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Audiência de Custódia

A prisão em flagrante trata-se de uma modalidade de prisão cautelar.


1) Pressupostos:
a) Preservação da integridade física do preso;
a.1) dispositivos: art. 5º, XLIX, CF/88; art. 10 do Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos; art. 5º do Pacto de São José da Costa Rica).
Com a incidência do dispositivo constitucional, as autoridades serão
responsabilizadas em caso de violação da integridade física do preso seja
pelo disposto no art. 129, CP (lesão corporal dolosa), art. 3º, i da Lei 4.898/65
(abuso de autoridade), art. 1º, §1º da Lei 9.455 (tortura).
Assim, é indispensável que a pessoa presa seja submetida ao exame
de corpo de delito com a finalidade de documentar o seu estado de saúde
durante o período em que ficou sob a custódia do Estado, no momento da
captura e da soltura. Obs.: NÃO SE TRATA DE FACULDADE DO JUIZ.
b) Respeito à integridade moral do preso;

b.1) dispositivo: art. 5º, XLIX, CF/88.

Os jornalistas, autoridades policiais e membros do M.P. devem se


abster de exibir presos às mídias e isso não só para preservar os direitos
do preso, como também para evitar que inocentes sejam identificados
indevidamente como autores de delitos.

c) O uso de algemas deve ser evitado;

c.1) dispositivos: art. 234, §3º do Código de Processo Penal Militar


(aplicado por analogia), art. 474 do CPP (vedação do uso de algemas no
Plenário do Júri), art. 478, I do CPP (as partes não podem argumentar
com referência à determinação do uso de algemas), Súmula vinculante
nº11.

Segundo o STF no julgamento do HC 89.429/RO, Relatora Ministra


Carmen Lucia, Dj. 02/02/2007, o uso legítimo de algemas tem natureza
excepcional, com a finalidade de impedir, prevenir, ou dificultar a fuga ou
reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado
receio.
Será indispensável a lavratura do auto de utilização de algemas no
momento da captura do agente; nada impede que a menção à situação
fática que legitimou o uso de algemas seja feita no bojo do próprio auto
de prisão em flagrante.

d) Comunicação imediata da prisão ao juiz competente e ao M.P.


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d.1) dispositivos: art. 5º, LXII, CF/88, art. 306, caput, do CPP, art. 10 da
LC nº 75/93 (comunicação do M.P. com as cópias dos documentos que
comprovem a legalidade da prisão).

Tal ato tem como finalidade o controle dos atos da autoridade policial,
inclusive o cumprimento do prazo de 24h para encaminhamento do auto
de prisão em flagrante.

A não comunicação configura abuso de autoridade de acordo com o


art. 4º, c da Lei 4.898/65, gera a perda da força coercitiva do auto de
prisão que só valerá como peça informativa. Enseja, portanto, o
relaxamento da prisão. Ademais, caberá ainda a imposição de outras
medidas cautelares (prisão preventiva, v.g.)

Da comunicação prevista no art. 5º, LXII, CF/88 dependem o


cumprimento de outras garantias. A inobservância desse preceito
constitui constrangimento ilegal, sanável por meio de habeas corpus
objetivando o relaxamento da prisão.

Se no auto de prisão em flagrante constar o cumprimento dessas


garantias, cabe ao preso o ônus de provas o descumprimento.

e) Encaminhamento, no prazo de 24h após a realização, auto de


prisão em flagrante para o juiz e, caso o autuado não informe o nome
de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública.

e.1) dispositivo: art. 306, §1º do CPP, art. 5º, LXIII, CF/88, art. 4º, XIV da
LC nº 80/94 (funções institucionais da Defensoria Pública - acompanhar
inquérito policial, inclusive com a comunicação imediata da prisão em
flagrante pela autoridade policial, quando o preso não constituir
advogado;

É imprescindível à verificação por parte do magistrado da legalidade


da prisão e seu eventual relaxamento, ou analisar o cabimento de
liberdade provisória com ou sem fiança bem como da garantia da defesa
técnica do preso.

f) Direito ao silêncio. (nemo tenetur se detegere)

g) Direito do preso à identificação dos responsáveis por sua


prisão ou por seu interrogatório policial.
g.1) dispositivos: art. 5º, LXIV, CF/88,art. 306, §2º do CPP.

Esse direito é efetivado por meio da entrega da nota de culpa ao


preso (instrumento de caráter informativo, dirigido ao preso que lhe
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comunica o motivo da prisão, o nome da autoridade que lavrou o auto, do


condutor e das testemunhas).
A ausência da nota de culpa enseja o relaxamento da prisão por vício
de legalidade.

2) Relaxamento da prisão: consiste no direito subjetivo de todo e qualquer


cidadão de ter restabelecida sua liberdade de locomoção caso sua prisão
tenha sido levada a efeito fora dos balizamentos legais.

Após o reconhecimento da ilegalidade e relaxamento da prisão, o agente não


fica sujeito ao cumprimento de deveres e obrigações, como acontece quando
há alvará de soltura após o pagamento da fiança.

No entando, se houver fumus comissi delicti e o periculum libertatis é cabível


a imposição de medidas cautelares de natureza pessoal.

Obs.: Súmula nº 697 STF, segunda a qual a proibição de liberdade provisória


nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão
processual por excesso de prazo.

Em consequência do que dispõe o art. 5º, LXV, CF/88, o relaxamento da


prisão só pode ser concedida pela autoridade judicial.

2.1) O art. 648 do CPP traz um rol exemplificativo de hipóteses em que a


liberdade de locomoção deve ser considerada ilegal e o art. 469 autoriza a
concessão de habeas corpus ex officio.
3) Audiência de custódia: é realizada sem demora após a prisão penal em
flagrante, preventiva ou temporária, permitindo o contato imediato do preso com
o juiz, com o defensor e o M.P.
Tem com objetivo coibir eventuais excessos e conferir ao juiz uma ferramenta
mais eficaz para fins de convalidação judicial.
A oitiva não poderá ser utilizada como meio de prova contra o depoente e versará
sobre a legalidade e necessidade da prisão, a prevenção da ocorrência de tortura
ou de maus-tratos e os direitos assegurados aos preso e ao acusado.
3.1) Dispositivos: art. 7º, §5º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos
(Dec. 678/92), Provimento 352 de 2015 do TJ/MS e art. 656 do CPP, Pacto São
José da Costa Rica.
É vedada a inquirição do preso sobre o próprio mérito da imputação.

Provimento 352 do TJ/MS


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Art. 2º A audiência de custódia deverá ser realizada na sala de audiências do


juiz competente no prazo de 24 horas após o recebimento da comunicação da
prisão.
Art. 5º O juiz competente para a realização da audiência de custódia elaborará
relatório resumido dos fatos contidos no auto de prisão em flagrante, e, na
presença do Ministério Público e do Advogado ou Defensor Público, deverá:
III - Conceder a palavra ao Ministério Público, à Defensoria Pública ou ao
Advogado, nessa ordem, para que se manisfestem e formulem requerimento
pelo relaxamento da prisão preventiva, pela concessão de liberdade provisória,
com a imposição ou não das medidas cautelares previstas no art. 319 do Código
de Processo Penal, ou pela conversão da prisão em flagrante em prisão
preventiva.
IV - Decidir em audiência, de forma fundamentada, nos termos do art. 310 do
Código de Processo Penal.