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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE TECNOLOGIAS E CIÊNCIAS

ENGENHARIA QUÍMICA 4ºANO

RELATÓRIO DE OPERAÇÕES UNITÁRIAS (3º EXPERIMENTO)

APARELHO DE LEITO FIXO E


FLUIDIZADO

Elaborado por
Arilson Gabriel ..................... 20161225
Damião Lupeia ……….......... 20161075
Hélio Liberal ......................... 20161024
Santa António .………….….. 20160906

Docente

Profº Letícia Torres

DATA DE ENTREGA DO TRABALHO: 29/04/2019


Laboratório de Operações unitárias I

ÍNDICE
INTRODUÇÃO ............................................................... Error! Bookmark not defined.
OBJECTIVOS .................................................................................................................. 5
PARTE EXPERIMENTAL .............................................................................................. 6
RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................... 6
CONCLUSÕES .............................................................................................................. 10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 11
Laboratório de Operações unitárias I
Laboratório de Operações unitárias I

INTRODUÇÃO
A fluidização é a operação pela qual as partículas sólidas são transformadas em
um estado como de um fluido através de suspensão em um gás ou líquido. A fluidização
ocorre quando um fluxo de fluido (gás ou liquido) ascendente através de um leito de
partículas adquire velocidade suficiente para suportar as partículas, porém sem arrastá-
las junto com o fluido.

Segundo Roitmam (2002), a principal aplicação da fluidização é em processos


químicos envolvendo catalisadores, como no caso do processo de craqueamento
catalítico. Nesse processo, o catalisador ao entrar no estado fluidizado, garante um
melhor contato com a alimentação devido ao aumento da área específica do catalisador
com ela, além de também permitir que o catalisador seja escoado de um vaso para outro
por diferença de pressão, como se fosse um líquido.

Ao investigarmos o processo da fluidização, percebemos que o sistema passa por


diferentes mecanismos de fluidização que dependerá de diversos fatores como: estado
físico do fluído, características do sólido, densidade do fluído e da partícula,
distribuição granulométrica do sólido e velocidade do fluído. Entre esses mecanismos,
podemos citar os de leito fixo e leito fluidizado. (BRUNETTI, 2008)

Leito Fixo

Segundo Çengel e Cimbala (2006), quando um tubo vertical parcialmente cheio


com material granular, tem gás ou líquido escoando ascendentemente através do leito a
uma taxa pequena, não se percebe movimento nas partículas. Dizemos que esse leito se
comporta como um leito fixo. Para esse tipo de escoamento, usamos a equação
conhecida como Lei de Darcy para calcular sua queda de pressão:

∆𝑃 𝜇𝑄 𝜇
= = 𝑈 (1)
𝐿 𝐾𝐴 𝐾
Onde: U – velocidade superficial do fluido; Q – vazão do fluido; μ - viscosidade do
fluido; K – permeabilidade do meio poroso; A – área da seção transversal da coluna.

Podemos calculamos a permeabilidade do meio poroso através da expressão


mais conhecida na literatura que é a correlação de Carman-Kozeny:

𝜀 3 Φ2 𝑑𝑝2
𝐾= (2)
36𝛽(1 − 𝜀)2

na qual: Φ - esfericidade; K – permeabilidade; dp – diâmetro médio das partículas; β -


fator de forma; ε - porosidade do meio. Φ e β dependerão da geometria das partículas
em questão e no caso de partículas esféricas, Φ = 1 e β = 5. Para partículas não esféricas
utilizam-se tabelas para a esfericidade e fator de forma como as encontradas em

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Laboratório de Operações unitárias I

Coulson & Richardson. Já a porosidade pode ser calculada graficamente em função da


esfericidade (Foust et al., 1982), ou analiticamente através da equação:

𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑣𝑎𝑧𝑖𝑜
𝜀= (3)
𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑜
Leito Fluidizado

Segundo Çengel e Cimbala (2006), quando a velocidade de escoamento


aumenta, percebemos que as partículas começam a ficar suspensas na coluna, o que
caracteriza o leito fluidizado. Nesse estado, a dependência de ∆P com U admite uma
forma quadrática, pelas forças inerciais predominantes. Uma das correlações bastante
empregada é a de Ergun:

150(1 − 𝜀)2 𝜇 1,75(1 − 𝜀)𝜌𝑓 2


Δ𝑃 = 3 2 2
𝑈+ 𝑈 (4)
𝜀 Φ 𝑑𝑝 𝜀 3 Φ2 𝑑𝑝

Já para determinarmos a velocidade mínima de fluidização, que corresponde ao


ponto de intersecção entre a velocidade superficial do fluído e a queda de pressão,
usamos a expressão:

Δ𝑃
= 𝑔(1 − 𝑒𝑚𝑓)(𝜌𝑠 − 𝜌) (5)
𝐿𝑚𝑓

Nesse experimento foram realizadas dois tipos de fluidização que basicamente


diferem entre si pelo estado físico do fluido utilizado no processo, que são a fluidização
sólido-gás e a fluidização líquido-gás.

Fluidização Sólido-Gás

Segundo Moreira (2015), para velocidades superiores à da fluidização incipiente,


uma porção do fluxo de gás percola entre as partículas, enquanto o restante do fluido
atravessa o leito na forma de bolhas. Baseado nesta teoria foi desenvolvido uma
equação para prever a altura máxima (L) do leito:

𝑢 − 𝑢𝑚𝑓
𝐿 = 𝐿𝑚𝑓 (1 + ) (6)
0,35√𝑔𝐷𝑐

Fluidização Sólido-Líquido

A queda de pressão teórica neste caso é também dada pela eq. (7), enquanto que
a previsão da expansão do leito (ε) pode ser analisada através de correlações empíricas.
Uma das mais conhecidas é a de Richardson e Zaki (1954):

𝑈
= 𝜀𝑅𝑍 𝑛 (7)
𝑈𝑡

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OBJECTIVOS
Objectivo Geral

 Estudar o comportamento fluidodinâmico de sistemas sólido-fluido por meio de


medidas experimentais de variáveis como diferença de pressão e caudal
volumétrico do fluido, que permitem a determinação de parâmetros
característicos do comportamento do leito.

Objectivos Específicos

 Estabelecer uma análise de comparação gráfica entre o diferencial de pressão


contra o fluxo de velocidade.
 Determinar a velocidade mínima de fluidização.
 Analisar graficamente a relação entre a altura do leito fluidizado e o caudal
volumétrico.

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PARTE EXPERIMENTAL
Equipamentos e Materiais

Procedimento Experimental

 Experiência 1: Medição da perda de pressão com fluxo de ar


Usou-se neste experimento, uma partícula de tamanho médio (dp = 0.240 mm). A
altura da massa foi h = 50 mm.
1. Abriu-se totalmente a válvula de derivação sob o medidor de fluxo da área
variável.
2. Fechou-se totalmente a válvula de agulha no medidor de fluxo da área variável.
3. Ligou-se o compressor.
4. A partir de um valor de taxa de fluxo inicial de 1 l/min anotou-se os valores de
pressão e da altura.
5. Observaram-se os primeiros movimentos das partículas e anotou-se o caudal
volumétrico associado e a diferença de pressão.
6. Repetiram-se as medições até uma taxa de fluxo de 30 (l/min)
7. Calcularam-se as velocidades de afrouxamento para cada taxa de fluxo.

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RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os dados coletados de pressão e altura do leito, para diferentes vazões, estão
apresentados na Tabela 1 a seguir. Os valores da velocidade foram calculados e
apresentados na referida tabela.

Tabela 1. Dados coletados da experiência 1 em função das diferentes vazões e obtidos


referentes a altura do leito, pressão e velocidade.

Perda de Pressão contra o Caudal do Fluído


Q, l/min 1 2 3 4 5 5,5 6 10 20 30
-3
W, m/s*10 1,83 3,65 5,48 7,31 9,13 10,04 10,96 18,26 36,53 54,79
P, mmWG Aumento 22 39 54 68 70 70 71 73 73,5 74
h, mm 5 5 5 5 5 5,2 5,3 6,25 8 9,5

O gráfico da queda de pressão em função da velocidade do gás para o leito é


apresentado na Figura a seguir. No gráfico (1), observa-se o comportamento de leito
fixo nas vazões iniciais, onde a velocidade é menor. Após o início da velocidade
mínima de fluidização (velocidade de afrouxamento), observa-se o início da fluidização
do leito, que aumenta à medida que a velocidade do fluido aumenta. Nota-se que a
variação da pressão ocorre de maneira acentuada até o início da fluidização e se
estabiliza após a velocidade de afrouxamento.

Pressão vs Fluxo de Velocidade


80
Diferencial de Pressão (mmWG)

70
60
50
40
30
20
10
0
0 10 20 30 40 50 60
Fluxo de Velocidade "W" (m/s*10-3)

Gráfico (1) Avaliação da Pressão em função da Velocidade de Fluidização do leito gás-


sólido

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Laboratório de Operações unitárias I

Para determinação do ponto de mínima fluidização, utilizou-se o gráfico ΔP vs


W, Gráfico (2), no qual foram construídas duas linhas de tendência, uma
compreendendo o leito fixo e outra após o ponto de mínima fluidização observada
durante a experiência. Com as equações da reta obtidas, igualaram-se as equações para
obtenção da velocidade mínima de fluidização, Wmf = 0,009234 m/s, que está
compreendido entre as vazões de 5 l/min e 5,5 l/min. Esse valor confirma a velocidade
de fluidização observada durante a experiência.

Pressão vs Fluxo de Velocidade


90
Diferencial de Pressão (mmWG)

80
70
y = 0,0572x + 71,151
60
R² = 0,7299
50
40 Leito Fixo
y = 5,9598x + 16,644
30 Leito Fluidizado
R² = 0,9198
20
10
0
0 10 20 30 40 50 60
Fluxo de Velocidade "W" (m/s*10-3)

Gráfico (2) Determinação da velocidade mínima de fluidização (Wmf)

Igualando os (y) das duas equações da recta, teremos:

5,9598𝑥 + 16,644 = 0,0572𝑥 + 71,151

𝑥 = 0,009234 𝑚/𝑠

Percebe-se que a partir da vazão de 5,5 l/min, a variação de pressão vai se


estabilizando, caracterizando dessa forma a fluidização do leito.

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Laboratório de Operações unitárias I

Altura vs Caudal Volumétrico


10
Altura do leito Fluidizado (mm)

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
0 5 10 15 20 25 30 35
Caudal Volumétrico (l/min)

Gráfico (3) Altura do leito Fluidizado vs Caudal volumétrico

Observando a tabela (1) verificamos que os primeiros pontos são


correspondentes ao comportamento do leito fixo, pois a queda de pressão cresce
proporcionalmente com a vazão do fluído. Assim, comprova-se que nesses pontos onde
há baixas vazões ou velocidades de escoamento, o fluído percola entre as partículas,
sem, contudo fazer com que elas se movam umas em relação às outras. Os outros
pontos, no entanto, indicam o comportamento do leito a partir do momento em que
começa a fluidização. Nessa região as partículas se comportam como um líquido em
ebulição e não a muitos obstáculos a serem superados pelo fluído, uma vez que a
porosidade das partículas aumenta de um valor na condição de leito fixo para um valor
na situação de mínima fluidização.

Nas primeiras vazões a altura de leito permaneceu constante e a queda de


pressão crescente, pois ainda se tratava de leito fixo, onde a altura permanece constante
com o aumento da vazão.

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Laboratório de Operações unitárias I

CONCLUSÕES
A partir da análise de valores experimentais foi possível relacionar a queda de
pressão no leito à vazão de fluído de trabalho. Assim foi possível observar uma queda
de pressão nos pontos iniciais correspondentes ao comportamento de um leito fixo
comprovando que nesse sistema baixas vazões fazem com que o fluído percorra o leito
sem causar movimentação significativa entre as partículas em seguida os resultados
indicaram uma menor variação de pressão entre os pontos indicando a fluidização do
leito.

A partir dos resultados obtidos determinou-se a velocidade de afrouxamento


com um valor de aproximadamente 9,2*10-3 m/s, altura do leito de 5,2 milímetros e uma
Pressão de 70 mmWG.

Recomendações:

 Para próximos experimentos é recomendável que o aparelho em questão seja


bem calibrado pois que não foi possível cumprir o procedimento dado devido o
mal fucionamento do aparelho, obrigando-nos a realizar simplesmente uma parte
do processo.
 É recomendável também que se tenha uma régua ou outro instrumento que
permita maior facilidade e exatidão para a medição da altura.

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Laboratório de Operações unitárias I

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAGA, N. D. P.; TRINDADE JR., V. N. Roteiro Experimental: Fluidização. São
Luís: Universidade Federal do Maranhão: [s.n.], 2016.

BRUNETTI, F. Mecânica dos Fluídos. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Pearson Prentice Hall,
2008.

ÇENGEL, Y. A.; CIMBALA, J. M. Fluid Mechanics: Fundamentals and Applications.


1ª. ed. New York: [s.n.], 2006.

FIGUEROA, J. E. J. Notas de aula: Mecanismos de fluidização. São Luís:


Universidade Federal do Maranhão: [s.n.], 2016.

MOREIRA, M. F. P. Leito fixo e leitos expandidos. Universidade Estadual do Oeste


do Paraná, Toledo-PR: [s.n.], 2015.

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