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Enduro Eqüestre Brasileiro:

2000 a 2006

Enduro Eqüestre Brasileiro:

2000 a 2006

Alguns dados e pequenas reflexões sobre os acontecimentos nas provas de longa distância nacionais no período 2000 – 2006

André Vidiz

2007

Prefácio

Após o World Equestrian Games 2006, em Aachen, iniciou-se, ainda na Alemanha, uma discussão entre os membros do Haras Endurance e do Haras Enduro Brasil sobre a idade dos cavalos selecionados para nos representar. Enquanto a prova tinha sido claramente dominada por cavalos jovens, nossa equipe era formada predominantemente por cavalos mais experientes. A discussão evoluiu e entrou em outros assuntos, como estratégia de prova e seleção genética.

Na volta ao Brasil, foi feito um aprofundamento que terminou por confirmar a superioridade dos resultados obtidos pelos cavalos mais novos e esclarecer alguns pontos das estratégias utilizadas por aqueles que se destacaram. Quanto à parte genética, montou-se uma planilha que contava as aparições de cada garanhão nos pedigrees dos cavalos selecionados (no caso, os 20 primeiros colocados na Alemanha e os 10 primeiros de Compiegne). Esta planilha começou a ser modificada de modo a fornecer dados mais completos e abrangentes e, com a simultaneidade da produção do livro “O Enduro Eqüestre”, decidiu-se usá-la como suporte para um de seus capítulos, sobre as linhagens de enduro.

Ao inserir os dados na planilha (que a esta altura não era mais uma planilha, e sim um banco de dados), percebeu-se que era possível, sem praticamente nenhum esforço adicional, produzir estatísticas interessantes e inéditas. Estas são

apresentadas neste estudo com pequenas reflexões, de modo que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões e questionar as aqui presentes. Graças a essa causalidade na coleta de dados, não há uma teoria central ou um “fio condutor” dos textos deste estudo, trata-se apenas da exposição das informações geradas pelo programa.

Como endurista, espero que este trabalho viabilize discussões mais fundamentadas que as atuais (que além de tudo são raras e restritas) e ajude todos a entender o que se passa com nosso esporte, que parece não crescer (em número de participantes) mas evoluir (vide os resultados do Panamericano 2005 e Mundial de Young Riders do Bahrein). Espero que minhas reflexões façam os leitores pensarem nos assuntos tratados e que, principalmente, os dados levantados sirvam de subsídio para discussões mais ricas e profundas.

Sumário

Introdução e Aspectos Metodológicos

6

Inscrições: quantos nós somos?

7

Introdução

7

Eventos, provas e inscrições por ano

8

Os Maiores Eventos e Provas do Período:

12

Velocidade: estamos ficando melhores?

14

Introdução

14

Ressalvas:

14

Velocidades Ganhadoras

15

Velocidade X Número de Inscritos: o papel da competitividade

20

Sugestão: um parênteses para uma opinião particular

22

As provas mais rápidas realizadas no Brasil entre 2000 e 2006

25

Financeiro: qual a nossa importância econômica?

27

Introdução

27

Ressalvas

27

Evolução do Preço de Inscrição (2000 a 2006)

28

Média Ponderada: uma abordagem mais complexa

31

Faturamento

32

Genética: de onde vieram nossos cavalos?

36

Contagem

36

Rankeamento

39

Teste de Robustez

44

Missing (dados omissos): o que ficou de fora?

48

Explicação

48

Velocidades Ganhadoras não encontradas

48

Preços de Inscrição não encontrados

49

Índice remissivo de gráficos e tabelas

50

Introdução e Aspectos Metodológicos

Este estudo tem como foco as provas de 120kms ou mais realizadas no Brasil entre 2000 e 2006 (incluindo-os). Com exceção do capítulo “Contagem” (ver explicações no texto correspondente), não há dados sobre nada que fuja a estes parâmetros, o que termina restringindo as conclusões aqui presentes, uma vez que o estudo ignora provas de média distância e sua importância. No entanto, o texto continua válido por abordar discussões significantes de um ponto de vista mais objetivo, coisa nunca antes feita (ou mostrada).

Os

dados

foram

retirados

dos

sites

Enduro

Online

(http://www.enduro.com.br),

Endurance

Brasil

(http://www.endurancebrasil.com.br/), Instituto Enduro Brasil

(http://www.enduroequestre.com),

Hipismo (http://www.fph.com.br/) e no Fórum Enduro BR,

do YahooGroups

(http://www.yahoogroups.com). Todas as informações são oficiais, disponibilizadas pelos organizadores dos eventos e tornadas públicas por estes veículos. Aqueles dados que não

lista

de

Federação

Paulista

de

discussão

foram encontrados constam no capítulo “Missing: Dados Omissos”.

De forma a encurtar os textos, que já ficaram demasiadamente longos, alguns detalhamentos de dados apresentados foram omitidos. Quem os desejar, poderá pedi- los através do email: anvidiz@gmail.com

Inscrições: quantos nós somos?

Introdução Na sociedade atual crescimento é praticamente sempre valorizado e amplamente perseguido. Para o Enduro a lógica parece ser que quanto maior o número de praticantes, mais provas teremos, mais organizadas elas serão, melhor será nosso nível competitivo, melhores serão nossos resultados internacionais, mais importante será o esporte no âmbito nacional, mais valiosos serão nossos cavalos, mais gratificantes serão nossas vitórias e, finalmente, mais prazer teremos em competir.

A questão do crescimento vem se mostrando especialmente delicada e problemática para aqueles que vivem o enduro eqüestre brasileiro. Enquanto os resultados brasileiros no exterior começam a aparecer, mesmo que seja ainda nas provas de 120kms, parece haver um consenso de que o número de participantes encontra-se estagnado há mais ou menos uma década.

São levantadas questões como: qual o melhor regulamento para provas pequenas? Como atrair novos competidores? Como fazê-los passar às provas mais difíceis? As provas devem ser juntas ou separadas? Como deve ser a premiação? Etc. Como estas questões, estratégicas e de longo prazo, fogem totalmente ao escopo deste texto, é apresentado apenas um resumo do número de provas e de

inscrições

possíveis implicações.

nos

últimos

sete

anos,

bem

como

algumas

Eventos, provas e inscrições por ano Resumo anual (inscrições, provas e eventos*)

* Entende-se por evento a somatória de todas as provas realizadas na mesma data e local de 120kms ou mais.

Ano

Inscrições

Provas

Eventos

Inscritos / Prova

Inscritos / Evento

2000

176

14

9

13

20

2001

212

17

9

12

24

2002

147

9

4

16

37

2003

133

9

6

15

22

2004

214

18

9

12

24

2005

97

11

4

9

24

2006

224

19

10

12

22

Media

172

14

7

13

25

Desvio Padrão

48

4

3

2

6

DP/Media

28%

31%

35%

19%

23%

Provas X Inscritos por prova 21 19 17 15 13 11 9 7 5 2000
Provas X Inscritos por prova
21
19
17
15
13
11
9
7
5
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Provas
Inscritos / Prova
Eventos x Inscritos por evento 12 40 10 35 8 30 6 25 4 20
Eventos x Inscritos por evento
12
40
10
35
8
30
6
25
4
20
2
0
15
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Eventos
Inscritos / Evento

Inscrições por ano

250 200 150 100 50 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
250
200
150
100
50
0
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

O ano de 2006 foi recordista em inscrições, eventos e provas. Porém, ao analisar a evolução destes indicadores não há espaço para muito otimismo. Existiu, claramente, nestes sete anos analisados, grande volatilidade e inconsistência

nestes números. Uma prova disto é o ano de 2005, que somou menos de 100 inscrições. É verdade que este ano contou com dois mundiais e o Panamericano, que podem ter diminuído a atuação interna, porém estas três provas somaram “apenas” 22 conjuntos brasileiros, ou seja, não explicam tamanha queda.

Parece que este sobe-e-desce está mais relacionado a fatores internos, em especial ao número de eventos. Tanto o número de eventos quanto o de provas oscila todos os anos, e junto com eles o número de inscrições, como pode ser percebido no gráfico a baixo:

Inscrições X Eventos

250 12 10 200 8 150 6 100 4 50 2 0 0 2000 2001
250
12
10
200
8
150
6
100
4
50
2
0
0
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Inscrições
Eventos

Analisando o número de inscrições por evento e por prova, percebe-se que estes pouco variam (um exemplo numérico disto é o menor desvio padrão em relação à média destes se comparados aos outros números). Parece haver um número fixo de enduristas que se dispõem a ir a muitos dos

eventos oferecidos, apenas se distribuindo entre as provas destes (motivo pelo qual a variação na razão Inscrições / Prova é maior). Assim, com exceção do ano de 2002 que contou apenas com dois eventos muito grandes e 2 médios – sem nenhum menor, todos os anos tiveram entre 20 e 25

inscrições por evento. Pode-se concluir que, nos níveis atuais,

o número de eventos não influencia seu número de inscrições, mas sim o número total de inscrições no ano; e o número de provas apenas dilui ou concentra as inscrições por prova.

Deste modo, se o objetivo for aumentar o número de inscrições no ano, deve-se aumentar o número de eventos. Se for aumentar o número de inscritos por prova (para torná- las mais competitivas e melhorar o nível nacional, como veremos mais para frente), deve-se diminuir o número de provas, concentrando os competidores. Tudo isto é verdade graças à baixa elasticidade do indicador Inscritos / Evento, que se manteve entre 20 e 25 em 6 dos 7 anos estudados.

Assim, este crescimento passa pelo estabelecimento de critérios coerentes e inteligentes na formação do calendário de provas, levando em consideração estas relações, e pelo

estímulo e suporte aos organizadores (no limite substituindo- os), que muitas vezes não têm estrutura para se planejar e efetuar seu papel adequadamente, freqüentemente relegando

o número de eventos a fatores políticos e / ou pessoais. Em

São Paulo este processo de substituição já foi iniciado pelo

Instituto Enduro Brasil e pela FPH, mas ainda encontra-se longe de estar consolidado.

Já o crescimento no número de praticantes (que se

refletiria no número de Inscritos / Evento) passa por questões

estratégicas e de longo prazo, conforme dito no início do

capítulo.

Os Maiores Eventos e Provas do Período:

As 15 maiores provas (em número de participantes) de 120kilometros ou mais desde 2000 realizadas no Brasil:

 

Maiores Provas

 
 

Prova

Data

Competidores

Local

Distância (kms)

III

Corrida dos Campeões 140

13/11/2001

40

Jaguariúna

140

Multidays 2000

7/7/2000

37

Joanópolis

238

Haras Endurance 2002 YR

22/6/2002

31

Bragança Paulista

122

Haras Endurance 2006 120

21/4/2006

29

Bragança Paulista

120

II

Corrida dos Campeões

25/11/2000

26

Pedreira

140

Campeonato Brasileiro 2003

16/8/2003

24

Avaré

160

Campeonato Brasileiro 2004 YR

14/8/2004

24

Resende

120

II

Copa Avaré

29/5/2004

24

Avaré

160

IV

Corrida dos Campeões 120

15/11/2002

24

Jaguariúna

126

 

XVI

Campeonato Brasileiro

14/10/2006

24

Campinas

160

 

XVI

Campeonato Brasileiro 120

14/10/2006

24

Campinas

120

Campeonato CM 2001 - 1a Etapa

30/3/2001

23

Caxambu

165

II

Grandes Eventos FEI YR

9/6/2001

23

Holambra

120

Haras Endurance 2004 YR

3/4/2004

22

Bragança Paulista

119

III

Corrida dos Campeões YR

13/11/2001

22

Jaguariúna

120

Os 15 maiores eventos (em número de participantes) de 120kilometros ou mais desde 2000 realizados no Brasil:

       

Número de

 

Evento

Data

Competidores

Local

Provas

III

Corrida dos Campeões

13/11/2001

81

Jaguariúna

3

 

XVI

Campeonato Brasileiro

14/10/2006

64

Campinas

3

Haras Endurance 2002

22/6/2002

60

Bragança

3

Paulista

Campeonato Brasileiro 2004

14/8/2004

57

Resende

3

Campeonato Brasileiro 2003

16/8/2003

53

Avaré

3

Haras Endurance 2006

21/4/2006

52

Bragança

3

Paulista

II

Copa Avaré

29/5/2004

50

Avaré

3

IV

Corrida dos Campeões

15/11/2002

49

Jaguariúna

3

       

Número de

 

Evento

Data

Competidores

Local

Provas

II

Corrida dos Campeões

25/11/2000

46

Pedreira

2

XV Campeonato Brasileiro

23/7/2005

45

Resende

3

Copa Nacional do Cavalo Árabe - ABCCA 2004

20/11/2004

39

Avaré

2

II

Grandes Eventos FEI

9/6/2001

39

Holambra

3

I Copa Avaré

12/4/2003

37

Avaré

2

Multidays 2000

7/7/2000

37

Joanópolis

1

Haras Endurance 2004

3/4/2004

31

Bragança

2

Paulista

É interessante notar que as maiores provas, e principalmente os maiores eventos, distribuem-se quase que homogeneamente pelos anos, como mostra a contagem a baixo:

Provas e Eventos entre os 15 maiores, por ano:

Ano

Provas

Eventos

2000

2

2

2001

4

2

2002

2

2

2003

1

2

2004

3

4

2005

0

1

2006

3

2

Outro fato interessante é o de que as 4 primeiras provas são de anos diferentes, assim como os 5 maiores eventos. Pode-se concluir que “há espaço” para dois grandes eventos por ano: um principal e outro “secundário”. Assim, graças à estabilidade do número de praticantes, este evento principal normalmente aparece em cima do evento secundário dos outros anos na listagem dos maiores eventos do período.

Velocidade: estamos ficando melhores?

Introdução Até 2005 o Brasil nunca tinha conquistado uma medalha em campeonatos internacionais organizados pela FEI. Neste ano, porém, trouxemos 5 medalhas: Prata e Bronze individuais e Ouro por equipe no Young e Bronze por equipe no adulto no Panamericano e Bronze por equipe no mundial de Young Riders no Bahrein.

Felizmente este fato não está relacionado ao aumento de participações internacionais, uma vez que o Brasil participou de vários campeonatos mundiais antes de conquistar sua primeira medalha. É verdade que a possibilidade de participar de um Panamericano relativamente próximo e com os nossos cavalos nos ajudou muito, mas não pode ser apontada como causa única de nossos resultados inéditos.

Hoje, alguns enduristas têm cavalos na Europa, e os que não têm costumam correr esporadicamente nas provas mais competitivas daquele continente. Veremos agora se as provas nacionais também não nos ajudaram a melhorar.

Ressalvas:

Em algumas provas não foi encontrada a média final nem números que possibilitassem o seu cálculo, implicando em sua desconsideração. As provas de dois ou mais dias que ultrapassaram 160 kilometros também foram desprezadas.

Graças a estes dois fatores a soma do total de provas por ano

é menor do que a apresentada no histórico de provas.

Há que se ressaltar que pode haver distorções geradas

pelo método de cálculo da média final das provas mais

antigas, cujas planilhas não deixam claro se o tempo de

entrada do último vet-check foi computado ou não, porém

acreditamos que estes números são o mais próximo possível

da realidade. Outro fator de distorção é a distância total, que

pode ter 5% a mais ou a menos pelo regulamento e mais do

que isso na realidade.

Velocidades Ganhadoras

Histórico das médias das velocidades vencedoras* por ano nas provas entre 120 e 130kms realizadas no Brasil entre 2000 e 2006:

*Velocidade vencedora é a média final do vencedor de uma prova

Ano

Média das Velocidades Vencedoras

Provas

Competidores

2000

12,888

5

63

2001

15,015

6

89

2002

14,732

5

113

2003

16,540

5

67

2004

15,922

13

158

2005

16,420

8

68

2006

16,615

16

183

18

17

16

15

14

13

12

Média das Vels. vencedoras (120kms) por ano

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

Histórico das velocidades vencedoras por ano nas provas entre 130 e 160kms realizadas no Brasil entre 2000 e 2006:

Ano

Média das Velocidades Vencedoras

Provas

Competidores

2000

13,250

1

26

2001

13,714

3

70

2002

13,007

3

32

2003

15,435

2

44

2004

16,434

3

51

2005

14,837

3

29

2006

16,795

2

37

Média das Vels. vencedoras (130 - 160kms) por ano

18 17 16 15 14 13 12 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Recorde
18
17
16
15
14
13
12
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Recorde de Velocidade por ano em provas de 120kms:

Recorde de Velocidade por ano em provas de 120kms (tabela)

Ano

Maior Velocidade

Número de Provas

Total de Inscrições

2000

14,52

5

63

2001

17,03

6

89

2002

15,16

5

113

2003

18,81

5

67

2004

19,22

13

158

2005

18,98

8

68

2006

19,39

17

187

Recorde de Velocidade (120kms) por ano

20 19 18 17 16 15 14 13 12 2000 2001 2002 2003 2004 2005
20
19
18
17
16
15
14
13
12
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Média das 3 maiores velocidades por ano em provas de

120kms:

Média das 3 maiores velocidades por ano em provas de 120kms (tabela)

Ano

3 Maiores Velocidades

Número de Provas

Total de Inscrições

2000

14,19

5

63

2001

16,56

6

89

2002

14,83

5

113

2003

17,96

5

67

2004

18,97

13

158

2005

17,72

8

68

2006

18,57

17

187

Média das 3 maiores velocidades (120kms) por ano

20,00 19,00 18,00 17,00 16,00 15,00 14,00 13,00 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
20,00
19,00
18,00
17,00
16,00
15,00
14,00
13,00
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

Podemos perceber que, tanto nas provas de 120 quanto nas de 160, houve de 2002 para 2003 um aumento substancial nas médias vencedoras, caracterizando uma mudança de patamar. Isto pode ser notado tanto na média das velocidades vencedoras, quanto no recorde anual de velocidade e no critério intermediário (média das 3 maiores velocidades do ano). Parte deste aumento pode ser explicada pela transferência de provas para locais mais planos, como Avaré, porém seria demasiadamente simplista ater-se a isto.

O número de provas ou o número total de inscritos também parecem ter pouca relação com a média dos vencedores do ano. Deste modo, é provável que o aumento de velocidade seja, de fato, produto da melhora no nível técnico brasileiro. Este se deu através na evolução do treinamento dos animais, melhores técnicas

veterinárias, melhora na montaria por parte dos cavaleiros, mais competitividade e ousadia destes, mais complexidade e racionalidade na formação de estratégias de provas, maior valorização dos bons resultados, acúmulo de experiência, etc.

Velocidade

X

Número

de

Inscritos:

o

papel

da

competitividade

A velocidade do ganhador de uma prova é composta por

inúmeros fatores, a maioria bem conhecida por todos:

topografia, temperatura, umidade relativa do ar, importância da prova, proximidade de outras provas importantes e,

conforme vimos a cima, nível técnico do país. Há, também, outro fator que influencia a velocidade do vencedor de uma prova: o número de concorrentes.

Embora pareça intuitivo que quanto maior for o número de inscritos, maior será a velocidade necessária para ser o 1º colocado, era difícil mensurar a influência desta determinante, uma vez que, de uma prova para a seguinte, todos os outros fatores variam amplamente. Porém, o grande número de eventos com provas idênticas para Young Riders e Adultos realizados nos últimos anos forneceu material suficiente para fazer este tipo de análise. Assim, foram comparados os 25 pares de provas idênticas nos quais a única diferença era a categoria:

- Dois pares apresentaram empate, um no número de

inscritos e outro na velocidade ganhadora. - Dos 23 restantes, em 19 as provas que contavam com mais participantes apresentaram velocidades superiores.

- Apenas 4 provas com menos participantes geraram velocidades maiores àquelas geradas por seus pares com mais participantes.

Assim, a porcentagem das provas com mais inscritos que foram mais rápidas que seus pares menos populados varia de 76% (19/25), numa abordagem mais conservadora, até 83% (19/23 – excluindo os empates). É possível argumentar que nos campeonatos brasileiros este raciocínio não é válido, uma vez que 120kms é a categoria principal para os Young Riders mas não para os adultos, e por isso estes teriam menor motivação para correr. A exclusão destas provas, porém, mantém o porcentual praticamente inalterado, levando-o a

84%.

Distribuição das provas mais rápidas que seus pares - abordagem conservadora

provas mais rápidas que seus pares - abordagem conservadora Provas com mais Participantes Provas com menos

Provas com mais ParticipantesProvas com menos participantes Empate

Provas com menos participantesProvas com mais Participantes Empate

EmpateProvas com mais Participantes Provas com menos participantes

Distribuição das provas mais rápidas que seus pares

Distribuição das provas mais rápidas que seus pares Provas com mais Participantes Provas com menos participantes

Provas com mais ParticipantesProvas com menos participantes

Provas com menos participantesProvas com mais Participantes

Pode-se concluir que o número de participantes influi diretamente na velocidade do ganhador, como esperado. Este efeito trazido pela maior competitividade independe dos outros fatores (temperatura, topografia, nível técnico do país, etc) e além de alavancar a competência de andar mais rápido, gera know-how de como competir com mais gente. Esta experiência competitiva e esta habilidade de “tirar mais do cavalo” revelam-se extremamente importantes em competições internacionais, como os campeonatos mundiais, tanto de Young Riders como de adultos.

Sugestão: um parênteses para uma opinião particular Seria benéfico para o Brasil, portanto, unificar adultos e jovens cavaleiros numa mesma categoria, mantendo apenas uma prova por ano exclusiva para estes (o Campeonato Brasileiro de Young Riders), como é feito na França. Nossos cavaleiros aprenderiam muito e nos tornaríamos mais

competitivos perante os outros países praticantes. Além disso, tanto a velocidade dos ganhadores aumentaria como a do meio da prova, já que haveria mais conjuntos para tentar alcançar ou para fugir de.

Como toda mudança, esta gera rejeição e medo desproporcionais. Os críticos da idéia argumentam que a diminuição no prêmio esperado desmotivaria os cavaleiros. Em primeiro lugar, este tipo de raciocínio coloca um limite no número total de participantes, já que se o enduro nacional crescesse e o número de participantes dobrasse, os cavaleiros teriam menos esperança de ganhar e, portanto, desmotivariam-se. Em segundo lugar, este argumento parte do princípio de que os praticantes do esporte correm com seus cavalos para ganhar troféus, e não para se auto- realizarem. Assim prefeririam correr sozinhos e ter um troféu praticamente garantido a correr no meio de mais 50 e ter a chance de ser, verdadeiramente, o melhor. Este tipo de comportamento é totalmente esperado e compreensível nas categorias de fomento, nas quais o cavaleiro não treina seu cavalo, vai à prova com a família para se divertir e depois contar para os amigos que ganhou um troféu, mas não nas provas de alto nível, que envolvem uma quantidade de esforço, dinheiro e dedicação demasiadamente grande para serem trocadas por um troféu.

Admito que inicialmente haveria um choque, mas em pouco tempo os cavaleiros perceberiam os benefícios de participar de provas mais competitivas, passariam a valorizar mais a única vitória no ano (contra 50 outros conjuntos) do

que as duas que tinham antes (contra 20 conjuntos), perceberiam que é melhor ser 5º numa prova com 25 do que 3º numa prova com 12, etc. Os cavaleiros aprenderiam que é possível largar em 8º no último anel e chegar em 3º, notariam quantos outros bons competidores eles deixaram para trás e, deste modo, se adaptariam às provas maiores e as prefeririam.

Outro argumento contra esta mudança é a questão do peso para os Young Riders, que muitas vezes precisariam de 20Kgs ou mais para atingir o peso mínimo. Existem, no entanto, mantas de chumbo em gel e selas mais pesadas que possibilitam um aumento substancial no peso do cavaleiro sem desconforto. Além disso, alguém que pese 45kgs aos 16 anos (ou aos 21) não terá facilidade de atingir os 75kgs ao tornar-se adulto, e está, assim, apenas adiando um problema (o que termina por diminuir as chances de que uma melhor solução seja desenvolvida).

Em suma, sou favorável à unificação das categorias pois creio que, além de nos ensinar muito e nos ajudar a nos aprimorar como enduristas, com esta mudança as provas de longa distância se tornariam muito mais interessantes, divertidas e recompensadoras para todos que participam. Além disso, acredito que as pessoas supervalorizam os custos desta mudança, deixando de perceber que se trata muito mais de adaptação do que de qualquer outra coisa. Fim do parênteses.

As provas mais rápidas realizadas no Brasil entre 2000 e 2006 As 15 provas mais rápidas de 120 a 130kms realizadas no Brasil entre 2000 e 2006:

         

Média

 

Prova

Local

Data

Distância

Competidores

Vencedora

XVI

Campeonato Brasileiro YR

Campinas

14/10/2006

120

16

19,39

Campeonato Brasileiro 2004

Resende

14/8/2004

120

24

19,22

YR

XV

Campeonato Brasileiro 120

Resende

23/7/2005

120

17

18,98

Copa Nacional do Cav Árabe - ABCCA 2004

Avaré

20/11/2004

120

19

18,89

Campeonato Brasileiro 2003

Avaré

16/8/2003

124

15

18,81

YR

Copa Nacional do Cav Árabe - ABCCA 2004 YR

Avaré

20/11/2004

120

20

18,80

Haras Endurance 2006 120

Bragança

21/4/2006

120

29

18,18

Paulista

Camp Paulista 2006 - 5a Etapa

Itirapina

16/9/2006

120

9

18,14

Campeonato Brasileiro 2003

Avaré

16/8/2003

124

14

17,85

124

Camp Paulista 2006 - 5a Etapa

Itirapina

16/9/2006

120

9

17,76

YR

XVI

Campeonato Brasileiro 120

Campinas

14/10/2006

120

24

17,76

II Copa Avaré YR

Avaré

29/5/2004

120

17

17,54

Camp Paulista 2006 - 4a Etapa

Avaré

5/8/2006

120

12

17,38

YR

Campeonato Brasileiro 2004

Resende

14/8/2004

120

15

17,27

120

I Copa Avaré

Avaré

12/4/2003

120

19

17,22

As 15 provas mais rápidas de 130 a 160kms realizadas no Brasil entre 2000 e 2006:

         

Média

 

Nome

Local

Data

Distância

Competidores

Vencedora

XVI

Campeonato Brasileiro

Campinas

14/10/2006

160

24

18,32

 

Bragança

       

Haras Endurance 2004

Paulista

3/4/2004

160

9

16,72

Campeonato Brasileiro 2003

Avaré

16/8/2003

160

24

16,71

Campeonato Brasileiro 2004

Resende

14/8/2004

160

18

16,38

II Copa Avaré

Avaré

29/5/2004

160

24

16,20

III Corrida dos Campeões 140

Jaguariúna

13/11/2001

140

40

16,16

XV

Campeonato Brasileiro

Resende

23/7/2005

160

19

16,00

 

Bragança

       

Haras Endurance 2006

Paulista

21/4/2006

160

13

15,27

Campeonato Paulista 2005 -

         

1a

Etapa

Pirassununga

2/4/2005

160

4

14,27

 

Bragança

       

Haras Endurance 2005

Paulista

27/5/2005

160

6

14,24

 

Bragança

       

Haras Endurance 2003

Paulista

17/5/2003

160

20

14,16

Grande Premio Avaré

Avaré

6/4/2002

154

19

14,13

II

Grandes Eventos FEI 140

Holambra

9/6/2001

140

7

13,50

II

Corrida dos Campeões

Pedreira

25/11/2000

140

26

13,25

 

Bragança

       

Haras Endurance 2002 162

Paulista

22/6/2002

162

9

12,76

Apesar destes dados mostrarem mais os extremos positivos das velocidades, e não as médias ou a evolução como os já apresentados, pode-se ver a confirmação da conclusão anteriormente estabelecida: a de que de 2002 para 2003 houve um salto nas velocidades dos vencedores das provas. As 15 provas mais rápidas de 120kms foram realizadas no período 2003 – 2006, e das 15 de 130 a 160kms, apenas 5 foram realizadas entre 2000 e 2002, sendo 3 de 140kms (o que mostra certa fragilidade, uma vez que estão sendo comparadas com provas de 160kms) e estando 4 delas nas 4 últimas colocações.

Financeiro:

econômica?

qual

a

nossa

importância

Introdução A teoria econômica vê os preços como um elemento de equilíbrio que, em última instância, refletem quanto as pessoas valorizam certo bem ou serviço. Já o materialismo histórico, proposto por Marx, indica que a economia exerce um papel central na determinação dos demais aspectos de uma sociedade e que para entendê-la deve-se primeiro analisar a forma como ela se organiza economicamente. Evidentemente não se deseja aqui fazer análises muito profundas nem que se aproximem deste grau de comprometimento, apenas observar a evolução e as diferenças nos preços de inscrições durante o período estudado.

Ressalvas Os valores apresentados são valores reais, ou seja, foram inflacionados até o ano de 2006 (pelo IPCA, índice de inflação oficial do governo brasileiro, medido pelo IBGE). Deste modo é possível compará-los, porém eles não correspondem ao valor nominal (aquele cobrado na época). Todos os dados apresentados são oficiais e foi considerado como preço da inscrição a somatória de todos os desembolsos estritamente necessários à participação na prova do competidor para o organizador. Assim, os valores de taxas e baias estão incluídos, com exceção das provas nas quais as

baias eram opcionais. Quando o programa da prova ou qualquer outro documento oficial não deixava claro se a baia era obrigatória ou não, seu valor não foi considerado.

As provas cujo valor de inscrição não foi encontrado foram desconsideradas. Mais uma vez, só foram computados dados relativos a provas de 120kms ou mais.

Evolução do Preço de Inscrição (2000 a 2006) Evolução do preço de inscrição prova a prova (cada losango representa uma prova com sua respectiva data e preço de inscrição):

Preço de inscrição por prova R$ 600,00 R$ 500,00 R$ 400,00 R$ 300,00 R$ 200,00
Preço de inscrição por prova
R$ 600,00
R$ 500,00
R$ 400,00
R$ 300,00
R$ 200,00
R$ 100,00
R$ 0,00
jan-00
jan-01
jan-02
jan-03
jan-04
jan-05
jan-06

Os Multi-Days foram excluídos pois, por serem uma prova totalmente atípica – três dias, todos num hotel, com alimentação, etc – sua inscrição era muito mais cara e terminava influenciando os dados de maneira irreal. Podemos perceber que os preços de inscrição das provas de longa

distância no Brasil foram diversificando-se. Em 2000 eles variavam entre R$ 200,00 e R$ 300,00, já em 2006 ficaram entre R$ 200,00 e R$ 600,00, sendo este um processo gradual.

Uma das causas desta diversificação de preços é o surgimento de provas em Brasília, normalmente mais baratas que as demais (com exceção da última de 2006, que foi FEI). Outra possível causa é o surgimento de taxas das federações e de custos relativos a provas FEI (que terminam gerando uma diferença sensível de preço entre provas nacionais e provas FEI). De qualquer forma, esta variação pode ser encarada de forma positiva, uma vez que permite ao endurista selecionar o serviço que mais lhe agrada: provas mais baratas e simples, ou provas mais caras e com maiores benefícios (status FEI, festas de premiação melhores, contato com estrangeiros, etc).

Média do preço de inscrição por ano

R$ 410,00 R$ 390,00 R$ 370,00 R$ 350,00 R$ 330,00 R$ 310,00 R$ 290,00 R$
R$ 410,00
R$ 390,00
R$ 370,00
R$ 350,00
R$ 330,00
R$ 310,00
R$ 290,00
R$ 270,00
R$ 250,00
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

Quanto à evolução da média anual, há que se ressaltar a omissão do valor da inscrição da Corrida dos Campeões de 2000, o que certamente abaixou de maneira irreal a média do primeiro ano. Já em 2001, é possível que os preços não tenham aumentado, mas graças à parcela irreal de 2000 eles pareçam maiores.

O ano de 2002 apresenta preços mais altos pelo fato de que, por algum motivo, neste ano tivemos poucos eventos e todos grandes e caros.

Isto foi revertido em 2003, o que levou a uma queda no preço médio de inscrição. Além de haver eventos mais baratos, a Corrida dos Campeões não foi realizada e o evento Haras Endurance foi composto por apenas uma prova de 120kms ou mais. Como estes dois eventos normalmente são maiores e mais caros, a sua não realização ou “diminuição” abaixaram a média anual. Mesmo com o aumento do número de provas em eventos grandes em 2004, o maior número de provas pequenas fez com que os preços continuassem próximos ao do ano anterior. Assim o biênio 2003-2004 apresentou preços semelhantes àqueles observados em 2001.

Em 2005, graças ao aumento de provas FEI e a novas taxas federativas, o preço médio da inscrição subiu. Também houve um pequeno número de eventos, como em 2002, porém este fator parece não ter sido importante. O aumento foi mantido em 2006, já que também houve grande número de provas FEI e as taxas federativas continuaram presentes.

Pode-se perceber que há relativa constância nos preços reais das inscrições nos últimos anos. Isto pode indicar que os organizadores de prova estão, aos poucos, encontrando e conseguindo manter uma “fórmula que dá certo”.

Média Ponderada: uma abordagem mais complexa A média como foi apresentada no item anterior é simplista demais, pois uma prova com 3 inscritos pesa tanto quanto uma com 40 inscritos. Para fornecer uma visão mais próxima à realidade, foi calculada a média dos preços de inscrição ponderada pela porcentagem de inscritos naquela prova em relação ao ano.

Média do preço de inscrição por ano

R$ 430,00 R$ 410,00 R$ 390,00 R$ 370,00 R$ 350,00 R$ 330,00 R$ 310,00 R$
R$ 430,00
R$ 410,00
R$ 390,00
R$ 370,00
R$ 350,00
R$ 330,00
R$ 310,00
R$ 290,00
R$ 270,00
R$ 250,00
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Media
Media Ponderada

A linha da média ponderada a cima da linha da média significa que as provas mais caras tiveram mais inscritos do que as mais baratas. Assim, pode-se dizer que no geral, entre 2000 e 2006, as provas de longa distância mais caras tiveram maior procura do que as mais baratas. Isto pode ter se dado

por preferência dos enduristas (até porque há vários outros custos – hospedagem, transporte, mão-de-obra, etc – que são idênticos para todas as provas) ou por estratégias de formação de preço por parte dos organizadores, que sabem quais são as provas mais procuradas.

É interessante notar também as variações nestas duas

médias. Em 2006, por exemplo, mesmo com a média praticamente estável, a média ponderada subiu, o que mostra que as provas mais caras ganharam espaço em relação as mais baratas neste ano, ao contrário do ano de 2005.

Faturamento Os 15 maiores faturamentos do período, por evento:

   

Faturamento

Faturamento

 

Nome

Data

Nominal

Real

III

Corrida dos Campeoes

13/11/2001

R$ 28350,000

R$ 42.695,53

Multidays 2000

7/7/2000

R$ 25900,000

R$ 41.334,44

XVI Campeonato Brasileiro

14/10/2006

R$ 31280,000

R$ 31.280,00

Campeonato Brasileiro 2004

14/8/2004

R$ 20850,000

R$ 23.711,13

Haras Endurance 2006

21/4/2006

R$ 21840,000

R$ 21.840,00

Campeonato Brasileiro 2003

16/8/2003

R$ 17340,000

R$ 21.553,38

XV Campeonato Brasileiro

23/7/2005

R$ 19850,000

R$ 20.979,47

IV

Corrida dos Campeoes

15/11/2002

R$ 14700,000

R$ 20.561,37

Haras Endurance 2002

22/6/2002

R$ 14400,000

R$ 20.141,75

II

Copa Avare

29/5/2004

R$ 17400,000

R$ 19.787,70

Multidays 2001

9/7/2001

R$ 12000,000

R$ 18.072,18

Haras Endurance 2004

3/4/2004

R$ 12540,000

R$ 14.260,79

II

Grandes Eventos FEI

9/6/2001

R$ 7940,000

R$ 11.957,76

Copa Nacional do Cav Arabe - ABCCA 2004

20/11/2004

R$ 9360,000

R$ 10.644,42

O faturamento é a multiplicação do preço da inscrição

pelo número de inscritos. Pode ser considerado, até certo ponto, a demonstração da importância do evento, uma vez que multiplica a importância atribuída ao evento por cada um (preço pago) pela quantidade de interessados (número de

inscritos). Porém, como quase sempre o montante gerado pela inscrição é usado apenas para cobrir custos, muitas vezes não se procura maximizar o faturamento, como numa empresa que busca o lucro. Por isso, esta relação “faturamento – importância do evento” não pode ser considerada 100% correta e deve ser relativizada e vista com subjetividade.

Faturamento total com inscrições por ano:

Ano

Faturamento Nominal

Faturamento Real

2000

42.340,00

R$ 67.571,44

2001

62.530,00

R$ 94.171,13

2002

40.500,00

R$ 56.648,66

2003

35.890,00

R$ 44.610,78

2004

65.600,00

R$ 74.601,92

2005

35.660,00

R$ 37.689,05

2006

91.420,00

R$ 91.420,00

Faturamento com inscrições por ano

R$ 100.000,00

R$ 90.000,00

R$ 80.000,00

R$ 70.000,00

R$ 60.000,00

R$ 50.000,00

R$ 40.000,00

R$ 30.000,00

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

Ao compararmos estes números com os obtidos no primeiro capítulo (Inscrições), percebemos que o faturamento

depende muito mais do número de inscrições do que de seu preço.

É interessante notar, também, que o recorde de faturamento data do ano de 2001, muito graças à Corrida dos Campeões, o que mostra a importância que este evento tinha na época. É verdade que esta importância era aumentada pelo Campeonato Brasileiro em várias etapas, ao invés de uma única, como é hoje em dia.

Infelizmente não é possível estimar quanto o esporte movimenta, em termos financeiros, por ano, graças à ausência de valores de inscrições de outras provas e da porcentagem de quanto estas representam no custo total. É possível, no entanto, que cada endurista faça a própria estimativa. Para isto basta somar seu gasto total por ano com tudo que envolve o esporte (criação, compra de cavalos, alimentação destes, mão de obra, treinamento, veterinários, medicação, aluguel de terras ou custo de oportunidade destas, transporte dos cavalos, inscrições, passaportes e taxas, viagens internacionais, transporte e alimentação do apoio, acomodação em provas, etc) e deste total calcular quanto as inscrições com provas de longa distância significam. Divide-se, então, o faturamento anual (R$ 91.420,00 por exemplo) por este percentual e consegue-se uma estimativa de quanto o enduro brasileiro movimenta por ano. Esta estimativa é distorcida pela importância que provas de longa distância têm para o cavaleiro que a calcula e pela ausência dos patrocínios das provas, mas a título de curiosidade pode ser útil. Se as inscrições no custo dos

cavaleiros for 1% de seus custos totais, pode-se estimar que o enduro movimentou em 2006 em torno de R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Se este percentual for 5%, a estimativa é de R$ 1.800.000,00.

Genética: de onde vieram nossos cavalos?

Contagem Objetivos e Metodologia:

Esta técnica foi aplicada de modo a fornecer uma visão simples, rápida e objetiva das linhagens utilizadas pelos criadores cujos cavalos tiveram êxito em provas de longa distância no Brasil. Uma de suas vantagens é a facilidade de compreensão, uma vez que o significado das contagens geradas é direto e objetivo.

Foram listados os cavalos que completaram provas de no mínimo 120 kilometros no Brasil entre 1995 e 2006 (inclusive) e então levantados seus pedigrees. Todos aqueles que eram registrados (216 cavalos) foram incluídos e um software, baseado em “pesos” para cada grau de parentesco, calculou os seguintes rankings.

É importante ressaltar que apesar da linhagem materna ser levada em consideração, apenas os garanhões constam no ranking. Ou seja, o pai da mãe (avô materno) de um cavalo que completou uma prova de 120kms está no ranking, mas sua mãe não. Outro detalhe importante é que cada cavalo só pontua uma vez, não somando mais pontos pela segunda prova que tenha completado. Deste modo, um cavalo que terminou dez provas gera tantos pontos para seus ascendentes quanto um que tenha completado uma única prova. Assim, o único meio pelo qual um garanhão ganha

pontos mais de uma vez através do mesmo descendente é ele aparecer mais de uma vez no pedigree deste animal.

Outra desvantagem da simplicidade desta técnica é que

qualquer prova completa fornece o mesmo número de pontos, não havendo distinção entre o 1º e o 10º colocado nem entre uma prova com 2 ou com 20 participantes. Resumo:

Contam cavalos que terminaram provas de 120kms ou mais no Brasil entre 1995 e 2006 e que tenham registro.

Tanto a linhagem materna quanto a paterna são levadas em consideração, porém só os garanhões fazem parte do ranking.

Uma vez que o cavalo tenha completado uma prova, as demais não adicionam mais pontos.

Se um garanhão aparece mais de uma vez no pedigree de um cavalo, ele ganhará tantos pontos quantas aparições tiver.

colocação na prova não é levada em conta, apenas se

A

o

animal a completou ou não.

Contagem por grau de parentesco:

Garanhões com mais filhos na longa distância:

Contagem Geral: Garanhões com mais aparições (em qualquer geração): Contagem Ponderada: Nesta contagem cada cavalo

Contagem Geral:

Garanhões com mais aparições (em qualquer geração):

Garanhões com mais aparições (em qualquer geração): Contagem Ponderada: Nesta contagem cada cavalo ganha 16

Contagem Ponderada:

Nesta contagem cada cavalo ganha 16 pontos por filho, 8 por neto*, 4 por bisneto** e assim em diante, até 1 ponto pelo 5º grau de parentesco.

*leia-se “aparições na 2ª geração” **leia-se “aparições na 3ª geração” Rankeamento Objetivos e

*leia-se “aparições na 2ª geração” **leia-se “aparições na 3ª geração”

Rankeamento Objetivos e metodologia:

O rankeamento é uma abordagem que visa beneficiar as

linhagens com resultados superiores, mostrando quais aquelas obtiveram maior êxito. Para isso utiliza critérios com certo grau de subjetividade mas pautados em algum

parâmetro objetivo. Seus resultados são mais discutíveis que os da contagem, graças à flexibilidade de seus critérios de pontuação, porém trazem a vantagem de mostrar, dada uma determinada visão, quais garanhões produziram mais animais com bons resultados.

A amostra adotada constitui-se das provas de 120kms

ou mais realizadas no Brasil de 2000 a 2006 (inclusive). Somente foram computados os animais com papel registrado e provas com pelo menos 10 competidores. Estes critérios foram adotados pois os resultados a partir de 2000 são mais numerosos, acessíveis e confiáveis e para garantir que as

classificações

competitiva.

obtidas

tenham

sido

fruto

de

uma

prova

A partir desta amostra, foram atribuídos pontos para cada colocação em uma prova. Estes pontos foram baseados no rankeamento da FEI, apenas aumentando a diferença entre cada posição, uma vez que as provas brasileiras contam com menos participantes que as de outros países, os quais o ranking da FEI leva em conta ao formular seu sistema de pontuação. Assim, gerou-se a tabela mostrada a seguir:

Colocação

Pontos

 

Colocação

Pontos

1

120

 

7

48

2

108

 

8

36

3

96

 

9

24

4

84

 

10

12

5

72

 

11

12

6

60

 

12

12

A partir do 10º colocado todos ganham 12 pontos

Assim como no ranking da FEI, as provas oficialmente mais importantes contam com outra tabela de pontuação. No caso internacional os campeonatos continentais e o mundial têm seus resultados valorizados, para este estudo os campeonatos brasileiros de etapa única de maior kilometragem naquele ano e de Young Riders pontuam segundo a tabela abaixo:

Colocação

Pontos

Colocação

Pontos

1

160

7

64

2

144

8

48

3

128

9

32

4

112

10

16

5

96

 

11 16

 

6

80

 

12 16

 

A partir do 10º colocado todos ganham 16 pontos

Como no ranking da FEI, não há distinção entre provas de 120 e 160kms, todas pontuando da mesma forma. A exceção são os campeonatos brasileiro sênior de 120kms nos anos em que houve campeonato brasileiro de 160kms, que contam como provas normais, enquanto os campeonatos brasileiros 160kms pontuam de forma privilegiada. De 2000 a 2006 o único ano em que houve campeonato brasileiro de etapa única e não houve campeonato brasileiro de 160kms foi 2002. Assim, este é o único ano no qual o campeonato brasileiro sênior de 120kms pontuou de forma valorizada.

Diferentemente da contagem, o garanhão recebe pontos por cada prova que um descendente seu tenha terminado. Desta forma, se um garanhão tem um filho que terminou 5 provas, ele receberá pontos por todas elas, e não apenas pela 1ª, como na contagem. Fica assim facilitada a tarefa de gerar rankings anuais e compará-los, mostrando a evolução das linhagens usadas no enduro brasileiro.

Um ponto em comum com a outra técnica é a pontuação por grau de parentesco. Cada garanhão recebe 16 pontos por prova completa por seus filhos, 8 por seus netos, 4 por bisnetos e assim em diante, até o 5º grau de parentesco, pelo qual o garanhão recebe 1 ponto. Desta forma, os pontos de cada garanhão são dados pela somatória da seguinte equação para cada prova completa por seus ascendentes:

[Pontos por grau de parentesco] * [Pontos por colocação]

Assim, podemos criar os seguintes exemplos:

Avô de um cavalo 4º colocado: 8 * 84 = 672

Pai de um cavalo 7º colocado: 16 * 64 = 768

Bisavô de um cavalo campeão brasileiro: 4 * 160 = 640

Ranking de Garanhões por Ano:

brasileiro: 4 * 160 = 640 Ranking de Garanhões por Ano: Ranking de Garanhões no período

Ranking de Garanhões no período 2000 – 2006:

por Ano: Ranking de Garanhões no período 2000 – 2006: Ranking de Pais por ano: Somente

Ranking de Pais por ano:

Somente os pais dos cavalos que completaram a prova

recebem pontos (100 por filho X pontuação por colocação).

Estes rankings devem ser olhados com cuidado, uma vez que em alguns anos houve pouquíssimas provas de longa distância com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais.

com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais. Ranking de Pais no período
com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais. Ranking de Pais no período
com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais. Ranking de Pais no período
com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais. Ranking de Pais no período
com 10 participantes ou mais, o que pode gerar colocações casuais. Ranking de Pais no período

Ranking de Pais no período 2000 – 2006:

Teste de Robustez Objetivos e Metodologia: Este teste objetiva mostrar como a pontuação de cada

Teste de Robustez Objetivos e Metodologia:

Este teste objetiva mostrar como a pontuação de cada garanhão varia com uma mudança no valor relativo das posições. Partiu-se da amostra do rankeamento (provas no Brasil de mais de 120kms com 10 ou mais participantes entre 2000 e 2006) e gerou-se um “ranking controle” no qual todas as colocações tinham o mesmo valor (160 para campeonatos nacionais e 120 para as demais provas). Em seguida gerou-se um “ranking final”, com diferentes pontuações para cada colocação (como o rankeamento).

Como no “ranking final” apenas o 1º colocado ganhava a pontuação máxima (160 e 120), todos os garanhões tiveram suas pontuações reduzidas neste ranking em relação ao controle. Em seguida comparou-se a pontuação do ranking final com o controle de cada animal, de modo a obter um percentual de quanto de sua pontuação se manteve após a desvalorização das colocações mais baixas. Assim, quanto

maior este número, melhores colocações os descendentes do garanhão têm, e quanto menor, mais provas, porém com colocações menos boas.

Teste com todos os garanhões:

Incluídos todos os garanhões que segundo a pontuação 16

para pais, 8 para avós, ( 9600 pontos no controle

1 para a 5ª geração, atingiram

),

Garanhões

 

Garanhões

 

Cavalo

Controle

Final

Robustez

Cavalo

Controle

Final

Robustez

HK MUSCAVANT

9920

7200

72,58%

SERENITY MASHOUR

24000

13088

54,53%

NIZZAM

9720

7020

72,22%

KHEMOSABI

10480

5712

54,50%

FARAD

14400

10336

71,78%

MORAFIC

48760

26520

54,39%

ETAP

15680

11008

70,20%

GERWAZY

15920

8644

54,30%

POLONEZ

31360

22016

70,20%

WIELKI SZLEM

12640

6856

54,24%

ABBAS PASHA

14240

9792

68,76%

AL SARIE CANCHIM

9600

5184

54,00%

PEPI

22400

15232

68,00%

NUREDDIN

30800

16532

53,68%

CELEBES

21040

14264

67,79%

COMET

22120

11792

53,31%

MUSCAT

10400

6944

66,77%

ALI JAMAAL

27520

14624

53,14%

NINJAH EL JAMAAL

21760

14400

66,18%

RUMINAJA ALI

13760

7312

53,14%

BOMARC

13760

9056

65,81%

AL KADER NA

10240

5440

53,13%

DHAKMAN NA

13440

8832

65,71%

MADNAN

12480

6624

53,08%

PONOMAREV

15680

10208

65,10%

AMURATH SAHIB

20880

11032

52,84%

KILIMANDSCHARO

9760

6184

63,36%

ALADDINN

59280

31268

52,75%

PESNIAR

10240

6464

63,13%

FERSEYN

14680

7724

52,62%

DEWAJTIS

12320

7680

62,34%

HAMADAN FA

22720

11872

52,25%

ANSATA IBN HALIMA

14960

9320

62,30%

SHOKRY

28720

14984

52,17%

BASCO

9920

6176

62,26%

HADBAN ENZAHI

24960

12996

52,07%

CZORT

14800

9096

61,46%

ANTER

16080

8368

52,04%

SALON

20920

12836

61,36%

REGIS

15160

7860

51,85%

ALMEZ

14080

8384

59,55%

KHOFO

33760

17356

51,41%

BASK

56040

33368

59,54%

TABAL

14600

7492

51,32%

ATLANT

14720

8704

59,13%

EL SHAKLAN

48880

24936

51,01%

WITRAZ

55920

32904

58,84%

SHAKER EL MASRI

24440

12468

51,01%

BEY SHAH

15040

8816

58,62%

LUWAN

14080

7104

50,45%

NEGATIW

46760

27388

58,57%

SERAFIX

17280

8612

49,84%

GDANSK

11520

6728

58,40%

SHAIKH AL BADI

17360

8592

49,49%

NEGORNI

9920

5792

58,39%

KIBRIT FA

42880

21216

49,48%

ARAX

20640

12028

58,28%

PADRON

27440

13304

48,48%

KAMELEON

14080

8128

57,73%

PATRON

13720

6652

48,48%

FALIK DA MV

10240

5888

57,50%

PRICHAL

12960

6256

48,27%

RSD DARK VICTORY

15360

8832

57,50%

BAHRAM NA

10560

5088

48,18%

BANDOS

28200

16120

57,16%

HB RAMJAD

21120

10176

48,18%

NABEG

16000

9112

56,95%

COBRAH

53440

25584

47,87%

ISWAN FA

10240

5824

56,88%

SX SALADIN

26720

12792

47,87%

BRONNZ

11520

6528

56,67%

FADJUR

18160

8648

47,62%

NASEEM

24040

13592

56,54%

SERENITY MASHALLA

28520

13252

46,47%

EL PASO

13200

7432

56,30%

ANTHEM

23360

10784

46,16%

RSC EL DEB HARAN

12280

6880

56,03%

DAR

11680

5392

46,16%

ALBARUD II

13320

7388

55,47%

MORGAAN

16320

7296

44,71%

NV SURE FIRE

22080

12224

55,36%

MANZO

11520

4960

43,06%

ALMADEN II

34240

18848

55,05%

NATUREL

12800

5408

42,25%

ASWAN

41960

23084

55,01%

IBN BANDOS

23840

9936

41,68%

MANSOUR

16520

9080

54,96%

DELMAR

10880

4416

40,59%

PRIBOJ

16280

8932

54,86%

CELADDINN

13440

4032

30,00%

OFIR

29280

16020

54,71%

PADRONS IMAGE

14400

4256

29,56%

NAZEER

50960

27796

54,54%

SAHIBI

10720

3088

28,81%

Teste somente com os pais dos competidores:

Incluídos somente os pais que obtiveram 600 pontos no controle

 

Pais

Cavalo

Controle

Final

Robustez

FARAD

640

476

74,38%

POLONEZ

1880

1304

69,36%

PEPI

1160

796

68,62%

BOMARC

840

564

67,14%

NINJAH EL JAMAAL

1360

900

66,18%

DHAKMAN NA

840

552

65,71%

PONOMAREV

880

576

65,45%

ALMEZ

880

524

59,55%

ATLANT

920

544

59,13%

KAMELEON

880

508

57,73%

RSD DARK VICTORY

960

552

57,50%

FALIK DA MV

640

368

57,50%

ISWAN FA

640

364

56,88%

BRONNZ

720

408

56,67%

RSC EL DEB HARAN

720

408

56,67%

NV SURE FIRE

1240

676

54,52%

AL SARIE CANCHIM

600

324

54,00%

ALMADEN II

1800

968

53,78%

SERENITY MASHOUR

1320

704

53,33%

AL KADER NA

640

340

53,13%

HAMADAN FA

1360

712

52,35%

LUWAN

880

444

50,45%

MORGAAN

880

436

49,55%

KIBRIT FA

2560

1260

49,22%

HB RAMJAD

1320

636

48,18%

ANTHEM

760

352

46,32%

EL SHAKLAN

1080

460

42,59%

DELMAR

680

276

40,59%

IBN BANDOS

640

256

40,00%

CELADDINN

840

252

30,00%

Missing (dados omissos): o que ficou de fora?

Explicação Alguns dados não foram encontrados devido à não publicação em algum meio acessível hoje em dia. Estes dados são na maioria a velocidade vencedora, que por algum motivo não foram publicadas ou que não foram encontradas devido ao espaço deixado pelo fechamento do site Enduro Online (2º semestre de 2003) e abertura do Endurance Brasil (início de 2004). Não foram encontrados também o valor de inscrição de algumas poucas provas.

Velocidades Ganhadoras não encontradas

 

Missing Velocidade

 
 

Nome da Prova

Local

Data

Distância

Inscritos

X

Campeonato Brasileiro - 1a etapa

Pindamonhangaba

29/4/2000

160

4

X

Campeonato Brasileiro - 1a etapa 120

Pindamonhangaba

29/4/2000

120

20

X

Campeonato Brasileiro - 2a Etapa

Angra dos Reis

30/6/2000

120

6

X

Campeonato Brasileiro - 3a Etapa

Alfenas

8/9/2000

120

8

X

Campeonato Brasileiro - 4a Etapa - YR

Avaré

27/10/2000

119

3

X

Campeonato Brasileiro - 4a Etapa

Avaré

27/10/2000

143

4

X

Campeonato Brasileiro - 4a Etapa - 120

Avaré

27/10/2000

119

5

XI

Campeonato Brasileiro - 1ª Etapa YR

Piracicaba

20/4/2001

120

17

XI

Campeonato Brasileiro - 1ª Etapa

Piracicaba

20/4/2001

120

9

XI

Campeonato Brasileiro - 2ª Etapa YR

Juatuba

18/5/2001

121

2

XI

Campeonato Brasileiro - 2ª Etapa

Juatuba

18/5/2001

121

3

Multidays 2001

Joanópolis

9/7/2001

198

10

Multidays 2001 YR

Joanópolis

9/7/2001

198

6

XI

Campeonato Brasileiro - 3ª Etapa

Parati

21/9/2001

120

4

XI

Campeonato Brasileiro - 4ª Etapa

Sete Lagoas

30/11/2001

120