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METODOLOGIA

DO ENSINO DOS
FUNDAMENTOS DO
HANDEBOL.

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Esta apostila foi elaborada para fornecer elementos de estudo do conteúdo programático da
disciplina Fundamentos do Handebol, pertencente ao rol de disciplinas obrigatórias do currículo
dos cursos de licenciatura e bacharelado da Escola de Educação Física e Desportos da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Professor Mauro Cézar Sá da Silva

O MÉTODO

“Vivência reflexiva das metodologias de ensino do desporto1 Handebol”.

Partindo-se da ementa descrita acima para as disciplinas I(Fundamentos) do currículo da


Escola de Educação Física e Desportos, podemos verificar a pluralidade destacada na palavra
metodologias. Sim, existem metodologias para o ensino dos fundamentos do Handebol e de outros
esportes, que devem ser adaptadas ao (s) objetivo (s) que se deseja alcançar. Daí termos métodos
diferentes a serem desenvolvidos para alcançar objetivos diferenciados.
Encontramos, hoje, nas escolas de educação básica (ensino fundamental + ensino médio)
algumas variáveis: escolas onde a educação física é integrada á proposta pedagógica da escola,
como componente curricular, obedecendo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB)
e desenvolvendo os Parâmetros Curriculares Nacionais(PCNs) na denominada iniciação desportiva
visando o aprendizado do esporte como veículo educacional e/ou a formação de equipes para
participar de competições estudantis; escolas onde a educação física se prende a somente
atividades recreativas, sem maiores preocupações no atendimento à LDB e, finalmente, um misto
das duas primeiras.
Devemos, também, pensar no chamado esporte comunitário, nos chamados clubes sociais,
associação de moradores e outras instituições, que denotam algumas diferenças das variáveis
citadas acima. Em um colégio deve-se fazer um planejamento onde haja uma evolução do
aprendizado, levando-se em consideração, principalmente, o grau de dificuldade de execução dos

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Os termos desporto(s) e esporte(s) hoje podem ter o mesmo significado. Modernamente, utiliza-se esporte.
Porém, havia um órgão, denominado, Conselho Nacional de Desportos(CND), que regulava todos os
desportos, terminologia que foi trazido do termo espanhol “depórt” e não, do inglês “sport”. Respeita-se,
desta forma o nome de instituições antigas, tais como a Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ
nesta apostila.

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fundamentos dos esportes na chamada iniciação desportiva. Em um clube e outros locais, devido
ao enfoque dado - em sua grande maioria na competição e não na formação -, esta evolução deve
ser feita muito mais rapidamente para atender aos objetivos de conquista de títulos, etc., embora
encontremos trabalhos com objetivos de longo prazo, como nas denominadas “escolinhas”, ou tão
somente como atividades recreativas. Mas, como poderíamos definir a utilização do método?
Podemos tomar emprestadas as nomenclaturas de disciplinas que embasam, hoje, o trabalho final
dos cursos de licenciatura e bacharelado em nossa Escola.
Passam os discentes pelas disciplinas “Introdução à Metodologia Científica” e, depois,
“Metodologia da Pesquisa”, como pré-requisitos para cursar e realizar a “Monografia”, requisito
para a conclusão do curso como trabalho final. Trata-se de um processo que começa, vamos dizer
de uma forma primária, para depois evoluir e atingir o seu máximo – em nível de graduação –
neste trabalho finalizador que faz parte, junto com a Prática de Ensino ou Estágio Supervisionado,
dos Requisitos Curriculares Complementares (RCC) para a conclusão dos cursos, ou seja,
mostrando a capacidade do discente em desenvolver determinado tema através de pesquisas, com a
ajuda de um professor orientador e de um professor convidado, além da supervisão do professor de
Monografia.
Comparando e resumindo, os métodos - modos de transmissão dos conteúdos - devem ter
etapas progressivas em termos de dificuldade e vão ter uma relação direta com o espaço de tempo
e outras variáveis que farão parte do ato de planejar, que o profissional de Educação Física tem
para desenvolver o seu programa de iniciação aos fundamentos do handebol.
Caso o profissional tenha dois meses, pouco material e um número grande de alunos, para
concluir o seu programa deverá adaptar este período a uma metodologia que possibilite atingir
objetivos específicos. Possivelmente, com um pequeno número de aulas, optará pelo denominado
Método Global, onde o jogo de handebol será preponderante, com as devidas correções de gestos
e aprendizagem das regras dentro do jogo, errando para aprender que não deve errar. Caso
disponha de um tempo um pouco maior, poderá desenvolver o Método Parcial, onde o jogo será
complemento do aprendizado dos fundamentos (fragmentação dos gestos técnicos do jogo), e
verificada sua aplicação naquela prática desportiva, onde é avaliada a aprendizagem dos gestos
desportivos. Pode-se, desta forma, realizar o processo ensino-aprendizagem-treinamento para o
handebol.

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Outro método e que nós utilizaremos em nosso curso - a denominada Iniciação Desportiva
Universal -, tem como objetivo o aprendizado do jogo de handebol em um trabalho que visa,
através de etapas de maior duração, em cada ano, cada etapa, ir desenvolvendo o aprendizado de
uma forma mais lenta, porém, progressiva, e onde, a dificuldade de execução dos fundamentos vai
ter uma relação direta com as faixas etárias inerentes a cada série dos ensinos fundamental e médio
e que, possibilitará aos discentes, a utilização dos outros métodos, anteriormente, descritos. Deve-
se, neste método explorar todo o potencial que a criança apresenta, fazendo-a tomar atitudes que
possam fazê-la tomar decisões (e não somente repetições de gestos técnicos), ser capaz de
compreender e apreender a modalidade esportiva, enfim, fazer a criança contextualizar o jogo de
handebol, sua importância, por exemplo, na integração e socialização dele como indivíduo.
Podemos, tomando-se os exemplos acima definir Método como um caminho, um
processo, um conjunto de procedimentos adequados para se chegar a um determinado fim.
Onde, como regra estabelece-se uma filosofia de trabalho baseada no “aprender jogando”.
Voltaremos à questão do método posteriormente.
Passaremos abaixo a um pequeno resumo histórico do handebol, ontem, hoje e suas
perspectivas futuras, de todas as formas que foi e é disputado, de forma competitiva no mundo, e,
mais especificamente, em nosso país.

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO HANDEBOL

Caso verifiquemos todas as bibliografias que historiam o aparecimento do handebol no


mundo, não chegaremos a uma conclusão definitiva. A própria I.H.F. – International Handball
Federation, com uma postura bastante política, não define, realmente, como surgiu e sim, como se
desenvolveu.
Podemos até sugerir, como faço em minha dissertação de Mestrado – Difusão e Cultura do
Handebol no Rio de Janeiro (SILVA, 1995) – atribuir a vários jogos advindos até dos períodos
grego e romano - na denominada Antiguidade Clássica - a origem do handebol. No famoso livro
de Homero, a quem o Professor Inezil Penna Marinho denomina como “o primeiro cronista
desportivo da humanidade" (1980), “Odisséia, encontram-se citações de um jogo
chamado“Urânia”onde os movimentos sugerem um constante passar e arremessar. Em Roma, um
jogo denominado de “Harpastum”, suscita dúvidas quanto a ser um antepassado do futebol, ou do

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handebol. Na Idade Média, jogos coletivos onde vencia a equipe que conseguia levar a bola mais
longe que outra, foram descritos por vários autores. Enfim, uma bola, ou um elemento esférico,
eram objetos utilizados desde muitos anos atrás. A dúvida quanto à criação do jogo, hoje,
conhecido como Handebol, derivado do inglês Handball – hand, mão e ball, bola, deve-se aos
nórdicos e aos alemães.
Aos primeiros, habitantes dos países que formam a Escandinávia – Suécia, Noruega,
Dinamarca, Finlândia, Letônia e Estônia -, principalmente e, pioneiramente à Suécia, é atribuído o
Handebol de Salão ou Handebol Indoor, Handebol Reduzido, Handebol de sete. Faz sentido um
jogo em recinto fechado, em países onde as baixas temperaturas são constantes em todo o ano. O
ano de 1898, através do Professor Hoger Nielsen é considerado como marco das regras do jogo
denominado Haandbold. Jogos amistosos, como de 1917, entre Suécia e Dinamarca são descritos,
um deles vencido pelos suecos, por 18 x 12.
Aos alemães é dada esta primazia de através de um comandante da esquadra alemã, Carl
Schelleng e um Professor de Educação Física, Max Heiser, terem criado um jogo para mulheres,
em um campo de futebol, cujo objetivo era, ao contrário, jogar com as mãos. Ou seja, criaram o
Handebol de Campo, jogado com onze jogadores, com regras que permitiam o “duplo drible”, por
exemplo. Cita-se que estes pioneiros tiveram a influência de vários jogos ao ar-livre conhecidos
pelos alemães Konrad Koch e August Hermann, quando de uma visita à Inglaterra.
O certo é que este, o handebol de campo – talvez pela localização geográfica e a força
política dos alemães – desenvolveu-se mais rapidamente, influenciando vários países vizinhos
como Áustria, Suíça, França, sendo incluído como um dos símbolos daquela pretendida
superioridade da raça ariana, nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, com a esperada vitória dos
alemães, e a participação de somente seis (seis) países. Esta mesma Alemanha viria a patrocinar,
em 1938, os Campeonatos Mundiais de Handebol de Campo e de Salão, vencendo as duas
competições com a força do regime nazista que pretendia impor ao mundo.
Este regime, causador de uma das catástrofes do século XX – a segunda guerra mundial –
através desta situação criada, permitiu o aceleramento do handebol de salão. Afinal, não era seguro
praticar esportes ao ar-livre e outros fatores, como o rigoroso inverno europeu, a utilização, mais
tarde, dos campos pelas equipes de futebol, e a própria falta de dinamismo do jogo de campo, ao
contrário do jogo de quadra, facilitaram o sucesso do handebol de salão. No ano de 1967,
disputou-se o último Campeonato Mundial de Handebol de Campo que, a exceção de um deles

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vencido pela Suécia (quando da proibição dos alemães participarem), tiveram todos vitórias
alemãs.
Hoje, praticamente, aboliu-se o handebol de campo, sendo disputadas as competições de
handebol de salão em Campeonatos Mundiais Masculinos e Femininos Adultos (de dois em dois
anos), Campeonatos Mundiais de Juniores e Juvenis também nos dois gêneros, sem uma
periodização igual aos adultos e Jogos Olímpicos, de quatro em quatro anos, coordenadas pela
I.H.F. Outras competições como Campeonatos Europeus, Sul-Americanos, Pan-Americanos, etc.,
são disputados e coordenados pelas entidades que dirigem o handebol em seus continentes.
Seguem-se abaixo, os resultados das 5(cinco) últimas competições organizadas e de
responsabilidade da Federação Internacional de Handebol, nas respectivas categorias, com os
3(três) primeiros colocados e a participação de nosso país:
CAMPEONATO MUNDIAL ADULTO MASCULINO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2017 França França Noruega Eslovenia 16°
2015 Catar França Catar Polonia 16°
2013 Espanha Espanha Dinamarca Croácia 13°
2011 Suécia França Dinamarca Espanha 21°
2009 Croácia França Croácia Polonia 21°

CAMPEONATO MUNDIAL ADULTO FEMININO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2015 Dinamarca Noruega Holanda Romenia 10º
2013 Sérvia Brasil Sérvia Dinamarca Campeão
2011 Brasil Noruega França Espanha 5º
2009 China Rússia França Noruega 14º
2007 França Rússia Noruega Alemanha 14º
Próxima competição: – Alemanha – 1 a 17 de dezembro de 2017
CAMPEONATO MUNDIAL JÚNIOR MASCULINO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2017 Argelia Espanha Dinamarca França 18º(24 equipes)
2015 Brasil França Dinamarca Alemanha 10º
2013 Bosnia e Herzegovina Suécia Espanha França 6º
2011 Grécia Alemanha Dinamarca Tunísia 11º

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2009 Tunisia Alemanha Dinamarca Eslovênia 9º

CAMPEONATO MUNDIAL JÚNIOR FEMININO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2016 Russia Dinamarca Russia Romenia 11º (24 equipes)
2014 Croácia Coréia do Sul Russia Dinamarca 15º (24)
2012 Rep. Checa Suécia França Hungria 12º(24)
2010 Coréia do Sul Noruega Rússia Montenegro 12º(24)
2008 Macedônia Alemanha Dinamarca Coréia 9º(20)

CAMPEONATO MUNDIAL JUVENIL MASCULINO(até 18 anos)

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2017 Georgia França Espanha Dinamarca 19º(24 equipes)
2015 Russia França Eslovenia Islandia 8º(24)
2013 Hungria Dinamarca Croácia Alemanha 9º(24)
2011 Argentina Dinamarca Espanha Suécia 12º(20)
2009 Tunísia Croácia Islândia Suécia 15º(20)

CAMPEONATO MUNDIAL JUVENIL FEMININO(até 18 anos)

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2016 Eslovaquia Russia Dinamarca Coreia 12º(24 equipes)
2014 Macedonia Romenia Alemanha Dinamarca 7º(24)
2012 Montenegro Dinamarca Rússia Noruega 12º(20 equipes)
2010 Rep.Dominicana Suécia Noruega Holanda 13º(19)
2008 Eslováquia Rússia Sérvia Dinamarca 10º(16)

JOGOS OLÍMPICOS: MASCULINO

Ano Cidade Campeões Vice Terceiro Brasil

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2016 Rio de Janeiro(Brasil)
Dinamarca França Alemanha 7º(12 equipes)
2012 Londres(Inglaterra) França Suécia Croácia NC
2008 Pequim(China) França Islândia Coréia 11º
2004 Atenas (Grécia) Croácia Alemanha Rússia 10º
2000 Sidney (Austrália) Rússia Suécia Espanha NC
NC – não classificado.

JOGOS OLÍMPICOS: FEMININO

Ano Cidade Campeões Vices Terceiros Brasil


2016 Rio de Janeiro(Brasil)
Russia França Noruega 5º(12 equipes)
2012 Londres(Inglaterra) Noruega Montenegro Espanha 6º
2008 Pequim(China) Noruega Rússia Espanha 9º
2004 Atenas (Grécia) Dinamarca Coréia do Sul Ucrânia 7º
2000 Sidney (Austrália) Dinamarca Hungria Noruega 8º

Fonte:www.ihf.info
Podemos verificar que os países europeus se destacam em todas as competições com as
melhores colocações e, com uma pequena aparição de um país asiático, a Coréia do Sul, campeã
do mundial junior feminino , em 2012 e, para a nossa alegria,o Brasil, campeão adulto feminino,
em 2013. Com certeza, esta realidade é fruto do desenvolvimento do handebol no continente europeu – onde surgiu
o handebol -, enraizado culturalmente em todos os países, com disputas de campeonatos de várias categorias e
divisões e de Copas entre seleções e clubes, nos mesmos moldes das competições do futebol. Segue abaixo um quadro
com os resultados dos últimos campeonatos europeus de seleções:
Ano País-sede Campeão-Masculino Vice Terceiro
2016 Polonia Alemanha Espanha Croácia
2014 Dinamarca França Dinamarca Espanha
2012 Sérvia Dinamarca Sérvia Croácia
2010 Austria França Croácia Islandia
2008 Noruega Dinamarca Croácia França
Próxima competição – 12 a 28 de janeiro de 2018 - Croacia
Ano País-sede Campeão-Feminino Vice Terceiro

2016 Suécia Noruega Holanda França

2014 Hungria/Croacia Noruega Espanha Suécia

2012 Servia Montenegro Noruega Hungria

2010 Din/Noruega Noruega Suécia Romenia

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2009 Macedônia Noruega Espanha Rússia
Próxima competição: 29 de novembro a 16 de dezembro de 2018- França
Fonte: www.eurohandball.com

O HANDEBOL NO BRASIL

A vinda de várias civilizações européias fugindo do estado de guerra que marcou o fim da
Primeira e o início da Segunda Guerra Mundial, a partir de 1920, trouxe, principalmente, um
grande número de alemães para o nosso país. E, em função do clima, possibilidade de
desenvolvimento da agricultura e outros fatores, escolheram São Paulo como local para
começarem uma nova vida. Naturalmente, trouxeram traços marcantes de sua cultura e, entre eles,
o jogo de handebol de campo.
Nas suas horas de lazer, divertiam-se com aquele jogo e num crescente, chegaram a fundar,
em 1930, a Associação Alemã de Handebol, berço da Federação Paulista de Handebol, originando-
se, no ano de 1940, esta que é a entidade, brasileira, mais antiga do handebol. Esta mudança de
nome deveu-se a obrigatória nacionalização de entidades estrangeiras, principalmente àquelas
derivadas de povos oriundos de países que formavam o chamado ”Eixo”, como Alemanha, Itália e
Japão. Politicamente e militarmente, como se sabe, o Brasil fez parte dos “Aliados”, juntamente
com os Estados Unidos da América, Inglaterra, Rússia, parte da França, e outros países.
Clubes tradicionais vencedores das competições desportivas tiveram que mudar seus
nomes. No handebol podemos destacar o Esporte Clube Germânia, muitas vezes vencedor de
Campeonatos Paulistas de Handebol, que passou a se chamar Esporte Clube Pinheiros. No
futebol, a, hoje, Sociedade Esportiva Palmeiras, denominava-se Clube Palestra Itália. Vários
outros clubes disputavam o Campeonato Paulista, como, por exemplo, o Clube do Canindé,
Bandeirantes, Ginástico Paulista, Associação Cultura Física, Esporte Clube Hungaria, e outros
(SILVA, 1995).
O Handebol de Salão apareceria no Brasil, através de um fato que marcou a Educação
Física em nosso país: a chegada do “Moderno Método Francês”, que viria substituir o Método
Francês, Regulamento Geral de Educação Física, desde 1931, instituído como obrigatório em
todos os estabelecimentos de ensino. Tratava-se do início da “desportivização”, do ensino, de uma
forma didática, dos gestos de cada esporte, nas aulas de Educação Física.

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No ano de 1951, através de um dos “Cursos de Aperfeiçoamento Técnico-Pedagógico”,
organizado pela Associação de Professores de Educação Física de São Paulo, esteve no Brasil, o
Professor Auguste Listello, um dos professores que estudaram e implementaram o novo método
que acompanhava uma tendência européia de introduzir o esporte nas aulas de Educação Física.
Demonstrou o método utilizando-se do Handebol de Salão como exemplo, que no Brasil recebeu o
nome de “Educação Física Desportiva Generalizada” (EFDG), depois “Educação Física
Desportiva” e, hoje, “Educação Física Escolar”, até, em meu ponto de vista, excessivamente
desportivizada. Em 1954, a Federação Paulista, realizava o Primeiro Torneio Aberto de Handebol
de Salão, desenvolvendo-se uma nova modalidade de Handebol em nosso país que apresenta como
marco histórico, a participação de uma seleção brasileira (formada somente por paulistas), no ano
de 1958, no III Campeonato Mundial de Handebol, desclassificada na fase inicial.
No Rio de Janeiro, foram pioneiros os alemães que desfrutavam do “Turnverein”, depois
Clube 1909 e, hoje, Clube Ginástico e Desportivo do Rio de Janeiro, conhecido durante muito
tempo como “Clube Alemão”. Radicaram-se no Rio de Janeiro e em suas atividades recreativas
disputavam jogos de handebol de campo. Formavam equipes de ginástica e de handebol para
disputar, anualmente, jogos contra o mesmo clube de São Paulo. Registram-se, também, jogos de
exibição no campo do Vasco da Gama (1936) e, por ocasião dos festejos de inauguração do
Maracanã (1949), quando duas equipes paulistas disputaram um jogo denominado pela imprensa
como um “futebol jogado com as mãos” (KUNSAGI, 1978 e FERREIRA, s/d). Nunca houve,
além destes fatos citados, campeonatos, torneios ou qualquer competição expressiva de handebol
de campo no Rio de Janeiro.
O handebol de salão chega ao Rio de Janeiro através do Professor Eurípedes Mattos
Carmo, aluno do curso do Professor Listello, no ano de 1954, em São Paulo. Comenta com seu
amigo Darcymires do Rego Barros e começam a desenvolver o jogo, de forma incipiente, nos
colégios onde trabalhavam. Tratava-se de um novo esporte que não fazia, ainda, parte do currículo
da única instituição federal de Educação Física no Brasil: a Escola Nacional de Educação Física e
Desportos da Universidade do Brasil, hoje, Escola de Educação Física e Desportos da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, embora utilizado como complemento nas aulas de
Ginástica do Professor Alfredo Colombo. Este fato, que só se daria, a partir de 1972 e, como
disciplina obrigatória, a partir de 1983, impedia que outros professores conhecessem o handebol

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de salão. Até porque, o próprio handebol de campo, também, nunca fez parte do currículo e como
tradição desportiva no Rio de Janeiro.
Eurípedes e Darcymires começaram a divulgar o esporte através de cursos que ministravam
para o Departamento de Educação Física do Ministério da Educação e Cultura(DEF/MEC), mas,
mesmo assim, não de forma competitiva e, sim como jogo complementar nas aulas de Educação
Física. Mais tarde, no ano de 1966, quando da inclusão do esporte no Torneio Intercolegial do
Estado da Guanabara, caracterizava-se a primeira difusão entre os estudantes de colégios,
principalmente, os públicos, tais como os Colégios Estaduais Ferreira Viana, Clóvis Monteiro,
Visconde de Cayru, Pedro Álvares Cabral e outros, graças a cursos que, às vezes gratuitamente,
Eurípedes e Darcymires organizavam como forma de difundir o handebol de salão. Começava, a
partir daí, uma característica que perdura, no Rio de Janeiro, até hoje: um esporte quase que
exclusivamente escolar.
A fundação da Federação Guanabarina de Handebol, em 1966, aproveitou o bom momento
de difusão no meio estudantil, fazendo com que os alunos destes colégios, fossem vinculados a
clubes que começaram a participar de Campeonatos, nas mais diversas categorias. Clubes como a
Associação Atlética Vila Isabel, Centro Cívico Leopoldinense, Associação Atlética Tijuca, só para
citar alguns, encampavam equipes de colégios e seus respectivos professores.
Porém, marcante para o handebol, em todo o Brasil, foi à criação dos Jogos Escolares
Brasileiros (JEB’s) pelo Departamento de Educação Física e Desportos do MEC (DED/MEC), no
ano de 1969, realizados na cidade de Niterói. A inclusão do handebol deu-se, no ano de 1971, com
poucos participantes. A difusão deu-se de tal maneira que, dois anos após, todos os estados e
territórios da federação, participavam, tanto no masculino, quanto no feminino.
A fundação da Confederação Brasileira de Handebol(1979), tirando o esporte do controle
da Confederação Brasileira de Desportos(CBD), alavancou o handebol, possibilitando um
desenvolvimento que teve origem nesta última instituição. Através de um Conselho Técnico, onde
Eurípedes e Darcymires, juntamente com professores paulistas, como Jamil André, Lima Rosa e
outros, já mantinham intercâmbios internacionais com outros países, como Alemanha e Romênia,
as maiores expressões do handebol mundial, naquela década de 1970. Os atletas e técnicos eram
selecionados, principalmente, pela participação nos JEB’s, onde se difundiam cursos para técnicos
e árbitros, ministrados por professores estrangeiros.

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HANDEBOL DE AREIA ( BEACH HANDBALL)

O denominado, internacionalmente, “Beach Handball”, é um esporte regulamentado, não


faz muito tempo, pela IHF que supervisionou a primeira competição nos denominados “Jogos
Mundiais”, na cidade de Akita, Japão, no ano de 2001. No masculino sagrou-se campeão a
Bielorússia, com a Espanha, em segundo e o Brasil, como terceiro colocado. No feminino, vitória
da Ucrânia, seguida da Alemanha e, também, nosso país, como terceiro lugar. Como esporte de
exibição, o Handebol de Praia participa desde a primeira edição dos “Jogos de Verão” que são
realizados no Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Brasileiro(COB). Como se desenvolve o
Handebol de Areia e quais são as suas sutilezas?
É jogado em um campo bem menor(27x12m), oito jogadores, no máximo, em cada equipe
com um goleiro e três jogadores de campo, ao mesmo tempo por equipe, na área de jogo, que
mede 15x12m ( os outros 12 metros de comprimento são distribuídos com 6 metros para cada área
de gol). O jogo tem uma exigência de um maior preparo físico, especialmente pelo terreno, e, uma
dinâmica diferenciada do jogo de quadra. Por exemplo, caso o goleiro marque um gol, dois pontos
são considerados , assim como os chamados “gols espetaculares” – “ponte-aérea” , “giros” e
outros detalhes interessantes, como a possibilidade de equipes masculinas, femininas, e mistas,
música durante o jogo, etc.. Existe uma área de substituições de 1 metro de largura, em todo o
comprimento, com cada equipe realizando suas substituições em cada lateral da quadra
Trata-se da busca de um jogo com alguns atrativos – música, ao ar-livre, gols espetaculares,
sem empates ao final das partidas – de modo a cativar a presença de espectadores e, também atrair
a mídia, principalmente a televisão. São jogados, no mínimo, dois tempos de 10(dez) minutos.
Uma das equipes, vence o primeiro tempo de jogo, marcando, não importa o placar:1 x 0. A outra
equipe vence o segundo tempo, empatando em 1x1. Então, teremos uma situação, denominada
“shoot out", um confronto entre cinco jogadores, alternadamente, contra o goleiro para termos o
vencedor do jogo. Logicamente, se uma equipe vencer os dois tempos, a partida termina em 2 x 0
e se em cada tempo terminar empatada, têm-se um “gol de ouro”. Importante destacar que, citando
como exemplo o voleibol em duplas, levar o jogo para as praias é uma forma de popularizá-lo,
também em nível internacional, possibilitando circuitos mundiais, onde se poderiam montar
quadras mesmo em locais onde não existam praias naturais, criando-se praias artificiais. Destacar,
também que no Brasil já se faz essa experiência em várias cidades litorâneas, desde os anos 80,

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especialmente, no Rio de Janeiro (onde temos escolinhas de handebol de areia na praia de
Copacabana) e nas cidades nordestinas, porém, com o handebol de sete jogadores.
Segue abaixo o quadro com as principais competições internacionais do esporte, realizadas
até hoje, onde nosso país aparece com bastante destaque:

CAMPEONATO MUNDIAL ADULTO MASCULINO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2016 Hungria Croacia Brasil Catar Vice(12 equipes)
2014 Brasil Brasil Croácia Catar Campeão(12)
2012 Oman Brasil Ucrania Croácia Campeão(12)
2010 Turquia Brasil Hungria Turquia Campeão(12)
2008 Espanha Croácia Brasil Sérvia Vice(12)

CAMPEONATO MUNDIAL ADULTO FEMININO

Ano País Organizador Campeão Vice Terceiro Brasil


2016 Hungria Noruega Hungria Espanha 4º(12 equipes)
2014 Brasil Brasil Hungria Noruega Campeão(12)
2012 Oman Brasil Dinamarca Noruega Campeão(12)
2010 Turquia Noruega Dinamarca Brasil 3º(12)
2008 Espanha Croácia Espanha Brasil 3°(12)

Jogos Mundiais- Conhecidos, internacionalmente, como World Games, esta competição,


organizada pela International World Games Association(IWGA)-Associação Internacional dos
Jogos Mundiais e os Comitês Organizadores de cada competição que são realizadas de 4 em 4
anos, no após a realização dos Jogos Olímpicos de Verão, é reconhecida pelo Comitê Olímpico
Internacional(COI).
Trata-se de uma competição onde são disputados esportes não contemplados no programa
olímpico, tais como Rugby, Softball, Squash, Ginástica Acrobática e Aeróbica, Jiu-Jitsu e Karatê,
para citar alguns, entre mais de 30 modalidades.
Realizados desde 1985, teve sua primeira competição na cidade de Santa Clara-Estados Unidos
com 1265 participantes, e vem sendo regularmente disputada desde então, atingindo nesta última,

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na cidade de Kaohsiung-Taipei-China, a marca de 4800 participantes.Além dos esportes já
tradicionais, competição após competição, são convidados esportes, entre eles se inclui, desde
2001, somente na categoria adulto, tanto no masculino quanto no feminino, o Handebol de Areia,
com uma bela participação de nosso país. Os próximos jogos serão realizados na cidade de Cáli-
Colombia, no ano de 2013. Segue abaixo um quadro com a participação de nossas seleções, desde
a primeira competição, sendo desde este ano de 2009, organizada a competição pela International
Handball Federation(IHF)-Federação Internacional de Handebol.

WORLD GAMES:MASCULINO
Ano País Campeão Vice Terceiro Brasil
2017 Polonia Brasil Croácia Catar Campeão
2013 Colombia Brasil Russia Croácia Campeão
2009 Taipei Brasil Hungria Croácia Campeão
2005 Alemanha Rússia Espanha Croácia Quinto
2001 Japão Bielorússia Espanha Brasil Terceiro

WORLD GAMES:FEMININO
Ano País Campeão Vice Terceiro Brasil
2017 Polonia Brasil Argentina Espanha Campeão
2013 Colombia Brasil Hungria Noruega Campeão
2009 Taipei Itália Croácia Brasil Terceiro
2005 Alemanha Brasil Hungria Turquia Campeão
2001 Japão Ucrânia Alemanha Brasil Terceiro

Fonte:www.worldgames-iwga.org

HANDEBOL HOJE

É o handebol um dos esportes mais praticados em todo o mundo, tendo, como no Brasil,
uma grande participação no meio estudantil. Alguns países, dentro de seu plano
educacional/desportivo, valorizam, já a partir da escola, seu desenvolvimento voltado para a

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competição, proporcionando aos clubes um grande número de jogadores que comporão suas
equipes.
Na Espanha, por exemplo – país de um handebol, bastante, avançado e, sempre, bem
colocado nas mais diversas competições – até os 11(onze) anos de idade, as crianças na escola
praticam diversas atividades de forma mais recreativa do que formativa. Mini-voleibol,
basquetebol e handebol fazem parte destas atividades, permitindo aos professores verificarem os
mais habilidosos em cada modalidade e, após esta primeira etapa, dirigir-se para uma
especialização planejada e com metodologia bem definida. Atualmente, temos treinadores
espanhóis dirigindo nossas seleções masculinas e femininas adultas e coordenando as outras
categorias dirigidas por treinadores brasileiros.
Carece (e torna-se um entrave), ainda, o handebol em todo o mundo de uma maior
divulgação por parte da mídia especializada. Esta não divulgação (que ocorre, ao contrário,
maciçamente em alguns países como Alemanha e França, por exemplo) é explicada pela Federação
Internacional, como fruto do domínio que era exercido nas competições pelos países do antigo
bloco comunista e que, de certa forma não incentivava às redes de televisão – majoritariamente do
mundo capitalista – a mostrar as vitórias de um sistema econômico utilizado em países que se
contrapunham aos interesses daqueles. Com a desintegração da União Soviética, a queda do Muro
de Berlim, a Guerra da Iugoslávia e outros eventos políticos, estão sendo realizados esforços para
tornar forte o handebol em países como os Estados Unidos da América, Japão, Austrália e
Inglaterra - potências econômicas - que, hoje, se não são incipientes no handebol, inexistem.
Como mostram os resultados das competições mostrados, anteriormente, existem países
que surgiram no novo desenho do mapa mundial como a Rússia, Croácia, Bielorússia, Ucrânia
ocupando posições de destaque, assim como aqueles países que mantém uma tradição de alto nível
no esporte como a Suécia, Alemanha, França, Espanha, Romênia(de grande tradição) no masculino
e Noruega, Dinamarca, Hungria e Coréia do Sul, no feminino.
Os acontecimentos políticos que projetaram uma nova situação mundial trouxeram para o
primeiro time do handebol mundial países africanos e do Oriente Médio, tais como Egito, Argélia,
Tunísia, Kuwait, Catar, que contrataram profissionais daqueles países que procuraram refúgio dos
problemas que acarretaram estes fatos e trabalho bem remunerado nestes locais.
Verificamos, através destes dados, que temos o handebol praticado fortemente na Europa
– sob o comando da Federação Européia de Handebol -, bastante ativo, agora, na África – em

15
países mais próximos da Europa -, pouco praticado na Ásia e nas Américas e, incipiente, na
Austrália, sempre jogado da mesma forma e com as mesmas regras da F.I.H., com adaptações que
são permitidas em cada país, como no Brasil em relação ao tamanho da quadra, etc. Competições
fortíssimas de clubes na Europa, a Copa da África, Campeonatos Panamericanos são disputas
continentais de maior importância, organizadas por Federações dos continentes, como por
exemplo, a Federação Panamericana de Handebol, que teve em sua direção o Presidente da
Confederação Brasileira, Professor Manoel Luis Alves.
A realidade do esporte no Brasil, hoje, é o espelho de investimentos e, esportes de destaque
– como vôlei, natação, sem falar no futebol – e que nos menos conhecidos rareiam No handebol,
as perspectivas apresentadas, são as melhores possíveis, visando o ciclo olímpico que se inicia,
neste ano, visando os Jogos Olimpicos de 2016, que serão realizados na cidade do Rio de Janeiro,
destacando-se a equipe feminina, que obteve excelentes colocações nas ultimas competições
mundiais – 5º(quinto) no Campeonato Mundial de 2011, e 6º(sexto) nos Jogos Olimpicos de 2012,
em Londres. Espera-se que a equipe principal masculina, possa chegar a um nível, pelo menos,
parecido com a feminina.
A atual política do órgão dirigente do handebol brasileiro – Confederação Brasileira de
Handebol(CBHb) - a fim de obter melhores resultados em nível internacional - é a de contratar
treinadores estrangeiros – atualmente um espanhol na equipe adulta masculina e um dinamarquês
para a adulta feminina para dirigir as equipes nacionais com o restante das comissões técnicas
destas e de outras categorias formadas por professores e treinadores brasileiros, supervisionadas
pelos treinadores estrangeiros.
Em nível nacional, a competição de destaque, a Liga Nacional. tem um número de equipes
participantes, neste ano de 2012, um total de 7(sete), tanto no masculino quanto no feminino,
muito pequeno, apesar de localizadamente, em alguns estados, como São Paulo, existir uma
grande participação em número de atletas e dirigentes.Recentemente, o Esporte Clube Pinheiros,
de São Paulo, capital, sagrou-se campeão no masculino(Metodista de São Bernardo do Campo,
São Paulo, como vice, e estará sendo disputada a final feminina, entre as equipes da UNC, de
Concordia, Santa Catarina, contra Metodista São Bernardo, de São Paulo.
O handebol em nível escolar continua tendo um grande desenvolvimento, sendo aquele que
mais se pratica em escolas dos ensinos fundamental e médio, em todo o Brasil, consagrando uma
grande participação nos Jogos da Juventude(antigos Jogos Escolares Brasileiros).

16
No Rio de Janeiro, esta afirmativa pode ser ratificada pela participação de vários colégios
no Torneio Intercolegial realizado por um grande jornal de nosso estado e que têm no handebol o
maior número de participantes, tanto no masculino quanto no feminino. Em competições nacionais
de nível escolar – como os Jogos da Juventude – é o esporte em que todos os estados do Brasil
comparecem com equipes de ambos os sexos. Depois desta faixa etária, as competições entre
universitários rareiam cada vez mais, sendo a principal em nível nacional, os Jogos Universitários
Brasileiros(JUB’s), cada vez menos prestigiada. No Rio de Janeiro, as competições universitárias
tem no máximo, 5(cinco) equipes participantes.
A CBHb vem realizando, desde 2002, encontros entre professores de handebol de
instituições de ensino superior no Brasil, visando adotar, uma forma de se ensinar, senão única, -
seguindo o vitorioso modelo espanhol - porém com poucas variações, para que os futuros
profissionais de educação física possam trabalhar dentro de um modelo que leve àqueles que se
destacarem nas aulas – e queiram praticar o handebol – a já ter, desde a escola, uma forma de
realizar, por exemplo, os fundamentos do jogo, facilitando trabalhos futuros em nível de seleções.
Unificação de critérios como simbologias, terminologias, etc., além da formação de uma Escola
Nacional de Treinadores - instituição existente na Espanha desde o ano de 1958 -, e outros
posicionamentos serão fundamentais para chegarmos ao nível dos países mais adiantados do
mundo, pelo menos, no handebol.
Por este motivo, também, - e é um pensamento antigo deste autor – que se torna necessário
desenvolver um método, um caminho para se chegar a um determinado fim, apresentado nesta
apostila, como a Metodologia, em minha opinião, mais apropriada para sua aprendizagem.

METODOLOGIA DO ENSINO DOS FUNDAMENTOS

Convencionamos Método como um processo que se desenvolve para se chegar a um


determinado fim, um determinado objetivo. E que objetivo queremos alcançar nas aulas de
Educação Física Escolar? Tornar nossos alunos atletas de handebol e de outros esportes,
dependendo da estrutura física dos colégios? Ou será que o handebol, voleibol, basquetebol, etc.,
deverão funcionar como veículos para que o processo educacional se desenvolva?

17
É claro que a segunda opção é a mais correta, até por que a Educação Física não pode ser
mais interpretada como atividade extraclasse ou outra denominação que não aquela determinada
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: estar “integrada à proposta pedagógica da
escola e “SER COMPONENTE CURRICULAR da Educação Básica” (LDB, p.12) ( Ensinos
Fundamental e Médio), ou seja, de zero até os 18 anos de idade.
Convenciona-se, também, que se pode dar na escola, os primeiros passos para todas as
áreas do conhecimento, gerando interesse para, em um futuro, tornar-se médico, engenheiro ou
qualquer outra profissão liberal. E a Educação Física, através da chamada iniciação desportiva –
já preconizada na antiga EFDG - poderá gerar futuros integrantes de equipes, como atletas,
treinadores, e outras derivações que o handebol apresenta em seu complexo. Em princípio, a
preocupação deverá ser que os jogos desportivos sirvam como uma informação que ajudará no
conhecimento deste aluno, principalmente, na utilização destes como conteúdos da cultura
corporal, um conteúdo inerente da Educação Física Escolar.
As atividades sugeridas nesta apostila são mais pertinentes ao desenvolvimento da
aprendizagem do handebol, basicamente, no ensino fundamental, ou no esporte comunitário, na
faixa etária até os 15,16 anos. Para o ensino médio – 16 a 18 anos -, com características de
especialização desportiva, outros fundamentos de maior grau de complexidade, mais refinados,
podem ser ministrados, porém, com a base adquirida no ensino anterior.

ELEMENTOS DIDÁTICOS –PEDAGÓGICOS

São os procedimentos utilizados para o sucesso da aprendizagem do handebol, meios para a


consecução dos objetivos propostos. Devemos levar em conta o objetivo da Didática - que é a
parte da pedagogia (palavra que vem do grego “ paidagogos” - escravos que levavam, guiavam,
conduziam as crianças para a escola ) que se preocupa COMO deve ser o handebol ensinado. Em
função disto, devemos montar estratégias que passam por Planejar, Orientar e Controlar as
atividades, que possam atender aos princípios básicos da educação que podem ser sintetizados nos
3(três) verbos: CONDUZIR→ EDUCAR→ TRANSFORMAR
Procuraremos, com a expressão dos três verbos citados acima, além de, também, do
planejar, orientar e controlar, estabelecer situações dentro do contexto da educação infantil( 0 a 5
anos de idade), da educação fundamental ( dois ciclos dos 06 aos 14 anos) e educação média ( 15

18
aos 18 anos), com suas especificidades. Inicialmente caracterizaremos as atividades inerentes a
estes segmentos.
Conduzir o aluno através de atividades, vivências grupais, gestos, movimentos corporais,
que possam levá-lo a educar comportamentos como por exemplo, a importância da coletividade
do jogo de handebol e, possam, objetivo precípuo da educação, transformar no dia-a-dia,
comportamentos que moldarão os futuros cidadãos.

FASES DA APRENDIZAGEM

Fundamentalmente, deveremos estabelecer diferenças significativas no aprendizado do


handebol (ou de outros esportes) baseados nas faixas etárias onde este aprendizado vai se
desenvolver. Poderemos encontrar negações para determinadas teorias que estabelecem
“capacidades” para o ser humano inerentes ao seu desenvolvimento físico-mental. Até porque,
sabemos, hoje, que pela quantidade de informações que são processadas por esta verdadeira
máquina que é o corpo humano, podemos encontrar esta realidade, que passa também pelas
diferenças sociais onde o trabalho será desenvolvido. Na aprendizagem do handebol é fundamental
que a criança “jogue” de acordo com a sua faixa etária e, não, desde pequeno, como adulto, o que
nos leva a considerar determinadas situações, como por exemplo, uma determinada permissividade
aos erros apresentados para algumas regras, tais como, “dois dribles” e outras. A frase pode ser
repetitiva mas, principalmente nas atividades físico-esportivas devem merecer destaque: Uma
criança não é um adulto em miniatura!Fazendo a leitura correta: estas atividades devem
merecer uma adequação para cada faixa etária, com base nas capacidades destes grupamentos.
Com a base da educação infantil, onde as atividades “físicas”, espontâneas, passam por
processos implícitos nas atividades naturais, tais como andar, correr, saltar, quadrupedar, lançar,
etc., podemos no primeiro segmento do ensino fundamental (da Classe de Alfabetização até a 4ª
série-6 aos 10 anos) incrementar uma “sensibilização de movimentos” através, principalmente, de
atividades onde as “capacidades físicas”, as valências físicas – por exemplo, velocidade, agilidade,
coordenação motora, equilíbrio, etc. – sejam desenvolvidas e sirvam como “movimentos básicos”
para etapas posteriores.
Estas atividades terão como base o que se denomina de “Escola da Bola”, onde todas
aquelas brincadeiras que eram comuns na infância daquelas crianças que tiveram a possibilidade

19
de ter a rua como uma “creche” e puderam, de forma natural, espontânea, “criar” suas
brincadeiras, seus jogos, adaptações de esportes, com regulamentos específicos. Quem, quando
criança, na rua ou mesmo na escola, não jogou “queimado” ou um arremedo de “beisebol” no
jogo conhecido como “taco”? Verificaremos, posteriormente, que estas atividades poderão estar
incluídas na fase denominada de “adaptabilidade à bola”.
No segundo segmento (segundo e terceiro ciclos), de 5ª à 9ª série-11 a 15 anos, estaríamos
prontos para passar de movimentos generalizados (correr em várias direções, driblar, etc.) para
movimentos específicos do jogo de handebol. Trata-se da fase do desenvolvimento das “
capacidades de habilidades”, onde os fundamentos do jogo – de acordo com o grau de dificuldade
de execução para cada série - devem ser ensinados, formando um “ engrossamento” da estrutura
formada no primeiro segmento( principalmente nas séries iniciais ( 5ª e 6ª ), passando
progressivamente para o ensino dos meios táticos defensivos e ofensivos.
Passando para o aprendizado do handebol no ensino médio – dos 16 aos 18 anos –
estaríamos no que denominaremos de “aprendizagem especializada”, com características próprias,
como por exemplo, alunos se especializando em posições definidas ( no mínimo duas no ataque e
na defesa), em função de toda a base que adquiriu nos ensinos anteriores. Em nossa metodologia
do handebol escolar, no currículo de nossa Escola, desenvolvemos estas atividades na disciplina
Handebol III, onde a técnica, a tática, o detalhamento das regras do handebol e o treinamento em
nível de alunos da educação básica – educação infantil + educação fundamental + educação média
-, serão parte integrante do conteúdo programático.

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SIMBOLOGIA APLICADA AO HANDEBOL – CBHb

- BOLA

- DEFENSOR

- ATACANTE

ou - DEFENSOR OU ATACANTE COM A BOLA NAS MÃOS

- TRAJETÓRIA DO JOGADOR

- TRAJETÓRIA DA BOLA (RETA)

- TRAJETÓRIA DA BOLA (PICADA)

- TRAJETÓRIA DA BOLA (PARABÓLICA)

- ARREMESSO

- 3 PASSOS E ARREMESSO

- DRIBLES

- FINTA

- GIRO

- BLOQUEIO

- CRUZAMENTO

- QUADRA DEFENSIVA - QUADRA OFENSIVA


21
ESTRATÉGIA 1 - PLANEJAR

Fazemos que os alunos conheçam os fundamentos mais simples do jogo – no handebol os


passes, arremessos, dribles, defesa e ataque – utilizando-se de exercícios educativos, exercícios de
treinamento, e outras estratégias que serão mais detalhadas adiante. E como devemos desenvolver
estas estratégias? De uma forma pré-estabelecida, com critérios que aprendemos nos livros e
estabelecemos como modelos que deram certo em outros locais do Brasil, em outros países, que
escutamos falar? Sim e Não.
Devemos conhecer o grupo com que vamos trabalhar, para através de uma realidade
constatada podermos almejar sucesso naquilo que nos propomos: que ao final do curso, nossos
objetivos tenham sido alcançados. Aí sim,conhecendo o grupo, poderemos escolher um modelo de
desenvolvimento do processo que passa, principalmente, por princípios básicos: Planejamento,
Orientação e Controle(POC)de todas as atividades. Estas atividades, aquelas estratégias citadas,
anteriormente, também, obedecem a outros princípios básicos:

1)Todas devem desenvolver-se pelo princípio da “Progressão Pedagógica”: as atividades serão


desenvolvidas das mais simples para as mais complexas, das mais fáceis para as mais difíceis,
progressivamente, respeitando-se o ritmo de todo o grupo, coletivamente;

2)Preferencialmente, dentro da filosofia de que “um jogo se aprende jogando”, também,


progressivamente, os jogos – como uma forma de expressão cultural em cada “locus”– serão
utilizados em todas as suas formas: pequenos jogos, pequenos jogos desportivos, grandes jogos e o
grande jogo, propriamente dito, o handebol de competição.

Como primeira estratégia, a fim de planejar de uma forma correta e, até podendo queimar
etapas nas atividades, podemos sugerir a execução de um Pré-Teste, onde poderemos conhecer o
grau de habilidade de nossos alunos – em alguns já inata ou, possivelmente adquirida, dependendo
da faixa etária – a fim de trabalharmos em uma realidade constatada. Seguem-se exemplos de um
modelo de pré-teste, adaptado de um que este autor tomou conhecimento através do Professor

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argentino Alfredo Omar Miri, quando o auxiliou em um curso de iniciação ao Handebol, no ano de
1975. São utilizados os fundamentos arremesso, passe, drible – por inclusão deste autor - e defesa,
de forma simplificada, com medidas padronizadas por Miri e, que devem ser adaptadas para cada
faixa etária onde o pré-teste for aplicado:

1) Arremessos – a uma distância de 3(três) metros de uma parede, em qualquer posição corporal,
arremessar durante 30(trinta) segundos e contar quantos arremessos são executados, quando a bola
voltar às mãos do arremessador;

P
A
R
E
D
E

3 metros

2) Passes – dois alunos a uma distância de 11(onze) metros, trocarão 20(vinte) passes, (10(dez)
para cada um) em qualquer posição corporal e será marcado o tempo gasto para a conclusão. As
moças devem colocar-se numa distância de 9(nove) metros;

11 metros 9 metros

3) Dribles - colocando em uma distância de 20(vinte) metros, 10(dez) cones ou obstáculos em


linha reta, os alunos(as) deverão, em qualquer posição corporal, contorná-los em ida e volta, no
menor tempo possível. Pode-se fazer, sem obstáculos, ou cones, em linha reta, ida e volta ou
somente ida com ou sem obstáculos;

X X X X X X X X X X ou

23
20 Metros 20 Metros

Ida e Volta ou só Ida Ida e Volta ou só Ida


4) Defesa - traçando na frente da área de gol um suposto triângulo com 3(três) metros sendo
percorridos de frente, do centro da linha da área de gol (ponto A) até a linha dos 9(nove)
metros(ponto B), 5(cinco) metros, aproximadamente, percorridos de costas, ou, lateralmente, até o
ponto C – a 4(quatro) metros, (aproximadamente) do ponto A, no lado direito ou esquerdo, e,
lateralmente, percorrer estes aproximados 5 metros do ponto C para o ponto A. Marca-se, durante
60(sessenta) segundos, quantas vezes o trajeto ABCA é percorrido em posição básica de defesa e
em velocidade.

Para a esquerda ou B
para a direita. 5 Metros
3 Metros
C
A
4 Metros

OBS 1: As medidas utilizados nos testes de arremessos, passes e defesa são os originais do
Professor Miri que os utilizava como teste para admissão de alunos que queriam fazer o curso de
técnico de handebol no Instituto Nacional de Educação Física de Buenos Aires, Argentina. Os
valores aferidos e suas respectivas notas encontram-se no final desta apostila.
OBS 2: Naturalmente, estas medidas não devem ser utilizadas em pré-testes realizados para
crianças de uma faixa etária de 10(dez) anos de idade, quinta série do ensino fundamental. Porém,
em alguns casos, encontraremos alunos com um desenvolvimento corporal avançado, até mesmo
nesta faixa etária, que nos permitirá utilizar medidas aproximadas.
OBS 3: O teste de defesa, pela exigência de valências físicas especiais, pode ser suprimido.
Quais as respostas que encontraremos ao analisar os resultados obtidos? Podemos utilizar
várias técnicas de mensuração, que são exploradas na disciplina Medidas e Avaliação em
Educação Física ou Avaliação em Educação Física Escolar. Porém, sugiro utilizar, simplesmente a

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média aritmética e enquadrar os alunos em grupos de acima, na média e abaixo da média.
Simplesmente, tomando-se por base o teste de arremessos, some todos os arremessos obtidos
divida pelo número de alunos que realizaram o teste e encontrando uma média.
Guarde estes resultados para que possa, caso queira, retestar os alunos, a fim de verificar
progressos ou não no desenvolvimento do processo e pós-testar para verificar se houve uma
evolução ou uma involução por parte dos alunos. Os resultados obtidos no reteste e no pós-teste
servirão, também, como uma auto-avaliação das estratégias, da metodologia propriamente dita,
utilizada pelo professor.
Estes resultados balizarão o planejamento do curso que você desenvolverá. Foram
verificados vários aspectos, como aqueles que mais apresentam dificuldades de posição corporal
para executar os fundamentos, como, por exemplo, nos testes de arremessos e de passes, sendo
destro(a), colocar a perna direita à frente e ficar em desequilíbrio. Assim como aqueles que se
posicionaram corretamente e de forma autônoma e que, com certeza, alcançaram os melhores
resultados.
São detalhes que, na execução dos testes poderão merecer anotações separadas para futuros
ajustes ou aproveitamento destas virtudes, sempre em benefício do grupo. Apesar de parecer
óbvio, é importante frisar que, aqueles que têm maior dificuldade, merecem tanta atenção quanto
àqueles que não as tem. Outro fato que pode trazer benefício é o desenvolvimento para o grupo de
uma iniciação ao basquetebol anterior, com ganhos no aprendizado – com detalhes diferenciados –
de fundamentos como os dribles e os passes, muito comuns na divisão em planejamentos anuais
divididos em bimestres na educação física escolar.
Enfim, de posse de todos estes detalhes devemos realizar um planejamento exequível
dentro da proposta da instituição em que vamos trabalhar, onde fatores (variáveis estruturais) -
como o espaço físico (quadra, ginásio coberto), material disponível, número de aulas semanais,
tempos previstos para cada aula, número de alunos por turma, juntamente com os dados recebidos
por ocasião do pré-teste, serão fundamentais para que os objetivos sejam alcançados. E como um
destes objetivos, o principal, que denominamos Geral, deverá ser formulado? Como todos os
objetivos, inerentes a cada situação - ao final da aula, ao final de cada unidade bimestral, cada
fundamento - o objetivo geral deverá ser formulado definindo que, ao final do curso os alunos
deverão conhecer os elementos fundamentais que embasam e os permitam - guardadas as devidas
proporções -, praticar o handebol inerente a cada faixa etária..

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Fundamentalmente, devemos observar em nosso planejamento, além das variáveis
estruturais, as variáveis decorrentes das capacidades humanas, que podem ser divididas em
BIOLÓGICAS, FÍSICO-MENTAIS E SÓCIO CULTURAIS.
Em todas estas capacidades devemos atentar para as diferenças existentes para as diversas
faixas etárias e seu desenvolvimento nestes 3(três) níveis. Seguem-se abaixo exemplos destes:
1)Biológicas – atentar para o desenvolvimento morfofisiológico dos indivíduos, quanto às
formas e, principalmente, ao funcionamento de seu organismo na fisiologia do exercício.
Exemplo: evitar situações de atividades de longa duração em faixas etárias menores, como as do
ensino infantil(0 a 5 anos de idade);
2)Físico-mentais – relevar o desenvolvimento do aparelho locomotor e os aspectos da
cognição. Exemplo: evitar, nas faixas etárias menores atividades de força muscular e exercícios
que exijam um alto grau de discernimento;
3)Sócio-culturais – adaptar as atividades às realidades encontradas em cada comunidade,
respeitando situações que envolvam dificuldades de realização de determinadas atividades por
impedimentos relativos ao nível de pobreza, por exemplo. Importante, destacar também, os níveis
de socialização, que aumentam, na medida em que as faixas etárias aumentam, e desenvolvendo
uma maior sociabilidade, fator este em que as aulas de Educação Física se destacam, por uma série
de fatores, principalmente na participação nos jogos, esportes, enfim, participações em atividades
coletivas.
Nunca é demais lembrar a necessidade de o planejamento ser adequado às faixas etárias,
respeitando-se estas capacidades inerentes, desenvolvendo as atividades em progressão
pedagógica.

ESTRATÉGIA 2 – ORIENTAR/CONTROLAR

Todas as atividades, como verificamos anteriormente, deverão passar por degraus, por
passos - que serão as aulas - onde em cada objetivo perseguido, ao final de cada aula –
denominado objetivo imediato- serão partes (utilizando de uma figuração) do preenchimento de
um grande quebra-cabeças, que será o coroamento do curso: quando os alunos poderão, volto a
repetir, guardadas as respectivas dificuldades inerentes a cada faixa etária, conhecer e praticar o
jogo de handebol competitivo.

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Modernamente, uma aula de Educação Física Escolar (EFE), divide-se em 3(três) partes:
Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Estas partes devem ser encadeadas, entrelaçadas, com
uma correspondência entre elas e obedecendo àquele objetivo imediato que deve ser alcançado na
parte conclusiva. Porém, a antiga aula de Educação Física Desportiva Generalizada (EFDG) que se
dividia em 4(quatro) partes, ainda hoje, pode ser encaixada nestas 3(três) partes da EFE. São elas
Motivação, Formação Corporal, Aplicação da Habilidade e Volta à Calma. O mesmo padrão de
divisão de atividades se aplica ao trabalho no esporte comunitário, com as diferenças já citadas
anteriormente.
Em uma aula de 45(quarenta e cinco) minutos, teremos na parte Introdutória, teoricamente
e aproximadamente (em todas as partes), 10(dez) minutos, no Desenvolvimento, 25(vinte e cinco)
minutos e na Conclusão, mais 10(dez) minutos. Na Introdução, cabem as antigas Motivação e
Formação Corporal e que tratam de aspectos importantes em uma aula de EFE.
Na Motivação, normalmente, utilizam-se jogos recreativos, a fim de estabelecer uma
situação psicofisiológica necessária para o restante das aulas. Trata-se de criar um estado de
espírito, que desperte nos alunos uma sensação de prazer e alegria criando uma expectativa
interessante para as partes restantes. Também, dependendo da temperatura ambiente, é necessário,
trabalhar, dentro deste mesmo tempo de introdução, as partes do corpo que serão mais exigidas
naquele tema. Por exemplo, em uma aula de arremesso em suspensão, onde os saltos serão
constantes, torna-se importante fazer um trabalho de alongamento de pernas e, assim,
sucessivamente.
No Desenvolvimento, a antiga “Aplicação da Habilidade” estará presente, como o próprio
nome diz, no desenvolvimento do tema e a perseguição do objetivo a ser alcançado. Ou seja, os
meios que farão atingir este objetivo. São utilizados, exercícios educativos, exercícios de
treinamento, jogos em geral, dentro do princípio da progressão pedagógica. Se estiver estabelecido
no objetivo que ao final da aula os alunos deverão ser capazes de arremessar ao gol de uma
distância de 9(nove) metros, procurando acertar, pelo menos, 50% de 10(dez) arremessos, nos
ângulos superiores e inferiores, serão programados exercícios que através de situações individuais
e coletivas darão condições para a parte seguinte.
Na Conclusão, serão criadas situações outras, preferencialmente, de jogo, onde será
verificado se o objetivo foi alcançado ou não. Pequenos jogos, Pequenos Jogos Desportivos,
Grandes Jogos, Exercícios de Treinamento e o próprio Grande Jogo Desportivo, são algumas das

27
estratégias utilizadas para esta verificação. Torna-se necessário, que neste mesmo tempo seja
destinado um espaço para a denominada Volta à Calma.
Trata-se de fazer com que o batimento cardíaco diminua e possibilite encaminhar os alunos
para uma outra aula, outra atividade, precedida da higiene necessária. Jogos calmantes, sem
nenhum esforço físico, ou mesmo em uma faixa etária mais elevada, conversar, esclarecer dúvidas
quanto às atividades realizadas, são estratégias consideradas válidas e que encerram uma aula de
Educação Física Escolar.

O JOGO COMO ESTRATÉGIA FUNDAMENTAL

Partimos de uma filosofia, de um rumo, como diretriz, de uma Orientação, dentro


de nossa metodologia, que tem como norteador a utilização do jogo, como estratégia
fundamental em nosso processo. Johan Huizinga, filósofo alemão em seu livro “Homo
Ludens” (1971), afirma que o jogo é uma forma de expressão das mais importantes em toda
e qualquer cultura, aqui entendida como um conjunto de características de uma sociedade,
de uma civilização.
Na Grécia Antiga, os Jogos eram realizados com um caráter religioso
primordialmente. Homenageavam-se deuses como Zeus, o Deus do Olimpo naqueles que
ficaram conhecidos como Jogos Olímpicos ou então a grandes guerreiros mortos em
combate como Pátroclo, cujos Jogos Fúnebres homenageavam, por iniciativa de Aquiles.
Porém, é interessante citar e que fazia parte daquela cultura é que estas competições
que confrontavam as cidades gregas eram realizadas em épocas determinadas o que fazia
com que as guerras fossem interrompidas para a sua realização e era o ápice das atividades
físicas naquela civilização. Diferentemente, os romanos, na época do Império, realizavam
seus Jogos denominados Circenses – na política do “Panis et Circus” – a fim de oferecer
divertimento, de forma grotesca e sanguinária, e comida, num acumpliciamento entre o
patriciado e os plebeus romanos.
O jogo torna-se um aliado importante em nossa estratégia de aprendizagem, em
nossa metodologia pelo seu caráter muito mais agonal – como na civilização chinesa antiga
– do que agonístico. A diferença está na forma de conduzir as atividades mostrando a

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importância do aprender a ganhar e a perder, sem fazer da vitória a forma máxima de
expressão da atividade.
Ensinar através do jogo, comparando ao dia-a-dia que qualquer cidadão vai
encontrar, com seus obstáculos naturais que devem ser ultrapassados, com altivez e
perseverança faz parte do processo educacional, o processo de transformação que a escola
tem obrigação de incutir em todos os seus alunos. E não, fazer com que, de forma
agonística só se vejam vitórias a sua frente, não o preparando para as possíveis quedas em
seu caminho. Mostrar que se, hoje, ele perdeu, deve envidar os maiores esforços para,
amanhã, se tornar o digno vencedor, com a sua importante participação e de seus
companheiros.
Sim, o handebol enquanto jogo coletivo deve dar ênfase às atividades grupais,
principalmente. Deve-se mostrar que a dependência que existe entre um aluno e seus
companheiros e é fundamental que esta atitude pessoal, este comportamento que deve ter
uma relação com o grupo sejam incentivadas.
A importância do jogo está na relação direta que pode ser entendida na seqüência
JOGOMOTIVAÇÃOINTERESSEAPRENDIZAGEM(SUCESSO). Podemos
até reconhecer características que nos levam a alguns questionamentos: o jogo deve ser
uma brincadeira levada a sério? Um jogo é e deve ser entendido como somente um jogo ou
mais do que isto como colocado, anteriormente? Sim, como resposta a esta última pergunta,
na sua significação, como função social, para desenvolver valores físicos, intelectuais,
morais ou espirituais e, como disse Huizinga, como elemento fundamental de qualquer
cultura. O relacionamento entre a motivação que o jogo encerra em uma aula de Educação
Física, e o interesse que vai despertar, certamente, levará a ser atingida a aprendizagem, o
sucesso que se deseja alcançar.
Várias denominações de jogos são encontradas nas mais diversas bibliografias
encontradas na aprendizagem dos esportes, assim como na disciplina Recreação e outras.
As terminologias, tais como Jogos Preliminares, Preparatórios, de Iniciação, de Competição
e outras se enquadram nas definidas abaixo.
Considero que como Pequenos Jogos, podemos considerar toda atividade recreativa
simples que contenha um elemento fundamental do jogo de handebol. Por exemplo, se dois
alunos estão a uma determinada distância de uma parede, podem jogar com uma bola quem

29
consegue acertar mais vezes em um determinado ponto marcado em uma parede. Estarão,
através de um lançamento ou de um arremesso exercitando a sua precisão, através de uma
atividade simples e divertida, dividindo o mesmo número de lançamentos e competindo por
quem marca mais pontos.

10

2
5
10
1
P
A 10
5
R
2
E
D
10
E

Coletivamente, podemos exemplificar com o conhecido jogo de “estafeta”, aquele que leva
e traz. Em um espaço quadrado ou retangular, os alunos sentados em duas colunas (um
atrás do outro) atrás de uma linha devem levar a bola até um ponto pouco distante a sua
frente, contorná-lo, voltar correndo e passar ao companheiro que está em primeiro na
coluna e ocupar o seu final. Vence o grupo em que todos realizem os movimentos antes do
outro.

30
Se esta mesma atividade é feita driblando-se a bola e não carregando, simplesmente,
como prevê a regra do jogo, estamos incluindo nas crianças a necessidade de respeitar as
regras do jogo de handebol. Então, esta mesma atividade recreativa simples, onde se
incluem as regras do jogo de handebol desportivo, deve ser denominada de Pequenos Jogos
Desportivos.
Pensemos em uma atividade mais complexa, onde se realizem, ainda de forma
recreativa, atividades muito semelhantes àquelas do jogo de handebol. Por exemplo, o
denominado “Jogo dos dez passes”. Em um espaço como a meia-quadra de jogo
(dependendo do número de participantes), uma equipe com 10(dez) alunos deverá trocar
10(dez) passes antes que a outra equipe a faça. Caracteriza-se, através da necessidade de
tomar a bola do adversário, uma situação muito semelhante àquela de marcação individual
quando uma equipe precisa ter a posse de bola para diminuir, empatar, passar, ou seja, obter
a vantagem no placar, muito comum em finais de partidas. Esta atividade recreativa que
contém elementos mais complexos do jogo de handebol desportivo deve ser denominada de
Grande Jogo.

Estes Pequenos Jogos, Pequenos Jogos Desportivos e Grandes Jogos devem fazer parte das
aulas, como parte importantíssima da metodologia e, devem ser enfatizados em todas as
partes da aula de Educação Física Escolar, principalmente, pelo aspecto motivador. O
“quem ganha e quem perde” – de forma controlada, não exacerbada – faz com que as
atividades, principalmente, na partes introdutória e conclusiva da aula, sejam quase que
obrigatórias, não descartando a possibilidade de incluí-los, também, no desenvolvimento do
tema proposto.

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Deve-se verificar, também, que, mesmo falando em progressão pedagógica, como
requisito essencial na aprendizagem, os jogos não tem uma escala de grau de dificuldade.
Mesmo o Grande Jogo utilizado, anteriormente, como exemplo, não necessita de maiores
habilidades para a sua aplicação. É claro que devemos ter em mente que os Grandes Jogos
vão exigir que a regra do jogo desportivo, do jogo regulamentado pela Federação
Internacional seja cumprida, na medida em que estamos vivenciando situações complexas
do jogo. Temos então a palavra-chave que sintetiza a importância da utilização dos jogos
em nossa metodologia: Vivência.
Em cada jogo nas nomenclaturas citadas, mesmo de forma recreativa, estaremos
vivenciando situações do jogo desportivo, do jogo de handebol propriamente dito.
Driblando para frente em velocidade no jogo de “estafeta”, fará com que realize uma
situação de contra-ataque, ou seja, uma passagem rápida da defesa para o ataque. No “jogo
dos 10(dez) passes”, estarão os alunos movimentando-se em forma de desmarcar-se para
receber a bola ou marcar quem vai receber a bola e fazer uma interceptação. Enfim,
preenchendo algumas das peças do grande quebra-cabeças que queremos alcançar ao final
do curso.

UM JOGO SE APRENDE JOGANDO

Este pensamento foi introduzido pelo Professor Horst Kassler que ajudou a reerguer
o handebol na Alemanha. Em seu livro “Handebol – Da Aprendizagem à Competição”,
compara os movimentos dos alunos, dos iniciantes, com atletas em nível médio de
performance – com 16 a 18 anos – com jogadores de nível internacional. Para que se
chegue ao mais alto nível, chama a atenção para a utilização de vários jogos similares que
devem ser utilizados na aprendizagem do handebol, como o hóquei sobre o gelo, o próprio
basquetebol, enfim jogos com características que podem enriquecer esta aprendizagem. Ou
seja, a importância dos jogos juntamente com a aprendizagem dos fundamentos.
A utilização de jogos, principalmente, com caráter recreativo, primordialmente, mas,
tendo na sua estrutura um caráter formativo, pensando-se em um futuro, deve embasar a
formulação destes jogos, utilizados, nas séries iniciais do ensino fundamental, vindo até do
chamado ensino infantil. Toda a variedade de atividades que enfatizem o aspecto coletivo

32
do jogo, mesmo que partindo de individualidades, como nos confrontos de um contra um,
devem ser ressaltadas. Trata-se de criar condições prévias, formalizar experiências básicas,
estruturais para a aprendizagem do handebol.
No caso específico do handebol, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb)
incentiva a utilização do “Mini-Handebol”. Diz tratar-se de um jogo desenhado para
integrar a criança com os elementos básicos do jogo, que permita, posteriormente, um
acesso facilitado à aprendizagem mais específica do grande jogo desportivo, o handebol, e
que é recomendado para a faixa etária dos 6(seis) aos 12(doze) anos. Na verdade, trata-se
de um jogo similar ao handebol, só que a forma de jogar e as regras são adaptadas às
crianças desta faixa etária com algumas delas diferenciadas como facilitador.
Recomenda-se um terreno de jogo com 20 m x 13 m (o oficial tem 40 m x 20 m),
balizas com altura máxima de 1,80 metros ao invés dos 2 metros retangulares,
conservando-se os 3 metros de comprimento ou, diminuindo-se para 2,40 metros. Jogam
5(cinco) jogadores ao mesmo tempo, sendo 4 jogadores de campo e 1 goleiro, posto que
será ocupado por todos os jogadores nos quatro períodos de 10 minutos cada. As medidas
das linhas são de 5 metros na área de gol, 6 metros o que seria o tiro de 7 metros e a linha
tracejada com 7 metros, todas as distâncias medidas da linha de gol.
Entretanto, podemos recomendar outras atividades que podem, também, ser
entendidas como “Mini-Handebol” e, não necessariamente, ter a mesma dinâmica daquele
recomendado pela CBHb. Trata-se de um jogo, onde devem ser estabelecidas algumas
posições de ataque e que devem ter uma rotatividade a cada gol obtido, ou a cada 5 minutos
aproximadamente, caso não seja marcado um gol.
Teremos jogadores com posições fixas de pontas, direita e esquerda e pivô- podendo
movimentar-se no máximo 2 metros para a direita ou à esquerda - além do goleiro. Os
pontas e o pivô, dentro da área de tiro livre(entre os 6 e 9 metros) só podem passar para os
outros três companheiros que formam a equipe de jogadores de campo (total de seis) ou
entre eles e, nunca, podem arremessar. Ficam como solução para os jogadores que devem
sofrer marcação individual na metade defensiva da quadra.
Este jogo pode utilizar, no caso de se ter um terreno de jogo oficial, as duas metades
quadradas(20mx20m), fazendo com que mais alunos participem ao mesmo tempo e as
medidas da quadra, como área de gol, tiro de 7 metros, linha dos 9 metros(linha de tiro

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livre, linha tracejada), linha de limitação do goleiro(4 metros), devem ser aquelas oficiais.
Recomenda-se que a baliza tenha o comprimento normal de 3 metros, utilizando-se de uma
barra superior para diminuir a altura de 2 metros para 1,80 metros ou 1,60 metros,
dependendo da faixa etária. As regras do jogo são idênticas ao Grande Jogo Desportivo, o
Handebol regulamentado pela I.H.F.

ESTRUTURANDO A APRENDIZAGEM DO JOGO

Devemos ter em mente que existe uma determinada sequência evolutiva do


educando (do aluno) que pode e deve ser muito explorada na adaptabilidade à bola e em
todas as etapas vindouras, como na aprendizagem dos fundamentos ajudando a estruturar a
aprendizagem do jogo:

APRENDER  PRATICAR  CRIAR  RENDER

A partir do momento que movimentos são ensinados e que existe uma mínima
aprendizagem decorrente da prática – da repetição de movimentos que em alguns casos
chega a automatizá-los – o aluno começa a variar, criando nestes movimentos outras
situações que os facilitam e que o ajudarão a atingir um rendimento. Deve-se observar, com
muita atenção, esta característica apresentada, pois sinalizará a possibilidade de aumentar a
dificuldade dos exercícios propostos, ou seja, uma nova sequencia estará em ação.
Estes exercícios repetidos farão com que os movimentos sejam educados, ou
melhor, usando um dos sinônimos de educação – utilizado com pouca frequência –
adestrando movimentos. Denominamos estes exercícios de EDUCATIVOS que de acordo
com o material disponível podem ser com alunos dispostos 2 a 2, 3 a 3, com predominância
de grupos maiores, usando-se formações em colunas, círculos, triângulos, quadrados ou
retângulos – na realidade de pouco material utilizado e com a finalidade de enfocar o
handebol como um esporte coletivo. Uma interdependência na realização destes
movimentos, esforçando-se para que sejam feitos corretamente, a fim de que um aluno
ajudando ao outro todo o grupo possa ser beneficiado.

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(1) (2) (3)

(5)

(4)

1 3

Deveremos, depois, com base nestas formações grupais, direcionarmos aqueles


movimentos educados de modo que sejam utilizados em situações de jogo. A isto
denominamos EXERCÍCIOS DE TREINAMENTO, como por exemplo: dois ou três
alunos saem trocando passes em velocidade no sentido longitudinal da quadra, partindo-se
da posição de defensores próximos à sua área de gol, simulando um contra-ataque, ou seja,
após recuperarem a posse de bola, passar rapidamente, da defesa para a conclusão em gol.

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Podemos simbolizar estes mecanismos de ajuda, daquele conjunto de procedimentos
da metodologia, tomar como exemplo o processo de uma jogada pré-estabelecida (jogada
“ensaiada”), onde os movimentos são divididos e paulatinamente, repetidos,
automatizando-os, acrescentando-se outros movimentos, e assim, sucessivamente, até
chegar-se ao desenho final.

ADAPTABILIDADE À BOLA

Trata-se de uma etapa onde serão desenvolvidas atividades que darão o suporte, a
estrutura que ajudará no aprendizado dos fundamentos do jogo de handebol que,
juntamente com os Pequenos Jogos, Pequenos Jogos Desportivos e Grandes Jogos,
formarão o núcleo do aprendizado.
Partindo-se do princípio de que após termos analisado e avaliado os resultados do
pré-teste, termos chegado à conclusão de que deveríamos começar nosso trabalho de um
marco inicial, ou seja, verificando que nas séries anteriores, por algum motivo, não houve
um trabalho de desenvolvimento do domínio psicomotor eficiente, teremos que partir da
seguinte premissa: é preciso que se conheça o objeto que vai fazer com que o jogo tenha o
seu desenvolvimento, a bola.
Especificamente, não trabalharemos a técnica dos fundamentos principais, na
iniciação do jogo - o passar e receber, arremessar e driblar -, procurando criar condições de
se executar movimentos semelhantes ou que levem a verificar detalhes importantes para a
execução destes fundamentos. O objetivo principal destas atividades é FAMILIARIZAR o
aluno com a bola, suas dimensões, seu peso, tamanho, as diferenças entre as bolas
masculina e feminina, com ênfase nas formas divertidas, recreativas de se aprender.
Exercícios entre dois, três alunos, em pequenos ou grandes grupos, devem fazer
parte desta verdadeira base, visando uma sequência estabelecida naquilo que denominamos
Progressão Pedagógica. A aprendizagem gradual e progressiva das partes do jogo que será
jogado em sua totalidade – este é o objetivo ao ser alcançado ao final do curso – guardadas
as devidas diferenças inerentes às faixas etárias.
Devem ser enfatizadas em todas as atividades, a importância da precisão como
fundamental naquilo denominado no alto rendimento de “segurança”. Fazer a bola chegar e

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ser recebida com segurança pelos companheiros, passar ao companheiro mais próximo, ou
melhor, posicionado, utilizar o tempo de três segundos para verificar se o companheiro está
em condições de receber a bola, acertar vários alvos parados ou em movimento, driblar
( quicar) a bola em várias situações (parado, em movimento, para frente, para trás, para os
lados, aliando precisão com habilidade), são algumas as muitas situações que podem ser
criadas, repito, de forma recreativa, divertida, sendo um fator motivador para a apreensão
destes detalhes importantíssimos na execução do jogo.
No início do curso, aliar estas atividades com o desenvolvimento do Mini-Handebol
dará a estrutura necessária para o próximo passo desta metodologia: a aprendizagem dos
fundamentos do jogo de handebol.

FUNDAMENTOS DO HANDEBOL

Devemos, a partir de agora, estruturar tecnicamente os gestos do jogo de handebol


que, passo-a-passo deverão ser “refinados”. A proposta deve ser encaminhar a
aprendizagem destes fundamentos, procurando buscar que fatores da maior importância
para o jogo – como a segurança na execução dos movimentos, de um passe, por exemplo -,
estejam implícitos na busca de uma determinada técnica que fará com que sejam
executados com uma precisão que deve ser perseguida, sem fazer com que, nesta fase de
iniciação desportiva, seja fundamental. Podemos definir a técnica de um fundamento,
como a execução deste movimento, com um mínimo de esforço e o máximo de
segurança.
Em termos de iniciação desportiva, os fundamentos do jogo de handebol a serem
ensinados para nossos alunos serão àqueles que os farão compreender a essência, a
estrutura do jogo. Os mais comumente desenvolvidos, de forma progressiva, respeitando-se
as faixas etárias e suas diferenças individuais são os Passes, Arremessos, Dribles, Defesa e
Ataque, no contexto de meios táticos ofensivos e defensivos. Outros fundamentos do jogo
como fintas, bloqueios, corta-luz, etc., que exigem um grau maior de dificuldade em seu
aprendizado ficarão sujeitos ao critério do professor podendo ser utilizados em menor
escala de dificuldade, juntamente com os 5(cinco) fundamentos principais.

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Para alcançar a técnica na execução destes fundamentos, os exercícios educativos e
os exercícios de treinamento, como conclusão nas situações formuladas de jogo, serão
importantíssimos.

OS PASSES

Ato de passar a bola ao companheiro. Movimento de ligação entre dois


companheiros. Elemento fundamental do jogo, sem o qual, praticamente não teremos jogo.
Em algumas bibliografias, podendo ser denominado lançamento. Este autor prefere a
utilização da terminologia passe, para não ter que, sempre, especificar lançamento ao
companheiro como passe e lançamento ao gol, como arremesso
Todas estas definições podem ser dadas a este fundamento, sem dúvida o mais
importante do jogo de handebol. Em partidas entre equipes de alto rendimento, costuma-se
contar um número muito pequeno de passes errados. Por quê? Passe errado significa bola
para o adversário, a não manutenção da posse de bola e, quase sempre, permitindo um gol
para a outra equipe. Costuma-se medir a qualidade técnica de uma equipe, pelo número de
passes errados que ela apresenta. Quanto menos passes errados, mais eficiente será esta
equipe e, consequentemente, na grande maioria das vezes, será a vencedora da partida.
Tendo a segurança no passe como prioridade, deve-se estabelecer uma técnica para
a execução destes passes. E, em função das várias situações, como passes entre armadores,
passes para os pivôs e pontas, contra-ataque executado pelo goleiro, teremos vários tipos de
passes. Passe com reversão lateral das mãos, por trás da cabeça, por trás das costas, com
salto, com giro e, principalmente, aquele que se torna básico e recomendado para a
iniciação do handebol: o denominado Passe de Ombro.
Para executar o Passe de Ombro, partiremos de um marco inicial que
denominaremos de Posição Básica ou Posicionamentos, ponto de partida para a
aprendizagem dos fundamentos. Estas posições farão com que a aprendizagem dos
movimentos seja facilitada, e que a seqüência evolutiva da aprendizagem, citada
anteriormente, seja cumprida, dando qualidade aos movimentos.
Procurando, sempre, colocar o corpo em um equilíbrio quase perfeito – a disciplina
Biomecânica estuda os vários posicionamentos que apresentamos andando, correndo,

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saltando, passando, cortando, etc. - procuraremos em cada fundamento estabelecer estes
posicionamentos. E, a posição básica do passe de ombro será quase que uma base, a forma
de estruturar as outras posições.
Devemos colocar nosso corpo em equilíbrio e detalharemos este posicionamento de
baixo para cima. Partindo-se do princípio da segurança, devemos estar posicionados de
frente para os nossos companheiros os pés paralelos e a perna contrária ao braço que vai
passar a bola, na frente. Este afastamento deve ter uma distância que permita que o centro
de gravidade de nosso corpo esteja exatamente, entre os dois pés. Ou seja, uma distância,
nem muito grande, nem muito pequena. O tronco deve estar reto e o braço utilizado deve
estar formando um ângulo reto com o antebraço. A pegada da bola deve ser feita com a
“ponta” (falange distal) dos dedos - para poder dar direção à bola -, com a palma da mão
voltada para frente.
Partindo-se desta posição, começaremos a executar o passar a bola em trajetórias
mais comuns em relação a situações de jogo que encerrarão formas, tipos de recepção da
bola. É fundamental ter em mente que não existe um passe realizado em segurança se este
não for realizado na expectativa de uma recepção, também segura. Ou seja, não existe passe
sem recepção. São as seguintes trajetórias mais utilizadas, com a forma mais segura de
recepção e, exemplificando com situações de jogo:

TRAJETÓRIAS TIPO DE RECEPÇÃO SITUAÇÃO DE JOGO


Reta ou Paralela ao chão Palma das mãos voltadas Passe entre companheiros
para frente na altura do peito. próximos e em velocidade.
Picada ou Quicada Palma das mãos voltadas Passe de um armador para
para baixo na altura da um pivô, com um adversário
cintura. interpondo-se entre eles.
Parabólica Palma das mãos voltadas Passe longo, um contra-
para cima, acima da cabeça. ataque de um goleiro para um
atacante.

Obs: Possivelmente, será encontrada a terminologia passe picado, passe parabólico, em


algumas bibliografias. Assim como na questão do lançamento, este autor prefere utilizar
Passe de Ombro com trajetórias picada ou quicada e parabólica.

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Deveremos começar o desenvolvimento destas trajetórias ao mesmo tempo em que
se deve enfatizar a necessidade de sempre colocar as palmas das mãos (as duas), de frente
e, nunca com a ponta dos dedos na direção da bola e as palmas das mãos paralelas. Este
pequeno detalhe impede que acidentes aconteçam, criando empecilhos para a
aprendizagem, tais como contusões de toda a espécie.
Na trajetória Reta, a partir da posição básica, deveremos, simplesmente, estender o
braço na direção da altura do peito do companheiro, fazendo com que a bola só deixe a mão
quando o braço estiver, totalmente, esticado.O mesmo movimento se repetirá na trajetória
Picada, tendo como diferencial a necessidade de “quebrar” o punho ao final da extensão do
braço, fazendo com que a bola quique a uma distância aproximada de um metro do
companheiro. Uma pequena modificação no tronco que deverá estar um pouco inclinado
para trás e que ajudará fazendo uma pequena alavanca e a palma da mão voltada para cima,
farão com que a trajetória em Parábola seja executada, propiciando uma recepção acima da
cabeça ao companheiro.
De acordo com disponibilidade do material, com formações entre os alunos 2 a 2, 3
a 3, ou em colunas, círculos, triângulos, retângulos, etc., devemos utilizar exercícios
educativos onde serão repetidas muitas vezes as trajetórias e, onde, poderão ser corrigidos
erros ( alguns já foram detectados no pré-teste) comuns como pernas muito afastadas,
braços e antebraços não formando o ângulo de 90º, etc. É importante, também, desenvolver
nos alunos a capacidade de observar se o seu companheiro está realizando o movimento
corretamente, ou seja, desenvolver um espírito crítico positivo que servirá para que possa
corrigir seus próprios erros e, também, durante estas repetições, criar situações
diferenciadas de exercícios para motivar os alunos. Para ratificar este pensamento,
reportemo-nos a outra sequencia citada anteriormente onde a aprendizagem do movimento
(ao sucesso) está, intrinsecamente, ligada à motivação, ao interesse.
A utilização de Pequenos Jogos, Pequenos Jogos Desportivos e Grandes Jogos,
nesta fase da aprendizagem é de fundamental importância, porém, seria mais adequada a
sua maior utilização nos denominados Exercícios de Treinamento. Criar situações de
dificuldade no trabalho 2 a 2, 3 a 3, incentivando o espírito de competir, a fim de
especializar, criar outros movimentos, devem ser mais enfatizados nos educativos. E, a

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tônica no desenvolvimento de todos os fundamentos, após determinar as suas posições
básicas é de que estes fundamentos serão utilizados durante os jogos de handebol, sempre
em movimentação.
Para dar início a esta movimentação conjugar os passes com as três passadas
permitidas pela regra do jogo faz parte da denominada progressão pedagógica: um passo
com passe, dois passos e, finalmente três passos com passe. Incentivar o desenvolvimento
da bilateralidade enfatizando o passe para o jogador destro e para o jogador canhoto. Para o
destro a seqüência de passadas esquerda-direita-esquerda e para o canhoto direita-esquerda-
direita, terminando, sempre, com a perna contrária ao braço que vai passar a frente. Ainda,
com ênfase na progressão pedagógica, executar estas passadas do tipo normais (outros tipos
serão enfatizados no arremesso parado ou com apoio), iniciando-se como se estivesse
andando e, progressivamente ir aumentando a velocidade e a amplitude das passadas.
O jogo de handebol prima por um dinamismo tão grande que esta constante e
necessária movimentação faz com que seja um dos fatores que o torna bastante agradável,
tanto para praticantes, quanto para os espectadores. Trataremos, então, depois de
estabelecer os posicionamentos iniciais e de acrescentar as passadas, de formular a grande
maioria ou a quase totalidade dos educativos e dos exercícios de treinamento sempre com
uma movimentação muito grande. Movimentos de passes em deslocamento, para frente,
para trás, para os lados, em diagonal, no sentido longitudinal e transversal da quadra, enfim,
em todas as direções, tornam-se primordiais já que estes farão parte da essência do jogo. E,
as formações citadas, anteriormente, darão esta noção e propiciarão moldar a estrutura
ofensiva e defensiva. Por exemplo, formar um triângulo para troca de passes com os alunos
nas posições de armadores, sendo cada aresta formada por armador central, direito e
esquerdo, dão a exata noção da movimentação ofensiva que, mais tarde, poderá ser
acrescida com os passes para os pontas direito e esquerdo e, também, para o pivô.

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Resumindo, passes para a direita, para a esquerda e para frente, que devem ser
realizados na posição ofensiva, utilizando-se a linha de tiro livre como ponto de referência.

OS ARREMESSOS

Após trabalharmos o passe - elemento mais importante do jogo -, trataremos de dar


seqüência à aprendizagem dos fundamentos com os arremessos. São estes, que propiciam a
marcação dos gols fazendo com que uma equipe seja vencedora ou não de uma partida e, que
teoricamente, seja aquele fundamento que pode parecer aos alunos de maior importância. Na
verdade, em algumas situações não muito comuns – como no tiro de saída no início das partidas,
ou em um tiro de lateral logo após este tiro de saída ter batido em um defensor – sem o passe não
existirão os arremessos. E, desde já, podemos afirmar que sem um bom passe, não acontecerão
bons arremessos.
Dois tipos de arremessos são os indicados nesta fase de iniciação ao handebol: os
Arremessos com Apoio ou Parado (sem salto) e os Arremessos em Suspensão(com salto). Cada
um deles será adequado a uma determinada situação de jogo e devem fazer parte, vamos dizer, de
um cabedal de conhecimentos que o atacante deve possuir para confundir o defensor. E, cada um
deles tem as suas especificidades na aprendizagem. Porém, dois pontos devem ser enfatizados
nesta aprendizagem que são imprescindíveis para alcançar o objetivo dos arremessos que é a
marcação de um gol: precisão e potência. Ou seja, os educativos e outros artifícios utilizados na
aprendizagem devem direcionar todos os seus movimentos visando estes dois aspectos.
ARREMESSO PARADO ou COM APOIO

A posição básica do Arremesso parado ou com Apoio apresenta uma semelhança


muito grande com a mesma posição para o Passe de Ombro. Porém as diferenças principais

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estão, justamente, no aspecto de se desenvolver mais potência, já que a precisão deve ser
enfatizada da mesma forma, mudando-se do enfoque segurança para a consecução do
objetivo, o gol.
Enquanto que no Passe de ombro as pernas deverão estar afastadas em uma posição
“confortável”, no arremesso parado a perna da frente (também contrária ao braço que vai
arremessar) deverá estar mais semiflexionada e a perna de trás quase que totalmente
esticada, com apoio nos dedos dos pés, estes também paralelos. O tronco estará inclinado
para trás (para fazer uma alavanca que ajudará no arremesso) e o braço e o antebraço
estarão em uma angulação muito maior que 90º, com a palma da mão voltada para frente e
a bola segura atrás e acima do ombro. Esta distância entre braço e antebraço fará com que
após a extensão total do braço e, juntamente, projetando-se o tronco para frente com um
determinado desequilíbrio, uma maior potência do arremesso seja alcançada. E, esta
potência será dinamizada com a utilização das formas de se executar as 3(três) passadas e
uma maior velocidade na realização destas.

Na filosofia da progressão pedagógica, desenvolveremos o arremesso parado ou


com apoio, partindo-se de arremessos- em direção ao gol, a um ponto na parede, ou mesmo
trabalhando-se 2 a 2( gesto do arremesso e passe) - para, através da repetição, automatizar
a posição básica. Devemos destacar as trajetórias da bola visando os ângulos da baliza. Para
os ângulos superiores utilizar-se de uma trajetória reta ou paralela e, para os inferiores, uma
trajetória picada ou quicada, fazendo com que a bola quique, aproximadamente, a meio
metro da linha de gol.

Em uma segunda fase, começaremos a conjugar as passadas e os seus 4(quatro)


tipos: as normais, já utilizadas, anteriormente, no ensino dos passes ( dando a partida
naquela movimentação inicial), e que serão uma espécie de base para as outras – fazendo-se
arremessos com uma, duas e depois três passadas normais - as ritmadas, as repetidas e as
cruzadas. Todas elas serão utilizadas de acordo com a necessidade, da situação apresentada
no momento do jogo e, recordando para massificar o aprendizado, voltar a utilizar-se nas
passadas normais dos conceitos de velocidade e de amplitude utilizados no passe. Passadas

43
lentas, aumentando-se o número e a velocidade e, depois, à distância entre as passadas e
variando-se as situações de distância entre atacante e defensor.

As passadas Ritmadas são uma derivação das passadas normais: um aluno destro
deve fazer a primeira passada com a perna esquerda normal, “arrastar” a perna direita na
segunda passada para junto da esquerda e quase ao juntar, tirar o pé do chão e após tocar,
imediatamente, entre a segunda e a terceira passada com a perna esquerda ir colocando-se
em posição básica e arremessar. Este tipo de passadas dá uma maior velocidade e tem
caráter de surpresa para o adversário.

As passadas Repetidas são uma forma de se tentar consertar uma recepção da bola
com a perna errada à frente. O correto deve ser receber a bola com os dois pés pouco
afastados e paralelos na mesma linha ou com a perna à frente do mesmo lado do braço que
vai arremessar. Estes posicionamentos farão com que se utilize a seqüência de três passadas
para cada braço de arremesso corretamente e que já foi trabalhada na aprendizagem do
passe. Se um aluno destro recebe a bola com a perna esquerda (errada) à frente, para que
possa ter o corpo equilibrado para um bom arremesso poderá até realizar somente duas
passadas: direita e esquerda.

Porém, se verificarmos a fórmula de potência (P=FxV), - onde para termos mais


potência no arremesso deveremos ter a força que o movimento de extensão total do braço
que vem de uma angulação entre braço e antebraço maior que no passe de ombro ajudado
pela alavanca que o tronco fará para frente e a velocidade nas passadas e no arremesso – é
mais indicado realizar as três passadas permitidas pela regra. Teoricamente, quanto maior
for o número de passadas utilizadas, maior a velocidade.
Para isto, procuraremos mostrar aos alunos o artifício de (no caso descrito acima de
recepção com a perna errada à frente) repetir a perna direita duas vezes, apoiar a esquerda e
posicionar corretamente o corpo na sequência para realizar um arremesso com potência,
porque está o corpo equilibrado. Ou seja, a velocidade das passadas com o posicionamento
do corpo (posição básica) fará com que o arremesso seja bastante potente. As passadas

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repetidas serão para o destro direita-direita-esquerda e para o canhoto ou sinistro, esquerda-
esquerda-direita, terminando sempre, com a perna contrária ao braço do arremesso à frente.

As passadas Cruzadas são utilizadas também como um artifício, mas com uma
conotação de se realizar uma finta, passar pelo adversário. Ao recepcionar-se a bola
corretamente, a primeira passada(direita para um jogador sinistro) será dada na direção do
defensor que, normalmente, sairá na direção do atacante. Neste momento, cruza-se a outra
perna(esquerda) por trás da direita saindo da frente do defensor – o que vai provocar um
pequeno desequilíbrio lateral do corpo- apóia-se na direita(já tendo passado pelo defensor)
equilibra-se o corpo, posiciona-se e realiza-se o arremesso com apoio. Este tipo de passada
deve ser realizado quando ao projetar-se para o arremesso, na primeira passada o defensor -
e é o que normalmente acontece - sai de encontro ao atacante.

Em todas as situações de utilização dos 4(quatro) tipos de passadas – normais,


ritmadas, repetidas e cruzadas – é fundamental para assegurar a segurança na posse da bola
que em todos os educativos – desde os passes – a condução da bola durante as passadas seja
feita com a bola junto ao peito. Desta forma, diminui-se a distância e o tempo para
posicionar braço e antebraço e impede-se que a bola escape das mãos segura abaixo da
cintura pélvica mesmo com as duas ou, erradamente com uma das mãos em qualquer
posicionamento.

Na seqüência, após os movimentos do arremesso conjugado com os tipos de


passadas serem bastante enfatizados, educados e quase, após muitas repetições automatizá-
los, deve-se partir para os exercícios de treinamento, utilizando-se da progressão
pedagógica. Ou seja, começamos a montar situações coletivas que acontecerão durante uma
partida de handebol, de forma simples e, depois, aumentando a complexidade.

Por exemplo, posicionar os alunos em colunas (um atrás do outro) na linha central
de frente para o gol – quase como armadores centrais - e destacar um dos alunos para
permanecer como passador na linha tracejada e de costas para o gol ou, no caso de um
grande número de alunos, também posicionar estes passadores em colunas, trocando-se

45
após os arremessos – quem era arremessador passa a ser passador e vice-versa. Fazer o
passe de ombro da coluna ao companheiro na linha tracejada, correr, receber a bola que será
entregue na mão pelo passador - ressaltando a recepção da bola com os dois pés juntos ou
com a perna à frente do mesmo lado do braço que vai arremessar -, dar as três passadas e
arremessar em gol sem defensor, visando-se os ângulos superiores e inferiores. Os quatro
tipos de passadas devem ser executados e colocam-se alvos – camisas, bolas medicinais
pesadas, por exemplo – para o desenvolvimento da precisão e no caso das denominadas
“medicine-balls”( de 1, 2, 3 e 5 quilos), precisão e potência.

Na progressão, o passador faz o passe em vez de entregar aos companheiros que


vem da coluna e aumenta-se a distância do passe até posicionar os passadores como
armadores direito e esquerdo. As mesmas posições em coluna devem ser trabalhadas nas
posições de armadores direito e esquerdo, passando-se por todas as posições relativas aos
armadores. Ainda como progressão, devemos começar a aumentar o grau de dificuldade.

5
x x
4
3 x x

5
2 1 4
3
6

2 1
6

Chegando mais e mais em situações de jogo, nos mesmos posicionamentos


anteriores, colocaremos um aluno como defensor. Este estará, simplesmente, com os braços
levantados, induzindo os arremessos ao lado do seu corpo. Muda-se o posicionamento dos

46
braços do defensor para os lados e vão modificando-se estes posicionamentos para fazer
com que os arremessos sejam direcionados de acordo com a situação apresentada. E, para
terminar, incentiva-se – já como o primeiro componente do fundamento defesa – que o
aluno colocado como defensor tente impedir que os arremessos sejam concluídos com
êxito.

Deveremos utilizar, também, as situações de contra-ataque, com troca de passes em


velocidade – desde a área de gol defensiva – terminando com o arremesso ao gol,
inicialmente sem defensor e depois com um ou dois defensores.

47
Apesar da ênfase na realização das 3(três) passadas – como forma de aumentar a
potência do arremesso – devemos exercitar situações de arremessos, com uma, com duas e
três passadas, com distancias diferentes – por exemplo, no caso de três passadas, fazendo a
primeira curta/longa, a segunda longa e ou curta e a terceira longa ou curta - tornando-se
uma variante que confundirá o defensor e atenderá as necessidades de espaço que o
atacante tiver para concluir em gol. É importante destacar que, nos jogos de alto rendimento
entre equipes masculinas, no confronto entre atacantes e defensores em um jogo posicional,
esta situação é muito utilizada, destacando aqueles que a utilizam e surpreendendo os
defensores.
Para sintetizar, educamos o movimento do arremesso parado ou com apoio,
incluímos as passadas para aumentar a potência e a necessidade do momento da partida,
definindo os movimentos de uma forma primária. Passamos, depois, às vivências
encontradas no jogo com as mais variadas situações – pertinentes, pelo grau de dificuldade
às faixas etárias – encontradas em uma partida de handebol.

ARREMESSO EM SUSPENSÃO

Arremesso com salto, sem apoio, em suspensão, são as nomenclaturas mais


encontradas para definir este importante fundamento do jogo de handebol. Talvez, de todos
os fundamentos, seja aquele que necessita – em alta performance – o maior somatório de
domínio de valências físicas para o sucesso deste arremesso. Força de membros superiores
– arremesso potente – e membros inferiores – grande impulsão -, equilíbrio, coordenação
motora, flexibilidade, são alguns dos requisitos necessário para atingir o objetivo que é a
marcação de um gol.
Durante o jogo, estruturalmente, é utilizado para vencer o bloqueio de um defensor
– salto vertical, - ou para vencer uma determinada distância, chegando mais próximo ao gol

48
– sem um defensor à frente – como em um contra-ataque veloz, utilizando-se nesta
situação, um salto horizontalizado.
Por todos estes motivos, seu aprendizado reveste-se de cuidados especiais.
Dividimos o movimento global – desde a recepção da bola até a queda – em 5(cinco) fases
que devem ter aprendizados separados e logo depois se encadeando estas fases na seguinte
seqüência:
1ª fase – Recepção da bola;
2ª fase – Passadas – encadeamos recepção e passadas(3);
3ª fase – Impulsão – encadeamos – um passo e impulsão, passadas e impulsão e,
depois, recepção, passadas e impulsão;
4ª fase – Arremesso propriamente dito – encadeamos impulsão com um passo e
arremessos e, depois, passadas, impulsão e arremessos e, posteriormente, recepção,
passadas, impulsão e arremessos;
5ª fase – Queda –encadeamos todas as fases com a queda.
Na primeira fase, de certo modo já enfatizada na aprendizagem do arremesso parado
ou com apoio – relembre o porquê das passadas chamadas de repetidas para o arremesso
parado ou com apoio – devemos ratificar a necessidade de estar com a perna à frente do
mesmo lado do braço que vai arremessar.
Torna-se fundamental ratificar que o pé do mesmo lado do braço que vai arremessar deve
estar em contato com o solo no momento que a bola chega às mãos do executante do
arremesso. Deste modo, a possibilidade de infringir a regra dos 3(três) passos permitidos
para o jogador, fica descartada. Deve-se, também, enfatizar a possível recepção com salto e
queda com os dois pés ou um (do mesmo lado do braço que vai arremessar) dos pés -
fazendo o chamado “momento zero”. Esta fórmula é um artifício para se garantir a não
realização de mais de três passadas.

2 1

49
FIGURA 1 – Educativo - Estabelecendo-se determinado ponto de referência (uma linha
da quadra) um aluno corre (1) para receber um passe de um companheiro (2) a uma
pequena distancia com a perna a frente do mesmo lado do braço que vai arremessar. Ir
aumentando a velocidade e as distâncias de 1 e 2 e variando-se a recepção para o destro
e para o canhoto.
A segunda fase, assim como no arremesso parado, deve ser desenvolvida chamando-
se a atenção para as passadas características do destro e do canhoto ou sinistro. Variar-se a
distância das passadas em função do marcador estar mais próximo ou mais longe(tática
defensiva individual) é importantíssimo. Por exemplo, sempre com três passadas: passadas
longas, passadas curtas, passadas duas curtas e uma longa, duas longas e uma curta, uma
curta a segunda longa e a terceira curta, etc., variando-se as possibilidades. Lembremo-nos
que a repetição pode automatizar movimentos e fazer com que decisões que devam ser
tomadas com rapidez tenham sucesso e que, durante as passadas, a bola deve estar segura
com as duas mãos junto ao peito. Passamos a encadear a recepção da bola com as passadas.
Assim como na primeira fase, exercícios educativos 2 a 2, em colunas e outras
formações são soluções ótimas, obedecendo a uma progressão pedagógica, com,
inicialmente uma passada, depois duas e finalmente três.

C
D 321 A

FIGURA 2 – Educativo - Estabelecendo-se determinado ponto de referência (uma linha


da quadra) um aluno corre (A) para receber um passe de um companheiro (B) a uma
pequena distância com a perna a frente do mesmo lado do braço que vai arremessar,
executa uma passada (1) duas (2), depois, três (3) e passa a bola para o companheiro
(D). Ir aumentando a velocidade e as distâncias de passe (B) e corrida (A) e variando-se
a recepção e passadas para o destro e para o canhoto.

Na terceira fase, no salto ou impulsão, conscientizaremos os alunos de que,


fundamentalmente, deve-se verticalizar o salto, quando o arremesso está sendo feito contra

50
o bloqueio de um defensor. Caso horizontalize, possivelmente, vai realizar uma falta de
ataque, infringindo a regra e “estragando” um ataque de sua equipe (o que pode ocasionar
um gol para a equipe adversária).
Na progressão pedagógica, realize esta impulsão vertical com uma, com duas e com
três passadas. Utilize o próprio companheiro (sentado, com os joelhos semiflexionados,
ajoelhado e agachado) para aumentar a altura gradativamente de um “obstáculo” a ser
ultrapassado. Cordas elásticas não muito esticadas são aconselháveis e colchonetes para
amortecer possíveis quedas são implementos necessários. Realize os educativos sem e com
a bola na mão e faça com que os alunos elevem o braço de arremesso também,
verticalmente, no momento do salto. No encadeamento colocamos o companheiro a uma
pequena distância e fazemos dele o defensor a ser vencido, inicialmente sem e depois com
os braços esticados, sem saltar e depois saltando. Fazemos o encadeamento de recepção,
passadas(com a bola junto ao peito) e salto com somente elevação dos braços,
alternadamente.

321
C
A B

FIGURA 3 – Educativo - Três companheiros, um passa (A) e outro recebe na


corrida (B), faz a progressão das passadas (com uma, duas e três) salta verticalmente a
frente de (C) e passa por cima de C para A.

No arremesso propriamente dito, a quarta fase, uma corda elástica esticada em uma
altura aproximada de uma vez e meia a altura do aluno, a rede de voleibol e a própria baliza
(que tem dois metros de altura interna e mais oito centímetros de barra), são materiais de
muita utilidade. Também progressivamente, dois a dois os alunos realizam, A o gesto de
arremesso, com uma, duas e três passadas, passando a bola ao companheiro (B) que realiza
o mesmo movimento. Importante chamar a atenção para a realização do arremesso com o
braço esticado e visando os ângulos superiores e inferiores (com quebra de punho).

321
51
B A
Passamos para quadra e, ainda dois a dois, encadeamos passe, recepção, passadas e
arremessos. Um dos companheiros como defensor, de costas para o gol, faz o papel de
passador e de defensor, progressivamente, sem os braços elevados, com os braços elevados,
sem e com salto, a fim de aumentar a dificuldade e a necessidade para o arremessador
aumentar a impulsão. Importante é - mais e muitas vezes mais -, a assimilação da
necessidade de conduzir-se a bola durante as passadas junto ao peito é uma forma de se
garantir a segurança para um bom arremesso. Evita-se que a bola "escape” das mãos dos
alunos e a distância entre a bola junto ao peito e levada para posição de arremesso é menor
e proporcionará uma maior velocidade no arremesso.
Na queda do corpo após o arremesso, torna-se importantíssimo na iniciação,
destacar o zelo pela não possibilidade de acidentes ocorrerem. Realizar a queda com os dois
pés juntos após os arremessos em caixa de areia, em cima de colchonetes, ou qualquer
outro material que possa amortecer esta caída é desejável. Na medida do possível, fazer a
queda com um dos pés, também é possível, para permitir, também, a chamada “regra dos
seis passos”, como se explica.
Durante o jogo de handebol, desde que atleta não venha driblando a bola, é
permitido receber a bola, dar três passadas, saltar e caso verifique que pode haver um
bloqueio pelo defensor, o atleta pode ao cair, quicar a bola dar mais três passos e arremessar
ou passar a bola a um companheiro. Nesta queda o atleta deve driblar a bola ao mesmo
tempo - ou antes da queda- com um ou dois pés juntos. Percebe-se a complexidade do gesto
que em alto nível é desenvolvido nas várias posições centrais de ataque (normalmente pelos
armadores) e seu desaconselhamento para a iniciação desportiva, pelo menos em fases
incipientes(primárias).
Passamos a desenvolver os exercícios de treinamento, as situações reais de jogo nas
4 3
posições de armadores, principalmente e pontas.1 Partir de uma distância de 12, 13 metros
do gol com a bola dominada, passar ao companheiro
2 que fará o papel de defensor próximo

52
e a frente da linha da área de gol e devolverá para que, na corrida, as cinco fases sejam
executadas de forma global. O companheiro de posse de bola, nas posições de armadores
direito, central e esquerdo, realizará o arremesso em suspensão buscando vencer o bloqueio
feito, inicialmente com o defensor com somente as duas mãos levantadas. Aumenta-se o
grau de dificuldade, impondo uma maior impulsão, com o defensor podendo saltar para
bloquear o arremesso.

Formulamos outras situações, tais como vir trocando passes 2 a 2 da linha central ou
antes,e realizar o movimento completo tentando vencer um defensor ou dois defensores
posicionados na frente da linha da área de gol. Da mesma forma com troca de passes, em
duplas ou trios, partindo-se da área de gol defensiva e chegar próxima à área do adversário
executar o movimento, contra dois ou três defensores, forjando uma situação de contra-
ataque. Podem-se acrescentar situações onde haja bloqueio(s) em um ou mais defensores
para facilitar o arremesso em suspensão e evitar o bloqueio dom defensor.

53
Muitos outros exercícios de treinamento podem ser formulados, voltando a lembrar
a pertinência com a faixa etária atingida, respeitando-se o grau de dificuldade de execução.
(exercite a simbologia aplicada ao handebol).

OS DRIBLES

Torna-se importantíssimo, destacar a questão da terminologia neste fundamento.


Afinal, na linguagem popular, acessível e culturalmente enraizada do futebol, driblar é o ato
de passar pelo adversário. No handebol, este movimento do futebol recebe o nome de finta.
Driblar significa, no handebol, o ato de empurrar a bola contra o solo, como no
basquetebol. Quicar, picar, rebotar a bola são sinônimos encontrados em algumas
bibliografias do handebol e do basquetebol.
Trata-se de um fundamento que, nos últimos anos, adquiriu uma importância muito
grande, na medida em que, as defesas se tornaram – em determinados momentos de uma
partida – mais abertas. Simplesmente, hoje, joga-se – algumas equipes no alto rendimento
se utilizam em um significativo tempo de jogo – com marcação individual no campo
defensivo, da linha central até a linha de tiro livre. Esta marcação, também, denominada
“meia-pressão”, “pressão meia-quadra” ou outras denominações, obriga o atleta a quando
não tiver a quem passar, tiver habilidade para conduzir a bola em segurança, sem perder a
sua posse.
Seguindo-se o princípio de que queremos na iniciação desportiva, mostrar e fazer
com que sejam desenvolvidos movimentos que são utilizados no jogo de handebol,
podemos afirmar – embasado na afirmativa do parágrafo anterior – que o drible deve
receber a mesma atenção no seu aprendizado quanto os outros fundamentos, o que pode até

54
parecer redundante. Porém, não era esta característica – a da importância do drible –
observada tempos atrás.
Reveste-se o drible de um aprendizado bem detalhado – que deve ser precedido, no
caso da necessidade da fase de Adaptabilidade à bola de atividades de driblar – devido à
dificuldade de sua execução, que deve ser trabalhada visando às situações de sua utilização
em uma partida de handebol. São elas: Drible sem marcação individual e contra marcação
individual.

DRIBLE SEM MARCAÇÃO INDIVIDUAL

Sua utilização está presente em maior número de minutos de uma partida do que o
drible contra marcação. Afinal, nenhuma equipe do mundo conseguirá marcar
individualmente toda a outra equipe durante todo o tempo de jogo. Lembremo-nos do
tamanho da quadra – 40 metros de comprimento por 20 metros de largura -, do tempo de
jogo – dois tempos de 30 minutos (ou menos) de jogo pelas regras internacionais ou
peculiares a cada situação de faixa etária principalmente - e, mesmo com um permanente
rodízio dos jogadores, haveria necessidade de uma preparação física, incrivelmente,
perfeita e, mesmo assim, a equipe de posse de bola levaria, quase sempre, vantagem.
Analisando-se o jogo, o drible sem marcação individual é utilizado em situações de
passagem da defesa para o ataque de duas formas: mais lentamente, no caso de uma
retomada de bola, partir para uma organização ofensiva aonde no contra-ataque vai-se
estruturar o ataque quanto ao(s) tipo(s) e sistema(s) a ser(em) utilizado(s) – denominado
Contra-Ataque Indireto ou, rapidamente, buscando-se a feitura imediata de um gol,
conhecido como Contra-Ataque Direto.
Nos dois casos e, também, no drible contra a marcação individual uma valência
física torna-se fundamental para o aprendizado: o ritmo, que deve ser preocupação dos
profissionais nas atividades de educação física, desde o, hoje, denominado Ensino Infantil,
a antiga pré-escola. Este parâmetro físico é de fundamental importância para a escrita, para
o desenvolvimento da motricidade, de um modo geral, e forte aliado para aumentar-se a
coordenação motora.

55
Assim como em todos os fundamentos, iniciaremos o aprendizado dos dribles
partindo-se de uma Posição Básica. Posição esta, que facilitará a realização do ato de
driblar a bola contra o solo, aquela posição confortável com a qual o corpo estará
equilibrado e que, após dinamizar vários movimentos em progressão pedagógica, poderá
ser automatizada.
O primeiro ponto a ser abordado deve ser o posicionamento dos dedos das mãos.
Para chegar-se até a posição ideal que podemos definir como mãos em forma de “concha” –
bola segura pelas falanges distais -, devemos usar o exemplo daquilo que alguns autores
denominam como, também, um fundamento: a “pegada” de bola, o modo de segurar a
bola, como já citado e trabalhado no fundamento passe.
Fazemos algumas brincadeiras onde, 2 a 2, um procura “puxar” ou “empurrar” a
bola segura pelos dois ao mesmo tempo. Ou então, um segura a bola com as falanges distais
das mãos por cima da bola, soltando-a e o companheiro segura na mesma posição. Ou seja,
posicionando, sempre, as mãos com as palmas das mãos voltadas para baixo no modo em
que deverá realizar o ato driblar, empurrar a bola contra o solo. Importantíssimo, mais até
do que nos outros fundamentos, é o desenvolvimento da bilateralidade.
Durante a condução da bola driblando – a outra forma de conduzir a bola é durante
as três passadas máximas permitidas pela regra – estará, sempre, o aluno alternando as
pernas na frente do corpo. Desta forma, na posição básica, partindo-se de um
posicionamento inicial sem deslocamento, devemos estabelecer que a perna contrária ao
braço que vai driblar a bola estará na frente, com os pés paralelamente um ao outro e, como
no passe e ombro, procurando manter o corpo em equilíbrio. O tronco deverá estar reto e o
braço deverá estar estendido na frente do corpo, executando-se o movimento de driblar com
todo o braço e, não somente com a utilização do punho. Deve-se, também, verificar que a
bola seja “empurrada” e não “batida” contra o solo, facilitando o seu domínio.
Educando o movimento de driblar devemos ter em mente, basicamente, a situação
da utilização do drible em velocidade. Para chegarmos até a velocidade necessária para
chegar mais rapidamente no gol adversário, usaremos, também, da progressão do ato de
driblar em velocidades variadas.
Inicialmente, parados driblando a bola ao comando do professor batendo palmas,
um tambor, uma música escolhida com todas as variações de ritmo. Dois a dois, um do

56
frente para o outro com um sendo o guia e o outro acompanhando seus movimentos de
driblar em várias alturas (até mesmo acima da cintura) sempre com as duas mãos
alternadamente, onde o objetivo de fazer com que não se olhe diretamente para bola – e,
sim colocá-la no seu raio de visão – esteja definido.
O movimento de driblar a bola começará a ser utilizado – ainda com o ritmo
marcado pelo professor ou por um dos alunos – em movimento. Andando, trotando,
aumentando e diminuindo a velocidade, um seguindo o outro que o guiará por vários
sentidos e direções na quadra de jogo. Apesar do drible em um contra-ataque direto ser no
sentido longitudinal, usar as diagonais, driblar para frente e para trás, lateralmente, são
importantes para o aprendizado.
Trabalhando em grupos com alunos colocados lado-a-lado e driblando ao mesmo
tempo, desenvolvem-se as variações rítmicas sob o comando do professor em atividades
que todos driblam para frente e para trás – com paradas bruscas e partidas, com a
motivação de quem chega primeiro até a área do adversário. Outro trabalho muito
interessante e que deve ser comandado pelo professor ou por um aluno de frente ou de
costas para o grupo espalhado na quadra que imitam os movimentos do guia, recebe a
denominação de “espelho”. Como estivessem refletindo sua imagem, procuram seguir –
perseguindo, também, fazer com que não se olhe para a bola – os movimentos que são
executados em todos os sentidos. Vários alunos devem revezar-se à frente do grupo e a
ênfase na bilateralidade deve ser incentivada. A habilidade de realizar o drible, a velocidade
e a agilidade são valências físicas – com o ritmo em destaque – importantíssimas
desenvolvidas nestes educativos.

Colocando dois ou três alunos lado-a-lado, incentiva-se quem consegue chegar


primeiro à área de gol do outro lado. Começamos a desenvolver a primeira etapa dos
Exercícios de Treinamento para o drible sem marcação individual com esta atividade.

57
Primeira etapa, porque estamos utilizando a velocidade, a agilidade em movimentar-
se de uma situação defensiva para uma situação ofensiva que deve terminar em conclusão
ao gol com um outro fundamento: o arremesso parado ou o arremesso em suspensão,
dependendo da necessidade de momento.
Trataremos de encadear os fundamentos drible e arremesso. Ou seja, o drible
precedendo o arremesso. Havíamos trabalhado os passes com o arremesso e deveremos
seguir alguns princípios, também, para não dar mais de três passos ao encadear dribles com
arremessos, ou melhor, dribles, três passos e arremesso. Iniciaremos chamando a atenção
para, mesmo sem dar alguma passada, manter o corpo em equilíbrio, ou seja, após driblar,
arremessar, por exemplo, com a mão direita, colocar a perna esquerda na frente e vice-
versa. De certa forma, estará caracterizada uma passada.
Alunos dispostos dois a dois a uma distância de 10 metros, driblando referenciar
um ponto (um arco, um bambolê, marcar com giz, linhas da quadra, etc) a frente distante 5
metros do companheiro, onde com o gesto do arremesso, passará a bola para ele após pisar
no marco (x). Colocar mais um marco, anteriormente ao outro driblar a bola como destro,
pisar com a direita depois esquerda e passar com gesto de arremesso parado ou suspensão
para o companheiro. E, finalizando, colocar mais um marco, para a realização – aumenta-se
a distância entre os companheiros – das três passadas depois do arremesso.

5 metros

10 metros

58
Repetem-se, com o objetivo de automatizar, várias vezes estes educativos,
aumentando a distância para depois, posicionar-se do centro da quadra até a área de gol
driblando progressivamente em mais velocidade, realizar as passadas com marcos – um,
dois e três - e depois sem marcos referenciais, finalizar com arremessos com apoio e em
suspensão. Aumentando-se a distância, gradativamente, até realizar o exercício de
treinamento da linha da área defensiva até a linha da área ofensiva. Recomenda-se realizar
– para motivar mais ainda – competições de duplas, trincas e até seis alunos, destacando-se
já, suas posições defensivas.
Outra situação comum deve ser trabalhada em um contra-ataque que, também,
podemos chamar de direto.

6
5
3
4
1

2
4
5
1

3 ou

6
Uma coluna ao lado da área de gol - cada aluno com uma bola na mão -
posicionando-se antes da linha Passe
Variação: lateralpara
e uma coluna com alunos
o companheiro (6) queposicionados
conclui. dentro da área
de gol como goleiros fossem. Passar a bola ao goleiro – como uma defesa estivesse
realizando - correr em linha reta, receber o passe do goleiro no centro da quadra, ir
driblando em uma diagonal para o gol, e antes da linha de tiro livre dar três passadas (uma
ou duas dependendo da distância da passada) e arremessar ao gol. Realizar o trabalho com

59
bilateralidade de mãos, nos dois lados da quadra – direito e esquerdo da área defensiva e
trocando-se os alunos das colunas após o arremesso. Incluir defensores posicionados entre a
linha de tiro livre e alinha da área de gol para aumentar a dificuldade de execução do
arremesso.
Variações como duas colunas ao mesmo tempo com opção ao “goleiro” para quem
passar a bola, quem recebe dribla passa a bola ao outro companheiro que conclui e muitas
outras podem e devem ser realizadas, iniciando-se com a colocação de defensores o
fundamento defesa que, anteriormente, em fundamentos como arremesso parado e com
suspensão já haviam sido introduzidos. Criar situações competitivas nos educativos e nos
exercícios de treinamento entre grupos é essencial para estimular o aperfeiçoamento dos
movimentos. Pequenos Jogos, Pequenos Jogos Desportivos e Grandes Jogos são exemplos,
demonstrações, de que, mesmo sendo um movimento individualizado, o jogo coletivo –
ajuda do companheiro – é prioritário.

DRIBLE CONTRA MARCAÇÃO INDIVIDUAL

Basicamente, a utilização do drible contra marcação individual se dá em situações muito


específicas de uma partida de handebol: a primeira, quando o jogador passa de defensor para
atacante em um contra-ataque direto com a bola dominada e encontra um defensor e não tem um
companheiro para passar; a segunda, quando a equipe que tem a posse de bola está sofrendo uma
marcação individual de toda a outra equipe defensora, com uma marcação que pressiona pela
tomada de bola todo o tempo. O ponto fundamental estará no posicionamento a ser adotado com o
braço que dribla a bola, colocado a frente ou ao lado do corpo.
No primeiro caso é fundamental a utilização das chamadas fintas que para alguns é até
considerada como um fundamento do jogo e não um recurso adicionado ao ato de driblar como
este autor classifica. Para tal, no mesmo desenvolvimento de todos os fundamentos deveremos
conjugar o driblar com as fintas, em progressão pedagógica, das fintas mais simples para as mais
complexas e, de pouca para muita velocidade.
Na primeira finta a ter seus movimentos adestrados, trabalharemos - dentro da essência do
driblar e fintar – com dois companheiros: um como atacante e o outro como defensor. Colocados a
uma distância de 10 metros, no sentido transversal ou longitudinal (da linha central até a linha de

60
tiro livre, por exemplo), aproximadamente, um vai driblando(com as mãos alternadamente em
cada exercício) até o outro, faz o contorno no companheiro pelo seu lado esquerdo, volta driblando
até o seu posicionamento inicial e passa ao companheiro que faz o mesmo. Colocando-se, pouco-
a-pouco, mais velocidade no driblar e referenciando um metro do companheiro neste ponto
modifica-se a trajetória anterior do contorno, “trazendo” a bola para o lado direito deste e
trocando-se de mãos, induzindo-se que vai passar por um lado e mudando, bruscamente, a
trajetória para o outro lado, trocando-se a mão do drible e protegendo a bola com o corpo.

Na variação da mesma finta, referenciar um metro e meio antes do companheiro(adversário


no jogo) induzir como anteriormente, trocar de mãos, e trocar de novo passando pelo lado(do
atacante) que se está driblando a bola. Exemplo: ir driblando com mão direita, no ponto
referenciado, modifica-se a trajetória para a mão esquerda – e, conseqüentemente o defensor se
movimentará e acompanhará esta trajetória. Quando acompanhar, voltar para mão direita e
utilizando-se do corpo para proteger a bola, passar pelo adversário. Ir colocando cada vez mais
velocidade no driblar e no fintar. Neste tipo de finta fica demonstrada a obrigatoriedade – pela
situação de jogo – de ter que ir na direção ao defensor. Se puder, colocando mais velocidade, não
deixar que ele se aproxime e concluir antes de sua chegada melhor será.
Na segunda finta, aumentando-se o grau de dificuldade, utilizaremos o girar contra o
adversário ao invés da mudança brusca de trajetória. Trata-se de um trabalho muito utilizado no
basquetebol, onde quem tem a posse de bola, vai de encontro ao defensor faz um giro driblando
pelo lado da mão utilizada totalizando quase 360º e saindo pelo lado do adversário com a outra

61
mão e usando o corpo para proteger a bola. Como variação – por causa da movimentação lateral
do defensor acompanhando o giro - quando quase completar o giro, voltar com a mesma mão e
sair pelo lado que estava driblando e indo de encontro ao adversário. Usando a mesma sequência
pedagógica anterior, ir aumentando cada vez mais a velocidade do driblar e do fintar com giros.
Importante destacar que nos educativos a atitude do companheiro defensor deverá ser,
inicialmente, passiva e depois, procurando impedir a realização das fintas.

Passaremos – dentro da procura de adestrar movimentos globais utilizados no jogo – de


encadear driblar – fintar e arremessar com ou sem apoio (arremesso em suspensão) e, sem e com
três passadas. Os mesmos mecanismos de realizar sem passadas, arremessando, imediatamente,
após a finta devem ser utilizados com educativos entre três companheiros no sentido transversal da
quadra, por exemplo. Em uma distância de lateral a lateral da quadra, um vai driblando a bola(1),
faz a finta no companheiro (passivo(2)) e com o gesto de arremessar(3) - com aquela passada
necessária para dar equilíbrio ao corpo com a perna contrária ao braço de arremesso (variando com
e sem apoio) - passa a bola ao outro companheiro, corre até ele, faz o contorno(4), recebe a
bola(5) e executa o mesmo exercício(5) de volta com a outra mão. Alternam-se os executantes,
partindo-se das laterais. Passamos a realizar o mesmo trabalho com a utilização de duas e depois
três passadas, com a ajuda de marcos, que também foram utilizados no exercício anterior, após a
utilização dos dois tipos (e suas variações) de fintas. O companheiro que está no centro entre os
dois nas laterais mudará sua atitude de passiva para ativa, tentando impedir a finta.

62
6
4
5
1 2 3
1 – Drible
2 – Finta
3 – 3 Passos e Arremesso
4 – Corrida e Contorno
5 – Recepção da Bola
6 - Drible
6
4
5
1 2 3

Nos exercícios de treinamento, simularemos as várias situações que podem ser encontradas
no jogo, aumentando-se a distância gradativamente. Inicialmente, partindo-se da linha central, ir
driblando na direção do gol e ao encontrar um defensor realizar a finta, e arremessar em gol com e
sem apoio, utilizando–se do número de passadas, em função da distância da linha da área de gol.
Com mais velocidade, partindo-se da área defensiva com a bola dominada, encontrar o defensor,
driblar e arremessar em gol. Finalmente, o exercício de treinamento citado no drible sem marcação
individual com alunos posicionados em colunas entre a área de gol e a linha lateral, em uma
posição defensiva denominada de exteriores.

63
Passando à situação de sofrer toda a equipe uma marcação individual, o driblar assume
uma característica diferente no sentido do posicionamento dos braços. Enquanto que, para driblar
em velocidade e, mesmo encontrando um defensor usamos o braço esticado à frente do corpo,
quando temos uma marcação colada ao jogador que tem a posse de bola, este posicionamento de
braços deve ser feito ao lado do corpo, ao lado da perna do mesmo lado do braço que está se
driblando a bola.
Para adestrarmos este movimento devemos recorrer aos exercícios educativos que façam
com que este movimento de driblar a bola ao lado do corpo seja automatizado. Para tal, a posição
básica para o drible contra marcação individual deve estabelecer a máxima proteção à bola. Perna
contrária à frente, tronco um pouco inclinado, também à frente e braço e antebraço (o punho
trabalha, significativamente) que estarão driblando a bola semiflexionados ao lado do corpo, ao
lado da perna do mesmo lado da mão. Em algumas bibliografias costuma-se encontrar a utilização
do outro braço esticado ou semiflexionado na altura do tronco, como proteção contra o adversário.
Lembramos que na regra 8.d “Faltas e Conduta Antidesportiva”, onde diz que “é permitido
fazer contato corporal com o adversário, quando de frente à ele e com os braços flexionados, e
manter este contato de modo a controlar e acompanhar o adversário” devemos procurar restringir
todo e qualquer movimento, na fase de iniciação ao handebol que possa possibilitar um acidente.
Ademais, em algumas situações desta natureza quando o jogador que tem a posse de bola utiliza o
braço flexionado ou semiflexionado à frente e “empurra” o defensor, caracteriza-se uma “falta de
ataque”, porque ele tem a posse de bola.
Na mesma seqüência do drible sem marcação individual, driblar em posição básica parado,
trocando-se de mãos, com o ritmo em preponderância como valência física sob o comando do
professor ou do companheiro com ou sem bola, batendo palmas. Utilizando-se dois companheiros
driblando a bola, ao mesmo tempo, um de frente para o outro e tentando tocar na bola do
companheiro que deve protegê-la. Driblar de lateral a lateral da quadra com o companheiro
próximo, de costas fazendo uma “sombra”. Mudar trajetórias e direções na quadra de jogo com
somente sombra e depois, tentando tomar a bola, aumentando a necessidade de habilidade para não
perder a posse de bola. Visando as situações de jogo enfatizadas nos exercícios de treinamento,
desenvolver drible com marcação individual pressionada, fintas e arremessos ao gol, nas mesmas
seqüências pedagógicas utilizadas, anteriormente.

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Passando às situações que podem ser caracterizadas como educativos, mas enfatizando os
exercícios de treinamento, colocamos dois alunos tendo que chegar de uma lateral até a outra
lateral da quadra sendo marcados, individualmente e, pressionados por dois outros alunos em um
espaço limitado. Começaremos a verificar que o drible contra a marcação individual pressionada
deve ser um recurso e que, também (e, primeiramente no jogo), devemos utilizar os passes com
suas trajetórias para sair desta marcação. Aumentando para três contra três, quatro contra quatro,
etc, aumentando-se o espaço até chegar-se, no sentido transversal – por exemplo, de forma
recreativa, quem consegue colocar a bola atrás da linha lateral da outra equipe -, trabalhando-se
seis contra seis.
Naturalmente, fundamentos como bloqueios, corta-luz, - que seriam parte do ensino do
jogo de handebol em um estágio muito mais avançado -, acontecerão, desenvolvendo mais ainda
aquela sequência dos educandos onde eles aprendem e, através da prática criam movimentos
outros para atingir um melhor rendimento. Estes educativos e exercícios de treinamento devem
enfatizar o espírito de coletividade que deve permear o ensino de jogo de handebol.
Porém, devemos destacar que, em situações de defesa tipo Mista ou Combinada, que
estudaremos mais a frente, onde um, dois ou no máximo três jogadores são marcados
individualmente, estes jogadores devem possuir condições de através do driblar vencer esta
marcação e jogar para o coletivo.

DEFESA

Apesar de tratarmos nesta apostila de assuntos que possam parecer diferentes, o


fundamento defesa nunca pode estar separado do fundamento ataque. Ou seja, toda vez que
formalizarmos uma situação defensiva, esta acontecerá em função de uma situação ofensiva e
vice-versa. Podemos mesmo, até atribuir uma importância maior ao trabalho defensivo em alto
rendimento por frases, chavões, definições tais como no handebol “o melhor ataque é a defesa”.
Estamos contrariando o esporte mais popular do Brasil, o futebol, onde “a melhor defesa é o
ataque”. Estamos citando a linguagem popular do futebol, aquela falada pelo povão. Ainda bem
que a grande maioria de nossos treinadores – aqueles que tem um conhecimento mais avançado -
já verificaram a importância de defender, não tomar gols para poder vencer uma partida.

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E este aspecto – que no handebol apresenta um forte componente psicológico no não sofrer
gols e marcá-los – é muito realçado no alto rendimento - e deve, digamos, ser “encaminhado” na
iniciação ao handebol, sem deixar marcado como primordial. Passa, principalmente, pela
diversificação de participação nos posicionamentos de quadra, tanto defensivamente – inclusive
como goleiros – como ofensivamente.
Situações para demonstrar a necessidade de “defender” o território, a sua área de gol -
desde a linha de tiro livre - de um ataque adversário podem ser mostradas através de brincadeiras
como o conhecidíssimo “Pique-bandeira”. Neste jogo – que podemos, nesta fase da aprendizagem,
classificar como Grande Jogo, bola(s) devem ser utilizadas no lugar de bandeiras e para trazer a(s)
bola(s) para o seu campo, devem driblar ou passar a bola entre companheiros, desde o campo
adversário até o seu próprio campo.
O sentido de coletividade inserido no jogo de handebol tem no fundamento defesa o seu
aspecto mais relevante. A necessidade de ajuda dos companheiros para não sofrer gols deve ser
enfatizada. Outra brincadeira que simboliza esta necessidade de união é a denominada ”Pique-
corrente”. Ali todos aqueles “pegos” devem formar uma corrente para pegar os outros que se
somarão à corrente. Enfim, através de, principalmente, jogos recreativos, formaremos a
consciência da necessidade de defender para não perder.
Existem três tipos de armações defensivas ou de defesas, em terminologias que este autor
prefere utilizar: Individual, por Zona e Mista ou Combinada. Modernamente, alguns autores
classificam as defesas em Abertas ou Fechadas. Enquanto nas defesas abertas procura-se
preencher os espaços defensivos – a partir de 12, 15 metros da linha de gol – na profundidade da
quadra(imagine uma linha partindo da linha do gol até quase a linha central), nas defesas fechadas
valoriza-se a largura( imagine uma linha de lateral a lateral da frente da área de gol e lance livre,
sempre próximo ao gol) A partir de agora tente enquadrar estes tipos e os sistemas que serão
relatados nas defesas caracterizadas modernamente.
Na defesa Individual, também denominada, pressão, meia-pressão(dependendo do espaço
utilizado) os defensores devem adotar um posicionamento que podemos classificar como uma
“posição básica”: o mais próximo possível do atacante(com ou sem bola), postando-se entre este
atacante e a sua baliza, sempre de frente para o atacante e de costas para sua baliza. As variações
desta movimentação podem ser educadas até em forma de aquecimento, tais como, correr de
frente, de costas (ambos os movimentos em linha reta e em diagonais), lateralmente e, sempre,

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alternando a velocidade. O ritmo desenvolvido na aprendizagem do drible deve ser marcado nestas
variações de velocidade como adestramento para a alternância de ritmo que o atacante, fatalmente,
deverá utilizar para sair da marcação.

Trabalhos já iniciados no drible contra marcação individual devem ser repetidos. Por
exemplo, dois a dois partindo da linha lateral com um correndo(inicialmente, devagar e
aumentando depois a velocidade) e tentando chegar até ao outro lado e o outro de costas
procurando – no posicionamento básico – impedir sua progressão. Fazem-se exercícios educativos
sem bola e depois com bola. Com a bola nas mãos tentar chegar ao outro lado com o companheiro
tentando tocar na bola. O mesmo trabalho driblando a bola. Partindo-se de um espaço menor –
delimite um corredor para os exercícios - e ir aumentando, gradativamente, este espaço.
Com a ajuda do fundamento passe – podendo, como recurso, utilizar o drible -, comece a
trabalhar dois contra dois, três contra três, até chegar ao efetivo permitido no jogo de handebol:
seis contra seis. Pequenos Jogos como feitos anteriormente, do tipo colocar a bola atrás da linha
lateral do adversário, agora, com o incentivo e a determinação de que cada um jogador deve
marcar um outro jogador para tentar recuperar a posse de bola e tentar marcar um ponto. O Grande
Jogo conhecido como “Jogo dos 10 passes” deve ser utilizado, pois coloca uma situação de
pressão na equipe que tem de realizar o número de passes, antes da outra equipe. Quem consegue
realizar 10 passes primeiro? Quem realiza em menos tempo? Limite o espaço e vá aumentando
progressivamente.
Trabalhe a situação de realizar esta atividade no sentido longitudinal, tendo que realizar no
máximo 10 passes antes de arremessar em gol. Formalize o maior número de variações possíveis
com alunos atacando e defendendo, através de rodízio e de regulamentos que você pode criar, tais
como, só valer gol em arremessos em suspensão, ou somente com apoio. Este jogo já pode e deve

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ser utilizado como um exercício de treinamento, dentro de situações recreativas e motivadoras,
respeitando-se as regras do jogo, como não poder entrar na área de gol, dar mais de três passos,
“dois dribles”, etc.
Desenvolva a marcação individual a partir da linha de tiro livre até a linha central e na
quadra toda como exercício, chamando a atenção para as dificuldades encontradas, como o
tamanho da quadra. Situações que poderão acontecer, como por exclusão temporária, devem ser
utilizadas através de superioridade numérica dos atacantes, que devem ser desenvolvidas, desde a
fase dos educativos colocando-se, por exemplo, três atacantes contra dois defensores, quatro
contra três e assim, sucessivamente, em um espaço limitado e depois ampliado. Descobriu seu
enquadramento modernamente?Defesa aberta ou fechada?Claramente, uma defesa ABERTA.
O segundo tipo de defesa e a mais utilizada é a denominada marcação por Zona. No espaço
entre a linha da área de gol e a linha de tiro livre cada um dos jogadores recebe uma denominação
e assumem a responsabilidade por aquele espaço. Quando temos seis jogadores dispostos um ao
lado do outro na frente da linha da área de gol, temos uma defesa por zona em um sistema
denominado 6:0. Utilizando as linhas da área de gol(primeira linha defensiva) e de tiro
livre(segunda linha defensiva) denominamos os dois jogadores extremos(2 e 7) de exteriores –
laterais, segundo alguns outros autores - ,os dois do centro da defesa como centrais(4 e 5) e os
dois entre os centrais e os exteriores de interiores(3 e 6) – ou meias - Temos seis jogadores
próximos à primeira linha e nenhum jogador próximo à segunda linha defensiva.

5 4 2ª Linha Defensiva
6 3
7 2

1ª Linha Defensiva

Daí, 6:0 que deve ter uma distribuição destes jogadores com os centrais sendo os mais
altos, os interiores com altura abaixo dos centrais e os exteriores mais baixos. Podemos afirmar
que, em termos defensivos, seria ideal que tivéssemos estes seis jogadores todos eles com uma boa
estatura, como é o caso da maioria das equipes de alto nível que jogam neste sistema. Caso, não

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tenhamos estes jogadores altos devemos adaptar, montar nossa estrutura defensiva para jogar em
outros sistemas que veremos mais adiante ou outros tipos de defesa.
Estes seis jogadores deverão partindo de uma posição básica, executar vários movimentos
que tem 8(oito) deles como básicos para, juntamente com esta posição, conseguir sucesso em sua
missão defensiva. A posição é definida para facilitar esta movimentação e começa com os pés
afastados(nem muito e nem pouco) e paralelos, com as pernas semiflexionadas para facilitar as
mudanças de movimentos. O tronco deverá estar reto e os braços e os antebraços devem estar
formando um ângulo de 90º de frente para o atacante e com as palmas das mãos voltadas, também,
para frente. Esta posição é mais recomendada para jogadores de baixa estatura. Para os mais altos,
recomenda-se estender os braços lateralmente aos ombros fechando o espaço entre dois
defensores. Explicação: contra jogadores mais baixos os atacantes deverão procurar arremessos
por cima da altura da cabeça dos defensores e contra os mais altos na linha dos ombros, da cintura
e dos joelhos.
Nesta posição devem ser desenvolvidos movimentos – preferencialmente, dentro da área de
atuação de cada um e variando-se estas – para frente, para trás, lateralmente para a direita e para a
esquerda, em diagonal para frente direita e esquerda e diagonal para trás, também, direita e
esquerda.

Estes movimentos podem ser utilizados, também, na fase de aquecimento com passagem
da direita para esquerda e vice-versa, na frente da linha da área de gol e de tiro livre, com saídas
para frente e volta para trás, simulando saída para bloquear arremesso, etc.

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Deve-se conscientizar, o mais cedo possível que, quando o atacante de posse da bola pisa
na linha de tiro livre, “o alarme deve soar na cabeça de cada defensor” correspondente a estes
atacantes e aquele deve sair da posição inicial – o mais próximo possível da linha da área de gol –
e sair até a linha de tiro livre para diminuir a possibilidade de sucesso do atacante.
Estes oito movimentos e mais o gesto de saltar para bloquear um arremesso em suspensão
podem, também, ser automatizados no exercício utilizado no fundamento drible denominado
“espelho”. Espalhados na área defensiva ou cada um na sua posição de exteriores, interiores e
centrais, devem imitar gestos defensivos que correspondem aos atacantes com a posse de bola,
com a ajuda de um aluno ou do professor orientando estes gestos.
Coloque cada dois alunos em duplas na zona defensiva. Um será o atacante e o outro será o
defensor. O atacante, posicionado a dois metros da linha de tiro livre e de frente para o gol com
uma bola, simulará movimentos como entrar para arremessar, arremessar de fora da linha de tiro
livre com ou sem apoio, mudando o posicionamento do arremesso, como, por exemplo, pelo lado
do corpo, da altura do quadril, do joelho, com inclinação lateral do tronco, etc. O aluno defensor
deverá executar movimentos que acompanhem os gestos ofensivos, ou seja, uma resposta sempre
mais rápida ao atacante. Trata-se de condicionar situações que acontecerão durante um jogo e que
devem ter diminuído, cada vez mais, o tempo de reação (resposta defensiva) ao estímulo (gesto
ofensivo).
Comece a trabalhar na situação real, limitando em um espaço reduzido, dois contra dois,
três contra três, até chegar aos seis jogadores e aumentando os espaços progressivamente. Trabalhe
o “espelho” com seis jogadores e chame a atenção para sincronia de movimentos que deve haver
entre estes defensores em relação à bola, nos espaços que certamente aparecerão entre eles. Chame
a atenção para movimentar-se olhando não só para o atacante e, também, para o companheiro ao

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lado. Lembre que é fundamental fechar as zonas de maior incidência dos arremessos, as
guardadas pelos centrais com a ajuda dos interiores, tendo estes a colaboração dos exteriores.
Trabalhe seis atacantes contra seis defensores, incentivando o fechamento dos espaços mais
centrais e o porquê do “oferecimento” das laterais da área. Por quê? Ali, o atacante tem menor
ângulo para o arremesso que pode ser neutralizado – com mais facilidade – por um goleiro
razoável. Exercite uma simbologia de área defensiva com zona central, de atuação de interiores e
de exteriores.
Passaremos a mostrar outros posicionamentos na defesa por zona que levam a outros
sistemas que como o 6:0, apresentam vantagens e desvantagens. Estas serão levadas em
consideração no primeiro ponto importante os parâmetros de armação de uma equipe
defensivamente: o tipo e o sistema de ataque do adversário. Os outros dois pontos importantes
são o biótipo dos defensores e o nível de habilidade de cada um, tanto defensivamente, como
projetando seus posicionamentos como atacantes (exemplo: centrais deverão ser armadores,
exteriores, pontas ou pivôs, etc). No sistema 6:0, uma desvantagem é permitir os arremessos de
longa distância – que pode ser revertida, com um bom goleiro. A vantagem principal é fortalecer a
primeira linha defensiva, impedindo as penetrações pelas zonas mais centrais da defesa. Em
função destas vantagens e por permitir uma melhor distribuição dos jogadores nas faixas direita,
central e esquerda – dois em cada um – e, também, permitir uma “flutuação” mais viável(mudança
com poucos deslocamentos) para outros sistemas é denominado de sistema padrão de defesa.
Defesa aberta ou fechada o sistema 6:0?
Caso queiramos ter um jogador mais adiantado para impedir a troca de passes dos
armadores, impedir arremessos de longa distância ou para facilitar um contra-ataque, podemos
utilizar o sistema de defesa por zona denominado 5:1. Temos cinco jogadores marcando próximos
à primeira linha e um próximo à segunda linha. Como o objetivo é fortalecer o meio, é uma
vantagem a mais, aumentando, porém, a vulnerabilidade das laterais. Goleiro muito bem treinado
para defender bolas de ponta é recomendado.

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5:1

São, o 6:0 e o 5:1, os dois sistemas de defesa por zona mais utilizados tanto na iniciação ao
handebol como em alto rendimento. A explicação é simples: um maior agrupamento de jogadores,
não permitindo a concessão de espaços para os adversários, a não ser nas laterais da quadra. 6:0 e
5:1: abertas ou fechadas? Veja definição anterior.
Excelentes arremessadores no ataque adversário podem levar a ser necessário tirar mais
jogadores da proximidade da linha da área de gol e colocá-los próximos da linha de tiro livre. Com
o mesmo objetivo de fortalecimento da zona central, podemos fazer 4:2 ou 3:3. Entretanto os
espaços ficarão maiores ainda, nas laterais e no 3:3 – por estarem somente três jogadores próximos
da linha da área de gol - a primeira linha defensiva fica pouco protegida. Seria o caso em que a
equipe adversária se apóia firmemente em arremessos de longa distância e ter, na defesa, uma
facilidade para contra-atacar com dois ou três jogadores.

4:2 3:3

Um sistema que foi criado pelos antigos iugoslavos e que denota uma sincronia muito
grande de movimentos, denomina-se 3:2:1. Referencia-se com três jogadores próximos à linha da
área de gol como se estivessem um deles como central e dois como exteriores do 6:0. Dois
jogadores como interiores na faixa do linha do tiro de sete metros e um exterior mais adiantado na
linha de tiro livre. O ponto fundamental é impedir com os três jogadores mais adiantados os
arremessos de longa distância e permitir, também, uma “flutuação”, dos dois interiores ao se
adiantarem ou retornarem para sistemas outros como o 3:3, 4:2 e 5:1. É pouco utilizado devido à
dificuldade de se sincronizar movimentos sem deixar espaços na primeira linha defensiva e deve

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ficar claro que assim como a defesa explora as desvantagens do ataque adversário, este estará se
aproveitando das desvantagens que cada defesa se aproveita.

3:2:1
Exemplificando, quanto menos jogadores estiverem próximos à primeira linha defensiva,
mais atacantes estarão naquela faixa, procurando aproveitar os espaços oferecidos. No 3:2:1, quase
que, imediatamente, a equipe atacante posiciona dois pivôs para obrigar os dois interiores que
estão na linha imaginária como prolongamento da linha do tiro de sete metros a recuarem e, com
isto, permitirem os arremessos de longa distância. Em síntese, não existem tipos de defesa ou de
ataque, sistemas defensivos ou ofensivos fixos. Estes serão mudados na medida do necessário e
devido às situações momentâneas de uma partida como exclusões, expulsões, etc.4:2, 3:3, 3:2:1
são defesas, ou melhor sistemas defensivos abertos ou fechados?
O terceiro tipo de defesa é muito utilizado quando uma equipe atacante apresenta um, dois
ou três destaques, individualmente e tem pouco jogo coletivo através de jogadas pré-estabelecidas,
apoiando-se em atuações individuais de excelentes arremessadores, por exemplo.
Arma-se a defesa, através do primeiro parâmetro defensivo – jogar em função do ataque
adversário – com alguns jogadores marcando por zona e, no máximo três, marcando
individualmente o(s) destaque(s). Denomina-se de defesa Mista ou Combinada, pela mistura,
pela combinação de defesas por zona e individual, seguindo os mesmos posicionamentos destas.
Cinco jogadores marcando por zona e um marcando individual, formam o 5+1. Quatro marcando
por zona e dois individualmente, 4+2 e três por zona e três individualmente, 3+3. Daí em diante,
passa a ser marcação individual.

73

5+1
4+2

3+3
A utilização destes tipos de defesa obedece, como dito anteriormente, às situações
apresentadas no decorrer das partidas. A mais utilizada é a defesa por zona vindo a seguir a defesa
mista ou combinada. Entretanto, a defesa individual tem algumas peculiaridades para sua
utilização e comumente é feita em finais de partida onde para a equipe que está perdendo não
importa a diferença de gols e, sim, não perder. Este tipo de defesa necessita de uma preparação
altamente desenvolvida pelo desgaste físico que ela acarreta.
Porém, em algumas situações – jogadores expulsos ou excluídos( dois ou mais) - pode e
deve ser utilizada como uma forma de modificar o placar, aproveitando-se desta oportunidade.
Para alguns autores – e era um padrão da Confederação Brasileira de Handebol- CBHb – treinar a
defesa individual faz parte da preparação de categorias inferiores e devia – segundo o órgão – ser
obrigatória a sua utilização em um determinado percentual do tempo de jogo. Algumas equipes se
utilizam, não só em finais de partida e, também, durante o jogo como uma forma de quebrar o
ritmo de jogo da equipe adversária, como se fosse um “choque” com um procedimento que não é
habitual.
A terminologia defesas abertas ou fechadas – você já deve ter percebido – se aplica a estas
situações descritas e a armação- figuração espacial de cada sistema. Por exemplo, a defesa tipo
individual é uma defesa aberta, assim como a defesa por zona 3:3. Defesas fechadas são, para
outros autores, as defesas por zona 6:0, 5:1 e 3:2:1. Poderão ser encontradas citações de defesas

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abertas 1:5 ou 0:6, sempre utilizando-se das linhas – primeira e segunda - defensivas, além de
outras terminologias.

1:5 0:6

ATAQUE

Quando estiver trabalhando com seus alunos, verificará que trata-se do ato que estes mais
gostarão. Atacar, em qualquer esporte coletivo, torna-se um elemento motivador para, podemos
dizer, nosso povo em geral. Ficar na defensiva para poder contra-atacar, pode e deve ser uma
estratégia muito utilizada. Estamos, na iniciação desportiva, trabalhando para adestrarmos mais do
que movimentos e, sim situações, vivências nas mais variadas atividades utilizadas nas aulas –
educativos, exercícios de treinamento, pequenos jogos, pequenos jogos desportivos, grandes jogos
e o jogo, propriamente dito - que possam servir de ajuda em um processo educacional, na
transformação, na adaptação de nossos alunos ás mais diferentes situações que encontrarão em
suas vidas. E, em nossas vidas, em muitas vezes é preciso saber o momento certo de atacar, de
tomar uma decisão, individualmente e em equipe.
A palavra-chave para o sucesso de um ataque - que não seja definido em um contra-ataque
direto com saída do defensor driblando em velocidade ou através do passe do goleiro ou de um
defensor para um companheiro é paciência. E devemos nos utilizar de chavões do tipo em um
jogo de handebol não ganha quem arremessa mais, mas, sim quem faz mais gols. O aluno
perguntará: para fazer gols não é preciso arremessar? Sim, porém, quando, realmente, houver uma
chance para o sucesso do arremesso e não perdendo uma oportunidade e concedendo esta
oportunidade para o adversário. E esta conscientização, deve ser desenvolvida, principalmente, na

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ênfase da coletividade. Se existe um companheiro em melhores condições, passar a bola para ele é
o melhor para a equipe.
Verificamos no fundamento defesa a necessidade de defender para não perder. No ataque,
continuaremos pensando, primeiramente, neste chavão, para que atacar signifique poder ganhar.
Deveremos, sim, pensar em conscientizar nossos alunos que pensar no defender até no momento
de concluir uma jogada – no jogo coletivo -, torna-se fundamental. Podemos exemplificar,
lembrando de várias situações já criadas e adestradas em fundamentos anteriores, quando
trabalhamos o drible em contra-ataque – que chamamos de direto – por ter o goleiro ou a defesa
impedido o gol. Há de se destacar um atleta que esteja mais próximo da sua quadra defensiva para
ser o primeiro a voltar e, com isto, impedir o sucesso do contra-ataque direto.
Pensando no desenvolvimento de um jogo de handebol dito, estabeleceremos situações
comparativas entre ataque e defesa e dividindo estes fundamentos - estar atacando ou defendendo
-, em 4(quatro) fases, que guardam uma intrínseca relação:
Fases Ataque Defesa
1ª Contra - Ataque Direto(um ou dois passes e conclusão))
Retorno Imediato
2ª Contra – Ataque Sustentado(manter a posse de bola)Defesa temporária (tentar tomar a bola)
3ª Pausa para Organização(sucesso na manutenção) Pausa para Organização(insucesso na tomada)
4ª Ataque Estruturado( tipo/sistemas – conseguir concluir)
Defesa Estruturada(tipo/sistemas-impedir conclusão)

Desenvolvimento:

Uma equipe que estava sendo atacada retoma a posse de bola por uma defesa do goleiro, por
exemplo. Este, passa para um jogador exterior correndo no centro da quadra e que se lançou no
ataque para realizar um contra-ataque direto. Um jogador da equipe que acabou de atacar sem
sucesso – aquele mais próximo da quadra defensiva – no momento do arremesso retorna
imediatamente e ao marcar este jogador, exerce uma defesa temporária no centro da quadra ou
mais próximo de sua área de lance livre, tentando tomar a posse de bola.
O atacante de posse da bola ao verificar que não lograria êxito, quica a bola, “segura” o jogo até a
chegada dos seus companheiros, fazendo uma Pausa para Organização, proporcionando o
mesmo à defesa.
Chegam os outros jogadores da equipe que está com a posse de bola para Estruturar o Ataque
(escolha de tipo de ataque e sistema a ser utilizado para concluir em gol), enquanto os
companheiros daquele que conseguiu sucesso em impedir o contra-ataque, voltam todos para a

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quadra defensiva para Estruturar a Defesa ( para impedir a conclusão), utilizando-se dos
parâmetros defensivos já estudados no fundamento defesa.
Verificamos que existe necessidade de, também, estabelecer padrões, parâmetros, para
armar uma equipe ofensivamente. Primeiramente, jogar em função da estrutura da equipe
adversária, aproveitando as desvantagens que cada tipo e sistema defensivos apresentam, usando
as vantagens que cada tipo e sistemas ofensivos proporcionam. Em seguida, o nível de habilidade
dos atacantes deve ser preponderante sobre o terceiro parâmetro que é o biótipo dos atacantes.
Na estrutura, de um modo em geral, relacionaremos tipos de ataque que podem ser
utilizados. Da mesma forma, como na defesa, as terminologias são as que mais agradam a este
autor: ataques denominados Posicional, Circulação e Misto. E devemos, trabalhando os outros
dois parâmetros colocar como “engrenagem” (que faz funcionar) os trabalhos específicos de cada
posição ofensiva e que, em princípio, guardam uma relação com as posições defensivas,
elaborados no final deste.

Segunda Linha Ofensiva

Primeira Linha Ofensiva

Segunda Linha: Pontas e Pivô


Primeira Linha: Armadores
Tomando-se por base as linhas de tiro livre – denominando como primeira linha ofensiva
(segunda linha defensiva) – e a linha da área de gol, como segunda linha ofensiva(primeira
defensiva) deveremos armar nossos jogadores em posicionamentos onde estejam em equilíbrio
ofensivo. Assim como no 6:0 de defesa - embora naquele sistema estejam os jogadores dispostos
lateralmente - temos em um sistema denominado 3x3 , dois jogadores – dispostos no sentido
longitudinal ou diagonal - em cada faixa – direita, central e esquerda - da quadra.. Este, é
considerado o sistema padrão de ataque, pela melhor distribuição dos atacantes no campo
PE PD
ofensivo.
Pi

AE AD
AC
77

3x3
Utilizando as linhas como referência, teremos três jogadores próximos a primeira linha e
três jogadores próximos à segunda linha ofensiva. Os três primeiros terão como missão armar o
jogo para que os outros três possam concluir em gol, ou então definir através de arremessos de
longa distância ou penetrações nos espaços que a defesa apresentar. São denominados Armadores
e classificam-se pela posição que ocupam: Direito(AD), Central(AC) ou Esquerdo(AE), no
3x3(sistema padrão) ou direito e esquerdo – neste caso alguns autores preferem a denominação
“meias” -, ou central e direito, central e esquerdo e, ainda, direito, esquerdo, e dois centrais,
dependendo do número de armadores utilizados em cada sistema.
Os três próximos à segunda linha denominam-se Alas, Pontas(PD e PE) Extremas ou
ainda Laterais – outras terminologias -, direito ou esquerdo e localizam-se, fazem seu jogo
principal atuando entre a linha da área e a linha lateral. O jogador que se movimenta no centro da
defesa, bem próximo a linha da área de gol é conhecido como Pivô(Pi) que em outros sistemas
podem ser em número de dois ou até três.

Estes jogadores têm características e localizações específicas que passam, em princípio,


pela armação defensiva. Imaginemos em um 6:0 ( atente para as diferenciações dos sinais entre os
números nos sistemas defensivos e ofensivos ( : , +, x) ) onde temos dois exteriores que pela
exigência de fortalecimento da zona central não são os mais altos. Devem ser – volto a enfatizar -,
em princípio para todas as posições, aqueles que jogam no ataque como alas. Teoricamente,
mais baixos, mais velozes, aqueles que saem mais rapidamente em um contra-ataque e que terão
mais agilidade para vencer seus oponentes, também, exteriores.
Os interiores, um pouco mais altos que os exteriores, podem localizar-se como pivô – o
mais forte dos dois – e o outro, menos forte e, provavelmente, mais habilidoso, o armador central

78
ou o armador de maior destaque, responsável por municiar os alas e o(s) pivô(s), principalmente.
Os dois centrais, normalmente, os mais altos serão os armadores direito e esquerdo. Aproveita-se
sua altura para ter a opção de arremessos dos dez, doze metros ou, no caso de serem, também,
velozes, nas penetrações.
No ataque tipo posicional, estes seis jogadores guardam responsabilidade, assim como na
defesa por zona, por determinadas faixas, movimentando-se e muito, mas – o que o torna não tão
eficiente contra defesas muito fechadas – fazendo somente a bola circular. Costuma-se dizer, em
handebol, “mexer” a bola, como fazer a bola movimentar-se saindo da posse do armador central,
indo para o armador direito que passa para o ponta direita que volta para o armador direito, para o
central, para o esquerdo e “mexendo-se” ( em velocidade e com bastante movimentação), tenta-se
conseguir espaços para penetrações de armadores, arremessos de armadores com bloqueios dos
pivôs, “entrada” dos pontas ou passe para o pivô quando desmarcado, como formas de conclusão
da jogada.

Ataque Posicional.
Somente a Bola Circula
Ainda no tipo posicional, outros sistemas podem ser desenvolvidos, alguns deles
obedecendo às situações momentâneas da partida. Se eu coloco seis jogadores próximos à primeira
linha ofensiva e nenhum próximo a segunda linha ofensiva, tenho um sistema denominado 6x0

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6x0
Seis jogadores que trocarão passes e que tem como proposta arremessar de longa distância.
Típico da fase de organização ofensiva onde se mexe a bola para elaborar uma jogada pré-
estabelecida. O mesmo em um 5x1, com cinco jogadores próximos a primeira linha e um, próximo
da segunda, como ala ou como pivô.

5x1

Na medida em que vamos colocando mais jogadores próximos a segunda linha tornamos
nossos sistemas mais ofensivos ainda. Dois alas ou dois pivôs ou um pivô e um ala e quatro
armadores, formam o denominado 4x2; quatro jogadores próximos a primeira linha e dois, à
segunda. No 3x3, já citado, anteriormente, como o sistema padrão de ataque verificamos
ofensividade, equilíbrio, quase não apresentando desvantagens na sua utilização.

4x2

80
Passamos então a considerar mais ofensividade, ainda. Colocaremos dois pontas, dois
pivôs e dois armadores no denominado 2x4. Dois jogadores próximos a primeira linha e quatro à
segunda. Bastante ofensivo, mas que apresenta como desvantagem – em caso de não
aproveitamento do ataque – facilitar o contra-ataque adversário e como vantagem, explorar o
potencial de pontas e pivôs e, também, impedindo a saída constante dos defensores de sua posição.

2x4

Partindo-se da premissa de que – também, em princípio – todos os jogadores devem saber


atuar em todas as posições (seus alunos devem “experimentar” todas as posições ofensivas ou pelo
menos duas, uma em cada linha) independente de biótipo e, sempre, valorizando-se a habilidade,
outros tipos de ataque tornam-se mais eficientes que o posicional e que tem como, podemos dizer,
este pré-requisito para os jogadores: saber jogar em várias posições.
No ataque tipo Circulação - partindo-se do posicional que seria a fase de organização –
todos os jogadores (com e sem bola) procuram trocar de posição para confundir os defensores
adversários. Ao contrário do posicional, o defensor terá como atacante direto a ser marcado,
jogadores com características variadas. Sempre procurando manter o equilíbrio ofensivo – dois em
cada faixa de campo – armadores trocam de posição entre si, alas com pivô, alas com alas,
armadores com alas, armadores com pivô. Procura-se nestas trocas espaços para concluir uma
jogada já pré-estabelecida por esta movimentação em qualquer local da área defensiva.
Normalmente, a troca de posição de posse de bola se dá entre armadores e no máximo entre
armadores e pontas e pela movimentação constante não podemos caracterizar, de forma espacial,

81

Ataque em Circulação
sistemas neste tipo de ataque. Como exige uma sincronia de movimentos muito grande, poucas
equipes podem utilizá-lo com muita constância, usando estas trocas no momento de conclusão.

Também, partindo-se do posicional, para definir um ataque, temos como de mais eficiência
o ataque conhecido como Misto. Apesar de ser uma mistura de posicional e circulação, não
utilizamos na terminologia para o ataque, Misto ou Combinado, como na defesa. Em algumas
bibliografias se coloca Combinado para defesa e Misto para o ataque. Na verdade, este tipo de
ataque estabelece diferenças na forma de atuação na primeira e segunda linhas ofensivas.
Troca-se de posição em uma das linhas e movimenta-se, sem trocar na outra fazendo
entradas e saídas, “flutuando-se” de ala para pivô, por exemplo, sem trocar de posição, visando
incomodar, tirar a atenção da outra linha. Como exemplo, podemos sugerir a movimentação de
troca entre armadores com a posse da bola no exercício conhecido como “oito”. O armador central
passa para o armador direito e ocupa sua posição. Este passa para o armador esquerdo e vai para o
seu lugar e os três ficam trocando de posição enquanto os pivôs e alas movimentam-se como
citado. A conclusão pode sair de qualquer dos jogadores na situação pré-estabelecida.

Ataque Misto
82
Podemos, em síntese, verificar que, o ataque tipo posicional quando não é utilizado para
concluir a jogada – pela facilidade com que cada defensor pode marcar os atacantes “fixos” –
sempre é utilizado como início de uma jogada pré-estabelecida através do próprio posicional, e
usando-se, depois, o circulação e o misto.
Para podermos fazer esta macroestrutura funcionar é preciso fazer as micros funcionarem.
E, em segundo lugar nos parâmetros para armar uma equipe ofensivamente está o nível de
habilidade dos atacantes. Estes, tem movimentos específicos utilizados nas posições ofensivas e
que exigem características, também, específicas, com, valências físicas pertinentes e necessárias
para atuar naquela posição. Os armadores centrais por jogarem em uma zona bastante fortalecida
pelas defesas – com os jogadores mais altos no centro da defesa – não são tão especialistas em
arremessos de longa distância que seriam mais específicos para os armadores direito e esquerdo.
Trabalha-se na “formação” dos armadores centrais o adestramento dos passes para os
armadores, pivôs e alas. Porém, sem deixar de trabalhar um arremesso de longa distância – que
pode ser necessário executar – e, também, as penetrações que por sua estatura não muito elevada,
podem fazer com que sua velocidade facilite. Para os armadores direito – preferencialmente
canhotos - e esquerdo, a valência força se torna fundamental desenvolver aumentando a potência
de seus arremessos de longa distância. E, também, velocidade, para as penetrações.
Os pontas ou alas devem ter uma velocidade de membros inferiores – para o contra-ataque
– e superiores muito desenvolvida, além de uma boa agilidade (velocidade com troca de direção)
para que, ao deparar-se com um defensor fintá-lo ou aproveitar-se da velocidade para passar pelo
defensor . Jogam os alas em uma posição de pouco ângulo para o arremesso(cerca de 30%
contando-se como 100% de frente da linha da área de gol para o centro da baliza), necessitando
daí, algumas vezes, saltar para dentro da área de gol, buscando uma maior amplitude angular para
o sucesso no arremesso. Coragem e habilidade para executar saltos onde o jogador fica deitado,
lateralmente, quase que paralelo ao chão no ar, são outros requisitos necessários para esta posição.
Trabalhar a posição de pivô e, principalmente – como os goleiros – fazer um aluno ocupar
esta posição é tarefa árdua. Joga o pivô, normalmente, de costas para a defesa e procurando “abrir”
os espaços para os companheiros, conseguir uma brecha para receber a bola e concluir ou executar

83
bloqueios para que arremessos aconteçam atrapalhando a ação do defensor e do goleiro, e desta
forma estará jogando coletivamente. Talvez, o que mais jogue coletivamente.
Em função destas especificidades, na fase de iniciação devemos montar educativos e
exercícios de treinamento inerentes a capacidade dos alunos em realizar movimentos. E, como já
verificamos, devemos adaptar a dificuldade de execução para cada faixa etária, para cada série do
ensino, respeitando-se individualidades que foram detectadas e destacadas por ocasião do pré-teste
inicial e sanadas( pelo menos tentadas ) em fases anteriores.
Para as posições de armadores repetir os arremessos parado ou com apoio, já trabalhados
anteriormente, com uma visão de formação ofensiva podem ser desenvolvidos em todas as séries.
Passar a bola da posição de armador direito ou esquerdo para um companheiro que faz a posição
de armador central, receber de volta dar três passadas e arremessar da linha de tiro livre ou
penetrar, inicialmente, sem defensor e depois contra um defensor; trocando-se para finalizar da
posição de armador central - com passes da direita ou da esquerda - e armador esquerdo, podem
ser transformados de educativos para exercícios de treinamento, passando do individual para o
grupal, ou seja, com movimentação de passes entre os armadores antes da conclusão.
Trabalhar a posição de pivô, obedecendo uma progressão pedagógica. De costas para o gol,
sem marcação e sem bola, realizar o movimento de girar apontando o pé contrário ao braço de
arremesso, ficando de frente para o gol, saltar para frente e realizar o gesto de arremesso,
procurando já visualizar os ângulos superiores e inferiores como pontos de precisão. Com a bola
na mão – junto ao peito, protegida do defensor - girar e realizar o arremesso. Dois companheiros,
um na linha de tiro livre como armador passa bola para o pivô que recebe, gira, salta e arremessa.
Começando a se movimentar com pequenas distâncias até passar da posição de ponta para
receber como pivô - recebendo o passe da esquerda para direita entre dois cones para o destro e ao
contrário para o canhoto. Colocando dois companheiros como defensores, procurar “arranjar” um
lugar entre os dois para receber a bola e executar o movimento. Desenvolver a bilateralidade é
importante, porém, não obrigatório. Seria o desejável para o pivô poder fintar o defensor. Em um
exercício de treinamento para armadores e pivôs, teríamos uma coluna de pontas que passariam a
bola para a coluna de armadores direitos que passariam para os armadores centrais que fariam o
passe para o pivô vindo da ponta que concluiria, inicialmente sem defensores e colocando um e
depois dois defensores.

84
A mesma estrutura de exercício de treinamento pode ser montada para o trabalho de alas.
Coluna de alas passam a bola para os alunos da coluna de armadores esquerdos ou direitos
recebem de volta e penetram arremessando contra o gol, sem e depois com goleiro. Devem ser
precedidos de arremessos específicos feitos por, preferencialmente, alunos destros pelo lado
esquerdo e por canhotos no lado direito. Trata-se de propiciar um melhor ângulo de arremesso para
estes alunos, embora seja fundamental que tenham condições de arremessar dos dois lados, ambos,
destros e canhotos (sinistros).
Fazer os trabalhos específicos de cada posição ofensiva e ir montando as situações
conjuntas, como anteriormente mostramos entre armadores e pivôs, armadores e pontas, goleiros,
exteriores e depois transformados em atacantes (pontas) fará com que os alunos possam, passo-a-
passo ir conhecendo o jogo do individual para o coletivo – jogo desportivo que já praticaram
diversas vezes – de uma forma mais lapidada, mais burilada, mais especializada podemos dizer
assim.
Vários outros fundamentos na fase de especialização – no ensino médio, por exemplo –
podem ser incluídos, mais especificamente, embora já “utilizados” não como fundamentos na
iniciação. Bloqueios, corta-luz, cortinas, as jogadas pré-estabelecidas (ou ensaiadas) são
movimentos com uma maior dificuldade de execução. Também nesta fase, a ênfase na utilização
das regras do jogo de handebol como tática individual (utilização do tronco, por exemplo) e
aproveitamento das situações momentâneas devem ser ratificadas.
Regras estas que tiveram uma “superficialidade”, na medida em que, dentro da orientação
proposta do aprender jogando, fazer o jogo fluir é fundamental. Porém, registrando aquelas
regras mais importantes para este objetivo ser alcançado, como as regras dos “três passos, três
segundos, dois dribles, os tiros” e o impedimento total – através da explicação do rigor das
punições oficiais ou outras criadas - de qualquer possibilidade de caracterizar situações de
violência, preocupação essencial para não acontecerem acidentes e, descaracterizar a filosofia do
handebol.

CONTRA-ATAQUE EM “ONDAS”

Este “fundamento” se apresenta nesta apostila como uma ilustração, já que o objetivo é
trabalhar a iniciação ao handebol e, na opinião deste autor, trata-se de um fundamento com um

85
grau elevado de dificuldade. Entretanto, caso o nível de habilidade do grupo permita, é de muita
importância dar condições para a efetivação deste, assim como de outros fundamentos. A
sequencia evolutiva do educando – Aprender-Praticar-Criar-Render – citado nas páginas iniciais
deste trabalho mostrará ao profissional a possibilidade de sua utilização. E não podemos, nunca,
deixar de utilizar o jogo de alta performance como espelho, como exemplo a ser seguido. Reporto-
me ao trabalho do Professor Kassler, utilizado aqui como referencial.
O handebol no alto rendimento vem procurando se desenvolver buscando cada vez mais
tornar o jogo atrativo ao público presente nos ginásios, praias, espaços abertos, enfim em todos os
locais possíveis para a sua realização, com a constante melhoria nas valências físicas,
principalmente a velocidade do jogo. Jogadores com um biotipo muito elevado ainda é uma
característica dos jogos masculinos, diferentemente dos femininos, pela própria estrutura física das
mulheres, embora tenhamos algumas exceções, como nas seleções da Rússia – mais de uma
jogadora com mais de 1,90m de altura e até 2,00 metros – e do Brasil, com uma jogadora com
1,93, 195m de altura. Nos homens encontramos médias de altura acima de 1,95m, enquanto esta
média cai para 1,80, 1,83m entre as mulheres.
Sempre foi típico dos jogadores e jogadoras a utilização da força, da potência de
arremessos como diferencial para vencer as partidas. Porém, as equipes nórdicas femininas vem
apresentando a algum tempo o implemento da velocidade de seus contra-ataques como arma para
vencer equipes de maior biotipo e, consequentemente, mais pesadas e, teoricamente, mais lentas
em seu retorno defensivo. O sucesso da equipe norueguesa – simplesmente campeão mundial,
européia e olímpica – e da equipe dinamarquesa, que a antecedeu em alguns destes títulos (veja
quadro de resultados destas competições nas páginas iniciais desta apostila) baseia-se,
principalmente, nesta velocidade de contra-ataque, sem abrir, quando necessário da excelência de
seu jogo posicionado de ataque contra defesa e, fundamentalmente, com uma defesa fortíssima e
uma excelente goleira.
Para tal, os países daquela parte do mundo – a Escandinávia – estabeleceram o conceito de
contra-ataque por “ondas” como uma semelhança das ondas do mar que vêm em sequencia.
Voltemos ao sistema defensivo 6:0 com os jogadores dispostos próximos à primeira linha
defensiva, divididos em centrais, interiores e exteriores. Verificamos que esta divisão, também se
baseia no biotipo dos jogadores com mais altos como centrais, menos altos que os centrais como
interiores e mais baixos (teoricamente mais velozes) como exteriores. Situação de jogo.

86
A defesa não conseguiu bloquear o arremesso que foi contido pelo goleiro ou saiu pela
linha de fundo. No momento do arremesso começa a “primeira onda” com a corrida em
velocidade paralelamente à linha lateral dos exteriores (direito e esquerdo) para receber a bola do
goleiro ou de outros defensores na linha central ou mais a frente para concluir em gol,
aproveitando-se da demora em retornar do adversário que havia arremessado.
Porém, caso o retorno de um ou mais jogadores seja eficiente impedindo a primeira onda,
os interiores já estavam se deslocando, também em velocidade, para apoiar os exteriores, criando
assim a “segunda onda” e também, tentando finalizar rapidamente o contra-ataque. No
impedimento por um bom retorno imediato, os centrais já se deslocaram para formar a “terceira
onda” e, também, tentar concluir, mesmo que com mais um ou dois passes, o contra-ataque em
gol. Caso não seja possível a efetivação em gol, faz-se uma pequena pausa para organização do
jogo de ataque contra defesa posicionados em seus respectivos tipos e sistemas.
Descrevemos uma situação que não pode demorar mais de 15, 20 segundos para acontecer,
o que leva em algumas partidas, principalmente femininas, a um número de mais de 100 ataques
por jogo das duas equipes, denotando um desgaste físico muito grande e, consequentemente, a
utilização de todas as jogadoras do banco de reservas, indicando a equivalência técnica entre elas.
Normalmente, nas equipes masculinas este número não passa de 60 ataques por partida entre as
duas equipes.
Verificamos situações nos jogos masculinos de forçar o contra-ataque contra equipes que
fazem muitas substituições de jogadores específicos de defesa, aproveitando-se de espaços que são
concedidos nestes momentos, até mesmo próximos às zonas de substituições, como estratégia para
anular esta possível vantagem nas trocas. Outra situação característica, tanto no masculino e no
feminino é se incrementarem os contra-ataques quando se está em vantagem numérica no placar e
em número de jogadores e, nunca quando se está em desvantagem, embora no jogo de 5 jogadores
contra seis, em uma possível acomodação no retorno imediato da equipe que está em vantagem,
possam e devam ser estabelecidos contra-ataques.E, como dito anteriormente, goleiros de alto
nível são o ponto de partida para a realização deste fundamento, não só nas defesas, assim como
nos passes.

“FAZENDO UM GOLEIRO”

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Em uma partida de handebol, torna-se o goleiro como parte das mais importantes no
sucesso de uma equipe. Podemos atribuir valores como de que um goleiro muito bem preparado,
significar quase que 70% de uma equipe. E, afirmar que não estaremos superdimensionando sua
atuação, com o exemplo do tempo dedicado ao treinamento deste jogador que é, freqüentemente,
estudado e simbolizado como o último defensor – caso os defensores jogadores de campo
fracassem em impedir a conclusão e o primeiro atacante.
Ditando o contra-ataque de sua equipe, após a defesa de um arremesso, ou mesmo após
sofrer um gol, preocupando-se em agilizar a saída de bola por sua equipe(desde que interesse),
tentando surpreender o adversário, principalmente nas trocas entre jogadores de ataque e de
defesa, orientando seus companheiros, ajudando o treinador dentro de campo(por sua visão
privilegiada), normalmente, começa o goleiro a treinar bem antes do restante do grupo, seja em
uma programação de longo prazo ou em dias de jogos.
E, com toda esta importância, como “fazer” um goleiro? Apesar da utilização em nosso
país de goleiros de handebol que migraram do futebol ou do futsal(caso deste autor) e que
adquirem uma determinada “base” para defender – as dimensões das balizas de handebol e futsal
são as mesmas -, para que possamos preparar um bom goleiro, devemos ter em mente que algumas
características do jogo e de materiais utilizados são bem diferentes.
A bola de handebol é mais leve e menor que a bola de futsal e, conseqüentemente, a
velocidade com que chega ao gol, arremessada pelos atacantes é muito maior. Desta forma, o
tempo de reação(tempo entre o estímulo(arremesso) e a defesa) deve ser trabalhado para ser o
menor possível. Esta mesma velocidade faz com que as defesas de bolas baixas sejam efetuadas
com os pés e as pernas, não dando tempo(na maioria dos casos) para efetuar defesas, nestas bolas,
com as mãos. Outra valência física deve ser bem trabalhada, por este motivo, como a flexibilidade
de pernas, braços e coluna.
Existe a vantagem em poder defender a bola para fora da linha de fundo e não ocasionar
um tiro de canto, mas esta mesma velocidade da bola obriga o goleiro a desenvolver uma
“coragem” muito maior, ao ter que absorver arremessos na altura do peito ou até mesmo no rosto.
Estas características serão fruto de um treinamento. Mas, repetimos a pergunta: como fazer um
goleiro?
Como já citado, anteriormente, fazer com que nas atividades de mini-handebol – onde os
arremessos não serão tão potentes – com que todos joguem e em todas as posições, pode despertar

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a vontade que alguns alunos – e, algumas vezes trazem estas qualidades do goleiro de forma inata
– de “assumirem” esta posição, que exige um sacrifício muito grande, por todas as virtudes que
deve possuir. Virtudes que passam, não só pelos fundamentos de defesas altas, baixas, etc, como
no aprimoramento de parâmetros(valências) físicos como velocidade de membros superiores e
inferiores, resistência geral, resistência muscular localizada, etc, assim como ter que dominar
quase todos os fundamentos de jogadores de campo, caso necessite participar do jogo em uma
situação de exclusão temporária de companheiros e sua equipe estar sendo marcada
individualmente.
O processo de formação de um goleiro não deve passar pelo simples fator da exclusão,
como, quase sempre, exemplificado pelo futebol (bastante modificado, hoje) de que vai para o gol
– desde as famosas “peladas” da infância – aqueles que não tem habilidade com a bola e, sim, com
o incentivo da importância da posição e da capacidade de observação do professor para descobrir
aqueles mais integrados àquela função.
Desde a fase inicial da aprendizagem, ensinando jogos de um aluno arremessando e outro
tentando impedir o gol (na baliza ou em espaços marcados na parede) com a inclusão do fator
motivador “quem faz mais gols”, ou no próprio jogo de “queimado” (os que mais defendem, que
conseguem deter a bola) verificando os mais corajosos, os mais flexíveis, aqueles que respondem
com mais rapidez aos comandos, aqueles que parecem “atrair” a bola para si, e, que, ao contrário
do futebol, têm bastante habilidade, torna-se possível “dirigir” estes alunos ao desenvolvimento
das outras capacidades necessárias para um bom goleiro.

CONCLUSÃO E ESCLARECIMENTO

Chegamos ao final desta apostila que, ratificando o que consta na capa, foi elaborada para
os alunos inscritos na disciplina Fundamentos do Handebol , da Escola de Educação Física e
Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro que cursam com o Professor Mauro
Cézar Sá da Silva. Esta disciplina tem como ementa a vivência reflexiva das metodologias
utilizadas no ensino do esporte handebol e é a Metodologia do Ensino dos Fundamentos do
Handebol como desenvolvida neste trabalho, a opção de metodologia adotada por este docente,
sem descartar outras que possam existir e não ter a pretensão de achar que é a mais correta. Julgo
ser, a mais indicada.

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Entendo que outros fundamentos – como, por exemplo, aprofundar os discentes nas táticas
coletivas defensivas e ofensivas ou mesmo no treinamento de goleiro (e não através da iniciação
desenvolver o “gosto” do aluno para ser goleiro) – poderiam e, podem em um futuro fazer parte do
conjunto de assuntos desenvolvidos nesta apostila. Mas, julgo que este conhecimento – por se
tratar de aprendizado mais específico e quase que individualizado - pode e deve ser aprendido por
ocasião do curso da disciplina Handebol III, cuja ementa prevê o desenvolvimento da Técnica,
Tática, Treinamento, Regras, etc.
Gostaria de salientar, também, que adaptações, modificações que possam e devam
contribuir para o aumento do conhecimento dos discentes, serão feitas, quando necessário e que,
como uma pretensão legítima, aspiro transformar esta apostila em livro a ser brevemente editado.

Agosto de 2017.

Professor Ms. Mauro Cézar Sá da Silva


Professor Assistente IV
Departamento de Jogos
EEFD/UFRJ

BIBLIOGRAFIA

1) Confederação Brasileira de Handebol – Projeto Mini-Handebol, O jogo


Disponível: http:\\- www.brasilhandebol.com.br ;
2) Confederação Brasileira de Handebol – Regras
Disponível:http:\\www.brasilhandebol.com.br. ;
3) Confederação Brasileira de Handebol – Regras de Handebol de Praia -
Disponível:http:\\www.brasilhandebol.com.br. ;
4) Congresso Nacional –Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996;

90
5) Federação Européia de Handebol – Resultados Sleções Nacionais – Disponível :
http:\\www.eurohandball.com, 10-06-2010.
6) Federação Internacional de Handebol – Resultados internacionais –
Disponível:http:\\www.ihf.info/index.jsp, ; 17-04-2012;
7) Ferreira, Pedro – Handebol de Salão. São Paulo, Cia Brasil Editora,s/d;
8) Huizinga, Johan – Homo Ludens- O jogo como elemento da cultura. São Paulo, Editora
da Universidade de São Paulo,1971;
9) Kassler, Horst – Hándbol-del aprendizagem a la competencia. Buenos Aires, Editorial
Kapelusz,1976;
10)Marinho, Inezil Pena – História Geral da Educação Física. São Paulo, Cia Brasil
Editora, 1980;
11)Miri, Alfredo Omar - Apostila Curso de Handebol – Jornadas Internacionais de
Educação Física e Desportos– FIEP, Volta Redonda,1975
12)Nagy-Kunsagi, Paulo – Handebol. São Paulo, Palestra Edições Ltda, 1978;
13) Reis, Heloisa Helena Baldy – O Ensino do Handebol através do Método Parcial. Anais
do III Encontro de Professores de Handebol de Instituições de Ensino Superior Brasileiras.
Belo Horizonte, Minas Gerais, 2004.
14) Silva, Mauro Cézar Sá – Difusão e Cultura do Handebol no Rio de Janeiro, Dissertação
de Mestrado. Rio de Janeiro, EEFD/UFRJ, 1995.
15) Simbologia do Handebol – Federação Internacional de Handebol (1996) –
Disponível:http:\www.eef.ufmg.br/pablogreco,16/03/2004.

ANEXO I

TABELA DE AVALIAÇÃO DE RESULTADOS UTILIZADA NO INSTITUTO NACIONAL


DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE BUENOS AIRES – PROF. ALFREDO OMAR MIRI – 1975 –
BASE PARA AFERIÇÃO DE PRÉ-TESTE PARA ADULTOS
1) ARREMESSOS
HOMENS PONTOS MULHERES
24 ou menos 0 20 ou menos
25 1 21
26 2 22

91
27 3 23
28 4 24
29 5 25
30 6 26
31-Aprovado 7 27-Aprovada
32 8 28
33 9 29
34 ou mais 10 30

2)PASSES
HOMENS PONTOS MULHERES
29” ou mais 0 28” ou mais
28,6 a 29” 1 27,6 a 28”
28,1 a 28,5” 2 27,1 a 27,5”
27,6 a 28” 3 26,6 a 27”
27,1 a 27,5” 4 26,1 a 26,5”
26,6 a 27” 5 25,6 a 26”
26,1 a 26,5” 6 25,1 a 25,5”
25,6 a 26” 7 24,6 a 25”
25,1 a 25,5” 8 24,1 a 24,5”
24,6 a 25” 9 23,6 a 24”
24,5 “ou menos 10 23,5 ou menos

3) VELOCIDADE DE MOVIMENTAÇÃO DEFENSIVA

HOMENS E MULHERES PONTUAÇÃO


10 MOVIMENTOS OU MENOS 0
11 1
12 2
13 3
14 4
15 5
16 6
17 7
18 8
19 9
20 10

92
93

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