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FILOSOFIA

Prof. Rafael Prata.


Módulo II (Maio - Junho de 2019)

(I) A FILOSOFIA MEDIEVAL:


Denominamos como Filosofia Medieval, o pensamento filosófico que perdurara
durante o intervalo do século I-XV d.C. Uma grande característica deste período é a
interferência da Igreja em todas as áreas do conhecimento, e por esse motivo tornou-se
comum encontrarmos tanto temas religiosos como os próprios membros da igreja
fazendo parte dos filósofos que vieram a dar vida a este momento da história da
filosofia.
Características Gerais:
- Inspiração na Filosofia Clássica.
- União entre Fé e Razão.
- Busca da Verdade Divina.
Costuma-se dividir este longo período filosófico em duas etapas: a Patrística e a
Escolástica.

a)Patrística (sécs. I-VII d.C):


Elaborada pelos chamados Pais da Igreja consiste na elaboração doutrinal das verdades
de fé do Cristianismo e na sua defesa contra as denominadas heresias. Inúmeros temas
foram trabalhados como a criação do mundo, o pecado original, a natureza de Deus e o
Juízo Final.
Procura-se interpretar o Cristianismo mediante conceitos tomados da Filosofia Grega,
sobretudo a partir das reflexões de Platão e Aristóteles. Perdendo os ideais da doutrina
cristã primitiva, eles buscaram encontrar, frente à filosofia e aos filósofos, o lugar
apropriado da reflexão filosófica e do pensar cristão.
O mais importante pensador deste período filosófico foi Santo Agostinho de Hipona
(354-430 d.C).

 O Pensamento de Agostinho de Hipona:


Local de nascimento: Tegaste (Numídia) na atual Argélia.

Ocupação: Bispo de Hipona, uma província romana na África.

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Principais obras:

“A cidade de Deus” e “Confissões”.

 Características:

O intenso contato com os textos platônicos e neoplatônicos.

- A busca pela união entre os preceitos de Platão e os ideais do Cristianismo.

- Os conceitos de “Sensível” e “Inteligível”.

O homem é composto por corpo e alma:

O primeiro pertence ao reino do “sensível”, sendo administrado pela alma. Através do


uso da alma (fé) e da razão, o homem pode acessar o reino do “inteligível” (os
conhecimentos).

Como é possível que haja a maldade no mundo se a natureza de Deus, o criador, é


perfeitamente amorosa?
- O mal não é um “ser ou coisa”, mas um mau funcionamento de nossas
percepções diante do mundo.
- A condição humana (mente e corpo) nos faz agir sem a razão, sem atingir o
inteligível, atuando por apetites e desejos transitórios, em suma, pelo mundo do
“sensível”.

b)Escolástica (sécs. VIII- XV):


Origem do nome: “scholasticus”, ou seja, “aquele que estuda em uma escola”.
- O surgimento das Universidades e Centros de Saberes.
- As Sete Artes Liberais: Trivium (Gramática, retórica e lógica) e Quadrivium
(Aritmética, geometria, astronomia e música).
 As Bases da Filosofia Escolástica:
• A leitura de obras selecionadas da Antiguidade Greco-romana, sobretudo, os
escritos de Platão e de Aristóteles.
• O método especulativo: as leituras das obras e a formação das “sentenças”.

O mais importante pensador deste período filosófico foi São Tomás de Aquino (1225-
1274).
 O Pensamento de São Tomás de Aquino:
Local de Nascimento: Roccasseca – Reino da Sicília (atual Itália).

Ocupação: Frade da Ordem dos Pregadores Dominicanos.

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Principais obras: Suma Teológica e Metafísica.

 Características:

I. A sistematização da Teologia Cristã apoiado em Aristóteles.


II. O Tomismo:
- A busca pela comprovação da existência de Deus.
- A Filosofia como complemento da Teologia.
- A moral e a política (a defesa da monarquia) devem servir para a manutenção da
ordem e da justiça e para a criação do “bem comum”.

QUESTIONÁRIO
1. (UFU 2012). Na medida em que o Cristianismo se consolidava, a partir do século II,
vários pensadores, convertidos à nova fé e, aproveitando-se de elementos da filosofia
greco-romana que eles conheciam bem, começaram a elaborar textos sobre a fé e a
revelação cristãs, tentando uma síntese com elementos da filosofia grega ou utilizando-
se de técnicas e conceitos da filosofia grega para melhor expor as verdades reveladas do
Cristianismo. Esses pensadores ficaram conhecidos como os Padres da Igreja, dos quais
o mais importante a escrever na língua latina foi santo Agostinho.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia: Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva,
1996, p. 128. (Adaptado)

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Esse primeiro período da filosofia medieval, que durou do século II ao século X, ficou
conhecido como
a) Escolástica.
b) Neoplatonismo.
c) Antiguidade tardia.
d) Patrística.

2. (UEM 2009) A Filosofia Medieval a partir do século IX é chamada escolástica.


Ensinada nas escolas ou nas universidades próximas das catedrais, a filosofia escolástica
tinha por problema fundamental levar o homem a compreender a verdade revelada pelo
exercício da razão, todavia apoiado na autoridade (Auctoritas), seja da Bíblia, seja de
um padre da Igreja, seja de um sistema de filosofia pagã.

Sobre a escolástica, assinale o que for correto.


01) O pensamento platônico, ou mais exatamente o neoplatonismo de Plotino, porque
mais facilmente conciliável com as doutrinas cristãs, foi a única filosofia pagã aceita
durante toda a escolástica.
02) A fermentação intelectual e o interesse pelo racional na escolástica evidenciam-se
pela criação de universidades por toda a Europa; o método de exposição das ideias
filosóficas nessas escolas era a disputa: uma tese era colocada e passava-se a refutá-la
ou a defendê-la com argumentos retirados de alguma autoridade.
04) Representante do pensamento político da escolástica, o cardeal Martin Heidegger
trata, em sua obra Ser e Tempo, do problema da subordinação do poder temporal dos
reis e dos nobres ao poder espiritual do Papa e da Igreja.
08) Um tema recorrente na filosofia escolástica foi a demonstração racional da
existência de Deus. Santo Anselmo (1034-1109) formula a prova tradicionalmente
chamada argumento ontológico, no qual deduz a existência de Deus da própria ideia de
perfeição de Deus.
16) O apogeu da escolástica acontece no século XIII com Santo Tomás de Aquino
(1225-1274), que, retomando o pensamento de Aristóteles, fez a síntese mais fecunda da
filosofia com o cristianismo na Filosofia Medieval.

3. (ENEM 2018) Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que
nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada
realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos,
abstendo-se, como antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma
vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criara, como pode haver
verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?”.

AGOSTINHO. Confissões, São Paulo: Abril Cultural, 1984.

A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo de reflexão


filosófica sobre a(s):

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a) essência da ética cristã.

b) natureza universal da tradição.

c) certezas inabaláveis da experiência.

d) abrangência da compreensão humana.

e) interpretações da realidade circundante.

4. (ENEM 2015) Se os nossos adversários, que admitem a existência de uma natureza


não criada por Deus, o Sumo Bem, quisessem admitir que essas considerações estão
certas, deixariam de proferir tantas blasfêmias, como a de atribuir a Deus tanto a autoria
dosbens quanto dos males. pois sendo Ele fonte suprema de Bondade, nunca poderia ter
criado aquilo que é contrário à sua natureza.

AGOSTINHO. A natureza do Bem. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2005 (adaptado).

Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal porque:

a) o surgimento do mal é anterior à existência de Deus.


b) o mal, enquanto princípio ontológico, independe de Deus.
c) Deus apenas transforma a matéria, que é, por natureza, má.
d) por ser bom, Deus não pode criar o que lhe é oposto, o mal.
e) Deus se limita a administrar a dialética existente entre o bem e o mal.

5. (ENEM 2015): Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum
dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se
move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim do
destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um
fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens
de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações
humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim.

AQUINO. T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos


de Santo Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo


capaz de

a) refrear os movimentos religiosos contestatórios.


b) promover a atuação da sociedade civil na vida política.
c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum.
d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística.
e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.

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(II) A FILOSOFIA DO RENASCIMENTO (Sécs.
XV-XVIII):
A filosofia do Renascimento foi marcada pelos descobrimentos científicos e sobretudo
pelo auge do humanismo que revelou em sua riqueza e variedade as grandes
transformações culturais, econômicas e sociais da época. O mundo renascentista, que
não elaborou grandes sistemas metafísicos, estabeleceu as novas questões e conceitos
que determinariam o progresso da filosofia moderna mediante a indagação de três temas
fundamentais: a natureza, o homem e a sociedade.
A síntese da observação e da experimentação com a dedução matemática caracterizou a
atitude científica do Renascimento, que teve figuras cruciais em Copérnico e Galileu, e
alcançou seu ponto máximo no século XVII graças ao "sistema do mundo" proposto por
Isaac Newton.
A reflexão sobre o homem e seu lugar no novo mundo descrito pela ciência foi o ponto
central do grupo de pensadores chamados tradicionalmente de humanistas. Partilharam
a rejeição aos preceitos da escolástica, o desejo de recuperar e reorganizar os valores
culturais da antiguidade clássica e o interesse pela estética e a retórica. Dentro desses
amplos limites ideológicos, no entanto, os autores adotaram posturas muito diversas.
Em linhas gerais prevaleceram o humanismo cristão e a tendência à revalorização de
Platão frente a Aristóteles, mas prosperou também um neo-aristotelismo.

QUESTIONÁRIO
(PUC-RIO 2007) À EXCEÇÃO DE UMA, as alternativas abaixo apresentam de modo
correto características do Renascimento. Assinale-a.

A) O retorno aos valores do mundo clássico, na literatura, nas artes, nas ciências e na
filosofia.
B) A valorização da experimentação como um dos caminhos para a investigação dos
fenômenos da natureza.
C) A possibilidade de uma estreita relação entre os diferentes campos do conhecimento.
D) O fato de ter ocorrido com exclusividade nas cidades italianas.
E) O uso da linguagem matemática e da experimentação nos estudos dos fenômenos da
natureza.
(UFPB 2008) A Renascença ou Renascimento foi um movimento artístico e científico
ocorrido na Europa entre os séculos XV e XVI. Sobre esse movimento, identifique a(s)
afirmativa(s) verdadeira(s):

a) utilização de métodos experimentais e de observação da natureza e do universo


orientou a ação dos cientistas durante o Renascimento. O período demarca, ainda, o
início de um processo de maior valorização da razão humana e do indivíduo.

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b) O Renascimento, baseado na ideologia absolutista, foi um movimento de valorização
do mundo rural. Essa característica pode ser entendida pela forte influência dos
mecenas, uma vez que todos eles eram vinculados à agricultura.

c)O Renascimento surge no período de transição da sociedade medieval para a


sociedade moderna e representa uma nova visão de mundo. Suas principais
características eram o racionalismo e o antropocentrismo.

d)Uma das mudanças propiciadas pela cultura renascentista foi a valorização da


natureza, em contraste com as explicações sobrenaturais sobre o mundo.

(Enem 2011) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu


domínio sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e
da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa aventura, tentando
conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o
sentimento.
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.

O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada
pela constante relação entre:
a) fé e misticismo
b) ciência e arte.
c) cultura e comércio.
d) política e economia.
e) astronomia e religião.

(III) A FILOSOFIA POLÍTICA DE NICOLAU


MAQUIAVEL (1469-1527)
Nicolau Maquiavel se dedicou ao estudo da filosofia política, mas de forma diferente
dos filósofos anteriores, buscou investigar a política pela política, ou seja, sem utilizar
em sua análise conceitos morais, éticos e religiosos que pudessem direcionar seus
estudos. A política em sua filosofia tem a capacidade de se auto-governar, de buscar
suas próprias decisões de forma livre, sem que outras áreas do conhecimento interfiram
em suas conclusões.
Em sua principal obra chamada “O Príncipe”, Maquiavel defende a existência de um
príncipe político que em seu empreendimento não pode contar somente com a boa
vontade das pessoas, pois estas não são naturalmente nem boas nem más, mas podem
ser tanto uma como outra. O príncipe político que desejar ter sucesso em seu
empreendimento deve partir da regra de que as pessoas são más e que na primeira
oportunidade elas demonstrarão essa maldade, geralmente traindo o seu superior. O

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príncipe não deve ter a bondade como fundamento de suas ações, mas deve saber ser
bom ou mau conforme a necessidade política. Se puder, deve ser bom, mas se
necessário deve usar da maldade, evitando sempre o meio termo. Deve evitar ficar em
cima do muro e pender hora para um lado hora para outro, pois isso seria sua ruína.
A política, vista por Maquiavel, justifica-se por si mesma e não deve buscar fora de si
uma moral que a justifique. O objetivo da política é levar os homens a viver na mesma
comunidade de forma organizada e se possível em liberdade. O príncipe político busca
estabilidade do cargo, busca manter-se no poder.
O príncipe tem que ser virtuoso e aqui Maquiavel não utiliza o conceito cristão de
virtude, mas o conceito grego pré-socrático, onde a virtude é vitalidade, força,
planejamento, esperteza e a capacidade se impor e profetizar. O príncipe que tiver essa
virtude vai ser dono do próprio destino, vai criar sua própria sorte, que para ele
determinava somente metade dos acontecimentos na vida das pessoas, a outra metade é
definida pela liberdade.

QUESTIONÁRIO

1. (ENEM 2013) “Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou
temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é
difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma
das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos,
volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são
inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como
acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se’.
MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.

A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e


políticas. Maquiavel define o homem como um ser:

a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros.


b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.
c)guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes.

d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais.


e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.

2. (ENEM - 2012) Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece
no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias,
devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais
escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso

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livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas
[o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho


citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo
renascentista ao:
a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.

3. (Ufu 2010) Leia com atenção o texto a seguir.


A finalidade da política não é, como diziam os pensadores gregos, romanos e cristãos, a
justiça e o bem comum, mas, como sempre souberam os políticos, a tomada e
manutenção do poder. O verdadeiro príncipe é aquele que sabe tomar e conservar o
poder […].
(CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000, p. 396.)

A respeito das qualidades necessárias ao príncipe maquiaveliano, é correto afirmar:


a) O príncipe precisa ter fé, ser solidário e caridoso, almejando a realização da virtude
cristã.
b) O príncipe deve ser flexível às circunstâncias, mudando com elas para dominar a
sorte ou fortuna.
c) O príncipe precisa unificar, em todas as suas ações, as virtudes clássicas, como a
moderação, a temperança e a justiça.

4. (Unesp 2011). Analise o texto político, que apresenta uma visão muito próxima de
importantes reflexões do filósofo italiano Maquiavel, um dos primeiros a apontar que os
domínios da ética e da política são práticas distintas.

“A política arruína o caráter”, disse Otto von Bismarck (1815-1898), o “chanceler de


ferro” da Alemanha, para quem mentir era dever do estadista. Os ditadores que agora
enojam o mundo ao reprimir ferozmente seus próprios povos nas praças árabes foram
colocados e mantidos no poder por nações que se enxergam como faróis da democracia
e dos direitos humanos: Estados Unidos, Inglaterra e França. Isso é condenável?
Os ditadores eram a única esperança do Ocidente de continuar tendo acesso ao petróleo
árabe e de manter um mínimo de informação sobre as organizações terroristas islâmicas.
Antes de condenar, reflita sobre a frase do mais extraordinário diplomata americano do
século passado, George Kennan, morto aos 101 anos em 2005: “As sociedades não

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vivem para conduzir sua política externa: seria mais exato dizer que elas conduzem sua
política externa para viver”.
(Veja, 02.03.2011. Adaptado.)

A associação entre o texto e as ideias de Maquiavel pode ser feita, pois o filósofo
a) considerava a ditadura o modelo mais apropriado de governo, sendo simpático à
repressão militar sobre populações civis.
b) foi um dos teóricos da democracia liberal, demonstrando-se avesso a qualquer tipo de
manifestação de autoritarismo por parte dos governantes.
c) foi um dos teóricos do socialismo científico, respaldando as ideias de Marx e
Engels.
d) foi um pensador escolástico que preconizou a moralidade cristã como base da vida
política.
e) refletiu sobre a política através de aspectos prioritariamente pragmáticos.

5. (Unioeste 2012). “Creio que a sorte seja árbitro da metade dos nossos atos, mas que
nos permite o controle sobre a outra metade, aproximadamente. Comparo a sorte a um
rio impetuoso que, quando enfurecido, inunda a planície, derruba casas e edifícios,
remove terra de um lugar para depositá-la em outro. Todos fogem diante de sua fúria,
tudo cede sem que se possa detê-la. Contudo, apesar de ter essa natureza, quando as
águas correm quietamente é possível construir defesas contra elas, diques e barragens,
de modo que, quando voltam a crescer, sejam desviadas para um canal, para que seu
ímpeto seja menos selvagem e devastador. O mesmo se dá com a sorte, que mostra todo
o seu poder quando não foi posto nenhum empenho para lhe resistir, dirigindo sua fúria
contra os pontos que não há dique ou barragem para detê-la. [...] O príncipe que baseia
seu poder inteiramente na sorte se arruína quando esta muda. Acredito também que é
prudente quem age de acordo com as circunstâncias, e da mesma forma é infeliz quem
age opondo-se ao que o seu tempo exige”.

Considerando o pensamento político de Maquiavel e o texto acima, é INCORRETO


afirmar que:
a) o êxito da ação política do príncipe depende do modo como ele age de acordo com as
circunstâncias.
b) a manutenção do poder e a estabilidade política são proporcionadas pelo príncipe de
virtù, independentemente dos meios por ele utilizados.
c) o sucesso ou o fracasso da ação política para a manutenção do poder depende
exclusivamente da sorte e do uso da força bruta e violenta.
d) na manutenção do poder, a ação política do príncipe se fundamenta, não no uso da
força bruta e da violência, mas na utilização da força com virtù.

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e) o êxito da ação política, com vistas à manutenção do poder, resulta do saber
aproveitar a ocasião dada pelas circunstâncias e da capacidade de entender o que o seu
tempo exige.

(IV) A FILOSOFIA DE RENÉ DESCARTES (1596-


1650)
Descartes visualizou a filosofia como uma árvore onde a metafísica são as raízes, a
física é o tronco e as outras ciências são os galhos. Percebia desta forma o conhecimento
como uma unidade pois todos os saberes estão interligados. A filosofia é também algo
útil na vida cotidiana das pessoas, a árvore filosófica dá frutos que são colhidos através
das ciências práticas representadas pelos galhos. O principal objetivo da filosofia não é
a teorização abstrata, ela tem que ser útil para a vida, ela serve para tornar os homens
senhores da natureza. A filosofia deve ser um instrumento para melhorar a vida dos
homens. Basta pensar corretamente para agir corretamente. Ele busca um ponto de
partida sobre o qual possa fundar sua filosofia, busca uma verdade que não possa ser
questionada como tal, um princípio que possa lhe dar uma certeza inquestionável.
Assim pensando ele cria a dúvida metódica, a partir do qual ele duvida de tudo,
inclusive da própria existência e de todas as percepções dos seus sentidos. Todas as
minhas sensações podem estar me enganando, como me engano quando sonho e
acredito que o sonho é realidade.
Descartes cria um método para bem conduzir nossos pensamentos. Para alcançar a
verdade devemos seguir os seguintes princípios: Princípio da evidência, não admitir
algo como verdadeiro se não tivermos evidências suficientes para considerar como tal.
Princípio da análise, dividir os problemas em tantas partes quanto forem possíveis para
que melhor possam ser resolvidos. Princípio da síntese, estabelecer uma ordem de
relação entre nossos pensamentos, solucionando primeiro as questões mais simples e
depois as mais complexas. E o princípio de controle, fazer constantes revisões de todo
processo para ter certeza de que nada foi omitido. São também verdades nossas ideias
inatas, como as matemáticas, pois nos foram dadas por Deus. E é no método
matemático que ele vai fundamentar a ciência para conhecer e modificar o mundo. O
mundo é uma variação de formas, tamanhos e movimentos da matéria e essas variações
podem ser quantificadas e entendidas pela matemática através também da geometria.

QUESTIONÁRIO

1. (Enem 2014). É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do


próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza
que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não
será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma
dúvida.

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SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001
(adaptado).

Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana


tem caráter positivo por contribuir para o(a)
a) dissolução do saber científico.
b) recuperação dos antigos juízos.
c) exaltação do pensamento clássico.
d) surgimento do conhecimento inabalável.
e) fortalecimento dos preconceitos religiosos.

2. (Enem 2013):
TEXTO I
Há já de algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera
muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em
princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era
necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões
a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber
firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril
Cultural, 1973 (adaptado).

TEXTO II
É de caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de
busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir
daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente
nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001
(adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução


radical do conhecimento, deve-se
a) retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
b) questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
c) investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
d) buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
e) encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.

3. (UFF 2012). O filósofo francês René Descartes escreveu o seguinte em seu Discurso
do Método:

“Logo que adquiri algumas noções gerais relativas à Física, julguei que não podia

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mantê-las ocultas, sem pecar grandemente contra a lei que nos obriga a procurar o bem
geral de todos os homens. Pois elas me fizeram ver que é possível chegar a
conhecimentos que sejam úteis à vida e assim nos tornar como que senhores e
possuidores da natureza. O que é de desejar, não só para a invenção de uma infinidade
de utensílios, que permitiriam gozar, sem qualquer custo, os frutos da terra e de todas as
comodidades que nela se acham, mas principalmente também para a conservação da
saúde, que é sem dúvida o primeiro bem e o fundamento de todos os outros bens desta
vida.”

Assinale a alternativa que resume o pensamento de Descartes:


a) O conhecimento deve ser mantido oculto para evitar que seja empregado para
dominar a natureza.
b) O conhecimento da natureza satisfaz apenas ao intelecto e não é capaz de alterar as
condições da vida humana.
c) Nosso intelecto é incapaz de conhecer a natureza.
d) Devemos buscar o conhecimento exclusivamente pelo prazer de conhecer.
e) O conhecimento e o domínio da natureza devem ser empregados para satisfazer as
necessidades humanas e aperfeiçoar nossa existência.

4.(UFU-2001) Leia com atenção a citação e, em seguida, analise as assertivas.


"E, tendo notado que nada há no eu penso, logo existo, que me assegure de que digo a
verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei
poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos mui clara e mui
distintamente são todas verdadeiras, havendo apenas alguma dificuldade em notar bem
quais são as que concebemos distintamente."
(DESCARTES, Discurso do Método. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 55. Coleção
"Os Pensadores")

I- Este "eu" cartesiano é a alma e, portanto, algo mais difícil de ser conhecido do que o
corpo.
II- O "eu penso, logo existo" é a certeza que funda o primeiro princípio da Filosofia de
Descartes.
III- O "eu", tal como está no Discurso do Método, é inteiramente distinto da natureza
corporal.
IV- Ao concluir com o "logo existo", fica evidente que o "eu penso" depende das coisas
materiais.

Assinale a alternativa cujas assertivas estejam corretas.


A) Apenas II e IV.
B) I, II, IV.
C) Apenas III e IV.
D) Apenas II e III.

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(V) A FILOSOFIA ILUMINISTA (séc. XVIII)
A influência da Revolução Científica espalhou-se além do mundo da ciência. Filósofos
lançavam mão da lógica para explicar as leis que governam a natureza. Pensadores logo
procuraram entender as leis que governam o comportamento humano. Objetivavam
aplicar a razão e o conhecimento científico para estudar os fenômenos da sociedade
humana – o governo, a economia e a educação. A Revolução Científica, portanto, abriu
o caminho para um novo período da Era da Razão, denominada Iluminismo. O ápice
desse período ocorreu em meados do século XVIII.
Chamamos de Iluminismo o conjunto das transformações ideológicas das formações
sociais europeias, verificadas ao longo do século XVIII (o “Século das Luzes”) e que
marcam a etapa final da transição para o Capitalismo.
Podemos considerar as raízes do Iluminismo nos seguintes elementos: o Humanismo
renascentista dos séculos XV e XVI, o raciocínio filosófico do século XVII expresso
por Descartes, Locke e outros e a nova visão da realidade baseada na Ciência e que foi
desenvolvida no século XVII por homens como Bacon, Keppler, Galileu e Newton.
O Iluminismo se manifesta como um conjunto de críticas ao chamado Antigo Regime,
entendido como formação social dominada pelo clero e pela nobreza por meio do
Estado Absolutista. Esse domínio era justificado pelo cristianismo.
As críticas foram feitas em nome da racionalidade burguesa, que vinha se formando
desde os tempos do Humanismo. Entre as características do pensamento iluminista,
podemos destacar:
 Racionalismo: afirmou-se o primado da razão como elemento essencial do
conhecimento.
 Otimismo: fundamentado no conhecimento das Ciências Físicas do século
anterior, acreditava-se no funcionamento harmonioso do Universo devido à
existência de leis naturais sábias. A partir dessa ideia, os filósofos inferiam que
também a sociedade estava submetida às leis naturais, que em conjunto
constituem um direto natural e impõem uma moral natural baseada na tolerância e
generosidade. Esse otimismo estava expresso também na crença no progresso da
humanidade.
 Liberdade e igualdade: a liberdade é um direito natural e fundamental do
indivíduo e é expressa na liberdade civil de produzir, de comerciar e de pensar. Se
todos nascemos livres, todos devermos ser iguais perante a lei. As diferenças
econômicas entre as pessoas são decorrentes das diferentes capacidades de cada
um.

Os Filósofos
O Iluminismo alcançou o seu ápice na França, em meados do século XVIII. Paris, a
capital francesa, tornou-se o local de encontro dos maiores pensadores da época. Os
críticos sociais eram representados pelos filósofos.
Os filósofos tentavam aplicar a razão a todos os aspectos da vida. Eles se opunham aos
ideais de monarquia e Direito Divino e protestavam contra os privilégios da nobreza e

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do clero, sendo que esses dois grupos controlavam a maior parte da riqueza francesa,
mas, ao mesmo tempo, eram os que menos impostos pagavam.
A maioria dos filósofos não seguia as tradicionais crenças religiosas europeias. Eles
baseavam seu conhecimento na lógica e na razão, e não nos ensinamentos da Igreja.
Alguns filósofos eram ateus - pessoas que negam a existência de Deus. A maioria deles
acreditava em Deus, mas rejeitava os rituais da Igreja e a autoridade do clero.

Voltaire
Um dos mais brilhantes e influentes filósofos da época foi François-Marie Arouet
(1694-1778). Tendo adotado o nome de Voltaire, publicou mais de 70 obras sobre
Ciência Política, Filosofia, História e Teatro.
Voltaire frequentemente atacava e ridicularizava seus oponentes: o clero, os aristocratas
e o governo. O filósofo se exilou por longo tempo na Inglaterra. Em suas Cartas da
Inglaterra, expressou sua admiração pelas ideias de Locke e pelo sistema político
inglês. Apesar de os filósofos admirarem o sistema inglês de governo, poucos apoiavam
a democracia. Voltaire escreveu o seguinte: "A partir do momento em que pessoas
comuns começarem a raciocinar, tudo estará perdido. Eu não suporto a ideia de um
governo de massas".
Voltaire era favorável à monarquia constitucional, mas acreditava que nos países mais
atrasados, o sistema ideal seria o Despotismo Esclarecido. Voltaire defendia a ideia de
que a melhor forma de governo possível era uma monarquia em que o governante
adotaria as ideias dos filósofos e respeitaria os direitos do povo. Um monarca
"iluminado" introduziria reformas e governaria de forma justa.
Voltaire era contra a Igreja Católica, mas não contra a religião, pois a considerava um
instrumento para controlar o povo.
Apesar de ter sido preso duas vezes por insultar os nobres, Voltaire nunca parou de lutar
pela tolerância, pela razão e pelo estabelecimento de limites ao poder dos governantes.
Voltaire foi um grande defensor do direito de livre expressão, externado em sua
célebre frase: "Eu não concordo com o que você diz, mas defendo até a morte seu
direito de dizê-lo".
Barão de Montesquieu
Após estudar o sistema inglês de governo que tanto admirava, Montesquieu escreveu O
Espírito das Leis (1748). Nessa obra, até hoje estudada nos principais cursos de direito
do Brasil, Montesquieu argumentou em favor da separação dos poderes
governamentais. Tal separação resultaria em uma divisão de autoridade entre diferentes

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repartições do governo. Uma dessas divisões, o Poder Legislativo, criaria as leis. A
segunda divisão, o Poder Executivo, garantiria o cumprimento das leis. A terceira
divisão, o Poder Judiciário, interpretaria as leis. Montesquieu acreditava que a
separação dos poderes impediria o controle absoluto do governo por um indivíduo ou
grupo de pessoas. Com a divisão de poderes, a liberdade da população seria preservada
contra possíveis líderes absolutistas e corruptos. Para Montesquieu, a Legalidade era
uma garantia à liberdade individual, que dependia da separação e do equilíbrio de
poderes. A ideia desenvolvida por Montesquieu está presente na Constituição dos
Estados Unidos e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) – o
documento fundamental da Revolução Francesa.
Jean-Jacques Rousseau
Jean Jacques Rousseau foi o filósofo mais popular entre os iluministas. Em suas
obras Discursos sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os
Homens e Do Contrato Social, defendeu ideias caracteristicamente democráticas.
Em Discursos sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens,
criticava a propriedade que, em seu ponto de vista, era a raiz das infelicidades humanas.
Rousseau, escreveu sobre o “bom selvagem” – o indivíduo que não se corrompeu pela
artificialidade e pela sociedade –, acreditava que a civilização preenche o Homem com
vontades não naturais e o afasta de sua verdadeira natureza e de sua liberdade inata. O
filósofo afirmou que o aparecimento da propriedade privada arrancou o homem de seu
“doce contato com a natureza” e acabou com a igualdade. Rousseau preconizava a
existência de uma sociedade formada por pequenos produtores independentes.
Foi em Contrato Social que Rousseau desenvolveu sua concepção de que a soberania
reside no povo, importando muito pouco o direito individual e muito mais a vontade da
maioria, que era expressa pelo sufrágio universal. O Estado, como representante dessa
maioria, deveria ser todo poderoso.
Rousseau diferenciava Estado de Governo. Estado tinha o sentido genérico de
sociedade organizada em termo políticos, ao passo que Governo não passava de um
executor da vontade da maioria. Para Rousseau, a liberdade dos indivíduos dependia
exclusivamente da igualdade entre todos os membros da sociedade.
Rousseau também afirmava que as Artes e as Ciências corrompiam a bondade natural
das pessoas. Segundo Rousseau, os habitantes das sociedades ditas civilizadas são
infelizes, inseguros e egoístas. Rousseau ensinava que as pessoas deveriam viver ao ar
livre, em harmonia com a natureza.

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QUESTIONÁRIO

1. (ENEM/2013). Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do


empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da
Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No
entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como
Descartes e Bacon e impulsionada pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de
poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem
e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.

CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia,


São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).

Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista


concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das
intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em:
A) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas
ainda existentes.
B) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que
outrora foi da filosofia.
C) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que
almejam o progresso.
D) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os
discursos éticos e religiosos.
E) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos
debates acadêmicos.

2. (UFMS 2010)
“Classificar, delinear, dividir, sistematizar, criar um mapa mundi do saber. Esta era a
ideia dos iluministas Diderot e D’Alambert: ordenar o mundo em categorias em uma
enciclopédia com 17 volumes de texto. O projeto enciclopedista talvez seja a influência
mais visível do iluminismo em nosso cotidiano. A escola, a divisão do conhecimento em
disciplinas específicas, os livros didáticos, os telejornais revelam claramente essa busca
classificatória. A Enciclopédia iniciava com um quadro esquemático do conhecimento
humano, uma permanência que perpassa desde organogramas de empresas até as
classificações da biologia.”

(DARNTON, Robert – O Grande Massacre de Gatos. RJ: Graal, 1986, p. 272-273)

Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a(s) afirmativa(s)
correta(s) a respeito do Iluminismo.

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a) O impulso renovador das idéias iluministas provocou, na Europa, um grande
interesse pelos problemas da vida em sociedade, possibilitando o surgimento de
novas ideias e de teorias econômicas.
b) Em seu conjunto, os iluministas sustentavam a tese de que só um Estado
ditatorial, controlado pela classe trabalhadora, seria capaz de eliminar a
resistência burguesa e abolir as desigualdades entre as classes sociais.
c) O espírito renovador, presente no Iluminismo, conduziu a um profundo estudo
das ciências, campo onde ocorreu um grande avanço.
d) Originado na Inglaterra, difundido pela França, o Iluminismo pregava a razão, a
liberdade do espírito, a livre crítica e a tolerância religiosa, contrapondo-se,
assim, ao peso da tradição, do dogmatismo religioso e filosófico e ao
absolutismo monárquico.
e) O Iluminismo, em seu conjunto, fazia uma incisiva crítica ao mundo civilizado e
propunha um retorno às formas de vida da sociedade primitiva.

3. Exercício 2: (UFF 2010)


O escritor e filósofo francês Voltaire, que viveu no século XVIII, é considerado um dos
grandes pensadores do Iluminismo ou Século das Luzes. Ele afirma o seguinte sobre a
importância de manter acesa a chama da razão:

“Vejo que hoje, neste século que é a aurora da razão, ainda renascem algumas cabeças
da hidra do fanatismo. Parece que seu veneno é menos mortífero e que suas goelas são
menos devoradoras. Mas o monstro ainda subsiste e todo aquele que buscar a verdade
arriscar-se-á a ser perseguido. Deve-se permanecer ocioso nas trevas? Ou deve-se
acender um archote onde a inveja e a calúnia reacenderão suas tochas? No que me
tange, acredito que a verdade não deve mais se esconder diante dos monstros e que não
devemos abster-nos do alimento com medo de sermos envenenados”.

Identifique a opção que melhor expressa esse pensamento de Voltaire.

a) Aquele que se pauta pela razão e pela verdade não é um sábio, pois corre um
risco desnecessário.
b) A razão é impotente diante do fanatismo, pois esse sempre se impõe sobre os
seres humanos.
c) Aquele que se orienta pela razão e pela verdade deve munir-se da coragem para
enfrentar o obscurantismo e o fanatismo.
d) O fanatismo e o obscurantismo são coisas do passado e por isso a razão não
precisa mais estar alerta.
e) A razão envenena o espírito humano com o fanatismo.

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4. (UFPR 2010)
A respeito do iluminismo, movimento filosófico que se difundiu pela Europa ao longo
do século XVIII, considere as seguintes afirmativas:

1. Muitos filósofos franceses, entre eles Montesquieu, Voltaire e Diderot, foram


leitores, admiradores e divulgadores da filosofia política produzida pelos
ingleses, como John Locke com sua crítica ao absolutismo.
2. Quanto à organização do Estado, os filósofos iluministas não eram contra a
monarquia, mas contra as ideias de que o poder monárquico fora constituído
pelo direito divino e de que ele não poderia ser submetido a nenhum freio.

3. A descoberta da perspectiva e a valorização de temas religiosos marcaram as


expressões artísticas durante o iluminismo.

4. Em Portugal, o pensamento iluminista recebeu grande impulso das descobertas


marítimas.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

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