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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA,


CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO
DISCIPLINA: HB868 – PORTUGUÊS INSTRUMENTAL
TURMA: B (ADMINISTRAÇÃO – NOTURNO)
HORÁRIO: TERÇA E QUINTA – 18H30MIN / 20H30MIN
DOCENTE: JOSÉ ROBERTO DE SOUZA BRITO
DISCENTES: LUIS GUSTAVO BANDEIRA REBOUÇAS, JOSÉ GERRY DIAS
VASCONCELOS FILHO, WIRON SALDANHA, LUCAS MORAIS NEVES E
LILIANE SILVA

RESENHA DE: FRANKEL, David. O Diabo Veste Prada. EUA: Fox Pictures,
2006.
A comédia romântica o O Diabo Veste Prada (ideal para o público
jovem ascendente em carreira profissional) conta a história de uma jovem,
recém-formada pela Universidade Northwestern, chamada Andrea Sachs
(Anne Hathaway), que acaba de se empregar em uma revista de moda
chamada Runway sendo a segunda assistente de Miranda Priestly (Meryl
Streep), é nesse contexto em que se desenvolve a trama do filme.
Baseado no Best-seller “The Devil wears Prada” de Lauren
Weisbeger, a qual também possui outro Best-seller “Everyone Worth
Knowning”, o filme (que conta com a participação da modelo brasileira Gisele
Bündchen) é a própria história da autora do livro, interpretada por Andrea, a
qual terá que dar duro em seu novo emprego, pois sua chefe, Miranda, é muito
rígida e perfeccionista, típica do mundo da moda, o qual a sua nova assistente
nada entende.
Lauren resolveu escrever esse romance para se “vingar” da sua ex-
chefe da revista Vogue Americana (Anne Wintour), a qual Lauren trabalhou por
um ano e logo se demitiu.
O filme começa quando Andrea é aceita para trabalhar como
segunda assistente da editora Miranda na revista de moda Runway, o
problema é que Andrea simplesmente não entende nada de moda, revelando
tal “fraqueza” nas suas próprias vestes as quais ela usa para ir trabalhar. Além
disso, ela tem que aguentar o temperamento infernal e rígido da chefe, a qual
não para de pegar no seu pé em nenhum minuto.
Em seu novo trabalho, Andrea conhece novas pessoas, como a sua
parceira e também assistente Emily (Emily Blunt) e se aproxima também do
“braço direito” de Miranda, Nigel (Stanley Tucci).
Com o tempo, Andrea vai ganhando a confiança de Miranda por se
dedicar cada vez mais ao trabalho e passar a se vestir espetacularmente
melhor que antes. O ruim é que com isso surgem novas responsabilidades e
Andy (como chamam Andrea) acaba a deixar certos relacionamentos pessoais
de lado, esquecendo, algumas vezes, os amigos Lily (Tracie Thoms) e Doug
(Rich Sommer) e também dando menos atenção ao namorado Nate, com o
qual ela vive junto.
Em certo momento do filme, uma das missões de Andy era entregar
o livro do Harry Potter (que ainda não havia sido publicado) para Miranda, e a
mesma logra êxito nessa missão. Andy passa a realizar tarefas difíceis, que só
quem estava acostumada a fazer era Emily, primeira assistente da editora
chefe da Runway. Assim, aos poucos, Andrea vai tomando o lugar de Emily e
em um momento acaba conquistando uma viagem (a trabalho) para Paris, no
qual estava destinada a Emily e a qual sonhara com isso meses atrás.
Após ter brigado com um de seus amigos, deixando a relação
instável, Andy acaba dando um tempo com seu namorado, o qual sofreu
bastante, por a assistente ter faltado o seu aniversário.
Depois disso, para a infelicidade da cabeça do Nate, Andy vai à
Paris e lá se relaciona com um jornalista sedutor e charmoso, Christian
Thompson (Simon Baker), com o qual ela já estava tendo alguns encontros
bem coincidentes em Nova Iorque. Não esquecendo que Christian antes
salvara o emprego de Andrea em uma missão que a fora designada, que, em
certo momento, parecia perdida.
Pois bem, após viver o mundo cruel de Miranda, a qual deu um
golpe em Nigel retirando-lhe um cargo para dar a uma editora francesa, pois
esta iria substituir Miranda e assim seria despedida da Runway, Andy decide
voltar à Nova Iorque e retomar sua vida normal anterior ao seu ex-emprego,
fazendo assim as pazes com o namorado, no entanto não revelando a sua
crueldade na França, e tendo a oportunidade de começar sua carreira como
escritora em um jornal da cidade.
Um enredo fraco e vários fatos previsíveis. Assim é formada a comédia O
Diabo Veste Prada. O filme nos permite notar, logo nos minutos iniciais, que é muito
fácil entender de moda, ao menos para a personagem Andy. Acanhada e recém-
formada em jornalismo, a jovem, que notavelmente não entendia nada do mundo da
moda, passa a gozar de todos os conhecimentos necessários para dar um show de
elegância. Anos de estudo sobre moda, estilo e tendências são ignorados no filme e
passam a ser distribuídos em poucos dias para a protagonista.
Protagonista? Se o papel de protagonista do filme é o que foi designado a
Anne Hathaway, ele não foi bem sucedido. Miranda Priestly rouba a atenção em
simplesmente todas as cenas em que participa. Com uma elegância única e
autenticidade incomparável, Meryl incorpora em Miranda o verdadeiro diabo travestido
de ser humano. Podemos dizer, sem qualquer sombra de dúvidas, que o ponto
máximo do filme é a atuação de Meryl, que caiu como uma luva ao fazer o papel da
chefe diabólica, autoritária e manipuladora.
A produção do filme, no entanto, conta com uma trilha sonora que se adequada
bem à obra. E os figurinos dos personagens são deslumbrantes, dignos da temática
abordada.
Já o ponto fraco da obra que é bem visível durante o filme é a descentralização
dos temas, o que faz o filme apresentar diversos enfoques e o pior, nenhum deles
claramente bem trabalhado.
Dizer que Andy botou de lado o namorado e os amigos em conta do novo
emprego é apenas um argumento para chamar atenção. Pois vimos durante várias
cenas que, mesmo trabalhando arduamente, a suposta protagonista além de morar
com o namorado Nate estava presente em diversas confraternizações com os amigos
Lily e Doug.
Não esquecendo o maluco editor chefe Christian Thompson que passa a
paquerar Andy. Do mesmo jeito que aparece, desaparece. É visto ao lado da
personagem principal em momentos inusitados e não há qualquer explicação visível
de como e por que ele estaria lá.
A falta de centralização em um tema único talvez seja decorrência do pobre
enredo do filme. Essa produção pode ser boa para quem é interessado em moda. Mas
é notável que a obra está recheada de muito “faz-de-conta”.

O enredo do filme não é inédito e é bastante previsível para quem está


disposto a pensar um pouco. O Diabo Veste Prada é um filme que não se enquadra
como uma obra marcante. É aquela obra que se adéqua apenas ao necessário e
emplacou-se por ter uma estampa de Hollywood.
Para ser visto sem o mínimo compromisso, o filme pode ser agradável.
Entretanto, se analisado criticamente, podemos perceber que a obra deixa bastante a
desejar.
O Diabo Veste Prada pode estar longe de ser péssimo, porém, mais ainda de
ser excelente. Aliás, o que seria do filme se não fosse a bela atuação de Meryl Streep,
não é mesmo?
Se procurarmos outras obras que utilizem do mesmo tema, podemos encontrar
coisas melhores. O Filme Click (CORACI, Frank. EUA: Columbia Pictures Corporation,
2006.), que aborda uma temática semelhante, é uma boa opção de escolha se
comparado a esse.