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A EDUCAÇÃO DE MULHERES AO LONGO DOS SÉCULOS XIX E XX

Coordenação
Prof.ª Dr.ª Raylane Andreza Dias Navarro Barreto (ITP/Unit–SE)

Colaboradora internacional
Prof.ª Dr.ª Cristina Maria Coimbra Vieira – Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação (Universidade de Coimbra)

Pesquisadoras brasileiras
Prof.ª Dr.ª Alessandra Cristina Furtado (UFGD)
Prof.ª Dr.ª Laura Maria Silva Araujo Alves (UFPA)
Prof.ª Dr.ª Lia Ciomar Macedo de Faria (UERJ)
Prof.ª Dr.ª Lia Machado Fiuza Fialho (UECE)
Prof.ª Dr.ª Maria Celi Chaves Vasconcelos (UERJ)
Prof.ª Dr.ª Dra. Marta Maria de Araújo (UFRN)
Prof.ª Dr.ª Rosa Lydia Teixeira Corrêa (PUC-PR)

Setembro – 2018
   

Sumário

Identificação do projeto 3
Dados do proponente e da equipe 5
Áreas de conhecimentos predominantes 9
Instituições participantes 10
Objetivo geral e objetivos específicos 11
Metodologia proposta 13
Etapas de execução do projeto 29
Produtos esperados como resultado da execução do projeto 30
Potencial de impacto dos resultados do projeto 31
Colaborações e parcerias estabelecidas para a execução do projeto 32
Perspectivas de colaborações interinstitucionais para a execução do projeto 33
Recursos financeiros de outras fontes para aplicação no projeto 34
Disponibilidade de infraestrutura e de apoio técnico para o desenvolvimento do projeto
35
Orçamento 36
Referências 39
  3  

a) Identificação do projeto, incluindo título, palavras-chave e resumo;

O projeto de investigação interinstitucional de título “A Educação de Mulheres


no Brasil ao longo dos séculos XIX e XX” compreende um estudo histórico que se
propõe oferecer possibilidades teóricas a serem trilhadas na investigação da realidade
brasileira, passando pela construção da trajetória de mulheres, pelo entendimento de sua
composição e, dentro dela, suas instâncias formativas, com vistas a mostrar como a
relação entre mulheres e educação foi sendo construída numa longa duração. Estão
envolvidas 7 instituições em 7 estados brasileiros (SE, RN, CE, PA, MT, RJ, PR)
distribuídos pelas cinco regiões do país e conta com a colaboração e consultoria de uma
professora de universidade estrangeira (Universidade de Coimbra). Com a pesquisa
busca-se, dentre outros aspectos, compor um panorama da educação feminina,
localizando-a entre as modalidades de educação existentes e diferenciando-a quanto ao
público-alvo, métodos utilizados, manuais, currículos, perspectivas de seus destinatários
e o status que essas modalidades adquiriam em uma sociedade com tradições
marcadamente patriarcal. A investigação proposta constitui um desdobramento do
projeto de pesquisa conjunto “A Educação de Mulheres no Brasil e em Portugal
(séculos XIX e XX) ”, de colaborações e intercâmbios estabelecidos pelas
pesquisadoras sobre a temática. A equipe do projeto possui formação sólida e pertinente
à temática de investigação envolvendo pesquisadoras de reconhecida liderança, com
publicações consistentes e contributivas para o campo da história da educação do Brasil.
A proposta também objetiva que o projeto produza novos conhecimentos sobre a
educação de mulheres e que contribua com a formação de recursos humanos na
produção e divulgação de conhecimentos científicos, na produção de insumos para os
debates e na elaboração de políticas públicas que visam a consolidação de relações de
gênero mais igualitárias no país.
Palavras-chave: Brasil. Educação de mulheres. Formação. História da educação.
  4  

Project identification, including title, keywords and abstract;

The interinstitutional research project titled " The Education of Women in Brazil during
the 19th and 20th centuries" comprises a historical study that proposes to offer
theoretical possibilities to be traced in the investigation of the Brazilian reality, through
the construction of the trajectory of women, through the understanding of its
composition and, within it, its formative instances, with a view to show how the relation
between women and education was being built in a long duration. Seven institutions are
involved in seven Brazilian states (SE, RN, CE, PA, MT, RJ, PR) distributed by the five
regions of the country and counts on the collaboration and advice of a foreign university
professor (University of Coimbra). The research seeks, among other aspects, to
compose a panorama of the female education, locating it among the existing educational
modalities and differentiating it in terms of the target public, methods used, manuals,
curricula, perspectives of its recipients and the status that these modalities acquired in a
society with markedly patriarchal traditions. The proposed research is an outcome of the
joint research project "The Education of Women in Brazil and Portugal (19th and 20th
Centuries)", from collaborations and exchanges established by researchers on the
subject. The project team has solid and relevant training to the research topic involving
researchers of recognized leadership, with consistent and contributory publications for
the field of Brazilian history of education. The proposal also aims to produce new
knowledge about the education of women and to contribute to the training of human
resources in the production and dissemination of scientific knowledge, in the production
of inputs for the debates and in the elaboration of public policies aimed at the
consolidation of more egalitarian gender relations in the country.
Keywords: Brazil. Education of women. Formation. History of education.
  5  

b) Dados do proponente e da equipe

Raylane Andreza Dias Navarro Barreto (Coordenadora)


Cientista Social e mestre em educação pela Universidade Federal de Sergipe, doutora
em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com estágio pós-
doutoral na Universidade de Lisboa. Professora do Programa de pós-Graduação em
Educação da Universidade Tiradentes, e pesquisadora do Instituto de Tecnologia e
Pesquisa em Sergipe. É líder do Grupo de Pesquisa Sociedade, Educação, História e
Memória. Autora de livros, capítulos de livros e artigos científicos; organizadora de
coletâneas resultantes de trabalhos de pesquisa e membro de projetos de pesquisa em
rede.
Alessandra Cristina Furtado
Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
(2007), mestra em História pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social da
UNESP-Franca (2001) e Graduada em História (Licenciatura e Bacharelado) pela
Faculdade de História, Direito e Serviço Social da UNESP-Franca (1998). É atualmente
professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados. É
líder do GEPHEMES (Grupo de Estudo e Pesquisa em História da Educação, Memória
e Sociedade), desde 2010. Também desempenha a função de Editora da Revista
Educação e Fronteiras On Line desde março de 2012.
Cristina Maria Coimbra Vieira

Doutora em Ciências da Educação e Psicologia da Educação pela Universidade de


Coimbra, onde atua como professora associada na Faculdade de Psicologia e de
Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Publicou 28 artigos em revistas
especializadas e 15 trabalhos em atas de eventos. É autora de 28 capítulos de livros e de
18 livros publicados, além de 184 itens de produção técnica. Orientou uma tese de
doutoramento; 48 dissertações de mestrado e coorientou 13 nas áreas de Ciências da
Educação e Ciências Sociais. Entre 1992 e 2013, participou de 5 projetos de
investigação, exercendo a função de coordenadora em um deles. Atualmente participa
de 2 projetos de investigação e atua na área de Ciências Sociais, com ênfase em
Ciências da Educação, com ênfase em Psicologia. Nas suas atividades profissionais,
interagiu com 105 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos.
  6  

Laura Maria Silva Araujo Alves


Doutora em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(2003), tendo realizado doutorado sanduíche na Universidade de Évora (Portugal). É
mestra em Letras, na área da Linguística, pela Universidade Federal do Pará (1998),
especialista em Educação e Problemas Regionais da Amazônia pela Universidade
Federal do Pará (1988), bacharel em Psicologia pela Universidade da Amazônia (1984),
e graduada em Formação de Psicólogo pela Universidade da Amazônia (1986). É
professora Associada IV da Universidade Federal do Pará. Tem desenvolvido estudos
sobre a Historiografia da Infância na Amazônia, destacando as políticas higienistas no
Pará, visando à criação de instituições educativas para acolher, instruir e educar crianças
desvalidas nos sécs. XIX e XX. É pesquisadora da UFPA, com publicações em livros e
revistas nacionais e internacionais. É coordenadora do Grupo de Pesquisa Constituição
do Sujeito, Cultura e Educação (ECOS).
Lia Ciomar Macedo de Faria
Possui título de pós-doutorado em Educação pela Universidade de Lisboa (2012), e em
Ciência Política pelo IUPERJ (2008). É doutora em Educação (UFRJ-1996), mestre em
Filosofia da Educação IESAE-FGV (1989), bacharel e licenciada em História (UFRJ-
1971) e graduada em jornalismo (URFJ-1967). É professora de graduação e pós-
graduação da UERJ/PROPED. Coordena o Laboratório Educação e República (LER) e
é bolsista CNE/FAPERJ. Atua na área de educação, com ênfase em História da
Educação, gestão dos sistemas educacionais e memória fluminense. É autora e/ou
organizadora dos livros Chaguismo e Brizolismo: territorialidades políticas da escola
fluminense (Quartet, 2011); Ideologia e Utopia nos anos 60: um olhar feminino
(EdUerj, 1997); CIEP: a utopia possível (Livros do Tatu, 1991), dentre outros.
Lia Machado Fiuza Fialho
Possui título de pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), é doutora em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC),
mestra em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza (Unifor-2006), especialista
em Inclusão da Criança Especial no Sistema Regular de Ensino (em 2004) pela UFC,
em Psicologia da Educação (em 2007) e em Psicopedagogia Institucional e Clínica (em
2011), pela Faculdade Latino-Americana de Educação (Flated), e graduada em
Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professora adjunta do Centro
de Educação da UECE e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em
  7  

Educação (PPGE) da UECE e do Mestrado Profissional em Planejamento e Políticas


Públicas da mesma instituição. Editora-chefe da Coleção Práticas Educativas, vinculada
à Editora da UECE (EdUECE). Editora-chefe da Revista Educação & Formação do
PPGE/UECE. É líder do Grupo de Pesquisa Práticas Educativas Memórias e Oralidades
(PEMO). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em História da Educação,
atuando principalmente nos seguintes temas: Educação de Mulheres, Biografia, História
Oral, Memória, Práticas Educativas, Juventudes (em conflito com a lei) e Formação
Pedagógica.
Maria Celi Chaves Vasconcelos
Possui título de pós-doutorado em Educação pela Universidade do Minho (2011). É
doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-
Rio, 2004) e mestra em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ,
1999). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal Fluminense (UFF, 1995) e
em História pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Imaculada Conceição (1984).
É professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuando
no Programa de Pós-Graduação em Educação (Proped). Bolsista de Produtividade do
CNPq desde 2011 e bolsista do Programa Prociência/Uerj desde 2015. Autora de livros,
capítulos e artigos científicos, e organizadora de coletâneas resultantes de trabalhos de
pesquisa. Membro do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro desde 2013, e
Presidente da Câmara Conjunta de Educação Profissional e Superior do Conselho
Estadual de Educação desde 2016. Pesquisadora na área de História da Educação e
Políticas Educacionais, com ênfase na educação doméstica no Brasil oitocentista e
criação/consolidação dos sistemas educacionais, além da educação na casa
(homeschooling) e suas implicações na atualidade. É líder do Grupo de Pesquisa
"História e memória das políticas educacionais no território fluminense" (Uerj/CNPq).
Marta Maria de Araújo
Professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com pós-
doutorado em História das Ideias Contemporâneas pelo Instituto de Estudos Avançados
da Universidade de São Paulo (2002). É doutora em Fundamentos da Educação e
Didática (USP, 1995), mestra em Planejamento (UFRGS, 1986) e graduada em
Pedagogia (UFRN, 1979). É orientadora de trabalhos de Iniciação Científica Mestrado,
e Doutorado e Pós-Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN.
Editora responsável pela Revista Educação em Questão. Coordenadora do Grupo de
  8  

Pesquisa Estudos Histórico-Educacionais (UFRN-CNPq), integrante do Grupo


Interdisciplinar de Pesquisa, Formação (Auto)Biografia e Representações (GRIFAR-
UFRN-CNPq) e líder do Grupo Pesquisa Educação de Mulheres no Brasil – séculos
XIX e XX. Publica trabalhos resultantes de pesquisas científicas que analisam as
políticas públicas federais e estaduais de educação escolar primária e de livros
escolares, além da educação secundária e universitária e seus educadores no Rio Grande
do Norte e no Brasil, séculos XIX e XX, bem como a educação de mulheres no Brasil e
em Portugal.
Rosa Lydia Teixeira Corrêa
Possui título de pós-doutorado pela Universidade de Salamanca/Espanha. É doutora em
História Econômica pela Universidade de São Paulo (2000), mestra em Educação pela
Universidade Estadual de Campinas (1991) e graduada em Pedagogia pela Universidade
Federal do Pará (1983). Foi Secretaria da Sociedade Brasileira de História da Educação,
de outubro de 2007 a outubro de 2011. Atualmente é professora titular do Programa de
Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em Educação da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná. É líder do Grupo de Pesquisa "História das Instituições Escolares no
Brasil". Tem experiência na área de Educação, História da Educação, contemplando os
seguintes temas: formação de professores e ideário educativo, manuais escolares,
disciplinas escolares e escola primária.
  9  

c) Áreas de conhecimentos predominantes


Ciências Humanas/Educação/Fundamentos da Educação/História da Educação
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d) Instituições participantes
Instituto de Tecnologia e Pesquisa/Universidade Tiradentes
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Universidade Estadual do Ceará
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Universidade Federal do Pará
Universidade Federal da Grande Dourados
Universidade de Coimbra
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e) Objetivo geral e objetivos específicos


O objetivo central deste Projeto de Pesquisa Interinstitucional é conhecer e
compreender a educação de mulheres, ao longo dos séculos XIX e XX, nas diferentes
regiões do país, evidenciando, particularmente, seu funcionamento, seus agentes, suas
práticas habituais, e os demais aspectos da trajetória de formação e profissionalização,
além das singularidades e similitudes presentes na educação feminina.
Em um plano mais específico, pretende-se atingir os seguintes objetivos:
1. compor um panorama da educação feminina, localizando-a entre as
modalidades de educação existentes, mas diferenciando quanto ao público-
alvo, aos métodos utilizados, aos manuais, aos currículos, às perspectivas de
seus destinatários e ao status que essa modalidade promovia em uma sociedade
com tradições marcadamente patriarcais;
2. identificar o cotidiano da educação feminina, por meio de seus agentes,
das mães, dos professores e preceptores, dos procedimentos, e da representação
que essa condição adquiria/adquire;
3. recompor os percursos (auto)formativos de alunas e professoras, cujos
perfis representem coletivos de classe, tanto em relação ao nível de ensino
quanto aos métodos utilizados e às condições de existência;
4. fazer registro das narrativas, das memórias, dos contextos políticos e
sociais que envolveram as trajetórias de vida das mulheres pesquisadas, com
foco na formação e na constituição do ser mulher;
5. explicar os lugares de enunciação de mulheres, a partir da classe social,
da (auto)formação, do nível de escolaridade e das funções desempenhadas,
considerando a influência familiar e os valores da cultura em que essas
mulheres estavam inseridas como possíveis determinantes para as ressonâncias
em suas escolhas e experiências;
6. identificar as mulheres professoras que escreviam nas revistas
pedagógicas dos períodos estudados, a finalidade dessa produção escrita, e
ainda analisar que tipo de mensagens os textos traziam e a quem se destinavam,
visando apreender o propósito comunicativo destes, os conteúdos veiculados e
em que âmbito editorial podem ser situados;
7. explicitar o lugar social e profissional do qual as mulheres professoras
falavam, por meio da escrita que produziam, tomando como referência a
  12  

linguagem que utilizavam nos textos que escreviam, e destacar os aspectos que
interferiram na sua formação educativa para possibilitar a atuação como
docente e as conquistas e os desafios refletidos em seu protagonismo social.
Considerando os objetivos definidos e partindo da premissa da importância e
da abrangência das circunstâncias que envolveram a educação feminina, o Projeto de
Pesquisa Interinstitucional “ A Educação de Mulheres ao longo dos Séculos XIX e XX”
pretende, portanto, realizar um aprofundamento sobre a investigação deste tema, por
meio do estudo da trajetória de diferentes representantes na condição de aprendizes,
alunas e/ou também professoras. Além disso, como já mencionado, o Projeto busca, no
marco temporal estabelecido, e que considerou o século XIX como o da independência
política brasileira e tudo que acarretou em termos educacionais e o século XX como
aquele que melhor deu a ver distintas identidades de mulher, abranger as cinco regiões
do país, com investigações localizadas nas Universidades das quais fazem parte as
integrantes do Grupo de Pesquisa, ressalvando o fato de que, embora se resguardando a
individualidade de cada estudo realizado, serão todos eles, em sua particular abordagem,
demonstrativos de toda uma geração e da cultura que a cercava, em suas distintas
expectativas em relação à mulher e aos seus cenários de atuação.
  13  

f) Metodologia proposta

Justificativa e problematização
Em janeiro de 2016, as professoras pesquisadoras da Universidade de Coimbra,
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, da Universidade Pontifícia Católica do Paraná, da Universidade Estadual do
Ceará e da Universidade Tiradentes de Sergipe constituíram o Grupo de Pesquisa
Mulheres e Educação, que concebeu o Projeto de Pesquisa Interinstitucional “A
Educação de Mulheres no Brasil e em Portugal (séculos XIX e XX)”, desenvolvido de
janeiro de 2017 a julho de 2018. Nesse ínterim, o referido Projeto de Pesquisa integrou
o Grupo de Políticas e Organizações Educativas e Dinâmicas Educacionais da
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

A principal justificativa desse Projeto de Pesquisa Interinstitucional coloca-se


no sentido de, por sua viabilidade, poder-se estabelecer uma cooperação acadêmica e
científica entre pesquisadoras da área da Educação de Instituições Universitárias do
Brasil e de Portugal, criando-se, assim, uma real possibilidade de produzir um
conhecimento sobre a educação de mulheres no Brasil e em Portugal (séculos XIX e
XX), com vistas ao alargamento da compreensão histórica do que é singular e do que é
universal na educação das mulheres que escolhemos para estudar e até de outras
mulheres, desde que resguardadas suas variabilidades de condições sociais.
Com esse propósito, o Grupo de Pesquisa “Mulheres e Educação” promoveu
três Seminários com o título análogo ao do Projeto de Pesquisa, respectivamente na
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (24 de
junho de 2016), no Centro de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (14 de agosto de 2017) e no Programa de Pós-Graduação da Universidade
Estadual do Ceará (26 de julho de 2018). Além do mais, em novembro de 2017,
submeteu ao periódico Cadernos de História da Educação (Qualis A2) o Dossiê
Educação de Mulheres no Brasil e em Portugal (séculos XIX e XX), que foi aprovado e
publicado em Cadernos de História da Educação, Uberlândia, v. 17, n. 2, maio/ago.
2018.
Por ocasião do XIII Congresso Ibereroamericano de História da Educação
Latinoamericana (28 de fevereiro a 3 de março de 2018), realizado em Montevideo
(Uruguai), as integrantes do referido Grupo de Pesquisa reuniram-se e decidiram por
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sua ampliação, acolhendo como integrantes, professoras pesquisadoras com


experiências de pesquisas históricas sobre a educação de mulheres e para as mulheres de
universidades das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.
Essa ampliação resultará, essencialmente, na produção de um conhecimento
histórico sobre a educação de mulheres em todas as regiões brasileiras, na medida em
que, por intermédio de fontes documentais diversas e egodocumentos (diários, cartas,
bilhetes, livros de memórias, matérias de jornais) revistas de instrução destinadas às
famílias, fotografias, legislação educacional, entrevistas), se tornará possível entender,
dentre outros aspectos, o movimento da instrução de caráter individual na esfera
doméstica para uma educação institucional coletiva e diferenciada no plano local,
estadual e nacional, mediante protocolos formais e informais, que registram as diversas
manifestações de aprendizagens escolares e não escolares das mulheres sujeitos desta
pesquisa, ao longo dos séculos XIX e XX.
Vale ressaltar o fato de que, no Brasil, até o início do século XX, a educação
feminina estava restrita às camadas mais abastadas da população (aristocracia e
burguesia), não só para a formação elementar, ou seja, para o ensino da leitura, da
escrita e das operações matemáticas mas também para o ensino dos conhecimentos que
eram considerados fundamentais à época, e, ainda, para a continuidade da formação das
mulheres a fim de que se preparassem para o casamento, para serem boas gestoras da
casa e boas mães, papéis sociais requeridas na sociedade oitocentista.
Em que pese a limitação imposta à educação feminina para objetivos bastante
específicos, constata-se que prolifera, a partir da segunda metade do oitocentos, um
vasto material de publicações destinadas às “mães de família” para dar conta do
contingente, mesmo reduzido, de mulheres que sabiam ler e escrever e que,
principalmente nas elites, liam os jornais, revistas e magazines impressos, os quais
passam a ser valorizados como objetos de luxo, distração e lazer às representantes do
“belo sexo”, como demonstram Fonseca (1941), Renault (1982), Muzart (2000),
Martins & Luca (2011), Malta (2011), Knauss et al. (2011), Costa (2012) e Duarte
(2016).
E ainda cabe destacar que, até as primeiras décadas do século XX, desenhava-
se um contexto em que as modalidades escolares, para a educação feminina, eram
escassas, dada a insuficiência no número de instituições formais de educação pública ou
particular, lacuna que foi largamente preenchida pelas congregações católicas que
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aportaram no Brasil, desde o final do oitocentos, com o intuito de formar as “moças de


família”, e mesmo as meninas que trabalhavam nas escolas, como bolsistas, em troca da
educação oferecida pelas religiosas, a qual se pautava por princípios devotos e morais,
que definiam o ideal da mulher “educada” (LEONARDI, 2008; VASCONCELOS;
LEAL, 2014). Contudo, considerando-se as diferenças culturais existentes no país,
ainda que esse modelo de educação tenha sido hegemônico, durante boa parte dos
séculos XIX e XX, muitas “dissidentes” (alunas e professoras) romperam com o padrão
linear da educação que se lhes impunha e construíram suas próprias histórias com
percursos (auto)formativos divergentes, singulares e originais, por vezes até
considerados pouco condizente com aquilo que se alinhava à condição feminina.
Assumindo essa perspectiva, o presente Projeto de Pesquisa elege como
problema de investigação a análise das circunstâncias de como se constituiu,
historicamente, a educação de mulheres, ao longo dos séculos XIX e XX, nas diferentes
regiões do país, tomando como sujeitos da pesquisa, representantes do sexo feminino
que, de alguma forma, se destacaram em sua época e em sua coletividade, uma escolha
que ganha plausibilidade à luz do pensamento de Ferrarotti (1985, p. 51): “Se nós
somos, se cada indivíduo representa a reapropriação singular do universal social e
histórico que o rodeia, podemos conhecer o social partindo da especificidade irredutível
de uma práxis individual.” E para melhor justificar a pertinência dessa escolha, vale
refletir, como Ferrarotti (2014, p. 92), sobre a fato de que “[...] a fala que cada um de
nós deve recitar, a que lhe cabe no grande palco da sociedade, pesa indiscutivelmente
sobre as estruturas arquetípicas das motivações e das orientações individuais”.
Decerto que a história individual é única, "[...] mas essa história individualiza a
história social coletiva de um grupo ou de uma classe [...]" (DIGNEFFE, 1997, p. 207),
que é ao mesmo tempo produto e expressão dessa classe. Nesse sentido, a história da
educação feminina a ser pesquisada em cada região do país pode levar ao desvelamento
de uma história coletiva de hábitos, desejos, alegrias, medos, angústias, preconceitos e
comportamentos próprios da contemporaneidade, em que se inserem as mulheres
estudadas, uma vez que suas existências possuem constatada similaridade com a de
outras mulheres de seu tempo, que apresentavam a mesma condição social e as mesmas
expectativas em relação à realidade, que as "ultrapassa" e "modela" (BALANDIER
apud FERRAROTTI, 1983).
Além disso, revisitando a história, é possível trazer para o presente, como
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ensina Marc Bloch (2001, p. 66), a partir de “nossas experiências cotidianas”, “matizes
novos” e elementos para investigar o passado, buscando o quanto dele ainda se encontra
na atualidade. Ao problematizar as circunstâncias de como se constituiu historicamente
a educação de mulheres, ao longo dos séculos XIX e XX, surgem evidências de como
vamos construindo nossa identidade como mulheres, alunas, professoras, militantes em
diversas frentes, cujas defesas se justificam também em nossas trajetórias de vida, nas
quais ressoa, com muita intensidade, nossa biografia educativa.
O Projeto de Pesquisa em pauta constitui-se, pois, em um estudo aprofundado
sobre a educação feminina, abrangendo um amplo escopo, com vistas a detectar
aproximações e distanciamentos entre as diferentes regiões do país, resguardando suas
peculiaridades e historicidades. Consoante ao objeto em análise, o presente Projeto
Interinstitucional tenciona contribuir, tanto com os estudos do campo da história da
educação quanto com a discussão atual no âmbito da história das mulheres (e das
políticas educacionais), que, cada vez mais, lutam pela igualdade e legitimidade de
oportunidades sociais.

Sobre os aspectos teórico-metodológicos


A produção historiográfica sobre a educação de mulheres no Brasil tem sido
tecida mais em relação à história de trajetórias de mulheres bem-sucedidas e/ou com
representação social significativa do que, necessariamente, sobre sua formação, seus
saberes e seus fazeres. Em relação ao desenvolvimento da educação formal de nível
primário e secundário, superior, profissional, e ainda o que aqui chamamos educação
política, auto-formação e formação doméstica, a produção bibliográfica conta com
interpretações ainda tímidas, mas já se fazendo temática de teses e de dissertações que
contemplam a educação feminina em perspectiva histórica, com ênfase na compreensão
das tendências da educação de gênero, eminentemente atuais.
Não sem razão, na última década, estudos sobre a educação de mulheres foram
produzidos, nas distintas regiões do país, pelas pesquisadoras membros deste Projeto de
Pesquisa, a exemplo de Furtado (2009, 2012), Vasconcelos; Francisco (2014), Faria et
al. (1991, 2014, 2017). Fialho et al. (2015, 2018, 2018a), Vasconcelos et al. (2011,
2011a, 2013, 2018), Araújo (2007, 2017, 2017a, 2018, 2018a) e Barreto et al. (2013,
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2018)1. Nesse sentido, o conjunto da produção referenciada pode ser vista como ainda
incipiente; mesmo assim, revela o potencial investigativo da educação feminina. E

                                                                                                                       
1
Em relação à produção historiográfica brasileira sobre educação de mulheres, é imprescindível a menção
aos seguintes trabalhos elaborados por membros da equipe do projeto:
ARAÚJO, Marta Maria de; MARQUES, Berenice Pinto; MEDEIROS, Ana Luíza. A educação primária
de uma menina da classe trabalhadora (Natal, 1937-1941). Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)
Biográfica, Salvador, v.3, n. 8, p. 644-656, maio/ago. 2018.
ARAÚJO, Marta Maria de. A educação formativa da estudante Petronila da Silva Neri no Grupo Escolar
`João Tibúrcio’ da cidade de Natal (1935-1938). Revista Brasileira de História da Educação, Maringá, v.
17, n. 4, p. 81-102, out./dez. 2017.
ARAÚJO, Marta. M.; CUNHA, R. M.; ALCÂNTARA, P. B. A educação escolar primária de mulheres e
homens de cor negra (Rio Grande do Norte, 1931-1948). Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 13,
n. 26, p. 281-298, set./dez. 2017a.
ARAÚJO, Marta Maria de; PAULA, Thiago do Nascimento Torres de. A educação da criança enjeitada e
da súdita na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação (Natal, século XVIII). Revista Educação em
Questão, Natal, v. 56, n. 47, p. 69-96, jan./mar. 2018.
ARAÚJO, Marta Maria de; VIEIRA, Cristina Maria Coimbra. Educação em nível secundário de moças de
Natal e de Coimbra (1941-1948). Cadernos de História da Educação, Uberlândia, v. 17, n. 2, p. 328-342,
maio/ago. 2018a. (Dossiê: Educação de Mulheres no Brasil e em Portugal (séculos XIX e XX).
ARAÚJO, M. M. Mulheres educadoras, mulheres professoras, mulheres notáveis norte-rio-grandenses.
Dário de Natal, Natal, p. 14-15, 9 mar. 2007.
AVELAR, E.; FARIA, L. C. M. Ser mulher na contemporaneidade: contribuições da teoria do imaginário.
Vertentes, São João Del-Rei, n. 29, p. 111-116, 2007.
BARRETO, Raylane Andreza Dias Navarro; MESQUITA, Ilka Miglio de; SILVA, Rony Rei do
Nascimento. O coser das memórias de aluna, de operária e de professora na roça... as experiências de
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e intelectuais: ensaios biográficos. São Luis: EUFMA, 2011.
  18  

como já ressaltado, este Projeto propõe, justamente, o avanço do conhecimento sobre o


tema, considerando as similitudes e as divergências das cinco regiões do país em quatro
importantes aspectos:
1 – A compreensão do todo a partir das partes, uma vez que teremos
representações de pesquisadoras, mas, sobretudo, de objetos de pesquisa em todas as
regiões do Brasil, em distintos recortes temporais, o que, se por um lado, pode parecer
amplo, por outro lado, traduz-se numa tentativa de compreensão de como diferentes
construções do ser mulher aparecem e se revelam na cultura brasileira, seja no ângulo
público, seja no ângulo privado. Acrescenta-se ainda que a equipe de pesquisadores é
formada por 9 professoras doutoras, com abalizada experiência investigativa, contando
com inúmeras publicações as quais muito contribuíram para a propagação de saberes,
tanto no campo da educação em geral quanto no domínio da história da educação em
particular.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
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Editora CRV, 2014.
  19  

2 – A abordagem articula formação doméstica, escolar, institucional, política e


autoformação, para além da utilização de diferentes tipologias de fontes que vão desde
documentos escritos, cartoriais, escolares à narrativa oral, passando por epístolas,
iconografias, elementos da arquitetura, partituras musicais, fotografias, reportagens de
jornal e revistas, lápides de túmulo, dentre outras de não menos importância.
3 – A perspectiva analítica dá-se, sobretudo, pelo viés da história cultural que
se vem solidificando no campo da história da educação, uma vez que vem
possibilitando compreender para além dos aspectos socioeconômicos, as práticas e as
representações do local, do regional e do nacional, ampliando o entendimento das
similitudes e divergências das experiências educacionais e formativas no país.
4 – A produção dos membros do grupo de historiadores ingleses da history
from below também deve ser contemplada uma vez que se tornam objeto e fonte da
investigação “pessoas simples”, que, na visão de Eric Hobsbawm (1998) “[...] são os
principais atores da história. O que fazem e pensam faz a diferença”. Por certo não se
pode esperar grandes feitos, a exemplo do que se exige dos heróis, mas se pode percebê-
las em suas experiências cotidianas. Além do mais, considerá-las na escrita da história
representa uma ação respeitável por parte dos historiadores, porquanto tais experiências
revelam nuances que se não forem situadas sob o ponto de vista “dos de baixo”, como
propuseram Jim Sharpe e Edward Palmer Thompson, não é possível perceber e
compreender determinados fatos sociais. Sobre essa questão, posiciona-se Sharpe
(1992, p. 53-54): “[…] oferecendo essa abordagem alternativa, a história vista de baixo
abre a possibilidade de uma síntese mais rica da compreensão histórica, de uma fusão da
história da experiência do cotidiano das pessoas com a temática dos tipos mais
tradicionais da história.” E complementa, de maneira muito comprometida, quando
afirma que, mesmo privilegiando as pessoas simples, não se pode dissociar as suas vidas
da estrutura social e do poder social, sob o risco da fragmentação da escrita da história.
Nessa perspectiva, compreendemos as trajetórias formativas de mulheres
brasileiras, representantes de coletivos de distintos perfis do ser mulher, como ponto de
partida para as investigações. Isso porque essas trajetórias são reveladoras de
experiências constitutivas de mulheres e produtoras de identidades, sendo ainda,
constituídas por grupo de pertencimentos e por táticas de formação, o que demanda do
pesquisador uma investigação centrada no sujeito e também no seu entorno,
  20  

subentendendo o seu contexto socioeconômico-político-cultural-educacional, que, se


não dita as regras de sobrevivência e de formação, interfere em sua composição.
De modo que, para entender a história da educação de mulheres no Brasil ao
longo dos séculos XIX e XX, se exige a realização de uma espécie de arquitetura da
formação que recai, em muitos casos, na educação doméstica, escolar, na autoformação,
nos espaços, nos cursos, na militância, além de outras instâncias que lhes formam e
lhes dão identidade. O registro dessas particularidades presta-se não somente para tomar
ciência de distintos processos formativos pelos quais as mulheres se constituíram mas
também para inventariar perfis de mulheres que nos constituíram e nos constituem
como nação.
Tal como fizeram Michele Perrout e George Duby ao estudar a história das
mulheres no ocidente, também
[...] nos questionamos sobre as mulheres enquanto agentes
responsáveis pelos seus destinos individuais e coletivos, sobre suas
capacidades de resistência e de transformação. [bem como,
procuramos compreender o papel das mulheres nos movimentos
sociais e nas revoluções. [...] O problema do acesso das mulheres aos
diversos níveis de conhecimento (leitura, escrita, técnicas etc.) [...]
(PERROUT; DUBY apud PERROT, 1995, p. 21).

Certamente a esse estudo e aos demais de Michele Perrout somam-se outros


que não apenas contribuem com uma História das Mulheres mas também revelam o que
está suscitando interesse dos pesquisadores e das pesquisadoras. Um outro aspecto que
também contribui com a História das mulheres e que demarca bem esse campo de
estudos, pois impacta profundamente na historiografia recente, é o tratamento às
“novas” fontes (como cadernos, narrativas orais, fotografias, dentre outras) como as já
citadas, que embora, muitas vezes, sejam produzidas por homens, permitem um novo
olhar, o qual, no mínimo, produz uma multiplicação dos espaços de referência e de ação
que impacta significativamente as ciências humanas e sociais e as práticas de pesquisa,
exigindo maior reflexão crítica à História Androcentrica.
Reconhecer, tal como o faz Perrout (1992), que existem Histórias de mulheres
(no plural) é compreender que, por conta de nossas especificidades e,
consequentemente, de nossas “consciências de gêneros”, nos deparamos com inúmeras
possiblidades de escrita de nós e do outro, carregadas de escolhas, de certezas, bem
como de equívocos, mas sempre cheias de possibilidades, o que nos leva a entender,
como Gruzinski, que as histórias só podem ser múltiplas se elas “[...] estão ligadas,
  21  

conectadas, e [...] se comunicam entre si” (GRUZINSKI, 2001, p. 176). Isso subentende
uma nova perspectiva analítica, preocupada com as partes e com as representações.
A investigação proposta neste projeto de pesquisa propicia a triangulação entre
as Histórias Cultural e Social, a História das Mulheres e a História da Educação, e
assume o pressuposto de que mobilizar o diálogo entre esses campos, considerando a
Educação de Mulheres como objeto de pesquisa, exige dos que se envolvem nesse
processo, uma nova postura, no sentido de compreender que o ser mulher é uma
construção não apenas social (BUTLER, 2003) mas também cultural e educacional.
Tendo por direção esse modo de compreender, procede-se à investigação que será
fundamentada em referenciais teóricos e procedimentos metodológicos básicos que
alicerçam esta proposta e que serão aprofundados pelas pesquisadoras, conforme
abordagem escolhida.
a) Pesquisa bibliográfica
Serão analisados livros, artigos, dissertações, teses e textos sobre educação
feminina no Brasil no período do Império e da Republica. A intenção é aprofundar e
ampliar o referencial bibliográfico e teórico, por meio da interlocução com autores da
história, particularmente da história da educação no Brasil.
b) Pesquisa documental
Para a pesquisa documental, faz-se necessária a localização e o mapeamento de
acervos, instituições de preservação do patrimônio histórico e documental. Nesse
sentido, pretende-se realizar uma investigação minuciosa em acervos digitais
disponíveis na rede mundial de computadores, bem como na Biblioteca Nacional, nas
bibliotecas, nos arquivos estaduais, nos acervos particulares e demais lugares de
memórias. A partir desse levantamento, prevê-se a análise dos documentos encontrados
(como documentos oficiais, relatos de viajantes, cartas, diários, biografias e
autobiografias, folhetins, jornais, revistas, iconografias, fotografias). Para além dessas
fontes, também serão considerados outros documentos que se revelem úteis ao estudo,
no decorrer deste. Sem pretender submeter os documentos pesquisados a esquemas
preconcebidos, será constantemente verificada a emergência de significados e categorias
de análise, durante o próprio processo de pesquisa.
O levantamento de fontes documentais em arquivos públicos e/ou lugares de
memórias existentes nos diferentes estados será realizado nas seguintes instituições:
ü Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
  22  

ü Institutos Históricos e Geográficos estaduais


ü Fundação Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro
ü Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais
ü Arquivos Públicos Estaduais
ü Centro de Referência da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro
ü Bibliotecas Públicas Estaduais e Municipais
ü Instituto Tobias Barreto de Educação e Cultura
ü Arquivos das Secretarias de Estado da Educação
ü Arquivos de Secretarias Municipais de Educação
ü Conselhos Estaduais de Educação
ü Museu Paranaense
ü Memorial Lysímaco Ferreira da Costa – Curitiba (PR)

Faz-se necessário sublinhar que, nesse tipo de de projeto de pesquisa, antes se


deve atentar para uma compreensão do que vem a ser o universo da cultura material
escolar. Isso porque se trata de uma ideia ampla que remete a diversos objetos. A
arqueologia é seu primeiro campo de investigação, dada a sua especificidade.
Entretanto, os estudos sobre cultura material não se restringem apenas a esta em si
mesma (LIMA, 2011). Nas Ciências Humanas, vários campos de conhecimento têm-se
preocupado com o estudo da cultura material, como, por exemplo, a semiologia, a
sociologia, a antropologia cultural, a história social, a geografia, a psicologia, a
museologia e, mais recentemente, a história da educação. Nesse campo, em particular,
registram-se alguns estudos (VIDAL, 2017; CASTRO E SILVA, 2011; RIBEIRO e
SILVA, 2012; VEIGA, 2012; CASTRO, 2011; BENCOSTTA, 2007; SOUZA, 2007;
XAVIER e MARQUES, 2006; LIMA, 2006; FISCARELLI, 2006; FILGUEIRAS,
2005; FUNARI, 2005).
Assim sendo, no campo especifico da educação, entender cultura material “[...]
significa compreender, num espectro ampliado, os mais diversos componentes materiais
ligados ao mundo da educação” (BENCOSTTA, 2007, p. 176). Neste trabalho, a
materialidade compreende, sobretudo, os dispositivos pedagógicos, as revistas que
circularam no país ou em um estado, em uma cidade especificamente. Os periódicos são
exemplos importantes não só por representarem veículos de ideário pedagógico a ser
disseminado nos âmbitos escolares e social, mas também por serem representativos de uma
materialidade escolar pela relação de circulação que estabelecem com a escola por meio de
professores que fazem cumprir uma finalidade, por exemplo, de modelização de práticas
pedagógicas.
  23  

Sob essa ótica, a cultura material escolar tem sido objeto de preocupação de
pesquisadores no âmbito da História da Educação nestas últimas décadas, não só pela gama
de possibilidades de objetos que constituem a materialidade escolar, os quais podem ser
analisados dessa perspectiva (livros escolares, periódicos, cadernos, provas, mobiliário,
arquitetura escolar) mas, substancialmente, pelas contribuições que trazem, para a análise
histórica da educação, os estudos desses objetos, conjuntamente com outros documentos,
que permitem possibilidades de compreensão sobre a formação e constituição do ser
mulher.
Para o estudo das produções escritas por mulheres (professoras, jornalistas,
musicistas, militantes, dentre outras) nas materialidades pesquisadas, faz-se necessário
proceder ás interpretações pertinentes sobre os ditos e suas sublinhas, uma vez que não se
pode descurar do fato de que as mulheres que escrevem em revistas pedagógicas são, antes
de tudo, mulheres atuantes no seu espaço de enunciação, protagonistas do seu tempo e
lugar, que, no exercício de funções e de papéis diferenciados, redimensionaram
substancialmente a participação social/cultural e política das mulheres no mundo
contemporâneo (PERROT; DUBY 1991).
c) A metodologia da história oral biográfica
Um outro procedimento metodológico que também fará parte da pesquisa
proposta alia os estudos biográficos à metodologia da história oral. Segundo Schultz
(1964), cada ator social experimenta e conhece o fato social de maneira particular, mas as
experiências vivenciadas e internalizadas ganham significados que perpassam pelo
convívio grupal, de modo que as interpretações dos acontecimentos não se reduzem à soma
dos elementos, mas sim à compreensão dos modelos culturais e das particularidades do
entorno. Nesse sentido, a história oral é social, sobretudo porque o indivíduo só se explica
na vida comunitária (LORIGA, 2011).
Essa metodologia permite trazer à tona as memórias e narrativas orais de
mulheres ou de outros personagens que conviveram com elas, captando silêncios,
emoções e contradições que originaram uma fonte oral de inigualável originalidade.
Sem o intuito de encontrar verdades inquestionáveis, a coleta de dados será realizada
por intermédio de entrevistas livres, gravadas, transcritas e validadas em uma relação
dialógica. A conversão da fonte oral em escrita possibilita analisar com maior critério a
vida das educadoras, contemplando suas trajetórias, desde a mais terna infância até sua
idade atual, ou data de falecimento para as educadoras que não se fazem mais presentes.
  24  

É, no entanto, com foco nas contribuições da trajetória profissional que serão discutidos
os resultados da pesquisa.
Tendo em vista o fato de que a história oral considera as lembranças, os
esquecimentos e subjetividades, abordando um universo de significados, significações,
ressignificações, representações psíquicas e sociais, simbolizações, simbolismos,
percepções, pontos de vista, perspectivas, experiências de vida e analogias (TURATO,
2003), as subjetivações das mulheres possibilitam lançar luz nas interpretações que os
sujeitos constroem sobre si e sobre seus artefatos, clareando o que sentem e pensam
acerca das vivências pessoais e grupais. Importa esclarecer que “grupal”, “cultural”,
“social” ou “coletivo”, em história oral, define-se pelo resultado de experiências que
vinculam umas pessoas às outras, segundo pressupostos articuladores de construções de
identidades decorrentes de memórias expressadas em termos comunitários (MEIHY,
HOLANDA, 2007).
Segundo Alberti (2004), o pesquisador cuidadoso
[...] tem o grande mérito de permitir que os fenômenos subjetivos se
tornem inteligíveis – isto é, que se reconheça, neles, um estatuto tão
concreto e capaz de incidir sobre a realidade quanto qualquer outro
fato. [...] É claro que a análise desses fatos não é simples, devendo-se
levar em conta a relação de entrevista, as intenções do entrevistado e
as opiniões de outras fontes (inclusive entrevistas). Antes de tudo, é
preciso saber “ouvir contar”: apurar o ouvido e reconhecer esses fatos,
que muitas vezes podem passar despercebidos (ALBERTI, 2004, p.
10).

Minayo (2006), por sua vez, reafirma que a história oral é considerada, no
âmbito da pesquisa qualitativa, poderoso instrumento para a descoberta, a exploração e
a avaliação de como as pessoas compreendem seu passado, vinculam sua experiência
individual a seu contexto social, interpretam-na e dão-lhe significado, a partir do
momento presente. Por isso, ela oferece material para a descrição de época e possibilita
levantar questões novas e de diversos níveis de abrangência, assim como corrigir teses
consagradas ou inconsistências teóricas (LE GOFF, 1990).
Partindo desses pressupostos da História Oral, os depoimentos serão obtidos
por meio de entrevistas, com o recurso à técnica do gravador, que, de acordo com
Queiroz (1991, p. 56), “[...] permite acompanhar com fidelidade os monólogos dos
informantes, ou o diálogo entre o informante e o pesquisador” para guardá-los ou
interpretá-los posteriormente. Cada depoente assinará um documento, na verdade, um
  25  

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), concedendo o direito de uso da


entrevista para a pesquisadora, que também submeterá todo o material à apreciação do
Comitê de Ética.
As entrevistas realizadas para este projeto não serão tomadas como reveladoras
de verdade. Sob essa perspectiva, entende-se que o depoente não apenas revelará como
se vê a si mesmo e o mundo, mas também como ele é visto por outro sujeito ou por uma
comunidade. Desse modo, a narrativa não será uma representação exata do que existiu,
mas sinalizará uma compreensão de como se processou a travessia do passado ao
presente. Assim, essas entrevistas buscarão, na memória individual dos depoentes, as
experiências do passado, fazendo um diálogo com o presente. Para Bosi (1994, p. 55),
“na maior parte das vezes lembrar não é reviver, mas refazer reconstruir, repensar com
imagem e ideia de hoje, a experiência do passado.” O depoente, ao rememorar, tecerá
seu relato pessoal deixando sobressair alguns fios e escondendo outros. Na conjuntura
das lembranças, vai abrindo caminhos para analisar elementos e fatos históricos que traz
a público.
Ao rememorar a partir das percepções vividas, o narrador traz à luz as
lembranças conservadas pela memória. Nas palavras de Bosi (1994), esse processo
assim se explicita:
A memória não é sonho, é trabalho. [...]. Por mais nítida que nos
pareça a lembrança de um fato antigo, ela não é a mesma imagem que
experimentamos na infância, porque nós não somos os mesmos de
então e porque nossa percepção alterou-se, com ela, nossas ideias,
nossos juízos de realidade e de valor (BOSI, 1994, p, 55).

Nesse sentido, pode-se dizer que a memória produz um determinado tipo de


visão do passado. Ao repensar, a memória opera significativa conexão entre passado e
presente, um trabalho entre ressignificar e verbalizar as representações do passado. No
entendimento de Alberti (2005, p. 67), “[...] a memória é resultado de um trabalho de
organização e de seleção do que é importante para o sentimento de unidade, de
continuidade e de coerência – isto é identidade.” O caráter seletivo da memória faz
lembrar acontecimentos que, por alguma razão, foram significativos e, ao serem
rememorados, apresentam aspectos sobre a existência individual contida em
determinados períodos históricos.
Para Le Goff (1990, p. 476), “[...] a memória é um elemento essencial do que
se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades
  26  

fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia.” No


entendimento de Pierre Nora (1993 p. 9), “[...] a memória é um fenômeno sempre atual,
um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado [...] ela se
alimenta de lembranças. Portanto, é a memória a precursora da oralidade.” Assim, a
subjetividade da fonte oral trará fatos importantes sobre o passado, informações
preciosas e ímpares em sua narração. A esse respeito, Portelli (1981, p. 100) assim se
posiciona: “Fontes orais nos dizem não só o que as pessoas faziam, mas o que queriam
fazer, o que eles acreditavam que estavam fazendo e o que agora acham que fizeram.”
Indubitavelmente, cabe ao pesquisador interpretar os fatos, as evidências, ler as
entrelinhas, olhar para o modo como o depoente selecionou os fatos ou os omitiu.
Joutard (2006, p. 57) lembra que “[...] reconhecer tal subjetividade não significa
abandonar todas as regras e rejeitar uma abordagem cientifica, isto é, a confrontação das
fontes, o trabalho crítico, a adoção de uma perspectiva”. O ato da entrevista, oficializada
em documento, permite ao pesquisador ampliar o horizonte de análise, fazendo-se capaz
de enxergar os fatos e os silenciamentos da narrativa.
Ao perseguir tais orientações, a investigação propostas neste projeto de
pesquisa procura, através do diálogo entre teoria e evidência, compreender a educação
de mulheres nascidas, criadas e educadas nas distintas regiões do país e que representem
coletivos de mulheres que desempenharam/desempenham seus papéis sociais ao longo
dos séculos XIX e XX. Assim, o que nos propomos é estudar seja individualmente, seja
em parceria com colegas, seja com nossos orientandos, representantes dos mais distintos
coletivos; entre elas, mulheres preceptoras, escravas, mulheres da corte, curandeiras,
professoras, autoras de livro, militantes políticas, militantes de movimentos sociais dos
mais distintos, artistas (musicistas, teatrólogas, atrizes, circenses etc), indígenas,
marisqueiras, sertanejas, prostitutas, anarquistas, mães por opção, lésbicas, mulheres
trans, profissionais liberais políticas, mulheres com privação de liberdade, mulheres
intelectuais, dente outras.
Elegendo como sujeitos de pesquisa mulheres cujas histórias se fazem
marcantes, e reconstituindo suas trajetórias, suas ideias, seus trabalhos, sua participação
política e/ou social e suas representações, cada uma das pesquisadoras envolvidas neste
projeto de pesquisa pretende desvelar trajetórias para dar a ver as múltiplas e distintas
formações da mulher e a maneira como estas reverberam na história da educação e na
  27  

história do país. Isso porque prescindir de tal enfoque é deixar de lado a maioria da
população brasileira, a qual se constitui o maior público do campo educacional.
Nesse sentido, foram pensados três eixos de investigação a saber.
Eixo de Investigação 1
A educação de mulheres das elites econômicas e políticas do país é o foco de
análise dos trabalhos deste eixo. A pretensão é analisar a educação de nobres a cargo de
preceptoras ou educadoras no ambiente familiar (os ideários pedagógicos; os planos de
estudo; o calendário escolar; os materiais didáticos, pedagógicos e tecnológicos; as
formalidades das práticas educativas cotidianas).
Eixo de Investigação 2
Nesse eixo, propõe-se analisar a formação e a escolarização de mulheres
“simples” na acepção dos historiadores da “história vista de baixo”, o que inclui
mulheres professoras, artesãs, indígenas, dentre outras, por meio de diferentes tipologias
de fontes, incluindo narrativas biográficas e autobiográficas.
Eixo de Investigação 3
Nesse eixo, estarão dispostas as pesquisas dedicadas à educação de mulheres
militantes políticas e sociais, o que inclui mulheres da classe trabalhadora. O propósito é
discutir não somente o direito das mulheres à educação nas políticas públicas, mas
também analisar o cotidiano feminino em diferentes realidades e contextos regionais e
sociais a partir de suas lutas e de seus engajamentos.
Como é possível constatar, cada um dos eixos de investigação aqui proposto
objetiva compreender as mulheres brasileiras a partir de sua formação, educação e/ou
experiências. Trata-se, portanto, de investigar caminhos com diferentes origens e
destinos e não somente reconstituir histórias de mulheres de grande relevância para uma
determinada área. Como participantes ativas da vida pública de seus tempos, seja nas
salas de aula, nas bandas de música, na militância política e/ou social, seja dentro de
casa ou em outros espaços por elas ocupados, interessa-nos entendê-las como sujeitos
que reúnem contornos mais ou menos fixos, mas que revelam, em suas atuações,
elementos que as identificam e as constituem como gênero feminino.
A essa diversidade inerente aos dos objetos de pesquisa aqui reunidos, é
preciso somar a própria multiplicidade de tempos históricos, em que os
sujeitos/mulheres da investigação estão imersos. Assim, é justamente em razão dessa
  28  

diversidade de contextos, de escolhas, de experiências e do recorte do pesquisador, que


se relativizam as explicações globalizantes. Na particularidade desta abordagem, visa-se
tecer uma narrativa múltipla de mulheres múltiplas, que tenham na história sua página
“contada”. Traçada a perspectiva, assume-se o propósito de elaborar um grande
caleidoscópio, composto de “imagens” que se cruzam em determinados quadrantes e
que revelam formas de ser e de estar no mundo.
A análise de informações dispersas, a observação e o cotejo de itinerários
distintos e plurais permitirão também traçar uma cartografia, mapeando o engajamento
dessas mulheres em torno de algumas questões particulares e gerais. Esses
procedimentos decerto possibilitam entender a educação como um dos indicadores de
como se constituem seus cenários de vida, seus lugares de enunciação. É possível
afirmar, inclusive, que, pelo viés da história das mulheres, podemos entender mais e
melhor algumas das relações sociais que fizeram (e fazem) parte da história política e da
educação brasileira e que remetem a processos de escolarização como a relação escola-
religião, escola-família, os modos de ensinar, a difusão da instrução elementar, a
escolarização do trabalhador/a, o empoderamento feminino, dentre outros aspectos.
  29  

g) Etapas de execução do projeto

Ano 1 / Ano 2 / Ano 3 /


Descrição das Atividades Trimestres Trimestres Trimestres
1º 2º 3º 4º 1º 2º 3º 4º 1º 2º 3º 4º
1. Compra de equipamentos X
2. Compra de material de
X
consumo.
3. Compra de material
X X X
bibliográfico.
4. Levantamento,
atualização e análise de X X X X X X X X
bibliografia.
5. Levantamento de fontes
documentais, reunião e X X X X X X X X X X X
organização de dados
6. Identificação de X
depoentes e realização de X X X X
entrevistas.
7. Transcrição das X X X
X X X X X X X X
entrevistas.
8. Elaboração de estudos X X X
X X X X X X X X
comparativos.
9. Realização das missões X X X
X X X X X X X X
de pesquisa planejadas.
10. Organização e realização X X X X
de reuniões das equipes
envolvidas no projeto para X X X X X X X X
discussão das temáticas
pesquisadas pelo grupo.
11. Elaboração de projetos X X X X
de iniciação cientifica e/ou
extensão fortalecendo as linhas
X X X X X X X X
de pesquisa e programas de pós-
graduação das instituições
envolvidas neste projeto.
12. Formação de X
pesquisadores de graduação,
mediante oferecimento de bolsas
de Iniciação Científica,
X X
vislumbrando possibilidades de
ingresso em programas de
mestrado, a partir de projetos
mais qualificados.
13. Realização de seminário X
de pesquisa para discussão de
resultados do projeto.
14. Elaboração de relatórios. X X X
15. Produção de artigos X X
X X
científicos e capítulos de livros a
  30  

serem apresentados em
Congressos da área e publicados
em periódicos qualificados e no
livro coletivo com resultados do
Projeto.

h) Produtos esperados como resultado da execução do projeto

Produtos esperados – 1º Ano

ü Formação de alunos de Iniciação Científica


ü Participação em eventos científicos nacionais e internacionais e publicação de
trabalhos.
ü Organização de evento científico sobre o tema, envolvendo diferentes
instituições formadoras.

Produtos esperados – 2º Ano


ü Formação de alunos de Iniciação Científica.
ü Formação de mestres.
ü Supervisão de pós-doutorado.
ü Publicação de artigos científicos em revistas especializadas.
Participação em eventos científicos nacionais e internacionais e publicação de
trabalhos.
ü Organização de evento científico sobre o tema, envolvendo diferentes
instituições formadoras.
ü Realização de intercâmbio nacional e internacional permanente entre Grupos de
Pesquisa afins e em condições de produzir conjuntamente em contextos
universitários diversos.

Produtos esperados – 3º Ano


  31  

ü Formação de alunos de Iniciação Científica.


ü Formação de mestres e doutores.
ü Supervisão de pós-doutorado.
ü Publicação de artigos científicos em revistas especializadas.
ü Participação em eventos científicos nacionais e internacionais e publicação de
trabalhos.
ü Criação de museu virtual com acesso livre e gratuito para socialização das
fontes orais e documentais, oriundas das pesquisas empreendidas, que refletem a
história das mulheres, mais especificamente da educação feminina, nas cinco
regiões do país.
ü Organização de evento científico sobre o tema, envolvendo diferentes
instituições formadoras.
ü Realização de intercâmbio nacional e internacional permanente entre Grupos de
Pesquisa afins e em condições de produzir conjuntamente em contextos
universitários diversos.
ü Produção e publicação de um livro com os resultados da pesquisa.
Elaboração de Relatório Técnico com os resultados da pesquisa para
socialização com os integrantes dos Grupos de Pesquisa envolvidos e para a
divulgação nas Universidades participantes do projeto.

i) Potencial de impacto dos resultados do projeto


Este projeto de pesquisa apresenta relevância técnico-cientifica em duas
dimensões: em primeiro lugar, por estudar mulheres em diferentes tempos e lugares,
contemplando-as em suas peculiaridades relativas à formação escolar e ao seu cotidiano
social e doméstico; em segundo lugar, por congregar, em seu percurso investigativo,
pesquisadoras de diferentes instituições brasileiras e também estrangeiras, o que
favorece a socialização de saberes diversos em favor da apreciação de um mesmo objeto
de estudo: a educação de mulheres aos longo dos séculos XIX e XX, nas diferentes
regiões do pais e em Portugal.
Assim direcionado, este projeto poderá contribuir para:
• a formação de recursos humanos – formação de mestres, doutores e
pós doutores que se interessam pela temática, o que certamente
favorecerá a consolidação da história da formação de mulheres como
objeto de estudos;
• a produção e divulgação de conhecimentos – produção e divulgação de
conhecimentos acerca do tema sob a forma de artigos e livros em
coedição e coautoria entre membros das equipes, para além de um museu
virtual;
  32  

as políticas públicas – produção de insumos para os debates e


elaboração de políticas públicas que visam à consolidação de relações de
gênero mais igualitárias no país.

i) Colaborações e parcerias estabelecidas para a execução do projeto

O projeto é justamente resultado das parecerias estabelecidas entre as


pesquisadoras membros do grupo de pesquisa Educação de Mulheres no Brasil, as quais
são professoras das seguintes instituições: Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Ceará,
Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Tiradentes, Universidade
Federal do Pará, Universidade Federal da Grande Dourados e Universidade de Coimbra.
  33  

j) Perspectivas de colaborações interinstitucionais para a execução do projeto


Esta proposta visa intensificar as parcerias estabelecidas considerando que a
produção feita até o momento é representativa do potencial do grupo e da importância
da temática investigada. Também vale registrar a pretensão do grupo no sentido de
estabelecer um sistema de parcerias através de co-orientações de alunos de mestrado e
de doutorado.
  34  

l) Recursos financeiros de outras fontes aprovados para aplicação no projeto


Para a execução da pesquisa, conta-se com o apoio de outras agências de
fomento, em âmbito estadual e federal e com os Programas de Pós-Graduação em
Educação envolvidos. Soma-se a isso o fato de que duas das pesquisadoras integrantes
da equipe são bolsistas produtividade CNE/FAPERJ. De modo geral, as pesquisadoras
poderão contar, também, com o auxílio de bolsas para alunos de iniciação científica via
editais do Programa PIBIC/CNPq e das Fundações de Apoio à Pesquisa dos estados
envolvidos.
  35  

m) Disponibilidade de infraestrutura e de apoio técnico para o desenvolvimento do


projeto
Todas as instituições cujos pesquisadores participam do projeto oferecem a
infraestrutura necessária para a sua execução. O Instituto de Tecnologia e Pesquisa/ITP,
que sedia o projeto, situado em Aracaju/SE, possui laboratório de informática, serviço
técnico que lhe dá suporte, serviços de impressão, salas de reuniões para grupos de
pesquisa, recursos e acervo sobre a temática em sua Biblioteca. Além disso, apoia a
realização de seminários de pesquisa disponibilizando espaços, serviços de divulgação e
serviço de transporte para os pesquisadores/conferencistas convidados.
  36  

n) Orçamento

Bens Itens Quantidade/ Valor Total R$


Unidade
Material de consumo diverso –
cartucho, papel A4, pastas, material Cota 400,00
de escritório, entre outros
Serviço de terceiros – tradução
linguística (inglês, espanhol ou Cota 2.500,00
francês)
Serviço de terceiros – restauração Cota 2.000,00
Serviço de terceiros – revisão e
normalização de livros e artigos Cota 9.000,00
acadêmicos
Serviço de terceiros – diagramação Cota 2.500,00
e arte gráfica
Custeio Serviço de terceiros – criação e Cota 1.500,00
manutenção do site
Diárias – hospedagem dos nove (9)
pesquisadores quando deslocados
para fins de pesquisa em arquivos Cota 17.650,00
ou socialização/divulgação dos
resultados da pesquisa
Passagens – deslocamento dos nove
(9) pesquisadores para realização de
pesquisas em arquivos públicos de Cota 19.000,00
outras cidades e
socialização/divulgação dos
resultados da pesquisa
Total de Bens de Custeio 54.550,00

Bens Itens Quantidade/ Valor Total R$


Unidade
Gravador digital 01 250,00
Scanner de mão 01 300,00
Capital Notebook 01 2.900,00
Material bibliográfico para o grupo cota 2.000,00
de pesquisa
Total de Bens de Capital 5.450,00

Total Geral do Projeto 60.000,00


  37  

Cronograma de desembolso

1º Ano Quantidade/Unidade Valor Total R$


Material de consumo Cota/1ª parte 400,00
Serviço de terceiros – Cota/1ª parte 800,00
tradução linguística
Serviço de terceiros – Cota/1ª parte 1.000,00
restauração
Serviço de terceiros – revisão Cota/1ª parte 3.000,00
e normalização
Bens de Custeio Serviço de terceiros – Cota/1ª parte 1.500,00
diagramação e arte gráfica
Serviço de terceiros – criação Cota/1ª parte 1.000,00
e manutenção do site
Diárias Cota/1ª parte 6.000,00
Passagens Cota/1ª parte 7.000,00
Soma 20.700,00
Gravador digital 01 250,00
Scanner de mão 01 300,00
Bens de Capital Notebook 01 2.900,00
Material bibliográfico Cota/1ª parte 400,00
Soma 3.850,00
Total 1º Ano 24.550,00

2º ANO Quantidade/unidade Valor Total R$


Serviço de terceiros – Cota/2ª parte 800,00
tradução linguística
Serviço de terceiros – Cota/2ª parte 1.000,00
restauração.
Serviço de terceiros – e Cota/2ª parte 3.000,00
Bens de Custeio normalização
Serviço de terceiros – Cota/2ª parte 500,00
diagramação e arte gráfica.
Serviço de terceiros – criação Cota/2ª parte 250,00
e manutenção do site
Diárias Cota/2ª parte 6.000,00
Passagens Cota/2ª parte 7.000,00
Soma 18.550,00
Bens de capital Material bibliográfico Cota/2ª parte 800,00

Soma 800,00
TOTAL 2º Ano 19.350,00

3º Ano Quantidade/Unidade Valor Total R$


Serviço de terceiros – Cota/3ª parte 900,00
tradução linguística
Serviço de terceiros – revisão Cota/3ª parte 3.000,00
e normalização
  38  

Bens de Custeio Serviço de terceiros – Cota/3ª parte 500,00


diagramação e arte gráfica
Serviço de terceiros – criação Cota/3ª parte 250,00
e manutenção do site
Diárias Cota/3ª parte 5.650,00
Passagens Cota/3ª parte 5.000,00
Soma 15.300,00
Bens de capital Material bibliográfico Cota/3ª parte 800,00
Soma 800,00
Total 3º Ano 16.100,00
Total Geral 60.000,00
  39  

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