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Hedge accounting ou “contabilidade de hedge” é uma estratégia contábil

opcional utilizada por empresas que desejam eliminar ou reduzir a volatilidade


nos resultados ou no patrimônio líquido decorrente de operações de hedge.
Essa volatilidade nasce da forma de mensuração e classificação dos
instrumentos utilizados para hedge, que muitas vezes é diferente da forma
como os itens protegidos são contabilizados.

O hedge accounting proporciona o casamento das formas de mensuração e


reconhecimento de resultados dos instrumentos de hedge no mesmo período
contábil em que é apurado o valor justo dos objetos de hedge.

Atualmente, para que um instrumento de hedge possa ser enquadrado em


uma estrutura de hedge accounting, devem ser seguidas as normas
estabelecidas pelo IASB na IAS 39, aplicável às empresas brasileiras a partir da
emissão da Lei 11.638/2007 e do CPC 38, visando principalmente a
comprovação de que o risco associado ao objeto de hedge é coberto
apropriadamente pelo instrumento de hedge correspondente. Estas exigências
necessitam de documentação específica para que os lançamentos contábeis
possam ser enquadrados como hedge accounting.

Sete passos para a implantação de hedge accounting:

PASSO 1: Identificar os itens ou transações objeto de hedge:


O primeiro passo em uma estratégia de hedge accounting deve ser identificar
a origem da necessidade do hedge (ex. exportação de café) e se as formas de
mensuração e classificação do objeto e do instrumento de hedge podem gerar
algum descasamento contábil (accounting mismatches). Se isso acontecer,
deve-se investigar se uma estrutura de hedge accounting pode resolver ou
mitigar o problema.

PASSO 2: Identificar a categoria de hedge:

• Fair value hedge (hedge de valor justo)


Proteção de exposição oriunda de mudanças no valor justo de ativos ou
de passivos reconhecidos no balanço ou de parte deles.
Nesse tipo de hedge, tanto o instrumento quanto o objeto
de hedge devem ser mensurados a valor justo, com contrapartida no
Resultado.
• Cash flow hedge (hedge de fluxo de caixa)
Proteção de exposição oriunda de variações no fluxo de caixa que possa
ser atribuível a um risco específico associado a ativos ou passivos
reconhecidos ou a compromissos firmes ou transações projetadas que
sejam altamente prováveis. Nesse tipo de hedge, o objeto protegido
continua sendo contabilizado da mesma forma que seria sem a estratégia
de hedge accounting, porém, a parte efetiva das variações no valor justo
do instrumento de hedge é registrada no Patrimônio Líquido, e não no
Resultado.

• Net investment hedge (hedge de investimento líquido no exterior)


Proteção de um investimento líquido em uma atividade operacional no
exterior.
A forma de contabilização dessa estratégia de hedge accounting segue a
mesma lógica do cash flow hedge, ou seja, o objeto de hedge não muda,
mas o instrumento de hedge tem as variações no valor justo da sua
parcela efetiva lançados no resultado do período.

PASSO 3: Identificar a natureza do risco do objeto de hedge e o respectivo


período:

Consiste na identificação dos riscos inerentes aos itens ou transações


destacadas no PASSO 1 e seus respectivos prazos.

É preciso documentar quais riscos de um objeto de hedge estão sendo


protegidos e quais estão fora da estratégia de hedge. Os riscos comumente
protegidos pelas empresas são os riscos de variação de: moedas estrangeiras,
taxas de juros e commodities.
PASSO 4: Identificar o instrumento de hedge:

A partir da análise feita nos passos anteriores, deve-se identificar o instrumento


derivativo (ou não derivativo, o que somente é permitido para cobertura de
risco cambial) que faz a cobertura dos riscos identificados no passo 3.
Geralmente, as empresas optam pela utilização de NDFs, Swaps e Futuros,
porém, posições titulares em Opções e estratégias combinadas também podem
ser aplicadas.

PASSO 5: Demonstrar que a estratégia de hedge é altamente eficaz:

Não basta a empresa escolher um instrumento de hedge adequado para


mitigar seus riscos. Para garantir que esse é um instrumento aceito pela
normatização contábil para a utilização hedge accounting, é necessário que a
empresa periodicamente faça testes de efetividade.

Os testes de efetividade devem ser feitos de forma Prospectiva ou


Retrospectiva, sendo:

• Prospectiva
No início e ao longo de sua vigência, cada hedge deve ser altamente
efetivo, com as variações no valor justo ou no fluxo de caixa do item
objeto de hedge sendo compensadas pelas variações no valor justo ou
no fluxo de caixa do instrumento de hedge. A avaliação prospectiva
enseja a projeção de resultados dos itens envolvidos na estratégia
de hedge e uma medição.

• Retrospectiva
Mensurado a cada período, o hedge deve manter-se altamente efetivo,
com a efetividade dos seus resultados reais dentro da faixa de 80% a
125%.
PASSO 6: Documentar todos os passos acima a partir do início da relação

Cada estratégia deve ser documentada em um memorando de hedge, o qual


deve incluir o item objeto de hedge, o instrumento de hedge, a natureza dos
riscos, os objetivos da gestão de riscos e a estratégia de hedge, além do método
a ser utilizado para medir a efetividade. Os hedges não devem ser designados
ou documentados de forma retrospectiva.

PASSO 7: Monitorar a efetividade e terminar a estratégia, se necessário

A cada balanço publicado a Empresa deve testar a efetividade do hedge de


forma Prospectiva e Retrospectiva, conforme o passo 5. Uma estratégia
de hedge será descontinuada por intenção da entidade, ou quando um
instrumento vencer, for exercido, perder a validade, etc., ou se em algum
momento ele deixar de satisfazer as condições estabelecidas nos passos
anteriores.