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18001 - GUIA3/1

Nos termos e para os efeitos do disposto, designadamente, nos artigos 9º, 12º e 196º do Código
dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, informa-se que este texto está protegido por direitos de
autor, encontrando-se registado na Inspecção Geral das Actividades Culturais com o nº 5048/2009,
e depositado na Biblioteca Nacional sob o nº 301043/09.
PREFÁCIO
A motivação e valorização dos colaboradores determinam o sucesso
de uma Organização. Os resultados estão directamente ligados com
o comprometimento dos colaboradores com a cultura, valores, missão
e objectivos da Organização, para além obviamente das suas competências
técnicas e profissionais. Deve ser uma prioridade da Organização todas
as questões referentes à qualidade do ambiente e das condições de
trabalho que são proporcionadas aos seus colaboradores, nomeadamente,
nas vertentes da Segurança e Saúde.

A certificação de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho


(SST) de acordo com a norma OHSAS 18001 | NP 4397 promove um ambiente
de trabalho saudável e seguro, permitindo às organizações melhorar o seu
desempenho de SST de uma forma consistente, contribuindo para reforçar
a confiança na sua responsabilidade social.

A APCER, com a certificação de Sistemas de Gestão de SST, empenha-se


em contribuir de forma activa para a melhoria das condições de trabalho.
A publicação do presente guia interpretativo tem como finalidade
disponibilizar informação técnica actualizada sobre a nossa perspectiva
da norma OHSAS 18001 | NP 4397 enquanto referencial de certificação,
reflectindo uma experiência acumulada em sete anos e em mais de
duzentas empresas certificadas.

A APCER agradece o empenho e disponibilidade de todos os que


colaboraram na elaboração do presente Guia, fazendo votos para que
este documento seja útil a todos os que estão envolvidos na implementação
de Sistemas de Gestão de SST nas organizações, melhorando as condições
de trabalho e credibilizando a certificação em Portugal.

Porto, Abril de 2010

José Leitão
CEO
APCER – Associação Portuguesa de Certificação

3
A EQUIPA

coordenação

Maria Tyssen Segurado e Rui Oliveira

redacção

André Ramos
Leonor Lapa
Maria Tyssen Segurado
Pedro Fernandes
Pedro Severino
Ricardo Teixeira
Rita Batista

revisão

Ângelo Tavares
António Aragão Frutuoso
António Nascimento
Cristina Barbosa
Cristina Effertz
Fernando Quintas
Joana dos Guimarães Sá
João Carlos Costa
José Frazão Guerreiro
José Sales Grade
Paulo Mendes
Paulo Miguel
Pedro Ribeiro
Rui Nascimento Marques
Rui Oliveira
Saraiva Ramos

4
ÍNDICE

INTRODUÇÃO E OBJECTIVOS 7

COMO UTILIZAR ESTE GUIA 9


ABREVIATURAS 10
DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA 10

PARTE A: A NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 – ENQUADRAMENTO E


INFORMAÇÕES GERAIS 13

A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO 14


PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 15
A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 16
A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E OUTROS REFERENCIAIS 16
A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO 18
A CERTIFICAÇÃO OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL 19

PARTE B: OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 – GUIA INTERPRETATIVO 25

INTRODUÇÃO 26
1. OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO 26
2. REFERÊNCIAS NORMATIVAS 27
3. TERMOS E DEFINIÇÕES 27
4. REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST 27
4.1 REQUISITOS GERAIS 27
4.2 POLÍTICA DA SST 33
4.3 PLANEAMENTO 36
4.3.1 IDENTIFICAÇÃO DOS PERIGOS, APRECIAÇÃO DO RISCO E DEFINIÇÃO DE CONTROLOS 36
4.3.2 REQUISITOS LEGAIS E OUTROS REQUISITOS 43
4.3.3 OBJECTIVOS E PROGRAMA(S) 45
4.4 IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO 48
4.4.1 RECURSOS, FUNÇÕES, RESPONSABILIDADES, RESPONSABILIZAÇÃO E AUTORIDADE 48
4.4.2 COMPETÊNCIA, FORMAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO 50
4.4.3 COMUNICAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E CONSULTA 53
4.4.3.1 COMUNICAÇÃO 54
4.4.3.2 PARTICIPAÇÃO E CONSULTA 57
4.4.4 DOCUMENTAÇÃO 59
4.4.5 CONTROLO DOS DOCUMENTOS 61
4.4.6 CONTROLO OPERACIONAL 63
4.4.7 PREPARAÇÃO E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS 67
4.5 VERIFICAÇÃO 71
4.5.1 MONITORIZAÇÃO E MEDIÇÃO DE DESEMPENHO 71
4.5.2 AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE 73
4.5.3 INVESTIGAÇÃO DE INCIDENTES, NÃO CONFORMIDADES, ACÇÕES CORRECTIVAS
E PREVENTIVAS 75
4.5.3.1 INVESTIGAÇÃO DE INCIDENTES 75
4.5.3.2 NÃO CONFORMIDADES, ACÇÕES CORRECTIVAS E PREVENTIVAS 76
4.5.4 CONTROLO DOS REGISTOS 79
4.5.5 AUDITORIA INTERNA 82
4.6 REVISÃO PELA GESTÃO 86
5
6
INTRODUÇÃO
E OBJECTIVOS

COMO UTILIZAR ESTE GUIA

ABREVIATURAS

DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

7
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

O presente guia interpretativo tem como finalidade partilhar a perspectiva e


experiência da APCER na actividade de certificação de sistemas de gestão da
segurança e saúde do trabalho de acordo com a norma OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008.

A APCER desenvolve esta actividade desde 2002, inicialmente com as versões


OHSAS 18001:1999 | NP 4397:2001, num conjunto alargado de organizações
nos vários sectores económicos, primário, industrial, comércio e serviços e em
grandes, médias e pequenas organizações públicas ou privadas.

Atendendo a que a norma NP 4397:2008 é uma tradução da norma


OHSAS 18001:2007, a APCER emite os seus certificados mencionando ambos
os referenciais, para que as organizações certificadas vejam o seu certificado
reconhecido a nível nacional e internacional.

Este guia tem como objectivo

Providenciar uma base de entendimento comum e partilhada entre a


APCER e as partes interessadas, da nossa perspectiva sobre a norma
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 como referencial de certificação.

Comunicar a experiência da APCER na certificação segundo este referencial,


informando sobre as não conformidades mais frequentes e exemplos
práticos.

Comunicar as expectativas da APCER no processo de avaliação do sistema e


na procura de evidências.

Informar sobre aspectos relevantes do processo de certificação e normas


relacionadas.

Este guia não define orientações sobre a forma de implementação de um sistema


de gestão da segurança e saúde do trabalho. Esse objectivo é assegurado em
parte pelas linhas de orientação definidas na norma OHSAS 18002 | NP 4410.
A norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 é aplicável a qualquer Organização
permitindo que o cumprimento dos requisitos possa ser assegurado mediante a
adopção de diferentes soluções adequadas às organizações. A competência da
APCER, enquanto organismo de certificação, não é decidir qual a melhor solução,
mas avaliar se as práticas observadas na Organização são eficazes para cumprir os
seus objectivos e assegurar o cumprimento dos requisitos normativos. Enquanto
certificadores e auditores de terceira parte é fundamental, para o exercício credível
da nossa actividade, mantermos a independência, a imparcialidade e a abertura de
espírito, que nos permita avaliar cada sistema da segurança e saúde do trabalho no
contexto específico da Organização.

De modo a constituir uma visão partilhada, este guia foi elaborado e revisto por
um conjunto alargado de pessoas, abrangendo colaboradores internos e auditores
da APCER, que lidam regularmente com processos de análise, auditoria e decisão
de certificação segundo a norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008.
8
01
INTRODUÇÃO E OBJECTIVOS

COMO UTILIZAR ESTE GUIA | ABREVIATURAS | DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

As não conformidades identificadas correspondem a um levantamento


exaustivo das situações mais frequentes detectadas em processos de certificação
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008, tendo sido retiradas todas as referências que
pudessem pôr em causa a confidencialidade dos processos de certificação.

COMO UTILIZAR ESTE GUIA

Este guia é constituído por duas partes (A e B), sendo na parte A feito um
enquadramento, a título informativo, das OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008, face
a outras normas e respectivo processo de certificação

A interpretação da norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 é apresentada na


Parte B deste Guia.

Em relação à Introdução e às secções 1, 2 e 3 das OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008


é feita uma breve explicação sob a informação nelas contida e o modo como se
articulam com a secção 4.

A interpretação centra-se na secção 4 da norma, “Requisitos do Sistema de Gestão


da Segurança e Saúde do Trabalho”, que é utilizada em auditoria para avaliar
o sistema de gestão. A interpretação é feita por subsecção, tendo sempre em
perspectiva que uma abordagem sistemática implica a existência de inter-relações
entre subsecções, pelo que a interpretação de uma subsecção não pode ser efectuada
isoladamente. A interpretação divide-se em quatro aspectos fundamentais:

Finalidade – Qual o propósito que a subsecção visa alcançar.

Interpretação – A interpretação da APCER, definida na perspectiva da avaliação


e certificação de sistemas de gestão. Esta interpretação pode ser suportada em
exemplos, quando oportunos e complementada com recomendações. Os exemplos
e recomendações não são vinculativos, pretendendo apenas referir eventuais boas
práticas ou outras situações relevantes.

Evidências – Requeridas, necessárias ou expectáveis da implementação, realização,


actualização e controlo das actividades/processos associados ao cumprimento
dos requisitos em análise, segundo as metodologias de auditoria definidas na
NP EN ISO 19011:2003.

Não conformidades mais frequentes – Situações constatadas com maior frequência


em auditoria. Para efeitos de generalização e salvaguarda da confidencialidade
foram feitas adaptações.

9
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

ABREVIATURAS
EA – Equipa auditora
EMM – Equipamento(s) de medição e monitorização
EPC – Equipamento de Protecção Colectiva
EPI – Equipamento de Protecção Individual
ILO – International Labour Organization
ISO – International Organization for Standardization
OHSAS – Occupational Health and Safety Assessment Series
PDCA – Planear-Executar-Verificar-Actuar (Plan-Do-Check-Act)
RIA – Rede de Incêndio Armada
SGSST – Sistema de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho
SST – Segurança e Saúde do Trabalho

DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
Para a elaboração do presente guia foram consultados os seguintes documentos:

NP EN ISO 9000:2005 – Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos


e vocabulário;

NP 4397:2008 – Sistemas de gestão da segurança e saúde do trabalho –


Requisitos;

OHSAS 18001:2007 – Occupational health and safety management systems


– Requirements;
OHSAS 18002:2008 – Occupational health and safety management systems
– Guidelines for the implementation of OHSAS 18001:2007;

Guia Interpretativo NP EN ISO 9001:2000 da APCER;

Guia Interpretativo NP EN ISO 14001:2004 da APCER;

NP EN ISO 19011:2003 – Linhas de orientação para auditorias a sistemas


de gestão da qualidade e/ou de gestão ambiental.

10
“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente.
Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.”
Aristóteles

11
12
PARTE A
A NORMA OHSAS
18001:2007 | NP 4397:2008
ENQUADRAMENTO E
INFORMAÇÕES GERAIS

A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA


E SAÚDE DO TRABALHO

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA NORMA OHSAS 18001:2007 |


NP 4397:2008

A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E OUTROS REFERENCIAIS

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008


COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO

A CERTIFICAÇÃO OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008


E A CONFORMIDADE LEGAL

13
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA


E SAÚDE DO TRABALHO
A norma OHSAS 18001 é elaborada pelo OHSAS Project Group, uma associação
internacional de organismos de normalização nacionais, organismos de certificação,
organismos de acreditação, institutos de segurança e saúde, associações industriais,
consultores e agências governamentais.
A norma OHSAS 18001 foi inicialmente publicada em 1999, tendo sido sujeita em
2005 a uma revisão sistemática de modo a determinar a necessidade de rever o
referencial. A revisão sistemática concluiu que a norma deveria ser revista, para
estar perfeitamente alinhada com a ISO 14001:2004, tendo os trabalhos respectivos
originado a 2ª edição, a norma OHSAS 18001:2007.
Em 2000 foi publicada a norma OHSAS 18002, com o intuito de fornecer orientações
para a implementação de um SGSST de acordo com a norma OHSAS 18001. Esta
norma foi revista em 2008 para acompanhar a revisão de 2007 da OHSAS 18001.
A família de normas OHSAS é aplicável à gestão da segurança e saúde do trabalho,
isto é, ao modo como uma Organização controla os seus riscos da SST e melhora o
seu desempenho em matéria de SST.
Em Portugal, o Instituto Português da Qualidade (IPQ) é o Organismo Nacional de
Normalização (ONN), coordenando a actividade de normalização. A normalização
pode ser desenvolvida com a colaboração de Organismos de Normalização Sectorial
(ONS), reconhecidos pelo IPQ para o efeito.
No domínio da segurança e saúde dos trabalhadores, a CERTITECNA é o Organismo
de Normalização Sectorial (ONS), constituindo a interface entre as Comissões
Técnicas (CT) e o IPQ.
A CT 42 (Comissão Técnica – Segurança e Saúde do Trabalhador) abrange diversas
áreas nomeadamente os SGSST, os equipamentos de protecção individual,
a exposição nos locais de trabalho e a ergonomia. A CT 42 está organizada em
quatro subcomissões, indicadas no quadro abaixo:

CT 42 – Subcomissões

SC 1 Equipamentos de protecção individual

SC 2 Exposição ocupacional

SC 3 Ergonomia

SC 4 Sistemas de gestão

A SC 4 (Subcomissão de sistemas de gestão) da CT 42 foi criada em 2000 para


produzir o conjunto de normas portuguesas relativas aos SGSST. Este objectivo
foi conseguido através da tradução e adaptação das normas OHSAS 18001 e
OHSAS 18002 tendo em conta as necessidades sentidas e manifestadas por diversos
sectores de actividade e o consenso técnico gerado na própria subcomissão.
A SC 4 produziu as normas NP 4397 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde
do Trabalho – Requisitos) e NP 4410 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do
14 Trabalho – Linhas de orientação para a implementação da norma NP 4397).
02
ENQUADRAMENTO E INFORMAÇÕES GERAIS
A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO | PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA
NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 | A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E
OUTROS REFERENCIAIS | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO | A CERTIFICAÇÃO
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL

As normas OHSAS 18001 | NP 4397 e OHSAS 18002 | NP 4410 são normas genéricas
de sistemas de gestão, o que significa que são aplicáveis a organizações de todo o
tipo e dimensão, quaisquer que sejam os seus produtos e sectores de actividade e
em qualquer ponto do globo.

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA NORMA OHSAS 18001:2007


| NP 4397:2008
Tal como mencionado, a norma OHSAS 18001, inicialmente publicada em 1999,
foi revista no sentido de a alinhar com a ISO 14001:2004. Após a publicação da
OHSAS 18001:2007, iniciaram-se os trabalhos de revisão da NP 4397:2001, que
resultaram na publicação da NP 4397:2008.

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 tem um enfoque no esclarecimento da


primeira edição e teve em consideração os requisitos das normas ISO 9001,
ISO 14001 e do documento Linhas de Orientação ILO-OHS (Organização
Internacional do Trabalho), bem como de outras normas e publicações sobre SGSST
para aumentar a compatibilidade destas normas em benefício dos utilizadores.

As principais alterações contempladas na nova edição da OHSAS


18001:2007 | NP 4397:2008 são as seguintes:

Atribuição de maior importância à componente “saúde dos


trabalhadores”.

Melhoria significativa do alinhamento com a norma ISO 14001 em toda a


sua extensão e compatibilidade melhorada com a norma ISO 9001.

Inclusão de novas definições e revisão de algumas definições existentes.


Por exemplo, o termo “risco tolerável” foi substituído pelo termo “risco
aceitável” (ver 3.1) e o termo “acidente” foi incluído no termo “incidente”
(ver 3.9). A definição do termo “perigo” deixou de se referir aos “danos
à propriedade ou aos danos ao ambiente do local de trabalho” (ver 3.6),
referindo-se aos “danos” em termos de lesões ou ferimentos para o corpo
humano ou danos para a saúde, ou uma combinação destes.

As subsecções 4.3.3 e 4.3.4 foram fundidas, tal como na norma


ISO 14001:2004, existindo agora uma subsecção única intitulada Objectivos
e Programa(s) (4.3.3).

Introdução de um novo requisito para a consideração da hierarquia dos


controlos como parte do planeamento de SST (4.3.1).

Referência à gestão da mudança que é agora mais explicitamente


mencionada, sendo necessário que a Organização identifique os perigos
e riscos associados às alterações na Organização, no SGSST ou nas
suas actividades, previamente à introdução de tais alterações (4.3.1).
Na determinação das operações e actividades associadas aos perigos
identificados, onde são necessários controlos para a gestão dos riscos da
SST, deve ser considerada a gestão da mudança (4.4.6). 15
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Inclusão da sensibilização face às consequências do comportamento de


quem trabalha sob o controlo da Organização (4.4.2).

Consideração de diferentes níveis de alfabetização e competência linguística


nos procedimentos de formação (4.4.2).

Introdução de novos requisitos para a comunicação (4.4.3.1), como a


necessidade de responder a comunicações relevantes de partes interessadas
externas e novos requisitos para a participação e consulta (4.4.3.2), tal como
a necessidade de assegurar, quando apropriado, que as partes interessadas
externas relevantes são consultadas relativamente a matérias de SST
pertinentes.

Introdução de novos requisitos na subsecção de preparação e resposta


a emergências (4.4.7), nomeadamente a necessidade da Organização,
aquando do planeamento da sua resposta a emergências, considerar as
necessidades e expectativas de partes interessadas relevantes, como os
serviços de emergência e vizinhança.

Introdução duma nova subsecção de “avaliação da conformidade” (4.5.2)


com o objectivo de verificar se todos os requisitos legais e outros requisitos
aplicáveis estão a ser cumpridos de modo sistemático, segundo uma
metodologia definida pela própria Organização.

Introdução de novos requisitos relativos à investigação de incidentes,


nomeadamente a identificação de oportunidades que conduzam à melhoria
contínua e a comunicação dos resultados de tais investigações (4.5.3.1).

A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410


A OHSAS 18002 | NP 4410 tem como finalidade apoiar as organizações que
pretendem implementar ou melhorar um SGSST e consequentemente melhorar o
seu desempenho da SST. A norma contém exemplos, descrições e opções que ajudam
a Organização a implementar e melhorar o SGSST e não pretende interpretar os
requisitos da OHSAS 18001 | NP 4397. Como tal, as suas orientações não são critérios
de auditoria em processos de certificação.

A APCER recomenda a sua análise e eventual adopção, contudo, a Organização


é livre de utilizar estes ou outros documentos de referência ou estabelecer o seu
próprio caminho.

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E OUTROS REFERENCIAIS


O processo de revisão da OHSAS 18001, conducente à versão de 2007,
teve como objectivos a clarificação e a melhoria da compatibilidade com a
NP EN ISO 14001:2004. Ambos os referenciais baseiam-se na metodologia PDCA
e são muitos os elementos comuns aos sistemas de gestão.

De acordo com as subcomissões da ISO relativas aos sistemas de gestão da qualidade


e ambiente (ISO/TC 176/SC 2 e a ISO/TC 207/SC 2), compatibilidade significa que as
16 organizações podem implementar de maneira partilhada elementos comuns aos
02
ENQUADRAMENTO E INFORMAÇÕES GERAIS
A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO | PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA
NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 | A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E
OUTROS REFERENCIAIS | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO | A CERTIFICAÇÃO
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL

referenciais, no todo ou em parte, sem duplicações desnecessárias ou imposição


de requisitos conflituosos. Compatibilidade não significa que o texto para os
elementos comuns das normas tenha de ser idêntico, embora o deva, sempre que
tal seja possível na prática. Também não representam conflitos à compatibilidade:
numeração diferente das cláusulas, diferentes modelos e estrutura e inclusão de
orientações, notas ou anexos.

São assim criadas condições para a existência de um sistema de gestão único


que integra as disposições relativas a cada uma das normas ou disposições de
outros subsistemas de gestão da Organização. Esta é livre de decidir sobre
a integração de sistemas e o nível de profundidade dessa integração. Um dos
benefícios mais óbvios da integração encontra-se ao nível da documentação que
não necessita de ser duplicada. Contudo, a integração é mais do que a simples
criação de um sistema documental comum, podendo reflectir-se, por exemplo, na
estrutura organizacional, na existência de procedimentos comuns ou na inclusão
de critérios de SST em processos associados à qualidade ou ambiente, como o
desenvolvimento de novos produtos, avaliação de fornecedores ou planos de
emergência, entre outros.

Para efeitos do presente guia foram também consideradas versões existentes


de guias interpretativos da APCER sobre a NP EN ISO 9001 e NP EN ISO 14001
de modo a assegurar, sempre que possível, a compatibilização entre os mesmos.

É reconhecida a necessidade dos utilizadores das normas poderem auditar dois


ou mais referenciais em conjunto, seja nos processos de auditoria interna, seja
nos processos de auditoria de terceira parte. A norma NP EN ISO 19011:2003
“Linhas de orientação para auditorias a sistemas de gestão da qualidade e/ou de
gestão ambiental” foi preparada em conjunto pelos Comités Técnicos ISO/TC 207
“Gestão Ambiental” e ISO/TC 176 “Gestão da Qualidade”.

A NP EN ISO 19011:2003 estabelece orientações sobre a gestão de programas de


auditoria, a condução de auditorias internas ou externas a sistemas de gestão
da qualidade e/ou ambiental, assim como as competências e avaliação dos
auditores. Apesar desta norma não mencionar especificamente os SGSST, a APCER
recomenda a utilização da mesma na programação e realização de auditorias
internas nas organizações que pretendem ir para além dos requisitos definidos
pela OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 na subsecção 4.5.5, com vista a melhorar
o processo de auditorias internas, aumentando a sua eficácia.

A APCER adopta a NP EN ISO 19011:2003 nos seus processos de certificação


de sistemas de gestão, permitindo a realização de auditorias conjuntas a
vários sistemas de gestão, desde que asseguradas as competências necessárias
para a sua realização. As auditorias aos SGSST segundo a OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008 pela APCER são disponibilizadas isoladamente ou combinadas
com outros referenciais.

17
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL


DE CERTIFICAÇÃO
A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 define na secção 4 os requisitos que podem
ser objectivamente auditados para efeitos de certificação, constituindo estes
os critérios de auditoria estabelecidos pela APCER, enquanto organismo de
certificação, em conjunto com a política, procedimentos e requisitos determinados
pela Organização como necessários para a implementação de um SGSST.

A certificação de SGSST, suportada na OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008,


constitui uma ferramenta essencial para as organizações que pretendem alcançar
uma confiança acrescida por parte dos colaboradores, clientes, comunidade
envolvente e sociedade, através da demonstração do compromisso voluntário
com a melhoria contínua da gestão e do desempenho da SST.

O processo de certificação envolve as seguintes etapas:

1. Pedido de Certificação;
2. Instrução do Processo;
3. Visita Prévia (Opcional);
4. Auditoria de Concessão – 1ª fase;
5. Auditoria de Concessão – 2ª fase;
6. Resposta da Organização – Plano de acções correctivas;
7. Análise do Relatório e Resposta;
8. Decisão de Certificação;
9. Manutenção da Certificação (Auditorias anuais de Acompanhamento
e Auditoria de Renovação ao fim de 3 anos).

A visita prévia é de carácter facultativo e destina-se a avaliar a adequabilidade


do SGSST e informar a Organização sobre o estado de preparação da mesma
para a auditoria de concessão. Esta avaliação é efectuada de acordo com as
metodologias de auditoria aplicáveis, sendo o seu resultado independente do
processo e decisão de certificação.

A auditoria de concessão de SGSST ocorre em duas fases.

Na 1ª fase é realizada uma auditoria ao sistema documental da Organização


e é verificada a adequabilidade do sistema à actividade da mesma. O enfoque
da auditoria de 1ª fase é a avaliação da capacidade do sistema criado em gerir
riscos da SST relacionados com os locais de trabalho da Organização e actividades
desenvolvidas, na confirmação do âmbito da auditoria e no levantamento da
legislação aplicável, sendo relevante uma visita aos locais de actividade.

A 2ª fase da auditoria de concessão decorre no(s) local(ais) de actividade da


Organização, sendo auditados todos os requisitos da norma de referência e
avaliado o modo como a Organização estabeleceu e implementou o SGSST.

Qualquer auditoria realizada pela APCER dá origem a um relatório que formaliza


as principais conclusões sobre o sistema de gestão da Organização auditada, em
particular sobre a implementação, conformidade face aos requisitos normativos e
ao âmbito de certificação, relatando eventuais não conformidades, oportunidades
18 de melhoria e áreas sensíveis.
02
ENQUADRAMENTO E INFORMAÇÕES GERAIS
A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO | PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA
NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 | A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E
OUTROS REFERENCIAIS | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO | A CERTIFICAÇÃO
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL

As não conformidades devem ser motivo de acções correctivas apropriadas por


parte da Organização auditada.

Após recepção do relatório de auditoria e do plano de acções correctivas elaborado


pela Organização auditada, a APCER procede à análise desses documentos.
Caso estejam reunidas as condições necessárias, a APCER emite o Certificado de
Conformidade (Concessões e Renovações), que tem uma validade de três anos.

Durante o período de validade do “Certificado de Conformidade”, a APCER


realiza auditorias de acompanhamento com periodicidade anual ao SGSST da
Organização certificada, com vista à verificação da manutenção das condições
que deram lugar à concessão do referido certificado.

Antes do final do ciclo de três anos é realizada uma auditoria de renovação


reiniciando novo ciclo de certificação.

As auditorias da APCER são realizadas por auditores qualificados, pertencentes


à Bolsa de Auditores da APCER e de acordo com as metodologias de auditoria
definidas na norma NP EN ISO 19011:2003.

Os principais benefícios da certificação de um SGSST relacionam-se com:

Redução de riscos de acidentes e de doenças profissionais;

Redução de custos (indemnizações, prémios de seguro, prejuízos resultantes


de acidentes, dias de trabalho perdidos);

Vantagens competitivas decorrentes de uma melhoria da imagem da


Organização e sua aceitação pela sociedade e pelo mercado;

Melhoria da satisfação e motivação dos trabalhadores pela promoção


e garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável;

Abrangência das actividades de prevenção a toda a Organização

Redução das taxas de absentismo;

Uma nova dinâmica de melhoria, nomeadamente através da avaliação


independente efectuada por auditores externos.

A CERTIFICAÇÃO OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008


E A CONFORMIDADE LEGAL
Uma das questões associadas à norma e ao seu processo de certificação é a
necessidade de cumprir a legislação e outros requisitos que a Organização
subscreva relativos aos seus perigos da SST.

Esta questão será tratada de forma individualizada neste ponto, atendendo


ao aparecimento de legislação cada vez mais restritiva, ao desenvolvimento de
políticas económicas e outras medidas que fomentam cada vez mais a promoção
das condições de segurança e saúde dos trabalhadores e ao crescimento
generalizado das expectativas das partes interessadas sobre questões sociais e de
desenvolvimento sustentável.
19
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Contudo, é importante salientar que a conformidade legal, apesar de ser uma


dimensão importante da norma, não é por si só uma finalidade e nunca é demais
relembrar que a legislação aplicável é de cumprimento obrigatório. Portanto,
não se coloca a questão se a Organização tem de cumprir a legislação aplicável,
mas sim se a exigência da evidência do seu cumprimento é um requisito da OHSAS
18001:2007 | NP 4397:2008 e o que deve ser exigido na sua certificação.

Não existindo, de facto, um requisito explícito de obrigatoriedade de cumprir


com toda a legislação aplicável, é necessário analisar a norma como um todo e
compreender as relações entre os diferentes requisitos.

A subsecção 4.2 c) requer que a gestão de topo defina e documente uma política
que inclua o “compromisso para, no mínimo, cumprir com os requisitos legais
aplicáveis e com outros requisitos que a Organização subscreva, que se relacionem
com os respectivos perigos da SST”. Este compromisso deve reflectir-se no seu
processo de planeamento (subsecção 4.3), deve ser implementado (subsecção
4.4), deve ser verificado (subsecção 4.5) e mantido através do SGSST. Deste modo,
a Organização deve:
Estabelecer, implementar e manter um procedimento para identificar
perigos, apreciar riscos e definir controlos (subsecção 4.3.1);

Estabelecer, implementar e manter um procedimento para identificar e ter


acesso aos requisitos legais aplicáveis (subsecção 4.3.2);

Estabelecer, implementar e manter objectivos da SST que sejam consistentes


com o compromisso de cumprir o estabelecido na política (subsecção
4.3.3). A conformidade deve ser considerada quando se estabelecem os
objectivos, embora estes não necessitem de incluir todos os requisitos de
conformidade;

Estabelecer, implementar e manter programas para alcançar os objectivos,


incluindo os que se relacionam com a conformidade com requisitos legais
(subsecção 4.3.3), desde que o objectivo não seja o de cumprir a legislação,
uma vez que, para a certificação a Organização tem de demonstrar que
cumpre os requisitos legais aplicáveis;

Consciencializar as pessoas que trabalham sob o controlo da Organização


relativamente aos procedimentos que lhes são aplicáveis, que incluem
eventuais procedimentos relacionados com o alcance da conformidade
estabelecidos no controlo operacional (subsecção 4.4.2). As pessoas que
executam tarefas com impacto na SST devem ser competentes, com base
na escolaridade, na formação ou na experiência. A Organização deve
identificar necessidades de formação associadas aos respectivos riscos
da SST e providenciar a formação ou outras acções que satisfaçam essas
necessidades. Na medida em que esse trabalho também envolve requisitos
legais, o treino e competência dessas pessoas deve abranger a capacidade
de satisfazer esses requisitos;

Estabelecer, implementar e manter procedimentos documentados para


controlar as situações onde a sua inexistência possa conduzir a desvios
20 no compromisso de cumprimento dos requisitos legais estabelecido na
02
ENQUADRAMENTO E INFORMAÇÕES GERAIS
A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO | PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA
NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 | A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E
OUTROS REFERENCIAIS | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO | A CERTIFICAÇÃO
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL

política e nos objectivos e metas relacionados (subsecção 4.4.6). Podem ser


necessários procedimentos para alcançar a conformidade com requisitos
legais que não foram explicitamente identificados nos objectivos e metas;

Estabelecer, implementar e manter procedimentos para monitorizar e


medir as características principais das suas operações, o que é uma parte
importante do controlo operacional e é, desta forma, importante para a
conformidade legal. As saídas da monitorização e medição (subsecção 4.5.1),
bem como de outras subsecções da norma, transformam-se em entradas
para a avaliação da conformidade (subsecção 4.5.2) e acções correctivas e
preventivas (subsecção 4.5.3);

Estabelecer, implementar e manter um procedimento para avaliar


periodicamente a conformidade com requisitos legais (subsecção 4.5.2.1).
Estes são os requisitos legais que foram identificados na secção 4.3.2.
Atendendo ao mencionado para a subsecção 4.4.2, é importante que o
elemento que faz a avaliação da conformidade legal na Organização
tenha competência, tanto em termos dos requisitos legais, como na sua
aplicação;

Estabelecer, implementar e manter um procedimento para gerir não


conformidades reais e potenciais e tomar acções correctivas e preventivas
(subsecção 4.5.3.2). As não conformidades detectadas que estejam associadas
a requisitos legais devem ser alvo de acções correctivas;

Estabelecer, implementar e manter um procedimento para realizar auditorias


periódicas ao sistema de gestão, que necessariamente incluem os elementos
do SGSST relacionados com a conformidade legal, nomeadamente uma
avaliação do compromisso de cumprimento dos requisitos legais aplicáveis
(subsecção 4.5.5);

Incluir os resultados das avaliações de conformidade (subsecção 4.5.2)


na sua revisão pela gestão, de forma a assegurar que a gestão de topo
toma conhecimento de incumprimentos legais potenciais ou reais e toma
medidas adequadas para ir ao encontro do compromisso da Organização
relativo ao cumprimento de requisitos legais (subsecção 4.6). Deve ainda
ser considerada na revisão pela gestão qualquer alteração de circunstância,
incluindo desenvolvimentos nos requisitos legais e outros requisitos
relacionados com a SST.
Tendo em consideração os requisitos acima descritos no seu conjunto, estes
implicam que uma Organização que implementa e certifica o seu SGSST de
acordo com a OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 deve identificar e gerir de modo
sistemático as suas obrigações de conformidade legal em consonância com o seu
compromisso de cumprimento. O sistema deve incluir os requisitos acima listados e
estar suportado por recursos adequados e responsabilidades definidas (subsecção
4.4.1), estar documentado (subsecções 4.4.4 e 4.4.5), medido/monitorizado,
avaliado e auditado (subsecções 4.5.1, 4.5.2 e 4.5.5) e estar suportado em registos
suficientes para demonstrar a conformidade com esses requisitos (subsecção
4.5.4). O compromisso de cumprimento é reforçado pelo requisito da gestão de
topo rever periodicamente a adequação e eficácia do SGSST (subsecção 4.6). 21
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Uma vez esclarecida a questão da conformidade legal na OHSAS 18001:2007 |


NP 4397:2008 pode ainda subsistir a questão: “Para efeitos de certificação este
compromisso pode ser evidenciado através de objectivos e metas associados
ao seu cumprimento?” A resposta a esta questão é não. Para ser tomada uma
decisão de certificação a Organização necessita de demonstrar a conformidade
legal com os requisitos relacionados com a SST, evidenciando assim a capacidade
e eficácia do sistema em cumprir a sua política. A conformidade com os requisitos
legais aplicáveis deve ser evidenciada não só para efeitos de certificação, como
também para efeitos de manutenção de certificação, durante as auditorias de
acompanhamento e renovação.

Como referido na interpretação atrás citada, esta exigência não significa que
uma Organização certificada cumpra a legislação continuamente. Pontualmente,
podem ocorrer desvios, prevendo a própria norma que sejam identificadas
não conformidades e desencadeadas acções correctivas, que devem estar
implementadas para a tomada de decisão relativamente à certificação.

Podem também existir situações de interpretação e/ou operacionalização do


cumprimento dos requisitos legais no contexto específico de uma determinada
Organização, que levam à necessidade de esclarecimentos com as autoridades
competentes. Com menos frequência, existem situações de alteração ou
introdução de diplomas legais para as quais ainda não é dada resposta pelas
autoridades, como por exemplo, mudança da entidade licenciadora, não tendo a
nova entidade responsável implementado o processo.

Estas questões são inerentes ao cumprimento da legislação e fazem parte dos


assuntos que a Organização tem de gerir e interessa à APCER avaliar o modo
como a Organização os identifica e ultrapassa. Por outro lado, é necessário ter em
consideração que a auditoria é um processo de valor acrescentado, não sendo por
isso relevante identificar todas as situações de não conformidade legal, mas sim
avaliar a forma como a Organização responde ao compromisso de cumprimento
dos requisitos legais em matéria de SST, identifica situações de não conformidade
ou de potencial não conformidade relativamente aos requisitos legais aplicáveis
e utiliza o seu poder de influência (por exemplo, ao nível da actuação junto dos
seus fornecedores).

É de salientar que a auditoria é sempre um processo de amostragem. É realizada


num determinado momento, pode não abranger todos os locais e podem ocorrer
situações em que a conformidade com todos os requisitos legais não seja passível
de ser avaliada durante o tempo previsto para a auditoria. Tal como requerido
pela norma, cabe à Organização avaliar a conformidade com os requisitos, sendo
o modo como a Organização dá cumprimento à avaliação da conformidade e os
resultados dessa avaliação analisados e auditados pela APCER.

Como referimos anteriormente, as constatações associadas ao incumprimento


de requisitos legais podem ser causadas pelo incumprimento das seguintes
subsecções:
Assumir o compromisso de cumprimento dos requisitos legais aplicáveis e
de outros requisitos que a Organização subscreva relativos aos seus perigos
22 da SST, pela Política da SST (subsecção 4.2 c);
02
ENQUADRAMENTO E INFORMAÇÕES GERAIS
A NORMALIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO | PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DA
NORMA OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 | A NORMA OHSAS 18002 | NP 4410 | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E
OUTROS REFERENCIAIS | A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 COMO REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO | A CERTIFICAÇÃO
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 E A CONFORMIDADE LEGAL

Identificar e ter acesso aos requisitos legais e a outros requisitos da SST


aplicáveis (subsecção 4.3.2);

Definir objectivos e programa(s) (subsecção 4.3.3);

Assegurar o treino e a competência das pessoas que trabalham sob o


controlo da Organização e que tenham influência no cumprimento dos
requisitos legais (subsecção 4.4.2);

Assegurar a gestão rotineira e monitorização das obrigações legais


(subsecção 4.4.6 e subsecção 4.5.1);

Avaliar a conformidade (subsecção 4.5.2);

Estabelecer acções correctivas e preventivas (subsecção 4.5.3);

Realizar Auditorias Internas (subsecção 4.5.5);

Efectuar a revisão pela gestão (subsecção 4.6).

Não obstante, a consequência última é uma falha no compromisso de cumprir


a legislação ou outros requisitos que a Organização tenha subscrito. Deste
modo, as constatações associadas a incumprimentos de requisitos legais são
frequentemente alocadas à subsecção 4.2 (Política da SST).

Assim, nos seus processos de certificação, a APCER avalia a conformidade


legal no sentido de determinar a capacidade da Organização para assegurar
o compromisso de cumprimento da legislação aplicável, através do sistema de
gestão que implementou de acordo com a norma de referência. Esta avaliação é
feita pela APCER com rigor, de acordo com metodologias de auditoria definidas,
sendo efectuada no contexto específico de cada Organização e assegurando
sempre a aplicação de critérios homogéneos de decisão.

Não se pretende sobrepor ou substituir as funções das autoridades competentes,


sendo a finalidade da APCER assegurar a credibilidade da certificação,
salvaguardando a confidencialidade e promovendo a melhoria do desempenho
da SST das organizações. Deste modo, pretendemos reforçar a vantagem da
certificação na garantia da prossecução dos objectivos traçados pela Organização
que tomou a decisão de implementar um SGSST.

23
24
PARTE B
OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO

OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO

REFERÊNCIAS NORMATIVAS

TERMOS E DEFINIÇÕES

REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

25
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

INTRODUÇÃO
No texto da Introdução da OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 podemos encontrar:

A finalidade e objectivos da norma, enquadrados no contexto das


preocupações em matéria de SST das organizações;

Apresentação global da abordagem de construção da norma, orientada


para a melhoria contínua e suportada na metodologia PDCA;

Reforço da compatibilidade com a NP EN ISO 9001:2008, NP EN ISO 14001:2004


e a integração do SGSST no sistema global de gestão da Organização, na
sequência da clarificação da 1.ª edição desta norma;
Esclarecimento que o SGSST, de acordo com a norma OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008, deve ser considerado parte integrante do sistema geral de
gestão da Organização e inclui a estrutura funcional, o planeamento da
actividade, a definição de responsabilidades e autoridades, os procedimentos
e recursos necessários à implementação, manutenção, desenvolvimento
e revisão do seu desempenho da SST, de modo contínuo. Assim, o SGSST
permite à Organização compreender e controlar os riscos da SST, de uma
forma sistemática e contínua;

Reforço do compromisso de todos os níveis e funções, com enfoque na


gestão de topo para alcançar o sucesso do sistema;

Esclarecimento que não sendo uma norma de desempenho, os desempenhos


implícitos no compromisso de cumprir a legislação ou outros requisitos que
a Organização subscreva devem ser alcançados, bem como de prevenção de
lesões e de afectações de saúde e de melhoria contínua;

Esclarecimento que diferentes organizações com diferentes necessidades


responderão a esta norma com diferentes níveis de detalhe, complexidade,
documentação e recursos.

A leitura deste resumo não substitui a leitura integral do texto. Para os novos
utilizadores, ou para aqueles que apenas estavam familiarizados com a versão
anterior, a sua leitura pode ser muito útil, antes de avançar directamente para a
secção 4 que estabelece os requisitos a cumprir, pois facilita o entendimento da
norma e a sua interpretação.

1. OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO


O texto constante na norma é explícito e não necessita qualquer interpretação
adicional, apenas um esclarecimento relativo à não definição de critérios
específicos de desempenho da SST, em consonância com o texto da Introdução
da norma.

A implementação, o estabelecimento, a manutenção e a melhoria de um SGSST de


acordo com esta norma, requer o cumprimento da legislação em vigor aplicável,
que por sua vez determina padrões mínimos de desempenho da SST aplicáveis
às organizações (ver parte A “A certificação OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 e
26
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

a Conformidade Legal”). Deste modo, embora não sejam especificados níveis de


desempenho da SST, a sua adopção implica um nível mínimo de desempenho da
SST associado ao cumprimento legal e/ou de outros requisitos que a Organização
subscreva.

Por outro lado, não nos podemos esquecer que a norma tem como finalidade
a melhoria contínua do SGSST, tal como referido em 4.1: “A Organização deve
estabelecer, documentar, implementar, manter e melhorar continuamente um
sistema de gestão da SST”. A melhoria contínua, tal como definida em 3.3, é
o “processo recorrente para aperfeiçoamento do SGSST, de forma a atingir
melhorias no desempenho global da SST, de acordo com a respectiva política da
SST da Organização”, definindo desempenho da SST (3.15) como os “resultados
mensuráveis da gestão do risco da SST de uma Organização”.

Daqui resulta que existem critérios implícitos a serem determinados pela


Organização face ao cumprimento da legislação aplicável e à melhoria do SGSST
da Organização.

2. REFERÊNCIAS NORMATIVAS

O texto constante na norma é explícito e não necessita qualquer interpretação


adicional. Este ponto foi inluído no guia para manter a numeração idêntica à da
norma.

3. TERMOS E DEFINIÇÕES

Os termos e definições estabelecidos são normativos. Os requisitos da norma


que são utilizados enquanto critérios de auditoria são os definidos na secção
4. Contudo, quando os termos definidos na secção 3 são utilizados ao longo da
secção 4, são usados no sentido e com o significado que foi estabelecido nesta
secção e não com o significado que poderia ser eventualmente atribuído em
linguagem comum. A compreensão e entendimento dos termos aqui definidos e
consequente utilização dos mesmos no SGSST são fundamentais para a correcta
interpretação dos requisitos explícitos na secção 4.

Em particular alertamos para a leitura cuidada das notas que acompanham


algumas das definições, quer porque constituem parte integrante da definição,
quer pela sua relevância.

4. REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST


4.1 REQUISITOS GERAIS
Finalidade

Assegurar que a Organização estabelece, documenta, implementa, mantém e


melhora continuamente o SGSST de acordo com a norma de referência e define
o modo como cumpre os requisitos. Assegurar que a Organização define e
documenta o âmbito do seu SGSST.
27
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Interpretação:

Esta subsecção faz o enquadramento de todos os requisitos definidos na norma,


requerendo:

A aplicação de todos os requisitos da norma ao âmbito definido, em


qualquer das fases de aplicação da mesma, ou seja quando se estabelece,
documenta, implementa, mantém ou actualiza o SGSST, não havendo
requisitos passíveis de exclusão.

A definição documentada do âmbito de aplicação do SGSST, especificando


os locais, as actividades, os produtos, os serviços e os processos definidos
pela Organização e respectivas fronteiras e interacções.

O SGSST da Organização deve assumir uma abordagem do tipo PDCA de


modo a que todos os perigos da SST sejam identificados continuamente, os
respectivos riscos apreciados e definidos os controlos necessários, tendo em vista
a melhoria contínua do SGSST para atingir melhorias do desempenho da SST da
Organização.

O sistema permite à Organização estabelecer uma política da SST, definir


objectivos e processos para atingir os compromissos da política, desenvolver
as acções necessárias para melhorar o respectivo desempenho e demonstrar a
conformidade do sistema com os requisitos da norma, promovendo boas práticas
de SST em equilíbrio com as necessidades sócio-económicas.

INÍCIO POLÍTICA DA SST (4.2)

PLANEAMENTO (4.3)
Identificação dos perigos, apreciação
REVISÃO PELA GESTÃO (4.6) do risco e definição de controlos
Requisitos legais e outros requisitos
MELHORIA Objectivos e programa(s)
CONTÍNUA

IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO (4.4)


VERIFICAÇÃO (4.5)
Monitorização e medição de desempenho Recursos, funções, responsabilidades,
responsabilização e autoridade
Avaliação da conformidade
Investigação de incidentes, Competência, formação e sensibilização
não conformidades, acções correctivas Comunicação, participação e consulta
e acções preventivas Documentação
Auditoria interna Controlo dos documentos
Controlo operacional
Preparação e resposta a emergências

28
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Relativamente à aplicação dos requisitos normativos, convém relembrar que,


na secção 1 “Objectivo e campo de aplicação”, a norma refere que todos os
seus requisitos devem ser incorporados no SGSST, mas que o grau de aplicação
depende de diversos factores, tais como a política da SST, a natureza das suas
actividades e dos perigos e a complexidade das suas operações. É por isso
expectável, e a nossa experiência também o demonstra, que a importância e a
forma de aplicação de determinados requisitos não seja uniforme em todas as
organizações, independentemente de todos serem aplicáveis. A implementação
de um SGSST e sua certificação são processos voluntários, no entanto, uma
vez adoptados e desenvolvidos internamente, os requisitos normativos são de
cumprimento obrigatório.

O âmbito de aplicação do SGSST deve identificar os locais, actividades, produtos


e serviços, que dão origem aos perigos da SST, cujos respectivos riscos vão ser
geridos pelo SGSST.

Uma vez definido o âmbito, tudo o que foi incluído deve ser gerido no SGSST. Tal
implica que os requisitos estabelecidos pela OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008
e as disposições estabelecidas pela Organização no seu SGSST para a gestão dos
riscos da SST têm de ser cumpridos.

Existe flexibilidade na definição das fronteiras do sistema, podendo a Organização


aplicar a norma à globalidade dos seus locais, actividades, processos, produtos/
serviços, ou apenas a uma parte destas, como seja uma unidade operacional
ou um determinado local. Esta flexibilidade permite à Organização estabelecer
diferentes estratégias na adopção de SGSST, tais como o faseamento da sua
aplicação a toda a Organização, ou a descentralização por unidades operacionais,
de negócio, ou outras.

A definição do âmbito e delimitação das suas fronteiras é particularmente


importante quando a Organização que implementa o SGSST se integra numa
Organização maior. A credibilidade do SGSST depende do âmbito definido,
devendo a mesma ser capaz de justificar eventuais exclusões.

A DEFINIÇÃO DO ÂMBITO E A CERTIFICAÇÃO

A definição do âmbito tem implicações importantes ao nível da certificação,


quer porque constará do certificado de conformidade, quer porque
pode colocar restrições na utilização da marca de certificação, quando a
Organização não se certifica na globalidade. Por outro lado, embora a
norma permita flexibilidade na definição do âmbito, nem todos os âmbitos
são aceitáveis pela APCER.

1. a definição do âmbito
As regras estabelecidas pela APCER para a definição do âmbito do SGSST a
certificar ou certificado, têm como finalidade assegurar que as organizações
têm suficiente flexibilidade para delimitar o âmbito de aplicação do SGSST,
de modo a ir ao encontro das suas necessidades e adaptando-se a diferentes
29
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

situações operacionais. Contudo, visam impedir que uma Organização


omita elementos das suas operações e locais onde são realizadas actividades
que devam estar incluídos no âmbito e que possam induzir interpretações
enganosas sobre a abrangência do certificado. Paralelamente, quando o
âmbito não inclui todas as actividades, produtos, processos ou locais da
Organização são estabelecidas regras para o uso da marca que previnem o
uso enganoso ou abusivo do estatuto de empresa certificada. Pelo impacto
que podem ter na Organização que pretenda vir a certificar o seu sistema
ou já o tenha certificado, foi incluído este texto explicativo.

Sendo o âmbito normalmente definido pela Organização no início do


projecto de implementação do sistema e a certificação pedida já na fase
de conclusão da implementação, a APCER aconselha a leitura deste texto.
No caso de dúvida, pode sempre contactar a APCER para esclarecimentos
sobre a aceitabilidade, para efeitos de certificação do âmbito definido pela
Organização, em qualquer fase do projecto.

Os factores a usar para determinar o âmbito de certificação são:

a) Gestão das actividades abrangidas pelo âmbito.


A gestão da Organização deve:
Demonstrar a responsabilidade por todos os perigos da SST e respectivos
riscos, relevantes para o SGSST;

Ter autoridade para determinar o modo como a política da SST vai ser
implementada e mantida, estabelecendo os objectivos e definindo os
programas para os alcançar;

Ter autoridade para alocar os recursos financeiros e humanos para o


controlo e melhorias da SST. Tal autoridade pode estar delimitada por
restrições de orçamento ou outras. Recursos adicionais para a melhoria
da SST podem estar sujeitos a aprovação superior.
(b) Devem estar claramente definidos os limites e vizinhanças da
responsabilidade de entradas e saídas da Organização

(c) As interfaces com os serviços ou actividades que não estão completamente


abrangidas pelo âmbito (ex: cedência de pessoas para uma empresa
do mesmo grupo ou o recurso a instalações sociais, como balneários ou
cantina, comuns a várias organizações), devem ser contempladas no SGSST
sujeito a certificação (ex: devem estar incluídas na identificação de perigos e
apreciação do risco e consequentemente, se aplicável, ao nível do controlo
operacional, objectivos, etc.), devendo existir uma correspondência entre a
actividade e o espaço físico onde é exercida.

(d) Adicionalmente deve ser tido em consideração o âmbito das licenças


laborais ou imposições definidas por entidades locais quando se determina
a abrangência do âmbito.

30
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

2. Informação ao público e uso da marca empresa certificada OHSAS


18001:2007 | NP 4397:2008

Se o campo de aplicação definido é coerente e as vizinhanças estão definidas,


não induzindo interpretações ambíguas, reflectindo adequadamente os
locais, as actividades e os produtos/serviços efectivamente geridos pelo
SGSST, então é passível de ser certificado. Contudo, a informação sobre
o estatuto de empresa certificada OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 e
uso da marca respectiva, não pode ser directamente associada a toda a
Organização, caso o âmbito não abranja todas as actividades e todos os
locais (fixos e temporários).

Ex: A Organização certificou todos os locais de actividade no continente, não


tendo sido abrangidos os locais existentes na Madeira e Açores. Neste caso,
a Organização só pode usufruir do estatuto de empresa certificada e utilizar
a respectiva marca associada às actividades realizadas no Continente.
3. Alterações no âmbito

Finalmente, para as organizações que já estão certificadas, sempre que


há alterações nos produtos processos e/ou locais, as mesmas devem ser
prontamente comunicadas à APCER, uma vez que podem ter um impacto
directo na informação que está a ser transmitida ao público através do
certificado e do uso da marca.

Caso a Organização pretenda, pode realizar uma extensão ao âmbito de


certificação, para incluir novos locais, actividades ou produtos/serviços.
A auditoria de extensão pode ser realizada numa auditoria do ciclo normal
de auditorias ou numa auditoria extraordinária realizada para o efeito.

Exemplo 1

A Organização A é uma metalomecânica, tendo alugado nas suas instalações


um pavilhão à Organização B que efectua trabalhos de manutenção e
reparação de equipamentos nas suas próprias instalações e nas instalações
dos clientes e que presta serviços à Organização A.

Embora com accionistas comuns, as organizações são detidas por estruturas


accionistas diferentes, tendo direcções diferentes. Ambas possuem licenças
de operação distintas.

Para a Organização A se certificar deve incluir a actividade da Organização


B no âmbito do SGSST?

A Organização A opera num local onde existe uma empresa de manutenção,


pelo que existe o risco de ambiguidade quanto às actividades do sistema
certificado naquele local. Contudo, de acordo com o factor (a) gestão das
actividades, não é a Organização A que gere directamente os aspectos
associados à empresa de manutenção, tal como reflecte a diferente estrutura
accionista e diferentes direcções. As licenças da Organização, factor (d),
reiteram essa realidade. 31
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A Organização A para se certificar não necessita de o fazer em conjunto


com a Organização B. De notar que o factor (d), relativo às licenças das
organizações, foi determinante na aceitação desta solução.

Não obstante, a Organização A não pode ignorar que a Organização B


opera dentro das suas instalações, é sua fornecedora e tem accionistas
comuns. De acordo com o factores (b) e (c) acima listados, a Organização
A deve delimitar, explicitar e documentar claramente a vizinhança das suas
responsabilidades e contemplar no seu SGSST as interfaces com a empresa
de manutenção, com particular enfoque nas actividades associadas ao 4.3,
4.4.6 e 4.4.7.

EvidênciaS

Âmbito adequadamente definido e documentado;

Sistema de gestão estabelecido, documentado, implementado, mantido e


actualizado de acordo com a globalidade dos requisitos desta norma e de
acordo com o âmbito estabelecido.

Não conformidades mais frequentes


As questões relativas ao âmbito de aplicação são normalmente identificadas em
fases anteriores ao processo de auditoria ou na 1ª fase da auditoria, não sendo
geralmente objecto de não conformidade.

Em organizações certificadas, as não conformidades detectadas incidem sobre


alterações ocorridas na Organização ou utilizações indevidas da marca de
empresa certificada a locais, actividades ou produtos/serviços não abrangidos no
âmbito. Estas situações podem determinar a suspensão do certificado.

Exemplo 2

Uma Organização no sector da construção, já certificada, incluiu no âmbito


do SGSST as instalações centrais e todos os seus locais de actividade, incluindo
locais permanentes e locais temporários, ou seja, locais onde está a efectuar
obras de construção. Na delimitação do seu âmbito excluiu locais onde a
Organização actua através de outra entidade jurídica, como por exemplo
ACE (Agrupamento Complementar de Empresas) e consórcios.

NC – Na Internet, a Organização disponibiliza informação como a Política,


o Manual de Gestão, a Organização, os locais onde exerce actividades, etc.
Na listagem de locais estão indicados alguns em que a Organização actua
através de um ACE e por conseguinte fora do âmbito de aplicação do SGSST,
não referenciados como tal.

NC – A Organização desenvolve actividades fora do território nacional,


conforme consta no Manual de Gestão e no seu “site” na Internet. No âmbito
da SST não consta qualquer limitação de ordem territorial; contudo, segundo
informação fornecida pelos próprios responsáveis, a Organização não tem
32 documentado e implementado o SGSST nos países estrangeiros onde opera.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

NC – Na análise de um caderno de encargos apresentado num concurso, em


que a Organização constitui um ACE, é feita referência ao estatuto de empresa
certificada, não explicitando que o SGSST não inclui as obras em ACE.
Nota:
Esta é uma situação em que a flexibilidade de delimitação do âmbito permite
a coexistência de diferentes soluções. Para além do caso citado neste exemplo,
há organizações que definem o seu âmbito, incluindo os consórcios ou ACE
em que, por via da negociação com os outros parceiros ou por via da posição
maioritária que detêm, conseguem impor a adopção do seu SGSST. Outras
organizações (nomeadamente organizações que se consorciam com outras
organizações certificadas) não conseguem impor a adopção do seu SGSST nas
obras em consórcio ou ACE, mas alternativamente, identificam os perigos e
fazem a apreciação dos respectivos riscos associados às suas actividades no ACE.
Esta última solução pode ser estrategicamente muito útil numa Organização que
execute muitas obras em consórcio com outras organizações, pois permite-lhe
evidenciar sempre o seu estatuto de Organização certificada.

Exemplo 3

NC – A Organização XPTO gere e explora diferentes instalações, propriedade


de outrem. O âmbito da certificação e do SGSST limita-se à sede da mesma.
O modelo de gestão da XPTO é descentralizado (os centros de exploração
têm independência, funcionando como unidades autónomas com avaliação
de desempenho suportada fundamentalmente nos resultados).
Verifica-se que nas propostas e em negociações para futuros contratos,
a XPTO se apresenta como certificada SST relativamente ao conjunto
das instalações operadas pela Organização, quando o SGSST não se
operacionaliza efectivamente às áreas operacionais.

4.2 POLÍTICA DA SST


Finalidade

Assegurar a definição da política da SST da Organização no âmbito do SGSST.


Garantir que a mesma é adequada à Organização, é comunicada a todas as pessoas
que trabalham sob seu controlo e é disponibilizada às partes interessadas.

Interpretação
A política da SST é a declaração da gestão de topo relativamente ao seu
compromisso com a SST e deve definir os princípios de desempenho da SST da
Organização, através dos quais o SGSST será avaliado. A política da SST deverá
possibilitar que as pessoas sob o controlo da Organização compreendam
o compromisso global com a SST e a forma como este pode afectar as suas
responsabilidades individuais.

33
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A responsabilidade pela definição e autorização da política da SST é da gestão


de topo. O seu envolvimento permanente e pró-activo no desenvolvimento e
implementação da política da SST é crucial.

A política da SST deve ser adequada à Organização, pelo que é necessário que
a mesma reflicta a sua natureza (tipo de sector) e a escala dos riscos da SST
associados aos locais de trabalho e actividades desenvolvidas. A política da SST
é única para cada Organização e, como tal, deve ser desenvolvida de modo a
preencher as necessidades da mesma.

A política da SST é uma ferramenta chave de comunicação das prioridades no


âmbito da SST da Organização aos trabalhadores, pessoas sob o controlo da
Organização e restantes partes interessadas. Deste modo, deve ser escrita de
uma forma clara e concisa, para permitir um fácil entendimento.

Cabe à Organização a definição de prioridades com base na apreciação do risco.


No entanto, as decisões que a mesma toma em sede de planeamento (4.3) devem
ser justificadas e suportadas ao nível da política.
O texto da norma é claro relativamente ao conteúdo da política da SST, contudo
importa referir que a mesma deve ser baseada em três compromissos chave, para
o âmbito do seu SGSST:
Melhoria contínua;

Prevenção de lesões e afectações da saúde;

Cumprimento de requisitos legais aplicáveis e outros requisitos que a


Organização subscreva.

MELHORIA

POLÍTICA DA SST
PREVENÇÃO

CUMPRIMENTO

Melhoria contínua:
A política da SST deve orientar a Organização para uma melhoria contínua do
SGSST e do desempenho da SST. Este compromisso não implica que em todas as
áreas se verifique simultaneamente uma melhoria contínua. A Organização deve
definir prioridades relativamente aos factores a melhorar.
Prevenção de lesões e afectações da saúde:
A Organização deve optar pelas técnicas e metodologias de trabalho que
previnam, evitem, reduzam ou controlem a ocorrência de lesões ou afectações
da saúde de forma satisfatória. A prevenção de lesões e afectações da saúde
deve ser considerada na concepção e desenvolvimento de novos produtos ou
serviços, na aquisição de novos equipamentos de trabalho e no desenvolvimento
34 de processos associados
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Cumprimento de requisitos legais aplicáveis e outros requisitos que a organização


subscreva:
Este compromisso não deve ser entendido como um objectivo em si, uma vez
que a finalidade da adopção de um SGSST é a melhoria do desempenho, sendo a
conformidade legal o patamar mínimo do desempenho da SST.

Para compreender a natureza deste compromisso e o seu papel na norma, a mesma


deve ser analisada nas suas inter-relações, pois a conformidade com a legislação
ou outros requisitos subscritos pela Organização é referida num conjunto
abrangente de requisitos. Essa inter-relação, bem como a sua importância no
processo de certificação, são explicadas na Parte A deste guia “A certificação
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 e a Conformidade Legal”.

A política da SST deve ser comunicada a todas as pessoas que trabalham sob controlo
da Organização e disponibilizada às partes interessadas, contribuindo para:

Demonstrar o compromisso da gestão de topo e da Organização para com


a SST;

Aumentar a sensibilização para os compromissos assumidos na política;

Explicar a razão pela qual o SGSST é implementado e mantido;

Orientar os indivíduos para a compreensão das suas responsabilidades em


matéria de SST.
Ao comunicar a política da SST é importante ter em conta a forma como se
sensibiliza tanto as pessoas que já trabalham sob o controlo da Organização,
como novas pessoas. A política pode ser comunicada de diversas formas, por
exemplo, através da sua afixação, da distribuição das regras base, ou de folhetos
à entrada das instalações. Ao seleccionar uma forma de comunicação, devem
ser considerados aspectos como a diversidade no local de trabalho, literacia,
domínio da língua, etc., de modo a assegurar a compreensão e sensibilização
para as obrigações individuais no âmbito da SST (OHSAS 18002:2008).

Relativamente à disponibilização da política da SST às partes interessadas, cabe


à Organização determinar a forma de o fazer podendo ser, por exemplo, através
da publicação no seu site na internet ou a pedido.

Atendendo à evolução da legislação, das expectativas da sociedade e ao próprio


processo de melhoria contínua inerente ao sistema de gestão, é inevitável que
surjam alterações em termos de SST, pelo que a política da SST deve ser revista
regularmente para assegurar a sua contínua relevância e adequabilidade à
Organização. Caso a política seja alterada, a nova versão deve ser comunicada a
todas as pessoas que trabalham sob o controlo da Organização.

EvidênciaS

Deve existir uma política da SST documentada de acordo com a norma de


referência (4.2 de a) a h));

As pessoas que trabalham sob o controlo da Organização (ex: trabalhadores


e contratados para trabalhos de limpeza, manutenção, obras, etc.) devem
35
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

evidenciar conhecimento da política da SST e a forma como a mesma lhes


é aplicável (Nota: evidenciar o conhecimento não é conhecer o texto da
política de cor, mas sim conhecer as orientações gerais definidas, com
particular enfoque nas que têm implicação na sua actividade);

Revisões e eventuais actualizações da política da SST, com vista à sua


contínua relevância e adequabilidade;

Através do controlo de documentos (4.4.5) deve evidenciar-se que a


política da SST se encontra aprovada e actualizada em todos os locais de
distribuição.

Não conformidades mais frequentes


A política da SST não evidencia o compromisso de melhoria contínua.
Evidência: documento da política, aprovado em 26-11-2008.

A política da SST encontra-se afixada em diferentes locais da Organização.


Contudo, no decorrer das entrevistas com os trabalhadores, a EA verificou
que os mesmos não estão familiarizados com a política da SST.

Não foi evidenciado que o médico do trabalho exerça a sua actividade no


local de trabalho durante as horas previstas na legislação.

Não foi evidenciado que os equipamentos de trabalho estejam em


concordância com as prescrições do Decreto-Lei n.º 50/2005.

Os exames médicos de admissão de 2008 evidenciados não contemplam


todos os trabalhadores admitidos nesse ano, como foi observado para dois
colaboradores admitidos em Maio e Setembro.

Nota:
As três últimas não conformidades são exemplos de não cumprimento
de requisitos legais. De acordo com o referido na Parte A “A certificação
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 e a Conformidade Legal”, apesar da
Conformidade Legal ser um requisito implícito associado a diversas subsecções
da norma, as constatações identificadas são frequentemente alocadas a
esta subsecção (4.2), sendo consideradas como uma falha no compromisso
de cumprimento dos requisitos legais e outros requisitos que a Organização
subscreva assumido na sua política da SST.

4.3 PLANEAMENTO

4.3.1 IDENTIFICAÇÃO DOS PERIGOS, APRECIAÇÃO DO


RISCO E DEFINIÇÃO DE CONTROLOS
Finalidade

Assegurar a existência de um ou mais procedimentos de identificação contínua


dos perigos e apreciação dos riscos da SST associados aos locais de trabalho e às
actividades da Organização e a definição dos respectivos controlos. Garantir que
36 esta informação é utilizada no estabelecimento e manutenção do seu SGSST.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Interpretação

Deve ser estabelecido, implementado e mantido um ou mais procedimentos que


defina(m) a metodologia utilizada para o processo de identificação dos perigos
em matéria de SST, apreciação do risco e determinação dos controlos que são
necessários para reduzir o risco de incidente ou afecção da saúde.

Tal como definido na subsecção 4.4.3.2 da norma de referência, os trabalhadores


devem ser envolvidos no processo de identificação de perigos, apreciação e
controlo de riscos.

O objectivo global do processo de apreciação dos riscos é o da Organização ser


capaz de reconhecer e compreender os perigos que possam surgir no decurso
das suas actividades ou que influenciem as mesmas, originados dentro ou fora
do local de trabalho, e garantir que os riscos para as pessoas, decorrentes dos
perigos identificados, são apreciados, hierarquizados e controlados para um
nível aceitável. O resultado da apreciação do risco deve permitir à Organização
desenvolver controlos para a eliminação, redução ou substituição dos perigos
associados e hierarquizar recursos para a gestão efectiva do risco. Todos os
resultados da identificação dos perigos, apreciação do risco e os controlos
definidos devem ser documentados e actualizados.

Desta forma, podem ser consideradas as seguintes fases para o processo de


gestão do risco:

a) Desenvolvimento da metodologia;
b) Identificação dos perigos;
c) Apreciação do risco;
d) Determinação dos controlos necessários;
e) Implementação dos controlos (ver 4.4.6);
f) Documentação (ver 4.4.4);
g) Monitorização (ver. 4.5.1);
h) Revisão.

DESENVOLVIMENTO IDENTIFICAÇÃO
DA METODOLOGIA DOS PERIGOS

MONITORIZAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO GESTÃO DA APRECIAÇÃO


E REVISÃO DE CONTROLOS MUDANÇA DOS RISCOS

DETERMINAÇÃO
DE CONTROLOS
37
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Desenvolvimento da metodologia:

Cabe à Organização escolher uma abordagem que seja adequada ao âmbito


da actividade, natureza, dimensão e momento de aplicação, e que satisfaça
as necessidades em termos de pormenor, complexidade, tempo, custo e
disponibilidade de dados fiáveis. Em conjunto, a abordagem escolhida deverá
resultar numa metodologia para a avaliação contínua de todas as actividades da
Organização em termos da SST.

A identificação dos perigos e apreciação dos riscos são processos proactivos


e contínuos, acontecendo sempre que surja uma nova actividade (mesmo que
temporária), alteração de layout das instalações, alteração de equipamento,
novos colaboradores em actividades com risco associado que anteriormente
eram desempenhadas por colaboradores experientes, novas matérias-primas,
etc. A metodologia definida deve fornecer a identificação, hierarquização
e documentação associada aos perigos, bem como a aplicação dos controlos
apropriados e a documentação associada.

Identificação dos perigos:

O objectivo da identificação de perigos é determinar proactivamente todas as


fontes, situações ou actos (ou uma combinação destes) decorrentes de uma ou mais
actividades da Organização, com potencial para causar lesão ou afecção da saúde.

Exemplos incluem:
Fontes (por exemplo, máquina com peças móveis acessíveis, emissões
gasosas contendo agentes químicos),

Situações (por exemplo, trabalho com electricidade, trabalho em altura), ou

Actos (por exemplo, limpeza de máquina com ar comprimido, levantamento


manual de cargas).
A identificação de perigos deve considerar os diferentes tipos de perigos em todas
as actividades (ou situações) da Organização, de rotina e esporádicas (periódicas,
ocasional, ou de emergência), incluindo todos os perigos com as características
físicas, químicas, biológicas e psicossociais. Para uma listagem de exemplos de
perigos, aconselha-se a consulta do anexo C da OHSAS 18002:2008.

A Organização deverá considerar as seguintes fontes de informação durante a


identificação dos perigos:
Requisitos legais e outros requisitos (ver 4.3.2);
Política da SST (ver 4.2);
Os registos de incidentes (ver 3.9 e 4.5.3.1) e de não conformidades (ver
4.5.3.2);
Resultados de auditorias ao SGSST (ver 4.5.5);
Contribuições dos trabalhadores e outras partes interessadas (ver 4.4.3);
Informações provenientes da consulta aos trabalhadores sobre SST
(ver 4.4.3);
Resultados dos exercícios de simulação de cenários de emergência
(ver 4.4.7);
38 Dados de monitorização do desempenho da SST (ver 4.5.1);
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Resultados das auditorias técnicas no âmbito da SST;


Avaliações de exposição profissional e da saúde;
Informações de outros sistemas de gestão (por exemplo, da qualidade
ou ambiental);
Informações sobre organizações similares (ex.: melhores práticas, perigos
típicos ou incidentes ocorridos);
Fichas de dados de segurança dos produtos utilizados;
Informações sobre o layout das instalações, processos e actividades da
Organização, incluindo, por exemplo, fluxogramas dos processos e operações
manuais, organização do trabalho, passagens pedonais e de veículos, locais
de armazenagem e manipulação de materiais perigosos, etc.

Quanto às actividades esporádicas, podem ser considerados os seguintes


exemplos:
Instalação de novos equipamentos;
Aquisição de novos produtos ou substâncias químicas;
Obras temporárias;
Manutenção não programada ou intervenções na sequência de avarias;
Arranque ou fecho de instalações ou equipamentos;
Situações de emergência;
Modificações temporárias nos processos;
Entre outros.
Atendendo à OHSAS 18002:2008, a identificação de perigos deve considerar
todas as pessoas que tenham acesso ao local de trabalho (por exemplo, clientes,
visitantes, prestadores de serviços contratados, bem como trabalhadores) e:
Os perigos decorrentes das suas actividades,
Os perigos decorrentes da utilização de produtos, infra-estruturas
ou serviços no local de trabalho,
O grau de familiaridade com o trabalho, e
O seu comportamento.
Atendendo à alínea c) da subsecção 4.3.1 da norma OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008, a Organização deve ter em conta factores humanos, tais como
capacidades, comportamentos e limitações, nos processos de identificação de
perigos, apreciação do risco e definição de controlos. Estes factores devem ser tidos
em conta sempre que existe uma interface humana, devendo ser consideradas
questões como a facilidade de utilização, os potenciais erros operacionais, stress no
operador e fadiga do utilizador de um dado equipamento com potencial de risco.

Relativamente à alínea d) da subsecção 4.3.1 da norma de referência, a


Organização deve identificar perigos com origem fora do local de trabalho e
com a capacidade para afectar adversamente a segurança e saúde das pessoas
no local de trabalho, sob o controlo da Organização, por exemplo, emissão de
gases tóxicos de uma fábrica vizinha. Neste caso, fala-se de perigos com origem
no exterior e sob a responsabilidade de terceiros.

A alínea e) da subsecção 4.3.1 da norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008,


menciona que a Organização deve identificar os perigos com origem na vizinhança
39
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

do local de trabalho associados a actividades sob o controlo da Organização. Este


requisito é relativo aos perigos que ocorrem durante o exercício de actividades
sob o controlo da Organização, mas fora dos limites do local de trabalho.
Por exemplo, perigo de derrocada na vizinhança aquando do rebentamento de
explosivos no âmbito da exploração de pedreiras.
Apreciação do risco:

Por definição (3.21) o risco é a combinação da probabilidade de ocorrência de um


acontecimento ou de exposição(ões) perigosos e da gravidade de lesões ou afecções
da saúde que possam ser causadas pelo acontecimento ou pela(s) exposição(ões). A
apreciação do risco (3.22) é o processo de gestão do risco resultante(s) de perigo(s)
identificado(s) , tendo em conta a adequabilidade dos controlos existentes, cujo
resultado é a decisão da aceitabilidade ou não do risco.

Na apreciação do risco é importante definir, sempre que possível, critérios objectivos


e mensuráveis, bem como adequados ao perigo respectivo e à Organização.

No decorrer da apreciação do risco, a Organização deverá ter em consideração:


As avaliações de exposição profissional e de saúde por indivíduo ou
categoria profissional,
O número de pessoas expostas ao perigo cujo risco é avaliado,
A frequência na realização das tarefas que expõem o trabalhador ao
perigo,
As avaliações do posto de trabalho,
Os registos de incidentes,
A análise de incidentes de organizações com a mesma actividade,
Entre outros.
Na utilização de metodologias de apreciação do risco com categorias descritivas,
para avaliar a gravidade e probabilidade associada a um determinado perigo, as
mesmas devem ser definidas de forma clara e objectiva para evitar subjetividades.
Por exemplo, devem evitar-se expressões como “muito provável” sem a respectiva
definição do intervalo de probabilidade.

A apreciação do risco pressupõe a qualificação dos riscos em aceitáveis ou não


aceitáveis e a sua hierarquização, de modo a permitir a decisão da Organização
relativamente à sua actuação, ou seja, a decisão de quais os riscos a eliminar,
reduzir ou controlar. De referir que um risco aceitável (ver 3.1), é um risco que
foi reduzido a um nível que pode ser tolerado pela Organização tomando em
atenção as suas obrigações legais e a própria política da SST.

A norma OHSAS 18002:2008 apresenta uma listagem exaustiva das entradas para
o processo de apreciação do risco no ponto 4.3.1.4.2.

Determinação dos controlos necessários:

De acordo com a norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008, a determinação


dos controlos tem como base o resultado da apreciação do risco e a respectiva
hierarquização de riscos resultante. Ao definir os controlos, ou ao considerar
alterações aos controlos existentes, deve ser sempre considerada a minimização
40 dos riscos de acordo com a seguinte ordem:
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Eliminação - por exemplo, adopção de novas técnicas, de modo a eliminar


o perigo na origem, por exemplo, a utilização de empilhadores, de forma a
eliminar a movimentação manual de cargas.
Substituição - por exemplo, substituição de um produto químico tóxico, por
outro com o mesmo desempenho, mas sem toxicidade.
Controlos técnicos/engenharia - por exemplo, alteração de um equipamento
com introdução de barreiras mecânicas, de modo a eliminar a possibilidade
de contacto dos trabalhadores com as peças móveis da máquina.
Sinalização/aviso e/ou controlos administrativos - por exemplo, sinalética
de segurança e emergência, marcações de passagens pedonais, alarmes,
sinais de aviso.
Equipamento de protecção pessoal - por exemplo, utilização de calçado,
capacetes, luvas, óculos, auriculares de protecção.

Ao aplicar a hierarquia definida, é importante uma avaliação dos benefícios e da


fiabilidade das opções disponíveis como medidas de controlo.

Pode também considerar-se como critério adicional para a implementação de


controlos, o potencial de redução do risco, ou seja, deve ser dada prioridade aos
controlos associados a riscos elevados e aos controlos que ofereçam uma redução
substancial do risco relativamente a controlos associados a baixos riscos e que
têm uma influência limitada na redução do risco.

Existem diversos exemplos de medidas de controlo, entre os quais: planos de


acção para eliminação ou diminuição do risco, procedimentos operacionais,
formação e treino, autorizações especiais de trabalho para actividades perigosas,
equipamentos de protecção colectiva, equipamentos de protecção individual,
entre outros.

Gestão da mudança:

Tal como mencionado na Parte A “Principais alterações da norma OHSAS 18001:2007


| NP 4397:2008”, uma das alterações da norma foi dar maior ênfase à gestão da
mudança.

Na subsecção 4.3.1 este tema é mencionado isoladamente, sendo referido que a


Organização deve identificar os perigos e os riscos da SST associados às mudanças
na Organização, no SGSST, ou nas suas actividades, antes da efectivação das
mesmas.

Assim, a Organização deve considerar os perigos e os riscos potenciais associados


a novos locais de trabalho, actividades, processos ou operações e associados a
alterações de locais de trabalho, actividades, processos ou operações existentes,
numa fase de projecto/planeamento.

Na gestão da mudança, aquando da definição da aceitabilidade do risco, pode


ser considerado o seguinte:

Identificação de novos perigos, decorrente da mudança,


Identificação dos riscos associados a esses perigos,
Identificação de alterações em riscos associados a outros perigos, 41
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Determinação se as alterações podem afectar adversamente os controlos


existentes,
Determinação se os controlos definidos são os melhores para a situação em
causa.

Revisão:

A identificação de perigos e a apreciação do risco devem ser processos contínuos,


tal como mencionado na finalidade da presente subsecção. Desta forma,
periodicamente e sempre que for necessário, deverão ser revistos. Esta revisão é
importante, uma vez que, poderão existir riscos que, após a aplicação de medidas
de controlo, a definição de planos de acção e objectivos e sua implementação,
podem ter outra apreciação. Esta revisão deve ser considerada no âmbito da
revisão pela gestão (ver 4.6).

Exemplo 4

Uma empresa de Construção Civil desenvolve a sua actividade em todo o país,


com várias obras em simultâneo. A identificação de perigos e apreciação de
riscos é arquivada numa base de dados, onde constam fichas por actividade
e que vai sendo constantemente melhorada. Pode extrapolar-se para novas
obras, de uma forma linear, a identificação de perigos e apreciação do risco
existentes?

Considera-se que a criação de uma base de dados é uma ferramenta de


trabalho importante, simplificando procedimentos repetitivos e acumulando
num local acessível a todos os interessados as experiências do terreno, ou
seja, do controlo operacional. Contudo, devem ser evitadas as extrapolações
lineares, procurando analisar caso-a-caso as novas actividades. Alterações
como por exemplo, “mais ou menos experiência de manobradores”, “recurso
a novos subcontratados”, “condições locais” devem ser sistematicamente
analisadas e consideradas.

EvidênciaS

Lista/matriz ou outro documento com os perigos da SST identificados


e resultado do risco;

Metodologia de identificação de perigos e apreciação de riscos da SST;

Apreciação de riscos da SST, com os respectivos controlos e suas revisões.

Não conformidades mais frequentes

Não estão identificados os perigos da SST relacionados com a operação


“manutenção anual”, envolvendo paragem na produção e equipas de
manutenção subcontratadas, nem os perigos de carácter ergonómico.
Não foram identificados os perigos da SST relacionados com a formação de
atmosferas explosivas, nem os decorrentes de actividades de actuação em
42 caso de emergência, tais como “inundação”.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

A Organização não identificou os perigos da SST de actividades não


directamente relacionadas com a produção ou serviços – reservatórios de ar
comprimido, postos de transformação, ETAR.
A Organização não assegura a actualização da identificação dos perigos da
SST. A EA constatou que a Organização desenvolveu um novo produto “P”,
não evidenciando a identificação prévia dos perigos da SST e apreciação
do risco, nomeadamente os associados a novas matérias-primas (produtos
perigosos) e alterações na organização do trabalho.

4.3.2 REQUISITOS LEGAIS E OUTROS REQUISITOS


Finalidade

Identificar e aceder a todos os requisitos legais e outros requisitos da SST


da Organização, para assegurar o cumprimento desses requisitos e,
consequentemente, dar cumprimento ao compromisso assumido na política da
SST. Esta informação deve ser mantida actualizada, ser comunicada internamente
e ser tida em consideração no estabelecimento, implementação e manutenção
de todo o SGSST.

Interpretação

Deve ser estabelecido um ou mais procedimentos que permitam à Organização


a actualização dos requisitos legais e outros requisitos aplicáveis relacionados
com a SST. Dependendo da natureza dos perigos da SST, das operações, do
equipamento, dos materiais, etc., a Organização deve identificar os requisitos
legais e outros requisitos aplicáveis.
De referir que os requisitos legais a identificar podem ter origem em directivas,
regulamentos e decisões comunitários, leis, decretos-lei, portarias, despachos
governamentais, posturas ou decisões municipais, licenças e autorizações, entre
outros. Nas Regiões Autónomas deve ser considerada a especificidade dos
respectivos diplomas.

Relativamente à legislação comunitária, existe a directamente aplicável, a


que carece de transposição para o Direito Interno e aquela que visa preparar
futuros actos legislativos. É de realçar a importância da identificação e análise
da segunda e da terceira, uma vez que, apesar de não serem directamente
aplicáveis, permitem às organizações prepararem-se para o cumprimento de
requisitos legais futuros.

Os outros requisitos podem dizer respeito a acordos com autoridades públicas,


requisitos de clientes, códigos de boas práticas, acordos com trabalhadores,
políticas de grupo, normas, notas técnicas das autoridades públicas, etc.
A Organização deve estabelecer as fontes de informação a que recorre para
identificar e manter actualizada a legislação aplicável e os outros requisitos,
como por exemplo: Jornal Oficial da União Europeia, Diário da República,
publicações especializadas, subscrição de revistas, dados de associações sectoriais
e das autoridades públicas, bases de dados da Internet, entre outros, podendo
ainda recorrer à prestação de um serviço externo. Os documentos identificados 43
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

devem ser mantidos em arquivo interno ou estar acessíveis através de outro meio
(internet, bases de dados, etc.).

Partindo da identificação de perigos da SST, a Organização deve analisar o


conteúdo da legislação e de outros requisitos para verificar o que deve cumprir e
assim apurar os requisitos legais e outros que se relacionam com esses perigos. Ou
seja, para além da obtenção de uma listagem actualizada de todos os documentos
legais e outros, também é necessária a evidência de que a Organização conhece os
requisitos aplicáveis aos perigos da SST. Devem estar definidas as responsabilidades
pela identificação, análise, comunicação dos requisitos legais e outros requisitos,
e o modo como é assegurado o seu cumprimento, aos trabalhadores, contratados,
prestadores de serviços e fornecedores envolvidos. Esta comunicação deve ocorrer
sempre que ocorra alteração ou inclusão de novos requisitos.

De referir que a legislação relativa à SST está muito dispersa, existindo diplomas
que são simultaneamente da área da SST e de outras áreas, por exemplo, a
Directiva SEVESO (comum à área de ambiente). Existem também diplomas legais
que, sendo de outras áreas, têm requisitos aplicáveis à SST, como a Directiva
Ascensores ou o RSECE – Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização
de Edifícios.

Por último, estes requisitos devem ser considerados na gestão dos processos
da Organização, em particular no estabelecimento dos objectivos da SST, na
identificação das necessidades de formação, bem como nas práticas de controlo
operacional e na monitorização e medição de desempenho da SST.

EvidênciaS

A Organização deve manter registos (lista, tabela, base de dados ou outros)


permanentemente actualizados dos requisitos legais e outros requisitos
aplicáveis e das obrigações daí resultantes (licenças a obter, limites e prazos a
cumprir, registos a gerar, relatórios a enviar a entidades públicas, etc.). Estes
registos podem ser organizados por temas (Agentes Químicos, Biológicos
e Eléctricos, Ruído e Vibrações, Radiações, Climatização e Comportamento
Térmico, Máquinas e Equipamentos de Trabalho, Emergência, Código do
Trabalho, …) fazendo-se assim a interligação aos perigos da SST;

É importante que a Organização evidencie registos da análise efectuada aos


documentos (diplomas legais e outros) e da conclusão sobre a aplicabilidade
dos mesmos. De referir, que existem requisitos que, apesar de aplicáveis
aos prestadores de serviços, são relevantes para que a Organização esteja
em conformidade legal (ex. seguro de trabalho, contrato de trabalho, EPI,
entre outros);

Devem existir evidências de que os requisitos aplicáveis são comunicados


(quando justificável e relevante), entendidos e cumpridos quer dentro da
Organização, quer por outras partes interessadas tais como, contratados,
fornecedores ou clientes. Isto pode ser verificado através de entrevistas aos
trabalhadores responsáveis por determinadas tarefas e pela observação
no terreno de instruções/procedimentos, registos e práticas adequadas,
44 entre outros.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Não conformidades mais frequentes

Não se encontra sistematizada a análise da aplicabilidade dos diplomas


legais e outros aos perigos da SST da Organização. A lista de legislação
aplicável evidenciada pela Organização identifica os diplomas legais, não
estando identificados os requisitos a cumprir.

A Organização não identificou todos os diplomas legais aplicáveis (Decreto


- Lei n.º 50/2005, de 25 de Fevereiro relativamente aos equipamentos de
trabalho).

O procedimento estabelecido pela Organização não assegura o acesso


e identificação a todos os requisitos legais aplicáveis, não identificando
e não acedendo a fontes de informação necessárias relativas à legislação
comunitária.

A EA constatou a existência de requisitos da SST determinados por clientes


da Organização, tal como explícitos no contrato de prestação de serviços
XPTO. Estes requisitos não foram considerados no âmbito do SGSST.

O procedimento estabelecido pela Organização não assegura a identificação


clara dos requisitos aplicáveis. A lista de requisitos legais identifica diplomas
não aplicáveis à Organização, como por exemplo, legislação relativa a
atmosferas explosivas.

4.3.3 OBJECTIVOS E PROGRAMA(S)


Finalidade

Assegurar a definição de objectivos no âmbito da SST, mensuráveis sempre


que possível, para as funções e níveis relevantes dentro da Organização e o(s)
respectivo(s) programa(s) para a sua concretização, com o intuito de cumprir
os compromissos assumidos na sua política da SST, incluindo o da prevenção de
lesões e afectações da saúde.

Interpretação

Os objectivos da SST são a base para o êxito do processo de melhoria contínua,


visando proporcionar um melhor desempenho ao nível da gestão dos riscos da
SST relacionados com as actividades da Organização. Devem ser, sempre que
possível, específicos e mensuráveis, possibilitando o seu acompanhamento e
avaliação final do respectivo cumprimento, consistentes com a política definida
pela Organização, incluindo o compromisso de prevenção de lesões e afectações
da saúde.

Geralmente, os objectivos são associados a metas. De acordo com a nota


explicativa da OHSAS 18002:2008, para a norma OHSAS 18001:2007, “metas” são
um subconjunto dos objectivos.

45
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Os objectivos devem ser periodicamente definidos, documentados e revistos, por


exemplo, em conjunto com a revisão do SGSST. A sua definição deve considerar
as seguintes entradas:
Requisitos Legais e outros: não devem ser estabelecidos objectivos que
ponham em causa o cumprimento de limites legais ou outros aceites pela
Organização, nem devem ser definidos objectivos de cumprimento de
requisitos legais, uma vez que, para a certificação a Organização tem de
demonstrar que cumpre os requisitos legais aplicáveis;

Identificação de perigos, apreciação e controlo dos riscos: o estabelecimento


de objectivos deve ter em conta os riscos da SST. O relevante é que todos os
riscos da SST sejam entradas para o processo de definição de objectivos, não
significando que todos tenham de ter um objectivo associado;

Requisitos tecnológicos, financeiros, operacionais e de negócio: os objectivos


devem ser realistas e adequados ao negócio de cada Organização;

Opinião das partes interessadas relevantes: na definição de objectivos,


a Organização deve tentar ir ao encontro das preocupações das partes
interessadas.

REQUISITOS LEGAIS E RISCOS PARA A SST


OUTROS REQUISITOS

OBJECTIVOS E
PROGRAMA(S)
DA SST

REQUISITOS TECNOLÓGICOS,
PARTES INTERESSADAS FINANCEIROS, OPERACIONAIS
E DE NEGÓCIO

Entende-se por parte interessada, de acordo com a definição 3.10, uma pessoa
ou grupo, dentro ou fora do local de trabalho, interessado ou afectado pelo
desempenho da SST da Organização. Existem diferentes metodologias para a
identificação e recolha das necessidades e expectativas das partes interessadas.
A informação relacionada com a percepção das partes interessadas é de extrema
importância para o processo de decisão da Organização. Assim, uma vez
identificada, a Organização deve reflectir e decidir sobre a forma de resposta à
mesma.

O programa de gestão da SST é a principal ferramenta para a concretização


dos objectivos da SST definidos, onde devem estar identificadas as acções,
as responsabilidades, os meios e os prazos de execução para cada objectivo.
O programa deve ser aprovado pela gestão de topo, garantindo assim que os
46
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

meios e recursos necessários à sua concretização sejam previamente assegurados.


O alcance do programa vai depender das capacidades financeiras, tecnológicas
e humanas da Organização. Deve ter em consideração que um objectivo está
associado a um ou mais riscos da SST identificados. Para cada objectivo, devem
estar respondidas as seguintes questões: Quem? Faz o quê? Com que meios? Em
que prazos?

O programa de gestão da SST deve ser monitorizado periodicamente quanto


ao seu grau de concretização, devendo ser periodicamente reavaliado e, caso
necessário, ajustado. Pode ser parte integrante da revisão pela gestão ou, caso se
justifique, monitorizado com maior frequência.

No caso de novos desenvolvimentos e/ou alterações ao nível dos locais de


trabalho, actividades, equipamentos, produtos ou serviços executados pela
Organização, o programa de gestão deve ser uma ferramenta de planeamento
a utilizar no sentido de poder vir a reflectir essas mudanças (ex: devido aos
perigos identificados, a novos requisitos legais e a outros requisitos aplicáveis).
Quando necessário, podem conceber-se programas plurianuais que, entre outras
vantagens, facilitam a evidência da melhoria contínua.

EvidênciaS

Os objectivos devem estar documentados, ser específicos, mensuráveis


quando possível, realistas, definidos no tempo e estabelecidos para cada
função e níveis relevantes da Organização;

Programa de gestão da SST que demonstre o modo como a Organização


vai ao encontro da política e dos objectivos da SST, com atribuição de
responsabilidades, de meios e de prazos. O programa pode ser aplicado
a actividades já em execução, novas ou alteradas;

Dependendo da dimensão e complexidade da Organização, é expectável


que o programa de gestão da SST seja disponibilizado, monitorizado,
mantido e actualizado. De forma a avaliar o grau de cumprimento das
acções definidas, deve ser regularmente monitorizado e, caso se justifique,
revisto.

Não conformidades mais frequentes

Os objectivos definidos não incluem aspectos importantes e relevantes para


a melhoria contínua, como a redução dos níveis identificados para os riscos
apreciados; a redução dos índices de não conformidades determinados no
âmbito das verificações a realizar pelos Técnicos de SST exigidas na Lei;
a redução dos incidentes e impacte dos mesmos.

O programa de gestão da SST não define as responsabilidades para a


obtenção dos objectivos estabelecidos.

A Organização definiu um objectivo de diminuição da concentração do


composto ABC, sendo a meta correspondente de Y unidades/volume.
A meta estabelecida é idêntica ao limite legal, não se constituindo um
objectivo de melhoria. 47
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

O estabelecimento de objectivos não evidencia um compromisso


de melhoria relativamente ao ano anterior. Verificaram-se situações em
que o objectivo para um ano se traduz num agravamento do desempenho,
como o objectivo de redução de ruído ocupacional e o objectivo redução
de dias não trabalhados por motivo de baixa médica. Em nenhuma destas
situações o aumento previsto se encontra justificado com um aumento
de actividade, alterações do layout ou outra situação relevante para este
tipo de tendência.

Os indicadores de desempenho em matéria de SST são do tipo reactivo


(índices de gravidade e frequência), não sendo identificados objectivos que
consubstanciem medições proactivas do desempenho e que monitorizem
a conformidade com o programa de gestão de SST, medidas de controlo
e critérios operacionais.

4.4 IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO

4.4.1 RECURSOS, FUNÇÕES, RESPONSABILIDADES,


RESPONSABILIZAÇÃO E AUTORIDADE
Finalidade

Assegurar a responsabilização da gestão de topo para todas as questões no


âmbito da SST e do SGSST, através da nomeação de um membro da gestão de
topo com responsabilidade específica da SST. Garantir a definição de funções,
responsabilidades, responsabilizações e autoridades, bem como que a gestão
de topo providencia os recursos necessários para a implementação do SGSST.

Interpretação

Um SGSST eficaz pressupõe o compromisso e envolvimento de todas as pessoas


que trabalhem para a Organização ou sob seu controlo. Esse compromisso
deve partir da gestão ao seu mais alto nível. Em consonância, a gestão de topo
deve estabelecer a política da SST da Organização, assegurar que o SGSST é
implementado e que todos os intervenientes saibam “quem faz o quê”, “quando”
e “como”.

Esta subsecção divide-se nos seguintes pontos:

Nomear um representante da gestão de topo;

Documentar e comunicar a definição de funções, responsabilidades,


responsabilizações e autoridades;

Garantir a disponibilidade de recursos humanos, tecnológicos, financeiros


e infra-estruturais.

A norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 requer que seja nomeado um elemento


da gestão de topo com responsabilidade específica da SST, que assegure que o
SGSST é estabelecido, implementado e que garanta que o desempenho do SGSST
é apresentado à gestão de topo da Organização. É possível que o gestor de topo
48
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

nomeado, mantendo a responsabilização, delegue algumas das suas funções


num representante da gestão. Apesar de ser possível esta delegação, o gestor
de topo deve ser informado regularmente do desempenho do sistema e deve
envolver-se activamente na definição dos objectivos da SST e sua revisão.

A Organização deve definir e documentar as funções, responsabilidades,


responsabilizações e autoridades para todas as pessoas que exercem actividades
que são parte integrante do SGSST.

As atribuições e responsabilidades devem ser claramente definidas, comunicadas


e entendidas por todas as pessoas que trabalhem para a Organização ou sob
seu controlo.

As funções e tarefas podem ser delegadas noutro trabalhador, no entanto,


as responsabilidades nunca podem ser delegadas.

A gestão de topo da Organização deve garantir que os seus recursos são


adequados e que:

Incluem todos os meios necessários para a implementação, manutenção


e melhoria do SGSST;

Permitem que os objectivos da SST sejam atingidos, de modo a evidenciar


melhorias no desempenho da SST;

São planeados, disponibilizados e revistos periodicamente.

A determinação dos recursos necessários é parte integrante das actividades


de planeamento e da revisão pela gestão, sendo a sua disponibilização da
responsabilidade da gestão de topo.

Os referidos recursos podem incluir recursos humanos, competências adequadas,


infra-estruturas, tecnologia ou recursos financeiros e podem estar associados
a projectos de melhoria, às auditorias internas, às acções correctivas, às revisões
do SGSST, entre outros.

A Organização deve comunicar e promover o facto de a SST ser da responsabilidade


de todos dentro da Organização e não apenas daqueles com responsabilidades
definidas no âmbito do SGSST. Ao assumir a responsabilidade pelos aspectos
da SST sobre os quais têm controlo, todas as pessoas no local de trabalho devem
considerar não só a sua própria segurança, mas também a dos outros.

EvidênciaS

A Organização deve evidenciar que as atribuições, responsabilidades,


obrigações e a autoridade estão definidas e documentadas, através de
um organigrama hierárquico e funcional complementado com a descrição
de funções/responsabilidades, e que estas foram comunicadas dentro
da Organização, incluindo a nomeação do representante da gestão;

Determinação dos recursos necessários efectivamente incluídos no âmbito


de actividades de planeamento do SGSST (4.3), dos seus processos, controlo
operacional (4.4.6), preparação e resposta a emergências (4.4.7) e nas
49
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

actividades de verificação (4.5) e que os recursos foram disponibilizados de


uma forma fundamentada, por exemplo através de planos, orçamentos, etc.

Não conformidades mais frequentes

Não foram formalmente atribuídas e comunicadas as responsabilidades


e autoridade aos trabalhadores envolvidos no SGSST.

Não existem evidências de que os relatórios de desempenho do sistema


de gestão da SST são do conhecimento da gestão de topo.

Nota:
Não conformidades, associadas à determinação e disponibilização dos recursos
necessários ao SGSST encontram-se, frequentemente, indexadas às subsecções
4.3, 4.4.2, 4.4.6, 4.4.7 e 4.5 onde é requerida a identificação ou disponibilização
dos mesmos, estando associadas à falta de evidência dos aspectos anteriormente
indicados, nomeadamente as actividades de planeamento e realização destes.

4.4.2 COMPETÊNCIA, FORMAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO


Finalidade

Garantir a competência do pessoal sob o controlo da Organização, que execute


tarefas com impacto na SST.

Interpretação

A Organização deve:

Garantir a competência de todos os seus trabalhadores e qualquer pessoa


que trabalhe sob seu controlo (incluindo visitantes, actividades temporárias
subcontratadas exercidas dentro da Organização, como por exemplo,
obras/construção, manutenção ou outros serviços como limpeza, serviços
médicos, etc.) que possam causar impactos no âmbito da SST previamente
identificados pela Organização;

Identificar as necessidades de formação, ou outras acções, com base nas


competências necessárias, em relação aos riscos da SST e para cumprimento
da sua política e objectivos da SST;

Assegurar a formação ou outras acções para satisfazer as necessidades


identificadas, devendo ser focadas tanto nos requisitos de competência
como para melhorar a sensibilização em matéria de SST;

Sensibilizar as pessoas que trabalhem para a Organização ou sob seu


controlo, para as questões de SST, relacionadas com as suas actividades/
tarefas.
A Organização deve assegurar a competência de todo o pessoal, incluindo a
gestão de topo, previamente à autorização para executar tarefas que possam
causar impacto na SST, bem como assegurar que os requisitos de competência para
a SST são considerados previamente ao recrutamento de novos trabalhadores e/
50 ou reafectação daqueles que já trabalham sob o controlo da Organização.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Essa competência deve ser baseada numa adequada escolaridade, formação,


experiência ou saber fazer, devendo a Organização manter os registos
associados.

A identificação das necessidades de formação pode fazer-se pela adopção de


diferentes metodologias. Regra geral, uma vez determinadas as competências
necessárias, em termos de escolaridade, formação e experiência, para as diferentes
funções que tenham potencial de causar impacto na SST, a identificação das
necessidades passa pela comparação das competências das pessoas designadas
para as funções e o perfil de competência estabelecido.

A título de exemplo, a identificação de uma formação específica para um


grupo de operadores pelo seu superior hierárquico, deve estar devidamente
fundamentada, por exemplo, em problemas existentes na área (tais como,
número de vezes que ocorrem acidentes com determinado equipamento), na
introdução de novas tecnologias (por exemplo, máquina de corte e vinco), na
introdução de novos métodos de trabalho (por exemplo, novo equipamento),
na introdução de novos procedimentos/alteração aos existentes (por exemplo,
aquando da implementação do sistema), na alteração ou implantação de uma
linha de produção, no estabelecimento/alteração de circuitos documentais, na
informatização de alguma actividade, no desempenho de funções específicas em
situações de emergência (por exemplo, primeiros socorros e combate a incêndio),
entre outros.

Caso as actividades com impacto na SST sejam desenvolvidas por trabalhadores


subcontratados, o levantamento de necessidades de formação deve ser
igualmente assegurado.
Para o levantamento de necessidades de formação podem ser consideradas,
para além do conhecimento directo das mesmas, outras fontes de informação,
tais como:

Constatações de auditorias realizadas;

Não conformidades detectadas;

Resultados dos exercícios de simulação de cenários de emergência;

Ocorrência de incidentes ou situações de emergência;

Acções correctivas desencadeadas;

Reclamações;

Análises efectuadas aquando da revisão do SGSST.

Outras situações que podem igualmente ser consideradas são:

Novos métodos de trabalho;

Transferência de trabalhadores para novas actividades/tarefas;

Admissão de novos trabalhadores, a título permanente ou temporário;

A obrigatoriedade de cumprimento de requisitos específicos, sejam eles


internos, contratuais, regulamentares ou legais. 51
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Após a identificação das necessidades de formação, a Organização deve


providenciar a formação ou outras acções que sejam adequadas à satisfação
das necessidades detectadas. É prática corrente as organizações recorrerem
à elaboração de planos de formação que asseguram uma boa gestão, permitindo
identificar recursos, calendarizar e acompanhar o cumprimento da realização das
acções identificadas. Não é expectável que este plano de formação seja elaborado
apenas a partir dos catálogos comerciais disponíveis, sem uma adequada
identificação das necessidades nos termos já referidos. É conveniente que cada
acção de formação planeada inclua os objectivos que pretende atingir. Caso a
Organização recorra a competências externas ou internas para a administração
da formação, deve assegurar que as competências, bem como os conteúdos são
adequados para suprir as necessidades identificadas. É aconselhável a revisão
periódica do plano, caso existam alterações, nomeadamente para incluir as
acções não previstas aquando da elaboração do plano inicial ou para replanear
acções.

Caso a Organização não considere necessário recorrer à elaboração do plano,


deve ser capaz de demonstrar o modo como assegurou a realização das acções
de formação que considerou necessárias.

A Organização deve estabelecer procedimentos, de acordo com os diferentes


níveis de responsabilidade, capacidade, domínio da língua, literacia e risco, com
o objectivo de consciencializar os elementos da Organização ou outros que
trabalhem sob seu controlo para:

Os seus papéis e responsabilidades para cumprir a política da SST definida,


os procedimentos e requisitos do SGSST, em particular os requisitos de
prevenção e de resposta a emergência;

Os perigos reais ou potenciais relacionados com as actividades do seu


trabalho;

As consequências de não respeitarem os procedimentos operacionais


estabelecidos;

Os benefícios para a SST decorrentes do seu desempenho individual.

Relativamente às capacidades individuais a ter em conta nos procedimentos, tais


como literacia e domínio da língua, pode ser preferível utilizar imagens, símbolos
ou diagramas que sejam facilmente entendidos.

A Organização deve avaliar a eficácia das acções realizadas. De acordo com a


NP EN ISO 9000:2005, eficácia é “medida em que as actividades planeadas foram
realizadas e conseguidos os resultados planeados”. Desta forma, a avaliação da
eficácia deve ser adequada às acções realizadas, podendo ser feita de diversas
formas, por exemplo, por observação de alterações comportamentais no posto
de trabalho, demonstrações práticas, exames escritos ou orais, entre outras que
demonstrem a competência e sensibilização das pessoas envolvidas.

A Organização deve manter registos da formação que demonstrem:


A identificação das necessidades;

As acções empreendidas, incluindo conteúdos de formação que demonstrem


52 que vão ao encontro das necessidades identificadas;
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Quem participou nas acções de formação;

Avaliação da eficácia das acções realizadas.

A norma não requer a existência de registos que demonstrem a sensibilização,


embora os mesmos possam ser uma boa prática de gestão, permitindo saber em
qualquer momento se as pessoas foram ou não sensibilizadas e quando. Contudo,
a sensibilização pode também ser uma actividade corrente, assegurada no dia-a-
dia das actividades, sem que exista um momento formal para a mesma.

EvidênciaS

Devem ser mantidos registos apropriados (4.5.4) das actividades afectas à


formação, por exemplo, identificação das necessidades de formação, plano
de formação, sumários das acções de formação, conteúdos das acções de
formação, lista de presenças, certificados de participação, avaliação da
eficácia, entre outros.

Não conformidades mais frequentes

Não foi evidenciado que o pessoal que constitui a equipa de primeiros


socorros tenha competências para desempenhar as tarefas previstas.

A definição de funções não contempla todos os requisitos operacionais


de SST que garantam os níveis de capacidade dos trabalhadores, não tendo
sido evidenciada a exigência de requisitos que garantam o nível operacional
de socorrista em obra e de equipas internas de resposta a emergências com
prática na utilização de meios de combate a incêndio.

Não foi evidenciada uma metodologia que assegure a tomada de


conhecimento dos perigos e riscos da SST, por parte dos novos trabalhadores,
antes do início do desempenho das suas funções.

Foram efectuadas alterações na Organização e nas instalações sem que


o seu planeamento contemple a identificação de necessidades de formação
dos intervenientes cuja actividade possa causar impacto na SST.

Não foi evidenciado que a Organização tenha feito qualquer formação aos
seus subempreiteiros (XYZ, ABC e FGH) acerca dos riscos da SST relativamente
às suas actividades e ao seu SGSST.

4.4.3 COMUNICAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E CONSULTA


A Organização deve encorajar a participação em boas práticas de SST e sustentar
a política e os objectivos da SST pelas pessoas afectadas pelas suas actividades
ou interessadas no seu SGSST, através do processo de comunicação, participação
e consulta. A participação dos trabalhadores deve ter em consideração os
requisitos legais e outros requisitos que a Organização subscreva.

53
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

4.4.3.1 COMUNICAÇÃO
Finalidade

Garantir que existe um processo de comunicação eficaz entre as diferentes


funções e níveis de trabalhadores da Organização e que qualquer comunicação
de uma parte interessada é devidamente tratada.

Interpretação

É importante que os processos de comunicação da Organização prevejam


fluxos de informação ascendente, descendente e lateral dentro da estrutura
organizacional, devendo contribuir tanto para a disseminação como para a
compilação de informação. Estes processos devem garantir que a informação
da SST é fornecida, recebida e entendida por todas as partes interessadas
relevantes.

Exemplos de partes interessadas que são afectadas pelo SGSST são: trabalhadores
de todos os níveis hierárquicos, representantes dos trabalhadores, trabalhadores
temporários, subcontratados, visitantes, vizinhos, voluntários, serviços de
emergência, seguradoras, entidades oficiais de inspecção, entre outros.

Atendendo às linhas de orientação da OHSAS 18002:2008, no desenvolvimento


de processos de comunicação é relevante que a organização considere:

O público-alvo e a sua necessidade de informação,

Métodos e meios de comunicação adequados,

Cultura local e tecnologias disponíveis,

Tamanho, estrutura e complexidade da Organização,

Barreiras à comunicação, como por exemplo literacia e idioma,

Requisitos legais e outros,

Eficácia do modo como a comunicação se difunde pela Organização,

Avaliação da eficácia da comunicação.

Os assuntos da SST podem ser comunicados às partes interessadas de diferentes


formas, tal como, através de newsletters, posters, e-mails, caixa de sugestões,
websites e quadros de informação contendo assuntos relacionados com a SST.

Esta subsecção inclui três tipos de comunicação:

Comunicação interna,

Comunicação com contratados e outros visitantes,

Comunicação com partes interessadas externas.

A comunicação, através das suas diversas formas, deve traduzir-se, efectivamente,


na possibilidade dos trabalhadores da Organização e de outras partes interessadas
poderem manifestar as suas preocupações relativamente a assuntos de SST.
54
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Comunicação interna

A comunicação interna entre os diversos níveis e funções relacionados com


a SST, tem como objectivo facilitar o entendimento e a cooperação mútua
de todos os trabalhadores envolvidos no desempenho da SST, para assegurar
a implementação eficaz do SGSST.

A Organização deve definir um procedimento onde sejam estabelecidos os meios


de comunicação interna formais (reuniões internas de grupos de trabalho, ordens
de serviço, memorandos, publicações, etc.) e informais (jornais internos, intranet,
placares informativos, etc.) e respectivos registos.

A comunicação interna pode incluir informação relacionada com:


Compromissos relativos ao SGSST (exemplo: política da SST, programas
de gestão, etc.);

Identificação de perigos e apreciação do risco;

Objectivos e acções de melhoria do SGSST;

Investigação de incidentes;

Medidas de controlo para eliminar os perigos e risco;

Mudanças relativas ao SGSST.


Comunicação com contratados e outros visitantes

A Organização deve definir metodologias para comunicar com contratados


e outros visitantes do local de trabalho, que devem ser consistentes com os perigos
e riscos da SST relacionados com as actividades a desenvolver por tais partes
interessadas. Para além de comunicar os requisitos em termos de desempenho
da SST é também importante comunicar as consequências, caso tais requisitos
não sejam cumpridos.

A comunicação com contratados pode incluir informação sobre controlos


operacionais relacionados com tarefas específicas a serem desenvolvidas ou
a área onde o trabalho vai ser realizado. Tal informação deve ser comunicada
antes do contratado entrar nas instalações e depois pode ser complementada
com informação adicional (por exemplo, visita às instalações) quando o trabalho
for iniciado.

Adicionalmente aos requisitos específicos da SST para as actividades a desenvolver


nas instalações, ao definir o seu procedimento de comunicação com contratados
a Organização pode considerar o seguinte:
Informação sobre o SGSST do contratado, tal como, política da SST
estabelecida e procedimentos definidos para lidar com os perigos da SST;

Requisitos legais com impacto no método ou extensão da comunicação;

Experiência prévia em matéria de SST (ex: dados de desempenho);

A existência de vários contratados num mesmo local de trabalho;

Recursos para a execução de actividades da SST (ex.: monitorização


de exposições, EMM, etc.); 55
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Resposta a situações de emergência;

A necessidade de conciliar as práticas de SST do contratado com as da


Organização e de outros contratados no mesmo local;

A necessidade de consulta ou disposições contratuais adicionais para


actividades com risco elevado;

Requisitos para a avaliação da conformidade com critérios de desempenho


da SST acordados;

Processos para investigação de incidentes, comunicação de não


conformidades e acções correctivas;

Formas de comunicação diária.


Para visitantes (incluindo entregas, clientes, público em geral, fornecedores
de serviço, etc.) as formas de comunicação podem incluir sinais de aviso, barreiras
de segurança, bem como comunicação verbal e escrita. A informação a comunicar
aos visitantes pode incluir:
Requisitos da SST relevantes para a visita,

Procedimentos de evacuação e resposta a alarmes,

Controlo de acessos e requisitos de acompanhamento dos visitantes,


Identificação de EPI que seja de utilização obrigatória.
Comunicação com partes interessadas externas

A Organização deve definir um ou mais procedimentos para receber, documentar


e responder a comunicações relevantes de partes interessadas externas.

A Organização deve disponibilizar informação adequada e consistente relativa ao


seu SGSST, de acordo com a sua política e requisitos legais e outros que subscreva.

Tal pode incluir:


Comunicações obrigatórias com os organismos oficiais, nomeadamente,
no que diz respeito a informação prevista na legislação de SST. Em relação às
informações periódicas e obrigatórias a fornecer aos organismos oficiais, é
recomendável que esta seja planeada numa tabela ou quadro, com indicação
da base legal, do conteúdo, forma e periodicidade da informação, bem como
das responsabilidades pela recolha, tratamento, envio e controlo; e

Formas de tratar os pedidos de informação provenientes das partes


interessadas externas e a formalização dos processos adoptados para a sua
recepção, tratamento, resposta e respectivos registos. Em alguns casos, as
respostas às preocupações das partes interessadas podem incluir informação
relevante sobre os riscos da SST associados às operações da Organização.

EvidênciaS

Devem existir evidências de que os trabalhadores são informados sobre


os assuntos no âmbito do SGSST. Essa evidência pode assumir a forma de
jornais internos, quadros de informação, mapas, materiais de apresentação,
56
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

calendários, actas de reuniões, Intranet, publicações, entre outros meios,


ou pode ser obtida por entrevistas aos trabalhadores da Organização;

Devem existir evidências da comunicação em matéria de SST a contratados


e visitantes, por exemplo, sob a forma de requisitos contratuais definidos,
brochura de recepção de contratados e outros visitantes, entre outros.
As evidências podem ser também obtidas por entrevista a contratados
ou visitantes que se encontrem nas instalações da Organização;

Comunicações de partes interessadas e evidência da resposta por parte


da Organização.

Não conformidades mais frequentes

Não estão assegurados mecanismos de comunicação aos colaboradores


relativos ao SGSST e riscos associados às suas actividades, não tendo sido
evidenciado qualquer tipo de comunicação.

Não se encontra definida e implementada uma metodologia para recepção


de visitantes que inclua a comunicação das regras de segurança a respeitar
nem do modo de proceder face a situações de emergência.

Evidências:
Na obra 123 é obrigatória a utilização de botas e capacete de protecção,
bem como de colete reflector, não existindo qualquer sinalética indicativa
nem sendo comunicada tal exigência aos visitantes. Na sede, não existe
qualquer tipo de comunicação relativamente ao ponto de encontro ao qual
todas as pessoas se devem deslocar em situação de emergência.

A Organização recebeu 2 pedidos de informação relativos aos seus


procedimentos de emergência, por parte dos Bombeiros Voluntários da
zona onde opera (fax recebido a 18-03-2009 e carta recebida a 03-06-2009),
não tendo sido evidenciada a resposta à solicitação mencionada.

4.4.3.2 PARTICIPAÇÃO E CONSULTA


Finalidade

Garantir que existe um processo de participação e consulta eficaz entre as


diferentes funções e níveis de trabalhadores da Organização. Garantir que existe
um procedimento para a consulta de contratados da Organização e de partes
interessadas relevantes, quando apropriado.

Interpretação

Participação e consulta dos trabalhadores

A Organização deve assegurar que os trabalhadores:

Estão informados dos processos estabelecidos para garantir a sua


participação;

São envolvidos no desenvolvimento e na revisão dos procedimentos de


gestão de riscos;
57
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Participam e são consultados sobre todas as mudanças que possam afectar


a SST;

Estão informados a respeito de quem são os representantes dos trabalhadores


em matéria de SST e quem é (são) a(s) pessoa(s) nomeada(s) pela gestão.

O(s) procedimento(s) de participação e consulta dos trabalhadores podem incluir:

Participação na identificação de perigos, apreciação de riscos e na selecção


de medidas de controlo apropriadas, incluindo discussão das vantagens e
desvantagens de alternativas relativamente às medidas de controlo para
prevenir riscos;

Participação no desenvolvimento e na revisão das políticas e objectivos da


SST, bem como na recomendação de melhorias do SGSST;

Participação na investigação de incidentes, particularmente na identificação


e comunicação dos mesmos e na análise de causas e definição de acções
correctivas;

Consulta dos trabalhadores relativamente às mudanças que afectam a SST,


particularmente antes de introduzir novos perigos ou perigos desconhecidos,
por exemplo:
• Introdução de equipamento novo ou alterado,
• Construção, modificação ou alteração da utilização das instalações,
• Utilização de produtos químicos novos,
• Reorganização, novos processos, procedimentos ou ferramentas.

No desenvolvimento dos processos de consulta e participação dos trabalhadores


a Organização deve ter em consideração as barreiras de comunicação, como por
exemplo, o idioma, literacia, aspectos de confidencialidade e/ou privacidade.

Consulta de contratados e partes interessadas externas

A Organização deve ter processos para garantir a consulta de contratados quando


ocorrerem mudanças que afectem a SST e a consulta de partes interessadas
externas em matéria de SST, quando apropriado.

Relativamente à consulta de contratados a Organização pode ter em conta as


seguintes situações:

Novos perigos ou perigos desconhecidos (incluindo aqueles que possam ser


introduzidos pelo contratado);

Reorganização do trabalho;

Controlos novos ou alterados;

Alterações em materiais, equipamentos, exposições, etc.;

Alterações dos procedimentos de emergência;

Alterações de requisitos legais ou outros requisitos.

58
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Para a consulta de partes interessadas externas, a Organização pode considerar


as seguintes situações:
Alterações dos procedimentos de emergência;

Perigos que possam afectar a vizinhança ou perigos com origem nas


actividades dos vizinhos;

Alterações em requisitos legais ou outros requisitos.

EvidênciaS

Reuniões entre a Direcção e os trabalhadores através de Conselhos


ou Comissões da SST e de órgãos similares;
Métodos e fluxos de comunicação com trabalhadores, contratados e partes
interessadas externas identificados e estabelecidos;

Participação dos trabalhadores na identificação de perigos, apreciação


e controlo de riscos;

Instruções divulgadas aos trabalhadores e outras partes interessadas,


tais como contratados ou visitantes;

Comunicação com as partes interessadas externas em situações de rotina


e/ou esporádicas;

Consulta a todos os trabalhadores sobre os diversos subtemas da SST.

Não conformidades mais frequentes

Os trabalhadores e contratados entrevistados desconheciam as medidas


de controlo dos riscos da SST definidas pela Organização.

Não foi evidenciada a consulta e participação dos trabalhadores na definição


de medidas de controlo dos riscos dos novos empilhadores adquiridos.

As instalações ABC foram alvo de obras no final de 2008, tenho sido alterado
o seu layout, bem como as saídas de emergência. Nesta sequência, a planta
de emergência foi alterada, incluindo a localização do ponto de encontro.
Não foi evidenciada a consulta das partes interessadas externas (bombeiros
ou protecção civil) neste âmbito.

A Organização não evidenciou a consulta aos trabalhadores para todos


os assuntos previstos em legislação específica e que são aplicáveis à
Organização, não tendo sido evidenciada a consulta relativamente a EPI
e EPC, ruído, vibrações, movimentação manual de cargas e equipamentos
dotados de visor.

4.4.4 DOCUMENTAÇÃO
Finalidade

Para a implementação e funcionamento do SGSST a Organização deve documen-


tá-lo nas suas diversas partes, sempre que necessário e aplicável.
59
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Interpretação

Um SGSST pode ser entendido como o conjunto da estrutura organizacional,


dos procedimentos, dos processos e dos recursos necessários para implementar
a gestão da SST. Assim, a sua documentação deve contemplar todas as funções
e actividades que contribuem para o cumprimento dos requisitos especificados,
ajustando-se à realidade e necessidades da Organização.

A definição da documentação do SGSST, deve adequar-se às características


de cada Organização, variando em função de:

Dimensão, tipo, locais, actividades e produtos/serviços;

Complexidade dos processos e suas interacções;

Riscos associados às actividades desenvolvidas;

Recursos humanos (competência dos trabalhadores);

Cultura organizacional;

Mercados e clientes;

Fornecedores.
A documentação do SGSST deve ser suficiente para incluir os documentos
requeridos pela norma de referência podendo, no entanto, ser mais abrangente
em função de especificidades da Organização, tais como requisitos legais ou
outros que esta subscreva (ex: situações contratuais específicas), dimensão da
Organização, rotatividade de pessoal, etc.

A documentação deve ser estabelecida de uma forma lógica e coerente, sem


omissões nem sobreposições e permitindo a integração de todos os documentos
relevantes do sistema, podendo ser estabelecidas tipologias de documentos,
estrutura documental ou hierarquização sempre que tal contribua para uma
melhor gestão documental.

Embora não seja requerido um manual do SGSST e procedimentos documentados


para a maioria dos requisitos da norma, os mesmos podem ser integrados
em estruturas documentais de outros sistemas de gestão eventualmente
implementados na Organização.

A documentação do SGSST deve incluir obrigatoriamente os elementos requeridos


de a) a e) nesta subsecção da norma.

A documentação do SGSST pode também incluir, por exemplo:

Descrição, história, actividades e locais;

Informação sobre os processos;

Inclusão ou referência a procedimentos do SGSST, relacionando-os com os


requisitos de cada uma das funções aplicáveis da norma de referência.
Considera-se que os procedimentos são uma parte relevante do sistema
documental uma vez que constituem a documentação de base para todo
o planeamento, execução e verificação das actividades relevantes para a gestão
60 de SST.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Os procedimentos determinam “quem” faz “o quê”, “quando”, “onde”, “porquê”


e “como”. Pode ser conveniente a descrição do “como” num tipo diferente
de documentos (Exemplos: instrução de trabalho ou procedimento operativo)
desde que seja clara a sua ligação com os anteriores. Os procedimentos podem,
igualmente, remeter para documentos de origem externa (Exemplos: normas,
especificações de clientes, legislação) ou interna (por exemplo, impressos).

Estes procedimentos escritos devem estar em actualização permanente,


correspondendo de facto às práticas seguidas na realização das actividades a que
dizem respeito.

O conteúdo, extensão e detalhe dos procedimentos devem ter em atenção:


A complexidade do trabalho (necessidade de pormenorização);

A formação dos utilizadores (qualificação necessária para a realização das


tarefas);

Os requisitos legais e outros requisitos aplicáveis.

EvidênciaS

Deve ser possível evidenciar os requisitos obrigatórios da documentação,


nomeadamente, obter orientação sobre onde se encontram informações
mais detalhadas sobre a operação de partes específicas do SGSST;

A Organização deve ser capaz de demonstrar o modo como determinou


a documentação necessária para assegurar o planeamento, a operação
e controlo eficazes dos processos relacionados com os riscos da SST.

Não conformidades mais frequentes

Não foi apresentada uma descrição dos principais elementos do SGSST


e suas interacções, e referências a documentos relacionados.

4.4.5 CONTROLO DOS DOCUMENTOS


Finalidade

Assegurar o controlo da documentação relevante requerida pelo SGSST, interna


ou externa à Organização. Garantir que a versão actual e aprovada de todos
os documentos relevantes está disponível, é compreendida e é utilizada no local
e momento em que é necessária.

Interpretação
Nesta secção são definidos os requisitos para assegurar o controlo dos documentos
criados para implementar o SGSST. Tal como referido na secção anterior, para além
dos documentos requeridos pela norma, a Organização deve determinar quais os
documentos que necessita. O enfoque da Organização deve ser a implementação
eficaz do SGSST e o desempenho da SST e não um sistema complexo de controlo
de documentos.

61
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A Organização deve ter em consideração o seguinte:

Nível de detalhe da documentação e dados que suportam o SGSST


e as actividades de SST e que levam ao cumprimento dos requisitos da
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008;

Descrição das responsabilidades e autoridades no âmbito da SST.

O processo de controlo de documentos da Organização resulta tipicamente


no seguinte:
Procedimento de controlo de documentos incluindo responsabilidades
e autoridades;
Lista de documentos controlados e sua localização;

Arquivo de registos.

O procedimento estabelecido deve identificar as responsabilidades pela


aprovação dos documentos, seja aquando da sua elaboração, seja após revisão
e actualização, para garantir que a informação por eles veiculada é adequada.

Os documentos, externos ou internos, sujeitos a controlo devem ser objectivamente


identificados.

Devem ser instituídas práticas e definidas responsabilidades para a aprovação,


revisão, actualização, emissão e distribuição dos documentos, assegurando
que as versões relevantes e actuais dos mesmos estão disponíveis nos locais
e para as pessoas que deles necessitam.

De acordo com a definição 3.5, “documento” é a informação e o respectivo


meio de suporte, sendo que este último pode ser papel, magnético, electrónico
ou disco óptico de computador, fotografia ou amostra de referência, ou uma
combinação destes.

Quando a Organização determina a existência de um documento original


validado em formato papel deve estar definido onde se encontra o original
de cada documento, a partir do qual são feitas as reproduções (físicas e/ou
electrónicas) necessárias para distribuição. Quando a Organização recorre a
aplicações informáticas para a emissão de documentos válidos deve ser prevenida
a possibilidade de adulteração dos documentos por pessoas não autorizadas.

A distribuição dos documentos deve ser controlada, garantindo que, sempre que
há uma actualização, os documentos, internos e externos, são distribuídos às
pessoas e/ou locais determinados. Admitindo-se reproduções não controladas,
situação frequente quando os documentos estão acessíveis electronicamente,
estas devem ser facilmente identificadas como tal.

São aceitáveis alterações manuscritas nos documentos distribuídos, se forem


efectuadas e aprovadas pelas funções autorizadas e cumprirem os circuitos
estabelecidos, assegurando que os originais são prontamente alterados bem
como as outras cópias existentes. Se adoptada, esta prática deve constar
do procedimento.

62 Embora não seja requerido por esta norma existem vantagens em documentar o
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

procedimento associado ao controlo de documentos, assegurando homogeneidade


na sua aplicação. Não é necessário criar um sistema complexo e que consuma muito
tempo para ir ao encontro dos requisitos de controlo documental listados nas
alíneas a) a g), constantes em 4.4.5. As organizações que integram este sistema
com outros já existentes, como por exemplo a NP EN ISO 9001:2008 e NP EN ISO
14001:2004, podem adoptar um procedimento comum.

EvidênciaS

Deve ser evidenciada a disponibilização de documentos adequados,


que estejam aprovados e actualizados, nos locais de trabalho;

Os trabalhadores devem saber como verificar se têm a versão actualizada


dos documentos.

Não conformidades mais frequentes

A Organização não assegura que apenas são utilizadas versões actuais


dos documentos. A EA verificou a existência de documentos obsoletos em
utilização: a política da SST afixada nas instalações data de 08-10-2008,
estando em vigor uma edição de 02-07-2009; a versão do procedimento de
controlo operacional utilizado pelo Director da Fábrica data de 06-05-2008,
estando em vigor uma versão de 30-07-2009.

A cópia do documento “ABC” em utilização na área de compras inclui


alterações não autorizadas pelas pessoas designadas para o efeito.

A EA verificou a utilização de fichas técnicas e de segurança de produto dos


fornecedores. Não é assegurado o controlo destes documentos externos,
nomeadamente da sua actualização e distribuição.

Não foi assegurada a manutenção de programas da SST e registos de


monitorização obsoletos que evidenciam a melhoria contínua, sobretudo
em períodos de tempo mais alargados.

Os documentos e os procedimentos não estão disponíveis nos locais onde


são necessários, uma vez que são disponibilizados numa ferramenta
informática e nem todos os trabalhadores possuem ou têm acesso a um
computador.

A EA constatou a existência de documentos relevantes para a actividade


desenvolvida pela empresa, sem evidências do seu controlo. Ex: Matriz de
Identificação de Perigos, Avaliação e Controlo de Riscos e Ficha de visitas.

A EA analisou a Matriz de Identificação de Perigos, Avaliação e Controlo


de Riscos e Fichas de visitas sem evidências do seu controlo, sendo estes
documentos relevantes para a actividade desenvolvida pela empresa.

4.4.6 CONTROLO OPERACIONAL


Finalidade

Garantir a identificação e planeamento dos processos, actividades e recursos


63
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

associados aos perigos identificados, assegurando a sua realização em condições


devidamente definidas e controladas, de forma a concretizar os objectivos
e os princípios consagrados na política da SST.

Interpretação

A Organização necessita de aplicar um controlo operacional para ir ao encontro


da sua política da SST, alcançar os seus objectivos, comprometer-se com os
requisitos legais aplicáveis e gerir os seus riscos da SST.

Para assegurar a eficácia e a eficiência do planeamento do controlo operacional,


a Organização deve identificar os controlos necessários, estabelecendo tipos e
níveis de controlo que vão ao encontro das suas próprias necessidades. Os controlos
operacionais estabelecidos devem ser mantidos e avaliados periodicamente.

Esta subsecção está directamente relacionada com a identificação dos perigos


e apreciação dos riscos, já que é necessário remontar à fonte do perigo
para documentar procedimentos necessários ao seu controlo. A norma
OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 exige a documentação de procedimento(s)
quando a sua inexistência possa conduzir a desvios que comprometam a política
da SST e os objectivos definidos.

Sempre que exista uma nova actividade, equipamento, produto ou serviço ou


alterações nos processos, deve ser efectuada nova identificação de perigos e
apreciação do risco e, caso necessário, reavaliar os procedimentos de controlo
operacional. Esta versão da norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 veio dar
ênfase à gestão da mudança, devendo a mesma ser contemplada no âmbito
do SGSST antes da sua efectivação. Ou seja, é necessário planear a mudança e
perspectivar os impactes potenciais que a mesma poderá ter em matéria de SST.

POLÍTICA DA SST RISCOS DA SST

CONTROLO
OPERACIONAL

OBJECTIVOS E REQUISITOS LEGAIS


PROGRAMA(S) E OUTROS

Os procedimentos devem definir os recursos humanos e materiais afectos, as


responsabilidades, os critérios de execução e de controlo da mesma.

A Organização deve seleccionar os seus fornecedores de bens (incluindo produtos


64 e equipamentos) ou serviços (incluindo actividades temporárias subcontratadas
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

exercidas dentro da Organização, como por exemplo, obras/construção,


manutenção ou outros serviços como limpeza, serviços médicos, restauração, etc.)
e/ou as pessoas que trabalham sob seu controlo, com base nas suas capacidades
técnicas e organizativas, para que estes respeitem não só os requisitos definidos
pela Organização, mas também a legislação aplicável.

A Organização deve:

1. Identificar necessidades de controlo operacional para: a gestão dos riscos;


assegurar o cumprimento dos requisitos legais e outros requisitos aplicáveis;
atingir objectivos consistentes com a sua política e programa de gestão da SST,
incluindo o comprometimento com a prevenção das lesões e afecções da saúde;
melhorar continuamente a gestão e o desempenho, e para eliminar/minimizar
os riscos da SST.

Para tal a Organização deve considerar todas as suas actividades:

As que estão relacionadas com as funções de gestão, incluindo compras,


vendas, marketing, investigação & desenvolvimento, projecto, gestão
de recursos;

Aquelas que estão relacionadas com as actividades diárias, como produção,


manutenção, análises laboratoriais, armazenagem;

As que estão relacionadas com processos externos, como o transporte


e distribuição dos seus produtos e serviços.

A Organização deve analisar o modo como os seus subcontratados e fornecedores


podem afectar a sua capacidade de gerir os seus riscos, atingir objectivos
e cumprir os requisitos legais. Consequentemente deve estabelecer e comunicar
os controlos operacionais necessários, tais como procedimentos escritos, contratos
ou acordos com os fornecedores e subcontratados.

2. Estabelecer controlos operacionais, como procedimentos, instruções de


trabalho, controlos físicos, alocação de recursos humanos competentes ou
combinações destes métodos. A sua escolha depende de vários factores, como
a capacidade e experiência dos trabalhadores, a complexidade e o impacto das
actividades para a SST.

A forma mais comum de estabelecer controlos operacionais passa por:

I. Escolher um método de controlo;


II. Seleccionar critérios aceitáveis de operação;
III. Estabelecer os mecanismos de controlo necessários, que definam como
as operações são planeadas, executadas e controladas, incluindo métodos
de medição e avaliação para ir ao encontro dos critérios de operação
definidos no ponto anterior;
IV. Documentar estes mecanismos, conforme necessário, na forma de instruções,
sinalética, vídeos, fotografias, etc.

65
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Assim que o controlo operacional estiver estabelecido, a Organização deve


monitorizar a aplicação contínua desse controlo bem como, a eficácia do mesmo
e planear e levar a cabo acções correctivas conforme necessárias.

Exemplo 5

Uma Organização desenvolve a sua actividade em diversos locais.


A Organização identificou os principais perigos e efectuou a respectiva
apreciação do risco da sua actividade. Como potenciar as ferramentas
de controlo operacional?

Devem constar das medidas de controlo operacional, entre outras,


as que preventivamente avaliam no terreno as condições necessárias para
a liberação da execução de actividades em que o risco envolvido potência
a ocorrência de incidentes.

A prevenção é antecipação, não só ao nível da identificação prévia dos


perigos e apreciação dos riscos, mas também da verificação prévia das
condições de trabalho para a execução das actividades imediatamente antes
de estas se iniciarem.

EvidênciaS

Procedimento(s) documentado(s) e registos associados. Os mais frequentes


são: gestão de EPI, operação de manuseamento produtos químicos,
operação dos equipamentos de despoeiramento/ventilação, operação
de equipamentos de movimentação de cargas, gestão de equipamentos
de trabalho (manutenção e verificação), instruções de segurança,
manutenção dos equipamentos críticos para a SST (extintores, RIA, Sistemas
de alarme), aprovisionamento de produtos e serviços com potenciais riscos
da SST, controlo do risco da SST de novos projectos;

Observação visual do local e entrevista directa aos trabalhadores;

Acordos e comunicação entre a Organização, fornecedores e subcontratados


para o cumprimento do disposto nos procedimentos de controlo
operacional.

Não conformidades mais frequentes

Não se encontram definidos controlos operacionais para os riscos X e Y,


classificados como não aceitáveis. O relatório de monitorização revela
desvios aos objectivos constantes no Programa de gestão da SST para estes
riscos.

Foram observados vários equipamentos de elevação e movimentação


de cargas sem as indicações de cargas máximas, bem como estruturas
de suporte e arrumação sem a carga máxima definida e afixada.

O procedimento de gestão dos equipamentos de trabalho não foi


adequadamente implementado e mantido. Este estabelece que, caso o
66
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

equipamento não cumpra os requisitos da lista de verificação XPTO, este


é retirado de funcionamento até que as condições de segurança estejam
acauteladas. Questionado o operador sobre esta situação, este não
evidenciou conhecer o procedimento, nem em que situações o equipamento
não deve ser utilizado.

Não é assegurada a comunicação eficaz dos procedimentos aplicáveis aos


subcontratados. O pessoal da empresa de limpeza não evidenciou conhecer
as regras de SST estabelecidas para a utilização de substâncias perigosas,
não efectuando a sua correcta identificação. A EA observou produtos
químicos de limpeza sem rótulo e sem ficha de dados de segurança.

O controlo operacional estabelecido para as actividades executadas por


prestadores de serviços, tais como limpeza e manutenção preventiva
das instalações, não é monitorizado.

Foi constatado um deficiente controlo dos EPI e sua utilização, tendo-se


verificado a utilização de EPI em más condições, a não utilização dos EPI
adequados às funções ou em locais onde é obrigatório o seu uso, bem como
a falta de evidências da sua distribuição.

Os pavimentos das áreas não apresentam os níveis de arrumação e limpeza


adequados, constituindo-se por esse motivo como factores de risco,
nomeadamente de queda ao mesmo nível.

Verificou-se que a condução CAMC (carros automotores para movimentação


de cargas) é realizada por pessoal não qualificado para o efeito.

4.4.7 PREPARAÇÃO E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS


Finalidade

A Organização deve identificar potenciais situações de emergência, de forma


a estar preparada para responder a tais situações e prevenir ou mitigar
as consequências adversas para a SST.

Interpretação
É responsabilidade da Organização estabelecer, implementar e manter um
ou mais procedimentos de preparação e resposta a emergências detalhando
e considerando, nomeadamente:
O modo de identificação de potenciais situações de emergência que podem
ter consequências adversas para a SST;

As acções de resposta e mitigação em caso de ocorrência das situações


identificadas;

As consequências potenciais para a SST decorrentes de situações como


condições de operação anormais, situações de emergência e acidentes.

Caso a Organização opte pela documentação deste(s) procedimento(s), deve


considerar a natureza dos perigos da instalação (naturais, humanos e tecnológicos)
e medidas a tomar para prevenir a ocorrência dos mesmos. 67
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A identificação das potenciais situações de emergência deve ocorrer na fase


de levantamento de perigos e apreciação dos riscos da SST e ser actualizada
sempre que ocorra a introdução de um novo produto, actividade, equipamento
ou serviço, alterações nas instalações ou no processo de fabrico, entre outros.
Devem ser definidos os procedimentos de prevenção dos riscos da SST associados,
testando-os regularmente para que, caso ocorram os cenários previstos, seja
assegurada a redução/mitigação das consequências para a SST. No planeamento
destes procedimentos devem considerar-se as necessidades das partes interessadas
relevantes, por exemplo, serviços de emergência e vizinhança.

A resposta a emergências deve focar-se na prevenção de lesões e afectações da


saúde, bem como na minimização de consequências adversas para a segurança
e saúde da pessoa exposta à situação de emergência. Assim, a Organização
deverá considerar no desenvolvimento do(s) procedimento(s) estabelecido(s),
questões como:
Inventário e localização da armazenagem de materiais perigosos, bem
como informação sobre o potencial risco da SST de cada um dos produtos;

Número e localização das pessoas;

Sistemas críticos com impacto na SST;

Formação às pessoas que trabalham sob controlo da Organização,


relativamente aos procedimentos de emergência;

Medidas de detecção e controlo das situações de emergência, por exemplo,


queda de equipamentos de trabalho ou cargas, exposição a gases tóxicos
ou incêndios e a previsão dos riscos específicos da SST decorrentes dessas
situações acidentais;

Equipamento médico, kits de primeira intervenção, entre outros;

Sistemas de controlo e qualquer sistema de controlo paralelo/múltiplo;

Sistemas de monitorização de materiais perigosos;

Sistemas de detecção e combate a incêndios (sistemas de alarme, RIA,


extintores, etc.);

Fontes de energia de emergência;

Disponibilidade dos serviços de emergência locais, bem como qualquer


acordo de resposta a emergência em vigor;

Requisitos legais e outros requisitos;

Experiência prévia em resposta a emergência.

Atendendo às linhas de orientação da OHSAS 18002:2008, no(s) procedimento(s)


estabelecido(s) a Organização deverá considerar questões como:

Identificação de potenciais situações de emergência e localização;

Detalhes das acções a tomar pelo pessoal durante a emergência, incluindo


acções a tomar por trabalhadores que trabalham off-site, empreiteiros
68 e visitantes;
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Procedimentos de evacuação;

Responsabilidades e autoridades dos trabalhadores encarregues da resposta


a emergência;

Interface e comunicação com os serviços de emergência, tais como


instituições de Protecção Civil, bombeiros, serviços especializados em
contenção de derrames, entre outros;

Comunicação com os trabalhadores, tanto on-site como off-site, entidades


reguladoras e outras partes interessadas, tais como familiares, vizinhança,
comunidade local, media, entre outros;

Informação necessária para a execução da resposta a emergência, como


seja:

• Identificação e localização das vias de evacuação e pontos de


encontro;

• Identificação e localização dos equipamentos de resposta a


emergência;

• Identificação e localização dos materiais perigosos;

• Lista de contactos de entidades-chave na resposta a emergência


(ex: bombeiros, protecção civil, emergência médica, etc.).

A Organização deve considerar as diferentes operações associadas aos seus


riscos da SST quando estabelece ou modifica os seus procedimentos e controlo
operacional. Estas operações podem ser, por exemplo:

A aquisição, construção ou modificação das suas instalações e respectivas


imediações;

A elaboração de contratos;

Os serviços de apoio ao cliente;

O manuseamento e armazenagem de matéria-prima;

O marketing e a publicidade;

Os processos de produção e a manutenção;

As compras;

A investigação, design e engenharia de desenvolvimento;

A armazenagem dos produtos;

O transporte;

Entre outros.

Periodicamente, mas especialmente após a ocorrência de situações de


emergência ou de um exercício de simulação, os procedimentos devem ser
revistos e alterados se necessário

69
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

EvidênciaS

Plano de Emergência Interno (PEI) ou procedimentos de emergência, que


contemplem os cenários de emergência aplicáveis à Organização, assim
como a actuação nas diferentes situações;

Plantas de emergência actualizadas;

Lista de trabalhadores chave e de entidades de socorro/protecção civil,


incluindo os respectivos contactos;

Plano de Realização de exercícios de simulação de cenários de emergência;

Relatórios de exercícios de simulação de cenários de emergência;


RIA e sistemas de alarme;

Equipamentos de primeira intervenção, por ex: Extintores; carretéis, mantas


ignífugas (para fogo), entre outros;

Kits de primeiros socorros;

Kits de contenção de derrames.

Não conformidades mais frequentes

Não estão explícitas no Plano de Emergência Interno as responsabilidades


e autoridades das pessoas intervenientes na evacuação das instalações.

Não foi evidenciado que a Organização, ao elaborar o seu procedimento de


emergência interno, tenha tido em consideração as necessidades das partes
interessadas relevantes.
Verificou-se em vários locais da Organização o desconhecimento ou
conhecimento insuficiente por parte dos trabalhadores dos procedimentos
de emergência definidos pela Organização.

Não foi evidenciada a realização de exercícios de simulação de cenários de


emergência para incêndio e derrame de produtos perigosos utilizados pela
Organização, sendo estas situações de emergência identificadas.

Nas instalações da sede, não foi aplicada a sinalética de evacuação referida


no âmbito do PEI.

A EA constatou nas instalações de Viseu, que as saídas de emergência junto


ao gabinete médico e balneários se encontravam fechadas, não permitindo a
evacuação em situação de emergência e contrariando o definido nas plantas
de emergência afixadas. Nestas mesmas instalações, os equipamentos de
luta contra incêndio da zona de produção, encontravam-se bloqueados por
materiais e/ou equipamentos diversos.

Não foi evidenciada uma metodologia de controlo dos extintores e


carretéis, tendo-se verificado que estes equipamentos se encontram fora
da validade.

O PEI não se encontra actualizado, considerando as novas ampliações


70 das instalações, nomeadamente a localização de extintores, presença
03
GUIA INTERPRETATIVO

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| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

de obstáculos, novos pontos de encontro e falta de sinalização de


emergência.

Não foi evidenciada a implementação de acções decorrentes dos resultados


do simulacro realizado a 24 - 06 - 2009.

4.5 VERIFICAÇÃO
4.5.1 MONITORIZAÇÃO E MEDIÇÃO DE DESEMPENHO
Finalidade
Assegurar a monitorização e a medição periódica do desempenho da SST das
características principais das actividades e operações que podem ter um risco
da SST, incluindo a calibração ou verificação e a manutenção do equipamento
de monitorização e medição, com vista a acompanhar o desempenho, os
controlos operacionais aplicáveis e a conformidade com os objectivos da SST
da Organização.

Interpretação
A monitorização envolve a recolha de informação, tal como medições
e observações ao longo do tempo, utilizando equipamentos ou técnicas que
tenham sido consideradas apropriadas para a respectiva utilização. As medições
podem ser tanto quantitativas como qualitativas. Num SGSST, a monitorização
e medição pode ter inúmeros propósitos, nomeadamente:

Monitorizar a evolução no cumprimento dos compromissos da política,


dos objectivos da SST definidos e da melhoria contínua do SGSST;

Monitorização das exposições, de forma a avaliar o cumprimento dos


requisitos legais e outros requisitos que a Organização subscreva;

Monitorização de incidentes, lesões e afectações da saúde;

Fornecer dados para a avaliação do efectivo controlo operacional, ou para


avaliar a necessidade de alterações ou de introdução de novos controlos;

Proporcionar dados para a medição do desempenho da SST, tanto de forma


proactiva como reactiva;

Fornecer dados para a avaliação do desempenho do SGSST;

Proporcionar dados para a avaliação da competência.

Os dados de monitorização e medição recolhidos podem ser analisados


e tipificados, de modo a desencadear acções correctivas e/ou preventivas.

Para alcançar estes objectivos, a Organização deve planear o que será


monitorizado e medido, onde e quando devem ser efectuadas as medições, que
métodos devem ser utilizados, que EMM são requeridos (ex: sonómetros) e quais
as competências das pessoas que vão efectuar as medições.

A selecção dos parâmetros a monitorizar e medir deve ser baseada nas características-
chave dos locais de trabalho e das actividades desenvolvidas, de modo a fornecerem
a informação necessária para a avaliação da gestão dos riscos da Organização, do
cumprimento dos objectivos e da melhoria do desempenho da SST. 71
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

As medições e monitorizações devem ser realizadas em condições controladas,


através de processos que assegurem a validade dos resultados obtidos, como
por exemplo, calibração adequada ou verificação dos EMM, uso de pessoal
qualificado e uso de métodos de controlo de qualidade adequados, em intervalos
especificados, ou antes da sua utilização, face a padrões de medição rastreáveis,
internacionais ou nacionais.

Se não existirem tais padrões, a base utilizada para calibração ou verificação


deve ser registada. Procedimentos escritos que definam os métodos de medição
e monitorização podem fornecer maior consistência nas medições e melhorar
a fiabilidade dos dados obtidos.
Nota:
Existem monitorizações e medições que podem implicar que a calibração
dos equipamentos seja feita através de metodologias acreditadas conforme
a norma ISO 17025.
Os resultados da medição e monitorização devem ser analisados e utilizados
para identificar não só os casos de sucesso mas também as áreas que requerem
correcção ou melhoria.

EvidênciaS

Descrição dos parâmetros a analisar (requisitos legais, acções de controlo


operacional e objectivos), os métodos e os EMM a utilizar, a periodicidade das
medições, as responsabilidades e o sistema de registo. Esta evidência pode
ser apresentada, por exemplo, através de um plano de monitorização;

No caso de organizações que recorram a serviços externos de monitorização


e medição dos parâmetros estabelecidos, devem estabelecer procedimentos
que garantam que esses fornecedores evidenciam o cumprimento desta
subsecção;

Os resultados da monitorização (ex: relatórios de ruído ocupacional,


exposição a agentes químicos, etc.) devem ser validados após a sua obtenção
e verificada a sua conformidade. Deve ser evidenciado o registo de tomada
de acções, caso se verifique um incumprimento. Esta avaliação pode ser
formalizada, por exemplo, por uma rubrica do responsável pela análise
e respectiva data ou pelo registo de não conformidade e acção corretiva.

Não conformidades mais frequentes

Não foi evidenciado o estado de calibração ou verificação dos EMM utilizados


na realização dos ensaios para a determinação do parâmetro “XYZ”.

Não foram evidenciadas as medições de ruído ocupacional com a


regularidade exigida na legislação, não tendo sido, por isso, evidenciado
o acompanhamento do respectivo desempenho.

O relatório Nº 123 de 02-09-2009, relativo aos resultados das medições


efectuadas internamente ao ruído ocupacional, não contempla a incerteza
associada ao processo de medição, conforme previsto na legislação
72 aplicável.
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

4.5.2 AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE


Finalidade

Verificar se todos os requisitos legais e outros requisitos aplicáveis estão a ser


cumpridos de forma sistemática, segundo metodologia definida pela própria
Organização.

Interpretação

Uma vez identificados os requisitos legais e outros aplicáveis à Organização (ver


4.3.2) deve ser avaliado, com uma frequência determinada, se estes estão a ser
cumpridos, podendo ser adoptadas diferentes metodologias.

Como mencionado na Parte A “A certificação OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008


e a Conformidade Legal”, é importante que o elemento que faz a avaliação
da conformidade legal na Organização tenha a competência adequada, tanto
em termos dos requisitos legais, como na sua aplicação, quer seja da Organização
ou recurso externo (ver 4.4.2).

Tal como referido nas subsecções 4.3.1 e 4.3.2, pode ser vantajoso, cruzar os riscos
da SST com os requisitos legais e outros requisitos associados. Essa listagem pode
ser utilizada para a avaliação da conformidade.

A Organização pode efectuar esta avaliação através de auditorias de conformidade,


com um auditor com as competências definidas. Neste caso, será vantajoso o
recurso a uma lista de verificação adaptada à realidade da Organização que
permita uma avaliação de todos os requisitos aplicáveis (exemplo: CAP dos
técnicos de SST; fichas de aptidão médica dos trabalhadores). A auditoria para
avaliação da conformidade não deve ser realizada por amostragem.

A avaliação da conformidade pode ser complementada com verificações do


cumprimento da monitorização e medição planeadas. Contudo, deve ser tido em
conta que este plano pode ser mais ou menos exaustivo e por isso é fundamental
a consulta do levantamento de requisitos aplicáveis e da avaliação de outros
planos/registos associados, por exemplo, no que diz respeito às comunicações
obrigatórias, licenças, conteúdos dos relatórios de monitorização, etc. Assim,
uma avaliação de conformidade baseada nestes dois documentos (plano de
monitorização e lista de requisitos aplicáveis) pode ser mais completa.

Existem determinados requisitos que podem carecer de um acompanhamento mais


frequente e outros que necessitem de ser acompanhados com uma periodicidade
mais alargada, dependendo dos requisitos em causa e do desempenho passado.
Ou seja, devem ser definidas as periodicidades de avaliação da conformidade
necessárias para os diferentes tipos de requisitos.

A Organização pode utilizar uma mistura destes ou outros mecanismos, desde


que assegure que, com uma periodicidade adequada, é avaliada a conformidade
com todos os requisitos legais e outros requisitos aplicáveis, ou seja, que
para a periodicidade definida, a avaliação da conformidade não é feita por
amostragem.
73
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

É de realçar que os resultados das avaliações de conformidade devem ser


registados, quer a Organização esteja ou não a cumprir. O ideal é que, para
cada requisito legal ou outro requisito que a Organização subscreva, exista
um resultado associado apoiado por registos efectivos. Estes resultados devem
ser apresentados como entrada para a revisão pela gestão. Adicionalmente,
será também importante analisar a eficácia da metodologia adoptada para
a avaliação da conformidade.

No caso de ser detectado um incumprimento a um requisito legal ou outro


requisito aplicável, devem ser tomadas as medidas previstas pelo SGSST
(exemplo: abertura de uma NC; elaboração de um plano de acções, etc.) com
vista à resolução imediata da situação e consequente estudo da sua origem.
Nestas situações deve ser analisada a eventual necessidade de comunicação com
as entidades oficiais (exemplo: acidente grave deve ser comunicado à entidade
competente).

Para a avaliação da conformidade com “os outros requisitos” a Organização


pode optar por estender a metodologia de avaliação de cumprimento legal ou
utilizar uma metodologia distinta.

EvidênciaS

Devem ser evidenciados registos dos resultados de todas as avaliações de


conformidade efectuadas no(s) formato(s) adoptados pela Organização.
Estes resultados devem ser apresentados segundo a periodicidade definida
pela Organização para todos os requisitos aplicáveis.

Não conformidades mais frequentes

Não foi evidenciada a aprovação e implementação de uma metodologia


capaz de evidenciar a conformidade legal.

A Organização não evidenciou o registo dos resultados da avaliação


periódica de conformidade com os requisitos legais e outros requisitos
aplicáveis que subscreve.

A metodologia de avaliação da conformidade limita-se a analisar


o cumprimento dos requisitos que impõem valores limites (ex: ruído),
não incluindo outros requisitos como as licenças da Organização e dos
prestadores de serviços, comunicações (ex: modalidade de serviços de SST)
e registos obrigatórios.

A Organização evidenciou que efectua uma avaliação da conformidade


relativa a requisitos legais, no entanto, esta mesma prática ainda não
é extensiva a outros requisitos que a Organização subscreveu.

74
03
GUIA INTERPRETATIVO

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| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

4.5.3 INVESTIGAÇÃO DE INCIDENTES, NÃO CONFORMIDADES,


ACÇÕES CORRECTIVAS E PREVENTIVAS
4.5.3.1 INVESTIGAÇÃO DE INCIDENTES
Finalidade

A Organização deve investigar e analisar incidentes, de forma a prevenir a sua


recorrência, identificar oportunidades de melhoria actuando preventivamente
sobre as causas raiz e melhorar a sensibilização e consciencialização para a SST
no local de trabalho.

Interpretação
A Organização deve desenvolver procedimentos que lhe permitam registar,
investigar e analisar todos os incidentes, em consonância com a sua política de
SST, criando uma abordagem estruturada, proporcional e atempada para actuar
sobre a(s) causa(s) do(s) incidente(s).

Atendendo às linhas de orientação definidas na OHSAS 18002:2008, a Organização


deverá ter em conta, na elaboração do procedimento de investigação de
incidentes o seguinte:
Uniformização do entendimento da definição de incidente (definição 3.9);

Que o registo deve considerar todo o tipo de incidentes, incluindo acidentes,


emergências, quase acidentes, afectações da saúde, entre outros;

A necessidade de cumprir com requisitos legais relativos à comunicação


e investigação de incidentes, tais como a manutenção de um registo
de acidentes;

A definição de responsabilidades e autoridades para o registo e comunicação


da investigação de incidentes;

A necessidade de actuar imediatamente para lidar com riscos imediatos;

A necessidade da investigação ser imparcial e objectiva;

A necessidade de se focar em determinados factos casuais;

Os benefícios do envolvimento das pessoas com conhecimento do


incidente;

A definição dos requisitos para conduzir e registar as diferentes fases


da investigação de incidentes, tais como:

• Recolha atempada de factos e evidências;

• Análise dos resultados;

• Comunicação da necessidade identificada de implementação de acção


corretiva ou preventiva (de acordo com o previsto em 4.5.3.2);

• Fornecer informação aos processos de identificação de perigos, apreciação


do risco, resposta a emergências, medição e monitorização do desempenho
a SST e revisão pela gestão. 75
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

As investigações deverão ser realizadas em prazos adequados, sempre que


possível com a participação das partes interessadas e os seus resultados devem
ser comunicados, documentados e mantidos.

As pessoas designadas para a condução das investigações dos incidentes deverão


ter competências adequadas (ver 4.4.2).

EvidênciaS

Metodologia para a investigação dos incidentes incluindo registo, análise


de causas, responsabilidades e acções a desenvolver;

Registos da investigação de incidentes.

Não conformidades mais frequentes

Não estão definidos os responsáveis pela investigação de incidentes.

Os resultados da investigação de incidentes e a respectiva análise de causas


não foram comunicados nem considerados como entrada para a revisão
pela gestão do SGSST.

Em 2009, à data de auditoria, não houve acidentes com baixa, tendo


havido 15 incidentes (acidentes sem baixa e quase acidentes) até Outubro.
O modelo de registo de incidentes MOD.QAS.027 não permite a identificação
de causas, não tendo a mesma sido evidenciada à EA.

Foi identificada em auditoria a ocorrência de acidentes graves com causa


idêntica, não sendo evidenciadas acções com vista à sua eliminação
ou redução significativa.

4.5.3.2 NÃO CONFORMIDADES, ACÇÕES CORRECTIVAS


E PREVENTIVAS
Finalidade

Promover a melhoria contínua, assegurando que a Organização identifica as não


conformidades reais e implementa acções correctivas, para evitar a sua recorrência
e que actua preventivamente, aplicando metodologias de identificação de não
conformidades potenciais.

Interpretação

A Organização deve desenvolver metodologias que lhe permitam evoluir


e melhorar o desempenho, em consonância com a sua política da SST. Como
tal, deve identificar as não conformidades, definir acções correctivas para as
eliminar, como também estabelecer acções preventivas para potenciais situações
de não conformidade.

76
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Uma não conformidade pode ser resultado de:

Um incumprimento legal;

Uma falha no controlo operacional;

Uma falha na preparação da resposta a emergências;

Uma auditoria ao SGSST, em que seja identificado, por exemplo, que um


requisito da norma não se encontra implementado ou mantido;

Entre outros.

Em caso de não conformidade é necessário:

Actuar sob os efeitos produzidos, identificando acções de contenção e/ou


correcção (acção imediata), para minimizar os seus riscos;

Analisar as causas e estabelecer acções correctivas.

Consideram-se como acções correctivas as tomadas para eliminar as causas


de não conformidades detectadas, evitando a sua recorrência. São consideradas
acções reactivas, embora quando implementadas previnam ou diminuam
a probabilidade de recorrência de situações similares. Esta prevenção não deve
ser confundida com a acção preventiva. Por outro lado as acções correctivas não
podem ser confundidas com a simples contenção e/ou correcção (acção imediata)
de uma não conformidade específica.

O processo de desencadeamento de acções correctivas compreende, normalmente,


as seguintes etapas:

Investigar e identificar as causas raiz dos problemas ocorridos;

Definir acções correctivas adequadas à natureza e consequências dos


problemas ocorridos e planear a implementação das mesmas (definir
responsáveis, prazos de implementação e recursos necessários);

Controlar a implementação das acções definidas, registando os resultados


das mesmas;

Avaliar os resultados das acções tomadas no sentido de determinar se estas


foram eficazes, ou seja se previnem novas ocorrências da não conformidade
detectada.

As acções preventivas devem ser tomadas, tendo em conta as consequências


potenciais conformidades. São consideradas acções pró activas.

O processo de desencadeamento de acções preventivas compreende, normalmente,


as seguintes etapas:

Recolha e tratamento de informação que permita identificar potenciais não


conformidades, as respectivas causas e a sua probabilidade de ocorrência;

Avaliação dos possíveis efeitos e consequências negativas, resultantes de


tais não conformidades; 77
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Decidir sob a necessidade de acções preventivas;

Definir acções adequadas à natureza e consequências dos problemas


identificados e planear a implementação das mesmas (definir responsáveis,
prazos de implementação e recursos necessários);

Controlar a implementação das acções definidas, registando os resultados


das mesmas;

Avaliar os resultados das acções tomadas no sentido de determinar se estas


foram eficazes.

O tipo e a profundidade das acções tomadas devem eliminar ou reduzir o perigo


a valores aceitáveis, devendo ser adequadas aos riscos em causa. Nestas condições
é uma boa prática a apreciação do risco antes da implementação da acção.

A experiência da APCER demonstra que existem muitos desvios e relutância


na aplicação de metodologias de acções correctivas ou preventivas eficazes,
podendo ser muitas as causas. O conhecimento e envolvimento de todos os
trabalhadores para a necessidade de adoptar metodologias adequadas de
tratamento dos desvios, “aprendendo e melhorando com os erros” (acções
correctivas) e “pensando proactivamente” (acções preventivas) deve exigir um
esforço da Organização pelo seu potencial de melhoria do desempenho.

AVALIAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO PARTES


AUDITORIAS MONITORIZAÇÃO TRABALHADORES OUTRAS FONTES
CONFORMIDADE DE INCIDENTES INTERESSADAS

PROCESSO DE ACÇÕES
CORRECTIVAS E PREVENTIVAS

REVISÃO PELA GESTÃO

A descentralização das actividades de desencadeamento, realização, controlo


e revisão das acções correctivas pode assumir particular importância em
organizações de grande dimensão ou com múltiplos locais de actividade.

A Organização deve providenciar o controlo do estado da não conformidade,


por exemplo: em análise, em implementação e fechada. Este controlo deve
contemplar, não apenas a implementação, mas também os métodos para avaliar
a eficácia das acções.

Os resultados e o estado das acções desencadeadas devem ser registados e levados


ao conhecimento da gestão de topo para efeitos de revisão do SGSST.

78
03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

EvidênciaS

Procedimento que inclua a metodologia para o tratamento de não


conformidades e a identificação, implementação, controlo e revisão da
eficácia das acções correctivas e preventivas;

Registos do tratamento de acções correctivas e preventivas, em particular,


dos resultados das acções empreendidas e outros eventualmente relevantes
para demonstrar a conformidade da prática com os requisitos normativos.

Não conformidades mais frequentes

Não está prevista a avaliação da eficácia das acções correctivas implementadas


decorrentes dos incidentes de trabalho.

Não há evidências de que as acções correctivas tenham sido definidas


através do processo de apreciação do risco antes da sua implementação,
em situações cuja implementação altera os perigos identificados (ex: de
forma a eliminar a movimentação manual de cargas no armazém foram
introduzidos 2 empilhadores). A implementação desta acção introduz
novos perigos da SST.

Na sequência da informação disponibilizada para a Revisão do SGSST,


não foram evidenciadas acções preventivas, existindo evidências, face às
tendências apresentadas, de que estas são necessárias ou que poderiam ter
sido tomadas atempadamente. Exemplo: a evolução do objectivo “redução
do número de acidentes com baixa” apresenta um aumento tendencial
identificado nas análises trimestrais. Não foram tomadas quaisquer acções
de modo a contrariar esta tendência, tendo sido o resultado anual de um
aumento de 1%, quando a meta se referia a uma redução de 2%.

As acções correctivas desencadeadas na sequência de auditorias internas


não se encontram implementadas. Exemplo: AC n.º10 com implementação
prevista para Julho de 2009, tendo-se já passado três meses desta data.

Verificaram-se algumas situações em que as acções correctivas foram


consideradas encerradas e eficazes, não tendo sido possível verificar a sua
efectiva implementação. Ex: NC 8/19 – com acção orçamentada para 2008.

Não foi evidenciada a comunicação dos resultados das acções correctivas


implementadas (ex: delimitação da zona de passagem pedonal na fábrica;
distribuição de EPI, tal como auriculares e botas de protecção).

4.5.4 CONTROLO DOS REGISTOS


Finalidade

Garantir que os registos associados a um SGSST proporcionam informação


adequada à gestão e evidenciam a conformidade com os requisitos e a operação
eficaz do SGSST.
79
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Interpretação
A norma requer formalmente a existência dos seguintes registos, devendo
a Organização identificar, para além destes, quais os que necessita de estabelecer
no âmbito de um SGSST eficaz:

REQUISITO REGISTO EXIGIDO

Registos associados à escolaridade, formação ou experiência das pessoas


que executam tarefas para a Organização com impacto na SST;

Registos associados à formação ou outra acção desenvolvida para dar


4.4.2
resposta às necessidades de formação associadas aos respectivos riscos
da SST e ao SGSST;

Registos associados à avaliação da eficácia das acções de formação.

Dados e resultados da monitorização e medição, suficientes para


facilitar a análise das acções correctivas e preventivas subsequentes;

Resultados de calibração e/ou verificação do equipamento


4.5.1
de monitorização ou medição;

Resultados de manutenção do equipamento de monitorização


ou medição.

Resultados das avaliações periódicas da conformidade com os


4.5.2.1
requisitos legais aplicáveis.

Resultados das avaliações periódicas da conformidade com outros


4.5.2.2
requisitos que a Organização subscreva.

4.5.3.1 Resultados da investigação de incidentes.

Resultados das acções correctivas e das acções preventivas


4.5.3.2 d)
implementadas.

Responsabilidades, competências e requisitos para o planeamento


4.5.5
e realização de auditorias e comunicação de resultados.

4.6 Revisões pela gestão.

Para além destes, compete à Organização identificar os registos que considere


necessários, nomeadamente os registos legais obrigatórios e outros que suportem
o desempenho da SST (ver 4.6).

80
03
GUIA INTERPRETATIVO

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| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

Um controlo apropriado significa o estabelecimento dos critérios e


responsabilidades para:

Arquivo: local, suporte e condições de armazenamento;

Protecção: cuidados a ter para garantir a integridade;

Recuperação: processo eficiente para pesquisa e utilização;

Retenção: tempos de retenção por registo, em função da legislação aplicável,


condições contratuais, rastreabilidade definida e tempo necessário para
avaliar evoluções de desempenho;

Eliminação: forma de eliminação em função do grau de confidencialidade


associado a cada registo.

A norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 não requer que a Organização


disponha de um procedimento documentado para controlo dos registos, podendo
o mesmo ser criado, caso necessário.

EvidênciaS

A Organização deve, através da manutenção de registos apropriados


demonstrar que os mesmos são controlados.

Os registos específicos necessários a cada Organização são diferentes


tanto em número, como em conteúdo, dependendo da sua dimensão e
complexidade. Pode ser necessário que a Organização mantenha outros
registos para demonstrar a conformidade com a norma, mesmo se aqueles
não estiverem especificamente mencionados na OHSAS 18001:2007 |
NP 4397:2008. Exemplos incluem registos de consulta dos trabalhadores
e exercícios de simulação de cenários de emergência.

Não conformidades mais frequentes

A Organização não dispõe de todos os registos formalmente requeridos pela


norma OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008, nem dos definidos pela própria
Organização, no âmbito SGSST. Exemplo: não foi evidenciada a consulta aos
trabalhadores relativamente às matérias da SST, não foram evidenciados
os registos da acção de formação “Utilização adequada de EPI” realizada
em Novembro de 2008; não foi evidenciado o planeamento das auditorias
internas referente a 2009.

Os registos do SGSST não se encontram adequadamente controlados.


Evidência: duas acções correctivas desencadeadas durante o ano de 2009,
não numeradas e sem data de emissão; registos de identificação de perigos
e apreciação do risco na obra XX efectuados em impressos com conteúdos
diferentes dos estipulados no impresso definido no SGSST.

A Organização realiza “back-ups” semanais e diários, cujas “tapes” são


armazenadas na própria sala de servidores, não acautelando uma situação
de acidente. 81
Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Não foram evidenciados registos que demonstrem o estado de cumprimento


dos requisitos legais aplicáveis.

No documento DDDv3 de 16-02-2009 “Controlo dos Registos”,


a Organização não considera alguns registos relevantes (ex: registos das
verificações de equipamentos de trabalho e discos dos tacógrafos dos
veículos pesados). Neste documento, também não estão definidos os
tempos de retenção adequados (legais) para alguns registos (ex: períodos
de retenção dos registos da avaliação da exposição dos trabalhadores
ao ruído e vibrações).

Nota:
Não conformidades associadas ao controlo dos registos podem ser indexadas às
restantes subsecções da norma, em particular quando se constata a inexistência
de registos que evidenciem o necessário planeamento, execução, controlo
e eficácia das actividades e/ou processos associados e a conformidade com os
requisitos envolvidos.

4.5.5 AUDITORIA INTERNA


Finalidade

Assegurar a realização de auditorias internas para avaliar a conformidade do SGSST


com os requisitos estabelecidos, particularmente, com a norma de referência e
legislação aplicável, por pessoal competente, utilizando metodologias claramente
definidas que se constituam como uma efectiva ferramenta de melhoria e suporte
à gestão para a Organização.

Interpretação

As auditorias internas são um elemento chave no ciclo PDCA para o SGSST.


Assim, devem ser objectivas e realizadas por pessoal diferente daquele que
realiza o trabalho a ser auditado.

A Organização deve definir as competências necessárias para a qualificação dos


auditores, tendo em consideração a independência, imparcialidade, objectividade
e formação. São necessários conhecimentos de diversas áreas, definidas caso a
caso tendo em conta a dimensão da Organização, sector de actividade, riscos
associados aos locais de trabalho e às actividades desenvolvidas, entre outros.

É importante que a formação de auditores inclua técnicas/metodologias de


auditoria e conceitos de gestão da SST. Em determinadas situações pode ser
essencial, para uma correcta avaliação do SGSST, que as competências dos
auditores incluam conhecimentos da legislação em vigor aplicável e das actividades
desenvolvidas na Organização. A formação dos auditores deve ser tanto
inicial, aquando da qualificação dos mesmos, como contínua, acompanhando
as evoluções da Organização, legislação e revisões normativas, entre outras.

As auditorias internas podem ser realizadas por auditores externos à Organização.


82 Caso seja esta a escolha, deve ser assegurado o cumprimento dos procedimentos,
03
GUIA INTERPRETATIVO

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| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

critérios e requisitos associados, por exemplo, à competência, actividades


de planeamento e realização, bem como registo de resultados e acções de
seguimento, tal como estabelecidos pela Organização.

Em algumas situações, pode ser necessário subcontratar todo ou parte do


processo de auditoria interna se, por exemplo, não existirem recursos apropriados.
Este facto pode ainda ser especialmente útil, por exemplo, na auditoria à gestão
de topo ou à própria função de gestão da SST, em organizações cuja dimensão
não permite assegurar independência dos auditores. Contudo, pelo papel chave
que as auditorias internas têm na verificação e na identificação de oportunidades
de melhoria do sistema, é desejável que se criem as competências internas, quer
em termos de formação, quer em termos de experiência, que apenas se adquire
através da realização de auditorias.

As auditorias devem verificar o cumprimento dos requisitos aplicáveis e dos


procedimentos, bem como a eficácia dos processos em atingir os objectivos.
Também permitem a identificação de oportunidades de melhoria e, como tal,
são um elemento essencial para o cumprimento deste objectivo.

Relativamente às auditorias internas, devem ser definidos:

Os critérios da auditoria, isto é, quais as referências utilizadas para a realização


da auditoria, em relação às quais as evidências vão ser comparadas;

O âmbito da auditoria, que descreva a extensão e limites da auditoria, por


exemplo, quais os locais e actividades a auditar;

A frequência das auditorias, devendo ser definido um ciclo de auditorias; e

As metodologias de auditoria.

Tal como mencionado na Parte A do presente guia, a NP EN ISO 19011:2003


embora seja aplicável a auditorias a sistemas de gestão da qualidade e/ou de
gestão ambiental, proporciona orientações para aplicação a outros sistemas
de gestão e adapta-se à OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008. É recomendável
para todas as organizações a utilização da NP EN ISO 19011:2003, de forma a
implementar processos de auditoria eficazes e impulsionadores da melhoria
do desempenho.

O programa de auditorias deve ter em conta os resultados das apreciações do


risco das actividades da Organização, bem como os resultados das auditorias
anteriores. É expectável que a frequência e amostragem das auditorias a
actividades com maior risco de natureza ocupacional e/ou maior incidência de não
conformidades seja superior à frequência das auditorias a realizar a actividades
com um bom desempenho. Os processos e/ou actividades subcontratados com
influência no SGSST devem ser incluídos no programa de auditorias internas.

As auditorias internas podem abranger a totalidade do SGSST ou parte deste. No


caso da Organização apenas prever auditorias internas parciais, o seu conjunto
deve permitir, num período de tempo adequado, avaliar a totalidade do SGSST.

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Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 não define a frequência das auditorias


internas, contudo a APCER considera como boa prática que, no mínimo,
no período de um ano a totalidade do sistema seja avaliado.

As equipas auditoras podem utilizar listas de verificação/comprovação que permitam


a sistematização e uniformização dos critérios e da abrangência da auditoria.
As listas de verificação/comprovação devem ser elaboradas tendo por base todas
as operações e actividades (de rotina e esporádicas), todos os perigos associados,
componentes materiais do trabalho, obrigações legais aplicáveis e outras subscritas
pela Organização, relacionadas com a apreciação do risco e com a implementação
de controlos necessários e a documentação de suporte ao SGSST, isto é, devem ser
compatíveis com o SGSST da Organização e com os seus requisitos.

Ao nível dos registos de execução da auditoria deve ser considerada a formalização


de informações relevantes, atendendo ao conteúdo dos procedimentos existentes
e registos de programação e planeamento de auditorias internas tais como,
o âmbito da auditoria, referenciais, objectivos e alcance da auditoria interna,
constituição da equipa auditora (e quem auditou o quê, em especial quando se
coloquem questões de independência e imparcialidade) e duração da auditoria.

Os registos devem incluir, para além de eventuais constatações de não


conformidade, as conclusões da auditoria e/ou constatações que permitam
a determinação da conformidade do SGSST com os requisitos da norma de
referência e com os requisitos estabelecidos pela Organização e que suportem
a análise da sua implementação e adequação, por exemplo, nas actividades
de revisão do sistema.

Os resultados das auditorias de SST devem ser levados ao conhecimento da gestão


de topo e dos responsáveis das áreas auditadas.

Um indicador possível da eficácia das auditorias internas é a comparação dos


resultados obtidos recentemente com os da auditoria de segunda ou terceira
parte, sendo expectável que a auditoria interna consiga detectar mais desvios ou
situações mais relevantes.

A identificação de causas de eventuais não conformidades constatadas,


implementação, fecho e revisão das acções correctivas (ver definição 3.8.7 da
NP EN ISO 9000:2005), decorrentes das auditorias à SST, devem ser efectuadas
de acordo com um circuito de responsabilidades e os procedimentos definidos
(ver 4.5.3.2). Os resultados das auditorias internas constituem, igualmente,
informação para efeitos da revisão do sistema pela gestão (ver 4.6).

As auditorias enquadradas em processos de certificação, sejam elas visitas


prévias ou outras, também denominadas por auditorias de terceira parte,
não podem ser consideradas para evidenciar o cumprimento de requisitos
associados a auditorias internas.

Verifica-se com alguma frequência que a realização de auditorias é encarada


mais como o cumprimento do requisito da norma do que um processo de
valor acrescentado. Assim, embora se cumpram os requisitos normativos, os
resultados da auditoria não alcançam plenamente os seus objectivos, quer
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03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

de verificação da conformidade, quer de identificação de oportunidades de


melhoria. Esta situação pode ocorrer em diferentes tipos de organizações e em
diferentes estados de maturidade do sistema. É, nestes casos, recomendável
que a Organização, ao nível do responsável pelo SGSST ou aquando da revisão
pela gestão, avalie criticamente os resultados das suas auditorias internas
e promova uma cultura de avaliação e melhoria.

EvidênciaS

A Organização deve, através da manutenção de registos apropriados


demonstrar que as responsabilidades e metodologias para realizar auditorias
internas são adequadas;

Registos associados às responsabilidades, competências, requisitos para o


planeamento, realização de auditorias e comunicação de resultados;

Evidência de que o planeamento das auditorias tem em consideração os


processos/áreas/actividades com maior risco e/ou maior incidência de não
conformidades em auditorias anteriores.

Não conformidades mais frequentes

O procedimento definido para a realização das auditorias internas não


contempla as competências dos auditores em matéria de SST.

Os auditores internos não possuem as competências definidas em


procedimento pela Organização: formação na norma de referência
e conhecimento do processo produtivo.
O âmbito do conjunto das diferentes auditorias internas realizadas durante
o ciclo de auditorias definido não contempla todo o SGSST.

A frequência das auditorias não tem em consideração a importância


(apreciação do risco das actividades da Organização) e a situação actual da
área/processo auditado.

O relatório da auditoria global interna, realizada por dois auditores da


própria Organização, não identifica as áreas/actividades auditadas por cada
um deles. Nas entrevistas efectuadas a esses dois colaboradores, a EA foi
informada que a auditoria tinha sido efectuada sempre em conjunto, pelo
que, em diversas ocasiões, os auditores auditaram o seu próprio trabalho,
não tendo sido assegurada a independência do Auditor relativamente
à área auditada.

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Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

4.6 REVISÃO PELA GESTÃO

Finalidade

Garantir a análise crítica ao mais alto nível, global e integrada, do desempenho,


adequabilidade, eficácia e melhoria do SGSST.

Interpretação

Para gerir eficazmente o SGSST e assegurar a sua contínua adequação, suficiência


e eficácia, a gestão de topo deve monitorizar e analisar as questões da SST
numa base regular. As decisões estratégicas devem ser tomadas, implementadas
e acompanhadas.

A revisão pela gestão deve ter um âmbito suficientemente alargado para avaliar
a melhoria e a adequabilidade do SGSST no cumprimento da política, dos
objectivos e dos requisitos da norma.

A gestão de topo deve conduzir revisões pela gestão em intervalos definidos.


Todos os itens do parágrafo 4.6 a) a i) devem ser analisados durante o ciclo das
revisões pela gestão. Para algumas organizações, as revisões pela gestão e as
reuniões da gestão de topo regulares são idênticas em natureza.

A OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008 não define a frequência das revisões


pela gestão, sendo essa definição da responsabilidade da gestão de topo.
As revisões pela gestão devem ter uma frequência adequada para assegurar
uma monitorização eficaz e o desencadeamento de acções apropriadas onde
necessário para corrigir quaisquer potenciais problemas. Dificilmente, revisões
com periodicidade superior a um ano cumprem este objectivo, mas por outro
lado, é pouco provável que reuniões de rotina, semanais ou mensais, tenham
a profundidade necessária.

Os factores que podem afectar a frequência das revisões pela gestão incluem:

Maturidade do SGSST;

Problemas encontrados em revisões anteriores (ver 4.6 a) a i));

Outras questões relevantes para o desempenho do SGSST (ex: novos


requisitos legais ou de partes interessadas).

A informação de entrada para a revisão pela gestão deve ser planeada de modo
a permitir uma visão alargada e abrangente do SGSST, do desempenho da SST
e dos resultados alcançados.

Ressalva-se que as recomendações de melhoria, as alterações que possam afectar


o SGSST e o seguimento de acções resultantes de anteriores revisões pela gestão,
devem ser motivo de análise no decurso da revisão pela gestão.
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03
GUIA INTERPRETATIVO

INTRODUÇÃO | OBJECTIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO | REFERÊNCIAS NORMATIVAS | TERMOS E DEFINIÇÕES


| REQUISITOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA SST

As saídas da revisão pela gestão constituem, em geral, entradas noutros processos


do SGSST (os associados a melhoria, controlo operacional, competência, formação
e sensibilização, estabelecimento de políticas e objectivos, entre outros). Muitos
destes instrumentos de gestão normalizada assentam no conhecimento de
quais são, à data da revisão do SGSST, as deficiências da SST subjacentes à causa
para a ocorrência de incidentes, pelo que é de toda a conveniência que esta
informação constitua uma das entradas do processo de revisão.

Os requisitos normativos enfatizam algumas situações mais relevantes que devem


ser motivo de decisão e, eventualmente, de acções associadas:

Melhoria da eficácia do SGSST e do desempenho da SST;

Alterações da política e objectivos da SST;

Necessidades de recursos;

Outros elementos do SGSST, por exemplo, revisão do(s) programa(s) de


gestão da SST.

Esta revisão deve permitir verificar se a política da SST se mantém adequada,


se os objectivos e metas foram atingidos e avaliar o grau de desempenho da SST.
Deve ainda permitir verificar a necessidade de se estabelecerem novos objectivos.
No caso de se verificar o não cumprimento dos objectivos devem ser definidos
novos meios técnicos, humanos e financeiros para os atingir. A Organização
deve disponibilizar as saídas relevantes da revisão pela gestão para comunicação
e consulta (ver 4.4.3).

EvidênciaS

A Organização deve, através da manutenção dos registos adequados,


demonstrar que planeou as revisões pela gestão em intervalos definidos
e que estes são suficientes para assegurar o enquadramento, adequação
e eficácia contínuos do SGSST;

A Organização deve evidenciar as acções, tanto planeadas como concluídas,


relacionadas com a melhoria contínua da eficácia do SGSST e desempenho
da SST;

Os registos da revisão pela gestão devem contemplar, inequivocamente,


quais as decisões tomadas e eventuais acções desencadeadas.

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Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

Não conformidades mais frequentes

Não foi realizada uma revisão pela gestão no último ano, tal como estipulado
pela Organização no procedimento XPTO de 10-02-2005.

A Organização não definiu a periodicidade de revisão do sistema de gestão


da SST pela gestão de topo.

A revisão pela gestão realizada não incluiu todas as entradas (ex: avaliação
de conformidade com os requisitos legais e outros, estado da investigação
de incidentes e resultado da participação e consulta) nem todas as saídas
(ex: desempenho da SST) definidas pela norma de referência.

O documento que resulta da revisão pela gestão não contempla a tomada


de decisões nem as respectivas responsabilidades.

88
Escolhe um trabalho de que gostes,
e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.
“Confúcio”

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Guia Interpretativo OHSAS 18001:2007 | NP 4397:2008

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