativos, devendo a consignação
Artigo 757º
ser mencionada nos títulos e averbada nos termos da
Regras aplicáveis à adjudicação respectiva legislação.
É extensivo à adjudicação, na parte que for aplicável, Divisão V
as disposições deste Código referentes à venda judicial. Venda
Subdivisão IV Subdivisão I
Consignação de rendimentos Modalidades da venda
Artigo 758º Artigo 761º
Termos em que pode ser requerida e deferida Espécies de venda

1. Enquanto os bens penhorados não forem vendidos, 1. A venda dos bens penhorados pode ser judicial ou
nem adjudicados, qualquer das partes pode requerer, extrajudicial.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 113

2. O despacho que ordene a venda é notificado ao Artigo 766º


exequente, ao executado e aos credores reclamantes de
créditos com garantia sobre os bens a vender. Efectivação da venda por negociação particular

3. O juiz, ouvidos o exequente e o executado e os credores 1. No despacho que ordene a venda por negociação
com garantia real sobre os bens a vender, determina a particular, designa-se a pessoa que fica incumbida de a
modalidade da venda e o valor desses bens, quando o efectuar e o preço mínimo por que pode ser vendida.
considere indispensável, nomeadamente por os inte-
ressados indicarem valores discordantes, sendo neste 2. A pessoa designada procede como mandatário,
caso aplicável, com as devidas adaptações, o disposto no tendo-se por provado o mandato em face da certidão do
artigo 715º.
despacho.
Artigo 762º
3. Quando se tratar de venda de imóveis, designa-se,
Modalidades da venda
preferencialmente, o mediador que conste da lista da
1. A venda judicial é feita por meio de propostas em Direcção Geral do Património do Estado.
carta fechada.
4. O preço é depositado directamente pelo comprador,
2. A venda extrajudicial pode revestir as seguintes à ordem do tribunal, em estabelecimento bancário ofi-
formas: cialmente encarregado dos depósitos das custas judiciais,
a) Venda em bolsas de capitais ou de mercadorias; antes de lavrado o instrumento da venda.

b) Venda directa a entidades que tenham direito a 5. Estando pendente de recurso a sentença que se
adquirir determinados bens; executa ou estando pendentes embargos de executado,
faz-se essa declaração no acto da venda.
c) Venda por negociação particular;

d) Venda em estabelecimento de leilão. Artigo 767º

Subdivisão II Venda em estabelecimento de leilão


Venda extrajudicial
1. Os móveis são vendidos em estabelecimento de leilão
Artigo 763º se existirem no País, quando o requeiram o executado e
Bens vendidos nas bolsas os credores que representem a maioria dos créditos com
garantia sobre os bens a vender.
1. São vendidos nas bolsas de capitais os títulos de
crédito que nelas tenham cotação. 2. A venda é feita pelo pessoal do estabelecimento e
segundo as regras que estejam em uso. O gerente do
2. Se na comarca da execução houver bolsas de mer-
cadorias, nelas se vendem as mercadorias que aí forem estabelecimento deposita o preço líquido em estabeleci-
cotadas. mento bancário oficialmente encarregado dos depósitos
das custas judiciais, à ordem do tribunal, e faz juntar ao
Artigo 764º processo o respectivo conhecimento, dentro dos cinco dias
Venda directa posteriores à realização da venda, sob pena das sanções
aplicáveis ao infiel depositário.
Se os bens houverem, por lei, de ser entregues a deter-
minadas entidades, a venda é-lhes feita directamente. 3. Os credores, o executado e qualquer dos licitantes
Artigo 765º podem reclamar contra as irregularidades que se come-
tam no acto do leilão. Para decidir as reclamações o juiz
Casos em que se procede à venda por negociação particular
pode examinar ou mandar examinar a escrituração do
1. A venda pode ser sempre feita por negociação par- estabelecimento, ouvir o respectivo pessoal, inquirir as
ticular, a requerimento do executado ou de algum dos testemunhas que se oferecerem e proceder a quaisquer
credores preferentes e ouvidos os restantes interessados outras diligências.
o juiz considerar, face às razões invocadas, ocorrer van-
tagem manifesta nessa modalidade de venda. 4. O leilão é anulado, quando as irregularidades come-
tidas hajam viciado o resultado final da licitação, sendo
2. A venda por negociação particular ocorre ainda:
o dono do estabelecimento condenado na reposição do
a) Quando se trate de bens móveis de reduzido que tiver embolsado, sem prejuízo da indemnização dos
valor ou quando haja urgência na realização danos que haja causado.
da venda;
5. Se for anulado, repete-se o leilão noutro estabeleci-
b) Quando, frustrada a venda judicial, o juiz não mento e, se o não houver, procede-se à venda judicial ou
opte pela venda em estabelecimento de leilão. por negociação particular.

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114 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010
Subdivisão III 3. Se o preferente tiver sido notificado por éditos, pode
Venda judicial
propor a acção de preferência nos termos gerais, desde
que as circunstâncias façam presumir que a notificação
Artigo 768º não chegou ao seu conhecimento a tempo de puder exercer
Casos em que se procede à venda judicial o seu direito no acto da adjudicação.
Artigo 772º
Quando não seja possível a venda extrajudicial, os bens
penhorados são vendidos por meio de propostas em carta Abertura das propostas
fechada. O valor a enunciar, tratando-se de imóvel, é
igual a 70% (setenta por cento) do valor de base do bem, 1. As propostas são entregues na secretaria do tribunal
precedido da sua avaliação nos termos deste Capítulo. e abertas na presença do juiz, podendo assistir à abertura
o executado, o exequente, os reclamantes de créditos com
Artigo 769º garantia sobre os bens a vender e os proponentes.
Editais e anúncios para a venda judicial 2. Se o preço mais elevado for oferecido por mais de
um proponente, abre-se logo licitação entre eles, salvo
1. Designa-se o dia e hora para a abertura das propos-
se declararem que pretendem adquirir o bem em com-
tas, com a antecipação necessária para, mediante editais
propriedade.
e anúncios se dar ao facto a maior publicidade, podendo
o juiz, oficiosamente ou a requerimento dos interessados, 3. Estando presente só um dos proponentes do maior
determinar que a venda judicial seja tornada pública preço, pode esse cobrir a proposta dos outros; se nenhum
ainda por outros meios. deles estiver presente ou nenhum quiser cobrir a pro-
posta dos outros, procede-se a sorteio para determinar a
2. Os editais são afixados, com a antecipação de dez
proposta que deve prevalecer.
dias onde os bens se encontrem. Tratando-se de prédios
urbanos, afixa-se também um edital na porta de cada 4. As propostas, uma vez apresentadas, só podem ser
um deles. retiradas se a sua abertura for adiada por mais de no-
venta dias depois do primeiro designado.
3. Os anúncios são publicados, com igual antecipação,
em dois números seguidos num dos jornais mais lidos Artigo 773º
da localidade da situação dos bens ou, se na localidade
Deliberação sobre as propostas
não houver periódico, de um dos jornais que nela sejam
mais lidos, salvo se o juiz em qualquer dos casos os achar 1. Acto contínuo à abertura ou depois de efectuada a
dispensáveis, atento o diminuto valor dos bens. licitação ou o sorteio a que houver lugar, são as propostas
apresentadas ao executado, exequente e credores que
4. Nos editais e anúncios mencionam-se o nome do
hajam comparecido; se nenhum estiver presente, consi-
executado, a secretaria por onde corre o processo e o dia,
dera-se aceite a proposta de maior preço, sem prejuízo
hora e local da abertura das propostas; se os bens forem
do disposto no número 3 do artigo anterior.
imóveis, identificam-se sumariamente e declara-se o seu
valor; se forem móveis, apenas se indica a sua espécie. 2. Se os interessados não estiverem de acordo, preva-
lece o voto dos credores que entre os presentes tenham
5. Se a sentença que se executa estiver pendente de
maioria de créditos sobre os bens a que a proposta se
recurso ou estiverem pendentes embargos de executado,
refere. Mas o executado pode opor-se à aceitação de
faz-se também menção do facto nos editais e anúncios.
qualquer proposta, requerendo prazo, não superior a oito
Artigo 770º dias, para oferecer pretendente que se responsabilize por
preço superior; nesse caso, marca-se dia para se deliberar
Obrigação de mostrar os bens sobre a proposta do pretendente.
Durante o prazo dos editais e anúncios é o depositário 3. Não são aceites as propostas de valor inferior ao
obrigado a mostrar os bens a quem pretenda exami- previsto no artigo 768º, salvo se o exequente, o executa-
ná-los; mas pode fixar as horas em que, durante o dia, do e todos os credores com garantia real sobre os bens a
facultar a inspecção, tornando-as conhecidas do público vender acordarem na sua aceitação.
por qualquer meio.
Artigo 774º
Artigo 771º
Irregularidades na frustração da venda por meio
Notificação dos preferentes de propostas

1. Os titulares do direito de preferência na alienação 1. As irregularidades relativas à abertura da licitação,


dos bens são notificados do dia e hora da entrega dos sorteio, licitação e aceitação das propostas só podem ser
bens ao proponente para poderem exercer o seu direito arguidas no próprio acto.
no acto da adjudicação.
2. Se nenhuma proposta for aceite, relativamente a
2. A falta de notificação tem a mesma consequência todos ou a parte dos bens, o juiz, ouvidos os interessados
que a falta de notificação ou aviso prévio na venda par- presentes, decide sobre a forma como deve ser feita a
ticular. respectiva venda.

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I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010 115
Artigo 775º Subdivisão IV

Exercício do direito de preferência Disposições comuns

Artigo 780º
1. Aceite alguma proposta são interpelados os titulares
do direito de preferência presentes para que declarem se Dispensa de depósito aos credores
querem exercer o seu direito.
1. O exequente que adquira bens pela execução é
2. Apresentando-se a preferir mais de uma pessoa, com dispensado de depositar a parte do preço que não seja
igual direito, abre-se licitação entre eles, fazendo-se a necessária para pagar a credores graduados antes dele
adjudicação à que oferecer preço mais alto. e não exceda a importância que tem direito a receber;
igual dispensa é concedida ao credor com garantia sobre
3. Os preferentes que pretendem exercer o seu direito os bens que adquirir.
depositam logo a totalidade do preço.
2. Não estando ainda graduados os créditos o exequente
Artigo 776º não é obrigado a depositar mais que a parte excedente à
quantia exequenda e o credor só é obrigado a depositar
Depósito do preço
o excedente ao montante do crédito que tiver reclamado
1. Aceite alguma proposta, se nenhum preferente se sobre os bens adquiridos; neste caso se os bens adquiridos
apresentar a exercer o seu direito, é o proponente notifica- forem imóveis ficam hipotecados à parte do preço não
do para depositar o preço devido, no prazo de quinze dias depositada, consignando-se a garantia no auto de trans-
em estabelecimento bancário oficialmente encarregado missão, que não pode ser registada sem ele; se forem de
dos depósitos das custas judiciais. outra natureza, não são entregues ao adquirente sem que
este preste caução correspondente ao seu valor.
2. Caso, o proponente não deposite o preço nos termos
3. Quando por efeito de graduação de créditos o adqui-
estabelecidos no número 1, sem prejuízo do procedimento
rente não tenha direito à quantia que deixou de deposi-
criminal que couber, o juiz, ouvidos os interessados na
tar, ou a parte dela, é notificado para fazer o respectivo
venda, pode determinar que a venda fique sem efeito e
depósito dentro de oito dias, sob pena de ser executado
que os bens voltem a ser vendidos pela forma considerada
nos termos do artigo 776º, começando a execução pelos
mais conveniente, não sendo o proponente remisso admi-
próprios bens adquiridos ou pela caução.
tido a adquiri-los novamente e ficando responsável pela
diferença de preço e pelas despesas a que der causa. Artigo 781º

Artigo 777º Cancelamento dos registos

Abertura e aceitação da proposta Após o pagamento do preço e do imposto devido são


oficiosamente mandados cancelar os registos dos direitos
Da abertura e aceitação das propostas é lavrado auto reais que caducam, nos termos do nº2 do artigo 824º do
em que além das outras ocorrências se mencione, para Código Civil, entregando-se ao adquirente certidão do
cada proposta aceite, o nome do proponente, os bens a respectivo despacho.
que respeita e o seu preço. Os bens identificam-se pela
referência à penhora respectiva. Artigo 782º

Anulação da venda e indemnização do comprador


Artigo 778º

Adjudicação dos bens 1. Se depois da venda se reconhecer a existência de


algum ónus ou limitação que não fosse tomado em con-
1. Os bens apenas são adjudicados e entregues ao pro- sideração e que exceda os limites normais inerentes aos
ponente após se mostrar integralmente pago o preço e sa- direitos da mesma categoria, ou de erro sobre a coisa
tisfeitas as obrigações fiscais inerentes à transmissão. transmitida, por falta de conformidade com o que foi
anunciado, o comprador pode pedir no processo de exe-
2. Proferido despacho de adjudicação dos bens é en- cução a anulação da venda e a indemnização a que tenha
tregue ao adquirente título de transmissão, do qual se direito, sendo aplicável a este caso o disposto no artigo
identifiquem os bens, se certifique o pagamento do preço 906º do Código Civil.
e o cumprimento das obrigações fiscais e se declare a data
em que os bens lhe foram adjudicados. 2. A questão é decidida, depois de ouvidos o exequente,
o executado, os credores interessados e de examinadas as
Artigo 779º provas que se produzirem, salvo se os elementos forem
insuficientes, por que neste caso é o comprador remetido
Entrega de bens para a acção competente, a qual é proposta contra o credor
ou credores a quem tenha sido ou deva ser atribuído o
O adquirente pode, com base no documento a que se preço da venda.
refere o artigo anterior, requerer o prosseguimento da
execução contra o detentor dos bens a entrega, nos termos 3. Feito o pedido de anulação do negócio e de indemni-
prescritos para a execução para entrega de coisa certa. zação do comprador antes de ser levantado o produto da

T4T6F8C2-0B1W9N0P-1Z1K9J6E-242LLWYG-2A9D5F4X-29X3WHIE-8J0I6Y6Y-50110Q70
116 I SÉRIE — NO 24 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 1 DE JULHO DE 2010

venda, este não é entregue sem a prestação de caução; Artigo 785º


sendo o comprador remetido para a acção competente, a
Cautelas a observar no caso de reivindicação sem protesto
caução é levantada se a acção não for proposta dentro de
trinta dias ou estiver parada, por negligência do autor, O disposto no artigo anterior é aplicável, com as ne-
durante três meses. cessárias adaptações, no caso de acção ser proposta, sem
protesto prévio, antes da entrega dos bens móveis ou do
Artigo 783º
levantamento do produto da venda.
Casos em que a venda fica sem efeito
Subsecção V
1. Além do caso previsto no artigo anterior, a venda Remição
só fica sem efeito:
Artigo 786º
a) Se for anulada venda ou revogada a sentença que
A quem compete
se executou, se forem julgados procedentes os
embargos de executado, salvo quando forem 1. Ao cônjuge que não esteja judicialmente separado
parciais a revogação ou a procedência e a de pessoas e bens, e bem assim ao convivente de união
subsistência da venda for compatível com a de facto reconhecível judicialmente, aos descendentes
decisão; ou ascendentes do executado é reconhecido o direito de
remir todos os bens adjudicados ou vendidos, ou parte
b) Se toda a execução for anulada por fa1ta ou
deles, pelo preço por que tiver sido feita a adjudicação
nulidade da citação do executado, que tenha
ou a venda.
sido revel, salvo se tiver decorrido o tempo
necessário para a usucapião a favor do 2. O preço é depositado no momento da remição.
adquirente;
Artigo 787º
c) Se for anulado o acta da venda, por alguns dos
Até quando pode ser exercido o direito de remição
fundamentos previstos neste código;
O direito de remição deve ser exercido:
d) Se a coisa vendida não pertencia ao executado e
foi reivindicada pelo dono; a) No caso de venda em bolsa, até ao momento da
entrega dos bens;
e) Se tiver havido conluio entre os proponentes.
b) No caso de venda por negociação particular,
2.