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SOCIEDADE DE PSICANÁLISE CONTEMPORÂNEA DO BRASIL

CURSO DE PSICANÁLISE CLÍNICA

ERISMAR GOMES COSTA LIMA

ASPECTOS EPISTEMOLÓGICOS DA CONSTITUIÇÃO DA PRIMEIRA


TÓPICA DO APARELHO PSÍQUICO EM FREUD

ARAGUAÍNA

2019
ERISMAR GOMES COSTA LIMA

ASPECTOS EPISTEMOLÓGICOS DA CONSTITUIÇÃO DA PRIMEIRA


TÓPICA DO APARELHO PSÍQUICO EM FREUD

Trabalho em cumprimento às exigências do


módulo 1 e 2 do Curso de Psicanálise Clinica.
Professor: Marcos Salomé.

ARAGUAÍNA

2019
RESUMO

Com base na teoria freudiana, não existe característica especifica nem


opinião única de tempo, embora ele seja importante para abordar a problemática
da constituição do sujeito.

A natureza de um indivíduo não se compatibiliza com a do outro.


Indicando que a obra freudiana é constituída por avanços e recuos, onde ao
surgimento de problemas, passam a serem desenvolvidos, abandonados com o
propósito de retornarem tempos depois. Essa característica Freud não as
inventou, foi através de métodos de investigações psicanalítico que a
aproximação dos fenômenos passa por meios complicados e tortuosos, sendo
então dizer que a obra de Freud não é um corpo homogêneo, onde sua
heterogeneidade é própria da psicanálise em que dimensão conceitual e a
epistemológica são aspectos apresentados.

A sua não linearidade se conceitua quando conceitos diversos são criados


e modificados no decorrer da proposta freudiana. Assim o presente arquivo vem
de encontro aos aspectos epistemológico da teoria psicanalítica. Freud
apresentou um estudo cientifico com dois modelos de compreensão da mente,
sendo a primeira e a segunda tópica do aparelho psíquico freudiana, chamando-
o de aparelho psíquico que na sua concepção tratava a mente mecanicamente,
ou seja, como uma máquina, com a função apenas de descarregar tensões,
excitações.

Entretanto no conceito da primeira tópica do aparelho psíquico, assunto


abordado neste artigo, Freud levava em conta o tempo em que em sua
particularidade, exibia uma forma de enredo a ponto de identificarmos o
surgimento de problemas, há de compreender que tem por particularidade, exibir
desde os primeiros estudos, o surgimento de uma sequência problemática,
sofrendo um processo cíclico onde o enredo é a sequência de fatos que
acontecem na história, as situações vividas pelos personagens.
Com o aparecimento da psicanálise freudiana sugeriu uma revisão dos
paradigmas epistemológicos das ciências de seu tempo no que se refere ao
estudo do ser humano, não no sentido de que as ciências já existentes foram
impelidas a se reestruturarem epistemologicamente a fim de serem bem
empregadas no estudo da mente humana, mas as dificuldades epistêmicas com
que se deparou a psicanálise tornaram necessária a busca de uma peculiar
epistemologia para lidar de forma mais eficaz com a mente humana, já que as
ciências já constituídas não satisfaziam plenamente as condições de pesquisa
desta última.
Desta forma observando o quadro epistemológico, podemos afirmar a
presença de uma ruptura ou uma continuidade da obra freudiana, onde
demonstra mais claramente a problemática. Existe vários autores que relatam
argumentos relevantes em ambas posições, significando um sentido para
reflexão deste campo fértil.
Num primeiro momento, o movimento de construção e de busca da
cientificidade da psicanálise, a partir da justificação epistemológica da existência
do inconsciente. É crucial está justificativa, pois é o próprio objeto material da
psicanálise, no qual, todo um edifício conceitual estará e poderá ser erigido,
incluindo a probabilidade de cura das neuroses. Sendo assim o presente trabalho
tem o objetivo de apresentar discursões com relação epistemológica do
pensamento freudiano no sistema de constituição da primeira tópica.
De modo a ressaltar os trabalhos de Ricoeur (1977), Monzani (1989) e
Garcia-Roza (1984,2001), vem nos ajudar com respostas que nem sempre
coincidem, nos direcionando em uma aberta oposição.
Estes trabalhos são compreendidos em duas situações: as continuístas,
ou seja, sugerem que não é possível comentar em ruptura do discurso freudiano
e as que são descontinuistas, afirmam que a Interpretação dos sonhos é um
conhecer plenamente inaugural e que está distante dos trabalhos anteriores à
1900.
Freud e o inconsciente no livro escrito por Garcia-Roza (1984), sinaliza
que a passagem para Tranmdeutung, que significa a importância de sonhar,
denota em seus conceitos que de fato é uma ruptura, onde, a ruptura de que se
trata, passa por um processo investigatório sendo meramente explicativo na
interpretação das palavras.
Ricoeur (1977) sua obra se baseia na filosofia do conhecimento: a
energética e a hermenêutica. Contudo, não reconheceria como uma ruptura na
compreensão do pensamento freudiano em virtude de que tanto o energetismo
sempre estavam presentes na busca do sentido, já na pós-modernidade.
Monzani (1989) atribuiu uma interpretação particular sobre a
constituição epistemológico da teoria freudiana, radicalizando seus conselhos,
que de certa forma traria alguns problemas à tona.
Ao publicar o livro A Interpretação dos sonhos em 1900, Freud colocava
sua obra em destaque, dando ponta pé inicial na psicanálise, expondo métodos
interpretativos, fundamental para que o inconsciente não ficasse encoberto,
Freud em suas análises revelava que os sonhos são realizações de desejos
inconsciente mesmo que estes sonhos, de nada tenha importância e lógica,
poderia demonstra de certa forma verdades sobre o sonhador.
Basicamente com desejos físicos ou pequenas burlas a horários ou
obrigações diárias, estão relacionados com desejos aceitos pela consciência. É
caso de sonhar que se bebe água, quando se está com sede, ou que já está no
trabalho, enquanto o corpo ainda necessita de um pouco mais de descanso.
Em sua maioria, os sonhos de adultos estão relacionados com desejos
inaceitáveis para o sonhador e por isso vem disfarçados, transformados,
deformados em função da censura dos sonhos. É em razão desta censura e por
sua natureza transgressora que os sonhos são normalmente inteligíveis e sua
interpretação, muitas vezes, provoca resistência no sonhador em aceitar as
considerações do psicanalista.
Além dos argumentos divididos sobre Inconsciente, Pré-consciente e consciente,
uma vês que ela é de fundamental importância a observação de alguns
elementos construtivos da primeira tópica, que explica os fenômenos mentais
sobre a égide de um recurso metafórico deixando claro na concepção de Freud
que processos mentais surgem um após o outro sem que haja uma correlação
biológica.
Assim sendo a respeito aos pontos de ruptura, características dos modelos
percussores da primeira tópica psíquico, podemos assinalar que o Aparelho de
Linguagem, sendo que na carta 52 uma representação real está presente,
diferentemente a parti de 1900, onde Freud apresenta uma modelo presente na
carta 52 sempre tendem para uma representação real. Situação bem diferente
da notada a partir de 1900, momento no qual Freud explicitamente tece uma
opinião com relação ao aparelho psíquico.
Há de perceber situações comuns a esses dois escritos da obra
freudiana. O primeiro é a insistência da linguagem como fator constitutivo do
aparelho psíquico. Constatando a partir da obra sobre as Afacias estando
presente no decorrer de toda A interpretação dos sonhos.
Agora se no Projeto ela irá trabalhar para a separação entre duas
classes de neurônios, futuramente ela será chamada para fazer parte de um dos
elementos diferenciadores das instancias Inconsciente, Pré-consciente e
Consciente. Na inicial da carta 52 da relação entre Freud e Flies é desenvolvido
um conceito de aparelho psíquico como um fenômeno de distribuição energética
temporal, no qual uma sequência é obedecida pela percepção do sujeito.
Também nesta carta aparece pela primeira vez o termo Pré-consciente, já
percebendo a aproximação com as propostas pós 1900.
Agora, no campo epistemológico a ruptura completa, dificilmente terá
uma afirmativa, uma vez que muitos conceitos relevantes dos escritos anteriores
de 1900 ainda permanecem decorrentes das obras freudianas, por fim é nítido
o acento biológico-neuronal sobre o aparelho mental nos primeiros escritos,
levando a concordar da posição de Ricoeur (1977) ao ponto que sugere que a
novidade da teoria freudiana está baseada na recusa de escolha exclusiva de
duas matrizes epistemológicas ao que tudo indica que estão distintas, no caso
da energética e a hermenêutica. A teoria freudiana faz brotar um sentimento,
Monzani (1989), que concebe o pensamento freudiano a partir da metáfora da
espiral e do pêndulo. Rupturas que apesar de amplas não são totais e
continuidades de alguns pontos fundamentais parecem nos autorizar a falar que
existe uma unidade epistemológica nos primeiros anos da obra de Freud.