Você está na página 1de 21

Defesa da Fé

Edição 71

Por que o kardecismo atrai?

Por Lídio Hamon

A doutrina espírita chegou ao Brasil em meados do século XIX, nos Estados do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Bahia.
Interpretada pelo francês Hipolite Leon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec, ganhou impulso com a formação de
grupos de estudos que, aos poucos, difundiram no país a corrente espírita conhecida como kardecismo. Como na época os textos
espíritas ainda não estavam traduzidos para o português, os praticantes da nova religião restringia-se a classes sociais mais
instruídas. Em 1884, é fundada a FEB — Federação Espírita Brasileira.

Allan Kardec uniu o cristianismo à necromancia e a alguns conceitos hindus, sem levar em conta que “água e óleo” não se
misturam. Seu espiritismo não é um espiritismo verdadeiro e seu cristianismo é igualmente inventivo. Seus seguidores se julgam
cristãos, mas, a rigor, veremos que isto não pode ser tomado por verdade.

De acordo com os dados preliminares do Censo de 2000, o espiritismo possui 2,3 milhões de adeptos no país, o que corresponde
a 1,4% da população. Segundo a Federação Espírita Brasileira, o número chega a 20 milhões, se forem incluídas as pessoas que
vão aos centros espíritas, mas se declaram de outras confissões religiosas. Essa é realidade que deve ser considerada, uma vez
que, de fato, o sincretismo que envolve o kardecismo realmente proporciona ao “fiel” de outras religiões encontrarem guarida em
suas sessões.

Devido à proeminência incontestável do espiritismo em solo brasileiro, propomos aos leitores de Defesa da Fé a apresentação de
nove apelos que parecem justificar a imensa força de atração que o espiritismo exerce em nosso meio. Acreditamos que,
conhecendo um pouco cada uma dessas razões, nos será possível delinear estratégias de evangelismo mais eficazes. Vejamos:

Apelo científico

No livro O evangelho segundo o espiritismo, Hipolite escreveu: “O espiritismo é a junção perfeita da ciência com a religião”.
Devemos lembrar que sua época abraçou o apogeu das descobertas científicas. Qualquer ensino que não passasse pelo crivo de
qualidade dos padrões científicos seria ridicularizado. Aliás, a religião, de uma forma geral, estava sendo ridicularizada por não
atender estes padrões. Segundo o conceito geral de Chapman Cohen, os “deuses são coisas frágeis; eles podem ser mortos com
uma baforada de ciência ou uma dose de senso comum”.

Por isso, inicialmente, o espiritismo sempre insistiu em afirmar seu caráter científico: “O espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e
não cuida de questões dogmáticas. Melhor observado, depois que se generalizou, o espiritismo vem derramar luz sobre um
grande número de questões, até hoje insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter é, portanto, de uma ciência e não
de uma religião”.1
Entretanto, pode-se conferir ao espiritismo a mesma segurança dos conhecimentos científicos? Sua alegação foi aceita por todos?
Na Inglaterra, foi criada a Sociedade de Pesquisas Psíquicas, que visava aplicar ao espiritismo os mesmos critérios usados para a
investigação científica. Em sua História do espirtismo, Artur Conan Doyle, célebre criador de Sherlock Holmes, faz diversas
referências ao fracasso das pesquisas espíritas para enquadrá-lo dentro dos padrões da ciência:

“Onde a sociedade foi menos feliz foi no que se refere aos chamados fenômenos físicos do espiritismo. Mr. E.T. Benett, que
durante vinte anos foi secretário assistente da Sociedade, assim se exprime a respeito: ‘É um fato notável, e nós nos inclinamos a
dizer que é uma das coisas mais notáveis na história da Sociedade, que esse ramo de investigações tivesse sido — e não há
nisso exagero — absolutamente falho de resultados. Também deve ser dito que o resultado foi mais falho quanto maior a
simplicidade do fenômeno [...] Em toda a série de volumes publicados pela Sociedade, nenhuma luz foi derramada sobre os
simples fenômenos de ver e ouvir. Em relação aos fenômenos físicos mais elevados, que implicam inteligência para a sua
produção, tais como a escrita direta ou a fotografia de espíritos, algumas investigações foram feitas, mas em grande parte com
resultados quase que inteiramente negativos’”.2
Com o passar do tempo, o espiritismo abandonou a defensiva e assumiu a posição de religião, aliás, como a única religião
verdadeiramente cristã, sem abdicar totalmente de seu caráter científico. Mas suas alegações iniciais serviram para atrair todos
aqueles que o praticavam por julgarem estar à altura das mentes mais esclarecidas. Esse aspecto kardecista nos faz lembrar da
advertência do apóstolo Paulo a Timóteo: “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e
profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, a qual, professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo.
Amém” (1Tm 6.20,21).

Apelo cristológico

O destaque conferido à figura (pessoa) de Jesus Cristo foi outro fator que contribuiu para o avanço do espiritismo ensinado por
Kardec. O Ocidente, de modo geral, e o Brasil, de modo específico, se intitulam cristãos. Independente do conhecimento que
estes tenham do evangelho, a figura de Jesus é dominante na cultura. Em seu livro, O evangelho segundo o espiritismo, Kardec
tenta sintetizar dois segmentos religiosos definitivamente antagônicos. Até então, não existia o chamado “espiritismo cristão”. Mas,
ao fazer de Jesus um médium, o grande decodificador do espiritismo fez que muitas pessoas se aproximassem de práticas até
então condenadas e, ao mesmo tempo, se sentissem cristãs.
Todavia, o uso de certo termo não significa que o mesmo esteja se referindo a coisas semelhantes. Temos de nos preocupar com
a essência por trás das palavras. Quando o kardecismo fala em Jesus, de qual Jesus está falando? O mesmo Jesus dos
evangelhos? O mesmo Jesus conhecido dos apóstolos? Paulo escreveu aos coríntios: “Mas temo que, assim como a serpente
enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da
simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro
espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis” (2Co 12.3,4). Precisamos saber se o
espiritismo possui o Jesus Bíblico ou “outro Jesus”.

No evangelho de João, lemos sobre a natureza de Cristo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus [...] E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade” (Jo 1.1,14).

Jesus era o Deus Filho, que assumiu a natureza humana. A Bíblia diz o seguinte: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da
divindade” (Cl 2.9).

Sobre João 1.1, escreveu Kardec: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus [...] Primeiramente,
é preciso notar que as palavras citadas são de João e não de Jesus. Admitindo-se que não tenham sido alteradas, não exprimem,
na realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução que deixa transparecer o misticismo habitual, contrário às reiteradas
afirmações do próprio Jesus”.3
Léon Denis4, o consolidador do kardecismo, negou a obra redentora de Jesus na cruz. Embora a Bíblia diga que Ele é o Cordeiro
de Deus (Jo 1.29), que tira o pecado do mundo, Léon negou isto veementemente: “Não, a missão de Cristo não era resgatar com
o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve
resgatar-se a si mesmo”.5

Como sabemos, Jesus disse que veio para servir e dar a sua própria vida em resgate de muitos (Mt 20.28). Isso mostra que o
Jesus do espiritismo não é o mesmo do cristianismo.

Apelo escriturístico

A Bíblia é o livro por excelência. Tornou-se um referencial tão sólido no Ocidente que quando um livro é o mais importante de
determinado ramo de conhecimento diz-se comparativamente que ele é a Bíblia de tal assunto: “a bíblia do pescador”; “a bíblia do
advogado”, etc. Há quase uma aceitação automática da Bíblia como Palavra de Deus. É parte integrante de nossa cultura,
independente da religião professada ou praticada.

Por esse motivo, o espiritismo de Kardec fez amplo uso das Escrituras Sagradas, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento,
para provar seus ensinos. O livro O evangelho segundo o espiritismo talvez seja o exemplo mais evidente de amplas citações das
Escrituras. Diversas passagens são analisadas à luz da doutrina espírita. Embora não ocorram, em nenhum lugar da Bíblia, as
palavras reencarnação e carma, Kardec faz a Bíblia dizer o que ela não diz, e, com isso, distorce muitas passagens da Palavra de
Deus para que se encaixem em sua opinião.
Como é comum nas seitas, as passagens são citadas isoladamente, fora de contexto, e estritamente selecionadas. Ou seja, a
Bíblia não é usada como um todo, mas apenas as passagens consideradas favoráveis aos pontos de vista espíritas. É bom
enfatizar que nem todos os ramos do espiritismo procedem dessa forma.6 Esta é uma característica principalmente do
kardecismo.

O problema é que a necromancia foi continuamente condenada na Bíblia. As práticas espíritas, como passes, diálogos com
mortos, mediunidade, ectoplasmas, movimentação de objetos, entre outras, têm mais a ver com os fenômenos demoníacos
apresentados nas páginas do Novo Testamento. A reencarnação foi rejeitada em Hebreus 9.27 e a multiplicidade de vidas em
corpos diferentes está longe de ser uma idéia cristã. Kardec só consegue usá-la distorcendo seu sentido.
Geralmente, os estudiosos kardecistas arriscam um confronto bíblico com as doutrinas espíritas até que possam harmonizar as
coisas, porém, quando encurralados, negam completamente seu reconhecimento da Bíblia como autoridade de fé e prática. Léon
Denis, filósofo do espiritismo, expressou sua opinião sobre a Bíblia da seguinte forma: “... Não poderia a Bíblia ser considerada a
Palavra de Deus, nem uma revelação sobrenatural”.7

Carlos Imbassahy, outro estudioso do espiritismo, vai ainda mais longe ao considerar a relação entre as Escrituras e o espiritismo:
“... Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as
demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras [...], a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome
espiritismo”.8
É fácil perceber que o kardecismo só usa a Bíblia como isca. O primeiro livro de Kardec, publicado em 1857, com o título Livro dos
espíritos, mostra a verdadeira fonte do espiritismo — os seres desencarnados com os quais Hipolite Leon entrou em contato. Para
uma religião que se intitula o verdadeiro cristianismo, o kardecismo possui bases muito estranhas. Já Isaías proclamava, cerca de
setecentos anos antes de Cristo: “Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que
chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? À lei e ao
testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8.19,20).

Apelo cosmológico

Cosmologia é a maneira como alguém compreende o mundo ao seu redor. É como consegue encaixar o Universo em um todo
coerente. Durante a história do homem sobre a Terra, cada povo teve sua cosmologia particular, que foi mudando ao longo do
tempo. A doutrina da reencarnação levantava de imediato duas perguntas de ordem prática:
1) Se as almas estavam reencarnando, por que a população aumentava? De onde vinham as almas excedentes?

2) Se a reencarnação era um processo que aperfeiçoava os homens, por que a humanidade e o sofrimento pareciam crescer ao
invés de diminuir?

Para tentar explicar relevantes perguntas, kardec formulou sua própria cosmologia. Segundo sua explicação, esta Terra é apenas
um entre muitos planetas habitados. As almas excedentes teriam vindo de outros planetas, justificando, assim, o aumento
populacional da Terra. Do mesmo modo, o sofrimento e a maldade não diminuem porque o nosso planeta é um lugar de
“purgação”, onde as almas viriam para expiar seu carma por meio do sofrimento. E, tentando defender biblicamente sua posição,
cita João 14.2, onde Jesus diz que na “casa de seu Pai há muitas moradas”.

Logo, a cosmologia de Kardec, apesar de satisfazer alguns, não é sólida. Baseia-se na existência de vida em outros planetas,
coisa para a qual não existem quaisquer comprovações. Faz de uma interrogação uma afirmação, de uma suposta probabilidade,
um fato. Isso, no entanto, de modo algum serve de alicerce concreto para uma crença. Antes, é uma saída de emergência.

Do mesmo modo, João 14.2 não diz nada sobre vida em outros planetas. Identificar a casa do Pai com o Universo e as moradas
com planetas está além de qualquer regra de hermenêutica. Este não é um planeta criado para purgações. Quando Deus o
completou, viu que era “muito bom” (Gn 1.31). Se hoje possui dores e sofrimento é devido ao resultado do pecado e não a um
planejamento de Deus (Gn 3.17-19). Deus deu esta terra aos filhos dos homens para que habitassem nela (Sl 115.16) e não outro
planeta.

Apelo racional

Com isso, queremos dizer que o kardecismo fornece uma explicação intelectual para certos fatos da vida e que tal explicação
consegue, de alguma forma, tornar aceitáveis as situações difíceis. Ao expressarmos essa teoria, de forma alguma, estamos
dizendo que essas explicações são verdadeiras, mas simplesmente que foram largamente aceitas, devido à sua mera aparência
de verdade.
Dizer que uma criança nasceu deficiente por motivos existentes em uma vida anterior, embora seja uma mentira impossível de
provar, para alguns, porém, parece ser uma explicação razoável. O argumento que diz que os fatos presentes são conseqüência
de atos injustos, cometidos em outra vida, parece plausível para alguns, e também o argumento que explicava as exorbitantes
diferenças das condições de vida das pessoas.
Por que alguns são muito felizes e outros, muito tristes?
Por que uns são muito ricos e outros, muito pobres?
Por que tanta discrepância se todos são seres humanos?
A resposta só podia estar escondida em uma existência antecedente a esta.
Mas o que precisa ser colocado é que, apesar de existir certo traço de racionalidade nessa colocação, ela é, até certo ponto,
perversa. Por exemplo, uma pessoa que sofre muito nesta vida, sente-se, devido a essa teoria, automaticamente culpada por seus
próprios sofrimentos. Torna-se culpada sem saber qual é a sua culpa. Todavia, deve aceitar passivamente que tal culpa está
relacionada a uma vida anterior da qual não tem a menor lembrança. Imaginem um prisioneiro na cadeia, sendo torturado, sem
que ninguém lhe diga qual é o seu crime, mas que tem de acreditar que, se está sendo punido, é porque deve haver alguma razão
para isso.

O culpado também precisa ser lembrado que sua raiz histórica (ou seja, reencarnação e carma), que tenha, digamos, começado
na Índia, serve para justificar uma situação social de extrema injustiça (Não podemos nos esquecer, porém, que a distribuição de
renda na Índia sempre foi escandalosa). Assim, os brâmanes9 estavam no topo, devido a merecimentos anteriores, e os
hariyan,10 pelo mesmo motivo: merecimentos passados, eram rejeitados. Justificar esta sólida estratificação social só poderia ser
possível apelando-se para motivos divinos e, por conta disso, a reencarnação e o carma também pareciam totalmente lógicos.
Estamos vendo aqui uma forma de determinismo (fatalismo) religioso, por meio do qual o mal dever ser aceito, passivamente,
como uma manifestação da justiça.

Apelo emocional

Quem não sente saudades de seus entes queridos?


Quem não tem vontade de saber como eles estão?
Quantos não dariam tudo para ouvir sua voz ou conversar com eles?

Pois bem, o espiritismo, principalmente o kardecismo, afirma que pode tornar isto possível. Por conta disso, muitos adeptos dessa
religião recorrem a ela em busca de um contato com um parente falecido, especialmente se a morte foi recente. O ser humano,
infelizmente, é propenso a acreditar em qualquer coisa, desde que aquilo em que acredita sirva para consolá-lo. E é justamente
esse tipo de crença que rende muitos adeptos ao kardecismo.
Inclusive, a imprensa, em certas ocasiões, tem divulgado que alguns famosos, depois de mortos, tentaram fazer “contato” com
seus familiares. Foi justamente o que, segundo a imprensa, ocorreu com Ayrton Senna, e tantos outros. Quando Chico Xavier
morreu, houve um tremendo “espanto” pelo fato de ele não ter, de imediato, se manifestado em/a nenhum médium. Tais
circunstâncias são elementos que sustentam e garantem o sensacionalismo em massa e, alimentados pela mídia, tornam-se
instrumentos de divulgação do espiritismo. Se isso não levar uma pessoa (ou várias pessoas) a se tornar praticante, ao menos faz
que o contato com os mortos pareça algo normal e verdadeiro, sem nenhum questionamento. Parece ser o fim do mistério da
existência pós-morte.

Mas as coisas não são simples assim. Quando o kardecismo toma as Escrituras para justificar suas práticas e crenças,
automaticamente se autocondena, porque a Bíblia se opõe a este tipo de ensino (contato entre vivos e mortos). O próprio Jesus,
em sua narração sobre a parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19-31), demonstrou que isto estava fora do procedimento divino.
Vejamos o que diz o texto em referência:

“E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me
refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens
em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo
entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E
disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de
que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não,
pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a
Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite”.
Trocar a revelação de Deus nas Escrituras por uma orientação vinda do mundo dos mortos não é, de modo algum, o plano de
Deus, e os que agem dessa forma não estão dentro do propósito divino. Como podemos ver, o desejo do homem rico era que
seus irmãos soubessem que ele estava em um lugar de tormento. Mas, ao contrário disso, os espíritos que se manifestam no
kardecismo sempre alegam estar em um lugar de luz, beleza e descanso. Por isso sua mensagem é facilmente aceita, por ser
aprazível aos ouvidos. Se tais espíritos, porém, advertissem duramente todos aqueles que praticam o pecado e não se voltam
para Deus, com certeza esses supostos contatos seriam rejeitados. Pois bem, o que podemos constatar é que tudo isso não
passa de um tremendo engodo. Deus, todavia, não deixou aos mortos, mas aos vivos, a tarefa de proclamar a sua vontade,
expressamente contida em sua Palavra.

Além disso, em nenhum lugar da Bíblia se menciona a existência de um canal aberto entre o mundo dos mortos e dos vivos. Não
existe nenhuma possibilidade de comunicação entre eles (vivos e mortos). Suas existências são distintas. Não é obra de Deus a
presença de almas perambulando por aí sem destino e propósito. O Senhor Deus é sábio. Foi Ele quem criou o Universo e todas
as coisas existentes. É o que nos diz o texto bíblico, em Eclesiastes 9.5,6: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os
mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento.
Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se
faz debaixo do sol”.

Para concluirmos esta questão, podemos afirmar biblicamente que o contato com os mortos sempre foi (e ainda é) algo proibido
por Deus. Embora seja uma prática milenar, de modo algum foi autorizada pelo Senhor. Muito pelo contrário, trata-se de uma
abominação aos olhos de Deus: “Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as
abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador,
nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico,
nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o
SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti” (Dt 18.9-12).
Como podemos ver pelo texto bíblico em referência, Deus não está apenas proibindo o contato com os mortos, mas também
condenando a adoração a outros deuses, não porque tais deuses existam, mas porque adorá-los é o mesmo que adorar os
demônios (1Co 10.20,21). Deduzindo, então: quem busca comunicar-se com os mortos, na verdade, estão-se envolvendo com
espíritos enganadores
Sendo assim, a necromancia não passa de um engano, uma impossibilidade e uma abominação. Bíblia e kardecismo não se
combinam. Podemos respeitar os sentimentos das pessoas que se dirigem aos médiuns buscando um contato com seus
saudosos parentes, mas não podemos concordar que se busque solução em algo tão pernicioso quanto essa prática.

Apelo romântico

Aproveitando-se do sentimentalismo humano, o kardecismo romantizou sua doutrina, e faz isso por meio das obras do famoso
médium Francisco Cândido Xavier, que escreveu 412 livros, nos quais os ensinos sistematizados por Kardec são apresentados
em bela prosa poética. A própria figura do autor é bastante carismática e sua história de vida apresentam diversos pontos que
despertam admiração e reverência nas pessoas.

Beleza e verdade não são palavras sinônimas, e mentira e fealdade (qualidade de feio) não são antônimas. Por exemplo: algo
pode ser mentiroso e belo ao mesmo tempo. O engano pode está vestido com uma bela roupagem. De Satanás, é dito que era
“perfeito em formosura” (Ez 28.12). Do Messias foi profetizado que “olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que
o desejássemos (Is 53.2).

Não desejamos agredir nenhuma pessoa, e muito menos a sua obra. Mas a verdade espiritual é algo de extrema seriedade. A
beleza não tem poder para transformar a mentira em verdade. Por outro lado, o que ela pode fazer é esconder a mentira; ou seja,
ocultar os mais terríveis venenos nos pratos mais saborosos. O apóstolo Paulo nos deu uma clara idéia do que isso representa: “E
não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem
em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2Co 11.14,15).

Apelo filantrópico

Concordamos com Tácito Gama Leite Filho, que afirmou: “A razão do crescimento do kardecismo no Brasil, após 1950, foi sua
ênfase na caridade”.11 Seu apelo filantrópico é muito forte. Em um país marcado pela desigualdade social, tudo aquilo que é feito
em prol do próximo é visto com bons olhos. Em termos de marketing, podemos dizer que a obra social é um dos fatores mais
importantes para se criar uma boa “imagem pública”. Associar esta filantropia com o “amor ao próximo” dos evangelhos foi a
melhor maneira de identificar espiritismo com cristianismo, como se este último se resumisse em ajudar os carentes. Até hoje,
esse apelo permanece em nosso país como um dos mais fortes.
Além de uma imagem pública positiva, a ato da caridade cria nas pessoas um agudo senso de justiça própria. A pessoa acaba se
julgando melhor que os outros; ou seja, melhor que aqueles que, aos seus olhos, não são tão caridosos, e, por conta disso,
considera-se digna das recompensas divinas. Tal procedimento faz que essas pessoas “extremamente caridosas” endureçam o
coração para receber o evangelho, porque não conseguem ver a salvação sob o prisma da graça, mas somente das obras. “Faço
muita caridade, logo, sou melhor que os outros”. Mesmo que Kardec fale contra a caridade orgulhosa, é difícil não se ufanar dela
quando isso constitui a base da salvação.

Assim como as demais religiões, o kardecismo também se vangloria de uma auto-salvação, o que, obviamente, está em
desacordo com o evangelho. O apóstolo Paulo enfatizou que a salvação não depende, de forma alguma, de obras humanas,
antes, é uma graça de Deus, não está relacionada às ações do homem (Rm 3.21-27; Gl 2.16; Ef 2.8,9; Tt 3.5). As boas obras são
uma conseqüência da salvação e não o contrário. A única diferença do kardecismo, em relação às outras religiões, é que ele
contextualizou a auto-salvação ao lançar mão do conceito de amor ao próximo do cristianismo.

É importante frisar o seguinte: identificar o amor cristão apenas com as obras sociais em favor dos menos favorecidos não é
bíblico. O texto de 1Coríntios 13.3 ensina que alguém pode distribuir toda a sua fortuna aos pobres e, mesmo assim, não ter amor.
Embora uma idéia possa de fato remeter a outra, isso não quer dizer que sejam idênticas.

Não poderíamos deixar de fazer uma apologia em favor das igrejas evangélicas concernente às obras de amor, pois
freqüentemente ouvimos acusações contra os evangélicos de que não demonstram amor ao próximo. Então, vejamos três coisas:

Primeira: o amor ao próximo não se resume em ação social. Existem diversas formas de praticar o amor cristão que não englobam
necessariamente as obras sociais. E temos certeza que o ambiente cristão é geralmente cheio de amor.

Segunda (e aqui falaremos sobre a questão da ênfase): O Novo Testamento não enfatiza as obras sociais, pois são apenas um
dos elementos do evangelho e não o seu centro, como querem os kardecistas. Se cremos realmente que a Bíblia é o padrão de
Deus, entendemos também que o viver cristão inclui muito mais que obras. Prestar ajuda material é apenas um dos elementos
cristãos, não o principal. Obras sociais não se constituem como ponte de salvação nem para quem faz nem para quem recebe.

Terceira: e última: a igreja evangélica, se olhada como um todo, é insuperável como instrumento de obras sociais no mundo.
Muitas denominações evangélicas já foram apontadas como as maiores praticantes de obras filantrópicas do mundo.
Organizações cristãs foram criadas somente para prestarem serviços humanitários, e isso em todo o mundo. A igreja evangélica,
seja local ou global, é um grande veículo de amor ao próximo. Mas por que suas obras não aparecem? Porque as obras não são a
nossa ênfase. Porque não precisamos mostrar o que estamos fazendo. Porque estamos em obediência ao mandamento de Jesus,
que diz que a nossa mão direita não deve saber o que faz a nossa mão esquerda (Mt 6.3).

Apelo de cura

O último elemento que atrai inúmeros adeptos ao kardecismo é a realização de “curas espirituais”; ou seja, de supostos milagres.
As pessoas geralmente correm atrás desse tipo de coisa, que, para elas, é um sinal de aprovação divina. Em uma dedução
simples: “Se é milagroso, então é de Deus”.

Mas isto não é verdade. Deus realmente realiza obras sobrenaturais, mas nem tudo que é sobrenatural vem de Deus. As
Escrituras nos fornecem provas abundantes a esse respeito.

No livro de Êxodo, por exemplo, temos o confronto de Moisés com os magos do Egito. Pelo menos três milagres realizados por
Moisés, sob o poder de Deus, foram imitados pelos magos: a vara que se transformou em cobra (Êx 7.10-12), a água do rio que
virou sangue (Êx 7.20-22) e a praga das rãs (Êx 8.6,7).
Em Deuteronômio 13.1-6, temos uma amostra de que a fonte de manifestações psíquicas pode ser de origem maligna. Uma
pessoa pode fazer uma premonição, seja em forma de profecia ou de sonho, e isso não proceder do Senhor. A fonte, neste caso,
seria maligna, e aquele que faz o “sinal” não foi inspirado por Deus.

O Novo Testamento é ainda mais explícito quanto à questão de milagres e maravilhas satânicas. Jesus disse que surgiriam muitos
falsos profetas que fariam tantos sinais e maravilhas e que, se possível fosse, enganariam até os escolhidos (Mc 13.22 ).

O apóstolo Paulo fala da “eficácia de Satanás com todo poder, e sinais, e prodígios de mentira” (2Ts 2.9) e o livro de Apocalipse
16.14, de “espíritos de demônios, que operam sinais”. Como podemos ver, os poderes psíquicos não precisam derivar
necessariamente do homem, mas de uma fonte maligna externa. Logo, não existe nada de óbvio em presumir que os milagres
realizados pelos espíritos no kardecismo sejam divinos. Não há como compará-los aos milagres bíblicos, uma vez que estes eram
realizados diretamente por Deus ou por instrumentalidade de um de seus servos, mas nunca por qualquer espírito.
Assim, concluímos que nem todo poder que age no Universo é benéfico e divino. Satanás e seus demônios também realizam
“milagres”, desde que isso lhes traga alguma vantagem.

O apelo que devemos ouvir

Agora, depois de apresentarmos os nove apelos do kardecismo, apresentamos o apelo mais acertado, o das Escrituras, que
convida as pessoas a deixarem todas essas práticas e se voltarem para o Deus verdadeiro. Nenhuma maquiagem pode
transformar algo abominável em algo aceitável, de forma alguma pode transformar algo condenado por Deus em veículo de
salvação. Sem a aprovação do prumo das Escrituras, toda obra deve ser rejeitada pelo homem, porque com certeza será rejeitada
por Deus.
O evangelho segundo o espiritismo é totalmente reprovado pela Bíblia. O espiritismo segundo o evangelho é uma cilada simpática
promovida pelo inimigo de nossas almas. Por todos os apelos que demonstramos aqui, percebemos que não é tarefa fácil lidar
com as convicções desse grupo religioso, porém, cabe a nós procurarmos meios, com a ajuda do Espírito Santo, de compartilhar a
salvação com os espíritas e suplicar por eles diante de Deus, para que se arrependam e conheçam a verdade (2Tm 2.25).

Para saber mais

O evangelho segundo o espiritismo, Alan Kardec, Federação Espírita Brasileira.


Porque Deus condena o espiritismo, Jefferson Magno Costa, CPAD.
Religiões e seitas, Tácito Gama Leite Filho, CETEO.
História do espiritismo, Arthur Conan Doyle, Editora Pensamento.
Almanaque Abril 2003, Editora Abril.
Referência bibliográficas:

1 O que é o espiritismo, Opus Editora Ltda, 2ª ed., 1985, 1985, p. 294.


2 História do espiritismo, Arthur Conan Doyle, Editora Pensamento, p. 316.
3 Obras póstumas, obras completas, Opus Editora, 2ª ed., 1985, p.1182.

4 Não confundir com Allan Kardec. Léon Denis nasceu em 1º de janeiro de 1846, em Foug, na Lorena francesa, e morreu em
Tours, em 12 de abril de 1927, com 81 anos incompletos. Seus pais foram Anne-lucie e o pedreiro e ferroviário Joseph Denis. Foi
consolidador do espiritismo e não apenas o substituto e continuador de Allan Kardec, como geralmente se pensa. Tinha uma
missão quase tão grandiosa quanto a do Codificador. Cabia-lhe desenvolver os estudos doutrinários, continuar as pesquisas
mediúnicas, impulsionar o movimento espírita na França e no mundo, aprofundar o aspecto moral da doutrina e, sobretudo,
consolidá-la nas primeiras décadas do século.
5 Cristianismo e espiritismo, Léon Denis, Federação Espírita Brasileira, 7ª ed., 1978, p. 86.

6 Duas importantes escolas espíritas que não sustentam suas crenças na Bíblia: Escola científica: Também chamados de Laicos.
No século XIX, foram liderados pelo professor Angeli Torteroli. Formavam uma frente de oposição aos chamados Místicos. Entre
outras coisas, procuravam desassociar o espiritismo do cristianismo. Escola paganizante: Sob a liderança de Carlos Imbassahy,
rejeitam a expressão “espiritismo cristão” e negam qualquer fundamentação bíblica do espiritismo. É de Imbassahy a seguinte
afirmação: “Nem a Bíblia prova coisa nenhuma nem temos a Bíblia como probante [...] O espiritismo não é um ramo do
cristianismo como as demais seitas cristãs. Mas a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo”.
7 Cristianismo e espiritismo, Léon Denis, Federação Espírita Brasileira, 7ª ed., 1978, p. 267.
8 À margem do espiritismo, Carlos Imbassahy, Federação Espírita Brasileira, p. 219.
9 Trata-se do posto sacerdotal mais alto dentro do sistema de castas hindu.
10 Trata-se da casta hindu dos marginalizados, ou “intocáveis”.
11 Religiões e seitas, Tácito da Gama Leite Filho, CETEO.
Defesa da Fé
Edição 16

Legião da Boa Vontade é a religião de Deus?

Por Natanael Rinaldi

O movimento ecumênico do Brasil

Talvez você possa estar perguntando: “ por que questionar a LBV? Não é ela uma entidade filantrópica? Sim! É verdade, os
trabalhos da LBV iniciaram-se com a distribuição de sopa aos pobres em Nova Iguaçu (Subúrbio do Rio). Mantém atualmente
creches, escolas, asilos, escolas, orfanatos, lares-escolas, escolas profissionalizantes, assistências médica infantil etc. Promovem
a “Ronda da Caridade” à meia-noite, recolhendo mendigos e bêbados nas calçadas e dando-lhes a sopa dos pobres”

Mantém em todos os estados 65 programas de televisão e 300 de rádio. Estão também no Uruguai, Paraguai, Argentina, México e
Estados Unidos, com planos para outros países. Pode-se questionar tal gesto de solidariedade humana como o desenvolvido por
eles? Claro que não questionamos, e nem discordamos dessas boas obras, pois é notável a contribuição no aspecto material aos
menos favorecidos, mediante constante e intenso trabalho dos adeptos da LBV. O que iremos analisar nesta matéria sobre a LBV
são suas estranhas crenças, à luz da Palavra de Deus. Muita gente desconhece a finalidade da LBV dentro dos seus próprios
estatutos, no sentido espiritual, já que sua finalidade não é só cuidar do corpo, seu objetivo é cuidar também da alma. E que
ensino a LBV está dando às almas preciosas dos internados em suas escolas e creches? Ou nos seus muitos programas
radiofônicos, televisivos e nas literaturas? Nada menos do que as doutrinas espíritas. Dizem em seus estatutos: “ A LBV
desenvolve suas atividades dentro da preocupação de tratar da saúde, do corpo e do espírito, objetivo principal do seu programa
de auxílio aos necessitados.” (JESUS-Saga de Alziro Zarur II, p. 88). Dizem ainda: “A RELIGIÃO DO NOVO MANDAMENTO
afirma a imortalidade da Alma e a reencarnação dos Espíritos; confirma a possibilidade, por permissão de DEUS, da comunicação
entre encarnados e desencarnados; reafirma a permanente PRESENÇA DE DEUS em cada um de Seus filhos.”(Ibidem, p.134)
Mas por causa de suas obras assistênciais, a LBV goza de grande prestígio junto ao povo. Quem está de fora nada vê senão
obras benevolentes e assim, com base nas aparências, não admitem jamais que qualquer pessoa de bom senso possa lhes
recusar auxílio quando solicitado, esses pedidos são feitos geralmente por meio do telefone. Se alguém recusa é considerado
pessoa de má vontade, pois não é admissível que pessoas de boa índole se recusem a ajudar as crianças que a LBV mantém nas
suas creches e escolas.

Histórico da LBV

O nome do fundador completo é Alziro Elias Davi Abraão Zarur e nasceu aos 25 de dezembro de 1914, de pais sírios, católicos
ortodoxos. Zarur considerava-se a reencarnação de Allan Kardec como declara no livro “JESUS – A Saga de Alziro Zarur II”–
ZARUR E KARDEC SÃO UM NO CRISTO DE DEUS.

Durante a sua vida fez três votos, sem que viesse a cumprir nenhum deles. O primeiro voto foi de celibato. Não cumpriu, casando-
se com Iracy Abreu, uma fiel legionária, depois de três meses de namoro; o segundo voto foi de não envolvimento político. Não
cumpriu, criando o PTN – Partido Trabalhista Nacional – e se candidatou à presidência da República, perdendo as eleições; o
terceiro voto, o mais importante da sua vida, não cumpriu como os demais. Disse ele: “Se alguém provar que a LBV não está
integrada nas Verdades do Evangelho e do Apocalipse, fecharemos as portas.”(Mensagem de Jesus Para os Sobreviventes, p.
110).

Conforme o prometido no início dessa matéria, que analizariamos apenas o aspecto doutrinário-religioso da LBV, usaremos esse
desafio lançado por Aziro Zarur em seu terceiro voto para continuarmos nosso estudo.

Ao final caberá a cada leitor se posicionar a cerca desse movimento religioso brasileiro, se devem ou não fechar suas portas
segundo a sentença do seu próprio fundador.

O Consolidador
José de Paiva Netto é o sucessor de Alziro Zarur é o seu atual presidente, é considerado o consolidador da LBV: “Graças a José
de Paiva Netto, o Consolidador, a LEGIÃO DA BOA VONTADE é hoje uma Obra completa, pois nada lhe falta. Passam-se os
anos desde a passagem de Alziro Zarur para o plano espiritual. Ele deixou a LBV nas mãos de Paiva Netto, que não a guardou
em quatro paredes. A LBV partiu para todos os cantos do Brasil, com mais intensidade, com novas Obras assistenciais. Novas
Sucursais Estaduais foram criadas, inclusive no Exterior”(JESUS-A Saga de Alziro Zarur, p. 88).

A origem do título LBV

Em 4 de março de 1949 lançou o programa “Hora da boa Vontade” na Rádio Globo do Rio. Lá criou a “Prece do copo d’água”.
Alziro Zarur citava textos bíblicos na Rádio e dentre eles repetia Lc 2.14 (versão católica): “Glória a Deus nas alturas, paz na terra
para os homens de boa vontade.” Na verdade, deve-se ter presente que a boa vontade não é dos homens para com Deus, mas de
Deus para com os homens: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens.” (Almeida) Oficialmente foi
fundada em 7 de setembro de 1959. Declaram: “Temos, como sempre tivemos, a convicção inabalável de que a LBV foi criada
pelo próprio JESUS, Nosso Divino Mestre, que segue na vanguarda deste movimento. (Religião do Terceiro Milênio, p. 95) E vão
além, ao declarar: “Esperamos que não ignores a originalidade da nossa RELIGIÃO SANTÍSSIMA! Não foi plagiada de nenhuma
outra! (idem, p. 115)

Contribuições

O prezado leitor já se viu diante de um pedido telefônico, feito por uma voz feminina muito delicada, elogiando-o como cidadão de
bem e se, como tal, não estaria disposto ao pagamento mensal para o custeio de uma criança, com uma contribuição de valor
considerável? Não é verdade que muitos cristãos evangélicos se julgam constrangidos diante desse pedido insistente e têm
desviado contribuições de sua igreja para atender a tais pedidos, sem saber que, indiretamente, estão contribuindo para que as
crianças abrigadas recebam toda a sorte de orientação religiosa contrária à Bíblia?

A quarta revelação de Deus

É fantástica a pretensão de certos grupos religiosos em pretenderem ser o caminho de Deus para a salvação. Pois assim se dá
com a LBV. Julga ser nada menos do que a Quarta e última revelação de Deus aos homens. Afirmam que as três primeiras
revelações de Deus se deram por: a) Moisés, através dele surgiu o Velho Testamento: b) por Jesus, com ele surgiu o Novo
Testamento; c) por meio de Allan Kardec, e com ele surgiu o Espiritismo, alegado como o cumprimento da promessa do próprio
Jesus de mandar o Consolador; a Quarta e a última revelação de Deus aos homens, a LBV. (JESUS-A Saga de Alziro Zarur, III)
Pretendem “restaurar a Verdade da Bíblia Sagrada, particularmente no que se contém no Evangelho e no Apocalipse de JESUS,
sempre à luz do Novo Mandamento, a Lei do Amor Universal, a RELIGIÃO DE DEUS...” (Religião do Terceiro Milênio, p. 52)

Templo do ecumenismo irrestrito

Quando da sua fundação, em 7 de setembro de 1959, o regimento interno da entidade dizia o seguinte: “Sendo uma religião
simbólica, não terá hierarquia e nem liturgia. Não terá bens materiais e nem templos. A Igreja do legionário é a sua própria casa e
cada legionário é o templo de Deus”.
Muito embora declarassem que a igreja do legionário fosse sua própria casa e cada legionário fosse o templo de Deus, hoje,
pensando diferentemente, criaram o templo da Boa Vontade em Brasília. O templo tem uma forma de pirâmide, cujo ápice traz um
cristal. No pavimento interno do templo há sete círculos concêntricos pretos e sete brancos, os quais as pessoas percorrem para
chegar finalmente debaixo do cristal, tido como portador de boas energias. Ao lado do templo, está sendo construído o chamado
“Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica” outra invenção megalomaníaca da LBV - “A RELIGIÃO DIVINA, em que se
fundem todas as religiões humanas.” Hoje também criaram os locais de culto chamados de Religião de Deus. O convite que fazem
é: “Venha receber um passe e beber um copo de água fluidificada.” Como propaganda dizem: “Quem é legionário, não deixa de
ser; quem passa pelo salão de cultos fica, passa a ser legionário.”
O ecumenismo é bíblico?

Ecumenismo irrestrito não é um ensino bíblico. Pois o ecumenismo irrestrito, não passa de uma espécie de vale tudo, definido por
Jesus como “o caminho largo que conduz à perdição”. (Mt 7.13,14). Na Bíblia encontramos que Deus não aceita todo o tipo de
culto que lhe prestam. Isso se vê no culto de Abel e Caim. Foi aceito o culto de Abel e rejeitado o culto de Caim. (Gn 4.1-6)

Ensinos peculiares

O uso da Bíblia

Declaração:

“Os erros da Bíblia são conseqüência natural do estado evolutivo dos seus autores...” São erros pessoais, que nem eram erros
para a maioria, na época em que foram escritos. Essa é a parte humana da Bíblia, que a LBV esmiuçou, ao tratar de alma e
espírito...” Ora, explica a necessidade das revelações progressivas, cuja finalidade (traçada pelo próprio Jesus) é corrigir e
atualizar a parte humana da Bíblia Sagrada. Portanto, com todos os seus erros, de origem exclusivamente humana, a Bíblia
continua certa como o demonstra a Doutrina do CEU da LBV.”
Em versos Alziro Zarur revela sua negação da Bíblia:
‘Há coisa mais ilógica, meu Deus,
Que a fé dos cristãos míopes refutar
Fatos concretos, e justificar
Contradições na Bíblia dos hebreus?
Senhor, não creio que este Livro Santo
Tenha, todo ele, inspiração divina
Porque tua santíssima doutrina
Não pode rebaixar-se tanto e tanto!
Não posso concordar com tais parlendas
Que difundem tamanhas inverdades;
Se a Bíblia tem muitíssimas verdades,
Tem, também, suas fábulas e lendas.
(o grifo é nosso)
(Mensagem de Jesus Para os Sobreviventes,
p. 179, 180)
Resposta:
Ora, os Evangelhos e o Apocalipse fazem parte da Bíblia. Se a LBV admite que na Bíblia existem erros, como provar que a LBV
está integrada nas Verdades do Evangelho e do Apocalipse? A própria Bíblia faz referências à sua inspiração divina.
Freqüentemente se lê: “a Escritura não pode ser anulada”(Jo 10.35). Lemos em 1 Pe 1.21: “Homens santos de Deus falaram
inspirados pelo Espírito Santo.” Paulo afirmou o seguinte: “Pelo que também damos sem cessar graças a Deus, pois, havendo
recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como
palavra de Deus, a qual também opera em vós os que crestes.”(1 Ts 2.13) Jesus disse: “A tua palavra é a verdade.” (Jo 17.17) A
maior prova da inspiração da Bíblia está em suas profecias exatas. As profecias anunciavam com precisão muito antes de
acontecer a vinda de Jesus em cumprimento da palavra de Dt 18.15 “O Senhor teu Deus te despertará um profeta do meio de ti,
de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis.” Foi profetizado o lugar do seu nascimento como Belém; que nasceria de uma virgem; que
seria traído por 30 moedas; que seria contado com os malfeitores; que nenhum dos seus ossos seria quebrado; que se lançariam
sortes sobre seus vestidos e que seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia. Mq 5.2; Mt 2.3-9; Is 7.14; Mt 1.22,23;Zc 11.12,13; Mt
27.3-5; Is 53.12; Lc 22.37, 52; 23.32,33; Sl 34.20; Jo 19.36; Sl 22.18; Mt 27.35; Sl 16.10; At 2.27-31. Não podemos esquecer que a
LBV se propôs fechar as portas se fosse provado que “não está integrada nas Verdades do Evangelho e do Apocalipse.”
Jesus

Com relação à pessoa de Jesus, a LBV nega tanto a humanidade como também a divindade absoluta de Jesus. Com relação à
sua humanidade, afirma a LBV:
Declaração:

“JESUS não poderia nem deveria, conforme as imutáveis Leis da Natureza, revestir o corpo material do homem do nosso planeta,
corpo de lama, incompatível com natureza espiritual, mas um corpo fluídico...”(JESUS-A Saga deAlziro Zarur, II, p. 108)

Considerando que Jesus não podia ter um corpo material (de carne e ossos), não poderia Maria tê-lo dado à luz e assim o que
ocorreu com Maria foi apenas uma ilusão de parto.
Diz então Alziro Zarur:

“Maria tinha de crer num parto real e lembrar-se dos fatos que lhe cumpria atestar, como se tivessem ocorrido.” ( JESUS-A Saga
de Alziro Zarur II, p. 153)
Resposta:

Como se torce a Bíblia! Maria teve uma ilusão de parto. Como poderia isso acontecer se em Lc 2.7 se lê:”E deu à luz a seu filho
primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.” Além disso,
Jesus estava sujeito ao crescimento, como todos os homens (Lc 2.52). Sentiu fome (Mt 4.2), sede (Jo 19.28), comeu e bebeu (Mt
11.19), dormiu (Mt 8.25), suou sangue (Lc 22.44), foi crucificado, morreu na cruz e por fim ressuscitou dos mortos (Lc 24.1-6,39-
43).
João, o apóstolo, em sua Segunda epístola, versículo 7, declara: “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais
não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anti-cristo.”
Com relação à deidade absoluta, Alziro Zarur se pronuncia:
Declaração:

“Agora, o mundo inteiro pode compreender que JESUS, o CRISTO DE DEUS, não é DEUS nem jamais afirmou fosse DEUS.”(
JESUS- A Saga de Alziro Zarur, II, p. 112)
Resposta:

Jesus nunca afirmou ser Deus Pai , mas afirmou sua igualdade com Ele. Por algumas vezes no Evangelho de João, vemos Jesus
ser ameaçado de morte pelos líderes judaicos. Depois de curar o coxo, ordenou-lhe tomar a cama e partir. Era sábado. Os judeus
ordenaram-lhe que parasse. O coxo informou que fora Jesus que o curara e que o mandara carregar a cama. “E por esta causa os
judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo; porque fazia estas coisas no sábado. E Jesus lhes respondeu: Meu Pai
trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso pois os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o
sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo- se igual a Deus.(Jo 5.16-18) Disse mais Jesus em Jo 10.30-33:
“Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos
mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe:
Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” E tudo isso
ocorreu por causa da reivindicação de Jesus de sua igualdade de natureza com Deus, o Pai. Não bastasse isso, temos o prólogo
do evangelho de João, que diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio
com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”(Jo 1.1-3)

Reencarnação

A LBV é uma entidade espírita. Foi numa sessão espírita que uma senhora, por nome Emília R. Melo, disse a Alziro Zarur ter visto
São Francisco de Assis ao seu lado. Desde então esse “santo” passou a ser patrono da LBV. Sendo espírita, não podia pensar
diferente da doutrina da reencarnação.
Daí porque Alziro Zarur se pronuncia favorável à teoria da reencarnação.
Declaração:
“Só a reencarnação e os séculos – expiação, reparação e progresso – poderiam preparar as inteligências e os corações de
maneira a fazer deles ODRES NOVOS, CAPAZES DE CONSERVAR O VINHO NOVO.”(JESUS-A Saga de Alziro Zarur II, p. 259)
“O homem, como sabeis nasce e morre muitas vezes, antes de chegar ao estado de perfeição.”(Ibidem, p. 116)
Resposta:
Jesus ensinou que depois da morte há um julgamento e separação absoluta entre os justos (os que o aceitaram por Salvador e
Senhor); e os ímpios, como resultado da aceitação ou rejeição de Cristo como Salvador e Senhor (Jo 3.16-18); de entrar pela
porta estreita ou porta larga (Mt 7.13,14). Jesus ensinou que existe o céu e que existe o inferno e que tais lugares são finais e
definitivos (Lc 16.22-25; Mc 9.43-35). Jesus falou sobre a ressurreição do corpo e não da eliminação do corpo como ensina a LBV
(Jo 5.28,29); Jesus, em vida corporal, realizou muitos milagres dentre os quais a ressurreição de mortos como Lázaro (Jo
11.25,26). Além disso Jesus ensinou que somos salvos pela sua morte na cruz (Mt 20.28: 26.26-28). Se somos salvos pela obra
expiatória de Jesus é claro que as boas obras não salvam e nem ajudam a salvar-nos ( Ef 2.8,9; Tt 3.5).

Mediunidade

Declaração:
“A RELIGIÃO DO NOVO MANDAMENTO... confirma a possibilidade, por permissão de DEUS, da comunicação entre encarnados
e desencar na dos...” (RELIGIÃO DO TERCEIRO MILÊNIO, p. 134)
Resposta:

Tiago, o apóstolo, afirma: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há
mudança nem sobra de variação.”(1.17) Logo, como admitir que, por permissão de Deus, exista a possibilidade de “comunicação
de encarnados e desencarnados”? E por que dizemos isso? Porque o próprio Deus proibiu terminantemente essa prática
conhecida como mediúnica. Diz Dt 18.10-12, “Entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem
adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um
espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos.” (o sublinhado é nosso). Então, pergunta-se: como admitir que
Deus proíba e que por sua permissão ele consinta essa comunicação entre encarnados (os vivos) e os desencarnados (os
mortos)? Mesmo quando recebermos convites para entrar em contato com eventuais parentes ou pessoas queridas mortas, não
devemos aceitar tais sugestões. “Quando vos disserem: Consultai os que teem espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e
murmuram entre dentes; - não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?”(Is 8.19) Deus
proíbe porque sabe perfeitamente que os vivos que querem entrar em contato com os mortos, por meio dos médiuns, na verdade,
estão entrando em comunicação com demônios (Ef 6.12). Nunca alguma pessoa conseguiu identificar o espírito que fala pelo
médium. Essa é uma situação que preocupa todos os espíritas. Admitem a hipótese da mediunidade mas não saber como
identificar o espírito que fala pelo médium. Allan Kardec declara sobre o assunto: “A identidade é uma das grandes dificuldades do
Espiritismo prático; freqüentemente, ela é impossível de se constatar...” “... eles podem tomar o (nome) de um Espírito conhecido
pertencente à mesma categoria, de tal sorte que, se um Espírito se comunica com o nome de São Pedro, por exemplo, nada não
prova que ele seja precisamente o apóstolo desse nome.”(O Que é o Espiritismo, p. 127)

Se a Bíblia declara que a boca fala do que o co ração está cheio, imagine Alziro Zarur chegar ao extremo de compor um poema e
a quem ele tributaria esse poema. Nada menos do que ao seu irmão Satanás. E assim ele expressa sua apreciação por ele:
Lembro-me bem: eu era uma criança
Calada e triste, sem saber porquê.
Menino, ás vezes, pensa. E também vê
Que é triste o carnaval da vizinhança.
Em minha paz de criança pessimista,
Desconfiada de risos e festinhas,
Ninguém sabia ler as mágoas minhas
Naquele isolamento fatalista.
Um dia, eu fui com meus irmãos à igreja,
E um padre perturbou a minha paz:
Ele falou de um certo Satanás
Que as almas brutaliza e mercadeja.
Mas falou com uma raiva tão bravia
Do Diabo vil, com um coração de pau,
Que eu perguntei à minha mãe avó Maria:
– Será que o Diabo é mesmo assim tão mau?
E Lúcifer, com todo o seu quartel,
Me preocupou, de fato, muitos anos:
Quis, até devassar os seus arcano,
Aprofundando a história de Lusbel.
Mais tarde, eu lia a Bíblia, de manhã –
E são 66 livros ou partes –
Para surpreender todas as artes
Daquele infernalíssimo Satã.
Até que, um dia, o Novo Testamento
Me revelou, na sua estranha luz,
O Sermão da Montanha, de Jesus,
Que não me saiu mais do pensamento.
Fiquei pasmado, oh! sim, perante aquelas
Palavras da misericórdia-mor!
E tanto as li que, até hoje sei de cor
Estas palavras mansamente belas:
“Bem-aventurados os humildes,
porque deles é o reino do céu.
Bem-aventurados os que choram,
porque eles serão consolados
pelo próprio Deus.
Bem-aventurados os pacientes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome
e sede de justiça,
porque terão o amparo
da Justiça Divina.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque eles alcançarão missericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração,
porque eles verão Deus face a face.
Bem-aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos
por causa da Verdade,
porque deles é o reino do céu.
Bem-aventurados sois vós
quando vos perseguem,
quando vos injuriam e, mentindo,
Fazem todo o mal contra voz
por minha causa.
Exultai e alegrai-vos,
porque é grande
o vosso galardão no céu.
Ouvistes o que foi dito:
amarás teu amigo
e odiarás teu inimigo.
Eu, porém, vos digo:
amai até mesmo aos vossos inimigos;
bendizei àqueles que vos maldizem;
fazei bem àqueles que vos odeiam;
orai por todos aqueles
que vos perseguem e maltratam...
Nessa altura, já entrara em minha vida
– E lhe fiz um cordial salamaleque
A obra portentosa de Kardec,
A jorrar na Bíblia envelhecida.
Na grande Metapsíquica dos sábios,
que estudam essas coisas sem rituais,
Algumas perguntinhas, bem banais,
Naturalmente vieram aos meus lábios:
– Se Deus sempre é perfeito no que faz
E nada do que fez ao mal destina,
Por que odiarmos nós a Satanás
Se ele, também, é criação divina?
–E, se JESUS nos veio esclarecer
que amássemos até “ao inimigo”,
Por que não transformar num bom amigo
A Satanás, em vez de o combater?
Amigos meus, oremos por Satã,
Amemo-lo de todo o coração,
E respondamos sempre com o perdão
Aos males que nos faça, hoje e amanhã.
E, um dia, todos nós iremos ver
Satanás redimido, a trabalhar
Por aqueles que veio tresmalhar
Dos rebanhos do Cristo, e reviver!
Porque se assim, amigos, não quiserem
Aqueles que se chamam “os cristãos”,
Lavemos, desde já as nossas mãos,
Antes as iniquidades que fizeram.
Por mim, com honra, eu amo Satanás, Meu pobre irmao perdido nos infernos,
Com este amor dos sentimentos ternos,
Pra que ele, também receba a paz.
(Mensagem de Jesus Para os Sobreviventes, Poema completo: p.130/132/133.) O grifo é nosso.

Consideração final
Precisaríamos dizer mais sobre a LBV depois que o seu fundador se declarou amigo de Satanás e recomenda que o amemos de
todo o coração? A Bíblia recomenda amarmos a Deus de todo o coração, de toda a alma e do todo o pensamento (Mt 22.37).
Houve alguém que aceitou permitir a entrada de Satanás em sua vida e Satanás causou-lhe a desgraça. Chamava-se Judas
Iscariotes. Está escrito: “Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos
doze.”(Lc 22.3) Trágica decisão a de abrir-se os corações para o amigo de Alziro Zarur – Satanás. Jamais o façamos porque sua
obra é matar, roubar e destruir (Jo 10.10). Abramos o coração para Jesus que veio desfazer as obras do diabo na vida das
pessoas (1 Jo 3.8-10).
Defesa da Fé
Edição 10

Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec?

Por Natanael Rinaldi

Não se pode negar que a doutrina da reencarnação é a doutrina mais saliente do espiritismo. Admitindo como natural e
espontânea a reencarnação, AK afirma: “Como quer opinemos acerca da reencarnação, quer a aceitemos, quer não, isso não
constituirá motivo para que deixemos de sofrê-la, desde que ela exista.” Como parece tão óbvia a reencarnação para os espíritas,
a FOLHA ESPÍRITA de junho de 1998, na primeira página dessa edição, em grandes manchetes trouxe o título “A VOLTA DE
ALLAN KARDEC”. Com esse título tomou-se conhecimento de que em mensagem de Hilário Silva, recebida pelo médium Antônio
Baduy filho, na reunião de abertura da 34º Confraternização de Mocidades e Madurezas Espíritas do Triângulo Mineiro
(COMMETRIM) na noite de 31/10/1997, em Ituitaba-MG, tomou-se conhecimento de que Chico Xavier era a reencarnação de
Allan Kardec.

O mesmo jornal, FOLHA ESPÍRITA, publica uma entrevista de Marlene Nobre, que, indagada como recebeu a mensagem de
Hilário Silva, declarou: “Com naturalidade e, porque não dizer, com um misto de alegria e alívio. Naturalidade, porque há cerca de
40 anos tenho certeza de que Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec, o Apóstolo da Renovação Humana, segundo a feliz
denominação de Emmanuel.”

Allan Kardec

Poucas pessoas sabem que Allan Kardec é o pseudônimo de um homem, cujo nome verdadeiro é Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Nasceu Hippolyte Léon Dinizar Rivail em Lion, na França, no dia 3 de outubro de 1804. A partir de 1855, dedicou-se inteiramente
ao espiritismo. A partir de 18 de abril de 1857 desaparece Hippolyte Léon Denizard Rivail para dar lugar a Allan Kardec. Morreu no
dia 3l de março de 1869, em Paris, com a idade de 65 anos incompletos. Os livros escritos por Allan Kardec, que constituem a
codificação do espiritismo são:
1. O Livro dos Espíritos (publicado em 18 de abril de 1857, em francês)
2. O Que é o Espiritismo (1859)
3. O Livro dos Médiuns (186l)
4. O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864)
5. O Céu e o Inferno (1865)
6. A Gênese (1868)
7. Obras Póstumas (publicado depois da sua morte, ocorrida em 31 de março de 1869)

Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier nasceu a 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, MG. Afirma ter tido as primeiras visões aos 4 anos.
Por duas vezes teve o nome indicado para concorrer ao Nobel da Paz (198l e 1982). Psicografa desde 1927. Parnaso de Além-
Túmulo, primeiro livro psicografado, foi lançado em 1932. Aos 88 anos de idade, e com a saúde já muito abalada, o mais célebre
médium brasileiro reside na Casa da Prece, Av. João XXIII, no bairro do Aeroporto, Uberaba-MG, conhecida como a capital do
Espiritismo Kardecista no Brasil. Para lá convergem milhares de pessoas de todo o Brasil. Já publicou 408 livros, sendo o único
escritor espírita que supera Allan Kardec. Definindo sua razão de viver, declara ele: “Ah... mas quem sou eu senão uma formiga,
das menores, que anda pela terra cumprindo sua obrigação.” (ISTO É/1358-11-10-95, p.101)
Paradoxo: Dois AK reencarnados ao mesmo tempo?

Pode parecer estranha essa nossa pergunta, “Como podem duas pessoas alegarem ser a reencarnação de Allan Kardec,
considerando que ambos viveram na mesma época? É que o fundador da Legião da Boa Vontade também alegava, enquanto
vivia, ser a reencarnação de Allan Kardec. Citando uma das obras de AK, Alziro Zarur afirmava que ele viera completar a obra de
Kardec, trazendo para o mundo a quarta revelação de Deus aos homens. Como sabemos, AK reclama ser o Espiritismo a terceira
revelação de Deus aos homens. A primeira revelação foi dada por Moisés, e surgiu o Velho Testamento. A segunda revelação
veio por Jesus Cristo, e surgiu o Novo Testamento. A terceira revelação seria o cumprimento da promessa de Jesus de mandar o
Consolador, com a chegada do Espiritismo codificado por AK. Agora, surgiu a quarta revelação reclamada pelo fundador da LBV,
Alziro Zarur, que se propôs completar a obra iniciada por AK.

Diz ele: “Allan Kardec recebeu de Seus Amigos Espirituais em meados do século passado, a notícia de que regressaria à Terra
para completar a sua missão, porque o Espiritismo não dera a última palavra.”... Ora, tudo isso está matematicamente cumprido
no Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho e do Apocalipse, graças à ação heróica, pertinaz de Alziro Zarur: Kardec veio.
Cumpriu, na íntegra, a segunda metade de sua admirável tarefa missionária. ”... “... os irmãos espíritas, diante da marcha
inexorável da Verdade, reconhecerão que Alziro Zarur foi Kardec que voltou. E completou a missão do Espiritismo, com a
RELIGIÃO DE DEUS... ”(A Saga de Alziro Zarur-III, JESUS, Zarur, Kardec, Roustaing Na Quarta Revelação, 5 ª edição, p. 11-13).
É possível? Pergunta que deixamos para os espíritas responder...

Reencarnação: Teoria ou fato?

A teoria da reencarnação é a principal doutrina do espiritismo. Tudo no espiritismo se centraliza nessa palavra. Embora AK não
goste de admitir a palavra dogma, chega a afirmar que a reencarnação é um “dogma”. A palavra reencarnação é formada de dois
vocábulos: 1) re (que indica repetição) e 2) encarnar (tornar a tomar corpo ou tornar-se carne). Significa, pois, o vocábulo
reencarnação tornar a tomar corpo. A frase célebre esculpida no túmulo de AK, em Paris, sintetiza a doutrina ensinada por ele:
“Nascer, morrer, renascer e progredir sempre; esta é a lei”.
Allan Kardec assim define a reencarnação: “A reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente
formado para ela e que nada tem de comum com o antigo.” Ainda explica ele que: “A pluralidade das existências, difere
essencialmente da metempsicose, em não admitir o espiritismo a encarnação da alma humana nos corpos dos animais, mesmo
como castigo. Declara que as almas não regridem mas sempre progridem. Por fim, o espírito fica sendo puro espírito, espírito
bem-aventurado. Ensino totalmente contrário à Bíblia que fala da redenção por Cristo e ressurreição do corpo como estado final.
“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”(Hb
7.25) “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que
fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”. (Jo 5.28,29)

Doutrina dos espíritos ou de Allan Kardec?

Segundo ALLAN KARDEC, existem duas condições essenciais para que uma doutrina seja aceita como doutrina espírita. A
primeira é que haja generalidade, e a segunda é que haja concordância geral dos espíritos. Diz ele: “O caráter essencial desta
doutrina, a condição de sua existência, está na generalidade e concordância do ensino; donde resulta que todo princípio que não
recebeu a consagração do assentimento da generalidade, não pode ser considerado parte integrante desta mesma doutrina, mas
simples opinião isolada, cuja responsabilidade o espiritismo não assume” (A Gênese, p. 903, Opus Editora Ltda., 2 ª edição).

Então surge a pergunta muito oportuna: a principal doutrina espírita pode ser classificada como genuinamente espírita? A nossa
resposta é que a principal doutrina espírita, a doutrina da reencarnação, não pode ser considerada espírita por não haver
assentimento de todos os espíritos nesse ensino. O próprio AK é quem nos diz isso: “Seria o caso, talvez, de examinar-se porque
todos os Espíritos não parecem de acordo sobre este ponto.”(O Livro dos Espíritos, p. 94, Opus Editora Ltda.)
Continua AK: “De todas as contradições que se observam nas comunicações dos Espíritos, uma das mais chocantes é aquela
relativa à reencarnação, como se explica que nem todos os Espíritos a ensinam?”(O Livro dos Médiuns, p. 496, Opus Editora
Ltda., 2 ª edição, 1985)
AK insiste em deixar bem claro o que se pode classificar como doutrina espírita: “Não será a opinião de um homem que se aliarão
os outros, mas à voz unânime dos Espíritos; não será um homem, como não será qualquer outro, que fundará a ortodoxia espírita;
tampouco será um Espírito que se venha impor a quem quer que seja: será a universalidade dos Espíritos que se comunicam em
toda a Terra, por ordem de Deus. Esse o caráter essencial da Doutrina Espírita, essa a sua força, a sua autoridade.” (O Evangelho
Segundo o Espiritismo, p. 36, 77 ª edição).
A confissão clara e inequívoca é que a principal doutrina espírita não é na verdade espírita, mas do codificador do espiritismo:

“Não é somente por que ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos parece a mais lógica e a única que resolve as questões até
então insolúveis. Que ela nos viesse de um simples mortal e a adotaríamos da mesma maneira, não hesitando em renunciar às
nossas próprias idéias. Do mesmo modo, nós a teríamos repelido, embora viesse dos Espíritos, se nos parecesse contrária à
razão, como repelimos tantas outras.” (O Livro dos Espíritos, p. 97. Opus Editora Ltda., 2 ª edição, 1985).

Afinal, para que serve o ensino tão apregoado dos espíritos no Livro dos Espíritos, com mais de mil perguntas formuladas por AK
e respondidas pelos espíritos, se o próprio AK declara que rejeitaria a reencarnação, se não lhe parecesse racional?

Conclusão

Como encarar a notícia alvissareira transmitida pela FOLHA ESPÍRITA e plenamente aceita por pessoas inteligentes, como soe
acontecer com os espíritas kardecistas que são, de todos os ramos do espiritismo, os mais esclarecidos? Tão esclarecidos são
que o próprio Chico Xavier se encarrega de esclarecer seus irmãos espíritas sobre sua reencarnação como Allan Kardec.
Indagado se tinha consciência de ser AK reencarnado, respondeu: “Quando (ou quanto) a mim, os Espíritos nada me informaram
a respeito.” (Folha Espírita, nov./98, p. 7) É o problema da doutrina reencarnacionista: ninguém sabe o que realmente foi e nem o
que fez em vidas passadas. Embora tal circunstância espera evoluir para a condição de espírito puro, reencarnando quantas
vezes forem necessárias. Pura fantasia! A Bíblia é clara quando afirma: “ E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez,
vindo depois disso o juízo.”(Hb 9.27) Morrer uma só vez, não um número indefinido de vezes. É a explícita afirmação da unicidade
da vida terrestre. AK não reencarnou no corpo de Alziro Zarur e muito menos no corpo de Chico Xavier. Pura ilusão espírita.
DIVISÃO DO ESPIRITISMO 5. DIVISÃO DO ESPIRITISMO O Espiritismo, tanto o de
origem européia, codificado por Allan Kardec, como o de origem africana ou indígena, ou
seja, candomblé, umbanda, xangô, pajelança e outros, são conjuntos de ensinamentos
totalmente contrários à Bíblia. Os que se entregam a essas práticas, procuram, por diversos
meios, entrar em contacto com os espíritos de pessoas falecidas, movidas pela curiosidade e
pelo desejo de "conversar" com elas e obter informações sobre acontecimentos "futuros". No
seio do cristianismo, os cristãos, segundo suas convicções e expressão de fé estão
distribuídos por várias denominações, ou seja, católica romana, episcopal, pentecostal,
luterana, batista, etc. No seio do Espiritismo isso também é válido. Os espíritas também se
distribuem, não por denominações, mas por correntes ou doutrinas. O Espiritismo é dividido
em cinco grupos principais: UMBANDISTA: - Conhecido também como baixo espiritismo.
Este grupo compreende: Umbanda: é o nome da actual macumba. Originou-se de escravos
bantos, vindos da África. Quimbanda: é a famosa magia negra. É também conhecido como
espiritismo do livro de São Cipriano da capa preta. Xangô: outra forma de espiritismo afro-
brasileiro. é Babaçuê: espiritismo de origem africana, influenciado pela pajelança...
Pajelança: ritual indígena realizado pelo pajé da tribo. À semelhança das sessões espíritas,
nela também ocorre o transe, as incorporações de espíritos e mensagens. Catimbó: feitiçaria
de origem européia, influenciada pelos indígenas e africanos. KARDECISTA - Conhecido
também como alto espiritismo. Este grupo compreende: Kardecista Puro: segue as doutrinas
de Allan Kardec. Ruteirista e Ubaldista: seguem as doutrinas de João Batista Roustang e de
Pietro Ubaldi, respectivamente. Emmanuelista: é influenciado pelos "ensinamentos" de
Emmanuel, o espírito guia de Chico Xavier. Ramanista e Paganizante: seguem os
ensinamentos do "espírito guia" Ramatis e a tendência espírita liderada por Carlos
Embassahy, respectivamente. OUTRAS TENDÊNCIAS: conforme o "líder" ou "espírito
guia", como Yokanam, tia Neiva, etc. GRUPO ESOTERISTA - divide-se nas seguintes
organizações: " Rosacruz, Teosofia, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, "
Organizações diversas tais como: Ordem dos Iluminados, Legião da Boa Vontade, Ordem
Esotérica do Mentalismo,Gnosticismo, Logosofia e Cultura Racional Superior. GRUPO
CIENTÍFICO - espiritismo voltado para o estudo da paranormalidade. Os Kardecistas não
admitem ser confundidos com os umbandistas. Mas a verdade é que Umbanda e Espiritismo
são a mesma coisa. A própria Federação Espírita Brasileira reconheceu essa igualdade. Eis o
que foi escrito em seu órgão oficial de informação "O Reformador", em sua edição de julho
de 1953, pág. 149: "Baseados em Kardec, é-nos lícito dizer: todo aquele que crê nas
manifestações dos espíritos é espírita- ora, o umbandista nelas crê. Logo umbandista é
espírita, mas nem todo espírita é umbandista, porque nem todo espírita aceita práticas de
umbanda." Eis os pontos comuns entre o Espiritismo e a Umbanda: a) comunicado com os
espíritos dos mortos, os "desencarnados"; b) a reencarnação; c) sofrimento, como base para a
evolução no progresso espiritual; d) a prática da "caridade", que acelera esse progresso. As
pessoas que se esforçam para praticar boas obras, desenvolver-se na mediunidade, crendo
que morrerão e reencarnarão diversas vezes e depois passarão a viver em outros mundos
como "guias de luz", ficarão bastante surpresos com o que o próprio Deus nos revela em Ef
2:8-9: "Porque pela Graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não vem de obras para que ninguém se glorie." Esses falsos "santos" ou entidades que
baixam em centros espíritas, além de encher o espírito do ser humano de confusão e engano,
fazem pesadas exigências a quem os procuram em busca de "favores", que sempre terminam
levando as pessoas à escravidão espiritual e, o que é muito pior, jamais verão a face de Deus,
pois não terão a vida eterna, segundo a própria promessa divina. Assim Deus nos revela em
Deuteronômio 18:10-13: "Não se achará diante de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho
ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem
encantador de serpentes, nem necromantes, nem mágico, nem quem consulte os mortos, pois
todo aquele que faz tal coisa, é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu
Deus, os lança diante de ti. Perfeito serás como o Senhor teu Deus." E Deus ainda nos revela
em Levítico 20:6: "Assim disse o Senhor: se alguém se dirigir aos espíritas ou aos advinhos
para se relacionar com eles, voltarei o meu rosto contra ele e o eliminarei do meio do meu
povo"
Ao contrário do que muitos pensam, Allan Kardec não é o nome real do homem responsável pela
codificação da Doutrina Espírita. O nome verdadeiro de Allan Kardec na realidade é Hippolyte
Léon Denizard Rivail. Ele foi um professor francês nascido no dia 3 de outubro de 1804 na cidade
de Lyon, na França.

Mas então quem foi Allan Kardec? O professor Rivail adotou esse pseudônimo por dois motivos:
consultando os espíritos descobriu que havia sido em outra vida um sacerdote druida, de nome
Allan Kardec. Além disso, Kardec escolheu esse nome para separar suas obras didáticas,
produzidas anteriormente, do seu material espírita.

Quem foi Allan Kardec: Sua importância para o


espiritismo
Allan Kardec foi o responsável pela codificação da Doutrinas Espírita. Mas o que é isso?

Como cientista e pesquisador que era Allan Kardec passou a frequentar reuniões mediúnicas(na
época chamadas de mesas girantes), reuniões muito comuns em Paris nos anos 1850
frequentadas por nobres e intelectuais.

Esse contato com esses fenômenos mediúnicos despertou o interesse de Kardec pelo mundo dos
espíritos. Após meses observando e também fazendo perguntas aos espíritos e anotando
respostas, recebeu um convite dos espíritos durante essas sessões para reunir e publicar os
ensinamentos que ele obtinha nas mesas.

Amigos entregaram a Allan Kardec 50 cadernos contendo anotações de conversas que eles e
outros praticantes das “mesas girantes”tiveram com os espíritos nos cinco anos anteriores.
Kardec então leu e organizou esses cadernos, tirando destes diversas perguntas de psicologia,
filosofia e natureza espiritual.

Com essas perguntas em mãos, Allan Kardec então passou a questionar os espíritos durante as
sessões sobre as perguntas levantadas por ele. Para garantir veracidade, Allan Kardec verificou
todas as respostas obtidas com outros espíritos, utilizando para isso outros métodos. As
respostas recebidas foram utilizadas para produzir o famoso O Livro dos Espíritos, livro base do
espiritismo.
Nos anos seguintes Allan Kardec produziu outros livros importantes ao espiritismo, como O Livro
dos Médiuns, O Céu e o Inferno, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese . Responsável
pela disseminação e fortalecimento do espiritismo na Europa que depois correu o mundo, Allan
Kardec faleceu aos 64 anos em Paris.

Você também pode gostar