Você está na página 1de 35

Prémio Leaders & Achievers-Flecha Diamante 2017 PMR Africa

0DSXWRGH-XOKRGH‡$12;;,9‡1o‡3UHoR0W‡0RoDPELTXH

Comité Central decisivo antes do Congresso

Pág. 5 e 6

Posição dos doadores sobre as dívidas ocultas

Há indícios
de corrupção
e fraude Pág. 2

3
    
')!($'$''$&($''"#:79:37>3978>
  %$'(($&#3'"!$#&$
8=:@<38277727771::;893<727771;>=<=39<2777 :8+ 8,  4829<72777077
3*39893899388388   4@;>2?==0<;
3*393<3=39739:3:<   492<<?2?9
$ &388;?<  8,  49<>2<>@0><
  
TEMA DA SEMANA
2 Savana 28-07-2017

Auditoria às dívidas ocultas

Há indícios de corrupção e fraude


DSRVLomRpGRVGRDGRUHVQXPDFDUWDFRQÀGHQFLDODTXHRSAVANA teve acesso

P
aíses doadores do Orça- o dedo acusador à Procuradoria- há questões de responsabilização
mento do Estado (OE) -Geral da República, observando que se devem estender para além
de Moçambique con- que cometeu erros nos seus pro- das fronteiras moçambicanas.
sideram haver indícios cedimentos legais em torno do As conclusões do relatório, con-
de fraude e corrupção em toda a caso. tinua, levantam a questão de até
operação à volta das chamadas A carta assinala que a auditoria que ponto despesas orçamentais
dívidas escondidas e exigem que detectou situações de potencial na defesa e segurança são geridas
o Governo demonstre o seu com- sobrefacturação em cerca de 55% e escrutinadas.
promisso em responsabilizar os dos bens e serviços prestados à “É impossível ter acesso à infor-
autores do que consideram “má Ematum e PROINDICUS. mação sobre o potencial uso do
conduta”. Em relação à MAM, a Kroll não dinheiro dos doadores do Orça-
conseguiu avaliar a existência de mento do Estado [ou de outras
A posição dos doadores está ex- uma potencial sobrefacturação. modalidades da ajuda] com base
pressa numa carta confidencial a Contudo, notam que, usando da- nas informações contidas no su-
que o SAVANA teve acesso, na dos do FMI, uma extrapolação mário do relatório de auditoria”,
sequência da publicação, no dia permite apurar que o valor da so- destaca.
24 de Junho, do sumário executi- brefacturação pode chegar a 1.2 De acordo com os doadores, a fal-
vo do relatório da firma interna- biliões de dólares. ta de justificativos de 500 milhões
cional Kroll às chamadas dívidas “Esta sobrefacturação pode se so- de dólares inseridos na Conta
ocultas. brepor aos 500 milhões de dólares Geral do Estado de 2014 suscita
“A estrutura do projecto [finan- não auditados do empréstimo da
preocupação em relação à credi-
ciado pelas dívidas escondidas ], EMATUM”, lê-se no documen-
bilidade das finanças públicas de
as partes envolvidas e o potencial to.
Moçambique.
de conflitos de interesses são pos- Na sua carta, os doadores lem-
síveis indicações ou ingredientes bram ainda que o sumário exe- Recomendações
de corrupção e fraude”, refere a cutivo da Kroll confirma que a Nas suas recomendações, os doa-
carta. maioria das transacções com o dores sugerem que o governo dê
Nessa perspectiva, os doadores dinheiro das dívidas escondidas “uma resposta credível e signifi-
(GBS na sigla em inglês) defen- foram realizadas fora do país.
cativa” como um passo para a de-
dem que o Governo moçambica- “Não há menção de alguma tran-
monstração do seu compromisso
no deve ser encorajado a dar uma sacção através do SISTAFE [Sis-
em levar a sério as conclusões do
resposta credível às conclusões do tema de Gestão de Informação
relatório, tendo em conta que um
relatório da Kroll, como um passo Financeira do Estado]”, indica o
diálogo construtivo com o FMI é
em frente no compromisso de le- texto dos doadores.
uma das condições para a retoma
var a sério o documento. Apesar da confirmação dos for-
dos programas de apoio ao orça-
O Fundo Monetário Internacio- necedores de que receberam di-
mento.
nal (FMI), prossegue a carta dos nheiro, não se sabe se e quanto foi
Quanto ao pagamento das dívi-
doadores, exige que o Governo concretas nas áreas da transpa- “Esta é a primeira vez em que um para entidades moçambicanas.
das, eles observam que o FMI já
moçambicano assuma um com- rência, governação e prestação de resultado de uma investigação
promisso concreto no sentido de contas, em linha com a posição deste tipo é publicada e é um im- Cumplicidade dos bancos tornou claro que não compete a si
As conclusões da auditoria da aconselhar o governo sobre o tra-
preencher as lacunas de informa- do FMI”, lê-se no texto. portante desafio para o Governo
Kroll revelam a violação da Lei tamento que deve dar às dívidas,
ção mencionadas no relatório e Os doadores defendem a publi- e para o sistema de justiça”, en-
dar seguimento às conclusões do Orçamental e do Código Comer- muito embora a sociedade civil
cação de todo o relatório e in- fatizam.
mesmo. cial e graves lacunas nas leis e re- moçambicana esteja a exigir que
formação adicional para o supri- Os doadores recordam que a
Os doadores internacionais enfa- gulamento sobre a gestão da par- as mesmas não sejam pagas, dado
mento das lacunas mencionadas Kroll não teve uma cooperação
tizam que a resposta deve incluir ticipação do Estado na economia. não terem sido usadas para o be-
pela firma de auditoria, e que a plena por parte de todas as insti-
as implicações em termos de re- O sumário sugere cumplicida- nefício do povo moçambicano.
Assembleia da República dê con- tuições, nacionais e internacionais
formas e de responsabilização. de dos bancos comerciais Credit Sobre esta matéria, os doadores
tinuidade ao inquérito às dívidas envolvidas, e que a falta de infor-
Swisse e do russo VTB, mas o observam que é importante o go-
escondidas. mação está claramente documen-
Ajuda só com o sim do FMI relatório não se pronuncia sobre verno assumir que se torna difícil
Ademais, insistem que as autori- tada no sumário.
Na referida carta, os doadores uma eventual violação das nor- explicar ou justificar o pagamento
dades moçambicanas devem levar Apesar de ter sido negada infor-
deixam claro que a retomada da mas financeiras internacionais. de dívidas a maior parte das quais
a cabo reformas adequadas ao tra- mação essencial, continua a carta Os doadores fazem notar que
sua ajuda ao OE está condiciona- não foram auditadas.
tamento dos riscos fiscais críticos dos doadores, o sumário sugere
da a um diálogo construtivo entre
exacerbados pelo escândalo das a ocorrência de má conduta por
Maputo e o FMI.
dívidas. parte de entidades moçambicanas
Em relação à dívida, os doadores

Compra-se
consideram ser difícil explicar e Esta intervenção terá de incluir a e internacionais envolvidas no es-
justificar o pagamento de dívidas melhoria da estrutura de gestão cândalo das dívidas ocultas.
cuja maior parcela não foi audita- das empresas estatais e participa- Apesar de considerarem que o
das, e restruturação de empresas sumário sugere alguma cumplici-
da ou clarificada.
Por outro lado, o Governo mo- públicas em situação problemá- dade por parte dos bancos envol- Um (espaço) terreno, vivenda ou
çambicano, prossegue a carta, tica. vidos, nomeadamente, o Credit
deve enveredar por uma aborda- Os doadores defendem, por isso, Suisse e a VTB Capital, o docu- geminada nas zonas da coop, central,
gem decisiva em relação ao futuro que o Governo moçambicano mento dos doadores afirma que
das três empresas que beneficia-
ram dos empréstimos escondidos,
deve avançar no sentido de refor-
mas estruturais.
“o relatório não oferece comen-
tários sobre uma possível violação
Polana, Museu, Malhangalene Alto-
tendo em conta que continuam a Os doadores entendem que a di- de normas financeiras internacio-
incorrer em prejuízos. vulgação do sumário executivo do nais”, muito embora observem Mae e sommerschield. Pagamento
“Numa resposta específica à au- relatório da Kroll é um primeiro que “existem questões de presta-
ditoria, os parceiros internacio-
nais devem apelar ao Governo
passo para a transparência num
contexto claramente complexo e
ção de contas que ultrapassam as
fronteiras de Moçambique”.
imediato. Contacto 847256171.
moçambicano para tomar acções politicamente sensível. Os doadores também apontam
TEMA
PUBLICIDADE
TEMA DASEMANA
DA SEMANA
Savana 28-07-2017 3
TEMA DA SEMANA
4 Savana 28-07-2017

%DQFR0XQGLDOODQoDDYLVRD0RoDPELTXH

Apoio ao OE depende da dívida


Por Abílio Maolela

C
inco dias depois de uma mentar a produtividade. Para tal,
missão do Fundo Mo- conta com o apoio do sector pri-
netário Internacional vado, considerando-o peça-chave
(FMI) a Moçambique para a diversificação da economia.
ter exortado o Governo a tomar A energia e o desenvolvimento
medidas para colmatar lacunas humano são outros sectores que
com “informações essenciais” no merecerão atenção do BM nos
Relatório de Auditoria feita pela próximos anos.
Kroll às dívidas da EMATUM, Em relação à estratégia anterior
ProIndicus e MAM, o Banco (2012-2015), o BM mostra-se
Mundial (BM) avisou, esta se- satisfeito com os resultados al-
mana, que a retoma do apoio ao cançados, entretanto, destaca al-
Orçamento do Estado (OE) está gumas áreas que podiam ter sido
dependente dos esforços do Go- melhores, como é o caso da agri-
verno moçambicano para fazer cultura.
regressar a dívida pública a níveis “O âmbito e a ambição dos ob-
sustentáveis. jectivos e indicadores para o sec-
tor da agricultura não reflectiram
“A questão da sustentabilidade da a importância crítica do sector
dívida é crítica [para a retomada como um meio para combater
do apoio ao Orçamento do Esta- a pobreza e melhorar a vida das
do], a sustentabilidade da dívida é mulheres”, diz o documento.
parte da avaliação para a retoma- “Foi insuficiente o progresso na
da do apoio orçamental”, afirmou Andrew Bvumbe, anunciando as novas frentes do Banco Mundial, em Moçambique, para os próximos anos redução da fragmentação da car-
o director-executivo do Banco teira e torna-se necessária uma
conservação faunística e da natu- Dois cenários para os tos, melhorar o clima de investi- maior integração, por exemplo,
Mundial, o zimbabueano An-
reza. Nos últimos anos, O BM é empréstimos mento; reforçar o sector privado da agenda da agricultura com o
drew Mvumbe, em conferência
tradicionalmente um dos grandes Havendo incertezas em relação para o financiamento; e apoiar o desenvolvimento das rodovias e
de imprensa sobre a visita de dois
apoiantes do Orçamento de Es- à retomada do apoio directo ao desenvolvimento de infra-estru-
dias que realizou a Moçambique. das cadeias de valor”, acrescenta
tado de Moçambique, integrando Orçamento, a Estratégia do BM turas.
Segundo Mvumbe, a avaliação a fonte, destacando ainda a ne-
um grupo de doadores com a de- prevê dois cenários gerais para a cessidade de “maior realismo na
sobre a existência de condições USD 1.7 mil milhões para
signação de G14. concessão de empréstimos. concepção dos projectos”.
para a retomada da ajuda finan- O primeiro prevê a restauração os próximos três anos
ceira a Moçambique terá em con- A Estratégia daquela instituição “Em alguns casos, os projectos
financeira para Moçambique, de um quadro económico são, em Para além de abordar as condi-
sideração o sucesso do esforço do acabaram ficando fragilizados
2018, e a retomada do programa ções necessárias para a retoma-
Governo para a restruturação da para os próximos quatro anos devido à concepção exagerada-
do FMI. Com base neste cenário, da do apoio ao OE, a Estratégia
dívida pública, incluindo as “dí- (2017-2021), tornada pública, mente ambiciosa em relação à
explica o BM, os empréstimos ba- do BM anuncia também uma
vidas ocultas”. O FMI, a “agên- esta semana, no âmbito da visi- capacidade do governo, enquanto
seados em políticas definidas po- carteira de financiamento a três
cia irmã” do BM, depois da sua ta do director-executivo do BM, outros sofreram atrasos por causa
deriam ser retomados no segundo sectores sociais “críticos”, nomea-
visita a Moçambique, para além assinala que a retomada do apoio de obstáculos políticos ou insti-
semestre de 2018 e teriam como damente, educação, saúde e infra-
orçamental, suspenso em 2015, tucionais que deveriam ter sido
de um programa de reformas enfoque o apoio às reformas rela- -estruturas.
dependerá dos progressos na res- previstos”, sublinha o BM.
económicas, exigiu a publicação cionadas com a consolidação fis- De acordo com o documento,
integral da auditoria da Kroll e o tauração da sustentabilidade da cal, governação económica e uma aquela instituição financeira dis-
dívida e de um quadro macroeco- põe de um pacote de USD 1.7
PIB cresce 4,5%
esclarecimento sobre as lacunas maior resiliência.
nómico e fiscal adequado. A visita de Andrew Bvumbe a
existentes no documento, nome- O cenário alternativo prevê um mil milhões, provenientes da As-
Outra medida necessária a curto Moçambique serviu também
adamente os USD713 milhões processo mais demorado, em que sociação para o Desenvolvimento
Internacional (IDA), com uma para avaliar o desempenho ma-
de sobrefacturação e os USD500 prazo, de acordo com o docu- os recursos planificados seriam
dotação financeira estimada em croeconómico do país, tendo
milhões, aparentemente gastos mento, é o “reforço da vigilância reencaminhados para garantir
provisão de serviços sociais num USD 410 milhões anuais, a partir congratulado o trabalho que está
em material militar. do sector financeiro e o fortaleci-
ambiente fiscal mais restritivo. do ano fiscal de 2018, sujeito ao sendo feito pelo governo.
“Teremos de olhar para os in- mento dos instrumentos de ges-
Neste cenário, acrescenta o do- desempenho do IDA e a dispo- A redução da inflação, a aprecia-
dicadores e o que pode ser feito tão de crises, especialmente, se as
cumento, o BM exploraria o uso nibilidade total dos recursos. Para ção do metical face às moedas
em termos de oportunidade para medidas monetárias mais rígidas de referência e a redução da taxa
restruturar e tornar sustentável a estiverem na forja”. mais amplo do Programa para este ano, o BM disponibilizou
Resultados ou das operações de cerca de USD 120 milhões. de juro são alguns aspectos que
dívida, de modo a ajudar o país”, Para o BM, o nível elevado de en- levam aquele economista zimba-
investimento, compreendendo Sublinhar que, neste momento,
sublinhou o director-executivo do dividamento do nosso país [USD bueano a concluir que a economia
indicadores vinculados ao desem- do valor declarado na Estratégia,
BM. 14 mil milhões] coloca pressão moçambicana está a estabilizar-se
bolso para garantir que a agenda apenas USD 1.2 mil milhões está
Por seu turno, o representante do sobre as previsões fiscais, fazendo e prevê um crescimento de 4,5%,
de gestão económica possa conti- disponível, sendo que o restante
BM em Moçambique, o norte- com que os ajustamentos se tor- para este ano.
nuar a ser fortalecida. está sujeito a outras condições.
-americano Mark Lundell, expli- nem numa prioridade, até porque Referir que, durante os dois dias
Contudo, aquela instituição fi- Aliás, o director do BM em Mo-
cou que a decisão da instituição “os investimentos no sector de gás de visita, 24 e 25, Bvumbe man-
nanceira, baseada em Washington çambique, Mark Lundell, expli-
de manter congelado o apoio não deverão gerar receitas fiscais DC, garante que vai continuar a cou que aquela instituição nunca teve encontros com o Governo
directo ao OE não vai afectar a significativas até 2020”. apoiar o país para se beneficiar do suspendeu o financiamento aos (Primeiro-Ministro e os Minis-
ajuda a áreas sociais prioritárias, Aliás, em relação ao gás, o BM cenário emergente das mudanças sectores sociais, porque “teria tros da Economia e Finanças e
como a educação, saúde, agri- refere que o país precisa de se pre- climáticas. impactos negativos” na vida dos Agricultura e Segurança Ali-
cultura e infra-estruturas. Um parar para o próximo estatuto de Reforça ainda que a cooperação cidadãos. mentar), sector privado e visitou
dos ministérios mais beneficiado país rico em recursos e desenvol- financeira internacional será ba- Entretanto, para além destes sec- alguns empreendimentos de de-
pelo apoio do Banco Mundial é ver uma economia diversificada seada em indústrias estratégicas, tores, Andrew Bvumbe disse que senvolvimento financiados pelo
o da Terra, Ambiente e Desen- e produtiva. Porém, adianta que destacando o agronegócio, silvi- a mecanização agrária é também BM (Barragem de Corumana,
volvimento Rural (MITADER), isso dependerá de como esses re- cultura, mineração e serviços fi- prioridade da sua instituição, as Centrais Térmicas de Ressano
nomeadamente o programa “Sus- cursos serão reinvestidos em capi- nanceiros. visto que Moçambique precisa Garcia, ambos na Moamba) e a
tenta” e o apoio aos programas de tal humano, fisco e institucional. A mesma visa, entre outros aspec- diversificar a sua economia e au- Reserva Especial de Maputo.
TEMA DA SEMANA
Savana 28-07-2017 5

Comité Central decisivo antes do Congresso

)UHOLPRDÀQDDJXOKDVHSXQKDLV
1DUHXQLmRGHYHUiKDYHUHVSDoRSDUD*XHEX]DDVHXSHGLGRFODULÀFDUDTXHVWmRGDVGtYLGDVRFXOWDV

N
uma altura em que é cres- acossados pelos resultados do su-
cente um clima hostil, mário executivo do Relatório Kroll,
conflituoso e turbulento que procuram enfraquecer Nyusi
entre as alas próximas de modo a forçar condições polí-
do actual chefe do Estado, Filipe ticas favoráveis para reduzir a res-
Nyusi e do anterior timoneiro, Ar- ponsabilização jurídica no processo
mando Guebuza, o partido gover- das chamadas dívidas ocultas. As
namental iniciou esta quinta-feira, hostes em torno de Guebuza não
a sua última reunião do Comité gostaram dos resultados da última
Central (CC) antes do XI Con- visita do FMI a Maputo e, sobretu-
gresso, um encontro que poderá ser do, com a exigência da publicação
o de cerrar de fileiras para a bata- integral do relatório de auditoria
lha final na cidade da Matola, onde e esclarecimentos adicionais em
terá lugar o megaencontro partidá- relação à sobrefacturação de ser-
rio de Setembro. viços e equipamentos no valor de
USD713 milhões e os alegados
A reunião de três dias tem lugar gastos em equipamento militar no
no Centro de Conferências Filipe valor de USD500 milhões.
Jacinto Nyusi, na Avenida Lurdes Aliás, apurámos, que a seu pedido,
Mutola, no bairro do Zimpeto, nos haverá espaço para que Armando
arredores de Maputo e irá aprovar a Guebuza, que até ao momento tem
agenda do XI Congresso, com des- assumido, aparentemente, uma
taque para a proposta de revisão dos postura discreta, clarifique junto do
estatutos do partido. órgão mais importante no interva-
De acordo com fontes do SA- No entanto, António Niquice, Se- é preciso estar a par”, disse. Dívidas ocultas lo entre os Congressos a questão
VANA, a alteração dos estatutos cretário para a Mobilização e Pro- Para além de analisar a proposta de Ao que o SAVANA apurou, a reu- das chamadas dívidas ocultas.
da Frelimo, cinco anos depois do paganda, na versão oficial, afirma revisão dos estatutos do partido, a nião do CC procurará apaziguar as Sobre o grupo de membros do par-
Congresso de Pemba, visa essen- que a revisão dos estatutos da Freli- reunião do CC, cujo término está alas ora em guerra aberta, de modo tido que vão criticando abertamen-
cialmente aprimorar a disciplina mo visa adequar o partido às novas previsto para amanhã, sábado, irá a que Nyusi chegue ao Congresso, te e em público o líder do partido,
partidária, que nos últimos tempos dinâmicas sociais. aprovar o regulamento que vai es- num ambiente menos hostil e con- Niquice disse que a Frelimo é uma
se encontra um pouco à deriva, com “Os estatutos da Frelimo são ac- tabelecer as regras de conduta dos flituoso. formação política que apregoa a
críticas abertas e fora dos órgãos do tuais, foram aprovados no último cerca de três mil delegados ao Con- É que nas últimas semanas há um liberdade de expressão e de livre
partido, sobretudo, contra o actual Congresso. Contudo, de lá a esta gresso. ressurgir em força de sectores pró- opinião, contudo, ressalvou, que
Presidente. parte há coisas que mudaram e que ximos do antigo chefe de Estado, há órgãos apropriados para a
SOCIEDADE
6 Savana 28-07-2017

Região norte de Moçambique e sul da Tanzânia

Capturado chefão da caça furtiva


D
epois de anos de persegui- elefantes na Reserva Nacional do te, no Parque Transfronteiriço do do ano. No mesmo período foram
ção, as autoridades mo- Niassa.  Grande Limpopo, de 295 rinoce- detidos 95 furtivos, dos quais sete
çambicanas e tanzanianas Esta terça-feira, as autoridades rontes, dos quais quatro no terri- de nacionalidade moçambicana.
conseguiram capturar, a moçambicanas denunciaram o aba- tório moçambicano, desde o início (Redacção)
11 de Julho corrente, aquele que é
tido como um dos maiores caça-
dores furtivos das regiões norte de
Moçambique e sul da Tanzânia.

A detenção, segundo soubemos,


aconteceu no distrito de Monte-
puez, província nortenha de Cabo
Delgado, depois de aturado tra- Mateso Chupi
balho de inteligência e articulação de ser líder de uma extensa rede
entre a Administração Nacional de de grupos de caçadores furtivos na
Áreas de Conservação (ANAC), a Reserva Nacional do Niassa (que
Government’s National & Trans- entre 2011 e 2014 perdeu cerca de
national Serious Crimes Investiga- 60% da sua população de elefantes)
tion Unit (NTSCIU) da Tanzânia, e na região sul da Tanzânia, que faz
a Reserva Nacional do Niassa, os fronteira com Cabo Delgado. 
Serviços de Investigação Criminal Ele viajava frequentemente entre
(SERNIC) e o Ministério Público a Tanzânia e Moçambique para
de Moçambique. manter a sua rede de caçadores
De nacionalidade tanzaniana, furtivos e de tráfico de marfim e se
Mateso Chupi, ou simplesmente suspeita estar ligado à quadrilha de
Mateso, usava um falso Bilhete de Shuidong, um chinês que comanda,
Identidade moçambicano. As auto- a partir de Pemba, a actuação dos
ridades tanzanianas e moçambica- furtivos, tanto na caça como na ex-
nas não têm dúvidas que a extensa ploração madeireira e mineira.
riqueza de que o acusado dispõe foi Recentemente, Shuidong foi de-
conseguida com recurso à caça fur- nunciado num trabalho da Agência
tiva, particularmente do elefante e de Investigação Ambiental.
rinoceronte, e consequente tráfico Aliás, ele é o mandante confirmado
do produto resultante, no caso os por confissão do cúmplice Hussein
cornos e o marfim. Twalibu Mambo Safi, detido na
Mateso, procurado pelas autorida- Tanzânia, a 6 de Junho do corrente
des tanzanianas desde 2013 e pelas ano, (na posse de arma e marfim)
autoridades moçambicanas desde e responsável pelo abate, durante
8 de Setembro de 2014, é acusado os primeiros meses do ano, de 26
Continuação da Pág. 4

manifestação desses sentimentos. a Nyusi”, não está ainda completa-


Sem apontar nomes, Niquice fez mente claro se o actual presidente
notar que, em casos de situações sairá do CC como candidato natu-
ou comportamentos que concor- ral à sua própria sucessão na Presi-
rem para a violação estatutária, a dência do partido, tal como aconte-
Frelimo tem órgãos cuja missão é ceu com Guebuza no X Congresso
tratar de questões de disciplina dos de 2012 em Muxara, na província
membros. de Cabo Delgado. Da CP é certa
Com o aparecimento em público a saída de Lucília Hama, antiga
de vozes oponentes à liderança de governadora de Maputo e Alberto
Nyusi, numa altura em que se apro- Vaquina, ex-Primeiro Ministro e
xima um evento decisivo como o deputado, que nos últimos tempos
Congresso, alguns apoiantes do ac- se tem multiplicado em “grandes
tual líder do partido manifestaram- entrevistas” de clara sobrevivência
-se ao SAVANA pouco tranquilos política. Por força da renovação dos
quanto ao desfecho da reunião do órgãos (há habitualmente listas de
CC que arrancou nesta quinta- continuidade e renovação), são pre-
-feira. Porém, outras fontes do vistas mais saídas do grupo ligado a
jornal fazem notar que o “actual Vaquina e dois indefectíveis aliados
ruído” é feito por pessoas que não de Guebuza, um dos quais, um ge-
pertencem ao CC e que, no seio do neral da luta armada de libertação
órgão, o apoio a Nyusi é cada vez nacional. Nyusi, em função do seu
mais forte. Do lado dos críticos, há espaço de manobra, procurará tra-
acusações à equipa que apoia o jo- zer à CP “sangue novo e jovem” e
vem presidente de que se têm usa- elementos que impulsionem o de-
do “golpes baixos” para consolidar o bate de ideias, nomeadamente, so-
poder e o apoio a Nyusi. bre economia de mercado e gestão
A reunião do Zimpeto irá também por resultados, estabelecendo rup-
preparar linhas da remodelação turas mais profundas com a ideia de
dos órgãos do partido à medida de que um órgão estratégico serve para
Nyusi, sobretudo, a restruturação “prestar apoio ao chefe”.
da Comissão Política (CP), bem A reunião que amanhã termina
como da eleição do novo Secretá- irá analisar o relatório do gabinete
rio-Geral. Os órgãos são votados, central de preparação do XI Con-
mas, tradicionalmente, tem havido gresso, apreciar o draft do próximo
um grande espaço de manobra para programa quinquenal da Frelimo
que as forças dominantes influam a ser aprovado no Congresso, para
sobre a composição final dos órgãos além de acertar últimos detalhes re-
partidários. lacionados com a reunião do órgão
Pese o optimismo da “corte de apoio mais abrangente do partido.
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
Savana 28-07-2017 7
SOCIEDADE
8 Savana 28-07-2017

Impotência sexual leva agente da UIR a matar esposa


Por André Catueira, em Manica

U
m agente da Unidade “O meu cunhado informou-me confirmam a versão de que o crime sair sozinho para a missão. cídios, ligados à “vingança privada”,
de Intervenção Rápida que a minha falecida irmã o tratou teria sido motivado por problemas Após cometer o crime, que a Polícia incesto e ciúmes, voltando a disparar
(UIR), uma unidade es- para perder potência sexual”, frisou “passionais” no casal, após investiga- tipifica de homicídio qualificado, o o número de pessoas que se “matam
pecializada antimotim, Zuwaraira  Sande, tendo na ocasião ções, assegurando que o agente optou agente da UIR regressou ao quartel por amor”.
matou a tiros a própria esposa num o aconselhado a procurar a medici- por uma via não digna para resolver a de Chimoio, onde viria a ser detido
bairro suburbano da vila de Gondo- na tradicional para “desbloquear” a crise na relação. após a confissão do mesmo e, poste- ONG condena
la, em Manica, depois que descobriu impotência sexual, mas nunca soube No domingo 23, o agente fez-se ao riormente, conduzido à primeira es- Uma activista da defesa dos direi-
que estava com impotência sexual, da posição do cunhado, pelo que se trabalho devidamente fardado, na sua quadra da cidade de Chimoio. tos da mulher condenou a acção do
associada a uma dose de ciúmes, por surpreendeu com a atitude que tirou escala, e foi lhe atribuída uma arma “É lamentável esta atitude do mem- agente da UIR, afiançando que o
suspeitar que a vítima o traia. a vida a sua irmã. de fogo do tipo pistola, para as mis- bro da PRM, na medida que é uma polícia subestimou a lei, ao não ob-
Contudo, uma outra fonte próxima sões institucionais, tendo saído do conduta que vai contra aquilo que servar o princípio básico, de direito
O SAVANA apurou que o casal vi- à família da vítima contou que o recinto do quartel até a sua casa, com são os princípios que norteiam o tra- à vida, consagrado pela Constituição
via momentos turbulentos nos últi- jovem pode ter adquirido a impo- recurso ao “chapa cem” para atirar balho policial e, infelizmente, houve da República e pelas demais normas
mos meses, entre ciúmes e acusações tência, devido às violações sexuais contra a esposa. essa vítima mortal, que de certa for- mundiais.
de feitiçaria, o que motivou o jovem que, na companhia de seus colegas, “Um membro da corporação estava ma deixa-nos todos preocupados, “Este senhor deve ser condenado,
de 32 anos, afecto ao quartel da UIR perpetravam a mulheres nas zonas devidamente escalado, como é hábito não só como corporação, mas tam- porque ele como agente que tem
em Chimoio, a requisitar uma arma de conflito, entre Vanduzi e Báruè e, pela natureza do trabalho, foi lhe bém traz alguma dor no seio da fa- o dever de defender a população e
de fogo do tipo pistola, com a qual (Manica), durante a recente crise atribuída uma arma de fogo do tipo mília”, queixou-se Leonardo Colher. a vida, não devia agir desta forma
tirou a vida à esposa, com dois tiros político-militar. pistola, e este despediu-se do seu lo- A primeira medida tomada pelas au- macabra”, precisou Cecília Ernesto,
na cabeça. “Às vezes, esses jovens abusavam de cal de trabalho, alegando que ia cum- toridades foi retirar a arma ao agente adiantando que, sendo uma pessoa
Um irmão da vítima contou que o mulheres que encontravam nas zonas prir missões que lhe teriam sido in- após a confissão do crime e recolher com noções da lei, devia ter enca-
cunhado, Felisberto Waite, vivia nos onde actuavam e pode ter (o agente) dicadas”, explicou Leonardo Colher, as celas. minhado o seu caso às autoridades
últimos dias cercado de ciúmes, tor- mantido relações sexuais com mu- chefe do departamento das Relações A Polícia, acrescentou Leonardo Co- competentes.
nando hostil o ambiente de convi- lheres tratadas, ficado, consequente- Públicas no Comando Provincial da lher, instaurou dois processos, crime “Como Polícia, deve ser o primeiro
vência no lar, intercalados entre lutas, mente, com impotência”, vaticinou. Polícia de Manica. e disciplinar, contra o agente para a a sensibilizar as comunidades para
discussões e acusações de feitiçaria, Vários relatos de abusos sexuais na No lugar disso, prosseguiu “o mem- sua responsabilização. não praticar justiça pelas próprias
após insistir em imputar culpas à zona de Púnguè Sul e Macadeira, bro da PRM dirigiu-se ao distrito Entretanto, a Polícia manifestou re- mãos em caso de conflito ou violên-
malograda por lhe ter provocado im- perpetrados por forças estatais, che- de Gondola, concretamente na sua centemente preocupação devido ao cia”, disse Ernesto, insistindo numa
potência sexual. garam à imprensa durante o conflito residência e, chegado a casa, alvejou recurso excessivo à violência para condenação exemplar e sem direito à
“Esta situação começou com dis- político-militar que opunha o Go- mortalmente a sua esposa, com dois resolver casos passionais, que resulta- caução, para se “poder disciplinar os
cussões em casa”, lembra Zuwarai- verno e a Renamo, o que forçou mui- tiros” ram em vários homicídios, quase que outros”.
ra  Sande, irmão da vítima, acres- tos populares a se deslocarem para Colher não indicou que missão tinha a totalidade motivados por “vingança Este não é o primeiro caso em que
centado que o cunhado havia se zonas seguras e vários acolhidos em sido incumbida ao agente e nem se a do amor”. um agente da polícia mata esposa
queixado que a falecida havia feito centros criados para o efeito. execução precisaria de arma de fogo, Estatísticas do Comando da Polícia por ciúmes em Manica, sendo que
um ritual contra ele, para “prender” uma vez a especialidade da UIR ser de Manica apontam que, no primei- em Chimoio já foram reportados
sua potência sexual, e perder “acção” Polícia para dispersar multidões, e muito ro trimestre de 2017, foram regista- outros dois casos de “polícias ciu-
dentro ou fora de casa. As autoridades policiais em Manica menos a razão que levou o agente a dos 66 crimes, dos quais 13 homi- mentos” nos últimos anos.

Ambasáid na hÉireann
Embassy of Ireland
Embaixada da Irlanda

Anúncio de Vaga
2ÀFLDOGH5HVXOWDGRV
Embaixada da Irlanda

A Embaixada da Irlanda em Moçambique gere o programa bilateral da Ajuda ‡([FHOHQWHVKDELOLGDGHVGHRUJDQL]DomRLQFOXLQGRDFDSDFLGDGHGHJHULUYi-


Irlandesa em Moçambique e presta contas ao Ministério dos Negócios Estran- rias tarefas e projetos e a capacidade de priorizar e trabalhar nos prazos
geiros e Comércio da Irlanda. O programa da Ajuda Irlandesa em Moçambi- ‡+DELOLGDGHVGHPRQLWRULDÀQDQFHLUD
que é o maior de África com um orçamento de 26 milhões de Euros para 2017. ‡&DSDFLGDGHGHFRPXQLFDomR LQWHUQDHH[WHUQD 
‡3HQVDPHQWRDQDOtWLFR
O programa tem um escritório de representação da Embaixada da Irlanda em
Niassa, localizado na cidade de Lichinga, o qual se responsabiliza pela coor- 4XDOLÀFDo}HV
denação com os diferentes parceiros governamentais e não-governamentais, ‡/LFHQFLDWXUDHP&LrQFLDV6RFLDLVHVWXGRVGHGHVHQYROYLPHQWRRXiUHDVDÀQV
PRQLWRULD GH SURMHFWRV ÀQDQFLDGRV SHOD ,UODQGD DSRLR WpFQLFR QDV iUHDV GH ‡DQRVGHH[SHULrQFLDHPXPDPELHQWHGHWUDEDOKR
SODQLÀFDomRLPSOHPHQWDomRDXGLWRULDVXSHUYLVmRHVHJXLPHQWRFRPYiULDV ‡([SHULrQFLDHPSURJUDPDGHGHVHQYROYLPHQWRHFRPSUHHQVmRGRGHVHQYRO-
entidades ao nível provincial e central. Este escritório serve também de elo de vimento internacional
ligação entre o governo da Provincia do Niassa e a Embaixada da Irlanda em ‡&RQKHFLPHQWRGRVSODQRVHVWUDWpJLFRVHVHFWRULDLVGH0RoDPELTXH
Maputo. ‡ %RQV FRQKHFLPHQWR QDV iUHDV GH 3ODQLÀFDomR 0RQLWRULD H$YDOLDomR FRP
enfoque para resultados claros.
A Embaixada da Irlanda convida aos interessados a candidatarem-se para pre- ‡+DELOLGDGHGHFRPXQLFDUHWUDEDOKDUQDVOtQJXDV,QJOHVDHSRUWXJXHVD
HQFKLPHQWRGHYDJDGH2ÀFLDOGH5HVXOWDGRVGR3URJUDPDUHVSRQViYHOSHOR
DSRLRDRVSDUFHLURVHUHFROKDGHOLo}HVGDVDFWLYLGDGHVÀQDQFLDGDVSHOD(PEDL- Informação sobre descrição de tarefas, pacote salarial e demais benefícios, po-
xada Irlanda na Provincia do Niassa. derão ser adquiridos mediante solicitação ao seguinte correio eletrónico:
maputosubmissions@dfa.ie.
Propósito da Posição
Trabalhar em colaboração com as direções provinciais e outros parceiros da Ir- A candidatura deve ser acompanhada por carta de manifestação de interes-
ODQGDQRTXHGL]UHVSHLWRiHODERUDomRGHUHODWyULRVDFRUGDGRVGHPRQVWUDGRV VH&XUULFXOXP9LWDHQDOtQJXD,QJOHVDKLVWyULFRSURÀVVLRQDOHFHUWLÀFDGRVGH
SRUHYLGrQFLDVEHPFRPRWUD]HUiUHDOLGDGHKLVWyULDVGHVXFHVVRGRFRQMXQWR TXDOLÀFDomR DFDGpPLFD GHYHQGR UHPHWHORV DR VHJXLQWH FRUUHLR HOHWUyQLFR
GHREMHWLYRVLQLFLDOPHQWHGHÀQLGRVLQFOXLQGRUHVXOWDGRVQmRSUHYLVWRV maputosubmissions@dfa.ie DWp jV  KRUDV GH 6H[WD)HLUD  GH$JRVWR GH
2017.
5HVSRQVDELOLGDGHVHVSHFtÀFDV
3ODQLÀFDomRH5HYLVmR 2'HSDUWDPHQWRGH5HODo}HV([WHULRUHVH&RPpUFLRGHIHQGHXPDSROtWLFDGH
$SRLRDRVSDUFHLURVDQtYHOSURYLQFLDO LJXDOGDGHGHRSRUWXQLGDGHVGHHPSUHJRHHVWiFRPSURPHWLGRFRPDSROtWLFD
0RQLWRULD5HODWyULRVH5HVXOWDGRV de igualdade de oportunidades. É importante notar que as candidaturas frau-
GXOHQWDVRXSRUXVRGHLQÁXrQFLDVVHUmRDXWRPDWLFDPHQWHGHVTXDOLÀFDGDV
+DELOLGDGHV
‡([FHOHQWHVKDELOLGDGHVGHFRPXQLFDomRHVFULWDHRUDOHPSRUWXJXrVHLQJOrV Apenas serão contactados os candidatos pré-selecionados.
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
Savana 28-07-2017 9

A Verdadeira
Televisão Digital

24

12.000 MT
32
” 8.900 MT

18.000 MT
13.900 MT
T

40
26.500 MT

19.900 MT

Sem necessidade de Decoder


Veja mais de 200 Canais
Incluindo assinatura gratuíta de 2 meses
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
10 Savana 28-07-2017

MOÇAMBIQUE NÃO DEVE


PAGAR A DÍVIDA OCULTA
Por Joseph Hanlon

O governo moçambicano não deve pagar os USD 1.157 milhões serviços de informação e segurança do Estado (SISE). As empre-
de dívida oculta contraída entre 2013 e 2014 pelas empresas sas são:
MAM e ProIndicus. Neste artigo, argumentamos que esses
empréstimos destinaram-se a empresas privadas, sem qualquer ProIndicus – esta foi a primeira empresa a ser criada em
responsabilidade do Governo. As garantias de empréstimos Janeiro de 2013. Ela é detida em 76% pela Monte Binga, uma
concedidas pelo então Ministro das Finanças violaram a empresa do Ministério da Defesa Nacional, e em 33% pelo
Constituição da República e a lei orçamental moçambicanas. SISE. O empréstimo agrupado (syndicated loan) para o financia-
Nos termos do contrato do empréstimo, qualquer acto mento dessa empresa foi de USD 622 milhões – sendo USD
relacionado com a falta de reembolso seria julgado pelos 504 milhões provenientes do Credit Suisse e USD 118 milhões
tribunais ingleses. Moçambique foi aconselhado que os tribunais do banco VTB. Ambos os créditos foram contraídos secreta-
ingleses não considerariam a violação da Constituição mente em Fevereiro e Junho de 2013, respectivamente.
moçambicana, mas isso não constitui verdade. Uma decisão do
Tribunal Supremo de Londres, tomada em Março deste ano, Ematum (Empresa Moçambicana de Atum) – foi criada em
referiu que a falta de cumprimento das regras domésticas por um Agosto de 2013. Cada um dos seus accionistas detinha um
Estado mutuário deve ser considerada por um tribunal inglês. terço de participações, a saber, o Instituto de Gestão de
Participações do Estado (IGEPE), a Empresa moçambicana de
Isso significa que se os credores levassem o caso aos tribunais pesca (Emopesca) e o SISE. A Ematum foi financiada com um
ingleses contra o governo moçambicano, esses credores teriam total de USD 850 milhões, sendo USD 500 milhões provenien-
uma maior probabilidade de perder. Portanto, eles certamente tes do Credit Suisse, e USD 350 milhões do VTB. As operações
hão-de negociar o caso na forma de reembolso parcial e tentarão foram levadas a cabo por esses dois bancos, e um terceiro, o
forçar os bancos que organizaram os empréstimos, BNP Paribas, em Agosto de 2013. Os títulos foram vendidos
nomeadamente o Credit Suisse e o VTB, a aceitar alguma parte sem chancela parlamentar, mas a venda de títulos foi pública.
da responsabilidade, porque as suas propostas foram enganosas O então Presidente da República de Moçambique, Armando
e imprecisas. Moçambique já se recusa a pagar esses Guebuza, o então Presidente francês, François Hollande, e o
empréstimos, e deve continuar a fazê-lo. proprietário do estaleiro Iskandar Safa, estiveram presentes na
cerimónia de 29 de Setembro de 2013 no estaleiro em Cher-
A terceira parte da dívida, USD 850 milhões para Ematum, é bourg, Normandia.
mais complexa porque o governo aceitou a responsabilidade
sobre ela. Nacionalizou os títulos, convertendo títulos emitidos MAM (Mozambique Asset Management) – esta terceira empre-
por uma empresa privada, a Ematum, em dívida soberana. No sa foi criada em Maio de 2014. Ela é detida em 98% pelo
entanto, os títulos de dívida (Eurobonds) originais também eram SISE, em 1% pela Ematum e restante 1% pertence à Proindi-
ilegais e tinham sido deturpados pelos bancos. Assim, cus. A MAM foi financiada por via de um empréstimo agrupado
Moçambique não pode recusar-se a pagar a dívida da Ematum, no valor de USD 535 milhões provenientes do banco russo
mas os detentores de obrigações podem estar dispostos a aceitar VTB.
reduzir o volume daquela dívida, por via de renegociação.
António Carlos do Rosário, um alto funcionário do SISE e
Presidente do Conselho de Administração (PCA) das três

Os créditos empresas, declarou na Comissão Parlamentar de Inquérito para


Averiguar a Situação da Dívida Pública, em 2016, que o contrato
foi adjudicado directamente à Constructions Mécaniques de
O total do pacote de crédito é de USD 2.007 milhões e é Normandie - Abu Dhabi MAR (CMN/ADM) como um contrato
complexo. Envolve três novas empresas nacionais moçambicanas negociado, sem um concurso público. Esta empresa também
e cinco créditos efectuados por dois bancos, o suíço Credit Suisse negociou o financiamento. O dinheiro foi directamente ao
e o banco russo VTB. Três dos créditos estão em forma de CMM/ADM sem passar pelo Tesouro moçambicano; Moçambique
empréstimos agrupados (syndicated loans), o que significa que recebe o equipamento e formação, mas não o dinheiro.
um banco organiza um “sindicato de credores” que fornecem o
dinheiro; os empréstimos agrupados são secretos e o mutuário A emissão da dívida da Ematum foi controversa e os doadores
faz reembolsos ao banco que os efectua, desconhecendo a fonte começaram a congelar a ajuda. Em Novembro de 2013, o FMI e o
real do dinheiro. Dois dos créditos estavam em forma de títulos governo acordaram que os USD 500 milhões dos títulos da
de dívida (Eurobonds), que são públicos e podem ser negociados Ematum foram destinados a compras militares, e não à pesca, e
em bolsas de valores. os USD 500 milhões foram transferidos ao Orçamento do Estado,
sendo que os USD 350 milhões remanescentes ficaram com a
Daqueles créditos resultaram três empresas e os pacotes de empresa privada, a Ematum. O empréstimo da ProIndicus
empréstimos foram acordados entre 2013-14. As empresas permaneceu em segredo, e o empréstimo da MAM foi efectuado
foram criadas como sendo “empresas moçambicanas de direito apenas posteriormente.
privado” mas detidas pelo Estado, sendo controladas pelos

Maputo, Julho de 2017 1 de 3


PUBLICIDADE
SOCIEDADE
Savana 28-07-2017 11

MOÇAMBIQUE NÃO DEVE PAGAR A DÍVIDA OCULTA

As quintas eleições gerais foram realizadas no dia 15 de Outubro Os fundos de investimento nos empréstimos agrupados
de 2014 e o novo governo do Presidente Filipe Nyusi tomou posse assinaram acordos dizendo que realizaram eles próprios sua due
em Janeiro de 2015. Um crédito de reserva com acordado com o diligence. No entanto, a ser verdade, mesmo a mais elementar
FMI e o primeiro pagamento foi feito a Moçambique em Dezembro due diligence teria demonstrado que de acordo com a
de 2015. No final de 2015, o governo tentou renegociar a emissão Constituição da República de Moçambique, o Ministro das
dos títulos da Ematum para pagar por um longo período de Finanças não tinha poder de assinar as garantias, que o preço
tempo. Isto foi finalmente acordado em Março de 2016, quando esperado do atum era extremamente exagerado, que não havia
os Eurobonds foram substituídos por uma nova emissão dos títulos contratos de protecção costeira com as companhias de gás
do governo moçambicano. A documentação necessária como natural e que estes eram improváveis, e que os créditos eram em
parte dessa emissão de títulos aventou mais dívida do que aquela grande parte para fins militares ou de segurança. Também
que tinha sido revelada e, em Abril de 2016 foram revelados os deveria ter sido óbvio que todo o pacote de crédito de USD 2
USD 1.157 milhões em dívidas secretas da MAM e da ProIndicus. bilhões elevaria a dívida de Moçambique ao nível de
O FMI cortou o crédito de reserva e os doadores interromperam o insustentabilidade. Assim, qualquer relatório de due diligence
apoio ao orçamento, declarando que o governo havia mentido por deveria ter demonstrado que não havia possibilidade de a dívida
não ter incluído mais de USD 1 bilhão em garantias de dívida em ser paga.
relatórios prestados ao FMI e aos doadores. Esta questão é o foco
do caso legal, conforme se discute adiante. Quarto e último factor: Corrupção. A Directora-Geral do FMI,
Christine Lagarde, disse à BBC no dia 18 de Maio de 2016 que,
ao manter os empréstimos secretos, o governo de Moçambique

O que está errado? está “claramente a dissimular a corrupção”. Toda a estrutura


dos empréstimos: pagamento efectuado no exterior, um contrato
de ajuste directo, falta de registos contabilísticos, entrega de
Existem quatro factores que tornam ilegítimo esse pacote de navios inapropriados e de baixo valor - parece ter sido delineada
dívida de USD 2 bilhões: primeiro, uma garantia ilegal de créditos para promover a corrupção. Ninguém ainda foi identificado e
privados; segundo, as declarações exageradas e duvidosas pelos responsabilizado, mas paira um cheiro de corrupção sobre todo
bancos promotores; terceiro, a falha dos credores e compradores o pacote do empréstimo de USD 2 bilhões.
de títulos em levar a cabo o due diligence; e quarto factor, uma
provável corrupção.

Primeiro factor: a garantia ilegal concedida pelo governo. Embora


todos os cinco créditos tenham sido destinados a empresas
A dívida é ilegítima
privadas, as garantias governamentais foram assinadas ou pelo O empréstimo de dinheiro tem vindo a acontecer por milénios, e
então Ministro das Finanças, Manuel Chang, ou pela então muitas vezes é bom - emprestamos dinheiro para construir as
Directora Nacional do Orçamento (actualmente Vice-Ministra da nossas casas e começar negócios, e os governos, também,
Economia e Finanças), Isaltina Lucas. Nenhum de ambos tinha o pedem emprestado dinheiro. E há um contrato - o mutuário
direito de fazê-lo. A Comissão Parlamentar de Inquérito para promete pagar, mas como o banco não quer perder o seu
Averiguar a Situação da Dívida Pública disse no seu relatório de dinheiro, então verifica se o mutuário tem condições de o pagar.
30 de Novembro de 2016 que “deve ser entendido que as Para países em desenvolvimento e pessoas que iniciam novos
garantias emitidas são nulas”, uma vez que o acto da emissão das negócios, os credores têm um responsável para verificar se o uso
garantias excedeu os limites estabelecidos nos orçamentos de do dinheiro é prudente. Isso é chamado de dever fiduciário - uma
2013 e 2014 e, portanto, “violou” o artigo 179 da Constituição, obrigação de agir no melhor interesse de outra parte. Os
bem como as leis do orçamento. Esta conclusão foi corroborada advogados têm um dever fiduciário para seus clientes e, assim, o
pelo Tribunal Administrativo (TA) em Novembro de 2016. têm os bancos - as pessoas vão aos bancos para obter
assessoria financeira e não esperam ser enganadas pelo banco.
Segundo factor: o prospecto dos bancos. Conforme referido por
António Carlos do Rosário à Comissão Parlamentar de Inquérito Mas nos momentos em que há capital mundial excedente, como
(CPI), o financiamento foi avançado pela empresa contratante. Os actualmente, os bancos internacionais são menos cuidadosos.
documentos sobre a viabilidade das empresas e os empréstimos No que diz respeito à dívida oculta de Moçambique de USD 2
foram elaborados pelos bancos que organizaram os empréstimos, bilhões, os bancos não assumiram o risco próprio, mas
nomeadamente o Credit Suisse e o VTB. Do Rosário disse ainda à dispuseram outros para emprestar o dinheiro ao país. E eles
CPI que os bancos concordaram em manter secreto o conteúdo pintaram uma imagem desonesta das garantias do Estado, e
militar dos empréstimos e ressaltou que os principais objectivos assim Moçambique conseguiu ver seu atum a poder custar cinco
dos empréstimos eram a protecção costeira e não a pesca. Dos vezes mais caro do que o das Seychelles, e também
USD 850 milhões da Ematum, apenas USD 91 milhões foram garantiram-se contratos de segurança. Os bancos não fizeram o
destinados aos barcos de pesca, disse ele. due diligence e, portanto, falharam no dever fiduciário, tanto
para aqueles que emprestaram o dinheiro quanto para
Os bancos forneceram os estudos de viabilidade, dizendo que as Moçambique. Isso foi agravado com o facto de que os bancos
três empresas seriam “altamente lucrativas” e podiam reembolsar mantiveram em segredo o detalhe de que os empréstimos eram
facilmente as dívidas, de acordo com a CPI, mas o que se observa para gastos militares, e foi pior ainda porque os empréstimos
na realidade é o contrário: as empresas não têm possibilidade de facilitaram a corrupção. Um empréstimo é considerado
reembolsar as dívidas. Os estudos de viabilidade incluíram “ilegítimo” quando o banco não cumpre com o seu dever
projecções plenamente irrealistas, tal como a referência de que fiduciário, tal como aconteceu neste caso; o empréstimo
Moçambique poderia vender atum a um preço cinco vezes mais torna-se da responsabilidade dos bancos e não do mutuário.
alto do que o preço que as Seychelles vendem; que os barcos que Moçambique tem um forte argumento moral para não pagar a
passavam pelo Canal de Moçambique pagariam altas taxas a dívida essa dívida ilegítima. Contudo, terá também um
essas empresas privadas; e que estas ganhariam contratos de argumento legal?
segurança para os projectos off-shore de gás natural. Tanto os
credores como os mutuários podem agora argumentar que foram
enganados.

Terceiro factor: Due diligence. Em processos de empréstimos,


Moçambique pode recusar-se a
espera-se sempre que os bancos e os fundos de investimento
levem a cabo um processo de due diligence, em que se faz uma
investigação independente de qualquer proposta de empréstimo,
pagar
para assegurar que a parte mutuária não tenha mentido ou Neste momento, Moçambique simplesmente não está a pagar
exagerado as perspectivas de reembolso do empréstimo que nenhuma das dívidas secretas. Pode apenas recusar-se a pagar?
pretende contrair. O governo efectivamente nacionalizou a dívida da Ematum por
emitir títulos do governo para substituir os emitidos pela
Os bancos têm a responsabilidade especial de efectuar due empresa privada, dificultando a recusa de pagamento.
diligence, e os fundos de investimento que compram títulos ou Retornamos a este aspecto mais adiante. Mas os empréstimos
empréstimos agrupados (syndicated loans) muitas vezes confiam de USD 1.157 milhões da MAM e da ProIndicus são diferentes:
nos bancos como tendo efectuado uma verificação adequada (due são empréstimos contraídos para empresas privadas e o governo
diligence). nunca aceitou a responsabilidade sobre eles.

Maputo, Julho de 2017 2 de 3


INTERNACIONAL
PUBLICIDADE
12 Savana 28-07-2017

MOÇAMBIQUE NÃO DEVE PAGAR A DÍVIDA OCULTA

Os contratos de títulos e empréstimos dizem que qualquer nacionais é relevante, para que os empréstimos agrupados da
disputa deve ser resolvida em tribunais ingleses. Isso significa MAM e da ProIndicus pelo menos sejam declarados ilegítimos e,
que, se estes não estão sendo pagos, os detentores das consequentemente, não sejam pagos.
obrigações e os credores agrupados (que incluem bancos
moçambicanos) teriam de levar o caso judicial a Londres – para Tal como aconteceu com o caso da Ucrânia, cabe aos credores
forçar o pagamento dos títulos e tentar executar as garantias levar o caso legal a Londres, e parece haver uma grande
governamentais assinadas por Manuel Chang e Isaltina Lucas nos possibilidade de eles perderem. Isso poderia dar um grande
empréstimos da MAM e da Proindicus. impulso a Moçambique em qualquer renegociação das dívidas
ocultas.
A resposta de Moçambique a qualquer acção legal seria de que
as garantias violaram a Constituição da República e a Lei Caso Moçambique ganhe o seu caso, então, tanto os credores
Orçamental moçambicanas. Por via de due diligence que se como os detentores de obrigações moveriam processos contra
espera existir em quaisquer casos de empréstimos, os bancos os bancos Credit Suisse e VTB, alegando que foram enganados
credores deviam estar cientes de que as empresas eram inviáveis e que estes bancos violaram o seu dever fiduciário.
e as garantias emitidas eram ilegais.

Uma decisão de Março no Tribunal Superior de Londres torna


muito mais provável que a defesa de Moçambique seja
bem-sucedida, e o tribunal determinará que a garantia não pode
Renegociação e pagamento com
ser aplicada. Sabemos que o Ministério da Economia e Finanças
foi informado pelos seus assessores de que o tribunal de Londres
desconto
não tomaria em consideração a Constituição e as leis de
Pensamos que todas as partes envolvidas no processo
Moçambique. Mas a decisão no Tribunal Superior de Londres de
prefeririam que este caso não fosse julgado, podendo haver um
29 de Março, assinada por Sir William Blair, irmão do
acordo para um reembolso parcial (pagamento com desconto),
ex-primeiro-ministro, Tony Blair, mostra que isso não constitui
e tentar forçar os bancos a aceitar alguma parte da
verdade. Ele decidiu que o não cumprimento da legislação e da
responsabilidade. Há efectivamente três grupos envolvidos, cada
Constituição nacionais é “relevante” e deve ser tomado em
um com as suas próprias razões de não querer ir a um tribunal
consideração por um tribunal inglês.
de Londres. O motivo mais essencial é que a maioria dos
documentos apresentados num tribunal inglês são públicos, e
O caso referido acima envolve a recusa da Ucrânia de pagar por
como nenhuma das partes tem mãos limpas, eles prefeririam
títulos de dívida (Eurobonds) de USD 3 mil milhões
manter o segredo. Senão, vejamos:
desembolsados pelo banco russo VTB no qual a Rússia comprou
todos os títulos. Esses títulos, tal como no caso de Moçambique,
Os detentores do empréstimo agrupado podem não ganhar o
são cobertos pela lei inglesa. Numa situação idêntica a
caso, e preferirem ter algum dinheiro a não terem nenhum.
Moçambique, a Ucrânia argumentou que o Ministro das Finanças
Eles também não quereriam admitir em tribunal, num proces-
concordou com o empréstimo sem que fosse aprovado pelo
so aberto ao público, de que afinal eles não fizeram o seu
parlamento, conforme exigido pela Constituição Ucraniana. O
próprio due diligence como deveriam ter feito;
Juiz Blair observou não haver antecedentes e este parece ser o
É bem possível que os documentos apresentados revelem a
primeiro caso desse tipo. É um caso extremamente complexo, em
corrupção ou negligência havida em Moçambique, facto que o
parte porque também envolve a ocupação russa da Crimeia, um
Governo de Moçambique não gostaria que se tornasse públi-
detalhe não relevante para Moçambique. O texto completo da
co;
decisão está disponível em
https://www.judiciary.gov.uk/judgments/law-debenture-v-ukraine/
A conduta dos bancos Credit Suisse e o VTB está mergulhada
em duras críticas e os seus próprios relatórios de due
O Juiz Blair decidiu contra a Ucrânia, dizendo que um Estado
diligence e outros documentos seriam apresentados ao
tem a capacidade de pedir empréstimo e que “o Ministro das
público, o que claramente aqueles bancos não quereriam.
Finanças tinha a autoridade para se envolver numa transacção
em nome da Ucrânia”, e que os credores não tinham motivos
O Ministério da Economia e Finanças com os seus consultores
para suspeitar que o empréstimo era inapropriado. Este aspecto
devem traçar uma estratégia de negociação. Ele já tomou o
é o último ponto que funciona a favor de Moçambique, por causa
primeiro passo correcto ao não efectuar nenhum pagamento até
das condições do empréstimo da Ucrânia que jogaram a seu
agora. Isso obriga os credores e detentores de obrigações a
desfavor em Londres serem opostas àquelas do caso
ameaçar com procedimentos legais - e é interessante que
moçambicano.
nenhum deles ainda tenha feito isso, sugerindo que eles não
querem ir a um tribunal de Londres. Em negociações fechadas,
O empréstimo da Ucrânia foi ao governo e foi aprovado pelo
Moçambique precisa enfatizar que a dívida é ilegítima e é
ministério; tem havido muitos empréstimos semelhantes, o
responsabilidade das empresas privadas, a MAM e a ProIndicus
governo da Ucrânia recebeu o dinheiro e o mesmo foi incluído
liquidar a dívida, e que a responsabilidade recai sobre os bancos
nas contas de moeda estrangeira do Tesouro, assim como foi
Credit Suisse e VTB que estruturaram os empréstimos e os
publicado no seu website; os pagamentos de juros foram
títulos de dívida originais.
efectuados, mas nunca foi declarado que o empréstimo era ilegal
e ilegítimo.
Os detentores de obrigações reconhecem que os títulos de
dívida (Eurobonds) originais da Ematum eram ilegítimos e que o
Os empréstimos concedidos a Moçambique foram exactamente
Credit Suisse e o VTB agiram erradamente, mas também
feitos em contornos diferentes daqueles ucranianos. Em
argumentam que o governo nacionalizou o crédito ilegítimo da
Moçambique, trata-se de empresas privadas e não do Estado; os
Ematum e, portanto, assumiu a responsabilidade de reembolsar.
empréstimos não foram aprovados pelo Conselho de Ministros;
Em privado, eles também aceitam que haverá uma renegociação
nenhuma parte do dinheiro entrou em Moçambique; as dívidas
que reduza a dívida que deve ser reembolsada em nome da
da MAM e da ProIndicus nunca foram incluídas em contas
Ematum.
nacionais; as declarações governamentais enfatizaram que estes
são empréstimos a empresas privadas e todas as conclusões de
Os credores e o governo moçambicano vão querer levar o Credit
análises e investigações das autoridades públicas moçambicanas
Suisse e VTB à negociação, embora aqueles dois bancos
(Comissão Parlamentar de Inquérito, Tribunal Administrativo,
resistam e venham ameaçar com uma acção legal. Essa
Procuradoria Geral da República) disseram que os empréstimos
negociação multilateral complexa pode continuar por um ano ou
foram contraídos de forma inconstitucional e ilegal.
mais. O objectivo seria que os credores agrupados e os
detentores de obrigações aceitassem uma redução no valor de
O secretismo à volta dos empréstimos significava que os credores
seus créditos, para que o Credit Suisse e VTB encontrem uma
não tinham as declarações públicas que os levassem a acreditar
maneira de pagar alguma compensação por sua conduta
na legalidade e deveriam ter feito a sua própria investigação, o
inapropriada, e para Moçambique concordar em fazer alguns
que teria demonstrado que os empréstimos eram inapropriado.
reembolsos, provavelmente começando apenas daqui a sete
Ademais, o contrato que os credores assinaram revelou que eles
anos. Mas em qualquer declaração pública bem como nas
fizeram tal investigação - mesmo que pareça que poucos
negociações, Moçambique deve deixar claro que não aceita
realmente o tenham feito.
assumir qualquer responsabilidade pelas dívidas ilegais e
ilegítimas da MAM e da ProIndicus. Assim, Moçambique pode e
Assim, mesmo que a Ucrânia tenha perdido o seu caso,
deve recusar-se a pagar.
Moçambique poderia usar esse caso e a declaração do
merítissimo Juiz Blair de que o não cumprimento das regras
Maputo, Julho de 2017 3 de 3
INTERNACIONAL
SOCIEDADE
Savana 28-07-2017 13

Perguntas e Respostas

A Venezuela precisa de uma nova Constituição?


O
Presidente Nicolás Ma- aparelho chavista e ex-presidente
duro quer mudar a Cons- do parlamento; Cilia Flores, a
tituição para restabelecer mulher de Maduro; Delcy Rodrí-
a ordem democrática, guez, ex-chefe da diplomacia.
que diz ter desaparecido do país E depois de domingo?
depois de a oposição ter conquis- Não se sabe quanto tempo dura
tado a maioria na Assembleia o mandato da assembleia, não se
Nacional, nas legislativas de De- sabe onde irá reunir — no parla-
zembro de 2015. mento? Sabe-se que tem poderes
para despedir os deputados. Por
O que é uma assembleia consti- isso a oposição considera todo
tuinte? este processo suspeito — diz que
É o órgão que reescreve, ou faz domingo pode ser o dia em que
alterações, à Lei Fundamental de a Assembleia Nacional eleita de-
um país. Como lhe cabe restabe- mocraticamente em 2015 morre.
lecer a ordem político-institucio- E questiona-se sobre as próximas
nal de um Estado, é dotada de
votações. Para já, estão duas mar-
plenos poderes aos quais devem
cadas: a 10 de Dezembro de 2018
submeter-se todas as instituições
realizam-se as eleições locais,
públicas. Tem um mandato li-
adiadas depois da vitória da opo-
mitado, sendo dissolvida quanto
sição nas legislativas. E também
termina o seu trabalho. Porém, até
para o ano realizam-se presiden-
agora Maduro só disse quando
ciais — Maduro teve dificuldade
será eleita, domingo 30 de Julho. Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
para vencer as anteriores, teve
Por isso, a oposição receia que
gicas, mas unidos na contestação cinco... A oposição diz que este é tir uma assembleia favorável ao 50,6%, o seu adversário Henri-
esta eleição seja um esquema do
a Maduro), realizou uma consulta um método totalmente arbitrário. Governo. Há alguns candidatos que Capriles 49,1%. A assembleia
aparelho chavista para substituir
para a população se pronunciar A MUD denunciou ainda que a conhecidos, por exemplo Dios- constituinte pode anular as duas
a Assembleia Nacional (parla-
sobre o referendo. Votaram, em escolha dos candidatos vai garan- dado Cabello, um peso-pesado do votações.
mento). Com os poderes que tem,
a constituinte poderá dissolver o mesas de voto improvisadas e
parlamento. instaladas sobretudo nos centros
Que há de errado com a Consti- urbanos, onde a oposição tem
tuição em vigor? maior implantação, 7,1 milhões
Nicolás Maduro ainda não con- de pessoas. A esmagadora maio-
seguiu responder a essa pergunta. ria votou contra a mudança na
Insiste que a ordem democrática Constituição. Apesar do boicote
foi quebrada e que a assembleia anunciado, a oposição comentou
vai “criar uma nova ordem legal”. o método escolhido pelo Governo
Por isso há tanta suspeita quanto para esta eleição. Uma sondagem
ao que pretende com esta vota- do instituto Datanalise, citada
ção. Tanto mais que a Constitui- pelo Financial Times, revelou que
ção tem menos de 20 anos e tem 67% dos venezuelanos é contra
a marca do mentor de Maduro, a assembleia constituinte; 69%
Hugo Chávez. Antes de morrer, defende que Nicolás Maduro se
em 2013, Chávez nomeou Ma- afaste da presidência e sejam mar-
duro seu sucessor. A “sua” Cons- cadas novas eleições presidenciais.
tituição é apontada pelos chavis- Quem é eleito?
tas como o modelo a seguir pela Vão ser eleitos 364 membros
América Latina e o próprio Ma- através de eleições municipais:
duro não se cansou de a elogiar, cada município elege um repre-
diz o jornal Financial Times, que sentante, as 23 capitais estaduais
recorda que Chávez fez um refe- elegem dois cada uma e Caracas,
rendo para saber se os cidadãos a capital do país, elege sete. Para
queriam alterar a Lei Fundamen- a MUD, é errado eleger o mesmo
tal, mas Maduro decidiu sozinho. número de membros nas grandes
Quem vota? cidades e nos municípios rurais
Podem votar todos os eleitores com menor população — o Parti-
registados, que são cerca de 20 do Socialista Unido da Venezuela
milhões. Porém, os partidos da tem, actualmente, mais apoiantes
oposição anunciaram que vão fora das grandes cidades. Depois,
boicotar a votação. Há duas sema- haverá mais 181 membros, eleitos
nas, a oposição, unida na aliança por vários sectores da sociedade
Mesa de Unidade Democrática civil: os estudantes elegem 24, os
(que agrupa partidos com posição operários 79, os indígenas oito, os
diferentes, inclusivamente ideoló- pensionistas 28, os empresários

Arrenda-se
8PDÁDW7JUDQGHFRPGXDVFDVDVGH
EDQKRXPDFR]LQKDHVSDoRVD$Y3DXOR
6DPXHO.DQNKRPEDHPIUHQWHDR,638
VHPLQWHUPHGLiULR3DUDPDLV,QIRUPDo}HV
FRQWDFWHRX
NO CENTRO DO FURACÃO
14 Savana 28-07-2017 Savana 28 -07-2017 15

Nativos de Namanhumbir oprimidos na sua própria terra por empresa ligada à elite frel

A triste sina de um povo amaldiçoado pelo rubi


Por Armando Nhantumbo (texto) e Naíta Ussene (fotos), nossos enviados a Namanhumbir


Antigamente vivíamos bem, é o PCA da empresa que explora Dois dias no terreno foram sufi-
aqui, mas com a chegada des- o jazigo considerado como a maior cientes para notar que os actos re-

“Não somos culpados por


sa empresa, é só sofrimento. mina de rubis, no mundo, em posse portados nos vídeos, e classificados
Para cá vieram brancos que de privados e que já provou ser uma pela Comissão Nacional de Direitos
nos estão a maltratar. Arrancaram- das mais produtivas. Humanos como graves violações
-nos machambas e queimaram-nos Até Junho, a MRM, Lda. tinha de-

termos nascido no rubi”


de Direitos Humanos, são apenas
casas. Tudo que eu tinha ardeu na- clarado uma receita total de USD a amostra das atrocidades que lá se
quele dia que incendiaram minha 283, 5 milhões, gerados em 8 leilões, vivem.
casa”. É o testemunho de António todos eles realizados fora do país, Depois de percorrermos mais de

N
Ali, um velho a caminho dos 100 no eixo Tailândia-Jaipur-Singapura, 150 km, dos 205 que separam Pem- thoro, uma pacata aldeia Lda., contam que há quatro anos que muito tempo sem sabermos que
anos de idade. Mas os últimos têm contra USD 55, 3 milhões, em im- ba de Montepuez, através da Estra- localizada a 8 km da sede essa promessa não passa disso mesmo. tinha esta riqueza”, ironiza, deplo-
sido um verdadeiro martírio para postos, até 16 de Dezembro. de Namanhumbir, é um À provocativa pergunta sobre o que rando a conivência do Governo pe-
da Nacional Número 14, chegamos
um pobre que não foi ele a “escolher São receitas milionárias que, entre- exemplo paradigmático ganham com a extracção de rubi, de rante o sofrimento do povo.
a Nanhupo, uma pequena aldeia que
o azar” de nascer numa terra rica de tanto, contrastam com a pobreza da opressão que se vive naquele pronto, respondem, um a um: “nada”, Por sua vez, o régulo de Nthoro diz
é uma das portas de entrada para a
rubi, esse minério valioso que atrai extrema que campeia naquele eldo- Posto Administrativo. As 95 famí- “pobreza, só”, “somos tratados como que já não tem nada a dizer porque
apetites nacionais e internacionais. zona mineira. lias [com uma média de três a oito animais”, “não temos nenhum rendi- tudo já falou em várias ocasiões,
rado.
Nem a Lei de Minas, que deter- A noite que começa a cair não coíbe pessoas por agregado] que ali vivem mento com esses brancos” ou “ficamos mas nada muda. “Estamos a viver
Mais do que o testemunho de quem mina que os titulares do direito os jovens a passarem os testemu- estão enclausuradas e a mercê das admirados que essa tal democracia aqui como na cadeia. Já fomos a melhor
nhos. Os relatos são simplesmen- guilhetas da mineradora que esta- nunca chega”. aldeia produtora de cereais, mas
acabou cedendo à frustração, dei- mineiro devem “realizar acções de
te dramáticos. De baleamentos a beleceu fortes alianças com a elite “As machambas levaram, as casas in- hoje estamos nesta miséria”, resume
xando para trás as conquistas de desenvolvimento social, económico cendiaram, as nossas salas de aula quei- Álvaro Carimo.
política nacional.
uma vida sofrida, entregando-se, e sustentável nas áreas de concessão torturas, conta-se a história de um
As ruas que as comunidades usa- maram. Estamos mal aqui, nem apoio Por sua vez, o representante local
de peito e alma, ao reino das bebi- mineira” enquanto o Governo deve povo amaldiçoado pelo rubi. vam antes da chegada da empresa temos, nem comida, nem socorro aos da Frelimo, Cardoso Abílio, diz que
das espirituosas como refúgio à di- encaminhar 2.75% das receitas ge- “Basta entrarmos [na concessão], já hoje têm cancelas e quem é flagrado doentes”, desabafa um residente que “sempre comunico este sofrimento
tadura dos “senhores do rubi”, eis a radas pela extracção dos recursos estamos na cadeia. Perseguem-nos, fora do centro da aldeia não escapa não se quis identificar. no partido, mas nunca houve apoio,
sina a que está sujeita a maioria dos mineiros, para o “desenvolvimento batem-nos e fazem tudo (…), só às garras dos agentes de segurança, “Nesta aldeia não temos direito a trans- nem resposta”.
22.140 habitantes (dados do Censo das comunidades das áreas onde se vamos porque não temos outra coi- independentemente, de ser garim- porte, saúde nem escola”, conta um ou- À pergunta sobre o papel do Go-
peiro ou não. tro, lembrando que, em tempos, Nthoro verno e do partido no poder na
de 2007) do Posto Administrativo localizam os respectivos empreendi- sa que podemos fazer para a nossa
À entrada à povoação, que se trans- era forte produtor alimentar e de algo- resolução do caso, alguém vai se
de Namanhumbir. mentos mineiros”, é implementada sobrevivência” conta, enraivecido, dão. expressar nos seguintes termos: “es-
formou num verdadeiro inferno, às
Situado a 175 km a sul da cidade de em Namanhumbir. Empunhando picaretas e mantimentos nas sacolas, lá estão jovens a caminho do garimpo nas perigosas matas de Namanhumbir um jovem de 22 anos de idade [há 10:45h de domingo, vestígios de ca- Há ainda denúncias de violações sexu- tamos a viver tipo bois que não têm
Pemba e a 30 km da vila de Mon- Ali não há acções de desenvolvi- nomes que, com ou sem pedido ex- sas incendiadas denunciam medidas ais de mulheres por parte das forças que dono, que andam por aí. Estamos
tepuez, em Cabo Delgado, Nama- mento social, económico e sustentá- te, pavimentadas, os campos para a se trava, há aproximadamente seis draconianas da MRM, Lda. contra guarnecem a mina, sobretudo, os “naka- muito mal aqui”.
presso, omitimos em salvaguarda da
nhumbir é o Posto Administrativo vel que beneficiem as comunidades prática do desporto, os escritórios anos, em Namanhumbir, é preciso os nativos. tanas”, bem como relatos de introdução De Nanhupo a Nseue, da vila de
sua identidade], que se dedica ao
onde, desde 2012, a Montepuez locais, muito menos projectos de de primeira classe, os espaços verdes recuar para 2011, quando a MRM, Os nativos contam em primeira de objectos nos seus órgãos genitais. Namanhumbir à Nthoro, os garim-
Lda. obteve uma licença válida por garimpo.
Ruby Mining Limitada (MRM, desenvolvimento da área onde se lo- e de lazer, a corrente eléctrica que, mão que as casas que foram incen- Não é somente o cidadão comum que peiros identificam o local dos víde-
25 anos renováveis por igual perío- Nem sequer passaram cinco minu- diadas, pela empresa, entre 2013 e está desiludido com a MRM, Lda. com os que vazaram nas redes sociais,
Lda.) explora aquela que é a mais caliza o jazigo da MRM, Lda. para além de iluminação, move os
do, para explorar 36 mil hectares de tos, mas já estamos rodeados por de- 2014, alegadamente, porque as po- o Governo e o partido Frelimo. São documentando actos de torturas,
valiosa pedra preciosa, usada essen- As comunidades, essas, vêem seus ares condicionado do acampamen-
uma terra rica de rubi. zenas de pessoas, maioritariamente, pulações locais albergavam “vientes” também as estruturas locais. como Namanhumbir. Divergem
cialmente para o fabrico de instru- recursos a serem espoliados, sem que to, contrastam as poeirentas ruas Josefina Camões, natural e residente da apenas nos cálculos da data da
Trata-se de uma área que inclui jovens que querem fazer ouvir a sua que iam praticar o garimpo. Pelo
mentos de adorno. isso se reflicta nas suas condições de e as casas feitas de bambu, adobe menos uma criança terá morrido aldeia, hoje arranha a língua portuguesa ocorrência.
assentamentos populacionais e ma- voz de descontentamento. É a in-
A MRM, Lda. é uma joint-venture vida. A própria Administração de vermelho e capim que constituem a em consequência do fogo posto. graças às aulas de alfabetização que fre- Ao ver os vídeos, uma senhora qua-
chambas onde as comunidades pra- dignação total de todo um povo que quentava antes de ver a sua sala reduzida se que se vai emocionar. Era a re-
controlada em 75% pela britâni- Namanhumbir está a funcionar em arquitectura do empobrecido Posto Mesmo com casas incendiadas, eles
ticavam a agricultura, que até aí era experimenta, no seu dia-a-dia, o que não abandonaram a terra que her- a cinzas. acção de uma esposa e mãe que, há
ca Gemfields  Plc e em 25% pela velhos edifícios de construção colo- Administrativo.
a sua principal fonte de rendimento, alguns estudiosos apelidaram como daram dos seus antepassados. Pelo “Pedi para que não queimassem a mi- quatro dias, aguarda notícias sobre
empresa moçambicana   Mwiri- nial que, a qualquer momento, po-
muito antes do início do garimpo, a maldição dos recursos naturais. nha casa, mas mesmo assim puseram o esposo que saiu para mais uma
ti Limitada do general na reserva, dem desabar. Mineradora em pé de guerra contrário, decidiram reconstruir os
com nativos em 2009. Já não dá jeito para perguntar quem seus humildes esconderijos fogo e tudo queimou: milho, amendoim, jornada de garimpo.
Raimundo Pachinuapa, um antigo Entre a miséria de uma terra rica de feijão, mandioca e arroz”, diz Josefina, Em Nthoro, um garimpeiro iden-
Em 2012, a empresa viria a iniciar é quem porque todos estão a falar e “Queimaram as nossas casas com
combatente da Luta de Libertação rubi, pontifica uma pequena cida- A relação entre a MRM, Lda. e que é, localmente, a primeira secretária tificou-se num dos vídeos. Não
as suas operações sem reassentar as tudo lá dentro, desde roupa até co-
Nacional e influente membro da dela edificada a sudeste da sede de as comunidades locais foi sempre quase que em simultâneo. No meio da OMM, o braço feminino da Frelimo. precisa do mês, mas diz que aque-
comunidades que estão dentro da mida” conta um residente local que
Frelimo, o partido no poder. Namanhumbir, um km de distân- de alta tensão e a principal causa da multidão, há quem questiona não se quer identificar por temer Para Cristina Joaquim, rainha de Ntho- las torturas aconteceram ainda este
concessão.
Samora Machel Júnior, filho do pri- cia. Trata-se do acampamento da chama-se garimpo. Mas para com- o presidente Filipe Nyusi que, em represálias. ro, o problema “é que descobrimos pedra ano. Diz que levou porrada com
Estava assim dado um dos primei-
meiro presidente de Moçambique, MRM, Lda. As ruas, devidamen- preender a guerra sem quartel que Maio deste ano, esteve em Nama- Mostram-nos ainda o local onde [rubi] e o branco veio ocupar”. Sublinha bambu em todo o organismo. Ao
ros atropelos à legislação que gover- que as machambas foram arrancadas e SAVANA foi identificado um an-
nhumbir, no quadro da sua visita dizem que eram três salas de aulas,
na a exploração de recursos naturais, duas das quais do ensino primário as casas queimadas, por isso, “hoje es- tigo operativo dos “nakatana” que se
quer pelo Governo moçambicano, presidencial a Cabo Delgado.
e uma do ensino de educação e al- tamos a chorar”. Lembra a rainha que, explicou nos seguintes termos: “são
quer pela empresa ligada ao influen- “O presidente veio dizer que não no passado, “combinamos expulsar o co- os próprios brancos que forçam o
fabetização de adultos, que contava
te general Pachinuapa. vai dar mina, por isso exortava-nos a com dois professores. lono e agora somos de novo mandados cometimento daquelas coisas tris-
No seu Artigo 30, a Lei n° 20/2014, pegarmos em enxadas e capinarmos. Avelino Albino e Franquina Seve- pelo homem branco”. tes, mas quando se entra numa casa
de 18 de Agosto (Lei de Minas) es- Mas onde vamos capinar se as ma- riano são duas crianças que viram Diz que a sua comunidade não tem cul- tem de se cumprir as leis internas
tabelece que, quando a área dispo- Raimundo Pachinuapa, a cara mais visível da elite moçambicana no negócio de rubis chambas são arrancadas porque es- seus sonhos adiados no dia em que pa nenhuma por ter nascido em meio porque o que estava em causa era o
as suas salas de aulas foram incen- à riqueza. “Começámos a viver aqui há pão em casa”.
nível da concessão abranja, em parte apresentasse alternativas de sobrevi- a azul-escuro que, inicialmente, ope- tão na área concessionada”, pergun-
ou na totalidade, espaços ocupados diadas.
vências às comunidades que, com as ravam com recurso à catana. Mas ao tou, de forma retórica, um jovem
Avelino Albino, hoje com 16 anos
por famílias ou comunidades que garimpeiro, de 25 anos de idade.
machambas destruídas, viraram to- SAVANA foi dito que o contigente de idade, andava na 3ª classe e
implique o seu reassentamento, a “Um amigo meu foi encontrado, há Franquina Seeveriano, hoje com
das as suas atenções para o garimpo. totaliza sete unidades que incluem a
empresa é obrigada a indemnizar os três dias, e metido na cadeia. Pesso- 15 anos, andava na 3ª. “Quando o
Aí iniciou o conflito que levou a em- Unidade de Intervenção Rápida e a
abrangidos de forma justa e trans- almente já fui torturado por várias branco chegou, o professor saiu a
parente, sendo que o memorando presa a endurecer medidas contra os Polícia de Protecção.
vezes. Se te encontram, levam o ma- fugir, dizendo ximoco [está-se mal]
de entendimento de justa indemni- nativos, simplificados a garimpeiros, e de repente vimos a nossa sala a
zação, assinado entre o Governo, a numa autêntica caça ao homem. Relatos dramáticos terial e tudo que tiver, até dinheiro”,
arder”, lembra o pequeno Avelino
Oficialmente, quatro forças de se- Dias depois da publicação de vídeos explica um outro jovem, 27 anos, que perseguia o seu sonho de in-
empresa e as comunidades, constitui
gurança, entre pública e privada, chocantes, semana finda, nas redes que é interrompido por uma outra fância: ser professor. “Ainda quero
um dos requisitos para a atribuição
[pelo Governo] do direito de explo- estão espalhadas pela extensa área sociais, nos quais forças governa- voz revoltada: “o trabalho deles é estudar porque quero ser professo-
de concessão. Dentre essas forças, mentais torturam, brutalmente, ga- bater”. ra”, implora, por sua vez, a pequena
ração mineira.
rimpeiros, o SAVANA deslocou-se “Às vezes acendem fogo, sabendo Franquina.
Foi assim que os campos agrícolas está a de Protecção de Recursos
As comunidades de Nthoro, que
viriam a ser transformados em cam- Naturais e Ambiente, uma tropa a Namanhumbir para perceber de que há pessoas lá na cova ou tapam
deviam ter sido reassentadas antes
pos de escavações para a extracção estatal que opera, lado a lado, com perto o cenário que se vive no ter- os buracos. Perdemos muitos ir- do início das actividades da MRM, Vestígios de fogo posto que consumiu casas em Nthoro
É daqui onde sai o valioso rubi que é vendido em milionários leilões no estrangeiro do rubi, sem que a MRM, Lda. os “nakatanas”, os agentes fardados reno. mãos nessas situações”, narra um
SOCIEDADE
16 Savana 28-07-2017

jovem que acabava de chegar à mulheres, uma delas com bebé

Mineradora sacode capote


aldeia de Nanhupo, vindo das es- ao colo, que se faziam transportar
cavações de Muxúnguè, como foi numa motorizada, vão se assus-
apelidado um dos pontos de ga- tar ao dar de caras com o Toyota

P
rimpo tido como um corredor de Raider de cabina dupla, numa es-
morte. treita via apenas frequentada por
or sua vez, a empresa ligada à elite política nacional mini-
Enquanto isso, lá no fundo ouve- peões e mototaxistas. Nem mais, miza o grito de socorro da população de Namanhumbir.
-se qualquer coisa como “Moçam- vão largar a picada, em velocidade Diz que são boas as relações com as comunidades. “Não
bique está mal. Pessoas saíram dos de cruzeiro, entrando para mata há ameaças a quem quer que seja, mesmo a garimpeiros
seus países para nos virem escravi- adentro. Só depois de se certifi- locais”, reage o director-geral da empresa, Gopal Kumar,
zar no nosso próprio país”. carem que a viatura não era dos para quem a actuação da mineradora está em consonância com as
“Quando encontram-nos, é nor- “novos donos” de Namanhumbir boas práticas e o respeito pelos direitos humanos.
mal obrigarem-nos a cantar uma é que vão retomar a via. Mas em De repente, a pergunta sobre casas queimadas em Nthoro causa
música qualquer e dançarmos ou menos de três minutos, um grupo desconforto no seio da equipa de direcção, que não esconde nervo-
então fazer flexões”, conta um ou- de garimpeiros, também em sen- sismo.
tro jovem, que é prontamente se- tido oposto ao nosso, desaparece “Nunca queimamos e nunca faremos isso”, respondeu Gopal Kumar.
na pequena floresta que cerca a Refuta os actos de torturas veiculados em vídeos. No seu distancia-
cundando “sim, até mandam-nos
mento, socorre-se do que chama de “relatório preliminar” que indica
beijarmo-nos e manter relações picada. O cenário repetiu-se com
que não há vestígios de que os vídeos tenham sido feitos na sua área.
sexuais entre nós [homens]. Mas um outro mototaxista que, ao ver
Diz que na concessão da MRM, Lda não há UIR, que lá estiveram
há quem questiona também “se a viatura branca que desafia a apenas no primeiro semestre deste ano, quando era para expulsar
agora Moçambique é nosso ou é acidentada picada, trava brusca- garimpeiros estrangeiros no que classifica como serviço ao interesse
do branco”, porque “vem branco mente e toma o sentido contrário, nacional e não da mineradora.
de onde vem para vir nos dar cha- enquanto o passageiro fugia pela Diz que a aldeia de Nthoro será reassentada para uma distância de
pada no nosso próprio país”. mata circundante. 7km, na direcção de Pemba e as comunidades terão casas de tipo três,
No sábado, a jornada vai iniciar, Eram os indisfarçáveis traumas escola, hospital, esquadra policial entre outros serviços básicos. Diz
precisamente, na sede do Posto com que convivem os nativos da que a empresa já cumpriu a sua parte e aguarda a decisão do Governo.
Administrativo de Namanhumbir, terra de rubi, sistematicamente, Kumar reconheceu a destruição de 1071 machambas sem a devida Gopal Kuamr diz que sua empresa res-
às 9h da manhã. É um 22 de Ju- perseguidos e torturados pela mi- indemnização, mas diz que a “maioria” delas não foi mexida. peita direitos humanos
lho de temperatura amena, com os neradora fortemente ligada à elite
termómetros do Instituto Nacio- frel.
nal de Meteorologia a indicarem “Fugi por medo de porrada e de -nos, cerca das 10:55h, com um nhumbir, vai se adiantando e só sérias de reassentamento.
20 graus de mínima e 27 de máxi- me arrancarem a mota” conta o mototaxista aterrorizado que nos depois de estudar o terreno é que “Enquanto não se desenhar polí-
ma. Aqui também vão chover la- mototaxista que viríamos a loca- vai dizer que acabava de escapar nos convida a prosseguirmos com ticas, este conflito não vai termi-
mentações de um povo que já não lizá-lo na pequena povoação de dos tiros dos agentes que guarne- a marcha. Mas para atingirmos as nar” diz, anotando que, curiosa-
tem nada a esconder, cinco anos Nseue, situada a 8 km da EN14. cem a concessão. escavações de garimpo, lá onde as mente, há pessoas com Direito de
depois de estar a ver seus recursos Daí para frente, o princípio cons- Às 11:55h, o roncar das máquinas forças torturam os garimpeiros, Uso e Aproveitamento de Terra
seria necessária mais uma hora de (DUAT) válidos, mas dentro da
uma caminhada em estreitas pica- concessão mineira.
das cobertas por capim seco. Vê na impunidade uma das prin-
Da mina “makonde” à de “manin- cipais causas do uso excessivo de
gue-nice”, em Muapeia, passando força dentro da mina. Questiona
pelas de “2,7 e 12 metros”, em ainda porquê agentes da seguran-
Nkoloto, são visíveis vestígios re- ça estatal, pagos por impostos do
centes de tapamento de covas de povo, devem guarnecer uma con-
mineração por maquinaria pesada, cessão privada.
onde se acredita terem ocorrido as Uazanguiua explica, por outro
torturas documentadas nos vídeos lado, que as punições que a MRM,
que, recentemente, fizeram furor Lda. está a levar a cabo, são exclu-
nas redes sociais. E, a dado passo, sivas do Estado.
o nosso guia aponta para um pon- Considera a MRM, Lda. como
to onde garante ter sido soterrado,
uma empresa de garimpo oficial
recentemente, vivo um garimpeiro
que não veda a sua concessão,
por buldosers da MRM, Lda.
justamente, porque não está in-
Possível solução teressada na saída definitiva dos
Em Montepuez, conversamos garimpeiros porque eles é que vão
com o procurador chefe distrital, descobrindo as minas e a empresa
entre 2010 a 2016. Foi pela mão vai os escorraçando.
de Pompílio Xavier Uazanguiua Com as denúncias que têm vindo
que foram instaurados muito pro- a acontecer nos últimos meses, de-
cessos de torturas e baleamentos pois de torturados, os garimpeiros
ocorridos na concessão da MRM, têm sido encaminhados para a ca-
Lda. deia distrital de Montepuez, cujo
Os pequenos Avelino Albino e Vranquina Severiano pararam de estudar no dia em que viram suas salas reduzidas a cinzas A grande frustração do antigo director, Gaspar Saíde, não aceitou
procurador é a sabotagem que que o SAVANA visitasse aquele
a gerarem milionárias receitas que, titucional de livre circulação há anuncia a aproximação à descrita encontrou nas investigações dos estabelecimento prisional, muito
entretanto, não as beneficia. muito que foi levantado. Por isso como rica mina de “maningue- casos, alguns dos quais morreram menos se dignou falar do caso, à
“Estamos a sofrer”, resume um jo- mesmo, impõe-se deixar a viatura -nice”, explorada pela MRM, Lda. com culpa solteira. semelhança do actual procurador
vem de 21 anos, que lembra que, e seguir pelos caminhos dos ga- e cuja descoberta os garimpeiros Para Pompílio Uazanguiua, depois distrital, Mistério Mitelela e do
numa dessas vezes, foi surpreendi- rimpeiros, a pé, durante as próxi- reivindicam. das “mortes atrás das mortes que comandante distrital da Polícia,
do pela patrulha e: “quando tentei mas duas horas. O nosso guia, um exímio conhe- começaram a aparecer” entre 2013 Paulino Militão, todos alegando
correr, mandaram cães persegui- Cinco minutos depois, cruzamo- cedor da geografia de Nama- e 2014, urge desenhar-se políticas falta de autorização.
rem-me e cai e os cães morderam-
-me”.
Um outro jovem, com o corpo
também coberto pela roupa suja
cujas cores originais cederam ao
vermelho da poeira resultante das
escavações de garimpo, testemu-
nha: “eles batem-te e depois di-
zem para correr. Mas se conseguir
correr, então, para eles, você não
sentiu a porrada, por isso voltam a
te bater até não conseguir andar”.
A próxima escala vai ser a po-
voação de Nseue, mais a este de
Namanhumbir. Um km depois
de deixarmos a estrada, idos de
Nanhupo, um homem e duas António Ali -RVHÀQD&DP}HV Álvaro Carimo Cristina Joaquim
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
Savana 28-07-2017 17
OPINIÃO
18 Savana 28-07-2017

EDITORIAL Cartoon
A questão é, como irá OPINIÃO DE MADURO PARA VENEZUELANOS

tudo terminar?

E
ste título surge como um esforço para tentar visualizar o
ponto em que a problemática das dívidas ocultas deixará
de ser matéria candente da vida política, económica e social
moçambicana. Quando o dossier estiver totalmente encer-
rado, e o país mesmo de volta, nos carris e a seguir o seu caminho
de desenvolvimento.
O assunto tornou-se tão omnipresente nas conversas de ocasião,
que por maior que seja o esforço, não se consegue evitá-lo.
A equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) que esteve no
país de 10 a 19 de Julho, depois de elogiar o governo por acções que
se considera serem normais por parte de qualquer governo respon-
sável, concluiu o seu comunicado de fim de missão com um recado
que as autoridades moçambicanas só podem ignorar por conta e
risco próprios.
Enquanto o relatório de auditoria internacional sobre as dívidas
ocultas constitui “um passo importante no sentido de uma maior
transparência” sobre as dívidas ocultas, diz a referida missão no seu
comunicado, “prevalecem lacunas de informação importante sobre
o uso dos fundos”.
E acrescenta: “A equipa encoraja o governo a tomar medidas para
preencher as lacunas, com vista a reforçar o seu plano de acção
para a transparência, o melhoramento da governação e garantia da
Moçambique está de volta
prestação de contas”.
Não há compromissos. Apenas recomendações para acções cuja re- 3RU-RVHÀQD0DVVDQJR

P
alização, em condições normais, o governo não precisa de ordens
do FMI. É obrigação de qualquer governo responsável fazer o que ois é ... de volta a quê? rista que pare. Vendo que o chapa contrária à do chapa à procura
o FMI recomenda, como forma de manter a estabilidade econó- Ao roubo? parou, a menina de oito anos puxa ... à procura de ... não sei de quê.
mica do país e garantir o bem-estar económico e social de todos. Aos assaltos? a mãe mais uma vez para tentar a Talvez daquela família. Não sei.
O Ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, acredita Às dívidas ocultas? sorte de apanhar aquele chapa e Estava desorientada. Não sabia o
que será possível chegar-se a um acordo com o FMI para desblo- Ao saque? o cobrador mais uma vez, depois que sentir.
quear o acesso de Moçambique aos mercados e a outro tipo de À fome? de deixar entrar a outra senhora, Este episódio ocorrido há cer-
apoio financeiro. À miséria? que entretanto passou à frente da ca de uma semana e a expressão
Contudo, a questão não é se haverá ou não acordo. Fundamental- À impunidade? família, ordena ao motorista que daquela menininha estão tão pre-
mente, a preocupação é sobre o que Moçambique precisa de fazer yuh!... a Kroll ilibou-os?... ou isto siga viagem. Aí tornou-se claro sentes em mim, na minha memó-
para se chegar a esse acordo. E claro, se Moçambique está prepara-
é novo lema de propaganda do para mim de que é que se tratava. ria, como se fosse hoje.
do a fazer o que dele se exige, dentro dos limites de tempo que não
que aí vem?... Então eu recuso- Sinceramente, não sei descrever
permitam que a situação se deteriore ainda mais.
-me a estar de volta. bem a expressão de angústia no Ando muitas vezes de chapa e
No comunicado da sua última missão, o FMI nota a sua preocupa-
ção face ao agravamento dos gastos com salários no sector público. rosto da menininha. Talvez uma tem-me acontecido apanhar um
Não só a factura salarial é elevada, como também o governo tem Há uns dias, neste Moçambique incredulidade imensa, um espan- chapa, um destes apelidados de
estado a acumular dívidas para com os trabalhadores da função que “está de volta”, vivenciei algo to infinito, uma dor de partir o “smart kika”, onde vão dois atra-
pública, a quem não consegue pagar a tempo. Em termos práticos, que nunca imaginei poder ver em coração. É uma imagem que me sados mentais a vomitar “a pala-
isto significa que os funcionários públicos passaram a ser credores seres humanos. vai acompanhar para o resto da vra de deus” e gentinha à volta a
e uma das principais fontes do endividamento do Estado. Esta é Apanhei um chapa na paragem vida, como me acompanhará o repetir as deixas milenares. Uns
uma fase muito crítica da vida de um país, e não pode haver nada da Belita em direcção ao Hospital pensamento sobre o que é que parvos aos gritos no chapa. A es-
pior do que isto. Central de Maputo. Na paragem uma estória destas fará à menina tes atrasados mentais esta genti-
Mas é sobre as dívidas ocultas onde o governo precisa de actuar seguinte, concretamente no Pon- enquanto ser humano. Era uma nha responde. Mas naquela situa-
com maior vigor para que o país saia rapidamente do impasse em to Final, o chapa pára. Deixa al- situação de deitar abaixo qualquer ção que acabei de relatar ninguém
que se encontra. Até aqui, parece que o governo está mais preo- guns passageiros. Não se via nin- pessoa com o mínimo de sensibi- tugiu nem mugiu. E o mais cari-
cupado com os riscos políticos da acção que vier a tomar, do que guém na paragem a querer entrar. lidade. cato é que no final da barulheira
com as catastróficas consequências económicas resultantes da sua Nisto aparece uma senhora, cerca Indignada comecei a gritar, a di- das rezas aqueles dois atrasados
relutância em confrontar o problema que tem pela frente. de 30 anos, cega, com uma crian- zer às pessoas naquele chapa que mentais feitos mensageiros de
As consequências resultantes de uma falta de acção não são apenas ça de poucos meses nas costas a aquilo era de uma desumanidade deus são abrilhantados com sacos
económicas. Há implicações severas sobre os alicerces do Estado ser orientada por uma menina tal que ninguém devia ficar alheio. cheios de moedas. Mais do que o
de Direito em que o país assenta. É preciso clarificar as inferências que suponho seria sua filha, de Isto durante cinco minutos. cobrador consegue arrecadar em
contidas no relatório da auditoria, quanto ao descaminho de valo-
cerca de oito ou 10 anos, apressa- Imaginam a resposta que tive? cinco viagens.
res, sobrefacturação e outros actos inconsistentes com a lei. A não
das em direcção ao chapa. O co- Não? FOI O SILÊNCIO TO- Estamos doentes. Muito doentes.
clarificação dessas questões pode criar a ideia de que há pessoas tão
brador viu, sim, viu esta família a TAL. Estava tudo bem naquele É lamentável.
poderosas a quem em nenhumas circunstâncias a lei pode tocar. E
correr em direcção ao chapa, mas chapa. Está tudo bem neste mun- Moçambique está de volta?
mais do que isso, é a impressão com que ficam essas mesmas pes-
soas, de que o seu poder está muito acima do poder do Estado; de mandou o seu condutor avançar do em que vivo. Mundo cão. Meu Depois de décadas de indepen-
que podem intimidar o Estado até à submissão, condição que é um fechando de seguida a porta. Até país e meu povo. Sim senhores. dência, de corrupção, de rouba-
passo à beira do fim do Estado como o conhecemos. aqui eu não me tinha apercebido Gritei ao motorista para que pa- lheira descarada e impune é este
Perante todo este cenário, é pertinente saber como é que o governo da triste situação. Eis que por de- rasse o chapa, que eu preferia sair o Moçambique que está de volta.
acredita que isto vai terminar? trás desta família vem, a correr, dali. Estar longe daquela gen- Pois volte quem quiser. Eu recu-
uma senhora para apanhar o cha- te, gentinha, povinho. Assim o so-me a estar de volta.
pa e o cobrador ordena ao moto- fez. Saí desesperada em direcção Mais não digo.

KOk NAM Editor Executivo: Ivone Soares, Luis Guevane, João Distribuição:
Francisco Carmona Mosca, Paulo Mubalo (Desporto). Miguel Bila
Director Emérito Colaboradores: (824576190 / 840135281)
Conselho de Administração: (francisco.carmona@mediacoop.co.mz)
André Catueira (Manica) (miguel.bila@mediacoop.co.mz)
Fernando B. de Lima (presidente) Aunício Silva (Nampula) (incluindo via e-mail e PDF)
Redacção:
e Naita Ussene Eugénio Arão (Inhambane) Fax: +258 21302402 (Redacção)
Raúl Senda, Abdul Sulemane, Argunaldo António Munaíta (Zambézia)
Direcção, Redacção e Administração: 82 3051790 (Publicidade/Directo)
Nhampossa, Armando Nhantumbo e Maquetização:
AV. Amílcar Cabral nr.1049 cp 73 Delegação da Beira
Abílio Maolela Auscêncio Machavane e Prédio Aruanga, nº 32 – 1º andar, A
Telefones: )RWRJUDÀD Hermenegildo Timana. Telefone: (+258) 825 847050821
(+258)21301737,823171100, Naita Ussene (editor) Revisão savana@mediacoop.co.mz
Registado sob número 007/RRA/DNI/93 Propriedade da 843171100 e Ilec Vilanculos Gervásio Nhalicale Redacção
NUIT: 400109001 Editor: Colaboradores Permanentes: Publicidade admc@mediacoop.co.mz
Fernando Gonçalves Fernando Manuel, Fernando Lima, Benvinda Tamele (823282870) Administração
Maputo-República de Moçambique editorsav@mediacoop.co.mz António Cabrita, Carlos Serra, (benvinda.tamele@mediacoop.co.mz) www.savana.co.mz
OPINIÃO
Savana 28-07-2017 19

Turquia

Erdogan pode ter orquestrado tentativa de golpe


Por Michael Rubin

Q
uando em Maio passa- tunidade para expurgar da socie- as que já tinham morrido semanas decorrer da tentativa de golpe? conhecimento do golpe pela pri-
do o Presidente Recep dade muitos opositores políticos e antes do acontecimento. Porque é que não foram realizados meira vez através do seu cunhado,
Tayyip Erdogan, da Tur- ideológicos. E agora existe o testemunho de testes balísticos e identificados os e não do responsável pelos servi-
quia, se encontrou com o Embora a narrativa de Erdogan um Tenente Coronel das forças números de série da minha arma e ços de inteligência, Hakan Fidan.
seu homólogo dos Estados Uni- culpabiliza exclusivamente Gu- armadas que tem o potencial de das armas dos meus soldados, que Esperam que eu acredite nisso?
dos, Donald Trump, no topo da len, muitos turcos e diplomatas vir a ser condenado a três penas se alega terem sido usadas duran- Apenas uma hora depois do início
sua agenda estava a questão da ex- mantêm-se cépticos e suspeitam perpétuas devido às suas alegadas te os acontecimentos do dia 15 de dos acontecimentos, milhares de
tradição de Fethullah Gulen, um que o presidente turco tenha sido acções na noite do golpe. No lugar Julho? Porque é que recusaram o camiões carregados, a mando dos
teólogo turco, acusado de mentor ele próprio a orquestrar o golpe, de ser torturado até obrigar-se a meu pedido para se acrescentar ao presidentes dos municípios, blo-
da tentativa de golpe de Estado de naquilo que se tornou conhecido confessar ou manter-se calado por processo do tribunal os relatórios quearam os portões e entradas de
15 de Julho de 2016. como a versão turca do incêndio temer represálias, ele levanta ques- balísticos sobre estas armas? uma multiplicidade de unidades
Gulen é um antigo aliado de Er- do Reichstag alemão, durante o tões importantes às quais Erdogan “O exército turco tem cerca de militares. É importante sublinhar
dogan, mas os dois tornaram-se regime nazi. No início, tal asser- e o seu governo se recusam a dar 600 mil soldados (oficiais, praças, que estes municípios estão sob
inimigos em 2013, quando os se- ção não passava de uma simples respostas. Aqui vai a referida de- etc.). Somente cerca de mil encon- controlo do Partido da Justiça e
guidores de Gulen denunciaram teoria de conspiração, mas a ideia claração, traduzida do turco, e que tram-se presos na sequência des- Desenvolvimento (AKP), liderado
actos de corrupção no governo. tem estado a ganhar cada vez mais me foi disponibilizada por um an- tes acontecimentos, 670 dos quais por Erdogan. Como é que se ex-
Erdogan acusa Gulen e seus se- espaço. tigo colega seu: são cadetes jovens na idade dos 16 plica que milhares de camiões
guidores de terem orquestrado a Oficiais militares turcos questio- “Sou um militar formado e pro- anos, que não tinham munições poderiam ser carregados e despa-
tentativa de golpe de Estado. nam alguns elementos da versão fissional há anos. Quando leio os nas câmaras das suas armas con- chados para os portões em apenas
Centenas de indivíduos foram de- oficial sobre a tentativa de golpe. detalhes da acusação que pesa so- fiscadas. Será que isto faz sentido? uma hora?
tidos na sequência da referida ten- Acreditam que algumas das ale- bre mim fico com a impressão de “Temos cerca de 280 caças na “Espero que levem em conta a mi-
tativa e muitos funcionários públi- gadas provas apresentadas pelo que o que se espera é que acredite nossa força aérea, mas apenas uns nha declaração e se mantenham
cos afastados dos seus empregos. governo são claramente uma in- em absurdidades e me compor- poucos F-16s foram usados du- imparciais sobre o caso. Não quero
Erdogan considerou a tentativa venção. E depois há o problema te como um idiota. Porque é que rante a alegada tentativa. Será que tecer mais comentários, dado que
golpista “uma dádiva de Deus”, de alguns acusados de participação não foram feitas autópsias às 248 isto é normal? o tempo é o melhor comentador.
dado que lhe ofereceu uma opor- na tentativa golpista serem pesso- pessoas que perderam a vida no “Porque é que não investigaram Cedo, a verdade irá se revelar”.
os números de série das munições E de facto, ela deverá se revelar.
alegadamente atiradas a partir des- Conspirações imaginárias para a
tes jactos? No dia 24 de Novem- obtenção de benefícios políticos
Uma história parecida com a política em Moçambique bro de 2015, a Força Aérea Turca têm-se manifestado como uma

O sonho dos ratos


provou que era capaz de abater um das principais características da
caça russo que atravessou a fron- governação de Erdogan. O Presi-
teira só por 20 segundos. Como é dente turco poderá querer que os
que alguns F-16 envolvidos numa Estados Unidos e a Europa o aju-
tentativa de golpe poderiam so- dem a fazer o seu trabalho quando
Por Rubem Alves brevoar a capital por um período se trata de perseguir os seus opo-

E
de nove horas sem qualquer tipo sitores políticos, mas há simples-
ra uma vez um bando de ra- “então todos serão felizes”… a olhar uns para os outros como se
de intervenção? mente muitas questões que não
tos que vivia no buraco do – O queijo é grande o bastante para fossem inimigos. Olharam, cada
“A força militar da Turquia tem encontram respostas. O facto de
assoalho de uma casa velha. todos, dizia um. um para a boca dos outros, para ver
Havia ratos de todos os ti- cerca de 2 500 tanques no seu in- Erdogan não aceitar que os inves-
– Socializaremos o queijo, dizia ou- quanto queijo haviam comido. E os
pos: grandes e pequenos, pretos e olhares se enfureceram. ventário. Eu e os meus colegas so- tigadores procurem respostas para
tro.
brancos, velhos e jovens, fortes e Todos batiam palmas e cantavam as Arreganharam os dentes. Esque- mos acusados de termos planeado essas questões, já em si diz muito.
fracos, da roça e da cidade. mesmas canções. ceram-se do gato. Eram seus pró- o golpe com 74 tanques. Será isto Muitos dos que se encontram ago-
Mas ninguém ligava para as dife- Era comovente ver tanta fraterni- prios inimigos. A briga começou. razoável? ra na prisão são inocentes; os que
renças, porque todos estavam irma- dade. Como seria bonito quando o Os mais fortes expulsaram os mais “(O Presidente) Erdogan alega, se encontram na sede do AKP po-
nados em torno de um sonho co- gato morresse! Sonhavam. Nos seus fracos a dentadas. E, acto contínuo, de forma persistente, que teve dem não ser.
mum: um queijo enorme, amarelo, sonhos comiam o queijo. E quan- começaram a brigar entre si.
cheiroso, bem pertinho dos seus to mais o comiam, mais ele crescia. Alguns ameaçaram a chamar o
narizes. Comer o queijo seria a su- Porque esta é uma das propriedades gato, alegando que só assim se res-
prema felicidade…Bem pertinho é dos queijos sonhados: não dimi- tabeleceria a ordem. O projecto de
modo de dizer. nuem: crescem sempre. E marcha- socialização do queijo foi aprovado
Na verdade, o queijo estava imen- vam juntos, rabos entrelaçados, gri- nos seguintes termos:
samente longe porque entre ele e tando: “o queijo, já! o queijo, já!”… “Qualquer pedaço de queijo poderá
os ratos estava um gato… O gato Sem que ninguém pudesse explicar ser tomado dos seus proprietários Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
era malvado, tinha dentes afiados e como, o facto é que, ao acordarem, para ser dado aos ratos magros, Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
não dormia nunca. Por vezes fingia numa bela manhã, o gato tinha su- desde que este pedaço tenha sido 538
dormir. Mas bastava que um rati- abandonado pelo dono”.
mido. O queijo continuava lá, mais

Confessionários digitais
Mas como rato algum jamais aban-
nho mais corajoso se aventurasse belo do que nunca. Bastaria dar uns
donou um queijo, os ratos magros
para fora do buraco para que o gato poucos passos para fora do buraco.

A
foram condenados a ficar esperan-
desse um pulo e, era uma vez um Olharam cuidadosamente ao redor.
do. Os ratinhos magros, de dentro s redes sociais digitais ampliam e colectizam o rito sa-
ratinho…Os ratos odiavam o gato. Aquilo poderia ser um truque do
do buraco escuro, não podiam com- crificial da confissão cristã. Elas servem não tanto para
Quanto mais o odiavam mais ir- gato. Mas não era.
preender o que havia acontecido. confessar pecados e pedir penitência com os joelhos no
mãos se sentiam. O ódio a um ini- O gato havia desaparecido mesmo. O mais inexplicável era a trans- confessionário digital, mas - com os dedos no teclado
migo comum os tornava cúmplices Chegara o dia glorioso, e dos ratos formação que se operara no foci-
de um mesmo desejo: queriam que surgiu um brado retumbante de nho dos ratos fortes, agora donos de um computador - para fazer chegar aos conhecidos desco-
o gato morresse ou sonhavam com alegria. Todos se lançaram ao quei- do queijo. Tinham todo o jeito do nhecidos da nossas redes e grupos da net a imperativa confissão
um cachorro… jo, irmanados numa fome comum. gato o olhar malvado, os dentes à de que existimos, pequenos ou grandes, alegres ou atormenta-
Como nada pudessem fazer, reu- E foi então que a transformação mostra.
niram-se para conversar. Faziam aconteceu. dos, reais ou anónimos, de palavra complexa ou descalça. 
Os ratos magros nem mais conse-
discursos, denunciavam o compor- Bastou a primeira mordida. Com- guiam perceber a diferença entre o No Facebook e no Twitter o geral das pessoas tem necessidade
tamento do gato (não se sabe bem preenderam, repentinamente, que gato de antes e os ratos de agora. de dizer a outrem coisas simples como “existo”, “hoje fui ver um
para quem), e chegaram mesmo a os queijos de verdade são diferen- E compreenderam, então, que não filme”, “tenho sono, “pintei as minhas unhas”, etc. A bulímica
escrever livros com a crítica filosó- tes dos queijos sonhados. Quando havia diferença alguma. Pois todo necessidade de acrescentar centenas de “amigos” joga no senti-
fica dos gatos. Diziam que um dia comidos, em vez de crescer, dimi- rato que fica dono do queijo vira
chegaria em que os gatos seriam nuem. gato. Não é por acidente que os no- do confessional de busca de um público permanentemente re-
abolidos e todos seriam iguais. Assim, quanto maior o número dos mes são tão parecidos. ceptivo, regra geral constituído por conhecidos desconhecidos
“Quando se estabelecer a ditadura ratos a comer o queijo, menor o naco “Qualquer semelhança com fatos que rodeiam um pequeno círculo de reais amigos dialogantes.
dos ratos”, diziam os camundongos, para cada um. Os ratos começaram reais é mera coincidência!”
OPINIÃO
20 Savana 28-07-2017

A crise dos mísseis da Coreia do Norte


Por Kaushik Basu

S
e os Estados Unidos e os seus alia- nas 90 milhas (145 quilómetros) da Flórida os riscos do prolongamento da escalada, No que diz respeito à Coreia do Norte, os
dos atacarem o Norte, a China – – mísseis balísticos capazes de lançar armas respondeu propondo um compromisso. Em seus líderes sabem que desistir do seu ar-
cuja aliança com o país remonta nucleares que chegariam a grandes cidades última análise, os EUA concordaram em mamento nuclear, sem salvaguardas, seria o
à Guerra das Coreias – provavel- norte-americanas. Subitamente, o mundo retirar os seus próprios mísseis da Turquia e mesmo que suicídio. Eles têm em mente o
mente iria defender os seus vizinhos do estava à beira de uma troca nuclear que po- de Itália em troca de uma retirada dos mís- destino de países como o Iraque, a Líbia e
nordeste. E a China tem capacidade para dia levar ao extermínio mundial. seis soviéticos de Cuba. Nenhum dos lados a Ucrânia. Por isso, tal como em 1962, há
escalar a guerra para além da Ásia. Kennedy moveu-se rapidamente para de- alcançou uma vitória completa, mas tam- a necessidade de uma solução estratégica.
A 2 de Janeiro, o então presidente eleito bater as suas opções com os seus principais bém nenhum arriscou uma destruição total. Contudo, ao contrário de 1962, essa solu-
Donald Trump, referindo-se ao esforço conselheiros e especialistas. Essas delibera- A crise da Coreia do Norte exige um pen- ção não pode tomar a forma de uma sim-
da Coreia do Norte para desenvolver uma ções foram gravadas secretamente (apenas samento estratégico semelhante. Se os opo- ples troca porque a Coreia do Norte já tem
arma nuclear capaz de alcançar os Estados Kennedy, e talvez o seu irmão, o Procura- sitores da Coreia do Norte desenvolverem, uma larga capacidade nuclear e não estará
Unidos, assegurou aos seus seguidores no dor-Geral Robert Kennedy, sabiam). As ou não, armas maiores já não é a questão. As disponível a abandonar de uma assentada.  
twitter: “não vai acontecer!”. Mas aconte- transcrições, divulgadas 35 anos depois no capacidades nucleares da Coreia do Norte Em vez disso, e tal como Rajan Menon e
ceu.  livro The Kennedy Tapes, revelam, na me- estão suficientemente desenvolvidas para outros sugeriram, há a necessidade de per-
A 4 de Julho – o Dia da Independência – lhor das hipóteses, a aplicação da teoria dos representarem uma ameaça de acção mili- seguir uma acção incremental. O Norte
a Coreia do Norte deu aos americanos um jogos. tar, ou mesmo um ataque, e não vão trazer reduziria um pouco o desenvolvimento do
presente de aniversário indesejável, testan- Para garantir a retirada imediata dos mísseis um desfecho desejável – nomeadamente seu programa nuclear, enquanto os EUA
do com sucesso o míssil balístico Hwa- soviéticos, os Estados Unidos levaram  em a Coreia do Norte desistir das suas armas retirariam uma parte das suas forças da Co-
song-14, que os analistas dizem ter  capa- conta duas estratégias fundamentais: um nucleares. reia do Sul. Assim que os dois lados alcan-
cidade para chegar ao Alasca. Tudo o que bloqueio naval ou um ataque aéreo. Apli- Isto deve-se em parte ao facto de, ao con- çassem este marco, começariam o processo
falta agora é que o Norte miniaturize ogivas cando uma forma relativamente comum na trário da crise dos mísseis cubanos, a crise para alcançarem um segundo passo e daí
nucleares que possam ser lançadas por mís- teoria dos jogos, Kennedy reconheceu a ne- da Coreia do Norte ser um jogo com três em diante. Pode ter de haver garantias que,
seis balísticos intercontinentais (ICBM na cessidade de colocar-se na perspectiva dos jogadores (pelo menos). Tal como os EUA, mesmo que haja eventualmente uma reuni-
sigla em inglês) deste género – um marco seus opositores – e tendo em conta que o a China – vizinha, uma aliada próxima e ficação na Península da Coreia, os militares
que, pensa-se, pode não demorar mais do seu oponente poderia estar a fazer o mes- principal parceira comercial da Coreia do norte-americanos não vão ficar estaciona-
que alguns anos. mo. Ele também levou em consideração um Norte – vai ter um papel importante neste dos no Norte.
O último teste da Coreia do Norte de um conselho sobre estratégia nuclear, pedido a desfecho. A crise da Coreia do Norte não é um clás-
ICBM transformou o teatro da diploma- alguns dos melhores teóricos daquele tem- Se os Estados Unidos e os seus aliados ata- sico “jogo do falcão e da pomba” – ou um
cia e da guerra na Ásia e, possivelmente, no po, incluindo Thomas Schelling, que pos- carem o Norte, a China – cuja aliança com jogo da galinha, que Bertrand Russell usou
mundo, dado que implica um nível de risco teriormente ganhou o Prémio Nobel. Ken- o país remonta à Guerra das Coreias – pro- para analisar estratégia nuclear – em que o
nuclear visto apenas uma vez, com a União nedy estava consciente das consequências vavelmente iria defender os seus vizinhos lado que faz um compromisso rígido com
Soviética em 1962. De facto, estamos ago- morais dos seus movimentos. E entendeu do nordeste. E a China tem capacidade a agressão vence. Os jogadores do jogo nu-
ra a testemunhar uma repetição em câma- que, por vezes, um compromisso pode ser para escalar a guerra para além da Ásia. clear da Coreia do Norte têm de perseguir
ra lenta da crise dos mísseis em Cuba. A superior a tentar obter uma vitória total. Na frente diplomática, tem sido frequen- o fim da escalada de forma gradual, carac-
questão é se os líderes de hoje vão mostrar Para capitalizar a sua “vantagem de se ter temente sugerido que a China devia usar a terizada por concessões mútuas. Os EUA
o mesmo nível de pensamento estratégico movido primeiro” – os soviéticos não sou- sua considerável influência para levar a Co- podem não gostar da ideia de diminuir al-
que permitiu ao presidente dos Estados beram de imediato que um avião de reco- reia do Norte a abandonar voluntariamente guma da sua presença militar em tal região,
Unidos, John F. Kennedy, neutralizar a nhecimento dos Estados Unidos tinha vis- as suas armas nucleares. Mas não é claro mas não devem esquecer o que Kennedy
ameaça em Cuba. to, e fotografado, os mísseis – Kennedy e os que a China tenha capacidade – ou mesmo sabia: não há vencedores numa guerra nu-
A crise cubana começou a 16 de Outubro seus conselheiros mantiveram a ameaça em vontade – de o fazer. A China teme que, se clear.
de 1962, quando o conselheiro de Seguran- segredo durante seis dias, revelando a des- a Coreia do Norte abandonar as suas armas
ça Nacional, McGeorge Bundy, apresentou coberta apenas quando estavam preparados nucleares, isso leve a uma eventual reunifi- *Kaushik Basu, antigo economista-chefe do
a Kennedy fotografias que mostravam que a para tomar uma acção. A 22 de Outubro, cação das Coreias e os soldados norte-ame- Banco Mundial, é professor de Economia  na
União Soviética, então liderada por Nikita Kennedy anunciou um bloqueio naval. ricanos – há actualmente 28.500 na Coreia Cornell University.
Khrushchev, tinha colocado na ilha – a ape- A União Soviética, reconhecendo também do Sul – cheguem à sua entrada.

SACO AZUL
Por Luís Guevane

Chão da dívida
U
ma corrente sem muita consis- procurar tirar a pesada carga de suposta desabrochava diante desse imensurável fu- ponsabilização, já concordam com o bá-
tência parece forçar a tese da paranoia sobre a validade do recurso expli- rúnculo acarinhado pelos seus dependentes. sico no movimento de cidadania contra
necessidade de independência cativo baseado no “segredo do Estado”. A Assim, para um pequeno grupo a indepen- as dívidas escondidas/odiosas. Compli-
económica como justificação independência económica é um processo dência económica já se reforçava como rea- cado! Um rombo de pouco mais de dois
plausível para o já considerado maior que se vai concretizando a vários níveis ao lidade assumida. mil milhões de dólares fertiliza a ima-
rombo financeiro ocorrido até ao pre- ritmo qualitativo e quantitativo das neces- Tanto como ontem o problema não residia ginação, tanto para os que conhecem os
sente momento na história de Moçam- sidades crescentes. Não é correcto “inte- na corrupção em si, mas, sim, na assumida contornos do problema como para os
bique e de África. É uma corrente à ligenciar” que de um só golpe, à revelia do inacção contra ela. Hoje percebe-se que a “esquinados”. A suposta passividade do
imagem do esforço que se pode empre- estatuto e poder do Parlamento, se possa corrupção, esse furúnculo, é maior que o pé eleitorado vale mais como um momen-
ender para queimar um pedaço de papel to de reflexão na sequência do “jogo
abrir espaço para a referida independência. onde reside. Eliminá-lo é como que optar
de espera” do que propriamente como
num dia de muita ventania. As propor- E aqui vale lembrar que, há algum tempo, por um suicídio de implicações imprevisí-
desinteresse pelo problema. A explosão
ções das chamas dependem de muitos “inteligenciou-se” que os corruptos não fos- veis tendo em conta o conhecido tamanho do furúnculo poderá ser por via interna
factores. Uma pequena chama pode sem espantados ou incomodados sob o risco do nervosismo reinante em alas cujo ódio ou induzida por um arrojado e indomá-
propagar-se e incendiar uma casa, um de abandonarem o país (com os dinheiros). arde calado. Por um lado, ódio pela supos- vel movimento de cidadania. Está cla-
edifício, uma cidade, enfim, pode fazer Evitando isso, os corruptos estariam mais à ta protecção que parece escapar paulatina- ro que o argumento da independência
cair por terra a independência política. vontade dentro do seu próprio país, contri- mente ao controlo e, por outro, ódio pela económica como suporte válido para
Mesmo neste caso, com o tempo, o ven- buindo assim para a redução do desemprego previsível inacção contra algo que se tornou a produção da dívida odiosa é falso, é
to volta a repor a normalidade. e elevação do PIB. Aleluia! Já nessa altura óbvio devido à quantidade de revolta causa- simplesmente o chão por onde passeia
O uso da tese da independência eco- a corrupção andava em alta valorizando-se da pela mestria com que muitos não perce- destemido o magistral rombo financei-
nómica como razão suficiente para ar- crescentemente para delírio dos incrédulos. beram como lhes foi dada a volta por cima. ro de início do século XXI. Uma dívida
gumentar as dívidas escondidas parece A rosa da independência económica não São estes que, sem abraçar a ideia da res- sem razão nacional.
PUBLICIDADE
Savana 28-07-2017 21
DESPORTO
22 Savana 28-07-2017

Depois dos vôos com a vitória sobre a Zâmbia, “Mambas” regressam à terra!

Da desforra à ofensa!
Por Abílio Maolela

A
quilo que se apelidava Pela primeira vez, Abel Xavier tes- çambique também nunca tinha pro-
“operação desforra”, tendo temunhou a chamada “onda verme- vado o veneno malgaxe.
em conta o resultado da lha”, que se fez sentir durante os 90 Diferentemente de Kambala e So-
primeira mão, em Antana- minutos, mas sem a equipa estar ao nito, o seleccionador nacional não
narivo (empate a dois golos) acabou nível do apoio. Aliás, desde a der- pediu desculpas ao povo moçam-
sendo uma “operação ofensa”, ao rota caseira frente à Zâmbia, em bicano pelo resultado, limitando-
deixar o povo moçambicano incré- Novembro de 2014, não se via uma -se apenas a dizer que a equipa não
dulo, envergonhado e ofendido, em enchente daquelas. conseguiu gerir a ansiedade. Entre-
relação à prestação da selecção na- A bancada central de sombra foi a tanto, convergiram no facto de que o
cional diante da sua congénere do mais recorrida e os jornalistas não resultado era da responsabilidade do
Madagáscar. escaparam à avalanche dos adep- grupo e não do guarda-redes.
tos que invadiram a área reservada Quem se associou ao discurso dos
A confiança que reinava no combi- à imprensa, com a colaboração da atletas foi um grupo da OJM (braço
nado nacional, momentos antes do segurança privada contratada para juvenil da Frelimo), do bairro 25 de
jogo, transformou-se numa treme- o efeito, que nada fez para proteger Junho, que invadiu a sala de confe-
deira, com os jogadores e a equipa esta classe profissional. rências do ENZ, numa acção já mais
técnica a não conseguirem explicar Quanto mais o tempo passava, mais vista no panorama futebolístico in-
as razões daquele desastre que de o Estádio ficava nervoso e a cada ternacional.
longe se compara com o de Marra- passe falhado e remate desenqua- Acompanhado pelo jornalista da
quexe, em Outubro de 2012, em que drado eram alvos de assobios de uns Televisão de Moçambique, Agosti-
perdemos 4-0 diante do Marrocos, e aplausos dos outros. nho Mavota, o grupo congratulou a
depois de uma vitória 2-0, em Ma- Os cânticos, aplausos e apupos ao equipa pela entrega, sublinhando a
puto. adversário ouviram-se até à fífia co- necessidade de não se perder a con-
Para Abel Xavier e Sonito, Mo- metida por Vítor, quando um lance fiança no combinado nacional.
çambique “ficou em terra” devido à inofensivo tornou-se ofensivo, per- A comitiva, que se compara aos
má gestão da ansiedade, enquanto mitindo ao Madagáscar inaugurar o “grupos de choque” criados para
Kambala fala de erros, que custaram marcador e sonhar com a presença abafar a crítica pública, considera-se
caro ao conjunto nacional. no Quénia. Aliás, o apoio só termi- a primeira claque organizada da se-
Aliás, é quase unânime que a gestão nou após o segundo golo do adver- lecção nacional e pede a consolida-
emocional teve um peso fundamen- Apesar da vantagem na eliminatória e das acções de marketing, os “Mambas” não sário, que veio confirmar o que já se ção da nova selecção nacional.
tal no resultado, sem se afastar os soltaram o veneno suspeitava a cada minuto. Realçar que, com esta eliminação,
erros (defensivos e ofensivos), com Abel Xavier falha o seu maior ob-
destaque para os do guarda-redes
garantidos, o público correspondeu, “Mambas a caminho do CAN com “Grupos de choque” che- jectivo específico, desde que assu-
Vítor, que ofereceu o primeiro golo.
positivamente, ao convite formu- Abel Xavier”, dizia um dos cartazes, gam ao futebol miu a selecção nacional, depois de
lado pelos protagonistas, apesar do colado numa viatura, que também Após o segundo golo e antes do duas participações menos consegui-
preço incomum do bilhete (preço servia de loja para a aquisição das apito final, o público abandonou o das na COSAFA.
Tanto marketing para nada único de 200 MT). camisolas da selecção nacional. ENZ, trocando os cânticos por pa- Aliás, a eliminação dos “Mambas”
A semana que antecedeu esta parti-
Como é habitual, muitos grupos or- Até ao início do jogo, o ENZ en- lavrões, mas com o mesmo destina- do CHAN-2018 poderá ser um
da foi das mais agitadas, dos últimos
ganizados afluíram ao ENZ, empu- contrava-se quase vazio, mas até ao tário: Abel Xavier e sua equipa. dos pontos de discussão entre o
anos, no futebol nacional, com o
nhando dísticos e cartazes de apoio quarto de hora da partida, a catedral Razões não faltavam para os aman- luso-moçambicano e a direcção da
sector comunicacional da Federação
ao combinado nacional, a maior do futebol nacional já se encontrava tes da nossa seleção, pois, nunca FMF, liderada por Alberto Simango
Moçambicana de Futebol (FMF) a
parte enaltecendo a figura de Abel preenchida, com cerca de 30 mil lu- passou pelas suas cabeças tamanha Júnior, na renegociação do contrato
investir, exageradamente, em acções
Xavier. gares ocupados. decepção. Tal como a Zâmbia, Mo- que termina em Fevereiro de 2018.
de marketing sobre a selecção na-
cional.
“Operação Desforra. Bateram nos-
sos miúdos [em referência aos 4-1 XIII Edição dos Jogos Escolares
averbados, recentemente, na Taça
COSAFA]... agora vão pagar com
os manos”, dizia a campanha publi-
citária da FMF.
A mesma foi suportada por confe-
Falsificação de idades volta a manchar o evento

T
rências de imprensa quase que su-
erminou, no último da próxima edição (2019), a reali- Sobre os professores, garantiu que algumas doenças, com desta-
periores ao habitual (uma por dia,
fim-de-semana, na ci- zar-se naquela província do centro os mesmos irão responder, discipli- que para a gastrite e malária,
em média) e visitas surpresas de e a
dade de Xai-Xai, capi- de Moçambique. narmente, nas respectivas direcções que também perturbaram os
algumas figuras políticas.
tal provincial de Gaza, Contudo, a festa dos adolescentes provinciais. atletas.
O Edil da Matola, Calisto Cossa, foi
a XIII edição do Festival Na- voltou a ser manchada pelos velhos Sublinhe-se que a falsificação de Entretanto, dentro das quatro
o primeiro protagonista, ao receber,
cional dos Jogos Desportivos problemas: falsificação de idades e idades é, desde sempre, a maior linhas, as províncias deram
no dia 19, o seleccionador nacional.
Escolares. O evento, que de- a utilização de jogadores federados. mancha do festival desportivo esco- tudo de si, para dignificar as
No dia 22, o Chefe de Estado visi-
tou o Estádio Nacional do Zimpeto correu pela primeira vez na- Dois dias depois do início do even- lar que, para além de juntar diversas suas camisolas, com a pro-
(ENZ) para dar a sua força ao com- quela província do sul do país, to, a Ministra da Educação e De- crianças do país, visa captar talen- víncia anfitriã a terminar na
binado nacional, salientando que “é contou com a participação de senvolvimento Humano, Conceita tos. Aliás, neste quinquénio, o Mi- quinta posição.
a equipa que nos dá vitórias”. 1300 alunos, em representa- Sortane, revelou que a organização nistério da Juventude e Desportos Por sua vez, a província de
Não era para menos. Um ambiente ção das 11 províncias do país. tinha identificado cinco casos, mas, definiu o desporto escolar como o Manica, bicampeã em título,
de esperança e confiança reinava no até ao fim do evento, falava-se de vector do desenvolvimento do nos- voltou a mostrar a sua pujan-
balneário dos “Mambas”, acompa- Inspirado na conservação do nove casos. Tete, Nampula e Gaza so desporto.
ça, enquanto a província de
nhado pelo entusiasmo dos adeptos, ambiente, em particular no foram os maiores protagonistas. Para o alcance deste objectivo, o
Maputo ocupou a segunda
que acreditavam numa qualificação combate à caça furtiva, o fes- Por outro lado, cinco treinadores pelouro de Alberto Nkutumula
posição e a selecção da capital
ao CAN-Interno, Quénia 2018. tival decorreu na cidade de foram expulsos da competição por procedeu à selecção de atletas que
do país terminou na terceira
Aliás, na semana anterior, alguns Xai-Xai e vila da Macie, mo- comportamentos indecentes, que farão parte das selecções nacionais
vimentando oito modalida- vão desde o consumo acessivo de aos Jogos da CPLP. posição. Sofala ficou na últi-
grupos culturais assistiram ao trei-
des desportivas (futebol, bas- bebidas alcoólicas até à invasão do Mesma atitude foi tomada pelas ma posição.
no dos “Mambas”, no ENZ, com o
quetebol, voleibol, andebol, lar feminino. federações de atletismo, boxe e fu- Enquanto isso, o público
intuito de os “saudarem” e dar-lhes
xadrez, ginástica, atletismo e Em relação à falsificação da idade, a tebol, que também marcaram pre- juntou-se à festa, compondo
força para o jogo da primeira mão.
Sublinhe-se que a comunicação jogos tradicionais). organização revelou que os infrac- sença no evento. Porém, refira-se as bancadas dos principais
social também fez a sua parte, con- A província de Manica voltou tores foram retirados das competi- que não é a primeira vez que estas recintos desportivos, para dar
tribuindo com títulos pomposos, a levantar o troféu de vence- ções, faltando apenas apurar o que instituições se fazem presente neste força à província anfitriã.
destacando-se a “desforra, esperança dor absoluto da competição, terá acontecido. Acrescentou ainda evento para a identificação dos ta- Em 2019, todos os caminhos
e confiança”. depois das edições de 2009 e que nenhuma equipa deixou de lentos, mas sem resultados à vista. vão dar à província de Mani-
2015, facto que lhe coloca em competir porque estava desfalcada, Para além destes problemas, o ca, a única que ainda não aco-
O resultado inesperado boa posição para a conquista em resultado desta medida. evento foi marcado também por lheu o certame.
Com o ambiente de festa e alegria
PUBLICIDADE
DESPORTO
Savana 28-07-2017 23
CULTURA
24 Savana 28-07-2017

Ray Phiri

Uma lenda com muito afecto por Moçambique


Por Ricardo Mudaukane

A
pesar de ser filho de um Franzino e baixo de corpo, Ray agi- à prisão perpétua por questionar o Simon levou Ray Phiri a bordo,
imigrante malawiano - o gantava-se na forma como enfren- sistema”, narra em “Land of Plen- viajando e dando a conhecer ao
apelido Phiri, muito co- tava o brutal regime do “apartheid”, ty”. mundo inteiro uma torre de talen-
mum em Tete, não en- denunciando, em espectáculos, a De resto, a fase mais intensa da car- to antes confinado à Africa do Sul,
gana - é um ícone “legítimo” dos natureza torpe de um dos sistemas reira desenrola-se numa África do desmembrando o Stimela.
sul-africanos, porque lá nasceu e mais odiosos que a humanidade já Sul politicamente conturbada. Mas Mesmo consagrado internacional-
a partir de lá deu ao mundo a sua experimentou. o músico vê no amor e nas suas
mente, o afecto de Ray Phiri por
obra artística mais sublime. Apresentou-se várias vezes, em es- contradições um tema apetitoso.
Moçambique nunca se esvaiu. Co-
pectáculos, de camisete com a frase “Where did we go wrong” é um
laborou com o Kapa Dech no ál-
No fundo, é como se o nascimento estampada “Libertem a África do dueto com uma cantora branca sul-
em Nelspruit, na província vizinha Sul”. -africana que questiona onde é que bum “Tsuketani”, cantando “I came
de Moçambique Mpumalanga, Ao contrário de outros mitos da a relação correu mal face à violência to be yours”, com Roberto Isaías.
a 17 de Março de 1947, o tivesse música sul-africana, casos de Hugh de que era vítima no casamento. Veio convidado pela Banda Kaka-
predestinado para um vínculo com Masekela, Miriam Makeba e Jonas na para um espectáculo que juntou
Moçambique, que se tornaria pro- Ngwangwa, Ray Phiri nunca se A Moçambique, volto “velhas glórias” em Moçambique.
lífico. exilou. Bateu-se contra a humilha- Ray Phiri voltou muitas vezes a um Ainda está muito fresca a última
Desde logo o nome da mítica ban- ção imposta pela minoria branca Moçambique que sempre o devo- presença de Ray Phiri em Moçam-
da que Ray Phiri celebrizou. Pas- aos negros por dentro. tou e a ele sempre retribuiu. bique. Foi na edição de 2017 do
sou de Haniballs para Stimela após “É lindo estar aqui, os meus sonhos Com o Stimela, várias vezes ac- Festival Azgo, realizado em Maio.
apanharem este meio ferroviário - estão repletos, sou um sonhador”, tuou, construindo e cimentando as “A Moçambique, eu vou”, disse,
comboio em várias línguas da parte canta, em “Highland drifter”, ex- pontes no lugar dos murros que a de olhos arregalados, em resposta a
mais sul de África - de volta à Áfri- plicando, poeticamente, a decisão repressiva África do Sul ainda im- uma pergunta de um canal de tele-
ca do Sul. de nunca partir. punha com brutalidade e no ester- visão sul-africano sobre o país que
Os “agora” Stimela voltavam de Apesar de muitas vezes filosófi- tor final da desconfiança com que a
mais gostava de ir.
Moçambique, entre finais de 1970 e co para fintar a censura do “apar- Frelimo ainda austera olhava para
Sobreviveu a dois acidentes, num
início de 1980, pagando os bilhetes theid”, a injustiça incomodava as celebridades. Isso entre 1985 e
de regresso com a venda dos per- tanto Ray Phiri que era inevitável, 1995, mesmo depois de uma “reu- morreu a maioria dos seus colegas
tences que traziam. Os espectáculos amiúde, ser literal. nion” do Stimela. de banda e noutro a sua mulher,
dessa vez não renderam o suficiente “Na terra da abundância, há mui- “Graceland”, projecto do aclama- Daphney. Sucumbiu ao cancro de
para a viagem de volta a casa. Ray Phiri ta pobreza e podes ser condenado do músico norte-americano Paul pulmão, a 12 de Julho deste ano.

Paulina Chiziane lança “O Canto dos Escravos”


A
escritora moçambicana Sétimo Juramento”, “Niketche”, “O As suas obras valeram-lhe diversas
Paulina Chiziane lançou, Alegre Canto da Perdiz”, “Na Mão distinções no País e no mundo, sen-
nesta quarta-feira, a sua de Deus”, “As Andorinhas”, “Que- do de destacar o Prémio Literário
mais recente obra literá- ro Ser Alguém”, “As Heroínas Sem José Craveirinha (pela obra Nike-
ria, intitulada “O Canto dos Es- tche), o grau de Grande Oficial da
Nome”, “Ocupali”, “Por Quem
cravos”, na qual fala do percurso Ordem do Infante D. Henrique
Vibram os Tambores do Além”, (pelo governo português), Ordem
dos africanos no nosso País e fora
“Ngoma Yethu”, para além de “O do Cruzeiro do Sul (pelo governo
do continente.
Canto dos Escravos”. brasileiro), entre outras.
Composto por 122 páginas, dividi-
das em sete capítulos, o livro pre-
tende ser uma celebração da exis-
tência do negro, da dor, da alegria e
da esperança, de modo a transfor-
má-lo num diálogo entre o passado,
o presente e o futuro.
Com “o Canto dos Escravos”, Pau-
lina Chiziane convida os leitores
à reflexão sobre a nova identidade
e acções, visando a preservação da
liberdade adquirida com a abolição
da escravatura e independência dos
países africanos.
“Em momentos de crise, olhemos
para o passado da nossa histó-
ria. A crise de ontem foi pior que Paulina Chiziane
a de hoje, mas para que ela fosse despertamos”, acrescentou Chizia- leitura nas pessoas, o que se irá re-
ultrapassada foi necessário que os ne. flectir no desenvolvimento da edu-
africanos se unissem. E nós? Com O lançamento desta obra, que é a cação do nosso País”.
uma crise menor, mas com muitos décima terceira da Paulina Chizia- “O apoio à cultura, no geral, e à
e melhores recursos do que os nos- ne, contou com o apoio da opera- literatura, em particular, constitui
sos antepassados, o que estamos a dora de telefonia móvel mcel, que um desafio muito grande para a
fazer?”, questionou a escritora. tem a tradição de dar a sua contri- promoção da identidade nacional
“O hino nacional, quando diz mi- buição para a valorização e engran- dada a importância que represen-
lhões de braços, uma só força, nos decimento das artes e letras em tam na elevação e dignificação da
remete à solidariedade. Temos de particular e da cultura no geral. moçambicanidade”, considerou.
nos unir para alcançar um objectivo Na ocasião, Mahomed Rafique Ju- Paulina Chiziane, de 62 anos de
comum, mas nós fazemos o contrá- sob, PCA da TDM e da mcel, re- idade, é natural de Manjacaze, pro-
rio. Insultamo-nos (por exemplo, feriu que “ao apoiarmos esta obra víncia de Gaza, e estreou-se nas li-
nos jornais) e matamo-nos. Esque- literária, pretendemos contribuir des literárias em 1990, com a obra
cemos que este momento é crítico. para o crescimento da literatura “Balada de Amor ao Vento”.
É tempo de deixarmos as diferen- moçambicana e, por via disso, in- O seu percurso literário inclui os
ças de lado e lutarmos. É tempo de centivar e estimular o gosto pela livros “Ventos do Apocalipse”, “O
E porque falamos do Brasil, o des-

Dobra por aqui


cobriu capas de discos de duplas brasi-

Dobra por aqui


leiras dos anos 60 e 70 .Gostamos muito,
sobretudo, do Atleta e Treinador, Sim- SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1229 ‡ DE JULHO DE 2017

patia e Gente Boa e Domingo e Feriado...


2 Savana 28-07-2017 SUPLEMENTO Savana 28-07-2017 3
OPINIÃO
Savana 28-07-2017 27

Abdul Sulemane (Texto)


Naita Ussene (Fotos)

Faz parte de nós


O
fotógrafo João Costa (Funcho) tem patente uma exposição que retrata
um dos muitos microcosmos da capital do país, os mercados informais,
ou melhor, o mercado situado “no coração da Polana”. Um mundo por
muitos considerado um antro de boémia e marginalidade.
Surgidos logo nos primeiros anos da independência do país, quando o sufoco
económico que então se vivia, em resultado do isolamento a que Moçambi-
que tinha sido votado pelo mundo ocidental, agravado ainda pelo ambiente
regional e pelas sucessivas guerras que o país atravessou, levou a que muitos
desempregados e refugiados que se tinham acolhido em Maputo procurassem
sobreviver com pequenos negócios no passeio. Estes pequenos comerciantes in-
formais proliferaram e cresceram, dando origem aos actuais mercados. Alguns
deles foram já requalificados, outros transferidos para novos locais, e outros
permanecem ainda iguais a si mesmos, à espera que lhes seja dado um destino
final.
Mas estes mercados informais existem e permanecem, espalhados pela nossa
capital, apesar das sucessivas ameaças das autoridades camarárias, e são fonte
de sobrevivência para muitos dos seus vendedores. E também para aqueles que
encontram ali toda uma variedade de produtos e serviços a preços muito mais
convidativos que nos estabelecimentos comerciais.
Nesta exposição, João Costa dá-nos numas tantas imagens, os ambientes que ao
longo do dia o mercado vai ganhando, os pequenos negócios que ali se realizam,
os negociantes e os fregueses, e todo um conjunto de pessoas que por ali passa.
Para além do povo miúdo que ali procura poupar os poucos meticais que tem,
passam por ali ainda funcionários públicos, artistas, poetas, jornalistas e um
sem número de curiosos que quer ter contacto com um certo ambiente que a
cidade possui, tornando o mercado uma passagem quase obrigatória no roteiro
turístico de Maputo.
Quem nunca entrou num mercado informal?
Aquele que responder que nunca pode criar um ambiente perante quem o ouve.
Foi o que aconteceu com o Celso Muianga e os escritores Juvenal Bucuane e
Pedro Chissano. Reparem como os dois últimos não conseguem esconder o seu
espanto.
Até a actriz Ana Magaia usou do seu conhecimento em termos de represen-
tação para dramatizar o que ouviu sobre um comentário sobre os mercados
informais na capital do país. O cineasta Gabriel Mondlane tenta acalmar com
conforto no ombro.
Nesta terceira imagem nota-se que em todo o lado comentava-se sobre os mer-
cados informais. Para saber sobre o posicionamento, Herlen Coster preferiu
usar o dedo para questionar a Jaime Capitine. Aqui travou-se um diálogo silen-
cioso. Funciona o olhar e gestos.
Normalmente os artistas são vistos como seres boémios. Levados por este pon-
to de vista podemos deduzir que os escritores Luís Bernardo Honwana e Luís
Carlos Patraquim estão a trocar de contactos para um encontro para usufruir de
um local desses quase considerado obrigatório no roteiro turístico de Maputo.
Sempre que nos encontramos num local onde vai decorrer um evento, o escritor
Calane da Silva faz questão de contar situações que jovens da sua época faziam.
Aqui nesta última imagem está a dizer a Armando Cabão que locais desses
sempre tiveram uma relevância na vida dos moçambicanos. Fazem parte de
nós. Querendo como não.
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF+VMIPEFt"/099*7t/o 1229

iz- se
D
IMAGEM DA SEMANA 1DtWD8VVHQH
D i z - se.. .

t ²IPKF FNQSJODÓQJP RVFP.P[B#BODPJOJDJBOPWBWJEB EFQPJT


EBTUVSCVMÐODJBTWJWJEBTEFTEFBUBSEFEFTFYUBGFJSB EPÞMUJNPEJB
EF4FUFNCSPEF RVBOEPPYFSJGFEPCBODPDFOUSBMQÙTUFSNP
ËKPSOBEBQBSBPQSFDJQÓDJPEPCBODPEFUJEPNBJPSJUBSJBNFOUFQPS
NPÎBNCJDBOPT /B "TTFNCMFJB (FSBM EFTUB TFYUBGFJSB  TBJSÈ VN
CBODPDPNPDBQJUBMEF64%NJMIÜFTMJEFSBEPQFMB,VIBOIB 
BQPVDPDPOIFDJEBTPDJFEBEFHFTUPSBEPSPCVTUPGVOEPEFQFOTÜFT
EPTUSBCBMIBEPSFTEPCBODPDFOUSBM" .$
.PÎBNCJRVF$BQJ-
UBJTFP /#
/PWP#BODP BOUJHP#BODP&TQÓSJUP4BOUP mDBSBN
DPN EVBT GBUJBT EFTJHVBJT EF   F EFWFN UFS EPJT MVHBSFT OÍP
FYFDVUJWPTOPOPWP$POTFMIPEF"ENJOJTUSBÎÍPEPCBODP"$P-
NJTTÍP&YFDVUJWBoDPNUSÐTFMFNFOUPToÏGPSNBEBQFMB,VIBOIB
FUFSÈËDBCFÎB+PÍP'JHVFJSFEP PIPNFNRVFUFNOPTFV$7B
MJEFSBOÎBEP#*.FEPÁOJDP/ÍPTFFTQFSBNiTBMWPTwFNWPMUB
EBQPTJÎÍPEP$POTFMIP'JTDBMDFTTBOUF RVFEFDJEJVOÍPBQSPWBS
BTDPOUBTEF0YFSJGFFTUÈFNTJOUPOJBDPNPTFVIPNØOJNP
UVHBRVF QPSTVBWF[ EÈPSEFOTB"OUØOJP3BNBMIP P1$&EP
/#RVFDPNQSPVCJMIFUFEFBWJÍPQBSBWJSBTTJTUJSËOPWBGBTFEP
CBODP FN .BQVUP " .$ WBJ UFS RVF CBUFS NPEFSBEBNFOUF BT
QBMNBTRC FTQFSBOEPRVFWFOIBNPTEJWJEFOEPTBOUFTEPTDJODP
BOPTEFUSBWFTTJBEPEFTFSUP QSFWJTUPTOPiQMBOPEFOFHØDJPTwEP
SFJOWFOUBEP.P[B

t 0 PVUSP JOEJUPTP CBODP  GFDIBEP JOUFNQFTUJWBNFOUF QFMP YFSJGF 


WBJDVNQSJOEPBTFUBQBTQBSBEFJYBSEFFYJTUJSOPNBQBOPTQSØYJ-
NPTUFNQPT$PNPJTUPEFDPCSBOÎBEFEÓWJEBTÏBDUJWJEBEFEFSJT-
DP PTHFTUPSFTEBNBTTBGBMJEBFTUÍPBWFOEFSBiDBSUFJSBEFDSÏEJUPw 
PRVF OBBOUJHB&VSPQBEF-FTUFGPJOFHØDJPEFTVDFTTPFPSJHFN
6HJXQGRR$IULFD&RQÀGHQWLDO EBTFNFSHFOUFTOPWBTGPSUVOBTOFTTFTQBÓTFT0RVFOÍPÏPDBTPEP
QFRVFOPCBODPEBTFHVSBOÎBTPDJBMFEPTTFVTBTTPDJBEPTfrel

Moçambique comprou material t 1BSB RVFN OÍP TBJCB  IÈ VN HSVQP EF GPSNJHVJOIBT  SB[PBWFM-
NFOUF CFN QBHBT  RVF BUÏ IPKF QFSTFHVF PT DBMPUFJSPT EP #BODP
"VTUSBMBUÏBSFQPTJÎÍPEPÞMUJNPDFOUBWP&TQFSBTF FNOPNFEB
USBOTQBSÐODJBRVFVNEJBEFTUFT P5FTPVSPOPTWFOIBEJ[FS TFPT

militar à Coreia do Norte


OPUÈWFJTGSFMRVFPCBODPSFNFUFVQBSBDPCSBOÎBDPFSDJWBEP&TUB-
EPKÈQBHBSBNEFGBDUPBTEÓWJEBT0VTFSÈNBUÏSJBQBSBP5SJCVOBM
"ENJOJTUSBUJWP

M
t &NWJTJUBËUFSSBEPTHSJOHPT PUJNPOFJSPRVFRVFSWFSPTOFHØDJPT
oçambique comprou &6"FNSFMBÎÍPBP4VEÍPEP/PS- DJPV B EFDJTÍP EF BMBSHBS QPS NBJT BBOEBSQBSBBGSFOUF GBSUPVTFEFPVWJSEPTFDSFUÈSJPEPDPNÏSDJP
material militar à Co- UF USÐTNFTFTPTFVQSPOVODJBNFOUPË EPIPNFNEBGSBOKBMPVSB NBJTQBSFDJBVNFNJTTÈSJPQFUSPMÓGFSP
reia do Norte, num WPMUBEBTTBOÎÜFTB$BSUVN EP5FYBT«HVBWBJ ÈHVBWFN PWJDFQSFTJEFOUFEB"OBEBSLPWFJP
contexto em que este Sudão ainda sob sanções 0%FQBSUBNFOUPEP&TUBEPOPSUF- B.BQVUPTFSFOBSPTÉOJNPT QÙSPDPNCPJPBBOEBSOPUSJMIPDFS-
país está sob sanções do Ocidente dos EUA BNFSJDBOP FTUÈ QSFPDVQBEP DPN B UP/BSFTQPTUB OBDBSUBQÞCMJDBRVFBmOBMOÍPÏQÞCMJDB PUJNP-
devido ao seu programa nuclear, diz /P EPDVNFOUP  Ï FYQMJDBEP RVF WJPMBÎÍP EPT EJSFJUPT IVNBOPT OP OFJSPRVFSWFSSBQJEBNFOUFB%'* EFDJTÍPmOBMEFJOWFTUJNFOUP

o Africa Confidential (AC), uma 8BTIJOHUPOQSPSSPHPV BEF+V- 4VEÍPFBSFMBÎÍPEFTUFQBÓTBGSJDBOP BTFSUPNBEB4ØRVFBOEBNNÈTDPSSFUFTTPCSFPHÈT NBJTDPO-
publicação britânica que analisa a MIP  QPS NBJT USÐT NFTFT  B EFDJTÍP DPNB$PSFJBEP/PSUF DSFUBNFOUFNBVTQSFÎPTFTPCSFQSPEVÎÍPBDUVBMFGVUVSBQFMPRVF
situação política e económica afri- FNSFMBÎÍPËTTBOÎÜFTRVFJNQÙTIÈ 6NSFMBUØSJPEBT/BÎÜFT6OJEBTEJ[ FTUÍP EJGÓDFJT PT QSÏDPOUSBUPT EF WFOEB EF HÈT RVF  QPS TVB WF[ 
WÈSJPTBOPTBP4VEÍPEP/PSUFTPCB RVF B ,PSFB .JOJOH %FWFMPQNFOU TÍPHBSBOUJBTQBSBBCBODBSJ[BÎÍPEBFYUSBDÎÍPBNPOUBSOB«SFB
cana.
BDVTBÎÍPEF$BSUVNTFSVNQBÓTRVF 5SBEJOH $PSQPSBUJPO ,PNJE
 GPS- 1BSBKÈ TØIÈ$PSBM4VMy
"NBUÏSJBOÍPJOEJDBRVBOEPFRVF BQPJBPUFSSPSJTNPFWJPMBPTEJSFJUPT OFDFVTFDÎÜFTEFDPOUSPMPEFSPRVF-
IVNBOPT UFTEFQSFDJTÍPËmSNB4VEBO.BTUFS t .ÈT OPUÓDJBT QBSB P HSVQP (VFCBT WJOEBT EJSFDUBNFOUF EF 8B-
UJQPEFNBUFSJBMP(PWFSOPNPÎBN- TIJOHUPO0'.* EFQPJTEFOPWFEJBTFN.BQVUP EJTTFBMUPF
CJDBOPDPNQSPVB1ZPOHZBOH 0 BEJBNFOUP UFSÈ TJEP NPUJWBEP 5FDIOPMPHZ&OHJOFFSJOH$PNQBOZ
4.5
RVFGPSOFDFNBUFSJBMNJMJUBS CPNTPNRVFRVFSBQVCMJDBÎÍPJOUFHSBMEPSFMBUØSJPEFBVEJUPSJB
%FBDPSEPDPNP"$ BBMFHBÎÍPEF NBJT QFMP DBPT RVF TF WJWF OB BE-
EB ,SPMM 1FSDFCFTF BTTJN B NÈ EJTQPTJÎÍP RVF VMUJNBNFOUF TF
NJOJTUSBÎÍP5SVNQEPRVFQSPQSJB- BP FYÏSDJUP TVEBOÐT  OVN OFHØDJP
RVF.BQVUPUFSÈGFJUPOFHØDJPDPN BQPTTPVEPTTFVTWPMVOUBSJPTPTiHSVQPTEFDIPRVFw
NFOUFFNPCFEJÐODJBBVNBBWBMJB- PSÎBEPFN EØMBSFT
B$PSFJBEP/PSUFFNUPSOPEFNB-
ÎÍPEBTJUVBÎÍPFN$BSUVN " 4.5 FTUÈ TVKFJUB B TBOÎÜFT EPT t 1FMBTCBOEBTEF$BCP%FMHBEP DIFHBNFNiNBVNPNFOUPwBTTF-
UFSJBMCÏMJDPFTUÈJOTFSJEBOVNSFMB-
/VN DPOUFYUP FN RVF P (PWFSOP &6"  EFTEF   EF BDPSEP DPN WÓDJBTJOnJHJEBTBHBSJNQFJSPTJOGPSNBJTRVFJOTJTUFNOBBDUJWJEBEF
UØSJPEBT/BÎÜFT6OJEBT P"$
OPSUFBNFSJDBOPOÍPUFNBJOEBGPS- OBTUFSSBTRVFBHPSBTÍPEBi(FNmFMETw)ÈMVHBSFTBSFOPWBSOB
i"T /BÎÜFT 6OJEBT SFGFSFN RVF B %F BDPSEP DPN P "$  P &HJQUP 
NVMBEBVNBQPTJÎÍPFNSFMBÎÍPBP $PNJTTÍP1PMÓUJDBFIÈFMFJÎÜFTQBSBBDJEBEFEF.BQVUP MPHPÏ
$PSFJB EP /PSUF PGFSFDFV BCBTUF- "SÈCJB 4BVEJUB F &NJSBUPT «SBCFT
(PWFSOP EF 0NBS )BTTBO "INBE QPVDPTJNQÈUJDPUFSPOPNFBTTPDJBEPBQSÈUJDBTEFUPSUVSBi5J-
DJNFOUPTNJMJUBSFTBP4VEÍPEP4VM 6OJEPT GBMBSBN DPN SFTQPOTÈWFJT
BM#BTIJS  QSPTTFHVF P EPDVNFOUP  NJOHTwy
F PVUSPT QBÓTFT  JODMVJOEP &SJUSFJB  VNHSVQPEFDPOHSFTTJTUBTSFQVCMJ- OPSUFBNFSJDBOPT QBSB P MFWBOUB-
.PÎBNCJRVFF6HBOEB UFSÍPSFDF- DBOPT F EFNPDSBUBT OPSUFBNFSJDB- NFOUP EBT TBOÎÜFT  OVN BWBOÎP t "TTJOBMÈWFMBSFBDÎÍPMPDBMBPTQFSJHPTRVFFOGSFOUBBQFTDBEPDB-
CJEPNBUFSJBMNJMJUBSw MÐTFOPUFYUP OPTFTFDUPSFTRVFEFGFOEFNPTEJ- UFOEFOUFBQFSTVBEJSP4VEÍPBEFJ- NBSÍPOBTDPTUBTEF.PÎBNCJRVF&TQFSBTFRVFDPOUJOVFBNÍP
EP"$ SFJUPTSFMJHJPTPT NVJUPJOnVFOUFTOB YBSEFDPPQFSBSDPNP*SÍPF2BUBS EVSBTPCSFBQFTDBBSUFTBOBMRVF BQFTBSEFEBSQÍPQBSBBCPDBB
.VJUPT PVUSPT HPWFSOPT BGSJDBOPT  FMFJÎÍP EF %POBME5SVNQ  PQÜFN- /P BDUVBM DFOÈSJP  GPOUFT QSØYJNBT NJMIBSFTEFGBNÓMJBTNPÎBNCJDBOBT DPNBTTVBTQSÈUJDBTWFSEBEFJ-
QSPTTFHVF DPNQSBSBNFTUÈUVBTFBT TF B RVBMRVFS UJQP EF SFMBYBNFOUP EB BENJOJTUSBÎÍP 5SVNQ DPOTJ- SBNFOUFUFSSPSJTUBT QÜFNFNDBVTBBTVTUFOUBCJMJEBEFEFVNEPT
/BÎÜFT6OJEBTTVTQFJUBNRVFFTUBT EBTTBOÎÜFTDPOUSBP4VEÍP EFSBN RVF 8BTIJOHUPO WBJ JNQPS TFDUPSFT RVF KÈ GPJiB KPJB EB DPSPBw EPT QSPEVUPT USBEJDJPOBJT EF
USBOTBDÎÜFT QPEFN TFS VNB BGSPO- 6N GVODJPOÈSJP TÏOJPS EP %FQBS- DPOEJÎÜFTB$BSUVN OPNFBEBNFO- FYQPSUBÎÍPEF.PÎBNCJRVF
UBËTTBOÎÜFTJNQPTUBTË$PSFJBEP UBNFOUP EP &TUBEP  .JOJTUÏSJP UF  B NFMIPSJBT OP DBQÓUVMP EPT EJ-
/PSUF EPT /FHØDJPT &TUSBOHFJSPT EPT SFJUPTIVNBOPTFNBJPSFTHBSBOUJBT Em voz baixa
" SFGFSÐODJB BPT OFHØDJPT FOUSF &6"
 UFSÈ GBMBEP DPN P NJOJTUSP ËT PSHBOJ[BÎÜFT IVNBOJUÈSJBT RVF t %FQPJTEPQVCMJRVFTFOÍPTFQVCMJRVFEBDBSUBQBSB8BTIJOHUPO
.PÎBNCJRVFF$PSFJBEP/PSUFOP EPT/FHØDJPT&TUSBOHFJSPTTVEBOÐT  PQFSBN OP QBÓT  QSJODJQBMNFOUF OB BQBSUJSEPQBMÈDJPQSFTJEFODJBM OÍPTFTBCFTFÏEFTUBRVFSPMBSÍP
QMBOPNJMJUBSFTUÈFORVBESBEBOVNB *CSBIJN"INFE(IBOEPVS BEF QSPCMFNÈUJDBSFHJÍPEP%BSGPVS DBCFÎBTOBDPSUFy
BOÈMJTFEP"$ËBDUVBMQPMÓUJDBEPT +VMIP  RVBOEP 8BTIJOHUPO BOVO-
Savana 28-07-2016 1
EVENTOS

EVENTOS
0DSXWRGH-XOKRGH‡$12;;,9‡1o 1229

,QFOXVmRÀQDQFHLUD

BancABC e FDS Moç lançam


bancarização móvel

O
BancABC, parte do ponibilidade e acessibilidade moçambicanos, o diferencial “Tendo em conta que a expan- ao BancABC ao testar novos
Atlas Mara, e a Finan- de produtos e serviços finan- é trazer para o país o conceito são da banca em certas zonas é modelos bancários sem filiais
cial Sector Deepening ceiros de qualidade e adequa- de “convergência digital”, uma extremamente cara e não per- para alcançar os excluídos fi-
Moçambique (FDS) dos às necessidades da popula- ferramenta que permite a uti- mite que os bancos consigam nanceiramente, particularmen-
assinaram, nesta quarta-feira, ção moçambicana. lização da moeda electrónica chegar aos usuários potenciais te nas áreas rurais. Isso exigirá
na cidade de Maputo, um me- Na ocasião, o PCA do Ban- através da plataforma celular. que estejam fora dos distritos acções para construir a literacia
morando de entendimento cABC, Eduardo Mondlane Falando em torno da materia- ou zonas urbanas, iremos co- financeira entre a população
com vista à expansão de servi- Júnior, referiu que apenas uma lização deste desafio, o Admi- meçar numa primeira fase com
que talvez não esteja familiari-
ços financeiros a zonas rurais minoria da população participa nistrador Delegado do Ban- o apoio da FDS Moç com um
zada com as soluções de paga-
mais recônditas. e faz uso sistema financeiro e cABC, Orlando Chongo, disse processo de treinamento dos
mentos digitais. Estamos mui-
é absolutamente crucial para o que, numa primeira fase, a sua agentes para que possam dis-
crescimento da economia. instituição irá proceder, com seminar essa mensagem aos to satisfeitos que o BancABC
Trata-se de uma parceria com
Mondlane Júnior destacou ain- o apoio da FDS Moç, à capa- clientes”, disse. veja o valor comercial de servir
marco importante para a ma-
terialização da estratégia na- da que, apesar de a instituição citação de pelo menos 1000 Por sua vez, a Directora Execu- famílias de baixa renda numa
cional de inclusão financeira financeira que dirige ser rela- potenciais agentes nas zonas tiva do FSDMoç, Anne-Marie plataforma digital. E espero
do Governo, para o período tivamente de menor porte que recônditas das províncias de Chidzero, afirmou: “estamos que eles repliquem a experiên-
2016-2022, garantindo a dis- os demais bancos comercias Maputo, Tete e Niassa. satisfeitos por nos associarmos cia em outros países.”
2 Savana 28-07-2017
EVENTOS

Restrições de água perto do fim


O
abastecimento de água à Mundial e visam reforçar a capaci- tratamento de água (ETA) em Sábiè, no director de águas da cidade de cidade do governo moçambicano de
região do grande Maputo dade de abastecimento e beneficiar cujo concurso público para selecção Maputo projectava desde 2010 a honrar com a sua parte, visto que se
poderá voltar à normalida- mais 560 mil pessoas, as áreas a nor- do empreiteiro foi lançado esta se- construção de uma conduta para trata do investimento brasileiro que
de, até ao final do primeiro te da Matola e Maputo e do distrito mana; duas estações de bombagem: tirar água de Corumana a Maputo, deve ser comparticipado pela con-
trimestre do próximo ano, com a de Marracuene. uma na captação e outra em Sábiè, baseando-se nas estatísticas de den- traparte moçambicana.
conclusão das obras de construção Em fase avançada está a construção um tanque de controlo de pressão sidade populacional. O MOPHRH diz que estão em
de uma conduta adutora entre Co- de uma conduta adutora entre Co- em Pessene e captação na Barragem Esta situação fez com que fossem à curso diligências com o financiador
rumana e Machava, da estação de rumana e Machava, numa extensão de Corumana. busca de financiamento, que foi con- de modo que a obra prossiga. Para-
tratamento de água e Sábiè e mais de 95 quilómetros que, segundo o Enquanto aguarda-se pela execução seguido ano passado, daí o arranque lelamente a estas iniciativas estão em
duas de bombagem. Ministro das Obras Públicas, Ha- da estação de tratamento de água de também das obras. Mais ainda, diz curso obras de emergência para su-
bitação e Recursos Hídricos, Carlos Sábiè, que de princípio estará con- Bonete que foi pensando no alar- prir a carência de água na região do
Trata-se de um projecto, cuja con- Bonete Martinho, estão nos 70% de cluída até Junho do próximo ano, gamento da rede de abastecimento grande Maputo. Assim, estão sendo
clusão irá minimizar o sofrimento execução. Será através desta conduta deverá se recorrer a módulos expe- e na melhoria da qualidade que o revitalizados 22 novos pequenos sis-
das populações das cidades de Ma- que se espera que esteja concluída rimentais, mas que garantam a qua- executivo avançou com a constru- temas de abastecimento de água e
puto, Matola e Boane que, desde o até Dezembro próximo, que a água lidade, para o tratamento da água ção da barragem de Moamba major abertos 42 novos furos nos diferen-
princípio do presente ano, vivem a será bombeada até ao centro distri- de modo que possa ser colocada ao que, entretanto, tem neste momento tes bairros da cidade e província de
braços com restrições de água, como buidor da Machava e depois enca- consumo das populações. as obras paralisadas. Justificou que a Maputo.
consequência da seca que fustiga a minhada na rede pública de distri- Segundo explicou Bonete, o pla- paralisação se deve à falta de capa-
região sul do país. buição do preciso líquido.
Orçadas em USD 178 milhões, as Paralelamente deverão seguir as
obras são financiadas pelo Banco obras da construção da estação de

Aquarel introduz tecnologia


de conversão de água

A
Aquarel, uma empresa es- brasileira Vale para o Corredor Lo-
pecializada na análise e tra- gístico do Norte.
tamento de água, propõe a O Director-Geral daquela empresa
introdução da tecnologia acredita que, a partir dos resultados
de dessalinização, que consiste na obtidos pelo seu equipamento tec-
conversão de água do mar em água nológico, será possível tornar a água
potável, para acabar com as restri- própria para o consumo. Acrescen-
ções na distribuição de água nos ta que será possível ter a água para
Municípios de Maputo e Matola. cada tipo de indústria.
No entanto, pelo nível de investi-
A proposta, dirigida ao Fundo mento que o processo exige, as em-
de Investimento e Património de presas (FIPAG e Águas da Região
Abastecimento de Água (FIPAG) e de Maputo) prometeram estudar a
a Águas da Região de Maputo, foi proposta. Sublinharam que a mes-
anunciada, esta semana, em Mapu- ma poderá ser utilizada, caso se ve-
to, pelo Director-Geral da empresa, rifique, novamente, a diminuição do
Eduardo Fernandes, durante a Pri- caudal Umbeluzi, principal canal de
meira Conferência sobre Boas Prá- abastecimento de água em Maputo.
ticas de Manuseio e Utilização de A Primeira Conferência sobre Boas
Equipamento Laboratorial. Práticas de Manuseio e Utilização
Para Fernandes, o contexto actual, de Equipamento Laboratorial foi
marcado por crise de água potável realizada pela Aquarel HACH, em-
e pela problemática da poluição, re- presa produtora e distribuidora de
quer a busca de “novas tecnologias e instrumentos e reagentes laborato-
soluções viáveis” para proporcionar riais para análise e testagem de qua-
maior racionalização de consumo lidade de Água, sediada nos Estados
deste líquido vital. Unidos da América.
A dessalinização foi implementa- A conferência, que juntou várias in-
da, pela primeira vez, no país, pela dústrias nacionais, decorreu sob o
Aquarel, em 2014, na Cidade de lema “Aquarel empenhada no for-
Nacala, a pedido da mineradora necimento de água com qualidade”.

ALUGA-SE DUPLEX
Compra-se
Uma caixa de velocidade Aluga-se duplex, T3, com
electrónica simples de 180m2 disponíveis nos
TOYOTA CAMI dois pisos.
Pronto para habitar, 2WC
Contacte: e cozinha renovadas no
87 0135281 bairro da Polana.
ou 84 7002545 Contacto: 82-730-7430
Savana 28-07-2016 3
PUBLICIDADE
EVENTOS
4 Savana 28-07-2019
DIVULGAÇÃO

IV CONSELHO MONITORIA DE AMBIENTE DE NEGOCIOS


DISCURSO DO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
AGOSTINHO ZACARIAS VUMA, PRESIDENTE DA CTA
Maputo, 21 de Julho de 2017
Sua Excelência, Carlos Agostinho do Rosário,
Primeiro-Ministro,
Ernesto Max Tonela, Ministro da Indústria e
Comércio, Excelência,
Excelentíssimos Senhores Membros do Governo,
Excelentíssimos Senhores Membros dos Órgãos
Sociais da CTA,
Digníssimos Parceiros de Cooperação,
Digníssimos Empresários,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Inauguramos hoje este IV Conselho de Monitoria do Am-


biente de Negócios, a primeira sessão que se realiza neste
triénio sob a nossa Presidência.

eXPPRPHQWRGHHOHYDGRVLJQLÀFDGRTXHFRPMXVWLÀFDGD
razão, cria bastante expectativa e renova a esperança de um
diálogo profícuo para a realização do desiderato colectivo
de todos nós, Sector Privado e Governo, de trabalharmos
para a melhoria ambiente de negócios.
Uma palavra de especial apreço e saudação a Sua Excelên-
cia Carlos Agostinho do Rosário, Primeiro-Ministro, e a
todos os membros do Governo de Moçambique, pela sua
SUHVHQoDQHVWHHYHQWRGHUHDÀUPDomRGRVODoRVGHFRPSD-
nheirismo e parceria entre o Governo e o Sector Privado na
HGLÀFDomR GH XPD VRFLHGDGH H GH XPD 1DomR SUyVSHUD H
em franco desenvolvimento.
Estamos convictos do empenho de Vossas Excelências, quer
a título individual, na qualidade de titulares de pastas go-
vernativas que tutelam as diversas áreas da nossa actuação
como Sector Privado, quer como um colégio governamen-
tal onde são tomadas importantes decisões que impactam
sobre a nossa vida e acção como agentes fazedores da eco-
nomia moçambicana.

Excelências,
1RkPELWRGDQRVVDRUJDQL]DomRLQWHUQDHSODQLÀFDomRGR
cumprimento dos objectivos da nossa visão estratégica
para o presente triénio, reestruturamos os Pelouros da CTA
e conferimos posse. Extinguimos o Pelouro de Política dos
Serviços Públicos e criamos quatro novos pelouros, nome-
adamente:
‡3HORXURGD&RRSHUDomRHFRQyPLFDH5HODo}HV([WHULRUHV
‡3HORXURGD&RPXQLFDomR6RFLDO7,&VH6HUYLoRV
‡3HORXURGD0XOKHU(PSUHViULDH(PSUHHQGHGRULVPRH
‡3HORXURGD7HUUDH$PELHQWH
Há que realçar a presença dos nossos colegas, Presidentes
dos Conselhos Empresariais Provinciais, nossos especiais Vale lembrar que o modelo de diálogo que hoje realizámos, a nível das Províncias é lidera-
convidados a este fórum, a quem temos a grata honra de do pelos respectivos Governadores Provinciais.
desejar as boas-vindas e apresentar a Vossas Excelências.
Senhor Primeiro-Ministro,
A presença particular dos Presidentes dos CEP’S tem como Excelências,
ÀQDOLGDGHSURSRUFLRQDUOKHVDRSRUWXQLGDGHGHYLYHQFLDUR Nobres colegas,
modelo usado no Diálogo Público-Privado, a nível central, Congratulamos o Governo pelos sinais positivos que a economia do País tem vindo a re-
de forma a permitir que se apropriem desta experiência e gistar desde o primeiro semestre do corrente ano.
aprimorar o nível Provincial. $LQÁDomRDFXPXODGDUHSRUWDGDDRPrVGH-XQKRVHJXQGRR,QVWLWXWR1DFLRQDOGH(VWD-
Savana 28-07-2017 5
DIVULGAÇÃO

tísticas, estimou-se em 3,82% contra 9,29% no período


homólogo de 2016, uma clara tendência de desacele-
UDomR
A taxa de câmbio apresenta tendências de apreciação
QRPLQDO HPERUD FRP WRGRV RV ULVFRV HP UHODomR j
FRPSHWLWLYLGDGHH[WHUQDGH0RoDPELTXH
O crescimento económico do primeiro trimestre esti-
mado em 2,9% contra 1,1% do período anterior, nome-
adamente último trimestre de 2016. Tudo isto, conjuga-
do com a cessação das hostilidades militares.

Entretanto, o momento que vivemos inspira, ainda,


muita cautela e preocupação em relação ao aparente
HOHYDGR ULVFR ÀVFDO H DR VHX LPSDFWR QR DPELHQWH GH
negócios, no geral, e nas empresas através da sua te-
souraria.

A este respeito, permita-me, Senhor Primeiro-Ministro,


que levante aqui alguns dos constrangimentos mais
preocupantes para a melhoria do ambiente de negó-
cios no actual estágio da nossa economia. com os custos daí resultantes.
O risco deste cenário é a subida do crédito vencido no sector bancário o qual pode ser
Primeiro, há que considerar os evidentes efeitos nefas- motivado pelo atraso do pagamento pelo Estado.
tos da dívida externa do País. A divulgação recente do
5HODWyULRGD.UROOjVGLYLGDVDYDOL]DGDVSDUDRÀQDQ- A este respeito, Excelência, propomos que o Governo aproxime-se das empresas e dis-
ciamento das Empresas Proindicus, MAM e EMATUM cuta o reescalonamento do pagamento gradual das facturas, porque, como bem diz a
deve constituir uma soberana oportunidade de, como sabedoria popular, pagar pouco é claramente melhor do que não pagar nada!
intervenientes directos na economia do País, Governo
e Sector Privado, e todas as forças vivas da sociedade, $GHPDLVVRPRVGHVXJHULUDQHFHVVLGDGHGDUHYLVmRGRQRVVRFDOHQGiULRÀVFDOSDUD
analisarmos com frieza os contornos das nossas políti- aliviar a pressão de liquidez das empresas, tendo em conta que está bastante baixa, e
cas públicas e apontarmos com coragem onde foi que tudo o que concorra para a sua pressão, poderá ter um efeito boomerangRTXHVLJQLÀFD
errámos e que passos devemos seguir para corrigir a que as empresas poderão ver motivos para procurar formas, legais ou não, de protec-
situação e assegurar que não voltamos a copiar os er- ção dessa liquidez, e assegurar a continuidade das suas actividades.
ros do passado. Quarto, o quadro apresentado para o Doing Business no nosso País é preocupante. A
FODVVLÀFDomRQRUDQNLQJGRDoing Business 2017 e a perspectiva da distância até a fron-
Do Governo, Excelência Senhor Primeiro-Ministro, teira, revela-nos que a queda no rankingHPVLVLJQLÀFDGHIDFWRDGHWHULRUDomRGR
esperamos a adopção de medidas práticas para a re- ambiente de negócios em Moçambique, tendo em conta que, para além desta queda,
SRVLomRGDFUHGLELOLGDGHHFRQÀDQoDQRERPQRPHGH Moçambique afasta-se das boas práticas na facilitação de negócios, na perspectiva da
Moçambique e do seu Povo. Esperamos, também, me- GLVWkQFLDDWpDIURQWHLUD.
didas de redução dos activos do Estado em interesses
económicos dos quais as acções do Estado possam ser 6LJQLÀFDLVWRTXHDTXDQWLGDGHGHUHIRUPDVHIHFWXDGDVQmRVmRVXÀFLHQWHVSDUDHVWDU
dispensadas. PHOKRUFODVVLÀFDGRTXHRVRXWURVSDtVHVHTXHDVUHIRUPDVHIHFWXDGDVQmRIRUDPFRQ-
venientemente implementadas dado que não garantiram que Moçambique melhorasse
A redução das participações do Estado a favor do Sec- nas práticas de facilitação de negócios.
tor Privado pode ser uma medida que concorra para
evitar o risco de colocar o Estado como avalista de in- Podemos aqui dar exemplos de algumas reformas acordadas e que ainda estão por
teresses que podem ser meramente privados. implementar, e que têm impacto no Doing Business5HÀURPHj
(OLPLQDomRGD7HUPLQDO(VSHFLDOGH([SRUWDomRGH1DFDOD
Dos nossos credores e da comunidade internacional, 5HYLVmRGRTXDGURGHWD[DVGDLQVSHFomRQmRLQWUXVLYDYXOJRVFDQQHUV
apelamos um renovado cometimento e retoma da co- ,PSOHPHQWDomRGDWD[DGHJDVyOHRDSURYDGDSDUDRVHFWRUDJUiULR
operação com Moçambique nos vários domínios que 4. Implementação da nova pauta aduaneira aprovada em 2016, que passou a vigorar há
FDUHFHPGHÀQDQFLDPHQWRSURJUDPiWLFR uma semana, ao passo que já o deveria no dia 1 de Janeiro do presente ano.
Só para citar alguns.
Segundo, a penalização contínua de Moçambique em
UHODomRjVXDFODVVLÀFDomRQRUDWLQJLQWHUQDFLRQDOWHP O relatório sobre o Doing Buiness informa que Moçambique regrediu em relação a aber-
afectado a todo o mercado de forma evidente. Como tura de empresa, obtenção do crédito, obtenção de electricidade, execução de contra-
UHVXOWDGR GD TXHEUD GH FRQÀDQoD GRV QRVVRV SDUFHL- tos, protecção de investidores minoritários e a resolução de insolvência, e sendo assim,
ros, as transacções do País com o resto do mundo ten- estes indicadores necessitam de uma atenção especial, por forma a conformar-se com
dem a ser mais de pagamentos antecipados, através de as boas práticas, particularmente num mundo cada vez mais global.
pronto pagamento, o que exige grande capacidade de
liquidez em moeda externa, o que está associado a um Nos dados combinados dos últimos cinco anos do Doing Business, nota-se que, nos
maior custo. anos nos quais Moçambique fez em média, duas ou mais reformas, conseguiu melho-
Terceiro, preocupa-nos o atraso no pagamento de fac- UDUQRUDQNLQJGRDoing Business(QWUHWDQWRQRV~OWLPRVGRLVDQRVUHGX]LXHVVHÁX[R
turas das empreitadas, fornecimento de bens e presta- de reformas o que teve impacto directo no ranking. Ou seja, Moçambique reduziu a sua
ção de serviços ao Estado. GLQkPLFDQRSURFHVVRGHUHIRUPDVGLWRGHRXWUDIRUPD0RoDPELTXHSUHFLVDDFHOHUDU
o processo de reformas.
Mais do que o atraso, preocupa aos empresários o si- Finalmente, a análise das três principais variáveis do ambiente de negócios nomeada-
lêncio do Governo em relação a esta situação, o que é mente, tempo, procedimentos e custos sugere que o principal problema de Moçam-
visto como o distanciamento do Governo, no lugar de bique está mais ligado ao número de procedimentos e custos associados para fazer
DSUR[LPDUVHjVHPSUHVDVSDUDHPFRQMXQWRCUHÁHFWLU negócio, sendo que na variável custo a questão é mais crítica.
sobre como resolver, ou pelo menos reduzir, os proble- E, ainda, Excelência, o Doing Business oferece algumas ilações sobre o posicionamento
mas causados pelos atrasos de pagamento. GR*RYHUQRGH0RoDPELTXHTXDQGRHVWiSHUDQWHDSURGXomRLQWHUQDHH[WHUQDRVGD-
É importante destacar, Excelência, que os atrasos nos dos do Doing Business sugerem que penaliza mais a produção interna na sua inserção
SDJDPHQWRVVLJQLÀFDSDUDDVHPSUHVDVDUHGXomRGD no comércio internacional.
capacidade de tesouraria para fazer face ao aumento
da produção e o consequente pagamento de impostos. Um estudo de caso oferece os seguintes resultados:
2V SDJDPHQWRV HP DWUDVR GLPLQXHP D PDVVD ÀQDQ- 1. Moçambique cobra mais a quem exporta do que quem importa o que sugere que dá
ceira das empresas, obrigando-as a recorrer ao crédito, menos incentivo ou protecção ao produtor local.
6 Savana 28-07-2019
DIVULGAÇÃO

2. Tanto, as Maurícias como a África do Sul, países me-


lhor posicionados na região da SADC, o custo de ex-
SRUWDUpPHQRUHPUHODomRDRGHLPSRUWDUQRFDVR
da África do Sul, o custo de importar é 1,5 vezes su-
perior que o de exportar, enquanto Moçambique é
precisamente o contrário, ou seja, o custo de expor-
tar é 1,5 vezes superior que o de importar.
3. Moçambique, para além de penalizar mais as expor-
tações que as importações, apresenta o maior custo
de exportações em comparação com as Maurícias
e África do Sul o que insere, também, uma análise
do que pode ser a competitividade dos produtos de
0RoDPELTXHHPUHODomRjTXHODVHFRQRPLDVQRFR-
mércio internacional.

Senhor Primeiro-Ministro,
Minhas Senhoras e meus Senhores,
A maior aposta da CTA para o presente triénio é o de-
senvolvimento da agricultura e do sector do agronegó- Excelência,
cio. A nível dos transportes, o Governo de Moçambique decidiu a alguns anos a proibição
Moçambique é um país dotado de condições agro-eco- GDLPSRUWDomRGHFDPL}HVFRPYRODQWHjHVTXHUGD
lógicas de reconhecido potencial e nós queremos apos- A medida, de acordo com o Ministério dos Transportes e Comunicações, faz parte do
tar em transmitir a mensagem de incentivo a quem tra- cumprimento das regras de trânsito da SADC, bem como do plano de redução dos
balha esta terra e daqui produzir para exportar. acidentes de viação no país.
Queremos maior enfoque para uma agricultura que 1RHQWDQWRRTXHWHPVHYHULÀFDGRpTXHDSHQDV0RoDPELTXHFXPSUHFRPHVWH
SRVVDUHVSRQGHUjGHPDQGDGHFRQVXPRLQWHUQRHH[- acordo que contem as regras da SADC.
portação da matéria-prima e produtos derivados. ÉIULFDGR6XO=kPELD=LPEDEZpH0DODZLMXVWLÀFDPRLQFXPSULPHQWRFRPIDFWR-
Entendemos que o Governo focalize-se no incentivo ao res macroeconómicos adversos que não permitem que as empresas locais renovem as
VHFWRUIDPLOLDUWHQGRVLGRGHÀQLGRHVWHFRPRREMHFWLYR suas frotas, passando do left hand drive para o right hand drive.
estratégico da agricultura moçambicana. Como resultado, assiste-se uma autêntica invasão de camiões left hand drive daqueles
Contudo, consideramos ser de grande importância a SDtVHVHP0RoDPELTXH(VWHIDFWRSRGHVHUWHVWHPXQKDGRSHORDXPHQWRGRGpÀFHQD
promoção do sector comercial da agricultura, investin- rubrica de fretes, parte da balança parcial de serviços.
GRQHODUHFXUVRVÀQDQFHLURVHFULDQGRLQFHQWLYRVÀVFDLV 2DXPHQWRGRGpÀFHQDUXEULFDGHIUHWHVpMXVWLÀFDGDHPJUDQGHSDUWHSHORLQFUH-
que permitam o desenvolvimento de capacidades para mento de transporte e manuseamento de mercadorias em trânsito para os países do
satisfazer as necessidades dos mercados nacionais e in- hinterland.
ternacionais. Havendo vantagens competitivas das empresas de transportes do hinterlandLQÁXHQ-
ciada pelo custo do camião, então as empresas moçambicanas perdem o mercado.
Senhor Primeiro-Ministro A classe empresarial solicita ao Governo o levantamento da medida e apresenta os
3RUTXHRFDPLQKRpDSURGXomRWHPRVYLQGRDUHÁHFWLU seguintes argumentos:
sobre medidas concretas, olhando o pequeno produtor 1. Factores económicos: um camião com volante do lado esquerdo custa nos Estados
DWpDRJUDQGH1HVWHkPELWRLGHQWLÀFDPRVTXHDWULEX- Unidos 25 a 35 mil dólares norte-americanos, contra 75 mil do volante do lado di-
tação autónoma das despesas não documentadas afec- reito que é nos outros países.
ta negativamente os custos operacionais, o preço pago A razão é simples: os camiões volantes a esquerda são produzidos em maiores quanti-
ao pequeno produtor, a alocação de recursos, a cadeia dades a nível mundial o que leva o seu preço a ser mais baixo que o volante do lado
de processamento e o acesso ao crédito. GLUHLWR
2XWUDVROXomRPDLVUiSLGDHHÀFD]SDUDWUDWDPHQWRÀV- 2. Características da frota moçambicana: O grosso da frota do sector consiste em cami-
cal das despesas não documentadas, seria a apresen- ões articulados de 30 toneladas em segunda mão.
tação do Modelo e (declaração de operações isoladas A maioria de camiões preferidos pelas empresas de transporte em Moçambique são os
e facturação indevida), previsto na legislação comple- FDPL}HVDPHULFDQRV)UHLJKWOLQHUFRPRYRODQWHjHVTXHUGDTXHFXVWDPDWpPHWDGH
mentar ao IVA aprovado pela Lei 32/2007, de 31 de GDVRXWUDVRSo}HVHPVHJXQGDPmR FRPRSRUH[HPSOR,YHFR6FDQQLDRX9ROYR 
Dezembro, que permite ao comprador de um produto 3. Apesar da medida, camiões sul-africanos e Malawianos entram em Moçambique em
sem comprovativo documental regularizar a compra GLUHFomRDRVSRUWRVVHPSURLELomRHQXQFDFULDUDPSUREOHPDVGHDFLGHQWHV
mediante a liquidação e pagamento do imposto, confe- 4. O Reino Unido usa left-hand drive e entra nos países da Zona Euro onde usa-se o
rindo assim suporte documental aceite como compro- contrário, entretanto, não há registo de acidentes por esta motivação.
YDWLYRGHFXVWRSDUDÀQVGH,53&
Senhor Primeiro-Ministro,
Respeitados Parceiros,
Nobres colegas,
Estamos, hoje, a falar de reformas com vista a melhorar o ambiente de negócios, um
processo que se pretende inclusivo.

1RHQWDQWRXPGRVGHVDÀRVGRSURFHVVROHJLVODWLYRHP0RoDPELTXHDLQGDpDDX-
VrQFLDGHXPDOHJLVODomRTXHGHÀQDRVSURFHVVRVGHSDUWLFLSDomRS~EOLFDQDFULDomR
PRGLÀFDomR RX H[WLQomR GDV OHLV H VHXV UHJXODPHQWRV $ DXVrQFLD QRUPDWLYD GHVWH
processo faz com que várias instituições sigam métodos diferenciados, muitas sem
DXVFXOWDomRVXÀFLHQWHPHQWHDEUDQJHQWHGRS~EOLFRDTXHOHLVVHGHVWLQDP
Neste contexto, a CTA e seus parceiros, com destaque para o SPEED, estão engajados
no desenvolvimento de proposta de lei sobre a Participação Pública no Processo Le-
gislativo em Moçambique.
Esperamos que a proposta a ser apresentada ao Governo, brevemente, seja considera-
da e que contribua para um processo de consulta previsível, transparente e inclusivo.
A terminar, auguramos que da profunda introspecção que pretendemos fazer, resul-
WHPDFo}HVYLJRURVDVTXHUHDÀUPHPRQRVVRFRPHWLPHQWRFRPXPQDFDXVDGDSUR-
moção de melhores condições de vida para os moçambicanos, através da adopção de
melhores políticas públicas, criação de riqueza e melhor aproveitamento e distribuição
dos recursos naturais para o bem de todo o nosso Povo.

A todos, muito obrigado pela atenção dispensada.


3RUXPPHOKRUDPELHQWHGHQHJyFLRV
74 Savana 28-07-2017
EVENTOS

Mia Couto abre ciclo Sociedade aberta massifica


de conferências a Lei do Direito à Informação
C D
om uma exposição intitulada “Os tre elas, estava a pergunta Braskem, selec- ecorreu, entre os dias 20 a 27 de Ju- informação de interesse público.
deuses dos outros”, o escritor mo- cionada a partir de questões enviadas pelos lho corrente, nos distritos de Moam- Assim, as entidades públicas e privadas têm o
çambicano Mia Couto procedeu à seguidores do Fronteiras do Pensamento nas ba, Boane, Matutuíne e Manhiça, da dever de disponibilizar a informação de interes-
abertura do ciclo de conferências da redes sociais: Nos tempos de individualismo, Província de Maputo, um Roadshow se público em seu poder, publicando através dos
11ª edição do projecto Fronteiras Braskem de “modernidade líquida” e da era da “pós- virado à divulgação da Lei do Direito à Infor- diversos meios legalmente permitidos, que pos-
do Pensamento, que teve lugar recentemente -verdade”, há espaço, fora da ficção, para que mação. Trata-se de uma iniciativa promovida sam torná-la cada vez mais acessível ao cidadão.
em Salvador, no Estado da Bahia, no Brasil. sejam ouvidas as vozes situadas à margem? pela Sociedade Aberta, uma organização não- Falando na ocasião, a gestora de programas da
Mia Couto indicou: “sempre foi assim. Não -governamental moçambicana em parceria Sociedade Aberta, Paula Manjate, destacou a
Na sua intervenção, Mia Couto referiu-se à vejo que houvesse um tempo em que a lite- com a Oxfam e Actionaid, que tem por objec- importância de promover e massificar este ins-
influência de Jorge Amado na literatura mo- ratura não fosse algo feito contra a corrente, tivo promover o exercício pleno de cidadania trumento legal, pois os cidadãos desconhecem
çambicana e a emoção que sentiu ao visitar ou fosse uma actividade de alguém que se e estimular a consciência de direito ao acesso a sua existência e passarão desde já, através de
o Memorial Casa do Rio Vermelho, onde o colocou numa margem para mudar o mundo. à informação aos cidadãos, garantindo o livre
mecanismos legais, a exigirem a informação pe-
escritor baiano viveu com sua esposa Zélia Quando se coloca numa margem é no senti- acesso à informação das actividades e desem-
rante as instituições públicas e privadas.
Gattai. Também mencionou a sua admiração do de ver o mundo melhor, a partir de ter um penho dos governantes por parte dos cidadãos.
pelos artistas Caetano Veloso, Maria Bethâ- pé dentro e outro fora. Acho que esse espaço Para Roberto Isaías, a música constitui um ve-
nia e João Ubaldo Ribeiro, para além do seu sempre foi arrancado à força. Nunca foi dado ículo de comunicação que facilmente abrange
Neste âmbito, a sociedade aberta procedeu ao todos os níveis sociais, tendo assim se tornado
amor pela cultura brasileira. a um escritor como uma coisa oferecida de
lançamento do Roadshow no distrito da Mo- num meio essencial para a difusão de informa-
bandeja”.
amba, tendo como a figura de cartaz o músico ção. É pela sua natureza célere e flexível que se
Na conferência, que decorreu sob o tema Em relação ao seu processo de trabalho, Mia
Roberto Isaías, que entoou a música “mahungu espera desta iniciativa a criação de um cidadão
“Civilização – A sociedade e seus valores”, o considerou-o de caótico: “Normalmente, co-
ya mahala”, na língua local, que significa infor- mais informado, conhecedor dos seus direitos e
autor moçambicano defendeu a possibilida- meça com um encontro com as pessoas, que
mar.
de de diálogo entre diferentes culturas e re- são as personagens que constroem a mim e a deveres.
A Lei do Direito à Informação foi aprovada a
ligiões. Mia apresentou ao público casos nos história. Nesse momento, percebo que há ali “Adiro a esta iniciativa, para tentar passar ao ci-
31 de Dezembro de 2014 e preconiza no artigo
quais encontros entre nativos e colonizadores uma coisa que faz com que haja três cami- dadão para que conheça os seus direitos, quando
8 a participação democrática do cidadão na vida
protagonizaram situações de interacção, com nhos, ou isso vai ser poesia, ou vai ser conto, nós falamos de campanha de direito à informa-
pública. Pressupõe ainda o acesso à informação
diferentes resultados. ou se tem uma coisa mais complicada que vai ção normalmente pensamos em questões eco-
de interesse público, de modo a formular e ma-
Destacou a interacção entre diferentes tem- ser um romance”, frisou. nómicas ou finanças públicas, mas o direito à
nifestar o seu juízo de opinião sobre a gestão da
pos (o presente e o passado), as nossas raízes Ainda neste evento, patrocinado pela informação passa a questões ligadas também à
coisa pública e influenciar os processos decisó-
africanas como caçadores e a interacção com Braskem, ramo petroquímico do Grupo terra, à saúde, educação, coisas que podem de
rios das entidades que exercem o poder público.
a natureza e o sagrado, algo que, segundo ele, Odebrecht, e pelo governo da Bahia, através certa forma melhorar a qualidade de vida de ci-
A Lei 34/2014 é aplicada aos órgãos e insti-
forjou a nossa capacidade de contar histórias. do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Se- dadão”, disse Roberto Isaías.
tuições do Estado, da administração directa e
Num outro desenvolvimento, ele ressaltou cretaria de Cultura do Estado da Bahia, está Por sua vez, Celso Maulele, Presidente da Pla-
indirecta, representação no estrangeiro e às au-
que é necessário combater a intolerância reli- também prevista a participação da activista taforma distrital de Moamba, enalteceu a ini-
tarquias locais, bem como às entidades privadas
giosa e as forças que, em nome de alguma re- e defensora internacional dos direitos das
que, ao abrigo da lei ou de contrato, realizam ciativa levada a cabo pela Sociedade Aberta e
ligião, têm uma intenção claramente política. mulheres e crianças, a moçambicana Graça
actividades de interesse público ou que na sua referiu que a campanha vem preencher um va-
Após sua exposição, o escritor moçambica- Machel, para encerrar o ciclo de palestras, no
actividade beneficiam de recursos públicos de zio que se faz sentir, pois muitos cidadãos não
no respondeu às perguntas do público. En- mês de Setembro.
qualquer proveniência e tenham em seu poder têm o conhecimento da Lei.
Savana 28-07-2016 85
PUBLICIDADE
EVENTOS

Você também pode gostar