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LÍNGUA PORTUGUESA

Particípio

O particípio é a forma nominal do verbo que expressa ações plenamente


concluídas.
Exemplos: escrito, falado, pensado, acontecido, ido.
O particípio dos verbos abundantes possui mais de uma forma. O particípio dos
verbos abundantes pode ter forma regular ou irregular.
Exemplos: Forma regular: aceitado, entregado; Forma irregular: aceito (ou
aceite), entregue.
As formas regulares do particípio são empregados na voz ativa.
Exemplos: Ele já havia entregado a prova; Todos já haviam aceitado o acordo.
As formas irregulares por sua vez, empregam-se na voz passiva.
Exemplos: A prova foi entregue por ele; O acordo foi aceito por todos.

A confusão entre tu e você


por: Algo Sobre
sobre: Gramática

A conjugação verbal do modo imperativo no português moderno, às vezes,
incomoda quem conhece a gramática tradicional, principalmente quanto se
trata do uso de tu e você.
Por exemplo: lê ou leia? Você quer saber bem o assunto, então leia este livro.
Usou o tratamento você (3.ª pessoa) e o verbo ler ficou leia (3.ª pessoa do
modo imperativo). Houve uniformidade de tratamento.
Ou então: Tu queres saber o assunto, então lê este livro. Usou o tratamento tu
(2.ª pessoa) e o verbo ler ficou lê (2.ª pessoa do modo imperativo). Houve
uniformidade de tratamento.
Você quer saber bem o assunto, então lê este livro. Usou o tratamento você
(3.ª pessoa) e o verbo ler ficou lê (2.ª pessoa, tu). Não houve uniformidade de
tratamento. Isso não é tolerado pela gramática tradicional.
O português moderno permite que se escolha livremente entre tratá-lo por tu
ou por você. Nas gramáticas tradicionais, são duas formas igualmente corretas
para tratar a segunda pessoa do discurso: 1.ª pessoa: quem fala (eu-nós)/ 2.ª
pessoa: com quem se fala (tu-vós, você-vocês)/ 3.ª: de quem se fala (ele-eles,
ela-elas).
Embora tu e você se refiram à segunda pessoa do discurso, tu pertence à 2.ª e
você pertence à 3.ª pessoa gramatical, exigindo as formas verbais e os
pronomes respectivos.
Mas o rumo evolutivo da língua aponta a supremacia absoluta do você e a
retirada de cena de tu/vós. A conjugação verbal se reduzirá a quatro pessoas:
eu, ele, você; nós, eles, vocês.
Para fazer um convite, uma exortação, ou dar uma ordem usa-se o imperativo,
mas no português moderno misturam-se imperativo e subjuntivo.
Veja a antiga propaganda da Caixa Econômica Federal "Vem pra Caixa você
também!". Vem é o tu do imperativo. Para haver uniformidade, deveria ser
"Venha pra Caixa você também!"
Imperativo afirmativo: (não há 1.ª pessoa do singular), vem tu, venha você,
venhamos nós, vinde vós, venham vocês.
Daí a frase "Ou você se atualiza ou a concorrência te engole..." ser legítima no
português popular e no apelo publicitário, mas afrontar a gramática tradicional.

Fonte:

Por Trás das Letras

Indicação de circunstâncias

por: Noely Landarin


sobre: Gramática

Indicação de circunstâncias -
relações de sentido - área semântica
(leitura baseada na obra do prof. Othon M.Garcia, Comunicação em
Prosa Moderna)
Chama-se circunstância a condição particular que acompanha um fato. Um
grupo de palavras pertence a mesma área semântica, quando elas, num
determinado contexto, têm em comum um traço semântico que as aproxime.
Vou relacionar a área semântica de algumas circunstâncias, como de causa,
consequência, fim, conclusão, já que essa área, através das relações de
sentido, é bastante cobrada nos concursos e nas provas discursivas.

Circunstância de CAUSA
O processo mais comum de expressarmos as circunstâncias de causa é nos
servirmos de conjunções adverbiais ou palavras que significam causa:
• substantivos: motivo, razão, explicação, fundamento, desculpa e
outros.
• conjunções (e locuções): porque, visto que, pois, por isso que, já que,
uma vez que, porquanto, na medida em que, como, etc.
• preposições(e locuções): por, por causa de, em vista de, em virtude
de, devida a, em consequência de, por motivo de, por razões de, à
mingua de, por falta de, etc.

Circunstância de CONSEQuÊNCIA,
FIM, CONCLUSÃO.
Se o fato determinante de outro é a sua causa, esse outro é a
sua consequência. A consequência desejada é o fim (propósito, obstáculo),
Verifiquem os exemplos seguintes:
• Causa: Os motoristas fizeram greve porque desejavam aumento de
salário.
• Fim: Os motoristas fizeram greve para conseguir aumento de salário.
• Consequência: Os motoristas fizeram tantas greves que conseguiram
aumento de salário.
Atenção: Em sentido inverso, partindo-se da consequência, chega-se
à causa. Observe:
Causa: Os motoristas conseguiram aumento de salário, porque fizeram greve.
Vocabulário semântico de consequência, fim e conclusão.

1. FIM, PROPÓSITO, INTENÇÃO


• substantivos: projeto,objetivo, finalidade, meta, pretensão, etc.
• partículas e locuções:com o propósito de, com a intenção de, com o
fito de, com o intuito de, de propósito,intencionalmente - além das
preposições para, a fim de, e as conjunções afim de que, para que.

1. CONSEQuÊNCIA, RESULTADO, CONCLUSÃO


• substantivos: efeito, sequência, produto, decorrência, fruto, reflexo,
desfecho, desenlace, etc.
• partículas e locuções: pois, por isso, por consequência,
consequentemente, logo, então, por causa disso, em virtude disso,
devido a isso, em vista disso, visto isso, à conta disso, como resultado,
em conclusão, em suma, em resumo, enfim

Modelos de questão
(AFC-STN/2005) Aponte a opção que identifica corretamente os fins e
os meios a que se refere o autor do trecho abaixo,no cenário de futuro
que ele antevê.
Em futuro não muito distante os cientistas poderão, por meio da engenharia
genética, alterar genes nas células-tronco responsáveis por inúmeras doenças,
e reimplantá-las no organismo, alterando o curso de doenças graves e
intratáveis (doença de Parkinson, doença de Alzheimer, esclerose múltipla,
diabetes e inúmeras outras doenças metabólicas), isto sem falar no câncer e
nos defeitos congênitos. As questões éticas envolvidas nestas pesquisas são
enormes. Cabe perguntar, antes de tudo, se os fins justificam os meios.
(Sérgio Abramof, "Ética e ciência", Jornal do Brasil, 19/03/2005)

a) Fins: cura de doenças intratáveis e incuráveis


Meios: questionamento das questões éticas envolvidas nas
pesquisas de engenharia genética.
b) Fins: alterar os genes que causam doenças.
Meios: alívio do sofrimento humano.
c) Fins: manipulação de embriões humanos armazenados em
clínicas de fertilização
Meios: alterar o curso de doenças incuráveis
d) Fins: clonagem de órgão humanos
Meios: substituir órgãos doentes por órgãos clonados sadios.
e) Fins: alívio do sofrimento humano
Meios: alterar genes nas células-tronco responsáveis por
doenças e reimplantá-las no organismo.
Gabarito E
DICAS: caríssimos, essa questão pode ser resolvida tranquilamente,
apenas entendendo o sentido de meios (forma utilizada) e de fim
(objetivo).
A única possível dentre as alternativas propostas é a letra E.
Justificativa: qual o meio utilizado : "alterar genes nas células-tronco
responsáveis por doenças e reimplantá-las no organismo." Com que
finalidade( quais os fins) "alívio do sofrimento humano"
(GEFAZ - MG - 2005) A questão seguinte tem por base o texto abaixo.
Para reduzir a distância do fosso que separa ricos e pobres tanto na capital
quanto no país será preciso anos e anos de crescimento contínuo da economia
e um amplo programa de educação e de geração de empregos nas periferias
das grandes cidades. Se isso não acontecer, a tendência é de as diferenças
sociais agravarem ainda mais a violência que já assola o país. Mas não adianta
só crescimento econômico se as taxas de juros não caírem. É que a riqueza
decorre da transferência de renda dos mais pobres, que pagam juros quando
tomam empréstimo ou compram a prazo, para os mais ricos, que têm dinheiro
de sobra para aplicar no mercado financeiro.
(Juro piora desigualdade. Correio Braziliense, 27 de março de 2005,
com adaptações)
Assinale a relação de causa e consequência que encontra fundamento
na argumentação do texto.

a) CAUSA - crescimento contínuo da economia pela aplicação


de sobra de dinheiro.
CONSEQuÊNCIA - geração de empregos nas periferias das
grandes cidades.
b) CAUSA - crescimento contínuo da economia, programa de
educação e geração de emprego nas periferias das grandes
cidades.
CONSEQuÊNCIA - redução do fosso que separa ricos e
pobres.
c) CAUSA - violência na periferia das grandes cidades.
CONSEQuÊNCIA - agravamento das diferenças sociais
econômicas.
d) CAUSA - crescimento econômico
CONSEQuÊNCIA - queda das taxas de juros.
e) CAUSA - transferência de renda dos mais pobres, que
pagam juros pelas compras a prazo para os mais ricos.
CONSEQuÊNCIA - sobra de dinheiro, com aumento de juros
para as aplicações no mercado financeiro.
Gabarito: B
DICAS: caríssimos, para resolver essa questão é necessária a leitura
do texto, destacando as informações básicas a fim de conhecer a
postura do autor. Em seguida, observar o que constitui causa de uma
fato (por quê?, qual o motivo) e a consequência do fato (o que
acontece em razão disso?). Pensando assim, conseguirão, em
segundos, descobrir a resposta certa. Vejamos:
Na alternativa B, ocorre exatamente essa relação:
b) CAUSA - crescimento contínuo da economia, programa de educação
e geração de emprego nas periferias das grandes cidades.( o motivo,
a razão)
CONSEQuÊNCIA - redução do fosso que separa ricos e pobres.
(resultado, desfecho)
ATENÇÃO PARA ESTE TIPO DE QUESTÃO
(TRF-2005/2006) No texto abaixo, foram inseridos erros no que
respeita ao emprego da norma gramatical padrão. Para eliminá-los do
trecho, foram propostas seis alterações. Analise-as e responda ao que
se pede.
O ministro da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, escreveu uma longa
carta a Oded Grajew, na qual reconhece que o Brasil ainda carece de ações
preventivas no combate à corrupção. Diante de uma máquina estatal pouco
transparente e que reage as tentativas de publicidade das suas ações, o País
surpreende-se com os casos de corrupção, e só os descobre quando já são
esquemas consolidados e milionários.
Waldir Pires afirma que vem mudando essa realidade. Criou o Portal da
Transparência e o sistema de auditoria por sorteio, estabeleceu convênio para
troca de informações com o Ministério Público, articulou-se com a Polícia
Federal em diversas operações que a PF realizou nos últimos anos.
A carta do ministro para Oded, tornada pública, gerou uma segunda carta,
dessa vez do presidente da União nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças
e Controle (Unacon), Fernando Antunes, que reconhece o desejo real da CGU
de tornar o Estado brasileiro mais transparente. Consequentementeadmite a
existência de uma queda-de-braço entre setores do governo. Nem a todos
interessa a publicidade dos atos governamentais.
(Adaptado de Rudolfo Lago, Correio Braziliense,24/10/2005)
Alterações propostas:
I - Usar o acento grave para indicar a ocorrência de crase na expressão " reage
as tentativas" (l.6)
II - Alterar a configuração morfossintática do final do primeiro parágrafo
para : só descobrindo-os quando já são esquemas consolidados e
milionários.
III- Desenvolver a oração reduzida das linhas 17 e 18 na seguinte oração
adverbial: quando se tornou pública.
IV - Substituir "Consequentemente (l.23) por Mas.
V - Reescrever a última oração do terceiro parágrafo assim: Não são todos
que se interessam pela publicidade dos atos governamentais.
Indique a opção que relaciona apenas as alterações necessárias para
eliminar os erros gramaticais do texto
a) I, IV e V
b) I,II,III e IV
c) I e IV
d) II e IV
e) III, IV e V
DICAS: caríssimos, pretendo chamar a atenção para determinadas palavras no
comando das questões ou mesmo nas propostas para análise.
CUIDADO COM AS PALAVRAS : ERROS - ALTERAÇÕES PROPOSTAS PARA
CORRIGI-LOS / SUBSTITUIÇÃO NECESSÁRIA PARA A CORREÇÃO DO
PERÍODO / PODE / DEVE / É OBRIGATÓRIO / É POSSÍVEL / EXCETO,
Comentários da questão
*Proposta I - o verbo reagir é VTI, pede preposição e artigo , uma vez que
seu complemento está flexionado no plural. Deve-se usar o acento grave de
crase "reage às tentativas".
Proposta II - ao analisar o período integral, percebe-se que ocorre paralelismo
sintático, portanto não é possível flexionar o verbo no gerúndio
(descobrindo) uma vez que o verbo anterior está no presente
(surpreende), ambos têm o mesmo elemento referencial o País, portanto, há
quebra do paralelismo. Além disso, ocorre um erro de colocação pronominal;
deveria ser usado a próclise, já que há palavra atrativa (advérbio - SÓ).
Observem:
"...o País surpreende-se com os casos de corrupção, e só os descobre..."
Proposta III - não há necessidade de desenvolver a oração reduzida
- tornada necessária - tendo em vista que ela está correta.
Proposta IV - a substituição de "consequentemente" por mas é obrigatória, já
que a sequência do texto estabelece relação de adversidade, não de
consequência. Para se chegar a essa conclusão deve-se ler o texto com muita
atenção.
Proposta V - a proposição de alterar a última oração pela opção dada, muda o
teor, sentido do texto, senão vejamos: Não são todos que se
interessam... não tem o mesmo sentido de "Nem a todos interessa..." muda
totalmente o sentido do período.
GABARITO: C
Obs.: no comando da questão está dito que
"foram inseridos erros no que respeita ao emprego da norma gramatical
padrão. Para eliminá-los do trecho, foram propostas seis alterações. Houve
falha no enunciado, pois foram propostas cinco alterações.
Outra questão perigosa
(AFC-CGU-2006) Assinale a substituição necessária para que o texto
fique gramaticalmente correto.
O estudo da FGV atribuiu a queda da pobreza ao crescimento econômico do
país e listou fatores como estabilidade da inflação, reajuste do salário mínimo,
recuperação do mercado de trabalho, aumento da geração de empregos
formais e, ainda, o aumento da presença do Estado na economia, com uma
maior transferência de renda para a sociedade. O aumento da taxa de
escolarização da população tem sido fundamental para a redução da
desigualdade entre ricos e pobres. E há uma nova geração de programas
sociais que está fazendo a sociedade brasileira enxergar que é preciso dar
mais à quem tem menos, e entre os exemplos estão o Programa Bolsa-Família
e o Programa de Aposentadoria Rural. A cobertura desses dois programas
alcança os bolsões de pobreza das zonas mais distantes dos grandes centros,
reduzindo bastante a miséria no país.
(Trecho adaptado de Em Questão , Subsecretaria de Comunicação
Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República, n.379, Brasília,
30/11/2005)
a) "a queda" (l.1) por à queda
b) " como" (l.2) por tais como
c) "o aumento" (l.7 e 8) por a ampliação
d) "tem sido" (l.8 e 9) por vem sendo
e) "à quem" (l.12) por a quem
Comentários:
na alternat. A) "a queda" é complemento verbal-OD, sem peposição,
sem crase.
na altern. B) não há necessidade de acrescentar "tais" o texto está
correto.
na altern. C) "o aumento" é similar a a ampliação, não há necessidade
de mudança.
na altern D) "tem sido" e vem sendo estão corretos, não há
necessidade de alterar
na altern E) "à quem" nunca aceita o acento indicativo de crase.
Obrigatoriamente há que se alterar, portanto essa justifica o comando
da questão "Assinale a substituição necessária para que o texto fique
gramaticalmente correto."

Concordância Pronominal
por: Algo Sobre
sobre: Gramática

Próclise (antes do verbo)
A próclise é usada quando, antes do verbo, houver uma palavra que
tenha força atrativa sobre o pronome oblíquo (P.O). Tais palavras, às quais
podemos chamar de fatores de próclise (F.P.), são principalmente:
A próclise é comum nos seguintes casos:
1. Quando o verbo segue um partícula negativa: não, nunca, jamais, nada,
ninguém. Exemplos:
Não nos responsabilizaremos por sua atitude rebelde.
Nunca se acusou um cliente por esses motivos.
Um vendedor de nossa empresa jamais se contentará com níveis de
faturamento tão baixos.
O relatório fora bem escrito, mas nada o recomendava como modelo que
devesse ser imitado.
Ninguém o viu chegar, mas ele já se encontra no escritório.
2. As orações que se iniciam por pronomes e advérbios interrogativos também
exigem antecipação do pronome ao verbo:
Por que o diretor se ausentou tão cedo?
Como se justificam essas afirmações?
Quem lhe disse que o gerente de vendas não se interessaria por tal fato?
3. As orações subordinadas também exigem antecipação do pronome ao
verbo.
Ainda que lhe enviassem relatórios substancias, não poderia tomar nenhuma
decisão.
Quando o office-boy o interrogou, ele levantou a cabeça.
Aquela correspondência que te chegou às mãos...
4. Alguns advérbios exercem força atrativa sobre o pronome: mal, ainda, já,
sempre, só, talvez, não:
Mal se despedira...
Ainda se ouvirá a voz dos que clamam no deserto.
Já se falou aqui da inconsequente...
Só se acredita naquilo por que se interessa.
Os relatórios talvez se abstenham de informar...
Não se manifestará apoio ao desonesto, corrupto e politiqueiro idealizador de
semelhante comemoração.
5. A palavra ambos, bem como alguns indefinidos (alguém, todos, tudo, outro,
qualquer) também tem força atrativa:
Ambos os empregados me inquiriram sobre suas férias.
Alguém te dirá aos ouvidos...
Todos te olharão de esguelha...
tudo se transformará com o tempo.
Outra secretária se ajustará ao cargo com dificuldade.
Qualquer pessoa se persigna quando a situação está preta.
6. Nas locuções verbais, se houver negação ou pronome relativo, interrogativo:
Não se pode deixar de realizar...
Coisas que se podem deixar de realizar...
Por que se deve realizar esta tarefa?
7. Se o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, pode-se
utilizar a antecipação pronominal:
Eu me dedicarei aos estudos gramaticais quando...
Eu me dedicaria aos estudos gramaticais se...
Pode-se também utilizar mesóclise, mas não é aconselhável, por revelar-se
pedante. Embora o pronome pessoal do caso reto não tenha força atrativa, é
recomendável a próclise para evitar o preciosismo da mesóclise.
8. Se houver vírgula depois do advérbio deve-se usar ênclise e não próclise.
Agora, esquecem-se dos amigos.
Mesóclise
O pronome oblíquo só pode ficar em mesóclise quando o verbo estiver
no futuro (do presente ou do pretérito).
Dar-me-ei o prazer de...
Recomendar-nos-ia...
Para evitar afetação, recomenda-se buscar a forma menos preciosa de
construção. Coloca-se então um pronome pessoal e antecipa-se o pronome:
Eu me darei o prazer de...
Eles nos recomendaria...
obs: Caso o verbo esteja no futuro, mas antes dele haja um fator de próclise,
deve-se usar próclise e não mesóclise.
Dar-te-ei meu apoio. (mesóclise)
Não te darei meu apoio. (próclise)
Ênclise
1. Nos casos infinitivos, pode-se postecipar o pronome ao verbo:
O presidente quis enviar-lhe...
Para dizer-lhe a verdade...
Também se admite a construção:
Para lhe dizer a verdade...
2. A ênclise é obrigatória quando nada atrai o pronome oblíquo:
A secretária começou a interrogá-la...
Admite-se que o operador continue a digitá-lo.
3. O pronome tende a permanecer depois do verbo nas locuções verbais.
Portanto, não fica solto entre os verbos:
A copeira continuou respondendo-lhe às perguntas.
Quando tu poderá dizer-nos...
Usos dos pronomes oblíquos com as formas nominais
Formas nominais:
Infinitivo: andar, viver etc.
Gerúndio: andando, vivendo etc.
Particípio: andado, vivido etc.
Verbo auxiliar + infinitivo
Há várias construções possíveis:
Devia preparar-me melhor.
v.aux. infin.
Devia-me preparar melhor.
Não devia preparar-me melhor.
Não me devia preparar melhor.
Não devia me preparar melhor.
Verbo auxiliar + gerúndio
Há várias construções possíveis:
A gasolina foi-se acabando.
A gasolina foi acabando-se.
Verbo auxiliar + particípio
Há várias construções possíveis:
Eles se haviam esforçado
Eles haviam-se esforçado.
OBServação: Não se coloca pronome oblíquo após particípio:
Eles haviam esforçado-se. (errado)
OBServações gerais:
1. Não é recomendável iniciar oração com pronome oblíquo:
Me telefonaram esta manhã de João Pessoa.
Te perguntaram alguma coisa?
Se esqueceu de falar o gerente?
2. O gerúndio determina que o pronome venha antes dele ou depois dele (mas
sempre ligado por hífen a um verbo) quando em locuções verbais:
A secretária ia-se esquecendo de relatar...
A secretária ia esquecendo-se de relatar...
A gramática tradicional recomenda que o pronome não fique solto entre os
verbos:
A secretária ia se esquecendo...
3. É comum e desejável substituir o pronome possessivo por um oblíquo:
Queimei o seu braço...
Queimei-lhe o braço...
Pisei no seu pé...
Pisei-lhe o pé...
Concordância Verbal

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Regra geral, o verbo deve concordar com o sujeito em número e
pessoa. Exemplos:
O gerente falou com a secretária
A secretária e suas auxiliares não compareceram à reunião.
Os casos mais interessantes são expostos a seguir.
Sujeito coletivo
Se o sujeito for um coletivo do singular seguindo de um complemento no
plural, o verbo pode ir para o plural ou permanecer no singular:
A série de notas fiscais referentes ao pagamento das mercadorias adquiridas
no mês de março próximo passado está sendo enviada a V.Sa. através de
nosso representante.
A série de notas fiscais está...
O conjunto de duplicatas é...
O número de papéis e documentos é inferior...
A multidão foi levada...
A maioria das notas fiscais é tirada no computador.
Há casos, porém, em que o redator percebe a fraqueza gramatical diante da
ideia que quer transmitir:
A maior parte dos executivos leem jornais pela manhã.
Um coletivo geral determina que o verbo permaneça no singular:
O povo queria eleições diretas para presidência da República.
O exército não se conformou com o papel que lhe reservou a nova
Constituição.
A tendência hoje é pela concordância com a expressão utilizada. Da mesma
forma, uma expressão partitiva tanto pode levar o verbo para o plural, como
admitir o uso do singular:
A maior parte dos funcionários conseguiu...
Uma porção de notas promissórias vence...
Um grupo de notas promissórias estão rasuradas.
Há outras expressões cujo procedimento quanto ao uso de singular e plural é
semelhante; são elas: uma porção de, o grosso de, o resto de.
Sujeito - Pronome Relativo
Sou uma pessoa que não ofende ninguém.
Sou uma pessoa que não ofendo ninguém.
O segundo caso é mais enérgico e afetivo que o primeiro, pois o verbo na
terceira pessoa (ofende) é quase indeterminada, sem nenhuma intensidade
afetiva, é plano. A segunda frase é muito mais carregada de sentimento, muito
mais viva e eficaz.
Se o verbo tiver com sujeito o pronome relativo que, ele concordará em
número e pessoa com o antecedente deste pronome:
Fui eu que lhe remeti os documentos.
És tu, Deolindo, que vais ao escritório do Sr. Xavier?
Foram as garotas da promoção que me disseram...
Se, no entanto, o relativo que vier antecedido da expressão um dos, o verbo
vai para a 3ª pessoa do plural, raramente para a 3ª pessoa do singular:
Bartolo é um dos gerentes que têm conseguido prestígio.
Sujeito é o pronome QUEM
Fui eu que lhe escreveu semana passada.
És tu quem me remeterá os relatórios?
Mas é também possível admitir a concordância com o pronome pessoal:
Fui eu quem lhe escrevi semana passada.
És tu quem me remeterá o relatório.
Sujeito com o verbo no infinitivo
As secretárias parece terem gostado do estagiário.
As secretárias parecem ter gostado do estagiário.
É indiferente gramaticalmente o uso do singular ou do plural. A diferença é
semântica e estilística. Estilisticamente, o emprego do verbo parecer no
singular entorpece a construção, tira-lhe a graça, tornado-a rasa e artificial.
Quando se diz "as secretárias... ter" a frase ganha mais vida e intensidade
afetiva.
Sujeito com o verbo pronominal
Não se pode realizar esses projetos.
Não se podem realizar esses projetos.
No primeiro casa chama-se a atenção para a ação: realizar, ou seja, "não é
possível realizar esses projetos". No segundo, em virtude da concordância, a
atenção concentra-se em projetos.Gramaticalmente, pode-se
considerar realizar como sujeito e projetos como objeto e pode-se também
considerar projetos como sujeito e então o verbo vai para o plural. Em geral
prefere-se a concordância no plural.
Sujeitos de pessoas gramaticais diferentes
Se houver dois ou mais sujeitos de pessoas gramaticais diferentes, o verbo irá
para o plural, concordando com a pessoa que tem precedência na ordem
gramatical.
Eu e tu=nós
Eu e ele=nós
Eu, tu e ele=nós
Tu e ele=vós
Você e ela=eles
Marcos e tu fizestes o que havia sido recomendado?
Eu e tu estivemos a semana toda estudando, e agora não há o que reclamar.
Tu e eu redigiremos o relatório.
Eu e o vendedor fizemos um acordo.
Tu e o diretor já conhecíeis a política da empresa.
Você e a secretária não sabiam que decisão tomar?
Portanto o verbo vai para a 1ª pessoa do plural se entre os sujeitos houver um
da 1ª pessoa. Irá para a 2ª pessoa do plural se, não havendo sujeito da 1ª
pessoa, houver um da 2ª. Somente irá para a 3ª pessoa do plural se os sujeitos
forem da 3ª pessoa.
Verbo antecedido de vários sujeitos
Se houver mais de um sujeito singular antecedendo um verbo, este ficará no
singular ou irá para o plural:
A nota fiscal e a duplicata registram informações importantes.
Registram informações importantes a nota fiscal e a duplicata.
Registra informações importantes a nota fiscal e a duplicata.
No caso de sujeito de números diversos (singular e plural) precedendo o verbo,
este vai para o plural. Se estes sujeitos estiverem depois dele, o verbo poderá
ficar no singular se o sujeito mais próximo estiver no singular:
O funcionário e os clientes reconheceram-se culpados.
Reconhecera-se culpado o funcionário e os clientes.
Reconheceram-se culpados os clientes e o funcionário.
Sujeito composto + palavra que os resuma
Se o sujeito for composto e houver palavras que os resuma, o verbo
concordará com esta palavra.
Relatório, correspondências, memorandos nada o levava a tomar uma atitude
diferente.
Clientes, fornecedores de serviços, vendedores, ninguém queria visitá-lo
durante a semana Santa.
Datilografias esmeradas, estética apurada, asseio, tudo contribui para uma
apresentação agradável.
Sujeitos ligados por como, bem como...
Dois sujeitos do singular ligados por como, bem como, assim como, do mesmo
modo que, tanto...como, não só... mas também requerem análise: se se tratar
de adição, coloca-se o verbo no plural; se se tratar de comparação, coloca-se o
verbo no singular:
O reajuste salarial de junho, da mesma forma que o de março, não alterou seu
padrão de vida.
A disciplina, assim como o arrojo, fizeram dele profissional invejável.
Sujeito constituído por cerca de, mais de, menos de
Sujeito constituído por expressões que indicam quantidade aproximada
determina que a concordância se faça com o complemento dessas expressões:
Cerca de cem estudantes adquiriam os livros.
Menos de dez pessoas entraram na loja.
A expressão mais de um determina o verbo no singular:
Mais de um executivo viajou para o Rio de Janeiro
Se essas expressões se repetirem, o verbo irá para o plural.
O Sujeito é um pronome interrogativo, demonstrativo ou indefinido
plural
Se o sujeito for constituído pelos pronomes indicados, o verbo pode
permanecer na 3ª pessoa do plural ou concordar com o pronome pessoal que
indica o todo:
Quantos, entre os empregados, estariam dispostos a participar dos festejos?
Quantos, entre vós, estaríeis dispostos...
Se o interrogativo estiver no singular, o verbo ficará no singular.
Nas orações interrogativas que utilizam quem ou o que, faz-se a concordância
com o substantivo ou pronome que vier depois do verbo:
Quem são os clientes?
Quem és tu, ó Florentina?
Quem sois vós que tanto me aperreias?
Que será isso que aconteceu?
O que são estragos, defeitos?
Sujeitos ligados por ou e por nem
Se ligados por essas conjunções, o verbo tanto pode ir para o plural como ficar
no singular, conforme se queira ou não atribuir a ação a todos os sujeitos:
Ou o Departamento de Vendas ou o de Promoção terá de alterar o
comportamento...
Nem o Departamento de Vendas nem o de Promoção tiveram de alterar o
comportamento.
Se a ação só pode ser atribuída a um deles, o verbo ficará no singular:
Ou o gerente ou o diretor será responsável.
As expressões um ou outro ou nem um nem outro admitem o verbo no singular.
Um ou outro teria de digitar o relatório.
Nem uma nem outra respondeu acertadamente à questão.
Já a locução um e outro leva, com frequência, o verbo no plural:
Um e outro auxiliar de escritório admitiam estar enganados.
Sujeitos ligados por com
Regra geral, o verbo vai para o plural quando a ideia que se quer transmitir é
de soma:
O chefe da seção com o gerente recorreram a argumentos de força para
estimular seus funcionário.
Se se desejar realçar um dos elementos, o verbo poderá ficar no singular.
O office-boy, com todos os jovens da empresa, resolveu formar um time de
basquete.
Sujeitos ligados por conjunção comparativa
Admitem o verbo tanto no singular como no plural:
Tanto João Crisótomo como Benedito participaram...
O serviço, como qualquer produto, deve ter preço justo.
Observe-se que o primeiro elemento foi destacado.
Sujeito expresso por horas
Se aparecer na frase a palavra relógio como sujeito, o verbo ficará no singular:
O relógio deu 15 horas.
O verbo dar deve concordar regularmente com o sujeito expresso:
Deram 10 horas no relógio da matriz.
Iam dar 18 horas, quando o diretor reuniu todos os gerentes.
Concordância com o verbo "ser"
Se o sujeito do verbo ser ou parecer for constituído pelos pronomes: isto, isso,
aquilo, tudo e o predicativo estiver no plural, o verbo irá para o plural:
Isto são ossos duros de roer.
Aquilo pareciam-me bisbilhotices...
Eram tudo falcatruas de profissional incompetente.
Se o sujeito designar pessoa, o verbo concordará com ele:
Ela era as alegrias da casa.
Jaime foi os terrores de seu bairro.
Se o sujeito é constituído de um substantivo e o verbo ser vem seguido de
pronome pessoal, o verbo concordará com o pronome:
Os funcionários mais aplicados somos nós.
Os maiores diretores sois vós.
Os verdadeiros profissionais são eles.
Nas orações interrogativas com utilização de quem, o verbo concorda com o
substantivo ou pronome que lhe segue:
Quem são os profissionais dessa organização?
Quem és tu?
Quem sós vós?

Colocação Pronominal
por: Maria Tereza De Queiroz Piacentini
sobre: Gramática
O uso dos pronomes oblíquos átonos ME, TE, SE, O(S), A(S), LHE(S) e NOS em
relação ao verbo é bastante livre no Brasil: depende muito do ritmo, da
harmonia, da ênfase e principalmente da eufonia. Como a pronúncia brasileira
é diferente da portuguesa, a colocação pronominal neste lado do Atlântico
também difere da de Portugal. O português brasileiro é essencialmente
proclítico, isto é, preferimos usar o pronome na frente do verbo na maior parte
do tempo. Tudo poderia se resumir à próclise, então. Mas não é assim tão
simples. Há algumas orientações e regras a serem seguidas.

Próclise ou ênclise - O pronome pode ficar antes ou depois do verbo quando


houver:

1) sujeito explícito antes do verbo:


• Ele se manteve / manteve-se irredutível em relação ao divórcio.
• William Golding se consagrou/consagrou-se como um mestre em
esmiuçar questões complexas da natureza humana.
• Desde os dois anos de idade Laís se veste /veste-se sozinha.
• Humilhar o vizinho se tornou/tornou-se uma obsessão para Joel.
• Por muito tempo aquelas pessoas se debateram/debateram-se com o
alcoolismo.
2) conjunção coordenativa:
• Gostei da festa, porém me despedi/despedi-me cedo.
• Tem rompantes, mas se arrepende/arrepende-se depois.
• O governador foi taxativo e se estendeu/estendeu-se longamente
sobre o assunto.

3) preposição antes de verbo no infinitivo:


• Nas lojas esportivas encontramos o equipamento ideal para proporcionar-
nos/para nos proporcionar uma vida sadia.
• Temos satisfação em lhe participar / em participar-lhe a inauguração da
fábrica.
• Tenho o prazer de lhes falar/falar-lhes sobre a filosofia que norteia nossa
instituição.

Obs. Quando o pronome é a/as, o/os, torna-se preferível a ênclise: Conseguido


o divórcio, sentiu-se tentada a enganá-lo (em vez de a o enganar) na divisão
dos bens. / Tenho o prazer de convidá-los a comparecer ao batismo. /
Folgo por sabê-los bem.

Recomendações

Para muitos, trata-se de regras rígidas, mais do que recomendações. Digamos


que quem quer redigir com correção e estilo deve cuidar para adotar a próclise
nas seguintes situações:

1) Os pronomes indefinidos e relativos e as conjunções subordinativas atraem


o pronome átono; para facilitar seu reconhecimento, convém notar que grande
parte começa com qu:

Eis o livro do qual se falou a noite inteira.


Procuramos quem se interesse por criação de bicho-da-seda.
Quer me arrependa, quer não, irei lá.
O resultado das urnas serviu para mostrar a falácia
daqueles que se jactavam de uma força
política que lhes permitia tudo.
Sua carreira política começou em 1955, quando se elegeu
vereador pelo antigo PTB.
Em sociedade tudo se sabe. / Onde se meteram eles?
2) Também as palavras de valor negativo atraem o pronome átono:
Nada nos afeta tanto quanto o aumento do
leite. / Nunca se viu coisa igual.
Não me diga isso para não me aborrecer. / Ninguém os tolera.
Jamais se soube a verdadeira versão dos fatos.
É interessante observar que se a palavra negativa precede um infinitivo não
flexionado, o pronome pode vir depois do verbo: Calei para não a magoar.
Calei para não magoá-la. / Saí para não os incomodar/para não incomodá-
los.

3) Advérbios de um modo geral atraem o pronome átono:

Aqui se faz, aqui se paga. / Agora te reconheço. / Sempre se d


isse isso.
Lá se foi nosso
dinheiro... / Talvez nos encontremos. / Devagar se vai ao
longe.
Ele certamente a viu. / Muito nos contaram sobre
isso. / Logo se saberá o resultado.
Dissemos, na semana passada, que a língua portuguesa no Brasil é proclítica.
Tanto é assim que o Manual Geral de Redação da Folha de S. Paulo resume sua
orientação alertando para esse ponto: “Atualmente o pronome é colocado
antes do verbo haja ou não uma palavra que o atraia (pronome relativo,
negações etc.). Mas em pelo menos um caso usa-se o pronome depois do
verbo: início de oração”.

proibições - Há apenas duas situações inviáveis:

1) a ênclise com os tempos futuros; em outros termos: colocar o pronome


átono depois dos verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo e no
futuro do subjuntivo:
fazerei-me / faria-nos / diriam-se / se disser-te / quando puse-las / se trouxe-las
etc.

2) o pronome átono depois do particípio: Eu já teria aposentado-me se


ganhasse bem.

Se aplicar a orientação de sempre usar o pronome na frente do verbo, você já


não corre o risco de cometer esse erro de ênclise. Como corrigir essas
situações, então? Usar a próclise colocando um sujeito explícito antes do
verbo, para não deixar o pronome no início da frase:
• Eu me benzerei; ele nos faria um favor; se te disser; quando (eu) as
puser no lugar; eles se diriam magoados. Ficarei feliz se (você) as trouxer
junto.
• Eu já teria me aposentado se ganhasse bem.
Começo de frase

Ainda não aceita na linguagem culta formal, a colocação do pronome átono em


início de frase é permitida na linguagem informal e nos diálogos - pode ser
“proibida”, mas não é inviável, portanto. Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova
Gramática do Português Contemporâneo (1985: 307), observam que essa
possibilidade – especialmente com a forma me – é característica do português
do Brasil e também do português falado nas repúblicas africanas. E citam
exemplos de Erico Veríssimo e Luandino Vieira, respectivamente: Me
desculpe se falei demais. / Me arrepio todo...

E já escrevia Mário de Andrade, em “Turista Aprendiz”: Se sente que o dia vai


sair por detrás do mato. Em todo caso, deve-se evitar o uso do pronome “se”
no começo da frase porque ele pode induzir o leitor a pensar que se trata da
conjunção condicional se.

Locução verbal

Relembrando: locução verbal é a reunião de dois ou mais verbos para exprimir


uma só ação. O primeiro verbo é chamado auxiliar; o último é o principal e está
sempre no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Para melhor visualização e
fixação, vejamos as possibilidades de colocação dos pronomes átonos por meio
de exemplos apenas.

1) Auxiliar + Infinitivo

Quero fazer-lhe uma surpresa.


Quero-lhe fazer uma surpresa.
Quero lhe fazer uma surpresa. [sem hífen é mais brasileiro]
Eu lhe quero fazer uma surpresa.

2) Auxiliar + Infinitivo com preposição

Começamos a nos preparar para o vestibular.


Começamos a preparar-nos para o vestibular.
3) Auxiliar + Gerúndio

Eles foram afastando-se.


Eles foram-se afastando.
Eles foram se afastando. [colocação brasileira]
Eles se foram afastando.
4) Auxiliar + Particípio

O povo havia-se retirado quando chegamos.


O povo havia se retirado quando chegamos.
O povo se havia retirado quando chegamos.
Veja que aqui só há três opções, porque não se permite a ênclise com o
particípio.
Fonte:

http://www.linguabrasil.com.br/

Verbo Pretérito

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Pretérito Imperfeito do Modo Indicativo
O tempo verbal do pretérito imperfeito do modo indicativo é utilizado para os
seguintes fins:
- quando o locutor enuncia fatos ocorridos, transportado mentalmente para o
momento da ocorrência, descrevendo os fatos da forma como iam
prosseguindo;
Exemplo: Eu cantava em voz baixa, e fazia gestos, regendo uma sinfonia
invisível.
- na enunciação de fatos dos quais não se tem certeza quanto às suas
realizações futuras;
Exemplo: Queria que fosses feliz.
- na substituição do futuro do pretérito, ao exprimir a consequência inevitável
de um fato condicionante;
Exemplo: Se o bonde não chegasse logo, logo me irritava.
- na enunciação em que se dá a ideia de prolongação de fatos ocorridos em
direção ao momento presente da própria enunciação. Neste caso, exprime-se
com maior evidência a característica principal do tempo no pretérito imperfeito
do indicativo: a descrição de fatos passados não concluídos ("imperfeitos").
Pretérito Imperfeito do Modo Subjuntivo
Os verbos no tempo do pretérito imperfeito do modo subjuntivo são
empregados das seguintes maneiras:
-tendo valor de passado:
Exemplo: Mesmo que a saudade batesse a sua porta, permaneceria impassível.
-tendo valor de presente, constituindo condição para uma ação que poderia
estar ocorrendo:
Exemplo: Se tivesses coragem, estaria lutando por seus ideais.
- tendo valor de futuro em relação a algum momento já passado:\
Exemplo: Naquele instante, era provável que o mundo ruísse.
Pretérito Mais-que-Perfeito do Modo Indicativo
Os verbos no tempo do pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo são
utilizados nas seguintes situações enunciativas:
- denotação de uma ação anterior a outra já passada;
Exemplo: Antes de falar de seus caminhos pela vida, disse-me que
já fora marinheiro.
- substituição, de caráter estilístico, dos verbos no futuro do pretérito do modo
indicativo e no pretérito imperfeito do modo subjuntivo (estilo denotativo de
solenidade);
Exemplos: Ele menos a conhecera, mais a amara (com os
verbos conhecera e amara substituindo, respectivamente, as
formas conhecesse e amaria); Fez gestos magníficos, como se fora um rei
(verbo no mais-que-perfeito do indicativo substituindo a forma no pretérito
imperfeito do subjuntivo).
Pretérito Mais-que-Perfeito do Modo Subjuntivo
O tempo do pretérito mais-que-perfeito do modo subjuntivo constitui-se de
forma composta, isto é, há a ocorrência de um verbo auxiliar no presente do
subjuntivo e um verbo principal no particípio. Não há forma de conjugação
simples de verbos no pretérito mais-que-perfeito do modo subjuntivo. Esta
modalidade composta é empregada das seguintes maneiras:
-exprimem uma ação anterior que condiciona outra ação passada:
Exemplo: Se tivesse ouvido o que diz a experiência, não correria os riscos pelos
quais passou.
-exprimem uma ação passada da qual se duvida, ou ainda uma ação passada
hipotética ou irreal:
Exemplos: Achou que realmente tivesse acontecido aquilo. (...que
realmente acontecera aquilo, no pretérito mais-que-perfeito do modo
indicativo); Acreditaste que ele tivesse andado por aquelas paragens? (...que
ele andara por aquelas paragens, no pretérito mais-que-perfeito do modo
indicativo)
Pretérito Perfeito do Modo Indicativo
Os verbos no tempo do pretérito perfeito do modo indicativo são utilizados na
seguinte situação enunciativa:
- declaração de fatos inteiramente concluídos, localizados no passado de
maneira enfática;
Exemplo: Chegou em sua casa, foi ao seu quarto nos fundos da casa, deitou-
se e dormiu.
Pretérito Perfeito do Modo Subjuntivo
O tempo do pretérito perfeito do modo subjuntivo constitui-se de forma
composta, isto é, há a ocorrência de um verbo auxiliar no presente do
subjuntivo e um verbo principal no particípio. Não há forma de conjugação
simples de verbos no pretérito perfeito do modo subjuntivo. Esta modalidade
composta é empregada nas seguintes formas:
-quando exprimem um fato supostamente concluído:
Exemplo: Talvez eu tenha me comportado muito mal.
-quando exprimem um fato a ser concluído no futuro em relação a outro fato
futuro:
Exemplo: Talvez eu tenha terminado o trabalho quando o professor chegar.

Onde/Aonde
por: Akio Watanabe
sobre: Gramática
A ONDA

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
(Manuel Bandeira)

Onde
Onde indica o lugar em que se está ou em que se passa algum fato.
Normalmente, refere-se a verbos que exprimem estado ou permanência.
Onde você está?
Não sei onde começar a estudar.

Aonde
Aonde indica ideia de movimento ou aproximação. Contrapõe-se a donde, que
exprime distanciamento.
Aonde você vai?
Não sei aonde ir.
Na língua clássica não existia essa diferença de significado
entre onde e aonde. Essa diferenciação tem sido uma tendência do português
moderno.

Conjunção
por: Algo Sobre
sobre: Gramática

As conjunções são vocábulos de função estritamente gramatical utilizados para
o estabelecimento da relação entre duas orações, ou ainda a relação dois
termos que se assemelham gramaticalmente dentro da mesma oração. As
conjunções podem ser de dois tipos principais: conjunções coordenativas ou
conjunções subordinativas.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
Conjunções coordenativas são os vocábulos gramaticais que estabelecem
relações entre dois termos ou duas orações independentes entre si, que
possuem as mesmas funções gramaticais. As conjunções coordenativas podem
ser dos seguintes tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas,
explicativas.
Conjunções Coordenativas Aditivas
As conjunções coordenativas aditivas possuem a função de adicionar um termo
a outro de mesma função gramatical, ou ainda adicionar uma oração à outra
de mesma função gramatical. As conjunções coordenativas gramaticais
são: e, nem.
Exemplos: Todos aqui estão contentes e despreocupados; João apeou e deu
bons-dias a todos; O acontecimento não foi bom nem ruim.
Conjunções Coordenativas Adversativas
As conjunções coordenativas adversativas possuem a função de estabelecer
uma relação de contraste entre os sentidos de dois termos ou duas orações de
mesma função gramatical. As conjunções coordenativas adversativas
são: mas, contudo, no entanto, entretanto, porém, todavia.
Exemplos: Não negou nada, mas também não afirmou coisa nenhuma; A moça
deu a ele o dinheiro: porém, o fez receosa.
Conjunções Coordenativas Alternativas
Conjunções coordenativas alternativas são as conjunções coordenativas que
unem orações independentes, indicando sucessão de fatos que se negam entre
si ou ainda indicando que, com a ocorrência de um dos fatos de uma oração, a
exclusão do fato da outra oração. As conjunções coordenativas alternativas
são: ou (repetido ou não), ora, nem, quer, seja, etc.
Exemplos: Tudo para ele era vencer ou perder; Ou namoro a garota ou me vou
para longe; Ora filosofava, ora contava piadas.
Conjunções Coordenativas Conclusivas
As conjunções coordenativas conclusivas são utilizadas para unir, a uma
oração anterior, outra oração que exprime conclusão o consequência. As
conjunções coordenativas são: assim, logo, portanto, por isso etc...
Exemplos: Estudou muito, portanto irá bem no exame; O rapaz é bastante
inteligente e, logo, será um privilegiado na entrevista.
Conjunções Coordenativas Explicativas
Conjunções coordenativas explicativas são aquelas que unem duas orações,
das quais a segunda explica o conteúdo da primeira. As conjunções
coordenativas explicativas são: porque, que, pois, porquanto.
Exemplos: Não entrou no teatro porque esqueceu os bilhetes; Entre, que está
muito frio.
CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS
As conjunções subordinativas possuem a função de estabelecer uma relação
entre duas orações, relação esta que se caracteriza pela dependência do
sentido de uma oração com relação a outra. Uma das orações completa ou
determina o sentido da outra. As conjunções subordinativas são classificadas
em: causais, concessivas, condicionais, comparativas, conformativas,
consecutivas, proporcionais, finais e integrantes.
Conjunções Subordinativas Causais
Conjunções subordinativas causais são as conjunções que subordinam uma
oração a outra, iniciando uma oração que exprime causa de outra oração, a
qual se subordina. As conjunções subordinativas causais
são: porque, pois, que, uma vez que, já que, como, desde que, visto que, por
isso que, etc.
Exemplo: Os balões sobem porque são mais leves que o ar.
Conjunções Subordinativas Comparativas
Conjunções subordinativas comparativas são as conjunções que, iniciando uma
oração, subordinam-na a outra por meio da comparação ou confronto de ideias
de uma oração com relação a outra. As conjunções subordinativas
comparativas são: que, do que (quando iniciadas ou antecedidas por noções
comparativas como menos, mais, maior, menor, melhor, pior), qual (quando
iniciada ou antecedida por tal), como (também apresentada nas formas assim
como, bem como).
Exemplos: Aquilo é pior que isso; Tudo passou como as nuvens do céu;
Existem deveres mais urgentes que outros.
Conjunções Subordinativas Concessivas
Conjunções subordinativas concessivas são as conjunções que, iniciando uma
oração subordinada, se referem a uma ocorrência oposta à ocorrência da
oração principal, não implicando essa oposição em impedimento de uma das
ocorrências (expressão das oposições coexistentes). As conjunções
subordinativas concessivas são: embora, mesmo que, ainda que, posto
que, por mais que, apesar de, mesmo quando, etc.
Exemplos: Acompanhou a multidão, embora o tenha feito contra sua vontade;
A harmonia do ambiente daquela sala, de súbito, rompeu-se, ainda que havia
silêncio.
Conjunções Subordinativas Condicionais
Conjunções subordinativas condicionais são as conjunções que, iniciando uma
oração subordinada a outra, exprimem uma condição sem a qual o fato da
oração principal se realiza (ou exprimem hipótese com a qual o fato principal
não se realiza). As conjunções subordinativas condicionais
são: se, caso, contanto que, a não ser que, desde que, salvo se, etc.
Exemplos: Se você não vier, a reunião não se realizará; Caso ocorra um
imprevisto, a viagem será cancelada; Chegaremos a tempo, contanto que nos
apressemos.
Conjunções Subordinativas Conformativas
Conjunções subordinativas conformativas são as conjunções que, iniciando
uma oração subordinada a outra, expressam sua conformidade em relação ao
fato da oração principal. As conjunções subordinativas conformativas
são: conforme, segundo, consoante, como (utilizada no mesmo sentido da
conjunção conforme).
Exemplos: O debate se desenrolou conforme foi planejado; Segundo o que
disseram, não haverá aulas.
Conjunções Subordinativas Finais
Conjunções subordinativas finais são as conjunções que, iniciando uma oração
subordinada a outra, expressam a finalidade dos atos contidos na oração
principal. As conjunções subordinativas finais são: a fim de que, para
que, porque (com mesmo sentido da conjunção para que), que.
Exemplos: Tudo foi planejado para que não houvesse falhas; Cheguei cedo a
fim de adiantar o serviço; Fez sinal que todos se aproximassem em silêncio.
Conjunções Subordinativas Integrantes
Conjunções subordinativas integrantes são as conjunções que, iniciando
orações subordinadas, introduzem essas orações como termos da oração
principal (sujeitos, objetos diretos ou indiretos, complementos nominais,
predicativos ou apostos). As conjunções integrantes são que e se(empregado
esta última em caso de dúvida).
Exemplos: João disse que não havia o que temer (a oração subordinada
funciona, neste caso, como objeto direto da oração principal); A criança
perguntou ao pai se Deus existia de verdade (a oração subordinada funciona,
neste caso, como objeto direto da oração principal).
Conjunções Subordinativas Proporcionais
Conjunções subordinativas proporcionais são as conjunções que expressam a
simultaneidade e a proporcionalidade da evolução dos fatos contidos na oração
subordinada com relação aos fatos da oração principal. As conjunções
subordinativas proporcionais são: à proporção que, à medida que, quanto
mais... (tanto) mais, quanto mais... (tanto) menos, quanto menos... (tanto)
menos, quanto menos... (tanto) mais etc.
Exemplos: Seu espírito se elevava à medida que compunha o
poema; Quanto mais correres, mais cansado ficarás; Quanto menos as
pessoas nos incomodam, tanto mais realizamos nossas tarefas.
Conjunções Subordinativas Temporais
Conjunções subordinativas temporais são as conjunções que, iniciando uma
oração subordinada, tornam essa oração um índice da circunstância do tempo
em que o fato da oração principal ocorre. As conjunções subordinativas
temporais são: quando, enquanto, logo que, agora que, tão logo, apenas (com
mesmo sentido da conjunção tão logo), toda vez que, mal (equivalente a tão
logo), sempre que, etc.
Exemplos: Quando chegar de viagem, me avise; Enquanto todos estavam
fora, nada fez de útil.
Denotação e Conotação
por: Nadia Bacchelli
sobre: Gramática
Compare as duas frases:

1 – Faça uma fogueira com o máximo cuidado.


2 – Seu rosto foi consumido pela fogueira das minhas
recordações.
A palavra fogueira tem dois significados, dependendo do contexto em que
aparece: na frase 1, significa lenha ou outra matéria combustível empilhada, a
qual se lança fogo; na frase 2, significa ardor, exaltação, entusiasmo.
No primeiro caso, a palavra fogueira está empregada em seu sentido
denotativo.

A denotação consiste em utilizar as palavras no seu sentido


próprio, literal, comum, ou seja, aquele existente nos
dicionários. A linguagem denotativa é basicamente
informativa, ou seja, não produz emoção ao leitor.
Já, na segunda frase, a palavra foi usada em sentido conotativo, pois a ela foi
atribuída um novo significado.

Conotação é, portanto, o emprego de uma palavra em seu


sentido figurado, e depende do contexto em que foi utilizada.
Em textos literários, há predomínio da conotação. A conotação
de uma palavra pode variar de indivíduo para indivíduo numa
mesma comunidade, de acordo com as experiências pessoais
de cada um.
Outros exemplos:

Prefiro responder-lhe pelas páginas de uma


revista. (denotação)
Você é uma página virada na história da minha
vida. (conotação)
Os adversários lutaram até o anoitecer. (denotação)
A criança luta todas as noites contra o sono. (conotação)
Agora, veja estas frases dos textos:

“ (O rio) Sempre sonhando rumo ao mar, / como uma canção de prata, /

vai cantando em seus cristais / desde a noite até a alvorada.”

“(O rio São Francisco) nasce em Minas Gerais e percorre 3160 quilômetros,

passando pela Bahia, por Pernambuco, Alagoas e Sergipe.”

Percebe-se que a linguagem do texto 1 é conotativa, pois o locutor usa


palavras em um sentido diferente daquele em que normalmente são
empregadas; já, a linguagem do segundo texto é denotativa, pois as palavras
foram usadas em seu sentido próprio.

Figuras de Estilo
por: Algo Sobre
sobre: Gramática

Leio Manuel Bandeira quase diariamente
Nessa frase ocorre uma figura de estilo que consiste na substituição de um
termo (a obra) por outro (nome do autor). A essa figura de estilo dá-se o nome
de metonímia.
Numa metonímia, em vez de designarmos o ser a que queremos nos referir,
utilizamos outra palavra que com ele mantém uma relação de significado.
Ocorre a metonímia quando se emprega:
a) o autor pela obras: Detesto ler Paulo Coelho.
(Na verdade, os livros de Paulo Coelho)
b) o continente pelo conteúdo: Bebi apenas dois copos de cerveja.
(Na verdade, o emissor não bebeu os copos e sim a cerveja)
c) o lugar pelo produto feito no lugar: Só toma champanhe no reveillon.
(Champanhe é o nome de uma região da França onde se originou esse tipo de
vinho)
d) o efeito pela causa: Vivemos do nosso trabalho.
(Na verdade, o trabalho é a causa e o efeito é o alimento)
e) o instrumento pela pessoa que o utiliza: Em geral, os adolescentes são
bons garfos.
(Em geral, os adolescentes comem muito)
f) a parte pelo todo: Seus olhos têm me consumido.
(Na realidade, trata-se da pessoa como um todo e não apenas dos olhos)
g) o material pelo objeto: A porcelana todo branca dava um toque especial ao
jantar.
(Os objetos feitos de porcelana)
h) a marca pelo produto: Só usa gilete importada.
(A palavra gilete vem da marca Gillete da lâmina de barbear.)
Observação importante: A metonímia não se confunde com a
metáfora. Enquanto a metáfora se baseia numa relação de caráter
subjetivo, individual, a metonímia se baseia numa relação lógica,
constante entre dois seres.
Perífrase
Observe:
O povo lusitano foi bastante satirizado por Gil Vicente.
Utilizou-se a expressão "povo lusitano" para substituir "os portugueses". Esse
rodeio de palavras que substituiu um nome comum ou próprio chama-
se perífrase.
Perífrase é a substituição de um nome comum ou próprio por um expressão
que a caracterize. Nada mais é do que um circunlóquio, isto é, um rodeio de
palavras.
Outros exemplos:
astro rei (Sol) | última flor do Lácio (língua portuguesa) | Cidade-Luz (Paris)
Rainha da Borborema (Campina Grande) | Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro)
Observação: existe também um tipo especial de perífrase que se
refere somente a pessoas. Tal figura de estilo é chamada
de antonomásia e baseia-se nas qualidades ou ações notórias do
indivíduo ou da entidade a que a expressão se refere.
Exemplos:
A rainha do mar (Iemanjá)
O poeta dos escravos (Castro Alves)
O criador do teatro português (Gil Vicente)
Gradação
Surpreso, admira o seu porte, sentindo-se vivo, o maior, o invencível.
Nesse exemplo, o autor caracteriza o porte da personagem, empregando três
adjetivos dispostos numa progressão ascendente, isto é, do menos intenso
para o mais intenso. Trata-se de uma gradação ascendente ou clímax.
A gradação pode ocorrer também numa progressão descendente, isto é, do
mais intenso para o menos intenso, do maior para o menor, do mais distante
para o mais próximo. Trata-se, neste caso, de gradação
descendente ou anticlímax. Exemplo:
Um grito, um gemido, um sussurro, nada quebrava o silêncio daquele lugar
sombrio.
Catacrese
Observe:
Embarcamos no ônibus das 10 horas da manhã.
O verbo embarcar era usado primitivamente para significar apenas "entrar
num barco". Hoje, pela falta de um termo apropriado, em diversas
circunstância utiliza-se esse verbo para significar "entrar em avião, ônibus ou
trem". Essa figura de estilo chamasse catacrese.
A catacrese consiste no emprego de um termo figurado pela falta de outro
mais próprio. É um tipo de metáfora cujo uso é tão corrente que não é mais
considerada como tal.
A perna da mesa
O dente de alho.
O braço da cadeira.
A asa da xícara.
Eufemismo
Leia estes versos de Camões:

Alma minha gentil, que te partiste


Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Ao invés de dizer que sua amada havia morrido, Camões utilizou a
expressão partir cedo desta vida. A esse recurso usado para suavizar ou
atenuar ideias consideradas desagradáveis, cruéis, chocantes, imorais dá-se o
nome de eufemismo.
Na linguagem popular há muitas expressões eufemísticas que substituem o
verbo morrer. Exemplos "entregar a alma a Deus", "despedir-se da vida",
"passar desta para melhor".
Hipérbole
Leia estes versos de Fernando Pessoa:
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até o fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo...
É evidente que há exagero por parte do poeta quando afirma que clarear até
o fim do mundo ou ver a terra inteira. Esse recurso que consiste no exagero
proposital das coisas, atribuindo-lhes proporções fora do normal, chama-
se hipérbole.
Na linguagem popular, a hipérbole é bastante empregada.
Já falei mais de mil vezes.
Morreram de rir.
Hibridismo
Consiste em formar palavras novas utilizando elementos de línguas diferentes.
São exemplos de hibridismos ou palavras híbridas:
Um microondas! Uma televisão! Um automóvel! Para mim?
a) socio logia (latim e grego)
b) auto móvel (grego e latim)
c) alcoô metro (árabe e grego)
O hibridismo ocorre, com frequência, na linguagem coloquial:
sambó dromo (português e grego)
chutô metro (português e grego)
olhô metro (português e grego)
Onomatopeia
Consiste na reprodução aproximada de certos sons ou ruídos por meio de
palavras. Exemplos: pum!pum!, tchibum!, zás! bem-te-vi.
Em geral, os elementos dessas palavras duplicam-se:
cricri
reco-reco
tique-taque
zunzum
Sigla
Consiste em reduzir certos títulos e expressões, utilizando a letra ou a sílaba
inicial de cada um dos elementos. Esse processo vem sendo cada vez mais
empregados nos dias atuais.
ONU: Organização das Nações Unidas.
Ibope: Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
UFPB: Universidade Federal da Paraíba
Abreviação vocabular ou redução
Consiste na redução fonética de uma palavra ou expressão. Exemplos:
apê (apartamento)
foto (fotografia)
cine (cinema)
moto (motocicleta)
bíci (bicicleta)
Termos Acessórios de uma Oração
por: Eraldo Cunegundes
sobre: Gramática
Acessórios são os termos secundários, que não integram necessariamente a
estrutura básica da oração. Dividem-se em adjunto adnominal, adjunto
adverbial e aposto.
Adjunto Adnominal é um termo que exerce a função adjetiva, uma vez que
serve para especificar, restringir ou qualificar um nome, particularizando-lhe o
sentido:
a) As crianças DO BRASIL merecem assistência do governo.
b) Índios BRASILEIROS continuam sendo exterminados.\
c) A crise DO SOCIALISMO espalhou-se pelo mundo.
d) TODOS OS livros CRÍTICOS sofrem ameaças PERIGOSAS.
Adjunto Adverbial é o termo que expressa circunstâncias
de modo, tempo, lugar, dúvida, intensidade, meio, finalidade, concessão, caus
a, companhia etc.. Correspondente ao advérbio, modifica o sentido de um
verbo, um adjetivo ou mesmo de um advérbio:
a) Os camponeses pobres morrer de FOME. (adjunto adverbial de causa)
b) TALVEZ ninguém consiga seus objetivos. (adjunto adverbial de dúvida)
c) "NÃO nos deixeis cair em tentação." (adjunto adverbial de negação)
d) Dias Gomes escreveu peças políticas NOS ANOS 70. (adjunto adverbial de
tempo)
e) "Bendita sois vós ENTRE AS MULHERES." (adjunto adverbial de LUGAR)
f) Saí ontem à noite COM A LOURINHA DE OLHOS AZUIS. (adj. adverbial de
companhia)
g) Cortamos as árvores A FACA. (adjunto adverbial de instrumento)
h) Todos foram DE ÔNIBUS ao comício. (adjunto adverbial de meio)
i) Quasímodo era feio DEMAIS. (adjunto adverbial de intensidade)
j) Compre livros instrutivos PARA LEITURAS PRÓSPERAS. (adj. adverbial de
finalidade)
k) Aconselhou INUTILMENTE a filha mais nova. (adjunto adverbial de modo)
Já o Aposto tem a função de esclarecer, identificar ou resumir um termo que
lhe é anterior:
a) Salvador Dali, PINTOR ESPANHOL, imortalizou o Surrealismo.
b) O escritor ANTONIO CALLADO escreveu romances pós-modernos.
c) Napoleão, Hitler, Stálin, TODOS viraram pó.
1ª Obs. Uma mesma oração pode conter diversos apostos, a depender de sua
complexidade:
2ª Obs. É preciso não confundir o vocativo com o aposto, uma vez que o
vocativo tem uma função apelativa, apesar de assemelhar-se ao aposto pelas
pausas e pelas vírgulas.

Ortografia
por: Gramática Online
sobre: Gramática
Ao escrever uma palavra com som de s, de z, de x ou de j, deve-se procurar a origem dela, pois, na
Língua Portuguesa, a palavra primitiva, em muitos casos, indica como deveremos escrever a palavra
derivada.
Ç

1. Escreveremos com -ção as palavras derivadas de vocábulos terminados em -to, -tor, -tivo e os
substantivos formados pela posposição do -ção ao tema de um verbo (Tema é o que sobra, quando
se retira a desinência de infinitivo - r - do verbo).

Portanto deve-se procurar a origem da palavra terminada em -ção. Por exemplo: Donde provém a
palavra conjunção? Resposta: provém de conjunto. Por isso, escrevemo-la com ç.

Exemplos:
• erudito = erudição
• exceto = exceção
• setor = seção
• intuitivo = intuição
• redator = redação
• ereto = ereção
• educar - r + ção = educação
• exportar - r + ção = exportação
• repartir - r + ção = repartição
2. Escreveremos com -tenção os substantivos correspondentes aos verbos derivados do verbo ter.

Exemplos:
• manter = manutenção
• reter = retenção
• deter = detenção
• conter = contenção
3. Escreveremos com -çar os verbos derivados de substantivos terminados em -ce.

Exemplos:
• alcance = alcançar
• lance = lançar
S

1. Escreveremos com -s- as palavras derivadas de verbos terminados em -nder e -ndir

Exemplos:
• pretender = pretensão
• defender = defesa, defensivo
• despender = despesa
• compreender = compreensão
• fundir = fusão
• expandir = expansão
2. Escreveremos com -s- as palavras derivadas de verbos terminados em -erter, -ertir e -ergir.

Exemplos:
• perverter = perversão
• converter = conversão
• reverter = reversão
• divertir = diversão
• aspergir = aspersão
• imergir = imersão
3. Escreveremos -puls- nas palavras derivadas de verbos terminados em -pelir e -curs-, nas
palavras derivadas de verbos terminados em -correr.

Exemplos:
• expelir = expulsão
• impelir = impulso
• compelir = compulsório
• concorrer = concurso
• discorrer = discurso
• percorrer = percurso
4. Escreveremos com -s- todas as palavras terminadas em -oso e -osa, com exceção de gozo.

Exemplos:
• gostosa
• glamorosa
• saboroso
• horroroso
5. Escreveremos com -s- todas as palavras terminadas em -ase, -ese, -ise e -ose, com exceção
de gaze e deslize.

Exemplos:
• fase
• crase
• tese
• osmose
6. Escreveremos com -s- as palavras femininas terminadas em -isa.

Exemplos:
• poetisa
• profetisa
• Heloísa
• Marisa
7. Escreveremos com -s- toda a conjugação dos verbos pôr, querer e usar.

Exemplos:
• Eu pus
• Ele quis
• Nós usamos
• Eles quiseram
• Quando nós quisermos
• Se eles usassem
Ç ou S?

Após ditongo, escreveremos com -ç-, quando houver som de s, e escreveremos com -s-, quando
houver som de z.

Exemplos:
• eleição
• traição
• Neusa
• coisa
S ou Z?

1.-a) Escreveremos com -s- as palavras terminadas em -ês e -esa que


indicarem nacionalidades, títulos ou nomes próprios.

Exemplos:
• português
• norueguesa
• marquês
• duquesa
• Inês
• Teresa
1.-b) Escreveremos com -z- as palavras terminadas em -ez e -eza, substantivos abstratos que
provêm de adjetivos, ou seja, palavras que indicam a existência de uma qualidade.

Exemplos:
• embriaguez
• limpeza
• lucidez
• nobreza
• acidez
• pobreza
2.-a) Escreveremos com -s- os verbos terminados em -isar, quando a palavra primitiva já possuir o -
s-.

Exemplos:
• análise = analisar
• pesquisa = pesquisar
• paralisia = paralisar
2.-b) Escreveremos com -z- os verbos terminados em -izar, quando a palavra primitiva não
possuir -s-.

Exemplos:
• economia = economizar
• terror = aterrorizar
• frágil = fragilizar
Cuidado:
• catequese = catequizar
• síntese = sintetizar
• hipnose = hipnotizar
• batismo = batizar
3.-a) Escreveremos com -s- os diminutivos terminados em -sinho e -sito, quando a palavra
primitiva já possuir o -s- no final do radical.

Exemplos:
• casinha
• asinha
• portuguesinho
• camponesinha
• Teresinha
• Inesita
3.-b) Escreveremos com -z- os diminutivos terminados em -zinho e -zito, quando a palavra
primitiva não possuir -s- no final do radical.

Exemplos:
• mulherzinha
• arvorezinha
• alemãozinho
• aviãozinho
• pincelzinho
• corzinha
SS

1. Escreveremos com -cess- as palavras derivadas de verbos terminados em -ceder.

Exemplos:
• anteceder = antecessor
• exceder = excesso
• conceder = concessão
2. Escreveremos com -press- as palavras derivadas de verbos terminados em -primir.

Exemplos:
• imprimir = impressão
• comprimir = compressa
• deprimir = depressivo
3. Escreveremos com -gress- as palavras derivadas de verbos terminados em -gredir.

Exemplos:
• agredir = agressão
• progredir = progresso
• transgredir = transgressor
4. Escreveremos com -miss- ou -mess- as palavras derivadas de verbos terminados em -meter.

Exemplos:
• comprometer = compromisso
• intrometer = intromissão
• prometer = promessa
• remeter = remessa
ÇS ou SS
Em relação ao verbos terminados em -tir, teremos:

1. Escreveremos com -ção, se apenas retirarmos a desinência de infinitivo -r, dos verbos terminados
em -tir.

Exemplo:
• curtir - r + ção = curtição
2. Escreveremos com -são, quando, ao retirarmos toda a terminação -tir, a última letra for
consoante.

Exemplo:
• divertir - tir + são = diversão
3. Escreveremos com -ssão, quando, ao retirarmos toda a terminação -tir, a última letra for vogal.

Exemplo:
• discutir - tir + ssão = discussão
J

1. Escreveremos com -j- as palavras derivadas dos verbos terminados em -jar.

Exemplos:
• trajar = traje, eu trajei.
• encorajar = que eles encorajem
• viajar = que eles viajem
3. Escreveremos com -j- as palavras derivadas de vocábulos terminados em -ja.

Exemplos:
• loja = lojista
• gorja = gorjeta
• canja = canjica
4. Escreveremos com -j- as palavras de origem tupi, africana ou popular.

Exemplos:
• jeca
• jibóia
• jiló
• pajé
G
1. Escreveremos com -g- todas as palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio.

Exemplos:
• pedágio
• colégio
• sacrilégio
• prestígio
• relógio
• refúgio
2. Escreveremos com -g- todas as palavras terminadas em -gem, com exceção
de pajem, lambujeme a conjugação dos verbos terminados em -jar.

Exemplos:
• a viagem
• a coragem
• a personagem
• a vernissagem
• a ferrugem
• a penugem
X

1. Escreveremos com -x- as palavras iniciadas por mex-, com exceção de mecha.

Exemplos:
• mexilhão
• mexer
• mexerica
• México
• mexerico
• mexido
2. Escreveremos com -x- as palavras iniciadas por enx-, com exceção das derivadas de vocábulos
iniciados por ch- e da palavra enchova.

Exemplos:
• enxada
• enxerto
• enxerido
• enxurrada
mas:
• cheio = encher, enchente
• charco = encharcar
• chiqueiro = enchiqueirar
3. Escreveremos -x- após ditongo, com exceção de recauchutar e guache.

Exemplos:
• ameixa
• deixar
• queixa
• feixe
• peixe
• gueixa
UIR e OER
Os verbos terminados em -uir e -oer terão as 2ª e 3ª pessoas do singular do Presente do Indicativo
escritas com -i-.

Exemplos:
• tu possuis
• ele possui
• tu constróis
• ele constrói
• tu móis
• ele mói
• tu róis
• ele rói
UAR e OAR

Os verbos terminados em -uar e -oar terão todas as pessoas do Presente do Subjuntivo escritas
com -e-.

Exemplos:
• Que eu efetue
• Que tu efetues
• Que ele atenue
• Que nós atenuemos
• Que vós entoeis
• Que eles entoem
• Que eles entoem

O Caso do Mim e do Eu, do Tu e do Te


por: Ricardo Russosobre: Gramática
É comum as pessoas dizerem: Este livro é para mim ler. Qual o equívoco? O
certo é para eu ler. Simplesmente não observamos que o mim torna-se o
sujeito de ler. Pelas leis da gramática, mim e te não funcionam como sujeitos
da ação. Logo: Para eu fazer, para eu ler, paraeu escrever. Mim e te não
praticam ação. Logo, mimnão passa no vestibular; mim não namora, mim não
vai a jogo de futebol. Eu, sim, passo no vestibular. Estudo para eu passar no
vestibular. Na verdade, isso parece língua de índio: Mim Jane, tim Tarzã...
Os alunos irão reclamar: Que diferença faz, todo o mundo entende quando a
gente diz pra mim fazer? Ah, sim, vocês acham mesmo isso? Então vejamos:
Imaginem que um colega faça o seguinte convite:
Vou-te convidar para tu comeres lá em casa.
Tu é sujeito de comer. Logo, praticará a ação de degustar o alimento cozido.
Trata-se de pronome reto, digno feitor de ações. Trocando para o pronome
oblíquo:
Vou-te convidar para te comer lá em casa.
Mudou alguma coisa? Penso que sim. Agora o convidado, de agente da ação de
comer, passa a ser o cardápio. Moral da história: Quando convidarem vocês
para comer, perguntem se é com o reto ou com o oblíquo. Gentilmente, vai-se
primeiro com o reto e, depois, mete-se o oblíquo.

Processo de Formação das Palavras


por: Algo Sobre
sobre: Gramática

De que maneira um idioma pode crescer, aumentar o número de palavras que
o compõe? Cada língua tem seus mecanismos próprios de formação de novas
palavras. No caso específico do português, existem alguns processos, sendo
que os dois mais importantes são a derivação e a composição.
Para que você possa diferenciar bem esses processos e, com isso, evitar erros
na resolução de exercícios, vamos inicialmente fazer a distinção entre três
tipos de palavras:

Palavra primitiva: é toda palavra que não nasce de outra, dentro da língua
portuguesa.
EX.: rua, sol, pedra, cidade etc.
A palavra primitiva pode servir de ponto de partida para a formação de outras
palavras.
Palavra derivada: é toda palavra que ser forma a partir de uma outra palavra
pré-existente.
EX.: novidade (novo); ensolarada (sol).
Palavra composta: é toda palavra que se forma a partir da reunião de duas
ou mais palavras (ou radicais).
EX.: pontapé (ponta+pé); azul-claro (azul+claro)
Os dois processo principais
Derivação:
É o processo pelo qual uma palavra nova (derivada) forma-se a partir de uma
única outra palavra já existente (chamada primitiva). Em gera, a derivação se
dá pelo acréscimo de prefixo ou sufixo à palavra primitiva.
A derivação pode ocorrer das seguintes maneiras:
Derivação prefixal: quando acrescentamos um prefixo à palavra primitiva.
EX.: RE (prefixo) + fazer (palavra primitiva) = refazer (deriv. prefixal)
Derivação sufixal: quando acrescentamos um sufixo à palavra primitiva.
EX.: ponta (palavra primitiva) + EIRO (sufixo) = ponteiro (deriv. sufixal)
Derivação parassintética (ou parassíntese): ocorre quando a um
determinado radical acrescentam-se, ao mesmo tempo, um prefixo e um
sufixo.
EX.: RE (prefixo) + pátria (palavra primitiva) +
AR (sufixo) = repatriar (parassíntese)
OBS: A palavra só é formada por parassíntese se, ao tirarmos o prefixo ou
sufixo, ela deixar de ter sentido. Não existe, por exemplo, patriar. Se, tirando o
prefixo ou sufixo, a palavra continuar com sentido, dizemos que ela foi formada
por derivação prefixal e sufixal. Ex.: infelizmente
Derivação regressiva: nesse caso, ao contrário dos anteriores, a palavra não
aumenta sua forma, e sim diminui, reduz-se.
Esse processo dá, principalmente, origem a substantivos a partir de verbos e
ocorre com a substituição da terminação do verbo pelas desinências A, E, O.
Convém notar que todo substantivo formado por derivação regressiva termina
em A, E ou O e indica uma ação.
Para exemplificar esse processo, vamos considerar as duas palavra grifadas na
frase:
O resgate dos passageiros foi feito através da âncora.
resgate: termina em e e indica a ação de resgatar, portanto é formada por
derivação regressiva
âncora: termina em a, mas não indica ação, portanto não é formada por
derivação regressiva. Trata-se de uma palavra primitiva.
Derivação imprópria: é a passagem de uma palavra que pertencente a
determinada classe gramatical (substantivo, adjetivo, advérbio etc.) para outra
classe.
EX.:
fumar (é verbo) --> o fumar (é substantivo)
claro (é adjetivo) --> ela fala claro (é advérbio)
Note que a palavra muda de classe gramatical sem sofrer modificação em sua
forma.
Composição
Uma palavra é formada por composição quando, para constituí-la, juntam-se
duas ou mais palavras (ou radicais).
A composição pode ser de dois tipos:
Composição justaposição: quando as duas (ou mais) palavras que se juntam
não perdem nenhum fonema, mantendo, por isso, a pronúncia que apresentam
antes da composição.
EX.: passatempo (passa + tempo); couve-flor (couve + flor); girassol (gira +
sol); pé-de-moleque (pé + de + moleque)
Composição por aglutinação: quando pelo menos uma das palavra que se
unem perde um ou mais fonemas, sofrendo, assim, uma mudança em sua
pronúncia.
EX.: petróleo (petra + óleo); fidalgo (filho + de + algo).
Os processos secundários
Além dos dois processos principais já estudados (derivação e composição),
temos ainda dois outros processos que, embora menos importantes, também
contribuem para a formação de novas palavras em português. São eles:
Hibridismo: uma palavra é formada por hibridismo quando na constituição
dela entram palavras pertencentes a idiomas diferentes.
EX.: sócio (latim) + logia (grego) = sociologia
Onomatopeia: quando a palavra nasce de uma tentativa de reproduzir os
sons da natureza.
EX.: tique-taque, reco-reco, zunzum.

Síntese de Termos da Oração

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Temos essenciais
Sujeito
É o termo da oração do qual se declara alguma coisa.
Exemplo: No céu, um sol claro anuncia o verão.
Características do Sujeito:
I. Pode ser identificado através da pergunta "quem é que"... (ou "que é que"...),
feita antes do verbo da oração
Que(m) é que + verbo? __ Resposta=sujeito
II. É substituível por ele(s), ela(s)
III. O verbo concorda com o sujeito.
Classificação do sujeito:
I. Simples: tem um único núcleo.
Exemplo: O velho navio aproximava-se do cais.

II. Composto: tem dois ou mais núcleos


Exemplo: As ruas e as praças estão vazias.

III. Oculto, elíptico ou desinencial: o sujeito pode ser identificado pela


desinência do verbo ou pelo contexto em que aparece.
Exemplo: Voltarás para casa (sujeito: tu)

IV. Indeterminado: Quando não é possível determinar o sujeito. Com verbos


na 3ª pessoa do plural sem referência a elemento anterior.
Exemplo: Atualmente, espalham muitos boatos.
Com verbo na 3ª pessoa do singular + se (em orações que não admitem a voz
passiva analítica)
Exemplo: Precisou-se de novos professores.
Orações sem sujeito:
I. Verbo haver significando existir, acontecer e indicando tempo passado.
Exemplos:
Aqui já houve grandes festas.
Amanhã faz dez anos que ele partiu.
II. Verbo ser indicando tempo, horas, datas e distâncias.
Exemplo: Agora são cinco e doze da tarde.
III. Verbos indicativos de fenômenos da natureza.
Exemplo: Ontem à tarde, ventou muito aqui.
Predicativo
É tudo que se diz do sujeito. (Retirando o sujeito, o que fica na oração é o
Predicado.)
Predicado verbal:
Apresenta verbos sem ligação.
Apresenta predicativo (só do sujeito).
O núcleo é predicativo.
Exemplo: Eles estavam furiosos.
Predicado verbo-nominal:
Apresenta verbo significativo
Apresenta predicativo (do sujeito ou de objeto)
Dois núcleos: o verbo e o predicativo.
Exemplos:
Eles invadiram furiosos a loja.
Todos consideram ruim o filme.
Verbo significativo
Expressa uma ação, ou um acontecimento.
Exemplo:
"O sol nasce pra todos, todo dia de manhã..." (Humbeto Gessinger)
"Enquanto a vida vai e vem, você procura achar alguém.." (Renato Russo)
Temos relacionados ao verbo
I. Objeto direto:
a) Funciona como destinatário/receptor do processo verbal.
b) Completa o sentido do verbo transitivo direto
c) Pode ser trocado por o, as, os, as.
d) A oração admite voz passiva.
Exemplo: Muitas pessoas viram o acidente
II. Objeto indireto:
a) Funciona como destinatário/receptor do processo verbal.
b) Completa o sentido do verbo transitivo direto.
c) Apresenta-se sempre com preposição
d) A oração não admite voz passiva.
Exemplo: Todos discordam de você.
III. Agente da passiva:
a) Pratica a ação verbal na voz passiva.
b) Corresponde ao sujeito da voz ativa.
c) Iniciado por preposição: por, pelo ou de.
Exemplo: O deputado foi vaiado pelos sem terra.
IV. Adjunto adverbial:
a) Acrescenta ao verbo cirscunstâncias de tempo, lugar, modo, dúvida, causa,
intensidade.
Termos Relacionados a nomes
I. Adjunto adnominal:
a) Determina, qualifica ou caracteriza o nome a que se refere.
b) Pode se referir a qualquer termo da oração (sujeito, objeto, etc.)
Exemplo: As três árvores pequenas secaram.
II. Predicativo:
a) Exprime uma característica/qualidade atribuída ao sujeito ou ao objeto.
b) Liga-se ao sujeito ou ao objeto através de verbo de ligação (claro ou
subtendido)
Exemplo:
Toda a cidade estava silenciosa.
Elegeram José representante de turma.
III. Complemento nominal:
a) Completa o sentido de nomes (substantivos abstratos, advérbios) de sentido
incompleto.
b) Sempre com repetição.
Exemplo: Ninguém ficou preocupado com ele.
IV. Aposto:
a) Detalha, caracteriza melhor, explica ou resume o nome a que se refere.
Exemplo: O Flamengo, time carioca, ganhou ontem.
V. Vocativo:
a) Usado para "chamar" o ser com quem se fala.
b) Na escrita, vem sempre isolado por vírgula(s)
Exemplo: Era a primeira vez, meu amigo, que eu a encontrava.
Principais diferenças entre complemento nominal e adjunto adnominal
O complemento nominal é sempre iniciado por uma preposição e o adjunto
adnominal às vezes inicia-se por preposição. Por esse motivo, se houver
dúvida, você pode usar os seguintes critérios diferenciadores:
Adjunto adnominal Complemento nominal
I. Só se refere a substantivos (concretos e I. Pode se referir a substantivos abstratos,adjetivos e a
abstratos). advérbio.
II. Quando o nome se refere, exprime uma II. Quando o nome a que se refere exprime uma ação,
ação; a adjunto adnominal é o agente dessa o complemento nominal é o paciente (alvo) dessa
ação. ação.
III. Pode em certas frases indicar posse. III. Nunca indica posse.
Exemplos:
I. Ele comprou alguns livros de literatura
O termo destacado (de literatura) refere-se ao nome livros, que é
um substantivo concreto. Observando o primeiro critério do quadro, conclui-
se que de literatura só pode ser adjunto adnominal, uma vez que
o complemento nominal só se refere a substantivos abstratos, nunca a
concreto.
II. Seu amigo está descontente com nossa atitude.
Observe que com nossa atitude refere-se a descontente, que é um adjetivo.
Portanto, o tempo com nossa amizade só pode ser complemento nominal,
uma vez que o adjunto adnominal nunca se refere a adjetivo.
III. A ofensa do torcedor irritou o juiz.
Nesse exemplo, a ofensa, é uma ação e o torcedor é o agente da ação.
Portanto pelo segundo critério do quadro, do torcedor é adjunto
adnominal. Você poderia chegar a essa conclusão usando também o terceiro
critério do quadro (do torcedor exprime posse).

Acentos Diferenciais
por: Gramática Online
sobre: Gramática
As únicas palavras que recebem acento para serem diferenciadas de outras
são as seguintes:
ás = carta de baralho, piloto de avião. O ás é a carta mais valiosa no
pôquer.

às = contração da preposição a com o artigo ou pronome a. Obedeço às


regras.

as = artigo, pronome oblíquo átono ou pronome demonstrativo. As garotas


aprovadas são as que estão na sala ao lado. Chame-as.

côas, côa = 2ª e 3ª pessoas do singular do presente do indicativo do


verbo coar. Eu côo, tu côas, ele côa.

coas, coa = contração da preposição com com o artigo a ou as. Ele não se
encontrou coas garotas.

pára = verbo parar na terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo


- Ele não pára de

conversar - ou na segunda pessoa do singular do Imperativo Afirmativo - Pára


com isso!

para = preposição. Estude, para seu próprio bem.

péla, pélas = bola de borracha, jogo da péla; verbo pelar (tirar a pele) na
segunda e na terceira
pessoas do singular do Presente do Indicativo. Eu pélo, tu pélas, ele péla.

pela, pelas = preposição per mais artigo ou pronome. Ele fugiu pela porta
da diretoria.

pélo = verbo pelar. Eu pélo, tu pélas, ele péla.

pelo, pelos = cabelo, penugem. Arrancou-lhe os pelos do braço.

pelo, pelos = preposição per mais artigo ou pronome. Ele fugiu pelos
fundos.

pera = preposição antiga (o mesmo que para).

pêra = fruto da pereira. Comi uma pêra no almoço. Observe que pêra só
tem acento no singular.

pode = terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo do verbo


poder. Hoje ele pode.
pôde = terceira pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo
poder. Ontem ele pôde.
polo, polos = as extremidades de um eixo; espécie de jogo. Foi campeão de
polo aquático.

pôlo, pôlos = espécie de ave. Matei dois pôlos ontem.


por = preposição.

pôr = verbo. Menino, vá pôr uma blusa, antes de sair por aí.

Gênero Textual e Tipologia Textual

por: Sílvio Ribeiro Da Silva


sobre: Gramática
A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu entender,
importante para direcionar o trabalho do professor de língua na leitura,
compreensão e produção de textos1. O que pretendemos neste pequeno ensaio
é apresentar algumas considerações sobre Gênero Textual e Tipologia
Textual, usando, para isso, as considerações feitas por Marcuschi (2002) e
Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis para o termo Tipologia
Textual. No final, apresento minhas considerações a respeito de minha escolha
pelo gênero ou pela tipologia.
Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreensão e a
produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordial o
desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha
capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para
produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica de
interação humana.
Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na escola a partir
da abordagem do Gênero Textual2. Marcuschi não demonstra favorabilidade
ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele, o trabalho fica
limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez que não é
possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque, embora possamos
classificar vários textos como sendo narrativos, eles se concretizam em formas
diferentes – gêneros – que possuem diferenças específicas.
Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG)
defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os textos
de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferentes modos
de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os diferentes tipos
de texto é fundamental para o desenvolvimento da competência comunicativa.
De acordo com as ideias do autor, cada tipo de texto é apropriado para um tipo
de interação específica. Deixar o aluno restrito a apenas alguns tipos de texto é
fazer com que ele só tenha recursos para atuar comunicativamente em alguns
casos, tornando-se incapaz, ou pouco capaz, em outros. Certamente, o
professor teria que fazer uma espécie de levantamento de quais tipos seriam
mais necessários para os alunos, para, a partir daí, iniciar o trabalho com esses
tipos mais necessários.
Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivocada, o
termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de texto, mas de
gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a carta pessoal, por
exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele atesta que a carta
pessoal é um Gênero Textual.
O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, muitas
das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos. Ele
apresenta uma carta pessoal3 como exemplo, e comenta que ela pode
apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e
argumentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero
de heterogeneidade tipológica.
Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente são
encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto como a
bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é um texto
injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descrição, a injunção
e a predição4. Travaglia afirma que um texto se define como de um tipo por
uma questão de dominância, em função do tipo de interlocução que se
pretende estabelecer e que se estabelece, e não em função do espaço ocupado
por um tipo na constituição desse texto.
Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero mas ter
sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextualidade
intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu no texto
a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamente híbrida,
sendo que um gênero assume a função de outro.
Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de
um intercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado
no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis, na
opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de descrições
e comentários dissertativos feitos por meio da narração.
Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica:
• a) intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
• b) heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários
tipos
Travaglia mostra o seguinte:
• a) conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
• b) intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro
Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gêneros não
são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos historicamente pelo
ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma determinada propriedade
e ainda continuar sendo aquele gênero. Para exemplificar, o autor fala, mais
uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o autor da carta não tenha assinado o
nome no final, ela continuará sendo carta, graças as suas
propriedades necessárias e suficientes5.Ele diz, ainda, que uma publicidade
pode ter o formato de um poema ou de uma lista de produtos em oferta. O que
importa é que esteja fazendo divulgação de produtos, estimulando a compra
por parte de clientes ou usuários daquele produto.
Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado para
designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza
linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as
categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção (Swales,
1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipologia
Textual é usado para designar uma espécie de sequência teoricamente
definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais,
sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22).
Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os textos
materializados encontrados no dia a dia e que apresentam características
sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades funcionais, estilo
e composição característica.
Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um modo
de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas que podem
variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar ligadas ao produtor
do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao fazer/acontecer, ou conhecer/
saber, e quanto à inserção destes no tempo e/ou no espaço. Pode ser possível
a perspectiva do produtor do texto dada pela imagem que o mesmo faz do
receptor como alguém que concorda ou não com o que ele diz. Surge, assim, o
discurso da transformação, quando o produtor vê o receptor como alguém que
não concorda com ele. Se o produtor vir o receptor como alguém que concorda
com ele, surge o discurso da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de
Travaglia, uma perspectiva em que o produtor do texto faz uma antecipação no
dizer. Da mesma forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude
comunicativa de comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das
perspectivas apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a
primeira perspectiva faz surgir os tipos descrição, dissertação,
injunção e narração. A segunda perspectiva faz com que surja o
tipo argumentativo stricto sensu6 e não argumentativo stricto sensu. A
perspectiva da antecipação faz surgir o tipo preditivo. A do comprometimento
dá origem a textos do mundo comentado (comprometimento) e do mundo
narrado (não comprometimento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo
narrado seriam enquadrados, de maneira geral, no tipo narração. Já os do
mundo comentado ficariam no tipo dissertação.
Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma função
social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas e vivenciadas
pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabemos que gênero
usar em momentos específicos de interação, de acordo com a função social
dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos que ele pode apresentar
características que farão com que ele “funcione” de maneira diferente. Assim,
escrever um e-mail para um amigo não é o mesmo que escrever um e-mail
para uma universidade, pedindo informações sobre um concurso público, por
exemplo.
Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece que ele
diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa “qualidade”
que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu gênero ou tipo, não
exerce uma função social qualquer?
Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta sua função
social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão, romance, bilhete,
aula expositiva, reunião de condomínio, etc.
Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o que, na
sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso, comunicado,
edital, informação, informe, citação (todos com a função social de dar
conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-mail entrariam
nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser dado sob a forma
de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplificando apresentando a
petição, o memorial, o requerimento, o abaixo assinado (com a função social
de pedir, solicitar). Continuo colocando a carta, o e-mail e o ofício aqui. Nota
promissória, termo de compromisso e voto são exemplos com a função de
prometer. Para mim o voto não teria essa função de prometer. Mas a função de
confirmar a promessa de dar o voto a alguém. Quando alguém vota, não
promete nada, confirma a promessa de votar que pode ter sido feita a um
candidato.
Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colocarei
todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que não foram
mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele não apresenta
exemplos de gêneros que tenham uma função social menos rígida, como o
bilhete.
Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi 7 é a
de Espécie. Para ele, Espéciese define e se caracteriza por aspectos formais
de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo. Ele
exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo narrativo:
a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta
as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele
mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática xdinâmica e
comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a
correspondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No
gênero romance, ele mostra as Espéciesromance histórico, regionalista,
fantástico, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto
a Espécie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é
possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é fácil
dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.
Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Marcuschi, o
oposto também acontece. Este autor discute o conceito de Domínio
Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esferas da
atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo informa, esses
domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dariam origem a
discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas dentro das quais
seria possível a identificação de um conjunto de gêneros que às vezes lhes são
próprios como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas. Como
exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discurso jurídico e discurso religioso.
Cada uma dessas atividades, jornalística, jurídica e religiosa, não abrange
gêneros em particular, mas origina vários deles.
Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Marcuschi. Ele
cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia de discurso.
Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipologias de discurso
usarão critérios ligados às condições de produção dos discursos e às diversas
formações discursivas em que podem estar inseridos (Koch & Fávero, 1987, p.
3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que uma tipologia de discurso usaria
critérios ligados à referência (institucional (discurso político, religioso, jurídico),
ideológica (discurso petista, de direita, de esquerda, cristão, etc), a domínios
de saber (discurso médico, linguístico, filosófico, etc), à inter-relação entre
elementos da exterioridade (discurso autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi
não faz alusão a uma tipologia do discurso.
Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando falam
que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Marcuschi
considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente e
corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso para
ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância
discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera
o discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade
produtora de sentidos para a interação comunicativa, regulada por uma
exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa
atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como

uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da língua em

uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de

sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e

reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).

Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que sua
preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcuschi afirma
que a definição que traz de texto e discurso é muito mais operacional do que
formal.
Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipologia
Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos. Justifica a
escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos (Gênero
Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção das
tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os elementos
químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza.
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões feitas por
Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros Textuais,
estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho com o gênero é
uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos
autênticos no dia a dia. Cita o PCN, dizendo que ele apresenta a ideia básica de
que um maior conhecimento do funcionamento dos Gêneros Textuais é
importante para a produção e para a compreensão de textos. Travaglia não faz
abordagens específicas ligadas à questão do ensino no seu tratamento
à Tipologia Textual.
O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipologia
Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem parece ser
mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que entram na
composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão dos elementos
tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem merece maiores
discussões.
Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais ideais para
o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de gêneros com
dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais formal, do mais
privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros devem passar por um
processo de progressão, conforme sugerem Schneuwly & Dolz (2004).
Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com
a Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia teria
que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto deve-se
trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais será feito um
trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso seja considerada a
ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores, porém dois são
mais pertinentes:

a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a


composição de quaisquer outros textos (não sei ao certo se
isso é possível. Pode ser que o trabalho apenas com o tipo
narrativo não dê ao aluno o preparo ideal para lidar com o tipo
dissertativo, e vice-versa. Um aluno que pára de estudar na 5ª
série e não volta mais à escola teria convivido muito mais com
o tipo narrativo, sendo esse o mais trabalhado nessa série.
Será que ele estaria preparado para produzir, quando
necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com o tipo
narrativo, por exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de
trabalhar com os outros tipos?);
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua
vida.
Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gênero
Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessariamente
uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se em algum
gênero textual.
Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era feito
como um procedimento único e global, como se todos os tipos de texto fossem
iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por isso, não
exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de redação, ainda
hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste fundamentalmente
na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base uma concepção
voltada essencialmente para duas finalidades: a formação de escritores
literários (caso o aluno se aprimore nas duas primeiras modalidades textuais)
ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade) (Antunes, 2004).
Além disso, essa concepção guarda em si uma visão equivocada de que narrar
e descrever seriam ações mais “fáceis” do que dissertar, ou mais adequadas à
faixa etária, razão pela qual esta última tenha sido reservada às séries
terminais - tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.
O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto pela
perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor de Língua
Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em textos literários ou
científicos, distantes da realidade e da prática textual do aluno, mas como um
especialista nas diferentes modalidades textuais, orais e escritas, de uso social.
Assim, o espaço da sala de aula é transformado numa verdadeira oficina de
textos de ação social, o que é viabilizado e concretizado pela adoção de
algumas estratégias, como enviar uma carta para um aluno de outra classe,
fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar uma carta de solicitação a um
secretário da prefeitura, realizar uma entrevista, etc. Essas atividades, além de
diversificar e concretizar os leitores das produções (que agora deixam de ser
apenas “leitores visuais”), permitem também a participação direta de todos os
alunos e eventualmente de pessoas que fazem parte de suas relações
familiares e sociais. A avaliação dessas produções abandona os critérios quase
que exclusivamente literários ou gramaticais e desloca seu foco para outro
ponto: o bom texto não é aquele que apresenta, ou só apresenta,
características literárias, mas aquele que é adequado à situação
comunicacional para a qual foi produzido, ou seja, se a escolha do gênero, se a
estrutura, o conteúdo, o estilo e o nível de língua estão adequados ao
interlocutor e podem cumprir a finalidade do texto.
Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a
oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros
Textuais socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia a dia da
interação humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da
sua constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
exercício da interação humana, da participação social dentro de uma sociedade
letrada.

1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gênero ou

com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara para selecionar os

textos com os quais trabalhará.

2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pouco a

diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.

3 -Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente descritiva, ou

dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentativa. Acho meio difícil

alguém conseguir escrever um texto, caracterizado como carta, apenas com

descrições, ou apenas com injunções. Por outro lado, meio que contrariando o

que acabara de afirmar, ele diz desconhecer um gênero necessariamente

descritivo.

4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem previsão,

como o boletim meteorológico e o horóscopo.

5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma carta.

6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o que faz

argumentação explícita.

7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso.


Referências

ADAM, J. M. (1990). Élements de linguistique textuelle. Theorie et pratique de


l’analyse. Liège, Mardaga.
ANTUNES, I. (2004). Aula de português: encontros e interação. São Paulo:
Parábola.
BRONCKART, J.-P. (1999). Atividades de linguagem, textos e discursos. Por um
interacionismo sócio-discursivo. São Paulo: Editora da PUC/SP.
FÁVERO, L. L. & KOCH, I. V. (1987). “Contribuição a uma tipologia textual”.
In Letras & Letras. Vol. 03, nº 01. Uberlândia: Editora da Universidade Federal
de Uberlândia. pp. 3-10.
MARCUSCHI, L. A. (2002). “Gêneros textuais: definição e funcionalidade” In
DIONÍSIO, Â. et al. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna.
SCHNEUWLY, B. & DOLZ, J. (2004). Gêneros orais e escritos na
escola. Campinas: Mercado de Letras
SWALES, J. M. (1990). Genre analysis. English in academic and research
settings. Cambridge: Cambridge University Press.
TRAVAGLIA, L. C. (1991). Um estudo textual-discursivo do verbo no
português. Campinas, Tese de Doutorado / IEL / UNICAMP, 1991. 330 + 124 pp.
___ (2002). Tipelementos e a construção de uma teoria tipológica geral de
textos. Mimeo.
WEIRINCH, H. (1968). Estrutura e función de los tiempos em el
lenguaje. Madrid: Gredos.

Interjeição

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

As interjeições são os vocábulos de representação das emoções ou sensações
dos falantes. As interjeições podem exprimir satisfação, espanto, dor, surpresa,
desejo, terror etc. O sentido deste tipo de vocábulo depende muito do contexto
enunciativo em que se encontram e da forma como são pronunciados.
Exemplos: Oh ! (pode exprimir tanto desejo como surpresa, dependendo do
contexto enunciativo); Eia ! (interjeição de imposição de ânimo e
encorajamento, do locutor aos ouvintes, também usado para ordenar animais a
alguma atividade); Ai ! (interjeição usada tanto para exprimir dor quanto para
exprimir desesperança);Psiu! (exprime ordem de silêncio, podendo também
ser usado para chamar alguém); Ui! (de acordo com um contexto, pode
exprimir tanto sensação de dor como sensação agradável).
Ao lado das interjeições, existem ainda as locuções interjetivas, que são
formadas por mais de um vocábulo. Os vocábulos utilizados nessas locuções
são de origem bastante diversa, e muitas vezes não possuem um vínculo
significativo estrito com relação aos sentidos interjectivos sugeridos.

Orações Reduzidas

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

São denominadas orações reduzidas aquelas que apresentam o verbo numa
das formas nominais, ou seja, infinitivo, gerúndio e particípio.
As orações reduzidas de formas nominais podem, em geral, ser desenvolvidas
em orações subordinadas. Essas orações são classificadas como as
desenvolvidas correspondentes.
As orações reduzidas não são introduzidas por conectivo.
No caso de se fazer uso de locução verbal, o auxiliar indica se se trata de
oração reduzida ou não. Na frase:
Tendo de ausentar-se, declarou vacante seu cargo.
Temos aqui uma oração reduzida de gerúndio. Portanto, é condição para que a
oração seja reduzida que o auxiliar se encontre representado por uma forma
nominal.
Exemplos de orações reduzidas de infinitivo:
Substantivas subjetivas: são aquelas que exercem a função de sujeito do
verbo de outra oração. Exemplos:
Não convém agires assim
É certo ter ocorrido uma disputa de desinteressados.
Urge partires imediatamente.
Substantivas objetivas diretas: são aquelas que exercem a função de
objeto direto. Exemplos:
Ordenou saírem todos logo.
Respondeu estarem fechadas as matrículas.
As crianças fazem rir seus rivais.
O professor assegurou serem os exames para avaliar e não para derrotar os
alunos.
Peça-lhes fazer silêncio.
Substantivas objetivas indiretas: são aquelas que funcionam como objeto
indireto da oração principal. Exemplo:
Aconselho-te a sair imediatamente.
Substantivas predicativas: são aquelas que funcionam como adjetivo da
oração principal. Exemplos:
O importante é não se deixar corromper pela desonestidade.
Seu desejo era adquirir um automóvel.
Substantivas completivas nominais: são aquelas que funcionam como
complemento de um nome da oração principal. Exemplos:
Maíra estava disposta a sair da casa.
Tinha o desejo de espalhar os fatos verdadeiros.
Substantivas apositivas: são aquelas que funcionam como aposto da oração
principal. Exemplos:
Fez uma proposta a sua companheira: viajarem pelo interior, no fim do ano.
Recomedou-lhe dois procedimentos: ler e refletir exaustivamente a obra de
Manuel Bandeira.
Adverbiais: são aquelas que funcionam como adjunto adverbial da oração
principal. Exemplos:
Chegou para poder colaborar. (final)
Alegraram-se ao receberem os campeões. (temporal)
Não obstante ser ainda jovem, conquistou posições invejáveis. (concessivas)
Não poderá voltar ao trabalho sem me avisar com antecedência. (condicional)
Não compareceu por se encontrar doente. (causal)
É alegre de fazer inveja. (consecutiva)
Adjetivas: são aquelas que funcionam como adjetivo da oração principal.
Exemplos:
O aluno não era de deixar de ler suas redações.
Exemplos de orações reduzidas de gerúndio:
Subordinadas adjetivas: Parei um instante e vi o professor admoestando o
garoto.
Adverbiais:
Retornando de férias, volte ao trabalho. (temporal)
João Batista, ainda trajando à moda antiga, apresentava-lhe
galhardamente. (concessiva)
Querendo, você conseguirá obter resultados positivos nos
exames. (condicional)
Desconfiando de suas palavras, dispensei-o. (causal)
Xavier, ilustre comerciante, enriqueceu-se vendendo carros. (modal ou
conformativa)
Exemplos de orações reduzidas de particípio:
Subordinada adjetiva:
As notícias apresentadas pelo Canal X são superficiais.
Adverbiais:
Terminada a aula, os alunos retiraram-se da classe. (temporal)
Reconhecido seu direito, teriam tido outro comportamento. (condicional)
Acossado pela política, não se entregou. (concessiva)
Quebradas as pernas, não pôde correr. (causal)

Orações Coordenadas

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Dois são os processos de estruturação fraseológica, ou seja, as orações se
relacionam umas com as outras e se interligam num período através dos
mecanismos coordenativos ou subordinativos.
A oração coordenada é aquela que se liga a outra oração da mesma natureza
sintática.
Num período composto por coordenação, as orações são independentes. Ela
podem ser sindéticas (quando a outras se prendem por conjunções), ou
assindéticas (quando não se prendem a outras por conectivo)
As coordenadas sindéticas podem ser:
Aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... como, assim... como.
Adilson foi ao trabalho a pé e voltou de automóvel.
Simão não era rico nem pobre.
Estudou não somente Português, como também Geografia.
Adversativas: mas, contudo, todavia, entretanto, porém, no entanto, ainda,
assim, senão.
Argumentou durante duas horas, mas não convenceu.
Nesse particular, você tem razão, contudo não me convenceu.
Alternativas: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...seja.
A babá ora acariciava o nem-nem, ora beslicava-o.
Conclusivas: logo, portanto, por fim, por conseguinte, consequentemente.
Vivia zombando de todos; logo, não merecia complacência.
Explicativas: isto é, ou seja, a saber, na verdade, pois.
Ele caminhava apressadamente, pois estava atrasado.

Denotação e Conotação

por: Nadia Bacchelli


sobre: Gramática
Compare as duas frases:

1 – Faça uma fogueira com o máximo cuidado.


2 – Seu rosto foi consumido pela fogueira das minhas
recordações.
A palavra fogueira tem dois significados, dependendo do contexto em que
aparece: na frase 1, significa lenha ou outra matéria combustível empilhada, a
qual se lança fogo; na frase 2, significa ardor, exaltação, entusiasmo.
No primeiro caso, a palavra fogueira está empregada em seu sentido
denotativo.

A denotação consiste em utilizar as palavras no seu sentido


próprio, literal, comum, ou seja, aquele existente nos
dicionários. A linguagem denotativa é basicamente
informativa, ou seja, não produz emoção ao leitor.
Já, na segunda frase, a palavra foi usada em sentido conotativo, pois a ela foi
atribuída um novo significado.

Conotação é, portanto, o emprego de uma palavra em seu


sentido figurado, e depende do contexto em que foi utilizada.
Em textos literários, há predomínio da conotação. A conotação
de uma palavra pode variar de indivíduo para indivíduo numa
mesma comunidade, de acordo com as experiências pessoais
de cada um.
Outros exemplos:

Prefiro responder-lhe pelas páginas de uma


revista. (denotação)
Você é uma página virada na história da minha
vida. (conotação)
Os adversários lutaram até o anoitecer. (denotação)
A criança luta todas as noites contra o sono. (conotação)
Agora, veja estas frases dos textos:

“ (O rio) Sempre sonhando rumo ao mar, / como uma canção de prata, /

vai cantando em seus cristais / desde a noite até a alvorada.”

“(O rio São Francisco) nasce em Minas Gerais e percorre 3160 quilômetros,

passando pela Bahia, por Pernambuco, Alagoas e Sergipe.”

Percebe-se que a linguagem do texto 1 é conotativa, pois o locutor usa


palavras em um sentido diferente daquele em que normalmente são
empregadas; já, a linguagem do segundo texto é denotativa, pois as palavras
foram usadas em seu sentido próprio.

Gênero Vacilante

por: Gramática Online


sobre: Gramática
Existem alguns substantivos que trazem dificuldades, quanto ao gênero.
Estude, então, com muita atenção estas listas:

São Masculinos:
• o açúcar
• o afã
• o ágape
• o alvará
• o amálgama
• o anátema
• o aneurisma
• o antílope
• o apêndice
• o apetite
• o algoz
• o bóia-fria
• o caudal
• o cataclismo
• o cônjuge
• o champanha
• o clã
• o cola-tudo
• o cós
• o coma
• o derma
• o diagrama
• o dó
• o diadema
• o decalque
• o epigrama
• o eclipse
• o estigma
• o estratagema
• o eczema
• o formicida
• o guaraná
• o gengibre
• o herpes
• o lança-perfume
• o haras
• o lotação
• o magma
• o matiz
• o magazine
• o milhar
• o nó-cego
• o pijama
• o pé-frio
• o plasma
• o pão-duro
• o sósia
• o suéter
• o talismã
• o toalete
• o tapa
• o telefonema
• o tira-teimas
• o xérox
São Femininos:
• a abusão
• a acne
• a agravante
• a aguarrás
• a alface
• a apendicite
• a aguardente
• a alcunha
• a aluvião
• a bacanal
• a benesse
• a bólide
• a couve
• a couve-flor
• a cal
• a cataplasma
• a comichão
• a derme
• a dinamite
• a debênture
• a elipse
• a ênfase
• a echarpe
• a entorse
• a enzima
• a faringe
• a ferrugem
• a fênix
• a gênese
• a grafite
• a ioga
• a libido
• a matinê
• a marmitex
• a mascote
• a mídia
• a nuança
• a omoplata
• a ordenança
• a omelete
• a personagem
• a própolis
• a patinete
• a quitinete
• a sentinela
• a soja
• a usucapião
• a vernissagem
Mudança de gênero com mudança de significado

Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam também de


significado. Eis alguns deles:
• o caixa = o funcionário
• a caixa = o objeto
• o capital = dinheiro
• a capital = sede de governo
• o coma = sono mórbido
• a coma = cabeleira, juba
• o grama = medida de massa
• a grama = a relva, o capim
• o guarda = o soldado
• a guarda = vigilância, corporação
• o guia = aquele que serve de guia, cicerone
• a guia = documento, formulário; meio-fio
• o moral = estado de espírito
• a moral = ética, conclusão
• o banana = o molenga.
• a banana = a fruta

Acento é Grave, O

por: Ricardo Russo


sobre: Gramática
O uso do sinal indicativo de crase é um suplício
A crase é uma desgraça! Abaixo a crase! Serve pra quê? Ouvimos sempre
essas reclamações dos alunos, porque ela incomoda mais que o elefante
daquela musiquinha. Uma crase incomoda muita gente, duas crases...
Crase não é acento, é convenção, logo não marca a tonicidade. Os usuários
(não do transporte coletivo, mas da língua) enfiam o acento grave conforme a
eufonia. É forte, vai crase. Doce e grave engano.
O inusitado acontece por obra e graça de uma língua na qual a preposição e o
artigo são idênticos: a. Daí à tragédia (com crase) é um passo. Os castelhanos
perceberam o caos e se anteciparam: o artigo é la; e a preposição, a. Assim:
Vamos a la casa de Maria é um enunciado claro, limpo, como a casa da própria.
Na outra ibérica língua, a de Fernando Pessoa, teríamos: Vamos aa casa de
Maria. Quem daria crédito a esta grafia aa? Diriam tratar-se de coisa
tipicamente lusitana. Bobagem reservada às (com crase) piadas.
De qualquer modo, experimente, heroico leitor dessa coluna, a pronúncia
desses dois aas. Que tal? Não sentiu, por acaso, um bloqueio pulmonar? Logo,
frisemos que o uso da crase é, antes de tudo, uma questão de saúde pública.
Salvam-se os pulmões graças à (com crase) balsâmica crase.
Artifícios surgem como forma de evitar essa epidemia tão grave e aguda
quanto a do Ebola. Troca-se a palavra à qual (com crase) a crase está ligada
por uma masculina, surgindo ao, vai crase. Exemplo: Vai à praia. Vai ao litoral.
Adiante. Se a crase é a contração de a+a, ela poderá acontecer na frente de
palavras femininas. Em Compro a crediário ou Compro a prazo temos o a como
simples e inofensiva preposição, pois o artigo de prazo e de crediário é o. Pô!
Porém nada pode ser tão simples na vida do falante distraído da língua mãe de
Bilac (cuidado! não disse falante da língua da mãe distraída do Bilac). Surgem,
de inopino, não se sabe de onde, as locuções adverbiais femininas. Aqui não
adiantam artifícios de troca por ao. Exemplos: Dobrar à direita; Ricardão
colocou as calças às pressas; Saiu às cegas catando o Ricardão; A mulher
estava às apalpadelas com o Ricardão; Agarrou a colega à unha; Estava à toa
na vida, quando o Ricardão chegou às escondidas. Entretanto - Trancou a
mulher a cadeado; Andava com ela a tiracolo. Todo o cuidado é pouco (com a
crase e com o Ricardão).
Viu só, matei à paulada, mas matei a pau. Uau!

Diferença no uso do acento grave


entre o Brasil e Portugal - Vou à ou
a? Venho de ou da?

por: Nelberto Soni


sobre: Gramática
O texto do Ricardo Russo sobre o acento grave é espetacular, mas não resisto
em escrever mais alguma coisa sobre este tema, que julgo ser, de certa forma,
um pouco curioso.
Nunca vi alguém escrever “venho de Bahia”, mas não posso dizer o mesmo da
frase “vou a Bahia”, culpa da riqueza da nossa língua, terror dos estrangeiros
que tentam aprendê-la.
Utilizando o velho exemplo da Bahia: quando dizemos “venho da Bahia, esse
“da” corresponde a uma junção da preposição “de” com o artigo “a”, formando
o “da”. Se a regra gramatical diz que o acento grave só se aplica quando há
essa junção, então “vamos à Bahia” e “vimos da Bahia”.
E São Paulo? Concordam que “quando vimos de São Paulo”, o “de” é uma
preposição purinha, sem artigo? Então, não havendo artigo, “vamos a São
Paulo” (sem acento). Fácil não é?
E agora vou vos contar um segredo: sou um carioca que vive
em Portugal há mais de 20 anos, que escreve para
portugueses e brasileiros e que tem que estar atento “ao”
que escreve e a “quem” escreve. Qual o motivo? Não é só
por causa das palavras diferentes ou dos diferentes
significados para as mesmas palavras, mas por causa da
forma como é usada. Aquela coisa a que chamamos
“convencionalismos”.
Se escrevo a um brasileiro a contar sobre a minha viagem, tenho que escrever
assim:

“ Acabo de chegar da França e já tenho que ir à Itália e à Espanha.”

Se escrevo a um português, já tenho que escrever assim:

“ Acabo de chegar de França e já tenho que ir a Itália e a Espanha.”

As regras gramaticais não são as mesmas? Claro que sim. Ambos os países
obedecem a mesma regra gramatical. O que difere aqui é a “forma como as
palavras são usadas”.
Se em Portugal eu digo “venho de França”, ao invés de “venho da França”,
então não se aplica a junção da preposição “de”+ o artigo “a”. Assim sendo,
não posso escrever “Vou à França”, mas sim “Vou a França”, tal como escrevo
“Vou a Portugal” (porque venho de Portugal), “vou a Itália” (porque venho de
Itália) e “vou a Espanha” (porque venho de Espanha).
Ah… É claro que se em Portugal dizemos “Venho de França”, jamais poderia
dizer que a “minha filha está vivendo na França”. Se não usamos a preposição
“de” com o artigo “a”, então também não podemos usar a preposição “em”
com o artigo “a”. Assim, tenho que dizer “Minha filha está em França”.
Espero que este texto ajude a fixar esta regra gramatical muitas vezes
ignorada.
Abraços e beijinhos da minha filha – de França.
Crase

por: GramáticaOnline
sobre: Gramática
Crase é a fusão de duas vogais idênticas. Representa-se graficamente a crase
pelo acento grave.
Fomos à piscina
à artigo e preposição
Ocorrerá a crase sempre que houver um termo que exija a preposição a e outro
termo que aceite o artigo a.
Para termos certeza de que o "a" aparece repetido, basta utilizarmos alguns
artifícios:
I. Substituir a palavra feminina por uma masculina correspondente. Se
aparecer ao ou aos diante de palavras masculinas, é porque ocorre a crase.
Exemplos:
Temos amor à arte.
(Temos amor ao estudo)
Respondi às perguntas.
(Respondi aos questionário)
II. Substituir o "a" por para ou para a. Se aparecer para a, ocorre a crase:
Exemplos:
Contarei uma estória a você.
(Contarei uma estória para você.)
Fui à Holanda
(Fui para a Holanda)
3. Substituir o verbo "ir" pelo verbo pelo verbo "voltar". Se aparecer a
expressão voltar da, é porque ocorre a crase.
Exemplos:
Iremos a Curitiba.
(Voltaremos de Curitiba)
Iremos à Bahia
(Voltaremos da Bahia)
Não ocorre a Crase
a) antes de verbo
Voltamos a contemplar a lua.
b) antes de palavras masculinas
Gosto muito de andar a pé.
Passeamos a cavalo.
c) antes de pronomes de tratamento, exceção feita a senhora, senhorita e
dona:
Dirigiu-se a V.Sa. com aspereza
Dirigiu-se à Sra. com aspereza.
d) antes de pronomes em geral:
Não vou a qualquer parte.
Fiz alusão a esta aluna.
e) em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos frente a frente
Estamos cara a cara.
f) quando o "a" vem antes de uma palavra no plural:
Não falo a pessoas estranhas.
Restrição ao crédito causa o temor a empresários.
Crase facultativa
1. Antes de nome próprio feminino:
Refiro-me à (a) Julinana.
2. Antes de pronome possessivo feminino:
Dirija-se à (a) sua fazenda.
3. Depois da preposição até:
Dirija-se até à (a) porta.
Casos particulares
1. Casa
Quando a palavra casa é empregada no sentido de lar e não vem determinada
por nenhum adjunto adnominal, não ocorre a crase.
Exemplos:
Regressaram a casa para almoçar
Regressaram à casa de seus pais
2. Terra
Quando a palavra terra for utilizada para designar chão firme, não ocorre
crase.
Exemplos:
Regressaram a terra depois de muitos dias.
Regressaram à terra natal.
3. Pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aqueles, aquilo.
Se o tempo que antecede um desse pronomes demonstrativos reger a
preposição a, vai ocorrer a crase.
Exemplos:
Está é a nação que me refiro.
(Este é o país a que me refiro.)
Esta é a nação à qual me refiro.
(Este é o país ao qual me refiro.)
Estas são as finalidades às quais se destina o projeto.
(Estes são os objetivos aos quais se destino o projeto.)
Houve um sugestão anterior à que você deu.
(Houve um palpite anterior ao que você me deu.)
Ocorre também a crase
a) Na indicação do número de horas:
Chegamos às nove horas.
b) Na expressão à moda de, mesmo que a palavra moda venha oculta:
Usam sapatos à (moda de) Luís XV.
c) Nas expressões adverbiais femininas, exceto às de instrumento:
Chegou à tarde (tempo).
Falou à vontade (modo).
d) Nas locuções conjuntivas e prepositivas; à medida que, à força de...
OBSERVAÇÕES: Lembre-se que:
Há - indica tempo passado.
Moramos aqui há seis anos
A - indica tempo futuro e distância.
Daqui a dois meses, irei à fazenda.
Moro a três quarteirões da escola.

Leitura Complementar
• O acento é Grave

Exercícios resolvidos de Crase


01 – O plano dos bandidos saiu [as] avessas.
02 – Não chegaram [a] saber quem era [a] autoridade.
03 – Encontramos os barcos [as] margens da lagoa.
04 – Fui [a] casa, mas voltei logo.
05 – Não fui [aquela] farmácia.
06 – Entregamos o prêmio [aquele] aluno.
07 – Submeterei [aqueles] alunos a uma prova.
08 – Reprovo [aquela] atitude.
09 – Encontrei-o [a] porta de minha casa.
10 – [A] noite, se reuniam para ouvi-lo.
11 – Sua aversão [a] estrangeiros era censurada.
12 - [As] dez e meia todos dormiam.
13 - Enviei a encomenda [a] Fernanda.
14 – Você vai [a] aula hoje?
15 – Não desobedeça [a] ninguém.
16 – Os guardas ficaram [a] uma grande distância.
17 - Os meninos chegaram [a] uma hora.
18 – Você entregou [a] encomenda [a] Dona Luísa?
19 – Você deu parabéns [a] Sua Alteza?
20 – Ofereci um presente [a] Carolina?
21 – Ela foi [a] Paraíba.
22 – A meia-noite, os fantasmas aparecem.
23 – Ele não se prendia [a] nenhuma garota.
24 - Iremos [a] Porto Alegre.
25 - As notas já foram devolvidas [a] gerência.
26 – Compareceu [a] prova indisposto.
27 - Fez [a] prova indisposto.
28 – [A] lua e [as] estrelas enfeitam o céu.
29 – Sua atitude agradou [a] maioria.
30 – Sua atitude satisfez [a] maioria.
31 – Fui [a] casa de Pedro.
32 – Rezo [a] Nossa Senhora.
33 – Voltarei este ano [a] minha terra.
34 – Permaneço fiel [a] minhas amizades.
35 – Aderi logo [a] proposta que me fez.
36 – A joia pertencia [a] Helena.
37 – Tinha bigodes [a] Hitler.
38 - Referiu-se [a] Apollo.
39 - Vou [a]Melhoramentos.
40 – Tomou o remédio gota [a] gota.
41 - Dia [a] dia, a empresa foi crescendo.
42 – Não me referi [a] Vossa Excelência.
43 – Peço [a] senhora que tenha paciência.
44 – Enfim encontraram-se face [a] face.
45 – Ele chegou [a] essa região há anos.
46 – Remeti [a] senhorita o lenço.
47 – Irá [a] uma hora qualquer.
48 - Já se acostumou [a] madame Angélica.
49 - Levou a encomenda [a] sua tia.
50 - Até [a] volta.
51 - O aumento entra em vigor [a] zero hora.

Gabarito
01 – O plano dos bandidos saiu às avessas (ao contrário).
02 – Não chegaram a saber (verbo) quem era a autoridade (o chefe).
03 – Encontramos os barcos às margens da lagoa. (ao leito)
04 – Fui a casa, mas voltei logo. (casa)
05 – Não fui àquela (a esta) farmácia.
06 – Entregamos o prêmio àquele (a este) aluno.
07 – Submeterei aqueles (estes) alunos a uma prova.
08 – Reprovo aquela (esta) atitude.
09 – Encontrei-o à porta de minha casa. (ao portão)
10 – À noite, se reuniam para ouvi-lo. (pela noite)
11 – Sua aversão a estrangeiros (masc.) era censurada.
12 - Às dez e meia todos dormiam. (ao meio-dia)
13 - Enviei a encomenda à Fernanda (ao Fernando).
14 – Você vai à aula hoje? (ao colégio)
15 – Não desobedeça a ninguém. (p. indefinido)
16 – Os guardas ficaram a uma grande distância. (uma)
17 - Os meninos chegaram à uma hora. (uma / hora)
18 – Você entregou a encomenda (o pedido) a Dona Luísa?
19 – Você deu parabéns a Sua Alteza? (p. tratamento)
20 – Ofereci um presente a ou à Carolina?
21 – Ela foi à (para a) Paraíba.
22 – À meia-noite (ao meio-dia), os fantasmas aparecem.
23 – Ele não se prendia a nenhuma (pron. Indef.) garota.
24 - Iremos a Porto Alegre. (para Porto)
25 - As notas já foram devolvidas à gerência. (ao gerente)
26 – Compareceu à prova indisposto. (ao exame)
27 – Fez a prova indisposto. (o exame)
28 – A lua (o Sol) e as estrelas (os astros) enfeitam o céu.
29 – Sua atitude agradou à maioria. (ao público)
30 – Sua atitude satisfez a maioria. (o público)
31 – Fui à casa de Pedro. (casa)
32 – Rezo a Nossa Senhora. (santas)
33 – Voltarei este ano a ou à minha terra. (p. possessivo)
34 – Permaneço fiel a ou às minhas amizades. (possessivo)
35 – Aderi logo à proposta (ao convite) que me fez.
36 – A joia pertencia a ou à Helena. (nome mulher)
37 – Tinha bigodes à (moda) Hitler.
38 - Referiu-se à (à nave) Apollo.
39 - Vou à (à editora) Melhoramentos.
40 – Tomou o remédio gota a gota. (repetição)
41 – Dia a dia, a empresa foi crescendo. (repetição)
42 – Não me referi a Vossa Excelência.
43 – Peço à senhora (exceção) que tenha paciência.
44 – Enfim encontraram-se face a face. (repetição)
45 – Ele chegou a essa região há anos. (antes de essa)
46 – Remeti a senhorita (exceção) o lenço.
47 – Irá a uma hora qualquer. (hora indet.)
48 - Já se acostumou a madame Angélica. (antes de madame)
49 - Levou a encomenda a ou à sua tia. (possessivo)
50 - Até a ou à volta.(depois de até)
51 - O aumento entra em vigor à zero hora. (hora det.)

Exercício resolvidos de Crase por Ricardo Sérgio

Numeral

Object 1

Ouvir Texto

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Numeral
Os numerais são palavras que indicam uma quantidade ou um número exato
referente à quantidade de seres ou objetos aos quais se referem numa
enunciação. Os numerais podem ser cardinais, ordinais, multiplicativos,
fracionários e coletivos. Os numerais possuem normalmente a função adjetiva,
mas podem ser substantivados.
Numerais Cardinais
Os numerais cardinais são aqueles que utilizam os números naturais para a
contagem de seres ou objetos, ou até designam a abstração das quantidades:
os números em si mesmos (Exemplo: Dois mais dois são quatro), neste último
caso valendo então, na realidade, por substantivos. Os numerais
cardinais um, dois (e todos os números terminados por estas unidades), assim
como as centenas contadas a partir de duzentos, são variáveis em gênero. Os
numerais que indicam milhões, bilhões etc. são invariáveis em gênero.
Numerais Coletivos
Os numerais coletivos são aqueles que indicam uma quantidade específica de
um conjunto de seres ou objetos. São termos variáveis em número e
invariáveis em gênero.
Exemplos de numerais coletivos são: dúzia(s), milheiro(s), milhar(es),
dezena(s), centena(s), par(es), década(s), grosa(s).
Numerais Fracionários
Os numerais fracionários são aqueles que indicam partes, frações, sendo
concordantes com os numerais cardinais. Exemplo: Três quartos da superfície
terrestre são cobertos de água.
Numerais Multiplicativos
Os numerais multiplicativos são aqueles que indicam uma quantidade
equivalente a uma multiplicação (uma duplicação, uma triplicação etc.).
Exemplos: Às vezes, as palavras possuem duplo sentido; Arrecadou-se o triplo
dos impostos relativos ao ano passado.
Numerais Ordinais
Os numerais ordinais são aqueles que indicam a ordenação ou a sucessão
numérica de seres e objetos. Exemplos: Recebeu o seu primeiro presente agora
mesmo.

Morfema

por: Algo Sobre


sobre: Gramática

Morfemas são as unidades mínimas de significação, sendo elementos
constituintes dos vocábulos. São os elementos que compõem a estrutura
lexical e gramatical dos vocábulos. Os morfemas podem ser classificados em
morfemas lexicais e morfemas gramaticais.
Morfema Gramatical
Morfema gramatical é o instrumento gramatical que representa um contexto
semântico específico interno à enunciação. Possuem significação interna à
estrutura gramatical. Os morfemas gramaticais são os artigos, os afixos, as
preposições, as conjunções, além de indicar o gênero, o número, os tempos
verbais (morfemas flexionais).
Exemplo: Observando o vocábulo casa e suas variações, pode-se identificar os
morfemas gramaticais do seguinte modo: o morfema lexical do vocábulo
“casa”, independente de suas variações , é cas-: cas-a, cas-arão, cas-ebre,
cas-inha, simultaneamente. Enquanto o morfema lexical permanece o mesmo,
os morfemas gramaticais variam de acordo com a significação específica que
atribuem ao vocábulo.
Morfema Lexical
Morfema lexical é o morfema que representa a própria significação externa dos
vocábulos. É a unidade que representa uma significação referente às noções
gerais do mundo (designação de seres, ações, conceitos abstratos etc.). O
morfema lexical no vocábulo é encontrado no seu núcleo de significação,
denominado radical.
Exemplos: O verbo comer apresenta o morfema lexical (com-): com-er, com-
ida, com-ilança, com-ilão. Todas as derivações do vocábulo, portanto, recorrem
a um mesmo morfema lexical, e diz-se então que o radical da palavra comer é
sua parte invariável (com-).
Há que só possuem o como elemento. Exemplos desse aspecto são os
vocábulos mar, lápis, giz, Lua, Sol, luz, pé
Morfemas são as unidades mínimas de significação, sendo elementos
constituintes dos vocábulos. São os elementos que compõem a estrutura
lexical e gramatical dos vocábulos. Os morfemas podem ser classificados em
morfemas lexicais e morfemas gramaticais.

Advérbios

por: Nadia Bacchelli


sobre: Gramática
São classes de palavras que vem associadas ao verbo, ao adjetivo ou ao
próprio advérbio.
São invariáveis e denotam circunstâncias de modo, tempo, lugar, etc.

Exemplos:
O juiz morava longe. Falava muito bem.
Certamente, você saberá como proceder na hora oportuna.
O dia está muito claro.

Conforme a circunstância que exprime, o advérbio classifica-se em advérbio:

- de dúvida: Provavelmente iremos.


- de lugar: Ela mora perto.
- de modo: Saiu da classe apressadamente.
- de tempo: Cheguei tarde.
- de intensidade: Nunca foi tão brusco.
- de afirmação: Realmente aceitaram a ideia.
- de negação: Não sei nada sobre aquele assunto.

Locução Adverbial
É a expressão formada por preposição + substantivo, ligada ao verbo com
função equivalente à do advérbio.

Exemplos: à direita, à esquerda, à frente, à vontade, em vão,


por acaso, frente a frente, de maneira alguma, de manhã, de
súbito, de propósito, de repente, etc.

Grau do advérbio
Alguns advérbios sofrem flexão de grau como os adjetivos.

Comparativo:
- de igualdade: Chegou tão cedo quanto eu.
- de superioridade: Chegou mais cedo do que eu.
- de inferioridade: Chegou menos cedo do que eu.

Superlativo:
O grau superlativo dos advérbios pode ser analítico ou sintético.

Analítico: é formado com auxilio de um advérbio de


intensidade.
Exemplo: Cheguei muito cedo à escola ontem.

Sintético: é formado pelo acréscimo do sufixo ao advérbio.


Exemplo: Cheguei cedíssimo à escola ontem.
Observação : O advérbio apresenta ainda o grau diminutivo: Ele

mora pertinho.

- Os advérbios bem e mal admitem as formas de comparativo de

superioridade sintéticas, melhor e pior, respectivamente.


Vícios de Linguagem

por: Akio Watanabe


sobre: Gramática
1. Barbarismo: Grifo ou pronúncia de uma palavra em desacordo com a
norma culta.
"Gratuíto" (em vez de gratuito)
"Rítmo" (em vez de ritmo)
2. Solecismo: Desvio da norma em relação à sintaxe.
"Fazem dois anos que não nos vemos" (em vez de faz)
3. Ambiguidade ou Anfibologia: Deixar a frase com mais de um sentido.
"O menino viu o incêndio da escola"
4. Cacófato: Mau som produzido pela junção de palavras.
"Beijou na boca dela".
"Eu vi ela". (Eu viela?)
"Eu amo ela" (Eu a moela?)
"Não tenho pretensão acerca dela".
(Não tenho pretensão a ser cadela?)
"Vou-me já porque já está pingando".
(Vou mijar porque já está pingando?)
"Tenho culpa eu" (Tem c... pá eu?!)
5. Pleonasmo Vicioso: repetição desnecessária de palavras para expressar
uma ideia.
"Subir pra cima"
"Entra pra dentro, menino!"
6. Neologismo: criação desnecessária de palavras novas.
"O ministro se considerava imexível"
7. Eco: Repetição de um som numa sequência de palavras.
"A decisão da eleição não causou comoção na população."
8. Arcaísmo: Utilização de palavras que já caíram em desuso.
"Vossa Mercê vai pescar"

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