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CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA

CURSO DE PSICOLOGIA 3º PERÍODO

Trabalho de Pesquisa em Psicologia I: Resumo do Seminário No Improvável Caso


de uma Aterrissagem na Água – Capítulo 4 do Livro Mente e Cérebro de Lauren
Slater

Trabalho apresentado à disciplina Pesquisa em


Psicologia I do curso de Psicologia do
CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO
LISBOA.

Professor: Carlos Eduardo Nórte

Ana Lucia Vieira Pinto Matrícula: 120500083


Cássia Helena Oliveira S. Nogueira Matrícula: 110500253
Fernanda Silva Costa Matrícula: 120500013
Gisele Gomes Pacheco Matrícula: 120500137
Kátia Soares de Lima Matrícula: 110500240
Lorena Paula Sant´Anna M. Rodrigues Matrícula: 120500128
Manoel Ferreira Pinto Neto Matrícula: 120500243
Nathalia dos Santos Matrícula: 120500005

Rio de Janeiro
2013
Resumo:

O texto apresentado pelo professor da matéria, ao nosso grupo, para a


preparação do seminário foi o texto “No Improvável Caso de uma Aterrisagem
na Água” que é o capítulo quatro do livro Mente e Cérebro da autora Lauren
Slater.
Esse texto apresenta o subtítulo “Manual de Treinamento de Darley e
Latané – Uma Abordagem em Cinco Estágios”. Inicialmente não entendemos
esse subtítulo, mas durante a leitura do texto, o subtítulo fica claro e podemos
perceber então que as seções do texto têm como título e, consequentemente
como assunto, os cinco estágios do treinamento propostos pelos psicólogos John
Darley e Bibb Latané.
Interessante notar também que o texto inicia fazendo referência, segundo
Slater (2004), ao caso de um crime chocante e bizarro ocorrido em Nova York
no ano de 1964, o chamado caso Kitty Genovese. Mas o que esse episódio tem
para ser considerado bizarro? Essa é a primeira resposta que nosso seminário
pretendia mostrar. Abriríamos o seminário mostrando um filme que retrata esse
caso. Trata-se de um filme forte, marcante, que mostra um crime bárbaro (como
vários crimes que ocorrem todos os dias em grandes cidades pelo mundo afora),
que ocorre durante trinta e cinco minutos, em três ataques distintos, numa área
residencial da cidade de Nova York. Nesses ataques, um estranho mata uma
moça chamada Kitty Genovese a facadas durante trinta e cinco minutos e ela
grita de dor e desespero, pedindo ajuda. O crime foi testemunhado por trinta e
oito pessoas que observavam das janelas de seus apartamentos o que ocorria e
nenhuma dessas pessoas, absolutamente nenhuma dessas pessoas tomou
qualquer providência para ajudar a jovem e nem sequer chamou a polícia.
Esse crime causou comoção nos Estados Unidos, na época de sua
ocorrência e foi o motivo para que os psicólogos Darley e Latané resolvessem
iniciar pesquisas através da criação de experimentos que buscassem entender o
que leva pessoas comuns a ignorarem o grito de socorro de outras pessoas e
também quais as condições em que o comportamento pró-social de ajuda ao
outro se manifesta. Segundo Rodrigues, Assmar e Jablonski (2007), o caso Kitty
Genovese é considerado o marco inicial do estudo sistemático do
comportamento pró-social que é um tema da Psicologia Social.

1. Saber que um Evento está Acontecendo

Nosso seminário passaria então, a demonstrar o contexto histórico que a


autora descreve estar acontecendo no país em que ela vive, os Estados Unidos. O
texto está sendo escrito poucos dias depois do atentado de 11 de setembro de
2001. O ataque às Torres Gêmeas que provocou uma comoção e um estado de
histeria e medo generalizado não só ao nível de um país mas também ao nível de
boa parte do mundo. Esse episódio provocou um fenômeno mundial, um
sentimento de ameaça e fragilidade de todo um modo de vida. O nosso
“american way of life” (modo de vida americano).
Dentro desse contexto a autora resolve comprar máscaras de gás para ela
e para a filha, pois, como efeito psicológico do atentado, estava vívido em todos
os americanos, havia ainda uma perplexidade “como uma coisa tão hedionda
como essa pode acontecer?” , “que forças contribuíram para que isso
acontecesse?” e “de que forma nosso modo de vida nos deixa frágeis?” .
Certamente, essas foram algumas das reflexões que os americanos fizeram
naqueles dias.
A autora tem uma conversa com o marido sobre situação de emergência e
a nossa capacidade de perceber que existe realmente uma situação de
emergência e, mais do que isto, atuar ou melhor, responder ao estímulo
provocado por ela.
Esse é o gancho para a autora iniciar a descrição da pesquisa de Darley e
Latané que estudaram a tendência humana de negar a existência de uma
emergência e por não querer incorrer nesse erro, a autora comprou máscaras de
gás.

2. Precisa-se Interpretar um evento como um evento onde a ajuda é


necessária. Todos os textos em tópicos abaixo são citações de Slater
(2004).
A autora descreve então, detalhadamente toda a ocorrência do crime, que
havíamos descrito anteriormente através da apresentação do filme. Porém,
alguns pontos são, e precisam ser, enfatizados, esses pontos são:

∗ O crime ocorreu em 13 de março de 1964 (sexta-feira) entre 03h15 e


03h50. Ocorreu em três ataques separados acompanhados e pontuados
por gritos de socorro.

∗ 38 testemunhas viram a cena e não tiveram qualquer ação positiva de


auxílio.

∗ Apenas às 03h50 alguém chamou a polícia que chegou em 02 minutos,


mas Kitty já estava morta.

A comoção que esse crime causou fez vários psicólogos procurarem estudar
o fenômeno e oferecerem possíveis explicações para ele. Algumas das possíveis
explicações foram:

∗ Renee Claire Fox disse que comportamento das testemunhas foi


resultado da negação de afeto.

∗ Ralph S. Barnay culpou a televisão e o fluxo de violência

∗ Karl Menninger teorizou que a apatia pública é uma manifestação de


agressividade.

Entretanto, Darley e Latané não concordaram com essas explicações e


resolveram estudar o fenômeno mais profundamente.

Darley e Latané começaram a se perguntar (problemas formulados):

∗ Se você estivesse em um edifício e o alarme de incêndio tocasse e


ninguém parecesse preocupado você acharia que está tudo bem?

∗ Se estivesse andando pela rua e alguém caísse e ninguém oferecesse


ajuda, você pararia para ajudar ou continuaria andando?

E para tentar achar respostas para essas perguntas eles criaram um


experimento complexo (pesquisa experimental) onde testavam a reação dos
pesquisados a uma situação de emergência onde era simulado um ataque epilético
que necessitava de uma ação do pesquisado, por exemplo, avisar aos pesquisadores
o que estava ocorrendo. Porém, o ponto fundamental do experimento é que o
elemento pesquisado pensava que fazia parte de um grupo (ele não via essas outras
“pessoas”) onde umas das pessoas desse grupo sofria o simulado ataque epilético
(acreditamos que não cabe aqui uma descrição detalhada do experimento).

Os resultados que o experimento evidenciou são deveras interessantes:

∗ Apenas 31% dos pesquisados atuou.


∗ Darley e Latané variaram o tamanho dos grupos

∗ Quanto maior o grupo, mais improvável que o indivíduo buscasse


ajuda.

∗ Porém, se o indivíduo pesquisado acreditasse que estava em dupla com


o estudante epilético buscava ajuda e isso ocorria nos primeiros 03
minutos.

∗ Se a emergência não fosse notificada nos primeiros 03 minutos seria


altamente improvável que o fosse em outro momento.

∗ O experimento também comprovou que não houve apatia, os indivíduos


manifestaram sinais de preocupação mas não sabiam o que fazer.

∗ No caso de Kitty Genovese algumas pessoas disseram (típicos casos


onde as pessoas estavam querendo sair do estado de dissonância
cognitiva):

∗ Não quis me envolver

∗ Achei que era uma briga de namorados

∗ Era tarde eu estava cansado

∗ A luz do nosso quarto tornou difícil ver o que estava


acontecendo na rua.

Darley e Latané introduziram o conceito de difusão da responsabilidade e


validaram o conceito de etiqueta social como um fator interveniente na difusão de
responsabilidade:

∗ Quanto mais pessoas testemunham um evento, menos responsável cada


um se sente.

∗ A etiqueta social também é um fator complicador da difusão de


responsabilidade:

∗ Podendo até anular situações de vida e morte afinal seria terrível seria o
único a fazer estardalhaço e talvez a toa.

As conclusões desse experimento estão relacionadas ao terceiro passo do


“manual” desenvolvido por Darley e Latané (“Você precisa assumir a
responsabilidade pessoal”)

Porém, Darley e Latané continuaram se questionando e criando hipóteses:

∗ É improvável que ajudemos os outros mais por causa da presença de


outros observadores do que por apatia.

∗ O que acontece quando o outro somos nós?


∗ Possível Perigo (como identificar?) já que as emergências não são um
fato mas uma construção consciente.

Para testar essas hipóteses eles criaram então um segundo experimento e


esse segundo experimento está ligado ao passo quatro do “manual” de Darley e
Latané (“Você precisa decidir como agir”).

Nesse segundo experimento, Darley e Latané colocaram grupos de


estudantes numa sala com um respiradouro, para responder a um questionário e
começaram a jogar fumaça na sala. A fumaça era inócua, porém incomodava.
Alguns alunos do grupo eram “atores” e foram instruídos a ignorar a fumaça e
continuar preenchendo os questionários.

A resposta dos indivíduos testados foi coerente com a dos agentes (os
elementos pesquisados não sabiam da existência de “agentes” dos pesquisadores),
ou seja, eles percebiam a fumaça, olhavam para os agentes, viam que eles não
pareciam preocupados com a fumaça e voltavam a preencher seus questionários.

Os resultados do experimento também foram interessantes (voltando a citar


a autora, Slater (2004):

∗ Apenas tres indivíduos avisaram sobre a fumaça.

∗ Quando o indivíduo ficava sozinho na sala ele avisava prontamente.

∗ O experimento mostrou que preferimos arriscar as nossas vida a ir contra


o grupo publicamente.

∗ Valorizamos mais a etiqueta social do que a sobrevivência.

Foi introduzido então o conceito de sugestionamento social, ou o efeito


circunstante. Que foram exemplificados com cestas de caridade em igrejas que já
iniciam a sua passagem durante o culto com algum dinheiro dentro. Com o intuito
de estimular as pessoas a contribuírem sob efeito do sugestionamento social
(alguém já deu algo, eu preciso dar também). Percebemos claramente isso nas
várias “listinhas” que aparecem para nós nessa época de Natal e Final de Ano,
exemplo: lista do porteiro, lista do zelador, lista do lixeiro, lista do carteiro e por aí
vai.

Alguns etologistas ficaram entusiasmados com as conclusões dos


experimentos de Darley e Latané e começaram a pesquisar na natureza reações
semelhantes e encontraram em comportamentos de girafas, primatas e até em aves
como perus.

Então, David Phillips, sociólogo da Universidade da Califórnia baseado nos


experimentos de Darley e Latané fez pesquisas de documentação indiretas em dados
do FBI e chegou a conclusões bizarras, como coloca Slater (2004):

∗ David Phillips da universidade da Califórnia descobriu através de dados do


FBI que quando ocorre um suicídio bem divulgado aumentam os índices de
acidentes de avião e de carros.
∗ Fenômeno batizado de efeito Werther. (sugestionamento social)

∗ Phillips examinou estatísticas entre 1947 e 1968 e verificou que dois meses
após a história divulgada de um suicídio, em média 58 pessoas a mais se
matavam.

∗ Robert Cialdini da Universidade do Arizona corroborou as ideias de


Phillips.

David Phillips examinou dados sobre suicídios também e verificou que o


índice de suicídios aumenta nos dois meses subsequentes ao evento de um suicídio
amplamente noticiado. Temos um exemplo claro disso em nossos tempos atuais. Há
alguns anos atrás, o líder da banda americana Nirvana, Kurt Cobain, representante
da geração “grunge” se suicidou e seu suicídio foi amplamente divulgado e
passamos a ter notícias de suicídios de fãs reconhecidos da banda e do cantor.

Até esse momento, o texto é bastante sombrio e pessimista, mas por incrível
que possa parecer, a mensagem do texto é uma mensagem de esperança, pois em
1979, David Beaman da Universidade de Montana fez uma descoberta interessante,
segundo Slater (2004):

∗ Se um grupo de pessoas for ensinado sobre os conceitos como


sugestionamento social, efeito do circunstante e etc. Essas pessoas estarão
“vacinadas” contra esses comportamentos.

Beamen juntou grupos de estudantes e mostrou a eles vídeos dos


experimentos de Darley e Latané e instruiu-os quanto aos passos do manual criado
por Darley e Latané que tendo sido citados durante todo o nosso seminário (exceto
o último), são citados agora de forma estruturada:

1. O ajudante em potencial precisa perceber que o evento está


acontecendo.

2. Precisa interpretar o evento como algo na qual a ajuda é necessária

3. Precisa assumir a responsabilidade pessoal

4. Decidir como agir

5. Precisa então agir

Beamen pode observar que os estudantes “treinados” nos vídeos e passos do


manual de Darley e Latané passaram a ter o dobro de probabilidade de apresentar
comportamentos de ajuda.

A autora encerra então seu texto com a narrativa de um encontro casual


(devemos sempre ter em mente o contexto histórico do texto) com um jovem que
poderia se encaixar em um esteriótipo ameaçador e como ela percebe que estava
enganada e apesar de “treinada” nos passos de Darley e Latané, ela ainda tem,
inicialmente, uma atitude preconceituosa e é justamente o jovem em quem ela
coloca uma “carga negativa de preconceito” que acaba ajudando-a, percebendo o
estado de confusão da autora e dando a ela uma poesia em forma de desenho.
Nosso seminário seria encerrado então, com a leitura de um texto da autora, do qual
citamos um trecho nesse resumo:

... Então vejo como dentro de cada folha existe a ligeira


sugestão de uma face humana, vida bem no início ou bem
no fim. Não está claro. Mas o desenho é adorável. Agora
o rapaz arranca-o do bloco de desenhos e me dá. Leve-o
para casa. Pendurei aqui, acima da minha mesa e, às
vezes, enquanto digito essas palavras, paro para olhar
atentamente os galhos em que pairam aqueles rostos
humanos meio-nascidos, a teia das folhas tão carregadas
de mensagens e mistério e múltiplos significados.
Conheço os cinco estágios e ainda assim a história dá
guinadas. (SLATER, 2004, p.137).

Referência bibliográfica:

• RODRIGUES, Aroldo; ASSMAR, Eveline; JABLONSKI, Bernardo.


Psicologia Social. 27ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes 2009.

• SLATER, Lauren. Mente e Cérebro Capítulo 4. . Rio de Janeiro/RJ:


Ediouro.