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CONVENIO SECRETARIA DE ENSINO DE 1º E 2º GRAUS/MEC UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FUNDAÇÃO CEARENSE DE PESQUISA E CULTURA

PARTICIPAÇÃO: FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS

AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO RURAL BASICA NO NORDESTE BRASILEIRO

COMPARAÇÕES BASICAS

RELATÓRIO TÉCNICO N° 4

1982

EQUIPE TECNICA

UNIVERSIDADEFEDERALDOCEARÁ-DEPARTAMENTODEEDUCAÇÃO

ANGELA TERESINHA DE SOUZA THERRIEN HELENA MARIA DE SDUZA FERREIRA JACQUES THERRIEN MARIA CONSUELO LINS DE MATOS MARIA LÚCIA LOPES DALLAGO MEIRECELE CALÍOPE LEITINHO SOARES RAIMUNDO HÉLIO LEITE [Coordenador) ROSEMARY CONTI FURTADO SILENE BARROCAS TAVARES

EPUIRE DE PROCESSANDO DE DADOS

JOÃO BATISTA GOMES FERREIRA NETO ROBERTO CLAUDIO FROTA BEZERRA

EPUIPE DE APOIO

ANA NERY BEZERRA PARA ENÛE DE JESUS CUNHA MORAES

INDICE

INTRODUÇÃO - 01

1. DADOS SOBRE A ESCOLA - os

1.1. RECURSOS HUMANOS - 03

1.2. ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA - 05

1.3. ASSISTÊNCIA AO ALUNO - 05

1.4 CONDIÇÕES FÍSICAS DA ESCOLA - 07

2. DADOS SOBRE O(A) PROFESSORE - 17

2.1. SALÁRIO E SITUAÇÃO FUNCIONAL - 18

2.2. ATIVIDADE DOCENTE - 19

2.2.1. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM CLASSE - 19

2.2.2. RECURSOS MATERIAIS - 26

2.2.3. TIPO E FREQÜÊNCIA DE DEVERES DE CASA - 29

2.2.4. MODOS DE AVALIAR A APRENDIZAGEM - 33

2.3. ATITUDE E DESEMPENHO DO[A] PROFESSOR[A] FACE À SUPERVISÃO - 35

2.4. ATITUDE DOS PROFESSORES QUANTO A IMPORTÂNCIA E DIFICULDA- DE DAS DISCIPLINAS DO CURRÍCULO - 41

3. DADOS SOBRE 0 ALUNO - 53

3.1. TIPOS DE CLASSE! MULTISSERIADA E SERIADA - 53

3.2. IDADE DE INGRESSO E INTERRUPÇÃO NOS ESTADOS - 54

3.3. ASSISTÊNCIA AO ALUNO - 59

3.4. TAREFAS ESCOLARES FORA DE SALA DE AULA, - 64

3.5. TRABALHO DO ALUNO - 69

3.6. ASSIDUIDADE ÀS AULAS - 73

3.7. DISTÂNCIA DA CASA DO ALUNO À ESCOLA - 74

4. DADOS SOBRE A FAMILIA - 78

4.1. ASPECTO ECONÔMICO - 80

'4,2, A QUESTÃO DA MIGRAÇÃO

4.3. PARTICIPAÇÃO EM SINDICATOS E COOPERATIVAS - 89

4.4. O PERFIL ESCOLAR DA FAMÍLIA - 91

-

86

TABELAS

01 - Recursos humanos das Escolas Dor Estado e tipo de programa. 1981 -

- 04

02 - Orientação Administrativa cada às escolas, por Estado e tipo de pro grama - 06

03 - Suprimento de material de consumo, didático e merenda escolar, por Estado e tipo de programa. 1981 - 08

04 - Construção e Ampliação do prédio escolar, por Estado e tipo de pro- grama. 1981 - 09

05 - Infra-estrutura física e material das escolas, por Estado e tipo de programa. 1981 - 12

06 - Características de salubridade dos prédios, por Estado e tipo de pro grama. 1981 - 13

07 - Mediana do salário e da gratificação dos professores, de acordo com

o tipo de programa, segundo o Estado, 1981 - 14

08 - Características da Situação Funcional dos Professores, por Estado e tipo de programa. 1981 - 20

09 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos professores, por Estado e tipo de programa. 1981 - 21

10 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos muni-

cípios assistidos pelo EDURURAL, por Estado e tipo de classe. 1981 -

24

11 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos muni- cípios assistidos por OUTROS Programas, por Estado e tipo de classe. 1981. - 25

12 - Tipos de recursos materiais usados pelos professores, por Estado e tipo de programa. 1981 - 27

13 - Atividades de deveres de casa pedidos pelos professores, por Estado

e tipo de programa. 1981 - 30

14 - Freqüência dos deveres de casa pedidos pelos professores, por Esta- do e tipo de programa. 1981 - 32

15 - Modos dos professores avaliarem a aprendizagem, por Estado e tipo de programa. 1981 - 34

16 - Atitudes dos professores face à Supervisão, por Estado e tipo de pro grama. 1981 - 36

17 - Formas de preparação de aulas, por Estado e tipo de programa. 1981 -

40.

18 - Atitude dos professores quanto à importância das disciplinas do cur- rículo, por Estado e tipo de programa. 1981 - 42

19 - Atitude dos professores quanto à dificuldade das disciplinas do cur-

rículo, por Estado e tipo de programa. 1981 - 46

20 - Atitude dos professores quanto ã irrelevância das disciplinas do cur_ rículo, por Estado e tipo de programa. 1981 - 48

21 - Tipo de classe em que estudam os alunos, por Estado, tipo de progra- ma e série. 1981 - 55

22 - Idade média de ingresso na escola dos alunos de 2a. e 4a. séries,por Estado e tipo de programa. 1981 - 56

23 - Alunos de 2a. e 4a. séries que deixaram de estudar, durante um ou mais, por Estado, e tipo de programa. 1981 - 58

ano

24 - Média em anos de interrupção de estudos dos alunos de 2a. e 4a.

sé-

ries, por Estado e tipo de programa. 1981

- 59

25 - Forma de obtenção do Iivro didático pelos alunos, por Estado,tipo de programa e série. 1981. - 60

26 - Freqüência com que os alunos recebem merenda escolar, por Estado,ti-

po de programa e série. 1981

- 63

28 - Freqüência com que os alunos recebem ajuda nos deveres de casa , por Estado,- tipo de programa e série. 1981 - 67

29 - Ajuda da professora aos alunos fora de aula, por Estado, tipo de programa e série. 1981 - 7 0

30 - Freqüência dos alunos ao trabalho, por Estado, tipo de programa , série e sexo. 1981 - 71

31 - Médias de faltas dos alunos, nos meses de agosto e setembro,por Es tado, tipo de programa e série. 1981 - 73

32 - Distância da casa dos alunos à escola,por Estado, tipo de programa

e série. 1981 - 75

33 - Situação de posse da terra, por Estado, tipo de programa e série . 1981 - 81

34 - Estrato de área, por Estado, tipo de programa e série. 1981 - 82

35 - Forma de trabalho das famílias, por Estado, tipo de programa e sé- rie. 1981 - 85

36 - Local de residência da família, na ocasião do nascimento do aluno, por Estado, tipo de programa a série. 1981 - 87

37 - Tempo mediano de residência das famílias no município, por tipo de programa e série. 1981 - 88

38 - Participação das famílias em sindicatos e cooperativas, por Estado,

tipo de programa e série.

1981 - 92

39 - Escolaridade do pai, por Estado, tipo de programa e série. 1981

93

40 - Escolaridade da mãe, por Estado, tipo de programa e série. 1981

94

41 - Crianças em idade escolar (7-14 anos), residentes na casa do aluno

e freqüentando a escola, por Estado, tipo de programa e série.1981

- 97

42 - Crianças em idade escolar (7-14 anos), residentes na casa do aluno a . que não freqüentam a escola, por Estado, tipo de programa e sé- rie. 1981 - 98

INTRODUÇÃO

O

presente

Relatório

(nº

4)

Comparações

Básicas

da

seqüência

à

apresentação

e

discussão

dos dados coletados pe_

lo

Projeto

de

Avaliação

da

Educação

Rural

Básica,

no

Nordeste

Brasileiro.

Os

elementos,

objeto

de

estudo,

foram

a

escola,

o

pro_

fessor,

o

aluno

e

sua

família.

Poder-se-ia

dizer

que

o

profes_

sor

respondendo,

inicialmente

sobre

si

mesmo,

sua

qualifica

ção,

situação

funcional,

atividade

profissional

e,

depois,

so_

bre

a

situação

e

funcionamento

da

escola,

o

fazia,

 

a

par-

tir

de

sua

percepção

como

agente

de

educação,

isto

é,

de uma

perspectiva

institucional.

Enquanto

isto,

aluno

e

familia

se

expressavam

do

ponto

de

vista

de

sujeitos

da

educação.

 
 

0

confronto

das

informações

fornecidas

pelos

 

docentes

e

pelos

alunos

deverá

conferir

mais

consistencia

à

análise

dos

dados.

 

Este

Relatório

reúne

algumas

comparações

que

serão

es_

tabelecidas

entre

as

características

contidas,

em

cada

elemen_

to,

d e per si,

e ,

n a

medida

d o

possivel,

relacionando-se

a s

informações

obtidas,

entre

os

'elementos

em

estudo.

 
 

As

comprações

visam

a

verificar

como

os

elementos

con_

siderados

e

suas

caracteristicas

se

apresentam

em

cada

um

dos

Estados,

segundo

o

tipo

de

programa

e

série.

se apresentam em cada um dos Estados, segundo o tipo de programa e série.
 

Ao

mesmo

tempo

em

que

se

tentava

uma

análise

da

esco-

la,

do

professor,

do

aluno

e

da

família,

questões

foram

sendo

levantadas

para

posterior

averiguação

e/ou

aprofundamento.

Ao

final,

pretende-se

traçar

um

perfil

dos

elementos,

a

partir

das

maiores

freqüências

observadas.

Ter-se-á,

assim,

uma visão

geral

do

universo

que

compõe

a

amostra.

Foram

esco_

Ihidas,

para

cada

um

desses

elementos,

caracteristicas

julga-

das

significativas

 

na

determinação

do

perfil

que

deverá

ser-

vir

para

comparações

com

dados,

a

serem

coletados

futuramente,

que deverá ser- vir para comparações com dados, a serem coletados futuramente,

1.

DADOS SOBRE A ESCOLA

No total das escolas da amostra (603), pode-se desta

car a municipalização dos predios e da administração,como tra_

ço marcante das escolas dos municípios assistidos ou não pelo

EDURURAL.

1.1, RECURSOS HUMANOS

Tomando-se para análise os dados relativos aos recur-

sos humanos da escola, constata-se [Tabela 1) que em mais

de

50% destas atua apenas um(a) professor(a]. Acrescentando-se a

parcela de 22% de unidades que contam com dois prof essores,ca

racteriza-se uma situação que justifica, em parte a ausência

do diretor na maioria (86%) dos estabelecimentos. Desta for-

ma, na escola rural as funções do administrador escolar

se

acham diluídas nos encargos dota] prof essor(a] . Nos tris Esta

dos, nas escolas das municípios atendidos pelo EDURURAL,

ob-

serva-se uma proporção maior de casos com apenas um(a) prof es

sorta), dispensando obviamente a presença do diretor.

Na mesma Tabela 1, diante dos altos percentuais, indi_

cando a ausência de secretário (95%] e merendeira (acima

de

70%] , nos três Estados, presume-se que o professor assume,tam

bém, essas atividades. No caso de substituir a merendeira, o

encargo torna-se maior por ser a própria professora

também

responsável, muitas vezes, pelo recebimento e transporte

da

encargo torna-se maior por ser a própria professora também responsável, muitas vezes, pelo recebimento e transporte

TABELA

1

-

Recursos

humanos das

Escolas ,

por

Estado

e tip o de Programa.

1981,

RECURSOS

PIAUÍ

CEARA

PERNAMBUCO

SUB-TOTAL

TOTAL

EDURURAL OUTROS EDURURAL OUTROS EDURURAL OUTROS EDURURAL OUTRO S

HUMANOS

F

%

F

%

F

%

F

%

F

%

F

%

F

%

F

%

F

%

 

DIRETOR

Tem

18

14

11

23

17

10

14

17

7

6

5

8

42

10

30.

15

,72: .12

Não há

111

86

37

77

151

90

67

83

103

94

62

92

365

90

166

85

531

88

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

Nº DE PROFESSORES

01

67

52

9

19

100

60

29

36

62

56

38

57

229

•56

76

39

305

51

02

29

23

10

21

24

14

23

27

34

31

15

22

87

22

48

24

135

22

03

9

7

9

19

14

8

10

12

11

10

4

6

34

8

23

11

57

9

04

12

9

8

17

17

10

10

12

2

2

4

6

31

8

22

11

53

9

05

06

07

.

1

6

3

1

5

2

2

4

5

4

8

10

7 3

4 4

1 2

2 2

1

1 3

3

-- 4

— 8

6

1 2

1 8

5

3

2

2

1

9

8

7

5

4

4

17

16

12

3

3

2

Nao respondeu

2

1

1

2

3 2

2

3

5

1

3

2

8

1

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

SECRETARIO

Tem

5

4

1

2

8

5

3

4

6

5

2

3

19

5

6

3

25

4

Não há

124

96

47

98

160

95

78

96

104

95

65

97

388

95

190

97

578

96

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

Nº DE MERENDEIRAS

 

01

53

41

26

54

36

21

34

42

12 24

11 36

101

25

84

43

185

31

02

3

2

--

--

8

5

2

2

1 --

1 --

12

3

2

1

14

2

03

2

2

--

1

1

3

1

--

--

3

0,5

Não há

71

55

22

46

123

73

45

56

97

88

43

64

291

71

110

56

401

66,5

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

Nº DE ZELADORES

01

35

27

29

61

23

14

16

20

21

19

23

34

79

20

68

35

147

24

02

3

2

4

8

5

3

1

1

--

--

1

2

8

2

6

3

14

3

03

4

3

--

--

2

1

6

1

--

--

6

1

Não há

87

68

15

31

138

82

64

79

89

81

43

64

314

77

122

62

436

72

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

Nº DE VIGIAS

-

01

9

7

5

10

6

4

2

2

1

1

2

3

16

4

9

5

25

4

02

2

2

--

--

3

2

5

1

--

5

1

Não há

118

91

43

90

159

94

79

98

109

99

65

97

386

95

187

95

573

95

SUBTOTAL

129

100

48

100

168 100

81

100

110 100

67

100

407 100 196 100 603 100

573 95 SUBTOTAL 129 100 48 100 168 100 81 100 110 100 67 100 407

merenda escolar, desde a sede municipal ao local da escola.

Conclui-se, pois, que a precariedade dos recursos hu

manos é comum às escolas dos Estados focalizados, sendo maior

nas escolas dos municípios incluídos no EDURURAL.

1.2. ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA

A orientação para registrar a matrícula, controlar a

freqüência e anotar os resultados das provas é constatada, pe

los dados obtidos

(Tabela 2), como uma ação que já se efetiva

nas escolas da amostra, tendo maior ênfase no Estado

do

Pi-

auí, independente da escola pertencer ou não aos

municípios

incluídos no EDURURAL. No Ceará, o número de escolas que

nao

recebe este tipo de orientação é mais elevado e se situa

en-

tre as escolas dos municípios incluídos no EDURURAL, conforme

se' vã na Tabela 2. Novas intervenções parecem, pois , necessá-

rias a nível desse Estácio. Igualmente, mereceria maior esfor-

ço o registro de freqüência, por ser um componente imprescin-

dível ao controle da eficiência do ensino.

1.3, ASSISTÊNCIA AO ALUNO

A assistência ao aluno, no caso, pode assumir a

for-

ma direta, quando se tratar de material escolar e de merenda,

ou ainda a forma indireta através do provimento de material pa_

ra secretaria e de giz.

As pessoas, que nas escolas da amostra responderam so_

bre o suprimento de material de consumo para secretaria ates-

giz. As pessoas, que nas escolas da amostra responderam so_ bre o suprimento de material de
TABELA 2 - Orientação Administrativa dada às escolas, por Estado e tipo de programa. 1981.
TABELA 2 - Orientação Administrativa dada às escolas, por Estado e tipo de programa. 1981.

taram, em sua maioria, nue nao recebem o referido

material.

Neste aspecto, as escolas localizadas nos municípios do EDURU

RAL apresentam situação pior que as escolas dos municípios in

cluídos em outros programas. Estão em Pernambuco, as escolas

mais desassistidas. Quanto ao recebimento de giz, constatou —

-se que, mais de 50% do total das escolas estão servidas, ten

do as escolas dos municípios assistidos pelo EDURURAL, no Cea

rá, apresentando a situação mais precária, com 62% delas rece

bendo giz em quantidade insuficiente ou não recebendo.

la 3].

(Tabe

Atinge 80% o percentual dos que declararam receber ma_

terial para alunos em quantidade insuficiente e dos que afir-

maram não receber. A situação se apresenta mais grave em Per-

nambuco, onde esse percentual chega a 90%.

Em relação ã merenda escolar, 72% dos declarantes res

ponderam que não a recebem ou a recebem em quantidade insufi-

ciente .

Observou-se, ainda informalmente, que é comum o rece-

bimento de gêneros para o preparo da merenda escolar em esta-

do deteriorado.

1 . 4 CONDIÇÕES FÍSICAS DA ESCOLA

Foram visitados 603 prédios escolares, 62% dos quais

foram construídos especialmente para o funcionamento de esco-

las. Dos restantes, 10% são prédios não construídos para abri-

gar escolas e 2B% ("não se aplica"]

na casa da professora (Tabela 4) .

para abri- gar escolas e 2B% ("não se aplica"] na casa da professora (Tabela 4) .

são escolas que funcionam

TABELA 3 - Suprimento de material de consumo, didático e merenda escolar, por Estado e
TABELA 3 - Suprimento de material de consumo, didático e merenda escolar, por Estado e tipo dé programa. 1981.
TABELA 4 - Construção e Ampliação do prédio escolar, por Estado e tipo de programa.
TABELA 4 - Construção e Ampliação do prédio escolar, por Estado e tipo de programa. 1981.

Os municípios nao incluídos no EDURURAL apresentam o

maior percentual de escolas funcionando em prédios construí-

dos para tal (73%) e o menor percentual de escolas funcionan-

do na casa da professora (17%). 0 mesmo ocorre nos três Esta-

dos que compõem a amostra.

Do total de escolas da amostra excluindo a casa da pro

fessora, apenas 18% sofreram ampliação, segundo os declaran—

tes. Esse percentual se eleva para 38% nas escolas de municí-

pios incluídos em OUTROS Programas, enquanto nos

municípios

abrangidos pelo EDURURAL, apenas 8% dos prédios escolares fo-

ram ampliados.

Nos aspectos investigados referentes à infra-estrutu-

ra física e material, vale notar que, em 28% do total dos ca-

sos observados, a sala de aula faz parte da casa da professo-

ra. Conhecendo-se diretamente as condições da casa em que

a

professora mora, muitas vezes de chão batido, sem janelas su-

ficientes e com espaço reduzido, pode-se afirmar que nao exis

te uma infra-estrutura física, para que se processe a ativi-

dade de ensino. Ademais, considere-se o fato de que, ao

fun-

cionar na casa da professora, a aula passa a sofrer interfe —

rancias das ocorrências domésticas, impondo à professora o con

trole simultâneo de atividades diversas.

Na questão que verifica a existência de cantina/cozi-

nha, observou-se percentual mais elevado (38%) nas

escolas

dos municípios que não participam do EDURURAL,

comparando-se

àquelas que pertencem a municípios do EDURURAL (29%).Tais per

centuais, entretanto, são superados por aqueles que

que pertencem a municípios do EDURURAL (29%).Tais per centuais, entretanto, são superados por aqueles que indicam

indicam

não existir cantina (42%, EDURURAL; 46%, OUTROS]. Acrescente-

-se a esses a percentagem de escolas funcionando na casa

da

professora e que nao dispõem de cantina ou cozinha própria da

escola.

Msrea e atenção o fato de que aproximadament e 1/3

das

escolas nos Estados focalizados nao dispõem de equipamento pa

ra o aluno sentar ou escrever (Tabela 5) . A essa carência so-

ma-se o agravante ria qualidade do equipamento, quando

existe.

este

Finalmente, os dados relativos às condições de salu-

bridade dos prédios escolares revelam que as escolas que pos-

suem banheiros se encontram situadas, em maior percentagem,

nos municípios que não participam do EDURURAL, situação esta

que se repete nos três Estados. Vê-se na Tabela 6 que há maior

número de fossas do que de banheiros, o que provavelmente

se

deve ã orientação dada no questionário, para que se omitisse

a informação, quando se tratasse da casa da professora.

A situação da água para beber revela-se precária, em-

bora a maioria das escolas (acima de 70%] , nos três

Estados

analisados, tenha declarado dispor de água. Considera-se,

en

tretanto, que a proporção de escolas que não têm água para be

ber pode ser considerada bastante elevada (cerca de 30%) ; ten-

do em vista as dificuldades evidentes que a ausência da

água

acarreta, além de implicar em prejuízos para a implementação

do Programa da Merenda Escolar. Obeerva-se que não

obstante

os dados acima, 54% das escolas não tem água para o

preparo

da merenda escolar. Em relação à disponibilidade de água para

acima, 54% das escolas não tem água para o preparo da merenda escolar. Em relação à
TABELA 5 - Infra-estrutura físic a e material das escolas, por Estado e tip o
TABELA 5
- Infra-estrutura físic a e material das escolas, por Estado e tip o d e programa.
1981.
TABELA 6 - Características de salubridade dos prédios por Estado e tipo de programa. 1981.
TABELA 6 - Características de salubridade dos prédios por Estado e tipo de programa. 1981.

a merenda, as escolas situadas em municípios contemplados pe-

lo EDURURAL estão em situação mais difícil.

Reunindo as características mais salientes das

esco-

las descritas, vemos pouca diferenciação entre as escolas que

se situam em municípios assistidos pelo EDURURAL ou assisti-

dos por OUTROS Programas. Nos dois tipos de programa, há pre-

cariedade em quase todos os tópicos pesquisados. Estas esco-

las contam, freqüentemente, com uma única professora, que re-

cebe material para secretaria e material didático, para

uso

próprio e para distribuir com os alunos, em quantidade insufi

ciente, com o agravante de haver, também, escassez de equipa-

mentos para o aluno sentar e escrever.

As condições de salubridade revelam-se, também, defi-

citárias. As escolas raramente dispõem de sanitários e

água

suficiente até para o preparo da merenda escolar. O recebimen

to da merenda escolar é outro insumo que é declarado insufici

ente pela maioria das escolas.

Somente a assistência administrativa, expressa na ori-

entação para registro de matrícula, no controle de freqüência

e anotações de resultados das provas, se efetiva de forma mais

ou menos regular, pois uma quantidade ponderável de escolas

afirmou recebê-la, de forma clara.

Um pouco mais da metade das escolas pesquisadas per-

tence ao Município e se encontra sob sua dependência adminis-

trativa. Ressalte-se, todavia, que 28% destas escolas funcio-

nam na casa da professora, ondo as condições de funcionamento

se revelam de extrema precariedade, sem arejamento, luz ou um

na casa da professora, ondo as condições de funcionamento se revelam de extrema precariedade, sem arejamento,

mínimo de equipamento necessário.

A seguir, são fornecidos dados mais precisos sobre as

pectos relevantes da situação dos prédios escolares da amos-

tra .

como em 51% dos casos, as escolas dispõem somente

de

um professor, este acumula funções de administrador, secretá-

rio e merendeiro, somando-se a estas atividades, a interfere^

cia dos ^fazeres domésticos, quando a escola se situa na

casa

da professora.

No aspecto administrativo, a orientação para

regis-

tros de matrícula, controle de freqüência e anotação dos re-

sultados das provas, se efetiva em mais de 85% do total das es

colas pesquisadas.

com relação ã assistência proporcionada ao aluno pela

escola, observou-se, em 45% da amostra, que o material para o

aluno é insuficiente e que a merenda escolar, não é

recebida

por 38% das escolas ou é recebida, insuficientemente, em 34%

delas.

Quanto às condições físicas de funcionamento,

requer

atençã o o fato de que pouco mai s de 1/3 (208) das escola s p e_s_

quisadas não dispõem de equipamento para o aluno sentar ou es

crever. Apesar deste dado, observou-se, todavia, que mais de

62% (372) destes prédios foram construídos para serem escolas

Esta constatação revela certa inconsistência na política

de

criação de escolas rurais, pois, eventualmente, quando lhe é

assegurado o espaço físico (como um bem público) , não se lhes

proporcionam as condições mínimas de funcionamento.

assegurado o espaço físico (como um bem público) , não se lhes proporcionam as condições mínimas

As condições sanitárias também são insatisfatórias , pois somente 40% da amostra dispõem de banheiros e 55% contam com fossas sépticas, em condições precárias de higiene.A água para beber nao existe em 29% das escolas e é insuficiente pa- ra preparar merenda em 46% das mesmas.

de higiene.A água para beber nao existe em 29% das escolas e é insuficiente pa- ra

2.

DADOS SOBRE O(A)

PROFESSOR(A)

De acordo com a caracterização dos professores descri_

ta no Relatório da Amostra, a maioria dos docentes

pertence

ao sexo feminino, com idade mediana

"de

20

anos e com

nível educacional que dificilmente ultrapassa a 4a. série do

1º grau. A mediana de anos de serviço dos professores

anos.

i

8

Para as comparações básicas dos dados sobre o(a) pro-

fsssor(a), foram escolhidas as seguintes características:

1) Salário e situação funcional;

2) Atividades docentes (atividades desenvolvidas

em

classe, recursos materiais usados, tipo e freqüên-

cia de deveres de casa e modos de avaliar a apren-

dizagem) ;

3) Atitude e desempenho do(a) professor(a) face à su-

pervisão;

4) Atitude dota) professore a) quanto à importância ,

dificuldade e irrelevância das disciplinas de cur-

rículo.

A seguir, são discutidos os dados referentes a

cada

uma das características mencionadas acima para as comparações

básicas.

são discutidos os dados referentes a cada uma das características mencionadas acima para as comparações básicas.

2.1. SALÀRIO E SITUAÇÃO FUNCIONAL

Ao considerar o nível salarial dos professores, nota-

damente quanto o(a) professor(a) recebe por mês, sem incluir

gratificação, interessava ao presente estudo constatar qual a

situação atual, de modo a servir como referência a estudos po_s

teriores.

A situação genérica, apresentada na Tabela 7, revela

a desvalorização salarial do magistério, com conotações alar-

mantes no Estado do Ceará, especialmente nas escolas que

se

situam em municípios assistidos pelo EDURURAL. Para maior pre_

cisão no conhecimento da situação salarial dos professores da

amostra, procurou-se investigar, também, o recebimento ou não

de gratificação pelos mesmos. Os dados aparecem na Tabela 7,

embora não ofereçam confiabilidade pelo fato da maioria

dos

professores não haver registrado o montante da

gratificação.

TABELA 7 - Mediana do salario e da gratificação dos professores de acordo com o tipo de programa, segundo o Estado. 1981

ESTADO

SALARIO

GRATIFICAÇÃO

 

EDURURAL

OUTROS

EDURURAL

OUTROS

PIAUÍ

4.651,00

6179,25

1.129,85

1.140,00

CEARA

600,26

1.399,63

800,00

504,28

PERNAMBUCO

2.500,00

5.999,37

250,00

2.225,00

Supõe-se que, em muitos casos não há, no ato do pagamento

,

uma distinção precisa do que corresponde a salário,

daquilo

que representa uma gratificação, ficando, assim,

prejudicada

a informação.

Ainda a respeito de salário, entre 25% a 40% dos pro-

uma gratificação, ficando, assim, prejudicada a informação. Ainda a respeito de salário, entre 25% a 40%

fessares informaram não receber o salário em dia, não havendo

diferença entre as escolas que se situam em municípios parti-

cipantes ou não do EDURURAL.

Quanto a situação funcional (Tabela 8) , a maior inci-

dência recaiu na categoria "Contratada" com 65% do total dos

casos. Superficialmente, essa situação pareceria bastante sa-

tisfatória; o que ela sugere, ao invés, é que se procure

in-

vestigar a natureza dos contratos, uma vez que no questioná-

rio não foi dada a oportunidade para melhor explicitar as di-

ferentes formas de contrato. De igual forma poder-se-ia ten-

tar conhecer 'melhor os processos de interferência política na

determinação dos contratos, o que parece influenciar a insta-

bilidade e mobilidade dos professores.

2.2. ATIVIDADES DOCENTES

2.2.1. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM CLASSE

De acordo com a Tabela 9, cujas respostas não são

ex-

clusivamente para cada item, pode-se constatar que, em geral,

as atividades mais exploradas em salas de aula são "Festas Co_

memorativas" contando com 582 escolhas (72%]. Vem, em segui-

da, as "Aulas de Religião" e "Estudo em grupo" com 457

(57%)

e 454 (56%) escolhas, respectivamente.

A preferência dos professores por atividade do

tipo

"Festas Comemorativas" parece refletir, ã primeira vista, uma

tendência destes docentes de considerar a função socializante

da escola como mais relevante do que sua função como transmi_s_

sora de conhecimentos. Outras interpretações, entretanto, po-

como mais relevante do que sua função como transmi_s_ sora de conhecimentos. Outras interpretações, entretanto, po-
TABELA 8 - Características da situação funcional rios professores por Estado e tipo de programa.
TABELA 8 - Características da situação funcional rios professores por Estado e tipo de programa. 1981.
TABELA 9 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos professores por Estado e tipo
TABELA 9 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos professores por Estado e tipo de programa. 1981.

deriam ser exploradas, focalizando-se, por exemplo, os obje-

tivos destas festividades. As "Festas Comemorativas"

pode-

riam estar revestidas de objetivo puramente "pitoresco"

ou

"ornamental", em vez de serem desenvolvidas com a finalidade

de promover a integração da Escola, Familia e Cornunidade(Dia

das Mães, Dia da Criança, etc) , ou, ainda, como meio de trans

mitir conhecimentos referentes, especialmente, ã área de Es-

tudos Sociais (fatos históricos). Indaga-se, entretanto, so-

bre a validade de ensinar fatos históricos,

a partir de

da-

tas previamente estabelecidas no calendário escolar. Talvez,

dessa forma, o processo histórico passe a ser visto como fa-

tos isolados, sem uma seqüência lógica no tempo e sem um pos

sível relacionamento de causa e efeito entre eles. com essa

disfunção histórica o que restaria seria uma simples memori-

zação de nomes e datas.

Dada a forma como o item "Estudo em Grupo" foi

men-

cionado no questionário, sem outros esclarecimentos

acerca

do objetivo dessa atividade, não se sabe se a relativa inci-

dência de respostas a esse item deve-se a uma interpretação,

pelos entrevistados, de que "Estudo em Grupo" corresponderia

a simples momentos em que os alunos, "agrupados",elaboram car

tazes ou participam de comemorações ou jogos. Teoricamente ,

"Estudo em Grupo" corresponderia a situações

planejadas com

o intuito de desenvolver habilidades e atitudes sociais

no

aluno.

Independentemente do Estado em que ensinam, os pro-

fessores, cujas escolas se encontram em municípios atendidos

pelo EDURURAL desenvolvem, por ordem de prioridade, as

fessores, cujas escolas se encontram em municípios atendidos pelo EDURURAL desenvolvem, por ordem de prioridade, as

se-

guintes atividades em sala de aula: "Festas

Comemorativas"

(68%), "Aulas de Religião" (56%) e "Estudo em Grupo" (52%) .

Os professores, cujas escolas se acham em municípios que são

atendidos por OUTROS Programas, preferem "Festas Comemorati-

vas" (81%), "Canto"

(63%), e "Aula de Religião" (58%). A di-

vergência entre esses dois grupos de municípios foi

apenas

referente ã ordem de prioridade atribuída às "Aulas de Reli-

gião", além da inclusão de "Estudo de Grupo" e "Canto",

no

primeiro e segundo grupos, respectivamente.

Tentando-se verificar se o tipo de classe que o pro-

fessor ensina influenciaria na preferência por uma ou

outra

atividade, foi feita uma analise cujos resultados

aparecem

na Tabela 10 (referente ao EDURURAL) e Tabela 11

(referente

a OUTROS). Os dados indicaram que os professores que lecio-

nam em classes multisseriadas (EDURURAL 67%, OUTROS 82%)

e

seriadas (EDURURAL 71%, OUTROS 80%) , independente de suas e_s

colas serem ou não assistidas pelo EDURURAL, desenvolvem com

maior freqüência atividade do tipo "Festas Comemorativas".

Entre os Estados (vide Tabela 9) , a grande

freqüên-

cia de "Festas Comemorativas" é encontrada entre os professo

res dos Estados do Piauí e Pernambuco, independentemente de

suas escolas pertencerem a municípios que são assistidos ou

não pelo EDURURAL. No Ceará, entretanto, apenas os professo-

res das escolas cujos municípios estão incluídos em

OUTROS

Programas indicaram "Festas Comemorativas" 081%) como a ati-

vidade mais desenvolvida em sala de aula. Os docentes que l_e

cionam em municípios assistidos pelo EDURURAL preferem"Au la s

de Religião" (51%), embora, como segunda opção, tenham men-

assistidos pelo EDURURAL preferem"Au la s de Religião" (51%), embora, como segunda opção, tenham men-
TABELA 10 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos municípios assistidos pelo
TABELA 10 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos municípios assistidos pelo EDURURAL, por
Estado e tipo de classe, 19B1.
TABELA 11 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos municípios assistidos por
TABELA 11 - Tipos de atividades em classe desenvolvidas pelos docentes dos municípios assistidos por OUTROS Programas,
por Estado e tipo de classe. 1981.

clonado "Festas Comemorativas" (49%). A ênfase no ensino re-

ligioso nesse grupo poderia ser explicada pela

localização

das escolas nesses municípios, as quais, em sua grande maio-

ria, concentram-se em áreas próximas às cidades de Juazeiro

do Norte e Canindé. Estas cidades são conhecidas pela sua re

ligiosidade e romarias ao Pe. Cícero e São Francisco das Cha

gas, respectivamente.

A segunda atividade mais freqüente no Estado do Pi-

auí é "Estudo em Grupo" (EDURURAL, 6B%; OUTROS, 71%) que tarn

bém foi mencionada

por 66% dos professores do Ceará que le-

cionam em escolas localizadas em municípios assistidos

por

OUTROS Programas. Em Pernambuco, entretanto, 71% dos profes-

sores dos municípios assistidos pelo EDURURAL preferem

de-

sensolver, em classe, atividades religiosas e atividades re-

lativas ã "Limpeza da Escola". Nesse último Estado, os pro-

fessores dos municípios assistidos por OUTROS programas uti-

lizam "Canto" como segunda atividade (65%).

2.2.2. RECURSOS MATERIAIS

Entre os materiais didáticos utilizados pela amostra

de professores, o "Livro Adotado em Classe" foi o mais cita-

do, com 693 respostas (86%), seguido de "Livros

Diferentes

para Completar Lições", com 455 casos (56%) (Vide Tabela

12

cujas respostas não são mutuamente exclusivas). Estes recur_

sos foram mencionados na mesma ordem de prioridade pelos pro_

fessores que lecionam em municípios atendidos ou nao

EDURURAL.

mencionados na mesma ordem de prioridade pelos pro_ fessores que lecionam em municípios atendidos ou nao

pelo

TABELA 12 - Tipos de recursos materiais usados pelos professores por Estado e tipo de
TABELA 12 - Tipos de recursos materiais usados pelos professores por Estado e tipo de programa. 1981.

A grande utilização do "Livro adotado em classe" pe-

los professores da amostra revela a importância que o livro-

-texto pode ter na organização curricular e no tipo de exer-

cícios, desenvolvidos em classe e em casa. Sabe-se que,

em

alguns casos, os livros adotados em classe constituem o ver-

dadeiro guia curricular do(a) professor(a) que os segue, pá-

gina após página, sem muitas vezes fazer adaptação e análise

crítica das informações, conceitos ou do tipo de valores trans_

mitidos nos textos. Assim, a determinação do que é ou não ini

portante para uma determinada clientela de alunos passa a ser

estabelecida, via de regra, pelos autores de livros.

Vi-se, portanto, que se, por um lado, é extremamente

importante levar o aluno a 1er e ter pelo menos "UM"

Iivro

para estudar, por outro lado, pergunta-se "Sobre o quê,como,

por quê e para quê a criança lê?"

Nos três Estados (Piauí, Ceará, Pernambuco), o Iivro

texto adotado em classe constitui o recurso mais usado

em

ambos os tipos de municípios. Algumas divergências entre os

Estados foram, entretanto, encontradas, quando foi feita uma

análise do segundo tipo de recurso material mais

presente

nas escolas. No Estado rio Ceará, os dados encontrados sao os

mesmos da amostra como um todo. Entretanto, Piauí e Pernambu-

co apresentam algumas variações. No Piauí, livros suplementa_

res para completar lições são a segunda opção entre os 97 pro

fessores (55%) , cujas escolas se acham em municípios que sao

atendidos pelo EDURURAL, enquanto que a utilização de "Carta_

zes" foi mencionaria por 39 professores (52%), cujas escolas

se localizam em municípios que recebem recursos

foi mencionaria por 39 professores (52%), cujas escolas se localizam em municípios que recebem recursos de

de

OUTROS

Programas. Em Pernambuco, os dados são inversos daqueles en-

contrados no Piauí. 0 segundo recurso material mais

usado

nos municípios assistidos pelo EDURURAL são "Cartazes"(60%),

enquanto que nos municípios nao assistidos por esses progra-

mas são livros suplementares (63%].

Sabendo-se que "Material Didático" para as

escolas

constitui um dos insumos do programo EDURURAL, espera-se que

tais recursos ensejem a aquisição e/ou elaboração de materi-

al que venha, de fato, atender as necessidades, caracteristi_

cas e valores daqueles que serão seus usuários.

2.2.3. TIPO E FREQÜÊNCIA DE DEVERES DE CASA

Procurou-se conhecer quais as atividades que o(a) pro

fessor(a) pede às crianças, nos deveres de casa (Tabela 13 ,

cujas respostas não são mutuamente exclusivas].

Os resulta-

dos indicaram a preferência dos professores da amostra

por

"Exercícios Contidos no Livro" (92%], seguindo-se "Desenho"

(61%] e "Bilhete" (56%]. Essa mesma preferência e prioridade

por tipo de atividades de deveres de casa foi encontrada en-

tre os professores que lecionam em municípios assistidos ou

não pelo EDURURAL, quando o critério Estado não foi

em consideração.

levado

Em relação à incidência da utilização de "Exercícios

Contidos no Livro" como deveres de casa, observou-se a utili

zação do livro-texto de classe como recurso fundamental de e_n

sino. Quanto à freqüência de "Bilhetes", nota-se o aproveita_

mento, pela(a) professor(a), de um meio comumente utilizado

na comunidade rural para fins de comunicação.

o aproveita_ mento, pela(a) professor(a), de um meio comumente utilizado na comunidade rural para fins de
TABELA 13 - Atividades de deveres de 'casa pedidas pelos professores por Estado e tipo
TABELA 13 - Atividades de deveres de 'casa pedidas pelos professores por Estado e tipo de programa. 1981.

Outra observação geral que merece atenção é o fato de

que os percentuais mais baixos na amostra correspondem àque-

las atividades que ou exigem maior tempo disponível da parte

do(a) professor(a), como é o caso de "Versos e Histórias"(18%)

e "Descrição" (22%), ou maior disponibilidade de recursos ma-

teriais, nesse caso, os "Recortes/Colagem" (27%) e "Cartazes"

(31%). 0 quadro descrito parece, pois, indicar que a rotina e

a carência de recursos direcionam o tipo de deveres de

mais usados pelos professores.

casa

Feita uma comparação entre os 3 Estados, observa-se

que os mais altos percentuais encontrados, em ordem decrescen

te, para os deveres de casa, referem-se aos itens "Exercícios

Contidos no Livro", "Desenhos" e "Bilhetes".A única

exceção

foi encontrada entre os professores que lecionam em

municí-

pios assistidos pelo EDURURAL no Estado do Ceará que indica-

ram "Bilhete" (63%) como segunda opção e "Desenho" (55%)como

terceira.

com relação à freqüência com que são pedidos os

deve

res de casa (Tabela 14) , o resultado geral é bastante

satis-

fatório, pelo elevado percentual (60%) que correspondeu

aos

deveres diários, seguindo-se aqueles que pedem deveres algu-

mas vezes por semana, no caso, 33%. Dados semelhantes quanto

ã freqüência dos deveres de casa foi encontrado entre os muni

cípios assistidos pelo EDURURAL e assistidos por OUTROS pro-

gramas, independentemente do critério Estado, com os primei-

ros indicando deveres "Todos os dias", num total de 56% e

do segundo grupo 66%.

Estado, com os primei- ros indicando deveres "Todos os dias", num total de 56% e do

os

TABELA 14 - Freqüência dos deveres de casa pedidos pelos professores, por Estado e tipo
TABELA 14 - Freqüência dos deveres de casa pedidos pelos professores, por Estado e tipo de programa. 1981.

Entro os Estadas, os mais altos percentuais foram man

tidos constantes para os deveres diários, seguidos de

deve-

res, algumas vêzes por semana.

2.2.4. MODUS DE AVALIAR A APRENDIZAGEM

De maneira geral, observou-se que 736 (91%] dos

pro-

fessores pesquisados avaliam seus alunos através de

'provas

mensais ' (Vid e Tabela 15, cujas escolhas não sao mutuamente ex_

elusivas). A análise desses dados suscita preocupações, tanto

de natureza técnica (elaboração adequada de provas), como de

natureza valorativa, pois confirma a ênfase dada ao

aspecto

cognitivo, bem como a tradicional soberania das provas como

instrumento fundamental na avaliação final do processo

de

aprendizagem. 0 uso do "Comportamento do Aluno" como critério

de avaliação, segue em seguido lugar, com 347 escolhas (43%) .

Esta modalidade de avaliação é considerada na literatura peda

gógica como válida e desejada, quando apropriadamente usada .

Pergunta-se, entretanto, até que ponto os professores pesqui-

sados a utilizam com propriedade.

Estabelecida, ainda, uma comparação entre os professo

res que lecionam em municípios assistidos ou não pelo EDURU-

RAL, independentemente do Estado onde residem, os dados indi

caram que, nesses dois grupos de municípios, as formas de ava

liaçãc usadas por seus professores são idênticas:"Provas Men-

sais" (EDURURAL, 89%; OUTROS, 95%) e "Comportamento do Alu-

no" (EDURURAL, 42%; OUTROS, 45%) foram mencionados como pri-

meira e segunda formas mais utilizadas no processo de avalia-

ção .

42%; OUTROS, 45%) foram mencionados como pri- meira e segunda formas mais utilizadas no processo de
TABELA 15 - Modos dos professores avaliarem a aprendizagem, por Estado e tipo de programa.
TABELA 15 - Modos dos professores avaliarem a aprendizagem, por Estado e tipo de programa. 1981.

Análises das formas de avaliação mais usadas em cada

um dos Estados envolvidos neste Projeto mostraram que os pro-

fessores usam "Provas Mensais" para avaliar seus alunos, inde

pendentemente do fato desses professores lecionarem ou não,em

municípios assistidos pelo EDURURAL. Entretanto, encontram-se

diferenças entre os Estados, quando se compara a segunda moda

lidade de avaliação mais usada em cada um deles.

Os professores que lecionam em municípios assistidos

pelo EDURURAL, no Estado do Piauí, preferem o "Comportamento

do Aluno", correspondendo ao total de 74 casos [42%). No Cea-

rá e Pernambuco, os professores desse mesmo tipo de município

indicaram "Exercícios Freqüentes" (45%) e "Interesse do Alu-

no" (46%), respectivamente.

Os docentes dos municípios assistidos por OUTROS pro-

gramas, nos Estados do Ceará e Pernambuco, avaliam seus alu-

nos através da observação de seus comportamentos (53% 4 44% ,

respectivamente). No Piauí, entretanto, os docentes

dessa

mesma categoria de municípios preferem "Exercícios

Freqüen-

tes" (47%).

2,3. ATITUDES E DESEMPENHO DOÍA) PROFESSOR(A) FACE À SUPERVISÃO

De acordo com os dados apresentadas na Tabela 16, 311

(38%) dos professores da amostra indicaram preferência

pelo

item "Seria bom se tivesse supervisão", sugerindo, pois, a n_e

cessidade de implantação desse serviço.

pelo item "Seria bom se tivesse supervisão", sugerindo, pois, a n_e cessidade de implantação desse serviço.
TABELA 16 - Atitudes dos professores face à supervisão, por Estado e tipo de programa.
TABELA 16 - Atitudes dos professores face à supervisão, por Estado e tipo de programa. 1981.

O segundo item mais apontado, com 283 opções C 3 5% 3 ,

mostrou a necessidade de uma maior assistência da supervisão

já existente nas escolas.

Quando a análise ê feita, levando-se em

considera-

ção apenas o fato das escolas pertencerem a municípios

que

são ou nao assistidos pelo EDURURAL, verifica-se que os pri-

meiros sentem a necessidade da implantação dos serviços

de

supervisão em suas escolas [43%}, enquanto os últimos pedem

uma continuação com maior assistência desse pessoal

co (41%) .

técni-

Os dados acima apresentados reafirmam, portanto, que

o serviço de supervisão ainda não atingiu a grande totalida-

de das escolas rurais, não obstante os professores

dessa

amostra terem demonstrado uma atitude positiva para com esse

tipo de assistência prestada ao processo ensino-aprendizagem

Fica a indagação se tal fato não é decorrente da: 1) carência

de recursos para contratação de supervisores para atuar

na

zona rural: 2) falta de pessoal especializado para exercer

tal função; 3) condições de vida [inclusive baixo salário) ,

que o meio rural oferece, desencorajando aqueles capacitados

para desempenhar tal atividade; 4) dificuldade de acesso do

supervisor às escolas, quer por distância das mesmas,

quer

por deficiências de estradas ou transportes; 5) falta de um

programa a nível de Órgão Municipal COME) em que fosse esti-

mulada, através de reuniões periódicas, a iniciativa dos pro

fessores para um planejamento voltado para a realidade

de

suas escolas. Essas reuniões poderiam ser realizadas em dias

de pagamento. Evitar-se-ia, dessa forma, que os professores

suas escolas. Essas reuniões poderiam ser realizadas em dias de pagamento. Evitar-se-ia, dessa forma, que os

tivessem quo se deslocar amiúde para a sede como também

se

eliminaria ônus para o professor e para o município,

caso

este ultimo se responsabilizasse pelo custeio de transporte.

com base nos comentários acima expostos, espera-se que a im-

plantação e/ou implementação do sistema de supervisão nos Or

gãos Municipais dos Estados envolvidos neste estudo,venha dar

ao supervisor condições, para que possa exercer uma ação ati-

va no processo de transformação da prática educacional,

em

vez de se tornar um mero "fiscal multifacetado do estabeleci

do" [ 1 ).

Feita uma análise por Estado, verifica-se que, no Pi

auí, 69 (39%) professores, cujos municípios são

assistidos

pelo programa EDURURAL, optaram pela continuação do trabalho

de supervisão com maior assistência as escolas,enquanto

que

38 (51%) professores, cujos municípios não são assistidos por

esse programa, acreditam que seria bom, se esse serviço fos-

se desenvolvido em suas escolas.

Os dados referentes ao Estado do Ceará foram

inver-

sos daqueles obtidos no Piauí, com a grande maioria dos pro-

fessores das escolas dos municípios no EDURURAL (61%) mencio

nando a necessidade da implantação do serviço de supervisão.

Ao contrário, os professores, cujas escolas são assistidas

por OUTROS programas, preferiram a continuação mais atuante

do trabalho supervisionado (43%).

0 Estado de Pernambuco foi aquele em que os professo

( 1 ) Ver: SILVA JUNIOR, Celestino Alves da. A supervisão e o ensino.Revis

ta

da

Associação Nacional de Educação.

Celestino Alves da. A supervisão e o ensino. Revis ta da Associação Nacional de Educação. IM*

IM* 3, 1962,p.39-40.

res nao divergiram em suas escolhas, independentemente

das

escolas se situarem em municípios assistidos ou não pelo EDU

RURAL. Ambos os grupos acreditam que a supervisão deve cont_i_

nuar, porém, dando-se maior assistência (EDURURAL, 47%; OU-

TROS, 48%),

Sabe-se que, de acordo com os resultados da

Tabela

17, 529 (87%) professores da amostra fazem seu planejamento

sem a ajuda de ninguém.

Comparando-se a amostra de professores das

escolas

pertencentes a municípios assistidas ou nao pelo EDURURAL

,

verifica-se que em ambos os grupos o maior percentual encon-

trado ficou na categoria que se refera à "preparação de

au-

las apenas pela própria Professora" (item "Só por Você"),com

68% e 59,5%, respectivamente.

Os professores dos Estado

do Piauí (EDURURAL, 55% ;

OUTROS, 77%), Pernambuco (EDURURAL, 74%; OUTROS, 76%) e Cea-

rá (EDURURAL, 77%) elaboram, com maior freqüência, seus pla-

nos de aulas, sozinhos. A única exceção encontrada foi

en-

tre as escolas assistidas por OUTROS programas no Estado do

Ceara, quando 56% dos professores desse grupo de municípios

executam seu planejamento com a assistência de supervisores

municipais.

A ajuda do supervisor municipal na elaboração de pla_

nos de aulas foi a segunda modalidade de planejamento

mais

freqüente nos Estados do Piauí (EDURURAL, 35%; OUTROS, 19%) ,

Pernambuco (EDURURAL, 24%; OUTROS, 16%) e municípios incluí-

dos no programa EDURURAL do Ceará (13%).

OUTROS, 19%) , Pernambuco (EDURURAL, 24%; OUTROS, 16%) e municípios incluí- dos no programa EDURURAL do
TABELA 17 - Formas de preparação de aulas, por Estado e tipo de programa. 1981.
TABELA 17 - Formas de preparação de aulas, por Estado e tipo de programa. 1981.

2A ATITUDE DOS PROFESSORES QUANTO À IMPORTÂNCIA,DIFICULDADE E IRRELEVÂNCIA DAS DISCIPLINAS DO CURRÍCULO

A Tabela 18 (cujas respostas não são mutuamente exclu_

sivas) revela a importância que os prof essores da amostra atri

buem às disciplinas que compõem o currículo escolar. De acor-

do com as respostas dadas às 3 disciplinas apontadas, por or-

dem de prioridade, como mais importantes de serem ensinadas ã

criança são Matemática, Leitura

e Estudos

Sociais,

com

(76%), 323 (40%) e 300 (37%)

escolhas, respectivamente.

615

Os professores dos municípios atendidos pelo

EDURU-

RAL, num total de 424 (79%) e 191 (70%) professores de municí_

pios assistidos por OUTROS programas foram unânimes em atribu_

ir o primeiro lugar, em importância, ao ensino da Matemática.

Os professores desses dois grupos de município divergiram ,

apenas, quanto ã 2a. e 3a. disciplinas mais importantes. Para

o primeiro grupo de docentes. Estudos Sociais e Leitura foram

classificados em 2º e 3º lugares, com 215 (40%) e 192(36%) es

colhas, respectivamente. Mas, para os professores cujos muni-

cípios são assistidos por OUTROS programas, a ordem foi inver

sa, com Leitura ficando em 2a. posição (131 escolhas, 48%)

e

Estudos Sociais em 3º (85 escolhas, 31%) .

Os dados são interessantes e sugerem algumas possí-

veis interpretações. uma delas refere-se à diferença marcante

(quase o dobro) encontrada entre o grau de relevância mencio-

nado para o ensino de Matemática em comparação

com

o

Ensino

de Leitura. Tal fato surpreende, uma vez que o domínio

das

técnicas de leitura e interpretação de idéias é fundamental

paro que o aluno adquira informações nas demais áreas do cur-

de leitura e interpretação de idéias é fundamental paro que o aluno adquira informações nas demais
TABELA 18 - Atitude dos professores quanto ã importância das disciplinas do currículo, por Estado
TABELA 18 - Atitude dos professores quanto ã importância das disciplinas do currículo, por Estado e tipo de Programa. 1981

rículo. Possivelmente, os presentes dados refletem o estágio

de desenvolvimento em que se encontram as comunidades rurais

investigadas, apegadas, ainda, a muitos comportamentos e val£

res típicos de uma sociedade de tradição oral. A isto, se acres

ce o possível impacto que os meios de comunicação de massa,es-

pecialmente rádio e TV, possam estar exercendo em tais comuni

dades, trazendo de volta algumas das características e esta-

dos emocionais, associados a era da tradição oral.

Assim, a Leitura parece não ter sido, ainda, compree_n

dida como meio de libertação e ascensão social, permitindo aque

lea que a dominam condições de busca de novas emoções e refle

xão sobre respostas alternativas e soluções para seus proble-

mas, tornando-os atentos ao tempo e orientados para o futuro

móvel.

Já a ênfase no ensino de Matemática pode ser atribuí-

da ao tipo de atividade desenvolvida pela criança do meio ru-

ral, a qual, via de regra, antes mesmo de ir à escola, é

ex-

posta a situações que envolvem a utilização de conceitos mate

máticos. Isto decorre do próprio estilo de vida do homem

do

campo, o qual, na sua labuta diária, necessita manipular vá-

rios princípios matemáticos. Em geral, o agricultor,mesmo se_n

do analfabeto, tem noção das 4 operações, de medida, do

que

seja lucro e perda, etc. Assim, os objetivos práticos da Mate

mática parecem ter influenciado a atitude dos professores

relação a essa disciplina.

em

Feita uma análise entre os Estados, verifica-se que a

opinião dos professores do Piauí, Ceará e Pernambuco foi

a

mesma quanto à relevância do ensino da Matemática, o que fica

dos professores do Piauí, Ceará e Pernambuco foi a mesma quanto à relevância do ensino da

evidente pelos altos percentuais encontrados, nesta discipli-

na, na amostra rie cada um desses Estados (Piauí: EDURURAL

78%; OUTROS, 67%; Ceará: EDURURAL, 77%; OUTROS, 70%; Pernambu_

co: EDURURAL, 83%; OUTROS, 74%].

No Piauí, 39% dos professores dos municípios assisti-

dos pelo EDURURAL e 40% dos docentes de municípios atendidos

por OUTROS programas escolheram Estudos Sociais em 2 9 lugar .

"Higiene" foi mencionada em 3º lugar por 63 (36%) professores

de municípios assistidos pelo EDURURAL, enquanto 27 (36%) do-

centes dos municípios atendidos por OUTROS Programas preferi-

ram Leitura.

Os professores do Ceará lotados, em municípios incluí_

dos no EDURURAL, mencionaram "Estudos Sociais" (42%) e "Leitu_

ra" (39%) como o 2º e 3º tópicos mais importantes de serem en_

sinados. Já os professores que ensinam em municípios assisti-

dos por OUTROS programas preferiram Leitura (39%) e

ne

(31%).

Higie-

Em Pernambuco, os professores cujas escolas sao assis

tidas pelo EDURURAL indicaram Estudos Sociais (39%) e Leitu_

ra (36%) em 2º e 3º lugares, em ordem de importância.

Dados

opostos foram encontrados para os professores de Pernambuoo ,

que lecionam em municípios atendidos por OUTROS programas.Es-

tes docentes mencionaram, por ordem de importância,

(69%) e Estudos Sociais (28%).

Os dados, entretanto, revelam que a Matemática

Leitura

foi,

também, considerada como a disciplina, que 360 (45%) professe^

res da amostra apontaram como sendo mais difícil de

considerada como a disciplina, que 360 (45%) professe^ res da amostra apontaram como sendo mais difícil

ensinar

(Vide Tabela 19, com respostas que não são mutuamente exclu-

sivas). Logo em seguida, foram mencionados o ensino de "Grama_

tica" (42%) e "Desenvolvimento da Comunidade" (40%).

Os dados expostos também revelam que, sem levar

em

ccnsideração o critério Estado, 241 (45%) professores que exer

cem docência em municípios assistidos pelo EDURURAL

e

119

(44%) professores que ensinam em municípios atendidos por OU-

TROS programas acreditam ser a Matemática a disciplina

fácil de ser ensinada.

mais

Entre os Estados, Matemática foi considerada difícil

pelos professores que lecionam em municípios assistidos pelo

EDURURAL do Ceará (93 casos , 47%) , Pernambuco (83 casos , 51%)

e pelos professores dos municípios nao atendidos pelo EDURU-

RAL de Pernambuco (43 casos , 46%) e Piauí (40 casos, 53%).Nes_

te Estado, 82 professores (47%) , cujas escolas sao localiza-

das em áreas atendidas pelo EDURURAL, mencionaram a dificulda_

de do ensino de Gramática.

A disciplina Estudos Sociais foi considerada difícil

na opinião de 47 (46%) professores cearenses que lecionam

em

municípios situados em localidades atendidas por OUTROS pro —

gramas.

Os resultado s apresentado s nest e estud o pode m ser úteis

às Secretarias de Educação dos Estados envolvidos neste proje

to de avaliação. As dificuldades sentidas pelos

professores

talvez possam' ser usadas como critérios para a realização de

futuros treinamentos de docentes do meio rural, especialmente

com referência à Matemática, a qual tem sido vista tanto como

treinamentos de docentes do meio rural, especialmente com referência à Matemática, a qual tem sido vista
TABELA 19 - Atitude dos professores quanto à dificuldade das disciplinas do currículo, por Estado
TABELA 19 - Atitude dos professores quanto à dificuldade das disciplinas do currículo, por Estado e tipo de Programa. 1981.

importante, como difícil de ensinar. As dificuldades sentidas

no ensino desta disciplina talvez seja fruto de um círculo vi

cioso onde aquele que tendo aprendido mal Matemática tende,no

futuro, a ensiná-la da mesma forma.

Na maioria de nossas escolas, o ensino compreensível

de conceitos matemáticos cede lugar ã pura mecânica de opera-

ções e uso de fórmulas. Para tornar as coisas ainda mais difí

ceis, muitas vezes as atividades levadas a efeito durante os

ensinamentos de conceitos matemáticos nao levam em apreço

o

desenvolvimento cognitivo e a experiência anterior do aluno .

É comum exigir-se de um aluno que se encontra no período

de

operações concretas a utilização de formas de pensar do está-

gio formal do pensamento.

Diante de tal quadro, espera-se que recursos proveni-

entes do programa EDURURAL, com a finalidade de promover

o

preparo de docentes, venham, realmente, atender aos objetivos

a que se propõem.

Para uma melhor configuração da atitude dos professo-

res, face aos aspectos do currículo, foi feita uma analise de

quais assuntos eles consideram menos importantes ensinar. Es-

tes resultados aparecem na Tabela 20 (observe-se que as res-

postas nao são mutuamente exclusivas). Os dados indicam

que

os professores da amostra atribuem menos importância aos

se-

guintes itens: Desenvolvimento da Comunidade C434 casos, 54%),

Orientação para a vida C362 casos, 45%) e Catecismo (302

ca-

sos, 37%) . Este mesmo tipo de reação, quanto aos aspectos

e

hierarquia de irrelevância, foi encontrado entre os docentes

37%) . Este mesmo tipo de reação, quanto aos aspectos e hierarquia de irrelevância, foi encontrado
TABELA 20 - Atitude dos professores quanto à irrelevância das disciplinas do currículo por Estado
TABELA 20 - Atitude dos professores quanto à irrelevância das disciplinas do currículo por Estado e tipo de programa. 1981.

que lecionam em municípios assistidos pelo EDURURAL e por OU-

TROS programas. Neste último grupo, foi também mencionado Ini-

ciação ã Ciência em 2 9 lugar, como disciplina menos importan-

te (107 casos, 39%) .

Tais resultados parecem indicar que os professores não

vêem as atividades desenvolvidas na escola como meio de inte-

gração do aluno no seu meio social e menos como um agente ati

vo de possíveis transformações políticas,

sociais e econômi-

cas. Assim, a função formativa da escola parece não estar pr_e

sente na consciência dos professores, fazendo com que as exp_e

riências desenvolvidas no ambiente escolar fiquem restritas ã

transmissão de simples mecanismos de leitura, escrita e cálcu_

Io, as quais não chegam a atingir níveis de maior complexida-

de ( 2 )

.

Os resultados são muito semelhantes

entre os Estados

com o item Desenvolvimento da

Comunidade, liderando a

lista

de menor importância, seguido ora por Orientação para a Vida,

Catecismo ou Iniciação à Ciência.

Ao término da análise relativa às características do

professor, verifica-se que, de maneira geral e independente do

tipo de programa (EDURURAL e OUTROS) , as situações sao

seme-

lhantes, quanto ao sexo, ã idade, ao tempo de serviço, ao ní-

vel salarial, a condição funcional, às atividades docentes ,

incluindo-se nesta categoria atividades desenvolvidas em clas

(2) Vide Relatório nº 5 "Relatório Tecnico do Estudo do Rendimento Esco- lar dos Alunos" Fundação Carlos Chagas.

Vide Relatório nº 5 "Relatório Tecnico do Estudo do Rendimento Esco- lar dos Alunos" Fundação Carlos

se, recursos materiais usados,

de casa e modos de avaliação;

tipo e freqüência de deveres

à atitude e desempenhe; face a

e

supervisão e a atitude quanto à importância, dificuldade

irrelevância das disciplinas do currículo.

A seguir, relata (m)-se, resumidamente, a ( s ) freqüên-

cia(s) predominante(s) encontrada(s) em cada característica

mencionada acima. Quando estas forem comuns aos dois progra

mas, não serão feitas observações, de vez que esses dados es

tão explicitados neste relatório.

A presença do sexo feminino foi marcante entre os do-

centes da amostra.

com referência ã idade, constata-se que a idade medi-

ana dos docentes é de 28 anos.

0 nível educacional dos professores, em sua grande ma

loria, fica entre a 4a. e 8a. séries do 1' grau.

Quanto aos anos de serviço, vale ressaltar que o tem-

po mediano na função docente é de 8 anos.

A considerar o nível salarial dos docentes, observa-

se que, entre os Estados, a mediana variou de Cr$600,26 a

Cr$ 6 . 379,, 25 . A mais baixa mediana foi encontrada nos municí-

pios assistidos pelo EDURURAL no Ceará, enquanto que a mais al_

ta pertence aos municípios atendidos por OUTROS Programas, no

Piauí.

Observa-se que a maioria dos professores são contrata_ dos. CEDURURAL, 65%; OUTROS, 70%).

da

amostra são as "Festas Comemorativas" (EDURURAL 68%,

81%) . A segunda atividade de classe mais desenvolvida pelos

professores dos municípios atendidos pelo EDURURAL é "Aula de

Religião" (56%),enquanto que entre os professores dos municí-

pios assistidos por OUTROS Programas é o "Canto" (63%).

As atividades de classe mais comuns aos docentes

OUTROS,

amostra

de professores, o "Livro adotado em classe" foi o mais citado

(EDURURAL 84% , OUTROS 90%) . 0 segundo recurso mais usado, nos

Entre os materiais didáticos utilizados pela

mais citado (EDURURAL 84% , OUTROS 90%) . 0 segundo recurso mais usado, nos Entre os

municipios assistidos ou não pelo EDURURAL, é "Livro diferen-

te para completar lições" (EDURURAL 54%; OUTROS 61%) .

A atividade de dever de casa mais solicitado pelos pro

fessores recaiu no item "Exercícios Contidos no Livro",(EDURU

RAL 91%, OUTROS 92%) , seguindo-se "Desenhos" (EDURURAL

OUTROS 59%) .

63%

No tópico referente ã freqüência de deveres de casa ,

o item deveres "Todos os dias" apresentou o percentual

alto (EDURURAL 56%, OUTROS 66%) .

mais

As formas de avaliação mais usadas pelos professores

que lecionam em municípios ou não assistidos pelo EDURURAL são

"Provas Mensais" (EDURURAL 89%, OUTROS 95%) s "Comportamento do

Aluno" (EDURURAL 42%, OUTROS 45%) .

Quanto a atitude face ã supervisão, observa-se que ,

nos municípios atendidos pelo EDURURAL, os professores sentem

a necessidade de implantação dos serviços de supervisão

em

suas escolas (43%), enquanto que nos municípios assistidos por

OUTROS Programas, os professores sugerem a intensificação da

prática de supervisão atualmente em vigor (41%).

Em relação ao planejamento diário, os dados indicam ,

que o professor atua sozinho no preparo das aulas (EDURURAL

68%, OUTROS 59,5%). A participação do supervisor municipal na

preparação das aulas é a segunda modalidade mais

(EDURURAL 24%, OUTROS 32%) .

mencionada

As três disciplinas consideradas mais importantes, pa_

ra serem ensinadas ã criança pelos docentes dos municípios as

As três disciplinas consideradas mais importantes, pa_ ra serem ensinadas ã criança pelos docentes dos municípios

RAL 39%, OUTROS 41%) .

Os aspectos dos currículo considerados menos importan tes para a formação do educando são: Desenvolvimento da Comu- nidade (EDURURAL 56%, OUTROS 44%); Orientação para a Vida(EDL) RURAL 46%, OUTROS 39%) e Catecismo (EDURURAL 39%, OUTROS 34%). A Iniciação à Ciência foi considerada, também, em 2 9 lugar como menos importante pelos professores, que lecionam em muni cípios assistidos por OUTROS Programas (39%).

2 9 lugar como menos importante pelos professores, que lecionam em muni cípios assistidos por OUTROS

3.

DADOS SOBRE OS ALUNOS

Para se delinear o perfil do aluno, foram escolhidas

as características: 1] seco; 2) idade dos alunos, ambos tra-

tados no Relatório da Amostra e as seguintes, objeto do pre-

sente relatório; 3) tipo de classe freqüentada; 4) idade

de

ingresso na escola; 5] interrupção nos estudos; 6) assistên-

cia aos alunos em classe; 7) freqüência com que os alunos re

cebem deveres de casa; 8) assistência aos alunos fora da sa-

la de aula; 9] trabalho dos alunos em casa ou fora de

casa;

10) faltas dos alunos às aulas; 11) distância ente acasa dos

alunos e a escola.

A seguir, sao apresentados os dados de cada urna

das

características mencionadas acima e as respectivas tabelas.

3.1, TIPOS DE CLASSES: MULTISSERIADA E SERIADA

Do total de alunos da amostra [7.041), aproximadame_n

te 2/3 freqüenta m a 2a.

série e 1/3 está matriculad o na

4a .

série. Distribuídos os alunos em classes seriadas e multisse

riadas, essa proporção se mantém nos municípios da amostra,

a exceção da amostra do Ceará que tem menos alunos matricula_

dos na 4a. série que as demais.

Nos três Estados em questão, independentemente do ti

que tem menos alunos matricula_ dos na 4a. série que as demais. Nos três Estados em

pò de programa que os atinge, ha predominância de alunos,fre

quentando

classes multisseriadas, 58% na 2e. série, enquan-

to 14% estão em classes seriadas; 21% na 4a. série, para

7%

nas classes seriadas. Essas classes caracterizam-se pelo fa-

to de uma única professora ensinar, na mesma classe e ao mes_

mo tempo, alunos de séries diferentes (Vide Tabela 21) .

Comparando-se a matrícula nas classes multisseriadas

nas duas categorias de municípios, constata-se que os municí_

pios incluídos no EDURURAL apresentam percentuais um

pouco

superiores. Já os percentuais mais elevados de alunos

fre-

qüentando classes seriadas estão nos municípios incluídos em

OUTROS Programas. Esse mesmo paradigma se repete a nível de

cada Estado .

Posteriormente, poderá ser verificada a

existência

ou não de correlação entre o tipo de classe que o aluno

fr_e

quenta e o resultado obtido nos testes de rendimento

esco-

lar.

3.2. IDADE DE INGRESSO E INTERRUPÇÃO DOS ESTADOS

com relação ã idade de ingresso na escola,

observa-

-se um descompasso entre o início de escolarização e a

ida-

de cronológica. Isto vem se verificando especialmente no 1º

grau, embora medidas visando a sua redução venham sendo tenta

das. A Tabela 22 mostra onde essa defasagem se inicia. Cons-

tata-se que, entre os alunos amostrados, o atraso de ingres-

so na escola é de um ano, independentemente de série, Estado

ou tipo de Programa existente nos municípios.

de ingres- so na escola é de um ano, independentemente de série, Estado ou tipo de
TABELA 21 '- Tipo de classe em que estudam os alunos por Estado, tipo de
TABELA 21 '- Tipo de classe em que estudam os alunos por Estado, tipo de Programa e serie. 1981.

ano

no início de escolarização do aluno, como no fato de ele le-

O problema serio nao está tanto no atraso de um

var, em média

4 anos, para atingir a 2a. série.

TABELA 22 - Idade média de ingresso na escola dos alunos de 2a. e 4a.sJ_ ries por Estado e tipo de programa. 1981

SÉRIE

II

DADE MÉDI

IA

DE

ING RESSO N A

ESCOLA

PIA

CEAR/2

PERNAM BUCO

MÉDIA

GLOBAL