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LAUDO TÉCNICO DO TERRAÇO

DA COBERTURA

Condomínio Chácara Fróes, Niterói – RJ

Grupo

Andrés Jimenez – 1820077

Augusto César – 1121901

Filipe Costa – 1712838

Tarik Oliveira – 1120991

ENG1224 - Construção Civil II

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2019

1. Introdução

O presente laudo técnico requerido pela disciplina de Construção Civil II tem a


intenção de apresentar as possíveis causas para a patologia observada na laje do
terraço da cobertura de um apartamento no condomínio Chácara do Fróes, no bairro
de São Francisco, em Niterói, RJ.

A análise feita foi basicamente táctil-visual, já que não se dispôs de recursos para
análises destrutivas, semi-destrutivas ou laboratoriais. Além da vistoria para avaliar os
danos na laje do terraço, propõe-se ao final do laudo uma terapia para correção dos
problemas encontrados e manutenção adequada da estrutura.

2. Considerações Iniciais

2.1. Identificação

Edificação: Condomínio Chácara do Fróes.


Endereço: Estrada Leopoldo Fróes, 47 - bloco 08 Cobertura - São Francisco, Niterói
– RJ

Figura 1: Vista Aérea do Condomínio no bairro de São Francisco em Niterói (fonte: Google Maps)

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Figura 2: Mapa mais amplo para destacar a proximidade do condomínio da Baía de Guanabara,
próximo as praias de Icaraí e de São Francisco (fonte: Google).

Figura 3: Vista aérea do condomínio (fonte: João Latini Arquitetura e Planejamento)

2.2. Data da Vistoria

As vistorias técnicas no edifício foram realizadas por Tarik em 26/03/2019 na


parte da manhã e em 28/05/2019, às 14h da tarde.

2.3. Objetivo da Inspeção

O condomínio de luxo Chácara do Fróes é um marco na cidade de Niterói, foi


construído na considerada a maior e melhor área remanescente do principal bairro de
classe alta de Niterói, em Icaraí. Sua concepção e sua implantação em uma área de
30.000 m², o condomínio é composto por 10 blocos, feitos em estrutura de concreto

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armado, com o total de 70 unidades habitacionais, cada bloco com 3 pavimentos,
sendo duas unidades por andar e cada bloco com 6 apartamentos sendo um cobertura
linear. Praticamente todos possuem uma vista para a Enseada de São Francisco e a
Baía de Guanabara.

Tendo a laje do terraço da cobertura do bloco 08 permanecido desde sua


construção sem revestimento, houve o desenvolvimento de diversas patologias no
apartamento, sendo o nosso foco neste momento a análise do desplacamento do
concreto e da corrosão da armadura da laje.

2.4. Ficha técnica

Condomínio: Chácara Fróes;


Endereço: Estrada Leopoldo Fróes, 47 bloco 08 Cob - São Francisco,
Niterói – RJ;
Quantidade de andares: Térreo + 3 pavimentos tipos + cobertura;
Construtora: João Latini Arquitetura e Planejamento e Pinto de Almeida Ltda.;
Ano da conclusão da obra: 2007.

2.5. Registro fotográfico

Apresentamos o registro fotográfico das dependências visitadas a fim de obtermos


mais detalhes sobre a obra e as origens da patologia.

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Figura 4: Vista geral do condomínio (foto: João Latini arquitetura e planejamento)

Figura 5: Varanda inferior do apartamento

Figura 6: Terraço da cobertura

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2.6. Documentação analisada

Foram fornecidas as seguintes plantas:


● Arquitetura: Planta baixa – cobertura;
● Arquitetura: Planta baixa – teto cobertura;
● Arquitetura: Layout – cobertura;
● Arquitetura: Layout – pavimento tipo;

Todas elas foram desenvolvidas pela Ricardo Campos Arquitetura.

3. Análise da Patologia

Figura 7: Desplacamento da laje do terraço da cobertura

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Figura 8: Desplacamento da laje do terraço da cobertura
e parte da armadura com forte corrosão.

Como se pode ver nas fotos apresentadas anteriormente, os problemas


principais são o desplacamento do concreto e a oxidação da armadura. Ambas
patologias são causadas por vários fatores que podem estar ligados ou não. É preciso,
portanto, analisá-las em conjunto, porque não se sabe se a corrosão e expansão da
armadura causou o desplacamento ou se o desplacamento causou a corrosão.

Figura 9: Tela de aço completamente aparente e corroída.

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Segundo a NBR 6118 (2014), há três principais mecanismos de deterioração
do concreto, que podem ser vistos nas fotos, que são a lixiviação, em que a há a
dissolução e carreação dos compostos hidratados da pasta de cimento, expansão por
sulfato, em que águas ou solos contaminados com sulfato dão origem a reações
expansivas com a pasta de cimento, e reação álcali-agregado, que causa expansão
por reação dos álcalis do cimento e agregados contaminados.
A segunda causa para deterioração do concreto aqui citada, ou seja, a
expansão por sulfato foi descartada pelo fato de que não se viu esse problema em
outros pavimentos na visita. Caso a água de amassamento estivesse contaminada,
outros lugares da edificação mostrariam problema semelhante. Contudo, só se viu o
desplacamento no terraço. Por esse mesmo motivo também se descartou a reação
álcali-agregado. Sendo assim, buscou-se a possibilidade de ocorrer lixiviação no
concreto que tenha causado o desplacamento.
Em relação à armadura, a NBR 6118 (2014) traz como principais mecanismos
de deterioração a despassivação por carbonatação, ou seja, pelo CO2 presente na
atmosfera e hidróxidos do concreto em contato com a armadura, e a despassivação
por cloretos, em que há a contaminação por cloro. Nesse caso, é mais fácil imaginar
que a despassivação da armadura foi originada pela carbonatação e por cloretos,
devido à proximidade com o mar.
Sendo assim, a origem da patologia é a lixiviação causada principalmente pela
água de chuva ou a despassivação e posterior oxidação da armadura. O primeiro pode
ser causado pela fissuração da peça ou a porosidade do concreto. Já o segundo é
causado principalmente pelo cobrimento insuficiente. Tanto o cobrimento baixo,
quanto a fissuração e a alta porosidade são fatores que auxiliam ambos os processos.
Caso haja lixiviação, haverá fissuração, possibilitando a entrada de gás
carbônico, o que causa a despassivação e posterior corrosão. Já se houver baixo
cobrimento ou alta porosidade, a armadura vai reagir com o CO2, expandir e desplacar
o concreto. Os efeitos são retroalimentados, piorando cada vez mais a situação, ao
longo dos quase dez anos desde que a obra ficou pronta.
No caso do terraço da cobertura do bloco 08 do Condomínio Chácara do Fróes,
pode-se ver que os dois fenômenos são possíveis. Em primeiro lugar, não há
impermeabilização da estrutura como pode-se ver nas fotos da figura 11. Geralmente
ela é feita em lajes com manta, conforme a figura 10. O que se vê no terraço é apenas
a base. Além disso, verificam-se problemas de impermeabilização também no

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revestimento da viga invertida que suporta o guarda corpo, e nas junções do mármore
do peitoril. A falta de impermeabilização sem dúvida foi um dos principais contribuintes
para a lixiviação e despassivação por carbonatação da armadura.

Figura 10: Esquema em corte da impermeabilização de lajes com manta. (Fonte:http://dcc.ufpr.br)

Figura 11: Claros indícios da ausência de impermeabilização na laje

Em segundo lugar, por se tratar de concreto aparente numa área urbana


próxima ao mar, é de se esperar que houvesse cobrimento de no mínimo 35 mm,
segundo a NBR 6118 (2014). Segundo a foto da figura 12 e a visita, observou-se um
cobrimento adequado para proteção da armadura da laje. A norma também especifica
a relação água-cimento máxima que pode ser usada no traço do concreto. O uso de
aditivos e adições pode mitigar esse problema. Infelizmente, não se teve acesso ao
traço de projeto, mas pode-se perceber pela visita que não foram usados adições no
concreto.

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Figura 12: é possível perceber, pelo canto esquerdo, que havia cobrimento suficiente.

Figura 13: vista do terraço para a Baía de Guanabara, um dos agentes nocivos para o concreto.

Outro indício de percolação de água na laje por falta de impermeabilização é a


infiltração observada no andar abaixo do terraço, conforme se vê nas fotos das figuras
14 a 16.

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Figura 14: Vista das consequências que a falta do revestimento e impermeabilização no terraço
descoberto causou no apartamento inferior (visto de dentro da uma suíte, exemplificado pelo corte).

Figura 15: Vista das consequências no teto da varanda do apartamento inferior que a falta do
revestimento e impermeabilização no terraço.

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Figura 16: Vista das consequências no teto da varanda do apartamento inferior que a falta do
revestimento e impermeabilização no terraço.

4. Conclusão

Após análise da patologia e das hipóteses levantadas, conclui-se que a


patologia foi causada pela falta de impermeabilização da laje do terraço e teve seu
efeito agravado pelo pouco cobrimento da estrutura, bem como pela proximidade com
o mar. O fato de o apartamento ter ficado fechado por quase dez anos agravou o
processo de desplacamento do concreto e corrosão da armadura, já que a falta de
revestimento e até mesmo de alguém que possa notificar a construtora ou responsável
permitiu que o processo patológico se desenvolvesse por um período longo.

Para solucionar esse problema, seria preciso, antes de tudo, escarificar o


concreto para analisar se a armadura inferior também está em processo de oxidação.
Caso não esteja, é preciso realizar montagem da armadura superior, tomando cuidado
para se manter os cobrimentos e espaçamentos necessários, nova concretagem,
impermeabilização da estrutura e colocação de revestimento. É necessário também,
no processo de impermeabilização, subir a manta até altura adequada nos peitoris e
paredes, além de observar as juntas entre as pedras de granito que apresentaram
problemas de infiltração.
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Se a armadura inferior da laje apresentar corrosão, pode-se avaliar se é
possível reaproveitamento da bitola restante após o tratamento com lixamento da
parte oxidada e solda de nova armadura. É preciso também avaliar a profundidade de
carbonatação com aplicação de fenolftaleína para analisar o pH do concreto. Caso
não seja possível o reaproveitamento da estrutura, apesar do custo, é possível
reforçar com perfis de aço, de tal forma que haja transferência das cargas da laje para
o perfil e a armadura da laje não seja requisitada.

É importante notar que, sob hipótese alguma, o concreto pode ficar sob ação
de intempéries sem um devido tratamento. A impermeabilização é imprescindível para
que o concreto tenha sua durabilidade aumentada, diminuindo ao máximo a
percolação de água na peça, o que pode causar todos os problemas vistos no terraço.
Por se tratar de uma peça submetida a diferenças de temperatura e, portanto, à
dilatação térmica, é preciso que o método de impermeabilização acompanhe essa
variação, em outras palavras, seja flexível. Segundo Yázigi (2009), pode-se usar
sistemas pré-moldados e moldados no local. No primeiro grupo, tem-se as mantas; no
segundo, as membranas de asfalto, elastomérica e de poliuretano.

Há também vários detalhes de construção que fogem ao escopo desse trabalho


relacionados à impermeabilização de ralos, soleiras, rodapés, caimento de no mínimo
1% na laje em direção aos ralos na camada de regularização, teste de estanqueidade
de 72h, altura de manta nas paredes de no mínimo 30cm, proteção mecânica e
compatibilização com outros projetos.

Além disso, é preciso seguir direções de norma quanto à fissuração do


concreto. A NBR 6118 (2014) traz valores de tamanho máximo de fissuras para
concretos e classes de agressividade ambiental específicas para durabilidade da
peça. Também é preciso avaliar o traço, principalmente a relação água-cimento, já
que uma maior quantidade de água aumenta a porosidade, possibilitando maior
percolação de água na estrutura. Por fim, o uso de adições e aditivos, como
pozolanas, escórias, fibras e plastificantes pode diminuir a fissuração e porosidade do
concreto.

5. Bibliografia

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de
Concreto – Procedimento. NBR 6118. Rio de Janeiro, 2014.

FREITAS, José de Almendra. Construção Civil II – Impermeabilização. Curitiba:


Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
<http://www.dcc.ufpr.br/mediawiki/images/e/ee/TC_025_13_Impermeabiliza%C3%A7
%C3%A3o_2016_2.pdf >. Acesso em: 27 maio 2018.

YAZIGI, Walid. A técnica de edificar. São Paulo: Editora Pini, 10ª edição.

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