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Índice

Apresentação............................................................................................................3
Como Escolhemos Nossas Músicas Favoritas?.......................................................4
A Influência de Cada Parte no Todo........................................................................5
Apresentando a Escala “Musipontos”......................................................................6
As Etapas (e truques) da Produção Musical ...........................................................7
1.Criação........................................................................................................8
2.Registro Original.......................................................................................10
3.Análises.....................................................................................................11
4.Experimentações.......................................................................................13
5.Gravação-Guia..........................................................................................15
6.Captação da Base......................................................................................16
7.Captação da Cobertura..............................................................................18
8.Overdubs e Rough Mix.............................................................................19
9.Mixagem....................................................................................................21
10.Masterização............................................................................................24
A Produção está Concluída!...................................................................................26
Por Dentro da Escala Musipontos..........................................................................27
Cenário Musical - A Verdade Nua e Crua..............................................................29
Avaliando Músicas com Musipontos.....................................................................31
O Papel da Tecnologia...........................................................................................33
Para se Aprofundar no Assunto..............................................................................34
Glossário................................................................................................................35

© 2008 Dennis Zasnicoff | www.zasnicoff.com | Alguns direitos reservados | p. 2


Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Apresentação
Conceber uma música é deixar um rastro de existência. Uma marca no mundo,
dizendo quem você é e o que pensa. Para muitos um hobby, para outros uma
profissão. Nossa criatividade não tem limites, mas nem sempre está pronta para
trabalhar, depende de inspiração e estado mental. Costuma aparecer nas crises ou
presentear mais uns do que outros. Muitas pessoas que conheço começam a fazer
música e nunca terminam.
Talvez porque nunca fiquem satisfeitas com o resultado, ou estejam esperando um
estalo de criatividade. Esse é um caminho difícil. Tantas outras têm idéias
fantásticas, mas não conseguem transformá-las em música – formatada, clara e
consumível.
Já ouvimos que a arte é "1% inspiração e 99% transpiração". Este manual de
bolso ensina técnicas de produção musical, trazendo à tona o funcionamento do
mercado e os mecanismos por trás da percepção dos ouvintes.

Nesta leitura, você aprenderá:

● Quais são as variáveis que determinam o impacto de uma música


● Onde devemos concentrar esforços durante a produção musical
● Como avaliar uma música
● As particularidades de cenário atual
● A tecnologia no processo produtivo
● Os “truques” do produtor musical
● Conceitos básicos e avançados
● Termos e linguagem da Produção Musical

Se a inspiração aparecer durante a produção musical, ótimo! Mas não deixe de


fazer música porque acredita que não tem talento. Talento pode ser alcançado,
com estudos, prática e consistência.
Este pocket guide pode ser um grande aliado nos momentos de bloqueio criativo.
Recomendo sua leitura integral como ponto de partida para o planejamento da sua
produção. Posteriormente, utilize-o como consulta para tópicos particulares e
reforço das técnicas. Estas técnicas são universais e não foram criadas para um
estilo musical em particular. Se você deseja fazer música, é amador ou
profissional, esta leitura irá ajudá-lo!

Ao longo do texto, os termos sublinhados estão


definidos no Glossário das últimas páginas.

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Como Escolhemos Nossas Músicas
Favoritas?
Nossa percepção de uma música depende de vários fatores. Sem dúvida, o gosto
pessoal tem grande influência sobre o que escutamos, compramos e
recomendamos - memórias da infância, situações, hábitos, amigos e familiares.
A mídia também exerce um poderoso papel: a exposição constante a determinadas
músicas e artistas, de certa forma, força a nossa aceitação e cria referências. O
poder dos principais canais de comunicação é tão grande, que pode-se popularizar
virtualmente qualquer conteúdo: programas, histórias, políticos, músicas, filmes,
seriados. Com raras exceções, tudo aquilo que é bombardeado pela mídia acada
sendo aceito e valorizado.
Há problemas neste cenário. O espaço e o tempo destes canais são limitados – há
muitos outros conteúdos de alta qualidade, que teriam todo o potencial de se
tornarem populares, mas não conseguem aparecer. “Pop” deixou de ser sinônimo
de “bom”. Pelo contrário, na música, tenho descoberto muito mais originalidade,
canções e artistas interessantes fora do circuito tradicional. Essa discussão merece
um capítulo à parte, e a intenção deste livro é tratar sobre a produção musical.
Mas algo me parece verdadeiro: quanto mais elevarmos a qualidade das
produções, mais elas voltarão a ficar em evidência.
Conforme nos afastamos da euforia da fama efêmera, no longo prazo, as músicas
que permanecem na nossa lista particular de favoritas têm algumas características
em comum, que podem ser identificadas. Características que não dependem de
massiva exposição para serem apreciadas. Essas mesmas músicas que sobrevivem
por gerações, não saem de moda e sempre nos emocionam, são também as mais
tocadas nas rádios, as que mais vendem e conquistam o grande público – ano após
ano. Elas vieram para ficar e não é por acaso que se destacam da média.

Se uma música é interessante, cansativa ou energética,


podemos encontrar quais os fatores que fizeram surgir
esta avaliação. Isto é, na verdade, o "segredo" por trás
da Produção Musical.

Às vezes nos lembramos de um filme por causa do final surpreendente. Gostamos


de outro que tem uma cena de ação muito bem feita. Ou desistimos no início
porque ele é "muito parado". O mais comum, no entanto, é simplesmente gostar
ou não do filme - do conjunto, do todo. É interessante perceber como rapidamente
fazemos uma avaliação. Quando nos perguntam o que achamos da estréia de
ontem, podemos facilmente comparar com outros filmes e inclusive detalhar os
critérios: roteiro, direção, efeitos especiais. Na música, não temos este hábito.
Sim, alguns detalhes podem fazer toda a diferença e consagrar uma obra. Mas isto
é a exceção, não a regra! Cada parte tem influência no todo - fotografia, trilha
sonora, atuação - e se todas forem produzidas cuidadosamente, as chances de
sucesso serão bem maiores do que concentrar-se em apenas um elemento,
tentando com que ele supere todas as expectativas e ofusque os demais.

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
A Influência de Cada Parte no Todo
Como produtor musical, ouvinte e amante da música, sempre senti falta de uma
escala de avaliação que auxiliasse músicos e técnicos no processo de produção
musical. Algo que pudesse avaliar objetivamente uma música, como a escutamos,
não somente a composição, ou a interpretação do artista. Que considerasse tanto a
qualidade de áudio quanto os outros recursos técnicos e artísticos – gravação,
mixagem, masterização. Uma escala que pudesse ser utilizada por diferentes
profissionais, sem a necessidade de se fazer cursos ou especializações.
O mundo do vinho conta com diversas escalas de avaliação. Talvez a mais
conhecida e respeitada seja a escala de Robert Parker. Profundo conhecedor de
vinhos e dotado de uma capacidade gustativa única, Parker é capaz de analisar
diversos critérios de um vinho e pontuá-lo com uma nota que varia até 100
pontos. Embora sua nota sirva de referência para muitos consumidores,
influenciando diretamente no consumo, preço e popularidade de um produto ou
produtor, sempre haverá aqueles que discordam de sua avaliação, alegando que é
impossível se comparar todos os vinhos em uma mesma escala. Que haveria
diferentes produtos para diferentes propósitos – situações, públicos, culturas e
faixas de preço (é claro que as reclamações nunca se originam daqueles que
receberam boas notas).
Polêmicas à parte, a maioria da indústria, comércio e imprensa especializada
parece concordar que um vinho bem pontuado é de fato um grande produto,
merecedor de tal avaliação. Suas notas são explicitamente divulgadas nas lojas,
revistas e websites. Outras escalas similares existem, com menos popularidade.
Na minha opinião, lamento que esse método de avaliação não possa ser utilizado
por outras pessoas, refletindo em uma mesma pontuação. Claro, primeiramente
estas outras pessoas precisariam conhecer todos os critérios e ter a capacidade de
avaliar. Mas no fundo, o grande valor da nota é ela ter sido dada pelo próprio
Robert Parker.
Na música, seria muito útil aos profissionais e consumidores a possibilidade de se
avaliar uma canção de uma maneira mais objetiva. Afinal como dissemos, no
longo prazo, as músicas consideradas como as “melhores” possuem algo em
comum. Seria possível listar e categorizar essas variáveis? Qual o peso de cada
quesito?
Criei a escala musipontos originalmente para meu próprio uso, para facilitar o
diálogo com os artistas e evitar que o gosto pessoal, tanto meu quanto deles,
pudesse interferir demasiadamente nas decisões. Com tempo e uso, os critérios de
avaliação e a influência de cada parte no todo se tornaram mais claros.
Este método avalia uma produção de 0 a 10, notas tradicionais, para facilitar
interpretações e comparações. Naturalmente, a “nota” sempre dependerá de quem
está avaliando, mas a metodologia procura minimizar os julgamentos subjetivos,
espelhando-se no comportamento médio da população e em aspectos objetivos,
tanto artísticos quanto técnicos. A idéia é que muitas pessoas possam entendê-la e
utilizá-la. A escala musipontos não pretende ser infalível e nem referência de
mercado, mas pode ser uma boa ferramenta para suas produções. Ela é
apresentada a seguir e aprofundada em detalhes no final do livro.

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Apresentando a Escala “Musipontos”
Na produção musical, costumo repartir as prioridades da seguinte maneira: de
tudo que podemos fazer para contribuir no resultado final de uma música:
● 40% provém da Composição
● 30% da Pré-Produção
● 20% da Gravação
● 10% da Mixagem / Masterização
---------
100% Total
De onde tirei esse modelo de proporções? É justamente essa resposta que você
deverá encontrar nos capítulos que seguem. Ao final, você deverá concordar
com os critérios ou pelo menos compartilhar da visão, criando seu próprio método
de avaliação que não deverá ser muito diferente. Ele surgiu da análise de músicas
durante anos de trabalho como produtor musical. De maneira alguma representa a
verdade absoluta, mas tem funcionado muito bem para muitas produções. É,
portanto, a base da escala musipontos.
Nesta escala, cada uma das etapas acima pode contribuir com um número
limitado de pontos, somando o máximo de 10 musipontos. A composição é
avaliada de 0 a 4, a pré-produção pode ter de 0 a 3 pontos, gravações recebem até
2 musipontos e 1 para a mixagem/masterização.

Tenha em mente que 1 ponto é uma GRANDE melhoria.


Cada musiponto adicional requer bastante esforço.

Conseguir melhorar uma composição de 3 para 4 ou uma gravação de 1 para 2,


requer investimento, know-how e tempo. Mais adiante, entraremos em detalhes
sobre a Escala Musipontos e sua relação com o mercado. Por hora, para facilitar o
entendimento das etapas da produção musical, podemos utilizar a seguinte
classificação para musipontos:
1. Muito Fraca
2. Fraca
3. Abaixo da Média
4. Razoável (média do mercado)
5. Acima da Média (potencial de rádio)
6. Notável
7. Muito Boa
8. Ótima
9. Clássico
10. Referência

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As Etapas (e truques) da Produção Musical
Cabe ao produtor e ao artista (compositor, intérprete ou banda) entenderem as
limitações de cada etapa e priorizarem os aspectos mais importantes. Primeiro as
primeiras coisas! E o resultado será satisfatório, com bom aproveitamento de
tempo, energia e recursos.
As 10 fases principais da produção musical estão explicadas em detalhes na
seqüência:
Composição
1. Criação
2. Registro Original
Pré-produção
3. Análises
4. Experimentações
5. Gravação Guia
Produção
6. Captação da Base
7. Captação da Cobertura
8. Overdubs e Rough Mix
9. Mixagem
10. Masterização

A terminologia aqui usada pode ser diferente daquela existente em outras


literaturas. A divisão que faço entre Composição, Pré-Produção e Produção visa
facilitar o entendimento de cada etapa, além de reforçar alguns conceitos
importantes de cada fase:
Composição: intimamente ligada ao artista, ao compositor, não depende
necessariamente de outros profissionais e não tem se modificado muito ao longo
dos anos – escrever uma música, antes de mais nada, significa ordenar notas
musicais e letras. Os estilos de trabalho variam consideravelmente de compositor
para compositor, mas nunca deixaram de ser uma atividade especializada, para
poucos.
Pré-produção: possivelmente a fase menos conhecida e explorada, ao mesmo
tempo que é essencial para o resultado final de uma música. É o momento de
planejamentos e decisões, que requer técnicas e disciplina. Está normalmente
associada a um produtor musical e não necessariamente precisa se utilizar de
estúdios e instrumentistas profissionais.
Produção: relacionada às interpretações e performances dos músicos. Ocorre
dentro de estúdios e salas de controle, englobando gravações, mixagens e
masterização. Aqui começa o registro definitivo do áudio, a valorização de salas,
equipamentos e técnicos.

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1. Criação
Tudo começa com uma boa matéria prima. O fundamento de uma música sempre
foi e sempre será o seu conteúdo lírico e musical. Existem inúmeras escolas de
ensinamento, teorias e cursos superiores de Música, conseqüentemente, sobre a
arte de compor, reger, arranjar e interpretar músicas.
Algumas dos conhecimentos essenciais de um bom compositor são:
● Harmonia
● Contraponto
● Ritmo
● Arranjos
● Ouvido absoluto e/ou relativo
● Familiaridade com instrumentos
● Vocabulário
● Rimas

Este manual não entrará em detalhes sobre a arte da composição, mas posicionará
esta etapa como o ponto de partida fundamental de qualquer produção, definindo
o seu papel e algumas técnicas utilizadas por compositores. Acho importante
aproveitar este tema para colocar a idéia principal deste texto: esta, e todas as
demais etapas que veremos a seguir, exigem dedicação e uma ampla faixa de
conhecimentos e habilidades. Muitas pessoas que conheço imaginam que compor
é um dom, algo com que nascemos. De fato, muitos artistas parecem ter o toque
divino que os separam dos demais, mas muito provavelmente esses mesmos
artistas possuem experiência e domínio, usaram e abusaram das técnicas de
composição para que um dia pudessem fazer uso de sua inspiração e
originalidade.
Sempre me lembro do caso de Pablo Picasso. Quando tive o primeiro contato com
suas obras mais famosas, não fiquei convencido das suas qualidades como pintor.
“Rabiscos grotescos? Parece coisa de criança!”, pensei. Tenho certeza que muitos
também tiveram esta impressão. Depois soube que Picasso nem sempre pintou
com aquele estilo. Era um estudioso nato e tinha domínio sobre muitas técnicas da
pintura, podia retratar com perfeição e caminhou por diversos ramos das artes
plásticas até desenvolver seu próprio estilo e genialidade. Qualidades que ainda
não consigo apreciar por completo, mas que são inegáveis, haja visto o valor de
suas pinturas e o reconhecimento mundial de sua obra.
Compor é um processo técnico e repetitivo. A criatividade é importante e pode ser
desenvolvida com exercícios diários. No Brasil, temos dezenas de milhares de
compositores. Destes, alguns milhares dedicam boa parte do dia para a atividade
de compor. Deste grupo, várias centenas fazem exercícios regulares, estimulando
as regiões do cérebro responsáveis por imagens, analogias e descrições,
escrevendo horas a fio. Finalmente, deste pequeno universo, algumas poucas
dezenas de compositores consagrados (com composições de 3 ou 4 musipontos)
são responsáveis por mais da metade do que ouvimos todos os dias.

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Quando o artista concentra-se na concepção da obra,
sem pensar nas fases seguintes, está fazendo o melhor
uso de suas habilidades.

Quero mostrar que compor é um trabalho árduo e especializado. Se este é seu


objetivo, vale a pena estudar as técnicas e se dedicar. Suas composições podem
começar a atingir notas 2 ou 3 antes do que você imagina. Não estou me
restringindo ao aspecto lírico ou musical da composição, vale para os dois. Se
você acha que nunca vai atingir 3 ou 4 (nota máxima) na composição e não está
satisfeito com 2 ou 3 musipontos, talvez seja mais interessante procurar
composições de terceiros e participar da produção como instrumentista,
arranjador, produtor ou técnico de som.
As editoras são um bom ponto de partida para buscar compositores e
composições. Elas são responsáveis pelo registro, divulgação e coleta de
remuneração para compositores. Diversas gravadoras e produtores buscam
talentos nas editoras.
Se pretende especializar-se em composição, procure estudar como funciona a
legislação de direitos autorais, quais são os editores mais influentes no seu
mercado e o que fazer para registrar e divulgar o seu trabalho. E escreva muito!
Rabisque, apague, recomece. Antes de fazer sucesso com uma canção, um
compositor normalmente já terá escrito centenas.
As melhores composições possuem algo em comum:
● Representam sentimentos ou situações universais, facilmente identificadas
pelos ouvintes.
● São específicas, não sendo objetivas. O grande segredo do compositor é
conseguir passar uma mensagem clara através de uma descrição única e
rica.
● Estão centradas sobre uma idéia genuína, um tema.
● Utilizam técnicas musicais e poéticas para ganhar interesse (teoria da
informação, sentidos do corpo humano, surpresa, recompensa, humor)

Procure registrar suas idéias assim que elas acontecem. Muitas vezes, isso ocorre
pela manhã, quando nossa cabeça ainda está "vazia" e despreocupada. Tenha
sempre à mão lápis e papel, ou um gravador portátil (muitos celulares possuem
esta função). Este estalo é quase sempre o ponto de partida de uma grande
composição.
Como as pessoas se comportam? O que as interessa? Como VOCÊ enxerga uma
determinada situação?
Provavelmente há muitas outras pessoas que se identificam com o seu ponto de
vista.

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2. Registro Original
A música concebida precisa ser registrada de alguma maneira. Tanto para fins de
direitos autorais quanto para a produção - revisitar, estudar ou comunicar para
outros profissionais. O registro pode acontecer de várias formas, sendo que as
mais comuns são: partituras, tablaturas, cifras, letras ou uma simples gravação do
áudio que registra apenas letras, harmonia e/ou melodia.
Em futuras reuniões com o produtor musical, o compositor ou intérprete discutirá
objetivos, expectativas, cronogramas, custos, alternativas, referências e repertório.
Além de ser utilizado como ponto de partida para a pré-produção, o registro
também servirá para comunicar ao produtor e sua equipe a essência da música –
sua mensagem, conteúdo lírico e musical. Trata-se, portanto, do primeiro registro
objetivo do compositor.
Quando foi gravado em formato de áudio, possui uma particularidade de extrema
importância – capturou intenções espontâneas e interpretações do artista, que não
devem ser esquecidas durante as próximas fases.

É costume revisitar o registro original durante a


produção para não se distanciar do objetivo inicial.

Um produtor experiente saberá identificar quais os elementos principais do


registro original que devem ser trabalhados e não o julgará como uma produção
final - afinal, ela só está começando.
A gravação original normalmente é composta de voz e violão, voz e piano ou
algum instrumento de maior familiaridade para o compositor. Muitos artistas
preocupam-se em gerar um registro com boa qualidade de áudio. Gravam várias
versões, fazem alterações e colocam instrumentação.
Essas etapas deveriam ser deixadas para depois. Na verdade, o resultado pode até
ser negativo – o registro perde a intenção original e a essência da composição, que
é base para a pré-produção que se inicia agora. O registro original não deve ser
confundido com a gravação-guia, que será explicada adiante.
O registro original, para todos os efeitos, é a expressão do compositor.
A avaliação e quantidade de musipontos de uma composição pode ser feita através
dele.

Curiosidade: como podemos avaliar uma composição


isoladamente, quando a música já está produzida?
Experimente cantá-la ou tocá-la no violão. Uma boa
composição soará interessante, mesmo sem produção!
As composições com 3 ou 4 musipontos são as
primeiras candidatas a remixes e versões acústicas.

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3. Análises
Esta fase inicia a Pré-Produção.

A Pré-Produção tem uma função muito clara no


processo: otimizar a composição por um ponto de vista
alheio, fazer com que ela tome uma forma musical e
esteja pronta para ser produzida (gravada, mixada).

São planejados cronogramas, recursos e alternativas. A princípio, as etapas que


seguem a pré-produção não deveriam voltar atrás e trabalhar letras,
instrumentação, forma ou estilo. Estes aspectos podem e devem ser decididos
agora, na pré-produção, justamente para se evitar erros e frustrações futuras.
Como compositores, é muito fácil termos uma visão bastante particular da nossa
obra. É como um filho. Nós o protegemos e não queremos enxergar seus defeitos.
Na pré-produção, é altamente recomendado que uma outra pessoa comece a
participar das decisões.
Um produtor musical normalmente começa a agregar nesta fase. Este profissional
possui um distanciamento natural da composição e tende a julgar com maior
clareza o possível impacto da música no público.
As análises mais comuns realizadas nesta fase são:
● Identificar qual o "estilo de produção" e concentrar-se nele. Uma música
pode ser mais instrumental, com um elemento repetitivo (Riff), pode
querer destacar um ritmo ou levada (Groove), possuir um forte conteúdo
poético e narrar uma história (Letras), ou caminhar para um clímax
musical (Hook).
● A complexidade da produção é estudada para se estimar custos e prazos.
● Eventuais profissionais, técnicos e músicos são escalados e contratados.
● Os elementos principais são analisados quanto à clareza e eficiência
(título, tema, forma, início, recompensa).
● Julga-se aspectos psico-acústicos, como equilíbrio, economia, variedade,
contraste e foco.
● Equilíbrio tonal: uso do espectro sonoro (instrumentação e arranjo),
congestionamento e inteligibilidade.
Planejamento da distribuição espacial e temporal - elementos próximos e
distantes, panorama horizontal, "tamanho" de cada instrumento,
profundidade, intimismo, punch, naturalidade.
● Tomada de decisões conscientes para que se possa seguir adiante e não
voltar mais ao assunto. Saber produzir é saber quando parar. O processo
pode nunca ter fim, sempre haverá dúvidas e possibilidades.

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O papel do produtor é visualizar o resultado final da música, que provavelmente
só estará claro ao término da produção, estimulando decisões que contribuam para
o objetivo. Portanto, uma relação de confiança entre artistas e produtor é
fundamental para o sucesso das próximas etapas.
Uma ferramenta muito útil durante as análises é o uso de referências. A grande
maioria das composições baseia-se em algum elemento já existente. É
praticamente impossível ser 100% original.

As referências escolhidas pelo artista, intérprete ou


sugeridas pelo produtor, guiam a produção e ajudam a
manter o foco.

Obviamente, as referências devem ser usadas com cuidado para não


caracterizarem plágio. São músicas previamente lançadas que possuem algum
elemento bastante marcante – um timbre, uma levada, um instrumento, uma
maneira de se cantar, um efeito sonoro ou estilo musical.
Muitos produtores que conheço não seguem um padrão durante as análises. Em
alguns casos, porque já desenvolveram a habilidade de escutar uma composição e
poder visualizar o resultado final de sua produção. Em outros casos, eu diria até
na maioria deles, acreditam que analisar cada detalhe seria uma perda de tempo.
Minha dica: tempo de pré-produção nunca é tempo perdido! Aproveite que o
“taxímetro” do estúdio não está rodando, que ainda não há pressão das gravadoras
e que tudo pode ser modificado com facilidade. Seguir um roteiro de análises é
talvez a melhor maneira de se desenvolver o que chamo de “diagnóstico da
primeira audição”.
Pode parecer um paradoxo: pessoas envolvidas na produção levando horas para
analisar os diferentes aspectos de uma composição, enquanto os ouvintes
simplesmente a escutarão sem ouvidos críticos. Isso é talvez a maior resistência
de alguns produtores: “Os ouvintes não pensarão nisso! Não sabem analisar esses
critérios.” Ingênuo engano, o público é bastante crítico, embora não pense
conscientemente na avaliação. Apreciar ou criticar é fácil – gosto ou não gosto.
Como consumidores, desenvolvemos nossos critérios de avaliação durante anos,
através de inúmeras experiências, lembranças e referências. Já como criadores,
não tivemos a mesma possibilidade. Ainda que trabalhe como produtor musical,
durante a maior parte do dia você estará escutando e não produzindo –
aprendendo a julgar e não a ser julgado.
Quando faço uma avaliação no meu site, nem sempre sigo o mesmo
procedimento, afinal, trata-se de uma “audição crítica” e não um serviço de
produção musical. Procuro identificar rapidamente os pontos fortes de uma
música, como faria um ouvinte, mas explicá-los pelo ponto de vista do produtor.
Da mesma forma, realçar eventuais deficiências que a maioria dos ouvintes
perceberá mas que talvez não saibam explicar ou passaram despercebidas pelos
artistas.

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4. Experimentações
Neste momento, as análises estão documentadas e diversas decisões já foram
tomadas. Até agora, o processo ocorreu através de reuniões e discussões entre
artista e produtor. A próxima fase começa a fazer uso de áudio no estúdio e/ou
técnica. Versões são gravadas para se testar tonalidade, andamento, complexidade
e alternativas.
É uma espécie de ensaio da gravação e da mixagem, para que músicos e técnicos
possam experimentar arranjos, formas e variações, retirando qualquer dúvida
ainda existente após as análises. Ao mesmo tempo, são feitas gravações que serão
úteis durante o desenrolar do processo.
O registro original da composição (em áudio) pode ser utilizado como base para
as versões experimentais, economizando-se tempo. Por questões de agilidade, o
próprio produtor ou outra pessoa da equipe pode tocar instrumentos e cantar nas
versões guias. O artista não deve se sentir "traído" de maneira alguma.
Na verdade, se o compositor não é exatamente um bom intérprete, sua música
seria muito melhor valorizada se interpretada por outros músicos. Outras vezes, a
formação original da banda pode ser modificada durante as gravações, para o
bem da Música - este é o objetivo maior. Existem excelentes músicos de estúdio
que não se saem muito bem ao vivo. E vice versa.
Ser um artista é muito mais do que a performance: composição, imagem pública,
presença de palco, visual, histórico – aspectos não necessariamente relacionados
com a produção musical.

As experimentações são uma oportunidade de testar o


entrosamento da equipe e a confiabilidade de
equipamentos e processos. Já que a qualidade do áudio
não é prioridade, a equipe pode se concentrar na
mensagem musical.

Durante os experimentos, traçar o contorno emocional da música é outro recurso


muito valioso. O contorno emocional indica graficamente como as informações
musicais entram e desaparecem ao longo da música. Está bastante conectado a
arranjo, Teoria da Informação e Teoria Gestalt. Que emoções e intensidade cada
sessão da música oferece? O contorno é estável e cansativo ou apresenta
variações, clímax e respiros interessantes?
A quantidade de testes pode se tornar grande rapidamente, assim é muito
importante documentar as versões: data, equipamentos usados, principais
variações, duração, andamento, tonalidade, forma, letras, harmonia.
Com os recursos atuais, o áudio pode facilmente ser picotado e misturado com
outros elementos para agilizar os testes. São utilizadas batidas diferentes, estilos
modernos, elementos datados ou timbres originais. Se o artista ainda não possui
uma identidade musical, este é um bom momento de construí-la.

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Quando ouvimos Santana, sabemos que é Santana. The Police, Dire Straits, Steely
Dan, Iron Maiden, Elvis Presley, Bach, Jack Johnson e Norah Jones. São todos
exemplos de grande personalidade musical que muitas vezes surgiram com o
auxílio de experimentações.
Está cada vez mais difícil se criar uma identidade musical. Um melhor caminho
pode ser encaixar-se num estilo ou nicho de mercado. Mais uma vez, as
referências podem se tornar grandes aliadas: “gostaria que soasse como U2",
"adoro a percussão daquela música do Jethro Tull", "queria um ritmo marcante
como 'Down on The Corner' do Creedence". As referências ajudam produtor e
equipe a eliminarem alternativas e entenderem as intenções do artista. No mais,
auxiliam o público a se identificar e aceleram a adoção da música.
Durante esta fase, é muito prático e eficaz utilizar programação MIDI, bibliotecas
de loops e samples. Os timbres e ritmos rapidamente são alterados e "votados".
Convide amigos e desconhecidos para testes de audição e tenha uma boa idéia do
que a música está passando, antes que as horas de estúdio sejam agendadas. A
mensagem está clara? Parece plágio? É muito alternativo e de difícil digestão?
Qual a primeira reação do público?

A primeira reação pesa muito no sucesso de uma música


e infelizmente tende a desaparecer para os envolvidos
na produção, cada vez que escutam mais uma vez.

Ao final das experimentações, o produtor deverá ter diagnosticado profundamente


alguns critérios como: clareza, simplicidade, ênfase, coerência, especificidade e
repetição. Elementos importantes, embora inconscientes, para a percepção (e
avaliação) dos ouvintes.
Durante os experimentos, deve-se tomar o cuidado para que o artista não
interprete as versões-teste como uma produção final. Por diversas vezes, tive
dificuldades para explicar ao cliente que aquilo que ele estava ouvindo não
deveria ser julgado pelo ponto de vista de produção – que ainda estávamos na pré-
produção. Os timbres que soam como karaokê, as notas fora de tempo e loops
“baratos” somente estão ali para o estudo das possibilidades.
É uma questão de recursos: por que gastar tempo buscando o melhor timbre na
sua biblioteca de loops ou quantizando todas notas no groove se provavelmente
aquilo não será reaproveitado? No outro extremo, é preciso um mínimo de
“realismo” para que se possa entender a proposta.
Para cada versão, faça um mixdown do áudio e salve a sessão do seu software
com um nome diferente. Envie o áudio para o artista (ou produtor) e peça para ele
comentar. Ele pode usar o próprio áudio para gravar outro instrumento em cima
ou editar sessões e testar vocais.
Em várias situações, utilizei 90% do tempo total de uma produção somente para a
pré-produção. Essa é a hora de explorar instrumentos e idéias que estão
engavetadas. É muito provável que em algum momento a equipe dirá: “É isso!”.
Uma descoberta ou detalhe que parece dar forma à música e torna a visualização
do resultado final bem mais clara. Hora de fazer uma gravação-guia!

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5. Gravação-Guia
Naturalmente, as experimentações caminham para uma gravação, que será a
versão final da pré-produção. Às vezes, a gravação-guia consegue atingir um
bom resultado, tanto artístico quanto técnico, e passa a fazer parte do CD demo
(demonstração) do artista / banda. Principalmente se não há orçamento para seguir
adiante com a produção ou existe uma necessidade de rápida divulgação.

O CD demo deverá incluir de 3 a 5 canções e o


repertório deve ser cuidadosamente escolhido para
representar o artista da melhor maneira possível – estilo,
versatilidade e técnica.

Uma demo é amplamente utilizada na divulgação para rádios, casas de show,


editoras, gravadoras e investidores. O problema é que centenas de CDs são
enviados diariamente para estes caçadores-de-talentos. Frequentemente, acabam
esquecidos numa pilha, ou são rapidamente descartados se os primeiros segundos
da música principal não se mostram interessantes e muito bem produzidos.
É por isso que hoje em dia, uma demo está mais para uma produção final do que
para uma gravação-guia. Melhor é seguir adiante e acabar a produção de sua
música. O CD demo certamente irá se destacar!

Com a gravação-guia em mãos, fica mais fácil conseguir


opiniões de outras pessoas, profissionais ou amadores,
e expor o trabalho para atrair gravadoras. No final do
dia, a gravação-guia comunica as intenções do artista e
da equipe de produção, permitindo que selos e editoras
tenham uma boa idéia do potencial da canção.

A gravação-guia, e toda a documentação que a acompanha, pode ser utilizada pelo


compositor (intérprete ou banda) para gravar, mixar e masterizar num outro
momento, em outro estúdio ou cidade. Eventualmente, até com outra equipe de
produção. Se uma gravadora se interessar pela música, ela poderá oferecer
adiantamento dos custos de produção e fornecer estúdios e técnicos.
Neste momento, a pré-produção está finalizada e garantirá uma produção sem
falhas e frustrações. É hora de seguir para o estúdio. Na fase de captação, artistas
e técnicos podem se concentrar na performance e muito provavelmente gastarão
menos tempo e dinheiro dentro do estúdio, atingindo resultados surpreendentes.
Utilize a gravação-guia para avaliar a Pré-Produção, todas as decisões e
informações musicais devem estar contidas nela. Quanto musipontos você daria?

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6. Captação da Base
Aqui começa a Produção propriamente dita, na forma de gravações no estúdio
e/ou programações no computador. Quanto maior o domínio sobre os aspectos
técnicos, maior a relevância da interpretação – que é o grande foco das fases de
captação. O intérprete pode fazer toda a diferença em uma produção, como é
comum acontecer com cantores que parecem ter o “timbre perfeito” para uma
determinada canção. Lembre-se, a seleção dos intérpretes, os testes e decisões
devem ter sido feitos durante a pré-produção.
Com exceção de alguns estilos musicais e situações, o processo de gravação é do
tipo multi-pista e seqüencial. Cada instrumentista ou grupo de instrumentistas
registra sua parte, que será então usada como fundo musical para a gravação do
próximo e assim por diante. Então quem começa e qual o fundo musical do
primeiro músico?
As bases costumam ser os primeiros elementos gravados.

Muitas vezes, chamadas de "cozinha", constituem os


elementos rítmicos, de tempo e marcação, como bateria,
baixo e violão.

A gravação das bases independe dos solistas (vocais e instrumentos melódicos).


No entanto, são essenciais para a boa performance dos mesmos, que virá a seguir.
Como um vocalista conseguiria gravar sem escutar ritmo e harmonia? Qual o
momento exato para a entrada do solo de saxofone? O solista precisa escutar a
base da música para poder encaixar sua execução no ritmo e na harmonia.
A base rítmica inicia a fase de gravações, podendo utilizar um click, ou
metrônomo, como referência de tempo. Está difícil? Utilize a gravação-guia como
base para a gravação! Mais uma utilidade para ela. Se tudo correu bem na pré-
produção, a guia está exatamente no tempo, tonalidade e forma final da produção.
Em diversos estilos musicais, a base precisa ser orgânica. A gravação seqüencial
pode soar artificial, portanto é comum que baterista, baixista e demais
instrumentistas da base gravem juntos, buscando uma maior naturalidade na
performance.
A qualidade acústica da sala e o conhecimento dos técnicos pesam muito. Isso
vale para todas as captações, incluindo cobertura e overdubs (explicados a seguir).

O estúdio e a sala de controle devem ser encarados


como mais um equipamento – a diferença é que ele está
funcionando o tempo todo, não tem controles e não
pode ser desligado!

O som que escutamos interage diretamente com a sala e pode sofrer grandes
alterações.

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O tratamento acústico adequado cria um ambiente propício para uma audição
precisa e crítica, permite maior controle sobre gravações e equilíbrio sonoro. Por
outro lado, uma sala problemática esconderá todo o potencial de suas novas
caixas-acústicas ou microfones que não custaram barato.
Melhor gastar tempo dentro do estúdio, testando posições, colocações,
instrumentos e equipamentos, do que perder ainda mais tempo na técnica durante
a mixagem, com o risco de não se atingir o resultado esperado. As técnicas de
microfonação tem um impacto enorme no resultado da produção.
Faça o teste: caminhe pelo estúdio enquanto está falando. Cada posição gera um
som distinto, as diferenças são tão notáveis que parecem uma equalização.
Mudam como se estivéssemos aplicando efeitos durante a mixagem. Antes de
experimentar modelos de microfones ou planejar equipamentos e plugins que
serão aplicados ao áudio, escolha cuidadosamente a posição do instrumento e do
microfone. Obviamente, a qualidade acústica da sala determinará as
possibilidades. Já experimentou gravar sua voz no banheiro?
Em outras palavras, a microfonação equivale a utilizarmos diferentes
equipamentos nas etapas subseqüentes. Captar o timbre que se deseja neste
momento é a melhor maneira de se evitar adaptações futuras que não serão tão
eficientes quanto uma acústica realista e natural.
Produtor e técnicos devem estar muito familiarizados com o estúdio e seus
equipamentos para que possam se concentrar na sonoridade, utilizando o know-
how de gravação. No final das contas, os equipamentos têm um peso muito menor
do que se imagina, ficando bem atrás da acústica e até mesmo da qualidade de
energia elétrica das instalações.
No Brasil existe um super-valorização de equipamentos e softwares. Não caia
nesta armadilha! Primeiro vem o conhecimento, depois as instalações (acústica e
elétrica), por último, os equipamentos. Você ficará surpreso em saber que muitas
das grandes produções que escutamos foram feitas com equipamentos
extremamente simples e em salas menos do que ideais. Porém o know-how dos
músicos e técnicos falou mais alto.
Você saberá se a base está bem captada quando os outros instrumentistas não
tiverem dificuldades para acompanhá-la, tocando suas partes. A levada é
compatível com a intenção da música? Os tambores da bateria foram afinados?
(acreditem, é raro que se lembrem disso!) A harmonia é facilmente identificada e
conhecida por todos? Todas as sessões possuem os acordes cifrados, em uma
partitura, tablatura ou qualquer outra forma de representação?
Durante as captações subseqüentes, um novo arranjador poderá participar do
processo, adicionar ou substituir instrumentos, talvez pela disponibilidade de
músicos ou problemas com algum instrumento. Muitos solistas que não
participaram da pré-produção precisarão de todas as informações musicais
necessárias para guiar suas performances.
Uma base bem gravada é a fundação da música e irá sustentar as demais
performances. É normal encontrarmos na literatura especializada que o tripé
fundamental da música pop é composto por Caixa-Bumbo-Baixo. Dedique
especial atenção à captação destes elementos.

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7. Captação da Cobertura
Solistas e instrumentos melódicos podem agora registrar suas partes com
naturalidade e emoção, encaixando-as perfeitamente na base.

Como o esqueleto da música já está gravado, outros


estúdios e até instrumentistas de outras localidades
podem participar das gravações de cobertura, com
maior flexibilidade de horários.

Isso é especialmente verdade para instrumentos mais raros e especializados,


orquestração e naipes, que requerem salas especiais e artistas muito solicitados.
Vocais podem ser gravados em uma sala enquanto a guitarra registra um solo
delicado e demorado em outra.
Elementos menos fundamentais, que trazem "tempero" e personalidade para a
música, também são registrados nesta fase. Pads de fundo (conhecidos como
"cama"), percussão complementar, backing-vocals, violinos, sintetizadores.
Para que possam escutar a base dentro do estúdio e gravar suas linhas, os solistas
receberão um mix de fundo nos seus headphones ou monitores. É essencial que
este mix esteja no volume adequado e destaque os elementos mais importantes
para aquele solista. Um percussionista pode querer escutar o bumbo da bateria
claramente, já o vocalista, ouvir o piano um pouco mais alto. Um erro comum é
enviar um mix muito baixo ou muito alto para o vocalista, que tenderá a cantar
desafinado. O mesmo acontece quando o músico não consegue escutar a si
próprio (“aumenta o retorno!”). Poucos técnicos gastam o devido tempo
preparando mixes que influenciarão diretamente nas performances dos artistas.
Sempre que possível, recomenda-se gravar as coberturas no mesmo estúdio das
bases. Isso irá garantir uma homogeneidade acústica, difícil de ser percebida
durante as gravações, mas bastante óbvia nas próximas etapas.

No mundo ideal, todos os instrumentistas tocariam


juntos e um par de microfones captaria a “mixagem”
natural e final em estéreo. Não precisaríamos dividir as
gravações em etapas e nem realizar mixagens.

Na prática porém, esta situação é muito difícil e até impossível para alguns estilos
musicais. Perde-se o controle das partes, exige-se uma performance perfeita dos
músicos, há problemas de vazamentos entre microfones ou falta de acústica
adequada na sala.
Este estilo de produção “minimalista” ainda é bastante comum em algumas
gravações audiófilas de jazz e música erudita, conferindo uma naturalidade
incrível. Vale lembrar que não só os artistas, mas técnicos e produtores, precisam
ter domínio total sobre o processo para fazer uma gravação audiófila.

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8. Overdubs e Rough Mix
Frequentemente, ajustes precisam ser feitos em algumas das trilhas gravadas.
Uma audição detalhada pode revelar pequenas falhas na captação, erros de tempo
ou notas desafinadas. Talvez o vocalista estivesse resfriado ou pouco inspirado. A
pele de um tambor da bateria desafinou ou um cachorro aparece latindo bem no
meio da bridge.

Os overdubs são regravações de passagens que


precisam ser melhoradas. Corrigem erros de captação e
permitem a “colagem” de partes para a composição de
uma frase musical perfeita.

Quando a linha melódica é complexa ou rápida demais para ser executada com
perfeição em um só take, o processo de overdub permite que um trecho seja
gravado repetidas vezes, em loop. Posteriormente, técnico e produtor podem
montar um take perfeito com as melhores partes de cada trecho gravado. Esta
técnica é conhecida como comping.
Uma sessão de overdub oferece atenção especial ao solista. Grande parte da
equipe está concentrada em uma só performance. Vários takes podem ser
gravados em loop, enquanto há comunicação em tempo real com o artista -
comentários, avaliações, sugestões. Um perigo do overdub é ele soar fora de
contexto. Normalmente, os takes são gravados em salas (acústicas) diferentes da
original, com grande espaçamento de tempo. O uso de fones de ouvido e a
ausência de outros instrumentistas na sessão de gravação podem criar um
“isolamento” para o músico, dificultando sua performance.
Quanto mais acostumado com o ambiente de estúdio, melhores as chances do
artista desenvolver sua gravação sem dificuldades.
O mix que o artista escuta durante o overdub está agora bem completo, com base
e cobertura. Mas ainda não se trata da mixagem final, que tomará bastante tempo
na próxima fase. Assim, este “mix rascunho”, ou rough mix, simula a mixagem e
como a gravação que está ocorrendo neste momento se encaixa no contexto. Os
efeitos aplicados sobre a gravação (como compressão e reverberação) são ouvidos
pelo músico em tempo real, nos seus headphones, e ajudam a melhorar sua
interpretação.

O rough mix, ou “mixagem rascunho”, auxilia na


gravação dos overdubs e ainda tem outras utilidades.

Este rough mix é o resultado de uma mixagem rápida, simples e intuitiva, com
participação de muitos técnicos e artistas. Portanto, registrou o sentimento
espontâneo da equipe durante as gravações. Por este motivo, o rough mix deverá
ser revisitado regularmente durante a mixagem para que conceitos e idéias
importantes não sejam perdidos.

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Durante os takes, é essencial que o músico tenha total conhecimento da forma da
música, entradas e saídas, letras e harmonia, para que o processo não se prolongue
e se torne cansativo. A boa comunicação entre técnico e artista agiliza bastante as
gravações. Para tanto, são utilizados gestos previamente combinados, microfones
de talkback ou a própria técnica funcionando como estúdio.
Conforto, um ambiente agradável e criativo retiram a pressão sobre artista e
técnico, favorecendo a música. Técnicos devem ter especial cuidado para não
interferir na performance do artista com erros de operação, preocupando-se em
testar e instalar equipamentos com antecedência.
Da mesma forma, artistas devem respeitar as limitações tecnológicas e entregar
uma performance ensaiada, de alta qualidade – raramente, “consertar na
mixagem” é a melhor saída – há um limite do que se pode fazer durante a
mixagem. Vamos lembrar que a captação tem maior influência no resultado final
do que as etapas seguintes.
Nem sempre as etapas de captação (base, cobertura e overdubs) precisam ser
encaradas como processos independentes. Quanto mais complexo o arranjo ou
maior a dificuldade de cada frase instrumental, melhores os resultados quando
cada uma das gravações é feita isoladamente. O aluguel do estúdio de gravação
pode ser planejado para cada etapa. Somente os músicos essenciais para cada take
precisam estar presentes.
Produtor e artistas podem realizar um mixdown das trilhas já gravadas para
escutarem em casa ou no próprio estúdio. Inclusive exportar a sessão do software
de gravação para o desenvolvimento de rough-mixes fora do tempo de estúdio.
O setup de gravação - conexão de cabos e equipamentos, preparação da sessão no
computador, microfonação, posicionamento de instrumentos e amplificadores,
seleção de microfones – frequentemente toma muito tempo. O ideal seria que um
assistente de gravação da banda (ou do próprio estúdio) já conheça as
necessidades de cada take e esteja preparado através de uma reunião prévia com o
produtor. Alguns estúdios oferecem uma tolerância de tempo para a montagem e
desmontagem. Outros permitem a realização do setup na noite anterior.
Informe-se com o seu estúdio e certifique-se de que o produtor está a par de todos
os detalhes que envolvem a operação – horários de funcionamento, taxas especiais
em horários alternativos, pausas para refeições, políticas de acesso de pessoas,
equipamentos disponíveis e seu estado de funcionamento, disponibilidade de um
técnico de gravação, formatos de áudio, vazamento de ruídos, backup de arquivos
e transferência de dados.
Lembre-se, a música deve soar relativamente bem antes da mixagem final. Todas
as trilhas foram analisadas por inteiro? O áudio foi registrado em 24 bits? Há
consistência nos takes, principalmente entre aqueles de um mesmo instrumento ou
voz?
A avaliação das gravações pode ser feita pela audição do rough mix.
Elas merecem 0, 1 ou 2 musipontos?

(quando a música já está produzida, é mais difícil isolar a gravação da mixagem para se fazer uma
avaliação, embora seja possível, com treinamento e experiência)

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9. Mixagem
Esta etapa só deveria começar quando todas as captações estiverem concluídas,
editadas e compiladas. Mixar, na verdade, nada mais é do que misturar.

Cada gravação foi registrada em uma trilha (dentro do


computador, num gravador de rolo ou fita digital).
Durante a mixagem, todas as trilhas tocam ao mesmo
tempo e o técnico mistura a proporção (volume) e a
posição no panorama (esquerda-centro-direita) de cada
uma delas, juntamente com outros efeitos que ajudam a
criar destaque e clareza.

O interessante da mixagem é que ela não precisa ser estática! Um instrumento


podem variar de intensidade durante a música, mudar de posição, parar de tocar
ou soar diferente em algumas partes. Essa imensa gama de possibilidades faz com
que cada mix seja diferente do outro.
A grande lei da mixagem é que cada elemento precisa ter um propósito bem claro,
para se evitar congestionamento de informações. Frequentemente, menos é mais.
Nossa tendência é adicionar para enriquecer, enquanto que retirar pode ser o
melhor caminho para se criar variedade e interesse.
Durante as gravações, provavelmente técnico e produtor fizeram alguns rough
mixes para facilitar a gravação de coberturas e overdubs. Estes mixes possuem
um grande valor e podem ser usados como referência durante a mixagem,
assegurando que a idéia original não seja desvirtuada. Se o rough mix não estiver
suficientemente desenhado para servir de base para a mixagem que se inicia, o
produtor criará um neste momento.
Um excelente indicador da qualidade da pré-produção e das gravações é
conseguir fazer um rough mix rapidamente, onde todas as trilhas estejam audíveis
e claras, sem a necessidade de explorar intensamente recursos como panorama,
reverberação, compressão e equalização (explicados a seguir). Se o rough mix
está soando bem, provavelmente as trilhas estão perfeitas para serem mixadas.
Se houver tempo, peça que cada músico da banda faça uma mixagem. Os
resultados podem ser surpreendentes! Há diversos casos de produções que
acabaram utilizando um rough mix como versão final da mixagem, porque não foi
possível criar uma mais interessante posteriormente.
Mixar é um processo tanto artístico como técnico. O engenheiro (técnico) de
mixagem, juntamente com o produtor, pode levar a produção para caminhos
totalmente distintos e até irreconhecíveis. Por isso é importante revisitar de
tempos em tempos o registro original, gravação-guia, referências fornecidas pelo
artista e rough mix.
Quatro diferentes domínios são explorados durante a mixagem: Volume, Espectro,
Panorama e Profundidade. Qualquer atividade realizada durante o mix,
inevitavelmente vai interferir em um ou mais destes domínios.

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A mixagem merece um capítulo à parte e muitas vezes é confundida com a
gravação, ou até mesmo com a produção musical. Trata-se apenas de uma etapa e
deveria ser feita na ordem proposta neste manual. Se a mixagem começar a
modificar forma ou instrumentação, estará na verdade fazendo o papel da pré-
produção. Aí sim poderá influenciar muito mais no resultado final. Normalmente,
de uma maneira negativa.
Um dos aspectos mais importantes da mixagem é a correta monitoração. Técnico
e produtor farão muitas decisões baseadas no que estão ouvindo. Aquilo que
escutam deve representar com fidelidade o que está gravado e sendo reproduzido.
Pode parecer óbvio, mas é muito freqüente que o sistema de monitoração (sala,
amplificadores, monitores, posição de audição) seja menos do que aceitável,
refletindo em erros que serão revelados somente na masterização. Uma
monitoração deficiente modifica a percepção de timbres, profundidade, panorama,
detalhes de fundo, ruídos, entre outros. Mais uma vez, o desempenho acústico da
sala é a variável mais importante, juntamente com ouvidos treinados.
O técnico tem papel crucial no fluxo da mixagem. Um profissional experiente
conhece as linguagens do meio e pode se comunicar facilmente com artistas e
produtor. A economia de tempo e esforço é grande, ainda mais se há domínio
sobre os equipamentos. Sua atenção deve estar voltada para os aspectos técnicos
da produção, e não ao funcionamento de hardware e software.

A familiaridade do técnico com a sala e as características


acústicas da monitoração tem grande peso no resultado,
principalmente se existem problemas conhecidos (como
modos ressonantes) que são compensados
intuitivamente.

Há produtores que sempre trabalham com o mesmo técnico, pois reconhecem as


vantagens de uma integração total dentro da sala de controle. Além de volumes
(níveis) e panorama (esquerda-centro-direita), os processamentos mais comuns
durante a mixagem são:
● Equalização – corretiva e criativa. Modifica o equilíbrio entre as
freqüências (graves, médios, agudos), destacando elementos, corrigindo
timbres ou evitando o congestionamento no espectro sonoro. Nossos
ouvidos têm dificuldades para separar informações e a mixagem tem a
função de auxiliar neste processo.
● Compressão – controle das variações de volume de uma trilha ou
conjunto de trilhas. Alguns estilos musicais pedem maior uniformidade,
diminuindo as distância entre sons baixos e altos. Daí, o nome
“compressão”. Compressores são comumente mal-utilizados e podem
acabar com a dinâmica natural da música ou partes dela.
● Reverberação – todos os sons naturais que escutamos é resultado da soma
do som direto com um campo reverberante, composto das reflexões do
ambiente. Estas informações psico-acústicas influenciam a nossa
percepção de naturalidade, tamanho da sala, distância da fonte sonora, etc.
A reverberação artificial pode ajudar a colocar instrumentos no mesmo
espaço virtual e melhorar o realismo.

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O mix final é avaliado pelo produtor e artistas numa sessão de audição.
Profissionais da gravadora também costumam participar desta sessão. O áudio
final, normalmente em estéreo, é gravado com alta qualidade em um formato
seguro, de fácil manipulação pelo engenheiro da masterização.
Antigamente, o mixdown ou bounce da mixagem era realizado em tempo real,
através de um console de mixagem. As trilhas, já editadas e sincronizadas entre si,
eram tocadas simultaneamente enquanto o engenheiro de mixagem, previamente
instruído pelo produtor, operava os inúmeros controles de volume, panorama,
mandadas de efeitos, equalizadores e compressores. Com a evolução dos
consoles, várias destas operações passaram a ser automatizadas. As variações dos
controles durante a música, sobretudo os faders de volume, podiam ser planejadas
e programadas antes do mixdown. Durante a gravação do mix final, estes
controles moviam-se “sozinhos”, através de motores, facilitando muito o trabalho
e a precisão do mix.
Hoje em dia, não só é possível automatizar virtualmente qualquer controle dentro
do computador, como também não é mais necessário que se utilize um console de
mixagem grande, caro e dependente de manutenção regular. Há quem ainda
prefira fazer a mixagem “out of the box”, ou fora do computador. Nesses casos, o
computador funciona apenas como um gravador multi-pista (fornecendo as trilhas
para o console) e um gravador estéreo (recebendo o mix de volta).
As razões para se utilizar um console externo podem ser variadas. Muitos
engenheiros trabalharam anos e anos com um determinado console e, de fato,
tendem a ser muito mais práticos, rápidos e precisos quando utilizam suas mãos,
ao invés de mouse e teclado. Outros alegam que a qualidade do áudio é
incomparável e recusam-se a mixar digitalmente.
Particularmente, não acredito na diferença de qualidade de áudio. Como dito
anteriormente, outros fatores têm influência muito maior no resultado final do que
apenas uma das etapas, ou um equipamento em particular. Minha sugestão é que o
técnico utilize o método com o qual se sente mais confortável. Também é possível
utilizar superfícies de controle externas que “simulam” um console de mixagem e
trazem os benefícios dos dois mundos.
Este registro da mixagem final, copiado e arquivado, chama-se de “master mix”.
No futuro, as eventuais remasterizações para formatos variados, ou que ainda nem
existem, serão feitas através dele. Quanto melhor a qualidade de áudio do master
mix, maiores as possibilidades de masterização para diferentes formatos: CD,
SACD, LP etc.
Um dos erros mais comuns na mixagem é adiantar-se e “masterizar” o mix final
na mesma etapa. Assim como não é recomendado cortar o próprio cabelo, a
masterização deve ser feita por um outro profissional que esteja menos envolvido
no processo de produção e ofereça uma visão externa, mais objetiva e sem
influências.
Não se preocupe se a mixagem não está soando tão alta quando um CD comercial.
Evite utilizar compressores e limitadores, sobretudo no barramento master L+R.
Às vezes o som está bom no estúdio mas não soa tão bem no carro. Melhor do que
tentar corrigir estas deficiências, o que pode tomar muito tempo e até prejudicar o
áudio ainda mais, encare-as como algo normal do processo e siga para a próxima
etapa.

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10. Masterização
Se a sua produção caminhou bem até este momento, este último musiponto
(mixagem+masterização) pode fazer toda a diferença! A masterização é talvez
uma das atividades menos compreendidas na produção musical. Alguns
acreditam que ela é a principal responsável pela sonoridade final de um CD.
Outros imaginam que é uma etapa desnecessária, da qual somente as grandes
produções de beneficiem.
Relacionando-a com a escala musipontos, percebemos que ela não é tão
importante quanto as etapas anteriores, mas pode ser fundamental para elevar uma
produção de 4 para 5 musipontos, ou de 7 para 8, o que representa um salto
enorme. Em outras palavras, é como se um sofisticado prato da culinária francesa
fosse servido em um marmitex de alumínio - não faz o menor sentido e
certamente desvaloriza o produto na sua apresentação, interesse, experiência de
consumo e percepção de sabores.
A masterização tem várias funções, algumas das principais são:
● Uniformizar faixas de um disco para que soem como partes de uma
mesma obra, sem transições abruptas. Ex.: volumes e equilíbrio tonal.
● Aumentar inteligibilidade e punch, sem causar distorções.
● Preparar a mídia master para ser copiada, registrando códigos e
informações técnicas.
● Verificar a confiabilidade e compatibilidade da mídia master com
equipamentos dos consumidores.
● Testar a “tradução” do áudio em diferentes sistemas de reprodução,
simulando a experiência de diversos usuários.
● Corrigir possíveis falhas de mixagem.
● Consertar erros de edição (ruídos, clicks, pops).
● Organizar a seqüência das faixas – contorno emocional do disco.
● Agregar fade-ins e fade-outs nos extremos das músicas.
● Converter o áudio para os formatos necessários com qualidade (CD, LP,
MP3, SACD, DVD).
● Criar versões alternativas (rádio, club, Hi-Fi).

Para realizar todas estas tarefas, o engenheiro de masterização precisa de sala e


ferramentas especializadas, capazes de revelar todos os detalhes do áudio. Não
vamos nos enganar – mesmo que possamos realizar todas as nossas próprias
gravações e mixagens, dificilmente seremos capazes de masterizar com qualidade.
Repare na quantidade de conhecimentos que o engenheiro precisa dominar. É uma
atividade muito especializada, assim como deveria ser a de engenheiro de
gravação e engenheiro de mixagem. Talvez por isso as produções antigas tivessem
uma qualidade média superior.

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Equipamentos próprios para a masterização oferecem a
precisão “cirúrgica” que normalmente não existe nas
salas de mixagem. E principalmente, ouvidos muito bem
treinados, capazes de identificar problemas e encontrar
soluções rapidamente.

A isenção emocional do masterizador vem a calhar e torna-se uma das principais


razões para se contratar um terceiro. Recomendo que a masterização seja entregue
a um especialista. Como ele não esteve envolvido na produção, seus julgamentos
serão mais objetivos, refletindo melhor a percepção do consumidor. O produtor
pode e deve acompanhar a masterização, para garantir que as decisões técnicas
não comprometam as intenções artísticas do projeto.

De uma maneira simples, a masterização tem a função


de fazer um CD soar “comercial”. Não no sentido pop da
palavra, mas sim, conseguir uma sonoridade que
costuma dividir os amadores dos profissionais.

Poucos segundos de audição podem revelar se a masterização foi cuidadosa e


precisa. A maneira mais fácil de fazer este julgamento é notar se o som é natural,
favorecendo a música, sem interferir. Uma arte “transparente” que não deveria ser
notada.
Como dissemos no começo do livro, para nós é muito mais fácil e natural
fazermos julgamentos do que criarmos produtos para serem julgados, tentando
prever a reação do público. A masterização é um ótimo exemplo desse fenômeno.
Não precisamos ser especialistas em dinâmica, equilíbrio tonal ou possuir um
sistema Hi-Fi para perceber se uma música está soando “profissional” ou não.
Mas a grande dificuldade está do outro lado: fazer as modificações necessárias
com rapidez, sem comprometer outros elementos da música de modo que os
ouvintes apreciem o resultado.
Demorei muito tempo para entender e aceitar esse dilema. E foi só depois de
projetar minha própria sala de masterização, fazer testes, ajustá-la e masterizar
diversos trabalhos que percebi a importância dessa etapa.
Há alguns anos aprendi uma técnica que foi provavelmente a mais reveladora
sobre a masterização. Nossa audição é extremamente complexa a ponto de alguns
fenômenos psico-acústicos ainda não estarem completamente explicados. Mas
uma coisa parece ser unânime e bastante conhecida sobre o comportamento dos
ouvintes: preferimos os sons mais altos!
Trata-se de uma ilusão, um truque do cérebro. Após alguns segundos de audição,
outros fatores começam a influenciar na percepção e eventuais distorções e
problemas de equilíbrio podem gerar fadiga auditiva e retirar o interesse do
ouvinte. O que aprendi é: sempre comparar dois trechos de áudio no mesmo
volume!

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
A Produção está Concluída!
Com o produto em mãos, o artista pode agora divulgar e vender seu trabalho. As
etapas que seguem a Produção (conhecidas como Pós-produção) estão
relacionadas ao marketing e distribuição do produto. Eventualmente, podem ser
gerenciadas por agências especializadas, departamentos das gravadoras ou
produtores executivos. Lembre-se, seu produto precisa ser divulgado, com
criatividade e consistência.
Antes de mais nada, informe-se sobre os procedimentos de registro do fonograma.
Possivelmente, as composições já estão registradas para que não haja debates
futuros sobre a autoria. Agora estamos lidando com uma nova expressão da
composição, uma produção específica, com um determinado arranjo e
interpretação, onde participaram diversos profissionais, músicos e técnicos. Essa
master pode e deve ser registrada, inclusive recebendo um número único de
identificação, conhecido como ISRC (International Standard Recording Code).
Os créditos precisam estar moralmente e legalmente explícitos. Muitos artistas se
esquecem de dar os devidos créditos à equipe de produção, seja no encarte do CD,
no site ou requerimento de registro. Legalmente, é importante que as
porcentagens de participação das rendas e demais discussões que envolvem os
direitos conexos estejam claras e aprovadas em um contrato entre todas as partes
– autor, intérprete, técnico, produtor, gravadora etc. Advogados especializados em
direitos autorais podem ajudar nestas questões, nem sempre claras.
No meu entendimento, mais do que garantir as merecidas rendas para cada
participante da produção, a clareza contratual e o incentivo às discussões de
direitos e deveres deixará todos os envolvidos confortáveis com as decisões. Isso
é muito importante para trabalhos futuros, confiança e dedicação.
A pós-produção deve se concentrar na exposição do produto. De nada adianta ter
um CD em mãos, com produções de alto nível de qualidade técnica e artística, se
poucas pessoas terão acesso. Ofereça downloads gratuitos, talvez de uma música
ou trecho de várias. Distribua CDs gratuitos. Faça com que seu produto seja
escutado por pessoas influentes que trabalham em rádios e gravadoras. Ele precisa
de uma boa apresentação gráfica, um release do artista com mais informações e
vias claras para contato. O que pode ser adicionado à música para se criar
diferenciação? Encartes, fotos, convites para um show? Quais são as revistas,
publicações, sites e programas de TV que poderiam se interessar?
A Internet é democrática e precisa ser utilizada com sabedoria. Se por um lado os
meios digitais criaram uma concorrência sem precedentes, bombardeando os
consumidores com todo tipo de informação, produtos e qualidades variadas, por
outro, permitiu que artistas e produções que estão fora do circuito mainstream
pudessem expor seus trabalhos e encontrar um público interessado. O grande
segredo está em buscar esse público, conseguir sua atenção e ter uma chance de
ser escutado.

Na seqüência, mais detalhes sobre a Escala Musipontos


e o gráfico das músicas atuais.

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Por Dentro da Escala Musipontos
Discutidas as etapas da produção, acredito que seja mais intuitivo entender os
pesos de cada fase e sua influência na avaliação final da música. Como vimos, do
resultado final:
● 40% provém da Composição
● 30% da Pré-Produção
● 20% da Gravação
● 10% da Mixagem / Masterização
---------
100% Total
Neste ponto, não deve ser difícil entender porque a composição pesa tanto, afinal
ela é a matéria prima da música.
A pré-produção infelizmente não costuma ser tratada com uma etapa isolada e
pode acontecer parcialmente durante a composição, gravação ou até mixagem.
Como vimos neste manual, sugiro que ela seja encarada como um processo à
parte. Os benefícios são imediatos e podem contribuir em peso. Durante a leitura,
a importância e o funcionamento da pré-produção deverão ter ficado bastante
claros.
A fase de gravação pode enriquecer uma produção, através das nuances da
interpretações, qualidade do áudio e procedimentos que focam na performance
dos artistas. Naturalmente, o que foi criado (composição) e ajustado (pré-
produção) é mais importante do que o registro em si.
O peso da mixagem / masterização pode parecer pequeno. Primeiramente, deve-se
notar que a mixagem somente deveria “mixar”, e não realizar atividades que
foram esquecidas ou mal feitas nas fases anteriores.
E ainda, veremos que um ponto a mais na avaliação de uma música pode fazer
toda a diferença e colocá-la em um grupo seleto de produções. Seguindo a ordem
de prioridades, uma boa pré-produção e uma gravação bem feita pesam mais e
podem facilitar consideravelmente a execução da mixagem e masterização.

Lembrando, cada etapa tem um peso na avaliação final:


● Composição – 0 a 4 pontos
● Pré-Produção – 0 a 3 pontos
● Gravação – 0 a 2 pontos
● Mixagem / Masterização – 0 ou 1 ponto
________________
Máximo: 10 pontos

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
O estudo da escala nos faz perceber o seguinte:
● A composição é o elemento de maior peso no resultado final e que mais
pode contribuir para a avaliação final da música.
● Ao mesmo tempo, depende das próximas etapas para atingir uma soma
alta de musipontos. Isoladamente, uma composição não pode passar de 4
pontos.
● Cada etapa é menos importante que a anterior, embora seja fundamental
para a avaliação final.
● A maior quantidade de esforço, tempo e investimento deve ser alocada às
primeiras fases. Quando estas atingirem seu máximo potencial, é hora de
seguir para a próxima, na tentativa de adicionar musipontos.
● Para uma determinada canção, deve-se conhecer o potencial e limite de
cada etapa, conseguindo o melhor equilíbrio entre esforço e resultado.
● Quanto mais pontos uma etapa tiver, maiores as chances de uma boa
pontuação na seguinte. Cada etapa influencia a próxima. Em outras
palavras, uma pré-produção dificilmente atingirá 3 musipontos se a
composição vale 1.
Para fins práticos, vamos considerar que não existem notas quebradas. Assim,
cada música tem 10 graus de avaliação (1, 2, ...10). Não consigo imaginar uma
música que tenha 0 (zero) musipontos, embora você deva concordar comigo que
algumas estão bem próximas!
Exemplos:
● Uma composição primordial (4), que não foi pré-produzida (0),
relativamente mal gravada (1) e bem mixada (1), somaria apenas
4+0+1+1=6 musipontos, o que é um grande desperdício de talento!
● Uma composição razoável (2) e bem produzida (2+2+1) atingirá uma nota
2+2+2+1=7, definitivamente se destacando na média de mercado.
● Uma composição fraca (0) pode até receber uma boa produção (4), mas
nunca será mais do que "mediana".
● Uma canção top (7 ou mais musipontos) requer excelência técnica e
artística em todas as etapas, não consegue se sustentar apenas por
algumas.
● Quando uma excelente composição (4) é pré-produzida com alta qualidade
(3), o resultado é ótimo (7), mesmo que não esteja muito bem mixada ou
masterizada. Porém, um cuidado adicional nestas últimas etapas poderia
consagrá-la como um clássico eterno.
Aproveite para praticar, fazendo uma experiência agora mesmo. Ligue o rádio na
sua estação favorita. Você consegue identificar músicas que se encaixam nos
exemplos acima?
Liste alguns exemplos abaixo:
Uma composição primordial: __________________________________
Uma composição razoável que poderia ser melhor produzida: ________________
Uma composição fraca que se destaca pela produção: ______________________

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Cenário Musical - A Verdade Nua e Crua
A escala musipontos foi concebida de maneira que as notas sigam um padrão de
Distribuição Normal. Este tipo de distribuição é bastante comum na estatística e
representa com boa fidelidade diversos fenômenos naturais. Por exemplo, se
estudarmos o peso de 1500 pessoas selecionadas ao acaso em uma população,
teremos um gráfico parecido
com este:
A maior densidade (ou
ocorrência) acontece em torno
de 70kg, caindo simetricamente
conforme nos afastamos da
média (70kg). Esse tipo de
curva ou decaimento
caracteriza uma “distribuição
normal”, um dos modelos
estatísticos mais comuns e
naturais. Uma distribuição
normal, como esta, tem
algumas particularidades:
● A grande maioria dos valores encontra-se em torno da média (88% das
pessoas pesam entre 55 e 85kg).
● Existe uma pequena proporção de valores nos extremos, abaixo de 48kg
(1,2%) e acima de 92kg (1%).
● Embora 70kg seja o valor mais comum (média), ele não é exatamente a
“média aritmética” da população. Ou seja, o peso das pessoas não varia de
0 a 140Kg, há casos acima disso e nenhum abaixo de 20kg.

Paralelamente, no caso da Música, existe uma nota média ao redor da qual a


grande maioria das canções se encontra. Há poucas músicas com nota muito alta
ou muito baixa e quanto mais distante da média, menor é a ocorrência. Qual seria
esta nota média? Como vimos, não é porque as notas variam de 0 a 10 que a
média é necessariamente “5”. Existe um valor que é o mais comum, onde há
maior ocorrência de músicas.

Minha teoria é que a nota média tem baixado


consistentemente nas últimas décadas. Não seria o
momento de reverter a situação?

Ou seja, a qualidade média das músicas lançadas no mercado está cada vez
menor. Não é difícil entender este fenômeno se nos dermos conta de que a cada
dia, existem mais lançamentos, mais pessoas produzindo música e menos
especialização. A conseqüência é que a média diminua, embora obviamente, ainda
existam várias canções excelentes.

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Se voltarmos à época de Mozart, os compositores, instrumentistas, arranjadores,
maestros e demais profissionais da Música costumavam estudar muitos anos,
dedicando-se integralmente à profissão.
Relativamente, havia poucas pessoas produzindo música, baixo acesso à escolas e
mestres, dificuldades para se encontrar músicos e instrumentos. A exigência do
público era maior e grandes patrocínios e motivações incentivavam a criação de
uma obra musical. Mesmo assim, boa parte da obra de Mozart não conseguiu
destaque e é praticamente desconhecida até o presente.
Hoje, qualquer pessoa com acesso a um computador pode aprender e criar música
rapidamente, a quantidade de estilos e liberdade criativa é muito maior. Existem
inúmeros nichos de mercado e graus de exigência, as músicas podem ser mais
descartáveis e, proporcionalmente, poucos profissionais estudaram as técnicas de
produção musical a fundo. O resultado é uma baixa qualidade média.
Se você pedir para amigos e parentes criarem uma lista de músicas preferidas, é
muito provável que a maioria delas seja da década de 60 ou até mais antigas,
muitas dos anos 70 e 80, algumas dos anos 90 e poucas do século XXI. Isso
explica também a quantidade de remixes de músicas famosas que estamos
vivenciando.
Repare no que é tocado nas festas de casamento e grandes eventos - os clássicos
são eternos e dificilmente substituídos por músicas mais modernas. São raras as
músicas atuais muito bem produzidas, com chances de se tornarem clássicos no
futuro.
Não acredito que este seja um problema particular da Indústria Musical. Se
pensarmos em nutrição, provavelmente nos alimentamos com menos qualidade do
que há alguns anos atrás. Temos menos tempo para nos dedicarmos a assuntos e
projetos específicos. A cada dez filmes que alugo, recomendaria apenas um para
meus amigos.
O momento é de reflexão: continuar este movimento de banalizar as artes e a
qualidade de vida (que parece ser cíclico na história da humanidade) ou resgatar
valores e preparar o terreno para uma reviravolta nos próximos anos? Muitas
vezes a dificuldade está em se avaliar. Como saber se algo é bom ou ruim quando
não temos referências? Como um jovem de 14 anos pode julgar uma gravação se
suas referências são MP3 tocados em fones de ouvidos baratos? Como avaliar
uma composição, seus recursos musicais e poéticos, se as bandas que escutam
tocam sempre os mesmos acordes, com o mesmo som e estilo?
Na qualidade de apreciadores da música, temos a responsabilidade (ou mesmo a
obrigação) de educar o próximo. Entregar referências e permitir que façam seu
próprio julgamento. Certa vez me disseram: “sorte dos ignorantes, que se
contentam com pouco e vivem sem aflições”. Talvez seja verdade... Mas para
mim, sorte mesmo é ter a oportunidade de conhecer coisas novas, ser impactado
por um livro, música ou perfume que marcou um momento. Porque transformar
“vivência” em “sobrevivência”?
Que tal começarmos a avaliar músicas por uma nova ótica, criando nossas
próprias referências, julgamentos e incentivando debate e crescimento do
mercado? Continue lendo!

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Avaliando Músicas com Musipontos
Considerando-se as músicas existentes e dividindo a linha de tempo entre passado
e presente, a distribuição de musipontos poderia ser aproximada pelos gráficos
abaixo.
A curva preta representa a
densidade (ou ocorrência) de
músicas com uma determinada
nota. Repare, por exemplo: no
passado, 40% das músicas
tinham nota 6. Hoje em dia,
apenas 5% delas atingem esta
pontuação na escala.
A região destacada como
“TOP 20%” é o grupo das
melhores músicas existentes
em uma determinada época.
São os hits. Veja que este
grupo engloba todas as
músicas a partir de uma
determinada nota, até o
máximo de 10 musipontos.
No gráfico de baixo (época
presente), pode parecer que
não existem músicas com mais
de 7 pontos. Elas existem, mas
a porcentagem é muito pequena para ser visualizada nesta escala.
As top 20% têm uma particularidade importante: representam a grande maioria do
que é exposto ao público, pelas rádios, TVs, lojas etc. São os famosos hits, que
hoje em dia costumam durar apenas 2 meses, por não terem uma nota
suficientemente alta.
Este fenômeno é conhecido como Lei de Pareto. Esta lei diz, por exemplo, que
20% do seu tempo de trabalho gera 80% dos resultados. Ou que 20% dos
produtos de uma loja geram 80% da sua receita. Um fenômeno comum em
diversas áreas da ciência que também funciona para a música. O espaço existente
para exposição e veiculação de canções é limitado. É por isso que as rádios tocam
em média 20% do repertório durante 80% do tempo. Este grupo de alta exposição
ao público está em constante mudança, variando conforme a época.
Estar entre as top 20% aumenta consideravelmente as chances de sucesso, mas
não significa que a música é excelente ou que sobreviverá por muito tempo.
Repare no gráfico como as top 20% de antigamente possuíam notas melhores. Ao
mesmo tempo, estar fora do topo não é necessariamente ruim. Muitas canções
menos conhecidas encontram seus nichos e geram bastante lucro e
reconhecimento para o artista.
Estatisticamente, as canções com 8 ou mais musipontos (região verde do gráfico)
tendem a se tornar clássicos, de grande público e tempo de vida. Aquelas com 3
ou menos pontos podem ser consideradas fracas.

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Embora a média tenha baixado um pouco nos últimos anos, as conseqüências são
muito maiores do que parecem:
● No passado, as top 20%, ou 200 em cada 1000 músicas, possuíam 7 ou
mais musipontos. Atualmente, apenas 0,2% (duas em cada 1000) têm esta
nota e podem gozar de alta repercussão, atraindo o interesse de gravadoras
e volume de vendas. Vender mais do que 1 milhão de cópias hoje em dia é
raríssimo, uma vez que essa parcela campeã de audiência começa em 5
musipontos. Nossa referência, aquilo que escutamos todos os dias, baixou
de nível.
● Antes, um clássico (com 8 ou mais musipontos) surgia a cada 200 músicas
produzidas. Hoje são necessárias mais de 335.000 músicas para que uma
se torne um clássico (0,0003% das produções). Dependendo do mercado,
isso pode significar meses e meses de lançamentos até que uma produção
histórica apareça. Quantas músicas lançadas no último ano estão entre as
suas favoritas?
● O ritmo da produção aumentou, mas não dá conta de criar mega-
produções com a mesma freqüência de antes. O volume de lançamentos
duplicou ou triplicou nos últimos anos. Em 2005, foram 60.000 títulos
(álbuns). E destes, quase 50.000 por selos independentes. A venda média
de CDs para cada título era de 18.000 (majors) e 789 (independentes)
cópias.
● Apenas 0,5% costumava ser considerado muito fraco. Nos tempos atuais,
30% dos lançamentos teriam avaliação 3 ou inferior na escala musipontos.
De fato, não é um exagero dizer que 1 em cada 3 músicas atuais é bastante
descartável.

Concluímos que uma pequena queda da nota média


implica numa ocorrência MUITO menor de músicas com
alta avaliação. Lojas, sites, TVs e rádios contam hoje
com um acervo de qualidade inferior.

Conseguir um ponto a mais pode significar sair de um grupo onde estão 70% das
músicas e colocá-la entre as 30% melhores. E ainda, um ponto extra irá posicioná-
la no seleto clube das top 5%, com muita exposição, renda e tempo de vida!
Lembre-se:
● 5 musipontos já é um bom resultado! Este deveria ser o objetivo de
qualquer produção levada a sério.
● Conseguir avaliar uma música com precisão não é objetivo da escala,
sempre haverá um pequeno fator pessoal e contextual. Ainda assim, a
margem de dúvida deveria estar em 1 ponto.
● Mesmo que uma faixa de trabalho seja avaliada por você como 5 e por um
amigo como 6, a disciplina durante os processos de produção terá uma
grande chance de adicionar pelo menos mais um ponto, fazendo uma
grande diferença.

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O Papel da Tecnologia
A tecnologia não deveria ajudar na qualidade das músicas? Eu entendo que sim,
mas o fato é que ela não tem conseguido realizar essa missão com tanta
freqüência. Acredito que muitas pessoas envolvidas na produção musical encaram
a tecnologia como um substituto para criatividade e trabalho. Este é um grande
engano.

A tecnologia é apenas uma ferramenta, que acelera


processos. Os livros não estão melhores porque existem
impressoras a laser ou corretores ortográficos.

Ter acesso à Internet não nos faz especialistas em todos os assuntos. Ainda
precisamos estudar, praticar, desenvolver técnicas e talentos. Algumas gravações
de décadas atrás emocionam e soam tão bem quanto se pode esperar. Talvez um
dia a tecnologia melhore nossa audição ou seja “inteligente” a ponto de ser
criativa, mas ainda não chegamos lá.
Ao invés de comprar, baixar, instalar e experimentar diversos softwares e plugins
de produção musical, procure se especializar naqueles que você já tem
familiaridade. A imensa oferta de tecnologias, microfones, interfaces de áudio e
DAWs é tentadora! O problema é o tempo que gastamos para selecionar e
aprender cada uma delas.
Procure adquirir software e hardware profissional, que atenda o mínimo de
qualidade e funcionalidades, sem dar um passo maior que a perna. Falo por
experiência própria. No passado, comprei algumas coisas que não eram
prioridade, me tomaram um bom tempo de aprendizado e acabaram deixadas de
lado, substituídas por equipamentos ou programas mias intuitivos que também
oferecem uma boa qualidade.
Um Home Studio deveria possuir um bom par de microfones multi-uso a
condensador. Não economize nos cabos, eles devem durar muito tempo, com
conectores confiáveis. Armazene-os com cuidado, evitando torcer a trama dos
fios. Alguns pedestais, um filtro anti-pop, uma interface com duas entradas MIC e
um teclado MIDI pequeno. Este kit básico já permite uma grande variedade de
trabalhos, sobretudo na pré-produção. Escolha um pacote DAW e insista nele! A
familiaridade com seus recursos e atalhos pode ajudar muito na criatividade e
fluxo de trabalho.
Em algum momento, você sentirá falta de algo a mais e muito provavelmente
saberá o que comprar. A maioria dos seus equipamentos continuará sendo útil.
Invista na acústica de sua sala! Este é o principal equipamento e pode custar
menos do que um simples microfone. Controle de ruídos e modos ressonantes,
difusão do campo sonoro, absorção de reflexões primárias, ajuste do tempo de
reverberação e um bom par de monitores. Um fone de ouvido de boa qualidade
pode ser um grande aliado na edição e audição de trilhas, principalmente quando a
acústica da sala é muito deficiente.

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Mais do que nunca, as técnicas da Produção Musical devem ser utilizadas para se
conseguir destaque e longevidade. O cenário é promissor. Uma boa produção tem
maiores chances de aparecer do que antigamente. Resgatar o nível médio significa
criar mais espaço para as grandes produções e menos exposição para o conteúdo
de baixa qualidade que compete por nossa atenção. Você está pronto para
participar dessa missão?
*****

Espero que esse Manual tenha sido uma boa leitura!


Continue estudando sobre a Produção Musical para
desenvolver cada vez mais as suas habilidades. Para
dúvidas, críticas e sugestões, por favor entre em contato
comigo através do AudicaoCritica.com.br

Para se Aprofundar no Assunto


1. Grave, grave mais e depois grave de novo. Os melhores produtores e
artistas que conheço estão sempre fazendo música. Arriscando,
experimentando, errando e aprendendo.
2. Acompanhe revistas e sites especializados. Infelizmente não há muita
literatura nacional, tanto em qualidade quanto em quantidade, embora eu
tenha reparado em um avanço significativo nos últimos anos.
3. Faça cursos que ofereçam prática e não se prendem a equipamentos e
receitas-de-bolo. Conceitos sólidos permitirão aplicar seu conhecimento a
qualquer situação de produção musical.
4. Visite http://AudicaoCritica.com.br para ler mais sobre o assunto e receber
informações sobre os meus Cursos de Áudio e Produção Musical, que
oferecem bastante prática, aulas individuais ou para grupos, com
flexibilidade de horários.
5. Envie sua música para uma análise gratuita através do serviço disponível
no meu website. Publicarei um breve artigo com impressões e dicas para
sua produção.
6. Conheça os meus serviços online de projetos acústicos e produção musical
acessível, com relatório de dicas para ganhar musipontos em todas as
etapas da produção.
7. Acompanhe o Blog de Produção (http://AudicaoCritica.com.br/blog) para
ler artigos do meio e adquirir o CD (ou podcast) que complementa este
manual com exemplos práticos.
Boas produções e obrigado pela atenção!

Dennis Zasnicoff
Produtor Musical
dennis@zasnicoff.com

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Proibida a comercialização e criação de obras derivadas. Cite o autor quando utilizar o texto. O autor não renuncia aos seus direitos morais.
Glossário
Velocidade de uma música, do seu ritmo. Muitas vezes medida em bpm (batimentos
Andamento
por minuto). Pode modificar profundamente a expressão da canção.
Seleção de instrumentos, forma, andamento, variações melódicas e harmônicas que
compõe uma “roupagem” para uma composição. É planejado de acordo com os
Arranjo
instrumentos e vozes que interpretarão a música, considerando-se suas possibilidades
e limitações.
Informações sonoras sob variadas formas: elétrica, óptica, digital etc. Quando
Áudio
manifestado no domínio acústico, gera ondas sonoras e é conhecido como “som”.
Apreciador da qualidade das gravações. Valoriza a naturalidade das produções e
Audiófilo
sistema de reprodução, incluindo a sala de audição.
Ou bus master, são os canais de mixdown de um console de mixagem real ou virtual.
Em uma mesa de gravação, é conectado ao gravador estéreo. Em um console de P.A.
Barramento Master
(show ao vivo), é conectado às caixas de som que “endereçam o público” - Public
Address – P.A.
Transformar partes de uma música ou trilhas de uma música em um novo arquivo de
Bounce
áudio. Frequentemente sinônimo de mixdown.
Bridge Uma sessão da forma musical. Tem a função de criar contraste e respiro.
Código visual que representa um acorde musical. Ex.: A=Lá maior, Bm=Si menor,
Cifra
C#7=Dó sustenido com 7a. maior.
Uma música famosa que se destaca e tende a agradar diversas gerações. Não
Clássico
confundir com o estilo “Música Clássica”.
Metrônomo, referência de tempo para que a performance não perca sincronismo e
Click mantenha a uniformidade. Mutas vezes, um som de “click” para que os músicos
possam escutar o tempo da música.
Neste caso, um som característico originado por falhas no processo de gravação ou
Click (ruído)
mixagem. Audível como um rápido estalo.
Uma mixagem alternativa que foi masterizada para ser tocada em boites.
Club (versão) Normalmente, realça os extremos graves e agudos e é mais longa, com sessões
instrumentais.
Explicação no capítulo sobre Mixagem. O processo de diminuir as diferenças de
Compressão
volume do áudio, reduzindo sua dinâmica.
Técnica de composição que utiliza distintas frases melódicas que interagem entre si,
Contraponto
criando uma relação harmônica que enriquece a música.
Digital Audio Workstation. Refere-se aos pacotes de Software que funcionam como
DAW
estúdios virtuais de produção musical.
A diferença entre os sons mais baixos e os mais altos do áudio. Está relacionada com
Dinâmica a naturalidade e contorno emocional das músicas. Gravações de música erudita
orquestrada costumam ter muito mais dinâmica do que a música pop.
Qualquer alteração introduzida ao áudio original. Pode ocorrer no meio acústico,
Distorção elétrico ou digital. Uma das distorções mais comuns e audíveis é a saturação, quando
o nível de volume é muito alto para um determinado equipamento e “suja” o som.
Padrão estatístico de ocorrências que representa diversos fenômenos naturais, como o
Distribuição ;ormal
peso ou a altura de uma população.
Ato de recortar, limpar, juntar ou manipular o áudio de uma maneira geral. A maioria
Edição
das trilhas é editada antes da mixagem.

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Explicação no capítulo sobre Mixagem. Alterar o conteúdo espectral do áudio.
Equalização Ressaltar regiões (ex.: graves) ou atenuar freqüências com intuito corretivo ou
artístico.
A relação harmônica entre as freqüências sonoras. O balanço correto entre graves,
Equilíbrio Tonal
médios e agudos.
Toda a faixa auditiva, dos extremos graves aos extremos agudos. Varia
Espectro Sonoro
aproximadamente de 20Hz a 20kHz par ao ser humano.
Dois canais de áudio (esquerdo e direito) que, quando reproduzidos, criam o palco
Estéreo
sonoro virtual.
A transição entre silêncio e som que ocorre no início e no final da música. Pode ter
Fade-In / Out
diversas durações e formas.
Fader Controle variável, originalmente vertical e deslizante, para ser operado pelos dedos.
Forma Tipos de sessões e suas ligações em uma música (intro, refrão, bridge, etc.).
Ritmo e marcação da música, a levada, batida. Pode ser bastante “quadrado” e
Groove
estável ou “grooveado”, como no caso do Funk.
Seqüência de acordes que funciona como fundo musical para a melodia. A estrutura
Harmonia
da música, construída sobre uma tonalidade.
Uma mixagem alternativa que foi masterizada para a confecção de mídias de alta
Hi-Fi (versão) definição, como CDs audiófilos, SACD e DVD-Audio. Costuma ser menos
processada e com maior dinâmica.
O “gancho” da música, o clímax musical ou lírico que normalmente contém a
Hook
mensagem principal e gera o título da canção.
Know-how Conjunto de conhecimentos, técnicas e habilidades de um profissional.
Ex.: 20% das ações geram 80% dos resultados; 20% dos itens no varejo representam
Lei de Pareto
80% do faturamento. Pode ser aplicada em diversas áreas e situações da ciência.
Ou limiter, é um tipo especial de compressor que oferece uma grande taxa de
Limitador compressão a partir de um nível limiar. Usado normalmente para se evitar saturação
de monitores ou gravadores, limitar o nível máximo do áudio.
Trecho de áudio (como uma batida ou riff de guitarra) que pode ser concatenado e
Loop (de Áudio)
repetido para se criar sessões.
A mesma performance é gravada várias vezes em seqüência. Normalmente, o mix de
Loop (gravação) fundo, que serve de base para a gravação desta trilha, é repetido em loop, enquanto
cada take é registrado.
A faixa de mercado tradicional, popular, de maior volume de vendas e exposição.
Mainstream Artistas e músicas fora do mainstream são comumente chamados de underground ou
alternativos.
Uma grande gravadora. Normalmente gerencia diversos selos que representam
Major
artistas famosos.
Seqüência de notas musicais que forma as frases cantadas ou tocadas sobre uma
Melodia
harmonia.
Abreviação de microfone. No caso de sinais elétricos, indica que a entrada foi
MIC projetada para receber sinais de um microfone, que serão amplificados por um pré-
amplificador integrado.
Informação musical sob a forma eletrônica ou digital. Permite a geração de áudio por
mecanismos não-acústicos. Notas, suas intensidades e durações podem ser
MIDI (programação)
manipuladas por Software ou Hardware (instrumentos virtuais), muitas vezes
simulando os equivalentes reais.

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A mídia física que contém a produção final e serve de molde para a confecção de
cópias idênticas. Por exemplo, um disco de metal ou um rolo de fita magnética. O
Mídia Master
áudio master pode existir dentro do computador mas será transferido para alguma
mídia antes da geração das cópias.
A mistura das trilhas gravadas com o objetivo de apresentar todos os elementos de
Mix ou Mixagem ritmo, harmonia e melodia de uma maneira clara e interessante. Normalmente,
combina o áudio em um canal estéreo (L+R).
O ato de mixar ou combinar várias trilhas para um número menor de canais. O
Mixdown
resultado da mixagem em forma de áudio.
Fenômeno acústico que altera a intensidade das ondas sonoras dentro de uma sala. É
Modos Ressonantes mais notável nos graves e em salas pequenas, podendo aumentar ou diminuir
consideravelmente a audição de determinadas freqüências.
Caixas-acústicas, alto-falantes, fones-de-ouvido – o sistema de monitoração de áudio
Monitor
que permite técnicos e músicos escutarem os sons de performances e gravações.
Gravador ou processo de gravação que registra várias trilhas (ou pistas)
Multi-pista independentes ao mesmo tempo. Permite maior controle e versatilidade durante a
mixagem .
Grupo de instrumentos com características semelhantes que tocam uma frase
;aipe musical, com o objetivo de aumentar o volume e enriquecer o som. Naipe de
violinos, naipe de metais.
Orgânica (gravação) Áudio com realismo e entrosamento, aproxima-se de uma execução ao vivo.
Som de fundo, normalmente baixo e suspenso (notas longas que variam pouco),
Pad
acompanhando a harmonia da música.
Posição horizontal de um elemento na música, esquerda / centro / direita e os
Panorama inúmeros graus intermediários. Configuram o palco sonoro no estéreo. Gravações
mono não possuem panorama.
Representação musical gráfica em um pentagrama, com símbolos padronizados que
Partitura
indicam a nota musical, sua duração e maneira de se interpretar.
Software utilizado para processar (alterar) o áudio. Muitas vezes, substitui
Plugin equipamentos reais e físicos. Pode ter inúmeras funcionalidades, como equalização,
compressão ou reverberação.
Às vezes sinônimo de moda ou descartável, na verdade, é tudo aquilo que não é
Pop (estilo)
erudito (complexo, alternativo, particular). Popular.
Neste caso um som característico, normalmente originado do uso indevido de
Pop (ruído) microfones. Ex.: quando o vocalista gera um grande fluxo de ar nas consoantes “p” e
“b”.
Som “na cara”, presente, alto e claro. Apropriado para alguns elementos e estilos
Punch
musicais. Relaciona-se com o impacto auditivo sentido pelo ouvinte.
Na nomenclatura MIDI, significa ajustar a posição e a duração das notas para que se
Quantização encaixem em um determinado groove, soem corretamente no tempo e em harmonia
rítmica com as notas dos outros instrumentos.
Uma mixagem alternativa que foi masterizada para ser tocada no rádio. Quando não
Rádio (versão) é própria música original, pode conter uma introdução mais rápida, volume mais alto
ou menor duração.
Versão remixada de uma música pré-lançada. Novo arranjo, duração, interpretação e /
Remix
ou estilo.
Explicação no capítulo sobre Mixagem. O campo sonoro que é constituído pelas
Reverberação
inúmeras reflexões de um espaço físico. O “rastro” do som.
Riff Motivo musical que se repete e tende a caracterizar uma música ou sessão dela.

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Sala de gravação e mixagem, local de trabalho dos técnicos de som. Normalmente
Sala de Controle
possui isolamento acústico e linha de visão para o estúdio
Gravação de áudio de uma nota ou acorde tocados por um instrumento real ou
Sample virtual. Pode ser disparado por sinais MIDI, permitindo, por exemplo, que um
teclado toque sons de saxofone.
Músico especializado que toca um instrumento, normalmente passagens melódicas
Solista
conhecidas como solo.
Representação musical alternativa que simboliza a parte do instrumento que deve ser
Tablatura
tocada (corda e traste, peça da bateria etc.).
Take Uma das diversas gravações de um mesmo trecho.
Mecanismo de comunicação entre a Técnica e o Estúdio. Um microfone de talkback
Talkback é posicionado dentro da Técnica para que os artistas possam escutar orientações do
técnico, quando necessárias.
Técnica (sala) O mesmo que Sala de Controle.
Explica como captamos as informações apresentadas. Ex.: um instrumento pode
Teoria da Informação aparecer na mixagem e depois ser abaixado de volume sem que deixemos de notá-lo
(liberando espaço para outros).
Argumenta que A+B não é igual a A+B, mas sim C, um todo que é maior que a soma
Teoria Gestalt das partes. Na música, a soma dos elementos – resultado final – pesa muito mais do
que se tentar teorizar a junção deles.
Conjunto de características que determinam um tipo de som: piano, violino, flauta.
Timbre Eles podem tocar a mesma nota, mas serão bastante distintos, com ataques,
decaimentos e conteúdo espectral diferentes.
O tom de uma música, o acorde fundamental da harmonia. Está relacionada às
Tonalidade
possibilidades e limitações dos instrumentos e vozes.
Uma das pistas de uma gravação multi-pista. Normalmente contém apenas um
Trilha
instrumento ou voz.
Sons captados por um microfone que, a princípio, deveriam ser captados por
Vazamento outro(s). Acontece quando há mais de um microfone exposto à mesma fonte sonora.
Às vezes, o vazamento é desejável para se criar naturalidade.

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