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Tripura Rahasya

Contact: Traduzido para o português por Eanes T. Pereira


www.cienciacontemplativa.com.br

Email: ciencia.contemplativa.cg@gmail.com
Date: 26 de agosto de 2015

Capítulo 1

Versão 1

1. Saudação ao Aum (o Brahman não diferenciado), a causa Primordial e Bem-aventurada, a

consciência transcendental que brilha como o espelho do universo maravilhoso:

2. Haritayana disse:

- Impertubável você ouviu, Oh Narada! A Mahatmya (A Glória) de Sri Tripura, que ensina o

modo da Transcendência.

3. Agora eu devo discursar sobre o conhecimento, que é único por que aquele que ouvi-lo será

permanentemente libertado da miséria.

4. Este é o extrato concentrado da essência dos conhecimentos Védico, Vaishnava, Saiva, Sakta

e Pasupata obtidos após um profundo estudo de todas eles.

5. Nenhum outro curso irá impressionar a mente tanto quanto este sobre a Sabedoria, que foi

uma vez ensinado pelo ilustre mestre Dattratreya a Parasurama.

6. O ensinamento nasceu de sua própria experiência, lógica em sentido e única em sua natureza.

7. Aquele que não pode compreender a Verdade mesmo após ouvir isto, deve ser dispensado

como um tolo idiota para ser classificado entre os insensíveis e abomináveis de Deus; O

próprio Shiva não pode fazer tal pessoa obter conhecimento.

8. Agora, procedo a relatar aquele conhecimento incomparável. Ouçam! Oh, as vidas dos Sábios

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são mais sagradas!

9. Narada também serviu-me para aprender o mesmo de mim.

10. Pois, o serviço dos Sábios habilita a apreensão de sua bondade inata, assim como o sentido

do olfato ajuda alguém a detectar o odor intrínseco do musk.

11. Quando Parasurama, o filho de Jamadagni, já com a mente purificada e gentil com todos,

estava ouvindo a Boa Nova do Tripura dos lábios de Dattatreya, ele abstraiu-se em devoção e

permaneceu quieto por um tempo, sua mente tornou-se ainda mais pura.

12. Então, como a mente relaxou, seus olhos brilharam em arrebatamento e seu cabelo arrepiou-

se, como se seu êxtase não pudesse ser contido mas tivesse escapado pelos poros de seu

corpo.

13. Ele então caiu aos pés de seu Mestre Datta.

14. Novamente, ele levantou-se e sendo preenchido com êxtase, sua voz chocada com emoção

quando ele disse: sortudo eu sou; abençoado eu sou; por meio de tua graça Oh Senhor!

15. Essa extensão de graça chamada Shiva, aque encarnada como meu Guru, é de fato graciosa

comigo; do qual o prazer mesmo do Senhor da criação parece um pigmeu1 .

16. O Deus da Morte não fundiu-se ao Ser, se apenas o mestre de alguém se satisfaz com al-

guém? Aquele Ser Supremo é de fato gracioso, tanto quanto meu Mestre, por razões por mim

desconhecidas.

17. A graça recebida do Guru, eu recebi todas! Tens agora gentilmente me revelado a glória de

Tripura.

18. Agora eu desejo fervorosamente adorar sua Majestade Transcendental. Gentilmente diga-me,

meu Mestre, como deve ser feito.

19. Tendo sido solicitado, Guru Datta satisfeito com a capacidade de Parasurama, cujo zelo e

devoção à adoração de Tripura era intensa;

20. e ele devidamente o iniciou no método de Sua (dela) adoração.

21. Após a iniciação ao método correto, o qual é mais sagrado do que todos os outros e leva dire-

tamente à Realização, Parasurama aprendeu dos doces lábios do Sri Guru todos os detalhes
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Original em inglês: gaining whose pleasure even the Lord of creation looks a pigmy

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Capítulo 1 3

quanto a recitações, imagens para adoração e diferentes meditações, uma após outra - como

uma abelha coletando mel das flores.

22. Bhargava (i.e., Parasurama) estava radiante.

23. Tendo sido permitido por seu santo mestre, ele estava sedento por praticar o sagrado co-

nhecimento; ele caminhou em torno de seu mestre, o obedeceu e retirou-se para o Monte

Mahendra.

24. Lá, tendo construído uma hermida limpa e confortável, engajou-se por doze anos à adoração

de Tripura.

25. Incessantemente contemplou a figura da Sagrada Mãe Tripura, realizando ao mesmo tempo

suas tarefas diárias, recitações e cerimônias especiais conectado com Ela. Doze anos passaram-

se como um raio. Então, um certo dia enquanto o filho de Jamadagni estava sentado à von-

tade, caiu em devaneio.

26. No passado, eu não entendia nem um pouco do que Samvarta dizia-me quando eu o encon-

trava no caminho.

27. Eu também esqueci o que perguntei a meu Guru. Eu ouvi dele a Boa Nova de Tripura.

28. Mas não está claro para mim o que Samvarta disse-me em resposta à minha pergunta sobre a

criação.

29. Ele mencionou a estória de Kalakrit, mas não foi adiante, sabendo que eu não estava pronto

para ela.

30. Mesmo agora, eu não entendo nada dos trabalhos do universo. De onde ele surgiu, em toda

sua grandeza?

31. Onde ele termina? Como ele existe? Eu acho que ele é totalmente transitório.

32. Mas os acontecimentos mundanos parecem permanentes. Por que deveriam ser? Tais aconte-

cimentos parecem estranhos o bastante para serem desconsiderados.

33. Quão estranhos! Eles são iguais a um homem cego sendo guiado pelo cego!

34. Meu próprio caso fornece um exemplo. Eu nem mesmo relembro o que aconteceu em minha

infância.

35. Eu era diferente em minha juventude, novamente diferente em minha vida adulta, ainda mais

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diferente agora; e deste modo, minha vida está constantemente mudando.

36. Não está claro para mim, quais frutos foram colhidos como resultados dessas mudanças. O

fim justifica o meio como o adotado por indivíduos de acordo com seus temperamentos em

diferentes climas e em diferentes tempos.

37. O que eles ganharam por isso? Eles estão felizes?

38. O ganho é apenas o que é considerado ganho pelo público imprudente. Eu, contudo, não

posso julgar assim, vendo que mesmo após obter o fim desejado, as tentativas são repetidas.

39. Bem, tendo obtido o propósito, por que o homem busca outro? Portanto, o que o homem está

sempre buscando deveria ser o estimado e único propósito - seja ele o ganho do prazer ou a

remoção da dor.

40. Não pode haver, enquanto o incentivo para o esforço perdurar.

41. O sentimento de uma necessidade de trabalhar de modo a obter felicidade (sendo o índice da

miséria) é o mistério das misérias. Como pode haver prazer ou remoção da dor contanto que

ele continue2 .

42. Tal prazer é como unguentos calmantes colocados sobre um membro escaldado,

43. ou como o abraço da amada quando alguém está caído atingido por uma flecha no peito;

44. ou das melodias doces da música ouvida por um tuberculoso avançado!

45. Somente aqueles que necessitam se engajar em ação são felizes; eles são perfeitamente con-

tentes, e autocontidos, e eles experimentam uma felicidade que se extende a todos os poros

do corpo.

46. Deveria haver ainda uns poucos momentos de prazer para os outros, eles são similiares aos

desfrutados por aquele que, enquanto se contorcendo com uma dor abdominal, inala o doce

odor das flores.

47. Quão tolas as pessoas com inumeráveis obrigações, mesmo tão ocupadas para buscar tais

momentos de prazer neste mundo!

48. O que eu deveria dizer das proezas dos homens indiscriminados? Eles propõem a busca por

felicidade após cruzar intermináveis obstáculos de esforços!


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Nota do tradutor: o sentimento de necessidade

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49. Um mendigo na rua labuta tanto por felicidade quanto um poderoso imperador.

50. Cada um deles ganhou seu fim e sente felicidade e considera a si mesmo abençoado como se

tivesse alcançado o objetivo da vida.

51. Eu também tenho involuntariamente imitado-os como um homem cego seguindo o cego.

Basta desta loucura! Eu irei de uma vez retornar para aquele oceano de misericórdia - meu

Mestre.

52. Aprendendo dele o que deve ser conhecido, eu cruzarei o oceano de dúvidas após embarcar

no bote de seus ensinamentos.

53. Tendo então resolvido, Parasurama de mente pura imediatamente desceu a montanha em

busca de seu Mestre.

54. Rapidamente alcançou a Montanha Gandhmadan, ele encontrou o Guru sentado em padma-

sana como se iluminasse o mundo inteiro.

55. Ele caiu em frente do assento de seu Mestre segurando os pés do Guru com suas mãos,

pressionou-as à sua cabeça.

56. Parasurama o saudou, Dattatreya deu-o suas bençãos, sua face iluminada com amor e disse-

lhe:

57. Criança! Levante-se. Vejo que retornou após longo tempo. Diga-me, como estás? Estás com

boa saúde?

58. Ele levantou-se ao comando de seu Guru e tomou seu assento em frente, próximo a ele, como

ordenado. Juntou suas mãos em saudação, Parasurama falou com prazer.

59. Sri Guru! Oceano de Misericórdia, pode alguém encharcado com Sua bondade ser afligido

por doenças, mesmo se o destino o decretar?

60. Como podem as queimantes dores da doença tocar aquele que está próximo à lua refrescante

de Sua bondade semelhante ao néctar?

61. Eu estou feliz de corpo e mente, sendo refrescado por Tua bondade.

62. Nada me aflige exceto o desejo de permanecer em permanente contato seus santos pés.

63. A própria visão de Seus pés sagrados faz-me perfeitamente feliz, mas ainda restam algumas

dúvidas em minha mente.

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64. Com Tua permissão eu desejo apresentá-las.

65. Ouvindo as palavras de Parasurama, Dattatreya, o Oceano de Bondade, estava satisfeito e

disse-lhe:

66. Pergunte uma vez, O Bhargava, o que você quer tanto saber e que tem pensando tanto. Estou

satisfeito com sua devoção e responderei suas questões com prazer.

Assim chega ao fim o Primeiro Capítulo conhecido como "Interrogação de Bhargava"na Sri

Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Capítulo 2

Versão 1

1. Então ordenado, Parasurama, novamente saudou o filho do Santo Atri com humildade, come-

çou a perguntar:

2. Bhagavan, querido e estimado Mestre! Oh Onisciente! Oceano de Misericórdia! Anterior-

mente, por boa razão, eu estava furioso com a classe dos reis.

3. Vinte e duas vezes andei a passos largos exterminando todos eles, incluindo bebês que ainda

estavam sendo amamentados e aqueles ainda no útero, coletando seu sangue em uma piscina.

4. Meus antepassados estavam satisfeitos com minha devoção a eles; contudo, ordenaram-me

que desistisse de tal carnificina. Minha irá estava finalmente apaziguada.

5. Ouvindo do renomado Rama, a própria encarnação de Hari em Ayodhya, minha ira reacen-

deu. Cego pela fúria e orgulhoso de minhas proezas, o desafiei.

6. Fui derrotado pelo grande Senhor e meu orgulho foi humilhado. Contudo, de sua bondade

inata ele deixou-me ir com minha vida por que eu era um brâmane.

7. Quando eu estava retornando, mortificado pela derrota, percebi a vaidade dos caminhos do

mundo.

8. Inesperadamente conheci Samvarta, o Senhor dos Avadhutas e instintivamente o reconheci

como fogo em cinzas.

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9. Sua grandeza foi como carvão ardente escondido em cinzas. Cada polegada de seu corpo

preenchia alguém de alegria de modo que eu tive um sentimento refrescante com sua mera

proximidade.

10. Eu pedi-lhe para falar-me sobre seu estado. Sua resposta foi clara e expressiva como a essência

do doce néctar da vida eterna.

11. Não pude seguir a conversa e me senti como uma pobre donzela diante de uma rainha.

Contudo eu rezei para ele e ele dirigiu-me a Ti.

12. Portanto, busquei refúgio em teus santos pés, como um homem cego que é inteiramente

dependente de seus amigos.

13. O que Samvarta disse-me não está totalmente claro para mim. Eu estudei bem a Boa Nova

do Tripura. Ela é sem dúvida um incentivo à Sua devoção (dela).

14. Ela está encarnada como Tu e sempre permanece em meu coração. Mas o que eu tenho obtido

afinal?

15. Senhor, bondosamente explique o que Samvarta disse-me antes. Com certeza não posso

realizar o objetivo até que isso se torne conhecido a mim.

16. O que quer que eu faça em ignorância disso parece mera brincadeira de criança.

17. Antigamente eu agradava os Deuses, incluindo Indra, com várias cerimônias, observâncias,

presentes e oferendas de comida.

18. Depois ouvi Samvarta dizer que os frutos de todos esses atos são apenas triviais. Eu considero

aqueles atos de nenhum valor que geram apenas resultados insignificantes.

19. A miséria não é ausência de felicidade, mas felicidade limitada. Pois, quando a felicidade

recua a miséria é derramada.

20. Esta não é o único resultado miserável da ação, mas resta um ainda pior, o medo da morte,

que não pode ser mitigado por quantidade alguma de atividade.

21. Minhas práticas devocionais diante de Tripura são similares. Todas essas concepções mentais

não são nada mais que brincadeiras de crianças.

22. As práticas devem ser de acordo com Tuas instruções, ou diferentes. Novamente, elas devem

ser com disciplina ou sem disciplina, já que os sastras diferem sobre isso.

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23. As meditações podem também diferir, de acordo com os gostos e temperamentos individuais.

Como isso pode ser? A devoção é tão imperfeita quanto o karma.

24. Como podem conceitos mentais transientes de devoção produzirem resultados intransientes

de alta Verdade? Além disso, as práticas são contínuas e parecem não ter fim esses deveres

obrigatórios.

25. Tenho notado que Samvarta, o Senhor, é bastante feliz, estando completamente livre de qual-

quer senso de obrigação para agir e seus desastrosos resultados.

26. Ele parece rir dos modos do mundo, caminhar a passos largos despreocupado nas estradas do

destemor, como um elefante majestoso refrescando-se em um lago de neve derretida quando

a floresta que o circunda está em chamas.

27. Eu o encontrei absolutamente livre de qualquer senso de obrigação e ao mesmo tempo per-

feitamente feliz sua realização do Ser Eterno. Como ele obteve esse estado? E o que ele me

disse?

28. Bondosamente explique esses pontos e, então, resgate-me das garras do monstro do karma.

29. Rezando desta maneira, ele caiu protrado e tomou os pés do Mestre em suas mãos. Vendo

Parasurama fazendo isso o mestre sentiu que ele estava pronto para a Realização.

30. Sri Datta, cujo próprio ser era amor, disse gentilmente: Oh criança Bhargava! Você é sortudo

- sua mente está, então, disposta.

31. Tal como um homem afundando no oceando repentinamente encontra um barco para resgatá-

lo, também suas ações virtuosas do passado te puseram nas mais sagradas alturas da Autore-

alização.

32. Aquele Devi Tripura, que é o cerne da consciência do coração e portanto conhece cada um

intimamente,

33. rapidamente salva seus devotos inabaláveis das garras da morte, após manifetar a Si mesma

em seus corações.

34. Tão logo um homem tenha medo do pesadelo, a obrigação, tão logo ele deve aplacá-lo, de

outro modo ele não encontrará paz.

35. Como pode um homem picado por aquela Víbora, a obrigação, ser feliz? Portanto, algum

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homem tornou-se louco, como se algum veneno tivesse entrado em seu sangue e estivesse

torturando todo seu ser.

36. Enquanto outros estão estupefatos pelo veneno da obrigação e incapazes de discriminar o

bom do mau.

37. Incorretamente ele se engajam em trabalho, sendo deludidos; essa é a situação da humani-

dade estupefata pelo veneno do senso de obrigação.

38. Os homens estão desde tempos imemoriais sendo engolidos pelo terrível oceando de veneno,

como alguns viajantes uma vez nas cercanias de Vindhya.

39. Oprimidos pela fome na floresta, eles tomaram erroneamente as frutas enganosas da Nux

Vomica (vishamushti) por deliciosas laranjas.

40. E em sua fome voraz ele comeram-nas sem nem mesmo identificar seu gosto amargo. Eles,

então, sofreram tormentos dos efeitos do veneno.

41. Tendo originalmente trocado a fruta venenosa por um fruta comestível, sua razão agora cega

pelo veneno, eles avidamente buscaram alívio do veneno.

42. E, em sua agonia, eles pegaram e comeram maçãs-espinhosas (thorn-apples), pensando que

fossem maçãs-rosa.

43. Eles tornaram-se loucos e perdaram seu caminho. Alguns tornando-se cegos, caíram em covas

ou desfiladeiros;

44. Alguns deles tiveram seus membros e corpos cortados por espinhos; alguns ficaram aleijados

das mãos, pés ou outras partes do corpo; outros começaram a brigar, lutar e gritar entre si.

45. Eles bateram uns nos outros com seus punhos, pedras, mísseis, varas, etc., até que completa-

mente exaustos, chegaram a uma cidade.

46. Acontece que chegaram às cercanias da cidade ao cair da noite e foram proibidos de entrar

pelos guardas.

47. Sem noção do tempo e do lugar e incapazes de avaliar as consequências, eles agrediram os

guardas e foram prontamente açoitados e afugentados;

48. alguns caíram em valas; alguns foram apanhados por crocodilos em águas profundas;

49. alguns caíram de cabeça em poços e foram afogados; uns poucos, mais mortos do que vivos,

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foram pegos e jogados na prisão.

50. Similar é o destino daqueles que, deludidos com a busca por felicidade, caíram nas armadilhas

do capataz da ação. Eles estão confusos em seu frenesi e a destruição os aguarda.

51. Você é afortunado, Bhargava, tendo transcendido esse estado distraído.

52. A investigação é a causa-raiz de tudo e é o primeiro passo da suprema recompensa da bem-

aventurança indescritível. Como pode alguém obter segurança sem a investigação apropri-

ada?

53. A falta de juízo é morte certa, mas muitos estão em suas garras. O sucesso atende a delibera-

ção apropriada, até eventualmente o fim ser sem dúvida realizado.

54. Ausência de deliberação é fraqueza sempre presente dos Daityas e Yatudhanas (Asuras e

Rakshasas); a deliberação é característica dos Devas e portanto eles estão sempre felizes.

55. Devido à sua discriminação eles dependem de Vishnu e inevitavelmente conquistam seus

inimigos. A investigação é a semente capaz de brotar e florir a árvore de felicidade gigantesca.

56. Um homem deliberado sempre brilha sobre os outros, Brahma é grande por causa de sua

deliberação; Vishnu é adorado por causa disso.

57. O Grande Senhor Siva é onisciente pela mesma razão. Rama, embora o mais inteligente dos

homens, veio a desastre por falta de juízo, antes de tentar capturar o veado de ouro;

58. depois, com devida deliberação, ele ultrapassou o oceano, cruzou o Lanka, a ilha da ninhada

de Rakshasa e a conquistou.

59. Você deve ter ouvido como Brahma, também estando em certa ocasião apaixonado, agiu

precipitadamente como um tolo e consequentemente pagou a penalidade com uma de suas

cinco cabeças.

60. De modo impensado, Mahadeva concedeu bençãos ao Asura e foi imediatamente obrigado a

fugir em terror de ser reduzido a cinzas.

61. Em certa ocasião, Hari, tendo matado a esposa de Bhrigu, tornou-se vítima de terrível maldi-

ção e sofrei incontáveis misérias.

62. De modo similar, outros Devas, Asuras, Rakshasas, homens e animais tornaram-se miseráveis

por falta de juízo.

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Capítulo 2 6

63. Por outro lado, grandes e valorosos são os heróis, O Bhargava, de cujos o juízo é sempre

amigo. Homenagem eterna a eles.

64. As pessoas comuns, tornando-se tolamente envolvidas com respeito ao seu senso de ação,

ficam perplexas à cada instante; se, por outro lado, eles pensarem e depois agirem, eles serão

livres de toda miséria.

65. O mundo tem estado nas bobinas da ignorância desde tempos imemoriais; como pode haver

discernimento contanto que a ignorância dure?

66. Podem as doces águas do orvalho coletadas em desertos arenosos já estarem chamuscadas

pelo calor? De modo similar, pode o toque refrescante de discernimento ser buscado na

fornalha ardente da ignorância?

67. O discernimento é, contudo, obtido pelos métodos apropriados, o mais efetivo dos quais é

também o melhor de todos e esse é a suprema graça da Deusa que é inerente como o Lotus

do Coração em cada um.

68. Quem terá realizado qualquer bom propósito sem Sua graça?

69. A investigação é o Sol para afugentar a densa escuridão da indolência. Ela é gerada pela

adoração de Deus com devoção.

70. Quando a Suprema Devi está bem satisfeita com a adoração do devoto, Ela se transforma em

vichara1 nele e brilha como o Sol ardente na extensão de seu coração.

71. Portanto, aquela Tripura, a Força Suprema, o Ser de todos os seres, a abençoada, a mais

alta, a única consciência de Siva, que permanece como o Self do self, deveria ser adorada

sinceramente, exatamente como ensinado pelo Guru.

72. O precursor de tal adoração é devoção e louvável seriedade.

73. A causa antecedente disso é novamente dita ser a aprendizagem da Mahatmya.

74. Portanto, Oh Rama, a Mahatmya foi primeiro revelada a você; tendo a ouvido, você agora

progrediu bem.

75. Vichara é o único meio de obter a mais alta Bondade (Good).

76. Eu estava, de fato, ansioso até a mente virar-se em direção à vichara da doença avassaladora
1
Vichara: discriminação, investigação, deliberação, juízo.

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Capítulo 2 7

da ignorância, assim como alguém está ansioso sobre um paciente que está delirando, até ver

que sua saúde mostra sinais de uma evolução favorável.

77. Uma vez que vichara se enraize, o bem maior terá, para todos os propósitos práticos, sido

atingido nesta vida.

78. Se vichara estiver ausente de um ser humano, a forma mais desejável de nascimento, a árvore

da vida será estéril e portanto inútil. O único fruto útil da vida é vichara.

79. O homem se discriminação é como um sapo num poço;

80. assim como o sapo num poço não sabe nada nem de bom nem de mau e portanto morre na

ignorância no próprio poço,

81. da mesma forma os homens, inutilmente nascidos em Brahmanda2 , não sabem nada nem de

bom nem de mau relativo a si mesmos e nascem somente para morrer em ignorância.

82. Confundem desapego (vairagya) com miséria e os prazeres do mundo com felicidade (sukha),

um homem sofre nos ciclos de nascimentos e mortes, enquanto a poderosa ignorância preva-

lece.

83. Embora aflito pela miséria, ele não cessa a condescendência com as causas antecedentes a ela

(ou seja, a riqueza, etc.);

84. Como um idiota persegue uma jumenta mesmo tendo levado coices dela centenas de vezes,

também ocorre o mesmo com o homem e o mundo. Mas tu, Oh Rama, pela discriminação

transcendestes a miséria.

Assim Termina o Segundo Capítulo da Tripura Rahasya.

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Brahmanda: o ovo de Brahma (i.e., o universo)

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Capítulo 3

Versão 1

1. Tendo ouvido as palavras de Dattatreya, Parasurama estava encantado e continuou seus ques-

tionamentos com toda humildade:

2. Oh Bhagavan! É precisamente como meu Senhor Guru disse. Realmente, um homem vai se

dirigir para a destruição em sua ignorância.

3. Sua salvação repousa somente na investigação (vichara). As causas remotas e próximas foram

mencionadas por Ti e elas foram traçadas por esta Mahatmya. Estou em grande dúvida neste

ponto.

4. Como isso aconteceu e qual é novamente sua causa próxima? Poderia ser natural (como a

coragem para um herói)? Então por que não é compartilhada por todos?

5. Por que eu ainda não a obtive? Novamente, há outros que estão com mais problemas e sofrem

mais que eu.

6. Por que eles não obtiveram esse meio? Gentilmente, diga-me. Questionado, então, Datta, o

Oceano de Misericórdia respondeu:

7. Ouça, Rama! Agora te direi a causa fundamental da salvação. A associação com o sábio é a

causa raiz para obliterar toda a miséria.

8. Diz-se que a associação com os Sábios, por si mesma, leva ao mais alto bem.

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Capítulo 3 2

9. Seu contato com Samvarta o levou a este estágio de iluminação, que é o precursor da eman-

cipação. Em se aproximando, os Sábios ensinam o maior bem.

10. Alguém já obteve algo grande sem o contato com o sábio? Em qualquer caso, é a companhia

que determina o futuro do indidvíduo.

11. Um homem, indubitavelmente, colhe os frutos da companhia que possui. Eu relatarei a você

uma estória para ilustrar isso:

12. Uma vez, havia um Rei de Dasarna chamado de Muktachuda. Ele tinha dois filhos: Hema-

chuda e Manichuda.

13. Eles eram formosos, bem comportados e estudiosos. Uma vez, eles deram uma festa de

caça, consistindo de um grande séquito de homens e guerreiros, em uma floresta densa nas

montanhas de Sahya, um lugar infestado de tigres, leões e outros animais selvagens.

14. Eles próprios foram armados de arcos e flechas.

15. Lá, eles atingiram vários veados, leões, javalis, bisontes, lobos, etc., tendo matado a todos

com o hábil uso de seus arcos.

16. Quando mais animais selvagens eram caçados pelos caçadores reais, um tornado começou

raivosamente, jogando areia e seixos.

17. Uma fina nuvem de poeira cobriu o céu; e surgiu uma noite escura, de modo que nem rochas,

nem pedras, nem homens podem ser vistos.

18. A montanha também foi cercada por escuridão, de modo que nem as colinas nem os vales

podiam ser vistos. O séquito fugiu, afligido pela areia e seixos jogados pelo tornado.

19. Alguns deles se abrigaram sob rochas, outros em cavernas e outros, ainda, sob árvores. O par

real montou cavalos e partiu a uma longa distância.

20. Hemachuda finalmente alcançou a hermida de um Sábio, que tinha construído um fino jardim

de banana da terra e outras árvores.

21. Lá ele viu uma donzela charmosa cujo corpo brilhava como ouro, brilhante como uma chama

de de fogo.

22. O príncipe foi enfeitiçado ao ver a garota, que se assemelhava à Deusa da Fortuna, e falou

então para ela: quem é você, séria dama, que vive destemidamente numa floresta tão terrível

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Capítulo 3 3

e solitária?

23. De quem é você? Por que você está aqui? Você está sozinha?

24. Ao ser-lhe dirigida a palavra, a donzela impecável respondeu: Bem vindo príncipe! Por favor,

sente-se.

25. A hospitalidade é o dever sagrado do piedoso. Notei que você foi afligido pelo tornado.

26. Amarre seu cavalo à tamareira. Sente aqui e descanse, então estará apto a ouvir-me confor-

tavelmente.

27. Ela deu-lhe frutas para comer e sucos para beber.

28. Após ter se refrescado, ele foi tratado com suas palavras charmosas que caíam como doce

néctar de seus lábios.

29. Príncipe! Há aquele bem conhecido Sábio, Vyaghrapada, um ardente devoto de Shiva, por

cuja penitência todos os mundos transcenderam e que é sempre adorado mesmo pelos gran-

des santos por sua sabedoria incomparável, tanto em relação este quanto a outros mundos.

30. Sou sua filha adotiva - Hemalekha é meu nome. Havia uma vidyadhari (uma donzela celestial,

chamada Vidyutprabha) que era muito bela.

31. Um dia ela veio aqui banhar-se no rio, o Vena, para o qual Sushena, o Rei de Vanga, também

veio na mesma ocasião.

32. Ele viu a beleza celestial banhado-se. Ela era a mais bela no mundo, de pele macia e com os

mais belos seios.

33. Ele apaixonou-se por ela, que correspondeu seu amor.

34. Seu amor foi consumado, ele retornou para casa com ela grávida.

35. Com medo de calúnia, ela provocou um aborto. Eu nasci, contudo, viva daquele ventre.

36. Quando Vyagrhapada veio à margem do rio para suas abluções matinais, ele pegou-me devido

a seu grande amor por todos, para criar-me com os cuidados de uma mãe.

37. Aquele que oferece proteção justa é dito ser o pai. Eu sou, portanto, sua filha pela essa virtude

e devota a ele.

38. Não há, certamente, nenhum temor por mim em nenhum lugar da terra devido à sua gran-

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Capítulo 3 4

deza. Sejam eles Deuses ou Asuras, eles não podem entrar em minha hermida com maus

motivos;

39. se eles o fizerem, estarão cortejando sua própria ruína. Contei-lhe minha história. Espere

aqui um pouco. Príncipe.

40. Esse mesmo senhor, meu pai adotivo, chegará logo. Saúde-o e ouça-o com humildade; seu

desejo será satisfeito e me levará ao amanhecer.

41. Tendo a ouvido e enamorando-se dela, ele estava silencioso como medo de ofender; no en-

tanto, estava com a mente aflita.

42. Notando que o príncipe estava ferido de amor, a garota altamente realizada continuou:

43. Bravo Príncipe! Esteja pronto! Meu pai esteja chegando.

44. Diga-lhe tudo. Quando ela estava dizendo isso, Vyaghrapada, o grande santo, chegou, carre-

gando um cesto de flores colhidos na floresta para adoração.

45. Vendo a chegada do Sábio, o príncipe levantou-se do seu assento, prostrou-se diante dele,

mencionando seu nome e então tomou seu assento como indicado.

46. O Sábio notou que o homem está ferido de amor; entendendo toda a situação com seus

poderes ocultos, ele ponderou qual seria o melhor curso nas circunstâncias; e terminou por

conceder Hemalekha ao jovem homem como sua companheira.

47. O príncipe foi preenchido de satisfação e retornou com ela para sua capital. Muktachuda, seu

pai, também estava muito satisfeito e ordenou festivadades em todo o reino.

48. Ele então realizou a cerimônia de casamento e o amoroso casal passou uma lua-de-mel muito

feliz no palácio, nos retiros nas florestas e nas praias arenosas.

49. Mas o príncipe apaixonado notou que Hemalekha não era tão amorosa quanto ele.

50. Sentindo que ela estava sempre indiferente, perguntou-lhe em privado: Minha querida! Como

é isto que você não é tão prestativa quanto eu sou com você?

51. Tu garota mais bela, radiante de sorrisos! Como é isto que você nunca está interessada em

buscar prazer ou deleitá-lo? Você não gosta de prazeres?

52. Você parece indiferente mesmo durante os maiores prazeres. Como posso ser feliz se o seu

interesse não está desperto?

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Capítulo 3 5

53. Mesmo quando estou próximo de você, sua mente parece estar em outro lugar; quando falo,

você parece não ouvir.

54. Quando te abraço por um longo período, você parece inconsciente de mim e então me per-

gunta, Senhor, quando você chegou?

55. Nenhum dos arranjos cuidadosamente planejados parecem interessar-lhe e você não toma

parte deles.

56. Quando me afasto de você, você permanece com os olhos fechados; e então continua de

quando eu havia chegado.

57. Diga-me como posso obter prazer com nada mais que uma modelo de arte, que é isso que

você é, vendo sua indiferença a todos os prazeres.

58. O que não te satisfaz também não pode me satisfazer. Estou sempre te observando, tentando

te satisfazer como um lírio olhando para a lua.

59. Fale, querida! Por que você é assim? Você me é mais querida que a vida. Eu te imploro! Fale

e alivie minha mente.

Assim termina o Terceiro Capítulo na Seção "A Potência da Associação com o Sábio"no Tripura

Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Capítulo 4

Versão 1

1. Ouvindo as doces palavras de seu amante apaixonado, que estava o tempo todo pressionando-

a a seu peito, aquela garota pura, desejando ensiná-lo, sorrisou gentilmente e falou com bom

senso como segue: Ouça-me, Oh Príncipe.

2. Não é que eu não te ame, somente estou tentando descobrir qual é a maior alegria da vida, a

qual nunca se tornará desagradável.

3. Estou sempre buscando-a, mas ainda não a alcancei.

4. Embora esteja sempre procurando-a, ainda não alcancei nenhuma decisão definitiva, como

é um caminho feminino. Você não irá me dizer gentilmente o que é exatamente e então

ajudar-me?

5. Sendo então coagido, Hemachuda riu ironicamente e disse a sua amada: as mulheres são de

fato tolas.

6. Pois mesmo os pássaros, feras e insetos rastejantes sabem o que é bom e o que é mau?

7. De outro modo, como são guiados na perseguição do bem e como escapam do mal? Aquilo

que é prazeroso é claramente bom e aquilo que não é, mau.

8. O que há nisso, minha querida, que você está sempre pensando sobre isso? Não é tolice?

Ouvindo seu amante falar, Hemalekha continuou:

9. É verdade que as mulheres são tolas e não podem julgar corretamente. Portanto eu deveria

ser ensinada por você, aquele que discerne corretamente.

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10. Sendo corretamente ensinada por ti, eu pararia de pensar assim. Também, eu seria capaz de

compartilhar seus prazeres para sua completa satisfação.

11. Oh Rei, um juiz sutil que és, você achou que felicidade e miséria são os resultados do que é

prazeroso ou não.

12. Mas o mesmo objeto gera prazer ou dor de acordo com as circunstâncias. Onde está então a

finalidade em sua declaração?

13. Tome o fogo como exemplo. Seus resultados variam de acordo com as estações, os lugares e

seu próprio tamanho ou intesidade.

14. Ele é agradável em estações frias e desagradável em estações quentes. O prazer e a dor são,

portanto, funções das estações; de modo similar das latitudes e longitudes.

15. Novamente, o fogo é bom para pessoas de certas constituições somente e não para os outros.

Ainda assim, o prazer e a dor dependem das circunstâncias.

16. O mesmo racioncínio aplica-se ao frio, aos ricos, aos filhos, à esposa, ao reino e assim por

diante. Veja como seu pai, o Maharaja, está diariamente preocupado mesmo estando rodeado

pela esposa, filhos e riqueza.

17. Por que os outros não se afligem assim? O que aconteceu com as alegrias neste caso? Ele está

certamente à procura da felicidade; não estão todos os seus recursos dirigidos para esse fim?

18. Ninguém parece possuir tudo que seja suficiente para a felicidade. A questão surge: não pode

um homem ser feliz, mesmo com tais meios limitados? Eu te darei a resposta.

19. Isso não pode ser felicidade, meu Senhor, que é tingida com miséria. A miséria é de dois tipos,

externa e interna.

20. A primeira pertence ao corpo e é causada pelos nervos, etc.; a segunda pertence à mente e é

causada pelo desejo.

21. A distração mental é pior do que a dor física e o mundo inteiro caiu como sua vítima. O

desejo é a semente da árvore da miséria e seus frutos nunca falham.

22. Dominado por ele, Indra e os Devas, embora vivendo em regiões celestiais de alegria e ali-

mentados de néctar, ainda são escravos dele e trabalham dia e noite de acordo com seus

ditames.

23. O descanso obtido pela satisfação do desejo de alguém antes de outro tomar seu lugar, não

é felicidade, por que as sementes de dor ainda estão latentes. Tal descanso é aproveitado

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também pelos insetos (os quais certamente não tipificam a felicidade perfeita).

24. Mesmo assim é sua alegria distintamente melhor do que a dos homens por que seus desejos

são menos complexos?

25. Se sua felicidade é ter um desejo realizado dentre tantos quem não será feliz neste mundo?

26. Se um homem, todo escaldado, pode encontrar felicidade espalhando unguentos em si mesmo,

então todo mundo deve ser feliz.

27. Um homem é feliz quando abraçado por sua amada; ele é infeliz no mesmo ato sob outras

circunstâncias.

28. A fadiga é certamente produzida para todos após a agitação (ou paixão) do ato sexual, assim

como é a fadiga para um animal carregando uma carga.

29. Senhor! Como você vê a felicidade? Que isso me seja declarado. Tanto quanto há prazer para

você em união com a amada surgindo da fricção das nadis (nervos, artérias ou veias), não é

o mesmo para os cães (tendo uma união similar)? Diga-me.

30. Se o que á maior do que isso (o prazer acima mencionado) é o próprio surgimento da beleza

(do amado) vista (ou desfrutada) por você, então, isso é produzido do mero conceito (ou

noção caprichosa), como é na união com uma mulher em um sonho.

31. A beleza é apenas um conceito mental, como é evidente do sentimento similar nos prazeres

dos amantes nos sonhos. (Te contarei uma história para ilustrar o ponto.) Uma vez havia o

mais belo descendente de um rei - mais justo do que o próprio Cupido.

32. Ele foi casado com uma donzela igualmente bela e ele era muito devotado a ela.

33. Mas ela apaixonou-se por um servo real que enganou o jovem príncipe muito habilidosa-

mente.

34. Este servo costumava servir licor em excesso de modo que o príncipe se embriagasse e per-

desse seus sentidos e, retirando-se, uma meretriz astuta era enviada para acompanhar-lhe.

35. A princesa impura e o servo foram habéis de continuar; e a príncipe tolo estava abraçando a

outra mulher em intoxicação.

36. No entanto, ele pensou consigo mesmo que ele era o homem mais feliz por ter tal anjo, que

era tão devotado a ele, como sua esposa.

37. Após um longo período, aconteceu que o servo pressionado com o trabalho deixou o licor na

mesa do príncipe e ocupou-se de outra coisa.


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38. Consequentemente, o príncipe não bebeu tanto quanto de costume.

39. Tornando-se voluptuoso, apressadamente retirou-se para sua cama,

40. que estava suntuosamente equipada e alegrou-se com a prostituta sem reconhecê-la no calor

da paixão.

41. Após algum tempo, ele notou que ela não era sua esposa e na confusão perguntou-lhe:

42. Onde está minha amada esposa?

43. Ela tremeu de medo e permaneceu silenciosa.

44. O príncipe, que suspeitava de jogada suja, entrou em fúria e

45. segurando-a pelo cabelo puxou sua espada e ameaçou-a:

46. Fale a verdade ou sua vida não terá valor.

47. Com medo de ser morta, ela confessou toda a verdade,

48. levando-o para o lugar de encontro da princesa.

49. Lá ele encontrou-a com seu corpo amável e delicado

50. em forte abraço amoroso da escuridão, horrível, do selvagem repugnante que era seu servo...

51. O príncipe estava chocado com a visão.

52. Logo em seguida, ele pensou consigo mesmo: Que vergonha de mim mesmo, como sou vici-

ado em bebida!

53. Vergonha sobre os tolos enfeitiçados de amor por mulheres. As mulheres são como nada além

de pássaros esvoaçando acima as copas das árvores.

54. Burro que fui, todo o tempo amando-a mesmo mais que a própria vida.

55. As mulheres são apenas boas para a satisfação dos tolos lascivos. Aquele que as ama é um

burro selvagem.

56. A confiança das mulheres é mais fugaz do que as camadas de nuvens outonais.

57. Eu não tinha entendido a mulher até agora,

58. que infiel a mim, um marido inteiramente devotado, estava em amor ilícito com um selvagem,

59. todo o tempo fingindo amar-me, como uma prostitua a um tolo lascivo.

60. Eu, em minha bebedeira, não suspeitava dela nem um pouco; por outro lado, eu acreditava

que ela estava tanto comigo como minha própria sombra.

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61. Ora! Há um tolo pior do que eu,

62. que foi enganado por essa horrível prostituta ao meu lado

63. e encantado por suas profissões de amor?

64. Novamente, o que a outra mulher encontrou em um bruto repugnante em preferência a mim?

65. O príncipe, então, deixou a sociedade em desgosto e retirou-se na floresta. Hemalekha conti-

nuou: Então veja, Oh Príncipe, como a beleza é apenas um conceito da mente.

66. Que prazer você tem sem sua apreensão da beleze em mim, é às vezes mesmo excedida por

outros em seu amor de seus entes queridos - seja eles belos ou feios. Eu te direi o que penso

disso.

67. A bela mulher que aparece como o objeto é apenas a reflexão do conceito sutil já na própria

mente subjetiva.

68. A mente desenha uma imagem de sua beleza em conformidade com suas concepções repeti-

das.

69. A imagem repetidamente desenhada torna-se cada vez mais clara até aparecer sólida como o

objeto. Uma atração surge (e escraviza a mente) pelas associações mentais constantes.

70. A mente, tornando-se inquieta, desperta os sentidos e busca a satisfação de seus desejos no

objeto; uma mente composta não é excitada mesmo ao sinal do mais belo.

71. A razão para o encantamento é a figura mental frenquentemente repetida. Nem as crianças

nem os yogis são excitados dessa mesma forma (por que suas mentes alimentam-se com tais

coisas).

72. Então quem quer que encontre prazer em alguma coisa, a beleza aí é apenas imagens mentais.

73. Mulheres feias e repugnantes também são procuradas como anjos de deleite por seus maridos.

74. Se a mente concebe qualquer coisa como repugnante e não prazerosa, não há prazer em tal.

75. Que vergonha dos seres humanos que avaliam a parte mais tola do corpo como a mais praze-

rosa.

76. Se alguém deveria ver beleza naquela parte corporal que é molhada com excreções impuras,

onde alguém não veria beleza? Diga-me.

77. Diga-me Príncipe! A idéia de beleza repousa no próprio desejo inato da mente.

78. Se, por outro lado, a beleza é natural para o objeto de amor, por que não é reconhecida pelas

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crianças também, como a doçura em alimentos é reconhecida por elas?

79. A forma, a estatura e compleição das pessoas, diferem em diferentes países e em diferentes

tempos:

80. suas orelhas podem ser longas; suas faces distorcidas. seus dentes grandes; seu nariz proemi-

nente;

81. corpos cabeludos ou sem pelos; seus cabelos vermelhos, negros ou dourados, finos ou grossos,

lisos ou encaracolados; suas peles claras, escuras, cor de cobre, amarelas ou cinzas.

82. Todos eles derivam o mesmo tipo de prazer que você, Príncipe!

83. Mesmo o mais realizado dentre os homens já caiu no hábito de buscar prazer da mulher, pois

todos consideram-na o melhor terreno de caça para o deleite.

84. De modo similar, também, um corpo de homem é imaginado pelas mulheres como a mais alta

fonte de prazer. Mas considere bem o assunto, Príncipe!

85. Moldado de gordura e carne, preenchido com sangue, encimado pela cabeça, coberto por

pele, reforçado por ossos, coberto com cabelo, contendo bile e fleugma, um jarro de fezes e

urina,

86. gerado de sêmen e óvulo, e nascido da abertura de onde a urina é ejetada - tal é o corpo.

Apenas pense sobre ele!

87. Encontrando prazer em tal coisa, como são os homens melhores do que vermes que crescem

em carne podre?

88. Meu Rei! Não é este corpo (apontando para si mesma) querido a você? Pense bem sobre cada

parte disso.

89. Analise bem e cuidadosamente o que é que forma seus materiais de comida com seus diferen-

tes sabores, tipos e consistências?

90. Todos sabem como as comidas consumidas são finalmente ejetadas do corpo.

91. Assim sendo o estado de coisas no mundo, diga-me o que é agradável ou não.Ouvindo tudo

isso, Hemachuda desenvolveu desgosto pelos prazeros terrenos.

92. Ele estava maravilhado do estranho discurso que havia ouvido. Ele depois ponderou sobre

tudo que Hemalekha tinha dito.

93. Seu desgosto por prazeres terrenos cresceu em volume e força. Ele novamente e novamente

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assuntos com sua amada de modo que entendeu a verdade final.

94. Então entendendo a consciência pura inerente como o Self que é a mesmíssima Tripura, ele

tornou-se consciente do Único Self sustentando tudo e foi liberado.

95. Ele foi liberado ainda vivo. Seu irmão Manichuda e seu pai Muktachuda foram ambos guiados

por ele e foram também liberados.

96. A rainha foi guiada por sua nora e foi liberada; do mesmo modo os ministros, chefes e cida-

dãos obtiveram sabedoria.

97. Não havia ninguém nascido naquela cidade que permanecesse ignorante. A cidade era como

aquela de Brahma, a casa da felicidade, pessoas pacíficas e satisfeitas.

98. Ela foi conhecida como Visala e tornou-se a mais renomada na terra, onde mesmo os pa-

pagaios nas gaiolas costumavam repetir: Medite, Oh Homem, sobre o Self, a Consciência

Absoluta desprovida de objetos!

99. Não há nada mais a conhecer além da consciência pura; ela é como um espelho auto-luminoso

refletindo os objetos dentro.

100. Essa mesma consciência é sujeito e também os objetos e isso é tudo - o móvel e o imóvel; tudo

mais brilha na sua luz refletida; ela brilha por si mesma.

101. Portanto, Oh Homem, jogue fora a delusão! Pense nessa consciência que é única, iluminando

tudo e pervadindo tudo. Seja de visão clara.

102. Aqueles santos sagrados de Vamadeva e outros tendo em uma ocasião ouvido dessas palavras

sagradas dos papagaios,

103. admiravam-se até mesmo da sabedoria dos pássaros daquela cidade e chamavam-na de "Ci-

dade da Sabedoria".

104. A cidade ainda hoje é chamada por esse nome. Dattatreya continuou: A associação com os

Sábios, Oh Rama, é pois a causa raiz de tudo que é auspicioso e bom.

105. Pela associação com Hemalekha, todas as pessoas obtiveram jnana (sabedoria). Saiba então,

que satsanga (associação com o sábio) é unicamente a causa raiz da salvação.

Assim termina o Quarto Capítulo sobre "Os Frutos de Satsanga"na Seção de Hemachuda no Tripura

Rahasya.

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Capítulo 5

Versão 1

1. Parasurama, ouvindo o discurso do mestre sobre a grandeza de satsanga, estava altamente

satisfeito e continuou a perguntar:

2. Você falou verdadeiramente, Oh Senhor, que satsanga é o precursor de tudo que é valioso e

ilustrou o fato com uma história.

3. As satisfações de alguém são determinadas pela qualidade de suas companhias. O mais alto

bem foi alcançado por todos devido à sua associação, direta ou indireta, com Hemalekha,

embora ela fosse apenas uma mulher.

4. Estou ansioso para ouvir como Hemachuda foi guiado por ela posteriormente. Por favor,

diga-me, Tu, Senhor da Misericórdia!

5. Assim solicitado, Dattatreya disse a Parasurama: Ouça, Oh Bhargava, eu continuarei agora a

narrativa sagrada.

6. Tendo ouvido o que ela tinha a dizer, os prazeres pararam de interessá-lo, ele desenvolvou

desgosto por eles e tornou-se pensativo.

7. Mas a força do hábito ainda permaneceu com ele. Ele era portanto incapaz de se divertir ou

de desistir de tudo.

8. Ele estava contudo muito orgulhoso para confessar sua fraqueza a sua amada. Algum tempo

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Capítulo 5 2

passou deste modo.

9. Quando seus hábitos forçaram-no pelos velhos caminhos ele ainda estava atento às palavras

de sua esposa, tanto que se engajou nelas com relutância e vergonha.

10. Ele repetidamente caiu nos velhos modos por força do hábito; e muito frequentemente ele

arrependeu-se, entendendo o mal daqueles modos e lembrando-se da sabedoria das palavras

de sua esposa.

11. Sua mente estava então movendo-se pra frente e para trás, como um balanço.

12. Nem comidas deliciosas, nem roupas finas, nem jóias ricas, nem donzelas charmosas, nem

cavalos ajaezados, nem mesmo seus queridos amigos continuaram a interessá-lo.

13. Ele torno-se triste como se tivesse perdido tudo.

14. Ele era incapaz de resistir aos seus hábitos nem era capaz de segui-los conhecendo-os. Ele

tornou-se pálido e melancólico.

15. Hemalekha, sempre consciente da mudança dele, foi até ele em seu quarto privado e disse:

Como é, meu Senhor, que você não é mais tão alegre como antes?

16. Você parece triste. Por quê? Não vejo sintomas de qualquer doença particular em você.

17. Os médicos podem suportar o medo da doença em meio aos prazeres da vida; as doenças são

devido à falta de harmonia nos três temperamentos do corpo.

18. As doenças permanecem latentes em todos os corpos por que a desarmonia dos temperamen-

tos não pode sempre ser prevenida.

19. Os temperamentos são afastados pela comida, roupas vestidas, palavras faladas ou ouvidas,

sinais vistos, objetos tocados, mudanças de estações e viagens em países diferentes.

20. Sendo inescapável, o deslocamento dos temperamentos não necessitam clamar a atenção

constante de alguém. Há remédios prescritos para as doenças que surgem dele.

21. A ciência médica não trata doenças invisíveis. Agora, diga-me, querido, por que você está tão

triste.

22. Quando Hemalekha terminou, o príncipe respondeu: Eu direi a você a causa da miséria.

Ouça-me, querida.

23. O que você disse na última ocasião barrou todos os meios de prazer para mim, tanto que eu
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Capítulo 5 3

não encontro nada que me faça feliz.

24. Assim como um homem sob ordens de ser executado não pode saborear as luxúrias providas

para ele pelo Estado, também não posso saborear nada.

25. Assim como um homem é forçado pelo comando real a fazer algo apesar de si mesmo, também

devo me engajar em modos antigos por força do hábito. Agora te pergunto, querida, diga-me

como posso obter felicidade.

26. Sendo então abordada, Hemalekha pensou: Este desapego é devido às minhas palavras.

27. Há a semente do mais alto bem naquele campo onde tais sintomas aparecem.

28. Tendo minhas palavras sido bem calculadas não produziram nem mesmo a menor mudança

nessa direção, não haveria nenhuma esperança de liberá-lo.

29. Este estado de desapego somente surge em alguém cuja devoção contínua a Tripura, inerente

no Coração como o Self, está bem satisfeita. Pensando assim, aquela sábia dama estava

ansiosa para revelar a sabedoria a seu marido.

30. Mantendo sua própria sabedoria secreta ao mesmo tempo, ela falou com palavras medidas:

Ouça Príncipe a história de meu próprio passado.

31. Anteriormente, minha mãe deu-me uma dama de companhia que era boa por natureza, mas

depois associou-se com um amigo indesejado.

32. Este amigo era inteligente para criar coisas novas e maravilhosas. Eu também, sem o conhe-

cimento de minha mãe, me associei com ele.

33. Essa dama de companha se tornou muito amiga daquela compainha indesejada e eu fui obri-

gada a fazer o mesmo porque eu amava minha amiga mais do que a vida.

34. Pois, eu não podia permanecer sem ela mesmo por um segundo; tanto que ela me encantou

por sua inegável pureza.

35. Sempre amando minha amiga, eu rapidamente tornei-me parte dela. Ela de sua parte estava

todo o tempo próxima de seu amigo, uma prostitua perversa, que estava sempre gerando

coisas novas e fascinantes.

36. Em segredo, aquela mulher apresentou seu filho à minha amiga.

37. Aquele filho era um tolo ignorante com olhos vermelhos de bebida. E minha amiga foi gos-

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Capítulo 5 4

tando dele na minha própria presença.

38. Mas ela, embora completamente dominada por ele e sendo apreciada por ele dia após dia,

nunca deixou-me, e eu, também, não a abandonei. Daquela união nasceu um tolo, do mesmo

tipo de seu pai.

39. Ele tornou-se um jovem muito inquieto, completamente herdando o embotamento de seu pai

e a maldade e criatividade de sua avó.

40. Esse garoto, chamado de Mestre Inconstante, foi criado e treinado por seu pai, Sr. Tolo e sua

avó Madame Ignorância e tornou-se habilidoso em seus modos.

41. Ele poderia negociar os lugares mais difíceis com perfeita facilidade e superar obstáculos num

instante.

42. Deste modo, minha amiga, embora muito boa por natureza, tornou-se aflita e boba por causa

de sua associação com pessoas pervesas.

43. O que por amor à sua amiga, devoção por seu amante e afeição por seu filho, ela começou

gradualmente a abandonar-me.

44. Mas eu não poderia quebrar o relacionamento com ela tão facilmente.

45. Não sendo autoconfiante, eu era dependente dela e assim permaneci com ela. Seu marido,

Sr. Tolo, embora sempre satisfeito com ela, me confundiu com uma do mesmo tipo e tentou

violentar-me.

46. Mas eu não era o que ele pensava. Eu era pura por natureza e somente levada por ela, por

enquanto.

47. Mesmo assim, houve um escandâ-lo generalizado sobre mim no mundo, que eu estava sempre

no porão do Sr. Tolo.

48. Minha amiga, confiando seu filho Mestre Inconstante a mim, estava sempre na companhia de

seu amante.

49. O Sr. Inconstante cresceu em meu cuidado e oportunamente casou-se com a aprovação de sua

mãe.

50. Chamada de Instável, ela era sempre inquieta e inconstante e poderia por em diferentes for-

mas para satisfazer os desejos de seu marido.

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Capítulo 5 5

51. Pela sua maravilhosa capacidade para mudar e por sua habilidade excessiva e inteligência,

ela tomou seu marido completamente sob controle.

52. O Sr. Inconstante, também, acostumado a voar centenas de milha num piscar de olhos e

retornar, vai aqui, lá e a qualquer lugar, mas mesmo assim não encontraria descanso.

53. Sempre que o Sr. Inconstante desejava ir a qualquer lugar e o que quer que ele quisesse ter

em qualquer medida, a Madame Instável estava pronta para atender seus desejos, mudando a

si mesma de acordo e criando novos ambientes para satisfazer seu marido.

54. Ela então conquistou completamente sua afeição.

55. Ela deu a ele cinco filhos que eram devotados a seus pais. Cada era habilidoso de seu próprio

modo. Eles eram também confiados aos meus cuidados por minha amiga.

56. Além do amor por minha amiga, eu cuidei deles e tornei-os fortes.

57. Então aqueles cinco filhos da Madame Instável individualmente construíram palácios esplên-

didos, convidaram seus pais para seus lares e os entreteram continuamente em turnos.

58. O mais velho deles entreteu-os em sua mansão com diferentes tipos de músicas doces,

59. com encantamentos dos Vedas, leitura de escrituras,

60. sons de abelhas, gorjeio de pássaros

61. e outros sons doces de se ouvir.

62. O pai estava satisfeito com o filho,

63. que arranjou ainda mais sons para ele que eram duros, amedrontadores e tumultuados como

o rugido do leão, o estrondo de um trovão, o ímpeto do mar, os rumores de terremotos,

64. os gemidos dos quartos, e as disputas, gemidos e lamentações de muitas pessoas.

65. Convidado por seu segundo filho, o pai foi estar em sua mansão.

66. Lá, ele encontrou assentos suaves, camas confortáveis, roupas finas e algumas coisas duras;

outras quentes ou mornas ou frias, ou coisas refrescantes com vários projetos e assim por

diante.

67. Ele estava satisfeito com as coisas agradáveis e sentia aversão pelas desagradáveis.

68. Então, indo ao terceiro filho, ele viu cenas charmosas e variadas,

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Capítulo 5 6

69. coisas vermelhas, brancas, marrons, azuis, amarelas, rosas,

70. cinzas esfumaçadas, fulvas, marrons avermelhadas, pretas e manchadas,

71. outras gordas ou magras, curtas ou longas, amplas ou redondas, curvas ou onduladas, agra-

dáveis ou horríveis, nauseantes, brilhantes ou selvagens, sem graça ou cativantes, algumas

agradáveis e outras não.

72. O pai foi levado à mansão do quarto filho e lá recebeu frutas e flores para encomendar.

73. Ele tomou bebidas, coisas para serem lambidas, para serem chupadas e para serem mastiga-

das;

74. coisas suculentas, algumas refrescantes como néctar, outras doces, azedas, pungentes ou ads-

tringentes,

75. algumas decocções de sabores similares e assim por diante. Ele saboreou todas elas.

76. O último filho leveou o pai para sua casa e tratou-o com frutas e flores,

77. com várias gramíneas perfumadas, hervas e coisas de diferentes odores, doces ou putrefatas,

leves ou acres;

78. outras estimulantes ou soporíferas e assim por diante.

79. Deste modo, ele se divertiu ininterruptamente, de um modo ou de outro, em uma mansão ou

na outra, sendo satisfeito com alguns e repelido por outros.

80. Os filhos também eram tão devotos a seu pai que não tocariam em nada em sua ausência.

81. Mas o Senhor Inconstante não apenas satisfazia-se minuciosamente nas mansões de seus fi-

lhos,

82. mas também roubava coisas deles e compartilhava-as em segredo com sua querida esposa,

Madame Instável, em seu próprio lar, desconhecido a seus filhos.

83. Depois, uma Madame Vorax1 se apaixonou por Senhor Inconstante e ele casou-se com ela;

eles tornaram-se muito devotados um ao outro, Senhor Inconstante amava Madame Vorax de

coração e alma.

84. Ele costumava fornecer enormes provisões para ela, ela consumi-as todas num instante e

estava sempre faminta por mais;


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Vorax: comedor voraz.

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Capítulo 5 7

85. portanto ela manteve seu marido sempre a seus pés, para coletar mais comida; e também, ele

estava incessantemente em busca de mais provisões para ela.

86. Ela não estava satisfeita com o seviço do pai e de seus cinco filhos juntos, mas queria ainda

mais.

87. Tal era sua fome insaciável. Ela costumava mandar em todos eles para suas necessidades. Em

pouco tempo ela deu a luz dois filhos.

88. Elas eram Mestre Boca-flamejante, o mais velho, e Mestre Vil, o mais novo - ambos, é claro,

muito queridos à sua mãe.

89. Sempre que o Senhor Inconstante procurava por Madame Vorax em segredo,

90. seu corpo era queimado pelas chamas iradas do Mestre Boca-flamejante; sendo assim afligido,

ele caia inconsciente.

91. Novamente, sempre que ele acariciava seu amado filho mais novo, ele era odiado por todo o

mundo e ele mesmo tornava-se como morto. O Senhor Inconstante então exprimentou miséria

inaudita.

92. Assim, minha companheira, boa por natureza, era ela própria afligida por causa da aflição do

Senhor Inconstante.

93. Sendo também associado com seus dois netos, Mestre Boca-flamejante e Mestre Vil, ela tornou-

se bastante miserável e cedeu ao ódio público.

94. Eu também, querido, caí em simpatia por ela.

95. Então, passaram-se vários anos até que o Senhor Inconstante dominado por Madame Vorax

perdesse toda a iniciativa e estivesse inteiramente em suas mãos.

96. Ele foi predestinado e recorreu à cidade de dez portas.

97. Lá, ele viveu com Madame Vorax, seus filhos e sua mãe, sempre buscando prazer mas apenas

compartilhando miséria dia e noite. Consumido pela ira de Boca-flamejante e tratado com

desprezo por Mestre Vil, ele balançou pra cá e pra lá bastante agitado.

98. Ele foi aos lares de seus outros cinco filhos mas estava apenas perplexo, sem ser feliz.

99. Minha companheira também estava tão afetada pela condição de seu filho que colapsou no-

vamente, e mesmo assim continou a viver na mesma cidade.

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Capítulo 5 8

100. A Madame Vorax com seus dois filhos Mestre Boca-flamejante e Vil sendo alimentados por

Madame Ignorância - a avó de seu marido e por Senhor Tolo, seu sogro.

101. Ela se deu bem com sua co-esposa Madame Instável e se tornou até íntima dela.

102. Insinuando-se com todos eles, ela dominou completamente seu marido Senhor Inconstante.

103. Eu também continuei a viver lá por causa de meu amor por minha amiga. Contudo, nenhum

deles poderia permanecer na cidade sem mim que era a protetora deles, embora eu estivesse

moribunda devido ao estado de minha amiga.

104. Eu fui algumas vezes conquistada por Madame Ignorância, fui feita de tola por Senhor Tolo,

105. tornou-me inconstante por causa de Senhor Inconstante, tornei-me instável com Madame Ins-

tável,

106. fiquei sujeita à cólera de Boca-flamejante e ao desprezo de Mestre Vil.

107. Eu refleti dentro de mim mesmo todos os humores de minha amiga, pois ela teria morrido se

eu tivesse deixado ela por mesmo um minuto.

108. Por causa de minha companhia, as pessoas comuns sempre me julgaram mal como uma pros-

tituta, enquanto que homens distintos pudessem ver que eu sempre permaneci pura.

109. Por essa Suprema Bondade Única, minha mãe, é sempre pura e clara, mais extensiva do que o

espaço e mais sutil do que o mais sutil; ela é onisciente, ainda que de conhecimento limitado;

110. ela faz todos os trabalhos, mesmo que permaneça inativa;

111. ela mantém tudo, ela mesmo sendo não suportada. tudo depende dela, mesmo sendo inde-

pendente; todas as formas são dela, mas ela é sem forma;

112. tudo pertence a ela, mas ela é independente; embora ilumine tudo, ela não é conhecida por

ninguém sob nenhuma circunstância; ela é êxtase, mesmo sem êxtase; mesmo sem bem-

aventurança; ela não tem pai nem mãe; inumeráveis são seus filhos, como eu.

113. Minhas irmãs são tantas quanto as ondas no mar. Todas elas, Oh Príncipe, são como eu

envolvidas nos assuntos dos companheiros.

114. Embora compartilhando vidas de meus amigos, eu estou de posse do mais potente encanto,

por virtude do que eu sou também exatamente como minha mãe em natureza.

115. (O conto é retomado.)


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Capítulo 5 9

116. Quando o filho de minha amiga retirava-se para descansar, ele sempre dormia bem no colo de

sua mãe; como o Senhor Inconstante estava com sono, todos os outros, incluindo seus filhos,

estavam também com sono, pois nenhum podia permanecer acordado.

117. Em tais ocasiões, a cidade era guardada por Senhor Impulso, o amigo íntimo do Senhor In-

constante, que estava sempre se movendo para lá e prá cá por dois portões superiores.

118. Minha amiga, a mãe de Senhor Inconstante, junto dele e de seu amigo perverso - a mesmo era

sua sogra - assistiam a família inteira dormir.

119. Eu costumava procurar minha mãe naquele intervalo e permanecer feliz em seu abraço afe-

tuoso. Mas eu não era obrigado a retornar para a cidade simultaneamente com o despertar

dos que dormiam.

120. Este Senhor Impulso, o amigo do Senhor Inconstante, é mais poderoso e mantém todos vivos.

121. Embora único, ele multiplica-se, manifesta-se como a cidade e os cidadãos,

122. permeia todos, protege-os e sustenta-os.

123. Sem ele, todos estariam espalhados e perdidos como pérolas sem o cordão do colar.

124. Se aquela cidade decair, ele recolhe os reclusos, leva-os para outra e permanece seu mestre.

125. Deste modo o Senhor Inconstante sempre domina as cidades, ele mesmo permanece sob a

influência de seu amigo.

126. Embora suportado por tal amigo poderoso, embora nascido de tal mãe virtuosa e criado por

mim,

127. ele nunca é o contrário de miserável, por que ele é agitado por suas duas esposas e vários

filhos.

128. Ele é dilacerado por seus filhos e não encontra o menor prazer mas apenas miséria intensa.

129. Tentado por Madame Instável, ele se aflige;

130. ordenado por Madame Vorax, ele corre em busca de comida para ela;

131. acometido por Boca-flamejante ele queima de raiva, perde seus sentidos e fica perplexo;

132. se aproximando de Mestre Vil, ele é abertamente desprezado e insultado por outros e torna-se

como um morto sob a vergonha e o ódio.

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Capítulo 5 10

133. Com a hereditariedade de má reputação e agora apaixonado e agitado por suas esposas per-

versas e seus filhos,

134. ele tem vivido com eles em todas as formas de lugares, bons e maus, em florestas com bosques

ou arbustos espinhosos

135. e infestados de feras selvagens, em desertos de calor ardente, em tratos gelados perfurados

de frio, em valas pútridas ou em buracos escuros e assim por diante.

136. Repetidamente meu amigo meu amigo estava doente por causa de calamidades de seu filho e

quase morreu de tristeza.

137. Eu também, embora sã e clara por natureza, querida, me envolvi nos assuntos de suas família

e também me tornei triste.

138. Quem pode esperar mesmo por felicidade em má companhia?

139. Mergulhado em tristeza, minha amiga uma vez me procurou em segredo.

140. Aconselhado por mim, ela ganhou um novo marido, matou seu próprio filho e aprisionou seus

filhos.

141. Então, acompanhada por mim, ela rapidamente obteve a presença de minha mãe e sendo

pura ela frequentemente abraçava minha mãe.

142. Ela uma vez mergulhou no oceano de Bem-aventurança e tornou-se Bem-aventurança. Do

mesmo modo, você também pode conquistar seus caminhos errôneos que são apenas acrésci-

mos.

143. Então, meu Senhor, alcance a Mãe e obtenha felicidade eterna. Eu te relatei, meu Senhor,

minha própria experiência do pedestal de Bem-aventurança.

Assim termina Capítulo sobre "Escravidão"na Seção de Hemachuda no Tripura Rahasya2

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Veja o Capítulo VIII e o Apêndice I para explicações sobre essa parábola.

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Date: 29 de agosto de 2015

Capítulo 6

Versão 1

1. Hemachuda estava surpreso pelo conto fantástico de sua amada. Sendo ignorante, ele sorriu

zombeteiramente do conto e perguntou-lhe:

2. Minha querida, o que você disse não parece ser mais do que invenção. Suas palavras não tem

relação com os fatos e são todas sem sentido.

3. Você é certamente a filha de um Apsaras (donzela celestial) e foi criada pelo Rishi Vyagrapada

na floresta; você ainda é jovem e não totalmente crescida.

4. Mas você fala como se tivesse várias gerações de idade. Seu discurso de longo fôlego é como

o de uma garota possuída e fora de si.

5. Eu não posso acreditar nessa ladainha. Diga-me onde está sua companheira e quem é o filho

que ela matou.

6. Onde estão as cidades? Qual é o significado de sua estória? Onde está sua amiga?

7. Eu não sei nada de sua dama de companhia. Você pode perguntar a minha mãe se quiser.

Não nenhuma outra senhora além de sua sogra no palácio de meu pai.

8. Diga-me rapidamente onde tal senhora deve ser encontrada e onde o filho de seu filho está.

Eu acho que seu conto é um mito como o conto do filho de uma mulher estéril.

9. Um palhaço uma vez relatou uma estória que um filho de uma mulher estéril montou numa

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Capítulo 6 2

carruagem refletida em um espelho e decorada com ouro tomado do brilho da madre-pérola,

armou a si mesmo

10. com armas feitas por chifres de humanos, lutou na batalha do céu, matou o rei do futuro,

11. subjugou a cidade de hostes celestiais e satisfez-se com o sonho de donzelas nos bancos de

águas de uma miragem.

12. Eu tomo suas palavras como significando algo similar. Elas nunca poderão ser verdade. Após

ouvir as palavras de seu amado, a sábia garota continuou:

13. Senhor, como você pode dizer que minha parábola é sem sentido? As palavras dos lábios

daqueles como eu nunca são sem sentido.

14. A falsidade enfraquece os efeitos da penitência de alguém; então como pode se suspeitar disso

numa pessoa virtuosa? Como pode tal pessoa ser imaculado e listado entre os Sábios?

15. Além disso, aquele que entretém um buscador sério com palavras ocas ou falsas, não prospe-

rará neste mundo ou avançará no próximo.

16. Ouça, Príncipe. Um homem obtuso não pode ter sua visão restaurada meramente por ouvir a

leitura da prescrição.

17. Ele é um tolo que julga incorretamente os bons preceitos como falsos. Você acha, meu que-

rido, que eu, sua esposa, lhe enganaria com um mito quando você é tão honesto?

18. Raciocine bem e examine cuidadosamente essas minhas inverdades suspeitas.

19. Não está um homem inteligente acostumado a julgar grandes coisas no mundo verificando

uns poucos detalhes nelas? Agora te apresento minhas credenciais.

20. Algumas coisas costumavam te apetecer antes. Por que elas cessaram de fazê-lo após ouvir-me

da última vez?

21. Minhas palavras trouxeram desapego; elas estão similarmente obrigadas a fazer o mesmo ou

mais no futuro. Como poderia ser de outro modo? Julgue suas próprias afirmações desses

fatos.

22. Ouça-me, rei, com um intelecto não sofisticado e claro. Desconfiança nas palavras de um

bem-querer é o caminho mais certo para a ruína.

23. A fé é como uma mulher carinhosa que nunca pode falhar em salvar seu filho confiante das

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Capítulo 6 3

situações dificéis. Não há dúvida sobre isso.

24. O tolo que não tem fé nas palavras de seu bem-querer está desamparado pela prosperidade,

felicidade e fama. Um homem que está sempre suspeitando nunca pode obter nada que valha

a pena.

25. A confiança mantém o mundo e nutre a todos. Como pode um bebê florescer se não confiar

em sua mãe?

26. Como pode um amante obter prazer se ele não confia em sua amada? De modo similar, como

um pai idoso pode ser feliz se não confia em seus filhos?

27. O lavrador lavraria a terra se confiasse? A desconfiança mútua poria fim a todas as transações.

28. Como a humanidade existiria sem confiança universal? Se você dissesse, por outro lado, que

é a lei de causa e efeito, eu lhe direi; ouça-me.

29. As pessoas acreditam na lei que tal causa produz tal efeito. Isso não é fé?

30. Então, um homem não ousaria respirar na ausência de Sraddha (fé) por medo de uma in-

fecção patogênica, e consequentemente de perecer. Portanto, acredite antes de aspirar a

beatitude suprema.

31. Se, novamente, Príncipe, você hesitar em depender de uma pessoa incompetente, como você

pensaria que eu fosse, isso é por que você acredita que um certo fim deve ser alcançado.

32. Como, de outro modo, o fim desejado seria alcançado? Ouvindo os argumentos de sua amada,

Hemachuda disse à justa discursante:

33. Se a fé fosse posta em alguém, minha querida, seria certamente posta naqueles que a mere-

cem, de modo que o objetivo fosse alcançado.

34. Aquele que está inclinado ao mais alto bem não deveria nunca confiar numa pessoa incompe-

tente. De outro modo, ele ficaria aflito, como um peixe atraído pela tentação da isca no fim

de uma linha de pescar.

35. Portanto, a fé pode apens ser posta no que vale a pena e não no que não vale.

36. Os peixes e aqueles homens que se arruinaram de um modo e prosperaram de outro podem

verificar minha afirmação.

37. Eu somente posso acreditar em você após completa certeza de seu valor; não de outro modo.

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Capítulo 6 4

Por que então você me pergunta se o fim desejado pode ser alcançado?

38. Após ouvi-lo, Hemalekha respondeu: Ouça, Príncipe, ao que vou dizer agora.

39. Eu respondi seu ponto. Como alguém vai julgar quem é bom ou ruim?

40. É por referência aos padrões aceitos? Qual é a autoridade por trás de tais padrões? São os

próprios autores confiáveis ou não? Deste modo, não há motivo para argumentar.

41. Além disso, a competência do observador deve ser tomada em considerção. Portanto a vida

se move por fé apenas.

42. Eu explicarei a você o raciocínio de alcançar o Objetivo Supremo por meio da fé.

43. Esteja atento.

44. As pessoas não obterão nada, seja durante sua vida ou após a morte, por discussões sem fim

ou aceitação cega.

45. Das duas, contudo, há esperança para a última e não nenhuma esperança para a primeira.

46. Uma vez havia um santo, chamado Kausika, na Montanha Sahya próximo às margens do

Godavari. Ele era sereno, puro, pio, tinha conhecido da Verdade Suprema. Vários discípulos

iam vê-lo.

47. Uma vez quando o mestre tinha saído, os discípulos começaram a discutir filosofia, de acordo

com seus próprios entendimentos.

48. Apareceu em cena um Brahmin de grande intelecto e amplo conhecimento, chamado Soonga,

que com êxito refutou todos os argumentos deles com seu conhecimento de lógica.

49. Ele era um homem sem fé e sem convicção, mas um hábil debatedor.

50. Quando eles disseram que a verdade deveria ser alcançada por referência a algum padrão,

ele argumentou com base em uma série sem fim de parâmetros e os refutou.

51. Ele arrendodou seu discurso com o seguinte: Ouçam, Brahmins, os padrões não são aplicáveis

certificar méritos ou deméritos e então chegar à verdade.

52. Pois os padrões errôneos não são bons como testes. Para começar, sua corretude deve ser

estabelecida. Outros padrões são requeridos para testá-los.

53. Eles são por sua vez infalíveis? Procedendo deste modo, nenhum fim pode ser alcançado.

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Capítulo 6 5

Portanto, nenhum teste é possível.

54. A certificação da Verdade sendo impossível sem ser testada, nada pode ser verdade. Esse

próprio enunciado não pode ser verdade, nem o enunciador.

55. A que a decisão chega, então? Que tudo é nada, vazio. Isso também não pode ser sustentado

por fatos confiáveis; portanto, a afirmação de que tudo é vazio termina no vazio também.

56. Ouvindo esse discurso, alguns deles ficaram impressionados pela força da lógica de Soonga e

tornaram-se comentadores do vazio.

57. Eles se perderam no labirinto de sua filosofia.

58. Os exigentes dentre os ouvintes puseram os argumentos de Soonga diante de seu mestre e

foram esclarecidos por ele.

59. Então, eles ganharam paz e felicidade. Portanto, esteja atento a polêmica inócua desfilando

como lógica. Use-a do modo como os livros sagrados têm feito.

60. Naquele modo reside a salvação. Então, abordado por aquela eminentemente sábia esposa,

Hemachuda ficou enormemente surpreso e disse: Minha querida, eu não percebi sua sabedo-

ria logo.

61. Abençoada és tu que sois tão sábia! Abençoado sou eu que tenho tua companhia. Você disse

que a fé concede o bem mais elevado. Como isso se dá?

62. Onde está a fé registrada e onde não está? As escrituras diferem em seus ensinamentos; os

professores diferem entre eles mesmos;

63. os comentários diferem similarmente de um para o outro; adicione a isso, o raciocínio de

alguém não serve de guia. Qual deles deve ser seguido e qual deve ser rejeitado?

64. Cada um estampa suas próprias visões com o selo de autoridade e condena o resto, não

apenas como inútil mas como danoso, minha querida!

65. Esse sendo o caso, Eu não posso decidir por mim mesmo. O que você condena como a escola

do vazio se volta aos outros e os ataca.

66. Por que aquela escola deveria ser respeitada? Ela tem seus próprios aderentes e seu próprio

sistema de filosofia. Explique-me, querida, todas essas coisas claramente. Elas devem de fato

já estarem claras para você.

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Capítulo 6 6

Assim termina o Capítulo VI sobre "Sraddha"(Fé) na Seção de Hemachuda na Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Date: 1 de setembro de 2015

Capítulo 7
Que o Objetivo é Alcançado apenas após Descobrir Deus por Fé, Esforço, Aprovação Lógica e Devoção a
Ele

Versão 1

Quando Hemalekha foi então questionada por seu marido, se com seu santo conhecimento prático

do estado do universo, dirigiu-se a ele com enorme bondade:

2-5 Querido, ouça-me atentamente. O que é conhecido como a mente é, afinal de contas, sempre

como um macaco inquieto. Então, o homem comum está sempre afligido com problemas.

Todos sabem que uma mente inquieta é o canal para problemas sem fim; enquanto que al-

guém é feliz durante o sono na ausência de tal inquietação. Portanto, mantenha sua mente

estável quando ouvir o que tenho a dizer. Ouvir com uma mente distraída é tão bom quanto

não ouvir, pois as palavras não servem a nenhum propósito útil, assemelhando-se a um fruto

caído de uma árvore numa pintura.

6 O homem é rapidamente beneficiado se ele se afasta da lógica seca e ruinosa e se engaja em

discussão significativa.

7 O esforço apropriado deve seguir a discussão correta; pois um homem lucra de acordo com o

zelo que acompanha seus esforços.

8 Você acha, meu querido, que discussões sem objetivos são infrutíferas e que esforços sérios

são frutíferos no mundo.

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Capítulo 7 2

9-11 Zelo discriminativo é o que habilita o marido a arar o campo na estação e o analisador a

verificar o valor do ouro, da prata, das pedras preciosas, das plantas medicinais e do resto.

Nenhum trabalho prático será realizado se as pessoas somente dispenderem todas as suas

vidas em discussões vãs. Portanto, deve-se descartar conversas sem objetivos e começar ime-

diatamente a alcançar o objetivo mais elevado da vida como determinado pela discussão

sincera apropriada. Nem alguém deveria refrear-se do esforço individual, como é o costume

dos seguidores de Soonga.

12 Um homem que é honesto nunca estará perdido; Falharia o esforço sustentado em seu propó-

sito?

13 O homem obtém sua comida, os deuses seu néctar, os ascetas piedosos a mais elevada bem-

aventurança e os outros seus desejos, somente pelo esforço individual.

14 Pense bem e diga-me onde, quando, como e qual benefício foi obtido por algum homem, que,

sem engajar-se em ação, foi tomado por polêmica seca.

15 Se alguns casos dispersos de falha fizessem alguém perder a fé no empenho individual, ele

certamente seria maldito de Deus, por que ele é sua própria ruína.

16 Guiado pela própria deliberação, acompanhado por zelo e engajado em esforços individuais,

alguém deve seguir seu próprio caminho infalível para a emancipação.

17 Diz-se que há muitos caminhos para esse fim. Escolha aquele entre eles que é o mais certo.

18 A escolha é feita por discussão correta e de acordo com a experiência do sábio. Então comece

a prática imediatamente. Agora devo explicá-la em detalhes. Ouça.

19 Esse é o melhor que não te une novamente ao sofrimento. Para um homem discriminativo, a

dor é aparente em todos os aspetos da vida.

20-22 O que quer que tenha a impressão da miséria sobre isso não pode ser bom. Tal como riqueza,

filhos, esposa, reino, tesouro, exército, fama, conhecimento, intelecto, corpo, beleza e pros-

peridade. Pois eles são todos transitórios e já estão nas presas da morte, também chamada de

tempo.

23 Pode isso ser bom já que é apenas a semente pronta para brotar como dor e crescer em

miséria?

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Capítulo 7 3

24 O meio correto jaz entre eles. Contudo, o desejo de possuí-los nasce da delusão. O Mestre

Bruxo é Mahesvara. Ele sendo o criador do universo, tudo é deludido por ele.

25-30 Mesmo um prestidigitador de poderes limitados é capaz de iludir sua audiência, embora

somente a um grau limitado. A mágica não pode ser vista sem referência a ele. De fato, a

audiência inteira não será deludida por ele, mas quem pode escapar da ilusão de Mahadeva?

Assim como há poucos que sabem como ver através dos truques ilusórios do prestidigitador

e não são mistificados por ele, também os homens pode aprender a superar a Maya (ilusão)

universal se apenas o Senhor for gracioso com eles. Eles nunca escaparão de Maya, sem

sua graça. Portanto, ele deveria ser adorado por aqueles que estão ansiosos para escapar do

Oceano de Maya.

31 Ele com quem Deus está graciosamente satisfeito é dotado de Mahavidya, o supremo conhe-

cimento por meio do qual seu cruzamento do Oceano de Maya é certo.

32 Outros métodos também são apresentados como servindo a esse fim supremo, mas eles são

limitados a falhar em seu propósito se a graça do Senhor não for acessível.

33 Portanto, a adoração é a a Causa Primeva do universo como o ponto de partida; seja devoto

a Ele; Ele logo te capacitará para ter sucesso em suas tentativas de destruir a ilusão.

34 Claramente o universo deve ter alguma origem.

35 Embora a origem esteja envolta em mistério, vamos investigar a causa do efeito visível e

sermos guiados pelas escrituras sagradas; e então a conclusão será alcançada que existe um

Criador incomparável a qualquer dos agentes conhecidos.

36 Afirmações controversas ao contrário tem sido refutadas logicamente por muitos textos auto-

ritativos das escrituras.

37 Esse sistema que admite apenas a evidência sensória é meramente uma apologia para a filo-

sofia e leva a lugar algum. A salvação não é seu fim mas a danação é seu fruto.

38-40 A lógica seca também deve ser condenada. Outro sistema declara que o universo é eterno,

sem começo ou fim. Segue que o universo e seus fenômenos são auto-existentes; assim a

matéria insensiente e sem vida é seu próprio agente e mantenedor, o que é absurdo, por que

a ação implica inteligência e nenhum exemplo pode ser citado ao contrário. As escrituras

também dizem que a Causa Primeva é um princípio inteligente e sabemos que a ação sempre

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Capítulo 7 4

origina-se apenas de uma fonte inteligente.

41-43 O mundo é assim mapeado até seu Criador que difere inteiramente de qualquer agente co-

nhecido por nós. Julgando da magnitude da criação, Seu poder deve ser imensurável na

mesma proporção como a vastidão inimaginável da criação. Tal ser também deve ser capaz

de proteger e elevar suas próprias criaturas. Renda-se, portanto, sem reservas a ele.

44-50 Eu citaria um exemplo como prova disso. Encontramos na vida diária que um chefe, se

agradado, mesmo que seus meios sejam limitados, sempre assegura os planos do homem que

lhe é sinceramente devotado. Se o Senhor do mundo for agradado, alguma coisa será retida

do devoto? Diga-me. Ele é o único consolo dos devotos enquanto que os chefes são muitos no

mundo e não necessariamente gentis; talvez eles sejam cruéis e ingratos também. Seu amparo

também é vacilante e de vida curta. O Senhor Supremo tem piedade infinita de Seus devotos,

é mais grato e tem poderes infinitos. De outro modo, as pessoas continuariam a adorá-lo

desde tempos remotos? Os reinos não bem governados, sabe-se que, se desintegrarão (mas

seu universo continua como sempre). Portanto, seu Senhor de piedade está bem estabelecido

e também firmamente célebre. Renda-se diretamente e sem hesitação a Ele. Ele ordenará o

melhor pra você e você não necessitará pedir nada a ele.

51-59 Dentre os métodos de se aproximar de Deus, há (1) adoração para superar problemas, (2)

adoração para obter riqueza, etc. e (3) dedicação amorosa de si mesmo. A última é a melhor

e mais certa em seus resultados. Na vida prática também, um chefe suplicado por um homem

em dificuldades devidamente proporciona-lhe alívio. O homem não é, contudo, ajudado se

ele não tem demonstrado atenção apropriada a seu patrão. O mesmo também do serviço ori-

ginado da ambição, carrega frutos indeterminados e limitados de acordo com sua intensidade.

O serviço devotado com nenhum motivo ulterior leva muito tempo para ser reconhecido; mas

ele torna mesmo o o chefe mais insignificante amável. Um mestre humano pode levar muito

tempo para reconhecer o trabalho altruísta; mas Deus, o Senhor do Universo, o Habitante de

nossos corações, sabe tudo e logo concede frutos apropriados. No caso de outros tipos de de-

votos, Deus tem que esperar o curso do destino - esse sendo sua própria ordenação; enquanto

que para o devoto altruísta, Deus, o Senhor e único refúgio, é tudo em tudo e cuida dele sem

referência à predestinação do devoto ou suas próprias leis ordenadas. Ele compensa o devoto

rapidamente e isso é por que Ele é supremo e auto-contido sem depender de mais nada.

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Capítulo 7 5

60-61 A predestinação ou vontade divina é impotente diante dele. Todos sabem como Ele põe de

lado a predestinação e as leis divinas no caso de Seu famoso devoto, Markandeya. Eu te

explicarei agora a forma disso. Ouça, meu querido!

62 A noção comum de que alguém não pode escapar do próprio destino é aplicável apenas para

os fracos da cabeça e esbanjadores sem sentido.

63 Yoguis que praticam o controle da respiração conquistam o destino. Mesmo o destino não

pode impor seus frutos sobre os Yoguis.

64-66 O destino agarra e segura somente as pessoas disparatadas. Se conforma e segue a natureza,

o destino forma parte da natureza. A natureza novamente é apenas a invenção para fortalecer

a vontade Deus. Seu propósito é sempre certo e não pode ser evitado. A sua borda pode ser

embotada pela devoção a Ele e se ela não for tão embotada, a causa de predisposição deve

portanto ser considerada um fator mais poderoso na vida de um homem.

67 Portanto, evite a alta vaidade e tome refúgio nele. Ele, espontaneamente, o levará ao mais

Elevado Estado.

68 Este é o primeiro degrau na escada para o pedestal do Êxtase. Nada mais vale a pena.

69 (Dattatreya continuou) Oh Parasurama, ouvindo este discurso de sua esposa, Hemachuda

estava deleitado e continuou a perguntar-lhe:

70 Diga-me, querida, quem é este Deus, o Criado, o Auto-contido e o Ordenador do universo a

quem eu deveria consagrar minha vida.

71-72 Alguém diz que é Vishnu, outros Shiva, Ganesha, o Sol, Narasimha ou outros avatares simila-

res; outros dizem que é Buddha ou Arhat; outros, ainda, Vasudeva, o princípio-vida, a Lua, o

Fogo, o Karma, a Natureza, a Natureza Primordial e o que não.

73 Cada segmento dá uma origem diferente para o universo.

74 Eu fortemente acredito que não há nada desconhecido para você por que esse famoso e onis-

ciente Sábio Vyaghrapada tem sido gracioso para você e a sabedoria profunda brilha em você,

embora você seja do sexo frágil. Por favor, fale-me de seu amor por mim. Oh minha justa,

falando palavras de vida eterna!

75 Assim questionada, Hemalekha falou com prazer: Senhor, eu lhe falarei da Verdade final

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Capítulo 7 6

sobre Deus. Ouça!

76-78 Deus é Aquele-que-Tudo-Vê que gera, permeia, sustenta e destrói o universo. Ele é Shiva, Ele é

Vishnu, Ele é Brahma, o Sol, a Lua, etc. Ele é Aquele que os diferentes segmentos chamam-no;

Ele não é Shiva, não é Vishnu, nem Brahma, nem qualquer outro exclusivamente.

79-93 Te direi mais. Preste atenção! Para dizer, por exemplo que o Ser Primevo é Shiva com cinco

faces e três olhos, o Criador seria nesse caso como um oleiro fazendo potes, dotado de um

corpo e um cérebro. Verdade, não há arte encontrada no mundo, sem um corpo e algum inte-

lecto. De fato, a faculdade criativa em homens pertence a algo entre o corpo e a inteligência

pura. Portanto, a mene opera separada do corpo grosseiro, nos sonhos; sendo inteligente ela

cria um ambiente adequado para seus desejos latentes. Isso claramente indica que o corpo

é apenas uma ferramenta para um propósito e o agente é a inteligência. Os instrumentos

são necessários para os agentes humanos por que suas capacidades são limitadas e eles não

são auto-contidos. Enquanto que o Criador do universo é perfeito em Si mesmo e cria o uni-

verso inteiro sem qualquer ajuda externa. Isso leva a conclusão importante de que Deus não

tem corpo. De outro modo, Ele seria reduzido a um ser humano glorificado, requerndo inu-

meráveis acessórios para trabalhar e influenciado por estações e ambientes, de modo algum

diferente de uma criatura e não seria o Senhor. Além disso, a pré-existência de acessórios anu-

laria Sua mestria única e implicaria limites a seus poderes de criação. Isso é absurdo, como

sendo contrário às premissas originais. Portanto, Ele não tem corpo nem outros acessórios,

já que Ele cria o mundo. Oh Senhor da minha vida! Os tolos são tomados pela noção de dar

um corpo ao Ser transcendental. Ainda, se os devotos adoram-no e contemplam-no com um

corpo de acordo com suas próprias inclinações, Ele mostra sua graça, assumindo tal corpo.

Pois Ele é único e satisfaz os desejos de seus devotos. Todavia, a conclusão a ser obtida é que

Ele é pura inteligência e Sua consciência é absoluta e transcendental. Tal é a consciência-

inteligência em pureza, Ser Absoluto, a Única Rainha, Parameswari (Deusa Transcendental),

irresistível, que domina os três estados e portanto chamada de Tripura. Embora Ela seja um

inteiro indivisível, o universo se manifesta em toda sua varieadade nela, sendo refletida como

ela era, num espelho auto-luminoso. A reflexão não pode ser separada do espelho e portanto

é una com ela. Tal sendo o caso, não pode haver diferenças em graus (e.g., Shiva ou Vishnu

sendo superior um ao outro). Os corpos são meras concepções na ordem mais baixa dos seres

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Capítulo 7 7

e eles não são a esse ponto no caso de Deus. Portanto, seja sábio, e adore a única pura,

imaculada Transcendência.

94 Se, incapaz de compreender esse estado pura, alguém deveria adorar a Deus na forma con-

creta que é mais agradável a ele; deste modo, também, alguém é certo de alcançar o objetivo,

embora gradualmente.

95 Embora alguém tenha tentado em milhões de nascimentos, alguém não avançaria exceto em

um desses caminhos.

Assim termina o Capítulo sobre "A Natureza de Deus"na Seção de Hemachuda no Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Date: 2 de setembro de 2015

Capítulo 8

Versão 1

1-3 Tendo aprendido da boca de sua sábia esposa o real significado de Tripura, que é Pura Inte-

ligência e Deus em Verdade, e também a técnica dos professores competentes de adoração

à Tripura como solicitado por graça divina, Hemachuda obteve paz mental e adorou com

intensa devoção. Alguns meses se passaram deste modo.

4 A graça da Mãe Suprema desceu sobre ele e ele tornou-se totalmente indiferente ao prazer

por que sua mente estava inteiramente absorvida na investigação prática da Verdade.

5 Tal estado é impossível para qualquer um sem a graça de Deus, por que a mente engajada na

busca prática pela verdade é o meio mais certo de emancipação.

6 Parasurama! Ajudas incontáveis não darão emancipação se a busca séria da Verdade não é

realizada.

7 Uma vez mais Hemachuda deixou sua esposa sozinha, sua mente absorvida na busca da

Verdade.

8-9 Ela viu seu marido chegando ao seu apartamento, então foi encontrá-lo, deu-lhe boas vindas

e ofereceu-lhe seu assento. Ela lavou seus pés e prostou-se diante dele, como é devido a

alguém de sua posição e falou palavras doces de amor.

10-14 Querido! Eu te vejo novamente após um longo tempo. Sua saúde está boa? De fato, o

corpo às vezes é propenso à doença. Diga-me você tem me negligenciado todos esses dias.

Nem um dia passou antes sem que você me visse ou conversasse comigo. Como tem passado

seu tempo? Eu nunca poderia ter sonhado que você seria tão indiferente a mim! O que te

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deixou assim? Como você passa suas noites? Você costumava dizer-me que um momento sem

mim era como uma eternidade para você e que você não suportaria isso. Dizendo isso, ela o

abraçou afetuosamente e pareceu aflita.

15-17 Embora abraçado amavelmente por sua querida esposa, ele não moveu-se ao menos e disse-

lhe: Querida, Eu não posso mais te enganar. Eu estou convencido de sua força e que nada

pode afetar sua felicidade inerente. Você é uma Sábia e impertubável. Você conhece este

mundo e além. Como poderia alguma coisa afetar você como isso? Eu estou aqui para

te pedir um conselho. Agora, por favor, ouça-me. Explique-me aquele conto que você me

relatou uma vez como a estória de sua vida.

18 Quem é sua mãe? Quem e sua amiga? Quem é seu marido? Quem são seus filhos? Diga-me,

que relacionamento todas essas pessoas têm com você?

19 Eu não o entendi claramente. Eu não mais penso que é uma mentira. Eu estou certo de que

você me disse uma parábola que está cheia de significado.

20 Diga-me tudo completamente de modo que eu possa entender claramente. Eu me curvo a

você reverentemente. Gentilmente, esclareça essas dúvidas.

21-23 Hemalekha com um sorriso e face satisfeitos ouviu seu marido e pensei consigo mesma: ele

agora está com a mente pura e abençoada por Deus. Ele está evidentemente indiferente aos

prazeres da vida e está também forte de mente. Isso deve ser apenas devido à graça de Deus

e a suas virtudes anteriores que estão frutificando agora. O tempo agora está maduro para

ele ser iluminado, então eu o iluminarei. Ela disse: Senhor, a graça de Deus está em você e

você está abençoado!

24-25 O desapego não pode surgir de outro modo. É um critério da graça de Deus que a mente de-

veria ser extasiada na busca pela verdade, após tornar-se desconectado dos prazeres sensuais.

Agora resolverei o enigma da minha estória de vida.

26 Minha mãe é a Transcendência - a Consciência pura; minha amiga é o intelecto (a faculdade

de discernimento); a ignorância é a Madame Negra, a amiga indesejada do intelecto.

27 Os caprichos da ignorância são também bem conhecidos de necessitar de elucidação, ela

pode deludir qualquer pessoa, fazendo uma corda parecer ser uma serpente e causar terror

em quem vê.

28-33 Seu filho é a maior das ilusões - a mente; sua esposa é o pensamento, a saber, audição, paladar,

visão, tato e olfato, cujas mansões são os respectivos sentidos. O que foi dito que a mente
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roubaria deles é a satisfação dos objetos sensuais, que deixam uma impressão na mente para

se desenvolver depois nas propensões da mente. O compartilhamento de objetos roubados

com sua esposa é a manifestação das propensões em sonhos. O sonho é a nora da Delusão

(i.e., ignorância). A Madame Vorax é o desejo; seus filhos são a raiva e a cobiça; sua cidade

é o corpo. O que foi dito ser meu potente talismã é a Realização do Eu (Self). O amigo da

mente que guarda a cidade é o princípio vital que se mantém movendo como a respiração-de-

vida. As diferentes cidades povoadas por eles são infernos passados na eterna passagem da

alma. A consumação do discernimento é o samadhi. Minha admissão na câmara da mãe é a

emancipação final.

34 Tal é brevemente o conto de minha vida. O seu é semelhante. Pense bem e seja absolvido.

Assim termina o Capítulo sobre "O Curso da Vida"na Seção de Hemachuda em Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Date: 6 de setembro de 2015

Capítulo 9

Versão 1

1 Quando Hemachuda entendeu o significado da parábola de sua esposa ele estava agradavel-

mente surpreso. Sua voz estava chocada de alegria quando disse a ela:

2 Minha querida, você é mesmo abençoada e inteligente; como eu descreveria a profunda sa-

bedoria da sua história de vida, narrada a mim na forma de uma parábola?

3 Até agora eu não sabia de seu progresso. Isso tudo ficou tão claro para mim quanto groselha

na palma da mão.

4-5 Agora eu entendo que o objetivo da humanidade é entender nossa maravilhosa natureza. Por

favor, diga-me mais, quem é essa sua mãe? Como ela é sem início? Quem somos nós? QUal

nossa real natureza? Então questinoada, Hemalekha disse a seu marido:

6 Senhor, ouça cuidadosamente ao que irei falar, pois é sutil. Investigue a natureza do Self com

o intelecto transparentemente claro.

7 Isso não é um objeto para ser percebido nem descrito; como eu poderia falar dele para ti?

Você conhece a Mãe somente se você conhece o Self.

8 O Self não admite especificação e, portanto nenhum professor pode ensiná-lo. Contudo,

entenda o Self dentro de você, pois ele reside no intelecto imaculado.

9 Ele permeia tudo, começando do Deus pessoal até a ameba; mas não é reconhecível pela

mente ou sentidos; sendo si mesmo não-iluminado por agentes externos, ele ilumina todos,

em qualquer lugar e sempre. Ele ultrapassa demonstração ou discussão.

10 Como, onde, quando ou por quem ele tem sido especificamente descrito mesmo incompleta-

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mente? O que você me perguntou, querido, equivale a me pedir para te mostrar teus olhos a

você.

11-12 Mesmo os melhores professores não podem trazer teus olhos a tua visão. Assim como um

professor não é útil nesse exemplo, o mesmo ocorre no outro. Ele pode no máximo guiar em

direção a isso e nada mais. Eu também te explicarei os meios de realização. Ouça antenta-

mente.

13 Enquanto você estiver contaminado com noções de mim ou meu (e.g., meu lar, meu corpo,

minha mente, meu intelecto), o Self não será encontrado, pois ele reside além da cognição e

não pode ser realizado como meu Self.

14 Retire-se em solidão, analise e veja o que essas coisas são que para serem entendidas como

minhas, descarte-as todas e transcende-as, olhe para o Self Real.

15 POr exemplo, você me conhece como sua esposa e não como seu self. Eu sou apenas relacio-

nada a você e nãoparte de você, muito menos seu próprio ser.

16 Analise tudo deste modo e descarte-o. O que permanece, transcendendo tudo, além da con-

cepção, apropriação ou renúncia - saiba que Aquilo é o Self. Esse conhecimento é a emanci-

pação final.

17 Após receber essas instruções de sua esposa, Hemachuda levantou-se apressadamente de seu

assento, montou em seu cavalo e saiu da cidade.

18 Ele entrou no jardim de prazeres real fora da periferia da cidade e entrou num imponente

palácio de crsital.

19-20 Ele dispensou seus antendentes e ordenou aos guardiões: não deixem ninguém entrar nestas

salas enquanto eu estiver em contemplação - seja eles ministros, anciões ou mesmo o próprio

rei. Eles devem esperar até que vocês obtenham permissão.

21 Então ele foi para uma câmara luxuosa no nono armazém que tinha visão para todas as

direções.

22 A sala estava bem mobiliada e ele sentou-se em uma almofada. Ele restringiu sua mente e

comeceu a contemplar assim:

23-30 Realmente todas essas pessoas estão deludidas! Nenhuma delas conhece mesmo a borda do

Self! Mas todas estão ativas por sorte de seus próprios selfs. Algumas recitam as escrituras,

umas poucas estudam seus comentários; algumas estão ocupadas acumulando riquezas; ou-

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tras estão governando a terra; algumas estão lutando contra o inimigo; outras estão buscando

as luxúrias da vida. Quando engajadas em todas essas atividades egoístas elas nunca questio-

nam o que exatamente o Self pode ser; agora por que há toda essa confusão? Oh! Quando o

Self não é conhecido, tudo é em vão e como feito em um sonho. Então, Eu irei agora investi-

gar o assunto. Meu lar, riqueza, reino, tesouro, mulheres, gado - nenhum desses sou eu, eles

são apenas meus. Eu, certamente, tomo o corpo como sendo Self mas ele é simplesmente uma

ferramente para mim. Eu sou realmente o filho do rei, com membros saudáveis e uma boa

compleição. Essas pessoas, também, são tomadas por esta mesma noção d que seus corpos

são seus egos.

31-36 Refletindo assim, ele considerou o corpo. Ele não pode identificar o corpo como o Self e então

começou a transcendê-lo. Esse corpo é meu, não eu. Ele é construído de sangue e ossos e muda

a cada momento. Como pode isso ser o imutável e contínuo Eu. Ele parece como o sonho,

etc. O Eu não pode ser o corpo; nem a força vital pode ser o

1. Self; a mente e o intelecto são claramente minhas ferramentas, então elas não podem ser Eu.

Eu sou certamente algo diferente de todos eles, começando pelo corpo e finalizando com o

intelecto.

37-38 Os objetos são conhecidos pelos sentidos, não o contrário; a vida é reconhecida pelo toque e

a mente pelo intelecto. Por quem é o intelecto feito evidente? Eu não sei... Eu agora vejo que

estou sempre ciente. A realização daquela consciência pura é obstruída por outros fatores

(pertencentes ao não-self). Agora não os imaginarei. Eles não podem aparecer sem minha

imagens mentais deles e eles não podem obstruir minha glória do Self, sem aparecer.

39 Pensando assim, ele forçadamente restringiu seus pensamentos.

40-41 Instantaneamente, um branco preencheu. Ele, ao mesmo tempo, decidiu que era o Self, então

tornou-se feliz e novamente começou a meditar. Farei isso novamente, ele disse mergulhando

em si mesmo.

42 A incansabilidade da mente foi resolutamente checada, ele viu num instante uma luz radiante

sem circunferência.

43-45 Recuperando a consciência humana, ele começou a imaginar como isso poderia acontecer:

Não há constância na experiência. O Self não pode ser mais do que um. Eu repetirei e verei.

Desta vez ele caiu num longo sono e teve sonhos maravilhosos. Quando acordou, ele começou

a pensar furiosamente:

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46-48 Como é que eu Eu fui dominado pelo sono e comecei a sonhar? A escuridão e luz que eu vi antes

deve estar também na natureza dos sonhos. Os sonhos são imagens mentais, então como eu os

ultrapassaria? Eu devo, novamente, reprimir meus pensamentos e ver. Sua mente estava estável

por um tempo. Ele estava mergulhado, como se fosse num oceano de bem-aventurança.

49-54 Pouco tempo depois, ele recobrou seu estado original, devendo à mente novamente o reinício

do funcionamento. Ele refletiu: O que é isso tudo? É um sonho ou uma alucinação da mente?

Minha experiência é um fato mas ele ultrapassa minha imaginação. Por que é a bem-aventurança

tão única e diferente de qualquer coisa que eu tenha experimentado antes? A mais elevada de

minhas experiências não pode se comparar com mesmo uma letra do estado de bem-aventurança

em que estive agora. Foi como uma sono, mesmo eu não estando externamente ciente. Mas havia

um prazer peculiar ao mesmo tempo. A razão não é clara para mim por que não havia nada

para me dar prazer. Embora eu tente conhecer o Self, eu não o faço. Eu vejo o Self diferentemente

agora e novamente. O que isso pode ser? Ele é escuridão, luz ou prazer, etc. Ou é possível que

esses sejam sucessivas formas de Self? Eu não entendo. Deixe-me perguntar a minha recôndita

esposa.

55-61 Tendo então decidido, o príncipe ordenou aos guardiões da porta a pediu a Hemalekha que

viesse até ele. Dentro de uma hora e meia, ela estava subindo os degraus da mansão como a

Rainha da Noite se movendo pelo céu. Ela descobriu o príncipe, seu consorte, em perfeita paz

mental, calmo, comedido e continência feliz. Ela rapidamente foi até seu lado e sentou-se.

Quando ela se recolheu próximo dele ele abriu os olhos e a encontrou sentanda próxima. Ela

rapidamente e carinhosamente a abraçou e gentilmente disse-lhe palavras doces de amor:

Senhor, o que eu poderia fazer por Sua Alteza? Eu espero que esteja bem. Por favor, diga-me

por que você me chamou ao seu palácio? Então questionado, ele falou a sua esposa:

62-66 Minha querida! Eu tenho, como aconselhado por ti, me retirado para um lugar solitário

onde eu estou engajado na investigação do Self. Mesmo assim, eu tenho diversas visões e

experiências. Pensando que a constante auto-consciência é afetada pela intrusa interferência

de atividades mentais, eu forçosamente reprimo meus pensamentos e permaneço calmo. A

escuridão preenche, a luz aparece, o sono sobrevém e finalmente um prazer único me domina

por um pequeno intervalo. É isto o Self ou algo diferente? Por favor analise essas minhas

experiências e diga-me, minha querida, então eu poderei calmamente entendê-las.

67-69 Após ouvi-lo cuidadosamente, Hemalekha, a conhecedora de seu mundo e além, falou do-

cemente: Ouça-me, meu querido, atentamente. O que você tem feito agora para restringir
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seus pensamentos com a mente direcionada para dentro (vichara) é um bom começo e lou-

vado como o valioso e melhor caminho. Sem ele ninguém obteve sucesso em nenhum lugar.

Contudo, ele não produz Auto-realização, pois o Self permanece realizado a todo tempo.

70 Se é um produto, não pode ser o Self. Pois, como poderia o Self ser obtido agora? Então, o

Self nunca é obtido.

71 A obtenção é de algo que não é possuído. Há algum momento em que o Self não é o Self?

Nem é o controle da mente usado para obtê-lo. Eu te darei alguns exemplos:

72 Assim como coisas não vistas na escuridão são encontradas por sua remoção por meio de uma

lâmpada e são portanto ditas serem recuperadas do obscuridade.

73-74 Assim como um homem confuso pode esquecer sua bolsa, mas lembrar-se e localizá-la man-

tendo sua mente tranquila e estável, ainda diz-se que ele ganhou sua bolsa perdida, embora

a estabilização de sua mente não a produza.

75 Assim também o controle de sua mente não é a causa de sua Auto-realização; embora o Self

esteja sempre lá, ele não é reconhecido por você mesmo com uma mente controlada por que

você não está familiarizado com ele.

76 Assim como uma caipira ignorante do sistema não pode entender as luzes deslumbrantes da

câmera de audiência real à noite e ignora sua magnificência à primeira vista, você ignora o

Self.

77 Preste atenção, querido! A escuridão branca estava visível após você controlar seus pensa-

mentos. No curto intervalo antes de sua aparência e após o controle da mente, resta um

estado livre de esforço para controlar e a percepção da escuridão.

78 Sempre lembre-se desse estado como o único de felicidade perfeita e transcendental. Todos

são enganados nesse estado por que suas mentes estão acostumadas a estarem voltadas para

fora.

79 Embora as pessoas possam ser estudadas, cheias de conhecimento e perspicazes, mesmo assim

elas buscam e buscam, apenas para serem frustradas e não permanecerem nesse estado.

80 Elas lamentam dia e noite, sem conhecer seu estado. O mero conhecimento teórico da escul-

tura nunca poderá torna um homem um escultor.

81 Embora ele seja um pandit bem fundamentado na teoria e na discussão da filosofia do Self,

ele não pode realizar o Self por que ele não é realizável mas já realizado.

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82 A realização não é alcançada indo longe, mas apenas estando quieto; não é alcançada por

pensamento, mas por cessação do pensamento.

83-85 O esforço em direção à Realização é como a tentativa de pisar a sombra emitida pela cabeça

de alguém. O esforço sempre o fará recuar. Assim como uma criança tenta controlar seu

próprio reflexo estando não ciente do espelho, assim também as pessoas comuns são tomadas

por suas reflexões mentais no espelho do Self puro, luminoso, e não estão cientes do espelho

por que não tem familiaridade com o Self. Embora as pessoas entendam o espaço, elas não

estão cientes dele por que elas são tomadas pelos objetos no espaço.

86-88 Elas entendem o universo no espaço mas não tem noção do próprio espaço. De modo similar,

ocorre em relação ao Self. Meu Senhor, considere bem. O mundo consiste de conhecimento

e de objetos conhecidos. Desses, os objetos são não-self e percebidos pelos sentidos; o co-

nhecimento é auto-evidente; não há mundo na ausência de conhecimento. O conhecimento

é a prova direta da existência dos objetos que são portanto dependentes do conhecimento.

O conhecimento é dependente do conhecedor para sua existência. O conhecedor não requer

quaisquer testes para conhecer sua existência. O conhecedor, portanto, é a única realidade

por trás do conhecimento e dos objetos. Isso que é auto-evidente sem a necessidade de ser

provado, é apenas real; não é o mesmo para as outras coisas.

89-90 Aquele que nega o conhecimento não tem base para se fixar e então nenhum discussão é

possível. O sujeito do conhecimento estabelecido, a questão surge em relação à existência dos

objetos na ausência de seu conhecimento. Os objetos e seu conhecimento são apenas reflexões

na Consciência eterna, auto-luminosa, suprema, que é o mesmo que o conhecedor e que

sozinha é real. A dúvida de que a reflexão deveria ser de todos os objetos simultaneamente

sem referência ao tempo e ao lugar (contrário à nossa experiência), não necessita surgir por

que o tempo e espaço são por si mesmos conceitos conhecidos e são igualmente reflexões. A

natureza específica das reflexões é o contrário dos objetos encontrados no espaço.

92 Portanto, Príncipe, entenda com uma mente estável sua própria natureza que é pura, Cons-

ciência indivisa, subjazendo a mente inquieta que é composta de todo o universo em toda a

sua diversidade.

93 Se alguém está fixado naquela base fundamental do universo (i.e., o Self), alguém torna-se

Todo-fazedor. Eu te direi como ser inseparável. Eu te asseguro - você será Aquilo.

94 Entenda com uma mente estável o estado entre o sono e a vigília, o intervalo entre o reco-

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nhecimento de um objeto após o outro ou o intervalo entre as duas percepções.

95 Esse é o Self real, pertencente a quem não é mais deludido. Não ciente dessa Verdade, as

pessoas tem se tornado herdeiros da tristeza.

96-97 Forma, sabor, cheiro, toque, som, tristeza, prazer, o ato de obtenção, ou objeto obtido -

nenhum desses encontra lugar naquela Transcendência que é o suporte de tudo que há e que

é o ser em tudo, mas é desprovido de tudo (não contém nada). Esse é o Supremo Senhor, o

Criador, o Sustentador e o Destruidor do universo e Eterno Ser.

98 Agora, não deixe sua mente ser extrovertida; volte-a para dentro; controle-a apenas um pouco

e observe para o Self, sempre lembrando-se que o próprio investigador é a essência do ser e

do Self do self.

99 Seja também livre do pensamento Eu vejo; permaneça estável como um homem cego vendo.

O que transcende a visão e não visão, Isso é você. Seja rápido e seja Aquilo.

100 Hemachuda fez de acordo e, tendo obtido esse estado referido por sua esposa, permaneceu

pacífico por um longo tempo, não ciente de nada além do Self1 .

Assim termina o Capítulo sobre Paz na Seção sobre Hemachuda no Tripura Rahasya.

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1
Comentários dizem que ele estava em nirvikalpa samadhi

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Tripura Rahasya

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Date: 6 de setembro de 2015

Capítulo 10

Versão 1

1-5 Hemalekha notou que seu marido tinha alcançado a paz suprema e então não casou-lhe

distúrbio. Ele acordou em uma hora e meia, abriu seus olhos e viu a sua esposa que estava

próxima. Ansioso para cair naquele estado novamente, ele fechou seus olhos; imediatamente,

Hemalekha segurou suas mãos e perguntou-lhes docemente: Meu senhor, diga-me o que você

assegurou-se de ser seu ganho em fechar os olhos, ou sua perda em abri-los, meu querido. Eu

amo ouvir-te. Diga-me o que acontece em os olhos estarem abertos ou fechados.

6 Sendo pressionado por uma resposta, ele olhou-a como se estivesse bêbado e replicou relu-

tantemente e languidamente, como segue:

7-14 Minha querida, eu encontrei a felicidade pura intocada. Eu não posso encontrar a menor

satisfação nas atividades do mundo, assim como a tristeza aumenta quando elas acabam.

Basta delas! Elas são insípidas para mim como uma laranja chupada, apenas cultivadas por

vagabundos, ou como gado incessantemente ruminando. Que pena que tais pessoas estariam

nos dias de hoje não cientes desse prazer de seu próprio Self! Assim como um homem men-

diga enquanto ignorante do tesouro escondido sob seu piso, eu busquei prazeres sexuais não

ciente do ilimitado oceano de êxtase dentro de mim. Buscas mundanas são carregadas de mi-

séria e prazeres são transitórios. Eu estava tão apaixonado que os tratei incorretamente como

prazeres duráveis, estava frequentemente enlutado, mesmo que não cessasse de persegui-los

sempre e sempre. Que pena: os homens são tolos, incapazes de discriminar o prazer da dor.

Eles buscam prazeres mas obtém tristeza. Basta dessas atividades que aumentam saboreiam

tal prazer. Minha querida, eu te imploro com as mãos juntas. Deixe-me cair novamente na

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paz de meu prazeroso Self. Eu tenho pena de ti que embora sabendo desse estado, você não

está nele mas está mesmo engajada em vão.

15-27 A sábia garota gentilmente sorriu de tudo isso e disse a ele: meu senhor, você ainda não

conhece o mais elevado estado de santidade (o qual não é manchado por dualidade), al-

cançando o que o sábio transcende a dualidade e nunca fica perplexo. Esse estado está tão

longe de ti quanto o céu está da terra. Sua pequena medida de sabedoria é tão boa quanto

nenhuma sabedoria, por que não é incondicional, mas permanece condicionada por fechar

os olhos ou abrir os olhos. A perfeição não pode depender de atividades ou do reverso, de

esforço ou de não esforço. Como pode esse estado ser perfeito se a atividade mental ou física

pode influenciá-lo ou se o deslocamento da pálpebra pela largura de oito grãos de cevada faz

toda a diferença para ele? Novamente, como pode ele ser perfeito se localizado apenas no

interior? O que eu deveria dizer da imensidão dessa ilusão? Quão ridículo pensar que sua

pálpebra, uma polegada de comprimento, pode fechar a extensão na qual milhões de palavras

revolvem em apenas um canto! Ouça príncipe! Te direi mais. Tanto quanto esses nós não

são separados assim o êxtase não será encontrado (o conhecimento obtido não é efetivo).

Esses nós são milhões em números e são criados pelo vínculo da delusão que não é outra

senão a ignorância do Self. Esses nós dão surgimento a ideias incorretas, das quais a principal

é a identificação do corpo com o Self, que por seu torno dá surgimento ao fluxo perene de

felicidade e miséria na forma dos ciclos de nascimentos e mortes. O segundo nó é a diferen-

ciação do mundo a partir do Self do qual ser-consciência é o espelho no qual os fenômenos

são simplesmente refletidos. Similarmente, com os outros nós incluindo a diferenciação dos

seres entre eles mesmos e do Self universal. Eles se originaram do tempo imemorial e recor-

rem com ignorância intacta. O homem não está finalmente redimido até ter se desenredado

desses inúmeros nós de ignorância.

28-38 O estado que é o resultado de seu fachar de olhos não pode ser bastante, pois ele é pura

inteligência e verdade eterna transcendendo alguma outra coisa mas ainda servindo como o

espelho magnificente para refletir os fenômenos que surgem nele mesmo. Prove, se puder,

que tudo não está contigo nele. O que quer que você admita como conhecido para você,

está no conhecimento transportado por essa consciência. Mesmo o que pode ser suposto

de estar em outro lugar e num momento diferente, também está dentro de sua consciência.

Além disso, o que não é aparente e desconhecido para essa inteligência é uma ficção da

imaginação, como o filho de uma mulher estéril. Não pode haver nada que não seja tomado

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pela consciência, assim como não pode haver nada que não seja reflexão sem uma superfície

refletora. Portanto, eu te digo que sua convicção, Eu perderia abrindo os olhos ou Eu sei, é

o nó esperando para ser cortado e, assim, não haverá nada alcançado. Lembre-se, não pode

ser o estado perfeito se puder ser alcançado. O que você considera o estado de felicidade

como alcançado por movimentos de suas pálpebras, não pode mesmo ser perfeito por que

é certamente intermitente e não incondicional. É algum lugar encontrado onde o esplendor

não esteja, meu senhor, do fogo flamejante na dissolução do universo? Tudo se resumirá

àquele fogo e nenhum resíduo restará. Similarmente, também o fogo da realização queimará

todo seu sentido de obrigação de modo que não haverá nada restante para você fazer. Seja

forte, arranque seus pensamentos pela raiz e corte fora os nós enraizados do seu coração, a

saber, Eu verei, Eu não sou isto, Este é não-Self e os semelhantes. Encontre para onde quer que

se volte o único, indiviso, eterno, prazeroso Self; também assista o universo inteiro refletido,

como num espelho no Self, como ele surge e retrocede Nele. Para de contemplar Eu vejo o

Self em todo lugar e em tudo (dentro e fora). Alcance a Realidade residual dentro e permaneça

com o Self, com seu próprio estado natural.

39-42 Ao fim do discurso, a confusão de Hemachuda foi esclarecida, tanto que ele gradualmente

tornou-se bem estabelecido no perfeito Self desprovido de qualquer distinção de dentro ou

fora. Sendo sempre uniforme, ele levou uma vida muito feliz com Hemalekha e os outros,

reinou sobre seu reino e o tornou próspero, engajou-se com seus inimigos em guerra e os

conquistou, estudou as escrituras e as ensinou aos outros, encheu seu tesouro, realizou os

sacrifícios devidos à realeza e viveu vinte mil anos, emancipado enquanto ainda vivo (Jivan-

mukta)1 .

43-61 O Rei Muktachuda, tendo ouvido que seu filho Hemachuda tinha se tornado um Jivanmukta,

consultou seu outro filho Manichuda. Ambos concordoram que Hemachuda não era como

antes, mas que ele havia mudado tanto que ele não era mais afetado pelos maiores prazeres

ou piores tristezas; que ele tratava amigos e inimigos do mesmo modo; que ele era indiferente

a perda ou ganho; que ele se engajava em atividades reais como um ator numa peça; que ele

parecia com um homem sempre embriagado com vinho; e que ele fazia seu trabalho bem,

apesar de sua mente ausente ou outras aparências mundanas. Eles ponderaram o assunto

e se questionaram. Então, eles o procuraram em privado e perguntaram-lhe a razão dessa

mudança. Quando eles o ouviram falar desse estado, eles também desejaram ser instruídos
1
Acadêmicos dizem que Mil anos é uma expressão peculiar para quatro

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por ele e finalmente se tornaram Jivanmuktas como Hemachuda. Os ministros estavam por

seu turno desejosos de alcançar esse estado e eventualmente alcançaram-no após receber

as instruções adequadas do rei. Então foram os cidadãos, os artesãos e todas as classes

de pessoas naquela cidade. Todos eles ganharam o summum bonum (bem mais elevado)

da vida e transcenderam o desejo, a raiva, a luxúria, etc. Mesmo as crianças e as pessoas

muito velhas não eram mais movidas por paixões. Havia ainda transações mundanas nesse

estado ideal, por que as pessoas conscientemente atuam em seus papéis como atores num

drama, de acordo com o resto da criação. Uma mãe balançaria o berço com canções de ninar

expressivas da mais elevada Verdade; um mestre e seus servidores lidavam uns com os outros

à luz dessa Verdade; os atores entretinham a audiência com peças ilustrando a Verdade; os

cantores cantavam apenas músicas sobre a Verdade; os palhaços da corte caricaturizavam a

ignorância como ridícula; a academia apenas ensinava lições sobre Deus-conhecimento. O

estado inteir era pois composto apenas de Sábios e filósofos, sejam eles homens ou mulheres;

garotos servidores ou garotas servidoras; atores dramáticos ou pessoas elegantes; artesãos

ou trabalhadores; ministros ou prostitutas. Eles mesmo assim agiam em suas profissões em

harmonia com a criação. Eles nunca se detinham em recapitular o passado ou especular sobre

o futuro com uma visão de ganhar prazer ou evitar dor, mas agiam por enquanto, sorrindo,

alegrando-se, chorando ou gritando como bêbados, assim dissipando todas as suas tendências

latentes.

62 Os Rishis, Sanaka e outros, chamavam-na a Renomada Cidade da Sabedoria quando a visita-

vam.

63-68 Mesmo os papagaios e cacatuas em suas gaiolas falavam palavras de sabedoria. Por exemplo,

Considere o Self como inteligência pura desprovida de conhecimento objetivo. O que é conhecido

não é diferente daquela inteligência, é como uma série de imagens refletidas num espelho. A

consciência Absoluta é o universo; ela sou Eu, é tudo, senciente e insenciente, móvel e imóvel. Tudo

o mais é iluminado por ela embora ela seja sozinha e Auto-luminosa. Portanto, deixe aquelas

pessoas sensíveis que estão desejosas de chit (inteligência pura) voltarem-se do conhecimento

ilusório e contemplar seu próprio Self - a consciência absoluta - que ilumina todo o resto e que

também é seu próprio ser. A cidade onde mesmo os animais inferiores levavam tal sabedoria

surema é famosa até nos dias de hoje como a Cidade da Sabedoria na Terra, cuja reputação

ela deve àquela sabia princesa Hemalekha, por meio de seus conselhos Hemachuda tornou-se

um Jivanmukta, todo o resto segue em sua vigília.

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69 Dattatreya continuou: Assim, você vê, Parasurama, a causa primária de emancipação é asso-

ciação com o sábio. Portanto, siga esse conselho em primeiro lugar e primeiramente.

Assim termina o Capítulo 10 na Seção de Hemachuda na Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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www.cienciacontemplativa.com.br
Date: 9 de setembro de 2015

Capítulo 11

Versão 1

1 Após ter ouvido essa história sublime de Hemachuda, Bhargava estava confuso e perguntou:

2-5 Senhor, meu Mestre! O que você relatou como um ensinamento maravilhoso parece-me con-

tra a experiência de todas as pessoas em todos os modos. Como pode o magnífico, universo

objetivo não ser outro que a consciência tênue, que não é vista, mas apenas inferida? A inte-

ligência pura destituída de objetos conhecidos não pode ser imaginada e, portanto, não pode

ser postulada. Assim, o tema inteiro baseado nele não está nem um pouco claro para mim.

Peço-vos gentilmente que elucide o assunto para que possa entendê-lo. Assim solicitado,

Dattatreya continuou:

6-30 Eu agora te direi a verdade do mundo objetivo, como ele é. O que é visto é absolutamente

nada mas visão. Agora te darei a prova dessa afirmação. Ouça com atenção. Tudo o que é

visto tem uma origem e deve haver portanto uma causa antecedente para isso. O que é a

origem exceto que a coisa recentemente apareceu? O mundo está mudando a todo momento

e sua aparência é nova a todo momento e então ele nasce a todo momento. Alguém diz que o

nascimento do universo é infinito e eterno a cada momento. Alguém pode contestar o ponto

dizendo que essa afirmação é verdade de um objeto específico ou objetos mas não do mundo

que é o agregado de tudo que é visto. Os comentadores de vijnana respondem assim: os

fenômenos externos são apenas projeções momentâneas da anamnese da ligação contínua, a

saber, o sujeito e as ações mundanas são baseadas nelas. Mas o intelecto que compara tempo,

espaço e fenômenos é infinito e eterno a cada momento de sua aparência e é chamado vij-

nana por eles. Outros dizem que o universo é o agregado da materia - móvel e imóvel. (Os

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atomistas sustenam que o universo é feito de cinco elementos, terra, ar, fogo, água e éter que

são permanentes e de coisas como um pote, uma roupa, etc., que são transientes. Eles ainda

são incapazes de provar a existência eterna do mundo, por que eles admitem que os aconte-

cimentos da vida implicam sua natureza conceitual. Segue que os objetos não tão envolvidos

são inúteis.) Mas todos estão de acordo de que o universo tem uma origem. (O que é então o

ponto em dizer que as criações momentâneas são eternas e infinitas? A natureza momentânea

não pode ser modifiada pelas qualificações mencionadas. Não há nenhuma utilidade em ves-

tir um homem condenado antes do machado do executor está sobre ele). Dizer, contudo, que

a criação é devido à natureza (acidental?) é exagerar a imaginação e portanto injustificável.

Os Charvakas, niilistas, argumentam que alguns efeitos não são mapeáveis até suas causas

eficientes. Há ocorrências sem quaisquer causas antecedentes. Assim como uma causa não

necessita sempre prever um evento, também o evento nem sempre precisa ter uma causa. A

conclusão segue que o mund é um acidente. Se uma coisa pode aparecer sem uma causa não

há relação entre causa e efeito e não pode haver harmonia no mundo. Um trabalho do oleiro

pode levar a produtos do tecelão e vice-versa, o que é absurdo. A interdependência de causa

e efeito é confirmada pela sequência lógica e provada por seu papel na vida prática. Como

pode então o universo ser um acidente? Eles inferem a causa onde não é óbvio e mapeiam a

causa do efeito. Isso está de acordo com a prática universal. Cada ocorrência deve ter uma

causa; essa é a regra. Mesmo se a causa não é óbvia, ela deve ser inferida; de outro modo,

as atividades do mundo seriam em vão - o que é um absurdo. A conclusão é então alcançada

que todo evento é um produto de uma certa condição ou condições; e esse fato habilita as

pessoas a se engajarem em trabalho significativo. Assim é no mundo prático. Portanto, a

teoria da criação acidental não é admissível. Os atomistas pressupõem uma causa material

para a criação e a chamam de átomos imponderáveis. De acordo com eles, os átomos impon-

deráveis produzem o mundo tangível, que não existia antes da criação e não permanecerá

após a dissolução. (A existência do mundo antes ou após é apenas imaginária e falsa, como

um chifre humano - eles dizem.) Como pode a mesma coisa ser verdadeira num instante e

falsa no outro? Novamente, os átomos primários são imponderáveis, sem magnitude e ainda

são permanentes, como podem dar surgimento a produtos materiais e transientes dotados de

magnitude? Como pode a mesma coisa ser amarela e não amarela - brilhante e escura - ao

mesmo tempo? Essas qualidades não estão em harmonia; a teoria inteira é confusa, é como

se alguém esteve tentando mistura coisas não-misturáveis. Novamente, como os átomos pri-

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omordiais começaram a se unir para produzir diátomos ou triátomos? Estavam de comum

acordo, (o que é impossível por que são insensientes) ou por vontade de Deus? (Assim a

ação é de Deus e não dos átomos. De outro modo, seria como um rei em seu palácio que,

meramente querendo matar o inimigo, enviou armas voadoras no ato de destruição. Já foi

apontado que Deus não pode ser suposto de operar átomos para o propósito de criação, como

um oleiro faz com o barro). Também é absurdo dizer que os átomos de matéria insensientes

começaram a criação quando o equilíbrio das três forças (sattva, rajas e tamas) foi perturbado.

Como as mudanças no estado de equilíbrio são trazidas? A mudança não é possível sem uma

causa inteligente. Nenhum dos sistemas pode explicar a criação. As escrituras apenas são o

guia para compreender o metafísico e o transcendental. O resto não é autoritativo por causa

das limitações individuais, a ausência de testes confiáveis para sua acurácia e as falhas repe-

tidas das tentativas que ignoram Deus. O universo deve ter um Criador e Ele deve ser um

princípio inteligente, mas Ele não pode ser de qualquer tipo conhecido por causa da vastidão

da criação. Seu poder é entendimento passado e é tratado nas escrituras, cuja autoridade não

tem controvérsias. Elas falam do Criador único, do Senhor que era antes da criação, sendo

auto-contido. Ele criou o universo por seu próprio poder. Ele é em sua completude e todos

os seus detalhes, uma figura na tela de Seu Self como o mundo de sonho na consciência do

indivíduo. O indivíduo engloba sua própria criação com seu ego (como Eu); assim o Senhor

joga com o universo. Assim como o sonhador não é confundido com o sonho o Senhor não é

confundido com a criação. Assim como o homem sobrevive a seu sonho, o Senhor sobrevive

à dissolução de Sua criação. Assim como resta mesmo a consciência pura separada do corpo,

etc, é o Senhor, consciência ilimitada separada do universo, etc. Não é sobretudo apenas uma

figura desenhada por Ele em seu próprio Self? Como pode essa criação única estar separada

Dele? Não deve realmente haver nada além de consciência. Diga-me de algum lugar onde

não há consciência; não há nenhum lugar além da consciência. Ou pode haver alguém que

prove de qualquer maneira alguma coisa fora da consciência? A consciência é inescapável.

31-32 Além disso, esta consciência é a única existência, cobrindo o universo inteiro e perfeita nele

todo. Assim como não pode haver ressacas separadas do oceano e luz sem o sol, também o

universo não ser concebido sem a consciência. O Deus Supremo é então a corporificação da

Consciência pura.

33-34 Este universo inteiro consistindo dos móveis e imóveis, surge de, permanece em e resolve

Nele. Essa é a conclusão final e bem-conhecida das escrituras; e as escrituras nunca erram.

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O guia pelo qual alguém pode apreender os assuntos materiais e transcendentais é apenas a

escritura.

35 Os poderes miraculosos possuídos por gemas e encatamentos não podem negar, nem podem

ser sondados por um homem de conhecimento limitado.

36-40 Por que as escrituras procedem de um Senhor todo-conhecedor, elas compartilham Sua qua-

lidade onisciente. O Ser mencionado nelas é eternamento existente mesmo antes do nasci-

mento do universo. Sua criação foi sem qualquer ajuda material. Portanto, Deus é supremo,

perfeito, puro e auto-contido. A criação não é um objeto separado; é a figura desenhada no

canvas da suprema consciência, pois não pode haver possibilidade nada além da Perfeição.

A imaginação, ao contrário, não é prática. O universo tem apenas se originado como uma

imagem na superfície do espelho do Absoluto. Essa conclusão está em harmonia com todos

os fatos.

41-45 A criação é como um truque de mágico e é uma cidade nascida da imaginação divina. O

Parasurama, você está ciente das criações mentais daqueles que sonham acordados que estão

cheio de pessoas, vida e trabalho, similares a isso. Também há dúvidas, testes, discussões e

conclusões - todas imaginários surgindo na mente e retrocedendo lá. Assim como castelos

no ar são ficções mentais dos homens, também é a criação uma ficção de Shiva. Shiva é

Consciência absoluta, sem qualquer forma. Sri Tripura é Sakti (energia) e Testemunha do

todo. Esse Ser é todo perfeito e permanece indiviso.

46-47 O tempo e espaço são os fatores da divisão no mundo; desses, o espaço se refere às locali-

zações dos objetos e o tempo à sequência dos eventos. O tempo e espaço são por si mesmos

projetados da consciência. Como então elas dividiriam ou destruiriam sua própria base e

ainda continuariam a ser o que são?

48-51 Você pode me mostrar o tempo ou lugar não permeado pela consciência? Ela não está dentro

de sua consciência quando você fala dele? De fato, a existência das coisas é apenas a ilumina-

ção delas e nada mais. Tal iluminação pertence apenas à consciência. Isso apenas conta que

é auto-brilhante. Os objetos não são assim, pois sua existência depende da percepção deles

pela consciência dos seres. Mas a consciência é auto-efulgente - não é assim para os objetos,

que dependem dos seres consciêntes para serem conhecidos.

52-54 Se, por outro lado, você discutir que esses objetos existem mesmo se não são percebidos

por nós, eu te digo - ouça! Não há consistência no mundo em relação à existência ou não-

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existência das coisas. Sua cognição é o único fator que a determina. Assim como reflexões

não têm substância nelas, fora do espelho, também as coisas do mundo não têm substância

nelas fora do fator conhecedor, viz., Inteligência. O detalhe e tangibilidade das coisas não são

argumentos contra elas serem nada além de imagens.

55-63 Essas qualidades de imagens refletidas dependem da excelência da superfície refletora, como

podemos ver no caso da água de superfícies polidas. Os espelhos são insensientes e não são

auto-contidos. Enquanto que, a consciência é sempre pura e auto-contida; ela não requer um

objeto externo para criar a imagem. Os espelhos ordinários são passíveis de ser sujados por

poeira estranha, enquanto que a consciência não tem nada estranho a ela, sendo sempre única

e indivisa e portanto suas reflexões são únicas. As coisas criadas não são auto-luminosas e

são iluminadas pela faculdade cognitiva de outro. A cognição das coisas implica sua imagens

sobre nossa inteligência. Elas são apenas imagens. A criação portanto é uma imagem. Não é

auto-brilhante e portanto não é auto-consciente, mas torna-se um fato sobre nossa percepção

dela. Portanto, eu digo que esse universo não é nada mais que uma imagem sobre nossa

consciência. A consciência brilha apesar da formação de imagens sobre ela; embora impalpá-

vel, ela está estavelmente fixada e não vacila. Assim como as imagens num espelho não são

separadas do espelho, também as criações da consciência não estão separadas dela.

64 Os objetos são necessários para produzir as imagens num espelho; eles não são, contudo,

necessários para a consciência, por que ela é auto-contida.

65-66 O Parasurama! Note como sonhos acordados e alucinações são claramente figurados na mente

mesmo na ausência de qualquer realidade por trás deles. Como isso acontece? O lugar dos

objetos é tomado pela qualidade imaginativa da mente. Quando tal imaginação é profunda,

ela toma forma como criação; a consciência é pura e imaculada na ausência de imaginação.

67 Assim você vê como a consciênca era absoluta e pura antes da criação e como sua qualidade

peculiar ou vontade trouxe essa imagem para o mundo.

68-69 Assim, o mundo não nada mais que uma imagem desenhada na tela da consciência, ele difere

apenas de uma figura mental em sua longa duração; que é novamente devido a força de

vontade produzindo o fenômeno. O universo parece prático, material e perfeito por que a

vontade determinando sua criação é perfeita e independente; enquanto que as concepções

humanas são mais ou menos transitórias de acordo com a força ou fraqueza da vontade por

trás delas.

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70 As dificuldades das limitações são, de certo modo, ultrapassada pelo uso de encantamentos,

gemas e ervas e uma corrente inquebrável de Eu é estabelecida.

71 Com a ajuda da yoga pura, O Rama, observe a criação manifestada pela vontade de alguém

como as alucinações trazidas por um mágico.

72 Os objetos no mundo podem ser manipulados e usados, enquanto criações mentais (e.g.,

sonhos) apresentam o mesmo fenômeno.

73 As criações de um mágico são apenas transitórias; as criações de um yogui podem ser perma-

nentes; ambas são externas ao criador, enquanto que a criação divina não pode estar separada

do Senhor onipresente.

74 Por que o Senhor da consciência é infinito, a criação pode permanecer apenas dentro dele e

o contrário é pura fantasia.

75 Já que o universo é apenas uma projeção do e no espelho da consciência, sua natureza irreal

pode se tornar clara apenas em investigação e não de outro modo.

76 A verdade não pode nunca mudar sua natureza, enquanto que a falsidade está sempre mu-

dando. Veja como a natureza do mundo é mutável!

77-78 Distingua entre a verdade imutável e a falsidade mutável e escrutine o mundo composto

desses dois fatores, fenômenos mutáveis e consciência subjetiva sem mudanças, como a luz

imutável do espelho e as imagens mudando nele.

79 O mundo não pode suportar a investigação devido à sua natureza irreal mutável. Assim como

a coruja é deslumbrada e cega pela luz brilhante do sol, o mundo desfila em glória diante da

ignorância e desaparece diante da análise correta.

80-84 O que é comida para um é veneno para outro (e.g., comida em decomposição para os vermes

e seres humanos). O que é uma coisa para yoguis e seres celestias, é outra para os outros.

Uma longa distância por um veículo é curta para outro. Longos intervalos de espaço refletidos

no espelho estão eles próprios nele e ainda são irreais. Deste modo, a investigação se torna

indeterminada por si mesma. A investigação e o objeto investigado são ambos indeterminados

e o único fator constante subjacente a ambos é a consciência. Nada mais pode suportar além

dela.

85 Isso que brilha como Eu, é Sua Majestade a Consciência Absoluta. Assim o universo é apenas

o Self - o Único e apenas um.

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Assim termina o Capítulo 11 sobre A averiguação da verdade no Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

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Date: 20 de setembro de 2015

Capítulo 12

Versão 1

1 Mesmo após ouvir Dattatreya pacientemente, Parasurama ainda estava perplexo e perguntou:

2 Oh Senhor, o que disse até agora sobre o universo é a verdade.

3 Mesmo assim, como é que ele parece ser real para mim e para os outros que somos inteligentes

e sagazes?

4 Por que ele continua parecendo ser real para mim embora eu tenha ouvido você dizer o

contrário? Por favor, prove para mim sua irrealidade e remova minha presente ilusão.

5 Assim questionado, Dattatreya, o grande Sábio, começou a explicar a causa da ilusão que faz

alguém acreditar que o mundo é real:

6 Ouça, Rama! Esta ilusão é muito antiga, não sendo outra senão a ignorância profundamente

enraizada que troca uma coisa por outra.

7 Veja como a verdade do Self tem sido ignorada e o corpo tem se tornado identificado como

o Self. Considere este corpo tolo composto de sangue e ossos além da imaculada inteligência

pura!

8 Mesmo o corpo grosseiro torna-se incorreto para a consciência pura cristalina pela mera força

do hábito.

9 Assim também o universo tem repetidamente sido tomado por ser real de modo que ele agora

parece como se fosse realmente real. O remédio reside na mudança de perspectiva.

10 O mundo torna-se para alguém o que quer que alguém esteja acostumado a pensar dele. Isso

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nasce pelo entendimento dos Yoguis e dos objetos de sua longa contemplação.

11-12 Eu ilustrarei este ponto por um antigo e maravilhoso incidente. Há uma cidade muito sagrada,

Sundara, no país de Vanga. Lá uma vez vivia um rei sábio e famoso, Susena. Seu jovem irmão,

Mahasena, era seu servo leal e dedicado.

13 O rei governava seu reino também que todos os servos o amavam. Em uma ocasião ele

realizou o sacrifício do cavalo.

14 Todos os mais valentes príncipes seguiram o cavalo com um grande exército.

15 Seu curso foi vitorioso até que eles alcançaram as margens do Irrawaddy.

16 Eles foram exaltados e passaram pelo pacífico Sábio real Gana, sem saudá-lo.

17 O filho de Gana notou o insulto a seu pai e ficou exasperado. Ele pegou o cavalo sacrificial e

lutou com os heróis que o guardavam.

18-23 Eles o rodearam de todos os lados mas ele junto com o cavalo entraram na colina Ganda,

diante de seus olhos. Notando seu desapareciemnto na colina, os invasores atacaram a colina.

O filho do sábio reapareceu com um enorme exército, lutou com o inimigo, derretou-os e

destruiu o exército de Susena. Ele tomou prisioneiros de guerra, incluindo todos os príncipes

e então entrou novamente na colina. Uns poucos segudiores quem escaparam fugiram para

Susena e disseram-lhe tudo. Susena estava surpreso e disse a seu irmão:

24-30 Irmão! Vá ao palácio do sábio Gana. Lembre-se que penitentes são maravilhosamente podero-

sos e não podem ser conquistados mesmo por deuses. Portanto, tome cuidado para agradá-lo,

de modo que você possa ser permitido de trazer os príncipes e o cavalo a tempo para o sa-

críficio que é está rapidamente se aproximando. O orgulho diante de sábios sempre será

humilhado. Se enraivecidos, eles podem reduzir o mundo a cinzas. Aborde-o com respeito de

modo que nosso objetivo possa ser alcançado. Mahasena obedeceu e começou imediatamente

sua incumbência. Ele chegou à hermida de Gana e encontrou o Sábio sentando pacificamente

como uma rocha, com seus sentidos, mente e intelecto sob perfeito controle. O sábio, que es-

tava imerso no Self, olhou-o como um oceano de calma cujas ondas de pensamento estavam

quietas. Mahasena espontaneamente prostrou-se diante do sábio e começou a cantar seus

louvores e aqui lá permaneceu por três dias em atitude de reverência.

31-46 O filho do sábio que estava olhando o novo visitante estava satisfeito e vindo até ele disse,

Eu estou satisfeito com o respeito que você mostrou a meu pai. Diga-me o que eu posso fazer

por você e eu o farei de uma vez. Eu sou o filho do grande Gana, o único eremita. Príncipe,
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ouça-me. Esta não é a hora do meu pai falar. Ele agora está em kevala nirvikalpa samadhi e

sairá dele apenas após doze anos, dos quais cinco já se passaram e ainda restam sete. Diga-me

agora o que você deseja dele e eu farei por você. Não me subestime e pense que eu sou apenas

um jovem cabeça dura inútil sem meu pai. Não há nada impossível para yoguis engajados em

penitência. Após ouvi-lo, Mahasena, sendo sábio, o saudou com as mãos juntas e disse: Oh

criança do sábio! Se você quer dizer que satisfaz meu desejo, eu quero fazer um breve pedido

para seu sábio pai quando ele voltar de seu samadhi. Gentilmente, ajude-me com isso se

puder. Após ele ter pedido, o filho do sábio respondeu: Rei, seu pedido é difícil de conceder.

Tendo prometido satisfazer seu desejo, não posso voltar atrás em minha palavra. Eu devo

agora te pedir para esperar uma hora e meia e assistir meu poder yôguico. Este, meu pai, está

agora em paz transcendental. Quem pode acordá-lo por esforços externos? Espere! Eu posso

fazer isso imediatamente por meio de yoga sutil. Dizendo isso, ele sentou, absteve os sentidos,

uniu a expiração e inspiração, exalou ar e parou imóvel por um curto período; deste modo ele

entrou na mente do Sábio e após agitá-la, voltou a seu próprio corpo. Imeditamente, o Sábio

voltou a seus sentidos e encontrou Mahasena em sua frente, prostrando-se e louvando-o. Seu

pensamento, por um momento, tomando toda a situação de seus poderes extraordinários.

47-49 Perfeitamente pacífico e de mente alegre, ele acenou para seu filho e disse-lhe: garoto, não

repita esta falha. A ira destrói a penitência. A penitência é apenas possível e pode progredir

sem obstrução por que o rei protege os yoguis. Interferir com um sacrifício é sempre repre-

ensível e nunca é admitido para o bem. Seja um bom garoto e retorne os cavalos para os

príncipes imeditamente. Faça-o de uma vez de modo que o sacrifício possa ser realizado no

instante indicado.

50 Assim dirigido, o filho do sábio foi imediatamente apaziguado. Ele entrou na colina, retornou

com o cavalo e os príncipes e os libertou com prazer.

51-53 Mahasena enviou os príncipes com o cavalo para a cidade. Ele estava surpreso com o que

tinha visto e saudou o Sábio perguntando-lhe respeitosamente: Senhor, por favor, diga-me

como o cavalo e os príncipes foram escondidos na colina. Então, o sábio respondeu:

54-66 Ouça, Oh Rei, antes eu era um imperador que governava o império circundado pelos mares.

Após um longo período, a graça de Deus desceu sobre mim e eu me tornei desanimado com o

mundo como sendo apenas lixo na luz da consciência interna. Eu abdiquei o reino em favor de

meus filhos e retirei-me para esta floresta. Minha esposa, sendo atenciosa, acompanhou-me

até aqui. Muitos anos passaram em nossa penitência e austeridades. Uma vez, minha esposa
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abraçou-me e esse filho nasceu quando eu estava em samadhi. Ela trouxe-me a meus sentidos,

deixou o bebê comigo e morreu. Este garoto cresceu comigo com amor e cuidado. Quando ele

cresceu, ele ouviu que eu tinha sido um rei. Ele desejou ser um também e suplicou-me para

conceder-lhe essa graça. Eu o iniciei no yoga, que ele praticou com tal sucesso que era capaz

por sua força de vontade de criar um mundo seu nesta colina que ele está agora reinando.

O cavalo e os príncipes foram mantidos lá. Agora, te disse o segredo daquela colina. Após

ouvi-lo, Mahasena perguntou novamente:

67 Eu tenho, com grande interesse, ouvido sua história maravilhosa da colina. Eu a quero ver.

Você pode me conceder esse pedido?

68 Sendo assim solicitado, o Sábio ordenou seu filho dizendo: Garoto! Mostre-lhe o lugar e o

satisfaça.

69 Tendo dito isso, o Sábio entrou novamente em samadhi; e seu filho saiu com o rei.

70 O filho do sábio entrou na colina sem problemas e desapareceu, mas Mahasena não foi capaz

de entrar. Então ele chamou o filho do sábio.

71 Ele também chamou o rei, do interior da colina. Então ele veio e disse ao rei:

72-74 Oh Rei, esta colina não pode ser penetrada com os pequenos poderes yôguicos que você

possui. Você deve achá-la muito densa. Mesmo assim, você deve ser levado para dentro dela

como meu pai ordenou. Agora, deixe seu corpo grosseiro neste buraco coberto por arbustos;

entre a coluna com sua casca mental comigo. O rei não pode fazer isso e perguntou:

75 Diga-me, santo, como eu jogarei fora meu corpo. Se eu fizer isso forçosamente, morrerei.

76 O santo riu disso e disse: parece que você não sabe yoga. Bem, feche seus olhos.

77 O rei fechou os olhos; o santo imediatamente entrou nele, tomou o corpo sutil do outro e

deixou o corpo grosseiro no buraco.

78 Então, por seu poder yôguico, o santo entrou na colina com o corpo sutil arrebatado do outro

que estava preenchido com o desejo de ver o império dentro das entranhas da colina.

79 Uma vez dentro, ele despertou o indivíduo que estava dormindo para sonhar. O outro agora

encontrou-se seguro pelo santo na ampla expansão do éter.

80-82 Ele estava alarmado em ver em todas direções e pediu ao santo: não me desampare, eu

pereceria neste espaço ilimitado. O santo do seu terror e disse: eu não te desampararei.

Esteja certo disso. Agora, olhe em volta e não tenha medo.

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83-95 O rei tomou coragem e olhou em volta. Ele viu o céu acima, envolto na escuridão da noite

e no brilho das estrelas. Ele subiu até lá e olhou para baixo; ele veio para a região da lua e

foi entorpecido com frio. Protegido pelo santo, ele foi para o sol e foi chamuscado por ele.

Novamente, levado pelo santo, ele foi refrescado e viu uma região inteira, uma contraparte

do paraíso. Ele foi para o cume dos Himalayas com o santo e foi-lhe mostrada a região

inteira e também a terra. Novamente, dotado com poderosa visão, ele foi capaz de ver terras

longíquas e descobriu outros mundos além deste. Nos mundos distantes, havia escuridão

prevalecendo em alguns lugares; a terra era dourada em alguns; havia oceanos e continentes

ilhas atrevassados por rios e montanhas; havia os paraísos populados por Indra e os Deuses,

os asuras, seres humanos, os rakshasas e outras raças celestiais. Ele também viu que o santo

tinha se dividido como Brahma em Satyaloka, como Vishnu em Vaikunta e como Shiva em

Kailasa, enquanto todo o tempo ele permanecia como seu self-original, o rei governando no

mundo presente. O rei estava maravilhado em ver o poder yôguico do santo. O filho do

sábio disse-lhe: esse passeio turístico levou apenas um dia de acordo com os padrões que

prevalecem aqui, mas levou 12 mil anos no mundo que você estava acostumado. Então,

vamos voltar a meu pai.

96 Dizendo isso, ele ajudou o outro a voltar da colina para o mundo exterior.

Assim termina o Capítulo XII ou Passeio na Colina de Ganda no Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

Contact: Traduzido para o português por Eanes T. Pereira


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Date: 16 de outubro de 2015

Capítulo 13

Versão 1

1-2 O filho do sábio fez o rei dormir, uniu seu corpo sutil com o corpo grosseiro que havia sido

deixado em um buraco e, então, o acordou.

3 Ao recuperar seus sentidos, Mahasena achou o mundo inteiro mudado. As pessoas, os cursos

dos rios, as árvores, os reservatórios, etc, estavam todos diferentes.

4-30 Ele estava desnorteado e perguntou ao santo: Oh Grande! Quanto tempo passamos vendo

seu mundo? Este mundo parece diferente do que eu estou acostumado! Assim questionado,

o filho do sábio disse a Mahasena: Ouça, Rei, este é o mundo em que estávamos e deixamos

para ver o que estava dentro da colina. O mesmo passou por enormes mudanças devido ao

longo intervalo de tempo. Gastamos apenas um dia olhando a região da colina; o mesmo

intervalo equivel a 12 mil anos nesta terra; e ela mudou enormemente. Olhe a diferença

entre os modos das pessoas e suas linguagens. Tais mudanças são naturais. Eu tinha notado

mudanças similares antes. Olhe aqui! Este é o senhor, meu pai em samadhi. Aqui você

esteve antes, louvando meu pai e rezando pra ele. Ali você vê a colina na sua frente. Por

esse tempo, a descendência de seu irmão aumentou aos milhares. O que era Vanga, seu país,

com Sundara, sua capital, agora é uma floresta infestada com chacais e animais selvagens.

Agora há um Virabahu na linha de seu irmão que tem sua capital, Visala, nas margens do

Kshipra no país de Malwa; em sua linha, há Susarma cuja capital é Vardhana no país dos

Drávidas, nas margens do Tambrabharani. Tal é o curso do mundo que não pode permanecer

o mesmo, mesmo por um curto período de tempo. Pois neste período, os vales, os rios, os

lagos e o contorno da terra foi alterado. As montanhas retrocedem; os planos se elevam; os

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desertos se tornam fertéis; os platôs mudam para terrenos arenosos; as rochas se decompõem

e tornam-se lodo; o barro, às vezes, endurece; as fazendas cultivadas tornam-se estéreis e

as terras estéreis tornam-se boas para lavoura; as pedras preciosas tornam-se sem valor e

bugingangas tornam-se inestimáveis; águas salgadas tornam-se doces e água potável torna-se

salobra; algumas terras contém mais pessoas do que gado, outras são infestadas por bestas

selvagens; a, ainda, outras são invadidas por reptéis peçonhetos, insetos e vermes. Tais são

algumas das mudanças que acontecem na terra no curso do tempo. Mas não há dúvida que

esta é a mesma terra que estivemos antes. Mahasena ouviu tudo que o filho do sábio havia

dito e desmaiou do choque. Então, sendo trazido por seu companheiro, ele foi dominado por

aflição e pranteou a perda de seu irmão real e do filho de seu irmão e de sua esposa e filhos.

Após um curto tempo, o filho do sábio amenizou sua aflição com palavras sábias: Sendo um

homem sensível, por que você pranteia e de quem é a perda? Um homem sensível nunca faz

nada sem um propósito; agir sem discernimento é infantil. Pense agora e diga-me de qual

perda você se aflige e a qual propósito sua aflição servirá. Assim questionado, Mahasena,

que ainda estava inconsolável, retorquiu: Grande sábio que você é, você não pode entender

a causa de minha tristeza? Como é que você busca a razão da minha aflição quando eu perdi

tudo que era meu? Um homem é geralmente triste quando apenas um de sua família morre

Eu perdi todos os meus amigos e parentes e você ainda me pergunta por que eu estou triste.

31-48 O filho do sábio continuou zombeteiramente. Rei! Diga-me agora. Este lapso em tristeza

é uma virtude hereditária? Ela resultará em pecado se você não a satisfizer nesta ocasião?

Ou você espera recuperar sua perda por tal aflição? Rei! Pense bem e diga-me o que você

ganha com sua tristeza. Se você a considera irresistível, ouça o que vou dizer. Tal perda não

é recente. Seus antepassados morreram antes. Você pranteou a perda deles? Se você disser

que é por causa do sangue do relacionamento que agora causa sua aflição, não havia vermes

nos corpos de seus pais, vivendo de sua nutrição? Por que eles não são seus parentes e por

que a perda deles não te causa tristeza? Rei, pense! Quem é você? As mortes de quem são

a causa de sua aflição atual? Você é seu corpo, ou outra coisa? O corpo é simplesmente

um conglomerado de substâncias diferentes. Dano a qualquer um de seus constituintes é

dano ao todo. Não há um momento no qual cada um dos componentes não está mudando.

Mas as excreções não constituem um perda para o corpo. Aqueles a quem você chamou

de seu irmão e etc são apenas corpos; os corpos são compostos de terra; quando perdidos,

eles retornam à terra; e a terra se resume a energia. Onde está então a perda? De fato,

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você não é o corpo. Você é dono do corpo e o chama de seu, apenas como você faz a uma

roupa que você possui. Onde reside a diferença entre seu corpo e sua roupa? Você tem

quaisquer dúvidas em relação a essa conclusão? Sendo outro coisa senão seu próprio corpo,

que relação há entre você e outro corpo? Você já reivindicou relacionamento similar, digamos,

com as roupas de seu irmão? Por que, então, prantear sobre a perda de corpos, que não são

diferentes de roupas? Você fala de "meu corpo", "meus olhos", "minha vida", "minha"mente

e assim por diante, eu pergunto a você agora, diga-me o que exatamente você é. Sendo

assim confrontado, Mahasena começou a pensar sobre o assunto e incapaz de solucionar o

problema ele pediu licença para considerar o assunto cuidadosamente. Então, ele retornou

e disse com toda a humildade: Senhor, eu não sei quem sou. Eu considerei o assunto e

ainda não entendi. Minha aflição é apenas natural; não posso explicá-la. Mestre, eu busca

sua proteção. Bondosamente, diga-me o que é. Todos são dominados pela aflição quando

um parente morre. Ninguém parece conhecer seu próprio eu; pranteam todas as perdas. Eu

me submeto como seu discípulo. Por favor, elucide esse assunto para mim. Sendo assim

questionado, o filho do sábio falou para Mahasena:

49 Rei, ouça! As pessoas estão deludidas pela ilusão projetada por Sua Divinha Majestade. Eles

compartilham de miséria que é devido à ignorância de seus selfs. Sua miséria é insignificante.

50 Tanto quanto a ignorância de seus selfs dure, tão longo haverá miséra.

51-52 Assim como um sonhador é tolamente alarmado em seus próprios sonhos ou como um tolo

é iludido pelas serpentes criadas em uma performance de mágica, assim também o homem

ignorante do Self é aterrorizado.

53-55 Assim como o sonhador acordado do seu sonho cheio de medo ou o homem que assiste

a performance de mágica informado da natureza irreal das criações de mágicas, não mais

teme-as mas ridiculariza outro que teme, assim também alguém ciente do Self não apenas

não se aflige mas também ri da aflição de outro. Portanto, Oh herói valente, destrua essa

fortaleza impenetrável da ilusão e conquiste sua miséria pela realização do Self. No intervalo,

seja discriminativo e não seja tão tolo.

56-58 Após ouvir o filho do sábio, Mahasena disse: Mestre, sua ilustração não foi até o ponto. O

sonho ou a mágia é depois entendido como ilusório, enquanto que este universo concreto é

sempre real e cheio de propósito. Isto é inatingível e persistente. Como pode ser comparado

a um sonho evanescente? Então, o filho do sábio respondeu:

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59 Ouça ao que vou dizer. Sua opinião de que a ilustração não foi ao ponto é uma dupla ilusão,

como um sonho em um sonho.

60-70 Considere o sonho como um sonhador consideraria e diga-me se as árvores não fornecem

sombra aos pedestres e não dão frutos para o uso dos outros. O sonho é entendido como

sendo irreal e evanescente dentro do próprio sonho? Você quer dizer que o sonho é tomado

como falso após acordar dele? Não é o mundo acordado similarmente tomado como falso em

seu sonho ou em sono profundo? Você discorda que o estado acordado não assim por que

há continuidade nele após você acordar? Não há continuidade em seus sonhos dia a dia? Se

você disser que não é evidente, diga-me se a continuidade do mundo em estado acordado

não é quebrada à cada momento de sua vida. Você sugere que os vales, os mares e a própria

terra são realmente fenômenos permanentes, a despeito do fato de sua aparência estar cons-

tantemente mudando? Não é o sonho-mundo também similarmente contínuo com sua terra,

montanhas, rios, amigos e parentes? Você ainda duvida de sua natureza permanente? Então

estenda o mesmo raciocínio à natureza do mundo acordado e conheça-o como igualmente

evanescente. Os objetos sempre-mudando como o corpo, as árvores, os rios e as ilhas são

facilmente entendidas como transitórias. Mesmo as montanhas não são imutáveis, pois seus

contornos mudam devido a erosão das cachoeiras e das torrentes das montanhas, devastações

dos homens, javalis e animais selvagens, insetos, trovões, raios, tempestados e assim por di-

ante. Você observará mudanças similares nos mares e na terra. Portanto, eu te digo que você

deveria investigar o assunto atentamente. (Você provavelmente argumentará como segue:)

71-76 O sonho e o estado acordado se assemelham cada um em sua harmonia descontínua (como

uma cadeia feita de ligações). Não há continuidade quebrada em qualquer objeto por que

toda nova aparência implica um desaparecimento posterior. Mas a continuidade não pode

ser negada em seus fundamentos subjacentes aos objetos! Por que uma criação de sonho é

obliterado e tido como falso pela experiência presente - qual distinção você tomaria entre os

fundamentos dos objetos de sonho e dos objetos presentes? Se você disser que o sonho é

uma ilusão e que seus fundamentos são igualmente ilusão, então a criação presente não é tão

obliterada e seus fundamentos devem portanto ser verdade, eu te pergunto o que é ilusão? É

determinada pela natureza transitória, que é nada além de aparecimento e desaparecimento

para nossos sentidos. Não estaria tudo obliterado no sono profundo? Se você mantiver,

contudo, que a contradição mútua é irreal como evidência e então não prova nada, equivale a

dizer que a visão auto-evidente apenas fornece a melhor prova. Realmente, as pessoas como

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você não têm um verdadeiro insight na natureza das coisas.

77-79 Portanto, tome minha palavra, o mundo presente é apenas similar ao mundo de sonho. Lon-

gos períodos passam também em sonhos. Portanto, propósito e natureza duradoura são em

todos os modos similares a ambos os estados. Apenas como você obviamente é ciente de

seu estado acordado, então, também, você está ciente em seu estado de sono. Portanto, a

natureza proposital e a duradoura são de todo modo similares nos dois estados. Assim como

você está obviamente ciente em seu estado acordado, você também está ciente em seu estado

de sono.

80 Sendo esses dois estados tão similares por que você não lamenta a perda de suas relações no

seu sonho?

81 O universo desperto aparece tão real para todos pela força do hábito. Se o mesmo for imagi-

nado como vacuoso ele desaparecerá no vazio.

82-83 Alguém começa a imaginar alguma coisa; então a contempla; e por associação contínua e

repetida resolve que a coisa é verdade, a menos que seja contradito. Desse modo, o mundo

parece real no modo que alguém está acostumado a ele. Meu mundo que você visitou fornece

a prova disso; agora venha, vamos dar uma volta na colina e ver.

85 Dizendo isso, o filho do sábio tomou o rei, e foi dar uma volta pela colina e retornou ao ponto

anterior.

86-87 Então, ele continuou: Veja, Oh Rei! O circuito da colina tem em torno de duas milhas e

meia e mesmo assim você viu um universo nele. Ele é real ou falso? É um sonho ou outra

coisa? O que passou como um dia naquela terra, foi contado por doze mil anos aqui. O que

está correto? Pense e diga-me. Obviamente você não pode distinguir isto de um sonho e

não se pode deixar de concluir que o mundo não é nada mais que imaginação. Meu mundo

desaparecerá se eu parar de contemplá-lo. Portanto, convença-se da natureza onírica do

mundo e não ceda à tristeza da morte de seus irmãos.

90 Assim como as criações de sonhos são figuras movendo-se nas telas da mente, assim também

este mundo, incluindo você mesmo, é o obverso da figura desenhada pela inteligência pura e

não nada mais que uma imagem num espelho. Veja como você se sentirá após essa convicção.

Você ficará exultante pela admissão de um domínio ou deprimido pela morte de um parente

em um sonho?

91 Entenda que o Self é o espelho autocontido projetando e manifestando este mundo. O Self

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é a consciência pura imaculada. Seja rápido! Entenda-o rapidamente e obtenha a felicidade

transcendental.

Assim termina o Capítuo sobre "A visão da cidade da colina"na Tripura Rahasya

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Tripura Rahasya

Contact: Traduzido para o português por Eanes T. Pereira


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Date: 12 de novembro de 2015

Capítulo 14

Versão 1

1-6 Tendo ouvindo o filho do sábio, Mahasena começou a pensar claramente e seriamente; ele

concluiu que o mundo seria como um sonho e superou sua tristeza. Com sua mente se

tornando forte, ele não era perturbado. Então, ele perguntou a seu companheiro: Grande e

Sábio Santo! Você conhece esse mundo e além. Não acredito que exista algo que não saiba.

Por favor, me responda agora: Como você pode dizer que o mundo inteiro é pura imaginação?

Contudo, quanto mais eu imagino, minha imaginação não materializa. Mas você criou um

universo pela força de sua vontade. E, ainda, como tempo e espaço diferem nessas criações?

Por favor, diga-me. Sendo assim questionado, o sábio respondeu:

7 A vontade concebe tanto efetivamente quanto inefetivamente, de acordo com se ela é uni-

forme ou descontínua pela indecisão.

8 Você não sabe que este mundo é o resultado do desejo de Brahma? Isso parece real e parma-

nente por causa de que o desejo original é tão poderoso.

9 Ao contrário, o mundo de sua criação ninguém leva a sério e sua própria desconfiança o torna

inútil.

10-15 As concepções materializam por várias razões como segue: pela virtude da função natural,

assim como Brahma, o Criador; pela posse de gemas, assim como os yakshas e rakshasas

(classes de seres celestiais); pelo uso de ervas, assim como os Deuses; pela prática de yoga,

assim como os yoguis; pelo poder miraculoso de encantamentos, assim como os siddhas; pela

força da penitência, assim como os Sábios; e pela virtude das bênçãos, assim como o Arquiteto

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do Universo (Viswakarma). Uma pessoa deveria esquecer as associações antigas de modo a

tornar uma nova concepção efetiva e essa dura apenas até não ser obstruída pela antiga. Uma

concepção é forte a menos que seja obstruída por outra e então destruída. É efetiva apenas

quando forte; deste modo mesmo coisas grandes podem ser alcançadas.

16 Suas concepções não se materializam pelas razões anteriormente mencionadas. Portanto,

você deve praticar o foco do pensamento se você deseja que suas próprias criações durem.

17-23 Agora devo lhe falar sobre a diferença entre espaço e tempo. Você não é proficiente nas

atividades do mundo e, portanto, você está mistificado. Agora eu devo deixar claro como

essas diferenças aparecem. O Sol ajuda a todos verem, mas cega as corujas; a água é a estadia

dos peixes, mas afoga homens; o fogo queima um homem, mas é comida para o tittiri (uma

espécie de pássaro); o fogo é ordinariamente apagado pela água, mas ele floresce no meio

do oceano em tempo de dissolução. Discrepâncias similares são evidentes em outros lugares.

Os homens e animais se engajam em atividades com seus membros e sentidos, enquanto que

os espíritos o fazem com os corpos de outros. Instâncias como essas são inumeráveis. Suas

explicações seguem:

24-25 A visão é do olho e não pode ser sem ele. Um olho atacado por icterícia vê tudo amarelo e a

diplopia produz uma imagem duplicada de um único objeto.

26-32 Visões anormais são então o resultado direto de olhos anormais. Os Karandakas, numa ilha

oriental, são conhecido por verem tudo vermelho; assim também os habitantes da Ilha Rama-

naka vêm tudo de cabeça para baixo. Alguém ouve muitas estórias estranhas do tipo, todas

são baseadas em anormalidades da visão. Elas podem todas serem remediadas por trata-

mento adequado. O mesmo se aplica aos outros sentidos, incluindo a mente. A relação entre

espaço e objetos e entre tempo e eventos está de acordo com sua estimativa deles; não há

relacionamento intrínseco entre eles.

33 O que é designado como exterior pelas pessoas é simplesmente a origem e sustentáculo do

universo, como a tela e sua relação com a imagem nela.

34-40 Não poderia haver nada externo ao "exterior"exceto seu próprio corpo. Como pode isso pode

externalizado do "exterior"? Por exemplo, quando você diz "fora da colina"a colina é retirada

do espaço além; ela não é incluída nele. Mas o corpo é visto no espaço assim como um vaso

é visto. O corpo deve portanto ser externo àquele que vê. O que é visível reside dentro da

faixa de iluminação: se sem, não pode ser visto. Portanto, os objetos iluminados devem estar

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dentro da visão do iluminante. O corpo, etc, são os iluminados, por que estão eles mesmo

objetificados. O iluminado e o iluminante não podem ser idênticos. Novamente, o iluminante

não pode ser objetificado; pois quem é que vê além dele? E como pode a iluminação pelo que

vê estar separada dele? Que o iluminante origina a luz e serve como um objeto que está além

de quem vê, é impossível de ser mantido. Portanto, o iluminante não pode admitir qualquer

mistura e ele é a iluminação em perfeição - apenas um e o ser de tudo.

41 Ele se estende como tempo e espaço; eles são infinitos e perfeitos, estando envolvidos como

o iluminante, a iluminação e o iluminado.

42 No que se refere a dentro e fora, tudo está incluído na iluminação. Como então algo pode ser

"externo", a menos que ele seja como um pico numa montanha?

43 O universo inteiro está então na iluminação que brilha auto-suficiente, por si mesma, em todo

lugar e em todos os momentos.

44-45 Tal iluminação é Sua Majestade Transcedental Tripura, a Suprema. Ela é chamada de Brahma

nos Vedas, Vishnu pelos Vaishnavas, Shiva pelos Shaivas e Shakti pelos Shaktas. Não há nada,

portanto, mas Ela.

46 Ela mantém tudo por Sua mestria como um espelho faz suas imagens. Ela é o iluminante em

relação ao iluminado.

47-49 O objeto é afundado na iluminação como a imagem de uma cidade num espelho. Assim como

a cidade não está separada do espelho, assim também o universo não está separado da cons-

ciência. Apenas como a imagem é parte e parcela do claro, suave, compacto, e um espelho,

também o universo é parte e parcela da perfeita, sólida e consciência unitária, chamada de

Self.

50 O mundo não pode ser comprovadamente apurado. O espaço é simplesmente vazio, servindo

para a locação de materiais.

51 O universo é, sempre e todo, uma fenômeno no Self. A questão então surge: como consciên-

cia, sendo vazia, é densa ao mesmo tempo?

52 Assim como um espelho, embora, denso e impenetrável, contém a imagem, então a consciên-

cia pura é densa e impenetrável e ainda exibe o universo por virtude de sua auto-suficiência.

53 Embora a consciência seja pervasiva, densa e única, ela ainda detém a criação móvel e imóvel

dentro de si, maravilhosa em sua variedade, com nenhuma causa imediata ou última para si.

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54-55 Assim como um espelho permanece inafetado pela passagem de diferentes imagens e ainda

continua a refletir tão claramente como antes, assim também a consciência única ilumina os

estados acordado e de sonho que podem ser verificados pela meditação apropriada.

56 Oh Rei! Examine novamente seus sonhos acordados e imagens mentais. Embora eles sejam

perfeitos em detalhes, ainda não menos que mentais.

57 A consciência que os permeia, obviamente, permanece imaculada diante da criação ou após

a dissolução do mundo; mesmo durante a existência do mundo, permanece inafetada como

o espelho pelas imagens.

58 Embora não pertubada, imaculada, densa e única, a consciência absoluta sendo auto-suficiente

se manifesta dentro de si mesma como aparece "exteriormente", assim como um espelh refle-

tindo o espaço como externo a si mesmo.

59-60 Esse é o primeiro passo na criação; ele é chamado de ignorância ou escuridão. Começando

como uma fração infinitesimal do todo, ele se manifesta como se externo à sua origem e é uma

propriedade do sentido-de-ego. A alienação está sob conta das tendências latentes a serem

manifestadas posteriormente. Por causa de sua não-identidade com a consciência original,

ela é agora simples, energia insenciente.

61 Essa consciência que ilumina o "exterior"é chamada de Sivatattva, em que o sentido individual

de "Eu"é Saktitattva.

62 Quando a ciência do "exterior", combinada com o "Eu", engloba o espaço imaginado inteiro

como "Eu"isso é chamado de Sada-Siva-tattva.

63 Quando, posteriormente, descartando a abstração do Self e o exterior, a identificação clara

com o espaço insenciente toma lugar, isso é chamado de Ishwara-tattva. A investigação dos

últimos dois passos é puro vidya (conhecimento).

64 Todos esses cinco tattvas são puros por que eles se relacionam com uma condição de ainda-

como-indiferenciada, como potencialidades em uma semente.

65 Após a diferenciação se tornar manifesta pel força de vontade, a parte insenciente predomina

sobre a outra, como oposta à condição contrária anterior.

66 Essa predominância insenciente é chamada de Maya Sakti, após a diferenciação ser clara-

mente estabelecida, como a germinação de uma semente.

67-69 A fase senciente agora se contrai, sendo relegada a uma posição menor e toma o nome de

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Purusha, sendo coberta por cinco camadas, chamadas de kala (primeiro a longo), vidya, raga,

kala (segundo a longo) e niyati.

70 A anamnese de indivíduos feita de propensões adquiridas como um resultado de engajamento

em ações diversas em nascimentos anteriores, agora é suportada pela inteligência e perma-

nece como prakriti (natureza).

71 Essa prakriti é tripartite por que os frutos de suas ações são de três tipos: ela se manifesta

como três estados de vida, acordado, sonhando e sono profundo. Ela então assume o nome,

chitta (mente).

72 a anamnese recebe o nome de Prakriti no sono sem sonhos e Chitta nos outros outros estados.

Ela é sempre composta da fase insenciente das propensões da mente e da fase senciente da

inteligência.

73 Quando as propensões ainda permanecem em inatividade temporária sem serem usadas, sua

totalidade é chamada de avyakta (não manifestada); as diferenças surgem apenas em chitta.

Não há diferença entre os indivíduos no sono e então isso é prakriti, o mesmo assumindo o

nome de chitta quando a diferença se manifesta.

74-75 Portanto, a mente (chitta) é purusha (o indíviduo) quando a fase senciente é assertiva e a

mesma é avyakta (não manifesta) quando prakriti (natureza), a fase insenciente é assertiva.

76 Aquela chitta é tripartite de acordo com suas funções, a saber, ego, intelecto e mente.

77 Quando influenciada pelas três qualidades, ela se manifesta em grandes detalhes como segue:

por sattva (brilho), ela se torna os cinco sentidos, audição, visão, tato, paladar e olfato; por

rajas (atividade) fala, mãos, pés, orgãos de excreção e de procriação; por tamas (escuridão)

terra, ar, fogo, água e éter.

78 A inteligência suprema flerta com o universo dessa maneira, permanecendo o tempo todo não

afetada, uma testemunha de sua criação.

79 A criação presente é o produto mental de Brahma ou Hiranayagarbha, nomeado como criador

da força de vontade do Ser Primal, Sri Tripura.

80 A cognição "você"e "eu"é a essência da qualquer tipo de criação; tal cognição é a manifestação

da consciência transcendental; não pode ser qualquer diferença (tal como não há diferença

em espaço, limitado por um pote ou não limitado por ele).

81 As diversidades em criação são apenas devido a qualificações limitando a consciência; essas

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qualificações (e.g., corpo, limitações de idade) são as imagens mentais do criador (consistente

com os méritos passados do indivíduo). Quando a força de vontade criativa se desgasta há

dissolução e indiferenciação completa de resultados.

82 Assim como para seu poder de vontade, ele é potencializado pelo Criador; quando esse im-

pedimento (véu de Maya) é vencido pelos métodos já mencionados, seu poder de vontade

também se torna efetivo.

83 Tempo, espaço, criações grosseiras, etc, aparecerem nele de acordo com as imagens do agente.

84-86 Um certo período é apenas um dia de acordo com meus cálculos, enquanto que é doze anos de

acordo com Brahma: o espaço coberto por cerca de duas milhas e meia de Brahma é infinito

para mim e cobre o universo inteiro. Deste modo, ambos são verdadeiros e irreais ao mesmo

tempo.

87-88 De modo similar, imagine uma colina dentro de você e também o tempo é um sentido sutil.

Então contemple uma criação inteira neles; eles durarão tanto quanto sua concentração durar

- mesmo para a eternidade para todos os propósitos, se seu poder de vontade for forte o

suficiente. Portanto, eu digo que este mundo é um mera invenção da imaginação.

89 Oh Rei! Ela brilha na consciência manifesta dentro do Self. Portanto, o que parece o mundo

exterior é apenas uma imagem na tela da mente.

90 A consciência é então a tela e a imagem e então os yogis são habilitados para verem longas

distâncias do espaço e realizar longos espaços de tempo.

91 Eles podem atravessar toda a distância num momento e podem perceber tudo tão rápido

quanto uma groselha na palma da mão.

92 Portanto, reconheça o fato de que o mundo é simplesmente uma imagem no espelho da

consciência e cultive a contemplação de "Eu sou", permaneça como ser puro e então desista

dessa delusão da realidade do mundo.

93-97 Então, você se tornará como eu, um em ser, autosuficiente. Dattatreya continuou: ouvindo

esse discurso do filho do sábio, o rei venceu sua delusão; seu intelecto se tornou purificado

e ele entendeu o objetivo final. Então, ele praticou samadhi e tornou-se autocontido, sem

depender de nenhum agente externo e levou uma vida longa e feliz. Ele parou de se identificar

com o corpo e tornou-se absoluto como o espaço transcendental até final ser liberado. Então,

ele viu, Bhargava, que o universo é apenas uma imagem mental, apenas como um poder de

vontade firme de alguém e nada mais. Ele não é independente do Self. Investigue o assunto
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você mesmo e sua delusão gradualmente se soltará de você e passará.

Assim termina o Capítulo XIV sobre "A História da Cidade da Colina", no Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

Contact: Traduzido para o português por Eanes T. Pereira


www.cienciacontemplativa.com.br
Date: 21 de dezembro de 2015

Capítulo 15

Versão 1

1 Ouvindo Dattatreya relatar a maravilhosa história da Cidade da Colina, Parasurama maravilhou-

se ainda mais.

2 Ele, com uma mente clara, pensou sobre os ensinamentos de seu mestre e então voltou-se a

ele e perguntou-lhe novamente:

3 Senhor, eu tenho considerado a intenção de teus ensinamentos na forma de histórias magní-

ficas que você me contou.

4 Eu entendo que a inteligência apenas é real e única e os outros objetos são apenas imagens

irreais como uma cidade refletida num espelho.

5 Sua majestade transcendental, a Mahesvari, é essa Consciência manifesta como Inteligência

cognoscente de toda a faixa de fenômenos, começando do estado não manifesto de sono e

terminando neste mundo, passando em rápida sucessão dentro de si mesma.

6 Todos esses são aparentemente devido a auto-suficiência dessa consciência e eles vêm a exis-

tência sem qualquer causa imediata. Isso é o que tenho entendido após profunda considera-

ção.

7 Mas essa inteligência é dita estar além da cognição por que permanece como o próprio co-

nhecimento puro.

8 Eu não vejo como ela pode ser entendida se ela ultrapassa o conhecimento. O objetivo não é

alcançado sem entendê-la.

9 O objetivo é a liberação. Qual é sua natureza? Se alguém pode ser liberado enquanto vivo,

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como é regulado o curso de sua vida emancipada, se tudo isso é possível?

10 Há sábios que são ativos. Qual é a relação entre o mundo de ação e seu ser de consciência

pura?

11 Como eles podem se engajar em ação enquanto o tempo todo eles pertencem à consciência

absoluta? Tal consciência pode ser apenas de um tipo e a liberação também pode ser apenas

uma de modo a ser efetiva.

12-17 Como, então, essas diferenças são notadas nas vidas dos Jnanis? Alguns deles são ativos;

alguns ensinam as escrituras; alguns adoram deidades; alguns abstraem-se em samadhi; al-

guns levam uma vida austera e definham-se; alguns dão instruções claras a seus discípulos;

alguns governam reinos muito justamente; alguns disputam abertamente com outras escolas

de pensamento; alguns escrevem seus ensinamentos e experiências; outros simulam ignorân-

cia; uns poucos até praticam ações repreensíveis e repugnantes; mas todos eles são famosos

como homens sábios no mundo.

18 Como pode haver tais diferenças em suas vidas quando pode haver nenhuma diferença de

liberação comum a todos? Ou há níveis no conhecimento e liberação?

19 Gentilmente, ilumine-me nesses pontos, por que eu estou ansioso para aprender a verdade e

submeter-me a você como meu único professor.

20 Assim questionado, Dattatreya pareceu satisfeito com as questões e respondeu ao digno dis-

cípulo como segue:

21 Digno Rama! Você está de fato pronto para alcançar o objetivo por que você se voltou para a

direção correta de investigação.

22 Isso é devido a graça de Deus que pôs você no caminho correto de investigação. Quem pode

alcançar qualquer coisa digna, sem a graça de Deus?

23 O trabalho beneficente da auto-inerente graça divina é finalizado quando a mente capacidade

da mente de alguém se voltar para dentro aumenta dia a dia.

24-25 O que você disse até agora é verdade; você entendeu corretamente a natureza da consciência

mas não a realizou. Um conhecimento da propriedade de uma coisa sem a experiência real

da coisa por si mesma é tão inútil quanto nenhum conhecimento.

26 A experiência verdadeira do Self é a inconsciência de até mesmo "Eu sou". Pode o mundo

persistir após tal insconsciência? O conhecimento de segunda-mão não é melhor do que a

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lembrança de um sonho.

27 Apenas como a posse de um tesouro em um sonho é inútil, também o é o conhecimento de

segunda-mão.

28 Eu ilustrarei o ilustrarei com uma história muito antiga. Havia um rei extremamente virtuoso

governando Videha.

29 Ela era chamado de Janaka, muito sábio e familiarizado tanto com este mundo quanto com

ou além. Uma vez ele adorou com ritos sacrificiais a Deusa, inerindo-se como o Self.

30 Vieram, por essa ocasião, todos os Brahmins, pandits, heremitas, críticos, aqueles verados nos

Vedas, aqueles acostumados a compartilhar em ritos sacrificiais e sacrifícios, etc.

31 Naquele tempo, Varuna, o Deus das águas, queria realizar uma sacrifício similar, mas os

homens dignos não aceitaram o convite.

32-37 Pois eles estavam satisfeitos com Janaka que os respeitava devidamente. Então, o filho de

Varuna, que era um grande dialético, veio até eles. Ele se disfarçou de Brahmin, de modo

a atrair os convidados Brahmins. Entrando na câmara real ele devidamente abençou o rei e

se dirigiu a ele diante de toda a assembléia: Oh Rei, sua assembléia não é tão boa quanto

deveria ser. Ela parece um amável lago de lótus devastado por corvos, gralhas e garças; seria

melhor sem essa mistura de incompetentes. Eu não encontrei um único indivíduo aqui que

seria um ornamento par auma grande assembléia como um cisne para um amável lago de

lótus. Possa Deus te abençoar! Eu não tenho nada a ver com essa multidão de tolos.

38-41 Sendo assim insultado pelo filho de Varuna, a assembléia inteira se levantou para o homem

e disse-lhe com raiva: seu Brâmane charlatão! Como ousa insultar todo mundo aqui? O

que conhecimento você tem que que está querendo de nós? Você é um homem perverso,

você é apenas um blefador! Você não deve sair deste lugar antes de provar sua superiodade

sobre nós. Há grandes pandits reunidos aqui de todo o mundo. Você espera subjulgar todos

eles com seu conhecimento? Diga-nos seu assunto especial no qual você imagina ser mais

proficiente que nos! Assim desafiado, Varuni respondeu:

42-43 Em um minuto, eu irei sobrepujar todos vocês em debate; mas isso ocorrerá apenas na condi-

ção de que seu eu for derrotado, vocês me jogarão no oceano; e se vocês forem derrotados, eu

vou enviar vocês ao mar, um por um. Se concordarem com essas condições, vamos começar

o debate.

44-45 Eles consentiram e o debate começou com seriedade. Os pandits foram rapidamente derrota-
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dos pela lógica falaciosa do oponente e foram mergulhados ao mar às centenas.

46 Os seguidores de Varuna então tomaram os pandits afogados para seu sacrifício onde foram

recebidos com respeito, que muito os agradou.

47 Havia um chamado de Kahoela, dentre aqueles que foram afogados. Seu nome era Ashtava-

kra, tendo ouvido do destino de seu pai, precipitou-se para a corte de Janaka e desafiou o

debatedor habilidoso em falácia. O mascarador foi então derrotado em diretamente conde-

nado ao mar por seu jovem desafiante. Então, Varuni jogou sua máscara na corte e recobrou

restabeleceu todos os homens de previamente afogados do mar. O filho de Kahoela ficou in-

flado de orgulho e comportou-se ofensivamente diante da assembléia. Os pandits sentiram-se

mortificados diante do jovem.

51-52 Logo depois, uma asceta apareceu em seu meio, a quem a assembléia ofendida pediu ajuda.

Encorajando-os em suas esperanças, a charmosa donzela com cabelos emaranhados e roupas

de eremita foi altamente honrada pelo rei e falou docemente e em tom firme:

53 Oh criança! Filho de Kahoela! Você, de fato, é muito realizado, pois esses brâmanes foram

resgatados por você após você derrotar Varuni em debate.

54-56 Eu quero te fazer uma breve questão, para a qual, por favor, dê uma resposta direta, explícita

e sem reservas. Qual é a condição alcançada que estará em torno da imortalidade; sabendo

que todas as dúvidas e incertezas desaparecerão; e estabelecido em que todos os desejos

desaparecerão? Se você tiver realizado esse estado ilimitado, por favr diga-me diretamente.

Sendo abordado pela asceta, o filho de Kahoela replicou com confiança:

57-58 Eu sei. Ouça o que eu digo. Não há nada no mundo que não seja conhecido por mim. Eu

estudei toda a literatura sagrada com grande cuidado. Portanto, ouça minha resposta.

59-63 O que você pergunta é a causa primeira e eficiente do universo, sendo por si mesma sem co-

meço, mei ou fim, e não afetada pelo tempo e espaço. É pura, inquebrável, Consciência única.

O mundo inteiro é manifestado nela como uma cidade num espelho. Tal é o estado transcen-

dental. Realizando-o, alguém torna-se imortal; não há lugar para dúvidas e incertezas, como

não há nenhuma na visão de uma reflexão em um espelho; não há mais nenhuma razão para

ignorância à vista de inumeráveis imagens refletidas; e não haverá lugar para desejo, por que

a transcendência é então experimentada. Também é inquebrável por que não ninguém para

saber, além de si mesma. Asceta! Eu agora te disse a verdade como contida nas escrituras.

64-71 Após Ashtavakra terminar, a eremita falou novamente: jovem Sábio! O que você disse, é

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certamente dito e aceito por todos. Mas eu tomo sua atenção para aquela parte da resposta

em que você admitiu seu desconhecimento pelo querer de um conhecedor externo fora da

consciência; e também que seu conhecimento confere imortalidade e perfeição. Como essas

duas afirmações são conciliadas? Admita que a consciência é impossível de ser conhecida,

não é conhecida por você e portanto conclua sua inexistência; ou diga que ela é e que você a

conhece - e portanto ela não é icognoscível (que não pode ser conhecida). Certamente, você

fala de um conhecimento de segunda-mão, juntado das escrituras. Claramente, você não o

realizou e portanto seu conhecimento não é pessoal. Pense agora - suas palavras contam

para isso: você tem um conhecimento pessoal das imagens mas não do espelho. Como pode

ser? Diga-me agora se você não está envergonhado de sua prevaricação diante do rei Janaka

e de sua assembléia. Sendo assim repreendido pela asceta, ele não pode falar por algum

tempo por que sentiu-se mortificado e envergonhado; então, ele permaneceu com cabeça

baixa pensando.

72-73 Contudo, o jovem brâmane não pode encontrar nenhuma resposta satisfatória para sua ques-

tão, assim ele submeteu-se a ela em grande humildade: Oh asceta! Certamente, eu não posso

encontrar uma resposta para sua questão. Eu me submeto a você como seu díscipulo. Rogo,

diga-me como as duas afirmações escriturais podem ser reconciliadas. Mas eu te asseguro

que não disse uma mentira deliberada, pois eu sei que quaisquer méritos que um mentiroso

pode ter são neutralizados por suas mentiras de modo que ele é condenado como indigno.

74 Assim questionada, a asceta estava satisfeita com a sinceridade de Ashtavakra e disse-lhe, em

um tom ouvido pela assembléia:

75-84 Criança, há muitos que sendo ignorantes dessa verdade sublime, vivem em ume estado de de-

lusão. Polêmica vazia não os ajudará com a Realidade, pois ela está bem guardada de todos

os lados. De todas as pessoas agora nesta assembléia, nenhuma experimentou a Realidade,

exceto o rei e eu. Não é um assunto para discussão. A lógica mais brilhante pode apenas

abordá-lo mas nunca alcançá-lo. Embora não afetado pela lógica acoplada com um intelecto

afiado, ela pode contudo ser realizada pelo serviço ao Guru e a graça de Deus. Oh, tu que és

mesmo o filho de um Sábio, ouça-me cuidadosamente, pois isto é difícil de entender memo

quando ouvido e explicado. Ouvi-lo milhares de vezes será inútil a menos que alguém veri-

fique os ensinamentos por meio de investigação no Self com uma mente concentrada. Assim

como um príncipe trabalha sob um equívoco de que o colar de pérolas ainda pendurado em

seu pescoço foi roubado por outro e ele não é persuadido do contrário por meras palavras mas

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apenas acredita quando ele o encontra em torno do pescoço pelo seu próprio esforço, assim

também, oh jovem, contudo inteligente como um homem deve ser, ele nunca conhecerá seu

próprio self pelo mero ensinamento de outros a menos que ele o realize por si mesmo. De

outro modo, ele nunca poderá realizar o Self se sua mente está voltada para fora.

85 Uma lâmpada ilumina tudo à volta mas não ilumina a si mesma ou a outra lâmpada. Ela

brilha de si mesma sem outras fontes de luz. As coisas brilham à luz do sol sem a necessidade

de qualquer outro tipo de iluminação. Por que as luzes não requerem ser iluminadas, dize-

mos que não são conhecidas ou que não existem? Portanto, como é com as lâmpadas, assim

são as coisas feitas cientes pela própria consciência. Que dúvida você pode ter em relação

à consciência abstrata, a saber, o Self? As luzes e as coisas sendo insencientes, não podem

ser autocientes. Ainda, sua existência ou manifestação não está sob dúvida. Isso significa

que são autoluminosas. Você não poderia similarmente investigar com uma mente dirigida

para dentro de modo a encontrar se todo o Self auto-abrangente é consciente ou não cons-

ciente? Essa Consciência é absoluta e transcende os três estados (acordado, sonho e sono

profundo) e abrange todo o universo tornando-o manifesto. Nada pode ser compreendido

se essa luz. Alguma coisa seria aparente a você, se não houvesse consciência? Mesmo para

dizer que nada é aparente a você (como em sono) requer a luz da consciência. Não é sua

ciência de sua inciência (no sono) devido à consciência? Se você infere sua luz eterna, então

cuidadosamente investigue se a luz é própria ou não. Todo mundo falha nessa investigação,

mesmo tendo estudado e sendo proficiente, por que sua mente não está dobrada na direção

interna mas inquietamente move-se para fora. Enquanto os pensamentos brotam, o voltar-se

para dentro da mente não foi realizado. Enquanto a mente não estiver na direção interior, o

Self não poderá ser realizado. Dirigindo a mente para o interior significa ausência de desejo.

Como pode a mente ser fixada dentro se os desejos não são deixados de lado? Portanto,

torne-se desapaixonado e se torne inseparável do Self. Tal inseparabilidade é expontânea

(nenhum esforço é necessário para inerir o Self). Ele é realizado após os pensamentos serem

eliminados e a investigação cessar. Recapitule seu estado após você se separar dele e então

você conhecerá tudo e a significância de seu ser conhecível e inconhecível ao mesmo tempo.

Assim, realizando o inconhecível, alguém permanece na imortalidade para sempre e sempre.

Agora terminei. Saudações a você! Adeus! Mas você ainda não entendeu minhas palavras por

que esta é a primeira vez que ouviu a verdade. Este rei, o mais sábio dentre os homens, pode

fazer você entender. Então, pergunte-lhe novamente e ele esclarecerá suas dúvidas. Quando

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ela terminou, ela foi honrada pelo rei e a assembléia inteira, e então ela instantaneamente

dissolveu-se no ar e desapareceu da vista humana. Agora te relatou, Oh Rama, o método de

Auto-realização.

Assim termina o Capítulo XV sobre "A Seção de Ashtavakra"no Tripura Rahasya.

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Tripura Rahasya

Contact: Traduzido para o português por Eanes T. Pereira


www.cienciacontemplativa.com.br
Date: 10 de junho de 2016

Capítulo 17

Versão 1

1. Oh Bhargava! Agora, eu devo dizer-lhe que conversa ocorreu posteriormente entre Janaka e

Ashtavakra.

2. Ashtavakra perguntou: Rei! Por favor, diga-me detalhdamente o que você chama de samadhi

fugaz no estado de vigília, de modo que eu possa segui-lo para alcançar o samadhi duradouro.

3. Assim questionado, Janaka replicou:

4. Ouça, Oh Brâmane! As seguintes são instâncias desse estado:

5. quando um homem permanece insconsciente do "dentro e fora"por um curto intervalo e não

é dominado pela ignorância do sono;

6. o tempo ínfimo quando alguém está fora de si com alegria;

7. quando abraçado pela amada ou amado em toda a pureza;

8. quando algo é obtido após ter sido desejado mas da qual havia-se desistido por desespero;

9. quando um viajante solitário movendo-se com confiança é repentinamento confrontado com

perigo máximo;

10. quando alguém ouve sobre a morte repentina de seu filho único que estava saudável,

11. no apogeu da vida, no ápice de sua glória;

12. Também há intervalos de samadhi, a saber o período entre a vigília, o sonho e os estados de

sono; no momento de enxergar um objeto distante, a mente segurando o corpo de um lado

projeta-se no espaço até sustentar o objeto do outro lado,

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13. assim como uma lagarta se prolonga no tempo deixando um casulo para entrar em outro.

14. Cuidadosamente observe o estado da mente no intervalo.

15. Por que dilatar esses intervalos? Todos os acontecimentos serão trazidos a uma imobilização

se a inteligência for homogênea.

16. Eles tornam-se possíveis quando uma certa harmonia reina na inteligência que ordinaria-

mente é repetidamente quebrada.

17. Portanto, os grandes fundadores dos diferentes sistemas de filosofia dizem que a diferenca

entre o Self (i.e. a Inteligência Abstrata) e o intelecto (individualista) reside apenas em sua

continuidade. Sugata (i.e. Buddha) considera o Self como um fluxo de inteligência quebrado,

do curso, a intervalos curtos; Kanada diz que é o intelecto que é a característica do Self.

18. Contudo, uma vez que as interrupções no fluxo da Inteligência são admitidas, segue-se que

esses intervalos entre as várias modificações do intelecto em objetos, representariam seu es-

tado original não-modificado. Oh filho de Kahoela, saiba que se alguém pode estar consciente

desses samadhis quebrados, nenhum outro samadhi precisa atrair alguém.

19. O jovem Brâmane perguntou em seguida:

20. Oh rei, por que todos não estão liberados se suas vidas são tão brilhantes com samadhis

momentâneos, se eles são os iluminadores do vazio do sono?

21. A libertação é o resultado direto do samadhi não-qualificado.

22. O Self sendo inteligência pura, por que ele não reconhece a si mesmo e torna-se sempre

liberto?

23. A ignorância é afastada pela inteligência pura, que é o samadhi e essa é a causa da salvação.

Por favor, diga-me, pois assim todas as minhas dúvidas serão repousadas.

24. Eu te direi o segredo.

25. O ciclo de nascimentos e mortes ocorre desde tempos imemoriais causado por ignorância,

que exibe-se como prazer e dor, mesmo sendo apenas um sonho e irreal.

26. Assim sendo, o sábio diz que ele pode ser acabado por conhecido. Por qual tipo de conheci-

mento? O conhecimento nascido da realização.

27. A ignorância não pode ser expulsa por meio do conhecimento destituído de pensamentos,

pois tal conhecimento não oposto a nada seja o que for (incluindo a ignorância).

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28. O conhecimento destituído de pensamentos é como o canvas usado em uma pintura; o canvas

permanece o mesmo qualquer que seja a imagem pintada sobre ele.

29. O conhecimento não qualificado é apenas luz; os objetos são manifestados por ele e nele.

30. A ignorância é apenas este conhecimento que é chamado savikalpa (com pensamento) e nada

mais. Essa ignorância existe de muitos modos na forma de causa e efeito.

31. A ignorância causal é chamada de natureza da ausência de conhecimento de completude do

próprio Self de alguém.

32. O Self que é a Consciência deveria apenas ser inteiro por conta da exclusão da limitação. Pois,

é isso que traz o tempo e o resto que são as causas da limitação.

33. Esse tipo de conhecimento do Self que existe como não-inteiro pode apenas ser a ignorância

causal da natureza de "Eu existo aqui neste instante".

34. Essa é a semente embrionária da qual brotam os rebentos do corpo como um self individu-

alizado (crescendo na gigantesca árvore de ciclos de nascimentos e mortes). Os ciclos de

nascimentos e mortes não cessam a menos que a ignorância seja eliminada. Isso pode acon-

tecer apenas por um conhecimento perfeito do Self e não de outra forma.

35. Tal sabedoria que pode destruir a ignorância é claramente de dois tipos; indireta e direta.

36. O conhecimento é primeiro obtido de um Mestre e através dele das escrituras.

37. Tal conhecimento indireto não pode preencer o objeto em vista. Por que o conhecimento teó-

rico apenas não dá frutos; o conhecimento prático, que vêm do samadhi apenas, é necessário.

38. O conhecimento nascido do nirvikalpa samadhi gera sabedoria pela erradicação da ignorância

e pelo conhecimento objetivo.

39. De modo similar, a experiência de samadhi casual na ausência de conhecimento teórico tam-

bém não serve ao propósito.

40. Assim como uma pessoa, ignorante das qualidades de uma esmeralda, não pode reconhecê-la

pela mera visão dela num tesouro, não pode uma pessoa reconhecer se não a viu antes.

41. Embora ela esteja cheia de conhecimento teórico sobre o assunto, do mesmo modo a teoria

deve ser suplementada com a prática de modo que uma pessoa deve se tornar uma especia-

lista.

42. A ignorância não pode ser erradicada pela mera teoria ou pelo mero samadhi casual de um

homem ignorante.
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43. Novamente, falta de atenção é um sério obstáculo; pois uma pessoa olhando para o céu não

pode identificar constelações individuais.

44. Mesmo um acadêmico treinado não é melhor do que um tolo, se ele não presta atenção

quando uma coisa lhe é explicada.

45. Por outro lado, uma pessoa embora não seja um acadêmico mas tem atenção ouvindo tudo

sobre o planeta Vênus, sai com confiança para procurar por ele, sabendo como identifica-lo

e, finalmente, o descobre e, então, é capaz de reconhecê-lo a qualquer momento que o ver.

46. As pessoas desatentas são simplesmente tolas que não podem entender os samadhis recorren-

tes em suas vidas.

47. Elas são como uma pessoa, ignorante do tesouro embaixo de sua casa, que pede esmola para

sua alimentação diária.

48. Então, você pode ver que o samadhi é inútil para tais pessoas. O intelecto de bebês é sempre

não modificado e mesmo assim eles não realizam o Self.

49. O Nirvikalp samadhi claramente nunca erradicará a ignorância. Portanto, para destrui-la o

savikalpa samadhi deve ser buscado.

50. Apenas ele pode realizar isso.

51. Deus inerente como o Self é satisfeito por ações meritórias que são continuadas por vários

nascimentos, após quais o desejo de liberação desponta e não de outro modo, mesmo que

milhões de nascimentos sejam experienciados.

52. De todas as coisas na criação, nascer como um ser senciente requer boa sorte; mesmo que,

para adquirir um corpo humano necessário um mérito considerável; enquanto que isso está

fora do ordinário para os seres humanos serem dotados de tendências virtuosas e intelecto

afiado.

53. Observe, Oh Brâmane, que a criação móvel é uma fração muito pequena do imóvel e que os

seres humanos formam apenas uma pequena fração do móvel, enquanto a maioria dos seres

humanos são um pouco mais que animais, sendo ignorantes de bem e mal e do certo e errado.

54. Das pessoas sensíveis, a maior parte corre atrás dos prazeres da vida, procurando satisfazê-los.

55. Umas poucas pessoas instruídas tingidas pelo desejo do céu após a morte.

56. Do pouco restante, a maioria tem seu intelecto ofuscado por Maya e não podem compreender

a unicidade de tudo (do Criador e da criação).

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57. Como podem essas pobres pessoas, mantidas sob o controle de Maya, estenderem sua fraca

visão para a Verdade sublime da Unicidade?

58. As pessoas cegas por Maya não podem ver essa verdade. Mesmo algumas pessoas que sobem

tão alto na escala do entedimento da teoria, a má-sorte às previne de serem convencidas dela

(pois seus desejos as balançam para um lado e para o outro com uma força maior do que o

fraco conhecimento teórico adquirido.

59. O conhecimento, se estritamente seguido, deveria por um fim em tais desejos, que flores-

cem na negação da unicidade). Elas tentam justificar suas ações práticas com argumentos

falaciosos que são simplesmente uma perda de tempo.

60. Impenetráveis são os caminhos de Maya, que velam a mais alta Realização. É como se eles

jogassem fora a verdeira pedra preciosa, pensando que ela fosse um mero seixo.

61. Apenas aqueles transcendem Maya com a qual a devoção da Deusa do Self é satisfeita; tais

podem discernir bem a felizmente.

62. Sendo doutados, pela graça de Deus, com discernimento apropriado e seriedade correta, eles

se estabelecem na Unicidade transcendental e tornam-se absortos. Agora, devo falhar-le do

esquema da liberação.

63. Uma pessoa aprende a verdadeira devoção a Deus após uma vida meritoria continuada por

vários nascimentos e então adora-o por um longo tempo com intensa devoção

64. O desprazer por prazeres da vida surge num devoto que começa gradualmente a desejar o

conhecimento da verdade e torna-se absorto na busca por ele.

65. Ele então encontra seu Mestre gracioso e aprende dele tudo sobre o estado transcendental.

Assim, ele obtém o conhecimento teórico. [Sravasana]

66. Em seguida, ele é impelido a revolver toda a matéria em sua mente até que esteja satisfeito

de seu próprio conhecimento com a harmonia das injunções escriturais e dos ensinamento

de seu Mestre. Ele é capaz de certificar-se da verdade mais elevada com clareza e confiança.

[Manana]

67. O conhecimento certificado da Unicidade do Self deve, em seguida, ser trazido à prática,

mesmo forçosamente se necessário, até que a experiência da verdade ocorra pra ele. [Nidhidhya-

sana]

68. Após experienciar o Self Interior, ele será capaz de identificar o Self com o Supremo e então

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destruir a raiz da ignorância. Não há dúvida sobre isso.

69. O Self interior é realizado em contemplação avançada e esse estado de realização é chamado

nirvikalpa samadhi. A memória da realização habilita uma pessoa a identificar o Self Interior

com o Self Universal (como "Eu sou Isso"). [Pratyabhijna jnana].

70. Essa é a Unicidade do Self, o mesmo que a identificação da transcendência da pessoa com a

mesma pessoa em todas as diversidades do mundo aparente para cada indivíduo. Isso destrói

a raiz da ignorância, instantaneamente e completamente.

71. Fala-se que o estado de dhyana desenvolve-se em nirvikalpa samadhi. Enquanto que as modi-

ficações significam as várias facetas da consciência, nirvikalpa significa sua natureza unitária.

72. Quando a mente não cria novas imagens devido aos pensamentos, ela está no estado não-

modificado, que é sua condição primária e pura.

73. Quando as imagens numa parede são apagadas, a parede original permanece. Nenhum outro

trabalho é necessário para restaurar sua condição original.

74. De modo similar, a mente permanece pura quando os pensamentos são eliminados. Portanto,

o estado não qualificado é restaurado se o distúrbio presente é finalizado.

75. Não há, de fato, nada mais a ser feito para a mais sagrada condição ser mantida. Apesar

disso, mesmo os pandits são iludidos nesse assunto, devido à desgraça de Maya.

76. O inteligente perspicaz pode alcançar o propósito num instante. Os aspirantes podem ser

divididos em três grupos: (1) o melhor, (2) o de classe intermediária, e (3) o inferior.

77. Desses, o melhor entende assim que houve a verdade. Sua averiguação da verdade e contem-

plação disso são simultâneas com sua aprendizagem.

78. A realização da verdade não requer nenhum esforço de sua parte.

79. Em uma noite de verão enluarada, eu estava deitado bêbado em uma cama no meu jardim de

prazeres no abraço amoroso da minha amada.

80. Repentinamento ouvi as canções doces como o néctar dos seres invisíveis celestiais que ensinaram-

me a unicidade do Self, da qual eu estava inconsciente até aquele momento.

81. Instantaneamente, pensei sobre isso, meditei sobre isso, e o entendi em menos de uma hora.

82. Por cerca de uma hora e meia eu permaneci em samadhi - o estado de êxtase supremo.

83. Recobrei a consciência e comecei a meditar sobre a minha experiência: Oh maravilhosa! Quão

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cheio de êxtase eu estive!

84. Foi extraordinário. Deixe-me retornar a isso.

85. A felicidade do rei dos deuses não poderia ser igual mesmo a uma fração do meu êxtase.

86. Nem mesmo o criador, Brahma, poderia ter aquele êxtase; minha vida tinha sido desperdiçada

em outras buscas.

87. Assim como um homem ignora o fato de que ele mantém Chintamani (a jóia celestial capaz de

satisfazer os desejos de uma pessoa) em suas mãos, e pede comida, assim também as pessoas

são ignontes de sua fonte de êxtase dentro de si mesmas, desperdiçam suas vidas buscando

prazeres externos!

88. Para mim, tais anseios estão no fim! Deixe-me sempre permanecer no eterno, na fonte infinita

de êxtase dentro de mim!

89. Basta e tais atividades tolas! Elas são sombras de escuridão e repetições vãs de labor inútil.

90. Sejam seus pratos deliciosos, guirlandas perfumadas, camas fofas, ornamentos ricos ou don-

zelas vivazes - eles são meras repetições, sem novidade ou originalidade.

91. O desgosto por eles não tinha surgido em mim antes, por que eu tinha sido tolo seguindo o

caminho do mundo.

92. Assim que eu decidi e tentei levar minha mente para introspecção, outra ideia me impressio-

nou:

93. Em que confusão eu estou! Embora eu esteja sempre na perfeição do êxtase, o que é isso que

eu quero fazer?

94. O que mais posso obter? O que estou perdendo? Quando e de onde eu posso obter alguma

coisa? Mesmo se houvesse alguma coisa nova para ser obtida, ela duraria?

95. Como posso eu, que sou uma Consciência-Êxtase Infinita, conhecer o esforço?

96. Corpos individuais, seus sentidos, mentes, etc., são similares a visões num sonho; eles são

projetados de mim. O controle de uma mente leva a todas as outras mentes como elas são.

97. Então, qual é a utilidade de controlar a minha mente?

98. As mentes, controladas ou não-controladas, aparecem apenas para meu olho mental.

99. Novamente, mesmo se todas as mentes estiverem controladas, a minha permanece livre. Pois

a minha mente é como um espaço infinito, o receptáculo de todas as mentes. Quem a contro-

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lará e como?

100. Como pode o samadhi ser obtido quando eu já estou no êxtase perfeito, pois o Self é Êxtase-

Consciência, mesmo mais perfeito do que o espaço infinito?

101. Minha própria luz manifestas as atividades diversas de tudo sobre o mundo que é novamente

minha própria manifestação.

102. O que importa se alguém deveria se manisfestar como ação ou inação? Onde está o ganho ou

a perda em tal manifestação?

103. De modo similar, de que importa para o Self de êxtase perfeito se ele se enquadra em nirvi-

kalpa samadhi? Samadhi ou não samadhi, eu sou a mesma Perfeição e Paz eterna.

104. Deixe o corpo fazer o que ele quer. Pensando assim, eu sempre permaneci em meu próprio

Self como um fio de Êxtase e consciência pura ininterrupta.

105. Eu estou, portanto, no estado de perfeição e permaneço sem mácula. Minha experiência é

típica dos melhores aspirantes.

106. A sabedoria é alcançada no curso de meus muitos nascimentos pelos aspirantes mais inferio-

res.

107. Assim como para os de classe média, a sabedoria é obtida no mesmo nascimento, mas mais

devagar e gradualmente de acordo com o mencionado anteriormente de (1) aprender a ver-

dade, (2) ter convicção dela, (3) meditação - samadhi qualificado e samadhi não qualificado -

e (4) finalmente sahaja samadhi (estar não apegado mesmo enquanto engajado nas atividades

do mundo). Esse último é muito raramente encontrado.

108. Por que cair em nirvikalpa samadhi, sem obter o fruto de sua sabedoria! Mesmo se ele pudesse

ser experimentado milhares de vezes, ele não libertaria o indivíduo. Portanto, eu te digo que

samadhis momentâneos no estado de vigília são infrutíferos.

109. A menos que um homem viva a vida ordinária e cheque cada incidente como a projeção do

Self, não se desviando do Self em qualquer circunstância, ele não poderia ser chamado de

livre da dificuldade da ignorância.

110. O nirvikalpa samadhi é caracterizado apenas pela experiência do Self verdadeiro, a saber, a

Inteligência Pura. Embora eterna e resplandecente mesmo ordinariamente, essa Inteligência

Abstrata é como se não existisse.

111. A Inteligência Abstrata é o plano de fundo sobre o qual os fenômenos são exibidos e ele deve

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certamente se manisfestar em toda a sua pureza, em sua ausência, embora sua aparência

possa parecer nova à primeira vista.

112. Ela permanece irreconhecível por que não distinta do fenômeno exibido por ela. Sendo eli-

minada, torna-se aparente. Em resumo, esse é o método de autorrealização.

113. Oh Brâmane! Pense sobre o que você aprendeu agora e você entenderá. Com a sabedoria

nascida de sua realização, você irá inerir como o Self e será eternamente livre.

114. Dattatreya disse:

115. Após dar essas instruções a Ashtavakra, Janaka o mandou embora. Ashtavakra alcançou seu

próprio lugar e pôs as lições em prática. Logo cedo ele tornou-se um Jivanmukta (liberto

enquanto vivo).

Assim termina o décimo sétimo capítulo do Tripura Rahasya.

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