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Temperamentos

Temos atualmente ouvido muito falar nesse termo, mas o que viria a ser isso!?
Comecemos a explicar isso então, “A palavra temperamento deriva do latim
”temperamentum" e significa "uma mistura em proporções". É a mesma derivação de
tempero e temperança. Isso quer dizer que, apesar de o temperamento ser a raiz instintivo-
biológica da personalidade, é possível trabalhar no sentido de “dosá-lo, bem proporcioná-
lo”.”(COMPREENDER O HOMEM PELOS QUATRO ELEMENTOS.).
Vamos ouvir falar disso nos antigos gregos, que tratavam dos humores humanos, ou seja,
os líquidos que o ser humano possui no seu corpo bile negra (proveniente do baço), bile
amarela (proveniente do fígado), sangue e a Fleuma (proveniente do pulmão), assim dão 4
tipos, com o tempo isso foi-se aprimorando, associando-se também a ideia dos 4 elementos
água, terra, fogo e ar, o que nos ajudam a ter uma melhor compreensão de sua aplicação
em nossos dias, porém esses elementos são meramente para a ilustração, ou seja, não
tem influência sobre o temperamento, mas nos ajudam a compreender as características
dos mesmos.
Se analisarmos a fogo veremos as características de um colérico, a intensidade, força e
energia, o ar veremos o sanguíneo e sua capacidade se envolver as pessoas, sua força e
sua socialização, na terra temos o melancólico em sua dureza, na firmeza e estabilidade
da terra, no potencial criativo, a água nos apresenta a capacidade de modelação que o
fleumático possui, a sua forma de conduzir e se adaptar às mais diversas situações.
Bom falemos um pouco sobre cada um dos temperamentos, já sabemos que são 4, que
olhando para eles podemos melhorar e muito a nossa forma de ver e experimentar o mundo,
mas quais são, em que nos é útil conhecer e saber aprimorar a cada um deles!?
Comecemos então a falar sobre esses tais temperamentos, daremos apenas algumas
noções básicas sobre eles e seus perfis.
Melancólico: associado a terra, vamos compará-lo ao João de Barro. É um temperamento
que podemos olhá-lo a partir do elemento terra, ele é muito rico, dotado de muitas
características artísticas, repleto de capacidade de compreensão, porém, sempre muito
resistente, rígido principalmente consigo mesmo, tem reações mais lentas, um grau de
insegurança bem elevado com relação a si mesmo, no trabalho são bons funcionários,
tendem a buscar uma ordem em todas as coisas, se estressam com rapidez quando
colocados na liderança, são amigos fidelíssimos.
Sanguíneo: é associado ao elemento ar, vamos compará-lo ao pavão. Tende a ser muito
rápidos em suas ações e nas suas reações, são impulsivos, muito curiosos, amam tudo
que é novo e tendem a querer acabar o mais rápido possível as tarefas para fazer coisas
mais empolgantes, não tem muita noção de limites físicos, são muito sociáveis, ficam
bastante tristes quando não são convidados para eventos, são geralmente aquelas pessoas
que não se fixam muito tempo em uma coisa, sendo bastante disperso.
Fleumático: associado ao elemento água, vamos compará-lo a um gato. Tem
características de maior equilíbrio, não se assusta com facilidade, são pessoas que
apresentam pouca expressividade, são sonhadores, tem a capacidade de trazer a paz ao
meio social a qual estão inseridos, adaptam-se com enorme facilidade a qualquer situação,
não se deixam dominar pelas emoções têm uma forte preferência pela razão.
Coléricos: associados ao elemento fogo, vamos compará-lo a um leão, sempre muito
enérgicos, excelentes líderes, com a capacidade de organizar e alocar todas as coisas
muito rapidamente, gostam muito de ser desafiados, são muito dinâmicos, bastante
intensos, farão o possível para que suas ideias sejam aprovadas e acolhidas por todos, não
gostam de ser contrariados, têm a capacidade de resolver os mais complexos problemas,
com uma facilidade incrível.
Obviamente estas são pequenas características, devemos pensar que eles podem se
associar em características, mas vale lembrar que teremos sempre um que rege, que nos
define, porém é necessário lembrar que eles são a forma que nos expressamos no mundo
em relação ao mundo, o conhecimento sobre eles nos permite melhorar a cada, reduzir as
fragilidades em nossas naturezas, nos tornando pessoas mais estáveis e melhor resolvidas
com o mundo a nossa volta, lembremos também que nossas experiências de vida embora
não mudem nosso temperamento, elas influenciam as nossas vidas e muitas vezes
alteraram a forma de agir, não altera o temperamento em sua forma, ou seja, não farão
você mudar de temperamento, mas algumas posturas sofrerão influência de suas
experiências, isto se dá por que não se conseguiria manter uma mudança radical na
tentativa de alterar seu próprio temperamento sem se causar sérios danos a sua estrutura
psicológica.
Ainda é válido informar que aceitar a si mesmo, suas limitações, qualidades, defeitos, todas
as características que possuímos é o melhor caminho para um crescimento emocional e
melhor estrutura psicológica.
Quando pensamos em temperamento, temos a visão de personalidade, temperamentos
não são sua personalidade, esta é formada ao longo de sua vida, com suas percepções e
experiências, os temperamentos são estáticos, eles como já dissemos não mudam,
podemos trabalhá-los para uma melhor relação interpessoal, uma maior interação com o
meio que vivemos, “porém não poderemos ser outra coisa a não ser nós mesmos”, essa
frase ganha a força devida quando compreendemos que somos o melhor que podemos e
queremos ser, a aceitação de si mesmo nos conduz a uma forma mais clara de expressão
e relacionamento com o mundo a nossa volta.
Muitos de nós tem a tendência natural de buscar adaptar-se excessivamente ao meio a
qual se encontra inserido, isso caracteriza uma forma distorcida de olhar a si mesmo,
compreendendo que você possui um temperamento, tendo clareza das características dele,
você poderá utilizar cada umas delas a seu favor, até mesmo a menos funcionais, que são
justamente as que mais temos problemas de aceitar, porém elas podem nos ajudar a
melhorar em todas as relações que teremos ao longo da vida.
Quando pensamos assim nossa aceitação se torna maior, pois abrimos a nossa defesa
natural para a compreensão que tais características menos funcionais não são um
problema, mas sim a possibilidade de um aprimoramento pessoal.
Assim pensar nas junções de temperamento nos ajudarão a compreender crises que
naturalmente teremos, potencialidades que possuímos, até mesmo doenças que teremos
mais facilidade de ter. As junções nos darão de forma concreta o “manual” de nossas
expressões, pois ao conhecer os conflitos internos que temos mais facilidade de possuir,
podemos evitar a cada um deles, ao ter um bom autoconhecimento, você será capaz de
conseguir usar tudo que tem a seu favor, de pegar os pontos menos funcionais de sua vida
e fazer dele uma força para alcançar seus objetivos.
Temperamentos na Educação.

Se estamos na sala de aula temos que ter a consciência que não podemos esperar as
mesmas atitudes de 20, 30 alunos, além deles serem moldados por sua própria
personalidade e criação, existe também outro importante fator: o temperamento. É na
infância, onde mais se manifestam os temperamentos, já que no início da vida, as crianças
ainda não têm enraizadas as noções sociais e estão começando a construir a sua
personalidade.

Então, com quantos anos é possível identificar o temperamento da criança? Apesar de


demonstrar traços desde o nascimento, de fato podemos identificar seu temperamento a
partir dos 4, 5 anos.

Bom, se você fez licenciatura, já compreendeu que a sala de aula não é homogênea e sim
heterogênea. Mas como trabalhar com cada temperamento na sala de aula?

Você pode pensar que é uma missão impossível, mas não é. Basta que o educador seja
atento aos sinais na sala de aula.

De maneira geral, o professor que trabalha na sala de aula, precisa trabalhar para e com o
coletivo, mas ao observar comportamentos isolados que podem atrapalhar ou comprometer
a aprendizagem, ele não só pode como deve intervir.
Quando se tem em sala de aula, aquele brigão, que fica nervoso, chora e bate nos colegas.
Posso propor a ele algum desafio, quanto mais nova a criança, mais imaturos são os seus
comportamentos. Em geral as crianças coléricas são as mandonas, líderes, são bem
competitivas. E podemos usar isso a nosso favor. Quando a aluno demonstra esse
comportamento, podemos aproveitar essas características para fazer delas pontos
positivos. Como?

Desafiando em atividades. “Aluno, será que você consegue resolver essas atividades na
sala de forma correta, hoje ainda?" "Preciso da sua ajuda, apague o quadro para mim", o
colérico é um líder por natureza, na sala de aula, porém já temos um líder, o professor. E o
que podemos fazer nessas horas e colocar a criança colérica como uma ajudante, gritar
com um colérico ou exercer o autoritarismo com ele não dará certo, além de causar efeito
contrário e deixá-lo mais agitado e desafiador, se perderá a oportunidade de ter uma boa
relação com ele.

Quando não trabalhamos ações de acordo com o temperamento do colérico, ou se


esperamos dele atitudes que não são próprias do seu temperamento podemos confundir
essa criança com a criança do TOD (Transtorno Opositor Desafiador). Por isso também é
importante que os psicopedagogos e psicólogos conheçam os temperamentos antes de
levantar alguma hipótese de diagnóstico.

Na sala de aula, também podemos nos deparar com crianças muitos expressivas, que
gostam de falar e não param quietas na cadeira. E o professor fica: “volta aqui fulano”,
“senta aqui fulano”, ou “faça silêncio” e o professor acabar perdendo 5, 10, 30 min de aula
tentando acalmar a turma toda por causa de duas crianças com esse comportamento.

Já perceberam que esses, mesmo sendo tão “conversadores” e nos tirando do sério, são
aquelas crianças engraçadas e que às vezes temos que nos segurar para não rir?! Elas
crianças são curiosas, comunicativas, criativas, e por imaginarem demais, acabam sendo
rotuladas como mentirosas. (Tanto na sala de aula quanto na clínica, podemos observar
esses comportamentos e temos que ter muito zelo para não cairmos na rotulação.)

Este temperamento é o sanguíneo. Ele tem uma dificuldade natural de concentração, assim
como o colérico é expansivo, marca presença, porém na maioria das vezes é tranquilo, só
que é muito impulsivo, faz coisas e depois se arrepende. Também tem uma grande
dificuldade em controlar seus desejos e impulsos, então tende a fazer o que der vontade.
A criança sanguínea é muito comunicativa, tem facilidade e habilidade para falar e é claro
que isso deve ser aproveitado na sala de aula.

O sanguíneo adora participar de debates, teatros, tem um verdadeiro dom artístico que
pode e deve ser aproveitado pelo professor, o desafio do professor é canalizar suas
aptidões.

Crianças sanguíneas precisam de comando claros e objetivos, como tem dificuldade de


concentração um sermão grande não causará efeito nenhum. Atividades envolvendo
comunicação e movimento, são os cargos chefes para um bom aproveito.
Até agora tratei dos dois temperamentos de expansão ou seja daquelas que chegam
marcando presença de alguma forma.

Vamos agora aos temperamento de interiorização:

Toda turma tem o aluno "brilhante", o aluno que não dá problema, faz toda a proposta, é
obediente, na dele, não é muito comunicativo e muita das vezes parece uma criança tímida
ou até mesmo muda.

Essas são crianças do temperamento fleumático, são crianças que para a maioria dos
professores são os melhores, pois não atrapalham e não impedem que a aula transcorra
da maneira necessária, porém essas crianças precisam de cuidados tanto quanto às outras.
Essas crianças não sentem a necessidade de falar e muitas das vezes não se sentem
confortáveis em ser forçadas. Acontece que muitas das vezes o professor sem
conhecimento acaba forçando uma apresentação de trabalho ou uma leitura que na
verdade, só mais inibe a criança do que ajuda.

As crianças fleumáticas precisam ver que as coisas estão indo bem para adquirir confiança,
ela se espelha muito nas suas figuras de referências, por isso nós educadores precisamos
ser bons, pois servimos de moldes para os alunos em especial para os fleumáticos.

Um cuidado que o professor deve ter ao ministrar certo conteúdo é a percepção de que o
fleumático está entendendo, pois como ele não é um temperamento que se envolve, pode
parecer que está entendendo toda a matéria quando de fato não compreendeu, é
importante estabelecer um diálogo com ele para tentar ouvi-lo. Desafios não funcionam com
o fleumático, nem com o melancólico, a fim de trabalhar nas dificuldades desse
temperamento, vale a pena o professor conversar e oferecer pequenas atividades para que
o fleumático se expresse. Eles aprendem olhando e por mais que consiga estar numa roda
de amigos sem dizer uma palavra, se teve boas fontes para aprender a se comunicar, pode
ser um excelente orador, além de um ótimo estudante.

Vamos ao melancólico.

O melancólico é aquela criança dengosa, chora por tudo, até mesmo se o colega olhar para
ela. Com o avançar da idade a criança gosta de agradar, todos a sua volta. É muito
organizada, tem o material impecável, é obediente, gosta de seguir regras, nem sempre é
tímida, mas é uma criança que interioriza tudo que é falado. Uma bronca na criança
melancólica pode acabar com seu dia ou semana, ela guardará aquilo no profundo do seu
coração, desafios também não dão certo com esse temperamento, por mais que ela saiba
fazer, por ser envolvida acaba se sentindo insegura e não conseguindo realizar a tarefa.

O temperamento melancólico tende a ser sempre negativo, pensar o pior das situações e
por isso para motivar e intervir com crianças assim, é necessário lembrá-la de seus
avanços, melhorias, mostrando e lembrando a ela a sua capacidade. Registros são bons
motivadores para ir contra os pensamentos negativos que a criança possa a vir a ter.

Soluções para intervir na sala de aula ou consultório.


Quando aplicar trabalhos avaliativos propor ao menos duas formas diferentes. Por exemplo:
uma apresentada e outra escrita.

Mudar sempre as estratégias de aula e de avaliação, de modo que cada uma consiga
abordar uma forma de temperamento.

Compreender que nós somos junto aos pais somos as referências deles.

E que para exercer a empatia precisamos nos pôr no lugar do outro, compreendendo o
temperamento da pessoa e não ter o nosso temperamento por medida.

Intervir de forma particular nas questões gritantes, buscando ajuda quando necessário.

Continuar os estudos para conhecer os temperamentos e desenvolvimento infantil.

Os psicopedagogos, devem levar em conta o temperamento da criança ao avaliar o relatório


escolar, além de observar as características dos temperamentos nas avaliações
psicopedagógicas.

Para os Psicopedagogos que atuam em clínicas, podemos dizer que é mais fácil por
atenderem uma criança por sessão. As intervenções serão em cima da dificuldade da
criança, considerando o seu temperamento, o progresso será ainda mais evidente e a
compreensão também. O profissional partindo dos características aqui mencionados pode
estruturar um plano de intervenção exclusivo.

Por conseguinte, não importa em qual ocupação educacional você esteja. Bons
profissionais estão sempre em busca de melhorar o ensino e encarar os desafios.

Você agora já tem uma grande noção de que a heterogeneidade não está somente em
onde a criança mora ou com quem vive, mas está ligada também ao seu temperamento.