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Espaço geográfico: objeto de estudo da Geografia

O conceito de espaço geográfico é complexo e abrangente. Entre as definições


possíveis, podemos considerar espaço geográfico a combinação entre
elementos naturais e construídos pelo ser humano (fixos) e as pessoas,
mercadorias, finanças e informações (fluxos).
O espaço geográfico pode ser definido como resultado das relações
econômicas, políticas e culturais, e tem como ator principal o ser humano.
Assim, a Geografia dedica-se ao estudo dessas relações e de seu papel na
construção e transformação do espaço.
Segundo o geógrafo Jacques Levy (1935-2004), a distância é o elemento
central do espaço geográfico.

Paisagem pode ser considerada um conjunto de formas que, em determinado


momento, revelam as relações entre o homem e a natureza em diferentes
épocas.
O geógrafo Milton Santos afirma:
Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é o conjunto de formas
que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as
sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas
formas mais a vida que as anima.

Podemos identificar nas paisagens todos os elementos que fazem parte do


espaço em interação:
- Elementos naturais: relevo, clima, vegetação, rios, oceanos.
- Elementos culturais: plantações, cidades, estradas, indústrias e muitas outras
realizações da sociedade.
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Para explicar as transformações das paisagens,
o geógrafo pode utilizar diferentes escalas de tempo:
- O tempo histórico, que é contado em séculos e assinala fatos históricos
marcantes, como o fim e o início de grandes civilizações, as Grandes
Navegações (séculos XV e XVI), a Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX).
- O tempo cíclico, que marca a ocorrência de um fenômeno que se repete em
ciclos, ou seja, em intervalos de duração variável. Podemos citar, por exemplo,
eventos sociais, como a migração de trabalhadores rurais do Agreste para a
Zona da Mata nordestina, nos períodos de safra; e eventos naturais, como
terremotos, erupções vulcânicas e o El Niño.

El Niño: fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico que se


manifesta no litoral do Peru.

- O tempo geológico, calculado em eras e períodos. Marca acontecimentos de


duração muito longa, como a história da formação da Terra e dos continentes.
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Além do equador, outros quatro paralelos, como sabemos, têm denominação
própria: o círculo polar Ártico e o trópico de Câncer, no hemisfério norte, e o
trópico de Capricórnio e o círculo polar Antártico, no hemisfério sul.

A latitude é a distância, medida em graus, de qualquer ponto da superfície


terrestre ao equador.
Ela é expressa em graus e varia de 0° a 90° para o norte (N) ou para o sul (S).
Assim, todos os pontos situados ao norte do equador têm latitude norte e os
que ficam ao sul dessa linha têm latitude sul

Meridianos são linhas imaginárias que cortam perpendicularmente os paralelos


e vão de um polo a outro.

Longitude é a distância, medida em graus, de qualquer lugar da Terra ao


meridiano de Greenwich, e varia de 0° a 180° para leste (L) ou para oeste (O)

Nenhum meridiano circunda totalmente a esfera terrestre. Na outra face está o


meridiano oposto, ou antimeridiano. O meridiano inicial tem longitude 0° e, por
convenção internacional, foi adotado como ponto de partida para a numeração
dos demais meridianos. É uma linha que passa pelos jardins do
Observatório Real Astronômico de Greenwich, um subúrbio londrino (Reino
Unido). Daí ser chamado meridiano de Greenwich

Os paralelos delimitam as zonas climáticas ou térmicas da Terra:


- Zona tropical ou intertropical. Localiza-se entre os trópicos de Câncer
(23°27’ de latitude norte) e de Capricórnio (23°27’ de latitude sul). Pelo fato
de os raios solares incidirem quase perpendicularmente durante o ano todo, é a
zona mais quente da Terra.
- Zonas temperadas. A zona temperada do Norte está localizada entre o
trópico de Câncer (23°27’ de latitude norte) e o círculo polar Ártico (66°33’ de
latitude norte); a zona temperada do Sul está localizada entre o trópico de
Capricórnio (23°27’ de latitude sul) e o círculo polar Antártico
(66°33’ de latitude sul). São zonas menos quentes do que a zona tropical
porque recebem raios solares mais inclinados (oblíquos).
- Zonas polares ou glaciais. Localizam-se ao norte do círculo polar Ártico —
66°33’ de latitude norte (zona polar ou glacial Ártica) e ao sul do círculo polar
Antártico — 66°33’ de latitude sul (zona polar ou glacial Antártica). Os raios
solares atingem essas zonas de modo muito inclinado e somente durante parte
do ano, o que as torna as mais frias da Terra.

Os fusos horários
A diferença de horas entre os vários lugares da Terra criou a necessidade de
estabelecer uma forma comum de marcar a hora local. Foi definido um sistema
de 24 fusos horários, 12 faixas para leste e 12 para oeste, que resultam da
divisão da circunferência terrestre pelas 24 horas do dia. Esse sistema pode
ser explicado da seguinte maneira: Ao girar, a Terra expõe ao Sol a superfície
terrestre, que tem 360° de circunferência. Considerando que o planeta leva 24
horas para realizar seu movimento de rotação, veremos que, a cada hora, o Sol
ilumina uma faixa de 15° na superfície terrestre (360° : 24 = 15°). Essas faixas
são chamadas fusos horários. Exatamente no meio de cada uma dessas faixas
(7°30) passa um meridiano que determina a hora local do fuso, chamada hora
legal. Geralmente, a hora legal de cada lugar é determinada pela hora legal de
seu fuso.

A contagem dos fusos inicia-se no meridiano de Greenwich, o meridiano inicial.


A hora marcada nesse meridiano é conhecida como GMT (Greenwich Mean
Time — Hora Média de Greenwich), e o primeiro fuso — o fuso de Londres —
está compreendido entre 7°30’ O e 7°30 L do meridiano inicial, totalizando os
15° que formam um fuso horário. Levando em consideração que a Terra, em
seu movimento de rotação, gira de oeste para leste e que o Sol surge primeiro
nos lugares situados a leste, sempre que caminhamos nessa direção as horas
aumentam. No sentido contrário (oeste), as horas diminuem. Portanto, todos os
fusos a leste do meridiano de Greenwich têm seus horários adiantados e todos
os fusos a oeste têm seus horários atrasados em relação ao meridiano inicial.

O contexto internacional do horário de verão


A Alemanha foi o primeiro país a adotar o horário de verão, em 1916, pois
havia a necessidade de economizar energia a fim de se fortalecer para a
guerra. A partir de então, diversos países do mundo passaram a adotar a
medida, sempre com o objetivo de usar de forma racional a energia elétrica.
Atualmente, vários países no mundo adotam o horário de verão, alterando o
horário convencional para aproveitar a luminosidade natural.
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Periélio: ponto da órbita em que um planeta está mais próximo do Sol.
Afélio: ponto da órbita em que um planeta está mais afastado do Sol.

O tempo que o planeta Terra demora a dar uma volta completa ao redor do Sol
é chamado ano. O ano civil, adotado por convenção, tem 365 dias. Como o
tempo real do movimento de translação (ano sideral) é de 365 dias e 6
horas, a cada quatro anos temos um ano de 366 dias, o ano bissexto.

Equinócio
Entre os dias 20 e 21 de março, os raios de Sol incidem perpendicularmente
sobre a linha do equador, fazendo com que o dia e a noite tenham a mesma
duração (exatamente 12 horas) na maior parte dos lugares da Terra. Daí o
nome equinócio (noites iguais aos dias). Nesse dia, no hemisfério norte, é o
equinócio de primavera e, no hemisfério sul, o equinócio de outono. Entre os
dias 22 e 23 de setembro ocorre o contrário: é o equinócio de primavera no
hemisfério sul, e o equinócio de outono no hemisfério norte.

Solstício
Entre os dias 21 e 23 de junho os raios solares chegam verticalmente ao
trópico de Câncer (23°27’ N). Nesse momento, ocorre o solstício de verão no
hemisfério norte. É o dia mais longo e a noite mais curta do ano, que marcam o
início do verão. No hemisfério sul, acontece o solstício de inverno, com a noite
mais longa do ano, marcando o início da estação fria.
Entre os dias 21 e 23 de dezembro, os raios de Sol incidem verticalmente
sobre o trópico de Capricórnio (23°27’ S). É o solstício de verão no hemisfério
sul, com o dia mais longo do ano e o início do verão. No hemisfério norte, é a
noite mais longa do ano e o início do inverno.
Nas regiões intertropicais, principalmente nas proximidades do equador, a
duração dos dias e das noites quase não varia, e as estações do ano são
pouco diferenciadas.

Cartografia e tecnologia
Assim como a Geografia, a Cartografia é um conhecimento antigo e há muito
tempo faz parte da ciência geográfica. A elaboração de mapas começou na
Antiguidade.
O mapa mais antigo do qual se tem registro foi encontrado na Mesopotâmia,
atual Iraque. Anaximandro (610 a.C.-547 a.C.), discípulo de Tales de Mileto, é
considerado o primeiro cartógrafo. Em seu mapa, a Terra flutuava no espaço e
não havia referência à sua forma.

Atualmente, podemos distinguir dois tipos de cartografia:


- Analógica ou convencional, que apresenta mapas em papel, elaborados
com aparelhos manuais.
- Numérica ou computadorizada, que aplica a informática na confecção de
mapas e cartas.

Geomática: a cartografia computadorizada


De maneira simples, podemos definir geomática como a ciência e a tecnologia
de coletar, interpretar e utilizar informações geográficas. Utiliza dados
coletados por satélites e por trabalho de campo, reunidos e processados em
computadores. Seus principais produtos são mapas digitais e bases de dados.

Projeções cartográficas
A rede de paralelos e meridianos sobre a qual desenhamos um mapa constitui
o que chamamos de projeção cartográfica. Sua aplicação envolve conceitos
matemáticos e geométricos.
As projeções cartográficas permitem representar uma superfície curva em uma
superfície plana com menor distorção que o simples achatamento do elipsoide.

Projeções cilíndricas
Nessa projeção, muito usada para representar planisférios, os paralelos e os
meridianos são projetados sobre um cilindro, que é planificado posteriormente.
Os paralelos, retos e horizontais, e os meridianos, retos e verticais, formam
ângulos retos. Com a projeção cilíndrica, podemos representar a Terra inteira.

Projeção cônica
Nos mapas com projeção cônica, o globo terrestre (ou parte dele) é projetado
em um cone tangente à superfície de referência, que depois é planificado. Esse
tipo de projeção apresenta maior deformação na base e no vértice do cone, por
isso é usado para representar regiões menores. Nessa projeção, os meridianos
são radiais porque surgem de um mesmo ponto, e os paralelos são círculos
concêntricos, isto é, têm o mesmo centro. A projeção cônica conforme de
Lambert é muito utilizada nas cartas que cobrem toda a Europa em escalas
iguais ou inferiores a 1 : 500 000, além de ser a projeção oficial de países como
Bélgica e Estônia.

Projeções azimutais
Também chamadas de projeções planas, são elaboradas a partir de um ponto
tangente sobre a superfície da Terra. Meridianos e paralelos são projetados
sobre um plano apoiado em um ponto que geralmente está nos polos ou no
equador, mas encontramos projeções azimutais centradas em outros pontos da
Terra. Por isso, podemos considerar três modalidades de projeções azimutais:
oblíqua, polar e equatorial. O ponto de tangência torna-se o centro do mapa
construído dessa maneira. Geralmente, esse centro apresenta pequenas
deformações que se acentuam à medida que nos afastamos dele.

Topografia
A técnica utilizada para analisar o relevo do solo e que representa as
diferenças de altitude por meio de curvas de nível é chamada topografia. A
imagem resultante desse processo é a carta topográfica, muito usada em
projetos de engenharia, agronomia, arquitetura e urbanismo.

Curvas de nível
As curvas de nível, também chamadas isoípsas, são linhas que unem pontos
de igual altitude na superfície representada. Os intervalos existentes entre
essas linhas são equidistantes, isto é, têm sempre a mesma medida.

Litosfera: é a esfera da Terra formada por rochas e minerais.

Termoluminescência: emissão de luz em virtude do aquecimento de minerais


entre 50°C e 475°C

O princípio da isostasia
O princípio da isostasia (do grego isos = igual e stasis = equilíbrio) explica o
estado de equilíbrio dos blocos continentais que flutuam sobre o manto: os
blocos mais pesados (cadeias de montanhas) mergulham mais profundamente
no manto do que os mais leves (planícies e depressões). Por tanto, quanto
mais alto e mais pesado for o bloco terrestre, maior será a parte mergulhada no
manto, compensando sua altura.

Teoria da Deriva dos Continentes


Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener retomou as ideias de
Ortelius e de Snider-Pellegrini, elaborando a Teoria da Deriva dos Continentes.
Segundo Wegener, há 200 milhões de anos teria existido um único
supercontinente, a Pangeia (do grego, ‘ todas as terras), cercado por um único
oceano, o Pantalassa (palavra grega que significa ‘ todos os mares). Nessa
época, a Pangeia teria iniciado seu processo de fragmentação, dando origem
aos atuais continentes.

Outro grande defensor da Teoria da Deriva dos Continentes, Alexander du Toit


(1878-1948), professor da Universidade de Johannesburgo, na África do Sul,
propôs que, na Era Mesozoica, a Pangeia teria se dividido em dois continentes:
Laurásia (América do Norte e Eurásia), ao norte, e Gondwana (América do Sul,
África, Antártida, Austrália e Índia), ao sul.
As duas partes eram separadas pelo mar de Tétis.

Teoria das Placas Tectônicas


Rifte: fraturas na crosta oceânica e na continental, provocadas por forças
tectônicas, que levam ao desenvolvimento de vales profundos.
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A litosfera não é uma crosta contínua: ela está dividida em placas com
espessura bastante variada, as chamadas placas tectônicas ou litosféricas, que
flutuam sobre a astenosfera, onde o material pastoso está em estado de
semifusão.

Limites convergentes
Há pontos onde as placas se encontram e colidem, os chamados limites
convergentes, ou zona de subducção. Nesses limites, uma das placas
mergulha por baixo da outra e retorna à astenosfera.

Encontro de uma placa oceânica com uma placa continental. Quando isso
acontece, geralmente formam-se fossas abissais.
Um exemplo é a fossa Peru-Chile, onde a placa de Nazca mergulha sob a
placa Sul-Americana.

Fossas abissais: são as depressões mais profundas encontradas no fundo


dos oceanos.

Encontro de duas placas oceânicas. Nesse caso, podem dar origem a arcos
vulcânicos, que são cadeias de montanhas ou ilhas vulcânicas formadas
próximo aos continentes, em limites convergentes de placas tectônicas. O
arquipélago japonês e a fossa do Japão resultam desse tipo de limite.

Encontro de duas placas continentais. Nesse caso, a subducção do tipo


oceânica não ocorre. Em vez de uma placa mergulhar sob a outra, geralmente
elas se sobrepõem. O exemplo mais conhecido é o choque da placa
Euro-Asiática com a placa Indiana, que originou a cadeia do Himalaia.

Limites divergentes
Esse tipo de limite também é chamado cristas em expansão, ou margens
construtivas. Nesses pontos as placas estão em processo de separação: o
magma vindo do interior da Terra causa o afastamento das placas tectônicas e,
consequentemente, a formação de uma nova crosta oceânica, ou seja, um
novo assoalho oceânico.