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Dale WI Tomich

PELO PRISMA DA ESCRAVIDÃO


Trabalho, Capital e Economia Mundial

Tradução
Antonio de Pádua Danesi

Revisão Técnica
[:E:S;Sl] UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Rafael de Bivar Marquese
Reitor João Grandino Rodas
Vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz

edusP
EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SAO PAULO

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COMISSÃO EDITORIAL
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lvan Gilberto Sandoval Falleiros
Mary Macedo de CamargoNevesLafer
SedaHirano

Editora - assiste },tte Cada Fernanda Fontana edusP


Chefe l)ivisão Editorial Cristiane Silvestrin
Copyright © 2011 by Da[e W Tomich]ver deta[hesdo coyrighf no íina] do ]ivro]

Título do original em inglês:


Throughthe Prism aÍSlavery=Labor, Capital, and World Ecottomy

Ficha catalográfica elaborada pelo Departamento Técnico do Sistema


Integrado de Bibliotecas da USP Adaptado conforme normas da Edusp

Tomich, Dale W:, 1946-


Pelo Prisma da Escravidão: Trabalho, Capital e Economia Mun-
dial / Dale W Tomich; tradução Antonio de PáduaDanesi; revisão
técnica Rafael de Bivar Marquese. - São Paulo: Editora da Universi.
dade de São Paulo,2011. Para Phi!, Steve,Jim
248 p.; 23 cm. e em memória de ferry
Tradução de: 'rhrough the Prism of Slavery: Labor, Capital, and
World Economy
Incluibibliograâa.
ISBN 978-85-314-0262-3

1. Escravidão (História) Caribe. 2. Trabalho Escravo (Histó


ria) Caribe. 1. Danesi, Antonio de Pádua. 11.Marquese,Rafael de
Bivar. 111.Título. IV Título: Trabalho, Capital e Economia Mundial

CDD-326.0972

Direitos em língua portuguesa reservadosà

Edusp - Editora da Universidade de SãoPaulo


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Printed in Brazil 2011

Foifeito o depósitolegal
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plano para outro e localizar sequênciasindividuais em conâguraçõesespacial-


temporais especificamente constituídas. Em vez de tentar estabelecer cadeias
causais uniformes e consistentes independentes de tempo e espaço, essa abor.
dagem visa reconstruir as condições complexas e desiguais através das quais
as relações sociais são historicamente transformadas. Essa perspectiva ao mes.
mo tempo chama a atenção para a inte=-re.t ção social dos espaçosformadores
do Caribe ao longo do tempo e osííncrus!#Àlos espaçose temporalidades mais
amplos da economia mundial. Ela' gei:concentra,não na repetição de padrões 6. PEQUENASILHAS E GRANDES
similares, mas nas relações entre diversos padrões. Nessa perspectiva, a história
do Caribe aparecenão como a história de sociedadesde ilhas particulares ou de
COMPARAÇOES
sistemasimperiais individuais vistos como sítios independentesde sequênciajl
causaisautónomas, mas como um mosaico histórico de locais inter-relaciona-
dos, interdependentese mutuamente formadores de relaçõese processosde
produção e troca de mercadorias,poderio político e dominação social - des.
contínuos, assimétricos, não:sincrónicos? mas unificados em razão das múlti- PLAY:lX7YONSCARIBENHAS, DESIGUALDADE
plas dimensões espacial-temporais da economia mundial. HISTÓRICA E MODERNIDADE CAPITALISTA

0 aparecimento da teoria dos sistemas mundiais e de várias abordagens


da globalização veio questionar a adequação do Estado-nação como
a unidade de análise apropriada para a pesquisa macrossocial. Para
muitos especialistas, o Estado-nação já não pode ser sustentado como uma uni
dadeanalítica independente. Ao contrário, ele é percebido como sendo parte
deou estando~incrustadonum sistema histórico mais amplo. Para os estudio
sosdos sistemas mundiais, a atenção deslocou-se das comparações de socieda
desnacionais com o foco voltado ao Estado para uma ênfaseno que eles veem
comoa unidade governantesingular, o.~modernosistema mundial. Por outro
lado, um comparativista proeminente como Charles Tilly (1995) afirma que a
inadequação ontológica e a desintegração do sistema estatal resultaram no de-
clínio do que ele denomina "Comparação de Grande Caso':
Estecapítulo reformula os princípios metodológicos e teóricos do método
comparativo mediante um estudo da transformação da indústria açucareira nà
Martinica e em Cuba durante o século XIX. Segueuma estratégiaque Philip
McMichael ( 1990) chamou de "comparação incorporada: Nela, as unidades de
comparação (casos) e suaspropriedades (variáveis) não são presumidas como
independentes de e comensuráveis umas com as outras. Em vez disso, elas são
tratadas como casos historicamente singulares de processosunificados globais
que elaspróprias constituem e modiâcam (Arrighi, 1994, p. 23). O objetivo da
comparação é especificar sua enter-relação substantiva na totalidade e revelar as
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PEQUENAS ILHAS E GRANDES COMPARAÇÕES l 153

relações sistêmicas que diferenciam um caso de outro. Alsim=esta abordagem raçãovai, pois, além das similaridades externas para revelar tanto a diversidade
busca ao mesmo tempo compreender histórias locais partiSulalês como produ- histórica das relações escravistas como a desigualdade espacial e temporal dos
tos de processos económicos mundiais e contribuirFâra a nossa compreensão processos económicos mundiais.
da complexidade histórica da própria economia mundial.
O exame da p/alzfafiofz açucareira escravista na Martinica e em Cuba aqui
empreendida revela caminhos de desenvolvimento contrastantes, embora 0 PROBLEMA DA COMPARAÇÃO HISTÓRICA
enter-relacionados, que sugerem o caráter historicamente complexo e dize.
renciado da escravidão na economia mundial moderna. Na Martinica, a ex- Antes de começar a discussão substantiva, devo tratar com mais vagar al-
ploração intensiva de formas preqJ)mutantes de organização socioeconómica guns problemas de método levantados pela comparação sob consideração. O
resultou na reprodução de um {velho",padrão espacial-temporal de escravi- método da comparação formal trata cada unidade como independente e equi-
dão que restringiu a inovação téciliêã'e social. Ao mesmo tempo, a economia valentee/ou uniforme em termos de seuconjunto de atributos. A comparação
escravista de Cuba passou por um processo de expansão drástica: o ritmo de tenta especificar avariânciQ (contrastes/particularizações) alia invariância (ge
desenvolvimento acelerou-se à medida que os elementos da produção escrava neralizações) mediante a observação das relações entre (ou correlacionando)
iam se recompondo radicalmente em novas configurações sociais e espaciais os atributos das unidades. Essasrelaçõesconstituem padrões contrastantes ou
compatíveis com padrões globais emergentes de produção industrial e inte- generalizáveis.Por sua vez, essespadrões nos dizem algo específico sobre as
gração de mercados. Essesresultados contrastantes não decorrem simples- próprias unidades ou algo geral sobre as relações entre as suaspropriedades. A
mente das propriedades internas de Martinica e Cuba. Ao contrário, elesderi- condição da compreensão nesse enquadramento lógico é que tanto as unidades
vam da enter-relação e da innuêncig.recíproca dos dois sistemas de p/anfafíon de comparação como os atributos daquelas unidades se definem como inde-
nos quadros da expansão da economia mundial do século XIX. Áisim, o que pendentesuns dos outros e exteriores uns aos outros, e que ambos são tratados
parece ser duas ilhas açucareirasseparadascom atributos comuns pode se; em termos de sua equivalência e identidade formais: a comparação é inteligível
mais adequadamente concebido como configurações socioeconómicasdis- na medida em que os fenómenos diferem ao ocorrerem em diferentes ambien
tintas mas mutuamente condicionadas, cujas trajetórias divergentestêm im- tes (Sartre, 1982, p. 141).
plicações decisivas para a recomposição da terra, do trabalho e da tecnologia Por exemplo, a comparação formal trataria asp/a?zfafforzsaçucareiras na Mar-
em cada instância.
tinica e em Cuba como constelaçõescomparáveis de terra, mão-de-obra e tec
Esses caminhos de desenvolvimento distintos, embora enter-relacionados,
nologia que definem Martinica e Cuba como unidades separadas e comparáveis.
suscitam questões sobre métodos comparativos que são cruciais para as pre- Quaisquer distinções ou semelhanças entre essescasos decorreriam das correla-
ocupações deste capítulo. Os procedimentos convencionais para comparação çõesentre essesatributos e a presença ou ausência relativa de outros fatores ou
abstraem do tempo e do espaçoe enfatizam similaridades e dissimilaridades acontecimentos complicadores em cada constelação. Esse método se concentra,
formais entre os casos submetidos à análise, tratando-os como independentes em última análise, nas distinções formais entre condições abstraídas das unida
uns dos outros e considerando suas propriedades como comensuráveis através des, que são, elas próprias, abstraídas do tempo e do lugar. Nessa perspectiva,
deles. Com isso, obscurecem dois aspectos essenciais das instâncias sob compa- restaapenasum pequeno passopara conceber as unidades como entidades se
ração: primeiro, seu caráter relacional inevitável e, segundo, o papel e a impor- cíais distintas e independentes, cada qual com sua própria economia, política e
tância das diferentes temporalidades na formação de cada uma dessasconfigu- sociedade.Ao isolar unidades de comparação e suascondições, tais como terra,
rações socioecogâmjcas-Já3 egtFalégia comparativa aqui apresentada embasa a trabalho ou tecnologia, como fenómenos independentes e equivalentes,a com
comparação ena.plgçessos substantivgÀ da economia mundial a íim de recobrar paraçãoformal elimina do campo de consideração tanto os processoshistóricos
a diferente constituiçããi {rãjetória histórica de cada complexo açucareiro ba- formadores dessas relações quanto os padrões variáveis entre eles.
seado na mão:de-obra çsçrava. Com isso ela busca compreender a construção A comparação substantiva que estou propondo sugere as limitações dessa
sócio-histórica das relaçõese a heterogeneidade espacial-temporal. A compa- abordagem. As diferentes trajetórias da monocultura na Martinica e em Cuba
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PEQUENASii.HAS E GRANDES COMPARAÇÕES l 155

Na concepção de Tilly, as comparações abrangentes são promissoras, mas


correm o risco de incorrer numa explicação funcionalista na qual o todo deter-
mina o comportamento das partes. O risco, porém, não consiste simplesmente
n;possibilidade de funcionalismo, mas na própria formulação dos termos da
comparação.Na abordagem de Tilly, economias mundiais, estruturas e proces-
sosmacrossociológicos e microssociológicos não só permanecem conceitual-
Olenteindependentes uns dos outros mas são tratados como se se referissem a
entidadesou níveis empíricos distintos. A comparação abrangente supõe uma
unidadesistêmica governante e unidades de caso subordinadas que se relacio-
namentre si, não como processosenter-relacionados e mutuamente formativos.
aindaque . mas como coisasque se opõem externamente. Eric Wolf
(1982, p. 3} adverte sobre as limitações de semelhante concepção: "Somente
compreendendo essesnomes como feixes de relações, e reconduzindo-os ao
campodo qual foram abstraídos,podemos esperarevitar inferências engano-
sase aumentar a nossaparte de compreensão': Ao presumir assim as unidades
analíticas,a comparação abrangente tal como Tilly a formula exclui do campo
deconsideração teórico a formação e a inter-relação dessasmesmas unidades.
Com isso ela limita o escopo e a possibilidade da explicação histórica e põe em
risco o desenvolvimento da teoria social historicamente embalada que ela pre-
tendiapromover (McMichael, 1990,PP.388-389). r
a sua interdependência e diferença históricas que precisam ser compreendidas
Como a advertência de Wolf sugere, não basta simplesmente situar os 6e-

:f em resposta a dificuldades dessetipo que Tilly advoga o uso de compa- nõmenos dentro de coordenadas cronológicas e geográficas empiricamente
rações historicamente embaladas. Essaabordagem busca ligar aârmações 'a dadas.A construção Sócio-histórica dos processos e relações temporais e es-

$ 1 :z ='==;::
: JÉI i
alternativa. Aqui, os fenómenos sociais comparáveis são vistos não como ca-
coerente com as evidências à mão a partir dos tempos e dos lugares aârmados"
(TtUy, 1984, p. 60). Em particular, ele asseveraque as "comparaçõesabrangen- sosdistintos, mas como resultados ou momentos diferenciados.de um processo
historicamente integrado(McMI ' na'ühitiade
chael, 1990, P. 392). Essaênfase " r'"'"' do
tes" representamuma estratégiafecunda, ainda que arriscada, para a investi-
procéÉsohistórico permite formular o caráter relacional das unidades. Nem o
=:.:==lH:=.:=' : :1: 1*:==.=T=
ãT=::ll=
explicam as semelhançasou diferençasentre esseslocais como con equências
todo nem as partes são vistos como categorias ou unidades de análise indepen-
dentes;são,antes, tratados como unidades de observação de processossistêmi-
das suas relações com o todo" (Tilly, 1984, ênfase minha). Consequentemente, cos (McMichael, 1990, P. 391). Em vez da contextualização externa, a compa-
ele encara a análise macro-histórica como "o estudo de grandes estrutums e raçãoincorporada busca relacionar momentos aparentemente separadoscomo
Componentes
interligados de um processoou conjuntura mais amplo, históri-
co-mundial. Esses casos enter-relacionados "tanto se integram ao processo his-
tórico geral como o definem" (McMichael, 1990, P. 389).
Essaabordagemevita tratar a economia mundial como uma totalidade
acabada cujas partes se relacionam funcionalmente umas com as outras. Nesta
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PEQUENASiLhAS E GRANDES COMPARAÇÕES l 157

última concepção, exemplificada particularmente pelas primeiras formulações colhida quando está madura e convertida em açúcar logo depois de colhi-
de Wallerstein acerca do sistema mundial, o todo é maior que suaspartes, asca. da. Essacaracterística da cana confere um caráter industrial à organização
tegorias descritivas funcionais predominam e o sistema surge como uma "causa daplanfafio?z. Quando a cana está madura, o corte, o transporte, a moagem,
externa" sempre presente. Somos apresentados a uma estrutura histórica seH a clarificação, a evaporação e a cristalização devem ser integrados num pro-
história. E tampouco a estratégiaaqui expostatrata os termos de comparação cessocontínuo a fim de seobter o açúcar.Velocidade,continuidade e coorde
como unidades reiíicadap,Uenível nacional, contrapostas a ou incrustada numa nação são de importância vital. Consequentemente, as operações agrícolas
unidade igualmente distinta, como sugeria a abordagem de Till5i:'Êiii'$ez disso, requeridas para o cultivo e a colheita da cana e as operações industriais reque-
ela considera que eles representam "feixes de relações" que são tratados como ridas para processa-la a fim de convertê-la em açúcar devem estar localizadas
casosprovisoriamente isolados de um processounitário maior. São,pois, vistos bem próximas umas das outras. Ademais, a operação eficiente de um canavial
como formadores uns dos outros e, de maneiras desiguaise assimétricas, como exigeque esseequilíbrio seja mantido entre o montante de terra cultivada,
formados por e formadores de um todo maiorl a capacidade de moagem, de refino e do sistema de transporte interno e a
Portanto,a comparaçãoda indústria açucareirana Martinica e em Cuba magnitude da força de trabalho. Para serem eficazes, as inovações que melho
pode fundamentar-se num complexo histórico específico de relaçõese proces- ram o produto num setor de produção devem acompanhar-se de aumentos
sos aqui, a economia mundial capitalista num ponto específico da sua forma- proporcionais nos demais setores. Um exame das condições técnicas e sociais
ção.Nessaperspectiva, terra, trabalho e tecnologia não aparecemcomo "fatores" sob as quais essas diversas operações se combinam revela muita coisa sobre a
autónomos e equivalentes, mas como relaçõessociais historicamente formadas história das p/anfafíons açucareiras nas Américas.
que se constituem diferentemente em cada caso dentro dos padrões emergen-. A usina central revolucionou a produção de açúcar durante o século XIX.
tes de produção, troca e consumo da economia mundial mais ampla. Aqui a De um ponto de vista técnico, ela incorporava as tecnologias industriais mo-
comparação,em vez de abstrair tempo e espaço,busca especiâcar e reconstruir dernas,mais especialmente o engenho a vapor, a caldeira a vácuo, a centrífuga
teoricamente essasrelações e processos dentro do desenvolvimento da econo- e a estrada de berro. O engenho horizontal a vapor tornou possível processar
mia mundial. Com isso ela tenta recuperar as dimensões temporais e espaciais maior quantidade de cana e extrair uma proporção mais alta de suco dos feixes
dessasrelações e processos como sendo, elas próprias, produtos do desenvolvi- do que os engenhos anteriores, movidos por energia animal, eólica ou hidráu
mento histórico. Tal comparação permite discernir a diversidade e a interdepen- laca.A caldeira a vácuo e a centrífuga melhoraram drasticamente a quantidade
dência, e portanto a desigualdade espacial e temporal, de processoshistóricos e a qualidade do açúcar que se podia obter de uma dada quantidade de suco e
uniâcados. Desse modo ela dá conteúdo histórico às categorias teóricas ao mes- permitiu que a manufatura passassede um processo artesanal dependente do
mo tempo que permite aprimorar conceitos históricos gerais de modo que pos- conhecimento e da habilidade particulares do mestre de açúcar a um proces-
sam compreender mais adequadamente casoshistóricos particulares. Essaabor- so cientíâco baseado na padronização, na medição e na aplicação sistemática
dagem contrasta assim com allêoria da modernização(por exemplo, Rostos!), da química e da física:Ã estrada de ferro permitiu que maiores quantidades
que postula o desenvolvimento histórico como a repetição de tempos lineares debens fossem movidas mais rapidamente através de longas distâncias. Permi-
múltiplos("decolar" do tradicional para o moderno), e com a tel211a.dQ-sistema tiu que as p/alzfafíons individuais aumentassem a área cultivada, propiciou um
mundia!(por exemplo, Wallerstein), que parece explicar essesmesmos proces- transporte terrestre barato e possibilitou a exploração de novas regiões. Essas
sospor um movimento espacialao longo de um tempo curvilinear singular. inovações aumentaram a escala de produção e transformaram o caráter da agri-
cultura de pZa/zfafío?z.
A centralização da manufatura, a cultura mais extensiva
e os maiores investimentos de capital acarretados por sua adoção podiam ter
À USINECENTRALE diversasimplicações para a organização social, desde p/anfafíorzs mais vastas,
por um lado, até o desenvolvimento de usiD4s cel4rai!.que processavam o pro-
A discussão em torno da indústria açucareira na Martinica e em Cuba duto dos lavradores de cana, numa variedade de relações de propriedade e de
pode começar com uma característica bem conhecida da cana: ela deve ser classe,por outro. As característicastécnicas e sociais da usina açucareira leva-
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PEQUENAS iLhAS E GRANDES COMPARAÇÕES l 159

ram muitos pesquisadoresa identifica-la com o capitalismo moderno e o tra. trazidos para as zonas açucareiras. O desenvolvimento dos canaviais na Mar
balho livre. Todavia, suas origens remontam à história da escravidão no Caribe tónicae em Cuba durante a primeira metade do século XIX representa duas
Comparo a sflguir as origens e o desenvolvimento inicial da usina central - ou respostasdiferentes aosprocessosreestruturadores do mercado mundial.
zzsí/ze
centra/e L na Martinica com o desenvolvimento do sistema de p/anfaflon
em Cuba, discutindo as implicações dessasduas vias de desenvolvimento para
alguns problemas de interpretação histórica. A USliVE CENA'RALE NA MARTINICA

A expansãoda indústria açucareirana Martinica depois de 1815dependeu do


A TRANSFORMAÇÃO DO MERCADO
desenvolvimento de um mercado protegido para o seu produto na França. A coló-
AÇUCAREIRO MUNDIAL, 1760-1860
nia cora devastadapela guerra, pela revolução, pela ocupação estrangeira, teve seu
acessoaos mercados ultramarinhos limitado entre 1789 e 1815 e era incapaz de
As origens da transformação da produção de açúcar e a emergênciada
competir com asvastasquantidades de açúcar estrangeiro barato disponíveis após a
usina de açúcar, tanto na Martinica quanto em Cuba, encontram-se na trans. paz. Além disso, após a perda de Saint Domingue, e sem acesso a outros mercados, a
formação do mercado açucareiro mundial entre 1760 e 1860. A produção e o
Françateve que sefiar no comércio com suascolónias remanescentes, e em especial
consumo mundial aumentaram constantemente a partir de 1760, enquanto o em suasindústrias açucareiras,para a recuperaçãode suascidades portuárias no
período das guerras e da revolução entre 1789 e 1815 alterou drasticamente Atlântico, de sua frota mercante e de suamarinha. Descarte,um sistemade tarifas
a organização política dos mercados. O "velho $islem!!.olonial" se rompeu protecionistasque excluíamvirtualmente o açúcar estrangeirodo mercado metro
Saint Domingue a colónia mais rica do mundo e fonte de metade do açúcar politano foi a condição para a recuperação do setor marítimo da economia âancesa
mundial - foi destruída. A Grã-Bretanha despontou como a potência eco- ea rápidaexpansãoda indústria açucareirae do trabalho escravona Martinica, em
nómica e política hegemónica na economia mundial europeia. Sob sua he-
Guadalupee Bourbon (Reunião). Em 1830 essastrês pequenasilhas produziram
gemonia teve início um processo de integração do mercado mundial e uma
tanto açúcar quanto Saint Domingue em seu melhor ano(Tomich, 1990,pp. 33-61).
redeânição do papel e significado do colonialismo. O aumento da produção e
O zoom açucareiro deflagrado pelas tarifas protecionistas resultou na expan-
do consumo de açúcar no mundo acelerou-se depois de 1815. Antigas zonas são e consolidação, entro 1815 e 1830, do sistema fundiário existente na Marti-
produtoras expandiram sua produção e novas regiões emergiram. As rela-
nica. Todavia, havia pouca oportunidade para se reestruturar a produção após
ções entre produtores e consumidores já não coincidiam com as fronteiras
1815.A Martinica era uma antiga colónia açucareira. A produção de açúcar co
coloniais anteriores, nem tampouco se definiam pelo controle político sobre
meçou ali nos anos 1640, e na altura de 1720 virtualmente todas as principais
as fontes de produção. Ao contrário, o controle económico sobre o fluxo de
terras agrícolas da ilha encontravam -se ocupadas. As unidades rurais, a escala de
mercadorias assumiu uma importância crescente. Para alguns senhores, o co- produção ea divisão do trabalho nas propriedades tinham-se formado de acordo
lonialismo e o protecionismo económico forneceram um meio de autodefesa
com as condições dominantes no século XVIII. Assim, entre 1815e 1848,a gran-
num mercado cada vez mais integrado e competitivo, enquanto para outros de maioria daspropriedades era demasiado pequena para utilizar eficazmente as
eles eram obstáculos à sua capacidade de tirar partido das novas condições.
novastecnologias de moagem e reúno, enquanto a quantidade de terra disponí-
Para todos, entretanto, os processos subjacentesda integração, expansãoe vel para a expansãodasvelhas propriedades ou a formação de novasera limitada.
competição do mercado incentivaram, direta ou indiretãmente, a eficiência Sessentagrandes propriedades, produzindo entre 150 e trezentas toneladas de
produtiva: Assim, desenvolveram-se novas variedades de cana-de-açúcar, açúcar anualmente, dominavam a economia da ilha. A maior delas plantava cer-
a tecnologia da moagem e do reânamento da cana conheceu uma inovação ca de 128 hectares de cana e tinha de duzentos a 210 escravos,cerca de metade
quase constante e, mais importante, reorganizou-se o trabalho. Em alguns lu- dos quais era empregada na produção de açúcar. Além disso, cem plantações
gares,a escravidãofoi abolida; noutros, expandiu-se e solidificou-se. Traba-
produziam entre 75 e 150 toneladas métricas de açúcar, enquanto as proprieda-
lhadores contratados procedentes da Ária, da África e de outros lugares foram des restantes produziam menos de 75 toneladas (Tomich, 1990, p. 150).
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Consequentemente, o aumento da produção de açúcar na Martinica decor- trabalho predominante nos estabelecimentos açucareiros da Martinica e per-
ria da maior exploração dos recursos disponíveisuem especialo trabalho escoa. mitiria a organização da produção numa escala suficiente para tirar partido das
vo, dentro da estrutura historicamente prevalecente.As propriedades existentes novastecnologias de moagem e reúno Ao mesmo tempo, os senhores não pre-
íntensiâcaram sua produção, e as novas propriedades não raro pequenase cisariam arcar com as despesasdo equipamento processador, e a área cultivada
ineficazes se formaram em terras marginais. Plantações de café, tabaco e al- deixaria de ser limitada pela capacidade do engenho e da refinaria.
jdão eram canibalizadas por conta de suasterras e escravosa fim de sustentar No entanto, apesardas promessasda usine celzfraZe,
velhas formas de orga-
:rescimento da indústria açucareira. Em 1820, havia 351 p/anfafíorzsaçuca- nização social e técnica persistiram na Martinica. Poucos senhores dispunham
Hiras, dez das quais com moendas a vapor. Empregavam 31 231 escravosem dos recursos necessáriosao estabelecimento de uma ce?zfra/e,e a maioria de
16456 hectares de terra e produziam 26 529 toneladas métricas de açúcar. Em les temia que, se perdessem o controle sobre o processamento de seu próprio
1847, o último ano antes da emancipação, o número de p/a/zfafiofzs aumentara açúcar,ficariam Subordinados às urinas centrais gigantes. De fato, na visão dos
para 498 e o de moendas a vapor para 33 (a maioria dos quais com energia senhorestradicionais, á.psínecerzfrade
era inadequada para as condições locais,
insuficiente). Empregavam 40 429 escravos em 19735 hectares e produziam e sua adição Somente os colocaria nas mãos de banqueiros e especuladores me-
32093 toneladas métricas (Tomich, 1990, pp. 100-103). Assim, com a expansão tropolitanos. Além do mais, viam-na como uma ameaçaà ordem social: sua in-
da produção açucareira, a organização social e técnica do sistema (#: PZanfatíolz trodução era acompanhada de propostas para o trabalho livre, o que contribuía
existente na Martinica foi reforçada e tornou-se mais rígida. Apesar dà;ihaior para pressionar o regime escravista. Finalmente, enquanto processassem o seu
produção total, a ineâciência relativa dos produtores coloniais de açúcar au- próprio açúcar, ainda que em pequena escala, os senhores podiam reivindicar
mentou a dependência deles em relação às tarifa! protecionista!. o !!g!!p de babltíZ!!(:!yç!íê1le.Receavamque, se deixassem de fazê-lo, já não se-
Paradoxalmente, a indústria açucareiracolonial iêiiüêíêu barreiras tarifárias riam considerados"" embros da elite senhorial e que a distinção entre eles
tão elevadaspara manter sua posição no mercado nacional que acabou abrindo e os lavradores livres e mulatos diminuiria. Por conseguinte, o trabalho e a terra
o caminho para a revitalização da indústria de açúcar de beterraba francesa.As continuaram ligados à organização de produção existente na Martinica e o de-
colónias viram-se então confrontadas com um competidor poderoso e dinâ- senvolvimento da t4€znecenhale"viu-se bloqueado (Tomich, 1990, pp. 204-213).
mico no único mercado que lhes estava aberto. A reemergência da indústria de
açúcar de beterraba iniciou um período de crise para os produtores de açúcar
coloniais. Entre 1830 e 1848 o consumo de açúcar francês aumentou, o preço do 'OENGENHOCUBANO
açúcar caiu e os processos de produção foram radicalmente transformados pelos
avançostécnicos veriâcados na indústria do açúcar de beterraba. Os produtores Cuba representa uma nova via de desenvolvimento da plarzfafíon açucareira.
coloniais eram fortemente pressionados no sentido de aumentar a quantidade A longo prazo,Cuba beneâciou-se ao máximo da crise da produção mundial de
e a qualidade de seu produto. Mas o sistema de pZanfafío?znas colónias conge- açúcar provocada pela Revolução Haitiano. A produção açucareira cubana au-
lou o quadro de organização da terra, do trabalho e da tecnologia e bloqueou a mentou rápida e continuamente nos anos subsequentes às guerras napoleónicas.
inovação. Novas técnicas foram ou adaptadas à divisão de trabalho existente ou Em 1820 o açúcar se estabeleceucomo o setor dominante da economia cubana. e
abandonadas.O obstáculo à mudança não era a transformação técnica num ou em 1830 Cuba emergiu como o maior produtor de açúcar do mundo. A deman-
noutro setor de produção, mas a integração da divisão do trabalho no estabele- da mundial continuou a crescer num ritmo acelerado, e a produção cubana fez
cimento açucareiro como um todo (Tomich, 1990, pp. 61 -75 e 139-204). maisdo que acompanha-lo.Cuba respondia por pouco mais de 19%da produção
No final dos anos 1830, a própria impossibilidade de reformar a produção mundial de açúcar em 1840, perto de 25% em 1850, e cerca de 30% em 1868 (Mo-
de açúcar levou a uma solução radical do problema - a completa separação reno Fraginals, 1978,1, PP. 46-47, 67-71, 95-102 e 167-255; 11,pp. 93-97 e 106-
entre as esferas agrícola e industrial da produção de açúcar. A.usínUcgQggZe 174; 111,PP. 35-36; Scott, 1985, p. 10; Knight, 1970, pp. 14-18 e 40-44).
centralizada as operações de moagem e retina, enquanto aq.planfafíons se es- Diversamente da Martinica, Cuba não gozou de um mercado protecionista
pecializariam na cultura da cana-de-açúcar.Essearranjo alteraria a divisão do para o seu açúcar.A Espanha não poderia prover mercados adequados para o
;.JB
162 l PELO PRISMA DA ESCRAVIDÃO PEQUENASiLhAS E GRANOES COMPARAÇÕES l 163

açúcar de sua colónia. Em 1818, Cuba obteve da Espanha uma liberdade virtual O desenvolvimento da indústria açucareira cubana centrou-se na parte oci-
para exportar seusprodutos para EstadosUnidos, Grã Bretanha, Alemanha. dental da ilha. A cultura do açúcar expandiu-se para o sul e o oeste de Havana,
França, Rússia e PaísesBaixos. Em 1830, os Estados Unidos emergiram Corno deslocandoos produtores de café e tabaco e alcançando novas terras. Planta
o maior parceiro comercial de Cuba. Este último era o segundo maior consu. çõesnovas e cada vez maiores se estabeleciam num ritmo rápido, enquanto as
midor de açúcardo mundo e tinham a populaçãoem mais rápido crescimento. antigasdiminuíam suacapacidade.O número de engenhosquasequadruplicou
Com o colapso do "velho sistema colonial" e a Revolução Haitiana, o paísHu entre 1800 e 1857. Nas etapas iniciais da expansão, a multiplicação das unida:
suprimido seu antigo acessoa Saint Domingue e às Índias Ocidentaisbritâni- desde produção tradicionais respondeu por boa parte do aumento na produ
cas. Cuba propiciou uma alternativa dinâmica tanto como fonte de abasteci- çãototal, embõi:ã meimó aqui a escalade produção tenha sido com frequência
mento de açúcar e seus subprodutos quanto como um mercado para os pro- consideravelmente maior do que em outras partes do Caribe. Veio, porém, a
dutos americanos. Os vínculos estreitos entre os Estados Unidos e Cuba foram energiaa vapor, e os métodos de manufatura do açúcar em Cuba foram trans-
uma exceção significativa à capacidadebritânica de dominar os mercados dos formados pelo aparecimento de técnicas industriais modernas. Knight estima
aíses periBricos graças à sua superioridade industrial e comercial. Os Estados que em 1827 apenas 2,5% dos mil engenhos de Cuba eram movidos a vapor.
unidosnão eram o único consumidor importante do açúcar cubano, maso país Mas, de acordo com Moreno Fraginals, em 1860 havia 359 engenhos movidos
rnou-se cada vez mais um fornecedor de madeira, gêneros alimentícios e, sig- a energia animal com uma capacidade produtiva média de 113 toneladas; 889
niâcativamente, produtos industriais a Cuba (Knight 1970, pp. 43-45). engenhossemi-mecanizados onde se empregavam máquinas a vapor, com uma
Entretanto, ao longo do século XIX, a produção açucareira mundial aumen. capacidadeprodutiva média de 41 1 toneladas; e 64 engenhos mecanizados que
tou enormemente, e o preço do açúcar conheceu um declínio constante. Sem utilizavam a energia a vapor e uma tecnologia de processamento mais avançada
um mercado preferencial próprio, Cuba viu-se forçada a competir com o açúcar (incluindo as caldeiras a vácuo), com uma capacidade produtiva média de 1 176
beneâciado pelo prQtecionis.mo nos mercados açucareiros "livres" altamente toneladas(cerca de 15% da produção total da ilha). Em conjunção com a ado-
l competitivos dos Estados Unidos e da Europa continental. Para manter sua ção da energia a vapor, houve um processo constante de concentração de terras.
posição nessesmercados, os senhores cubanos sofriam uma pressãoconstante O tamanho médio do estabelecimento açucareiro na parte ocidental de Cuba
para expandir a produção, aumentar a eficiência e reduzir os custos. Puderam em 1762 era de trezentos a quatrocentos acres. Em 1860 chegou a 1400 acres
atender com sucçlso.a.essas demandas exatamente porque Cuba continuou esuperou o de sua contraparte na Martinica (Knight, 1970, pp. 38-39; Moreno
sendo uma :"fronteira do açúcar" durante a maior parte do século XIX. Ape- Fraginals, 1978, 1, pp. 170-173; Scott, 1985, pp. 20-21).
nas 515 820 hectares numa área total de 12428272 hectares eram cultivados em A distância e a falta de transporte interno limitavam as terras suscetíveisde
1827 (Friedlaender, 1978, p. 197). A expansão sem precedente da indústria açu- serexploradas para a cultura da cana e elevaram o preço do açúcar. O transpor
careira cubana devia-se à capacidade dos senhorescubanos de aumentar a área te por terra era lento, difícil e caro. Assim, o estabelecimento de novos engenhos
cultivada, estabelecernovas p/anfafíolzs, concentrar a mão-de-obra e incorpo- limitou-se inicialmente às regiõessituadas ao redor dos portos marítimos ou
rar avanços cientíâcos nos processosde produção em combinações e numa es- fluviais, particularmente Havana. Essasdiâculdades levaram os senhores abus
cala que não eram possíveis nas colónias escravistasmais antigas do Caribe. car soluçõesnovas, se não audaciosas,para o problema do transporte. Em 1837,
A disponibilidade de novas terras e de nova mão-de-obra, especialmenteno trezeanos depois que a ferrovia com trens a vapor começou a operar na Ingla-
contexto de um mercado mundial em expansão,possibilitou a notável evolução terra, concluiu-se a primeira estrada de ferro da América Latina e do Caribe,
técnica do engenho de açúcar cubano do trapiche movido a energia animal ao entre Havana e Güines (Guerra y Sánchez, 1964, p. 54; Marrero, 1983-1986,11,
engenho mecanizado..Terrae trabalhçlÊgdiam combinar-se com o engenho em pp. 169-170; Zanetti Lecuona e García Alvarez, 1987, pp. 61-62).
novas proporções à medidaqué'a' capacidade deste último se desenvolvia. De A estradade ferro ea indústria açucareira desenvolveram-se na mais estreita
fato, não é exagero aârmar que a inovação técnica foi a condição para a expan- interdependência. As ferrovias foram construídas para servir à indústria açuca
são do açúcar e da escravidão em Cuba (Marrero, 1983-1986, 11,pp. 179-180; reira, e o açúcar lhes propiciava a maior parte dos seuslucros. A rede ferroviária
Zanetti Lecuona e García Alvarez, 1987, pp. 23-24). abriu novasterras e permitiu a exploraçãolucrativa dos ricos solos do interior
164 l PELO PRISMA DA ESCRAVIDÃO PEQUENAS iLhAS E GRANDES COMPARAÇÕES 165

da ilha. O açúcar substituiu o calo e o tabaco. A escravidão foi estendida, expan- ceu,eas exigênciasde capital para a fundação de um engenho aumentaram enor-
dida e intensiâcada. Os custos de embarque reduziram-se drasticamente, e o memente.A introdução das ferrovias nas propriedades redundou numa acirrada
uso da terra foi maximizada. Quantidades maciças de açúcar eram conduzidas competiçãopor terra etrabalho. Os pequenos produtores ficaram numa situação
rapidamente aos portos para serem embarcadascom destino ao exterior, e equi- difícil, e emergiu uma economia de monocultura dominada por grandes em
pamentos pesados,tais como maquinarias para os engenhos, podiam ser trans. presáriosque podiam arcar com os custos dos novos engenhos mecanizados.O
portados a longas distâncias por terra. Podia-se estabelecer engenhos novos. tamanho ótimo de uma grande propriedade açucareira subiu para duas ou três
maiores e tecnicamente mais avançadosem terras virgens. Com o advento da mil toneladas,em vez dastrezentas ou quatrocentas anteriores, e a própria forma
estrada de ferro, o centro de gravidade da indústria açucareira cubana deslocou. da organizaçãoda plarzfafíonviu-se transformada com a emergência,primeiro
se-entre 1837 e 1851, para o oriente de savana p.!!!!s províncias de Matãiiiã' dos engenhos gigantes gemi-mecanizados, e ânalmente dos engenhos totalmente
e Santa C ara Nesses novos territórios, fundaram-sep/a?zfafíorzs ainda maiores. mecanizados (Marrero, ] 983-1986, 11,pp. 153-159; Knight, 1970, pp. 18-19 e 30-
incorporando não apenas a máquina a vapor mas também a mais recente tecno. 40; Guerra y Sánchez,1964,pp. 54 e 66; Moreno Fraginals, 1978, 1,pp. 167-255;
logra de reúno disponibilizada pela indústria europeia do açúcar de beterraba. 11,PP. 106-174; 111,PP. 35-36; Scott, 1985, PP. 20-21).
Em 1860, Matanzas detinha 44 dos engenhos plenamente mecanizados da ilha.
seguida por Santa Clara, com dez. Com o maior número de engenhos a vapor e
de providos de caldeiras a vácuo, Matanzas ostentava a maior produção total e CONCLUSÃO
a maior produção média na ilha. Produção crescente e custos decrescentes, em
parte devido à estrada de ferro, pern!!iiãiiíãtls senhorescubanos plg$pelê! no Uma comparação do desenvolvimento da p/atzfafíon açucareira na Martini
mercado açucareiro em expansão, apesar da queaãaõij;ruços. Inversamente, ca e em Cuba revela diferenças espaciais e temporais firmemente vinculadas a
a construção daç éstradas de üetrõ êi;ã'fiãaiiciaãa predo;;iinantemente por se- moldar o nexo de mercado e os processosprodutivos em cadajitylção. Apesar
nhores de engenho e comerciantes cubanos a partir dos lucros da produção de das aparentes semelhança! fgrmai!,.:telii:},dfãbalho a=ÉÊçnologia:,$ãoem cada
açúcar e do trabalho escravo (Marrero, 1983-1986, 111,pp. 154-159, lgl-193, caso diferentemente constituídos dentro de conâgurações espacial-temporal
209 e 212-213; Zanetti Lecuona e García Alvarez, 1987, pp. 6 e 61-62; Guerra y distintas e resultam em trajetórias históricas contrastantes.
Sánchez, 1964, p. 66; Knight, 1970, pp. 32-39; Scott, 1985, PP. 21-24). Rã Martinica, a evoluçãoda p/anfaffb?zaçucareiraé constringida e mol-
Os cubanos gozavam da vantagem tecnológica dos retardatários. Embora dada por estruturas formadas num ciclo de escravidão e açúcar que precede
pouco numerosos, os engenhos mecanizados representavam uma transformação a integração dos mercados mundiais e a emergência do capital industrial. A
nas condições da produção de açúcar. O engenho cubano desenvolveu-senuma revitalização do sistema de p/anfafíon durante a primeira metade do século
escala gigantesca, e a tecnologia da produção de açúcar alcançou ali o nível mais XIX manteve o antigo padrão produtivo e comercial dentro do novo desen-
avançado conhecido sob a escravidão. As moendas movidas a vapor, a caldeira a volvimento. Todavia, as barreiras alfandegárias que deram nova vida aQyç.lbç
vácuo e a centrífuga aumentaram a capacidade dos estabelecimentos mais avan- sjstçlUa levaram à emergência da indústria de açúcar de beterraba na França.
çadose produziram mais açúcar de qualidade superior. Nas grandes proprieda- O ritmo acelerado de desenvolvimento e a maior eâciência técnica do açúcar
des,introduziram-se linhas férreascurtas, não raro usando equipamento movido de beterraba unificaram diferentes estruturas temporais no mercado francês
a energia animal, para transportar as canas dos campos para os engenhos, para o e favoreceram o pleno desenvolvimento do setor colonial. Na Martinica, o
transporte dentro dos engenhos e para os cais. Essesdesenvolvimentos rompe- processode exploração extensiva que requeria novas terras encontrou seus
ram a proporção fixa entre terra, trabalho e capacidadede moagem que limitara limites - que pareciam ser absolutos na maneira como era articulado com
o desenvolvimento do velho engenho. Jánão era necessário limitar a extensão das processos técnicos e sociais. A virtual impossibilidade de mudança criou uma
terras plantadas com cana. O uso das vias férreas dentro das propriedades pro- forma quase estáticade tempo, virtualmente aprisionada pela escassez!:na=
porcionou uma área maior para a plantação e assegurouo maior abastecimento tural" de te!!!. Persistênciae estabilidade, se não uma repetição cíclica do
de cana requerido pelas modernas técnicasde reíino. A escalada produção cres- passado, caracterizaram a experiência temporal.
166 l PELO PRISMA DA ESCRAVIDÃO PEQUENAS iLhAS E GRANDES COMPARAÇÕES l 167

Já a organização da terra, do trabalho e da tecnologia em Cuba pressupõe oroduzem historia na economia mundial moderna. A tarefa da comparação é,
mercados mundiais integrados e circuitos de capital cada vez mais ancorados oois, reconstruir o tempo e o espaço relacionalmente dentro dos processos eco-
na produção industrial. Em Cuba, o desenvolvimento tecnológico teve con. nómicos mundiais.
sequências dinâmicas. A disponibilidade de terra - essencial para o padrão visto que os fenómenos se enraizam num campo histórico teoricamente uni
extensivo de exploração da indústria açucareira cubana - era bloqueada por ficado, a comparação aqui revela diferenças, não estabelecendo a presença ou au
dificuldades de transporte. No entanto, esselimite - em vez de ser simples- sênciade fatores universais particulares nos casos,mas especiâcando relaçõese
mente destrutivo e levar a uma regressão,como na Martinica resultou na ul. processos sócio-históricos através de sua relação com o todo(especificando assim
trapassagemda ordem anterior. A introdução da estrada de ferro, a integração historicamente o próprio todo) (Sartre, 1982, p. 141). (Para Sartre, os conceitos
na circulação de capital internacional e a expansãoe intensiâcação do trabalha geraisde natureza e escassezmaterial fornecem o momento totalizador que per
escravoimpuseram novas formas socioeconómicase um ritmo aceleradode mire uma comparação de diferença. Já a estratégia aqui aditada fundamenta a
desenvolvimento.De fato, poder-se-ia falar aqui de uma mudança estrutural comparaçãono conceito da economia mundial a fim de compreender a diferen-
na própria temporalidade a "desnaturalização do tempo histórico': para usar ça como relações de tempo e espaço antes dentro de um sistema que na história
os termos de Koselleck , deânida pela tecnologia, a indústria e a economia humana em geral. Com isso ela procura ao mesmo tempo revelar as premissas
(1985, p. 96). Movimento, velocidade crescentee abertura para os novos acor- sociais e históricas e as relações temporais 6ormadoras da economia mundial
dos socioeconómicos e conâgurações espaciais dentro e fora caracterizaram a capitalista e, portanto, as característicase condições da própria modernidade
dimensão temporal da indústria açucareira em Cuba. capitalista.)Esseprocedimento diferencia particularmente sequênciashistóri
Ao conceber Martinica e Cuba como partes de um todo espacial-temporal cas e conâgurações espaciais localizando-as no conjunto evolutivo das relações
diferenciado, de uma economia mundial histórica singular, a estratégia compa- üormadoras da economia mundial. Desse modo ele permite a identificação tan-
rativa apresentadaaqui põe os processosde transformação em cada sistemade to de diferentes ordens temporais nas sequências individuais quanto o papel e a
pZa/zfafíonem relação mútua. Em contraste com os métodos de comparaçãofor- importância diferenciadora dos elementos individuais em sequênciasaparente-
mal, as unidades de comparação não são tratadas como distintas, independentes, mente semelhantes. Ao estabelecer assim a relacionalidade espacial e temporal
como "casos"comparáveis abstraídos de sua localização no tempo e no espaço de desenvolvimentos históricos particulares, essaabordagem permite, a meu ver,
Em vez disso, são tomados para representar "instâncias" de processosmundiais formular o carátervariável dascategorias sociais ao longo do tempo e reconstruir
que são formados e reformados por meio de sua relação mútua (Hopkins, 1982a, teoricamente os processos complexos, interdependentes e mutuamente condicio-
p 30). Essaabordagem, portanto, reconhece e leva em conta a enter-relaçãoe o nadorqs que modelam a trajetória e o ritmo da mudança.(O potencial das narra
condicionamento recíproco das unidades.dentro dos processoshistóricos da eco. uvas teoricamente construídas de tais sequências para fornecer tanto explicações
nomia mundiall quanto interpretações causaisdo significado na análise sociológica é discutido
Nesseenquadramento, o propósito da comparaçãonão é deduzir aârmações em artigos de Larry J.Griffin, Andrew Abbott, Ji]] Quadagno e Star J.]<napp e
gerais equivalentes a leis a partir da descoberta de "regularidades causais" entre Rona[d Aminzade em SocfoZogfcaZ
Mefhods and Research, 22, p. 4 [May 1992].)
unidades tratadas como os "casos" replicados comparáveis dos processos investi- Essaabordagemtraz àbaila a homogeneidadedo tempo e do espaçocomo pro'
gados (Taylor, 1987, p. 16). A comparação busca antes reconstruir, no tempo e no censosda economia mundial. A escravidão, a terra e a tecnologia na Martinica e em
espaço,relaçõesque modelam e remodelam a economia mundial e as conexões Cuba tiram seu papel e signiõcado de sua posição em configurações específicashis-
entre elas.Tempo e espaçonão são conceitosou variáveis fora da economia mun- toricamente inter-relacionadas e variáveis. Na expansão da economia mundial do
dial, mls plgprjçdadç!.Êl1ldamerllílj! do plgprio sistema.Os resultadosde tais século XIX, identificamos a persistência dd um padrão temporal.espacial "antigo'
processos são contingentes às suas relações temporais e espaciais(Taylor, 1987, de escravidão na Martinica que se relaciona com e é condicionado pela criação de
pp 16 e 34). Nessaperspectiva, a questão não é simp]esmente localizar proces- um novo padrão de escraMdãQem Cubo. A comparação vai, pois, além das seme-
sosformadores da economia mundial no tempo e no espaço.É, antes, entender a lhanças externas para revelar o caráter distintivo da escravidão em cada caso.Cuba
produção histórica do tempo e do espaçoe as maneiras como o tempo e o espaço não é simplesmente a repetição da Martinica, mas representa a reconfiguração radi-
168 l PELO PRISMA DA ESCRAVIDÃO

cal da escravidão e da agricultura deplarzfafíon nas condições político-económicas


emergentesdo novo ciclo de acumulaçãoem escalamundial.
Ao mesmo tempo, as indústrias açucareirasna Martinica e em Cuba não são
apenascontemporâneas uma das outras, mas permanecem enter-relacionadas,
condicionando reciprocamentepartes de um todo unificado. Por meio de seu
desenvolvimento, ritmos, sequênciase períodos especíâcosse combinam numa
conjuntura complexa de estratostemporais diferenciados. Tãs estratossó podem
ser entendidos em relação uns com os outros. Variando em ritmo e duração e
Parte lll
apresentando diversas trajetórias, mesmo assim eles interagem na mesma dimen-
sãodq modernidade. O "velho" é criado em relação com o "novo": o "atraso'' apa-
recenão como o "ainda não': mascomo parte integral de um 'agora"heterogêneo.
Trabalho, Tempo e Resistência:
Dessemodo, numa escalaIhuhdiàl;õs'piõZ:êssõi diacumulação capitalista dife-
renciam e estratificam "planos temporais"(ver Koselleck, 1985, esp.pp. 92-104).
Mudando os Termos de Comparação
Nem todo espaço é igualmente suscetívela ou estádisponível para a racionali-
zaçãopela economia e a tecnologia. Aqui, quanto mais completa e efetivamente
cada região explora as possibilidades dadasdentro de suaparticular configuração
espaciale temporal, mais se alargao hiato entre asvárias regiões.Destarte, o tem-
po histórico da economia mundial moderna ao mesmo tempo uliâca as tem-
poralidades especíâcasde cada um dg! !qu! cgçuitos e é por el!! diferenciado:
Impõe. suaitõiiaiçõê; a estratos temporais particulares, molda a articulação de
sequências,trajetórias e ritmos temporais e hierarquiza a relação entre eles,pro-
duzindo assim a temporalidade da economia mundial como um todo que apenas
acidentalmentecoincide com qualquer estrato temporal particular.
Sendoassim, a economia mundial, entendida como uma totalidade espacial
temporal, nem é redutível às propriedades dos processosindividuais que a com-
preendem ou à soma destes,nem é uma unitlaãe distinta exterior às suasrelações
e processos constituintes. Seu caráter como fenómeno mundial decorre das inter-
relações dos processos que a compreendem. Numa escala mundial, os processos
de desenvolvimento capitalista simultaneamente uniâcam e diferenciam as rela-
çõestemporais e espaciais.Ao estabelecera desigualdade espaciale temporal a
estratégiacomparativa aqui proposta reconstrói a economia mundial como uma
constelaçãoespecíficade processose relaçõesque evoluem historicamente("fei-
xe de relações") e que são ligados por meio de modos definidos de integração
económica e política. Essaabordagem revela tanto a especificidadee a variedade
das relaçõesparticulares quanto a estrutura total e dinâmica de uma rede maior,
unificada, de poder político, dominação social e atividade económica. Por isso
ela sugereas condições,possibilidade e limites ao desenvolvimento impostos por
essasestruturas.
Í'©'
H
E
C,ocS g
228 l PELO PRISMA DA ESCaAvii)Ão

seria de apenas um terço da normal, a de 1849 de apenas metade, e era difícil


saber aonde essedeclínio levaria em 1850. Para resolver a crise, também reco.
mendava o estabelecimento de turmas de trabalho disciplinares como o único
remédio confia acrescente y4diagem e exortava os ex-senhores a voltar para as
suaspropriedades e reassumir um papel ativo na sua direção (France. Ansom.
Martinique, Carton 11, Dossier 109, Émile Thomas au Ministêre de la Marine et
des Colon es, Fort-de-France, 28 set. ] 848).
(:)IÉontrato de pai=êê11$
indica a complexidade dos processoshistóricos for.
BIBLIOGRAFIA
madorei do rc;Êiihê'aetrabalho na Martinica pós-emancipação.Elese desen-
volveu como uma resposta aos esforços da população trabalhadora no sentido
de moldar o regime de p/anfatíon de acordo com suas necessidades e perspec-
tivas. Desempenhouum papel de relevo na manutenção da continuidade da
trabalho e na tareia de assegurara sobrevivênciada indústria açucareira.Era.
contudo, uma forma inadequada de organização social e económica. Não for- FONTESPRIMÁRIAS
neceu à pla/zfafiolz açucareira uma mão-de-obra em quantidade e qualidade
suâcientes. Em vez disso, a casa, a horta e as roças de subsistência continua- FONTES MANUSCRITAS
ram sendo importantes campos de conflito por meio dos quais os trabalhadores
procuravam afirmar, no processo de reorganização da PZanfafforze de reconsti- France. Árquíves N2zfionales. SecfíorzOutra-Alar (durava?zfe A?zoom)
tuição da força de trabalho, uma economia camponesa fundada na produção e
Fonds Généraiités
troca em pequenaescala.ü'õbstináda resistênéiãaóiilrãl;àlhadoi6i'lÉ:varia os
sucessoresde Perrinon, Bruat e, especialmente,Gueydon, a elaborar código.s Gétzeralífés,Carton 43, Dossier 350. Procês-Verbaux des déZíbérafíonsde la Commission
trabalhistas ainda mais repres?avos.Mas, por si só, a repressão era uma resposta Schoetcher.
insuficiente à resistência.Nas palavrasde Bruat, Q.trio;;ii;a é "o elementore- GérzéraZífés,Carton 9, Dossier 99. De À4oges, À4émoíre â son sz/ccesseur (]840).
generador das colónias, a conte de sua força e prosper dade" (France. Ansom. Généralífés, Carton 144, Dossier 1221. Corzdífion des esciaves.Pub/ícafíon d an exposé
Martinique, Carton 11, Dossier 109, Extrait des Procês-Verbauxdesdélibera- sommaire de mestres crises dons !esdi$érents colonies tour I'exécution de ! brdonnance
tions de la Sessionordinaire du mais de novembre 1848.Séancede 7. Con- roya[e du 4.Íafzvíer ]840. 1841-1843.

seil Privé). Tanto para Bruat como para Thomas, o trabalho assalariado surgia
como o único meio capaz de conter as iniciativas da população trabalhadora e F07zdsi\4arfíniqz4e

assegurar um suprimento seguro e adequado de mão-de-obra. No entanto. o ÀÍarfírzíque,Efaf descu/ftzres,1831- 1850.


empobrecimento dos proprietários representaria um obstáculo contínuo à im- À4arfi ziqzJe,Carton 7, Dossier 83. Tourtzéesdzzgouverlzezzr.1829-1851, 1870.
plementaçãodesseprograma. SÓcom a reesgyturação da economiacolonial é À4arfitzique,Carton 1 1, Dossier 108. Correspotzdafzce
poiítique. 1848-1851.
que se poderia subordinar efetivamente o trabalho e assegurar a sobrevivência À4arfinique, Carton 11, Dossier 109. CorrespondancegénéraZe.C. A. Bruat, Gouverneur.
da indústria açucareira. Octobre 1848-juin 1851.
À4arffrzíqzle,Carton 56, Dossier 464. Correspondancegénérale etzfreZeÀ4fnísfrede !a À4a-
rilze ef le Gouver zezlrRosfoZa?zd.
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Todos os capítulosjoram escritos por Date W. Tomich, professor de sociologia e história na
Universidade Bittgham ton.

O Capítulo l é uma versãorevirada de "World Market and American Slavery:Problema


of Historical Method': queapareceuoriginalmente em EZsestaisDet mercar,Manuel
Cerda, ed. Valencia, Espinha, Diputació de Vãlencia, 1993, pp. 2 13-240.

O Capítulo 2 é uma versão revisadade "World of Capital, World of Labor; Reworking


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